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Numero do processo: 10665.721697/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
BASE DE CÁLCULO PASEP.
A base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
ADESÃO A PARCELAMENTO. . EFEITOS.
A adesão do contribuinte em parcelamento implica em solucionar o contencioso, aproveitando as decisões proferidas pelas autoridades competentes ao longo do processo administrativo que discutia o crédito tributário que veio a ser parcelado.
Numero da decisão: 3401-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista a adesão a programa de parcelamento.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveria e Ribeiro e Ângela Sartori.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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A base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. ADESÃO A PARCELAMENTO. . EFEITOS. A adesão do contribuinte em parcelamento implica em solucionar o contencioso, aproveitando as decisões proferidas pelas autoridades competentes ao longo do processo administrativo que discutia o crédito tributário que veio a ser parcelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista a adesão a programa de parcelamento. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 16 97 /2 01 1- 57 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveria e Ribeiro e Ângela Sartori. Relatório O presente cuida de auto de infração (fls. 2/68) lavrado em 22/07/2011, contra a contribuinte em epigrafe pessoa jurídica de direito público , por meio do qual se constituiu crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor – PASEP, por se ter constatado insuficiência do recolhimento, nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009. Aproveitome da descrição bem elaborada pelo I Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz quando apreciou o processo e propôs a realização de diligência na Resolução n. 3403000.494 da – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária (fls. 175179), por reconhecêla adequada para esse relatório: Narra a auditoria que a contribuinte teria sistematicamente apurado a base de cálculo da exação a menor, sem dimensionála pelo total das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, conforme lhe impõem os artigos 2o e 7o da Lei n. 9.715/98. Vislumbrando se tratar de prática dolosa, a fiscalização ainda acresceu ao principal a multa qualificada estabelecida pelo artigo 44, §1o, da Lei n. 9.430/96, justificandoo da seguinte forma: “A conduta do contribuinte de compor, contínua e sistematicamente, durante 36 meses ou 36 períodos de apuração, a base de cálculo para a contribuição ao PASEP com dados corretamente apresentados à Secretaria do Tesouro Nacional e com pleno conhecimento dos dispositivos legais que regem a matéria, manipulandoos para menos na DCTF declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza claramente sua conduta dolosa nas tentativas, primeiro de retardar parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária de circunstâncias materiais do fato gerador e, por último, de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido.” Cientificada da exigência, a recorrente apresentou impugnação parcial (fls. 71/74), por meio da qual: (i) reconheceu expressamente a procedência do lançamento com relação à parcela mais expressiva do seu valor, no equivalente, em principal, a R$ 391.151,49; (ii) controverteu a base de cálculo reapurada pela autoridade lançadora, sustentando ter direito a (a) dedução da contribuição a seu cargo, recolhida ao instituto de previdência dos servidores públicos municipais, (b) dedução de valores integrantes do FUNDEB, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, e, ainda (c) não tributação de valores que lhe foram creditados em razão da contratação de operações de crédito pelos respectivos mutuantes; e, finalmente, (iii) nenhuma objeção teceu à qualificação da multa ou a outros consectários. Em 26.09.2011, a DRJ Belo Horizonte/MG proferiu o v. acórdão de fls. 158/164, por meio do qual deu provimento em parte à impugnação, reconhecendo à ora recorrente, em primeiro lugar, o direito à dedução da contribuição previdenciária patronal em favor dos servidores municipais, em razão da permissão legal para subtração das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, consignando, todavia, que a auditoria somente desobedecera ao comando nas apurações de fevereiro, abril, junho e dezembro de 2008 e de abril, junho e agosto de 2009. Reconheceulhe também a exclusão do valor das operações de crédito em que figurava como devedora, mas, referindose uma vez mais às planilhas preparadas pelo Fisco, anotou que seu procedimento fora equivocado somente com relação ao mútuo contratado em dezembro de 2007. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10665.721697/201157 Acórdão n.º 3401002.711 S3C4T1 Fl. 3 3 No mais, a DRJ recorrida manteve a exigência, inclusive no que se refere aos valores integrantes do FUNDEB, sobre o qual teceu as seguintes considerações relevantes (a) nos termos do artigo 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, os FUNDEBs são compostos por parcela da arrecadação de impostos de competência federal e estadual; (b) em razão disso, os recursos que destinam para a formação dos FUNDEBs, constituem “transferências correntes” para União e Estados, razão pela qual são conceituados pela legislação de regência como “unidades transferidoras” (Lei n. 11.494/07, art. 16); (c) os Municípios são destinatários da cesta de recursos que ingressam nos fundos e, como tal, devem tratála como receita corrente e, portanto, oferecêla à tributação pelo PASEP, até porque estas compreendem “quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública” (Lei n. 9.715/98, art. 7o); e, por fim, (d) como o FUNDEB não tem personalidade jurídica própria –nos termos do artigo 1o, da Lei n. 11.494/07, tem apenas “natureza contábil” – os recursos que União e Estados lhe aportam integram, em verdade, as receitas dos próprios Municípios a favor dos quais serão a final creditados. O Acórdão recorrido teve a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO PASEP. A base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do v. acórdão de Primeira Instância, a ora recorrente interpôs o voluntário de fls. 169/172 a ensejo do qual repisa as razões do inconformismo inicial. Este Processo chegou a esta Alta Corte e o Recurso Voluntário foi inicialmente apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, quando decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos e pelas seguintes razões, com texto de lavra do E Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Como exposto, dentre as insurgências que articula contra o auto de infração, a recorrente reivindica seja deduzida da base de cálculo da contribuição os valores da contribuição que recolhe em favor da entidade de previdência dos servidores públicos municipais, o Instituto Municipal de Previdência dos Servidores Públicos de Bom Despacho (BDPREV). E justifica o pleito precisamente com base no artigo 7o, da Lei n. 9.715/98, cuja parte final assegura ao contribuinte do PASEP a dedução das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”. Por ocasião do julgamento da impugnação, a DRJ recorrida acolheu o argumento, no que – antecipome em dizer – procedeu com acerto, inclusive em vista do artigo 11, da Lei n. 4.320/64, de acordo com o qual as “contribuições de previdência social” compõem as “transferências correntes” de uma entidade pública em favor de outra. Sucede que, embora haja reconhecido o direito, a DRJ recorrida depreendeu que o equívoco cometido pela fiscalização neste particular repercutia tão somente em determinados períodos de apuração ao longo do intervalo fiscalizado, quais sejam, fevereiro, abril, junho e dezembro de 2008, e abril, junho e agosto de 2009. Apenas nestes meses, diz o julgado, “a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 fiscalização considerou como receita tributável para fins de Pasep as contribuições patronais realizadas”. Ocorre que, se a DRJ reconheceu aos valores com os quais a recorrente contribui para o fundo de previdência dos servidores públicos a natureza de “transferências correntes”, no que, repito, parece ter laborado com acerto, a quantia a tanto destinada não apenas não constitui receita da entidade pagadora, como, ao revés, deve ser subtraída das receitas tributáveis pela exação, no iter formativo da respectiva base de cálculo. Dito de outra forma: para dar aplicabilidade ao artigo 7o, da Lei no. 9.715/98 não é suficiente “não somar” à base de cálculo do PASEP a contribuição paga à autarquia previdenciária do Município; é preciso “subtraíla” das receitas correntes auferidas pela recorrente no período. Realmente, de acordo com as planilhas de fls. 48/57, o equívoco de “somar” a contribuição previdenciária à base de cálculo da exação a auditoria cometeu apenas naqueles específicos períodos de apuração a que o v. acórdão de fls. 158/164 se referiu. Como, todavia, os cálculos não evidenciam que a fiscalização tenha cuidado de “subtrair” nestes e em todos os demais meses incluídos no lançamento as quantias destinadas pela recorrente à entidade de previdência de seus servidores, tenho por precoce a conclusão do julgamento até que este aspecto esteja devidamente elucidado. Isso posto, proponho ao Colegiado a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem: (i) elabore planilha demonstrativa dos valores destinados pela ora recorrente, no período autuado, à entidade de previdência dos servidores do Município (Instituto Municipal de Previdência dos Servidores Públicos de Bom Despacho – BDPREV), segregandoos mês a mês; (ii) informe se os valores referidos no item anterior foram por ela, fiscalização, subtraídos do montante das receitas ou das transferências correntes ou de capital auferidas pela recorrente, nos cálculos de fls. 48/57 que levaram à determinação da base imponível objeto da exigência; (iii) caso positiva a resposta ao item anterior, especifique precisamente na coluna “histórico” das planilhas de fls. 48 o título sob o qual a operação de subtração em questão foi realizada; (iv) preste os esclarecimentos complementares que julgar pertinentes a respeito; e, finalmente, (v) dê vista à ora recorrente do relatório que elaborar em atendimento aos itens anteriores, facultandolhe manifestarse a respeito no prazo de 15 (quinze dias). Findo o prazo estipulado acima, restituase os autos a este Colegiado para conclusão do julgamento. A unidade jurisdicionante providenciou atendimento à solicitação de diligência, conforme demonstram a Informação Fiscal de fls. 181: Informação Fiscal. Em cumprimento à determinação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, Terceira Seção de Julgamento, Processo 10665.721697/201157, informo que os valores incluídos na base de cálculo do PASEP relativo a contribuição patronal para o regime próprio de previdência do município, nos anos de 2008 e 2009, foram excluídos pela DRJ Belo Horizonte/MG, não sendo incluídas estas contribuições no ano de 2007. Nas planilhas anexadas ao Processo às folhas 48 a 57, foram demonstradas as RECEITAS INCLUÍDAS NO CÁLCULO DO PASEP e as RECEITAS NÃO INCLUÍDAS NO CÁLCULO DO PASEP e a RECEITA TOTAL DO MUNICÍPIO, sendo que a CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SERVIDOR ATIVO CIVIL somente foi incluída na Base de Cálculo do PASEP nos anos de 2008 (02/2008, 04/2008, 06/2008 e 12/2008) e 2009 (04/2009, 06/2009 e 08/2009). Está em anexo planilha dos anos de 2007 a 2009, demonstrando os valores da CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SERVIDOR ATIVO CIVIL. Conforme determinação da CARF, está Informação Fiscal será encaminhada ao Município de Bom Despacho, que terá o prazo de 15 dias para se manifestar a respeito. Entretanto, o processo foi em seguida instruído com o Despacho Decisório que informa ter o contribuinte aderido a parcelamento, o que tem direto impacto sobre a condução desta lide. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10665.721697/201157 Acórdão n.º 3401002.711 S3C4T1 Fl. 4 5 Despacho Decisório Sacat/DRF/DIV/289 no processo n. 13671.720225/201358 O contribuinte realizou opção pelo parcelamento especial de que trata o artigo 12 da Lei n° 12.810 de 15 de maio de 2013 em 13/08/2013. O referido parcelamento abrange os débitos relativos ao PASEP Programa De Formação do Patrimônio Do Servidor Público, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 28 de fevereiro de 2013. Houve ainda a declaração inequívoca de inclusão dos seguintes débitos, relacionados no Anexo V da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 04, de 24 de maio de 2013: • 3703 PASEP PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PUBLICO, período de apuração 01/2007 a 12/2009, processo 10665.721.697/201157 Os débitos incluídos pelo contribuinte para parcelamento foram lançados de oficio pela Receita Federal do Brasil, através de Auto de Infração de que trata o processo 10665.721.697/201157. O contribuinte entrou com recurso contra Acórdão da 10 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), sendo o referido processo encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, onde se encontra aguardando conclusão do julgamento do recurso. O interessado efetuou pagamento da primeira parcela do parcelamento através de DARF com código de receita 3629 em 12/07/2013. Não há registro de pagamento das parcelas referentes aos meses 08, 09 e 10/2013. Conclusão Tendo em vista a devida instrução do presente pedido de parcelamento conforme determinado pelo Art. 6° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 04, de 24 de maio de 2013, e sua confirmação pelo pagamento tempestivo da primeira parcela em valor não inferior ao limite mínimo estabelecido pela referida portaria, PROPONHO seu deferimento com a inclusão integral dos débitos informados na Discriminação de Débitos a Parcelar. Na forma do Art. 2° da referida Portaria Conjunta, a adesão ao parcelamento especial estabelecido pela Lei 12.810 de 2013 implica em desistência pelo contribuinte do recurso interposto ao Auto de Infração objeto do processo 10665.721.697/201157. Sendo assim, o presente Despacho Decisório devera ser enviado ao CARF, tendo em vista a desistência do Recurso Administrativo. Pelo não pagamento de três parcelas já vencidas (meses 08, 09 e 10/2013), deve ser rescindido o presente parcelamento, conforme determinado pelo Art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 4/2013. Encaminhese cópia à SECAM/4° CAMARA/3°SEJUL/CARF/DF, haja vista a desistência, pelo contribuinte, do recurso interposto ao processo 10665.721697/201157. Despacho Decisório Sacat/DRF/DIV/289 13671.720225/201358 É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira A Tempestividade do Recurso Voluntário já havia sido reconhecida na apreciação feita pela 3ª Turma Ordinária desta Câmara, assim como os demais requisitos de admissibilidade. Tendo em vista a decisão da contribuinte em aderir ao parcelamento, e sua significância de resolver o contencioso, e verificando que a unidade jurisdicionante já cuidou Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 de atender a diligência requerida pelo CARF e tomou a iniciativa de verificar a correção dos valores que seriam devidos, proponho que não seja conhecido o Recurso Voluntário tendo em vista a adesão da recorrente a parcelamento firmado junto à instância competente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 14041.001487/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP.
