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Numero do processo: 10880.912963/2006-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 12 96 3/ 20 06 -4 7 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 400 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte face à decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP1, a qual julgou improcedente o pedido do mesmo referente a não homologação da declaração de compensação número 15598.37698.141003.1.3.045089. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no ano calendário de 2002. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SAO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; Nos termos da IN SRF n° 600/2005 (artigo 5°), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; No presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; Nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; Em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 401 3 Pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; Como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; Não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referemse àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor especifico de IRRF recolhido sob o código 8045; Dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação compensação pleiteada; O preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a titulo de saldo negativo de IRPJ; Ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; O processo administrativo tributário está sujeito as garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do principio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; Outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9°, § 10 do Decreto 70.235. Em sua decisão, a DRJSP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1622.556, da 2ª Turma da DRJ/SP1, sessão de 20 de agosto de 2009, cuja ementa está abaixo transcrita: “PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO. INOVAÇÃO. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 402 4 A indicação, na fase litigiosa, de direito creditório distinto do apontado na Per/Dcomp original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, resumidamente que: A Recorrente, por ser uma agência de publicidade, está submetida a regime especifico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), já que a obrigação de retenção e recolhimento do IRRF sob o código 8045 compete a ela (prestadora do serviço) e não ao tomador (anunciante), ao contrário do que determina a regra geral de retenção para os demais serviços; Conforme a DIPJ 2003, a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto, excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; A Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano (uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período), bem como cumpriu todas as obrigações acessórias determinadas pela legislação em vigor, entendendo que possui o direito à compensação deste crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic (art. 5° da IN SRF n° 600/2005); Incorreu em erro ao elaborar a competente PERD/COMP, uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente no anocalendário de 2002, fora exatamente igual ao valor do IRRF (código 8045) recolhido por meio de DARF e a Recorrente acabou optando – desavisadamente – pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF e não a saldo negativo de IRPJ; Ou seja, ao apresentar a presente DComp, a Recorrente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF, recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e que tal procedimento acarretou a não homologação da compensação por parte da Receita Federal; Tratase, no caso, de mero erro formal, que deve ser retificado de oficio e não de uma nova solicitação – inovação do pedido – na tentativa de a Recorrente "burlar o prazo de decadência", pois, a DComp em questão foi transmitida à Receita Federal no ano de 2003, ou seja, dentro do prazo legal de prescrição e; além disso, em momento algum a Recorrente pleiteia credito em valor superior àquele informado em sua DIPJ e DCTFs; Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 403 5 Admitir o contrário seria o mesmo que ir de encontro às garantias constitucionais que regem o processo administrativo tributário, em especial, ao principio da verdade material; É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 18.11.2009, conforme aviso de recebimento fls. 384 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 02.12.2009, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar A Recorrente requereu apensamento de todos os processos administrativos nos quais se discute o mesmo saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 para julgamento em conjunto. Ressalta que o apensamento de todos esses processos se mostra imprescindível para o correto deslinde da presente discussão, a uma para não haver aproveitamento em duplicidade do saldo negativo que venha a ser deferido e, a duas, para que não haja decisões conflitantes emanadas pela administração sobre o mesmo tema. Determina o art. 9º, parágrafo 1° do Decreto n° 70.235/72, que as exigências de créditos tributários em relação a um mesmo sujeito passivo podem ser objeto de um único processo quando depender do mesmo elemento de prova, como no caso em questão, em que houve o preenchimento equivocado de algumas DComps relacionadas ao mesmo crédito de saldo negativo de 2002. Quanto a esse contexto, dispõe o artigo o art. 9º, parágrafo 1° do Decreto n° 70.235/72: Art. 9ºA exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1ºOs autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 404 6 Desta forma, conforme se conclui da legislação, por tratarse de uma possibilidade (faculdade) e, considerando que os processos são autônomos e encontramse aptos a serem julgados, rejeito pedido de conexão e passo análise do mérito. Do Mérito do Recurso Voluntário Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse não ter reformado a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 07521.85698.201003.1.3.041223, utilizado para quitar os débitos de IRRF do 5º dia de Novembro de 2002 (código 05611), IRRF do 1º e 2º dia de Dezembro de 2002 (código 1708 1) e IRRF do 3º dia de Dezembro de 2002 (código 05611). A DRJ/SP1 ressaltou em seu julgado que a Recorrente alegou ter informado erroneamente em sua PER/DCOMP, crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF (código de receita: 8045), quando o correto seria ter informado crédito de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. Nestes termos, a DRJ/SP1 entendeu que a alteração do tipo de crédito para Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, revelouse em inovação do pedido inicial, ou seja, configurouse em nova solicitação, gerando impedimento formal para análise do pleito pela DRJ/SP1, pois estarseia suprimindo a atribuição regimental da Delegacia da Receita Federal de São Paulo de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. Por fim, o julgado da autoridade a quo sugere que a Recorrente formalize nova declaração para que seja devidamente analisada pela autoridade competente, qual seja, a Delegacia da Receita Federal de São Paulo. Não obstante a alegação de inovação do pleito, a Recorrente juntou aos autos os DARF’s recolhidos sob o código 8045 durante o ano de 2002 (folhas 108 a 160), DCTF’s trimestrais do ano de 2002 (folhas 161 a 203), bem como a DIPJ 2003, calendário 2002 (folhas 46 a 107), que, uma vez analisadas, sugeremme indícios de um crédito de Saldo Negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. Entendo que a indicação equivocada no PERD/COMP pelo "Tipo de Crédito" relativo a “pagamento indevido ou a maior de IRRF” e não a “saldo negativo de IRPJ”, não inviabiliza a compensação pretendida. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever a decisão trazida pela Recorrente em seu recurso voluntário: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 405 7 A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EXERCÍCIO: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO Liquidez e certeza são requisitos indispensáveis, sem os quais não se há de reconhecer direitos creditórios. DIPJ ERROS DE PREENCHIMENTO RETIFICAÇÃO – Tendo sido comprovados erros no preenchimento da declaração, deve ser considerada sua retificação para fins de determinação dos direitos creditórios, passíveis de restituição ou compensação. (Acórdão 10516804, 5' Câmara, 1 ° Conselho, sessão de 05/12/2007) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ADMISSÃO. O procedimento administrativo tributário preza pelo princípio da verdade material, vale dizer, no processo administrativo não se permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas. Constatado erro nas informações prestadas à Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 406 8 fiscalização, este não prevalece quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência do Tribunal Administrativo Federal corrobora este entendimento, impedindo que o formalismo se sobreponha à matéria e à realidade dos fatos. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INOCORRÊNCIA. A apresentação de provas antes (ou juntamente) da manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido do contribuinte não configura preclusão, cabendo à autoridade de primeira instância apreciálas. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE A falta de apreciação das provas apresentadas na fase impugnatória constitui cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo e fundamento de nulidade da decisão recorrida. Decisão 1ª instância anulada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido, decisão de primeira instância anulada. Recurso Voluntário. Processo 13804.001582/200127. Sessão 26/06/2012. (grifos meus) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de erro no preenchimento de PER/Dcomp, de se considerar, à luz da documentação acostada aos autos, os valores corretos obtidos a partir do Reg. Apuração do IPI e do Livro Diário. Recurso Voluntário Provido. Processo 10120.906824/200848. (grifos meus) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Contudo, apesar da juntada dos DARFs, da DCTFs, da DIPJ 2003, demonstrando a existência de prejuízo fiscal nesse período, entendo que ainda não é possível extrair a liquidez e certeza do saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002 e, se tal crédito já fora compensado com outros tributos, de sorte que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. Isto porque, para se autorizar a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte, é imprescindível a comprovação de que a receita tenha sido considerada para fins de incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), conforme determina a súmula 80 do CARF: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que se entenda necessários para que verifique e informe: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912963/200647 Resolução nº 1802000.348 S1TE02 Fl. 407 9 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3) Se as receitas que geraram a respectiva retenção do IRRF, foram efetivamente consideradas na base de cálculo do IRPJ do respectivo ano calendário; 4) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 07521.85698.201003.1.3.041223 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar a preliminar de conexão e converter o julgamento em diligência, para que a DRF Juiz de Fora atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 15374.944182/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/07/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA.
Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas.
Numero da decisão: 3803-004.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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EXCLUSÃO DO ICMS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo do IPI. A legislação do PIS e da COFINS, e suas interpretações, não se aplicam ao IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/07/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IPI. REPERCUSSÃO JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA. Ao contribuinte de direito é possível a restituição do IPI recolhido indevidamente, desde que comprove que suportou o ônus do imposto ou autorizado por aquele que efetivamente o suportou. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por falta de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 41 82 /2 00 9- 06 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo da PER/DCOMP de número 34660.13621.180406.1.3.049499, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ 7.708,29, oriundo de recolhimento efetuado em 20/07/2001 neste mesmo valor, relativo ao 1º decêndio de julho de 2001, com o qual o contribuinte pretende compensar débito de IPI do período de apuração março de 2006 no valor total de R$ 3.007,76. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 19/04/2010, manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 14/05/2010, argumentando o que se segue: i) Alega que houve cerceamento do direito de defesa por falta de relação entre a narração dos motivos que incidiram o Despacho Decisório com o enquadramento legal e por isso o ato é nulo. ii) Alega que o crédito na PER/DCOMP advém da exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, visto que o ICMS não constitui faturamento ou receita do contribuinte, ocorrendo, então, tributação sobre tributação, o que violaria os princípios constitucionais. iii) Requer o acolhimento da preliminar invocada, provimento da manifestação de inconformidade, sendo homologada a compensação e, ainda, caso entenda necessário a conversão do julgamento em diligência para constatar e confirmar os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tribunais Federais. Agrega longos trechos de doutrina e jurisprudência em defesa da sua tese. Não trouxe qualquer prova contábil ou fiscal que confirmasse as suas alegações. A 3ª Turma da DRJ/JFA através do acórdão nº 0939.529 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 20/07/2001 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944182/200906 Acórdão n.º 3803004.595 S3TE03 Fl. 11 3 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a não homologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde afirma que atualmente os tribunais coadunam com o entendimento atinente a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, PIS e Cofins. Procura estabelecer uma analogia entre a base de cálculo das referidas contribuições ao citar o RE 240.7852/MG que versa apenas sobre Cofins e do mesmo modo ao citar o posicionamento dos ministros do STF no que se referem ao PIS e a COFINS. Acumula excertos de doutrina, jurisprudência e de legislação, entre os quais expõe seu entendimento de forma a concluir que é possível a restituição e a compensação do IPI. Defende que o ICMS não integra o faturamento do contribuinte e por isso não deve participar da base de cálculo do IPI. Afirma, ainda, que por tratarse de direito potestativo não existe prazo para o exercício da compensação. Assim, requer o provimento do recurso para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação declarada. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. O IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] era regulado à época do crédito pelo Decreto 2.637/98 que no artigo 118 estabelece como valor tributável o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento, se expressando da seguinte forma: “Art. 118. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, inciso I, alínea "b"); b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 18); II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 15) . § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea "b" e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 14, § 1º , Decretolei n.º 1.593, de 1977, art. 27, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 15). “ NEGRITAMOS”. De forma semelhante se expressa o RIPI atualmente em vigor Decreto nº 7.212/2010 , o qual estabelece em seu artigo 1901 que o valor tributável abarca o valor total da operação que decorrer a saída do estabelecimento acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. 1 “Art. 190. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; e b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a; ou II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1o O valor da operação referido na alínea “b” do inciso I e no inciso II compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário.” Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 15374.944182/200906 Acórdão n.º 3803004.595 S3TE03 Fl. 12 5 Dessa forma o ICMS, que é encargo do comprador ou destinatário, está embutido no preço final, integra o valor total da operação e assim na base de cálculo do IPI. O contribuinte alega que o IPI deve ser calculado com base apenas no faturamento e que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo por não ser faturamento do contribuinte. Há de se falar, frente à argumentação do contribuinte, que não existe previsão legal que autorize a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, assim, as decisões judiciais aplicamse exclusivamente às partes envolvidas no processo, não estando este Conselho autorizado a reproduzilas nos seus julgamentos. O recorrente argumenta que conforme posicionamentos recentes dos tribunais o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, sendo assim, por analogia ou por lógica extensão aos demais tributos federais, também não deve ser abarcado pela base de cálculo do IPI. A analogia defendida pelo contribuinte que utiliza como paradigma a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas seria aceita na hipótese de decisão vinculante sobre a tributação das referidas contribuições, o que até o momento é inexistente, sendo exigível também que a interpretação fosse estendida ao IPI, o que também não ocorre. Contrária à pretensão do recorrente, se manifesta o Superior Tribunal de Justiça, conforme relatado pelo ministro Mauro Campbell Marques, no RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439): “A sistemática da cobrança do ICMS, desde o Decretolei 406/68, interpretando literalmente a Constituição, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, para permitir a dedução nas operações seguintes. É o chamado cálculo por dentro, próprio do IPI, diferente do ICMS, cujo cálculo é feito em destaque, ou seja, por fora. A mesma sistemática foi mantida com a LC 87/96 (art. 2º, § 7º).” Dessa forma, o nosso entendimento é no sentido de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo do IPI. Da repercussão jurídica Ainda que admitíssemos, por hipótese, a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, esbarraríamos na impossibilidade de restituílo ao requerente por falta de prova de ter assumido o ônus do imposto, vejamos. A doutrina classifica o IPI como um imposto indireto, qual seja, aquele em que o contribuinte de fato, ou seja, o adquirente é quem efetivamente arca com o ônus do imposto (embutido no preço do produto), contudo, o recolhimento é feito aos cofres públicos pelo contribuinte de direito, ou seja, a empresa que efetuou a venda do produto. O artigo 166 do CTN disciplina a restituição de tributos indiretos nos seguintes termos: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Entendemos que o IPI é um tributo que requer o atendimento dos requisitos do artigo 166 do Código Tributário Nacional, pois, ele se agrega ao preço do produto e é destacado, em separado na respectiva Nota Fiscal, o quem implica na repercussão jurídica do tributo. Assim, embora quem recolha o IPI seja o contribuinte, não é ele, mas, o adquirente quem suporta a repercussão jurídica do IPI. Para o direito à repetição do IPI importa que o contribuinte demonstre que suportou o ônus do pagamento do imposto ou que esteja autorizado por aquele que suportou a repercussão jurídica, comprovação esta que não identificamos nestes autos, o que nos leva à conclusão da ilegitimidade ativa da Valplast para requerer a restituição do IPI. Da falta de comprovação do crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte ao abatimento do ICMS da base de cálculo do IPI, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração do IPI, planilhas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja a sua aferição. Da conclusão Haja vista a falta de previsão legal, entendemos que não é possível a redução da base de cálculo do IPI com a exclusão do ICMS devido na operação. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e não reconhecer o direito creditório pretendido. É como voto. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 16004.720537/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não é nula a decisão de primeira instância que apreciou devidamente todos os argumentos das impugnações apresentadas.
O fato de não se ter feito referência direta à última impugnação não trouxe prejuízos à defesa, uma vez que ela apenas repetia as alegações do primeiro recurso.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. NULIDADE POR NÃO CONSTAR DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA.
O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas.
SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas em sigilo.
Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm.
No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes.
Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis.
NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA.
A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais.
Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais - SÚMULA CARF nº 28.
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazê-lo.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO.
Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%.
RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN).
Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário.
A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco.
No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos.
LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que divergiam do relator para atribuir a responsabilidade a Valter Prado Lopes de forma subsidiária. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação à matéria atinente ao cancelamento do auto de infração por falta de arbitramento. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares com relação à preliminar relativa ao MPF.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas em sigilo. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal - MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais - SÚMULA CARF nº 28. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazê-lo. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO. Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco. No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que apreciou devidamente todos os argumentos das impugnações apresentadas. O fato de não se ter feito referência direta à última impugnação não trouxe prejuízos à defesa, uma vez que ela apenas repetia as alegações do primeiro recurso. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. NULIDADE POR NÃO CONSTAR DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas em sigilo. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 37 /2 01 2- 31 Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.220 2 verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais SÚMULA CARF nº 28. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazêlo. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO. Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.221 3 Caracterizase sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco. No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que divergiam do relator para atribuir a responsabilidade a Valter Prado Lopes de forma subsidiária. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, com relação à matéria atinente ao cancelamento do auto de infração por falta de arbitramento. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares com relação à preliminar relativa ao MPF. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.222 4 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, bem como Autos de Infração reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que totalizaram R$ 2.302.869,75, incluindo principal, multa de 150% e juros de mora calculados até novembro de 2012 (fls. 2 e 1.946 a 2.026). Foi também atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Valter Prado Lopes, CPF nº 299.136.24800, sócioadministrador da empresa (fls. 2.027 a 2028). Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório do acórdão de 1a instância (fls. 2.144 a 2.145): Conforme descrito no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 20132026, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão, bem como demonstrativos com o resumo mensal dos valores recebidos em 2008 e 2009 decorrentes de repasses efetuados pelas administradoras de cartões, acompanhados de cópias dos extratos fornecidos por estas empresas. Em sua resposta, apresentou os livros Diário e Razão do período de 01/01/2008 a 31/12/2009, mas não apresentou os demonstrativos e os extratos solicitados. Diante disso, foi emitida Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, a fim de obter as informações diretamente junto às operadoras de cartão de crédito/débito. Em seguida, o contribuinte foi intimado a detalhar a formação da receita bruta auferida, indicando datas das vendas, forma como foram liquidadas (pagamento em espécie, em cheque, cartão de débito, cartão de crédito à vista ou parcelado, especificando cada parcela), bem como a apresentar a documentação fiscal comprobatória, indicando o regime de reconhecimento das receitas declaradas. Em sua resposta, o contribuinte afirmou estar impedido legalmente de produzir a documentação requerida, invocando o art. 195 do CTN. A partir das informações constantes dos extratos obtidos diretamente junto às operadoras de cartões, a autoridade autuante consolidou mensalmente os valores recebidos pelo contribuinte por meio de cartões de crédito/débito, adotando o regime de competência, consoante opção manifestada nas DIPJs dos anos de 2008 e 2009 e o regime utilizado na escrituração contábil. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.223 5 O contribuinte foi, então, intimado novamente a detalhar a formação da receita bruta, com a apresentação dos elementos já referidos anteriormente. Essa intimação foi acompanhada de demonstrativos dos valores consolidados mês a mês relativos aos recebimentos por meio de cartões de crédito/débito, bem como da receita bruta mensal declarada para os anos de 2008 e 2009. O contribuinte foi alertado de que, caso não comprovasse a forma de recebimento da receita bruta declarada, a totalidade das receitas recebidas por meio de cartão de crédito e débito seria considerada como omitida, sem abatimento da receita declarada, pois esta poderia ser resultante de vendas cujos pagamentos foram efetuados mediante cheque ou em espécie. Na resposta apresentada, o contribuinte afirmou que “as informações pretendidas já se encontram em poder dessa fiscalização, possibilitando os esclarecimentos necessários ao correto e adequado prosseguimento das investigações fiscais”. Porém, ressalta a autoridade autuante que a análise dos livros Diário e Razão apresentados não permite a identificação da forma de recebimento das receitas declaradas, pois o histórico dos lançamentos contábeis é genérico, não trazendo informações detalhadas sobre a forma de pagamento, especialmente se o pagamento foi realizado em dinheiro, cheque ou cartão. Em razão dessas inconsistências e da não apresentação dos esclarecimentos solicitados ao contribuinte, concluiu a autoridade autuante que a totalidade dos valores relativos aos repasses efetuados pelas operadoras de cartões deve ser reputada receita omitida, sem abatimento das receitas declaradas. Sobre os créditos tributários apurados com base nas receitas omitidas foi aplicada multa qualificada (150%). Como fundamento para a multa, afirma a autoridade autuante que os repasses de valores pelas operadoras de cartão de crédito/débito sempre foram maiores que os valores escriturados nos livros contábeis apresentados e que as receitas informadas em DIPJ. Assim durante 24 meses o contribuinte escriturou e declarou receitas bem menores que as efetivamente auferidas, evidenciando que essa divergência não é fruto de mero erro, mas uma prática habitual e reiterada. Foi imputada ao Sr. Valter Prado Lopes, sócioadministrador da empresa, responsabilidade tributária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, por haver ele, intencionalmente, apresentado à Receita Federal do Brasil declarações inexatas e escriturado os livros Diário e Razão relativos ao período sob análise com valores distintos da realidade, com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Esclarece a autoridade autuante que o Sr. Valter Prado Lopes consta com sócioadministrador nos atos arquivados na JUCESP, figura como representante da pessoa jurídica nas DIPJs e DACON apresentadas e sua assinatura consta nos termos de abertura e encerramento dos Livros Diário nº 25 e 26 e dos Livros Razão nº 25 e 26. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.224 6 IMPUGNAÇÃO Cientificados do lançamento, o contribuinte e o Sr. Valter Prado Lopes apresentaram impugnação (fls. 2071 a 2088 e 2048 a 2066), acatadas como tempestivas. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desses recursos (fls. 2.145 a 2.147): No recurso apresentado pela PRADO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Afirma o impugnante que, após a ciência dos autos de infração, ocorrida em 09/11/2012, tentou obter cópias do processo digital, dirigindose à Central de Atendimento ao Contribuinte CAC, de onde foi encaminhado para a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT, de onde foi encaminhado à Seção de Fiscalização – SAFIS e desta de volta à SACAT e de volta à SAFIS, sempre com a observação de que a outra seção deveria fornecer as cópias dos autos. Assevera que somente após a terceira tentativa, no dia 20/11/2012, o processo foi encaminhado da SAFIS a SACAT, onde, em 21/11/2012, as cópias solicitadas foram fornecidas. Conclui o impugnante que, em razão desses fatos, teve apenas 20 dias para elaborar seu recurso, razão pela qual houve cerceamento ao direito de defesa. Aduz que sua alegação é comprovada pelo documento de fl. 2034, no qual consta a comunicação do encerramento da ação fiscal ao chefe da fiscalização, bem como a proposta de encaminhamento dos autos à SACAT, documento este com assinatura digital datada de 20/11/2012. Por fim, pede a concessão de novo prazo, ou ao menos o prazo faltante (dez dias), para apresentação de nova impugnação ou para aditamento da apresentada, a fim de que se evite a nulidade. Tece o impugnante extensas considerações sobre o caráter vinculado da atividade de lançamento e sobre a necessidade de cumprimento das normas atinentes ao mandado de procedimento fiscal MPF para que o procedimento seja válido. Afirma que as prorrogações de prazo do MPF não observaram o disposto no art. 9º da Portaria RFB nº 3014/11, pois não foram realizadas pela autoridade emitente, uma vez que não há nelas assinatura dela. Ademais, alega não haver fundamentação que demonstre a necessidade das prorrogações, razão pela qual também o art. 12 da referida Portaria foi descumprido. Conclui que as prorrogações de prazo do MPF foram inválidas, de modo que todos os documentos constantes dos autos são provas ilícitas, pois obtidos após o esgotamento do prazo do MPF original. Observa, ainda, que o MPF expedido autorizou apenas a fiscalização do IRPJ e foram lavrados também autos de infração de CSLL, PIS e COFINS. Aduz que, a despeito de autorização nesse sentido constante do art. 8º da Portaria RFB nº 3014/11, esta norma extrapola seu fundamento de validade, que é o Decreto nº 3.724/2001, de modo que deveria ter sido expedido MPFC para a lavratura dos autos de infração relativos aos demais tributos. Os autos de infração foram lavrados em 01/11/2012 e o processo administrativo foi protocolizado em 16/10/2012. Ademais, o processo administrativo relativo à Representação Fiscal para Fins Penais foi protocolizado em 24/09/2012, em afronta á Portaria RFB nº 2.439/2012. Assim, caso se repute que em 24/09/2012 a autoridade autuante já havia apurado as infrações fiscais que supôs existentes, então deve ser declarada a nulidade do processo administrativo, pois na mesma data ainda transcorria prazo de intimação para prestar esclarecimentos. As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF foram expedidas em desacordo com as regras inscritas no art. 6º da Lei Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.225 7 Complementar nº 105/2001 e no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, pois a autoridade não fez constar a motivação para a expedição delas, consistente na demonstração da respectiva indispensabilidade. Por essa razão, as informações obtidas das empresas administradoras de cartão de crédito e débito são provas ilícitas, devendo ser desconsideradas. Não há base legal para a adoção da presunção de que os valores repassados pelas administradoras de cartão de crédito e de débito correspondem a receitas omitidas, desconsiderando as receitas informadas em DIPJ. A conduta dolosa hábil a fundamentar a imposição de multa qualificada (150%) não pode ser presumida, devendo ser comprovado o evidente intuito de fraude, prova esta não produzida no curso da ação fiscal. O art. 135, III, do CTN, invocado pela autoridade autuante para a atribuição de responsabilidade tributária ao representante legal da impugnante trata de responsabilidade pessoal ao agente e não de responsabilidade solidária, de modo que a impugnante deve ser excluída do processo administrativo, mantendose somente o terceiro a quem se pretende impor responsabilidade pessoal. Por fim, pede a concessão de novo prazo, ou ao menos o prazo faltante (dez dias), para apresentação de nova impugnação ou para aditamento da apresentada. Caso assim não se entenda, requer o reconhecimento da nulidade dos autos de infração lavrados. Na impugnação apresentada pelo Sr. Valter Prado Lopes são reproduzidos os argumentos constantes do recurso da PRADO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE COURO LTDA, acrescidos das seguintes alegações: O Termo de Responsabilidade lavrado é nulo, pois pretende impor responsabilidade solidária, mas o art. 135 do CTN contempla apenas responsabilidade pessoal. Além disso, não houve prova do dolo na prática de ato com infração à lei. A prática de condutas previstas na Lei nº 8.137/1990 não pode ser invocada como fundamento para a aplicação do art. 135 do CTN, pois aquele diploma normativo prevê crimes contra a ordem tributária e não houve condenação por prática delituosa. A infração à lei prevista no art. 135 do CTN referese a lei que trata de formas de gestão e administração das pessoas jurídicas. A assinatura de documentos contábeis pelo representante legal da empresa é parte de seu mister, não caracterizando infração dolosa à lei. O art. 1016 do Código Civil não pode ser invocado como fundamento para a imputação de responsabilidade tributária, pois contempla hipóteses de culpa no desempenho das funções de administrador, diversas daquelas previstas no art. 135 do CTN. Não houve emissão de MPF para o impugnante e não há na legislação de regência do MPF previsão para que se atribua responsabilidade a terceiro sem prévia emissão desse documento. Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.226 8 DILIGÊNCIA SOLICITADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA Na decisão de fls. 2.099 a 2.100, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) decidiu baixar o processo em diligência para conceder novo prazo de 30 dias de impugnação para a empresa e o responsável solidário, e assim afastar os argumentos de cerceamento de defesa por falta de conhecimento do inteiro teor dos autos durante parte do prazo de recurso. Cumprida a determinação, o Sr. Valter Prado Lopes apresentou o documento de fl. 2.111, onde reitera todos os argumentos tecidos na defesa administrativa anteriormente oferecida, com exceção da preliminar de cerceamento do direito de defesa. Já o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2.123 a 2.140, de conteúdo praticamente idêntico à defesa originalmente apresentada, agora sem a preliminar de cerceamento de defesa, e trazendo novas considerações sobre a impossibilidade de se embasar o lançamento em presunção simples de omissão de receitas (seção 2.1.4 do recurso). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou procedente o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2.142 a 2.154): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CÓPIAS DO PROCESSO DIGITAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL REQUISITOS REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INDISPENSABILIDADE MULTA QUALIFICADA DOLO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADMINISTRADOR POR ATO ILÍCITO A obtenção de cópias do processo digital independe da respectiva localização na repartição. Para a caracterização de cerceamento ao direito de defesa, a negativa de oferecimento de cópia solicitada deve estar devidamente documentada. A assinatura do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e das respectivas prorrogações pela autoridade emitente se dá pela forma digital. Eventuais irregularidades na emissão do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. A não apresentação injustificada de informações sobre movimentação financeira é fundamento bastante para a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira. A escrituração de livros e a apresentação de declarações com valores de receitas sabidamente inferiores às efetivamente auferidas é conduta dolosa que autoriza a aplicação de multa qualificada. A responsabilidade tributária prevista no art. 135 do CTN é Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.227 9 solidária e não exclui a responsabilidade do contribuinte pelos créditos tributários lançados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.228 10 Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não procede a alegação de cerceamento ao direito de defesa por falta de acesso às cópias dos autos durante todos os trinta dias de prazo para impugnação, pois os processos foram formalizados em meio digital anteriormente à ciência dos autos de infração e a solicitação de cópias somente foi documentada no dia 20/11/2012; b) não procedem os argumentos de nulidade em decorrência do MPF, pois os documentos foram emitidos de acordo com a legislação. Além disso, questões ligadas ao descumprimento do MPF, inclusive quanto a prazo, devem ser resolvidas no âmbito de processo administrativo disciplinar, e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário; c) a simples protocolização do processo administrativo ou da Representação Fiscal para Fins Penais não significa que o procedimento fiscal já estava concluído nesse momento, não configurando qualquer nulidade; d) inexiste nulidade na expedição das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, pois a autoridade autuante consignou expressamente que ficou caracterizada a indispensabilidade de se examinar as informações junto às operadoras de crédito/débito, nos termos do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001; e) é descabida a afirmação de que a autoridade autuante presumiu que os valores repassados pelas administradoras de cartão de crédito e de débito correspondem a receitas omitidas, pois era dever do contribuinte, após intimado a tanto, comprovar qual a parte dessas receitas já tinham sido devidamente declaradas, e sua escrituração não permitia que se verificasse essa contabilização; f) há fundamento bastante nos autos para a aplicação de multa qualificada (150%) sobre os créditos tributários lançados, pois a prova do dolo consiste precisamente na profunda divergência entre as informações constantes dos extratos fornecidos pelas administradoras de cartões de crédito e de débito e as informações constantes da escrituração contábil e fiscal e das DIPJs apresentadas pelo contribuinte; g) não há a necessidade de emissão de MPF para se atribuir a responsabilidade a terceiro; h) a pretensão do contribuinte de ser excluído do processo administrativo, mantendose a exigência apenas em relação ao Sr. Valter Prado Lopes, deve ser indeferida, pois a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa não exclui a responsabilidade do contribuinte, salvo quando a lei assim prescrever, na dicção do art. 128 do CTN. No caso do art. 135 do CTN, não há exclusão expressa da responsabilidade do contribuinte, de modo que permanece ele respondendo pelo crédito tributário lançado; i) tampouco procede a alegação do Sr. Valter Prado Lopes no sentido de que não foi produzida prova do dolo na prática de ato com infração à lei, pois a autoridade autuante consignou expressamente que ele, de maneira intencional, apresentou à Receita Federal do Brasil declarações inexatas e escriturou os livros Diário e Razão relativos ao período sob análise com valores distintos da realidade, com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Ademais, a atuação do Sr. Valter Prado Lopes como administrador da empresa foi devidamente evidenciada. Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.229 11 RECURSOS VOLUNTÁRIOS Cientificado da decisão de primeira instância em 15/5/2013 (fl. 2.164), o contribuinte apresentou, em 3/6/2013, o recurso de fls. 2.166 a 2.188, onde afirma que: a) a decisão recorrida deixou de considerar os argumentos da nova impugnação, apresentada após o cumprimento da diligência determinada pela DRJ, especialmente da parte que trata de presunções; b) as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF foram expedidas em desacordo com as exigências do Decreto n° 3.724/2001, da Lei Complementar n° 105/2001 e da Portaria SRF n° 180/2001, impondo a anulação dos Autos de Infração, uma vez que completamente baseados em provas obtidas ilicitamente. Destacase a falta de relatório circunstanciado anteriormente à emissão do RMF, que não pode ser suprida pelo Termo de Constatação Fiscal anexo ao lançamento, e a ausência de demonstração de hipótese de indispensabilidade, que não existe no caso, pois o contribuinte negou justificadamente o fornecimento de informações. c) a apuração da base de cálculo da exigência se deu em razão de presunção, por parte da autoridade autuante (sem qualquer fundamentação legal e, portanto, sem autorização da lei), de que a totalidade dos valores repassados pelas empresas de cartões de crédito e débito teria sido omitida, mesmo constando da escrituração fiscal da empresa valores declarados no período investigado; d) as presunções simples não podem embasar um auto de infração em matéria tributária. O auditor acreditou partir de um fato conhecido, qual seja, “a omissão de receitas tributáveis” e concluiu a existência do fato desconhecido, qual seja, “de quanto foi a omissão” (“omissão total”). No entanto, essa correlação lógica é impossível de ser realizada, já que há um segundo fato conhecido, qual seja, a empresa “declarou receitas tributáveis”, e também um terceiro fato conhecido, “é possível que as receitas declaradas sejam de cartões de crédito e débito”. Desses três fatos conhecidos não é possível inferir a existência do fato desconhecido “houve omissão total de receitas de cartões de crédito ou débito”; e) não é possível imputar ao contribuinte o dever de apresentar provas de que as receitas provenientes de cartões correspondem às receitas declaradas, pois compete ao Fisco a produção de provas que respaldem suas acusações de omissão total de receitas, principalmente quando existam provas apresentadas pelo contribuinte no sentido de que há receitas declaradas. A Fiscalização exigiu que a empresa produzisse documentos e esta respondeu que estava legalmente proibida de fazêlo. Assim, se é verdade que a escrituração fiscal da empresa não permitia o completo conhecimento da formação das receitas tributáveis declaradas, deveria a fiscalização ter iniciado procedimento de arbitramento, espécie de presunção autorizada por lei, desqualificando formalmente a escrituração do contribuinte e seguindo todos os trâmites específicos impostos pela legislação tributária federal para se chegar aos valores que considerasse omitidos; f) não é possível a qualificação da multa por falta de comprovação do evidente intuito de fraude, fato reconhecido por um dos julgadores da DRJ. Não há notícia do uso de documentos falsos, de utilização de interpostas pessoas, etc, e a simples divergência de informações não comprova o dolo específico; Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.230 12 g) o art. 135 do CTN consagra hipótese de responsabilização pessoal daquele que pratica atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto, e não responsabilidade solidária, razão pela qual o recorrente deve ser excluído do processo administrativo, mantendose somente o teceiro a quem se pretende impor responsabilidade pessoal; h) o lançamento é nulo por irregularidades nos MPFs relativas a faltas de assinatura, de fundamentação das prorrogações e de previsão para os tributos reflexos. No último caso, a autorização do artigo 8o, da Portaria RFB n° 3.014/11 afronta seu fundamento de validade que é o Decreto 3.724/01, que somente autoriza a lavratura de autos de infração reflexos em casos de riscos aos interesses da Fazenda Nacional; i) o procedimento administrativo é irregular uma vez que os Autos de Infração já estavam prontos em data anterior àquela informada, inclusive quando ainda corria prazo para que o contribuinte se manifestasse na fiscalização, o que se comprova pelas datas de protocolização do presente processo administrativo (16/10/2012) e da Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP (24/9/2012), o que significaria que a data constante dos lançamentos (01/11/12) não corresponderia à realidade. Ao final, pugna pela anulação dos Autos de Infração combatidos, ou a sua exclusão do processo administrativo em razão da atribuição de responsabilidade pessoal a terceiro, ou ainda a diminuição da multa qualificada para o patamar de 75%, pela ausência de comprovação de evidente intuito de fraude. Apesar de não constar dos autos a comprovação de ciência do acórdão pelo sócio considerado responsável solidário, em 3/6/2013, o Sr. Valter Prado Lopes apresentou o recurso voluntário de fls. 2.191 a 2.214, onde repete os argumentos do apelo interposto pela empresa e defende também sua exclusão do processo administrativo sob as seguintes alegações: a) é nulo o “Termo de Responsabilidade Solidária” contra ele lavrado, pois o artigo 135, do CTN, consagra hipótese de responsabilização pessoal daquele que pratica atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto, e não de responsabilidade solidária; b) para a atribuição de responsabilidade pessoal (art. 135, CTN) é necessário comprovar que o terceiro responsabilizado agiu com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, e que a obrigação tributária tenha surgido em razão desse agir doloso, prova essa ausente neste caso, pois quem apresentou as declarações à Receita Federal foi a pessoa jurídica autuada e não a pessoa física do sócio. O fato de ter assinado os documentos contábeis da empresa nada mais é que o cumprimento de seu dever de representante legal, já que tais documentos, sem sua assinatura, não possuem qualquer validade; c) a acusação fiscal constante dos autos se dá no sentido de que o recorrente teria infringido a Lei 8.137/90, o que justificaria a aplicação do artigo 135, do CTN. Ocorre que tal diploma legal se refere a crimes contra a ordem tributária e o Recorrente não foi condenado por qualquer prática delituosa. Vale lembrar que não há crime se ainda há discussão administrativa, como é o caso. Além disso, a lei de que fala o artigo 135, do CTN, é relativa às formas de gestão e administração das pessoas jurídicas. Não fosse assim, qualquer mero Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.231 13 inadimplemento se configuraria como infração à lei por parte de terceiro, o que já foi afastado pela jurisprudência; d) foi também mencionado como fundamento legal o art. 1.016 do Código Civil para a atribuição de responsabilidade. No entanto, tal dispositivo legal se refere a hipóteses de culpa no desempenho das funções de administrador, hipóteses totalmente distintas daquelas previstas no artigo 135, do CTN (dolo), portanto, inaptas a justificar a pretensão de imposição de responsabilidade, no presente caso. Além disso, qualquer “ato” teoricamente praticado pelo Recorrente não fez surgir obrigações tributárias para a empresa autuada, mais uma razão para a não aplicação do artigo 135, do CTN. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 2.218. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Os autos foram inicialmente incluídos em pauta na sessão de 5 de dezembro de 2013, mas foram dela retirados a pedido deste relator, em razão da alteração no Regimento Interno do CARF realizada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, que obrigou nova análise dos argumentos do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator Os recursos voluntários da empresa e do responsável solidário são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Tratase de lançamento de omissão de receitas decorrente de repasses efetuados pelas administradoras de cartões cuja contabilização não restou comprovada. 1 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inicialmente, o recorrente relata que a decisão recorrida deixou de analisar a sua nova impugnação, apresentada após o cumprimento da diligência determinada pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, especialmente na parte em que trata de presunções. Apesar de não pugnar pela nulidade decorrente dessa omissão, devese analisar se tal fato, caso existente, traz alguma consequência à solução da lide. De fato, nas impugnações originalmente apresentadas após a ciência do lançamento (fls. 2071 a 2088 e 2048 a 2066), constava o argumento de cerceamento de defesa por falta de acesso às cópias dos autos durante todos os trinta dias de prazo para recurso. E para Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.232 14 afastar qualquer nulidade decorrente desse fato, a DRJ decidiu por baixar o processo em diligência para conceder novo prazo de 30 dias de impugnação para a empresa e o responsável solidário (fls. 2.099 a 2.100). Como decorrência, foram apresentadas novas impugnações onde foram retiradas as alegações de cerceamento do direito de defesa (fls. 2.111 e 2.123 a 2.140). Contudo, pela leitura do acórdão de primeira instância, fica claro que foram analisados somente os argumentos das primeiras impugnações, pois não se faz menção aos novos recursos, e ainda se enfrenta a matéria relativa ao cerceamento do direito de defesa. Penso que, caso as novas impugnações trouxessem novos argumentos, seria necessária a anulação da decisão recorrida para enfrentamento da defesa como um todo, já que o direito aos novos recursos foi dado pelo próprio órgão julgador, que estava obrigado a apreciálos. Contudo, entendo que a nulidade fica superada ao se constatar que as novas impugnações apenas repetem os argumentos dos recursos originais, retirando somente as alegações de cerceamento. Isso é evidente no recurso do responsável solidário, que apenas reitera a defesa anterior. Já a segunda impugnação da pessoa jurídica difere da primeira apenas na parte em que versa sobre a impossibilidade de se embasar o lançamento em presunção simples de omissão de receitas. Contudo, há que se concluir que o fundamento das duas defesas é o mesmo, sendo que, na segunda, o raciocínio é explicitado de forma mais extensa. Nesse sentido, a seção 2.2.4 do primeiro recurso (fls. 2.085 e 2.086) é mais sucinta, mas deixa claro o inconformismo do contribuinte com a presunção adotada pela autoridade fiscal de que todas as receitas recebidas de cartões de crédito e de débitos haviam sido omitidas, e não estavam incluídas nos rendimentos originalmente declarados. Já a seção 2.1.4 da segunda impugnação (fls. 2.135 a 2.137) traz exatamente o mesmo argumento, mas agora busca sustentálo com entendimentos doutrinários que reputam inviável o uso de presunções simples para embasar lançamentos tributários. Com relação a essa matéria, o acórdão de primeira instância deixou claro seu entendimento no sentido de que o lançamento estava correto nessa parte, pois seria dever do contribuinte comprovar qual a parcela das receitas recebidas das operadoras de cartões já tinha sido devidamente declarada, após intimado para tanto, em especial porque a escrituração apresentada não permitia que se fizesse essa distinção. Assim, apesar de não fazer direta referência aos novos recursos apresentados, a decisão recorrida terminou por analisar suficientemente todos os seus argumentos, não existindo proveito na determinação de novo julgamento. Do mesmo modo, o enfrentamento dos argumentos relativos ao cerceamento de defesa, que já não constavam do novo recurso, não maculam a análise dos pontos que permaneciam em discussão. Desse modo, não havendo prejuízos à defesa, não há que se declarar a nulidade, por ausência de preterição do direito de defesa, como se depreende do conteúdo do Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.233 15 art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), que cuida do processo administrativo fiscal. Essa é a aplicação do brocardo jurídico “pas de nullité sans grief” (não há nulidade sem prejuízo), que impede que se decrete a nulidade de um ato que não traga prejuízo ao direito das partes. 2 – NULIDADES DO LANÇAMENTO 2.1 – Nulidades da RMF O recorrente defende a nulidade do lançamento por irregularidades das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMFs, que teriam sido expedidas em desacordo com as exigências da legislação de regência. O acesso a informações financeiras do contribuinte pelo Fisco está previsto no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que determinou que a requisição às instituições financeiras deveria ser formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos seguintes termos: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.234 16 III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3º O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. § 4º As informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1º, inclusive por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários, bem assim de cotejo com outras informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. § 7º Na RMF deverão constar, no mínimo, o seguinte: I nome ou razão social do sujeito passivo, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ; II número de identificação do MPF a que se vincular; III as informações requisitadas e o período a que se refere a requisição; IV nome, matrícula e assinatura da autoridade que a expediu; V nome, matrícula e endereço funcional dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; VI forma de apresentação das informações (em papel ou em meio magnético); VII prazo para entrega das informações, na forma da legislação aplicável; VIII endereço para entrega das informações; IX código de acesso à Internet que permitirá à instituição requisitada identificar a RMF. Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.235 17 § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. A primeira irregularidade apontada seria a falta de relatório circunstanciado previsto no §5º do artigo acima transcrito, o que, no entender do recurso, resultaria em nulidade insanável do auto de infração. Sem razão o recorrente. A legislação de regência de fato exige a emissão de relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato, onde deve constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista na legislação, observado o princípio da razoabilidade (§§5o e 6o acima transcritos). Mas tratase de procedimento interno para emissão da RMF, sem o qual não poderá a autoridade competente emitir o documento, sob pena de responsabilidade funcional. Emitida a RMF, presumese a indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos do §8o acima transcrito. A análise dos termos da Portaria SRF nº 180, de 1 de fevereiro de 2001, que regulamenta a expedição de RMF, confirma não ser necessária a inclusão do relatório circunstanciado no processo. Isso porque, apesar de, em seu art. 5o, constar a obrigatoriedade do relatório circunstanciado como requisito para a solicitação da expedição da RMF, o seu art. 10 obriga que façam parte do processo administrativo apenas as requisições, as intimações e os termos de restituição ou destruição de documentos não utilizados e dos arquivos magnéticos recebidos. Em outras palavras, o relatório circunstanciado deve existir como requisito para que se solicite a requisição às instituições financeiras, mas não precisa constar do processo administrativo do lançamento, sendo que a simples emissão da RMF pressupõe sua existência. Foi esse o entendimento dos acórdãos cujas ementas estão abaixo transcritas: REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. O relatório de que trata o Decreto n° 3.724, de 2001, destinase a convencer a autoridade administrativa competente da necessidade de emissão da RMF Requisição de Movimentação Financeira e não é a sua ausência que determina a ilegalidade da prova. As informações requeridas nas RMF devem integrar o processo administrativo fiscal instaurado, se for útil à prova do lançamento de ofício. (Acórdão nº 120200.434, 1a Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 11 de novembro de 2010, relatora Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta) Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.236 18 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA Constatado que o motivo esposado em Termo integrante da peça acusatória autoriza, nos termos da norma reguladora do procedimento, o acesso à movimentação financeira, descabe falar em nulidade do lançamento em razão de inobservância de requisito legal. (Acórdão nº 130100.126, 1a Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 17 de junho de 2009, relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ALCANCE. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n°3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. (Acórdão nº 220200.241, 2a Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 20 de agosto de 2009, relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga) E apenas para complementar, registro que a própria leitura do Termo de Constatação Fiscal (fl. 2.013) indica a existência do relatório circunstanciado, uma vez que a autoridade autuante faz constar que, após não ter recebido as informações solicitadas, emitiu, em 26/9/2012, Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), e esse documento, nos termos do anexo I à Portaria SRF n° 180, de 2001, contém tal relatório. Uma outra irregularidade relativa à RMF seria a falta de demonstração de hipótese de indispensabilidade para sua emissão. Na verdade, esse argumento recursal está diretamente relacionado àquele de falta de relatório circunstanciado, pois, no entender do recorrente, somente nesse relatório deveria constar os fatos que motivaram o enquadramento na hipótese de indispensabilidade. Nesse sentido, o raciocínio já expendido afasta a necessidade de que a motivação para a emissão da RMF esteja obrigatoriamente contida em relatório circunstanciado constante dos autos. Como se verá abaixo, foi devidamente demonstrada a necessidade de se obter as informações diretamente das instituições financeiras. Além disso, deves recordar o conteúdo do §8o do art. 4o do Decreto nº 3.724, de 2001, que determina que a simples expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.237 19 Finalmente, o recorrente defende que a RMF é irregular por inexistir hipótese de indispensabilidade para sua expedição, pois deixou de prestar as informação de forma justificada, evitando afrontar os incisos X e XII, do artigo 5o da Constituição Federal, que impõem sigilo aos dados exigidos pela Fiscalização. Mais uma vez sem razão o contribuinte. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil no exercício de suas funções, nos termos do art. 927 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Já o art. 195 do Código Tributário Nacional – CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Além disso, o já citado art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, desde que atendidos determinados requisitos. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade, que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. Por consequência, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3o do Decreto nº 3.724, de 2001. Dessa forma, rejeito os argumentos de nulidade do lançamento decorrentes de irregularidades na expedição de RMF. 2.2 – Nulidades do MPF O recorrente também defende a nulidade do lançamento devido às seguintes irregularidades nos Mandados de Procedimento Fiscal MPFs: a) faltas de assinatura e de fundamentação das prorrogações e b) não inclusão expressa dos tributos reflexos, o que, apesar de previsto no art. 8o, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, afrontaria o Decreto 3.724, de 2011, que somente autorizaria a lavratura de autos de infração reflexos em casos de riscos aos interesses da Fazenda Nacional. Entretanto, a decisão recorrida demonstrou, de forma consistente, que nenhuma irregularidade existiu na emissão dos MPFs. Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.238 20 Com respeito a indigitada irregularidade do item “a”, explicitou o julgador a quo (fl. 2.148): No tocante à alegada falta de assinatura das prorrogações do MPF, cabe esclarecer que, nos termos do art. 4° da Portaria RFB n° 3.014/2011, o MPF é emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido. A ciência desse documento pelo sujeito passivo, nos termos do parágrafo único do referido art. 4°, se dá no sítio da RFB na Internet, com a utilização de código de acesso. A prorrogação do prazo, segundo o art. 12 desta mesma Portaria, poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias. Portanto, as normas que regulamentam a matéria não exigem que seja explicitada fundamentação para a prorrogação de prazo do MPF. Além disso, a ciência desse documento, no presente processo administrativo, se deu de acordo com o previsto na legislação, conforme atesta o documento de fl. 2089, no qual constam inclusive as indicações das prorrogações. No voluntário, o contribuinte insiste que não é possível aferir se foi mesmo a autoridade competente quem prorrogou os prazos, já que não há assinatura (ainda que eletrônica) sob as prorrogações, o que seria contra o princípio da segurança jurídica. Entretanto, o simples fato de o modelo eletrônico utilizado não trazer espaço para a assinatura abaixo de cada prorrogação não diminui a certeza de sua emissão pela autoridade competente. A análise de sua estrutura, como comprova o documento de fl. 2.089, deixa claro o cumprimento de todos os requisitos legais. Ademais, a possibilidade de consulta direta do documento no sítio da Internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB dá ao fiscalizado toda a segurança de que está submetido a procedimento fiscal legal. Já a desnecessidade de inclusão expressa dos tributos reflexos no MPF é consequência direta do art. 8o, da Portaria RFB n° 3.014, de 2011, como reconhecido pela própria defesa. Não concordo com a tese do recurso de que essa disposição contrariaria o Decreto n° 3.724, de 2011. Segundo o recorrente, somente existiria a possibilidade de dispensa para a expedição de MPF nos casos em que houver risco aos interesses da Fazenda Nacional. Entretanto, a ressalva apontada se refere aos casos em que é necessário se iniciar o procedimento fiscal de imediato, quando a espera pela emissão do MPF prejudicaria o resultado da ação, como diante de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária. Nessas situações, iniciase a fiscalização sem o MPF, que deve ser emitido e cientificado ao sujeito passivo no prazo de cinco dias. Na situação dos autos o MPF foi emitido normalmente, e a desnecessidade de inclusão dos tributos reflexos foi regulamentada pela RFB, nos termos do art. 2o, caput e §4o, do Decreto n° 3.724, de 2011. Ademais, devo registrar que é o entendimento majoritário desta Turma, apesar de não unânime, de que o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.239 21 caracterizam vícios insanáveis. Como exemplo, cito o Acórdão nº 1102000.911, julgado na sessão de 7 de agosto de 2013, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. No mesmo sentido, transcrevo ementa de decisão unânime da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101001.457, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012, tendo por relator o Conselheiro Valmir Sandri: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. Dessa forma, rejeito os argumentos de nulidade do lançamento decorrentes de irregularidades no MPF. 2.3 – Nulidade por Formalização Prévia de Processo O recorrente também entende que o lançamento é nulo devido à irregularidade no procedimento administrativo decorrente da lavratura dos autos de infração e da Representação Fiscal para Fins Penais enquanto ainda corria prazo para manifestação do contribuinte. Isso estaria comprovado porque, apesar de a data de lavratura constante dos autos de infração ser 1º/11/2012, o processo administrativo foi protocolado em 16/10/2012 e o processo da Representação Fiscal para Fins Penais, em 24/9/2012, quando ainda corria o prazo para que se manifestasse sobre intimação. Como a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, exige que a Representação Fiscal para Fins Penais seja formalizada após a lavratura do auto de infração, nulo seria o lançamento. Contudo, a simples protocolização de processo não significa que seu conteúdo já tenha sido formalizado. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. Quanto aos argumentos específicos quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, devese recordar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias sobre essa matéria, nos termos da Súmula CARF nº 28. Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.240 22 3 – MÉRITO No mérito, entende a defesa que a base de cálculo foi apurada com o uso indevido de presunção simples, o que seria impossível na esfera tributária. Isso porque a autoridade fiscal considerou que toda a receita obtida das operadoras de cartões de crédito e de débito foram omitidas, mesmo constando valores de receitas escriturados. Se fosse necessário utilizar de presunção, então deveria se ter presumido que toda a receita escriturada havia sido recebida por meio de cartões. Acrescenta que não é possível imputar ao contribuinte o dever de comprovar que os valores provenientes de cartões correspondem às receitas declaradas, pois compete ao Fisco a demonstração de sua acusação de omissão total de rendimentos, principalmente quando existem provas apresentadas pelo sujeito passivo no sentido de que há receitas declaradas. Argumenta que a Fiscalização exigiu que a empresa produzisse documentos e esta respondeu que estava legalmente proibida de fazêlo. Assim, se é verdade que a escrituração fiscal da empresa não permitia o completo conhecimento da formação das receitas tributáveis declaradas, deveria a Fiscalização ter iniciado procedimento de arbitramento, espécie de presunção autorizada por lei, desqualificando formalmente a escrituração do contribuinte e seguindo todos os trâmites específicos impostos pela legislação tributária federal para se chegar aos valores que considerasse omitidos. Sem razão o recorrente. Não há dúvidas de que a omissão de receitas foi cabalmente comprovada. O contribuinte declarou rendimentos de R$ 3.091.536,55, em 2008, e R$ 3.911.560,57, em 2009. Contudo, as operadoras de cartões de crédito e de débito informaram ter repassado receitas de R$ 5.969.855,58, em 2008, e de R$ 6.711.096,61, em 2009. Diante desses fatos, buscou a autoridade fiscal diligentemente apurar o montante da receita efetivamente omitida, pois seria razoável se considerar que parte dos rendimentos declarados havia sido recebida por meio de cartões, enquanto outra parcela teria sido paga por outros meios, tais como cheques, boletos bancários ou em espécie. Nesse sentido, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a demonstrar como foram auferidos os rendimentos declarados, mas se recusou expressamente a fazêlo. Por sua vez, a escrituração apresentada em nada ajudou a resolver a questão, pois os lançamentos contábeis não especificavam qual a forma de pagamento. Nesse contexto, nada mais razoável do que se considerar que todos os valores recebidos por meio de cartões não haviam sido declarados. A questão se resolve pela repartição do ônus da prova. A autoridade fiscal comprovou a existência de receitas omitidas e demonstrou que a escrituração contábil e os documentos apresentados não permitiam concluir que parte delas já havia sido tributada. Nesse momento, passou a ser ônus do contribuinte desconstituir a prova apresentada e demonstrar que parte dos rendimentos já estava declarada. Não o fazendo, prevalece a conclusão de que a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões estavam à margem da escrituração. Acrescentese que essa prova poderia ter sido feita no curso do julgamento administrativo. Esse relator não teria qualquer dificuldade em excluir parte do lançamento Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.241 23 diante da comprovação de que parcela dos valores lançados já havia sido declarada. Entretanto, o recorrente preferiu concentrar sua defesa apenas em argumentos de direito, deixando de lado os fatos efetivamente ocorridos. Finalmente, entendo que o arbitramento dos lucros poderia ter sido uma possibilidade a ser considerada pela autoridade fiscal, caso decidisse enveredar sua acusação no sentido de imprestabilidade da escrituração. Entretanto, foi também correta a alternativa utilizada de admitir que a escrituração era aceitável, mas que apenas não comprovava que as receitas recebidas por meio de cartões estavam nela contida. O que não se pode admitir é o contribuinte em nada colaborar com a Fiscalização no sentido de esclarecer se determinados rendimentos estavam escriturados, forçar um lançamento de omissão de receitas pelo valor total, e em sede de recurso defender que a autoridade fiscal deveria ter considerado sua escrituração imprestável e arbitrado seus lucros, escapando assim da totalidade do lançamento. Tratase, no meu entender, de tentativa de se beneficiar de sua própria torpeza, atitude em tudo rechaçada pelo Direito. Mantenho, assim, o lançamento do principal em sua totalidade. 4 – MULTA QUALIFICADA O recorrente alega que não é possível a qualificação da multa por falta de comprovação do evidente intuito de fraude, fato reconhecido por um dos julgadores da DRJ. Acrescenta que não há notícia do uso de documentos falsos, de utilização de interpostas pessoas, etc, e que a simples divergência de informações não comprova o dolo específico. Contudo, em análise do Termo de Constatação Fiscal (fls. 2.021 a 2.023), verificase que a majoração da penalidade não foi relacionada à simples divergência de valores, mas sim à prática reiterada (24 meses) de informar receitas de vendas bem menores do que as efetivamente recebidas (foram omitidos rendimentos 193% maiores do que os efetivamente declarados em 2008 e 171%, em 2009). Assim, o dolo estaria comprovado tanto pelo valor da omissão quanto pela repetição da infração. Concordo com a conclusão de que a prática reiterada de declarar receitas em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos serve, por si só, para comprovar a intenção dolosa de suprimir tributos, não podendo ser compreendida como simples erro de escrituração. Nesse sentido, ficou demonstrada a ocorrência de omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que é considerado como prática de sonegação nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, e justifica a duplicação da penalidade, de acordo com o §1o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É esse o entendimento de diversos julgados do CARF e da CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: QUALIFICAÇÃO DE MULTA INTUITO DOLOSO PRÁTICA REITERADA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO À FAZENDA FEDERAL COM VALORES INFERIORES AOS Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.242 24 ESCRITURADOS NOS LIVROS A reiteração da entrega de declaração em valor significativamente inferior ao constante em seus livros fiscais por longo período caracteriza o intuito doloso e autoriza a qualificação da multa. (Acórdão nº CSRF/0105.740, 1ª Turma CSRF, sessão de 3/12/2007, relator Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima) MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. (ACÓRDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008). (Acórdão nº 9101001.689, 1ª Turma/CSRF, sessão de 17/7/2013, relator Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. (Acórdão nº 1401001.004, 4ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1a Seção/CARF, sessão de 10/7/2013, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto) MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar a totalidade das vendas efetuadas, apresentando DIPJs e DCTFs com valores fictícios, durante vários períodos, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%. (Acórdão nº 1202001.015, 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/1a Seção/CARF, sessão de 7/8/2013, relator Conselheiro Geraldo Valentim Neto) Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.243 25 Assim, mantenho a multa qualificada. 5 – EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 5.1 – Responsabilidade decorrente do art. 135 do CTN A Fiscalização atribuiu ao Sr. Valter Prado Lopes, sócioadministrador da empresa, responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído de ofício, em decorrência de atos praticados com infração da lei (prática reiterada e contumaz de apresentar as declarações fiscais inexatas da empresa, com receitas sabidamente menores que as efetivamente auferidas), de acordo com o art. 135, inciso III, do CTN. Tanto o recorrente quanto o responsável tributário defendem que a responsabilidade decorrente do art. 135 do CTN é pessoal e não solidária. Como consequência, a empresa pretende ser excluída do lançamento, que deveria se voltar apenas contra o terceiro responsabilizado pessoalmente. Já o sócio deseja ser retirado do polo passivo por entender que, como não poderia ser responsabilizado solidariamente por esse dispositivo, seria nulo o Termo de Responsabilidade Solidária. Transcrevo o dispositivo em discussão: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Apesar de conhecer os posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais no sentido defendido no recurso, penso serem melhores os argumentos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT/nº 55, de 14 de janeiro de 2009, que concluem que o citado dispositivo legal trata de responsabilidade solidária. O principal argumento a favor da solidariedade é que o art. 135 do CTN não prescreve que a responsabilidade dos terceiros é por substituição, e o art. 128 do CTN somente permite a exclusão da responsabilidade do contribuinte por expressa previsão legal. Assim, no caso não se admite interpretação extensiva da legislação, prevalecendo a obrigatoriedade do sujeito passivo principal. Além disso, o sentido dessa norma é aumentar as garantias do crédito tributário, fazendo que por ele também respondam pessoalmente os terceiros que ajam com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Já a interpretação proposta diminui essa garantia, pois retira a responsabilidade da pessoa jurídica responsável pela ocorrência do fato gerador. Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.244 26 Em recente decisão, a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu que a responsabilidade do art. 135 do CTN é solidária. Transcrevo excerto do Acórdão nº 9101001.656, julgado na sessão de 14 de maio de 2013, tendo como relator o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima: A constatação acima, responsabilidade por ato ilícito, nos termos do CTN, art. 135, III, mostra que o interessado responde não por ser sócio, mas por praticar ato ilícito na gerência dos negócios da pessoa jurídica, como demonstrado nestes autos. Dessa forma, entendo que a reponsabilidade (sic) por ato ilícito exclui a subsidiariedade do responsável quanto à exigência do crédito tributário. A expressão pessoalmente, inserida no caput do referido artigo, significa que a União pode cobrar imediatamente do reponsável (sic) o cumprimento da obrigação tributária.(...) (...) (...) tratase de obrigações autônomas, a saber: o dever jurídico originário da pessoa jurídica de pagar o crédito tributário e o dever jurídico sucessivo, decorrente de ato ilícito, de adimplir a obrigação tributária descumprida pela pessoa jurídica. As duas obrigações vinculamse da seguinte forma: o inadimplemento da obrigação tributária da pessoa jurídica decorreu por ato ilícito de quem agiu como representante desta, na forma do preconizado no inciso III, do art. 135, do CTN. Assim, por serem obrigações distintas, a obrigação da pessoa jurídica permanece exigível. Corrobora desse entendimento LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA, que leciona: A grande diferença entre a regra atual (art. 135) e do dispositivo acima transcrito (art. 134) é que a responsabilidade deixa de ser supletiva para assumir um caráter de solidariedade. A justificativa é plausível: aqui, há a prática de um ato ilícito pelo responsável, seja violando a lei, seja desrespeitando o contrato ou estatuto da sociedade em que trabalha. Há quem defenda o fato da responsabilidade ser “pessoal” afastaria qualquer obrigação dos contribuintes, que ficariam, pois, exonerados. Não penso assim. A responsabilidade exclusiva do agente pode se restingir (sic) às infrações, nos casos devidamente previstos no art. 137, a ser estudado infra. Mas, quanto ao tributo em si, não vejo como excluir os contribuintes da solidariedade, afinal de contas são eles que detêm relação pessoal e direta com o fato gerador, ou seja, são eles que realizam o fato previsto na lei como tributável, ainda que por seus representantes.” (Freitas, Vladmir Passos de (Coord.)Código Tributário Nacional Comentado, 4. ed., São Paulo: RT, 2007, pp. 643644) Além do mais, o art. 128 do CTN proíbe a exclusão do contribuinte sem expressa determinação legal: (...) Para aumentar a garantia do pagamento da obrigação tributária, nos casos elencados no art. 135 do CTN, o próprio artigo estendeu a sujeição passiva ao terceiro. A “impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte” contida no art. 134 do CTN não foi repetida no art. 135 do Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.245 27 mesmo diploma legal. Naquele artigo, constatase a subsidiariedade da obrigação do responsável; neste, em decorrência da prática de ato com infração à lei, tornase razoável uma maior garantia ao Fisco, fornecida pela ausência do benefício de ordem. Estas são as razões pelas quais considero solidária a obrigação do responsável. Nesse sentido, sendo solidária a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, devese manter no polo passivo o recorrente, e rejeitar a nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária defendida pelo sócioadministrador. 5.2 – Responsabilidade Tributária do Sócio O sócio responsabilizado pelo crédito tributário também alega que não agiu com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, pois quem apresentou as declarações à Receita Federal foi a pessoa jurídica autuada e não a pessoa física do sócio. Acrescenta que o fato de ter assinado os documentos contábeis da empresa nada mais é que o cumprimento de seu dever de representante legal, já que tais documentos, sem sua assinatura, não possuem qualquer validade; Afirma também que a acusação fiscal constante dos autos se dá no sentido de que o recorrente teria infringido a Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o que justificaria a aplicação do artigo 135, do CTN. Entretanto, como não há crime no curso da discussão administrativa, impossível se falar em infração a essa lei Aduz que a lei de que fala o artigo 135, do CTN, é aquela relativa às formas de gestão e administração das pessoas jurídicas. Não fosse assim, qualquer mero inadimplemento se configuraria como infração à lei por parte de terceiro, o que já foi afastado pela jurisprudência. Refuta ainda a menção ao art. 1.016 do Código Civil para a atribuição de responsabilidade, pois tal dispositivo legal se refere a hipóteses de culpa no desempenho das funções de administrador, que são totalmente distintas daquelas previstas no artigo 135, do CTN, que exige o dolo. Finaliza afirmando que qualquer “ato” teoricamente por ele praticado não fez surgir obrigações tributárias para a empresa autuada, mais uma razão para a não aplicação do artigo 135, do CTN. Sem razão o recorrente. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a responsabilidade do “sóciogerente” decorre de sua condição de “gerente” e não de “sócio”. Assim, não basta ser sócio para que responda solidariamente pelo crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provada pelo Fisco. Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.246 28 Entendo que a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. Como já consignado, considero que restou comprovada a sonegação, caracterizada pela prática reiterada de declarar receitas em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos. E foi o sóciogerente quem elaborou os documentos contábeis e fiscais que continham as informações incorretas, não sendo possível afastar sua participação na conduta ilícita apurada. Não macula o Termo de Responsabilidade Solidária o fato de nele se ter apontado infração aos arts. 1o e 2o da Lei nº 8.137, de 1990, que trata de crimes contra a ordem tributária, pois a qualificação da multa por sonegação implica a ocorrência desses crimes. O entendimento de que só se pode falar em crime contra a ordem tributária após o fim da discussão administrativa, ou ainda o fato de que só o Poder Judiciário poderá condenar pela prática desses delitos não impedem a imputação, em tese, das infrações a esses dispositivos. Do mesmo modo, pareceme evidente que o CTN buscou responsabilizar o administrador pela infração a qualquer lei que gere consequências tributárias, e não apenas àquelas relacionadas à gestão e à administração das pessoas jurídicas. Já o argumento de que o art. 135 do CTN exige o dolo e não a culpa do agente é irrelevante para a discussão, pois foi comprovado o intuito doloso. Finalmente, a alegação de que os atos praticados pelo sócio não fizeram surgir obrigações tributárias para a empresa autuada carece de sentido, já que o presente processo cuida justamente do crédito tributário decorrente do lançamento que autuou as omissões de rendimentos surgidas a partir das ações que lhe foram imputadas. Assim, mantenho a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Valter Prado Lopes. 6 CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do responsável tributário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720537/201231 Acórdão n.º 1102001.017 S1C1T2 Fl. 2.247 29 Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10283.007044/2003-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
PIS. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF.
