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6450464 #
Numero do processo: 10314.725050/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. APURAÇÃO ANUAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA. As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento do IRPJ, constante do mesmo processo, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, pela natural relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, sempre que restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1201-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. Os conselheiros João Figueiredo e Ronaldo Apelbaum acompanharam o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 3          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em NEGAR  provimento  aos  Recursos  Voluntário  e  de  Ofício.  Os  conselheiros  João  Figueiredo  e  Ronaldo  Apelbaum acompanharam o Relator pelas conclusões.    (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Roberto Caparroz  de  Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado,  João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de  Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa.    Relatório  Trata­se de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra a empresa em  epígrafe, relativos a glosa com despesas de ágio e exclusões indevidas, nos anos­calendário de  2009 e 2010.  Reproduzimos, a seguir, trechos do Termo de Verificação Fiscal e da decisão  de primeira instância, que bem descrevem as autuações e argumentos de defesa da interessada:  Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos  de  infração  de  fls.  699  a  714,  para  exigência  de  crédito  tributário  no  montante  de  R$  26.570.812,84,  assim  discriminado:     De  acordo  com  a  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, a fls. 700, foi  imputada à interessada a seguinte infração:  0001  EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  NÃO  AUTORIZADAS  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL  –  EXCLUSÕES  INDEVIDAS   Valor  excluído  indevidamente do Lucro Líquido do período, na  determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo.  Fato Gerador   Valor Apurado (R$)   Multa (%)  Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 4          3 31/12/2009    15.038.624,80     225,00   31/12/2010    4.755.671,16     75,00   31/12/2010    3.759.656,28     225,00   Os  fundamentos  da  autuação  são  apresentados  no  Termo  de  Verificação  Fiscal, de fls. 686 e seguintes:  Da Amortização do Ágio ­ exclusão indevida do lucro real  3.1.1.  Em  análise  a  este  item,  efetuamos  as  glosas  dos  ágios,  excluídos pela empresa na apuração do lucro real, nos período  de  2009  e  2010,  no  montante  de  R$  18.798.281,08,  conforme  expomos nos itens a seguir:    ANO    VALOR  SALDO  31/12/2009  Amortização  15.038.624,80  3.759.656,28  31/12/2010  Amortização  3.759.656,28  (0,00)    3.1.2.  Para  melhor  compreensão  da  engenharia  societária  realizada  pelas  empresas  do  grupo,  descrevemos  as  operações  que originaram o ágio, objeto desta análise:  3.1.2.1. Dados das Pessoas Jurídicas Envolvidas  Razão social  CNPJ  Data da  Constituição /  Transformação  Data da  Extinção  Enterpa Ambiental S.A  02.592.658/0001­65  17/06/1998    Qualix Serviços Ambientais Ltda  (alteração nome)  02.592.658/0001­65  16/12/2002    Sustentare Serviços ambientais S.A  (alteração nome)  02.592.658/0001­65  16/08/2010            SIWA  Serviços  Ambientais  e  Participações Ltda  02.640.426/0001­35  16/07/1998  21/03/2005  CIVILIA Enqenharia Ltda  60.699.667/0001­56  02/10/1992  01/05/2007  SIDECO Brasil Ltda  00.280.334/0001­66  20/10/1994    PARTSERAM   Participações   e  Serviços ambientais Ltda  03.475.160/0001­85  29/10/1999  28/01/2000  GDASPE   empreendimentos   e  Participações Ltda  07.083.466/0001­47  21/09/2004  21/03/2005    3.1.2.2) Relato das operações realizadas  (a) Enterpa Ambiental  S.A  (atual  Sustentare)  ­  constituída  em  17/06/98, com início da atividade em 28/02/98.    Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 5          4   (b) Ágio I (28/07/1998)  A  empresa  SIWA  Serviços  Ambientais  e  Participações  S/A  adquiriu 80% das ações da ENTERPA com o registro de um ágio  (como reserva especial) de R$ 83.616.000,00.      (c) Ágio II (01/10/1999)  A  empresa  SIWA  constitui  a  empresa  PARTSERAM  e  integraliza  o  capital  dessa  nova  pessoa  jurídica  com  a  participação societária que detém da ENTERPA com o registro  de  ágio  no  valor  de  R$  136.306.233,08.  Neste  montante  está  incluído o saldo remanescente do ágio anteriormente registrado  na  SIWA  quando  da  aquisição  da  ENTERPA  (transferência  do  saldo do Ágio I ­ R$ 57.137.600,00) e o novo ágio cobrado pela  própria SIWA (Ágio II ­ R$ 79.168.633,08).    (d) Em 28/01/2000 a empresa ENTERPA  incorpora a empresa  PARTSERAM e absorve para si  o ágio de R$ 136.306.233,08,  passando  a  amortizar  a  despesa  na  apuração  do  imposto  de  renda e da CSLL.  Duração  da  Atividade  da  PARTSERAM:  01/10/1999  a  28/01/2000.    De acordo com a empresa em resposta ao Termo de Intimação  n°  007,  no  período  de  existência  da  PARTSERAM,  não  houve  Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 6          5 contratação  de  empregados  ou  auferição  de  rendimentos  nas  atividades vinculadas ao objeto da empresa.  As  empresas  SIDECO  e  CIVILIA  detêm  cada  uma  apenas  1  quota na composição da sociedade, enquanto que a SIWA detém  140.555.116  quotas,  porém,  as  duas  primeiras  controlam  esta  última.  (e)  Em  16/12/2002,  alteração  do  nome  empresarial  de  ENTERPA para QUALIX. Nesta ocasião as  sócias da QUALIX  são:  SIWA, CIVILIA  e  SIDECO  com  as  seguintes  distribuições  de quotas.    (f)  Em  21/09/2004  ­  ocorre  a  criação  da  empresa  GDASPE  Empreendimentos  e  Participações  Ltda,  cujo  objeto  social  é  HOLDINGS DE INSTITUIÇÕES NÃO­FINANCEIRAS.   (g) Ágio III (01/03/2005)  A empresa  SIWA  transfere  para  suas  controladoras SIDECO e  CIVILIA  as  quotas  que  possui  da  empresa  QUALIX  com  a  cobrança  de  ágio  no  valor  de  R$  75.193.124,00  (Ágio  III)  e  retira­se da sociedade.  Conforme  a  6o  alteração  contratual  da  Qualix  em  "Contrato  Social e alterações".  ÁGIO III   GDASPE  ­  A  QUALIX  tem  a  seguinte  composição  societária:  CIVILIA, SIDECO e GDASPE.  (h)  Em 03/03/2005  (7o  alteração  contratual  da QUALIX  )  ­  as  empresas SIDECO e CIVILIA adquirem a empresa GDASPE e,  no mesmo dia, aumentam e integralizam o capital desta PJ com  as cotas da QUALIX juntamente com o ágio anteriormente pago,  ou seja, transfere o ágio III para GDASPE.    Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 7          6 A  QUALIX  tem  a  seguinte  composição  societária:  CIVILIA,  SIDECO e GDASPE.  (i)  Em  21/03/2005  (8a  alteração  contratual  da  QUALIX)  ­  a  empresa  QUALIX  incorpora  as  empresas  GDASPE  e  SIWA  e  absorve para si o ágio de R$ 75.193.124,00 (valor transferido do  ágio  III),  passando  a  amortizar  a  despesa  na  apuração  do  imposto de renda e CSLL.  Duração  da  empresa  GDASPE  (21/09/2004  a  21/03/2005):  6  meses.  De  acordo  com  a  empresa  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  n°  007,  no  período  de  existência  da  GDASPE,  não  houve contratação de empregados ou auferição de  rendimentos  através de atividades vinculadas ao objeto da empresa.  Após  essa  operação  a  QUALIX  tem  como  sócias  a  CIVILIA  e  SIDECO.  (j) (...)  (k)  Em  08/10/2010  (AGE)  ­  ocorre  a  alteração  do  nome  empresarial  da  QUALIX  para  SUSTENTARE  ENGENHARIA  AMBIENTAL  S.A  e  em  25/11/2010  (AGE)  alteração  do  nome  empresarial  para  SUSTENTARE  SERVIÇOS AMBIENTAIS  S.A  "EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL".  Apresentamos a seguir o quadro societário da QUALIX a título  de demonstrar a composição societária e seus dirigentes, obtidas  da quarta à oitava alteração do contrato social para demonstrar  a  vinculação,  entre  os  atos  praticados  pelos  sócios  e  administradores,  e  a  simulação  ou  fraude,  em  tese,  praticada  desde a criação do ágio até a utilização através da amortização  indevida no período fiscalizado.    CONTRATO  SOCIAL  SÓCIOS  NOMES DIRIGENTES  CPF  4o Alteração  (19/04/2004)  SIWA  Roberto Medeiros   Joaquim Luiz Bolas Neves  519.580.078­20  578.619.868­53      CIVILIA  Mariano Macri  Ivan Santos de Nadai  227.778.298­02  227.437.288­84      SIDECO  Mariano Macri  Manuel Bastos Lima Júnior  227.778.298­02  037.635.607­34          5o Alteração  (11/01/2005)  SIWA  Roberto Medeiros   Newton Rodrigues de Albuquerque Filho  519.580.078­20  370.121.187­68      CIVILIA  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07      SIDECO  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07    6o Alteração  (01/03//2005)  A empresa SIWA cede e transfere às demais sóclas­quotistas o total de  suas quotas e retira­se da sociedade. Nesta operação ocorre o Ágio III no  valor de R$ 75.193.124,00 (ver LALUR)      SIWA  Roberto Medeiros   Joaquim Luiz Bolas Neves  519.580.078­20  Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 8          7     CIVILIA  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07      SIDECO  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07          7° Alteração  (03/03//2005)  As sócias CIVILIA e SIDECO adquirem a empresa GDASPE e aumentam e  integralizam o capital social com o ágio anteriormente paqo a SIWA.      CIVILIA  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07      SIDECO  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07      GDASPE  Mariano Macri  227.778.298­02          8o Alteração  (21/03/2005)  Ocorre a incorporação da GDASPE praticamente na mesma data em que a  SIWA transfere as suas quotas com ágio para a CIVILIA e SIDECO e em  que ocorre a aquisição da GDASPE.      CIVILIA  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07      SIDECO  Mariano Macri  Mabel Nicolau  227.778.298­02  231.089.978­07    3.1.3  Das  respostas  obtidas  mediante  termos  de  intimação  fiscal:  (a) A  empresa  ao  ser  intimada,  através  do Termo n°  002,  item  1.5,  a  apresentar  comprovação  dos  pagamentos  do  ágio  realizados  em  2009  e  2010  e  respondeu  que  não  houve  disponibilidade de recursos.  Em  resposta  ao  Termo  n°  007,  a  empresa  informa  que  houve  movimentação  financeira,  porém,  da  análise  conclui­se  que  as  movimentações  foram  realizadas  através  de  transferências  de  ações  em  todas  as  transações  em  que  houve  a  ocorrência  do  ágio,  ou  seja,  não  houve  efetivo  desembolso  financeiro  em  moeda.  (b) A empresa informou, mediante intimação fiscal (TIF007), que  o  fundamento  econômico  do  ágio  em  cada  operação  acima  mencionada  foi  em  função  da  rentabilidade  futura.  Ao  ser  intimada a apresentar o Laudo de Rentabilidade Futura, Termo  de  Intimação  n°  010,  na  incorporação  das  empresas  PARTSERAM  e  GDASPE,  foram  apresentados  os  Laudos  de  Avaliação  ou  seja,  não  foram  apresentados  estudos  mercadológicos que  lastreiem a  fundamentação alegada para a  existência do ágio.  3.1.4 Dos Argumentos de Ocorrência de Simulação ou Fraude  A  empresa  Sustentare  esclareceu,  em  resposta  ao  termo  de  intimação  n°  007,  que  o  propósito  da  constituição  da  empresa  Partseram pela SIWA,  em 01/10/1999, era ampliar a  conquista  de  grandes  negócios,  entre  elas,  as  explorações  de  concessões  públicas,  que  vislumbrava  ser  promissor  na  época  (sic),  o  que  levou a sua criação com ocorrência de ágio, mas que se mostrou  Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 9          8 ser  inviável  economicamente,  após  três  meses  de  existência,  e  decidiu­se pela extinção da referida empresa.  Embora  o  contribuinte  tenha  declarado  que  os  ágios  por  ele  amortizados  decorriam  de  uma  verdadeira  aquisição  de  investimentos,  pela  análise  efetuada,  ficou  evidente  que  não  houve  investimento  nenhum,  os  ágios  foram  criados  artificialmente  com  o  único  intuito  de  auferir  um  benefício  indevido. Este fato é corroborado pela inexistência de aquisição  de investimentos e pela inexistência de contratos negociais e de  contratação de empregados, tanto pela PARTSERAM como pela  GDASPE, para justificar a existência dos ágios com fundamento  em rentabilidade futura.  