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Numero do processo: 12267.000436/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/09/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que limitavam a multa nos termos do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 04 36 /2 00 8- 12 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que limitavam a multa nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000436/200812 Acórdão n.º 2401003.655 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.123.2848, em desfavor da recorrente originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 18 e seguintes a empresa havia informado, por meio de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, os corretos segurados com os respectivos valores de base de cálculo nas competências 03/06 a 10/06 para o estabelecimento 33437435/000157. Porém, transmitiu posteriormente para o citado estabelecimento GFIP's para estas competências com o mesmo código de recolhimento e FPAS, declarando um número reduzido de segurados. Assim sendo, a Previdência entende este procedimento como uma retificação de informações, desconsiderando as declarações anteriormente enviadas. Face ao exposto, houve omissão de informação à Previdência Social. Afim de fazer prova da infração cometida, seguem, em anexo, as telas do sistema informatizado "GFIPWEB" contendo todas as GFIP's enviadas para as competências 03 a 0 5 / 2 0 0 6 , para o estabelecimento 3 3 . 4 3 7 . 4 3 5 / 0 0 0 1 5 7 , bem como os totais de base de cálculo por categoria das GFIP's que t i n h am sido enviadas com todos os trabalhadores e das GFIP's enviadas posteriormente, que causaram supressão de informações no banco de dados da Previdência Social. Para complementar o processo, também f o r am anexadas planilhas das competências 03 a 10/2006 contendo a relação de todos os segurados e seus respectivos salários de contribuição tanto para as GFIP's onde consta a correta declaração, como também para as GFlP's enviadas posteriormente. A multa aplicada pela infração cometida é de R$ 424.271,15 (quatrocentos e v i n te e quatro mil e duzentos e setenta e um reais e quinze centavos), que corresponde a 1 0 0% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos §§ 4.o e 5.° do a r t . 32 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 , com redação dada pela Lei 9 . 5 2 8 / 9 7 , c/c art. 284, inciso I I , do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3 . 0 4 8 / 9 9 , e alterações posteriores, c/c art. 92 e art. 102 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 , calculada conforme planilhas constantes no i t em " 4 " do Relatório Fiscal da Infração, que constituem partes integrantes do presente relatório. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 119 a 123. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 145 a 152. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/10/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO . A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, e § 5o , da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, combinado com o artigo 225, IV, § 4 o do Regulamento de Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 180 a 185, onde traz argumentos inovando, quanto a ilegalidade de cumulação de multa isolada e multa de ofício. Assim, questiona a aplicação da multa isolada, decorrente da violação do dever de informar os fatos geradores de tibuto à Fazenda Pública cumulada com a multa de ofício, devida em casos de não pagamento do imposto. Alega que além do AI, foram lavradas NFLD, nos quais constam multas de ofício, cuja base de cálculo é a mesma da multa isolada. Requer ao final a nulidade do AI. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000436/200812 Acórdão n.º 2401003.655 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 225. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Observase que o recorrente em sua impugnação alegou nulidade face cerceamento do direito de defesa, fato que restou afastado pela autoridade julgadora, ao identificar que o relatório fiscal e seus anexos, identificaram de forma detalhada todos os fatos geradores omissos em GFIP. Contudo, na fase recursal, trouxe o recorrente novas alegações acerca da nulidade do lançamento pela cumulatividade de multa isolada aplicada no presente AI e multa de ofício nas NFLD. No que diz respeito a referida nulidade, entendo que não havendo o recorrente impugnado na época oportuna a multa imposta na autuação , não poderá fazêlo no recurso, face a preclusão.. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Apenas, como vista a afastar qualquer alegação de que a nulidade argüida, repousa na seara da ordem pública, podendo ser alegada em qualquer esfera, destaco, que a multa imposta no presente aí, conforme descrito acima, nasce pelo ausência de informações de fatos geradores em GFIP, ou seja, não se confunde com a multa de mora imposta na NFLD, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 lavrada durante o mesmo procedimento, razão pela qual não há que se falar em cumulatividade de multas aplicadas, muito menos na existência de qualquer nulidade. Por fim, a NFLD (PROCESSO 12.267.000386/200873, DEBCAD N. 37.123.2830), lavrados durante o mesmo procedimento, já foram julgados, sendo que a procedência do mesmo e das contribuições devidas dos segurados e destinadas a terceiros, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória. Transcrevo abaixo a decisão do Acórdão 2301004.07113, referente a parcela patronal: Relator(a): ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO Processo: 12267.000386/200873 Recorrente: SATA SERV AUXILIARES DE TRANSP AÉREO SA e Recorrida:FAZENDA NACIONAL Acórdão 2301004.07113 DECISÃO: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito,para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica àRecorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Andrea BroseAdolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidadede votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nostermos do voto do(a) Relator(a).Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Por fim, a NFLD (PROCESSO 12.267.000152/200826, DEBCAD N. 37.123.2864), lavrados em relação aos mesmos fatos geradores, já foram julgados, sendo que a procedência do mesmo e das contribuições devidas dos segurados e destinadas a terceiros, apenas ratifica a omissão em GFIP, e por consequência a procedência do AI de obrigação acessória. Transcrevo abaixo a ementa do acórdão 240102.406 referente a parcela patronal: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONFRONTO GFIP x GPS Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas. Recurso Voluntário Negado Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000436/200812 Acórdão n.º 2401003.655 S2C4T1 Fl. 5 7 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. QUANTO A MULTA IMPOSTA MULTA Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000436/200812 Acórdão n.º 2401003.655 S2C4T1 Fl. 6 9 Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13671.000022/2003-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas integram o cálculo do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, a teor da Súmula 494 do STJ.
CRÉDITO DE IMPOSTO INCIDENTE SOBRE INSUMOS NÃO INCORPORADO AO PRODUTO FINAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
Não é assegurado o aproveitamento de crédito de IPI de insumos entrados no estabelecimento industrial ou equiparado, destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, que não sejam vinculados diretamente ao produto final.
APROVEITAMENTO DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO NA DETERMINAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO.
É assegurada a inclusão na base de cálculo pára determinação do direito ao crédito presumido dos valores dos insumos adquiridos de pessoa física, desde que sejam vinculados diretamente ao produto final.
Numero da decisão: 3403-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte apurar o crédito presumido em relação às aquisições de carvão junto a pessoas físicas.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Felipe Sawaya Batista e Ivan Alegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas integram o cálculo do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, a teor da Súmula 494 do STJ. CRÉDITO DE IMPOSTO INCIDENTE SOBRE INSUMOS NÃO INCORPORADO AO PRODUTO FINAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Não é assegurado o aproveitamento de crédito de IPI de insumos entrados no estabelecimento industrial ou equiparado, destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, que não sejam vinculados diretamente ao produto final. APROVEITAMENTO DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO NA DETERMINAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. É assegurada a inclusão na base de cálculo pára determinação do direito ao crédito presumido dos valores dos insumos adquiridos de pessoa física, desde que sejam vinculados diretamente ao produto final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte apurar o crédito presumido em relação às aquisições de carvão junto a pessoas físicas. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 1. 00 00 22 /2 00 3- 70 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Felipe Sawaya Batista e Ivan Alegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 2º trimestre de 2001. A irresignação trazida nestes autos se refere à exclusão do cálculo do benefício de que tratam a Lei nº 9.363/96 de itens que não se revestem a condição de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem em consonância com a legislação do IPI. Foram excluídos também do cálculo as aquisições de carvão vegetal adquiridos de pessoas físicas, bem como, valores incluídos no cálculo cuja nota fiscal deixou de ser apresentadas, as notas fiscais de entrada emitidas, quando já estia o documento fiscal emitido pelo fornecedor e de notas fiscais consideradas inidôneas pelo Fisco estadual. Negouse, também, a atualização por meio da Taxa Selic por falta de previsão legal, e, outros itens incluídos no cálculo por ausência de prova concreta. Consta dos autos que a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de créditos do IPI e declaração de compensação. A empresa foi submetida a procedimento fiscal com o objetivo de constatar a procedência dos créditos pleiteados, sendo que, o resultado da ação fiscal reconheceu: a) A procedência de parte do crédito presumido do IPI apurado no 1o trimestre/2001; b) O crédito teria sido integralmente utilizado, conforme planilha elaborada pela Fiscalização e acostadas aos autos, para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno em períodos de apuração subseqüentes, conforme determinado pelo artigo 4o da Portaria MF número 38, de 27 de fevereiro de 1997; c) Glosas, exclusões da base de cálculo de insumos que não se enquadram nos conceitos de matériasprima, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustível; d) Exclusão da base de cálculo de aquisições efetuadas de não contribuintes do PIS/PASEP e COFINS (pessoas físicas); Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13671.000022/200370 Acórdão n.º 3403003.016 S3C4T3 Fl. 11 3 e) Exclusão da base de cálculo de aquisições cujas notas fiscais deixaram de ser apresentadas e aquelas consideradas inidôneas, e, notas fiscais de entrada emitidas pela Interessada, quando constatado o documento emitido pelo fornecedor; excluídos do cálculo os documentos fiscal considerado inidôneo pelo Fisco estadual. Alega que não procede a acusação de que todo o crédito presumido de IPI teria sido glosado sob o fundamento de que os referidos créditos teriam sido aproveitados em compensação com o IPI devido em períodos subseqüentes, além das exclusões dos valores referentes aos materiais, por entender que nenhum destes tem contato físico ou exercem uma ação direta sobre o produto em fabricação (ferro gusa), razão nenhuma assiste o Fisco, pois tratam de materiais necessários ao processo de produção, assim sendo, constituem matéria prima, que os documentos trazidos à colação confirmam que a empresa jamais aproveitou o crédito em período subseqüente. Aduz a recorrente que a glosa de gastos como energia elétrica, óleo diesel, oxigênio e outros matéria não pode prevalecer, devem, sim, ser incluídos no cálculo da determinação do percentual, pois independem de contato direto, são considerados produtos intermediários, posto que se trate decomponente diretamente ligado ao processo industrial, no mesmo rol os materiais excluídos como: energia elétrica, óleo diesel, oxigênio, tímpa, bocais de escória, ventaneiras, ferros, aços, tubos, chapas, caxetas, brita, concreto refratário, lingoteiras, peneiras. A Interessada combate uma a uma às exclusões e faz breve relato do emprego de cada um dos itens excluídos. Sustenta em razões recursais o risco do julgamento dos pedidos de ressarcimento antes do julgamento da Impugnação ao auto de infração concretizado nos autos do processo administrativo nº 10665.000677/200681, por tratar das mesmas partes, o mesmo assunto e em razão de englobar o mesmo período de apuração (2º trimestre de 2001) que vier decisões conflitantes. Alega a possibilidade do risco de vier decisões conflitantes, motivo pelo qual pede que seja declarada nula a decisão da DRJ. Sustenta também que os documentos que demonstram o desacerto da fiscalização encontram acostada a impugnação do auto de infração nos autos nº 10665.000677/200681, o que justificaria o julgamento em conjunto com a Manifestação de Inconformidade. Insiste pela atualização monetária pela Taxa de Juros Selic, traz à colação diversa julgados do CARF, inclusive da Câmara Superior, a possibilidade de atualização. Discorda às completas da exclusão do cálculo da energia elétrica, óleo diesel e oxigênio, consequentemente, que há equivocam pelo Fisco quanto à interpretação da orientação do Parecer Normativo CST nº 65/1979. Descreve sucintamente o emprego dos materiais: Os bocais de escórias são utilizados dentro do altoforno, terminando sendo misturado à massa em fusão tornando desse modo matériaprima essencial a produção do ferro gusa; Ventaneiras – são ferramentas utilizadas para furar o altoforno, procedimento necessário ao escoamento do ferro gusa, considerado produtos intermediários; Tubos – por seu turno são utilizados escoamento e vasamento do ferro gusa, consumido imediatamente em contato com o produto em alto grau de temperatura; Chapas – são utilizadas na manutenção das vias de escoamento do ferro, essas é Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 substituída grande freqüência; Graxetas – utilizadas no interior das bombas, e, tem a função de evitar o aumento do líquido no interior delas, cuja vida útil é no máximo de seis meses; Lingoteiras, são formas utilizadas para dar forma de lingote ao ferro gusa, também desgastam diariamente em razão do contato do ferro gusa em alta temperatura; Cascalho (brito) é produto utilizado no interior do forno, fazendo com que se misture ao produto final. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuida de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Improcede parcialmente o que articulado pela Recorrente por várias razões, a primeira delas é em relação à exclusão da base de cálculo de valores de aquisições de insumos consumidos no processo produtivo, mas que não integram o produto final, para determinação do valor do Crédito Presumido de IPI. O benefício pleiteado é do crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições para os Programas de Integração Social e da Seguridade Social – COFINS. O IPI crédito presumido como ressarcimento deve atender as normas contidas na Lei n. 9.363/96, que regula, exclusivamente, o incentivo aos exportadores de produtos manufaturados. Neste contexto impõese o exame do disposto no art. 4o da Lei 9.363, que instituiu o referido incentivo. “Art. 4º Para os efeitos desta medida provisória, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista, quanto ao valor dos insumos, o constante da respectiva nota fiscal de venda ao exportador.” Parágrafo único. Utilizarseá subsidiariamente a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Para melhor análise, pedese licença para transcrever o art. 1o da Lei n. 9.363/1996: “Art. 1º Fica instituído, a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13671.000022/200370 Acórdão n.º 3403003.016 S3C4T3 Fl. 12 5 Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo.” Os valores desconsiderados referem às aquisições de peças cujo desgaste e o consumo se dá com o tempo de utilização do equipamento e, outros são utilizados na manutenção dos equipamentos. Desnecessário grande esforço para concluir no mesmo sentido da autoridade julgadora de piso em relação aos materiais que a Recorrente insiste em afirmar tratarse de produtos intermediários, com pequena exceção, que deseja ver incluído no cálculo do crédito presumido do IPI, basta, para tanto, uma rápida leitura da manifestação de inconformidade e do próprio recurso voluntário, para ter certeza que não assiste razão a recorrente. Tratase de aquisições de peças de reposição, algumas delas são parte integrante do altoforno de fundição do gusa e, outras são ferramentas consumidas durante a manipulação da fabricação do ferro gusa, que sofrem processo de desgaste em decorrência da alta temperatura do produto e do próprio forno. Tenho quanto à timpa, bocais de escória (ambos usados no interior do alto forno), ventaneiras utilizadas para injetar oxigênio no interior forno, peneiras, graxetas, bem como, os tubos, as chapas (usadas na manutenção das vias de escoamento do ferro gusa), revelam tratar de peças de reposição e alguns pertencerem ao ativo fixo. As chapas, segundo relato da Recorrente, são utilizadas como meio de locomoção, o fato de apresentarem desgaste rápido não às qualificam a condição de produtos intermediários ou matériaprima, pois parece para mim que não exercem qualquer efeito diretamente sobre o produto em fabricação. Não se integram ao produto e tampouco são consumidos diretamente no processo industrial. Como se vê essas partes não guarda qualquer vínculo com o produto fabricado, deixando, assim, de serem consideradas insumos básicos para produção do gusa. Portanto, tratase de aquisições de materiais que não se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, não fazem parte da base de cálculo para determinar o crédito presumido de IPI. Como se sabe os insumos utilizados na elaboração do produto final que não esteja vinculado diretamente ao produto, não gera o direito de compor a base de cálculo, assim sendo, o indeferimento do aproveitamento dáse em conformidade com que preconiza a legislação. Desse modo a r. decisão de piso não merece qualquer reparo, devendo, portanto, ser mantida na integra pelos seus próprios fundamentos. Diferentemente dos itens acima mencionados há outros na relação de exclusão que podem ser considerados como produto intermediário. Com essas considerações deixo de acolher o argumento trazido em combate o afirmado pela decisão. Em relação à exclusão dos valores relativos às aquisições de carvão vegetal de pessoa física. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 . O IPI crédito presumido como ressarcimento de PIS e COFINS é incentivo aos exportadores de produtos manufaturados, de que trata a Lei n. 9.363/96. A lei em comento foi editada para que permitisse ao Governo promover política de incentivos as exportações, usando como instrumento esse tipo de incentivo para alavancar as exportações, amenizando os gravames tributários dos exportadores. A política de incentivo se revela benéfica ao incremento de divisa e ao mesmo tempo busca afastar a imagem de que o Brasil é um grande exportador de tributo, fator em que muitas das vezes deixam os preços dos produtos brasileiros longe de serem competitivos no mercado mundial. Assim sendo, ao mesmo tempo em que o incentivo serve para atenuar e reduzir a carga fiscal, também confirma ser instrumento hábil e necessário ao balanço de pagamento. Neste contexto impõese o exame do disposto no art. 4o da Lei 9.363, que instituiu o referido incentivo. “Art. 4º Para os efeitos desta medida provisória, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista, quanto ao valor dos insumos, o constante da respectiva nota fiscal de venda ao exportador. “ Parágrafo único. Utilizarseá subsidiariamente a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Como se extraí da simples leitura, o legislador ordinário ao tratar da composição da base cálculo deixou de mencionar quais os itens que iriam compor, remetendo à aplicação das normas contidas no art. 1o da mencionada Lei. Para melhor análise, pedese licença para transcrever o art. 1o da Lei n. 9.363/1996: “Art. 1º Fica instituído, a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo.” A exigência contida no art. 1o em relação às variáveis que devem compor a base de cálculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizado no processo produtivo. Também é certo que essa mesma legislação outorgou poderes ao Ministro de Estado da Fazenda, que por meio de ato normativo pode estabelecer condições ao direito do Crédito Presumido de IPI. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13671.000022/200370 Acórdão n.º 3403003.016 S3C4T3 Fl. 13 7 Em conformidade com que essa atribuição, editouse a Portaria MF n. 38, de 27 de fevereiro de 1997, que da simples leitura, concluise, que ela também deixou de tratar de exclusão do valor de insumos da base de cálculo do crédito presumido ou permitir deduções da receita operacional em relação ao produto produzido. A verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto. Após longas discussões, a CSRF concluiu que os insumos adquiridos de pessoa física e cooperativa, podem compor a base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, assunto que encontra pacificado por meio do acórdão proferido no processo 10675.001119/97 16, Recurso número 201110658. O acórdão que me refiro restou assim ementado: Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “júris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Além do que, esse assunto encontra pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, relativamente à inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96, aplicase a Súmula 494 do STJ: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Nesse passo, admitido haver votado em outra oportunidade, em sentido oposto, examinando melhor a doutrina, julgados da CSRF e agora o STJ, me curvo diante das razões que justificaram a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido de IPI. Por tratarse de entendimento que prevaleceu na CSRF, cuja função é de uniformizar a jurisprudência neste Conselho de Contribuintes, rendome ao entendimento ali reinante, para fixar o meu posicionamento de que os insumos adquiridos de não contribuinte do Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 PIS e da COFINS podem compor a base de cálculo crédito presumido de que trata a Lei n. 9.363/96. Em relação às diferenças encontradas pela fiscalização, entre os valores das Notas Fiscais emitidas pelos Produtores e as Notas Fiscais de entrada de carvão vegetal pela Recorrente, os argumentos articulados se revelam totalmente improcedente. Não há dúvida de que a nota fiscal deve refletir o valor real da transação, entretanto, a relação de fornecedores de carvão trazida à baila nestes autos dá notícia de que trata de aquisições de produtos de pessoas jurídicas, vez que consta o CNPJ das empresas fornecedoras. Além do que, as planilhas confeccionadas pela Recorrente demonstram de modo claro o valor constante da nota fiscal emitida pelo fornecedor e o valor da nota fiscal de entrada emitida pela Recorrente, sendo que o documento emitido pela interessada se revela superior ao valor da nota do fornecedor, inexistindo justificava capaz de convencer o Julgador da conduta acertada que levou alterar o valor do documento fiscal além daquele consignado pelo vendedor da matéria prima. A obrigação de emissão de nota fiscal decorre da entrada, real ou simbólica, de produtos no estabelecimento, no entanto, entendo ser necessária quando os produtos são remetidos por aquelas pessoas (particulares e empresas) não obrigadas à emissão de documentos fiscais, bem como, quando tratarse de produtos importados diretamente do exterior e aqueles adquiridos em licitação promovida pelo Poder Público, mais o valor a ser consignados deve respeitar o negócio realizado, refletindo a realidade da transação. Além dos casos acima mencionados, há tantos outros necessários a emissão do documento fiscal, entretanto, não se aplica a controvérsia deste caderno, por este motivo impõese ao contribuinte o cuidado e zelo de justificar o motivo pelo qual teria emitido a nota fiscal com valor superior ao consignado no documento do fornecedor pessoa jurídico comerciante dos produtos adquiridos pela interessada. Assim, a simples alegação de que os documentos foram emitidos para representar a entrada real dos produtos, desacompanhada de uma justificativa plausível, não merece prosperar, assim como, quantidade maior do que o mencionado na nota fiscal de remessa, bonificação decorrente da qualidade do produto, etc. A emissão de documento fiscal com valor a maior do que o contido na nota fiscal do fornecedor, sem justificativa, impõe a glosa da diferença a maior, conseqüentemente, a exclusão dessa parcela do cálculo do crédito presumido de IPI. Também não merece prosperar os argumentos em relação à exclusão dos valores relativos às notas fiscais de aquisições de carvão vegetal não apresentado a Fiscalização. Cabe ao contribuinte comprovar que os lançamentos efetuados nos livros próprios, entrada e saída de produtos, expressem a verdade real, daí a imposição contida no artigo 190 do RIPI, vejamos: “Art. 190 – Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade”. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13671.000022/200370 Acórdão n.º 3403003.016 S3C4T3 Fl. 14 9 Portanto, tratase de uma obrigação do contribuinte em manter sob a sua guarda os documentos que serviram de assentamento nos livros fiscais, pelo prazo que a lei estipular, em ordem e bom estado de conservação. Portanto, a pálida alegação de que tais documentos não estavam sob a guarda da interessada não prevalece. Cabe ao Contribuinte diligenciar e demonstrar a Autoridade Fiscalizadora que de fato os documentos encontravam sob a sua aguarda ou de outra autoridade fiscal, deixando de desincumbir dessa prova, o seu argumento encontra desnudo de força capaz de afastar a exclusão dos valores dos insumos lançados no livro de entrada de mercadoria da do cálculo de crédito presumido de IPI. Da exclusão dos valores relativos às notas fiscais de insumos não registradas no Livro de Registro de Mercadorias. Restou claro que o contribuinte não exibiu os documentos, ao contrário de que afirma, os dados foram levantados a partir da relação por ele fornecida, assim sendo, a fiscalização não verificou as notas fiscais. A legislação permite o aproveitamento do crédito, mesmo não estando escriturado no livro próprio, desde que comprovadamente legítimos e sustentados por documentação idônea. Para tanto, impõe que o contribuinte demonstre até a impugnação ou a manifestação de inconformidade, a legitimidade de lançar nos livros fiscais os créditos decorrentes das aquisições dos produtos, o que não restou demonstrado, cabia, portanto, a recorrente se desincumbir dessa prova, deixando de comprovar os créditos que teria direito por meio do documento fiscal, impõe a sua exclusão da base de cálculo da apuração do crédito de presumido de IPI. Em relação à exclusão das notas fiscais consideradas inidôneas pelo Fisco Mineiro. Tratase de prova emprestada de procedimento fiscal estadual que concluiu serem os documentos inidôneos. Se o Fisco Mineiro certificou da idoneidade dos documentos fiscais em regular procedimento de verificação é certo que se trata de documentos inidôneos, macula o direito do crédito, cabe ao Interessado provar o contrário, o que não restou afastado pela Recorrente. Do exame dos autos não vislumbrei qualquer documento que pudesse contrariar a decisão fisco de ter excluído da base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores referente aos documentos fiscais considerados inidôneos. Já manifestei anteriormente no sentido de que a legislação assegura o direito do crédito desde que comprovadamente legítimos e sustentados por documentação idônea, que lhe confere tal condição. O que não pode é afastar essa macula com base na simples alegação de que a contribuinte não participou dessa farsa prejudicial ao fisco e tampouco sabia de que os documentos fornecidos pelo fornecedor tratavam de documento inidôneo. O afastamento dessas macula poderia ter sido realizada por meio de documento que comprovasse o pagamento da obrigação decorrente da aquisição dos bens, assim como o ingresso destes no estabelecimento. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 Portanto, a negativa ao crédito decorre da ausência de idoneidade da documentação, essa decisão não implica em ofensa ao princípio da nãocumulatividade, pois o contribuinte faz jus ao crédito de IPI, desde que comprovado por meio de documento hábil e idôneo. Tenho que o julgamento do processo referente ao auto de infração em nada modifica o julgamento proferido neste caderno, em razão de que aqui é tratado o crédito que se pretende utilizar. Portanto, não há que se falar em contradição na motivação da decisão recorrida, assim como, do Despacho Decisório, porquanto se pronunciou sobre o tema proposto. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para assegurar o direito de inclusão no cálculo da determinação do crédito presumido do IPI aquisições de carvão de pessoas físicas e cooperativas. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 367DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002584/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NORMAS PROCESSUAIS. ALEGAÇÕES VINCULADAS A LANÇAMENTO DIVERSO. NÃO CONHECIMENTO.
