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Numero do processo: 10925.000638/2010-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho do processo 10925.003093/2009-01.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho do processo 10925.003093/2009-01. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho do processo 10925.003093/200901. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), apurada no regime nãocumulativo, em relação ao fato gerador ocorrido em 01/2008 (fl. 6). A motivação do lançamento é apresentada em Relatório Fiscal (fl. 11) nos seguintes termos: Dos Fatos, do Crédito Tributário Exigido e Demais Imposições Legais Aplicáveis ao Caso Concreto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 63 8/ 20 10 -5 2 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10925.000638/201052 Resolução nº 3403000.586 S3C4T3 Fl. 376 2 1. A contribuição para o Pis/Pasep nãocumulativo foi instituída pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 2. Nos termos dos arts. 1° e 2° da supracitada Lei, tal contribuição é calculada aplicandose ao valor do faturamento mensal a alíquota de 1,65%; 3. Da contribuição apurada na forma do item anterior, é facultado a pessoa jurídica o desconto de créditos, cuja base legal se encontra principalmente no art. 3° da lei n° 10.637/02; 4. Descontados da contribuição apurada os créditos nãocumulativos do Pis/Pasep, é permitida a compensação ou o ressarcimento do valor creditório que porventura tenha remanescido (§ 1° e § 2°, art. 5° da Lei n° 10.637/02); 5. Com base nessa faculdade, formalizou o contribuinte um Pedido de Ressarcimento por meio do processo administrativo no 10925.003073/200921, relativo a créditos do Pis/Pasep não cumulativo, 1° trimestre de 2008, no valor de R$ 64.290,56; 6. Em 27/04/2010 foi finalizada a análise do processo administrativo supracitado, tendo como resultado o reconhecimento parcial do direito creditório. Abaixo colamos cópia dos Fundamentos e da Decisão exarada no Despacho Decisório nº 331/2010: O contribuinte apresentou Impugnação (fls. 83/99) alegando que o auto de infração deveria ser cancelado, extinguindose o débito exigido, em razão da legitimidade dos créditos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão nº 0726.961, de 9 de dezembro de 2011 (fls. 220/248), julgou improcedente a impugnação, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois , de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10925.000638/201052 Resolução nº 3403000.586 S3C4T3 Fl. 377 3 transporte), não geram direito a creditamento relativo As suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS.As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito a creditamento relativo as suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despegas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS No regime da nãocumulatividade, o ressarcimento/compensação de créditos não aproveitados à época Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10925.000638/201052 Resolução nº 3403000.586 S3C4T3 Fl. 378 4 própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROlNDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. . Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não sendo permitido o ressarcimento. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 249/292), pedindo que fosse sobrestado o julgamento do presente processo até a decisão definitiva do processo nº 10925.003073/200921, que discute a legitimidade do crédito; ou, em último caso, que seja cancelado o auto de infração formalizado e seja extinto o crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 29/02/2012 (fl. 249), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 01/02/2012 (fl. 245). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, conheço do recurso. O presente lançamento foi realizado como decorrência das glosas realizadas pela Fiscalização nos créditos de PIS nãocumulativo, conforme apurado no Processo Administrativo nº 10925.003093/200901, no qual se processa o pedido de ressarcimento formulado pelo contribuinte. Ou seja, em razão da glosa dos créditos, o saldo de crédito disponível para o mês tornouse menor do que o valor do débito de PIS para o mesmo período, resultando na existência de saldo devedor, o que exigiu a lavratura do auto de infração para constituir o crédito tributário. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10925.000638/201052 Resolução nº 3403000.586 S3C4T3 Fl. 379 5 Assim, decorre da mesma glosa a conclusão de que não há crédito disponível para ressarcimento e, pior, que sequer há crédito suficiente para o pagamento do débito para o mesmo período de apuração, resultando na lavratura do acórdão. Tratase, como visto, de uma decorrência peculiar à sistemática de apuração de PIS/Cofins nãocumulativos. Com isso, no entanto, abriramse duas via de discussão: contra a decisão que negou o pedido de ressarcimento e contra o lançamento fiscal, sendo que em ambos se apresentam os mesmos fundamentos, contra as mesmas glosas. A discussão, como visto, é tratada de forma central e original no processo de ressarcimento, no qual, ao final, caso se venha a entender que o contribuinte tem razão, ou seja, que tem direito ao crédito, fará cair por terra o auto de infração. Entendo que é o caso de converter o julgamento em diligência, determinando a baixa dos autos para a Unidade de origem, para que aguarde e informe tão logo aconteça o julgamento final e definitivo do Processo Administrativo nº 10925.003093/200901, quando então deve ser apensanda cópia integral aos presentes autos, devendo ainda a d. Autoridade Preparadora elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos efeitos que as decisões naqueles dois processos causam em relação ao presente feito, demonstrando se houve ou não a quitação integral dos débitos constituídos no presente auto de infração. Deste relatório deve ser intimado o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 15 (quinze) dias, devolvendose então os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000793/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/11/2009, 02/12/2009
MULTA. ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/66. ERRO NO PREENCHIMENTO NA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Erro na indicação do valor do frete não corresponde à informação relevante sobre a mercadoria, haja vista que somente é relevante a informação cuja prestação extemporânea seja também passível de pena de perdimento por ausência de declaração em manifesto (clandestinidade). Logo, a informação em questão não é punível com a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea 'e' do Decreto-Lei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3102-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Paulo Puiatti.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/11/2009, 02/12/2009 MULTA. ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/66. ERRO NO PREENCHIMENTO NA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Erro na indicação do valor do frete não corresponde à informação relevante sobre a mercadoria, haja vista que somente é relevante a informação cuja prestação extemporânea seja também passível de pena de perdimento por ausência de declaração em manifesto (clandestinidade). Logo, a informação em questão não é punível com a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea 'e' do Decreto-Lei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003.
