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Numero do processo: 13830.900014/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimir-se o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação.
Numero da decisão: 1301-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimir-se o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação.
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Recorrente COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO CICALTU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimirse o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 00 14 /2 00 8- 60 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. A ora recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de folhas 01 a 05, pretendendo compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de janeiro a março de 2004, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 3.064,12 (fl. 05). A autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fl. 08), por meio do qual não reconheceu o alegado direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas, fundamentando que "não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp". Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12/13), alegando, em síntese, que o direito creditório indicado se deu mediante compensação com valores recolhidos a maior em exercícios anteriores (anosbase 1995, 1996, 1997 e 1998), sendo que nos anosbase de 1996, 1997 e 1998, teria apresentado prejuízo fiscal, conforme demonstrado nas fichas de demonstração do lucro líquido, bem como apresentou saldo de pagamento de contribuição social sobre o lucro líquido, passível de compensação em períodos posteriores, conforme fichas de cálculo da contribuição sobre o lucro, pertencentes às declarações de rendimentos da pessoa jurídica, entregues em épocas oportunas e que, considerando que nos anosbase subsequentes a 1996, a empresa apresentou prejuízo fiscal, com exceção do ano base de 2000, os recolhimentos devidos referentes à contribuição a ser recolhida mensalmente por estimativa foram sendo compensados, de conformidade com as DIPJ apresentadas nas épocas oportunas; e) o crédito relativo ao ano base de 2003 a ser compensado em 2004 foi de R$ 17.617,65, conforme DIPJ/2004, reconhecendo que o valor original do saldo negativo informado na PER/Dcomp diverge do valor do saldo negativo informado na DIPJ, defendendo, contudo, que isso se deu em razão do programa exigir informação de valores iguais, ou seja, o valor do pedido a ser compensado e o valor do crédito de saldo negativo tem que ser idênticos, todavia o direito de compensar o valor da contribuição social sobre o lucro pago a maior em exercícios anteriores seria perfeitamente legal, requerendo ao final fosse acolhida a Manifestação de Inconformidade. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 32 em diante, indeferiu a solicitação da contribuinte assinalando que em 08/03/2007 foi entregue à recorrente o Termo de Intimação de folha 06, solicitando retificação da DIPJ correspondente ou apresentação de PER/Dcomp retificadora, nos seguintes termos: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação ". Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13830.900014/200860 Acórdão n.º 1301001.661 S1C3T1 Fl. 3 3 Feito este esclarecimento, registrou a decisão recorrida que a contribuinte, embora devidamente intimada, não apresentou à autoridade de origem quaisquer esclarecimentos, de modo que, no despacho decisório, a autoridade administrativa, a quem foi dada a competência originária da análise da declaração de compensação, entendeu inexistente o direito creditório em razão da divergência de valores informados na PER/Dcomp e DIPJ. Ressaltouse ainda, que no caso em tela, a recorrente pleiteia compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de janeiro a março de 2004, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, apurado no 1º trimestre do anocalendário 2004, pela sistemática do lucro real trimestral, o que evidenciaria a inconsistência lógica do pedido, por evidente impossibilidade de apuração simultânea de débito e crédito da contribuição no mesmo período. Afirmou a decisão recorrida, destarte, que a Manifestação de Inconformidade (fls. 12/13), estaria acompanhada dos documentos de folhas 14 a 28, informando que a divergência decorre dos saldos negativos de CSLL de anos anteriores (1995, 1996, 1997, 1998), que foram utilizados para quitação do referido tributo. Diante deste cenário dos fatos, concluiu a decisão recorrida que não haveria reparos a promover no despacho decisório, eis que a intenção da contribuinte não seria outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que evidenciaria inovação ao pedido inicial, de sorte que como novo pedido, não haveria de ser apreciado naquela instância julgadora, seja porque tal pedido não fora dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência precípua do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão, sob pena de avocar para si uma competência que não lhe é cabida, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em compensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão acima relatada e interpôs Recurso Voluntário (fls. 41 em diante), reiterando seus argumentos já relatados, e aduzindo que estava convicta de que o procedimento adotado era plenamente de acordo com as normas reguladoras das matérias à época dos fatos, por isso deixou de fazer as retificações solicitadas pelo fisco. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal visto no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de folhas 01 a 05, pretendendo compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de janeiro a março de 2004, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 3.064,12 (fl. 05). A autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fl. 08), por meio do qual não reconheceu o alegado direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas, fundamentando que "não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp". O acerto da decisão proferida pela autoridade administrativa, foi reconhecido pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, porquanto a contribuinte apresentara, na Manifestação de Inconformidade, fundamento distinto para o seu alegado direito creditório, em relação aquele apresentado nas declarações de compensação. Já assinalei em outras oportunidades, que eventuais entraves formais ou equívocos de preenchimento, não têm o condão, por si só, de invalidar um direito creditório que esteja comprovado nos autos, ou seja, não é razoável que uma compensação não seja homologada, pura e simplesmente, porque a apresentase alguma divergência entre o direito creditório indicado na DIPJ e aquele constante na declaração de compensação, quando for possível aferir a existência material do pretenso direito. Todavia, não é esta a hipótese dos autos. Na espécie, como anotado pela decisão recorrida a autoridade administrativa, longe de apenas reputar divergências entre os supostos créditos constantes na DIPJ com aqueles indicados nos PER/DCOMP, intimou a contribuinte, conforme se vê no Termo de folha 06, a retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período é, se fosse o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição, advertindo que outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deveriam ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido naquela intimação. O que se teve, portanto, ante a clara incongruência entre as informações prestadas pela contribuinte nas declarações de compensação, foi uma intimação saneadora dos vícios que já se apontava antes mesmo de proferirse o Despacho Decisório, tendo a contribuinte ignorado as determinações, punindo assim, o reconhecimento do pretenso direito creditório. Como cediço, no procedimento de compensação, mister que o contribuinte apresente, desde a primitiva declaração de compensação, que o seu direito creditório preenche Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13830.900014/200860 Acórdão n.º 1301001.661 S1C3T1 Fl. 4 5 os requisitos de certeza e liquidez, aferíveis de pronto, mas sempre possibilitando a verificação destes dois critérios. Tem razão a decisão recorrida, portanto, ao proclamar que nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimirse o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000653/2008-79
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003,2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Numero da decisão: 1803-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003,2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva- Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15758.000653/200879 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.472 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente SP MAD COMÉRCIO DE MADEIRAS E PISOS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003,2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 06 53 /2 00 8- 79 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 112 2 Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ Simples, COFINS Simples, PIS Simples, CSLL Simples e INSS Simples em decorrência de omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados, insuficiência de recolhimento apurado conforme dados inseridos nas Declarações Anuais Simplificadas. A empresa recorrente foi diversas vezes intimada a justificar a sua movimentação financeira, além de apresentar todos os livros contábeis e fiscais. A mesma apresentou a justificativa dos créditos bancários efetuados no Banco Itaú e Banco ABN Amro, informando que os valores do item “Saldos dos Valores sem Procedência de Créditos Apontados” são aqueles que fazem parte dos créditos normais do seu ramo de atividade e estariam devidamente amparados e/ou registrados, mês a mês, pela emissão de notas fiscais. Da mesma forma, amplia sua justificativa para os créditos bancários efetuados no Banco Safra, informando que os valores do item “Saldos dos Valores sem Procedência de Créditos Apontados são aqueles que fazem parte dos créditos normais decorrentes da atividade. A autoridade autuante descreve os fatos e o enquadramento legal, relatando que a empresa recorrente apresentou relatórios e justificou a origem de vários créditos (as transferências interbancárias da própria empresa e depósitos em cheques de sua emissão, mas de outro banco que foram devidamente levados em conta. Assim, efetuado o ajuste, subtraindo os valores da receita mensal declarada, dos créditos com origem não comprovada, obtevese a receita omitida especificada no lançamento. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta suas razões de defesa em seara de manifestação de inconformidade, alegando que o auto de infração é nulo por ter sido lavrado sobre os depósitos bancários mantidos pela autuada, na medida que essa situação fática não está contida no campo da norma do art. 43 do CTN que Fl. 837DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 113 3 define como fato gerador do imposto de renda a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos como produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Prossegue citando doutrina e aduzindo que a mera movimentação financeira na conta da empresa não se caracteriza como fato gerador do imposto de renda, por consequência do Simples. Salienta que houve decadência do direito do fisco constituir o suposto crédito tributário decorrente de movimentação bancária em data anterior a 03.09.2003, uma vez que já ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150, §4° do CTN, para a constituição do crédito tributário constante do art. 142, também do CTN. Em ato continuo, a recorrente cita doutrina e jurisprudência, afirmando a impossibilidade de tributação simplesmente baseada na movimentação financeira, considerando que todos os depósitos não declarados como renda para efeito de tributação se caracterizariam como omissão de receitas, portanto, deveria ser tributados. Afere que tal raciocínio levaria à injusta tributação sobre valores que efetivamente não incorporaram o patrimônio da empresa autuada e, nem mesmo dos seus sócios. A recorrente observa que não há nos autos qualquer prova que corrobore a presunção de omissão de receita, a indicação de vendas sem a correspondente emissão de nota fiscal e recolhimento dos tributos inerentes e, desse modo, a presunção é relativa e não pode ser levada a efeito de modo tão absoluto. Apura que foi intimada a justificar a origem dos créditos em sua conta bancária e, de fato, o fez em extenso relatório (fls. 235/319) demonstrando a existência de inúmeras transferências interbancárias, aportes de recursos de sócios e não sócios a título de empréstimos feitos para saneamento das contas da empresa , que passava por sérias dificuldades financeiras, além da movimentação financeira de depósitos relativos à atividade de representante autônomo ou intermediador do sr. Fábio Roberto Carreta, designada como FRC Distribuição e Representação. Atenta par ao fato de que o fiscal autuante desconsiderou boa parte das justificativas apresentadas, aceitando apenas parte das transferências interbancárias das contas mantidas em mas de uma instituição financeira. E entende que o não acolhimento das justificativas apresentadas pela recorrente, aliado à ausência de provas efetivas das transações comerciais, sem a correspondente emissão das notas fiscais e recolhimento do tributo devido é suficiente para implicar na nulidade do auto de infração. No tocante ao mérito, alegou a empresa recorrente que foram desconsideradas muitas transferências interbancárias, por meio de DOC, TED e também depósitos em cheques, que tinham um único objetivo: sanear as contas bancárias e as finanças da empresa. Ainda, aduz que os extratos bancários da empresa demonstram que o saldo bancário poucas vezes se mantinha positivo, e as entradas de numerários, quando ocorriam, era, para quitar saldo devedor ou reduzilo, pagar fornecedores, etc, não havendo demonstração de acréscimo patrimonial efetivo, o que corrobora a assertiva de que a empresa apenas transferia recursos de uma conta bancária para outra, de modo a não extrapolar o saldo devedor. Nesse sentido, frisa que os representantes da empresa emitiam cheques de suas próprias contas bancárias para depósito, de modo a utilizarse do prazo para honrar seus compromissos, ainda que minimamente. De igual modo, afere que o agente fiscal não considerou como efetivamente justificados créditos em contas bancárias da empresa recorrente Fl. 838DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 114 4 decorrentes de transferências feitas por ela mesma, conforme se verifica nas planilhas demonstrativas que anexou e que identificam na coluna nº 02 os créditos justificados como transferências interbancárias que não foram assim consideradas no lançamento. No que diz respeito a créditos de terceiros, prossegue na mesma linha de raciocínio, posto asseverar que no decorrer do procedimento fiscalizatório foram desconsideradas as justificativas da existência de créditos de terceiros –sócios e não sócios – nas contas bancárias da empresa, conforme a coluna nº 03 das planilhas demonstrativas já anexadas. Atenta para o fato de que a procedência dos créditos poderá ser rastreada pelo próprio banco depositário, através da microfilmagem de cheques e, ainda, em alguns casos, pela titulariedade da emissão de DOC. Ademais, prossegue referindo que a comprovação da efetivação desses empréstimos e correspondentes pagamentos se faz mediante a apresentação dos respectivos recibos de quitação anexados. Já quanto aos suprimentos de recursos feitos pela sócia Gislaine, informa que a mesma mantém outra função remunerada que lhe garantia na época uma segunda renda e que lhe permitia socorrer a empresa da qual era sócia, sobretudo como investidora, destacando que a quitação desses empréstimos era feita não mediante a devolução de depósito em conta bancária, mas com o pagamento de despesas pessoais. Entretanto, afirma que dado prazo decorrido (quatro ou cinco anos) esta não detém mais os comprovantes de contas de cartão de crédito, condomínio, plano de saúde, entre outros. Atenta para o fato de que se a recorrente não tem meios de comprovar a efetiva quitação desses aportes de recursos feitos pela sócia para sanear as contas da empresa, é viável a sua comprovação pelas simples verificação dos extratos bancários já juntados e pela expedição de ofício com diligência da DRF, especialmente os discriminados nas colunas 03 e 04 das planilhas demonstrativas anexas, posto trataremse de recursos de terceiros e não podem ser considerados como omissão de receita. De igual modo, atenta para o fato de que o Sr. Fábio Roberto Carreta, atual sócio da empresa recorrente, no período em que laborava na SPMAD como vendedor autônomo/empregado, também atuava como representante comercial de fornecedores de madeira e, desse modo, intermediava vendas das empresas Madeireira Pimentão Ltda e V. Bonfane D’Oeste Madeiras Ltda para revendedores na grande São Paulo. Afirma que realizava uma atividade independente da SPMAD, representando fornecedores de madeira, revendo esse material para a própria SPMAD e também para outras empresas concorrentes, tais como a VB Comercial, Madel Comércio de Madeiras e Pisos Ltda, além de várias outras, conforme comprova mediante a apresentação de todos os pedidos de venda/intermediação com as madeireiras. Aduz que diante das severas dificuldade financeiras enfrentadas pela SPMAD, o Sr. Fábio realizava as operações financeiras da representação comercial por meio da conta da autuada. Os clientes da FRC realizavam os pagamentos dos pedidos de venda para a FRC mediante depósitos e transferências bancárias, entrega de cheques prédatado de clientes e outros, que eram direcionados à conta da SPMAD, com dois objetivos: trazer recursos para que a empresa trabalhasse como capital de giro e para facilitar a troca de desconto de cheques e duplicadas pela empresa de modo mais simples do que em favor da FRC que na verdade era uma atividade autônoma realizada por pessoa física de modo informal. Salienta que conforme a grande quantidade de documentos anexos (pedidos de venda intermediados pela FRC, notas fiscais emitidas para seus clientes, comprovantes de Fl. 839DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 115 5 pagamento resumidos, etc), o Sr. Fábio utilizavase das contas bancárias da SPMAD para transferir o numerário recebido de seus clientes para o fornecedor/representado. