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Numero do processo: 10380.006736/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA.
É da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo a exigência de crédito tributário de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 1103-000.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Segunda Seção de Julgamento deste Conselho.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA. É da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo a exigência de crédito tributário de contribuição previdenciária.
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COMPETÊNCIA. É da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo a exigência de crédito tributário de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Segunda Seção de Julgamento deste Conselho. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 36 /2 01 0- 06 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10380.006736/201006 Acórdão n.º 1103000.865 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração por falta de pagamento de contribuição previdenciária (fls. 002)1. Em face de tempestiva impugnação (fls. 41), a 5ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG julgou procedente o lançamento mediante o Acórdão nº 0935.011/2011 (fls. 62), assim ementado: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 DEBCAD 37.255.8895 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário." Cientificada do acórdão por via postal em 17/06/2011 (fls. 68), a Prefeitura interpôs recurso voluntário no dia 7 do mês seguinte (fls. 69). É o relatório. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10380.006736/201006 Acórdão n.º 1103000.865 S1C1T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Viuse no relatório que a exigência tributária é relativa a contribuições previdenciárias. O regimento Interno do Carf (Ricarf) aprovado pela Portaria MF 256/2009 atribuiu às turmas da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de tal matéria. Assim prescreve o Ricarf, no Anexo II: "Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo." Vêse, assim, que os autos devem ser transferidos à Segunda Seção de Julgamento para distribuição por sorteio a uma das turmas que integram aquele colegiado competente para processar o julgamento do recurso voluntário interposto. Conclusão Pelo exposto, devese declinar competência para a Segunda Seção de Julgamento deste Conselho. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10380.006736/201006 Acórdão n.º 1103000.865 S1C1T3 Fl. 5 4 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720138/2006-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO POR VICIO FORMAL. CONSTITUIÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, objeto de lançamento anterior anulado por vício formal, extingue-se com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão anulatória.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em Mandado de Procedimento Fiscal, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz.
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUTORIZAÇÃO DE REEXAME. EQUIVALÊNCIA.
Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal torna desnecessária a autorização para segundo exame, já que as autoridades competentes para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal também o são para a autorização do segundo exame. Assim, a revisão do lançamento em reexame de exercício já fiscalizado, se presente à autorização para a realização do procedimento fiscal, firmada por autoridade competente, não acarreta a nulidade do auto de infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS COM AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Apuradas divergências de valores tributados a menor, quando do confronto entre os valores escriturados em livros fiscais e levado à DIRPJ com as notas fiscais emitidas, correto haverem sido consideradas tais diferenças como omissão de receitas.
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTES APLICÁVEIS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO.
A base imponível do lucro presumido é apurada mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando demonstrado que se trata de pessoa jurídica que se dedica à atividade de prestação de serviços.
LUCRO PRESUMIDO. PESSOA JURÍDICA COM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE. IMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MAIS ELEVADA.
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder á percentual mais elevado
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminares rejeitadas
Recurso negado.
Numero da decisão: 1101-000.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente designado para formalização de acórdão.
JOSE RICARDO DA SILVA - Relator
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício Júnior e Marcelo de Assis Guerra (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente designado para formalização de acórdão. JOSE RICARDO DA SILVA - Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício Júnior e Marcelo de Assis Guerra (Suplente Convocado).
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO POR VICIO FORMAL. CONSTITUIÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, objeto de lançamento anterior anulado por vício formal, extingue-se com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão anulatória. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em Mandado de Procedimento Fiscal, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUTORIZAÇÃO DE REEXAME. EQUIVALÊNCIA. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal torna desnecessária a autorização para segundo exame, já que as autoridades competentes para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal também o são para a autorização do segundo exame. Assim, a revisão do lançamento em reexame de exercício já fiscalizado, se presente à autorização para a realização do procedimento fiscal, firmada por autoridade competente, não acarreta a nulidade do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS COM AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Apuradas divergências de valores tributados a menor, quando do confronto entre os valores escriturados em livros fiscais e levado à DIRPJ com as notas fiscais emitidas, correto haverem sido consideradas tais diferenças como omissão de receitas. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTES APLICÁVEIS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. A base imponível do lucro presumido é apurada mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando demonstrado que se trata de pessoa jurídica que se dedica à atividade de prestação de serviços. LUCRO PRESUMIDO. PESSOA JURÍDICA COM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE. IMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MAIS ELEVADA. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder á percentual mais elevado LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas Recurso negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO POR VICIO FORMAL. CONSTITUIÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, objeto de lançamento anterior anulado por vício formal, extinguese com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão anulatória. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em Mandado de Procedimento Fiscal, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUTORIZAÇÃO DE REEXAME. EQUIVALÊNCIA. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal torna desnecessária a autorização para segundo exame, já que as autoridades competentes para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 38 /2 00 6- 87 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 3 2 emissão do Mandado de Procedimento Fiscal também o são para a autorização do segundo exame. Assim, a revisão do lançamento em reexame de exercício já fiscalizado, se presente à autorização para a realização do procedimento fiscal, firmada por autoridade competente, não acarreta a nulidade do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS COM AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Apuradas divergências de valores tributados a menor, quando do confronto entre os valores escriturados em livros fiscais e levado à DIRPJ com as notas fiscais emitidas, correto haverem sido consideradas tais diferenças como omissão de receitas. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTES APLICÁVEIS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. A base imponível do lucro presumido é apurada mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, quando demonstrado que se trata de pessoa jurídica que se dedica à atividade de prestação de serviços. LUCRO PRESUMIDO. PESSOA JURÍDICA COM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE. IMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MAIS ELEVADA. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder á percentual mais elevado Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 4 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente designado para formalização de acórdão. JOSE RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício Júnior e Marcelo de Assis Guerra (Suplente Convocado). Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório EICO SISTEMAS E CONTROLES LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 15.732.282/0001 99, com domicílio fiscal na cidade de Belém – Estado de Pará, à Rua A, nº 1 – Conjunto Pedro Teixeira Bairro Coqueiro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 318/321, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, da decisão que julgou procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infrações de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 327/360. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, em 15/12/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ; Programa de Integração Social – PIS; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 06/28), com ciência por AR, em 20/12/2006 (fl. 33), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 64.040,27 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo ao exercício de 1999, correspondente ao anocalendário de 1998. Necessário se faz anotar, que o presente processo tem origem no processo nº 10280.001422/200316, considerado nulo, por vicio formal, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, conforme Acórdão nº 3.145, de 14 de outubro de 2004, cuja ementa se transcreve abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE. VÍCIO FORMAL. A falta de ciência do sujeito passivo das prorrogações de prazo do MPF fere as disposições da Portaria SRF n° 3 007/2001 e caracteriza vício insanável de ordem formal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. Se este é anulado, idêntico tratamento deve ser reservado àqueles. Lançamento Nulo No uso da competência atribuída pelo art. 25 do Decreto n. ° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações posteriores, c/c a Portaria n. ° 258, de 24 de agosto de 2001, do Ministro de Estado da Fazenda e vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 6 5 ACORDAM os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por maioria de votos, em conhecer da impugnação, nos termos do relatório e voto vencedor que passam a integrar o presente julgado, e considerar nulo o lançamento contestado. Vencido o relator Lizandro Rodrigues de Souza, por entender que a irregularidade do MPF não configura vício insanável ao lançamento. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receitas da atividade caracterizada pela diferença a maior de valores de vendas de mercadoria e serviço do contribuinte, constante do Demonstrativo de Vendas de Mercadorias e Serviços do Contribuinte, fls. 479 a 483, e Demonstrativo do Valor Tributável do IRPJ/CSLL, fls. 487, em relação aos valores lançados na ficha 14, do 1º ao 4º trimestre, fls. 432 a 435, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, ND 0350587, anocalendário 1998. Infração capitulada nos arts. 15 e 24, da Lei n° 9.249, de 1995; art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995 c/c art. 25, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do próprio Auto de Infração (fls. 06/28), baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que os valores do Demonstrativo de Vendas de Mercadoria e Serviço do Contribuinte, fls. 479 a 483 foram obtidos dos clientes do autuado através das intimações e respectivas respostas constantes das fls. 17 a 418; que intimado a justificar as diferenças apuradas pela fiscalização, fls. 419 a 425, o contribuinte em sua manifestação as fls. 426 a 428 não apresentou nenhum fato ou prova que alterasse o convencimento da fiscalização sobre a omissão de receita apurada; que no presente Auto de Infração, todas as referências feitas a folhas são relativas ao processo administrativo fiscal nº. 10280.001422/200316; que o presente Auto de Infração consta do processo administrativo fiscal n.° 10280720.138/200687, que encontrase apenso ao processo administrativo fiscal nº 10280.001422/200316. Em sua peça impugnatória de fls. 35/64, instruída pelos documentos de fls. 65/314, apresentada, tempestivamente, em 19/01/2007, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infrações, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que tornase ainda relevante, lembrar, que o presente auto de infração, trata da mesma matéria apresentada no auto de infração de n2. 0210100/0036206, e que foi declarado nulo, em razão de vícios formais. Sendo que, posteriormente, foi autorizado pela nobre Delegada da Receita Federal, a Dra. CLÁUDIA GORRESEN MELLO, a execução de procedimento fiscal nos termos do que prevê o RIR/99 (Decreto nº 3000, de 26/03/1999), devendo o mandado expedido ser executado até 16/02/2007; que o referido Mandado, entre outras ordens, determina que o contribuinte seja informado do seu inteiro teor, fato que não ocorreu no presente caso, o qual foi apenas intimado quando da apresentação dos autos de infrações; Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 7 6 que o certo é que a intenção do legislador é de dar ao contribuinte todos os meios de defesa necessários para provar a sua regularidade fiscal, assim como, afastar qualquer espécie de abuso por parte das autoridades públicas, além de possibilitar, como no presente caso, que o fisco reveja o seu antigo ato, permitindo corrigir antigos erros. Merece destaque ainda, o fato de a Administração Pública estar vinculada ao princípio constitucional da legalidade, o qual foi completamente desobedecido; que conforme pode ser constatado no Mandado de Procedimento Fiscal (Fiscalização Nº.02.1.01.002006003623), que deu início ao procedimento fiscal, não houve qualquer comunicado ao contribuinte, relativo a tal ato administrativo, ocorrência que violou o previsto no art. 196, do CTN, assim como, o estabelecido no RIR/99 e no Decreto n.1.041, de 11 de janeiro de 1994, e que regulamentou a matéria até ser revogado pelo Decreto n.3.000 de 26 de março de 1999; que percebese em seguida que atrelou seu ato a uma determinação da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém. Ocorre que o Acórdão citado, e anexado às fls.614, do auto declarado nulo, em nenhum momento manda ser realizada nova autuação; que dessa forma, é fácil se chegar a conclusão que o nobre fiscal, descumpriu a ordem de sua superior hierárquica, única ordem capaz de dar início ao procedimento de fiscalização, pois, nem a decisão da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, nem os dispositivos legais citados, mandaram ser instaurado o presente processo fiscal. Ora, se agiu em descumprimento ao Mandado da supracitada Delegada, agiu sem legitimidade, e em claro desrespeito ao ordenamento jurídico. Cabe destacar, que, mesmo que tivesse agido em cumprimento a ordem da P. Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, o presente Auto de Infração estaria NULO, pois o DD. Fiscal, só estaria autorizado a realizar procedimento fiscal sobre o IRPJ, e não sobre lançamentos de PIS, COFINS e CSLL (conforme percebeu o DD. DR. NILTON COSTA SIMÕES, em seu brilhante voto); que em face ao princípio da legalidade, o qual obriga a Administração Pública a conduzir seus atos de acordo com o estritamente previsto em Lei, e em sendo a atividade fiscal uma atividade administrativa plenamente vinculada, devendo estar prévia e exaustivamente descrita na norma jurídica, qualquer ato administrativo (e o lançamento é uma espécie de ato administrativo) que não esteja em conformidade com o previsto em Lei, deverá ser declarado nulo e, posteriormente, se for o caso, retificado. Como foi o que ocorreu no Auto de Infração de nº. 0210100/00141/02, que deu origem a este, e foi anulado por vício formal; que no presente caso, temse que a fiscalização ao deixar de dar ciência ao contribuinte, do início da fiscalização, assim como, desobedecer a ordem emanada da Delegada CLÁUDIA GORRESEN MELLO, de realizar o REEXAME DO PERÍODO LÁ FISCALIZADO (teor da regra prevista no RIR/99), violou os princípios do devido processo legal e da legalidade, agindo portanto, de forma ilícita, produzindo um ato nulo, sem efeitos, carecedor, devendo assim, ser declarado NULO; que a contribuinte, o optou por ser tributada com base no lucro presumido, assim, qualquer cobrança de imposto de renda, deveria inicialmente observar que a sua atividade envolve o fornecimento de produtos e a prestação de serviços, o que leva consecutivamente a taxação de 8% (oito por cento) no primeiro caso, e 32% (trinta e dois por cento) no segundo, da receita bruta aferida; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 8 7 que ocorre que, como pode ser observado, o Ilmo. Sr. Fiscal, repete o que fez no auto de infração anterior (fls.480, 481, 482 e 483), caindo em erro novamente, quando imputa ao contribuinte uma tributação com base em um percentual de 32% (trinta e dois por cento), fato que por si só é suficiente para que seja declarado NULO o presente ato administrativo; que a forma equivocada de cobrança tributária, também foi aplicada sobre a CSLL, a COFINS e o PIS, onde também deixou de considerar que a atividade da contribuinte é de prestar serviços, e atrelado a idéia de omissão de receita, acabou por presumir a existência de um crédito tributário; que não existiu assim, a separação do que é produto fornecido e o que é prestação de serviços, apensar da tal constatação se de fácil comprovação. Sendo que a perícia realizada pelo nobre fiscal, não está impregnada da melhor técnica; que em sendo assim, não há como se admitir que meras presunções possam fazer nascer a obrigação tributária, possam servir para caracterizar a ocorrência do fato gerador, eis que, admitir tal possibilidade seria possibilitar, em tese, a cobrança de tributo sem a ocorrência do fato gerador; que levandose em consideração que o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, não resta dúvida que o presente auto está eivado de nulidade; que com relação ao CSLL, ao PIS e ao COFINS, cabe destacar que a presunção aqui também se operou, uma vez que não foi levado em consideração o que é fornecimento de produto e o que é realmente prestação de serviço, tudo claro, em conformidade com o que previa a legislação de época; que desta forma, a fiscalização utilizandose de falsas premissas e suposições infundadas celebrou a autuação, sem, ao menos, levantar os documentos necessários para aferir o real valor do crédito que se presume que exista; que tal levantamento, insistase, deveria ter sido feito pelo fisco, aliás, deveria ser conseqüência natural de uma instrução probatória e de uma análise séria e acurada dos documentos fiscais apresentados pela recorrida. Tal ausência de levantamento escorreito importa, em última análise, em cerceamento do direito de defesa; que caso o DD. Fiscal, realmente tivesse feito o reexame do procedimento fiscal, poderia ter desconsiderado os valores declarados inconstitucionais. Aqui também está mais uma prova, que o presente auto de infração deve ser declarado NULO. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 16 de outubro de 2008, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 9 8 que o lançamento anterior foi anulado através do Acórdão n° 3145 de 14 de outubro de 2004 e o novo lançamento efetuado em 20/12/2006. Dessa feita, nos termos do art. 173, II, do CTN, não há que se falar em decadência; que não resta dúvidas de que todos os elementos necessários ao lançamento já estavam em poder da fiscalização pois constavam do processo10280.001422/200316 e que não há qualquer nulidade, violação aos princípios constitucionais do contraditório, da legalidade, publicidade, razoabilidade, do devido processo legal ou cerceamento do direito de defesa pelo fato da fiscalização lavrar o auto de infração, se dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração, mesmo não constando dos autos que o sujeito passivo tenha sido regularmente consultado ou intimado a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo; que impõese esclarecer à contribuinte que, em sentido técnico, não há lugar a argüições de cerceamento do direito de defesa e de ofensa ao contraditório antes de iniciado o prazo para impugnação do auto de infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório. É que a fase litigiosa do procedimento fiscal inaugurase apenas com a impugnação, nos termos do art. 14 do Decreto n° 70.235, de 1972. A ação fiscal é fase préprocessual, em que se verifica e investiga o cumprimento das obrigações tributárias, não havendo exigência de crédito tributário e nem, por conseqüência, resistência a ser oposta pelo fiscalizado. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio, fazendose absolutamente descabidos os argumentos invocados pela impugnante; que também são improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário; que destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; que a empresa não provou que a origem das notas fiscais foi referente a atividade de construção por empreitada e se assim fosse, esta não poderia ter optado pelo lucro presumido tendo em vista o inciso II supra; que a impugnante acusa que a fiscalização teria partido de presunções para declarar a omissão de recolhimento de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, mas não se constata a utilização, pela fiscalização, de presunções, visto que as receitas omitidas foram detectadas pela diferença a maior entre valores de vendas de mercadorias e serviços da contribuinte, calculados conforme notas fiscais, e receitas informadas em declaração de rendimentos. Logo, não houve a utilização de presunção, mas sim a tributação de receitas, detectadas através da emissão de notas fiscais por parte da contribuinte. Não houve também a utilização pelo fisco de confissão de divida da contribuinte, visto que a emissão de notas fiscais é a prova mais cabal da ocorrência do faturamento da empresa, dispensandose no caso qualquer confissão; que por fim, também não pode prosperar a alegação de que se a fiscalização realmente tivesse feito o reexame do procedimento fiscal, poderia ter desconsiderado os valores declarados inconstitucionais relativos a base de cálculo do PIS e COFINS, visto que a fiscalização se pautou em receitas de vendas de mercadorias e serviços, ou seja, na receita Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 10 9 bruta ou faturamento da empresa que é justamente a base de cálculo considerada constitucional do PIS e COFINS. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RESTABELECIMENTO DE EXIGÊNCIA ANULADA POR VÍCIO FORMAL. DECADÊNCIA. No caso especifico do restabelecimento de exigência anulada por vício formal, contase o prazo qüinqüenal da decadência da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou o lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN. INTIMAÇÃO PRÉVIA. MPF. CIÊNCIA. Antes da lavratura da auto de infração, não há necessidade de intimação prévia do contribuinte, caso exista todos os elementos necessários para configurar a infração. Não há descumprimento da legislação que regula o MPF quando providenciada a sua ciência no primeiro ato de oficio praticado pela autoridade fiscal, mesmo que este seja a ciência do lançamento. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/12/2008, conforme Termo constante à fl. 326, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (19/01/2009), o recurso voluntário de fls. 327/360, instruído pelos documentos de fls. 361/506, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a Medida Provisória n.º 449, anistia dívidas de contribuintes de até R$ 10 mil com a União, contraídas até 31 de dezembro de 2007, e vencidas há cinco anos ou mais. Devendo ser aplicada no presente caso, conforme será demonstrado; que pelo texto da lei, fica claro, que o contribuinte tem direito a anistia, dos débitos representados no presente caso, pela DARFS de Código 2986 (valor de R$ 5.122,63) e Código 2973 (valor de 7.172,84). Assim, desde já, solicita a parte o perdão de parte do seu débito; que em razão dos argumentos apresentados, e em decorrência da presente cobrança estar relacionada a débitos de IRPJ, PIS, COFINS E CSLL, do exercício financeiro de 1998, não resta dúvida que decaiu o direito do Fisco Federal em cobrar tais tributos; que a administração pública, ao se deparar com um ato seu contrário ao ordenamento jurídico, possui não só o poder, mas sim, e mormente, o dever de declarar sua anulação, sob pena de estar perpetuando uma situação contrária à lei e/ou a moral; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 11 10 que conforme narrado foi formalizado pelo Fisco Federal, um documento que atesta o início da fiscalização, assim como, o prazo que possivelmente esta encerraria, tudo em conformidade com o que manda o Código Tributário Nacional e o RIR/99. Ocorre que, o ordenamento jurídico brasileiro, também manda, que o contribuinte seja intimando de tal ato administrativo; que é obrigação imposta pelo Código Tributário Nacional, que a autoridade administrativa ao iniciar a fiscalização no local, tem o dever de registrar o início dessa diligência, assim como, fixar o prazo máximo para a sua conclusão, ato que aconteceu no presente caso. O que não ocorreu foi a ciência da contribuinte do ato administrativo (fiscalização) que estava para nascer. Ato este, que nasceu de uma autoridade hierarquicamente superior aos fiscais que executaram o presente auto de infração; que ora, a preocupação do legislador é justificada, já que a pressa ou o tempo poderá causar alguns desvios da finalidade pública, viciando o processo administrativo, constrangendo o contribuinte, que deve ser encarado como cidadão e não como sonegador, devendo portanto a este ser dada a ciência do procedimento que iniciara. Desvio que pode ser facilmente identificado no presente caso, onde os nobres fiscais, por algum equivoco, esqueceram qual foi o comanda dado pela Delegada CLÁUDIA GORRESEN MELLO, e pela legislação. Deixando de realizar o reexame do procedimento fiscal, para de pronto autuar a empresa contribuinte; que os argumentos aqui apresentados, a nosso ver não foram devidamente enfrentados pelo julgador de P. instância, merecendo portando, ser novamente apreciados em 2°. Grau. O fato é que está provado que houve presunção no presente caso, devendo ser declarado nulo o presente processo. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro JOSE RICARDO DA SILVA, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar dos autos do processo se verifica, que a ação fiscal em discussão versa sobre a imputação na omissão de receitas caracterizada pela diferença a maior entre valores de vendas de mercadorias e serviços do recorrente, calculados conforme notas fiscais, e receitas declaradas em declaração de rendimentos. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração (fl. 07), o lançamento foi realizado para restabelecer a exigência existente no processo n° 10280.001422/200316, no qual este processo foi apensado, anulada por vício de forma, conforme Acórdão n° 3145 de 14 de outubro de 2004 (fls. 614 a 619 do processo n° 10280.001422/200316). A decisão recorrida manteve integralmente o lançamento. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o recorrente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta a argüição de decadência e suscita várias preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, bem como ataca a matéria de mérito. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende na argüição de decadência e nas preliminar de nulidades e, no mérito, a discussão abrange a omissão de receitas para os optantes pelo sistema de tributação simplificada (Lucro Presumido). 1 QUANTO AS PRELIMINARES DE NULIDADES Quanto à decadência, verificase que o artigo 173, II do Código Tributário Nacional estabelece que o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Portanto, a anulação de ato administrativo por vício formal devolve à Fazenda Pública a possibilidade da feitura de novo lançamento sobre a mesma matéria tributável. É nesse sentido, que caminha a jurisprudência administrativa tributária, desta Corte, conforme se constata no julgado baixo: Primeiro Conselho de Contribuintes. Primeira Câmara. Processo Administrativo Fiscal – Anulação de Lançamento por Vício Formal – Decadência – Novo Lançamento – O artigo 173, II do Código Tributário Nacional estabelece que o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue após Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 13 12 cinco anos da data em que tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Recurso nº 139.666 Recorrente: Industrial Madereira Curuatinga Ltda. Recorrida: 1ª Turma Da DRJ em Belém – PA. – Relator: Caio Marcos Cândido Sessão de 20 de maio de 2005 Acórdão nº 10194.998). A data em que se torna definitiva uma decisão é aquela a partir de quando não se pode mais interpor recurso, nos termos da lei regente do respectivo processo, seja administrativo, seja judicial (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Limonad, 2001, p.167). Vício formal diz respeito a qualquer inexatidão na observância das normas que regem o procedimento do lançamento em si, sua maneira de realização. O vício material, por sua vez, relacionase com a existência dos elementos da obrigação tributária, que é a matéria tratada no lançamento. Registro a possibilidade de coexistirem ambos os vícios em um lançamento. Entretanto, embora a anulação por vício formal abra novo prazo decadencial para lançar, o mesmo não se pode garantir quando está presente um vício material. Por fim, deve ser mencionado o entendimento de SACHA CALMON NAVARRO COÊLHO (2000, p. 225) e de EURICO MARCOS DINIS DI SANTI (2001, p. 181) de que a anulação do lançamento por vício formal somente pode ser efetivada enquanto não extinto o direito da Fazenda, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional. Ressaltese, entretanto, que essa restrição do parágrafo único do art. 149 do CTN parece dizer respeito tãosomente ao lançamento efetuado com vício material ou ausência de lançamento, e não ao lançamento efetuado com vício formal. Isso porque o lançamento com vício formal, conforme visto acima, interrompe o prazo decadencial, impedindo a extinção do direito de lançar. Somente o vício material ou a ausência de lançamento é que permite a continuidade de fluência do prazo decadencial. Assim sendo e como a decisão de Primeira Instância é 14 de outubro de 2004. O termo inicial, portanto começa a ser contado a partir dessa data, encerrandose 5 (cinco) anos depois, 13 de outubro de 2009. O novo lançamento foi notificado em 15 de dezembro de 2006, não tendo ocorrido, portanto, a decadência suscitada. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo recorrente, sob o entendimento de que o Mandado de Procedimento Fiscal deveria ser anulado por conta de não ter sido observadas as determinações contidas na Portaria 1.265, de 1999, notadamente no que se refere à data de ciência ao contribuinte, que, in casu, se teria dado tardia, ferindo o princípio da publicidade que rege os atos administrativos. Além disso, teria sido dada continuidade ao trabalho fiscalizatório sem que fosse dele imediatamente cientificado o contribuinte, o que seria vedado pelo artigo 2º, da citada Portaria. O Auto de Infração, assim, seria nulo, em decorrência de ter tido origem em procedimento viciado. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 14 13 Como visto, o recorrente entendeu que o Auto de Infração é nulo sob o argumento de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi emitido fora dos padrões estabelecidos na legislação de regência. Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão do suplicante no sentido de que as informações sucintas e falha na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. Ao contrário do afirmado pelo recorrente, o artigo 4º, da Portaria 1.265, de 1999, determina que a ciência ao sujeito passivo deve ser dada no início do procedimento fiscal, o qual não ocorre necessariamente na data de emissão do MPF. Ora, se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de oficio será iniciado com a ciência do lançamento. No caso concreto, a fiscalização dispunha de todos os elementos necessários ao lançamento já que este foi realizado para restabelecer a exigência existente no processo n° 10280.001422/200316, no qual este processo foi apensado, que foi anulada por vício de forma, conforme Acórdão n° 3145 de 14 de outubro de 2004 (fls. 614 a 619 do processo n° 10280.001422/200316). Assim, não há vício qualquer a se apontar neste aspecto, já que pela norma procedimental expedida pela Portaria a ciência a ser dada do MPF ao contribuinte não precisa ocorrer na data de emissão do Mandado, como quer fazer valer o recorrente. Ademais, é posição majoritária nesta Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a alguma irregularidade, por ventura, existente no Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 15 14 tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 16 15 Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de impugnação do processo, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). Mesmo que verdadeira fosse a assertiva do recorrente, é de se dizer que eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento sob o argumento da impossibilidade de novo lançamento referente a período já fiscalizado (anocalendário de 1998), a minha posição é pela rejeição dos argumentos apresentados. Alega o recorrente que o nobre fiscal, descumpriu a ordem de sua superior hierárquica, única ordem capaz de dar início ao procedimento de fiscalização, pois, nem a decisão da 1ª Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, nem os dispositivos legais citados, mandaram ser instaurado o presente processo fiscal. Ora, se agiu em descumprimento ao Mandado da supracitada Delegada, agiu sem legitimidade, e em claro desrespeito ao ordenamento jurídico. Cabe destacar, que, mesmo que tivesse agido em cumprimento a ordem da 1ª Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, o presente Auto de Infração estaria NULO, pois o DD. Fiscal, só estaria autorizado a realizar procedimento fiscal sobre o IRPJ, e não sobre lançamentos de PIS, COFINS e CSLL. É de se observar de início, que ficou claro na decisão de Primeira Instância que o presente caso é de lançamento por reexame de período já fiscalizado devidamente autorizado pelo delegado substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, conforme consta do documento de fls. 01. O assunto está disciplinado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), verbis: TÍTULO III – CONTROLE DOS RENDIMENTOS CAPÍTULO I – FISCALIZAÇÃO DO IMPOSTO Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 17 16 Art. 904 – A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985). [...] Art. 906 Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, § 2°, e Lei n° 3.470, de 1958, art. 34). [...] Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências necessárias e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei n.º 2.354/54, art. 7º). É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que a autorização prevista neste dispositivo legal constitui requisito indispensável à formação do lançamento tributário e foi, devidamente, respeitado, conforme consta de forma expressa no Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 01), assinado pelo delegado substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém – PA. Ora, a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal torna desnecessária a autorização para segundo exame prevista no artigo 906 do RIR/99, na medida em que as autoridades competentes para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal também o são para a autorização do segundo exame. Seria pura redundância a dupla exigência. Não tenho dúvidas, de que o fornecimento e a manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de constituição de crédito tributário, através do lançamento, se faz necessário o cumprimento das formalidades previstas em lei. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias somente se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. De fato, o princípio da legalidade baseiase no postulado de que “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei”. Este princípio geral está inscrito no inciso II do artigo 5º da Constituição Federal. Por sua vez, o princípio da tipicidade requer que a lei seja minuciosa, taxativa, evitando o emprego da analogia ou da discricionariedade. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 18 17 Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que o fato gerador da obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de uma fato para dizer se haver ou não haver obrigação tributária. De acordo com a legislação retro transcrita, a única exigência legal para que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil possam proceder a um novo exame em período já fiscalizado é a autorização da autoridade competente para se proceder a reexame de período já fiscalizado. É indiscutível, que o suplicante já sofrera outra fiscalização em relação ao mesmo exercício, conforme documentação contida nos autos. Por outro lado, também é indiscutível, que foi autorizado o reexame pela autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte, ou seja, houve prévia ordem escrita do delegado da Delegacia da Receita Federal para que se procedesse o exame do anocalendário de 1998 (fl. 01). Ora, no caso concreto, a fiscalização dispunha de todos os elementos necessários ao lançamento já que este foi realizado para restabelecer a exigência existente no processo n° 10280.001422/200316, no qual este processo foi apensado, que foi anulada por vício de forma, conforme Acórdão n° 3145 de 14 de outubro de 2004 (fls. 614 a 619 do processo n° 10280.001422/200316). Não resta dúvidas de que todos os elementos necessários ao lançamento já estavam em poder da fiscalização pois constavam do processo10280.001422/200316 e que não há qualquer nulidade, violação aos princípios constitucionais do contraditório, da legalidade, publicidade, razoabilidade, do devido processo legal ou cerceamento do direito de defesa pelo fato da fiscalização lavrar o auto de infração, se dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração, mesmo não constando dos autos que o sujeito passivo tenha sido regularmente consultado ou intimado a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo recorrente, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade fiscal lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 19 18 O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, de que não observou de forma correta os documentos apresentados pelo contribuinte. Inicialmente, verificase que para o recorrente foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendo lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações lavrados, identificam por nome e CNPJ o autuado, esclarecem que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém PA, cuja ciência foi por AR e descrevem, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Fl. 582DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 20 19 Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da imputação de omissão de receitas caracterizada pela diferença a maior entre valores de vendas de mercadorias e serviços da contribuinte, calculados conforme notas fiscais, e receitas declaradas em declaração de rendimentos. Dos Autos de Infrações (fls. 06/28) é possível verificar, que o enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração Fl. 583DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 21 20 cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, argüida pelo recorrente, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, já que a autoridade julgadora teria deixado de se manifestar sobre pontos importantes levantados em sua peça impugnatória, sou pela rejeição pelos motivos abaixo expostos. O recorrente sustenta que a decisão de primeira instância teria violado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Isso porque, segundo o recorrente, os argumentos apresentados não foram devidamente enfrentados pelo julgador de Primeira Instância, merecendo portando, ser novamente apreciados em 2°. Grau. Alega, ainda, que o fato é que está provado que houve presunção no presente caso, devendo ser declarado nulo o presente processo. Resta evidente que o lançamento foi realizado com base nos arts. 15 e 24, da Lei n° 9.249, de 1995; art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995 c/c art. 25, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, a alegação do contribuinte, no sentido de que os referidos dispositivos legais não subsidiariam o lançamento, é totalmente desgarrada da realidade. Nesse ponto, é preciso ressaltar que o contribuinte qualifica como nula a decisão recorrida, por suposto prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório – o que violaria o devido processo legal. Na análise da comparação entre os fundamentos constantes da peça acusatória e os fundamentos constantes da peça decisória, não vislumbro nenhuma Fl. 584DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 22 21 desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela qual a autoridade lançadora procedeu ao lançamento. A preliminar levantada pelo suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora ou à vontade do autuado. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à lei. Ora, a autoridade julgadora, através do voto do relator da matéria, se manifestou sobre as questões mais importantes do litígio, oferecendo o entendimento da Turma Julgadora, bem como a sua fundamentação. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão ao suplicante, já que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, apreciou todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pelo recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pelo suplicante, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão de Primeira Instância. Ora, os autos demonstram, claramente, a infração imputada acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância é cristalina e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pelo suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de Primeira Instância, talvez, não a contento do suplicante, ou seja, o resultado não foi como o suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida, qual seja, a tributação com base em omissão de receitas. É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de ser compreendida no significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou argumento de defesa, bem como quando existe inovação no fundamento do lançamento, seja por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 23 22 Os artigos 29 e 30 do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito, respectivamente, à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas. É claro que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pelo impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Como da mesma forma, o acréscimo de algum esclarecimento sem prejudicar a discussão, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes relatados pelo suplicante, sem introdução de inovação em nenhuma das matérias que abrange o lançamento em discussão. 2 – DA OMISSÃO DE RECEITAS O recorrente protesta ser necessária análise de todos os contratos firmados com os entes da administração pública, para por meio destes identificar o que é fornecimento de produto e o que é prestação de serviço, para que assim pudesse ser aferido o devido percentual do lucro presumido a ser cobrado sobre o faturamento da empresa. Aponta que uma análise das notas fiscais de fls. 73, 75, 79 e 268 do processo n° 10280.001422/200316, levaria a conclusão de que parte do que está sendo cobrado como prestação de serviços, na realidade, seria fornecimento de produto. Ora, no caso de a pessoa jurídica que explora atividades diversificadas deverá ser aplicado especificamente, para cada uma delas, o respectivo percentual previsto na legislação, devendo, separadamente, serem apuradas as respectivas receitas (RIR/1999, arts. 518 e 519, § 3°). As notas fiscais de fls. 73, 75, 79 e 268 são, como se pode perceber de seu corpo e título, notas fiscais de serviço. Logo, a tributação deve ser feita de acordo com o percentual prescrito por lei para a prestação de serviços (32 %), visto que, mesmo constando o fornecimento de medidor e bateria no corpo das referidas notas fiscais, por constar também a prestação de serviço nestas mesmas notas sem a separação dos respectivos valores, devese aplicar o percentual mais elevado por força do parágrafo único do art. 528 do RIR/99 abaixo transcrito: Art. 528.Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei n2 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder á percentual mais elevado (Lei n2 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 24 23 Vale lembrar que as notas fiscais constantes do processo n° 10280.001422/2003 16 são por si, provas contundentes da prestação de serviço e vendas de mercadorias, cabendo ao sujeito passivo fazer prova em contrário, inclusive trazendo aos autos os eventuais contratos que lhes deram origem. A ADN COSIT n° 6/97 não se aplica ao caso presente já que declara: I Na atividade de construção por empreitada, o, percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego, de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O recorrente não provou que a origem das notas fiscais foi referente a atividade de construção por empreitada e se assim fosse, esta não poderia ter optado pelo lucro presumido tendo em vista o inciso II supra. O recorrente acusa que a fiscalização teria partido de presunções para declarar a omissão de recolhimento de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, mas não se constata a utilização, pela fiscalização, de presunções, visto que as receitas omitidas foram detectadas pela diferença a maior entre valores de vendas de mercadorias e serviços do recorrente, calculados conforme notas fiscais, e receitas informadas em declaração de rendimentos. Logo, não houve a utilização de presunção, mas sim a tributação de receitas, detectadas através da emissão de notas fiscais por parte do recorrente. Não houve também a utilização pelo fisco de confissão de divida do recorrente, visto que a emissão de notas fiscais é a prova mais cabal da ocorrência do faturamento da empresa, dispensandose no caso qualquer confissão. Por fim, também não pode prosperar a alegação de que se a fiscalização realmente tivesse feito o reexame do procedimento fiscal, poderia ter desconsiderado os valores declarados inconstitucionais relativos a base de cálculo do PIS e COFINS, visto que a fiscalização se pautou em receitas de vendas de mercadorias e serviços, ou seja, na receita bruta ou faturamento da empresa que é justamente a base de cálculo considerada constitucional do PIS e COFINS. 3 DA MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC Por fim, resta fazer alguns comentários sobre a aplicabilidade da multa de ofício e da cobrança dos juros moratórios com base na Taxa Selic A denominada multa “exoffício” é aplicada, de um modo geral, quando a Fiscalização, no exercício da atividade de controle dos rendimentos sujeitos à tributação, se depara com situação concreta da qual resulte falta de pagamento ou insuficiência no recolhimento do tributo devido. Vale dizer, a penalidade tem lugar quando o lançamento tributário é efetivado por haver o contribuinte deixado de cumprir a obrigação principal, e Fl. 587DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 25 24 dessa omissão, voluntário ou não, resulte falta ou insuficiência no recolhimento do imposto devido. Convém, ainda, ressaltar que as circunstâncias pessoais da suplicante não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do Código Tributário Nacional, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade e extensão dos efeitos do ato. Há que se destacar, ainda, que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídico tributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 26 25 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa Fl. 589DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 27 26 comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Jurídica é um tributo calculado sobre as receitas tributáveis auferidas. Ou seja, é calculado levandose em consideração as receitas tributáveis auferidas, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 28 27 No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10280.720138/200687 Acórdão n.º 1101000.878 S1C1T1 Fl. 29 28 4 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. PIS. COFINS Como se infere do relato, a exigência da CSLL. PIS e COFINS decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 03/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10850.908250/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 50 /2 01 1- 01 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 149 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 882,31. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/04/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 150 3 Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/10/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/11/2013 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. É o relatório. Voto Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 151 4 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição relativo a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 152 5 Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do livro Diário e do balancete, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado, trazendo, adicionalmente, na segunda instância, parte do livro Razão. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 153 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 154 7 fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 3803006.738 S3TE03 Fl. 155 8 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.002734/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005,2006,2007,2008,2009
LUCRO PRESUMIDO.GANHO DE CAPITAL.
Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes das demais receitas devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido observado o regime de competência.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO.
O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em período-base posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado dos julgamento deste feito acompanhe aquele que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes das demais receitas devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido observado o regime de competência. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado dos julgamento deste feito acompanhe aquele que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 34 /2 00 9- 58 Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.170 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0213, com a exigência do crédito tributário no valor de R$297.265,74 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos primeiro, terceiro e quarto trimestres dos anoscalendário de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO Em análise realizada nas declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica DIPJ foi constatada incorreção na apuração do IRPJ da empresa conforme Relatório de Atividade Fiscal anexo a este auto de infração. [...] Arts. 223, 224, 225, 516, §§ 4º e 5º, 518, 519, 541, 758 c/c Lei 11.033/04, 770 e 841 do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 1427 a exigência do crédito tributário no valor de R$130.789,13 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL Em análise realizada nas declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica DIPJ foi constatada incorreção na apuração da CSLL da empresa conforme Relatório de Atividade Fiscal anexo a este auto de infração. [...] Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88 e art. 29 da Lei n" 9 430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. Consta no Relatório de Atividade Fiscal, fls. 2941: A empresa, constituída em 30 de setembro de 1999 [com o] objeto social [...] "Participação em empreendimentos que não necessitem de autorização oficial, inclusive em outras empresas, na condição de acionistas ou cotistas; indústria, comércio e representação de artefatos de metais e a locação de bens móveis, automotores (veículos) e aeronaves." (doc. fls. 655 I 657). […] Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.171 3 DO AVIÃO Conforme informações contábeis e a alteração contratual de 12 de abril de 2001 a empresa recebeu do seu sócio João César Presotto, a título de integralização de capital, uma Aeronave KING AIR, marca BEECH CRAFT, modelo C90, ano 1981, N.Q de série LJ975, Prefixo PTOHH, no valor de R$274.000,00 [...] (doc. fls. 653 / 654). Esta aeronave foi, em 03 de abril de 2006, conforme o Instrumento Particular de Compra e Venda com Reserva de Domínio, vendida para a empresa P.H. Transportes e Construções Ltda pelo valor de R$700.000,00 [...] (doc. fls. 350 / 352). Considerando os dados constantes da documentação apresentada foi analisado se o resultado da operação de venda foi corretamente apurado. Nesta análise foi constatado que a Jocep não ofereceu à tributação o valor do ganho obtido entre a diferença do custo de aquisição da aeronave e o valor efetivamente recebido pela sua venda. [...] Mais uma vez constatase divergência entre o valor apurado pela empresa e o efetivamente ocorrido. Aqui, o que ocorreu foi que, além de ter sido utilizado um valor de custo indevido, quando da apuração do resultado da operação foi considerado como redução do ganho na venda da aeronave a perda ocorrida na venda dos veículos recebidos como parte do pagamento (doe. fls. 456, 501 e 505). Este procedimento é totalmente indevido em razão das operações de venda serem distintas. A venda da aeronave foi efetivada com o recebimento do valor em moeda nacional e em bens automotivos e deve ser apurado o resultado considerando estes valores e neste momento. Quando da venda dos bens automotivos deverá ser efetuada apuração de resultado da operação destes bens e considerando seus valores de aquisição e de venda. [...] Conforme legislação de regência o ganho a ser tributado deverá ser apurado no mês de realização do negócio e será correspondente a diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição (valor contábil). Assim, pelos motivos acima expostos a apuração do resultado decorrente da venda da Aeronave KING AIR, marca BEECH CRAFT, modelo C90, ano 1981, N . s de série LJ975, Prefixo PTOHH por R$700.000,00 deve considerar como custo de aquisição o valor de R$274.000,00. A diferença apurada, neste momento, entre o custo do bem e o valor obtido pela sua venda deve ser oferecido a tributação como ganho de capital. DOS IMÓVEIS Da totalidade dos imóveis pertencentes a Jocep em 01 de janeiro de 2004 (doc. fls. 123 I 129), os quais foram relacionados em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal datado de 20 de maio de 2009, quatro foram vendidos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2008. As matrículas dos imóveis que a empresa se desfez são as de número: 12.435 (parte), 12.120, 12.166 e 12.163 (parte). Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.172 4 Para efeito de apuração do ganho obtido em cada um dos negócios realizados, devese apurar a diferença entre o valor da venda e o seu custo contábil, os quais estão demonstrados no quadro abaixo: Matrícula Valor Contábil Data Venda Valor Venda Ganho 12.435 13.879,25 21/11/2008 100.000,00 86.120,75 12.120 6.940,00 23/12/2008 33.334,00 26.394,00 12.166 6.940,00 23/12/2008 33.333,00 26.394,00 12.163 6.925,00 23/12/2008 33.333,00 26.408,00 Total 165.315,75 1 Em virtude de ter sido alienado apenas 25% da área total do imóvel o valor que está sendo considerado como custo do imóvel representa o mesmo percentual sobre o registro contábil; 2 Em virtude de ter sido alienado apenas 50% da área total do imóvel o valor que está sendo considerado como custo do imóvel representa o mesmo percentual sobre o registro contábil. Conforme tabela acima o valor do ganho obtido com a alienação dos imóveis, no ano de 2008, foi de R$165.315,75 [...] o qual deve ser adicionado ao cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido e da contribuição social sobre o lucro líquido. Analisando a DIPJ relativa ao ano calendário de 2008 (doc. fls. 808 / 826) percebese que a empresa informou como receita proveniente de ganhos de capital o valor de R$98.000,00 [...] o qual é inferior ao apurado por esta fiscalização e pela própria Jocep (doc. fls. 477 / 478). Desta forma, a diferença entre o valor oferecido à tributação e o apurado, é lançado através do auto de infração a que este relatório faz parte. [...]RECEITA OPERACIONAL O contrato social da Jocep estabelece que a atividade desenvolvida pela mesma é a "Participação em empreendimentos que não necessitem de autorização oficial, inclusive em outras empresas, na condição de acionistas ou cotistas; indústria, comércio e representação de artefatos de metais e a locação de bens móveis, automotores (veículos) e aeronaves." [...]. Assim, conforme se verifica através da escrituração contábil da Jocep (doc. fls. 434 / 524), da totalidade das receitas obtidas pela mesma somente a receita proveniente do aluguel da aeronave pode ser considerada como sendo operacional e assim tributada. DEMAIS RECEITAS Conforme determina a legislação, todas as receitas não abrangidas pelo objeto social da empresa devem ser consideradas como demais rendimentos e sofrer a incidência direta do IRPJ e da CSLL. Para a correta apuração dos tributos acima mencionados, as receitas provenientes de aluguel de imóveis, juros recebidos, rendimentos em aplicações de renda fixa, rendimentos em aplicações em renda variável e ganhos de capital (doc. fls. 434 / 481) devem ser considerados como demais rendimentos e assim tributados. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 873888, com as alegações abaixo transcritas. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.173 5 Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: DAS JUSTIFICATIVAS DE FATO E FUNDAMENTAÇÕES DE DIREITO: a) Quanto ao "item a I Dos Fatos", acima, que trata da aplicação inadequada das alíquotas de presunção sobre as receitas de locação de imóveis próprios e da aeronave da impugnante. Em relação ao item acima, devido ao inexpressivo valor que resultou o auto de infração nesse quesito pela aplicação do entendimento do Sr. AuditorFiscal se confrontados com os dispêndios financeiro e temporal necessários para sua contestação e defesa, a impugnante opta por não apresentar impugnação. b) Quanto ao "item b I Dos Fatos" que trata do ganho de capital no momento da alienação da aeronave PTOHH. Sobre este item, cabe destacar que o Sr. AuditorFiscal se equivoca ao considerar os gastos que a impugnante teve com a aeronave em questão como sendo gastos de manutenção preventiva [...], pois não condiz com a realidade dos fatos. [...]A aeronave em questão, e que foi de propriedade da impugnante até abril/2006, é um modelo PT6A21 com um limite máximo de 3.600 horas de vôo para os seus motores (turbinas), conforme documentação em anexo, consistindo em declaração de fornecedor brasileiro homologado pelo fabricante e Boletim de Serviço expedido pelo fabricante [...]Esse limite de horas de vôo está condicionado, ainda, à realização de inspeções e manutenções periódicas, de caráter preventivo (umas com base em horas de vôo e outras com datas definidas), que tem por finalidade garantir a segurança dos usuários da aeronave, dos tripulantes, bem como dos sistemas de tráfego aéreo nacional e internacional. Após cumprido esse limite máximo de horas de vôo, mesmo tendo realizado todas as inspeções determinadas pela legislação, a aeronave estará impedida de realizar qualquer tipo de deslocamento, até mesmo por terra (dentro dos aeroportos), pois está com a vida útil dos motores (turbinas) tecnicamente comprometida. [...]Portanto, essa aeronave, mesmo assim, estará impedida de realizar qualquer tipo de vôo (civil ou comercial). Denotase daí, que toda e qualquer manutenção que for realizada em aeronaves, tem caráter preventivo sim, porém, indiscutivelmente, são realizadas como condição para que continue operando, situação que se acentua ainda mais no caso vertente em que a aeronave, que na oportunidade era de propriedade da impugnante, já havia esgotado seu limite de horas de vôo determinado pelo fabricante e estava enquadrada em programa de manutenções e inspeções (MORE) que condicionam sua operacionalidade ao atendimento rigoroso e adimplente das obrigações impostas pelo mesmo. [...]Ultrapassadas as horas limite de vôo mencionadas acima para os motores (turbinas), que é o caso da aeronave que foi de propriedade da impugnante, existem duas formas dessa aeronave voltar a realizar vôos [de acordo com as normas do DAC Departamento de Aviação Civil]: 1º) trocar/retificar (revisão geral) os motores (turbinas): Implica na substituição dos motores ou na troca de praticamente todas as peças dos motores (turbinas), implicando num custo extremamente elevado e que, na maioria dos casos não compensa, sob o ponto de vista econômicofinanceiro; 2ª) ingressar no Programa MORE: Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.174 6 O Programa MORE consiste num processo opcional e alternativo onde a vida útil dos motores (turbinas) é estendida para até 8.000 (oito mil) horas de vôo ou 9.500 (nove mil e quinhentos) ciclos (partidas), através do qual os mesmos são submetidos a manutenções e monitoramentos específicos onde passam a ser assistidos por inspeções mais freqüentes que visam amortizar, ao longo do período de extensão de horas de vôo, os elevados custos que envolveriam a revisão geral dos motores. A impugnante, tendo constatado que as horas limite de vôo de sua aeronave ultrapassaram o limite legal acima mencionado, optou por ingressar, em 09/06/1999, no Programa MORE, sucintamente apresentado acima, para que pudesse continuar operando com sua aeronave regularmente, conforme cópia do contrato de adesão em anexo, inicialmente firmado em nome do seu titular e, após, transferido para o nome da impugnante. [...]Assim, todos os gastos incorridos contabilizados como "ativo imobilizado" e acrescidos ao custo de aquisição da aeronave, se justificam plenamente, pois estão intrinsicamente relacionados com o bem e, também, com os serviços que o mesmo presta e que faz parte da atividade operacional da empresa, elevando a vida útil do mesmo para até 8.000 horas de vôo ou 9.500 ciclos, conforme acima demonstrado, pois tendo aderido ao Programa MORE em 1999, pode continuar operando com a aeronave até o momento da sua alienação, fato que ocorreu somente no ano de 2006 [...]. Nesse condão, o próprio Sr. Auditor Fiscal, ao elaborar o Auto de Infração que ora se discute, no item 3.1.1 0 Do Custo, assim se manifesta: [...]Portanto, os registros contábeis levados a efeito pela impugnante estão em total consonância com as normais legais aplicáveis, senão vejamos o teor do art. 346 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) [...]Portanto, plenamente justificada a prática contábil e fiscal da impugnante que acresceu ao custo de aquisição da aeronave todos os gastos incorridos devido à manutenção e troca de peças havidas no período em que a mesma constou nos seus registros contábeis, passando, tais gastos, a fazerem parte do valor contábil do bem, conforme claramente determina a legislação. [...]Demonstrado claramente, por todos os argumentos e citações acima, que o valor contábil da aeronave deve ser a soma do seu custo de aquisição, que foi de R$274.000,00 [...] os gastos incorridos com manutenções, inspeções e troca de peças, que foram de R$423.269,10 [...] chegando se a um valor contábil de R$697.269,10 [...]. Assim, a apuração do ganho de capital no momento da alienação da aeronave, em abril/2006, deve seguir integralmente o teor do que prevê a legislação, no caso [art. 225 e art, 521 do] Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) [...]. Segundo a legislação aplicável, a apuração do ganho de capital no caso específico da alienação da aeronave, ocorrida em abril/2006, deve seguir o seguinte roteiro: Descrição Valor R$ (+) Valor da alienação da aeronave 700.000,00 () Valor contábil da aeronave 697.269,10 (=) Ganho de capital na alienação 2.730,90 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.175 7 Portanto, o valor efetivo do ganho de capital na alienação da aeronave em questão é de R$2.730,90 [...] e jamais o valor de R$426.000,00 [...] levantado e sustentado equivocadamente pelo Sr. Auditor Fiscal. c) Quanto ao "item c I Dos Fatos" que trata da tributação dos ganhos de capital oriundos da alienação dos imóveis matrículas n° 12.435 (parte), 12.120, 12.163 (parte) e 12.166. Também nesse caso, constatase a interpretação equivocada do Sr. Auditor Fiscal quanto a aplicabilidade da tributação sobre os ganhos de capital havidos por ocasião da alienação dos imóveis em destaque acima (em Dezembro/2008), conforme a impugnante passa a justificar. Primeiramente, há que se trazer à lide, conforme cópias anexas dos contratos de compra e venda que sustentaram as alienações em questão [...]. 1°) Matrícula n° 12.425 (parte): Essa operação de compra e venda, no valor de R$100.000,00 [...], foi celebrada com a Sra. Loivane Dal Sant em 21/11/2008, mediante formalização de contrato com previsão de pagamento a vista, ou seja, no ato da assinatura daquele instrumento. Donde apuramos o seguinte ganho de capital: Descrição Valor R$ (+) Valor da alienação 100.000,00 () Valor contábil 13.879,25 (=) Ganho de capital 86.120,75 [...] 2°) Matrículas n° 12.120, 12.163 (parte) e 12.166: Essa operação de compra e venda, no valor de R$100.000,00 [...], foi celebrada com o Sr. Luiz Jorge de Marco em 23/12/2008, mediante formalização de contrato com previsão de pagamento a prazo, sendo, R$15.000,00 no ato da assinatura do contrato e R$85.000,00 em 23/01/2009. Donde apuramos o seguinte ganho de capital: Descrição Valor R$ (+) Valor da alienação 100.000,00 () Valor contábil dos bens alienados Imóvel matrícula 12.120 Imóvel matrícula 12.163 (parte) Imóvel matrícula 12.166 6.940,00 6.925,00 6.940,00 (=) Ganho de capital 79.195,00 Relação percentual do ganho de capital 79,195% [...] Consideradas as formas distintas com que se formalizaram as alienações em questão, bem como as apurações de ganhos de capital individualizadas para cada operação, há que se trazer à tona o teor da legislação específica, no caso o [art. 140 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.176 8 do] Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 o Regulamento do Imposto de Renda, que determina a forma de tributação dos ganhos de capital, por ocasião da alienação de bens pertencentes ao ativo permanente, [...]. Isto posto, resta claro e límpido que o Sr. AuditorFiscal equivocase ao afirmar que a impugnante informou valor inferior de ganho de capital, na alienação de bens do permanente na competência dezembro/2008 (4º Trimestre de 2008) para fins de apuração do Imposto de Renda, pois a alegada diferença a menor, no valor de R$67.315,75 [...] foi efetivamente acrescida à base de cálculo do Imposto de Renda na competência janeiro/2009 (1º trimestre/2009), no estrito cumprimento do que determina o Regulamento de Imposto de Renda. [...]Conclui que: Ante o exposto, diante das argumentações e fundamentações legais expendidas nesta peça de impugnação parcial, demonstrandose as impropriedades constantes do Auto de Infração em referência, vem a presença de V.Sas, requerer: 1. Seja o referido Auto de Infração considerado parcialmente improcedente, mantendose no mesmo somente àqueles valores apontados pela autoridade fiscal e que não estão sendo objeto de impugnação neste instrumento; 2. seja considerada totalmente adequada e legal a contabilização dos gastos incorridos com manutenções, inspeções e trocas de peças com a aeronave PTOHH, na conta do ativo permanente "Veículos Aeronave", concluindose, como conseqüência, pela exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL na competência Abril/2006 do valor de R$426.000,00 (quatrocentos e vinte seis mil reais), conforme planilha anexa ao Auto de Infração elaborada pela autoridade fiscal. [...] 3. na remota hipótese de não ver confirmada sua pretensão acima (item 2), a apresentação de laudo técnico pericial para consolidar e confirmar seus argumentos e justificativas, consoante disposto no art. 18 da Lei 70.235 de 06/03/1972. 4. seja considerada totalmente improcedente a alegação por parte da autoridade fiscal de que a impugnante teria supostamente deixado de oferecer a tributação do IRPJ e da CSLL o valor de R$67.315,75 [...], a título de ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente, na competência dezembro/2008 e determinar sua imediata exclusão do base de cálculo de tais tributos no Auto de Infração em questão, conforme planilha anexa ao Auto de Infração (Anexo I, fl. 066), elaborada pela autoridade fiscal, tendo em vista que tal valor incorporou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL na competência Janeiro/2009. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Está registrado como ementa e excerto do Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1527.578, de 29.06.2011, fls. 10841096: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.177 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2008 LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE AERONAVE. GANHO DE CAPITAL. GASTOS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. Os dispêndios com reparos, manutenção e conservação de aeronave, que resultem no aumento de sua vida por período superior a um ano podem ser acrescidos ao valor de aquisição do bem para fins de determinação do valor contábil a ser deduzido do preço contratado quando de sua alienação, visando à apuração do ganho de capital auferido na operação. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Ressalvado o direito de a pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido optar pelo regime de caixa para efeito de tributação de todas as suas receitas, a tributação do ganho de capital apurado por ocasião da alienação de bens integrantes de seu ativo imobilizado deve respeitar o regime de competência dos exercícios. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Infirmada parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos mesmos fatos geradores que deram causa ao lançamento decorrente, há que se dar a este igual entendimento. Impugnação Parcial Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] TRIBUTO/ PERÍODO BASE VALOR EM LITÍGIO VALOR EXONERADO VALOR MANTIDO IRPJ/2º TRIM 2006 100.556,10 100.146,46 409,64 IRPJ/4º TRIM 2008 16.828,94 0,00 16.828,94 CSLL/2º TRIM 2006 38.340,00 38.094,22 245,78 CSLL/4º TRIM 2008 6.058,41 0,00 6.058,41 Notificada em 15.07.2011 (sextafeira), fl. 1099, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.08.2011, fls. 11001115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Faz um relato sobre o procedimento fiscal e o julgamento de primeira instância e acrescenta que: 2 O Direito 2.1 Preliminares 2.1.1 Do arrolamento de bens e direito cumpre destacar que, consoante o disposto no Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 09, de 05/06/2007, a Recorrente deixa de proceder ao arrolamento de bens e direitos ao apresentar o presente recurso voluntário [...]. 2.1.2 Do mérito Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.178 10 Para melhor clareza e análise da lide, a Recorrente propõe uma segmentação dos valores remanescentes dos créditos tributários constantes neste processo, conforme passa a demonstrar: 2.1.2.1 Valor de 1RPJ e CSLL incidentes sobre o valor do ganho de capital apurado na alienação da aeronave com prefixo PTOHH (Item III.b supra) [...] Satisfeitos que foram os valores dos créditos tributários apontados acima, a Recorrente espera e requer seja extinta a lide relativa a esses valores, confirmando os pagamentos apontados acima e, por consequência, baixando os ditos créditos tributários no sistema da RFB. 2.1.2.2 Valor do IRPJ e da CSLL sobre o valor do ganho de capital apurado na alienação dos imóveis matrículas 12.120, 12.163 (parte) e 12.166 (Item l.l.l.c supra) Imposto/Contribuição/Competência Valor original R$ IRPJ – 4º Trimestre de 2008 16.828,94 CSLL – 4º Trimestre de 2008 6.058,41 Total 22.887,35 O presente tópico, para seu deslinde, necessita obrigatoriamente ser analisado sob dois aspectos relevantes, sendo o primeiro relativo à comprovação do efetivo pagamento dos créditos tributários levantados pela RFB e o segundo, quanto a determinação de qual a competência adequada para a qual os mesmos devam ser considerados. Imperativo para o desfecho deste tópico que a Recorrente apresente neste momento os respectivos comprovantes, vez que tais créditos tributários foram totalmente quitados pela mesma [art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972]. A Recorrente anexa ao presente processo, os seguintes elementos de comprovação, tanto da inclusão do valor do ganho de capital na apuração do IRPJ e da CSLL relativos ao 1º trimestre de 2009, quanto dos efetivos pagamentos dos ditos créditos tributários: a) Planilha de uso interno, na qual a Recorrente apura de forma sistemática os valores dos tributos federais (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) devidos a RFB, bem como, demonstra as respectivas bases de cálculo dos referidos tributos, a partir da qual, denotase que o valor do ganho de capital no valor de R$67.315,75 [...] que, segundo o Fisco, teria sido omitido da base de cálculo dos tributos na competência dezembro/2008, restou efetivamente incluído pela Recorrente na base de cálculo dos tributos na competência Janeiro/2009 (Anexo II, fl. 19, cuja cópia a Recorrente declara ser autêntica); b) Cópia integral da DCTF Semestral (1° Semestre/2009), onde consta de forma clara os valores de IRPJ e de CSLL informados pela Recorrente como devidos na competência 1º Trimestre/2009, amparados na apuração efetuada a partir da planilha interna mencionada no "item a" acima (Anexo 111, fls. 20 a 38, cujas cópias a Requerente declara serem autênticas) ; c) Cópia integral da DIPJ/2010, anocalendário 2009, onde podese evidenciar os valores informados pela Recorrente como devidos a título de IRPJ e CSLL, que Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.179 11 coincidem com os apurados e demonstrados na planilha mencionada no "item a" acima (Anexo IV, fls. 39 a 55, cujas cópias a Requerente declara serem autênticas); d) Cópias dos DARF's relativos ao IRPJ e à CSLL da competência Janeiro/2009 (1º Trimestre/2009) que comprovam o efetivo pagamento dos créditos tributários suscitados pelo Sr. Auditor da Receita Federal, a saber (Anexo V, fls. 56 e 57, cujas cópias a Requerente declara serem autênticas): Tributo Competência Código Valor RS IRPJ l° Trim/2009 2089 26.401,13 CSLL l° Trim/2009 2372 10.879,79 [...] A Recorrente, com amparo no que determina o "Parágrafo 5º", "Art. 16” da Lei nº 70.235 de 06/03/1972, requer a essa Autoridade Julgadora sejam acolhidos os elementos de prova suscitados, consoante todos os argumentos acima demonstrados. Incontestável, portanto, o fato de que os valores dos créditos tributários apontados no presente litígio que incidiram sobre o ganho de capital havido por ocasião da alienação dos imóveis mencionados neste tópico, foram efetivamente incluídos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do 1º Trimestre de 2009 e totalmente satisfeitos, mediante o seu pagamento integral, conforme amplamente demonstrado acima, inclusive com as provas documentais respectivas, motivo pelo qual, entendemos que os mesmos devem ser extintos no presente feito, sob pena de se cometer uma cobrança que além de indevida e em duplicidade, seria uma grande injustiça em relação à Recorrente. c) Competência adequada a ser considerada A Recorrente, no intuito de levar a cabo o presente litígio, reconhece e acolhe o julgado de primeira instância, para considerar que a competência adequada para a qual deva ser considerada a receita de ganho de capital na alienação dos imóveis cuja matrícula consta neste tópico é efetivamente a de Dezembro/2008 e não, como considerou para o cálculo dos tributos devidos, a de Janeiro/2009. Portanto, apesar de reiterar, conforme se demonstrou amplamente no "item a" anterior, de que efetivamente pagou os valores dos ditos tributos, reconhece que o fez intempestivamente, ou seja, em atraso e fora do prazo definido pela legislação. Por certo, então, que o que existe em aberto contra a Recorrente não é o valor principal dos créditos tributários apontados na lide, mas sim, os acréscimos moratórios (juros de mora e a respectiva multa) devidos pelo recolhimento fora do prazo dos mesmos. Por esse motivo, espera a Recorrente, que a RFB apure esses valores devidos a título de juros moratórios e multa, notificandoa, para que possa satisfazer ao pagamento dos mesmos. Conclui que: Ante o exposto, diante das argumentações e fundamentações legais expendidas nesta peça de recurso voluntário parcial, vem a presença de V.Sas, requerer: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.180 12 1. Sejam extintos os créditos tributários de IRPJ – 2º Trim/2006, no valor original de R$409,64 e de CSLL 2º Trim/2006, no valor original de R$245,78, em função da realização do efetivo pagamento dos mesmos, conforme comprovantes anexados ao presente feito; 2. Sejam acolhidos e considerados para o fim probatório e de julgamento da presente lide, com amparo no disposto no "Parágrafo 5º", "Artigo 16" da Lei n° 70.235, de 06/03/1972, os comprovantes de pagamento de IRPJ e de CSLL relativos à competência de Janeiro/2009 (1º Trimestre de 2009), nos valores de R$26.401,13 e de R$10.879,79, respectivamente, consoante o disposto na "alínea c", "parágrafo 4º", "inciso V", "artigo 16" da Lei n° 70.235, de 06/03/1972, além de, pelo princípio da razoabilidade e da justiça, evitarse cobrança em duplicidade de valores. 3. Sejam considerados quitados, e portanto extintos, os créditos tributários de IRPJ 4º Trim/2008, no valor de R$16.828,94 e de CSLL 4º Trim/2008, no valor de R$6.058,41, vez que os mesmos já foram efetivamente pagos pela recorrente, conforme demonstrado através dos respectivos comprovantes de pagamento, nos autos deste recurso voluntário. A vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência e insubsistência parcial da ação fiscal objeto deste processo, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose parcialmente os débitos fiscais reclamados. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e sem a necessidade de que seja efetuado o depósito recursal (Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 09, de 05 de junho de 2007). A Recorrente diz que devem ser "extintos os créditos tributários de IRPJ – 2º Trim/2006, no valor original de R$409,64 e de CSLL 2º Trim/2006, no valor original de R$245,78, em função da realização do efetivo pagamento dos mesmos". Consoante aos pagamentos efetivados, o Código Tributário Nacional determina: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.181 13 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. [...] Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação [...]. A Recorrente foi notificada dos Autos de Infração, fls. 04 e 24 em 14.08.2009. No Demonstrativo De Apuração Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lucro Presumido do anocalendário de 2006 consta, fl. 09: Trimestre Multa(%) Imposto Apurado () Val.Compensar Imposto Devido 1 75,00 57,22 0,00 57,22 2 75,00 100.613,32 0,00 100.613,32 3 75,00 65,45 0, 00 65,45 4 75,00 149,24 0, 00 149,24 No Demonstrativo De Apuração Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Lucro Presumido do anocalendário de 2006 consta, fl. 17: Trimestre Multa(%) Cont.Apurada(R$ ) () Val.Comp.(R$) (=)Cont.Dev.(R$) (+)Adic.Apur.(R$) 1 75,00 827,35 0,00 827,35 0,00 2 75,00 38.384,43 0,00 38.384,43 0,00 3 75,00 50,81 0,00 50,81 0,00 4 75,00 115,84 0,00 115,84 0,00 Em relação ao 2º trimestre de 2006, na decisão de primeira instância foram mantidos os seguintes créditos tributários: TRIBUTO/ PERÍODO BASE VALOR EM LITÍGIO VALOR EXONERADO VALOR MANTIDO IRPJ/2º TRIM 2006 100.556,10 100.146,46 409,64 CSLL/2º TRIM 2006 38.340,00 38.094,22 245,78 Os autos estão instruídos com as cópias dos DARF, fls. 1117 e 1118 de "IRPJ – 2º Trim/2006, no valor original de R$409,64 e de CSLL 2º Trim/2006, no valor original de R$245,78", pagos em 29.07.2011, com as respectivas autenticações de nºs D.935.10D.A31.EC0.AF4 e B.944.609.53C.289.A05. Atinente a competência da DRF para proceder atividades relativas à cobrança dos débitos tributários, o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, é expresso: Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.182 14 Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Vale esclarecer que a Recorrente apresenta alegação o contra os lançamentos de ofício de IRPJ e de CSLL relativos ao 2º trimestre de 2006 no sentido de que procedeu aos pagamentos após a notificação dos Autos de Infração. Não cabe ao CARF, entretanto, pronunciarse sobre as atividades relativas à cobrança dos débitos tributários, que são próprias da DRF que jurisdiciona a Recorrente. A Recorrente suscita que devem ser "considerados quitados, e portanto extintos, os créditos tributários de IRPJ 4º Trim/2008, no valor de R$16.828,94 e de CSLL 4º Trim/2008, no valor de R$6.058,41, vez que os mesmos já foram efetivamente pagos pela Recorrente, conforme demonstrado através dos respectivos comprovantes de pagamento [e ainda] pelo princípio da razoabilidade e da justiça, evitarse cobrança em duplicidade de valores". A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.183 15 capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração1. Especificamente sobre o ganho de capital, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), determina: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei n° 8.981, de 1995, art. 32, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 2º). [...] § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei n° 8.981, de 1995, art. 32, § 2°, e Lei n°9.430, de 1996, art. 2º). [...] Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei n°9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. Inferese que o ganho de capital deve ser acrescido à base de cálculo, ou seja, ao lucro presumido, para efeito de incidência do IRPJ e da CSLL. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Por bem esclarecer a situação fática, vale transcrever excerto do Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1527.578, de 29.06.2011, fls. 1084 1096: Quanto ao ganho de capital proveniente das vendas de quatro imóveis de matrículas 12.435 (parte), 12.120, 12.163 (parte) e 12.166, realizadas, a primeira em novembro e as outras três em dezembro de 2008, a Fiscalização apurou um ganho de capital no valor total de R$165.315,75, sendo R$86.120,75 referente à venda de novembro e R$79.195,00 referente à venda de três imóveis efetuada em dezembro de 2008. Contudo, a Contribuinte teria oferecido à tributação, no 4 o trimestre de 2008, conforme DIPJ/2009, somente o montante de R$98.000,00. 1 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.184 16 Em relação à alienação do imóvel de matrícula 12.435 (parte), realizada em 21/11/2008, pelo valor de R$100.000,00, consoante cópia de Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel, às fls. 973 a 975, com valor contábil do bem de R$13.879,25 e apuração de ganho de capital no valor de R$86.120,75, não resta qualquer dúvida, uma vez que tal quantia compõe o valor total tributado no 4 o trimestre de 2008 (R$98.000,00). No entanto, a questão prendese à segunda operação, relativa à venda dos outros três imóveis, de matrículas n° 12.120, 12.163 (parte) e 12.166, realizada em 23/12/2008. O preço total da operação foi de R$100.000,00 e o valor contábil dos imóveis, respectivamente, de R$6.940,00, R$6.925,00 e R$6.940,00. O ganho de capital total apurado foi de R$79.195,00, cuja tributação, espontânea, incidiu apenas sobre a parcela de R$11.879,25, que somada ao ganho de capital da operação anterior (R$86.120,75), importou no total oferecido à tributação pela Autuada, no 4 o trimestre de 2008, de R$98.000,00. O agente fiscal, por sua vez, impôs a tributação, no mesmo período (4o trimestre de 2008), de R$165.315,75 (R$86.120,75 + R$79.195,00) sendo que R$67.313,75 seria a quantia tributada a menor pelo sujeito passivo, resultante da diferença entre os R$79.195,00 (ganho de capital na segunda operação) e R$11.879,25 (parcela do ganho de capital na segunda operação, oferecido pela Autuada). Atinente ao reconhecimento das receitas e despesas, cabe esclarecer que é um dos aspectos básicos da contabilidade que devem ser examinados para poder avaliar adequadamente as informações financeiras. O regime de competência é um princípio contábil que deve ser estendido a qualquer alteração patrimonial, independentemente de sua natureza e origem. Sob esse método, os efeitos financeiros das transações e eventos são reconhecidos nos períodos nos quais ocorrem, independentemente de terem sido recebidos ou pagos. Isso permite que as transações sejam registradas nos livros contábeis e sejam apresentadas nas demonstrações financeiras do período no qual os bens ou serviços foram entregues ou executados ou recebidos. É apresentada assim uma associação entre as receitas e os gastos necessários para gerálas. A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, pode adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa, observandose as exigências descritas na IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, que prevê: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.185 17 § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Verificase que a Recorrente não observou, no período, os requisitos formais de controle do faturamento previsto na referida norma para fins de fruição do regime de caixa. Assim, o momento do reconhecimento da receita referente ao ganho de capital é o da efetivação do negócio jurídico pelo regime de competência, sendo vedado a Recorrente diferir a tributação do ganho de capital do 4º trimestre de 2008 para o 1º trimestre de 2009, em face das condições eventualmente acordadas para pagamento do preço. Examinando o conjunto probatório contido nos autos, temse que na linha 15 Demais Receitas e Ganhos de Capital da Ficha 14A– Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido da DIPJ do 4º trimestre do anocalendário de 2008, temse que a Recorrente ofereceu a tributação o valor de R$98.000,00, fl. 861. Pertinente a questão, cabe transcrever excerto do Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1527.578, de 29.06.2011, fls. 10841096: Acrescentese, ainda, que a Impugnante sequer comprovou que teria oferecido à tributação, no 1º trimestre do anocalendário de 2009, ou seja, ainda que desrespeitando o regime de competência, a diferença de ganho de capital apurada no 4º trimestre do anocalendário de 2008, no valor de R$67.315,75. Portanto, deve ser mantida integralmente a tributação dessa diferença. Em relação ao 4º trimestre de 2008, na decisão de primeira instância foram mantidos os seguintes créditos tributários: TRIBUTO/ PERÍODO BASE VALOR EM LITÍGIO VALOR EXONERADO VALOR MANTIDO IRPJ/4º TRIM 2008 16.828,94 0,00 16.828,94 CSLL/4º TRIM 2008 6.058,41 0,00 6.058,41 Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.186 18 Sobre a inobservância do regime de escrituração, o DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, prevê: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.187 19 § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Nesse sentido, a postergação do pagamento do imposto para período posterior ao em que seria devido ocorre quando se protelar para períodos subseqüentes a escrituração de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro. Nessa hipótese cabe a incidência de juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento de tributos em virtude de inexatidão quanto ao período de competência e a aplicação da multa de ofício proporcional no caso de lançamento direto para constituição do crédito tributário, no caso em que o sujeito passivo tiver confessado e pago os débitos, conforme item 6.2 do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 1996, que determina: 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. Nos autos constam: (a) em 14.08.2009 foi notificada dos Autos de Infração, fls. 04 e 24; (b) em 26.06.2010 apresenta a Declaração De Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica original referente ao anocalendário de 2009: na linha 19 Demais Receitas e Ganhos de Capital da Ficha 14A– Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido da DIPJ do 1º trimestre do anocalendário de 2009, temse que a Recorrente ofereceu a tributação o valor total de R$120.436,50 a título de ganho de capital/venda de imobilizado, fls. 1120 e 1145, sendo que: o valor de R$67.315,75 foi apurado no mês de janeiro de 2009; o valor R$53.120,75 foi apurado no mês de março de 2009; na linha 34 Imposto de Renda a Pagar Ficha 14A – Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido da DIPJ do 1º trimestre do anocalendário de 2009, temse que a Recorrente apurou o valor de R$24.409,13; na linha 19 Demais Receitas e Ganhos de Capital da Ficha 18A– Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ do 1º trimestre do anocalendário de Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.188 20 2009, temse que a Recorrente ofereceu a tributação o valor total de R$120.436,50 a título de ganho de capital/venda de imobilizado, fls. 1120 e 1149, sendo que: o valor de R$67.315,75 foi apurado no mês de janeiro de 2009; o valor R$53.120,75 foi apurado no mês de março de 2009; na linha 34 CSLL a Pagar Ficha 18A– Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ do 1º trimestre do anocalendário de 2009, temse que a Recorrente apurou o valor de R$10.879,79; (c) em 25.09.2010 a Recorrente apresentou DCTF do 1º trimestre do ano calendário de 2009 confessando os débitos objeto dos presentes Autos de Infração de IRPJ e de CSLL nos valores respectivos de R$16.828,94 e de R$6.058,41 contidos nos montantes de R$24.409,13, fl. 1125 e de R$10.879,79, fl. 1127; (d) nas cópias dos pagamentos correspondentes efetuados em 30.04.2009 junto ao Banco do Brasil S/A de IRPJ nas quantias de R$26.40,13 de IRPJ e de R$10.879,79 de CSLL com as respectivas autenticações de nºs A.F1B.03F.2FC.D75.621 e 2.8E8.787.9C2.7B9.A6D, fls. 11601161. Assim, há que se aplicar os critérios postergação dos pagamentos do IRPJ e da CSLL, uma vez que por ocasião da notificação dos Autos de Infração a Recorrente já havia efetuado os pagamentos correspondentes de IRPJ e de CSLL nos valores respectivos de R$16.828,94 e de R$6.058,41 contidos nos montantes de R$24.409,13, fls. 1160 e de R$10.879,79, fl. 1161 . Ficou exaustivamente comprovado com evidências consistentes no sentido de que a Recorrente incorreu em erro ao diferir a tributação do ganho de capital no valor de R$67.315,75 do 4º trimestre de 2008 para o 1º trimestre de 2009, cujos débitos de IRPJ e de CSLL nos valores respectivos de R$16.828,94 e de R$6.058,41, contidos nos montantes de R$24.409,13, fl. 1125 e de R$10.879,79, fl. 1127, foram confessados em DCTF, após a notificação dos Autos de Infração. Nesse sentido, como a Recorrente efetuou os pagamentos de IRPJ e de CSLL nos valores respectivos de R$16.828,94 e de R$6.058,41 em 30.04.2009, isto é, antes da ciência dos Autos de Infração em 14.08.2009. Ressaltese que, para evitar a duplicidade de cobrança desses débitos, é imperioso que sejam adotados os critérios de tributação aplicáveis à postergação de pagamento, em conformidade com conforme item 6.2 do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 1996. Por essa razão, em relação ao IRPJ e a CSLL do 4º trimestre de 2008 objeto do presente lançamento, e ainda para evitar duplicidade de exigência, deve ser exigido exclusivamente: (a) juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência; e (b) multa de ofício proporcional por se tratar de lançamento direto. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.189 21 Consoante aos pagamentos efetivados, o Código Tributário Nacional determina: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. [...] Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação [...]. No que se refere a competência da DRF para proceder atividades relativas à cobrança dos débitos tributários, o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, é expresso: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Vale esclarecer que a Recorrente apresenta argumento contra os lançamentos de ofício de IRPJ e de CSLL relativos ao 4º trimestre de 2008 no sentido de que procedeu aos pagamentos antes da notificação dos Autos de Infração. Não cabe ao CARF, entretanto, pronunciarse sobre as atividades relativas à cobrança dos débitos tributários, que são próprias da DRF que jurisdiciona a Recorrente. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, está demonstrada em parte. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.002734/200958 Acórdão n.º 1803002.516 S1TE03 Fl. 1.190 22 O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 2. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para, em relação ao IRPJ e a CSLL do 4º trimestre de 2008 objeto do presente lançamento: a) exigir exclusivamente: a.1) juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência; e a.2) multa de ofício proporcional por se tratar de lançamento direto. b) atinente as demais exigências, manter incólume o decidido no Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1527.578, de 29.06.2011. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10120.005525/2007-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 55 25 /2 00 7- 11 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.206 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0332.785 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.096.6660 com valor consolidado inicial de R$ 343.198,17 retificado para R$ 191.683,95. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada COPERSEFE – Tarumã, matricula CEI 39.380.00324/76, correspondendo a 8.407,74 m2. Ainda o Relatório Fiscal informa que o contribuinte atua como empresa do ramo de construção civil, estabelecida em Goiânia, com empreendimentos localizados em Goiás e em outras Unidades da Federação, bem como a exploração concomitante de outras atividades empresariais, tais como: concessão para exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers. Na atividade de construção civil a empresa executou obras por administração, por empreitada total e por incorporação. Prestou também serviços, realizou empreitadas parciais e executou pequenas obras. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 1090, relaciona os motivos da desconsideração da contabilidade que determinou então o procedimento de arbitramento: a) A empresa deixou de exibir diversos livros e documentos em sua integralidade relacionados com as contribuições previdenciárias tais como: (Livro "Diário" do exercício de 2006; folhas de pagamento relativas às obras, planilha fls. 112/116; Livros de Inspeção do Trabalho, planilha fls. 118; notas fiscais de empreiteiras e cooperativas de trabalho, planilha fls. 120/289; notas fiscais dos prestadores de serviços mediante cessão de mão de obra, contratados pela empresa; notas fiscais de serviços prestados pela empresa mediante cessão de mão de obra; b) No período abrangido pelos exercícios do ano de 2002 a 2005 (Livros Diários n° 51 a 62; 64 a 66, 69 a 78), a empresa não. escriturou sua contabilidade com a identificação por centros de custo que, no caso das construtoras, representa cada urna das obras realizadas, prejudicando a precisa apuração da real movimentação de remuneração dos trabalhadores de cada obra Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 edificada. Além disso, após reconhecer a irregularidade praticada, não logrou êxito em corrigir a situação, tendo em vista não ter observado o disposto na Instrução Normativa n° 002, de 2006, do Departamento Nacional de Registro de Comércio, cópia da legislação às fls. 291/293; c) Nos exercícios de 2003 e 2004 constatouse que a empresa possui uma terceira escrituração contábil referente a uma re ratificação da retificação (Livros Diários n° 63, 67 e 68). Também nesses documentos houve escrituração em títulos impróprios (custos de uma obra registrados em outras); d) Em diversos exercícios foram identificados lançamentos incorretos em relação às rubricas que deveriam ter sido escriturados, fls. 295/305; e) Nos exercícios de 2003 e 2005 identificouse escriturações de despesas relativas a obras lançadas nas contas de despesas administrativas (5.02.42) e administração do ,terminal rodoviário de Goiânia (5.02.40), conforme planilha, fls. 307/309; f) Nos exercícios de 2004 e 2005 apurouse lançamentos de despesas com mãodeobra administrativa contratada para trabalho junto à entidade Obras Sociais do Centro Espírita Irmão Aureo (menores aprendizes), lançadas na obra de reforma e ampliação do terminal rodoviário de Goiânia, conforme planilha, fls. 313; g) No exercício de 2000 a empresa deixou de registrar em sua contabilidade as notas scais nos 2551 a 2555, emitidas pela prestação de serviços ao Consórcio Rodoviário Intermunicipal S/A — CRISA, alegando tratarse de substituição de faturamento de exercícios anteriores, em função de extravio de notas fiscais emitidas em 1998; h) Nas competências 10/2000 a 01/2001 detectouse resumos de folhas de pagamentos contendo discriminação de rubricas` não encontradas nas folhas de pagamentos ordinárias e sem os descontos previstos na legislação previdenciária. Tais documentos foram apreendidos mediante a lavratura do ÁGD i) Nos exercícios de 2000 a 2005 identificouse inúmeras folhas de pagamentos com divergência na contabilização, conforme planilha, fl. 377, tendo sido anexadas diversas cópias das folhas correspondentes, fls. 379/489; J ) Nos exercícios de 2000, 2001 e 2003, constatouse diversas obras com competências em que foram efetuados pagamentos de concreto usinado sem, entretanto, qualquer lançamento de remuneração da mãodeobra relacionada ao evento, planilha fls. 491; k) Nos exercícios de 2000 a 2006 diversas notas fiscais relativas a materiais e serviços empregados na execução de várias obras ou serviços, contudo, não foram identificados, na contabilidade, os correspondentes registros do faturamento destas obras, conforme cópias de diversos documentos, fls. 494/555; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.207 5 1) Nos exercícios de 2000 a 2004 verificouse que a empresa mantém registro de pequenas obras — DPOGR. Tais controles, entretanto, apresentam incoerência, pois há competências com lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação (PAT) se1n, contudo, registrar folhas de pagamentos, conforme planilha fls. 557/558; m) Nos exercícios 2000 a 2002 apurarseá a mesma ocorrência citada no item anterior, isto é, lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação sem registro de folhas de pagamento em diversas obras, conforme planilha, 561/566; n) Nos exercícios 2000 a 2002 a empresa efetuou diversos lançamentos, registrando custos em obras com carta de habite se já emitida, isto é, encerradas, tendo sido observados registros de salários, vales transportes e auxílio alimentação, conforme planilha e fotocópias das cartas de habitese, fls. 568/579; O Relatório Fiscal aponta que, constatadas as irregularidades apontadas, considerandose que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, houve a aferição da base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no'§ 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e6°. Ainda, em relação ao critério adotado para aferição da base de cálculo, o Relatório da decisão de primeira instância aponta: Conforme já mencionado, o critério adotado para aferição da base dc cálculo ibi o cálculo proporcional à área construída da obra do "COOPERSEFE Tarumã", matricula CEI n° 39.380.00324176, de acordo com os procedimentos previstos na legislação previdenciária, executada pela noli f ficada em regime de empreitada global, correspondendo à 8.407,74 m2, de acordo com o relatório fiscal, devidamente evidenciado pelo Aviso ele Regularização de Obra — ARO, ils. 581/586, tendo sido deduzidos da notificação os valores recolhidos pela empresa e identificados em seu conta corrente na matrícula da obra, fls. 587/588; bem como as notas fiscais relacionadas ao uso de concreto usinado, planilha à IL 589/590; e os valores recolhidos e relacionados aos prestadores de serviços (empreiteiros e cooperativas), planilhas às fls. 591/593. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, é de 01/09/2006 a 30/09/2006. Conforme o Aviso para Regularização de Obra – ARO, às fls. 1045 a data de emissão do ARO é de 30/09/2006 corresponde à data de início da obra, que é de 01/12/2000, e à data de término da obra, que é de 30/04/2004. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva onde alega, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Preliminarmente 1) Questiona a exigüidade do tempo pára apresentação da impugnação, fato que prejudicou a defesa, dificultando e impedindo a agilidade da mesma; 2) Os auditoresfiscais recusaramse a entregar à impugnante os arquivos da ação fiscal em meio magnético (CD), o que tornou maior a dificuldade, impedindo que o trabalho de defesa fosse realizado com a precisão, agilidade e meios necessários; Erros de direito e de fato na desconsideração da contabilidade 3) O prazo para apresentação do Livro Diário de 2006 (um dos fundamentos para o arbitramento) tem início apenas em 31/07/2007, sendo assim, a empresa não estaria obrigada a apresentar a contabilidade do ano de 2006, tendo em vista o último TIAD expedido ter sido lavrado em 01/02/2007, evidenciando a ausência de fundamento para o arbitramento; 4) Ao contrário do que afirma a fiscalização, as folhas de pagamentos das diversas obras indicadas no item 5.1.b do relatório fiscal foram apresentadas, razão pela qual foram anexadas à presente impugnação; 5) Não compreende o conteúdo da informação prestada pela fiscalização no item 5.1.2 do Relatório Fiscal — Planilha elaborada com a relação de Notas Fiscais de Empreiteiras com o seguinte layout: notas fiscais apresentadas pela empresa, notas fiscais não Apresentadas e a diferença apurada; beira como a Relação de Notas Fiscais das Cooperativas de Trabalho, com layout idêntico; 6) Não entende os objetivos que levaram os agentes do fisco a escreverem os subitens 5.1.1 e 5.1.2 do Relatório Fiscal ora fustigado. Em um momento reclamais da falta de detalhamento na escrituração, em seguida, a empresa apura centro de custo detalhado também pelo custo líquido, sem que haja qualquer proibição para assim proceder. Evidenciando a contradição, os agentes do fisco informam que o procedimento não pode ser aceito. 