A  empresa  SUSTENTARE  alega  que  os  ágios  registrados  decorreram  de  uma  efetiva  contrapartida  financeira,  porém,  a  empresa  não  comprovou  essa  movimentação  financeira  em  forma  de  pagamento,  o  que  ficou  demonstrado  é  que  os  ágios  pautados  no  fundamento  econômico  de  rentabilidade  futura,  como  nos  ágios  II  e  III,  decorreram  de  transações  através  de  transferências de quotas tão somente.  De  fato,  a  ausência  de  propósito  negocial  e  de  substrato  econômico, da mesma forma que impedem a existência material  do ágio, atestam a simulação praticada pelo contribuinte.  A  simulação  caracterizada  pelo  lançamento,  em  que  pese  se  referir  ao  aumento  de  capital  da  PARTSERAM  e  da GDASPE  com  as  participações  societárias  da  ENTERPA  e  da  QUALIX,  fora materializada com as posteriores incorporações realizadas.  A  criação  do  ágio  fictício  e  a  transferência  do  ágio  pago  por  outra  pessoa  jurídica  foi  iniciada  com  a  aquisição  do  investimento  pela  PARTSERAM  e  pela  GDASPE  e  concluído  com  a  incorporação  dessas  sociedades  pela  ENTERPA  e  pela  QUALIX, respectivamente.  O evidente intuito doloso do contribuinte nos ilícitos tributários  cometidos pelo contribuinte resta caracterizado pelo fato de ele  saber  desde  o  início  que  a  PARTSERAM  e  a GDASPE  seriam  posteriormente incorporadas por ele.  O  evidente  intuito  de  fraude  do  contribuinte  fica  ainda  mais  claro quando se vê que ele, por meio de laudos de avaliação da  ENTERPA  e  da  QUALIX,  procurou  dar  uma  aparência  de  legalidade a uma operação não prevista na legislação.  Analisando  as  operações  realizadas  pelo  grupo  econômico,  relatadas  no  item  3.4.2.2,  observa­se  que  a  PARTSERAM  e  a  GDASPE  foram  utilizadas  como  empresas  veículos,  ou  seja,  o  aumento do capital dessas empresas visou unicamente a criação  artificial  do  ágio  e  à  transferências  dos  ágios  em  operações  anteriores. Tendo em vista o curto  lapso de  tempo entre a data  da  aquisição  das  participações  societárias  pelas  empresas  citadas  e  a  incorporação  pela  ENTERPA  e  pela  QUALIX,  é  inegável que o aumento de capital realizado não se revestia da  natureza de investimento.  Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 10          9 3.1.5 Conclusão   De acordo com o expostos nos itens anteriores, concluímos que  ambas  as  empresas  incorporadas  (PARTSERAM  e  GDASPE)  foram  apenas  instrumentos  para  aproveitamento  do  ágio  na  apuração  do  imposto  de  renda  e  CSLL.  Estes  ágios  foram  absorvidos  pelas  transferências  de  ações/quotas  e  aumento  de  capital  entre  as  empresas QUALIX,  SIWA,  SIDECO e CIVILIA  que simularam as ocorrências de ágios nas transações.  Este tipo de operação é chamado de "ágio intragrupo" ou "ágio  interno"  que  é  aquele  gerado  por  operações  sucessivas  de  reorganização  societária  destinadas  a  gerá­lo  e  transferi­lo  a  uma  terceira  empresa  sem que,  efetivamente,  haja mudança de  controle societário. Analisando as operações no aspecto formal  e  material,  concluímos  que  as  transações  têm  como  objetivo  somente  obter  a  economia  tributária,  o  que  ocorreu  foram  as  sucessivas  transferências  de  ágio,  nas  constituições  e  incorporações  entre  as  empresas  envolvidas,  que  como  descrevemos  acima,  são  todas  pertencentes  ao  mesmo  grupo  econômico, sem desembolso financeiro, visto que eles não foram  comprovados pela empresa.  Dessa  forma,  fica  caracterizada  a  simulação  cometida  pelo  contribuinte o que resulta em qualificação da multa de ofício.  Serão  efetuados  os  lançamentos  dos  valores  amortizados  em  2009 e 2010, conforme consta do LALUR.  3.2 Do IRPJ e CSLL Diferidos   3.2.1 Exclusão Indevida do Lucro Líquido ­ CSLL Diferida   Em  análise  à  DIPJ2011,  verificamos  que  a  CSLL  diferida,  no  valor  de R$ 1.257.265,90,  foi  excluída  do cálculo  da  apuração  do  lucro  líquido  do  período  na  DIPJ2011,  ficha  07A  ­  Demonstração  do  resultado  ­  linha  70,  e  também  houve  a  exclusão na Ficha 09A  ­ Demonstração do Lucro Real  ­ Linha  78  ­ Outras Exclusões,  conforme demonstrativo  da  composição  da linha 78 apresentado pela empresa.  Imposto de Renda Diferido   O Imposto de Renda Diferido, no valor de R$ 3.498.405,26,  foi  excluído do cálculo da apuração do lucro líquido do período na  DIPJ/2011, ficha 07A ­ Demonstração do resultado ­ linha 72.  Ficha 07A ­ Demonstração do Resultado   69.LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL       ­ 1.379.100,30   70.(­)Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ 1.257.265,90  71.LUCRO LÍQUIDO ANTES DO IRPJ        ­ 121.834,40  72.(­)Provisão para o Imposto de Renda        ­ 3.498.405,26   Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 11          10 73.  LUCRO  LÍQUIDO  DO  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  3.376.570,86   Como  podemos  verificar,  nos  valores  das  linhas  acima  extraídas da DIPJ/2011, a exclusão da CSLL e do Imposto de  Renda  diferidos  resultou  em  um  lucro  líquido  que  irá  influenciar no capital, reservas ou distribuição de dividendos.  Ficha 38A ­ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados  LUCROS/PREJUÍZOS   01.Saldo de Lucros Acumulados        23.625.040,43   02.Ajustes Credores de Períodos de Apuração Anteriores 0,00   03. Reversão de Reservas                 0,00   04.Outros Recursos              0,00   05.Lucro Líquido do Ano          3.376.570,86  O  valor  da  receita  de  crédito  do  imposto  de  renda  diferido  foi  desconsiderado na apuração do lucro real o que irá influenciar  no valor oferecido à tributação. Com relação ao CSLL, a receita  de  crédito  da  CSLL  diferida  integrou  o  valor  do  lucro  líquido  antes da IRPJ, demonstrado na linha 01 da ficha 09, porém, foi  excluída nesta mesma ficha, na linha 78 ­ Outras Exclusões.  A  fim  de  elucidar  o  assunto  visando  corroborar  o  posicionamento desta fiscalização, de que as receitas de IRPJ e  de  CSLL  diferidos  devem  integrar  a  base  de  tributação,  mencionamos  recente  Acórdão  do  CARF  n°  1802­00.604,  publicado  no  DOU  de  26/04/2011,  conforme  anexo,  em  que  a  empresa/contribuinte  ao  apurar  a  base  negativa  de  CSLL,  constituiu crédito tributário para dedução futura, com débito em  conta  contábil  do  Ativo  e  crédito  em  conta  do  Resultado,  e  também, a exclusão do valor no LALUR. O CARF decidiu que a  exclusão  foi  indevida  e  manteve  a  tributação  lançada  pela  fiscalização.  De  acordo  com  o  art.  250  do  Decreto  n°  3.000/99  (RIR/99),  somente  poderá  ser  feita  a  exclusão  de  receitas  quando  da  apuração do lucro real, mediante lei que a autorize. No caso em  questão  não  há  previsão  legal  para  a  exclusão  das  receitas  de  créditos fiscais de IRPJ e CSLL Diferidos, quando da apuração  do lucro real, base de tributação da empresa pelo IRPJ e CSLL.  Mesmo  que  tais  créditos  fiscais  fossem  contabilizados  diretamente a  crédito de  conta de Patrimônio Líquido,  também  seria  tributável  em  razão  do  art.  249,  do  RIR/99,  ainda  que  destinada a capital, reservas ou distribuição como dividendos.  Portanto, em razão do exposto, será efetuado o lançamento nos  valores  do  IRPJ  e  CSLL  Diferidos  de  R$  3.498.405,26  e  R$  1.257.265,90, respectivamente.  Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 12          11 Impugnação   Ciente  dos  lançamentos  em  28  de  agosto  de  2014  (fls.  717),  a  interessada apresentou,  em 29 de  setembro de 2014  (fls.  721 a  723 e 789), impugnação a fls. 724 a 761.  Alega, fundamentalmente, o seguinte:  ­ Segundo o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, o  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  decadencial  dos  tributos  sujeitos ao lançamento por homologação se dá na ocorrência do  fato gerador.  ­ As únicas exceções, as quais deslocariam a contagem do prazo  decadencial  para  o  art.  173,  I,  do  CTN,  consistem  na  comprovação de dolo,  fraude ou simulação, hipóteses estas que  não se verificam in casu.  ­  As  operações  que  embasaram  o  ágio  com  fundamento  em  resultado de exercícios  futuros amortizado  fiscalmente pela ora  Impugnante  são  legítimas,  porquanto  realizadas  nos  estritos  ditames  legais,  não  havendo  que  se  falar,  portanto,  em  simulação.  ­ Todos os valores relativos a fatos geradores ocorridos há mais  de  cinco  anos  contados  regressivamente  à  data  em  que  se  materialize a ciência do lançamento de ofício (que no caso deu­ se  em  29/08/2014)  já  teriam  sido  alcançados  pela  decadência,  ficando  defeso  à  administração  efetuar  seu  lançamento  e,  com  isto,  os  valores  supostamente  devidos  de  IRPJ  e  CSLL  no  período de apuração de  janeiro de 2009 a agosto de 2009 são  exigíveis.  ­ O escopo do § único do artigo 116 não é permitir a tributação  por  ficção  e o  texto da  lei  é  expresso  quanto  à necessidade da  estipulação  de  procedimento  específico  nas  hipóteses  de  desconsideração de atos ou negócios jurídicos.  ­ A autuação  fundamenta a  suposta  simulação, basicamente na  equivocada alegação de que o ágio teria resultado de operações  estruturadas  em  sequência,  sem  que  houvesse  o  efetivo  desembolso  na  aquisição  de  participações  societárias  e  que  "empresas  de  passagem"  teriam  sido  criadas  exclusivamente  para que a Impugnante pudesse aproveitar o ágio fiscalmente.  ­ Ocorre  que  conforme  amplamente  comprovado  nos  autos,  as  operações  não  foram  realizadas  com  o  intuito  de  ocultar  a  prática de outro ato que lhe é subjacente, porque (i) o ágio tem  como  fundamento  a  expectativa  de  rentabilidade  futura  e  encontra­se  amparado  em  laudo  de  avaliação,  tendo  sido  devidamente  comprovado  nos  autos  mediante  documentos  que  demonstram  a  efetiva  contrapartida  financeira;  e  (ii)  a  constituição das empresas, consideradas equivocadamente como  empresas  veículos,  teve  conforme  demonstrado  nos  autos  propósito  negocial,  visando  a  segregação  das  atividades  das  empresas do grupo.  Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 13          12 ­  Da  análise  do  trabalho  fiscal  descortinam­se  três  ágios  distintos,  todos  baseados  em  previsão  de  resultados  em  exercícios  futuros:  (i)  o  ágio  inicial  que  compunha  o  valor  do  investimento da SIWA Serviços Ambientais e Participações Ltda.  ("SIWA") na Enterpa Participações e Serviços Ambientais Ltda.  ("Enterpa"),  decorrente  da  aquisição  desta  por  aquela;  (ii)  o  ágio  componente  do  valor  da  aquisição  do  investimento  na  Enterpa  Ambiental  pela  Partseram  Participações  e  Serviços  Ambientais  Ltda.  ("Partseram");  e  (iii)  o  ágio  registrado  na  venda,  da  SIWA  SIDECO  Brasil  e  à  Civilia  Engenharia  ("Civilia"), desse investimento na Enterpa, então já denominada  Qualix,  o  qual  foi  posteriormente  transferido  à  GDASPE  Empreendimentos e Participações Ltda. ("GDASPE").  ­ A análise dos fatos autuados e da legislação correlata, artigo  20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, e artigos 7º e 8º da Lei nº  9.532,  de  1997,  demonstra,  sem  sombra  de  dúvidas,  que  a  Recorrente pautou sua conduta nos exatos termos da legislação  vigente, aproveitando­se do benefício por ela concedido.  ­ Tomando em primeiro lugar o ágio denominado inicial, o qual  compôs  o  valor  pelo  qual  foi  registrado  o  investimento  na  Enterpa pela SIWA no ano de 1998, esclareça­se que as ações da  SIWA  eram  detidas  pelas  sócias  Civilia  e  Waste  Management  International  ("Waste"),  na  proporção  de  60%  e  40%,  respectivamente,  e  a  Civilia,  por  sua  vez,  tinha  como  controladora  a  SIDECO Brasil.  