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material, espera que seja acolhida a justificação dos créditos decorrentes de receita da FRC para quitação das vendas com o fornecedor/representado Madeireira Pimentão Ltda e V. Bonfante D’Oeste Madeiras Ltda, conforme discriminado na coluna 05 da planilha demonstrativa da movimentação financeira do Banco Safra. Outras receitas consideradas indevidamente. Revela que outros valores foram considerados indevidamente como receita omitida e créditos de origem não comprovada: créditos decorrentes de cheques devolvidos, devidamente identificados nas planilhas, créditos identificados nos extratos do Banco Real como “LIB DES DUPL” e “LIB DESC CHEQ” considerados integralmente como receitas omitidas e créditos com origem não justificada. Acrescenta que se a empresa recorrente não tem como justificar tal operação, é certo que o valor correspondente não significa que esse montante foi integralmente recebido, pois na mesma data do crédito em conta dessa operação estão descontados os juros e a tarifa devidos para tanto. Refere que na movimentação financeira da conta do Banco Rela não foram considerados como justificadas a origem dos créditos datados de 30.09.04, 18.11.04 e 28.12.04 que são na realidade uma verba de marketing ou uma ajuda de custo paga pelo Banco Real como instituição financeira, para que a recorrente realizasse propaganda para suas vendas e financiamentos pelo banco patrocinador. Tais verbas era utilizadas para custeio de propaganda no conhecido programa Shop Tour e revistas especializadas (exemplo). Quanto à multa aplicada de 75% entende ser inconstitucional, por ser confiscatória, por extrapolar a capacidade contributiva da recorrente. E por fim requer a conversão do julgamento em diligência para possibilitar a juntada de outros documentos e fornecer esclarecimentos necessários, fosse determinada a oitiva de terceiros e expedição de ofício às instituições financeiras para que ratifiquem ou esclareçam as justificativas quanto à origem dos créditos em conta bancária da recorrente. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em parte. Quanto à preliminar de nulidade do auto, afere que o mesmo se encontra em consonância com o disciplinado no art. 59 do Decreto 70.235/72, razão pela qual não acata. No tocante às alegações de inconstitucionalidades e ilegalidades, afere o julgador que à autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir alegações de constitucionalidade do lançamento, se este fere ou não os princípios da igualdade, isonomia e capacidade contributiva. Cita a Carta Magna e aduz que os art. 97 e 102 incumbem exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. Cita parecer da COSIT e Súmula CARF n. 02. No que diz respeito à juntada posterior de documentos, lembra o julgador os §§ 4° e 5° do art. 16 do Decreto 70.235/72 que estabelece a preclusão da juntada de prova documental após trazida a impugnação, citando suas exceções. E aduz que até a decisão a quo nada tinha sido anexado. Já quanto à preliminar de decadência, afere que para fins de cômputo do prazo de decadência havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do 150,§4°, do CTN e na pesquisa realizada nos sistemas constatouse que a empresa recorrente recolheu o Simples correspondente aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2003. Assim, a estes períodos Fl. 840DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 116 6 aplicase o artigo referido acima, acatandose a preliminar de decadência arguida, cancelando o lançamento dos fatos geradores ocorridos até agosto de 2003. Quanto ao mérito, o julgador de primeira instância entende que, na conformidade do que disciplina a Lei 9.430/96, tendo sido a empresa regularmente intimada, mas mesmo assim não logrando comprovar a origem, os recursos depositados devem ser considerados rendimentos omitidos tributáveis, face à presunção legal. Isso porque cumpre à recorrente demonstrar a origem dos valores depositados em sua conta bancária e em não o fazendo, a presunção legal é de que tais depósitos originamse de rendimentos subtraídos à tributação e, portanto, cabe ao fisco proceder simplesmente ao lançamento dos rendimentos assim obtidos por meio de prova presuntiva, nos termos legais. Atenta para o fato de que sendo uma presunção legal, não elidida pelo contribuinte com apresentação de provas, não é necessário a comprovação por parte da fiscalização do aumento patrimonial do contribuinte. Os indícios e presunção são elementos de prova e cita doutrina. Esclarece, de igual modo, que o art. 43 do CTN é norma geral endereçada ao legislador ordinário e que a Lei 9.430/96, em seus art. 42 criou uma presunção legal de que os valores depositados configuram rendimentos tributáveis, quando não comprovada a origem. Aduz que os julgador trazidos à colação pela recorrente são antigos e referemse a fatos ocorridos muito antes do advento da Lei 9.430/96, e diplomas legais subsequentes. Ainda, a doutrina citada igualmente foi superada com a superveniência da nova legislação e salienta que a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda é mansa e pacífica e cita algumas decisões e a Súmula CARF n. 26 que pacificou a matéria. Em ato contínuo, afere que os lançamentos em tela foram efetuados em decorrência das infrações a título de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea) e por diferenças da base de cálculo, em que a fiscalização apurou insuficiência dos valores recolhidos pela sistemática do Simples, nos anos calendários de 2003 e 2004, apurados conforme descrição constante dos autos de infração e demonstrativos próprios, partes integrantes e inseparáveis das citadas pelas exatórias. E refere que a simples argumentação de erros no levantamento fiscal e de que os depósitos se refeririam a receitas de uma empresa de propriedade de um administrador, a operações de suprimento de recursos por sócios, a cheques devolvidos, a verbas de marketing, a transferências interbancárias, a operações financeiras, não poderá ser aceita pela autoridade julgadora, em face do princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Aduz que mesmo respeitando as alegações da recorrente, mais uma vez está se diante de assertivas desprovidas de quaisquer vínculos comprobatórios, ou seja, para que o relato da peça impugnatória assumisse condição de veracidade, provas deveriam ter sido carreadas pela defesa aos presentes autos. E salienta que se muitos dos depósitos em conta corrente não eram receitas, mas sim empréstimos ou suplementações, bastaria a apresentação dos documentos hábeis e idôneos que a fiscalização requisitou ao longo de todo o procedimento, para infirmar o trabalho do Fisco. As imposições discutidas nos autos lastrearamse em procedimento absolutamente correto e calcado na forma da lei, tendo sido dada todas as oportunidades à recorrente para justificar a exorbitante diferença encontrada entre sua receita declarada em 2003 e 2004 como optante do SIMPLES, e os valores depositados e/ou creditados em suas Fl. 841DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 117 7 conta bancárias. A autoridade julgadora de primeira instância relata a respeito da presunção de omissão de receitas por depósitos bancários sem origem justificada, com base na lei. E, em ato contínuo, passa a analisar as alegações de defesa apresentadas pela recorrente: quanto à alegação de que muitas transferências interbancárias (entre contas de titularidade da impugnante) não foram acatadas no procedimento fiscal, em confronto com os extratos das contas mantidas no Banco Safra, Banco Itaú e Banco Real, em conjunto com os anexos à impugnação, conclui que a alegação deve ser acatada em parte, pois foi possível confirmar que alguns créditos se originaram de transferências ou depósitos em cheque originadas de outras contas mantidas pela contribuinte, além de depósitos de cheques anteriormente devolvidos por insuficiência de fundos. Elabora tabela, relacionando os depósitos ora considerados justificados. Quanto aos depósitos alegados pela recorrente que teriam sido originados de operações de empréstimos ou suprimentos realizados por sócios ou não sócios, aduz que não foram trazidos documentos que pudessem comprovar o alegado. Quanto à alegação de que parte dos depósitos poderiam ser justificados pelas operações da empresa FRC – Distribuição e Representação, da atividade de intermediação exercida pelo diretor Fábio Roberto Carreta, entende o julgador que a recorrente mesmo conhecendo os motivos que levaram o auditor a não aceitação das suas justificativas, limitouse a repetir a argumentação, quando deveria ter trazido documentação comprobatória. Ademais, afirma que não foi possível localizar no sistema CNPJ a referida empresa de intermediação em nome do citado diretor e que aparentemente as atividades de intermediação se confundiram com as atividades da recorrente. Atesta que a documentação comprobatória reforça essa conclusão, pois ela comprova que a maioria dos pagamentos decorrentes da citada atividade de representação foram arcadas pela recorrente. A alegação de que a verba de marketing que teria sido paga pelo Banco Real justificariam alguns créditos realizados em 30/09/2004, 18/11/2004 e 28/12/2004, igualmente não é acatada pois desacompanhada de documentação comprobatória – contrato entre as partes. Quanto à alegação de que alguns depósitos realizados no Banco Real com histórico “LIB DESC DUPL” e “LIB DESC CHQ” tratase de operações de desconto de duplicadas e cheques prédatados, igualmente não sendo acatada a alegação, pois indicam originarse da atividade fim da empresa que já foram devidamente consideradas no levantamento fiscal, ao deduzir os valores informados na Declaração Anual Simplificada PJSI – Simples. Ressalta ainda que os valores apurados a título de insuficiência de Recolhimento (infração 002, fls. 428), decorreram da infração 001 – Omissão de Receitas (Depósitos Bancários Não Escriturados), uma vez que acrescendose tais valores aos já declarados pela contribuinte, houve aumento das receitas brutas mensais para apuração dos tributos e contribuições sujeitos ao Simples, aumentandose, consequentemente, à luz do art. 5º da Lei nº 9.317/1996, os percentuais para o cálculo dos valores de tais gravames. Em face, pois, de a contribuinte submeterse, no período considerado, à sistemática de recolhimento dos tributos pelo Simples, e ter, ao mesmo tempo, quanto às infrações apuradas, descumprido as regras estipuladas na Lei nº 9.317/1996, c/c os dispositivos legais citados nas respectivas peças exatórias, devem prevalecer, quanto a tais infrações, os lançamentos efetuados, exceto os períodos de apuração janeiro a agosto/2003, pois para este período foi reconhecida a decadência por transcurso do prazo quinquenal. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 118 8 No tocante às alegações de multa confiscatória, a autoridade a quo salienta que a via administrativa não é a correta para discutir questões constitucionais. Por fim, elabora tabela restabelecendo os valores da base de cálculo do lançamento, já desconsiderando a decadência e as transferências interbancárias. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de recurso voluntário, de modo tempestivo. Aduz a nulidade do auto de infração por omissão de rendimentos por depósitos bancário, por entender que essa situação não está contida no disciplinado no art. 43 do CTN e discorre sobre conceito de renda, citando doutrina a respeito. Prossegue a recorrente argumentando cerceamento do direito de defesa, posto não ter sido acolhido o pedido de conversão do julgamento em diligência e produção de outras provas. Cita doutrina a respeito. E, no mérito, refere a impossibilidade de se tributar apenas com base em movimentação financeira. Aduz que a presunção é relativa e foi elidida com a apresentação das provas pela empresa recorrente, tanto que parte do auto foi desconsiderada. Cita doutrina a respeito, bem como jurisprudência. Insurgese com a não consideração das justificativas dadas para as transferências bancárias, afirmando tratarse de empresa familiar, pequena e de não restar saldo nas contas bancárias, o que demonstraria não se tratar de receita, apenas movimentação financeira. Afere que foram consideradas as transferência da empresa, mas não de seus sócios. Observa que não foram consideradas as alegações de que muitos dos depósitos eram oriundos de empréstimos de terceiros – familiares e amigos, que estavam a socorrer a empresa em dificuldades. Complementa as argumentações referindo que constam nos autos do processo os recibos de quitação de alguns dos empréstimos e que a fiscalização poderia ter intimado as pessoas físicas e jurídicas envolvidas para obter a confirmação. Mas, que as demais provas seriam obtidas com a realização da diligência para oitiva de testemunhas e ofícios remetidos aos bancos para esclarecimentos. Entende ser um absurdo ser tributados valores que a recorrente refere ser proveniente de atividade informal de um dos sócios. Alega que as atividades de representação comercial desenvolvida pelo sócio transitavam pela conta da recorrente como forma de cobertura parcial do saldo devedor. De resto, apresenta as argumentações já postas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 119 9 Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ Simples, COFINS Simples, PIS Simples, CSLL Simples e INSS Simples em decorrência de omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados, insuficiência de recolhimento apurado conforme dados inseridos nas Declarações Anuais Simplificadas. A empresa recorrente requer a nulidade do auto de infração por ofensa à princípios constitucionais, bem como pela imposição omissão de rendimentos por depósitos bancário de origem não identificada não subsumirse na hipótese de incidência disciplinada no art.43 do CTN. Da preliminar de Nulidade do auto de infração por ferir o artigo 5º, da Carta Magna Passo a dirimir as questões de constitucionalidades, alegadas pela recorrente, aduzindo que essa esfera administrativa não é competente para enfrentar o tema, posto que discussões desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de leis são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim, certo de que somente o Poder Judiciário pode manifestarse sobre aplicação da constitucionalidade de uma norma, a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as leis em vigor dentro do nosso ordenamento pátrio. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Neste contexto, entendo que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada, o fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação. Mérito No tocante ao mérito, relativo à parte que foi devolvida para apreciação a este colegiado, já desconsiderando a decadência acatada e as transferências interbancárias, entendo que não assiste razão à recorrente. Isso porque a autuação disposta no art. 42 da Lei 9.430/96, qual seja: omissão de receita por depósitos bancários de origem não identificada, implica em uma inversão do ônus da prova, ou seja, cumpre à empresa recorrente comprovar a origem dos valores, com identidade de data e valor, através de documentação hábil e idônea. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 120 10 Temse que no caso em tela, a empresa foi intimada por diversas vezes para apresentar as jsutificativas das origens dos valores depositados em suas contas. Ocorre que apresentar justificativa não diz respeito apenas a informar, mas sim necessário e imprescindível se faz que junte ao feito documentos hábeis e idôneos que dêem respaldo ao alegado, o que no caso não ocorreu. Entendo que a empresa não logrou juntar os contratos de empréstimos dos quais alega serem origens para parte dos depósitos. Ainda, a simples alegação de que os valores oriundos de um trabalho correlato, informal de um de seus funcionários há epóca, serviriam de justificativa para a origem dos valores, sem que estivessem calçados em farta documentação da ocorrência dos fatos, não merece guarida como justificativa dos valores depositados. Importa salientar que a norma determina a justificativa com identidade de data e valor, bem como através de documentação hábil e idônea. De igual modo, a alegação de que partes dos valores depositados era oriundos das contas dos sócios, necessário se faz comprovar a relação de depósitos com as saídas dos numerários das contas dos sócios há época. Ocorre que em nenhum momento a empresa recorrente tras essa relação, referindo que os valores que saíram das contas dos sócios ingressaram nas contas das empresa, com identidade de data e valor. Por essa razão, entendo que a simples alegação, desacompanhada das provas necessárias não cancela o lançamento. Da diligência A empresa alega que não pode se defender por conta de que muitos dos empréstimos, resultantes dos depósitos seriam comprovados através da oitiva de testemunhas e ofícios remetidos aos bancos. Ocorre que em decorrência da inversão do ônus da prova, quem deveria ter juntado ao feito as declarações, devidamente registradas em cartório, bem como as cartas remetidas aos bancos, com a finalidade de adquirir cópia dos cheques, dependia da empresa interessada. Convém frisar que a diligênica somente se faz necessário quando comprovada que aquisição das provas não depende da ação da contribuinte, bem como só é cabível nos casos em que a autoridade entenda necessária para o deslinde do feito. No caso em comento, a empresa não foi buscar as provas das suas alegações, deixando ao encargo da fiscalização um ônus que era seu. Assim, diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 845DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15758.000653/200879 Acórdão n.º 1803002.472 S1TE03 Fl. 121 11 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914241/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO
DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA.
Para concluir pela tempestividade ou intempestividade da manifestação de inconformidade, o documento hábil que deve ser apresentado é àquele revestido de formalidade e veracidade, qual seja, aquele que constar a assinatura do Contribuinte e a respectiva data de recebimento da intimação pessoal, confirmando assim, quando ocorreu a ciência da decisão.
Na ausência de tal documentação nos autos, não há como se concluir pela intempestividade do recurso, devendo ser apresentado pelo órgão julgador
Numero da decisão: 1201-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão da DRJ/SP1 e determinar o retorno dos autos para a DRJ/SP1 para julgamento da Impugnação apresentada, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
.