7) Não concorda com a posição adotada pela fiscalização de que a contabilidade não foi escriturada por centros de custo. A empresa tem bastante tempo no mercado e i passou por diversas fiscalizações. Nessas oportunidades, sua contabilidade sempre foi considerada regular. Afirma que a decisão tomada pela autoridade lançadora baseouse em avaliação pessoal com excesso de rigor e comodismo em busca de facilidades. A prova de que a escrituração está identificada por centros de custo está no Recibo de Entrega de Arquivos Digitais e Relatório de Resumo de Validação de Arquivo, anexos ao pedido de re análise, protocolado em 05/10/2006, conforme documentos anexados à impugnação; 8) Questiona o fato de a contabilidade estar sendo desconsiderada no lançamento da presente notificação, contudo, em outros lançamentos (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD's 37.096.6562, 37.055.3535, 37.055.3462), os Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.208 7 registros contábeis ram utilizados corno base para cobrança pela fiscalização; 9) Em outros momentos, a contabilidade foi apresentada à fiscalização previdenciária que autorizou a emissão de Certidões Negativas de Débitos, regularizando 30, das 34 obras autuadas. Nessas oportunidades não houve argüição de que a escrituração contábil estaria em desacordo com as exigências legais. Assim, demonstrase que quase a totalidade das obras submeteramse ao crivo da fiscalização mediante exame da contabilidade e da documentação necessária para aferir a regularidade das'obras. Tal circunstância evidencia o arbítrio exagerado dos agentes fiscais ao desconsiderarem a contabilidade da impugnante, imputando débito astronômico apenas por escolher o caminho mais fácil para conduzir seus procedimentos; 10) Não procede a informação prestada pela fiscalização de que os livros 63, 67 e 68 são reratificações de escriturações anteriores. Esses documentos foram reimpressos em razão do extravio dos originais, tendo sido observados todos os preceitos contidos nas normas do DNRC. Os livros foram registrados na Junta Comercial com a mesma numeração, mas com protocolos diferentes. A nota de extravio foi devidamente publicada e registrada. O livro 63 referese ao período de 01 a 09/2003. Entretanto, por erro material, os livros 64, 65 e 66, abrangeram o mesmo período, contudo, os lançamentos feitos nestes são idênticos àqueles presentes no livro 63. O mesmo erro repetiuse nos livros 67 e 68. Além disso, essas observações combinadas com a manifestação acerca da ausência de centros de custo, demonstram que os agentes fiscais nem tocaram os livros apresentados, pois se assim tivessem feito teriam percebido que os mesmos tratavamse de reimpressão dos valores lançados nos demais; 11) Em relação à informação prestada no item 5.3 do Relatório Fiscal, a empresa afirma que a escrituração foi refeita consoante orientação da auditora Vanuza de Oliveira Leme coro o objetivo de obter a Certidão Negativa de Débito da obra CAIPE, matricula n° 39.380.01.948/78; 12) Quanto ao item 5.14, os menores aprendizes prestaram serviços na administração da obra RODEX, tendo sido efetuados lançamentos no sistema para pagamento dos encargos decorrentes de tal prestação; 13) As autuações lavradas pela Delegacia Regional do Trabalho caracterizam vínculo empregatício após o exaurimento das instâncias administrativas de julgamento. Ademais, nos casos específicos, as decisões proferidas até o momento foram favoráveis à impugnante; 14) Referente ao item 5.6, ao contrário ,do que afirma a fiscalização, as folhas de pagamentos das obras foram exibidas e estão totalizadas de acordo com a legislação previdenciária. A existência de eventuais divergências decorre da necessidade de emissão de folhas complementares que atendem situações Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 específicas (rescisão de contrato de trabalho, rescisão complementar, dissídios ou acordos coletivos, pendências judiciais, etc); 15) Afirma que instruções normativas não obrigam o contribuinte, tendo em vista o Princípio da Legalidade vigente no país, 16) No item 5.10 deve ser destacado que o Vale Transporte e o Programa de Alimentação do Trabalhador não são fatos geradores de contribuições previdenciárias; 17) Em relação ao item 5.9, registrese que à presunção de legitimidade do atos administrativos é limitada, relativa e a utilização de indícios apenas não produz os resultados que a fiscalização pretende ao desconsiderar a contabilidade da impugnante; 18) Ainda no item 5.9, as siglas utilizadas pela impugnante para identificação das obras são mais do que suficientes para serem utilizadas pela fiscalização; 19) Registra que houve caracterização'.de desvio de poder à medida que os agentes fiscais tinham a intenção premeditada de prejudicar a defendente. 20) A inexistência de registro de folhas d( pagamentos na conta DPOGR ocorreu por se tratar de pequenas obras, serviços de curto prazo prestados por empregados cuja atividade não completava o ciclo mensal, isto é, muitas obras de pequeno porte prestadas pelos mesmos empregados cuja remuneração era contabilizada na folha de pagamento da Administração; 21) Os registros de custos em obras encerradas, item 5.11, são justificados pelo fato de as obras executadas pelas empresas de construção serem garantidas por 5 anos após seu término, sendo naturais e necessários os pequenos reparos que surgem durante esse período, tais como: vazamentos, infiltrações, déficits de materiais, conserto de pinturas, etc; Cerceamento de defesa 22) Não foram apresentadas explicações detalhadas dos fatos que motivaram os agentes fiscais a apurarem as contribuições previdenciárias por arbitramento. Além disso, a fiscalização limitouse a afirmar que a base de cálculo foi lançada conforme determina a Instrução Normativa n° 3, de 2005, demonstrando, assim, a falta de clareza e precisão do relatório fiscal, situação que caracteriza cerceamento de defesa; 23) A obra foi executada em período; anterior (02/2002 a 07/2006), demonstrando que os auditores fundamentaram a apuração do crédito previdenciário em ato normativo que não existia à época da ocorrência dos fatos geradores; 24) A edição de diversos atos normativos durante o período de execução da obra não pode prejudicar o contribuinte, tendo em vista que o art. 146 do CTN disciplina que a mudança de critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa somente pode ser efetivada em relação a fatos ocorridos após a introdução dos novos critérios; Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.209 9 Ausência de motivação para a aferição indireta 25) A aferição indireta somente é autorizada nas condições específicas previstas na Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 4% isto é, quando houver recusa da exibição, sonegação e apresentação deficiente de documentos, tendo sido demonstrado que tais ocorrências não acontecerem durante a ação fiscal; 26) A notificação é nula pela falta dos elementos essenciais para o arbitramento: fundamentação legal precisa, transparência, lógica de apuração da base de cálculo, compatibilidade de valores e relatório discriminado e circunstanciado; 27) Os valores pagos a título de mãodeobra terceirizada não foram deduzidos totalmente, superestimando a contribuição apurada na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), conforme demonstrado em planilha anexa; 28) Os valores de mãodeobra de terceiros contidos nas notas fiscais com retenção e acompanhadas de guias de recolhimento não foram deduzidas, conforme demonstrado em planilha anexa; 29) Os valores lançados nas NFLD's 37.096.6562 e 37.055.345 4, referentes aos valores de cessão de mãodeobra com notas fiscais não apresentadas e com guias não apresentadas, respectivamente, considerados de responsabilidade da Administração, devem ser deduzidos nos cálculos da presente notificação; 30) Não foram aplicados os redutores de 50% ou 75%, conforme o caso, nas áreas de playground, jardim, garagem, varanda, quintais, etc; Legalidade e deveres instrumentais tributários 31) Só a lei poderia criar deveres instrumentais (obrigações acessórias) e estes não se j confundem com os tributos especificamente (obrigações principais), circunstância que não 'j • autoriza aos agentes do fisco, nas hipóteses de descumprimento de tais deveres, aumentar o pagamento dos tributos. O descumprimento da obrigação acessória tem apenas o efeito de aplicação de sanção. 32) Desta forma, em decorrência dos comprovados erros de direito e erros de fato, da não observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade os auditores erraram na avaliação dos fatos que motivaram a desconsideração da contabilidade, razão pela qual requer a improcedência ou a declaração de nulidade do presente lançamento. Concluindo, requer a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros de cálculos praticados pela não dedução dos valores relativos à mãode obra terceirizada. Pleiteia, ainda, a realização de perícia na contabilidade para que seja verificada a adequação às exigências do Conselho Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Federal de Contabilidade e do Regulamento da Previdência Social, tendo sido indicado a HEU Assessoria contábil, na pessoa de seu dirigente, Prof. José Ubiratam Costa.: Júnior, CRCGO 11.520, bem como a análise dos documentos que comprovam os recolhimentos, fls. 734/942. Após a Impugnação, houve a impetração de Aditamento à Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 15/02/2008, a empresa protocolizou aditamento à impugnação, fls.952/957, repetindo diversas manifestações de inconformidade apresentadas na impugnação. Além disso anexou algumas cópias do projeto da obra em epígrafe (COOPERSEFE Blocos A B C D E F ),)), procurando demonstrar o direito de serem aplicados os redutores de 50% e 70% previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 2003, de 2005. Afirma, também, o seguinte: 1) Erros grosseiros foram cometidos pelas autoridades fiscais, pois lançaram valores indevidos na notificação NFLD na medida em que deixaram de descumprir o art. 449, que prevê a redução de 50% ou 75%, nas áreas de playground, pilotis, garagem, varanda, quintais etc. Circunstância que, conforme documentos anexos, fls. 790, fariam com que a área construída a ser arbitrada fosse reduzida para 10.865,66 m2, fl. 783; 2) Não é possível admitir o arbitramento como foi realizado pela fiscalização, invertendo o ônus da prova, tendo em vista o lançamento ser procedimento vinculado, afastandose dos princípios básicos do Direito; 3) O Relatório Fiscal não é claro e preciso, conforme determina a legislação ; pois omite os procedimentos, o raciocínio lógico e os dispositivos legais e a sua correlação com os fatos que ensejaram a apuração, inexistindo autorização para o procedimento de aferição indireta do crédito tributário; 4) O art. 448, inciso I, da IN 3/05, determina que será convertida em área regularizada a remuneração contida em NFLD ou. LDC relativas à obra. Dessa forma, os valores de remuneração de mãodeobra conUd,os em notas fiscais relativas desta obra, lançados em NFLD da Administração, deveãro .s er de lá expurgados ou de cá considerados como dedução, sob pena de se cobrar tributo duas vezes sobre o mesmo fato gerador (bis in idem). Apresenta a:, plantas para verificação da área construída e aplicação da redução, fls. 861/863; 5) A autoridade fiscal usou critérios diferentes para aferir indiretamente o valor da_ remuneração da mãodeobra empregada na obra: nesta NFLD usou a área construída e aplicou tabela do CUB; nas NFLD da Administração (DEBCAD n° 37.055.3560, 37.096.655 4 e 37.096.6562) usou as notas fiscais aplicando a retenção. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.210 11 Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 25/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 948/950, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente o fato de a fiscalização ter deixado de considerar as notas fiscais (mão de obra terceirizada, artigos 447 e 448 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005) para efeito de dedução do valor apurado no lançamento, superestimando, assim, o valor devido pelo contribuinte (planilha às fl. 616/617, cópias de notas fiscais e guias de recolhimento, NFLD's 37.096.6562 e 37.055.3454), bem como acerca da alegação de não terem sido aplicados os percentuais de redução previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005. Ressaltese que nó tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 610, elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as GFIP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias. de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam i dos lançamentos efetuados nas NFLD n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Antes da resposta da AuditoriaFiscal à Solicitação de Diligência Fiscal, a empresa protocolou um segundo Aditamento à Impugnação, apresentando mais documentos para serem analisados, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Razões de fato e de Direito 1) Conforme já aduzido na impugnação a quantidade excessiva de impugnações e provas a se produzir o legislador fixou o prazo de 30 dias para uma autuação e não para cinqüenta e uma e com fundamento no art. 16, §§ 40, alínea V e 60, do Decreto 70.235/72, requer sejam apreciadas todas as provas carreadas aos autos. O princípio da verdade material, contemplado na Lei 9.784/99, nos artigos 3° e 38, dá o suporte legal à essa afirmação; 2) A impossibilidade de apresentação. dos documentos na impugnação se justifica pela quantidade exagerada de notificações fiscais e nas declarações dos fiscais quando justificam os oito meses de ação fiscal no estabelecimento da impugnante "nesta Capital, com empreendimentos localizados neste Estado e em outras unidades da Federação, bem como a exploração concomitante de outras atividades empresariais" (item 2 do Relatório Fiscal) "tendo em vista o volume e complexidade das operações realizadas pela "empresa " (subitem 5. 2 do Relatório Fiscal); 3) Mesmo demonstrada a impossibilidade de apresentação dos documentos na impugnação por motivo de força maior, ad argumentandum, a solução para a aparente antinomia entre a limitação à atividade probatória trazida pelo § 4 ° do art. 16 do Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Decreto 70.235/72 e o art. 38 da Lei 9.784/99 que dispõe que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão, deve ser a de prevalecer o art. 38 da Lei 9.784/99, que confere uniformidade ao sistema processual administrativo federal, malgrado o caráter específico do Decreto; 4) Não se pode levar às últimas conseqüências a regra atualmente vigente no § 4o do art. 16 do Decreto 70.235/72 que está a mitigar a aplicação de um dós princípios mais caros ao processo administrativo que é o dá verdade material. É nesse sentido a jurisprudência. Excesso de exação 5) Conforme já demonstrado na impugnação, os agentes fiscais cometeram excesso de exação lançando duas vezes sobre a mesma remuneração suposto crédito tributário. Daí, não há como evitar que seja ressaltada, em todas as oportunidades, a tese de que o mesmo fato gerador foi lançado duas vezes; 6) Apresente NFLD 37.055.3519 foi apurada core base na área construída e aplicação da tabela CUB (item 6, do Relatório Fiscal), conforme consta de Aviso para Regularização de Obra expedido pelos fiscais. Assim, a Remuneração da Mãodeobra Total RMT despendida para construir o COOPERSEFE Blocos A B C D E F foi calculada' e lançada nesta notificação fiscal (IN 3, art. 443); 7) Repetindo o que já havia informado, destaca que foram lavradas em desfavor da impugnante as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 com base na'retenção' sobre notas fiscais de serviços prestados por' terceiros, nas quais se inclui remuneração de mãodeobra relativa à execução da obra COOPERSEFE Tarumã, sem que os valores fossem aproveitados e transformados em área regularizada. No momento em que os fiscais lavraram esta NFLD, com base na área construída, todas as remunerações da mãodeobra necessárias para executar a obra foram lançadas; 8) Não aproveitar as remunerações de mãodeobra contidas nas notas fiscais emitidas por serviços prestados por terceiros nesta obra e lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 considerandoas como área regularizada, significa cobrar duas vezes o mesmo tributo, pois o fato gerador é o mesmo, 9) O art. 447 c/c art. 448, inciso I, da IN 3, impõe que os valores lançados nas três 4LD acima relativos às remunerações de mão deobra contida em notas fiscais de serviços prestados nesta obra sejam deduzidos da RMT "para efeito de apuração do valor da contribuição previdenciária devida"; 10) As remunerações de mãosdeobra; desta obra, lançadas em outras NFLD não foram aproveitadas, convertidas em área regularizada. Ao assim agir, os agentes do fisco praticam excesso de exação inaceitável cobrando a mesma obrigação duas vezes em NFLD distintas; Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.211 13 11).Todos os documentos citados acima estão em poder do fisco. À comprovação das alegações aplicase o art. 37 da Lei 9.784/99: Notas fiscais com guias de recolhimento 12) Sem prejuízo da alegação de bis in idem e conseqüente improcedência do lançamento, anexase como prova a mais do equívoco dos agentes do fisco, 'Planilha Notas Fiscais e GPS' qu relaciona as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento que se requer sejam juntadas aos autos. A planilha, para melhor identificação da elisão do débito, foi elaborada da mesma forma que os fiscais elaboraram a planilha "Cessão de mão'deobra NFs não apresentadas" que acompanhou o Relatório Fiscal, bem como diversas guias de recolhimento e notas fiscais, fls. 959/1020, Perícia 13) Requerida na impugnação inicial, explicitase os quesitos da perícia referentes aos exames das afirmações dos fiscais quanto à desconsideração da escrituração contábil da impugnante I. Os procedimentos de escrituração contábil adotados pela empresa forma incisa todos os princípios contábeis geralmente aceitos'e praticados"? II. A escrituração contábil da empresa; identifica as obras por centros de custos?(subitem 5.2 do Relatório Fiscal). III. A empresa lança em títulos próprios os fatos geradores das contribuições, conforme determina o art. 32, inciso II, da Lei 8.212191? (subitem 5.2 do Relatório fiscal). Concluindo o aditamento, além dos pedidos já formulados na impugnação (v.g. improcedência do lançamento), requerse sejam os recolhimentos apresentados e as remunerações de mãosdeobra, desta obra, lançadas em outras NFLD, convertidos em área regularizada e excluídos os valores das competências decaídas. Segue a resposta da AuditoriaFiscal à Solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Prazo de duração da ação fiscal. a) O longo prazo de duração da ação fiscal de 25 de outubro de 2006 a 28 de junho de 2007 (oito meses) deveuse, entre outros; aos seguintes motivos: a) porte da empresa (mais de 50 obras para serem analisadas); b) atividades empresarias diversificadas (construtora, incorporadora, prestadora de serviços, exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers); c) período fiscalizado extenso (01/2000 a 09/2006); complexidade da documentação; dificuldades criadas pela empresa, tendo em morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados; Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 b) A empresa conhecia e participou ativamente do processo de levantamento ; apuração e constituição do crédito previdenciário. Durante o tempo em que a empresa esteve sob ação fiscal, os empregados do setor contábil, do setor de pessoal e da área administrativa, bem como a procuradora e setor jurídico da empresa, eram permanentemente informados dos procedimentos de auditoria fiscal. Sempre que solicitados, prestávamos as informações relativas aos procedimentos fiscais em andamento, Dos valores apurados C) Tendo em vista as diversas irregularidades cometidas pela empresa, não restou a esta junta fiscal senão o procedimento da desconsideração da contabilidade e a apuração das contribuições previdenciárias, tomandose por base o cálculo da mãodeobra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme consta do relatório fiscal integrante à presente NFLD (fls. 99/598). No cálculo do crédito previdenciário foram considerados, para determinação dos valores devidos, os ,dispositivos contidos na Instrução Normativa n° 312005, especificamente os artigos 447 e 448; d) As notas fiscais relativas à prestação de serviços e guias da previdência social anexadas pela empresa em sua defesa fls. 735/942 e 975/1078 (aditamento à impugnação), trazem situações que devem ser observadas de acordo com os citados artigos da IN n° 3/2005, como se segue: i. As notas fiscais envolvendo período compreendido até a competência setembro de 2002, com vinculação inequívoca a obra, foram objeto de conversão em área regularizada, conforme define o art. 447, II, "c" e § 2 ° da referida IN; ii. As notas fiscais, qualquer que seja a data de sua emissão que não tragam comprovação de sua vinculação com a obra (notas fiscais sem identificação da aplicação nesta obra), não foram consideradas para efeito de retificação do débito; iii. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação, tendo em vista a IN 3/2005 condicionar o aproveitamento do crédito à mãodeobra constante da GFIP específica do prestador dos serviços. e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" `integrante da presente informação, fls. 1087/1090, contendo detalhamento das notas fiscais e valores apropriados como mão deobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.212 15 mediante cessão de mãodeobra, bem como 'da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP do.s prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstâncias que não ocorreram: i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação 0c serviços terceirizados mediante cessão de mão deobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos físicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma;;sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para. transformação em área regularizada dependem da. comprovação ' do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GFIP do prestador dé serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). g) Quanto à não aplicação dos percentuais de redução no cálculo da contribuição previdenciária relativa à obra, tal procedimento não foi possível à época, vez que, embora intimada à apresentação do projeto da obra, conforme o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, cópia anexada às fls. 68/72, emitido em 19/10/2006, a empresa não apresentou este documento durante a ação fiscal. Como já foi relatado, a empresa dificultou o trabalho de auditoria fiscal deixando de apresentar boa parte da documentação solicitada pela fiscalização. h) Com a apresentação do projeto de execução, fls. 799/803, foi efetuado novo cálculo emitindo novo Aviso de Regularização de Obra — ARO, fls. 909/913, considerando as áreas redutoras nos termos do art. 449 da Instrução Normativa n" 3, de 2005. Dessa forma, foram considerados 2.592,54 m2 com redução de 50% e 2.266,86 m2 com redução de 75%, conforme tabela demonstrativa A fl. 954. A área total permaneceu em 51983,76.. i) No que pertine à consideração das notas fiscais de prestadores de serviços quando do cálculo da contribuição previdenciária, cabe salientar que a Instrução Normativa trata a matéria da seguinte forma: De fevereiro de 1999 a setembro de 2002 o valor retido com base nas notas fiscais emitidas pelas contratadas, quando não Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 tenha sido apresentada GFIP, dividido por 0,368 para apuração da correspondente remuneração. (Art. 447, II, "c" e § 2° da IN 3/2005); A partir de outubro de 2002 somente as remunerações declaradas em GFIP referente obra, com comprovante de entrega e desde que comprovado ;o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (Art. 447, III, da IN 3/2005) j) No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GPS e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível A época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras dc construção civil. A partir dos elementos inseridos na defesa procedemos A consideração dos valores relativos as notas fiscais conforme planilha anexa. k) As conversões sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços com vinculação inequívoca A obra até a competência setembro de 2002, de acordo corn a IN 3/2005, foram consideradas na retificação deste débito. l) Com base nos valores constantes do novo Aviso para Regularização de Obra ARO em anexo, retificamos o débito originário de R$ 745.922,85 para R$ 602.467,83, acrescidos de multa e juros previstos na legislação. Em relação à aplicação da Súmula Vinculante STF nº 08, assim se manifesta a AuditoriaFiscal reconhecendo a decadência até a competência 04/2002: A obra matrícula CEI n" 39.380.00324/76 — SEFTA, objeto desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, foi executada no período de 12/2000 a 04/2004 e como o débito foi. lavrado em 22/06/2007, de conformidade com o que prevê o Código Tributário Nacional, o período decadencial foi determinado até 04/2002. Em decorrência de nova determinação conforme Despacho n" 087 da 5' Turnia da DR.I/BSA (Ils. 1.070 a 1.07 1), procedemos novamente a retificação do presente débito tendo em vista o que dispõe a Súmula Vinculante STF n" 8 de 20 de junho de 2008. Consta, às fls. fl. 1074, que o sujeito passivo teve ciência das informações prestadas pela AuditoriaFiscal em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, tendo sido devolvido o prazo para que apresentasse novas manifestações, conforme o relatório da decisão e primeira instância: Às fls. 1074, as autoridades lançadoras informaram o novo valor (ele R$ 245.877,73para R$ 143.928,48). O procedimento foi descrito à 11. 1073. Pelo fato de o lançamento ter sido retificado mais uma vez, foi dado conhecimento à empresa, razão pela qual esta leve nova oportunidade pala manifestarse nos autos, fls. 1075, repetindo o argumento de que o cálculo do período decadente foi realizado incorretamente, tendo cm vista a prorrogação da intimação da notificação do lançamento que ocorreu na oportunidade em que floram substituídos diversos Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.213 17 relatórios. Portanto, as contribuições relativas aos meses de maio e,j unho de 2002, não podem ser cobradas, em nenhuma hipmitem. Devem também ser incluídas na retificação, por força dedecadência. Após análise dos autos, a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 0332.784 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF julgou procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. A falta ou a deficiência da contabilidade, bem como a omissão de informações requeridas pela fiscalização, autorizam a apuração da base de cálculo do lançamento por aferição indireta, utilizando o 'critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. RECOLHIMENTOS. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente, A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo do seu dever de co7áboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo coro as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente ) requisito da tipicidade da tributação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. À autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N'8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em síntese: (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. (iii) Contabilização por centro de custo 2. A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da impugnante não se consubstancia em situações materiais efetivas. 3. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. 4. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.214 19 examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. 5. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. (iv) Princípio da imparcialidade 5. Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. 6. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. 7. Por que o órgão julgador de ~`primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de um' a vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa ,o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. 8. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DR]/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: 10. Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento'. 0 registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mãodeobra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação 1. 0 item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários'; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. 2, Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. 5. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. 6. Foram solicitadas as planilhas em meio digital que informam milhares de bases de cálculo, entregues impressas, com erros que resultaram nas diversas retificações do débito. E o relator, mesmo tendo mencionado o requerimento da recorrente, fl. 1.110, não apreciou, não julgou a matéria. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova 4. A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. 7. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades 2. "Sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição"(acórdão, fls. 884) é sempre bom lembrar que "todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado". Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.215 21 (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica 1. Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. (ix) BIS IN IDEM 2. Iniciase com a importante informação de que a obra foi executada no período de 02/2004 a 03/2006. 3. Após digressões, onde se comenta que a IN 03105 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção ,civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...'; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 0211999 a 0912002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) 4. A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 886/888, e outros trechos do acórdão n0 0332.784, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. 9. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. 12. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). 13. Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.655 4, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. 20. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). 22. A junta fiscal lavrou 34 NFLD relativas a contribuições referentes à aferição indireta da mãodeobra total com base na área construída e no padrão das obras realizadas sob responsabilidade da recorrente, dentre elas esta. 23. Outras três NFLD foram lavradas por suposta "existência de débito relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão deobra" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6562); "Tratase da retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas riscais relativas à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, contratados pela notificada" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.055.3454); e "existência de débito relativo as contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais .. "(item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6554). 24. Observese que as três NFLD são relativas a contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais e que as notas fiscais são de prestação de serviços. Serviços prestados na execução das 34 obras, conforme planilhas anexadas a cada uma das três NFLD pela junta fiscal. 25. O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento 1. A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. “d.iii. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação... ; fl. 1099. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.216 23 6. Aceitar, até setembro de 2002, a conversão em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mãodeobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra e depois, a partir de outubro de 2002, condicionar o aproveitamento de valores recolhidos à declaração em GFIP emitida pelo prestador de serviço, é inovação proibida, pois cria obrigação não identificada em lei de pagar a mesma contribuição de terceiros duas vezes: uma vez pelo recolhimento e outra pelo lançamento indevido que se mantém. 7. É absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. 15. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão deobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 1. A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. "Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária", 2. A dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é 'numerus c/ausus: 3. A palavra somente' colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. 'Somente' existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 1. De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar ...'. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. 2. 0 tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 3. 0 art. 474 é a síntese de tudo o quanto se discute sobre o fato concreto. 0 capítulo V da IN 3 trata dos procedimentos fiscais e no art. 474, § 2o, determina que no lançamento de "contribuições referentes à aferição da mãodeobra total', que é o caso aqui em debate, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo constituídos por retenção, que é o caso das três NFLD. No entanto, independentemente desse dispositivo normativo ou qualquer restrição, há que se excluir os valores lançados em duplicidade. (xiii) Bitributação 3. Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mãodeobra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. 6. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 949, item f, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. 7) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.217 25 1. O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão deobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos f r m efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as iniq id des resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DR)/BSA. (xv) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. 1. 0 reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvi) Retificação inaceitável 1. A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. 2. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. 3. Chama a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra foi de 0212004 a 0312006, fl. 1.127, e está é a realidade dos fatos. 4. Contudo, já na primeira folha do acórdão, em flagrante contradição, informase: 'Período de apuração; 0110912006 a 3010912006'. O Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR foi elaborado como se o fato gerador da contribuição tivesse ocorrido em uma única competência, 09 2006, como se a obra tivesse sido executada em um único mês, muito tempo depois de concluída. E qual é a justificativa jurídica e a fundamentação legal para esta transgressão? Nenhuma. 8. Daí, como se pode perceber, o método a ser utilizado para a retificação do débito, por lógica, coerência Direito e justiça, e para evitar lesão ao direito e à propriedade da impugnante, terá que ser o mesmo utilizado para a apuração, considerandose o Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 período de execução da obra e como área regularizada aquela relativa aos meses mais antigos e alcançados pela decadência (IN 3, art. 466, VII). 9. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, nos seguintes termos: (i) considerandose que a decadência foi reconhecida pela autoridade fiscal até 04/2002, além de que o Aviso para Regularização de Obra – ARO, às fls. 909, a data de emissão do ARO é de 30/09/2006 corresponde à data de início da obra, que é de 01/06/1995, e à data de término da obra, que é de 31/08/2003, solicitase informar se permaneceu a necessidade de arbitramento para aferição da base de cálculo, no exercícios 2002 e 2003 e quais os elementos que ensejam tal necessidade; (ii) em relação às contribuições devidas por terceiros apuradas em notas fiscais de serviços prestados, se elabore um quadro comparativo expondo que as contribuições previdenciárias devidas lançadas na presente NFLD nº. 37.096.6627, não se referem às contribuições devidas apuradas nas NFLD 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. Ou seja, se demonstre que não houve duplicidade de tributação incidente em relação às notas fiscais de prestadores de serviços ou, caso haja, a fundamentação para tal ocorrência. (iii) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2002 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. (iv) quais os elementos que permanecem e que ensejam a desconsideração da contabilidade. (v) a confirmação de que foi aplicado o redutor previsto no art. 449, IN 03/2005 (vi) em relação ao registro de pequenas obras – conta DPOGR, se a escrituração na folha de pagamento da Administração, conforme o alegado pela Recorrente, está correta e se impacta em algum ponto na desconsideração da contabilidade. (vii) em relação à entrega dos arquivos digitais à Recorrente contendo planilhas com dados e informações, se a entrega ocorreu no curso da ação fiscal e, em caso de não entrega, se tal falta foi suprida com a entrega de outros documentos impressos. (viii) se o contribuinte forneceu à fiscalização dados em meio digital ou se fez somente a entrega de documentos impressos. A AuditoriaFiscal, no Pronunciamento Fiscal, às fls. 1174 a 1175, informa que mantém integralmente os valores apurados em relação a esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito: Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.218 27 A ação fiscal que resultou na emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad 37.096.6660, foi realizada pela junta fiscal composta dos auditores João Batista Pereira — mat. 0888.165 e José Claudio Del Duqui — mat. 0953.6454. 