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Numero do processo: 13603.722325/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007
PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA
O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO
O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição.
Numero da decisão: 2401-004.674
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição.
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INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 25 /2 01 0- 80 Fl. 1114DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.115 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0234.146 (fls. 929/940): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 RATEIO DE DESPESAS COMUNS DE GRUPO ECONÔMICO. Não há na legislação previdenciária previsão para rateio de despesas comuns de grupo econômico, o assunto encontrase fundamento no artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias, devidas à Seguridade Social, nos termos do disposto no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. PRODUÇÃO DE PROVAS. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei vigente, nos termos da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo teve sua origem no Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.261.6534 (fls. 02/48), consolidado em 15/09/2010, no montante de R$ 71.234,21. Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 44/48), o presente AI constituiu crédito da Previdência Social referente a contribuições a cargo de segurados empregados relativas à salários de contribuições pagos, apurados conforme descrito a seguir: Incidente sobre os salários de contribuições pagos a segurados empregados conforme discriminado na Planilha 1 SALÁRIOS APURADOS DA CONTABILIDADE, Fl. 1116DF CARF MF 4 período de janeiro a dezembro de 2006 e janeiro ao décimo terceiro salário de 2007, discriminados no Levantamento AA, e não declarados em GFIP, conforme demonstrado na Planilha 2 SALÁRIOS APURADOS FP MAIS CONTABILIDADE VERSUS GFIP. Os valores contidos nas planilhas foram obtidos através do exame da contabilidade, das folhas de pagamento e arquivos magnéticos no formato MANAD, apresentadas pelo Sujeito Passivo. A fiscalização constatou que os valores pagos de salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário foram escriturados a débito como despesas, na contabilidade. O Sujeito Passivo não apresentou a relação nominal dos segurados empregados beneficiados pelos pagamentos alegando não ter realizado tais pagamentos. Justificou estes lançamentos como sendo pagamentos de rateio de despesas com a empresa Logística Ouro Fino LTDA – CNPJ 04.771.902/000182, conforme previsto no Contrato de Rateio de Despesas apresentado (fls. 239/245). Tal argumentação não foi acatado pela fiscalização pelos motivos elencados nos itens “Ia” a “Il” (fls. 44/45). Tais contribuições não foram caracterizadas como apropriação indébita, por terem sido apuradas exclusivamente pelo confronto entre os valores de remunerações contidos nas folhas de pagamento de salários, nas GFIP e na contabilidade O Sujeito Passivo tomou ciência da autuação em 29/10/2010 (fl. 02) e, em 28/10/2010, juntamente com as empresas do grupo econômico, indicadas na Relação dos sujeitos passivos solidários ao presente Auto de Infração (fl. 03), apresentou sua Impugnação (fls. 53/77), onde em síntese alegaram que: 1. Não restou provado o cometimento de infração que justifique o AI e a inclusão das demais empresas do Grupo Econômico como sujeitos passivos solidários, sendo o AI genérico, embasado em suposições e relações inexistentes, e a descrição dos fatos, os documentos acostados e os demonstrativos elaborados inconsistentes; 2. O prazo para apresentação de defesa e para levantar todos os documentos necessários foi exíguo em virtude do número de Autos de Infração lavrados, 6 (seis) no total, e do número de empresas incluídas no polo passivo, razão pela qual solicitou prazo suplementar de 20 (vinte) dias para juntada de documentos indispensáveis ao deslinde das questões; 3. O Contrato de Rateio de Despesas (fls. 239/245) e a contabilização desses rateios são regulares, estando amparados pela legislação civil e do imposto de renda, e que as despesas rateadas são indispensáveis a realização de suas atividades, são usuais e normais nas operações, transações e atividades da empresa, são objeto de um contrato escrito e tem valores reembolsados razoáveis e com comprovações fiscais e/ou documentais, de acordo com os requisitos estabelecidos na legislação tributária; 4. O TST já se manifestou quanto ao compartilhamento de recursos humanos por mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, afirmando que a prestação de serviços durante a mesma jornada de trabalho não caracteriza a coexistência de mais de um contrato; Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.116 5 5. As despesas com aluguel do prédio, energia elétrica, segurança, limpeza, vigilância são também rateadas entre as empresas do mesmo grupo pelas mesmas razões do rateio dos recursos humanos; 6. Em face da natureza dos serviços rateados e do Parecer Normativo nº 32/81, da Coordenação do Sistema de Tributação, o art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda é perfeitamente aplicável ao caso em tela, uma vez que, as características das atividades da empresa impugnante (comércio atacadista de produtos e drogas de uso veterinário) justificam o enquadramento das despesas incorridas como operacionais, dedutíveis na apuração do lucro real e, por conseguinte, passíveis de rateio, além de serem aceitas pela jurisprudência; 7. As despesas incorridas foram contabilizadas em contas de resultado (receitas e despesas), que se mostravam as mais adequadas para contabilizar as despesas rateadas, porque não representam nenhum elemento patrimonial de bem, direito, obrigação ou patrimônio líquido, servindo apenas para demonstração de resultado. Se contabilizassem os valores rateados em contas de patrimônio, a título de obrigações, conforme queria a fiscalização, isso implicaria em informações erradas sobre o passivo da empresa, influenciando diretamente no seu patrimônio; 8. Não houve descumprimento do Princípio da Entidade já que as despesas rateadas e escrituradas em sua contabilidade foram realizadas por ela mesma (cita acordão do Conselho de Contribuintes); 9. As despesas rateadas são passíveis de dedução para cálculo do Imposto de Renda, o que não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de incidência de Contribuição Previdenciária; 10. O fundamento jurídico usado pelo fiscal para desconsiderar o contrato de rateio (art. 123, do CTN) não se aplica, pois, o contrato não se presta para alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributos, transferindo para outrem, e nem para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias; 11. Todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a impugnante e seus empregados foram regularmente recolhidos, portanto, qualquer exigência de pagamento de diferença de recolhimento acarretaria uma duplicidade de pagamento; 12. O fiscal, ao aplicar o parágrafo único do artigo 116 do CTN, para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pela Impugnante nos contratos de rateio de despesas e de comodato, aplicou de forma arbitrária norma anti elisiva ainda não regulamentada no ordenamento jurídico, afrontando o Princípio da Legalidade pois, a redação do parágrafo único do art. 116 do CTN estabelece que não há auto aplicabilidade do comando nele inserido, não havendo até aquele momento regulamentação desta norma geral; Fl. 1118DF CARF MF 6 13. Os fins almejados pela Impugnante encontram respaldo no artigo 170 da Constituição Federal, que o contrato de rateio de despesas pretende unicamente otimizar e minimizar os impactos dos custos e despesas incorridas em suas atividades, através do compartilhamento dos departamentos administrativos de outra empresa do mesmo grupo econômico, da mesma forma, o contrato de comodato, pretendia apenas obter um lugar para o registro e funcionamento da Impugnante. 14. Se valeu de contratos escritos, previstos na legislação vigente e com observância das normas jurídicas atinentes, sem afronta a preceitos legais e sem intuito de fraude ou simulação. A ilegalidade dos fins almejados pela impugnante, que é requisito indispensável para a configuração de fraude, não restou comprovada pela fiscalização; 15. A Impugnante sempre recolheu regularmente e integralmente todos os tributos a que está sujeita, não estando em mora com o fisco, e por isso não podendo ser obrigada a recolher novamente as contribuições previdenciárias de mesma natureza e nos mesmos valores, como se nada tivesse recolhido, sob pena de incorrer em grave prejuízo à Impugnante, em virtude de enriquecimento sem causa por parte do fisco federal; Finalizam sua impugnação pedindo que seja revisto o auto de infração, decretandose sua nulidade, bem como dos autos de infração reflexos 37.261.6526, 37.261.6542, 37.261.6550, 37.261.6569 e 37.261.6577, cancelandose todos os atos que deles se originarem e abstendose de propor quaisquer medidas contra a impugnante, seja judicial ou administrativa, inclusive de incluir o seu nome no CADIN. Pedem também que seja cancelada a autuação em relação as demais empresas do grupo econômico, incluídas no pólo passivo, na condição de solidárias, bem como poder provar o alegado por todas as formas em direito admitidas, notadamente pela juntada de documentos, expedição de ofícios, realização de perícias, vistorias, enfim, tudo que possa elucidar a presente. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento e, a 7ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto do relator que integram o julgado de fls. 929 a 940. Os Sujeitos Passivos solidários foram notificados do Acórdão de nº 02 34.146 em 30/09/2011 (fl. 953) e, em 31/10/2011, apresentaram Recurso Voluntário (fls. 1.059/1.080), onde fazem uma Síntese dos fatos e em seguida alegam: 1. PRELIMINAR – DA NECESSIDADE DE CONCESSÃO DE PRAZO SUPLEMENTAR PARA JUNTADA DE PROVAS (fls. 1.062/1063). Pleiteiam concessão de prazo suplementar, na forma da alínea “a” do § 4º, e do § 5º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista o grande volume de documentos a serem juntados no processo administrativo, em decorrência da lavratura de 6 Autos de Infração, incluindo 10 empresas do mesmo grupo econômico como solidárias. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.117 7 2. DA INEXISTENCIA DAS INFRAÇÕES APONTADAS PELA FISCALIZAÇÃO RELATIVAS A RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS EMPREGADOS – DA REGULARIDADE E LEGALIDADE DO RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO (fls. 1.063/1.076). Informam que no Acordão da DRJ/BHE o Julgador Tributário de 1ª instância concluiu: · Pela rejeição do contrato de rateio, celebrando entre as empresas Minas Logística Ouro Fino Ltda. e Logística Ouro Fino Ltda., justificando que este tipo de contrato não encontra respaldo na legislação previdenciária, mas tão somente na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, e por isso não importaria para o deslinde da questão em debate; · Que as verbas contabilizadas constituem base de cálculo de incidência de Contribuição Previdenciária, sob a responsabilidade da empresa autuada, independentemente da forma de pagamento; · Que o registro contábil decorrente de rateio de despesas não retira a responsabilidade do Recorrente pelos recolhimentos das contribuições incidentes e nem da obrigação de reter e recolher a contribuição de 11% sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratados com cessão de mãodeobra; · Que, por força do art. 123 do CTN, o contrato de rateio de despesas, por ser convenção particular, não pode ser oposto a Fazenda Pública; · Que, os documentos apresentados a título de comprovação dos recolhimentos dos encargos e contribuições não foram acolhidos por impossibilidade de saber se tais recolhimentos se referem aos valores apurados pela fiscalização. Afirmam que as conclusões postas na decisão de 1ª instância carecem de sentido e não encontram amparo e fundamentos jurídicos nos fatos e documentos trazidos aos autos, argumentando que: · A Jurisprudência administrativa federal já firmou entendimento no sentido de que o rateio de despesas deve ser considerado para fins de incidência, não só do IRPJ e CSLL, mas também das Contribuições Sociais do PIS e da COFINS, bastando apenas que haja previsão contratual que estabeleça de forma expressa os critérios e coeficientes de rateio, e que os valores rateados decorram da efetiva utilização dos serviços Fl. 1120DF CARF MF 8 necessários, normais e usuais na atividade das empresas. Cita jurisprudências (fls. 1.472/1.473) ; · A regularidade do contrato de rateio firmado serve para comprovar que as verbas apontadas pela fiscalização não possuem natureza de fato gerador de Contribuições Previdenciárias uma vez que decorrem de mero reembolso de valores rateados de despesas, feita entre empresas do mesmo grupo econômico, portanto, não são base de incidência de Contribuições Previdenciárias, uma vez que não se coadunam com o conceito de remuneração, dado a sua natureza de mero reembolso de despesas, não lhe aplicando o disposto no art. 30, inciso i, alíneas A e B, da Lei 8.212/91; · O art. 123, do CTN, não pode ser usado como argumento para a não aceitação do contrato de rateio, já que o referido contrato não se presta a alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributos, e muito menos para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes; · O Contrato de rateio firmado pela Recorrente objetivava o compartilhamento da estrutura física e pessoal nos serviços administrativos, uma vez que a empresa Logística Ouro Fino Ltda. tinha todos os departamentos administrativos estruturados, em pleno funcionamento e com capacidade de atender, além de sua própria demanda, a demanda da Recorrente; · Pela simples leitura do contrato de rateio (fls. 103/109) fica claro que todos os equipamentos, prédio, material e, principalmente, recursos humanos, pertencem à empresa Logística Ouro Fino Ltda., pois foram contratados por ela, possuindo com ela as respectivas relações trabalhistas e previdenciárias, portanto, a ela cabia a responsabilidade pelo pagamento das folhas e pela apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias e encargos trabalhistas. Da mesma forma, fica claro que a Recorrente apenas reembolsava à Logística Ouro Fino Ltda. as despesas rateadas, nos termos do contrato firmado; · A empresa Logística Ouro Fino Ltda., na condição empregador dos recursos humanos empregados nos serviços administrativos prestados (sujeito passivo das respectivas contribuições), apurou, reteve e recolheu regularmente todas a contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, cabendo à Recorrente apenas o reembolso dessas despesas na proporção que lhe cabe; · Em relação aos documentos apresentados pelas Recorrentes, estes devem ser acolhidos pois, pelas suas análises, há sim como saber que os recolhimentos se referem de fato aos valores apurados pela fiscalização e que, as contribuições Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.118 9 previdenciárias, de responsabilidade da empresa Logística Ouro Fino Ltda., foram por ela regularmente recolhidos. 3. DO ERRO IN JUDICANDO NA APLICAÇÃO DO ARTIGO 149 DO CTN PARA JUSTIFICAR A DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS PRATICADOS PELA RECORRENTE – DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO § ÚNICO DO ARTIGO 116 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ANTE A AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO (fls. 1.076/1.078). Afirmam que o Julgador de 1ª instância, ao justificar a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, afirmou que, mesmo antes da inclusão desse artigo no dispositivo legal, a autoridade fiscal já estava autorizada para desconsiderar atos e negócios jurídicos do contribuinte pelo inciso VII do art. 149 do CTN. Ao decidir desta forma o Julgador aplicou fundamento legal totalmente estranho aos fatos e fundamentos de direito constantes do processo, isto porque, a acusação fundamenta a desconsideração do contrato de comodato no parágrafo único, do art. 116, do CTN, e não no disposto no inciso VII, do art. 149, do CTN. Ponderam que o Julgador, mesmo tendo liberdade para apreciar as provas e elementos dos autos, não pode decidir extrapolando os limites da lide consubstanciada no processo pois, ao fazêlo, incorre em error in judicando, razão pela qual, a norma geral antissimulação, presente no art. 149, do CTN, usada para justificar a desconstituição dos atos praticados pela Recorrente, deve ser afastada. Dizem que o parágrafo único do art. 116, do CTN, é norma de eficácia limitada que depende de outras providências legais para que possa surtir os efeitos almejados pelo legislador, tanto que ela indica no seu próprio texto a necessidade de uma legislação futura que lhe atribua eficácia, o que não aconteceu até o momento da fiscalização. Concluem dizendo que as práticas empresariais adotadas pela Recorrente, mais especificamente o contrato de rateio de despesas, foram implementadas sem afronta a preceitos legais e sem intuito de fraude ou simulação, não podendo, portanto, ser desconstituídas arbitrariamente pela autoridade fiscal, sob o manto da norma geral anti elisiva. 4. DA COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES QUESTIONADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO – DA IRREGULARIDADE DA INCLUSÃO DAS DEMAIS EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO NA CONDIÇÃO DE SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. Informam que na parte final da decisão de 1ª instância o Julgador concluiu que não houve a efetiva comprovação dos recolhimentos das contribuições apuradas pela fiscalização, seja pela Recorrente ou pelas demais empresas do grupo econômico, e que estava correta a Fl. 1122DF CARF MF 10 inclusão das demais empresas do grupo econômico no polo passivo, na condição de responsáveis solidários, por ser realidade normativa inscrita não apenas no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, com respaldo no inciso II, do art. 124, do CTN, mas também em outros dispositivos legais. Concluem dizendo que se o Julgador tivesse atentado para os documentos acostados pela Recorrente aos autos, bem como para a clareza de suas afirmações, teria observado que foi sim comprovado a retenção e recolhimento das obrigações previdenciárias questionadas pela fiscalização, ainda mais pelo fato de que na solidariedade passiva, os pagamentos efetuados por um devedor solidário devem obrigatoriamente aproveitar aos demais, liberando todos os outros devedores. Finalizam o Recurso Voluntário pedindo que: 5. Seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário; 6. Reformada in totum a decisão de 1ª instância administrativa, cancelandose os itens impugnados do presente AIIM; 7. Cancelados os Autos de Infração reflexos de nºs 37.261.6526, 37.261.6542, 37.261.6550, 37.261.6569 e 37.261.6577; 8. Cancelada a autuação em relação as demais empresas pertencentes ao grupo econômico, incluídas como sujeitos solidários; 9. Na hipótese de não acolhimento do pedido de cancelamento, seja deferido o prazo suplementar para juntada de demais documentos a fim de demonstrar a efetiva retenção e recolhimento das Contribuições Previdenciárias a cargo dos segurados empregados, feitos pela empresa Logística Ouro Fino Ltda.; Por fim, pleiteiam o direito de realizar sustentação oral por ocasião do julgamento por uma das Seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do inciso II, do art. 58, do Regimento Interno do CARF, Portaria nº 256/2009. É o relatório. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.119 11 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância Preliminarmente, aduz a pessoa jurídica Recorrente que a negativa do pleito requerido inicialmente quanto ao deferimento de prazo suplementar para a apresentação de documentos com vistas a prestigiar o princípio da verdade material, implicaria na nulidade do julgado. Entendo que não assiste razão à Recorrente. Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção, esclarecendo ainda que toda a documentação juntada aos autos até a data do julgamento foi analisada e levada em consideração na sua decisão, senão vejamos: A prova documental deve ser apresentada juntamente com a defesa, salvo nas exceções do artigo 16, inciso III, § 4º e §5º do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal, e desde que o impugnante apresente petição fundamentada com a ocorrência das condições previstas no citado artigo. Entretanto, registrese que toda a documentação juntada aos autos até a presente data, foi devidamente analisada e levada em consideração nesta decisão. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece na Seção VI concernente ao julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Fl. 1124DF CARF MF 12 Mérito Conforme se verifica do Relatório Fiscal, a autoridade autuante procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe, com vista à constituição de crédito tributário a cargo dos segurados empregados, incidente sobre Salários de contribuições pagos a segurados empregados, conforme discriminado na planilha nº 1, denominada “salários apurados na contabilidade”, aplicandose para tanto a alíquota mínima de 7,65% (sete, sessenta e cinco por cento) vigente no período fiscalizado, por não ter sido possível a individualização por segurado empregado do valores pagos. Foi constatada pela fiscalização a existência de grupo econômico de fato, tendo sido lavrado termo de sujeição passiva em face das pessoas integrantes do grupo e desconsiderados atos ou negócios jurídicos com base no art. 116 do Código Tributário Nacional; Não foi considerado o contrato de rateio por força do art. 123 do Código Tributário Nacional. Em alegações recursais, pleiteia a recorrente pela reforma da decisão de primeira instância e o cancelamento do Auto de Infração principal e reflexos, aduzindo que os valores apontados pela fiscalização não são base de incidência de contribuições previdenciárias, vez que não se caracterizam como remuneração paga a segurados empregados, mas sim como mero reembolso de despesas. Assevera ainda que o contrato de rateio de despesas não se presta para alterar a responsabilidade pelo pagamento do tributo, e nem para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, tendo como objetivo ratear, compartilhar despesas incorridas entre empresas do mesmo grupo econômico. Passamos, pois, à análise dos pontos suscitados na peça recursal. Do rateio das despesas entre empresas do mesmo grupo econômico Consoante se observa dos autos do processo administrativo, para a comprovação do pagamento de salários de contribuição a segurados empregados, a fiscalização tomou como base de suporte do lançamento o registro de valores constantes na contabilidade da empresa, escriturados como débito, relativos às despesas com pagamentos de salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro. Segundo o ilustre Auditor Fiscal, o valor contábil não é um dado arbitrário porque foi oferecido pelo próprio sujeito passivo. De acordo com o Relatório Fiscal, instado a apresentar a relação nominal dos segurados empregados beneficiados por tais pagamentos, o sujeito passivo informou que não realizou referidos pagamentos a empregados e justificou os lançamentos em sua contabilidade como sendo de restituição de despesas à empresa Logística Ouro Fino LTDA, apresentando para tanto contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo a recorrente, a empresa Logística Ouro Fino, na condição de empregadora dos recursos humanos alocados nos serviços administrativos prestados, apurou, reteve e recolheu regularmente todas as contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, cujas despesas foram posteriormente rateadas com a recorrente, na forma do contrato. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.120 13 Tratase, assim, de questão que envolve o rateio de custos/despesas entre empresas do mesmo grupo econômico, mais especificamente, as despesas concernentes aos serviços administrativos indicados no Anexo I do contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo o contrato de rateio de despesas, considerando que as partes integram o mesmo grupo econômico, e que a Logística Ouro Fino Ltda detém infra estrutura administrativa e operacional para atuar em benefício da Minas Logística Ltda nas atividades referentes aos serviços administrativos que esta última necessita para o desenvolvimento das referidas atividades, resolvem ratear as despesas incorridas pela Logística Ouro Fino. Para o reembolso das despesas, a Logística Ouro Fino envia mensalmente à Minas Logística um relatório contendo (i) os valores a serem reembolsados e os critérios de rateio utilizados; (ii) demonstrativo das atividades desenvolvidas e despesas totais incorridas; (iii) a correspondente nota de débito. Após o envio da nota de débito a empresa Minas Logística terá vinte dias úteis para efetuar a transferência bancária, de acordo com as instruções previamente fornecidas pela Logística Ouro Fino, a qual obrigase a comunicar a Minas Logística qualquer alteração de procedimentos pretendida que possa afetar significativamente o valor das despesas incorridas nas atividades objeto do rateio. Com efeito, o compartilhamento de custos e despesas entre empresas com interesses comuns, não deve ter o intuito de lucro, mas tão somente a finalidade de ratear ou alocar custos ou despesas de acordo com a proporção dos benefícios auferidos com o ressarcimento respectivo dos custos incorridos para a realização das atividades. A despeito do rateio de despesas, no âmbito administrativo, foi publicada a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de Setembro de 2013, em que assevera ser perfeitamente possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativas comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Referida SD Cosit nº 23, explicita as regras de dedutibilidade dos custos e despesas do rateio, consoante norma prevista no art. 299 do Decreto nº 3.000/1999, e destaca em seus fundamentos o que segue: 10. De outro lado, devese reconhecer que o direito ao livre exercício da atividade empresarial, aliado também à globalização da economia verificada nas últimas décadas, levou à situação de que em muitos grupos econômicos, diversos departamentos de áreas consideradas “meio” (administração, contabilidade, jurídico etc), por questões de logística e de racionalização econômica, têm sua estrutura concentrada em uma única empresa, sendo que, posteriormente, as despesas mensais com a manutenção de tais departamentos são rateadas entre todas as empresas do grupo beneficiárias dos serviços centralizados. 11. No caso do processo em exame, no tocante à aludida operação de rateio de despesas, a finalidade principal atribuída Fl. 1126DF CARF MF 14 à recorrente é a de administrar os interesses das empresas do grupo e reduzir os custos/despesas comuns, relativos aos gastos administrativos necessários e usuais a todas elas. 12. Sendo assim, como coadunar as orientações destacadas no item 8 com uma operação contábil centralizada, amplamente praticada no mundo real, com a finalidade de agregar despesas operacionais incorridas por diversas empresas, entidades autônomas componentes de um mesmo grupo, relacionadas a departamentos de apoio administrativo concentrados? 13. Neste aspecto, é certo que toda empresa pode ter um planejamento que vise à consecução de seus objetivos, com custos mais baixos e produtividade maximizada. Entretanto, tal planejamento não pode colidir com a legislação fiscal (a esse respeito ver o comando do art. 123 do CTN). 14. Destaquese ainda o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação nº 347/1970 (DOU de 29/10/1970), que conclui que a forma de escriturar as operações é de livre escolha do contribuinte, porém, desde que dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade. 15. Assim, a forma de rateio de despesas administrativas pode, em tese, ficar a critério do contribuinte, desde que tais operações estejam de acordo com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos ou que não levem a um resultado diferente do legítimo, assim como devem permitir a suficiente clareza e segurança para a verificação e os controles por parte da autoridade fiscal. 16. De todo o exposto, uma resposta positiva ao item 12 envolve, necessariamente, um revestimento (combinado) de clareza, razoabilidade, formalidade, assentamento contábil e legalidade fiscal a ser conferido a toda a operação concentrada. (Grifamos). Pelo exame dos documentos constantes às fls. 629/765 (extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), verifico a existência dos pagamentos efetuados pela recorrente Minas Logística Ouro Fino LTDA para a empresa Logística Ouro Fino LTDA, correspondentes aos reembolsos relativos às despesas constantes nos históricos das respectivas Notas de Débito, no mesmo período correspondente ao lançamento. Não vislumbro que o caso tratarseia de oposição à fazenda pública de convenção particular visando a modificação de sujeito passivo ou das obrigações tributárias correspondentes, com relação à responsabilidade para o pagamento de tributos (art. 123 do CTN), conforme destacado na acusação fiscal. Constato sim a existência de ressarcimentos em virtude de rateio pactuado entre empresas no mesmo grupo, o que é corroborado pela própria administração fazendária (SD Cosit nº 23/2013) e regulado pelo art. 299 do Decreto nº 3.000/1999. Nesse ponto, verifico a existência de contrato hígido que tem como objetivo ratear despesas incorridas pela empresa Logística Ouro Fino LTDA no desenvolvimento dos serviços administrativos descritos no Anexo I do contrato, estabelecendo para tanto os critérios previamente definidos para a verificação dos controles necessários. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.121 15 Dessa forma, entendo que o contrato de rateio de despesas cumpre o objetivo ao qual se destina e, juntamente com as notas fiscais de débito emitidas e as transferências bancárias efetivadas, comprovadas através dos documentos adunados aos autos, demonstram que os valores registrados na contabilidade referemse às despesas incorridas pela empresa decorrentes do referido contrato de rateio, tendo assim natureza de reembolso. Registro ainda que, in casu, para a caracterização do fato gerador das contribuições previdenciárias, sequer haveria necessidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos, mormente porque, tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes seus efeitos desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios (art. 116, I, do CTN). Dessa feita, o contrato de rateio de fls. 103/109, bem como os documentos fls. 629/765, servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade, no entanto, tal registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador estabelecido nos arts. 20, 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91. Da identificação do fato gerador das Contribuições Previdenciárias De acordo com o que se observa do Relatório Fiscal, foram apurados valores a título de contribuição previdenciária incidente sobre prestação de serviços remunerados à empresa, por segurados empregados, conforme a sua escrituração contábil. No entanto, a apuração de tais créditos tributários foi efetuada em total desacordo com a realidade fática apresentada no bojo processo administrativo em tela. É certo que o lançamento fiscal deve vir acompanhado da prova robusta da sua acusação. No caso em apreço, a informação genérica da autoridade administrativa não foi suficiente para comprovar a existência dos pressupostos legais para a incidência da contribuição previdenciária. A motivação dos atos administrativos deve ser explícita, clara e congruente, conforme se depreende do artigo 50 da Lei nº 9.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I Neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II Imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Inobstante a seriedade do trabalho da autoridade autuante, o lançamento não conseguiu se aprofundar no exame dos elementos dos fatos envolvidos, consubstanciando sua Fl. 1128DF CARF MF 16 base principal em pilares precários que não atestam de modo irrefutável a ocorrência do fato gerador, consoante exigência do artigo 142 do CTN. Destarte, o lançamento como atividade administrativa vinculada e obrigatória, exige da autoridade fiscal a clara verificação do fato gerador, a matéria tributável e sua base de incidência, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse diapasão, não basta a verificação de forma isolada dos registros contábeis sem a comprovação da existência do fato gerador descrito na hipótese de incidência tributária. Em virtude da natureza ex lege da obrigação tributária, o simples registro na contabilidade não faz nascer a obrigação de pagar tributo se não se verificaram as circunstâncias materiais necessárias à ocorrência do fato gerador correspondente. Vejase que, em face do que se constata dos documentos analisados nos autos, além da realidade dos fatos que ora se apresenta, a circunstância de estar registrado textualmente na contabilidade determinados fatos não é suficiente, por si só, para a configuração do fato gerador da contribuição social previdenciária de forma desconexa com a realidade. A relação previdenciária exige uma apuração mais acurada de forma a garantir a legalidade e, via de consequência, a segurança jurídica. Importante, nesse aspecto, trazer à colação a norma contida nos na Lei 8.212/91: Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95). Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.122 17 I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b)recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; Cumpre ainda transcrever os preceitos insculpidos no artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho, caracterizador do empregado: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Nesse aspecto, verificase que as divergências apuradas surgiram do cruzamento entre os registros contábeis e as informações contidas nas GFIPs, sendo que não foram encontradas nenhuma divergência entre os valores constantes nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, conforme planilha 2 (fls 98), em que o batimento confere nos centavos. A diferença que serviu de base para a lavratura do Auto de Infração ora em debate, foi constatada apenas e tão somente nos registros relacionados aos ressarcimentos de rateios, embora as despesas estejam devidamente comprovadas através dos pagamentos dos valores informados na prestação de contas (fls. 629/765 extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), já demonstrado no item anterior. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. Por outro lado, os pagamentos perfectibilizados pela Minas Logística Ouro Fino LTDA à empresa Logística Ouro Fino LTDA, nos exatos valores correspondentes ao histórico das despesas administrativas demonstrada (629/765), ratificam o entendimento de que os registros contábeis se referiam aos ressarcimentos estabelecidos no contrato de rateio, não configurando a existência do fato gerador conforme a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (Art. 114 do CTN). Isso demonstra que o procedimento adotado pela fiscalização não se aprofundou na busca da verdade real dos fatos ocorridos, com a devida consideração dos elementos materiais do contrato de rateio de despesas. Sequer foi determinada a intimação dos sujeitos passivos solidários para apresentarem documentos objetivando esclarecer se foram efetuados os pagamentos das contribuições questionadas concernentes aos serviços destacados nas planilhas de prestação de contas e registrados na contabilidade da Minas Logística. Fl. 1130DF CARF MF 18 Não obstante a falta de intimação dos sujeitos passivos solidários para a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, a empresa recorrente, objetivando demonstrar que não ocorreu prejuízo ao erário, trouxe aos autos comprovantes dos pagamentos efetuados pela Logística Ouro Fino à título de contribuição previdenciária, conforme GFIP´s apresentadas com a relação dos funcionários e pagamentos correspondentes às contribuições devidas em relação a todos os empregados, nos termos do § 1º, do art. 225 do Decreto nº 3.048/99 (fls. 833/1.309). Referidos documentos, embora por amostragem, reforça o entendimento de que os valores denominados “salários apurados na contabilidade” não correspondem ao fato gerador noticiado na acusação fiscal. Impende ainda salientar que o rigor na garantia da busca da verdade material para a correta apuração do fato gerador já foi objeto de decisão no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.º, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. [...] (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) Assim, os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária, razão porque afasto a exigência contida no lançamento. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 13603.722325/201080 Acórdão n.º 2401004.674 S2C4T1 Fl. 1.123 19 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, exonerando o crédito tributário exigido no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1132DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000107/2009-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplica-se o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplica-se o art. 173, I, do mesmo Código.
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento com retorno dos autos à turma a quo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplica-se o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplica-se o art. 173, I, do mesmo Código. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplicase o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplicase o art. 173, I, do mesmo Código. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 07 /2 00 9- 55 Fl. 167DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento com retorno dos autos à turma a quo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP nº. 37.202.3754) referente às Contribuições Sociais Previdenciárias relativas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE), no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência do lançamento ocorreu em 03/03/2009 (fls. 01). Em sessão plenária de 16/10/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403001.660 (fls. 111 a 137), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 9202005.220 CSRFT2 Fl. 168 3 A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2004 a 12/2004, a ciência do AIOP ocorreu em 03.03.2009, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO LOCAL DE LAVRATURA Conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de CoResponsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. Fl. 169DF CARF MF 4 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN. Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até a competência 02/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. E no mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/01/2013 (fls. 131) e, em 11/01/2013, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 139 a 147 (Despacho de Encaminhamento de fls. 148), visando rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 314/2013, de 1º/04/2013 (fls. 150 a 154). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega em síntese: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 9202005.220 CSRFT2 Fl. 169 5 quanto à decadência, que deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, uma vez que não tenha houve recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas; no que tange à multa, ao invés de aplicarse o art. 35, caput da Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, da mesma lei, que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Intimada, a Contribuinte quedouse silente (despacho de fls. 516). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP nº. 37.202.3754) referente às Contribuições Sociais Previdenciárias relativas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE), no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência do lançamento ocorreu em 03/03/2009 (fls. 01). Quanto à decadência, por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12/08/2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 171DF CARF MF 6 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 9202005.220 CSRFT2 Fl. 170 7 Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento antecipado. Nesse passo, o acórdão recorrido assim registra: "Na hipótese presente, verificase que o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, disposto às fls. 11 a 12, apresenta, dentre as competências objeto do presente AIOP, vários pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal de 01/2004 a 12/2004. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do AIOP pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 03.03.2009 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 01/2004 a 12/2004. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 02/2004, inclusive." Entretanto, os valores tidos como pagamentos, na verdade não possuem tal natureza. O Relatório Fiscal assim registra, às fls. 28: "6. As contribuições destinadas às entidades denominadas "Terceiros" conforme item 1 deste relatório foram apuradas através do método de ARBITRAMENTO/ AFERIÇÃO INDIRETA fundamentado na legislação em vigor. Convém esclarecer que o procedimento do arbitramento foi adotado pela fiscalização em razão do sujeito passivo ter emitido mensalmente Notas Fiscais de Prestação de Serviços do período de 01 a 12/2004 contradizendo assim; os documentos apresentados: Rais Negativa 2004 e GFIP's sem movimento/2004; não ter apresentado folhas de pagamento de todo o período fiscalizado e nem mesmo ter comprovado que os serviços prestados constantes das referidas notas tenham sido executados através de subcontratação de mão de obra." Assim, resta claro que não restou comprovada a realização de pagamentos, o que é confirmado pelo DAD Demonstrativo Analítico de Débitos de fls. 04 em diante. Destarte, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN, resta afastada a decadência, de sorte que o Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser provido. Quanto à multa aplicada, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 173DF CARF MF 8 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 9202005.220 CSRFT2 Fl. 171 9 pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 175DF CARF MF 10 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 176DF CARF MF Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 9202005.220 CSRFT2 Fl. 172 11 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 177DF CARF MF 12 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15983.000107/200955 Acórdão n.º 9202005.220 CSRFT2 Fl. 173 13 § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme oart. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma doart. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pelaLei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pelaLei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação daMedida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4ºO valor das multas aplicadas, na forma doart. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto noart. 35 Adaquela Lei, acrescido pelaLei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, afastando a decadência e determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Fl. 179DF CARF MF 14 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11613.000162/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador:05/09/2006
A APLICAÇÃO DE PENALIDADE REQUER ESTRITA ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A HIPÓTESE LEGAL DE INCIDÊNCIA.
A fundamentação do Auto de Infração para aplicação da penalidade, no caso, foi com base no descumprimento de prazo, estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, o que não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.158-35/01. Recurso de Ofício a que se nega.
