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Numero do processo: 10880.014768/00-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 47 68 /0 0- 39 Fl. 6395DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.014768/0039 Acórdão n.º 3801002.200 S3TE01 Fl. 6.396 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração promovidos pela Fazenda Nacional em decorrência do acórdão de fls. 6.378 e seguintes. Aponta como fundamento aos embargos o seguinte excerto: Esse Colegiado, por meio do acórdão nº 3801001.612 (fls. 6378/6388), deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (fls. 225/226) por considerar ter ocorrido cerceamento do direito de defesa do contribuinte. As razões adotadas pela Turma podem se extraídas do seguinte trecho do voto condutor do acórdão, que ora se transcreve (fl. 6383/6384): Na realidade a decisão da DRF se sustentou em premissa errônea. Alegou que houve inércia da contribuinte. Fato esse inexistiu. Ficou evidenciado que a recorrente apresentou pedido de prorrogação no prazo e o indeferimento e nãohomologação se deram motivados pela inação da contribuinte, ou seja, a decisão se fundamentou em premissa falsa. No mais a autoridade não examinou documento que deveria examinar, protocolizado antes do julgamento, o pedido de prorrogação, que não pode ser tacitamente negado. Tenho que o despacho decisório é nulo. As provas contradizem a fundamentação do despacho decisório, isso é incontestável e, nesse sentido, a decisão cerceou o direito a defesa da Recorrente que nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972, implica em nulidade do despacho (...). A partir do citado excerto do voto, extraise que o Colegiado resolveu cancelar o lançamento com base em dois fundamentos, os quais podem ser assim sintetizados: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para apresentação de documentos dentro do prazo concedido pela autoridade fiscal, não havendo que se falar, pois, em inércia do interessado; 2) a DRF não examinou o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Ocorre que as duas premissas fáticas utilizadas pela Turma para justificar a anulação do despacho decisório e os atos dele decorrentes estão equivocadas. Com efeito, a partir da análise detida dos autos, percebese que: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação fora do prazo concedido pela autoridade fiscal, restando, portanto, inerte; 2) a DRF analisou Fl. 6396DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.014768/0039 Acórdão n.º 3801002.200 S3TE01 Fl. 6.397 3 expressamente o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte. Em relação ao primeiro ponto, cumpre destacar que o interessado teve ciência do termo de intimação fiscal nº 213/2009 (fls. 223/224) – o qual fixava o prazo de 20 dias para apresentação de documentos –, em 07/01/2010, conforme comprova o AR de fl. 224. Não obstante, o contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 267 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade. Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 28/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia. Nesse contexto, percebe se que não há qualquer falha na fundamentação empregada pela autoridade fiscal, eis que de fato o contribuinte quedouse inerte, não havendo que se falar, portanto, em falsidade da premissa utilizada pela DRF, tampouco pela DRJ. Em relação ao segundo ponto, cabe salientar que a autoridade fiscal analisou expressamente a solicitação de prorrogação de prazo apresentada pelo contribuinte, tendolhe sido negado o pedido, conforme se extrai do despacho de fl. 225/226. Atentese, ainda, que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão que negou o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos. Percebese, pois, que, diferentemente do que consta no acórdão ora embargado, não houve recusa tácita do pedido de prorrogação do prazo feito pelo contribuinte. Conforme já explanado, a autoridade fiscal analisou de forma expressa o pedido. Assim, a embargante entendeu que restou omisso e contraditório o acórdão de fls. e requer o seu exame e provimento. É o relatório. Fl. 6397DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.014768/0039 Acórdão n.º 3801002.200 S3TE01 Fl. 6.398 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Dois pontos são apontados nos Embargos em exame: o um, a apresentação extemporânea do pedido de prorrogação de prazo pela Embargada; e o dois, o fato da autoridade ter de forma expressa analisado o pedido de prorrogação. Quanto ao primeiro ponto a própria PFN expressa nos embargos que “não obstante, o contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 267 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade. Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 28/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia.” (fls. 6391/6391). De fato, o pedido de prorrogação foi protocolizado no último dia de prazo, conforme assevera a própria procuradoria, sendo correta a informação do acórdão de que o pedido de prorrogação foi apresentado no prazo. Quanto ao segundo ponto, não é correta a afirmação da procuradoria de que houve indeferimento expresso do pedido de prorrogação. Vejamos o que consta do despacho decisórios às fls. 225, in verbis: 03. No intuito de instruir o processo, o contribuinte foi intimado em 07/01/2010 a apresentar em 20 (vinte) dias documentação comprobatória do seu pretenso crédito (fls. 223/224). O prazo expirou em 28/01/2010 sem que o interessado apresentasse os documentos solicitados, tampouco compareceu a essa Equipe para solicitar prorrogação do prazo para cumprimento da intimação. Nesse sentido, resta claro que o pedido não foi analisado. Considerando isso, tenho que rejeitar os presentes embargos é medida que se impõe. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 6398DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.014768/0039 Acórdão n.º 3801002.200 S3TE01 Fl. 6.399 5 Fl. 6399DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900892/2012-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 92 /2 01 2- 86 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900892/201286 Acórdão n.º 3803004.960 S3TE03 Fl. 76 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900892/201286 Acórdão n.º 3803004.960 S3TE03 Fl. 77 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900892/201286 Acórdão n.º 3803004.960 S3TE03 Fl. 78 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900892/201286 Acórdão n.º 3803004.960 S3TE03 Fl. 79 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900892/201286 Acórdão n.º 3803004.960 S3TE03 Fl. 80 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10814.004097/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/06/2000
REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO.
Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostra-se cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardozo e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Myasaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/06/2000 REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO. Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostrase cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardozo e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Myasaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 40 97 /2 00 5- 21 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, onde postula a restituição de imposto de importação que teria pago a maior em razão de não ter utilizado da redução do imposto, prevista no Regime automotivo da Lei 10.182/2001. O pleito do sujeito passivo foi negado sob o argumento de que, para fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001, a certidão de regularidade fiscal apresentada pela contribuinte perante a SECEX/MIDCT, quando do pedido de habilitação ao benefício deveria ter sido apresentada perante à Secretaria da Receita Federal, quando da solicitação da fruição do benefício para o qual a contribuinte se habilitara previamente junto à SECEX. O argumento para se indeferir a restituição pleiteada foi no sentido de que a Certidão Negativa de Débitos CND deveria ser apresentada por ocasião do registro de cada Declaração de Importação. A recorrente defende que a regularidade fiscal deve ser exigida, apenas e tão somente, na data da concessão do benefício, devendo ser afasta a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do despacho aduaneiro das mercadorias importadas. O especial do sujeito passivo foi admitido pelo Presidente da Câmara a quo, no tocante à questão do momento em que se deve exigir a apresentação da CND para fruição do benefício acima aludido. Regularmente intimada, a PGFN apresentou contrarrazões, onde defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei nº 10.182/2001. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante a SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a prova da regularidade fiscal deve ser feita no momento da fruição do benefício, que se dá a cada importação da mercadoria com a redução do imposto. É nesse momento que se deve provar a regularidade fiscal exigida por lei. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10814.004097/200521 Acórdão n.