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Numero do processo: 13839.001516/2006-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES.
A operação societária de subscrição de ações equipara-se a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7º.e 8º. da Lei 9.532/1997).
Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária.
CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA - Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO - As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Numero da decisão: 9101-001.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Por maioria de votos, foi dado provimento em parte ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional: a) Por maioria de votos, recurso negado em relação ao ágio. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva e Plínio Rodrigues Lima. b) Por maioria de votos, recurso negado em relação a multa isolada. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). c) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação a juros sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Fez sustentação oral o advogado Giancarlo Chamma Matarazzo OAB/SP nº 163.252.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
(assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, , Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. A operação societária de subscrição de ações equiparase a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 7º.e 8º. da Lei 9.532/1997). Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária. CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Por maioria de votos, foi dado provimento em parte ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional: a) Por maioria de votos, recurso negado em relação ao ágio. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 15 16 /2 00 6- 64 Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.568 2 Plínio Rodrigues Lima. b) Por maioria de votos, recurso negado em relação a multa isolada. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). c) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação a juros sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. – Fez sustentação oral o advogado Giancarlo Chamma Matarazzo OAB/SP nº 163.252. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, , Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.569 3 As questões versadas nos recursos referemse a: a) possibilidade de amortização do ágio na subscrição de ações; b) concomitância da multa isolada; c) aplicação de juros sobre a multa. Para o bom entendimento destas questões, é importante entender o cerne da operação que foi o objeto da autuação. A CPQ (Casa do Pão de Queijo) Brasil S.A (contribuinte autuado) incorporou as empresas Futura Alimentos Ltda., a CNM Participações Ltda. e a ENF (Empresa Nacional de Franquias S/C Ltda). Nessa operação de incorporação, a contribuinte (CPQ Brasil S.A) manteve em seu ativo o valor do ágio existente na Futura (ágio oriundo de investimento da Futura na CNM) e amortizouo (o ágio), considerando as contrapartidas de amortização como despesas dedutíveis na apuração do lucro tributável. No fim da operação, a CPQ passou, unicamente, a concentrar a sua atuação na exploração do sistema de franquias da Casa do Pão de Queijo. Isto foi o resultado de uma reorganização societária, cujo panorama de partida era o seguinte: Os senhores Alberto Carneiro Neto e Marco Aurélio Aliberti Mammana possuíam a totalidade do capital social da empresa CNM, isto é, as pessoas físicas citadas controlavam, por meio da CNM (holding) a operação da Casa do Pão de Queijo. Esta holding, a CNM detinha a totalidade do capital (menos uma cota), das empresas ENF (empresa nacional de franquia), da Sutram Indústria e Comércio Ltda, empresa que, posteriormente, veio a ser denominada CPQ Brasil S.A (contribuinte autuada) e CPQ LTDA. Então havia o seguinte: Entendida a arrumação societária do grupo, passase a verificar a operação de alienação de participação societária. A empresa Futura Alimentos Ltda., controlada pela empresa Garuda S.A, representou esta empresa no negócio firmado com as pessoas físicas de Alberto e Marco Aurélio para aquisição de parte da CNM, em que se estabeleceu, em síntese, que: a) 55,48% do capital social da CNM seriam vendidos pelos sócios (Alberto e Marco Aurélio) para a Garuda; Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.570 4 b) a transformação da CNM em sociedade anônima; c) aumento do seu capital social no valor de R$ 10.000.000,00, a ser integralmente subscrito pela Garuda, por meio de subscrição de novas ações, o que geraria para a Garuda um ganho de percentual da CNM. Desta forma, a Futura pagou o preço das cotas da CNM a Alberto e Marco Aurélio, ingressando com a participação de 55,48% na CNM. Na mesma data (28/02/2000), a Futura também subscreveu capital da CNM no valor de R$ 10.000.000,00, com emissão de novas ações. Então a entrada da empresa Garuda na CPQ se deu por três passos: Primeiro passo – aquisição de cotas sociais da CNM pela Garuda por meio da empresa Futura. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal temse que a aquisição das cotas da CNM, compradas pela Futura de Alberto e Marco foi pelo valor inicial de R$ 7.742.219,00 e de uma nota promissória com vencimento em um ano no valor de R$ 3.724.009,00. Então após a alienação da participação societária, a estruturação societária ficou assim: Segundo passo – transformação da CNM em sociedade por ações (ata de AGE – fls. 125 dos autos). Terceiro passo – integralização pela Futura na CNM de R$ 10.000.000,00 a partir de subscrição de 103.099 novas ações. Estas ações foram subscritas com ágio de R$ 95,99 em cada ação. (Fls. 132 dos autos) Depois da integralização do capital social a estruturação societária ficou assim: (fls. 147 a 148.) Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.571 5 A Futura contabilizou parte do valor pago pela integralização das ações emitidas como ágio fundado na perspectiva de rentabilidade futura da CNM. Após tais operações, portanto, a Futura possuía ágio referente: i) à compra das participações societárias e ii) aumento de capital com subscrição de ações. Portanto, pela aquisição das cotas a Futura contabilizou um ágio no valor de R$ 11.348.011,00 e pela aquisição de ações por meio de subscrição e integralização de capital contabilizou um ágio de 7.560.683,43. O ágio total registrado foi de R$ 18.908.694,43. Na sequência, a Recorrida CPQ Brasil incorporou, pelo mesmo ato de reorganização societária as empresas Futura, CNM e ENF (documento de fls. 68 a 72 do processo). Na operação de incorporação, em que a CPQ figurou como incorporadora, esta incorporou, conforme referido, a CNM (antes, sua controladora direta) e a Futura (sua controladora, anteriormente, indireta) e a ENF. Uma vez que no ativo da CNM havia as participações controladoras na ENF e na Casa do Pão de Queijo, e que a ENF também fora incorporada pela CPQ, esta passou a ter, em seu ativo, a participação controladora da Casa do Pão de Queijo, que não fora incorporada. Desta forma, a CPQ contabilizou em seu ativo o valor do ágio existente na incorporada Futura. Leiase, o ágio proveniente da aquisição das cotas da CNM vendidas por Alberto e Marco Aurélio e o ágio na subscrição no aumento do capital, passando, com fundamento no artigo 7° da Lei n° 9.532/97, a amortizálo e a reconhecer as contrapartidas da amortização como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Após a incorporação da CNM pela CPQ, Alberto e Marco Aurélio passaram a participar do capital da CPQ, através da MCN Participações Ltda., pessoa jurídica por eles constituída. A estruturação societária ficou assim: Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.572 6 A Fiscalização procedeu à autuação, com base no entendimento de que o ágio não poderia ser contabilizado no ativo da CPQ, e que as contrapartidas das amortizações não são despesas dedutíveis. A glosa das despesas de amortização de ágio fundamentouse em duas razões: a) As incorporações feitas pela CPQ das empresas CMN e Futura foram feitas na mesma data e por meio do mesmo instrumento e, por consequência, não haveria uma ordem estabelecida para as incorporações. Daí a fiscalização entendeu que a CPQ teria incorporado primeiro a CMN e depois a Futura, e por isso, quando incorporou a Futura o investimento na CMN já teria sido deixado de existir. b) Impossibilidade de ser reconhecido o ágio na subscrição de ações. A conclusão do auto de infração é a seguinte: Concluise que a reorganização societária adotada pelos acionistas implicou uma situação não prevista pela regra de incidência do artigo 386 do RIR/99 e que não existe previsão legal que permita a dedução das contrapartidas das amortizações do ágio contabilizado pela CPQ na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Concluise também que a parcela contabilizada como ágio referente à subscrição de ações pela Futura não é verdadeiramente ágio, mas custo do investimento. Procedemos à glosa de 100% das despesas relativas às amortizações do ágio em questão, no período de março/2001 a setembro/2005, deduzidas pelo contribuinte na sua apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, conforme quadros "Apuração do valor a recolher" anexos. Do valor glosado, 100% devese ao fato de o artigo 386 do RIR/99 não se aplicar ao caso e à contabilização indevida de um ágio que deveria ter sido baixado pela Futura, conforme demonstrado nos itens Motivo 1 (a amortização do ágio não é dedutível) e Motivo 2 (o ágio não é recepcionado pelo CPQ) anteriores, e 39,99% devese contabilização como ágio do valor integralizado que na realidade é custo do investimento, conforme Motivo 3 (ágio pago na subscrição de ações) anterior. Os quadros "Apuração do valor a recolher" apresentam, para IRPJ e CSLL, os valores glosados do ágio; o resultado em cada período representado pela adição do valor glosado ao declarado pelo contribuinte e subtraído do valor compensado ou pago; o imposto a recolher; e a multa isolada pelo não recolhimento. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 658/685 dos autos alegando em síntese que: a) a operação foi legítima e legal; que haveria contradição Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.573 7 nas imputações fiscais: de um lado, de que as operações teriam ocorrido num único documento; de outro, quando confere uma ordem às operações; b) a contabilização do ágio foi regular e feita nos ditames da lei; c) que o ágio é válido na subscrição de ações. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 861/892) julgou o lançamento procedente. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001,2002, 2003, 2004, 2005 Ágio. Amortização pela Incorporadora. Dedutibilidade. Para a incidência da norma de dedutibilidade da amortização do ágio pela incorporadora, prevista no art. 386, III, do RIR/1999, em se tratando de incorporação de controladora por controlada, a participação societária tem que ser direta na incorporadora. Ágio. Subscrição de Ações. Nos termos da legislação em vigor, como parte do preço de emissão das ações, que ultrapassa a importância destinada à formação do capital social, deve integrar o patrimônio liquido da empresa investida, e que o valor do ágio é justamente apenas o que supera o valor de patrimônio liquido da investida, não integra o valor do ágio, na subscrição de aumento de capital, a parcela que representa um ganho para o próprio subscritor. Multa Isolada. Redução. Retroatividade Benigna. Em face do principio da retroatividade benigna da legislação tributária penal mais benéfica, cumpre reduzir o percentual da multa de oficio isolada, haja vista a vigência da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs Recurso voluntário (fls. 1051/1093). A antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1250/1289) deu parcial provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.574 8 poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a lei não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio liquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA: Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3° do CTN). Recurso Parcialmente Provido Em vista desta decisão houve unanimidade entre os Conselheiros no que se refere à primeira parte da autuação, isto é, sobre a forma da operação societária de incorporação. Constou do voto vencedor: Mas o legislador não parou o incentivo no caso em que a investidora absorva património de sua investida adquirida com ágio, foi além, autorizou também que se uma terceira pessoa jurídica incorpore a empresa que detinha tal participação e que tenha absorvido patrimônio a investida, ela, a incorporadora poderá continuar a amortizar o ágio ou deverá continuar a amortizar o deságio, ou iniciar obviamente se a questão temporal não houver sido implementada. Entendo que se o legislador autorizou a primeira investidora, aquela que adquiriu a participação com ágio, a que amortizasse o ágio se absorvesse o patrimônio da investida, não determinou que o investimento com ágio ficasse em uma empresa diferente daquela que absorveu o patrimônio, pelo contrário, deu isso como condição. Assim se uma terceira pessoa incorpora a investidora que tenha absorvido patrimônio de sua investida, adquirido com ágio, poderá a amortizar o ágio e deverá amortizar o deságio. O legislador não determinou uma seqüência nas operações como na análise feita pelos autores do lançamento. No caso em lide a operação em relação ao ágio na aquisição das ações foi feita dentro dos estritos ditames da lei, pois, baseado Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.575 9 em estudos que previram a capacidade deprodução de lucro, a Futura, adquiriu a participação acima do valor patrimonial, a razão do ágio foi justificada pela capacidade do conglomerado controlado pela CMN de produzir lucro futuro com o negócio de pão de queijo. Ao contrário do que disse a fiscalização, a legislação não veda a continuidade do registro da amortização quando uma terceira empresa incorpora tanto sua controladora como a controladora da controladora. Por outro lado à legislação admite claramente que a amortização possa ser feita quando a investidora for uma das empresas incorporadas, conforme artigo 386 § 6° inciso II supra transcrito. Assim não havendo legislação que proíba a CPQ Brasil S.A , sucessora universal da FUTURA, em direitos e obrigações, pode ela continuar a usufruir da amortização que vinha sendo feita na empresa incorporada. O fato da reorganização