Numero da decisão: 3201-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pela Embargada, a Advogada Marluzi A. C. Barros, OAB nº 896B/BA.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A fundamentação do Auto de Infração para aplicação da penalidade, no caso, foi com base no descumprimento de prazo, estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, o que não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/01. Recurso de Ofício a que se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pela Embargada, a Advogada Marluzi A. C. Barros, OAB nº 896B/BA. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 01 62 /2 00 8- 11 Fl. 110DF CARF MF 2 Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 02/12, constituído para cobrança de R$ 6.104.326,31 (seis milhões, cento e quatro mil, trezentos e vinte e seis reais e trinta e um centavos) , referente à multa administrativa prevista no parágrafo único do art. 88, da Medida Provisória (MP) nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, relacionada à operação processada por meio da Declaração de Importação (DI) nº 06/10595991, registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) em 05/09/2006. A autuação foi motivada pela constatação do não cumprimento do prazo estipulado no artigo 22, § 1º, da Instrução Normativa (IN) SRF nº 327, de 9 de maio de 2003, quando da solicitação pelo interessado de retificação da DI em tela. A descrição dos fatos feita pela fiscalização pode ser resumida conforme a seguir: os pedidos de retificação de DI do interessado decorrem, em alguns casos, de processos de importação de matériasprimas constituídas de minérios transportados a granel, em cuja composição constam, inclusive, alguns metais nobres; em razão da falta da informação no momento do desembaraço da real composição química do material importado, a fatura comercial instrutiva da DI é apresentada com dados provisórios, oriundos de estimativa com base no total de produto embarcado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados [quanto à composição e valor] por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, emitida com base em análises técnicas especializadas; a Instrução Normativa SRF nº 327/03, autoriza a retificação do valor aduaneiro de uma DI, quando esse não for definitivo. Estabelece, todavia, como requisitos para a alteração, que o importador informe a situação no campo Informações Complementares da DI e que as causas que deram incerteza ao valor sejam devidamente comprovadas. Determina, ainda, que o valor estimado deverá ser retificado pelo importador dentro de até noventa dias, permitindo a flexibilização desse prazo pela fiscalização, desde que o interessado faça prova da necessidade de um tempo mais dilatado, ressalvando, ainda, como requisito para o deferimento, que a dilação tenha sido declarada por ocasião do registro da DI; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11613.000162/200811 Acórdão n.º 3201002.430 S3C2T1 Fl. 111 3 segundo o mesmo artigo, o valor estimado será considerado como definitivamente declarado se findo o prazo de noventa dias ou outro regularmente requerido não tiver sido procedida a retificação da DI; nos Dados Complementares da DI foi informado que: "PREÇO PROVISÓRIO SUJEITO A VARIAÇÃO DEVIDO A ANALISE QUÍMICA E PERÍODO COTACIONAL DOS METAIS". A possibilidade de variação, portanto, foi atendida quanto a esse item de informação da situação na própria DI. Não consta pedido para prorrogação do referido prazo; a fatura constante na DI era provisória e perderia sua validade em 05/12/06, prazo de 90 dias para apresentação da fatura definitiva; somente em 21/12/06 foi apresentado, conforme cópia de documento protocolado em anexo, o requerimento para a juntada da fatura definitiva à DI. Portanto, a interessada deixou de apresentar a fatura comercial no prazo fixado, com o respectivo pedido de retificação, configurando, com isso, a infração ora autuada; o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 17, de 17 de junho de 2004, tornou explícito o reconhecimento de que a aplicação da multa do inciso I, do art. 633, do Regulamento Aduaneiro [se refere ao Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002] estava incondicionada à evidenciação da intenção do agente, erigindo, portanto, a caracterização do fato como condição suficiente à imposição da respectiva cominação; no momento em que o ADI SRF nº 17/04 estabelece o entendimento de que a constatação de diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação é suficiente para a aplicação da multa administrativa de 100% da diferença entre ambos os preços, há de se entender que tal constatação exige a declaração de um preço que, subsequentemente, se revela não corresponder àquele efetivamente praticado na importação; tal ocorre quando o importador apresenta preço provisório da mercadoria, requer prazo diferenciado para apresentar a retificação, deixa referido prazo transcorrer sem nenhuma justificativa formal e, depois de superado o prazo regulamentar, resolve apresentar os valores efetivamente praticados, quando o preço provisório, por força do decurso de prazo da IN SRF nº 327/03, já havia se tornado definitivo; a legislação não considera regular a retificação extemporânea, uma vez que torna definitiva a fatura provisória não retificada no prazo, incorrendo esses casos na hipótese de incidência da multa administrativa referida anteriormente. Da impugnação Inconformado quanto ao auto de infração, do qual foi cientificado em 29/07/08 (fl. 02), o interessado apresentou em 21/08/08, a impugnação de fls. 22/34 onde alega, em síntese, que apresentou em 21/12/06, portanto, Fl. 112DF CARF MF 4 apenas 16 dias do prazo outrora concedido, a retificação de DI definitiva, após a conclusão do processo de arbitragem que estabelecera o preço definitivo da mercadoria e que, inobstante a apresentação da retificação da DI fora do prazo inicialmente conferido, há de se falar ainda dos fundamentos constitucionais atingidos pela abusividade com a imposição de multa fundada em bases equivocadas que não merece qualquer respaldo dessa Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em seguida, após discorrer sobre a fundamentação da autuação, o interessado continua sua defesa rechaçando a aplicação da multa prevista no art. 84, da MP nº 2.15835 com a redação dada pelo § 1º, do art. 69, da Lei nº 10.833/03 [sic], faz explanação sobre o que entende ser a correta interpretação da lei tributária, afirma que a exação contraria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, por fim, requer: a) A nulidade do Auto de infração por contrariar princípios constitucionais que se impõem à atividade da Administração: razoabilidade, proporcionalidade, direito de propriedade, vedação do efeito confiscatório e proibição do excesso na fixação de multa. b) Caso desacolhido o pleito de nulidade, apenas sucessivamente, a Impugnante requer seja reduzido o valor da multa que lhe foi aplicada, tendose em vista os princípios da CF antes invocados. c) Por fim, que julguem integralmente procedente a presente IMPUGNAÇÃO pelas razões de fato e de direito acima expendidas, cancelando a multa objeto da autuação por ser totalmente descabida e desproporcional. O pleito foi julgado procedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FOR no 0824.467, de 20/12/2012, proferido pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/09/2006 A APLICAÇÃO DE PENALIDADE REQUER ESTRITA ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A HIPÓTESE LEGAL DE INCIDÊNCIA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/01. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. O julgamento de primeira instância concluiu, nos seguintes termos: Assim, concluo que, no presente caso, o descumprimento do prazo estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11613.000162/200811 Acórdão n.º 3201002.430 S3C2T1 Fl. 112 5 pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/01, regulamentado à época pelo art. 633, inc. I, do Decreto nº 4.543/02, também não sendo aplicável ao caso, por consequência, o ADI SRF nº 17/04. Portanto, o julgamento foi no sentido de exonerar a autuada do crédito tributário exigido. Assim sendo, a DRJ/Fortaleza recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, por força do recurso necessário. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso (de ofício) atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Registrese que PARANAPANEMA S/A é a sucessora por incorporação universal da CARAÍBA METAIS S/A. Versa o presente recurso de ofício onde se discute a multa administrativa prevista no parágrafo único do art. 88, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, relacionada à operação processada por meio da Declaração de Importação (DI) nº 06/10595991, registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) em 5 de setembro de 2006. Inicialmente, o AI contém, portanto, o seguinte enquadramento legal: MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 27/08/2001. 100,00% Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/01, e regulamentado pelo art. 633, inciso I , do Decreto n° 4.543/02. Verificase na Descrição dos Fatos e Enquadramento Fiscal do respectivo Auto de Infração, os fatos para entendimento da situação: Os pedidos de retificação de Declarações de Importação do Interessado decorrem, em alguns casos, de processos de importação de matériasprimas constituídas de minérios transportados a granel, em cuja composição consta, inclusive, alguns metais nobres. A composição exata das matériasprimas só vem a ser conhecida após a chegada da mercadoria no Pais, com base em laudo de análise providenciada pelo Fl. 114DF CARF MF 6 exportador/vendedor. Tal documento, cuja apresentação na SRFB fica a cargo do importador, possibilita o real conhecimento da composição química do material importado, com a indicação do percentual de cada substância presente. 2. Em razão da falta dessa informação no momento do desembaraço, a fatura comercial apresentada para fins de compor os dados da DI é apresentada com dados provisórios, provenientes de estimativa com base no total de produto embarcado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, que é emitida com base nas análises técnicas especializadas, onde consta a composição percentual definitiva dos diversos metais presentes no material importado, que por sua vez também causarão alteração no valor da importação em função da oscilação na cotação internacional dos metais. A empresa é do ramo de metalurgia de minério de cobre, produto este, que quando do contrato de compra e venda, não há como ter conhecimento real do valor, somente, tendo noção, após verificação da cotação na bolsa (de Londres). Daí, se utilizar de uma fatura provisória (com prazo de 90 dias), num registro "antecipado" de DI e posterior complemento dessa DI. A fiscalização descreve: em razão da falta da informação no momento do desembaraço da real composição química do material importado, a fatura comercial instrutiva da DI é apresentada com dados provisórios, oriundos de estimativa com base no total de produto embarcado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados [quanto à composição e valor] por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, emitida com base em análises técnicas especializadas; a Instrução Normativa SRF nº 327/03 autoriza a retificação do valor aduaneiro de uma DI, quando esse não for definitivo. Estabelece, todavia, como requisitos para a alteração, que o importador informe a situação no campo Informações Complementares da DI e que as causas que deram incerteza ao valor sejam devidamente comprovadas. Determina, ainda, que o valor estimado deverá ser retificado pelo importador dentro de até noventa dias, permitindo a flexibilização desse prazo pela fiscalização, desde que o interessado faça prova da necessidade de um tempo mais dilatado, ressalvando, ainda, como requisito para o deferimento, que a dilação tenha sido declarada por ocasião do registro da DI; segundo o mesmo artigo, o valor estimado será considerado como definitivamente declarado se findo o prazo de noventa dias ou outro regularmente requerido não tiver sido procedida a retificação da DI. nos Dados Complementares das DI foi informado que: PREÇO PROVISÓRIO SUJEITO A VARIAÇÃO DEVIDO A ANÁLISE QUÍMICA E PERÍODO COTACIONAL DOS METAIS". A possibilidade de variação, portanto, foi atendida quanto a esse item de informação da situação na própria DI. Não consta pedido para prorrogação do referido prazo; Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11613.000162/200811 Acórdão n.º 3201002.430 S3C2T1 Fl. 113 7 a fatura constante na DI era provisória e perderia sua validade em 90 dias; somente depois dos 90 dias foram apresentados, conforme cópias dos documentos protocolados em anexo, os requerimentos para as juntadas das faturas definitivas às DI e para as retificações cabíveis. Portanto, a interessada DEIXOU DE APRESENTAR AS FATURAS COMERCIAIS NO PRAZO REGULAMENTAR, COM OS RESPECTIVOS PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO, configurando, com isso, a infração ora autuada [destaques do original]; No entanto, verificase que a empresa argumenta que: considerando a variação ocorrida, foi realizada a retificação das DI quando do conhecimento do preço efetivo das matériasprimas importadas, que foi diferente na DI antecipada; e que no momento do registro das DI, requereu que a retificação se efetivasse no prazo de 90 dias, mas por motivos alheios à sua vontade não pode cumprir o prazo informado inicialmente, apresentando o pleito de retificação e a fatura comercial alguns dias após tal prazo. Enfim, são importações que se processaram com as prerrogativas inerentes às transações com cláusula de revisão de preços, cuja condição foi consignada no momento do registro das DI e as autoridades aduaneiras reconheceram que os valores apresentados naquele momento eram provisórios e seriam posteriormente alterados para os valores definitivos. O litígio ocorreu em virtude da aplicação da multa prevista no parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/2001, regulamentado à época pelo art. 633, inc. I, do Decreto nº 4.543/02. O dispositivo legal em comento estabelece: Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único.Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. O art. 633, inc. I, do Decreto nº 4.543/02, dispõe: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço Fl. 116DF CARF MF 8 declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); [...]. Com base no ADI SRF nº 17/2004, a fiscalização entendeu que a solicitação extemporânea de retificação das DI em tela, em desacordo com o prazo estipulado no § 1º, do art. 22, da IN SRF nº 327/03 configuraria a hipótese prevista no dispositivo legal. O artigo único do ADI nº 17/04 determina: A aplicação da multa prevista no inciso I do art. 633 do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, independe da caracterização de fraude, sonegação ou conluio e alcança toda e qualquer situação em que seja constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Por seu turno, a referida IN SRF nº 327/03, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, dispõe em seu art. 22 que: Art. 22. Quando o valor aduaneiro não for definitivo na data do registro da Declaração de Importação (DI), em virtude de o preço a pagar ou das informações necessárias à utilização do método do valor de transação dependerem de fatores a serem implementados após a importação, devidamente comprovados, o importador deverá informar essa situação no campo Informações Complementares da DI e declarar valor estimado. § 1º O valor estimado deverá ser retificado pelo importador no prazo de até noventa dias, salvo quando o importador comprovar que a implementação dos fatores referidos no caput deste artigo se dará em prazo superior, declarado por ocasião do registro da DI. § 2º O valor estimado será considerado como definitivamente declarado se, findo o prazo estabelecido conforme o § 1º deste artigo, não tiver sido procedida a retificação da DI. § 3º O pagamento da diferença de impostos, devido em razão da retificação de que trata o § 1º deste artigo, será efetuado com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo. § 4º No caso de apuração pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização, de diferença de impostos devida, decorrente do descumprimento do disposto neste artigo, serão aplicadas as penalidades previstas na legislação.(grifei) Notese que o art. 22, caput, traz uma regra excepcional que fornece ao importador a prerrogativa de informar valor provisório de importação na data do registro da DI quando “o preço a pagar ou as informações necessárias à utilização do método do valor de transação dependerem de fatores a serem implementados após a importação, devidamente comprovados”. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11613.000162/200811 Acórdão n.º 3201002.430 S3C2T1 Fl. 114 9 Tal artigo representa a normatização, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do tratamento a ser dispensado, quanto à valoração aduaneira, aos contratos que prevêem cláusula de revisão de preços, prática comercial lícita, segundo a qual o preço é fixado apenas provisoriamente, ficando o preço definitivo a pagar sujeito a certos fatores previstos no contrato. No caso, ao final da operação ocorre a convalidação do montante adquirido e do preço do minério de cobre apurado, havendo saldo positivo, sempre ocorrerá uma complementação da diferença, no prazo acima viso, para efeitos de controle. Por sua vez, a IN SRF nº 318, de 4 de abril de 2003, tendo em vista o disposto no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) determina em seu art. 1º que, na apuração do valor aduaneiro, serão observadas as Notas Explicativas, Comentários e Opiniões Consultivas emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA). Verificase que a questão aqui tratada foi analisada no Comentário 4.1, do qual são destacados os trechos abaixo, por pertinentes ao presente caso concreto: Na prática comercial, alguns contratos prevêem uma cláusula de revisão de preços, segundo a qual o preço é fixado apenas provisoriamente, ficando o preço definitivo a pagar sujeito a certos fatores previstos nas disposições do contrato. 2. A situação pode se apresentar de diferentes maneiras [...] [...] 4. Outra situação é aquela em que o preço das mercadorias tenha sido fixado provisoriamente, porém novamente de conformidade com as disposições do contrato de venda, o preço definitivo depende de um exame ou de uma análise no momento da entrega (por exemplo, do grau de acidez dos óleos vegetais, da proporção de metal nos minérios, do teor puro da lã etc.). 5. O valor de transação das mercadorias importadas, definido no artigo 1 do Acordo, baseiase no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias. Segundo a Nota Interpretativa a este artigo, o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a efetuar pelo comprador ao vendedor pelas mercadorias importadas. Por conseguinte, nos contratos com cláusulas de revisão de preços, o valor de transação das mercadorias importadas deve ser baseado no preço definitivo total pago ou a pagar de conformidade com as estipulações contratuais. Dado que o preço efetivamente a pagar pelas mercadorias importadas pode ser determinado com base nos dados especificados no contrato, as cláusulas de revisão de preços, dos tipos descritos neste comentário, não devem ser consideradas como uma condição ou contraprestação cujo valor não possa ser determinado (ver artigo 1, parágrafo 1 (b) do Acordo). 6. Na prática, quando as cláusulas de revisão de preços já tiverem produzido pleno efeito no momento da valoração, Fl. 118DF CARF MF 10 nenhum problema surge, posto que se conhece o preço efetivamente pago ou a pagar. A situação é diferente quando as cláusulas de revisão de preços dependem de variáveis que intervém algum tempo após a importação das mercadorias. 7. Entretanto, posto que o Acordo recomenda que a valoração aduaneira se baseie, na medida do possível, no valor de transação das mercadorias objeto de valoração, e dado que o artigo 13 prevê a possibilidade de retardar a determinação definitiva do valor aduaneiro, mesmo quando não seja sempre possível determinar o preço a pagar no momento da importação, as cláusulas de revisão de preços não deverão, por si só, impedir a determinação do valor das mercadorias segundo o artigo 1 do Acordo. (grifei) Destarte, com base no que estabelece o citado Comentário 4.1 acima visto, nos casos semelhantes ao que aqui se analisa, o preço definitivo a ser considerado, sob o qual o valor de transação das mercadorias importadas deverá ser baseado, é aquele obtido após um exame ou uma análise no momento da entrega (parágrafo 4). Portanto, nos casos de importações com cláusula de revisão de preços, em que essa condição tenha sido consignada no momento do registro da DI, as autoridades aduaneiras reconhecem que o valor apresentado naquele momento é provisório e será posteriormente alterado para o valor definitivo. A declaração definitiva do valor fica sob condição suspensiva (a que foi estabelecida no contrato e cuja veracidade foi comprovada às autoridades antes do desembaraço da DI). Então, nesses casos, não há que se falar, em princípio, em divergência entre o valor declarado (ainda não resolvido) e aquele efetivamente praticado na importação. Não obstante, o § 2º, do art. 22, da IN 327/03, que estabelece que o valor estimado será considerado como definitivamente declarado se, findo o prazo estabelecido conforme o § 1º deste artigo, não tiver sido procedida a retificação da DI. Como bem observa a decisão a quo: Devese atentar para o fato de que o entendimento do art. 22 deve ser contextualizado dentro da então nova sistemática de controle do valor aduaneiro no País, instituída pelo art. 31 da mesma IN, por meio do qual foi estabelecido que os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação seriam realizados somente após o despacho aduaneiro de importação: Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11613.000162/200811 Acórdão n.º 3201002.430 S3C2T1 Fl. 115 11 Então, o regramento do § 2º, do art. 22, é estabelecer um lapso temporal, dentro do qual o importador, mesmo que venha a ser submetido a procedimento fiscal no seu estabelecimento, esteja amparado para efetuar o pagamento da diferença de impostos, devido em razão da retificação de que trata o § 1º, apenas com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo. Logo, o caráter de definitivo que se estabelece para o valor, nos termos do § 2º deve ficar adstrito aos limites de aplicação dos seguintes §§ 3º e 4º, do mesmo artigo, que tratam da perda das condições inerentes ao recolhimento espontâneo em relação ao pagamento da diferença dos impostos, que venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização. Ou seja, a interpretação dos parágrafos do comentado art. 22 deve ter o seguinte alcance, como colocou a decisão de primeira instância: o pagamento da diferença de impostos, nas retificações dentro do prazo estabelecido no § 1º do artigo, será efetuado com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo, mesmo que no lapso temporal ali estabelecido o importador venha a ser submetido a procedimento de fiscalização (regra excepcional estabelecida pelo art. 22, para os contratos com cláusula de revisão de preço); findo o prazo estabelecido no § 1º, o importador que utilizou a regra excepcional do art. 22 equiparase a todos os outros e, na ocorrência de procedimento de fiscalização em que seja apurada pela autoridade aduaneira diferença de impostos devida, decorrente do descumprimento do disposto no artigo, serão aplicadas contra os importadores inadimplentes as penalidades previstas na legislação, conforme a regra geral. Assim, o art. 22, quando trata dos procedimentos fiscais, se refere àqueles realizados de ofício, após o despacho aduaneiro, não trazendo em seu cerne disposições acerca daqueles que devam ser seguidos em casos de solicitação de retificação de DI pelo importador, estes devem seguir os trâmites comuns estabelecidos no art. 45, inc. II, da IN SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação: Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I [...] II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. [...] Fl. 120DF CARF MF 12 Observese, ainda, que o § 5º, do mesmo artigo 45, da IN SRF nº 680/2006 estabelece que: [...] § 5º Ressalvadas as diferenças decorrentes de erro de expedição, as faltas ou acréscimos de mercadoria e as divergências que não tenham sido objeto de solicitação de retificação da declaração pelo importador, que venham a ser apurados em procedimento fiscal serão objeto, conforme o caso, de lançamento de ofício dos tributos incidentes e penalidades cabíveis ou de aplicação da pena de perdimento. O que o acima citado § 5º nos diz, em outras palavras, é que as “divergências da declaração que são objeto de solicitação de retificação pelo importador”, caso venham a ser apuradas em procedimento fiscal, não estarão, naquela fiscalização, sujeitas às exações ali elencadas. É que, como já referenciado, as solicitações de retificação da declaração feitas pelo importador são analisadas em processo administrativo específico, no qual, entre outros, devem ser observados os seguintes pontos, dentre elesnão se pode negar o direito de pedir retificação de DI, seja qual for o canal de verificação ou o regime tributário pleiteado; não há prazo limite para que o importador solicite a retificação da DI, visto que o art. 137 do Decretolei nº 37/66 que estabelecia esse prazo foi revogado pela Medida Provisória 135/2003, posteriormente convertida na Lei 10.833/2003; a solicitação de retificação de iniciativa do importador caracteriza a sua espontaneidade, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional e do art. 102, do Decretolei nº 37/66; e que algumas ocorrências relativamente ao comércio exterior redundam na necessidade de se proceder retificações nos valores declarados das DI sem que isso, necessariamente, configure algum ilícito. Feitas as considerações anteriores, observese que, no presente caso concreto, a autoridade administrativa baseou sua autuação no parágrafo único, do art. 88, da MP 2.158 35/02 que estabelece: MP 2.15835/01 Art. 88. [...]. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. As importações em discussão (sulfeto de minério de cobre) se processaram com as prerrogativas inerentes às transações com cláusula de revisão de preços, essa condição foi consignada no momento do registro das DI e as autoridades aduaneiras reconheceram que os valores apresentados naquele momento eram provisórios e seriam posteriormente alterados para os valores definitivos. O deferimento dos pedidos de retificação das DI para os valores informados pelo importador, de acordo com as faturas definitivas apresentadas, significa o reconhecimento da autoridade administrativa de que os valores de transação definitivos, que se encontravam sob condição suspensiva, são os valores agora declarados pelo importador no momento da solicitação de alteração e que estes coincidem com os preços efetivamente pagos ou a pagar. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11613.000162/200811 Acórdão n.º 3201002.430 S3C2T1 Fl. 116 13 Portanto, não há que se falar em “diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado”, sendo, neste caso, inaplicável a exação imposta à empresa, visto não haver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência, pois não ocorreu fraude, tampouco sonegação e sim uma impontualidade no prazo a ser observado. Em assim sendo, não há possibilidade de aplicação da multa acima mencionada por falta de subsunção da situação à norma, pois, devese aplicar a penalidade em caso de estrita adequação entre a situação fática e a hipótese legal de incidência. Indevida a aplicação da multa de 100%, prevista no § único do art. 88 da MP 2.15835/2001, que trata de fraude e sonegação. Por todo o exposto, não cabe a cobrança da multa aplicada, pelos motivos apresentados, portanto; não merece reparo o voto da decisão de primeira instância. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.000942/2003-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
PIS. SEMESTRALIDADE. CONCESSÃO DE OFÍCIO. DIREITO CREDITÓRIO SUFICIENTE À SATISFAÇÃO DO DÉBITO EXIGIDO.