EDITADO EM: 15/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, , Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA. Para concluir pela tempestividade ou intempestividade da manifestação de inconformidade, o documento hábil que deve ser apresentado é àquele revestido de formalidade e veracidade, qual seja, aquele que constar a assinatura do Contribuinte e a respectiva data de recebimento da intimação pessoal, confirmando assim, quando ocorreu a ciência da decisão. Na ausência de tal documentação nos autos, não há como se concluir pela intempestividade do recurso, devendo ser apresentado pelo órgão julgador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão da DRJ/SP1 e determinar o retorno dos autos para a DRJ/SP1 para julgamento da Impugnação apresentada, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 41 /2 00 9- 31 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. . EDITADO EM: 15/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, , Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O presente caso trata de manifestação de inconformidade decorrente do Despacho Decisório nº (de rastreamento) 848708577 que foi considerada intempestiva e, conseqüentemente, não conheceu o mérito. Em síntese, a discussão surge da data de ciência da decisão que, segundo a Receita Federal do Brasil consta em 19/10/2009, e para o Recorrente ocorreu dia 20/10/2009, motivo pelo qual apresentou a manifestação de inconformidade 19/11/2009. Quanto ao mérito, em razão da intempestividade do citado recurso, a autoridade não homologou o direito ao crédito relativo à compensação declarada na DCOMP nº 26924.48492.190209.1.7.041085. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 30/03/2007, de R$ 12.133.737,16, código de receita 2390 (IRPJ ENTIDADES FINANCEIRAS – AJUSTE ANUAL), relativo ao período de apuração de 31/12/2006, do qual seria parte o montante de R$ 8.408.026,25 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 23), fora integralmente utilizado na quitação de débito de IRPJ do referido período, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. Sendo assim, apurou valor devedor consolidado para pagamento ate 30/10/2009, referente ao debito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, no montante de R$9.800.548,96 de principal R$ 1.150.584,44 de juros e de R$1.960.109,79 de multa. A 8ª Turma da DRJ/SP1, julgou intempestiva a manifestação de inconformidade e não conheceu do mérito. O Contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo diversos argumentos relacionados à tempestividade do Recurso. É o relatório. Voto Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 16327.914241/200931 Acórdão n.º 1201001.021 S1C2T1 Fl. 256 3 Conselheiro LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. O principal ponto apresentado no presente recurso trata da tempestividade da manifestação de inconformidade anteriormente apresentada pela ora Recorrente. A autoridade considerou a ciência da decisão ocorrida no dia 19/10/2009, enquanto que a Contribuinte reforça a data de 20/10/2009 (manifestação de inconformidade foi apresentada em 19/11/2009). Segundo o julgado, o comprovante emitido pelo site dos Correios indica dia 19/10/2009 como data de entrega, o que pressupõe a data ciência por parte do Recorrente. E, com base no Ato Declaratório – COSIT nº 15/96, alega: “ (...) Contudo, deve ser admitida com respeito à questão de tempestividade, visto que ao conter a alegação de que a data de ciência do Despacho Decisório seria 20/10/2009 (fls. 02 e 47), o que faria tempestiva a impugnação, ao invés de 19/10/2009, devese ter como instaurado o litígio, restrito, porém, a esta matéria, nos termos do estabelecido no Ato Declaratório – COSIT nº 15/96, a seguir reproduzido. Esse Ato prevê que eventual petição apresentada fora do prazo, pode caracterizar impugnação e instauração da fase litigiosa do procedimento, se suscitar a tempestividade, como preliminar, sendo, assim, esta questão passível de julgamento nas instâncias administrativas. (...)” O Recorrente, por outro lado, manifestase no sentido de que teve ciência da cópia da decisão do Despacho Decisório que não homologou a compensação, no dia 20/11/2009, data que foi efetivamente cientificada da decisão e data em que consta a chancela de recebimento, dando início ao prazo para interposição do recurso. Pois bem. O art. 23, inciso II e §2 ª do Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal, regulamenta a forma de intimação, nos seguintes termos: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” § 2° Considerase feita a intimação: (...) II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Neste sentido, uma simples leitura deste artigo poderia dar a entender que a intimação, ato em que o contribuinte toma ciência da decisão e iniciase a relação jurídica, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 pode ser realizada pelo Correio no domicílio do contribuinte com a simples entrega da decisão neste estabelecimento. Assim, estaria efetivada a intimação, não sendo necessária a comprovação da assinatura do responsável. Entretanto, o AR deve ser juntado aos autos do processo administrativo com a finalidade de comprovar que houve efetivamente a intimação do contribuinte, o que neste caso não ocorreu. De fato, diante da apresentação de duas datas distintas que demonstrem a ciência da decisão – 19/10/2009 e 20/10/2009 – a simples tela de extrato oriunda do site dos Correios não é prova suficiente que valide o procedimento de entrega. Como é sabido, o site dos Correios não comprovam a ciência da intimação que deve ser efetuada com a assinatura do contribuinte. Sendo assim, para concluir pela tempestividade ou intempestividade da manifestação de inconformidade, o documento hábil que deve ser apresentado é àquele revestido de formalidade e veracidade, qual seja, aquele que constar a assinatura do Contribuinte e a respectiva data de recebimento da intimação pessoal, confirmando assim, quando ocorreu a ciência da decisão. Nestes termos, face à ausência de apresentação nos autos do comprovante de recebimento (AR) onde conste a assinatura do contribuinte, de forma que reste comprada de forma inequívoca, a data em que a ora Recorrente teve ciência do julgado, não há que se falar em intempestividade da Impugnação apresentada, conheço do presente recurso para DECLARAR a NULIDADE da decisão da 8ª Turma da DRJ/SP1, sendo assim, DETERMINO o retorno dos autos para a 8ª Turma da DRJ/SP1 para julgamento da Impugnação apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722003/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA
É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.
PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO
O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 11.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários.
A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administra
Numero da decisão: 2301-003.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em conhecer da questão da decadência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em não conhecer da questão, devido à data do lançamento e a ausência de alegações na impugnação e no recurso sobre a questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural pessoa física, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação do determinado no Art. 173, do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em não conhecer das questões referentes a SENAR e GILRAT, devido a desistência do sujeito passivo, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações principais, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, para determinar que a multa (debcad 37.261.333-0) seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente Sustentação: Raquel Godoy de M. Araújo Aguiar (PGFN) e Guilherme de Macedo Soares. OAB: 35.220/DF. Redator e Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Redator designado Manoel Coelho Arruda Junior
Declaração de voto: Manoel Coelho Arruda Júnior
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 11.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administra
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em conhecer da questão da decadência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em não conhecer da questão, devido à data do lançamento e a ausência de alegações na impugnação e no recurso sobre a questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural pessoa física, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação do determinado no Art. 173, do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em não conhecer das questões referentes a SENAR e GILRAT, devido a desistência do sujeito passivo, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações principais, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, para determinar que a multa (debcad 37.261.333-0) seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente Sustentação: Raquel Godoy de M. Araújo Aguiar (PGFN) e Guilherme de Macedo Soares. OAB: 35.220/DF. Redator e Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior. Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Redator designado Manoel Coelho Arruda Junior Declaração de voto: Manoel Coelho Arruda Júnior Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério
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RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 11.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35, da Lei 8.212/91, até 11/08, e no art. 44, da Lei 9.430/96, a partir de 12/2008. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 03 /2 01 1- 97 Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em conhecer da questão da decadência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em não conhecer da questão, devido à data do lançamento e a ausência de alegações na impugnação e no recurso sobre a questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural pessoa física, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação do determinado no Art. 173, do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em não conhecer das questões referentes a SENAR e GILRAT, devido a desistência do sujeito passivo, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações principais, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, para determinar que a multa (debcad 37.261.3330) seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente Sustentação: Raquel Godoy de M. Araújo Aguiar (PGFN) e Guilherme de Macedo Soares. OAB: 35.220/DF. Redator e Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Redator designado Manoel Coelho Arruda Junior Declaração de voto: Manoel Coelho Arruda Júnior Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.990 3 Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em referência, referente a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Os créditos tributários lançados por meio do presente processo são os descritos a seguir: AI 37.195.5947, referente a contribuições destinadas à Previdência Social, correspondente à parte do SAT e RURAL, competências 01/2006 a 12/2007, bem como a acréscimos legais, de 01/2006 a 127/2007. AI 37. 195.5955, referente a contribuições destinadas ao Terceiro SENAR , competências 01/2006 a 127/2007 e AI 37. 261.3330, CFL 68, por ter a empresa apresentador a declaração a que se refere a Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, GFIP, com informações incorretas ou omissas quanto aos fatos geradores de contribuição previdenciária. Segundo Relatório Fiscal, a autuada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, e deixou de declarar a totalidade da contribuição devida decorrente dessa operação em GFIP. A autoridade autuante informa que, tendo constatado divergências entre as notas fiscais de aquisição de produto rural de produtor pessoa física e as GFIPs, intimou a empresa, por meio de TIF, a justificar as divergências existentes, ao que a recorrente respondeu ter deixado de declarar parcialmente os valores decorrentes dessas aquisições. Esclarece que foi feito o comparativo entre as penalidades decorrentes da legislação anterior e posterior à MP 449/08, tendo sido aplicada a mais benéfica, em respeito ao art. 106, II, c, do CTN , o que abrangeu as competências 02, 03, 06 e 08/2007. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1638.375 11ª Turma da DRJ/SP1, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, destaca que o art. 26A, do Decreto 70.235/72, prevê que deverão ser consideradas as declarações de inconstitucionalidade por decisão definitiva plenária do STF, independentemente de se tratar de decisão proferida em sede de controle difuso ou concentrado de constitucionalidade, e traz acórdão do CARF nesse sentido. Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Frisa que, ao contrário do apontado na decisão recorrida, a aplicação da decisão proferida pelo Plenário do STF nos autos do RE 363.852, em cumprimento ao art. 26 A, do Decreto 70.235/72, não implica na análise da constitucionalidade ou ilegalidade na esfera administrativa, uma vez que a referida inconstitucionalidade já foi devidamente reconhecida em decisão Plenária do STF. Alega que o lançamento em questão encontrase em confronto com a decisão preferida pelo STF, no que tange a exigência da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, e que este Conselho não pode eximir se de analisar os aspectos jurídicos vinculado a constitucionalidade da contribuição instituída pelos arts. 25 e 30, da Lei 8.212/91, e traz julgado da 4a Câmara deste Conselho para reforçar suas alegações. Assevera que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25, da Lei 8.212/91, se manteve mesmo diante das alterações promovidas pelas legislações supervenientes, em especial a Lei 10.256/01, relativa ao período autuado, o que torna necessária a anulação do lançamento em tela, com base na previsão do art. 26A, do Decreto 70.235/72. Requer, caso não se entenda pela aplicação do citado art. 26A, que seja sobrestado o processo até que julgados os embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão do STF, nos termos do disposto no art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho. No mérito, alega inconstitucionalidade do funrural e de sua retenção, argumentando que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25, da Lei 8.212/91, se manteve mesmo diante das alterações promovidas pelas legislações supervenientes, em especial a Lei 10.256/01, relativa ao período autuado, não podendo prevalecer o acórdão recorrido. Traz histórico da legislação que trata da matéria para tentar demonstrar que o art. 25, da Lei 8.212/91, com as alterações sofridas, é ilegal e inconstitucional, e que não há identificação do fato gerador do Funrural em lei, mas apenas em Ordem de Serviço, de forma indevida e ultrapassando os limites de lei. Conclui que, estando ausentes o fato gerador e a base de cálculo definida na OS, não há que se falar na exigência da contribuição determinada no art. 25, da Lei 8.212, pois ausentes os critérios da regra matriz de incidência, quais sejam, material, temporal, espacial, pessoal e quantitativo, como qualquer outro tributo. Observa, ainda, que a contribuição em comento tem caráter confiscatório, pois sua alíquota muitas vezes é superior ao resultado da produção rural, e ressalta que as alterações promovidas pela Lei 10.256/01 possuem os mesmos vícios da Lei 8.870/94, julgada inconstitucional pelo STF. Defende o afastamento da exigência do Gilrat do referido débito, pelos mesmos motivos elencados quanto ao Funrural, e da contribuição ao SENAR, uma vez que a responsabilidade tributária atribuída à recorrente é incompatível com a Lei 8.315/91, e não poderia ter se dado por meio do veículo utilizado, qual seja, Decreto, não devendo prevalecer o acórdão recorrido. Quanto ao AI lavrado no CFL 68, sustenta que, tendo em vista a inconstitucionalidade da subrogação da contribuição social FUNRURAL e do GILRAT, bem Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.991 5 como a ilegalidade da cobrança devida ao SENAR, a multa ora exigida também deve ser anulada. Entende que a capitulação da multa não guarda correspondência com a conduta do contribuinte, visto que o dispositivo legal apontado no auto de lançamento não tem relação com os fatos do caso concreto, e que deve haver um equilíbrio entra a falta cometida e a sanção a ser imposta, traduzindose como a proporcionalidade entre a falta e a penalidade. Finaliza requerendo que: i) seja declarada a nulidade dos débitos representados no Auto de Infração; ii) seja sobrestado o presente feito até o julgamento dos embargos de declaração opostos nos autos do RE 596.177; iii) seja declarada a inexigibilidade da contribuição Funrural e do Gilrat; iv) seja declarada a inexigibilidade da contribuição ao SENAR e v) seja afastada a integralidade da multa aplicada, sendo o presente Auto julgado totalmente improcedente. Intempestivamente, a recorrente apresentou aditamento ao recurso, alegando decadência de parte do débito, com a aplicação da regra do art. 150, § 4o, do CTN. Apresentou, ainda, a desistência das contribuições lançadas ao GILRAT e SENAR É o relatório. Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição lançada, e nem insurgese contra a base de cálculo apurada pela fiscalização. Ela apenas alega que o lançamento em questão encontrase em confronto com a decisão preferida pelo STF, no que tange a exigência da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, e que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25, da Lei 8.212/91, se manteve mesmo diante das alterações promovidas pelas legislações supervenientes, em especial a Lei 10.256/01, o que torna necessária a anulação do lançamento em tela, com base na previsão do art. 26A, do Decreto 70.235/72. Contudo, cumpre observar que, no recurso especial 363856, citado pela recorrente, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualização até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Ocorre que, conforme verificase do relatório FLD, o presente débito está fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não apenas nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário. Observase que o Ministro Marco Aurélio deixa claro, em seu voto, que a desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, é somente até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a Lei 10.256/2001, que fundamenta o débito lançado por meio dos AIs ora discutidos, encontra amparo na EC 20/98, e está, sim, em pleno vigor no ordenamento jurídico, não havendo que se falar em ilegalidade da exação em tela ou em nulidade do Auto. É oportuno informar que tal matéria já foi objeto de apreciação pela 3a Turma, da 4a Câmara, da 2a Seção, deste CARF, que decidiu, por unanimidade, que as aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas após o advento da Lei 10.256/2001 são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto ao entendimento de que este Conselho não pode eximirse de analisar os aspectos jurídicos vinculado a constitucionalidade da contribuição instituída pelos arts. 25 e 30, da Lei 8.212/91, é oportuno esclarecer que a Portaria RFB 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei 11.457/2007, determina: Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.992 7 Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional,lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal ('STF), em ação direta, após a publicaçãoda decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução doSenado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando aaplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cujaextensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente daRepública ou, nos termos do art, 40 do Decreto n° 2.346. de 10 deoutubro de 1997. pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelorocuradorGeral da Fazenda Nacional. Por esse motivo, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Portanto, é devida a contribuição de que trata o art. 25, da Lei 8.212/91, uma vez que a Lei 10.256/01, que fundamenta o débito, não foi declarado inconstitucional pelo STF. Com relação ao pedido para que o processo seja sobrestado até o exame da matéria pelo STF, nos termos do art. 62A, da Portaria 256/2009, cumpre esclarecer que, após estudo realizado por este CARF, concluiuse que “o Regimento Interno do STF diferencia a existência da repercussão geral – que é efetiva CONDIÇÃO para conhecimento (requisito de admissibilidade) do Recurso Extraordinário – da figura do sobrestamento, que é uma determinação do STF aos tribunais, para que não encaminhem recursos sobre um assunto enquanto ele está sendo discutido pelo STF – que não é obrigatório”. Por esse motivo, foi editada, em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que disciplinou o procedimento de sobrestamento do julgamento de recursos, previsto no art. 62A §§ 1º e 2º do Anexo II de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, e alterações posteriores. O art.1o , da referida Portaria 001/2012, estabelece que: Art. 1o, Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Verificase, do documento juntado aos autos, que o STF de fato reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no Recurso Extraordinário citado pela recorrente em seu recurso. Contudo, conforme se observa, o STF não determinou o sobrestamento do processo, motivo pelo qual rejeito o pedido de sobrestamento do recurso formulado pela recorrente. Dessa forma, sendo o lançamento um ato vinculado, ao verificar a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento, lavrou a NFLD em estrita observância aos dispositivos legais vigentes à época da ocorrência do fato gerador. No mérito, alega inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição ao funrural, Gilrat e ao SENAR, e .. Todavia, em relação a tais matérias, a notificada apresentou, após a apresentação do recurso, pedido de “Desistência Parcial do Recurso Voluntário”, a fim de viabilizar o parcelamento do valor devido, renunciando a quaisquer alegações de fato ou de direito sobre as quais se fundamenta a parte do recurso relativa a Gilrat e ao SENAR. Dessa forma, não conheço do recurso em relação às matérias objeto de desistência. Em relação ao funrural e à multa aplicada, observase que as contribuições exigidas encontram fundamento nos dispositivos legais listados nos relatórios que integram o AI Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.993 9 Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Em relação à multa, conforme amplamente exposto acima, a empresa deixou de recolher o tributo por entender que o valor não era devido.. E, reiterase, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento da contribuição devida, não poderia deixar de lavrar os competentes AIs. E o valor autuado foi acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o nãorecolhimento de toda a contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo na legislação discriminada nos relatórios que integram o AI, vigentes à época do fato gerador , por ser mais benéfica ao contribuinte. Assim, por determinação legal, não poderia o agente autuante excluir do crédito constituído por meio dos AIs os valores relativos às multas, como quer a recorrente, e nem relevar e/ou atenuar a penalidade aplicada por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que restou comprovada a infração à legislação, já que a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, fatos geradores da contribuição previdenciária.. Segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Em relação ao argumento de que a exação em comento possui caráter confiscatório, cumpre esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. A vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Concluise que, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Ademais, reconhecer a existência de confisco, como quer a recorrente, é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que, conforme já exposto acima, é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno. Concluise, portanto, que a cobrança da multa moratória, de caráter irrelevável, é de natureza objetiva, isto é, não sendo recolhido no vencimento, incidirá multa, independente da intenção do agente. Conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, vigente à época, não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Neste sentido, o legislador, no exercício de seu poder político, entendeu razoável a gradação da multa moratória corno forma de coibir a utilização indevida dos prazos processuais no âmbito do procedimento administrativo fiscal, razão pela qual a utilização dos percentuais determinados pelo art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, são perfeitamente aceitáveis, sendo certo que estes indicadores foram aplicados na presente autuação, observando a retroatividade benigna de que trata o art. 106, do CTN. A recorrente protocolou, intempestivamente, um aditamento ao recurso, alegando decadência de parte do débito, com a aplicação da regra do art. 150, § 4o, do CTN. Entretanto, verificase que o lançamento é de 05/12/2011, ou seja, posterior à Súmula Vinculante nº 08, do STF. Portanto, a fiscalização lavrou os AIs ora discutidos já observando os prazos decadenciais do CTN, entendendo que se aplicava, ao caso, a regra do art. 173, I, do citado diploma legal. Observase que a recorrente não insurgiuse contra o prazo decadencial aplicado pela fiscalização nos lançamentos objeto do presente processo administrativo fiscal, vindo a fazêlo somente após a apresentação do recurso, intempestivamente, e em sua sustentação oral. Todavia, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante a apresentação de defesa tempestiva. Como a súmula vinculante já era conhecida quando da apresentação da defesa e do recurso, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora, intempestivamente, na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Por todo o exposto, concluo que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, bem como a obrigação acessória descumprida, fazendo constar, nos relatórios que compõem os AIs, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado, as rubricas lançadas e as penalidades aplicada. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura dos Autos e os relatórios Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerram todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.994 11 Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor MULTA Após ouvir atentamente a exposição do voto prolatado pela i. Relatora, peço vênia para divergir. Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Portanto, VOTO pelo provimento parcial do recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de multa de mora limitada a 20%. Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Declaração de Voto Apresento na oportunidade declaração de voto em face do meu entendimento quanto à impossibilidade de exigência da retenção da contribuição para o produtor rural, pessoa física empregador, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91, quando do julgamento pelo STF do RE 363852. Importa dizer que em 03/02/2010, o Plenário do STF , por unanimidade e nos termos do voto do Ministro Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário acima numerado para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Ministro Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie, conforme se verifica da ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.(RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.995 13 Registrese que o referido Acórdão transitou em julgado em 08/06/20111. É cediço por aqueles que militam nesta seara do Direito que o Decreto n. 70.275/72 [PAF] prevê que, no âmbito administrativo fiscal fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [Grifo nosso] Mesmo sendo desnecessária a repetição, o Regimento do Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009 resolveu reiterar o comando normativo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [Grifouse] Ora, ilustres Pares, a preocupação é tanta da Administração Tributária pela não constituição e manutenção de créditos que tratam de matérias já amplamente discutidas em sede dos Tribunais Superiores e que possuem jurisprudência consolidada, que a Lei n. 12.844/2013 alterou o art. 19, da Lei n. 10.522/2002 para autorizar a PGFN a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: 1 Informação obtida no sítio do STF, em 02/09/2014: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=363852&classe=RE&codigoClasse=0 &origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 Art. 21. O art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 19. ........................................................................ .............................................................................................. II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; .............................................................................................. IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 1º Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente: I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. .............................................................................................. § 4º A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. .............................................................................................. § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.722003/201197 Acórdão n.º 2301003.910 S2C3T1 Fl. 2.996 15 conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” (NR) Nesse sentido, com espeque nos argumentos acima, manterse lançamento fundado em obrigação declarada inconstitucional pelo STF repercute, ao meu sentir, erronia grave e que deve ser de pronto expurgada por esse Órgão Julgador. Persistir nesse equívoco, ao meu sentir, apenas procrastina litígio que há muito já foi encerrado pelo excelso STF. Nesse sentido, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto impossibilidade do lançamento do FUNRURAL, com espeque no inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10073.903445/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 34 45 /2 00 9- 90 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Por bem explicitar os fatos ocorridos até o presente momento processual, adotase o relatório formulado pela autoridade julgadora de primeira instância nos seguintes termos: “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 10959.43359.010409.1.7.040358, em 01/04/2009, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 13/01/2005, a título de Contribuição para a COFINS, atinente ao período de apuração 12/2004, com débito da CSLL, referente ao período de apuração 1°Trim. /2006 no valor de R$ 3.462,59. Por meio do Despacho Decisório de folha 6, o Delegado da DRF VOLTA REDONDA, não homologou a compensação declarada, ao argumento de que o crédito analisado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/11/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 14, na qual alega, em síntese, que: Apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no referido despacho decisório acima mencionado; Desta forma, procedeuse à transmissão do referido documento aos sistemas da Receita Federal e posteriormente retificado de acordo com o recibo de entrega via internet pelo Agente Receptor SERPRO; Recebeu o Despacho Decisório com data de emissão 07/10/2009 informando de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”; Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; Exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.903445/200990 Acórdão n.º 3802004.011 S3TE02 Fl. 112 3 No caso específico, o valor da contribuição para a COFINS utilizado na referida compensação foi através do código da receita 2172, no valor de R$ 32.946,75 com data de recolhimento em 15/06/2004, enquadrandose na hipótese legal de "pagamento a maior ou indevido", e tratandose de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo assim sua compensação amparada conforme cita o Art. 74 da Lei 9.430/96; 7) São estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Da inexistência do crédito para a compensação constante no PER/DCOMP e respectivo DARF; b) Do direito em retificaras DCTFs e demais obrigações acessórias.” Ao analisar a impugnação, a 4a Turma da DRJ do Rio de Janeiro II rejeitou os argumentos do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformado com a decisão recorrida, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos expendidos em sede de impugnação. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Por intermédio de seu Recurso Voluntário, o Recorrente busca desconstituir as razões de negativa de sua manifestação de inconformidade pela instância originária, em decisão que teve como principal fundamento a ausência de comprovação do direito creditório pelo sujeito passivo. Entendo que o recurso não deve ser provido. Isso porque, desde sua origem, o Recorrente não comprova a materialidade de seus créditos. A questão se mostra ainda mais nítida a partir do momento em que o Recorrente foi instado a se manifestar sobre o assunto pela DRJ, pois esta foi a razão pela negativa de acolhida à sua manifestação de inconformidade. A resposta apresentada em sede recursal para isso, ao invés de ser a apresentação do material probante, foi a suposta desnecessidade de prova, e mesmo a irregularidade das normas administrativas que exigem a demonstração de prova para compensação. Segundo o Recorrente, bastaria a apresentação da DCOMP para que a compensação se efetivasse. Ora, não somente as normas administrativas existem para regulamentar as leis e garantir sua fiel execução no caso dos decretos (art. 84, IV, da CRFB e art. 99 do CTN), como também o próprio CTN reconhece em atos normativos administrativos a função de norma complementar à legislação tributária (art. 100, I), como também o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao instituto da compensação, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, o Recorrente, mesmo instado a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato o pagamento dos DARF’s indicados no PER/DCOMP. A rigor, o mero fato de a linha argumentativa do sujeito passivo ser sinuosa, com argumentações distintas para o suposto crédito a ser compensado, já denota ausência de liquidez e certeza do crédito, a teor do art. 170 do CTN – lei complementar que dispõe sobre normas gerais em matéria de legislação tributária. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.903445/200990 Acórdão n.º 3802004.011 S3TE02 Fl. 113 5 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 23034.042404/2006-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003
FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as contribuições referentes à competência dezembro/2002, exclusivamente, mantidas em sua integralidade as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos nas demais competências não fulminadas pela decadência, já reconhecida na decisão de 1ª instância.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003 FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96 O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte
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SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96 O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042404/200682 Acórdão n.º 2302003.578 S2C3T2 Fl. 170 3 Relatório Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Data da lavratura da NRD: 16/12/2006. Data da Ciência da NRD: 21/12/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 0000259/2006, de 16 de dezembro de 2006, conforme Informação nº 898/2006 a fl. 01. O caso em estudo versa sobre Apuração Especial das deduções de valores devidos a contribuição social do SalárioEducação, Estabelecimento CNPJ nº 00.360.305/267291, tributo previsto no art. 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98 e 10.832/03 e pelos Decretos nº 3.142/99 e 4.943/03, referentes ao benefício instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, programa pelo qual a empresa propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes desses, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n° 14/96. O exame em questão visou a identificar as deduções realizadas indevidamente, na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA dessa Autarquia. O critério do levantamento consistiu em verificar, a partir do 2º semestre de 1996, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, se o valor deduzido é equivalente ao número de alunos informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAI. O número de vagas referenciado no Demonstrativo de Divergências por Estabelecimento reflete a quantidade de alunos beneficiários por mês e que o valor per capita do benefício é de R$ 21,00 por aluno/mês. Assim, o cálculo é realizado da seguinte forma: Va = Dr ( Id x Vp ) Onde: Indicação de Dependentes no cadastro do FNDE (Id) Deduções realizadas no mês (Dr) Valor per capita R$ 21,00 aluno/mês (Vp) Valor apurado (Va) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Observados os critérios expostos, e considerando que foram apuradas deduções indevidas na contribuição social do SalárioEducação, houvese por emitida a Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 000259/2006, a fl. 09, de acordo com o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento a fls. 02/04, e com os Quadros de Lançamento e de Atualização de Débitos, a fls. 05/08. Insatisfeito, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação a fls. 12/16 contestando a referida cobrança. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão 0340.660 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 40/45, julgando parcialmente procedente o lançamento, para deste fazer excluir as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 12/96 a 11/2001, em razão do decurso do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo às competências em questão, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, e retificando o débito na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 46/48. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 51. Inconformado com a decisão proferida pelo órgão julgador a quo, o Recorrente ofereceu Recurso Voluntário a fls. 52/56, deduzindo seu inconformismo nas alegações que se vos seguem: · Que houve falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos; · Que os valores que vêm sendo cobrados pelo FNDE encontramse devidamente quitados, tendo sido inviabilizada a comprovação por meio da RAI em razão de inconsistências e falhas do sistema do FNDE, o qual permaneceu sem acesso por longo período, aliados à estrutura da CAIXA que centralizou as informações, tomando por base a sede da empresa; · Que conseguiu recuperar comprovantes de pagamento das competências 06/2002 e 12/2002, bem como lista de beneficiários, declaração de frequência e contracheques; · Que seja procedida rigorosa perícia nos registros internos da CAIXA, de forma a se saber o montante realmente devido. O julgamento foi convertido em Diligência Fiscal para que a Fiscalização/FNDE se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 59/109, nos termos da Resolução nº 2302000.249 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 116/125. Em atendimento à diligência acima referida, houvese por emitida a Informação nº 2357/2013 – COSES/CGFSE/DIGEF/FNDE, a fls. 155/156. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042404/200682 Acórdão n.