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Numero do processo: 10980.016144/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/03/2003 a 10/07/2003
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio no particular, por falta de objeto.
ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART 63. DA LEI 9.430/96. Para prevenção da decadência cabe ao Fisco o lançamento de auto de infração, sem multa de mora, dos créditos escriturados em cumprimento a ordem judicial.
Numero da decisão: 3302-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DESISTÊNCIA PARCIAL. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio no particular, por falta de objeto. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART 63. DA LEI 9.430/96. Para prevenção da decadência cabe ao Fisco o lançamento de auto de infração, sem multa de mora, dos créditos escriturados em cumprimento a ordem judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES RELATOR Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 61 44 /2 00 8- 19 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Salvador: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado (fls.431/433 e Demonstrativos de fls. 424/430), através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$721.486,38, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$1.781.390,62, em razão de ser sido detectado, em procedimento de revisão interna – Malha PJ, nos anos calendários de 2003 e 2004, que a empresa não declarou em DCTF e tampouco recolheu os valores informados nas DIPJ relativos ao IPI, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.438/440. Consta no Termo de Verificação Fiscal que intimada a empresa a comprovar o recolhimento do IPI e entrega de DCTF e DIPJ informando os valores devidos de IPI, a empresa alegou que não apurou saldos devedores do IPI (fls.15/16). Às fls. 35/88 foram anexadas as cópias do Livro Registro de Apuração do IPI, tendo esclarecido às fls.18/19 que os saldos em aberto constantes da DIPJ foram compensados com créditos do próprio IPI, estes que tem origem em entradas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, reconhecidos na Ação Judicial – Ordinária Declaratória, nos autos nº2000.70.00.0148170, que tramitou originariamente perante a 11ª Vara Federal de CuritibaPR (fls.89/97), petições e Recurso no Agravo Regimental interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN (fls. 98/199 e 355/363). Consta no termo de verificação que a fiscalização, analisando os documentos relativos à ação judicial solicitados junto a contribuinte (fls.402/404 e 405), juntados às fls.202/363 e 371/401 (volumes 1 e 2), constatou que a ação judicial não está encerrada, uma vez que o Recurso de Agravo Regimental – Recurso Extraordinário nº382.440, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, encontrase sobrestado, aguardando o julgamento dos Recursos Extraordinários nº350.446, 370.682 e 353.657, (extrato de acompanhamento processual de fls.364/365, sendo que este último, teve decisão desfavorável ao contribuinte, de que “não há qualquer direito a crédito nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero ou não tributados”. O lançamento consiste na confrontação entre os saldos devedores do IPI apurados no LRAIPI e os declarados e pagos. Não foram localizados valores de IPI declarados nas DCTF e não constam pagamentos efetuados a título deste imposto Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 524 3 O enquadramento legal inclui infração aos arts: 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 130, 199 (alterado pela Lei nº10.833, de 2003), 200, IV, 202, III (alterado pelo art.43 da Lei nº10.833, de 2003), todos do Decreto nº4.544, de 2002 – RIPI/2002. Tendo o contribuinte sido cientificado do lançamento em 19/11/2008, fl.442, apresentou impugnação em 18/12/2008, de fls.447/456, alegando que: • as compensações de créditos de IPI com débitos do próprio IPI da Empresa ora Impugnante foram realizadas legitimamente, ao contrário do que supõe equivocadamente o Auto de Infração ora impugnado; • não possui débitos em aberto nos exercícios de 2003 e 2004, pois os compensou devidamente com créditos do próprio imposto IPI originados por entradas isentas ou com alíquota zero. Tais créditos foram devidamente reconhecidos judicialmente e compensados pela empresa no Livro de Apuração do próprio imposto IPI, atendendo ao decidido em ação judicial declaratória autos n.° 2000.70.00.0148170 (que tramitou originalmente perante a 11ª Vara Federal de Curitiba/PR); • os créditos foram reconhecidos judicialmente (por decisão vigente e eficaz) em respeito ao princípio da nãocumulatividade do imposto, e em vista disso, poderiam ser compensados com débitos do próprio IPI, compensação essa também autorizada judicialmente; • ajuizou Ação Ordinária Declaratória autuada sob n.° 2000.70.00.0148170, cujo inteiro teor já se encontra anexo ao processo administrativo em epígrafe, para requerer ao Judiciário sobretudo o reconhecimento do direito ao crédito de IPI nas entradas isentas e com alíquota zero nos últimos 10 (dez) anos anteriores ao ajuizamento da ação, e além disso, permitir a autocompensação de tais créditos com débitos de IPI na escrita fiscal e outros tributos; • a sentença do Juízo reconheceu o direito de crédito de IPI da Empresa por entradas de insumos isentos, com alíquota zero ou não tributados/imunes, ocorridas em até 10 (dez) anos anteriores à ação (19902000), corrigidos monetariamente, especialmente para compensação dos débitos do mesmo imposto (IPI), mediante registro nos livros de apuração; • a União recorreu da sentença, bem como a interessada, estes recursos foram recebidos em 15/06/2001, pelo Juízo da 11ªVara Federal, que os remeteu para julgamento no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, em Porto Alegre/RS; • em 21.03.2002 a Primeira Turma do TRF da 4ª Região julgou (por unanimidade)parcialmente favorável o recurso de apelação da Empresa Conduspar, acatando o pedido de ajustes na quantificação da correção monetária dos créditos de IPI já reconhecidos em sentença favorável e totalmente improcedente o recurso apresentado pela União Federal, confirmando a sentença na parte em que reconheceu o direito ao crédito Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 presumido de IPI pela entrada de insumos isentos, com alíquota zero e não tributados/imunes à empresa Conduspar; • o acórdão de julgamento do TRF da 4ª Região também permitiu a autocompensação dos créditos de IPI com os débitos do próprio imposto na escrita fiscal da Empresa (livros de apuração do IPI), antes mesmo do trânsito em julgado da ação e que os recursos da União Federal, posteriores a esse julgamento, não possuem efeito suspensivo); • a decisão do Tribunal asseverou que a exigência relativa à "compensação só pode ser realizada após o trânsito em julgado de ação judicial" constante do art. 170A do CTN somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência da Lei Complementar n.° 104, de 10 de Janeiro de 2001 (que introduziu o citado art. 170A no corpo do CTN); • no caso presente sequer haveríamos de debater a eventual aplicação do art. 170A do CTN, tendo em vista que a ação ordinária da Empresa Conduspar se refere ao direito de creditamento e ressarcimento do IPI (créditos nãocumulativos), o que não tem nada a ver com o direito à restituição de indébito, tema ao qual é aplicável o art. 170A do CTN; • o art. 170A do CTN é, sob qualquer ângulo, inaplicável à presente ação judicial, como inclusive reconheceu o TRF da 4ª Região na citada decisão, que se encontra vigente e eficaz. Resta assim protegida a compensação do IPI nos livros fiscais do imposto, feita pela Empresa Conduspar, nas palavras do Desembargador Relator do citado julgamento, ao deixar claro inclusive que o art. 170A, por ter sido criação da LC n.° 104/2001, só poderia atingir créditos surgidos de pagamentos indevidos, e após a vigência da mesma (ou seja, dia 11.01.2001, data da publicação dessa lei complementar); • em virtude da decisão de 2ª instância proferida pelo TRF da 4ª Região de forma favorável para a Empresa Conduspar, a União Federal recorreu por meio de recurso de embargos de declaração, que foram recebidos pelo TRF apenas para efeito de préquestionamento, razão pela qual o acórdão restou imodificado. A Empresa também recorreu para ampliar ainda mais a sentença favorável, mas seu recurso também não alterou o julgamento já favorável no TRF da 4ª Região; • a União Federal, inconformada com as duas decisões (sentença e acórdão) favoráveis à Empresa Conduspar, interpôs em 23.05.2002, recurso extraordinário dirigido ao Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília/DF, para ver reformadas tais decisões. Entretanto, como se vê desse recurso da União ao STF, a Fazenda Federal reconheceu o direito da Empresa Conduspar de se creditar do IPI pela entrada de insumos com isenção. • a União Federal não requereu em seu recurso ao STF a reforma da decisão do TRF da 4ª Região na parte em que reconheceu à Conduspar os créditos de IPI decorrentes da entrada de insumos isentos. Portanto, nessa parte, direito ao crédito de IPI por entradas com isenção, também para compensação na escrita fiscal, inclusive já transitou em julgado Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 525 5 a decisão favorável à empresa contribuinte, em data de 23/05/2002; • os autos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), para final julgamento do recurso extraordinário interposto pela União Federal. • na data de 06/05/2003, o Ministro do STF Carlos Velloso, Relator do recurso extraordinário da União no Supremo Tribunal, proferiu decisão monocrática favorável à Empresa Conduspar (mais uma decisão favorável), também reconhecendo o direito de crédito de IPI pelas entradas de insumos com alíquota zero, além da hipótese de isenção (essa já transitada em julgado), seguindo o precedente julgado pelo Egrégio Tribunal no RE 350.446/PR; • em 03.07.2003 a União Federal protocolou no STF um recurso de "agravo regimental" em face dessa decisão do Ministro Carlos Velloso, porém, tal recurso não possui efeito suspensivo (vide art. 317 do Regimento Interno do STF), ou seja, não obsta que a Empresa Conduspar procure efetivar seu direito de compensação dos créditos de IPI acumulados por entradas com isenção e alíquota zero; • por todas essas razões, deve ser julgado totalmente improcedente o auto de infração ora impugnado, o que desde já se requer; • a execução provisória de sentença nº2003.70.00.0360111, que tramitou paralelamente aos autos nº2000.70.00.0148170, e teve por objeto apenas o ressarcimento do valor das custas processuais mediante a expedição de Requisição de Pequeno Valor e a expedição de Precatório para o pagamento dos honorários de sucumbência em favor dos patronos da Conduspar na ação, não interferindo em nada na presente ação; • não há qualquer ilegalidade nas compensações de créditos de IPI com o próprio IPI nos livros fiscais da empresa nos exercícios de 2003 e 2004, pois tais compensações foram sim amparadas por decisões judiciais plenamente válidas e eficazes. Para tanto, requer que seja a presente impugnação recebida e julgada procedente, para efeito de anular integralmente o auto de infração ora impugnado. Às fls.482/483 consta a petição da interessada, datada de 31/03/2009, requerendo a Desistência Parcial da Impugnação ao auto de infração para cumprir com os requisitos do Parcelamento oferecido pela MP 449/2008, que consiste na desistência do principal e dos juros SELIC cobrados sobre o principal, nos valores identificáveis R$721.486,38 e R$518.789,54, respectivamente, persistindo na impugnação administrativa quanto à multa de ofício de 75%, cuja aplicação continua entendendo indevida, uma vez que nos exercícios de 2003 e 2004 as compensações de créditos de IPI alíquota zero pela empresa estavam protegidas por decisões judiciais válidas e executáveis independentemente do trânsito em julgado da ação Fl. 527DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 ordinária que tramitou no Judiciário, como bem demonstrado na impugnação. Entende a autuada que o fato de a ação ordinária que fundamentava a compensação dos créditos do IPI ter sido recentemente julgada improcedente em instância final não impede que se reconheça que à época em que foram realizadas as compensações, 2003 e 2004, estas estavam protegidas por decisões judiciais, razão pela qual requer o afastamento da cobrança da multa de ofício. O créditos tributários objeto da desistência parcial da impugnação foi objeto de transferência para o processo 10912.000278/200902 (fl.485/486). Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.488. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 10/07/2003 PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio, por falta de objeto. MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO ORDINÁRIA. Na constituição de crédito tributário objeto de ação judicial, cuja exigibilidade não houver sido suspensa, destinada a prevenir a decadência, cabe aplicação de multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 528DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 526 7 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de auto de infração de IPI decorrente da utilização, antes do trânsito em julgado, de créditos decorrentes de ação judicial realcionada a aquisição de insumos isentos, alíquota zero e não tributados. A matéria de fundo relacionada ao efetivo direito aos créditos pleiteados pela Recorrente no processo judicial e o destino definido pelo STF para a matéria já é de conhecimento deste colegiado, e não será aqui analisado posto que houve o parcelmento dos débitos relacionados. Importa saber que o parcelamento noticiado alcançou apenas o principal e juros. Somente em relação a multa de oficio aplicada juntamente com o lançamento efetuado é que resta a discussão a ser analisada. De um lado, o Recorrente alega que a multa lançada seria indevida uma vez que as compensações foram efetuadas com ordem judicial que, inclusive, afastava a aplicação do art. 170 A do CTN. Por outro lado, a decisão recorrida afirma que as compensações não poderiam ter ocorrido antes do trânsito em julgado da ação judicial, bem como “em face de não existir medida liminar ou tutela antecipada que suspenda a exigibilidade dos créditos tributários constituídos de ofício, nos termos do artigo 151 do CTN. Para bem analisar as questão remanescente comvém destacar as decisões judiciais proferidas no âmbito do processo proposto pela Recorrente. A sentença proferida em 04/04/2001 no processo judicial nº 2000.70.00.0148170, assim dispôs: Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a pretensão da autora, a fim de declarar o seu direito de utilizar os créditos de IPI referentes a produtos isentos, nãotributados e submetidos à alíquota zero para o cálculo do débito de tal imposto. Resguardo todavia, à União, o poderdever de fiscalizar a operação a ser realizada pela autora. Contra esta decisão foram apresentadas apelações de ambas as partes que foram recebidas nos efeitos devolutivo e suspensivo. Em 21/03/2002, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgou imporcedente a apelação da União e autorizou a compensação escritural dos créditos de IPI. Merece destaque o seguinte trecho do acórdão: Por sua vez, o art. 66 da Lei n° 8.383/91 autoriza a compensação com prestações subseqüentes ao pagamento indevido. Quando se alude a prestações vincendas, entendase como parcelas posteriores aos créditos do IPI. Ressalto, outrossim, que o "disposto no. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação Fl. 529DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras de direito intertenporal. Contra a decisão, proferida pelo Regional Federal, foram apresentados embargos que, em relação à União, foram recebidos para fins de prequestionamento. Em seu Recurso Extraordinário, porposto em 23/05/2002, concluiu a União: “em face do exposto, a FAZENDA NACIONAL requer o provimento do presente recurso extraordinário para — restabelecendo o sentido dos arts. 150, § 6.° e 153, § 3.°, inciso II, ambos da Constituição d e 1988 — declarar ser inviável o reconhecimento de créditos na aquisição de insumos nãotributados ou sujeitos à alíquota zero, bem como ser descabida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI” Merece destaque o fato de a PGFN, não ter recorrido em relação aos insumos isentos, tendo, portanto, se conformado com as decisões até então proferidas pelo e. STF. Contra o despacho monocrático do Ministro Carlos Velosso que negou seguinto ao RE foi interposto Agravo Regimental pela União, em 02 de julho de 2003. Somente em 15/04/2007, o RE teve seu curso sobrestado em função da análise dos REs 350.446, 370.632 e 353.657. A Recorrente pretendeu promover a execução provisória de decisão proferida no processo nº 2000.70.00.0148170 em relação aos honorários de sucumbência e custas, porém sua pretensão foi negada pelo poder judiciário. Ressalto que o presente relatório foi efetuado a partir dos documentos acostados aos autos nas fls. à 419. Com base nas decisões citadas anteriormente, a Recorrente regsitrou os créditos que entendia fazer jus e garantidos por decisões judiciais que expressamente autorizavam a registro e compensação dos créditos em sua escrita fiscal, afastando a aplicação do art. 170 A do CTN. Assim, é incontestável que à época dos registros contábeis, havia autorização judicial para a utilização dos créditos em questão, principlamente os relacionados a insumos isentos (decisão com trânsito em julgado material). Neste contexto, o fundamento do auto de infração lavrado contra a Recorrente afronta as decisões judiciais no que garantiram ao Recorrente o registro e aproveitamento dos créditos decorrentes de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero. Como visto anteriormente, à época da lavratura do auto de infração, haviam decisões judiciais que permitiam a utilização do crédito, o que, quando muito, permitiriam a Receita Federal o lançamento para previnir a decadência que, contudo, deveriam ser lavrados sem a incidência de multa, no exatos termos do que determina a Lei nº 9.430/96, senão vejamos: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 ) Fl. 530DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 527 9 Por conta disto, o auto de infração já deveria ter sido lavrado sem a multa de ofício. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para exonerar a multa de oficio lançada contra a Recorrente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720466/2010-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2004