Face à declaração da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nº 2.445/88 e 2.449/88, o PIS deve ser calculado com base no critério da semestralidade disposto na Lei Complementar n° 7/70, critério este que pode ser revisado de ofício pela administração pública.
Uma vez confirmado pela fiscalização que o direito creditório do interessado foi suficiente para cobrir todo o débito declarado como compensado na DCTF, deve-se cancelar o auto de infração em sua integralidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 PIS. SEMESTRALIDADE. CONCESSÃO DE OFÍCIO. DIREITO CREDITÓRIO SUFICIENTE À SATISFAÇÃO DO DÉBITO EXIGIDO. Face à declaração da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nº 2.445/88 e 2.449/88, o PIS deve ser calculado com base no critério da semestralidade disposto na Lei Complementar n° 7/70, critério este que pode ser revisado de ofício pela administração pública. Uma vez confirmado pela fiscalização que o direito creditório do interessado foi suficiente para cobrir todo o débito declarado como compensado na DCTF, deve-se cancelar o auto de infração em sua integralidade. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 PIS. SEMESTRALIDADE. CONCESSÃO DE OFÍCIO. DIREITO CREDITÓRIO SUFICIENTE À SATISFAÇÃO DO DÉBITO EXIGIDO. Face à declaração da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, o PIS deve ser calculado com base no critério da semestralidade disposto na Lei Complementar n° 7/70, critério este que pode ser revisado de ofício pela administração pública. Uma vez confirmado pela fiscalização que o direito creditório do interessado foi suficiente para cobrir todo o débito declarado como compensado na DCTF, devese cancelar o auto de infração em sua integralidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 09 42 /2 00 3- 86 Fl. 346DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF dos 1º e 4º trimestres do anocalendário de 1998, pelo qual foi exigido o recolhimento de R$ 39.180,37 relativo ao PIS, sob o fundamento de que teria havido "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata", em razão da existência de créditos vinculados não confirmados, face à não comprovação do processo judicial relacionado (vide Anexo I do auto de infração Demonstrativo de Créditos Vinculados não confirmados, em que há a informação "Proc jud não comprovad" fls. 52/53). A autuada apresentou impugnação por meio da qual argumentou que se utilizou da compensação autorizada pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91, em razão da sentença proferida nos autos do Processo nº 1997.38.00.0559450, confirmada pelo TRF da 1ª Região e transitada em julgado, que foram reconhecidos como indevidos os recolhimentos a título de PIS sob a égide dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449/88. Defendeu ainda a tese da "inaplicabilidade da Lei Complementar nº 17/73 e da aplicação da semestralidade do PIS", devendo a regulamentação do PIS restringirse ao que dispõe a Lei Complementar nº 07/70. Tendo em vista que o auto de infração havia sido lavrado sob o fundamento de que o processo judicial não havia sido comprovado, e diante da confirmação da existência do processo judicial apontado pelo contribuinte em pesquisa realizada no sítio oficial do TRF 1ª Região, o processo foi baixado em diligência para fins de que fosse: (i) verificado, à luz da decisão judicial e da legislação tributária, o direito creditório em favor da contribuinte e a possibilidade de compensação com os débitos autuados, carreando aos autos os documentos pertinentes; (ii) em caso positivo, efetuar a compensação. Em resposta, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT confirmou a existência do processo judicial em tela, tendo informado que a apuração fora realizada respeitando a legislação que modificou a alíquota e os prazos de vencimento em vigor à época do fato gerador, tendo sido afastada, no entanto, todo e qualquer efeito dos Decreto Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Ao final, concluiu que havia saldo de crédito em favor da União (vide Relatório Fiscal de fls. 115/116 dos autos). Ao analisar o caso, a DRJ em Florianópolis, consubstanciandose no referido Relatório Fiscal, entendeu por julgar procedente o lançamento, sob o fundamento de que não havia restado crédito favorável à contribuinte após o confronto dos valores devidos de PIS com aqueles efetivamente recolhidos. A decisão restou assim ementada: “COMPENSAÇÃO. Do confronto dos valores devidos de PIS, calculados com lastro na Lei Complementar n. 70/70 e alterações posteriores, exceto os Decretoslei considerados inconstitucionais, com aqueles efetivamente recolhidos, não restou crédito favorável à contribuinte”. Inconformado com o teor desta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual pleiteou o seu provimento, a fim de que fosse cancelado o auto de infração lavrado em sua integralidade. Ao se debruçar sobre o caso vertente, este Conselho entendeu, através da Resolução nº 3202000.046, em converter o julgamento em diligência, para que fosse informado o valor originário do débito do contribuinte relativo aos períodos de apuração de Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10630.000942/200386 Acórdão n.º 3301003.114 S3C3T1 Fl. 11 3 janeiro, novembro e dezembro de 1998, os quais foram objeto da autuação, bem como que fosse esclarecida a sistemática utilizada para a apuração do PIS (se a base de cálculo utilizou a semestralidade da LC 7/70, qual foi a alíquota aplicada, qual foi o fundamento legal, etc.). Naquela oportunidade, fundamentou o Relator a sua decisão no fato de a diligência anteriormente realizada nos autos ter apontado valor originário de R$ 10.350,01, enquanto que a autuação havia indicado valor originário de R$ 14.840,01, e que, apesar de tal diferença identificada, a autuação fora mantida integralmente pela DRJ. Em resposta, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT apresentou a informação fiscal de fls. 294/295 dos autos, através da qual informou que, embora a decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao contribuinte não tenha disposto expressamente sobre a semestralidade do PIS, em decorrência da Lei nº 10.522/02, art 19, dispôs que a RFB deverá rever de ofício o crédito tributário quando se tratar de matéria que, em virtude de jurisprudência pacífica dos tribunais superiores, seja objeto de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional. Sendo assim, em razão do disposto no AD PGFN nº 8 de 7 de novembro de 2006, refez os cálculos do crédito tributário em questão, tendo constatado que, após a amortização dos débitos devidos no período com os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, teria restado saldo a restituir de alguns DARFs, crédito este que teria sido utilizado pelo contribuinte para compensar débitos de PIS e de COFINS no ano de 1998 (as compensações de COFINS encontramse em discussão no processo 10630.000943/200321). Quanto às compensações do PIS, informou que foi realizada a atualização dos créditos, procedendose à compensação com os débitos próprios do PIS, como constou nas DCTFs. Chegou à conclusão, então, que o direito creditório do interessado foi suficiente para cobrir todo o débito declarado como compensado na DCTF, nada restando a exigir neste processo. Propôs, então, o cancelamento do auto de infração. O contribuinte fora intimado quanto ao teor desta diligência, tendo apresentado manifestação às fls. 320/321, através da qual reiterou o seu pedido de cancelamento do auto de infração, face ao reconhecimento por parte da própria fiscalização de inexistência de débitos a serem exigidos. Após a realização da diligência, os autos vieramse, então, conclusos para julgamento do Recurso Voluntário interposto. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, a DRJ em Florianópolis, consubstanciandose no referido Relatório Fiscal, entendeu por julgar procedente o lançamento, sob o fundamento de que não havia restado crédito favorável à contribuinte após o confronto dos valores devidos de PIS com aqueles efetivamente recolhidos. Ocorre que, após a diligência determinada por este Conselho conforme Resolução nº 3202000.046, restou reconhecido pela própria fiscalização que o direito creditório do interessado foi suficiente para cobrir todo o débito declarado como compensado na DCTF, nada restando a exigir neste processo, razão pela qual propôs o cancelamento do auto de infração. Nesse contexto, denotase que não há mais controvérsia sobre a questão (o pleito do contribuinte restou reconhecido pelo própria fiscalização), ao passo que não mais subsiste o fundamento constante da decisão recorrida, no sentido de que o contribuinte não teria comprovado o seu direito (questão solucionada conforme documentação apresentada pelo contribuinte e diligência realizada pela fiscalização). Não é demais destacar, outrossim, que o reconhecimento da improcedência da autuação pode ser realizada de ofício pela administração pública, tal qual fêlo o auditor na informação fiscal de fls. 294/295, em atendimento ao que dispõe as súmulas nº 346 e 473 do STF, que assim dispõem, respectivamente: "A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos". "A Administração pode anulas seus próprios atos, quando eivados de vícios que o tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de cancelar o auto de infração em epígrafe em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10630.000942/200386 Acórdão n.º 3301003.114 S3C3T1 Fl. 12 5 Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720657/2011-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste concomitância entre o processo administrativo e o judicial, quando o objeto e assunto do processo judicial e do processo administrativo são diferentes, não importando em renúncia à instância administrativa. Assim, o processo administrativo, deve ter seu prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada e os autos devem retornar a turma a quo para que seja analisada a questão de mérito, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 9303-004.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexiste concomitância entre o processo administrativo e o judicial, quando o objeto e assunto do processo judicial e do processo administrativo são diferentes, não importando em renúncia à instância administrativa. Assim, o processo administrativo, deve ter seu prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada e os autos devem retornar a turma a quo para que seja analisada a questão de mérito, sob pena de supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexiste concomitância entre o processo administrativo e o judicial, quando o objeto e assunto do processo judicial e do processo administrativo são diferentes, não importando em renúncia à instância administrativa. Assim, o processo administrativo, deve ter seu prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada e os autos devem retornar a turma a quo para que seja analisada a questão de mérito, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 57 /2 01 1- 66 Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16682.720657/201166 Acórdão n.º 9303004.670 CSRFT3 Fl. 937 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301.002.194 de 25 de fevereiro de 2014 (fls. 863 a 867) do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, que decidiu por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria discutida concomitantemente na esfera administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negarlhe provimento, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2010 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTOS. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A exigência das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos termos da lei cujo cumprimento o contribuinte discute perante o Poder Judiciário, configura concomitância com a instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial – fls. 879 a 889 em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso, a fim que seja reconhecida a nítida ausência de concomitância da discussão das matérias nas esferas judicial e administrativa. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 16682.720657/201166 Acórdão n.º 9303004.670 CSRFT3 Fl. 938 3 O acórdão indicado como paradigma é de n° 3401002.708 da 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento (fls. 890 a 896). O recurso especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho de fls. 909 a 912. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 918 a 933 postulando que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso é tempestivo e reúne os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A controvérsia restringese à inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas financeiras e de imóveis de renda. Em que pese a existência de ações judiciais nas quais a interessada questiona a ampliação das bases de cálculo do PIS e da Cofins, entendo procedente sua alegação de que “o processo judicial está presente nos autos apresentam aspectos totalmente diferenciados.” O debate aqui, se restringe se estão ou não as receitas financeiras e de imóveis contidas no conceito de receita operacional, objeto alheio ao processo judicial, razão pela qual entendo que não há concomitância. Analisando os autos, verifico o mandado de segurança n.º 99.00108221 quanto o presente auto de infração versam sobre a exigência da COFINS previsto no artigo 3º, §1° da Lei n.° 9.718/1998, hoje, inclusive, revogado pelo artigo 79, inciso XII da Lei n.° 11.941/2009. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16682.720657/201166 Acórdão n.º 9303004.670 CSRFT3 Fl. 939 4 No entanto, o que se discute nestes autos (Processo Administrativo) é tão somente a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras (subgrupo 36100) e receitas de rendas de imóveis (subgrupo 37111). E o que se discute nos mandados de segurança n.º 99.0010822 e n.º 2000.51.01.0051178, e a incidência do PIS/COFINS sobre as receitas decorrentes dos contratos de seguros prêmios (fls. 522/552). Alias vale ressaltar, que a Recorrente possui outro processo tramitando no CARF, que tratou da mesma matéria, mas com períodos diferentes, e que a Recorrente também impetrou Mandado de Segurança. No entanto, nesse processo não foi declarada a concomitância, senão vejamos: Acórdão: 3401002.708 Número do Processo: 19740.720084/200911 Data de Publicação: 01/09/2014 Contribuinte: AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Relator(a): ROBSON JOSE BAYERL Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2008 S EGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS E PATRIMONIAIS. COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas componentes dos resultados financeiros, registradas no Grupo 36, do plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002 e consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, e dos resultados patrimoniais, registradas no Grupo 37, não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento. Recurso voluntário provido. Transcrevo parte do voto do Conselheiro Robson José Bayerl, sobre o tema: (...) Cumpre, inicialmente, delimitar a matéria sub examine, haja vista certa nebulosidade no relatório de autuação fiscal. Assim, em que pese a descrição dos fatos, na autuação, afirmar que as receitas financeiras foram excluídas da apuração, em atenção à decisão exarada pelo TRF 2ª Região, Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16682.720657/201166 Acórdão n.º 9303004.670 CSRFT3 Fl. 940 5 a decisão de primeiro grau administrativo esclareceu a situação da seguinte forma: “13. Ao analisarmos as citadas planilhas de fls. 178 a 183, constatamos que para a apuração da base de cálculo da Cofins devida, segundo a norma então vigente, foram computados os valores indicados nas contas de receita abaixo listadas: • Prêmio Emitido – 31111 • Prêmio de Retrocessão – 31116 • Prêmio Não Ganho (Reversão) – 31120 • Outras Receitas com Operações de Seguros – 31410 • Receitas Financeiras – 36100 • Receitas de Imóveis de Renda – 37111 14. Dos valores registrados nas contas acima foram deduzidas as exclusões/deduções permitidas, bem como foram deduzidas as indenizações pagas líquidas de recuperação. 15. O contribuinte ainda detalhou nas referidas planilhas, uma segunda apuração, indicando, desta feita, estar a mesma de acordo com a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº 99.00108221. Observase que nesta o contribuinte considerou as mesmas contas de receita acima listadas, bem como as exclusões/deduções permitidas. Entretanto, não computou na base de cálculo os valores contabilizados na conta de Receitas Financeiras (36100) e na conta de Receitas de Imóveis de Renda (37111). 16. Assim, considerando o informado no presente processo de que o lançamento corresponde à diferença entre a contribuição devida em conformidade com a legislação vigente à época e a devida em conformidade com a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº 99.00108221, constatase que, em verdade, a fiscalização utilizou como base de cálculo do auto de infração os saldos das contas de Receitas Financeiras (36100) e Receitas de Imóveis de Renda (37111).” (destacado) Portanto, discutese nestes autos tãosomente a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras (subgrupo 36100) e receitas de rendas de imóveis Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16682.720657/201166 Acórdão n.º 9303004.670 CSRFT3 Fl. 941 6 (subgrupo 37111), não se estendendo à incidência da contribuição sobre os prêmios de seguros, ao passo que a última decisão proferida no mandado de segurança em comento consubstanciouse no Ag.Reg no RE 400.4798, onde o Min Cezar Peluso consignou, na parte que interessa, o que subsegue: (...) Ademais, vale ressaltar que o processo acima já foi analisado neste Colegiado em sede de Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, conforme andamento abaixo: ACOMPANHAMENTO PROCESSUAL Informações Processuais Detalhe do Processo : Processo Principal: 19740.720084/200911 Data Entrada: 01/06/2009 Contribuinte Principal: AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Tributo: COFINS Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 11/02/2014 RECURSO DE OFÍCIO 04/08/2014 RECURSO VOLUNTARIO 01/10/2014 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR 09/09/2015 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 23/12/2016 FORMALIZAR DECISAO SEPOJDIGECCARFMFDF 20/12/2016 FORMALIZAR DECISAO 3ª TURMACSRFCARFMFDF 08/12/2016 JULGADO EM SESSÃO – DECISÃO Órgão Julgador: 3ª TURMACSRFCARFMFDF Relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Data da Sessão: 08/12/2016 Hora da Sessão: 09:00 Tipo da Pauta: Ordinária Tipo Sessão: Normal Número da Decisão: 9303004.554 Resultado: Recurso Especial do Procurador Não Conhecido POR UNANIMIDADE Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16682.720657/201166 Acórdão n.º 9303004.670 CSRFT3 Fl. 942 7 Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a concomitância e devolvo o presente processo para que seja discutido o mérito do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 942DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.003780/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. PRODUÇÃO DE PROVA VÁLIDA. PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO. CONHECIMENTO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Uma vez produzida a prova válida, no entanto, deverá ela ser apreciada, independentemente de quem a tenha produzido.