Em que pese o presente lançamento ser decorrente de ação fiscal que culminou com outras autuações, a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviços, os fatos geradores contemplados nos autos dizem respeito à própria contribuinte autuada, razão pela qual inexiste razão para o conhecimento e análise de alegações vinculadas a outros procedimentos, notadamente quanto a caracterização de segurados empregados.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ALEGAÇÕES VINCULADAS A LANÇAMENTO DIVERSO. NÃO CONHECIMENTO. Em que pese o presente lançamento ser decorrente de ação fiscal que culminou com outras autuações, a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviços, os fatos geradores contemplados nos autos dizem respeito à própria contribuinte autuada, razão pela qual inexiste razão para o conhecimento e análise de alegações vinculadas a outros procedimentos, notadamente quanto a caracterização de segurados empregados. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ALEGAÇÕES VINCULADAS A LANÇAMENTO DIVERSO. NÃO CONHECIMENTO. Em que pese o presente lançamento ser decorrente de ação fiscal que culminou com outras autuações, a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviços, os fatos geradores contemplados nos autos dizem respeito à própria contribuinte autuada, razão pela qual inexiste razão para o conhecimento e análise de alegações vinculadas a outros procedimentos, notadamente quanto a caracterização de segurados empregados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 84 /2 01 0- 18 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 2 PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002584/201018 Acórdão n.º 2401003.543 S2C4T1 Fl. 521 3 Relatório OXIPLASMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 0936.382/2011, às fls. 479/495, que julgou procedente o lançamento fiscal, lavrado em 07/07/2010 (Folha de Rosto), referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 03/2009 a 10/2009, conforme Relatório Fiscal, às fls. 18/42, consubstanciadas no seguinte Levantamento: 1) FP Folha de Pagamento – Remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, a título de prólabore e serviços prestados, constantes das folhas de pagamentos, recibos e notas fiscais de serviços, não declaradas em GFIP’s, no período de 03/2009 a 04/2009; 07/2009 a 08/2009 e 10/2009; Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 500/514, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade. Defende que o fiscal autuante presumiu a inexistência de fato da empresa Oxiplasma Serviços de Apoio às Indústrias Ltda., tentando fundamentar sua tese em alegações insubsistentes, e que não correspondem à realidade, desconsiderando, para atingir a finalidade pretendida, todas as circunstâncias que comprovam serem empresas distintas, com finalidades distintas, e onde nunca houve confusão entre estabelecimentos e as atividades dos trabalhadores. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação à desconsideração da personalidade jurídica da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., alegando ser totalmente injustificada e imotivada, não se cogitando em simulação na constituição e/ou nas relações comerciais mantidas entre as empresas, inexistindo qualquer relação jurídica que confunda Fl. 522DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 4 aludidas pessoas jurídicas, as quais possuem registros, objetos sociais e instrumentos constitutivos distintos. Suscita inexistir qualquer vedação legal em relação à participação dos sócios em mais de uma empresa, fato que não implica a presunção de se tratarem da mesma empresa e/ou de grupo econômico irregularmente constituído, consoante assentado na doutrina e jurisprudência transcrita na sua peça recursal. Explicita que somente em 2003 as empresas sob análise passaram a possuir sedes no mesmo endereço, em estabelecimentos vizinhos, tendo nos seis anos anteriores exercido atividades em locais distintos, com operações concorrentes no tocante à prestação de serviços para indústria, e número de funcionários similares, apesar do faturamento da empresa de serviços sempre ser muito menor do que o da indústria, o que é perfeitamente explicável em razão do tipo de atividade exercida. Aduz que ambas empresas possuem acervo patrimonial próprio, com estabelecimentos distintos, com entrada própria e sem comunicação, não existindo qualquer contato entre os seus respectivos funcionários. E, o fato de ter havido a transferência de 17 dos 19 funcionários da empresa desconsiderada para a autuada em 2009, não tem o condão de justificar a autuação fiscal na forma conduzida, por se tratar de planejamento para o futuro das mesmas, realizado em razão de situações específicas, como a enfermidade e falecimento do Sr. Henrique, que fez com que as empresas passassem por mudanças na sua administração, bem como econômicas e financeiras, com redução de despesas. Assevera que, mesmo considerando a existência de grupo econômico entre as duas empresas, não se poderia responsabilizar a contribuinte autuada pelo crédito tributário de responsabilidade da outra pessoa jurídica, na linha da jurisprudência do STJ. Opõese, ainda, ao procedimento eleito pela autoridade fiscal ao promover o lançamento, aduzindo ter adotado uma presunção pertinente a situação encontrada no decorrer da ação fiscal, em 2010, a fatos geradores pretéritos (2006 a 2008), sem que tivesse ocorrido qualquer comprovação do alegado. Relativamente à ação trabalhista movida pelo Sr. Antônio Morini, argumenta que o fato de ter havido composição entre as partes não implica dizer que a autuada reconheceu todas as alegações deduzidas na reclamatória, a qual sempre contempla inúmeras situações suscitadas pelo reclamante, as quais nem sempre representam a realidade dos fatos. Acrescenta que as verbas recebidas pelo reclamante por ocasião do acordo firmado na Justiça Trabalhista não tem caráter salarial, mas apenas indenizatório, não sendo base de cálculo das contribuições sociais. E mais, sobre a diferença, em relação ao valor acordado e pago, a empresa já recolheu as contribuições sociais, na forma legal, conforme comprovam os anexos documentos. No que tange aos pagamentos realizados mediante faturas de cartões de crédito, suscita que os gastos realizados pelos sócios efetivamente tinham como objetivo a realização de novos negócios para a empresa, e estavam diretamente relacionados com estas atividades, não tendo o fiscal autuante motivado/fundamentado suas conclusões, o que torna defeso inverter o ônus da prova ao contribuinte, sobretudo por se caracterizar como prova de fato negativo. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002584/201018 Acórdão n.º 2401003.543 S2C4T1 Fl. 522 5 Manifesta insurgimento em relação às remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes das folhas de pagamento, mas não declaradas em GFIP’s, alegando que a fiscalização não demonstrou de onde teria extraído aludida diferença, mormente quando a empresa nunca deixou de informar em GFIP’s as remunerações inseridas nas folhas de pagamento. Requer sejam excluídas da exigência fiscal as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais que tenha natureza eminentemente indenizatórias, como o terço de férias e as horas extras. Repisa os argumentos encimados para efeito de exclusão das multas aplicadas em face do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez se lastrearem nos mesmos fatos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face da contribuinte fora lavrado o presente Auto de Infração exigindolhe as contribuições previdenciárias, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais, conforme Relatório Fiscal, às fls. 18/42, consubstanciadas no seguinte Levantamento: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade formal do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do Código Tribunal e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhes deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportou, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade formal do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos Livros Diários, folhas e recibos de pagamentos de salários, Ações Trabalhistas, GFIP’s e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002584/201018 Acórdão n.º 2401003.543 S2C4T1 Fl. 523 7 Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, quanto à pretensa ausência demonstração da existência dos requisitos do vínculo empregatício, tendente a amparar a caracterização procedida pela fiscalização, bem como outras questões relativas à pretensa insubsistência do trabalho fiscal, contemplaremos como razões de mérito no momento oportuno. DO MÉRITO No que tange ao mérito da demanda, os argumentos da contribuinte estão vinculados aos procedimentos adotados por ocasião da lavratura da autuação consubstanciada no processo n° 10920.002588/201098, onde estão lançados os fatos geradores apurados a partir da desconsideração da contabilidade e da personalidade jurídica da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., prestadora de serviços à autuada, com a conseqüente caracterização dos valores pagos àquela empresa como remuneração dos segurados empregados e (prólabore) dos sócios da recorrente, apurada por arbitramento, em razão das constatações elencadas em cada levantamento, a seguir, sinteticamente, explicitados. Com mais especificidade, de acordo com o Relatório Fiscal do processo n° 10920.002588/201098, relativamente aos Levantamentos SR, SR1, AM e AM1 a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., considerando os seus segurados empregados e contribuintes individuais como, de fato, vinculados à autuada, diante da constatação de simulação, evasão e elisão fiscal na constituição da pessoa jurídica desconsiderada, com propósito exclusivo de se beneficiar de sistema de tributação menos oneroso – SIMPLES (até 31/08/2008), não possuindo endereço ou estrutura própria, ocupando o mesmo domicílio da autuada, cujos sócios também compõe o seu quadro societário. Ressaltou que a empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., ora desconsiderada, não possui em sua contabilidade nenhum pagamento a título de despesas de manutenção, tais como aluguel e condomínio, água, energia elétrica, telefone, honorários, etc. Informou, ainda, que após a exclusão do SIMPLES, a OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA. transferiu todo seu quadro de empregados para a autuada, reforçando a tese que, de fato, sempre estiveram vinculados a esta. Concluiu, por fim, que os fatos narrados pelo Sr. Antonio Morini, nos autos da Reclamatória Trabalhista n° 0545/2010, associados ao acordo formalizado entre as partes, demonstram que a contabilidade das empresas sob análise não espelha a realidade econômica e financeira da autuada, o que ensejou a desconsideração de sua escrita contábil e o levantamento das contribuições previdenciárias por arbitramento, com fulcro no artigo 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91. Em outra via, a contribuinte manifesta insurgimento contra as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações (prólabore) dos sócios Henrique Carlos Kohler e Maria Augusta Medeiros, os valores constantes de faturas de cartões de crédito, Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 8 consideradas indevidamente pela empresa como sendo despesas de viagens lançadas na Contabilidade, "conta 03060018", e atribuídas pela fiscalização aos sócios a título de pró labore, no período de 01/2006 a 01/2008; 03/2008 e 04/2008, por se tratar de despesas pessoais dos mesmos, não declaradas em GFIP’s, inscritas nos Levantamentos CT e CT1 – CARTÕES DE CRÉDITO – DESPESAS VIAGENS, igualmente, constante do processo n° 10920.002588/201098. Na hipótese vertente, muito embora a autoridade lançadora descreva em seu Relatório Fiscal todos os fatos apurados no decorrer da ação fiscal, ressaltando a desconsideração da personalidade jurídica da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., com a caracterização de seus funcionários como segurados empregados ou contribuintes individuais da autuada, procedeu o lançamento exclusivamente das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, registradas na folha de pagamento, mas não informadas em GFIP’s, as quais encontramse consubstanciadas no levantamento “FP Folha de Pagamento”. Nessa toada, afora a preliminar de nulidade de lançamento, os demais argumentos da contribuinte estão vinculados à outros fatos geradores e/ou levantamentos, não constantes do presente processo, o que nos conduz a não conhecer e adentrar a tais alegações por serem totalmente impertinentes às contribuições previdenciárias ora lançadas. Impõese esclarecer, ainda, que não podemos sequer cogitar em confusão no Relatório Fiscal, por constar todos esses fatos, uma vez que se reportou às constatações apuradas no decorrer da ação fiscal, mas deixando bem claro que as contribuições exigidas incidiam somente sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais da autuada, constantes das folhas de pagamento, mas não informadas em GFIP’s. Assim, não obstante as alegações suscitadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu insurgimento não tem o condão de macular a exigência fiscal, sobretudo por não ser pertinente, em sua maioria, aos fatos geradores contemplados na presente autuação. INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os acréscimos legais ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002584/201018 Acórdão n.º 2401003.543 S2C4T1 Fl. 524 9 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas Fl. 528DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 10 expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