0 auditor Joao Batista Pereira encontrase aposentado, motivo pelo qual apenas o auditor remanescente assina a presente. I. A desconsideração da contabilidade teve por base os diversos motivos relacionados no Relatório Fiscal Inicial, parte integrante da Notificação Fiscal de Levantamento de Débito, exaustivamente demonstrados. 0 reconhecimento da decadência não ocorreu por vontade desta auditoria e sim por decisão do Supremo Tribunal Federal. No entendimento desta auditoria fiscal permanecem todas os motivos que levaram ao procedimento fiscal da aferição indireta do débito e não há elementos que justifiquem a retificação do lançamento em questão. 2. Conforme define a legislação previdenciária os créditos relativos às notas fiscais só devem ser aproveitados caso haja a vinculação inequívoca com a obra. Em todos os relatórios, sustentados por planilhas demonstrativas, foram alocados créditos decorrentes de prestação de serviços executados por terceiros, cujos documentos apresentados pela noti ficada. pertenciam a obra objeto desta notificação. Inicialmente a fiscalização considerou apenas os créditos apresentados durante a ação fiscal (que foram pouquíssimos), posteriormente, por força da impugnação manifestada pela notificada e apresentação de novos documentos, os mesmos foram considerados e o débito retificado. Foram lavradas NFLD distintas para cada obra. A apuração individual (por obra) buscou evidenciar de forma clara e precisa cada levantamento. Todos os créditos previstos na legislação previdenciária foram considerados em cada levantamento especifico. 0 valor inicialmente apurado está demonstrado no relatório inicial constante das fls. 1 a 593. A reanálise da documentação e retificação do débito, após impugnação, consta das fls. 1035 a 1031. A segunda retificação, por imposição da Súmula Vinculante do STF n. 8, está detalhada no relatório as fls. 1073 a 1074. No entendimento desta auditoria não há mais o que ser considerado para fins de retificação. 3. Muitos foram os motivos que levaram a auditoria fiscal à desconsideração da contábil (todos exaustivamente demonstrados no Relatório Fiscal Inicial) e em conseqüência apuração do crédito tributário com base na aferição indireta. Os diversos erros constatados implicaram em apuração indevida do custo da obra e principalmente no registro irreal da mãode obra. Os diversos erros cometidos pela empresa, propositais ou por simples desleixo, contaminaram a escrituração contábil de todo o período fiscalizado, motivo pelo qual mantenho o Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 entendimento de que a aferição indireta está revestida de total correção. 4. No entendimento desta auditoria todos os motivos persistem e todo o trabalho desenvolvido pela auditoria fiscal está correto, nada tendo a retificar. 5. Os cálculos foram demonstrados inicialmente no Relatório Fiscal Inicial e posteriormente nos Relatórios Fiscais de Reti ficação, tendo em vista o fato de a empresa apresentar os documentos de acordo com sua vontade (quando lhe é conveniente). Todo o procedimento realizado pela auditoria fiscal está de acordo com o que consta da legislação previdenciária. Nada a retificar. 6. Conforme relatado no item 5.9.1 do Relatório Fiscal Inicial, a escrituração contábil desta conta possui várias incoerências, o que representa mais urna prova de erros cometidos pela empresa em relação a sua escrituração contábil e que só ratificam (reforçam) o entendimento da auditoria fiscal em desconsiderar a contabilidade e aferir o débito como foi efetivamente realizado. Nada do que foi alegado pela empresa justifica seu comportamento e agora sua pretensa alegação. 7. Não houve entrega de arquivos digitais e nem mesmo documentos básicos corno notas fiscais, folhas de pagamento e uma contabilidade clara e confidvel foram oferecidas á fiscalização. Grande parte da documentação só foi apresentada, e mesmo assim de forma totalmente desorganizada, após a lavratura da Notificação Fiscal, ou seja, na impugnação. A alegação da empresa não procede. 8. Não foram apresentados arquivos digitais, apenas algumas planilhas gravadas em CD dependentes de documentos que atestassem sua veracidade. Pela falta de prestatividade com a fiscalização e ausência de documentação comprobatória, estes arquivos não foram considerados para fins de levantamento. Somente os documentos impressos, mesmo assim incompletos e desorganizados foram trabalhados pela auditoria fiscal, pela absoluta falta de atenção com a fiscalização. Mantenho integralmente os valores apurados em relação a esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, nada tendo a retificar. Após intimação, o contribuinte não atravessa Manifestação, conforme informado nos autos. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.219 29 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 30 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada COPERSEFE – Tarumã, matricula CEI 39.380.00324/76, correspondendo a 8.407,74 m2. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.096.6660 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.096.6660) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.220 31 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 32 g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. Analisemos. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.221 33 Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007)(Vigência) Ino exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) c) executar procedimentos de fiscalização ,praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados como controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts.1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art.1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei nº 11.457, de 2007)(Vigência) II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007)(Vigência) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. Analisemos. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 34 Conforme o visto no item (B) da regularidade do lançamento, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa. (iii) Contabilização por centro de custo 2. A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da impugnante não se consubstancia em situações materiais efetivas. 3. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. 4. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. 5. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Analisemos. Este tópico foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se constata que embora a empresa procurasse corrigir a contabilização por centros de custo, não logrou êxito haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização: Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, fls. fls. 291/296, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.222 35 Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração (fls. 99/110) vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas. fiscais não contabilizadas (Consórcio Rodoviário Intermunicipal — CRISA). Ademais, em solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 1184 a 1185, abordouse este tópico: (v) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2004 a 2006 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. O Pronunciamento Fiscal, às fls. 1174 a 1175, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal: 5. O item 5.2 do Relatório Fiscal Inicial — fls. 100/101 do presente processo responde tal quesito. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, mantenho o entendimento da decisão de primeira instância de forma a manter os fundamentos da autuação neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Princípio da imparcialidade 5. Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. 6. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. 7. Por que o órgão julgador de `primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de um' a vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa ,o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. 8. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DR]/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 36 10. Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento'. 0 registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mãodeobra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (ix) BIS IN IDEM 2. Iniciase com a importante informação de que a obra foi executada no período de 02/2004 a 03/2006. 3. Após digressões, onde se comenta que a IN 03105 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção ,civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...'; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 0211999 a 0912002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) 4. A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 1.127, e outros trechos do acórdão n0 0332.778, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. 9. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.656 2 e 37.055.3454. 12. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). 13. Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.655 4, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.223 37 Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. 20. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). 22. A junta fiscal lavrou 34 NFLD relativas a contribuições referentes à aferição indireta da mãodeobra total com base na área construída e no padrão das obras realizadas sob responsabilidade da recorrente, dentre elas esta. 23. Outras três NFLD foram lavradas por suposta "existência de débito relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão deobra" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6562); "Tratase da retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas riscais relativas à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, contratados pela notificada" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.055.3454); e "existência de débito relativo as contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais .. "(item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6554). 24. Observese que as três NFLD são relativas a contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais e que as notas fiscais são de prestação de serviços. Serviços prestados na execução das 34 obras, conforme planilhas anexadas a cada uma das três NFLD pela junta fiscal. 25. O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. Analisemos os itens (iv) e (ix) conjuntamente. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Este ponto foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 1184 a 1185: Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 38 (ii) em relação às contribuições devidas por terceiros apuradas em notas fiscais de serviços prestados, se elabore um quadro comparativo expondo que as contribuições previdenciárias devidas lançadas na presente NFLD nº. 37.0553519, não se referem às contribuições devidas apuradas nas NFLD 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. Ou seja, se demonstre que não houve duplicidade de tributação incidente em relação às notas fiscais de prestadores de serviços ou, caso haja, a fundamentação para tal ocorrência O Pronunciamento Fiscal, às fls. 1174 a 1175, após reanálise dos autos, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve lançamento de contribuições de forma duplicada: 2. Conforme define a legislação previdenciária os créditos relativos as notas fiscais só devem ser aproveitados caso haja a vinculação inequívoca com a obra. Em todos os relatórios, sustentados por planilhas demonstrativas, foram alocados créditos decorrentes de prestação de serviços executados por terceiros, cujos documentos apresentados pela notificada. pertenciam a obra objeto desta notificação. Inicialmente a fiscalização considerou apenas os créditos apresentados durante a ação fiscal (que foram pouquíssimos), posteriormente, por força da impugnação manifestada pela notificada e apresentação de novos documentos, os mesmos foram considerados e o débito retificado. Foram lavradas NFLD distintas para cada obra. A apuração individual (por obra) buscou evidenciar de forma clara e precisa cada levantamento. Todos os créditos previstos na legislação previdenciária foram considerados em cada levantamento especifico. O valor inicialmente apurado está demonstrado no relatório inicial constante das fls. I a 594. A reanálise da documentação e retificação do débito, após impugnação, consta das lis. 1079 a 1095. No entendimento desta auditoria não ha mais o que ser considerado para fins de retificação. Ora, diante da matéria exclusivamente fática que foi objeto de Diligência Fiscal, mantenho o entendimento da AuditoriaFiscal de forma a manter os fundamentos da autuação neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação 1. 0 item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários'; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.224 39 2, Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. 5. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. 6. Foram solicitadas as planilhas em meio digital que informam milhares de bases de cálculo, entregues impressas, com erros que resultaram nas diversas retificações do débito. E o relator, mesmo tendo mencionado o requerimento da recorrente, fl. 1.110, não apreciou, não julgou a matéria. Analisemos. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da Recorrente. Este ponto foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 1184 a 1185: (ix) em relação à entrega dos arquivos digitais à Recorrente contendo planilhas com dados e informações, se a entrega ocorreu no curso da ação fiscal e, em caso de não entrega, se tal falta foi suprida com a entrega de outros documentos impressos. (x) se o contribuinte forneceu à fiscalização dados em meio digital ou se fez somente a entrega de documentos impressos O Pronunciamento Fiscal, às fls. 1174 a 1175, após reanálise dos autos, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve a entrega de arquivos digitais, de forma a não proceder a alegação da empresa: 9. Não houve entrega de arquivos digitais e nem mesmo documentos básicos como notas fiscais, folhas de pagamento e urna contabilidade clara e confiável foram oferecida'F fiscalização. Grande parte da documentação só foi apresentada, e mesmo assim de forma totalmente desorganizada, após a lavratura da Notificação Fiscal, ou seja, na impugnação. A alegação da empresa não procede. 10.Não foram apresentados arquivos digitais, apenas algumas planilhas gravadas cm CD dependentes de documentos que atestassem sua veracidade. Pela falta de prestatividade com a fiscalização e ausência de documentação comprobatória, estes arquivos não foram considerados para fins de levantamento. Somente os documentos impressos, mesmo assim incompletos e Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 40 desorganizados foram trabalhados pela auditoria fiscal, pela absoluta falta de atenção corn a fiscalização. Ora, diante da matéria exclusivamente fática que foi objeto de Diligência Fiscal, mantenho o entendimento da AuditoriaFiscal de forma a manter os fundamentos da autuação neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova 4. A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. 7. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Analisemos. Este ponto de inversão do ônus da prova foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se conclui que após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnaste; os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados: Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante 'processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos ternos dos parágrafos 3% 4° e 6° do art. 33, é a imediata e conseqüente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnaste não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese o impugnante ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, fls. 735/942 e 975/1078, Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.225 41 observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls. 1087/1091, muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Contudo, após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnaste; os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, conforme informação à fl. 1087/1090, bem como elaboração de novo ARO, fls. 1092/1095. Ora, conforme o visto em sede de decisão de primeira instância, após a análise individualizada em sede de Diligência Fiscal de todos as provas documentais apresentadas pelo contribuinte, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades 3. Qualquer limitação à atividade jurisdicional desenvolvida pelos órgãos administrativos de julgamento, inclusive pronunciarse sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de norma tributária é injustificável, inconstitucional. O processo administrativo está garantido e equiparado ao processo judicial pela Constituição Federal que não lhe limita a atuação. Analisemos. Este ponto já foi analisado no item (A) Inconstitucionalidades. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica 1. Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. 7. A IN 03, assim como as demais normas da SRP, é generalista "Dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciárias .. "em flagrante conflito com os princípios do art. 7o. da Lei Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 42 Complementar 95/98, trata de normas de natureza material e processual indistintamente. 8. Ora, a recorrente, quando faz alegações quanto a irretroatividade das leis, não se refere às normas de natureza processual. Analisemos. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, é de 01/09/2006 a 30/09/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Ora, conforme já debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, não se tem a aplicação retroativa da legislação posto que a Lei 8.212/1991 é vigente à época dos fatos geradores aos fatos geradores é a 8.212/91, conforme o art. 144, caput, e 144, § 1º do CTN : Quanto à afirmação da impugnante de que instruções normativas não obrigam o contribuinte, tendo em vista o Princípio da Legalidade vigente no país, aduzse o seguinte. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n° 03/05, vigente à época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, tendo em vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressáltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos pelas autoridades adm nistrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecelos. No caso sob análise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. O lançamento Reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Contudo, conforme;, destaca o § 1° do mesmo art. 144, a administração tributária, ao instituir novos critérios tle apuração, sem contrariar, evidentemente, o texto básico presente na legislação regente: § 1' Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado òs poderes de investigação das autoridades administrativas, ou Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.226 43 outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros Observamos que no período objeto da autuação, a Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005 era vigente. Outrossim, a argumentação da Recorrente é genérica, entendo que deve ser mantida a autuação fiscal neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento 1. A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação... ; fl. 1.117. 6. Aceitar, até setembro de 2002, a conversão em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mãodeobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra e depois, a partir de outubro de 2002, condicionar o aproveitamento de valores recolhidos à declaração em GFIP emitida pelo prestador de serviço, é inovação proibida, pois cria obrigação não identificada em lei de pagar a mesma contribuição de terceiros duas vezes: uma vez pelo recolhimento e outra pelo lançamento indevido que se mantém. 7. É absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. 15. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão deobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xiii) Bitributação 3. Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 44 Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mãodeobra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. 6. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 1.117/8, item T, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. 7) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) Analisemos os itens (x) e (xiii) conjuntamente. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se conclui que o aproveitamento de eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo foram efetuados nos lançamentos mencionados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que há tributação em dobro sobre os mesmos fatos geradores: Assim, a alegação de que a junta fiscal resiste a retificar o presente crédito tributário quanto às remunerações contidas nas notas fiscais de terceiros, lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37:055.3454, é improcedente, tendo em vista que o aproveitamento de eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo foram efetuados nos lançamentos mencionados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que há tributação em dobro sobre os mesmos fatos geradores. Tal argumento oferecido pelo impugnante é totalmente insubsistente, pois o direito de ter os créditos de retenção aproveitados nas notificações arbitradas com base na área construída não é absoluto, pelo contrário, somente pode ser implementado caso sejam atendidas as condições estabelecidas pela própria legislação previdenciária. No caso, da NFLD n° 37.096.6562, cujos valores da retenção aferidos indiretamente, tendo sido utilizado como critério o relatório emitido pela própria empresa, devese ter em mente que esta notificação foi lançada por arbitramento pelo simples fato de a empresa ter se recusado a apresentar as notas fiscais para serem analisadas pela autoridade Fiscal. Ora, se os documentos originais: deixaram de ser apresentados, muito menos as GFIP's dos prestadores, verificase, facilmente, a. impossibilidade de aproveitamento de qualquer valor incluído nessa notificação. De igual modo, a NFLD n° 37.055.3454, apesar de referirse às notas fiscais apresentadas, também não foram acompanhadas Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.227 45 pelas GFIP's dos prestadores. Tal exigência, além de estar prevista no inciso II do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005, também é complementada pela,.obrigação acessória a ser cumprida pelas empresas contratantes, conforme consta do 425 dá mesma IN: (...) Quanto a alegação de que houve bi tributação e bis in idem, expressões utilizadas pela defendente durante as manifestações nos autos do processo, importante destacar que em matéria tributária as diferenças entre esses termos são nítidas. Roque Antonio Carrazza descreve de modo simples que "...em matéria tributária, dáse o bis in ideie quando o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, péla mesma pessoa política. Já, bitributação é ó fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas". No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRI'. n° 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não '.se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum crédito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. O Pronunciamento Fiscal, em resposta à Diligência Fiscal, às fls. 1174 a 1175, mostra que houve uma reanálise da documentação acostada aos autos e se procedeu à retificação do débito, com o aproveitamento de guias de recolhimento: 2. Conforme define a legislação previdenciária os créditos relativos as notas fiscais só devem ser aproveitados caso haja a vinculação inequívoca com a obra. Em todos os relatórios, sustentados por planilhas demonstrativas, foram alocados créditos decorrentes de prestação de serviços executados por terceiros, cujos documentos apresentados pela noti ficada. pertenciam a obra objeto desta notificação. Inicialmente a fiscalização considerou apenas os créditos apresentados durante a ação fiscal (que foram pouquíssimos), posteriormente, por força da impugnação manifestada pela notificada e apresentação de novos documentos, os mesmos foram considerados e o débito retificado. Foram lavradas NFLD distintas para cada obra. A apuração individual (por obra) buscou evidenciar de forma clara e precisa cada levantamento. Todos os créditos previstos na legislação Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 46 previdenciária foram considerados em cada levantamento especifico. O valor inicialmente apurado está demonstrado no relatório inicial constante das fls. I a 594. A reanálise da documentação e retificação do débito, após impugnação, consta das lis. 1079 a 1095. No entendimento desta auditoria não ha mais o que ser considerado para tins de retificação. Ora, conforme o visto em sede de decisão de primeira instância, após a análise individualizada em sede de Diligência Fiscal de todos as provas documentais apresentadas pelo contribuinte, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, sem que tenha havido bitributação ou bis in idem. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 1. A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. "Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária", 2. A dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é 'numerus c/ausus: 3. A palavra somente' colocada no texto do acórdão, fl. 1.129, não existe no inciso. 'Somente' existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. Analisemos. Vejamos o art. 448, I, IN MPS/SRP 03/2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se conclui pela insubsistência do pedido do contribuinte: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos à obra, de Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.228 47 acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentidos, considerando que as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 referemse a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte ; Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 1. De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar ...'. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. 2. 0 tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. 3. 0 art. 474 é a síntese de tudo o quanto se discute sobre o fato concreto. 0 capítulo V da IN 3 trata dos procedimentos fiscais e no art. 474, § 2o, determina que no lançamento de "contribuições referentes à aferição da mãodeobra total', que é o caso aqui em debate, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo constituídos por retenção, que é o caso das três NFLD. No entanto, independentemente desse dispositivo normativo ou qualquer restrição, há que se excluir os valores lançados em duplicidade. Analisemos. Vejamos o art. 474, IN MPS/SRP 03/2005: Art. 474. Na regularização de obra de construção civil, em que a remuneração da mãodeobra utilizada foi apurada com base na área construída e no padrão da obra ou com base na prestação de serviços contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, se constatada a contratação de subempreiteiras, deverão ser constituídos os créditos das contribuições sociais Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 48 correspondentes, em lançamentos distintos, conforme a sua natureza. § 1º Os créditos referidos no caput serão constituídos da seguinte forma: I contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; II contribuições referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada; III contribuições apuradas por responsabilidade solidária; IV retenção. § 2º No lançamento da base de cálculo da aferição indireta prevista no inciso I, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo previstos nos incisos II, III e IV, todos do § 1º deste artigo, competência por competência, observados os critérios de conversão previstos neste Título. § 3º No lançamento por responsabilidade solidária, de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, não serão cobradas as contribuições devidas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser cobradas diretamente da empresa contratada. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se conclui pela insubsistência do pedido do contribuinte: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 3, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normatização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a cópia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total, as referentes à remuneração dei mãodeobra própria da empresa fiscalizada; as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente às contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.229 49 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. Analisemos. Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância, bem como a conversão do processo em Diligência determinado por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xv) Caracterização de excesso de exação 1. O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão deobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos f r m efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as iniq id des resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DR)/BSA. Analisemos. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 50 Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § '1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, no tópico (B) da regularidade do lançamento concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xv) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. 1. 0 reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.230 51 (xvi) Retificação inaceitável 1. A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. 2. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. 3. Chama a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra foi de 02/2004 a 03/2006, fl. 1.127, e está é a realidade dos fatos. 4. Contudo, já na primeira folha do acórdão, em flagrante contradição, informase: 'Período de apuração; 01/09/2006 a 30/09/2006. O Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR foi elaborado como se o fato gerador da contribuição tivesse ocorrido em uma única competência, 09/2006, como se a obra tivesse sido executada em um único mês, muito tempo depois de concluída. E qual é a justificativa jurídica e a fundamentação legal para esta transgressão? Nenhuma. 8. Daí, como se pode perceber, o método a ser utilizado para a retificação do débito, por lógica, coerência Direito e justiça, e para evitar lesão ao direito e à propriedade da impugnante, terá que ser o mesmo utilizado para a apuração, considerandose o período de execução da obra e como área regularizada aquela relativa aos meses mais antigos e alcançados pela decadência (IN 3, art. 466, VII). 9. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Analisemos os itens (xv) e (xvi) conjuntamente. Em relação à ocorrência de decadência, tema debatido também em sede de decisão de primeira instância, constatase a não ocorrência de decadência: Outro ponto a ser destacado pela impugnante e relacionado à decadência trata da alegação do sujeito passivo acerca da contagem do prazo decadencial, tendo em vista alguns relatórios terem sido substituídos, fato este que, no entendimento do impugnante, representou a reabertura do prazo de defesa e, por conseqüência, a alteração na data da notificação, circunstância que determinaria a exclusão de duas competências pelo f to de também terem sido alcançadas pela decadência. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 52 considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo. Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível ao contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado à fls. 929/930, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/1996 a 04/2002, devendo ser mantidas as competências 05 e 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Da mesma forma, este ponto da retificação dos valores já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1088 a 1123, na qual se conclui que as autoridades fiscais realizaram a conferência de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria, de forma a aplicados os percentuais de redução de 50% e 75%, tendo em vista a impugnante ter apresentado os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados: Conforme informação fiscal, às fls. 1079/1086, as autoridades fiscais realizaram a conferência de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Além disso, não houve necessidade de aplicarse o instituto da decadência qüinqüenal, conforme determinado indevidamente na última diligência, tendo em vista nenhuma das competências relacionadas ao lançamento terem sido alcançadas pela caducidade, de acordo com a informação prestada à fl. 1102. Dessa forma, considerouse corno basedecálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços, fls. 1087/1090), tendo sido to s os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capítulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da Informação Fiscal prestada pela autoridade lançadora ; observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo em vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Corno pode ser observado nas planilhas anexadas às fls. 1087/1090, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também não foram consideradas as notas fiscais, a partir Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.231 53 da competência 09/2002, desacompanhadas das GFIP's dos prestadores, conforme exige o inciso II do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que no tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 617/618, elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as GFIP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Conforme já mencionado, foram aplicados os percentuais de redução de 50% e 75%, tendo em vista a impugnante ter apresentado os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Ademais não há qualquer contradição em relação às datas de apuração e do período de execução da obra pois, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Ipê Amarelo matrícula CEI 39.380,01948/78, correspondendo a 11.713,98 m 2. Conforme se verifica no Relatório Discriminativo Sintético do Débito, o período de apuração do débito é na competência 09/2006 ou, de outra forma, 01/09/2006 a 30/09/2006. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 54 nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005525/200711 Acórdão n.º 2403002.739 S2C4T3 Fl. 1.232 55 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003659/2001-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
Ementa
COFINS BASE DE CÁLCULO VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO - Após o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por meio de julgamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, definiu-se que a base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO
Numero da decisão: 3301-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, deram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relator.