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. DIREITO CREDITÓRIO DO SUJEITO PASSIVO RECONHECIDO EM MONTANTE SUFICIENTE PARA LIQUIDAR O DÉBITO. APLICAÇÃO DO INCISO II DO ART. 156 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Atestada pela unidade local a existência de valores não restituídos ou utilizados pelo sujeito passivo em montante suficiente para liquidar o crédito tributário objeto das Declarações de Compensação nº 38988.98511.050803.1.3.54-3970, nº 16147.40508.070703.1.3.54-7906, e nº 42902.95406.100603.1.3.54-9074, devem ser homologadas as compensações e extintos os créditos tributários correspondentes, com fundamento no art. 156, inciso II do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3401-003.409
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, que informou que fará declaração de voto, e Fenelon Moscoso de Almeida.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ANGELONI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. PRODUÇÃO DE PROVA VÁLIDA. PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO. CONHECIMENTO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Uma vez produzida a prova válida, no entanto, deverá ela ser apreciada, independentemente de quem a tenha produzido. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. DIREITO CREDITÓRIO DO SUJEITO PASSIVO RECONHECIDO EM MONTANTE SUFICIENTE PARA LIQUIDAR O DÉBITO. APLICAÇÃO DO INCISO II DO ART. 156 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Atestada pela unidade local a existência de valores não restituídos ou utilizados pelo sujeito passivo em montante suficiente para liquidar o crédito tributário objeto das Declarações de Compensação nº 38988.98511.050803.1.3.543970, nº 16147.40508.070703.1.3.547906, e nº 42902.95406.100603.1.3.549074, devem ser homologadas as compensações e extintos os créditos tributários correspondentes, com fundamento no art. 156, inciso II do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 37 80 /2 00 7- 31 Fl. 593DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, que informou que fará declaração de voto, e Fenelon Moscoso de Almeida. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. Relatório 1. Tratase das Declarações de Compensação nº 38988.98511.050803.1.3.543970, formulada em 05/08/2003, nº 16147.40508.070703.1.3.54 7906, formulada em 07/07/2003, e nº 42902.95406.100603.1.3.549074, formulada em 10/06/2003, todas transmitidas por meio do programa PER/DCOMP e situadas às fls. 01 a 12 dos presentes autos, que informam, como origem do crédito, decisão judicial prolatada na Ação Ordinária nº 96.80023206 e transitada em julgado em 13/05/1999, por meio da qual a contribuinte ora recorrente pretendia a compensação de valores pagos indevidamente a título de PIS com fundamento nos DecretosLeis nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 com valores do próprio PIS. 2. Reproduzimos, abaixo, pela fidelidade aos fatos, trecho do relatório presente no Acórdão DRJ nº 0722.167, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), em sessão de 03/09/2008: "(...) Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC entendeu de (sic) não homologála, em razão de que (sic) a contribuinte, apesar de deter decisão judicial que lhe reconhecia o crédito pleiteado, deixou de apresentar à autoridade fiscal, mesmo que a tal intimada por três vezes consecutivas, a 'homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia a sua execução'. Assim, diante da impossibilidade de aferição se a decisão judicial já não havia sido executada judicialmente, a DRF/Florianópolis/SC entendeu de (sic) não homologar a compensação. Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual afirma, depois de informar que a compensação ora pleiteada se destina ao aproveitamento de expurgos inflacionários associados ao crédito reconhecido judicialmente, que 'ao promover a Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 532 3 compensação dos valores recolhidos indevidamente, automaticamente, abdicou do direito de pedir a repetição do indébito' e que se 'a requerente viesse a optar pelo pedido de repetição de indébito (mera suposição), o mesmo deveria ser formalizado em ação própria, o qual estaria alicerçado na decisão judicial'. Assim, diz que por conta destas razões não há nos autos da ação declaratória que lhe reconheceu o crédito contra a Fazenda Nacional, 'homologação da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia a sua execução'. Complementa afirmando que se 'tivesse ocorrido o pedido de repetição de indébito, o mesmo seria do pleno conhecimento da Fazenda Nacional' e que 'não cabe ao contribuinte produzir prova de atos praticados em feito judicial onde a União Federal é parte'" seleção e grifos nossos. 3. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita do Acórdão DRJ nº 0722.167, proferido em sessão de 03/09/2008: CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. REQUISITO À HOMOLOGAÇÃO ADMINISTRATIVA DA COMPENSAÇÃO. Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário, ou a renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. 4. Em 08/02/2011, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 166 a 171, no qual alega, em síntese, que: (i) ingressou com a Ação Declaratória nº 96.80023206 com o objetivo de compensar os valores de PIS recolhidos com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, tendo em seu curso obtido sentença favorável, exceto quanto aos juros de mora; (ii) procedeu à correção monetária, nos termos da decisão judicial, dos valores recolhidos e compensou com aqueles devidos a título de PIS, na forma das Leis Complementares nºs 7/1970 e 17/1973; (iii) deixou, no entanto, de aplicar expurgos inflacionários, expressamente deferidos pela referida decisão judicial; (iv) as presentes compensações tratam única e exclusivamente da compensação complementar, relativa aos expurgos anteriormente não aproveitados na compensação anterior; (v) ao promover a compensação, abdicou do direito de pedir a repetição do indébito, que deveria ser formalizada por meio de ação própria, o que jamais ocorreu, e motivo pelo qual não há nos autos da ação judicial homologação da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, pois a recorrente optou pela compensação; (vi) não cabe à contribuinte produzir prova de atos praticados em feito judicial em que a União é parte; (vii) a instrução normativa é hierarquicamente inferior ao texto constitucional, ao Código Tributário Fl. 595DF CARF MF 4 Nacional, às leis e decretos que regulamentam a matéria tributária, não podendo ser aplicadas retroativamente, restringir ou impor condições à aplicação de decisão judicial com trânsito em julgado. 5. Em 07/10/2011, a extinta 1ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento proferiu a Resolução CARF nº 3801000.251, sob a presidência e relatoria da Conselheira Magda Cotta Cardozo, em cujas razões considerou que: (i) "(...) apesar da negativa da Administração ao pleito do contribuinte, vêse que à fl. 123 consta cópia de despacho exarado nos autos do processo administrativo nº 13963.000756/9935, relativo a auto de infração lavrado contra a mesma empresa, no qual a DRFFlorianópolis/SC informa que, após realização de diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, a recorrente, naqueles autos, solicitou a 'aplicação da decisão definitiva da ação ordinária nº 96.80.023206'”; (ii) o processo foi, posteriormente, encaminhado novamente à unidade para elaboração de minuta de cálculo, decorrente do julgamento definitivo proferido pelo então Conselho de Contribuintes, que determinou a aplicação da tese da semestralidade e acolheu o prazo decenal determinado judicialmente; (iii) no mesmo despacho consta "(...) ter sido elaborado novo demonstrativo de amortizações dos débitos, verificandose que a determinação administrativa gerou a extinção de todos os valores objeto daquele lançamento". 6. Com base nestas considerações, o julgamento foi convertido em diligência para a finalidade de: (i) apurar se existe crédito remanescente da decisão judicial relativa à Ação Ordinária nº 96.80023206, considerando a parcela já utilizada no processo administrativo nº 13963.000756/9935; (ii) trazer ao presente processo cópia das decisões administrativas relativas ao processo nº 13963.000756/9935; (iii) informar se existe processo de execução judicial relativa à referida ação referente ao direito creditório reconhecido; (iv) intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; e (v) retornar os presentes autos a este Conselho para prosseguimento do feito. 7. Em cumprimento à resolução proferida por este Conselho, a unidade local prestou a seguinte informação fiscal (relatório de diligência fiscal), situada à fl. 402: "Tratase de processo relativo a pedidos de compensação com alegados saldos de PISSemestralidade remanescentes da aplicação de expurgos inflacionários, em que a interessada busca a aplicação da ação judicial nº 98.80.023206. O processo foi encaminhado a este órgão para atendimento da diligência definida nas fls. 173/177 (...). (...) [Juntase] Cópia do auto de infração vinculado ao processo nº 13963.000756/9935 nas fls. 184/212, com as correspondentes decisões administrativas solicitadas nas fls. 213/257. Em relação ao aludido crédito remanescente da decisão judicial relativa à Ação Ordinária nº 96.80.023206, devese alertar que a tese da semestralidade não foi tratada na ação judicial, mas no processo administrativo nº 13963.000756/9935, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 20309.616, que aborda a ação judicial para introduzir tão somente o prazo decadencial decenal. De qualquer modo, apresentase nas fls. 258/394 a apuração dos saldos de pagamentos do período considerado no processo nº 13963.000756/9935 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 533 5 com a aplicação da tese da semestralidade e dos expurgos inflacionários. Estes saldos teriam o prazo quinquenal para serem aproveitados a partir de seu recolhimento. Como as DCOMP foram entregues apenas nos meses de junho a agosto de 2003, temse que apenas os quatro saldos de 1999 estariam disponíveis para compensação administrativa. Nas fls. 395/401, enfim, o indicativo de que a ação judicial nº 96.80.023206 está na situação baixada, depois de processadas duas execuções de sentença, sendo que a primeira foi iniciada em nome da interessada pelo valor de R$ 675.789,55 (05/2006)" (seleção, grifos e colchetes nossos). 8. Em 05/04/2012, a contribuinte apresentou manifestação acerca da diligência efetuada, na qual alegou, em síntese, que: (i) a compensação em disputa decorre de autorização judicial, que passou a surtir efeitos a partir de outubro de 1999; (ii) a informação fiscal de fl. 402 se refere à tese da semestralidade dos expurgos inflacionários, que emana de orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, conforme Recursos Especiais nº 872.828, nº 868.197 e nº 1.127.713; (iii) incorre em equívoco a autoridade fiscal ao afirmar que, como as DComp foram entregues apenas nos meses de junho a agosto de 2003, "(...) apenas os quatro saldos de 1999 estariam disponíveis para compensação administrativa", uma vez que a compensação decorre de decisão judicial prolatada nos autos da Ação nº 96.80.023206, tendo sido o pedido de compensação efetuado judicialmente com o protocolo da respectiva petição inicial em outubro de 1996; (iv) a matéria relativa à prescrição foi expressamente decidida pelo Poder Judiciário, pois o pedido formulado pela contribuinte na ação em referência foi acolhido em primeira instância e confirmado pelo Tribunal Regional da 4ª Região, que se manifestou expressamente a respeito do prazo prescricional ao apreciar embargos de declaração opostos pela União Federal: "(...) É manifesta a improcedência do recurso. Em momento algum alegou a embargante a prescrição. Pretende, agora, que o acórdão tenha sido omisso por não têla analisado. Observese, ainda, que a prescrição não pode ser decretada de ofício. Ademais, quanto ao prazo para pleitear a restituição, o voto foi explícito, citando precedente do STJ a respeito. Nego, pois, provimento aos embargos de declaração"; informou a contribuinte, ainda, que a União Federal protocolou recurso especial contra a decisão ora transcrita, que não foi admitido, o que motivou a interposição de agravo na forma de instrumento, que tampouco foi aceito, o que ensejou, por fim, abertura de vista para que a contribuinte promovesse a execução do quanto decidido; (v) o prazo para promover a compensação autorizada judicialmente iniciou, portanto, em outubro de 1999, não havendo que se falar em prescrição mesmo que se falasse do inválido prazo qüinqüenal, quanto mais do acertado prazo decenal, aplicável in casu por decorrência da posição consolidada do Superior Tribunal de Justiça, e citou os Recursos Especiais nº 1.120.244 e nº 1.137.155 e a Medida Cautelar nº 15.142; (vi) no caso presente a contribuinte requereu judicialmente a compensação, e a decisão favorável se tornara exeqüível a partir de outubro de 1999; (vii) as duas execuções de sentença que ocorreram nos autos da ação judicial nº 96.80.023206 se referem exclusivamente a verbas honorárias. 9. Em 25/02/2014, a extinta 1ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento proferiu a Resolução CARF nº 3801000.650, sob a relatoria da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, sob o pálio das seguintes razões: Fl. 597DF CARF MF 6 "Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte pretende utilizar créditos decorrentes de ação judicial transitada em julgado (autos nº 96.80.023206), na qual o Poder Judiciário reconheceu o seu direito de compensar crédito tributário decorrente de recolhimento indevido ou a maior da contribuição ao PIS. Como alega o próprio contribuinte, o crédito utilizado na presente compensação decorre, tão somente, dos expurgos inflacionários incidentes na correção do crédito tributário, cujo aproveitamento foi expressamente autorizado na ação judicial. Pois bem. A determinação de diligência anteriormente deferida tinha como objetivo que fosse aclarado, pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (SC), se os créditos reconhecidos pelo Poder Judiciário haviam sido integral ou parcialmente utilizados no processo administrativo nº 13963.000756/9935 e se eles seriam suficientes para liquidar o débito indicado no presente pedido de compensação. Neste sentido, repitase o primeiro ponto da resolução exarada: 'Apurar se existe crédito remanescente da decisão judicial relativa à Ação Ordinária nº 96.80.023206, considerando a parcela já utilizada no processo administrativo nº 13963.000756/9935' Contudo, com relação a este ponto, a fiscalização se ateve a juntar cópia dos 'saldos de pagamentos do período considerado no processo nº 13963.000756/9935'. A fiscalização não trouxe nenhuma informação conclusiva de quais créditos teriam sido utilizados e, principalmente, se houve a utilização integral dos créditos pelo contribuinte naquele processo administrativo. Por outro lado, com relação aos pedidos judiciais e administrativos relativos aos créditos deferidos na ação judicial, a fiscalização tão somente informou que a 'ação judicial nº 96.80.023206 está na situação baixada, depois de processadas duas execuções de sentença, sendo que a primeira foi iniciada em nome da interessada pelo valor de R$ 675.789,55 (05/2006)'. Ou seja, mais uma vez, na realização da diligência, a fiscalização não aclarou de forma detalhada as informações das compensações e pedidos de restituição realizados pelo contribuinte, em especial, se os créditos utilizados na presente compensação foram, de alguma forma, restituídos ou utilizados pelo contribuinte, consoante requerido por esta Turma. Como já decidido anteriormente, o esclarecimento destes pontos é imprescindível para que o pleito do contribuinte seja analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cumpre destacar, neste sentido, que o contribuinte, ao ser intimado para se manifestar acerca da diligência, reitera que os créditos utilizados na presente compensação decorrem dos expurgos inflacionários deferidos na Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 534 7 ação judicial e que 'as duas execuções de sentença que ocorreram nos autos da ação judicial 96.80.023206, referemse à verba honorária'. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não ter sido conclusiva a diligência realizada, uma vez que não respondeu de forma objetiva os apontamentos feitos por esta Turma de Julgamento, voto por converter novamente o julgamento em diligência à DRF" (seleção e grifos nossos). 10. Assim, requereuse à unidade local informar, objetivamente: (i) se existe crédito remanescente da decisão judicial relativa à Ação Ordinária nº 96.80023206, considerando a parcela já utilizada no processo administrativo nº 13963.000756/9935; (ii) se os créditos indicados neste pedido de compensação, caso não tenham sido objeto de pedido de restituição ou compensação pelo contribuinte, são suficientes para liquidar o débito que se pretende liquidar; (iii) se houve alguma restituição, via processo judicial, ao contribuinte, dos créditos deferidos na Ação Ordinária nº 96.80023206, uma vez que o contribuinte afirma que as execuções promovidas nos autos daquela ação judicial se referem única e exclusivamente à verba honorária. 11. Em cumprimento à resolução proferida por este Conselho, a unidade local prestou a seguinte informação fiscal (relatório de diligência fiscal), situada às fls. 469 a 470: "Tratase de processo relativo a pedidos de compensação com alegados saldos de PIS em que foi apresentado resultado de diligência fiscal, que decorreu de apuração baseada nos seguintes critérios: identificação do PIS devido no período de janeiro/1989 a junho/1999, sendo que até fevereiro/1996 foi aplicado o critério da semestralidade; identificação dos recolhimentos de PIS para o período; amortização do PIS devido por “Pagamento” com os recolhimentos dos respectivos fatos geradores; encontro de contas por “Compensação com Darf” entre os saldos credores e devedores, aplicandose os expurgos inflacionários; indicação dos saldos remanescentes de pagamentos, sumarizados na tabela abaixo: Fl. 599DF CARF MF 8 Em relação à aplicação dos expurgos inflacionários, exemplo de aplicação à fl. 319, em que saldo de pagamento de NCz$ 3.457,80, efetuado em 10/04/1989, é atualizado para R$ 4.400,34 em 14/06/1995. O relatório do sistema CTSJ, em anexo, replica essa atualização e indica os expurgos inflacionários agregados ao cálculo, que correspondem às Súmulas 32 e 37 do TRF da 4ª Região, expressos na ação judicial nº 98.80.023206. Nesse ponto, cumpre ressaltar que esse primeiro pagamento foi efetuado já em abril/1989, de modo que são irrelevantes os expurgos relativos a janeiro e fevereiro de 1989. Diante deste cenário, nova diligência é demandada para atender às seguintes dúvidas: 1. se existe crédito remanescente da decisão judicial relativa à Ação Ordinária nº 96.80.023206, considerando a parcela já utilizada no processo administrativo nº 13963.000756/9935; 2. se os créditos indicados neste pedido de compensação, caso não tenham sido objeto de pedido de restituição ou compensação pelo contribuinte, são suficientes para liquidar o débito que se pretende liquidar; 3. se houve alguma restituição, via processo judicial, ao contribuinte, dos créditos deferidos na Ação Ordinária nº 96.80.023206, uma vez que o contribuinte afirma que as execuções promovidas nos autos daquela ação judicial referem se, tão somente, à verba honorária. A primeira questão é balizada pela tabela anterior, que sumariza os saldos de recolhimentos de PIS até o período de junho/1999, sendo que Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 535 9 apenas os efetuados até o período de apuração de fevereiro/1996 poderiam estar vinculados à ação nº 96.80.023206. Não foram identificados outros pedidos de restituição ou de compensação que estariam vinculados a esses saldos, cujo encontro de contas com os débitos controlados por este processo é apresentado em anexo – os pagamentos seriam suficientes. No que se refere, enfim, ao processo judicial, os documentos apresentados ela interessada não são conclusivos. Por outro lado, tendo em vista as execuções identificadas em 05/2006 (R$ 675.789,55) e 06/2008 (R$ 79.769,00), importa informar que a atualização dos saldos finais de pagamentos alcançaria apenas R$ 666.255,67 em 05/2006. De qualquer modo, a alegação da interessada de que as execuções se tratariam apenas de honorários advocatícios deveria vir acompanhada da respectiva comprovação, o que não se verificou. Informese, enfim, que esta diligência fiscal complementar não trata de questões preliminares de prescrição e decadência, e de qual teria sido a origem do crédito alegado (judicial ou administrativa). Encaminhese à ARF/Criciúma para ciência ao contribuinte da Resolução nº 3801000.650 (fls. 444/449) e desta informação (fls. 453/470), com prazo de 30 (trinta) dias para eventual manifestação, em especial quanto à comprovação dos objetos executados no âmbito da ação judicial nº 98.80.023206 (R$ 675.789,55 em 05/2006 e R$ 79.769,00 em 06/2008). 