Recurso Voluntário Negado
CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DO SEGURADO EMPREGADO
A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço.
APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO - APLICÁVEL.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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SEGURADOS EMPREGADOS DIFERENÇAS NÃO RECOLHIDAS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega nulidade e imunidade, sem apresentar qualquer argumentação acerca das contribuições descontadas dos segurados empregados e não recolhidas em sua totalidade. Simplesmente alegar nulidade não determina a improcedência do lançamento quando todos os argumentos foram devidamente afastados pelo julgador de primeira instância e não trás o recorrente qualquer fato novo. CONDIÇÃO DE ISENTA NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 LEI 3214/56 INAPLICABILIDADE À CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar. A alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DO SEGURADO EMPREGADO A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 14 87 /2 00 7- 51 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO APLICÁVEL. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.111.3024, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados. arrecadadas pela empresa, mediante desconto das remunerações de seus segurados, e deixaram de ser recolhidas à Previdência Socia, constituindo, em tese, crime de apropriação indébita. O lançamento compreende competências entre o período de 07/2003 a 03/2007. Conforme o relatório fiscal, fls. 14 a 17, o crédito de que trata esta NFLD teve origem em várias situações encontradas na empresa, que tiveram seus fatos geradores cadastrados separadamente (conforme anexos em CD , arquivo : FOLHA e FLDETALHE). a) levantamento SEG; valores descontados dos segurados empregados e contribuintes individuais (este último só a partir de abril/2003), declarados em GFIP e não recolhidos; b) levantamento NSG ~ valores descontados dos segurados empregados e contribuintes individuais (este últimosó a partir de abril/2003), não declarados em GFIP e não recolhidos; Ainda conforme o relatório o crédito de que trata esta NFLD originouse de diferenças obtidas do confronto entre os valores descontados nas Folhas de Pagamento, declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, pagos nos comprovantes de recolhimentos — GPS e os valores já existentes em outras LDC/LDCG/DCG já cadastradas. A entidade tentando comprovar a situação de isenta de contribuições previdenciárias apresentou tão somente os seguintes documentos: • Cópia da Lei 3.124/1957, conferindo isenção de todos os impostos federais para a Fundação Brasileira de Teatro; • Decreto de 1 de Julho de 1996, restabelecendo o título de utilidade pública federal; • Decreto (distrital) 22.706/2002, concedendo o Título de Utilidade Pública; • Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade até 01/03/2002; • Cópia do Ato Declaratório 106/2002, declarando a Fundação Brasileira de Teatro imune quando ao Imposto Sobre Serviços — ISS. Notese primeiramente que no caso em tela a Lei 3.124/1957 nada tem haver com as contribuições previdenciárias, pois as mesmas não se confundem com impostos. De Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 fato os impostos, contribuições de melhoria, taxas, contribuições sociais compõem o gênero designado constitucionalmente de tributo, mas cada um deles é uma espécie separada e independente, logo, isenção de impostos e isenção de contribuições sociais não se confunde. Segundo, não há mais que se falar em direito adquirido a isenção após a Constituição Federal de 1998, pois conforme seu art. 195, §7°, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [ ... ] § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Ou seja, para que a entidade seja isenta deve atender às exigências estabelecidas em lei (que é a Lei 8.212/91). Outrossim, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 41, §1°, temos que: "Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar seão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei". Deixando claro que quaisquer incentivos não confirmados por lei após dois anos da data da promulgação da Constituição seriam considerados revogados. Para tornar mais claras as exigências determinadas pela Lei 8.212/91, para que a empresa possa requerer a isenção junto ao INSS, temos o art. 55 e incisos: Ressaltando, que para que seja isenta deve REQUERER A ISENÇAO junto ao órgão e após análise dos requisitos elencados acima será ou não deferida à isenção, logo a entidade não pode se entender como isenta sem que tenha feito o devido requerimento de isenção e sem que este requerimento tenha sido deferido. O que não é o caso da Fundação Brasileira de Teatro que não deve pedido de isenção das contribuições sociais deferido pelo INSS. Logo, resumidamente entendemos que a Fundação Brasileira de Teatro não é entidade isenta em nenhum período (em particular no período de jul/2003 a mar /2007), primeiramente porque não há que se falar em direito adquirido conforme entendimento atual do STJ e, mesmo que fosse contrário o entendimento do STJ, a entidade só possuía isenção de impostos e não de contribuições sociais. Por fim, porque no período de jul/2003 a mar/2007 a entidade não cumpriu o que determina a Lei 8.212/91, no que tange a solicitar no tempo adequado a sua isenção ao INSS e também não cumpriu cumulativamente os requisitos, pois: a) Era detentora de certificado de utilidade pública federal a partir de 1996; b) Era detentora do certificado de utilidade pública Distrito Federal concedido em 2002; C) PORÉM, não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS (pois, a validade expirou em 01/03/2002); e Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 4 5 d) E não entregou os documentos e relatórios obrigatórios, pois deveria anexar ao seu pedido de isenção a sua contabilidade e anualmente o relatório circunstanciado de suas atividades para demonstrar: d. l ) a gratuitamente dos seus serviços, d.2) a não percepção pelos seus diretores de remuneração ou vantagens e d.3) a aplicação correta do seu resultado operacional (novamente reforçamos que estes documentos e relatórios não foram apresentados em época própria ao INSS). Além de ter sido constatado nas suas folhas de pagamento salários para diretores, contrariando frontalmente a Lei 8.212/91 no seu art. 55, IV que diz literalmente que 1V não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título'. Para melhor esclarecer este ponto os nomes constatados em folha foram os de CRISTIANE JANSEN CABRAL MARTINS, CARGO DIRETORA e LUIZ FERNANDO DE MELO, CARGO VICEDIRETOR DE ADMINISTRACAO, durante todo o período de jul/2003 a Mar/2007. De todo o exposto verificase que a entidade não teve pedido de isenção deferido pelo INSS e não apresentou em momento algum os relatórios anuais circunstanciados de suas atividades, logo, a entidade não é isenta das contribuições previdenciárias devendo recolher como empresa normal todas as contribuições devidas. E caso deseje usufruir de isenção deverá cumprir os requisitos dispostos na Lei 8.212/91 e providenciar pedido ao INSS com todos os documentos exigidos, aguardando deferimento para que possa usufruir da isenção. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/12/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 160 a 171. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total da autuação, fls174 a , conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/003 a 30/03/2007 NFLD N. 37.1 1 1.3024 CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL — CEBAS PRAZO DE VALIDADE EXPIRADO A Entidade Beneficente de Assistência Social será isenta do recolhimento das contribuições de que tratam os arts. 22 c 23 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 da Lei 8.212/91, desde que atenda aos requisitos determinados no ar1.55 e incisos 1 a V, cumulativamente. . INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Relatório fiscal com discriminação clara e precisa com remissão a anexos da NFLD, permitem o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo e, o atributo de certeza e liquidez do crédito para garantia da futura execução Fiscal. ALEGAÇõES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. Presumemse verdadeiros os valores lançados pela autoridade Fiscal cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de o impugnante fa7ê10 em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. .JUROS. SELIC. MULTA DE MORA As contribuições sociais arrecadadas em atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Lançamento Procedente Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 188 e seguintes, onde em síntese alega: Que houve erro da fiscalização quanto ao incorreto enquadramento legal do fato descrito, de onde resulta inocorrer fato imputável à recorrente e, em conseqüência, a nulidade & notificação fiscal; que por ser a NFLD um ato administrativo vinculado ao princípio da reserva legal, a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que o autorizam e embasam nulificam o procedimento, adotado. Dessa forma, a imprecisão contida na notificação fere o disposto no art.37, da Constituição Federal, porque afasta o ato vinculado da lei, a qual não pode ser omitida em hipótese alguma na peça inicial do Processo Administrativo, o que significa cobrar tributo sem lei, ferindo, novamente a Constituição, cin seu artigo 150, inciso 1. que as alegações acima descritas (cerceamento de defesa) são facilmente constatáveis pela simples leitura da NFLD, pela expressão usada pelo fiscal:"DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA AI'LICADA", transcreve os fatos apurados no Relatório Fiscal da Infração e da. Multa Aplicada da notificação do AI 68; que a Fundação Brasileira de Teatro é instituição mantenedora da Faculdade de Artes, que possui 370 alunos tendo sido fundada pela atriz Dulcina de Moraes, personalidade histórica que de forma vanguardisla inaugurou o primeiro curso de artes cênicas e o primeiro curso de artes plásticas de Brasília e, preservando sua memória seus discípulos vão engrandecendo a cultura centrados principalmente no ensino da arte e na Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 5 7 promoção cultural não somente a nível local, como Nacional e Internacional; que a Fundação goza de isenção de tributos por Lei Ordinária Federal n° 3.124, de 15/04/1957 e, como não foi revogada deve ser cumprida cm todos os seus efeitos, pugna, também, pelos cálculos apresentados, por não condizerem com a realidade legal, já que está cobrando (ia Fundação valor de contribuição social majorada. por multa confiscatória, transcreve decisões e jurisprudências no que se refere à "Multa como confisco'; que o procedimento fiscal deve ser revisto ao que diz respeito ao Estatuto da Fundação, que impõe a responsabilidade ativa e passiva tão somente ao presidente, sendo que os demais, aos quais foi atribuída a condição de presidente conforme a seguir elencados, se excluem automaticamente: 1 Carlos Franco de Sá Santoro (falecido) 2 Gúilherme Nery de Oliveira (vice presidente) 3 José Maria Bezerra Paiva (presidente) 4Jorge das Graças Veloso (conselheiro) 5 Roberto Borges da Rocha (contador) que deve ser revista a situação, por este julgador, para que não seja penalizada cm R$ 74.877,55 já que atendeu a lei por quanto a Fundação é isenta, não sendo possível a apresentação de informações de contribuições referentes a empregador como quer o agente autuante; ° que devem ser reconhecidos Iodos os certificados e julgamentos do CNAS da Fundação para que não seja fèita injustiça a unia entidade que presta serviços a mais de 52 anos a comunidade nacional. Ao final, requer a produção dos meios de provas cm direito admitidos principalmente a juntada de novos documentos e, caso seja vencido na demanda administrativa requer lhe seja assegurado desde já, os benefícios fiscais de redução ora permitidos de parcelamento e pagamento por rocio de precatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 204. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: A base da alegação do recorrente é de cerceamento do direito de defesa, posto que o auditor não se desincumbiu de demonstrar a falta cometida, os fatos geradores que justificaram a autuação e a fundamentação legal. Contudo, entendo que a NFLD encontrase devidamente formalizada, não padecendo das irregularidades apontadas pelo recorrente. Batasnos a leitura do relatório fiscal, fls. 14 a 17, para que possamos identificar facilmente os fatos geradores incluídos na presente NFLD: "contribuição descontada dos segurados empregados e não recolhida em época própria", bem como os motivos pelos quais a empresa não se enquadra na condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias. Transcrevo abaixo, trecho do próprio relatório fiscal, onde desincumbiuse o auditor fiscal de descrever na forma devida o lançamento fiscal, bem como a fundamentação legal: Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.111.3024, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados. arrecadadas pela empresa, mediante desconto das remunerações de seus segurados, e deixaram de ser recolhidas à Previdência Socia, constituindo, em tese, crime de apropriação indébita. O lançamento compreende competências entre o período de 07/2003 a 03/2007. Conforme o relatório fiscal, fls. 14 a 17, o crédito de que trata esta NFLD teve origem em várias situações encontradas na empresa, que tiveram seus fatos geradores cadastrados separadamente (conforme anexos em CD , arquivo : FOLHA e FLDETALHE). a) levantamento SEG; valores descontados dos segurados empregados e contribuintes individuais (este último só a partir de abril/2003), declarados em GFIP e não recolhidos; b) levantamento NSG ~ valores descontados dos segurados empregados e contribuintes individuais (este últimosó a partir de abril/2003), não declarados em GFIP e não recolhidos; Ainda conforme o relatório o crédito de que trata esta NFLD originouse de diferenças obtidas do confronto entre os valores descontados nas Folhas de Pagamento, declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 6 9 GFIP, pagos nos comprovantes de recolhimentos — GPS e os valores já existentes em outras LDC/LDCG/DCG já cadastradas. A entidade tentando comprovar a situação de isenta de contribuições previdenciárias apresentou tão somente os seguintes documentos: • Cópia da Lei 3.124/1957, conferindo isenção de todos os impostos federais para a Fundação Brasileira de Teatro; • Decreto de 1 de Julho de 1996, restabelecendo o título de utilidade pública federal; • Decreto (distrital) 22.706/2002, concedendo o Título de Utilidade Pública; • Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade até 01/03/2002; • Cópia do Ato Declaratório 106/2002, declarando a Fundação Brasileira de Teatro imune quando ao Imposto Sobre Serviços — ISS. Notese primeiramente que no caso em tela a Lei 3.124/1957 nada tem haver com as contribuições previdenciárias, pois as mesmas não se confundem com impostos. De fato os impostos, contribuições de melhoria, taxas, contribuições sociais compõem o gênero designado constitucionalmente de tributo, mas cada um deles é uma espécie separada e independente, logo, isenção de impostos e isenção de contribuições sociais não se confunde. Segundo, não há mais que se falar em direito adquirido a isenção após a Constituição Federal de 1998, pois conforme seu art. 195, §7°, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [ ... ] § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Ou seja, para que a entidade seja isenta deve atender às exigências estabelecidas em lei (que é a Lei 8.212/91). Outrossim, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 41, §1°, temos que: "Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar seão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei". Deixando claro que quaisquer incentivos Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 não confirmados por lei após dois anos da data da promulgação da Constituição seriam considerados revogados. Para tornar mais claras as exigências determinadas pela Lei 8.212/91, para que a empresa possa requerer a isenção junto ao INSS, temos o art. 55 e incisos: Ressaltando, que para que seja isenta deve REQUERER A ISENÇAO junto ao órgão e após análise dos requisitos elencados acima será ou não deferida à isenção, logo a entidade não pode se entender como isenta sem que tenha feito o devido requerimento de isenção e sem que este requerimento tenha sido deferido. O que não é o caso da Fundação Brasileira de Teatro que não deve pedido de isenção das contribuições sociais deferido pelo INSS. Logo, resumidamente entendemos que a Fundação Brasileira de Teatro não é entidade isenta em nenhum período (em particular no período de jul/2003 a mar /2007), primeiramente porque não há que se falar em direito adquirido conforme entendimento atual do STJ e, mesmo que fosse contrário o entendimento do STJ, a entidade só possuía isenção de impostos e não de contribuições sociais. Por fim, porque no período de jul/2003 a mar/2007 a entidade não cumpriu o que determina a Lei 8.212/91, no que tange a solicitar no tempo adequado a sua isenção ao INSS e também não cumpriu cumulativamente os requisitos, pois: a) Era detentora de certificado de utilidade pública federal a partir de 1996; b) Era detentora do certificado de utilidade pública Distrito Federal concedido em 2002; C) PORÉM, não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS (pois, a validade expirou em 01/03/2002); e d) E não entregou os documentos e relatórios obrigatórios, pois deveria anexar ao seu pedido de isenção a sua contabilidade e anualmente o relatório circunstanciado de suas atividades para demonstrar: d. l ) a gratuitamente dos seus serviços, d.2) a não percepção pelos seus diretores de remuneração ou vantagens e d.3) a aplicação correta do seu resultado operacional (novamente reforçamos que estes documentos e relatórios não foram apresentados em época própria ao INSS). Além de ter sido constatado nas suas folhas de pagamento salários para diretores, contrariando frontalmente a Lei 8.212/91 no seu art. 55, IV que diz literalmente que 1V não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título'. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 7 11 Para melhor esclarecer este ponto os nomes constatados em folha foram os de CRISTIANE JANSEN CABRAL MARTINS, CARGO DIRETORA e LUIZ FERNANDO DE MELO, CARGO VICEDIRETOR DE ADMINISTRACAO, durante todo o período de jul/2003 a Mar/2007. De todo o exposto verificase que a entidade não teve pedido de isenção deferido pelo INSS e não apresentou em momento algum os relatórios anuais circunstanciados de suas atividades, logo, a entidade não é isenta das contribuições previdenciárias devendo recolher como empresa normal todas as contribuições devidas. E caso deseje usufruir de isenção deverá cumprir os requisitos dispostos na Lei 8.212/91 e providenciar pedido ao INSS com todos os documentos exigidos, aguardando deferimento para que possa usufruir da isenção. A própria decisão de primeira instância afastou ditas alegações, deixando claro que os documentos constantes do processos e os relatórios e planilhas entregues em meio magnético CD, fornecem todos os esclarecimentos necessários ao exercícios da ampla defesa e do contraditório. Após a decisão não rebateu o recorrente os pontos ali descritos, resumindo se a reprisar as mesmas alegações da impugnação. Assim, afasto qualquer alegação de nulidade. DO MÉRITO Importante informar, que meros argumentos não afastam os fatos e documentos descritos pela autoridade fiscal, para atestar o lançamento de contribuições. Ao apreciarmos os termos do recurso e impugnação apresentados, que digase são exatamente os mesmos, nem mesmo questionou o recorrente a imputação de desconto de contribuição dos segurados e não recolhimento, mas tão somente a condição de isenta e cerceamento do direito de defesa já afastado em sede de preliminar. DA CONDIÇÃO DE IMUNE Conforme também devidamente indicado pelo auditor e apreciado pelo julgador de primeira instância, em relação as contribuições previdenciárias, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme se demonstrará adiante. Notese que a alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que a entidade em questão não se enquadra nas exigências acima descritas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 8 13 III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 9 15 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, mais especificamente não possui para o período objeto do lançamento CEBAS (não houve qualquer alegação quanto a essa constatação fiscal) que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida a partir da expiração do prazo de validade do certificado anterior. Não formalização do pedido perante a previdência A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. O Decreto 2536/98, demonstra que a inércia do recorrente em pedir a renovação lhe tira o direito a usufruir do benefício pretendido, qual seja, ter o CEBAS válido para todo o período que pretendi ter a condições de filantrópica reconhecida. Senão vejamos o art. 3: “Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:” §2 O certificado de Entidade de fins filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. §3 Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) é o principal instrumento de reconhecimento, pelo poder público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento de entidade que pretenda ser beneficiária da imunidade de contribuições para a seguridade social, de acordo com o que prevê o art. 195, § 7º, da Constituição Federal (CF). Tal imunidade é uma das poucas exceções à regra geral prevista na CF, que instituiu o princípio da solidariedade no custeio do sistema de seguridade social, assim, a ausência de cobertura para um determinado período afasta a imunidade pretendida pelo recorrente. QUANTO A FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas, indicando no relatório fiscal os motivos do seu não enquadramento. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 10 17 Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Assim, também não cumpriu o recorrente requisito fundamental, qual seja, requerer junto ao INSS o pedido de isenção de contribuições, razão pela qual, mais um descumprimento, corretamente imputado pelo auditor, que tira do recorrente o direito ao gozo da isenção de contribuições previdenciárias. POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorrente, em relação a juros e multa aplicadas, as quais imputa confiscatórios. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991, principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção.. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual deve o auditor, no exercício de atividade vinculada, cumprir e aplicar todos os dispositivos da legislação previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 11 19 Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Como consta do relatório FLD, nos termos do art. 35da lei 8212/91 a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, não competindo a este conselho afastar multa expressamente prevista em lei. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14041.001487/200751 Acórdão n.º 2401003.789 S2C4T1 Fl. 12 21 Isto posto, entendo que ao decisão de primeira instância encontrase acertada e na conformidade com o s dispositivos legais. CONCLUSÃO Voto por CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto proferido. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13133.000534/2002-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
MULTAS DECORRENTES DE LANÇAMENTO "EX OFFICIO.
