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Numero do processo: 10660.900088/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, cabíveis os embargos, de forma parcial e nesta parte, com efeitos infringentes. Embargos Parcialmente Acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, cabíveis os embargos, de forma parcial e nesta parte, com efeitos infringentes. Embargos Parcialmente Acolhidos.
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LTDA) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Identificado tal pressuposto, cabíveis os embargos, de forma parcial e nesta parte, com efeitos infringentes. Embargos Parcialmente Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 00 88 /2 00 9- 98 Fl. 376DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de despacho para apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão n° 3802004.045, de 28/01/2015, que foi assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534. Versa o presente processo de pleito de compensação, através de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 00708.69342.100106.1.3.044652, transmitida em 10/01/2006, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 35.341,38, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 31/10/2005, no valor de R$ 186.950,97. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 34.489,49. Por sua vez, a DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente o pedido da Recorrente somente para cancelar o débito que seria objeto de pedido de compensação – (DCOMP nº 00708.69342.100106.1.3.044652 e indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10660.900088/200998 Acórdão n.º 3201002.601 S3C2T1 Fl. 377 3 O sujeito passivo apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando vícios (omissão, contradição e obscuridade) a serem sanados, da seguinte forma: Frisese que, em momento algum, discutiuse no referido Recurso Voluntário questão relativa à existência dos débitos declarados, mas tão somente a existência dos créditos pleiteados e a possibilidade de conversão do PER/DCOMP em Pedido de Restituição. Portanto, o objeto dos recursos ficou limitado aos pontos discutidos pela REQUERENTE. Importante destacar também que o citado acórdão não foi objeto de interposição de Recurso de Oficio, de modo que a existência e cobrança dos débitos compensados restou definitivamente solucionada pela DRJ de Juiz de Fora, jamais tendo a questão sido levada ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"). Em outras palavras, restou definitivo o entendimento de que inexistem os débitos que seriam quitados mediante a compensação. Dessa maneira, a carta de cobrança encaminhada juntamente com o acórdão proferido pelo E. CARF é indevida, razão pela qual, na execução da referida decisão, devem ser cancelados no sistema da Receita Federal do Brasil ("RFB") os débitos constantes das declarações de compensação, desapensandose os pedidos de restituição protocolados, para que estes sejam analisados pela autoridade competente. A Turma (Especial) de julgamento, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário e em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deixou consignado que deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Cientificada da referida decisão, o sujeito passivo, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega omissão/obscuridade ou contradição, cujos embargos devem ser conhecidos e portanto, fazendose necessária a admissibilidade dos mesmos para enfrentamento das matérias a serem analisadas (inexistência de débito reconhecido pela DRJ/possibilidade de pedido de conversão do PER/DCOMP em Pedido de Restituição). Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 378DF CARF MF 4 A embargante, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, opõe embargos, argumentando alega omissão/obscuridade ou contradição, cujos embargos devem ser conhecidos e portanto, fazendose necessária a admissibilidade dos mesmos para enfrentamento das matérias a serem analisadas (inexistência de débito reconhecido pela DRJ/possibilidade de pedido de conversão do PER/DCOMP em Pedido de Restituição). Verificase que o julgamento de primeira instância foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER (preliminar), bem como cancelar a exigência do débito da Dcomp de nº 00708.69342.100106.1.3.044652. Como concluiu no voto: Pelo exposto, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo PER, mas cancelar a exigência do débito da Dcomp nº. 00708.69342.100106.1.3.044652. Portanto, de fato esta sacramentado a exigência de débito na Dcomp acima, não há que se votado em segunda instância, tendo em vista não se tratar de recurso de ofício, pelo exposto, a embargante tem toda razão e os embargos devem ser acolhidos nesta parte. Houve de fato um equívoco por esta relatora. Enfim, restando, apenas em sede de recurso voluntário, a questão de análise, de discussão resumir, portanto, sobre possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição. Neste ponto, não assiste razão à embargante, pois a análise foi tratada, em preliminar no voto original, que reproduzo: Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que seja considerado como pedido de restituição, inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10660.900088/200998 Acórdão n.º 3201002.601 S3C2T1 Fl. 378 5 Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito. Por todo o exposto, nesta parte não há contradição, nem omissão no julgamento. Em sendo assim , a ementa do voto deverá constar o seguinte: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Recurso Negado E no voto, apenas a parte relativa ao pleito de análise sobre a conversão do pedido de compensação em pedido de restituição, dessa forma: O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a decisão a quo concordou com a alegação do contribuinte da inexistência do débito indicado na Dcomp, devendo ser cancelada a sua cobrança. A discussão, portanto, cingese à possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição. Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que pode ser "considerado como pedido de restituição", inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 380DF CARF MF 6 Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, verificase que falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório sobre este fato, inclusive. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito, se for o caso. Conclusão Portanto, feitas as considerações supra, e sem maiores delongas, nego provimento ao recurso voluntário protocolizado pela Recorrente. Alertese mais uma vez, a necessidade de desapensamento do processo de restituição (para seguir rito próprio). Da conclusão dos Embargos Diante do exposto, voto para que seja acolhido parcialmente o recurso formulado pela embargante, para afastar a exigência dos débitos referentes à compensação, nos termos da decisão da primeira instância. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720934/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidas as Conselheiras Livia De Carli Germano (Relatora), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que consideravam desnecessária a diligência e davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(Assinado Digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(Assinado Digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Relatório
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidas as Conselheiras Livia De Carli Germano (Relatora), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que consideravam desnecessária a diligência e davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente (Assinado Digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 803 1 802 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720934/201481 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.445 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de fevereiro de 2017 Assunto Subvenções Recorrente Komlog Importação Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidas as Conselheiras Livia De Carli Germano (Relatora), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini de Carvalho que consideravam desnecessária a diligência e davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (Assinado Digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 93 4/ 20 14 -8 1 Fl. 803DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 804 ___________ Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário de 2010 e 2011, acrescidos de juros e multa de 75%, em virtude da exclusão do valor do crédito presumido do ICMS na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, feita com fundamento no benefício fiscal do Programa próEmprego/SC. O Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 660/676) relatou os fatos ocorridos e que deram origem ao presente lançamento. Eis parte deste relato, com grifos nossos: No período abrangido pela investigação fiscal a empresa em pauta foi beneficiária de tratamento tributário diferenciado positivado no âmbito da Legislação tributária do Estado de Santa Catarina, na forma que evidenciam os documentos acostados às fls. 114 a 135. O aludido tratamento diferenciado consiste em beneficio fiscal, consubstanciado em crédito presumido de ICMS nas saídas de mercadorias importadas do exterior do país, para comercialização. Em nível de escrita comercial, no anocalendário de 2010, os benefícios fiscais encontramse registrados a crédito da rubrica de resultado intitulada "31201001 () ICMS S/VENDAS", de natureza devedora. Já no anocalendário de 2011 os fatos desta natureza estão representados na conta de receita intitulada "31201007 (+) BENEFÍCIO FISCAL ICMS" (fls. 280 a 287). Na forma dos quadros demonstrativos elaborados na resposta aos itens 3 e 4 da Intimação Fiscal n° 02, constantes às fis. 26, no ano de 2010 auferiu crédito presumido de R$ 35.082.558,24, enquanto que no ano de 2011 o montante de R$ 39.888.138,91. Afora os registros nas citadas contas, ainda na seara da representação dos fatos advindos do benefício fiscal na escrita comercial, realizou lançamentos a crédito na conta patrimonial intitulada "23104001 RESERVA DE LUCROS POR INCENTIVO FISCAL" (fls. 277 a 279), no valor de R$ 34.950.671,34, em 31/12/2010, e no valor de R$ 22.727.263,29, em 30/12/2011. Os aludidos valores, registrados como reserva de lucros, ensejaram ajuste de exclusão na determinação do resultado fiscal, a título de subvenção para investimento, com fundamento no artigo 18 da Lei n° 11.941/2009, consoante informação prestada na esteira do subitem 2.3 da Intimação Fiscal n° 01 (fis. 16 a 20), bem como dos itens 3 e 4 da Intimação Fiscal n° 02 (fis. 24 a 29). Em sede dos procedimentos e verificações que a matéria suscitou, já pelo item 4 do ato inaugural foram demandados, dentre outros assentos, os documentos de lastro dos lançamentos consignados sob a aludida conta de reserva de lucro. A resposta que adveio não foi satisfatória, notadamente porque aspectos essenciais dos lançamentos não foram elucidados, a exemplo da valoração dos fatos registrados. Diante desse quadro, precisamente pelo subitem 2.2 da Intimação Fiscal n° 01, reiterouse a apresentação dos documentos de lastro de cada lançamento consignado na rubrica contábil em pauta. Não obstante, esta singela solicitação, no que concerne aos documentos de Fl. 804DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 805 3 lastro dos lançamentos registrados sob a rubrica de reserva de lucro, mais uma vez não logrou ser atendida. Assim, e desta feita pelo item 3 da Intimação Fiscal n° 02, tornouse a requisitar os assentos outrora solicitados. Em atendimento adveio resposta nos seguintes termos: "Os lançamentos foram efetuados com base no art 18 da Lei n° 11.941/2009. Segue resumo de cálculo dos anos de 2010 e 2011. Nos aludidos resumos cingiu se a indicar, por anocalendário, o lucro líquido apurado, o total do crédito presumido auferido, a exclusão registrada no resultado fiscal, o montante registrado como reserva de incentivo e o lucro que intitula como de destinação diversa à reserva de incentivo. Sob esse delineamento não se observa à efetiva e específica aplicação da subvenção auferida em investimentos. Ademais, nem o invocado Protocolo de Intenções firmado com o Estado de Santa Catarina (fls. 267 a 276), como também não as imobilizadas escrituradas, evidenciadas nos balanços acostados às fls. 288 a 333, denotam a implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada. Destarte, o incentivo fiscal em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento expresso na legislação tributária federal. (...) Das normas colacionadas inferese que, para ser considerada subvenção para investimento, além dos requisitos contábeis, o incentivo deve ser proveniente exclusivamente do Poder Público, sob perfeita sincronia entre a intenção do agente concedente com a ação do beneficiário. Deverá, ainda, ser dirigida diretamente à pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, além de ter efetiva e específica aplicação nos investimentos previstos ou na expansão do empreendimento projetado. Estes requisitos não se observam na legislação que concede o incentivo, considerando que não há a obrigação expressa da total aplicação dos recursos provenientes da subvenção em específicos projetos aprovados, o que não impede a utilização dos respectivos recursos como formação de capital de giro, por exemplo. Destarte, o tratamento tributário diferenciado em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento, cenário em que o tratamento dispensado pelo sujeito passivo aos benefícios fiscais na berlinda no âmbito da mensuração do IRPJ, excluindo parte dos mesmos na determinação do resultado fiscal, não se conforma o disposto na legislação tributária de regência do imposto. (...) Referido Termo menciona, ainda, que a auditoriafiscal levada a cabo no contribuinte em questão resultou na formalização de dois processos: o presente, n° 11516.720934/201481, para cobrança de IRPJ e CSLL, bem como o processo n° 11516.720935/201426 para a cobrança de PIS e COFINS. Quanto ao processo relativo a PIS e COFINS, em 24 de fevereiro de 2016 a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção decidiu que o crédito presumido do ICMS não pode se qualificar como "receita", tratandose de mera redução no montante do ICMS a pagar. Isso porque partiuse da premissa de que "receita" é conceito qualificado pela sua origem, Fl. 805DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 806 4 decorrente de atividade empresarial, não podendo ser considerado qualquer ingresso como tal. Houve interposição de recurso especial, ainda não julgado até o presente momento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação onde sustenta, em síntese: (i) Crédito presumido de ICMS não é subvenção stricto sensu: crédito presumido de ICMS não configura "subvenção" em seu sentido jurídico específico, nem para investimento e nem para custeio ou operação, mas renúncia de receita, que navega na esfera da "receita pública" e não na "despesa pública". Isso porque tratase de técnica de apuração do imposto que consiste na apropriação em conta gráfica de crédito fiscal calculado de acordo com o regime especial titularizado pelo contribuinte, em cotejo com os destaques das operações de saídas de mercadorias, implicando uma efetiva redução da obrigação tributária final. Ou seja, o valor registrado a título de crédito presumido de ICMS não representa ingresso de receitas, mas redução de despesa do ICMS devido na operação de saída. (ii) o art. 443 do Decreto 3000/99 fixa uma interpretação extensiva de subvenção para investimento, admitindo que isenção ou redução de impostos sejam considerados como tal para fins contábeis, e não como subvenção para custeio. Porém, o fato do art. 443, I, incluir a "isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo" na caracterização da "subvenção de investimento" tem como única consequência a determinação para que seja conferido o mesmo tratamento contábil (reserva de capital) aos referidos incentivos financeiros e fiscais, com objetivo de retirar da esfera de incidência do IRPJ e CSLL não apenas a subvenção de investimento (stricto sensu), como também a isenção ou redução de impostos, típicas renúncias de receita estatais, apenas consideradas "subvenção para investimento" em tal interpretação ampliativa. Em outras palavras, o art. 443 do RIR/99 jamais pretendeu afirmar que isenção ou redução de impostos seriam uma forma de subvenção de investimento, já que a ninguém é permitido alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, a teor do art. 110 do CTN. Apenas para fins de registro contábil e exclusão do cômputo do lucro real é que referida norma admitiu o registro contábil de fatos que não coincidem com a definição stricto sensu de subvenção, como se subvenção para investimento fossem. Mesmo se considerado o crédito presumido de ICMS como subvenção de investimento (lato sensu), conforme art. 443 do RIR/99, também por esse prisma o lançamento tributário impugnado deve sucumbir, já que não é a investigação das contrapartidas efetivadas pelo detentor do benefício que define se estamos diante de subvenção para investimento ou não, mas o propósito da outorga do crédito presumido pelo Estado da Federação (se para investimento, ou não). No caso, o Estado catarinense concedeu o crédito presumido de ICMS com o propósito de incentivar as empresas beneficiárias a investirem no Estado, seja mediante instalação, expansão ou incremento de sua atividade econômica, o que fica claro do Protocolo de Intenções firmado entre a empresa KOMLOG e o Estado de Santa Catarina, onde se destacam os seguintes compromissos assumidos pela empresa: (a) incrementar a atividade desenvolvida de industrialização, serviços de logística, comercialização de mercadorias, matériasprimas, produtos acabados e semiacabados; (b) investir em tecnologia apropriada às suas atividadesfim, de modo a contribuir à criação de um polo de excelência no Estado de Santa Catarina no setor logístico; (c) gerar no mínimo 25 empregos direitos; (d) utilizar nas suas atividades, sempre que possível, serviços e insumos de origem Catarinense; (e) contribuir Fl. 806DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 807 5 ao Fundo Social no equivalente a 0,5% sobre o valor da operação; (f) estimular e manter o desenvolvimento de economia de serviços e geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina; e (g) manter seus estabelecimentos em Santa Catarina pelo prazo mínimo de 5 anos. Dada a falta de identidade entre os pressupostos legais da subvenção para investimento lato sensu e a subvenção para investimento stricto sensu, a Fiscalização jamais poderia analisar a "implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada" (típico pressuposto da subvenção para investimento stricto sensu) para concluir se a classificação contábil do crédito presumido de ICMS como subvenção de investimento lato sensu estava correta ou não. Por fim, observa que a empresa cumpriu as contrapartidas que assumiu com o Estado de Santa Catarina, de modo que também por essa ótica o benefício fiscal auferido não poderia ter sido desqualificado da sua condição de subvenção para investimento. Para tanto, prepara quadroresumo para demonstrar que nos balanços acostados às fls. 288 a 333 as imobilizações escrituradas nos anos de 2009, 2010 e 2011 evidenciam implantação ou expansão de empreendimento econômico. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por entender que, nos termos do ato concessório, não se trata de incentivo que tenha por finalidade última a realização de investimento, eis que o fim colimado pelo programa é a geração de empregos. Neste sentido, conclui que "o negócio entabulado entre o Estado de Santa Catarina e o impugnante, no âmbito do Pró Emprego, contempla subvenção corrente, consubstanciada em auxílio financeiro concedido pelo Estado tendo em vista o interesse público de manutenção e geração de empregos, que deve ser oferecida à tributação, nos termos como consta dos autos de infração ora atacados." O acórdão (fls. 719744) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 1/12/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Parcela de receita tributária dispensada de recolhimento ou devolvida pelos governos estaduais a contribuintes de ICMS, a título de crédito presumido, quando desvinculada de concomitante aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, configura receita de subvenção para custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO. O crédito de ICMS concedido na forma do artigo 8º, §6º, inciso III do Decreto (EstadualSanta Catarina) nº 105, de 2007, constitui receita operacional sujeita à incidência do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 AJUSTES DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não se caracteriza como subvenção para investimento o crédito presumido de ICMS decorrente do incentivo do programa Pró Empregos do Estado de Santa Catarina, devendo a correspondente despesa, Fl. 807DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 808 6 computada no lucro líquido, ser adicionada na determinação da base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a e existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o edido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão em 05/09/2014 (por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, ocorrida em 21/08/2014), a empresa apresentou recurso voluntário tempestivamente, em 19/09/2014. Em seu recurso, a contribuinte sustenta: (i) Nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa: alega que a decisão não enfrentou as teses levantadas na impugnação e teve por base situação jurídica estranha ao lançamento. Para demonstrar tais afirmações, observa que a) através do método "copia e cola", a relatora afirma que o contribuinte solicita que as intimações sejam dirigidas ao Sr. Gilberto José de Oliveira, sendo que não se sabe quem é tal pessoa; b) em vez de enfrentar as teses apontadas na impugnação, o voto limitase a transcrever, na íntegra, trechos de solução de consulta e da lei estadual instituidora do Programa PróEmprego, sem atacar a tese litigiosa, que seria decidir se o crédito presumido de ICMS reúne ou não as características legais necessárias para compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; c) em mais uma demonstração do "copia e cola", a ementa do acórdão cita dispositivo legal que não se aplica à recorrente e é estranho à lide (art. 8o, par. 6o, III, do Decreto Estadual SC 105/2007), sendo que o fundamento legal para a outorga do benefício fiscal em litígio foi o art. 144 c/c/ art. 148A do Anexo 2 do RICMS/01. (ii) no mérito, aduz que: a) o crédito presumido de ICMS não configura subvenção, nem para custeio nem para investimento (stricto sensu), tratandose de renúncia de receita (redução de tributo) que navega na esfera da receita pública e não da despesa pública, nos termos do artigo 14, §1o da Lei de Responsabilidade Fiscal Lei Complementar 101/2000. Neste sentido, defende que, nos termos da Lei 4.320/64, subvenção é despesa pública classificada como benefício financeiro, exigindo dotação orçamentária e transferência corrente de recurso em benefício de alguém, enquanto que o crédito presumido de ICMS seria Fl. 808DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 809 7 renúncia de receita classificada como benefício fiscal, que não exige dotação orçamentária e não importa transferência de recursos para o particular. E para provar que não houve transferência de recursos em seu favor, anexa certidão, datada de 9 de junho de 2014 e assinada pelo Diretor de Administração Tributária do Estado de Santa Catarina, de que os benefícios concedidos por meio do Programa PróEmprego têm a natureza de renúncia fiscal nos termos do art. 14, §1o da LC 101/00 e o crédito presumido de ICMS em questão não implica qualquer transferência corrente de recursos públicos aos beneficiários. b) apenas para fins de registro contábil a isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos deve receber o mesmo tratamento de subvenção para investimento, de acordo com art. 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09 c) o propósito na concessão do benefício fiscal é suficiente para que os créditos presumidos de ICMS sejam mantidos como subvenção para investimento e assim excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) o acórdão recorrido, para validar seu argumento de que não haveria propósito de incentivo a investimento, afirma que o fim colimado pelo programa seria a geração de empregos, no entanto este é apenas um dentre os sete objetivos formais pretendidos pelo Estado com a concessão do benefício fiscal. Os compromissos de investimento assumidos pela empresa e constantes do Protocolo de Intenções (fls. 267 a 276) e do Ato Concessório (fls. 114 a 126) envolvem investimentos a serem realizados pela Recorrente, conforme lista abaixo, os quais foram realizados conforme comprovam seus balanços a fls. 288 a 333: c) a jurisprudência do CARF confirma que a caracterização do beneficio fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva dos recursos subvencionados a projetos determinados, nos termos dos acórdãos 120200175, de 29 de julho Fl. 809DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 810 8 de 2014; 110100661, de 31 de janeiro de 2012; 110300555, de 20 de outubro de 2011; além dos precedentes da CSRF 910100566, de 17 de maio de 2010 e 9101001094, 29 de junho de 2011. Assim, é suficiente o propósito desenvolvimentista e incentivados da legislação. Mesmo porque, não se pode analisar o crédito presumido de ICMS com os mesmos olhos que se analisa uma subvenção para investimento stricto sensu, que depende de transferência de recursos, projeto específico préaprovado e dotação orçamentária, eis que as naturezas jurídicas são distintas. d) não havendo transferência de recurso, não há que se falar em renda ou acréscimo de capacidade contributiva, de modo que o crédito presumido de ICMS não pode compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme vem decidindo o Tribunal REgional Federal da 4a Região (Apelação/Reexame Necessário 501355269.2013.404.7201/SC, em 30 de abril de 2014; Apelação/Reexame Necessário 501282246.2013.404.7108/RS, em 25 de março de 2014; Apelação/Reexame Necessário 501219048.2012.404.7110/RS, em 29 de abril de 2014). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo portanto dele conheço. Entendo que não assiste razão à Recorrente quanto à preliminar de cerceamento do direito de defesa. O exame do acórdão recorrido revela que este se pautou na análise da Lei 13.992/2007, instituidora do Programa próemprego no Estado de Santa Catarina, sendo que a transcrição de trechos das soluções de consulta serviram para demonstrar o entendimento ali esposado, qual seja: (i) a apropriação do crédito não corresponde à sistemática nãocumulativa de apuração de impostos, eis que esta funciona através da compensação com o que foi pago na etapa anterior, sendo que no caso do crédito presumido de ICMS não há relação com a etapa anterior de circulação do bem; e (ii) para que o benefício possa ser considerado subvenção para investimento é necessário que tenha as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) beneficiar diretamente a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. No caso, o benefício oriundo do Programa Pró emprego não reuniria tais características pois não se trata de incentivo que tenha por finalidade última a realização de investimento, já que o fim colimado pelo programa seria a geração de empregos. Embora se reconheça que há erros no acórdão recorrido em especial quanto ao nome do patrono e à base legal indicada na ementa estes não têm o condão de ensejar a sua nulidade, já que não comprometeram a compreensão de suas razões de decidir. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 811 9 Passo à análise do mérito. O cerne da discussão, que nos presentes autos é eminentemente de direito, reside na natureza do crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina no âmbito do Programa PróEmprego. De um lado, a autoridade autuante entende que se caracteriza como subvenção para custeio, cujo valor deve integrar o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Isso porque, em seu entender, o benefício não reuniria as características necessárias para que seja tratado como subvenção para investimento, as quais, nos termos do Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST 112/1979, são: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimentos; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Por sua vez, a Recorrente sustenta não se tratar de subvenção, em nenhuma de suas modalidades. A seu ver, tratase de renúncia de receita, a qual, exclusivamente para fins de registro contábil, recebe o mesmo tratamento de subvenção para investimento, nos termos do artigo 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09. Assiste razão à Recorrente. O simples fato de um beneficio fiscal não reunir as características de subvenção para investimento não significa que ele deva automaticamente ser tratado como subvenção para custeio. Existe a terceira via, que é a possibilidade de não se tratar de uma subvenção no sentido estrito do termo. Conforme observa Bulhões Pedreira, as subvenções para custeio consistem em “transferências de renda”, enquanto que as subvenções para investimento são “transferências de capital” (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. “Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas”, Vol. I, Rio de Janeiro: Justec, 1979, pág. 551 e Vol II p. 685). Nessa linha, o Parecer Normativo CST 112/79, tanto ao conceituar subvenção para custeio quanto para investimento, faz menção à transferência de recursos, vejase: "(...) SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO ou SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO são expressões sinônimas. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas. SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução de seus objetivos sociais." "(...) SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38. do D. L. 1.598/77. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 812 10 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO." Este mesmo diploma, ao tratar especificamente das isenções e reduções de impostos, observa que, "Tecnicamente, na linguagem orçamentária, a isenção ou redução de impostos jamais poderiam ser intituladas de subvenção.". E, mais adiante, ressalta: "o auxílio obtido pelo comprador com a isenção, evidenciado pelo não desembolso financeiro, integra o giro do negócio e dele dispõe o beneficiário como lhe aprouver. A rigor, sequer são SUBVENÇÕES as isenções desse tipo, representado efetivamente uma redução no custo do bem adquirido" (grifamos). O PN CST 112/1979 continua, ressaltando que, em alguns casos específicos, a redução ou isenção de impostos pode ser enquadrada como subvenção para investimento. Cita então alguns exemplos todos eles, destaquese, envolvendo a efetiva transferência de recursos ao beneficiário valendo destacar o seguinte: "Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico." (grifamos) O próprio PN CST 112/1979 alerta para o risco das generalizações e para a importância do exame específico do benefício: "É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do ICM. O contribuinte deverá ter cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes, todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento." Daí a conclusão deste diploma de que "As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características (...)".Ora, se é verdade que, estando presentes as características das subvenções para investimento, a isenção ou redução de impostos será considerada como tal, isso não autoriza concluir que, não estando presentes tais características, tratase de subvenção para custeio. Pode ser que não se trate de subvenção, como ocorre, por exemplo, quando o beneficiário não recebe quaisquer recursos do poder público. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 813 11 A distinção é importante em termos orçamentários porque, nos termos da Lei 4.320/1964, a transferência de recursos está na esfera da despesa pública e depende de dotação orçamentária. O crédito presumido de ICMS, por outro lado, não importa transferência de recursos, tratandose de benefício fiscal que não exige dotação orçamentária e que é caracterizado como renúncia de receita por parte do governo, nos exatos termos do artigo 14, §1o da Lei de Responsabilidade Fiscal LC 101/00 (grifamos): Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentáriofinanceiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: (...) §1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Acontece que a legislação tributária tratou de forma equivalente, inclusive no mesmo dispositivo legal, tanto as subvenções para investimento em sentido estrito (i.e., transferências de recursos por parte do poder público revestidas das características mencionadas no PN CST 112/1979) quanto as reduções e isenções de tributos. O artigo 443 do RIR/99 por acaso denomina tanto as primeiras quanto as últimas de subvenções seriam, no caso, subvenções em sentido amplo, não técnico. Vejase: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Mas o fato de o art. 443 do RIR/99 ter dado o mesmo tratamento fiscal e ter denominado como "subvenção para investimento tanto" as subvenções em sentido estrito (i.e., transferências de recursos por parte do poder público revestidas das características mencionadas no PN CST 112/1979) quanto recursos que não são tecnicamente subvenções (i.e., as reduções e isenções e tributos) não faz com que estes últimos tenham que cumprir os requisitos impostos (e muitas vezes apenas possíveis) às primeiras. Isso poderia resultar em impor condição impossível ao contribuinte. Assim, no caso de isenções e reduções de tributos, o artigo 443 do RIR/99 é aplicável independentemente do preenchimento das condições previstas no Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST 112/19791 aplicáveis exclusivamente às 1 Quais sejam: (i) intenção do subvencionador de destinálas para investimentos; (ii) efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento Fl. 813DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 814 12 subvenções stricto sensu, ou seja, às transferências de recursos por parte do poder público (despesa pública): Vale notar que, de acordo com a contabilidade em vigor antes das modificações promovidas pela adoção dos padrões contábeis internacionais, a subvenção para investimento e as reduções e isenções de tributos (ou seja, as "subvenções em sentido amplo", nos termos do art. 443 do RIR/99) podiam ser contabilizadas de duas maneiras: a contrapartida do aumento do ativo ou redução do passivo podia ser registrada como receita, ou como reserva de capital. No entanto, com as modificações providas pela Lei nº 11.638/2007 no artigo 182 da Lei nº 6.404/1976, a possibilidade de se contabilizar esse valor em conta de reserva de capital deixou de existir, fazendo com que o referido montante passasse a ser contabilizado apenas contra resultado. Porém, objetivando a manutenção do tratamento tributário anteriormente dispensado aos valores que eram contabilizados como reserva de capital, o artigo 18 da Lei nº 11.941/2009 estabeleceu que, após a apuração do lucro, os valores correspondentes às subvenções para investimento e às reduções e isenções de tributos seriam destinados à conta de reserva de incentivos fiscais, até o limite do lucro líquido do exercício. Logo, mesmo após a extinção da possibilidade de contabilização da subvenção para investimento e das reduções e isenções de tributos na conta de reserva de capital, ainda assim esses valores não compunham a base tributária do IRPJ e da CSLL, em conformidade com o supracitado artigo 18. Por fim, ressaltese que, conforme relatado, a auditoriafiscal que resultou na formalização do lançamento ora em discussão também deu origem ao processo n° 11516.720935/201426 para a cobrança de PIS e COFINS, o qual foi julgado em 26 de fevereiro de 2016. Naquela ocasião, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3a Seção de Julgamento deste CARF entendeu, no acórdão 3201002.060, que o crédito presumido do ICMS em questão não se qualifica como receita, mas como incentivo fiscal para a redução do ICMS devido, não compondo a base de cálculo daquelas contribuições. Vale a leitura do seguinte trecho do voto vencedor: Com a devida vênia, adotase aqui a premissa segundo a qual "receita" é conceito qualificado pela sua origem, decorrente de atividade empresarial, não podendo ser considerado qualquer ingresso como tal. In casu, estáse diante de um incentivo fiscal. Nesse sentido, a afirmação é corroborada pelos fundamentos do Acórdão nº 9303002.618, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ora se transcreve: Receita não é todo e qualquer ingresso que a empresa tem. Assim, por exemplo, não se cogita que a integralização de capital social seja tributada pela COFINS, mesmo sendo um ingresso de valor para a empresa. econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 815 13 Receita surge como decorrência direta da atividade fim desenvolvida pela empresa e, ainda, ter vinculação com o resultado desta atividade. Assim, voltase a afirmar, não é qualquer ingresso que constitui uma receita. Nessa linha de raciocínio, a interessada destaca em suas contrarrazões: “crédito de IPI ressarcido pela União, não é considerado uma receita. Os créditos de PIS e COFINS (requeridos via ressarcimento) não são considerados uma receita (§10°, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03). Porquê então, os créditos presumidos de ICMS (subvenções do PROBAHIA e FUNDOPEM) haverão de ser? Será que o beneficio outorgado pela União possui natureza jurídica distinta daqueles que são outorgados pelos Estadosmembros?” E mais, citando o eminente ex Conselheiro José Minatel, que assim se posiciona sobre o conceito de Receita: "...é ingresso qualificado pela sua origem, caracterizando a entrada definitiva de recursos que, ao mesmo tempo, remunera e é proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) Se o objetivo é cotejar o conceito que impingimos para receita, confrontandoo com a natureza dos ingressos recebidos com a chancela de subvenção governamental, essa distinção de tratamento afigurasenos irrelevante: bastanos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como beneficio governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial. (...) as subvenções governamentais não se qualificam no conceito isolado de receita, porque não decorrente de esforço ou do exercício da atividade empresarial.(.)" (Minatel, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita. MP Ed. SP. 2005. pág. 101/240). De se observar, a partir desta definição, a receita ainda traz consigo a característica de ser o produto que vem de fora do patrimônio empresarial, mas que é derivado de dentro, por decorrer de atos, operações ou atividades da empresa, ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, e de que resulte algum benefício direto para a pessoa que o remunera por isso. (...) Ademais, a despeito de a matéria suscitar acalorados debates neste Conselho, no tribunais superiores, a matéria possui a favor do contribuinte, remansosa jurisprudência, como se verifica no Superior Tribunal de Justiça, por exemplo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 816 14 I. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015; AgRg no AREsp 661.146/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 05/08/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 19/12/2014. II. Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1486525/SC, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, DJe 19/11/2015) Concluise, portanto, que o crédito presumido de ICMS outorgado à Recorrente consiste em redução de tributo que apenas pode ser considerado subvenção para investimento na acepção ampla deste termo, de acordo com art. 443, I do RIR/99. Neste sentido, não se exige a aplicação direta e exclusiva dos recursos subvencionados a projetos determinados, requisito aplicável apenas às subvenções para investimento em sentido estrito (despesa pública). De fato, tal requisito pode inclusive afigurarse na prática impossível no caso das reduções e isenções de tributo eis que, em não havendo a transferência de valores por parte do poder público, o beneficiário do incentivo não recebe recursos subvencionados passíveis de serem assim aplicados. Diante do exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário. Livia de Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Voto Vencedor Em que pese o entendimento firmado pela I. Conselheira, peço venia para dela divergir. Como visto, a fiscalização considerou os valores de crédito presumido de ICMS, concedido pelo governo do Estado de Santa Catarina, decorrente do Programa próEmprego, como subvenção para custeio e os tributou em relação aos fatos geradores dos anos de 2010 e 2011, veja (fl. 672): Já os benefícios fiscais concedidos, por sua vez, têm a configuração de receita, na espécie de subvenção para custeio ou operação, considerando que as características específicas da subvenção para investimento não estão presentes. Pude perceber que a relatora classifica as subvenções para investimento em: 1) subvenção para investimento em sentido amplo; e 2) subvenção para investimento em sentido estrito. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 817 15 Traz raciocínio de que a subvenção para investimento em sentido amplo trata de renúncia de receita por parte do Estado, logo não representa receita para a empresa beneficiária. Quanto à subvenção para investimento em sentido estrito, entende que representa despesa pública, que deve ser reconhecida pela empresa beneficiária como receita. Como parte da premissa de que o benefício fiscal de apuração de crédito presumido de ICMS se enquadra como subvenção para investimento em sentido amplo e, ainda, que somente se pode exigir a aplicação direta e exclusiva dos recursos subvencionados a projetos determinados apenas em relação às subvenções para investimento em sentido estrito, propôs dar provimento ao recurso voluntário da empresa. Com a devida venia, este não é o entendimento da maioria da turma ordinária. O benefício fiscal de crédito presumido de ICMS tem natureza subvenção para investimento, não havendo na legislação em vigor a categorização proposta pela relatora. Em sendo assim, devese verificar se os requisitos para permissão de não tributação de IRPJ e de CSLL foram preenchidos. Tais requisitos estão dispostos no Parecer Normativo CST 112/1978, cujo trecho fundamental para seu entendimento reproduzo abaixo: 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO." A DRJ, ao trazer informações prestadas pela fiscalização, entendeu que os requisitos para exonerar a tributação da subvenção para investimento não foram preenchidos, conforme se pode observar no seguinte trecho: Sob esse delineamento não se observa à (sic) efetiva e específica aplicação da subvenção auferida em investimentos. Ademais, nem o invocado Protocolo de Intenções firmado com o Estado de Santa Catarina (fls. 267 a 276), como também não as imobilizadas (sic) escrituradas, evidenciadas nos balanços acostados às fls. 288 a 333, denotam a implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada. Destarte, o incentivo fiscal em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento expresso na legislação tributária federal. Ocorre que, superada a proposta da relatora, a turma entendeu que as questões ainda não estão postas a ponto de tornar madura a causa de decidir por este colegiado. Isto porque, em breve análise dos documentos acostados no processo em discussão, não se tem a clareza de que a recorrente deixou de aplicar os recursos advindos do benefício fiscal nas metas estabelecidas na norma estadual e com vistas a implantar e expandir o empreendimento econômico, para que se possa concluir se a subvenção era de investimento ou de custeio. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 818 16 Nesse sentido, proponho que o presente feito seja baixado em diligência para que a autoridade fiscal: 1) Verifique se os documentos 267 a 276 (protocolo de intenções), 114 a 126 (ato concessório) e 288 a 333 (demonstrações financeiras) comprovam a efetiva aplicação da parcela subvencionada em investimento e se há outros documentos que possam ser levantados para que se comprove o efetivo controle por parte do Estado concedente, nos seguintes termos: 1.1) Reexamine a vinculação das destinações conforme as razões do recurso voluntário (fls. 752 a 794), principalmente tratados em seu "Item V Do "propósito" na concessão do benefício fiscal suficiente para que os créditos presumidos de ICMS sejam mantidos como subvenção para investimento exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL", de fls. 777 e ss, com destaque para os 7 (sete) objetivos formais pretendidos pelo Estado, reproduzidos abaixo para facilitar a compreensão: "1 Incrementar a atividade desenvolvida de industrialização, serviços de logística, comercialização de mercadorias, matériasprimas, produtos acabados e semi acabados, importados do exterior do país em volume não inferior a R$ 350.000.000,00 (trezentos e cinquenta milhões de reais) para o período de 12 (doze) meses, a contar da concessão do regime especial, e não inferior a R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais) nos 12 (doze) meses subsequentes; 2 investir em tecnologia apropriada às suas atividadesfim, de modo a contribuir à criação de um polo de excelência no Estado de Santa Catarina no setor logístico; 3 gerar no mínimo 25 (vinte e cinco) empregos diretos, devendo manter tais postos gerados enquanto perdurar provável regime especial que lhe seja concedido em razão o Protocolo; 4 utilizar nas suas atividades, sempre que possível, serviços e insumos de origem Catarinense; 5 contribuir ao Fundo Social (Lei 13.334/05) no equivalente a 0,5% (meio por cento) sobre o valor da operação, considerandose como tal o valor total da nota fiscal, incluindo o IPI e o ICMSST, se for o caso, nos exatos termos da alínea "d" do inciso II do § 1º do art. 148A do Anexo 2 do RICMS/SC; 6 estimular e manter o desenvolvimento de uma economia de serviços e a geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina; 7 manter seus estabelecimentos em Santa Catarina pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, iniciandose a sua contagem a partir da assinatura do regime especial próprio". 1.2) Verifique se há, na norma estadual ou em outro ato normativo que concede(m) o benefício, um efetivo mecanismo de fiscalização e controle que possibilite ao ente subvencionador assegurar que a parcela correspondente à renúncia fiscal, ou seu equivalente, tenha sido destinada à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Em caso positivo, verifique se realmente o mecanismo de fiscalização e controle foram implementados. 1.3) Verifique se a recorrente deixou de atender qualquer outra condição/imposição, mesmo que não constante na norma estadual, para que se constate verdadeiramente que a renúncia fiscal tratada se refere a subvenção para custeio. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.445 S1C4T1 Fl. 819 17 Terminada a diligência, favor elaborar parecer conclusivo e encaminhar à empresa recorrente para manifestação de seu teor, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do referido parecer, nos termos do art. 44 da Lei 9.784/99. É como voto. (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 819DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906068/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.967
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 06 8/ 20 12 -2 6 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10660.906068/201226 Resolução nº 3401000.967 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.329. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906068/201226 Resolução nº 3401000.967 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906068/201226 Resolução nº 3401000.967 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002856/2005-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.024
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para cientificar a PGFN do despacho de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com abertura de prazo para apresentar contrarrazões.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para cientificar a PGFN do despacho de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com abertura de prazo para apresentar contrarrazões. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para cientificar a PGFN do despacho de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com abertura de prazo para apresentar contrarrazões. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 02 85 6/ 20 05 -8 4 Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Resolução nº 9101000.024 CSRFT1 Fl. 1.875 2 Em breve retrospectiva, em 15/12/08, foi interposto recurso especial pelo contribuinte (efls. 799 e seg.). Em 18/12/2009, foi proferido despacho que negou seguimento ao recurso especial do contribuinte (efls. 1.102 e seg.). A decisão foi confirmada em sede de reexame de admissibilidade (efls. 1.105 e seg.). O contribuinte opôs embargos, solicitando a revisão do despacho denegatório de seguimento de seu recurso especial ou, alternativamente, que a sua petição fosse recebida como “pedido de reconsideração” (efls. 1.117 e seg.). Referidos pedidos foram indeferidos (efls. 1.448 e seg.). Após a apresentação de petições à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, (efls. 1.156 e 1.162), em 14/05/2010, foi emitido despacho consignando que “Da análise das duas petições ofertadas pelo contribuinte e mediante a legislação aplicável ao Processo Administrativo Tributário, não se vislumbra hipóteses de anulação do despacho decisório de fls. 1128 e 1129, por inteiramente em conformidade com as normas vigentes, conforme item 2 acima, inclusive porque, no âmbito do processo administrativotributário ‘stricto sensu’, inexiste a previsão dos ‘embargos inominados’. No entanto, em decorrência e em respeito ao princípio da ampla defesa e do contraditório, inserto no inciso LV do art. 5, da CF, e estando a causa em litígio, se propõe seja o processo enviado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por se tratar de instância julgadora definitiva, para aguardar decisão daquele Órgão” (efls. 1.169/1.170). Diante dessa decisão, os autos foram remetidos ao CARF para apreciação das petições do contribuinte (efls. 1.736). Em 18/05/2011, o contribuinte apresentou nova petição para noticiar o desfecho que lhe foi favorável no acórdão n. 10194.340 (não paradigma) indicado como referência em seu recurso especial, consignando que “a Câmara Julgadora validou planejamento tributário idêntico ao idealizado no caso em comento” (fls. 1.737 e seg. do eprocesso). Em 06/03/2012, o contribuinte apresentou nova petição, dirigida ao presidente do CARF, requerendo a realização de um novo exame de admissibilidade (efls. 1.742 e seg.). Em 01/04/2014, o contribuinte peticionou para informar sua adesão ao parcelamento concedido pela Lei 11.941/2009, devido à reabertura de prazo veiculada pela Lei 12.865/13, tendo optado por efetuar o pagamento à vista dos valores correspondentes ao IRPJ e CSLL. Em sua petição, o contribuinte “reitera seu total interesse em continuar a discutir as demais matérias debatidas no Recurso Especial nº 147.654, a saber: o IRRF, multas de ofício e isolada, multas agravadas e juros de mora)” (efls. 1.747 e seg.). Em 15/05/2015, foi proferido despacho negando o pedido de reapreciação do exame de admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte, diante da ausência de previsão regimental para acolhida do pleito (efls. 1.753 e seg.). Após receber a intimação para pagamento do débito, o contribuinte peticionou para informar que também lhe estava sendo exigido o montante pago em meio ao programa de parcelamento. Diante disso, requereu o cancelamento destes valores, bem como dos valores correspondentes as multas isoladas, pois, embora não tenham sido quitadas, estas não poderiam ser exigidas em concomitância com as multas de ofício (efls. 1.759 e seg.). Ao receber a carta cobrança para o pagamento integral dos débitos (efls. 1.782 e seg.), o contribuinte se Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10680.002856/200584 Resolução nº 9101000.024 CSRFT1 Fl. 1.876 3 manifestou para reiterar os pedidos de cancelamento dos valores já quitados (efls. 1.792 e seg.). O mesmo pedido foi feito perante a DRF de Contagem/MG (efls. 1.818 e segs.). Em 05/11/2015, o contribuinte foi intimado a recolher o valor dos débitos remanescentes ao parcelamento (efls. 1.833 e 1.837 e seg.). Finalmente, em 22/12/2015, o contribuinte peticionou para dar conhecimento da decisão proferida no Agravo de Instrumento n. 5071726.2015.4.01.0000/DF, que determinou a admissão do recurso especial e, portanto, o prosseguimento do processo administrativo com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão (efls. 1.839 e segs.). Tendo em vista decisão judicial determinando a apreciação do recurso especial interposto pelo contribuinte, em 20/01/2016, foi proferido despacho determinando o desmembramento do crédito tributário na parte em que o contribuinte teria desistido do contencioso administrativo (efls. 1.859 e seg.). Também foi emitido novo despacho com o seguinte teor: “Atendendo à determinação judicial, devolvase ao CARF para julgamento do recurso especial do interessado. Ressaltese que permanecem sob contencioso as seguintes rubricas: 1 – multas isoladas do IRPJ e da CSLL; 2 IRRF com a respectiva multa de ofício de 150%; 3 Multas de ofício no montante de 75% vinculadas ao IRPJ e à CSLL.” (efls. 1.861 e seg.). Em meio a todos esses andamentos que redundaram na admissão do recurso especial do contribuinte, contudo, não foi dada oportunidade à Procuradoria da Fazenda Nacional para a apresentação de contrarrazões ao aludido recurso. Em face disso, a fim de que se respeite o devido processo legal e o contraditório, com vistas às normas regimentais, resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para cientificar a PGFN do despacho de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com abertura de prazo para apresentar contrarrazões. (assinatura digital) Luís Flávio Neto. Fl. 1876DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.731520/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. AFASTAMENTO. JUSTA CAUSA. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 67 DA LEI Nº 9.784/99 COMBINADO COM O ARTIGO 223 DO NOVO CPC.