º 9303002.699 CSRFT3 Fl. 260 3 Essa matéria foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a quem rendo as devidas homenagens e peço licença para transcrever excerto de seu voto como fundamento desta decisão. Cumpre iniciar sua análise pela delimitação da questão posta a debate. Resumese ela ao momento em que deve ser apresentada a prova da regularidade fiscal de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95. Já está assentado, portanto, que ela se aplica à hipótese aqui discutida – regime automotivo de que cuida a Lei 10.182/2001 – e que essa regularidade se há de demonstrar por meio de certidão negativa de débito (CND). Essa conclusão se impõe quando se vê que a própria decisão aceita como demonstradora da divergência não as rejeitou, apenas estendeu ao benefício aqui discutido – regime automotivo – a conclusão do ministro Fux válida para o drawback. Em outras palavras, no entender da Câmara paradigmática, sempre que se tratar de aplicação do art. 60 da Lei 9.069, a exigência de CND tem de ser única: ou ela é exigida no momento da “concessão” ou no do reconhecimento. Assim, equiparando a figura da habilitação prevista explicitamente na Lei 10.182 à da expedição do ato concessório que se realiza no âmbito do drawback, a Câmara entendeu que, uma vez exigida a CND na habilitação, não cabe exigila de novo, tal qual, segundo o STJ, não cabe fazêlo quando se trata de drawback. Ocorre que os dois institutos, embora benefícios fiscais ambos, não são, a meu ver, equivalentes. De fato, pelo menos duas diferenças são significativas. A primeira, e mais relevante, é que a exigência de comprovação de regularidade fiscal não consta nas disposições da legislação aduaneira atinentes ao drawback (Decreto lei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I) mesmo com o “disciplinamento” que lhes dão as normas dos diversos regulamentos aduaneiros baixados, a exemplo dos arts. 335 a 355 do Decreto 4543. No drawback, portanto, toda a exigência se encontra lastreada exclusivamente na própria Lei 9.069/95, que é posterior ao ato legal que instituiu o regime. Nesses termos, a extensão realizada na decisão paradigma somente se poderia efetuar validamente se o regime automotivo, de modo semelhante ao regime aduaneiro especial em causa, não contivesse em sua legislação a exigência. Completamente diversa é, no entanto, a situação do Regime Automotivo: a própria lei que o instituiu – art. 6º, I da Lei 10.182 – já exigiu a “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, aqui equiparada à exibição de CND (ponto sobre o qual também não se instaurou a divergência). Isso é, aliás, reconhecido pela própria recorrente. Ou seja, de um lado se tem um regime aduaneiro especial para cuja validade somente era originalmente exigida, grosso modo, a comprovação da efetiva exportação de certa quantidade de produtos, e ao qual se passou a aplicar adicionalmente a exigência genericamente prevista na Lei 9.069, e, do outro, um regime que, desde o seu nascedouro, já contém tal exigência de forma explícita. Notese que se trata de legislação posterior à Lei 9.069 e específica para o benefício. A segunda diferença é que no drawback se tem, desde o ato concessório, claramente definidos os parâmetros em que a suspensão, isenção ou restituição se dará, cabendo tãosomente ao interessado, após obter tal ato, exportar a quantidade compromissada – modalidade suspensão. Nas duas outras modalidades, tudo já é provado no primeiro momento, isto é, a importação, com pagamento de tributo, de quantidade equivalente àquela objeto da isenção ou da restituição postulada. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 De se notar que, mesmo assim, a decisão do sr. Ministro Fux não chegou ao ponto de afirmar que seria dispensada a CND para novos requerimentos do mesmo contribuinte. Ou seja, da decisão proferida o que se extrai – ao menos é o que extraio eu – é a dispensa da exigência de nova CND no momento do desembaraço da quantidade cuja importação com isenção ou suspensão previamente fora deferida; novos pedidos requererão nova CND. A aplicação “analógica” desse entendimento, portanto, levaria, a meu sentir, à conclusão oposta à que chegou a câmara paradigmática: a cada importação, no caso do regime automotivo, nova CND há de ser exigida, pois é aí que se tem de fato a concessão ou o reconhecimento para uma dada quantidade e qualidade de mercadoria a ser importada. E essa conclusão se vê reforçada pelo entendimento, já não mais objeto de controvérsia, de que a ele se aplica o art. 60 da Lei 9.069, em adição ou complemento à Lei 10.182, ainda que seja esta última específica do regime e posterior àquela e somente preveja a comprovação da regularidade no momento da habilitação. Por isso é que entendo que somente acatando a pretensão da empresa de que a Lei 9.069 não se aplica ao benefício em causa se poderia cogitar da dispensa da exigência debatida. Pacificada a questão, ao seu recurso especial há de ser negado provimento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720396/2010-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual.
IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS.
São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Precedentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 340,70 declarado a título de imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir Da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Precedentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 340,70 declarado a título de imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir Da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 111 1 110 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720396/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.298 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANTÔNIO JORGE ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Precedentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor de R$ 340,70 declarado a título de imposto retido na fonte, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 03 96 /2 01 0- 17 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 112 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir Da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório as seguintes considerações efetuadas pela Autoridade Julgadora de 1ª instância: “Contra o contribuinte acima identificado, foi emitida a Notificação de Lançamento, fls. 08, do exercício 2008, ano calendário 2007, em decorrência da glosa do imposto de renda retido na fonte, resultando na apuração do IRPF/2008 de R$ 3.666,78, código 0211, multa e juros de mora, totalizando em R$ 9.669,37, atualizado até 30/04/2010. 2. De conformidade com a descrição dos fatos e enquadramento legal,consta que: “Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 3.666,78, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas.Glosa do valor referente ao imposto de renda retido na fonteIRRF. por se tratar de contribuinte proprietário/administrador/responsável pela fonte pagadora COMESE LTDA.Em consulta aos Sistemas da Receita Federal do Brasil constatamos que essa empresa recolheu, no código de receita 0561 (rendimentos do trabalho assalariado apenas R$ 340,70 do total de R$ 3.666,78 de imposto de renda retido na fonte do contribuinte Sistema DIRF Batimento) contribuinte fora intimado a apresentar comprovantes de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF, nada apresentando até a presente data..” 3. Cientificado do lançamento por via postal, apresentou a impugnação de fls. 01/02, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, para alegar que : “ No transcorrer do ano de 2007, recebi retirada de Pró labore da empresa COMESE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 09.340.795/000151 e dessa retirada foi descontado o IRRF, fato esse comprovado mediante comprovante de rendimentos fornecido pela empresa, Dirf e IRPF, porém essas informações deveriam estar contidas nas DCTF entregues referente ao ano de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 113 3 2006, fato esse não tendo sido realizado na ocasião, por descuido da pessoa responsável pelo preenchimento da mesma. 1 – PRELIMINAR Antes da apreciação do mérito, ressalto que ao perceber a falta essas informações, que se diz respeito à retenção do IRRF nas DCTF do ano de 2007 as mesmas foram retificadas 11. 2 – MÉRITO Com base do inciso 111 e IV do art. 16 do Dec. 70.235/72, solicito que as informações contidas nessas DCTF retificadoras possam ser aceitas e com isso obter a solução da pendência objeto dessa Notificação. Seguem em anexo: 2ª via das DCTE'la e 2° Semestres de 2007 tendo sido retificadas em 2010. 111. 2 A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a presente impugnação seja acatadas para o fim de cancelar o lançamento.” Após discorrer sobre responsabilidade solidária, a Relatora a quo assim manifestou seu entendimento, que conduziu o Acórdão para considerar improcedente a impugnação e manter a exigência do crédito tributário: “Assim sendo, é de se manter a glosa do imposto de renda por não ter ficado comprovado o pagamento do imposto de renda retido na fonte, pela empresa da qual o contribuinte é responsável, nos termos da legislação vigente. 10 Ante o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação, para manter na integra o valor apurado na Notificação de Lançamento de fls. 02”. Observo que a Notificação de Lançamento foi lavrada em 05/04/2010, conforme fl. 4, e o Auditor Fiscal autuante consignou que o “contribuinte fora intimado a apresentar comprovantes de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF, nada apresentando até a presente data..” o que não foi questionado pelo Recorrente. Na fl. 10 consta um recibo de entrega de DCTF retificadora, referente ao ano calendário de 2007, entregue em 12/05/2010, portanto na véspera da apresentação da impugnação, que deuse em 13 de maio de 2010. Nessa Declaração, consta débito para o primeiro semestre, a título de IRRF, no montante de R$ 3.257,96 (fl. 10) e de R$ 408,84 para o segundo semestre (fl. 29). Somadas as duas quantias obtémse R$ 3.666,80. Em sede de recurso voluntário o contribuinte aduz que os valores retidos referentes ao IRRF sobre os rendimentos que lhe foram pagos foram “devidamente quitados pela empresa responsável”, sendo que do total de R$ 3.666,78 “de imposto de renda retido na fonte de todos os beneficiários constantes na DIRF”(grifei) foram pagos R$ 340,70 e o restante foi incluído no Refis, previsto na Lei nº 11.941/2009. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 114 4 Informa que anexa comprovantes de pagamento do imposto de renda retido na fonte, recibo de consolidação dos débitos incluídos no Refis e “planilha resumo da situação dos impostos” Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator A ciência do Acórdão de 1ª instância deuse em 08/02/2012 (fl. 87) sendo o recurso voluntário apresentado em 09/03/2012. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento e passo à análise. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte principalmente os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoas físicas ou jurídicas, os rendimentos do trabalho não assalariado pagos por pessoa jurídica, os rendimentos de aluguéis e royalties pagos por pessoa jurídica e os rendimentos pagos por serviços entre pessoas jurídicas, tais como os de natureza profissional, serviços de corretagem, propaganda e publicidade. Tem como característica principal o fato de que a própria fonte pagadora tem o encargo de apurar a incidência, calcular e recolher o imposto em vez do beneficiário. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, como é o caso, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. Na declaração de ajuste anual, pode o contribuinte compensar o valor do imposto que haja efetivamente sido retido e recolhido pela fonte pagadora. Quando opta por realizar esta compensação, passa a ser responsável pelo valor do tributo compensado. No caso em particular, o contribuinte, pessoa física beneficiária dos rendimentos, é sócio responsável pela pessoa jurídica, que deveria efetuar a retenção e recolhimento do imposto (extrato do CNPJ na fl. 70). Assim, surge o instituto da solidariedade, conforme artigo 124, I, do CTN: ART. 124 – São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ainda, temos o art. 723 do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito, para deixar claro o “interesse comum” a se aplicar à solidariedade, no caso: Art.723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (Decreto Lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único.A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 115 5 gestão ou representação (Decreto Lei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Na linha acima, considerando que os sócios e acionistas controladores são responsáveis solidários pelo não recolhimento do imposto descontado na fonte, irretocável a glosa do IRRF na declaração do sócio quando a pessoa jurídica, fonte pagadora, não recolhe o IRRF aos cofres públicos, nos prazos devidos. Ora, o presente lançamento se aperfeiçoou com a ciência ao sujeito passivo da Notificação de Lançamento, em 13/04/2010 (fl. 54), sendo os atos de retificação da DCTF feitos após. Os pagamentos feitos pela empresa, referentes ao IRRF, após o início da presente ação fiscal não poderiam ser utilizados pelo contribuinte, pois a espontaneidade da empresa também estava suspensa, na forma do art. 7º, I e § 1º, do Decreto nº 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.(grifei) Ressaltese que no recibo de DCTF retificadora, referente ao ano calendário de 2007, consta como entregue em 12/05/2010. Assim, tanto a pessoa física beneficiária dos rendimentos quanto a pessoa jurídica que deveria ter efetuado a retenção e o recolhimento do IRRF não tinham mais a espontaneidade para retificar declarações e efetuar pagamentos, após o início do procedimento fiscal, sendo indevidas a retificação e os recolhimentos efetuados. Entendese que quando há o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, como é o caso, aqui anexado na folha 73, o beneficiário declarante eximese de responsabilidade. Mas, no caso, existe a solidariedade, uma vez que o mesmo é o responsável pela fonte pagadora e conseqüentemente deveria ter efetivamente efetuado o recolhimento do imposto retido. Cito os seguintes precedentes deste CARF: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRRF NÃO RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO SÓCIO DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Nos termos do artigo 8° do Decreto n°. 1.736, de 1979, são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre a renda descontado na fonte. Nesse caso, o IRRF não recolhido Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 116 6 aos cofres públicos pela fonte pagadora que incidiu sobre os rendimentos auferidos por sócio deve ser glosado da declaração de ajuste anual do sócio beneficiário dos rendimentos... (Acórdão 2102001.069 de 10/02/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2001 IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Recurso negado.(Acórdão 210201.501 de 24/08/2011) IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IR DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte na DIRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios, e/ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova da sua retenção e do seu efetivo recolhimento com documentação hábil e idônea.(Acórdão 2801 003.001 de 17/04/2013) IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento.(Acórdão 2201002.225 de 15/08/2013) Assim, entendo que a ação fiscal foi procedente, ante a constatação, não elidida pelo Recorrente, de que o imposto usado para compensação na DIRPF, no importe de R$ 3.666,78, não foi efetivamente recolhido aos cofres públicos, sendo responsável pelo mesmo o contribuinte pessoa física que o utilizou. O que se comprova nos autos é que apenas R$ 340,70 (trezentos e quarenta reais e setenta centavos) foram recolhidos.(fl 74) Apesar de constar que o valor de R$ 3.666,78 referese a “todos os beneficiários constantes da DIRF”, como grifado no Relatório, observo que todo ele foi utilizado apenas na DIRPF do aqui Recorrente e que na fl. 74, onde consta a ‘tela’ de sistema com o “batimento DIRFXDARF” apresentase apenas um beneficiário. Observo ainda, que na planilha de fl. 107, onde o contribuinte busca resumir a situação do que foi pago com o que era devido, a soma das colunas de “pago” com “refis” não é igual ao valor na coluna “devido”. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.720396/201017 Acórdão n.º 2801003.298 S2TE01 Fl. 117 7 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para considerar como imposto retido na fonte o valor de R$ 340,70 (trezentos e quarenta reais e setenta centavos, correspondente a cinco pagamentos de R$ 68,14) Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 35011.002536/2005-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
IMPRECISÕES DO LANÇAMENTO NÃO APRECIADAS PELO ÓRGÃO A QUO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revela a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, se tais questões não tiverem sido devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Inteligência do art. 5°, LV, da CF, e art. 142 do CTN.
Anulada Decisão de Primeira Instância
Numero da decisão: 2302-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 IMPRECISÕES DO LANÇAMENTO NÃO APRECIADAS PELO ÓRGÃO A QUO. CERCEAMENTO DE DEFESA. A manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revela a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, se tais questões não tiverem sido devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Inteligência do art. 5°, LV, da CF, e art. 142 do CTN. Anulada Decisão de Primeira Instância
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. A manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revela a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, se tais questões não tiverem sido devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Inteligência do art. 5°, LV, da CF, e art. 142 do CTN. Anulada Decisão de Primeira Instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 25 36 /2 00 5- 38 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.002536/200538 Acórdão n.º 2302002.971 S2C3T2 Fl. 465 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 102/105), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), lavrada em substituição a NFLD DEBCAD n° 35.546.8450, lavrada em 29/08/2003, declarada nula por vicio formal, que consigna contribuições sociais previdenciárias correspondentes à parte dos segurados empregados (não descontada) e à parte do órgão público, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, previstas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Conforme Relatório Fiscal (fls. 23/29), o crédito, relativo às competências 12/1998 e 13/1998, referese às contribuições incidentes sobre os serviços prestados pelos segurados contratados sob a égide do regime jurídico dos servidores admitidos em caráter temporário — Lei n° 1.674, de 10 de dezembro de 1984, e dos contratados para ocupar exclusivamente cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, ainda não reconhecidos pelo Estado do Amazonas — Assembléia Legislativa como filiados ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Conforme o mesmo relatório, tanto os servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, quanto os servidores contratados sob regime temporário são enquadrados no RGPS, por força do disposto no artigo 40 da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 15 de dezembro de 1998. Fundamentam o presente lançamento, além dos dispositivos mencionados no Relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 11/12), o artigo 15,1, da Lei n° 8.212, de 1991. O auditor notificante informa (fls. 28) que foi analisada a defesa interposta contra a NFLD substituída, a qual não apresentou elementos novos que pudessem ensejar a retificação do débito. Informa ainda (fls. 28) que, para a constituição deste lançamento, foram examinadas as Folhas de Pagamento dos segurados temporários, contratados sob a égide da Lei 1.674, de 1984, e dos contratados para ocupar exclusivamente cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, Fl. 462DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 ainda não reconhecidos pelo Estado do Amazonas —Assembléia Legislativa como filiados ao RGPS, identificados em seu controle interno como "Quadro Temporário, Quadro Comissionado e Quadro Comissionado — Gabinete", Notas de Empenho, Notas de Liquidação de Despesas, Ordens Bancárias e Registros Contábeis do período fiscalizado. O contribuinte teve ciência da notificação em 26/10/2005, na pessoa do Subprocurador Geral do Estado, tendo apresentado impugnação em 09/11/2005, juntada aos autos As fls. 34/45, na qual, alega, em síntese, o que segue. Afirma que os servidores estaduais contratados sob a égide da Lei Estadual n° 1.674, de 1984, possuem vinculo com o Instituto Previdenciário do Estado do Amazonas (IPEAM) desde muito antes da EC n° 20, de 1998. Diz que o Estado do Amazonas sentese ofendido em sua autonomia, não reconhecendo constitucionalidade na EC n° 20, de 1998 no que pertine à obrigatoriedade de filiação de seus antigos servidores especiais, contratos pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, cujas peculiaridades não podem deixar de ser reconhecidas. Explica que estes funcionários prestam serviço ao Estado sob vinculo de natureza administrativa, que vem sendo reconhecido pelos tribunais, conforme decisões que transcreve. Informa que estes servidores pertencem agora ao quadro suplementar, identificados nas folhas de pagamento como "VINCULO C", possuindo direitos e deveres definidos pelo Estatuto do Funcionário Público Estadual (Lei Estadual n° 1.762, de 14 de novembro de 1986), inclusive quanto à aposentadoria. Afirma que, por meio da Lei Estadual n° 2.624, de 22 de dezembro de 2000, os servidores então pertencentes ao Regime Especial, instituído pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, receberam prerrogativas e deveres dos servidores estatutários, definidas pelo art. 30 daquela Lei. Transcreve alguns trechos da referida norma. Argúi, com base nos artigos 18 e 24 da CF/88 que os Estados da Federação possuem competência privativa para regular sua própria organização e afirma a necessidade de reforma da decisão administrativa que, em afronta direta ao disposto nos referidos artigos da CF/88, deixa de atribuir validade aos servidores amparados pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, até porque os mesmos, por força da Lei Estadual n° 2.624, de 2000, não mais formam relação precária e temporária com o Estado do Amazonas. Discorre acerca da inconstitucionalidade do § 13 do art. 40 da CF/88, na redação dada pela EC n° 20, de 1998, e da possibilidade de declaração de inconstitucionalidade em sede administrativa. Por fim, pede o conhecimento da impugnação e seu julgamento procedente para efeito de cancelar a NFLD. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.002536/200538 Acórdão n.º 2302002.971 S2C3T2 Fl. 466 5 Às fls. 48, consta solicitação do ProcuradorGeral do Estado para que fosse procedida a revisão fiscal do lançamento, a qual foi indeferida pela Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário, conforme despacho às fls. 50. Às fls. 52/54, consta requerimento de diligência, datado de 03/10/2006, o qual solicita o pronunciamento da autoridade lançadora a respeito da adequação ao caso concreto (servidores contratados sob a égide da Lei n° 1.674, de 1984) em relação ao conteúdo do Parecer CJ n° 3.333, de 2004, e a anexação de cópias das leis mencionadas. Às fls. 57/59, consta informação fiscal, segundo a qual os servidores admitidos sob amparo da Lei n° 1.674, de 1984, em caráter temporário, são classificados no RGPS, aplicandose o disposto no § 13 do art. 40 da CF/88, por serem segurados cuja natureza de atribuições de cargos e funções é temporária. A autoridade fiscal considera que, de acordo com o art. 1° da Lei no 1.674, de 1984, tratase de servidores admitidos em caráter temporário, não cabendo buscar apoio no previsto no caput do art. 40 da CF/88 para colocálos como beneficiários do regime próprio de previdência do Estado do Amazonas. Entende que os servidores admitidos através da referida Lei não se enquadram no disposto no item "h" do Parecer CJ n° 3.333, de 2004, mas no item "c", que se reporta ao § 13 do art. 40 da CF/88, referindose a servidores não estabilizados, que não cumpriram o interregno de cinco anos previsto no art. 19 do ADCT, quando a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja temporária, aplicandose assim o RGPS. Entende também que as disposições da Lei n° 2.624, de 2000, que transformou em cargos as funções temporárias dos servidores admitidos sob a Lei n° 1.674, de 1984, não se sustentam, por não terem respaldo na CF/88 e nem do Parecer CJ n° 3.333, de 2004, que não distingue cargos e funções ocupados por servidores para classificálos no regime próprio ou no regime geral. Anexa, às fls. 60/89, cópias das Leis Estaduais n° 1.674, de 1984, 1.762, de 1986, 2.607, de 2000, e 2.624, de 2000. Da informação fiscal foi dada ciência ao contribuinte em 10/04/2007, conforme cópia de Aviso de Recebimento (AR), as fls. 93, não tendo o mesmo se manifestado. A DRJ, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 101/108). A recorrente foi intimada da decisão em 28/02/2008 (fls. 111), apresentado Recurso Voluntário em 31/03/2008 (fls. 112/119), no qual alega: 1. os servidores estavam amparados por Regime Próprio de Previdência; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 2. são ilegítimas as contribuições referentes às competências 12 e 13 de 1998, por não observância do art. 195, parágrafo 6° da Constituição; 3. há presença de servidores efetivos no quadro comissionados; 4. não foi observado o limite máximo do saláriode contribuição; 5. não foi deduzido o valor referente ao saláriofamília; 6. deve ser excluído o nome dos Procuradores da relação de co responsáveis. Remetidos os autos a este Conselho e distribuídos os autos à esta 2ª Turma Ordinária, foi emitida a Resolução n° 230200.027 (fls. 184/186), determinandose diligência para que fosse analisada a documentação juntada em recurso (leis estaduais); para que fossem apreciadas a validade, a vigência, a regularidade do Regime Próprio, bem como a possibilidade de enquadramento dos segurados incluídos na presente NFLD no Regime do Estado do Amazonas. Tal análise seria relevante, pois interfere no cálculo relativo ao 13° salário de 1998, se proporcional ou integral. Também se determinou que fosse analisada a documentação juntada pela recorrente relativo ao argumento de servidores efetivos e dedução do salário família. Em cumprimento às solicitações supra referidas, a ilustre autoridade fiscal fez pormenorizada análise dos autos, emitindo a Informação Fiscal de fls. 190/192 e manifestando entendimento pelas retificações apontadas na Planilha de fls. 199/200. Às fls. 439/446 consta manifestação da recorrente sobre a diligência fiscal. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.002536/200538 Acórdão n.º 2302002.971 S2C3T2 Fl. 467 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Exposto, o caso concreto, é de se notar que, do resultado da diligência efetuada, o fisco manifestouse pela retificação do crédito lançado. Todavia, não foi procedida pela fiscalização a citada retificação, apenas foi informado ao sujeito passivo que alguns valores lançados deveriam efetivamente ser excluídos da notificação. Em que pese este colegiado ter competência para julgar recursos em segunda instância administrativa, temos, de fato, uma ampla manifestação da autoridade fiscal sobre o lançamento que não foi analisada na decisão de primeira instância, que dá procedência total ao lançamento, quando a diligência solicitada admite que o crédito lançado deva ser retificado. Assim, a manifestação da autoridade fiscal, que leva à retificação do lançamento e ao esclarecimento de seus fundamentos fáticos e de direito, revelou a ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte, pois tais questões não foram devidamente apreciadas no julgamento de primeira instância. Portanto, urge que a decisão de primeira instância seja reformada, para que haja decisão do órgão a quo sobre a ampla manifestação da autoridade lançadora, em especial sobre a retificação proposta. Pelo exposto, voto por anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, quanto à falta de análise de matéria controversa trazida na impugnação, considerando o resultado da diligência e a manifestação da recorrente, com posterior reabertura de prazo recursal. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 466DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.913512/2009-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 12 /2 00 9- 26 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 15/03/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência novembro de 2003, com débitos de COFINS referentes a fevereiro de 2006, no valor total de R$ 2.344,85. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2004.11954220 de 13/02/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 25.34.10.65.49. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913512/200926 Acórdão n.º 3803004.644 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913512/200926 Acórdão n.º 3803004.644 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 12045.000457/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 25/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 57 /2 00 7- 61 Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 205 01.398, proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 02 de dezembro de 2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo a sua ementa: “DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicílio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicílio eleito. Processo Anulado.” Segundo a Fazenda Nacional, o aresto recorrido merece ser reformado por ter contrariado a prova dos autos e a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2º do CTN; arts. 9, §2º, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto 70.235/72, e, ainda, arts. 2º, IX e 22, da Lei n.º 9.784/99. Na parte em que entende ter havido violação à prova dos autos, observa que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do lançamento sob a argumentação de que a decisão final do Tribunal Regional Federal determina a anulação dos atos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000457/200761 Acórdão n.º 9202002.954 CSRFT2 Fl. 9 3 Diz que o equívoco do julgado recorrido foi reputar que a decisão final do TRF da 2 Região, proferida em 15 de agosto de 2007, de natureza eminente declaratória, poderia anular atos então praticados validamente. Argumenta que, como o pedido formulado na ação judicial foi exclusivamente declaratório, dele não se pode extrair nenhuma consequência de invalidação, já que os provimentos declaratórios apenas ocasionam a certificação. Quanto à violação aos art. 127, §2º do CTN e art. 9, §2º do PAF, considera que os elementos constantes do caderno processual evidenciam que existiram motivos suficientes e legítimos para a recusa do domicílio fiscal da contribuinte. Sustenta que, à luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da NFLD, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Registra que o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, se posicionou no sentido que a recusa do domicílio ou lavratura de auto de infração por autoridade diversa do domicilio tributário eleito não constitui hipótese para declarar a nulidade do lançamento. Sobre a violação dos arts. 11,59 c/c 60,61, do Decreto n.s 70.235/72, considera que, ainda que se possa cogitar de eventual vício na autuação, esse não se mostra apto a determinar a nulidade da NFLD. Entende que a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Frisa que todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Ressalta que o contribuinte demonstrou ter pleno conhecimento da origem do débito, tanto que o rebate de forma bem minuciosa, detalhando, inclusive, ponto a ponto suposto erro existente na base de cálculo do tributo. Observa que a jurisprudência do CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, como ocorre no caso presente, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos da Informação de fls. 937/943, foi negado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou agravo às fls. 947/953. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos do Despacho n.º 2401149/2009, foi acolhido o pedido de reexame do recurso em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Preliminarmente afirma que, nos termos do art. 67, §2° do Anexo II do Regimento, o recurso da Fazenda deve ser inadmitido, uma vez que o acórdão recorrido, proferido pela C. Quinta Câmara, apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo do procedimento fiscal. Em seguida frisa que, em que pese a tentativa insistente do Recorrente em afirmar que a sede da Recorrida é no Centro do Rio onde funciona uma de suas mais antigas filiais, o próprio Contrato Social devidamente registrado atesta sua sede em Rio das Flores, Volta Redonda, sendo lá seu domicílio fiscal. Destaca que o CARF chancelou, em seus vários julgamentos, que a aferição indireta, instrumento do qual se valeu a Recorrente no caso, só tem sede e razão de existir se houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o que, decididamente, não ocorreu, pois a Recorrida disponibilizou, sim, todos os dados necessários em seu domicílio fiscal em Rio das Flores, insistindo a Fiscalização em identificálos na filial do Rio de Janeiro. Diz que toda a temática envolvendo o efetivo domicílio da empresa foi levada ao crivo do Poder Judiciário nos autos da ação ordinária n.º 2003.51.01.0224300, declarandose a sede como domicílio fiscal por decisão judicial já transitada em julgado, sendo na oportunidade a Fiscalização devidamente informada pela empresa do seu domicílio. Afirma que não há como a Recorrente atacar os fundamentos adotados pelo acórdão em relação à aplicação do art. 127, §2º do CTN, porque a decisão judicial colegiada já dispôs definitivamente sobre a matéria. Aponta que o erro no procedimento não se deu simplesmente porque a autoridade não era competente, mas porque a dita autoridade (in)competente se dirigiu a outro endereço que não o do domicílio fiscal da empresa. Argumenta que o aresto do E. STJ citado pela Recorrente em suas razões recursais (RESP 893616) não se aplica ao presente caso. Naquele julgamento, a empresa interessada pretendia anular o procedimento fiscal por ter tramitado processo perante a autoridade incompetente. No presente caso, por outro lado, a Recorrida não foi fiscalizada em seu domicílio fiscal, por isso a fiscalização não encontrou a documentação que sempre lhe esteve à disposição, e por isso procedeu irregularmente à aferição indireta. Entende que a nulidade arguida e reconhecida no julgamento da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes está embasada exatamente no texto legal, ou seja, não houve qualquer infração aos dispositivos legais suscitados pela Fazenda, sendo o prejuízo arcado somente pela Recorrida que se submeteu a flagrante cerceamento de defesa. Frisa que a Fiscalização tinha conhecimento do domicílio da empresa, assim como do fato de que todos os documentos estavam em sua sede em Rio das Flores. Ao final, requer o não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000457/200761 Acórdão n.º 9202002.954 CSRFT2 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7o e do art. 9o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à Io de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7 o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. O recurso é tempestivo e examinandose o recurso especial apresentado verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.0224300 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Tratase de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juízo da 19* Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: "MJ. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 Rio da Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicílio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizála na sua filial, situada na Rua São José, n" 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindolhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Daí o pedido. (...) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, §2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercido da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude dc mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III— Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera adrriinistrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000457/200761 Acórdão n.º 9202002.954 CSRFT2 Fl. 11 7 Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilibrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÂJUO CUSTEIO NFLD DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado " (Acórdão CARF n° 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Memteiro e Silva Vieira) Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10882.902894/2008-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 94 /2 00 8- 13 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 159 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 160 3 o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 161 4 empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 162 5 “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 163 6 “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 164 7 incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 165 8 Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 166 9 É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 167 10 O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 168 11 “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 169 12 Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 170 13 formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 171 14 comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902894/200813 Acórdão n.º 9303002.496 CSRFT3 Fl. 172 15 Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10830.000390/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PERC. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. DEDUÇÃO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES.
A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindo-se as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. A ausência delas no momento da opção não é defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori.
Numero da decisão: 1302-001.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PERC. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. DEDUÇÃO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindo-se as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. A ausência delas no momento da opção não é defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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PERC Recorrente ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS S/A Recorrida FAZENDA NACONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PERC. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. DEDUÇÃO. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindose as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. A ausência delas no momento da opção não é defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 03 90 /2 00 8- 64 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 351 2 Relatório ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0531.660, de 15 de Dezembro de 2010, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP., recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal – PERC, tendo em vista que não teria cumprido os requisitos previstos no art. 9º da Lei nº 8.167/1991, no anocalendário (2005) em que efetuou a opção pelo incentivo destinado ao FINAM em sua Declaração de Imposto de Renda. Irresignada, tempestivamente apresentou sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Ao descrever os fatos, assevera ter informado sua opção por destinar parcela do IRPJ referente aos meses de setembro e outubro do anocalendário de 2005 ao Fundo de Investimento da Amazônia – FINAM, para posterior aplicação dos recursos em investimentos regionais. Acrescenta ter recolhido as importâncias de R$ 6.642.664,75 e R$ 5.475.697,28, relativas aos períodos de setembro e outubro de 2005, respectivamente, em DARF com código 9032, que identifica as importâncias do IRPJ destinados a FINAM pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime de recolhimento do imposto por estimativa, bem como ter manifestado sua opção irretratável pela participação do programa FINAM quando da entrega da DIPJ do anocalendário de 2005 situação especial. Na seqüência, argumenta que: o direito de ingresso da Requerente no programa FINAM está pautado na disposição contida no art. 9º, § 4º da Lei nº 8.167/91, que autoriza expressamente os novos acionistas de empresas já detentoras de projetos anteriormente aprovados pelo Ministério da Integração Nacional a se beneficiarem, da mesma forma, do referido incentivo, revertendo os recursos para os projetos de terceiros; devem ser obedecidos alguns requisitos, em especial, a existência de um projeto de terceiro préaprovado e a participação mínima de 5% do novo sócio no capital da pessoa jurídica; no caso concreto, a Requerente adquiriu 727.016 ações preferenciais emitidas pela empresa SIMARA – Siderúrgica Marabá S . A . (atual SINOBRÁS – Siderúrgica Norte Brasil S/A) que representavam 5,66% de seu capital social (doc. 5, fls. 258); o ingresso da Requerente nos projetos beneficiários do FINAM como acionista da empresa SIMARA foi aprovado pelo Ministério de Integração Nacional em despacho emitido pelo Ilmo. Sr. Gerente de Projetos do referido órgão em 31 de janeiro de 2006 (doc. 06 , fls. 260); Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 352 3 apesar disso, foi emitido Extrato não reconhecendo a sua opção, o que ensejou a apresentação do Pedido de Revisão (PERC), o qual foi indeferido pelo Despacho ora impugnado. Defende, então, o cumprimento a todos os requisitos impostos pela Legislação para Participação do Programa de Incentivo FINAM, iniciando por breve histórico e fundamentos do programa de incentivo FINAM e sintetizando os requisitos para a participação de novo acionista no programa FINAM e FINOR., como segue: I – o novo acionista deve deter a participação mínima de 5% (...) do capital social da pessoa jurídica; II – os demais integrantes do grupo societário da pessoa jurídica com projeto aprovado não devem ter apresentado, nos dois últimos exercícios, capacidade de geração de incentivo compatível com os compromissos financeiros