Baseado  em  competente  laudo  de  avaliação,  o  real  ágio  ora  em  apreço  estava  calcado  em  previsão  de  resultados  em  exercícios  futuros,  sendo  certo  que  houve  a  efetiva  contrapartida  financeira,  uma  vez  que  visando  efetuar  investimento  na  Enterpa  para  adquirir  80%  de  seu  capital,  a  Civilia  firmou,  em  26/06/1998,  Contrato  de  Investimento  com  Conrado  de  Carvalho  Alves  e  Abacon  Participações  e  Empreendimentos,  então  controladores  da  Enterpa  Ambiental  (EASA),  e,  por  força  desse  contrato,  cuja  cópia  encontra­se  acostada  aos  autos,  a  Civilia  deveria  (i)  aportar US$ 68.000.000,00 na Enterpa, (ii) comprometer­se com  dívida  em  favor  da  Enterpa  de  mais  US$  20.000.000,00  formalizada  em  cinco  notas  promissórias  avalizadas  pela  SIDECO e, ainda, (iii) com outra dívida em nota promissória de  R$ 8.920.000,00 vencível em três anos.  ­ Em 27/08/1998, foi  firmado o Aditivo n° 1, por força do qual,  considerando  a  constituição  da  SIWA  pelas  sócias  Civilia  e  Waste,  na  respectiva  proporção de  60% e  40%,  à  SIWA  foram  transferidos  pela  Civilia  todos  os  direitos  e  obrigações  constantes do Contrato original, permanecendo tais sócias como  garantidoras da operação,  tornando­se a Waste garantidora de  40%  das  obrigações  assumidas  no  aludido  Contrato  de  Investimento,  cabendo  à  Civilia  os  restantes  60%  de  tais  montantes.  ­ A  planilha  anexa  ao  aditamento  da  impugnação demonstra a  exata  participação  da  Civilia  e  da  Waste  na  SIWA  e  suas  respectivas  obrigações  para  capitalização  desta  a  fim  de  Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 14          13 viabilizar  a  aquisição  da  Enterpa  pelo  montante  de  R$  111.000.000,00.  Considerando  que  o  patrimônio  líquido  da  Enterpa era, na época, de R$ 34.230.000,00 e que a pretendida  aquisição  de  80%  desse  PL  representada  R$  27.384.000,00,  o  montante  do  ágio  correspondia  a  R$  83.616.000,00  e  por  esse  exato valor foi registrado pela SIWA.  ­ Desta mesma planilha constam que os 60% atinentes à Civilia  e inicialmente aportados na Enterpa pela SIWA equivaliam a R$  47.328.000,00, ao que se somam os valores das dívidas por ela  proporcionalmente  assumidas  do  total  das  Notas  Promissórias  de  US$  20.000.000,00  e  da  Nota  Promissória  de  R$  8.920.000,00.  ­  Sendo  a  Civilia  controlada  pela  SIDECO Brasil  e  esta,  pela  SIDECO USA,  veja­se que,  em  julho  de  1998,  a  SIDECO USA  fez um aporte de capital na SIDECO Brasil no montante de R$  47.744.500,00, conforme denotam a folha do diário desta última  em  que  registrado  tal  aporte  e  os  respectivos  contratos  de  câmbio. A SIDECO Brasil, por sua vez, transferiu esse montante  à Civilia, que, em 30 de julho de 1998, fez um aporte de capital  na  SIWA  no  valor  de  R$  47.328.000,00  por  meio  de  quatro  depósitos  no  valor  de  R$  11.832.000,00  cada,  consoante  se  infere da respectiva folha do Livro Diário da Civilia.  ­ No que diz respeito à Waste, então detentora de 40% da SIWA,  a aludida planilha mostra o aporte que aquela primeira fez, no  montante  de  R$  31.552.000,00  na  SIWA  e  sua  parcela  das  obrigações assumidas em favor da Enterpa Ambiental. Todavia,  tendo  em  vista  que Waste  exclui­se  desse  investimento  no  ano  2000, os documentos comprobatórios do pagamento de parte do  aporte  e  de  sua  parcela  das  dívidas  não  podem  ser  carreados  aos presentes autos pela ora Impugnante, eis que não os possui.  ­  De  outro  lado,  porém,  a  prova  do  pagamento  do  aporte  efetuado  pela  SIWA  no  que  diz  respeito  à  responsabilidade  da  Civilia  (60%)  é  translúcida,  haja  vista  o  que  acima  já  dito  e  provado por meio do registro do aporte feito pela SIDECO USA  na  SIDECO  Brasil  e  especialmente  do  respectivo  contrato  de  câmbio,  bem  como  do  posterior  aporte  feito  pela  Civilia  na  SIWA  após  ter  sido  recebida  tal  quantia  de  sua  controladora  SIDECO Brasil.  ­  Mostra­se,  pois,  devidamente  comprovada  a  efetiva  movimentação  financeira  embasada  em  registros  contábeis  e  contratos de  câmbio, do montante de 60% do aporte  inicial  na  Enterpa previsto no aludido contrato, o qual cabia à Civilia por  intermédio de sua controlada a SIWA.  ­  Resta  ainda  a  demonstração  do  pagamento  dos  correspondentes 60% das dívidas assumidas pela SIWA em favor  da  Enterpa,  os  quais  igualmente  cabiam  Civilia,  como  garantidora que era. E essa demonstração mostra­se igualmente  da dívida de US$ 20.000.000,00 cabia a Civilia arcar com US$  12.000.000,00  (60%),  mais  juros  de  9,70%  ao  ano,  conforme  imposição  contratual,  a  qual  elevou  essa  quantia  para  US$  Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 15          14 13.500.000,00.  A  planilha  elaborada  pela  Impugnante,  já  juntada,  demonstra  que  esses  US$  13.500.000,00  foram  pagos  por meio de dois mútuos  firmados pela SIDECO USA/BVI,  nos  valores de US$ 4.500.000,00 e USS 9.000.000,00, consoante os  contratos  de  câmbio  anteriormente  apresentados,  e  as  respectivas transferências à SIDECO Brasil, sendo certo que, em  19/07/99  e  29/07/99,  esses  valores  foram  transferidos  diretamente  pela  SIDECO  Brasil  ao  antigo  acionista  da  Enterpa, Sr. Conrado de Carvalho Alves, nos termos do Razão  Analítico  e,  especialmente,  dos  respectivos  comprovantes  de  transferência bancária.  ­ Por  fim,  a  última parcela  do  investimento  compromissado no  contrato em foco, no valor de R$ 8.920.000,00 consubstanciada  em Nota Promissória vencível em 3 anos e posteriormente pago  por meio da cessão de  títulos contra a Prefeitura do Município  de São Paulo.  ­  Em  1999,  foi  constituída  a  Partseram,  cujas  quotas  eram  detidas pela SIWA e foram integralizadas pelo investimento que  esta  possuía  na  Enterpa,  acrescido  de  novo  ágio  igualmente  baseado  em  incensurável  laudo,  o  qual  representa  o  segundo  ágio questionado pela fiscalização.  ­ A constituição da Partseram está fundada na decisão da SIWA  de  segregar  atividades  até  então  concentradas  na  Enterpa,  visando  a  otimização  de  resultados.  Com  efeito,  a  Enterpa,  indiretamente  controlada  pela  SIWA,  concentraria  em  si  os  serviços de limpeza pública, entre eles principalmente o serviço  prestado ao Município de São Paulo, ao passo que a Partseram,  diretamente  controlada  pela  SIWA,  concentraria  as  atividades  relacionadas às  concessões públicas  (estradas,  pedágios,  obras  etc),  muito  em  voga  àquela  época.  Todavia,  a  tal  decisão  negocial seguiu­se  longa  inadimplência por parte da Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo,  conforme  atesta  Ação  de  Cobrança  própria,  sendo  certo  que  tal  Prefeitura  representava  a  maior  parte das receitas da Enterpa. Por conseqüência, acaso mantida  a  segregação  de  atividades  inicialmente  pretendida,  a  Enterpa  ficaria  praticamente  sem  receitas,  o  que  representaria  a  sua  falência.  Desse  modo,  o  propósito  econômico  da  posterior  incorporação da Partseram reside na necessidade de regresso à  anterior  concentração  de  atividades  na  Enterpa,  que,  em  decorrência  disso,  passou  a  fazer  jus  também  às  receitas  que  passariam  a  ser  percebidas  por  aquela,  com  base  no  que  conseguiu manter­se a despeito da sobredita inadimplência.  ­ A respeito do  terceiro ágio questionado pela  fiscalização,  em  10  de  março  de  2005,  a  SIWA,  que  voltara  a  controlar  diretamente  a  Qualix  após  a  sobredita  incorporação  da  Partseram,  entendeu  por  bem aliená­lo  à  SIDECO  e  a Civilia,  sendo  certo  que  tal  investimento,  à  época,  fora  novamente  avaliado,  consoante  irrefutável  laudo  apresentado  pela  Recorrente  quando  do  Aditamento  à  Impugnação,  tendo  alcançado  a  monta  de  R$  269.000.000,00  entre  o  valor  do  negócio, calculado em 193 milhões de reais, e ágio baseado em  Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 16          15 previsão  de  resultados  em  exercícios  futuros  estimado  em  R$  76.000.000,00. Tal valor  foi pago por meio da  transferência de  dívida  da  SIWA  à  SIDECO,  na  importância  de  R$  142.000.000,00 em contrapartida da transferência a ela de 53%  das quotas da Enterpa, bem como por meio de transferência do  restante à Civilia e a SIDECO na respectiva proporção de 60% e  40%  das  quotas  restantes,  totalizando  l00%  das  quotas  da  Enterpa.  SIDECO  e  a  Civilia  detinham  então  100%  do  investimento  denominado  "Qualix".  Acrescente­se  que,  a  partir  do final de 2004, a administração pública iniciou um sistema de  concessão  para  atendimento  da  limpeza  urbana  da  Cidade  de  São  Paulo,  o  qual  deixou  de  contemplar  a  Qualix,  que  historicamente  atendia  a  região  sul  da  cidade  até  então  e,  consequentemente,  a  Qualix  viu­se  mais  uma  vez  diante  de  extremas dificuldades financeiras em razão de nova perda de sua  principal receita.  ­  Diante  disso,  os  então  controladores  da  Qualix  (SIDECO  e  Civilia),  no  intento  de  possuírem  um  competidor  naquele  mercado  sem  dívidas  com  vistas  ao  atendimento  dos  requisitos  vinculados  a  índices  financeiros  necessários  à  obtenção  de  Concessões  e  de  Parcerias  Público­Privadas  (PPP),  constituíram,  em  03  de  março  de  2005,  a  GDASPE,  nela  integralizando o  total do  investimento que detinham na Qualix.  Portanto, o mesmo  investimento antes registrado na SIDECO e  na Civilia, o qual contemplava o ágio avaliado no momento da  venda  da  Qualix  pela  SIWA,  foi  transferido  à  GDASPE,  que  igualmente registrou tal ágio calcado em previsão de resultados  em exercícios futuros.  ­  Porém,  em  21  de  março  de  2005,  ainda  sem  sucesso  na  obtenção de  concessões ou de PPPs, a Qualix,  necessitando se  fortalecer diante das narradas alterações ocorridas no setor de  limpeza  urbana  e  novamente  respeitando  a  necessidade  de  manutenção,  no  mercado,  da  empresa  com  nome  mais  forte,  incorporou a GDASPE e a SIWA,  eliminando, assim,  empresas  com objetos sociais semelhantes e reduzindo a geração de custos  administrativos e operacionais.  ­ Quanto  ao  IRPJ  e  à  CSLL  diferidos,  ao  calcular  sua  receita  bruta, utilizou­se da permissão prevista no artigo 30, parágrafo  1º da Medida Provisória nº 2.158/2001, reproduzido no artigo 13  da  Instrução  Normativa  nº  247/02,  pelo  que  se  considera  respaldado pelo artigo 250 do RIR.  ­  A multa  imputada  de  225%  do  imposto  tem  evidente  caráter  confiscatório, vedado pela Carta Maior.  ­ Ainda que  se afaste a multa qualificada de 225% em  face da  ausência da prova da conduta dolosa, não há como ser mantida  a  multa  isolada,  porquanto  em  evidente  descompasso  com  os  ditames legais e a jurisprudência do CARF.  Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 17          16 Em sessão de 15 janeiro de 2015 a 4a Turma da Delegacia de Julgamento de  Belo  Horizonte,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação,  para:   ­ exonerar a interessada do crédito tributário referente ao IRPJ  do  fato  gerador  de  31/12/2010  no  valor  principal  de  R$  1.188.917,79;  ­ exonerar a interessada do crédito  tributário referente à CSLL  do  fato  gerador  de  31/12/2010  no  valor  principal  de  R$  428.010,40;  ­  em  relação  ao  crédito  tributário mantido,  reduzir  a multa  de  ofício aplicada no percentual de 225% para 150%.  Com a decisão foi apresentado Recurso de Ofício.   Por  seu  turno,  a  interessada  interpôs  Recurso  Voluntário,  no  qual  repetiu,  basicamente, os argumentos da impugnação.  Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator   O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele  conheço.  Preliminarmente,  repete  a  interessada  o  argumento  de  que  teria  ocorrido  decadência para os períodos compreendidos entre janeiro e agosto de 2009.  Contudo, tendo em vista a opção do contribuinte pela apuração do imposto de  renda  na  periodicidade  anual,  para  o  ano­calendário  de  2009,  e  o  fato  de  que  a  ciência  dos  lançamentos  ocorreu  em  28  de  agosto  de  2014,  não  há  de  se  falar  em  decadência,  pois  as  autuações  foram  efetivadas  dentro  do  prazo  de  cinco  anos,  contado  do  exercício  seguinte  àquele em que os lançamentos poderiam ser efetuados.  