Em se tratando de lançamento de imposto já declarado em DCTF pelo sujeito passivo, descabe a aplicação de multa de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade dos votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Paulo Campos Advogados Associados ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 MULTAS DECORRENTES DE LANÇAMENTO "EX OFFICIO”. Em se tratando de lançamento de imposto já declarado em DCTF pelo sujeito passivo, descabe a aplicação de multa de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade dos votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 3. 00 05 34 /2 00 2- 42 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13133.000534/200242 Acórdão n.º 9101002.010 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Em sessão plenária de 17 de outubro de 2010 a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, analisando recurso voluntário em face de decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília, nos autos do presente processo, por unanimidade de votos, deulhe provimento parcial para excluir a multa de ofício, conforme Acórdão 10709.196, integrado, via embargos de declaração, pelo Acórdão 10709.605, de 17/12/2008. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, alegando que o Colegiado deu à matéria interpretação divergente da que lhe fora atribuída por outros colegiados, indicando como paradigmas os Acórdãos 20402.753 e 20400.929. A Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões, inicialmente requerendo o não conhecimento do recurso, alegando que, não obstante a representante da Fazenda Nacional tenha assinado o requerimento de encaminhamento de seu Recurso Especial, as Razões dele integrantes não foram assinadas, devendo ser tidas como peça inexistente. No mérito diz que são diversas decisões do CARF no sentido da exclusão da multa de oficio quando se trata de débito declarado ou lançado, indicando, a título de exemplo, os Acórdãos. 10417.433/2000 10706.391/2001, 10308.071/2002, 20308.161/2002. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. Inicialmente, considero improcedente a alegação do contribuinte, em contrarrazões, de que o recurso deve ser considerado inexistente porque, não obstante o representante da Fazenda Nacional tenha assinado o requerimento de encaminhamento de seu Recurso Especial, as Razões dele integrantes não foram assinadas. O recurso, compreendendo a requerimento de encaminhamento, as razões recursais (ambas em papel timbrado da PFN) e as cópias dos paradigmas, foi encaminhado diretamente da PFNCATMFDF ao CARF pela RM 12037 (fls. 215), onde foi recebido pela servidora Maria de Fátima Alves de Albuquerque (carimbo ao pé da fl. 215) e anexado aos autos pela Chefe da Secretaria da 4ª Câmara (despacho de fls. 238). Com toda obviedade, a ausência de assinatura da procuradora (fls. 222 dos autos) decorreu de lapso manifesto, não pairando a menor dúvida quanto à existência e autoria do recurso. De acordo com o art. 67 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, cabe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais contra decisão que Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13133.000534/200242 Acórdão n.º 9101002.010 CSRFT1 Fl. 4 3 der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No que interessa ao presente, a decisão recorrida encontrase assim ementada: IRPJ MULTAS DECORRENTES DE LANÇAMENTO "EX OFFICIO" Em se tratando de lançamento de imposto já declarado em DCTF pelo sujeito passivo, descabe a aplicação de multa de lançamento de oficio. Por seu turno, os paradigmas ostentam as ementas a seguir transcritas: Acórdão 20402.753 FALTA DE RECOLHIMENTO É legítimo o lançamento de oficio decorrente da falta de recolhimento desta contribuição, informada em DCTF como recolhida e cujos pagamentos não foram localizados. CONSECTÁRIOS LEGAIS. É cabível a exigência, no lançamento de oficio, de juros de mora calculados com base na variação acumulada da Selic e Multa de Oficio de 75% do valor da contribuição que deixou de ser recolhida pelo sujeito passivo. Acórdão 20400.926 DCTF. A falta de recolhimento da contribuição, declarada em DCTF como paga, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais pertinentes. Perfeitamente identificada a divergência de interpretações, conheço do recurso. A divergência a ser uniformizada por esta Turma diz respeito à possibilidade de se exigir multa de ofício sobre créditos tributários que, não obstante informados em DCTF, não foram recolhidos. Sobre o tema, a jurisprudência pacífica da antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se extrai dos Acórdãos nº 10195.833 e 101 96.598, que pode assim ser sintetizada: (i) Tendo em vista o disposto no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, e antes da vigência do art. 90 da MP nº 2.15835, a DCTF, como obrigação acessória que informa o crédito apurado, constitui instrumento de confissão de dívida, passível de inscrição na dívida ativa, prescindindo de lançamento de ofício para formalizar a exigência. (ii) Essa situação prevaleceu até a entrada em vigor da Medida Provisória nº 2.15835/2001, cujo artigo 90 determinou que “serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal;” Fl. 298DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13133.000534/200242 Acórdão n.º 9101002.010 CSRFT1 Fl. 5 4 (iii) Com essa Medida Provisória, não obstante o débito informado em documento encaminhado pelo sujeito passivo à SRF constitua confissão de dívida, tornouse necessário, para dar cumprimento ao artigo 90, o lançamento de ofício do crédito tributário confessado pelo sujeito passivo. (iii) O art. 90 da MP 2.15935, de 2001, foi alterado pelo art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833/2003 (sucessivamente alterado pelas Leis n° 11.051, de 2004, 11.196, de 2005 e 11.488, de 2007). (iv) Nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, para débitos confessados e não pagos, o lançamento ficou limitado à multa (o principal deve ser inscrito na dívida ativa para cobrança), e só é cabível em caso de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Esse entendimento foi recentemente confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se depreende da ementa do Acórdão nº 9302002.215, de 13 de março de 2013, a seguir transcrita: Acórdão nº 9302002.215 COMPENSAÇÃO. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E, POR CONSEQUÊNCIA, DA MULTA DE OFÍCIO. Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF e, da mesma forma, para exigência de multa de ofício. Recurso Especial do Procurador Negado Dessa forma, entendo que não merece qualquer reparo o acórdão recorrido, razão pela qual nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 299DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13133.000534/200242 Acórdão n.º 9101002.010 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722317/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori, que foi substituída pela Conselheira Raquel Brandão Minatel.
Nome do relator: Não se aplica
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SOBRESTAMENTO. §1o, ART. 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recorrente HSBC EMPRESA DE CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S/A Recorrida DRJCURITIBA/PR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori, que foi substituída pela Conselheira Raquel Brandão Minatel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 22 31 7/ 20 11 -2 9 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.751 ___________ RELATÓRIO Trata o presente processo de dois autos de infração (fls.143/170) pelos quais foram lançados a COFINS e o PIS não recolhidos, referentes aos fatos geradores ocorridos entre março de 2008 e dezembro de 2010, acrescidos de juros e multa, totalizando o valor de R$ 19.792.614,93. Segundo o Termo de Verificação (fls.182/189), pelo Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312, a Autuada teve sentença favorável que julgou inconstitucional a cobrança do PIS e da COFINS com base no §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98. Contudo, a sentença não entrou no mérito do que compõe a base de cálculo dessas contribuições no caso da Autuada. Assim, como no estatuto social da Autuada consta que o seu objeto é a exploração das operações de capitalização, a autoridade fiscal entendeu que a receita oriunda dessa atividade compõe o faturamento da Autuada, motivo pelo qual fez o lançamento do tributo sobre esses valores. A Contribuinte apresentou Impugnação (fls.1.416/1443), mas a DRJ em Curitiba/PR manteve integralmente o lançamento, ao prolatar acórdão (fls.1.634/1.654) com a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE CAPITALIZAÇÃO AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de capitalização, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. (...) MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do Acórdão da DRJ em 10/04/2012 (fl.1.662) e interpôs Recurso Voluntário em 08/05/2012, com as alegações resumidas abaixo: Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.722317/201129 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.683 S3C4T1 Fl. 1.752 3 Nulidade do acórdão da DRJ, por não ter analisado o item II.3 e seus subitens da Impugnação, que tratam da impossibilidade de enquadramento das receitas advindas de capitalização, como receita se receita de prestação de serviço fossem; A autoridade lançadora classificou a receita da capitalização como decorrentes de serviços financeiros. Contudo, a DRJ considerou a mesma receita como decorrente da atividade operacional da Recorrente. Isso configura alteração indevida do critério jurídico de lançamento, portanto, inovação de fundamentação, e torna a decisão da DRJ nula; Somente compõem a base de cálculo das contribuições as receita brutas oriundas da venda de bens, da prestação de serviço ou de ambas; No Mandado de Segurança, ficou reconhecido o direito da Recorrente de não recolher o PIS e a COFINS com a base de cálculo da Lei nº 9.718/98, mas somente sobre as vendas de mercadorias, de mercadorias ou serviços ou da venda de serviços, de modo que as receitas de outras naturezas não podem integrar a base de cálculo das contribuições; As receitas financeiras e aquelas que a elas se equiparam, como as decorrentes de capitalização, não integram o conceito de prestação de serviço; Somente há uma prestação de serviço quando se verifica uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. A receita oriunda de capitalização não pode ser confundida com contraprestação de prestação de serviço, pois não remunera o esforço humano; Para efetuar o lançamento, a autoridade fiscal equiparou, indevidamente, o contrato de capitalização ao contrato de seguradora, contudo, os dois não se confundem, pois têm objeto, obrigações e finalidades diferentes; O Acordo Geral Sobre Comércio e Serviço (GATS) não serve de fundamento para tributação da capitalização, como pretende o Fisco, pois ele é utilizado somente em negociações internacionais; A multa de ofício não poderia ter sido aplicada, pois a Contribuinte estava apoiada em decisão judicial; A incidência juros sobre a multa é ilegal. Os juros devem incidir somente sobre o tributo. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja cancelado o auto de infração. É o Relatório. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.722317/201129 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.683 S3C4T1 Fl. 1.753 4 VOTO Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente é uma empresa de capitalização que se equipara a instituição financeira, nos termos do art. 1o, Parágrafo Único, inciso I, da Lei nº 7.492, de 16 de junho de 1986. Ela foi autuada em razão de não ter recolhido o PIS e a COFINS sobre as receitas oriundas de capitalização. Em seu Recurso Voluntário, ela devolveu as seguintes matérias para apreciação deste Conselho: Nulidade do acórdão da DRJ por não ter apreciado todas as matérias arguidas; nulidade do acórdão da DRJ por ter inovado na fundamentação do lançamento; impossibilidade de equiparar capitalização a prestação de serviço; ilegalidade da aplicação da multa de ofício; e ilegalidade de juros sobre a multa. O cerne da questão posta no mérito é se incide o PIS e a COFINS sobre as receitas originadas na operação de capitalização, atividade principal da Recorrente. É imperativo destacar que o tema acerca da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo apreciado pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 609.096, cuja Repercussão Geral foi reconhecida, nos termos do art. 543B, do Código de Processo Civil. Sendo assim, é o caso de aplicação §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF que assim dispõe: “§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B”. Depois do julgamento do Recurso Extraordinário nº 609.096, os presentes autos voltarão a ser pautados, a fim de que sejam analisadas todas as matérias arguidas pela Recorrente. Ex positis, em atendimento ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, sobrestou o julgamento do presente Recurso Voluntário, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 609.096 pelo STF. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902270/2010-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3802-002.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda, Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim, Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Régis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda, Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim, Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Régis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda, Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim, Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Régis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 70 /2 01 0- 77 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, transmitida em 15/03/2007, para compensar o crédito de R$ 2.085,45, proveniente de pagamento a maior de PIS, período de apuração de maio de 2006, com débito Confins, período de apuração de fevereiro de 2007, nos termos do Acórdão assim ementado: Assunto: contribuição para o pis/pasep Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRF/BHE não homologou a compensação pleiteada pelo ora recorrente por não haver crédito disponível para compensação dos débitos informados em Per/Decomp. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta basicamente os mesmos argumentos, que podem ser assim elencados: (i) que não há elementos suficientes nas decisões da Receita Federal, de modo a prejudicar o exercício da ampla defesa e do contraditório, já que não são apresentadas as exposições das razões específicas de fato e de direito que justificam a tomada de decisão e (ii) que não existe norma que determine a retificação de DCTF ou de qualquer outra declaração em caso de compensação com pagamento indevido ou a maior. É o relatório. Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Admissibilidade do Recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal. Voto Admissibilidade do Recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal No que concerne à alegação de falta de fundamentação e de motivação nas decisões proferidas pela Fazenda Nacional, tais alegações trazidas pelo recorrente não procedem e devem ser rechaçadas de pronto, porquanto nelas foram preenchidos os requisitos legais decorrentes do Decreto nº 70.235/72 e demais disposições constitucionais e administrativas. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902270/201077 Acórdão n.º 3802002.032 S3TE02 Fl. 207 3 Sobre a DCTF, que é uma declaração de débitos e créditos tributários federais, contendo informações relativas aos tributos e contribuições de créditos, como também sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, é um documento que, não retificado, elimina o crédito de imediato. Ou seja, no encontro de contas, ocorre a compensação. Essa é a lógica do sistema. Daí a importância da retificação. Caso ela não seja retificada, não há como verificar a existência do crédito. E mais, esse ônus compete unicamente ao contribuinte. O fato central aqui é outro. Dá análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 4ª Turma da delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, já que o recorrente não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Conforme entendimento exposto na decisão a quo, temse que, a luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Notese que os dados foram informados pelo recorrente e analisados pela Fazenda Nacional: os dados do pagamento (DARF) e dados do crédito e do débito na DCTF. A partir do confronto dos elementos acima indicados, verificouse que não havia mais crédito disponível para ser aproveitado no procedimento de compensação. O crédito reclamado não foi comprovado em nenhum momento (informações prestadas para a Receita Federal – Provas nestes autos). O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Sala de Sessões, 25 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10980.010319/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RECONHECIMENTO POR ATO DO PODER PÚBLICO. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEFERIMENTO DA ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico devem estar declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente.