ALEGAÇÕES. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
Os motivos de fato e de direito que embasam a defesa devem ser apresentados com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato e de direito que embasam a defesa devem ser apresentados com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 04 66 /2 01 0- 57 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado, o contribuinte apresentou, em 18/12/2009, manifestação de inconformidade de fls. 01/04, a seguir resumida. Alega que apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações – PERDCOMP informou equivocadamente os dados constantes no DARF idenfificado no despacho decisório. Ressalta que “tratase então, de apenas proceder à retificação da respectiva compensação, informando o DARF correto que originou o crédito, o que não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior”. Informa o DARF correto: Período de apuração: 30/12/2002 Código da Receita: 8109 Valor total do DARF: R$ 28.200,96 Data de arrecadação: 13/12/2002 Por fim, requer que seja acolhida a Manifestação de Inconformidade. A DRJ em BELO HORIZONTE/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10680.720466/201057 Acórdão n.º 3803004.667 S3TE03 Fl. 3 3 As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde pela primeira vez assevera que a DCTF retificadora deve ser levada em consideração, o que caracteriza equívoco da decisão de primeiro grau; discorre acerca da compensação administrativa; e requer a reforma do acórdão recorrido, para reconhecimento do crédito apontado e homologação da compensação pleiteada. Os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de sua admissibilidade, merecendo ser apreciado por esta Câmara nesta oportunidade. Tratase, ao meu sentir, de mais um caso de preclusão processual, em que a manifestante inconformada alinhava certos argumentos em primeiro grau, e por ocasião do recurso voluntário apresenta outra sorte de alegações. Notese que na impugnação o único argumento utilizado foi erro material na informação do DARF que conteria pagamento a maior ou indevido; ao passo que em segundo grau o argumento vem a ser o não reconhecimento da DCTF retificadora. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Lides como esta tem sido solucionadas costumeiramente no âmbito deste Colegiado de forma a não se conhecer do apelo, ante a preclusão do direito de defesa. Os motivos de fato e de direito que embasam a defesa devem ser apresentados com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No vinco do exposto, voto pelo DESCONHECIMENTO do recurso voluntário, por inovação dos argumentos de defesa. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721648/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. LIVRO CAIXA.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada de 225% para 75%. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que somente desqualificava a multa de ofício e Alice Grecchi, que também reduzia a multa de ofício incidente sobre a infração de dedução indevida de livro caixa, de 112,5% para 75%.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. LIVRO CAIXA. Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LIVRO CAIXA. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 48 /2 01 1- 70 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 359 2 comprovada de 225% para 75%. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que somente desqualificava a multa de ofício e Alice Grecchi, que também reduzia a multa de ofício incidente sobre a infração de dedução indevida de livro caixa, de 112,5% para 75%. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BRUNO OLAVO VIECK COMEGNIO foi lavrado Auto de Infração, fls. 243/263, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2006 a 2008, exercícios 2007 a 2009, no valor total de R$ 4.450.540,88, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/01/2011. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, foram dedução indevida de despesas de Livro Caixa (multa de ofício no percentual de 112,5%) e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (multa de ofício no percentual de 225%). A multa de ofício foi lavrada na sua forma agravada e qualificada, pelas razões a seguir transcritas do Termo de Verificação Fiscal: A imposição da multa qualificada de 150% é justificada, de forma contundente, pois nos anos de 2006, 2007 e 2008, o contribuinte declarou rendimentos isentos e tributáveis totais, R$ 20.200,00, R$ 33.433,20 e R$ 54.600,00, respectivamente. Contudo, neste mesmo período, restaram como depósitos sem origem comprovada nos anos de 2006, 2007 e 2008, os valores de R$ 1.717.129,52, R$ 1.908.955,62 e R$ 934.204,84, respectivamente. Assim, estas disparidades de valores, em todos os três períodos fiscalizados, corroboram com a convicção de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 360 3 que o contribuinte agiu, reiteradamente, dolosamente, no preenchimento destas declarações, no sentido de retardar ou impedir o conhecimento por parte desta Secretaria, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Assim, demonstrada a intenção do contribuinte em sonegar, cabível a multa qualificada de 150%. Pertinente ainda o agravamento da multa pois, no transcurso da ação fiscal, o comportamento do contribuinte ensejou o enquadramento deste no inc. I, do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 270/275, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1751.867, de 22/06/2011, fls. 315/322. Cientificado da referida decisão em 22/07/2011, fls. 326, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 327/351, em 19/08/2011, trazendo as seguintes alegações: que todos os depósitos realizados são efetuados com cheques nominais e por isso desde à época dos depósitos já existia a identificação de quem os emitiu. que até cheques devolvidos foram objeto de somatório para buscar os valores que foram depositados. que as Declarações do Imposto de Renda do contribuinte guardam relação com os saldos realmente verificados em contas bancárias. que a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador. que no tocante as pessoas físicas, a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é inadequada, posto que entre os depósitos e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica, direta e segura. que a multa imposta de 150%, levando em conta apenas os depósitos bancários, não tem sentido jurídico. que o contribuinte pode demonstrar as origens dos depósitos, porque precisa apenas de tempo para que o Banco forneça as cópias dos cheques depositados. que a movimentação financeira se deu apenas no Banco Bradesco. É o Relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 361 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que no lançamento foram imputadas ao contribuinte duas infrações, a saber: dedução indevida de despesas de Livro Caixa e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ocorre que no recurso, assim como na impugnação, o contribuinte limita suas alegações à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, silenciando quanto à infração de dedução indevida de despesas de Livro Caixa. Nesse sentido, devese observar o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19721 e, assim, considerar definitiva a decisão de primeira instância, relativamente à infração não contestada. Portanto, temse que a lide instaurada com a apresentação do recurso, que ora se examina, restringese tãosomente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Depósitos Bancários Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Ou seja, ficou determinado que se considere como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1 Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 362 5 Veja que não podem prevalecer as alegações da defesa de que a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador e que no tocante as pessoas físicas, a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é inadequada, posto que entre os depósitos e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica, direta e segura. Ao assim se manifestar o contribuinte está negando legitimidade ao dispositivo legal, sendo certo que optando por essa linha de argumento, o recorrente subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de compatibilidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. É bem possível que as leis padeçam de eventuais vícios, inclusive resultante de atuação dos legisladores com exorbitância de suas atribuições constitucionais. Todavia, deve ficar claro que elaborar juízo de valor acerca dessa matéria e, eventualmente determinar o afastamento de normas legais em decorrência de eivas, é atribuição privativa do Poder Judiciário, que não pode ser usurpada pelos julgadores administrativos. Por essa razão, inconformismos da espécie devem ser desfraldados em face do Poder Judiciário. Nesse sentido, relevante que aqui se traga a Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, cujo teor é o a seguir transcrito: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De conseqüência, a este colegiado compete apenas investigar se o fato concreto se subsume à previsão hipotética da lei, ou seja, se existiram os depósitos bancários, se o contribuinte foi notificado a comprovar a origem dos recursos respectivos e se essa comprovação foi produzida. Neste caso concreto, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado, conforme Termo de Intimação, fls. 233/240, a fazer a comprovação dos créditos efetivados em três contas bancárias: 76.5988 e 11332, mantidas no Banco Bradesco e 66063280, mantida no Citibank S/A. Ocorre que tal Termo de Intimação sequer foi respondido pelo contribuinte, de modo que restou não justificada a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito discriminadas no Termo de Intimação. Temse, portanto, que neste caso, é incontroversa a existência dos recursos bancários, assim como a falta de comprovação, mesmo tendo sido o contribuinte instado a produzila. Nesse ponto, importa dizer que, ao contrário do que afirma a defesa, a movimentação bancária não se restringiu ao Banco Bradesco, posto que conforme extrato bancário, fls. 24/37, também ocorreram depósitos bancários no Citibank, cujas origens não foram demonstradas. Também não pode prosperar a alegação do contribuinte de que todos os depósitos foram realizados em cheques nominais e que por isso estaria identificada a origem dos recursos depositados em suas contas. De pronto, cumpre dizer que nem todos os depósitos que deram causa ao lançamento foram realizados em cheque, depois não consta dos autos a cópia dos cheques depositados nas contas bancárias do contribuinte e mais, a cópia dos Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 363 6 cheques depositados identificaria apenas o emitente do cheque, contudo, tal informação, por si só, não identifica a origem do recurso, conforme determina o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Já a alegação do recorrente de que até cheques devolvidos tenham sido objeto de lançamento carece de comprovação, posto que no recurso não houve a identificação dos possíveis cheques devolvidos levados à tributação. Digase, ainda, que a afirmação de que as Declarações do Imposto de Renda do contribuinte guardam relação com os saldos realmente verificados em contas bancárias em nada socorre o contribuinte, posto que o lançamento, conforme já aqui mencionado, cuida de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e somente a identificação da origem dos créditos havidos nas contas do contribuinte poderiam ensejar o cancelamento do lançamento. Nestes termos, temse que cabendo ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários efetivados em suas contascorrentes e não o tendo feito no curso da ação fiscal e nem nas fases de impugnação e recursal, concluise pela manutenção da infração de omissão de rendimentos, conforme consubstanciada no presente lançamento, não podendo prevalecer a alegação da defesa de que precisa de tempo para obter cópia dos cheques depositados em suas contas, posto que o procedimento fiscal iniciouse em outubro de 2010 e até a presente data, janeiro de 2014, o contribuinte não juntou aos autos a cópia dos cheques, tampouco identificou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Por fim, devese examinar a alegação do recorrente de que a multa imposta, no percentual de 150%, levou em conta apenas os depósitos bancários, não tendo sentido jurídico. Na verdade, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi imputada ao contribuinte com multa de ofício agravada e qualificada, no percentual de 225%. De plano, devese aplicar ao caso o disposto na Súmula CARF nº 25, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vale observar que a autoridade fiscal fundamentou a qualificação da multa de ofício apenas na incompatibilidade verificada entre os rendimentos declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual e sua movimentação financeira. Contudo, tal fato não é suficiente para comprovar que o contribuinte tenha incorrido em uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Logo, não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício. Já o agravamento da multa de ofício foi justificado pela autoridade fiscal nos seguintes termos: Pertinente ainda o agravamento da multa pois, no transcurso da ação fiscal, o comportamento do contribuinte ensejou o Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 364 7 enquadramento deste no inc. I, do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. É bem verdade que o contribuinte, intimado, não atendeu aos Termos de Intimação formulados pela autoridade fiscal, não apresentou os extratos bancários e também não esclareceu a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a nãoapresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta tem como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, também não pode prevalecer o agravamento da multa de ofício. Nestes termos, devese reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de 225% para 75%. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11065.001451/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO.
Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.001451/200972 Recurso nº 3 Embargos Acórdão nº 3801002.823 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA RESSARCIMENTO Embargante VIP S.A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõese a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 51 /2 00 9- 72 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001451/200972 Acórdão n.º 3801002.823 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001451/200972 Acórdão n.º 3801002.823 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Recorrente contra os termos em que foi proferido o Acórdão nº 3801001.875, de 22 de maio de 2013, sob o argumento de que o aludido Acórdão continha omissão. Após breve relato dos fatos, argumenta que ao contrário do que foi decidido pelo Acórdão ora embargado, fora préquestionada a matéria na manifestação de inconformidade, ainda que de forma concisa. Entende a embargante que a preclusão diz respeito à impossibilidade processual para que a parte ofereça em sede recursal seu inconformismo em relação a um ou vários aspectos da exigência/negativa de reconhecimento de direito creditório em relação aos quais não havia se insurgido na fase de impugnação. Pontua que situação diversa é aquela, como a destes autos, em que a parte ofereceu resistência contra o indeferimento de seu direito creditório, contestandoo, tanto que a decisão de primeiro grau a rejeitou, e, por ocasião do oferecimento de recurso voluntário, invoca razões mais alentadas, com fundamentos mais robustos. Destaca que a questão processual que se impõe definir é a seguinte: a parte deve necessariamente insurgirse, contra o não reconhecimento de seu direito creditório, seja pelas razões que forem – e isto ocorreu nestes autos. Não pode é silenciarse, sob pena aí sim, de preclusão. Aduz que cabe ao julgador decidir segundo o seu livre convencimento sobre a questão que lhe foi posta, não importando os fundamentos trazidos pelas partes. Sustenta que ao não ter sido enfrentada por esta turma a questão de mérito quanto às glosas dos créditos, sob o motivo de alegada preclusão incorreu o v. Acórdão em omissão. Colaciona diversas normas tributárias e jurisprudência administrativa. Insiste que a DRJ/NH conheceu da manifestação de inconformidade em relação à questão de mérito e sobre a mesma decidiu e quando da interposição do recurso voluntário sustentou, perfunctoriamente, a natureza jurídica dos créditos e o direito em relação a cada um dos itens glosados. Por outro lado, alega que de acordo com a jurisprudência do CARF, é defeso ao E. Conselho, sob pena de configurar supressão de instância, pronunciarse sobre questão de mérito não apreciada pela decisão de 1ª instância, devendo determinar que o processo retorne à Delegacia de Julgamento para que seja proferida nova decisão que contemple a apreciação de todas as matérias objeto da lide. Por fim, requereu que fossem recebidos e acolhidos os presentes Embargos, para o fim de que a turma profira novo acórdão, suprindo a omissão apontada, de forma que a tutela seja plenamente prestada, com o reconhecimento do direito creditório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001451/200972 Acórdão n.º 3801002.823 S3TE01 Fl. 13 4 Alternativamente, requereu que fosse anulada a decisão de primeira instância, determinandose a remessa dos autos à instância a quo para que, ao apreciar as razões sustentadas, nova decisão seja proferida, possibilitando à Embargante litigar regulamente nas instâncias superiores. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001451/200972 Acórdão n.º 3801002.823 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Convém lembrar que, em regra, a omissão é a falta de apreciação de um ponto específico relevante. Com será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão. Diferentemente do alegado, ocorreu, sim, a preclusão e o Colegiado manifestouse expressamente sobre a sua ocorrência, conforme excertos abaixo transcritos: De fato, em sua manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou uma preliminar referente a ausência de motivação do despacho decisório e no mérito limitouse a alegar que os pedidos de ressarcimento são originários de créditos de contribuições nãocumulativas e que seus pedidos de ressarcimento foram acompanhados dos documentos comprobatórios, portanto faz jus a todo o saldo pleiteado. Do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias acima citadas não foram enfrentadas. A decisão de primeira instância apenas apreciou a preliminar de ausência de motivação. Destarte, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento das teses por falta de pré questionamento no momento oportuno. Como visto, a recorrente não apresentou suas razões na manifestação de inconformidade em relação ao mérito do direito creditório, assim consideramse preclusas as matérias não contestadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão recorrida. A falta de pré questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento da matéria na fase recursal. Com efeito, o voto condutor do acórdão entendeu que do confronto entre o teor da manifestação de inconformidade e da decisão de primeira instância ficou caracterizada de forma inequívoca a preclusão. Ademais, os embargos de declaração não é o meio de impugnação adequado para se rediscutir a fundamentação adotada pelo colegiado, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação da decisão. Como visto, não ficou caracterizada uma suposta omissão, pelo contrário evidenciase uma tentativa da recorrente de rediscutir a matéria com base em novos argumentos sobre a ocorrência da preclusão, o que não é viável no recurso de embargos de declaração. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001451/200972 Acórdão n.º 3801002.823 S3TE01 Fl. 15 6 Por tais razões, não há espaço para se declarar a nulidade da decisão “a quo”. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10845.905886/2011-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 05 88 6/ 20 11 -6 2 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905886/201162 Resolução nº 3801000.567 S3TE01 Fl. 407 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 408DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905886/201162 Resolução nº 3801000.567 S3TE01 Fl. 408 3 Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905886/201162 Resolução nº 3801000.567 S3TE01 Fl. 409 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905886/201162 Resolução nº 3801000.567 S3TE01 Fl. 410 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905886/201162 Resolução nº 3801000.567 S3TE01 Fl. 411 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.903372/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 72 /2 00 8- 21 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 162 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 163 3 ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 164 4 Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 165 5 que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 166 6 II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 167 7 (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 168 8 ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 169 9 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 170 10 conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 171 11 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 172 12 ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 173 13 convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 174 14 De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903372/200821 Acórdão n.º 9303002.515 CSRFT3 Fl. 175 15 que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720184/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fabio Brum Goldschmidt.
Nome do relator: Não se aplica
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi (Suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fabio Brum Goldschmidt. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela Contribuinte acima identificada em face do acórdão nº 2201001.848, de 16 de outubro de 2012. Sustenta a Embargante, em síntese, que o acórdão embargado incorreu em omissão e obscuridade ao não considerar a data correta de interposição do recurso voluntário e, consequentemente ter concluído pela sua intempestividade. Diz que, embora o acórdão recorrido tenha considerado como data da interposição do recurso voluntário 18 de julho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 18 4/ 20 08 -0 1 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.720184/200801 Resolução nº 2202000.544 S2C2T2 Fl. 3 2 2011, apresenta documento que comprovariam que o recurso foi interposto em 07/07/2011 data limite do prazo. Pede, assim, a revisão do julgado, considerando os elementos que apontam a tempestividade do recurso. Em exame preliminar de admissibilidade o presidente da Turma reconheceu os vícios apontados e acolheu os embargos, determinando a reinclusão do processo em pauta para apreciação pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Como se colhe do relatório, cuidase de embargos declaratórios interpostos pela Contribuinte acima identificada em face do acórdão nº 2201001.848, de 16 de outubro de 2012. Sustenta a Embargante, em síntese, que o acórdão embargado incorreu em omissão e obscuridade ao não considerar a data correta de interposição do recurso voluntário e, conseqüentemente, ter concluído pela sua intempestividade. Diz que, embora o acórdão recorrido tenha considerado como data da interposição do recurso voluntário 18 de julho de 2011, apresenta documento que comprovariam que o recurso foi interposto em 07/07/2011 data limite do prazo. Pede, assim, a revisão do julgado, considerando os elementos que apontam a tempestividade do recurso. Pois bem, compulsando os autos verificase que, em verdade, o acórdão recorrido baseouse nos elementos constantes dos autos e que traziam como única peça recursal a de fls. 139/162 que, segundo carimbo nela aposto, foi apresentado em 09/08/2011, o que implicava na intempestividade do recurso. Não se pode afirmar, portanto, que o acórdão tenha sido omisso ou obscuro. A Embargante traz aos autos, todavia, os documentos de fls. 230/241 segundo os quais teria sido apresentado, na ARF/Nova Friburgo, na data de 07/07/2011, o recurso voluntário, o qual, vale repisar, não constava dos autos. é fácil constatar, POIS, que, de fato, há nos autos uma questão preliminar que precisa ser esclarecida: a data efetiva da interposição do recurso voluntário. Ora, como constam dos autos dois comprovantes, com datas distintas de interposição do recurso, o de fls. 139/162 e o de fls. 230/245, fazse imprescindível que se ouça a autoridade preparadora, instandoa a se manifestar, de forma conclusiva, sobre a data da interposição do recurso voluntário. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a DRF NITERÓI/RJ se pronuncie sobre qual a data correta da interposição do recurso. Conclusão ANTE O EXPOSTO, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRFNITERÓI/RJ se pronuncie de forma conclusiva sobre a data da interposição do recurso voluntário. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.720184/200801 Resolução nº 2202000.544 S2C2T2 Fl. 4 3 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10930.720267/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/12/2006, 31/12/2006
DECADÊNCIA
Matéria de ordem pública que mesmo não sendo questão ventilada em impugnação, não encontra óbice para ser analisada em fase recursal, sem atingir a supressão de instância.
A contagem da decadência é de cinco anos. No caso em tela o período de apuração é de 2006 e a autuação consolidada é de 2010, ou seja, quatro anos.
DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS
No caso em tela a Recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela.
Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial.
No caso em tela não é necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao Artgio 212 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção.
No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão por qualquer título, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida.
Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/12/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA Matéria de ordem pública que mesmo não sendo questão ventilada em impugnação, não encontra óbice para ser analisada em fase recursal, sem atingir a supressão de instância. A contagem da decadência é de cinco anos. No caso em tela o período de apuração é de 2006 e a autuação consolidada é de 2010, ou seja, quatro anos. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS No caso em tela a Recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. No caso em tela não é necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao Artgio 212 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção. No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão por qualquer título, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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A contagem da decadência é de cinco anos. No caso em tela o período de apuração é de 2006 e a autuação consolidada é de 2010, ou seja, quatro anos. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE DECORRENTE DE TERCEIROS No caso em tela a Recorrente diz não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos de terceiros porque não adquiriu o estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica dela. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. No caso em tela não é necessário que a aquisição seja formalizada, pois provado está a sucessão, face ao Artgio 212 do CC que trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres podem ser produzidas pela presunção. No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão “por qualquer título”, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. Havendo indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, onde as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 02 67 /2 01 0- 50 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica e transferência de seu potencial de lucratividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10930.720267/201050 Acórdão n.º 2301003.799 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Conforme Relatório Fiscal o Auto de Infração se refere a crédito tributário do período janeiro de 2005, relativo a contribuições a outras entidades e fundos , competência dezembro de 2006, no valor de R$ 3.173,43, relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT, incidentes sobre 13ª salário do ano de 2006 pago aos empregados da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola, apurado conforme Relação Anual de Informações Sociais RAIS. Informa o Relatório Fiscal que, além de não ter sido recolhida a contribuição sobre o 13º Salário, o sujeito passivo não informou tal fato gerador em GFIP. Registra, ainda, o Relatório Fiscal, que foi efetuado comparativo de multa calculada segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, com multa calculada segundo a legislação em vigor (alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009), aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. Intimada aviou a impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para reformar a autuação, sendo mantida na integra. Em 16.AGO.2012 foi intimada da decisão e em 12.SET.2012 aviou o presente Recurso voluntário, alegando: i) decadência; ii) que não é obrigada a responder por obrigação acessória de terceiros; É a síntese do necessário. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. DECADÊNCIA A decadência não foi matéria apresentada na impugnação, mas deseja a Recorrente que seja apreciada com base no artigo 150, §° 4° do CTN, por entender ser matéria de ordem pública, o que lhe assiste razão, ou seja, de fato é matéria de ordem pública. Todavia, penso que não se aplica o artigo mencionado, eis que não houve algum tipo de recolhimento, portanto, não há de se falar em decadência em razão da aplicação no disposto do Artigo 173, I do CTN. Sem razão. DA RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE Alega a Recorrente não possuir responsabilidade tributária pela exibição de documentos da Cooperativa Produtora de Produtos de Origem Animal Pérola. Ocorre que o Artigo 133 do CTN, nos socorrerá para deslinde da causa, uma vez que ficou cristalinamente configurada a sucessão tributária, pelas razões de fato e de direito que passaremos aduzir. Diz a Recorrente que a sucessão tributária do art. 133 do Código Tributário Nacional, somente se caracteriza com a “aquisição” de estabelecimento empresarial de uma pessoa jurídica por outra, e que isto não ocorreu no presente caso. Entretanto a sucessão tributária do presente caso está configurada com a comprovação do vínculo entre as empresas como vendedora e adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. Porém, não é necessário que a aquisição seja formalizada, como pretende a Recorrente. A discussão está delineada pela prova da sucessão. Quanto a prova temos que ela é o conjunto dos meios empregados para demonstrar, legalmente, a existência de um ato jurídico. No caso estamos exatemente discutindo um ato jurídico, e como tal está estampado no artigo 212 e 215 do CC, o primeiro não solene ou forma livre e o segundo solene. A prova de atos solenes é o próprio ato, ou seja, a escritura, o contrato e outros que têm seus requisitos determinados pelo Artigo 215 do CC. Já o Artgio 212 do mesmo Caderno Legal trata dos atos não solene, onde as provas dos atos livres são divididas em cinco formas, sendo: i) através da confissão, ii) do documento, se houver; iii) da testemunha; iv) da presunção; e iv) da perícia. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10930.720267/201050 Acórdão n.º 2301003.799 S2C3T1 Fl. 4 5 No caso em exame comporta o ato como não solene, eis que o Artigo 133 do CTN não é limitado, ou seja, não se exaurindo somente em sua interpretação literal. A expressão “por qualquer título”, existente no referido dispositivo legal compreende qualquer forma de aquisição, inclusive a chamada sucessão presumida. A decisão de piso trouxe jurisprudência e a doutrina majoritárias que se têm posicionado no sentido, de reconhecer a sucessão presumida sempre que houver indícios e provas convincentes da existência de sucessão empresarial, cujas quais, faço delas as minhas, sendo desnecessária nova colação. Nos autos há indícios de sucessão assaz que fulcra a autuação, sendo que as empresas se confundem e se extinguem irregularmente, atuando no mesmo local, mesmo endereço, mesma atividade, mesmas instalações e equipamentos, com pessoas do quadro societário e/ou do quadro de pessoal de uma constando do quadro societário e/ou do quadro de pessoal da outra, com transferência do direito essencial para a continuidade da atividade econômica em questão e transferência de seu potencial de lucratividade, qual seja, do contrato de concessão de uso e serviço público do matadouro do Município de Santo Antônio de Platina. Portanto, sem razão a Recorrente. MULTA Consta nos autos do processo administrativo que a multa aplicada foi a mais benéfica ao Recorrente, seguindo as determinações legais (alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009), conforme relata no Relatório Fiscal a autoridade. Tal questão somente poderá ser vislumbra com percuciência, qual seja, se de fato estarseá aplicando a melhor multa, na fase executória, onde poderá a Recorrente se opor, razão pela qual, nesta fase de cognição imperativo é não determinar qual dispositivo é o melhor, até porque há questões outras que envolve a questão, tal como a data do efetivo pagamento. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 16682.720122/2012-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Acordam os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 12 2/ 20 12 -7 6 Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.868 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, fato gerador 31/12/07, no valor total de R$144.203.997,83 (cento e quarenta e quatro milhões, duzentos e três mil, novecentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), sobre o qual incidem multa de ofício (75%) e juros de mora (fls.02/08). A ciência pessoal do contribuinte efetivouse em 3/8/12 (fl.03). A infração foi assim descrita: “001 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. PARTICIPAÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS. Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos pagamentos efetuados a título de participações nos lucros da fiscalizada a estagiários e empregados, em desacordo com a lei, conforme o relatado no Termo de Verificação Fiscal.” Por sua vez, no “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (fls.09/32), a fiscalização assim fundamentou a autuação, em síntese: a Participação em Lucros e Resultados (PLR) consiste, nos termos do art.1º da Lei nº 10.101, de 19/12/00, em “...instrumento de que as empresas foram munidas para integrar capital e trabalho e estimular a produtividade de seus empregados”. São dedutíveis, para fins de apuração do IRPJ, no período de competência das despesas com a sua constituição e desde que observados determinados requisitos legais, relacionados “...com os critérios de definição dos valores a serem pagos e com quem a eles tem direito, com a periodicidade dos pagamentos e com a participação das entidades representativas dos trabalhadores (sindicatos) no processo e vinculação aos termos do acordo coletivo”; empregados seriam aqueles que possuem vínculo empregatício com a pessoa jurídica no período de cálculo; se a PLR guarda relação com o resultado e produtividade, os pagamentos são “necessariamente incidentais e excepcionais, pois a habitualidade é característica da remuneração salarial”; a PLR relativa ao anocalendário 2007 foi paga em uma parcela única, em fevereiro de 2008; “O Acordo que definiu as regras e critérios para pagamento da PLR no período em questão (Anexo V) foi assinado em 20/12/2007 e firmado entre o Banco UBS Pactual e coligadas, de um lado, e, do outro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF/CUT, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e Financiários do Município do Rio de Janeiro, Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Crédito no Estado de Pernambuco.”; Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.869 3 na DIPJ/08 informouse despesa com a constituição da PLR no valor de R$ 577.615.991,37; sendo este o valor registrado nos balancetes fornecidos, que diverge do total apresentado na folha de pagamentos e dos valores lançados nas contas “89710202016 – Bônus – IB, 89710202023 – Bônus – AM, 89710202030 – Bônus – VM&SB e 89710202047 – Bônus – CC”; valores pagos a estagiários não são dedutíveis, até mesmo porque “...não tiveram, em momento algum, qualquer vínculo empregatício com a empresa”; conforme art.2º da Lei nº 10.101/2000, “...o Acordo coletivo entre empresa e entidade representativa dos empregados é instrumento legítimo para se estabelecer os critérios que devem ser respeitados quando do pagamento da PRL, por se vincular à lei. Sendo o mesmo desrespeitado, deve ser a PRL descaracterizada como tal e considerada indedutível para fins de IRPJ”; na avaliação de desempenho individual dos empregados, prevista como critério para o pagamento da PLR, o contribuinte utilizava índices denominados “...Performance Segmentation – OS e Performance Measurement & Management – PMM, cujos parâmetros estão divididos em INSATISFATÓRIO (IN), NÃO SATISFATÓRIO (NS), PARCIALMENTE SATISFATÓRIO (PS), SATISFATÓRIOS (S), MUITO SATISFATÓRIO (MS) E EXCELENTE (E), onde a classificação em que o empregado for enquadrado determinará o teto máximo de PLR que poderá receber”; constatada a existência de pagamentos em valores incompatíveis com a média de PLR concedidas a pessoas jurídicas do mesmo ramo, o contribuinte foi intimado a apresentar os cálculos dos valores pagos a cada um dos 124 empregados que receberam valores superiores a R$ 800.000,00, a demonstração do índice de lucratividade efetiva, bem como a vinculação com os termos do Acordo coletivo e os índices de excelência, sendo ainda solicitado “...que apresentasse a relação de todos os empregados que receberam classificação E (EXCELENTE); “...a empresa apresentou formulário interno de avaliação (Anexo X), em papel comum, sem qualquer assinatura de responsável legal, em que afirmou estarem os empregados que receberam classificação EXCELENTE, conforme Declaração em resposta ao TIF nº 3 (Anexo VIII). Em tal formulário são relacionados, em diferentes colunas, o nome dos empregados, a nota que teriam recebido, opiniões pessoais de caráter subjetivo e descrições do trabalho empreendido pelo empregado ou seu papel na empresa e outras críticas, em inglês (sem tradução) ou português. Não foi esclarecida qual a função de quem prestou tais informações ou como influenciaram na avaliação final dos empregados, um vez que a própria empresa afirma terem todos, sem distinção, a classificação EXCELENTE.”; “...Como a empresa não apresentou, sob os termos do TIF nº 3, a memória de cálculo de pagamento da PLR aos 124 empregados usados como amostragem conforme item 4.9, e ainda para ratificar as informações de avaliação individual conforme o Anexo II do Acordo, reintimamos a mesma em 01/02/2012 para que o fizesse e solicitamos ainda que nos fornecesse as classificações que estes empregados receberam, de acordo com os critérios de avaliação INSATISFATÓRIO, NÃO SATISFATÓRIO/PARCIALMENTE SATISFATÓRIO, SATISFATÓRIO E MUITO SATISFATÓRIO, embora já tivessem sido solicitados, de maneira genérica, os índices de excelência de cada um deles”; o contribuinte apresentou relação incompleta, com ausência de alguns empregados na amostragem e sem discriminar em qual categoria cada um deles se encaixava; Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.870 4 de posse da documentação disponibilizada pelo contribuinte, procedeuse “...