Assim,  afasto  a preliminar de decadência,  sem prejuízo de que, na  espécie,  houve ainda a qualificação da multa, o que, por si só, já deslocaria o termo inicial de contagem  do prazo, nos termos do artigo 173, I, do CTN.  Quanto  ao mérito,  a  questão  central  do  debate  se  refere  à  amortização  dos  ágios constituídos ao longo das diversas reorganizações societárias descritas no relatório fiscal.  A fiscalização considerou indevidas as exclusões relativas à amortização dos  ágios,  por  entender  que  as  sucessivas  operações  não  possuíam  fundamento  econômico,  vale  dizer,  que  foram  realizadas mediante  simulação  e  através  de  empresas­veículo,  com  o  único  objetivo de obter vantagens tributárias indevidas e artificialmente apuradas.  Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 18          17 Por  seu  turno,  entende  a  Recorrente  que  as  operações  têm  respaldo  na  legislação  e  estão  baseadas  em  laudos  de  avaliação,  que  comprovariam  a  expectativa  de  rentabilidade futura das empresas incorporadas.  A matéria encontra­se disciplinada nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97, que  dispõem  sobre  o  registro  e  a  amortização  do  ágio  gerado  em  investimentos  avaliados  pelo  patrimônio líquido:  Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de  dezembro de 1977:  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei  nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem  ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decreto­lei n° 1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que  trata a alínea  "b" do § 2º do art.  20 do Decreto­Lei nº  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  1/60  (um  sessenta  avos),  no  mínimo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração.  § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do  bem  ou  direito  para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital e de depreciação, amortização ou exaustão.  § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido  transferido,  na  hipótese  de  cisão,  para  o  patrimônio  da  sucessora, esta deverá registrar:  a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma  prevista no inciso III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na  forma prevista no inciso IV.  § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 19          18 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração  de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu  causa  ou  na  sua  transferência  para  sócio  ou  acionista,  na  hipótese de devolução de capital;  b)  poderá  ser  deduzido  como  perda,  no  encerramento  das  atividades  da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência do fundo de comércio ou do intangível que  lhe deu  causa.  § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará a pessoa  física ou  jurídica usuária ao pagamento dos  tributos  e  contribuições que deixaram de  ser pagos,  acrescidos  de  juros  de  mora  e  multa,  calculados  de  conformidade  com  a  legislação vigente.  §  5º  O  valor  que  servir  de  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  poderá  ser  registrado em conta do ativo, como custo do direito.  Art.  8º  O  disposto  no  artigo  anterior  aplica­se,  inclusive,  quando:  a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor  de patrimônio líquido;  b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que  detinha a propriedade da participação societária.  Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no artigo 20 do  Decreto­Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977:  Art  20  ­ O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e   II  ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo  de  aquisição  do  investimento  e  o  valor  de  que  trata  o  número I.  § 1° ­ O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento.  § 2°  ­ O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre  os seguintes, seu fundamento econômico:  a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  b) valor de  rentabilidade da  coligada ou controlada,  com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 20          19 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3° ­ O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras  a  e  b  do  §  2°  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.  À  luz  da  legislação  de  regência,  percebe­se  que  o  ágio  corresponde  à  diferença  entre  o  custo  de  aquisição  de  um  investimento  e  o  seu  valor  patrimonial.  Isso  significa  que  a  figura  do  ágio  decorre  do  fato  de  uma  das  partes  se  comprometer  a  pagar  à  outra,  pela  aquisição  do  investimento,  um  valor  superior  àquele  registrado  no  patrimônio  líquido.  A  expressão  “pagar”  pode  ser  entendida  em  sentido  amplo,  contemplando  diversas  modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente.  Existe  grande  discussão  acerca  da  possibilidade  de  aproveitamento  do  chamado  ágio  entre  partes  relacionadas,  comumente  denominado  ágio  interno.  Em  tese,  entendo ser possível a ocorrência de ágio nessas operações, entre partes relacionadas, pelo fato  de que,  até o  advento da Lei n.  12.973/2014,  inexistia no direito positivo brasileiro vedação  expressa à sua configuração.  Convém  ressaltar  que  na  esfera  contábil  o  chamado  ágio  interno  é  normalmente rechaçado, a exemplo de pronunciamentos do CFC e da CVM, elaborados antes  mesmo da nova disposição legal. Entretanto, pelo menos em termos fáticos, parece­me possível  que uma empresa do mesmo grupo econômico venha a adquirir de outra algo por valor superior  àquele contabilizado.   E,  no  contexto  da  legislação  anterior,  seria  possível  considerar  a  operação  como legítima, desde que praticada sob condições normais de mercado. Claro que  todas as  operações  internas  exigem,  justamente  em  razão  de  sua  peculiaridade,  uma  análise  mais  profunda,  pois  nem  sempre  as  operações  entre  partes  relacionadas  refletem  a  realidade  dos  fatos, tal qual ocorreria se o negócio jurídico fosse realizado com terceiros independentes.  Assim, deve o intérprete atentar para as circunstâncias  fáticas e  jurídicas da  operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso  pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade  futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente.  Tudo isso implica dizer que as operações entre partes relacionadas devem ser  testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da  aquisição  sejam  compatíveis  com aqueles  que  seriam normalmente  utilizados  no mercado,  a  partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade.  No  caso  dos  autos  cuida­se  de  três  ágios  sucessivos,  cuja  autuação  foi  justificada pela fiscalização, a título de conclusão, nos seguintes termos:  De acordo com o  exposto nos  itens  anteriores,  concluímos  que  ambas  as  empresas  incorporadas  (PARTSERAM  e  GDASPE)  foram  apenas  instrumentos  para  aproveitamento  do  ágio  na  apuração  do  imposto  de  renda  e  CSLL.  Estes  ágios  foram  absorvidos  pelas  transferências  de  ações/quotas  e  aumento  de  capital  entre  as  empresas QUALIX,  SIWA,  SIDECO e CIVILIA  que simularam as ocorrências de ágios nas transações.  Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 21          20 Este tipo de operação é chamado de "ágio intragrupo" ou "ágio  interno"  que  é  aquele  gerado  por  operações  sucessivas  de  reorganização  societária  destinadas  a  gerá­lo  e  transferi­lo  a  uma  terceira  empresa  sem que,  efetivamente,  haja mudança de  controle societário.   Analisando  as  operações  no  aspecto  formal  e  material,  concluímos que as transações têm como objetivo somente obter a  economia  tributária,  o  que  ocorreu  foram  sucessivas  transferências  de  ágio,  nas  constituições  e  incorporações  entre  as empresas envolvidas, que como descrevemos acima, são todas  pertencentes  ao  mesmo  grupo  econômico,  sem  desembolso  financeiro, visto que eles não foram improvados pela empresa.  Dessa  forma,  fica  caracterizada  a  simulação  cometida  pelo  contribuinte o que resulta em qualificação da multa de ofício.  A  sequência  dos  fatos  e  respectivas  alterações  societárias,  que  ensejaram  a  formação dos ágios  e a posterior glosa pela  fiscalização  já  foram expostas no  relatório deste  voto.  Entretanto,  como  as  operações  e  argumentos  de  defesa  foram  bem  sintetizados  pela  decisão  recorrida,  reproduzimos,  a  seguir,  o  seguinte  excerto,  para  melhor  compreensão dos fatos e das etapas em litígio (grifaremos):  Como descreve a  autora  do  feito,  em 17  de  junho de  1998,  foi  constituída  a  empresa  ENTERPA  AMBIENTAL  S/A,  tendo  CONRADO  DE  CARVALHO  ALVES  e  ABACON  PARTICIPAÇÕES  E  EMPREENDIMENTOS  como  controladores.  Em  28  de  julho  de  1998,  a  empresa  CIVILIA  ENGENHARIA  LTDA.,  controlada  pela  SIDECO  S/A,  integralizou  o  aumento  do  capital  social  da  empresa  SIWA  SERVIÇOS AMBIENTAIS e PARTICIPAÇÕES S/A com 80%  das ações da ENTERPA AMBIENTAL S/A com o registro de  um ágio (como reserva especial) no valor de R$ 83.616.000,00  (Ágio  I).  Observe­se  que  a  ENTERPA  foi  posteriormente  transformada na QUALIX SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA.,  atual SUSTENTARE SERVIÇOS AMBIENTAIS S/A, empresa  autuada.  Em  29  de  outubro  de  1999,  a  empresa  SIWA  constituiu  a  empresa  PARTSERAM  PARTICIPAÇÕES  E  SERVIÇOS  AMBIENTAIS LTDA. e integralizou o capital social dessa nova  pessoa  jurídica  com  a  participação  societária  que  detinha  na  ENTERPA  com  o  registro  de  ágio  no  valor  de  R$  136.306.233,08.  Nesse  montante  estava  incluído  o  saldo  remanescente  do  ágio  anteriormente  registrado  na  SIWA  quando da aquisição da ENTERPA (transferência do saldo do  Ágio I – R$ 57.137.600,00) e o novo ágio cobrado pela própria  SIWA (Ágio II – R$ 79.168.633,08).  Em 28 de  janeiro  de 2000,  a  empresa ENTERPA  incorporou a  empresa  PARTSERAM  e  absorveu  para  si  o  ágio  de  R$  136.306.233,08,  passando  a  amortizar  a  despesa  com  a  sua  dedução na apuração do imposto de renda e da CSLL.  Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 22          21 Em  21  de  setembro  de  2004,  foi  criada  a  empresa  GDASPE  EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Em 1o de  março  de  2005,  a  empresa  SIWA  transferiu  as  suas  controladoras  SIDECO  e  CIVILIA  as  quotas  que  possuía  da  empresa QUALIX com a cobrança de um ágio no valor de R$  75.193.124,00 (Ágio III).  Em  3  de  março  de  2005,  as  empresas  SIDECO  e  CIVILIA  adquiriram a empresa GDASPE e, no mesmo dia, aumentaram  e integralizaram o capital dessa pessoa jurídica com as cotas da  empresa QUALIX  juntamente  com  o  ágio  anteriormente  pago,  transferindo o Ágio III para a GDASPE.  Em  21  de  março  de  2005,  a  empresa QUALIX  incorporou  a  empresa  GDASPE  e  SIWA  e  absorveu  para  si  o  ágio  de  R$  75.193.124,00  (valor  transferido  do  Ágio  III),  passando  a  amortizar  a  despesa  com  a  sua  dedução  na  apuração  de  seus  tributos.  Quanto ao denominado Ágio I, aduz a impugnante que, visando  efetuar  investimento  na  ENTERPA  para  adquirir  80%  de  seu  capital,  a  CIVILIA  firmou,  em  26/06/1998,  Contrato  de  Investimento  com  CONRADO  DE  CARVALHO  ALVES  e  ABACON  PARTICIPAÇÕES  E  EMPREENDIMENTOS  e,  por  força  desse  contrato,  cuja  cópia  afirma  encontrar­se  acostada  aos autos, a CIVILIA deveria (i) aportar US$ 68.000.000,00 na  ENTERPA,  (ii)  comprometer­se  com  dívida  em  favor  da  ENTERPA  de  mais  US$  20.000.000,00  formalizada  em  cinco  notas promissórias avalizadas pela SIDECO e, ainda,  (iii)  com  outra  dívida  em  nota  promissória  de  R$  8.920.000,00  vencível  em  três  anos.  