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Recorrente BRASMARINE TRANSPÓRTES INTERNACIONAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2009, 02/12/2009 MULTA. ART. 107, IV, “E”, DO DECRETOLEI 37/66. ERRO NO PREENCHIMENTO NA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Erro na indicação do valor do frete não corresponde à informação relevante sobre a mercadoria, haja vista que somente é relevante a informação cuja prestação extemporânea seja também passível de pena de perdimento por ausência de declaração em manifesto (clandestinidade). Logo, a informação em questão não é punível com a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Paulo Puiatti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Florianópolis que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para exonerar o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 07 93 /2 01 0- 97 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 sujeito passivo do pagamento de parte da exigência correspondente ao total de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) em face de o interessado em epígrafe ter deixado de prestar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações sobre o Conhecimento Eletrônico Agregado (CE HOUSE) n° 160905104852077. Mais precisamente, relata a autoridade autuante que referidas informações (alteração do valor do frete básico e inclusão da 7ª taxa em componentes do frete) foram prestadas por meio de dois pedidos de retificação protocolados trinta dias após a data de atracação do navio no porto de Paranaguá, quando o prazo regulamentar estabelecido na forma do inciso III do art. 22 da IN RFB n° 800, de 2007, alterada pela IN RFB n° 899, de 2008, é de quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico, no que pertine As informações relativas A conclusão da desconsolidação desse conhecimento de carga. Aduz, ainda, a fiscalização que, de acordo com o art. 64, § 4°, inciso II, do ADE COREP n° 3, de 2008, a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, deve ser aplicada a cada deferimento, automático, ou não, da retificação do manifesto, CE ou item, independentemente da quantidade campos. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 08, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 24/06/2010 (fl. 35), o sujeito passivo, irresignado, apresentou, em 26/07/2010, os documentos colacionados As fls. 30 a 42 e a impugnação de fls. 19 a 29, onde, em síntese: Alega inexistir infração em face do pedido de retificação de informações, tendo em vista que seguiu todos os ditames normativos referentes a este procedimento e a retificação foi deferida pela Receita Federal do Brasil; Em outro plano, alega também inexistir infração em face do instituto da denúncia espontânea, contemplado na forma do art. 138 do Código Tributário Nacional, já que as informações foram prestadas e retificadas bem antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a suposta infração, ao que, para corroborar, no ponto, suas alegações, acresce a transcrição de excertos de julgado coligido no Tribunal de Justiça de Santa Catarina; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10907.000793/201097 Acórdão n.º 3102002.301 S3C1T2 Fl. 13 3 Na seqüência, reclama não ter causado qualquer embaraço à ação fiscalizadora da Receita Federal do Brasil, e que, se cometeu um erro, deve ser reconhecido que não teve a intenção de cometer qualquer fraude, devendo, no máximo serlhe aplicada uma advertência, ao que aduz a transcrição dos artigos 63 e 65 da Lei n.° 5.025, de 1966, que versam sobre o tratamento conferido aos exportadores no caso de cometimento de erros operacionais; Ademais disso, reclama também que, no caso de subsistir o auto de infração impugnado, deve ser reduzida a penalidade para R$ 5.000,00, já que foi multado duas vezes por retificar o mesmo conhecimento eletrônico, ao passo que a RFB tem aplicado apenas uma única multa por viagem da embarcação relacionada; Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado, ou, a subsistir o feito, que seja reduzido o valor da penalidade aplicada. A DRJ em Florianópolis julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para exonerar o sujeito passivo do pagamento de parte da exigência correspondente ao total de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De acordo com o relato acima, foi imputado ao ora Recorrente a infração prescrita no artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e no artigo 45, da Instrução Normativa RFB n° 800/2007, os quais assim dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Art. 45. 0 transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f' do inciso IV do art. 107 do Decreto Lei n°37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei n°10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1° Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. § 2° Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. O prazo para a prestação das informações acima descritas, por sua vez, é disciplinado pelo artigo 22 também da Instrução Normativa da RFB n° 800/2007, nos seguintes termos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e Ocorre que restou incontroverso nos autos que a empresa autuada prestou a informação sobre a carga transportada, errando somente quanto ao valor do frete. Diversamente do pretende fazer crer a fiscalização, no que foi seguida pela decisão recorrida, a retificação da informação do frete nos termos procedidos no caso concreto não autoriza a aplicação de multa por não prestação de informação. Com efeito, como bem pontuou o voto vencido do acórdão recorrido, cujas razões adoto como fundamento para decidir: Conforme pode ser observado no tipo infracional do artigo 107 transcrito neste Voto, a infração somente é devida pela não prestação de informação, não havendo previsão no tocante à retificação da informação anteriormente prestada. Apesar de omitido na autuação fiscal, o parágrafo primeiro do artigo 45 da IN, já transcrito neste Voto, cita a alteração como fundamento para aplicação da multa do artigo 107, IV, 'e', do DecretoLei n° 37, de 1966. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10907.000793/201097 Acórdão n.º 3102002.301 S3C1T2 Fl. 14 5 Aparentemente tal parágrafo único prevê que a alteração ou retificação, tal qual a completa ausência de informação, seriam puníveis com a penalidade em questão. Por diversas vezes os contribuintes autuados apresentam defesa que constituem argumentação lógica de Reductio ad absurdum. O artigo 45, parágrafo primeiro, da IN prevê que a conduta é punível quando a alteração (da informação) é efetuada entre o prazo mínimo e a atracação do navio. Pela letra fria da norma, alterações prestadas após a atracação do navio não seriam puníveis, ao contrário das alterações prestadas até a atracação do navio, sendo que uma alteração procedida após a atracação seria mais extemporânea que uma alteração efetuada até a atracação da embarcação. Isto seria completamente ilógico, pois significaria apenar um interveniente no comércio exterior por prestação de informação até a atracação da embarcação mas não apenar um interveniente por prestação de informação por maior atraso ainda, ou seja, após a atracação da embarcação. A interpretação literal da norma levaria a uma conclusão ilógica, sendo que não se deve interpretar uma norma de forma a tornála ilógica. Estarseia, portanto, frente a um dilema. A resposta a este dilema é observar que por conclusão lógica a alteração de informação efetuada após a atracação do navio ainda seria uma informação extemporânea, pois a conduta de prestar a informação após a atracação do navio seria mais grave e extemporânea que a prestação de informação até a atracação do navio (entre o prazo mínimo e a atracação). Corrobora o exposto no parágrafo anterior, a redação do artigo 47 da Instrução Normativa. Art. 47. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria: I sujeita a conhecimento de carga, encontrada a bordo ao desamparo de manifesto eletrônico vinculado à escala, com fundamento no inciso IV do art. 105 do DecretoLei n°37, de 1966; II carregada ou descarregada do veiculo sem informação de manifesto eletrônico ou em desobediência a bloqueio registrado no sistema, com fundamento no inciso Ido art. 105 do Decreto Lei n°37, de 1966. Esta infração mais grave decorre de mercadoria em situação irregular ou clandestina no território nacional em decorrência da ausência registro da mesma em manifesto. Seguem os incisos do artigo 105 do DecretoLei n° 37/1966 invocados no dispositivo acima. Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: I em operação de carga já carregada, em qualquer veiculo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; (...) IV existente a bordo do veiculo, sem registro um manifesto, em documento e efeito equivalente ou em outras declarações; (...) Como se vê, após a atracação do navio, a penalidade cabível seria o perdimento da mercadoria pelo fato de a mesma ser clandestina no território aduaneiro, sendo que a infração de prestação extemporânea de informação é absorvida pela infração mais grave de dano ao erário (pena de perdimento). A mercadoria importada deve ser registrada em manifesto, conforme o artigo 41 do Regulamento Aduaneiro (RA) vigente à época, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, sendo que a mercadoria não registrada em manifesto é passível de perdimento. Art. 41. A mercadoria procedente do exterior, transportada por qualquer via, será registrada em manifesto de carga ou em outras declarações de efeito equivalente (DecretoLei n°37, de 1966, art. 39, caput). Logo, a informação cuja não prestação configura a penalidade do artigo 107, inciso IV, alíneas 'e', do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003 é a omissão na prestação da informação acerca da existência da carga. Somente assim devolvese a lógica ao sistema jurídico: até a atracação da embarcação, punese com multa pecuniária de R$ 5.000,00, após a atracação, tal penalidade é absorvida pela penalidade de perdimento das mercadorias. Até o momento da atracação da embarcação, a não prestação da informação acerca da existência da carga é mera infração formal por não cumprimento de obrigação tributária acessória. Até a atracação, a não prestação de informação é punida com multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 uma vez que não havia iniciado ação fiscal. Antes do inicio da ação fiscal, é possível ao interveniente comunicar a existência da mercadoria não constante em manifesto ou conhecimento (i.e. mercadoria passível de posteriormente estar irregular ou clandestina), estando sujeita ao apenamento de R$ 5.000,00 devido à infração formal. Todavia, após a atracação do navio, não mais existe somente uma mera infração formal por descumprimento de obrigação tributária acessória, mas também algo mais grave: o dano ao erário (pena de perdimento). Esta infração mais grave decorre de mercadoria em situação irregular ou clandestina no território nacional em decorrência da ausência registro da mesma em manifesto de carga, sendo que esta última infração absorve a penalidade de prestação extemporânea de informação de mercadoria transportada. Conforme o artigo 32, §1°, da IN n° 800/2007, será considerada chegada a embarcação quando for registrada a sua atracação. Já o §3° da IN em questão determina que o registro da atracação equivale à emissão do termo de entrada e a formalização da entrada da embarcação, conforme artigos 31 e 32, todos do Regulamento Aduaneiro (RA) vigente à época (Decreto n° 6.759/2009). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10907.000793/201097 Acórdão n.º 3102002.301 S3C1T2 Fl. 15 7 Art. 32. 0 operador portuário deverá informar, no sistema, a atracação e a desatracação da embarcação no porto. § 1° Será considerada chegada a embarcação no porto quando for registrada no sistema sua primeira atracação ou seu primeiro fundeio para operação na escala. § 2° Será considerada saída a embarcação do porto quando for registrada no sistema sua última desatracação ou seu último desfundeio para operação na escala. § 3º O registro da atracação no porto de escala, no sistema, equivale à emissão do termo de entrada e formaliza a entrada da embarcação no porto, nos termos dos arts. 27, § 1°, e 31, do Decreto n°4.543, de 26 de dezembro de 2002. § 4º No caso de omissão do operador portuário quanto à obrigação a que se refere o caput, a unidade local da RFB prestará a informação no sistema. § 5° A inexistência, no sistema, de bloqueio da escala para saída da embarcação do porto supre a emissão do passe de saída, nos termos do parágrafo único do art. 53 do Decreto n° 4.543, de 2002 e permite ao operador portuário informar a desatracação. Segue os artigos 31 e 32 do Regulamento Aduaneiro de 2009: Art. 31. 0 transportador deve prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 37, caput, com a redação dada pela Lei n 10.833, de 2003, art. 77). §1º Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veiculo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. §2º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário também devem prestar as informações sobre as operações que executem e as respectivas cargas (DecretoLei ti2 37, de 1966, art. 37, §1g, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, art. 77). Art. 32. Após a prestação das informações de que trata o art. 31, e a efetiva chegada do veiculo ao Pais, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As operações de carga, descarga ou transbordo em embarcações procedentes do exterior somente poderão ser executadas depois de prestadas as informações referidas no art. 31 (DecretoLei n2 37, de 1966, art. 37, §22, com a redação dada pela Lei n" 10.833, de 2003, art. 77). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 E o artigo 683, §3°, do Regulamento Aduaneiro de 2009 determina que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, não há mais a denúncia espontânea da infração uma vez que, após a chegada do veiculo do exterior, iniciase ação fiscal, especificamente o controle aduaneiro. Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei n2 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei n2 2.472, de 1988, art. 12; e Lei n2 5.172, de 1966, art. 138, caput). §1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei n2 37, de 1966, art. 102, §12, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º) I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o inicio de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. §2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (DecretoLei n2 37, de 1966, art. 102, §22, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 12). §3º Depois de formalizada a entrada do veiculo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O artigo 26 do Regulamento Aduaneiro prevê que o controle aduaneiro é exercido desde o ingresso do veiculo no território aduaneiro, que, por sua vez ocorre quando emitido o termo de entrada, que por sua vez decorre do registro da atracação da embarcação, conforme artigo 32 da IN n° 800/07. Logo, além do §3°, a denúncia espontânea é afastada pelo §1°, inciso II, acima transcrito. Art.26.A entrada ou a saída de veículos procedentes do exterior ou a ele destinados só poderá ocorrer em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado. §1º O controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes. §2º O titular da unidade aduaneira jurisdicionante poderá autorizar a entrada ou a saída de veículos por porto, aeroporto ou ponto de fronteira não alfandegado, em casos justificados, e sem prejuízo do disposto no §1º. Por conseguinte, uma vez formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e, consequentemente, iniciada a ação fiscal, não há denúncia espontânea, estando, a partir dai, a mercadoria em situação irregular ou clandestina. Mercadorias em situação irregular ou clandestina são punidas com a pena de perdimento, conforme artigo 105, incisos I e IV (principalmente) do DecretoLei n° 37/66. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10907.000793/201097 Acórdão n.º 3102002.301 S3C1T2 Fl. 16 9 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: I em operação de carga já carregada, em qualquer veiculo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; (...) IV existente a bordo do veiculo, sem registro um manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; (...) Relembrando, são os seguintes os efeitos do registro da atracação: fazer com que a embarcação seja considerada chegada (art. 32, §1°, IN RFB n° 800/07), equivaler emissão do termo de entrada (art. 32, §3°, IN RFB n° 800/07), formalizar a entrada da embarcação, afastar a denúncia espontânea (art. 683, §3°, do RA) e tornar a mercadoria passível da penalidade de perdimento (artigo 105, incisos I e IV, do DecretoLei n° 37/66 em conjunto com o artigo 39 do Regulamento Aduaneiro). Em resumo, até a atracação da embarcação, a não prestação de informação acerca da existência da mercadoria é penalidade punível na forma do artigo 107, inciso IV, alíneas 'e' ou 'f', do DecretoLei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. Após a atracação, houve registro da entrada da embarcação e iniciouse ação fiscal, estando a mercadoria sujeita à pena de perdimento, conforme o próprio artigo 47 da IN RFB no 800/2007, além de qualquer alteração efetuada ser também extemporânea, sendo que a infração de informação extemporânea é absorvida pela penalidade de perdimento. A mercadoria em questão foi declarada pela empresa, sendo que o erro na indicação do valor do frete não corresponde à informação relevante sobre a mercadoria haja vista que somente é relevante a informação cuja prestação extemporânea seja também passível de pena de perdimento por ausência de declaração em manifesto (clandestinidade). Logo, a informação em questão não é punível com a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10730.720226/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.163
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à localização do imóvel no Parque Estadual e à apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à localização do imóvel no Parque Estadual e à apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora. EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório
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Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o acórdão 0349.003 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2005, relativamente ao imóvel FAZENDA BRASIL, NIRF 3.331.8727, com área total declarada de 1936,0 ha., localizada no município de Cachoeiras de MacacuRJ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 22 6/ 20 10 -1 0 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720226/201010 Resolução nº 2101000.163 S2C1T1 Fl. 3 2 O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória das alegações relativas à reserva legal e área de preservação permanente. No recurso voluntário repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação sem, contudo, trazer documentação comprobatória aos autos. A área declarada para o NIRF 3.331.8728, denominada Fazenda Brasil, tem 1.936 ha. sendo 1.935 de área de preservação permanente, pois está inteiramente dentro do Parque Estadual dos Três Picos, conforme Decreto 31343/2006. O restante, 1 ha. é de reserva legal. Informa que declarou a ADA para o exercício 2005 em nome da pessoa física Arthur de Britto Jordão, CPF 028.343.91734. O referido ADA para o exercício 2005 não consta dos autos do processo. Para conhecimento, constam dos autos os documentos a seguir. ADA exercício 2008 (fls. 45) para o imóvel Fazenda Reunidas São Joaquim e Piedade, protocolo do IBAMA n. 10833330009222, transmitido em 01/08/2008; Este imóvel foi declarado com 19.360,00 ha, definidos como reserva legal. ADA exercício 2009 (fls. 47), número do recibo 10933330244480, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Não foi declarada a área, nem a localização do imóvel. ADA exercício 2010 (fls. 46) –número do recibo 11033330504170, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. O imóvel foi declarado com 1936ha de área de preservação permanente e 1 há com mineração. Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro que cria o Parque Estadual dos Três picos(fls. 41/42). Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA(fls. 33). Cadastro técnico federal–(fls. 46) certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária. Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 32) Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. Argumenta com decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720226/201010 Resolução nº 2101000.163 S2C1T1 Fl. 4 3 que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n. 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. Solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário e que seja cancelada a notificação de lançamento do processo n.10730.720226/201010, tendo em vista que a área declarada em sua declaração de ITR é de preservação permanente, sendo, portanto, isenta to imposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Conforme legislação vigente, já amplamente mencionada no acórdão recorrido, o reconhecimento de isenção de ITR tanto de área de preservação permanente quanto de área de reserva legal depende de documentos bastante comprobatórios de que o imóvel realmente está inserido no contexto que alega. O legislador, para garantir o direito do proprietário do imóvel junto à Receita Federal, previu documentos que não poderiam ser refutados pela Receita Federal para conceder a isenção, quais sejam: Ato Declaratório Ambiental Lei 6938/81 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Averbação da área de Reserva Legal – Lei 6938/81 Lei 9393/1996 Decreto 4382/2002 Art.12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável(Lei nº4.771, de 1965, art. 16,com a redação dada pelaMedida Provisória nº2.16667, de 2001). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720226/201010 Resolução nº 2101000.163 S2C1T1 Fl. 5 4 §1ºPara efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere ocaputdeste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Como já repisado no acórdão de impugnação, a documentação acostada aos autos não comprova a quantidade de área da propriedade que estaria comprometida com reserva legal ou com preservação permanente. Os documentos comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade está inserida, e que áreas da a propriedade teriam sido objeto de preservação permanente/reserva legal. Um laudo anexado aos autos para fins de recadastramento da propriedade junto ao INCRA informa que a propriedade estaria dentro do referido parque. Contudo, não existe qualquer documento legal hábil que comprove tal afirmação. Mais ainda, não há nos autos, documentação que comprove a quantidade de área de reserva legal ou de preservação permanente na propriedade, no exercício 2005. O contribuinte faz referência à apresentação de ADA no ano 2005, entretanto, não juntou o documento aos autos em nenhum momento. O art. 150 do Código Tributário Nacional (lei 5172/1966) define o lançamento por homologação como “aquele em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Contudo, caso seja intimado para prestar esclarecimentos em procedimento de fiscalização, o contribuinte deverá apresentar os documentos comprobatórios dos dados utilizados para o cálculo do tributo. A aplicação das multas é uma imposição legal e está determinada no art. 14 da lei 9363/1996 e definidas no art. 44, inc I da lei 9430/1996. As decisões em processos tanto administrativos quanto judiciais são aplicáveis às partes nos respectivos processos, i.e., no contexto em que foram proferidas. Dado o exposto, negase provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins Relatora Voto Vencedor Conselheiro EDUARDO DE SOUZA LEÃO, Redator Designado Não obstante as lúcidas informações trazidas no Relatório e no bem fundamentado Voto da Ilustre Conselheira Relatora, entendo que o feito em julgamento carece de esclarecimentos quanto a questões de fato, objetivando realizar a melhor justiça fiscal administrativa. Ora, conforme identificado pela Ilustre Conselheira Relatora, foram trazidos aos autos documentos que comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade do imóvel em análise, estaria inserida. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720226/201010 Resolução nº 2101000.163 S2C1T1 Fl. 6 5 Do mesmo modo se observou a existência de um laudo realizado para fins de recadastramento do imóvel junto ao INCRA, contendo informação que a propriedade estaria dentro do referido parque. Portanto, percebemse fortes indícios de que áreas do imóvel referente à “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, sejam objeto de preservação permanente e/ou de reserva legal. Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto a averbação de áreas de reserva legal e de preservação permanente; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Após a obtenção das respostas, a Recorrente deverá ser cientificada e informada de que poderá se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de 30 dias. É como voto. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.003471/2004-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/01/1999
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 34 71 /2 00 4- 39 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de NFLD, por meio da qual se exige crédito previdenciário relativo ao período de 10/1998 a 01/1999, decorrente de contrato de prestação de serviços sob a responsabilidade do Contribuinte, no regime de cessão de mãodeobra, com a empresa Luzville Engenharia Ltda, cujas contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, previsto no artigo 31 da Lei n.° 8.212, de 1991. O presente litígio cingese às competências de 12/1998 e 01/1999. A ciência da NFLD ocorreu em 21/10/2004 (fls. 01). Em sessão plenária de 19/04/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 240102.392 (fls. 276 a 280), assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava a regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN.” Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35464.003471/200439 Acórdão n.º 9202003.514 CSRFT2 Fl. 321 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 31/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 281). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a data de intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 30/06/2012; portanto o Recurso Especial teria como termo final 15/07/2012, tendo sido tempestivamente interposto em 06/07/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 296). O Recurso Especial de fls. 282 a 295 está fundamentado nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a declaração de decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 075/2013, de 22/01/2013 (fls. 298/299). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: é consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, §4º somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de ofício de eventuais diferenças; concluise, pois, que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, §4º, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; noutro passo, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do artigo 173, I, do CTN, conforme Enunciado n.º 219 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos; no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento, por isso se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, pacificou o entendimento, no julgamento de matéria objeto de recursos repetitivos, entendendo que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN, e não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva; ressaltese que não há que se falar em recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento Fl. 323DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 4 efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial deste de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; exemplificando: não faz sentido dizer que houve pagamento parcial na hipótese em que sejam cobradas contribuições previdenciárias sobre a rubrica de premiações pagas aos empregados, quando se verifica o pagamento realizado sobre contribuições previdenciárias de forma genérica, mormente quando a contribuinte não entendia pela incidência de contribuições sobre as rubricas lançadas; nessa situação, é inadmissível dizer que houve adimplemento parcial quanto à contribuição cobrada, qual seja aquela incidente sobre os pagamentos realizados aos empregados na forma de premiação por produtividade; afirmar que o recolhimento de contribuição incidente sobre outros fatos implica pagamento parcial do tributo devido em face do exigido nos presentes autos afronta a própria natureza das coisas, inserindose situações fáticas absolutamente diversas sob o mesmo rótulo; no caso em apreço, os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte, e tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN; além dos fundamentos até aqui expendidos, é preciso ter em mente que a indevida aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, em detrimento da regra encartada no art. 173, I, daquele diploma legal, tem normalmente como efeito imediato a liberação de exações relativas a diversas competências, já que a decadência vai corroer créditos da União em interstícios nos quais não deveria operar nenhum efeito; ademais, ao permitir a extinção de créditos que, a princípio, são inteiramente legítimos, a decisão hostilizada confere ao contribuinte o poder de beneficiarse da sua própria torpeza; isso porque ao deixar intencionalmente de recolher determinadas exações referentes a fatos que lhes geram a incidência, com o fim de burlar o Fisco, o entendimento aqui hostilizado ainda brinda o inadimplente com a benesse da contagem prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, cedendo passo à extinção de créditos relativos a diversas competências; por todas essas razões, considerando que o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento em relação às rubricas exigidas no presente feito, ainda que parcial, é imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN para a contagem da decadência, conforme entendimento exposto pelos Conselheiros vencidos. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, nos termos dessas razões recursais. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 1º/07/2013 (fls. 303), a Contribuinte ofereceu, em 16/07/2013 (fls. 304), as Contrarrazões de fls. 304 a 311, contendo os seguintes argumentos, em resumo: preliminarmente, não restou demonstrada a divergência jurisprudencial, de forma analítica, limitandose a Recorrente a citar julgados do CARF; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35464.003471/200439 Acórdão n.º 9202003.514 CSRFT2 Fl. 322 5 diferentemente dos supostos paradigmas, no caso do acórdão recorrido houve pagamento antecipado, o que foi reconhecido pelo Relator, portanto não existe identidade fática, o que leva a inadmissão do recurso; no mérito, reitera os argumentos do acórdão recorrido e informa que a empresa prestadora de serviços apresentou os comprovantes de recolhimento antecipado (GRPS) juntamente com a impugnação, apresentada em 28/12/2004. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial ou, caso não seja este o entendimento, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que não foi comprovada a alegada divergência jurisprudencial, tendo em vista ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Entretanto, não assiste razão à Contribuinte, uma vez que a Fazenda Nacional colaciona trecho de um dos paradigmas que deixa clara a divergência em relação ao acórdão recorrido. Nesse trecho, resta assentado que a questão não é a existência de pagamento genérico da rubrica autuada, e sim de pagamento antecipado individualizado, relativo ao fato gerador objeto do lançamento, ainda que tenha havido recolhimento referente a tal rubrica. Confirase: “No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive.” Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. Tratase de NFLD, por meio da qual se exige crédito previdenciário relativo ao período de 10/1998 a 01/1999, decorrente de contrato de prestação de serviços sob a responsabilidade do Contribuinte, no regime de cessão de mãodeobra, com a empresa Luzville Engenharia Ltda, cujas contribuições foram apuradas com base no instituto da Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 6 responsabilidade solidária, previsto no artigo 31 da Lei n.