Numero da decisão: 9101-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
MARCOS AURÉLI PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Meigan Sack Rodrigues, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. MARCOS AURÉLI PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 01/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Meigan Sack Rodrigues, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 PIS. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. MARCOS AURÉLI PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 01/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Meigan Sack Rodrigues, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 70 44 /2 00 3- 46Fl. 525DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: MULTIBRÁS DA AMAZÔNIA S.A., pessoa jurídica já qualificada nos autos do presente processo, recorre a este Colegiado contra decisão proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém PA (fls. 141/147), que manteve o indeferimento proferido pela Delegacia da Receita Federal em Manaus — AM do pedido de restituição de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referente ao anocalendário de 1997, protocolizado na data de 05/12/2004 (fls. 63). A denegação do pedido fundamentouse no entendimento de que o prazo para 111 exercer o direito de pleitear a restituição do indébito fiscal teria sido alcançado pela decadência, nos termos do inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional — CTN, que estabelece prazo de 5 (cinco) anos para que o direito à repetição seja exercido, contados da data da extinção do crédito tributário, pelo seu pagamento espontâneo. O inconformismo da interessada quanto à denegação em causa foi manifestada junto à Delegacia da Receita Federal de Manaus — AM através do arrazoado de fls. 107/121, cujos argumentos foram assim sintetizados na decisão recorrida (fls. 143): "a) quando se trata de pedidos de restituição/compensação de indébito de tributos lançados por homologação, só a partir da operação de homologação do lançamento por parte do fisco é que começa a correr o prazo de cinco anos; b) como no presente caso pleiteiase a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de CSLL referente ao ano calendário de 1997, encerrado no dia 31/12 daquele ano, data a que se reputa a ocorrência do fato gerador da referida contribuição, haveria que se concluir que até 31/12/2007 a recorrente poderia exercitar o seu direito à restituição. Assim concluiria a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos." A sobredita decisão de primeiro grau está assim ementada: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: CSLL. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. O prazo para pleitear a restituição e/ou compensação de valores pagos a maior ou indevidamente a título de tributos e contribuições, inclusive aqueles submetidos à sistemática do lançamento por homologação, é de cinco anos contados da data do efetivo pagamento. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10283.007044/200346 Acórdão n.º 9101001.790 CSRFT1 Fl. 250 3 Solicitação Indeferida" Cientificada dessa decisão em data não disponível nos autos, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, em 22/02/2006 (fls. 152/168), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: que "ao contrário do que entende a r. decisão 'a quo', quando se está diante de tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150, fi 4°, do CTN), como é o caso da CSLL, somente depois de transcorrido o prazo de 5 anos que tem a Fazenda Pública para homologar o pagamento é que se inicia a contagem do prazo de 5 anos que tem o contribuinte para pleitear sua devolução,"; que, conforme se depreende do artigo 168, I, o prazo começa a fluir a partir da data da 411 extinção do crédito tributário, cujo prazo somente se iniciará, nos lançamentos por homologação, como no caso, a partir da sua posterior averiguação por parte do fisco, que, por seu turno, dispõe de cinco anos para efetuála. Dessa forma, a extinção do crédito tributário estaria condicionada ao transcurso de cinco anos da data do pagamento do tributo, período do qual dispõe a Fazenda Pública para homologar o pagamento, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN; que somente a partir dos cinco anos após a ocorrência do pagamento é que se iniciaria "o outro prazo de cinco anos para o contribuinte pleitear a restituição do tributo, salvo se houver manifestação expressa do sujeito ativo não concordando com as providências do contribuinte (observado o prazo de 5 anos), o que não ocorreu no presente caso concreto, já que houve a homologação tácita", ou seja, o contribuinte disporia do prazo de 10 (dez) anos para requerer o valor do tributo pago indevidamente; que esse tem sido o entendimento dos Conselhos de Contribuintes, consoante decisões citadas mediante transcrição das ementas (fls. 161/162); que decisão do STJ, cuja ementa transcreve, estabelece o dia 31 de dezembro como a data da ocorrência do fato gerador da CSLL, a exemplo do que ocorre em relação ao IRPJ; que, de acordo com o que prescreve o art. 1° do Decreto ° 2.346, "quando da existência de orientação consagrada pelo E. STF, os atos da Administração Pública por ela devem se pautar."; É o relatório. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1997 Ementa: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 CSLL REPETIÇÃO DE INDÉBITO — PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA Dó ART. 168 — I DO CTN. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido é de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Inconformada com a decisão que negou provimento ao recurso voluntário por considerar que o prazo decadencial do pedido de restituição/compensação é de 5(cinco) anos a partir do pagamento indevido, a contribuinte apresentou recurso especial (fls. 207/220), o qual foi admitido (fls. 235/238) pela presidente da 4ª Câmara da 1ª SEJUL. Devidamente cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso do sujeito passivo (fls. 239/244). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Analisando as condições de admissibilidade do presente recurso especial, entendo que deve ser admitido. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao prazo prescricional par restituição de indébito, visto que a decisão recorrida entendeu que o prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido é de 5 (cinco) anos, a contar da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). No caso presente, o indébito é de 1997 (suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997) e o pedido foi protocolizado em 26 de dezembro de 2003 (fls. 0102), portanto mais de cinco anos após o indébito alegado. O contribuinte propugna pela tese dos 5 mais 5 anos, contado do recolhimento indevido, e a PGFN na tese que é de cinco anos contados do pagamento. Essas posições já foram sustentadas pelos diversos órgãos julgadores do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes. Porém, atualmente nenhuma delas deve prevalecer para o período em debate. A posição que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC nº 118/2005 (que passou a ter vigência efetiva a partir do dia 09 de junho de 2005, em virtude do vacatio legis previsto em seu art. 4º). A referida decisão do STF, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie, que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE Fl. 528DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10283.007044/200346 Acórdão n.º 9101001.790 CSRFT1 Fl. 251 5 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Deve, portanto, ser revista a decisão recorrida. Os indébitos relativos aos fatos geradores anteriores a 28/09/1990 (período 01/01/1989 a 27/091990) foram atingidos pela prescrição, visto que o pedido foi protocolizado em 28/09/2000. São passíveis de restituição/compensação indébitos incorridos em relação aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28/09/1990 a 31/10/1993 Assim, no caso sob julgamento, a prescrição não atinge os débitos pleiteados, de 1997 (suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997), pois, considerando que o pedido foi protocolizado em 26 de dezembro de 2003, os fatos geradores que supostamente originaram o indébito de 1997 ocorreram dentro do interstício temporal de Fl. 529DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 dez anos contados anteriormente à data do protocolo pedido, o qual foi feito antes do dia 9 de junho de 2005. Neste sentido, deve ser afastada a prescrição em relação indébitos pleiteados para efeito de compensação. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, devendo retornar à origem, para que o pedido de compensação seja analisado pela DRF, que indefiru o pedido sem efetivar sua análise quando aos outros aspectos. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10680.721751/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106.
O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio.
In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN.
No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
4. Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 - A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.694
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor do redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106. 1. O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. 2. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. 3. No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 4. Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 51 /2 01 0- 95 Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor do redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, período de 01/2007 a 12/2007, não recolhidas em época própria. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 03 de maio de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ABONO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. O pagamento de abono a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o saláriodecontribuição, por não estar desvinculado do salário nos termos previstos em lei. ASSINSTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Para que os valores relativos à assistência médica e odontológica ofertada pela empresa entejam fora do alcance do campo de incidência das contribuições previdenciárias, deve a mesma ser oferecida à totalidade dos empregados e dirigentes. Inteligência do Art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/91 e alterações. Os valores pagos a título de assistência médica e odontológica aos dependentes dos trabalhadores têm natureza salarial e não estão abarcados na lista de verbas não incidentes de contribuição previdenciária do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 03/12/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Para cumprimento do princípio da retroatividade benigna, deve ser comparada a multa de mora da redação anterior do artigo 35, II, ‘a”, (24%) somada à multa punitiva pelo descumprimento da obrigação acessória do art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, (CFL 68), com a multa de ofício do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Somente a parte impugnada deve ser submetida ao julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Os fatos considerados pela Fiscalização como geradores das contribuições teriam ocorrido no decorrer de 2007, tendo sido assim identificados pela fiscalização no relatório fiscal que acompanha a autuação: a) pagamento de abonos pecuniários e prêmios por tempo de serviço firmados em convenções coletivas de trabalho (levantamentos AB1, AP1 e PR1); b) pagamento efetuado a título de participação nos lucros e resultados (levantamento PL1); c) fornecimento de alimentação em desacordo com o PAT (levantamento AL1); d) pagamentos efetuados a transportadores autônomos e não incluídos em folhas de pagamento ou GFIP (levantamento FF1); e) despesas com assistência médica e odontológica (levantamentos AM1 e AO1); f) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho (levantamento CO1). A recorrente apresentou defesa apenas para questionar os lançamentos relacionados aos abonos pecuniários (rubricas AB1 e AP1), bem como os valores gastos com auxílio médico e odontológico (AM1 e AO1), que não podem ser considerados integrantes do salário de contribuição. Quanto aos abonos pecuniários, a Recorrente arguiu que, devido à ausência de habitualidade nos seus pagamentos, resta clara a impossibilidade de tal verba integrar o salário de contribuição, sobretudo porque inocorreu qualquer creditamento a esse título nos exercícios subsequentes. Por outro lado, demonstrouse a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de assistência médica e odontológica, em resumo, sob os seguintes fundamentos: (i) a assistência não é prestada a um grupo seleto de funcionários, sendo prevista sempre em convenções coletivas específicas a todos os funcionários dos estabelecimentos a elas vinculados; (ii) por força da autonomia dos estabelecimentos, a análise se o benefício é prestado a todos os funcionários e dirigentes deve ser efetuada separadamente em cada estabelecimento; (iii) o caráter assistencial do benefício, inclusive em razão dos descontos na folha dos empregados, comprova que a sua natureza é claramente indenizatória; (iv) subsidiariamente, demonstrouse a insubsistência do lançamento a partir de junho de 2007, momento em que todos os funcionários de todos os estabelecimentos se encontravam assistidos pela assistência médica e odontológica. Demonstrouse também a forma abusiva e ilegal com que a Fiscalização atuou ao aplicar multa de ofício de 75% do valor do crédito principal constituído, haja vista a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, que é a multa de mora de 20% (art. 35, da lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08). Não incide contribuições previdenciárias sobre os abonos pecuniários pagos pela recorrente. Não incide contribuições previdenciárias sobre os valores relacionados à assistência médica e odontológica. Demonstrouse na impugnação que, caso a parcela do lançamento impugnada não seja cancelada na íntegra, deve ser determinada a retificação da penalidade Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 6 5 aplicada, consubstanciada na multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da lei nº 9.430/96, não aplicável às contribuições previdenciárias quando da ocorrência dos fatos geradores. Isso, haja vista a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, que é a multa de mora de 20% (art. 35, da lei 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08). Contudo, o r. acórdão recorrido afastou esse argumento, sob o fundamento de que a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.420/1996 se referiria a contribuições sociais não pagas dentro do prazo, de forma espontânea, antes de iniciado o procedimento sancionador fiscal, sendo inaplicável ao presente caso. Por todo o exposto, requerse a reforma do r. acórdão recorrido, para que: a) Seja cancelado o lançamento fiscal no que se refere aos levantamentos “AB1”, AP1”, “AM1” e “AO1”, haja vista se ter demonstrado que os valores relacionados não podem ser considerados como integrantes do salário de contribuição; b) Na improvável hipótese desse pedido principal não ser considerado procedente: i) Seja cancelado o lançamento referente aos levantamentos “AM1” e “AO1” do período de junho a dezembro de 2007, haja vista a demonstração de que todos os funcionários de todos os estabelecimentos da Recorrente eram assistidos; ii) Seja cancelada a multa de ofício, restando aplicada a penalidade mais benéfica, nos termos expostos no item “II.3”. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como restou demonstrado, a recorrente foi autuada por descumprir diversos procedimentos previstos em lei. Contudo, em sua peça impugnatória ela limitouse a discutir apenas quatro levantamentos. No ponto, eis os argumentos do próprio contribuinte, verbis: A recorrente apresentou defesa apenas para questionar os lançamentos relacionados aos abonos pecuniários (rubricas AB1 e AP1), bem como os valores gastos com auxílio médico e odontológico (AM1 e AO1), que não podem ser considerados integrantes do salário de contribuição. No que se refere aos abonos pecuniários a fiscalização entendeu que tais benefícios não estavam em conformidade com a legislação previdenciária, motivo pelo qual efetuou o lançamento. De igual modo, o acórdão recorrido também segue esse entendimento, in verbis: De acordo com os dispositivos acima transcritos, somente abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei não integram o saláriodecontribuição. Convenções Coletivas de trabalho não dispõem de força normativa capaz de alterar a definição de institutos próprios de Direito Previdenciário, não podendo estabelecer se sobre determinada verba incidirá ou não contribuição previdenciária. Não integram o saláriodecontribuição exclusivamente as parcelas previstas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, combinado com o § 9º do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, o fato de Sindicatos entenderem que esse Abono Especial não se sujeita à incidência de nenhum encargo tributário, trabalhista ou previdenciário, não garante sua exclusão do campo de incidência das contribuições ora exigidas. De fato, o entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 8 7 De outra parte, no que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No ponto, veja como dispõe o acórdão recorrido, in verbis: A empresa argumenta que todos os cinco funcionários da filia 23.929.979/001235 também estavam devidamente assistidos, conforme pode ser verificado pelas GFIP juntadas no Anexo D, que discriminam os segurados vinculados a este estabelecimento, e pelas faturas online exemplificativas e geradas pela empresa Vitallis Saúde S.A, juntadas no Anexo C. Ocorre que essas faturas juntadas (Anexo C) não são suficientes para comprovar que esses funcionários eram beneficiários desse Plano Assistencial. A empresa deveria ter juntado outros documentos, como Folhas de Pagamento, onde constasse o desconto sofrido pelo segurado, demonstrando a sua inclusão nos Planos oferecidos pela empresa. A empresa reconhece que os benefícios assistenciais eram oferecidos apenas nos estabelecimentos vinculados aos Sindicatos que celebravam Convenções Coletivas de Trabalho que continham cláusulas expressas acerca de Planos de Saúde e Odontológicos. Como se pode observar, realmente o contribuinte não conseguiu demonstrar coerência em sua tese. Em relação às verbas relacionadas aos Planos de Saúde e Odontológico, o lançamento deverá ser mantido. Contudo, em relação à multa aplicada, entendo que razão assiste ao contribuinte. Sobre a multa de mora, Mauro José da Silva (in Contribuições Previdenciárias à Luz da Jurisprudência do CARF – São Paulo. MP Ed., 2012. p. 180 e 192), assim leciona: A multa de mora deve ser limitada a 20%, tendo em vista a determinação da nova redação do art. 35 da lei 8.212/91 c/c o art. 61 da lei 9.430/96. Esta é a posição que tem prevalecido, por maioria, nos julgamentos da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF. No Poder Judiciário há algumas decisões nesse mesmo sentido. O art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 não pode ser aplicado, uma vez que a infração falta de recolhimento só passou a ser punida com a referida multa de ofício após o advento da Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 9 8 novel legislação e sua aplicação encontraria óbice no art. 105 do CTN. Portanto, em relação à multa, correto o posicionamento do contribuinte, devendo ela ser limitada a 20% (vinte por cento), por se tratar de situação mais benéfica conforme dispõe a alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Peço vênia ao I. Relator para divergir de sua posição quanto à aplicação da multa de mora. Ficou demonstrado que o lançamento decorre do descumprimento por parte do contribuinte de suas obrigações fiscais/tributárias, bem como que o lançamento é o típico lançamento de ofício, ou seja, aquele feito pelo agente do fisco no desempenho de suas atribuições legais, bem como as contribuições não foram declaradas em GFIP. Deste modo, penso que a aplicação correta da legislação sobre a multa de ofício seja a que a seguir esclareço. A multa de setenta e cinco por cento só é aplicável a fatos geradores e lançamentos realizados a partir de 04/12/2008 data da entrada em vigor da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, uma vez que o lançamento regese pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda, que posteriormente modificada, artigo 144, da Lei 5.172/66. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721751/201095 Acórdão n.º 2803002.694 S2TE03 Fl. 10 9 Assim sendo, até 03/12/2008 a multa a ser aplicada ao presente lançamento é a constante do artigo 35, da Lei 8.212/91 com a redação vigente antes da entrada em vigor da MP 449/2008, isto é, a multa variável de vinte e quatro a cem por cento (24% a 100%), sendo que se a multa chegar a oitenta por cento (80%), nos termos do artigo 35, III, “c”, da Lei 8.212/91, deverá ser ela limitada aos setenta e cinco (75%) instituída pelo artigo 35A, da Lei 8.212/91 introduzida pela Lei 11.941/2009, observada à época do pagamento, parcelamento ou execução. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito darlhe provimento parcial par aplicar a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação velha, limitada ao percentual da multa instituída pelo artigo 35A, da lei 8.212/91, introduzida pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10935.722212/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE PROVAS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA.
Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de análise de documentos juntados à impugnação/manifestação de inconformidade, bem como pela fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato.
Numero da decisão: 1102-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do acórdão recorrido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE PROVAS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de análise de documentos juntados à impugnação/manifestação de inconformidade, bem como pela fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato.