Esclarece  que  as  ações  da  SIWA  eram  detidas  pelas  sócias  CIVILIA  e WASTE,  enquanto  a  CIVILIA,  por  sua  vez, era controlada pela SIDECO BRASIL e esta pela SIDECO  USA. Afirma que o ágio  estava calcado em  laudo de avaliação  com previsão de resultados em exercícios futuros. Relata que em  27 de agosto de 1998,  foi  firmado o Aditivo n° 1, por  força do  qual, considerando a constituição da SIWA pelas sócias CIVILIA  e  WASTE,  na  respectiva  proporção  de  60%  e  40%,  à  SIWA  foram  transferidos pela CIVILIA  todos os direitos e obrigações  constantes do contrato original, permanecendo tais sócias como  garantidoras da operação, tornando­se a WASTE garantidora de  40%  das  obrigações  assumidas  no  aludido  Contrato  de  Investimento,  cabendo  à  CIVILIA  os  restantes  60%  de  tais  montantes.  Sustenta  que  “planilha  anexa  ao  aditamento5  impugnação” demonstra as obrigações da CIVILIA e da WASTE  na SIWA e que, no que diz respeito à CIVILIA (60%), a prova do  pagamento  é  translúcida,  pelo  registro  do  aporte  feito  pela  SIDECO  USA  na  SIDECO  BRASIL  e,  especialmente,  do  respectivo  contrato  de  câmbio,  bem  com  pelo  posterior  aporte  feito  pela CIVILIA  na  SIWA.  Afirma  que  as  dívidas  assumidas  pela  SIWA  em  favor  da  ENTERPA  foram  pagas  por  meio  de  mútuos  firmados  pela  SIDECO  USA  e  que  a  parcela  de  R$  8.920.000,00  pela  cessão  de  títulos  contra  a  Prefeitura  do  Município de São Paulo. Quanto à WASTE (40%), alega que não  Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 23          22 possui as provas dos pagamentos, em virtude da exclusão de tal  empresa do investimento em 2000.  No que diz respeito ao ágio II, argumenta que a constituição da  PARTSERAM estava  fundada na  decisão  da  SIWA de  segregar  atividades  até  então  concentradas  na  ENTERPA,  visando  à  otimização de  resultados. Com  relação ao  ágio  III,  afirma que  seu  pagamento  se  deu  por  meio  de  transferência  de  dívida  da  SIWA  à  SIDECO,  em  contrapartida  da  transferência  a  ela  de  53% das quotas da ENTERPA, cabendo o restante à CIVILIA e à  SIDECO.  O conjunto das operações, a despeito das alegações da Recorrente, nos leva a  concluir  que  em nenhum momento  houve  efetivo  pagamento  entre  as  empresas,  sendo  certo  que a análise "do filme, como um todo" demonstra que as incorporações, inclusive às avessas,  tiveram  como  único  objetivo  a  criação  de  um  suposto  ágio,  com  a  dedução  de  valores  artificialmente gerados e justamente por isso glosados pela fiscalização.  A documentação acostada aos autos, até a fase de impugnação, simplesmente  não  tem  o  condão  de  corroborar  os  argumentos  da  Recorrente,  no  sentido  de  que  haveria  propósito  negocial  e  substrato  econômico  nas  operações,  circunstância  que  foi  um  dos  fundamentos da decisão de primeira instância:  Indedutibilidade do Ágio I  Quanto  às  alegações  apresentadas  pela  impugnante,  deve  ser  observado,  em  primeiro  lugar,  que  elas  não  se  encontram  comprovadas  nos  autos.  Examinando­se  as  folhas  do  processo,  verifica­se  que  nele  não  se  encontra  o  laudo  de  rentabilidade  futura do ágio pago pela empresa CIVILIA quando da aquisição  da ENTERPA  de  terceiros  em 28  de  julho  de  1998.  Tampouco  foram  juntados  os  elementos  que  permitam  comprovar  os  alegados pagamentos.  De qualquer modo, observa­se que o Ágio I, nos termos em que  foi descrito  tanto pela autora do  feito quanto pela  impugnante,  não  preenche  os  requisitos  previstos  no  artigo  386  do  RIR/99,  que, como dito, são basicamente dois. Primeiro, o custo efetivo  de  um  ágio  na  aquisição  duma  participação  societária,  em  virtude  da  expectativa  de  resultados  futuros.  Segundo,  deve  haver a reunião, numa só entidade, do patrimônio que adquiriu o  ágio e daquele que vai gerar os resultados futuros, de modo que  a  despesa  incorrida  na  obtenção  desse  potencial  de  resultados  futuros possa ser diretamente confrontada com esses resultados.  No presente caso, o Ágio I, afirma a impugnante, teria sido pago  pela  SIDECO  e  pela  CIVILIA,  na  aquisição  das  ações  da  ENTERPA. Ou seja, o ágio não foi suportado nem pela empresa  incorporadora,  nem  pela  incorporada,  PARTSERAM  e  ENTERPA. E,  como  demonstrado,  o  direito  de  amortização  do  ágio  deve  ser  produto  de  negócio  ou  operação  pelo  qual  a  participação  acionária  se  incorpora  ao  patrimônio  da  pessoa  jurídica investidora, não sendo o ágio algo que se possa alienar  ou  transferir  sem  que  ocorra  a  reunião  dos  patrimônios  da  investida e da investidora.  Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 24          23 Igual  raciocínio  foi  aplicado  aos  supostos  ágios  observados  nas  etapas  posteriores:  Indedutibilidade dos Ágios II e III   Após  a  aquisição  da  SIWA  pela  CIVILIA  em  1998,  todas  as  operações  societárias  posteriores  que  culminaram  na  incorporação da PARTSERAM e da GDASPE pela ENTERPA e  pela  QUALIX,  respectivamente,  envolveram  empresas  que  pertenciam  ao  grupo  formado  pelas  empresas  SIDECO  e  CIVILIA.  Assim, os denominados Ágios II e III se caracterizam claramente  como “ágios  internos”, e  sua amortização, como demonstrado,  não  pode  ser  admitida,  uma  vez  que  não  houve  evidentemente  qualquer custo efetivo na aquisição das participações societárias  em questão.  Portanto, ainda que se admitisse a dedutibilidade nos casos de ágio  interno,  anteriores  à  expressa vedação  legal,  deve  ser  ressaltado que, nessas hipóteses,  é  imperiosa  a  cabal comprovação da operação, do efetivo pagamento do ágio e da existência de laudos (ou  análises equivalentes) aptos e idôneos a justificar a expectativa de rentabilidade futura.   Ou  seja,  nos  raros  casos  em  que  o  negócio  for  celebrado  a  partir  de  reais  condições  de  mercado,  cabe  aos  interessados  comprovar,  para  além  de  qualquer  dúvida,  a  existência de todos os requisitos legais, circunstância que nem de longe se observa nos autos.  Em  relação  aos  documentos  de  avaliação  apresentados  como  anexos  ao  Recurso Voluntário, simplesmente não há como aceitá­los, primeiro porque trazidos aos autos  em momento inadequado, pois deveriam constar da impugnação, como determina o artigo 16  do Decreto n. 70235/72:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a menos  que:(Redação  dada pela  Lei  nº  9.532, de 1997)(Produção de efeito)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições  previstas  nas  alíneas  do  parágrafo  anterior.  (grifamos)  Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 25          24 Constata­se que nenhuma das hipóteses veiculadas pelo § 4º do artigo 16 se  faz  presente  no  caso  dos  autos.  Ainda  que  fosse  superada  tal  situação,  em  homenagem  ao  princípio da verdade material (sem olvidar que tais documentos remontam ao longínquo ano de  1998 e deveriam ter sido apresentados há muito tempo), ainda assim não há como reconhecê­ los, visto que estão em idioma estrangeiro e não atendem, portanto, aos requisitos legais.  Como se isso não bastasse, no documento que seria o laudo de avaliação (fls.  883  e  seguintes)  não  consta  qualquer  assinatura,  identificação  ou  qualificação  do  responsável pela elaboração, tornando­o imprestável a qualquer tipo de comprovação.  No  mesmo  sentido,  os  contratos  de  câmbio  juntados  aos  autos  apenas  indicam transferências financeiras entre a SIDECO Argentina e a SIDECO Brasil, mas não nos  permite concluir sobre o destino dos investimentos ou o custo de aquisição das empresas com  efetivo pagamento de ágio.   E mais: nas páginas do Diário (fls. 1545, por exemplo) curiosamente o nome  da empresa está riscado, de forma que não se consegue sequer identificar a quem pertenceriam  (imaginamos que houve a tentativa de grifar, para destaque, o nome, mas isso impossibilitou a  leitura da cópia). Também não constam desses documentos qualquer assinatura do profissional  responsável nem as demais formalidades exigidas em lei.   Igual circunstância se observa nos documentos relativos aos  lançamentos, o  que  nos  leva  a  concluir,  na  esteira  do  que  restou  decidido  em  primeira  instância,  que  a  documentação acostada aos autos, ainda que aceita, não é hábil ou suficiente para comprovar as  alegações da Recorrente.  No  que  tange  à  multa,  que  na  decisão  de  piso  foi  reduzida  de  225%  para  150%, parece­me que não há reparos a fazer.   Restou  evidente  a  falta  de  propósito  negocial  e  consequente  simulação  das  operações  que  envolveram  a  produção  dos  ágios. A Recorrente  não  conseguiu  comprovar  a  substância econômica que poderia justificar as diversas reorganizações societárias, cujo único  objetivo  realmente  foi  o  de  conferir  uma  aparência  de  normalidade,  que  permitisse  a  amortização dos supostos ágios.  Como bem destacado pela decisão de primeira instância:   De  fato,  não  houve  nenhuma  aquisição  de  investimento  pela  PARTSERAM  e  pela  GDASPE,  restando  claro  que  o  único  objetivo  foi  a  redução  dos  impostos  a  serem  pagos  pelo  grupo  econômico.  Vê­se  que  a PARTSERAM e  a GDASPE  foram utilizadas  como  empresas veículos, com o único propósito de criação artificial do  ágio  e  de  transferência  dos  ágios  gerados  em  operações  anteriores. De fato, a curta duração das empresas PARTSERAM  e  da GDASPE  (três  e  seis  meses,  respectivamente),  demonstra  que o aumento de capital realizado não se revestia da natureza  de investimento.  Assim, considerando que as  reestruturações  societárias  tiveram  como  única  motivação  criar  condições  artificiais  para  possibilitar a amortização indevida do ágio e, em consequência,  Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 26          25 impedir  dolosamente  a  ocorrência  de parte  do  fato gerador  da  obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do  imposto  devido,  está  caracterizada  a  situação  tipificada  no  artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964:  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Nesse contexto, é de rigor a aplicação do disposto no artigo 44, inciso I, § 1º,  da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 11.488/2007, em vigor ao tempos dos fatos:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  §  1º  O  percentual  de multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Correta, portanto, a qualificação da multa, conforme autuada e mantida pela  decisão de piso.  Entretanto,  realmente  não  há  espaço  para  o  agravamento  da  infração,  cujo  fundamento  seria  o  não  atendimento  às  intimações  formuladas  durante  os  trabalhos  de  auditoria.  Não  se  vislumbra,  nos  autos,  a  configuração  da  espécie,  de  sorte  que  entendo  adequada  a  redução  do  percentual  lançado,  de  225% para  150%,  nos  exatos moldes  do  que  decidiu a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte.  Descabe, ainda, a análise por este Conselho de qualquer argumento de caráter  constitucional,  posto  que  é  vedada  qualquer manifestação  acerca  de  norma  vigente  e  eficaz,  conforme determina a Súmula n. 2:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.      Por  fim,  também  em  razão  do Recurso  de Ofício,  que  afastou  as  infrações  relativas ao diferimento do IRPJ e CSLL, convém reproduzir os fundamentos da decisão:  Vê­se,  pois,  que  o  acórdão  mencionado  pela  fiscalização  não  corrobora sua tese de que o IRPJ e a CSLL diferidos devem ser  Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/2014­27  Acórdão n.º 1201­001.456  S1­C2T1  Fl. 27          26 considerados na apuração do lucro real e da base de cálculo da  CSLL.  Naquele  caso,  a  contribuinte  havia  contabilizado  como  ativo a constituição de um crédito correspondente a 18% da base  de cálculo negativa da CSLL apurada ao final do período, tendo  como  contrapartida  “outras  rendas  operacionais/contribuição  social a restituir”. Esta receita foi excluída pela contribuinte da  base de cálculo da CSLL e da apuração do  lucro real, por não  ter  sido  considerada  “receita  de  fato”.  