º 2302003.578 S2C3T2 Fl. 171 5 Devidamente intimada do Resultado da Diligência requestada pela Resolução 2302000.248 acima referida, nos termos da Carta DRFB/DF/DICAT nº 348/14, a fl. 167, conforme Aviso de Recebimento a fl. 168, o Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido para se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/04/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 04/05/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES Alega o Recorrente ter havido falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos. Tal alegação é improcedente. Todas as alegações ofertadas pelo Recorrente em sede de impugnação ao lançamento relativas a supostos pagamentos ou a estarem inclusos em outros Processos Administrativos Fiscais referemse a período já excluído do presente lançamento em razão do decurso do prazo decadencial, de molde que a análise e deliberação a respeito de tais questões se revela despicienda em virtude da perda do objeto. Com efeito, as competências a que se referiu a CEF em seu instrumento de defesa já foram devidamente excluídas do presente lançamento. O Recorrente alegou, ainda, em sede de defesa administrativa que “os valores que vêm sendo cobrados pelo FNDE encontramse devidamente quitados”, todavia, suas alegações não ousam ultrapassar a barreira da mera alegação verbal, não se encontrando amparadas por qualquer indício de prova material. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Quanto ao pedido de realização de perícia, cabe iluminar ao Recorrente que a prova pericial tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042404/200682 Acórdão n.º 2302003.578 S2C3T2 Fl. 172 7 Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento da autoridade lançadora na ocasião da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso vertente, o requerimento para produção de prova pericial foi apresentado de forma vaga e imprecisa. Além de não demonstrar a sua necessidade, o impugnante não atendeu aos requisitos legais para sua concessão, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, não podendo a autoridade julgadora fechar os olhos às exigências legais a todos impostas para a formulação do pedido de perícia. Dessarte, considerando que o Recorrente, em sua impugnação, apenas formulou pedido de perícia sem observar os requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042404/200682 Acórdão n.º 2302003.578 S2C3T2 Fl. 173 9 16 supra, imperiosa é a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. Ademais, tal perícia revelase desnecessária, eis que a prova de quitação do débito ora lançado se realiza por meio da devida demonstração dos recolhimentos efetuados, sendo certo que as provas documentais, por força do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, têm que ser acostados à peça processual de impugnação ao lançamento. Por tais razões, rejeitamos o pedido de perícia. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2001, inclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos tributários ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Dessarte, o exame a ser empreendido por este Colegiado limitarseá às contestações referentes aos fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/2001, inclusive. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.2. DOS ALEGADOS RECOLHIMENTOS Argumenta o Recorrente ter conseguido recuperar os comprovantes de pagamento referentes às competências 06/2002 e 12/2002. Em grau de segunda instância administrativa, o julgamento foi convertido em diligência para que a Fiscalização/FNDE se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 58/98. Em resposta à Diligência requestada, a CoordenaçãoGeral de Execução e Operação Financeira fez coligir aos autos a Informação nº 2357/2013 – COSES/CGFSE/DIGEF/FNDE, a fls. 155/156, contendo a Relação nominal de alunos no 2º semestre/2001, expondo na sequência: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 “7. De acordo com as informações extraídas do sistema SIGA, constatase a seguinte situação atual para o CNPJ nº 00.360.305/267291: 7.1. para o 2º semestre/2001: 7.1.1. Há o total de 329 alunos indenizados (fls. 139 a 145), que corresponde a 1974 vagas no semestre; 7.1.2. Aplicandose a regra do valor da bolsa a que a empresa fazia jus, temse o seguinte resultado: 329 vagas (alunos) x R$ 21,00 (valor unitário da bolsa) x 6 meses (1º semestre) = R$ 41.454,00; 7.1.3. A empresa realizou deduções no semestre no valor de R$ 41.832,00 , o que equivale a 1992 vagas (1992 X R$ 21,00 = R$ 41.832,00 , restando, assim, crédito em favor do FNDE no valor de R$ 378,00 deduzido indevidamente pela empresa, como demonstrado a fl. 131. 7.2. Para o exercício de 2002: 7.2.1. Não constam alunos cadastrados no sistema, em nenhum dos semestres do exercício em questão, segundo informação extraída do sistema SIGA, às fls. 140 e 141, não sendo possível atualmente apresentar os motivos que levaram a tal situação; 7.2.2. Não havendo, portanto, alunos cadastrados no sistema RAI, são consideradas indevidas as deduções realizadas pela empresa, tanto no 1°/semestre, no valor de R$ 19.656,00, quanto no 2°/semestre, no valor de R$ 19.530,00, conforme demonstrado no Quadro de Divergência por Estabelecimento, acostado às fls. 131 e 132. A relação nominal dos alunos do 2º semestre/2001, bem como a memória de cálculo dos valores devidos, foram devidamente levados à ciência da Recorrente, conforme CARTA DRF/DF/DICAT Nº 348/14, a fl. 167, recebida pela empresa em 15/05/2014, consoante Aviso de Recebimento a fl. 168, a qual se quedou inerte, deixando exaurir o prazo de 30 dias que lhe fora concedido sem se manifestar nos autos do processo. Ora, nos termos do art. 334, III, do CPC, os fatos afirmados pela Parte e não contestados pela parte adversa são admitidos, processualmente, como incontroversos e, por isso, prescindem de produção de provas nos autos. Código de Processo Civil Art. 334. Não dependem de prova os fatos: I notórios; II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Iluminese, ainda, que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042404/200682 Acórdão n.º 2302003.578 S2C3T2 Fl. 174 11 observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. No caso específico dos autos, configurandose a Informação n° 898/2006 SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, a fl. 02, e a Notificação para Recolhimento de Débito nº 000259/2006, a fl. 10, documentos públicos representativos de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. No evento em foco, encontrase o direito creditório do FNDE plenamente consignado, com todos os seus elementos, na Informação n° 898/2006 SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, a fl. 02, e nos demais documentos que integram o lançamento em pauta, além de devidamente esclarecido na Informação nº 2357/2013 – COSES/CGFSE/DIGEF/FNDE, a fls. 155/156. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado pela fiscalização, em razão da debatida Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Tal presunção, todavia, ostenta natureza iuris tantum, admitindo, portanto, prova em sentido contrário a ônus da parte interessada. Em contestação ao lançamento, já em sede de Recurso Voluntário, a empresa autuada trouxe aos autos, a fls. 64/65, cópias dos Comprovantes de Arrecadação Direta do Salário Educação CAD referente às competências junho/2002 e dezembro/2002. No que tange à competência 06/2002, o Comprovante de Arrecadação Direta do Salário Educação CAD, a fl. 65, revela que a empresa não procedeu a qualquer dedução para o SME na competência junho de 2002. Tal constatação é corroborada pelo Quadro de Atualização do Débito, onde NÃO consta qualquer débito a ser adimplido pela Recorrente. Ou seja: Nada está sendo lançado na competência junho/2002. Com relação à competência 12/2002, o Comprovante de Arrecadação Direta do Salário Educação CAD, a fl. 64, bem demonstra que a empresa procedeu à dedução de R$ 18.900,00. A relação de empregados a fls. 66/69 demonstra a existência de 141 empregados, que corresponde a 150 vagas. Aplicandose a regra do valor da bolsa a que a empresa fazia jus, temse o seguinte resultado: 150 vagas (alunos) x R$ 21,00 (valor unitário da bolsa) x 6 meses (2º semestre) = R$ 18.900,00 A relação de alunos e o Comprovante de Arrecadação Direta – CAD do Salário Educação foram levados, em sede de diligência fiscal, ao conhecimento do FNDE, para que este se manifestasse a respeito do teor de tais documentos, conforme Resolução nº 2302000.248 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária a fls. 109/118, in verbis: “De fato, o Recorrente traz aos autos, a fls. 60/61, comprovantes de arrecadação direta de Salário Educação CAD, referentes às competências 06/2002 e 12/2002, CNPJ nº 00.360.305/267291, nos quais se encontram consignados valores de Dedução para o SME, dedução essa tida como indevida, razão pela qual os valores deduzidos integram o objeto do vertente lançamento. Traz, igualmente, relação de empregados a fls. 62/65, Declarações de Frequência e contracheques a fls. 66/105, além de cópia do Ofício nº 0102/2004 – COINS/CGEACI/DIFIN/FNDE/MEC, de 20 de outubro de 2004, a fls. 107/109. Com efeito, o conteúdo de tais documentos pode representar alterações quantitativas nos fatos geradores apurados pela Fiscalização e, em consequência, no quantum debeatur do lançamento. Por tais razões, considerando que os membros deste Conselho Administrativo não dispõem de acesso aos bancos de dados do FNDE, e tratandose de legislação específica dessa Autarquia, pugnamos pela conversão do presente julgamento em diligência fiscal, para que a Fiscalização/FNDE se pronuncie, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 59/109. A diligência fiscal deve ser concluída com parecer claro e conclusivo acerca da eventual influência de tais recolhimentos e demais documentos no montante do débito lançado”. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042404/200682 Acórdão n.º 2302003.578 S2C3T2 Fl. 175 13 Todavia, a Informação nº 2357/2013, a fls. 155/156, não tece qualquer comentário quanto aos fatos geradores relativos ao segundo semestre/2002. Limitase a apresentar cópia de tela do sistema SIGA, a qual informa que não existem alunos cadastrados no primeiro e segundo semestres de 2002. Ora, a inexistência de alunos cadastrados no sistema SIGA não exclui a efetiva ocorrência do Direito da empresa às deduções a que faz jus. A empresa apresentou a relação de empregados, o número correspondente de vagas e o CAD com o valor deduzido. O FNDE, simplesmente, quedouse silente. Aliás, as diversas inconsistências no Sistema do FNDE, tais como incorreção nos nomes dos alunos dependentes e/ou responsáveis, nas datas de nascimento, dentre outras, já foram objeto de críticas, por parte da empresa Recorrente, conforme exposto no Ofício n° 0102/2004 GOINS/CGEAQ/DIFIN/FNDE/MEQ, cópia anexa aos autos, o que gerou erro no encaminhamento dos arquivos pela Captação dos dados da RAI. Dessarte, estando demonstrado o direito do Recorrente, exclusivamente em relação ao segundo semestre de 2002, e o silêncio do FNDE, há que prevalecer as provas dos autos. “quem cala, consente” (ditado popular) No que pertine às demais competências, não logrou a Recorrente trazer aos autos qualquer indício de prova com aptidão a afastar a fidedignidade das assertivas afirmadas pelo FNDE na Informação n° 897/2006 SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, na Informação nº 2357/2013 – COSES/CGFSE/DIGEF/FNDE, e nos demais documentos que integram o lançamento em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Por todo o exposto, pugnamos pela exclusão do lançamento dos fatos geradores relativos à competência dezembro/2002, mantidas em sua integralidade as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos nas demais competências não atingidas pela decadência. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as contribuições referentes à competência dezembro/2002, exclusivamente, mantidas em sua integralidade as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos nas demais competências não fulminadas pela decadência. É como voto. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16306.000314/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL
Não obstante a autorização pela legislação de regência para que, tratando-se de tributos da mesma espécie, a compensação pudesse ser feita independentemente de requerimento (sem processo), resta claro que, em qualquer que seja a circunstância, o procedimento deve ser retratado na escrituração contábil. No caso vertente, em que a autoridade administrativa competente serviu-se de dados extraídos de DIRF e DIPJ para aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, a alegação de inconsistências entre os citados documentos tornam ainda mais relevante a apresentação dos registros contábeis e informes de rendimentos.
Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1301-001.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL Não obstante a autorização pela legislação de regência para que, tratandose de tributos da mesma espécie, a compensação pudesse ser feita independentemente de requerimento (sem processo), resta claro que, em qualquer que seja a circunstância, o procedimento deve ser retratado na escrituração contábil. No caso vertente, em que a autoridade administrativa competente serviuse de dados extraídos de DIRF e DIPJ para aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, a alegação de inconsistências entre os citados documentos tornam ainda mais relevante a apresentação dos registros contábeis e informes de rendimentos. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 03 14 /2 00 8- 73 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16306.000314/200873 Acórdão n.º 1301000.696 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório A contribuinte apresenta PER/DCOMP retificadora n° 41268.70170.290906.1.7.026290, relativa ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, com o intuito de extinguir débitos próprios (estimativas). A DERAT/SP homologou parcialmente (Despacho Decisório de 71 a 85), pois ao analisar as estimativas pagas, o auditor fiscal verificou que a estimativa de março/2002 de IRPJ foi compensada sem processo com saldos negativos dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, sendo necessária a analise dos saldos negativos de IRPJ desses anoscalendário para se verificar se havia suficiência de saldo para compensação. Constatouse (AC/1998) IRRF a menor além do que a contribuinte não ofereceu a tributação a totalidade das receitas (SNIRPJ declarado R$ 1.019.931,00 e confirmado R$ 507.597,59); AC/1999 (SNIRPJ declarado e confirmado R$ 809.849,35); AC/2000 (SNIRPJ declarado R$ 1.338.044,02 e confirmado R$ 25.065,55); AC/2001 (SNIRPJ declarado R$ 428.276,23 e confirmado R$ 399.075,07); AC/2002 (SNIRPJ declarado R$ 6.048.135,01 e confirmado R$ 3.322.096,98). Desse modo, foi reconhecido o direito creditório de R$ 3.322.096.98 e homologadas as compensações declaradas até o limite desse crédito, corrigido pela taxa Selic. A contribuinte apresentou, em 19/03/2009, manifestação de inconformidade de fls. 96 a 100, em síntese, alegando: Discorre sobre a compensação tributária e suas condições, citando também as condições de restituição para concluir que as “...restituições foram pleiteadas tempestivamente. Fato incontroverso,... " (sic). Alega que teria ocorrido a homologação do IRPJ de 2002, e que não caberia a contestação por parte da Receita Federal, do valor declarado. Alega que a RFB “...não homologou os R$ 9. 038.142, 72 declarados no IRPJ 2002 baseado única e exclusivamente nos cálculos do IRPJ de 2002, que inclusive possuem créditos oriundos de 1998, 1999, 2000 e 20001. Alega também que “Percebese, portanto, que a Receita Federal está questionando o IRPJ de 2002 e não as PER/DCOMPs de 2005. "(sic). Alega que, demonstrada a homologação do IRPJ de 2002, teria prescrito o direito da Receita Federal contestar os cálculos apresentados. Por fim, requer “...a homologação dos R$ 9.038.142, 75 declaradas na IRPJ de 2002 homologada pela Receita Federal do Brasil. "(sic). Em 24/02/2010, a contribuinte apresentou Requerimento de desistência parcial da lide, relativo ao processo apenso ao presente, de n° 10880.720154/200953, devido a inclusão dos débitos desse processo terem sido inclusos no parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Em 15/05/2010, a contribuinte informa que localizou parcialmente documentos que entende serem essenciais ao processo (fls. 157 e 158) e a documentação de fls.159 a 199 e 201 a 399 e 401 a 428. Analisando toda a documentação apresentada, observase que dela constam informes de rendimentos, acostados ao processo pela reclamante, relativos ao anocalendário 2000 (fls.337 a 339), e desses informes, os de fls. 338 e 339, não constam na DIRF desse ano. Observase também que esses informes de rendimentos, apresentados em cópias simples foram apresentados ao Fisco decorridos mais de um ano após a ciência do despacho decisório. A fonte pagadora desses informes que não constam em DIRF foi a empresa Finasa Seguradora S/A ( CNPJ 33.151.291/00178), originalmente de São Paulo, apresenta hoje domicílio fiscal no Rio de Janeiro e outra denominação : Atlântica Companhia de Seguros. Considerando que os documentos foram apresentados em cópias simples. Mais de um ano depois da apresentação da manifestação de inconformidade, considerando que a empresa Finasa Seguradora, estava irregular no cadastro da Receita Federal do Brasil à época dos fatos, por “interposição fraudulenta”, considerando que os valores são elevados e considerando que as informações dos informes não constam na DIRF, foi proposto . em 20/09/2010, que o presente processo fosse baixado em diligencia para verificação, junto a fonte pagadora, a autenticidade dos informes de rendimentos de fls. 338 e 339, para que se possa prosseguir com a análise do pleito. Em 11/11/2011 o processo retomou a essa DRJ, com o relatório conclusivo da diligência de fls 454 e 455 onde o auditor diligenciante, após analise dos documentos fornecidos pela Atlântica Companhia de Seguros ( fls 438 a 453), concluiu pela efetividade dos pagamentos de juros sobre capital próprio, à empresa União Brasileira de Vidros, no ano calendário de 2000, no valor total de R$ 8.753.230,41, com retenção de IRRF no valor de R$ 1.312.984,56. A DRJ/SÃO PAULO I decidiu a matéria por meio do Acórdão 1635.694, de 17/01/2012 (fls. 474), julgando a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 EXAME DE DIPJ. DECADÊNCIA Ultrapassado o prazo previsto legalmente não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em DIPJ de 1998 e 2001 mas o lato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade de alegados saldos credores, urna vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a t`a\'or da contribuinte. COMPENSAÇÃO Reconhecese como crédito passível de compensação/restituição apenas os valores declarados que foram confirmados apos a analise fiscal. ainda que parte desses créditos tenham como origem saldos negativos de períodos anteriores. É o relatório. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16306.000314/200873 Acórdão n.