Numero da decisão: 2201-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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EM VIDA SELV. ED. AMBIENTAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RECONHECIMENTO POR ATO DO PODER PÚBLICO. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEFERIMENTO DA ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR. A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico devem estar declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 19 /2 00 9- 57 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.010319/200957 Acórdão n.º 2201002.511 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 33 a 41) por falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado por meio de revisão interna (malha valor) da declaração do exercício 2005, relativo ao imóvel RESERVA NATURAL RIO CACHOEIRA de NIRF 9604235, localizado no município de Antonina/PR. A autuação se refere à glosa das áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, de 4.292,9 hectares, e de Interesse Ecológico 3.810,6, de hectares (fl. 30), apurandose o imposto de R$ 874.422,69, com multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem juros de mora. Consta do auto de infração, cuja apuração ocorreu no período de setembro a dezembro de 2009, que foram efetuadas consultas na base de dados do IBAMA, porém não foi localizado protocolo referente ao Ato Declaratório Ambiental para tais áreas do imóvel, inexistindo, portanto, elementos que comprovasse que o contribuinte tenha requerido o benefício de redução do ITR. O contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados no acórdão recorrido (fls. 463 a 469): Foi apresentada a impugnação de fl. 69/86. É invocada a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, em síntese, sustenta que o ADA é mera formalidade, cujo não atendimento não pode ensejar a cobrança de imposto suplementar. Argumenta que o fundamental é que as áreas de preservação ambiental existem no imóvel, em respeito ao que dispõe o Código Florestal. Afirma que as áreas constam de Laudo Técnico. Defende que as áreas devem ser acatadas como isentas. Alega que deve ser analisado o conjunto probatório apresentado e não ficar restrito à formalidade de apresentação de ADA. Informa que o imóvel está localizado no Bioma da Mata Atlântica, na APA de Guaraqueçaba. Argumenta, ainda, que existem várias certidões, emitidas por Órgãos ambientais, que comprovam que a área é de interesse ambiental. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Cientificado em 30 de agosto de 2012 (fl. 475), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 28 do mês subsequente (fls. 476 a 498), portanto, tempestivo, no qual argui como razão para a reforma da decisão recorrida os seguintes pontos: 1 – Ausência de domínio útil: a área objeto da ação fiscal seria de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), como demonstrado na documentação juntada aos autos; o ADA seria mera formalidade; a área pertenceria ao bioma da Mata Atlântica, a qual abriga uma considerável quantidade de espécies de plantas e animais exclusivos; a propriedade teria como propósito, perpétuo, proteger a natureza existente no bioma da Mata Atlântica, da qual faz parte, sendo vedada a exploração, inclusive sustentável; na RPPN, conforme preceitua o § 2º do art. 21 da Lei nº 9.985, de 2000, não seria permitido o desenvolvimento de nenhuma atividade econômica; a RPPN deveria ser excluída Fl. 538DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 da área tributável do imóvel, conforme dispõe o Decreto nº 5.746, de 2006; haveria de fato a Reserva Natural Rio da Cachoeiras, que se situa dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, instituída pelo Decreto nº 90.833, de 1995, antes da criação da RPPN; o ITR seria um tributo extrafiscal que leva em conta a função ambiental da propriedade; e, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, combinado com os art. 1.228 do Código Civil, a posse implicaria a efetiva faculdade de usar, gozar e dispor da propriedade, o que não seria o caso da propriedade fiscalizada, que se encontra com ônus reserva natural; 2 – Desnecessidade de apresentação do ADA: o ato é meramente declaratório e sua falta não poderia ser utilizada como fundamento para não autorizar o gozo da isenção, já que a área está averbada na matricula do imóvel como RPPN, como provam os documentos juntados aos autos, que seriam suficientes para comprovação das áreas de interesse ecológico; o Decreto que regulamenta as RPPN não condiciona a fruição do benefício tributário ao cumprimento de qualquer requisito. Em 2007 teria sido emitido o ADA pelo IBAMA, que, em função da verdade material, deveria ser reconhecido como documento hábil para o cancelamento da exigência fiscal. Apesar de a área ter sido reconhecida como RPPN em 2007, em 2005 já detinha todos os atributos necessários para a sua caracterização. Além da averbação, colacionou a Certidão emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que certificou ser a área “Considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como área prioritária para a conservação da biosiversidade, com prioridade de conservação entre muito alta a extremamente alta”, bem como a Certidão do IBAMA certificando que a área seria de interesse ecológico na proteção dos ecossistemas nelas existentes. Ainda no curso da ação fiscal, apresentou um Laudo Técnico. Por fim, argui que a jurisprudência pátria reforçaria o entendimento de que, quando apresentado outra comprovação capaz de demonstrar a real destinação conferida a determinada área, seria desnecessária a entrega do ADA ao IBAMA. 3 – Preenchimento dos requisitos necessários para fruição da isenção do ITR – Para que uma determinada área seja declarada como de interesse ecológico, seria suficiente a declaração de um Órgão Publico regulador/fiscalizador, seja ele federal, estadual ou municipal. Não haveria necessidade de apresentação de um Laudo Técnico descriminando as áreas que efetivamente pertençam à APA, tendo em vista o expresso reconhecimento pelo órgão da Administração Pública. Todavia, de qualquer forma, teria apresentado o referido laudo. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.010319/200957 Acórdão n.º 2201002.511 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A questão em debate trata das áreas de interesses ambiental, do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e das áreas declaradas como de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), localizadas dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba e do bioma Mata Atlântica. Antes da análise das questões, vejase o que diz a legislação tributária no que diz respeito à exigência do ADA, à APA e à RPPN. Em relação ao ADA, temse que a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal, conforme se verifica a seguir: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifos nossos) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que se usufrua a redução do valor a pagar do ITR nas áreas de Preservação Permanente. Não há a exigência prévia para apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR. Contudo, inarredável é a competência de a autoridade fiscal solicitálos posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando à verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. As APAs são áreas de especial interesse para a preservação dos sistemas naturais de uma região, que apresentam, entre outros valores, ecossistemas preservados ou suscetíveis a riscos ambientais e, por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. O fato de uma propriedade está localizada dentro de uma APA não a torna, de forma automática, integralmente isenta. Apenas as Áreas de Preservação Permanente (APP) contidas no imóvel rural, sejam aquelas definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público, quando cumpridas as exigências legais para tal exclusão tributária. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 A Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), cujo objetivo é a utilização racional dos recursos naturais, diz, no artigo 7º, que essas áreas se dividem em (I) Unidades de Proteção Integral e (II) Unidades de Uso Sustentável. As primeiras são compostas por estações ecológicas, reservas biológicas, parques nacionais, monumentos naturais e refúgios de vida satélites. Estas, quando permitidas a visitação pública, são de posse e domínio públicos. As áreas particulares incluídas em seus limites no momento da constituição são objeto de desapropriação. Às segundas é permitido compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. O art. 15 da Lei nº 9.985, de 2000, define as áreas de proteção ambiental como aquelas, em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bemestar das populações humanas, e que têm como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Portanto, não há impedimento para a exploração econômica direta ou indireta, desde que observadas as normas e restrições para o seu uso, que variam de acordo com as peculiaridades de cada região e, dentro destas, do zoneamento ecológicoeconômico. As RPPN estão disciplinadas no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, como sendo “uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. Nelas somente são permitidas as atividades de pesquisas cientificas e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais. O gravame da área deve constar de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, devidamente averbada à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. Para que uma área seja caracterizada como de RPPN, integral ou parcialmente, o proprietário do imóvel rural deve manifestar seu interesse perante o Poder Público, nos termos do Decreto n.º 1.922, de 1996, que dispõe sobre o reconhecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, e dá outras providências. in verbis: Art. 1° Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN é área de domínio privado a ser especialmente protegida, por iniciativa de seu proprietário, mediante reconhecimento do Poder Público, por ser considerada de relevante importância pela sua biodiversidade, ou pelo seu aspecto paisagístico, ou ainda por suas características ambientais que justifiquem ações de recuperação. Mais adiante, o Decreto prevê os prazo exigências para o reconhecimento da RPPN, conforme dispõe o art 6º: Art. 6° O órgão responsável pelo reconhecimento da RPPN, no prazo de sessenta dias, contados da data de protocolização do requerimento, deverá: I emitir laudo de vistoria do imóvel, com descrição da área, compreendendo a tipologia vegetal, a hidrologia, os atributos naturais que se destacam, o estado de conservação da área proposta, indicando as eventuais pressões potencialmente degradadoras do ambiente, relacionando as principais atividades desenvolvidas na propriedade; II emitir parecer, incluindo a análise da documentação apresentada e, se favorável, solicitar ao proprietário providências no sentido de firmar, em duas vias, o termo de compromisso, de acordo com o modelo anexo a este Decreto; III homologar o pedido por meio da autoridade competente; IV publicar no Diário Oficial ato de reconhecimento da área como RPPN. 1° Após a publicação do ato de reconhecimento, o proprietário deverá, no prazo de sessenta dias, promover a averbação do termo de compromisso, a que se refere o inciso II do art. 6° deste Decreto, no Cartório de Registro de Imóveis competente, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.010319/200957 Acórdão n.º 2201002.511 S2C2T1 Fl. 5 7 gravando a área do imóvel reconhecida como Reserva, em caráter perpétuo, nos termos do que dispõe o art. 6° da Lei 4.771/65, a fim de ser emitido o título de reconhecimento definitivo. 2° O descumprimento, pelo proprietário, da obrigação referida no parágrafo anterior importará na revogação da portaria de reconhecimento. Assim, pelo que se vê, é necessário, entre outras, a obrigação de que o ato de reconhecimento seja publicado no DOU e a área averbada no prazo de sessenta dias, sob a pena de sua revogação. Feitas essas considerações, passase a analisar a situação posta nos autos, onde a fiscalização autuou a recorrente glosando as áreas declaradas como RPPN e como de Interesse Ecológico (AIE), por falta de ADA para as duas áreas e averbação cartorária da primeira. Compulsando os autos, verificase que em data pretérita ao lançamento, mas posterior ao fato gerador, a contribuinte apresentou diversos documentos para comprovar a existência da RPPN, localizadas dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba e dentro do bioma Mata Atlântica, bem como das áreas de interesse ecológico, senão vejamos: em 30 de julho de 2007 foi publicada a Portaria IAP nº 159/2007, que ratificou o reconhecimento do interesse público, mediante registro no Cadastro Estadual de Unidades de Conservação, como RPPN (fl.253); em 1º de agosto de 2007 foi averbada em caráter de perpetuidade no Cartório de Registro competente a área de 4,292,88 hectares como RPPN (fl. 149); em 20 de setembro de 2007 foi entregue o ADA, ainda que do ano 2007, mas declarando as áreas como as mesmas medidas declaradas na DITR 2005 (fl. 2005). Posteriormente ao início da ação fiscal, o contribuinte apresentou o Laudo Técnico exigido pela auditoria, devidamente assinado e acompanhado da respectiva ART, no qual consta o detalhamento das áreas (fls. 213 a 228); a Certidão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), de 27 de outubro de 2009 (fl.135), o qual declara que as áreas são de preservação ambiental; o Parecer N° 022010/EsEc Guaraqueçaba PR, do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBIO), declarando que as áreas de Reserva Natural existiam antes de 2004, e o Ofício n°. 08/2010EsEc Gçaba/ICMBio, do mesmo instituto informando a totalidade da propriedade como de interesse ecológico e que 7.765,2 hectares de florestas nativas existentes em 2010 já teriam sido constatadas desde 1999. Entretanto, para as áreas de interesse ecológico, declaradas como de preservação permanente, é fundamental a edição de ato específico em data contemporânea ao fato gerador, que amplie suas restrições de uso da terra, na forma da alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei 9.393/1996, que assim expressa: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Assim, a simples inserção do imóvel numa área de interesse ecológico não é suficiente, por si só, para determinar sua exclusão na apuração da base tributável do ITR. Não havendo a necessária expedição de ato específico do Poder Público declarando a área ambiental do imóvel em particular, contemporânea ao fato gerador, não cabe a isenção pretendida. Também para a RPPN, é imperativo o reconhecimento das áreas por ato do poder público ambiental e o seu averbamento no Cartório de Registro de Imóveis antes do fato gerador. Como a reserva somente foi reconhecida em 30 de julho de 2007, não pode ser considerada para fins de exclusão da base de cálculo do ITR no exercício 2005. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 543DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10580.911874/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/07/2003
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/07/2003 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 74 /2 00 9- 19 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911874/200919 Acórdão n.º 3802003.747 S3TE02 Fl. 81 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911874/200919 Acórdão n.º 3802003.747 S3TE02 Fl. 82 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911874/200919 Acórdão n.º 3802003.747 S3TE02 Fl. 83 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10855.720770/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/07/2011
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ.