Contudo,  após  sua  liquidação,  a  contribuinte  deixou  de  adicioná­la  à  base  de  cálculo da CSLL, sendo esta a infração que lhe foi imputada. O  procedimento contábil adotado pela contribuinte  foi condenado  pelas autoridades julgadoras de 1a e 2 a instâncias e entendeu­se  que  ele  acabou  por  produzir  efeitos  fiscais,  justificando  a  exigência  fiscal,  porém,  em  momento  algum,  afirmou­se  que  a  CSLL diferida deveria  compor a base de  cálculo do  IRPJ e da  CSLL.  No  presente  caso,  não  restaram  comprovados  os  efeitos  fiscais  da contabilização de tais créditos, que não podem, por si sós, ser  considerados como sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL.  Portanto, o lançamento, no que se refere a tal infração, deve ser  cancelado.  Entendo, na esteira do que foi decidido, que realmente não se comprovou a  existência de impacto fiscal na contabilização dos créditos, razão pela qual não há base legal  para  os  lançamentos.  Correto,  pois,  o  entendimento  de  primeira  instância,  que  acolho  neste  voto,  até  porque  o  fundamento  para  a  autuação  baseou­se  em  paradigma  diverso  do  caso  concreto.  Ante  o  exposto  CONHEÇO  do  Recurso Voluntário  e,  no mérito,  voto  por  NEGAR­LHE provimento, assim como voto por NEGAR provimento ao Recurso de Ofício.    É como voto.    (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator                              Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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Numero do processo: 10380.731894/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. AGROINDÚSTRIA DO RAMO DA AVICULTURA. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. FOLHA DE PAGAMENTOS. Em observância ao disposto no §4o do art. 22-A, da Lei 8.212/91, bem como ao que preconiza o art. 174 da IN 971/09, da SRFB, mesmo que determinada pessoa jurídica seja considerada como agroindústria do ramo da avicultura, a base de cálculo para o lançamento deve ser considerada como a folha de pagamentos, e não o faturamento da comercialização de produção própria e/ou de terceiros. Lançamento improcedente. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA 88 DO CARF. A indicação dos responsáveis legais da empresa no REPLEG não enseja o reconhecimento da responsabilidade solidária dos mesmos quanto ao lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para a exclusão de valores apurados no levantamento PR nos autos de Infração AI 37.324.024-4 (Patronal) e AI 37.324.026-0 (Terceiros), bem como para determinar a exclusão da multa aplicada nos AI 37.324.021-0 e AI 37.324.023-6. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, para a exclusão de valores apurados no levantamento  PR nos autos de Infração AI 37.324.024­4 (Patronal) e AI 37.324.026­0 (Terceiros), bem como  para determinar a exclusão da multa aplicada nos AI 37.324.021­0 e AI 37.324.023­6.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira,  João Victor  Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 822DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/2011­71  Acórdão n.º 2402­004.973  S2­C4T2  Fl. 137          3    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  REGINA  AGROINDUSTRIAL  S/A,  em  face  acórdão  que  manteve  integralmente  os  lançamentos  efetuados nos seguintes Autos de Infração:  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL  1)  AI  37.324.022­8:  tem  como  objeto  as  contribuições  descontadas  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  (Matriz  e  filiais),  nas  competências  de  01/2007  a  12/2008,  inclusive  13o  salário  do  período. Tais valores  foram extraídos dos Resumos de Folha de Pagamento  fornecidos  pela  empresa  e  encontram­se  demonstrados  no  anexo  “Resumo  Folha de Pagamento Matriz/Filiais – Levantamento “FP”.  2) AI 37.324.025­2 ­ lavrado para a cobrança de contribuições dos segurados  não  descontadas  (Contribuintes  individuais  e  empregados).  o  objeto  do  lançamento  são  as  contribuições  que  deveriam  ter  sido  descontadas  das  remunerações pagas ou  creditadas  aos  segurados  empregados  (remuneração  extra  folha),  contribuintes  individuais  e  transportadores  autônomos.  Por  tratar­se de levantamento realizado por aferição indireta, as bases de cálculo  utilizadas  foram  os  salários  de  contribuição  apurados  conforme  planilhas  constantes dos autos – Levantamento FC.  3) AI 37.324.024­4 ­ o crédito  refere­se às contribuições previdenciárias da  parte da empresa sobre as  remunerações pagas a contribuintes  individuais e  transportadores autônomos, bem como as incidentes sobre as notas fiscais de  cooperativas  de  trabalho  contratadas  e  sobre o  valor  da  comercialização  da  produção rural, e do produto rural adquirido de produtor rural pessoa física,  por subrogação ­ Levantamentos CI, FA, PR e RA.  4) AI 37.324.026­0 ­ lavrado para a cobrança de Contribuições de Terceiros,  referente  ao  pagamento  ou  credito  das  remunerações  dos  segurados  empregados,  o  pagamento  a  transportadores  autônomos,  a  comercialização  do produto rural de produção própria e o valor do produto rural adquirido do  produtor rural pessoa física.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  5) AI 37.324.021­0  ­  lavrado para a cobrança de multa por  ter a  recorrente  apresentado  GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas as contribuições previdenciárias.  6) AI 37.324.023­6  ­  lavrado para a cobrança de multa por  ter a  recorrente  apresentado  GFIP  com  informações  incompletas,  inexatas  ou  omissas,  no  caso a informação do campo “código terceiros”, pois deveria ter informado o  código 0003 – Produtor Rural Pessoa Jurídica­, quando, ao revés informou o  código 0000 – Agroindústria.  Fl. 823DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     4  Os lançamentos compreendem as competências de 01/2007 a 12/2008, tendo  sido o contribuinte cientificado em 09.12.2011.  Antes  do  julgamento  de  primeira  instância  foi  determinada  a  realização  de  diligência por parte da DRJ nos seguintes termos:  "No  entendimento  da  defesa,  houve  indevida  aplicação  do  dispositivo  legal,  art.  25  da  Lei  8.212/91,  posto  que  a  impugnante  situase  entre  as  exceções  listadas  no  art.  250,  II,  “a”  da  IN  SRP  03/2005,  consistindo  a  sua  atividade  na  industrialização  da  própria  produção  avicultora  através  das  operações de: beneficiamento, classificação e acondicionamento  do produto.  A  análise  do  argumento  mencionado  no  relato  acima,  em  confronto  com  as  informações  constantes  dos  documentos  que  formalizaram  os  Autos  de  Infração,  não  nos  permite  formar  convicção suficiente para realização do julgamento dos Autos de  Infração, em que pese os mesmos estarem constituídos de todos  os componentes determinados pela legislação.  Assim, diante do exposto, visando à formação de elementos que  fortaleçam  a  convicção  para  o  exercício  do  julgamento,  proponho  a  conversão  deste  em  diligência,  com  a  remessa  dos  presentes autos à unidade preparadora para que sejam tomadas  as seguintes providências:  I  Sejam  prestados  esclarecimentos  pela  fiscalização,  preferencialmente  com  a  inclusão  de  documentos  comprobatórios,  do  porquê  não  haver  enquadrado  o  sujeito  passivo  entre  as  exceções  elencadas  pela  Instrução  Normativa  971, de 13 de novembro de 2009, em seu art. 174, na atividade  de avicultura,  uma vez que o  seu Estatuto,  fl. 449, a apresenta  como  sociedade  dedicada  a  exploração,  em  bases  industriais  desta  atividade,  fato  este  que  foi  desconsiderado  pela  fiscalização.  II Caso a resposta à Diligência traga novos fundamentos para a  lavratura  dos  Autos  de  Infração,  diversos  dos  tratados  no  Relatório  Fiscal  original,  elaborar  um  Relatório  Fiscal  complementar.  III  Dar  ciência  do  presente  despacho  e  do  resultado  da  diligência  ao  sujeito  passivo,  bem  como  conceder  novo  prazo  para impugnação (30 dias) para que o mesmo, querendo, possa  aditar a sua defesa, no que  toca à matéria objeto da diligência  aqui tratada".  Apresentada resposta, a recorrente fora devidamente intimada do resultado da  diligência,  tendo  apresentada  nova  defesa  com  relação  a  imputação  de  não  poder  ser  enquadrada como agroindústria.  Devidamente  intimado  do  julgamento  da  DRJ  em  primeira  instância,  a  recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  – MPF  deveria  ter  sido executado até o dia 14 de julho de 2010. O MPF foi  Fl. 824DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/2011­71  Acórdão n.º 2402­004.973  S2­C4T2  Fl. 138          5  prorrogado  por  diversas  vezes  pelo  prazo  de  60  (sessenta)  dias,  nos  termos  da  Portaria  RFB  nº  11.371/07,  entretanto,  a  ciência  do  lançamento  (09/12/2011)  ocorreu  fora  do  prazo  de  validade  do  mencionado  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  o  que  culmina na nulidade do Auto de Infração.  2.  houve  desconforto  com  intimações  recebidas  por  autoridades  distintas  do  mesmo  órgão,  mas  com  interesses  contrários,  o  que  acarretou  violação  aos  princípios  constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa.  3.  aduz  ser  indevida  a  vinculação  da  empresa  Regina  Alimentos S/A em seu anexo VÍNCULOS – RELAÇÃO  DE  VÍNCULOS,  cuja  desvinculação  já  houvera  sido  informada  à  Receita  Federal  do  Brasil  quando  da  impugnação a outro processo administrativo fiscal.  4.  alega ser indevida a cobrança do crédito apurado sobre o  valor  da  produção  rural  adquirida  de  produtor  rural  pessoa  física  por  subrogação,  no  montante  de  R$  1.841.432,55,  considerada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal como inconstitucional  5.  alega que o processo deve ser extinto sem resolução do  mérito ante a ausência clara de fundamentação dos fatos  relatados na peça impugnatória no item 90;  6.  requer cancelamento do débito fiscal reclamado.  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório  Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     6    Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso, dele conheço.  PRELIMINARMENTE  Nulidade do lançamento  Alega  a Recorrente  que  o procedimento  fiscal  foi  prorrogado por  várias  vezes  e  a  ciência do lançamento se deu fora do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, fato que  eiva o lançamento de nulidade.  Sobre o assunto, de início, tenho que ao analisar a mesma preliminar, a DRJ apontou  o seguinte, senão vejamos:  “O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições  administradas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  devendo  o  sujeito  passivo ser cientificado deste no início da Fiscalização. Inexiste previsão legal para  ciência prévia do sujeito passivo relativamente às prorrogações e complementações  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  inicial,  podendo  esta  ser  feita  quando  do  primeiro ato de ofício praticado após cada alteração, nos  termos do que dispõe o  art. 9º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007”.  Por corolário, é cediço que eventuais vícios constantes do Mandado de Procedimento  Fiscal  não  invalidam  o  lançamento  fiscal.  Este  é  o  entendimento  da  jurisprudência  deste  CARF,  a  seguir:  "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007   MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF.  INSTRUMENTO  DE  CONTROLE  ADMINISTRATIVO  DOS  ATOS  PRATICADOS  PELOS  AGENTES  FISCAIS.  VÍCIOS  RELACIONADOS  À  NOTIFICAÇÃO  OU  PRORROGAÇÃO.  QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de  Procedimento Fiscal  ­ MPF,  é  instrumento de  controle  criado pela Administração  com  o  objetivo  de  assegurar  ao  sujeito  passivo  que  o  fiscal  identificado  está  autorizado  a  fiscalizá­lo.  Se  ocorrerem  problemas  com  a  emissão,  ciência  ou  prorrogação  do  MPF,  não  são  invalidados  os  trabalhos  de  fiscalização  desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e  vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e  suficiente para ensejar o  fato gerador da obrigação  tributária, não pode o agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  (Acórdão 1301­001.316, Rel. Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes)"  Cito, ainda, o seguinte precedente, que se amolda perfeitamente ao caso em análise:  "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/02/1997 a 31/08/2005   Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/2011­71  Acórdão n.º 2402­004.973  S2­C4T2  Fl. 139          7  MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA A ciência ao sujeito  passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a  expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a  nulidade  do  lançamento.  Enunciado  nº  25  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social,  de  23/02/2006.  CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT  É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com  base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito  pacificada do STJ. [..]  (Acórdão  2302­003.505,  Rel.  André  Luiz  Marisco  Lombardi,  Sessão de 02/12/2014)"  Logo, não reconheço a nulidade suscitada.  Ademais, nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a  legislação  pertinente,  atribuindo  à  recorrente,  a  responsabilidade  pelas  contribuições  previdenciárias  por  ela  devidas  e  não  adimplidas,  levando  a  efeito  simplesmente  aquilo  que  determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma  legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento.  Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verifica­se ter sido observado o  que disposto no art. 142 do CTN a seguir:  "Art.  142. Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional".  Da análise do relatório  fiscal de cada um dos Autos de Infração, verifica­se  que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo  deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às  disposições  do  art.  142  do  CTN  e  37  da  Lei  n.  8.212/91,  na  medida  em  que  todos  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  que  ensejaram  a  lavratura  do  Auto  e  a  imposição  fiscal  restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao  contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos  valores  não  recolhidos  das  contribuições  sociais  não  informadas,  conforme  também  restou  decidido pelo acórdão de primeira instância.  O  fato  de  ter  recebido  intimações  de  distintas  de  autoridades  do  mesmo  órgão,  em  nada  macula  o  lançamento,  mas  demonstra  o  cumprimento  das  atribuições  da  fiscalização.  Não  vejo,  pois,  como  acolher  o  pedido  de  nulidade  formulado  sobre  tais  aspectos.  Rejeito as preliminares.  Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     8  Passo ao mérito.  Inicialmente,  aponto  que  a  recorrente,  seja  em  sua  impugnação  ou mesmo  em  seu  recurso voluntário, não impugnou os lançamentos constantes dos seguintes AI´s:   1)  AI  37.324.022­8:  tem  como  objeto  as  contribuições  descontadas  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  (Matriz  e  filiais),  nas  competências  de  01/2007  a  12/2008,  inclusive  13o  salário  do  período. Tais valores  foram extraídos dos Resumos de Folha de Pagamento  fornecidos  pela  empresa  e  encontram­se  demonstrados  no  anexo  “Resumo  Folha de Pagamento Matriz/Filiais – Levantamento “FP”.  2) AI 37.324.025­2 ­ lavrado para a cobrança de contribuições dos segurados  não  descontadas  (Contribuintes  individuais  e  empregados).  o  objeto  do  lançamento  são  as  contribuições  que  deveriam  ter  sido  descontadas  das  remunerações pagas ou  creditadas  aos  segurados  empregados  (remuneração  extra  folha),  contribuintes  individuais  e  transportadores  autônomos.  Por  tratar­se de levantamento realizado por aferição indireta, as bases de cálculo  utilizadas  foram  os  salários  de  contribuição  apurados  conforme  planilhas  constantes dos autos – Levantamento FC.  5) AI 37.324.021­0  ­  lavrado para a cobrança de multa por  ter a  recorrente  apresentado  GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas as contribuições previdenciárias.  6) AI 37.324.023­6  ­  lavrado para a cobrança de multa por  ter a  recorrente  apresentado GFIP com informações incompletas, inexatas ou omissas.  Desse modo, quanto a tais lançamentos, os tenho por incontroversos, da forma como  veio  a  ser  apontado  pelo  julgamento  de  primeira  instância,  não  havendo  que  se  falar,  também,  em  qualquer nulidade em razão de assim terem sido considerados, a teor do disposto no art. 17 do Decreto  70.235/72.  Do enquadramento como agroindústria  Sobre  o  assunto,  a  recorrente  pugna  pela  desconstituição  do  lançamento,  sob  o  argumento  de  que  em  sendo  reconhecida  como  agroindústria  do  ramo  da  avicultura,  o  lançamento  deveria se dar sobre a sua folha de pagamentos, o que não ocorreu no presente caso.  Sobre  o  assunto,  tenho  que  a  tese,  quando  debatida  no  julgamento  de  primeira  instância,  que diga­se de passagem analisou  todas  as provas  e  alegações  trazidas  aos  autos,  seja pela  parte, seja pela fiscalização, entendeu que a recorrente não fazia jus ao reconhecimento de agroindústria.  E tal conclusão se deu em razão de que, no resultado da diligência restou claro que:  (i)  esta não comercializa produção própria;  (ii)   em  2007  não  houve  faturamento  de  produto  industrializado  e  em  2008  o  faturamento  de  produto  industrializado  (cerca  de  1%)  referese  a  produtos  processados e embalados pela Pole Alimentos Ltda;  (iii)  não  haviam  folhas  de  pagamento  específicas  para  um  setor  industrial,  o  Auditor Fiscal não detectou nas folhas existentes nenhum cargo compatível  com o abate e industrialização de frango  No  entanto,  ao  analisar  detidamente  os  autos,  verifico  do DAD que  o  lançamento  sobre esta rubrica deu­se na alíquota de 2,5% (Rural) e 0,1% (SAT), em observância ao disposto no art.  22­A da Lei 8.212/91, a seguir:  Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/2011­71  Acórdão n.º 2402­004.973  S2­C4T2  Fl. 140          9  "Art.  22A.  A  contribuição  devida  pela  agroindústria,  definida,  para  os  efeitos  desta  Lei,  como  sendo  o  produtor  rural  pessoa  jurídica  cuja  atividade  econômica  seja  a  industrialização  de  produção  própria  ou  de  produção  própria  e  adquirida  de  terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da  comercialização da  produção,  em  substituição  às  previstas  nos  incisos  I  e  II  do  art.  22  desta  Lei,  é  de:(Incluído  pela  Lei  nº  10.256, de 2001).  I  ­  dois  vírgula  cinco  por  cento  destinados  à  Seguridade  Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001).  II ­ zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício  previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no8.213, de 24 de julho de 1991,  e  daqueles  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade para o  trabalho decorrente dos  riscos ambientais  da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001)".  No  entanto,  em  se  tratando  de  agroindústria  que  atua  na  área  de  avicultura,  o  disposto no art. 22­A, supra, não é aplicável, em conformidade com o que determina o seu §4o, a seguir:  "§  4oO  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  às  sociedades  cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura,  suinocultura e avicultura.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001)".  Assim, tenho que o lançamento não poderia ser efetuado com base no faturamento,  já  que,  mesmo  em  sendo  considerada  como  agroindústria  da  área  da  avicultura,  a  cobrança  das  contribuições previdenciárias deveria dar­se sobre a folha de pagamentos, a teor do disposto, inclusive  no art. 174 da IN 971/09:  "Art.  174.  A  base  de  cálculo  das  contribuições  das  agroindústrias  de  piscicultura,  carcinicultura,  suinocultura  e  avicultura e das sociedades cooperativas, independentemente de  terem  ou  não  outra  atividade  comercial  ou  industrial,  é  a  remuneração contida na  folha de pagamento dos  segurados a  seu serviço.  Parágrafo  único.  Em  relação  às  cooperativas,  o  disposto  no  caput  aplica­se  inclusive  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período de 15 de julho de 2005, data de publicação da Instrução  Normativa MPS/SRP nº3, de 14 de julho de 2005, a 15 de janeiro  de  2007,  véspera  da  publicação  da  Instrução  Normativa  MPS/SRP nº20, de 11 de janeiro de 2007, excluídas a imposição  de penalidades e a cobrança de juros de mora nesse período".  Logo,  ao  analisar  o  presente  lançamento,  seja  considerando  a  recorrente  como  agroindústria da área de avicultura, seja mesmo como produtora rural dessa área, o lançamento deveria  tomar como base a folha de pagamentos, e não o faturamento, na forma como indica o DAD e, de forma  muito superficial, o próprio relatório fiscal.  Neste particular, tenho que o voto vencido do julgamento de primeira instância deve  prosperar.  Ora, se para o caso da recorrente, por qualquer lado que se a enquadre na qualidade  de contribuinte das contribuições previstas na Lei 8.212/91, o lançamento deve ser considerada a folha  de  pagamentos,  não  vejo  como  possível,  que  este  tenha  sido  realizado  com  base  no  faturamento,  Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O     10  sobretudo com a aplicação das alíquotas de 2,5% e 0,1%, as quais, a toda evidência, são absolutamente  inaplicáveis ao presente caso.  Tal  equívoco,  a  meu  ver,  atinge  aquilo  o  que  disposto  no  art.  142  do  CTN,  já  transcrito no presente voto, tendo em vista que não fora corretamente definida a “matéria tributária” e  “cálculo do montante devido”, já que adotada base de cálculo e mesmo as alíquotas não aplicáveis para  o caso.  Assim, julgo como improcedente o lançamento do levantamento PR.  Aquisição de Produção Rural  Sobre o assunto, esclareço que o presente lançamento refere­se a competências dos  anos de 2007 e 2008, de modo que, a declaração de inconstitucionalidade da redação original do art. 25  da Lei 8.212/91, não se aplica o presente caso, tendo em vista que os fatos geradores ora sob discussão  referem­se a período já abarcado pela Emenda Constitucional n. 20/98.  A  propósito,  e  em  se  tratando  de matéria  já  analisada  por  esta  Eg.  Turma,  cito  o  seguinte precedente, que demonstra tal entendimento.  Vejamos:  "Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009   CONTRIBUIÇÃO  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.  RESPONSABILIDADE  DO  ADQUIRENTE.  A  empresa  adquirente  fica  subrogada  nas  obrigações  do  produtor  rural  pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas  ao  recolhimento  da  contribuição  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural  estabelecida  no  art.  25  da  Lei  n°  8.212/1991,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA  PELO  STF.  A  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF  no  Recurso  Extraordinário  nº  363.852  não  produz  efeitos  aos  lançamentos  de  fatos  geradores  ocorridos  após  a Emenda Constitucional  nº  20/98. Recurso de Oficio Provido. (Acórdão 2402­003.557, Rel.  Thiago Taborda Simões, Sessão de 14/05/2003)".  Logo, nada a prover.  Do Relatório de Vínculos  Trata­se de assunto já pacificado pelo CARF, com a edição da Súmula nº 88, senão  vejamos:   "Súmula  CARF  nº  88:  “A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa”.  Assim verifica­se que a aludida Relação de Vínculos tem condão meramente  informativo, não tendo a finalidade de atribuir sujeição passiva ou responsabilidade solidária às  pessoas  físicas  ou  jurídicas  ali  apontadas,  tampouco  comportam  discussão  no  âmbito  do  Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/2011­71  Acórdão n.º 2402­004.973  S2­C4T2  Fl. 141          11  contencioso  administrativo  tributário  federal,  razão  pela  qual  desfalece  a  alegação  da  Recorrente.  Por  fim,  ressalto  que  não  subistem  outras  matérias  a  serem  abordadas  no  presente  julgamento,  quanto  ao  lançamento  dos  Autos  de  Infração  AI  37.324.022­8,  AI  37.324.025­2,  AI  37.324.021­0,  AI  37.324.023­6,  pelos  motivos  já  explicitados  nos  autos,  senão  a  necessidade  de  aplicação  aos  autos  de  infração  de  obrigações  acessórias  AI  37.324.021­0,  AI  37.324.023­6,  dos  efeitos  da  exclusão  do  lançamento  principal  do  levantamento PR.  Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO  ao  recurso,  para  (i)  julgar  improcedente  o  levantamento  PR  nos  autos  de  Infração  AI  37.324.024­4  (Patronal)  e  AI  37.324.026­0  (Terceiros),  bem  como  para  (ii)  determinar  a  exclusão do montante da multa aplicada pela não informação de tais fatos geradores em GFIP  (AI 37.324.021­0 3), e, (iii) por fim, para julgar improcedente o auto de infração pela indicação  incorreta do código de terceiros (AI 37.324.023­6)  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O