empresarial ter sido feita num único instrumento não invalida e nem impossibilita a utilização do direito. A própria fiscalização, bem como a autoridade julgadora, fl. 885, admitem que se a Futura tivesse incorporado a CMN poderia dar continuidade à amortização do ágio pela incorporadora nos termos do artigo 386111 do RIR/99. Justifica a impossibilidade por ter sido uma terceira a CPQ que não participava da relação de investimento visto que não era investida nem investidora. Ora tal proibição não consta de nenhuma norma eis que não fora citada pela fiscalização nem pela autoridade de primeira instância. Neste item em que o Acórdão foi unânime não houve a interposição de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional. Na outra parte do Acórdão em que também se deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mas neste item por maioria de votos, e que é o objeto do presente recurso especial interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, equiparouse, no voto vencedor, aquisição à subscrição, sendo possível, neste caso, a amortização do ágio, decorrente da incorporação da Futura pelo contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 1294/1299, suscitando contradição e obscuridade. Os Embargos foram acolhidos, retificandose o acórdão recorrido, para dele fazer constar, da conclusão do voto vencedor: “Ante o exposto, seguindo o voto do conselheiro relator em relação aos demais aspectos, voto para afastar também a tributação em relação à parcela de amortização mensal no valor de R$ 58.050,69 (R$ 3.483.041,38 : 60 meses), decorrente da incorporação da FUTURA pela recorrente (e oriunda da totalização da 7 (sete) subscrições da ações da CMN pela FUTURA), mantendo a glosa da amortização do inexistente Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.576 10 ágio mensal no valor de R$ 67.960,71 (R$ 4.077.642,05: 60 meses)”. Às fls. 1308/1340, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial bem como em violação à legislação tributária. Importante esclarecer, mais uma vez, que o acórdão recorrido foi unânime no que se refere ao que chamei de motivo “a” para a glosa do ágio, ou os motivos 1 e 2 expostos no TVF que, em síntese, tratam da impossibilidade de amortização do ágio, porque a fiscalização entendeu que a incorporação das empresas Futura e CMN pela empresa CPQ foi simultânea e daí presumiu que a autuada primeiro incorporou a CMN e depois a Futura; e, daí, entendeu que a lei não permitiria que a sucessora continuasse a se beneficiar da amortização do ágio. A parte do acórdão que foi por maioria de votos e em que o Relator ficou vencido versou sobre a possibilidade da amortização do ágio na subscrição de ações na investida, pois a FUTURA subscreveu R$ 10.000.000,00 na investida e deste valor indicou R$ 7.560.683,43 como ágio. O Acórdão recorrido entendeu que a lei prevê o ágio na subscrição de ações, nas palavras do Conselheiro Redator “tenho para mim que a subscrição é sim uma forma de aquisição da participação societária. A aquisição pode se dar em função de uma negociação primária, a subscrição, em que a subscritora se torna a primeira proprietária da ação, ou secundária, em que a propriedade é transmitida de um para outro acionista. A legislação que autoriza a amortização não distingue o tratamento a ser dada a uma ou outra situação.” Importante, ainda, observar que neste item a procedência foi parcial porque a Câmara manteve o lançamento fundado no entendimento de que o contribuinte teria feito um cálculo a maior do ágio da subscrição de ações. Colocou que deve ser aplicado para tal cálculo o entendimento da CVM e, por isso, entendeu que era cabível apenas o valor de R$ 3.483.041,28 como passível de amortização em 60 meses. A empresa fiscalizada, quanto a esta parte em que foi vencida, não apresentou o recurso e pagou o valor por meio de adesão à lei especial de parcelamento. Feitos estes esclarecimentos, volto ao recurso especial da Fazenda Nacional que busca a reforma do julgado por entender que é inexistente o ágio na subscrição de ações na investida. Transcrevo o principal trecho do referido recurso: 29. Senhores Conselheiros, a contrariedade à lei aqui apontada se deve à definição do alcance da expressão "aquisição" contida nas normas relativas ao beneficio fiscal de permissão da amortização do ágio pago na obtenção de participação societária. 30. A maioria se pronunciou no sentido de que, no termo aquisição, está incluída a operação de subscrição de novas Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.577 11 ações decorrentes de aumento de capital em investida da qual a adquirente já era investidora. 32. Ainda que se entenda que a interpretação a ser dada não é propriamente a literal e, sim, a restritiva, verificase que a Câmara recorrida não restringiu o alcance do termo "aquisição" no caso concreto. 33. Na hipótese em apreço, o acórdão proferido estabeleceu sentido amplo para a expressão mencionada, de modo a considerar como ágio passível de dedução o valor pago pela CNM pelo novo investimento feito, quando da subscrição e integralização das ações desta pela Futura (detentora das parcelas do ágio aproveitado pela recorrente). Com isso, contrariou não só o art. 20 do Decreto lei n° 1.598/77, como também olvidou o disposto no transcrito art. 111 do CTN. 35. Eis as razões pelas quais deve ser mantida a glosa referente ao "ágio" na subscrição do aumento de capital feito pela Futura na CNM e que foi aproveitado pela autuada.” A Fazenda Nacional também pleiteia por meio deste recurso a aplicação da Taxa Selic sobre a multa, uma vez que o acórdão recorrido entendeu que a SELIC só pode ser aplicada sobre os tributos. Requer a reforma do julgado por afronta à lei. E, finalmente, sustentou a legalidade da cumulação das multas de ofício e isolada. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1410/1437). O contribuinte interpôs recurso especial de divergência às fls. 1440/1456 para pleitear a reforma do julgado para que não incidam os juros sobre a multa de ofício. Às fls. 1515/1540, o contribuinte apresentou petição, informando o pagamento dos montantes concernentes ao IRPJ e à CSLL, devidos em face da glosa parcial do ágio na subscrição de ações, nos termos do Programa de anistia instituído pela Lei 11.941/09. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 1559/1566. É, em síntese, o relatório. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.578 12 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Os presentes recursos especiais são tempestivos. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência e por maioria. O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, possuem o mesmo objeto (incidência de juros de mora sobre a multa aplicada no lançamento) com diferentes pleitos: o contribuinte sustenta não caber juros de mora sobre a multa; e a Fazenda Nacional defende o cabimento de juros, e que estes devem ter por base a taxa Selic, em contraposição ao artigo 161, §1°, do CTN (1% ao mês), conforme estabelecido no acórdão recorrido. Deixarei para analisar estes recursos posteriormente. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o ágio na subscrição de ações Detenhome, primeiramente, no recurso especial por maioria interposto pela Fazenda Nacional, no qual esta se insurge contra a admissão da amortização do ágio na subscrição de ações no valor total de R$ 3.483.041,38, bem como contra o afastamento da multa isolada, aplicada com fundamento no artigo 44, inciso I, e §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Neste ponto, o recurso especial da Fazenda preenche todos os seus requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a Recorrente apontou os dispositivos legais que entendeu por violados: art. 44, I e seu § 1°, IV, da Lei n° 9.430/96; e artigo 20 do Decreto lei n° 1.598/77. Primeiramente, antes de proceder à analise do mérito recursal propriamente dito, pareceme relevante, por sua complexidade, trazer novamente os dados fáticos de como ocorreram as operações negociais que renderam ensejo à autuação. A CPQ Brasil S.A (contribuinte autuado) incorporou as empresas Futura Alimentos Ltda., a CNM Participações Ltda. e a ENF (Empresa Nacional de Franquias S/C Ltda) por meio de um único ato societário. Nessa operação de incorporação, a contribuinte (CPQ Brasil S.A) manteve em seu ativo o valor do ágio existente na Futura (ágio oriundo de investimento da Futura na CNM, como adiante se expõe) e amortizouo (o ágio), considerando as contrapartidas de amortização como despesas dedutíveis na apuração do lucro tributável. No fim da operação, a CPQ passou, unicamente, a concentrar a sua atuação na exploração do sistema de franquias da Casa do Pão de Queijo. Isto foi o resultado de sucessivas alterações societárias que ocorreram na forma abaixo, sinteticamente, descrita. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.579 13 Os senhores Alberto Carneiro Neto e Marco Aurélio Aliberti Mammana possuíam a totalidade do capital social da empresa CNM, isto é, as pessoas físicas citadas controlavam, por meio da CNM (holding) a operação da Casa do Pão de Queijo. Esta holding, a CNM detinha a totalidade do capital (menos uma cota), das empresas ENF (empresa nacional de franquia) e da Sutram Indústria e Comércio Ltda, empresa que, posteriormente, veio a ser denominada CPQ Brasil S.A (contribuinte autuada). Por sua vez, a CPQ Brasil S.A detinha 99,15% do capital social da Casa do Pão de Queijo Ltda. Entendida a arrumação societária do grupo, passase a verificar a operação de alienação de participação societária. A empresa Futura Alimentos Ltda., controlada pela empresa Garuda S.A, representou esta empresa no negócio firmado com as pessoas físicas de Alberto e Marco Aurélio, em que se estabeleceu, em síntese, que: a) 55,48% do capital social da CNM seriam vendidos pelos sócios da CNM (Alberto e Marco) para a Garuda; b) a transformação da CNM em sociedade anônima; c) integralização pela Futura na CNM de R$ 10.000.000,00 a partir de subscrição de 103.099 novas ações. Estas ações foram subscritas com ágio de R$ 95,99 em cada ação. (Fls. 132 dos autos) Desta forma, a Futura pagou o preço das cotas da CNM a Alberto e Marco Aurélio, ingressando com a participação de 55,48% na CNM. Na mesma data (28/02/2000), a Futura também subscreveu novas ações da CNM pelo valor de R$ 10.000.000,00. A Futura contabilizou parte do valor pago pela integralização das ações emitidas como ágio fundado na perspectiva de rentabilidade futura da CNM. Após tais operações, portanto, a Futura possuía ágio referente à compra das participações societárias e à subscrição do aumento de capital. Na operação de incorporação, em que a CPQ figurou como incorporadora, esta incorporou, conforme referido, a CNM (antes, sua controladora direta) e a Futura (sua controladora, anteriormente, indireta) e a ENF. Uma vez que no ativo da CNM havia as participações controladoras na ENF e na Casa do Pão de Queijo, e que a ENF também fora incorporada pela CPQ, esta passou a ter, em seu ativo, a participação controladora da Casa do Pão de Queijo, que não fora incorporada. Desta forma, a CPQ contabilizou em seu ativo o valor do ágio existente na incorporada Futura. Leiase, o ágio proveniente da aquisição das cotas da CNM vendidas por Alberto e Marco Aurélio e o ágio na subscrição de novas ações por meio de aumento do capital social, passando, com fundamento no artigo 7° da Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.580 14 Lei n° 9.532/97, a amortizálo e a reconhecer as contrapartidas da amortização como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. A Fiscalização procedeu à autuação, com base no entendimento de que o ágio não poderia ser contabilizado no ativo da CPQ, e que as contrapartidas das amortizações não são despesas dedutíveis. A glosa das despesas de amortização de ágio, como mencionado no relatório, fundamentaramse em duas razões: a) As incorporações feitas pela CPQ das empresas CMN e Futura foram feitas na mesma data e por meio do mesmo instrumento e, por consequência, não haveria uma ordem estabelecida para as incorporações. Daí a fiscalização entendeu que a CPQ teria incorporado primeiro a CMN e depois a Futura, e por isso, quando incorporou a Futura o investimento na CMN já teria sido deixado de existir. b) Impossibilidade de ser reconhecido o ágio na subscrição de novas ações por meio de aumento de capital. Como mencionado, o Acórdão recorrido, por unanimidade, afastou a razão indicada no item “a”. No recurso especial, a Fazenda Nacional insurgese contra o entendimento fixado, por maioria de votos, no acórdão recorrido, segundo o qual se equiparou à aquisição, para fins de amortização do ágio, computandoo como despesa, a subscrição de novas ações decorrentes de aumento de capital em investida da qual a adquirente já era investidora. Portanto, o recurso especial versa somente sobre este tema, estando superada a questão do ágio na aquisição das ações. E, sobre o tema, tenho para mim que a razão está com o acórdão recorrido. Com efeito, devese ter em mente que os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97 autorizam a pessoa jurídica a reconhecer as contrapartidas da amortização do ágio como despesas dedutíveis do IRPJ e CSLL, na absorção, em incorporação, do patrimônio de outra empresa, em que possua participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade. Eis os textos dos artigos 7° e 8°: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.581 15 II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.582 16 Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Estas normas foram regulamentadas no artigo 386 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 386 do RIR A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (lei 9.532/97, art. 7º. E Lei 9.718/98, art. 10) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Lei nº 9.718, de 1998) A questão está em que o termo “aquisição”, ressaltado nas normas, não pode ser restringido, em seu significado, apenas à compra e venda de ações, para possibilitar a amortização do ágio proveniente da aquisição da participação societária. Não há qualquer fundamento legal que enseje tal restrição, de modo a excluir a subscrição, debatida nos autos. O fundamento do voto vencido no acórdão de que a aquisição exige uma outra pessoa é, com o devido respeito, um entendimento diferente da previsão legal. A legislação possibilita que a aquisição de participação societária de uma companhia se dê por subscrição de novas ações, desde que respeitados os limites legais. Constou do voto vencido que: O termo aquisição não é sinônimo e nem se confunde com o termo subscrição. Na aquisição existem três atores, um que não detém a participação, comprador, um que detém a participação e quer alienar — vendedor — e um terceiro que é a pessoa jurídica onde se encontram os ativos representativos da participação objeto da transação. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.583 17 Já na subscrição existem apenas dois atores, a sociedade que receberá injeção de capital, e um sócio — acionista — já existente, que resolve investir na companhia. Temos então que a segunda parte da autuação, relativa ao "AGIO" na SUBSCRIÇÃO de ações, não se enquadra dentro do conceito estabelecido pelo artigo 385, pois não pode ser tratado como aquisição, nos termos da legislação. E nem essa foi a intenção do legislador eis que com o incentivo que passaremos a analisar contido no artigo 386, quis facilitar o mercado de ações, a compra e venda de companhias, não vejo nos dispositivos nenhum termo que possa a levar a entender que os incrementos de capital por parte de sócios préexistentes possam estar nele contidos. Cabe ressaltar que a IN CVM 247/96, está em consonância com a forma de contabilização estabelecida no artigo 385 do RIR199, porém nada estabeleceu sobre a equivalência do termo — subscrição a aquisição. Pelas razões acima mantenho a autuação relativa ao ágio pago na subscrição de ações, nos termos e valores contidos na decisão recorrida. Na verdade, entendo de forma totalmente diversa ao apresentado no voto vencido do acórdão recorrido, pois uma pessoa física ou jurídica, nos termos da legislação positiva, pode “adquirir” participação societária por meio de uma operação de alienação, em que há a aquisição direta da participação societária de outra pessoa física ou jurídica, ou, por meio de um aumento de capital em que há a emissão de novas ações que são subscritas pelo novo acionista, ou pelo acionista que quer aumentar a sua participação na Companhia. Para tanto cito os artigos 166 e seguintes da Lei 6.404/74, em especial o artigo 170 nos seguintes termos: Aumento mediante subscrição de ações Art. 170. Depois de realizados 3/4 (três quartos), no mínimo, do capital social, a companhia pode aumentálo mediante subscrição pública ou particular de ações. § 1º O preço de emissão deverá ser fixado, sem diluição injustificada da participação dos antigos acionistas, ainda que tenham direito de preferência para subscrevêlas, tendo em vista, alternativa ou conjuntamente: (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) I a perspectiva de rentabilidade da companhia; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) II o valor do patrimônio líquido da ação; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) III a cotação de suas ações em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão organizado, admitido ágio ou deságio em função das condições do mercado. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléiageral, quando for de sua competência deliberar sobre o aumento, poderá delegar ao conselho de administração a fixação do preço de emissão de ações a serem distribuídas no mercado. § 3º A subscrição de ações para realização em bens será sempre procedida com observância do disposto no artigo 8º, e a ela se aplicará o disposto nos §§ 2º e 3º do artigo 98. § 4º As entradas e as prestações da realização das ações poderão ser recebidas pela companhia independentemente de depósito bancário. § 5º No aumento de capital observarseá, se mediante subscrição pública, o disposto no artigo 82, e se mediante subscrição particular, o que a respeito for deliberado pela assembléiageral ou pelo conselho de administração, conforme dispuser o estatuto. § 6º Ao aumento de capital aplicase, no que couber, o disposto sobre a constituição da companhia, exceto na parte final do § 2º do artigo 82. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.584 18 § 7º A proposta de aumento do capital deverá esclarecer qual o critério adotado, nos termos do § 1º deste artigo, justificando pormenorizadamente os aspectos econômicos que determinaram a sua escolha. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) Assim, pela análise da legislação positiva, resta indubitável que a Lei 6.404/74 fez a previsão da aquisição de participação societária por subscrição de ações. Na verdade, os efeitos contábeis independem da forma como a investidora adquiriu o seu investimento, quer tenha sido por subscrição de capital com recursos financeiros ou mediante a conferência de bens ou em participações societárias. A Lei não discriminou nenhuma dessas alternativas de aquisição de participação societária e não negou, em nenhuma dessas hipóteses, a possibilidade da amortização do ágio nos casos de incorporação reversa. A origem dos recursos utilizados para aumento do capital social na empresa investidora (por exemplo, se recursos dos sócios, imóveis, subscrição de ações, contribuição de investimento em outra companhia) não é relevante no tocante a análise da dedutibilidade fiscal do ágio na empresa operacional quando esta incorpora sua investidora. Portanto, a subscrição de ações por aumento de capital é uma forma de aquisição. Não é possível categorizar ou enquadrar esta operação de subscrição de ações por meio de aumento de capital que não seja uma aquisição de participação societária, pois, também na subscrição há, ainda que indiretamente, a participação de um outro sócio (ou sócios) que passa(m) a ter a sua participação societária reduzida em razão da entrada do novo sócio ou do aumento da participação do sócio já existente. Todavia, este sócio que perde a sua participação societária quando há subscrição de novas ações e diluição de sua participação não recebe nenhum valor, porque o valor da subscrição ingressa na Companhia. E este fato é relevante: o ingresso do valor, o aporte é feito na sociedade, de tal modo que o sócio ingressante (ou o sócio ou acionista que aumenta a sua participação) não entrega o valor para os outros sócios ou acionistas, mas coloca este valor na própria sociedade com a diminuição da participação societária dos demais sócios. É certo que pode causar (ou melhor me manifestando poderia ter, no passado, causado) espanto, esta forma de aquisição de participação societária, em que a participação não é adquirida diretamente dos demais acionistas, mas sim pela diluição da participação destes acionistas na composição do capital social em razão do aumento do referido capital por meio de emissão e subscrição de novas ações, mas esta é uma previsão da Lei 6.404, ou seja, devidamente positivada em nosso sistema. Importante registrar que o valor da subscrição que ingressa no capital social não é destinado aos acionistas, por isso que não se pode tratar de uma alienação de ações. Se o capital social ingressou para a Companhia por meio de subscrição de ações não há que se falar em alienação, mas em subscrição; entretanto, as duas caracterizamse como meio de aquisição de participação societária; a primeira direta do comprador para os sócios/acionistas, a segunda com o ingresso do numerário na empresa e com a diminuição da participação societária dos demais sócios. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.585 19 Entretanto, este evento é, indubitavelmente, uma forma de aquisição de participação societária. E se estas ações foram subscritas com ágio, este ágio terá o mesmo tratamento do ágio pago na aquisição de participação societária ocorrida por meio de uma operação de compra e venda de ações. Foi este o teor do voto vencedor constante do Acórdão recorrido: Com efeito, tenho para mim que a subscrição é sim uma forma de "aquisição" de participação societária. A aquisição pode se dar em função de uma negociação primária, a subscrição, em que a subscritora se toma a primeira proprietária da ação, ou secundária, em que a propriedade é transmitida de um para outro acionista. A legislação que autoriza a amortização não distingue o tratamento a ser dado a uma ou outra situação. Concretamente, o ágio é a parcela do preço de aquisição de um bem que supera o seu valor contábil. Esse sobrepreço pode ser apurado tanto em uma emissão primária, quanto em uma negociação secundária, mas a forma de cálculo é diferente em cada uma das hipóteses. Isso porque, no caso da subscrição, parte do sobrepreço pago reverte em beneficio do próprio subscritor, na medida em que valoriza as ações que já são de sua propriedade. Ainda neste mesmo sentido que foi trazido pelo Voto Vencedor, partilho do entendimento do ilustre professor Ricardo Mariz de Oliveira, extraído do parecer presente às fls. 1204/1248: “Outrossim, a alusão, aqui feita, a aquisição, abrange todo e qualquer ato ou negócio jurídico pelo qual uma participação societária, nas condições do art. 20 do Decretolei n. 1598, venha para o ativo permanente da pessoa jurídica que passa a participar do capital de uma coligada ou controlada, ou pelo qual seja aumentada a participação antes já existente. Ademais, o art. 7° da Lei n. 9532 alude expressamente ao referido art. 20, de tal arte que, se este disciplina tanto os ágios pagos na aquisição de uma participação societária quanto os pagos na subscrição de um aumento de capital, o tratamento â amortização de ambos é o previsto, sem distinção, pelos art. 7° e 8° daquela lei. Ou seja, esses dois dispositivos albergam indistintamente três possíveis situações, a saber: ágio pago na aquisição de participação societária (inclusive de controle) por meio de aquisição de quotas ou ações pertencentes aos antigos sócios ou acionistas; ágio pago na aquisição de participação societária (inclusive de controle) por meio de subscrição de capital novo; Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.586 20 ágio pago na aquisição de participação societária (inclusive de controle) pelas duas vias anteriores, isto é, parte paga aos antigos sócios ou acionistas e parte a pessoa jurídica. Não havendo na lei qualquer discriminação entre uma e outra situação, em cada caso as partes envolvidas são livres para pactuarem o que for mais condizente aos interesses dos sócios ou acionistas e da pessoa jurídica, ou melhor, o que for mais adequado às circunstâncias econômicas e empresariais existentes.” De fato, não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Podese dar, como na hipótese, pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de “participação societária adquirida”. Não se vislumbra, portanto, a alegada violação ao artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/77. Neste dispositivo, também, o termo aquisição não aponta para qualquer restrição do seu significado. Na mesma linha, o artigo 385 do RIR/99 esclarece o tratamento tributário que deve ser dado pelo contribuinte à participação societária adquirida, qualquer que seja a forma de aquisição, o que inclui a subscrição de capital. Uma vez que a controlada incorpore sua empresa controladora, aplicarseá o disposto na Lei 9.532/97 e o ágio será dedutível. Caso o legislador quisesse excluir cada uma dessas formas de aquisição de participação societária do tratamento tributário disposto nos artigos 385 e 386 do RIR o teria feito na própria Lei. Ocorre que é esperado que a regra legal alcance todas as hipóteses equivalentes de forma homogênea, garantindo um tratamento isonômico aos contribuintes a elas sujeitos. Não é relevante para a amortização do ágio a origem dos recursos investidos: se já estavam na empresa, ou se derivam de subscrição de capital, ou se decorrem da contribuição de bens e direitos em aumento de capital. O que importa é que, em todas essas hipóteses de aquisição de participação societária, a posição patrimonial da investida e da investidora é equivalente e não há razão para não permitir a fruição do benefício de amortização do ágio após realizada a incorporação reversa. Desta forma, o termo aquisição abrange a subscrição de ações, ensejando, legitimamente, a amortização do ágio, reconhecendo a sua contrapartida como despesas dedutíveis. Importante salientar que o CARF tem se manifestado, ainda que indiretamente, sobre o tema, com inúmeros julgados, por suas Turmas Ordinárias neste mesmo sentido. Cito, a título de exemplo, os seguintes acórdãos: 1301000.711 (Caso Tele Norte); 140200.802 (Caso Santander); 140200.993 (Caso Cosern); 120100.689 (Caso CELPE); 920200.662; 110100.354; 120100.548 (Caso Ale); 110100354 (Caso Vivo); 101 96.125 (Caso Coinbra); 140200.342 (Casp DAS); 110100.708. Em todos estes casos na reorganização societária houve o ágio na subscrição de ações das respectivas Companhias, sendo esta subscrição de novas ações Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.587 21 também uma forma de aquisição, observando que neste caso o ágio vem pela subscrição de valores acima do valor das ações. Ainda, cabe registrar que foi citada no Voto Vencedor do Acórdão Recorrido, a Nota Explicativa à Instrução CVM n. 247/96, que em seu item 7 assim dispõe: Até algum tempo atrás, era entendimento de muitas pessoas que o ágio e o deságio somente surgiam quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação direta entre vendedor e comprador). Hoje, entretanto, já existe o entendimento de que o ágio ou o deságio pode também surgir em decorrência de uma subscrição de capital. Em um processo de subscrição de ações, quando há alteração no percentual de participação, o entendimento era de que a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações constituía uma perda de capital na investidora (e um ganho na empresa cuja participação estava sendo diminuída), e essa perda/ganho deveria ser contabilizada, no resultado não operacional, como variação de percentual de participação. Posteriormente, verificouse que quando essa parcela subscrita decorre, por exemplo, da subavaliação no valor contábil dos bens, existe a figura do ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros. Ou seja, na própria nota explicativa já ficou descrito o entendimento atual de a subscrição de ações é uma forma de aquisição. Notese que tanto não há dúvidas sobre o fato de que a subscrição de novas ações num aumento de capital social é uma forma de aquisição, que o pronunciamento número 15 do CPC (comissão de procedimentos contábeis), no item 7, traz expressamente a menção à subscrição de novas ações como meio de aquisição de participação societária. Para maior clareza cito os itens 5, 6 e 7 do citado Pronunciamento: Registro Contábil de uma Operação de Combinação de Negócios 5. Na data da combinação de negócios (data da aquisição), os registros contábeis devem refletir os efeitos decorrentes da transação a que se refere, observandose os itens 6 a 12 a seguir. 