Nos termos do art. 170-A do CTN e do REsp 1.164.452, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF. Decisões proferidas na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.
No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA.
Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu salário-de-contribuição (parágrafo único, alínea b).
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA.
O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, pro-labore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que remunere, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
Quanto ao conceito de salário-de-contribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindo-o como a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
ABONO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O caráter remuneratório do abono por tempo de serviço é inequívoco, pois nada mais representa senão uma retribuição contratual pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório.
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO.
Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional.
A compensação efetuada em ofensa ao art. 170-A do CTN, antes do julgamento dos REsp´s 1.167.039-DF e 1.164.452, em 2010, que, em regime de recurso repetitivo, praticamente inviabilizaram qualquer possibilidade de discussão judicial a respeito da aplicabilidade deste artigo, denota conduta consciente do contribuinte (falsidade da declaração) passível de enquadramento no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91. Hipótese em que o contribuinte não alega e demonstra que tenha sido induzido a erro por terceiros que, ardilosamente, tenham incitado a compensar indevidamente.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, reconhecendo a aplicação da alíquota de 1%, para a contribuição referente ao Seguro Acidente do Trabalho, frente à comprovação de que a atividade preponderante no município se dá na área da educação. Por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, frente à interposição de ação judicial onde se discute a incidência das contribuições previdenciárias sobre rubricas que a Recorrente entende de natureza indenizatórias, e na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento para manter o lançamento sobre a rubrica "abono por tempo de serviço", que não integra a ação judicial, bem como a imposição de multa isolada, por compensação indevida, na forma do artigo 89,§10º, da Lei n.º 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam por excluir do lançamento a multa isolada.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN e do REsp 1.164.452, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF. Decisões proferidas na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 07 70 /2 01 2- 17 Fl. 8212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. Dentro dos parâmetros constitucionais estabelecidos, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. ABRANGÊNCIA CONCEITUAL E LEGISLATIVA. O conceito de remuneração permite à legislação abarcar rubricas como vencimento, soldo, subsídios, prolabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”, de sorte a englobar, nos exatos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também quaisquer outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais, ressalvadas as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91), ressalvadas, igualmente, as regras de inclusão, exclusão e limites descritos nos parágrafos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. ABONO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O caráter remuneratório do abono por tempo de serviço é inequívoco, pois nada mais representa senão uma retribuição contratual pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. A compensação efetuada em ofensa ao art. 170A do CTN, antes do julgamento dos REsp´s 1.167.039DF e 1.164.452, em 2010, que, em regime de recurso repetitivo, praticamente inviabilizaram qualquer possibilidade de discussão judicial a respeito da aplicabilidade deste artigo, denota conduta consciente do contribuinte (“falsidade da declaração”) passível de enquadramento no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91. Hipótese em que o contribuinte não alega e demonstra que tenha sido induzido a erro por terceiros que, ardilosamente, tenham incitado a compensar indevidamente. Fl. 8213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.172 3 Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, reconhecendo a aplicação da alíquota de 1%, para a contribuição referente ao Seguro Acidente do Trabalho, frente à comprovação de que a atividade preponderante no município se dá na área da educação. Por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, frente à interposição de ação judicial onde se discute a incidência das contribuições previdenciárias sobre rubricas que a Recorrente entende de natureza indenizatórias, e na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento para manter o lançamento sobre a rubrica "abono por tempo de serviço", que não integra a ação judicial, bem como a imposição de multa isolada, por compensação indevida, na forma do artigo 89,§10º, da Lei n.º 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam por excluir do lançamento a multa isolada. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 8214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício em face decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente, retificando o crédito lançado, mediante a exclusão das glosas de compensação relativas aos valores recolhidos indevidamente ao RAT, bem como a multa isolada respectiva. Adotase, com destaques nossos, o relatório constante no acórdão do órgão a quo (fls. 8.034), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, incluindo os seguintes debcads: · Debcad nº 51.014.2940 – destinado ao lançamento da glosa de compensação efetuada indevidamente pelo órgão municipal no período de 08/2010 a 07/2011. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização os valores compensados se tratam de contribuições previdenciárias sobre rubricas que não foram alcançadas pela suspensão da exigibilidade em sentença judicial com trânsito em julgado. Consta, ainda, no relatório fiscal ter o município apresentado uma planilha de valores que deram origem ao suposto crédito das compensações efetuadas, incluindo valores a compensar cujos recolhimentos não foram comprovados em sua integralidade (competências 10 e 11/2002). Além disso, menciona a autoridade fiscal não ter o contribuinte observado a prescrição qüinqüenal, incluindo em sua planilha de crédito o período de 05/2000 a 06/2005. · Debcad nº 51.014.2958 – incluindo a multa isolada de 150% do valor das contribuições indevidamente compensadas, decorrente da falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte mediante GFIP. (...) A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 8.033 e seguintes, como afirmado, julgou a impugnação apresentada parcialmente procedente, retificando o crédito lançado, mediante a exclusão das glosas de compensação relativas aos valores recolhidos indevidamente ao RAT, bem como a multa isolada respectiva, consignando estar sujeita a decisão ao recurso de ofício. A recorrente foi intimada do Acórdão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 8.057 e seguintes e documento de fls. 8.085 (petição de considerações complementares), alegando, em síntese, que: Fl. 8215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.173 5 * o Supremo Tribunal Federal, a partir do Recurso Extraordinário 345.458/RS e iterativos julgamentos, teria decidido que não incide sobre horas extras, adicional de férias, adicionais eventuais, pois tratamse de verbas indenizatórias/compensatórias; * na apreciação do Recurso Extraordinário n° 593.068, foi reconhecida a repercussão geral relativamente à incidência de contribuição previdenciária sobre o terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade e demais adicionais. Sendo assim, requer que o Recurso Voluntário seja sobrestado, a teor do Regimento Interno do CARF; * o STJ, por incidente de uniformização jurisprudencial, teria decidido que não incide contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias e sobre horasextras; * as compensações podem ser efetuadas “administrativamente” sem anuência do “judiciário” ou da “RFB” a teor do art. 66 da Lei n° 8.383/91, art. 89 da Lei n° 8.212/91 e art. 44 da IN n° 900/08; * não houve fraude ou sonegação que justificasse a multa isolada; * alega a necessidade de sobrestamento, mas, verificando a revogação da disposição regimental, por intermédio do documento de fls. 8.085 e seguintes, reconhece a impertinência do pedido. É o relatório. Fl. 8216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Recurso de Ofício. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, retificando o crédito lançado, mediante a exclusão das glosas de compensação relativas aos valores recolhidos indevidamente ao RAT, bem como a multa isolada respectiva, recorrendo de ofício de sua própria decisão. Assim concluiu, pois seguindo a manifestação da autoridade fiscal, no sentido que: (...) após examinarmos a documentação apresentada pelo contribuinte, no curso desta diligência fiscal, concluímos que o Contribuinte teve maior número de empregados alocados no setor da Educação, cuja alíquota do RAT incidente sobre as remunerações é de 1%, e o mesmo efetuou corretamente as compensações exclusivamente nas competências: 04, 05 e 07/2011, uma vez que tais valores envolvem créditos apurados na rubrica RAT (Riscos de Acidente de Trabalho), recolhidos a maior no período de apuração das competências 07/2007 a 04/2011 (fls.7.769) 03 – Considerando que no período citado no item anterior, houve recolhimentos de valores “a maior” com alíquota de 2% para a rubrica RAT, reconhecemos que os mesmos são passíveis de compensação, e o Contribuinte o fez corretamente, nas referidas competências no item anterior, nos termos a IN RFB 971/2009 – Art 72 $9º que permite o auto enquadramento pela alíquota correspondente ao grau de risco pertinente a atividade preponderante determinada pelo setor com maior número de empregados, no caso do Contribuinte, o Setor da Educação, que obriga a alíquota de 1% para a r. rubrica, tudo demonstrado pelo Contribuinte em fls. 4927 a 7820. 04 – Assim, concluímos que tais valores lançados indevidamente nos Autos de Infração abaixo, devem ser excluídos da seguinte forma: A – No Auto de Infração n° 51.014.2940 devem ser excluídas as competências 04, 05 e 07/2011, sendo indevida a cobrança. B – No Auto de Infração n° 51.014.2958 (Multa Isolada) devem ser excluídas apenas as competências, 06 e 07/2011, uma vez que a Multa Isolada é aplicada na competência da data da entrega da respectiva GFIP que contém a compensação ora glosada, sendo indevida a cobrança dessas duas competências. Fl. 8217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.174 7 Em aditamento às informações fiscais, a DRJ verificou que, quanto à multa isolada (AI 51.014.2958), na verdade, os valores indicados na competência 05/2011 correspondem à glosa da competência 04/2011 (também excluída), de sorte que também deve ser excluída .De resto, concorda com a exclusão das competências 06/2011 (glosa de 05/2011) e 07/2011 (glosa de 07/2011). Portanto, plenamente legítima a retificação indicada na decisão de origem, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sobrestamento. Alega a recorrente a necessidade de sobrestamento do julgamento em razão do disposto no § 1° do art. 62A do RICARF e no art. 19 da Lei n° 12.844/2013, a fim de que se aguarde o julgamento dos Recursos Extraordinários (repercussão geral) 565.160 (definição da expressão “folha de salários”), 576.967 (incidência sobre salário maternidade) e 640.452 (multa isolada e caráter confiscatório), além dos Recursos Especiais (recursos repetitivos) 1.230.957 (incidência sobre avisoprévio indenizado, terço constitucional de férias e auxíliodoença nos primeiros quinze dias) e 1.358.281 (incidência sobre adicionais de horaextra, trabalho noturno, insalubridade e periculosidade, além de sobre prêmios, gratificações, repouso semanal remunerado, auxíliodoença nos primeiros quinze dias e adicional de férias). Ocorre que, em momento posterior, a própria recorrente verificou a revogação dos dispositivos do Regimento Interno do CARF que obrigavam o órgão a suspender os julgamentos sempre que o STF determinasse o sobrestamento dos Recursos Extraordinários alvos de Repercussão Geral (parágrafos 1º e 2º do artigo 62A), de sorte que procede a alegação contida no documento de fls. 8.085 e seguintes, no sentido da impertinência do pedido anteriormente formulado. Incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas discutidas em juízo. Aduz ainda a recorrente que as parcelas compensadas referemse aos valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento, bem como a título de saláriomaternidade, férias gozadas e adicional de um terço, rubricas estas que não sofreriam incidência de contribuições previdenciárias. Conforme já consignado na decisão de primeira instância, “das verbas questionadas, encontrase incluída na presente autuação: 1/3 de férias, horas extras, adicionais noturno, de periculosidade e de insalubridade e abono por tempo de serviço. Relação pormenorizada das parcelas compensadas encontrase inserida às fls. 28 dos autos.” Em análise aos mandados de segurança nº 0005620.25.2010.4.03.6110 e 0003199.28.2011.4.03.6110, impetrados pela recorrente, todas as verbas encontramse sub judice, e, conseqüentemente, a análise de inclusão no salário de contribuição não serão objeto de apreciação neste âmbito administrativo, por força da previsão contida no artigo 126, § 3° da Lei nº 8.213/91. Portanto, a única verba questionada administrativamente que não se encontra sub judice referese ao abono por tempo de serviço, em relação ao qual não procedem os argumentos apresentados pela defesa, como se verá a seguir. Fl. 