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Numero do processo: 16227.000285/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues,Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues,Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 62 27 .0 00 28 5/ 20 08 -2 0 Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16227.000285/200820 Resolução nº 2402000.430 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) constituída em 30/11/2001 (fl. 03), decorrente do não recolhimento dos valores referentes às contribuições previdenciárias – cota patronal, SAT/RAT, terceiros, segurados empregados e autônomos no período de 01/01/1991 a 31/12/1998. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 2528/2595) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Osasco – SP, ao analisar o presente caso (fls. 3285/3318), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo os valores relativos às competências de 1991/1994, período em que a Recorrente manteve direito à imunidade. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 3378/3431) argumentando em síntese: (i) a decadência do lançamento; (ii) o direito adquirido e o ato jurídico perfeito que amparam o seu direito à imunidade no tocante às contribuições previdenciárias; (iii) a proteção, como entidade assistencial, pela medida liminar da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.0285; (iv) a inobservância do ParecerMPAS n° 2272/2000 pela fiscalização para efetuar o lançamento; (v) a nulidade da NFLD; (vi) o cumprimento de todas as exigências do artigo 55 da Lei 8.212/1991; e (vii) a impugnação dos valores lançados pela fiscalização. Ademais, pelas informações dos autos, constatase, às fls. 3318, que houve a interposição de recurso de ofício pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Osasco – SP, o qual não foi citado pelo despacho de encaminhamento do presente processo (às fls. 3612/3613) para análise de admissibilidade e processamento do mesmo perante este Conselho. É o relatório. Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16227.000285/200820 Resolução nº 2402000.430 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, tomo dele conhecimento assim como do recurso de ofício. Da análise da situação fática e das peças que compõem os autos, constatase que a autoridade fiscal realizou o presente lançamento em razão de a Recorrente ter deixado de efetuar, no prazo legal, o “pedido de renovação de isenção da cota patronal”, não gozando mais da imunidade. Por esta razão, estaria obrigada a recolher os valores referentes às contribuições previdenciárias no período de 1991/1998. Ocorre que, às fls. 3601/3609, foi juntado ao presente processo mandado de intimação/citação para o cumprimento de decisão judicial que deferiu tutela antecipada no Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0367163, ajuizado pelo contribuinte,e em trâmite originalmente perante a 21ª Vara Federal do Distrito Federal, para que seja reconhecida a vigência da imunidade da Recorrente, obstando, assim, a cobrança de tributos até nova determinação judicial. Contudo, a decisão judicial que deferiu o pedido de tutela antecipada em favor da Recorrente, em sede de pedido de reconsideração, anexada às fls. 3604/3606,permite concluir, especificamente através da leitura do trecho transcrito à fl. 3605, que a discussão judicial giraria em tornodo cumprimento dos requisitos legais para que a Recorrente se enquadrasse como entidade beneficente de assistência social no período de 01/01/1995 a 31/12/1996. Vejase: “O cerne da questão está em se verificar se a autora, no período de 01/01/1995 a 31/12/1996, cumpria os requisitos legais para se enquadrar como entidade beneficente de assistência social. (,,,)” Ou seja, o trecho a que se faz referência acima permite a conclusão de que a discussão judicial proposta pelo contribuinte, na qual se deferiu o pedido de liminar, não abrangeria a totalidade do crédito tributário discutido nestes autos. Muito embora este documento não conste dos presentes autos, no DEBCAD nº 37.078.7200 (Processo Administrativo Fiscal n° 13896.002211/200776), constituído na mesma ação fiscal contra a Recorrente, e que também se encontra pendente de julgamento por este E. Conselho, foi anexada cópia da sentença proferida no mandado de segurança proposto pelo sujeito passivo. Contudo, a referida sentença não traz informações detalhadas do período em discussão na ação judicial, se é que há alguma limitação nesse sentido. Para se ter certeza do objeto da ação judicial movida pela Recorrente só mesmo através da petição inicial do referido processo. Contudo, a mesma não foi juntada aos presentes autos. À fl. 3609 consta apenas a primeira página da referida exordial, de maneira que não é possível determinar qual o exato objeto da medida judicial, ou seja, se ela objetiva o reconhecimento da imunidade da Recorrente apenas para o período de 01/01/1995 a Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16227.000285/200820 Resolução nº 2402000.430 S2C4T2 Fl. 5 4 31/12/1996, conforme pode dar a entender o trecho da decisão anexada às fls. 3604/3606, ou se objetiva o reconhecimento da imunidade sem restrição de período. Concluo que tal questão é de suma importância, pois, caso se reconheça que o objeto do presente processo está compreendido na discussão judicial movida pelo contribuinte deverá ser reconhecida a renúncia do contribuinte à discussão nesta esfera, conforme Súmula CARF n° 1, que determinaque a propositura de medida judicial pelo sujeito passivo, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia à instância administrativa. Vejase: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por esta razão, entendo que deve ser realizada diligência para que a autoridade fiscal apresente cópia completa da petição inicial do Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0367163, de todas as decisões nele proferidas, e certidão de objeto e pé atualizada do referido processo. Além disso, diante do equívoco do despacho de encaminhamento às fls. 3612/3613 quanto à falta de menção à interposição de recurso de ofício pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Osasco – SP, requer seja observada tal interposição quando do retorno do presente processo a este Conselho para julgamento, após o cumprimento da diligência ora requerida. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e proceda ao solicitado acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720331/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que rejeitaram a preliminar de diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Henrique de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles de Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que rejeitaram a preliminar de diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em Exercício Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Henrique de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles de Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: : Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 11 a 15, referente ao ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 33 1/ 20 08 -9 2 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720331/200892 Resolução nº 2801000.249 S2TE01 Fl. 75 2 calendário de 2006, que exige R$ 3.575,00 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, em razão da glosa de R$ 13.000,00 de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo desembolso e utilização dos serviços. Cientificada do lançamento por via postal, em 17/09/2008 – fl. 38, a contribuinte apresentou, em 15/10/2008, a impugnação de fls. 02 a 08, acompanhada dos documentos de fls. 09 a 29, acatada como tempestiva pelo órgão de origem – fl. 41. Transcreve a legislação citada no lançamento, alegando que a dedução pleiteada, referente a “tratamento com fisioterapia, dentista e psicólogo”, “estaria perfeitamente enquadrada nos tópicos ali elencados”. Sustenta ter apresentado, durante a fase de preparação do lançamento, os recibos firmados pelas profissionais que a atenderam, os quais seriam “comprovantes idôneos e suficientes do pagamento efetuado”, suscitando que “somente na falta de comprovação do pagamento, poderão ser solicitadas outras formas de comprovação”. Cita o art. 320 do Código Civil Brasileiro, que trata de documento de quitação. Aduz que a autoridade fiscal teria extrapolado “suas atribuições ao tentar insinuar ou questionar a lisura do tratamento efetuado”, além de afirmar que sua renda comportaria perfeitamente as despesas glosadas. Alega que exigência de laudos, relatórios dos profissionais, orçamentos, etc, constituem verdadeira arbitrariedade praticada pela fiscalização, uma vez que a legislação só exigiria o comprovante de pagamento, e também invadiria “o terreno do sigilo estabelecido por lei e das garantias individuais agasalhadas pela Constituição Federal do Brasil”. Finaliza solicitando a improcedência do lançamento, a “validade e suficiência dos recibos apresentados” e a produção futura de eventuais provas. A impugnação foi julgou a improcedente, a teor do acórdão (fls. 42/48), assim fundamentando sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. APRESENTAÇÃO. Cumpre à contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe à contribuinte o ônus da prova. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720331/200892 Resolução nº 2801000.249 S2TE01 Fl. 76 3 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual da contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 19.08.2011 ( fl. 52 ), a contribuinte apresentou recurso em 19.09.2011 ( fl.53 ). Em sua defesa, alega, em síntese o seguinte: Transcreve a legislação em que “tratamento com fisioterapia, dentista e psicólogo”, está de acordo com a Legislação. Aduz que apresentou os recibos firmados pelas profissionais que a atenderam, os quais seriam “comprovantes idôneo e suficientes do pagamento efetuado”, suscitando que “somente na falta de comprovação do pagamento, poderão ser solicitadas outras formas de comprovação”. Cita o art. 320 do Código Civil Brasileiro, que trata de documento de quitação. Aelga que houve exagero da autoridade fiscal ao tentar insinuar ou questionar a lisura do tratamento efetuado”, além de afirmar que sua renda comportaria perfeitamente as despesas glosadas. Afirma que exigência de laudos, relatórios dos profissionais, orçamentos, etc, constituem verdadeira arbitrariedade praticada pela fiscalização, uma vez que a legislação só exigiria o comprovante de pagamento, e também invadiria “o terreno do sigilo estabelecido” por lei e das garantias individuais agasalhadas pela Constituição Federal do Brasil”. Alega que exigência de laudos, relatórios dos profissionais, orçamentos, etc, constituem verdadeira arbitrariedade praticada pela fiscalização, uma vez que a legislação só exigiria o comprovante de pagamento, e também invadiria “o terreno do sigilo estabelecido” por lei e das garantias individuais agasalhadas pela Constituição Federal do Brasil”. Informa que foram extraviados os comprovantes dos serviços prestados pela profissional Ana Lúcia Moreno da Silva (R$ 2.680,00), pelo Hospital Nossa Senhora das Graças (R$ 2.600,00) e pela Clinica de Fraturas e Ortopedia XV (R$ 1.830,00), concordando com o crédito tributário decorrente, para o qual solicita parcelamento e junta cópia do DARF que afirma corresponder à primeira parcela. Finaliza solicitando a improcedência do lançamento referente à glosa das despesas médicas declaradas como pagas a Viviane Ciola Martinski e Helen Caroline Gardini, ambas de R$ 7.000,00, a validade e suficiência dos recibos apresentados e a produção futura de eventuais provas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720331/200892 Resolução nº 2801000.249 S2TE01 Fl. 77 4 É o relatório. Voto Conselheiro José Valdemir da Silva – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido De inicio, é importante analisar as condições de admissibilidade do recurso interposto. Considerando que a ciência do recurso se deu em 18.08.2011 ( fl.55 ) e seu término ocorreu em 17.09.2011 (fl.56 ), sábado, portanto, o prazo prorrogase para o primeiro dia útil, ou seja, segunda feira dia 19.09.2011, a teor do que dispõe o art. art. 5o do Decreto n. 70.235/1972, in verbis Art. 5o Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único – Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A controvérsia cingese à glosa da dedução de despesas médicas referentes aos profissionais Adélia M. G. N. Oliveira no valor de R$ 3.000,00, João Martins no valor de R$ 5.000,00 e Juliana Regina de Novaes no valor de R$ 5.000,00, no total de R$ 13.000,00, por falta de comprovante ou por falta de previsão legal. Como se sabe, somente poderão ser deduzidos a título de despesas médicas os valores pagos que se referirem ao próprio contribuinte ou a pessoa declarada como seu dependente ( art. 8o , inciso II, alínea “a”, e § 2o e 3o da Lei 9250, de 26 de Dezembro de 1995) Nada obsta, entretanto, que a Administração Tributária exija que a interessada comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do RIR/99, cujo teor é o seguinte: Art. 73 –Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou a contribuinte a comprovação da efetiva prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados a profissionais da área de saúde. Ante o exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligencia à unidade de origem para que se junte aos autos a intimação a contribuinte da comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas, bem como o registro da correspondente ciência a contribuinte. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 15165.002590/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 19/04/2006 a 21/12/2009
PAPEL IMUNE. REGISTRO ESPECIAL POR ESTABELECIMENTO