° 8.212, de 1991. A ciência da NFLD ocorreu em 21/10/2004 (fls. 01). A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas as competências de 12/1998 e 01/1999. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35464.003471/200439 Acórdão n.º 9202003.514 CSRFT2 Fl. 323 7 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado, já que se trata de substituição tributária. No presente caso, a autuação teve por base o artigo 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 9.711, de 1998, que assim estabelecia: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no §5º do art. 33 desta Lei.” (...) Art. 33 (...). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 8 pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei” Nesse passo, constam às fls. 77 a 80 as GRPS – Guias de Recolhimento da Previdência Social, recolhidas pela prestadora de serviços em todas as competências objeto da NFLD. Em relação a esse tema, por concordar com eles, adoto os fundamentos do brilhante voto integrante do Acórdão 920201.413, de 12/04/2011, de relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que a seguir reproduzo. “(...) Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação a essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35464.003471/200439 Acórdão n.º 9202003.514 CSRFT2 Fl. 324 9 remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 27, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados, é o quinquenal contado do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Assim, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN.” O posicionamento acima já se encontra sumulado, conforme a seguir: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que às fls. 77 a 80 constam as GRPS – Guias de Recolhimento da Previdência Social, da prestadora de serviços, relativas às competências exigidas, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 21/10/2004 (fls. 01), e os fatos geradores que restaram em litígio dizem respeito às competências 12/1998 e 01/1999, constata se a ocorrência da decadência. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 10 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905537/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 55 37 /2 00 9- 69 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 182/190 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de COFINS, no valor de R$ 10.624,82, relativo ao mês de abril de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada. Consta da referida decisão: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega: “(...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros. (...) até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905537/200969 Acórdão n.º 3802003.992 S3TE02 Fl. 215 3 desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais. (...) muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. (...) Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. Assim, o Contribuinte, ora Recorrente, preencheu todos os requisitos acima descritos, fazendo jus ao direito narrado, confirmado através da Solução de Consulta nº 05, de 08 de fevereiro de 2007 (...) Posto isto, a Recorrente, preenchendo todos os requisitos acima descritos e fazendo jus ao benefício descrito, ingressou com pedido administrativo de Restituição e Compensação, via Per/Dcomp dos valores não prescritos. (...) O suposto débito em cobrança (...) referese à compensação efetuada em virtude de restituição do crédito acima descrita (...). (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. (...) Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso (...).” Na seqüência, foi determinada a realização de diligência, de cujo Despacho consta: “Constatase que a requerente formulou, quanto à matéria, consulta à Superintendência Regional da Receita Federal na 2ª Região Fiscal, a qual foi solucionada por intermédio da Solução de Consulta nº 05, de 8 de fevereiro de 2007, cujos excertos seguem transcritos: ‘13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior.Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 14. Com relação à segunda condição, objeto de dúvida, a consulente esclarece que os pagamentos são feitos em moeda corrente (reais) pelas agências representantes do transportador estrangeiro, por força da Carta Circular do Banco Central do Brasil n° 3.280, de 9 de março de 2005, a qual contém as normas para o tratamento cambial das operações de frete internacional. (...) 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. (...) 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.’ Verificase, contudo, que a contribuinte deixou de trazer aos autos a comprovação de que é signatária de contrato de Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905537/200969 Acórdão n.º 3802003.992 S3TE02 Fl. 216 5 direito privado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega haver prestado serviços, bem como os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes. Também não apresentou as notas fiscais relativas aos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, bem como o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas. (...) Em face do exposto, proponho a realização de diligência (...), para as seguintes providências: (...) b) Adotar providências necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, seja apurada a efetiva prestação de serviços a pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior, cujo(s) pagamento(s) tenha(m) representado ingresso de divisas, verificandose a procedência ou não do direito creditório pretendido, após demonstrado, pela interessada, que foi observada a legislação de regência, mediante a juntada aos autos, dentre outros que entenda necessários a autoridade fiscal, de: b.1) Contrato(s) de direito privado firmado(s) com a(s) pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) tenha prestado serviço; b.2) Notas Fiscais relativas à prestação de serviço para a(s) pessoa(s) jurídica(s)residente(s) ou domiciliada(s) no exterior e do livro fiscal em que foram escrituradas; e b.3) Contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. c) Apurar, em sendo o caso, o quantum do eventual direito creditório.” Como resultado da diligência, foi expedido relatório fiscal nos seguintes termos: “Ainda no que é concernente ao item acima, em tese e redundante em principio, pela simples observância da natureza da atividade da empresa, Notas Fiscais emitidas (as quais não nos foi possível contestar) e registros contábeis pertinentes, a mesma como desenvolvida levanos ao entendimento, ao que nos parece, SMJ, que a mesma propicia o "ingresso de divisas no pais" indo ao encontro das disposições legais pertinentes relativas à não incidência da COFINS e PIS, de forma que podemos afirmar, em tese, pela sistemática operacional de como se estabelecem as relações contratuais, que os armadores estrangeiros atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como seus representantes (agentes) para a contratação de serviços como: Auxilio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem etc..., o que nos permite afirmar, em tese, que os serviços prestados pela Empresa de Praticagem do Norte Ltda são geradores de divisas para o pais. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Há, no entanto, no caso vertente, a singularidade de que tais prestações de serviços são intermediadas por terceiros (agentes), o que suscitaria a dúvida quanto ao uso e gozo do benefício fiscal, o que nos parece dirimido pela Solução de Consulta nº 7 SRRF02/DISIT, de 30/06/2011. Entende a mesma que a intermediação de terceiros por si só não desfigura o direito ao beneficio fiscal e considera que: "Os agentes ou representantes dos armadores estrangeiros figuram, na verdade, como intermediários nas transações internacionais. O representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiro. Na condição de mero mandatário do transportador estrangeiro, não age o agente ou representante em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante(armador estrangeiro), de modo que esse fato, por si só, não desfigura a prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Ainda na mesma Solução de Consulta a mesma assevera que: é o armador, tomador dos serviços residente ou domiciliado no exterior, quem suporta e remete previamente ao Pais divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seu navios por águas e portos nacionais(extraído da Solução de Consulta já identificada). (...) Prosseguindo no atendimento NÃO nos foram apresentados contratos ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.1", cumprenos informar de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). Quanto ao item "b.2", do mesmo despacho, informamos que foram anexadas cópias das Notas Fiscais relativas a prestação de serviços, bem como das folhas em cujo registro no Livro Fiscal foram escrituradas de maneira individualizada, segregando prestações de serviços para armadores nacionais dos serviços prestados para armadores estrangeiros; e quanto ao item "b.3". NÃO nos foram apresentados os contratos de câmbio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Quanto ao item "c": "Apurar, em sendo o caso, o quanto do eventual direto creditório" não consideramos necessário fazêlo uma vez que os mesmos já estão demonstrados nos respectivos PER/DCOMP's, sem que tenha havido discordância com os valores ali expressos.” Cientificado do resultado da Diligência, o sujeito passivo afirma: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905537/200969 Acórdão n.º 3802003.992 S3TE02 Fl. 217 7 “A Lei n° 10.637/2002, que trata da Contribuição ao PIS e da COFINS, dispõe que a não incidência da contribuição em exportações depende de duas condições: 1) o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e 2) o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador),por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. (...) Vale ressaltar, que o Contribuinte possui contrato com a Centronave Centro Nacional de Navegação, no qual consta a relação de todos os tomadores de serviços para os quais presta serviço, podendo ser confrontado com a notas fiscais apresentadas. (transcreve e comenta decisão judicial)(...) Portanto, as despesas havidas com o exercício daquelas atividades no Brasil, entre as quais as relativas a serviços prestados por empresas nacionais, como do Contribuinte em questão, a armadores estrangeiros, são sempre suportadas por divisas oriundas rio exterior. Assim, o BACEN determina que toda pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que atue no Brasil, tenha um representante ou agente brasileiro, sendo que este recairá a responsabilidade pela comprovação do ingresso e destinação dos valores acordados, como contrato de câmbio.” Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 É o relatório Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO . NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. PAF. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 04/07/2012 (fl. 195), a Recorrente, em 01/08/2012, apresentou o recurso voluntário (fls. 196/207), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente informa o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito alegado; em seguida elabora uma relação de Soluções de Consulta da RFB em todo o território nacional e faz abordagem dos recentes julgados sobre a não incidência de PIS e Cofins sobre a exportação de serviços no entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Apresenta os demais argumentos, conforme tópicos abaixo: a) Do direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS: alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; explana e reproduz vasta legislação que trata dessa matéria; b) Do tomador de serviço residente ou domiciliado no exterior: aduz que os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante do Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato de o pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905537/200969 Acórdão n.º 3802003.992 S3TE02 Fl. 218 9 descaracteriza, por si só, para efeitos de nãoincidência do PIS/Pasep e da Cofins; para tanto, cita trechos da Solução de Consulta nº 217, da Disit/SRRF/9ªRF; c) O pagamento deve representar ingressos de divisas: alega que neste requisito para a configuração de uma prestação de serviço como exportação – entrada de divisas, a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta item anterior; visando corroborar os entendimentos, cita a solução de Divergência Cosit nº 12/2001, indicando ainda, a necessidade de se analisar, as normas emanadas pela autoridade monetária do País (BACEN); d) Dos normativos do Banco Central do Brasil aplicáveis ao caso: tratou das condições para a não incidência (prestador de serviços residente no exterior e ingresso de dividas no País) e dos atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil que seriam aplicáveis ao caso, especialmente no que concerne à estipulação da representação no Brasil de armador estrangeiro, e e) Da comprovação do valor do crédito: informa em seu recurso que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. Ao final, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos da DCOMP Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de abril de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório e que em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita e conforme já lhe havia sido anteriormente esclarecido por intermédio de Solução de Consulta, já no ano de 2007, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas. Também lhe fora evidenciada a necessidade de que a prestadora dos serviços seja “signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade, mesmo após conversão do processo em diligência. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, foi determinada a realização de diligência para que a interessada comprovasse a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trouxesse aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas. Contudo, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando, o Livro Razão nº 2 do sujeito passivo, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Logo, não encontra fundamento na prova carreada ao processo administrativo a precipitada inferência de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905537/200969 Acórdão n.º 3802003.992 S3TE02 Fl. 219 11 que “o representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiros”. Ora, na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos, as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, limitamse a mero exercício imaginativo. Também a açodada conclusão de que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, não encontra suporte na prova dos autos, haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Notese que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar os dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior: conforme reportado na decisão recorrida, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando o Livro Razão nº 2 da Recorrente, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 153): (...) Prosseguindo no atendimento ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.l", cumprenos informar que NÃO nos foram apresentados contratos de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). 2) quanto ao ingresso de divisas: analisando a decisão a quo, concluiuse que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, como asseverado pela decisão recorrida não encontra suporte na prova dos autos, Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 153): (...) e quanto ao item “b.3", NÃO nos foram apresentados os contratos de cambio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Apresentou notas fiscais relativas à prestação de serviços para empresas nacionais. Assim, mesmo após a realização da Diligência, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de comprovação. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905537/200969 Acórdão n.º 3802003.992 S3TE02 Fl. 220 13 Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse). Como visto nos autos, quando da manifestação de inconformidade, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10675.909377/2009-93
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 93 77 /2 00 9- 93 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.723, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo, contudo, o saldo credor de R$ 90.477,25, relativo ao 1º trimestre de 2004 e a homologação da integral compensação declarada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº36022.58536.270407.1.7.019242, respaldada no saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2004, calculado nos termos do art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999. As compensações declaradas referiamse a débitos do PIS e da COFINS, não cumulativos, no montante de R$ 90.477,25, ambos com vencimento em 14/11/2005 (vide PER/DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, à fl. 08). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, com procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 05, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a homologação parcial da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 90.477,25 Valor do crédito reconhecido: R$9.249,30 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação da PER/DECOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DECOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DECOMP acima identificado. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.909377/200993 Acórdão n.º 3802001.926 S3TE02 Fl. 112 3 [...] Para o procedimento fiscal instaurado de que dá conta o Despacho Decisório, relatou o auditor fiscal que das "verificações realizadas nas aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem), com direito a crédito, não foram identificadas divergências dignas de glosa”. No entanto, também fez constar: 1) [...] que ao preencher a presente PER/DCOMP, a interessada lançou como Valor Passível de Ressarcimento o total de IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição de insumos e de devoluções de mercadorias tributadas na saída, em vez do saldo credor. Isto é, o valor correto que deveria ser lançado no campo Valor Passível de Ressarcimento seria de R$90.477,45 (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$149.935,87. Portanto, glosar seá o valor de R$59.458,42, referente às diferenças destes valores, assim distribuídas: Ao ser indagada do embasamento que deu suporte à classificação fiscal a empresa respondeu: “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$12.165,82 abaixo demonstrada e que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.10/16, para alegar que: Os produtos em questão, a água sanitária e o alvejante produzidos pela Requerente, apresentam a seguinte composição química: A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.909377/200993 Acórdão n.º 3802001.926 S3TE02 Fl. 113 5 [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: a) os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima; [...] Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestemse à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e não predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. [...] É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade , contudo votou pelo recolhimento do saldo credor de R$ 90.477,25, relativo ao 1º trimestre de 2004 e a homologação da integral compensação declarada pelo contribuinte. Veja se: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.909377/200993 Acórdão n.º 3802001.926 S3TE02 Fl. 114 7 SALDO CREDOR DÉBITOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO É de se manter os débitos apurados pela fiscalização para o confronto de débitos X créditos na escrituração fiscal, quando ficar demonstrado que, por erro de classificação fiscal, o contribuinte lançouos a menor na apuração. Por decorrência, o saldo credor do trimestre deve ser reduzido. ASSUNTO:NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 SALDO CREDOR. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Quando o cortejo dos créditos e dos débitos, escriturados e apurados pela fiscalização, são suficientes para reconhecer parcela do saldo credor destinado pelo contribuinte para a efetivação das compensações por ele declaradas, é legítimo reconhecer a homologação da declaração de compensação, ainda que o saldo credor do trimestre tenha sido reduzido em razão de débitos apurados pela fiscalização. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório reconhecido É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: “A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos.” Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.909377/200993 Acórdão n.º 3802001.926 S3TE02 Fl. 115 9 em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, ao meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005784/98-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995