8218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Compensação. Ausência de Trânsito em Julgado. A glosa efetuada não pode ser considerada legítima, tendo em vista o comando contido no artigo 170A do CTN, que veda "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". A interpretação de tal dispositivo foi pacificada pelo STJ, em decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Tal vedação aplicase inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF, cuja TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (destaques nossos) Fl. 8219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.175 9 Notese que, nos termos art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria n° 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, estando este órgão julgador vinculado à decisão proferida pelo STJ, não cabem maiores digressões da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas glosadas. É de se ressaltar que não se olvida o fato de o Superior Tribunal de Justiça ter decidido recentemente, no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado. Também há pouco tempo e igualmente sob regime dos recursos repetitivos, o mesmo Tribunal, assentou a compreensão de que incide contribuição previdenciária sobre horas extras, adicional noturno e adicional de periculosidade (REsp 1.358.281). Ocorre que, independentemente da conclusão a respeito da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas em discussão, a glosa decorre de fato instransponível, relacionado ao próprio procedimento de compensação, posto que a recorrente optou pela via judicial para ter garantido o pleito compensatório, inviabilizando qualquer possibilidade de proceder à compensação administrativa de forma legítima. Sendo assim, diante da contrariedade ao art. 170A do CTN, razão nenhuma assiste à recorrente. Verbas “Indenizatórias”. Para o enfrentamento da questão relativa à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre o abono por tempo de serviço, única verba não sujeita à sistemática do art. 170A do CTN, é preciso investigar sobre os limites de incidência das contribuições previdenciárias. Vejamos. A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Fl. 8220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, “o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”.1 No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição “não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo”.2 Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo “folha de salários”, “demais rendimentos” e “ganhos habituais”, sendo que este último não deixa de ser “rendimento” , “a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, § 4º, da CF”. 3 E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu “saláriodecontribuição” (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de “remuneração” e de “saláriodecontribuição”. Entendemos que remuneração “pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que “remunere”4, de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição”), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, “assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho” (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em “contraprestação” (uma prestação por outra), mas sim em “retribuição”, ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão “contraprestação” ao invés de “retribuição”. Daí Alice Monteiro de Barros afirmar que: preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato. 1 A importância da execução de ofício das contribuições previdenciárias no processo do trabalho. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito), USP, São Paulo, p. 54. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde05122012162954/ptbr.phpest. Acesso em 19/06/2014. 2 Idem p. 57. 3 Idem p. 68. 4 Ibidem p. 69 e seguintes. Fl. 8221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.176 11 (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e os limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a “remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço” (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22, I e II, da mesma lei). Assim, o caráter remuneratório do abono por tempo de serviço é inequívoco, pois tratase de conquista contratual que nada mais representa senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. Sendo assim, entendo como correta a glosa do abono por tempo de serviço. Multa Isolada. Confisco. Alega a recorrente a ausência de falsidade nas declarações a ensejar multa de 150%, bem como o caráter confiscatório da multa de 150%; Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. No que tange ao cabimento da multa isolada, cumpre destacar que a autoridade fiscal entendeu que estaria configurada a falsidade, pelo fato da recorrente ter declarado nas GFIP´s a compensação de recolhimentos indevidos sem qualquer ato legal ou decisão judicial transitada em julgado que a amparasse. Fl. 8222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Vejamos as disposições legais que fundamentam as penalidades incidentes na hipótese de compensação indevida: Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) Ainda Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ainda Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 8223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.177 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) (destaques nossos) A leitura atenta dos textos legais acima transcritos indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: (i) a multa de mora de 20%; e (ii) a multa isolada de 150%. Ocorre que, para a aplicação da primeira (multa de mora), a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Quanto à segunda (multa isolada), consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Se a lei não tem palavras inúteis (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 251), quanto mais orações inteiras. É verdade que, por força do que dispõe o artigo 136 do CTN, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável”, ou seja, independe de dolo. Todavia, quanto à multa isolada, parece haver disposição em contrário, pois há a condicionante de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Para a compensação ser considerada indevida, ou a declaração que deu origem era falsa ou se tornou falsa. Destarte, sempre haverá falsidade, de sorte que não haveria razão para o legislador condicionar a sua aplicação à comprovação da falsidade despretensiosa. Assim, a única maneira de justificar, do ponto de vista jurídico, a existência da condicionante “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, é invocar a intencionalidade do agente. Ademais, não parece que se possa cogitar de comprovação de uma falsidade sem o elemento subjetivo, pois a própria falsidade, no vernáculo, tem definições que implicam em intencionalidade: s.f. (Do lat. Falsitas, falsitatis). 1. Propriedade do que é falso. – 2. Mentira, calúnia. – 3. Hipocrisia; perfídia. – 4. Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade. (Grande dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Larousse cultural, 1999, p. 420) Isso sem falar que, ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 8224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, a exigência do dolo, além de ser interpretação que busca dar coerência ao arcabouço normativa, indubitavelmente, revelase como a mais benéfica ou favorável ao infrator. Podese afirmar, do quanto exposto até aqui, que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, é indispensável que esteja demonstrada a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso presente, a recorrente afrontou diretamente o artigo 170A do CTN (É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial) e o fez quando já não havia mais discussão judicial a respeito da sua aplicabilidade, posto que as discussões jurisprudenciais até então existentes restaram superadas pelo advento do julgamento dos REsp´s 1.167.039 e 1.164.452, ainda em 2010, em regime de recurso repetitivo. Após os referidos julgamentos, admitimos a possibilidade de que o contribuinte tenha sido induzido a erro por terceiros que, ardilosamente, tenham incitado a compensar indevidamente. Todavia, tal hipótese precisa ser alega e demonstra pelo contribuinte, o que não é o caso dos autos. Assim, extraise da conduta da recorrente descrita nos autos que, de forma consciente, mesmo sabedora de que não poderia efetuar a compensação antes do trânsito em julgado de suas ações (art. 170A do CTN), informou em GFIP compensação de contribuições previdenciárias. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Quanto ao Recurso de Ofício, CONHEÇO para, no mérito, também NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 8225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.720770/201217 Acórdão n.º 2302003.355 S2C3T2 Fl. 2.178 15 Fl. 8226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001077/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AJUSTES NO FLUXO FINANCEIRO.
Deve-se ajustar o fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, de acordo com os verdadeiros valores comprovados na documentação juntada ao processo.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator e Presidente em exercício.
EDITADO EM: 02/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima .
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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AJUSTES NO FLUXO FINANCEIRO. Devese ajustar o fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, de acordo com os verdadeiros valores comprovados na documentação juntada ao processo. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator e Presidente em exercício. EDITADO EM: 02/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 77 /2 00 3- 51 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 13609.001077/200351 Acórdão n.º 2102002.540 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 533 a 540: Contra o contribuinte precitado foi formalizada a exigência às fls. 5 a 18 e 44, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1999, 2000 e 2001, anoscalendário 1998, 1999 e 2000, consubstanciando imposto suplementar no valor de R$ 217.149,16, com multa de oficio e juros de mora calculados até outubro de 2003, totalizando crédito tributário no montante de R$ 529.763,51. O lançamento decorre de: I omissão de rendimentos derivada de acréscimo patrimonial a descoberto, sem suporte financeiro nos recursos declarados (Ex. 1999 a 2001 fls. 40 a 42); II ganhos de capital na alienação de bens e direitos (Ex. 2001); III omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (Ex. 1999) e IV omissão de rendimentos decorrentes de aluguéis (Ex. 1999). Às fls. 19 a 42 consta relatório da ação fiscal e demonstrativos da exigência formalizada. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990 e arts. 7° e 21 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Cientificado em 07/11/2003, fl. 439, o contribuinte apresenta, em 09/12/2003, por meio de representante (fl. 462), a impugnação às fls. 443 a 461, acompanhada dos documentos às fls. 463 a 488, na qual alega, em síntese, o seguinte: • Concorda com parte da exigência, a qual foi objeto de pedido de parcelamento, mas questiona as variações patrimoniais apuradas pela fiscalização; • Em março de 1998, R$ 85.000,00 foram atribuídos à aquisição do ap. 1001, bl. A do edifício à Rua Camilo Cristelli, conforme escritura, mas esse documento aponta que o imóvel foi adquirido em 1993, por R$ 14.850,00, sendo que o valor de R$ 85.000,00 foi utilizado somente para cálculo do ITBI; • A apuração do acréscimo patrimonial foi feita indevidamente em alguns meses, desconsiderando as disponibilidades do contribuinte durante todo o período de apuração do imposto, quando deveria ter sido feita em base anual; • Em julho de 1998, parte da variação apurada referese à metade do capital da Retifica Diesel Sete Ltda., que era de R$ 19.271,38. Entretanto, esse valor foi modificado para R$ 300.000,00 em fevereiro de 1996, consoante alteração contratual anexa, mediante aproveitamento de reservas de lucros e saldo de correção monetária. Ademais, valores decorrentes de aumento de capital mediante incorporação de reservas ou lucros não são tributáveis (art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995); Fl. 624DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 13609.001077/200351 Acórdão n.º 2102002.540 S2C1T2 Fl. 4 3 • Em dezembro de 1998, labora em erro o fisco ao considerar a aquisição do lote 04 da quadra 64 da Av. Raquel Teixeira Viana por R$ 40.000,00, estimativa para base de cálculo do ITBI, eis que o valor real da operação foi de R$ 12.000,00; • Em abril de 2000, também se equivoca o fisco ao considerar a aquisição da casa situada na Rua Lassance Cunha, 213 por R$ 172.035,00, estimativa para base de cálculo do ITBI, pois o valor real da operação foi de R$ 45.000,00; • No ano de 2001, erra novamente o fisco, eis que o valor real da operação à qual foi atribuída o valor de R$ 46.101,00 foi de R$ 18.000,00; • É inconstitucional a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora. Em sentença proferida no processo n° 12.6931, o juiz reconhece o direito do contribuinte a pagar seu débito com juros de um por cento ao mês. Ao longo da impugnação transcreve julgados do Conselho de Contribuintes que entende virem ao encontro da tese de defesa e, ao final, postula o cancelamento da exigência. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, cujas alterações procedidas, implicaram na seguinte situação dos créditos tributários1: A DRJ resumiu o seu entendimento na seguinte ementa: 1 valores em reais – R$, fl. 540 do acórdão DRJ/BHE Fl. 625DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 13609.001077/200351 Acórdão n.