assumidos por ocasião da aprovação do projeto; III – o novo acionista deve garantir os recursos dos incentivos antes previstos, em substituição aos demais integrantes do grupo; IV – a pessoa jurídica coligada deve possuir projeto aprovado pelo Ministério da Integração antes da edição das Medidas Provisórias nºs 2.19914 e 2.1575/01. Sob título “da existência de projeto préaprovado na região do FINAM – da possibilidade de participação em projetos de terceiros”, argumenta que duas foram as razões para indeferimento do PERC pela DRF: (i) a primeira, específica, relacionada à inexistência de projeto próprio na região incentivada e (ii) a segunda, genérica decorrente do descumprimento das condições impostas pelas Medidas Provisórias nºs 2.19914, 2.1565 e 2.1575. Reconhece não possuir projeto em seu nome na região incentivada pelo FINAM e alega que o projeto para o qual a requerente visa a reverter os valores de IRPJ recolhidos é de titularidade da empresa coligada SIMARA – hipótese que defende estar amparada pelo art. 9º da Lei nº 8.167/91, transcrevendo seu § 10. Acrescenta que: quando da análise do PERC apresentado, o Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos – DGFI da Gerência Regional de Belém parece ter ficado adstrito à verificação da participação direta da Requerente no FINAM, deixando de examinar a situação da empresa SIMARA, na qual a requerente possui participação acionária e que é titular de projeto de infraestrutura aprovado pelo Ministério da Integração Nacional; se esta pesquisa tivesse sido realizada, o DGFI concluiria pela existência de projeto aprovado, como reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional no despacho da Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos – UGFIN do Ministério da Integração Nacional (doc. 11, fls. 279). Aborda o atendimento às demais condições estabelecidas na legislação para fruição do incentivo, alegando existir vício na decisão recorrida, porque a Delegacia se furtou da obrigação de indicar quais as condições ou requisitos que deixaram de ser cumpridos, fazendo apenas uma alegação genérica de descumprimento, ensejando cerceamento de direito de defesa, uma vez que a requerente não conhece com exatidão as razões pelas quais as infrações lhe estão sendo imputadas. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 353 4 Busca, então, demonstrar o cumprimento de todas as condições impostas na Lei nº 8.167/91, como segue: quanto ao requisito da existência de projeto próprio ou de terceiro aprovado pelo Ministério da Integração antes da edição das MP 2.19914 e 2.1575/01, reitera que a SIMARA, empresa coligada da Requerente, é detentora de projeto aprovado anteriormente à edição das referidas MP; quanto à sua participação na empresa SIMARA, assevera que, atendendo expressamente a esta condição, em 2005 a requerente adquiriu 727.016 ações preferenciais classe B nominativas da empresa SIMARA (doc. 05, fls. 258), sendo o patrimônio acionário da requerente na SIMARA equivalente a 5,66% do capital social; quanto à necessidade de comprovação, para ingresso de novo acionista, de que os acionistas anteriores não tivessem revertido valores ao FINAM nos dois anos anteriores, assevera que a empresa SIMARA e seus antigos acionistas não apuraram lucro real nos anoscalendário de 2005 e 2006, tendo desta forma, impossibilitado a destinação dos recursos ao projeto de investimento na região do FINAM – condição cujo cumprimento foi atestado pelo Ministério da Integração Nacional quando da análise do pedido de inclusão da requerente como acionista da SIMARA; quanto à garantia pelo novo acionista da capacidade de gerar recursos para o FINAM, reportase a recolhimentos sob código 9032. Sob o título “Da aprovação da participação da Requerente no Programa de Incentivo FINAM pelo Ministério da Integração Social”, reportase novamente ao Ofício nº 37 de fls. 260 pelo qual a empresa SIMARA foi informada do deferimento de seu pleito de ingresso da Elektro como acionista, e transcreve Parecer que teria ensejado referido Ofício. Finaliza requerendo a reforma do Despacho Decisório e o deferimento da ordem de emissão de incentivos fiscais. A 5ª Turma da DRJ em Campinas/SP. analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0531.660, de 15 de Dezembro de 2010 (fls. 290), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVO FISCAL. PERC. FINAM. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS. Não superada a motivação indicada no Despacho Decisório para indeferimento do PERC, mediante comprovação do enquadramento no art. 9º da Lei 8.167/91, no período da opção pelo investimento, mantémse o indeferimento do pedido de revisão. Analisando os argumentos da interessada, a turma julgadora da DRJ Campinas observou que, em face da legislação vigente no anocalendário 2005, somente aquelas empresas que detinham projetos próprios nas áreas de aplicação de recursos e/ou participação como acionista (51% do capital votante) em projetos incentivados estavam autorizadas a fazer a opção e que a situação excepcional prevista no § 10 do art. 9º da Lei nº 8.167/1991, mediante o ingresso no quadro societário de empresa detentora de projeto aprovado, dependia de autorização prévia do Ministério da Integração Nacional. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 354 5 No caso concreto, entendeu o acórdão recorrido que a interessada não detinha projetos próprios e tampouco comprovou que estava autorizada pelo Ministério da Integração Nacional, no momento da opção, a ingressar no quadro societário da empresa SIMARA que possuía projetos próprios na área incentivada, indeferindo a manifestação de conformidade. Ciente da decisão de primeira instância em 16/09/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 307, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/10/2011. Alega, preliminarmente, que o acórdão recorrido, ao simplesmente afirmar que a recorrente não teria atendido às condições previstas nas Medidas Provisórias 2.199/14, 2156 e 2157/2001, deixou de indicar quais não teriam sido cumpridas pela recorrente, fazendo apenas um alegação genérica de descumprimento, o que resultaria em cerceamento do direito de defesa, uma vez que não foi dado conhecimento das razões pelas quais as infrações lhe estão sendo imputadas. No mérito, repete em grande parte os argumentos trazidos na sua manifestação de inconformidade, aditando os argumentos abaixo sintetizados: a) Que a pesquisa realizada pela unidade da Receita Federal junto ao Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos – DGFI da Gerência Regional de Belém deixou de examinar a situação da empresa Simara, na qual possui participação societária, e que é titular do projeto de infraestrutura aprovado pelo Ministério da Integração Nacional; b) Que comprovou que o Ministério de Integração Nacional reconheceu que a empresa SIMARA era detentora de projeto aprovado na região incentivada e que foi autorizada a admitir a interessada no seu quadro societário, nos moldes previstos no art. 9º, § 10 da Lei nº 8.167/1991; c) Que comprovada a existência de projeto de infraestrutura de empresa coligada da recorrente é perfeitamente legítima sua participação no programa FINAM, mediante a destinação de recursos ao projeto de terceiro; d) Que optou pelo direcionamento de parcela do valor do imposto para aplicação em quotas do FINAM, em caráter excepcional, como novo acionista que ingressa com participação mínima de 5% no capital social de pessoa jurídica que já detinha projeto aprovado, atendendo aos requisitos previstos no § 10 do art. 9º da Lei nº 8.167/1991; e) Que o acórdão recorrido se equivoca ao afirmar que não foi comprovado que a recorrente detinha autorização do Ministério da Integração Nacional para ingressar como acionista da empresa SIMARA, pois o pedido foi deferido integralmente pelo órgão competente, conforme Ofício nº 037 do GerenteGeral da Unidade de Gerenciamento do Fundo de Investimentos; f) Que o Ministério da Integração, que aprovou a participação da recorrente na empresa SIMARA verificou pontualmente o atendimentos das condições para ingresso como novo acionista, entre eles: a insuficiência de destinação de recursos dos acionistas anteriores, a existência de um projeto préaprovado, a participação da no capital da empresa investida em percentual mínimo e a declaração de destinação de parte dos recursos do IRPJ ao FINAM; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 355 6 g) Que a competência para autorização de ingresso de acionista em empresa detentora de projeto aprovado é do Ministério da Integração Nacional, o que atesta a regularidade do procedimento da recorrente, uma vez que foi comprovada a autorização por aquele órgão, não existindo motivo de indeferimento do PERC pela Receita Federal; h) Que no que tange a questão relativa ao momento em que a recorrente obteve a mencionada autorização, mesmo que a aplicação no FINAM tenha sido realizada no curso do anocalendário, é evidente que a autorização do Ministério da Integração Nacional veio convalidar a opção já realizada pela recorrente, nos termos do art. 55 da Lei nº 9.78499. i) Que não é aplicável ao caso a Súmula nº 37 do CARF , como fez o acórdão recorrido; e j) Que não houve nenhum prejuízo ao Poder Público com toda a transação. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido e que seja deferido o PERC, conforme apresentado. É o Relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 356 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais; assim, dele conheço. A recorrente alega em preliminar a nulidade da decisão recorrida tendo em vista que ao simplesmente afirmar que a recorrente não teria atendido às condições previstas nas Medidas Provisórias 2.199/14, 2156 e 2157/2001, deixou de indicar quais não teriam sido cumpridas, e que teria feito apenas um alegação genérica de descumprimento, o que resultaria em cerceamento do direito de defesa, uma vez que não foi dado conhecimento das razões pelas quais as infrações lhe estão sendo imputadas. Não assiste razão à recorrente. O acórdão recorrido analisou extensamente a legislação aplicável ao caso dos autos e a documentação a ele acostada, deixando claro em suas conclusões que a recorrente não possuía, no momento da opção, as condições exigidas para a opção pelo incentivo fiscal, qual seja: ser detentora de projeto próprio na região incentivada pelo FINAM, o que a própria recorrente reconhece não possuir, e/ou a participação societária mínima exigida pela Lei em empresa detentora de projeto, devidamente autorizada pelo Ministério da Integração Nacional. Assim rejeito a alegação de nulidade do acórdão recorrido. Com relação ao mérito, a discussão centrase no fato da recorrente ter efetuado a opção pelo incentivo fiscal no FINAM, destinando ao Fundo parte do Imposto de Renda apurado no anocalendário 2005, antes mesmo da empresa detentora do projeto incentivado aprovado (SIMARA) receber a autorização do Ministério da Integração Nacional para admitila como sócia, no percentual mínimo de 5% de suas ações. Alega a recorrente que uma vez autorizado o seu ingresso no quadro societário da empresa detentora do projeto restou convalidada a sua opção pelo incentivo fiscal na sua DIPJ. Para melhor compreensão da controvérsia, julgo importante resgatar a análise da legislação aplicável feita com bastante propriedade pelo acórdão recorrido, in verbis: No Despacho Decisório ora questionado, o pedido de revisão formulado pela pessoa jurídica interessada foi indeferido sob fundamento de não se enquadrar a Requerente no disposto no artigo 9º da Lei nº 8.167/91. As disposições desse artigo 9º foram ressalvadas de revogações a teor do art. 18 da Medida Provisória 2.19914, de 24/08/2001, bem como de previsões contidas nas Medidas Provisórias 2.156 e 2.157, de 2001, que extinguiram a Sudene e a Sudam, tendo origem e reedições a seguir resumidas: [...] Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 357 8 No presente caso, é citado no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 04) o artigo 18 da Medida Provisória nº 2.19914, de 24/08/2001, que dispôs: Art. 18. Revogase o art. 4o da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, ressalvado o disposto nos arts. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória no 2.1565, e 32, inciso IV, da Medida Provisória no 2.1575, ambas de 24 de agosto de 2001. O artigo 4º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que fora revogado, assim dispunha: Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º Os recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 4º A liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 9º da Lei n.º 8.167, de 16 de janeiro de 1991, será feita à vista de DARF específico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 358 9 § 6º Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) em relação às empresas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) b) pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 7º Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 8° Fica vedada, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2014, a opção pelos benefícios fiscais de que trata este artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Já o artigo art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, cujo direito nele previsto foi ressalvado da revogação efetivada pelos artigos 32 das Medidas Provisórias no 2.1565 e 2.1575, de 2001, assim prescreve: Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o, inciso I. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 1o Na hipótese de que trata este artigo, serão obedecidos os limites de incentivos fiscais constantes do esquema financeiro aprovado para o projeto, o qual, além de ajustado ao orçamento anual dos Fundos, não incluirá qualquer parcela de recursos para aplicação na conformidade do art. 5o desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2o Nos casos de participação conjunta, será obedecido o limite mínimo de vinte por cento do capital votante para cada pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas, a ser integralizado com recursos próprios. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º O limite mínimo de que trata o parágrafo anterior será exigido para as opções que forem realizadas a partir do exercício seguinte ao da entrada em vigor desta lei. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 359 10 § 4o Relativamente aos projetos de infraestrutura, conforme definição constante do caput do art. 1o da Lei no 9.808, de 20 de julho de 1999, bem como aos considerados estruturadores para o desenvolvimento regional, assim definidos pelo Poder Executivo, tomando como base os planos estaduais e regionais de desenvolvimento, o limite de que trata o § 2o deste artigo será de cinco por cento. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 5o O disposto no § 1o do art. 1o da Lei no 9.808, de 1999, será realizado somente na forma deste artigo ou, excepcionalmente, em composição com recursos do art. 5o desta Lei, mediante subscrição de debêntures conversíveis em ações, a critério do Ministério da Integração Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 6o Excepcionalmente, apenas para os casos de empresas titulares dos projetos constituídas na forma de companhias abertas, serão mantidas as regras vigentes no inciso II do § 2o do art. 1o da Lei no 9.808, de 1999. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 7o Consideramse empresas coligadas, para fins do disposto neste artigo, aquelas cuja maioria do capital votante seja controlada, direta ou indiretamente, pela mesma pessoa física ou jurídica, compreendida também, esta última, como integrante do grupo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 8o Os investidores que se enquadrarem na hipótese deste artigo deverão comprovar capacidade de aportar os recursos necessários à implantação do projeto, descontadas as participações em outros projetos na área de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, cujos pleitos de transferência do controle acionário serão submetidos ao Ministério da Integração Nacional, salvo nos casos de participação conjunta minoritária, quando observada qualquer das condições previstas no § 9o. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 9o A aplicação dos recursos das pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que se enquadrarem na hipótese deste artigo será realizada: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I quando o controle acionário ocorrer de forma isolada, sob a modalidade de ações ordinárias ou preferenciais, observadas as normas das sociedades por ações; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) II nos casos de participação conjunta minoritária, sob a modalidade de ações ou debêntures conversíveis em ações. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 10. O Ministério da Integração Nacional poderá, excepcionalmente, autorizar o ingresso de novo acionista com a participação mínima exigida nos §§ 2o, 4o e 6o, deduzidos os Fl. 359DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 360 11 compromissos assumidos em outros projetos já aprovados pelas extintas SUDENE e SUDAM, com o objetivo de aplicação do incentivo na forma estabelecida neste artigo, desde que a nova participação acionária minoritária venha a garantir os recursos de incentivos anteriormente previstos, em substituição às deduções de pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas que: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I esteja em processo de concordata, falência ou liquidação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 2.21637, de 31.8.2001) II não tenha apresentado, nas declarações de imposto sobre a renda dos dois últimos exercícios, capacidade de geração de incentivo compatível com os compromissos assumidos por ocasião da aprovação do projeto, com base em parecer técnico da SecretariaExecutiva da respectiva Superintendência de Desenvolvimento Regional extinta. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 11. Nas hipóteses de fusão, incorporação ou cisão de pessoa jurídica titular de participação acionária, o direito à utilização do incentivo, na forma estabelecida neste artigo, será automaticamente transferido à pessoa jurídica sucessora, que deverá manter o percentual de que tratam os §§ 2o, 4o e 6o deste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 12. Os recursos deduzidos do imposto sobre a renda para aplicação em projeto próprio, conforme estabelecido neste artigo, deverão ser aplicados até 31 de dezembro do segundo ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder a opção, sob pena de reversão ao Fundo respectivo com a correspondente emissão de quotas em favor do optante. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 13. O prazo de que trata o § 12 poderá ser prorrogado, a critério do Ministério da Integração Nacional, quando a aplicação dos recursos estiver pendente de decisão judicial ou administrativa. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 14. A aplicação dos recursos na modalidade prevista neste artigo não poderá ultrapassar sessenta por cento do valor do investimento total previsto no projeto ou, excepcionalmente, setenta por cento para o caso de projetos de infraestrutura, a critério do Ministério da Integração Nacional, obedecidos aos limites de incentivos fiscais constantes do Calendário de Inversões e Mobilização de Recursos Aprovado. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Assim, não é toda e qualquer pessoa jurídica que no anocalendário ora em análise (2005) poderia optar pela aplicação de parcela do IRPJ nos fundos de investimento (FINOR, FINAM e FUNRES), pois somente aquelas empresas que detinham projetos próprios nas áreas de aplicação de recursos e/ou participação como acionista (51% do capital votante) em projetos incentivados estavam autorizadas a fazer a opção. As condições excepcionais previstas no parágrafo 10 do Fl. 360DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 361 12 art. 9º acima transcrito condicionase à autorização do Ministério da Integração Nacional, o qual, em resposta a questionamento da autoridade da DRF, informou que a empresa ora interessada não participou de projeto próprio, na região incentivada pelo Fundo de Investimento da Amazônia – FINAM, até a data das Medidas ProvisóriasMPs 2.19914, 2156 e 2157, todas de 24 de agosto de 2001, bem como não chegou a atender às condições das citadas MPs. Na verdade, até 02/05/2001, a aplicação de parte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica em investimentos regionais estava ao alcance de quaisquer pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. Contudo, com a publicação da MP 2.12809, de 26/04/2001 e MP 2.145, de 02/05/2001, a partir de 03/05/2001 a aplicação nos fundos de Investimentos Regionais passou a ser restrita às pessoas jurídicas de que trata o art. 9º da Lei n.