PIS/PASEP. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Editada a Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, consoante a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo aplicável à Fazenda para providenciar a constituição do crédito tributário passa a ser 05 (cinco) cinco anos, nos moldes do Código Tributário Nacional.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar a omissão por meio do exame do recurso de ofício.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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(Sucedida por incorporação por HOECHST MARION ROUSSEL, por sua incorporada SANOFIAVENTIS FARMACÊUTICA LTDA.). Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 1993, 1994, 1995 PIS/PASEP. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Editada a Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, consoante a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo aplicável à Fazenda para providenciar a constituição do crédito tributário passa a ser 05 (cinco) cinco anos, nos moldes do Código Tributário Nacional. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar a omissão por meio do exame do recurso de ofício. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 57 84 /9 8- 23 Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Na sessão de 23/07/2014 foi julgado o recurso voluntário manobrado pelo contribuinte, por intermédio do Acórdão 3401002.669. Remetidos os autos para cumprimento do aresto, a unidade preparadora detectou a ausência do exame do recurso de ofício deduzido pela DRJ São Paulo I/SP, no Acórdão 16.26.35, e devolveu o processo para manifestação. Aludida decisão exonerou, do lançamento, os fatos geradores correspondentes a julho/1992 a julho/1993. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Preambularmente, considerando o despacho de encaminhamento do feito ao CARF, assevero que não há como lhe reconhecer o status de embargo de declaração, eis que não atende aos requisitos do art. 65, § 1º, V do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, todavia, a omissão é evidente e deve ser sanada, razão pela qual o ora signatário, na condição de relator do processo, interpõe o necessário embargo de declaração e simultaneamente o julga. Revendo os termos da decisão de piso, verifico que a exoneração dos períodos de apuração julho/1992 a julho/1993 se deveu ao reconhecimento da decadência do direito à constituição ao crédito tributário, por aplicação da Súmula Vincunlante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. O reconhecimento da decadência, à luz do entendimento firme do egrégio STF, plasmado na predita súmula, não merece qualquer reparo, principalmente a aplicação das disposições do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez constatada a ausência de dolo, fraude ou simulação e a existência de recolhimentos parciais no período lançado, tomado o termo final do lapso extintivo do direito a data de 04/11/1998, quando ocorreu a ciência da autuação (fl. 97). Diante do contexto fático, a decisão reexaminanda deve ser mantida na forma em que prolatada, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Robson José Bayerl Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13808.005784/9823 Acórdão n.º 3401002.823 S3C4T1 Fl. 11 3 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001740/2007-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
GFIP. TÉRMINO DE OBRA.NÃO APRESENTAÇÃO.INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A falta de apresentação de GFIP informando o término da obra de construção civil, constitui infração à legislação tributária, nos termos do artigo 32, IV, parágrafos 1o e 3 o, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.009
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 GFIP. TÉRMINO DE OBRA.NÃO APRESENTAÇÃO.INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A falta de apresentação de GFIP informando o término da obra de construção civil, constitui infração à legislação tributária, nos termos do artigo 32, IV, parágrafos 1o e 3 o, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Recurso Voluntário Negado
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TÉRMINO DE OBRA.NÃO APRESENTAÇÃO.INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A falta de apresentação de GFIP informando o término da obra de construção civil, constitui infração à legislação tributária, nos termos do artigo 32, IV, parágrafos 1o e 3 o, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 17 40 /2 00 7- 75 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.001740/200775 Acórdão n.º 2803004.009 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.001740/200775 Acórdão n.º 2803004.009 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária por não apresentar GFIP com ausência de fatos geradores para a matrícula CEI 37.590.07577/73, referente à obra de sua responsabilidade, que fora concluída. A DecisãoNotificação conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte : • A obra do condomínio foi iniciada pela ENCOL, empresa que veio a falir posteriormente, sendo a obra assumida pelos condôminos com abertura de nova matrícula CEI 37.590.07577/73, com a contratação da Construtora Dias Righi, para administração da mesma. • A imputação ao Condomínio (= não tem personalidade jurídica = condôminos) é de responsabilidade única da incorporadora destituída (= Encol S/A = Massa Falida) + da Construtora Dias Righi (= que executou a parte final das obras e responde institucionalmente pelos recolhimentos reclamados, bem como pela contabilidade atinente à obra por ela administrada. O Relatório fiscal não diz quando a obra foi concluída. O MPF apenas indica período de apuração dejan/1997 a fev/2007. Em sua defesa a empresa afirma que a conclusão da obra se deu em 30 de maio de 2001 e, cm 25 de setembro de 2002, recebeu o respectivo "certificado de conclusão" que também não está anexado ao processo. Cita ARO emitido pela Secretaria da Receita Previdenciária, mas não anexa ao processo íls 43. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.001740/200775 Acórdão n.º 2803004.009 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de auto de infração por não apresentação de GFIP com ausência de fatos geradores para a matrícula CEI 37.590.07577/73. Presente a dúvida em relação a data de encerramento da obra, foram os autos baixados em diligência que assim conclui. Pela documentação apresentada no eProcesso nº 13804.720276/201327, confirmada pela nossa consulta ao “site” da Prefeitura do Município de São Paulo, estamos convencidos de que a data correta do encerramento da obra, matrícula CEI 37.590.07577/73 é 18/09/2002. Anexa certificado de conclusão de obra 20023381400 O contribuinte foi cientificado da presente diligência e não se manifestou, tornando assim os fatos apontados na diligência como incontroversos. A lei 8212/91 determina a entrega da Guia de Recolhimento . Vejamos legislação pertinente. Lei n° 8.212/91: Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) IV — informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (inciso acrescentado pela MP n° 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei n°9.528, de 10/12/97). §1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Incluídopela Lei 9.528, de 10.12.97) ... Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.001740/200775 Acórdão n.º 2803004.009 S2TE03 Fl. 6 5 §3" O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) ... $9" A empresa deve apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária sob pena da multa prevista no $4°. (grifamos) Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV— informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto;Lei n° 8.212/91: Conforme trazido na peça recursal, em razão da falência da construtora ENCOL, os condôminos, na pessoa da recorrente, assumiram o restante da obra, sendo assim os responsáveis pelas obrigações tributárias daí advindas. Dessa feita, correta a autuação na pessoa do condomínio, uma vez constatada a não observância da legislação fiscal, consubstanciada na falta de entrega de GFIP referente ao término da obra. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 35464.001740/200775 Acórdão n.º 2803004.009 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.005539/2004-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração:01/09/1994 a 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA.
Não sendo constada contradição em acórdão proferido, não deve ser reconhecido Embargos de Declaração oposto pelo Recorrente.
Embargos de Declaração Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-004.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA. Não sendo constada contradição em acórdão proferido, não deve ser reconhecido Embargos de Declaração oposto pelo Recorrente. Embargos de Declaração Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 55 39 /2 00 4- 78 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por Fundação Síndrome de Down, ora Embargante, em face de acórdão proferido por esta Turma de Julgamento, pelo qual se aponta suposta contradição incorrida no julgado. O processo administrativo teve origem em Pedido de Restituição protocolado em 30 de setembro de 2004, em que a Embargante requereu a restituição de recolhimentos referentes à contribuição para o Programa de Integração Social, entre setembro de 1994 e junho de 2004. Em julgamento proferido, esta Turma de Julgamento decidiu pelo não acolhimento do Recurso Voluntário, em face da concomitância de processos em que se discute a mesma matéria, este na esfera administrativa e outro na esfera judicial. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1994 a 30/06/2004 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal,importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas. Recurso Voluntário Não Conhecido Foram opostos Embargos de Declaração pela Embargante, como mencionado, com a alegação de que o julgado incorreu em contradição. É o relatório Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005539/200478 Acórdão n.º 3801004.576 S3TE01 Fl. 12 3 Os Embargos de Declaração foram opostos tempestivamente, cumprindo os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. A contradição do julgado apontada pela Embargante é no sentido de que o julgado, em um primeiro momento, afirma que pedido de restituição referese ao período compreendido entre setembro/1994 a Junho/2004 e, por outro lado, em suposta contradição, conclui que há concomitância da matéria com processo judicial proposto pela Embargante, contudo, relativa a período diferente do que discutido na esfera administrativa. Entretanto, data venia, não assiste razão à Embargante. Não há contradição a ser sanada no julgado. Explicase. A matéria discutida em ambos os processos, seja neste procedimento administrativo, seja no processo judicial, é referente ao reconhecimento da imunidade da Embargante com relação às Contribuições devidas à Seguridade Social, em face de estar alcançada pela hipótese prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Ou seja, no processo judicial, o Poder Judiciário foi incitado a declarar ou não se a Embargante faz jus à imunidade alegada, e no presente processo administrativo requereuse a restituição de créditos tributários sob o mesmo argumento: a suposta imunidade da Embargante. Não se pode olvidar que, como consignado no acórdão embargado, o que se busca com a declaração de concomitância é “evitar a existência de decisões contraditórias, sobre a mesma matéria, proferida por diferentes órgãos, razão pela qual adotase o princípio da jurisdição una, resguardando ao Poder Judiciário a palavra final na resolução de conflitos de cunho jurídico.” Ressaltese, por outro lado, que a Súmula nº 01 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é clara ao afirmar que a renúncia da esfera administrativa se dará quando da propositura de ação judicial, “com o mesmo objeto do processo administrativo”. No presente caso, seja nesta esfera administrativa ou na esfera judicial, o objeto é o mesmo: imunidade ou não da Embargante com relação às Contribuições devidas à Seguridade Social. Não há que se falar, assim, em contradição do julgado que reconheceu a concomitância das ações propostas pela Embargante. Em face do exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração, uma vez que não há contradição a ser sanada no acórdão embargado. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10552.000263/2007-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS - ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 - REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 - CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.779
