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Numero do processo: 10675.720022/2015-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 19/04/2014
IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585-I DO DECRETO 7212/2010.
Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõe-se amanutenção da multa regulamentar aplicada.
Numero da decisão: 3001-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
ORLANDO RUTIGLIANI BERRI - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Pereira da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente TAUAN DE OLIVEIRA NAVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/04/2014 IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010. Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõese amanutenção da multa regulamentar aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ORLANDO RUTIGLIANI BERRI Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Pereira da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 00 22 /2 01 5- 03 Fl. 310DF CARF MF 2 Relatório Em 06.01.2015, Auditor Fiscal da Receita Federal lavrou Termo de Constatação (fls. 1114), no qual registrou que em 17.09.2014, a Receita Federal do Brasil deflagrou operação de repressão ao contrabando e descaminho em diversos estabelecimentos varejistas onde se comercializam relógios de pulso. Na ocasião, identificouse a existência de 225 (duzentos e vinte e cinco) unidades, sem o selo de controle do IPI, expostos à venda no estabelecimento da empresa TAUAN NAVES RELOGIOS E ACESSORIOS. Intimado para apresentar documentação fiscal, o Contribuinte apresentou as DANFE´s de saída 0831, 0827, 0816, 0799, 0794, 0792, 0786, 0768, 0757 e 0750, e também osextrados da DI´s 13/22173747, 14/15701590, 14/05517532, 14/13912151 e 14/10578072 (e suasrespectivas DANFE´s de entrada). No mesmo Termo de Constatação, diante daausência de selos de controle do IPI, o Auditor Fiscal propôs 04 (quatro) medidas, cada uma resultou em um número de auto de infração distinto, a saber: 10675.720023/201540 (perdimento de mercadorias) 10675.720023/201503 (multa) 10675.723236/201442 (representação fiscal para fins penais) 10675.720021/201551 (representação fiscal para exclusão do Simples) Os presentes autos versam sobre o segundo auto de infração acima relacionado e destacado em negrito, o de nº 10675.720023/201503, que trata sobre da aplicação de multa administrativa, capitulada no art. 585, I, do Decreto 7212/2010, pela exposição de mercadorias à venda desprovidas do selo de controlo do IPI, no valor de R$ 7.893,00 (fls. 7595. O Contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, fls. 97101. Afirma que os selos foram afixados com cola bastão, antes do desembaraço aduaneiro, que se perderam durante o transporte. Com base no art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 030/1999, sustenta a possibilidade de regularização e transcreve jurisprudência. Em outra linha de defesa, argumenta que apresentação de notas finais e comprovante de recolhimento dos tributos são suficientes para demonstrar a legalidade da importação e transcreve jurisprudência. Ao final requer a procedência da impugnação para “regularizar a ausência formal de aposição dos selos do IPI na mercadoria apreendida”. Reanexa cópia do auto de infração, bem como dos documentos fiscais apresentados aos Auditores no início do procedimento de apuração (fls. 103267). A Quarta Turma de Julgamento da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, para julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário lançado de ofício. Eis a reprodução da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/04/2014 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10675.720022/201503 Acórdão n.º 3001000.525 S3C0T1 Fl. 3 3 MULTA REGULAMENTAR. EXPOSIÇÃO À VENDA DE PRODUTOSSEM OS SELOS DE CONTROLE DEVIDOS. Venda, posse ou exposição à venda de produtos sujeitos ao selo decontrole (relógios) sem o referido selo, sujeita o detentor à multaregulamentar igual ao valor comercial dos produtos encontrados emsituação irregular. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Como fundamento do acórdão, a Quarta Turma aduziu o seguinte: (i) com lastro no art. 146, III, “b”, da Constituição da República, art. 46 da Lei 4.502/1964, IN SRF nº 30 de 01.03.1999, revogada pela IN RFB nº 1.539 de 26.12.2014, art. 113, § 3º, do CTN, arts. 284, 285, 327, 585, I, do Regulamento do IPI/2010, dentre outros, conclui pela adequação da multa imposta, dado que o Contribuinte não negou a ausência de selo de controle do IPI; e (ii) a possibilidade de regularização não afasta a obrigação de cumprir a exigência e destaca ainda que a Instrução Normativa RFB nº 1539/2014, vigente a partir de 01.01.2015, não mais prevê essa forma de regularização (fls. 282288). Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR expedido dia 10.03.2017(fl. 292) e recebido pelo sujeito passivo no dia 16 (fls. 291), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário de fls. 301306, em 07.04.2017 (fls. 299300). Alega em síntese: 1Repete, de modo idêntico, as alegações tecidas na Impugnação, isto é, afirma que os selos foram afixados com cola bastão, antes do desembaraço aduaneiro, que se perderam durante o transporte. Com base no art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 030/1999, sustenta a possibilidade de regularização e transcreve jurisprudência. Em outra linha de defesa, argumenta que apresentação de notas finais e comprovante de recolhimento dos tributos são suficientes para demonstrar a legalidade da importação e transcreve jurisprudência; 2 Ao final traz um novo argumento concernente à incompatibilidade de aplicação da multa com o instituto da regularização das mercadorias apreendidas e repete a transcrição de mesmo excerto de jurisprudência. 3 Requerseja “acolhido o presente recurso para o fim de anular a decisão proferida e cancelar o débito fiscal reclamado”. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por TAUAN NAVES RELOGIOS E ACESSORIOS em face do Acórdão nº 1541.284, proferido pela 4ª Turma da DRJ/SDR, em 31.01.2017.Regularmente intimado da decisão de 1ª instância (fls. 291), conforme AR recebido pelo sujeito passivo em 16.03.2017 (fls. 291), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 07.04.2017(fls. 299), subscrito pelo sócio TAUAN DE Fl. 312DF CARF MF 4 OLIVEIRA NAVES, e, atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em síntese, a Primeira Instância considerou procedente o lançamento consubstanciado no referido Auto de Infração, para exigir a multa regulamentar no valor de R$ 7.893,00. Cingese a controvérsia recursal em definir se a possibilidade de regularização do selo de controle do IPI isenta o pagamento da multa imposta. Registrese, de início, que o Contribuinte em momento algum nega que os 225 relógios apreendidos pela fiscalização estavam desprovidos do selo de controle do IPI. Quanto à alegação de que os selos descolaram no transporte, devido à inadequação da cola utilizada, não resta melhor sorte ao Recorrente, na medida em que deixou de colacionar qualquer elemento de prova tendente a comprovar a sua tese. Além disso, em contrapartida, importante reproduzir trecho do acórdão recorrido, que repeliu com acerto o argumento: Sobre a alegação de que os selos de controle são afixados com cola bastão pelos funcionários da franqueadora e que involuntariamente se descolam da mercadoria e se perdem no transporte, cabe ser reproduzido o seguinte dispositivo regulamentar atinente à matéria, RIPI/2010: Art. 306. O selo de controle será colado em cada unidade do produto,empregandose cola especial que impossibilite a sua retirada, atendidas, em sua aplicação, as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, a não aplicação de cola que impossibilite a retirada do selo intacto – seja em razão de ressecamento ou descolamento, natural ou durante a limpeza –,implica descumprir a norma regulamentar. A alegação de descolamento do selo, portanto, em nada favorece à autuada. Em outra perspectiva, anotase que a possibilidade de regularização ventilada no art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 030/1999 não afasta a obrigatoriedade de o Recorrente promover o recolhimento da multa imposta. Em outras palavras, a possibilidade de regularização, sob essa ótica, está em harmonia com a manutenção da multa cominada. Observe a redação desse artigo: Art. 13. Será admitida a requisição de selos por comerciante para regularização de relógios não selados, apreendidos em seu poder, quando passíveis de liberação após cumprimento de exigência constante de processo fiscal. Parágrafo único. Os selos deverão ser requisitados junto à unidade que proceder à liberação, em quantidade coincidente com o número de relógios apreendidos. (sem destaque no texto original) De fato, à luz da Instrução Normativa SRF nº 030/1999, era admissível a requisição de selos pelo comerciante para regularização de relógios apreendidos, desde que cumprida a exigência apurada em processo administrativo fiscal, isto é, o atendimento das penalidades pelo Contribuinte, dentre elas figura o pagamento da multa imposta. Não obstante tal possibilidade de regularização, registrese que essa IN foi integralmente revogada pela Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10675.720022/201503 Acórdão n.º 3001000.525 S3C0T1 Fl. 4 5 Instrução Normativa RFB nº 1539/2014, vigente a partir de 01.01.2015, deixando de prever a possibilidade de regularização. Nesse sentido, reproduzse precedente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Número do Processo: 10805.001235/200368 Contribuinte: ESPACO FECHADO COMERCIO DE RELOGIOS LTDA Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão: 21/02/2006 Relator(a): Antônio Bezerra Neto Nº Acórdão: 20310786 Tributo / Matéria: IPI ação fiscal penalidades (multas isoladas) Ementa: IPI. SELO DE CONTROLE. Venda, posse ou exposição à venda de produtos sujeitos ao selo de controle, relógios, sem o referido selo, sujeita o detentor à multa regulamentar igual ao valor comercial dos produtos encontrados em situação irregular. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907659/2009-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso.
Numero da decisão: 9101-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/2005-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/2005-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
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PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/200511, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 59 /2 00 9- 56 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10675.907659/200956 Acórdão n.º 9101003.799 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O processo cuida de PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte com o objetivo de quitar, via compensação, débitos de sua responsabilidade com direito creditório a título de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais de IRPJ/CSLL. É o suscinto relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 19647.004637/200511, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.797, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 19647.004637/200511. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.797: O recurso especial da Fazenda Nacional foi, inicialmente, admitido. Contudo, fazse necessário reanalisar sua admissibilidade neste momento. (...) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10675.907659/200956 Acórdão n.º 9101003.799 CSRFT1 Fl. 4 3 (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação no presente caso, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, será facultado ao contribuinte uma nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário. (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.001682/2005-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE APOSIÇÃO DE ASSINATURA NO RECURSO. SANEAMENTO POSSÍVEL. PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE.
Comprovada a falta de assinatura no recurso de ofício, cabível o saneamento em sede de resolução e em face do princípio da Informalidade. Omissão suprida.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SUPRIMENTO.
Constatando-se a omissão no acórdão embargado quanto à não análise do recurso de ofício, acolhem-se os embargos apresentados suprindo a omissão apontada com a apreciação do recurso necessário.
Numero da decisão: 1401-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para suprir as omissões em relação à falta assinatura do recurso de ofício, já sanada, e à falta de apreciação do recurso de ofício, não acolhendo o recurso em relação à alegada mudança de critério de julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE APOSIÇÃO DE ASSINATURA NO RECURSO. SANEAMENTO POSSÍVEL. PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE. Comprovada a falta de assinatura no recurso de ofício, cabível o saneamento em sede de resolução e em face do princípio da Informalidade. Omissão suprida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SUPRIMENTO. Constatando-se a omissão no acórdão embargado quanto à não análise do recurso de ofício, acolhem-se os embargos apresentados suprindo a omissão apontada com a apreciação do recurso necessário.