6. Na adquirente, o montante do investimento adquirido decorrente de aquisição de participações societárias ou incorporação de ações deve ser registrado nas contábeis individuais da adquirente, segregado entre investimento e ágio: (a) investimento, representado pela percentagem adquirida aplicada sobre o patrimônio líquido determinado a valor justo da entidade adquirida. Antes do ajuste do saldo do investimento, os ativos e passivos da entidade adquirida devem ser ajustados, pela adquirente, ao valor justo, inclusive os itens (como exemplo, ativos intangíveis) registrados originalmente pela entidade adquirida, mas que são reconhecidos pela adquirente como consequência de uma transação de combinação de negócios, na data da aquisição da participação societária ou da incorporação das ações. Considerando que nos registros contábeis originais da entidade adquirida os ativos e passivos permanecerão registrados pelos valores históricos, sem que sejam refletidos os ajustes a valor justo, a entidade adquirente deverá identificar todos os itens que resultem em diferenças entre os valores contábeis e os valores justos, para fins de controle de realização, amortização ou baixa nos seus registros contábeis. Subsequentemente, quando realizadas, as diferenças decorrentes de ajuste a valor justo devem ser registradas, nas demonstrações contábeis da adquirente, como item de resultado de equivalência patrimonial, em adição ao valor de equivalência patrimonial capturado diretamente das demonstrações contábeis da entidade adquirida, cujo resultado foi produzido com base nos valores históricos que ficaram registrados na entidade adquirida. (b) ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), representado pela diferença positiva entre o valor pago (ou valores a pagar) e o montante líquido do valor justo dos ativos e Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.588 22 passivos da entidade adquirida. Subsequentemente, a realização das diferenças decorrentes de ajuste a valor justo, assim como as eventuais perdas por redução ao valor recuperável, devem ser registradas, nas demonstrações contábeis da adquirente, como item de resultado de equivalência patrimonial, em adição ao ajuste de equivalência patrimonial capturado diretamente das demonstrações contábeis da entidade adquirida, cujo resultado foi produzido com base nos valores históricos que ficaram registrados na entidade adquirida. (c) Na eventualidade de se apurar deságio, o registro contábil deve ser feito conforme previsto no item 28 a seguir. Em seu reconhecimento inicial, a soma dos valores apresentados em 6a e 6b acima deve corresponder ao valor justo total dos pagamentos efetuados, ativos transferidos, títulos emitidos e considerações a pagar como conseqüência da operação de combinação de negócios. 7. O critério contábil descrito no item 6 aplicase, também, quando a aquisição de participação societária ocorrer por meio de subscrição de ações, tanto para um novo acionista e/ou cotista quanto para aquele que aumentar a participação atualmente existente. E, ainda, verifiquese, para melhor fundamentar este voto, as lições extraídas do “Manual de Contabilidade Societária” (editora Atlas, Sérgio de Iudícius, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos), ps. 196 e SS: 10.7.6 Ágio na subscrição Em tópicos anteriores vimos: As variações na porcentagem de participação nos aumentos de capital podem gerar diferenças no valor patrimonial do investimento, avaliados por equivalência patrimonial, oriundas das diluições (ou concentrações) de participações de certos acionistas. Essas diferenças, como analisado no item 10.4.4, são tratadas como resultado abrangente (ganho ou perda) e contabilizadas diretamente no patrimônio líquido da investidora; Por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 10.7 que pode surgir mais valia ou ágio (ou deságio) na obtenção de influência ou controle quando uma empresa já existente (pagando por estas um valor acima de seu valor patrimonial). Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar maisvalia e ágio (ou deságio) na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento adicional e o valor patrimonial do aumento da participação, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa M) de uma empresa N resovem admitir novo acionista (Empresa Z) sem perder o controle pela emissão de novas ações a serem subscritas pelo novo acionista, dado que o primeiro declinou do seu direito de exercício (...) Vejamos o seguinte A empresa M possui 100% do capital da Empresa N, sendo que em 313X1 resolve admitir um novo acionista da Empresa Z através da subscrição de novas ações. Os dados contábeis das empresas M e N antes da subscrição das novas ações são: Empresa N antes da subscrição Capital social (4.000 ações $150 cada) $ 600.000 Reservas de Lucros $ 200.000 Total do PL $ 800.000 Valor patrimonial por ação= $ 200 ($800.000/4.000 ações) Empresa M antes da subscrição Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.589 23 Investimento na controlada N Valor Patrimonial $ 800.000 (100% x $ 800.000) A Empresa Z efetua subscrição de 1.000 ações por $ 250 cada uma. O Patrimônio Líquido da Empresa N teria agora uma conta de Reservas de Capital Ágio de Subscrição de Ações no valor de $ 100.000, proveniente da diferença entre o preço pago e o valor nominal das ações [1.000 ações x ($250 $150)]. Empresa N após a subscrição Capital Social [5.000 ações a $ 150 cada] $750.000 Reservas de Capital: Ágio na Subscrição das Ações $ 100.000 Reservas de Lucros $ 200.000 Total do PL $ 1.050.000 Valor Patrimonial por ação = 4 210 [$ 1.050.000/5.000 ações] A participação da empresa M passa de 100% para 80%, pois agora ela possui 4.000 ações de um total de 5.000; então o novo valor patrimonial do investimento seria: Empresa M após a subscrição Investimento na Controlada N Valor Patrimonial $ 840.000 [80% x $ 1.050.000] Note que, se não fosse pago ágio na subscrião de ações pela Empresa Z, o efeito da diluição de 20% na participação relativa da Controladora M levaria a uma perda de $ 40.000 [$ 800.000 ($950.000 x 80%)]. Contudo, como houve o pagamento de $ 100.000 de ágio na subscrição das ações, a Controladora M automaticamente leva 80% desse aumento do patrimônio líquido da Controlada N (ou seja, tem um ganho de $ 80.000). O efeito final é um ganho de $ 40.000 [$ 80.000 $ 40.000], que é justamente a diferença entre o saldo atual e o anterior da subconta do valor patrimonial do investimento na Controlada N [Ajustes de Avaliação Patrimonial, em subconta de variação na Participação em Controladas). Afinal, não se trata de desempenho (lucro ou prejuízo) da investida, e sim transação entre os sócios. Caso exista saldo remanescente nas subcontas de maisvalia, a Controladora M também deverá fazer os ajustes correspondentes, atribuindo aos não controladores (no exemplo, a Empresa Z) a parte que lhes cabe. Para esclarecer a questão, é pertinente citar o disposto nos itens 30 e 31 da CPc 36 Demonstrações Consolidadas: 30. As mudanças na participação relativa da controladora sobre uma controlada que não resultem em perda de controle devem ser contabilizadas como transações de capital (ou seja, transações com sócios, na qualidade de proprietários). 31. Em tais circunstâncias, o valor contábil da participação da controladora e o valor contábil da participação dos não controladores devem ser ajustados para refletir as mudanças nas participações relativas das partes na controlada. Alguma diferença entre o montante pelo qual a participação dos não controladores foi ajustada e o valor Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.590 24 justo da quantia recebida ou paga deve ser reconhecida diretamente no patrimônio líquido atribuível aos proprietários da controladora. Apesar de o CPC 36 ser aplicável para elaboração das demonstrações consolidadas, essa observação é relevante, pois nas demonstrações individuais da Controladora devem ser feitos os registros contábeis de forma uniforme e consistente com o procedimento e a política contábil das suas demonstrações consolidadas. Ademais, não se pode, consoante o meu entendimento, sugerir que neste caso, deveria ser aplicada a regra prevista no artigo 111 do Código Tributário Nacional que determina que “interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção e III – dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias”. E, não pode ser utilizado o artigo 111 porque seria inútil a sua aplicação. Primeiro porque a utilização do ágio não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no referido artigo. Segundo porque o termo “aquisição” para fins de aquisição de participação societária está previsto na Lei 6.404/76 com as alterações da Lei 9.457/1997, de tal forma, que não há que se cogitar de interpretação do termo, pois a lei já fez a previsão de seu conteúdo e alcance. Terceiro, o termo aquisição não requer que a aquisição seja direta ou indireta, de tal forma, que a participação societária, como a lei positiva prevê, pode ser adquirida diretamente dos sócios ou acionistas (estes recebendo o preço) ou, indiretamente, por meio de subscrição de novas ações, quando o valor/preço ingressa na sociedade com a diluição da participação societária dos demais sócios ou acionistas. Assim, para concluir, entendo que por todo e qualquer ângulo que se analise o tema, a única conclusão possível é de que na legislação vigente, a subscrição de ações é uma forma de aquisição de participação societária, prevista, especialmente pela Lei 6.404/76 e que o ágio pago pela empresa que adquiriu as ações pode ser objeto de amortização fiscal desde que preenchidos os demais requisitos legais. Em vista do acima exposto, e da firme jurisprudência do CARF, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, afastando o lançamento quanto ao tema da possibilidade do aproveitamento do ágio quando a participação societária é adquirida por meio de subscrição de ações. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a multa isolada simultânea à multa de ofício Ainda analisando o recurso especial por maioria, concernente à aplicação da multa isolada, já possuo entendimento firmado a respeito. A questão é: admitese a imposição simultânea de multa de ofício e de multa isolada? Não haveria, na hipótese bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.591 25 sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. Na hipótese, o recorrente sustenta que as multas em questão decorrem de infrações diversas: a multa de ofício, das infrações às regras de determinação do lucro real; a multa isolada, decorrente do descumprimento do modo de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada. Óbvio, no entanto, que ambas as infrações são resultado de um fato comum, que pode caracterizar, abstratamente, mais de uma infração, o que não descaracteriza o bis in idem. É nesse sentido que tem entendido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando enfrenta o tema e para tanto cito os números de acórdãos que referendam o entendimento por mim adotado: acórdãos nº 110200.748 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Primeira Seção de Julgamento do CARF; nº 140200.947 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF; Acórdão nº 9101001.261 – 1ª Turma da CSRF Diante disso, em face da inequívoca configuração do bis in idem, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida neste ponto. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a aplicação dos juros sobre a multa com base na Selic e Recurso Especial do Contribuinte sobre a não incidência do juros sobre a multa de ofício. Passo a analisar, finalmente, os recursos de divergência do contribuinte e da Fazenda Nacional, ambos com o mesmo objeto: a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Deles conheço, pois que caracterizada a divergência jurisprudencial. Sobre o tema, há grande discussão. O meu entendimento segue no sentido de que, sobre a multa de ofício, não incidem juros de mora. Como muito bem sustentado em sessões anteriores pela Nobre Conselheira Karem Jureidini Dias, adoto o seu posicionamento esposado no Acórdão 9101001191 que ora transcrevo: No tocante à incidência de juros sobre a multa de ofício, não obstante ter sido vencida na última sessão, mantenho meu voto, o qual reproduzo abaixo. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.592 26 Cumpre inicialmente fazer uma análise da legislação que regula a matéria. A aplicação de taxa de juros lastreada em indicadores do mercado financeiro foi, inicialmente, determinada pela Lei n° Lei n° 8.981/95, por meio do art. 84, que assim dispunha: Art 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.) A taxa referida pelo artigo 84 da Lei nº 8.981/95 foi substituída pela taxa SELIC, conforme se verifica pela leitura do disposto no artigo 13 da Lei n° 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por fim, a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, leiase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições. A d. Porcuradoria da Fazenda Nacional defende que a multa de oficio também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. No entanto, este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados – Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão nº 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo – interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, asseverou o seguinte: “Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.593 27 decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que juros de mora só incidem sobre as multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A meu ver não poderia ser outra a conclusão e, nesse ponto, reforçoa a partir de duas premissas básicas. A uma, tributo não se confunde com penalidade, porquanto o ordenamento jurídico é regido sistemicamente pelos códigos lícito/ilícito e claramente assevera que o tributo é devido por motivo lícito, sendo jamais cobrado por motivação ilícita. A ilicitude não é per si suporte fático tributário. Já a penalidade é devida em razão da prática de uma ilicitude, por exemplo, pelo pagamento em atraso, pelo não pagamento ou pela não declaração. É bem verdade que o crédito tributário pode corresponder à cobrança de um tributo ou de uma penalidade, mas é o ordenamento jurídico que diz quando ele toma para incidência de juros de mora o tributo ou a penalidade, ou ambos. A duas, porque o crédito tributário não pode ser cobrado senão ex lege, cumprindo ao julgador preservar o direito subjetivo do contribuinte de ser cobrado apenas e tão somente na medida da lei, que deve ser interpretada segundo todo o contexto jurídico em que inserida. Ora, é nesse contexto que vislumbramos que o ordenamento tratou, para efeito de incidência dos juros de mora calculados à taxa SELIC, o termo débitos para com a União (artigo 61 da Lei nº 9.430/96), quando decorrente de tributos e contribuições, não abarcando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, ao mesmo tempo em que tratou da incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (artigo 43 da Lei nº 9.430/96) que formaliza exigência exclusiva de multa ou juros de mora cobrados isoladamente ou estes em conjunto. Enfim, a distinção é clara. Incide juros de mora sobre tributo, aí incluídas as contribuições, e sobre os lançamentos exclusivamente de multa (isolada) e/ou juros de Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.594 28 mora. Com relação à interpretação dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, importante, ainda, apontar relevante consideração feita em alguns julgados deste Conselho Administrativo (por exemplo no Acórdão nº 10422.508, sessão de 13/06/2007), no sentido de que “se a expressão ‘débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições’ constante no ‘caput’ do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do ‘caput’ do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.” Por fim, peço vênia também para reproduzir as conclusões da Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 110200.060 (sessão de 28/08/2009), que resumem os argumentos que concluem pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.595 29 De mais a mais, a fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: "JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005)". "JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007)”. “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008)”. Com efeito, o Código Tributário Nacional trata da incidência de juros de mora em seu artigo 161, segundo o qual: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei n° 9.430/96, a seu turno, em seu artigo 61, estabelece que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.596 30 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Vêse, portanto, que a Lei n° 9.430/96 prevê expressamente, em consonância com a previsão geral do artigo 161 do CTN, que os juros de mora somente incidem sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Tributos e Contribuições não possuem a mesma natureza de multa, não obstante ambos originem crédito tributário. O artigo 3° do CTN deixa isto claro, ao prever que: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Penalidade não é tributo, de sorte que os juros de mora não podem incidir sobre a multa, mas apenas sobre crédito tributário concernente a tributos e contribuições. Desta forma, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e dou provimento ao recurso do contribuinte, para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É como voto. Sala das sessões em, 15 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann, Relatora. VOTO VENCEDOR QUANTO AO TEMA DOS JUROS SOBRE A MULTA Tendo acompanhado a Ilustre Relatora pelas conclusões em relação ao mérito em seu bem fundamentado voto e, discordado quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o qual entendo devido quando pago fora de prazo, fui Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.597 31 então designado para redigir o voto vencedor quanto a esta matéria, e para isso, transcrevo os diversos dispositivos legais que trataram e tratam da incidência e cobrança de juros de mora, para logo após, tecer minhas considerações que me levaram pela procedência de sua exigência. Vejamos os dispositivos legais: Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.598 32 Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) Da leitura dos dispositivos legais ora transcritos, depreendese claramente que os legisladores definiram, como base de incidência de juros de mora ora, exclusivamente, “tributos e contribuições” (até o advento da Lei 8.981/95), e posteriormente estendendo sobre os “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União” (a partir da Lei n. 9.430/96) e, débitos de qualquer natureza, no meu entender, esta incluída a multa de ofício. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. Por sua vez, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da sua falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por seu turno, o § 1o do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não paga no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora calculados com base na taxa Selic acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.001516/200664 Acórdão n.º 9101001.657 CSRFT1 Fl. 1.599 33 Na verdade, o que se extrai de toda essa legislação é que o legislador, cessada a correção monetária, quis fazer incidirem os juros de mora também sobre a multa por lançamento de ofício, eis que sua cobrança representa uma compensação pela não disponibilização do valor do débito não recolhido no devido tempo. De forma genérica, correspondem a uma compensação por um empréstimo ou pela utilização do capital de terceiros, os quais, no caso de demora no pagamento de obrigações de natureza tributária têm a mesma natureza, a mesma finalidade: compensar, atualizar, equilibrar, ressarcir as perdas sofridas pelo Fisco, ou seja, seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Portanto, em relação a esta matéria, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, para manter a exigência dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício não paga no seu vencimento, calculados com base na taxa Selic. É como voto. Sala das sessões em, 15 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado d igitalmente em 18/09/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11080.723165/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, que deverão ser auditados pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
Assinado digitalmente
ALICE GRECCHI Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, que deverão ser auditados pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho, que não apreciariam as provas juntadas em memoriais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS nº 22484. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. Assinado digitalmente ALICE GRECCHI – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 16 5/ 20 09 -7 3 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 164 ___________ Relatório Contra NAIR HELLER DE BARROS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 96/100, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda São Miguel, com área total de 1.294,5ha (NIRF 3.255.5920), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 496.112,12, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 27/11/2009. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa parcial da área de preservação permanente, glosa total da área ocupada por benfeitorias e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2006 Declarado Apurado na Notificação de Lançamento 03Área de Preservação Permanente 700,0 ha 333,0 ha 08Área Ocupada com Benfeitorias 320,0 ha 0,00 ha 16Valor da Terra Nua R$ 900.000,00 R$ 3.713.182,64 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls.49/74, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0425.974, de 19/09/2011, fls.107/116: Preliminar Suscita invalidade do lançamento pois entende que não ficou configurada a ocorrência das hipóteses autorizadoras do uso da técnica do arbitramento (omissão do sujeito passivo, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas art. 10 § I, inc. I e art. 14, ambos da Lei 9.393/96), uma vez que a interessada apresentou o D1AT. Complementa argumentando que restaram omissos, na notificação de lançamento, os fundamentos de fato e de direito infringidos, o que afronta o princípio da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e o art. 10 do Decreto 70.235/72, em conformidade com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme ementas transcritas na peça impugnatória. Reforça que constitui ônus do Fisco a prova quanto à inveracidade dos dados tributários declarados pelo sujeito passivo que autoriza a adoção do arbitramento, conforme preceituam os considerandos e o art. 2º do Decreto 83.936, instituidor do "Programa Nacional de Desburocratização", o art. 14 da lei 9.393/96 e o art. 10 § 7º da Lei 9.393/96 com a redação da MP 216667. Mérito Afirma, com base no levantamento georeferenciado, protocolocado no INCRA, que a área de preservação permanente (APP) é de 448,7332ha. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 165 3 Afirma também, com base em laudo técnico emitido por profissional habilitado, que a área ocupada com benfeitorias é de 317,0 ha, a qual foi reconhecida pela Receita Federal em relação ao exercício 2005. Pretende, com base nisso, que seja considerada aproveitável a área de 528,77 ha, correspondente à área total de 1294,5 ha menos APP de 448,7332 ha e área ocupada com benfeitoria de 317,0 ha. Alega que incorreu em erro de fato no preenchimento da DITR ao informar a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel era de 682 cabeças, conforme comprovam os formulários de controle de vacinação do gado e os registros contábeis da impugnante. Acrescenta que a média de animais de grande porte no exercício em questão foi de 892 cabeças de gado, sendo que, deste total, 210 cabeças de gado foram informadas na DITR do imóvel identificado pelo NIRF 610042749, restando, no imóvel em questão, 682 cabeças. Diante disso, a área de pastagem utilizada, considerando o índice de lotação de 0,70, seria de 974 ha. Considerando que ficou comprovada que a área aproveitável é de 528,77 ha, o grau de utilização adotado no lançamento deve ser alterado de 28,60% para 100% e a alíquota de 8,60% para 0,30%. Ainda que seja mantida a área aproveitável apurada no lançamento de 961,5 ha, o grau de utilização deve ser alterado para 100% à vista do número de cabeças de animais ora comprovados. Pedido Pede pela realização de diligência e de perícia para comprovar a alegação de que a quantidade de cabeça de animais apascentados no imóvel era 682. Para tanto, indica perito e formula quesitos. Pede que seja declarada a nulidade do lançamento ou que seja reconhecida a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário lançado. A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação. Cientificada da referida decisão, por via postal, em 21/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 119, a contribuinte apresentou, em 21/11/2011, recurso voluntário, fls.120/144, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 166 4 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que neste voto somente será aqui apreciada a possibilidade de acolhimento de novas provas, as quais somente foram apresentadas juntamente com memoriais distribuídos aos membros desta Turma em 15/10/2013. Por entender pertinente, devese dizer que este recurso esteve em julgamento na sessão plenária desta Turma, realizada em 18/09/2013 e que naquela ocasião depois de lido o relatório, feita a sustentação oral e proferido o voto desta relatora foi concedida vista para a Conselheira Alice Grecchi. Em razão da mudança da composição da Turma, houve nova sustentação oral, na sessão plenária realizada em 15/10/2013, sendo certo que em ambas as ocasiões – sessões de outubro e novembro de 2013 – a defesa fez a distribuição de memoriais. Ocorre que na sessão de 15/10/2013 os memoriais apresentados vieram acompanhados de novas provas, que segundo a defesa fariam a comprovação da área ocupada com benfeitorias e da área de pastagens. Veja que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a fazer a comprovação da área de 320,0 ha ocupada com benfeitorias, informada em sua DITR/2006. Na falta de tal comprovação a autoridade fiscal glosou integralmente tal área. Quando da apresentação da impugnação, a contribuinte juntou aos autos Laudo Técnico, fls. 83/85, específico sobre as áreas ocupadas com benfeitorias, que foi rechaçado pela decisão recorrida por referirse a situação do imóvel em 03/10/2007, deixando de especificar as benfeitorias existentes no ano de 2006 e também porque o laudo menciona a existência de barragem de 300 ha, destinada à irrigação da cultura de arroz, cultura, esta, não informada na DITR/2006. No recurso, a contribuinte, em suma, insiste em afirmar que o Laudo apresentado juntamente com a impugnação seria suficiente para o acolhimento da área ocupada com benfeitorias, sendo certo que nenhuma outra prova foi apresentada, seja quando da apresentação do recurso ou nos primeiros memoriais, entregues aos membros do Colegiado, na sessão realizada em 18/09/2013. Somente na sessão realizada em 15/10/2013, a defesa juntou aos memoriais, cópia de mapa, que seria datado de 1968, onde consta a indicação dos limites e da área da bacia do açude em questão. Já no que se refere à área ocupada com pastagens, a contribuinte em sua impugnação informou que incorreu em erro de preenchimento da DITR/2006, de modo que pretende ver retificada a área de pastagens de 274,5 ha para 974 ha, posto que teria informado a existência de 225 cabeças de gado quando, na realidade, o rebanho apascentado no imóvel seria de 682 cabeças. Contudo, nenhuma documentação que comprovasse sua alegação foi juntada aos autos, seja na impugnação, no recurso ou quando da apresentação dos memoriais distribuídos aos membros do colegiado na sessão de 18/09/2013. Mais uma vez, a defesa apenas procurou demonstrar o erro de fato alegado nos memoriais distribuídos na sessão de 15/10/2013, ocasião em que apresentou duas Fichas de Registro de Vacinação e Movimentação de Gados, em nome da contribuinte. Ocorre que o nome do estabelecimento ali indicado é Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 167 5 Parceria Butiá, que difere da denominação do imóvel em questão – Fazenda São Miguel – e também o endereço que consta nas Fichas não coincide com o endereço do imóvel auditado. Frisese que nas referidas fichas não há indicação de carimbos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, tampouco protocolos de entrega. Por oportuno, devese examinar o que estabelece