à análise comparativa do valor recebido por cada um a título de PLR em 2008 com a avaliação pessoal de acordo com o Anexo II do Acordo Coletivo”, definindose como critério de comparação “...a remuneração de cada empregado na competência 02/2008, contida nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa, considerando saláriobase e gratificações fixas (de função ou salário indireto, como aluguel, por exemplo) e dispensando valores extras, como férias, rescisão e gratificações eventuais”; além dos critérios previstos na Lei nº 10.101/00 para a concessão da PLR, as partes podem pactuar outras, “...desde que resguardadas sua clareza e objetividade, como, por exemplo, atendimento a metas concretas previamente fixadas, o acréscimo de vendas, a inexistência de atrasos, a redução dos custos ou despesas, dentre outros [...]. Sem regras claras e objetivas, não poderá o empregado saber de que forma fará jus à participação”; os requisitos para a concessão de PLR, estabelecidos pela Constituição Federal e Lei nº 10.101/00, que exige, além da negociação entre a empresa e seus empregados, com a participação sindical, sejam estabelecidas regras claras e objetivas. A lei indica critérios para a PLR (índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos), de forma não taxativa, “...podendo as partes pactuarem outros, desde que resguardadas sua clareza e objetividade, como por exemplo, atendimento de metas concretas previamente fixadas, o acréscimo de vendas, a inexistência de atrasos, a redução de custos ou despesas, dentre outros”; o Acordo Coletivo lavrado em 2007 condiciona o pagamento da PLR à existência de lucro ao fim do anocalendário, desde que atingido o índice de lucratividade (cálculo descrito no Anexo I), que consiste apenas em um dos elementos a serem considerados; “Como a lucratividade diz respeito à empresa como um todo, o valor final do índice não cria distinção na distribuição da PLR, porque é o mesmo para todos os empregados e não vai diferenciálos. Embora não se possa negar a existência de regras claras de maneira geral, tais regras não especificam o critério de cálculo adotado para individualizar o valor a ser recebido por cada empregado. Sendo assim, só nos resta tentar analisar os formulários de avaliação individual de cada um e seu impacto no valor pago, conforme as regras contidas no item 3.1 do Anexo II do Acordo, e levando em conta as informações apresentadas pela empresa.”; as opiniões pessoais sobre cada empregado (elogios e, às vezes, críticas e pontos negativos), não constituem critérios objetivos de avaliação. “Opinião é por natureza subjetiva. Sendo assim, podem até ser consideradas para se atribuir uma nota a cada empregado, como efetivamente se fez, mas, na ausência da atribuição de um valor que explique o cálculo das PLR’s individuais, tal formulário é tão ineficaz quanto o Acordo Coletivo na clareza, concretude e objetividade das regras no cálculo dos valores pagos, conforme exigido pelo §1º do Art.2º da Lei 10.101/2000”; após nova intimação, o contribuinte forneceu as avaliações internas dos empregados que receberam PLR em 02/2008 (Anexo XI), sendo constatado “...que ainda havia beneficiários de PLR nesta competência que não possuíam avaliação”; quanto à demonstração individualizada do cálculo dos valores de PLR pagos a todos os beneficiários em 02/2008, anteriormente já solicitada, o fiscalizado apresentou a seguinte resposta: Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.871 5 “Informamos que o valor de PLR é calculado tomandose por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados. Cada empregado é avaliado segundo mecanismos de apuração baseados no cumprimento de metas, competências e/ou habilidades próprias de cada um. Para compor o valor que será pago a cada empregado, levase em consideração também os resultados da empresa, representado (sic) pelo índice de lucratividade. Com isso, fica claro o propósito de estimular o desenvolvimento profissional, bem como a intenção de atingir os objetivos que foram traçados entre o avaliado e o seu respectivo gestor. Dessa forma, não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário” o foco da análise foi ampliado de uma amostragem de 124 funcionários para todos os beneficiários de PLR; no intuito de obter documentação que já havia sido requerida no período de mais de um ano de intimações, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 9, em 22/05/12, para o contribuinte: a) reapresentar a planilha com a avaliação individual de todos os funcionários da empresa, discriminando, desta vez, em que categoria cada um deles foi encaixado (INSATISFATÓRIO, NÃO SATISFATÓRIO / PARCIALMENTE SATISFATÓRIO, SATISFATÓRIO, MUITO SATISFATÓRIO ou EXCELENTE), já que não o fez devidamente, conforme visto no item 4.12. b) apresentar todas as avaliações de beneficiários de PLR ainda não entregues, relacionando os funcionários ausentes na Planilha 1 anexa ao Termo; c) apresentar, em relação aos empregados relacionados na Planilha 2 anexa ao Termo, que afirmou serem estagiários, conforme o item 4.22 acima, a documentação que comprovasse esta condição, já que os referidos empregados não constam como estagiários na folha de pagamento de 02/2008 fornecida anteriormente; d) apresentar, em relação aos empregados relacionados na Planilha 3 anexa ao Termo, que afirmou estarem fora da data do processo de avaliação, conforme o item 4.22 acima, detalhada e individualmente, demonstração de como foi calculada a PLR paga a estes empregados e a CAMILA DA PONTE RABELLO, tendo em vista que de acordo com a mesma, as avaliações individuais repercutem no cálculo do valor de PLR pago em 02/2008 a cada beneficiário; e) preencher as lacunas das linhas dos formulários de avaliação com notas sem nome de avaliador, que foram indevidamente excluídas, conforme o item 4.23 acima, ou justificar a sua ausência; f) apresentar, em última instância, a demonstração individualizada do cálculo dos valores de PLR pagos aos beneficiários, com assinatura do(s) responsável(is) legal(is), explicando matemática e detalhadamente como se chegou ao valor pago a CADA empregado, conforme já solicitado no TIF nº 8, destacando ainda a contradição que vimos nos itens 4.24 e 4.25 acima, para que a empresa se explicasse, e dando a ela mais uma chance de vincular as regras gerais Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.872 6 ao cálculo individualizado de PLR, o que sempre foi o escopo desta fiscalização; g) apresentar a descrição dos conceitos de avaliação que afirma terem sido encaminhados em resposta ao TIF nº 5, mas na verdade não foram entregues; h) apresentar a explicação, em português, do significado de cada um dos tipos de avaliador, conforme item 4.17 acima.” em 29/5/12, o contribuinte forneceu “declaração, assinada por procuradores legalmente autorizados, acompanhando a reapresentação das avaliações internas individuais de todos os beneficiários de PLR na condição de empregados (Anexo XII)”. No caso de empregado não elegível a avaliação em sistema PMM, não foram apresentados cálculos individualizados, “...muito menos foram indicados que critérios de avaliação objetivos seriam dados pelo gestor”; quanto à graduação das Notas nas avaliações individuais, esclareceu o contribuinte que obedeceu à classificação abaixo, porém não explicou “...qual a descrição final que os empregados receberam nos casos de combinação de notas diferentes de Contribuição e Competência, como, por exemplo, a combinação 2 – D (Muito satisfatório – Não Satisfatório): DESCRIÇÃO CONTRIBUIÇÃO COMPETÊNCIA Excelente (E) 1 A Muito Satisfatório (MS) 2 B Satisfatório (S) 3 C Não Satisfatório (NS) / Parcialmente Satisfatório (PS) 4 D Insatisfatório (IN) 5 E Não Aplicável (NS) X X quanto aos tipos de avaliador, o contribuinte forneceu a seguinte listagem: “360° direct report (Avaliador – Funcionário Direto); 360° other (Avaliador – Outros); 360° peer (Avaliador – Colega/Par); 360° client (Avaliador – Cliente Interno); Evaluatee (Avaliado); Evaluating manager (Gerente Avaliador) e Additional manager (Gerente Adicional); “...a empresa forneceu informação crucial para a análise da PLR, que até este momento não havia sido apresentada: ‘...estas avaliações ‘360o’ e a avaliação de um gestor adicional, oferecem ao Gerente Avaliador subsídios e feedback complementar, para facilitar a tomada de decisão de forma estruturada sobre a avaliação final para o desempenho do empregado. Porém, somente a autoavaliação e a avaliação do gestor são obrigatórias no processo, sendo as avaliações ‘360o’, quando existentes, informação adicional para a tomada de decisão do gestor. As avaliações individuais que repercutem diretamente na tomada de decisão para a determinação do valor que será pago ao funcionário através do programa de Participação nos Lucros ou Resultados são as avaliações finais dadas pelos Gerentes Avaliadores”; considerando que o contribuinte considera como avaliação final aquela realizada pelo Gerente Avaliador, todas as demais foram descartadas, pois “...não influenciariam no valor final pago a cada funcionário. Assim, para efetuar nossa análise, relacionamos na Planilha 3 Análise dos Termos do Acordo (Anexo III) a avaliação dada pelo Gerente Avaliador para cada funcionário, o valor da PLR recebido, a remuneração da competência 02/2008, nos moldes que escolhemos [...], e ainda a relação multiplicadora entre sua PLR e sua remuneração de 02/2008, ou seja, o número de remunerações que sua PLR recebida significa”. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.873 7 A fiscalização ainda afirmou, in verbis: [...] Quanto às lacunas de avaliações que haviam sido excluídas conforme o item 4.23 e cujo preenchimento foi solicitado, a empresa respondeu que ‘o sistema de Avaliação de Desempenho denominado PMM (Performance Management & Measurement) pertence ao UBS AG. Tendo em vista, que o UBS Pactuai foi adquirido pelo BTG, não temos mais acesso a tal sistema e tampouco às informações referentes aos avaliadores faltantes na planilha 4, uma vez que os mesmos eram indicados pelo gestor do funcionário diretamente pela ferramenta, único lugar onde permanecia o registro. O escritório do então UBS Pactual no Brasil apenas possuía acesso às informações de sistema de estruturas e funcionários constantes em áreas do Brasil. Nestes casos, os avaliadores que estão em branco, são avaliadores que pertenciam a áreas do exterior impossibilitando o preenchimento da informação ora requerida. (...) Quanto aos Evaluating managers (Gerentes Avaliadores) dos funcionários listados na tabela (...) que constavam em branco, localizamos em arquivos de controle histórico de Headcount os nomes dos Une managers dos responsáveis por avaliar cada funcionário que pertenciam a áreas do exterior, e, portanto preenchemos a seguir (...)’. Assim, como as avaliações realmente importantes para a nossa análise (Gerentes Avaliadores) tiveram suas lacunas preenchidas, não se tornou necessário o preenchimento das demais. 4.35. A empresa ainda respondeu que, dos funcionários que foram admitidos posteriormente à data de corte do processo de avaliação PMM, os funcionários ROBERTO MARIA MONTA FILHO e ROSA AMÉLIA DE OLIVEIRA PENNA MARQUES MOREIRA ‘... receberam altos valores de PLR, pois eram mínimos garantidos em Carta Oferta de trabalho feita pela empresa...’, no entanto não anexou as Cartas Ofertas à resposta, como disse que faria. 4.36. Em relação ao novo pedido dos cálculos individualizados de PLR conforme o item 4.26, ‘f’, a empresa reportouse à resposta ao TIF n° 8, com a mesma redação contraditória transcrita no item 4.24. 4.37. Voltando à Planilha 3 (Anexo III), percebemos em simples análise matemática que não é possível compreender qual a correlação entre a remuneração de 02/2008 e os valores de PLR pagos aos empregados listados. Na coluna ‘PLR/SAL’, podemos constatar, por exemplo, que o empregado Guilherme da Costa Paes recebeu em PLR o equivalente a 801,57 vezes a sua remuneração do mês, enquanto o empregado Bruno de Arruda Carvalho recebeu PLR de 125,86 vezes a sua remuneração. Notese que ambos eram funcionários da empresa por mais de 8 anos, tinham a mesma faixa salarial e ainda foram classificados, conforme o formulário interno de avaliação final apresentado pela empresa, como tendo recebido as notas máximas dos Gerentes Avaliadores, ou seja, a combinação 1A (EXCELENTE). Não existe um só empregado, entre todos os beneficiários de PLR, que tenha recebido a mesma proporção entre PLR e Remuneração do que os demais. Eis outros exemplos retirados da Planilha 3 (Anexo III), todos com a mesma faixa salarial (cerca de R$ 25.000,00), mais de 8 anos de trabalho na empresa e classificação 1 A (EXCELENTE): Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.874 8 EVANDRO LUIZ DE ALMEIDA PEREIRA PLR = 768,24 vezes a remuneração normal de 02/2008; JOSÉ OCTÁVIO MENDES VITA PLR = 307,13 vezes a remuneração normal de 02/2008; LEANDRO DE AZAMBUJA MICOTTI PLR = 131,93 vezes a remuneração normal de 02/2008; 4.38. Sem qualquer demonstrativo detalhado de cálculo da PLR por parte da empresa, ela não comprova qual teria sido a razão objetiva de cinco empregados igualmente classificados como EXCELENTES, nas mesmas condições, conforme item anterior, terem tido seu esforço recompensado financeiramente, por meio da PLR, de forma tão díspar, em que pese ter se utilizado o salário de 02/2008 como parâmetro. 