º 8.167, de 1991, ou seja, àquelas detentoras de pelo menos 51% do capital votante de sociedade titular de projetos com pleitos aprovados, no órgão competente, até 02/05/2001 e enquadrados em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional. A Instrução Normativa SRF n.º 267, de 23 de dezembro de 2002, ao dispor sobre o assunto na Seção I do capítulo VII, Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais, mencionando como detentoras do referido direito somente as pessoas jurídicas com projetos aprovados nos termos do art. 9º da Lei n.º 8.167, de 1991, confirma o entendimento de que as empresas sem projeto deixaram de ter a opção de destinar parcela do imposto devido para aplicações em investimentos regionais: INSTRUÇÃO NORMATIVA No. 267 DE 23 /12 /2002 Art. 105. A pessoa jurídica que tiver projetos aprovados e em implantação nos termos do art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, gozarão do direito de aplicar parcelas do imposto nos Fundos de Investimentos Regionais, nos termos do disposto neste Capítulo. § 1º A aplicação fica assegurada até o final do prazo previsto para a implantação do projeto, desde que a pessoa jurídica tenha exercido o direito até 2 de maio de 2001 e o projeto esteja em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. § 2º A opção poderá ser manifestada na DIPJ ou no curso do anocalendário nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado apurado mensalmente ou no lucro real apurado trimestralmente. § 3º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de Darf específico, de parte do imposto de valor equivalente a até: I dezoito por cento, para o Finam e 25% (vinte e cinco por cento), para o Fundo de Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Funres), a partir de 1º janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II doze por cento, para o Finam e dezessete por cento, para o Funres, a partir de 1º janeiro de 2004 até dezembro de 2008; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 362 13 III seis por cento, para o Finam e nove por cento, para o Funres, a partir de 1º janeiro de 2009 até dezembro de 2013. § 4º A opção por aplicar parte do imposto nos Fundos de Investimentos Regionais fica extinta a partir de 1º de janeiro de 2014. § 5º Nos Darf a que se refere o § 3º, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado, observado os seguintes códigos: ... § 6º Os recursos de que trata o caput serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. § 7º A liberação dos recursos será feita à vista de Darf específico, observadas as normas expedidas pela SRF. § 8º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. § 9º Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na DIPJ, a parcela excedente será considerada como recursos próprios aplicados no respectivo projeto. § 10. Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. § 11. As administrações dos fundos beneficiários consultarão os sistemas que registram os pagamentos, para fins de validação dos Darf específicos. § 12. No caso de apuração trimestral, a pessoa jurídica deverá, para efeito de determinar a parcela do imposto a ser recolhida, apurar a base de cálculo do incentivo fiscal segundo o disposto no § 2º do art. 110. (destaques acrescidos) Aliás, a Instrução Normativa SRF nº 146/2002, que aprovou instruções de preenchimento da DIPJ/2002 (AC 2001), em seu item 17.1.6.6, já dispunha: “A pessoa jurídica ou grupos de empresas coligadas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1997, que isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos, cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos nas áreas de atuação das extintas Sudam e Sudene, aprovados no órgão competente, até o dia 2 de maio de 2001, enquadrado em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, que sejam beneficiários das aplicações no Finor, Finam e Funres, poderão manifestar a opção pela aplicação de parte do imposto de renda em investimentos regionais, na declaração ou no curso do ano calendário, nas datas de pagamento do imposto apurado trimestralmente. A opção será manifestada na declaração ou no Fl. 362DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 363 14 curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. As aplicações somente poderão ser efetuadas até o final do prazo previsto para a implantação dos respectivos projetos. As pessoas jurídicas submetidas à apuração do imposto de renda pelo lucro real, trimestral ou anual, que não se enquadrem no art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991 puderam optar pela aplicação de parte do imposto de renda devido em investimentos regionais destinados ao Finor, Finan e Funres até 2 de maio de 2001, mediante recolhimento por Darf específico (Medida Provisória nº 2.1289 de 26 de abril de 2001 e MP nº 2.145, de 2 de maio de 2001). Não é possível, para essas pessoas jurídicas, a opção pela aplicação na DIPJ. A partir de 2 de maio de 2001, somente é possível a aplicação nesses Fundos pelas pessoas jurídicas ou grupos de empresas detentores de cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projeto acima referidas.” (Os destaques constam do texto transcrito) Pelo exame da legislação citada resta claro que, a partir da revogação do art. 4º da Lei nº 9.532/1997, a opção de aplicação de parte do Imposto de Renda em incentivos fiscais regionais ficou restrita às empresas detentoras de projetos de infraestrutura, já aprovados, na região incentivada. Em caráter excepcional, o § 10 do art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, ressalvado pela norma revogadora, admite a entrada, sob condições, de novo sócio em empreendimento préaprovado, desde que autorizado pelo Ministério da Integração Nacional. No caso concreto, verificase pelas informações e documentos acostados aos autos, que a empresa detentora de projeto préaprovado na região incentivada, SIMARA – SIDERÚRGICA MARABÁ S/A, teve seu pleito de 16/12/2005, protocolizado em 19/12/2005, deferido pelo Ministério da Integração Nacional, para o ingresso da empresa ELEKTRO, ora recorrente como seu novo acionista, conforme OFICIO Nº 037/2006/UGFINGM/MI, de 31/01/2006 (fls. 260). Também consta do processo (fls. 258), o Boletim de Subscrição de 727.016 ações feito pela recorrente junto à empresa SIMARA, com data de 06 de junho de 2006, que corresponde, segundo informação da recorrente (fls. 264) a 5,66% do capital da empresa investida. Assim, resta comprovado nos autos que a recorrente foi autorizada pelo Ministério da Integração Nacional a ingressar como sócia de empresa detentora de projeto de infraestrutura já aprovado na região abrangida pelo FINAM e que efetivamente ingressou no quadro societário da empresa SIMARA, mediante a subscrição do percentual de 5,66% que atende ao requisito legal previsto (§ 4º do art. 9º da Lei nº 8.167/1991). Ocorre que, conforme comprovado nos autos a empresa efetuou a opção pela aplicação no incentivo fiscal em discussão, mediante os recolhimentos em DARF’s efetuados em 31/10/2005 e 30/11/2005, no montante total de R$ 12.118.362,03, situação informada posteriormente em sua DIPJ do anocalendário 2005. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 364 15 Ora, no momento em que fez a opção pela aplicação de parte do imposto de renda em incentivos fiscais do FINAM sequer a empresa SIMARA, havia feito qualquer solicitação ao Ministério da Integração Nacional visando obter a autorização para o ingresso da recorrente como sua nova acionista. Portanto, não vejo como admitir a homologação da opção em incentivos fiscais realizada se, no momento da opção, inexistia qualquer vínculo jurídico, autorizado ou não pelo Ministério da Integração Nacional, entre a recorrente e a empresa SIMARA, o que só veio a se materializar em junho de 2006, quando da subscrição das ações naquela companhia. Somente após esta data, considerando a autorização do Ministério da Integração Nacional, exarada em janeiro de 2006, para o ingresso como sócia minoritária na empresa detentora do projeto aprovado é que se viabilizou a opção pela aplicação de parte do imposto de renda como incentivo fiscal junto ao FINAM. Não merece guarida o argumento da recorrente, invocando o art. 55 da Lei nº 9.784/1999, de que o despacho autorizativo do Ministério da Integração Nacional teve o condão de convalidar a opção feita anteriormente. A apuração do Imposto de Renda é feita em períodos anuais ou trimestrais, conforme a opção do contribuinte, de sorte que no encerramento de cada exercício deve ser apurado o quantum devido, dele deduzindose as parcelas autorizadas pela legislação de regência, mediante o preenchimento das condições e requisitos nela estabelecida. As condições para o gozo de incentivos fiscais são aquelas previstas em lei e devem estar presentes no momento de sua opção. Não se trata, portanto, de defeito sanável que possa ser convalidado pela administração, diante de eventual preenchimento das condições legais a posteriori. Desta feita, a autorização recebida e o ingresso como sócio na empresa SIMARA, detentora do projeto de infraestrutura aprovado, no que respeita à opção pela aplicação nos incentivos fiscais em discussão, somente podem projetar seus efeitos para o futuro; a partir do preenchimento das condições legais, ou seja, junho de 2006. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 04 de Dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 364DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.000390/200864 Acórdão n.º 1302001.271 S1C3T2 Fl. 365 16 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.912954/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 54 /2 00 9- 55 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 13/01/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência outubro de 2003, com débitos de IRPJ referentes ao 4º trimestre de 2005, no valor total de R$ 5.133,32. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no periodo de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2004.11954220 de 13/02/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 25.34.10.65.49. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.912954/200955 Acórdão n.º 3803004.626 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito liquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.912954/200955 Acórdão n.º 3803004.626 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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