o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, no que diz respeito à apresentação de provas: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) Como se vê, o contribuinte deve juntar à sua impugnação os documentos que fundamentam suas alegações, não havendo previsão legal para concessão de prazo para apresentação de provas após a impugnação, ressalvados, apenas, os casos previstos no parágrafo 4° acima transcrito. Importante dizer que em nenhum momento a contribuinte demonstrou a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo relevante dizer que a área ocupada com pastagens, sequer foi objeto do lançamento. Ora, se a contribuinte queria ver retificada sua DITR/2006, deveria ter juntado aos autos todos os documentos que estivessem em seu poder quando da apresentação da impugnação, sendo totalmente descabida a aceitação de documentos relacionados à retificação da DITR em memoriais entregues aos membros do Colegiado, quando da segunda vez que o recurso esteve em apreciação por esta Turma. É usual a afirmação de que no processo judicial vige o princípio da verdade formal e de que no processo administrativo impera o princípio da verdade material. Contudo, com o crescente enrijecimento do processo administrativo – operado por disposições como a que prevê prazos preclusivos para a apresentação de provas , há hoje o reconhecimento de que a verdade material é um mito em qualquer seara, e que o julgador, seja o judicial ou seja o administrativo, na expressiva maioria das vezes acaba chegando apenas a um juízo de verossimilhança, a uma verdade parcial, portanto, a uma verdade que é verdade a partir da realidade restrita dos autos que compõem fisicamente o processo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 168 6 Há que se dizer que não há dúvidas de que o processo administrativo é informado pelos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Mas parece haver um certo exagero na afirmação de que a limitação temporal à produção de provas macula tais princípios. É certo que no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes. Ocorre, porém, que tal dever atribuído ao julgador, não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental. A rigor, a verdade material está associada ao poder do julgador de ir para além das versões de fato defendidas pelas partes com base nas provas que produziram tempestivamente. O julgador pode ir para além das provas trazidas tempestivamente, quando entender que elas não espelham a realidade dos fatos. Mas esta prerrogativa, que é do julgador, não deve ser base para o estabelecimento de uma prerrogativa das partes (tanto contribuinte quanto Fazenda Nacional) que extrapola, de forma injustificada os limites de restrições temporais legalmente postas. De outro lado, tratase aqui, também, de compulsar outros princípios de igual monta, como os da razoável duração do processo e do duplo grau de jurisdição, corolário este da ampla defesa, bem como o de tutelar o objetivo de que o processo não seja utilizado como meio de dilação injustificada do litígio. É bem verdade que diante de situações nas quais não se vislumbra prejuízo para o curso normal do processo e que envolvem a apresentação de um documento que, por si só, atesta de forma concludente e definitiva a invalidade do lançamento independentemente de cognição mais aprofundada e da realização de diligências para atestar sua veracidade ou conteúdo, poderia tal apresentação ser considerada válida quando efetuada a destempo. Contudo, se as provas juntadas posteriormente à impugnação compõemse, como é o caso, de documentos que apenas indiretamente atestam a versão da defesa, demandando, por conta disto, desdobramentos processuais complementares para sua análise, e com isto atrasando de modo desmesurado o julgamento, só poderia ser acatada a juntada de tais provas fora do prazo legal, caso a parte demonstrasse a ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais previstas no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não há dúvida, que no presente caso, as provas apresentadas em memoriais não demonstram de forma inequívoca as alegações da defesa. Aliás, tais provas são apenas indiciárias, demandando a realização de diligências complementares, de modo que não podem ser acolhidas, pelas razões acima expostas. Nestes termos, voto no sentido de que o documentos apresentados em memoriais distribuídos na sessão de 15/10/2013 não sejam apreciados e, também pela não realização da diligência suscitada pela divergência, que foi acolhida pela maioria desta Turma. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 169 7 Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Relatora designada. Com a devida licença da nobre relatora da matéria, Conselheira Núbia Matos Moura, quanto à possibilidade de juntada de novas provas, não posso acompanhála no entendimento, em homenagem ao princípio da verdade material, inclusive, seguindo a jurisprudência deste Egrégio CARF. Transcrevo Ementa da recente Decisão (07 de agosto de 2013) da 2ª Turma da CSRF, que por unanimidade de votos, assim decidiu: Processo nº 10183.006493/200567 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.819 – 2ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FOAD GATTASS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integral aos autos, analisando a, ou convertendo o feito em diligência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (g.n.) Embora o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece a regra geral, esta não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 170 8 perante os fatos do caso concreto, especialmente por ser de domínio público que todas as áreas rurais possuem algum tipo de benfeitoria. Portanto, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo no entender desta Conselheira, poderão vir a rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Ademais, os documentos comprovam alegações constantes desde o início do processo, que embora as provas foram acostadas aos memoriais, por ocasião da sustentação oral, devem ser juntadas e analisadas, visto que complementam as informações constantes na DITR/2006 e o Laudo Técnico. Esta, inclusive, é a orientação da Câmara Superior de Recursos Fiscais como pode ser constatado na Decisão consubstanciada na Ementa ao Acórdão abaixo transcrita: Processo nº 11634.001245/200707 Recurso nº 266.345 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.162 – 2ª Turma Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALICE REIKO HAYAMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Recurso especial negado. As novas provas acostadas aos memoriais apresentados, segundo a defesa e numa análise perfunctória desta julgadora, poderiam fazer a comprovação da área ocupada com benfeitorias e da área de pastagens. Na DITR/2006 a Recorrente informava uma área com benfeitorias de 320,0 ha, bem como, o Laudo Técnico, acostado com a impugnação, fls. 83/85, constam as áreas ocupadas com benfeitorias, inclusive, o laudo noticia a existência de uma barragem de 300 ha. Na sessão, a defesa juntou aos memoriais, cópia de mapa, que comprovaria a existência da barragem desde 1968, onde consta a indicação dos limites e da área da bacia do açude em Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723165/200973 Resolução nº 2102000.160 S2C1T2 Fl. 171 9 questão. A defesa apresentou, ainda, Fichas de Registro de Vacinação e Movimentação de Gados, em nome da contribuinte, as quais merecem ser analisadas, com a acuidade necessária. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica; se a área em litígio foi ou não excluída da tributação pela isenção, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento, evitando, inclusive, um novo litígio na esfera judicial. A verdade material tem como supedâneo os princípios da legalidade e do interesse público, na medida em que a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade da situação então investigada. Determina o caput, do art. 2º, da Lei no 9.784/99, que no processo administrativo a Administração Pública obedecerá: Art. 2o a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Tratase da primazia no processo administrativo, sobre os fatos praticados pelo contribuinte, com vistas a corrigir eventuais fatos equivocadamente postos ou, ainda, suprimir possível existência de lacuna seja por meio de outras provas documentais, através de perícia, seja por diligências. E tal análise deve ser feita de maneira consciente e responsável pelo órgão julgador. Deixar de observar a verdade dos fatos, seria o mesmo que eliminar a discussão extrajudicial, pois sem sentido e inócua restaria, levandose as inconformidades diretamente ao poder judiciário. E não é esta a finalidade do processo administrativo. Outrossim, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dá guarida ao posicionamento desta julgadora, pois vem decidindo que as partes podem acostar memoriais e documentos que reputem imprescindíveis à escorreita solução da lide, com fundamento no princípio da verdade material, decidindo que o julgador pode após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos dos documentos relativos às áreas de benfeitorias e quantidade de bovinos e equinos apresentados ao CARF, os quais deverão ser auditados pela fiscalização. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930863/2011-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL 01/02/2002 a 28/02/2002 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 63 /2 01 1- 48 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.350, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930863/201148 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente 6 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte:COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 7 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10120.901012/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF.
Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO Recorrente UN1DROGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF. Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 10 12 /2 00 9- 97 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901012/200997 Acórdão n.º 3202000.961 S3C2T2 Fl. 150 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, que não reconheceu o direito de crédito apresentado pela Recorrente: Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto direito creditório oriundo de 'pagamento indevido ou a maior' do tributo 'PIS'. Transmitida em 25/08/2005, a DCOMP recebeu da DRF de origem o seguinte Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 31): Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (11s. 02/06): • Os DecretosLeis ri° 2445/1988 e n° 2.449/1988, que alteraram a tributação do PIS, foram declarados inconstitucionais peto Judiciário, com posterior ato do Senado Federal, que por meio da Resolução n°49/1995 os tornou inexequíveis; • O direito à repetição inicialmente ficou restrito até setembro de 1995, em virtude da edição da Medida Provisória n° 1.212/1995, convertida na Lei n" 9.715/1988, com efeito retroativo a partir de 01/10/1995; • A expressão contida no artigo 18 de Lei n° 9.715/1988, "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995" foi declarada inconstitucional peto STF, em sede da Adin n° 1.417 (DJ 23/03/2001), e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901012/200997 Acórdão n.º 3202000.961 S3C2T2 Fl. 151 3 também suspensa a execução pelo Senado Federal, por meio da Resolução IV 10/2005 (DOE] 08/06/2005); • Diante do ocorrido, teria se dado uma situação de vacância da lei, uma vez que somente a partir da publicação da Lei ri° 9.715/1998, em 25/11/1998, a exação era cabível; •Aduz que o prazo para repetição do indébito, no caso, deve se fincar, por similitude, no inciso 11 do artigo 168 do CTN, qual seja, "da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.", e que, portanto, seria a data de 08/06/2005, data da publicação da Resolução do Senado Federal n' 10/2005. A decisão proferida pela DRJ de Brasília foi assim ementada: Compensação 1. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. 2. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder a. declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de oficio. Inconformada com a decisão da DRJ de Campinas, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901012/200997 Acórdão n.º 3202000.961 S3C2T2 Fl. 152 4 O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Decadência. Tese dos 5 mais 5 anos A questão central do Recurso apresentado pela Recorrente é a questão do prazo decadencial para utilizarse dos créditos oriundos de pagamentos indevidos de PIS peço alargamento de sua base de cálculo. A Recorrente protocolou o pedido de restituição em 25 de agosto de 2005, referente a pagamento realizado em 12 de fevereiro de 1999. Neste aspecto, em virtude do Supremo Tribunal Federal (“STF”) ter se manifestado pela repercussão geral no julgamento do Recurso Extraordinário (“RE”) 566.621, o qual discute a constitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar (“LC”) nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa do seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (“CTN”), fixou o prazo decadencial para pleitear a restituição do indébito tributário no que tange a tributos sujeitos a lançamento por homologação, em cinco anos à contar da data do pagamento indevido. O acórdão do RE 566.621 foi publicado recentemente, destacandose a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901012/200997 Acórdão n.º 3202000.961 S3C2T2 Fl. 153 5 de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Vêse, portanto, que a matéria encontrase pacificado no Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901012/200997 Acórdão n.º 3202000.961 S3C2T2 Fl. 154 6 c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Verifica se, assim, que a referida decisão do Excelso Pretório deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntario interposto pela Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.000336/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2006
COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS A CONVÊNIOS. DECLARAÇÃO IDENTIFICANDO A CONTRIBUINTE COMO ÚNICA BENEFICIÁRIA DO MESMO. DADO PROVIMENTO AO RECURSO
Comprovado que o valor total pago ao convênio médico, que coincide com o valor declarado e glosado na DIRPF, bom como que a contribuinte autuada é a única beneficiária do mesmo, há de se convalidar o abatimento do valor pago ao convenio e deduzido como despesa médica na DIRPF.