12. Em 06/10/2014, a contribuinte apresentou manifestação acerca da diligência efetuada, situada às fls. 475 a 476, na qual alegou, em síntese, que, uma vez superados os questionamentos acerca do direito creditório, uma vez que a unidade local consignara que os pagamentos seriam suficientes, não tendo sido identificados outros pedidos de restituição ou de compensação vinculados aos saldos de PIS descritos, restaria unicamente comprovar o objeto das execuções promovidas no âmbito da Ação Judicial nº 98.80.023206 propostas em 24/05/2006 (R$ 675.789,55) e 20/06/2008 (R$ 79.769,00), o que fez mediante juntada das cópias das petições iniciais, memórias de cálculo e sentença, situadas, respectivamente, às fls. 508 a 518 e fls. 519 a 524 dos presentes autos, pugnando, por fim, uma vez "(...) afastada a única dúvida remanescente do e. CARF para fins de análise do direito creditório vinculado ao presente processo administrativo", seja homologada a compensação realizada. É o relatório. Fl. 601DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 13. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 14. Insurgese a contribuinte recorrente contra acórdão de primeira instância administrativa que manteve o despacho decisório de fls. 135 a 136, proferido em 12/11/2007 pela unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis decidiu pela não homologação das Declarações de Compensação nº 38988.98511.050803.1.3.543970, nº 16147.40508.070703.1.3.547906, e nº 42902.95406.100603.1.3.549074 com base nas seguintes razões: "(...) o posicionamento do judiciário foi no sentido de que o contribuinte, após o trânsito em julgado da ação, poderia requerer a compensação do crédito, pela via administrativa, ou pedir, judicialmente, a repetição de indébito, utilizando a sentença como titulo comprobatório do crédito. Verificase, ainda, que a União requereu desistência do Agravo de Instrumento interposto contra a Decisão acima transcrita, obtendo a homologação da desistência em 13/05/1999. Diante do posicionamento favorável do Poder Judiciário o contribuinte requereu administrativamente a compensação de débitos, arrolados nas Dcomp de fls. 01 a 12, utilizandose do crédito obtido na referida ação judicial. Cabe ao Fisco a responsabilidade pela homologação da compensação pretendida pelo contribuinte. No entanto, para que o faça é de extrema importância o reconhecimento do direito creditório e a constatação de que este crédito não foi utilizado ou restituído, tanto na via administrativa quanto na judicial, pois, conforme visto acima, a decisão judicial autorizou o contribuinte a compensar ou a executar os valores pagos a maior. Diante da necessidade de verificação do crédito e da constatação de que a sentença não foi executada judicialmente, inclusive sob pena de responsabilidade funcional, intimouse o contribuinte em 3 (três) oportunidades, fls 125 a 130, para apresentação de homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do titulo judicial ou a comprovação da renúncia a sua execução. Em momento algum o contribuinte veio aos autos para apresentar os documentos solicitados ou para se manifestar a respeito da exigência do Fisco. Tal fato, alai de não comprovar a não utilização do crédito reconhecido judicialmente, demonstra o seu total descaso pela matéria" (seleção e grifos nossos). Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 536 11 15. Assim, o fundamento do despacho decisório em referência que culminou na não homologação das compensações efetuadas, e posteriormente confirmado pelo Acórdão DRJ nº 0722.167, não foi em nenhum momento a negativa de reconhecimento do quanto decidido, em trânsito em julgado, no curso da Ação pelo rito ordinário nº 98.80.02320 6, mas o fato de que a contribuinte teria deixado de apresentar: (i) a homologação da desistência do título judicial, ou, alternativamente, (ii) a renúncia à sua execução. 16. A este respeito, tanto em sede de manifestação de inconformidade como também no recurso voluntário apresentado, a contribuinte argumentou que: (i) a compensação importa abdicação (sic) do direito de repetir o indébito; (ii) não cabe à contribuinte produzir prova de atos praticados em feito judicial na qual a União Federal é parte, pois, nestes casos, teria a Fazenda Nacional pleno conhecimento de eventual pedido de repetição de indébito; e (iii) é "(...) vedado ao Tesouro Nacional (sic) impor condições para o cumprimento de decisão judicial. 17. A compensação implica, com efeito, tanto sob a óptica material como instrumental, preclusão lógica do direito de repetir ou executar o título judicial contra a Fazenda Pública, sob pena de potencial enriquecimento ilícito da recorrente. Assim, ao realizar a compensação tributária, a contribuinte praticou, ipso facto, um ato incompatível com a vontade de executar o título judicial ou de repetir o indébito, o que tem por conseqüência a impossibilidade de realizar com eficácia tais atos.1 18. Observese, no entanto, que a preclusão é uma conseqüência de um ato, e não a sua convalidação. Logo, a impossibilidade de executar o título judicial formado, ou de repetir o indébito declarado não convalida ou legitima a compensação, pois tais atos se encontram em momentos lógicos diversos. Correto, na realidade, é o raciocínio oposto: a compensação é que deslegitima a execução ou a repetição do indébito. 19. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de ressarcimento, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação: "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".2 20. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de 1 DINAMARCO, Cândico Rangel. Instituições de direito processual civil Volume II, São Paulo: Malheiros Editores, 3ª edição, 2003, pp. 454455: "O instituto da preclusão tem imensa relevância no sistema de procedimento rígido (...). Quando a preclusão ocorre, já não poderá a parte realizar eficazmente o ato a que tinha direito nem exigir do juiz os atos que poderia antes exigir. (...). Segundo as circunstâncias em que ocorre, a preclusão será: (...) b) lógica, que é a conseqüência da prática de um ato incompatível com a vontade de exercer a faculdade (...)". 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 603DF CARF MF 12 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 21. A determinação, por parte da autoridade fiscal, da necessidade de comprovação dos requisitos inerentes ao animus compensatório não se confunde com descumprimento de ordem judicial: em nenhum momento, ao longo do processo, insurgiuse a Receita Federal contra o fato de serem indevidos os valores recolhidos na forma dos Decretos Lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, ou sobre a necessidade da observância dos expurgos inflacionários na correção monetária do montante em referência. 22. A questão, sem embargo das considerações acima, ganha contornos específicos: a se partir da premissa de que o regime jurídico aplicável às compensações é aquele vigente no momento do encontro de contas, conforme orientação doutrinária3 e jurisprudencial,4 e a se considerar que as declarações foram realizadas em 05/08/2003, 07/07/2003 e 10/06/2003, não se aplica a regra inserta nas Instruções Normativas nº 460/2004, 600/2005 e nº 900/2008, única e exclusiva ratio decidendi do Acórdão DRJ nº 0722.167, conforme excerto abaixo transcrito, situado à fl. 161 do presente processo: 3 LÓPEZ, Maria Teresa Martínez; e ASSIS, Emanuel Carlos Dantas de. "Compensação de tributos administratidos pela Receita Federal do Brasil. Regimes jurídicos diversos, a depender da data do pedido ou da PER/DComp. Prazo de homologação. Confissão de dívida. Segurança jurídica e irretroatividade das leis". In: DIAS, Karam Jureidini; e PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coordenadores). Compensação tributária. São Paulo: MP Editora, 2007, pp. 104105: "(...) quando pago indevidamente o tributo, o que surge é somente o direito à repetição do indébito, a ser feita mediante restituição ou compensação (...) a compensação somente pode ser efetuada conforme a lei que a regulamenta. Não é aquela que originou o indébito, mas a do momento da compensação, ou seja, a lei do segundo momento (...)". 4 Cf. jurisprudência sedimentada do Supremo Tribunal Federal, eg.: AIAgReg nº 511.024, Relator Ministro Eros Grau, julgado pela 1ª Turma do STF por decisão unânime em 14/06/2005. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 537 13 23. Ademais, ainda que se admita que o ônus probatório na compensação ou no ressarcimento incumbe ao postulante, verificase que o direito sobre o qual se funda a declaração, i.e., a invalidade dos Decretos Lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88 e a aplicação dos expurgos, foi efetivamente comprovado. 24. O único e exclusivo óbice da autoridade fiscal à compensação foi, portanto, a contribuinte ter deixado de apresentar prova da homologação da desistência do título judicial, ou, alternativamente, da renúncia à sua execução. Conforme se demonstrou, no entanto, à época do encontro de contas, não se aplicam os dispositivos que fundamentaram o acórdão recorrido. 25. Importa salientar, ademais, que, para se reconhecer o direito à compensação, basta, de um lado, que se ateste de maneira fundamentada a existência dos valores relativos ao crédito pleiteado na declaração e, de outro, que haja lastro probatório documental do quanto alegado: ainda que se aquiesça no sentido de o ônus da prova recair sobre a contribuinte nesta modalidade de interação com a Administração Pública, não há que se olvidar o princípio processual da aquisição da prova válida: "O ônus da prova consiste na necessidade de provar, em que se encontra cada uma das partes, para possivelmente vencer a causa. Objetivamente, contudo, uma vez produzida a prova, tornase irrelevante indagar quem a produziu, sendo importante apenas verificar se os fatos relevantes foram cumpridamente provados (princípio da aquisição)"5 (seleção e grifos nossos). 26. Em outras palavras, a chamada "verdade material" alegada pela recorrente não elide o seu ônus probatório, devendo a contribuinte comprovar o seu direito ao 5 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Ibidem. Fl. 605DF CARF MF 14 crédito nos casos de compensação ou ressarcimento, sob pena de se prolongar indefinidamente a dilação probatória, inteligência que deflui, e.g., do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.6 27. Contudo, uma vez produzida a prova válida, necessário se faz um esforço cognoscitivo por parte do aplicador e, no caso presente, verificase que duas foram as diligências efetuadas pela unidade local a pedido deste Conselho, que não poderá passar ao largo dos resultados por elas obtidos. 28. Cumpre, desta perspectiva, cotejar a matéria de fundo com as provas coligidas a estes autos administrativos da maneira em que se encontra, a partir de dois questionamentos principais: (i) se há créditos remanentes da Ação Judicial nº 96.80.023206 e em quantidade suficiente para liquidar os débitos objetos das compensações discutidas no presente processo; e (ii) se tais créditos foram, de alguma forma, restituídos ou utilizados pela contribuinte. 29. Por meio da diligência resultante da a Resolução CARF nº 3801000.251, proferida em 07/10/2011, compreendese que a contribuinte realizou a compensação dos créditos de PIS oriundos da Ação Ordinária nº 96.80023206 no Processo Administrativo nº 13963.000756/9935, e que as compensações discutidas no presente processo administrativo tratam unicamente do valor remanescente, referente aos expurgos inflacionários, montante este não utilizado naquela oportunidade. 30. Informou o relatório fiscal, em sede de diligência, ainda, que "(...) a ação judicial nº 96.80.023206 está na situação baixada, depois de processadas duas execuções de sentença". Em sua manifestação sobre a diligência, a contribuinte alegou que se trata de execução referente exclusivamente à verba honorária, e apresenta cópia dos autos como forma de comprovar a sua alegação. 31. A Resolução CARF nº 3801000.650, proferida em 25/02/2014, considerou que a fiscalização não trouxe nenhuma informação conclusiva sobre quais créditos teriam sido utilizados na primeira compensação, objeto do processo nº 13963.000756/9935; não respondeu se sobejava ainda crédito a compensar; e não aclarou se os créditos declarados pela contribuinte foram, de alguma forma, restituídos ou utilizados. 32. Assim, requereuse à unidade local informar, em resumo, se: (i) há crédito remanescente, (ii) são suficientes para liquidar os débitos objetos das presentes compensações, e (iii) a contribuinte restituiu ou utilizou de alguma forma tais créditos. 33. A unidade local respondeu afirmativamente aos dois primeiros quesitos (há créditos, e suficientes para liquidar os débitos) e negativamente ao terceiro (a contribuinte não os restituiu ou compensou), nos seguintes termos: "Não foram identificados outros pedidos de restituição ou de compensação que estariam vinculados a esses saldos, cujo encontro de contas com os débitos controlados por este processo é apresentado em anexo – os pagamentos seriam suficientes" (seleção e grifos nossos). 6 Observese que o próprio dispositivo, ao tratar do momento da apresentação das provas, relativiza a preclusão consumativa uma vez que se demonstre: (a) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; ou (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 538 15 34. Realizou, contudo, a seguinte ressalva, de maneira a transbordar, ad cautelam, os quesitos determinados pela Resolução de 25/02/2014 proferida por este Conselho: "No que se refere, enfim, ao processo judicial, os documentos apresentados pela interessada não são conclusivos (...) tendo em vista as execuções identificadas em 05/2006 (R$ 675.789,55) e 06/2008 (R$ 79.769,00), importa informar que a atualização dos saldos finais de pagamentos alcançaria apenas R$ 666.255,67 em 05/2006. De qualquer modo, a alegação da interessada de que as execuções se tratariam apenas de honorários advocatícios deveria vir acompanhada da respectiva comprovação, o que não se verificou" (seleção e grifos nossos). 35. A ressalva realizada pela unidade é de grande relevância e explica o recurso ao tempo verbal do futuro do pretérito em seu relatório de diligência, que aponta para o condicional: os créditos "seriam" suficientes se a contribuinte comprovasse que as execuções foram concernentes única e exclusivamente à verba honorária. 36. Na manifestação de 06/10/2014, a contribuinte enfim apresentou cópia, sob as penas da lei, das petições iniciais, memórias de cálculo e sentença, com a finalidade de demonstrar a matéria tratada nas execuções em referência. 37. Quanto à primeira execução, protocolada em 24/05/2006, no valor de R$ 675.789,55, e cujas cópias se encontram situadas às fls. 508 a 518, tratase de execução de honorários, conforme abaixo se colaciona: Fl. 607DF CARF MF 16 38. Transcrevese, ainda, o pedido realizado: 39. Quanto à segunda execução, protocolada em 20/06/2008, no valor de R$ 79.769,00, e cujas cópias se encontram situadas às fls. 519 a 524, tratase de complementação à execução de honorários, desta feita sobre a parcela concernente aos expurgos inflacionários, que foram negligenciados da base de cálculo da verba honorária objeto da execução anterior: 40. Transcrevese, ainda, o pedido realizado: Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 539 17 41. Uma vez superado o único óbice remanescente apontado pela unidade local em cumprimento à Resolução CARF nº 3801000.650, e por ela atestada a existência de créditos não restituídos ou utilizados pela contribuinte, em montante suficiente para liquidar os débitos objetos das presentes compensações, devem ser homologadas as Declarações de Compensação nº 38988.98511.050803.1.3.543970, formulada em 05/08/2003, nº 16147.40508.070703.1.3.547906, formulada em 07/07/2003, e nº 42902.95406.100603.1.3.549074, formulada em 10/06/2003, em estrita conformidade com a informação fiscal situada às fls. 469 a 470 do presente processo administrativo, extinguindose o crédito tributário correspondente com fundamento no inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional.7 Assim, nestes termos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator 7 Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) "(...