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Numero do processo: 13888.910327/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES EM DIRF.
As informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídas das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras, terceiras desinteressadas no litígio, servem como prova das retenções de imposto na fonte que devem ser reconhecidas na composição do saldo negativo. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento.
INCORPORAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO. RETENÇÕES NA FONTE. SALDO NEGATIVO.
A CSLL retida por fontes pagadoras caracteriza mera antecipação do tributo devido ao final do período de competência, devendo, portanto, ser levada ao cômputo do saldo negativo (quando houver) do ano calendário em que houve a retenção, e pela própria empresa que sofreu (e contabilizou) aquela retenção, para fins de apuração do seu (se houver) saldo negativo. Por outro lado, provado que a empresa sucessora ofereceu à tributação as receitas auferidas (e contabilizou as retenções sofridas) decorrentes de notas fiscais emitidas por empresa sucedida após a sua extinção formal (por força da incorporação), é de se reconhecer o direito ao cômputo dessas retenções no seu (da sucessora) saldo negativo.
Numero da decisão: 1201-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para reconhecer como direito creditório (saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2006), em adição ao valor já reconhecido pelas instâncias anteriores, o montante de R$ 90.353,33, devendo a autoridade administrativa homologar as compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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COMPENSAÇÃO. Recorrente XERIUM TECHNOLOGIES BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES EM DIRF. As informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídas das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras, terceiras desinteressadas no litígio, servem como prova das retenções de imposto na fonte que devem ser reconhecidas na composição do saldo negativo. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento. INCORPORAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO. RETENÇÕES NA FONTE. SALDO NEGATIVO. A CSLL retida por fontes pagadoras caracteriza mera antecipação do tributo devido ao final do período de competência, devendo, portanto, ser levada ao cômputo do saldo negativo (quando houver) do ano calendário em que houve a retenção, e pela própria empresa que sofreu (e contabilizou) aquela retenção, para fins de apuração do seu (se houver) saldo negativo. Por outro lado, provado que a empresa sucessora ofereceu à tributação as receitas auferidas (e contabilizou as retenções sofridas) decorrentes de notas fiscais emitidas por empresa sucedida após a sua extinção formal (por força da incorporação), é de se reconhecer o direito ao cômputo dessas retenções no seu (da sucessora) saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para reconhecer como direito creditório (saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 03 27 /2 00 9- 41 Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 3 2 negativo de CSLL do ano calendário de 2006), em adição ao valor já reconhecido pelas instâncias anteriores, o montante de R$ 90.353,33, devendo a autoridade administrativa homologar as compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara , por meio da Resolução 1102000.233, de minha relatoria. Fazse oportuno reprisar os fatos e alegações anteriores à referida Resolução. Tratase de recurso voluntário interposto por XERIUM TECHNOLOGIES BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, contra a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da DRF/PiracicabaSP, o qual, por sua vez, reconhecera apenas parcialmente o direito creditório reclamado, homologando as compensações declaradas até o limite do saldo reconhecido. O crédito alegado é de saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 201.594,74. Inicialmente foi proferido pela DRF/Piracicaba o Despacho Decisório nº 848695198 (fls. 4 e 2631) em 07/10/2009, no qual foi reconhecido o montante de R$ 61.087,50. Na manifestação de inconformidade apresentada, arguiu o contribuinte que a DRF deveria ter considerado como pagamento para compor o crédito informado no PER/DCOMP os valores retidos de CSLL demonstrados na Ficha 54 da DIPJ/2007, referente anocalendário de 2006, e juntou uma relação dos valores de CSLL retidos na fonte, totalizando R$ 140.507,24. Tal valor, somado aos R$ 61.087,50 reconhecidos pela DRF, perfaz o total do crédito alegado, de R$ 201.594,74. A DRJ proferiu o Acórdão 1237.648, em 02 de junho de 2011, declarando nulo o despacho decisório, por incongruência entre o seu resultado e a motivação, conforme ementa a seguir: Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 4 3 FALTA DE EXAME DO MÉRITO. NULIDADE. É nulo o Despacho Decisório cujo motivo apresentado não guarde coerência lógica com o seu resultado. Seguiuse novo Despacho Decisório (DRF/PCA nº 554, fls. 97103), por meio do qual foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 61.967,13. De acordo com o Despacho, o saldo negativo reclamado, no valor de R$ 201.594,74, tem origem: (i) nas estimativas mensais de janeiro, maio, agosto, setembro, outubro e novembro de 2006, as quais foram informadas como deduzidas com CSLL retida na fonte e pagas com DARF, e (ii) dedução da CSLL devida no ajuste anual através de retenções na fonte do mesmo tributo. A CSLL retida na fonte utilizada para deduzir das estimativas mensais foi no valor de R$ 129.194,31, e, para deduzir do ajuste anual, foi de R$ 11.312,93, o que totaliza os R$ 140.507,24 de retenções que o contribuinte teria sofrido. Entretanto, nos sistemas eletrônicos da RFB (DIRF) só restou confirmado o montante de R$ 879,63, valor este que representa a parte de CSLL (1%) do total retido na fonte (4,65%) através do código de receita 5952 (R$ 4.090,29). Em nova manifestação de inconformidade apresentada, o contribuinte reiterou os mesmos argumentos já expendidos anteriormente, apenas acrescentando que os valores demonstrados na Ficha 54 da DIPJ/2007 (retenções de CSLL), e não considerados pelo Despacho Decisório, estão em nome da Empresa HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 03.432.843/000406, que foi incorporada pela Recorrente em Jan/2006. Sobreveio então o Acórdão 1245.751, de 25 de abril de 2012, por meio do qual foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, e cuja ementa encontrase a seguir transcrita: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. CSLL RETIDA NA FONTE. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL retida na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não seja confirmada por comprovante de retenção. CSLL RETIDA NA FONTE. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. A CSLL retida na fonte somente poderá ser compensada na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte comprovar que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. Em síntese, entendeu a Turma julgadora que a recorrente não se desincumbiu do seu ônus de provar a retenção. Consignou que, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, foi confirmada a incorporação da HUYCK em janeiro de 2006, e que foram confirmadas Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 5 4 em DIRF algumas das retenções de CSLL de fevereiro a dezembro relativas a fontes pagadoras relacionadas na Ficha 54 da DIPJ/2007, no montante de R$ 86.555,71, contudo, não comprovou o contribuinte que a receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, motivo pelo qual não pode ser reconhecido o referido montante. E, com relação aos restantes R$ 53.071,90, caberia à interessada trazer aos autos os Comprovantes Anuais de Retenção emitidos pelas fontes pagadoras. A decisão foi tomada por maioria, restando vencido um dos julgadores, que votou pelo reconhecimento do valor correspondente às retenções de CSLL atestadas em DIRF. Cientificada desta decisão em 07.05.2012, conforme AR de fls. 245, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06.06.2012, fls. 2471059, no qual, em síntese, informa trazer os seguintes elementos para comprovar definitivamente as retenções sofridas: (i) relação dos serviços prestados pela Recorrente e por sua incorporada, a Huyck Indústria e Comércio S/A; (ii) cópias das Notas Fiscais de Serviço emitidas, consignando a retenção da CSLL; (iii) informes de rendimentos emitidos pelos tomadores de serviço, indicando os valores dos tributos retidos na fonte, inclusive a CSLL; (iv) extratos obtidos no Sistema DIRF de fontes pagadoras, comprovando que a própria Receita Federal tinha acesso a informações sobre retenções na fonte em valor muito superior aos R$ 879,63 reconhecidos pela decisão de primeira instância; (v) lançamentos contábeis que comprovam o regular registro das receitas decorrentes das prestações de serviços. Argui, ainda, que autoridades julgadoras não poderiam ter deixado de considerar as retenções na fonte relativas a serviços prestados no mês de janeiro de 2006, pois a incorporação ocorreu somente em 30 de janeiro de 2006, e a recorrente somente recebeu os informes de rendimentos no encerramento do anocalendário de 2006, quando a HUYCK já havia sido incorporada pela Recorrente. Portanto, as retenções referentes a períodos anteriores à incorporação também devem ser consideradas. Finaliza requerendo o integral provimento do recurso, com o reconhecimento seu direito creditório no valor de R$ 201.597,74, e a consequente homologação das compensações a ele associadas. Na sessão de 13 de fevereiro de 2014, considerando o teor da defesa, e das provas apresentadas em sede recursal, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: “(...)para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Intime o contribuinte a apresentar os elementos de sua escrituração que comprovem o oferecimento à tributação dos rendimentos advindos das notas fiscais emitidas pela Huyck Indústria e Comércio S/A, das quais decorreram as retenções de CSLL sofridas, bem como os elementos que comprovem as próprias retenções; 2. Proceder de igual forma com relação às notas fiscais emitidas pela própria recorrente; 3. Com base nestes elementos, e em outros que entenda necessário coletar, elabore relatório conclusivo acerca do montante das retenções de CSLL sofridas: (i) pela recorrente em 2006, que correspondam a receitas por ela oferecidas à tributação; (ii) no caso Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 6 5 das retenções sofridas pela Huyck Indústria e Comércio S/A, no ano de 2006, proceda da mesma forma, especificando, para cada retenção sofrida, em que mês foi auferida a correspondente receita que gerou a sua retenção, e se essas não foram já aproveitadas pela Huyck Indústria e Comércio S/A; 4. Do relatório lavrado, dê ciência à recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias.” A autoridade fiscal, sintetizando o resultado das diligências efetuadas, elaborou o “Relatório Fiscal” de fls. 24522461, do qual destacase os seguintes pontos: A contribuinte foi intimada a preencher um PER/DCOMP do tipo de crédito Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2006, mas sem transmitir esse documento, apenas preenchendo as respectivas fichas relacionando os valores de CSLL Retida na Fonte a que a empresa entende ter direito, relacionando tanto as retenções sofridas pela XERIUM quanto pela HUYCK, bem como a preencher duas planilhas relativas às Notas Fiscais de prestação de serviço (uma para cada uma das empresas – XERIUM e HUYCK), informando os dados relativos ao valor da prestação do serviço, da retenção de CSLL, da conta e da data dos respectivos lançamentos contábeis, e das folhas do processo onde se encontram. Da análise de todas as informações prestadas e verificações feitas, elaborou a fiscalização uma tabela sintetizando os dados, verbis: “A Tabela 1 a seguir demonstra os números, especialmente os valores informados no PER/DCOMP (coluna C), os valores confirmados em DIRF (coluna F), a glosa efetuada das retenções sofridas pela empresa Huyck Indústria e Comércio S.A. no mês de janeiro de 2006 (coluna H), folhas digitais 2278/2283, tendo em vista a informação na Resolução nº 1102000.233, folha digital 1777, de que essas retenções não poderiam compor o crédito. O total confirmado está representado na coluna I (limitado à coluna C) e a glosa total está representada na coluna J. As fontes pagadoras foram agrupadas pelo CNPJ básico. Para o cálculo da CSLL retida foi observado o disposto na Instrução Normativa SRF nº 459, de 2004 (percentual total de 4,65%, sendo 1% referente à CSLL).” Com base nestas premissas, para um total informado pelo contribuinte no “PER/DCOMP” de R$ 114.107,26, foram reconhecidos R$ 91.232,96. Nestes termos, conclui que o saldo negativo se afiguraria no montante de R$ 152.320,46. Cientificada do relatório da diligência, manifestouse o contribuinte, alegando que “identificou que algumas das retenções na fonte de CSLL do período ainda não foram consideradas na determinação do saldo negativo de CSLL”. Aduz que os documentos apresentados em atendimento à diligência “comprovam cabalmente que a Recorrente ou sua sucedida sofreram a retenção da CSLL sobre notas fiscais emitidas no curso do anocalendário de 2006, sendo essa a comprovação suficiente para que tais valores integrem o saldo negativo de CSLL do período independentemente do efetivo recolhimento dos valores retidos pela fonte pagadora ou a informação em DIRF também pela fonte pagadora.” Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 7 6 E, ainda, que “os valores de CSLL retidos da empresa Huyck Indústria e Comércio S.A. (Doc. 01), conforme identificados pelo Relatório Fiscal de 07 de agosto, não deveriam ser glosados pelas dd. autoridades fiscais, uma vez que se tratam das retenções de CSLL de Janeiro de 2006, identificados nos comprovantes de rendimentos das referidas fontes pagadoras (Doc. 02).” Reprisa o argumento de que os referidos créditos não foram informados na DIPJ 2006, de evento especial (Incorporação/Incorporada) da HUYCK, e de que somente recebeu os informes de rendimentos no encerramento do anocalendário de 2006, de modo que, “além do crédito já reconhecido no valor de R$ 152.320,46, a Recorrente requer o reconhecimento minimamente do crédito de R$ 11.640,10, decorrente das retenções expostas nessa manifestação.” É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cediço que, em sede de restituição/compensação, compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. As informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, e a este cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. O fisco, ao pesquisar nos seus sistemas as informações relativas às retenções de CSLL que o contribuinte alegou ter sofrido, verificou inicialmente a existência de retenções em seu nome no montante de tão somente R$ 879,63, dentre um total de R$ 140.507,24 que alegava ter sofrido. Contudo, em sede de impugnação (a segunda impugnação, da qual originou se o acórdão recorrido), informou o contribuinte que as retenções teriam sido feitas em nome da sua incorporada, a empresa Huyck Indústria e Comércio S/A. A decisão recorrida confirma que a HUYCK foi incorporada pela recorrente em janeiro de 2006. O documento de efls. 143148 (e pesquisa de efls. 172174) ratificam que o evento se deu no dia 31 de janeiro de 2006. A incorporação é evento societário do qual decorre a extinção da pessoa jurídica incorporada, nos termos do art. 227 da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976: “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. (...) Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 8 7 § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação.” Assim, afigurase no mínimo estranho que as retenções possam ter sido feitas em nome de empresa já extinta, assim como também se afigura estranho que a recorrente (XERIUM) possa ter registrado na sua escrita notas fiscais (e respectivas retenções) que teriam sido emitidas por outra empresa (sua sucedida HUYCK) já extinta. Apesar disto, contudo, o colegiado decidiu inicialmente pela conversão do julgamento em diligência para melhor averiguação desta situação. Vejase que já quando da diligência, o próprio contribuinte elaborou planilhas em que o valor total das retenções demandadas baixou, dos R$ 140.507,24 iniciais, para R$ 114.107,26. Este é o resultado da soma das planilhas de efls. 2027/2028 (“Planilha de NF de Prestação de Serviços do CNPJ básico 03.432.843 Huyck Ind Com S/A”), no valor de R$ 25.081,33, e de efls. 2029/2038 (“Planilha de NF de Prestação de Serviços do CNPJ básico 58.309.998 Xerium Tec Brasil Ind Com”), no valor de R$ 89.025,90. Analisandose a primeira planilha (HUYCK), verificase que se trata de notas fiscais que foram contabilizadas pela própria HUYCK entre os meses de julho de 2005 a janeiro de 2006. É o que se confirma nos livros Razão apresentados pela contribuinte em atendimento à diligência. A título de exemplo, tomese a Nota Fiscal no 10275 (última nota listada na referida planilha, emitida em 31/01/2006), a qual se encontra registrada no livro Razão da HUYCK da seguinte forma: receita às efls. 2079, no valor de R$ 17.548,00 (pág. 110 do livro Razão5), e retenção de CSLL às efls. 2063, no valor de R$ 194,48 (pág. 106 do livro Razão 5). A nota fiscal encontrase às efls. 417. O protesto da recorrente para que sejam consideradas tais retenções não possui nenhum respaldo legal. No período anterior à incorporação, as receitas auferidas, e as retenções eventualmente sofridas, pertencem àquela pessoa jurídica. Ela é quem deveria apurar o seu resultado e o seu eventual saldo negativo de contribuição recolhida, e pleitear a sua restituição/compensação. Se a empresa escriturou corretamente suas operações, não precisa aguardar o recebimento, ao final do ano, ou no ano seguinte, do respectivo comprovante anual de retenções emitido pela fonte pagadora, para saber quais receitas auferiu, ou quais retenções sofreu. Não há como acolher, portanto, esta pretensão da recorrente. Ademais, além de serem receitas (e retenções) pertencentes a outra pessoa jurídica, temse ainda que significativa parte das retenções pleiteadas sequer é do próprio ano calendário cujo saldo negativo se encontra em discussão (2006), ou seja, a recorrente pretendia ainda deduzir, na sua apuração da CSLL de 2006, retenções que a sua incorporada sofrera (e contabilizara) em 2005. Nada mais despropositado. Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 9 8 Por outro lado, nada obstante a estranheza que causa toda a situação já ao norte exposta, o fato é que, com a diligência, verificouse que efetivamente a recorrente (XERIUM) de fato contabilizou, na sua escrita, as receitas relativas às notas fiscais emitidas pela HUYCK após a sua extinção por incorporação. São as notas fiscais que se encontram listadas na segunda planilha citada (“Planilha de NF de Prestação de Serviços do CNPJ básico 58.309.998 Xerium Tec Brasil Ind Com”) A título de exemplo, tomese a Nota Fiscal no 10287 (primeira nota listada nesta segunda planilha), a qual foi emitida pela HUYCK em 06/02/2006, e se encontra registrada no livro Razão da XERIUM da seguinte forma: receita às efls. 2129, no valor de R$ 2.805,00 (pág. 445 do livro Razão1), e retenção de impostos e contribuições (4,65%) lançada contabilmente somente em 07/04/2006 às efls. 2089, no valor de R$ 130,43 (pág. 201 do livro Razão1), dos quais R$ 28,05 correspondem à retenção de CSLL (a reclassificação contábil para a conta de CSLL a recuperar foi feita no dia 27/04, conforme efls. 2088 (pág. 200 do livro Razão1). A citada nota fiscal encontrase às efls. 418. Assim, deve ser reconhecido à recorrente o direito ao cômputo das retenções que sofreu nestas condições. A recorrente, em sua manifestação ao resultado da diligência, afirma que provou que sofreu a retenção da CSLL sobre as notas fiscais emitidas, sendo isto suficiente para que as mesmas sejam consideradas no saldo negativo apurado, independentemente da informação em DIRF também pela fonte pagadora. Tratase, em primeiro lugar, de uma alegação genérica, que não especifica com precisão aonde estariam as divergências que reclama. De qualquer sorte, muito embora a autoridade executora da diligência tenha efetivamente levado em consideração tão somente as retenções confirmadas em DIRF, o fato é que acabou por confirmar, neste caso, um valor superior inclusive ao que fora pedido pela própria contribuinte. De fato, o contribuinte informara na referida planilha, conforme já relatado, que teria retenções a aproveitar no valor de R$ 89.025,90 (referente às retenções de CSLL feitas em nome da HUYCK, mas relativas a receitas que foram escrituradas e reconhecidas pela XERIUM). E a autoridade fiscal executora da diligência acabou por confirmar a possibilidade do aproveitamento de retenções de CSLL, com essas características, no montante de R$ 91.232,96. Assim, restam completamente sem objeto os protestos feitos. Em conclusão, temse que, dos R$ 140.507,24 de retenções inicialmente reclamados, a contribuinte tem direito ao cômputo no saldo negativo de CSLL de retenções no montante de R$ 91.232,96 (diferença — retenções não reconhecidas — de R$ 49.274,28). Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.910327/200941 Acórdão n.º 1201001.300 S1C2T1 Fl. 10 9 Daí porque, do saldo negativo inicialmente reclamado (R$ 201.594,74), confirmase somente R$ 152.320,46, exatamente o valor que foi apurado na diligência efetuada. Sabendose que o despacho decisório DRF/PCA nº 554 já havia reconhecido o direito creditório no montante de R$ 61.967,13, cumpre reconhecer por meio deste voto o valor adicional de R$ 90.353,33. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer como direito creditório (saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2006), em adição ao valor já reconhecido pelas instâncias anteriores, o montante de R$ 90.353,33, devendo a autoridade administrativa homologar as compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência da matéria. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 18239.000796/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme determina a legislação, da decisão sobre a impugnação caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.
O descumprimento do prazo para a interposição do recurso acarreta seu não conhecimento, devido à preclusão temporal, como ocorreu no presente caso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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PRECLUSÃO TEMPORAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Conforme determina a legislação, da decisão sobre a impugnação caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O descumprimento do prazo para a interposição do recurso acarreta seu não conhecimento, devido à preclusão temporal, como ocorreu no presente caso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 07 96 /2 01 0- 52 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18239.000796/201052 Acórdão n.º 2402004.906 S2C4T2 Fl. 91 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. A dedução de cota relativa a dependente qualificado como companheiro(a) requer a prova de coabitação, por prazo superior a cinco anos; ou a comprovação de que, da união, tenha resultado o nascimento de filho(s). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação, mediante apresentação de documentação idônea, das despesas médicas glosadas, impõe o restabelecimento das correspectivas deduções. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Despesas incorridas com pensão alimentícia judicial, em face do cumprimento de normas do direito de família, são dedutíveis da base de cálculo do imposto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 19ª Turma de Julgamento, por maioria, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o imposto suplementar de R$ 503,44, sujeito à multa de ofício e juros legais. Vencido o julgador Gilberto Eduardo Gonçalves da Silva Fisher, contrário à aceitação dos recibos de fls 18, por não conterem a indicação do endereço do prestador. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), o lançamento referese a: 1. Dedução indevida de dependente, regularmente intimado o contribuinte não atendeu a intimação para esclarecimentos; 2. Dedução indevida de despesas médicas, regularmente intimado o contribuinte não atendeu a intimação para esclarecimentos; e Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 3. Dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, regularmente intimado o contribuinte não atendeu a intimação para esclarecimentos. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 001, em 03/03/2010, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que o contribuinte busca justificar deduções glosadas por documentos apresentados. A DRJ solicitou diligência, para apresentação de novos documentos. O contribuinte apresentou documentação, em resposta à diligência. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando a impugnação procedente em parte, pois mantevese no lançamento : 1. A dedução indevida de dependente, pois, em síntese, o contribuinte não conseguiu comprovar que a vida em comum por prazo superior a cinco anos, como determina o II, § 1º, Art. 77, do Decreto 3.000/99; e 2. A dedução indevida de despesas médicas com dependente, co participação, que foi excluída dessa condição. Em 15/04/2013, o recorrente foi cientificado da decisão, conforme AR. Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 21/05/2013, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Apresenta documentação comprobatória da vida em comum com sua dependente declarada, com documento escriturado em cartório público, datado de 15/05/2005, desconto de plano de saúde em contra cheque e proposta de seguro de vida em grupo e acidente s pessoais e coletivos, com data inicial de 01/07/2000; e 2. Anexa, também, documentos de 2013. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18239.000796/201052 Acórdão n.º 2402004.906 S2C4T2 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator ADMISSIBILIDADE Quanto à tempestividade, há questão a ser analisada. O contribuinte, conforme AR, foi cientificado da decisão em 15/04/2013. A apresentação de seu recurso foi em 21/05/2013, conforme carimbo. O prazo para apresentação de recurso consta da legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A apresentação do recurso extrapolou o prazo determinado, motivo de seu não conhecimento. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 19311.000202/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ARGUMENTO NÃO APRECIADO EM PRELIMINAR. Inexiste qualquer irregularidade na decisão que desloca para a apreciação de mérito argumento deduzido como preliminar em defesa administrativa.
PAGAMENTOS EFETUADOS POR CONTA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES. Configurada está a hipótese de incidência do IRRF, quando comprovado que a pessoa jurídica assumiu todo o encargo financeiro da operação de aquisição de quotas pelos sócios administradores, tendo custeado não apenas o pagamento devido ao alienante, mas também as despesas com traduções, avaliações, seguro, serviços advocatícios e carta fiança. CÁLCULO DA RETENÇÃO. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, quaisquer rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, para os quais não haja incidência específica e não estejam incluídos entre aqueles tributados exclusivamente na fonte.
FONTE PAGADORA DE RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. JUROS ISOLADOS. Verificada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física.
NULIDADE. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ERROS. Nos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as questões de mérito não se confundem com aquelas que dizem respeito à nulidade do ato, e a matéria relativa à determinação da base de cálculo da multa isolada e dos juros isolados, por envolver a dimensão material e quantitativa da incidência, diz respeito ao mérito, e não a aspectos extrínsecos ou formais do lançamento.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1302-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por impossibilidade de desconsideração dos atos praticados; 3) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento dos juros de mora isolados, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao mérito, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio que dava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005 NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ARGUMENTO NÃO APRECIADO EM PRELIMINAR. Inexiste qualquer irregularidade na decisão que desloca para a apreciação de mérito argumento deduzido como preliminar em defesa administrativa. PAGAMENTOS EFETUADOS POR CONTA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES. Configurada está a hipótese de incidência do IRRF, quando comprovado que a pessoa jurídica assumiu todo o encargo financeiro da operação de aquisição de quotas pelos sócios administradores, tendo custeado não apenas o pagamento devido ao alienante, mas também as despesas com traduções, avaliações, seguro, serviços advocatícios e carta fiança. CÁLCULO DA RETENÇÃO. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, quaisquer rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, para os quais não haja incidência específica e não estejam incluídos entre aqueles tributados exclusivamente na fonte. FONTE PAGADORA DE RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. JUROS ISOLADOS. Verificada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física. NULIDADE. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ERROS. Nos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as questões de mérito não se confundem com aquelas que dizem respeito à nulidade do ato, e a matéria relativa à determinação da base de cálculo da multa isolada e dos juros isolados, por envolver a dimensão material e quantitativa da incidência, diz respeito ao mérito, e não a aspectos extrínsecos ou formais do lançamento. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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ARGUMENTO NÃO APRECIADO EM PRELIMINAR. Inexiste qualquer irregularidade na decisão que desloca para a apreciação de mérito argumento deduzido como preliminar em defesa administrativa. PAGAMENTOS EFETUADOS POR CONTA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES. Configurada está a hipótese de incidência do IRRF, quando comprovado que a pessoa jurídica assumiu todo o encargo financeiro da operação de aquisição de quotas pelos sócios administradores, tendo custeado não apenas o pagamento devido ao alienante, mas também as despesas com traduções, avaliações, seguro, serviços advocatícios e carta fiança. CÁLCULO DA RETENÇÃO. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, quaisquer rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, para os quais não haja incidência específica e não estejam incluídos entre aqueles tributados exclusivamente na fonte. FONTE PAGADORA DE RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. JUROS ISOLADOS. Verificada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física. NULIDADE. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ERROS. Nos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as questões de mérito não se confundem com aquelas que dizem respeito à nulidade do ato, e a matéria relativa à determinação da base de cálculo da multa isolada e dos juros isolados, por envolver a dimensão material e quantitativa da incidência, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 02 02 /2 00 9- 12 Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 3 2 diz respeito ao mérito, e não a aspectos extrínsecos ou formais do lançamento. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por impossibilidade de desconsideração dos atos praticados; 3) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento dos juros de mora isolados, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; e 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao mérito, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio que dava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório IFC INTERNATIONAL FOOD COMPANY INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A (IFC), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 18/05/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 8.440.707,83. Os autos foram inicialmente sorteados para relatoria do Conselheiro Antonio Lopo Martinez, integrante da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho. Contudo, por meio da Resolução nº 2202000.550, aquele Colegiado resolveu declinar competência em favor desta 1ª Seção de Julgamento, dada a conexão deste processo com os processos administrativos n° 19311.000203/200967 (Matéria: IRPJ e CSLL; Interessado: IFC), 19311.000201/200978 (Matéria: IRPF; Interessado: José Barbosa Machado Neto) e 19311.000200/200923 (Matéria: IRPF; Interessado: Alessandra Orlandi Barbosa Machado). No Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal às fls. 829/866 a autoridade lançadora assim principia o relato dos fatos constatados: Sócios remanescentes da empresa IFC (novo nome da empresa Jack Link´s) adquiriram quotas que pertenceram a sócios retirantes. A aquisição, de valor superior ao patrimônio líquido da empresa, foi paga com recursos da própria empresa. Foi concedido um empréstimo a empresa investidora, seguido de incorporação sem restituição da quantia emprestada, com assunção de dívida remanescente e transferência das quotas às pessoas físicas. Os efeitos tributários são diferentes dos imaginados pelo contribuinte. Depois de abordar as operações investigadas, a autoridade lançadora afirma: No que respeita à aquisição de quotas, a questão central de interesse fiscal é a transferência de recursos da empresa aos sócios. A operação realizada contém, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O mútuo entre a IFC e a Zest é, em tese, um negócio simulado. O negócio dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra, estes sim os verdadeiros compradores das quotas. O ilícito societário é a retirada pelos sócios, sem reposição, de recursos da empresa em prejuízo do capital. O ilícito tributário é o não recolhimento de: a) Imposto de Renda Pessoa Física e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidentes sobre recursos distribuídos além do lucro contábil apurado; b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL decorrentes da distribuição disfarçada de lucros (DDL), através da transferência gratuita de ativos (invoices e intangíveis) para os sócios; c) IRPJ e CSLL decorrentes da dedução indevida de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimentos, glosa de despesas de juros e variações monetárias ativas e passivas. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 5 4 O fiscal autuante detalha os elementos reunidos durante o procedimento fiscal e a legislação de regência, motivando a exigência formalizada nestes autos nos termos a seguir reproduzidos: d) Multa isolada e juros por não retenção de IRRF. José e Alessandra beneficiaramse dos custos arcados pela IFC, no valor de R$49.874.396,16, conforme planilha "Pagamentos realizados em benefício dos sócios" anexa, onde os custos estão discriminados conforme registrados em conta Empréstimo de Sócios da empresa Zest e parcelas pagas pela IFC após a incorporação. Esses pagamentos constituem distribuição de recursos aos sócios em valor superior ao lucro apurado pela contabilidade. Portanto, não se incluem na isenção prevista no artigo 39, inc. XXIX, e 654 do RIR/99. O aumento da riqueza dos sócios, embora realizado em contrapartida a uma diminuição da riqueza da empresa, constitui rendimento tributável, conforme disposto na Lei 7.713/88, art 3º, §4º; Decreto 3.000/99 RIR arts. 37 e 38; e IN SRF n° 15/2001, art. 5, §§ 7° e 8°. Tratandose de fraude a lei societária com utilização, em tese, de simulação, incide o artigo 55, inciso X do RIR/99. Está sujeito à retenção na fonte, conforme arts 620 e 639 do RIR/99. Não houve retenção na fonte, como se verifica na DIRF emitida pela IFC juntada ao processo. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte apresentou cópia de Contrato de Licença de Uso de Patente celebrado em 31/10/2005 com o sócio José Machado Barbosa Neto. Verificase no livro razão lançamentos a crédito da conta 21020305 Empréstimo de Sócios, em contrapartida a débitos à conta 11040107 Royalties a Pagar Patentes Sócios em 31/10/2005 e 26/12/2005. Posteriormente, os empréstimos foram pagos pela IFC com a transferência de um imóvel (chácara) a José e Alessandra, casados em regime de comunhão parcial de bens, conforme cópias de documentos fornecidos pela IFC e juntados ao processo. O contribuinte não declarou em DIRF a retenção do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre os royalties pagos, conforme arts 620, 631 e 717 do RIR/99. Não encontramos recolhimentos da empresa relativos ao IRRF devido sobre os royalties pagos. O não recolhimento de IRRF pela fonte pagadora sujeitaa ao lançamento de multa e juros previstos no art. 9º da Lei n° 10.426/2002; no art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96; nos arts. 722 e 957 do RIR/99, conforme Parecer Normativo SRF n° 1 de 24/09/2002, item 16, b) e subitem 16.1. Na planilha "Pagamentos realizados em benefício dos sócios" as datas de vencimento foram obtidas no sítio da Receita Federal na Internet, opção Agenda Tributária, utilizando os códigos 8045 Demais Rendimentos, para os pagamentos em benefício dos sócios, e 3208 Royalties. A planilha anexa "Taxa SELIC acumulada para cálculo de juros" apresenta as taxas utilizadas. Tendo em vista os valores mensais das retiradas individuais dos sócios (DIRF juntada ao processo) a aplicação da tabela progressiva do imposto dáse pela alíquota de 27,5%. Efetuamos o lançamento de multa isolada e juros pelo não recolhimento de IRRF sobre os pagamentos listados. Aplicase multa isolada no valor de 50% do imposto não retido e juros devidos no período entre a data em que deveria ter sido recolhido o imposto e a data de entrega da declaração de ajuste da pessoa física. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 6 5 Impugnando a exigência, a contribuinte deduziu as mesmas razões de fato e de direito apresentadas contra os lançamentos de IRPJ e CSLL, além de arguir a nulidade do lançamento em virtude de erro na base de cálculo da multa e dos juros isolados porque a autoridade fiscal não teve em conta que os supostos rendimentos teriam sido creditados a dois de seus sócios, exigindo imputação proporcional à participação de cada um deles. Afirmou a nulidade do lançamento referente aos juros isolados por ausência de capitulação legal na autuação, além de erro de cálculo referente ao fato gerador ocorrido em 29/12/2005, e asseverou que a presente exigência caracteriza duplicidade em relação aos autos de infração lavrados contra as pessoas físicas dos sócios. Discorreu sobre o caráter confiscatório das penalidades exigidas e sobre a ilegalidade dos juros de mora calculados com base na taxa SELIC. A Turma Julgadora reconheceu a conexão desta exigência com os processos administrativos referidos pela contribuinte, adotou as mesmas razões de decidir ali apresentadas para confirmar a acusação fiscal, afastou as arguições de nulidade do presente lançamento, declarou a regularidade dos cálculos elaborados pela Fiscalização e retificou, apenas, os juros isolados calculados sobre o pagamento de 29/12/2005, exonerando parcialmente a exigência. A decisão restou assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006,2007 Lançamentos Conexos. Simulação das Operações Societárias. No que diz respeito à caracterização, como simuladas, das operações societárias de aquisição de quotas, por interposta pessoa jurídica, e da subseqüente incorporação desta última, devem ser reproduzidas, nos presentes autos, as razões de decidir já adotadas na apreciação de outro lançamento, efetuado em função do mesmos fatos. Nulidade. Determinação da Base de Cálculo. Erros. Nos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as questões de mérito não se confundem com aquelas que dizem respeito à nulidade do ato, e a matéria relativa à determinação da base de cálculo da multa isolada e dos juros isolados, por envolver a dimensão material e quantitativa da incidência, diz respeito ao mérito, e não a aspectos extrínsecos ou formais do lançamento. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2005 Pagamentos Efetuados Por Conta dos Sócios Administradores. Configurada está a hipótese de incidência do IRRF, quando comprovado que a pessoa jurídica assumiu todo o encargo financeiro da operação de aquisição de quotas pelos sócios administradores, tendo custeado não apenas o pagamento devido ao alienante, mas também as despesas com traduções, avaliações, seguro, serviços advocatícios e carta fiança. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 7 6 Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, quaisquer rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, para os quais não haja incidência específica e não estejam incluídos entre aqueles tributados exclusivamente na fonte. Fonte Pagadora do Rendimento. Falta de Retenção e Recolhimento. Multa Isolada. Juros Isolados. Verificada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física. Detectado erro na determinação do cálculo dos juros de mora devidos, deve ser retificada a exigência. Duplicidade de Exigências. Multa e Juros Isolados. Não configura duplicidade de exigências, a incidência da multa isolada, devida pela fonte pagadora, por falta de retenção do imposto, e a incidência das multas de ofício, devidas pelas pessoas físicas e jurídica, por falta de pagamento do IRPF e do IRPJ, em face da tributação das operações ocultadas mediante simulação. O crédito tributário exonerado representou montante inferior ao definido na Portaria MF nº 3/2008 e não se sujeitou a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/11/2009 (fl. 1070), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/12/2009 (fls. 1074/1143). No relato inicial a recorrente observa que a exigência em questão decorre da desconsideração da operação de aquisição de quotas da ora Recorrente pela empresa Zest Investimentos Participações e Negócios Ltda com a sua posterior incorporação pela IFC. Apresenta breve histórico das operações para aquisição de 60% da participação na autuada, inicialmente formalizada por José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, mas que, por motivos de ordem empresarial, tratados mais adiante, acabou sendo concretizada pela Zest, empresa de titularidade de José e Alessandra. Detalha os passos da contratação e de sua liquidação, observa que a Fiscalização não questionou a recorrente acerca das razões que levaram a reorganizar suas atividades e a implementar as operações societárias que culminaram na autuação ora contestada, mas, sem por em dúvida a operação de compra ou o pagamento do preço, o fiscal autuante defendeu o cancelamento desta operação em razão da causa presumida de: 1) aproveitamento do ágio; e 2) transmissão não onerosa das quotas da IFC aos seus atuais sócios com economia tributária. Contudo, a autuação seria manifestamente descabida, devendo ser prontamente reformada a r. decisão de primeira instância, cancelandose o Auto de Infração, bem como julgados insubsistentes os lançamentos. Preliminarmente, porém, argúi a nulidade da decisão de 1ª instância, porque a D. Autoridade Julgadora deixou de analisar as nulidades apontadas pela Recorrente por entender que estas seriam de ordem material e não formal e, portanto, deveriam ser analisadas juntamente com o mérito, e isto em razão da interpretação do disposto no artigo 59, §3º do Decreto nº 70.235/72. Contudo, referido dispositivo somente dispensa a autoridade julgadora de declarar a nulidade do ato quando for possível julgar o mérito de forma favorável ao sujeito passivo. No presente caso, porém, o lançamento foi mantido, a evidenciar ofensa aos princípios da legalidade, contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 8 7 Na sequência, argúi a nulidade do auto de infração em razão da ausência de previsão legal para amparar o procedimento do Fisco de desconsiderar a operação praticada pela Recorrente, observando que ao admitir este procedimento com base no art. 149, VII do CTN a autoridade julgadora não promove interpretação sistêmica do ordenamento jurídico aplicável ao caso. Entende indispensável a desconsideração do ato para constituição do crédito tributário, mas inexiste lei que autorize a autoridade administrativa a assim proceder. Reporta se ao parágrafo único do art. 116 do CTN e cita doutrina em favor da necessidade de sua regulamentação procedimental por lei ordinária, afirmando que o art. 149, VII do CTN não autoriza a autoridade administrativa a afastar o ato praticado em suposta simulação. Afirma também a nulidade do auto de infração em virtude do erro na apuração da base de cálculo da multa e juros isolados sobre a falta de retenção do imposto de renda na fonte, pois qualquer inobservância do procedimento de identificação do fato gerador e cálculo dos tributos devidos e da penalidade aplicável enseja a nulidade do lançamento. E, no caso, a D. Autoridade Fiscal, ao apurar a multa e os juros isolados, tomou por base de cálculo o valor decorrente da aplicação da alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) sobre o valor integral dos supostos rendimentos creditados às pessoas físicas dos sócios da Recorrente, quando o correto seria o fiscal autuante proceder, primeiramente, à imputação proporcional da participação de cada um dos sócios da Recorrente nos rendimentos efetuados, procedimento este adotado quando da lavratura dos autos de infração contra as pessoas físicas. A partir desta imputação, a Fiscalização calcularia o suposto valor a ser retido mediante a aplicação da tabela progressiva quando do creditamento dos rendimentos em questão, o que lhe permitiria verificar que, em determinadas situações, os pagamentos não se sujeitariam a qualquer espécie de retenção, na medida em que o valor creditado estaria abarcado pela isenção, conforme tabela vigente à época dos fatos, ou mesmo submeterseia a alíquotas inferiores às supostamente aplicáveis sobre o valor integral, reduzindo a base de cálculo da multa e dos juros. Observa que a alegação fiscal de que o prólabore recebido pelos sócios já atingira a alíquota máxima do imposto de renda não autoriza o procedimento realizado porque, para aplicação da tabela progressiva, ao menos no que se refere à necessidade ou não de retenção, deve ser respeitada a espécie do rendimento creditado, não havendo que se considerar como única forma de rendimento a integralidade dos valores creditados. Acrescenta que a Fiscalização afirma a falta de retenção de imposto em razão de valores creditados aos sócios sob quatro rubricas distintas, submetidas a retenção na fonte em razão de diferentes dispositivos legais. Apresenta cálculos no formato explicitado na defesa e, invocando o art. 142 do CTN e doutrina, além dos princípios da legalidade, impessoalidade, nãoconfisco e moralidade, afirma inconteste a nulidade do lançamento das multas e juros isolados, em razão da suposta não retenção, pela Recorrente, do imposto de renda retido na fonte. Reitera a arguição de nulidade da imposição de juros isolados em virtude da ausência de capitulação legal, destacando que nos termos do art. 50, inciso II da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, o Fisco deve apresentar os dispositivos legais que fundamentam a suposta infração cometida pelo contribuinte, e a inobservância destes procedimento enseja o cancelamento do auto de infração. Observa que a autoridade fiscal reportase ao art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96 e item 16, "b", subitem 16.1 do Parecer Normativo nº 01/2002, mas a lei referida traz, apenas, a previsão da incidência de juros de mora sobre o pagamento feito após o vencimento, sendo que a única menção acerca da imposição de juros, de forma isolada, está contida no Parecer Normativo nº 01/2002. Discorda do entendimento exposto na decisão recorrida acerca da disposição genérica contida no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96 e invoca o princípio da legalidade afirmando que a exigência Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 9 8 tributária não pode decorrer de normas genéricas, devendo haver determinação expressa de sua incidência. Assevera que, in casu, não há que se falar em débito principal que possibilite a incidência dos juros de mora com base no disposto no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96, dado que a retenção é considerada mera antecipação do imposto devido pelo real beneficiário do rendimento, sendo este responsável pelo seu recolhimento quando da apresentação de sua declaração anual de ajuste. Logo, se a obrigação de oferecimento do rendimento à tributação e responsabilidade pelo recolhimento do imposto é atribuída à pessoa física, não há obrigação de recolhimento de tributo pela pessoa jurídica, não havendo que se falar em cálculo de juros nos termos do dispositivo antes citado. Observa, ainda, que a autoridade julgadora de 1ª instância apontou outros fundamentos legais, diferentes dos apontados no Auto de Infração e que, supostamente, autorizariam o procedimento adotado pela D. Fiscalização, o que evidencia a deficiência da acusação original, desatendendo os requisitos legais para formalização do lançamento. Esclarece que não pretende que o Auto de Infração contenha os dispositivos legais relacionados à competência, decadência, dentre outros, mas sim que sejam apontados os dispositivos legais que fundamentam a exigência dos juros de forma isolada, o que, conforme restou cabalmente demonstrado, não foi observado pela D. Fiscalização. Por fim, aduz que o Parecer Normativo não se presta a legitimar a exigência, vez que obriga, apenas, a Administração Tributária, que também deve se pautar pelo princípio da legalidade, e não pode, por meio de atos administrativos, instituir obrigações. Cita doutrina acerca da necessidade de precisão e clareza do lançamento, argúi prejuízo à sua defesa, transcreve jurisprudência, invoca o art. 142 do CTN e os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, e pede a declaração de nulidade do lançamento de juros de forma isolada. No mérito, aborda a operação realizada, afirmando a existência de propósito negocial. Discorre sobre as dificuldades enfrentadas pela pessoa jurídica nas negociações comerciais com seu único cliente e sócio majoritário, as quais motivaram as negociações para aquisição de 60% de suas quotas por José Barbosa Machado Neto, Alessandra Orlandi Barbosa Machado e Eduardo Jacinto. Definido o valor das quotas, houve a desistência de Eduardo Jacinto e, dada a dificuldade de obtenção da elevada quantia de US$ 30 milhões, a única alternativa restante e que, conforme estudo e negociações firmadas pelo Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi, viabilizaria a aquisição das quotas e, portanto, a sobrevivência da empresa, seria a captação dos recursos por meio de investimento decorrente do ingresso de novo sócio, razão pela qual foram retomadas negociações com um fundo de investimentos interessado em adquirir participação na IFC, criandose uma estrutura societária para sua entrada, sendo utilizada a Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda ZEST, na qual foi integralizada a participação societária que os interessados detinham na IFC, habilitando aquela pessoa jurídica a exercer o direito de aquisição da participação dos vendedores na IFC, e viabilizando a entrada dos novos sócios, agora, diretamente na Zest e, indiretamente, na IFC. Justifica a forma adotada para a substituição dos adquirentes pela ZEST; apresenta as razões pelas quais, ao final, não houve o ingresso do novo investidor; reitera a impossibilidade de captação de recursos para pagamento da aquisição; e assevera que o Sr. José Barbosa e a Sra. Alessandra Orlandi foram compelidos a fazer uso da única solução que a atual conjuntura possibilitaria, a saber, captação dos recursos, por meio de mútuo, diretamente da empresa Jack Link´s, dado que a IFC possuía recursos disponíveis e a sua transferência a título de empréstimo aos seus sócios era plenamente legal e nunca infringiu nenhuma disposição legal. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 10 9 Discorda das manifestações da autoridade julgadora acerca destes esclarecimentos e afirma ter adotado a forma mais lógica para as operações em face das dificuldades enfrentadas. Justifica a incorporação da ZEST pela autuada em razão da desnecessidade de manutenção da estrutura societária resultante da operação anterior, e conclui que as operações tiveram justificativa precipuamente negocial. Acrescenta que a forma adotada não altera o valor patrimonial da referida participação, não podendo se falar, em ocultação de qualquer acréscimo patrimonial que pudesse ser considerado fato gerador do Imposto de Renda, e confronta as hipóteses possíveis para realização das operações, concluindo que: 189. A tese defendida pela D. Fiscalização, mantida pela D. Julgadora não se sustenta, visto que o seu pressuposto é de que tenha havido acréscimo patrimonial gerado às pessoas físicas, o que, conforme exposto nos parágrafos anteriores fica claro que, em nenhum momento, ocorreu. Só seria cabível admitir uma situação de ocorrência, ainda que potencial, de acréscimo patrimonial, caso fosse possível, ao final da operação de incorporação da Zest pela IFC, constatar que as pessoas físicas passaram de 40% de participação original, antes mesmo de sua transferência a título de integralização de capital na Zest, para 100% de participação, sem que a IFC passasse a ter registrado em seu passivo o valor da dívida para com os Vendedores. [...] De uma maneira objetiva, sem considerarmos os efeitos de demais operações usuais da IFC ocorridas no período, podemos afirmar que a diferença, entre as demonstrações financeiras da IFC antes de ter parte de suas quotas transferidas para a Zest e posterior à incorporação da Zest pela própria IFC, corresponde ao registro, em seu passivo, de uma dívida real e efetiva correspondente ao saldo devedor com os Vendedores. Ou seja, não há como se comparar as situações. 192. Ao final, as pessoas físicas passaram a ter 100% de uma empresa cujo valor deve ser reduzido em montante correspondente ao passivo ora registrado, de modo que seria um atentado contra a lógica imaginar que 100% de 40% (neste caso 40% é igual a 100%, diminuído de uma dívida de 60%) é maior que 40% de 100% (situação antes de qualquer operação). Prossegue afirmando a impossibilidade de se desconsiderar o negócio praticado ante à ausência de simulação, dado que os atos praticados estão devidamente justificados, inexistindo intenção de enganar. Invoca o art. 167 do Código Civil, observa que a aquisição ocorreu e que não se verificam os requisitos legais para qualificação do ato como simulado. Cita doutrina, nega a prática de negócio jurídico com vistas a fraudar a lei e ocultar o fato jurídico tributário, opõese a questionamentos específicos apresentados pela Fiscalização especialmente no que tange ao prazo do contrato de mútuo, aborda os efeitos da confusão que extinguiu o mútuo, reitera as razões que justificaram a criação e posterior extinção da ZEST, invoca os princípios constitucionais que regem a ordem econômica, e afirma legítima a operação em razão de seu propósito negocial, mencionando parecer de auditores independentes relativo ao anocalendário 2005, neste sentido. Conclui, assim, pela ilegitimidade da presente autuação com base na operação presumida pelo Sr. Fiscal, discorrendo sobre o arbítrio presente em presunções fiscais, e exigindo a subsunção do fato à norma, pois não é dado ao D. Fiscal a discricionariedade de, a seu bel prazer, recortar os fatos e adequálos às hipóteses de incidência previstas, mormente quando o intuito é, única e exclusivamente, aumentar a arrecadação. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 11 10 Aborda as formas cogitadas pela Fiscalização para os sócios adquirem quotas com recursos da própria empresa, e discorda das conclusões das autoridades fiscal e julgadora reiterando as razões para interposição da ZEST e a desconsideração da operação inicialmente praticada, insistindo na legalidade destes atos, e invocando o art. 112 do CTN contra presunção criada pela Fiscalização, bem como citando doutrina acerca da impossibilidade de se considerar a opção mais onerosa ao contribuinte. Assevera que o registro de reposição de valores não existe porque o negócio praticado, no entender da Recorrente, era legítimo, e este não seria um efeito dele decorrente. Assim, ainda que se cogite de simulação, a Recorrente poderia ter sido intimada a retificar seus registros fiscais para retratar essa nova realidade (mútuo realizado entre a Recorrente e seus sócios), como inclusive fez a Fiscalização em relação aos seus registros no LALUR. Afirma, também, a impossibilidade de aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, quando apurado prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL no exercício, reportandose às exigências nestes sentido veiculadas nos lançamentos de IRPJ e CSLL. Aduz, também, que a aplicação de multa, equivalente a 50% (cinquenta por cento) sobre a estimativa supostamente não recolhida segundo preconizam os dispositivos legais citados no presente Auto de Infração, acarreta manifesta afronta ao princípio do não confisco, previsto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal de 1988, citando doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento. Ao final, pede a aplicação destes argumentos também em relação à multa qualificada de 150%, caso seja restabelecida no julgamento do recurso de ofício, e defende que as multas aplicadas sejam, ao menos, reduzidas ao percentual de 20%. Discorda, por fim, da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi, em preliminar, a nulidade da decisão de 1ª instância e do lançamento. Com referência à decisão recorrida, diz que a D. Autoridade Julgadora deixou de analisar as nulidades apontadas pela Recorrente por entender que estas seriam de ordem material e não formal e, portanto, deveriam ser analisadas juntamente com o mérito, e isto em razão da interpretação do disposto no artigo 59, §3º do Decreto nº 70.235/72. Contudo, como a exigência foi mantida, aquela prática caracterizaria ofensa aos princípios da legalidade, contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Em face de arguições de nulidade do lançamento semelhantes às aqui deduzidas (erro na determinação da base de cálculo da multa e dos juros isolados, ausência de fundamentação legal na imposição de juros de mora isolados e erro na forma de cálculo dos juros isolados relativos ao fato gerador de 29/12/2005), a autoridade julgadora de 1ª instância assim se manifestou: Imperioso destacar que os erros porventura existentes na determinação das bases de cálculo das multas e dos juros isolados não se consubstanciam como aspectos formais, mas como aspectos materiais do lançamento. E assim sendo, ainda que a contribuinte tenha razão, não implicam nulidade do lançamento, mas improcedência total ou parcial das exigências. Nos termos das disposições do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal estão vinculadas a aspectos extrínsecos ou formais dos lançamentos, tais como, a competência do agente ou à inobservância de formalidades capazes de comprometer o direito de defesa dos administrados. Transcrevemse, por oportunos, os artigos 59 e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972: Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preter ição do direi to de defesa . § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a dec laração de nul idade , a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 13 12 Observese que pelas disposições do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as questões de mérito não se confundem com aquelas que dizem respeito à nulidade do ato , e a matéria relativa à determinação da base de cálculo da multa isolada e dos juros isolados, por envolver a dimensão material e quantitativa da incidência, diz respeito ao mérito, e não a aspectos extrínsecos ou formais do lançamento. E, sob tais premissas, a autoridade julgadora apreciou em preliminar, apenas, a arguição de nulidade do lançamento de juros de mora isolados, por ausência de capitulação legal da infração. Além disso, ao firmar a conexão desta exigência com aquela formulada nos autos do processo administrativo nº 19311.000203/200967, e adotar as razões de decidir consubstanciadas no Acórdão DRJ Campinas nº 0527.072 juntado às fls. 1008/1050, incorporou a este litígio a rejeição, ali contida, à pretensa nulidade do lançamento por falta de lei ordinária a disciplinar a desconsideração de negócios jurídicos. As demais alegações veiculadas como hipóteses de nulidade do lançamento (erro na determinação da base de cálculo da multa e dos juros isolados e erro na forma de cálculo dos juros isolados relativos ao fato gerador de 29/12/2005) foram extensamente abordadas no voto condutor da decisão recorrida, mas na parte correspondente ao mérito. Ao assim proceder, a autoridade julgadora de 1ª instância não deixou de apreciar os argumentos de defesa, mas apenas os reclassificou em decisão devidamente motivada, não se verificando qualquer cerceamento ao direito de defesa que, na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, pudesse ensejar a nulidade da decisão recorrida. Aliás, por concordar com o procedimento ali adotado, esta Relatora manterá a mesma forma de apreciação para as preliminares de nulidade do lançamento aqui renovadas. Por tais razões, deve ser REJEITADA preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância. Inicialmente a interessada argúi a nulidade do auto de infração em razão da ausência de previsão legal para amparar o procedimento do Fisco de desconsiderar a operação praticada pela Recorrente, questionando a razões de decidir assim expostas na decisão do processo principal nº 19311.000203/200967: Não se acata, porém, a argüição de nulidade dos lançamentos, por falta de Lei ordinária a disciplinar a desconsideração do negócio jurídico supostamente praticado pela contribuinte, prevista no Parágrafo único do art. 116 do CTN, porque a fundamentação dos lançamentos é de que os atos teriam sido praticados com simulação . De acordo com os preceitos do art. 149, VII, do CTN, o lançamento deve ser efetuado pela autoridade administrativa, quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação . Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve a autoridade fiscal proceder ao competente lançamento dos efeitos tributários dos atos que o sujeito passivo pretendeu, dolosamente ocultar, por meio da simulação. Oportuno esclarecer que, após o início do procedimento fiscal, incabível a intimação da empresa para retificação de sua escrituração contábil e fiscal de forma a adequála aos fatos efetivamente ocorridos, mas ocultados ou dissimulados pela prática da simulação. Nos termos do § 1° do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 14 13 Este entendimento foi mantido, à unanimidade, no Acórdão nº 1402001.767, ao ser apreciado o recurso voluntário interposto pela autuada contra aquela decisão, até porque também confirmada a acusação de simulação e, em consequência, a aplicação de multa qualificada sobre os débitos de IRPJ e CSLL lá formalizados. Do voto condutor daquele julgado extraise: Na hipótese presente, é possível constatar que existe um préordenamento de atos, pactuados consensualmente entre as partes (José e Alessandra, ZEST e IFC), que não deixam dúvidas de que a causa do negócio foi, de fato, a aquisição de quotas por José e Alessandra com recursos retirados gratuitamente da empresa IFC e com economia tributária. Desde 02/01/2005, quando da contratação do mútuo, já se podia constatar indícios de que José e Alessandra comprariam as quotas com recursos fornecidos pela IFC, que a compra seria formalizada pela ZEST e que as quotas adquiridas seriam transferidas aos sócios pela incorporação da ZEST. Essa circunstância acabou por se confirmar na medida em que a incorporação, nos moldes em que foi realizada, somente poderia se justificar por dois motivos: o aproveitamento do ágio e a transmissão não onerosa das quotas aos sócios. Nenhum outro propósito negocial foi verificado na presente hipótese. Se a IFC emprestasse à ZEST, a ZEST restituísse os recursos à IFC e depois transferisse as quotas a José e Alessandra de forma equitativa, a interposição teria sido real, teriam sido utilizados recursos da IFC, o mútuo efetivamente se realizaria com a reposição dos recursos, e a transferência seria não onerosa para José e Alessandra. Entretanto, a incorporação contratada pela ZEST, da forma como foi feita, impediu a realização efetiva do contrato de mútuo, pois a IFC não recebeu de volta os recursos fornecidos. Tal fato deixou bastante claro a condição da ZEST de empresa que foi interposta no negócio com nítidos propósitos simulatórios, ou seja, com o intuito de dissimular a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos necessários à aquisição das quotas. Vale aqui mencionar alguns fatos constatados pela fiscalização e mencionados no bojo do Termo de Verificação que, considerados conjuntamente, não deixam dúvidas dos reais desígnios da sucessão de atos perpetrados pelos envolvidos. Observese: • O contrato de compra e venda se deu entre José e Alessandra e os vendedores; • A ZEST não tinha recursos para a compra; • O contrato de mútuo foi motivado pela compra contratada por José e Alessandra; • A ZEST não se sujeitou à responsabilidade e débitos decorrentes do negócio, nem jamais houve pretensão de que o fizesse; • Havia previsão no contrato de garantia de que o valor total das quotas adquiridas seria pago com recursos fornecidos pela IFC e de que o controle acionário da IFC seria substituído sem alteração do controle societário; • O próprio banco nem considerou a ZEST como controladora e compradora verdadeira das quotas da IFC; • Não houve efetiva entrega de recursos da ZEST na aquisição; • A ZEST contratou a incorporação antes de repor o mútuo e pagar as dívidas assumidas e, com a incorporação, encerrouse o mútuo e a própria ZEST; Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 15 14 • Também não existe interesse negocial da IFC nos atos praticados, uma vez que ao final apenas assume os custos da transação, não recebendo nenhuma compensação pelos mesmos; • José e Alessandra são controladores, sócios e administradores das empresas ZEST e IFC e, portanto os atos das empresas refletem a vontade das mesmas pessoas; • Os motivos da aquisição de quotas pela ZEST são o aproveitamento do ágio ("ágio de si mesmo"), a criação artificial de despesas na IFC e a transmissão das quotas para os sócios José e Alessandra; • Os sócios quase triplicaram sua participação na empresa desembolsando apenas R$ 1.000,00 na constituição da ZEST; • Desfeita a simulação, verificase que apenas é atendida a vontade de José e Alessandra, destinatários finais das quotas adquiridas com os recursos do mútuo e únicos beneficiários das transações, realizadas em prejuízo da sociedade investida; • A entrada da ZEST na IFC e o mútuo são elementos da aquisição de quotas. José e Alessandra aparecem como partes ou intervenientes em todos os contratos; • José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria finalizada pela ZEST e que suas quotas seriam entregues à ZEST. Portanto, a ZEST substituiu José e Alessandra na aquisição; • A única forma lícita de aquisição das quotas com recursos da IFC seria através de empréstimo da IFC aos sócios. A simulação buscou alcançar transferência definitiva de recursos. A conclusão lógica é que os recursos para aquisição das quotas foram transferidos da IFC para José e Alessandra e que a aquisição das quotas foi feita, em verdade, por José e Alessandra. Este Conselho já proferiu decisão em caso semelhante, concluindo pela manutenção da tributação, amparada no ato que foi dissimulado e afastando os efeitos das declarações de vontade formalmente documentadas, mas que não condiziam com a realidade dos fatos. Observese: Acórdão 10421.610 "NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se verificando outro vício insanável no lançamento, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal. IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS SIMULAÇÃO Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendose considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. A transferência de participação societária por intermédio de uma seqüência de atos societários caracteriza a simulação, quando esses atos não têm outro propósito senão o de efetivar essa transferência. Em tal hipótese, é devido o imposto sobre ganho de capital obtido com a alienação das ações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 16 15 JUROS MORATÓRIOS SELIC O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. O percentual de juros a ser aplicado no cálculo do montante devido é o fixado no diploma legal vigente á época do pagamento. Preliminares rejeitadas. Recurso negado". (destaques acrescidos) Há que se destacar que o fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar aparente legalidade, não garante legitimidade ao conjunto de operações, quando fica constatado que os atos praticados tinham objetivos diversos daqueles que lhes são próprios. Quanto ao argumento suscitado pelo contribuinte de inaplicabilidade do art 116, parágrafo único, do CTN ao caso concreto, por se tratar de norma antielisiva de eficácia limitada, ainda pendente de regulamentação e que, enquanto não for editada esta lei regulamentadora as autoridades administrativas não poderiam desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, tal argumento não merece qualquer respaldo. Primeiro, porque tal dispositivo legal sequer foi utilizado pela fiscalização para desconsiderar os atos praticados pelo recorrente e pelas pessoas a ele interligadas. Em momento algum a Fiscalização fundamentou a presente exigência no art. 116 do CTN. O fato de se mencionar nos autos a palavra dissimulação, de modo algum implica que a autuação tenha por base o dispositivo legal em comento, como sugere o Recorrente. Ademais, os atos ou negócios jurídicos aqui praticados estão contaminados pela ilicitude, na presença de práticas caracterizadas como dolo, fraude, ou simulação, estamos diante de infração à legislação tributária, sujeita ao lançamento de ofício, nos termos do art. 149, VII do CTN. Aqui não se trata de requalificar os fatos, mas de proceder ao lançamento com base nos fatos efetivamente ocorridos, cuja natureza, porém, foi artificialmente modificada ou cujo conhecimento por parte da Autoridade Administrativa foi escondido pela ação ou omissão do sujeito passivo, mas veio à tona pela ação do Fisco. Ora, a utilização de interposta pessoa é uma das formas típicas de simulação relativa, conforme definido no Código Civil de 2002, no seu artigo 167, § 2°. Há simulação quando há desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, quanto à pessoa a quem se confere ou transmite direitos, quanto ao momento em que se realiza o negócio jurídico, e quanto à própria substância deste. No caso, o descompasso entre a vontade interna e a vontade manifestada pelo sujeito passivo torna evidente o pacto simulatório, não havendo se falar em aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN ao caso. Equivocada, portanto, a interpretação da recorrente em favor da necessidade de procedimento específico para desconsideração dos atos jurídicos com vistas à constituição do crédito tributário, pois a demonstração da simulação autoriza o Fisco a alcançar os fatos efetivamente praticados e deles extrair as consequências tributárias prevista em lei. Assim, cumpre REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por impossibilidade de aplicação desconsideração dos atos praticados em razão da ausência de regulamentação procedimental do parágrafo único do art. 116 do CTN. Passando à arguição de nulidade da imposição de juros isolados em virtude da ausência de capitulação legal, a recorrente diz ser insuficiente a indicação, no lançamento, do art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96 e item 16, "b", subitem 16.1 do Parecer Normativo nº Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 17 16 01/2002, porque a lei referida traz, apenas, a previsão da incidência de juros de mora sobre o pagamento feito após o vencimento, sendo que a única menção acerca da imposição de juros, de forma isolada, está contida no Parecer Normativo nº 01/2002. Destaca que nos termos do art. 50, inciso II da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, o Fisco deve apresentar os dispositivos legais que fundamentam a suposta infração cometida pelo contribuinte, e discorda do entendimento assim exposto na decisão recorrida: No que tange à nulidade da imposição dos juros isolados, por ausência de capitulação legal na autuação, importante consignar que no campo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 882/884, constou a seguinte descrição: “002 – JUROS ISOLADOS FALTA/ATRASO NA RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DO IRRF Juros devidos pela falta de retenção e recolhimento do IRRF, conforme Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal que acompanha e é parte integrante deste Auto de Infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96” Dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contr ibuições administrados pela Secretaria da Rece ita Federal , cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legis lação específ ica , serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este art igo incid irão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Decorre das expressas disposições legais que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É a disposição genérica sobre a incidência de juros de mora sobre os débitos tributários não pagos nos prazos de vencimento. É justamente o caso em apreço, no qual ficou comprovado que a IFC não procedeu à retenção e ao recolhimento do IRRF devido sobre os pagamentos, vinculados à aquisição de quotas sociais, efetuados em benefício exclusivo dos sócios administradores, adquirentes da participação societária, e sobre o pagamento de royalties. Configurada a falta de retenção e de recolhimento do IRRF devido por antecipação, de acordo com farta e unânime jurisprudência administrativa, consolidada no Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 18 17 Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Cosit nº 1 de 24/09/2002 (DOU 25/09/2002), deve o agente fiscal observar: 1. se a infração for apurada antes da data de entrega de dec laração de rendimentos pelos benef iciár ios pessoas f ís icas , a fonte pagadora deve arcar com a responsabilidade pelo pagamento do imposto, da multa e dos juros; 2. se a infração for apurada após a data de entrega de dec laração de rendimentos pelos benef iciár ios pessoas f ís icas , a fonte pagadora deve arcar com a responsabilidade apenas pelo pagamento da multa e dos juros isoladamente, porque após esta data a responsabilidade pelo imposto, multa e juros é integralmente do beneficiário pessoa física. Contraditando as alegações da defesa, não se pode dizer que o lançamento teria se respaldado exclusivamente em um ato normativo interno, mas em uma interpretação adotada pela Administração Tributária, em função de farta e uniforme jurisprudência a conferir o adequado tratamento tributário às diversas situações fáticas, conforme abaixo: Parecer Normativo nº 1 de 24/09/2002 COORDENAÇÃOGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT DOU 25/09/2002 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF. IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE . Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data f ixada para a entrega da dec laração de ajuste anual , no caso de pessoa f ís ica , e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas refer idas acima serão exig idos da fonte pagadora a multa de ofíc io e os juros de mora i solados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. DECISÃO JUDICIAL. NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 19 18 Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. Ademais, a partir da edição do art. 43 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a possibilidade de lançamento de ofício de juros de mora isolados já se encontrava expressamente autorizada por Lei, in verbis: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, não é verdade que a única menção acerca da imposição de juros, de forma isolada, estaria contida no Parecer Normativo nº 01, de 2002. Na verdade, desde a edição do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, há previsão expressa na legislação para a sua incidência. Cumpre destacar que a fundamentação da exigência dos juros de mora é a regularmente mencionada no lançamento (art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996), não se podendo admitir, como pretende a defesa, que a ausência de menção ao dispositivo que autoriza o lançamento dos juros de mora, de forma isolada, possa comprometer a autuação. Tal interpretação faria crer que o lançamento, entendido como norma jurídica individual e concreta, deveria conter expressamente toda a legislação que autoriza a sua lavratura, inclusive as normas disciplinadoras da competência, das formalidades exigidas e acerca da observância do prazo decadencial, por exemplo, e não apenas a fundamentação da exigência específica. Não se reconhece, assim, a alegada falta de fundamentação legal para a exigência ou a falta de clareza e precisão ao auto de infração, e nem qualquer comprometimento ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Classifica de genérica a disposição contida no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96 e invoca o princípio da legalidade afirmando que a exigência tributária deve decorrer de determinação expressa de sua incidência. Vejase, porém, que o lançamento ora em debate tem por objeto, apenas, os juros compensatórios do atraso verificado entre a falta de retenção de IRRF pela fonte pagadora e o momento em que ele se converte em antecipação do devido pelo beneficiário. A autoridade lançadora concluiu que a fonte pagadora não promoveu a retenção sobre rendimentos pagos a seus sócios, e quantificou débitos para com a União, decorrentes de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997 e não foram pagos nos prazos previstos na legislação específica. Constituiu, assim, a hipótese do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a aplicação de seu §3º, qual seja, a incidência de juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A norma é clara e a hipótese de aplicação dos juros de mora restou plenamente caracterizada no lançamento. Neste contexto, a referência ao Parecer Normativo nº 01/2002 é feita como norma complementar que é, esclarecendo a complexidade da dívida tributária resultante de uma antecipação imposta à fonte pagadora, que se converte em tributo devido pela pessoa física a partir do momento em que ela está obrigada à apresentação da declaração de rendimentos. A mora da fonte pagadora, em tais circunstâncias, não é estancada com o Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 20 19 pagamento, como disposto na norma geral antes transcrita, mas sim no momento em que o tributo passa a ser devido pela pessoa física. Assim, ao contrário do que defende a recorrente, houve, sim, débito principal que possibilite a incidência dos juros de mora com base no disposto no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96. Embora a retenção seja, de fato, apenas antecipação do imposto devido pelo real beneficiário do rendimento, num primeiro momento a fonte pagadora é identificada em lei como responsável pelo pagamento do tributo que deve ser retido do beneficiário, consoante autoriza o art. 121 do CTN. Esta relação jurídica é também tributária e seu objeto é o crédito tributário devido pela fonte pagadora em razão da retenção. Apenas que, em razão da sistemática de antecipação, o crédito tributário principal é devolvido à titularidade do beneficiário em momento posterior, mas esta conversão não apaga o passado e o ônus da fonte pagadora em relação aos efeitos financeiros da antecipação. Logo, se o Fisco constata a falta de retenção depois do momento no qual o beneficiário passa a ser o devedor do imposto, a exigência tributária em face da fonte pagadora deve recompor o prejuízo financeiro da falta de antecipação, do qual se destaca a mora, compensada pelos juros em debate. Por fim, no que tange aos ditos outros fundamentos legais, diferentes dos apontados no Auto de Infração e que, supostamente, autorizariam o procedimento adotado pela D. Fiscalização, citados na decisão recorrida, está ali também validamente exposto que não há exigência legal de se consignar, no lançamento, todos os dispositivos legais que autorizam a sua lavratura. Basta observar que, de forma semelhante, o art. 43 da Lei nº 9.430/96 não é citado nos autos de infração dos frequentes lançamentos de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, restando tais exigências fundamentadas, apenas, nos incisos e parágrafos específicos do art. 44 da Lei nº 9.430/96 que determinam a infração punida por aquela penalidade, o percentual aplicável e a base imponível. Na mesma linha, os juros de mora estão previstos no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96, o seu cálculo em razão da mora imputável à fonte pagadora está justificado no lançamento por meio de referência ao Parecer Normativo nº 01/2002, e a sua exigência de forma isolada está autorizada por lei. Esclareçase, ainda, que o Parecer Normativo nº 01/2002 não foi referenciado como norma de incidência vinculante da contribuinte autuada, mas apenas como interpretação jurídica de uma incidência complexa, que inclusive poderia ser integrada à motivação do lançamento sem qualquer referência à sua fonte, e ser debatida ao longo do contencioso administrativo tributário. Inócua, assim, a discussão que a recorrente pretende acerca do princípio da legalidade. A sistemática de lançamento foi regularmente exposta, o imposto seria devido pela fonte pagadora desde o momento em que ela estava obrigada à retenção e até que o beneficiário passasse a ser devedor do imposto incidente sobre o mesmo rendimento. Demonstrada a mora, os juros são devidos, além de passíveis de exigência isolada na medida em que a fonte pagadora, no momento do lançamento, não é mais a devedora do imposto. Logo, nada há que macule a exigência questionada, devendo ser REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento dos juros de mora isolados. Passando ao mérito, cumpre observar que os vícios apontados pela Fiscalização na operação de aquisição de quotas da autuada foram confirmados no contencioso administrativo, já tendo se verificado a definitividade da decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.000203/200967, consubstanciada no Acórdão nº 1402 001.767, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 21 20 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS ALHEIAS A RELAÇÃO JURÍDICA. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, em operação de aquisição de quotas sociais, seguida de incorporação da interposta pessoa, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da Sociedade a seus sócios, reais adquirentes das quotas, e para garantir a dedutibilidade do ágio pago pela própria Sociedade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ÁGIO PAGO PELA INCORPORADA NA AQUISIÇÃO DE QUOTAS DA INCORPORADORA. OPERAÇÃO SIMULADA. INDEDUTIBILIDADE. A operação dissimulada de aquisição de quotas pelos sócios, com recursos pagos pela própria Sociedade investida, que também assume o ônus do passivo da aquisição, em função de simulação de incorporação, não caracteriza pagamento de ágio pelo adquirente das quotas e nem incorporação de sociedade investidora, sendo procedente a glosa da amortização do ágio. DESPESAS DE JUROS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E PASSIVAS. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas com juros e variações cambiais ativas e passivas contabilizadas na determinação do lucro real da incorporadora quando desconsiderada a operação dissimulada de alienação de quotas e de incorporação da interposta pessoa. BAIXA DE ELEMENTOS DO ATIVO EM FAVOR DOS ADQUIRENTES DAS QUOTAS. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada ou realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. A baixa de elementos do ativo (direitos a receber e intangíveis), em favor exclusivamente dos sócios, reais adquirentes das quotas sociais, caracteriza alienação/baixa a pessoa ligada ou em favor de pessoa ligada, por valor notoriamente inferior ao de mercado, de bem do seu ativo, fato que se subsume à hipótese normativa de distribuição disfarçada de lucros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 22 21 condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. Nos casos de lançamento de oficio, deve ser aplicada a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa mensal, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ, CSLL. ANTECIPAÇÕES. DEDUTIBILIDADE. Na constituição de oficio do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração. A Fiscalização relata que em 16/03/2005 é assinado CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS tendo de um lado Jay LLC e Troy LLC, em conjunto declarados "vendedores" e de outro lado José, Alessandra e Eduardo, em conjunto declarados "compradores". O objeto da compra eram as quotas que os vendedores detinham em Jack Link´s (atual IFC), e o preço da compra foi estipulado em US$ 20 milhões a serem pagos em parcelas. Contudo, em 05/04/2005, correspondência assinada por José, Alessandra e Eduardo comunica aos vendedores a substituição dos signatários pela Zest como compradora das quotas, sendo que em 11/04/2005 os sócios José e Alessandra transferem para a Zest as quotas que detinham na Jack Link´s, assim como, em paralelo, Jay LLC e Troy LLC transferem suas quotas na Jack Link´s para Links Japan Holdings. Em 14/04/2005 a autuada assina contrato com o ABN Amro, no qual são penhoradas suas quotas como garantia do pagamento de US$ 14.655.000,00 por Zest em favor de Links Japan Holdings, mas a autuada já vinha emprestando valores à Zest que, em 18/04/2005, totalizavam R$ 25.372.643,00. Nesta data é finalizada a transferência das quotas na autuada de Links Japan Holdings para Zest. Seguem outros ajustes relativos à garantia junto ao ABN Amro e em 29/06/2005 a autuada incorpora a Zest, e José e Alessandra voltam a ser sócios da autuada. A autoridade fiscal observa que à época do acordo de venda de quotas a autuada apresentava reservas de R$ 16.687.739, em montante inferior ao valor da compra, equivalente a R$ 52.314.000,00, o qual era superior, inclusive, ao patrimônio líquido da autuada naquela data (R$ 45.396.877,00 em 31/03/2005). Anota que a legislação autoriza a sociedade a adquirir suas próprias quotas, desde que até o valor do saldo de lucros e reservas, exceto a legal; e sem diminuição do capital social, ou por doação. E acrescenta que, em razão dos limites fixados na lei civil, a empresa não poderia entregar os recursos necessários aos sócios sem previsão de reposição. O empréstimo, assim, seria a forma jurídica possível para transferir recursos aos sócios sem reduzir o patrimônio da empresa, dado que restaria a obrigação a pagar. Contudo, não houve a reposição dos recursos emprestados, de modo que o negócio foi realizado de forma a tornar definitiva e sem ônus para os sócios uma transferência de recursos que deveria ter sido a título de empréstimo com reposição dos recursos emprestados. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 23 22 Acerca dos motivos de ordem tributária que justificaram a simulação identificada, a Fiscalização destaca a incidência de IRPF sobre rendimentos tributáveis recebidos pelos sócios, nos seguintes termos: a.1) Caso a Jack Link's entregasse aos sócios os recursos financeiros necessários à aquisição das quotas e quitação dos invoices, o rendimento dos sócios seria tributável. A lei isenta do imposto de renda lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real quando calculados com base nos resultados apurados, conforme artigos 39, inc. XXIX, e 654 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Uma vez que os rendimentos distribuídos ultrapassariam em muito os lucros apurados pela contabilidade, e não sendo contemplados nas hipóteses de isenção dos artigos 39 a 42 do RIR/99, incidiriam os artigos 37 e 38 do RIR/99. O valor de IRPF estimado seria de cerca de 15,8 milhões, considerando alíquota de 27,5% da tabela progressiva incidindo sobre o valor de aquisição atribuído pelo contribuinte exceto embalagens. (Lei 7713, art 30, § 4°; IN SRF n° 15/2001, art.5°, §§ 7° e 8°). a.2) Caso a Jack Link's comprasse as quotas sem ter lucros e reservas para tanto e as entregasse aos sócios, o benefício dos sócios seria rendimento tributável, incidindo os artigos 37, 38 e 55 inciso IV do RIR/99 (rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos). O benefício dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição contabilizados pela empresa. O valor de IRPF estimado seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. Em ambos os casos ‘a.1’ e ‘a.2’ a empresa cometeria ilícito societário. Os atos seriam nulos e o benefício dos sócios seria rendimento tributável decorrente de transação ilícita e percebido com infração à lei, incidindo os artigos 37, 38, e 55 inciso X do RIR/99. O benefício dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição arcados pela empresa. O valor de IRPF seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. a.3) Se o negócio simulado fosse válido, José e Alessandra, que possuíam quotas da Zest no valor de 8,96 milhões, receberiam quotas da IFC no valor nominal de 24,32 milhões. Seriam beneficiados pelo negócio realizado pelas empresas, uma vez que, na relação de troca estabelecida, as novas participações têm valor maior que o custo da participação societária originária. Esse benefício constitui ganho de capital tributável previsto no artigo 117 do RIR/99 (alienação de ações; ações recebidas em valor superior às entregues; conforme Parecer Normativo CST n° 39 de 1981). Entretanto aqui não haveria um custo de aquisição de quotas registrado pela IFC. O valor do rendimento seria igual ao valor nominal das quotas recebidas (24,32) menos o custo da participação societária originária (8,96), resultando 15,36 milhões. Incidindo alíquota de 15%, o imposto devido seria cerca de 2,3 milhões. Portanto, se o negócio simulado fosse válido e os sócios recolhessem o IRPF no valor de 2,3 milhões incidentes sobre o negócio simulado, e uma vez que as alternativas possíveis teriam um custo tributário de 15,8 milhões, haveria uma economia tributária de 13,5 milhões de IRPF. Os pagamentos promovidos pela autuada aos sócios, ocultos sob as operações simuladas, foi quantificado em R$ 49.874.396,16, conforme a seguir demonstrado: Valor Contratado 52.314.000,00 Variação cambial do investimento (6.245.901,35) Juros Pagos 1.789.509,10 Pagamento aos vendedores 47.857.607,75 Despesas Incorridas Carta Fiança 958.327,09 Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 24 23 Variação cambial fiança (86.542,27) Serviços 1.145.003,99 Despesas em benefício dos sócios 2.016.788,81 TOTAL DOS PAGAMENTOS 49.874.396,16 Considerando que tais pagamentos superaram o lucro apurado pela contabilidade, a autoridade fiscal os classificou como tributáveis e sujeitos a retenção na fonte, que por não ter sido promovida sujeitou a autuada à multa isolada e juros de mora aqui em debate. Além disso, agregou ao montante de rendimentos tributáveis os royalties pagos em razão de contrato de licença de uso e de patente celebrado em 31/10/2005 com o sócio José Machado Barbosa Neto. Considerando os valores mensais de retiradas individuais dos sócios informadas em DIRF, os rendimentos apurados sujeitaramse à alíquota de 27,5%. Determinado o valor que deveria ter sido retido pela fonte pagadora, a autoridade fiscal calculou a multa isolada e os juros de mora aqui exigidos, equivalentes ao total de R$ 8.440.707,83. Em sua defesa, a recorrente discorre sobre a existência de propósito negocial nas operações questionadas. Deduz diversos argumentos acerca da impossibilidade de se desconsiderar o negócio praticado ante à ausência de simulação, discute aspectos do contrato de mútuo e de sua extinção em razão de confusão, justifica a criação e posterior extinção de ZEST, invoca princípios e o parecer de auditores independentes relativo ao anocalendário 2005, contesta o uso de presunções e conclui pela ilegitimidade da presente autuação. Discorda das conclusões fiscais acerca das formas para os sócios adquirem quotas com recursos da própria empresa, insiste na legalidade dos atos com a interposição de ZEST, invoca o art. 112 do CTN e cita doutrina acerca da impossibilidade de se considerar a opção mais onerosa ao contribuinte, observando que a reposição de valores não se verificou por ser um efeito do negócio praticado, e defende a possibilidade de ser intimada a retificar seus registros fiscais para retratar essa nova realidade (mútuo realizado entre a Recorrente e seus sócios). Contudo, está consolidada administrativamente a acusação fiscal de dissimulação da operação de quotas da autuada pelos sócios, valendose estes de recursos da própria sociedade investida para pagamento, impondo à autuada, também, o ônus do passivo da aquisição, em função de simulação de incorporação, da qual inclusive resultou aproveitamento de ágio gerado naquela aquisição. A presente exigência, por sua vez, decorre, em parte, dos pagamentos assim entendidos como promovidos pela autuada aos sócios para aquisição de suas quotas, classificados como rendimentos tributáveis. Considerando a definitividade, no âmbito administrativo, do Acórdão nº 1402001.767, não caberia, aqui, apreciar as justificativas reiteradas pela autuada acerca da regularidade das operações antes referidas, cumprindo apenas avaliar se as parcelas indicadas pela Fiscalização caracterizariam, no contexto dissimulado, rendimentos tributáveis e sujeitos a retenção na fonte. Por tais razões, deixase de submeter à apreciação do Colegiado as seguintes razões que confirmariam a decisão proferida no Acórdão nº 1402001.767.: Os argumentos apresentados pela recorrente prestamse, apenas, a demonstrar o propósito negocial em relação à aquisição de suas quotas por José Barbosa e Alessandra Orlandi. Reconhecido está que tais interessados não dispunham dos recursos necessários para esta operação, mas a alegada captação dos recursos por meio de investimento decorrente do ingresso de novo sócio resultou, apenas, na interposição de ZEST, a qual, como bem demonstrado nas razões de decidir da Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 25 24 autoridade julgadora de 1ª instância, não passou de simulação, e impôs à IFC todo o ônus financeiro daí decorrente: No mérito, o foco das presentes autuações encontrase na caracterização como simuladas das operações de alienação de 60% (sessenta por cento) das quotas da IFC à interposta pessoa (ZEST), pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da IFC aos sócios, reais adquirentes das quotas, ou para garantir a fruição de benefícios fiscais (amortização de ágio) pela própria IFC. Cumpre transcrever os preceitos, contidos no Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a respeito da invalidade ou nulidade dos negócios jurídicos e definidores da simulação: CAPÍTULO V Da Invalidade do Negócio Jurídico Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV não revestir a forma prescrita em lei; V for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibirlhe a prática, sem cominar sanção. Art. 167. É nulo o negóc io jurídico s imulado, mas subsi s t i rá o que se diss imulou, se vá lido for na subs tância e na forma . § 1o Haverá simulação nos negóc ios juríd icos quando : I aparentarem conferir ou transmit ir dire i tos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmi tem ; II cont iverem declaração, conf issão, condição ou cláusula não verdadeira ; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Relevante assinalar que, nos termos da legislação em vigor, a nulidade do negócio jurídico simulado, não é afastada pelo fato de os responsáveis haverem escriturado, apresentado a documentação de suporte e dado publicidade aos atos praticados com simulação. Na verdade, a escrituração, a apresentação de documentação e a publicidade da alteração dos contratos sociais, mediante o competente registro na Junta Comercial, decorrem de imposições legais, e não tem o condão de afastar a caracterização da simulação porventura ocorrida. Ademais, infundada a alegação da defesa de que a prova da simulação foi feita a partir de presunções. In casu, conforme oportunamente explicitado, as provas dos autos corroboram que a ZEST, não tinha e não teve qualquer atividade operacional, mas apenas supostamente integrou: (i) uma operação de aquisição de quotas, sem que tal fato constasse do contrato que respalda a operação, e sem que tivesse capacidade econômica e financeira para tanto; e (ii) uma operação de incorporação, a redundar na completa assunção pela IFC do ônus da aquisição das quotas, e na possibilidade de dedução do ágio pago pela incorporada. A imputação de simulação não se fez com base em presunção, mas a partir da documentação que instrui os autos. No caso em apreço, as provas dos autos vêm confirmar que a operação de alienação das quotas deuse, na forma do contrato de fls. 189/330, entre os sócios estrangeiros, na qualidade de vendedores, e os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado, na qualidade de compradores, podendo ser consideradas como simuladas todas as operações formalizadas para ocultar tal fato, tais como: (i) o contrato de mútuo entre a ZEST – pessoa jurídica sem patrimônio e sem atividade empresarial – e a IFC, para transferir os recursos necessários ao pagamento da Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 26 25 1ª parcela do contrato de aquisição das quotas; (ii) a aquisição das quotas pela ZEST, na medida em que todos os recursos utilizados pertenciam ao patrimônio da IFC; e finalmente, (iii) a incorporação da ZEST pela IFC, mediante a qual a IFC sucedeu a ZEST em todas as obrigações remanescentes do contrato de aquisição das quotas. Ressaltese que o rigor formal do extenso contrato de fls. 189/330, entre os sócios estrangeiros, na qualidade de vendedores, e os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado, não se repetiu na oportunidade do simulado aditamento. Conforme reconhecido expressamente na resposta à intimação de fls. 803/804: · “A inclusão das empresas Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e a Links Japan Holdings, KK (Links Japan) como personagens do negócio formalizado pelo ‘Quota Sale Agreement’ firmado em 16 de maio de 2005 não se deu através de aditamento deste contrato, mas sim mediante trocas de correspondências entre as partes, conforme sistemática prevista nas cláusulas 8.9.1. e 8.9.2. do Quota Sale Agreement” · “As correspondências que formalizaram o acima exposto são datadas respectivamente de 04 de abril de 2005 (ZEST) e 18 de abril de 2005 (Links Japan), e suas cópias estão sendo anexadas ao final deste documento”. De fato da Cláusula 8.9.2 do contrato às fls. 249 consta que: “8.9.2. Caso os Compradores decidirem a conduzir uma reestruturação corporativa que possa envolver a t ransferência de suas quotas na Soc iedade dos Compradores a uma ou a mais Afiliadas dos Compradores antes da Data de Fechamento, os Compradores deverão pontualmente avisar os Vendedores por escrito a respeito de tal assunto. Mediante tal aviso, os Vendedores e os Compradores pelo presente concordam em agir de boafé para pontual e mutuamente implementar tal transferência por meio de (a) pontualmente entregar todos os documentos exigidos pela respectiva Parte e (b) firmar e arquivar junto à JUCESP o aditamento correspondente aos estatutos sociais da Sociedade em não mais de cinco (5) Dias Úteis antes da Data de Fechamento. Os Compradores pelo presente reconhecem, declaram e concordam que todas e quaisquer obrigações, efeitos e Contingências diretas que possam diretamente surgir a qualquer momento a partir da reestruturação corporativa mencionada nesta Cláusula 8.92. deverão ser suportadas exclusivamente pelos Compradores”. Primeiramente, cumpre observar que a transferência de quotas a que se refere a Cláusula 8.9.2 diz respeito às quotas da própria Jack Link’s det idas pelos compradores , e não propriamente à substituição dos compradores como partes do Contrato. Ademais, mediante tal aditamento a ZEST teria sido simplesmente incluída no contrato, não havendo qualquer referência à subst i tuição dos adquirentes envolv idos no contrato de fls. 189/330. Inferese ainda das expressas cláusulas do contrato que a inclusão da ZEST como parte do contrato em nada teria alterado os direitos e deveres pactuados, ou seja, a sua inc lusão não ter ia afetado a relação obrigac ional f irmada entre as partes originais do contrato , pelo que se confirma a mera interposição de pessoa jurídica. Às fls. 456/462 consta o Instrumento Particular de Mútuo entre a Jack Link’s, na qualidade de mutuante, e a ZEST, na qualidade de mutuária, subscrito pelo Sr. José Barbosa Machado Neto , na qualidade de representante legal da mutuante, e pela Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado , na qualidade de representante da mutuária. Apenas com estes dados já é possível inferir a dificuldade de distinguir os reais interesses das pessoas físicas e jurídicas envolvidas na operação, na medida em que os subscritores do denominado contrato de mútuo são as mesmas pessoas físicas beneficiárias das operações de aquisição de quotas sob suspeita. Ademais, verificase na documentação apresentada, principalmente na escrituração do Livro Razão de fls. 185/188, que a mutuária (ZEST) não detinha qua lquer patr imônio e não desempenhava qualquer at ividade operacional , até o recebimento de recursos suficientes para pagamento da 1ª parcela relativa à aquisição Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 27 26 das quotas dos sócios estrangeiros, em 18/04/2005. E também não desempenhou qualquer atividade até a sua incorporação pela IFC, menos de dois meses depois, em 31/05/2005. De acordo com o Anexo I ao contrato de mútuo, de fls. 458/462, até mesmo as despesas necessárias para viabi l izar a aquis ição da participação soc ietária – serviços advocatícios (Emerenciano, Baggio e Associados), de avaliação econômicofinanceira com emissão de laudo (Setape) e de traduções (Ana Luiza Barbieri) –, segundo o demonstrativo de fls. 335 e o Livro Razão de fls. 185/188, teriam sido custeadas com recursos advindos da Jack Link’s . Tais fatos somente corroboram que a ZEST era apenas uma “casca”, sem qualquer conteúdo patrimonial e empresarial, essencial para ser reconhecida como uma pessoa jurídica com vontade e interesse próprios, distintos da vontade e do interesse de seus sócios. E nem se fale de sua existência efêmera a comprovar a falta de propósito negocial para sua constituição. Reiterese: o propósito seria única e exclusivamente a sua utilização como interposta pessoa, para ocultar a transferência gratuita de recursos da IFC aos sócios, reais adquirentes das quotas, ou para garantir a fruição de benefícios fiscais (amortização de ágio) pela própria IFC. Entretanto, mais relevante que todos os aspectos já acima levantados a respeito da fragilidade das provas apresentadas para corroborar a existência de um efetivo contrato de mútuo entre pessoas jurídicas, com vontades e interesses distintos e definidos, foi a operação de incorporação da ZEST (mutuária) pela IFC (mutuante), ocorrida logo no mês seguinte à aquisição das quotas, com a conseqüente extinção das obrigações decorrentes do mútuo devido à confusão1, e a assunção pela IFC do passivo remanescente relativo à aquisição das quotas. Na verdade, a incorporação propiciou o alcance do real objetivo pretendido desde o início do contrato: (i) a transferência da titularidade das quotas adquiridas para os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado; e (ii) a assunção definitiva de todas as dívidas decorrentes do contrato de aquisição das quotas pela IFC, tendo em conta a impossibilidade de recuperação do valor mutuado, devido à extinção por confusão, e à assunção pela IFC do passivo da ZEST junto ao alienante das quotas. Diante de tais fatos, tem razão a fiscalização, quando afirma que o contrato de mútuo em discussão seria fruto de simulação. Cumpre reconhecer: aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferiram, ou transmitiram. No caso, se o contrato fosse válido, a ZEST, na qualidade de mutuária, teria o direito a receber os recursos disponibilizados, e a IFC, na qualidade de mutuante, teria o direito a ver restituído o valor mutuado. De um lado, o Aviso de Lançamento de fls. 529 confirma que os recursos utilizados para pagamento da primeira parcela do contrato de aquisição das quotas (R$ 17.525.025,00), sequer passaram pela t itular idade da ZEST . A Jack Link’s providenciou diretamente o pagamento com recursos de sua própria conta corrente. Um procedimento em princípio inocente, mas que revela que os recursos não foram sequer disponibilizados à ZEST de forma incondicionada, mas completamente vinculados à operação de aquisição das quotas. De outro, a subseqüente incorporação da mutuária extinguiu definitivamente o direito de a IFC (mutuante) ter restituído o valor emprestado, revelando a real natureza da operação: a transferência sem ônus ou gratuita de recursos ao Sr. José Barbosa Machado Neto e à Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, reais adquirentes das quotas da IFC. Nesse contexto, ainda se tem o agravante de, em função da incorporação, a IFC haver também assumido, integralmente, as demais obrigações decorrentes do contrato de aquisição das quotas que foram parar nas mãos dos sócios. Diante das formas adotadas para a operação, ainda que se possa aventar que o pagamento efetuado pela Jack Link’s ao alienante das quotas teria sido efetuado por conta e ordem da ZEST, o fato relevante é que a IFC, com a subseqüente operação de 1 Código Civil Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 28 27 incorporação da ZEST, teria aberto mão do direito a ver restituído o valor mutuado, e pior, assumido totalmente a dívida pela aquisição das quotas, completamente sem ônus, para os reais adquirentes. Por sua vez, a questão do prazo indeterminado, apesar de ser um indício a comprometer um dos requisitos essenciais à exigibilidade das obrigações decorrentes do contrato de mútuo, tornase irrelevante, tendo em conta que a sucessiva operação de incorporação da mutuária teria propiciado a extinção de todas as obrigações contraídas, antes mesmo que estas se tornassem exigíveis. Enganase a Impugnante quanto à possibilidade de se considerar as operações realizadas como um mútuo entre a IFC (mutuante) e seus sócios administradores (mutuária), porque não há nos autos qualquer elemento a demonstrar que os pretensos mutuários teriam assumido qualquer dívida com a Sociedade em função da operação. A documentação que integra os autos prova o contrário: que todos os ônus da aquisição das quotas foram assumidos pela própria Jack Link’s (IFC). Completamente improfícua também a alegação de afronta ao art. 112 do CTN, porque o Fisco desconsiderou as operações simuladas, para imputar às operações assim ocultadas ou dissimuladas os efeitos tributários cabíveis. Registrese apenas que não há qualquer dúvida quanto: à capitulação legal, à natureza ou às circunstâncias materiais dos fatos ocultados/dissimulados, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade, e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. O Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória de fls. 463/478 também corrobora que a interposição da ZEST, no negócio da aquisição das quotas da IFC, era mesmo uma simulação. Destaquese que a garant ia do pagamento do preço das quotas, em favor do al ienante (Link’s Japan Holding, KK), mais uma vez, foi prestada pela própria Jack Link’s , que se obrigava a reembolsar o Banco de quaisquer pagamentos efetuados à Link’s Japan, correspondentes às obrigações contidas no contrato de compra e venda de quotas. Das Alterações do Contrato Social da Jack Link’s (atual IFC) É na Sétima Alteração do Contrato Social, datada de 12/04/2005 (fls. 97/103), que se iniciam as operações em discussão, a registrar a deliberação de transferência de quotas dos sóc ios José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado , para integral ização do capita l soc ia l da ZEST Invest imentos, Part ic ipações e Negócios Ltda ., e conseqüente ingresso desta última no quadro societário da Jack Link’s do Brasil Ltda. Da mesma forma, os sócios estrangeiros Jay E. Link Cattle Ranches L.L.C. e Troy J. Link Enterprises L.L.C, cedem e transferem as suas quotas para Link’s Japan Holdings, K.K. Conseqüentemente, o quadro societário da Jack Link’s teria sido assim alterado: Link’s Japan Holdings, K.K., com 60% das quotas; ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., com 35% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Relevante assinalar que apesar de haverem se retirado da sociedade, os Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado prosseguiram na administração do empreendimento , conforme Cláusula II – Da Administração. Dias depois, a Oitava Alteração do Contrato Social, datada de 18/04/2005 (fls. 104/109) formaliza a t ransferência de 60% das quotas, pertencentes à Link’s Japan para ZEST , com a retirada da Link’s Japan da sociedade, ficando assim a composição societária da Jack Link’s: ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., com 95% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Foi procedida também a alteração da razão social da empresa para IFC – International Food Company Indústria de Alimentos Ltda., tendo permanecido como administradores os Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado. Logo em seguida, na Nona Alteração Contratual, datada de 25/04/2005 (fls. 110/113), é registrado o penhor de todas as quotas sociais da IFC , detidas Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 29 28 pela ZEST (95%) e pelo Sr. Eduardo Jacinto Gonçalves (5%), em favor do Banco ABN AMRO Real S.A., conforme Termo de prestação de Garantia – Penhor de Quotas nº 1073/05. A Cláusula 5ª do Contrato Social foi alterada para constar: Parágrafo 3º De acordo com o Termo de Prestação de Garant ia – Penhor de Quotas nº 1073/05, f irmado em 14 de abril de 2005 pelos sócios quotistas e pelo Banco ABN AMRO Real S.A., 24.320.000 (...) quotas da Sociedade, de titularidade da sócia quotista ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e 1.280.000 (...) quotas da Sociedade, de titularidade do sócio quotista Eduardo Jacinto Gonçalves, em conjunto representando a totalidade do capital social da Sociedade, foram empenhadas em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. A 10ª Alteração do Contrato Social, de 29/06/2005 (fls. 115/120), consigna a incorporação da ZEST pela IFC , com a aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação, elaborado com base no Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05 /2005 . E, conforme assinalado pela fiscalização, consta que mediante tal operação, a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio líquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$ 8.961.000,00 (...). E ainda que a operação de incorporação da ZEST INVESTIMENTOS acarretará a manutenção do capital social atual da IFC (...), com o reingresso dos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado e a seguinte composição societária da IFC: José Barbosa Machado Neto, com 81% das quotas; Alessandra O. Barbosa Machado, com 14% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Das Alterações do Contrato Social da ZEST Às fls. 152/158 consta o Contrato Social de Constituição da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., datado de 21/07/2004 , para participar como acionista ou quotista em outras sociedades, explorar atividades imobiliárias, incluindo corretagem, e administrar móveis e imóveis próprios, com capital social de R$ 1.000,00 assim distribuído: Shama Investimentos, Participações e Negócios Ltda, com 99,90% das quotas; e José Barbosa Machado Neto, com 0,1% das quotas. A ZEST também seria administrada por José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado, sócios da SHAMA. Na 1ª Alteração do Contrato Social, de 22/03/2005 (fls. 159/161), é formalizada a cessão e transferência das 999 quotas de titularidade da SHAMA para José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado, ficando a composição societária assim discriminada: José Barbosa Machado Neto, com 95% das quotas; e Alessandra O. Barbosa Machado, com 5% das quotas. É na 2ª Alteração do Contrato Social de 11/04/2005 (fls. 163/165), que se encontra formalizado o aumento do capital social para R$ 8.961.000,00, com a conferência de 8.960.000 quotas totalmente subscritas e integralizadas da empresa Jack Link’s do Brasil Ltda. pelos sócios José Barbosa Machado Neto (7.680.000 quotas) e Alessandra O. Barbosa Machado (1.280.000 quotas). Como as quotas cedidas constituíam a totalidade da participação dos sócios na empresa Jack Link’s, a cessão representou a retirada deles do quadro societário, com o ingresso da ZEST. O quadro societário da ZEST com o aumento de capital ficou assim discriminado: José Barbosa Machado Neto, com 85,72% das quotas; e Alessandra O. Barbosa Machado, com 14,28% das quotas. Às fls. 167/175, consta o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05/2005, datado de 29/06/2005 , para fins de incorporação à empresa IFC, com a seguinte conclusão: 7. CONCLUSÃO Em decorrência do trabalho realizado, conclu ímos que o valor contábi l correspondente ao acervo da INCORPORADA, avaliado na database de 31 de maio de 2005 , de acordo com as práticas de contabilidade emanadas da legislação societária brasileira, valor contábil este a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA, nos termos do Protocolo e Justificação de Incorporação da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 30 29 pela IFC – International Food Company Indústria de Alimentos Ltda., datado de 29 de junho de 2005, monta em R$ 8.961.000,00 (...) Todavia, relevante assinalar que, junto ao laudo, não há nenhum anexo a demonstrar os elementos patrimoniais que teriam integrado a determinação do valor contábil do acervo líquido objeto de incorporação, sequer o balanço patrimonial de 31/05/2005 que teria servido de base à apuração. No Protocolo e Justificação de Incorporação da ZEST pela IFC, de 29/06/2005, de fls. 170/175, consta que: “por meio da incorporação, a IFC absorverá a totalidade do Patrimônio Líquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$ 8.961.000,00”; “em decorrência da incorporação da ZEST INVESTIMENTOS e, como conseqüência da substituição das participações atuais dos sócios da ZEST INVESTIMENTOS, o capital social da IFC permanecerá no montante de R$ 25.600.000,00 (...), com suas respectivas quotas sociais divididas entre os sócios da ZEST INVESTIMENTOS, Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, bem como ao sócio remanescente da IFC, Sr. Eduardo Jacinto Gonçalves, as seguintes proporções: Sócios Quotas Valor José Barbosa Machado Neto 20.847.104 R$ 20.847.104,00 Alessandra Orlandi Barbosa Machado 3.472.896 R$ 3.472.896,00 Eduardo Jacinto Gonçalves 1.280.000 R$ 1.280.000,00 25.600.000 R$ 25.600.000,00 Na 3ª Alteração do Contrato Social de 29/06/2005 (fls. 176/178) é finalmente aprovada a incorporação da ZEST pela IFC, e declarada extinta a ZEST, “ficando a IFC sua sucessora em todos os direitos e obrigações, a título universal e para todos os fins de direito”. A recorrente insiste na regularidade da captação de recursos para a aquisição por meio de mútuo, dado que a IFC possuía recursos disponíveis e a sua transferência a título de empréstimo aos seus sócios era plenamente legal e nunca infringiu nenhuma disposição legal, e justifica a incorporação da ZEST pela autuada em razão da desnecessidade de manutenção da estrutura societária resultante da operação anterior. Entende, assim, que a forma adotada não altera o valor patrimonial da referida participação, não podendo se falar, em ocultação de qualquer acréscimo patrimonial que pudesse ser considerado fato gerador do Imposto de Renda. Todavia, a abordagem apresentada pela autoridade julgadora de 1ª instância acerca de cada item patrimonial transferido à IFC por ocasião da incorporação da ZEST pela autuada conduz validamente à seguinte conclusão acerca da redução do patrimônio líquido da IFC ao final das operações questionadas: [...] Conforme visto acima, tendo em conta que o único Ativo passível de transferência para a IFC seria o saldo da conta Caixa, no valor de R$ 1.000,00, e as obrigações do Passivo relativas às aquisições das quotas da IFC, no valor total de R$ 35.514.323,81 (R$725.349,21 + R$34.788.974,60), cumpre ratificar a conclusão da fiscalização de que o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05/2005, datado de 29/06/2005 , para fins de incorporação à empresa IFC, encontrase completamente destituído de fundamentos contábeis, ao atribuir ao acervo da ZEST (incorporada) o valor de R$ 8.961.000,00, conforme se verifica às fls. 187/188 nas cópias do Livro Razão apresentado. É inegável que o acervo líquido transferido para a IFC, por incorporação, foi negativo, confirmandose a conclusão da fiscalização de que as sucessivas operações de reorganização societária (a interposição da ZEST, na operação de aquisição das quotas da IFC; seguida da incorporação da interposta pessoa pela própria IFC) foram utilizadas, artificiosamente, para ocultar a assunção pela IFC das dívidas contraídas na Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 31 30 aquisição das quotas pelos sócios, e para criar condições para a dedutibilidade do ágio pago na mesma operação. Por oportuno, registrese que a transferência de acervo l íquido negat ivo se confirma nas Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido de fls. 1025, elaboradas pela empresa de Auditoria Independente, e apresentadas com a impugnação. Conforme se observa o valor negativo de R$ 18.445.000,00 da conta “Lucros (Prejuízos) Acumulados”, no Balanço Patrimonial de 31/12/2005 (fls. 1023), explicase devido ao cômputo do “Saldo Incorporação”, no valor negativo de R$ 25.373.000,00. Nas Notas Explicativas do Parecer da Auditoria Independente consta ainda que: 15. PATRIMÔNIO LÍQUIDO (...) c) Ajustes de Incorporação: Os quotistas da Sociedade, conforme Ata da Assembléia Extraordinária, aprovaram a incorporação da to ta l idade do patrimônio de sua contro ladora Zest Investimentos , Part ic ipações e Negócios Ltda ., concluída em 18 de abril de 2005, sem que naquela data t ivesse s ido efetuada redução de capita l socia l , o que orig inou um ajuste devedor na rubrica de lucros acumulados no montante de R$ 25 .373 mil . A redução do capital social, para absorção de parte do ajuste devedor mencionado, será efetuada no primeiro semestre de 2006, através de ajustes aos atos societários originalmente emitidos quando da aprovação da incorporação. Conforme esclarecido pela fiscalização, o valor negativo de 25,4 milhões de reais computado no Patrimônio Líquido da IFC seria resultante da soma dos valores transferidos relativos à reserva de ágio de 33,7 milhões e ao passivo de 59,1 milhões. Observouse ainda que apesar da reserva de ágio transferida, a incorporação teria implicado a redução do patr imônio l íquido da incorporadora a valores infer iores ao capita l soc ia l , fato também confirmado no Balanço Patrimonial de fls. 1023 elaborado pela empresa de Auditoria Independente. Na verdade, como também assinalado pelo agente fiscal, se não fosse a possib il idade de const i tuição da reserva de ágio , com a assunção de todas as dív idas da aquisição das quotas pelos sócios o patrimônio l íquido da incorporadora (IFC) resul taria negat ivo em R$ 13 .596.526,54 . Na verdade, tal fato ocorreu porque, como bem observou a fiscalização, o valor do contrato de alienação das quotas de R$ 52.314.000,00 – sem se considerar as outras rubricas que também teriam integrado a transação (acordo invoices, embalagens e demais despesas incorridas) –, era superior ao valor do patrimônio líquido da IFC, em 31/03/2005, calculado em R$ 45.396.877,00. Todavia, de todos os problemas envolvidos nas sucessivas operações societárias sob apreciação, este não é de maior relevância. Diante da escrituração do Livro Razão apresentada – resumida a 4 folhas –que contém todas as operações realizadas pela ZEST evidenciase a constituição de pessoa jurídica, sem patrimônio ou qualquer atividade empresarial, com o único e exclusivo intuito de ser utilizada, como interposta pessoa, na aquisição de quotas sociais, com recursos da própria investida, pelos sócios de empresa. Tenta a contribuinte demonstrar a existência de propósito negocial nas operações societárias implementadas para a aquisição de 60% (sessenta por centos) das quotas da empresa Jack Link’s (atual IFC) pelos sócios remanescentes, Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi. Todavia, o fato de a operação se justificar pelas necessidades de mercado, não tem relevância para a solução do caso, porque o problema não se local iza propriamente na causa da a lienação das quotas, mas na forma como esta al ienação foi implementada, mediante a consti tuição e incorporação de uma pessoa jur ídica (ZEST), sem qua lquer at iv idade empresarial , para reduz ir a carga tributár ia inc idente sobre a operação. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 32 31 Da mesma forma, os preceitos constitucionais de valorização do trabalho e da livre iniciativa, regentes da atividade econômica, não estão postos para amparar a utilização em operações societárias e intersociedades de simulacros de empresas , constituídas ou utilizadas, para reduzir a carga tributária ou para ocultar a transferência de recursos sem qualquer ônus aos sócios. Apesar de ser permitido ao contribuinte optar pela forma negocial menos onerosa, é pro ibido operar com simulação , nos exatos termos do art. 167 do Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica, sem atividade operacional e sem capacidade econômica e financeira, na operação de aquisição de quotas, e sua posterior incorporação, para fins de ocultar a transferência de recursos não onerosa da empresa para os sócios, e permitir a dedutibilidade do ágio pago na operação. A seqüência de atos negociais praticados pode, sim, ser caracterizada como anormal, insólita ou inadequada. Por outro lado, pretende a Impugnante explicar a inclusão da ZEST na operação, devido à não concretização do aumento de capital, que seria subscrito e integralizado por novo sócio, e permitiria a capitalização da ZEST, para fazer face à aquisição das quotas da Jack Link’s dos sócios estrangeiros. Na verdade, tal justificativa não tem qualquer sentido, na medida em que se não houve a capitalização da ZEST, por ingresso de novo sócio, e não dispunha a ZEST de capacidade econômica ou financeira para a operação, por que utilizála na aquisição das quotas sociais? Segundo a defesa, a não e fe t ivação de admissão de novo sóc io t er ia to rnado desnecessária a manutenção de re fer ida e s trutura soc ietár ia , o que teria justificado a sua incorporação. Todavia, cumpre perquirir o porquê da utilização de tal “estrutura societária” na aquisição das quotas, se todos os recursos utilizados na operação advieram da IFC? Na verdade, confirmase, mais uma vez, a simulação, na interposição de pessoa completamente destituída de capacidade econômica e financeira para a participação no negócio. Contrariamente ao afirmado pela defesa, a documentação dos autos corrobora a ocorrência de simulação de ‘empréstimo de recursos da IFC para a ZEST’, e a dissimulação de ‘transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra’, cumprindo ao fisco dar o tratamento tributário adequado às operações dissimuladas/ocultadas pelas formas jurídicas adotadas pela contribuinte. Apesar dos protestos da defesa, é evidente que todas as operações societárias e intersociedades já estavam engendradas desde o contrato de alienação das quotas sociais, subscrito pelos sócios retirantes e pelos sócios adquirentes, uma vez que: (i) não havia, e não há, qualquer justificativa plausível para a interposição, na aquisição das quotas, de uma pessoa jurídica, sem qualquer atividade operacional, e sem capacidade econômica ou financeira, para a operação; (ii) está provado que todos os recursos utilizados na aquisição das quotas pertenciam à IFC; e (iii) as únicas justificativas verificadas para a incorporação da ZEST pela IFC foram a assunção, pela incorporadora, de todas as dívidas decorrentes da aquisição das quotas, e a possibilidade de dedutibilidade do ágio pago na aquisição das quotas. Inócua a invocação do Parecer dos Auditores Independentes de fls. 1020/1038, para afastar a imputação de simulação, porque a análise da auditoria se limitou aos negócios na forma como formalizados, sem questionar de sua validade jurídica. Todavia, alguns trechos do Parecer confirmam as conclusões da fiscalização de que a aquisição das quotas foi efetivada, de fato, pelos sócios brasileiros, e que a IFC assumiu todo o passivo da operação: “Em abril de 2005, objetivando permitir que a empresa desenvolvesse novos produtos, entre outros fatores comerciais e estratégicos, os sócios quotis ta s brasi lei ros , adquir iram a partic ipação dos sóc ios quot istas americanos , conforme mencionado na nota explicativa nº 11. (...) Com a aquisição do controle societário pelos sócios administradores brasileiros, a Sociedade teve seu nível de endividamento imediatamente aumentado, já que o montante do passivo decorrente da compra das quotas Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 33 32 soc ietár ias fo i assumido pela IFC, após a incorporação da hold ing que as de tinha , gerando a necessidade de obtenção de capital de giro junto a terceiros, visando equacionar seu fluxo de caixa de curto prazo. (...) A Sociedade também está buscando fontes externas de financiamento para atenuar a pressão sobre seu capital de giro. (...) Em uma segunda frente, a Administração contratou consultoria especializada visando a capitalização da Sociedade. O plano de ação, de curto e longo prazo, abrangido nesta etapa, tem a intenção de injetar na IFC recursos financeiros necessários para satisfazer as necessidades de capital de giro e investimentos da empresa, resgatando os nívei s de endiv idamento saudáve is mant idos até a necessidade de absorção da d ív ida relacionada à aquis ição das quotas dos sócios e strange iros , (...)” Claro está, nestes termos, que a autuada suportou o financiamento contratado para aquisição, por José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, das quotas da IFC antes detidas por sócios estrangeiros. Antes das operações, os beneficiários detinham 35% das quotas da autuada, equivalentes ao valor nominal de R$ 8.960.000,00, mas o patrimônio líquido da sociedade representava R$ 45.396.877,00 (31/03/2005). Ao final de 2005, considerando o mesmo capital social de R$ 25.600.000,00, os beneficiários passaram a ser detentores de 95% das quotas, ou seja, do valor nominal de R$ 24.320.000,00, mas o patrimônio líquido da entidade foi reduzido a R$ 23.946.000,00 (fl. 1022), além da susbistência da dívida de R$ 20.013.000,00 em face dos exsócios da IFC. Se as operações fossem realizadas sem a interposição de ZEST, José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado teriam assumido empréstimo diretamente junto à autuada para pagamento das quotas adquiridas dos sócios estrangeiros, e esta dívida subsistiria no ativo da autuada enquanto não fosse quitada, ao passo que o patrimônio de José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado experimentaria o acréscimo das quotas adquiridas, mas apresentaria dívidas em face da autuada. Com a interposição de ZEST, o ativo correspondente ao direito de crédito que a autuada deteria, ainda que indiretamente, em face de José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, foi extinto por ocasião da incorporação de ZEST pela autuada, em razão da confusão entre as dívidas que deveriam restar, ao menos indiretamente, no patrimônio de José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado. A união dos patrimônios da autuada e de ZEST permitiu, assim, que o empréstimo indiretamente concedido pela autuada a José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado desaparecesse, subsistindo apenas o acréscimo patrimonial experimentado por estes, em razão do aumento das quotas que antes detinham em face da autuada, em contrapartida à redução patrimonial da autuada em decorrência do pagamento das quotas aos ex sócios. Imprópria, assim, a alegação da recorrente no sentido de que só seria cabível admitir uma situação de ocorrência, ainda que potencial, de acréscimo patrimonial, caso fosse possível, ao final da operação de incorporação da Zest pela IFC, constatar que as pessoas físicas passaram de 40% de participação original, antes mesmo de sua transferência a título de integralização de capital na Zest, para 100% de participação, sem que a IFC passasse a ter registrado em seu passivo o valor da dívida para com os Vendedores. Restou evidenciado que os beneficiários aumentaram sua participação na autuada de 35% para 95% mediante aproveitamento do patrimônio da IFC, significativamente reduzido para quitação dos empréstimos contraídos para pagamento da dívida em face dos exsócios. Logo, a diferença entre as demonstrações financeiras não se limita ao registro, em seu passivo, de uma dívida real e efetiva correspondente ao saldo devedor com os Vendedores. O decréscimo Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 34 33 patrimonial da autuada é representado, basicamente, pelos valores destinados a esses "Vendedores", sem contrapartida em favor de seu ativo, mas sim em benefício do patrimônio dos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado. A recorrente quer fazer crer que as pessoas físicas passaram a ter 100% de uma empresa cujo valor deve ser reduzido em montante correspondente ao passivo ora registrado, defendendo que 100% de 40% (neste caso 40% é igual a 100%, diminuído de uma dívida de 60%) é igual a 40% de 100% (situação antes de qualquer operação). Mas esta argumentação somente aparenta ser lógica porque o acréscimo patrimonial dos beneficiários foi compensado com o decréscimo patrimonial da pessoa jurídica autuada por ocasião da incorporação. Em verdade, a recorrente omite o acréscimo patrimonial experimentado por José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado em face do valor nominal da participação societária tomando por referência, em sua comparação, o valor patrimonial da participação societária destes antes e depois das operações questionadas, assim se aproveitando indevidamente da redução no patrimônio líquido da autuada decorrente da quitação da dívida contraída para pagamento aos exsócios. Esta redução patrimonial da autuada, por sua vez, revela o benefício financeiro em favor de José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, do qual decorre o acréscimo patrimonial evidenciado pelo aumento das quotas da autuada por eles detidas. Como bem demonstra a Fiscalização, e fica evidente no contrato de garantia concedida pelo Banco ABN AMRO em contrapartida ao penhor de quotas da autuada, os pagamentos por ela promovidos aos exsócios inibiram a distribuição de lucros aos sócios, e viabilizaram a redução patrimonial da autuada em favor de José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, ocultando os rendimentos ora classificados como tributáveis. Tais rendimentos são, assim, regularmente identificados a partir das despesas e pagamentos contabilizados por ZEST e pela autuada em razão da aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, individualizados à fl. 867, nos quais estão relatadas ocorrências de 06/01/2005 a 15/09/2006, no valor total de R$ 50.504.396,16. Ressaltese que estão agregadas a este montante as parcelas correspondentes aos royalties pagos em razão do Contrato de Licença de Uso de Patente celebrado em 31/10/2005 com o sócio José Machado Barbosa Neto, matéria não abordada no recurso voluntário. Acerca da quantificação da exigência, a recorrente afirma a nulidade do auto de infração em virtude do erro na apuração da base de cálculo da multa e juros isolados sobre a falta de retenção do imposto de renda na fonte, pois qualquer inobservância do procedimento de identificação do fato gerador e cálculo dos tributos devidos e da penalidade aplicável enseja a nulidade do lançamento. Como inicialmente observado, referida alegação não foi apreciada em sede de preliminar porque diz respeito, em verdade, ao mérito da exigência, e será assim analisada. Diz a recorrente que a D. Autoridade Fiscal, ao apurar a multa e os juros isolados, tomou por base de cálculo o valor decorrente da aplicação da alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) sobre o valor integral dos supostos rendimentos creditados às pessoas físicas dos sócios da Recorrente, quando o correto seria o fiscal autuante proceder, primeiramente, à imputação proporcional da participação de cada um dos sócios da Recorrente nos rendimentos efetuados, procedimento este adotado quando da lavratura dos autos de infração contra as pessoas físicas. A partir desta imputação, a Fiscalização calcularia o suposto valor a ser retido mediante a aplicação da tabela progressiva quando do Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 35 34 creditamento dos rendimentos em questão, o que lhe permitiria verificar que, em determinadas situações, os pagamentos não se sujeitariam a qualquer espécie de retenção, na medida em que o valor creditado estaria abarcado pela isenção, conforme tabela vigente à época dos fatos, ou mesmo submeterseia a alíquotas inferiores às supostamente aplicáveis sobre o valor integral, reduzindo a base de cálculo da multa e dos juros. Todavia, a justificativa para assim proceder foi validamente apresentada pela autoridade lançadora: as retiradas individuais dos sócios a título de prólabore, identificadas a partir da DIRF apresentada pela fonte pagadora, evidenciaram que os rendimentos apurados deveriam ser submetidos à alíquota de 27,5%. Contra este entendimento a recorrente aduz que para aplicação da tabela progressiva, ao menos no que se refere à necessidade ou não de retenção, deve ser respeitada a espécie do rendimento creditado, não havendo que se considerar como única forma de rendimento a integralidade dos valores creditados. E, considerando que quatro rubricas distintas são referidas pela Fiscalização, submetidas a retenção em razão de diferentes dispositivos legais, apresenta os cálculos correspondentes e conclui ser nulo o lançamento na forma em que realizado. Tais alegações, porém, foram veiculadas em impugnação e refutadas na decisão de 1ª instância especialmente em face do disposto no art. 620, §2º do RIR/99. Em razão da completude de sua abordagem, são aqui adotadas as razões de decidir expostas no voto condutor da decisão recorrida, que também se prestam a refutar os questionamentos acerca da exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas aqui impropriamente deduzidas: No que tange ao mérito, importa consignar inicialmente que a partir das razões de decidir adotadas no processo nº 19311.000203/200967, no qual foram autuados os lançamentos de IRPJ e CSLL, lavrados contra a IFC, e decorrentes dos mesmos fundamentos fáticos, procedente também se configura o presente lançamento de multa e juros isolados, por falta de retenção e recolhimento do IRRF devido contra a mesma empresa. Na verdade, comprovado que a IFC assumiu todo o encargo financeiro da operação de aquisição de quotas pelos sócios remanescentes, tendo custeado não apenas o pagamento devido ao alienante (4 parcelas), mas também as despesas com traduções, avaliações, seguro, serviços advocatícios e carta fiança, que se encontram discriminadas na planilha elaborada pela fiscalização, de fls. 867, configurada está a hipótese de incidência do IRRF prevista no art. 639 do RIR/99, in verbis: Seção IV Rendimentos Diversos Subseção VII Outros Rendimentos Art. 639. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, quaisquer outros rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, para os quais não haja incidência específica e não estejam incluídos entre aqueles tributados exclusivamente na fonte (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 3º, § 4º, e 7º, inciso II). No caso em apreço, apesar de tais pagamentos terem sido efetuados a terceiros, o foram por conta dos sócios administradores, reais adquirentes das quotas sociais. A empresa IFC não teve qualquer contrapartida patrimonial em função de tais pagamentos. Assim, é inegável que ao efetuar os pagamentos por conta dos sócios administradores , adquirentes das quotas, a pessoa jurídica disponibilizou a eles, sem qualquer contrapartida, os recursos necessários à Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 36 35 operação, configurandose assim o pagamento de rendimentos por pessoa jurídica a pessoa física. Na verdade, o art. 620 do RIR/99 prescreve a incidência do IRRF, mediante aplicação de alíquotas progressivas, de acordo com as seguintes tabelas em Reais para os fatos geradores sob apreciação: a) De 01/01/05 a 31/01/06: BASE DE CÁLCULO MENSAL EM R$ ALÍQUOTA % PARCELA A DEDUZIR DO IMPOSTO EM R$ Até 1.164,00 Isento De 1.164,01 até 2.236,00 15,0 174,60 Acima de 2.236,00 27,5 465,35 b) A partir de 01/02/2006: BASE DE CÁLCULO MENSAL EM R$ ALÍQUOTA % PARCELA A DEDUZIR DO IMPOSTO EM R$ Até 1.257,12 Isento De 1.257,13 até 2.512,08 15,0 188,57 Acima de 2.512,08 27,5 502,58 Além disso, observadas também as disposições dos §§ do art. 620 do RIR/99, a incidência do IRRF deveria ser calculada sobre os valores dos rendimentos pagos mensalmente aos sócios administradores. É a seguinte a redação dos dispositivos em comento: Art. 620. Omissis § 1º O imposto de que trata este artigo será calculado sobre os rendimentos efet ivamente recebidos em cada mês , observado o disposto no parágrafo único do art. 38 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 3º, parágrafo único). § 2º O imposto será re t ido por ocasião de cada pagamento e se, no mês, houver mais de um pagamento, a qualquer t í tulo , pela mesma fonte pagadora, apl icarseá a alíquota correspondente à soma dos rendimentos pagos à pessoa f ís ica , ressalvado o disposto no art. 718, § 1º, compensandose o imposto anter iormente retido no próprio mês (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, § 1º, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). § 3º Omissis Conforme expressamente consignado no termo de fiscalização acima transcrito, a aplicação da alíquota de 27,5% a todos os rendimentos pagos aos sócios teria sido efetivada, porque as duas faixas de rendimentos inferiores, sujeitas à isenção e à alíquota de 15%, previstas na tabela progressiva mensal, já teriam sido esgotadas pelos rendimentos tributáveis, pagos aos sócios, a título de prólabore, informados nas DIRF de fls. 49/52. No lançamento, cumpre reconhecer o erro contido em relação à aplicação da Taxa Selic ao fato gerador relativo ao pagamento, no valor de R$ 100.661,54, ocorrido em 29/12/2005: impõese a retificação de 15,70% para 2,57%, conforme as prescrições contidas no Parecer Normativo nº 1/2002. Foi reelaborado o demonstrativo de fls. 867, ao final do presente voto, para fazer constar a retificação em apreço. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 37 36 Deve ser afastada também a alegação de que a presente exigência, formalizada em função da falta de retenção e recolhimento do IRRF, relativo aos pagamentos efetuados pela IFC por conta dos sócios administradores, configuraria duplicidade de exigência em relação àquela formalizada no âmbito do processo 19311.000203/200967, relativo aos lançamentos de IRPJ e CSLL efetuados contra a IFC, e/ou nos processos nº 19311.000201/200978 e 19311.000200/200923, relativos aos lançamentos de IRPF efetuados contra as pessoas físicas dos sócios administradores, com base nos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos. Na verdade, apesar de as operações societárias serem as mesmas (aquisição de quotas sociais e incorporação da interposta pessoa ou fictícia adquirente), a fundamentação da exigência dos tributos é distinta, tendo em conta que não se confundem os campos de incidência dos tributos lançados exofficio (IRRF, IRPJ, CSLL e IRPF). No caso do IRPJ e da CSLL, a exigência foi formalizada contra a IFC para: (i) glosar o ágio pago na aquisição das quotas pela incorporada fictícia; (ii) glosar as despesas com juros e variações cambiais ativas e passivas vinculadas às operações de aquisição das quotas pela interposta pessoa; (iii) glosar a baixa de elementos patrimoniais (direitos a receber e intangíveis) em favor dos adquirentes das quotas, por caracterizar distribuição disfarçada de lucros; (iv) em função das infrações apuradas, exigir a multa de ofício e os juros de mora sobre a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos, com base no art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430, de 1996; e (v) exigir a multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, com fundamento no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 1996. Observese que não há qualquer identidade com o fato tributado exofficio no presente lançamento, qual seja, a falta de retenção de IRRF pela IFC, sobre a qual incidiu a multa e os juros isolados, com fundamento no artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, e no artigo 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Da mesma forma, nos lançamentos de IRPF, formalizados contra os sócios administradores, adquirentes das quotas e únicos beneficiários patrimoniais das operações societárias em discussão, a exigência foi formalizada para exigir o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, em função da falta de recolhimento do tributo devido (IRPF). Não há coincidência entre a multa e os juros isolados, exigidos da fonte pagadora do rendimento (IFC), a partir do vencimento do IRRF devido até a entrega das declarações de ajuste pelas pessoas físicas, beneficiárias dos rendimentos (com fundamento no artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, e artigo 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996); e a multa de ofício e os juros de mora, exigidos, juntamente com o IRPF devido, a partir da entrega das declarações de rendimento, pelas pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos, com fundamento no art. 44, I, ou §1º da Lei nº 9.430, de 1996. Nos termos do art. 128 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No caso em apreço, a Lei atribuiu à fonte pagadora do rendimento (IFC) o dever de reter e proceder ao recolhimento do imposto, ainda que não retido; e ao contribuinte, pessoa física, a obrigação de oferecer o rendimento recebido à tributação na declaração de ajuste anual. Observese que se trata de obrigações tributárias distintas, mas que têm efetivamente um caráter supletivo, na medida em que: (i) até a data da entrega da Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 38 37 Declaração de Rendimentos da Pessoa Física – DIRPF, a fonte pagadora deve ser responsabilizada pelo IRRF não retido ou não recolhido, multa e juros devidos; (ii) após a data da entrega da DIRPF, o contribuinte deve ser responsabilizado pelo IRPF, multa e juros devidos; mas a fonte pagadora, pela falta de retenção e recolhimento do IRRF, não se desonera do pagamento da multa e dos juros isolados devidos desde o vencimento do IRRF até a data da entrega da DIRPF. Registrese ainda que apesar de o art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, fazer remissão à multa do art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430, de 1996, não se pode dizer que se trata da mesma multa, porque as hipóteses de incidência são distintas, conforme abaixo se reproduz: Art . 9 º da Le i nº 10.426, de 24 de abri l de 2002 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de fa l ta de retenção ou reco lhimento , independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único.As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a total idade ou diferença de tributo ou contr ibuição que deixar de ser retida ou recolh ida, ou que for recolhida após o prazo f ixado . Art . 44 da Lei nº 9 .430 , de 27 de dezembro de 1996 Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de fa lta de declaração e nos de declaração inexata ; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II Omissis § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) No tocante à tese da Impugnante de que as multas isoladas somente seriam aplicáveis por descumprimento de dever instrumental ou obrigação acessória, não é o que dispõe a legislação. No caso em apreço, a multa isolada está expressamente prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, para os casos de falta de retenção ou recolhimento do imposto retido. Até se poderia admitir que, isoladamente, o dever de reter se configurasse como um dever instrumental, mas o recolhimento do tributo, ainda que não retido (caso concreto em análise) não pode ser assim caracterizado, por envolver indiscutivelmente a obrigação de pagar tributo, o que nos termos do art. 113, §1º do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) caracteriza a obrigação principal. É a seguinte a redação do dispositivo: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tr ibuto ou penal idade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, posit ivas ou negat ivas , nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 39 38 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Salientese que o fato de o pagamento estar sendo efetuado em favor de terceiro (beneficiário do rendimento), não tem o condão de desnaturar o caráter tributário da obrigação da fonte pagadora, porque a própria sistemática da retenção e de recolhimento do imposto retido foi criada no âmbito da legislação tributária e integra as obrigações ali previstas. Diante da legislação posta, que prevê a incidência de multa isolada, por falta de retenção ou recolhimento do imposto, ainda que não retido, não se sustenta a tese da Impugnante de que a aplicação da multa e dos juros isolados somente seria válida quando não caracterizada a falta de pagamento de tributo. Quanto aos questionamentos acerca da validade das normas jurídicas relativas às multas e ao cálculo dos juros de mora com base na Taxa Selic, cumpre apenas consignar que foram estritamente observadas as disposições legais pertinentes, integrantes do ordenamento jurídico e devidamente enunciadas nos lançamentos. A competência dos órgãos administrativos de julgamento restringese ao controle da legalidade dos lançamentos, ou seja, à verificação da correta subsunção dos fatos à Lei, sendolhe vedada a apreciação de validade de dispositivos legais, validamente editados pela autoridade competente e segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Cumpre registrar que, é em observância ao devido processo legal, que um controle da legalidade mais abrangente não pode ser feito na esfera administrativa, e que se configura incabível a distinção, por vezes pretendida, entre o controle de constitucionalidade e a decisão administrativa pela inaplicabilidade de norma inconstitucional ao caso concreto, porque o antecedente lógico desta última é, necessariamente, a formação de convicção a respeito da primeira. E não se trata aqui de admitir que os órgãos administrativos não devem respeito à Constituição Federal – CF, mas de conferir concretude ao princípio constitucional da separação dos Poderes, que de tão relevante valor jurídico, tem o status de cláusula pétrea (art. 60, §4º, III, da CF). Como poderia a Administração Pública, por sua própria iniciativa, sem intervenção do Poder Judiciário, negar validade e vigência à norma editada pelo Poder Competente, segundo o processo legislativo constitucionalmente definido? E, quanto à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, tratase de matéria alcançada pela Súmula CARF nº 4 (A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais). Diante do exposto, além de REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19311.000202/200912 Acórdão n.º 1302001.763 S1C3T2 Fl. 40 39 Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15563.000794/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. JULGAMENTO.
A realização de diligências e perícias tem como finalidade sanar todas as dúvidas para o julgamento da lide.
ENVIO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. ESPONTANEIDADE. INICIO DE AÇÃO FISCAL.
Simples diligência que não configure início efetivo de ação fiscal com objeto e períodos predeterminados, não tem o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte.
A inércia da fiscalização por mais de 60 dias possibilita que o contribuinte readquira sua espontaneidade, conforme disposição do PAF.
DECADÊNCIA
Na ausência de fraude ou dolo, para fins de contagem do prazo decadencial, deve ser utilizada a regras constante no art. 150, §4° do CTN, cujo ponto inicial é a data da ocorrência do fato gerador do tributo.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO. AUSÊNCIA DE DOLO.
O envio espontâneo de declarações retificadoras que suprem as omissões presentes nas declarações originais, excluem a hipótese de fraude e dolo e, por conseqüência, afastam a responsabilização dos sócios baseada no art. 135 do CTN.
ESCRITURAÇÃO FISCAL. EXTRAVIO. ARBITRAMENTO DE LUCRO.
A simples afirmativa de extravio da escrituração não impede o arbitramento do lucro. Não sendo realizada a comunicação temporal do fato às autoridades competentes e, nem a reconstituição da documentação, só resta a autoridade fazendária a sistemática do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Ressalvados os casos especiais, o lançamento reflexo colhe a mesma sorte do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema.
Dessa forma, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise.
ARBITRAMENTO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de arbitramento não é possível efetuar o cálculo exata da base de incidência do PIS e da COFINS, exatamente pela ausência de informações contábeis necessárias e suficientes para tanto, não havendo espaço para discussão sobre exclusões da base de cálculo, como o ICMS.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE
A ausência de constatação de conduta dolosa do sujeito passivo desautoriza a aplicação da multa de oficio em sua forma qualificada.
Numero da decisão: 1201-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 27/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. JULGAMENTO. A realização de diligências e perícias tem como finalidade sanar todas as dúvidas para o julgamento da lide. ENVIO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. ESPONTANEIDADE. INICIO DE AÇÃO FISCAL. Simples diligência que não configure início efetivo de ação fiscal com objeto e períodos predeterminados, não tem o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte. A inércia da fiscalização por mais de 60 dias possibilita que o contribuinte readquira sua espontaneidade, conforme disposição do PAF. DECADÊNCIA Na ausência de fraude ou dolo, para fins de contagem do prazo decadencial, deve ser utilizada a regras constante no art. 150, §4° do CTN, cujo ponto inicial é a data da ocorrência do fato gerador do tributo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO. AUSÊNCIA DE DOLO. O envio espontâneo de declarações retificadoras que suprem as omissões presentes nas declarações originais, excluem a hipótese de fraude e dolo e, por conseqüência, afastam a responsabilização dos sócios baseada no art. 135 do CTN. ESCRITURAÇÃO FISCAL. EXTRAVIO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. A simples afirmativa de extravio da escrituração não impede o arbitramento do lucro. Não sendo realizada a comunicação temporal do fato às autoridades competentes e, nem a reconstituição da documentação, só resta a autoridade fazendária a sistemática do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Ressalvados os casos especiais, o lançamento reflexo colhe a mesma sorte do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. Dessa forma, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise. ARBITRAMENTO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de arbitramento não é possível efetuar o cálculo exata da base de incidência do PIS e da COFINS, exatamente pela ausência de informações contábeis necessárias e suficientes para tanto, não havendo espaço para discussão sobre exclusões da base de cálculo, como o ICMS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE A ausência de constatação de conduta dolosa do sujeito passivo desautoriza a aplicação da multa de oficio em sua forma qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 27/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000794/200879 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.319 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente FENIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. JULGAMENTO. A realização de diligências e perícias tem como finalidade sanar todas as dúvidas para o julgamento da lide. ENVIO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. ESPONTANEIDADE. INICIO DE AÇÃO FISCAL. Simples diligência que não configure início efetivo de ação fiscal com objeto e períodos predeterminados, não tem o efeito de excluir a espontaneidade do contribuinte. A inércia da fiscalização por mais de 60 dias possibilita que o contribuinte readquira sua espontaneidade, conforme disposição do PAF. DECADÊNCIA Na ausência de fraude ou dolo, para fins de contagem do prazo decadencial, deve ser utilizada a regras constante no art. 150, §4° do CTN, cujo ponto inicial é a data da ocorrência do fato gerador do tributo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO. AUSÊNCIA DE DOLO. O envio espontâneo de declarações retificadoras que suprem as omissões presentes nas declarações originais, excluem a hipótese de fraude e dolo e, por conseqüência, afastam a responsabilização dos sócios baseada no art. 135 do CTN. ESCRITURAÇÃO FISCAL. EXTRAVIO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. A simples afirmativa de extravio da escrituração não impede o arbitramento do lucro. Não sendo realizada a comunicação temporal do fato às autoridades competentes e, nem a reconstituição da documentação, só resta a autoridade fazendária a sistemática do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 94 /2 00 8- 79 Fl. 6416DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Ressalvados os casos especiais, o lançamento reflexo colhe a mesma sorte do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. Dessa forma, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise. ARBITRAMENTO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de arbitramento não é possível efetuar o cálculo exata da base de incidência do PIS e da COFINS, exatamente pela ausência de informações contábeis necessárias e suficientes para tanto, não havendo espaço para discussão sobre exclusões da base de cálculo, como o ICMS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE A ausência de constatação de conduta dolosa do sujeito passivo desautoriza a aplicação da multa de oficio em sua forma qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 27/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Fl. 6417DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em face de acórdão que julgou procedente em parte os lançamentos, declarando devidos o IRPJ no valor de R$ 5.170.814,86, a CSLL no valor de R$ 2.021.623,61, a Cofins no valor de R$ 927.163,43 e o PIS no valor de R$ 201.568,98, acrescidos da multa proporcional de 150% e dos juros de mora. Durante o procedimento fiscalizatório, a autoridade fazendária relatou o seguinte que: i) em 04/04/2005, compareceu ao endereço cadastral da interessada, no município de Campos dos Goytacazes/RJ, onde encontrou um estabelecimento comercial fechado e foi informado por vizinhos que a interessada não mais exercia suas atividades naquele local; ii) continuou a busca, comparecendo no endereço declarado na DIPJ/2004, localizado naquele mesmo município. Lá foi informado pelo Sr. Cláudio Lopes Duarte, o responsável pela interessada junto à RFB, que no estabelecimento funcionava uma distribuidora de bebidas Cintra, o que também pode constatar pela decoração local; iii) segundo o Sr. Cláudio, a interessada distribuía produtos das marcas Skol, Brahma e Antártica e que exerceu suas atividades até junho de 2003, ocasião em que a Ambev assumiu a função no município, mantinha a propriedade do imóvel localizado no primeiro endereço visitado pela fiscalização, e a distribuição da cerveja Cintra em Campos dos Goytacazes estava a cargo de Foko Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda, sociedade pela qual ele também era responsável perante à RFB; iv) em 25/04/2005, a interessada apresentou DIPJ/2005, anocalendário 2004, como sociedade inativa, tendo transmitido, em 14/08/2005, declaração retificadora optando pelo lucro real trimestral, sem no entanto, declarar qualquer receita no período; v) a interessada não apresentou DCTF no período compreendido entre janeiro de 2004 e julho de 2005; vi) no período de 01/01/2004 a 22/09/2005, não houve recolhimentos por parte da interessada de IRPJ (códigos de receita 3373 e 0220) e de CSLL (código 6012); vii) a interessada teve movimentação financeira em 2004 no valor aproximado de R$ 8.500.000,00, tendo apresentado imutabilidade de ativo e passivo em relação ao anocalendário anterior, o que o fez concluir que o montante acima não decorreu de realização de ativo no período; Fl. 6418DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 A autoridade fazendária verificou que por meio de alteração contratual ocorrida em 09/08/2005, o endereço da interessada passou a ser no município de Duque de Caixas/RJ, razão pela qual a representação para fins fiscais fora encaminhada para a DRF/Nova Iguaçu. A autoridade fiscal de Nova Iguaçu tentou intimar a interessada em seu novo endereço, mas não obteve sucesso, Decidiu, então, encaminhar o termo de início da ação fiscal para o endereço do sócio Cláudio, que o recepcionou em 15/01/2007. A partir de então, todas as intimações passaram a ser postadas para o endereço do referido sócio, culminando com a que foi recebida em 28/10/2008. Segue abaixo o relatório da nova administração fazendária: i) constatou que a interessada reconheceu na última declaração entregue (DIPJ/2004 original e retificadora), a receita de R$ 17.065.937,36, mas que também declarou despesas operacionais em "valores equivalentes". Cabe destacar que esta declaração foi entregue após a diligência efetuada pela DRF/Campos dos Goytacazes; ii) que também foram transmitidas à RFB duas DIPJ/2005, sendo que ambas as declarações, original e retificadora, foram entregues após a supracitada diligência. Na primeira, a interessada se declarou inativa. Na segunda, optante pelo lucro real, mas sem oferecer receita à tributação, nem mesmo aquela resultante de aplicações financeiras, que somava R$1.009.823,40; iii) que requisitou a escrituração fiscal da interessada, sendo que parte dos livros deveria ser recomposta, já que os originais haviam sido roubados, e que, recebeu, em 27/07/2007, os livros Diário, Registro de Entradas, Registro de Saídas e Inventário; iv) que analisando os livros acima referidos, fez constatações que apresentou à interessada por intermédio do termo de fls. 189/191, dentre as quais destacou a falta de registro do livro Diário no órgão competente, bem assim a ausência de escrituração nele da movimentação financeira no período, já que continha apenas os balanços patrimoniais dos anos calendário 2004, 2005 e 2006; v) que a interessada foi intimada a apresentar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias no anocalendário 2004, a interessada entregou cópia do distrato firmado entre a si e a Ambev, relacionando valores recebidos desta no período compreendido entre 10/04/2003 e 28/10/2003; vi) que frustradas as tentativas de identificação das contas bancárias da interessada por informação da própria, emitiu, em 01/08/2007, requisições de movimentações financeiras (RMF) para diversos bancos; vii) que as respostas das instituições financeiras permitiram a verificação dos valores depositados pela Ambev, a descoberta de vários depósitos efetuados por pessoas jurídicas, e a identificação de pagamentos feitos pela interessada; Fl. 6419DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 4 5 viii) que aqueles para os quais a interessada pagou ou das quais tenha recebido valores por intermédio das contas bancárias auditadas, foram intimados a prestar esclarecimentos sobre a movimentação financeira; ix) que em várias das respostas apresentadas por beneficiários de pagamentos efetuados pela interessada os intimados justificaram, sem comprovar, os valores recebidos como sendo contraprestação de contrato de mútuo firmado com a interessada em 2001, merecendo destaque os esclarecimentos prestados pelos seguintes sujeitos passivos: 1) Antônio Silva Duarte — sócio na interessada no período fiscalizado, proprietário do imóvel onde a empresa estava instalada e pai do atual responsável legal por ela — justificou o recebimento, em 14/07/2003, de R$ 2.294.000,00 como sendo verba para o pagamento a credores amigáveis da interessada, apresentando extrato bancário do qual constam saídas de recursos; 2) Luiz Stampini Netto — justificou os R$ 15.000,00 que recebeu da interessada em 03/02/2004 como pagamento pelo serviço se sinalização (silkscreen) de veículo com a logomarca da Cervejaria Cintra, cuja distribuição de produtos, ao que consta, estava a cargo da Foko Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda na região de Campos de Goytacazes; 3) Simeao Tavares Rangel — informou que o valor de R$ 33.000,00, recebido em 04/06/2004, foi referente à venda de veículo de sua propriedade à interessada; 4) Big Beer Logística, Comércio e Distribuição Ltda — tem como representante legal o Sr. Antônio Silva Duarte Filho, irmão do representante legal da fiscalizada e filho e do Sr. Antônio Silva Duarte. Foram frustradas as tentativas de intimar a pessoa jurídica e a pessoa física responsável para a prestação de esclarecimentos relativos aos R$ 20.000,00 recebidos da interessada em 04/11/2004; 5) Brazil Trading Ltda — informou que era importadora de 110 veículos da marca Kia e que os R$ 75.000,00 questionados pela fiscalização, foram recebidos em 31/03/2004 por pagamento efetuado pela Via Barra Rio Veículos Ltda, não tendo qualquer relação comercial com a interessada; 6) Cervejaria Cintra Indústria e Comércio Ltda — beneficiária de diversos pagamentos, a cervejaria relacionou vários em que, embora o pagamento tenha sido realizado pela interessada, a operação correspondente se dava em nome de terceiros, dentre eles a Foko, a Big Beer e a Bella — Bebidas Litoral Ltda, sendo que não houve Fl. 6420DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 êxito na intimação desta e seu representante legal informou que não era sócio da empresa; 7) Cesarmar Turismo e Viagens Ltda — afirmou que não manteve relação comercial com a interessada, mas que realizou vendas a diversos membros da família Duarte (relacionados às fls. 395), apresentando cópias de passagens aéreas expedidas em 06/10/2003, 15/03/2004 e 21/07/2004; 8) Concrevit Concreto Vitória Ltda — informou que os R$ 16.236,56 recebidos em 19/01/2004 da interessada dizem respeito à transação realizada com a Frigo Rio Comércio e Representações Ltda, cujo representante legal é o Sr. Antônio Silva Duarte, já identificado acima; 9) Construtora W. M. Bastos Ltda — também informou que os valores que recebeu da interessada foram pagos no interesse da Frigo Rio; 10) Damata Bebidas Ltda — afirmou que recebeu R$ 18.000,00, em 01/12/2004, pagos pela interessada, para a quitação de negócio com o Sr. Francisco Titonelli, apresentando nota fiscal no valor de R$ 18.240,00; 11) Junal Juparaná Motos Ltda — informou que as quantias recebidas da interessada foram referentes à venda de motocicletas à Big Beer; 12) Leão Júnior S/A — informou que o recebimento, em 18/03/2004, de R$ 43.104,37 deveuse a negócios com a pessoa jurídica Foko, já mencionada, e que tem como sócios o representante legal da interessada, Sr. Cláudio, e seu pai, o Sr. Antônio, ambos já qualificados; 13) Metalúrgica Barra do Pirai S/A — justificou os valores que recebeu da interessada como pagamento por vendas que efetuou para a empresa Frigo Rio; 14) Microblau Indústria Eletrônica Ltda — apresentou nota fiscal no valor de R$ 11.999,97, datada de 08/07/2004 e emitida contra a Frigo Rio, para justificar o recebimento de R$ 12.000,00 em 20/07/2004 pagos pela interessada; 15) Rallye Multimarcas Veículos Ltda — informou que recebeu, em 12/03/2004, R$ 17.500,00 da interessada, a título de parte do pagamento por veículo adquirido da empresa Toyoserra Veículos Fl. 6421DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 5 7 Ltda pela empresa Ewergreen Administração de Imóveis Ltda, cujo representante legal também é o Sr. Antônio Silva Duarte; 16) Toyoserra Veículos Ltda — prestou informação idêntica àquela dada pela Rallye Multimarcas; 17) Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos Ltda —informou que recebeu da interessada, em 01/07/2004, R$91.124,68, por negócio realizado com a Cobrai Comercial Beira Rio Ltda; 18) Foko Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda — além de ter quitado várias obrigações suas com pagamentos efetuados pela interessada, recebeu desta o montante de R$ 112.700,00 ao longo de 2004; 19) Ewergreen Administração de Imóveis Ltda — tem como sócios o Sr. Cláudio, representante legal da interessada, e seu pai, Sr. Antônio. Não recebeu diretamente valores da interessada, mas teve negócios quitados com recursos financeiros desta; e 20) Frigo Rio Comércio e Representações Ltda — Também não recebeu diretamente valores da interessada, mas teve negócios quitados com recursos financeiros desta. x) que considerando o já relatado sobre a escrituração fiscal da interessada, efetuou o arbitramento do lucro dos anos calendário de 2003 e 2004, por entender que existiam vícios insanáveis nos registros contábeis; xi) que como base de cálculo para o arbitramento utilizou as receitas operacionais declaradas para os períodos, adicionadas: 1) Em 2003, dos valores recebidos pela interessada em razão do distrato firmado com a Cervejarias Reunidas Skol Caracu S/A, no total de R$ 14.770.076,13; e 2) Em 2004, das receitas auferidas com as aplicações financeiras realizadas no período, no total de R$1.009.823,40. xii) que quando do lançamento, efetuou compensação de: Fl. 6422DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 1) IRPJ nos anos de 2003 e 2004, quanto aos valores pagos/declarados em DCTF e aos valores retidos na fonte pelas instituições financeiras, respectivamente; e 2) CSLL no ano de 2003, quanto aos valores pagos/declarados em DCTF. xiii) que referente ao ano de 2003, constam valores pagos/declarados em DCTF relativos a PIS e Cofins, mas eles não foram objeto de compensação por ocasião do lançamento, porquanto apurados em regime nãocumulativo, inaplicável nos casos de arbitramento; xiv) que intimada a relacionar os bens constantes de seu ativo permanente, a interessada apresentou lista com oito veículos, sendo que consulta à base de dados do Denatran/MJ detectou dezenove automóveis como sendo de propriedade dela, inclusive alguns com ano de fabricação posterior ao período da declarada inatividade da empresa e outros posteriormente alienados a pessoas jurídicas do mesmo grupo familiar; xv) que a multa de ofício foi aplicada em sua forma qualificada ante todo o enredo exposto, pelo que concluiu o atuante que a interessada por ato voluntário e consciente do ilícito fiscal, omitiu receitas; xvi) que lavrou: 1) os termos de sujeição passiva solidária (TSPS), de fls. 423/426, contra o Sr. Cláudio e seu pai, o Sr. Antônio; e 2) a representação fiscal para fins penais consubstanciada pelo processo administrativo n.° 15563.000795/200813. Inconformados com os lançamentos, a interessada e os senhores Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, interpuseram a impugnação, na qual foi julgada parcialmente procedente, mantendose os lançamentos conforme mencionado no início deste relatório. Mais uma vez, inconformados, todos os interessados apresentaram tempestivamente Recurso Voluntário, tendo como em síntese, as seguintes alegações: i) que o recurso seja provido e que seja declarada nula a decisão anteriormente proferida, por conta do cerceamento de defesa devido ao indeferimento da produção de prova pericial, sendo determinado então que seja realizado novo julgamento depois de realizadas as provas requeridas; ii) que seja reconhecida a decadência dos créditos tributários referentes ao anobase de 2003, nos termos dos art. 150,§4º c/c 156, V do CTN; Fl. 6423DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 6 9 iii) que seja afastada a atribuição de responsabilidade tributária solidária dos Recorrentes Cláudio Lopes Duarte e Antonio Silva Duarte, haja vista a inexistência de dolo ou fraude no caso concreto, não se aplicando então o art. 135, III do CTN; iv) que seja afastada a afirmação da prática dos crimes previstos nos arts. 1°, I e 2° da Lei 8.137/90, sendo então determinado o arquivamento definitivo da Representação Fiscal para Fins Penais n° 15563.000795/200813, haja vista a, inexistência de dolo, fraude ou sonegação no caso concreto; v) caso não seja acatada a preliminar de decadência acima arguida, hipótese admitida somente em face do princípio da eventualidade, que seja então reconhecida a ilegitimidade do arbitramento feito para o anobase de 2003, sendo assim restabelecida a apuração de IPRJ e CSL pelo Lucro Real, do PIS pelo regime nãocumulativo e da COFINS pelo regime cumulativo, exatamente como levada a efeito pela empresa Recorrente; vi) caso não seja dado provimento ao pedido formulado no item anterior, hipótese admitida somente em face do princípio da eventualidade, que seja então reconhecida inexistência de ganho de capital em relação aos valores pagos pela AMBEV em razão do distrato contratual e, portanto, seja determinada a não incidência de IRPJ e de CSL sobre estes valores, isto porque houve, na verdade, perda de capital no tocante ao total pago pela entrega dos ativos de f1s.749 em razão do caráter indenizatório (receita nãotributável) dos valores pagos que não se referem à compra dos ativos de fls. 749, afastandose assim a tributação sobre estes valores; vii) caso, não seja dado provimento ao pedido formulado acima, hipótese admitida somente em face do principio da eventualidade, que seja então determinada a revisão do lançamento tributário em relação à incidência de IRPJ e CSL sobre os valores pagos pela AMBEV, impondose a dedução, nos termos da fundamentação exposta, dos custos de aquisição dos ativos (elementos corpóreos e os incorpóreos do fundo de comércio) que foram indenizados em razão do distrato contratual, sendo assim afastada a tributação sobre a receita não operacional total auferida, mantendose a tributação apenas sobre o resultado positivo, se houver, decorrente da indenização efetivamente paga; viii) que seja reconhecida a ilegitimidade do arbitramento feito para o ano base de 2004, e por esta razão, seja então reconhecida a não incidência do IRPJ e da CSL sobre as receitas financeiras auferidas pela empresa Recorrentes neste ano, haja vista as mesmas não comporem o Lucro Real nos termos do art. 373 do RIR/99, impondose assim a revisão do lançamento neste ponto; ix) que seja reconhecida a não incidência da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras auferidas pela empresa Recorrentes no anobase de 2004, haja vista o STF ter declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo destas contribuições feito pelo art. 3º, §1º da Lei 9718/78, impondose assim a revisão do lançamento neste ponto; Fl. 6424DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 x) na hipótese de serem julgados improcedentes os pedidos formulados acerca da nãoincidência tributária e da revisão do lançamento, hipótese admitida somente em face do principio da eventualidade, seja determinada a revisão do percentual da multa qualificada) de lançamento de oficio, reduzindoa para o valor de 20% em relação aos valores já declarados e 75% nas demais hipóteses, haja vista a absoluta ausência de dolo, fraude ou sonegação no caso concreto, afastandose assim a aplicação do §1° do, art. 44 da Lei 9.430/96; Em 03/10/2012, a 2° Turma da 2° desta 1° Seção determinou através da Resolução n. 1202000.140, o sobrestamento do processo com base no disposto no art. 62A do RICARF, vez que faz parte do processo a discussão acerca da possibilidade de quebra do sigilo bancário sem autorização, matéria esta que estava pendente de análise pelo STF em sede de Repercussão Geral. Com a revogação do mencionado dispositivo do Regimento deste Conselho, os autos retornaram para julgamento. Em razão da saída do relator original deste processo, houve novo sorteio para relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso Voluntário tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, sendo assim, recebo o recurso. DAS PRELIMINARES Do Cerceamento de Defesa A interessada, assim como em sua petição inaugural, reitera o pedido de perícia e diligência, para a produção de provas suplementares ao processo, alegando que está sendo vítima de cerceamento de defesa por conta de seu indeferimento. Evidentemente, cabe aos interessados requerer todas as provas possíveis a fim de demonstrarem o seu direito. No entanto, contudo, assim como já mencionado na decisão da DRJ, compete também à autoridade julgadora, principalmente nos casos de requerimento de perícia e diligência, decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 18 do referido diploma normativo. A realização de diligências e perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido Fl. 6425DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 7 11 dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem como sanar dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecêlas. Não se trata do caso em tela, isto porque, como bem mencionado na decisão da DRJ, a solução do presente litígio vinculase à apresentação de documentos cuja guarda e conservação compete à própria interessada autuada, nos termos da legislação tributária. Além do mais, caso o julgador sintase convencido e apto para proferir o julgamento, não há motivo para realização de provas periciais e diligências. Portanto, desnecessário o acionamento de outros agentes, órgãos ou entidades, visto que para este julgador, a documentação acostada nos autos é suficiente para a prolação de decisão. Sendo assim, não conheço desta preliminar. Da espontaneidade do contribuinte No caso em tela, este Relator deverá abordar os temas i) decadência, ii) dolo do contribuinte e conseqüente aplicação de multa qualificada e iii) responsabilidade solidária dos sócios, uma vez que foram enviadas declarações com valores de receita tributável igual a zero. Ocorre que o contribuinte enviou declarações retificadoras de forma a sanear tais receitas omitidas. Contudo, tanto a autoridade fiscalizadora quanto os julgadores em primeira instância administrativa desconsideraram tais retificadoras como espontâneas, vez que apresentadas após o início dos atos fiscalizatórios. Para melhor entendimento, resumo abaixo a ordem cronológica dos fatos: i) em 04/04/2005, o AFRB Sr. Mauricio Nogueira procedeu com diligência fiscal (MPF Diligência n. 07.04.002005.000226) junto à Recorrente, ao final do qual apresentou relatório em que sucintamente informa que: Em cumprimento ao MPFD Mandado de Procedimento Fiscal n. 07.1.04.00 2005000226. compareci ao endereço do contribuinte FENIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS CNPJ 00.985.982/000118 constante em nossa Base de Daos CNPJ, a saber Av. Albeto Lamego, 907/ 913, Parque Califórnia neste município, quando então pude constatar que em tal endereço encontrase um estabelecimento sem qualquer identificação e com, inclusive, suas portas fechadas. Dirigime assim ao estabelecimento ao lado (estacionamento do supermercado Super Bom) onde fui informado por funcionários deste último estabelecimento que o contribuinte diligenciado não mais exerce atividades naquele local. Ato continuo, dirigime ao endereço do diligenciado constante em sua DIPJ/2004, vale dizer mesmo endereço informado no cadastro SINTEGRAICMS a saber: Av. Professora Carmem Cameiro. 