Numero da decisão: 2102-002.647
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2006 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS A CONVÊNIOS. DECLARAÇÃO IDENTIFICANDO A CONTRIBUINTE COMO ÚNICA BENEFICIÁRIA DO MESMO. DADO PROVIMENTO AO RECURSO Comprovado que o valor total pago ao convênio médico, que coincide com o valor declarado e glosado na DIRPF, bom como que a contribuinte autuada é a única beneficiária do mesmo, há de se convalidar o abatimento do valor pago ao convenio e deduzido como despesa médica na DIRPF.
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PAGAMENTOS A CONVÊNIOS. DECLARAÇÃO IDENTIFICANDO A CONTRIBUINTE COMO ÚNICA BENEFICIÁRIA DO MESMO. DADO PROVIMENTO AO RECURSO Comprovado que o valor total pago ao convênio médico, que coincide com o valor declarado e glosado na DIRPF, bom como que a contribuinte autuada é a única beneficiária do mesmo, há de se convalidar o abatimento do valor pago ao convenio e deduzido como despesa médica na DIRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA DOS SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11610.000336/201091 Acórdão n.º 2102002.647 S2C1T2 Fl. 15 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alicia Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta dos Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 9a. Turma da DRJ/SP2, de 15 de fevereiro de 2011 (fls. 6/7), que por unanimidade de votos negou provimento à impugnação apresentada tempestivamente, mantendo assim a exigência fiscal objeto de Notificação de Lançamento no valor total de R$ 12.394,42, sendo R$ 6.078,68 de imposto suplementar, R$ 4.559,01 de multa de ofício e R$ 1.756,73 de juros de mora, decorrente da glosa de despesas médicas no valor de R$ 22.104,30, cuja comprovação não foi apresentada à autoridade fiscal autuante, quando solicitada. O trabalho fiscal foi mantido sob a fundamentação de que o contribuinte não trouxe a indicação de cada participante do plano de saúde, demonstrando em contrato, a participação de cada um, razão pela qual, o trabalho fiscal foi mantido. Antes ainda de concluir, o relator da decisão recorrida, Sr. Mitsumi Kimoto, Relator e Presidente fez constar em negrito: “O Contribuinte não atentou para o motivo da glosa, trazendo na impugnação documento já visto pela fiscalização.” (fl. 7). No Recurso Voluntário, sucintamente, alega como preliminar que o documento apresentado à fiscalização, fornecido pela Medial Saúde, efetivamente não fazia menção à beneficiária, pois referiase ao valor do pagamento mensal,e que na peça recursal, destaca em novo documento, também fornecido pela Medial Saúde, que não há no plano outro beneficiário, que não a autuada. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Na peça recursal, a Recorrente juntou documentos que atendem à fiscalização e com isto, embora apresentados só nesta fase, afastam a pretensão fiscal. Com efeito, as declarações firmadas pela Medial Saúde, de fls. 10 e 11, atestam que foi pago no ano de 2.006, Ano Calendário a qual se refere a autuação, o valor total de R$ 22.104,30, valor total glosado, e à fl. 9, em declaração a ela endereçada que “Figura Vossa Senhoria na qualidade de titular e único beneficiário do contrato n.o 50222474, firmado em 17/11/2003 não existindo dependentes.” Destarte, legítima a dedução levada a efeito na DIRPF pela autuada. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11610.000336/201091 Acórdão n.º 2102002.647 S2C1T2 Fl. 16 3 Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10814.002933/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 08/01/2002
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. TRÂNSITO ADUANEIRO. PROVA DO CUMPRIMENTO. REGULARIDADE.
A prova do cumprimento do regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro, apresentada pelo contribuinte no curso do processo administrativo e reconhecida como legítima pela autoridade aduaneira do destino da mercadoria importada (recinto alfandegado de destino) dentro do prazo previsto, deve ser aceita para afastar as exigências formuladas com base no descumprimento do regime especial.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 08/01/2002 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. TRÂNSITO ADUANEIRO. PROVA DO CUMPRIMENTO. REGULARIDADE. A prova do cumprimento do regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro, apresentada pelo contribuinte no curso do processo administrativo e reconhecida como legítima pela autoridade aduaneira do destino da mercadoria importada (recinto alfandegado de destino) dentro do prazo previsto, deve ser aceita para afastar as exigências formuladas com base no descumprimento do regime especial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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TRÂNSITO ADUANEIRO. PROVA DO CUMPRIMENTO. REGULARIDADE. A prova do cumprimento do regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro, apresentada pelo contribuinte no curso do processo administrativo e reconhecida como legítima pela autoridade aduaneira do destino da mercadoria importada (recinto alfandegado de destino) dentro do prazo previsto, deve ser aceita para afastar as exigências formuladas com base no descumprimento do regime especial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 29 33 /2 00 7- 03 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10814.002933/200703 Acórdão n.º 3101001.486 S3C1T1 Fl. 121 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto conta a decisão de primeira instância que manteve o lançamento do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, multa por não recolhimento dos tributos e multa pela importação ao desamparo de Guia de Importação, por entender o Fisco que a Recorrente não cumpriu adequadamente o regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro do qual foi beneficiária. Segundo os autos, em 08/01/2002 a Recorrente solicitou o regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro às mercadorias amparadas pelo conhecimento de transporte AWB nº 083.3638.6066, internadas no Território Nacional através da Alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP, destinadas a reparar as avarias sofridas pela embarcação estrangeira (IRAN VODJAN) ancorada no Porto de Santos/SP em janeiro de 2002. Acusa a Fiscalização (fls.17) que a Recorrente não comprovou o recebimento das mercadorias pela repartição alfandegária de destino, concluindo por sua irregular importação, sem o devido recolhimento dos tributos incidentes. A Recorrente impugnou o Auto de Infração fazendo juntar aos autos o documento de fls. 56 (Papeleta nº 12, de 10/01/2002, emitida pela ALF/SantsSP), alegando ser suficiente prova suficiente para demonstrar o regular cumprimento do regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro. Contudo, a DRJSP entendeu que o documento não é hábil para a comprovação da conclusão do trânsito aduaneiro sob o fundamento de que não foi apresentada a DTA III com a respectiva averbação de chegada (fls. 65), julgando improcedente a Impugnação, conforme a seguinte ementa (fls. 64): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 08/01/2002 TRANSITO ADUANEIRO. CONCLUSÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Considerase não concluído o trânsito aduaneiro quando a interessada não apresenta provas inequívocas de tal fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão em 12/07/2009, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 77) em 09/08/2010, aduzindo que concluiu o regime aduaneiro especial objeto dos autos, aproveitando a oportunidade para juntar a DTAIII relativa ao caso, com a averbação de chegada das mercadorias, protocolizada na Alfândega destinatária. Referido documento segue juntado às fls. 81 (frente e verso). Convertido o julgamento à repartição de origem a fim de que se manifeste acerca da prova juntado pelo contribuinte, sua correlação com os fatos, consultando, se Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10814.002933/200703 Acórdão n.º 3101001.486 S3C1T1 Fl. 122 3 necessário, a Inspetoria de destino (Santos) acerca da recepção dos bens, o resultado foi o seguinte conforme consta no despacho de fls. 110: Em atendimento ao despacho de fl. 102, e considerando a necessidade de consulta à unidade de destino do trânsito aduaneiro, encaminhei o presente processo à Alfândega de Santos com os questionamentos de fl. 105. Como resposta ao quesito formulado 1, entendo que o ATRFB José Joaquim de Almeida Júnior informa, a fl 106, que não haveria registro do recebimento das mercadorias da DTA pois, conforme procedimento à época, teria sido autorizada a entrega a bordo do navio sem acompanhamento fiscal. Quanto ao quesito 2, pareceme que a Alfândega de Santos não dispõe de documento original arquivado para confrontação, vez que o ATRFB somente se pôde ater à análise do documento escaneado apresentado pelo interessado. Entendo, pelo informado, que há consistência dos carimbos e assinaturas apostas no documento, e que não foram encontrados elementos desabonadores de sua legitimidade. Com base nestas informações, e em atendimento à diligência de fl. 102, informo que não encontrei fato que desacreditasse a prova juntada pelo contribuinte, nem sua correlação com o presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. O que se confirmou pela diligência é que a juntada da DTA pelo contribuinte é legítima e válida para afastar o auto de infração com lavrado com base em DTA em branco, o que indicava que o trânsito não teria sido cumprido, ou seja, que os bens retirados do Aeroporto Internacional de Guarulhos não teriam chegado ao Porto de Santos. De modo que a irregularidade extraída do conjunto probatório e da descrição dos fatos contidos no Auto de Infração estava lastreada unicamente na DTA em branco. Ocorre que a prova trazida pela contribuinte e reconhecida como válida pelas autoridades de origem demonstra que o trânsito aduaneiro foi cumprido tempestivamente e a DTA foi recepcionada pela Alfândega do Porto de Santos. Desta forma a responsabilidade prevista no art. 478, §1º do Regulamente Aduaneiro, introduzido pelo Decreto nº 91.030/85, mostrase excluída pelo comprimento regular do compromisso assumido no regime de trânsito aduaneiro. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10814.002933/200703 Acórdão n.º 3101001.486 S3C1T1 Fl. 123 4 Esta responsabilidade tem como pressuposto (em todos os seus incisos) a falta ou o dano às mercadorias (avaria/extravio) que se coaduna com a DTA trazida pelo fisco, mas inconsistente diante da prova produzida pela contribuinte às fls. 81 (frente e verso) e confirmada pela repartição de origem, pelo que se conclui que a mercadoria foi recepcionada pela Alfândega do Porto de Santos no dia 08/01/2002. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10830.906816/2011-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 68 16 /2 01 1- 91 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 155 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 156 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 12681.77659.280810.1.1.015340, transmitido em 28/08/2010, no valor de R$ 28.126,06, relativo ao 1º trimestre de 2008, o qual, todavia, foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial e não homologação das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 8.014,22, à data da emissão do citado DDE. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Esclarece que as diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 157 4 tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), às fls. 96/104, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 158 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 109 a 131, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 159 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 1º trimestre de 2008 foi integralmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 50, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 160 7 A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 161 8 possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 162 9 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 163 10 Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 164 11 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906816/201191 Acórdão n.º 3801002.291 S3TE01 Fl. 165 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10935.720999/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