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W. SERVIÇOS DE CONCRETO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE APOSIÇÃO DE ASSINATURA NO RECURSO. SANEAMENTO POSSÍVEL. PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE. Comprovada a falta de assinatura no recurso de ofício, cabível o saneamento em sede de resolução e em face do princípio da Informalidade. Omissão suprida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SUPRIMENTO. Constatandose a omissão no acórdão embargado quanto à não análise do recurso de ofício, acolhemse os embargos apresentados suprindo a omissão apontada com a apreciação do recurso necessário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para suprir as omissões em relação à falta assinatura do recurso de ofício, já sanada, e à falta de apreciação do recurso de ofício, não acolhendo o recurso em relação à alegada mudança de critério de julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 16 82 /2 00 5- 58 Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.423 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração manejados pela PGFN no sentido de rever alguns pontos do acórdão do recurso voluntário que deu parcial provimento ao recurso voluntário manejado pelo recorrente. Iniciado o julgamento pela anterior turma julgadora, este foi convertido em diligência a fim de que fosse saneado o recurso voluntário apresentado em razão da alegação, por parte da PGFN, de que o recurso estaria deserto em função da não constar a assinatura do representante legal da empresa. Na própria sessão que determinou o saneamento já ficou decidido que este tipo de falha poderia ser superado tendo em vista a informalidade que rege o processo administrativo. Assim, cabenos no prosseguimento deste julgamento, analisar os demais pontos alegados pela PGFN em seus embargos. Passemos, neste sentido, com a devida venia dos colegas de turma, a transcrever o circunstanciado relatório apresentado quando da conversão do julgamento. DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSL, os quais relatamse a seguir. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 472 a 485) exige o recolhimento de R$ 302.287,85 de imposto, R$ 453.431,73 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, em relação aos seguintes fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III, da Lei 8.981/95 e art. 530, III, do RIR/1999 – Decreto 3.000/1999, e a base de cálculo foi Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.424 3 apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 486 a 496) exige o recolhimento de R$ 95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei 7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita apuração reflexa caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins O Auto de Infração da Cofins (fls. 497 a 507) exige o recolhimento de R$ 441.993,33 de contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita apuração reflexa caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: art. 1º, da Lei Complementar 70/91; art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95; arts. 2º, 3º e 8º, a Lei 9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL O Auto de Infração da CSL (fls. 508 a 519) exige o recolhimento de R$ 167.992,59 de contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita apuração reflexa caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, com alterações do art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.425 4 Cientificada em 28/02/2005, a interessada apresentou tempestivamente, em30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido, com fatos geradores trimestrais, o que não altera com a imposição feita pela fiscalização do lucro arbitrado, que segue a mesma regra. Que os fatos geradores se encerram em março, junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam ser revisados os ocorridos no anocalendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por ter fato gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro de 2000. Argúi a nulidade do lançamento pela indevida opção pelo lucro arbitrado feita pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que pela legislação de regência preenchia todos os requisitos por tal tributação. Assim, se eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de tributação. Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas, pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi “inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa”. Que a alegação tem a ver com a afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444 – Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil – Divisão Policial da Capital, da Cidade de Curitiba PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container. Complementa, que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a opção pela forma de tributação com base no lucro presumido. Alega que o lançamento é nulo em razão da adoção pela fiscalização de sistemática inadequada, considerando como omissão de receitas a totalidade dos valores levados a crédito das contas bancárias, por ofensa ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sem considerar o seu § 3º que determina que os créditos devem ser analisados individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer foram considerados os valores relativos a créditos de descontos de duplicatas, de Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.426 5 cheques devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita. Reclama de cerceamento ao direito de defesa pela retenção, pela fiscalização, dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa. Que está solicitando cópia integral do processo para que possa obter os documentos que não possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma conexão entre os fatos mencionados na exigência fiscal e os documentos constantes do processo. Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa qualificada de 150%. A descrição dos fatos que levaram o agente fiscal a tal conclusão é descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ. Diz, que a jurisprudência administrativa e judicial tem afastado a multa qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja ela presunção legal ou presunção simples. Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para as providências a seguir discriminadas: a) que o arbitramento do lucro foi efetuado no percentual de 9,6% referente à venda de mercadorias, tendo por base exclusivamente às receitas omitidas resultantes dos depósitos bancários e ainda compensando os valores apurados com base nas receitas declaradas, que não foram tributadas pelo lucro arbitrado; b) que as receitas informadas pela interessada são exclusivamente de prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no percentual a elas correspondentes; c) que a mesma sorte deve ter a receita omitida, salvo prova da execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art.18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba – PR, para a correta apuração do lucro arbitrado, inclusive especificando e tributando separadamente a receita bruta conhecida – informada pela interessada – e a receita omitida, reintimando a interessada e reabrindolhe o prazo de impugnação. Consta às fls. 543 a 546 Termo de Verificação Fiscal Complementar, em que descreve a Segregação da Receita da Contribuinte. Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.427 6 DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562 para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Presumido, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161, tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 – Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999, e pela Receitas Operacionais – Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl. 564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em 06/09/2005 na Portaria da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, e apresentou a impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225. Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada. Que a fiscalização, sob o argumento de que no primeiro auto de infração não foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de cálculos distintas entre o primeiro e o segundo lançamento, capitulando a infração em dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por depósitos bancários sem comprovação de origem. Transcrevendo o art. 145 e incisos do CTN, alega, que o primeiro lançamento foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não poderia ter sido alterado antes do julgamento da impugnação interposta. Que a presente exigência só pode estar estribada no art.145, inc. III, do CTN, que trata da autorização para alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal. Aduz que a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, nos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.428 7 intuito de fraude em virtude de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem e apresentação de declaração com valor zero. Sustenta que a apresentação da DIPJ não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal e, tendo em vista que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há necessidade de disposição expressa em lei. Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto, representa uma presunção sobre presunção, posto que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada. Levanta preliminar de decadência de constituição do crédito tributário relativo aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre do anocalendário de 1999 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal, os fatos geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento por homologação porque cabe ao sujeito passivo calcular o imposto e recolher nos prazos legais, independentemente de qualquer intimação da autoridade administrativa e de que não tenha efetuado qualquer recolhimento. No mérito reitera, inicialmente, os argumentos expendidos na impugnação apresentada para o primeiro lançamento. Aduz que o arbitramento de lucro com base na receita bruta decorreu da inexistência de livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro conforme devidamente informado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anoscalendário, e que a hipótese dos autos é de falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa. Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações prestadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica onde está devidamente registrada a escrituração do livro Caixa. Que conforme relatado no Boletim de Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.429 8 Reclama que a autoridade lançadora reconheceu que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentas as declarações de rendimentos, e que, portanto, a opção pelo lucro presumido foi definitiva e inexistindo prova da imprestabilidade das declarações apresentadas, não é licito ao fisco desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado. Argúi que o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 é taxativa e não comporta outra interpretação quando determina que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Alega, a interessada, que a atividade desenvolvida pela empresa é a de fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai misturando os ingredientes no trajeto até o local da obra. Que as notas fiscais anexadas comprovam as compras de matéria prima e a DIPJ regularmente apresentadas nos anoscalendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não permitem a suspeita levantada pela autoridade fiscal no sentido de que a autuada seja uma empresa prestadora exclusiva de serviços gerais. Argumenta que o preenchimento do formulário anexado as fls. 425 a 442 deu em virtude do cumprimento de normas que regem a tributação pelo ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou subempreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação com base no lucro real e, por exclusão, pode optar pela tributação com base no lucro presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento de materiais a sua atividade enquadra na hipótese previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 06/1997, não podendo subsistir dúvida de que tinha direito à opção pelo lucro presumido com a aplicação do coeficiente de 8%. Questiona o levantamento feito pela fiscalização que teria cometido inúmeros erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre agências bancárias, créditos de títulos, liquidação de cobrança. Que foram somados todos os créditos, inclusive de valores inferiores a R$ 12.000,00, individualmente, descumprindo o disposto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, representando dupla tributação de uma mesma parcela. Diz, que os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica sequer deveria ser objeto de intimação para comprovação posto que a lei de regência já manda que não sejam considerados. Que os créditos de títulos e liquidação de cobrança têm origem nas duplicatas Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.430 9 vinculada as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que, salvo prova em contrário, as duplicatas cobradas não podem ser consideradas como receitas omitidas ou não comprovadas. Aduz que devem ser expurgados os valores que a própria fiscalização identificou as respectivas origens (elabora demonstrativo), e que o montante de depósitos bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29, bem como as bases de cálculos das parcelas declaradas na DIPJ que já foram regularmente tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 24/08/2006, acordou a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas, sendo a primeira do lançamento complementar e a segunda da decadência. No tocante ao mérito em discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75% para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue: Em referência ao lançamento complementar, se constatadas incorreções e inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo lançamento em complemento ao principal desde que o procedimento tenha sido realizado dentro do prazo decadencial; No tocante à preliminar de decadência, inexistindo pagamento, tem o fisco, o direito de constituir o crédito tributário, que poderá ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; Quanto à decadência da contribuições, regese por lei específica (Lei nº 8.212/1991) em obediência ao disposto no parágrafo 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos; No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido; Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.431 10 Por fim, a multa qualificada caracterizarseá ao momento da comprovação do contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos; Portanto, resta decidido que será mantido os valores de R$ 544.702,70 e R$ 899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59, de Cofins, R$ 61.585,58 e R$ 106.407,11 de CSL, bem como as multas de 75%, para o primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente. Em 18/12/2006, a contribuinte toma conhecimento da referida decisão supracitada. Em 10/01/2007, interpõe recurso em face da decisão da DRJ, em que fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a 596). DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 110300.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de IRPJ e CSL, inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL Anocalendário:2003 Ementa:PRELIMINAR DE NULIDADE Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo órgão julgador a quo, que igualmente determinou a reabertura de prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi realizada pela autoridade da chamada administração ativa (e não judicante), que detém competência exclusiva para o lançamento, resultando da verificação lançamento complementar. PRELIMINAR DE NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA A presunção legal de omissão de receitas, para ser empregada, reclama a análise individualizada dos créditos, com expurgo de créditos que deliberadamente não indicam receitas, e o contribuinte deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos ou pressupostos presentes para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas, com expurgo de créditos de descontos de duplicatas, de estornos, de redução de saldo devedor CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente. PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.432 11 Aperfeiçoouse a decadência do lançamento de créditos tributários de IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres do ano calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS sobre receitas declaradas, relativos aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, cuja aplicação independe de ter se dado algum pagamento, conforme orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ARBITRAMENTO DO LUCRO – ARGAMASSA, PREPARADO EM BETONEIRAS MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada: é prestação de serviços. O ADN COSIT 6/97 considera tal atividade sujeita à alíquota geral de 8% para a presunção de lucro. O ato concreto do lançamento pautouse nessa alíquota para arbitrar o lucro ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada pelo art. 146 do CTN. Por outro lado, aceitar o lançamento original, ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, pois o lançamento original não se sustenta. Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas. PIS E COFINS – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. De outra parte, a contribuinte não apresentara nenhuma prova a derruir a presunção de omissão de receitas. Também, na ausência de escrituração contábil, caberia à recorrente carrear elementos para indicação de que as receitas declaradas estariam contidas nas receitas omitidas. Nenhuma contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência. PIS E COFINS – MULTA QUALIFICADA DECADÊNCIA Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam contra a insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela presença de dolo na conduta adversa. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.433 12 Como conseqüência, não há decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar, pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93. Nesse sentido, afirmou que os artigos retromencionados não foram feridos, porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de 1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação. Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual referese a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada. Isso porque, além de a fiscalização ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir, por meio da análise de extratos de conta de depósito da contribuinte, que a fiscalização promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96. Reconheceu a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000. Nesse sentido, apontou que tal reconhecimento decorreu do fato de a Câmara incumbida para julgar o presente feito, entender que o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado mesmo quando não houver pagamento algum. Distinguiu o lançamento fundado na omissão de receitas, do fundado nas receitas declaradas. Apontou que, no que tange os suportes fáticos em comento, a decadência já havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo. Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103A da CF e o artigo 2º, caput e § 1º da Lei 11.417/06, reconhecem que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de contraprova do contribuinte. Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.434 13 Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois a contribuinte não apresentou nenhuma contraprova que demonstrasse ou indicasse que as receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas. Aduziu que o lançamento de IRPJ e de CSL foi feito com base no lucro arbitrado sobre as receitas presumidamente omitidas, pois a contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, não indicando, desse modo, que essa se sujeita ao regime de lucro presumido. Nesse sentido, transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e 530, III, do RIR/99. Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a aplicabilidade da hipótese de arbitramento do lucro, e que há a omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil. No que tange a alegação da contribuinte de que ela não apresentou a escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99. Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida levado a efeito pela contribuinte. Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não está revogado, mas que o seu inciso II encontrase derrogado em virtude do artigo 14 da Lei 9.718/98. Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada e, conseqüentemente, prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32, II, da IN SRF 480/04. De acordo com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade. Apontou que os vícios supramencionados decorreram, principalmente, do fato de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista para a prestação de serviços. Afirmou que, nos termos do artigo 146 do CTN, o lançamento complementar não pode prosperar, pois esse traz a mudança do critério jurídico, quer seja Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.435 14 como erro de direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido. Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as receitas presumidamente omitidas. Com relação à multa qualificada e a decadência referentes ao PIS e Cofins relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como há dados suficientes para da contribuinte foi feita com dolo, a multa qualificada deve ser mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a 1383 (eprocesso), arguindo, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que a decisão embargada encontrase omissa e contraditória. Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo, ser considerado inexistente e, conseqüentemente, não conhecido, já que esse vício é insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser considerados como assinatura para o fim de preencher os requisitos de admissibilidade do recurso. Isso porque, além de não estar presente nos autos procuração ou instrumento que confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações societárias/administrativas posteriores que retiram os poderes de representação do Sr. Jorge, bem como a revogação da procuração. Nesse sentido, acentuou que outro fator que faz com que os referidos sinais gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596. Atestou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou o recurso de ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150% para 75% em relação às receitas declaradas. Nesse sentido, registrou que a decisão recorrida não observou o disposto no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais e conclusão, bem como, fazer Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.436 15 referencia, de forma expressa, a todos os recursos interpostos (voluntários ou de ofício). Entendeu que, com relação aos elementos probatórios presentes nos autos, a decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir que a fiscalização não fundamentou o lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea “a”, do referido ADN, para arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%. Nesse sentido, apontou que a ADN retromencionada não prevê a atividade exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma interpretação sobre a atividade realizada pelo contribuinte subsumindoa a um dos incisos desse Ato. Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal. Consignou que, tendo em vista que a fiscalização não fundamentou o lançamento original na ADN 06/97 e não afirmou que a atividade exercida pela contribuinte não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontra se omissa, pois essa não indicou os elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina. Por fim, requereu o recebimento e acolhimento do presente embargos de declaração, de forma a concederlhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados. É o relatório. Fim da transcrição do relatório da anterior Turma Julgadora. Após o relatado a turma julgadora decidiu converter o julgamento em diligência para que o recorrente fosse intimado a regularizar a assinatura do recurso voluntário. Devolvido o processo à Delegacia de Origem onde o recorrente fio intimado e supriu a deficiência de assinatura do recurso. Realizada a diligência, o processo retornou para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.437 16 Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os embargos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. Iremos realizar, no presente julgamento, a análise dos embargos de declaração apresentados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em razão dos seguintes pontos: 1. Omissão pelo não pronunciamento acerca da falta de assinatura do Recurso Voluntário; 2. Omissão relativa à falta de apreciação do recurso de ofício relativo à redução da multa qualificada aplicada para o patamar de 75%; 3. Omissão pela não indicação dos elementos do processos que fundamentaram a conclusão de alteração do fundamento jurídico da autuação, para aplicação do art. 146 do CTN. Alega, neste sentido que o ADN COSIT Nº 06 não foi a base de lançamento da autuação. Passando à análise específica destes itens, vejamos o nosso entendimento. 1. Omissão pelo não pronunciamento acerca da falta de assinatura do Recurso Voluntário; Em relação a este ponto há de se levar em consideração as justificativas apontadas pela Resolução da turma julgadora deste CARF que converteu o julgamento em diligência para o saneamento da assinatura em atenção ao princípio da Informalidade. Vejamos: De fato, constatase a falta de assinatura do recurso voluntário. Porém, em face do art. 13 ou do art. 37, do CPC, a falta de assinatura é sanável, máxime no processo administrativo fiscal, em que o rigor ao formalismo não é medida que com ele se afina. E é sabido que, nas instâncias ordinárias do processo judicial, a ausência de assinatura é defeito perfeitamente sanável. Cito o REsp abaixo de 2013, com transcrição da ementa: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE ASSINATURA NA PETIÇÃO RECURSAL INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS VÍCIO SANÁVEL RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PRECEDENTES. 1. Ao contrário do efeito produzido na instância extraordinária, a falta de assinatura do advogado nos recursos interpostos nas instâncias ordinárias é um vício sanável, em consonância com o teor do que dispõe o art. 13 do CPC, aplicável analogicamente à irregularidade da representação postulatória, devendo ser concedido prazo razoável para o suprimento de tal irregularidade. Precedentes. 2. Recurso especial provido para determinar Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.438 17 o retornos dos autos ao Tribunal de origem para que seja oportunizada a regularização da assinatura do patrono na petição recursal dirigida àquele instância ordinária. (RESP 1.398.134SC, 2013/02660879, MINISTRA ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, DATA DE JULGAMENTO 5/11/2013, DJe: 13/11/2013) As alegações da Procuradora quanto à falta de instrumento para representação e ao apontamento sobre os sinais gráficos não têm sentido. Jorge Luiz Figueiredo Ramos que assina a fl. 1327 é sócioadmininistrador da J.W. W. Serviços de Concreto Ltda., como se vê das fls. 449 a 454. É a mesma assinatura que consta, por ex., na fl. 363 no recebimento de intimação para se comprovar a origem dos depósitos bancários individualizados, nas informações prestadas ao fiscal na fl. 438, na resposta à referida intimação na fl. 443, no recebimento do TVF na fl. 470, na primeira impugnação na fl. 535. No TVF, o autuante diz que o entrega ao representante do contribuinte. Então, quem recebeu o TVF e os autos de infração não tem poderes de representação do autuado? Irá se dizer que os autos de infração são inválidos? Vejase que as rubricas constantes no recurso voluntário (fls. 1297 a 1324) apontam para coincidência com as que figuram na segunda impugnação (fls. a 596), em face do lançamento complementar efetuado. Quem assina a segunda impugnação é o procurador constituído pela contribuinte, o dr. Kazuki Shiobara (fls. 596 e 597). Quem assina a procuração é Jorge Luiz Figueiredo Ramos (fl. 597). Óbvio, portanto, que as rubricas não apontam para Jorge Luiz Figueiredo Ramos. O que se nota é que o procurador constituído pela contribuinte, dr. Kazuki Shiobara, que rubricou e assinou a segunda impugnação, é quem aparentemente rubricou o recurso voluntário. E esqueceu de assinálo. Enfim, entendo que cabe o saneamento da falta cometida, de modo que proponho baixar o presente julgamento em diligência: Com esse entendimento a Turma Julgadora anterior manifestouse no sentido de atender ao Princípio da Informalidade que rege o processo administrativo e, considerando tratarse de vício sanável, optar pelo saneamento do recurso. Sou se opinião semelhante. Ao contrário dos precedentes apresentados pela Procuradoria de que no âmbito judicial a falta de assinatura do recurso o torna deserto, ou seja, inexistente, no processo administrativo vigora o Princípio da Informalidade. Por isso, há a possibilidade de saneamento antes do julgamento. Realmente no julgamento do Recurso Voluntário a Turma Julgadora não atentou para o fato de o recurso não conter assinatura, no entanto, como tal ausência pode ser suprida, mesmo que a posteriori, entendo que agiu bem a Turma responsável pela análise Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.439 18 anterior quando, suprindo a omissão, considerou que a ausência de assinatura poderia ser suprida e, assim, determinou o saneamento. Por isso, suprindo a omissão apresentada pela Procuradoria, entendo que a falta de assinatura do recurso não implica, em sede de julgamento administrativo, na sua inexistência e, assim, pode ser, como o foi, suprida em momento posterior, mesmo após o julgamento do recurso proposto. Desta forma, considerando a omissão apontada, esta já foi suprida pela aposição da assinatura na peça recursal, razão pela qual nego provimento aos embargos neste ponto, por considerar que a omissão não possuía o condão de anular a decisão proferida, nem a interposição do recurso, tendo em vista a atenção ao Princípio da Informalidade e, assim, entendo ter sido suprida a omissão apresentada. 2. Omissão relativa à falta de apreciação do recurso de ofício relativo à redução da multa qualificada aplicada para o patamar de 75%; Em relação a esta omissão, realmente a turma ao analisa o recurso voluntário não atentou à existência de recurso de ofício relativo à redução da multa de ofício do patamar de 150% para 75%. Talvez por que a turma tenha decidido por cancelar integralmente a exigência relativa ao IRPJ e CSLL, tenha passado despercebido que entre os débitos lançados e mantidos de PIS e COFINS, havia a multa de ofício que foi reduzida para 75%. Assim, tendo em vista que efetivamente o julgamento não se manifestou acerca do recurso de ofício, vamos suprir a omissão e realizar a apreciação do mesmo. Neste sentido assim se manifestou a turma julgadora da DRJ quanto à redução da multa: Multa por Infração Qualificada Alega a interessada a invalidade da multa qualificada. Examinando o enquadramento legal apontado pela fiscalização para aplicação da multa qualificada. Dispõe 0 art. 44, II, da Lei nfi 9.430/1996 (gxifei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nf 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O pressuposto para aplicação da multa de 150% estabelecido no citado dispositivo legal somente se configura com a fraude. De acordo com De Plácido e Silva, em “Vocabulário Juridico”, Editora Forense, o vocábulo Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.440 19 “fraudar”, derivado do latim fraudare (fazer agravo, prejudicar com fraude), além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação: fraudar o fisco. E, assim, quer dizer sonegar. O elemento subjetivo da conduta adotada pela empresa é o dolo genérico que se apresenta como a vontade consciente e livre de omitir a informação, ou de prestála de forma adulterada, vale dizer, falsa, não verdadeira. Além do dolo genérico, no presente caso também se verificou o dolo específico caracterizado pela vontade voltada à redução do tributo ou da contribuição devidos. Ressaltese ainda que, qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n9 4.502/1964, senão vejamos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária; 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11 das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributária correspondente. Art. 72 _ Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Verificase que a sonegação e a fraude se caracterizam em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõem sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.441 20 A Lei n.9 4.729/1965, em seu art. 19, I, explicitou melhor esse conceito ao dispor que constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. Mais tarde, sem utilizar a expressão "sonegação fiscal", mas definindo os mesmos fatos antes sob aquela qualificação, a Lei n.9 8.137/1990, definiu os crimes contra a ordem tributária. Nos termos do art. 19, I, constitui tal crime suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante a omissão de informação ou declaração falsa às autoridades fazendárias; segundo, ainda, o art. 29, I, constitui crime de mesma natureza fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, in verbis. . Art. 13 Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: 1 omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Art. 21' Constitui crime de mesma natureza: I fazer declaração falsa. ou omitir declaração sobre rendas. bens ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo (GrifouSe.) A conduta lesiva da interessada revela a intenção de eximirse deliberada e persistentemente do pagamento total do IRPJ e contribuições. Assim, tendo omitido, deliberadamente, o valor integral da receita bruta auferida nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, agiu por sua conta e risco e não pode se esquivar das conseqüências tributárias impostas. Portanto, a autoridade fiscal entendeu corretamente que a interessada agiu de maneira dolosa ao omitir reiteradamente a totalidade da receitas auferidas, haja vista ter apresentado declaração no anocalendário de 1999, nela informando receita bruta igual a zero. Correta, assim, a aplicação da multa de l50% Entretanto, para as receitas declaradas o percentual de multa deve ser reduzido para 75% para os anos calendários de 2000 e 2001: Conclusão Tendo em vista a redução da multa para 75% em relação as receitas declaradas, para os anoscalendário de 2000 e 2001, a base de cálculo, o imposto e as contribuições devidas ficam como a seguir discriminado por percentual de multa: Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.442 21 Assim se pronunciou a Turma Julgadora do CARF com relação à multa qualificada aplicada sobre o PIS e COFINS: Passo ao exame das questões atinentes ao PIS e à COFINS, bem como a seus consectários aplicados. O lançamento de PIS e da COFINS não se deu por arbitramento. O que houve foi o lançamento sobre receitas presumidamente omitidas. Pelas razões já deduzidas alhures, nego provimento ao recurso quanto à questão da exigência de PIS e COFINS sobre as referidas receitas. No que toca às questões da multa qualificada e da decadência pertinentes ao PIS e à COFINS relativas à omissão de receitas, observo o seguinte. O tipo estatuído no art. 71 da Lei 4.502/62 contém, além de um elemento normativo, qual seja, obrigação tributária, o chamado elemento subjetivo do tipo, o dolo, sem o que não se conforma a sonegação. Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal daquela é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional perpetrada. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. Isso significa que presunção não conduz necessariamente ajuízo antitético ou que repele a existência de dolo. No caso vertente, a prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a recorrente não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam no sentido de robustecer de tal forma a presunção, que afasta dessa juízo antitético à existência de dolo. Em via reversa ou noutro ângulo, do concurso ou encadeamento desses elementos constantes no feito em dissídio, reputo haver dados de fato suficientes para concluir pela presença de dolo na conduta infracional. Nessa ordem de juízo, nego provimento ao recurso, com a manutenção da multa qualificada para o lançamento de PIS e da COFINS. Como conseqüência, nego provimento ao recurso sobre a questão da decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e da COFINS. Constatase, então, que a Delegacia de Julgamento reduziu a multa qualificada imposta em relação aos valores da autuação que se referiam a receitas já previamente declaradas pela empresa. Por seu turno a Turma julgadora do CARF analisou Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.443 22 apenas a multa qualificada que foi mantida no patamar de 150%, não se pronunciando quanto à redução da multa qualificada relativo à parte da autuação calculada com base nas receitas declaradas. Assim, suprindo a omissão temos a considerar que a análise da Delegacia de Julgamento a respeito da manutenção da multa qualificada foi bastante adequada, tanto assim que foi mantida pelo CARF. No que toca à redução da multa em relação aos valores de receita previamente declarados pelo contribuinte entendo que não há reparos a fazer. Neste caso em que as receitas já haviam sido declaradas, não houve aplicação da presunção nem, muito menos, tentativa do contribuinte de omitir suas receitas do fisco. Desta forma, entendo assistir razão ao julgado da Delegacia de Julgamento quanto à redução da multa qualificada para o patamar de 75% em função de as receitas a ela relativas já terem sido declaradas pela empresa. À vista do exposto, suprindo a omissão apresentada em embargos, voto no sentido de dar provimento aos embargos e, para suprir a omissão, conforme acima indicado, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a redução da multa qualificada para 75% em relação às receitas já declaradas. 3. Omissão pela não indicação dos elementos do processos que fundamentaram a conclusão de alteração do fundamento jurídico da autuação, para aplicação do art. 146 do CTN. Alega, neste sentido que o ADN COSIT Nº 06 não foi a base de lançamento da autuação. Transcrevo o trecho do voto proferido para a delimitação deste item de análise acerca das alegações do embargante. Questão que se coloca é quanto à alíquota aplicável sobre as receitas conhecidas, para o arbitramento do lucro. O Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97 declarou: O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso 111, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3°da 1NSRFn° 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.444 23 a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. 11 As pessoas jurídicas enquadradas no inciso 1, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. PAULO BAL TAZAR CARNEIRO Evidentemente, o inciso II do ADN COSIT 06/97 se encontra prejudicado, diante do art. 14 da Lei 9.718/98. Notese, contudo, que esse ADN COSIT não se encontra revogado (derrogado está é seu inciso II, conforme dito). O fornecimento de argamassa por empreitada, para a construção civil, inserese na moldura de construção por empreitada. Isso se dá na conformidade da legislação regulatória das atividades de engenharia o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (CONFEA) relaciona as atividades consideradas obras ou trabalhos de engenharia, como adverte José Eduardo Soares de Melo. A argamassa constitui mistura, em proporções adequadas, para o caso de um ligante (cimento, cal, etc.), e de alguns agregados (areia, pedra), adicionandose água aplicada de acordo com recomendações técnica Normas para Execução e Cálculo de Concreto Armado (Decretolei 2.773/4O)5. Nas betoneiras é que se processa a mistura dos componentes sólidos, que são moídos, e se submetem a movimento circular constante, para compor o concreto (argamassa) fresco. Não resulta dúvida, pois, que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção por empreitada. Que se trata de atividade de construção, é assente o entendimento da boa _doutrina (v.g., Hely Lopes Meirelles, Bernardo Ribeiro de Moraes, José Eduardo Soares de Meios), assim como o é o firmado pela jurisprudência (v.g., REsp 11.979OSP, 1” Turma, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros DJU de 24/0,5/93). Isso significa dizer, também, que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras, constitui prestação de serviços, consoante a Súmula 167 do STJ: STJ Súmula nº 167 11/09/1996 Betoneiras Acopladas a Caminhões ISS ; O fornecimento de concreto, por empreitada, para construção civil, preparado no trajeto até a obra em betoneiras acopladas a caminhões, e' prestação de serviço, sujeitandose à incidência da ISS. O acórdão de origem lança arrimo, inclusive, na Súmula 167 do STJ, para concluir que a alíquota ou coeficiente aplicável para o arbitramento do Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.445 24 lucro, no caso, é a de 38,4%, i.e., alíquota de 32%, que é prevista para prestação de serviços em geral, majorada em 20%, nos termos do art. 532 do RIR/99. ' Vêse, também, que o lançamento original arbitrou o lucro com a aplicação da alíquota ou coeficiente de 9,6%, i.e., aplicou a alíquota geral de 8%, acrescida de 20%. Foi no lançamento complementar, resultante da diligência determinada pelo órgão julgador de origem, que o lançamento se processou com arbitramento ao coeficiente de 38,4%. A atividade da recorrente, ainda que à guisa de receita presumida, é de prestação de serviços? Não tenho dúvida de que sim. Tal conclusão tem apoio na exegese extraída pela doutrina, bem como na exegese consagrada jurisprudencialmente. Mas, diante do ADN COSIT 06/97, é possível se aplicar o entendimento sufragado no lançamento complementar de que a atividade da recorrente é de prestação de serviço e, pois, o arbitramento se deve dar à alíquota de 38,4%? Mais. Diante do ato concreto de lançamento pelo qual se arbitrou o lucro com a alíquota ou coeficiente de 9,6% (8% majorado em 20%), é possível se agasalhar o entendimento consagrado no lançamento complementar, com o arbitramento do lucro à alíquota de 38,4% (32% majorado em 20%)? O art. 146 do CTN tem a seguinte dicção: Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Entendo que o art. 146 do CTN veda a aplicação do entendimento exarado no lançamento complementar de arbitramento à alíquota de 38,4%. Sucede o entendimento materializado no lançamento complementar tipifica o art. 146 do CTN, de modo que o novo entendimento ou o entendimento “corrigido” só se pode dar sobre fato gerador posterior à introdução da mudança de entendimento. Tenho para mim que o caso vertente caracteriza indisfarçável mudança de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. E, ao seu teor, a mudança não é aplicável a qualquer lançamento posterior à introdução dessa mudança, mas a fato gerador ocorrido posteriormente à introdução da mudança de critério jurídico. Quer nos parecer que o art. 146 do CTN não cuida, ou melhor, não se limita à distinção entre erro de fato e erro de direito, a interditar a “mudança de critério jurídico” com base no último, embora, no caso vertente, possa até se falar em erro de direito versado no ADN COSIT 06/97 o que leva também à Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.446 25 aplicação do art. 146 do CTN, na lição de Paulo de Barros Carvalho, que doutrina pela incidência do discutido art. 146 diante de erro de direito cometido pela administração pública. Ricardo Lobo Torres proclama que o art. 146 impede que o fisco invoque a modificação jurisprudencial para adotar novo critério nos lançamentos, exceto quanto a fatos geradores posteriores à introdução do novo critério. Mas a jurisprudência administrativa ou judicial não implica automática introdução do novo critério pelo fisco como adverte Luciano Amaro. Como ensina Luciano Amaro”, o art. 146 carrega enormes dificuldades. Entre outras, traz a problemática do ato introdutor do novo critério jurídico (que não diz como introduzilo, e que, por certo, não por “automática” introdução de certo entendimento jurisprudencial), o choque com o art. 100, parágrafo único. Este prevê ao contribuinte que aja conforme norma complementar a alforria de multa e juros, caso aquela seja alterada, mas não exime o contribuinte do tributo que deixou de ser pago em razão da norma complementar alterada. Parecenos que o art. l46'do CTN alcança tanto a mudança de um critério legalmente válido para outro, como também a revisão por erro de direito. Quer dizer, o art. 146 compreende a mudança de critério jurídico em seu sentido mais amplo (afastase, pois, a interpretação literal), de forma a agasalhar não só a mudança de critério jurídico propriamente dita (sentido estrito), como a correção de erro de direito. Daí porque entendo não se poder aplicar o coeficiente de 38,4% para o arbitramento do lucro no caso vertente, quer diante do ADN COSIT 6/97 (pelo qual a alíquota ordinária é de 8%), quer em face do ato concreto identificado no lançamento original que se pautara na alíquota de 8% (que majorada em 20%, totaliza 9,6%). De se anotar que o art. 1° da Instrução Normativa SRF 539, de 25/04/05 (publicada no DOU de 27/04/05), alterou o art. 32, II, da Instrução Nom1ativa SRF 480/04. Com a nova redação dada pela IN 539/05, o art. 32, II da Instrução Normativa SRF 480/04 passou a dizer que o regramento dessa IN não altera a aplicação dos percentuais de presunção para a apuração da base de cálculo do IRPJ estabelecidos no art. 15 da Lei 9.249/95, exceto quanto aos serviços de construção civil por empreitada, com emprego de materiais, de que trata o art. 1°, II, da IN 480/04 (a bem ver, o art. 1°, § 7°, II)l3, e aos serviços hospitalares. Eis a nova dicção do art. 32 da IN 480/04: Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: 1 alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.447 26 estabelecido nos arts. 64 da Lei nf 9.430, de 1996, e 34 da Lei ni' 10.833, de 2003; II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art, 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1% e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (NR) Mas, a Instrução Normativa SRF 480/04 versa sobre a retenção na fonte de IR, CSL, PIS e COFINS, pelos órgãos da administração pública direta, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, todas federais, e por sociedades de economia mista, cujo controle seja da União, no pagamento por eles feito a outras pessoas jurídicas de direito privado, pelo fornecimento de bens e pela prestação de serviços em geral, inclusive obras. Vejase o regramento do art. 2° da Instrução Normativa SRF 480/04: Art. 2° A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de . Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida na art. 15 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza da bem fornecido ou do serviço prestado. § I”. O percentual a ser aplicado sobre o valor a ser pago corresponderá à espécie do bem fornecido ou de serviço prestado, conforme estabelecido em contrato. (..) . § 2°. Sem prejuízo do estabelecido no § 7" do art. l'Í caso o pagamento se refira a contratos distintos celebrados com a mesma pessoa jurídica pelo fornecimento de bens ou de serviços prestados com percentuais diferenciados, aplicarseá o percentual correspondente a cada fornecimento contratado. De todo modo, impõe se registrar que a Instrução Normativa SRF 539/05 foi publicada após o lançamento original. Por outro lado, sob o manto de todas as considerações que deduzi anteriormente, não tenho dúvida de que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras do trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil, por empreitada, e, pois, prestação de serviços. Se a atividade da recorrente é incontrastavelmente de prestação de serviços, o lucro dela não poderia ser arbitrado com base na alíquota de 8% (a totalizar 9,6%, com a majoração de 20%); teria de ser arbitrado, pautado na Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.448 27 alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços (a totalizar 38,4%, com a majoração de 20%). Mas, como já deduzi, o lançamento complementar não pode prosperar, por ser interditada pelo art. 146 do CTN. Isso, por caracterizar o lançamento nítida mudança de critério jurídico, quer se a entenda como erro de direito, que ser a repute como mudança de um critério válido para outro igualmente válido. Quid juris? Considerandose que o art. 146 do CTN é norma de proteção ao contribuinte, não vejo outra solução pelo principio da legalidade que não seja a de chancelar a vulnerabilidade do lançamento. Dito de forma clara, não vejo solução diversa à do reconhecimento de que o lançamento original pois o complementar já resulta derruído se encontra fulminado por carência de supedâneo de direito material. Aceitar o lançamento original, ao argumento de que o arbitramento do lucro por ele efetivado é menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, é coonestar com o que não tem sustentação. Sob o manto dessas razões, reconheço estar fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material. Outrossim, resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas. Em relação à esta omissão alegada pela Procuradoria da Fazenda Nacional entendo não existir a apontada omissão. A Procuradoria alega que não foram apontados os elementos do processo que levaram à aplicação do art. 146 a fim de cancelar a exigência e, ainda que o ADN COSIT Nº 06 não foi utilizado como base para a autuação. Em verdade, da leitura do voto apresentado na sessão que julgou o recurso voluntário conseguese facilmente compreender que a aplicação do art. 146 para considerar o lançamento improcedente decorreu do entendimento daquela Turma que ao se realizar o lançamento original no percentual de 8%, mais o acréscimo do arbitramento e, posteriormente, após a determinação da DRJ, ter sido realizado lançamento complementar com base na alíquota de 32%, aplicável aos prestadores de serviço, a Receita Federal modificou o critério jurídico do lançamento pois considerou não apenas que houve a omissão tributável na alíquota do lucro presumido normal, mas sim que seriam prestações de serviços tributadas pelo percentual de 32%. Os elementos utilizados para o convencimento não precisariam nem ser indicados pois são apenas os autos de infração original e complementar e as decisões da Delegacia de Julgamento que sustentaram toda a argumentação do julgado. Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10980.001682/200558 Acórdão n.º 1401002.965 S1C4T1 Fl. 1.449 28 Por fim, a Turma não entendeu que o ADN COSIT nº 06 foi utilizado como base para autuação. Na verdade se utilizou dos dizeres do ADN para aprofundar sua argumentação e indicar que o lançamento ao percentual de 32% não poderia prosperar por não ser adequado ao caso e, por fim, não se poderia ressurgir com o lançamento à alíquota de 8%, posto que este já fora modificado pelo próprio lançamento complementar e não mais subsistia. Sendo assim, entendo não existir a omissão alegada pela Procuradoria posto terem sido apresentados os elementos que a Procuradoria entendeu estarem omitidos, razão pela qual voto no sentido de negar provimento aos embargos. Em conclusão voto no sentido de conhecer dos embargos para suprir as omissões em relação à falta assinatura do recurso de ofício, já sanada, e à falta de apreciação do recurso de ofício, realizada acima e não acolher os embargos em relação à possível mudança de critério de julgamento. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920582/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo por vício de motivação o despacho decisório que descreve, textualmente, as razões pelas quais as compensações não foram homologadas integralmente.
PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA.
A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considera-se não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE.
É defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de apreciar, em primeira instância, as impugnações e manifestações de inconformidade. Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não se cogita, logicamente, da instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Não se conhece do pedido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
PER/DCOMP. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. EFEITOS.
A apresentação da DCOMP é um ato, de iniciativa unilateral exclusiva do sujeito passivo, que modifica um direito, qual seja, a utilização de um alegado direito creditório na extinção de um débito tributário, sob condição resolutória. A DCOMP é uma declaração de vontade e, como tal, ela deve ser inequívoca.
Numero da decisão: 3201-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo por vício de motivação o despacho decisório que descreve, textualmente, as razões pelas quais as compensações não foram homologadas integralmente. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considera-se não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de apreciar, em primeira instância, as impugnações e manifestações de inconformidade. Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não se cogita, logicamente, da instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Não se conhece do pedido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. PER/DCOMP. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. EFEITOS. A apresentação da DCOMP é um ato, de iniciativa unilateral exclusiva do sujeito passivo, que modifica um direito, qual seja, a utilização de um alegado direito creditório na extinção de um débito tributário, sob condição resolutória. A DCOMP é uma declaração de vontade e, como tal, ela deve ser inequívoca.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo por vício de motivação o despacho decisório que descreve, textualmente, as razões pelas quais as compensações não foram homologadas integralmente. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de apreciar, em primeira instância, as impugnações e manifestações de inconformidade. Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não se cogita, logicamente, da instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Não se conhece do pedido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. PER/DCOMP. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 05 82 /2 00 9- 56 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 218 2 A apresentação da DCOMP é um ato, de iniciativa unilateral exclusiva do sujeito passivo, que modifica um direito, qual seja, a utilização de um alegado direito creditório na extinção de um débito tributário, sob condição resolutória. A DCOMP é uma declaração de vontade e, como tal, ela deve ser inequívoca. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa epigrafada, em contrariedade à decisão que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP nº 39684.54877.271204.1.7.014540. De acordo com o Despacho Decisório (efl. 4), o crédito utilizado na compensação fora, inicialmente, pleiteado por meio do PER nº 03790.65276.161204.1.1.01 7429, sendo integralmente reconhecido, no valor de R$ 917.447,48 (novecentos e dezessete mil, quatrocentos e quarenta e sete reais, quarenta e oito centavos), relativamente ao ressarcimento do crédito presumido de IPI do 4º trimestre de 2002. Embora tenha sido integralmente reconhecido, o crédito não foi suficiente para liquidar o débito declarado na DCOMP. Cientificada da decisão em 19/06/2009, a interessada manifestou a sua inconformidade em 20/07/2009 (efls. 96/116). Em síntese, aduziu as seguintes razões de defesa: ● Ausência de motivação: A inexistência de apresentação dos fundamentos da decisão em toda a sua amplitude invalida a decisão administrativa. Não há qualquer informação, muito Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 219 3 menos fundamentação, suficiente para esclarecer a razão pela qual a compensação não foi integralmente reconhecida. Com base em hipóteses que teriam dado margem ao Despacho Decisório é que a Manifestação de Inconformidade teve que ser elaborada. ● Inexistência de prova material contra a contribuinte: Não há prova contundente quanto à suposta inexistência do crédito ofertado em compensação. ● Em consonância com o art. 138, CTN, foi efetuado o pagamento do tributo devido, acrescido de juros e correção, não podendo o Fisco exigir a multa moratória de 20%.. ● Dever de proceder as compensações de ofício: É dever da Administração Pública proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados em compensação. ● Correção monetária do crédito: Negar a possibilidade de correção dos créditos pela SELIC viola o princípio da isonomia, bem como o da moralidade administrativa, e acarreta um enriquecimento ilícito da Administração Pública. Ao final, a interessada protesta ainda pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a documental e pericial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por intermédio da 8ª Turma, no Acórdão nº 14052.484, sessão de 29/07/2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo por vício de motivação o despacho decisório que descreve, textualmente, as razões pelas quais as compensações não foram homologadas integralmente. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de apreciar, em primeira instância, as Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 220 4 impugnações e manifestações de inconformidade. Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não se cogita, logicamente, da instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Não se conhece do pedido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. PER/DCOMP. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. EFEITOS. A apresentação da DCOMP é um ato, de iniciativa unilateral exclusiva do sujeito passivo, que modifica um direito, qual seja, a utilização de um alegado direito creditório na extinção de um débito tributário, sob condição resolutória. A DCOMP é uma declaração de vontade e, como tal, ela deve ser inequívoca. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário reprisando as mesmas matérias de impugnação e reproduzindo, quase em sua totalidade, o mesmo texto para argumentar seu inconformismo com a homologação parcial da DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cumpre assinalar que em sede de segunda instância administrativa federal o objeto de julgamento é o recurso voluntário e não a impugnação ou manifestação de inconformidade. Assim, o que se enfrenta nesta instância é o inconformismo do contribuinte em face do que restou decidido na Delegacia Regional de Julgamento. No presente caso, a contribuinte combateu em sede de manifestação de inconformidade o despacho decisório que homologou parcialmente a declaração de compensação nº 39684.54877.271204.1.7.014540. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 221 5 Irresignouse contra a decisão de homologação parcial suscitando, em preliminar, a (i) nulidade do ato administrativo por ausência de motivação e (ii) a inexistência de prova material contra a contribuinte. No mérito, contesta (iii) a homologação parcial da Decomp, (iv) o dever da fiscalização de proceder as compensações de ofício quando da existência de créditos dos contribuintes, e (v) a possibilidade de correção do crédito pela taxa SELIC. Verificase nos autos, que a contribuinte limitouse, em sede de Recurso Voluntário, a reescrever, quase na totalidade, a impugnação apresentada no tocante às matérias de mérito, repisando os mesmos fundamentos e argumentos com a transcrição literal de seu texto. Dispõe o § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Dessa forma, diante da ausência de novas razões de defesa capazes de alterar meu entendimento quanto às matérias em litígio e por concordar plenamente com os fundamentos e posição dos julgadores da DRJ/Ribeirão Preto, proponho a confirmação e adoção da decisão exarada no Acórdão nº 14052.484, com fulcro no dispositivo acima transcrito. Transcrição da decisão no Acórdão nº 14052.484: "Voto [...] 2 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Defende a interessada a nulidade do Despacho Decisório por nela não constarem os fundamentos de decidir em toda a sua amplitude, pois não haveria, segundo suas palavras, qualquer informação, muito menos fundamentação, suficiente a esclarecer os motivos pelos quais a compensação não foi integralmente reconhecida. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 222 6 No que se refere às nulidades, no contencioso administrativotributário federal, o PAF trata em seus artigos 59 e 60: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Sob a luz do PAF, haveria nulidade se a ausência de motivação ensejasse preterição do direito de defesa. No entanto, não é o que se verifica. Ao argüir da ausência de motivação, a manifestante admite, implicitamente, uma inapropriada desatenção aos termos contidos no Despacho Decisório e respectivos demonstrativos, porque ali se lê (efl. 4): Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 917.447,48 Valor do crédito reconhecido: R$ 917.447,48 O valor do crédito solicitado/utilizado foi integralmente reconhecido. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 39684.54877.271204.1.7.014540. Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 03790.65276.161204.1.1.017429. Logo no início, vêse que a autoridade administrativa circunscreveu o crédito objeto da análise às “informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados”, quais sejam o PER nº 03790.65276.161204.1.1.017429 e o 4º trimestre de 2002. Em seguida, consta que o crédito pleiteado foi integralmente reconhecido, porém “insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo”. Desta maneira, é impertinente afirmar que “não há prova contundente quanto à suposta inexistência do crédito ofertado em Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 223 7 compensação” (efl. 104), pois foi reconhecido na integralidade do pleito. Conforme se vê, o texto do Despacho Decisório, acima reproduzido, é suficientemente claro quanto aos motivos da homologação parcial da compensação, permitindo plenamente ao homem médio, com uma mínima capacidade de interpretação de textos, a correta compreensão do ocorrido, ou seja “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo”. E mais, o demonstrativo da compensação (efl. 7) não deixa dúvidas sobre a amortização do débito, obtida da compensação. Isto é tanto verdade que, embora afirme o contrário, a interessada demonstra uma perfeita compreensão dos motivos que levaram à homologação parcial da compensação, pois é exatamente o que ataca no item III (Do Mérito) da Manifestação de Inconformidade (efls. 105/115), não tendo havido assim qualquer prejuízo ao exercício de sua defesa. Ao reclamar da ausência de fundamentação, a manifestante aduz que não houve apontamento do artigo legal infringido, reportandose à Lei nº 9.363, de 1996, à Lei nº 10.276, de 2001, e ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que versam sobre o direito ao aproveitamento dos créditos. Ocorre que as leis nº 9.363, de 1996, e nº 10.276, de 2001, tratam do crédito presumido de IPI, pleiteado pela interessada e reconhecido integralmente pelo Fisco. Deste modo, não há o que se falar em artigo legal infringido. Quanto ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é o dispositivo legal que autoriza a pretendida compensação. Talvez a manifestante esteja a confundir o procedimento de análise do direito creditório com o de aplicação de penalidades. Somente aplicase a penalidade quando há cometimento de infração, diante de uma expressa previsão legal. In casu, não houve aplicação de penalidade; a análise centrouse na consistência das informações declaradas, possibilitando que a Administração pudesse reconhecer o crédito como pleiteado e homologasse o procedimento adotado pela interessada no limite do crédito oferecido em compensação. Portanto, totalmente despropositadas as alegações preliminares de nulidade, eis que o ato decisório foi lavrado por servidor competente e sem preterição do direito de defesa. No mais, as discordâncias quanto à decisão, tratamse de análise de mérito. 3 PRODUÇÃO DE PROVAS Antes de adentrar ao mérito da lide, enfrentase de plano o que consta ao final da manifestação, quando a interessada requer a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a documental e pericial. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 224 8 Importante lembrar que o decreto regulador do PAF aborda a questão no seu art. 16 e parágrafos: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Do que se apreende dos supracitados dispositivos, o momento da apresentação das provas é na impugnação e a juntada de documentos após este momento somente é permitida nas situações expressamente previstas, que não Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 225 9 estando devidamente demonstradas ou caracterizadas, deve o pedido de produção adicional de provas ser indeferido. Quanto à perícia, considerase o pedido não formulado quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. 4 MULTA MORATÓRIA E DENÚNCIA ESPONTÂNEA A amortização do débito compensado foi parcial porque houve a incidência dos acréscimos legais, incrementando o valor do montante consolidado na data da compensação. A manifestante discorda deste procedimento, alegando, em suma, que, em consonância com o art. 138, CTN, efetuou o pagamento do tributo devido, acrescido de juros e correção, não podendo o Fisco exigir a multa moratória de 20%. Em primeiro lugar, importa observar que há um flagrante erro conceitual na argumentação esposada pela manifestante. Não se confunde a compensação com o pagamento. É o que se extrai do art. 156, CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV a remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do art. 