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Recorrente TORRES, POPENGA E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE PROVAS. DECISÃO BASEADA EM PREMISSA FALSA. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de análise de documentos juntados à impugnação/manifestação de inconformidade, bem como pela fundamentação baseada em uma premissa inexistente de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do acórdão recorrido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório O processo versa sobre a exclusão do contribuinte TORRES, POPENGA E CIA LTDA do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01.07.2007, e dos lançamentos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 22 12 /2 01 2- 04 Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 3 2 ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL) que lhe seguiram, efetivados na modalidade do lucro arbitrado. Originariamente os processos eram distintos, constando os referidos lançamentos de ofício no Processo nº 10.935.722.244/201200, entretanto, foram posteriormente (mas antes do julgamento pela autoridade julgadora a quo) reunidos no presente. No Termo de Representação para exclusão do Simples Nacional (fls. 211) detalha a fiscalização os motivos que conduziram à expedição do Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 005/2012, de 18.09.2012 (fls. 897). Foram dois os motivos apontados: (i) ter deixado de escriturar a movimentação bancária; e (ii) ter auferido receita bruta em valor superior ao limite para permanência no regime. Pelo segundo motivo, sua exclusão surtiria efeitos a partir de janeiro de 2008, contudo, pelo primeiro motivo, sua exclusão retroagiu a 01.07.2007. O contribuinte apresentou os extratos bancários de sua movimentação financeira, em atendimento a intimação fiscal para este fim. De acordo com o relato contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1276 1686), a fiscalização excluiu os valores que, pelo histórico do extrato bancário, denotavam não se tratar de receita (estornos, devoluções de cheques, resgates de aplicações, empréstimos e financiamentos, etc) e intimou a empresa a comprovar a origem dos demais créditos havidos. A fiscalizada não respondeu à intimação. Numa segunda intimação a respeito, apresentou alguns contratos de empréstimos bancários, os quais comprovaram a origem de apenas alguns créditos, restando a maior parte não comprovados. A fiscalização constatou que a empresa informava em suas Declarações Anuais do Simples Nacional – DASN valores de receita bruta inferiores aos que constavam em sua escrituração comercial, conforme se expõe na tabela abaixo: Período Receita Bruta Informada DASN Receita Bruta Escriturada 2o Sem2007 400.234,28 788.348,01 2008 784.693,79 1.340.583,78 2009 831.995,00 1.244.113,12 2010 1.005.061,30 1.414.541,85 2011 1.497.824,00 3.163.574,56 A fiscalização também constatou que a empresa não escriturou a movimentação bancária relativa à conta mantida no Banco do Brasil (a conta de maior movimentação) nos anos de 2007, 2008, 2010 e 2011, limitandose a escriturar apenas a movimentação bancária nos Bancos HSBC e SICOOB, de menor expressividade, naqueles períodos. E que, no ano de 2009, embora tenha escriturado a movimentação bancária no Banco do Brasil, esta se revelou muito superior (créditos totais de R$ 6.179.811,32) à receita declarada. Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 4 3 Tendo em vista a exclusão da empresa do Simples Nacional, e o disposto no art. 32, §2º da LC nº 123/2006, a fiscalização intimoua para que declinasse sua opção pela forma de tributação (Lucro Presumido, Lucro Real trimestral ou anual). Registrou a fiscalização que a empresa não se pronunciou sobre a intimação, e que, não tendo ela manifestado qualquer opção por alguma forma de tributação, tacitamente aceitou o arbitramento. O arbitramento foi justificado com base no art. 530, inciso II, alínea ‘a’, do RIR/99 (imprestabilidade da escrituração para identificar a efetiva movimentação financeira), tendo em vista que a sua movimentação financeira bancária não fora escriturada na conta Bancos, e tampouco fora possível identificála na conta Caixa. As receitas declaradas pela empresa nas declarações simplificadas (DASN) respectivas (receitas de vendas e receitas de prestação de serviços) foram tributadas pelo lucro arbitrado por meio dos percentuais específicos a cada atividade e subtraídas do montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, ao entendimento de que já estariam incluídas no montante da movimentação bancária. Com relação à parcela da receita omitida, por não haver esclarecimentos quanto à sua origem, foi utilizado o percentual de arbitramento mais elevado, correspondente à prestação de serviços. Os valores declarados no Simples Nacional foram aproveitados no lançamento de ofício. Sobre todos os valores lançados a multa de ofício cominada foi de 75%. A ciência da exclusão do Simples Nacional ocorreu em 21.09.2012, e, dos lançamentos de ofício, em 17.11.2012. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a exclusão (fls. 12201382) e contra os lançamentos de ofício (fls. 28472915), cujos argumentos sintetizo a seguir: Quanto à exclusão Preliminares: a) nulidade da exclusão por não ter o termo de exclusão sido registrado no portal do Simples Nacional, conforme previsto no artigo 4º da Resolução do CGNS nº 15 de 23/07/2007, com as alterações da Resolução CGSN nº 23, de 16/11/2007, bem como em razão de não ter sido aguardado o fim do processo administrativo instaurado para que fossem conferidos efeitos à exclusão. b) nulidade do procedimento por falta de comunicação acerca da prorrogação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, conforme determina o artigo 9º da Portaria RFB nº 3.014, de 24/06/2011, circunstância que faz com que o contribuinte se sinta coagido, caracterizando ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e ampla defesa, e ao princípio da legalidade; c) nulidade do procedimento por falta de alteração do MPF para inclusão do Simples Nacional, conforme determina o artigo 7º, §1º, da mesma Portaria; Mérito: Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 5 4 d) falta de fundamentação legal para a exclusão e não subsunção da situação de fato aos dispositivos invocados, pois: i) não houve falta na escrituração do livro caixa (a empresa apresentou os livros solicitados pelo fisco), e não houve falta de identificação da movimentação bancária (a empresa apresentou seus extratos bancários), e ii) não houve a suposta falta de comunicação da exclusão obrigatória, a hipótese utilizada pelo fisco é de exclusão por desrespeito ao limite de receita bruta permitida em razão das omissões de receita constatadas, .cujo enquadramento legal correto seria o § 9o do artigo 3o da LC 123/2006, dispositivo não invocado pelo fisco; e) decadência do direito de lançar, relativa aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, e consequente impossibilidade de considerar a receita supostamente omitida destes meses para o cálculo da receita total auferida no período de apuração considerado (julho a dezembro de 2007), o que faz com que a empresa fique dentro do limite estabelecido pela legislação de regência, e torna nula a exclusão efetuada; f) duplicidade de cômputo, na autuação, das receitas escrituradas, posto que a movimentação bancária foi somada à receita escriturada mas não declarada (vide tabela que instrui o item 4.13 do Termo de Representação.Administrativa, às fls.8 do processo), isto é, foi considerado pela fiscalização que toda a receita escriturada da empresa foi movimentada pela conta Caixa, sem passar por bancos, o que é um absurdo; g) impossibilidade de fazer a juntada integral da documentação comprobatória, em razão de o Diário e demais documentos (exceto os extratos bancários, que foram devolvidos) ainda se encontrarem em poder da fiscalização; h) existência de equívocos na apuração dos valores omitidos, que serão oportunamente demonstrados, e necessidade de exclusão de outros valores da base de cálculo da omissão de receitas, conforme planilhas (empréstimos, desconto de títulos, cheques descontados, empréstimos de sócios – transferências e depósitos on line, desbloqueio de depósitos); i) necessidade de recomposição das receitas e da verificação quanto aos eventuais efeitos sobre a sua exclusão. Quanto aos lançamentos de ofício Preliminar: j) necessidade de reunião de todos os processos decorrentes da ação fiscal para o julgamento em conjunto: processos 10935.722212/201204 (exclusão do Simples Nacional), 10935.722244/201200 (lançamentos de ofício do IRPJ e reflexos), 10935.722242/201211 (lançamento das contribuições previdenciárias de julho/2007 a dezembro/2008), e 10935.722432/201257 (contribuições previdenciárias de janeiro/2009 a dezembro/2011), de modo a preservar a segurança jurídica e evitar decisões conflitantes; Mérito: Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 6 5 k) a impossibilidade do lançamento de ofício depois de protocolada a manifestação de inconformidade com efeito suspensivo contra o Termo de Exclusão do Simples Nacional; l) subsidiariamente, a inaplicabilidade da multa de ofício, caso se considere que o presente lançamento tenha ocorrido para fins de prevenir a decadência, uma vez que se encontrava suspensa a exigibilidade dos débitos; m) decadência dos fatos geradores ocorridos nos meses de julho e agosto de 2007; n) não subsunção da situação de fato aos dispositivos invocados para fundamentar a exclusão (letra ‘d’ acima); o) não superação do limite para permanência no regime em 2007, ante a comprovação da origem de parte da movimentação bancária, da decadência parcial, e duplicidade de cômputo das receitas escrituradas; p) ausência de explicação para o fato de a fiscalização ter descontado do valor de movimentação bancária o valor de receita declarada, mas não ter procedido da mesma forma com relação ao valor de receita não declarada, estando tanto uma quanto a outra escrituradas; q) quanto ao §9º do art. 3º, caso não se entenda pela sua aplicação com base na redação original da LC 123/06, que prevê a exclusão por excesso ao limite no anocalendário seguinte, e se entenda pela sua aplicação com base na nova redação dada pela Lei Complementar n° 139, de 2011, que prevê a exclusão por excesso ao limite no mês subseqüente à ocorrência do excesso, exceto se o excesso não for superior a 20%, é importante identificar exatamente o mês em que se deu o excesso, para só então estabelecer o início dos efeitos da exclusão, o que a autoridade fiscal não fez, limitandose a excluir a contribuinte com efeitos retroativos ao mês de julho de 2007; r) quanto ao PIS e à COFINS, erro no enquadramento legal, e necessidade de exclusão do ICMS das suas bases de cálculo; s) não incidência de juros sobre a multa de ofício; t) impossibilidade da utilização do arbitramento como forma de apuração, pois, embora a empresa não tenha contabilizado a conta Bancos, sua escrituração não apresenta fraudes, vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar o que nela está disposto, ademais, a movimentação bancária é plenamente identificável por meio dos extratos apresentados; u) ilegal desconsideração da forma de apuração adotada por opção da empresa, e, subsidiariamente, obrigatoriedade da fiscalização de adotar o lucro real, e não o arbitrado, quando desconsidera a opção da empresa. Analisando a peça de defesa, a 2a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba julgoua parcialmente procedente, proferindo o Acórdão no 0639.942, cuja ementa encontrase assim redigida: Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 7 6 “Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRAZO DECADENCIAL. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas na Lei Complementar nº 123 de 2006. Todavia, a eventual constituição de crédito tributário estará sujeita aos prazos de decadência estabelecidos no CTN. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO PERMITE IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Restando comprovado que a escrituração mantida pela contribuinte não permite identificar a movimentação financeira, principalmente bancária, caracterizando afronta ao inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 que instituiu o regime simplificado, é de se julgar procedente o Termo que determinou sua exclusão ao benefício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA Impõemse reconhecer decaído o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento para exigir tributos relativos aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 17/11/2012. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ATOS LEGAIS. DISCUSSÃO As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada ao Poder Judiciário. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS E PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 8 7 O protesto pela juntada de novos documentos aos autos, deve ser fundamentado e concomitante à apresentação da correspondente documentação, ficando prejudicado, destarte, o pedido efetuado no desfecho da peça impugnatória, no sentido de posterior juntada de documentos, frisandose que, até a data do presente julgamento, o suplicante não trouxe qualquer documentação adicional que pudesse justificar o referido pedido. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que restasse caracterizada a falta de indicação do tributo ou contribuição no Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento de controle interno da administração tributária, não constituiria causa à nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CIÊNCIA DAS PRORROGAÇÕES VIA INTERNET. PREVISÃO LEGAL. A ciência pelo sujeito passivo das prorrogações e demais alterações no curso do procedimento se dá por intermédio da Internet, mediante a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. LIMITAÇÃO À COMPETÊNCIA QUANTO À MATÉRIA DESIGNADA A CADA TURMA DE JULGAMENTO As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos, observada a limitação quanto à matéria designada via Portaria específica a cada uma das Turmas de Julgamento que compõem a DRJ. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de escrituração da movimentação financeira registrada em contas correntes bancárias demonstra a existência de falhas na escrituração contábil da pessoa jurídica, autorizando o arbitramento do lucro, no caso presente, com base na receita bruta conhecida, composta por receitas escrituradas e receitas omitidas. LIVROS FISCAIS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Configura omissão de receita a escrituração insuficiente, nos correspondentes livros comerciais/fiscais das receitas auferidas pelo contribuinte e verificadas em sua movimentação bancária. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 9 8 Por expressa previsão legal caracterizamse omissão de receita os valores creditados em contas de depósito mantidas juntos a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS Na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep é incabível a exclusão do ICMS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS Na apuração da base de cálculo da Cofins é incabível a exclusão do ICMS.” Em síntese, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da empresa do Simples Nacional nos moldes em que efetuada, e julgou parcialmente procedente a impugnação, para reconhecer decadente o direito de efetuar o lançamento para exigência dos tributos referentes aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, e para manter, na íntegra, as exigências relativas aos demais períodos alcançados pela autuação. Cientificada desta decisão em 15.04.2013, conforme AR de fls. 3031, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14.05.2013, fls. 30383151, no qual reprisa integralmente os argumentos expostos na inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: A decisão recorrida não analisou os autos do processo e ignorou a manifestação expressa e inequívoca da recorrente acerca do regime de apuração do lucro a ser utilizado em decorrência da sua exclusão do sistema do Simples Nacional, pois ratificou a equivocada afirmação da fiscalização de que, ao ser intimada a respeito, nada respondera.. Às fls. 15051506 encontrase a resposta dada pela recorrente em 08.10.2012, na qual informa sua opção pelo lucro presumido, nos seguintes termos: “Assim, informa a Requerente que irá optar pelo recolhimento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do Lucro Presumido.” A decisão recorrida também não apreciou os diversos documentos apresentados pela recorrente, alegando que teriam sido juntadas somente notas fiscais sem outras provas que as correlacionassem a questionamentos da autoridade fiscal, os quais a recorrente torna a insistir e especificar onde se encontram nos autos. Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 10 9 Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Procede o protesto da recorrente com relação à falta de análise, por parte da autoridade recorrida, de parte dos documentos apresentados na impugnação. Transcrevese a seguir trecho do acórdão recorrido a respeito (destaquei): “Da solicitação para exclusão de valores 92. A manifestação de inconformidade vem repleta de planilhas, algumas das quais estão reproduzidas no relatório, onde a contribuinte solicita a desconsideração de valores que seriam decorrentes de cobranças, cheques descontados empréstimos dos sócios e outros. Ocorre que embora o contribuinte tivesse alegado que apresentaria a documentação comprobatória em sessenta dias ou afirmasse que a documentação comprobatória se encontrava nos autos, nada foi apresentado e, desta forma nenhum valor foi considerado comprovado. Quanto aos documentos juntados à manifestação de inconformidade, como já mencionado anteriormente, tratamse apenas de notas fiscais emitidas no ano calendário de 2011, sem outras provas que possam correlacionar a valores que tenham sido objeto de questionamento pela autoridade fiscal.” Entretanto, a manifestação de inconformidade é acompanhada de diversos anexos, contendo documentação relativa aos valores que pretende a recorrente ver excluídos: as notas fiscais a que se refere a DRJ estão no Anexo IV, e a ele seguemse os Anexos V a XIII, contendo outros itens, entre empréstimos bancários, desconto de títulos, desconto de cheques, etc, os quais não foram mencionados pela autoridade julgadora a quo. É compreensível que a DRJ possa ter sido induzida ao erro, em razão da má qualidade na instrução dos autos na sua forma eletrônica. Explico: a manifestação de inconformidade inicia às fls. 1220 e segue (já nos anexos citados pela DRJ) até as fls. 1496. Contudo, ela continua às fls. 903 e segue até as fls. 1216 (nesta parte contendo os anexos não citados pela DRJ). Ainda que escusável ou justificado o equívoco perpetrado pela DRJ, resta patente que a recorrente teve o seu direito de defesa cerceado, uma vez que parte significativa da sua peça de defesa não foi analisada por aquele colegiado. Entendo que esta falha não pode ser suprida ou sanada nesta instância. Deste modo, em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 11 10 Fiscal, e visando a garantir o exercício do direito à ampla defesa, necessário se faz declarar a nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja proferido, contemplando a análise dos citados documentos. Além disto, procede também o protesto da recorrente com relação ao fato de ter a DRJ ignorado a sua manifestação acerca do regime de apuração do lucro a ser utilizado em decorrência da sua exclusão do sistema do Simples Nacional. Transcrevese a seguir trecho do acórdão recorrido a respeito (destaquei): “DO RECLAMO DE QUE DEVERIA TER SIDO TRIBUTADA PELO LUCRO REAL (...) 136. Eis mais uma alegação que não prospera. (...) 137. A contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04/2012, recepcionado em 21/09/2012, foi chamada a optar pela forma de tributação que pretendia adotar, posto que fora excluída do Simples Nacional, mas nada respondeu. Desta forma, foi adotado o arbitramento por aceitação tácita, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. Assim, nenhuma irregularidade foi constatada. Todos os atos observaram os ditames legais vigentes, no caso o previsto no §2º do artigo 32 da Lei Complementar nº 123, de 2006, que expressamente prevê a consulta feita. Se algum equívoco ocorreu, foi por parte da interessada que se furtou a responder ao questionamento do fisco e agora vem contestar o lançamento.” Conforme relatei ao norte, de fato a fiscalização, equivocadamente, também mencionara que o contribuinte não teria respondido à intimação, o que caracterizaria aceitação tácita do arbitramento levado a efeito. Entretanto, o arbitramento propriamente dito foi justificado pela fiscalização, conforme também ao norte relatado, com base no art. 530, inciso II, alínea ‘a’, do RIR/99 (imprestabilidade da escrituração para identificar a efetiva movimentação financeira), tendo em vista que a sua movimentação financeira bancária não fora escriturada na conta Bancos, e tampouco fora possível identificála na conta Caixa. Ou seja: o fato de a fiscalização ter equivocadamente afirmado que o contribuinte não respondera à intimação não caracterizou qualquer vício que inquine o procedimento fiscal de nulidade, uma vez que não foi a suposta falta de resposta à intimação a causa do arbitramento levado a efeito. Contudo, por parte da DRJ, o fundamento utilizado para a manutenção do arbitramento foi tão somente a falta de resposta à intimação, a qual, conforme visto, não ocorreu de fato. A ementa do acórdão recorrido, já ao norte transcrita, a bem da verdade, aponta outros fundamentos para o arbitramento do lucro, que não a falta de resposta à intimação. Contudo, neste caso, há que se destacar o descompasso entre o que da ementa constou e o fundamento apontado no voto para justificar o arbitramento. Assim, também por este motivo há de ser proferida uma nova decisão. Afinal, considerando que o contribuinte respondeu à intimação fiscal para declinar sua opção pela Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1102001.005 S1C1T2 Fl. 12 11 forma de tributação que pretendia adotar ao ser excluída do Simples Nacional, cumpre à DRJ fundamentar adequadamente os motivos pelos quais entende cabível (ou não), no caso, o arbitramento. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja proferido na boa e devida forma. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15504.018255/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
O fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, torna-se elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta.