º 1301000.696 S1C3T1 Fl. 13 5 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. DA ORIGEM DO CREDITO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A parcela litigiosa devolvida a essa segunda instância para reexame, (saldo negativo declarado R$ 6.048.135,01 menos o reconhecido pela DRF R$ 3.322.097,98 e pela DRJ R$ 1.384.550,49 diferença não reconhecida de R$ 1.341.487,54), referese às diferenças de IR Fonte apuradas pela autoridade administrativa quando da análise da composição do saldo negativo AC/2002 levandose em consideração as diferenças de saldos credores de anos anteriores conforme demonstrado no Despacho Decisório e relatório. Com relação a esta diferença a recorrente após longa explanação a respeito do princípio da verdade material, aduz que: “É imprescindível destacar que o crédito informado na compensação (saldo negativo do IRPJ apurado na declaração de rendimentos do anocalendário de 2002) chegou a ser analisado pela autoridade administrativa, mas não de forma profunda, a ponto de se verificar realmente a origem do crédito, a fundamentação está relacionado exclusivamente no cruzamento dos valores informados em DIPJ e os valores declarados pelas fontes pagadoras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Após a análise dos comprovantes de retenção do imposto de renda juntados aos autos (fls. 180 a 184), ficou demonstrado que o valor oriundo dos mencionados comprovantes de retenção (R$ 4.762.923,88) é idêntico ao valor utilizado na DIPJ a título de IRRF (R$ 4.762.923,88). A consulta da RFB ao seu sistema SIEF/DIRF, localizou o valor de R$ 3.424.574,77 de IRRF (fls. 64 a 67), ou seja, menor que o valor utilizado pela Recorrente na apuração do saldo credor (R$ 4.762.923,88), embora tenha constatado que as receitas correspondentes ao IRRF foram integralmente oferecidas à tributação (fls. 71 a 85 e 474 a 487). Além disso, a DRJ em sua análise não considerou os valores constantes nos comprovantes de retenção apresentados pela Recorrente das referidas fontes pagadoras (Fls. 181 a 184), resultando na glosa de R$ 1.338.349,11 do crédito pleiteado. Cabe ressaltar que, as retenções promovidas pelas diversas fontes pagadoras dos rendimentos, decorrem, basicamente, de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio conforme demonstrado no quadro a seguir e parcialmente confirmado pela DRF em suas análises. Especificamente com relação ao valor de R$ 540.593,74, a Requerente efetuou o seu recolhimento por meio de DARF e declarou em DCTF do 2° Trimestre/ 2002 para o código 3426 IR s/ aplicações em renda fixa – Pessoa Jurídica. Este recolhimento é resultante da operação de cessão de certificados de Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16306.000314/200873 Acórdão n.º 1301000.696 S1C3T1 Fl. 14 7 depósitos bancários realizados com a empresa Souto Vidigal S.A (Anexo 2, fls.49 a 55), sendo que os rendimentos que deram base à retenção do IRRF foram devidamente contabilizados na conta de resultado (Receita) 3.1.2.0.0.003.00003 Receitas de Cert. De Depósitos Bancários e oferecidas a tributação conforme dispõe a legislação (Anexo 2, fls. 04 e 05). ... Verificase que, o valor declarado na DIPJ é superior ao total dos rendimentos de aplicações financeiras apurados no anocalendário de 2002, que é de R$ 25.148.717,87 razão pela qual é admitida a compensação de valores pagos a maior a título de IRRF.E foi exatamente o que fez a Requerente, quando informou na DIPJ 2003 AC 2002, especificamente na Ficha O6A Demonstração do Resultado, os valores nas Linhas 21 Ganho Auferido Mercado de Renda Variável, de R$ 35.660.661,80, na Linha 23 Receita de lucros sobre o Capital Próprio, de R$ 5.338.770,25 e na Linha 24 Outras Receitas Financeiras o valor de R$ 19.247.210,73, que correspondem a somatória dos saldos das contas utilizados para registrar o total dos rendimentos que deram base às retenções do anocalendário de 2002 (Fl. 055). Seguem no Anexo 2 (fls.13 a 49) as cópias autenticadas do Livro Diário com os registros contábeis efetuados no decorrer do anocalendário de 2002, bem como o “Demonstrativo de Resultado do Exercício” que comprovam os valores declarados pela Requerente na DIPJ (Anexo 2, Recurso Voluntário, fls. 47 e 48). Diante de tais alegações passo a análise. Neste passo, em que pese tal documentação ter sido acostado aos autos somente no recurso voluntário, entendo que o crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório (AC/2002), permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Assim sendo, com relação ao valor acima especificado de R$ 540.593,74, cabe razão a recorrente. Primeiro: vêse dos autos que a própria decisão recorrida reconhece que as receitas das aplicações financeiras foram integralmente oferecidas à tributação. Segundo: encontro nos autos juntamente com os documentos trazidos no recurso voluntário (Anexo 1 e 2) comprovante do recolhimento no valor de R$ 540.593,74 (DARF e DCTF de fls. 615 e 616), além de outros documentos (demonstrativos, informes de rendimentos, lançamentos contábeis) que comprovam as operações financeiras que deram lastro as retenções de fonte. Com relação a glosa que ainda remanesce nos autos do presente processo diz respeito a diferença da estimativa compensada referente ao mês de março de 2002. Do total informado a título de "IR mensal pago por estimativa", de R$ 11.724.873,50 (fls. 61), a DRJ, em seu Acórdão, validou o montante de R$ 11.721.735,07, permanecendo uma diferença irrelevante de R$ 3.138,43. Ao analisar as estimativas pagas, o auditor fiscal verificou que a estimativa de março/2002 de IRPJ foi compensada sem processo com saldos negativos dos anos calendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, sendo necessária a analise dos saldos negativos de IRPJ desses anoscalendário para se verificar se havia suficiência de saldo para compensação. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 A não confirmação da totalidade do valor informado na DIPJ foi à constatação pela DRJ de divergências entre os valores de IRRF utilizado na composição dos saldos negativos dos anos de 1998 a 2001 e os totais informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Neste ponto, aduz a recorrente: Entretanto, o reconhecimento parcial dos saldos negativos dos anos calendário de 1998 e 2001 e a validação integral dos saldos credores dos anos de 1999 (Fls. 78 e 79) e 2000 (Fls. 474 a 487) pela DRJ, permitiu a homologação de quase a totalidade da parcela compensada da estimativa de IRPJ de 03/2002, sendo que a diferença de R$ 3.138,43 referese exclusivamente ao IRRF dos anos de 1998 e 2001 não confirmados na sua totalidade pela DRF e DRJ e os quais serão comparados a seguir. (...) O IRRF utilizado na apuração do saldo credor no ano calendário de 1998, originouse das receitas provenientes dos lucros sobre o Capital Próprio e das Aplicações Financeiras efetuadas no período, podendo ser comprovado por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras e os registros nos Livros Razão e Diário (Fls. 223 a 270). Apesar de constar no sistema SIEF/DIRF da RFB valor compatível com o valor informado pela Requerente na DIPJ a título de IRRF, a DRF/DRJ alega de maneira inequívoca que a receita correspondente ao IRRF, utilizado pela Recorrente, não foi integralmente oferecida à tributação (fls. 436). Esta afirmação não corresponde aos fatos, pois o total dos rendimentos, de R$ 2.585.848,24, foram oferecidas à tributação e devidamente informadas na DIPJ/2002 – AC/2001, na Ficha 06A Demonstração do Resultado, especificamente na Linha 23 Receita de Juros sobre o Capital Próprio (R$ 1.777.854,98) e na Linha 24 Outras Receitas Financeiras (R$ 1.300.664,54). As receitas foram registradas pela Recorrente em seus Livros Razão e Diário, comprovandose assim, que tais rendimentos são compatíveis com o IRRF informado na DIPJ e que compõe o saldo negativo do período (Anexo 4, fls. 01 a 94). Diante do exposto, rogase pelo reconhecimento do IRRF no valor total de R$ 4.762.923,88, valor integralmente comprovado pela Recorrente, que ofereceu à tributação a totalidade das receitas correspondentes, bem como o valor informado a título de "Imposto de Renda Mensal por Estimativa” de R$ 11.724.873,50, tendo em vista a comprovação dos saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1998 e 2001 e utilizado na compensação da estimativa de IRPJ de 03/2002. Neste ponto, compulsando as citadas fls. 223 a 270 dos autos e o Anexo 4 trazido juntamente com o recurso voluntário verificase com relação ao ano calendário de 1998 informes de rendimentos e retenção na fonte referentes a aplicações financeiras e juros sobre capital próprio que totalizam o valor declarado de R$ 541.979,67 e relativos aos rendimentos das duas operações no montante de R$ 3.504.894,00, acompanhados dos respectivos lançamentos nos livros Diário e Razão (fls.223/270). Ressaltese que o valor declarado de fonte e não confirmado totalizam R$ 450.511,39 (=R$ 541.979,67 + R$ 4.424,22 ex/anteriores menos R$ 95.892,50 utilizados nas estimativas) e, receitas oferecidas a tributação na DIPJ soma R$ 3.575.614,32. Entendo, neste caso, compatibilidade entre os rendimentos e IRRF declarados, ao contrário da análise das autoridades que me precederam com base, tão somente, em dados constantes em DIRFs encontradas no sistema da RFB. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16306.000314/200873 Acórdão n.º 1301000.696 S1C3T1 Fl. 15 9 Com relação ao ano calendário 2001 verificase que a contribuinte declarou IRRF no valor de R$ 428.276,23 (mesmo valor do saldo negativo apurado), reduzido pela autoridade administrativa para R$ 399.075,07 sob o argumento, mais uma vez, de que as receitas constantes das DIRFs não foram totalmente oferecidas á tributação (cálculo proporcional). Analisando o Anexo 4 juntado aos autos verificase que o total dos rendimentos, de R$ 2.585.848,24, foram oferecidas à tributação e devidamente informadas na DIP/ 2002 – AC/2001, na Ficha 06A Demonstração do Resultado, especificamente na Linha 23 Receita de Juros sobre o Capital Próprio (R$ 1.777.854,98) e na Linha 24 Outras Receitas Financeiras (R$ 1.300.664,54), encontrandose as mesmas (receitas) devidamente registradas nos Livros Razão e Diário além da DIPJ. No caso, não me parece restar dúvida de que, independentemente do requerimento (compensação sem processo), a comprovação da efetiva compensação tem de ser feita por meio da escrituração contábil. Enfim, restando provado nos autos, há que se desconsiderar a glosa no valor de R$ 1.338.349,11 mais diferença de estimativa (mês de março) no valor de R$ 3.138,43 (total R$ 1.341.487,54). RESUMO DESCRIÇÃO VALOR DECLARADO E CONFIRMADO NESTE VOTO VALOR CONFIRMADO DRF E DRJ IRPJ e ADICIONAL AC/2002 R$ 10.439.662,37 R$ 10.439.662,37 () IRRF R$ 4.762.923,88 R$ 3.424.574,77 () IRM MENSAL P/ESTIMATIVA R$ 11.724.873,50 R$ 10.337.184,58 = IRPJ A PAGAR OU CREDOR (R$ 6.048.135,01) (R$ 3.332.096,98) Por todo o exposto e para concluir, voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo a totalidade do direito creditório pleiteado (R$ 6.048.135,01). (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 826DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 13708.002866/2002-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO BÁSICO. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. NECESSIDADE DE ESTORNO.
As saídas, com suspensão do IPI, de produtos industrializados por encomenda obrigam o estorno dos créditos de insumos aplicados nessa industrialização, independentemente da alíquota a que estiverem sujeitos os produtos devolvidos ao encomendante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios, que atuou em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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SAÍDAS COM SUSPENSÃO. NECESSIDADE DE ESTORNO. As saídas, com suspensão do IPI, de produtos industrializados por encomenda obrigam o estorno dos créditos de insumos aplicados nessa industrialização, independentemente da alíquota a que estiverem sujeitos os produtos devolvidos ao encomendante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios, que atuou em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 28 66 /2 00 2- 18 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita do IPI relativo ao 3º Trimestre de 2002, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99. O pleito foi cumulado com a declaração de compensação existente no processo 13708.001146/200316, que se encontra apenso a estes autos. Segundo o Termo de Constatação fiscal e despacho decisório, os créditos do contribuinte são originários de processo de industrialização por encomenda. O contribuinte se creditava pelas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos (medicamentos) que seriam devolvidos ao encomendante com suspensão do imposto. Alega o fisco que nessa condição os créditos deveriam ter sido anulados mediante estorno, pois não há previsão regulamentar para manutenção de créditos nas saídas com suspensão. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 alterou profundamente o regime jurídico de créditos do IPI, o que tornou sem efeito as determinações para o estorno de créditos previstas no regulamento. Por meio do Acórdão 21.565, de 13 de novembro de 2008, a 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Ficou decidido que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não revogou a necessidade do estorno de créditos relativos a insumos entrados no estabelecimento para aplicação em operação de industrialização por encomenda, quando o produto encomendado retorna com suspensão para o estabelecimento encomendante, a teor do disposto no art. 42, VII c/c art. 193, I, "b", do RIPI/2002. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 12/07/2013 (fl. 110), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/08/2013 (fls. 113). Alegou a existência de equívocos no termo de constatação e na decisão recorrida, pois o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e a IN 33/99 garantem a manutenção do crédito em relação aos medicamentos produzidos pela recorrente com alíquota zero. Cita Solução de Consulta nº 83, de 26/05/2003 da SRRF 6ª RF. A fiscalização aplicou normas que não estavam mais em vigor no trimestre calendário em questão. Com o advento da Lei nº 9.779/99 deixaram de vigorar os dispositivos regulamentares que determinavam o estorno de créditos relativos a insumos aplicados na industrialização de produtos sujeitos a alíquota zero. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. São fatos incontroversos nos autos: 1) a empresa executa a industrialização de medicamentos tributados com alíquota zero por encomenda; 2) aplica na industrialização por encomenda insumos tributados recebidos com suspensão e sem suspensão do IPI lançando, em ambas as situações, o crédito pelas entradas em seus livros; e 3) os medicamentos industrializados por encomenda estão sujeitos à alíquota zero e são enviados ao laboratório encomendante com a suspensão do IPI prevista no art. 40, VIII, do RIPI/98 e 42, VII, do RIPI/2002. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13708.002866/200218 Acórdão n.º 3403003.469 S3C4T3 Fl. 4 3 O contribuinte entende que tem direito à manutenção e utilização dos créditos porque a partir de janeiro de 1999 o art. 11 da Lei nº 9.779/99 revogou a necessidade de estorno de créditos aplicados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero. Cita a seu favor solução de consulta exarada pela própria Receita Federal para corroborar sua tese. O contribuinte tem razão quanto ao seu entendimento. Nas situações em que as saídas sujeitas à alíquota zero são tributadas normalmente não há mais previsão para o estorno dos créditos pelas entradas de insumos. Essa foi a situação sopesada pelo fisco na solução de consulta invocada no recurso. Entretanto, o caso concreto não se enquadra na regra geral. Em que pese o fato das saídas serem tributadas com alíquota zero, o caso é de industrialização por encomenda, onde existe um vaievem de insumos e de produtos industrializados com suspensão do imposto entre os estabelecimentos encomendante e executor de industrialização por encomenda. O recebimento de insumos com suspensão e a remessa de produtos industrializados por encomenda ao encomendante com base no disposto no art. 40, VIII, do RIPI/98 e 42, VII, do RIPI/2002, se constitui em uma situação especial porque o recebimento de insumos e a devolução de produtos industrializados ocorrem com suspensão. Não são operações que se enquadram na regra geral de tributação. No terceiro trimestre de 2002, vigorava o Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 1998. O art. 174, I, "b" do RIPI/98 estabelecia o seguinte: Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei n 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8a, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12): I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) (...); b) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto nos casos de que tratam os incisos I, VIII, XII, XIII e XIV do art. 40; E o art. 40 estabelecia a seguinte: Art. 40. Poderão sair com suspensão do imposto: VII as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a industrialização, desde que os produtos industrializados devam ser enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos; VIII os produtos que, industrializados na forma do inciso anterior e em cuja operação o executor da encomenda não tenha utilizado produtos de sua industrialização ou importação, forem Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 remetidos ao estabelecimento de origem e desde que sejam por este destinados: a) a comércio; b) a emprego, como matériaprima, produto intermediário ou acondicionamento, em nova industrialização que dê origem a saída de produto tributado; Assim, na vigência do Regulamento de 1998 a MAPPEL estava obrigada a estornar o crédito relativo aos insumos aplicados nos produtos industrializados por encomenda e devolvidos com suspensão ao encomedante, independentemente desses produtos serem tributados com alíquota zero ou alíquota positiva. O mesmo regramento foi mantido no Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, RIPI/2002, que sucedeu o RIPI/98. Eis a transcrição dos arts. 193 e 42 do RIPI/2002: Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, §3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8º, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei Nº 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: b) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto nos casos de que tratam os incisos VII, XI, XII e XIII do art.42 ..... Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) VI as MP, PI e ME destinados à industrialização, desde que os produtos industrializados devam ser enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos; VII os produtos que, industrializados na forma do inciso VI e em cuja operação o executor da encomenda não tenha utilizado produtos de sua industrialização ou importação, forem remetidos ao estabelecimento de origem e desde que sejam por este destinados: a) a comércio; ou b) a emprego, como MP, PI e ME, em nova industrialização que dê origem a saída de produto tributado; Conforme se pode observar, o Regulamento de 2002, editado posteriormente ao advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99, manteve a obrigatoriedade do estorno do crédito na situação em concreto, pois o caso de industrialização por encomenda onde os insumos e os produtos industrializados transitam entre os estabelecimentos com suspensão do IPI é uma regra especial em relação à regra geral onde o trânsito ocorre com tributação normal. Com esses fundamentos, resta evidente que não houve nenhum equívoco da fiscalização ou da decisão recorrida. A MAPPEL não tem direito ao ressarcimento do saldo credor ora requerido porque os créditos deveriam ter sido estornados do livro fiscal de IPI. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13708.002866/200218 Acórdão n.º 3403003.469 S3C4T3 Fl. 5 5 Inexistindo direito ao crédito, correta a não homologação da compensação do processo em apenso. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16095.000204/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Em atenção ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72, caberá Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.