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação". Fl. 609DF CARF MF 18 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Peço permissão para registrar as razões por que acompanhei pelas conclusões o mui bem fundamentado e elaborado voto do relator, o ilustre Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Procurarei fazêlo de forma objetiva, em respeito à escassez de tempo que impera nas sessões de julgamento, face à pauta em que se apertam muitos processos de complexidade variada. Sublinho que estamos a debater as compensações: maio de 2003 (R$ 200.000,00), junho de 2003 (R$ 200.000,00) e julho de 2003 (76.368,35), todas de débitos de PIS, para aproveitar créditos originários de expurgos inflacionários sobre créditos de PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/1989 a 01/09/1995. Esses pedidos de compensação se deram através de PER DCOMP registradas em junho, julho e agosto de 2003. Sobre o ônus probatório: Primeiramente, faço notar que a administração tributária local tinha em mãos apenas as PER DCOMPs e as cópias das decisões judiciais. Somente depois que a autoridade local não homologou as compensações é que a contribuinte trouxe aos autos informações com as quais estamos analisando o processo mas que a autoridade local não dispunha , tais como: a origem do direito creditório de R$ 474.000,00 (aproximadamente) não seria estrita e diretamente da contribuição indevidamente paga, mas, sim, dos expurgos inflacionários; que havia ação de execução, mas ela se referia às verbas honorárias; que houve aproveitamento do direito constante da decisão judicial por outros meios. A autoridade local buscava trazer aos autos provas cujo ônus era da contribuinte. Vejamos a amplitude do que a autoridade local intimou a contribuinte naquela ocasião: INTIMAÇÂO SAORT (fls. 126) Para efeito de informação fiscal na análise das PER/DCOMP relacionadas abaixo, INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias do recebimento desta, os seguintes documentos: 1. Cópia da petição inicial, dos recursos e das decisões judiciais das ações de n° 9680023206 e 9780007350, informadas como origem de crédito nas PER/DCOMP acima citadas; 2. Tratandose de créditos oriundos de ações judiciais que tenham como matéria o direito compensação de tributos recolhidos a maior, fornecer, ainda, cópia dos' Documentos de Arrecadação de Receitas Federais — DARF e planilha informando o faturamento da empresa nos períodos abrangidos pela decisão; 3. Caso referidas ações tenham como matéria a repetição de indébito, deverá contribuinte, além das cópias dos DARF e da planilha dos faturamentos, encaminhar, também, cópia da homologação pelo Poder Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 540 19 Judiciário da desistência da execução do titulO judicial ou a comprovação da renúncia a sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocaticios referentes ao processo de execução. (GRIFOS ACRESCIDOS) Notemos a abrangência do que foi solicitado, e também a incerteza por parte da autoridade de administração tributária sobre os contornos do que foi peticionado (Caso seja isso, providenciar aquilo; tratando se disso, providenciar aquilo, etc). Tanto é verdade, que a contribuinte, através da manifestação de inconformidade, complementou as informações constantes nas PER DCOMPs. E na seqüência, o objeto em discussão nesse contraditório adquiriu maior clareza também com as informações obtidas em diligências, especialmente com relação ao processo administrativo que cuidou do auto de infração lavrado em 1999. Pareceume correta a decisão local, bem como a dos julgadores de 1º piso. A contribuinte ignorara a demanda da administração tributária por informações (não atendeu qualquer das sucessivas intimações), que concorreriam para elucidar o objeto peticionado. Ela realmente não colaborou para que a administração tributária pudesse desenvolver sua análise e chegar a alguma conclusão sobre o mérito do pedido. Esses fatos, compõem um quadro que, a meu ver, devemos ter em mente para analisarmos o ônus probatório e a própria produção da prova no processo. Eles concorrem para que eu não posso comungar com a posição do ilustre relator. Ele afirma que as provas do direito pranteado estavam atendidas pela contribuinte. Vejamos: Voto do relator: 23. Ademais, ainda que se admita que o ônus probatório na compensação ou no ressarcimento incumbe ao postulante, verificase que o direito sobre o qual se funda a declaração, i.e., a invalidade dos Decretos Lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88 e a aplicação dos expurgos, foi efetivamente comprovado. Como resumidamente explicado acima, não me parece verdade que as cópias das decisões judiciais juntadas nas PER DCOMPs pudessem ser consideradas provas suficientes para se concluir com lucidez a respeito do peticionado. Por exemplo, s.m.j., os expurgos inflacionários não haviam sido efetivamente comprovados, pois não há como se considerar como prova algo do qual nem se tem conhecimento da sua pertinência com a natureza do objeto peticionado (afinal, não se sabia ainda que se tratava de expurgos inflacionários). A Ementa deste acórdão trata essa matéria com a seguinte afirmação: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. PRODUÇÃO DE PROVA VÁLIDA. PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO. CONHECIMENTO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Uma Fl. 611DF CARF MF 20 vez produzida a prova válida, no entanto, deverá ela ser apreciada, independentemente de quem a tenha produzido. (GRIFOS ACRESCIDOS) Venho dissentindo, nos julgamentos em que participo, dos votos que propugnam uma visão definitiva do ônus probatório e das condições em que as provas possam instruir o processo administrativo. Antevejo ao processo administrativo fiscal uma inteligência interpretativa que, em cada caso, nos capacite julgadores e operadores do direito a uma visão da construção (recursiva e gradual) das convicções e do que pode ser considerado prova. Fui agradavelmente surpreendido com a sua a afinidade dessa antevisão com as idéias e ideais trazidos pelo novo CPC. Em meu entendimento, no andar do processo administrativo fiscal nesta Corte, há espaço para a produção dos elementos de prova, seja ou não de forma colaborativa ou cooperativa, através das perícias, das inspeções, das auditorias, dos laudos técnicos, e outras, que acabam por tratar recursiva e dialogicamente o processual, o material e os direitos implicados na lide e no processo. Como se vê, são essas as primeiras razões por que acompanhei pelas conclusões o voto do mui ilustre relator. Sobre a origem do direito pleiteado e os prazos de prescrição e de decadência Os julgadores de 2º piso consideraram superados os aspectos de eventual perda dos direitos por decurso de prazos. Pareceme que entenderam que essa matéria teria sido resolvida na decisão judicial. Creio não ser pacífico. Em minha compreensão, a decisão judicial atribuiu à autoridade de administração fiscal e tributária a responsabilidade de verificar o cumprimento das condições para reconhecer o direito creditório em sua liquidez e certeza. Vejamos trechos dessas decisões judiciais: ACÓRDÃO DO TRF: VOTO: A sentença, todavia, determinou que a compensação seja realizada tão somente com valores devidos a titulo de PIS e, quanto a isto, houve resignação por parte da autora. Confirmase a compensação, portanto, nos limites impostos pela decisão monocrática (fl. 100 dos autos). A correção monetária incide desde o recolhimento indevido (súmula 46TFR), utilizandose OTN/IPC (jan/89 a fev/91) /INPC (março a dez/91) /UF1R (até dez/95), observandose os percentuais de 42,72% e 10,14% (janeiro e fev/89) c incluídos os expurgos inflacionários de março, abril e maio de 1990, bem como fevereiro de 1991, nos termos das súmulas 32 e 37 deste Tribunal e precedentes do STJ. Relativamente aos juros, esta Turma entendeu (AC 96.04.602250/RS, Rel. p/ acórdão Juiz Volkmer de Castilho) que, a partir de janeiro de 1996, só há a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC, sem qualquer acréscimo por conta de correção monetária, por se tratar de taxa de mercado flutuante, não estando limitada aos parâmetros do art. 1062, CC. Entendeu inaplicável, a partir desta lei, 'a regra do art. 167, parágrafo constitucional, porque não se trata de preceito reservado a lei complementar (CF, art. 146, III). A compensação efetuada nos moldes do art. 66 da Lei n° 8.383/91, não acarreta, contudo, a extinção do crédito tributário, pois o Fisco tem o poder de homologar ou não referido pagamento, realizado a titulo de Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11516.003780/200731 Acórdão n.º 3401003.409 S3C4T1 Fl. 541 21 compensação, e de proceder ao lançamento de oficio, caso tenha sido feito a menor. Voto, pois, no sentido de dar parcial provimento à remessa oficial para estabelecer que, em relação às compensações a serem efetivadas a partir de 10 de janeiro de 1996, deverão incidir tãosomente juros, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei 9.250195, sem a aplicação de correção monetária. (GRIFOS ACRESCIDOS) Essas matérias foram suscitadas no processo administrativo, e a contribuinte procurou dela se prevenir, em seu recurso voluntário. Trago trechos para ilustrar: Informação Fiscal (fls. 402 e ss) De qualquer modo, apresentase nas fls. 258/394 a apuração dos saldos de pagamentos do período considerado no processo nº 13963.000756/9935 com a aplicação da tese da semestralidade e dos expurgos inflacionários. Estes saldos teriam o prazo quinquenal para serem aproveitados a partir de seu recolhimento. Como as DCOMP foram entregues apenas nos meses de junho a agosto de 2003, temse que apenas os quatro saldos de 1999 estariam disponíveis para compensação administrativa. Informação fiscal (fls. 469 e 470) Informese, enfim, que esta diligência fiscal complementar não trata de questões preliminares de prescrição e decadência, e de qual teria sido a origem do crédito alegado (judicial ou administrativa). Manifestação da contribuinte, em resumo preparado pelo ilustre relator: 42. Em 05/04/2012, a contribuinte apresentou manifestação acerca da diligência efetuada, na qual alegou, em síntese, que: (i) a compensação em disputa decorre de autorização judicial, que passou a surtir efeitos a partir de outubro de 1999; (ii) a informação fiscal de fl. 402 se refere à tese da semestralidade dos expurgos inflacionários, que emana de orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, conforme Recursos Especiais nº 872.828, nº 868.197 e nº 1.127.713; (iii) INCORRE EM EQUÍVOCO A AUTORIDADE FISCAL AO AFIRMAR QUE, COMO AS DCOMP FORAM ENTREGUES APENAS NOS MESES DE JUNHO A AGOSTO DE 2003, "(...) APENAS OS QUATRO SALDOS DE 1999 ESTARIAM DISPONÍVEIS PARA COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA", UMA VEZ QUE A COMPENSAÇÃO DECORRE DE DECISÃO JUDICIAL PROLATADA NOS AUTOS DA AÇÃO Nº 96.80.023206, TENDO SIDO O PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EFETUADO JUDICIALMENTE COM O PROTOCOLO DA RESPECTIVA PETIÇÃO INICIAL EM OUTUBRO DE 1996; (iv) A MATÉRIA RELATIVA À PRESCRIÇÃO FOI EXPRESSAMENTE DECIDIDA PELO PODER JUDICIÁRIO, POIS O PEDIDO FORMULADO PELA CONTRIBUINTE NA AÇÃO em referência foi acolhido em primeira instância e confirmado pelo Tribunal Regional da 4ª Região, que se manifestou expressamente a respeito do prazo prescricional ao apreciar embargos de declaração opostos pela União Federal: "(...) É manifesta a improcedência do recurso. Em momento algum alegou a embargante a prescrição. Pretende, agora, que o acórdão tenha sido omisso por não têla analisado. Observese, ainda, que a prescrição não pode ser decretada de ofício. Ademais, quanto ao prazo para pleitear a restituição, o voto foi explícito, citando precedente do STJ a respeito. Nego, pois, provimento aos embargos de declaração"; informou a contribuinte, Fl. 613DF CARF MF 22 ainda, que a União Federal protocolou recurso especial contra a decisão ora transcrita, que não foi admitido, o que motivou a interposição de agravo na forma de instrumento, que tampouco foi aceito, o que ensejou, por fim, abertura de vista para que a contribuinte promovesse a execução do quanto decidido; (v) O PRAZO PARA PROMOVER A COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE INICIOU, PORTANTO, EM OUTUBRO DE 1999, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM PRESCRIÇÃO MESMO QUE SE FALASSE DO INVÁLIDO PRAZO QÜINQÜENAL, QUANTO MAIS DO ACERTADO PRAZO DECENAL, APLICÁVEL IN CASU POR DECORRÊNCIA DA POSIÇÃO CONSOLIDADA do Superior Tribunal de Justiça, e citou os Recursos Especiais nº 1.120.244 e nº 1.137.155 e a Medida Cautelar nº 15.142; (vi) NO CASO PRESENTE A CONTRIBUINTE REQUEREU JUDICIALMENTE A COMPENSAÇÃO, E A DECISÃO FAVORÁVEL SE TORNARA EXEQÜÍVEL A PARTIR DE OUTUBRO DE 1999; (vii) as duas execuções de sentença que ocorreram nos autos da ação judicial nº 96.80.023206 se referem exclusivamente a verbas honorárias. (GRIFOS ACRESCIDOS) Como se vê, a contribuinte teve cuidado em argüir razões por que defende a tempestividade de seus pedidos de compensação registrado em 2003 para aproveitar créditos oriundos de 1989, e dos anos seguintes. Respeitosamente, divergi do entendimento do colegiado de que essas matérias teriam sido superadas e resolvidas pelas decisões judiciais e que não mereceriam referência nesse julgamento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900754/2009-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 54 /2 00 9- 34 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.714, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10380.900754/200934 Acórdão n.º 9303004.436 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.721301/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2010, 17/02/2011, 28/04/2011
RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103
Como o propósito dos presentes embargos de declaração é o de ver apreciado recurso ofício, cujo valor da redução do crédito tributário que o motivou está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer dos embargos de declaração, em cumprimento da Súmula CARF n° 103.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 13.532 1 13.531 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.721301/201397 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3301003.228 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria IPI Créditos Básicos Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MILANEZI CAFE EXPORTACAO E IMPORTACAO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2010, 17/02/2011, 28/04/2011 RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103 Como o propósito dos presentes embargos de declaração é o de ver apreciado recurso ofício, cujo valor da redução do crédito tributário que o motivou está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer dos embargos de declaração, em cumprimento da Súmula CARF n° 103. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 13 01 /2 01 3- 97 Fl. 13533DF CARF MF 2 Relatório O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos autos de infração de multas em decorrência de pedido de ressarcimento indeferido, fls. 803/809 totalizando crédito tributário no valor de R$ 2.386.904,32. O auto de infração decorre das constatações relatadas no “Termo de Encerramento da Ação Fiscal” de folhas 724 a 802 no qual a autoridade fiscal informa que a fiscalização teve como escopo a verificação de pretensos créditos deduzidos dos valores devidos da contribuição não cumulativa para o PIS/COFINS, bem como utilizados nos pedidos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP, abrangendo o período do 1º trimestre/2006 ao 4º trimestre/2009; Consta do Termo que o farto conjunto probatório colhido no curso das investigações que antecederam a presente ação fiscal comprovou que toda a cadeia de comercialização do café passou a esquematizarse em função do novo regime de tributação do PIS/COFINS, qual seja: da não cumulatividade; de tal sorte que as aquisições de café de produtores rurais/maquinistas passaram a ser guiadas fraudulentamente com notas fiscais de empresas laranjas visando o creditamento integral das alíquotas do PIS/COFINS. Esse esquema de utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinado nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em 10/2007, e que resultaram posteriormente na Operação “Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. A auditoria fiscal constatou que a MILANEZI CAFÉ lançou mão de pseudoatacadistas para dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim apropriarse fraudulentamente dos créditos PIS/COFINS. Afirma que os fatos apurados no decorrer da ação fiscal em face da MILANEZI CAFÉ evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art 1º, inciso I, II e IV da Lei nº 8.137, de 27/12/1990, pela supressão dolosa de tributos devidos; No Capítulo 3 do Termo, denominado “Descortinando o modus operandi”, a fiscalização traz descrição detalhada do esquema de fraudes na comercialização de café, desvendado no âmbito das operações “Broca” e “Tempo de Colheita”, com transcrição de depoimentos e farta documentação, da qual constam registros de operações efetuadas pela MILANEZI. Sem exceção, as declarações dos produtores, das mais diversas localidades do Espírito Santo, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas "empresas" TOTALMENTE DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café negociado. Os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café. Fl. 13534DF CARF MF Processo nº 10783.721301/201397 Acórdão n.º 3301003.228 S3C3T1 Fl. 13.533 3 Conclui a fiscalização que as pretensas aquisições de pessoas jurídicas por parte da MILANEZI CAFÉ em nome das comprovadas empresas de fachada, consolidadas na tabela às folhas 781 e 782, foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas,quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas, produtores rurais/maquinistas. Tais constatações levaram a fiscalização a efetuar a glosa nos créditos indevidamente apropriados pela interessada, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos. Constatou a fiscalização que a interessada apurou créditos decorrentes de aquisições de café efetuadas junto ao Ministério da Agricultura e Abastecimento. Afirma a fiscalização que vendas de mercadorias por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento não são tributadas, portanto não fazem jus ao crédito. Se não há contribuição quando da venda, não há o crédito na compra. Tampouco há previsão de crédito presumido para esta situação. Destarte, foram afastados da apuração dos créditos as aquisições advindas do Ministério da Agricultura e Abastecimento nos valores relacionados na tabela de folhas 783 e 784. Em virtude das glosas acima a fiscalização efetuou a recomposição das bases de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme demonstrativos de folhas 512 a 543, a partir dos quais a fiscalização (i) não reconheceu qualquer crédito a ressarcir e (ii) lançou de ofício, no âmbito do processo administrativo nº 10783.721299/201356, as contribuições nos períodos de apuração em que se calculou saldo a pagar. Consta ainda do Termo que os pedidos de ressarcimento indeferidos apresentados após 14/06/2010 impuseram o lançamento da multa estabelecida pela Lei nº 12.249, de 11/06/2010, com a inclusão dos §§ 15 e 16 no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Como restou comprovado o NÃO RECONHECIMENTO INTEGRAL do valor dos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento relativos ao PIS e COFINS nos trimestres relacionados nas folhas 796 e 797 foram aplicados sobre tais valores a multa de 100%, totalizando R$2.386.905,32 (dois milhões, trezentos e oitenta e seis mil, novecentos e cinco reais e trinta e dois centavos), em razão dos créditos apropriados estarem lastreados em documentos fiscais de empresas laranjas. Cientificada em 22/10/2013 a interessada, inconformada, apresentou em 21/11/2013 a impugnação de folhas 814 a 855 na qual alega, em resumo: · Que os documentos que comprovam a regularidade das operações de aquisição de pessoas jurídicas, bem como aqueles relativos às operações com fim específico de exportação, foram juntados exclusivamente no presente Processo Administrativo Fiscal, mas também fundamentam o PAF n° 10783.721299/201356, fato que robustece a necessidade do julgamento conjunto de ambos os processos. · Assim, requer, oportunamente, sejam os dois processos administrativos apensados na forma do art. 18, parágrafo 3º da Lei n°. 10.833/03, para que seja dada uma mesma e única solução, aproveitandose, reciprocamente, as razões aduzidas, sob pena de se causar desnecessária desordem na tramitação dos feitos e divergência nas decisões administrativas. Fl. 13535DF CARF MF 4 · A multa de 100% aplicada é completamente dispare em relação ao que dispõe o "§15 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei n° 12.249/10", utilizado como enquadramento legal pelo fisco, às fls. 805 dos autos. · A imposição de multa de ofício isolada, em casos como o presente, viola frontalmente o CTN, especificamente o seu art. 97, V, combinado com o seu art. 113. Dos dispositivos citados concluise que apenas a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória seria autónoma em relação à obrigação de pagar tributo, daí que ela não seria aplicável na hipótese de indeferimento de PER's. · A penalidade tributária em comento incidiu sobre os fatos geradores ocorridos entre 25/11/2010 e 28/04/2011. Ainda que a fiscalização tenha observado a irretroatividade da lei tributária, não pode subsistir a aplicação das referidas multas, pois a sua exigência, introduzida pela Lei n°. 