A ocorrência de justa causa, assim entendido o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário, é nos termos da Lei nº 9.784/99 e do novo CPC, causa de suspensão do prazo para apresentação de recurso.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Numero da decisão: 2201-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a intempestividade apontada pelo Conselheiro Relator. Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reestabelecer a dedutibilidade das despesas médicas comprovadas. Designado para redigir o voto vencedor quanto à intempestividade o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. AFASTAMENTO. JUSTA CAUSA. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 67 DA LEI Nº 9.784/99 COMBINADO COM O ARTIGO 223 DO NOVO CPC. A ocorrência de justa causa, assim entendido o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário, é nos termos da Lei nº 9.784/99 e do novo CPC, causa de suspensão do prazo para apresentação de recurso. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
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PRAZO RECURSAL. AFASTAMENTO. JUSTA CAUSA. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 67 DA LEI Nº 9.784/99 COMBINADO COM O ARTIGO 223 DO NOVO CPC. A ocorrência de justa causa, assim entendido o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário, é nos termos da Lei nº 9.784/99 e do novo CPC, causa de suspensão do prazo para apresentação de recurso. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a intempestividade apontada pelo Conselheiro Relator. Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reestabelecer a dedutibilidade das despesas médicas comprovadas. Designado para redigir o voto vencedor quanto à intempestividade o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 15 20 /2 01 4- 00 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 90 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Tratase de impugnação à Notificação de Lançamento, fls 07, lavrada contra a contribuinte acima identificada, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício 2013, AnoCalendário 2012, em que foi apurado imposto suplementar de R$ 8.717,28, a ser acrescido de juros e multa. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal da presente Notificação de Lançamento, fls 08/12, foram apuradas: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor total de R$ 326,41, sendo compensado IRRF sobre os rendimentos omitidos o valor de R$ 0,13, conforme tabela de fls 08; dedução indevida de dependente no valor de R$ 3.949,44, por falta de comprovação de deter a guarda de Nélio Almeida Ramos e Francisco Almeida Ramos; dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública no valor de R$ 14.400,00, por falta de apresentação dos comprovantes; dedução indevida de despesas médicas no valor total de R$ 13.062,24, conforme abaixo: • UnimedRio Cooperativa de Trabalho – R$ 1.202,24 (15.025,30 – R$ 13.823,06) – sem apresentação de comprovantes; • Roberto Messod Benzecry – R$ 400,00 – sem identificação do paciente • Jane Corona Viveiros de Castro – R$ 300,00 – recibo de 15/01/2013 e sem endereço do prestador do serviço e sem identificação do paciente; • Márcio Macedo Ayres de Miranda – R$ 10.630,00 – sem identificação do paciente; • Rachel Tebaldi Tardin – R$ 330,00 – sem endereço do prestador de serviços; • Talita Romero Franco R$ 200,00 – sem endereço do prestador do serviço e sem identificação do paciente. Cientificada em 15/10/2014, fls 17, a contribuinte apresentou impugnação em 10/11/2013, fls 02/03, na qual concorda com as infrações de omissão de rendimento, com a dedução indevida com dependentes e de pensão alimentícia judicial. Contesta a dedução indevida de despesa médica (valor da infração de R$ 13.062,24), pois alega que se refere à despesa de pai (mãe), avô (avó) ou bisavô (bisavó) que não recebeu rendimentos (tributáveis ou não) em valor superior ao limite de isenção anual definido na legislação tributária. Phryne Benaion Bohadana (CPF 744.633.65791), plano de saúde Unimed – Valor de R$ 15.025,30. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 91 3 A DRJ julgou improcedente a impugnação, considerando que já plano de saúde Unimed Rio Cooperativa de Trabalho, sendo comprovado à fiscalização o valor de R$ 13.823,06, mantendose a glosa no valor de R$ 1.202,24. Cientificado do acórdão da DRJ em 27/09/2015, o espólio da contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/01/2016, alegando, em síntese, que: O recurso é apresentado fora do prazo em virtude do falecimento da contribuinte. Em virtude do falecimento, não conseguiu localizar alguns recibos de despesas médicas. Também, não conseguiu apresentar algumas provas complementares em virtude de viagem de férias da profissional de saúde Jane Corona Viveiros de Castro. Na oportunidade em que apresenta outros recibos de despesas médicas, requer seja acolhida a sua manifestação. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado intempestivamente. De acordo com a certidão de óbito da contribuinte, o seu falecimento ocorreu em 11/05/2015. A intimação da decisão recorrida foi devidamente expedida, pela via postal, para o domicílio tributário eleito próprio contribuinte. Destaquese, que o art. 4º, da Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, prescreve que o inventariante tem o dever de informar o falecimento do contribuinte, com a consequente constituição do espólio, bem como de manter atualizado o seu domicílio tributário. Destarte, uma intimação devidamente encaminhada para o domicílio tributário do espólio e recepcionada em 27/09/2015 é plenamente válida. Conforme Aviso de Recebimento AR que dormita à fl. 36, o sujeito passivo foi cientificado da decisão recorrida em 27/09/2015. Em 27/01/2016 protocolizou o Recurso Voluntário de fls. 47/48. Portanto, fora do trintídio legal estabelecido para a sua interposição. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 92 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim sendo, não paira dúvida acerca da intempestividade do recurso apresentado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário pela sua intempestividade. Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Admissibilidade Em que pese o costumeiro acerto do ilustre Conselheiro Relator, ouso, com a máxima vênia discordar da decisão que considerou precluso o direito de apreciação do apelo apresentado em face da flagrante intempestividade. Como bem relatado, tratase de lançamento tributário decorrente de glosa de despesas médica relativas ao IRPF da autuada relativa ao exercício de 2013, que impugnado, restou mantido pela decisão de piso, por meio de decisão proferida em 27 de maio de 2013. Cientificado, por via postal do acórdão da DRJ em 27/09/2015, foi apresentado Recurso Voluntário em 27/01/2016, pelo espólio da contribuinte, falecida em 11 de maio de 2015 (certidão de óbito fls. 50). Logo, mister observar a possibilidade legal da relevação do prazo legalmente previsto para a prática do ato processual, em face do falecimento do sujeito passivo antes da ciência da decisão que contrariou seus interesses. Considerese que o espólio, como apontado pelo Relator, apela pelo conhecimento do recurso fora do prazo legal em razão do falecimento da Contribuinte e da dificuldade de obtenção dos documentos comprobatórios dos pagamentos das despesas médicas glosadas. Apreciemos a relativização da intempestividade apontada. Não verifico no Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, qualquer menção à relevação dos prazos dele constantes. Porém, a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, é explicita em admitir a suspensão dos prazos processuais no caso de força maior. Vejamos: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 93 5 "Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se suspendem." Como se sabe, aplicase subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72, não só a Lei nº 9.784/99, como também o Código de Processo Civil, CPC, aprovado pela Lei nº 13.105/2015. Esse, expressamente, preceitua: "Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1oConsiderase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2oVerificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar." Em boa hora, vem o novo CPC definir o motivo ensejador do permissivo da autoridade que conduz o processo judicial, a justa causa, assim entendido o evento alheiro à vontade da parte que a impediu da prática do ato. Esse é o ponto fulcral do motivo de minha divergência. Entendo que a ocorrência do falecimento do sujeito passivo é uma causa justa para que a Administração Tributária conceda uma dilação do prazo processual, para os sucessores daquele, para a prática do direito de oposição a uma decisão por ela proferida. Mister realçar que os prazos processuais nada mais são do que uma forma de se dar impulso ao processo visando que este alcançe, com a máxima celeridade, a garantia do direito material controvertido. Nos dizeres de Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil, Vol. II, 6ª ed., Malheiros Ed. p. 564): "As limitações temporais contidas nas normas que estabelecem os prazos dão responsáveis pela determinação do ritmo em que se desenvolve o processo. Este é por definição um caminhar avante e não devo estar sujeito a demoras ou esperas indeterminadas daí a existência de prazos máximos, que são também, por isso mesmo, chamados prazos aceleratórios. Mas o processo também é um método organizado para a defesa de direitos e não deve caminhar sem que as partes tenham tido reais oportunidades de se manifestar (...)" Ora, o processo administrativo tributário existe com a precípua finalidade da verificação do cumprimento da legalidade dos atos administrativos É essa vinculação absoluta ao império da lei que exige que a Administração Pública controle a legalidade de seus próprios atos, independentemente de manifestação do particular, por meio do que se chama, princípio do controle administrativo ou tutela, ou ainda autotutela. Por isso, dizse com razão que, o processo administrativo resguarda os interesses dos administrados. Como todos os ramos do Direito Administrativo, também o ramo processual encontra seus limites interpretativos em seus princípios específicos. Muitos desses princípios se Fl. 93DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 94 6 encontram positivados, embora denominados como “critérios” na Lei 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, especificamente no parágrafo único do artigo 2º, que preceitua: “Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.” (grifamos) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 95 7 Além desses princípios positivados, a doutrina elenca outros, não menos importantes, como por exemplo, o princípio da verdade material que nos interessa para o caso em concreto. Lucas Rocha Furtado (Curso de Direito Administrativo, Ed. Fórum, 2007, p. 1209), com clareza que merece reprodução, assegura: “Nos processos administrativos, diversamente do que ocorre com os processos judiciais, especialmente no âmbito do processo civil, os responsáveis pela condução dos autos não devem se ater às informações constantes dos autos para a formação das suas convicções e para a construção das decisões a serem proferidas.” (negritamos) Continua o doutrinador: “Evidentemente que se espera que a denominada verdade formal, aquela que se extrai exclusivamente das informações constantes dos autos, corresponda a realidade dos fatos e a correta aplicação do direito. Ou seja, é de se esperar que a denominada verdade formal esteja em perfeita harmonia com a verdade material. Caso se constate eventual descompasso entre uma e outra, no entanto, os responsáveis pela condução do processo administrativo devem decidir com base na verdade material. A realização do principio da verdade material matem forte relação com o do formalismo moderado. Assim, exigências ou limitações formais não devem impedir que a Administração Pública decida com base na verdade material caso esta contrarie a verdade formal”. (os grifos não constam do original) Tal princípio, como sobredito, decorre do dever da Administração em buscar o interesse público que se atinge com a observância dos preceitos estabelecidos em lei. Nesse ponto nossa vinculação à observância do princípio da verdade material se torna majorada, em face de nossa atuação como Administração Tributária. Essa atuação, que tem por função precípua prover de recursos o Estado Democrático e Social de Direito, como se diz do Estado Brasileiro, para que este possa realizar os ditames constitucionais. Porém, não se pode exigir a transferência de recursos do contribuinte para o Estado, além daqueles definidos e quantificados pela lei. Ao analisar a questão sob a ótica da tributação como forma de manutenção do Estado de Direito e das liberdades individuais, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, 2013, p. 31), reconheceu que: “O tributo surge, nessa perspectiva, como o preço dessa liberdade. Ele não se justifica como tal, mas somente na medida em que seja indispensável e na extensão em que se espera uma atuação estatal na construção de uma liberdade coletiva, de inclusão social.” Fl. 95DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 96 8 Por isso as receitas derivadas do Estado, consoante expressa determinação do Constituinte, são controladas exclusivamente pela lei. Explicita a imposição constitucional o princípio da legalidade expresso no artigo 150, inciso I, da Carta Magna. Ao tratar do tema, Schoueri (ob cit., p. 279), recorda que: “Em matéria tributária, o Princípio da Legalidade é anterior mesmo ao Estado de Direito. É o direito de concordar com a tributação e controlar o modo como os recursos arrecadados, são empregados.” Verdadeira limitação constitucional ao poder de tributar, o Princípio da Legalidade é consubstanciado, segundo o artigo 146, II e III, por meio de lei complementar a quem cabe regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre o lançamento tributário, entre outros institutos. Coube ao Código Tributário Nacional, CTN, esse papel. Não nos desviemos de nosso objetivo. Não podemos nos esquecer que estamos diante do controle de legalidade do ato administrativo do lançamento tributário. Logo, devemos observar a disposição do CTN sobre a questão: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (grifamos) Cristalina a disposição codicista sobre o lançamento tributário, em especial quanto à necessidade do mesmo em quantificar o tributo devido. Como nos recorda Luis Eduardo Schoueri (ob. cit., p. 585), “a atividade do lançamento tem uma finalidade: apurar o “an" e o “quantum debeatur”: se é devido e o quanto é devido”. Indiscutível o comando legal: o lançamento tributário, assim entendida também a notificação de lançamento, deve observar a ocorrência do fato gerador e apurar a base de cálculo do tributo devido. No caso em apreço, evidenciouse a ocorrência do fato gerador, pois a contribuinte declarou a renda auferida no exercício 2013 Quando da determinação da base de cálculo do tributo, a Administração Tributária glosou uma despesa dedutível por falta de comprovação dessa dedutibilidade. Em defesa, os sucessores do sujeito passivo buscam essa comprovação, porém perdem o prazo previsto em lei para apresentação de sua inconformidade O princípio da verdade material, verdadeira materialização da observância da legalidade tributária, impõe ao julgador administrativo o dever de analisar a prova que tem o condão de modificar ou impedir o lançamento tributário. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 97 9 Por todo o acima exposto e restando incontroverso que a perda do prazo processual decorre uma justa causa não há quem não entenda que o falecimento do sujeito passivo antes da ciência da decisão de piso é, nos dizeres do novo CPC, um 'evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato' podemos concluir que, no caso em destaque, a forma (apresentação posterior ao prazo previsto no art 33 do Decreto n° 70.235/72) não deve se sobrepor ao conteúdo (direito ao contraditório e ao pagamento do tributo efetivamente devido), de sorte que voto por conhecer do recurso. É como voto. Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Voto em relação ao mérito Este relator restou vencido em relação à admissibilidade do presente recurso. Nesse passo, cabeme analisar o mérito. Da dedução das despesas médicas As deduções de despesas médicas encontram previsão legal no art. 8º, inciso II, alíneas "a", e §2º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Inicialmente, impende ressaltar que o recurso voluntário restringese à alegada comprovação dos pagamentos de despesas médicas aos profissionais de saúde, a saber: Fl. 60 Recibo de R$ 400,00 emitido pelo médico Roberto Benzecry. Fl. 61 Recibo de R$ 350,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 62 Recibo de R$ 280,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 63 Recibo de R$ 280,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 64 Recibo de R$ 280,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 65 Recibo de R$ 280,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 66 Recibo de R$ 280,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 67 Recibo de R$ 75,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 68 Recibo de R$ 300,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 69 Recibo de R$ 225,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 70 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 71 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 72 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 98 10 Fl. 73 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 74 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 75 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 76 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 77 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 78 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 79 Recibo de R$ 800,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 80 Recibo de R$ 280,00 emitido pelo fisioterapeuta Márcio Miranda. Fl. 81 Recibo de R$ 100,00 emitido pela médica Rachel Tebaldi Tardin. Fl. 82 Recibo de R$ 130,00 emitido pela médica Rachel Tebaldi Tardin. Fl. 83 Recibo de R$ 100,00 emitido pela médica Rachel Tebaldi Tardin. Fl. 84 Recibo de R$ 200,00 emitido pela médica Talita Franco. O espólio manifesta inconformismo pelo fato de os recibos firmados pelos mencionados profissionais não terem sido valorados e acolhidos pela decisão de primeira instância. Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 99 11 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifouse). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifouse). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se vê, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 determina o momento processual para juntada de prova documental, sob pena de ocorrer a preclusão. No caso que se cuida, depreendese que o sujeito passivo entendeu que a apresentação dos recibos de despesas médicas seria prova cabal para demonstrar a regularidade da dedução efetuada. O sujeito passivo junta no presente momento processual os recibos de despesas médicas, cuja soma pode assim ser resumida: Márcio Macedo Ayres de Miranda (R$ 10.750,00), Rachel Tebaldi Tardin (R$ 330,00) e Talita Romero Franco (R$ 200,00). Observase que o valor de despesas médicas comprovadas do profissional de saúde Márcio Macedo Ayres de Miranda é maior do que a glosa da dedução efetuada, que foi de R$ 10.630,00. No mais, entendo que os recibos de despesas médicas cumprem os requistos legais, devendo ser reestabelecida a glosa das deduções cuja regularidade restou comprovada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reestabelecer as deduções de despesas médicas comprovadas nos valores de R$ 11.160,00 (onze mil, cento e sessenta reais). Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12448.731520/201400 Acórdão n.º 2201003.403 S2C2T1 Fl. 100 12 Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000125/2009-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15956.000125/200964 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.980 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SERRANA MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 25 /2 00 9- 64 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 300DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 15956.000125/200964 Acórdão n.