SAT/RAT. FIXAÇÃO ALÍQUOTA. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTOENQUADRAMENTO. PREVISÃO LEGAL. REGULARIDADE. REENQUADRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO CLARA, PRECISO E OBJETIVA DO NÚMERO DE TRABALHADORES ENVOLVIDOS. INOCORRÊNCIA DESTA DEMONSTRAÇÃO. FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VIOLAÇÃO À LEI. CRÉDITO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima que votam pela conversão do julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 SAT/RAT. FIXAÇÃO ALÍQUOTA. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTOENQUADRAMENTO. PREVISÃO LEGAL. REGULARIDADE. REENQUADRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO CLARA, PRECISO E OBJETIVA DO NÚMERO DE TRABALHADORES ENVOLVIDOS. INOCORRÊNCIA DESTA DEMONSTRAÇÃO. FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VIOLAÇÃO À LEI. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 SAT/RAT. FIXAÇÃO ALÍQUOTA. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUTOENQUADRAMENTO. PREVISÃO LEGAL. REGULARIDADE. REENQUADRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO CLARA, PRECISO E OBJETIVA DO NÚMERO DE TRABALHADORES ENVOLVIDOS. INOCORRÊNCIA DESTA DEMONSTRAÇÃO. FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VIOLAÇÃO À LEI. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima que votam pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 09 99 /2 01 2- 61 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10935.720999/201261 Acórdão n.º 2803002.919 S2TE03 Fl. 146 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10935.720999/201261 Acórdão n.º 2803002.919 S2TE03 Fl. 147 3 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.328.1293, que objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – SAT/RAT, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 12 a 16, com período de apuração de 06/2007 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 56. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 09/05/2012, conforme AR, de fls. 96. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 98 a 105, recebida, em 06/06/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 98, estando acompanhada dos documentos, de fls. 106 a 109. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 110. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0639.345 7ª Turma da DRJ/CTA, em 25/02/2013, fls. 111 a 115, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 19/03/2013, AR, de fls. 117. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 118 a 126, recebida, em 18/04/2013, acompanhado dos documentos, de fls. 127 a 143, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que a atividade preponderante do município é a atividade administrativa/educacional, pois ocupa 78,15 % de sua força de trabalho, estando esta submetida ao SAT/RAT de 1%, sendo que só 15% da atividade da recorrente se sujeita a alíquota de 2%, não podendo o enquadramento ser feito diretamente pelo CNAE, devendo ser observando a atividade preponderante da recorrente, nos termos da decisões judiciais colacionadas e da Súmula 351, do STJ; · A recorrente requer : a) a acatamento do recurso, com a reforma do acórdão a quo; b) declaração de nulidade do auto de infração; c) protesta por produção de novas provas; d) ou determinação de diligência; O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 144. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 144. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10935.720999/201261 Acórdão n.º 2803002.919 S2TE03 Fl. 148 4 É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10935.720999/201261 Acórdão n.º 2803002.919 S2TE03 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado Cumpre, inicialmente, esclarecer que rejeito e indefiro o pedido para produção de novas provas, pois concluído o julgamento não há mais espaço para tal, deve a recorrente apresentar seus argumentos e provas antes que este se inicie. Da mesma forma as diligências são providências determinadas pelo julgador quando e se necessárias a formação de sua convicção, o que o presente caso não requer, assim indefiro tal pedido. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) ( o destaque é meu). Todavia, no que tange as alegações de mérito da recorrente a esta assiste razão. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10935.720999/201261 Acórdão n.º 2803002.919 S2TE03 Fl. 150 6 Embora, no anexo V, do Decreto 3.048/99, na redação dos Decretos 6.042/2007 e 6.957/2009, a alíquota SAT/RAT/GIILRAT seja de 2% para a Administração Pública em Geral, a Lei 8.212/91 no seu artigo 22, incisos II, alíneas “a”, “b” e “c” define que as alíquotas devem ser estabelecidas em razão da atividade preponderante. O artigo 202, § 3º, do Decreto 3.048/99 diz que a atividade preponderante é a que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Logo, se a recorrente demonstra e comprova como nestes autos que a sua atividade preponderante é a atividade administrativa e a de educação, ocupando estas 78,15% de sua mão de obra e que a alíquota para esta atividade é de 1%, não se justifica a exigência da diferença, pois esta inexistiria. A fiscalização no momento do levantamento não comprovou que a recorrente tem a maior parte de seus trabalhadores em atividade de alíquota de 2%, limitandose a promover o reenquadramento, que e lei lhe faculta, única e exclusivamente via CNAE, o que não é possível, o fisco deve demonstrar de forma clara, precisa e objetiva a realidade da utilização da mão de obra do contribuinte para desconstituir o autoenquadramento feito por este. Isto posto, entendo que o lançamento não demonstra a ocorrência do fato gerador e nem atende ao artigo 142, da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento e declarar a improcedência do lançamento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13888.905202/2009-08
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 05 20 2/ 20 09 -0 8 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.296, às fls. 70 a 73: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 64/67, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de PIS/PASEP (código de receita: 8109) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRRI: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 60, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 32863.22233.150906.1.3.047723, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada. interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/59, na qual alega, em síntese, que certamente havia o crédito a ser compensado, conforme informado na PER/Dcomp supra, porém, o despacho decisório não homologou a compensação declarada por erro de fato na DCTF do 3° trimestre de 2001. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo a respectiva DCTF retificadora, relativa ao 3° trimestre de 2001, DIPJ/2002 e compensações com o DARF em epígrafe, para requerer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 5 4 conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 6 5 competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitou se a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 7 6 no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõe se a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 8 7 excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confunde se com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 9 8 DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Este é o Relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 10 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/09/2006 (fls. 65 a 68), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 3º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/10/2001 e possui o valor total de R$ 30.429,27. A compensação abrange débito de PIS do mês de agosto de 2006, no valor de R$ 2.487,52. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] A contribuinte, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTFretificadora do 3° trimestre de 2001. Malgrado o intento da contribuinte, importa assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente. por ocasião do presente contencioso, a declaração de compensação sob exame deveria estar necessariamente instruída com as devidas provas Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 11 10 do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de indeferimento. Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: [...] No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ/2002 (fls. 17/43) e a DCTFretificadora (fls. 02/16), na qual se destaca o novo valor declarado. De se lembrar que, por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nessa linha, salientese que tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de urna série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. [...] Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 12 11 A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (15/09/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 13 12 Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 14 13 Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 15 14 (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 16 15 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 17 16 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 18 17 oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 3º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905202/200908 Resolução nº 1802000.411 S1TE02 Fl. 19 18 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10909.001167/2011-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 27/12/2005 a 19/12/2007
Ementa:
DECADÊNCIA. SANÇÃO PECUNIÁRIA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. PRAZO.
Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decreto-Lei no. 37/66, é de cinco anos, a contar da data da infração, o prazo de que dispõe a Administração para lançar a sanção pecuniária em substituição à pena de perdimento, na eventualidade de a mercadoria importada já ter sido despachada para consumo.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 27/12/2005 a 19/12/2007 Ementa: DECADÊNCIA. SANÇÃO PECUNIÁRIA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. PRAZO. Nos termos dos artigos 138 e 139 do DecretoLei no. 37/66, é de cinco anos, a contar da data da infração, o prazo de que dispõe a Administração para lançar a sanção pecuniária em substituição à pena de perdimento, na eventualidade de a mercadoria importada já ter sido despachada para consumo. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 11 67 /2 01 1- 89 Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/6) lavrado contra a empresa Plásticos Itajaí Representações Ltda. (a “Itajaí”), em 7.4.2011 e a ela cientificado em 20.4.11, para exigência de multa decorrente da substituição de pena de perdimento de mercadoria importada. O fundamento legal da autuação é o artigo 23, V e §3º do DecretoLei nº 1.455/76, que sanciona com perdimento o dano ao erário caracterizado pela ocultação do sujeito passivo, mediante interposição fraudulenta de terceiros, na importação de mercadorias. Narra a auditoria (fls. 7/98) que: (a) a Itajaí registrou 449 Declarações de Importação – DIs entre 2004 e 2008; (b) a Itajaí não possuía capacidade financeira e operacional para tais importações, sendo na verdade uma empresa “laranja” utilizada para ocultar as empresas por cuja conta e ordem as importações eram realizadas; (c) para 95 das 449 DIs, identificouse que a empresa “encomendante” das importações era a empresa Indústria e Comércio de Plásticos Cajovil Ltda.; (d) para 225 das 449 DIs, identificouse que a “encomendante” das importações era a empresa Gabiplast Distribuidora de Plásticos, Exportação e Importação Ltda.; (e) para 129 das DIs, não foi identificado o “encomendante”; (f) Gabiplast e Cajovil são empresas cujos sócios administradores são os irmãos Carlos Norberto Brandes e Jorge Luiz Brandes; (g) das 95 DIs vinculadas à Cajovil, 92 foram registradas sob o regime de drawback (Decreto nº 4.543/02, arts. 335 a 355); e, das 225 DIs vinculadas à recorrente Gabiplast, 169 também se vinculavam a drawback; e (g) em todo o período auditado, a Itajaí nunca realizou sequer uma operação de exportação; intimada a comprovar o cumprimento das regras aplicáveis ao drawback, a Itajaí silenciou. Além desse auto de infração, que lança a multa substitutiva do perdimento das mercadorias objeto das 129 DIs cujo encomendante não foi identificado, resultaram também, dessa mesma e única auditoria, os seguintes processos: (i) PAF nº 10909.000911/201128 (julgado por essa Turma, através do acórdão nº 3403002.372 de minha relatoria, em sessão de 24 de julho de 2013): auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Cajovil, para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento das mercadorias objeto das 95 DIs vinculadas à Cajovil; Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10909.001167/201189 Acórdão n.º 3403002.615 S3C4T3 Fl. 5 3 (ii) PAF nº 10909.001292/201199 (sobrestado por essa Turma, através da resolução nº 3403000.473 de minha relatoria, em sessão de 24 de julho de 2013): auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Cajovil, para lançamento de II, IPI, PisImportação e CofinsImportação sobre as 92 DIs financiadas pela Cajovil e registradas sob regime de drawback; (iii) PAF nº 10909.00910/201183 (em pauta na presente sessão de julgamento): auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Gabiplast, para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento das mercadorias objeto das 225 DIs vinculadas à Gabiplast; (iv) PAF nº 10909.001291/201144 (em pauta na presente sessão de julgamento): auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Gabiplast, para lançamento de II, IPI, PisImportação e CofinsImportação sobre as 169 DIs financiadas pela Gabiplast e registradas sob regime de drawback; (v) 10909.000912/201172: representação fiscal para fins penais. Cientificada da presente autuação, a Itajaí apresentou impugnação (fls. 299/328), argumentando: (a) nulidade do auto de infração por violação ao artigo 73 da Lei nº 10.833/03, que exigiria a instauração e encerramento de processo administrativo para aplicação da pena de perdimento, previamente à lavratura do auto de infração de aplicação da multa substitutiva; (b) nulidade do lançamento, uma vez que o mandado de procedimento fiscal expirou em 25.07.2009, sem nova prorrogação, e a autuação foi lavrada apenas em 11.04.2011; (c) decadência dos créditos tributários constituídos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 20.04.2006; (d) derrogação do art. 23, §3º do DL nº 1.455/76 pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07; e (e) responsabilidade exclusiva das empresas Cajovil e Gabiplast, que seriam as verdadeiras importadoras. Em 19.09.2011, a DRJFlorianópolis/SC (fls. 1499/1516) julgou procedente em parte a impugnação, acolhendo apenas a preliminar de decadência e cancelando a autuação relativamente às DIs registradas antes de 20 de abril de 2006. Desta parcela exonerada (no valor de R$10.166.995,85), interpôsse recurso de ofício. Intimada (fl. 1524), a contribuinte não recorreu. É o relatório. Voto Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz A decadência do direito de infligir sanções aduaneiras é disciplinada nos arts. 138 e 139 do DecretoLei nº 37/66: “Art. 138. O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art. 139. No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração”. O lançamento da sanção aduaneira devese ultimar, então, no prazo de cinco anos contado da data da infração, a qual, aqui, coincide com a data de registro da DI, momento em que a alegada interposição fraudulenta de terceiros se consumou. Como o auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 20 de abril de 2011, a mais remota infração ainda sancionável decorre das DIs registradas em 20 de abril de 2006, o que significa que as DIs mencionadas nos itens 1 a 108 da planilha de fls. 95/98 não mais podiam ensejar sanção ao contribuinte. Correta, pois, a decisão da DRJ recorrida ao reconhecer a decadência relativamente às DIs registradas antes de 20 de abril de 2006. Nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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