12.249/10 viola diversos dispositivos constitucionais, entre eles o direito de petição e a vedação ao confisco. · Ainda que se considere devida a multa isolada, superando os fundamentos até aqui expostos, é de se concluir que a multa isolada de 100% esbarra na inexistência de comprovação da falsidade de declaração, elemento material da penalidade tributária em questão. · Alega ainda supressão da garantia do contraditório, já que teve conhecimento das informações lançadas no indigitado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que culminou nos Autos de Infração, uma vez que em momento algum foi convocada a participar de qualquer procedimento administrativo alusivo às pessoas físicas e jurídicas ali citadas · A ofensa ao princípio da ampla produção probatória inquina a decisão administrativa de nulidade, como prescreve o art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72. · A IMPUGNANTE adotou todas as providências legalmente exigidas para proceder ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativos decorrentes das operações de aquisição de café em grãocru, inclusive quanto ao direito de requerer o ressarcimento dos valores não aproveitados. Repete as alegações acerca da regularidade das aquisições de café espostas na impugnação juntada ao processo n° 10783.721299/201356. A DRJ considerou procedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2010, 17/02/2011, 28/04/2011 MULTA. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. Incabível o lançamento da multa por indeferimento de pedido de ressarcimento, quando tais pedidos ainda estão pendentes de decisão. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Houve recurso necessário da Fazenda Nacional ao CARF. É o relatório. Fl. 13536DF CARF MF Processo nº 10783.721301/201397 Acórdão n.º 3301003.228 S3C3T1 Fl. 13.534 5 Voto O recurso de ofício é tempestivo. A Fazenda Nacional recorreu de ofício para que fosse revertida a exoneração da multa isolada prevista nos §§ 15 e 16 no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a ser aplicada nos casos em que o Pedido de Ressarcimento pelo contribuinte seja indeferido. Na decisão de primeira instância, foi consignada a interposição de recurso ofício, uma vez que a exoneração tributária ultrapassou o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela Portaria n° 03/08, em vigor na data do julgamento. Contudo, em 10/02/17, foi publicada a Portaria MF n° 63/2017, alterando o limite de alçada para R$ 2.500.000,00. E assim dispõe a Súmula CARF n° 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Como o propósito dos presentes embargos de declaração é o de ver apreciado o mencionado recurso ofício e o valor da redução do crédito tributário que o motivou é de R$ 2.386.904,32, isto é, está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer dos embargos de declaração, em cumprimento da Súmula CARF n° 103. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 13537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.004413/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/03/2006
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Não se acolhem-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3201-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar os embargos declaratórios.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Não se acolhemse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar os embargos declaratórios. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 44 13 /2 00 7- 37 Fl. 416DF CARF MF 2 Relatório Tratase de despacho para apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 e alteração, em face do acórdão n° 3201002.134, de 27/04/2016, que foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/03/2006 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. Aplicase Súmula CARF nº 1, nos seus exatos termos, que dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. Aplicase, também, Súmula CARF nº 5 que dispõe: são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso voluntário na matéria oferecida ao crivo do Poder Judiciário; e na parte conhecida do recurso voluntário, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar exclusivamente os juros de mora. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Cientificada da referida decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega omissão no acórdão, argumentando que deve ficar claro nos autos, a omissão a ser sanada, tendo em vista que a Turma não apontou quais documentos dos autos indicam que os depósitos judiciais foram realizados de modo tempestivo, nos seguintes termos: A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os juros de mora, em virtude da existência de depósito judicial integral. Contudo, a e. Turma não apontou quais documentos dos autos indicam que os depósitos judiciais foram realizados de modo tempestivo. A jurisprudência do CARF sustenta que a exclusão dos juros de mora depende da efetivação de depósito judicial no montante integral de modo tempestivo, ou seja, dentro do vencimento da obrigação tributária. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13839.004413/200737 Acórdão n.º 3201002.610 S3C2T1 Fl. 417 3 ......(cita jurisprudência do CARF) Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, argumenta omissão a ser sanada, tendo em vista que a Turma não apontou quais documentos dos autos indicam que os depósitos judiciais foram realizados de modo tempestivo. Versa o processo de Autos de Infração do PIS e da COFINS, referentes aos períodos de agosto/2002 a março/2006, em decorrência das irregularidades, conforme Termo de Constatação Fiscal. Ou seja, diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, cujo crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa, em razão do ajuizamento de medida judicial — processo n.° 1998.34.00.0286642 — com o objetivo de afastar a tributação sobre seus atos cooperados. Enfim, tratam os lançamentos tributários com fins de prevenir a decadência, tendo em vista a exigibilidade suspensa por ações judiciais. No julgado embargado, a conclusão foi a seguinte: Quanto aos juros, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário, a decisão de primeira instância manteve o lançamento, entendendo que o montante do crédito tributário deveria ser atualizado até a data do lançamento de oficio e apenas quando do término do processo judicial, seriam feitos os ajustes pela autoridade preparadora, daí a manutenção integral do principal e dos juros moratórios dos autos do PIS e COFINS. Consta a informação, nos autos, tanto para PIS como para COFINS, às efls. 46 e 61, respectivamente, sobre o depósito judicial: O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial nos autos do processo n° 1998.34.00.0286642/DF da 14a. Vara Federal (art. 151, inciso II do CTN). Quanto à matéria embargada, relativamente à omissão posto que a Turma não apontou quais documentos dos autos indicam que os depósitos judiciais foram realizados de forma tempestiva. Fl. 418DF CARF MF 4 O que se tem a informar, é que constam à fl. 29 (papel), através da informação do sistema Sinal, que se incluem os depósitos judiciais da COFINS e PIS, desde janeiro de 2002 até agosto de 2007, abrangendo, como se percebe todo o período envolvido pelo lançamento para evitar a decadência. Constam, ainda, à fl. 30 (papel) o Demonstrativo dos Depósitos Judiciais do PIS pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí e à fl. 31 (papel), a informação referente ao mesmo demonstrativo, sendo da COFINS. Da mesma forma, no Termo de Constatação Fiscal, à fl. 32 (papel), a autoridade fiscal comenta que: ....... Ainda, baixados os autos pelo Tribunal para examinar pedido de levantamento de depósito judicial, foi determinada pelo . Juiz de Primeira Instância a vinculação dos depósitos feitos pelo contribuinte ao processo 'judicial aludido, atribuindolhes efeito suspensivo da . exigibilidade . dos tributos. Conforme verificamos dos registros contábeis, o contribuinte separa os resultados obtidos nos atos cooperados dos não cooperados. Verificamos, também, que efetuou depósitos judiciais do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS ' incidentes sobre os atos cooperados no período de janeiro de 2002 a março de 2006, conforme demonstrado em anexo. Face aos fatos expostos, para resguardar os interesses da Fazenda Nacional do Instituto da Decadência, efetuamos o lançamento dos tributos depositados,retromencionados, com suspensão da exigibilidade. Em sua defesa, o interessado, à fl 67, consigna que: Verificase do termo de abertura deste procedimento que o Sr. Auditor foi cientificado dá existência de ação ordinária (1998.34.0,0.0286642) em trâmite e ainda sem julgamento definitivo ratando da matéria, ao qual estão vinculados depósitos judiciais relativos ao período de 31/08/2002 a 31/03/2006, cujas cópias 'das respectivas guias foram entregues ao Sr.Auditor por ocasião da fiscalização, determinaram' a SUSPENSÃO DA Exigibilidade das . exações e multas, bem ainda das ações autônomas específicas .para combater os procedimentos administrativos que se sucederam, que tramitam na Comarca de Campinas. Pelo exposto, o voto em discussão foi baseado no julgado da DRJ quando afirma que montante do crédito tributário deveria ser atualizado até a data do lançamento de oficio e apenas quando do término do processo judicial, seriam feitos os ajustes pela autoridade preparadora, daí a manutenção integral do principal e dos juros moratórios dos autos do PIS e COFINS. Bem como a afirmação que consta a informação, nos autos, tanto para PIS como para COFINS, às efls. 46 e 61, respectivamente, sobre o depósito judicial: O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial nos autos do processo n° 1998.34.00.0286642/DF da 14a. Vara Federal (art. 151, inciso II do CTN). Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13839.004413/200737 Acórdão n.º 3201002.610 S3C2T1 Fl. 418 5 Informação essa da própria Receita Federal que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial nos autos do processo n° 1998.34.00.0286642/DF da 14a. Vara Federal (art. 151, inciso II do CTN). Além do mais, os esclarecimentos prestados neste voto, que confirmam o depósito judicial e que as guias foram entregues à fiscalização. Foram com essas informações dos autos pela Receita Federal que a turma entendeu em excluir os juros do lançamento para prevenir a decadência. Em sendo assim, não há como acolher os embargos de declaração, por omissão a que alude a Fazenda Nacional, pois o voto foi com base nos dados do processo, como comentado acima. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não se encontra eivado de omissão que justifique a oposição de embargos de declaração; voto para que seja conhecido e rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001469/2004-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF.
Numero da decisão: 1803-001.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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Rejeitamse os embargos de declaração quando não há no julgado omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada nos termos do art. 65 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Declarouse impedida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, João Carlos Figueiredo Neto e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Tratase de embargos de declaração formulados pela contribuinte (fls. 253/257v), apontando ter havido omissão e contradição entre o voto e as conclusões do conselheiro relator contido no Acórdão 180300.437, de 21/05/2010, desta turma de julgamento. Sustenta a embargante que: “O acórdão ora embargado assevera que "(...) tem razão a pleiteante ao afirmar que tanto o cômputo da receita derivada do contrato de seguro, de um lado, quanto a apropria ção da despesa operacional com comissões, de outro, devam se dar pelo regime de competência. Este fato, todavia, não significa que o contribuinte possa deduzir citada despesa de imediato, antes mesmo do efetivo recebimento dos rendimentos correspondentes. Ao empreender dedução de gasto ainda incorrido, está a recorrente, de fato, afastando das bases de cálculo do IRPJ e da CSL valores provisionados (...)". (negritamos) 8. Assim, o acórdão vergastado, malgrado reconheça que as comissões pagas aos corretores de seguro são despesas operacionais, é contraditório ao afirmar que, as mesmas estariam condicionadas ao recebimento da receita derivada do contrato.” O acórdão recorrido na parte embargada, encontrase assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro Exercício: 2000 Ementa: CUSTOS E DESPESAS LANÇADOS ANTECIPADAMENTE PRÊMIO DE SEGURO 0 regime de competência estabelece norma geral de apropriação de despesas, sendo ilícita a dedução de despesas de exercício futuro. Os prêmios de seguro devem ser apropriados segundo o prazo da apólice e o regime de competência do exercício. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.001469/200455 Acórdão n.º 1803001.182 S1TE03 Fl. 285 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais para sua admissibilidade, deles conheço. Sustenta a embargante ter havido contradição no voto condutor do Acórdão embargado pois embora tenha reconhecido que as receitas e despesas devem ser apropriadas pelo regime de competência negou a dedutibilidade das despesas de comissões antes do recebimento dos prêmios de seguro. Afirma ainda a embargante que o acórdão negou a dedutibilidade de despesas necessárias ao desempenho da atividade e de que não haveria qualquer incerteza para apropriação das despesas pois uma vez firmada a apólice haveria obrigação por parte do segurado ao pagamento do prêmio. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inexiste a contradição apontada pretendendo na verdade a embargante revolver os fatos a fim de dar solução que julga adequada ao seu pleito, considerando que a decisão não contemplou seus interesses. Não aponta a embargante uma contradição, omissão ou obscuridade a ser sanada na decisão contida no acórdão embargado. A decisão acertadamente entendeu que as comissões de seguros somente são passíveis de dedutibilidade após serem efetivamente devidas o que somente ocorre com o pagamento dos prêmios de seguros por parte dos segurados. Assim, até o efetivo pagamento dos prêmios os valores das comissões deduzidos a título de custos ou despesas tem mero caráter de provisão sendo que a incerteza reside justamente não haver qualquer garantia de que o prêmio será efetivamente pago pelo contratante da apólice. O procedimento adotado pela recorrente/embargante é assim resumido pelo autoridade fiscal em seu Termo de Constatação nº 01 (fls. 81/83): 1. Esta fiscalização recebeu em arquivo magnético os razões analíticos das contas analíticas referente conta sintética do Passivo Circulante denominada "Comissões Sobre Prêmios Emitidos". Com estas informações elaborou um documento denominado MAPA RESUMO apontando os números das contas analíticas, os respectivos ramos de seguro e os saldos existentes em 31 de dezembro de 2.000. Tal mapa é juntado aos autos devidamente instruído pelas cópias dos razões que consolida. Da simples leitura desta escrituração é possível se constatar que os registros contábeis são feitos de forma consolidada com Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 empregos das seguintes expressões: "MOVIMENTO EMITIDO NO MES", "MOVIMENTO CANCELADO NO MÊS" OU "MOVIMENTO COBRADO NO MES". Todos estes registros contabeis derivam de livros auxiliares que são impostos pelas autoridades que controlam o mercado de seguros e previdência em nosso Pais vide, por exemplo, Resolução CNSP no de 2.000. 2. Nestas contas analíticas a instituição leva a crédito das mesmas o valor global das comissões contratadas por ocasião da emissão dos respectivos documentos de seguro. Este valor é detalhado em livro auxiliar e o procedimento obedece ao plano de contas SUSEP Res. CNSP no 19 de 2.000, que para conta Comissões Sobre Prêmios Emitidos estabelece: Função da Conta 2255: "Registrar, por ramo, as comissões a pagar por ocasião da emissão dos títulos, liquidas das participagdes cedidas as congêneres e aos resseguradores" 3. Ocorrido o recebimento do prêmio existe também livro auxiliar para registrar prêmios recebidos as mesmas autoridades do mercado de seguros impõem um segundo registro contábil no passivo circulante, nos seguintes termos: Função da Conta 2259: "Registrar as comissões a pagar aos corretores por ocasião da cobrança dos títulos e as recuperações relativas aos prêmios restituídos aos segurados". 4. A fiscalizada assim procedeu transferindo o movimento referente aos valores cobrados da conta Comissões Sobre Prêmios Emitidos para uma segunda conta do Passivo Circulante denominada pela fiscalizada de "Comissões a Pagar". 5. Quando da apuração do valor da comissão sobre prêmios emitidos a fiscalizada leva tal valor a débito da conta no 3131, denominada Comissão sobre Prêmio Retido, do grupo de contas referentes às Despesas de Comercialização tratadas como despesas operacionais para efeitos da legislação do IRPJ e da CSLL. Verificase que o pagamento das comissões é suscetível de restrição por motivo de falta de pagamento ou devolução do prêmio de seguro. Conforme muito bem apontou a autoridade fiscal em seu Termo de Constatação nº 01 (fls. 81/83), as empresas seguradoras por força das normas emanadas pela SUSEP tem regime próprio de contabilização de suas receitas, custos e despesas, as quais não podem ser oponíveis às normas tributárias para apuração das base de cálculo dos tributos devidos. Se por um lado as provisões técnicas podem ser deduzidas conforme comando do art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, da mesma forma é vedada a dedução de qualquer outra provisão conforme o mesmo comando legal. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.001469/200455 Acórdão n.º 1803001.182 S1TE03 Fl. 286 5 Resta afastada outrossim, a suposta contradição entre a obrigação de registrar as receitas pelo regime de competência enquanto as despesas de comissão seriam apropriadas apenas no momento do recebimento das receitas, pois conforme bem observou a autoridade fiscal, provisões técnicas autorizadas também pela legislação fiscal, permitem excluir as receitas de prêmios não recebidos (Provisão de Prêmios Não Ganhos), o que faz cair por terra as alegações da recorrente/embargante. Não se trata portanto de negar vigência ao regime de competência ou às regras que permitem a dedutibilidade de despesas necessárias à atividade da recorrente pois a dedutibilidade apenas fica postergada para um momento posterior ou seja após o efetivo recebimento do prêmio de seguro. Neste sentido, conforme assevera a autoridade fiscal em seu Termo de Constatação (fls. 81/83), não foi possível atribuir à infração no ano calendário 2000 os efeitos de simples postergação por ausência de lucro suficiente no ano calendário 2001, sendo que para os demais já houve outros lançamentos de ofício esgotando as possibilidades até o ano calendário 2003. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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