º 9202004.980 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 302DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720452/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-04-06T23:07:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-04-06T23:07:50Z; Last-Modified: 2017-04-06T23:07:50Z; dcterms:modified: 2017-04-06T23:07:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:7650eb9b-2fc1-485c-818b-10e64e7d9e67; Last-Save-Date: 2017-04-06T23:07:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-04-06T23:07:50Z; meta:save-date: 2017-04-06T23:07:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-04-06T23:07:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-04-06T23:07:50Z; created: 2017-04-06T23:07:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; Creation-Date: 2017-04-06T23:07:50Z; pdf:charsPerPage: 1187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-04-06T23:07:50Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 46.560 1 46.559 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720452/201120 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1402000.422 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de março de 2017 Assunto IRPJ E CSLL Recorrentes SLW CORRETORA DE VALORES E CAMBIO LTDA. FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 45 2/ 20 11 -2 0 Fl. 46560DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.561 2 Relatório Tratase de retorno de Diligência, determinada pela Resolução nº 1402.000.178, proferida por esta C. Turma, antes do julgamento do Recurso Voluntário (fls. 32.414 a 32.476) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (fl. 32.340 a 32.405) que manteve apenas parcialmente a Autuação de IRPJ, CSLL e IRRF sofrida pela ora Recorrente. Em suma, as exações tributárias têm origem em glosas de despesas consideradas desnecessárias pela Fiscalização, bem como em pagamentos sem causa comprovada, na sua maioria, efetuados a título de comissão para corretores independentes. Doravante, reproduzo o preciso e completo relatório elaborado pela DRJ, em razão do julgamento da Impugnação apresentada: 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 14/04/2011, o lançamento de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados nos autos de infração de fls. 17.420 a 17.456, no valor total de R$ 11.632.406,52 a título de IRPJ, IRRF e CSLL, decomposto da seguinte maneira: IRPJ...................................................................R$ 3.063.143,11 Juros de mora (calculados até 31/03/2011) ......R$ 991.845,73 Multa proporcional (75%).................................R$ 2.297.357,33 Total .................................................................R$ 6.352.346,17 IRRF..................................................................R$ 1.410.660,42 Juros de mora (calculados até 31/03/2011) .......R$ 524.560,19 Multa proporcional (75%)..................................R$ 1.057.995,12 Total ..................................................................R$ 2.993.215,73 CSLL.................................................................R$ 1.102.731,52 Juros de mora (calculados até 31/03/2011) ......R$ 357.064,46 Multa proporcional (75%).................................R$ 827.048,64 Total .................................................................R$ 2.286.844,62 Fl. 46561DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.562 3 1.1 A lavratura se deu em função da apuração das seguintes infrações, com os respectivos enquadramentos legais: IRPJ – 001 – Custos ou despesas não comprovadas Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. IRPJ – 002 – Pagamentos sem causa. Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99. CSLL – 001 – CSLL Financeiras Enquadramento legal: Art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; Art. 1º da Lei nº 9.316/96 e Art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da Lei nº 10.637/02. IRRF – 001 – Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados / Pagamentos sem causa. Enquadramento legal: Art. 674 do RIR/99. 2. O contribuinte foi notificado das autuações no dia 18/04/2011, conforme ciências exaradas às fls. 17.423, 17.433 e 17.451. 3. No Termo de verificação fiscal, de fls. 17.405 a 17.419, a autoridade autuante apresenta, em síntese, o seguinte: 3.1 No item: “Do curso da ação fiscal”: descreve os termos de intimações emitidos com as respectivas datas de emissão e resposta do contribuinte, bem como dos documentos apresentados: Em 14/06/2010 apresenta arquivos magnéticos da escrituração,balancetes mensais e outras informações; em 18/06/2010 volta a apresentar arquivos magnéticos em substituição aos já apresentados; em 02/07/2010 solicitouse a composição da linha 3, da ficha 05B da DIPJ, referente ao anocalendário 2007, relativo a serviços prestados por terceiros; em 13/07/2010 houve a resposta com dados apenas do segundo semestre (arquivo que viria a ser substituído adiante por outro englobando todo o período), nesta data também apresentou Tabela de código de assessores (que também seria substituída posteriormente) para identificação daqueles que participavam nas operações das bolsas; em 10/09/2010 apresentou arquivos contendo notas de corretagem referentes às operações ocorridas em 2007(adiantes reapresentados para validação no sistema validador de arquivos), separados em dois (BM&F e BOVESPA), sendo que o somatório estava coerente com os valores registrados como renda de corretagens; como até 23/09/2010 o contribuinte ainda não havia completado o arquivo da composição da ficha 05B, linha 3 da DIPJ, foram solicitados também os documentos fiscais relativos a tais serviços; finalmente em 05/10/2010 é apresentada composição completa referente a esse item; em 20/10/2010 pedese documentos comprobatórios para uma determinada amostragem (R$ 13.075.906,88 do total de R$ 31.179.109,97); em 05/11/2010 o contribuinte apresenta documentação relativa a contratos de serviços, que foi complementada posteriormente; em 21/02/2010 (sic) foi elaborada uma planilha com “prestações de serviços não comprovados”, objeto de intimação para comprovação sob pena de se considerar indedutíveis; em 10/03/2011 o contribuinte solicita a substituição da relação de assessores, sob a Fl. 46562DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.563 4 justificativa de que a anterior havia sido elaborada erroneamente; em resposta ao termo lavrado em 21/02/2010 (sic) foram apresentados esclarecimentos com os quais pretendia comprovar a necessidade dos serviços lançados. 3.2 No item: “Da análise dos documentos apresentados”: relata que separou as prestações de serviços que compunham o valor de R$ 31.179.097,09 em duas relações, uma referente a "Despesas com Serviços referentes a distribuição e mediação de títulos e valores mobiliários" e outra referente a "Despesa com outros serviços de Terceiros". 3.2.1 Com relação às despesas com outros serviços de terceiros aborda primeiramente as despesas com “coordenação, estruturação e garantia firme”, sendo inicialmente detectadas diversas despesas com coordenação, no total de R$ 1.727.320,81 (conforme planilha de fls. 17.408) para as quais não se identificava o número do documento fiscal. O contribuinte apresentou recibos no total de R$ 1.389.694,61 (tabela de fls. 17.408), enquanto que na contabilidade, referente a este tipo de despesas se encontraram registros no valor de R$ 1.560.634,35, sendo glosadas despesas de R$ 337.626,20 (R$ 1.727.320,81 – R$ 1.389.694,61) por não estarem lastreadas em documentação e nem tão pouco contabilizadas. 3.2.2 Em “despesas com taxa de controladoria do Itaú”, glosouse R$ 389.261,53 pelo fato dessas despesas terem sido estornadas na contabilidade, uma vez que a SLW era apenas gestora dos fundos e as despesas eram referentes a esses fundos, não dando direito assim ao autuado de se aproveitálas na linha 03 da ficha 05B da DIPJ reduzindo o resultado do exercício. 3.2.3 Em “Despesas com Kelly C. Neander” foram glosadas as despesas num total de R$ 296.236,00 pois os valores mensais pagos estavam acima do estipulado em contrato, bem como não houve comprovação da prestação dos serviços, mesmo após intimação para tanto. 3.2.4 Em “Despesas com MAP Intermediação”, houve a glosa de R$619.497,01 sendo que houve apresentação de nota fiscal e comprovante de pagamento para R$ 446.353,43, no entanto intimado a comprovar a prestação do serviço o contribuinte informou: “os clientes deste assessor eram alocados na barra 150 Marcelo Moura e ao final de cada mês os clientes do assessor eram identificados e o valor repassado através de nota fiscal". Não trazendo, portanto, nenhum elemento que se prestasse a solicitada comprovação. Ressalta a autuante que, embora houvesse notas de corretagem em que constava tal empresa como assessora na intermediação e distribuição de títulos e valores mobiliários, o contrato tinha por objeto a “prestação de serviços de consultoria e assessoria financeira”, razão pela qual tais glosas foram relacionadas neste grupo (Despesas com outros serviços de terceiros). Houve ainda a glosa de R$ 173.143,58, pois houve a contabilização desta despesa em conta separada (81763000001) da que continha as demais despesas relacionadas a esta empresa (81763000009) e não foi apresentada nota fiscal e/ou comprovante de pagamento para esta despesa. Fl. 46563DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.564 5 3.2.5 Em “Despesas com TDK Assessoria, Consultoria e Fomento Comercial Ltda.”, glosouse despesas na quantia de R$ 461.300,00, para as quais houve apresentação de nota fiscal, comprovantes de pagamento e contrato de prestação de serviços, por não ter sido comprovada a necessidade das mesmas. O contrato tinha como objeto a “prestação pela contratada de serviços de assessoria administrativa e financeira”, sendo que a remuneração estipulada era de R$ 20.000,00, sem previsão de atualização, apenas prevendo ajuda de custo se o trabalho fosse fora de São Paulo. Em seus esclarecimentos o contribuinte informa “Prestador de serviços, pessoa de confiança do sócio majoritário veio prestar consultoria na área administrativa e financeira da corretora". Não trazendo, portanto, nenhum elemento que se prestasse a solicitada comprovação. Observa ainda que, a partir de agosto, quando cessam os registros a título de despesa com pessoa jurídica da TDK, o seu responsável se torna funcionário da SLW, segundo consta de ficha cadastral e que a empresa prestadora de serviços tinha o mesmo endereço da SLW. 3.3 No segundo subgrupo de despesas (Despesas com serviços de distribuição e mediação de títulos e valores mobiliários) passouse à análise das despesas com serviços de terceiros, relacionadas as operações em Bolsa (Bovespa ou BMF), caracterizadas por pagamentos a operadores autônomos. 3.3.1 Neste quesito, reconhece a fiscalização, que as despesas com a utilização de operadores autônomos são necessárias e usuais, no entanto, verificouse que o total da composição da ficha 05B, linha 03 da DIPJ, a este título, era de R$ 25.511.002,12, representando mais de 50% das renda reconhecida com serviços de corretagem em Bolsa. Intimado a comprovar a efetividade da despesa, de modo a apresentar a comprovação dos serviços prestados por tais autônomos, inclusive a relacionar os serviços com as notas de corretagem emitidas, o contribuinte limitouse a apresentar: relatório elaborado internamente pela empresa, denominado de comissionamento (só para alguns dos prestadores), nos quais , pretendiase demonstrar os valores lançados, e dos quais a autuante adianta haver elementos não comprovados; notas fiscais de corretagem em meio magnético (inclusive via arquivo validado pelo SVA); tabela de Assessores; contratos firmados com os assessores autônomos e log de mudanças dos assessores ocorridas. 3.3.2 Para validar o somatório da corretagem contida nas notas de corretagem, verificouse que o mesmo é coerente com o contabilizado à rubrica 71760 Rendas Corretagens de Operações em Bolsa (71760000001 OP BVSP e 71760000002 OP BMF), segundo balancete semestral apresentado. 3.3.3 De posse do arquivo de notas fiscais de corretagem fornecido pelo contribuinte, já com a coluna de assessor calculado pelo arquivo corrigido, a fiscalização procedeu ao sumário das notas, totalizando a corretagem por assessor, em seguida aplicou a cada somatório obtido o percentual contratualmente definido como forma de remuneração ao serviço de tais corretores e concluiu que, para alguns dos assessores, o valor repassado, por vezes, ultrapassava o resultado obtido da multiplicação do percentual definido em contrato como remuneração Fl. 46564DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.565 6 do assessor pelo somatório da corretagem constante em nota para aquele assessor. 3.3.4 Comparecendo, por algumas vezes, no domicilio do contribuinte, na tentativa de identificar a origem dos valores repassados, juntamente com o funcionário designado para tanto, verificouse que não foi possível, na maioria dos casos, a identificação perfeita das operações realizadas, tendo explicado o funcionário que por muitas vezes o contrato era alterado verbalmente, sem ter, no entanto, como comprovar o alegado. O mesmo ainda afirmou que havia rateio entre prestadores que operavam em conjunto num determinado grupo de clientes, mas só conseguiu comprovar com coerência de valores o rateio entre GDK, CCS, Nucleopar e DCFC. Tendo em vista que não basta que se comprove o pagamento de determinada despesa para que esta seja considerada dedutível, devendo se comprovar que a mesma se deu como necessária ao auferimento de uma receita, ou mesmo das atividades da empresa, e considerando que pagamentos feitos a maior do que o percentual estabelecido como remuneração em contrato, caracteriza, salvo prova em contrário, liberalidade da empresa contratante, glosouse os valores considerados não comprovados como necessários às operações constantes das notas de corretagem emitidas, sendo tais valores não comprovados relacionados em planilha denominada "Resumo das diferenças apuradas na despesa com corretores autônomos”. 3.3.5 Observa que para alguns dos assessores não se constatou operações em bolsa, resultando em um valor nulo de despesa de corretagem a ser atribuída aos mesmos. Para estes, elaborouse a planilha "Resumo das Diferenças Apuradas nas despesas com corretores para os quais não foram constatadas operações", concluindose que os valores a eles atribuídos na composição da linha auditada não tiveram por base tais operações, razão pela qual abriuse mensalmente, para os mesmos, os valores lançados/pagos, os quais foram considerados como pagamentos sem causa. 3.4 No item “Do Direito” transcreve os artigos, 249,251 e parágrafo único, 300,304,622, 674 e 725 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/1999, bem como alguns dispositivos da IN CVM 409/2004, com as respectivas alterações posteriores. 3.5 Finaliza o termo fazendo referências ao anexo que contem a composição da Base de Cálculo da infração e ao enquadramento legal das mesmas. 4. Irresignado com a autuação, o contribuinte apresentou, em 18/05/2011 (fls. 17.492), a impugnação de fls. 17.492 a 17.564, contendo, em síntese, o seguinte: 4.1 Preliminarmente, alega o impugnante que o Auto de Infração encontrase eivado de nulidade, em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para a constituição do lançamento, ferindose assim o princípio da verdade material. 4.1.1 Menciona que em 2007 houve a “desmutualização” das Bolsas, fato que ensejou despesas extraordinárias a todas as corretoras de valores que detinham títulos patrimoniais daquelas entidades, tais Fl. 46565DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.566 7 como as intermediações nas operações de venda (compulsória) de ações e análises específicas de mercado. Afirma que algumas glosas ocorreram por puro desconhecimento (e falta de interesse no aprofundamento) da operação da Impugnante, o que se verifica, por exemplo, na página 11 do Termo de Verificação, quando a D. Fiscalização "estranha" que mais de 50% da renda com corretagem foi repassada pelo Impugnante aos assessores ("Agentes Autônomos"), sendo que o repasse a agentes autônomos pode chegar a até 100%, dependendo do caso. 4.1.2 Alega que a fiscalização não buscou a verdade material para lavrar o Auto de Infração, preferindo presumir a irregularidade na dedutibilidade das despesas a entender a atividade do Impugnante e a forma como incorre nas despesas do seu cotidiano. 4.1.3 Conforme se pretende demonstrar mais adiante, afirma que os pagamentos com serviços de terceiros tidos por desnecessários ou não comprovados (i) estão devidamente registrados na contabilidade da Impugnante; (ii) guardam estrita relação com seu objeto social e (iii) se encontram suportados por documentos fiscais (contratos, notas fiscais e/ou faturas), os quais sempre ficaram à disposição da Fiscalização. 4.1.4 Destaca que as corretoras, como é o caso do autuado, conseguem extrair seus resultados valendose de sistemas informatizados altamente sofisticados, que conseguem, de forma vinculada aos sistemas das Bolsas, praticar compras e vendas de títulos em questão de segundos, daí já extraindo não só a real operação determinada pelos seus clientes, mas também as comissões, tributos, taxas de corretagem e demais despesas e/ou receitas a serem pagas ou recebidas. Tendo em vista a agilidade na troca de informações, jamais poderia a Fiscalização, sem aprofundar nas investigações e nas práticas usuais das Corretoras de Valores, considerar como não necessárias ou não comprovadas as despesas incorridas pela Impugnante com a prestação de serviços de terceiros. 4.1.5 Argumenta que a legislação tributária concede ao Fisco amplos poderes e vastíssimos meios instrutórios para permitir a formação de sua convicção acerca da realidade dos fatos, de modo que não havia motivos para que a Fiscalização agisse com tamanho desinteresse na verificação da matéria tributável. Dessa forma, ante a superficialidade da investigação procedida pela Fiscalização ao analisar a documentação da Impugnante, entende restar comprovada a existência de vício insanável no ato de lançamento, razão pela qual aguarda que a Turma de Julgamento determine a anulação da autuação, cancelandose, por completo, os lançamentos fiscais constituídos. 4.2 Em sede do Direito, nas considerações iniciais, o impugnante ressalta que, conforme amplamente veiculado pelos meios de comunicação, as operações com instrumentos financeiros negociados na bolsa de valores e na bolsa de mercadorias e futuros apresentaram relevante crescimento no ano de 2007, em razão, principalmente de diversos fatores macroeconômicos que favoreceram o aumento de ofertas públicas de ações. Nesse cenário é certo que as operações do Impugnante também apresentaram relevante crescimento para atender Fl. 46566DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.567 8 o incremento na demanda dos clientes e uma primeira necessidade decorrente do crescimento das atividades consiste na contratação de terceiros que prestem serviços de análise de investimentos e tratativa com investidores, além de assessoria na parte financeira da própria Corretora (não vinculada à sua atividade fim). 4.2.1 Com relação à consecução de suas atividades próprias, o impugnante celebra contratos de prestação de serviços com Agentes Autônomos de Investimento. Como remuneração pelas atividades exercidas, o contrato de prestação de serviço entre os Agentes Autônomos e a Impugnante prevê o pagamento nos seguintes termos: (i) um percentual estabelecido contratualmente sobre as receitas de corretagem auferidas pela Impugnante em decorrência das operações efetuadas pelo agente! autônomo nas Bolsas; (ii) um percentual sobre as receitas líquidas de corretagem auferidas pela Impugnante em decorrência das operações especiais efetuadas pelo Agente Autônomo, o qual habitualmente é pactuado de forma verbal pelas partes, a depender do caso concreto. Neste particular o impugnante transcreve cláusula contratual que revela ao ajuste no caso de remuneração de operações especiais e entende ser perfeitamente plausível que se negocie verbalmente diferentes percentuais de remuneração aos agentes autônomos em relação às operações especiais efetuadas, pois, segundo o Código Civil e a doutrina, a validade da declaração de vontade das partes prescinde de forma especial, salvo quando a lei assim exigir. Complementa a argumentação dizendo ser procedimento usual e amplamente aceito no mercado das corretoras de títulos e valores mobiliários que diferentes operações sejam negociadas com os Agentes Autônomos em separado e de forma verbal. 4.2.2 Termina as considerações iniciais arguindo que a CVM já realiza, no âmbito de suas competências, uma análise das informações e contratos, ainda que verbais, firmados entre Agentes Autônomos e que tal órgão jamais questionou as despesas com comissões pagas pelo impugnante. 4.3 Passadas as arguições preliminares o impugnante adentra ao mérito no intuito de se comprovar as despesas incorridas, bem como sua dedutibilidade. Inicialmente tece breves considerações a respeito da dedutibilidade das despesas nas Bases de cálculo do IRPJ e da CSLL aduzindo que o legislador tributário define, de maneira casuística, em um primeiro momento, as deduções que permitirá da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No entanto, essa lista de situações em que a dedução é possível não é exaustiva. Para as despesas não expressamente relacionadas pela legislação, há critérios gerais de dedutibilidade, fixando condições que autorizam a dedução. No tocante à CSLL ressalta que não há estrita identidade entre a sua base de cálculo e o Lucro Real, as adições e exclusões específicas para a formação da base de cálculo da CSLL deverão estar expressamente previstas em legislação. 4.3.1 Analisa o artigo 299 do RIR/99 e conclui que as despesas necessárias, usuais ou normais à atividade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora de renda, desde que comprovadas, devem ser qualificadas como "operacionais", as quais, a seu turno, poderão ser Fl. 46567DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.568 9 consideradas dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL. Transcreve trechos do Parecer Normativo CST nº 32/81 que prevê o seguinte: necessidade:"(...) o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos."; usualidade ou normalidade: "(...) despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio." 4.3.2 Infere que a despesa, para ser necessária, não necessariamente deve ser incorrida diretamente na execução de atividadefim do contribuinte, afinal, outras despesas são igualmente fundamentais para a estrutura empresarial, como aquelas despendidas com recursos humanos ou contabilidade; que para ser considerada usual a despesa deve ser costumeira ou ordinária no tipo de negócio do contribuinte, mesmo que ela ocorra de maneira esporádica ou excepcional e que a verificação da condição de comprovação das despesas (terceiro requisito) ocorre depois de verificadas as duas outras condições anteriores sendo necessária, para tanto, a manutenção da documentação suporte à operação correspondente. 