EDITADO EM: 14/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas, Antônio Mario de Abreu Pinto, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa COFINS BASE DE CÁLCULO VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO - Após o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por meio de julgamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, definiu-se que a base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, deram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relator. EDITADO EM: 14/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas, Antônio Mario de Abreu Pinto, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez e Fábia Regina Freitas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.003659/200196 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.368 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente EXPAND IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa COFINS — BASE DE CÁLCULO — VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO Após o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por meio de julgamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em 09/11/2005, definiuse que a base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, deram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relator. EDITADO EM: 14/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 36 59 /2 00 1- 96 Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Costa Pôssas, Antônio Mario de Abreu Pinto, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relacionado ao período de apuração de 02/99 a 12/2000 (fls. 87/90), no valor de R$ 120.598,55 (cento e vinte mil, quinhentos e noventa e oito reais e cinquenta e cinco centavos) mais consectários legais (fls. 91/94). Segundo relatado pela D. Autoridade Fiscal, ficou constatado que a contribuinte não observava a disposição inserta no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Segundo o apurado, nada obstante o contribuinte apurar e recolher corretamente a Contribuição para o PIS/PASEP ate janeiro/1999, a partir do período subsequente, não observou as alterações introduzidas pelo dispositivo legal em comento, porquanto deixou de acrescentar as demais receitas auferidas quando da apuração da aludida exação, oferecendo à tributação tão somente os valores concernentes às receitas de vendas (fl. 92). A contribuinte interpôs Impugnação de fls. 96/114, mediante a qual apontava: (i) Nulidade do Auto de Infração impugnado ao fundamento de que o fiscal extrapolou os limites impostos pelo Mandado de Procedimento Fiscal que lhe deu fundamento; (ii) inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, donde mereceria ser cancelado o auto de infração; (iii) Superada a inconstitucionalidade do alargamento, temse que a variação cambial não seria receita passível de tributação pela COFINS; e (iii) ilegalidade dos juros SELIC na correção de débitos. A DRJ, às fls. 800/817, prolatou acórdão, desprovendo a impugnação apresentada em aresto cuja ementa a seguir se transcreve: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE — Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MPF — NULIDADE DO LANÇAMENTO — Não há que se falar em nulidade do lançamento em decorrência de alegada inobservância dos termos do MPF, visto tratarse este de mero instrumento de controle da administração tributária, sendo suficiente, para sua validade, que o ato tenha sido praticado por servidor competente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.003659/200196 Acórdão n.º 1301002.368 S1C3T1 Fl. 3 3 Ementa: ACRÉSCIMOS LEGAIS — JUROS DE MORA — TAXA SELIC — A partir de 01/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, nos termos dos os artigos 13 da Lei n° 9.065/95 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa: COF1NS — BASE DE CÁLCULO — VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO A partir de 01/01/00, nos termos da MP n° 1.85810/99 e reedições, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio são consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo da COFINS e do PIS, segundo o regime de caixa ou, A opção do contribuinte, segundo o regime de competência. No ano de 1999, somente era aplicável o regime de competência, nos termos da Lei n° 9.718/98. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 Ementa: PIS — BASE DE CALCULO — VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO A partir de 01/01/00, nos termos da MP n° 1.858 10/99 e reedições, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio são consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo da COF1NS e do PIS, segundo o regime de caixa ou opção do contribuinte, segundo o regime de competência. No ano de 1999, somente era aplicável o regime de competência, nos termos da Lei n° 9.718/98. Lançamento Procedente Em face da mencionada decisão, interpôs a contribuinte o competente Recurso Voluntário às fls. 824/833, mediante o qual requer o cancelamento do auto porquanto a base de cálculo mensurada pela D. Autoridade Fiscal está eivada de inconstitucionalidade. Nessa parte, requer seja reconhecido e aplicado entendimento do Plenário do Colendo Supremo Tribunal Federal no sentido de afastar do mundo jurídico o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, eis que alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS. Aponta, ainda, que a despeito do inconstitucional alargamento da base, fato é que a variação cambial ativa não se confunde com receita para fins de tributação pela COFINS. Por fim, em breves linhas, pede o afastamento da SELIC, caso mantida a autuação em exame. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A questão objeto dos presentes autos é simples e já conhecida por esse Colegiado e resumese em saber se, sob a égide da Lei n. 9.718/98, seria legal a inserção de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, dentre as quais se enquadra a variação cambial ativa. A esse respeito, a Eg. 3ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – já se pronunciou por meio de acórdão prolatado por ocasião do julgamento do Recurso Especial interposto no PA 10980.008454/200266, de Relatoria da Conselheira Maria Tereza Martínez López, cujas razões transcrevo a seguir e as adoto como razão de decidir: A matéria submetida a apreciação deste Eg. Conselho cingese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período submetido à Lei nº 9.718/98. Penso assistir razão à recorrente. De fato. Tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. E nem se diga que deveria ter sido aguardado a edição de Resolução do Senado para que se possa estender na via administrativa os efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida em controle difuso. O Supremo Tribunal Federal em razão da legislação, inclusive de natureza constitucional (Constituição Federal, art. 103A), reconhece que os julgamentos definitivos de declaração de inconstitucionalidade, proferidos em sede de controle incidental, também irradiam eficácia vinculante, a qual opera independentemente da intervenção do Senado. As decisões plenárias do STF, mesmo que em sede de controle difuso, são passíveis de serem aplicadas nesta instância administrativa, nos termos do atual Regimento Interno do CARF. Isto porque, visando prestigiar os princípios da celeridade processual e o da segurança jurídica, além de buscar diminuir a litigiosidade das pretensões envolvendo a Fazenda Nacional, o já Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, através da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, introduziu a possibilidade do Tribunal Administrativo aplicar às lides que lhe são submetidas as decisões do Supremo Tribunal proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que seja oriunda do Pleno da Suprema Corte. A inovação veio prescrita no art. 49, parágrafo único, inc. I daquele Regimento, verbis: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)".(original sem destaque) Ressaltese que o dispositivo acima não está deferindo ao órgão administrativo a competência de afastar a aplicação de norma cogente sob o pejo de inconstitucionalidade, o que não seria possível por força a separação Fl. 868DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.003659/200196 Acórdão n.º 1301002.368 S1C3T1 Fl. 4 5 dos Poderes Constituídos, nos termos, inclusive, da jurisprudência sumulada do órgão administrativo. Na hipótese, o afastamento da norma tida como inconstitucional foi realizada por quem tem competência institucional para tanto, no caso o Supremo Tribunal Federal. O Regimento apenas autoriza a aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade havida pelo Pleno do STF aos casos submetidos ao Conselho de Contribuintes. E que não se alegue que a decisão plenária do Supremo Tribunal mencionada no art. 49, p. único, I do Regimento se refere apenas a decisão oriunda do controle concentrado de constitucionalidade, cujos efeitos são notoriamente erga omnes e vinculantes. Não é mais a decisão do Senado que confere eficácia geral ao julgamento do Supremo. A própria decisão da Suprema Corte contém essa força normativa. Ressaltese, ainda, o fato de a adoção da sistemática da súmula vinculante pela Emenda Constitucional nº 45/2004 reforça a noção de superação da exclusividade do ritual enunciado no referido art. 52X, da Constituição Federal, para conferir efeito vinculante erga omnes às decisões plenárias e definitivas do Egrégio Supremo Tribunal Federal declaratórias de inconstitucionalidade. A institucionalização desse novo instituto constitucional inequivocamente atribui ao próprio Supremo Tribunal Federal tal faculdade, sem qualquer interferência do Senado Federal e irrelevante a natureza do processo em que se perfizer, de conhecimento direto ou incidente. Portanto, o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, ao prever a tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I, da CF/88, que somente autorizava a tributação de receitas que se enquadrassem no conceito de faturamento, isto é, somente aquelas decorrentes da venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda de mercadorias e prestação de serviços. E mais. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Diante do exposto entendo que a autuação em testilha deve ser integralmente cancelada, na medida em que fundamentada em dispositivo legal afastado do regramento jurídico por inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Entendo, ainda, nessa linha, que a análise das demais matérias veiculadas no recurso voluntário fica prejudicada. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. FABIA REGINA FREITAS Relator Fl. 869DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 870DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15983.720634/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.376
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a auditoria fiscal, com base no que já apurado por ocasião dos lançamentos e no que venha a ser apurado mediante a intimação da recorrente para a apresentação documentação e de esclarecimentos, instrua os autos especificando, no período do débito, para cada um dos diretores apontados (Anna, Marcelo, Manoel e Fernando), a exata relação entre as atividades estatutárias e as remunerações percebidas por força de outros vínculos de trabalho, conforme quesitos indicados no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a auditoria fiscal, com base no que já apurado por ocasião dos lançamentos e no que venha a ser apurado mediante a intimação da recorrente para a apresentação documentação e de esclarecimentos, instrua os autos especificando, no período do débito, para cada um dos diretores apontados (Anna, Marcelo, Manoel e Fernando), a exata relação entre as atividades estatutárias e as remunerações percebidas por força de outros vínculos de trabalho, conforme quesitos indicados no voto do Relator. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 63 4/ 20 11 -0 2 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 576 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 577 3 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o seguinte crédito tributário correspondente às seguintes infrações: Nos termos do relatório fiscal de fls. 19 a 42, o presente processo (nº 15983.720634/201102) contempla créditos relativos às contribuições sociais/previdenciárias, apurados no período de 01/2007 a 12/2007 (inclusive 13º de 2007). Acrescenta, o mesmo relatório, que: (...) 4 A Associação foi anteriormente denominada “Sociedade Amparo aos Praianos do Guarujá”, e foi empresa foi constituída em 04.04.1945, conforme o Estatuto Social Consolidado em 27.01.2004 (cópia anexa) e registrada sob número 21 junto ao Cartório de Títulos e Documentos de Guarujá. A Associação Amparo aos Praianos do Guarujá, segundo o estatuto social, tem por finalidade a educação, a cultura, a saúde e a assistência social, como instrumento de promoção, defesa e proteção da infância, da adolescência, da juventude e de adultos, em consonância com a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 5 Associação vem declarando GFIP com o código Fundo de Previdência e Assistência Social(FPAS) igual a 639 Entidades Filantrópicas com Isenção, desde sua constituição o que lhe suprime a obrigação de recolher as contribuições previdenciárias PATRONAIS. Foi declarada de “Utilidade Pública” pela Prefeitura Municipal do Guarujá –declaração anexa, em 23.09.1966. Conforme dados anexos, extraídos do SICNAS Sistema de Informação do Conselho Nacional de Assistência Social, o contribuinte teve seu registro no CNAS Conselho Nacional de Assistência Social deferido em 1947, e ratificado em 1971, o que lhe concedeu o CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, que foi renovado a cada três anos, de acordo com a lei 8245/91. O CEBAS era instrumento que atestava que dada entidade se subsumia aos ditames do hoje revogado artigo 55 da Lei 8212/91, pois gozava do direito ao não pagamento das contribuições de seguridade social, por força do art. 195, § 7º da Constituição Federal. A última renovação de CEBAS expressa e publicada pelo CNAS foi deferida em 16.12.2002, concedendolhe isenção de contribuições previdenciárias patronais no período de 01.01.2001 a 31.12.2003. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 578 4 (...) 11.1 Ocorre que, em 23 de outubro de 2008, antes da publicação da MP a Receita Federal do Brasil enviou o Ofício nº 2687 ao senhor diretor presidente da Associação Amparo aos Praianos do Guarujá, comunicandolhe que não constavam nos sistemas da RFB recolhimentos das contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados (art.20 da Lei 8.212/91), a partir da competência 02/2007, alertando sobre a pena da perda da isenção da cota patronal, conforme dispõe o parágrafo 6º do art. 55 da Lei 8212/91, abaixo transcrito, se não comprovasse o recolhimento no prazo de 15 dias corridos a contar do recebimento do ofício. 11.2 A empresa protocolizou resposta ao ofício , em 12.11.2008, informando que estava com as contribuições regularizadas até julho de 2007 e para saldar os demais débitos pediu dilação de prazo, alegando não haver possibilidade de efetuar o recolhimento naquele momento. Analisado o contacorrente da empresa, verificouse o parcelamento das competências compreendidas entre 02/2007 e 07/2007 e a ausência de recolhimento entre 08.2007 a 01.2008 e 03.2008 a 08.2008, competências para as quais foram emitidos DCG´s –Débitos Confessados em GFIP, inscritos na dívida ativa da União Federal. 11.3 Com fulcro nos elementos elencados, que infringiram o disposto no § 6º do art. 55 da Lei 8212/91, combinado com o art.206, §§12 e 13 do Regulamento da Previdência Social, em face da existência de débitos exigíveis pela Previdência Social, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 01/2009, em 13.02.2009, para surtir efeitos a partir de 01/11/2007, que lhe causa a perda da isenção até 29.11.2009, data até a qual vigorou a Lei 8212/91. A partir desta data, há que ser analisada pelos dispositivos da lei 12101 de dezembro/09. A empresa tomou conhecimento do cancelamento da isenção até 29.11.2009, por meio dos Ofícios 335/2009, de 11/03/2009 e 496/2009, de 14/04/2009 e, apresentou impugnação ao Ato Declaratório, tempestivamente, dando origem ao processo nº 15.987.000331/200970, em 13.04.2009. (...) 13. Consoante os artigos 32, 44 e 45 da Lei 12101, o processo 15987.000331/200915, após o julgamento pelo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF (Segunda Seção de Julgamento) foi devolvido à Delegacia Federal de Santos para lavratura de auto de infração no período em que restasse demonstrado o descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção. (...) 15. Foram consultados os seguintes sistemas da base de dados da Receita Federal do Brasil: GFIP, CCOR (Conta Corrente), Dados Cadastrais, CONFILAN (Consulta a Entidades Filantrópicas), CNIS Thin Client que contém dados sobre remuneração por vínculo empregatício e por diferentes atividades desenvolvidas em cada Fl. 578DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 579 5 vínculo, declarados em GFIP à Previdência Social e à RAIS Relação Anual de Informações Sociais (Ministério do Trabalho). 16. O art. 51 do Título VII da Consolidação do Estatuto Social da Associação Amparo aos Praianos do Guarujá determina que composição da Diretoria Geral será formada por: Diretor Presidente, Diretor VicePresidente, Diretor Superintendente Geral, Diretor 1º Secretário, Diretor 2º Secretário, Diretor 1º Tesoureiro e Diretor 2º Tesoureiro. Complementando, o art. 102, caput do Título XV desse Estatuto preconiza que os Membros da Diretoria Geral exerçam cargos gratuitamente, sem qualquer tipo de remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas , ressalvado o disposto no artigo 77. O artigo 77 estabelece que as demais atividades administrativas em geral se subordinam a prestação de serviços mediante contrato de trabalho. 17. A Assembléia Geral reuniuse em 04.10.2006 para eleger nova Diretoria para o biênio 20062008. Dentre os presentes assinaram a ata dessa Assembléia os senhores Marcelo Mendes Passaes e senhor Fernando Mendes Passaes, qualificados como DiretorPresidente e Diretor 1º Secretário, respectivamente, embora nas folhas de pagamento o senhor Marcelo Mendes Passaes encontrase listado como Administrador Geral. Essa Assembléia deu posse à nova Diretoria Geral, com os cargos elencados no Quadro Resumo de Múltiplos Vínculos a seguir, sendo que os senhores Marcelo e Fernando Mendes Passaes percebem remuneração em folhas de pagamento decorrente desses cargos. 17.1 Resta constatado que a Associação desrespeita o art. 102 de seu Estatuto (...) 18.1 Procedemos à comparação da remuneração recebida por vínculos distintos. Dados extraídos da GFIP. As informações da GFIP estão harmônicas com as da RAIS. Compararemos apenas dois componentes da diretoria , senhor Fernando Mendes Passaes e senhor Marcelo Mendes Passaes cujos dados mais recentes foram encontrados no CNIS Thin Cliente, para avaliar a credibilidade desta admissão em funções de empregado de uma instituição assistencial, em contraponto com a remuneração vinculada à posse na função diretiva: 18.1.1 FERNANDO MENDES PASSAES 1º Vínculo > DIRETOR FINANCEIRO (na Folha de Pagamento)/ou/ DIRETOR PRIMEIRO SECRETÁRIO (Na Ata de Assembléia eletiva dos membros da diretoria na gestão de 2006 a 2008) Data Admissão: 01/08/2006 (...) 2º Vínculo: Professor de Pedagogia Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 580 6 Data Admissão: 02/08/2006 (...) CONCLUSÃO: Fernando Mendes Passaes Membro recém eleito a cargo diretivo (01/08/2006), com remuneração de R$ 7.449,62 e, contratado como empregado (02/08/2006) remunerado em R$ 143,65, ambas as funções assumidas às vésperas da posse da nova diretoria da entidade – 04/10/2006, conforme cópia de Ata da Assembléia Geral anexa. Exaltase que na folha de pagamento e no cadastro de funcionários da empresa, a admissão no cargo diretivo ocorreu um dia antes de sua admissão como empregado. 18.1.2 MARCELO MENDES PASSAES 1º Vínculo: ADMINISTRADOR GERAL (na Folha de Pagamento), ou DIRETOR PRESIDENTE (na Ata de Eleição de Diretoria) Data Admissão: 01/08/2000 (...) 2º Vínculo: Professor de educação Física Data Admissão: 01/08/2002 (...) CONCLUSÃO: Membro eleito para cargo diretivo (01/08/2000),remunerado de pronto, com valor de R$ 6.200,00 e, contratado como empregado (01/08/2002) remunerado com R$ 359,35. Ressaltase que a posse no cargo diretivo ocorreu dois anos antes de sua admissão como empregado. (...) 19. Do exposto nos itens 17, 17.1, 18, 18.1, 18.1.1, 18.1.2, depreendemos a intenção da associação de remunerar seus dirigentes quer como membro da Diretoria Geral, quer como empregado da instituição, e mais, a remuneração mais portentosa é a do cargo diretivo. Adicionese à informação anterior que a data de admissão como membro da diretoria é fator imprescindível para análise de cada vínculo e sua inerente remuneração. Configurada, portanto, a violação ao disposto no inciso IV do art. 55 da Lei 8212/91. Tal dispositivo restringe a percepção de remuneração nas funções de dirigentes da entidade beneficente de assistência social. (...) 20. CONCLUSÃO do Procedimento Fiscal: Da análise dos documentos apresentados pela empresa e dos dados por ela declarados aos sistemas da RFB, concluímos que a Associação de Amparo aos Praianos do Guarujá não preencheu os requisitos cumulativos exigidos pela Lei 8212/91 ao infringir o inc. IV do art. 55 durante todo o período fiscalizado. Embora o Ato Cancelatório de Isenção 01/2009 emanado pela RFB retroaja a novembro de 2007, Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 581 7 entendemos depararmonos com infração distinta a que lhe deu origem, de tal forma que a este não se subordina a infração superveniente ora apurada, tampouco as competências lançadas nos autos de infração que dela decorrem. 20.1 O embasamento legal do Ato Cancelatório foi o art. 55 da Lei 8212/91, combinado com o art.206, §§12 e 13 do Regulamento da Previdência Social, em face da existência de débitos exigíveis pela Previdência Social , diligentemente constatados pelo SEORT, os quais venho confirmar. Entretanto, há que se ater que a decisão deste procedimento fiscal exorbita a restrição temporal emanada do Ato Cancelatório de Isenção, 01/2009 pois dele independe. O lançamento atual é resultado do descumprimento, durante todo o período fiscalizado, ao requisito elencado no art. 55, inc. IVda lei 8212/91, legislação vigente à época do fato gerador. 20.2 Destarte, embora o Ato Cancelatório 01/2009 seja retroativo a 11/2007, estamos formalizando o presente processo de nº 15983.720634.201102, contendo dois autos de infração para apuração do valor das contribuições “patronais” devido ao INSS e Terceiros, contemplando as competências de janeiro a dezembro (e 13º salário) do ano de 2007. Os valores das contribuições devidas ao INSS, descontadas em folha de pagamento dos segurados empregados, do período compreendido entre 02 a 07/2007 e de 08 a 13/2007, encontramse lançados em cobrança automática por DCG , razão pela qual não fazem parte deste autos de infração. 20.3 Há que se salientar que a ausência de lançamento não exclui o crime, em tese, de Apropriação Indébita Previdenciária, de acordo com o Decreto Lei 2.848/40 –Código Penal ¨ Art. 168 ensejando que se oficie o Ministério Público Federal , uma vez que não houve repasse ao INSS dos valores descontados dos segurados em folha de pagamento. (...) 23. Os fatos geradores que constituem os créditos tributários foram lançados nos seguintes códigos de levantamento: FP= FOLHA PAGTO> Contribuição Patronal (20%), GILRAT (1%) e Terceiros (4,5%) sobre os valores da remuneração apresentada em Folha de Pagamento mensal, CI= CONTRIBUINTE INDIVIDUAL > Contribuição Patronal (20%) sobre a remuneração de segurado contribuinte individual . 24. A multa aplicada aos levantamentos foi de 12%, porque a aplicação dela e a comunicação da infração à empresa estão sendo posteriores à data de envio da GFIP. (...) Assim, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: • Nº 37.329.6533 Referente as contribuições empresariais (Art. 22, incisos I, II e III, da Lei nº 8.212/1991), incidentes sobre as remunerações pagas aos Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 582 8 segurados empregados (aí incluídos os diretores) e sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, no período de 01/2007 a 12/2007; Tal débito, consolidado em 21/12/2011, importa em R$ 1.414.001,64 (um milhão, quatrocentos e quatorze mil e um reais e sessenta e quatro centavos); já incluídos aí os juros e a multa de mora incidentes sobre o débito originário. • Nº 37.329.6541 Referente as contribuições sociais destinadas aos Terceiros (Entidades e Fundos), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados (aí incluídos os diretores), no período de 01/2007 a 12/2007; Tal débito, consolidado em 21/12/2011, importa em R$ 299.702,66 (duzentos e noventa e nove mil e setecentos e dois reais e sessenta e seis centavos); já incluídos aí os juros e a multa de mora incidentes sobre o débito originário. Notificado destes Autos de Infração no dia 26/12/2011 (fls. 227/228), o sujeito passivo impugnouo em 24/01/2012, na forma dos expedientes, de igual teor, juntados às fls. 238 a 277 e 315 a 354 (...) Como afirmado, a DRJ julgou a impugnação da recorrente improcedente, tendo a recorrente apresentado recurso voluntário no qual alega, em síntese: cerceamento de defesa por falta de compreensão do Relatório Fiscal; ausência de prévio cancelamento da imunidade/isenção, na forma do artigo 32 da Lei n° 9.460/96; os dirigentes não foram remunerados em razão da condição de dirigentes, mas sim por cargos ocupados na entidade mantida, onde prestam serviços técnicoprofissionais. Tal já teria sido reconhecido pela própria DRJ no Acórdão 0535.232 (processo n.° 15983.0004/2010 51); aplicação do art. 14 do CTN. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 583 9 VOTO CONSELHEIRO RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Além do presente lançamento, há ainda um segundo processo da mesma entidade (15983.000432/201051) cujo recurso de ofício encontrase pautado para julgamento, com idêntica relatoria. Tal recurso de ofício voluntário versa sobre Auto de Infração decorrente de procedimento fiscal anterior àquele que originou os Autos de Infração objeto do relatório supra. Naquele processo, a entidade foi autuada com fundamento na falta de gratuidade mínima e também na remuneração de diretores (período de 01 a 12 de 2005), enquanto que no processo em tela a autuação tem fulcro apenas na existência de remuneração de diretores (período de 01 a 12 de 2007). A impugnação apresentada face ao Auto de Infração do processo referente ao primeiro período (01 a 12 de 2005) foi julgada procedente pela DRJ Campinas, razão pela qual o crédito tributário foi exonerado, dando ensejo ao já referido recurso de ofício. Todavia, ainda que por outra Turma julgadora, como visto no relatório supra, na análise da impugnação ofertada no presente processo, a conclusão da DRJ Campinas foi distinta, tendo sido julgada improcedente a impugnação apresentada, razão pela qual o crédito tributário lançado foi mantido. Cientificada desta decisão, a entidade apresentou o recurso voluntário em julgamento. Portanto, a princípio, temos duas decisões conflitantes, na medida em que a existência de remuneração de diretores foi afastada pelo decisório proferido quanto ao primeiro lançamento, mas mantida no segundo. E se diz a princípio porque se trata de procedimentos fiscais distintos, dirigidos por distintas autoridades julgadoras, com diferentes elementos de convicção e referentes a períodos diversos. Quanto à remuneração dos diretores, é bom que se diga que no primeiro lançamento (referente a 2005) temos a indicação de três diretores (Anna, Marcelo e Manoel), enquanto que no segundo lançamento (referente a 2007) constam apenas dois diretores (Marcelo e Fernando) e apenas um destes já era diretor no período a que se refere o primeiro lançamento (Marcelo), mas ainda assim entendemos que não se pode negar que haja estreita vinculação entre os processos, como já suscitado no próprio recurso voluntário da entidade. Com efeito, compulsando ambos os autos, noto algumas contradições fáticas entre o decisório de primeira instância e o Relatório Fiscal e mesmo entre o quanto restou assentado no primeiro e no segundo lançamento. Daí a necessidade de melhor instruir ambos os autos, em análise conjunta. A DRJ decidiu no primeiro lançamento (referente a 2005) que a remuneração auferida pelos diretores não decorreria da realização de atividades estatutárias ou gerenciais. Assim, não havendo proibição em lei para que o diretor preste outros serviços e seja remunerado por tais atividades, poderia exercer cargos de professor, advogado, administrador de centro esportivo e administrador geral, sendo que estes cargos em nada se confundem, por si só, com o exercício de cargo de direção da entidade. Todavia, consta no Relatório Fiscal a afirmação de que os diretores “auferiam vantagens pecuniárias em Fl. 583DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 584 10 razão das funções exercidas e especificadas em seu estatuto” e que remuneração seria “infinitamente maior que a remuneração de qualquer empregado que exerce cargo técnico ou administrativo”. Entendo que sem a especificação pormenorizadas dos vínculos, períodos e remunerações, além de outros esclarecimentos, não é possível concluir a quem assiste razão. Consta no decisório do primeiro processo (referente a 2005) que, em consultas feitas ao sistema CNISA – Thin Client, verificouse que os segurados apontados pela fiscalização (Anna, Marcelo e Manoel) teriam sido registrados na qualidade de segurados empregados em datas anteriores às suas respectivas designações, por eleição, aos órgãos diretivos da entidade. Todavia, tal fato é contraditado no segundo lançamento (referente a 2007), onde a autoridade lançadora afirma que os dois diretores ali mencionados (Marcelo e Fernando) foram registrados como empregados apenas após a designação para órgãos diretivos. Ora, havendo um diretor (Marcelo) em comum para os períodos, é impossível que ambas as afirmações estejam corretas. Ainda quanto ao segundo lançamento (referente a 2007), entendeu a autoridade fiscal que o exercício da função de diretor financeiro (vínculo empregatício) e de diretor primeiro secretário (cargo estatutário) por parte do diretor Fernando; bem, como o exercício da função de AdministradorGeral (vínculo empregatício) e de Diretor Presidente (cargo estatutário) por parte do diretor Marcelo seriam atividades idênticas, o que é refutado pela recorrente naqueles autos, quando afirma que as atividades de estatutários eram distintas, inclusive pelo fato de ser desempenhada na mantenedora, enquanto que a atividade de empregados seria realizada perante as mantidas. Como a autoridade fiscal não justificou as razões pelas quais entendeu que as funções eram coincidentes e uma vez negada pela recorrente, cumpre melhor instruir os autos para que se conclua se houve ou não percepção de benefícios pelos diretores em função de seus encargos estatutários. Vislumbro que tanto a decisão da DRJ no primeiro lançamento (referente a 2005) quanto a posição adotada pela autoridade fiscal no segundo lançamento (referente a 2007) e chancelada por outra Turma da DRJ, encontramse bem fundamentadas sob o aspecto jurídico, mas partem de premissas fáticas distintas, que necessitam ser melhor aclaradas pela auditoria fiscal para que novas decisões aparentemente conflitantes não sejam proferidas, o que inclusive foi suscitado no recurso voluntário interposto no segundo lançamento (referente a 2007). Por todo o exposto, entendo que a auditoria fiscal, com base no que já apurado por ocasião dos lançamentos e no que venha a ser apurado mediante a intimação da recorrente para a apresentação documentação e de esclarecimentos, deve melhor instruir os autos especificando, para cada um dos diretores apontados (Anna, Marcelo, Manoel e Fernando): i) quando se iniciou a percepção de remuneração na entidade? ii) quais os tipos de vínculos estabelecidos na entidade (emprego, autônomo, estatutário)? iii) qual o período de cada vínculo estabelecido na entidade (emprego, autônomo, estatutário)? Fl. 584DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.720634/201102 Resolução nº 2302000.376 S2C3T2 Fl. 585 11 iv) qual o valor da remuneração auferida por cada vínculo com a entidade? v) tomandose por base o período de cada débito (2005 e 2007), é possível afirmar que as funções exercidas mediante contrato de trabalho (emprego) ou prestação de serviço (autônomo) inexistiam de fato ou confundiamse com as funções estatutárias e, portanto, consistiam apenas numa maneira de remunerar os diretores? vi) diante da realidade remuneratória dos demais empregados e prestadores de serviços, é possível afirmar que houve remuneração disfarçada dos diretores? Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento à recorrente e concedido prazo para manifestação. Quanto ao primeiro lançamento, a recorrente deve ser cientificada da diligência determinada às fls 315/321, com resposta da autoridade fiscal às fls. 323/326 daqueles autos. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 585DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10120.904807/2009-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 07 /2 00 9- 57 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904807/200957 Acórdão n.º 9303002.575 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904807/200957 Acórdão n.º 9303002.575 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004376/2003-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se na data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9101-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso negado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, sendo substituído pelo Conselheiro André Mendes de Moura (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
OTACÍIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), André Mendes de Moura (suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso negado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, sendo substituído pelo Conselheiro André Mendes de Moura (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) OTACÍIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), André Mendes de Moura (suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso negado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, sendo substituído pelo Conselheiro André Mendes de Moura (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) OTACÍIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 43 76 /2 00 3- 66 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10845.004376/200366 Acórdão n.º 9101002.059 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), André Mendes de Moura (suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Em sessão plenária de 08de abril de 2010, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, analisando recurso voluntário interposto pelo contribuinte Rosa Baffa Castiglia, por unanimidade de votos, reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1998, em decisão consubstanciada no Acórdão 130100.289, cuja ementa, no item que interessa ao presente julgamento, encontrase assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 1999 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Tempestivamente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial alegando que o Acórdão diverge da jurisprudência do CARF, no que se refere à decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando não há pagamento antecipado, e indica como paradigma o Acórdão CSRF 910100.460, cuja ementa reza: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR . TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes do STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art.543C, do CPC, e da Resolução STJ. A08/2008. (Acórdão CSRF/910100.460, de 04/11/09, 1ª Turma). O recurso foi admitido pela Presidente da 3ª Câmara, que considerou configurada a divergência de interpretações, assim se expressando: A mera leitura das ementas acima transcritas demonstra que, com efeito, há decisões dissonantes, neste órgão, no que respeita ao polemico assunto decadência nos tributos da modalidade em que são considerados lançados por homologação, dependendo se houve recolhimentos efetuados pelos contribuintes, de forma antecipada, e o efeito desta atividade na consideração do termo inicial da contagem do prazo decadencial. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10845.004376/200366 Acórdão n.º 9101002.059 CSRFT1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão controvertida, cuja interpretação se busca uniformizar, diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública de proceder ao lançamento de ofício, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. A situação fática é de lançamento de ofício para exigência de tributos do ano calendário 1998, em razão da constatação de receitas não declaradas no regime simplificado (SIMPLES), apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A autoridade fiscal assim descreve as infrações: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado em trabalhos de fiscalização externa, decorrente do cruzamento de informações obtidas no extrato de conta corrente bancária sob n.° 00388262, junto a agência n.° 0280 1, de Praia Grande (SP), do Banco Bradesco S/A, em confronto com os valores declarados na Declaração Anual Simplificada PJ/99SIMPLES, ND 6385444, relativa ao ano calendário de 1998. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada pelo confronto dos valores declarados na Declaração Anual Simplificada PJ/99 SIMPLES, que recebeu o ND 6385444 pelo processamento da SRF, com os valores devidos, conforme demonstrativos. A decisão de primeira não acolheu a decadência ao fundamento de que, por se tratar de lançamento de oficio, o prazo decadencial deve obedecer à disposição contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O acórdão recorrido divergiu da tese da primeira instância, de que em todos os lançamentos de ofício a decadência se rege pelo art. 173, I. Expôs que, embora a regra geral para a decadência seja a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN, o § 4º do Código apresenta regras específicas para o lançamento por homologação. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10845.004376/200366 Acórdão n.º 9101002.059 CSRFT1 Fl. 5 4 Destacou que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo, e não a mera presença ou ausência de pagamento. E concluiu: Em primeira instância, a Turma Julgadora entendeu que, em se tratando de lançamento de oficio, o dispositivo aplicável seria o inciso I do art. 173. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento e devo divergir. Assim, aos tributos aqui discutidos devem ser aplicadas as disposições do art. 150, § 4°, do CTN, o que implica a necessidade de rever a decisão a quo. No anocalendário 1998, o lançamento foi feito por períodos de apuração mensais (critério aplicável ao SIMPLES). Consumandose os fatos geradores tributários no último dia de cada mês, e tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 11/11/2003 (fl. 13), constato que a decadência atingiu os créditos tributários correspondentes aos meses de janeiro a outubro de 1998.” Como visto, a circunstância de ter ou não havido pagamento não foi considerada pela decisão de primeira instância, por entender que a decadência se rege sempre pelo art. 173, I, do CTN, nem pela decisão de segunda instância, por entender ser irrelevante, para aplicação do art. 150, § 4º, a ocorrência do pagamento. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontrase totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. No caso concreto, o próprio auto de infração registra que o contribuinte efetuou recolhimento de tributos sob a modalidade simplificada (SIMPLES), os quais foram deduzidos dos valores lançados de ofício. Portanto, uma vez não configurada a hipótese “ausência de pagamento”, que daria ensejo ao deslocamento do termo inicial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, correta a decisão que considerou como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 12 de novembro de 2014. (documento assinado digitalmente) Fl. 731DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10845.004376/200366 Acórdão n.º 9101002.059 CSRFT1 Fl. 6 5 Valmir Sandri, Relator. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13888.724481/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
PIS. COFINS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO.