1092 Altos Guatus, igualmente neste município. Em lá chegando constatei, a partir da decoração do local (pinturas em Fl. 6426DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 geral) e das infomações prestadas a mim pelo Sr. Cláudio Lopes Duarte (CPF 905.396.48787, que se tratava de uma distribuidora da cevveja CINTRA. Registrase que o Sr. Claudio Lopes . Duarte ( CPF: 905.396.48787, o qual recebera cópia do MPFD) em questão, é o responsável pela diligenciada junto à SRF (base de dados CNPJ). Esse mesmo responsável informoume, que a ora diligenciada exerceu suas atividades (distribuição de SKOL. BRAHMA e ANTÁRTICA) até meados de junho de 2003, quando, a partir de então a AMBEV assumiu referida atividade em Campos dos Goytacazes. Contudo, o contribuinte FENIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA., ainda mantém a propriedade do imóvel situado na Av. Alberto Lamego (endereço acima), muito embora esteja fechado. Informoume. ao final que a distribuição da cerveja CINTRA, em todo o município de Campos, está a cargo da sociedade empresarial FOKO COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE BEBIDAS LTDA CNPJ 05.765.971/000146. pela qual. também como na diligenciada, é seu responsável junto à SRF." ii) em 14/08/2005 a Recorrente enviou as DIPJs retificadoras dos anos 2003/2004 e 2004/2005; e iii) em 29/12/2006 foi lavrado o Termo de Início de Ação Fiscal que originou o lançamento ora em discussão do qual a Recorrente tomou ciência em 15/01/2007. Em suma, o que se coloca aqui em discussão é o verdadeiro alcance do conceito de início de procedimento fiscal, previsto no art. 7° e seu § 1° do PAF, para fins de definir o momento em que o contribuinte perde a espontaneidade. Nesta tarefa, inicio observando que um dos pressupostos para manutenção da espontaneidade é a ausência de fiscalização, logicamente, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o sujeito passivo, ou responsável, se autodenuncia. A principal dúvida se refere ao momento inicial em que passa existir "qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração". Neste sentido, ressalto que ainda que o contribuinte já esteja sendo fiscalizado, poderá ainda ser beneficiado pela espontaneidade, caso o foco da fiscalização seja outro tributo ou fato gerador. Além disso, entendo que para configurar verdadeiro e legitimo início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização, algumas formalidades devem ser observadas, sob pena de se excluir a espontaneidade do contribuinte em razão de qualquer diligência ou contato direto do fisco, muito comum na atualidade, principalmente, para os grandes contribuintes que estão sujeitos ao Acompanhamento Especial e Diferenciado por parte da Receita Federal. O art. 96 e parágrafo único do CTN traz definição importante que ajuda a ratificar minha posição: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Fl. 6427DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 8 13 Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.” A análise do dispositivo acima leva à conclusão que o referido início da fiscalização para o sujeito passivo, ocorre com a lavratura da fiscalização em algum dos livros fiscais do contribuinte, ou algum documento de emissão do órgão fiscalizador comprovadamente recebido pelo fiscalizado. Não poderia ser diferente, pois, perderia a razão de ser do benefício da denúncia espontânea se tal marco tivesse como início um documento interno do órgão fiscalizador para que fossem tomadas providências para o futuro início de uma atividade fiscalizadora. A denúncia espontânea tem como objetivo que o contribuinte denuncie sua falha, ou seja, pressupõe que este não saiba que está sendo fiscalizado, ou seja, de que, ao menos em sua percepção, esteja informando fato novo ao Fisco. Logicamente, depois que o fiscal já lavrou um termo de início de fiscalização em que conste a matéria a ser fiscalizada e período, já não se pode mais falar de espontaneidade. O princípio da publicidade e a necessidade de que o sujeito passivo seja efetivamente notificado do começo daquele procedimento e da extensão da fiscalização que se inicia são os pilares deste entendimento. No caso em tela, entendo que a simples diligência do Auditor Fiscal não contém elementos que possam ser considerados suficientes para excluir a espontaneidade do Recorrente. De fato, conforme consta nos autos, o Termo de Início de Fiscalização foi lavrado em 29/12/2006 e a ciência do contribuinte se deu em 15/01/2007, desta forma, as declarações retificadoras enviadas no mês de agosto de 2005, muito antes da lavratura do termo de início de fiscalização, ainda gozavam de espontaneidade. Penso também que, ainda que a diligência perpetrada pelo agente fiscal em 04/04/2005 fosse considerada como medida preparatória de fiscalização que afastasse a espontaneidade do contribuinte, tal exclusão de espontaneidade não pode se perpetuar no caso de inércia da fiscalização. Neste ponto, é necessário trazer à análise o disposto no art. 7º do Decreto 70.235/72 para que se possa avaliar a possibilidade do contribuinte readquirir a espontaneidade: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 6428DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." (nosso grifo) O disposto no parágrafo 2º acima é claro e objetivo ao dispor que a validade do ato inicial é de 60 dias, prorrogável por igual período, sucessivamente, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Vejamos alguns julgados neste sentido: PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE CONSULTA E AUTO DE INFRAÇÃO A espontaneidade do sujeito passivo, excluída pelo início do procedimento fiscal, pode ser recuperada pela inércia da fiscalização, presumida pelo transcurso do prazo de 60 (sessenta) dias sem qualquer ato escrito indicando o prosseguimento dos trabalhos. É nulo o auto de infração lavrado para exigir tributo sobre a matéria objeto de consulta, formalizada após esse prazo, enquanto pendente de solução e até 30 (trinta) dias da data da ciência da sua decisão final. 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 10805.542 em 26.01.1999 Publicado no DOU em: 22.04.1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ESPONTANEIDADE REAQUISIÇÃO EFEITOS LIMITES OBJETIVOS Dizemse espontâneos, em relação ao Fisco, os atos de sujeito passivo que versem sobre obrigação principal ou acessória. O ato administrativo que marca o início do procedimento de fiscalização tem como eficácia a perda da espontaneidade do sujeito passivo limitada à matéria fiscalizada em relação às obrigações, principais ou acessórias, que foram ou deveriam ter sido cumpridas (Decreto nº 70.235/72, art. 7º, § 1º). Readquirir significa tornar a obter algo que se possuía. São efeitos da reaquisição da espontaneidade, por exemplo, permitir que o sujeito passivo providencie, se for o caso, o pagamento dos tributos devidos e nãodeclarados, acrescidos de multa e juros moratórios, eximindose, assim, da imposição de multa no lançamento de ofício. A eficácia dos atos administrativos que fazem cessar a espontaneidade do sujeito passivo como uma nova intimação para esclarecimentos ou a formalização de lançamento não distingue se esta é originária ou foi readquirida. Recurso Negado. 1º CC. / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10321.269 em 12/06/2003. Publicado no DOU em: 12.08.2003. Desta forma, a conclusão lógica é de que a espontaneidade é readquirida se o autor do procedimento fiscal não oficializar a continuidade da ação fiscal, conforme leitura da Súmula CARF n. 75: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Fl. 6429DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 9 15 No caso em tela, após a diligência efetuada em abril de 2005, temos que apenas em dezembro de 2006, a ação fiscalizatória teria sido retomada. Ainda que considerada a data do envio das declarações retificadoras (agosto/05), já havia transcorrido mais de 60 dias da diligência efetuada, restando claro que a espontaneidade havia sido readquirida. Pelo exposto, seja por não considerar a medida de diligência como um ato concreto e munido de todas as formalizações necessárias para ser considerada como um início de fiscalização que afastasse a espontaneidade do contribuinte, seja pelo transcurso do prazo superior a 60 dias após este eventual início de fiscalização que tenha trazido de volta a espontaneidade, concluo que as declarações retificadoras deve ser consideradas como espontâneas e devem surtir todos os efeitos daí decorrentes. Da Decadência A autoridade julgadora entendeu que no caso em questão aplicase a contagem do prazo decadencial art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista a configuração da fraude, com a presença dos elementos referidos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, em razão das condutas da interessada já relatas acima e tipificadas no art. 71, Ida Lei n° 4.502/64, com a seguinte redação: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ( ) Conforme consta do relatório, a interessada apresentou declarações com valores de receita tributável igual a zero, informou que a empresa esta inativa enquanto estava operando, informou menos veículos do que possuía, entre outros. Cabe aqui me socorrer do item anterior. A acusação fiscal parte do princípio de que o envio de declaração com omissão das receitas (zeradas) leva à conclusão de ocorrência de conduta fraudulenta do contribuinte, assim, a consideração das declarações retificadoras anulariam este efeito, caso estivessem acompanhadas do respectivo pagamento. O que não aconteceu. Desta forma, afasto também a alegação de decadência. Da Responsabilidade Solidária Fl. 6430DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 Quanto à sujeição passiva solidária dos sócios CLÁUDIO LOPES DUARTE e ANTÔNIO SILVIO DUARTE, é também de suma importância a conclusão a que cheguei em relação à eficácia e efeitos das declarações retificadoras. Isso porque, os sócios devem ser responsabilizados solidariamente pelos tributos devidos pela empresa, quando configurado que agiram com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto, conforme previsto no art. 135 e inciso III do CTN. No caso em tela, restaria configurada tal hipótese na situação original da contribuinte em que esta apresentou declarações "zeradas" com clara omissão de receita. Contudo, ao considerar como espontâneas as declarações retificadoras apresentadas no mês de agosto de 2005 que trouxeram informações sobre as receitas consideradas omitidas pela fiscalização, resta inexistente qualquer das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN. Diante disso, ainda que os tributos não tenham sido integralmente quitados não se trata aqui de denúncia espontânea para fins de afastamento da multa de ofício há que se considerar que as declarações enviadas espontaneamente pelo contribuinte que trouxeram informações sobre as receitas omitidas, tem o efeito também de afastar a responsabilidade solidária dos sócios. Diante do exposto, entendo como incorretos os termos de sujeição passiva solidária lavrados contra os sócios, devendo ser cancelados. Do afastamento da afirmação de prática de crime contra a ordem tributária Requer a Recorrente que seja afastada a afirmação de cometimento de crime contra a ordem tributária e seja determinado o arquivamento da Representação Fiscal para Fins Penais n. 15563.000795/200813, apensado ao presente processo. Com relação a este ponto, trago o disposto na Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Do Arbitramento O lançamento realizado pela autoridade fazendária baseouse no arbitramento do lucro nos anos calendário 2003 e 2004, pois a interessada não apresentou escrituração fiscal suficiente. Embora a interessada tenha alegado que os livros em que se fundava foram objeto de furto, importante esclarecer a simples afirmativa de extravio da escrituração e a confecção do boletim de ocorrência, não elide o arbitramento do lucro, sob o risco de o sujeito passivo mal intencionado estabelecerse à margem da legalidade, a fim de frustrar a apresentação de sua documentação fiscal. Fl. 6431DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 10 17 Nosso ordenamento jurídico, para impedir os sujeitos passivos mal intencionados de se beneficiarem de tal situação, regulou o assunto através dos seguintes dispositivos abaixo: i) O Decretolei 486/69, impõe que o contribuinte deve comunicar o extravio de sua escrituração em quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio; e ii) O Decreto 3.000/99, art. 264, §1º, determina que a cópia da comunicação do extravio de livros e documentos fiscais, remetida ao Registro do Comércio, seja encaminhada ao órgão local da Receita Federal. Notese que a interessada não observou nenhuma das normas, portanto, a administração fazendária não teria outra medida a ser tomada a não ser o arbitramento. O mesmo se aplica para o ano de 2004, pois a escrituração refeita pela interessada revelouse diferente dos fatos reais apurados pela fiscalização. Vez que a contribuinte não trouxe qualquer alegação quanto aos percentuais de arbitramento, tenho como acertado, portanto, o arbitramento realizado em relação aos períodos não alcançados pela decadência. Dos Valores pagos pela Ambev Questionada pela fiscalização acerca da origem dos recursos depositados durante o ano de 2004 pela empresa AMBEV, a Recorrente informou que se referiam à indenização por rescisão contratual ocorrida entre ambas. Os valores constam no quadro abaixo: Neste ponto, cumpre esclarecer que a interessada possuia relacionamento com a empresa Ambev, conforme mencionado anteriormente, desnecessária, a produção de perícia e diligências junto à contabilidade da empresa AMBEV para atestar a verdadeira natureza jurídica dos pagamentos efetuados em razão do distrato comercial com a mesma. A interessada alega que recebeu valores a título indenizatórios e que não caracterizavam ganho de capital, contudo, a mesma não demonstrou de forma satisfatória a natureza jurídica destes pagamentos, tendo se limitado a apresentar documentos que nao trazem todas as informações que permitam concluir que os valores recebidos tem, de fato, natureza indenizatória. Fl. 6432DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 Cabe ressaltar, , não seria uma perícia ou diligência junto a contabilidade da empresa Ambev, solicitada pela Recorrente, que comprovaria tal natureza. O ônus da prova em comprovar o alegado é da interessada e esta teve durante o curso do processo a possibilidade de apresentar documentos que comprovassem, clara e efetivamente, o alegado, contudo, não o fez. Portanto, mantenho também o lançamento com relação a este item. Da base de Cálculo do PIS e da COFINS Parte do lançamento decorre do fato da interessada ter deixado de incluir, nas bases de cálculo das contribuições sociais devidas ao PIS e a Cofins, o montante das receitas financeiras em desacordo com as prescrições § 1 do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que determinou o alargamento da base de cálculo desses tributos, passando a incluir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Contudo, o Supremo Tribunal Federal considerou tal alargamento da base de cálculo como inconstitucional, reconhecendo a repercussão geral do tema, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, em 10/9/2008, tendo por relator o Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Notese que a jurisprudência mais recente do CARF tem adotado o mesmo entendimento. Foi esse o entendimento do Acórdão nº 9303002.182, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 5 de fevereiro de 2013, tendo por relator o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2004 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da Fl. 6433DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15563.000794/200879 Acórdão n.º 1201001.319 S1C2T1 Fl. 11 19 contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Assim, nos períodos de apuração objeto do presente processo, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento (INCLUIR COMENTÁRIO ARBITRADO), assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise, devendo ser cancelada esta parcela do lançamento. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS Quanto à alegada necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Recorrente traz diversos argumentos jurídicos e contábeis. Contudo, o presente caso não demanda o enfrentamento de mérito desta questão. Isso porque, a autuação se deu em base arbitrada, especialmente pelo fato da contribuinte não ter apresentado seus livros fiscais com qualidade suficiente que pudesse permitir à autoridade fiscalizadora a apuração detalhada da base tributável. Neste sentido, se não foi possível a identificação da base primária de incidência dos tributos (receitas), fato este que provocou o arbitramento, menos ainda de elementos que pudessem ser excluídos desta base, como, por exemplo, o ICMS. Desta forma, não merece reparo a decisão da DRJ neste ponto. Da Multa Qualificada A qualificação da multa, no caso em questão, ocorreu em razão da configuração da fraude e dolo, com a presença dos elementos referidos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, em razão das condutas da interessada já relatadas acima e tipificadas no art. 71, Ida Lei n° 4.502/64. Como já exposto acima, entendo que as declarações retificadoras apresentadas de forma espontânea pelo contribuinte que trouxeram informações sobre as receitas tidas como omitidas, afastam os elementos configuradores de fraude ou dolo. Tenho firme convicção que o não pagamento do tributo integralmente ou mesmo a necessidade de arbitramento, de forma isolada, não são suficientes para justificar a aplicação da multa qualificada, vez que ausentes o dolo e a fraude. Desta forma, entendo como indevida aplicação da multa qualificada de 150% no caso em tela, devendo ser reduzida para o patamar de 75%. Fl. 6434DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 20 Juros No caso em tela, os juros foram calculados e cobrados da forma como prevista em lei, não merecendo reparos. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para i) EXCLUIR a responsabilidade solidária dos Srs. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silvio Duarte; ii) AFASTAR a aplicação da multa qualificada de 150%, reduzindoa para 75% e iii) EXCLUIR da base de cálculo do PIS e COFINS as receitas constantes das colunas “RECEITAS FINANCEIRAS”, auferidas durante a vigência da Lei nº 9.718/98. É como voto! (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Fl. 6435DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 28/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10850.722722/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000282/201081. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 72 2/ 20 13 -9 4 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722722/201394 Resolução nº 3201000.551 S3C2T1 Fl. 210 2 Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000282/201081, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722722/201394 Resolução nº 3201000.551 S3C2T1 Fl. 211 3 III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000282/201081. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720238/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
NORMAS GERAIS. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. MATERIAL.
São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa.
A ausência de clareza na descrição do fato gerador e na matéria tributável impede que o contribuinte exerça, de forma plena, seus direito à defesa, o que caracteriza vício.
O vício constante na descrição do fato gerador é de natureza material, pois se refere ao objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o lançamento fiscal por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira do Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 NORMAS GERAIS. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. MATERIAL. São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. A ausência de clareza na descrição do fato gerador e na matéria tributável impede que o contribuinte exerça, de forma plena, seus direito à defesa, o que caracteriza vício. O vício constante na descrição do fato gerador é de natureza material, pois se refere ao objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o lançamento fiscal por vício material. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira do Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. MATERIAL. São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. A ausência de clareza na descrição do fato gerador e na matéria tributável impede que o contribuinte exerça, de forma plena, seus direito à defesa, o que caracteriza vício. O vício constante na descrição do fato gerador é de natureza material, pois se refere ao objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 02 38 /2 01 3- 45 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o lançamento fiscal por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira do Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 2402004.910 S2C4T2 Fl. 71 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. ABRANGÊNCIA. A declaração retificadora substitui a declaração original, de forma que todas as informações vinculadas a essa última deixam de existir, para efeitos de apuração do imposto. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. SALDO DE IMPOSTO A RESTITUIR INEXISTENTE. Cabe manter a exigência imposta quando a declaração retificadora apresentada pela contribuinte não registra qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento do débito fiscal reclamado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, lavrada em face do processamento da DIRPF retificadora do exercício 2012, ano calendário 2011, que exige restituição indevida a devolver acrescidas de juros até 01/2013. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 21/01/2013 foi dada ciência à recorrente do lançamento, conforme aviso de recebimento (AR). Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 17/01/2013, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que, conforme documentos apresentados, 17/01/2013, a impugnação de fls. 02/03, instruída com os documentos de fls. 04/13, discorda do lançamento em face de ter apresentado Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 DIRPF retificadora em 10/01/2013, na qual teria informado seus rendimentos como isentos por ser portadora de moléstia grave, conforme Laudo Médico Oficial anexo (neoplasia), lhe resultando imposto a restituir. Por fim, requer o cancelamento da exigência e prioridade no julgamento com base no Estatuto do Idoso. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 19/03/2013, a recorrente foi cientificada do lançamento, conforme ciência pessoal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 17/04/2013, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Quando apresentou a primeira declaração omitiu o valor do imposto de renda retido na fonte, fato que ocasionou a NL; 2. Para devolver o IR que foi restituído tentou fazer declaração retificadora, que foi cancelada; 3. Pleiteia que a segunda declaração retificadora seja considerada, por ser portadora de moléstia grave, conforme laudo pericial anexo; 4. Assim, faz jus à restituição; 5. Anexa documentos. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 2402004.910 S2C4T2 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. A simples verificação das datas dos procedimentos do lançamento gera grandes dúvidas sobre sua certeza e sobre o respeito ao devido processo legal: 1. Recebimento da Notificação, em 21/01/2013; e 3. Apresentação da Impugnação, em 17/01/2013. O prazo para apresentação de defesa contra lançamentos consta da legislação e deve ser respeitado, a fim de obedecer o devido processo legal. Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Portanto, os contribuinte tem o prazo de trinta dias para apresentar sua impugnação, depois de devidamente intimado. Não é válida a decisão sem a concessão de prazo determinado na legislação para apresentação de defesa. Portanto, nula a decisão a quo. Avançando, na análise do lançamento, em sua leitura integral, não encontramos, em nenhum momento, a descrição do fato que o fundamenta, o que cerceia, totalmente, o direito de defesa do contribuinte. Há a informação de que se trata de lançamento correspondente a restituição recebida indevidamente, mas indevidamente por quê? A legislação determina a fundamentação do lançamento. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... III a descrição do fato; CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Não há, no lançamento, a fundamentação da descrição do fato, nem da matéria tributável. A legislação determina quando se deve decretar a nulidade de lançamentos. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Portanto, o lançamento deve ser anulado, por existência de vício, que cerceou o direito de defesa do contribuinte, portanto, vício material. O vício existente está configurado na ausência de descrição do fato e da matéria tributável, dessa forma entendo ser o mesmo de natureza material. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 2402004.910 S2C4T2 Fl. 73 7 A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, a notificação com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição, da exteriorização, do crédito tributário. Já a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento e corresponde ao conteúdo do ato administrativo, seu objeto. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §50, da Lei n° 8.212/91. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, como determina o II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu, pois está devidamente demonstrado, o que não é o caso nos auto em análise. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.720238/201345 Acórdão n.º 2402004.910 S2C4T2 Fl. 74 9 Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na incorreta descrição do fato gerador. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em anular o lançamento, pela existência de vício material, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11610.015444/2002-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1997 a 30/10/1997
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA
LEI 10.833/2003.
Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18.
Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN).
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345, advogado do sujeito passivo.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003. Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18. Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN). Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345, advogado do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 54 44 /2 00 2- 58 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340100.785, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou, por unanimidade de votos, provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário entendendo, entre outros, em síntese, em função da retroatividade benigna do art. 18 da Lei 10.833/03 alterado pelo art. 18 da Lei 11.488/07, pela inaplicabilidade da multa de ofício na glosa de compensação quando não há dolo do sujeito passivo – ao apreciar o Colegiado a seguinte situação: · O sujeito passivo recepcionou auto de infração com exigência de PIS referentes a fatos geradores ocorridos no período de outubro e novembro de 1997, por não terem sido os créditos vinculados em DCTF; · A DRJ/SP julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a exigência do tributo e exonerando a multa de ofício, em face da retroatividade benigna trazida pelo art. 18 da Lei 10.833/03; · O sujeito passivo apresentou recurso voluntário e, considerando o valor do crédito exonerado, a DRJ interpôs recurso de ofício. Para melhor elucidar, trago a ementa consignada pelo Colegiado naquele julgamento (Grifos meus): “Assunto: PIS Período de apuração: out/97 e nov/97 MULTA DE OFÍCIO. RETRO ATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEIN0 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade Fl. 305DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.015444/200258 Acórdão n.º 9303003.423 CSRFT3 Fl. 304 3 benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. DECISÃO JUDICIAL. Havendo decisão judicial definitiva sobre matéria em discussão neste Conselho, esta deve ser integralmente seguida. Recursos Oficio e Voluntário Negados.” E, para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer também a transcrição parcial do voto do relator naquele acórdão (Grifos meus): “RECURSO DE OFÍCIO O recurso atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, combinado com a Portaria MF n° 3, de 3.1.2008, portanto dele conheço. O presente recurso de oficio trata de exoneração de multa de oficio em função da retroatividade benigna do art. 18 da Lei 11.488/2007, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/2003, tornando incabível a aplicação de multa de oficio em casos como este, no qual não há dolo da contribuinte. Em razão da alteração legislativa em questão, entendo que, de fato, não cabe a aplicação da multa de ofício ao presente caso. Assim, voto por não prover o recurso de oficio e reitero todos os termos do acórdão da DRJ na parte relativa à exoneração da multa de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em síntese, versa a lide sobre a lavratura de auto de infração no qual houve glosa de compensação de PIS em razão de não comprovação de processo judicial. Inicialmente, alega a contribuinte que a negação ao seu pedido de compensação somente ocorreu em função de erro no preenchimento da DCTF. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Pareceme que a própria DRJ reconheceu que foi o erro no preenchimento da DCTF que motivou a lavratura deste auto de infração. A DCTF da contribuinte trouxe o processo n° 95.00550596 como origem do direito creditório da contribuinte, quando o número correto seria 95.00550598. [...]. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão da DRJ em todos os seus termos. [..]” Irresignada com essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a admissão do presente recurso e pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, reconhecendo que não houve retroatividade benigna e fazendo incidir, na hipótese, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Conforme leitura do Recurso Especial, importante destacar, em síntese, os argumentos trazidos pela Fazenda Nacional: · O inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 determina que, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento da contribuição, será exigida a multa de 75% no lançamento de ofício, e não há previsão legal para a autoridade fiscal dispensar a imposição dessa multa; · O fato de o contribuinte ter informado os valores em DCTF, e repitase que no caso presente não existe confissão de dívida haja vista o saldo a pagar ser igual a zero, não o exime da aplicação da penalidade; · Tendo ocorrido declaração inexata, recolhimento insuficiente do tributo e uma compensação inválida em virtude da qual se deixou de recolher PIS, a exação deve ser lançada de ofício, com acréscimo da multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/96; · Tendo em vista que a situação prevista no art. 18 da Lei 10.833/03 não é a mesma que fundamentou a exigência da multa de ofício no presente, não há que se falar em retroatividade benigna. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do despacho de fls. 237/239 apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, entre outros, após análise, traz que: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.015444/200258 Acórdão n.º 9303003.423 CSRFT3 Fl. 305 5 · O primeiro acórdão paradigma de nº 20402.808 com a seguinte ementa (Grifos meus): “MULTA DE OFÍCIO ART. 90 MP 2.15835 ART. 18, LEI 10.833. A redação do artigo 18 da Lei 10.833 não excluiu a multa de oficio quando o lançamento desta natureza tenha como causa a ilegitimidade da compensação (artigo 90 da MP 2.15835), mas sim que, nas hipóteses graves arroladas pela norma, o lançamento será da multa isolada, sendo então indevido o lançamento de oficio do principal. Recurso de oficio provido. COMPENSAÇÃO. Só cabe compensação de valores calcados em decisão judicial se esta tem eficácia na data em que aquela é levada a efeito, desde que comprovada sua certeza e liquidez. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. EFICÁCIA DE NORMA. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogado previamente à sua regulamentação, não produz efeitos. SELIC. E legítima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Recurso voluntário negado Diverge claramente do recorrido, ao assentar que a multa de ofício não é excluída pelo art. 18 da Lei n°. 10833/2003, em sessão de julgamento que se realizou quando este artigo já estava com a redação dada pela Lei 11.488/2007; · No segundo paradigma de nº 20309.707 com a seguinte ementa (Grifos meus): "IPI. DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF no. 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a Fl. 308DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio, acompanhados da multa de oficio respectiva. Recurso negado." A exigência da multa se manteve, por força do art. 44 da Lei 9.430/96, não obstante já estar em vigência na data da sessão de julgamento, o art. 18 da Lei 10.833/03. O que, por conseguinte, não se aplicou a retroatividade benigna a caso em que os fatos eram semelhantes aos que levaram à sua aplicação no caso recorrido. O sujeito passivo tomou conhecimento dos autos, apresentando Contrarrazões às fls. 270 a 277, requerendo que seja negado provimento ao recurso, a fim de que seja mantido o cancelamento parcial promovido pela decisão de 1ª instância e mantido pelo acórdão do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso. O que concordo com a análise feita através do despacho de fls. 237/239 apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Eis que, quanto à divergência interpretativa, procede o conflito assinalado pelo recorrente, considerando o exame dos acórdãos divergentes de n° 20402.808 e de nº 20309.707, pois se constatou interpretação diferente – qual seja, de ser admitida a imposição de multa de ofício quando o lançamento tenha como causa a ilegitimidade da compensação, bem como que nos casos em que foram vinculados créditos indevidos na DCTF, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, ser necessário o lançamento de ofício. Em relação à essa última interpretação manifestada no 2º acórdão paradigma, importante clarificar que estou considerando para “tal admissibilidade”, em respeito à Fazenda Nacional, o seu entendimento de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.015444/200258 Acórdão n.º 9303003.423 CSRFT3 Fl. 306 7 que a DCTF apresentada contém saldo a pagar zero, pois o contribuinte vinculou ao débito apurado créditos cuja existência não restou comprovada. As contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo devem ser consideradas, pois tempestivo. Sendo assim, passo a analisar o cerne da lide – se seria cabível ou não a multa de ofício ao caso em questão. Para tanto, vale lembrar que, segundo o sujeito passivo, recepcionou auto de infração por supostamente ter deixado de recolher a contribuição para o PIS relativa aos períodos de apuração compreendidos entre outubro e novembro de 1997, declarados em DCTF. Na parte em que o sujeito passivo reitera que houve declaração em DCTF dos débitos apurados nos períodos questionados, depreendendose da análise dos autos, entendo da mesma forma que a Fazenda Nacional, ou seja, de que houve declaração, porém de forma “inexata” por parte do sujeito passivo, pois, de fato, a DCTF do sujeito passivo trouxe equivocadamente referência incorreta do processo, eis que o número do processo era 95.00550596, e não 95.00550598. Não obstante, importante aprofundar as questões de direito antes de se direcionar o entendimento de que, por conta da inexatidão de informações na DCTF, seria cabível a multa de ofício, em respeito à hipótese trazida pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]” Fl. 310DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Eis que resta esclarecer se no lançamento de ofício seria aplicável a multa disposta no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, quando ocorrer a não homologação da compensação – sem comprovação de falsidade da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo, considerando o preceito trazido no art. 18 da Lei 10.833/03. O art. 18 da MP n° 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/03, previu, a priori, que o lançamento de ofício decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação, seria cabível na hipótese em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio – infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Tal como explicitou a exposição de motivos dessa MP: “15. O art. 18 limita a aplicação do lançamento de ofício, de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, à cobrança de multa isolada sobre o débito indevidamente compensado nas hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Sendo assim, com o advento da MP 135/03, a não homologação da compensação decorrente de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, ou com crédito de natureza não tributária (compensação não declarada), estava sujeita à multa prevista no art. 18 da MP, independentemente de ser ou não decorrente de prática de fraude ou conluio do sujeito passivo. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.015444/200258 Acórdão n.º 9303003.423 CSRFT3 Fl. 307 9 Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vêse que tal dispositivo sofreu alteração em sua redação – passando a estabelecer: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Foi suprimida, conforme exposto, da redação original as hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal e o crédito for de natureza nãotributária – para a imputação da multa no lançamento de ofício. Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação da respectiva multa para autuações decorrentes de compensações indevidas, passou a ter aplicação ainda mais restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses de compensações "não declaradas". A restrição das hipóteses para a aplicação da multa nos lançamentos de ofício não as conduziu automaticamente à aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos casos de compensação – como nunca foi. Com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, houve apenas a restrição da aplicação da multa no lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de compensação sem comprovação de falsidade da declaração. Frisese tal entendimento, o acórdão da DRJSPOI que trouxe às fls. 149/150 dos autos, que (Grifos meus): Fl. 312DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 "não cabe mais a imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, "c" do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada". Continuando, importante lembrar que a MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03, que trouxe novo regramento legal para as compensações, também, dispôs sobre a operacionalização a ser observada mediante entrega da "DComp", estabelecendo, inclusive em seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que tal declaração constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa forma, vêse que com a constituição da DCOMP em confissão de dívida, perdeuse o sentido a aplicação da multa por descumprimento da obrigação tributária – por exemplo, entrega da DCTF com inexatidão quando identificada irregularidade na compensação sem comprovação de falsidade nas informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Com efeito, é de se clarificar que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 trata do lançamento de ofício – como regra geral, não alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.15835/01. Ora, o art. 90 da MP trata especificamente do lançamento de ofício das "diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 18 da Lei 10.833/03 para os casos de lançamento de ofício de tributos declarados – tal como foi na DCOMP. Eis que prevê processo administrativo próprio. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.015444/200258 Acórdão n.º 9303003.423 CSRFT3 Fl. 308 11 Dessa forma, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". O que, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício, para se adotar a multa de mora – considerando a redação do art. 18 da Lei 10.833/03 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Assevera ainda a própria DRJ a aplicação desse entendimento. O que, para melhor elucidar, trago algumas ementas de outros acórdãos das delegacias de julgamento nesse sentido: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1653421 de 05 de Dezembro de 2013 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/09/1997 a 30/09/1997” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO 6 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1615182 de 23 de Outubro de 2007 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/04, deve ser excluída a multa de ofício imposta. Período de apuração: : 01/02/2002 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 30/04/2003 “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1644304 de 28 de Fevereiro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11610.015444/200258 Acórdão n.º 9303003.423 CSRFT3 Fl. 309 13 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/12/1998 a 31/12/1998” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FORTALEZA 4 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0823210 de 10 de Abril de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Anocalendário: : 01/01/1997 a 31/12/1997” Proveitoso também trazer no mesmo sentido parte da ementa da Solução de Consulta Cosit Interna nº 3, de 08 de janeiro de 2004: “Nos julgamentos dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo”. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 12448.735950/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99).
A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO.
Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência dofato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidadepecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficioproporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributáriaprincipal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Dra. Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 03/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99). A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência dofato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidadepecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficioproporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributáriaprincipal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99). A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência dofato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidadepecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficioproporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributáriaprincipal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 59 50 /2 01 1- 40 Fl. 995DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Dra. Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1249.881, exarado pela 21ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (fls. 900 a 930 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 730 a 789), é referente ao imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de ganho de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa, atinente aos anos de 2006 e 2009, pelo qual é exigido crédito tributário de R$1.915.960,18, sendo R$680.073,52 de imposto, R$215.776,38 de juros de mora calculados até 31/10/2011 e R$1.020.110,28 de multa proporcional. O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Passo a descrever a ação fiscal, relatada às fls. 730 a 782, que teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A (doravante nominado de Banco Pactual), CNPJ 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Eduardo Kemmelmeier, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. Tal reorganização societária teve como objetivo transferir a propriedade das referidas ações diretamente às pessoas físicas alienantes (as quais, anteriormente, detinham participação indireta sobre as ações do Banco Pactual), em atendimento ao Contrato de Compra e Venda das Ações do Banco Pactual S.A. (fls. 30 a 152), firmado, em 09/05/2006, entre a UBS, a Pactual S.A. (controladora direta do Banco Pactual) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactual. De acordo com a fiscalização, o contribuinte, alienante de ações do Banco Pactual, teria se valido da reorganização societária para realizar planejamento tributário inconsistente, por meio do qual majorou ilicitamente o custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital. Anteriormente à reorganização, havia a seguinte estrutura societária: Fl. 996DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 996 3 Sinteticamente, a referida reorganização foi realizada para atender cláusula do referido Contrato de Compra e Venda das Ações do Banco Pactual S.A., e consistiu na extinção das holdings que detinham participações societárias no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a venda das ações do Banco Pactual à UBS diretamente pelos acionistas pessoas físicas. Nenhuma das holdings extintas possuía outra atividade que não fosse a participação acionária no Banco Pactual. Ao final da reorganização, a estrutura societária pode ser assim representada: O pagamento pela compra das ações do Banco Pactual foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006 e a segunda em data posterior denominada de “Pagamento Diferido”. Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda valores denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”. Passo a descrever as etapas da reorganização societária, de acordo com o descrito no Termo de verificação fiscal. TRANSFORMAÇÃO DA PACTUAL PARTICIPAÇÕES S.A. EM NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. Em 13/01/2006, os acionistas da Pactual Participações S.A. (PPSA) deliberaram pela sua transformação em sociedade por quotas de responsabilidade limitada, passando a denominarse Nova Pactual Participações Ltda. (Nova Pactual). De acordo com a alteração da ata e do contrato de transformação, em 10/02/2006 (fls. 178 a 193), seu capital social restou mantido em R$70.118.786,40, ocorrendo a transformação das 539.375.280 ações em igual número de quotas e valor unitário, R$0,13 por quota. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 INCORPORAÇÃO DA NOVA PACTUAL PELA PACTUAL S.A. No dia 13/10/2006, a Nova Pactual formalizou: (a) distribuição desproporcional de lucros, em valores que montam a R$693.018.369,69; (b) capitalização desses lucros, com aumento do seu capital social de R$70.118.786,40 para R$756.118.786,40; e (c) sua incorporação pela investida Pactual S.A. (PSA). A incorporação se fez com o aumento do capital social da PSA, pela versão do acervo líquido da Nova Pactual, cujo patrimônio foi avaliado em R$33.593.148,46, já deduzida a participação societária que esta detinha no patrimônio da PSA. O capital social da PSA, após a incorporação da NPP, passou a ser de R$97.841.295,93 divididos em 137.989.757 ações. De acordo com o relatório fiscal, as atas de distribuição desproporcional de lucros e de aumento de capital, datadas de 13/10/2006, demonstram que o resultado de equivalência patrimonial da Nova Pactual, calculado em função de sua participação no patrimônio da PSA no período de 1º/01/2006 a 31/08/2006, no montante de R$402.348.068,12, encontrase incluído nos valores: (a) de R$402.348.068,12 do patrimônio líquido a ser incorporado, rubrica “Resultado apurado no período”; (b) de R$693.018.369,19 da rubrica “() Distribuição de lucros em 28/09/2006” e (c) de R$ 686.000.000,00 da rubrica “(+) Capitalização dos créditos (lucros a pagar)”. Também em 13/10/2006, a PSA incorporou a outra holding que a controlava, Pactual Holding S.A., com a versão do valor patrimonial desta para aumento de capital social da PSA. Como o recorrente não possuía ações da Pactual Holding S.A., o fato é mencionado apenas para explicar o conjunto da reorganização societária do Banco Pactual, frisando que a incorporação da Pactual Holding S.A. pela PSA não afetou a subrogação de direitos do contribuinte sobre as ações da PSA que recebeu em substituição das quotas da incorporada Nova Pactual. INCORPORAÇÃO DA PSA PELO BANCO PACTUAL Em 1º/11/2006, a PSA realizou (a) aumento de capital social no valor de R$3.862.542,92, resultante da capitalização de créditos de dois acionistas e (b) cisão parcial no valor de R$5.000,00. No dia 03/11/2006, a PSA distribuiu R$996.087.876,00 de dividendos e realizou novo aumento do seu capital social, nesse mesmo montante. Tal como ocorreu anteriormente (na incorporação da Nova Pactual pela PSA), o resultado positivo de equivalência patrimonial de 1º/01 a 31/10 de 2006 da PSA, em função da participação que detinha no Banco Pactual, no montante de R$618.152.606,54, foi utilizado tanto na distribuição de dividendos quanto no aumento de seu capital social (da PSA) a ser substituído pelas ações do Banco Pactual, por ocasião da incorporação. Em 01/12/2006, foi aprovada a incorporação da controladora PSA pelo Banco Pactual, seu controlado, com a versão a este do acervo líquido da PSA, avaliado em R$ 1.149.597.660,18. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 997 5 A incorporação da PSA pelo Banco Pactual não alterou o valor do capital social deste, porque, em substituição das ações do Banco Pactual de titularidade da PSA, foram emitidas ações do Banco Pactual cm favor dos sócios pessoas físicas da incorporada PSA. A DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL SIMPLIFICADA DA PESSOA FÍSICA Na declaração de ajuste anual simplificada (DAA) de 2007, anocalendário 2006, o recorrente declarou a tributação exclusiva na fonte do ganho de capital apurado em razão da venda de suas ações do Banco Pactual em 2006, bem como os dividendos recebidos das pessoas jurídicas extintas na reorganização societária, utilizados na composição do custo das referidas ações vendidas: 31.12.2006 ﴾em R$﴿ Rendimentos isentos e não tributáveis 5.216.997,00 Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva definitiva 1.846.172,85 Lucros e dividendos recebidos Fonte pagadora PACTUAL S/A NOVA PACTUAI, PARTICIPAÇÕES LTDA 1.992.172,00 3.224.825,00 Consta do demonstrativo da apuração dos ganhos de capital desta DAA a venda de 2.268.151 ações do Banco Pactual, ao custo médio ponderado/unitário de R$2,2604 por ação, cujo imposto de renda devido sobre o ganho de capital realizado foi apurado do seguinte modo: Valores em R$ Valor da Alienação 10.487.220,28 ﴾﴿ Custo da Aquisição 5.127.119,00 = Ganho de Capital Total 5.360.101,28 Parcela recebida em 01/12/2006 4.075.872,34 Ganho de Capital Realizado em 2006 2.083,178,35 Imposto de Renda Recolhido em DARF ﴾15% do Ganho de Capital Realizado﴿ 312.476,75 DESPROPORCIONALIDADE DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DECLARADO PELO SÓCIO PESSOA FÍSICA A evolução do custo das ações do Banco Pactual, obtida a partir das informações prestadas na DAA e nas respostas às intimações fiscais é a seguinte: SOCIEDADES Custo das quotas/ações em 19.09.2006 (R$) Lucros/dividendos capitalizados em 2006 (R$) Custo das quotas/ações acumulado em 1º.12.2006 (R$) NOVA PACTUAL 132,00 3.134.825,00 3.134.957,00 PACTUAL S/A 0,00 1.992.172,00 1.992.172,00 TOTAL 132,00 5.126.997,00 5.127.129,00 A diferença do valor apurado, R$5.127,129,00, para o informado, R$5.127.119,00, foi atribuída à cisão parcial da PSA, no valor de R$10,00. Assim, em 2006 o contribuinte aumentou o custo das ações do Banco Pactual, mediante prévia capitalização de lucros nas holdings a serem incorporadas, no montante de R$5.126.997,00, sendo R$3.134,825,00 na Nova Pactual e R$1.992.172,00 na PSA. Refere o relatório fiscal que: (1) nas incorporações às avessas de sociedade investidora que só aufere lucros pela equivalência patrimonial com a sociedade investida, os resultados positivos da equivalência patrimonial da investidora/incorporada não têm capacidade, por si só, de Fl. 999DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 aumentar o capital social da investida incorporadora, porque são meros reflexos dos lucros desta; (2) não há como manter inserido no patrimônio líquido da investida/incorporadora (a) o seu lucro, conjuntamente com (b) a projeção contábil de seu lucro na investidora (resultado de equivalência patrimonial da investida), pois há duplicidade na representação contábil de idênticos recursos; (3) houve, no anocalendário 2006, substancial aumento de capital social nas holdings do Banco Pactual, seguido de incorporações às avessas, até que restasse somente a pessoa jurídica do Banco Pactual; no entanto, não houve qualquer aumento de capital social do Banco Pactual nesse ano; (4) não é possível que os sócios tenham capitalizado de verdade, em 2006, mais de 1 bilhão de reais dos seus patrimônios pessoais em participações indiretas do Banco Pactual – mediante aumentos de capital de R$686.000.000,00, em 13/10/2006, e de R$996.087.876,00, em 03/11/2006 –, se, logo após a incorporação da última holding, em 1º/12/2006, pelo Banco Pactual, realizada a valor contábil, o capital social deste continuou sendo o de 31/12/2005, em torno de 296 milhões de reais, sem que sequer houvesse sido constituída alguma reserva no patrimônio do Banco; (5) o aumento de capital social na investidora/incorporada com os resultados positivos de equivalência patrimonial auferidos no exercício social em que ocorreu a incorporação, fez com que o benefício fiscal dos lucros isentos aparentasse ser maior do que de fato é; (6) não há suporte fático para aumentar o custo de aquisição mediante a capitalização na sociedade a ser incorporada com lucros do exercício, sem que este montante reste presente no capital da sociedade sucessora, o que fica patente no efeito prático alcançado no caso concreto, que é a desproporcionalidade do aumento do custo de aquisição das quotas/ações em comparação aos lucros possíveis de serem efetivamente retirados da sociedade pelo sócio pessoa física; e (7) não existe deficiência ou lacuna na legislação do ganho de capital sobre aumento do custo de aquisição de ações pertencentes a sócio pessoa física, pois, na sociedade a ser incorporada, o tratamento dado aos lucros do exercício em que ocorre a incorporação deve ser o preconizado no art. 21 da Lei 9.249, de 1995, ou seja, levantamento de balanço específico na incorporada, para formação do acervo líquido a ser transmitido para o patrimônio da incorporadora. Tal norma prevê que o destino dos lucros capitalizados é a formação de acervo líquido a ser capitalizado na (transferido à) incorporadora. Na incorporação, o acervo líquido a ser vertido tem como destino a capitalização da sucessora, no mínimo em montante igual ao valor a capitalizar (art. 226 da Lei 6.404, de 1976). A GLOSA DE CUSTOS DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL Os lucros do Banco Pactual auferidos no anocalendário 2006, além de terem sido utilizados como suporte para aumentar desproporcionalmente o custo de aquisição do sócio pessoa física, mediante capitalização do resultado de equivalência patrimonial nas holdings incorporadas, foram pagos no anocalendário 2007 aos sócios alienantes das ações do Banco Pactual. Desses, o contribuinte recebeu R$581.466,91, em 22/02/2007. Foram glosados os seguintes aumentos do custo de aquisição das ações: R$3.134.825,00, referentes à capitalização de lucros na Nova Pactual e R$1.992.172,00 referentes à capitalização de lucros na PSA, pois as sucessivas incorporações às avessas das Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 998 7 holdings resultaram em aumento de capital de R$132,00 para R$593.384,36, capitalizados no Banco Pactual. O custo de aquisição das ações do Banco Pactual foi apurado com base no valor corrente na data de aquisição, mediante o custo médio ponderado, em conformidade com a Lei 7713, de 1988, art. 16, § 2º e na IN SRF 84, de 2001, art. 16. DOLO E SONEGAÇÃO Tendo o contribuinte informado na declaração de ajuste anual simplificada a tributação exclusiva do ganho de capital obtido pela alienação de suas ações do Banco Pactual, referente à parcela do valor de alienação recebida no anocalendário 2006, com base em um custo de aquisição majorado, foi ilicitamente omitido o ganho de capital. Foi prestada pelo contribuinte informação falsa ao declarar a maior, de forma desproporcional e ilícita, o custo de aquisição das ações, omitindo parte do ganho de capital obtido, reduzindo a base de cálculo do imposto e, consequentemente, declarando e recolhendo um imposto de renda menor do que o devido. Tanto pelo aspecto objetivo da antijuridicidade (tipicidade), quanto pelo aspecto subjetivo (culpabilidade), estão presentes vestígios materiais suficientes a evidenciar a conduta dolosa do contribuinte em reduzir o imposto de renda devido, mediante prestação de informação falsa à Secretaria da Receita Federal. Por valerse o contribuinte de uma falsa idéia de capitalização, na intenção de impedir o conhecimento da autoridade fazendária acerca das verdadeiras circunstâncias materiais em que ocorreu o fato gerador, sua conduta subsumese, em tese, no conceito legal de sonegação fiscal do art. 71, da Lei 4.502, de 1964. Restando caracterizado o evidente intuito de fraude definido na citada norma, foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, consoante art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996. O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 05/11/2011. Em sua impugnação, foi alegado, em síntese (fls. 858 a 891): 1. antes da reestruturação, era titular de investimentos representativos de 0,000019% da Nova Pactual Participações Ltda (NPP), sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A. (PSA), também uma sociedade holding e titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual. Os demais 21,82% do capital social da NPP eram de propriedade de Pactual Holdings S.A., sociedade holding na qual não tinha qualquer participação; 2. após a implementação da reestruturação, o custo de seus investimentos no Banco Pactual passou a ser R$5.127.119,00, o valor utilizado como base para a quantificação de seu ganho de capital; 3. o auto de infração indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas; não há a indicação do dispositivo legal que teria sido infringido, o que nem poderia ser feito, pois os efeitos da reestruturação decorreram justamente da aplicação dos dispositivos legais em vigor; 4. várias outras pessoas físicas integrantes do Grupo Pactual foram autuadas em razão do mesmo fato, inexistindo uniformidade quanto à irregularidade apontada; em alguns casos, a Receita Federal do Brasil (RFB) reconhece os reflexos da reestruturação Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 sobre o custo dos investimentos do contribuinte, embora considere serem eles ineficazes perante o Fisco, por decorrerem de ato simulado ou terem sido praticados com abuso de direito; em outros, a RFB sequer atribui à reestruturação os efeitos que seriam próprios aos atos que a consubstanciaram, não apresentassem eles os supostos vícios apontados; 5. O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos, e constituídas em época em que os acionistas não cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados; dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias; 6. o caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico dentre todos disponíveis, sendo o acréscimo do custo de seus investimentos mera consequência de aplicação das normas em vigor; 7. havia algumas opções para a realização do negócio diretamente pelos acionistas, tendo sido a opção pela incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; desde que o art. 8° da Lei 9.532, de 1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; a rapidez com que as holdings foram eliminadas demonstra a eficiência da opção adotada pelos acionistas; 8. assim, não procede a assertiva de que a reestruturação foi realizada com o objetivo de ser utilizada pelos acionistas para aumentar indevidamente o custo de aquisição de seus investimentos no Banco Pactual; 9. a Lei 6.404, de 1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações; como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I); 10. a incorporadora recebe um conjunto patrimonial e paga aos acionistas da incorporada por esse, em ações representativas do aumento de seu capital; não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 11. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 12. a parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação; por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 13. nas incorporações inversas, a capitalização de lucros das incorporadas nos processos de incorporação por vezes não é perceptível de imediato, pois pode ocorrer de o capital da incorporadora permanecer o mesmo antes e depois da operação; com efeito, tomese, por exemplo, situação em que: (i) a incorporadora/controlada tenha sido constituída no ano I, com o capital de RS100.000,00; (ii) sua única acionista seja a incorporada/controladora, uma Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 999 9 empresa sem nenhum passivo cujo único ativo sejam os investimentos na incorporadora/controlada (R$100.000,00); (iii) a incorporadora/controlada tenha auferido lucros de R$50.000,00 e promovido a capitalização dos mesmos; 14. na incorporação, caberia à incorporadora/controlada aumentar seu capital em R$150.000,00 (valor de patrimônio líquido da incorporada/controladora), atribuindo as ações representativas desse aumento aos acionistas da incorporada/controladora; em contrapartida desse aumento, os ativos da incorporada/controladora seriam transferidos à incorporadora/controlada; mas, como a legislação brasileira não confere às ações representativas do capital da própria emitente a natureza de ativo, as referidas ações seriam declaradas extintas e o capital social da incorporadora/controlada permaneceria inalterado; assim, a situação patrimonial da incorporadora/controlada seria exatamente a mesma, antes e depois da incorporação; 15. mesmo quando o capital da incorporadora/controlada permanece inalterado após a incorporação, ocorre aumento de seu capital e desaparecem as contas que refletem os lucros e reservas da controladora/incorporada, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo de custo para seus acionistas; 16. caso a incorporada/controladora tivesse, além de investimentos na investida/incorporadora, aplicações financeiras no valor de R$30.000,00, sendo de R$180.000,00 o seu capital social, o aumento de capital da incorporadora/controlada seria de R$180.000,00; apesar disso, o capital final da incorporadora/controlada não seria de R$330.000,00 (R$150.000,00 + R$180.000,00), mas sim de R$ 180.000,00 (RS150.000,00 + R$180.000,00 – R$150.000,00); uma parcela do aumento de capital no valor de R$150.000,00 seria neutralizada pelo cancelamento das ações da incorporadora/controlada, daí o resultado final da operação ser um aumento de capital correspondente ao saldo de RS 30.000,00; 17. antes da incorporação, os acionistas da investidora/incorporada seriam titulares de ações de empresa apta a distribuir dividendos no valor de R$50.000,00, quando tivesse disponibilidades de caixa, e em condições de capitalizar seus lucros, elevando para R$150.000,00 o custo dos investimentos; 18. com a incorporação da investidora/incorporada, seus acionistas passariam a participar da sociedade investida/incorporadora sem lucros disponíveis e com capital social de R$150.000,00; assim, se o custo dos investimentos dos acionistas da investidora/incorporada não fosse elevado para R$150.000,00, eles perderiam, com a incorporação, a oportunidade de receber dividendos ou mesmo bonificações que possibilitassem o aumento do custo de seus investimento até o montante do patrimônio líquido da invertida/incorporadora; ou seja, se o custo não fosse ajustado, o acionista passaria a registrar um deságio nos seus investimentos; esse fato evidencia, por si só, a ocorrência da capitalização dos lucros das incorporadas nos processos de incorporação e justifica o ajuste do custo dos investimentos dos acionistas da incorporada, com base no § único do art. 130 ou no art. 135 do RIR; 19. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 20. os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação, o que é comprovado com a 3ª e 4ª alterações contratuais da Nova Pactual datadas de 19/09/2006 e 13/10/2006, respectivamente; 21. ao contrário do afirmado no TVF, não houve nenhum "estratagema" na reestruturação; a capitalização prévia de lucros, não era relevante para efeitos de aumento de custo dos investimentos dos acionistas e ocorreu apenas para viabilizar a distribuição adequada das ações da incorporadora; 22. antes da 4ª Alteração Contratual de Nova Pactual, os acionistas André Esteves e Gilberto Sayão da Silva detinham, em conjunto, cerca de 42,4% das quotas representativas do capital da Nova Pactual; depois, apenas 28,6%; não faz sentido imaginar que os referidos acionistas estariam dispostos a abrir mão de participação indireta tão significativa no Banco Pactual para se beneficiarem de economia fiscal totalmente desprezível, se confrontada com o valor das participações societárias que, com a distribuição/capitalização de lucros da Nova Pactual, deixaram de ter; 23. nas incorporações reversas, cabe à incorporadora aumentar seu capital pelo valor do patrimônio líquido da incorporada e os lucros reconhecidos em razão da aplicação do MEP integram esse patrimônio líquido, sejam eles correntes ou não; 24. embora tanto as incorporações quanto as liquidações acarretem a extinção da empresa incorporada ou liquidada, a LSA trata essas operações de forma diferenciada, na seção II de seu capítulo XVII (as liquidações) e na seção II do capítulo XVIII (as incorporações); ou seja, nas incorporações reversas, os acionistas da incorporada recebem ações representativas de aumento de capital da incorporadora em valor correspondente ao do patrimônio líquido da incorporada refletido no balanço que servir de base para a operação, pouco importando a natureza do lucro que compõe o referido patrimônio líquido. 25. supondose que: (i) a investidora/incorporada tenha apenas 30%, do capital da investida/incorporadora, empresa prestadora de serviços extremamente rentável, como o Banco Pactual; (ii) que, à época da incorporação, o patrimônio líquido da incorporada seja representado por um capital social, no valor de R$1.000,00, e por lucros correntes, no montante de R$1.000.000,00; e (iii) que os lucros da incorporada representem 30% dos resultados apurados pela incorporadora em balanço semestral e já incorporados a seu capital; não seria razoável que, com a incorporação, os acionistas da incorporada, minoritários da incorporadora, perdessem o direito ao recebimento de dividendos no valor de R$1.000.000,00 sem que o custo de seus investimentos sequer fosse ajustado naquele mesmo valor; 26. a situação patrimonial da incorporadora não é afetada pela incorporação; não há nenhuma bolha patrimonial e o aumento do capital é essencial a que se atribuam ações aos acionistas da incorporada. Essas ações são novas, emitidas em razão de aumento de capital; 27. o Ato Declaratório Normativo CST 39, de 1979, disciplinou os efeitos dos aumentos de capital realizados com balanços intercalares; o balanço levantado para efeitos de incorporação é um balanço como outro qualquer; ele pode ser utilizado para a realização de simples aumento de capital, exclusivamente para a incorporação ou para as duas coisas, como ocorreu; 28. é irrelevante que o acervo líquido da incorporada, a ser transferido à incorporadora, tenha como contrapartida conta de lucro, reserva ou capital; assim, a transferência dos lucros correntes para conta de capital, realizada antes da ocorrência da Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1000 11 incorporação, como no caso, não conflita com o tratamento que o art. 21 da Lei 9.249, de 1995 dá à matéria; o próprio termo de verificação fiscal (TVF) contempla essa possibilidade; 29. o TVF apresenta um quadro onde o valor de patrimônio líquido da Nova Pactual é de R$818.019.594,94 e o valor final do aumento de capital da incorporadora é de apenas R$33.593.148,46; os R$818.019,594,94 corresponderiam aos R$180.000,00 mencionados no exemplo antes descrito, e os R$33.593.148,46 ao acréscimo de R$30.000,00 (no exemplo) ocorrido no capital de Pactual, após o ajuste resultante do fato de a incorporadora (a Pactual) não ter mantido em tesouraria as ações representativas de seu próprio capital, ações essas adquiridas da Nova Pactual, por sucessão, por ocasião da incorporação; 30. como se observa no TVF, os lucros de exercício constantes do balanço utilizado para a incorporação de Nova Pactual somavam R$402.348.068,00, ou seja, pouco mais do que a metade dos lucros capitalizados na 4ª alteração contratual de Nova Pactual; 31. não há razão para que os ganhos de equivalência relativos a exercícios já encerrados tenham tratamento diverso dos mesmos ganhos incluídos nos resultados de exercício em curso, mas na medida em que as restrições feitas no TVF quanto à capitalização de lucros aplicase apenas a lucros correntes, também não há razão para serem desconsiderados os efeitos da capitalização dos lucros acumulados de Nova Pactual, no valor de R$302.511.403,00; 32. tanto os ganhos de MEP reconhecidos no exercício em curso quanto os ganhos de exercícios encerrados integram o patrimônio líquido da investidora/incorporada e, por isso, são suscetíveis de serem capitalizados antes ou no processo de incorporação; o TVF rejeita a capitalização dos lucros correntes, mas não faz restrição à capitalização dos lucros acumulados; 33. nas incorporações inversas, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas; por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada, passando o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada a corresponder ao valor original de seu investimento, acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada, capitalizados no processo de incorporação; 34. o aumento do custo de aquisição se seus investimentos no Banco Pactual se verificaria, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings – como houve – quer não; 35. em se tratando da alienação de quotas ou ações e sendo o alienante pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1° do art. 130 e do art. 135 do RIR; 36. a legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros gera acréscimo e custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; o ajuste do custo de seus investimentos decorre da aplicação da lei, e não há como rejeitálo; 37. para justificar autos lavrados contra outros acionistas, a RFB já sustentou que caberia aos quotistas da incorporada, no momento do recebimento de quotas da incorporadora, dar baixa em uma parcela do custo pelo qual os investimentos na incorporada Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 estariam registrados em sua declaração de bens, após o aumento de capital da incorporada; em outros autos de infração, a RFB afirma que os lucros da incorporada não poderiam ser capitalizados, em razão de ganhos decorrentes da aplicação do MEP não serem suscetíveis de capitalização; agora a RFB segue uma nova linha, tratando simplesmente como inexistentes os aumentos de capital de Nova Pactual (incorporada) e Pactual (incorporadora); 38. a diversidade de critérios adotada pela RFB nos vários autos lavrados contra os acionistas revela, por si só, a "deficiência ou lacuna na legislação" que o TVF diz inexistir; se a lei vedasse o procedimento adotado pelos acionistas, porque razão cada auto contestaria os efeitos da reestruturação com base em argumentos totalmente distintos? 39. no caso concreto, a precariedade do argumento apresentado no TVF é tão evidente que ele só serve para afastar os efeitos da reestruturação com relação à capitalização de lucros correntes; 40. se o aumento de capital da incorporada, sua incorporação e o aumento de capital da incorporadora tivessem ocorrido após o encerramento do exercício social das referidas empresas, o registro do acréscimo do custo dos investimentos de seus acionistas seria legítimo; uma parcela dos lucros capitalizados na Nova Pactual, no valor de R$302.511.403,00, foi gerada em exercícios anteriores; assim, ao menos com relação ao aumento de capital resultante do aproveitamento desses lucros, o TVF reconhece a inexistência de lei que impeça o registro de acréscimo do custo de seus investimentos; 41. ainda que a majoração do custo de seus investimentos no Banco Pactual, em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco Pactual, seja encarada como uma distorção, ela resultará da aplicação das normas societárias e fiscais em vigor; 42. não é de se esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe ser favorável, dadas as peculiaridades da situação em que se encontre; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; as distorções apontadas pela fiscalização, decorrente da aplicação do MEP, se verificam não só nas hipóteses de incorporações, mas também em muitas outras situações; 43. o art. 22 da Lei 9.249, de 1995, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis; 44. não cabe à fiscalização deixar de aplicar a lei por considerar que ela gera distorções injustificáveis. O 1° Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que "não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador"; 45. a fiscalização atribui aos seus investimentos, com base em critérios totalmente equivocados, o valor de apenas R$593.384,36; o critério adotado no TVF é ímpar e diverge dos que nortearam os demais autos até então lavrados contra os acionistas; 46. as incorporações de Nova Pactual e Pactual são absolutamente neutras em termos fiscais; não há alienação de bens nas incorporações; há sucessão, e o TVF chega a citar doutrina e manifestações da RFB nesse sentido; as suas outras operações integrantes da reestruturação consistiram na realização de aumentos de capital, com distribuição/capitalização de lucros e, como é evidente, operações desta natureza são incapazes de afetar negativamente o custo de investimentos; Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1001 13 47. as ações dos acionistas da incorporada não são alienadas no processo de incorporação; as incorporações são operações neutras nesse particular e não justificam qualquer alteração no custo de investimentos; 48. ao contrário do que parece entender a fiscalização, houve uma única alienação envolvendo seus investimentos em empresas do Grupo Pactual, qual seja, a verificada por ocasião da venda das ações do Banco Pactual para o grupo UBS; assim, o § 5° do art. 16 da Instrução Normativa SRF 84, de 2001, não se aplica ao caso e muito menos pode ser invocado para justificar a redução de parte do custo de seus investimentos; 49. a fiscalização tenta justificar o seu entendimento de que o custo de aquisição é o valor corrente na data de aquisição, com base em acórdão prolatado no Recurso Especial 835.231/RS; entretanto, o referido recurso trata de hipótese em que o contribuinte não forneceu os documentos exigidos pelo Fisco para a comprovação do custo de aquisição de seu investimento e não de situação análoga à presente; além disso, já na ementa do aludido acórdão, há a afirmação de que o custo de aquisição é o valor pago, nos termos do art. 16 da Lei 7.713, de 1988; 50. o TVF menciona dispositivo de natureza totalmente programática do Estatuto Social do Banco Pactual, que supostamente indicaria que todos seus acionistas, diretos ou indiretos, deveriam estar a par de tudo que com o Banco Pactual ocorresse; além disso, indica outros fatos que levariam a concluir serem todos os acionistas pessoas de bom nível intelectual, com capacidade psíquica acima à do homem médio; 51. o primeiro dos efeitos apontados pelo TVF (absorção dos resultados de equivalência pelos lucros do Banco Pactual) é inexistente; não há restrição legal a que se capitalizem lucros correntes; aliás, não tivesse havido deliberações específicas dos acionistas no sentido da capitalização dos lucros de Nova Pactual e Pactual, elas aconteceriam necessariamente com as incorporações das citadas empresas, pois os lucros das incorporadas constantes do balanço de incorporação transformamse em capital da incorporadora; 52. quanto ao segundo dos efeitos apontados (registro de reserva no Banco Pactual), não consegue sequer imaginar que fato justificaria sua constituição; o mesmo se pode dizer com relação aos auditores independentes do Banco Pactual e ao próprio Banco Central do Brasil, os quais em nenhum momento recomendaram o registro dessa reserva; uma incorporação reversa não afeta, por si só, a situação patrimonial de incorporadora; 53. quanto à existência de usufruto sobre parte de seus lucros, para o Banco Pactual é totalmente irrelevante que os destinatários de seus lucros sejam seus acionistas ou um usufrutuário qualquer; 54. ha divergências na RFB até mesmo quanto à forma pela qual o custo dos investimentos dos acionistas deve ser calculado; em determinados processos, a fiscalização entendeu que o custo correto corresponderia ao valor indicado pelos acionistas, deduzido do valor das bonificações resultantes da capitalização de lucros da Nova Pactual; ou seja, considerou válido e eficaz ao menos o aumento de capital de Pactual; em um outro processo a fiscalização entendeu que o custo correto corresponderia ao valor indicado pelo acionista, deduzido do valor das bonificações resultantes da capitalização de lucros da Pactual; ou seja, considerou válido e eficaz o aumento de capital realizado por Nova Pactual; em outros processos, ainda, a RFB entendeu que o custo dos investimentos deveria ser arbitrado a partir Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 do capital social de Pactual, dele deduzida parte dos lucros existentes no Banco Pactual destinada aos acionistas em razão de usufruto; 55. se a situação é tão clara e incontestável a ponto de o TVF afirmar não ser crível que ele desconhecesse seus efeitos, por que razão há tanta divergência entre os auditores fiscais quanto aos critérios que deveriam ser utilizados na determinação do custo dos investimentos dos acionistas? 56. o efeito apontado no TVF de que os lucros reflexos nas holdings seriam absorvidos pelos próprios lucros do Banco Pactual, não ocorre nas incorporações inversas, precedidas ou não da capitalização de lucros; os exemplos por si apontados comprovam essa assertiva, como também a comprovam o fato de o balanço do Banco Pactual, levantado após a incorporação, não refletir essa consequência; 57. a bolha patrimonial citada no TVF não existe, uma vez que, conforme demonstrado, a situação patrimonial do Banco Pactual seria a mesma, antes e depois da incorporação, caso inexistissem outros ativos na incorporada; 58. o único problema que se põe está no tratamento dos lucros existentes na incorporada à época da incorporação, ou capitalizados como medida preparatória da mesma: (i) somamse eles ao custo dos investimentos dos acionistas, como prevê a lei; ou (ii) são simplesmente ignorados, privando os acionistas da incorporada, em determinada circunstância, de se aproveitarem dos referidos lucros; 59. a reestruturação foi motivada por objetivos negociais legítimos e a majoração do custo de seus investimentos no Banco Pactual é mera decorrência da aplicação direta da legislação em vigor; em nenhum momento se desviou das regras previstas na LSA ou na legislação fiscal, ao considerar que as capitalizações de lucros das holdings provocariam um aumento no custo de seus investimentos; 60. não contesta o legítimo direito da RFB, na defesa do erário, buscar novos argumentos para contestar os efeitos da reestruturação; não obstante, rejeita veementemente, face a esse cenário, as alegações de que não poderia ignorar estar agindo em desacordo com a lei, ao quantificar seu ganho de capital, e de estar prestando informações falsas ao preencher os formulários relativo a tal quantificação; 61. fica evidente que não se verificam, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente. 62. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; O pedido consistiu em julgar improcedente o auto de infração, com a extinção do crédito tributário dele decorrente. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu as seguintes ementas: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1002 15 contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. A ciência dessa decisão ocorreu em 09/10/2012 (termo de vista de processo, fl. 932). Em 26/10/2012 foi apresentado recurso voluntário (fls. 937 a 984), reiterando, em síntese, os termos da impugnação, e afirmando, ainda, que: (a) a decisão recorrida parte de premissas equivocadas sobre a aplicação e funcionamento do MEP, ao afirmar que os lucros capitalizados pela Nova Pactual e PSA não tinham representatividade física, na medida em que eram meros reflexos contábeis do lucro do Banco Pactual, nelas registrados em razão do MEP; (b) quando um investimento é contabilizado pelo MEP, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora – chamados resultados positivos ou ganhos de equivalência – que, antes de serem o próprio lucro da sociedade Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 investidora, são apenas um elemento positivo (receita) na formação deste, que, a rigor, poderá sequer existir a depender das demais receitas e despesas próprias da sociedade; a sociedade investidora pode ter ganhos de equivalência (receitas) e não ter lucros ou mesmo ter prejuízos; (c) essa receita de equivalência é considerada definitiva e efetivamente auferida pela investidora; só não está sujeita à incidência de imposto de renda e outros tributos porque a lei permite que ela seja excluída da base de cálculo dos mesmos; essa exclusão não ocorre na base de cálculo do imposto de renda quando o lucro provém de investimentos em controladas ou coligadas sediadas no exterior (art. 74 da MP 2.15835/2001); o lucro da investidora que a leva em consideração pode ser distribuído aos sócios da investidora ou objeto de capitalização; (d) a aplicação do MEP é uma obrigatoriedade imposta pela lei, que objetiva fazer com que a sociedade investidora já reconheça como seu um ganho, uma receita ainda potencial, correspondente aos lucros retidos na sociedade investida; isso não torna o lucro da investida lucro da investidora e não iguala a capitalização dos lucros da investidora com a capitalização dos lucros da investida; aceitar essa simplificação é negar a própria existência da sociedade investidora, desconsiderar a sua personalidade jurídica, rejeitar a sua aptidão para ser sujeito ativo e passivo de direitos e obrigações e revogar todo o arcabouço jurídico que garante não serem as sociedades holdings estruturas inócuas e ilegítimas; (e) uma holding que também tenha atividades operacionais próprias pode ter receita de equivalência, e, num cenário positivo, outras receitas que aumentem o seu lucro ou, num cenário negativo, perdas que reduzam a sua lucratividade ou mesmo a levem a demonstrar prejuízo; (f) nenhuma interpretação do art. 135 do RIR autoriza que, na capitalização de lucros, o custo de aquisição das ações não seja acrescido no valor da capitalização; (g) uma holding pura, ou seja, que não tem atividade operacional própria, mas tãosomente participa no capital da investida, não pode ser tratada diferentemente de outras holdings, pois a lei não faz essa distinção; portanto, os lucros da investida não são os lucros da investidora, seja esta uma holding pura, ou não; os lucros da investida continuam a ser uma receita da investidora, ainda que a ausência de outras atividades relevantes nas holdings faça com que os seus resultados sejam afetados de forma extremamente preponderante pelos lucros gerados pela sociedade operacional (Banco Pactual); (h) no caso em apreço, as capitalizações deramse com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do Banco Pactual; são lucros absolutamente distintos e inconfundíveis; (i) a rejeição da aplicação da lei em benefício de suposta justiça econômica geraria uma total insegurança jurídica e situações ambíguas em que o aplicador da lei não teria como identificar de forma consistente o aumento de capital que seria apto a gerar acréscimo de custo do investimento: o da controladora ou o da controlada; (j) por essas razões, deve ser rechaçada a referida simplificação, e reconhecido que, no caso concreto, aplicase o art. 135 do RIR, tal como está escrito; se assim não for, estarseá desprezando os comandos legais sobre o MEP, desconsiderando as personalidades jurídicas das sociedades holdings e reescrevendose o referido dispositivo a pretexto de uma suposta justiça econômica. (l) a decisão recorrida sustenta que os ganhos decorrentes da aplicação do MEP não podem ser capitalizados antes de efetivamente realizados; esse entendimento não se Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1003 17 sustenta, pois contraria texto da LSA e até mesmo entendimento que vem prevalecendo no Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente analisou a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, segundo o qual se tributa no Brasil o ganho das pessoas jurídicas, aqui sediadas, decorrente de suas participações em controladas e coligadas com sede no exterior, independentemente da distribuição do referido ganho, sendo fundamento dos votos dos que já o consideraram constitucional de que o ganho produzido por tais investimentos integra o lucro líquido das investidoras, em razão da aplicação do MEP, podendo mesmo ser distribuído; (m) os investimentos sujeitos ao MEP são registrados no ativo da investidora pelo correspondente valor de patrimônio líquido contábil (PLC); na hipótese de a investida ser uma subsidiária integral da investidora e o valor de seu PLC ser de R$ 100.000,00, a investidora registrará seu investimento por aquele valor; se, ao final do exercício, o PLC da investida evoluir para R$ 150.000,00, o investimento passará a ser registrado por aquele valor e assim permanecerá até que ocorra novo registro do investimento; se os lucros da investida forem distribuídos, seu PLC voltará a ser de R$ 100.000,00 e a investidora passará a registrar seu investimento por aquele novo valor; a redução do valor do investimento da investidora terá como contrapartida o registro de crédito contra a investida (se o dividendo ainda não tiver sido pago) ou de disponibilidades, se o pagamento do dividendo tiver ocorrido; (n) o fato de a investida não ter ainda distribuído dividendos não impede – juridicamente – a distribuição dos ganhos de MEP pela investidora; caso a investidora disponha de caixa suficiente ao pagamento de dividendos não haverá óbice jurídico ou financeiro; na ausência de disponibilidade, os ganhos de MEP também poderão ser distribuídos, mediante o registro de crédito a acionistas, ou mesmo capitalizados; (o) o tratamento que uma investida dá a seus lucros afeta, efetivamente, as investidoras, pois elas são as destinatárias dos mesmos; mas o contrário jamais poderá ocorrer; o patrimônio da investida é alheio ao da investidora e, na medida em que ambas são pessoas jurídicas distintas, o que a última fizer não poderá interferir na situação patrimonial da primeira. (p) os efeitos de que ora se trata não decorrem da realização de incorporações reversas, mas da aplicação do MEP; como demonstrado, das cinco variantes disponíveis para a realização da venda do Banco Pactual por seus acionistas, duas delas (a venda de todas as holdings e a incorporação do BANCO) eram inviáveis e as três remanescentes (incorporações reversas, extinção das holdings ou redução de seus capitais) produziriam o mesmo efeito no custo dos investimentos do recorrente; (q) a decisão recorrida admite que a reestruturação foi legítima e que a irregularidade estaria no efeitos econômicos pretendidos através da reorganização societária; ora, o recorrente não buscou nenhum efeito com a reestruturação, pois os efeitos da redução de capital ou da extinção das holdings seriam idênticos; por outro lado, se a reestruturação é regular e comprovadamente realizada com objetivos negociais legítimos, seus efeitos tem que ser aceitos pelo fisco, mesmo que prejudiciais ao erário; (r) o auto de infração relativo a um dos acionistas controladores do Banco Pactual já foi julgado improcedente pelo Acórdão n° 210201938; Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 (s) quanto à apuração do custo de seus investimentos, no qual a fiscalização utilizou critério distinto dos demais lançamentos efetuados contra os acionistas do Banco Pactual, os lançamentos não podem utilizar discricionariamente critérios absolutamente distintos e desconexos para apurar o custo do investimento dos acionistas, chegandose a absurdas discrepâncias de valores; a diversidade de critérios na quantificação do ganho de capital dos acionistas evidencia que nem a RFB sabe exatamente qual teria sido o equívoco cometido, e que o lançamento fundouse exclusivamente no efeito econômico gerado pela reestruturação; (t) no seu caso específico, em que o custo de seus investimentos existentes antes da reestruturação foi reduzido, esclareçase que as ações do Banco por si vendidas substituíram por sucessão ações das holdings, de sorte que o custo das ações do Banco Pactual deveria corresponder ao das ações que substituíram; deixar de considerar no custo das ações ao menos o custo original das ações da Nova Pactual e o valor das bonificações a ela atribuídas é de todo absurdo. (u) a capitalização prévia dos lucros fez com que seus principais acionistas, que detinham o seu controle indireto – André Esteves e Gilberto Sayão da Silva – tivessem suas participações no capital da Nova Pactual reduzidas (de 22,21% e 20,2% para 15,5% e 13,1%, respectivamente), comprovado pelo da 3ª com a 4ª alteração contratual, o que fez com que recebessem menos ações do Banco Pactual por ocasião das incorporações das holdings, e, consequentemente, vendessem menos ações do Banco à UBS Brasil; estimase a perda conjunta dos referidos acionistas em mais de R$500.000.000,00, já desconsiderados os efeitos fiscais do aumento do custos de suas ações do Banco, decorrentes da capitalização dos lucros da Nova Pactual, o que evidencia que a capitalização de lucros teve objetivos outros, que não fiscais; (v) no que se refere à fraude ou abuso de forma, a decisão recorrida parte da premissa de que sua interpretação do art. 135 do RIR é tão clara e evidente que, quem ler o referido artigo de forma diferente, estará agindo com o evidente intuito de fraude; assim como o recorrente, outros acionistas foram autuados, com multa qualificada, sob a alegação de terem quantificado a maior o custo de seus investimentos no Banco Pactual; entretanto, não há convergência da fiscalização quanto à natureza da infração cometida pelos acionistas: (i) no Processo 12898.002335/200931, alegouse a presença de simulação subjetiva para a imposição de penalidade, com base no art. 167, parágrafo Iº, inciso I do CC/02; na decisão proferida em primeira instância, contudo, a RFB, ao justificar a existência de simulação, usa argumentos totalmente aplicáveis à simulação decorrente da utilização de negócio jurídico diverso daquele efetivamente desejado, hipótese prevista no inciso II do referido artigo; (ii) no Processo 12448.734760/201113, os autuantes alegam que o procedimento do autuado teria caracterizado um abuso de direito; (iii) no Processo n° 12448.735954/201128, alegam ter ocorrido fraude à lei; ou seja, nem mesmo a RFB conseguiu chegar a uma conclusão quanto a natureza do ilícito cometido pelos acionistas na determinação do ganho de capital verificado na venda das ações do Banco Pactual; (x) no que se refere à alegada existência de fraude à lei, resultante de abuso de direito, além de reportarse às razões já expostas na impugnação, transcreve trecho do voto vencedor do Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, no Processo 10680.724392/201028, em que contestaa sua existência no direito tributário brasileiro (z) a motivação da fiscalização na lavratura do auto de infração bem como dos responsáveis pela decisão recorrida está evidentemente ligada ao inconformismo com o acréscimo de custo de seus investimentos resultante da aplicação do art. 135 do RIR ao caso concreto, mas, pela lei, esse acréscimo é inquestionável, já tendo sida inclusive admitida pelo Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1004 19 CARF, o que prova que não pode ser encarada como absurda a ponto de, por si só, justificar a aplicação de penalidade em que o evidente intuito de fraude tem que estar presente. O pedido consiste em que o auto de infração seja julgado improcedente e seja extinto ao crédito tributário. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 1270). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO LANÇAMENTO A matéria não é nova neste CARF. Vários foram os julgados que analisaram as operações que culminaram na alienação de participações societárias do Banco Pactual à UBS. Cito, como exemplo, os acórdãos 210201.938, 2202002.164, 2202002.165, 2202 002.166, 2202002.167, 2202002.258, 2202002.260, 2202002.262, 2202002.263, 2202 002.428 e 2802003.285. Desses, apenas o primeiro dos acórdãos citados (referido pelo recorrente em seu recurso) considerou totalmente indevido o lançamento; os demais deram parcial provimento ao recurso voluntário apenas para cancelar a multa qualificada. Recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais emitiu o Acórdão nº 9202003.701, que decidiu: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. O contribuinte possuía, a partir da 4ª alteração do contrato social, ações da Nova Pactual (fls. 207 a 248), holding que detinha 78,17% de participação societária na Pactual S.A., a qual era detentora de 99,9991% das ações do Banco Pactual (o restante pertencia à Pactual Holdings S.A.). A sociedade Pactual Holdings S.A. detinha os restantes 21,83% de participação societária na Pactual S.A., e o recorrente não era seu acionista. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Pelo contrato de compra e venda celebrado entre o Banco Pactual e a UBS (fls. 30 a 152), ficou acertado que a compra e venda se daria diretamente entre as pessoas físicas, sócios e/ou acionistas das sociedades controladoras do Banco Pactual e a UBS. Para tanto, foi promovida uma série de reestruturações societárias, nas quais a sociedade controlada incorporou a sociedade controladora (operação nominada de “incorporação reversa” ou “incorporação às avessas”); assim, no que interessa ao presente processo, a Pactual S.A. incorporou a Nova Pactual em 13/10/2006 e foi incorporada pelo Banco Pactual em 1º/12/2006. Previamente a cada incorporação reversa ocorreu, na incorporada/ controladora, aumento de capital social, por meio da capitalização de créditos que os sócios detinham perante a sociedade, decorrentes do direito a receber dividendos. Os sócios, em vez de receberem os dividendos a que teriam direito, os utilizaram para aumentar o capital social da sociedade que, em seguida, foi incorporada por sua controlada. Como decorrência do aumento de capital na sociedade em que detinham participação direta (primeiramente a Nova Pactual, e, após sua incorporação pela Pactual S.A., esta última), os quotistas/acionistas promoveram o aumento do custo de aquisição de sua participação societária, baseado no art. 135 do Decreto 3.000, de 1999, que aprova o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR 99). Por fim, o recorrente alienou, conjuntamente com os demais acionistas, suas ações do Banco Pactual, apurando ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2009 (anos em que recebeu pagamentos atinentes à operação). Em resumo, no que concerne ao recorrente, houve: 1. incorporação da Nova Pactual pela Pactual S.A., em 13/10/2006, com o recebimento de participação na mesma proporção que detinha na holding extinta (fls. 249 a 277); essa operação foi precedida, na mesma data, pela distribuição desproporcional dos lucros apurados pela Nova Pactual (para o recorrente, R$3.134.825,00, fls. 194 a 206), e pela capitalização desses mesmos lucros, com a integralização de 3.134.825,00 novas quotas da Nova Pactual, avaliadas em R$3.134.825,00 (fl. 249 a 277) – primeira majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada no art. 135 do RIR 99 (fl. 22); 2. incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual, em 1º/12/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta (fls. 555 a 589); essa operação foi precedida, em 03/11/2006, pela distribuição de lucros da Pactual S.A. dos quais R$3.486.306,00 coube ao recorrente (fls. 380 a 384), e capitalização desses mesmos lucros pela Pactual S.A., pelo que o recorrente recebeu 3.486.306,00 novas quotas da Pactual S.A., avaliadas em R$3.486.306,00 (fls. 385 a 525) – segunda majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada no art. 135 do RIR 99 (fl. 22). Tais valores, somados ao custo de aquisição das ações, no valor de R$132,00, e diminuídos de R$10,00 (referente à cisão parcial da Pactual S.A.), resultou em custo de aquisição das quotas no total de R$5.127.119,00, segundo os cálculos apresentados ao Fisco pelo recorrente (fl. 22) e declarados na Declaração de Ajuste Anual Simplificada (fl. 07). Não mais existentes as holdings, realizouse a venda do Banco Pactual S.A. ao UBS pelas pessoas físicas, ensejando a apuração de ganhos de capital em 2006 e 2009, ora sob discussão. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1005 21 Cabe apontar, ainda, que os resultados auferidos pelo Banco Pactual se refletiam em suas controladoras pela aplicação do método de equivalência patrimonial (MEP) (e não pelo método do custo), por força do disposto no art. 248 da Lei 6.404, de 1976, que possuía, à época dos fatos (2006), a seguinte redação: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente, somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. (Grifouse.) A principal questão controversa é o valor do custo de aquisição das ações vendidas, ao qual se aplica a isenção prevista no art. 10 da Lei 9.249, de 1995, reproduzida pelo art. 135 do RIR 99. De acordo com o autuado, como visto, o custo de aquisição seria de R$5.127.119,00; pelo lançamento, o valor seria R$593.384,36, calculado pela multiplicação do custo médio ponderado pelo número de ações. DA ISENÇÃO AOS LUCROS OU DIVIDENDOS, DISTRIBUÍDOS OU CAPITALIZADOS Os argumentos expostos pela fiscalização e pelo recorrente podem, a meu juízo, ser sintetizados pela seguinte pergunta: os lucros da pessoa jurídica que podem ser distribuídos à pessoa física ou capitalizados com o aproveitamento da isenção em questão são os lucros fiscais, oferecido à tributação pela pessoa jurídica ou os lucros societários? Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 A fiscalização defende que deve ser expurgado o efeito do aumento do valor dos investimentos, calculados pelo MEP, nas holdings controladoras/incorporadas; em outras palavras, isso significa que o lucro objeto da isenção coincide com o lucro fiscal, oferecido à tributação pela pessoa jurídica, o qual, em seu cálculo, expurga o valor do ganho com equivalência patrimonial nas investidas, como preconiza a fiscalização. O recorrente, ao seu turno, afirma que “os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora”, “os chamados resultados positivos ou ganhos de equivalência”, a qual “é considerada definitiva e efetivamente auferida pela investidora”, e que “só não está sujeita à incidência de imposto de renda e outros tributos porque a lei permite que ela seja excluída da base de cálculo dos mesmos”; assevera que “ainda que a majoração do custo dos investimentos do RECORRENTE no BANCO, em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio BANCO (a fonte primária e única do acréscimo patrimonial), seja encarada como uma distorção, ela resultará da aplicação das normas societárias e fiscais em vigor”. Apesar de sua referência a normas fiscais, o fulcro de seus raciocínio são os efeitos do MEP sobre os lucros societários (ou seja, sem a citada exclusão da base de cálculo para fins tributários). A extensa discussão realizada nos autos gira em torno dessa questão. Segundo meu entendimento, a razão está com a fiscalização, que entende, com exatidão, que não poderia ocorrer, para fins fiscais (uma vez que é sobre os efeitos fiscais que versa o lançamento), a capitalização ocorrida nas sociedades holdings controladoras, uma vez que o lucro nessas sociedades capitalizado advém de receitas que são mero reflexo do lucro (societário) da sociedade operacional (Banco Pactual). Isso porque, para fins fiscais, dever haver a exclusão do resultado positivo do Banco Pactual na apuração do lucro (fiscal) das sociedades controladoras, conforme determina o art. 389 do RIR 99 (a seguir transcrito), o que anula o efeito que essas receitas poderiam ter sobre o lucros de tais sociedades (controladoras). Decorrentemente, não há: (a) lucro (fiscal) derivado de tais resultados positivos a ser distribuído ou capitalizado pelos sócios, nem, decorrentemente, (b) elevação do custo de aquisição das ações derivada desse resultado positivo. Não há falar, portanto, de subsunção à regra isentiva carreada pelo art. 10 da Lei 9.249, de 1995. Caso se optasse a distribuir os lucros da sociedade operacional (Banco Pactual), os lucros ou dividendos distribuídos pela controlada seriam registrados como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciariam as contas de resultado (art. 388, § 1º, do RIR 99). Ajuste do Valor Contábil do Investimento Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). § 1º Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1006 23 § 2º Quando os rendimentos referidos no parágrafo anterior forem apurados em balanço da coligada ou controlada levantado em data posterior à da última avaliação a que se refere o artigo anterior, deverão ser creditados à conta de resultados da investidora e, ressalvado o disposto no § 2º do art. 379, não serão computados na determinação do lucro real. § 3º No caso do parágrafo anterior, se a avaliação subseqüente for baseada em balanço ou balancete de data anterior à da distribuição, deverá o patrimônio líquido da coligada ou controlada ser ajustado, com a exclusão do valor total distribuído. Contrapartida do Ajuste do Valor do Patrimônio Líquido Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 1º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, parágrafo único, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 2º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto nesta Subseção, sem prejuízo do disposto no art. 394 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). (Grifouse.) Assim, em se tratando de regras fiscais (de que trata o lançamento), é procedente a glosa no aumento do custo de aquisição das ações, uma vez que a isenção prevista no art. 10 da Lei 9.249, de 1995, é limitada ao lucro fiscal, no montante tributado pela pessoa jurídica. No caso de pessoas jurídicas, “a determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais que apuram lucro real” (art. 247, § 1º, do RIR). Assim, há intensa comunicação entre o lucro real (fiscal) e o lucro líquido (societário); porém, lucro real e lucro societário são institutos diversos. O lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas (art. 247 do RIR). Quando se trata de tributação, ou sua exclusão, no caso, a isenção (art. 176 do CTN), as regras aplicáveis são as fiscais, de apuração ou exclusão de tributos, e não as regras societárias. Esse entendimento está de acordo com a jurisprudência firmada pelo STF na ADI 2588 (referida indiretamente pelo recorrente), que trata da tributação de lucros no exterior (art. 74 da MP 215835, de 2001, referida diretamente pelo recorrente): caso o lucro auferido no exterior por uma controlada seja oferecido à tributação na controladora sediada no Brasil (caso, por exemplo, de lucros auferidos por sociedades sediadas em paraísos fiscais), ele é apto a se subsumir à isenção do art. 10 da Lei 9249, de 1995; caso o lucro auferido no exterior não Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 seja oferecido à tributação no Brasil (caso, por exemplo, de lucros auferidos no exterior por coligadas não sediadas em paraísos fiscais), o montante deste lucro não é apto a se subsumir à isenção do art. 10 da Lei 9249, de 1995. O art. 135 do RIR 99 tem seu fundamento legal no parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995, o qual deve ser lido em conjunto com o seu caput (art. 654 do RIR 99), para a adequada compreensão do contexto no qual tal disposição veio à baila. Reproduzo os artigos: Lei 9.249, de 1995 RIR 99 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Art. 654. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Verificase a simetria entre os textos, sendo que as diferenças entre eles existentes – (a) o RIR 99 não cita as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e (b) para o RIR 99, a regra do art. 135 se aplica a qualquer aumento de capital, e não somente ao aumento de capital por incorporação de lucros, como previsto no parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 – são irrelevantes no caso concreto, pois tratase de caso envolvendo pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e os aumentos de capital ocorreram por incorporação de lucros. Da leitura dos textos normativos fica fácil perceber que os lucros que podem aumentar os custos de aquisição de cotas ou ações “distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros” (em razão de terem sido incorporados ao capital social) são os mesmos lucros a ser “pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas”. Tais lucros correspondem aos lucros tributados, como resta cristalino no exame da exposição de motivos da Lei 9.249, de 1995, item 12: 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1007 25 tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas. Tal entendimento está plenamente de acordo com os parágrafos 3º e 4º da Instrução Normativa SRF 93, de 1997, que prevêem a tributação dos lucros distribuídos que não houverem sido previamente tributados. Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. (...) § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei Nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei Nº 9.250, de 1995. Nesse mesmo sentido, o juízo de Elias Cohen Junior, em artigo publicado na página eletrônica do Fiscosoft (Fiscosoft.com.br – artigo de Elias Cohen Junior. RTT – Novas práticas contábeis – Polêmicas a serem enfrentadas a remuneração dos acionistas.) “(ii) Dividendos O artigo 10 da Lei nº 9.249/95 determina que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996 não integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Desde já, vale ressaltar que na exposição de motivos da referida norma, fica clara a intenção do legislador, qual seja, isentar tão somente os lucros tributados pela pessoa jurídica. Vale transcrever: "12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas." (grifo meu) Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 Ainda nesse ponto vale dizer que o § 4º do Art. 48 da IN 93/1997, determina que o valor distribuído aos sócios que exceder o valor do lucro está sujeito a tributação na pessoa física com base na tabela progressiva. (Grifouse.) Chamo a atenção para que os “lucros tributados”, aos quais se dirigem a isenção em análise, são os lucros fiscais (lucro real, presumido ou arbitrado), uma vez que os lucros societários não são objeto de tributação. Dito de outro modo, o sistema foi montado de modo que, a partir de então, o lucro (a) já tributado pelas pessoas jurídicas, (b) a ser por elas distribuído, passasse a ser isento; caso os sócios decidissem incorporálo ao capital social, em vez de recebêlo, tal lucro seria incorporado ao custo de aquisição das cotas/ações. Ou seja, para a subsunção à isenção, é necessário que o lucro tenha sido tributado e, portanto, tenha substrato econômico – o limite máximo do aumento do custo de aquisição das cotas/ações é justamente o montante que seria recebido caso o lucro, já tributado, não fosse capitalizado, mas distribuído. As consequências econômicas que se pretendeu dar ao lucro societário, não tributado, “escritural” e sem suporte econômico, decorrem da falta de observância dessa regra. Assim, não há “falhas na legislação”, como quer o recorrente, mas do uso indevido da legislação isentiva na apuração de ganho de capital influenciado por lucros capitalizados em dissonância com as regras fiscais. Por sua vez, o Acórdão CARF 10196.570, citado pelo recorrente, trata de uma situação específica e diferente, no qual não foi obedecida a regra do art. 388, § 1º (já transcrita), que determina a baixa da reserva mediante redução do investimento, como se verifica à leitura de sua ementa: RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA — ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO — NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DA RESERVA — A reavaliação de bens do ativo gera o aumento de seu valor contábil e, por conseguinte, diminui o ganho de capital apurado na sua alienação. Com o intuito de que haja a compensação contábil e fiscal, o valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real do períodobase em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento. Se o Contribuinte, na alienação de seu investimento, computou em seu custo de aquisição o valor da reavaliação, o fato da investida ter realizado sua reserva no mesmo anocalendário não afasta a tributação no Contribuinte. A realização da reserva pela investida apenas autorizaria a baixa da reserva, mediante a redução do valor do investimento. Se o investimento foi alienado sem o ajuste e redução em seu valor, a reserva, no Contribuinte, deve de fato ser realizada, considerando os efeitos no resultado fiscal da alienação do investimento, com o aumento da perda ou redução do ganho. Convém resgatar a evolução histórica da norma isentiva de lucros, para que fique clara a interpretação finalística e históricosistemática que fundamenta meu voto. Utilizo me das palavras do conselheiro Ronnie Soares Anderson, relator do acórdão 2802003.285: Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1008 27 Previamente à edição desse diploma (art. 10 da Lei 9.249, de 1995), a regra era tributar os lucros e os dividendos exclusivamente na fonte ou oferecer tais rendimentos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste. Com vistas a evitar que houvesse dupla tributação sobre os mesmos rendimentos, ou seja, para que os lucros fossem tributados tão somente quando de sua apuração pela pessoa jurídica, e não quando de sua distribuição para os beneficiários dos dividendos, adveio no ordenamento o dispositivo legal acima transcrito. O Ministro da Fazenda apresentou no item 12 do Projeto de Lei n° 913/05, que resultou na edição da Lei n° 9.249/95, a seguinte justificativa no que concerne ao art.10: (...) A partir de então os dividendos passaram a ser isentos, o que poderia ensejar a preferência pela sua distribuição frente à sua retenção e reinvestimento, dando azo à descapitalização das empresas. Para evitar tal situação, e estimular a retenção dos lucros de modo a possibilitar a realização de investimentos e formação bruta de capital sem endividamento perante terceiros, com o consequente crescimento da economia e geração de empregos, o regramento do parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249/95 previu uma "compensação" para que os sócios não decidissem priorizar a distribuição de lucros. Com efeito, para que os lucros não fossem distribuídos como dividendos aos sócios mas sim incorporados mediante aumento de capital da empresa, foi possibilitado o ajuste no custo de aquisição das participações societárias dos acionistas, na proporção em que fossem aqueles capitalizados, balizandose assim o alcance do benefício legal da isenção dos dividendos. Em se tratando de isenção ou redução de base de cálculo, a Constituição Federal, art. 150, § 6º, exige que a matéria seja regulada por lei específica, que não existe no caso concreto: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). A prática do recorrente não encontra amparo em qualquer ato legal ou infralegal por ele citado. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 O art. 8º da Lei 9.532, de 1997, trata da incorporação, fusão ou cisão, na qual haja participação societária adquirida com ágio ou deságio. A Instrução Normativa 77, de 1986, “expede normas para efeitos de adaptação de legislação do imposto de renda em vigor ao regime de tributação das pessoas jurídicas estabelecido na Lei nº 7.450/85”. O seu subitem 5.9, citado pelo recorrente, refere que “ao aumento do capital da sucessora com a incorporação de lucros e reservas da sucedida, aplicamse as normas dos artigos 376 e 377 do RIR/80”; tais arts. 376 e 377 do RIR/80 regulamentam, por sua vez, o art. 63, §§ 3º e 4º, do DecretoLei 1598, de 1977, dispondo, nas palavras do recorrente, que “se a pessoa jurídica restituísse capital aos sócios nos cinco anos subsequentes à capitalização de lucros, o montante do capital restituído seria tratado como dividendo”. O item 5 da IN 77, de 1986 (no qual se insere o já analisado subitem 5.9) trata das normas a serem observadas nos “casos de incorporação, fusão e cisão de que trata o artigo 33 da Lei nº 7.450/85”. O art. 33 da Lei 7.450, de 1985, trata do balanço a ser levantado pela pessoa jurídica a ser incorporada, fusionada ou cindida, para determinar o lucro real na data da incorporação, fusão ou cisão. Percebase que, como já tratado, (re)afirmase a regra de que é o lucro real (e não o societário) que deve ser levado em conta para fins dos efeitos tributários da distribuição ou da capitalização de lucros, inclusive no caso de uma incorporação: Art. 33. A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deve levantar balanço e demonstração de resultados e determinar o lucro real na data da incorporação, fusão ou cisão, observado o seguinte: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.323, de 1987) I o lucro real apurado será convertido em número de OTN pelo valor desta na data da incorporação, fusão ou cisão; (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.323, de 1987) II a declaração de rendimentos deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento; (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.323, de 1987) Também desbordam do caso concreto o art. 22 da Lei n° 9.249/95 e o art. 29, III, da Instrução Normativa SRF 84, de 2001. O primeiro, ao referir que “os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado”; o segundo, que determina a exclusão, para fins da determinação do ganho de capital da pessoa física dos ganhos de capital decorrentes de “restituição de participação no capital social mediante a entrega à pessoa física, pela pessoa jurídica, de bens e direitos de seu ativo, avaliados pelo valor contábil ou de mercado”. No caso em exame, não houve “restituição de participação no capital social mediante a entrega à pessoa física, pela pessoa jurídica, de bens e direitos de seu ativo”, mas recebimento de participação no capital social da incorporadora (controlada) em substituição à participação que o recorrente detinha na incorporada (controladora). É evidente a diferença entre os institutos jurídicos da “restituição de participação no capital social” e do recebimento de participação no capital em substituição a outro, que deixa de existir em face de incorporação; ademais, no respeitante à isenção (matéria tratada neste processo), o art. 111, “II”, da Lei 5.172, de 1966 (CTN), exige o uso da interpretação literal: Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1009 29 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; O entendimento professado até este momento é suficiente para a manutenção do lançamento condizente ao tributo devido, e está em consonância com o decidido pela CSRF no Acórdão 9202003.701 (já transcrito). O capítulo seguinte trata de razões outras pelas quais o lançamento deve ser mantido, ressaltando que, mesmo que não fossem abordadas as razões a seguir expostas, o resultado de meu voto restaria. DAS REGRAS CONTÁBEIS APLICÁVEIS A GRUPOS DE SOCIEDADES Estabelecido o contexto no qual o art. 10 da Lei 9.249, de 1995, deve ser entendido e aplicado, passo a demonstrar que a interpretação do recorrente não se ampara sequer nas regras contábeis que estabelecem a apuração dos resultados societários de grupo econômico, pois está em desacordo com os pronunciamentos técnicos (contábeis) emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, bem como com os Princípios de Contabilidade, aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade. Como já referido, o Banco Pactual era controlado por uma holding, a Pactual S.A (PSA), que, por sua vez, era controlada por ouras duas holdings, a Nova Pactual e a Pactual Holdings. Holding é uma “empresa que detém a posse majoritária de ações de outras empresas, ger. denominadas subsidiárias, centralizando o controle sobre elas. De modo geral a holding não produz bens e serviços, destinandose apenas ao controle de suas subsidiárias.” (Dicionário Houaiss Eletrônico, versão monousuário 2009.3). Essa definição é condizente com a afirmação do recorrente de que “Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco (Pactual) e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados” (item 3.3 do recurso voluntário) e de que “As holdings não tinham outra função que não as acima mencionadas e sua existência esteve sempre vinculada à participação do Grupo Pactual no BANCO” (item 3.4 do recurso voluntário). O esclarecimento de que as holdings não produzem bens e serviços demonstra a impossibilidade dessas, por si só, gerarem lucro econômico, material, distribuível e/ou capitalizável, passível de aumentar o custo de aquisição das cotas/ações de seus sócios/acionistas. Quanto ao método da equivalência patrimonial, esse nada mais é do que modo de avaliação do investimento de determinada sociedade. De acordo com Sérgio de Iudícibus, “o conceito básico do método da equivalência patrimonial é fundamentado no fato de que os resultados e quaisquer outras variações patrimoniais da investida sejam reconhecidos (contabilizados) na investidora no momento de sua geração na investida, independentemente de serem ou não distribuídos por esta” (Manual de contabilidade societária. Sérgio de Iudícibus et. al. São Paulo: Atlas, 2010, p. 170) (Grifouse.) Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 Por esse critério, “as empresas reconhecem os seus resultados de seus investimentos nessas entidades no momento em que tais resultados são gerados naquelas empresas, e não somente quando são distribuídos na forma de dividendos, como ocorre no método de custo”. (Idem, p. 170.) Como já referido, o MEP é de uso obrigatório na avaliação de investimentos de controladas (art. 248 da Lei 6.404, de 1976). As normas contábeis, outrora regidos pela Deliberação 29, de 1986, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conjuntamente com os Princípios da Contabilidade, aprovados pelas Resoluções nº 750, de 1993, nº 774, de 1994 e nº 785, de 1995, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), atualmente são elaboradas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). O CPC adotou integralmente o documento do International Accouting Standards Board (IASB), denominado Framework for the Preparetion and Presentation of Financial Statements e emitiu seu Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis (CPC 00). De acordo com Iudícibus (idem, p. 31) esse pronunciamento possui “maior aderência ao conceito da Primazia da Essência Sobre a Forma”, “bandeira essa levada praticamente ao extremo pelo IASB (...) representado no Brasil pelo Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis”. Convém ressaltar que, mesmo antes da entrada em vigor dos pronunciamentos técnicos do CPC, a Resolução nº 750, de 1993 do Conselho Federal de Contabilidade já previa a prevalência da essência sobre a forma (art. 1º, § 2º) Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. É disso que se trata. Primazia da essência sobre a forma. O lucro distribuível e capitalizável é o lucro já tributado, portanto econômico, com poder de compra, e não o lucro escritural, que existe somente em face da existência de holdings controladas e controladoras, mas que não produzem riqueza. Pretender que lucro escritural, sem substrato econômico, não tributado previamente, seja distribuível e/ou capitalizável fere não somente o sentido finalístico e históricosistemático do art. 10 da Lei 9.249, de 1995, mas também as normas técnicas contábeis do CPC. No presente caso, é fato incontroverso, estamos diante de um grupo econômico: o recorrente se refere ao “Grupo Pactual”. Os grupos econômicos são definidos pelo CPC 36 como constituído pela “controladora e todas as suas controladas” e isso, de acordo com Iudícibus (idem, p. 649) “independe de o grupo estar ou não constituído formalmente, nos termos do Capítulo XXI da Lei 6.404, de 1976”. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1010 31 Em grupos econômicos, como no caso em apreço, a particularidade da situação de uma sociedade exercer controle sobre outra(s) faz com que o balanço consolidado seja considerado mais fidedigno que cada balanço individual. Em razão disso, há “países que exigem, e o IASB (International Accouting Standards Board), exige assim também, que quando há investimento em controlada, o balanço individual nem seja apresentado, e sim diretamente o balanço consolidado, e a equivalência vai aparecer no consolidado apenas para os investimentos em não controladas”. (Idem, p. 171.) Mais uma vez a busca pela primazia da realidade. Se uma sociedade produz lucro, como no caso em questão, as holdings controladoras serão lucrativas, mas o lucro é somente um, gerado pela sociedade geradora de riqueza. A questão é elementar: se o lucro escritural pudesse gerar efeitos de aumentar riqueza, bastaria criar mais e mais holdings controladoras, e viver da pujança do lucro infinito. Como lembra Iudícibus, “efetivamente, a análise individual das diversas demonstrações contábeis faz perder a visão do conjunto, do desempenho global do grupo. As inúmeras transações realizadas entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico necessitam ser eliminadas nas demonstrações consolidadas, obtendose, assim, apenas os valores apurados em função de operações efetuadas com terceiros alheios ao grupo”. (Idem, p. 649.) Os investimentos em controladas devem ser consolidados. (Idem, p. 650). Ainda de acordo com o Professo Emérito da FEA/USP, mesmo nos casos em que a legislação brasileira ainda não obrigue a apresentação da consolidação das demonstrações contábeis em grupos econômicos, tais “demonstrações contábeis consolidadas são as únicas que refletem a real posição financeira, a formação de seu resultado operacional e a origem e aplicações de seus recursos financeiros”. (Idem, p. 651.) No entender de Iudícibus, as demonstrações contábeis individuais da controladora, mais do que limitadas, “são muitas vezes enganosas, e não atendem ao objetivo primordial de bem informar da contabilidade nem atendem aos princípios fundamentais as contabilidade”. (Idem, p. 652.) Por isso, “com a emissão do CPC 36, há um enorme avanço, porque todas as sociedades por ações, mesmo as fechadas, agora estão obrigadas à publicação das demonstrações consolidadas (...) quando tiverem investimentos em controladas. Até as limitadas, se divulgarem informações, terão que fazêlo, já que esse Pronunciamento foi aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade, que tem poderes sobre os profissionais contábeis brasileiros”. (Idem, p. 652.) Nesse sentido, o CPC 36 exige que os seguintes procedimentos sejam adotados: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. (Grifouse.) É de se registrar que, também nesse mesmo sentido, de acordo com o art. 388, § 1º, do RIR 99 (já transcrito), os lucros ou dividendos recebidos pela controladora não constituem receita, mas sim redução do da conta do investimento: Como o investimento em controlada é avaliado pelo método da equivalência patrimonial, os dividendos recebidos não estarão contabilizados em receita, mas sim como redução da conta do investimento, e, portanto, não haverá eliminação a fazer na Demonstração do Resultado do Exercício. (Idem, p. 659.) Do mesmo modo, o Pronunciamento Técnico CPC 18 (R2), o qual regulamenta “Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 28 (IASB – BV 2012)”, determina que, avaliados pelo MEP, o investimento em controlada (neste caso, no balanço individual) deve ser inicialmente reconhecido pelo custo e o seu valor contábil será aumentado ou diminuído pelo reconhecimento da participação do investidor nos lucros ou prejuízos do período, gerados pela investida após a aquisição. A participação do investidor no lucro ou prejuízo do período da investida deve ser reconhecida no resultado do período do investidor. As distribuições recebidas da investida reduzem o valor contábil do investimento (item 10). (Grifouse.) A participação de grupo econômico em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento, sendo que “quando empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, o lucro, deve ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro, após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis”, e que “esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais” (item 27). É reafirmado o princípio da primazia da realidade, cuja observância leva à eliminação dos resultados entre sociedades controladoras e controladas (item 27) e que a participação do investidor nos resultados resultantes das transações intragrupo deve ser eliminada (item 28). Convém notar que, embora com as resoluções CPC as demonstrações contábeis consolidadas tenham alcançado estado ímpar de importância, essas já eram previstas pela Resolução CFC nº 784, de 1995, a seguir transcrita: 2.1.2 Da soma ou da agregação de patrimônios Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1011 33 O Patrimônio da Entidade corolário de notável importância, notadamente pelas suas repercussões de natureza prática: as somas e agregações de patrimônios de diferentes Entidades não resultam em nova Entidade. Tal fato assume especial relevo por abranger as demonstrações contábeis consolidadas de Entidades pertencentes a um mesmo grupo econômico, isto é, de um conjunto de Entidades sob controle único. A razão básica é a de que as Entidades cujas demonstrações contábeis são consolidadas mantém sua autonomia patrimonial, pois seus Patrimônios permanecem de sua propriedade. Como não há transferência de propriedade, não pode haver formação de novo patrimônio, condição primeira da existência jurídica de uma Entidade. O segundo ponto a ser considerado é o de que a consolidação se refere às demonstrações contábeis, mantendose a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade no âmbito das Entidades consolidadas, resultando em uma unidade de natureza econômicocontábil, em que os qualificativos ressaltam os dois aspectos de maior relevo: o atributo de controle econômico e a fundamentação contábil da sua estruturação. Quanto à afirmação do recorrente de que capitalização dos lucros (societários) em bases desproporcionais, promovida pela Nova Pactual, era necessária para a distribuição dos resultados, volto a lembrar que para distribuir ou capitalizar lucros (societários), proporcionalmente ou não, é necessário que tais lucros tenham substrato econômico, não sejam meramente escriturais (Princípio da Primazia da Realidade). Em se tratando de subsunção a regras fiscais, o lucro, como visto, deve ter sido oferecido à tributação. Isso posto, entendo que houve aumento indevido do custo de aquisição das ações do Banco Pactual, por meio de prática de reconhecimentos de lucros escriturais, sem substrato econômico, advindos de contabilização manifestamente abusiva e contrária aos princípios da contabilidade e aos pronunciamentos técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e utilizandose de interpretação do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), que desborda de sua interpretação finalística e históricosistemática. Não se acolhe o argumento do recorrente de que o expurgo foi feito incorretamente, dada a distribuição desproporcional de lucros. A manutenção da capitalização da etapa que expressa o lucro tributado do Banco Pactual não pode ser entendida como incorreta. DOS DIFERENTES CRITÉRIOS NOS LANÇAMENTOS O recorrente afirma, por ocasião do recurso voluntário, que foram utilizados diferentes critérios nos lançamentos dos diversos acionistas do Banco Pactual. Tais critérios seriam os adotados: (1) “no Processo n° 12448.735832/201131, no qual o custo de aquisição dos investimentos foi apurado com base no valor do capital de PACTUAL (PSA) deduzido de uma parcela dos lucros do BANCO que teria sido posteriormente distribuída aos ACIONISTAS, o Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 34 custo dos investimentos do RECORRENTE seria de R$1.710.024,11, ou seja, mais de um milhão a mais do que o custo considerado no AUTO”; (2) “critério da RFB em São Paulo, que desconsiderou o efeito produzido pela capitalização de lucros em PARTICIPAÇÕES, o custo do RECORRENTE seria de R$1.992.294,00 (R$5.127.119,00 R$ 3.134.825,00); por outro lado, adotandose o critério utilizado pela RFB em Minas Gerais, que desconsiderou os efeitos da capitalização em PACTUAL, o custo dos investimentos do RECORRENTE seria de R$3.134.947,00 (R$5.127.119,00 R$1.992.172,00)”; Por ocasião de sua sustentação oral, o recorrente considerou a existência de mais um critério, específico ao presente processo, ou seja: (3) o cálculo do custo médio ponderado das ações. Como amplamente exposto no meu voto, considero correto o expurgo dos efeitos da capitalização na Nova Pactual e na Pactual S.A no custo de aquisição das ações do contribuinte. É exatamente o caso do presente processo, no qual houve a glosa dos “aumentos de custo de aquisição de R$3.134.825,00 e R$1.992.172,00 efetuados, respectivamente, nas holdings Nova Pactual participações Ltda. (doc. 7) e Pactual S.A. (docs. 14 e 15) (...) (Grifos no original.) (fl. 769, correspondente à fl. 40 do arquivo “.pdf” nominado de termo de verificação fiscal). Foi apurado, como visto, o custo de aquisição de R$593.384,36. Nos casos (1) e (2), citados pelo recorrente como exemplos de critérios diversos, houve sim, e, a meu juízo, por equívoco, a utilização de critérios mais benéficos para os respectivos contribuintes, uma vez que apenas foram expurgados os efeitos da capitalização na Nova Pactual ou na Pactual S.A. A utilização de expurgos em montante insuficiente em alguns processos, estranhos à presente lide, em nada favorece o contribuinte, já que, no presente caso, foi utilizado o critério correto. Quanto ao critério (3), cálculo do custo médio ponderado das ações, nada tem a ver com critério de fiscalização no lançamento, mas diz respeito ao cálculo do custo das ações, determinado pela legislação tributária (art. 16 da Lei 7713, de 1988 e do art. 16 da IN SRF 84, de 2001) em toda e qualquer aquisição de ações. De acordo com tais textos, “O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens” (§ 2º do art. 16 da Lei 7.713, de 1988). Ademais, a necessidade de os lucros serem tributados (bancos devem obrigatoriamente apurar o lucro real, por disposição do art. 14, II, da Lei 9718, de 1998) emerge do texto do § 3º do art. 16 da Lei 7.713, de 1988, que refere “No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário”. (Grifouse.) Vejamos o texto de tais normas. Lei 7.713, de 1988 Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1012 35 I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (Grifouse.) IN SRF 84, de 2001 Participações societárias Art. 16. Na hipótese de integralização de capital mediante a entrega de bens ou direitos, considerase custo de aquisição da participação adquirida o valor dos bens ou direitos transferidos, constante na Declaração de Ajuste Anual ou o seu valor de mercado. § 1o Se a transferência não se fizer pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. § 2o No caso de ações ou quotas recebidas em bonificação, em virtude de incorporação de lucros ou reservas ao capital social da pessoa jurídica, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. § 3o Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das ações ou Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 36 quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos. § 4o O custo médio ponderado de cada ação ou quota: I é igual ao resultado da divisão do valor total de aquisição das ações ou quotas em estoque pela quantidade total de ações ou quotas em estoque, inclusive bonificadas; II multiplicado pela quantidade de ações ou quotas alienadas, constitui o custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital; III multiplicado pelo número de ações ou quotas remanescente, constitui o valor do estoque desses títulos. § 5o A cada aquisição ou baixa devem ser ajustadas as quantidades em estoque e os custos total e médio ponderado, por espécie, das ações ou quotas. (Grifouse.) Sublinho que a apuração do custo médio das ações com base em seu valor corrente, na data de apuração, na forma dos dispositivos citados (art. 16 da Lei 7.713, de 1988 e art. 16 da IN SRF 84, de 2001) é determinação legal, constante no Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99), arts. 129 e 130 (citado no auto de infração), e, decorrentemente, utilizado pelo programa da Declaração de Ajuste Anual para o cálculo do ganho de capital (vide fl. 07). Gizo que, na forma do art. 16, § 4º, da Lei 7713, de 1988, é imprescindível quantificar o valor das ações recebidas pelos contribuintes, sob pena de ser igual a zero o valor do custo de aquisição a ser considerado. No presente caso o cálculo do custo de aquisição das ações se encontra à fl. 770. Assim, não é verídica a afirmativa de que no presente caso a fiscalização utilizou critério distinto de outros lançamentos no qual também ouve o mencionado expurgo dos efeitos da capitalização na Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual S.A. CONCLUSÕES Concluindo, considero correto o procedimento adotado de se expurgar os efeitos da capitalização na Nova Pactual e na Pactual S.A no custo de aquisição das ações do contribuinte. DA MULTA QUALIFICADA No tangente à multa qualificada, sua imposição é dependente da existência, por parte do contribuinte, do dolo de praticar a sonegação ou a fraude, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei 4.502, de 1964, em face da remissão efetuada pelo art. 44 da Lei 9.430, de 1996: Lei 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1013 37 (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ora, independentemente da configuração, ou não, de simulação na cadeia de operações de compra e venda do Banco Pactual à UBS AG, o contribuinte, detendo tão somente 0,65% das ações do Banco Pactual (termo de verificação fiscal, fls. 328 e 329), não poderia influenciar o modo como foi procedido o negócio. Se dolo houve, a justificar a imposição de multa qualificada, foi por parte de quem detinha o controle do Banco Pactual, e não por parte dos acionistas minoritários, que não podem decidir como se fará o negócio. Por esses motivos, entendo que a multa deve ser desqualificada, reduzida ao percentual de 75%. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE A MULTA O recorrente alega que é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Porém, o exame do demonstrativo de multa e juros de ora do auto de infração (fl. 1099) esclarece não haver incidência de juros sobre a multa, mas tão somente sobre o valor do imposto: por exemplo, no que tange ao período de apuração 12/2006, para o valor de imposto de R$690.006,98, foram aplicados juros de mora de 50,25%, os quais totalizaram R$346.728,51. No mesmo período, a multa de ofício totalizou R$1.035.010,47. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 38 Assim, se juros de mora forem tomar como base a multa de ofício, tal será evento futuro e incerto. Porém, o Carf, que não é órgão consultivo, não possui competência para se manifestar sobre eventuais incidentes de liquidação de crédito tributário que possam ocorrer futuramente. De acordo com o art. 25, II, do Decreto 70.235, de 1972, compete ao Carf o julgamento de processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) No mesmo sentido, o art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), que define que a sua competência se limita ao “julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)” Ora, se até o momento do julgamento não estão sendo exigidos juros sobre a multa de ofício, o pedido transborda do limite objetivo que pode ser conhecido por este órgão julgador. Caso os colegas pensem diferentemente, ou seja, que a matéria encontrase dentro da competência deste CARF e, portanto, deva ser conhecida, passo a análise do mérito. Não assiste razão ao recorrente. Para o deslinde da questão, devese discernir os conceitos de tributo e de crédito tributário veiculados no Código Tributário Nacional (CTN). Tributo é definido em seu art. 3°: Art. 3°. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Por sua vez, os artigos 113, § 1°, 139 e 142 do CTN dispõem sobre o crédito tributário: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1014 39 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (Grifouse.) Assim, a multa, apesar de não ser tributo, integra o crédito tributário e, em vista desse fato, se subsume ao tratamento dispensado ao crédito tributário pelo CTN. O art. 161 do CTN estabelece que, ao crédito tributário não pago no vencimento, devem ser acrescidos os juros moratórios à taxa disposta em lei ou, em sua falta, à taxa de um por cento ao mês:: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse.) Assim, ao contrário do que alega o interessado, o CTN determina a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” esclarece que a imposição de juros e de multa não são excludentes entre si. A previsão legal da incidência de juros sobre as multas de ofício constou nas Leis 9.430, de 1996 e 10.522, de 2002, que disciplinaram o assunto de maneira diversa ao que acontecia até então. Vejamos, inicialmente, o que diz o § 3° do art. 61 da Lei 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por sua vez, os arts. 29 e 30 da Lei 10.522, de 2002, resultante da conversão da Medida Provisória 162131, de 1998 (reedição da Medida Provisória 154217, de 18 de dezembro de 1996, arts. 25 e 26), dispõem: Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 40 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (...) Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. A multa de ofício proporcional, lançada em função de infração à legislação tributária de que resulta falta de pagamento de tributo, é débito decorrente de tributos e contribuições, estando a eles vinculada. Logo, as expressões “débitos decorrentes de tributos e contribuições” e “débitos de qualquer natureza”, utilizadas, respectivamente, nas Leis 9.430/1996 e 10.522/2002, incluem a multa de ofício. Também tratam especificadamente do assunto, determinando a cobrança de juros sobre a multa, os pareceres MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28, de 1998 e PGFN/CAT nº 1834, de 2013: Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Parecer PGFN/CAT nº 1834, de 2013 21. Por todo o exposto, respondendo à consulta apresentada pela ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional da 3ª Região, por meio da Consulta Interna identificada pelo nº. 20138000CI00002, que veicula questionamentos a respeito da incidência de juros de mora sobre créditos tributários resultantes de multa de ofício aplicada pela RFB, referentes a fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, entendemos, salvo melhor juízo, que há incidência dos mencionados juros de mora sobre as multas de ofício, seja por aplicação do § 1º do artigo 161 do CTN, seja por determinação de norma legal específica, o que se resume nas seguintes situações: Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 2301004.478 S2C3T1 Fl. 1015 41 a) para a hipótese de haver créditos ainda não inscritos em dívida ativa (sob administração da RFB), decorrentes de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, em razão da ausência de lei específica, incidirá a norma geral prevista no § 1º do artigo 161 do CTN, aplicandose o índice de 1% ao mês; b) para os créditos inscritos em dívida ativa da União (sob administração da PGFN), aplicase a taxa SELIC a partir de 31 de agosto de 1995, data de início da vigência do § 8º, inserido no artigo 84 da Lei nº. 8.981, de 1995, por determinação do artigo 16 da MP nº. 1.110, de 1995, objeto de sucessivas reedições e confirmado pelo artigo 17 da Lei nº. 10.522, de 2002; e c) para os créditos inscritos em dívida ativa da União, referentes a fatos geradores ocorridos entre 1 de janeiro e 30 de agosto de 1995, por ausência de norma legal específica, aplica se o índice de 1% ao mês, com base no § 1º do artigo 161 do CTN. Também nesse sentido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 2ª Seção do Carf: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.700) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. (Nº Acórdão 9101000.539) MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. A multa de oficio aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. No mesmo sentido, o art. 61, § 3° da Lei n°9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a titulo de juros moratórios. Além do mais, o referido artigo ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa, posto que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Portanto, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de oficio exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997. (Nº Acórdão 2201001.399) Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 42 JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. (Nº Acórdão 2202002.731) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o "crédito" a que se refere o caput do artigo. (Nº Acórdão 2401003.810) Voto, portanto, por rejeitar as preliminares e no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, cancelando a multa qualificada. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10410.724328/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, aqui inclusas aquelas incorporadas ao patrimônio do contribuinte através do efetivo recebimento de direitos creditórios passíveis de gerar benefícios econômicos futuros.
INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração a menor.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, a) Quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a multa de ofício para a infração de não tributação do ganho de capital, lançada para o ano-calendário de 2006; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada).
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, aqui inclusas aquelas incorporadas ao patrimônio do contribuinte através do efetivo recebimento de direitos creditórios passíveis de gerar benefícios econômicos futuros. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração a menor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 43 28 /2 01 1- 16 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 473 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, a) Quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a multa de ofício para a infração de não tributação do ganho de capital, lançada para o anocalendário de 2006; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 1.781.636,94, os quais, quando acrescidos de multa de ofício e juros de mora, perfaziam, em novembro de 2011, um crédito tributário total de R$ 4.478.256,65. O feito, desde o início da ação fiscal até a protocolização da impugnação ao auto de infração, encontrase perfeitamente relatado pela autoridade julgadora de 1a, instância, adotandose, no âmbito do presente relatório, o excerto seguinte de efls 421 a 423, ipsis litteris: "(...) 2.A ação fiscal foi iniciada por meio do termo início de fiscalização de fls. 68 a 69, recepcionado em 09/02/2011 conforme aviso de recebimento de fls. 70. Por meio do referido termo foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, em relação aos anoscalendário de 2006 e de 2007, documentação referente à alienação e aquisição de imóveis, bem como os extratos bancários em que houve, no período, movimentação financeira. 3. Por meio da carta resposta de fls. 71 a 73 o contribuinte apresentou, em 25/02/2011, os documentos de fls. 74 a 84, solicitando prorrogação de prazo para fornecer documentação relativa à Fazenda Boa Vitória. Quando aos extratos bancários, entendeu não estar obrigado a apresentálos à fiscalização. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 474 3 4. O contribuinte foi cientificado da continuidade da ação fiscal conforme termo de fls. 85 e aviso de recebimento de fls. 86. Nova intimação foi encaminhada ao contribuinte (fls.87), recepcionada em 08/08/2011 (fls. 88), para reiteração das solicitações ainda não atendidas, sem êxito. 5. A fiscalização obteve por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 89) a escritura de fls. 90 a 91. 6. Foram emitidas então as requisições de informações sobre movimentação financeira de nº 0440100.2011.000284 e nº 0440100.2011.000365, para obtenção dos documentos de fls. 92 a 99 e de fls. 100 a 184. 7. De posse dos referidos extratos a fiscalização elaborou planilha contendo os valores creditados na conta corrente nº 39470 da agência 08249 do Banco do Brasil, de titularidade do contribuinte, nos anoscalendário de 2006 e de 2007, encaminhandoa para fins de comprovação das origens dos recursos conforme termo de intimação de fls. 185 a 190, recepcionado em 13/10/2011 (fls. 191). 8. Em atendimento, foi solicitada prorrogação de prazo, conforme fls. 192. Não houve nova manifestação por parte do contribuinte, tendo transcorrido o prazo adicional concedido. 9.A autoridade fiscal, então, lavrou o auto de infração, em virtude de terem sido constatadas as seguintes infrações à legislação tributária, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 29 a 31 e relatório fiscal de fls. 4 a 28: 9.1 – omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada (omissão no valor de R$ 2.739.827,03, fato gerador em 31/12/2006 e omissão no valor de R$ 2.748.341,05, fato gerador em 31/12/2007). Foi aplicada multa agravada no percentual de 112,50% sobre esta infração; 9.2 – ganhos de capital na alienação de bens e direitos (ganhos de capital omitidos de janeiro a dezembro de 2006 e de janeiro a dezembro de 2007, nos valores indicados às fls. 30 e 31). 10. Foi elaborada representação fiscal para fins penais, Processo nº 10410.724330/201187 (fls. 200). 11.Ciência do lançamento em 02/12/2011 conforme aviso de recebimento de fls. 195. 12.Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou em 29/12/2011 a impugnação de fls. 203 a 208, juntamente com os documentos de fls. 209 a 213, de fls. 260 a 369 e de fls. 393 a 396, anexando cópias do auto de infração e do relatório fiscal (fls. 214 a 259) e de suas declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2006 e de 2007 (fls. 370 a 392), alegando em síntese: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 475 4 12.1 – que não apresentou a documentação requerida pela fiscalização no curso da ação fiscal em razão das dificuldades encontradas para sua obtenção junto à instituição financeira. Que, nesse sentido, solicita o acolhimento dos documentos anexados à impugnação como previsto no §4º do art. 57 do Decreto nº 7.574/11; 12.2 – que as origens dos recursos depositados na conta bancárias podem ser comprovadas por meio da documentação anexada: (i) cédula de produto rural financeira do Banco do Brasil (anexo 02); (ii) termo de cessão de crédito/borderô de desconto do Banco Santander (anexo 03); (iii) recebimentos por conta de fornecimento de cana de açúcar da Usina Caeté S/A (anexo 04); (iv) operação de desconto de nota promissória rural no Banco do Brasil (anexo 05); (v) recebimentos por conta da venda da Fazenda Vitória, antiga Flor do Bosque (anexo 06); 12.3 – que, relativamente aos ganhos de capital: (i) o valor de R$ 1.250.000,00 referente a créditos de IPI a receber da Usina Clotilde S/A em 16/06/2006 ainda não foi efetivamente recebido. Que referido crédito foi utilizado para compensação de imposto de renda devido sobre ganhos de capital de períodos anteriores, conforme processos nº 10410.005395/199963 (anexo 07) e nº 10410.005395/199963. Que referida compensação não foi acatada pela Receita Federal, razão pela qual o débito foi inscrito em dívida ativa da União sob nº 43.1.02.00014585, atualmente com exigibilidade suspensa em razão do parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 (anexo 08). Que, enfim, a Usina Clotilde S/A se encontra ainda hoje inadimplente em relação ao valor pago através do crédito de IPI; (ii) os valores apurados a título de ganhos de capital foram devidamente informados nas respectivas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2006 e de 2007, não cabendo sobre eles lançamento de ofício por se tratar de imposto já declarado (anexo 09). Que parte do referido débito foi incluído no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 (anexo 10); (iii) os valores recebidos em razão da alienação da Fazenda Boa Vitória (anexo 11) foram depositados na conta corrente nº 39470, agência 08249 do Banco do Brasil, tendo sido objeto de tributação em duplicidade, por omissão de ganho de capital e por omissão de rendimentos decorrentes de depósitos de origem não comprovada; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 476 5 12.4 – que requer seja desconsiderada a relação de bens e direitos para arrolamento em consonância com a ADIn nº 1.9767 e em razão da revogação do §2º do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972; 12.5 – por fim, pede ser reconhecida a nulidade do auto de infração e a extinção do presente processo. (...)" A análise da impugnação pela autoridade julgadora de 1a. instância, consubstanciada no Acórdão DRJ/REC 1136.697 (efls. 419 a 447) pode ser assim resumida: (i) Quanto à solicitação para apresentar documentos atendida, na forma de efls. 423 e 424 do Acórdão. (ii) Quanto ao argumento de nulidade do auto de infração Rejeitada a alegação da defesa, na forma de efls. 424 e 425 do vergastado. (iii) Quanto à omissão de ganhos de capital Ainda que tenha concluído pela ocorrência da disponibilidade jurídica do valor impugnado de R$ 1.250.000,00 (itens 23 a 25 do Acórdão de efls. 426 a 429), acedeuse aqui parcialmente a argumentação da contribuinte, no sentido de: (iii.1) acatar a forma de recebimento das parcelas mensais (constantes do item IV do contrato à efl. 79) declarada pelo contribuinte para o anocalendário de 2006 (efls. 409) em detrimento da distribuição de valores recebidos realizada pela autoridade fiscal na forma de efl. 23, sem motivação outra que não a distribuição uniforme ao longo do número de parcelas mensais no anocalendário (doze). Ainda, mesmo considerando que os valores do imposto sobre o referido ganho não tenham sido declarados, optou a autoridade julgadora de 1a. instância por manter somente a aplicação da multa de mora às parcelas recebidas neste ano calendário de 2006. Quanto à parcela de R$ 1.250.000,00 anteriormente citada, optouse por manter a incidência da multa de ofício, por se considerar tratarse de ganho de capital não declarado (item 27 do Acórdão de efls. 429 a 431). (iii.2) Ainda quanto às parcelas mensais constantes do item IV de efl. 79, afastar a tributação dos valores de imposto apurado nos meses de janeiro a dezembro de 2007, visto que constantes de parcelamento no âmbito do PAEX, consoante demonstrativo de efl. 418 (item 28 do Acórdão de efls. 431/432). (iv) Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada: (iv.1) Afastouse, inicialmente o agravamento da multa de ofício, restabelecida ao patamar de 75% (item 31 do Acórdão de efls. 432/433). (iv.2) Posteriormente, a partir da análise de parte da documentação anexada à impugnação do contribuinte (mais especificamente, efls. 329 a 360), foram considerados como efetivamente comprovados, os montantes constantes das TEDs listadas em quadros de efls. 435 a 437, realizadas por Unibom União Distribuidora de Alimentos Ltda., CNPJ Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 477 6 35.629.492/000163, entendidas como devidamente respaldadas pelo contrato de promessa de compra e venda de efl. 79 (vide item 33 do Acórdão de efls. 433 a 438). Excluiuse, assim do montante objeto de tributação, um total de R$ 250.000,00 para o anocalendário de 2006 (vide efl. 436) e R$ 45.000,00 para o anocalendário de 2007 (vide efl. 437). (iv.3) Quanto à documentação acostada que se referia a alegação de exercício de atividade rural (efls. 260 a 328) foram considerados comprovados os depósitos oriundos das cédulas de produto rural financeira de efls. 261 a 271, resultando em uma exclusão, quanto à matéria de R$ 107.469,14 para o anocalendário de 2006 e R$ 230.627,27 para o ano calendário de 2007. Rejeitadas a suficiência, para fins de comprovação, dos elementos trazidos que justificariam alguns dos outro depósitos objeto de tributação, alegadamente oriundos de: a) termo de cessão de crédito/borderô de desconto do Banco Santander (item 37 do Acórdão de e fls. 440 a 443); (b) recebimentos por conta de fornecimento de cana de açúcar da Usina Caeté S/A (item 38 do Acórdão de efls. 442/443);(c) operação de desconto de nota promissória rural no Banco do Brasil (item 39 do Acórdão de efls. 443/444); Por fim, reconheceuse a incompetência da autoridade julgadora de piso para manifestação acerca do pleito do impugnante relacionado ao arrolamento de bens e direitos. Caracterizada, na forma dos itens (i) a (iv) supra, exoneração superior a R$ 1.000.000,00, submeteu a DRJ de origem a este órgão julgador Recurso de Ofício, consoante disposição constante do art. 34, I do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Por sua vez, cientificado do Acórdão em 30/05/2012 (efl. 460) e Inconformado com a decisão de 1a. instância, protocolizou o autuado Recurso Voluntário de e fls. 461 a 468, onde: a) Retoma a argumentação já trazida, em sede de impugnação quanto a não ter havido disponibilidade jurídica dos R$ 1.250.000,00 recebidos como parte do pagamento pela venda da Fazenda Boa Vitória, a partir da negativa, pela RFB, da utilização para fins de compensação do referido valor; b) Alega, na forma de efl. 464, estar anexando documentos que comprovariam a origem de depósitos adicionais, originariamente tributados durante o ano calendário de 2007 a título de omissão de rendimentos por falta de comprovação de origem, no valor de R$ 440.000,00. Alega, ali, que comprovaria, através de um anexo, que tais recursos também seriam oriundos da alienação da Fazenda Boa Vitória. Assim, requer a exclusão, do montante lançado, de tais valores; c) Quanto ao não acatamento da comprovação de depósitos bancários através da documentação de efls. 272 a 313 (cessão de créditos do Banco Santander S/A) e de efl. 328 (nota promissória rural NPR do Banco do Brasil), insurgese contra a trbutação dos montantes envolvidos através do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, alegando se tratarem de descontos, de antecipação de recebimento, não configuráveis como rendimento tributável. Alega, ainda, ter anexado prova da devolução do valor da NPR ao Banco do Brasil em 21/03/12, bem como já haver anexado a documentação bancária da mesma no DOC 05 anteriormente, em anexo à impugnação. Pugna, assim, pela correção das distorções apontadas. Encaminhamse, assim os autos para apreciação desta turma julgadora. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 478 7 É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR , Relator 1. Do Recurso de Ofício O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, em especial quanto ao limite de alçada, motivo pelo qual dele conheço. Quanto às exonerações efetuadas no âmbito do Acórdão, tenho a observar o que se segue: a) Quanto ao ganho de capital auferido decorrente da alienação da Fazenda Boa Vitória, entendo por escorreita a aceitação, pela autoridade julgadora de 1a. instância, da distribuição de recebimento de parcelas mensais componentes do ganho de capital constante de efl. 409/410, em detrimento da distribuição de recebimentos, arbitrada pela autoridade fiscal, de forma uniforme ao longo do número de parcelas mensais existentes durante o ano calendário, sem outra justificativa (efl. 23). Nego, assim, provimento ao Recurso de Ofício quanto a esta matéria (item 27 do recorrido); b) Ainda, quanto ao mesmo ganho de capital, sem reparo a exoneração realizada no que diz respeito às parcelas mensais recebidas durante o anocalendário de 2007 (itens 28 e 29 do Acórdão recorrido), considerandose aqui o estabelecido de forma expressa pelo art. 5o. da Lei 11.941, de 2009 expressis verbis: "(...) Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos (g.n.) em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348,353e354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973– Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. (Vide Lei nº 12.865, de 2013)(Vide Lei nº 13.043, de 2014) (...)" Assim, devidamente confessados os débitos da infração em questão para o anocalendário de 2007, qual seja, a não tributação do ganho de capital decorrente da alienação da Fazenda Boa Vitória (efls. 393 a 396), indevida a constituição de ofício do crédito tributário decorrente dos referidos débitos no referido ano calendário, também aqui se negando provimento ao recurso de ofício quanto à matéria em questão. c) Todavia, ainda tratando da exoneração relacionada ao ganho de capital auferido quando da alienação da Fazenda Boa Vitória, com a devida vênia à autoridade julgadora de 1a. instância, divirjo da aplicação da multa de mora (e não da multa de ofício Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 479 8 originariamente lançada) aos débitos decorrentes do recebimento de parcelas mensais durante o anocalendário de 2006 ali mantidos. Notese, a propósito, que a própria autoridade de piso reconhece se tratarem, no caso, de débitos os quais, ainda que constantes da DIRPF do contribuinte, encontravamse não constituídos e não confessados quando da realização da ação fiscal, conforme se depreende do seguinte excerto de efl. 430 (item 27.4 do Acórdão guerreado): "(...) 27.4 Do exame dos valores contidos no sistema conta corrente/GUIA VIC de fls. 418 verificase que, apesar de informados no demonstrativo de apuração dos ganhos de capital, os valores de imposto sobre os referidos ganhos não foram declarados como devedores, de modo que os respectivos créditos tributários não foram constituídos por meio da apresentação da declaração de ajuste anual do anocalendário de 2006 nem tampouco foram pagos. (g.n.)". Desta forma, de se dar provimento ao Recurso de Ofício nesta seara, para restabelecer a multa de ofício sobre os valores oriundos de parcelas mensais recebidas durante o anocalendário de 2006, decorrentes da alienação da Fazenda Boa Vitória a Usina Santa Clotilde, devendo o quadro de efl. 447448 ser substituído pelo a seguir: Mês Valor Recebido % do Ganho Ganho de Capital Imposto Devido Multa de Ofício 75% jan/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 fev/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 mar/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 abr/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 mai/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 jun/06 R$ 1.250.000,00 67,28 R$ 841.000,00 R$ 126.150,00 R$ 94.612,50 jun/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 jul/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 ago/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 set/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 out/06 R$ 110.000,00 67,28 R$ 74.008,00 R$ 11.101,20 R$ 8.325,90 nov/06 R$ 110.000,00 67,28 R$ 74.008,00 R$ 11.101,20 R$ 8.325,90 dez/06 R$ 110.000,00 67,28 R$ 74.008,00 R$ 11.101,20 R$ 8.325,90 Total R$ 209.409,00 R$ 157.056,75 d) Quanto à exoneração proposta decorrente da comprovação, em sede impugnatória, de depósitos originariamente tributados como omissão de rendimentos por falta de comprovação, ao examinar os elementos de efls. 14 a 17, as transferências de efls. 329 a 360 e, ainda, a figuração como interveniente pagadora de Unibom União Distribuidora de Alimentos no contrato de efls. 78 e ss., comungo da conclusão de estarem devidamente comprovados os montantes de R$ 250.000,00 para o anocalendário de 2006 e R$ 45.000,00 para o anocalendário de 2007 (quadros de efls. 436/437), devendo assim tais valores ser excluídos da tributação. Sem reparo, ainda, a exoneração efetuada decorrente da apresentação de Cédulas de Produto Rural Financeira (CPRs) como elemento comprobatório de créditos Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 480 9 originariamente tributados como oriundos de empréstimos (financiamento à produção rural), consoante documentação de efls. 260 a 271, no montante total de R$ 107.469,14 para o ano calendário de 2006 e R$ 230.627,27 para o anocalendário de 2007. Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício quanto a tais exonerações de principal, perpretadas pelo vergastado. e) Finalmente, quanto á redução da multa de ofício, originariamente agravada para o percentual de 112,5% para a infração de depósitos bancários de origem não comprovada, tenho a observar o que se segue: Já me posicionei, em outros feitos, é verdade, no sentido de que a existência de lapso temporal relevante, sem que tivessem sido prestados: a) tempestivamente e em sua totalidade, os esclarecimentos solicitados pela autoridade tributária, ou, alternativamente, b) sem que tivesse, ao menos, sido concedido prazo adicional para tal, mediante justificativa aceita para a não prestação ou prestação de esclarecimentos incompletos no tempo determinado, configuraria hipótese de caracterização da multa majorada instituída pelo §2o. do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Todavia, entendo a propósito, que, no caso em questão, o curtíssimo intervalo de tempo decorrido entre o encerramento do prazo de prorrogação solicitado pelo contribuinte para o atendimento da intimação que justificou o agravamento (23/11/11) e a lavratura do relatório de ação fiscal (30/11/11), ou seja, meros 07 dias, conjugado com os atendimentos de efls. 71 a 84, impede tal caracterização, justificandose, assim, a redução perpretada pela autoridade julgadora de 1a. instância, para o percentual de 75%, assim também nego provimento ao Recurso de Ofício quanto a esta matéria. Assim, diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso de Ofício da autoridade julgadora de 1a. instância, a fim de que seja restabelecida a multa de ofício para a infração de não tributação do ganho de capital decorrente da alienação da Fazenda Boa Vitória, para o anocalendário de 2006, na forma do quadro abaixo.: Mês Valor Recebido % do Ganho Ganho de Capital Imposto Devido Multa de Ofício 75% jan/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 fev/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 mar/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 abr/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 mai/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 jun/06 R$ 1.250.000,00 67,28 R$ 841.000,00 R$ 126.150,00 R$ 94.612,50 jun/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 jul/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 ago/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 set/06 R$ 55.000,00 67,28 R$ 37.004,00 R$ 5.550,60 R$ 4.162,95 out/06 R$ 110.000,00 67,28 R$ 74.008,00 R$ 11.101,20 R$ 8.325,90 nov/06 R$ 110.000,00 67,28 R$ 74.008,00 R$ 11.101,20 R$ 8.325,90 dez/06 R$ 110.000,00 67,28 R$ 74.008,00 R$ 11.101,20 R$ 8.325,90 Total R$ 209.409,00 R$ 157.056,75 2. Do Recurso Voluntário: O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, em especial quanto a sua tempestividade, visto que protocolizado em 29/06/2012, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 481 10 Analiso os quesitos na ordem em que apresentados pelo contribuinte 2.1 Quanto à disponibilidade jurídica do valor de R$ 1.250.000,00, recebidos a título de créditos de IPI: Entendo, em linha com o argumento da autoridade de piso, se estar diante de montante juridicamente disponível ao contribuinte, mais especificamente aqui, de direito creditório incorporado ao patrimônio do autuado em 16/06/2006, quando se desincumbiu o recorrente da obrigação de transferência da Fazenda Boa Vitória à Usina Santa Clotilde, na forma de contrato de efls. 78 e ss.. Notese que, neste instante, entendese que se tinha como provável o auferimento de benefícios econômicos pelo contribuinte oriundos de tais direitos creditórios (repitase, já juridicamente disponíveis ao autuado), daí, em meu entendimento, escorreito se considerar como rendimento, também no que diz respeito a esta parcela, o acréscimo patrimonial decorrente do ganho de capital oriundo da Fazenda Boa Vitória, ocorrido assim na referida data. O que se tem, quando do posterior não reconhecimento pela RFB do referido creditório, é tão somente a desincorporação do patrimônio do contribuinte do referido direito creditório, irrelevante para fins da presente autuação. Assim, com base no acima disposto, nego provimento ao Recurso do contribuinte quanto a este item. 2.2 Quanto á comprovação adicional de depósitos oriundos da venda da Fazenda Boa Vitória através de anexo: Ainda que mencione o contribuinte, em seu pleito recursal, que estaria anexando, então, documentos que permitiriam comprovar que os pagamentos listados em quadro de efl. 464 (objeto de depósitos tributados por havidos como não comprovados), estariam vinculados à venda da Fazenda Boa Vitória, noto não haver, nos autos, qualquer anexo ao pleito recursal do contribuinte vinculado a tais pagamentos. Assim, diante da ausência de produção de novas provas, de se negar o Recurso Voluntário do contribuinte nesta matéria. 2.3 Quanto à tributação dos valores supostamente comprovados através de elementos de efls. 272 a 313 e 328: A propósito, devese esclarecer que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Diz o referido texto legal, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 481DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 482 11 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizá los como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 483 12 Caberia ao autuado, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” No caso em questão, em observância estrita às normas legais pertinentes, a autoridade julgadora de 1a. instância, após analisar os elementos carreados aos autos, buscou a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias, conforme alegação do contribuinte de se tratarem de receitas originárias de descontos de títulos originados da atividade rural e diretamente auferidos pelo exercício desta atividade (itens 37 e 39 do Acórdão guerreado, respectivamente às efls. 440 a 442 e 443/444). Entretanto, o contribuinte não carreou aos autos nenhum documento hábil que demonstrasse a origem dos depósitos efetuados, entendendose como origem a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento (diferentemente das CPRs, que são instrumentos de financiamento cujo lastro, somente, é a safra rural), ou seja, nenhum documento que pudesse demonstrar a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Tudo deveria ter sido feito através de documentação hábil e idônea que comprovasse o alegado pelo contribuinte intimado. Assim, no caso das supostas cessões de crédito, alinhome ao entendimento da autoridade julgadora de piso, no sentido de que seria necessária documentação adicional, de forma a que se comprovasse a natureza da receita da operação geradora dos recebíveis (tais como notas fiscais emitidas junto à Usina Caeté), sendo certo que a documentação de efls. 272 a 313 não permite identificar a natureza do recebimento ocorrido através do desconto antecipado de recebíveis, ou seja, a natureza dos rendimentos que originaram tais recebíveis, posteriormente possibilitando seu desconto. Assim, não comprovada a origem (abrangendo a natureza) dos depósitos originados dos descontos de efls. 272 a 313, perfeita a sua consideração como rendimentos omitidos, com fundamento no disposto no art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, negandose provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte nesta seara. A mesma conclusão quanto à insuficiência para fins de comprovação da origem de depósitos se aplica à documentação de efl. 328, devendose ressaltar, aqui, que, além de não se tratar de elemento suficientemente hábil para que se identifique a natureza da Fl. 483DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10410.724328/201116 Acórdão n.º 2201002.771 S2C2T1 Fl. 484 13 receita geradora do recebimento (depósito), notase que, contrariamente ao afirmado pelo contribuinte em seu recurso: a) O anexo encaminhado em sede recursal referente à eventual quitação da referida NPR no ano de 2002 (efl. 468) em nada ajuda a comprovar a origem (inclusa a natureza) da operação que deu origem à NPR e b) o DOC 05 anexo a impugnação (anexo 05 na forma referida pelo contribuinte) se limita à documento emitido pela Usina Caeté S/A, não se tratando de documentação bancária. Assim, de se negar, também aqui nesta seara, provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 16832.000086/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se à distribuição in natura ou, no caso de fornecimento em ticket, à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário devido a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida pela empresa, nos termos do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035, advogado do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Graziela Parisoto, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Fatos Geradores Recorrente ANDRÔMEDA CONSULTORIA TÉCNICA E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se à distribuição in natura ou, no caso de fornecimento em ticket, à hipótese de inscrição no PAT. A “alimentação” fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário devido a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida pela empresa, nos termos do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035, advogado do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 86 /2 01 0- 06 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Graziela Parisoto, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 16832.000086/201006 Acórdão n.º 2302003.680 S2C3T2 Fl. 307 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 260 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.215.3461), lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma ter apresentado GFIP com omissão dos fatos geradores referentes aos salários in natura pagos aos empregados que lhes prestaram serviços, referentes às competências 02/2005, 04 a 09/2005 e 11 e 12/2005 o que caracteriza a infração prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, inciso IV, parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 2. Em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa de R$ 253.942,20, prevista nos art. 32, parágrafo 5o da Lei 8.212/91 e artigo 284, II, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, não cabendo neste caso a aplicação das circunstâncias agravantes previstas, no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 3. Nos Relatórios Fiscais, de fls. 71/75, a fiscalização informou, em síntese, que: 3.1. O fato gerador do lançamento foi o fornecimento de alimentação aos empregados da autuada sem a necessária inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador; 3.2. Realizou a comparação das multas previstas nos artigos 35, II e 32, IV, parágrafo quinto da Lei 8.212/91, vigentes à época dos fatos geradores, com a multa do artigo 35A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/09, aplicando neste auto a penalidade resultante do somatório das multas mais benéficas ao contribuinte em cada competência, na forma da planilha de fls. 74; 3.3. Nas competências 01, 03 e 10/2005 foi aplicada a multa do artigo 35 A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/09, por ter se mostrado mais benéfica ao contribuinte. 4. A Impugnante inconformada com a autuação apresentou defesa tempestiva, de fls. 77/92 (...) (...) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 277 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * nulidade por arbitramento da base de cálculo sem previsão legal; * ilegitimidade passiva da recorrente; * decadência parcial * alimentação in natura não é remuneração, mormente quando amparada por acordo coletivo; * incidência da hipótese contida no art. 28, § 9°, m, da Lei n° 8.212/91, sendo a convenção coletiva prova da sua ocorrência; * retroatividade benigna. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 16832.000086/201006 Acórdão n.º 2302003.680 S2C3T2 Fl. 308 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Alimentação in natura. O lançamento referese, exclusivamente à autuação por ter deixado a recorrente de declarar em GFIP os valores correspondentes à alimentação fornecida in natura aos segurados. Como o entendimento exposto por este Relator será pelo provimento no mérito do Recurso Voluntário, deixo de apreciar as preliminares invocadas e mesmo as demais questões atinentes indiretamente ao mérito, como o equívoco da base de cálculo. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Assim, a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese à distribuição in natura ou, no caso de fornecimento em ticket, à hipótese de inscrição no PAT. A “alimentação” fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, portanto, a despeito da ausência de inscrição no PAT, entendo que o lançamento não merece prosperar tendo em vista que se refere à alimentação distribuída in natura. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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