4.3.3 Afirma que o entendimento do Conselho caminha no sentido de que as despesas com serviços serão dedutíveis se: (i) incorridas na realização do objeto social do contribuinte (necessárias, normais e usuais); e (i) comprovadas por meio de documentos idôneos que demonstrem a natureza, as partes envolvidas, o preço e a forma de pagamento. Com base nestes argumentos que o impugnante pretende demonstrar que todas as despesas glosadas são dedutíveis. 4.4 Em sua defesa, o autuado segue a ordem estabelecida pela fiscalização para expor as alegações. Em despesas com “outros serviços de terceiros” procura contestar na ordem as glosas feitas em: (a) despesas com coordenação, estruturação e garantia firme; (b) despesas com taxa de controladoria do Itaú; (c) despesas com Kelly C. Neander; (d) despesas com MAP Intermediação; e (e) despesas com TDK Assessoria, Consultoria e Fomento Comercial Ltda. 4.4.1 No item “Despesas com coordenação, estruturação e garantia firme, relacionadas à operação de oferta pública de ações (“OPA”) da BM&F S.A. (“BM&F”)” o impugnante alega não assistir razão à fiscalização para a glosa de R$ 337.626,20, supostamente não lastreada por documentação fiscal. Primeiramente tenta demonstrar a necessidade, normalidade e usualidade das despesas com coordenação, estruturação e garantia firme, relatando que o Impugnante era pessoa jurídica participante da BM&F, motivo pelo qual possuía títulos patrimoniais que foram convertidos em ações, após a desmutualização da Associação BM&F. Nesse particular, em decorrência da oferta pública de ações da BM&F e da alienação compulsória de parte das suas ações, o mesmo incorreu em despesas com os bancos coordenadores da oferta, conforme previsto no Instrumento Particular de Contrato de Coordenação, Garantia Firme de Liquidação e Colocação de Ações de Emissão da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S.A. Fl. 46568DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.569 10 4.4.1.1 Menciona que tais despesas foram contabilizadas e deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base em uma planilha enviada, por email (Doc. 05), a todas as Corretoras que participaram da operação, pelos representantes da BM&F S.A. Tal planilha possibilitava à pessoa jurídica titular das ações da BM&F inserir a quantidade de ações alienadas e, automaticamente, eram calculadas as despesas com "Comissões dos Bancos Coordenadores da Oferta". Diante disso, entende não restar dúvidas a respeito da necessidade, normalidade e usualidade das despesas, nem tampouco sobre a efetiva realização dos serviços, razão pela qual, pelos critérios já definidos anteriormente, acredita não existir razão para que fosse glosada referida quantia. Colaciona decisões do antigo Conselho de Contribuintes, que estariam a embasar seu entendimento de que a simples falta de apresentação da nota fiscal de serviços não seria suficiente para se considerar a despesa como indedutível, vez que o impugnante poderia comprovála por meio de outros documentos idôneos. Adicionalmente a isso, o Impugnante elaborou uma carta solicitando esclarecimentos ao Banco Bradesco BBI, responsável pela consolidação das informações pertinentes aos serviços prestados pelos Bancos coordenadores da oferta pública da BM&F, bem como requerendo relatório de todas as despesa incorridas a fim de que pudesse localizar as notas fiscais pendentes e que, não obstante a resposta formal ainda não tenha sido entregue pelo Banco Bradesco BBI, um de seus representantes encaminhou ao Impugnante a documentação solicitada via email com destaque para a planilha que comprova a composição do valor de R$ 1.727.320,80. Entende o impugnante que, independentemente da resposta formal a ser fornecida pelo Banco Bradesco BBI, o mesmo tomou efetivamente os serviços dos Bancos e foi cobrado por tais serviços, efetuando o pagamento devido, não restando assim qualquer dúvida acerca da dedutibilidade da despesa referida. 4.4.1.2 Continua neste tópico na análise do valor glosado de R$ 337.626,20 e alega que, na remota hipótese de não ser cancelado o auto, no que se refere a este quesito, o valor a ser glosado deveria ser diverso, visto que a fiscalização considerou apenas o valor liquido de alguns documentos e deixou de considerar uma nota emitida pelo Itaú BBA em 04/12/2007, no valor de R$ 112.878,93 e que refazendo os cálculos deveriam ser reconhecidos como comprovados os valores conforme planilha abaixo: Fl. 46569DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.570 11 4.4.1.3 Ressalta, no entanto, que, embora não tenham sido enviadas todas as notas fiscais ou recibos, os valores deduzidos devem ser integralmente considerados pois se encontram respaldados por contrato e comprovante de pagamentos e que os valores sem nota fiscal ou recibos são aqueles de monta irrisória, para os quais, de qualquer modo o impugnante buscará os documentos comprobatórios perante seus emissores. 4.4.2 No item “Despesas com Taxa de Controladoria do Itaú no valor de R$ 389.261,53” o impugnante protesta contra o entendimento, firmado pela fiscalização, de que o autuado, por exercer apenas a atividade de gestora de fundos de investimentos, não poderia se aproveitar destas despesas para diminuir o resultado do exercício e conseqüentemente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Afirma que havia um Contrato de Prestação de Serviços de Custódia e Controladoria de Fundos, firmado entre o Impugnante e o Banco Itau S/A, segundo o qual o Impugnante, na qualidade de administradora dos fundos de investimento, devidamente habilitada e autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários ("CVM") e pelo Banco Central do Brasil ("BACEN") para o exercício dessa função, contrata o Itaú S.A. ("Itaú") para desempenhar os serviços de controladoria e custódia dos fundos de investimento. Frisa que o contribuinte era administradora dos fundos e não gestora, conforme afirmado pela Fiscalização. 4.4.2.1 Como remuneração pelos serviços de controladoria e custódia, o Impugnante pagava ao Itaú: (i) um percentual estabelecido contratualmente sobre o patrimônio dos fundos de investimentos (itens 1 e 2, anexo VII, do Contrato de Prestação de Serviços ); e (ii) taxas de movimentação, também préestabelecidas contratualmente, sobre as operações de liquidação financeira, aplicação e resgate de cotista, taxa de manutenção de cotista e taxa de emissão de contrato e postagem (item 3, anexo VII, do Contrato de Prestação de Serviços ). As despesas lançadas a este título abrangiam as taxas de controladoria e custódia, bem como essas taxas de movimentação que tinham previsão Fl. 46570DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.571 12 contratual. Considerando ser umas das principais atividades do Impugnante a administração de fundos de investimento, entende ser forçoso concluir que a despesa incorrida pela sociedade com serviços prestados pelo Itaú aos referidos fundos de investimento configurase como uma despesa necessária e usual às suas atividades, além de guardar estrita relação com o seu objeto social. 4.4.2.2 Com relação ao argumento fiscal a respeito da não contabilização das despesas de custódia e controladoria, afirma ter havido novo equívoco, o qual pretende comprovar com excertos dos razões contábeis da conta 8.1.7.63.00.0001 ("Assessoria Técnica"), mês a mês, no qual estão presentes todos os registros relativos aos pagamentos efetuados ao Itaú pelos serviços prestados no ano calendário de 2007. Sobre a alegação fiscal de que teria havido estorno dos lançamentos de tais valores, afirma não haver qualquer prova nesse sentido, até porque, se assim o fosse, não haveria registro contábil algum na contabilidade do Impugnante e o lucro líquido do exercício antes dos impostos informados pela sociedade na linha 63 ("Lucro Líquido antes da CSLL") da Ficha 06B ("Demonstração do Resultado PJ Componente do Sistema Financeiro") da DIPJ não conferiria com o resultado calculado a partir do balancete de verificação de dezembro de 2007 e que se a fiscalização entendeu ter havido estorno contábil deveria ter trazido provas neste sentido, mas que, mesmo sem provas, tal argumento seria totalmente descabido, pois um lançamento de estorno afetaria o resultado do exercício e este não seria, então, coincidente com aquele declarado na DIPJ, sendo que no presente caso o valor do balanço (R$ 96.232.148,66) é exatamente aquele declarado ao Fisco na ficha 06B da DIPJ (R$ 96.232.148,66), desta forma a despesa teria sido considerada tanto nos demonstrativos contábeis quanto fiscais, não havendo que se falar em estorno. 4.4.2.3 Argumenta que, considerandose que o resultado apurado no balanço é o mesmo do resultado apurado em DIPJ, só há duas conclusões: ou realmente houve o estorno e, assim, não foi deduzido para fins fiscais (isso derrubaria o auto); ou não houve o estorno e ocorreu a dedução (o que também invalidaria a acusação fiscal). 4.4.2.4 Por fim, afirma ter solicitado ao Itaú uma planilha, em papel timbrado e devidamente assinada, contendo todos os valores percebidos pelo Banco em decorrência da prestação de serviços de custódia e controladoria (sem resposta até o momento da impugnação) que refletiria os valores da planilha já anexada (sem assinatura) e que tão logo recebesse tal planilha efetuaria a sua juntada aos autos. 4.4.3 No item “Despesas com Kelly C. Neander Trentin Consultoria ("Kelly Consultoria") no valor de R$ 296.236,00” afirma que apresentou à fiscalização os seguintes documentos: (i) contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Impugnante e a Kelly Consultoria; (ii) notas fiscais de pagamento pelos serviços prestados; e (iii) comprovantes das liquidações financeiras referente aos serviços, mas ainda assim as Autoridades Fiscais efetuaram glosa das despesas incorridas com a Kelly Consultoria, sob a alegação de que o Impugnante, supostamente, (i) não comprovou a efetiva prestação de serviços e (ii) efetuou o pagamento de valores não compatíveis com o estabelecido no contrato. Fl. 46571DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.572 13 4.4.3.1 Entende não merecer prosperar os argumentos trazidos pela fiscalização pois, conforme já mencionado anteriormente, o entendimento do CARF caminharia no sentido de se considerar dedutíveis as despesas : (i) efetuadas na consecução das atividades relacionadas ao objeto social da Impugnante (necessárias, normais e usuais); e (ii) comprovadas por meio de documentação que demonstre a natureza dos serviços prestados, as partes envolvidas, o preço e a forma de pagamento. 4.4.3.2 Argui que no presente caso o Impugnante contratou, em julho de 2004, a empresa Kelly Consultoria para lhe prestar serviços de analista de investimentos financeiros, especialmente voltado ao mercado de ações, de modo a atrair investidores e a ampliar seu campo de atuação, prática corrente e habitual no mercado em que atua e essencial para seu ramo de atividade, além de ser plenamente compatível com seu contrato social. No que toca à efetividade dos serviços prestados selecionou algumas reportagens em que considera ficar evidentes as atividades exercidas e a exposição que a Sra. Kelly, sócia da empresa contatada, proporcionava ao Impugnante no mercado de ações brasileiro. 4.4.3.2 Um outro documento que comprovaria a efetividade dos serviços prestados seria o "Relatório Diário", que trata de um comunicado enviado aos clientes do Impugnante, contendo informações diárias sobre o mercado de ações e investimentos. Tal relatório foi pensado e elaborado inicialmente pela Kelly Consultoria, de tal modo que sua sócia (Sra. Kelly Cristina Neander Trentin) figura como Analista de Empresas/Gerência e uma das responsáveis pela sua elaboração, sendo que no próprio “Relatório Diário” consta a informação de que “O presente relatório foi produzido de forma independente e autônoma, inclusive em relação à SLW CVC Ltda., instituição de vínculo com o Analista e reflete unicamente as opiniões pessoais do Analista.”. 4.4.3.3 Frisa que a prestação de serviço em questão são intelectuais e portanto, para fins fiscais e previdenciários se sujeitam apenas à legislação aplicável às pessoas jurídicas. Comenta que houve a apresentação de: todas as notas fiscais, com descrição dos serviços e referências aos contratos firmados; comprovantes de pagamentos, com os beneficiários devidamente identificados e contratos de prestação de serviços contendo as informações necessárias para a comprovação da dedutibilidade das despesas. 4.4.3.4 Destaca ainda que também não deve prosperar a alegação de que os montantes pagos à Kelly Consultoria não condizem com o valor pactuado no contrato de prestação de serviços. Isso porque, além da remuneração prevista contratualmente pelos serviços de analista de investimentos, a Kelly Consultoria percebia uma remuneração pela exposição que proporcionava ao Impugnante no mercado. Neste sentido junta declaração elaborada pela Kelly Consultoria, representada por sua sócia, na qual a mesma expressamente confirmou: (i) que desenvolvia atividades de acompanhamentos do mercado de ações para o Impugnante, bem como a elaboração de relatórios para divulgação aos clientes; e (ii) que auferia remuneração fixa pelo desenvolvimento dessas atividades corriqueiras e havia um Fl. 46572DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.573 14 excedente variável relativo às exposições na mídia proporcionadas ao Impugnante. 4.4.3.5 Considera assim comprovadas as atividades legalmente prestadas pela Kelly Consultoria, bem como as razões para a remuneração de tais serviços. 4.4.4 No item “Despesas com MAP Intermediação de Negócios Ltda. ("MAP") no valor de R$619.497,01” relata que a fiscalização entendeu por bem glosar todas as despesas incorridas pelo Impugnante com a MAP (R$ 446.353,43), em razão da suposta ausência de comprovação da efetiva prestação dos serviços, bem como diante da impossibilidade de se calcular a remuneração paga à MAP, pois não foram apresentados os aditivos contratuais nos quais estariam estabelecidas as remunerações pagas. Ainda foi glosado o montante de R$ 173.143,58, registrado na rubrica contábil 81763000001, pois, supostamente, não teria sido apresentada qualquer nota fiscal e/ou comprovante de pagamento pela Impugnante. 4.4.4.1 Primeiramente protesta contra a autuação de R$ 173.143,58 registrado na rubrica contábil 81763000001. Afirma que, na realidade estes valores se referem aos pagamentos efetuados à MAP nos meses de janeiro (R$ 62.354,84) fevereiro (R$ 42.115,84) e março de 2007 (R$ 68.672,90) e que posteriormente foram transferidos para a conta contábil 81763000009 e lá foram tributados pela D. Fiscalização, pois passaram a compor os R$ 446.353,43. 4.4.4.2 Quanto ao valor de R$ 446.353,43, faz a análise acerca da: (i) relação existente entre os serviços de terceiros na consecução das atividades relacionadas ao objeto social da Impugnante (necessárias, normais e usuais); e (ii) comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que demonstre a efetividade dos serviços prestados, as partes envolvidas, o preço e a forma de pagamento. O impugnante contratou a MAP para lhe prestar serviços de consultoria e assessoria financeira, especialmente em relação à operação chamada de "cash and carry" que consiste em identificar as distorções existentes entre o mercado à vista e o mercado futuro, de forma que se possa vender índice no mercado futuro e comprar todos ativos que compõe o tal índice (nos mesmos percentuais), ou vice versa. Essa distorção era percebida pelo representante na MAP, por meio de sistemas próprios de acompanhamento de mercado, mas quem efetuava a real operação de compra e venda de títulos e de índices era o Agente Autônomo habilitado (no caso, o Sr. Marcelo Moura " barra" 150). Ressalta que anteriormente à contratação da MAP, o Impugnante não efetuava a operação "cash and carry", passando a fazêlo somente após contratar os serviços da MAP, que possui expertise na identificação das distorções em tela. Tal expertise é capaz de atrair investidores e de ampliar o campo de atuação do Impugnante, prática corrente e habitual no mercado em que atua e essencial para seu ramo de atividade, além de ser plenamente compatível com seu contrato social. 4.4.4.3 A título exemplificativo, o impugnante apresenta como se chegou ao valor de R$ 23.840, pagos à MAP em agosto de 2007, montante que consta entre os outros glosados pela fiscalização: No mês de agosto, como nos demais meses, a MAP auxiliou o Impugnante Fl. 46573DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.574 15 na compra e venda de títulos e de índices, no bojo da operação de "cash and carry". Os assessores Marcelo Moura (Barra 150) e Jagata Investimento Ltda. (Barra 123) efetuaram diversas operações com títulos e valores mobiliários, todas relacionadas no demonstrativo anexo denominado "Resumo do Movimento por Assessor Cliente Sintético". Tal relatório foi extraído do sistema SINACOR (melhor explicado adiante pelo impugnante) que representa todas as operações de compra e venda realizadas por determinado assessor. Dentre outras operações, a remuneração da MAP foi calculada, conforme aditivo contratual com base nas seguintes operações: 4.4.4.4 Além destas operações realizadas no âmbito da BOVESPA foram praticadas tais operações na BM&F que podem ser assim representadas: 4.4.4.5 Somandose as duas comissões se chega ao valor de R$51.524,64, cabendo à MAP o percentual de 50%, ou seja, R$ 25.612,82. No entanto deste valor devem ser subtraídos (de acordo com aditivo feito em acordo verbal) R$250,00 para a Agência Estado e mais 6% a título de outros custos assumidos pela MAP, chegandose ao valor de R$ 23.841,05, que arredondado perfaz os R$ 23.840,00 glosados. 4.4.4.6 Explica ainda que no mês de outubro ocorreu exatamente a mesma operação, mas as comissões foram as seguintes: BOVESPA R$ 42.978,73; BM&F R$ 16.104,00. Apurandose a parte que compete à MAP (50%), a quantia bruta devida pelo Impugnante importava em R$ 29.541,37. Descontandose R$ 250,00 da Agência Estado, R$ 489,11 a título de erro e R$ 1.728,14 pelas despesas assumidas pela MAP, chegase à remuneração líquida de R$ 27.074,11, arredondada para os efetivos R$ 27.070,00 pagos em outubro. Conclui afirmando constar, tanto os valores de agosto e de outubro, quanto os demais glosados, nos aditivos contratuais que o mesmo anexa ao processo, entendo assim não haver razões para a prevalência do lançamento neste quesito, pois se comprova a efetiva prestação dos serviços e das despesas amparadas por notas fiscais. Complementa suas alegações tecendo as mesmas considerações feitas para Kelly Consultoria a respeito das notas fiscais e comprovantes de pagamentos e relatando que não havia apresentado os aditivos do contrato (juntados na impugnação) antes porque não houve intimação específica para tanto. 4.4.5 No item “Despesas com TDK Assessoria, Consultoria e Fomento Comercial Ltda. ("TDK") no valor de R$ 461.300,00” informa que a fiscalização também efetuou a glosa sob o fundamento de que não foi Fl. 46574DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.575 16 apresentando nenhum elemento capaz de comprovar a efetiva prestação de serviços, no entanto, paradoxalmente fundamenta a autuação na suposta realização de pagamentos a maior do que o devido, por entender que o contrato somente previa a remuneração de R$ 20.000,00 e ajuda de custo para os trabalhos realizados fora de São Paulo. 4.4.5.1 Infere que ou se admite que as prestações de serviços possuíam vínculo com o contrato apresentado, e nessa hipótese manterseia a discussão a respeito do valor da remuneração, ou então não se admite que o contrato tenha relação com as despesas mencionadas e, aí, efetuase a glosa do montante total dos pagamentos. Como a fiscalização glosou a integralidade prevaleceu a segunda alternativa, portanto pretende o impugnante fazer prova de que ocorreu efetivamente a prestação de serviços pela TDK, justificando assim a dedutibilidade das aludidas despesas. 4.4.5.2 De inicio esclarece que o Sr. Toufik Kattan, sócio da TDK, era quem efetivamente prestava os serviços contratados sendo que o mesmo fora admitido como empregado da SLW em 15/08/2007. Antes desta data a TDK prestava serviços relacionados ao cotidiano financeiro e administrativo da Impugnante, sendo responsável pelas contas a receber, liberação de pagamentos a fornecedores, aquisição de sotwares, negociação com Agentes Autônomos e demais prestadores de serviços, fornecimento de relatórios aos sócios contendo informações financeiras etc. Para comprovar tais serviços o autuado anexa emails nos quais se percebe que a TDK, em 2007, por meio de seu sócio, tratou da abertura e implementação da filial no Estado do Rio de Janeiro, assim como definição da estrutura dos fundos de investimentos, reestruturação da Asset Management e aquisição de máquinas e equipamentos para o impugnante. A prática de tais atividades criou uma enorme proximidade, e também maior dependência, entre o Impugnante Sr. Toufik Kattan, o que acabou culminando com a contratação deste como empregado, na função de Controller. Entretanto até agosto os pagamentos feitos à TDK se sujeitavam ao regime previsto para as pessoas jurídicas, por força do art. 129 da Lei n° 11.196/2005. Quanto à comprovação destas despesas, estão elas devidamente amparadas por notas fiscais, comprovantes de pagamento e contratos de prestação de serviço. Para corroborar o argüido o contribuinte junta declaração do Sr. Toufik Kattan na qual o mesmo descreve os serviços prestados pela TDK à época dos fatos. 