A Solução de Consulta, nos termos previstos pela legislação processual tributária, consiste em orientação oficial sobre o caso consultado, que vincula a Administração Tributária em relação ao contribuinte, até que venha de ser alterada.
REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO Nº 6.426/2008.
A fruição da alíquota zero da Cofins estabelecida no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 6.426, de 2008, (e antes, no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 5.821, de 2006, na redação dada pelo Decreto nº 6.337, de 2007, e no art. 1º, inciso II, do Decreto nº 5.127, de 2004), condiciona-se ao atendimento cumulativo dos seguintes requisitos: 1) os produtos importados ou vendidos no mercado interno deverão ser destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; 2) deverão estar classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM; e, 3) deverão estar expressamente relacionados no Anexo III do Decreto nº 6.426, de 2008 (anteriormente no anexo III, do Decreto nº 5.821, de 2006, ou no Anexo II do Decreto nº 5.127, de 2004).
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GERENTE.
Descabe o agravamento da multa de ofício prevista no inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96 quando o contribuinte registrou todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações, permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos.
Diante do afastamento da multa agravada, descabe também a manutenção da responsabilidade solidária do gerente da Recorrente.
Numero da decisão: 3202-001.317
Decisão: Recurso voluntário provido em parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SEMPERMED BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 PIS. COFINS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. A Solução de Consulta, nos termos previstos pela legislação processual tributária, consiste em orientação oficial sobre o caso consultado, que vincula a Administração Tributária em relação ao contribuinte, até que venha de ser alterada. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO Nº 6.426/2008. A fruição da alíquota zero da Cofins estabelecida no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 6.426, de 2008, (e antes, no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 5.821, de 2006, na redação dada pelo Decreto nº 6.337, de 2007, e no art. 1º, inciso II, do Decreto nº 5.127, de 2004), condicionase ao atendimento cumulativo dos seguintes requisitos: 1) os produtos importados ou vendidos no mercado interno deverão ser destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; 2) deverão estar classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM; e, 3) deverão estar expressamente relacionados no Anexo III do Decreto nº 6.426, de 2008 (anteriormente no anexo III, do Decreto nº 5.821, de 2006, ou no Anexo II do Decreto nº 5.127, de 2004). MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GERENTE. Descabe o agravamento da multa de ofício prevista no inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96 quando o contribuinte registrou todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 44 81 /2 01 2- 06 Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.620 2 entrega de declarações, permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos. Diante do afastamento da multa agravada, descabe também a manutenção da responsabilidade solidária do gerente da Recorrente. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza, que manteve o auto de infração: O contribuinte apresentou impugnação contra os autos de infração relativos aos tributos a seguir indicados: Contribuição para o Pis/Pasep, no valor total de R$ 1.859.043,08, incluídos encargos legais, fls. 979/990; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor total de R$ 8.580.198,86, incluídos encargos legais, fls. 991/1.002. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 981 e 993, e o Relatório Fiscal, fls. 967/977, foi apurada a seguinte infração: Incidência Cumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento A interessada, optante pela sistemática cumulativa de apuração das contribuições para o PIS e COFINS, utilizou indevidamente do benefício fiscal de redução à alíquota zero das contribuições PIS/COFINS incidentes sobre receitas de vendas de luvas de borracha, previsto no Decreto n° 6.426, de 2008, art. 1°, inciso III, ao: a) evocar benefício fiscal que foi oferecido exclusivamente às pessoas jurídicas optantes pela sistemática não cumulativa de apuração do PIS e COFINS; b) não efetuar a importação por Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.621 3 encomenda ou por conta e ordem de hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, órgão responsável ou executor de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; c) destinar os produtos importados para pessoas diferentes de hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, órgão responsável ou executor de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; descumprindo preceitos legais e expressamente as disposições da Solução de Consulta n° 236 SRRF/ 8ª RF/Disit, de 24/07/2008, formulada pela própria fiscalizada em outubro de 2004. O enquadramento legal encontrase indicado às fls. 982/983 (Pis/Pasep) e fls. 994 (Cofins). Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 18/01/2013, fls. 1.008, a empresa autuada apresentou impugnação em 08/02/2013, fls. 1.191/1.279, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Preliminarmente Da Nulidade da Peça Acusatória Da Utilização da Presunção no que se Refere à Destinação Diversa dos Produtos A peça acusatória está consubstanciada na alegação de que a empresa autuada importou e comercializou luvas de borracha no mercado interno sem ter, contudo, dado o destino previsto na legislação para a aplicação das alíquotas zero das contribuições ao PIS/COFINS, ou seja, de que as luvas importadas pela empresa autuada Sempermed não tiveram como destino o uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, otológica ou de análises clínicas. Afirma a defesa que a fiscalização baseouse em fatos subjetivos, aleatórios, presumindo que as luvas da marca "SATARI", importadas e revendidas no mercado interno pela autuada tiveram destino diverso do previsto na legislação em regência. Nesse sentido argumenta que foi utilizado método de pesquisa pouco confiável, ou legalmente admitido (site Google), que estaria completamente divorciado da busca da verdade material em diligência aos documentos contábeis da empresa Sempermed e de seus clientes (distribuidoras que revendem as luvas para uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, nos termos da legislação). A fiscalização teria partido de premissa equivocada no sentido de que duas marcas de luvas foram revendidas pela empresa Sempermed, a primeira, da marca "SATARI" e a segunda, da marca "SUPERMAX". A luva SUPERMAX é importada e revendida no mercado interno pelo concorrente da empresa Sempermed. Referida luva é produzida na Malásia Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.622 4 pela fábrica Supermax e é importada e distribuída no Brasil. Afirma que a autuada Sempermed não importa ou comercializa luvas SUPERMAX. Assim, o trabalho fiscal não estaria revestido da necessária segurança à determinação da infração fiscal, especialmente quando não se pode confirmar, com certeza, qual das luvas, as da marca SATARI e da marca SUPERMAX, eram ou não revendidas ao consumidor final. Nesse ponto, o trabalho fiscal deverá ser totalmente refeito. Se as luvas da empresa concorrente, marca SUPERMAX, são revendidas ao consumidor final em "farmácias", o mesmo não se pode dizer das luvas marca SATARI importadas e revendidas pela empresa Sempermed. Considera, portanto, que o trabalho fiscal deixou de utilizar elementos concretos para suportar a acusação, utilizandose de pesquisa no site Google, sem considerar que a empresa Sempermed não revende luvas da marca SUPERMAX e sem comprovar que as luvas vendidas na única farmácia consultada eram, de fato, da marca SATARI. Alega que a presunção utilizada pela fiscalização é tamanha que, em determinado ponto do relatório fiscal afirma que as luvas importadas e revendidas pela empresa Sempermed são "livremente" comercializadas em farmácias para consumidor final, adotando, para tanto, informações prestadas por uma única farmácia em seu SPED Fiscal, mas categoricamente afirma que a referida farmácia "não é cliente da fiscalizada". Indaga, se a referida farmácia não é cliente da empresa autuada Sempermed, então, qual luva estaria ela revendendo ao consumidor final? A da Marca SUPERMAX, do concorrente ou a luva da marca SATARI, da autuada Sempermed? De acordo com a defesa, a resposta só poderia ser uma: a pesquisa feita pela fiscalização seria precária, pois foi feita em apenas uma farmácia, num universo de diversos adquirentes dos produtos importados pela empresa Sempermed. Além disso não se revestiria da segurança necessária para se determinar que realmente a autuada Sempermed teria dado destino diverso, do legalmente exigido para aplicação da alíquota zero às vendas das luvas, ou seja, teria realizado operações com consumidor final. A não verificação e correta identificação e qualificação desses elementos, no presente caso, tornaria precária a acusação fiscal, eis que fere o princípio da verdade material e, consequentemente, o princípio constitucional da ampla defesa. Considera que, esses indícios, levantados pela fiscalização, não foram utilizados com cautela, violando a segurança e certeza do direito, alicerce dos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária. Reforçando seus argumentos, a defesa faz referência a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, José Eduardo Soares de Melo, Celso Antonio Bandeira de Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.623 5 Mello, Yves Gandra da Silva Martins e Misabel Abreu Machado Derzi, para concluir que não pode prosperar a autuação ora combatida. Dos Efeitos da Consulta – Inexistência de Dolo ou Fraude no Caso de Inobservância da Resposta à Consulta. Nesse tópico, a defesa faz as seguintes considerações. Segundo a fiscalização, o Impugnante agiu dolosamente por não observar o entendimento constante na Solução de Consulta n° 236 SRRF/8ª RF/Disit. O Instituto da Consulta se insere no chamado direito de petição, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XXXXIV, "a", da Constituição Federal. A Consulta Fiscal, regra geral, tem efeito vinculatório para a Administração e tem caráter definitivo na esfera administrativa. Porém, para o contribuinte, a solução de consulta é mera orientação, não é imutável, não vincula o contribuinte, que, ao interpretar a norma poderá ter entendimento completamente diferente do da Administração, insurgindose contra tal, com base no princípio da universalidade da jurisdição estampado no art. 5º, XXXV, da CF/88. Se a interpretação dada pela RFB não corresponde à situação prevista na lei, não se amolda à realidade dos fatos, aos princípios constitucionais tributários, ou decorre de interpretação equivocada da Consultoria Tributária, etc., o contribuinte terá a faculdade de discordar dessa interpretação, adotando postura diversa, ainda que contra ele seja lavrado auto de infração, pois tem o direito de ver a questão analisada por órgão superior da administração ou até questionar, judicialmente essa posição. E, no presente caso, a insurgência do Impugnante contra a solução de consulta é flagrante, já que é antagônica quanto ao processo exegético de interpretação, como assevera o Prof. Roque Carrazza. O contribuinte poderá se defender na esfera administrativa, no caso autuação por não observância do disposto na resposta à consulta, já que cabe ao órgão julgador administrativo o controle da legalidade do ato administrativo efetuado pela autoridade administrativa, como julgadora do processo administrativo fiscal. O contribuinte poderá, ainda, vencido na esfera, administrativa, levar ao Poder Judiciário a ameaça ou lesão do seu direito. Nesse sentido, a defesa faz referência à lição de Hugo de Brito Machado. Assim, entende que, a inobservância da resposta a consulta, por si, não constitui fraude ou dolo, pois estas figuras referemse a ato intencional visando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo que, evidentemente, não se confunde com o inconformismo da empresa contribuinte com a interpretação dada pela RFB na Solução de Consulta n° 236/08. A ocorrência dos fatos geradores das exações em comento, a receita auferida nas vendas dos produtos, foram regularmente declaradas na DIPJ, nas DACON e nos arquivos magnéticos, a demonstrar a inexistência de Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.624 6 fraude/dolo tendente a suprimir ou retardar o pagamento das contribuições ad PIS/COFINS. Considera, desta forma, que o fisco tinha plenas condições de homologar ou não o lançamento do tributo com base na receita da venda de produtos declarada pela empresa, como fez a empresa, declarando a sua atividade, especialmente a hipótese de incidência (receita bruta da venda de luvas). Alega em seguida que, ainda que se entenda que a solução de consulta não é mera orientação, que pode ou não ser cumprida pelo contribuinte, o fato é que a inobservância desta é um direito, inclusive poderá discutir a matéria objeto da consulta pelos meios cabíveis, sem caracterizar a fraude. Da destinação final dos produtos da empresa autuada SEMPERMED Em adição ao exposto acima, no mérito, a Autoridade Fiscal mantém o argumento de que, ainda que fosse outro o regime de tributação adotado pela empresa autuada ou seja, o lucro real, a receita de venda dos produtos por ela importados e revendidos não estaria abrangida pelo incentivo da alíquota zero. Nesse aspecto, a impugnante entende que, desqualificar as vendas sem a comprovação de que houve qualquer descaminho, no que se refere à sua destinação final, é uma distorção à verdade dos fatos. Considera que a estreita visão da Autoridade devese ao simples fato de os produtos incentivados não terem sido vendidos aos destinatários definidos no artigo 1º, III do Decreto n° 6.426/2008 (hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas), seja por via direta ou por meio de encomenda/conta e ordem. Questiona a seguinte assertiva do autuante: "Ressaltese que, em se tratando, no caso, de interpretar normas de caráter exoneratório, impõese a adoção de critério restritivo, literal, aplicandose o que preceitua o art. 111 do CTN e ficando, pois, vedada a utilização de critérios extensivos ou da analogia". Em seguida, faz uma breve análise sobre o art. 111 do CTN que trata da interpretação literal de normas que tratam de isenções, afirmando que admitese a interpretação teleológica, vale dizer, é possível buscar a intenção do legislador ao editar a norma que concede isenções. Cita o entendimento de Hugo de Brito Machado e decisões do STJ. Continua: Da leitura do texto legal concessivo do incentivo (Decreto n° 6.426/2008), resta evidente que o legislador objetivou desonerar, determinados produtos e segundo a sua destinação/emprego pelo destinatário. A redução da alíquota das contribuições em tela depende de cláusula resolutiva, ou seja, é concedida desde o momento da importação, afastando se, desde logo a incidência da norma impositiva com a condição de que Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.625 7 determinada mercadoria, perfeitamente individualizada, seja empregada nos fins pretendidos. Não havendo o emprego nos fins pretendidos, ocorre o implemento da condição, o que desfaz a incidência da norma isentiva, caso em que as contribuições serão devidas. Se o legislador não utilizasse a expressão "destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, otológica ou de análises clínicas" ou seja, sem impor destinação alguma, teria adotado/a figura do "destino objetivo", referido por Pontes de Miranda (in "Comentários à Constituição de 1967, corri a Emenda de 1969"), como sendo "a qualidade que tem o produto para ser empregado ou usado com determinado fim" ou seja, é elemento inerente aos caracteres do bem, independentemente do uso que dele efetivamente seja feita. Nesse caso, a redução da alíquota é de caráter geral, objetivo, o sentido teleológico não seria outro senão a redução da carga tributária, a redução do preço final ao consumidor, o atingimento de certos princípios constitucionais. Mas não é o que ocorre com os dispositivos legais em comento, em que a destinação assume relevância. O favor fiscal em questão não é de caráter objetivo, eis que não está desvencilhado da natureza da operação, da qualidade do destinatário ou ainda da finalidade da aquisição. Aqui, a redução da alíquota é subjetiva, ou seja, é estabelecida em relação a determinadas circunstâncias ou qualidades das pessoas, ou mista, como no presente caso, concedidas tanto em função do fato gerador objetivamente considerado como em função de aspectos pessoais de seu destinatário. Por seu turno, diante das várias aplicações e usos para as luvas de borracha (e aqui podemos citar algumas: artes, bricolagem, salões de beleza, cozinhas industriais, etc), inadmissível equiparar o designativo luvas de borracha somente ao suposto fim que pretenda conferir para uso em clínicas e hospitais, uma vez que o referido produto comporta diversas destinações. Daí a condicionante eleita pelo legislador: para uso em uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Afastase, assim, no presente caso, a aplicação do critério do "destino objetivo" dos produtos, onde o legislador retira da tributação determinados bens, mercadorias ou coisas, que compõem matéria tributável, não se atendo à pessoa do contribuinte ou destinatário dós bens ou mercadorias. Aqui, considerando que a redução da alíquota é subjetiva, está ligada ao destino da mercadoria é a condição do adquirente, fica claro que a norma que reduziu a alíquota das contribuições ao PIS/COFINS teve por objetivo Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.626 8 atuar na área da saúde, o bem estar social, voltada a determinado ramo de atividade (clínicas e hospitais). Não obstante a Solução de Consulta n° 236/2008, emitida pela RFB no caso em tela, privilegie a pessoa da destinatário do bem importado, em detrimento das características do mesmo, ressalta a Impugnante não ser essa a melhor interpretação para o dispositivo legal que embasa o incentivo (artigo 1º, III do Decreto n° 6.426/2008). Tal interpretação, além de não encontrar respaldo na literalidade das leis, reduz enorme e inaceitavelmente a abrangência do benefício da alíquota zero; praticada pela empresa Sempermed, limitandoo apenas aos casos específicos em que a importação fosse efetuada diretamente pelo hospital, clínica, laboratório, etc. ou, alternativamente, por encomenda/conta e ordem destes. Ao contrário, da leitura do referido dispositivo legal, o que se percebe é que, quando o Decreto n° 6.426/2008 quis condicionar o benefício em questão a uma entidade determinada, ou a uma venda direta a entidade determinada, fez isso de forma expressa, literal, diferentemente da situação da ora Impugnante. Notase que, tendo por base o inciso II do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008, houve o expresso condicionamento do benefício à consecução de determinadas operações, por pessoa jurídica industrial, beneficiária daquele diferentemente do inciso III, em que predomina a característica do bem, e não do destinatário. No caso ora sob análise, o artigo 1º, III do Decreto n° 6.426/2008 trouxe o benefício, tanto para a importação como para as vendas no mercado interno, para as luvas de borracha classificadas na posição 40.15 da NCM. Ainda que haja uma condicionante específica, qual seja, que os referidos bens sejam destinados a hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia, patológica, citológica ou de análises clínicas, não existe o mesmo condicionamento a que estas entidades realizem as respectivas aquisições. Numa palavra, mesmo a aquisição com a intermediação de empresas comerciais estaria acobertada pelo benefício. Tanto é assim, que a própria Solução de Consulta n° 236/2008, exarada pela RFB, não se baseou em dispositivo expresso da norma jurídica, mas em mera (e tendenciosa) interpretação desta. Referida posição, todavia, desconsidera que a finalidade da alíquota zero, no caso em referência, é proteger o paciente, isto é, a pessoa alvo de assistência médicoodontológicohospitalar, cujo tratamento requer o uso das luvas medicinais, desonerando este e não a empresa comercializadora dos produtos da carga econômica do PIS e da COFINS." Em resumo, há que prevalecer a finalidade do produto, até mesmo em respeito ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, bem Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.627 9 como ao artigo 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (antiga Lei de Introdução ao Código Civil), segundo o qual, na aplicação da lei, "o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". Difícil conceber bem comum maior que a vida e á saúde. Como se não bastasse, a própria RFB, em outras soluções de consulta, admite a possibilidade de aplicação da alíquota zero na hipótese de revenda, incluindose as empresas distribuidoras. Nesse sentido a defesa faz referência as seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta n° 9 de 05 de Fevereiro e 2007; Solução de Consulta n° 304 de 18 de Outubro de 2006; e Solução de Consulta n ° 7 de 13 de Março de 2008. Mesmo o argumento exposto na Solução de Consulta formulada pela empresa autuada SEMPERMED, no sentido se que. "a destinação não pode ser a priori garantida pelo bem em si, principalmente em caso como o das luvas de látex de borracha, que podem ser adquiridas e comercializadas por outros estabelecimentos e para outro empregos, haja vista que são comumente comercializadas também em farmácias, para uso, doméstico", não pode e não deve prevalecer. Não pode a regra geral, isto é, a finalidade para a qual o produto foi originalmente concebido (uso medicinal), ser desvirtuada, em seu todo, pelo eventual emprego para outros fins (por exemplo, uso doméstico), o que pode ocorrer, inclusive, dentro de um hospital, clínica, laboratório, etc. Aos argumentos lógico jurídicos, fartamente expostos acima, cabe acrescentar outro, de ordem prática. Com efeito, a natureza dos produtos adquiridos, os quais são importados e revendidos sempre em grandes lotes, inviabiliza, na prática, a sua aquisição pelos usuários mencionados no item III do artigo 1º do Decreto n° 6.426/2008, seja por via direta ou por meio de encomenda/conta e ordem. Fazse necessária, para que se concretize a chegada das mercadorias a seus usuários finais, a intermediação de empresas especializadas na comercialização de produtos médicos/odontológicos – as quais constituem, se não a totalidade, a esmagadora maioria dos clientes do Contribuinte. Para melhor esclarecimento, da matéria, a defesa anexa arquivo em Excel com a lista de clientes da empresa Sempermed, com a participação de cada um deles na receita auferida ao longo do período em análise, distribuída pelos respectivos Códigos Nacionais de Atividade Econômica (CNAE) principais (Doc. 09). Resta evidente, aqui, a absoluta boafé da autuada Sempermed, na medida em que, embora não destinando seus produtos diretamente aos adquirentes mencionados no artigo 1º, III do Decreto n° 6.426/2008 repitase, por total inviabilidade operacional, tem como destinatárias de seus produtos entidades cujo negócio principal, em sua grande maioria, envolve exatamente o fornecimento de materiais utilizados por aqueles. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.628 10 Este procedimento assegura que os produtos importados alcancem, em última instância, os hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo, poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, mencionados na legislação, e consequentemente justificando a aplicação da alíquota zero. No caso em tela, resta evidente que a D. Fiscalização não se aprofundou como deveria no exame das operações da empresa autuada, tendo em vista que havia a possibilidade, mediante adequadas diligências, de se confirmar que as vendas dos distribuidores atingiram, na maior parte se não no todo, os destinatários definidos na norma concessora da alíquota zero. Inclusive, e como prova de sua boa vontade no esclarecimento desta situação, está a empresa autuada Sempermed procedendo, neste exato instante, ao levantamento de amostragens das vendas de luvas de borracha efetuadas por seus maiores clientes/ protestando desde já por sua posterior juntada ao presente processo. Como amplamente exposto no item II, o trabalho fiscal em causa não reúne, assim, condições para demonstrar o pretenso desvio na destinação das mercadorias importadas e revendidas, quando a Fiscalização, se tivesse procedido com maior zelo e diligência (veja que a fiscalização afirma, erroneamente, que a empresa autuada Sempermed comercializa luvas de borracha da marca Supermax, concorrente desta), poderia ter diligenciado, perante os distribuidores, deles solicitando evidências quanto à destinação das mercadorias comercializadas pela empresa autuada Sempermed, sem a desnecessária imposição de penalidades descabidas a esta última. Concluise, assim, que a precariedade e inconsistência do trabalho fiscal é flagrante, razão pela qual a peça acusatória é improcedente e deve ser, se não anulada, ao menos refeita em termos que garantam a justiça fiscal. Da Concessão da Redução da Alíquota a Todos os Contribuintes do PIS e da Cofins A impugnante faz um pequeno resumo histórico das alterações promovidas no regime de recolhimento do PIS e da Cofins, a fim de verificar a improcedência do pedido. Em seguida, afirma que a celeuma em torno da discussão presente reside no fato de que a autorização para a redução da alíquota do PIS e da Cofins ter sido veiculada pelo § 3º do artigo 2º das Leis n°s 10.833/03 e 10.637/02. O entendimento das autoridades fazendárias é de que, tendo sido veiculado pelas leis que introduziram o regime nãocumulativo, a redução se aplicaria, tão somente, às empresas que apurem o PIS e a COFINS segundo aquele regime. Da leitura do Relatório de Procedimento Fiscal fica claro o entendimento Fazendário: " ...utilizou indevidamente do benefício fiscal de redução à alíquota zero das contribuições PIS/COFINS incidentes sobre receitas de vendas de luvas de borracha, previsto no Decreto n° 6.426, de 2008, art. 1º, Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.629 11 Inciso III, ao: a) evocar benefício fiscal que foi oferecido exclusivamente às pessoas jurídicas optantes pela sistemática nãocumulativa de apuração do PISe COFINS;" Do ponto de vista jurídico, a alegação fazendária não faz o menor sentido. Primeiramente porque não foram as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 que reduziram a alíquota, nelas existe somente a autorização para que o Poder Executivo reduza as alíquotas, ou seja, o poder de instituir a redução da alíquota á zero é de exclusividade deste, via Decreto. A lei em tela não.condicionou esta autorização somente para as empresas que "tivessem optado pelo Lucro Real, o comando da lei não dispõe" sobre o regime, mas a desoneração ampla de determinados produtos independente do regime de apuração do IRPJ. A partir da análise do § 3º, do artigo 2º, das Leis n°s 10.833/03 e 10.637/02, o contribuinte faz as seguintes assertivas: I) As Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não reduziram a alíquota a zero e sim autorizaram o Poder Executivo a fazêlo; II) A alíquota que pode ser reduzida é aquela incidente sobre a receita bruta; III) Não há revogação ou incompatibilidade da regra com a Lei n° 9.718/98; e IV) A regra não foi introduzida com a vinda do regime nãocumulativo, e sim por intermédio da Lei n° 10.865/04. A defesa ressalta que a assertiva do item IV é a mais importante, isto porque, a regra autorizando a redução da alíquota a zero foi veiculada pela Lei n° 10.865/04 e não, originalmente, pela Leis que instituíram o regime não cumulativo. E a Lei n° 10.865/04 tratava da instituição do PIS e da COFINS importação para todos os contribuintes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, independentemente do regime de apuração do PIS e da COFINS. Ou seja, considera que em nenhum momento podese afirmar que o benefício é exclusivo das empresas que apuram o PIS e a COFINS com base em um dos regimes, isto porque, nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 passou só a constar a autorização. A discricionariedade sobre a redução da alíquota, então, é do Poder Executivo. Continua: como se percebe, não há qualquer menção ao regime de apuração do PIS e da COFINS no texto do Decreto 5.057/04, de 30/04/2004, ou seja, a redução foi para todos os contribuintes. Alegar que estando o § 3º inserido nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 a redução da alíquota a zero das contribuições em tela somente as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido viola, além da inteligência do contribuinte, o princípio da isonomia tributária, uma vez que estabelece regimes de isenção diversos para contribuintes que se encontram na mesma situação fática. Conclui esse tópico afirmando que, como a redução da alíquota foi estabelecida por Decreto, e está sendo aplicada pela Fazenda com Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.630 12 discricionariedade, acaba por violar também o princípio da legalidade dos atos administrativos e o princípio da estrita legalidade tributária. Da Violação dos Princípios da Isonomia Tributária e da Capacidade Contributiva Tratamento Desigual a Pessoas Jurídicas em Situação Equivalente A defesa faz uma análise exemplificativa considerando dois contribuintes "A" e "B" que importam uma mercadoria do exterior que se enquadre na redução à zero na alíquota do PIS e da COFINS. O contribuinte "A" opta pela tributação "pelo regime cumulativo e o contribuinte "B" opta pela apuração não cumulativa do tributo, assim, aplicandose o entendimento fazendário temse: (...) Em seguida, conclui afirmando que, os contribuintes importaram o mesmo produto e o venderam/revenderam a mesma pessoa, porém um terá um custo inferior ao outro. Assim, considera que não há alteração da solução do problema posto a circunstância de a empresa que importa ou comercializa no mercado interno as luvas medicinais, estar submetida ao regime de tributação pelo lucro real ou pelo lucro presumido (no caso do IRPJ); tampouco, se o PIS/COFINS que recolhe é, ou não, cumulativo. É que a aplicação da "alíquota zero" de que aqui se cogita, não sofre nenhuma interferência, seja de um, seja de outro regime. Afirma que, pretender que a legislação dê guarida a tais discriminações é o mesmo que afrontar o princípio da igualdade tributária, já que a mesma operação estaria submetida a tratamento desigual, entre contribuintes que se encontram em situação equivalente, qual seja, a de realizar negócios jurídicos com luvas medicinais. Portanto restaria claramente demonstrado que o tratamento desigual entre os contribuintes, além de afrontar o princípio da isonomia, acaba por inverter o princípio da capacidade contributiva, penalizando o contribuinte de pequeno e médio porte, e beneficiando o de grande porte. Esta atitude da fiscalização acaba por desconsiderar o intuito do Poder Legislativo de reduzir, por intermédio de um benefício fiscal, o preço de mercado para o consumidor final, das luvas cirúrgicas, finalidade principal da norma que introduziu a alíquota zero para os produtos. Da Violação do Princípio Legalidade dos Atos Administrativos A defesa considera que, se não bastasse o acima exposto, a atitude de interpretação da legislação tributária por parte da fiscalização acaba por violar o princípio da legalidade dos atos administrativos. Nesse sentido faz referência ao art. 37 da Constituição Federal, à Lei nº 9.784/99, e à lição de Celso Antonio Bandeira de Melo. Da abusividade e Inadequação da Multa Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.631 13 De acordo com a impugnante há que se considerar, no mínimo, o descabimento da multa imposta de 150% (cento e cinquenta por cento). Após fazer uma breve análise sobre a legislação que trata sobre a aplicação da multa qualificada, considera difícil caracterizar a situação ora em debate como sonegação, pois sempre foram entregues pela autuada, nos prazos e