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que afastou do Polo Passivo da obrigação o dirigente de Órgão Público.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2003 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS - ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 - REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 - CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 157 1 156 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10552.000263/200719 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.779 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 9 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente MARLENE SALETE SAUER WIECHOREKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 02 63 /2 00 7- 19 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que afastou do Polo Passivo da obrigação o dirigente de Órgão Público. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000263/200719 Acórdão n.º 2403002.779 S2C4T3 Fl. 158 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 11.878 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.633.6840, com ciência do sujeito passivo em 13.10.2005, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.101,75. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04, em fiscalização desenvolvida na Fundação de Proteção Especial do Rio Grande dó Sul; presidida no período de 15 de maio de 2003 a 31 de janeiro de 2005 pela Sra. Marlene Salete Sauer, Wiechorek verificouse que o contribuinte apresentou folhas de pagamentos em desacordo com os padrões e as normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. 0 contribuinte deixou de incluir as rescisões de contrato de trabalho nas folhas de pagamento do período de 05/2003 a 08/2003, 10/2003, 12/2003, 01/2004, 03/2004 a 04/2004, 06/2004 a 012005 — conforme "Planilha das Remunerações dos Segurados Empregados Não Informados em Folha de Pagamento" em anexo. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991. O dispositivo legal infringido é o disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa legal aplicada está disposta na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. O período objeto do auto de infração de obrigação acessória, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 10 a 11, é de 05/2003 a 01/2005. O Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 13.10.2005, às fls. 01. Contra a autuação, o Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A interessada foi cientificada da autuação em 13/10/05, tendo apresentado impugnação tempestiva, através do arrazoado de fls. 21/23, protocolizada em 27/10/05, sob o n° 36.140.000905/200545. Em suas razões de defesa, alega improcedência da autuação, em razão de que foge a seu alcance o controle da elaboração da folha de pagamentos, a qual é elaborada pela Secretaria da Fazenda do Estado. Alega ainda, que quem realiza o controle das rescisões contratuais é a Coordenação de Administração de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Recursos Humanos da Fundação, a qual realiza o arquivamento da documentação, dado que não há a possibilidade de sua inclusão em folha de pagamento, em razão de que os prazos de pagamento das verbas rescisórias são diferentes do prazo para fechamento da folha. Requer a improcedência da autuação e a exclusão da multa aplicada. Anexa cópias de sua Portaria de designação e a Ata de Posse no cargo de Presidente da Fundação (fls. 24/25). O processo foi baixado em Diligência, conforme informa o Relatório da decisão de primeira instância: 0 processo foi encaminhado à Auditora Fiscal autuante para esclarecimentos, a qual se manifestou na Informação Fiscal IF de fl. 32, informando que: a) a responsabilização da Presidente da Fundação ocorreu em razão de que nos documentos apresentados, quais sejam, o Estatuto Social e o Regimento Interno, não, foi possível estabelecer claramente a quem compete a prática do ato; b) que não existe delegação de poderes relativos d. prática da infração em tela, conforme Oficio apresentado pela Fundação; c) que a autuada exerce o cargo de Presidente da Fundação desde 15/05/03; d) que o sobrenome correto da autuada é "WIECHOREKI", conforme documento de identidade da mesma, cujo cadastro do INSS já foi corrigido. A fiscalização anexou nesta oportunidade cópias, do Estatuto da Fundação (fls. 33/39), do Regimento Interno (fls. 40/45), do Oficio n° 34/2007 do Gabinete da Presidência da Fundação (fl. 46), do Oficio 441/2006 do Departamento da Despesa Pública, da Secretaria da Fazenda, reconhecendo serem indefensáveis determinados encargos previdenciários (fl. 47), do Termo de Intimação para Apresentação de DocumentosTIAD e Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 09369573D00, cientificados em 09/02/07 (fls. 48/49), e da carteira de identidade da autuada (fl. 50). A Recorrente atravessou Manifestação nos autos, conforme informa o Relatório da decisão de primeira instância: Não consta dos autos a ciência da notificada, entretanto, consta a sua manifestação, protocolizada sob o no 36.474.001872/2007 41 (fls. 57). A interessada alega que ser de alçada da Secretaria da Fazenda do Estado a prestação de informações em SEFIP, bem como a execução da folha de pagamento, conforme já mencionado anteriormente no Oficio n° 34/2007 do Gabinete da Presidência da Fundação. Cabe à FPERGS apenas as alterações, informadas manualmente, através de mapas de freqüência, cujo procedimento vem sendo adotado mesmo antes de sua gestão administrativa. Informa a inexistência de documentos dirigindo poderes àquela Secretaria. Anexa à fl. 58 cópia do Oficio DRP/POA/RS nO 17/2007. Após análise, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, fls. 35 a 37, emitiu o Acórdão nº 11.878 julgando procedente a autuação, Auto de Infração nº. 35.633.6840, e manteve a multa aplicada, conforme Ementa a seguir: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000263/200719 Acórdão n.º 2403002.779 S2C4T3 Fl. 159 5 Assunto: descumprimento de obrigação acessória. Competências dos fatos geradores: 01/05/03 a 31/01/05 AutodeInfração AI n° 35.633.6840 código de fundamentação legal 30. 1. A entidade dotada de personalidade jurídica própria, deve cumprir com as obrigações, principais e acessórias, que lhe foram impostas por Lei. 2. 0 Presidente, na condição de administrador máximo e representante da entidade, responde pela prática de infração, na medida em que a obrigação, objeto da autuação, não consta expressamente das atribuições dos demais órgãos que integram a entidade, nem tenha ocorrido a delegação dos poderes a nenhuma outra autoridade. Lançamento procedente. Acordam os membros da 7• a Turma de Julgamento, por unanimidade, em conhecer as questões preliminares suscitadas na defesa, rejeitandoas, e, no mérito, considerar procedente o lançamento consubstanciado no AutodeInfração no 35.633.6840 de 13/10/2006, mantendo o crédito tributário de R$ 1.101,75 (um mil, cento e um reais e setenta e cinco centavos), consolidado em 11/10/2005. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, na qual alega em apertada síntese: (i). A não atribuição de responsabilidade tributária passiva à Recorrente. (ii) As exigências relacionadas à LTCAT já foram atendidas. (iii) Da transferência de responsabilidade Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. DO MÉRITO (i) DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04, em fiscalização desenvolvida na Fundação de Proteção Especial do Rio Grande dó Sul; presidida no período de 15 de maio de 2003 a 31 de janeiro de 2005 pela Sra. Marlene Salete Sauer, Wiechorek verificouse que o contribuinte apresentou folhas de pagamentos em desacordo com os padrões e as normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. 0 contribuinte deixou de incluir as rescisões de contrato de trabalho nas folhas de pagamento do período de 05/2003 a 08/2003, 10/2003, 12/2003, 01/2004, 03/2004 a 04/2004, 06/2004 a 012005 — conforme "Planilha das Remunerações dos Segurados Empregados Não Informados em Folha de Pagamento" em anexo. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991. A legislação vigente a época da lavratura deste auto de infração de obrigação acessória determinava que, havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, seria imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991: Art.41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000263/200719 Acórdão n.º 2403002.779 S2C4T3 Fl. 160 7 Apesar de ser essa a legislação em vigor à época da lavratura do auto de infração, no entanto, a MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009 alterou este quadro normativo. O art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público, foi revogado de modo a que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias recai nos próprios entes públicos. De forma que o julgamento dos autos de infração dos gestores de órgãos públicos, deve observar o novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009. Outrossim, diante deste novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 há que se considerar o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, com a verificação da situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No mesmo sentido, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190/2009, de 02/02/2009, aponta diretrizes quanto ao alcance da interpretação que deve ser adotada no âmbito da Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Desta forma, para os dirigentes de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, a lei 8.212/1991 deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a nova redação da lei 8.212/1991 aos processos ainda não definitivamente julgados administrativamente que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (ii) Demais argumentos. Em função do decidido no tópico acima (i), pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para, NO MÉRITO, DAR LHE PROVIMENTO em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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