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado; XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Inciso incluído pela LCp 104, de 10/01/01) Embora tenham o mesmo efeito, qual seja, a extinção do crédito tributário, todas as onze hipóteses elencadas pelo CTN referemse às diferentes formas de obtêlo. São institutos completamente diferentes, os quais o próprio Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 226 10 CTN cuidou de distinguilos. Há uma seção inteira do CTN (Seção II, Capítulo IV, Título III) dedicada ao pagamento, enquanto a compensação encontrase inserida na Seção IV do mesmo Capítulo (Demais Modalidades de Extinção), abordada pelos artigos 170 e 170A do CTN. O art. 138, CTN, estabelece que a denúncia espontânea, “acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, excluem a responsabilidade pela infração. Neste contexto, não existem dúvidas quanto à exigência da apresentação do “pagamento” juntamente com a denúncia, entendimento este, há muito, pacífico nos tribunais pátrios e na doutrina nacional. CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Em segundo lugar, é a própria legislação tributária que impõe a exigência dos consectários legais, conforme é possível inferir dos dispositivos a seguir colacionados. CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifouse) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 (vigente à época dos fatos): Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 227 11 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (grifouse) § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (grifouse) (...) Art. 51. (...) § 5º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. (grifouse) Em terceiro lugar, ao alegar que efetuou o pagamento do tributo acrescido de juros e correção, a manifestante se contradiz, pois é ela quem declara que pretende compensar os exatos R$ 917.447,48 a título de principal, sem os acréscimos. A confirmar, consta nas páginas 3 e 4 do PER/DCOMP nº 39684.54877.271204.1.7.014540 (efls. 13/14) o detalhamento do débito compensado: DÉBITOS COMPENSADOS (...) DATA DE VENCIMENTO: 15/03/2004 PRINCIPAL 917.447,48 MULTA 0,00 JUROS 0,00 TOTAL 917.447,48 Lembrando que a Declaração de Compensação é uma declaração de vontade, de iniciativa exclusiva da contribuinte, e que produz efeitos jurídicos sobre o crédito tributário da União, a sua alteração somente é possível por meio do Pedido de Retificação ou, em sede do contencioso, se comprovado o erro. Não consta nos autos qualquer elemento que possa demonstrar ou comprovar algum possível erro na discriminação do débito declarado. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 228 12 fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. Tratase de postulado do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), adotado de forma subsidiária na esfera administrativotributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 5 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO No intuito de preservar a extinção dos débitos oferecidos em compensação, a interessada defende que (efls. 110/111): Por outro ângulo, mesmo se admitíssemos a impossibilidade de “salvabilidade” dos dados informados nas compensações, restaria, ainda, o dever da Administração Pública de proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados em compensação. Intenta, com isso, transferir ao Fisco a responsabilidade por um ato que a Lei estipulou como sua. Frisese que a DCOMP é uma declaração de vontade instituída pela Lei, que determinou a sua obrigatoriedade na situação em que a contribuinte pretende efetuar compensação tributária. Sendo assim, ela deve ser inequívoca. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que modificou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduziu profundas alterações no instituto da compensação tributária, estabelecendo que a compensação é efetuada mediante a entrega de “declaração de compensação”, na qual devem ser identificados pela declarante, correta e explicitamente, os créditos e débitos a serem compensados: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 229 13 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Portanto, a entrega da declaração de compensação (DCOMP) é um ato, de iniciativa unilateral exclusiva do sujeito passivo, que modifica um direito, qual seja, a utilização de um alegado direito creditório na extinção de um débito tributário, sob condição resolutória. Na DCOMP, a interessada deve oferecer um determinado crédito que possua, líquido e certo, para efetuar a compensação dos débitos por ela indicados. Créditos e débitos devem ser inequivocamente identificados pela interessada, sem o que não se opera a compensação. 6 CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO DE RESSARCIMENTO DE IPI A interessada defende a correção de seus créditos de ressarcimento de IPI. Antes de mais nada, há que se destacar que o valor do direito creditório a ser deferido à requerente deve limitarse ao montante do pedido. No presente caso, o crédito foi reconhecido de forma integral, no exato montante pleiteado pela interessada, de maneira que não se possibilita acatar uma solicitação, em sede de recurso, que ultrapasse os contornos do pedido. A bem da verdade, a matéria não foi submetida à apreciação da autoridade competente; não foi tratada no Despacho Decisório e nem foi suscitada quando da apresentação dos PER/DCOMP. Ao ser abordada na manifestação, emergese um novo pedido. Tratase claramente de um novo pedido, não apreciado pela unidade preparadora, qual seja a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Curitiba (PR). Não compete a esta instância julgadora administrativa a apreciação de tais pedidos. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), enquanto órgãos integrantes da estrutura encarregada das atividades do contencioso administrativo tributário, é de a de apreciar, em primeira instância, após instaurado o litígio, as impugnações e manifestações de inconformidade contra atos praticados pela autoridade preparadora (não qualquer ato). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 230 14 A competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento encontrase delineada no art. 233 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (grifouse) I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. (grifouse) Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não se cogita, logicamente, da instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Portanto, não há sentido em discutir o assunto. Cumpre, assim, não tomar conhecimento da Manifestação de Inconformidade, especificamente em relação a esta matéria. 7 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório. Voto também por não tomar conhecimento da Manifestação de Inconformidade, especificamente em relação à correção do crédito de ressarcimento de IPI. Conclusões 1. Inexiste nulidade do despacho decisório por vício de motivação pois há descrição das razões da não homologação integral das compensações. 2. Rejeitase a alegação de "inexistência de prova material para o indeferimento do pedido de restituição" pois é ônus da contribuinte fazer prova da certeza e liquidez de seu direito creditório. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10980.920582/200956 Acórdão n.º 3201004.349 S3C2T1 Fl. 231 15 3. Inaplicável a denúncia espontânea com fins à exclusão da multa moratória no pagamento de débito tributário em procedimento de compensação. Ademais, s débitos para com a União não pagos no vencimento sujeitamse aos acréscimos legais de juros e multa de mora, em consonância com a legislação tributária. 4. É dever do contribuinte em procedimento de compensação demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito; incabível a inversão desse ônus. 5. A atualização dos créditos do contribuinte somente é permitido de acordo com o disposto na legislação. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.904390/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.542
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS. Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição indeferido por despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14045327. Intimada desta decisão a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 04 39 0/ 20 11 -8 1 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13851.904390/201181 Resolução nº 3402001.542 S3C4T2 Fl. 153 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98 e na não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (ii) que as provas anexadas na Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.537, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902716/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.537): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, especificamente quanto ao período de apuração de 04/2003. Observese a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu crédito. Contudo, esses documentos não foram apreciados pela r. decisão recorrida sob o argumento de que teriam apenas valor indicativo: "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em excertos de livros contábeis ou fiscais se demonstrada a observância das formalidades (termos e abertura e encerramento, e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos: (...) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13851.904390/201181 Resolução nº 3402001.542 S3C4T2 Fl. 154 3 No caso dos documentos juntados aos autos pela interessada, constatase que não cumprem tais formalidades. Em suma, os documentos apresentados, embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos. Além disso, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, acima transcrito." (efl. 111) Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando sanar a questão meramente formal apontada pela r. decisão, o contribuinte acostou aos autos, no Recurso Voluntário, os termos de abertura e encerramento do livro razão. Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º 9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com base nos julgamento do Supremo Tribunal Federal, que "externe de dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente deveriam ter sido considerados pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, isto é, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços." Além disso, discutese ainda a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins": "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13851.904390/201181 Resolução nº 3402001.542 S3C4T2 Fl. 155 4 aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, segregando na memória de cálculo os valores relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte, identificando: (i) se as parcelas relacionadas como "OUTRAS RECEITAS" não se enquadram no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos); e (ii) a sistemática adotada para o cálculo do ICMS excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13851.904390/201181 Resolução nº 3402001.542 S3C4T2 Fl. 156 5 alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13851.904390/201181 Resolução nº 3402001.542 S3C4T2 Fl. 157 6 do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000444/2009-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 04 44 /2 00 9- 41 Fl. 180DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2007, anocalendário de 2006, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ São Paulo II de f. 94/103. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 108/118. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10825.000444/200941 Acórdão n.º 2001000.461 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam as despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 182DF CARF MF 4 José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10825.000444/200941 Acórdão n.º 2001000.461 S2C0T1 Fl. 4 5 diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906857/2012-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 57 /2 01 2- 91 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 108 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins no valor de R$ 16.135,13, relativo ao período de apuração julho/2007, para a quitação de débitos de IRPJ (fls. 44 a 48). Por meio do despacho decisório à fl. 49, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da Cofins para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 43). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.383 (fls. 55 a 59), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 109 3 Data do fato gerador: 31/07/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 28.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 61, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 62. Em seu recurso voluntário (fls. 63 a 73), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original e algumas notas fiscais de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em julho/2007 (fls. 74 a 104). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 110 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 111 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 112 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de Cofins no valor de R$ 99.673,78 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava ser o débito inferior, de apenas R$ 85.538,65, e que poderia utilizar a diferença para compensar débitos de IRPJ. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de Cofins confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 113 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 114 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 115 9 É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.906857/201291 Acórdão n.º 3002000.523 S3C0T2 Fl. 116 10 conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001210/2010-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para aceitar os recibos de e-fls. 56 a 59 (Gloria S Squarizi) e de e-fls. 79 a 89 (Ana Paula Vilani), e-fls. 90 a 101 (Renata Shiraisi), vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para aceitar os recibos de e-fls. 56 a 59 (Gloria S Squarizi) e de e-fls. 79 a 89 (Ana Paula Vilani), e-fls. 90 a 101 (Renata Shiraisi), vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Recorrente SALOME ELIASQUEVITCH MANTOVANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para aceitar os recibos de efls. 56 a 59 (Gloria S Squarizi) e de efls. 79 a 89 (Ana Paula Vilani), efls. 90 a 101 (Renata Shiraisi), vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 12 10 /2 01 0- 17 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 199 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 26/30), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2006. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$314,06 para saldo de imposto a pagar de R$7.395,31. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 25.750,00, consignando: Intimada contribuinte apresentou alguns recibos incompletos, em desacordo com a legislação, datados inclusive em domingos. Declarou pagamentos a 2 psicólogas, 3 dentistas e 1 terapeuta apresentando ao todo 48 recibos que totalizam R$25.750. Reintimada contribuinte não comprovou, nos termos da intimação, desembolso dos pagamentos declarados assim como não comprovou efetividade dos serviços prestados. Impugnação Cientificada à contribuinte em 16/4/2010, a NL foi objeto de impugnação, em 6/5/2010, à fl. 4/34 dos autos. Em 24/5/2012, a contribuinte voltou a se manifestar (fls.133/139). As manifestações da contribuinte foram assim sintetizadas na decisão de piso: Depois de se identificar e fazer um relato dos fatos, a contribuinte pugnou pela declaração de nulidade da autuação, sob o argumento de cerceamento do seu direito de defesa, alegando que a autoridade fiscal não indicara a quais profissionais as despesas, cujas deduções foram consideradas indevidas, referiamse, assim como, não especificou em que consistira a incompletude dos recibos apresentados, fato que lhe impediu de examinar a validade da negativa das deduções pleiteadas. Discorre sobre a legislação tributária e a jurisprudência administrativa para sustentar que a única exigência legal, para dedutibilidade de despesa realizada, é a apresentação de comprovante de pagamento onde esteja especificado o nome e o número de inscrição no CPF de seu beneficiário. Ressalta que não há a obrigatoriedade de que o pagamento da despesa se dê por meio de cheque ou por meio bancário, caracterizando, tal exigência, conceito subjetivo de parte de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 200 3 quem a faz, que não encontra amparo na lei. Salienta que somente na hipótese em que o beneficiário do rendimento se recuse a fornecer recibo é que a lei exige o cheque nominal para comprovar o respectivo pagamento. Adverte que a autoridade fiscal não cumpriu o disposto no artigo 50, inciso VII, e § 1º da Lei nº 9.784/99, ao deixar de observar que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando deixam de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão. Aduz que tem conhecimento de que os profissionais contratados não foram indagados pela Fiscalização se, efetivamente, emitiram os recibos ou se prestaram os serviços cobrados, ou ainda se os valores deles constantes foram declarados juntamente com as receitas por eles percebidas. Salienta que dúvida sobre a autenticidade dos recibos apresentados não foi suscitada e que a autoridade administrativa baseouse em meras presunções simples e em conceitos puramente pessoais para criar óbices à efetiva apuração da base de cálculo do tributo. Reportase ao artigo 845, § 1º, do RIR/99 (894, § 1º, do RIR/94) para alegar que, ressalvados os casos em que a lei instaure presunção a favor do Fisco, a ele incumbe o ônus da prova das infrações imputadas à contribuinte. Rebate que, inexistindo presunção legal em favor do Fisco, verificase a completa impossibilidade de a autoridade administrativa negar validade aos recibos apresentados, posto que não aponta os vícios ou nulidades neles constantes. Ao final, requer o cancelamento da Notificação de Lançamento lavrada. Por meio do instrumento de fls. 133/138, a contribuinte apresenta argumentação complementar àquela expendida na impugnação, onde, em suma, transcreve a Súmula CARF nº 40 e ressalta que somente na hipótese da existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz é que cabe exigir, do contribuinte, a comprovação do efetivo desembolso dos valores correspondentes às despesas médicas. A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 144/150): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantida a glosa de despesas médicas visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 201 4 Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 30/3/2016 (fl. 154), a contribuinte, em 27/4/2016 (fl. 156), apresentou recurso voluntário, às fls. 156/186, no qual alega, em apertado resumo, que: suscita a nulidade do processo administrativo, que não teria indicado quais as deduções foram glosadas, cerceando seu direito de defesa. teria deduzido despesas médicas no montante de R$26.000,00 mais o plano de saúde e não teria entendido a glosa do valor de R$25.750,00, já que não teria tido nenhuma despesa no valor de R$250,00. a falta de indicação dos profissionais glosados bem como dos motivos para não aceitação dos recibos juntados caracterizariam o cerceamento de defesa. o acórdão recorrido não teria justificado a não aceitação dos comprovantes, recibos, declarações dos profissionais e fichas de tratamento. no mérito, as despesas informadas seriam válidas e atenderiam os requisitos legais. a única exigência imposta na legislação seria a apresentação de comprovante com especificação do nome do profissional e seu CPF. as regras gerais do artigo 73 não poderiam exceder aquelas previstas nas regras especiais. os recibos e as declarações dos profissionais confirmariam a efetividade dos serviços prestados ao seu dependente. os serviços prestados por terapeutas ocupacionais e psicólogos não poderiam ser comprovados por fichas médicas ou exames e, quanto aos serviços de odontólogos, teria comprovado os serviços com as fichas médicas. não teria sido emitida súmula de documentação tributariamente ineficaz pata os profissionais declarados por ela. caberia a autoridade fiscal ter intimado os profissionais na busca da verdade ou ainda se esses declararam essas receitas. existiria na legislação uma presunção de veracidade quanto às informações prestadas pelos contribuintes, que só seria afastada se restasse provado que os documentos apresentados seriam inválidos ou viciados. o ônus da prova da inveracidade dos recibos seria da autoridade administrativa, já que não haveria na legislação de regência uma presunção em favor do Fisco. cita jurisprudência administrativa acerca do tema. a exigência do pagamento por cheque, transferência bancária, boletos ou saques seria ilegal, já que o pagamento em espécie não poderia ser recusado a teor do artigo 1º Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 202 5 do Decretolei nº 857, de 1969. A legislação acerca das despesas médicas também não imporia o pagamento sob uma dessas formas. Somente na hipótese da inexistência de recibo a lei exigiria o cheque nominal para comprovar o pagamento. a teor de jurisprudência judicial e administrativa, a exigência da comprovação da efetiva prestação do serviço e do desembolso seria admitida somente na hipótese de fundadas suspeitas de que o serviço não teria sido prestado. Voto Vencido Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade Em relação à preliminar de nulidade arguida, observase que o lançamento atende aos preceitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo sido omitida qualquer formalidade essencial ao lançamento. Constatase que a notificação de lançamento encontrase devidamente motivada, contendo especialmente a descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração atribuída à contribuinte, expressos de modo claro e completo. Sobre a argumentação da falta de especificação das despesas glosadas, transcrevese abaixo o que consta do Termo de Intimação Fiscal encaminhado à contribuinte (fl.45): 1, Comprovar o efetivo pagamento a Rubia M Guedes, Michele H Rego, Gloria S Squarizi, Renata Shiraisi e Ana Paula Vilani apresentando para tal cópias dos instrumentos financeiros, tais quais cheque nominal, transferência bancária, etc. Caso o pagamento tenha sido em dinheiro, comprovar a disponibilidade do numerário através de saque bancário (indicando saque caso apresente extrato bancário) ou outro meio em que o recurso fez se disponível, em data e valor compatível com o recibo ou nota fiscal. 2. Comprovação da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais acima citado tais como: relatório médico/odontológico, orçamento, ficha do paciente, raios x, exames médicos, prescrição e justificativa do tratamento, número de sessões, data e local em que foram efetivamente prestados os serviços (em relação a efetividade dos serviços, não Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 203 6 constitui elemento de prova para comprovação a mera declaração formulada pelos profissionais citados; no caso de despesas com próteses dentárias, exigese a comprovação com receituário odontológico e nota fiscal em nome do beneficiário); Por seu turno, a autuação consigna na descrição dos fatos: Intimada contribuinte apresentou alguns recibos incompletos, em desacordo com a legislação, datados inclusive em domingos. Declarou pagamentos a 2 psicólogas, 3 dentistas e 1 terapeuta apresentando ao todo 48 recibos que totalizam R$25.750. Reintimada contribuinte não comprovou, nos termos da intimação, desembolso dos pagamentos declarados assim como não comprovou efetividade dos serviços prestados. Do exame da declaração de ajuste DIRPF (fl.44) e dos recibos juntados no curso da ação fiscal, constatase que: a senhora Rúbia é psicóloga e a despesa declarada pela contribuinte com a profissional foi de R$5.000,00. a senhora Michele é psicóloga e a despesa declarada pela contribuinte com a profissional foi de R$1.900,00. a senhora Glória é dentista e a despesa declarada pela contribuinte com a profissional foi de R$2.850,00. a senhora Renata é terapeuta ocupacional e a despesa declarada pela contribuinte com a profissional foi de R$6.000,00. a senhora Ana Paula é dentista e a despesa declarada pela contribuinte com a profissional foi de R$10.000,00. o senhor Daniel é dentista e a despesa declarada pela contribuinte com o profissional foi de R$150,00. Para essa despesa, não houve intimação solicitando comprovação do efetivo pagamento/efetiva prestação do serviço, conforme termo de intimação acima reproduzido. A soma das despesas informadas com as profissionais Rúbia, Michele, Gloria, Renata e Ana Paula, mencionadas no termo de intimação, perfaz o montante de R$25.750,00, exatamente o valor da glosa levada a efeito na autuação. Assim, ao contrário do que alega a recorrente, é de se concluir que não existe dúvida quanto às despesas que compõem o valor glosado. Ademais, repisese, que a autuação contém o enquadramento legal da infração expresso de modo claro e que a descrição dos fatos permitiu que a contribuinte entendesse a infração a ela atribuída, bem como apresentasse sua defesa, não havendo que se cogitar de cerceamento do seu direito de defesa. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade arguida. Mérito Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 204 7 Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 205 8 Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos e declarações emitidos pelos profissionais seriam os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Tal poderdever da autoridade fiscal independe da existência de súmula de documentação ineficaz para os profissionais declarados. É preciso registrar que no presente lançamento a interessada não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamentos seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 206 9 Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Ressaltese que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimada a fazer a prova do efetivo pagamento e da efetividade dos serviços prestados (fl.44), só foram juntados pela recorrente recibos e declarações (fls. 54/71 e 79/126). Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 207 10 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Voto Vencedor Thiago Duca Amoni Redator designado Com todo o respeito ao entendimento da relatora, peço vênia para divergir do voto consignado. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 208 11 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 209 12 do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 210 13 o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10845.001210/201017 Acórdão n.º 2002000.465 S2C0T2 Fl. 211 14 no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Desta forma, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para aceitar os de efls. 56 a 59 (Gloria S Squarizi) e de efls. 79 a 89 (Ana Paula Vilani), efls. 90 a 101 (Renata Shiraisi), afastando referidas glosas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720423/2017-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Não havendo fundamentos judiciais e comprovações dos pagamentos indevidos, são indevidas as compensações efetuadas em GFIP - Guia de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, cabendo à Autoridade Competente proceder à não homologação daquelas.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. GLOSA.
A compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, condicionada à comprovação da origem dos créditos compensados. Serão glosados pela Administração Fazendária os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, quando não houver amparo legal, devida comprovação dos créditos ou decisão judicial transitada em julgado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA.
Não comprovado o recolhimento indevido de contribuições, não se evidencia qualquer crédito em favor do contribuinte, sendo cabível a glosa das compensações efetuadas.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza cerceamento de defesa a ausência do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal/TDPF no Processo Administrativo Fiscal. No mesmo sentido alegação de recusa, por parte de servidor da Receita Federal do Brasil, em receber documentos apresentados pelo contribuinte, uma vez não devidamente esclarecida e comprovada tal recusa.