4.39. Quando analisamos, então, as demais combinações de notas, fica menos claro ainda de se entender como estas avaliações se traduziram no cálculo dos valores de PLR pagos. Podemos observar na Planilha 3, por exemplo, que os empregados CARLOS DE ALMEIDA VASQUES DE CARVALHO NETO e MARCUS VINÍCIUS CUIABANO PEIXOTO, ambos com menos de 3 anos a serviço da empresa e avaliação meramente SATISFATÓRIA (combinação de notas 3C) receberam PLR de mais de 100 vezes cada um as suas respectivas remunerações, ao passo que mais da metade dos que receberam classificação EXCELENTE (combinação de notas 1A) não chegaram a essa proporção em relação a suas remunerações. A mesma disparidade tem seu extremo no caso do empregado ALEXANDRE CAMARA E SILVA, que recebeu notas cuja combinação (4 NÃO SATISFATÓRIO e E INSATISFATÓRIO) ainda assim lhe rendeu um valor de PLR que superou sua remuneração de 02/2008 em 74 vezes, enquanto outros 24 empregados que receberam classificação EXCELENTE (combinação de notas 1A) não chegaram a essa proporção. 4.40. Ainda, o item 2 do Acordo entre a empresa e a entidade sindical limita inicialmente o valor da PLR para no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, o que pode ser mudado pelas avaliações do item 3.1. do mesmo Acordo. Para oferecer outro extremo da pouca objetividade de suas regras, notese que a avaliação de MUITO SATISFATÓRIO permite que o teto seja estendido para ‘até 4x o limite máximo’, ou seja, 400 salários mensais. No entanto, o empregado RODOLFO RIECHERT, conforme a Planilha 3, recebeu PLR no valor de 777,97 vezes a sua remuneração de 02/2008, ao passo que sua avaliação final foi uma combinação das notas 2 (MUITO SATISFATÓRIO) e D (NÃO SATISFATÓRIO), o que, na melhor das hipóteses, limitaria sua PLR ao máximo de 400 salários. 4.41. É importante frisar que todas estas comparações foram feitas exclusivamente com os elementos fornecidos pela empresa, no intuito de se chegar aos valores finais de PLR pagos a cada empregado e verificar a regularidade no pagamento em consonância com a legislação. Destes elementos, pudemos constatar, em resumo, que: Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.875 9 a) a empresa vincula o montante do pagamento da PLR à existência de lucro no exercício e ao seu índice de lucratividade, cujo cálculo foi devidamente apresentado e é válido como regra geral de pagamento de PLR, embora não seja possível calcular os montantes individuais dos beneficiários unicamente pelo seu valor; b) o Acordo entre a empresa e a entidade sindical estabelece uma regra genérica de que os empregados farão jus ao recebimento, a título de PLR, de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, ficando esclarecido, inclusive, que este limite máximo poderá ser excedido em casos excepcionais, mas não diz qual o critério que justifica o recebimento ente o limite mínimo e máximo; c) Conforme visto no item 4.13 acima, o Acordo não oferece a definição de ‘salário mensal’ e que rubricas ou verbas o integrariam, para fins de se estabelecer estes limites; d) os formulários de avaliação individual fornecidos pela empresa não oferecem a descrição final que os empregados receberam nos casos de combinação de notas diferentes de Contribuição e Competência, de acordo com o item 4.30 acima; e) as avaliações individuais, com o critério de análise eleito pela fiscalização de se considerar como ‘salário mensal’ a remuneração da competência 02/2008, em termos comparativos, não possuem vinculação clara com os valores de PLR pagos, conforme visto nos itens 4.37 a 4.40 acima. 4.42. A empresa teve diversas oportunidades de facilitar a compreensão e o entendimento do cálculo dos valores pagos, cuja análise era o único escopo desta ação fiscal. No entanto, diante de tudo o que foi exposto, fica claro que ela não teve, em momento algum, intenção de fornecer à fiscalização o cálculo detalhado e individualizado dos valores pagos aos empregados a título de PLR em 02/2008. Em suas duas últimas oportunidades, em resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 8 e 9, ela apresenta as mesmas explicações vagas e genéricas de como é calculado o seu PLR e admite ao final possuir o cálculo dos valores individualizados por funcionário, ou seja, exata e literalmente o que foi intimada a apresentar. Ao se utilizar de redundância e se recusar a fornecer o cálculo dos valores, a empresa demonstra não possuir regras específicas objetivas para o pagamento de PLR, em desacordo com a lei. 4.43. Se o cálculo toma por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados, podese dizer que, com isso, adotou uma regra clara com critérios (índice de lucratividade >60%, programa de metas, avaliação individual), mas tal regra deve vir acompanhada do valor a que cada empregado fará jus, inclusive para que ele possa, em caso de dúvidas, utilizarse do previsto na Cláusula Décima Quinta do Acordo, que faculta ao empregado, verbalmente ou por escrito, solicitar a realização de reunião, com a presença das partes, na hipótese de dúvidas ou divergências quanto ao cumprimento do acordo, podendo a empresa, de acordo com o seu Parágrafo Único, utilizar como mecanismos de aferição de informações os seus formulários internos de avaliações. Só que estes mecanismos têm que ser pertinentes ao cumprimento do acordado, senão a empresa fica livre para pagar o Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.876 10 que quiser aos empregados com determinada avaliação. No caso da avaliação EXCELENTE, por exemplo, impera a discricionariedade para se pagar a PLR acima do limite. Quando a empresa informa que ‘não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário’, ao mesmo tempo, não informa qual o critério utilizado para quantificar o recebido por cada funcionário, inclusive quando excedido do limite máximo previsto para os empregados com esta avaliação (acima de 4x o limite). 4.44. Quando nem mesmo os formulários possibilitam ao empregado a obtenção de informações objetivas sobre o valor final de PLR que recebeu, por inconclusivos que são, tal pagamento foge completamente da natureza justa da Participação pretendida pelo legislador. Critérios genéricos podem favorecer a quem tem cargo ou função mais alto, em detrimento dos empregados menos graduados ou que não são chefes de setor, por exemplo. O próprio empregado tem interesse na limpidez das regras. 4.45. Como não houve objetividade nas regras do Acordo ou dos formulários internos apresentados pela empresa, de forma a se quantificar conclusivamente os valores de PLR, e a mesma se recusou terminantemente a fornecer os cálculos individualizados por funcionário, deve ser a PLR descaracterizada como tal e considerada indedutível, para fins de IRPJ. 4.46. Quanto à divergência encontrada conforme relatado no item 4.4, emitimos Termo de Intimação Fiscal TIF em 14/02/2012, recebido na data de sua emissão pela Srta. Luara Correa Moura, acima qualificada, solicitando a justificativa da divergência entre o valor pago e o lançado. 4.47. Em resposta à divergência, a empresa informou ser de fato R$603.199.113,77 contidos na folha de pagamento de 02/2008 fornecida o valor real das participações relativas ao ano, acrescentando que: a) o total lançado nas Contas 89710202016 Bônus IB, 89710202023 Bônus AM, 89710202030 Bônus WM&SB e 89710202047 Bônus CC é de R$ 609.136.504,76, dos quais R$ 4.035.915,66 referemse a pagamentos feitos a título de rescisão e R$ 1.901.475,33 referemse à baixa de provisão do adiantamento do pagamento de PLR pela convenção coletiva. Sobram então os R$ 603.199.113,77 pagos em folha, valor também constante da Conta 49300000009 Gratificações e Participações a Pagar, em 31/12/2007; b) também foi lançado na Conta 89710200032 BÔNUS Particip. Nos Lucros Empregados o valor de R$ 31.520.513,39, que se constitui de R$ 25.051.637,12 recebidos provisão constituída no banco UBS S/A antes de sua incorporação pelo Banco UBS Pactuai S/A. Este valor, subtraído dos R$ 609.136.504,76 lançados nas contas de PLR, totaliza os R$ 577.615.991,37 deduzidos na DIPJ. Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.877 11 4.48. Uma análise do LALUR (Anexo XVI) comprovou que não foram adicionados ao Lucro Real os valores de PLR pagos indevidamente. 4.49. Todos os valores discriminados foram confirmados em cópias de balancetes e do Livro Razão (Anexo XIII), fornecidas pela empresa para justificar os valores lançados e as divergências acima apontadas. 5. DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL 5.1. As despesas com a constituição de PLR reduzem o lucro líquido, e neste momento cumpre considerar que, caso atendidos os requisitos de dedutibilidade previstos na Lei n° 10.101/2000, não é necessário ajuste, a despesa é dedutível e seu efeito já se produziu. Mas, em caso de inobservância a qualquer dos critérios legais de dedutibilidade, como é o caso dos pagamentos discutidos no item anterior, devese ajustar o lucro líquido, adicionandose a despesa indedutível, quando da apuração da base de cálculo do Imposto de renda (lucro real). 5.2. Assim, no anocalendário de 2007, a empresa deduziu do lucro líquido R$ 577.615.991,37, embora tenha pago valor total de PLR superior em folha de pagamento, como explicamos no item 4.47 acima. Desta forma, o lucro líquido foi incorretamente reduzido e, para cálculo do Imposto de renda devido, é necessário adicionar estes R$577.615.991,37, que são indedutíveis por desrespeito à lei, ao lucro real.” O lançamento foi considerado procedente pela DécimaQuinta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.3.574/3.627): IRPJ. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA A AVALIAÇÃO DOS EMPREGADOS. INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. Inexistindo regras claras e objetivas que dêem amparo aos pagamentos de PLR efetuados pela empresa a seus funcionários, e não tendo sido elucidada a conexão entre as avaliações e a composição dos valores pagos, reputamse indedutíveis as respectivas despesas, para fins de determinação do lucro real. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (REsp 1.129.990/PR). Devidamente cientificado em 24/4/13 (fl.3.631), o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário em 23/5/13 (fls.3.638/3.693), em que alega, em síntese: outros dois lançamentos tributários estariam intrinsecamente ligados à presente autuação: (a) processo nº 16682.720128/201243, referente “...à cobrança de valores relativos à parte Empresa e de Terceiros sob o argumento de que não teriam sido cumpridos os requisitos legais para o regular pagamento de PLR no anocalendário 2007, razão pela qual tais valores seriam considerados salário para fins de incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias”; e (b) processo nº 16682.720449/201248, referente “...à cobrança de multas relativas (i) a supostas incorreções ou omissões nas informações reportadas pela Recorrente nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (‘GFIP’) e (ii) a suposta ausência pela Recorrente de informações e esclarecimentos necessários à autuação da Fiscalização”; Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.878 12 o Acordo Coletivo de PLR observara todas as normas e princípios que regem a matéria; não poderia a fiscalização ter descaracterizado o Acordo Coletivo com base em 9 (nove) pagamentos de PLR, do universo de 615 (seiscentos e quinze), ou seja, apenas com fundamento em pagamentos que equivaleriam a 1,5% do total de empregados (Guilherme da Costa Paes, Bruno de Arruda Carvalho, Evandro Luiz de Almeida Pereira, José Octávio Mendes Vita, Leandro de Azambuja Micotti, Carlos de Almeida Vasques, Marcus Vinícius Cuiabano Peixoto, Alexandre Câmara e Silva e Rodolfo Riechert). Ainda que considerado o universo de 124 empregados (20% do total registrado), conforme descrito no item 4.9 do TVF, os nove pagamentos não representariam nem 10% da amostra eleita; a amostra deveria ser representativa de uma população, “...para que nela estejam efetivamente refletidos os comportamentos dessa”, conforme já decidiu o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 10248.128 e 10247.456); “...A conduta adotada pelo I. Agente Fiscal não respeita nenhuma técnica de auditoria e nem os preceitos de materialidade de um estudo. A utilização de um percentual tão ínfimo para análise de instrumentos que abrangiam 615 empregados, pelo contrário, viola todas as referidas técnicas e regras”; uma vez identificados pagamentos em desconformidade com o Acordo Coletivo, caberia o lançamento apenas com relação àqueles; o próprio agente fiscal incorrera em contradição quando analisou os pagamentos realizados aos empregados André Cobianchi Almeida e Antonio Carlos Canto Porto Filho e deixou de apontar irregularidade; conforme decidido em acórdão da Segunda Seção de Julgamento (nº 240102.139), não poderia a tributação incidir sobre todos os valores pagos a título de PLR; a fiscalização também teria incluído indevidamente os pagamentos “...a título de antecipações, realizadas em Outubro de 2007, com base na CCT PLR Bancos 2007 (Doc.06 da Impugnação), instrumento este que sequer foi descaracterizado”; nos termos da Convenção, em outubro de 2007 teria antecipado o pagamento de PLR, sendo que em fevereiro de 2008 efetuara a compensação dos valores já pagos (Doc.15 da impugnação), fato ignorado pela fiscalização ao adicionar ao lucro a totalidade dos pagamentos realizados a título de PLR; “...57. De maneira simples e superficial, o I. Agente Fiscal optou por presumir que os montantes de todos os pagamentos de PLR relativos ao anocalendário 2007 corresponderiam a valores pagos nos termos do Acordo Coletivo. Ocorre que o descuido do I. Agente Fiscal foi tão significante que sequer há menção à CCT PLR Bancos 2007 no TVF, instrumento este que não foi objeto de qualquer questionamento [...]. 