º 2102002.540 S2C1T2 Fl. 5 4 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 548 a 564, insurgindose especificamente sobre as seguintes questões, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: A) Acréscimo Patrimonial a Descoberto Inocorrência Aquisição do Imóvel situado na Av. Raquel Teixeira Viana. Como se vê, os eminentes julgadores concordam que o valor real da operação não era R$40.000,00 e, sim, R$12.000,00! No entanto, com a consideração de que a transação foi realizada no final de 1998 e de que o suposto acréscimo patrimonial a descoberto foi verificado em abril de 1999, bem como em atenção à declaração de bens e direitos do contribuinte, ora Recorrente, em 31/12/1998, concluíram que o ora Insurgente não possuía disponibilidades econômicas declaradas advindas do ano anterior para aplicação no anocalendário 1999, disponibilidades que acobertariam o acréscimo patrimonial constatado. Ora, data venia, o raciocínio é completamente ilógico! Uma vez alcançada a conclusão de que a Fiscalização considerou equivocadamente o valor de R$40.000,00 como valor real da transação, quando deveria ter pautado sua análise no valor efetivo de R$12.000,00, a própria infração de acréscimo patrimonial a descoberto cai por terra, seja ela apontada em 1998, seja no ano de 1999. Pela mesma razão que se julgou insubsistente o lançamento na parte em que indicava acréscimo patrimonial a descoberto na aquisição dos imóveis situados à Rua Camilo Cristeli e à Rua Lassance Cunha, devese concluir pela inocorrência de omissão de receitas indicada pela transação do imóvel em questão. O certo, e com isso a fiscalização concorda, é o fato de que o Recorrente não gastou R$40.000,00 para comprar o imóvel, mas sim R$12.000,00. Evidentemente, que a diferença indevidamente considerada gasta, ou aplicada, já que a acusação é de aumento patrimonial a descoberto, deve ser deduzida, e, por conseguinte, indevido o tributo ilegalmente exigido no levantamento fiscal. B) Acréscimo Patrimonial a Descoberto Inocorrência Aquisição de Metade do Capital da Empresa Retifica Diesel Sete Ltda. Nesse caso especifico, relativamente ao capital da empresa Retifica Diesel Sete Ltda, o valor que efetivamente foi despendido por parte do contribuinte, ora Recorrente, limitouse à importância de R$9.635,69, 50% (cinqüenta por cento) do capital inicial da empresa, valor que o sócio alienante efetivamente despendeu, ou seja, importância em dinheiro que usou para integralizar sua parte no capital da empresa. Conforme alteração contratual já constante destes autos administrativos, o capital social da empresa em questão correspondia a R$19.271,38 e foi alterado para R$300.000,00(trezentos mil reais) em 01/02/96, mediante aproveitamento de reservas de lucros e saldo de correção monetária. Posteriormente, em julho de 1998, o contribuinte, ora Recorrente, adquiriu as quotas correspondentes à outra metade do capital social da pessoa jurídica, pertencentes até então a seu irmão José Roberto de Moura Giordani, pelo valor de R$9.635,69, ou seja, pelo valor exato da metade do capital social antes da incorporação dos lucros. O cedente da participação societária, irmão do contribuinte, ora Recorrente, cobrou deste último pela transferência das quotas somente a quantia de R$9.635,69, não exigindo o que acresceu de valor às mesmas em decorrência dos beneficias garantidos pela norma de regência da espécie. C) Ilegalidade Da Taxa Selic Como Taxa de Juros Moratórios Fl. 626DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 13609.001077/200351 Acórdão n.º 2102002.540 S2C1T2 Fl. 6 5 Requer ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. A) Acréscimo Patrimonial a Descoberto Inocorrência Aquisição do Imóvel situado na Av. Raquel Teixeira Viana. Esse tema se resume a possibilidade de utilização do saldo de Recursos de ano anterior para justificativa de acréscimo patrimonial a descoberto. Acertadamente, a DRJ esclareceu essa questão: Aduz também o requerente que em dezembro de 1998 labora em erro o fisco ao considerar as aquisições do lote 04 da quadra 64 da Av. Raquel Teixeira Viana, por R$ 40.000,00, estimativa para base de cálculo do ITBI, eis que o valor real da operação foi de R$ 12.000,00. Pelo exame dos documentos às fls. 215, 481 e 482, formase a convicção de que assiste razão ao interessado. Entretanto, não se apurou variação patrimonial a descoberto nesse período e o primeiro mês subseqüente em que há variação negativa de patrimônio é abril de 1999. Não obstante, para se computar recursos de ano anterior, há que se verificar a declaração de bens do exercício em análise. Se os rendimentos auferidos no anocalendário 1998 geram disponibilidades passíveis de aplicação no anocalendário 1999, tais disponibilidades logicamente compõem o patrimônio do contribuinte em 31/12/1998, na forma de bens ou direitos. Como o contribuinte é obrigado a fazer relação pormenorizada de seus bens e direitos em 31/12 de cada ano (art. 51 da Lei n.° 4.069, de 1962 e art. 24 da Lei n.° 8.981, de 1995), só • se admitem como recursos provenientes de anos pretéritos, aqueles arrolados na declaração de bens, relativos aos itens para os quais o valor informado na coluna do ano anterior seja maior • do que o escriturado na coluna do ano da declaração. Isso, entretanto, não se fez. Essa matéria é pacífica em nossa Turma de Julgamento no sentido da impossibilidade que se transfira saldos na apuração da variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro não pode ser transferida para o exercício seguintes salvo a condição esclarecida pela DRJ, conforme jurisprudência desse Conselho: Processo n° : 13808.001883/9944 Matéria : IRPF — Ex(s): 1996 a 1998 Acórdão n° : 10613.145 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 13609.001077/200351 Acórdão n.º 2102002.540 S2C1T2 Fl. 7 6 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO SOBRAS DE RECURSOS No cálculo do acréscimo patrimonial, as sobras de recursos detectadas dentro do ano calendário, devem ser automaticamente transpostas mês a mês, por intermédio do "fluxo de caixa", até o mês de dezembro. No anocalendário subseqüente, somente poderão ser utilizadas as sobras de recursos constantes na Declaração de Bens e Direitos e devidamente comprovados. Destarte, não há como prosperar o pedido do recorrente para que seja transferido o saldo de recursos no cálculo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD) de um exercício para outro. B) Acréscimo Patrimonial a Descoberto Inocorrência Aquisição de Metade do Capital da Empresa Retifica Diesel Sete Ltda. Nesse item discutese o fato da fiscalização ter considerado como dispêndios a aquisição de cotas do capital social da Empresa Retifica Diesel Sete Ltda pelo valor nominal das cotas. Ora, na apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, buscase o fluxo real da movimentação de valores na busca de rendimentos e lucros auferidos e não declarados. Alteração contratual da sociedade por quotas de responsabilidade ltda. " Retifica Diesel Sete Limitada ", fl. 118, deixa claro que a aquisição do contribuinte se deu pelo valor declarado por ele de R$ 9.635,69, senão vejamos: Entendo que tratandose de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto cabia a autoridade fiscal demonstrar de forma inequívoca qual foi o dispêndio real na aquisição da cotas, uma vez que a alteração do contrato social não comprova o efetivo pagamento. Contrario sensu estaríamos supondo que houve uma entrada real de recursos na contabilidade do sujeito passivo quando a integralização se deu no âmbito da pessoa jurídica. Poderseia pensar em apuração de Ganho de Capital se a interpretação fosse reavaliação de bens e direitos mas não é possível que se considere como dispêndio já que não ocorreu o fluxo de numerário. Não restou comprovado qualquer movimentação financeira nesse montante. Destarte, voto pelo provimento do pedido nesse ponto, determinando a retificação do dispêndio referente a aquisição de cotas da Empresa Retifica Diesel Sete Ltda de R$ 150.000,00 para R$ 9.635,69, em julho de 1998. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic é matéria que não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: Fl. 628DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 13609.001077/200351 Acórdão n.º 2102002.540 S2C1T2 Fl. 8 7 “Súmula Carf nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, retificando o dispêndio referente a aquisição de cotas da Empresa Retifica Diesel Sete Ltda de R$ 150.000,00 para R$ 9.635,69, em julho de 1998, mantendo as demais exigências. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Numero do processo: 18019.000104/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.135
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§1º e 2º, do RICARF.
Nome do relator: Celia Maria de Souza Murphy
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de ação da Justiça Federal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18019.000104/201061 Resolução n.º 2101000.135 S2C1T1 Fl. 3 2 Em 10.2.2010, o contribuinte impugnou lançamento (fls. 1) e anexou documentos. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife (PE), julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1133.048, de 16 de fevereiro de 2011 (fls. 40 a 42). Em 19.7.2011, a Defensoria Pública da União, em nome do contribuinte, interpôs recurso voluntário, no qual, após destacar as suas prerrogativas institucionais, salientou que o questionamento feito pelo órgão julgador de primeira instância, qual seja, de que o então impugnante não teria apresentado o original do recibo de pagamento de honorários advocatícios ficaria plenamente satisfeito com a juntada de cópia autenticada do documento, que então fez. Pede, ao final, que se julgue procedente o pedido inicial, deduzindo da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, ano calendário 2008, a importância de R$ 10.000,00. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru (PE) intimou o contribuinte a apresentar procuração comprovando poderes do defensor para apresentar o Recurso Voluntário. Em atendimento, o Defensor Público Federal Marcelo Pontes Galvão manifestouse, esclarecendo que, por força do artigo 44, inciso XI, da Lei Complementar n.º 80, de 1994, a Defensoria Pública não necessita de instrumento de mandato para atuar, seja em âmbito administrativo, seja em sede judicial. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, Relatora. No presente processo, existe uma questão prejudicial quanto à legitimidade do Defensor Público para atuar em nome da parte interessada no processo administrativo fiscal sem necessidade de procuração da parte. O artigo 4.º da Lei Complementar n.º 80, de 1994, prevê ser função institucional da Defensoria Pública, dentre outras, exercer, mediante o recebimento dos autos com vista, a ampla defesa e o contraditório em favor de pessoas naturais e jurídicas, em processos administrativos e judiciais, perante todos os órgãos e em todas as instâncias, ordinárias ou extraordinárias, utilizando todas as medidas capazes de propiciar a adequada e efetiva defesa de seus interesses. O inciso XI do artigo 44 da citada Lei Complementar assim prescreve: Art. 44. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública da União: [...] XI representar a parte, em feito administrativo ou judicial, independentemente de mandato, ressalvados os casos para os quais a lei exija poderes especiais; Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18019.000104/201061 Resolução n.º 2101000.135 S2C1T1 Fl. 4 3 [...]. No tocante aos processos judiciais, o artigo 38 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869, de 1973) prescreve que a “procuração geral para o foro, conferida por instrumento público, ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, salvo para receber citação inicial, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a ação, receber, dar quitação e firmar compromisso”. Tendo em vista que a legislação que rege o processo administrativo fiscal não trata do tema da exigência de poderes especiais para a representação do interessado em processo administrativo fiscal, é de se aplicar o artigo 38 acima transcrito Diante dessas colocações, é de se reconhecer, nesta análise, que o recurso atende os requisitos de admissibilidade. Todavia, impende salientar que, por força do artigo 63, § 6.º, do Regimento Interno deste Conselho (aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 2009), no caso de Resolução, tal como ocorre no presente processo, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso. No caso vertente, a Fiscalização apurou imposto sobre a renda de pessoa física em decorrência de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, decorrentes de ação na Justiça Federal. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder, em 2010, ao cálculo do tributo devido (fls. 34), tributando os rendimentos recebidos acumuladamente, cumpriu a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, nos termos do artigo 3.° da Lei n.° 8.134, de 1990. Ocorre que, em 2009, o tema dos rendimentos recebidos acumuladamente foi objeto do Parecer PGFN n.º 287, de 2009, posteriormente ratificado pelo Ato Declaratório n.º 1, de 2009. Diferentemente do que determina a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a orientação do referido Parecer PGFN é no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tendo em vista que tal orientação, em última instância, derroga a regra do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18019.000104/201061 Resolução n.º 2101000.135 S2C1T1 Fl. 5 4 REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgR QO RG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verificase que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, utilizada para o cálculo do tributo devido neste processo, tal como determina o artigo 3.° da Lei n.° 8.134, de 1990, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do seu artigo 62A, §§1º e 2º, que estão a seguir transcritos, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 18019.000104/201061 Resolução n.º 2101000.135 S2C1T1 Fl. 6 5 Por esses motivos, entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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