A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condiciona-se ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao princípio da autonomia dos estabelecimentos que impera no Imposto de Importação e no IPI, além da observância do devido controle aduaneiro previsto no artigo 237 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo que apresentará declaração de voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 30/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Monica Monteiro Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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REGISTRO ESPECIAL POR ESTABELECIMENTO A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condicionase ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao princípio da autonomia dos estabelecimentos que impera no Imposto de Importação e no IPI, além da observância do devido controle aduaneiro previsto no artigo 237 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo que apresentará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 30/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 25 90 /2 01 0- 80 Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Monica Monteiro Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o relatório do órgão julgador de primeiro grau (fls. 725 a 726 do e processo) até aquela fase: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 10.190.598,36, referentes a: Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS/PASEP Importação, contribuição COFINS Importação, Juros de Mora, Multa Proporcional e, Juros de Mora (calculados até 31/08/2010); em virtude de o estabelecimento responsável pelas operações de importação não possuir a necessária inscrição prévia em Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil para usufruir dos benefícios relacionados à imunidade dos impostos e redução de alíquota das contribuições. Conforme relatado no documento de folhas 122 a 146, Relatório Fiscal, a filial da empresa PUBLICAR DO BRASIL LISTAS TELEFÔNICAS LTDA. de CNPJ n° 53.026.472/005904, situada em São José dos Pinhais, no Paraná, realizou diversas operações de importação de papel para impressão de listas telefônicas invocando o benefício de imunidade para os impostos e a redução de alíquotas para as contribuições. Ocorre que o estabelecimento filial (CNPJ n° 53.026.472/005904) não possuía o devido Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, obrigação acessória normatizada por meio da Instrução Normativa SRF n° 71/2001 (fatos geradores após 07/12/2009, Instrução Normativa RFB n° 976/2009). Somente o estabelecimento matriz (CNPJ n° 53.026.472/000180) obteve o Registro Especial de Importador (IP08190/00074, ADE n° 360/02, processo 11610.010521/200283). Relata a fiscalização que a análise da destinação do papel perde sua finalidade, dado que todo o papel que foi importado pelo estabelecimento filial (CNPJ n° 53.026.472/005904) sem o competente Registro Especial junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona este estabelecimento foi internalizado de forma irregular. Cientificada, a interessada apresentou impugnação às folhas 445 a 459, 646 a 660, anexando os documentos de folhas 460 a 624, 661 a 700,. Traz as seguintes alegações, em síntese: Que, não há na legislação qualquer elemento que impute à impugnante a imputação das penalidades para si lançadas; Que, a autuação contraria o previsto na Constituição Federal (é defeso aos entes federativos instituir tributos sobre o papel para impressão de livros, jornais e periódicos), o caso é de imunidade objetiva, não Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 4 3 havendo desvio de finalidade não pode ser imputada ao contribuinte a obrigação principal; Que, a obrigação acessória, seja qual for, somente deverá servir para auxiliar o controle da sua comercialização e importação, não para criar requisitos para a fruição de uma imunidade constitucional; Que, Instrução Normativa não pode criar uma obrigação acessória ou um dever instrumental. Ademais, conforme o artigo 7o , incisos II e IV, da Lei Complementar n° 95/98, não há como ampliar o Registro Especial (cigarros) regulado pelo DL n° 1.593/77 para o "papel", matéria estranha, não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão; Que, não há no auto de infração a fundamentação legal hábil a motivar o lançamento realizado; Que, não há como separar a personalidade jurídica da matriz e da filial, já que esta personalidade é uma e indissociável. A apresentação das DIFs pela matriz não invalida a informação prestada. A apresentação das informações por meio da matriz supre devidamente as informações requisitadas pela Receita Federal; Requer a anulação do auto de infração em discussão, uma vez que a autuada não incorreu em qualquer infração que ensejasse o lançamento do mesmo, e também sustentação oral em todas as fases do processo. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, ementando assim o acórdão 0724.328: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/04/2006 a 21/12/2009 PAPEL. IMUNIDADE DE IMPOSTOS. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÕES. REGISTRO ESPECIAL. Para os impostos, por força do Ato Declaratório Normativo CST n° 46/1988, à hipótese de imunidade tributária, prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição Federal, devem ser aplicadas, para efeito de controle fiscal, as disposições do Regulamento Aduaneiro que tratam da isenção na importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. A redução de alíquota, caso das contribuições, só pode ser aplicada se o estabelecimento responsável pela importação possuir o devido registro especial. Ausente o registro, aplicável a alíquota sem o benefício de sua redução. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. As arguições de inconstitucionalidade apresentadas na peça de defesa não podem ser apreciadas no âmbito do contencioso administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos esgrimidos na impugnação, requer o acolhimento de seu recurso para que seja reformado o acórdão da DRJ, cancelandose o auto de infração em discussão. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Trata o presente julgamento de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, referentes a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS/PASEP Importação, contribuição COFINS Importação, Juros de Mora, Multa Proporcional e, Juros de Mora, em virtude de o estabelecimento responsável pelas operações de importação não possuir a necessária inscrição prévia em Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil para usufruir dos benefícios relacionados à imunidade dos impostos e redução de alíquota das contribuições incidentes na importação de papel. Segundo alegação da fiscalização, para importar papel imune é necessário inscrição prévia em Registro Especial junto à unidade da RFB que jurisdiciona o estabelecimento importador. Como o estabelecimento importador não se inscreveu no Registro Especial junto a Delegacia da Receita Federal em Curitiba e, dessa forma, não possuía autorização para operar com papel imune, a imunidade não se aplicaria ao caso concreto. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do auto de infração por mudança no critério jurídico adotado pela DRJ quando do julgamento em primeira instância. A recorrente alega que o auto de infração foi fundamentado nos artigos 638, 752 e 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009, no artigo 1º, §6º do Decretolei n° 1.593/77 e nas Leis 11.945/2009 e 10.865/2004; e a DRJ alterou seus fundamentos, enquadrandoo nos artigos 178 a 185 do Decreto n° 91.030/1985, no Ato Declaratório Normativo CST n° 46/1988 e no Regulamento Aduaneiro de 2002. Não assiste razão a recorrente. Em uma leitura atenta do Relatório Fiscal (fls. 125 a 149 do eprocesso), que faz parte integrante dos Autos de Infração, constatase que a matriz legal que fundamentou o lançamento não foi modificada: Decretolei n° 1.593/77, Lei nº 11.945/2009, Lei nº 10.865/2004 e Decretolei nº 37/1966, além dos dispositivos regulamentares. A referência ao Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 5 5 Ato Declaratório Normativo CST nº 46/1988, que não fundamenta o lançamento (nem poderia, por se tratar de ato infra legal) apenas auxilia, de forma subsidiária, a interpretação do direito posto e aplicável ao caso concreto, não se tratando de mudança de critério jurídico adotado. Ele continua o mesmo: para a fiscalização e para o julgador de primeira instância administrativa, como o estabelecimento importador não se inscreveu no Registro Especial junto a Delegacia da Receita Federal em Curitiba, não possuía autorização para operar com papel imune, e a imunidade não se aplicaria ao caso concreto. Quanto ao mérito, a recorrente alega que a fruição do benefício, no caso imunidade para os impostos e redução a zero para as contribuições, não dependem do cumprimento da obrigação acessória de Registro Especial do estabelecimento filial, por decorrerem de previsão constitucional e legal para tanto. Vejamos: A obrigatoriedade de Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal foi inicialmente instituída pelo do DecretoLei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, para fabricantes de cigarros, e posteriormente estendida para outros produtos que necessitem de controle específico, pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. O art.1º, caput e § 6, do Decretolei nº 1.593/77 assim estabelecia: Art. 1º A fabricação de cigarros classificados no código 2402.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, excetuados os classificados no Ex 01 , será exercida exclusivamente pelas empresas que, dispondo de instalações industriais adequadas, mantiverem registro especial na Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003). [...] § 6º O registro especial poderá também ser exigido dos estabelecimentos que industrializarem ou importarem outros produtos, a serem especificados por meio de ato do Secretário da Receita Federal (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (grifei) Destacamos que o referido dispositivo previa a possibilidade de exigência de registro especial para estabelecimentos que industrializarem ou importares outros produtos a serem especificados por meio de ato do Secretário da Receita Federal. Portanto, existia a previsão legal para a exigência de registro por estabelecimento, não apenas por pessoa jurídica importadora. Apenas na edição da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, passou a constar a previsão específica de Registro Especial para pessoas jurídicas que operam com papel imune e a delegação de competência à Secretaria da Receita Federal para expedir normas respectivas. Quanto às contribuições de PISImportação e CofinsImportação, o §13 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004 delegou competência ao Poder Executivo para regulamentar o disposto em seu §§ 10 e 12, inclusive podendo estabelecer condições para a utilização do benefício de alíquota zero prevista em seu §12, na importação de papel imune. A matéria é tratada no Regulamento Aduaneiro nos artigos 177 a 185 (Regulamento Aduaneiro de 1985), nos artigos 135, II, “a”, 147 a 150 (Regulamento Aduaneiro de 2002) e nos artigos 136, II, “a”, 149 a 152 (Regulamento Aduaneiro de 2009). Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 Como as operações de importação em análise foram realizadas entre abril de 2006 e dezembro de 2009, há que se aplicar o disposto no artigo 149 do Regulamento Aduaneiro de 2002 e o disposto no artigo 151 do Regulamento Aduaneiro de 2009, para as importações registradas após a edição do Decreto n° 6.759/09, o que significa que somente pode importar papel sem a incidência do imposto de importação a empresa para esse fim registrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No que diz respeito às contribuições incidentes nas operações de importação de papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos, o Decreto n° 5.171/04 reduziu as alíquotas a zero, resguardando o direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em regulamentar a fruição dos benefícios. O artigo 2º do referido decreto, expressamente determinava que somente a empresa registrada na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal poderia importar papel imune. O referido decreto foi revogado pelo Decreto n° 6.842/09, mas manteve a mesma exigência em no § 5º do artigo 1º. Os referidos decretos, cujos objetivos eram a regulamentação das disposições legais que previam o exercício do efetivo controle aduaneiro previsto no art. 237 da Constituição Federal, continham a exigência de registro junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil para a fruição do benefício de imunidade e alíquota zero na importação de papel. Utilizando uma interpretação sistemática das normas sobre imunidade, alíquota zero das contribuições e controle de papel imune, extraise que o controle da renuncia fiscal, constitucionalmente e legalmente prevista, deve ser exercido através de obrigações acessórias definidas em normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Quanto à “forma” que deve ser efetuado o registro, a Secretaria da Receita Federal do Brasil estabeleceu nos artigos 1º , 2° e 3º da Instrução Normativa SRF n° 71/2001 (mesmo entendimento foi mantido pela IN RFB n° 976/09 em seus artigos 1º , 2° e 3º) , que os importadores que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial, mediante pedido da pessoa jurídica à respectiva unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em cuja jurisdição estiver localizado o estabelecimento importador. Destacase que o artigo 1º da referida Instrução Normativa, em atendimento à previsão legal e regulamentar, condicionou a importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos com imunidade ao registro especial por estabelecimento importador. Conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Como a previsão legal para a exigência do registro especial constava do art.1º, caput e § 6, do Decretolei nº 1.593/77, e do §13 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, além da previsão regulamentar que delegou à Secretaria da Receita Federal a forma para controle do benefício, condicionando sua fruição ao seu atendimento, de acordo com o art. 149 do Decreto nº 4.543/2002, art.151 do Decreto 6.759/2009, art. 2º do Decreto n° 5.171/04, e § 5º, art.1º, Decreto n° 6.842/09, tornase obrigatório para essa turma de julgamento, obedecer a exigência de registro especial por estabelecimento importador. A previsão de registro específico junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição de cada estabelecimento da empresa que importa papel imune, além de observar o princípio de autonomia dos estabelecimentos que impera no imposto de importação e IPI vinculado à importação), também visa o maior controle da imunidade do papel importado por parte da administração fiscal, na unidade que efetivamente fiscaliza o estabelecimento da empresa, em atendimento ao devido controle aduaneiro previsto no artigo 237 da Constituição Federal. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 6 7 No caso em análise, o estabelecimento filial (CNPJ n° 53.026.472/005904) descumpriu a obrigação de Registro Especial junto à Delegacia da Receita Federal em Curitiba para efetuar importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos com imunidade, desobedecendo ao disposto nas normas regulamentares do benefício. Como o estabelecimento filial da recorrente, CNPJ n° 53.026.472/005904 não fazia jus ao benefício de imunidade na importação de papel, consideramos que o lançamento está devidamente fundamentado, e não merece reparos. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 27 de novembro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Os robustos argumentos trazidos pelo voto condutor do Acórdão de lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes atendem, de forma protocolar a pretensão delimitada pelo Fisco no auto de infração, mas não encontram sustentação diante da interpretação sistêmica, histórica ou ontológica do direito, haja vista os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e da aplicação das normas em face do valor jurídico protegido – objeto jurídico tutelado. Por conta disso ouso discordar do Ilustre Relator. O Auto de Infração em apreço constituiu a totalidade dos tributos (impostos e contribuições) incidentes sobre a importação de papel imune em decorrência da ausência de registro especial do estabelecimento filial. A exigência é formulada sem que tenha havido a comprovação ou qualquer indício de que o papel imune importado tenha sido utilizado para outra destinação que não aquelas legalmente estabelecidas para que haja o reconhecimento da imunidade. Portanto, a motivação do ato administrativo resumiuse ao não atendimento de requisito formal, especificamente em relação ao registro da filial, haja vista que a empresa, por seu estabelecimento matriz, mantem incólume o registro e autorização para operar com papel imune. O fundamento normativo para manutenção do auto foi o Ato Declaratório Normativo CST n° 46/1988, conforme expressamente aponta a ementa do acórdão da DRJ. O referido Ato Declaratório Normativo tem a seguinte redação: Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 8 Ato Declaratório Normativo CST/COSIT nº 46, de 10.11.1988 DOU de 14.11.1988 Dispõe sobre o tratamento tributário para qualquer tipo de papel destinado à impressão de livros, jornais ou periódicos. O Coordenador do Sistema de Tributação, em exercício, no uso das atribuições que lhe confere i item II da Instrução Normativa n. 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o Parecer CST/DTCEx n. 1.014, de 10 de novembro de 1988, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados: I O tratamento tributário previsto no artigo 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal e no § 2º, alínea c, do artigo 1º, do DecretoLei n. 2.434, de 19 de maio de 1988, alcança todo e qualquer tipo de papel, desde que destinado à impressão de livros, jornais ou periódicos. II À hipótese, que é de imunidade tributária, é de se aplicar, para efeito de controle fiscal, até nova regulamentação da matéria, as disposições constantes dos artigos 178 a 185 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n. 91.030, de 5 de março de 1985. O Ato Declaratório Normativo referese aos artigos 178 a 185 do RA/1985, dos quais destaco os artigos 181 e 183, por sua relevância para o caso: Art. 181. Para promover despacho aduaneiro do papel com o benefício de que trata o artigo 177, a empresa a que se refere o inciso II do artigo 178 deverá ser previamente autorizada pelo Ministro da Fazenda. § 1º A autorização deverá ser renovada a cada ano e será cancelada se descumpridas as obrigações estabelecidas. § 2º Somente obterá renovação da autorização a empresa que não estiver em falta com as obrigações estabelecidas. ... Art. 183. Sempre que solicitado, deverão comprovar a regular utilização ou destinação do papel objeto do benefício de que trata o artigo 177: I as pessoas e empresas a que se refere o artigo 178; Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 7 9 II as gráficas que executarem serviço na forma do inciso I do artigo 179. § 1º O emprego ou a destinação do papel em desacordo com as prescrições deste Capítulo obrigará quem o utilizou ou destinou indevidamente ao pagamento do imposto dispensado por ocasião do despacho aduaneiro. § 2º Também ficará obrigado a pagar o imposto, com relação ao estoque existente, quem interromper suas atividades normais, sem motivo justificado, salvo transferência a outra empresa qualificada para fruir o mesmo benefício. § 3º O prazo para pagamento do imposto será de trinta (30) dias da intimação, no caso de utilização ou destinação indevida, ou de sessenta (60) dias da interrupção das atividades. Assim, a disposição normativa, que subsidiou a decisão da DRJ, determina que a empresa importadora do papel imune deve ter autorização para importar e que, havendo desvio de finalidade no uso do papel imune, o imposto deve ser exigido. A Lei n° 11.945/2009 é expressa a impor a obrigação de registro à pessoa jurídica e não ao estabelecimento: Art. 1 o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1 o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2 o O disposto no § 1 o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2 o do art. 2 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , no § 2 o do art. 2 o e no § 15 do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , e no § 10 do art. 8 o da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 10 § 3 o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4 o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3 o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5 o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4 o deste artigo será reduzida à metade. Ora, se o requisito material para exigência dos tributos é, à luz da norma de incidência, o desvio de finalidade. O registro é pressuposto e não é especificamente dado ao estabelecimento, mas, segundo a norma, é dado à empresa. Não havendo prova do desvio não há materialidade possível para incidência normativa da exigência tributária. A própria decisão da DRJ reconhece que a empresa possui registro especial de importador, conforme trecho constante das fls. 717 e 718 dos autos: Ocorre que o estabelecimento filial (CNPJ 53.026.472/005904) não possuía o devido Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, obrigação acessória normatizada por meio da Instrução Normativa SRF nº 71/2001 (fatos geradores após 07/12/2010, Instrução Normativa RFB 976/2009). Somente o estabelecimento matriz (CNPJ 53.026.472/000180) obteve o Registro Especial de Importador (IP08190/00074, ADE nº 360/02, processo 11610.010521/200283). Assim, como o fundamento para o lançamento é a ausência de registro, diante do reconhecimento expresso de que a empresa o possui, não há subsistência lógica, ou nexo causal para manutenção do lançamento. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 8 11 Inclusive a redação do art. 2º do Decreto nº 5.171/2004, que regulamenta a Lei nº 10.865/2004 (PISImportação e COFINSImportação), não determina qualquer registro “por estabelecimento”, a saber: Art. 2º. Somente poderá importar papel imune ou adquirilo das empresas referidas no inciso II do § 1º do art. 1º a empresa para esse fim registrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A obrigação acessória foi introduzida pela IN SRF nº 71/2001 (fatos geradores após 07/12/2010) e posteriormente na IN RFB n° 976/2009. A penalidade cabível para o caso de descumprimento do registro, se é que o registro existente abrange apenas o estabelecimento Matriz, não poderia ser a exigência dos tributos, uma vez que está, mais grave destinase a punir a conduta delituosa do desvio. Trata se de inadimplemento de obrigação acessória e não material dos requisitos da imunidade. Tenho convicção de que os valores jurídicos protegidos pela Constituição Federal ao conferir a imunidade ao papel destinado a livros e periódicos, não pode ser amesquinhado por um descumprimento formal que, repito, esta sendo exigido de cada um dos estabelecimentos por uma interpretação, uma engenharia jurídica, que se utiliza de uma emaranhado de normas. Ora o fato de o art. 40 da Lei n° 9.532/1997, estabelecer previsão específica para o papel imune, não autoriza que a Receita Federal lance mão do disposto do art. 47, que trata do registro especial do importador de cigarro. Naquele caso, há sentido que o registro seja por estabelecimento, haja vista a grande quantidade de casos que fogem ao controle da administração pública em geral e não só a tributária. Mas no caso do papel imune, houve uma apropriação desvirtuada da norma para criar, via Instrução Normativa, a obrigação de Registro por estabelecimento, fato que, diferentemente do que se verifica para o cigarro (DecretoLei nº 1.593/1977), não há previsão legal para tanto. Não há uma norma legal direta e objetiva que acometa o contribuinte do registro por estabelecimento. No meu entendimento, se vencido em relação à ausência de tipo infracional, a penalidade legais cabível in casu seriam a prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, uma vez tratarse de descumprimento da obrigação acessória. Não poderia ser diferente, pois o raciocínio contrário implica em perda de imunidade, sem que qualquer desvio tenha sido cometido. A infração descrita no auto é motivada pelo descumprimento da obrigação acessória, não pelo desvio da finalidade. Para o não cumprimento de obrigação acessória a contento a penalidade não é a perda do benefício, mas o lançamento da multa correspondente especialmente porque, a teor do art. 113 do CTN, descumprida a obrigação acessória sem, por óbvio, que isso tenha implicado a falta de comprovação do adimplemento da obrigação principal – no caso a finalidade de uso do papel imune –, cabe a aplicação da penalidade pecuniária, mas não decorre disto a conversão desta em obrigação principal no que concerne ao pagamento dos tributos devidos. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 12 A obrigação de registro de cada “estabelecimento” exigido pela IN demonstra com clareza que a norma é voltada para o IPI, cuja apuração é descentralizada. O princípio da unicidade da personalidade jurídica, por diversas vezes, foi utilizado para demonstrar que a divisão de obrigações por estabelecimento está vinculada ao controle em relação ao IPI, unicamente. Sempre que a independência jurídica dos estabelecimentos se mostra contrária a outros bens jurídicos tutelados, como no caso da imunidade ou no caso do Drawback, por exemplo, o princípio vem socorrer os contribuintes da excessiva carga de obrigações acessórias ou da incoerência lógica da repercussão jurídica (penalidade) do descumprimento de deveres instrumentais, que não desqualificam materialmente a conduta pretendida pela norma jurídica, ou seja, o princípio recompõe a regra da unicidade da personalidade em prol da razoabilidade e da proporcionalidade. No Acórdão n° 310100.323, de 04/12/2009, já havia consignado sobre tal fenomenologia, em caso de Drawback: Desta forma, em que pese o fato da não oposição do CNPJ da matriz informado no Ato Concessório nos documentos nos registros de exportação, e sim da filial, real exportadora, esta atitude não fere nem desnatura o objetivo do Ato Concessório em seu intuito políticoeconômico. De fato, houve a exportação por estabelecimento diverso ao informado no Ato Concessório, mas o estabelecimento cujo CNPJ foi informado é diretamente ligado à matriz, sendo desproporcional desconsiderar a fruição do benefício por descumprimento de obrigação acessória, a verdade material, desta forma, surge como evidência. Aliás, como já tive oportunidade de manifestar meu entendimento, a unicidade da personalidade jurídica deve ser concebida pela Administração em todos os momentos das relações jurídicas, ressalvadas as condições especiais (exceções), na medida em que há o efetivo reconhecida de tal unicidade no momento em que a Administração exige o cumprimento de obrigações tributárias; aí não há diferença nem distinção entre estabelecimentos, qualquer um é responsável pelo todo. Assim, se o estabelecimento filial tem a mesma capacidade de industrializar e/ou exportar, entendo deva ser reconhecida a exportação como da contribuinte, independentemente do “sufixo” de seu CNPJ.” Nesse sentido também se assenta a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão n° 930300219, de 15/09/2009, cujo voto condutor é de lavra da Ilustre Conselheira Naci Gama: DRAWBACK SUSPENSÃO. CUMPRIMENTO DE SUA FINALIDADE. DISTINÇÃO ENTRE O CNPJ CONSTANTE NO AC E DO RE. Se o fato do CNPJ constante no Ato Concessório, diverso do indicado no RE, não prejudicar a fiscalização na verificação do cumprimento do regime pela beneficiária, não procede a alegação de descumprimento do regime capaz de cancelar o benefício fiscal em destaque. Recurso Especial do Procurador Negado Assim, pressuposto imprescindível ao lançamento do tributo, é a demonstração do desvio de finalidade do papel imune, o que não se prova nem se alega nestes autos. Aliás, a destinação é matéria incontroversa nos autos. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 9 13 Por fim, entendo que nas importações em que houve canal de conferência aduaneira é inadmissível a exigência dos tributos. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a exigência dos tributos sobre as importações de papel imune realizado por pessoa jurídica com Registro Especial junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10830.902581/2006-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 02 58 1/ 20 06 -0 9 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 384 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 268/270) contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Campinas de fls. 251/254 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 30/10/2003 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 41281.88471.301003.1.3.0 49260 (fls. 40/42), informando: a) débito (confessado): IRPJ – Lucro Presumido, código de receita 2089, do PA 3º trimestre/2003, data de vencimento 31/10/2003, assim especificado: principal: R$ 42.906,24; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 42.906,24. b) crédito utilizado/informado: aproveitamento de crédito de R$ 27.635,09 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código de receita 3373, do PA 30/06/2000 (IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL), adimplemento no valor total de R$ 67.151,60, em 31/07/2000.Valor original do crédito inicial R$ 27.635,09. O despacho decisório da DRF/Campinas, de 18/07/2008, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fls. 45), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.635,09. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 385 3 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 29/07/2008 (fls. 44), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls 01 e 48, aduzindo, em suas razões, o seguinte, in verbis: Ref. Processo de Crédito n.° 10830.902.581/200609 CADSERVICE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, sociedade limitada de direito privado, estabelecida à Rua Pedro Stancato, n.° 250/290 Bairro Campo dos Amarais Campinas SP, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob n.° 65.877.300/000107, por seus representantes legais abaixo assinados, tendo recebido o Despacho Decisório n.° 775562613 (Rastreamento), com referencia ao Processo epigrafado, vem respeitosamente a presença de Vossa Senhoria, para manifestar sua inconformidade e esclarecer que requereu o desarquivamento do processo n.° 10830.008903/200290, tendo em vista que não foram consideradas as Alterações de DCTF desse processo, protocoladas em 01/10/2002. Do exposto, requer seja tal despacho considerado sem efeito, pleiteando comprovar a legitimidade dos créditos devidamente compensados, assim que tomar vista do processo desarquivado. Em face dessa alegação da contribuinte, cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, que tratam de solicitação de alteração de DCTF, foram juntados aos presentes autos (fls. 53/229), conforme despacho de expediente da DRF/Campinas, de 16/04/2009 (fl. 244), in verbis: (...) Trata o presente de processo de manifestação de inconformidade, vide fls. 01 a 52, de Despacho Decisório emitido pelo SCC, com ciência em 29/07/2008, vide fls.240 . Como o contribuinte solicitou o desarquivamento do processo 10830.008903/200290, pois entende que a decisão prolatada nesse processo estaria vinculada ao presente despacho decisório, foram anexadas as cópias das fls. do processos 10830.008903/2000290, vide fls. 53 a 229. Encaminho o presente à DRJ/Campinas para prosseguimento . (...). Na sequência, a DRJ/Campinas, enfrentando o mérito da lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 5ª Turma, de 25/04/2011 (fls. 251/254), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 386 4 Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a processo anterior de retificação de DCTF, se, após deferimento da retificação inicial, outras DCTF retificadoras, instrumentos de confissão de dívida, foram espontaneamente apresentadas pelo contribuinte, confirmando a existência de dé bito de tributo no valor inicialmente apurado, declarado e recolhido pela pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 13/06/2011 (fl. 267), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 268/270) e juntou documentos (fls. 271/371), argumentando, in verbis: (...) DOS FATOS Trata o presente processo de crédito de Imposto de Renda, referente ao 2o trimestre de 2.000, no valor original de R$ 54.485,42 (diferença entre o IRPJ recolhido antes da recomposição da contabilidade no valor de R$ 67.151,60 e o valor apurado após a recomposição R$. 12.666,18). A recorrente procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 41281.88471.301003.1.3.049260 (copia anexa) para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 42.909,24, com o crédito remanescente do original de R$ 54.485,42, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 387 5 entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retifícadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2o trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 67.151,60 e não R$. 12.666,18 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivada de erro", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. Corroborando tal afirmativa, anexamos cópia fiel da DIPJ/2001, ano calendário 2000, única retificadora (cópia anexa), apresentada em 02/08/2002, onde na Demonstração do Resultado, constatamos a Provisão para o Imposto de Renda no 2o trimestre/2000, no valor de R$.12.666,18 (a mesma constante da DCTF retificadora n.° 91074751).(cópia anexa) Acrescenta ainda a recorrente que, em virtude do prazo decadencial (Art. 150 do CTN), está impedida de solucionar o erro, pelos meios eletrônicos. DO ERRO PLENAMENTE ESCUSÁVEL A recorrente, ao apresentar a DCTF retificadora n.° 22044953 (cópia anexa) de 26/11/2004, cometeu erro de fato, plenamente escusável, na forma em que dispõe o artigo 172, inciso II do Código Tributário Nacional, conforme se transcreve (...) DA CONCLUSÃO Na análise das disposições retro transcritas, constatase ser a recorrente legítima detentora do crédito pleiteado para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre de 2003, conforme DCOMP N.° 41281.88471.301003.1.3.049260, restando demonstrada a necessidade de reforma do r. "decisum" por este Egrégio Conselho, para reparar a subtração do direito alijado na decisão de primeira instância. Diante do exposto, por ter comprovado as razões de fato, e demonstrado as razões de direito, requer seja dado provimento ao presente Recurso (...) É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 388 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária DCOMP nº 41281.88471.301003.1.3.0 49260, transmitida em 30/10/2003, por meio da qual a contribuinte compensou, sob condição resolutória: a) débito informado do IRPJ, valor do principal R$ 42.906,24, código de receita 2089, referente ao período de apuração 3º o trimestre de 2003; b) crédito original utilizado do IRPJ de R$ 27.635,09, referente suposto adimplemento indevido ou a maior do IRPJ do PA 30/06/2000. Quanto a esse PA, o adimplemento, em 31/07/2000, seria no valor de R$ 67.151,60. Valor original do crédito inicial R$ 27.635,09 (informado na DCOMP). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ, relativo ao citado período de apuração. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que faz jus ao crédito pleiteado, aduzindo: que o crédito – direito creditório do IRPJ, referente ao 2o trimestre do ano calendário 2000, perfaz R$ 54.485,42 (valor original adimplido indevidamente ou a maior); que esse valor corresponde, justamente, a diferença entre o IRPJ adimplido antes da recomposição da contabilidade de R$ 67.151,60 e o valor apurado após a recomposição de R$ 12.666,18; que o IRPJ do 2º trimestre/2000, no valor de R$ 12.666,18 está em consonância com: a) DIPJ retificadora 2001, anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002, vide Ficha 6A Demonstração do Resultado – Provisão do Imposto de Renda de R$ 12.666,18 para 2º trimestre/2000 e Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Real para 2º trimestre/2000, no vador de R$ 12.666,18 (fls. 228/229 e 321/371); b) DCTF retificadora (1ª): o IRPJ do 2º trimestre/2000 foi reduzido de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18; c) DCTF retificadora (última retificadora): que foi transmitida por equívovo, por erro material escusável ao restabelecer o IRPJ do 2º trimestre/2000 para R$ 67.151,60; que, por conseguinte, a DCTF retificadora correta é a 1ª, e não a última. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 389 7 Compulsando os autos, constato que os elementos de provas não permitem, não são insuficientes, para formação de convicção do Julgador quanto ao mérito do crédito pleiteado, ou seja, quanto à existencia e liquidez do crédito demandado. Senão, vejamos: Inicialmente, a contribuinte transmitiu eletronicamente DCTF, em 10/08/2000, quanto ao 2º trimestre/2000, confessando débito do IRPJ estimativa desse trimestre no valor de R$ 67.151,60, informando extinção mediante pagamento por DARF, código de receita 3373, com vencimento em 31/07/2000 (fls. 142 e 175). Porém, não consta dos autos cópia do referido DARF de pagamento/recolhimento. Posteriormente, no processo nº 10830.008903/200290, protocolado em 01/10/2002, a contribuinte solicitou retificação de DCTF, preenchendo formulário em papel de DCTF retificadora, no intuito de redução do débito do IRPJ do PA 2º trimestre/2000 de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18 (fls. 55, 186 e 189). Cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, de que trata a solicitação de retificação de DCTF, foi juntada aos presentes autos (fls. 53/229 e 244). Ainda, para justificar a retificação da DCTF e redução do imposto apurado do 2º trimestre/2000, de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18, naqueles autos, a contribuinte juntou cópia da Ficha 6A Demonstração do Resultado do 2º trimestre/2000, onde consta consignado, informado, no item 54, Provisão para o IRPJ R$ 12.666,18 (fl. 223) e na Ficha 12 –Cálculo do Imposto de Renda s/ o Lucro Real, item 18 – Imposto de Renda a Pagar R$ 12.666,18 (fl. 224). Por fim, os autos do processo nº 10830.008903/200290 foram arquivados, sem análise do mérito do pedido formulado, por perda de objeto, pois a contribuinte tansmitiu eletronicamente a DCTF retificadora, reduzindo o débito apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18, informando, reiterando, ainda que pagara, em DARF, do referido PA R$ 67.151,60, código de receita 3373. Vide cópia de tela DCTF – Sistema Gerencial (fl. 246/247). Quanto ao referido arquivamento (processo nº 10830.008903/200290), transcrevo o despacho de 12/11/2002 propondo arquivamento e o qual realmente foi arquivado (fl. 229): Trata o presente processo de pedido de retificação de DCTF referente ao (s) ano (s) calendário 2000. A DCTF retificadora já foi transmitida via receitanet. Considerando o disposto no arigo 10 da IN SRF nº 255 de 11/12/2002, PROPONHO o encaminhamento do presente a ARQ – GRA/SP para arquivamento. Ainda, por último a contribuinte apresentou DCTF retificadora, da anterior DCT retificadora, retornando para o débito do IRPJ inicial de R$ 67.151,60 quanto ao PA 30/06/2000, informando que esse valor fora adimplido da seguinte forma (fls.253/257): pagamento em DARF R$ 12.666,18; outras compensações e deduções R$ 54.485,42, conforme pedido formalizado no PAF nº 10830.0008903/200290. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 390 8 Ora, o processo nº 10830.0008903/200290, diversamente do alegado pela contribuinte, não tratou de pedido de compensação tributária, mas apenas de solicitação de retificação de DCTF. Logo, o crédito pleiteado de R$ 27.635,09, na DCOMP objeto destes autos, referente adimplemento indevido ou maior de R$ 54.485,42 do IRPJ do PA 30/06/2000 não restou comprovado, por duas razões: a) se houve compensação, inexiste comprovação nos autos da alegada compensação tributária de R$ 54.485,42, quanto ao IRPJ apurado do PA 30/06/2000; b) ou, se houve pagamento, não consta do autos DARF de pagamento do IRPJ do PA 30/06/2000 no valor de R$ 67.151,60. Por outro lado, quanto à alegação da contribuinte de que houve mero erro material ou erro escusável de preenchimento da DCTF retificadora, transmitida por último, restabelecendo o IRPJ do 2º trimestre/2000 (PA 30/06/2000) para R$ 67.151,60 (DCTF original), entendo que, em tese, é possível, sim, a existência do alegado erro material, pois na DIPJ retificadora, que foi recepcionada pelo Sistema informatizado da RFB (a qual é válida até prova em contrário), o IRPJ apurado do 2º trimestre/2000 totaliza o valor de R$ 12.666,18. A propósito quanto ao alegado erro material, transcrevo, nessa parte, as razões suscitadas no recurso, nesta instância de julgamento, in verbis: (...) A recorrente procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 41281.88471.301003.1.3.049260 (copia anexa) para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 42.909,24, com o crédito remanescente do original de R$ 54.485,42, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retificadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2o trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 67.151,60 e não R$ 12.666,18 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivadas de erros", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. (...) Como demonstrado, existe DIPJ retificadora (recepcionada validamente até prova em contrário) do anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002 com recibo de entrega (fls. 49/99), demonstrando apuração do IRPJ de R$ 12.666,18 para o 2º Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 391 9 trimestre/2000, logo não tem sentido, em tese, a transmissão de DCTF retificadora apresentada, por último, restabelecendo apuração do IRPJ para R$ 67.151,60 para referido PA. Por isso, o alegado erro material no preenchimento da última retificadora tem, em tese, plausiblidade, no caso. Mas, por outro lado, como já dito, em face dos elementos de prova constantes dos autos, não restou comprovado o adimplemento indevido ou a maior de IRPJ do 2º trimestre/2000 no valor de R$ 54.485,42 (valor original), do qual a recorrente, na compensação objeto dos presentes autos, utilizou crédito de R$ 27.635,09 (valor original). Vale dizer, não consta dos autos, prova cabal, de que o valor do IRPJ de R$ 67.151,60 do PA 30/06/2002 (inicialmente apurado – DIPJ primitiva) tenha sido pago integralmente por DARF ou que tenha sido objeto de quitação integral por compensação, ou ainda por DARF de R$ 12.666,18 e R$ 54.485.42 por compensação. Nesse diapasão, e com base no princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Campinas: a) intime a contribuinte a fazer comprovação, nos autos, do valor apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 à luz da escrituração contábil, informado na DIPJ retificadora; b) intime a contribuinte a comprovar o alegado adimplemento indevido ou a maior de R$ 54.485,42 (valor original) do IRPJ PA 30/06/2000 e do qual ela utilizou/pleiteou R$ 27.635,09 na compensação objeto destes autos (valor original); c) caso o imposto, desse PA, tenha sido adimplido a maior ou indevidamente por pagamento em DARF e/ou compensação tributária, juntar aos autos cópia do DARF com respectiva confirmação de recolhimento e juntar prova de compensação tributária válida; d) informar se há, ou não, disponibilidade de crédito para compensação informados na DCOMP objeto dos autos. e) elaborar, ano final, relatório circunstânciado, apresentando o resultado da diligência fiscal; f) intimar a contribuinte do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação nos autos, a partir da ciência, caso queira; g) transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação da contribuinte, fazer a remessa dos autos a este CARF para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11070.001762/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação lastreado em direito creditório reconhecido em outro Processo, no limite do valor lá apurado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 26/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação lastreado em direito creditório reconhecido em outro Processo, no limite do valor lá apurado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 62 /2 00 8- 81 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O presente processo foi formalizado, originariamente, para análise da compensação constante do PER/DCOMP nº 28307.03862.280205.1.3.043147 e do respectivo PER/DCOMP Retificador nº 23143.52679.150405.1.7.044305. Nesse PER/DCOMP Retificador a contribuinte informou a extinção (sob condição resolutória) de débitos de IPI em decorrência da compensação com créditos que estariam sendo pleiteados no âmbito do processo nº 11128.004396/200486, no valor original de R$ 204.378,71. Às fls. 17/18, cópia do despacho decisório proferido em 16/01/2007 pela SEORT – Serviço de Orientação e Análise Tributária da Alfândega do Porto de Santos, no âmbito do processo administrativo nº 11128.004396/200486. À vista do indeferimento da restituição pleiteada no processo nº 11128.004396/200486, a SAORT da DRF em Santo Ângelo RS emitiu, em 23/12/2009, o despacho decisório de fls. 120/121, não homologando a compensação indicada no PER/DCOMP Retificador nº 23143.52679.150405.1.7.044305. Cientificada (fls. 122) em 29/12/2009, a interessada apresentou, em 28/01/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 123/129, alegando, em síntese, o efeito suspensivo do recurso apresentado, afirmando que como existe vinculação com o processo administrativo nº 11128.004396/200486, que se encontra no CARF aguardando julgamento de recurso voluntário, o débito deverá permanecer com exigibilidade suspensa até que este seja julgado em definitivo na esfera administrativa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Pedido de Suspensão da Exigibilidade. Não é da competência das Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a apreciação da suspensão da exigibilidade de crédito tributário Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Como consta, a decisão do vertente litígio está atrelada ao reconhecimento da disponibilidade do crédito discutido no Processo nº 11128.004396/200486, pautado para essa mesma Sessão de Julgamento. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001762/200881 Acórdão n.º 3102001.990 S3C1T2 Fl. 3 3 Não me parece que exista litígio neste que transborde a matéria daquele. Uma vez que tenha sido reconhecido o direito de crédito pleiteado naquele, a compensação neste requerida deve ser homologada no limite do valor lá apurado, nos termos em que foi decidido no Acórdão correspondente. É como VOTO. Sala de Sessões, 22 de agosto de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15374.914747/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 19/04/2010
IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS.
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 47 47 /2 00 9- 12 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 122 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. ‘Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 50 [emitido eletronicamente pelo SCC] que não homologou a DCOMP nº 09726.39624.121205.1.3.047910 transmitida pelo contribuinte retro identificado, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 131.395,86 [IPI, PA 11/2005, venc. 15/12/2005], tendo por lastro crédito originário de Pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 20/02/2001, de valor original igual a R$ 71.574,17, que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 131.395,86. Tudo isso cf. fls. 54/58. A motivação da nãohomologação foi a constatação da inexistência do crédito informado em razão da utilização integral do pagamento para quitação de débitos do contribuinte [IPI, PA 10/02/2001, valor R$ 71.574,17], não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 27/04/2010 (fl. 53), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2010 (fl. 02), por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em síntese: => em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório [arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96] “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”; => no mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento [estas, sim, base de cálculo do PIS e da Cofins] segundo seus conceitos jurídicos, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema; => finaliza o tópico retro mencionado nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; => pede, ao final, seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da nãocumulatividade e da base Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 123 3 de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO” A DRJ/JFA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do Fato Gerador: 20/02/2001 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço de venda], nele já está inserido, de modo que a expressão "valor da operação" deve ser compreendida com a sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual apresenta jurisprudência e argumentos contrários a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, asseverando que seriam aplicáveis também na inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 124 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório também não são combatidos. O único ponto tratado no recurso é a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Incidência do IPI sobre o ICMS No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui sua própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 125 5 (...)” A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” A Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” No julgamento do RE nº 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante de ICMS deve ser incluído na própria base de cálculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: “3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 126 6 do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2º, I, e 8º, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de cálculo do IPI. A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a nãoincidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Sobre certeza e liquidez do crédito. Ainda que se entendesse que o ICMS deveria ser excluído da base de cálculo do IPI, no caso não se poderia dar provimento ao recurso. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de IPI. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 127 7 Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Além disso, até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem eventual erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito, conforme. acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. E a 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento manifestou o mesmo entendimento no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale ao IPI sobre valores de ICMS. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13976.000247/00-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
NORMAS PROCESSUAIS.
Constatada a ocorrência de contradição entre o voto e o relatório, deve ser corrigida a decisão de modo a retratar, corretamente, a matéria (única) em julgamento, conforme corretamente relatado.
A ementa do acórdão 9303-00.516 deve passar a:
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA
O incentivo denominado crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda
Numero da decisão: 9303-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. .
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 08/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Constatada a ocorrência de contradição entre o voto e o relatório, deve ser corrigida a decisão de modo a retratar, corretamente, a matéria (única) em julgamento, conforme corretamente relatado. A ementa do acórdão 930300.516 deve passar a: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. . JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 02 47 /0 0- 51 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Na reunião realizada em novembro de 2009 esta Terceira Turma, com a composição de então, julgou recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e lhe deu provimento. Na ocasião, a Conselheira Maria Teresa Martinez López, assim, corretamente, o relatou: Tratase da análise de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão 20217.886, de 28/03/2007, da então 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. A Fazenda Nacional se insurge quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores pagos a título de industrialização por encomenda. A ementa do acórdão recorrido possui a seguinte redação: CRÉDITO PRESUMIDO.INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, a mens legis do incentivo teve por finalidade a desoneração tributária dos produtos exportados, via ressarcimento das contribuições sociais incidentes, o que inclui os produtos industrializados por encomenda. ENERGIA ELÉTRICA. Não se inclui no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, conforme definido na legislação do IPI. Recurso provido em parte. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido pelo Despacho n° 202523 (fls. 288/289) após verificação do atendimento aos requisitos formais para a sua admissibilidade. A Fazenda Nacional, pede para restaurar a decisão de primeira instância. Desse ato processual a contribuinte foi cientificada optando por não apresentação de contrarazões. A contribuinte apresentou também recurso contra a decisão que não lhe reconheceu o custo de energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido. As fls. 353/354, Despacho de admissibilidade n° 202186, pelo qual foi analisada e negado seguimento ao recurso de divergência da contribuinte depois de Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13976.000247/0051 Acórdão n.º 9303002.287 CSRFT3 Fl. 7 3 verificado o não atendimento aos requisitos formais para a sua admissibilidade. É o Relatório. Como se constata, o relatório deixa claro haver apenas uma matéria em discussão, a industrialização por encomenda. Sobre ela versou o voto da relatora, quem, no entanto, restou vencida. Designado para redigir o acórdão, o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, equivocadamente, nele abordou matéria completamente estranha ao recurso: “atualização monetária pela taxa Selic” Patente a contradição, a empresa acima qualificada interpõe os presentes embargos nos quais alega: (...) Contudo, cientificada da decisão proferida, constatou a contribuinte que, em que pese a Senhora Relatora tenha reconhecido o seu direito em relação a inclusão dos valores relativos a industrialização por encomenda, na apuração do crédito em discussão, seu voto foi equivocadamente afastado em vista daquele proferido pelo relator designado, que insurgiuse em relação a aplicação da taxa selic no ressarcimento do IPI, sequer alegada pela Senhora Relatora (destaques do original) (...) É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Os presentes embargos foram a mim distribuídos em razão de o Conselheiro Gilson Rosenburg Filho a ele não mais pertencer neste momento. Ao analisálo constato a presença de vício a requerer pronta correção. Por não ter integrado o colegiado quando da votação original, tive dúvida sobre reconhecer a mera ocorrência de vício material, o que dispensaria até mesmo o retorno ao Colegiado, ou a presença de contradição, a requerer o pronunciamento dos demais membros. E essa dúvida fica reforçada pela leitura da passagem do recurso que fiz incluir no Relatório deste. É que ali, me parece, a embargante parece insinuar que a Câmara não enfrentara a matéria corretamente, o que tornaria possível rediscutila no presente momento. Isso porque, o texto da decisão que consta na página de rosto do acórdão também não é suficientemente claro. Com efeito, o resultado restou assim anotado: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffman, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez (Relatora) e Leonardo Siade Manzan, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Optei, por isso, em colocálo em pauta. Isso não obstante, da leitura do relatório e do voto da dra. Maria Teresa extraio que a única matéria submetida a debate no colegiado foi exatamente a industrialização por encomenda, tendo havido apenas um equívoco por parte do redator designado na anexação do voto vencedor, operação que é sempre feita posteriormente ao encerramento da sessão. A implicação é que a decisão em si foi perfeita, tendose negado o direito anteriormente reconhecido pela instância recorrida, havendo erro apenas na redação do acórdão. Por isso, a meu ver, agora cabe apenas suprimir o erro, mediante a correta transcrição do entendimento do Conselheiro Gilson sobre a matéria que fora discutida, isto é, a industrialização por encomenda. E ela era bem conhecida porquanto expressa em diversos outros julgados. Trago à colação aquele proferido no julgamento do recurso nº 218.049, relativo ao processo nº 11080.008497/9883, coincidentemente também relatado pela dra. Maria Teresa e em que ele fora igualmente designado redator. São suas palavras: A discordância em relação ao voto da ilustre relatora diz respeito à possibilidade de utilização dos valores referentes aos serviços prestados por terceiros no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13976.000247/0051 Acórdão n.º 9303002.287 CSRFT3 Fl. 8 5 vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, nego o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para glosar os valores referentes à industrialização por encomenda do cálculo do crédito presumido do IPI. Este era o “voto vencedor” que deveria ter sido por ele incluído, o que faço agora para sanar a contradição verificada sem alteração do resultado do julgamento JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13976.000247/0051 Acórdão n.º 9303002.287 CSRFT3 Fl. 9 7 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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