64. Ao efetuar o lançamento sobre parcelas de PLR que sequer foram objeto de questionamento ao longo da Fiscalização, mais uma vez o I. Agente Fiscal acabou por violar as mais fundamentais regras que regem o ato administrativo de lançamento, deixando de apurar com precisão a base de cálculo do IRPJ supostamente devido no período”; havendo erro na base de cálculo, a solução seria a nulidade do auto de infração, conforme decisões administrativas (acórdãos nº 240101.358 e 20310.576); ainda que os requisitos legais para pagamentos a título de PLR não tivessem sido cumpridos, deveriam os dispêndios ser considerados dedutíveis, haja vista a sua natureza operacional, conforme declaração de voto vencido em primeira instância e acórdão da DécimaQuinta Turma da DRJ/RJ1 (nº 1237.956, de 22/06/11); Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.879 13 o próprio agente fiscal teria reconhecido a natureza remuneratória dos pagamentos a título de PLR, para fins de incidência de contribuição previdenciária, conforme Termo de Verificação Fiscal constante do processo nº 16682.720128/201243; “...Neste cenário, uma vez descaracterizados os pagamentos de PLR, tais verbas assumiriam a natureza salarial e seriam, indubitavelmente, despesas operacionais, necessárias à manutenção da sociedade. 80. Ainda que se considerasse que as verbas pagas não teriam natureza salarial, os pagamentos realizados assumiriam o caráter de gratificação paga pelo empregador aos empregados, com a finalidade de estimular os funcionários”, conforme art.299, §3º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), conclusão que se coadunaria com o seu art.462. a possibilidade de dedução de gratificações por liberalidade do empregador não seria novidade na legislação tributária, conforme Parecer Normativo CST nº 109, de 22/09/75; com a vigência da Lei nº 9.430/96, os limites para pagamento de gratificações a empregados teriam sido revogados; “...A dedutibilidade dos pagamentos feitos a empregados a título de PLR, seja por seu enquadramento frente à Lei nº 10.301/00 ou por sua natureza de gratificação paga aos empregados, também já foi assegurada por este E. Tribunal Administrativo em diversas ocasiões”, conforme acórdãos nº 10195.258, de 09/11/05, 1402001.135, de 08/12/12, 1101 000.847, de 05/03/12, e 1401000.944, de 06/03/13. O acórdão nº 1101000.847 referirseia ao próprio contribuinte, e, inclusive, “...Os Conselheiros reconheceram que a tese da D. Fiscalização cai em patente contradição à medida que não poderiam ser exigidos, simultaneamente, contribuições previdenciárias e IRPJ sobre os mesmos valores”; remunerações pagas a empregados, sendo gratificações ou não, seriam despesas operacionais necessárias ao regular funcionamento de qualquer sociedade; quanto aos requisitos legais para fins de pagamento de PLR, o cerne da questão, conforme posto pela DRJ/RJ1 “concentrase na falta de explicação por parte da empresa, de como foi calculado individualmente o valor pago a cada empregado”, em que pese ter reconhecido a existência de regras claras e objetivas; não caberia ao Fisco questionar, quando os critérios de avaliação foram livremente negociados pelas partes, o valor dos pagamentos aos empregados, vez que não lhe cabe “...criar qualquer outro requisito, sob pena de desrespeitar não só a Constituição, que prevê de forma incondicional o direito do trabalhador, como também a própria Lei nº 10.101/00”; quanto às avaliações de desempenho, cabe esclarecer: (a) o contribuinte adotou a metodologia de avaliação 360 graus, em que, “...Com base em critérios e metas já prédefinidos, cada empregado preenchia sua autoavaliação e também era avaliado por seus superiores e colegas. Em contrapartida, esse mesmo empregado avaliava seus pares e superiores”; (b) o preenchimento das avaliações era feito diretamente nos sistemas, cujo acesso era realizado mediante senha individual e intransferível; (c) conforme Manual explicativo, havia competências às quais eram atribuídas notas que variavam de 1 a 5 (Ultrapassou muito, Ultrapassou, Atingiu, Atingiu parcialmente e Não atingiu), relacionadas ao atendimento das metas; e também gradações que variavam de “A” a “E”, relacionadas com a visão global das competências (Ultrapassa muito o perfil, Ultrapassa o perfil, Atende o perfil, Abaixo do perfil e Muito abaixo do perfil); (d) o critérios eram combinados, gerando a nota final do avaliado; (e) as avaliações eram processados pelos sistemas PMM (“Performance Measurement & Management”) e PS (“Performance Segmentation”) e os resultados, submetidos à análise e aprovação de um Comitê de Avaliação, indicado pela Diretoria e composto por gerentes seniores; (f) estabelecida a faixa de avaliação de cada empregado, o Comitê verificava os Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.880 14 limites mínimos e máximos se salários a serem recebidos a título de PLR, de acordo com o previsto no Plano de PLR, sopesando, ainda com base nas avaliações, “...o quanto cada empregado contribuiu para a formação dos resultados e, dentro da faixa de avaliação na qual cada empregado se enquadrou, calculava quantos salários seriam percebidos por cada colaborador”; (g) ao contrário do que entendera a fiscalização, “...a nota confirmada pelo gerente avaliador, após a conclusão de todas as avaliações 360 graus imputadas nos sistemas PMM e PS é que era levada ao Comitê de Avaliação”; acerca da suposta ausência de fórmula matemática individualizada para os pagamentos de PLR: (a) a própria fiscalização reconhecera a existência de regras claras e objetivas; (b) inexistiria na Lei nº 10.101/00 a obrigatoriedade de sistema de cálculo individualizado para cada empregado, conforme já decidido nos acórdãos 240202.508 e 20501.178; (c) a exigência fiscal seria manifestamente ilegal; (d) para o pagamento de PLR, relevante seria o acordo das regras entre as partes, “...que haja diálogo entre empresa, empregados e sindicatos e que todos os envolvidos sejam capazes de compreender as diretrizes para o pagamento de PLR”, como já decidido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nºs 9202 00.503 e 920201.607); (e) “a Recorrente estabeleceu regras objetivas para o pagamento de PLR, que estavam claramente dispostas no Acordo Coletivo de PLR, regras essas que foram devidamente aprovadas pela CONTRAF/CUT e por seus empregados, sendo tal matéria incontroversa nos presentes autos”; sobre o Acordo Coletivo de PLR: (a) a Cláusula Quinta expressamente estabelecia três critérios: índice de lucratividade, programas de metas e avaliação de desempenho individual; (b) conforme Anexo I, “...a PLR corresponderia à diferença entre o índice de lucratividade da Recorrente vigente em 2007, que era de 60%, e o índice de lucratividade efetivo”; (c) nos termos do Anexo II, o lucro distribuído entre todas as áreas, de acordo com o índice de lucratividade, os empregados fariam jus no mínimo a 5 salários e no máximo a 100 salários, sendo que os valores poderiam se multiplicados por até 2, 4 ou mais, a depender da faixa de avaliação do empregado; a respeito da suposta não apresentação das avaliações à fiscalização: (a) não haveria razão para tal solicitação, vez que o PLR possuía regras claras e objetivas; (b) foram acostados aos autos (Doc.09 da impugnação) as avaliações individuais dos empregados, em que constam com clareza os critérios utilizados; (c) a razão de as avaliações terem sido redigidas no idioma inglês decorreria do fato de que “...diversos empregados da Recorrente também eram estrangeiros e não falavam português”; (d) as avaliações dos empregados Thays Vargas Ferreira da Cunha e Felipe Santos Wance de Souza teriam sido entregues no curso da fiscalização; relativamente aos catorze empregados contratados após 31/08/07, data do encerramento do processo de avaliação: (a) em razão de terem contribuído para a formação do resultado do ano calendário 2007, fizeram jus ao recebimento de PLR em fevereiro de 2008; (b) os desempenhos individuais teriam sido objeto de avaliação e discussão pelo Comitê de Avaliação que, após deliberação, teria determinado o valor de PLR a ser pago; no tocante aos comentários constantes das avaliações, que, no entender da fiscalização, denotariam opiniões de caráter subjetivo, “...influenciavam o Comitê de Avaliação na determinação da contribuição de cada empregado para os resultados da empresa e, conseqüentemente, no número de salários que cada empregado receberia a título de PLR”; quanto aos valores de PLR recebidos pelos empregados Roberto Maria Monta Filho e Rosa Amélia de Oliveira Penna Marques Moreira, seriam “...relativos a bônus de admissão, garantidos em Carta Oferta a ambos os empregados quando de sua contratação” (Doc. 12 da impugnação), argumento este que não teria sido apreciado pela DRJ; Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.881 15 “...O pagamento de Bônus de Admissão representa o pagamento de uma gratificação eventual, e, portanto, coadunase perfeitamente aos requisitos de dedutibilidade previstos nos artigos 299 e 462 do RIR/99”; as diferenças entre os valores pagos, em quantidade de salários, justificarseiam na contribuição de cada empregado na geração do lucro, sendo que os pagamentos foram efetuados “...de acordo com os limites das faixas de avaliação previstas pelo Acordo Coletivo e o sistema PMM”; “...Na tentativa de confrontar os pagamentos realizados pela Recorrente, a I. Autoridade Fiscal Julgadora, ao longo de sua decisão, fez comparações entre os funcionários ora pelas notas referentes às avaliações, ora pelo valor do PLR recebido. Com base nisso, o Órgão Julgador teve como conclusão não ser compreensível a relação entre as avaliações e os valores pagos a título de PLR. 206. Nesse ponto, no entanto, cumpre demonstrar os equívocos cometidos nestas comparações, uma vez que o espaço amostral em nenhum momento foi restrito com base nas atividades exercidas por cada funcionário. Tampouco foi ponderada a natureza de cada função profissional e da hierarquia entre elas. Somente foram estabelecidos paralelos entre critérios que não são suficientes para descaracterizar os pagamentos de PLR”; a autoridade fiscal incorrera em equívoco ao comparar pagamentos de PLR a empregados que não exerciam mesma função, com responsabilidades distintas, ainda que tenham sido avaliados com a mesma nota; seria compreensível que, por exemplo, um Diretor Financeiro recebesse um número maior de salários do que uma Assistente de Diretoria; inexistiria imposição legal no sentido de que os valores pagos de PLR fossem iguais para todos os beneficiários; em primeira instância, a DRJ, ao se basear apenas nas notas das avaliações, ignorara a natureza e as particularidades da função profissional de cada empregado por ela listado; com relação aos pagamentos de PLR efetuados a 58 estagiários: (a) a DRJ/RJ1 dera provimento à impugnação apresentada no processo nº 16682.720128/201243, exonerandoa da contribuição previdenciária sobre tais parcelas; (b) seriam passíveis de dedução para fins de IRPJ, tendo em conta a sua natureza operacional; (c) cumprira os requisitos estabelecidos na Lei nº 6.494/77; (d) seriam necessários às atividades empresariais; seria incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ao final, o Recorrente protestou pela produção de provas e oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em contrarrazões (fls.3.836/3.857), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sustentou: a desqualificação do PRL fundamentarase pela desobediência à legislação de regência, vez que “...não ficou concretamente demonstrada a existência de regras claras e objetivas de fixação da PLR”; os casos apresentados pela fiscalização não se constituiriam em amostragem, mas “...foram usados no TVF com o intuito de reforçar a relevância dos documentos solicitados no curso da fiscalização para a apuração do cumprimento das regras que deveriam nortear o pagamento da PLR”; Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.882 16 “No que concerne à alegação de que foram incluídos na base de cálculos os montantes de PLR pagos com base em Convenção Coletiva de Trabalho, instrumento que não teria sido objeto de questionamento pela autuação, devese ter presente que, consoante a Cláusula Décima Terceira do Acordo Coletivo, os empregados não percebem PLR com base em dois títulos distintos (Acordo Coletivo e Convenção Coletiva), como faz crer a recorrente, mas apenas com lastro no Acordo Coletivo ora em discussão. [...] Nos termos da cláusula em comento, a PLR deveria ser paga de acordo com a regra mais benéfica para o empregado, sendo incontroverso nos autos que as estipulações mais benéficas eram as do Acordo Coletivo. Ora, se os pagamentos tiveram base em um único instrumento, qual seja, o Acordo Coletivo, não há porque se abater das adições procedidas pela fiscalização o valor previsto em Convenção Coletiva que em nada fundamentou os pagamentos recebidos pelos empregados.”; nem tudo que é pago pelo empregador, como contraprestação laboral, seria dedutível do lucro líquido, ou seja, “...Mesmo que uma verba seja considerada como retribuição decorrente do contrato de trabalho, integrando, portanto, o saláriodecontribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária, ainda assim poderá não ser dedutível da base de tributação do IRPJ, haja vista que este tributo tem regras próprias para apuração”; “...O fato de a distribuição de lucros aos empregados da pessoa jurídica não atender aos requisitos previstos na Lei n.º 10.101/2000, resultando na impossibilidade de dedução dos pagamentos do lucro líquido do período de apuração (art. 462, III, do RIR/99), não tem o condão de transmudar a natureza jurídica dos valores pagos. Ou seja, as participações no lucro conferidas aos empregados do banco autuado permanecem sendo distribuição de lucro, jamais deixaram de ser. Uma coisa é a natureza jurídica de um pagamento, outra é o efeito jurídico que esse pagamento gera. No âmbito do IRPJ, o efeito jurídico de distribuição de lucro aos empregados é a adição ao lucro líquido do período (regra geral). Todavia, este efeito pode ser modificado se, e somente se, o pagamento a esse título for realizado segundo os critérios estabelecidos na Lei n.