4.5 No item “Do Segundo Caso Concreto Das Despesas com Serviços de Distribuição e Mediação de Títulos e Valores Mobiliários Considerações Gerais” o autuado tece considerações gerais para posteriormente adentrar à discussão das glosas específicas. Diferentemente dos itens já combatidos o questionamento dos pagamentos efetuados aos Agentes Autônomos não se deu em relação à comprovação da efetividade dos serviços, mas, sim, quanto à parcela da receita de corretagem que foi repassada aos tais Agentes Autônomos. Em resposta à intimação que solicitava a comprovação dos serviços prestados pelos agentes autônomos, o impugnante relata ter apresentado : (i) relatório de comissionamento dos Agentes Autônomos; (ü) notas de corretagem em via magnética, em razão do Fl. 46575DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.576 17 grande volume; (iii) tabela de Agentes Autônomos; (iv) contratos firmados com os Agentes Autônomos; e (v) log das mudanças de assessores ocorridas. No entanto a fiscalização acabou lavrando Auto de Infração por entender que os valores repassados aos Agentes não possuíam correlação com a receita de corretagem por eles gerada, tampouco com os percentuais de repasse das receitas de corretagem definidos nos contratos. 4.5.1 O impugnante alega haver desconhecimento, por parte da fiscalização, a respeito do negócio desenvolvido pela Impugnante e que a análise equivocada dos contratos firmados com os Agentes Autônomos induziram a mesma ao equívoco. 4.5.1.1 No intuito de rebater a acusação fiscal, o impugnante inicialmente defende o afastamento da premissa inicial adotada pelo fisco, no sentido de ser muito elevado (incomum) o percentual superior a 50% para o repasse sobre as receitas geradas com corretagem dos Agentes Autônomos. A esse respeito, conforme fora aludido anteriormente, reafirma ser a praxe dos contratos de prestação de serviços celebrados com os Agentes Autônomos a remuneração destes no percentual de, pelo menos, 50% sobre as receitas líquidas de corretagem, podendo tal percentual ser diferente, a depender da negociação realizada. Destaca que o próprio "Resumo das Diferenças Apuradas nas Despesas com Agentes Autônomos" (folhas 17.391 e seguintes do processo administrativo), elaborado pela D. Fiscalização, demonstra claramente que a totalidade dos contratos firmados pela Impugnante prevê um repasse mínimo de 50% sobre as corretagens geradas pelas operações efetuadas. Ressalva também que não existe nos autos qualquer notícia ou estudo estatístico que refutem os percentuais adotados pelo Impugnante na fixação do repasse de comissões aos Agentes Autônomos de Investimento. 4.5.1.2 Não havendo contestação, por parte da autuante, quanto à necessidade das despesas, o impugnante protesta contra a glosa efetuada com fundamento de tais despesas estarem acima do contratado. Neste ponto, a partir da análise do quadro "Resumo das Diferenças Apuradas nas Despesas com Corretores Autônomos", verifica que a Fiscalização aplicou o percentual de repasse das receitas de corretagem definido contratualmente sobre algumas (as quais o impugnante desconhece) notas de corretagem do Agente Autônomo, confrontando, ao final, o valor com a despesa contabilizada e deduzida pelo Impugnante. Apurada alguma diferença, efetuouse a glosa dessa parte da despesa para fins de dedutibilidade nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 4.5.1.3 Com relação ao quadro em questão, o impugnante afirma ter se esforçado, sem êxito, para tentar identificar como a autuante compôs a coluna “calculada nas notas de corretagem”. Somente este fato já seria motivo para eivar de vício o lançamento por prejudicar o direito à ampla defesa e ao contraditório. Diante do “mistério” na apuração de tais valores o autuado se viu obrigado a recompor toda a memória de cálculo do ano de 2007, no que se refere às operações com corretagem. Argumenta que, não obstante o inexplicável valor de referência apurado pela fiscalização, o percentual de remuneração percebido pelos Agentes Autônomos não é exclusivamente aquele Fl. 46576DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.577 18 definido contratualmente. Haveria, ainda, como já mencionado anteriormente, uma previsão contratual de que as operações especiais podem ser remuneradas em percentual diferenciado, a depender da negociação. 4.5.1.4 Para comprovar que não houve liberalidade nos pagamentos efetuados aos Agentes Autônomos, isto é, a totalidade das despesas estaria devidamente embasada em documentação hábil e idônea, o Impugnante elaborou, para cada caso, "dossiê" demonstrativo de todos os pagamentos que foram objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, os quais, segundo o autuado, contêm os documentos e as informações transcritas abaixo: “(i) "Quadro Resumo do Comissionamento do Agente Autônomo" (Planilha Geral): tratase de um resumo das operações efetuadas pelo Agente Autônomo em cada mês do anocalendário de 2007, o qual contém as seguintes informações: total líquido das receitas de corretagem, total da produção bruta a ser paga ao Agente Autônomo possui direito, despesas descontadas das receitas do Agente Autônomo, valor bruto da nota fiscal, descontos dos impostos, valor líquido da nota fiscal e valor efetivamente pago ao Agente Autônomo. As informações presentes nesse quadro resumo foram extraídas do "relatório de comissionamento dos assessores" e das "notas fiscais". (ii) "Relatório Contas a Pagar": é um relatório gerencial do sistema SINACOR, que já demonstra todas as comissões pagas aos Agentes Autônomos, mês a mês, no decorrer do anocalendário de 2007. As informações presentes nesse "contas a pagar" são inseridas pelos usuários do sistema. Nesse momento, é importante esclarecer que o SINACOR é um sistema desenvolvido pela própria BVMF, que auxilia as instituições financeiras participantes do mercado de bolsa na execução dos processos administrativos de front, middle e backoffice (Doc. 24). Tal sistema, conforme informações obtidas na página eletrônica do SINACOR (www.bmfbovespa.com.br/sinacor), "é composto por módulos (administrativo, de negociação e financeiro) totalmente integrados, de modo a oferecer todo o suporte necessário às instituições financeiras para operar na bolsa de valores. Basta que o sistema seja devidamente parametrizado para que haja a integração desejada entre os módulos, sendo possível obter informações como: faturamento segmento Bovespa, faturamento segmento BM&F, contas correntes dos Agentes Autônomos, contabilidade da instituição financeira, dentre outras tantas funcionalidades." (g.n.) (iii) "Notas Fiscais" todas as notas fiscais referentes aos pagamentos efetuados aos Agentes Autônomos no ano de 2007, cujas informações pertinentes são extraídas do "Relatório de Comissionamento". (iv) "Relatório de Comissionamento dos Assessores": é o documento que contém todas as operações efetuadas pelos Agentes Autônomos, independentemente do ambiente (i.e., Bovespa, BM&F, fundos e clubes de investimentos, BTC – aluguel de ações, oferta pública de ações OPA, etc.). É importante frisar que esse "Relatório de Comissionamento dos Agentes Autônomos" é elaborado por um Fl. 46577DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.578 19 programa informatizado da Impugnante, que possui interface direta com o SINACOR, extraindo informações diretamente do aludido Sistema, não havendo meios para que o usuário manipule as informações. (v) "Resumo do Movimento por Assessor Cliente Sintético": é um relatório extraído do SINACOR (ou seja, não há qualquer manipulação pelo operador), no qual está contido o resumo de todas as operações efetuadas pelos Agentes Autônomos em relação a cada um dos seus clientes. Frisese que, por sua vez, as informações existentes nesse resumo são extraídas diretamente das notas de corretagens, isto é, para que se consiga validar os valores presentes nesse relatório é necessário que sejam verificadas todas as notas de corretagem referentes às operações efetuadas por cada Agente Autônomo. Como já mencionado no início desta peça, em razão do imenso volume de notas de corretagens existentes em nome da Impugnante para o anocalendário de 2007, tornase inviável trazer via física de todas as notas à presente Impugnação (a título exemplificativo, apenas em relação à América Latina Agentes Autônomos de Investimentos Ltda. são mais de 4.00C notas de corretagem para o anocalendário de 2007). Por essa razão, no intuito de que não permaneçam quaisquer dúvidas a respeito dos pagamentos efetuados, Impugnante optou por gravar em um CD (Doc. 25) a totalidade das notas de corretagem efetuadas no anocalendário de 2007, segregadas por Agente Autônomo. (vi) "Contrato de Prestação de Serviços": instrumento firmado entre os Agentes Autônomos e a Impugnante, bem como os respectivos aditivos contratuais. (vii) Liquidação Financeira: comprovantes bancários das transferências relativas ao valor dos serviços prestados, demonstrando a liquidação financeira de cada uma das notas fiscais.” 4.5.1.5 Em seguida o impugnante elabora um roteiro, transcrito abaixo, a ser seguido na análise dos dossiês, conforme exemplo do documento 26 (fls. 18.257 a 18.259): “1º Passo Identificar o valor da comissão a ser paga pela Impugnante ao Agente Autônomo. Tal valor consta das notas fiscais de serviços (no exemplo, R$ 8.270,24). 2º Passo Confrontar o valor bruto contido nas notas fiscais de prestação de serviços com o valor total mencionado na última linha do relatório "Comissionamento de Assessores", elaborado pela Impugnante com base nas informações provenientes do Sistema SINACOR (captadas eletronicamente por meio do Sistema). Será possível identificar que o valor total mencionado no relatório (R$ 8.270,24) é resultante da soma de todas as receitas do autônomo (R$ 8.984,30 penúltima coluna à direita), menos as despesas por ele incorridas e que deverão ser por ele reembolsadas (R$ 714,06 última coluna à direita). 3º Passo Para atestar a veracidade do valor contido no relatório "Comissionamento de Assessores", deverá ser verificado no "Resumo do Movimento por Assessor", que é um relatório emitido pelo SINACOR (vide canto superior direito), o valor total da Corretagem Líquida devida em decorrência das operações negociadas por aquele Fl. 46578DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.579 20 assessor (R$ 14.973,84 essa informação consta da última página do aludido Resumo). Geralmente, o valor não é exatamente o mesmo do que aquele mencionado no "Relatório de Comissionamento", mas será equivalente à soma dos valores com a descrição "operações Bovespa", mencionados no tal relatório "Comissionamento de Assessores" e, mediante a aplicação do percentual que cabe ao assessor (60% no nosso exemplo), aferese a comissão bruta que lhe cabe (R$ 8.984,30); 4º Passo Para atestar a validade das operações contidas no "Resumo do Movimento por Assessor" (o que, em tese, é dispensável em razão de as informações serem obtidas diretamente perante o SINACOR), basta cruzar qualquer uma das operações ali listadas com a corresponde Nota de Corretagem, juntada aos autos por meio do CD (Doc. 25).” 4.5.1.6 Menciona que, mesmo seguindo o roteiro pode haver pequenas divergências entre os valores constantes nos relatórios de corretagem e os pagamentos efetuados pelo Impugnante, a qual se deveria ao fato de que a remuneração repassada aos Agentes Autônomos era calculada no último dia do mês, de forma que não eram computadas algumas operações efetuadas pelos Agentes nos últimos instantes, ocasionando assim um irrisório descompasso entre os pagamentos e os relatórios de corretagem. Porém, a despeito de tal descompasso, entende restar evidente, por meio da documentação anexada, a correção dos procedimentos adotados quando do repasse das comissões. 4.5.1.7 Com o intuito de facilitar a compreensão do fluxo de informações elabora o seguinte fluxograma: Notas de corretagem => Relatório de movimento por assessor => Relatório de comissionamento dos Assessores => Notas Fiscais. 4.5.1.8 Com relação ao fluxograma faz as seguintes considerações: (a) As Notas de Corretagem são originadas pela mesa de operações (Sistema SINACOR), refletindo cada uma das operações de compra e/ou venda de títulos, e nelas constam os valores detalhados da operação, os tributos incidentes, a comissão, as taxas e os emolumentos devidos; (b) a partir das Notas de Corretagem, o SINACOR é alimentado com os detalhes das operações e disponibiliza o Relatório de Movimento por Assessor; (c) o Sistema, desenvolvido de forma customizada, consegue extrair do SINACOR todas as informações relacionadas a determinado Assessor (Agente Autônomo) e, somando as operações que não transitam pelo SINACOR (câmbio, etc), consolida a comissão a ser paga no mês, conforme contrato e eventuais acordos verbais; (d) por fim, são emitidas as notas fiscais de prestação de serviços pelos assessores, em contrapartida ao recebimento das quantias pagas pelo Impugnante. 4.5.1.9 Tecidas as considerações acima, o contribuinte elabora a planilha de fls. 17.535 com resumo das informações atinentes aos agentes autônomos e com referência aos dossiês elaborados, considerando, ao final, serem perfeitamente cabíveis as deduções, por ele efetuadas, solicitando que seja o Auto de Infração cancelado também neste quesito. 4.6 No item “Mais Despesas com Serviços de Distribuição e Mediação de Títulos e Valores Mobiliários Glosa de Despesas e Pagamento Sem Fl. 46579DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.580 21 Causa” o impugnante discute as despesas com serviços de distribuição e mediação de títulos e valores mobiliários que, além de terem sido glosadas para fins de dedutibilidade nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ainda foram consideradas como pagamentos sem causa. Neste quesito o mesmo protesta pelo cancelamento do Auto de Infração seja porque o sistema jurídico não permite a coexistência da glosa de despesa e do pagamento sem causa, seja porque, quanto ao mérito, todos os pagamentos assim considerados pela Fiscalização possuem verdadeiro motivo de existir. 4.6.1 Com relação ao primeiro argumento, no item “Da Coexistência de glosa para fins de IRPJ e CSLL e de pagamento sem causa para fins de IR/Fonte as mesmas despesas foram glosadas e, por outro lado, consideradas como pagamento sem causa” o autuado aduz que a glosa é o procedimento pelo qual a Fiscalização procura recompor a base de cálculo do Lucro Real, consertando um possível erro que o contribuinte tenha cometido em sua contabilidade. Por outro lado, a imputação de pagamento sem causa visa a coibir a prática de haver movimentações financeiras mantidas à margem da contabilidade da empresa. Considerar que houve pagamento sem causa significa dizer que os valores referentes a esses pagamentos sequer transitaram pela contabilidade do contribuinte, o que não pode coexistir com a glosa de despesa efetivamente contabilizada. Neste sentido, alega que ao considerar sem causa os pagamentos cujos valores foram desconsiderados para a dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, estaria o fisco a tributálo duplamente, além de imporlhe tributação mais onerosa do que estabelece a legislação, configurando assim nítida afronta ao artigo 112 do CTN. 4.6.1.1 Colaciona decisões proferidas pelo CARF (antigo Conselho de Contribuintes) com as quais pretende demonstrar a validade do arguido, bem como optar por tributação mais gravosa ao contribuinte (IR/Fonte sobre pagamentos sem causa), ou tributálo duas vezes sobre a mesma base (glosa para fins de IRPJ/CSLL e pagamentos sem causa para fins de IR/Fonte), é procedimento que não encontra guarida na legislação tributária. Afirma que no presente caso, a Fiscalização glosou despesas operacionais que tinham por base serviços supostamente não comprovados considerando, ao mesmo tempo, como sem causa os pagamentos feitos em relação a tais serviços e conforme mencionado escolher a tributação mais onerosa ao contribuinte ou tributálo duas vezes, é prática vedada pelo Código Tributário Nacional e pela sapiente jurisprudência do Conselho, motivo pelo qual não pode prevalecer a autuação tendente a exigir o IR/Fonte sobre os supostos pagamentos sem causa, devendo assim se reconhecer a nulidade do lançamento. 4.6.2 Em prevalecendo o entendimento de que seja possível a coexistência da glosa de despesas com a caracterização do pagamento sem causa, mesmo assim, entende o impugnante que os lançamentos não devem prosperar, conforme pretendeu demonstrar analiticamente, especificando cada caso. 4.6.2.1 No item “Coimbra Agentes Autônomos de Investimentos Ltda. ("Coimbra") no valor de R$ 288.339,60” o impugnante alega que a fiscalização sequer reconheceu a causa que originou o pagamento Fl. 46580DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.581 22 efetuado, portanto, mais uma vez, vem a demonstrar a necessidade, normalidade e usualidade das despesas glosadas, bem como sua efetiva causa, juntando os documentos comprobatórios que não puderam ser anexados no momento oportuno. De forma semelhante aos outros casos, referentes aos Agentes Autônomos, a Coimbra firmou um contrato de prestação de serviços com o autuado, sendo remunerada com um percentual sobre as receitas líquidas geradas com as operações efetuadas. A operação de intermediação praticada por tal prestador é provada mediante a juntada a estes autos do relatório de Comissionamento, do Resumo do Movimento por Assessor (SINACOR) e de algumas Notas de Corretagem (por amostragem), segundo os quais se comprova a efetiva operação de intermediação (grifo do impugnante) praticada pela Coimbra. Tais despesas, segundo o mesmo, estariam devidamente amparada por notas fiscais e comprovantes de pagamento juntados aos autos. Provada a causa do pagamento, entende ser pelo cancelamento do lançamento nesta questão. 4.6.2.2 Seguindo na demonstração analítica dos pagamentos sem causa o impugnante ainda tece considerações para os valores glosados referentes aos seguintes prestadores: Lopes & Queiroz Agente Autônomo de Investimentos Ltda. ("Lopes & Queiroz") no valor de R$ 515.682,24; N M Rothschild & Sons (Brasil) Ltda. ("Rothschild") no valor de R$ 307.510,83; Pavarini DTVM no valor de R$ 185.370,26; Reliance Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Reliance DTVM”) no valor de R$ 262.197,76; Supra Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários ("Supra DTVM") no valor de R$ 216.929,50 e Exper Agentes Autônomos de Investimentos Ltda. ("Exper") no valor de R$1.000.727,81. Para todos estes o impugnante junta o quadro demonstrativo, elaborado pela fiscalização, da glosa efetuada e pretende comprovar a necessidade, normalidade e usualidade das despesas glosadas pela fiscalização, bem como suas efetivas causas. 4.6.2.3 Para “Lopes & Queiroz” o contribuinte diz apresentar contrato de prestação de serviços e declaração dos sócios da empresa afirmando desempenharem a função de gerenciamento de mesa de operações, esta contendo também a informação de que a remuneração pelos serviços era feita através de um percentual sobre as receitas líquidas geradas pela mesa de operações. Junta ainda notas fiscais de serviços, relatórios do SINACOR e comprovantes de liquidação financeira. 4.6.2.4 Para “Rothschild” o impugnante traz excertos do comunicado emitido pela BM&F S.A, direcionado aos acionistas que optaram por alienar 10% das suas ações para a General Atlantic no momento da desmutualização, onde consta a informação da retenção de um percentual de 2,5%, acrescida de impostos, para pagamento à “Rothschild”, demonstrando, por meio de cálculo e documentos, a correção do valor pago. 4.6.2.5 Para “Pavarini DTVM”, apresenta contrato de prestação de serviços cujo objeto seria a execução de ordens na BOVESPA. Segundo clausula sétima do referido contrato a remuneração poderia variar entre 20% e 90%, sendo que foi adotado o de 85%, conforme pode ser Fl. 46581DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.582 23 confirmado pela aplicação do percentual às receitas obtidas pelo relatório do SINACOR. 4.6.2.6 Para “Reliance DTVM” anexa "Convênio de Intermediação de Quotas de Fundos de Investimento", firmado entre o Impugnante, na qualidade de administradora do fundo, e a Reliance DTVM. Por esse contrato, o autuado obrigase a repassar aos intermediários, dentre os quais está a Reliance DTVM, uma parcela da taxa de administração a que tem direito, relativamente ao Fundo SLW Volatilidade Fl Multimercado (Regulamento anexo ). Essa parcela, também chamada de Rebate, é fixada em decorrência dos serviços de intermediação de venda e resgate das quotas do fundo de investimento prestados pelos intermediários. O Banco Itau S/A fez a controladoria do mencionado Fundo e, por solicitação do Impugnante, elaborou planilha demonstrativa de todas as taxas de administração a que o Impugnante fazia direito em 2007. Com base em tal demonstrativo, o Impugnante atribuiu aos intermediários as parcelas que lhes cabiam, calculadas proporcionalmente à intermediação na venda das quotas do Fundo realizada por cada um dos intermediários, e reteve a sua parte. O montante a ser pago aos intermediários, a título de Rebate de taxa de administração, consta dos documentos anexos. Além disso, o Impugnante junta também o relatório de contas a pagar para a Reliance extraídos do SINACOR, recibos referentes aos pagamentos efetuados à Reliance e os comprovantes da liquidação financeira dos pagamentos. 4.6.2.7 Para “Supra DTVM” ressalta uma peculiaridade, de que há um rateio entre as receitas de corretagem geradas entre a Supra DTVM e a ARN Agentes Autônomos de Investimentos Ltda. Menciona que ambos possuem contrato firmado com a SLW e em função de tal rateio o impugnante efetuava o repasse de parte das receitas de corretagem à Supra e parte à ARN, sendo, para o autuado, irrelevante a destinação, uma vez que de qualquer maneira as despesas estariam comprovadas e seriam dedutíveis, vez que tais despesas estão devidamente amparadas por recibos e comprovantes de pagamento. Entende ainda o impugnante, que conforme trecho do Termo de Verificação Fiscal, o fisco teria aceitado o rateio em diversos outros casos. 