condições previstas na legislação, todos os demonstrativos e informações exigidos pelo Fisco, para o correto exercício de sua atividade de supervisão. da situação fiscal dos contribuintes. Não apenas os arquivos contábeis (EFD) e fiscais (Escrituração Fiscal PIS/COFINS), integrantes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e apresentados no decorrer do processo de fiscalização, que desencadeou o presente Auto de Infração, mas também os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), como os selecionados por amostragem e anexados ao presente processo (Doc. 05), indicam que em nenhum momento o Impugnante ou a empresa autuada Sempermed escondeu, disfarçou, maquiou ou de qualquer maneira buscou ocultar o fato gerador das duas contribuições qual seja, o faturamento, composto pela revenda de mercadorias importadas pela empresa. Informa que estão, permanentemente à disposição do Fisco, todos os elementos que permitem a este aferir, a qualquer tempo, o valor das operações realizadas, podendo a Autoridade Fiscal requisitar as informações adicionais que entender necessárias o que foi feito no presente caso, e atendido, escrupulosa e tempestivamente, pela empresa Sempermed, que nada tinha a esconder nesse sentido. Também considera igualmente inaplicável, aqui, o conceito de fraude. Conclui afirmando que, não há como qualificar como malicioso ou ardiloso um procedimento que foi, antes, embasado em parecer exarado pelo Professor Roque Antonio Carrazza, tributarista dos mais conceituados de nosso País (Doc. 04). Não se tratou de iniciativa do Impugnante, tomada arbitrariamente; não se tratou de argumentos vazios, ou da atitude leviana de agir sem correto respaldo jurídico. O procedimento adotado teve o amparo do Direito, para que não restasse dúvida de sua intenção de agir da maneira mais correta e justa, sem a intenção de causar qualquer lesão ao Fisco. Do Pedido Diante de todo o exposto, demonstrada a ilegalidade do redirecionamento da cobrança em face do Impugnante, bem como a legalidade da aplicação da alíquota zero nas operações de venda da empresa contribuinte, requer: a) seja a preliminar de nulidade da peça acusatória acolhida; b) caso assim não entenda, que: b.1) seja convertido o julgamento destes autos em diligencia, para que a fiscalização confirme, junto à cada,um dos clientes da empresa Sempermed Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.632 14 (distribuidores dos produtos), a destinação dos mesmos a clinicas, hospitais e outros destinatários previstos na norma; b.2) seja julgada procedente a presente Impugnação, com a anulação do presente Auto de Infração e Imposição de multa, com o reconhecimento do direito da empresa autuada à aplicação da alíquota zero em suas operações de venda, com pleno amparo na legislação aplicável e fundamentos doutrinários e jurisprudenciais acima destacados. Protesta pela juntada posterior dos documentos desta impugnação, uma vez que a obtenção destes documentos independe exclusivamente do ora Impugnante, por se tratar de documentos fiscais de terceiros (clientes da empresa Sempermed). O administrador da empresa autuada, Sr. Jamil El Kadre, arrolado como responsável tributário pelo crédito tributário lançado, apresentou petição específica, fls. 1.032/1.082, na qual mantém os mesmos argumentos acima expostos, e acrescenta os seguintes questionamentos. Da Ilegalidade da Responsabilização Pessoal do Impugnante Alega que o Impugnante não pode ser coresponsabilizado pela falta ou deficiência de pagamento do tributo por dois motivos: a) por não restar caracterizada a hipótese de responsabilidade pessoal estampada no art. 135, III, do CTN, por clara ausência de dolo do Impugnante; e b) pela inexistência de prestação de informações falsas e ausência de caráter vinculante da consulta'. Ausência de Dolo Não Configuração das Hipóteses Estampadas no Art. 135, do CTN Inicialmente, lembra que a pessoa jurídica adquire personalidade jurídica quando devidamente inscrita no órgão competente. A sociedade empresarial adquire esta personalidade jurídica própria, tendo autonomia processual e patrimonial, com a inscrição de seus atos, pois tal inscrição define a separação de seu patrimônio e dos seus sócios, conforme reza o art. 985, do Código Civil. Inscrito o contrato social da sociedade nas Juntas Comerciais do Estado onde irão atuar, define sua personificação e traz consigo quatro importantes efeitos, quais sejam: aquisição de patrimônio, próprio, de nome próprio, de nacionalidade própria e domicílio próprio. Não houve, por parte do Impugnante, dolo ou máfé nos atos de sua administração, bem como não ocorreu nenhuma das hipóteses estampadas no art. 135, do CTN. Destaca que a empresa contribuinte não foi dissolvida, permanecendo existente. Logo, a primeira premissa para a coresponsabilização do aqui impugnante dissolução irregular da sociedade não ocorreu. Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.633 15 Quanto à segunda premissa ocupar cargo de direção da empresa apesar de verdadeira, não justifica, por si só, o redirecionamento da dívida. Mesmo ocupando cargo de administrador, o Impugnante jamais praticou qualquer ato em desrespeito ao estatuto social ou à lei, que tivesse acarretado a falta de recolhimento dos tributos exigidos. O ato alegado pelo Fiscal para justificar a coresponsabilização do Impugnante ciência da solução de consulta não é suficiente para caracterizar ofensa à lei ou ao estatuto social, uma vez que não é vedado ao Contribuinte ter interpretação do texto legal diversa daquela pretendida pelo Fisco. Entende, desse modo, que se torna evidente a ilegalidade de responsabilização do Impugnante, uma vez que, em se tratando de responsabilidade tributária, a lei é expressa ao declarar as hipóteses em que é imposta tal responsabilidade a terceiros, que não o original devedor tributário. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve o entendimento de Sacha Calmon Navarro Coelho, Carlos Valdes do Nascimento e ementa de decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para concluir que não há dúvida, conforme remansosa doutrina, de que, para que o sócio, diretor, gerente ou administrador de pessoa jurídica de direito privado venha a ser considerado responsável tributário é essencial que tenha ele agido com dolo ou máfé. Continua: Os atos de administração, do Impugnante não decorreram de intenção de prejudicar ou fraudar o Fisco, mas sim de uma interpretação diferente da legislação adotada pela empresa, uma vez que, no seu entender cumpria os requisitos legais e tinha direito à aplicação da alíquota zero das contribuições em tela, tanto que a empresa Sempermed sempre declarou nas DIPJ's e DACON's toda a receita bruta auferida com a venda das mercadorias. Como se não bastasse, a interpretação da empresa sobre a aplicação da alíquota zero das contribuições ao PIS/COFINS não foi isolada, despreparada, maliciosa ou fraudulenta como alegam os auditores fiscais. Pelo contrário, a empresa cautelosamente se respaldou em parecer jurídico de renomado jurista, o Prof. Roque Antonio Carrazza (Doc. 04) a fim de corroborar seu entendimento acerca da legislação e a interpretação dada pela RFB na Solução de Consulta n° 236/08, a indicar que a postura da empresa, seguida pelo ora Impugnante sempre pautouse por entendimento diverso do da Fazenda e não com a intenção de fraudar o fisco. Para maior clareza, apresenta o Impugnante as vias dos Demonstrativos de apuração de Contribuições Sociais (Dacon), selecionados por amostragem (Doc. 05), os quais indicam que em nenhum momento o Impugnante escondeu, disfarçou, maquiou ou de qualquer maneira buscou ocultar o fato gerador das duas contribuições, qual seja, o faturamento, composto pela revenda das mercadorias importadas. Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.634 16 Afirma que todas as informações sobre o produto (luva de borracha NCM 4015.19.00) importado e revendido, foram prestadas pela empresa Sempermed. Ou seja, o Impugnante nunca prestou informações falsas ou omitiu informações necessárias à identificação do produto, seja na importação, seja na revenda, tampouco na escrituração fiscal e no cumprimento das obrigações acessórias. Em paralelo, diligenciou o Impugnante para que a pessoa jurídica, da qual é representante legal, sempre entregasse, nos prazos e condições previstas na legislação, todos os demonstrativos e informações exigidos pelo Fisco, para o correto exercício de sua atividade de supervisão da situação fiscal dos contribuintes, aí incluídos os arquivos, contábeis (EFD) e fiscais (Escrituração Fiscal PIS/COFINS), integrantes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e apresentados no decorrer do processo de fiscalização, que desencadeou o presente Auto de Infração . Em, outros termos, pode a empresa não ter recolhido a contribuição em tela, contrariando a resposta à consulta formulada, mas não se pode dizer e não foi comprovado que o Impugnante agiu com dolo, ou seja, com a intenção de lesar o Fisco, muito menos que este agiu com ofensa a lei ou ao estatuto ou que teria prestado informações falsas, visando, com sua interpretação diferente da solução de consulta, alcançar benefício próprio, por intermédio da pessoa jurídica que administra. Ora, ao contribuinte apenas discordou da orientação fazendária, tanto que em suas declarações e obrigações acessórias (DACON) prestou informações que entendia corretas, segundo a sua interpretação da legislação. Não houve como demonstrado acima, prestação de informação falsa ao fisco Conclui esse tópico afirmando que, no caso em tela não há sequer o menor indício de que o Impugnante tenha tido um comportamento revestido de dolo ou máfé e, nas hipóteses ventiladas nos incisos I a III, do art. 135, do CTN, ou seja, que tenha praticado atos contrários à lei ou ao contrato social, em razão do que teria surgido a obrigação tributária. Assim, impõese o reconhecimento de que não pode ser considerado como responsável tributário e, em consequência, deve ser extinto o processo em relação à sua pessoa. A decisão de fls. 2463 e seguintes, proferida pela DRJ de Fortaleza, foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. Tomase como não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. MEIOS DE PROVA. PESQUISA SÍTIO DA “GOOGLE”. Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.635 17 A utilização de consulta ao sítio da Google na internet não configura ilicitude para macular o fato que se deseja provar. SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. A Solução de Consulta, nos termos previstos pela legislação processual tributária, não representa um mero ponto de vista da autoridade fiscal, consistindo em orientação oficial sobre o caso consultado, que vincula a Administração Tributária, até que venha de ser alterada. JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DOUTRINA. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade ou não da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Provada a sistemática e intencional omissão de receitas, em operação envolvendo diversas empresas que têm o mesmo sócio e diretor, resta caracterizado o evidente intuito de fraude, determinante para aplicação da multa qualificada de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GERENTE. No caso de declaração falsa, o gerente da empresa que detinha plenos poderes de administração deve ser responsabilizado nos termos do inciso III do art. 135 do CTN. A conduta configura excesso de poderes, infração de Lei e ao contrato social, porquanto a grave ilicitude não deve ser tolerada em qualquer dos universos normativos que prescrevem os limites de atuação dos administradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO Nº 6.426/2008. A fruição da alíquota zero da Cofins estabelecida no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 6.426, de 2008, (e antes, no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 5.821, de 2006, na redação dada pelo Decreto nº 6.337, de 2007, e no art. 1º, inciso II, do Decreto nº 5.127, de 2004), condicionase ao atendimento Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.636 18 cumulativo dos seguintes requisitos: 1) os produtos importados ou vendidos no mercado interno deverão ser destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; 2) deverão estar classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM; e, 3) deverão estar expressamente relacionados no Anexo III do Decreto nº 6.426, de 2008 (anteriormente no anexo III, do Decreto nº 5.821, de 2006, ou no Anexo II do Decreto nº 5.127, de 2004). REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO Nº 6.426/2008. REGIME CUMULATIVO. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado, sujeitas à apuração do PIS/Cofins pelo regime cumulativo, somente poderão usufruir os benefícios de redução a zero da alíquota, prevista no Decreto nº 6.426/2008, com relação às operações de importação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO Nº 6.426/2008. A fruição da alíquota zero da contribuição para o PIS estabelecida no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 6.426, de 2008, (e antes, no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 5.821, de 2006, na redação dada pelo Decreto nº 6.337, de 2007, e no art. 1º, inciso II, do Decreto nº 5.127, de 2004), condicionase ao atendimento cumulativo dos seguintes requisitos: 1) os produtos importados ou vendidos no mercado interno deverão ser destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; 2) deverão estar classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM; e, 3) deverão estar expressamente relacionados no Anexo III do Decreto nº 6.426, de 2008 (anteriormente no anexo III, do Decreto nº 5.821, de 2006, ou no Anexo II do Decreto nº 5.127, de 2004). Impugnação Improcedente Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.637 19 O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. A questão a ser enfrentada cingese ao recolhimento a menor de PIS e COFINS pela Recorrente em razão de suposto descumprimento dos requisitos contidos no Decreto n° 6.426, de 2008, que estabeleceu a aplicação de alíquota zero em operações de importação. Transcrevo, a seguir, o seguinte trecho do relatório da fiscalização que bem elucida a matéria: A interessada, optante pela sistemática cumulativa de apuração das contribuições para o PIS e COFINS, utilizou indevidamente do benefício fiscal de redução à alíquota zero das contribuições PIS/COFINS incidentes sobre receitas de vendas de luvas de borracha, previsto no Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso III, ao: a) evocar benefício fiscal que foi oferecido exclusivamente às pessoas jurídicas optantes pela sistemática não cumulativa de apuração do PIS e COFINS; b) não efetuar a importação por encomenda ou por conta e ordem de hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, órgão responsável ou executor de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; c) destinar os produtos importados para pessoas diferentes de hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, órgão responsável ou executor de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; descumprindo preceitos legais e expressamente as disposições da Solução de Consulta nº 236 SRRF/8ª RF/Disit, de 24/07/2008, formulada pela própria fiscalizada em outubro de 2004. De acordo com a DIPJ, DCTF e os DARF de pagamentos, verificase que a fiscalizada apurou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ pela sistemática do Lucro Presumido. Segundo o art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as pessoas jurídicas tributadas pelo IRPJ com base no Lucro Presumido não devem apurar o PIS/Pasep e a Cofins pela sistemática de nãocumulatividade, restando para a fiscalizada, assim, a apuração das contribuições pela sistemática cumulativa. O Decreto nº 6.426 de 7 de abril de 2008, reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidente sobre a receita decorrente da venda Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.638 20 no mercado interno para somente os contribuintes que apuram pelo sistema nãocumulativo destas contribuições. A Solução de Consulta º 236 SRRF/8ª RF/Disit, de 24/07/2008, discorreu sobre o assunto, que a seguir transcrevese. Conforme se verifica pelo art. 8o, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as pessoas jurídicas tributadas pelo IRPJ com base no Lucro Presumido não devem apurar o PIS/Pasep e a Cofins pela sistemática de nãocumulatividade. Embora o Decreto nº 5.217, de 2004, o Decreto nº 5.821, de 2006, e tampouco o Decreto nº 6.426, de 2008, façam menção ao fato, uma interpretação sistemática das Leis referidas no item anterior não permitem outra conclusão a não ser que a redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas decorrentes de venda no mercado interno dos produtos tratados naquele Decreto somente se aplica na sistemática não cumulativa. Vejase, por exemplo, a Lei nº 10.833, de 2003: O capítulo I, que contém os arts. 1o a 16, trata exclusivamente “Da cobrança nãocumulativa da Cofins”; o art. 1o define o fato gerador; o art. 2º estabelece as alíquotas; e assim por diante, sempre falando da cobrança nãocumulativa. É o § 3o do art. 2o que autoriza o Poder Executivo a reduzir a zero as alíquotas dos produtos referidos no Decreto nº 5.821, de 2006, autorização essa que só pode dizer respeito às alíquotas tratadas no mesmo artigo, pertinentes, por óbvio, à sistemática de nãocumulatividade da Contribuição. Além disso, o art. 10, II, é expresso em excluir, para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, as previsões do art. 2o, entre elas, as de redução a zero constantes do § 3o. Idênticas conclusões são obtidas da Lei nº 10.637, de 2002. Assim, quando os Decretos nº 5.217, de 2004; 5.821, de 2006, e 6.426, de 2008, reduzem as alíquotas das contribuições em questão incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno, o fazem unicamente para as suas sistemáticas de nãocumulatividade, pois somente para estas existe permissão legal. Idênticas conclusões são obtidas da Lei nº 10.637, de 2002. Além disso, a fruição da alíquota zero das contribuições para o PIS e COFINS nãocumulativo estabelecida no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 6.426, de 2008, condicionase ao requisito dos produtos vendidos no mercado interno serem destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. As luvas de borracha são importadas pela fiscalizada e vendidas no mercado Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.639 21 interno, regra geral, para outras empresas revendedoras, que são destinatários diferentes daqueles listados no art. 1º, inciso III, do Decreto nº 6.426/2008. (...) A Solução de Consulta nº 236/2008 SRRF/8ª RF/Disit bem afirmou que as entidades listadas no inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008 devem ser destinatárias e usuárias dos bens beneficiados com alíquota zero, caso contrário não há como garantir que o consumo seja feito por tais entidades. Quanto ao enunciado do inciso III do art. 1º dos referidos decretos de 2006 e 2008, bem assim no inciso II do Decreto nº 5.127, de 2004, que dizem respeito especificamente ao objeto da presente consulta, notase que a técnica redacional adotada privilegiou a destinação (uso em/por) dos produtos listados no Anexo III como condição para a materialização da redução de alíquota. Os referidos dispositivos não dispuseram de forma explícita que a aquisição no mercado interno ou a importação dos bens do Anexo III devesse ser realizada diretamente pelas pessoas jurídicas indicadas como destinatárias de seu uso, como expressamente o fizerem os referidos diplomas em seu inciso II anteriormente comentado. Todavia, deve se convir que essa exigência está neles implícita ao referirem expressamente que essas entidades deverão ser as destinatárias e usuárias dos bens beneficiados com alíquota zero. Embora se possa argumentar que os bens listados no Anexo III dos diplomas em questão, por sua própria natureza, destinarseiam precipuamente a uso em hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios, essa destinação não pode ser a priori garantida pelo bem em si, principalmente em casos como o das luvas de látex de borracha, que podem ser adquiridas e comercializadas por outros estabelecimentos e para outros empregos, haja vista que são comumente comercializadas também em farmácias, para uso doméstico. Dessa forma, é forçoso convir que, no caso dos produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, a aplicação alíquota zero não pode decidida unicamente pelo critério objetivo, ou seja, se o produto se encontra incluído no Anexo III dos Decretos 5.821, de 2004, e do Decreto 6.426, de 2008, ou ainda, se estava relacionado no Anexo II do Decreto nº 5.127, de 2004, abstraindose a figura de seu efetivo adquirente/importador, destinatário e usuário final. Ao contrário, o texto das normas exoneratórias leva obrigatoriamente a perquirir a condição dos adquirentes dos produtos em determinada operação, assegurandose que sejam hospitais, clínicas, consultórios médicos ou odontológicos, entidades responsáveis pela execução de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.640 22 A alíquota zero em questão está indissociavelmente condicionada à efetiva destinação dos bens aos estabelecimentos discriminados na norma exoneratória, nos quais se dará seu uso. Essa destinação não pode ser garantida a priori pelo simples fato de um dado produto estar relacionado no pertinente anexo do diploma que estabeleceu a redução, não podendo o benefício ser tratado como sendo meramente objetivo. Ao contrário, é necessária a efetiva comprovação, em uma dada importação ou venda, que o destinatário da operação, adquirente e usuário dos bens é hospital, clínica ou consultório médicos ou odontológicos, órgão responsável ou executor de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Tanto que as luvas da SEMPERMED são livremente comercializadas em farmácias a consumidor final, como demonstra, por exemplo, o relatório anexo aos autos do processo, que foi elaborado com base nas informações constantes do SPED fiscal da farmácia CNPJ base 61.585.865 (não é cliente direta da fiscalizada), selecionada aleatoriamente. (...) Diante do exposto, tendo a fiscalizada feito uso indevido do benefício fiscal da alíquota zero sobre a receita decorrente de revenda de luvas importadas no mercado interno, considerando que: a) evocou benefício fiscal que foi oferecido exclusivamente às pessoas jurídicas optantes pela sistemática não cumulativa de apuração das contribuições para o PIS e COFINS, sendo que é optante pela sistemática cumulativa; b) não importou os produtos por encomenda ou por conta e ordem das pessoas especificadas no inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008; c) nem sequer destinou os produtos para as pessoas especificadas no inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008; descumprindo preceitos legais e expressamente as disposições da Solução de Consulta nº 236 SRRF/8ª RF/Disit, de 24 de julho de 2008, é cabível o lançamento de ofício para exigência das contribuições para o PIS e COFINS devidas, com aplicação de multa qualificada pelas razões discorridas a seguir. Por primeiro, a Solução de Consulta nº 236 SRRF/8ªRF/Disit, de 24/07/2008, objeto de consulta realizada pela Recorrente à Administração delimitou que: (i) o Decreto nº 6.426/2008 reduziu a zero as alíquotas de PIS e COFINS incidente sobre a receita decorrente da venda no mercado interno para somente os contribuintes que apuram pelo sistema não cumulativo destas contribuições; e (ii) as entidades listadas no inciso III, do artigo 1º, do Decreto nº 6.426/2008 devem ser destinatárias e usuárias dos bens beneficiados com alíquota zero, caso contrário não há como garantir que o consumo seja feito por tais entidades. Vêse, portanto, que a Recorrente descumpriu as determinações dadas a ela própria na Solução de Consulta nº 236 SRRF/8ªRF/Disit. Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.641 23 Ora, a jurisprudência deste Conselho se inclina no sentido de que a Solução de Consulta é uma norma individual que vincula a Administração Tributária em relação ao consulente (cf. Acórdãos 3101001.209 e 3403002.555). Não poderia, a meu ver, a Recorrente descumprir aquilo que ficou decidido administrativamente em relação à ela. Entendo que somente no âmbito do Poder Judiciário é que se poderia desconstituir a decisão exarada na Solução de Consulta nº 236 SRRF/8ªRF/Disit. Além disso, a Recorrente nem sequer destinou os produtos para as pessoas especificadas no inciso III, do artigo 1º, do Decreto nº 6.426/2008, descumprindo preceitos legais para a manutenção da alíquota zero. Ouso discordar, no entanto, da decisão recorrido quando manteve a aplicação da multa agravada. Basta lembrar que este Conselho, ao tratar do tema, decidiu reiteradamente que quando o contribuinte é transparente em seus atos e contribui com a fiscalização apresentando todos os lançamentos contábeis pertinentes, a multa aplicável é a de 75%, e não a de 150%, senão vejamos: “MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO – INTUITO DE FRAUDE NÃO EVIDENCIADO – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, fato não caracterizado nos autos pelo órgão lançador. Restando incomprovada a conduta dolosa do contribuinte, improcede a aplicação da multa qualificada.” (Acórdão n.º 10808.896, da antiga 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Cons. Rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; sessão de 21.6.2006 – não destacado no original). “PENALIDADE – MULTA QUALIFICADA – Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento. (...) A qualificação da multa, em casos como dos autos, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, em que o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo de: adulteração de comprovantes, nota fiscal inidônea, conta bancária fictícia, falsificação documental, documento a título gracioso, falsidade ideológica, nota fiscal calçada, notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), notas fiscais paralelas, etc. Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.642 24 (...) Em outras palavras, a fraude é um artifício malicioso que a pessoa emprega com a intenção de burlar, enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos’”. (Acórdão n.º 10247.397, da antiga 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Cons. Rel. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; sessão de 22.2.2006 – não destacado no original). “MULTA AGRAVADA – Descabe o agravamento da multa de ofício prevista no inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, quando não devidamente comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude, mormente quando o contribuinte não ocultou a operação praticada, registrando na sua escrita comercial e fiscal toda a operação.” (Acórdão n.º 10195.141, da antiga 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Cons. Rel. Valmir Sandri; sessão de 11.8.2005 – não destacado no original). “(...)Penalidade Qualificada – Evidente Intuito de Fraude – Inocorrência – Simulação Relativa – A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Voto: (...) Em relação ao agravamento da multa de ofício, de acordo com o artigo 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, a multa será de 150% nos casos de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/67, que dispõe: (...) Por estes dispositivos a lei exige que o intuito de fraude seja evidente, que o ato não suscite dúvida quanto sua máfé, com o claro propósito de violar a lei, sendo o ônus da prova da autoridade fiscal. A conduta, além de contrária à lei como fraudulenta, deve ter o objetivo de escusarse ao pagamento do tributo ou de pagar importância menor, ou seja, a intenção dolosa de esconder o fato gerador da obrigação tributária da Administração.” (não destacado no original) (Acórdão 10809.037, 18.10.2006) “Ementa: MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INEXISTÊNCIA IMPROCEDÊNCIA As operações societárias praticadas pela Impugnante, desqualificadas pelo FISCO porque imputadas de dissimuladas (simulação relativa) porém tidas como possíveis em face de parcela da doutrina e de decisões ainda recentes deste Tribunal, que sustentam tratarse de negócio jurídico indireto , pelas suas próprias características, não pode ser considerada como praticadas com evidente Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.643 25 intuito de fraude, inclusive porque realizadas com toda publicidade que os atos exigiram.” (não destacado no original) (Conselho de Contribuintes, Acórdão 10708.837, 06.12.2006) Ementa: PENALIDADE QUALIFICADAINOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE ERRO DE PROIBIÇÃO ARTIGO 112 DO CTN SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudências contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal.” (não destacado no original) (Conselho de Contribuintes, Acórdão 10195.537 24.05.2006) “Assunto: IRPJ – Ementa: AMORTIZAÇÃO DE SUPOSTO PRÊMIO PAGO NA SUBSCRIÇÃO DE DEBÊNTURES DE EMISSÃO DE CONTROLADA A pretensa quitação de prêmio na emissão de debêntures mediante entrega de nota promissória pro soluto, sem efetiva transferência de recursos, visou tão somente propiciar amortização da suposta aplicação de capital e conseqüente redução da tributação no âmbito do grupo. Lícita a glosa efetuada, porque não havia capital a amortizar. Amortização de dívida não se amolda às hipóteses de dedutibilidade prevista nas legislação tributária. RECLASSIFICAÇÃO DOS FATOS PELA FISCALIZAÇÃO EFEITOS Se afastados os efeitos do suposto pagamento de prêmio na subscrição de debêntures e tributados pelo fisco os valores registrados como atribuídos à controladora a título de participação, os valores assim registrados pela beneficiária devem nela ser tratados como lucros recebidos da investida, sem tributação. Se referidos valores foram oferecidos à tributação na beneficiária, porque titulados como rendimentos, devem ser agora deduzidos do valor tributável decorrente da glosa das amortizações do prêmio, independentemente de formalidades, pois não se trata de repetição de indébito ou de compensação de créditos, mas sim de reclassificação dos fatos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.644 26 Ementa: MULTA QUALIFICADA Ainda que se possa vislumbrar nas condutas da autuada as figuras doutrinárias, e hoje positivadas na legislação civil, da fraude à lei e do abuso de direito, se os atos negociais foram devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando foi dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade, porque não provadas as figuras delituosas requeridas pela lei que autoriza a exasperação da penalidade.” (Acórdão 10709.587 de 17.12.2008) Corroborando tal entendimento, o CARF editou a Súmula nº 14, verbis: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Observase nos autos que a Recorrente apresentou a documentação requerida durante o curso da fiscalização, além de não deixar de apresentar as declarações necessárias ao fisco, permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos. Por isso não vislumbro a ocorrência dos tipos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 que ensejam a aplicação da multa agravada. Ademais, não se estando diante de caso de aplicação inequívoca da multa agravada, aplicase o artigo 112 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito: “Art. 112. A lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Diante disso, afasto a aplicação da multa agrada de 150% e, por conseguinte, a responsabilidade solidária do gerente da Recorrente. Por fim, entendo, como na decisão recorrida, desnecessária o pedido de diligência requerido pela Recorrente. Concluiu a autoridade julgadora ser prescindível a realização de perícia, por entender que os elementos constantes dos autos se mostravam suficientes para dirimir o cerne da questão litigiosa, utilizandose, portanto, da faculdade que a lei lhe assegura, não merecendo qualquer reparo a decisão a quo. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13888.724481/201206 Acórdão n.º 3202001.317 S3C2T2 Fl. 2.645 27 Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, para afastar a aplicação da multa agravada de 150% e a responsabilidade solidária do gerente da Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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