º 10.101/2000, porque esta foi a exigência estabelecida pelo legislador para afastar a regra geral (inciso III art. 462 do RIR)”; a circunstância de a PLR “...ser retribuição econômica pelo contrato de trabalho, daí advindo o caráter remuneratório das parcelas no campo da contribuição previdenciária, tão somente por esse fato, não qualifica a despesa como operacional para fins de IRPJ, pois nesta seara o critério de dedutibilidade de um gasto é aferido pelos parâmetros de necessidade, normalidade e usualidade (art.299, do RIR), conceitos que seriam imprescindíveis à legitimação da dedução.”; a PLR não seria um gasto necessário, imprescindível, essencial ao desenvolvimento da atividade empresarial, mas um “...dispêndio decorrente de ato de mera liberalidade do empregador, uma vez que a não concessão de PLR não impossibilita a empresa de realizar a exploração de seu negócio”. Constituirseia em uma “...despesa extraordinária, a qual pode ou não ocorrer, a depender da opção empresarial de conceder participação nos lucros ou resultados aos seus empregados. Igualmente, não é despesa usual na acepção de habitualidade em relação à espécie do negócio desenvolvido pelo contribuinte”; “Ora, se, efetivamente, a participação nos lucros e resultados da pessoa jurídica fosse despesa operacional, como afirma o recorrente, qual o sentido lógico do legislador ter destacado um artigo específico para dizer que o contribuinte pode deduzir a PLR da base cálculo do IRPJ? Senhores Julgadores, que sentido tem reproduzir em artigo diverso uma regra que já estaria albergada no art. 299 do RIR? Por certo, outra não pode ser a conclusão senão a de que participação nos lucros da empresa não é despesa operacional, segundo os parâmetros estabelecidos no art. 299, do RIR/99, o que resulta na necessidade de haver um Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.883 17 preceptivo específico para conferir caráter de dedutibilidade à despesa, condicionando, porém, que o pagamento seja feito na forma da Lei n.º 10.101/2000”; o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já decidira no sentido de que os pagamentos a título de PLR seriam indedutíveis, quando em desconformidade com as exigências legais, “...o que a contrario sensu confirma não se tratar de despesa operacional”; a PLR estaria vinculada ao alcance de metas pelos empregados, não consistindo em “...mecanismo para substituir eventual pagamento de abono, prêmio, gratificação, comissão, etc., de forma a ocultar a natureza salarial e, assim, eliminar os encargos sociais e tributários que normalmente incidiriam caso a verba não fosse paga de forma disfarçada”; de acordo com a jurisprudência administrativa (acórdão nº 240100.545) e do Superior Tribunal de Justiça (Resp 856160/PR), “...somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária”; o pagamento de PLR pelo contribuinte estaria cercado de subjetivismos, “...não existindo critérios claros e objetivos a nortear a atribuição do número de salários a que cada empregado fará jus”; “...nos termos da sistemática descrita pela própria recorrente em seu recurso voluntário, em última análise, o cálculo de quantos salários cada empregado receberia incumbia a um Comitê, que tomava tal decisão sem nenhum parâmetro objetivo, mas com base em uma percepção de montante de contribuição individual para a formação dos resultados do Banco. Está confessado nos autos que era determinante na fixação do valor a ser recebido ‘a contribuição que cada funcionário deu para a geração dos lucros’, fator esse que era aferido por um Comitê de Avaliação, sem quaisquer parâmetros ou critérios conhecidos. E mais! No Anexo II do Acordo Coletivo, há previsão de que os empregados farão jus ao recebimento de PLR de no mínimo cinco e no máximo 100 salários mensais. Ainda nos termos do Anexo II, o limite máximo pode ser extrapolado em casos excepcionais, a depender da avaliação geral do empregado e da sua classificação na Performance Segmentation. Assim, é possível pagar até 200, até 400 ou mais de 400 salários mensais a depender de tais análises. Ora, a diferença entre pagar 100 vezes o salário mensal e pagar 120, 150, 180, 200 ou 400 salários mensais é enorme, mas não se sabe como tal decisão é tomada.”; a ausência de critério objetivo fora ressaltada pela DRJ/RJ1, quando do julgamento do processo nº 16682.720128/201243; ao requerer as memórias de cálculo dos valores pagos, a fiscalização buscara verificar o cumprimento das regras previstas no instrumento de PLR, que deveriam conter regras claras e objetivas; considerando que o próprio empregador definira os parâmetros de pagamento de PLR, teria o dever de demonstrar que a eles se ateve, não se sabendo, no caso concreto, “...o critério que norteou o pagamento da PLR em múltiplos que chegam, por vezes, a 500 salários”; quanto aos empregados que não foram submetidos ao sistema de avaliação eleito pelo contribuinte, não teriam sido atendidas as regras postas no instrumento de fixação da PLR; os parâmetros estabelecidos em lei quanto aos pagamentos a título de PLR seriam razoáveis, “...tendo como escopo evitar as fraudes e garantir o cumprimento dos mandamentos constitucionais”; Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.884 18 conforme jurisprudência das duas Turmas do STJ e decisões do CARF, inclusive de sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, seria legal a incidência de juros sobre a multa de ofício. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A Constituição Federal prevê como direito social do trabalhador a participação nos lucros, ou resultados, desvinculandoa da remuneração: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ..... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Por sua vez, a Lei nº 10.101, de 19/12/00, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.98277/2000, regulou a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade” nos termos abaixo, no que importa à presente discussão (redação vigente à época dos pagamentos de PLR): Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.885 19 §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ..... Art.3o A participação de que trata o art.2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. Vêse, do art.3º, §1º, da Lei nº 10.101/00, que a dedução dos pagamentos a título de PLR é cabível quando realizados em conformidade com seus dispositivos. Assim, deve ser a PLR ser objeto de negociação entre o empregador e seus empregados, constando do instrumento resultante regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem como regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e programas de metas, resultados e prazos, previamente pactuados. Do relato fiscal, notase que o agente fazendário não questionou a validade do Acordo Coletivo de PLR, interessando à resolução da controvérsia verificar se os critérios ali estabelecidos foram cumpridos. Também é incontroverso que o índice de lucratividade estabelecido consistiu em uma regra clara, objetiva, estabelecida em tal ajuste. Apesar disso, a fiscalização, com base na documentação que lhe foi disponibilizada, entendeu que seria imprescindível a especificação dos critérios adotados na individualização dos valores pagos aos empregados, razão pela qual passou a analisar os formulários de avaliação. Dispunha o Acordo de PLR (fls.1.182/1.192), no que importa ao desate da controvérsia: a) era aplicável a todos os empregados do banco; b) a PLR era devida em conformidade com os Anexos I e II, levandose em consideração as avaliações individuais de desempenho (Cláusula Quinta); c) os valores estabelecidos no Anexo II representavam um mínimo a ser pago, sendo facultado o pagamento de valor superior quando o desempenho e contribuição individual ultrapassasse o esperado ou negociado (Cláusula Quinta, Parágrafo Primeiro); d) por ocasião do pagamento de PLR, o banco deduziria os valores já quitados por força de Convenção Coletiva sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007 (Cláusula Sexta, Parágrafo Único); Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.886 20 e) para fazer jus à PLR, o empregado deveria trabalhar no mínimo 90 (noventa) dias do período avaliado, podendo, em casos excepcionais e mediante aprovação da Diretoria do Banco, ser considerado período menor que este (Cláusula Sétima, Parágrafo Único); f) quando mais benéfico, prevaleceria o Acordo de PLR sobre qualquer cláusula que dispusesse sobre a mesma questão, decorrente de Acordo Coletivo, Convenção Coletiva ou Sentença Normativa (Cláusula Décima Terceira). Por sua vez, o Anexo II do Acordo de PLR, que dispôs sobre as “Regras Quanto à Fixação dos Direitos à Participação e Programas de Metas”, estabelecia: Após a definição do percentual do lucro a ser distribuído aos EMPREGADOS do BANCO dentro do limite estipulado no item 5, do Anexo I, para a fixação dos direitos à PLR a serem percebidos pelos EMPREGADOS deverão ser observadas as seguinte regras e critérios: 1 O percentual a ser distribuído será destinado a todas as áreas do Banco UBS Pactual S.A. (‘BANCO’). 2 Os EMPREGADOS farão jus ao recebimento, a título de PLR, de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, ficando esclarecido que este limite máximo poderá ser excedido em casos excepcionais, conforme descrito no item 3.3 abaixo. 3 Na determinação do valor a título de PLR a ser recebido por cada EMPREGADO, serão consideradas as avaliações Performance Segmentation e Performance Measurement & Management PMM, descritas no PMM Profiles, Competency Model and Performance Cluster Descriptions (Descrição dos Parâmetros e Modelos de Competência para Avaliação e Gerenciamento de Performance), cujo teor, desde o início do exercício de 2007, foi amplamente divulgado internamente para os empregados; estando o mesmo, ademais, à disposição dos signatários. 3.1 Por fim, a PLR a ser distribuída será composta da seguinte forma: (i) pelo valor decorrente lucro auferido pelo BANCO, conforme item 2, deste Anexo; (ii) combinado com a avaliação PS, descrita no item 3.1. O montante a ser distribuído a título de PLR levará em consideração os seguintes parâmetros: Avaliação Geral do EMPREGADO Classificação do EMPREGADO na Performance Segmentation Fator multiplicador a ser utilizado para exceder o limite máximo estabelecido no item 2 acima INSATISFATÓRIO (IN) PS4 NÃO SATISFATÓRIO (NS) / PARCIALMENTE SATISFATÓRIO (PS) PS4 SATISFATÓRIO (S) PS3 Até 2x o limite máximo MUITO SATISFATÓRIO (MS) PS2 Até 4x o limite máximo EXCELENTE (E) PS1 Acima de 4x o limite máximo Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720122/201276 Resolução nº 1103000.115 S1C1T3 Fl. 3.887 21 Em nota de rodapé do Anexo II consta a observação de que “Na hipótese de classificação EXCELENTE, poderá o EMPREGADO receber valor superior ao teto estabelecido no item 2 acima”. Tendo em vista que se ultrapassou o limite de 100 (cem) salários em alguns casos, fazse necessário, para saber se os pagamentos foram realizados em consonância com o Acordo Coletivo, como exaustivamente sustenta o Recorrente, analisar as regras contempladas em seu Anexo II. Conforme cópia anexada pela fiscalização (fl.1.192) e pelo sujeito passivo (fl.2.221), é possível que o inteiro teor do Anexo II do Acordo Coletivo não tenha sido acostado aos autos. Chegase a esta conclusão a partir da leitura do seu item 2, que fez referência ao subitem 3.3, não constante do documento, exatamente aquele em que supostamente estariam descritas as regras que justificariam pagamentos a título de PLR em valores superiores ao limite de 100 (cem) salários mensais. Considerando a importância das avaliações individuais na fixação dos valores que poderiam ser pagos aos empregados, o esclarecimento de alguns outros fatos pode fornecer elementos que contribuam para uma adequada solução à luz da legislação tributária. Sendo assim, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: intime o contribuinte para: (a) apresentar o inteiro teor do Anexo II do Acordo de PLR (“Regras Quanto à Fixação dos Direitos à Participação e Programas de Metas”), vez que aparentemente foi disponibilizado incompleto, conforme observação acima; (b) apresentar tradução juramentada dos documentos constantes das fls.3.539/3.548; e (c) esclarecer objetivamente qual a influência da classificação alfabética “Competência” (item 4.29 do Termo de Verificação Fiscal) nos pagamentos de PLR realizados com base nos parâmetros estabelecidos no item 3.1 do Anexo II do Acordo de PLR; verifique: (a) se nos pagamentos considerados pela fiscalização a título de PLR, realizados em fevereiro de 2008, foram incluídos os valores supostamente pagos com base na CCT PLR Bancos 2007 (fls.3.417/3.436); e (b) se procedem as informações prestadas pelo Recorrente quanto aos cargos exercidos pelos empregados, conforme relação de fls.2.913/2.928; aproveitando a diligência, anexe cópia do inteiro teor do Parecer Normativo CST nº 109, de 22/9/75, mencionado pelo Recorrente, podendo a este ser requerida; adote, se entender cabíveis, providências que auxiliem na solução da controvérsia; elabore relatório final circunstanciado, que deverá ser cientificado ao sujeito passivo, facultandolhe apresentar contrarrazões ao resultado da diligência no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10945.900903/2012-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 09 03 /2 01 2- 28 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900903/201228 Acórdão n.º 3803004.971 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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