4.6.2.8 Para “Exper”, assim como no caso da Supra, havia um rateio entre a Exper, GKTL Agentes Autônomos de Investimentos Ltda. ("GTKL"), Necleopar Agentes Autônomos de Investimentos Ltda. ("Nucleopar") e CCS Agente Autônomo de Investimentos Ltda. ("CCS"), a forma de comprovar a dedutibilidade das despesas e a causa dos pagamentos também eram semelhantes. Ressalta que todos os Agentes Autônomos envolvidos no presente caso possuem contato de prestação de serviços com a Impugnante e que em razão do rateio o Impugnante efetuava parte do pagamento das receitas de corretagem à Exper e o restante era dividido entre os demais Agentes Autônomos envolvidos, segundo solicitação efetuada pelos próprios agentes autônomos, por correio eletrônico (anexado), cujos remetentes das mensagens são as pessoas físicas sócias das jurídicas em comento. 4.7 No item “Do Reajustamento da Base de Cálculo do IR/Fonte Ofensa aos Princípios da Razoabilidade, Proporcionalidade e da Vedação de Utilização de Tributo com Efeito de Confisco” o Fl. 46582DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.583 24 impugnante contesta o reajustamento previsto no artigo 61, parágrafo 3º da Lei nº 8.981/95. O reajustamento da base de cálculo decorre da presunção legal de que os valores despendidos nos pagamentos tidos por sem causa são líquidos, devendose apurar qual o montante bruto da operação, sobre o qual, aí sim, aplicarseá a alíquota do tributo. Obedecendose as regras de reajustamento da base de cálculo, previstas na IN/SRF n° 15/2001 terseia, no presente caso em que a alíquota do IR/Fonte é de 35% , que um hipotético rendimento pago no importe de R$ 65,00 possui, em virtude do reajustamento, uma base de cálculo de R$ 100,00. Aplicandose a alíquota devida sobre a base de cálculo, apurase o imposto a pagar no montante de R$ 35,00, que, mediante mero cálculo aritmético, equivale a 53,85% do valor do pagamento bruto efetuado. Que se houvesse multa agravada de 150% o valor cobrado chegaria a 134,62% e na inexistência deste agravamento, como no presente caso, o percentual corresponde a 94,23%. Desta maneira estariam sendo feridos vários princípios tributários, notadamente o que estabelece o conceito de tributo, bem como o da razoabilidade, o da proporcionalidade e o da vedação de utilização de tributo com efeito confiscatório. 4.7.1 Alega que, de acordo com o princípio da razoabilidade, o Estado não pode impor obrigações, vedações ou sanções aos administrados em medida superior ao necessário para atender o interesse público, que o princípio da proporcionalidade demanda que as competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais ao que seja reclamado para cumprimento da finalidade de interesse público a que está atrelada e assim “o exorbitante crédito tributário apurado nessa ação fiscal e a aviltante multa aplicada” violariam frontalmente tais princípios. Frisa, ainda, que houve a cobrança de IRPJ e CSLL, com multas de 75%, sobre o mesmo pagamento considerado sem causa. Nessa situação, aquele exemplo de pagamento feito no importe de R$ 65,00, enseja a cobrança de R$ 22,10 a título de obrigação principal e R$ 16,57 de multa de ofício, o que acarretaria em exigência fiscal correspondente à 153,73% do pagamento efetuado, o que, por não ser razoável, ensejaria o cancelamento do lançamento. 4.8 No item “Da Nulidade do Auto de Infração em Decorrência da Obrigatoriedade de o D. Agente Fiscal Considerar as Antecipações realizadas no Decorrer do AnoCalendário” Neste contexto, alega o impugnante que o Auto deve ser anulado pela não consideração, por parte da autuante, das antecipações realizadas pelo impugnante durante o anocalendário 2007. A Autoridade fiscal teria se limitado a lançar de ofício o tributo após a adição do alegado ganho de capital, sem considerar, contudo, as antecipações (pagamentos de estimativas mensais) feitas pela Impugnante no decorrer do anocalendário objeto do lançamento fiscal, e que desta maneira teria incorrido em erro de direito, ou erro de critério jurídico (por inobservância do disposto no artigo 2º, § 4º, incisos III e IV, e artigo 30 da Lei nº 9.430/96 e a conseqüente violação do artigo 142 do CTN ). Para o IRPJ o erro não causou prejuízos ao impugnante, no entanto o mesmo não ocorreu para a CSLL, pois o contribuinte apurou saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 129.202,38 (exercício 2008), e a correta aplicação da norma pela autoridade fiscal acarretaria num valor de CSLL, supostamente devida, menor do que o autuado e uma vez identificado erro de Fl. 46583DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.584 25 aplicação de direito, ferese a substância da exigência. Ferida a substância, surge a necessidade do cancelamento dos Autos de Infração, nos termos do artigo 149 do CTN. Ainda que não se reconheça a nulidade dos lançamentos por vício material, solicita que ao menos sejam, as antecipações, reduzidas do montante supostamente devido. 4.9 No item “Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa de Oficio” protesta contra a incidência de juros sobre a multa de ofício isto porque, no seu entendimento, a partir do vencimento do prazo para recolhimento dos créditos apurados no auto de infração ora impugnado, as autoridades fiscais certamente computarão juros de mora sobre a multa de ofício, não obstante os juros que já incidem sobre o principal da dívida, aumentando sobremaneira o valor da obrigação tributária de forma totalmente ilegal. Relata que, na esfera federal, não ocorrido o pagamento, o crédito tributário fica sujeito aos juros de mora, equivalentes à Taxa Selic, consoante determinação do § 3o do art. 61, que remete ao § 3o do art. 5o, ambos da Lei n.° 9.430/96 e que havendo lançamento de ofício, há a incidência de multa à razão de 75%, na forma prevista no art. 44 da mesma Lei. 4.9.1 Prossegue argumentando que conforme a doutrina civilista, juros são frutos (acessórios) decorrentes da utilização do capital alheio (principal) e podem ser subdivididos em remuneratórios, compensatórios ou moratórios. A multa, por sua vez, deve ser entendida como uma pena pecuniária fixada em contrato, a ser paga pelo contratante que não venha a cumprir, no todo ou em parte, uma obrigação ou que atrase o seu adimplemento. Tem nítido caráter de sanção, penalidade, pelo inadimplemento de obrigação, Na seara tributária, no entanto, haveria espaço somente para a incidência de juros de natureza moratória. Assim não haveria como pretender a incidência de juros sobre multas, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Tanto o juros como a multa não existem por si só, devendo se reportar a uma obrigação principal, daí a impossibilidade de se aplicar os juros sobre a multa, pois esta não é obrigação principal. Ressalta ainda que não há previsão legal para tal incidência e que portanto a mesma deve ser afastada. 4.10 No item “Da Ilegalidade da Aplicação da Taxa SELIC como índice de Juros de Mora” o autuado protesta contra a cobrança de juros moratórios calculados com utilização da Taxa SELIC, pois esta tem a natureza de juros remuneratórios e visa premiar o capital investido pelo aplicador de títulos da dívida pública federal e não para servir como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Ressalta que a referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § 1o, do CTN. Diante da alegada inconstitucionalidade, bem como de sua ilegalidade, não haveria como utilizar tal taxa no caso em comento. 4.11 Solicita ainda, ante a falta de conhecimento da Fiscalização a respeito das operações praticadas pela Impugnante e da dinâmica com que elas ocorrem, bem assim a ausência de análise profunda dos Fl. 46584DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.585 26 documentos apresentados no curso do processo fiscalizatório, que, caso a Delegacia de julgamento entenda ser necessário, convertase o julgamento em diligências permitindo que o impugnante explique verbalmente, com base nos elementos acostados, o procedimento para pagamento e apuração de despesas com serviços, evitandose que ocorra um julgamento injusto e sem base em elementos táticos. 4.12 Por fim requer que se dê integral provimento à Impugnação, determinando o cancelamento integral do Auto de Infração em questão e, conseqüentemente, o seu arquivamento definitivo, como medida de Direito e Justiça. 5. Conforme despacho de fls. 23.726 a 23.729, o processo foi baixado em diligências para que a autoridade autuante prestasse esclarecimentos ante supostas inconsistências verificadas no curso do julgamento. 5.1 Por amostragem foi identificado que, para alguns clientes da corretora, o assessor calculado (planilhas de fls. 13.550 a 17.376) não correspondia àquele que o atendia em 2007 (ano referente à autuação), segundo elementos trazidos pelo impugnante em sua peça recursal, e foi solicitado à unidade de origem que se manifestasse quanto à correção do raciocínio que teria levado à suposta inconsistência (utilizando o assessor MCJR Agente Autônomo de investimento Ltda. como exemplo), bem como para que se esclarecesse, no caso do assessor vinculado à Barra 127, qual critério teria sido utilizado pela fiscalização para conferir todas as operações a um determinado assessor em detrimento do outro classificado na mesma barra. 5.2 No relatório de encerramento de diligência (fls. 28.270 a 28.274) encontrase, em suma, o seguinte: 5.2.1 A fiscalização optou por verificar a pertinência dos valores contabilizados como despesas relacionadas a cada Assessor (Agente autônomo de investimento) a partir do fato gerador de cada despesa, utilizando para isto a corretagem líquida registrada em cada nota de corretagem considerada pelo contribuinte em sua Receita, em combinação com os percentuais de repasse definidos contratualmente, em vez de basearse nos Relatórios do SINACOR apresentados. 5.2.2 Tendo identificado que as informação contida no campo assessor não representavam fielmente o conteúdos das notas fiscais, a fiscalização intimou o contribuinte para que apresentasse novo arquivo magnético que fielmente reproduzisse as Notas de Corretagem emitidas quando da ocorrência das operações. O contribuinte informou que o arquivo entregue havia sido gerado pelo SINACOR e continha o assessor atual e não aquele responsável pelo cliente em 2007 e que não era possível a emissão do novo arquivo magnético solicitado. Para comprovar tal impossibilidade apresentou trecho de um relatório (LOG DE CLIENTES ATIVIDADE BOLSA já inserto às fls.909 e seguintes) no qual tinhase um "log" (histórico) onde podiase verificar, para cada cliente da corretora, um histórico das alterações realizadas a nível de assessor. 5.2.2.1 Como o arquivo de “logs” foi entregue no formato pdf, a fiscalização procedeu à conversão do mesmo para o formato excel, Fl. 46585DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.586 27 ressaltando neste ponto não ter sido nada fácil tal tarefa vez que a formatação do arquivo em pdf juntamente com o tamanho do documento (mais de 5.000 páginas) teriam dificultado em muito a conversão que tinha o propósito de se chegar ao assessor que representava cada cliente nas respectivas datas das operações. 5.2.3 Isto posto, a fiscalização passou a analisar a inconsistência apontada pela DRJ reputandoa correta. Com relação ao assessor MCJR, ante o “log” de fls. 4.540 e 4.541, concluiu que: “ Constatandose da análise das informações acima que o cliente foi digitado inicialmente no cadastro, em 27/07/2005, como tendo o assessor 19 (código correspondente ao MCJR), como assessor atual. Em seguida, em diversas alterações consecutivas, tal assessor foi sendo substituído, sendo certo que em 2007 o assessor voltou a ser o 19, sendo substituído em última alteração pelo assessor 28 (código correspondente ao DRUMOND & PORAZZA). Ou seja, conforme bem aponta a DRJ, nas notas fiscais de corretagem incluídas no processo, onde tinhase a coluna assessor calculado (coluna incluída por esta fiscalização), para o caso apontado e alguns poucos outros, quando tínhamos alteração de assessor posterior a data da operação, na conversão, continuávamos a permitir a alteração no código do assessor, chegando a um assessor calculado, que na verdade representava o assessor atual (que no caso especificamente apresentado pela DRJ coincidia com o primeiro assessor digitado e com o assessor correspondente a data da operação)” 5.2.3.1 Com o intuito de retificar o erro apontado pela DRJ, a fiscalização efetuou a reconversão do PDFLOG para Excel e o cálculo da nova coluna de assessor calculado. Elaborou também nova planilha com o resumo das diferenças encontradas que, no seu entendimento, deveriam substituir as tabelas de fls. 17.386 a 17.389. 5.3 Com relação aos assessores SUPRA e ARN, ambos vinculados à barra 127, a fiscalização afirma que no decorrer da ação fiscal tal fato já tinha sido objeto de questionamento, não havendo êxito, por parte do contribuinte, em separar as operações de maneira a comproválas, impossibilitando assim a fiscalização de fazer tal segregação, algo que nem mesmo o contribuinte conseguiu. Não havendo algum critério indiscutível que permitisse tal separação, a fiscalização optou por atribuir a totalidade das operações à ARN, pois as despesas contabilizadas para tal assessor era bem mais significativa do que àquela atribuída à SUPRA. A autuante ainda complementa reputando acertada tal decisão uma vez que o assessor ARN Agentes Autônomos de Investimento Ltda. não constava do Resumo das diferenças apuradas, pois a despesa contabilizada com tal assessor não excedia o valor apurado com a aplicação do percentual de 80% (estipulado em contrato) sobre o valor das operações encontradas nos arquivos de notas de corretagem e não sofreu mudanças significativas no recálculo (antes era R$3.543.223,61 e ficou R$3.542.949,95). 5.4 O contribuinte foi notificado do teor do relatório de encerramento de diligências em 26/01/2012 (fls. 28.270), conforme ciência exarada em fls. 28.274. Fl. 46586DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.587 28 5.5 Inconformado com o resultado apurado o autuado apresentou, em 27/02/2012 a manifestação de fls. 28.277 a 28.294, informando e alegando, em suma, o seguinte: 5.5.1 A autoridade lançadora, ao término da diligência, afirma ter desconsiderado completamente os relatórios do SINACOR apresentados pelo impugnante na peça impugnatória; reconhece que havia erro na planilha que suportou o lançamento fiscal; reduziu o valor da glosa, neste quesito, de R$ 7.534.587,18 para R$ 6.807.669,57, após elaboração de nova planilha que estaria considerando os assessores que atendiam cada cliente em 2007, mas que, apesar de ser benéfica tal redução de forma global, houve aumento da glosa em relação a diversos Agentes Autônomos; esclareceu que, no caso da barra 127, aplicandose o percentual de 80% (contrato da ARN) sobre o total de corretagens da barra 127, chegavase a um valor maior do que as despesas contabilizadas pelos agentes ARN e SUPRA, desta forma optouse por considerar como sendo a totalidade das despesas com ARN e glosar àquelas contabilizadas para SUPRA. 5.5.2 O lançamento é ilíquido e incerto pois a planilha utilizada para efetuar os lançamentos não estaria a considerar: (i) as operações realizadas por cada Agente Autônomo em todos os ambientes de negociação, tendo se restringido às operações realizadas na Bovespa; e (ii) ainda assim, não considerou a totalidade das operações realizadas pelos Agentes Autônomos na Bovespa, tendo sido desconsideradas operações relacionadas a diversos clientes (fato percebido pela DRJ). A iliquidez e incerteza no lançamento pode ser constada no próprio relatório de encerramento de diligência, onde a autoridade lançadora reconhece os equívocos cometidos nos cálculos utilizados como suporte para a glosa das despesas com Agentes Autônomos, a tal ponto que se viu obrigada a reelaborar os cálculos que suportavam o lançamento, alterando o critério jurídico utilizado na autuação. 5.5.3 Segundo ementário administrativo e excertos de julgados colacionados, o instituto da diligência tem limites estritos, sendo sua função auxiliar na formação da convicção do julgador e dirimir suas eventuais dúvidas quanto a provas já constantes dos autos. Não se presta a diligência para, indiretamente, reabrir a ação fiscal ou aperfeiçoar lançamento já efetuado de forma equivocada. Outra prova cabal de que o lançamento fiscal é ilíquido e incerto é que a fiscalização, ao proceder à reelaboração do montante das despesas glosadas, em relação a cada Agente Autônomo, ora aumentou a despesa glosada, ora a diminuiu. 5.5.4 Baseandose na análise da MCJR, procedimento que pode ser estendido aos demais agentes, verificouse que a fiscalização, mesmo após a reelaboração da planilha, considerou apenas as operações realizadas por alguns dos clientes (Eletra Fundação Celg de Seguros e Previdência e Marçal Lemos Gama), deixando de considerar a de outros clientes, como, por exemplo, Sandro Rogério, Cláudio Brito, Fundação de Previdência Privada da Terracap, Pedro Emanoel e Ana Paula Martins Gama, cujos logs de alteração de assessores foram anexados para a comprovação do erro. Além disto, a Autoridade Fiscal Fl. 46587DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.588 29 teria considerado apenas as operações realizadas na BOVESPA, deixando de computar as efetuadas na BM&F, Clubes e Fundos de investimentos e outros, conforme pode se verificar nos documentos de fls. 21.675 e 21.678 do presente processo. Devendo ser esclarecido que o percentual de remuneração varia de 50% a 80% a depender do contrato para as operações na BOVESPA e BM&F, podendo ter percentual diferente para outros ambientes como Clube e Fundos. Assim, a fiscalização utilizouse de uma base que, além de não contemplar a totalidade das operações efetuadas pelos Agentes Autônomos, não reflete os reais assessores vinculados aos clientes no anocalendário de 2007, o que deve ensejar a nulidade dos Autos de Infração. Para a comprovação da extensão do erro para os demais agentes autônomos basta a utilização do seguinte roteiro: “(i) Escolhese um Agente Autônomo e fazse um filtro para selecionar tão somente as operações realizadas por esse Agente Autônomo no ano calendário de 2007; (ii) Verifiquese que o somatório da coluna "corretagem líquida" confere perfeitamente com o total constante da planilha "Resumo das Diferenças Apuradas na Despesa com Corretores Autônomos"; (iii) Selecionando apenas as operações realizadas em um determinado mês e confrontando com o "Resumo do Movimento por Assessor Cliente Sintético", poderá se verificar que a planilha da D. Fiscalização não considerou a totalidade das operações realizadas pelo Agente Autônomo, desconsiderando as operações relativas a alguns clientes; (iv) Especificamente no que se refere aos clientes não computados pela D. Fiscalização, há a possibilidade de se efetuar um filtro na planilha buscando pelas operações relativas a esses clientes. Como resultado, verificarseá que tais clientes constam na planilha, mas estão vinculados aos assessores cadastrados em 2011 e, portal motivo, não foram considerados. (v) Por último, observar, por meio da análise do "Relatório de Comissionamento dos Assessores" e do "Quadro Resumo do Comissionamento do Agente Autônomo" que a D. Fiscalização não considerou as operações realizadas na BM&F, Clubes e outras” 5.5.5 Ainda no intuito de comprovar a ocorrência dos equívocos que foram cometidos pela fiscalização, anexase planilhas com todas as operações realizadas na Bovespa por cada Agente Autônomo, referente ao anocalendário de 2007 já tendo sido considerados os clientes de forma correta, bem como as alterações dos logs de todos os clientes ativos em 2007, para que seja possível identificar de forma correta os assessores vinculados a cada cliente no anocalendário 2007 e por fim uma planilha demonstrando: (i) o valor da despesa contabilizada em relação a cada Agente Autônomo; (ii) a despesa considerada pela fiscalização em relação às operações realizadas na Bovespa e na BM&F; (iii) as premissas desconsideradas pela fiscalização em suas análises; (iv) os equívocos cometidos pela fiscalização; (v) a quantidade de notas de corretagem e o montante total de corretagem paga para cada Agente Autônomo que a fiscalização deixou de considerar. 5.5.6 Com relação às despesas incorridas com SUPRA DTVM, no relatório de encerramento de diligencia a fiscalização informou que ao aplicar o percentual de 80% sobre o montante de corretagens, Fl. 46588DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.589 30 chegouse a um valor superior às despesas incorridas com ARN e SUPRA e optou por glosar a menor despesa de forma totalmente arbitrária. 5.5.7 Estes Agentes Autônomos possuíam acordo de rateio de receitas de corretagens, motivo pelo qual ambos realizaram operações ao longo do anocalendário de 2007. O rateio é uma prática comum entre os Agentes Autônomos. 5.5.7.1 Comprovase a existência das receitas, bem como a licitude dos pagamentos efetuados a estes Agentes Autônomos pela anexação do seguinte: (i) contratos de prestação de serviços (fls. 23.167 a 23.185 dos autos); (ii) o "Relatório de Comissionamento dos Assessores" e o "Resumo do Movimento por Assessor Cliente Sintético" extraídos do SINACOR; (iii) as correspondências determinando o pagamento a ser efetuado a cada Agente Autônomo, considerando o rateio entre ARN Agentes e Supra DTVM; e (iv) comprovantes de liquidação financeira dos pagamentos. 5.5.8 À época da Fiscalização, foi minuciosamente explicado à Sra. Auditora Fiscal que, em determinados casos, havia um rateio das receitas de corretagem entre os prestadores de serviços que operavam em conjunto um determinado grupo de cliente. Tratase de um acordo pactuado entre os próprios Agentes Autônomos, o qual foi aceito pelo Fisco em diversos casos, conforme consta no Termo de Verificação. 5.5.9 A alteração do assessor da barra 127 deuse em 18.05.2007, conforme se verifica no log dos assessores anexo (doc. 14 fls. 32.330) e tal despesa está devidamente amparada por recibos e comprovantes de pagamento já juntados na Impugnação. 