Não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, em momento oportuno, justifica a lavratura de auto de infração.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. O fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, tornase elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta. Não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, em momento oportuno, justifica a lavratura de auto de infração. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 82 55 /2 00 9- 71 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo Banco BMG S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e que manteve o crédito tributário referente ao período de 01/06/2004 a 31/12/2005. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff. 122/128, o auto de infração 37.238.2673 foi lavrado por descumprimento de obrigação principal, tendo em vista que a empresa deixou de recolher a contribuição social previdenciária incidente sobre os prêmios Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 350 3 pagos aos empregados segurados, nas competências de 06/2004 a 12/2005, correspondente à parte da empresa. Transcrevo abaixo parte do referido relatório: “1 Este Relatório é integrante do Auto de Infração AI DEBCAD N° 37.238.2673 de contribuições devidas a Seguridade Social, pela empresa autuada, na qualidade de sujeito passivo da contribuição social prevista no artigo 195, inciso I da Constituição Federal, correspondente à parte da empresa, inclusive o RAT (Riscos Ambientais de Trabalho) incidente sobre valor de premiação paga a empregados. 1.1 A empresa tem como objetivo social a prática de todas as operações ativas, passivas e acessórias permitidas nas normas legais e regulamentares para o funcionamento dos bancos comerciais, dos bancos de investimento, inclusive câmbio, das sociedades de crédito, financiamento e investimento, das sociedades de arrendamento mercantil e das sociedades de crédito imobiliário (5a Região) através das respectivas carteiras.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 140), impugnou o lançamento tempestivamente às ff. 135/155. Ao analisar os argumentos trazidos na peça impugnatória, a primeira instância administrativa, à f. 225, remeteu os autos ao auditor fiscal responsável pelo lançamento a fim de que emitisse Relatório Fiscal Complementar, com a respectiva reabertura do prazo para a defesa, uma vez que não houve a citação da Lei 8.212, de 1991, artigo 33, parágrafos 3º e 6º, fundamento legal que autoriza o arbitramento. 4. Dessa feita, a complementação do relatório foi oferecida pelo agente fazendário (ff. 227 e 228), oportunidade em que apresentou o respaldo legal necessário para o lançamento, como consta no ponto 2.1 do mesmo. 5. A empresa foi novamente intimada (f. 241) e protocolizou impugnação tempestivamente às ff. 232/262. Após o exame das peças, a instância a quo julgou parcialmente procedentes os pedidos da empresa e manteve em parte o crédito tributário. A decisão restou ementada às ff. 302/311, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A regra da decadência é a prevista no Código Tributário Nacional. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 A verga paga pela empresa aos segurados por meio de programa de incentivo, administrado por intermédio de empresas de premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 6. Irresignada, a empresa interpôs tempestivamente o recurso voluntário às ff. 321/343, no qual aduz, em síntese: Preliminarmente, : a) pugna pela aplicação do artigo 150, § 4º do CTN para declarar decaídos os créditos tributários das competências de 06/2004 a 10/2005, tendo em vista que considera que o lançamento se deu de forma válida, apenas em 18/10/2010, com o recebimento da notificação do Relatório Fiscal Complementar; b) alega ainda que devese aplicar o artigo 150, § 4º pois não houve ausência de recolhimento e somente a arrecadação a menor; c) no mérito, sustenta que não se pode exigir crédito tributário por presunção, como o fez o auditor fiscal ao considerar a totalidade dos valores pagos à empresa SIM Incentive Markeing Ltda, sem afastar o que foi pago a título de remuneração da mesma. O fato de a Recorrente não ter em seus controles a relação discriminada dos supostos beneficiários, não enseja a possibilidade do lançamento ser auferido indiretamente; d) o prêmio concedido não possui natureza salarial o que afasta o disposto no inciso I do artigo 22, da Lei 8.212, de 1991, para incidência da contribuição social previdenciária; e) entende que o Fisco deveria ter diligenciado junto à empresa responsável pelo programa de incentivo (SIM incentive marketing) ao invés de ter aferido indiretamente o débito, com base nos pagamentos efetuados a empresa de marketing; g) busca a aplicação da lei mais benéfica, artigo 79, I, da Lei 11.941, de 2009, que seria a multa de mora limitada a 20%, conforme artigos 35, da Lei 82.212, de 1991 e art. 61, da Lei 9.430, de 1996. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a este Conselho para exame e julgamento desta matéria em sede recursal. Este é o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 351 5 Voto Vencido Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Em sede de preliminar, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte. 3. A primeira instância administrativa considerou que “não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, pois o sujeito passivo sequer reconhecia a base de cálculo ora apurada como salário de contribuição” e assim, como regra decadencial aplicou o art. 173, inciso I do CTN. 4. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 5. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 352 7 da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 9. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (f. 16), que foram analisados os seguintes documentos: Folhas de pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e outros elementos. Reconhecese, portanto, que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Assim, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 10. Ressaltese que no presente caso, houve a lavratura de Relatório Fiscal Complementar em 18/10/10, assim considerase essa a data definitiva do lançamento fiscal, fato já reconhecido pelo colegiado a quo. 11. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do Relatório Fiscal Complementar em 18/10/10, referente às contribuições do período de 01/06/2004 a 31/12/2005 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 06/2004 a 10/2005, restando mantidas somente as competências 11/2005 e 12/2005. 12. Na sequência, considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO 13. Como bem relata o relatório fiscal no item 2.1.4 (f. 196) os elementos que serviram de base para o levantamento fiscal do débito foram as notas e faturas de serviços, emitidas pela empresa SIM Incentive Marketing Ltda, apresentadas pelo próprio sujeito passivo, as quais foram confrontadas com os lançamentos contábeis do período. 14. Isso por que, apesar da fiscalização ter requerido a apresentação da “relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas fiscais emitidas pela SIM Incentive Marketing LTDA”, conforme consta no Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), ff. 13/14 a recorrente não atendeu ao solicitado e por consequência o auditor fiscal aferiu indiretamente o valor do débito, nos termos da Lei 8.212/91, artigo 33, §3º, conforme relatório fiscal complementar f. 227. 15. Dessa forma, o fato de a empresa não possuir em seus controles a relação discriminada dos beneficiários e dos valores pagos a título de premiação, tornouse elemento determinante do procedimento adotado pela fiscalização, qual seja a aferição indireta. 16. Ainda sobre esse aspecto a recorrente aduz em seu recurso que “o fato de o recorrente não ter em seus controles a relação discriminada dos supostos beneficiários das parcelas pagas pela empresa contratada não enseja a possibilidade do lançamento se efetivar via aferição indireta. Ora, o Recorrente não estava obrigado a manter em sua escrita fiscal os documentos solicitados pela Fiscalização, posto que não há a presença dos requisitos que compõem o alicerce normativo da incidência das contribuições previdenciárias (habitualidade e nãoeventualidade)”e sugere que o Fisco deveria ter diligenciado em face da empresa SIM Incentive Marketing, pois a contratada para fazer o pagamento e controle do recebimento do Cartão Prêmio possuía a documentação pertinente. 17. Ocorre que entendo que nesse ponto não merece guarida a alegação da recorrente, uma vez que tendo em vista que os pagamentos de fato eram feitos à empresa de marketing que apenas os repassava para aqueles que fizessem jus ao benefício, a empresa deveria sim manter esse controle de pagamentos e têlos apresentado ao Fisco no momento oportuno. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 353 9 18. Ressalto ainda que foi dada ao contribuinte a oportunidade de apresentar tais documentos tanto na apresentação da primeira impugnação, quanto na apresentação da segunda, após o relatório complementar e ainda assim a empresa sequer teve a preocupação de requerer os documentos da empresa contratada. 19. Sendo assim, apesar de entender que a incidência de contribuição previdenciária somente seria cabível se comprovado a habitualidade dos pagamentos, retirando a incidência daqueles que respeitarem o limite de dois pagamentos ao ano, por analogia à legislação de regência da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), não vislumbro tal hipótese in casu, tendo em vista que a recorrente não acostou aos autos documentos hábeis que possibilitassem o meu posicionamento nesse sentido. 20. Dessa forma, não acato os argumentos colacionados pela recorrente nesse ponto. DA MULTA APLICADA 21. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 23. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: a) decotar do lançamento o período abrangido pela decadência quinquenal, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, qual seja 06/2004 a 10/2005; b) aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, quanto à aplicação do prazo decadencial, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por aplicar a regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. De fato, o STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Todavia, no caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, I, do CTN, , uma vez que não houve recolhimento antecipado da contribuição devida, incidentes sobre as rubricas objeto do lançamento. O referido dispositivo legal, estabelece que: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15504.018255/200971 Acórdão n.º 2301003.092 S2C3T1 Fl. 354 11 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entendo, ainda, que o prazo começa a contar a partir da cientificação do sujeito passivo do AI, e não a partir da ciência do Relatório Fiscal Complementar, como quer o Relator. Dessa forma, considerando que a cientificação do AI pelo contribuinte se deu em 26/11/2009 (AR de fls.130), e o débito se refere ao período de 06/2004 a 12/2005, constata se que não se operara a decadência, pois, a partir de 12/2003, inclusive, a Fazenda Pública encontravase ainda no direito de lançar o crédito tributário. Cumpre esclarecer que, na aplicação da regra contida no art. 173, I, do CTN, para a competência 12/2003, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2004, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2005, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, voto por NEGAR provimento ao recurso, em relação à decadência. É como voto. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002504/00-67
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Perc. Momento da Comprovação da Regularidade Fiscal
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37).
Numero da decisão: 1801-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Perc. Momento da Comprovação da Regularidade Fiscal Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes
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Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 25 04 /0 0- 67 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho que indeferiu o PERC apresentado pela interessada em 29/09/2000. Trata, assim, o processo, de pedido de emissão de incentivos fiscais – PERC, protocolizado pela interessada em 29/09/2000, com destinação de parte do IRPJ apurado ao FINOR em investimentos direcionados à Lever Igarassú S/A, estabelecida na área da SUDENE, no valor total de aplicação de R$ 909.148,35, conforme opção que teria sido feita na respectiva DIRPJ do anocalendário 1997, ficha 10. (fls. 01/02). Por meio de Despacho Decisório (fls. 318 e ss.) o pedido foi indeferido, ao argumento de que a empresa possuiria pendências – débitos em aberto relativos a FGTS, PROFISC, SIEF, PGFN – que a impediriam de usufruir do benefício fiscal. Afirmou a autoridade que a interessada teria sido intimada a regularizar as pendências, conforme intimação n º 1.260, cientificada em 10/03/2008 (fls. 118 e verso) Consignouse que, após a intimação, foram feitas novas análises e, ainda assim, persistiriam pendências, conforme relatório à fl. 360 débitos na PGFN, débitos no Sief, débitos no Profisc, e FGTS. Como não houve regularização da situação, o pedido foi indeferido. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a interessada invocou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, alegou ter apresentado, ao longo do andamento dos autos, certidões positivas com efeito de negativas, da SRF, PGFN e INSS, que teriam sido ignoradas pela autoridade administrativa competente, entendendo, dessa forma, haver cumprido com o que lhe fora solicitado. Apreciando o litígio a 2a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo /SPI afastou a preliminar de nulidade do despacho decisório. No mérito observou que a certidão apresentada e anexada à fl. 52 trataria, apenas, de débitos administrados pela então SRF, o que não comprovaria a regularidade perante outros órgãos como PGFN, INSS e FGTS. Argumentou aquela turma julgadora que a aferição da regularidade da situação fiscal do contribuinte deve se referir ao momento em que é proferida a decisão que lhe conferirá o benefício e que, naquele momento, a interessada não estava com sua situação fiscal regular, razão pela qual julgou improcedente o pedido (fls. 402/413). Notificada da decisão, em 30/10/2009 (AR fl. 414, verso), apresentou a interessada, em 30/11/2009, recurso voluntário. Em sua defesa invoca, novamente, a nulidade do despacho decisório por considerálo genérico e superficial na motivação, caracterizando, Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 3 3 assim, cerceamento do direito de defesa. Nesse aspecto afirma que a DRF de origem não teria especificado as pendências e restrições verificadas em seu nome, o que teria prejudicado o seu direito de oferecer a correta defesa. Entende que o Despacho Decisório deveria ter trazido os elementos necessários à identificação dos débitos pendentes junto à RFB e PGFN, e não ter se referido, genericamente, às pendências, como o fez, sem apontálas expressamente. No mérito aduz que obteve, no dia 23/11/2009, nova certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, perante a RFB e PGFN, além de nova certidão, em 21/08/2009, perante o INSS. Ressalta que sempre possuiu situação regular perante a Receita Federal do Brasil, tendo apresentado documentos fiscais em momentos distintos para comprovar a sua regularidade desde o protocolo do PERC. No entanto, devido à burocracia enfrentada perante as repartições da RFB, se viu impossibilitada de renovar constantemente suas CNDs, o que não significa que a sua situação estava irregular perante os órgãos e repartições públicas. Alega possuir atividade empresarial notoriamente conhecida em diversos segmentos comerciais, e muitas sociedades empresárias incorporadas e considerando a dimensão de sua atividade empresarial, juntamente com a burocracia enfrentada perante as repartições públicas responsáveis pela emissão de Certidões Negativas de Débito, não seria razoável que a autoridade fiscal lhe exigisse a constante renovação das referidas certidões como único meio de prova da sua regularidade fiscal. Invoca a inconstitucionalidade do art. 60 da Lei n º 9.069, de 1995, que teria instituído sanção política ou indireta, violando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e, conseqüentemente, as disposições do art. 5o., LIV, da CF. Esclarece que independentemente das CNDs já apresentadas, também seriam aptos a comprovar sua regularidade fiscal os demais documentos apresentados ao longo do processo, uma vez que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, se valido fosse, exige mera comprovação, mediante qualquer meio adequado, de situação de regularidade fiscal, sem fazer qualquer menção à apresentação de CND. E acrescenta que, exigir isso de contribuinte que, em diversos momentos anteriores, já havia obtido CND para esse fim, seria postura ainda mais descabida, concluindo que, além das certidões já apresentadas no passado, os demais documentos apresentados, sendo legítimos, válidos, idôneos, e englobando inclusive documentos oficiais do Poder Judiciário, não poderiam ser recusados ou ignorados pelas autoridades administrativas como forma de comprovação da situação de regularidade fiscal. Quanto ao momento da aferição da comprovação da regularidade fiscal observa que o entendimento adotado pela Turma Julgadora de 1a.instância seria incabível, uma vez que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, não traria qualquer previsão quanto ao referido momento. A referida norma limitaria a estabelecer a necessidade de comprovação de regularidade fiscal do contribuinte como condição para a concessão de incentivos fiscais. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente. 1.1 NULIDADE DA DECISÃO DA DRF A recorrente alega que a decisão do órgão de origem a respeito de seu pleito foi “genérica e superficial” e “não forneceu subsídios que viabilizassem suas defesa”. Aduz que o indeferimento do PERC não trouxe “qualquer mínimo detalhe acerca dos eventuais débitos questionados”. A afirmação não é verdadeira. Antes da emissão do referido parecer, a DRF/SPO efetuou inúmeras pesquisas juntos aos sistemas internos da RFB, PGNF e FGTS. Como resultado foram produzidos e anexados aos autos: 1) o extrato obtido junto à CEF, datado de 29/02/2008, do qual constam o apontamentos de diversas pendências em empresas do grupo da recorrente, nos seguintes termos: As informações disponíveis não são suficientes para a comprovação automática da regularidade do empregador perante o FGTS. Solicitamos comparecer a uma das Agências da Caixa, para obter esclarecimentos adicionais... (fls. 87/117); 2) o extrato obtido junto aos sistemas internos da SRF e PGNF (fls. 121/216, também datado de 29/02/2008 apontando várias pendências existentes junto aos referidos órgãos – débitos em cobrança junto ao PROFISC (fls. 177, 208), débitos inscritos em DA na PGFN (fls. 123/124, 142, 186; 196/204) e débitos em cobrança junto ao SIEF (fl. 190/192). Tendo constatado tais irregularidades a DRF em São Paulo/SP, providenciou a intimação da interessada para que regularizasse referidas pendências. Assim, foi emitida a intimação n º 1.260, de 03/03/2008 (fl. 118), cientificada em 10/03/2008 (AR fl. 118, verso) da qual constou a seguinte solicitação: Por este instrumento, fica o contribuinte acima identificado intimado a solucionar as pendências constantes dos itens assinalados com "X": ... (X) Débito(s) inscrito(s) na Dívida Ativa da União. (Apresentar Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa quanto a Dívida Ativa da União emitida pela PFN) . (X) Pendência junto ao FGTS. (Apresentar Certificado de Regularidade na CV dos CNPJ:61.068.276/000104; 00.797.015/000122; 01.811.558/000110; 56.911.506/000107; 59.274.068/000101; 61.339.529/000129; 60.397.387/0001 93; 92.238.211/000185; 66.644.170/000117 e 60.397.395/000130). (X) Débito(s) em cobrança no SIEF, conforme consulta anexa. (Efetuar as devidas regularizações). Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 4 5 (X) Débito(s) em cobrança no PROFISC, conforme consultas anexas. (Efetuar as devidas regularizações). E a advertência, ao final da intimação: O prazo para estas providências será de trinta dias, a contar da data da assinatura no Aviso de Recebimento do Correio. O não atendimento a esta intimação provocará o indeferimento do Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais, exercícios 1998 (PERC/ 1998). Um dos documentos apresentado pela recorrente é o de fls. 52 E a resposta da recorrente, à fl. 120, que consignou a impossibilidade de atender à intimação pois (i) não poderia apresentar certidão de regularidade fiscal em nome de Kibon, que havia sido incorporada pela Gessy Lever que, posteriormente, passou a chamar Unilever e, (ii) o PERC já havia sido apresentado com todas as certidões de regularidade fiscal pertinentes. As certidões mencionadas pela empresa, na resposta a intimação, tratamse, na verdade, de uma única certidão positiva com efeitos de negativa de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal anexada à fl. 52 e não engloba os débitos existentes perante a PGFN. Posteriormente, em 24/07/2008, foram efetuadas novas pesquisas junto aos sistemas internos da RFB, PGFN e CEF, conforme extratos às fls. 219/348, e as pendências persistiam, como constou do quadro resumo à fl. 360. Portanto, o parecer da DRF em São Paulo/SP, emitido em 28/07/2008, que indeferiu o PERC, foi exaustivamente fundamentado e devidamente motivado nas diversas pesquisas efetuadas e na intimação encaminhada à interessada, cuja solicitação não foi atendida. Todos os fatos e dados foram devidamente deduzidos no parecer atacado e se encontram amplamente demonstrados nos autos, que sempre estiveram à disposição da parte interessada para análise. Afasto, portanto, a alegação de nulidade do parecer da DRF em São Paulo/SP, por cerceamento do direito de defesa. 2 Mérito. 