O sujeito passivo foi cientificado do decisum em 09/04/2007, tendo interposto Recurso Voluntário, em 10/05/2007, logo, intempestivo.
O referido RV foi encaminhado ao CARF, tendo em vista decisão judicial em Mandado de Segurança [autos n. 2006.61.19.003111-2, fls. 378 a 383] para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do depósito recursal. Ora, a referida decisão judicial atendeu ao objeto do MS, qual seja, receber e processar os recursos voluntários, independentemente do depósito recursal.
No caso, o RV interposto não atendeu ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, devido à intempestividade, nos termos do voto que integra o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Em atenção ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72, caberá Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O sujeito passivo foi cientificado do decisum em 09/04/2007, tendo interposto Recurso Voluntário, em 10/05/2007, logo, intempestivo. O referido RV foi encaminhado ao CARF, tendo em vista decisão judicial em Mandado de Segurança [autos n. 2006.61.19.003111-2, fls. 378 a 383] para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do depósito recursal. Ora, a referida decisão judicial atendeu ao objeto do MS, qual seja, receber e processar os recursos voluntários, independentemente do depósito recursal. No caso, o RV interposto não atendeu ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, devido à intempestividade, nos termos do voto que integra o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Em atenção ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72, caberá Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” O sujeito passivo foi cientificado do decisum em 09/04/2007, tendo interposto Recurso Voluntário, em 10/05/2007, logo, intempestivo. O referido RV foi encaminhado ao CARF, tendo em vista decisão judicial em Mandado de Segurança [autos n. 2006.61.19.0031112, fls. 378 a 383] para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do depósito recursal. Ora, a referida decisão judicial atendeu ao objeto do MS, qual seja, receber e processar os recursos voluntários, independentemente do depósito recursal. No caso, o RV interposto não atendeu ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, devido à intempestividade, nos termos do voto que integra o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 04 /2 00 8- 34 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Tratase de. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD, em que a empresa em epígrafe foi notificada a recolher as contribuições previdenciárias, bem como aquelas destinadas a outras entidades e fundos, devidas e não recolhidas em época própria ante a ocorrência do fato gerador descrito no relatório fiscal de fls. 58/59. De acordo com Ci referido relatório, a notificada concedeu benefícios ao segurados empregados em desacordo com a legislação previdenciária tendo em vista a não comprovação da inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador —PAT. Houve apropriação contábil da despesa em conta identificada "Cesta Básica" cujos valores for* pagos contra as notas fiscais indicadas no Anexo I de fls. 54/57. Informa que não houve participação dos empregados no custeio do beneficio O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 29/11/2006, tendo apresentado tempestivamente impugnação que alegou, em síntese: (i) Decadência qüinqüenal mediante tese de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91' : (ii) Impossibilidade de inclusão do sócios e exsócios como Co Responsáveis da obrigação tributária face a inexistência dos elementos contidos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional. (iii) Ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho— SAT de 3%, e se a cobrança for mantida, que seja utilizada alíquota de 1%. (iv) Sustenta que a Lei 9.424/96 é inconstitucional por delegar no artigo 15 a competência para definição de critérios ao Poder Executivo, assim, questiona a legalidade da contribuição ao Salário Educação. (v) Nesse contexto de alegações de direito, pretende que seja afastada a cobrança da contribuição ao INCRA e também ao SEBRAE. (vi).Prossegue seu arrazoado alegando que a autoridade administrativa deve apreciar inconstitucionalidades de normas jurídicas 4.7.Concluindo seu arrazoado, ataca a cobrança dos Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16095.000204/200834 Acórdão n.º 2301004.171 S2C3T1 Fl. 778 3 acréscimos legais e afirma que a multa aplicada ao débito é inconstitucional. Semelhante argumento utiliza contra a aplicação 'da Taxa Selic pugnando pela aplicação do percentual de 1% de acordo com o artigo 161, § 1° do CTN, ressalvando que a expressão "se a lei não dispor de modo diverso4 retrata a hipótese de ser fixado em percentual inferior. (vii) Ao final pode pela improcedência da NFLD, sendo exclusão dos sócios como coresponsáveis, bem como possibilidade de produção de prova pericial contábil e juntada de documentos. Em 20/03/2007, foi prolatada DecisãoNotificação [fls. 318 e ss] que julgou procedente o lançamento: PREVIDENCIÁRIO. ' NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA "IN NATURA". NÃO ADESÃO AO PAT. DECADÊNCIA. CORESPONSÁVEIS. SAT. TERCEIROS. ANALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Integra o salário de contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com a legislação vigente. Lei 8.212/91 art. 28, I, e §90 „c„ . A empresa é obrigada a apurar e recolher a contribuigão previdenciária, bem como aquelas destinadas ao Seguro de Acidente de Trabalho e outras entidades ou fundos, também chamados terceiros, incidentes sobre o salário de contribuição de seus segurados empregados e autônomos que lhe prestem serviços. Uma vez constatado o não recolhimento ou a insuficiência é efetuada a cobrança com os devidos acréscimos legais. LANÇAMENTO PROCEDENTE O sujeito passivo foi cientificado do decisum em 09/04/2007, tendo interposto Recurso Voluntário, em 10/05/2007, logo intempestivo. A intempestividade foi certificada nos autos do processo administrativo [fl. 386]: [...] Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, relativa a contribuições previdenciárias, As fls. 01 a 62, com ciência do Interessado em 05/12/2006, fls.62. 2. A DecisãoNotificação 21.4254/080/2007, As folhas 217 a 224 , emitida pela Seção do Contencioso Administrativo da Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Delegacia da Receita Previdenciária em GuarulhosSP, julgou o lançamento procedente. 3. Cientificada da DecisãoNotificação 'em 09/04/2007, fls. 227, a empresa inconformada com a Decisão, apresentou recurso intempestivo em 10/05/2007, As fls.229 a 304. 4. Tendo em vista que A época dos fatos era exigível o depósito recursal de 30% do valor do débito, a Recorrente obteve decisão que lhe foi favorável, nos autos do Mandado de Segurança no. 2006.61.19.0031112, fls. 378 a 383, para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do depósito recursal. 5. Diante do exposto, proponho o encaminhamento do processo ao 2o. Conselho de Contribuintes 2 CC DF ( 0112045 0) para prosseguimento. Conforme informação acima, o referido RV foi encaminhado ao CARF, tendo em vista decisão judicial em Mandado de Segurança [autos n. 2006.61.19.0031112, fls. 378 a 383] para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do depósito recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Em atenção ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72, caberá Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O sujeito passivo foi cientificado do decisum em 09/04/2007, tendo interposto Recurso Voluntário, em 10/05/2007, logo, intempestivo. O referido RV foi encaminhado ao CARF, tendo em vista decisão judicial em Mandado de Segurança [autos n. 2006.61.19.0031112, fls. 378 a 383] para ver processado o recurso interposto, independentemente da exigência do depósito recursal. Ora, a referida decisão judicial atendeu ao objeto do MS, qual seja, receber e processar os recursos voluntários, independentemente do depósito recursal. No caso, o RV interposto não atendeu ao disposto no art. 33, do Decreto n. 70.235/72. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16095.000204/200834 Acórdão n.º 2301004.171 S2C3T1 Fl. 779 5 Portanto, sendo intempestivo o RV, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722522/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PAGAMENTOS DE PRÊMIOS A APOSTADORES NÃO IDENTIFICADOS DE VIDEO-LOTERIAS. INCIDÊNCIA ESPECÍFICA PREVISTA NO ART. 674 DO RIR/99
Os prêmios pagos por meio de vídeo-loterias estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie e sua premiação em dinheiro se sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte, com alíquota de 30%, nos termos do artigo 676 do Regulamento aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Diante da própria natureza da atividade, que implica dificuldade na identificação dos beneficiários dos pagamentos e da especialidade do art. 676 do RIR, incabível a classificação de pagamentos desta espécie nas hipóteses previstas no caput no artigo 674 do mesmo Regulamento, isto é, como pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, uma vez que a regra que rege tais tipos de pagamento expressamente ressalva o disposto em normas especiais.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurelio Pereira Valadão.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTOS DE PRÊMIOS A APOSTADORES NÃO IDENTIFICADOS DE VIDEO-LOTERIAS. INCIDÊNCIA ESPECÍFICA PREVISTA NO ART. 674 DO RIR/99 Os prêmios pagos por meio de vídeo-loterias estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie e sua premiação em dinheiro se sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte, com alíquota de 30%, nos termos do artigo 676 do Regulamento aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Diante da própria natureza da atividade, que implica dificuldade na identificação dos beneficiários dos pagamentos e da especialidade do art. 676 do RIR, incabível a classificação de pagamentos desta espécie nas hipóteses previstas no caput no artigo 674 do mesmo Regulamento, isto é, como pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, uma vez que a regra que rege tais tipos de pagamento expressamente ressalva o disposto em normas especiais. Recurso especial provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTOS DE PRÊMIOS A APOSTADORES NÃO IDENTIFICADOS DE VIDEOLOTERIAS. INCIDÊNCIA ESPECÍFICA PREVISTA NO ART. 674 DO RIR/99 Os prêmios pagos por meio de vídeoloterias estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie e sua premiação em dinheiro se sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte, com alíquota de 30%, nos termos do artigo 676 do Regulamento aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Diante da própria natureza da atividade, que implica dificuldade na identificação dos beneficiários dos pagamentos e da especialidade do art. 676 do RIR, incabível a classificação de pagamentos desta espécie nas hipóteses previstas no caput no artigo 674 do mesmo Regulamento, isto é, como pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, uma vez que a regra que rege tais tipos de pagamento expressamente ressalva o disposto em normas especiais. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurelio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 22 /2 00 9- 19 Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Sistema Recifense de Máquinas Ltda. foi lavrado o auto de infração de fls. 02/71 para a exigência de débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Foram lançados débitos de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ocorridos em 2005, 2006 e 2007 (item 001 do auto de infração), e sobre pagamentos sem causa ou cuja operação não teria sido comprovada ocorridos em 2005 e 2007 (item 002 do auto de infração). Nos termos do item 2.1.3 do TVF (fl. 30), os pagamentos cuja causa ou operação não foi demonstrada pelo contribuinte (item 002 do auto de infração) dizem respeito a pagamentos de supostos empréstimos para os quais não foi apresentada comprovação idônea. A fiscalização fundamentou o lançamento destes valores no art. 674, § 1º, do RIR/99. Esta matéria não será objeto do presente recurso especial. De acordo com o item 3.5.2 do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fl. 42), os pagamentos a beneficiários não identificados (item 001 do auto de infração) correspondem a pagamentos em dinheiro de prêmios por apostas bem sucedidas em máquina de jogos eletrônicos de vídeoloteria. A fiscalização fundamentou o lançamento destes valores no art. 674, caput, do RIR/99. A Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão 220201.460, que se encontra às fls. 1103/1111 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 9202003.470 CSRFT2 Fl. 13 3 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS SORTEIOS VÍDEOS LOTÉRIAS Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, os prêmios pagos no jogo de bingo e por máquinas eletrônicas de qualquer valor, não se aplicando o limite de isenção previsto no parágrafo 1° do art. 676 do RIR/1999. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA. A incidência também alcança os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DA MULTA QUALIFICADA Cabível a multa qualificada de 150%, majorada em 50%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte do faturamento, deixando, com isto, de recolher os tributos devidos.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, negou provimento ao recurso. Especificamente quanto aos pagamentos de prêmios por apostas bem sucedidas nas máquinas de jogo operadas pelo contribuinte, a Turma a quo entendeu correta a qualificação legal em que se fundamentou a autuação (art. 674, caput, do RIR/99 – pagamento a beneficiário não identificado). Intimado do acórdão, o contribuinte opôs os embargos de declaração de fls. 1118/1121 para sanar suposta omissão da Turma a quo ao não se pronunciar quanto à petição de fls. 1108/1110, pela qual o contribuinte pediu a redistribuição do feito para alguma Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 das Turmas / Câmaras da Primeira Seção, arguindo a competência exclusiva desta para processar e julgar a matéria em discussão. Os embargos de declaração foram rejeitados uma vez que a petição mencionada pelo contribuinte não havia sido juntada aos autos antes do julgamento, de modo que sobre ela a Turma não poderia ter se omitido. A decisão sobre os embargos também afirmou a competência da Turma a quo para julgamento da matéria em discussão (fls. 1.161/1.163). Intimado em 05/09/20102 (intimação 801/2012 juntada à fl. 1.165 e AR juntado à fl. 1.167), o contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 1170/1197 em 20/09/2012, requerendo (i) a anulação do acórdão recorrido diante da incompetência do órgão que o proferiu; (ii) a anulação do lançamento sobre pagamentos a beneficiários não identificados, por erro na qualificação jurídica dos fatos, uma vez que deveria ter sido aplicado o art. 676 do RIR/99, e não o art. 674 adotado pela fiscalização; e (iii) a desqualificação da penalidade aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. Ao recurso especial foi dado seguimento somente quanto à exigência sobre pagamentos a beneficiários não identificados, conforme Despacho s/n de 18/02/2013 (fls. 1293/1300) do Presidente da Câmara a quo, mantido pelo Despacho nº s/n de mesma data, do Presidente da CSRF (fls. 1301/1302), proferido nos termos do art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Regularmente intimada da admissão parcial do recurso especial interposto pelo contribuinte (fls. 1258), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1310/1319), sustentando a qualificação legal dos fatos adotada pela fiscalização como correta. É o Relatório. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 9202003.470 CSRFT2 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Passo à análise da admissibilidade do recurso especial interposto pela contribuinte. O recurso foi admitido em razão da divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas nºs 10422.882 e 10248.066. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 10422.882 “(...) DISTRIBUIÇÃO DE PRÉMIOS DE VIDEOLOTERIA REGIME DE TRIBUTAÇAO EXCLUSIVA DE FONTE RESPONSÁVEL PELA RETENÇAO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SUJEITO PASSIVO – O sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a distribuição de prêmios, nas atividades de apostas em vídeoloteria, é a fonte pagadora. (...)” Acórdão nº 10248.066 “JOGOS DE BINGO — ENQUADRAMENTO Os jogos de bingo estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie e sua premiação em dinheiro se sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte, com alíquota de 30%, nos termos do artigo 676 do RIR, de 1999. Quando a premiação se der mediante entrega de bens, há incidência do imposto sobre a renda na fonte, com alíquota de 20%, conforme previsto no artigo 677 do RIR, de 1999. Incabível reajustamento da base de cálculo que só é aplicável nas hipóteses previstas no artigo 674 do Decreto n° 3.000, de 1999. VALIDADE DO LANÇAMENTO — REQUISITOS. A validade do lançamento tributário pressupõe, obrigatoriamente, a identificação do sujeito passivo, a descrição da matéria tributável, a identificação da regramatriz da exigência tributária que incide sobre o fato descrito e, consequentemente, o valor do crédito tributário. Para validade do lançamento, em relação a cada uma das matérias tributadas, não basta apontar uma norma, mas sim a norma que efetivamente incide sobre o fato descrito e que, em face de sua incidência, tem como consequência a exigência do crédito tributário. Sempre que o agente fiscal descrever um fato e aplicar norma que não incide sobre o fato descrito, o lançamento assim Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 realizado é nulo, pois a norma legal que sustentaria a validade do lançamento não teve incidência sobre o fato tributável. No caso dos autos, quanto ao item 001, a fiscalização descreveu a atividade de bingo e pretendeu realizar a tributação com base no artigo 674 do RIR, que não tem incidência sobre tal atividade, o que resulta na nulidade do lançamento em relação a este ponto.” No presente caso, a Turma a quo adotou o entendimento de que é correta a qualificação legal do lançamento sobre os pagamentos de apostas bem sucedidas nas máquinas de jogos eletrônicos operadas pelo contribuinte na regra geral de pagamento a beneficiários não identificados prevista no caput do art. 674 do RIR/99. No acórdão 10422.882, a 4ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, para afirmar a sujeição passiva da fonte pagadora, adotou o entendimento de que o pagamento de prêmios por apostas em vídeoloteria se submete ao regime do art. 676 do RIR/99. Já no acórdão 10248.066, a 2ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, analisando caso de lançamento de IRRF sobre prêmios pagos a apostadores não identificados, adotou o entendimento de que tais pagamentos se sujeitam ao art. 676 do RIR/99. Embora não haja nos votos dos acórdãos paradigmas análise específica sobre o possível confronto entre artigos 674 e 676, as circunstâncias fáticas são comparáveis às do acórdão recorrido – prêmios de vídeoloteria que por natureza são pagos a beneficiários não identificados. Nos paradigmas decidiuse pela aplicação do art. 676 do RIR/99, no acórdão recorrido pela aplicação do art. 674 do RIR/99. Os acórdãos paradigma entenderam que pagamentos de prêmios por apostas em jogos eletrônicos / bingos são regidos pelo art. 676 do RIR/99. A aplicação de referida conclusão ao caso dos autos é suficiente para que seja alterado o acórdão recorrido. A meu ver resta caracterizada divergência – para os mesmos fatos os acórdãos sob comparação decidiram pela aplicação de enunciados normativos (e incidências) distintas, cabendo a este colegiado decidir, na sua função de uniformização, o regime tributário aplicável a tal situação fática. Conheço do recurso especial interposto pela contribuinte, neste ponto. Passo à análise do mérito. O presente recurso especial versa apenas sobre o item 001 do auto de infração, cuja explicação no TVF está assim posta: “3.5.2. Falta de Recolhimento do IRFONTE incidente sobre os prêmios pagos – Pagamento a Beneficiário Não Identificado Conforme anteriormente detalhado, a fiscalizada deixou de escriturar a receita correspondente à exploração da atividade de vídeo loterias nos anos de 2005, 2006 e 2007. Neste sentido, as saídas de máquinas, assim entendidas como pagamentos dos prêmios decorrentes das apostas bem Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 9202003.470 CSRFT2 Fl. 15 7 sucedidas não foram submetidas ao pagamento do imposto de renda na fonte conforme determina a legislação vigente. Os valores dos prêmios pagos em espécie aos apostadores estão sujeitos a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 30%. Tendo em vista que os valores dos prêmios distribuídos foram levantados tomandose por base as “saídas de máquinas”, constantes dos Relatórios de Controle de Máquinas apreendidos na Operação Zebra para os anos de 2006 e 2007 e ainda para o dia 10.09.2005, conforme cópias anexadas ao presente, não foi possível a identificação dos beneficiários dos prêmios, caracterizandose a hipótese de pagamento a beneficiário não identificado. Para apuração do IRRF devido, os valores pagos a beneficiários não identificados foram considerados líquidos, tendo sido efetuado o reajustamento da respectiva base de cálculo. Sobre a base reajustada foi aplicada a alíquota de 35% exclusivamente na fonte, na forma do art. 674 do RIR/99 (Lei 8981, art. 61), conforme Demonstrativo “Levantamento do IRRF sobre o Pagamento a Beneficiário não Identificado”, anos 2005, 2006 e 2007, anexos ao presente, que serviram de base ao lançamento de ofício do IRFONTE incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, efetuado nesta data.” (grifei) Os pagamentos de prêmios por apostas bem sucedidas nas máquinas de vídeo loteria operadas pela Recorrente foram enquadrados pela fiscalização no art. 674 do RIR/99 (pagamento a beneficiário não identificado), cuja redação é a seguinte: “Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n º 8.981, de 1995, art. 61). § 1º. A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n º 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º. Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n º 8.981, de 1995, art. 61, § 2º ). § 3º. O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n º 8.981, de 1995, art. 61, § 3º ).” (grifei) Estas disposições regulamentares têm fundamento no art. 61 da Lei 8.981/95: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 §1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. §2º. Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3º. O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Sustenta a recorrente que os fatos descritos pela fiscalização não se qualificam como pagamentos a beneficiários não identificados que se sujeitam ao art. 674, mas sim como pagamentos em dinheiro de prêmios por sorteios de qualquer espécie sujeitos ao art. 676, I, do RIR/99, cuja redação é a seguinte: “Art. 676. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de trinta por cento, exclusivamente na fonte: I – os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, inclusive as instantâneas, mesmo as de finalidade assistencial, ainda que exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas (Lei n º 4.506, de 1964, art. 14); II – os prêmios em concursos de prognósticos desportivos, seja qual for o valor do rateio atribuído a cada ganhador (Decreto Lei n º 1.493, de 7 de dezembro de 1976, art. 10).” O fundamento legal do art. 676, I, do RIR/99 é o art. 14 da Lei 4.506/64, que tem a seguinte redação: “Art. 14. Ficam sujeitos ao imposto de 30% (trinta por cento), mediante desconto na fonte pagadora, os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em loterias, mesmo as de finalidade assistencial, inclusive as exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas.” A aplicação do art. 674 do RIR/99 (art. 61 da Lei 8.981/95) requer que a pessoa jurídica não esteja apta a identificar o beneficiário do pagamento feito por ela. Por sua vez, a aplicação do art. 676 do RIR/99 (art. 14 da Lei 4.506/64) requer que a natureza do pagamento seja de “prêmios em dinheiro obtidos em loterias, mesmo as de finalidade assistencial, inclusive as exploradas diretamente pelo Estado, concursos desportivos em geral, compreendidos os de turfe e sorteios de qualquer espécie, exclusive os de antecipação nos títulos de capitalização e os de amortização e resgate das ações das sociedades anônimas”. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 9202003.470 CSRFT2 Fl. 16 9 Tal como descreveu a fiscalização no TVF, cuidam os autos de pagamentos de prêmios de sorteios em geral (por meio das máquinas operadas pelo contribuinte) para apostadores não identificados pelo contribuinte. O fatos do caso atendem, então, a discriminantes presentes tanto na regra do art. 674 do RIR/99 (i.e. beneficiários não identificados) como no art. 676 (i.e. natureza de prêmios em dinheiro de sorteios em geral). Em face da aparente antinomia, fazse necessário recorrer aos tradicionais critérios de solução: critério hierárquico (norma superior revoga norma inferior), o critério da especialidade (norma especial afasta norma geral) e o critério cronológico (norma posterior revoga norma anterior). Os arts. 674 e 676 do RIR/99 regulamentam dispositivos de leis ordinárias sobre o IRRF, de modo que não se pode falar em hierarquia entre eles. O critério cronológico também não auxilia a solução da antinomia, pois, apesar de o art. 14 da Lei 4.506/64 ser anterior à Lei 8.981/95, o legislador de 1995 se referiu expressamente a ele no § 3º do art. 63 da mesma Lei 8.981/95, para preservar sua vigência: Art. 63. Os prêmios distribuídos sob a forma de bens e serviços, através de concursos e sorteios de qualquer espécie, estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de vinte por cento, exclusivamente na fonte. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) § 3º. O disposto neste artigo não se aplica aos prêmios em dinheiro, que continuam sujeitos à tributação na forma do art. 14 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964.” A ressalva feita pelo legislador de 1995 sobre a vigência do art. 14 da Lei 4.506/64 indica que a solução da antinomia ora em discussão deve ser dada pelo critério da especialidade. Cumpre, pois, identificar qual a relação de especialidade entre os enunciados prescritivos dos arts. 674 e 676 do RIR/99. O art. 674 do RIR (e seu correspondente art. 61 da Lei 8.981/95) contém ressalva expressa de não serem aplicáveis a casos regidos por normas especiais. Em outras palavras, o próprio artigo 674, que trata de pagamentos a beneficiários não identificados, se auto regula incidência residual que fica afastada quando houver incidência mais específica. Assim, em casos regidos por normas especiais, ainda que se trate de pagamentos a beneficiários não identificados, o art. 674 do RIR/99 deve ser ressalvado em favor de norma especial. Por outro lado, o art. 676 do RIR/99 e seu correspondente art. 14 da Lei 4.506/64 não ressalvam expressamente a hipótese de pagamento de prêmios por sorteios em geral a beneficiários não identificados. É dizer, tais dispositivos da legislação do IRRF aplicamse a qualquer pagamento em dinheiro de prêmios por sorteios em geral, não se limitando aos casos de pagamento a beneficiários identificados pela fonte pagadora. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 O discriminante “pagamento a beneficiário não identificado” não é relevante para afastar a aplicação do art. 676 do RIR/99, já o discriminante “pagamento de prêmio em dinheiro de sorteio em geral” é suficiente para afastar a aplicação do art. 674 do RIR/99, posto que se trata de caso previsto em norma especial. O art. 676 é, assim, especial em relação ao art. 674, ambos do RIR/99. Esta conclusão está em linha com a realidade dos fatos aos quais se deve aplicar os dispositivos legais em comento. Como é intuitivo, a própria realidade da operação de máquinas de vídeo loteria não pressupõe a identificação dos beneficiários do prêmio pago. Atento a esta dificuldade prática, o legislador dispôs de forma específica a tributação exclusiva na fonte de 30% sobre o prêmio pago, o que implica dispensar o apostador beneficiário de oferecer o respectivo valor à tributação pelo imposto de renda e, por conseguinte, também dispensar a fiscalização pelas autoridades tributárias acerca da efetiva tributação dos prêmios pelos beneficiários, concentrando tais esforços na fonte pagadora. A 1ª Turma desta CSRF também chegou a esta conclusão no julgamento de lançamento de IRRF (conexo a lançamento de IRPJ) sobre fatos similares, tendo proferido o acórdão n.º 9101001.845 (sessão de 10/12/2013), cuja ementa segue transcrita abaixo, no que interessa: “(...)Os prêmios pagos por meio de máquinas caçaníquel estão enquadrados como sorteios de qualquer espécie, e sua premiação em dinheiro se sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte, com alíquota de 30%, nos termos do artigo 676 do Regulamento aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Incabível a classificação de pagamentos da espécie nas hipóteses prevista no caput no artigo 674 do mesmo Regulamento, que expressamente ressalva o disposto em normas especiais.” O resultado do julgamento da 1ª Turma da CSRF foi de provimento por ampla maioria, vencido neste ponto o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Entendo, portanto, que os pagamentos em dinheiro de prêmios para apostadores não identificados nas máquinas de jogos eletrônicos do contribuinte estão sujeitos ao art. 676 do RIR/99 e art. 14 da Lei 4.506/64, e não ao art. 674 do RIR/99 e art. 61 da Lei 8.981/95. O lançamento (item 001 do auto de infração), contudo, está fundamentado no art. 674 do RIR/99. A norma individual e concreta está, assim, em desajuste com a norma geral e abstrata. O lançamento está viciado por erro de direito. Corrigir o desajuste entre a o lançamento e a norma que o fundamenta representaria efetuar um novo lançamento. Como tive a oportunidade de me manifestar em sede doutrinária (Pesquisas Tributárias – Nova Série, nº 18 Questões controvertidas no processo administrativo fiscal – CARF, coord. Ives Gandra da Silva Martins, pp. 567/614), tal atividade não cabe ao órgão julgador. Além disto, verifico que o lançamento de IRRF foi efetuado sobre valores coligidos pela fiscalização com base nos valores de “saídas de máquinas” constantes de “relatórios de controle de máquinas” das máquinas operadas pela Recorrente. Consoante manifestação da Coordenação do Sistema de Tributação (COSIT) na Solução de Consulta Interna 11/2013, o lançamento de IRRF sobre pagamentos sem causa Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10480.722522/200919 Acórdão n.º 9202003.470 CSRFT2 Fl. 17 11 ou a beneficiário não identificado, amparado no art. 674 do RIR/99, requer a demonstração da ocorrência de efetivo pagamento sobre o qual se lança o imposto. A COSIT chegou a esta conclusão para negar a possibilidade de lançamento “automático” de IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Nestes casos, sem que haja prova do efetivo pagamento, não fica autorizado, por si só, o lançamento de IRRF com base no art. 674 do RIR/99: “Ementa: O registro contábil de despesa amparado em nota fiscal inidonea não autoriza, por si só, aleḿ da exigencia do IRPJ (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobranc a pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidonea e ́ compatível com o lancamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovacão por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Dispositivos Legais: Decreto no 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999), arts. 217, 299 e 674.” No ponto, vale transcrever trechos da conclusão da referida solução de consulta: “17. A aplicacão da regra prevista no art. 61 da lei no 8.981, de 1995, na hipótese de glosa da despesa decorrente de inidoneidade do documento que dá base ao dispendio, deve ser analisada com cuidado. O fato gerador referente à exigencia de crédito tributário correspondente a pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado considerase ocorrido na data do pagamento. Ou seja, a exigencia do IRRF tem como pressuposto a existencia de um pagamento. 18. Conforme sustentado pela Consulente, para haver lanc amento de IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, o auditorfiscal deve demonstrar concretamente a existência de pagamento. 19. Em sendo assim, a princípio, não poderia haver lanc amento de IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A aplicacão do art. 61 está reservada para aquelas situacões em que o Fisco prova a existe ncia de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 20. O lanc amento não pode ser feito de forma automática, ou seja, a despesa amparada por nota fiscal inidonea não autoriza, por si só, a cobranc a do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Se houver comprovac ão por parte da autoridade fiscal da existe ncia concreta do pagamento, deverá ser feito o lancamento do IRRF. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 21. Caberá à autoridade fiscal demonstrar concretamente a existe ncia de pagamento. Havendo a identificac ão do pagamento relacionado à nota fiscal inidonea, e sendo ela indicada pelo contribuinte como razão ou causa do pagamento, caberá a exige ncia do IRRF sobre o valor pago.” (grifei) As conclusões acima se aplicam mutatis mutandis ao caso dos autos, nos quais a exigência de IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado tem como suporte probatório apenas relatórios de controle das máquinas que, apesarem de servirem de indícios da ocorrência de pagamentos, não os provam. Assim, ainda que fosse possível aplicar o art. 674 do RIR/99 (com o que não concordamos), a fiscalização não se desincumbiu do dever de provar a ocorrência de pagamentos para fundamentar o lançamento do IRRF ora em julgamento, não cumprindo com todos os pressupostos materiais para a validade do auto de infração que, assim, deve ser julgado nulo no item que corresponde ao imposto na fonte. Merece provimento, então, o apelo especial do contribuinte, para que seja cancelada a exigência relativa ao item 001 do auto de infração. Destarte, conheço do recurso do contribuinte na parte admitida para DAR LHE PROVIMENTO e reformar o acórdão recorrido para que seja cancelada a exigência do item 001 do auto de infração. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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