5.6 Por todo o exposto, requer serem considerados todos os documentos e esclarecimentos apresentados tanto no curso da Fiscalização, quanto por ocasião da Impugnação e também desta peça dando integral provimento à Impugnação e determinando o cancelamento integral dos Autos de Infração. Por sua vez, a DRJ de São Paulo exarou o v. Acórdão ora recorrido, dando provimento apenas parcial à Impugnação oferecida, exonerando parte do crédito tributário lançado, referente à parcela em que se entendeu não haver fundamentação bastante no lançamento para a glosa de algumas despesas, sob o argumento de serem estas desnecessárias. Confirase a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007 IRPJ. DEDUTIBILIDADE. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. Fl. 46589DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.590 31 As despesas operacionais para serem consideradas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, deverão estar lastreadas em documentação hábil e idônea que as comprovem, bem como fique demonstrado que eram necessárias, normais e usuais na atividade da empresa. EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. DAS DESPESAS IMPOSSIBILIDADE. A falta de comprovação da efetiva prestação de serviços dentro dos moldes alegado pelo contribuinte impede o Fisco de promover a avaliação quanto necessidade, usualidade e normalidade das despesas vinculadas a estas prestações por desconhecer a real natureza das mesmas, por conseguinte fica a Fazenda Nacional impossibilitada de aferir a dedutibilidade destas despesas. DESNECESSIDADE DE DESPESAS. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. EXONERAÇÃO. Exonerase o Crédito Tributário constituído a título de glosa de despesas consideradas não necessárias quando os elementos utilizados para a apuração do lançamento forem insuficientes para a demonstração desta desnecessidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2007 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2007 PAGAMENTOS EFETUADOS. AUSÊNCIA DE OPERAÇÕES. CAUSAS NÃO IDENTIFICADAS. IRRF. INCIDÊNCIA. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas, ou os recursos entregues a terceiros, sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, quando não forem comprovadas as operações ou as suas causas. O pagamento efetuado nestas condições serão considerados líquidos (descontado o imposto retido). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 46590DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.591 32 A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após o recálculo, apresentase da seguinte forma os valores controversos deste processo: Fl. 46591DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.592 33 Em face de tal revés parcial, foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 32.414 a 32.476), repisando os argumentos de nulidade e meritórios de sua Impugnação, requerendo o cancelamento do restante das exações tributárias. Encaminhado o apelo para julgamento, foi proferida, por essa C. Turma, Resolução (fls. 32.563 a fls. 32.588), determinando a realização de diligência, nos seguintes termos conclusivos: Fl. 46592DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.593 34 A meu ver, as análises até aqui foram superficiais e merecem aprofundamento mediante intimação aos prestadores de serviço para esclarecimentos, especialmente verificar se houve tributação das receitas por parte dessas empresas. Enfim, fazse necessário que, em diligência fiscal, seja verificado in locu a efetividade das aludidas despesas. Cumpre, então, converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização da Receita Federal faça as verificações solicitadas, bem como as que entender pertinente para apurar a verdade dos fatos e, ao final, elabore relatório consubstanciado sobre os trabalhos realizados. A contribuinte deverá ser cientificada dos resultados da diligência para, se desejar, manifestarse nos autos no prazo de 30 (trinta) dias. Como determinado naquela r. decisão, a Unidade Local de Fiscalização procedeu à diligência, operando as seguintes ações: Foi então gerado um Termo de Encerramento de Diligência (fls. 46.423 a 46.436), com relatório de 14 (quatorze) folhas, no qual comentase a decisão da DRJ, especificamente sobre os cancelamentos efetuados, emitindose opinião acerca sua concordância e discordância, também apresentando um resumo das informações novas colhidas, elaborandose novas tabelas, com novos valores de glosa. Diante de tal trabalho da Fiscalização, apresentou a Recorrente Manifestação (fls. 46.443 a fls. 46.496), comentando o relatório apresentado, ponto a ponto, apontando supostas falhas, vícios e abusos, bem como reforçando suas alegações de Recurso Voluntário, pugnando pelo cancelamento total da Autuação sofrida. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 46593DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.594 35 É o Relatório. Fl. 46594DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.595 36 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Já superada a tempestividade e adequação do Recurso Voluntário, temos que foi corretamente observado o direito ao contraditório e de defesa do Contribuinte, após a conclusão da diligência determinada. Contudo, observase que o resultado da diligência, a qual acabou também por adicionar mais de 10.000 (dez mil) folhas autos, consubstanciado em relatório de 14 (quatorze) folhas, desviouse de sua função e presteza, possuindo profunda natureza opinativa, digase até de revisão das decisões já proferidas nestes autos, discordando de seu resultado de julgamento, deixando de analisar documentação, recompondo e incrementando itens da Autuação, já derrubados pela DRJ. Nesse sentido, confirase os seguintes trechos do relatório do Termo de Encerramento de Diligência (fls. 46.423 a 46.436): (...) (...) Fl. 46595DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.596 37 (...) (...) (...) (...) (...) Como se comprova acima, houve valoração e rejeição de instrumentos documentais, não se procedendo à análise de provas acostadas, deixando de atender a determinação expressa da Resolução deste E. CARF, promovendo a aplicação de entendimentos jurídicos, de maneira praticamente jurisdicional, maculando, profundamente o trabalho realizado. Fl. 46596DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.597 38 Nesse sentido, a Unidade Local deixou de apreciar, de forma minimamente analítica e eficaz, os dossies com relatórios SINACOR apresentados pelo Contribuinte, afirmando ser impossível submeter suas informações sobre as operações a cálculo (e também por serem apresentados em papel). Não obstante, justifica que eles não teriam valor probante por terem sido elaborados pela própria empresa autuada. Também, como aponta a Recorrente em sua manifestação, de fato, não há menção a recibos e cartas juntadas aos autos em petição de 31.01.2013, referentes à Operação de Oferta Pública de Ações da BM &F. (32.592 a 32.637). Do mesmo modo, afirma que a determinação expressa dessa C. Turma, para verificação in locu de informações, seria inaplicável, vez que, no entender daquela Unidade Local, a efetividade do serviço prestado só se demonstraria pela existência da operação intermediária. Como mencionado, alguns itens cancelados pelo v. Acórdão da DRJ foram restabelecidos e/ou aumentados, através elaboração de novas planilhas, valendose de informações obtidas apenas nessa nova diligência. Esse é o caso das glosas de despesas com as Taxas de Controladoria do Itaú, no valor original de R$ 389,261,53, em que expressamente afirmase discordar do julgamento da DRJ, acrescentando fundamentação jurídica para seu restabelecimento: Fl. 46597DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.598 39 Frisese que a preocupação aqui não foi analisar, processar e apresentar o conteúdo da documentação e provas apresentadas nos autos, mas apenas refutar o posicionamento adotado pela Instancia de julgamento a quo (limitandose a copiar trecho de um documento, para suportar sua discordância do v. Acórdão da DRJ), o que, mais uma vez, reforça o desvio da função da diligência determinada por esta C. Turma. Mais grave é o ocorrido com as glosas a título de "Despesas com Serviços de Distribuição e Mediação de Títulos e Valores Mobiliários com causa", no valor original de R$ 7.534.587,18, a qual, em face de inúmeros equívocos e imprecisões comprovadas pela DRJ, mesmo após Diligência, foi integralmente cancelada. A Fiscalização, durante a nova diligência, colheu mais informações sobre tal item e acabou por proceder a elaboração de nova planilha, com o fim de apenas restabelecer essa parte da Autuação, no valor novo de R$ 6.386.793,57. O que agrava as circunstâncias é o fato de ter a Unidade Local se valido de novas glosas, referentes a Agentes Autônomos (prestadores de serviços) que não faziam parte do lançamento de ofício, originalmente procedido, assim como cambiou todas as informações numéricas dessa tabela, já declarada inválida pela DRJ (vide fls. 46.432 e 46.436). Fl. 46598DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.599 40 O mesmo ocorreu em relação ao item "Despesas com Serviços de Distribuição e Mediação de Títulos e Valores Mobiliários sem causa" quando, da mesma forma, a Fiscalização restabeleceu parte deste item, parcialmente cancelado, através da elaboração de nova planilha. É o caso dos pagamentos efetuados a N.M. Rothschild & Sons, integralmente excluído pela DRJ, mas recomposto pela Fiscalização, que também alterou valores utilizados no cálculo. Também foram adicionadas glosas de despesas referentes a operações com terceiros que não constavam do valor original. Inclusive, aponta tal inovação da legenda de sua tabela: Nesse sentido, claramente não se procedeu a um trabalho analítico, objetivo e técnico de aprofundamento dos fatos expressos nas provas carreadas aos autos, o que furta qualquer confiança que deveria ser creditada a este procedimento. Analisando minuciosamente o relatório, concluíse que todos os esforços empreendidos se voltaram a trazer novas informações e elementos para modificar o lançamento Fl. 46599DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.600 41 de ofício, já, teoricamente, aperfeiçoado, supostamente dotado de certeza e liquidez. Procedeu se como se estivesse diante de nova chance de fiscalização e de lavratura da Autuação, em face de uma primeira tentativa frustrada e inválida. E, como mencionado, passouse a justificar os erros cometidos, ponderando a procedência ou não do posicionamento contido no v. Acórdão proferido pela DRJ. A Unidade Local não se reveste de Autoridade Julgadora ou revisora de lançamento. Assim, é certo que as informações foram trazidas agora de modo contaminado e indissociável às conjecturas da Autoridade Local, não podendo ser extraída, ou mesmo recomposta, a conclusão obtida de maneira imparcial havendo mais de 40.000 (quarenta mil) documentos acostados aos autos. Diante de todo o exposto, resolvese por converter o julgamento em diligência, remetendose os autos do presente feito, novamente, à Unidade Local, para que: 1) sejam analisados todos os documentos acostados aos autos (inclusive os dossiês e relatórios SINACOR), sem qualquer juízo de valor, elaborandose claro e conciso relatório, exprimindo todas as informações lá constantes, categorizandoas, de forma objetiva, apontando em que documento constam e a que infração se relacionam; 2) igualmente, como já determinado anteriormente, deve se diligenciar (trabalho in locu) para obter as informações e confirmações de pagamento e recolhimento de tributos dos prestadores de serviços, agentes e terceiros, mesmo que estes tenham ficados silentes quando intimados; 3) deverá ser considerado pela Autoridade Fiscal o lançamento de ofício, originalmente procedido, com as reduções já efetuadas pela DRJ, desconsiderandose qualquer suposto novo elemento infracional, não colhido antes de sua lavratura; 4) por fim, se constatada a improcedência de algum item do lançamento, deverá ser apresentada novo cálculo, sendo vedado o aumento de exação ou recomposição de itens cancelados. O Relatório deverá trazer a fundamentação técnica da exoneração ou manutenção dos valores envolvidos. Fl. 46600DF CARF MF Processo nº 16327.720452/201120 Resolução nº 1402000.422 S1C4T2 Fl. 46.601 42 5) Após a formulação e juntada o Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 46601DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.722008/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2012
DEDUÇÃO. DESPESAS DO LIVRO CAIXA. Somente são dedutíveis as despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. A dedução das despesas está limitada as receitas escrituradas no livro caixa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:2012 DEDUÇÃO. DESPESAS DO LIVRO CAIXA. Somente são dedutíveis as despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. A dedução das despesas está limitada as receitas escrituradas no livro caixa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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DESPESAS DO LIVRO CAIXA. Somente são dedutíveis as despesas necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. A dedução das despesas está limitada as receitas escrituradas no livro caixa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 08 /2 01 4- 74 Fl. 516DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10665.722008/201474 Acórdão n.º 2402005.587 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, o contribuinte supra identificado foi notificado a recolher Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$20.238,15 decorrente da glosa de dedução de Livro Caixa no valor de R$95.046,80 visto que, mesmo intimado, não atendeu ao pedido de comprovação das referidas despesas deduzidas. Tendo em vista que o contribuinte apresentou a documentação posterior a notificação, o lançamento foi revisto através do Termo Circunstanciado das folhas 476 e 477 e do Despacho Decisório nº 1045 de 04/11/2015 (fl. 478) que alterou o Imposto Suplementar para R$12.313,20. O notificado apresentou manifestação de inconformidade ao Termo Circunstanciado e ao Despacho Decisório nº 1045/2015 em 29/12/2015 ao que chamou de impugnação. No documento, o contribuinte alega que o motivo da glosa teria sido o fato de ter deduzido despesas superiores ao total dos rendimentos. Segundo o impugnante, as despesas estão limitadas aos rendimentos auferidos de pessoas físicas e jurídicas, reconhecidas pelo fisco no montante de R$79.924,70. O sujeito passivo foi cientificado, da Notificação de Lançamento (NL) em 17/09/2014 (fl.08) e apresentou impugnação em 10/10/2014 (fl.02), alegando, em síntese, que todos os seus rendimentos decorrem do trabalho da pessoa física, exceto aposentadoria e aluguéis nos valores de R$25.607,63 e R$13.877,57, respectivamente e, portanto, cabível a dedução de dependentes, previdência oficial e despesas médicas. Aduz que as despesas não excederam o total de receitas no ano e que lhe é permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses subseqüentes. O impugnante pretende que sejam consideradas despesas no livro caixa no valor de R$87.311,70 tendo como base de incidência o valor de R$28.804,24 consideradas as demais deduções. Aduz o contribuinte que subtraindose as despesas de 12/2012 no valor de R$10.606,20 têmse as despesas dedutíveis de livro caixa no valor de R$85.430,60 perfazendo uma base de cálculo do IRPF de R$30.685,34 (fl.483). Cita a publicação da RFB Perguntas e Respostas – 2006 ( perguntas 385, 386, 393 e 394) para afirmar que a dedução de despesas do livro caixa está limitada ao valor das receitas auferidas no mês recebidas de pessoas físicas e pessoas jurídicas. Conclui requerendo a improcedência do lançamento e extinção do crédito tributário e alternativamente sejam consideradas as despesas de livro caixa nos valores de R$87.311,70, R$85.430,60 e R$82.823,71, conforme explica na impugnação da folha 485, suspensão da exigibilidade do crédito tributário e tratamento preferencial. Tendo em vista o disposto na Portaria nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e Fl. 518DF CARF MF 4 conforme definição da CoordenaçãoGeral de contencioso administrativo e judicial da RFB, o presente eprocesso foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou a impugnação do Recorrente improcedente alegando, em relação a dedução de despesas do livro caixa, que a dedução deve ser limitada a receita escriturada no livrocaixa, ou seja, R$28.818,01. O contribuinte deseja que sejam aceitas as receitas decorrentes dos serviços prestados sem vínculo empregatício às empresas Instituto de Previdência dos Servidores Militares de MG, CNPJ nº 17.444.779/000137 no valor de R$15.704,70 e à AGROS Instituto UFV de Seguridade Social, CNPJ nº 20.320.487/000105 no valor de R$35.588,00, totalizando R$51.292,70 que adicionados aos rendimentos escriturados de R$25.919,00 somam R$77.211,70 que é inferior a dedução utilizada na DAA (R$95.046,80). Todavia, alega que o contribuinte não registrou as receitas decorrentes desta duas fontes no livro caixa, do que se conclui serem independentes das despesas deduzidas, logo, não foram registradas em não integram o limite de dedução em consonância como o inciso III e §3º do artigo 6º da Lei nº 8.134/1990, supracitada. Cientificado da decisão de primeira instancia em 18/03/2016, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 495/514, em 15/04/2016, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: a) não se conforma com a interpretação literal da lei realizada pela primeira instancia, pois o próprio relato reconhece que o contribuinte obteve rendimentos do trabalho não assalariado superior ao escriturado no livro caixa. b) O parágrafo 1º do artigo 11 da Lei 7.713/88 não exige que as receitas decorrentes de atividade sem vínculo empregatício sejam escrituradas apenas em livro caixa. c) Aduz que o próprio programa da Receita Federa IRPF não admite lançamento de receitas recebidas das pessoas jurídicas como repasse das prestações de serviço sem vínculo empregatício efetuadas pelo contribuinte em seu escritório aos conveniados. Alega que não há campos para se lançar o CNPJ do titular do pagamento, apenas CPF. d) Que o comprovante de rendimentos (fl. 450), contrato (fls. 452 a 463) e demais anexos atestam que a prestação de serviços sem vínculo empregatício foi realizada em seu consultório. e) Que o valor das despesas dedutíveis está limitado ao valor da receita mensal recebida pelo contribuinte pelos serviços não assalariados, conforme legislação tributária e orientação da Receita Federal em seu respectivo site. Por fim, o contribuinte clama pela reforma da decisão de primeira instancia requerendo: a) procedência do recurso voluntário e extinção do crédito tributário uma vez que o total de rendimentos auferido pelo contribuinte (R$ 126.796,90) suporta todas as despesas escrituradas em livro caixa, despesas com dependentes, contribuição a previdência oficial e despesas médicas; b) alternativamente, considerar como total de rendimentos do contribuinte aquele excluído dos rendimentos de aposentadoria e aluguel (R$ 87.311,70); Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10665.722008/201474 Acórdão n.º 2402005.587 S2C4T2 Fl. 4 5 c) alternativamente, que sejam consideradas como despesas dedutíveis no LivroCaixa R$ 85.430,60 e demais despesas dedutíveis; d) em remota hipótese, considerar as despesas no LivroCaixa como R$ 82.823,71, valor equivalente ao total de receitas do trabalho não assalariado já reconhecido na decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 18/03/2016, interpôs recurso voluntário no dia 15/04/2016, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA Pela leitura do auto, constatase que a divergência encontrase no fato da autoridade originária não considerar para fins do limite de despesas a serem deduzidas o montante de receitas que não foram registradas em livrocaixa. Em outras palavras, tendo em vista as receitas declaradas, o Recorrente informou que, no ano de 2012, obteve rendimentos do trabalho não assalariado no valor de R$ 79.924,70 (R$ 54.005,70 de PJ e R$ 25.919,00 de PF), porém deduziu despesas de livrocaixa no valor de R$ 95.046,80. No entanto, constatouse que as receitas declaradas no livrocaixa montam R$ 28.818,01, conforme doc. de fls. 413/442. Desta forma, seguindo a orientação da fiscalização a autoridade de origem determinou que o teto de dedução a título de livrocaixa seria de R$ 28.818,01 e não R$ 95.046,80, conforme demonstrado abaixo: Tendo em vista o acima, entendo, assim como as autoridades de primeira instancia que as receitas adicionais recebidas, que não aquelas escrituradas no livro caixa, sao independentes das despesas deduzidas, desta forma, não integram o que deve ser considerado para o limite de dedução em consonância como o inciso III e §3º do artigo 6º da Lei nº 8.134/1990, supracitada. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10665.722008/201474 Acórdão n.º 2402005.587 S2C4T2 Fl. 5 7 Firme no entendimento exposto, voto por CONHECER, mas NEGAR PROVIMENTO ao recurso de forma a manter o Crédito Tributário. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003263/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.912271/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.940
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 1/ 20 12 -3 2 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912271/201232 Resolução nº 3402000.940 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912271/201232 Resolução nº 3402000.940 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912271/201232 Resolução nº 3402000.940 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
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