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 60 DA LEI N º 9.069, DE 1995. Não serão apreciadas as alegações a respeito de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei, em virtude da existência de posicionamento consolidado deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 2.2 REGULARIDADE FISCAL E MOMENTO DE SUA COMPROVAÇÃO. Afirmou a recorrente que “esteve com sua situação fiscal em perfeita regularidade desde o momento em que foi apresentado o PERC para o exame das autoridades fiscais, tendo elas simplesmente ignorado toda a documentação anteriormente apresentada pela...” Como já foi consignado em parágrafos anteriores, a documentação a que se refere a Recorrente tratase, em verdade, de uma única certidão – não conjunta – emitida pela SRF, positiva com efeitos de negativa. A certidão da SRF, sozinha, não prova a regularidade fiscal de nenhum contribuinte, que pode possuir débitos de tributos administrados pela SRF, mas que se encontram em aberto perante a PGFN, por terem sido inscritos em Dívida Ativa, ou por se encontrarem em fase de cobrança amigável. Nesse ponto específico a própria certidão documento apresentada pela defesa foi clara, consignando ao final a seguinte observação: Esta certidão referese exclusivamente à situação do contribuinte no âmbito da Secretaria da Receita Federal, não constituindo por conseguinte, prova de inexistência de débitos inscritos em divida ativa da União, administrados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Nessas condições, a certidão apresentada pela recorrente, à fl. 52, por ocasião da protocolização de seu pedido, não provou, na época, a regularidade de sua situação fiscal. Assim, desde a data do protocolo dos autos até a data de emissão do parecer do órgão de origem, datado de 28/07/2008 (fl. 361), que analisou o pedido, a interessada não se encontrava em situação regular e possuía diversos débitos e pendências em aberto, junto ao FGTS (Caixa Econômica Federal), SIEF, PROFISC e PGFN. E, como consignado acima, todas essas pendências foram perfeitamente identificadas por ocasião da intimação n º 1.260/2008 (fl. 118), pela qual foram solicitadas as devidas regularizações. E nada foi acrescentado aos autos, comprovando a regularidade da situação fiscal da recorrente, até o momento em que foi proferida a decisão da DRJ em São Paulo – DRJ/SPI, em 29/09/2009. Contudo, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, a recorrente providenciou a apresentação e anexação aos autos das certidões de fls. 441 e 442 que se referem, respectivamente, a (i) certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União (fl. 441) e (ii) certidão positiva com efeitos de negativa de débitos relativos às contribuições previdenciárias e às de terceiros. A Portaria Conjunta PGFN/RFB, n º 3, de 2 de maio de 2007, com as alterações introduzidas pela Portaria Conjunta n º 01, de 2010, que estabelece a forma como deverá ser comprovada a regularidade fiscal do contribuinte, determina: Art. 1º A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de: I certidão específica, emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com informações da situação do sujeito passivo quanto às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 5 7 II certidão conjunta, emitida pela RFB e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Divida Ativa da União, por elas administrados. § 1º A comprovação de inexistência de débito de que trata o art. 257 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, farseá mediante apresentação da certidão a que alude: I o inciso I do caput, em relação às contribuições de que tratam os incisos I, III, IV e V do parágrafo único do art. 195 do referido Decreto; II o inciso II do caput, em relação às contribuições de que tratam os incisos VI e VII do parágrafo único do art. 195 do referido Decreto. § 2º A certidão de que trata o inciso I do caput será emitida conforme os modelos constantes nos Anexos XI a XVIII a esta Portaria, nos termos do disposto na Instrução Normativa RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009. § 3º O direito de obter certidão nos termos desta Portaria é assegurado ao sujeito passivo, devidamente inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Física (CPF), independentemente do pagamento de taxa. § 4º No caso de pessoa jurídica, a certidão será emitida em nome da matriz e abrangerá todas as suas filiais. Assim, as referidas certidões apresentadas pela recorrente, emitidas em agosto e novembro de 2009, demonstram a regularidade fiscal da empresa, naquele momento, e atendem às exigências do artigo 1o. da Portaria Conjunta n º 3, de 2007, acima transcrito. Quanto ao momento processual para comprovação da regularidade fiscal este órgão de julgamento já possui entendimento consolidado e pacificado, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. Antecipandome àqueles que entendem que antes de sua aplicação devese extrair o sentido da referida Súmula, à luz dos fatos processuais, assinalo que todas as interpretações possíveis a respeito do tema foram exaustivamente feitas ao longo dos anos, neste próprio órgão colegiado e o teor da Súmula resume, com precisão, todas essas posições. Entendo pertinente, neste momento, reproduzir, apenas a título ilustrativo, trechos de acórdãos que serviram de paradigma na edição da Súmula. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Com efeito, o Acórdão n º 10809.808, de 19/12/2008, do então 1o. Conselho de Contribuintes, 8a. Câmara, de relatoria do Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA 1RPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. – É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido, Do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro, extraio os seguintes trechos: Ora, conforme aduzido pelo próprio Recorrente, a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida quanto ao período relacionado à opção, que, no presente caso, deveria ser de 1995 ou, no máximo de 1996, ano de entrega da declaração de rendimentos. Noutro falar, não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal com a indicação de existência de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa, no momento do despacho denegatório de seu pleito. Isto porque, o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo, inclusive o primeiro despacho decisório se deu em 2000, sendo a retificadora entregue em 1996 (fls. 85), evidenciando, naquela oportunidade, que o débito encontravase suspenso por medida liminar, tendo sido inscrito na dívida ativa equivocadamente, conforme consta a fls.258 verso e clara petição do sujeito passivo a fls. 256/257. Este entendimento foi adotado em recente julgamento deste E. I° Conselho de Contribuintes, que em caso semelhante, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, restando assim ementado: "INCENTIVOS FISCAIS PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatá rio do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Provido". (Recurso n" 159255; 7a. Câmara; Relatora Silvana Rescigno Guerra Barreto; Sessão 06/03/2008; Acórdão 10709323). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 6 9 E ainda o Acórdão n º 19500.110, de 10/12/2008, do então 1o. Conselho de Contribuintes 5a. Turma Especial de relatoria do Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" – COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. E do voto: Destarte, que este conselho reiteradamente tem se manifestado no sentido de que não é razoável exigir do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal no momento (incerto) de exame do PERC, devendo esta comprovação se reportar ao momento da opção pelo incentivo fiscal, com a entrega da DIPJ. Por outro lado, a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível (ao contribuinte) que essa comprovação se faça em qualquer fase do processo. Com efeito, esse entendimento já se encontra assentado neste conselho, como se extrai do brilhante voto da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido, no acórdão n° 10196.863 de 13/08/2008, da l° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que assevera (in verbis): "O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo." (Nossos Grifos) Corrobora essa assertiva também a brilhante decisão que teve como relator o Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto da 3a. Câmara do 1° Conselho de contribuintes, cuja ementa, peço vênia para transcrever (in verbis): "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:1997 Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Publicado no D.O.U. n°226 de 20/11/2008. Acórdão n°10323569 da 3a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 17/09/2008 Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (Nossos Grifos). No caso tratado nos presentes autos, a autoridade administrativa deslocou a aferição da regularidade fiscal da empresa para o momento em que examinou o PERC. Nessas condições, devese admitir a comprovação da regularidade fiscal, pela defesa, no momento da apresentação do recurso voluntário, já que ainda não esgotada a discussão acerca de seu pleito na esfera administrativa. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11020.000004/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE MATA NATIVA.
Em 2005, as áreas de mata nativa somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto se fossem efetivamente caracterizadas como áreas de preservação permanente ou de reserva legal, nos termos dos artigos 2o. e 16 do Código Florestal, o que não se verificou no presente caso.
A partir de 2007, não integram a área tributável desde que observem o disposto no art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, alínea e, da Lei n.° 9.393, de 1996.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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ISENÇÃO. ÁREAS DE “MATA NATIVA”. Em 2005, as áreas de “mata nativa” somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto se fossem efetivamente caracterizadas como áreas de preservação permanente ou de reserva legal, nos termos dos artigos 2o. e 16 do Código Florestal, o que não se verificou no presente caso. A partir de 2007, não integram a área tributável desde que observem o disposto no art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, alínea “e”, da Lei n.° 9.393, de 1996. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 00 04 /2 00 9- 12 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 142 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 117/135) interposto em 28 de outubro de 2011 contra o acórdão de fls. 109/112, do qual o Recorrente teve ciência em 10 de outubro de 2011 (fl. 116), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 71/73, lavrado em 05 de janeiro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n° 4.771/1965 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei n° 7.803/1989. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 109) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 117/135, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, ter comprovado nos autos que a área de mata nativa apontada foi comprovada por meio de laudo técnico, motivo pelo qual deveria ser considerada área de preservação permanente, para efeitos do cálculo do ITR. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 143 3 De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 144 4 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 145 5 Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 146 6 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 147 7 § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 148 8 § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 149 9 ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 150 10 Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.º 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.º 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.º 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1º, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de uma análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §7º do art. 10 da Lei n.º 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n.º 2.16667/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo referese justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste último. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 151 11 Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior à data da ocorrência do fato gerador, no caso que ora se trata. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 152 12 entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 153 13 De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Poderseia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 154 14 ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, o auto de infração foi lavrado pelos seguintes motivos: “De acordo com o Laudo Técnico apresentado, o levantamento planimétrico efetuado para demarcação das áreas de APP's, conforme o art. 2o. do Código Florestal (Lei n° 4.771/65), demonstrou que estas áreas totalizam 344,80 ha, constituindose em áreas que margeiam rios e arroios (202,57 ha), áreas de açudes, lagoas, lagos e banhados (128,88 ha) e áreas que circulam nascentes d'água (13,35 ha). Entretanto, em sua DITR o.contribuinte informou uma área de APP de 762 ha, excedendo, portanto, em 417,20 ha, que, segundo o Laudo Técnico, constituemse, genericamente, em área de "mata nativa". Essas áreas denominadas de matas nativas passaram a poder beneficiarse de isenção de ITR apenas a partir do exercício de 2007 e se em acordo com a legislação pertinente (Lei n°11.428/2006 que introduziu a alínea "e" no inciso II, § 1o., do art. 10 da Lei n° 9.393/96). Para efeitos tributários esta área, de 417,2 ha, que não se enquadra como área de preservação permanente e nem em nenhuma outra hipótese de.isenção prevista na Lei 9.393/96, não pode ser excluída da tributação de ITR.” A DRJ julgou improcedente a impugnação, confirmando esse entendimento, nos seguintes termos: “Na impugnação e no Laudo apresentado, a justificativa apresentada para a declaração da área como de preservação permanentes é que se trata de área de mata nativa. Registrese que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR. com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. E, portanto, não há justificativa Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 155 15 para se reconhecer que as referidas áreas estavam isentas de ITR antes dessa alteração no artigo citado. Não há que se falar em retroação, pois a norma que estipula isenção somente tem validade para fatos geradores futuros e deve ser interpretada literalmente (Código Tributário Nacional, art. 111).” Em seu recurso, o Recorrente pede que a área de “mata nativa” seja considerada “área de preservação permanente” para os efeitos do cálculo do ITR. Ocorre, todavia, que, em 2005, ano do fato gerador do tributo, a área de “mata nativa” somente poderia ser excluída da base do cálculo do tributo se fosse efetivamente caracterizada como área de preservação permanente nos exatos termos do artigo 2o. do Código Florestal ou como área de reserva legal, à luz do artigo 16 do mesmo Código, o que não se verificou na hipótese dos autos. Assim, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10921.000340/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/01/2005 a 28/03/2005
INFORMAÇÕES SOBRE A CARGA TRANSPORTADA. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA.
A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decreto-lei nº 77, de 1966.
CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quando o auditor-fiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66.
MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO.
No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado.
INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA.
Aplica-se a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto-lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindo-se a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3401-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/01/2005 a 28/03/2005 INFORMAÇÕES SOBRE A CARGA TRANSPORTADA. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decreto-lei nº 77, de 1966. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quando o auditor-fiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO. No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado. INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA. Aplica-se a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto-lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindo-se a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal.
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RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decretolei nº 77, de 1966. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quando o auditorfiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E”, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO. No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado. INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 40 /2 00 9- 49 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Aplicase a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindose a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 133 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, pelo qual foi lançada multa de R$ 50.000,00, em razão de a Autuada ter, supostamente, prestado informações fora do prazo, em relação a exportações realizadas no ano de 2005. A Autuada apresentou impugnação, mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o lançamento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veiculo transportador. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/10/2011 (fl. 84) e interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2011, com as alegações resumidas abaixo: 1 Ilegitimidade passiva, haja vista a Recorrente não ser transportador, mas sim agente de navegação; 2 O auto de infração é nulo porque a descrição dos fatos está incorreta, vez que a Recorrente está sendo indicada como transportadora quando, na verdade, é agente marítima; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 3 A infração descrita na legislação é deixar de prestar informação, contudo, a Recorrente prestou informação, ainda que intempestivamente, de modo que não se pode aplicar a multa por conduta diversa da prevista na legislação; 4 A multa aplicada é irrazoável e desproporcional; 5 A prestação de informação fora do prazo, mas antes do início do procedimento fiscal constitui denúncia espontânea; Ao fim, a Recorrente pediu que o auto de infração seja anulado, em razão das preliminares apontadas, ou julgado insubsistente. Alternativamente, pediu a redução da multa. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente combate a manutenção do auto de infração, lavrado em razão de ela ter prestado informação sobre operações de exportação fora do prazo. No recurso voluntário, são suscitadas as seguintes matérias: (1) ilegitimidade passiva; (2) nulidade do auto de infração por erro na descrição dos fatos; (3) conduta descrita na lei diversa da praticada; (4) irrazoabilidade e desproporcionalidade da multa aplicada; (5) denúncia espontânea. Limitadas as matérias, podese passar a análise. 1. Da ilegitimidade passiva A Recorrente alega sua ilegitimidade passiva, por ser mera agência de navegação marítima. Todavia a alegação da Recorrente não prospera. Conforme elucida o art. 4º, da IN/SRF nº 800, de 28 de dezembro de 2007, as agências marítimas são as representantes da empresa de navegação estrangeira no país. Por sua vez, o parágrafo único, inciso II, do art. 32, do Decretolei nº 37/66 dispõe que é responsável solidário pelo imposto “o representante, no país, do transportador estrangeiro”. Nessa linha, é inquestionável que a Recorrente é responsável solidária, nos termos do art. 128, do CTN. Portanto, não resta dúvida quanto à responsabilidade passiva da Recorrente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 134 5 2. Da nulidade do auto de infração por erro na descrição dos fatos A Recorrente sustenta que o auto de infração é nulo em razão da incorreta descrição dos fatos, pois no auto de infração ela é indicada como transportadora quando, na realidade, é agência marítima. A alegação da Recorrente não é suficiente para causar a nulidade do auto de infração, pois, como mencionado acima, ela é representante da transportadora internacional e, como tal, é responsável pelas informações, figurando, assim, como transportadora no SISCOMEX. Logo, não há motivo para declarar o auto de infração nulo. 3. Da descrição legal da conduta O enquadramento legal da infração praticada pela Recorrente é o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que assim dispõe: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga”. A Recorrente alega que, muito embora tenha prestado as informações intempestivamente, não praticou o ato descrito no decretolei, pois não deixou de prestar a informação. Todavia a alegação apresentada não corresponde à melhor interpretação da norma. A tipificação da conduta não é apenas deixar de prestar informação, mas também deixar de prestar na forma ou no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Nessa linha, se o sujeito apresentar as informações depois do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, estará cometendo a infração de “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pela Recorrente. O que Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 se discute é se o atraso na informação é a conduta tipificada no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66 e, como já analisado, a conduta da Recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração. 4. Da multa aplicada A Recorrente argumenta que a multa aplicada é desproporcional e irrazoável. Foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em consonância com a previsão do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66, por cada embarque, cuja informação foi prestada fora do prazo. O valor da autuação chegou ao patamar R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) porque foram 10 (dez) embarques em datas e em navios diferentes. Em outras palavras, não existiu lançamento desproporcional ou desarrazoado, o montante de autuação somente ficou alto por causa do grande número de embarques com descumprimento da legislação. Outrossim, a multa está prevista na legislação e não existe previsão para a redução do valor aplicado. 5. Da denúncia espontânea A Recorrente sustenta que ocorreu a denúncia espontânea, em razão de ela ter prestado as informações antes da lavratura do auto de infração. A denúncia espontânea é instituto previsto no art. 138, do CTN, a qual exclui a responsabilidade do sujeito passivo, quando este cumpre a obrigação e, se for o caso, paga o tributo e os juros antes do início do procedimento fiscal. Nessa hipótese, a multa pela infração cometida é excluída. A infração tratada nestes autos, por ser infração administrativa, até o ano de 2010, não gozava do benefício da denúncia espontânea. Contudo, no ano de 2010, com o advento da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º, do art. 102, do Decretolei nº 37/66 passou a prever a exclusão da multa na denúncia espontânea também para as infrações administrativas, conforme é possível verificar abaixo: “§ 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento”. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 135 7 Muito embora a nova redação acima transcrita seja posterior aos fatos que ensejaram a multa, sua aplicação é retroativa, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN. No caso ora analisado, não resta dúvida de que as informações sobre os embarques, não obstante tenham sido prestadas depois do prazo, foram informadas antes da lavratura do auto de infração, cediço que a lavratura ocorreu somente em 2009, enquanto as informações de todos os embarques foram prestadas ainda no ano de 2005, conforme exposto pelo próprio auditorfiscal na planilha elaborada na fl. 11. Diante desses fatos, é clara a existência de denúncia espontânea, motivo de declaração de insubsistência do auto de infração. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reformar o acórdão da DRJ e declarar insubsistente o auto de infração objeto deste processo. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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