Numero da decisão: 2402-006.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Não havendo fundamentos judiciais e comprovações dos pagamentos indevidos, são indevidas as compensações efetuadas em GFIP Guia de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, cabendo à Autoridade Competente proceder à não homologação daquelas. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. GLOSA. A compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, condicionada à comprovação da origem dos créditos compensados. Serão glosados pela Administração Fazendária os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, quando não houver amparo legal, devida comprovação dos créditos ou decisão judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovado o recolhimento indevido de contribuições, não se evidencia qualquer crédito em favor do contribuinte, sendo cabível a glosa das compensações efetuadas. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento de defesa a ausência do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal/TDPF no Processo Administrativo Fiscal. No mesmo sentido alegação de recusa, por parte de servidor da Receita Federal do Brasil, em receber documentos apresentados pelo contribuinte, uma vez não devidamente esclarecida e comprovada tal recusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 04 23 /2 01 7- 67 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 99 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucciu, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante do Acórdão nº 0134.416, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Belém/PA, fls. 62 a 67: Relatório Trata o presente acórdão da Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa City Service Segurança Ltda., CNPJ 37.077.716/000105, contra o Despacho Decisório nº 0056/2017 – Diort/DRFBrasília/DF, de 19/01/2017, o qual considerou não homologadas as compensações efetuadas através de GFIP, nas competências de 01/2013 a 13/2015, no valor total de R$ 10.234.771,87. Da auditoria das compensações Intimada através dos Termos de Intimação Fiscal 2016/230010100001000 (fls. 02) e 2016/2300010100001001 (fls. 03), a requerente não atendeu às intimações para demonstrar/detalhar a origem dos créditos utilizados nas compensações. Em função da omissão da apelante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF emitiu o Despacho Decisório nº 0056/2017, através do qual considerou não homologadas as compensações realizadas através de GFIP referente às competências de 01/2013 a 13/2015. Da Manifestação de Inconformidade Preliminar 01 – Ausência do Mandado de Procedimento Fiscal Alega a requerente cerceamento de defesa em função da ausência de cópia integral do Mandado de Procedimento Fiscal, Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 100 3 sem o qual, nas palavras da impugnante, resta impossível verificar a legalidade e legitimidade do procedimento fiscal. Preliminar 02 – Da nulidade do comunicado por preterição do direito de defesa Alega a requerente que são nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa, em vista do fato de um de seus funcionários ter comparecido ao CAC para protocolizar documentos, tendo sido impedido de realizar tal procedimento pois “conforme informação fornecida pelo próprio CAC o mesmo não realiza a juntada de documentos de processos administrativos de pessoa jurídica, CONFORME DECLARAÇÃO EM ANEXO”. Da origem dos créditos previdenciários Alega o contribuinte que a origem dos créditos utilizados na compensação são retenções de Contribuições Previdenciárias conforme notas fiscais em anexo à manifestação de inconformidade. Encerra requerendo a total nulidade do procedimento administrativo fiscal. (Grifos no original) Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Belém/PA, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, conforme dispositivo do Acórdão nº 0134.416, a seguir transcrito: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a presente Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa consignada no referido acordão: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Não havendo fundamentos judiciais e comprovações dos pagamentos indevidos, são indevidas as compensações efetuadas em GFIP Guia de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, cabendo à Autoridade Competente proceder à não homologação daquelas. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. GLOSA. A compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, condicionada à comprovação da origem dos créditos compensados. Serão glosados pela Administração Fazendária os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, quando não houver amparo legal, devida comprovação dos créditos ou decisão judicial transitada em julgado. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 101 4 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Não comprovado o recolhimento indevido de contribuições, não se evidencia qualquer crédito em favor do contribuinte, sendo cabível a glosa das compensações efetuadas. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento de defesa a ausência do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal/TDPF no Processo Administrativo Fiscal. No mesmo sentido alegação de recusa, por parte de servidor da Receita Federal do Brasil, em receber documentos apresentados pelo contribuinte, uma vez não devidamente esclarecida e comprovada tal recusa. Cientificada da decisão, em 24/8/17, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 70, a contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fl. 50) apresentou o recurso voluntário de fls. 73 a 95, em 20/9/17, no qual traz as seguintes alegações, em síntese: PRELIMINAR 01 – AUSÊNCIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – DA TOTAL NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL EM TELA [...] não consta no processo administrativo em epígrafe, cópia integral do Mandado de Procedimento Fiscal, sem o qual resta impossível verificar a legalidade e legitimidade do procedimento fiscal em comento. [...] Por todos os argumentos declinados, evidente o cerceamento de defesa da recorrente tendo m vista que o próprio Mandado de Procedimento Fiscal é elemento “sine qua non” para quaisquer medidas da autoridade fiscal e ressalta como imanente a elaboração da peça recursal, até para verificar se os atos subsequentes realizados pelo auditor ou por aquele que expediu ou poderia ter expedido o Mandado de Procedimento Fiscal estão de acordo com as disposições legais ou, inclusive, com a sua competência territorial. [...] PRELIMINAR 02 – DA NUIDADE DO COMUNICADO POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. [...] Como se não bastasse a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal, a recorrente compareceu ao CAC através de seu funcionário a fim de protocolizar documentos, contudo restou impedido de realizar o protocolo já que conforme informação fornecida pelo próprio CAC o mesmo não realiza a juntada de documentos de processos administrativos de pessoa jurídica. CONFORME DECLARAÇÃO EM ANEXO. Desta forma, materializada assim prejuízo a ampla defesa da recorrente. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 102 5 MÉRITO DA ORIGEM DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS Referidos créditos tributários utilizados no procedimento de compensação proveem de retenções de contribuições previdenciárias realizadas nos anos de 2006 e 2007, conforme notas fiscais em anexo e presente impugnação, as quais demonstram que existiram retenções nestes períodos passíveis de utilização, como o foram, pela recorrente, indevidamente glosadas pela autoridade fazendária na medida que sem razoabilidade não dilatou o prazo para a entrega das notas fiscais em apreço. Desse modo, sem razão o fundamento utilizado pela autoridade fazendária em glosar as compensações realizadas, na medida que as notas fiscais, em anexo, bem demonstram que existiram retenções nas mesmas de contribuições previdenciárias passíveis de compensação. Como se vê, o crédito da recorrente é próprio e lastreado em retenções nos anos de 2006 e 2007, conforme notas fiscais em anexo, merecendo a improcedência da glosa realizada bem como da multas aplicadas. (sic) [...] DO PEDIDO Ante o exposto requer que seja o presente recurso recebido em seu efeito suspensivo nos moldes do art. 151, III do CTN e, demonstrada a insubsistência do lançamento/auto de infração pela nulidade dos seus atos com vista nos fundamentos acima declinados, seja recebido, processado e acolhido o presente recurso [...]. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das razões recursais Cotejando as razões recursais com as razões consignadas na primeira peça defensiva, constatase que o presente recurso voluntário corresponde a uma cópia ipsis litteris da manifestação de inconformidade de fls. 27 a 49. Dessa forma, nos termos do art. 57, § 3º, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 103 6 Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, transcreveremos, no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: Preliminar 01 – Ausência do Mandado de Procedimento Fiscal Improcedente a alegação do contribuinte acerca do cerceamento de defesa face à impossibilidade de verificação da legalidade e legitimidade do procedimento fiscal em função da ausência de cópia integral do Mandado de Procedimento Fiscal no processo administrativo, tendo em vista constar do Termo de Intimação às fls. 10, o código de acesso 17142401 através do qual é possível verificar a autenticidade e integralidade do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal/TDPF no site da Receita Federal do Brasil/RFB. Acrescentese que a requerente poderia consultar o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal, que substituiu o Mandado de Procedimento Fiscal, desde 21/09/2016, data em que tomou ciência do Termo de Intimação acima citado, através do qual foilhe informado o código de acesso, não sendo necessário aguardar a consulta ao presente processo administrativo, o qual somente foi solicitada pela requerente em 24/01/2017. A título de informação, a Portaria RFB nº 3.014/2011, utilizada pela requerente como fundamento para suas alegações acerca da ausência de MPF no presente processo administrativo, foi revogada pela Portaria RFB nº 1.687/2014, DOU 18/09/2014. Além disso, a manifestação de conformidade apresentada deixa evidente que a impugnante detém perfeito conhecimento dos fatos tratados no Despacho Decisório nº 0056/2017, considerando que os contesta plenamente, alegando apresentação de documentos que teriam o condão de comprovar a origem dos créditos compensados. Portanto, não há que se falar em prejuízo ao exercício das garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório, posto que a requerente o exerceu plenamente, afastando, assim, a hipótese de nulidade. Confira acórdão, neste sentido, do Conselho de Contribuintes: NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO. DOS FATOS INCOMPLETA IRF Anos: 1991 a 1993 O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 104 7 cerceamento do direito de defesa. (Acórdão n.º 104 17.364, de 22/02/2000, 1.º CC) (grifei) Preliminar 02 – Da nulidade do comunicado por preterição do direito de defesa A requerente também alega cerceamento de defesa em função de que um de seus funcionários teria comparecido ao CAC para protocolizar documentos mas teria sido impedido pois, conforme informação recebida, o CAC não realiza juntada de documentos de processos administrativos de pessoa jurídica, “conforme declaração em anexo”. A requerente, entretanto, não apresentou a referida declaração, nem qualquer informação ou esclarecimentos complementares acerca do episódio, tais como a data em que teria ocorrido e/ou o atendente que teria se recusado a receber a documentação. O episódio, portanto, não foi devidamente esclarecido pelo requerente, no bojo desta manifestação de inconformidade, de forma a comprovar o impedimento de entrega de documentos por parte do contribuinte e consequente cerceamento de defesa. Cabe ressaltar que o contribuinte foi intimado duas vezes, através dos Termos de Intimação Fiscal 2016/230010100001000 (fls. 02) e 2016/2300010100001001 (fls. 03), para prestar esclarecimentos através do Portal eCAC, de acordo com os termos de intimação às fls. 02/03, mas não o fez em nenhuma das ocasiões. Por outro lado, o Auditor Fiscal responsável pelo procedimento está devidamente identificado nos referidos termos de intimação, sendo absolutamente possível ao contribuinte contatálo, através da própria delegacia. Rejeitada, portanto, a preliminar de nulidade do comunicado por preterição do direito de defesa. Da origem dos créditos previdenciários A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário previsto nos arts. 156, inciso II, e 170, caput, do Código Tributário Nacional/CTN, Lei 5172/1972. Quanto às Contribuições Previdenciárias, a compensação tem previsão no art. 89 da Lei 8212/1991, bem como nos art. 56 a 59 da Instrução Normativa RFB 1300/2012. A extinção do crédito tributário, entretanto, ocorre sob condição resolutória de ulterior homologação, a ser realizada pela Receita Federal do Brasil/RFB, mediante comprovação da existência e liquidez dos referidos créditos, constituindose direito subjetivo do contribuinte realizar por sua iniciativa compensações de valores recolhidos indevidamente, sem qualquer participação do Fisco. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10166.720423/201767 Acórdão n.º 2402006.693 S2C4T2 Fl. 105 8 O requerente não atendeu às duas intimações da auditoria para detalhar, via Portal eCAC, a origem dos créditos utilizados. Alegou, no curso desta manifestação, ter comparecido ao CAC para entregar documentos e que o atendente teria se recusado a recebêlos, sem, contudo, apresentar qualquer comprovação do episódio. Na presente manifestação, informou que as compensações foram efetuadas em GFIP a partir de créditos oriundos de retenções a ser comprovadas mediante notas fiscais anexas. Entretanto, os únicos documentos anexados à presente Manifestação de Inconformidade foram a procuração (fls. 50) que confere poderes ao Sr. Germano César de Oliveira Cardoso, OAB28.493/DF, que assina a manifestação, para representar a requerente perante a Receita Federal do Brasil, entre outros órgãos, a identidade de advogado do Sr. Germano (fls. 51), o comprovante do CNPJ da requerente (fls. 52) e, por último, a 27ª alteração contratual e consolidação da City Service Segurança Ltda. Cabe ressaltar que, em consulta aos sistemas da RFB, identificamos várias Declarações de Imposto Retido na Fonte/DIRF, anoscalendário 2013 a 2015, referentes à remuneração por serviços prestados, compatível com o CNAE da apelante (80.1101 – Atividades de vigilância e segurança privada). Entretanto, não consta de qualquer das referidas declarações informações acerca de retenção na fonte a título de Contribuição Previdenciária, não se evidenciando, portanto, qualquer crédito em favor do sujeito passivo. Diante dos fatos narrados, irretocável o procedimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF que considerou não homologadas as compensações em GFIP referentes às competências de 01/2013 a 13/2015. (Grifos no original) Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913824/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 82 4/ 20 12 -3 5 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913824/201235 Resolução nº 1302000.688 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913824/201235 Resolução nº 1302000.688 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913824/201235 Resolução nº 1302000.688 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 182DF CARF MF
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