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Numero do processo: 15504.000964/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência do crédito tributário, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira de negava provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Declaração de Voto assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência do crédito tributário, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira de negava provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Declaração de Voto assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2   assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira  Declaração de Voto    assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah   Presidente    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Marcelo  Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/2008­10  Acórdão n.º 2201­003.022  S2­C2T1  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  Decisão  da  Gerência  Executiva do INSS em Belo Horizonte, Decisão Notificação nº 11.401.4/0162/2004 que julgou  o lançamento procedente.  O  lançamento  e  a  impugnação  foram  assim  relatadas  no  julgamento  de  primeira instância:    DO LANÇAMENTO   Trata­se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa  acima  identificada,  na  condição  de  responsável  solidária,  e  a  empresa  prestadora  de  serviços  HARPA  ENGENHARIA  DE  MONTAGENS  LTDA,  no  valor  de  R$4.567,86  (quatro  mil  quinhentos  e  sessenta  e  sete  reais  e  oitenta  e  seis  centavos),  consolidado  em  19/12/03,  relativo  a  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  à  mão­de­obra  incluída  em  notas  fiscais  de  serviços  de  construção  civil,  no  período  de  01/98  a  12/98.  DA IMPUGNAÇÃO  Da empresa responsável solidária  2. A responsável solidária. notificada, inconformada. apresentou  defesa  tempestiva  com  a­  notificação  fiscal,  impugnando  o,­ lançamento,  consoante  documentos  de  fls.  36/52,  alegando  em  síntese o que segue.    2.1.­  Preliminarmente,._alega,  que  decaiu  o.  direito.  do  fisco.  lançar o pleiteado crédito previdenciário, pois,  entre a data da  ocorrência  do  fato  gerador  e  a  notificação  _.do  lançamento,  fluiu,prazo  superior  a.  5  anos,.que.  é.o.  prazo  decadencial  estabelecido. pelo CTN para os  tributos sujeitos ao  lançamento  por homologação (art. 150 e seu § 4°).   2.2­  invocando.  o.  artigo  146,  inciso.  III,  alinea  "b"  da.  Constituição  Federal  de  1988,  alega  que  uma  simples  lei  ordinária não pode estabelecer prazo para decadência do direito  de.  lançar  contribuições.  previdenciárias,sendo.  totalmente.  insubsistente.  qualquer  argumento  no  sentido  de  que  para  a  constituição  dos  créditos  previdenciários  o  prazo  decadencial  seria. de 10. (dez).anos,contados do. primeiro. dia do. exercício.  seguinte.  àquele.  em  que  o  crédito  previdenciário  poderia  ter  sido  lançado,  nos  termos  do  artigo  45  da  Lei  8.212/9.1.  Cita  julgados.emanados pelo. Primeiro _Conselho. de. Contribuintes.  do Ministério. da. Fazenda.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 2.3­  Em  seguida,  requer  a  posterior  juntada  aos  autos  dos  documentos  'que  comprovam.  o  efetivo.  recolhimento  das  contribuições.  previdenciárias.  exigidas.  na.  NFLD,  pela  empresa  por  ela  contratada.  Argumenta  que  se  encontra  impossibilitada de juntar..tais documentos. aos autos. visto. que,,  "por  tratar.­se.  de..instituição  de  ensino,  encontra.­se.  em  período  de  férias,  não  possuindo  meios  de  providenciar  os  documentos que poderão comprovar a.  exigência­ bis­  in.  idem  que.lhe  está.  sendo  imposta,  o.  que,.­inclusive  implica.  em  autêntico  cerceamento  de  seu  direito  de  defesa,  já que; mesmo  tendo o autuante o longo prazo de. dez. anos. para. notificar o.  contribuinte.  acerca.  de.  seu­  débito,  preferiu.  fazê­lo.  justamente.  em  época  que,  é  cediço,  seria  impossível  a  uma  instituição  de  ensino,  em  período  de  férias,  fazer  todo.  o.  levantamento. da documentação capaz. de provar  sua.  situação  regular perante esta autarquia”.   2.4­  Ressalta  que.  exigir;  da.  impugnante.  que.  prove.  o.  recolhimento. das contribuições previdenciárias pela prestadora  dos  serviços  que  tomou  é  totalmente  desarrazoado,  além.  de.  ilegal por infringir não só. a­  legislação. processual. em vigor,,  como também a própria legislação  tributária,  já que o ônus da  prova da ocorrência do  fato gerador.do  tributo ê. da. Fazenda.  Pública, e. não do. contribuinte.  2.5­  invocando  o  princípio  da  legalidade,  argumenta  que  para  que  se  tome  exigível.  a.  exação  é.  indispensável.  que.  a.  Administração  _Pública.  prove­  a.  ocorrência.  do  fato  gerador  que, no caso,  se daria tão somente através da comprovação do  não  recolhimento  das  contribuições.  previdenciárias.  devidas  pela. prestadora. de. serviços. apontada. 'na. NFLD em questão.   2.6­  Transcrevendo.  o.  inciso.  Vl.  do.  artigo  30.  da.  Lei.  8.2.12/91. contesta. a.  respeito da  inaplicabilidade do benefício  de  ordem  alegando  que  sendo  solidária  a  responsabilidade  da  contribuinte,  “somente  'nos_  casos.  de.  impossibilidade­  dè.  exigência­  do;  cumprimento.  da  obrigação­principal  (recolhimento  da  contribuição  previdenciária)  por  parte  do  contribuinte de direito, é. que o. INSS. poderia imputar­lhe.  tal.  obrigação..  A  solidariedade.  prevista.  noz  invocado  dispositivo  legal  pressupõe  a  impossibilidade  econômica  do  contribuinte  satisfazer seu débito”.    2.7­ O INSS. sequer chegou. a.fiscalizar a empresa. prestadora.  dos.  serviços  tendo  a  fiscalização  presumido  que  a  referida  empresa  deixou  de  recolher  as  contribuições  21.8.  previdenciárias.  em.  questão,  "não.  tendo  logrado.  provar  a  inadimplência e. a. impossibilidade recolhimento dos de créditos  tributários  em  questão  pela  prestadora  de  serviços,  o  que  poderia fundamentar a. exigência. da. ora impugnante invoca o.  artigo.  134  do.CIN.e.o.  enunciado  da  Súmula  126  do  Tribunal  Federal de Recursos.  2.8­  Ressalta  que  nem.  mesmo  o  Tribunal.  Superior  do.  Trabalho.  tem  entendido  que  os  valores  devidos  pelo  empregador podem ser exigidos do contratante dos serviços, nas  hipóteses em. que. o. terceirizado. não exerce a mesma atividade  do. tomador. “ Assim;. no. caso presente, em que se trata de uma  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/2008­10  Acórdão n.º 2201­003.022  S2­C2T1  Fl. 4          5 instituição  de  ensino  contratando  empresa  de  construção  civil,  não. há.que. se. falar na.malfadada solidariedade”.  2.9­  Invocando  os  artigos  121,  128  e  o  §  1°  do  artigo  113  do  CTN  alega,  ainda,  que.  não.  pode­o  INSS.exigir,  através  do  instituto da solidariedade, os valores das contribuições devidas  em razão de fato gerador (folha de pagamento) cuja ocorrência  recai,  exclusivamente,  sobre  as  referidas  empresas,  ou.  seja,  a  impugnante.  não  está  vinculada ao  fato.  gerador  da  respectiva  obrigação  principal,  não  podendo,  pois,  sofrer  as  suas  consequências tributárias.  2.10­  Argumenta  que.  não.  pode  a  impugnante  verificar  se  o.  prestador  de  serviços  cumpriu  todas  as  obrigações  tributárias  dele exigíveis, pois, a competência para o exercício do poder de  policia.  é  própria  do  órgão  de.  fiscalização  do  INSS,  por  expressa vinculação legal. invocando o inciso ll do artigo 5° da  CF argumenta que não possui delegação legal. para fiscalizar os  procedimentos. fiscais. adotados­ pelo. prestador de. serviços. e.  este.  nâo.  está  obrigado  a  demonstrar­lhe  a  liquidação  de  tributos ou de outras obrigações  tributárias  , por  imposição de  senão  lei..  Conclui­  que  a  legislação  previdenciária.  cria.  obrigação para o. adquirente dos serviços mas, não lhe concede  meios indispensáveis à sua execução, tomando­a impossível.   2.11.­  A.  exigência  da.  contribuição.  para  financiamento  do  Seguro.  de.  Acidentes  de  Trabalho  (SAT)  configura­se  manifestamente  inconstitucional  e  ilegal,  uma  vez  que  a  regra  estampada. no. artigo. 22,_ inciso. II, da. Lei. 8.212/91,_ não. se.  encontra.  munida­  de  eficácia,  não  gerando  quaisquer  efeitos  jurídicos enquanto os termos “atividade preponderante” e riscos  médio, leve e.grave. não tiverem. a. necessária. regulamentação  em texto de lei.­ Invoca doutrina e jurisprudência para reforçar  sua argumentação.  2.12­  Citando.  doutrina  e  jurisprudência  contesta  a  aplicação  da.taxa.SELIC. para o cálculo dos juros, sendo estes, em síntese,  os seus argumentos:    a.­ A. taxa SELIC. não. tem. por vista. a­ indenização do INSS.  pelo  pagamento  intempestivo.  dos  tributos,  mas  sim,  absurda  remuneração dos cofres públicos, o que impossibilita a exigência  de taL monta dos contribuintes.  b­ Os. juros. moratórios. cobrados. dos. contribuintes. deveriam.  visar tão somente. à. restituição ao caixa do INSS das despesas  incorridas  em  razão  do  atraso  nos  pagamentos  oportunos  dos  tributos.  e. não  lhe gerar qualquer  forma de rendimento, o que  ocorre. no caso presente.  c­ Da forma como é apurada, a taxa SELIC pode ser manipulada  pela  União,  delineando  o  acento.  de.  remuneração.  e.  não  de.juros.de mora.  d­  invocando o art. 161 do Código Tributário Nacional e o seu  parágrafo  1°  ,  não  constituindo  argumenta  que  a Taxa.  SELIC  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     6 juros.  moratórios,  mas  sim  remuneratórios,  sua  cobrança.  não  encontra respaldo no referido dispositivo legal  , razão por que,  atendendo­se  ao  ali  estatuído,  não  havendo  lei.  dispondo.  em.  contrário, os.juros­moratórios. hão. de­ ser calculados. à. razão  de 1% ao mês .  2.13­  Finalmente,  requer  seja  acolhida  a  defesa  apresentada  para,  em  preliminar,  reconhecer  a  decadência  do  direito  do  INSS de  lançar o pretendido crédito previdenciário. No  tocante  ao  mérito  espera  seja  julgada  improcedente  a  NFLD,  reconhecendo a ilegitimidade do lançamento fiscal em tela ou, se  dessa  forma  não  se  entender,  seja  retificado  o  débito,  dele  decotando os valores efetivamente recolhidos pela construtora (  o que será provado posteriormente, como já pleiteado) e aqueles  relativos  à  aplicação  de  juros  apurados  com  esteio  na  taxa  SELIC, com sua substituição por encargo moratório calculado à  razão de 1% (um por cento) ao mês.  Da empresa prestadora de serviços   2.14  ­ Nos  termos descritos no Relatório Fiscal, a  terceira via  desta NFLD  foi  remetida  à  empresa HARPA ENGENHARIA  DE  MONTAGENS  LTDA.,  prestadora  de  serviços,  que  a  recebeu em 02/01/04 (documento de fls. 32).  2.15­  Entretanto,  no  prazo  legal,  a  referida  empresa  não  apresentou  impugnação,  nem  recolheu  o  valor  do  crédito  lançado.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  (FUMEC)  apresentou  recurso  voluntário onde alega/questiona, em síntese:    · decadência;  · necessidade de comprovação da falta de recolhimento da contribuição  previdenciária pelo contribuinte de direito;  · desvinculação  da  recorrente  dos  fatos  geradores  da  contribuição  previdenciária pretendida;  · da  apreciação  dos  argumentos  relativos  a  inconstitucionalidade  da  exigência impugnada;  · ilegitimidade  da  exigência  da  contribuição  para  financiamento  do  seguro de acidentes de trabalho (SAT);  · ilegitimidade  da  exigência  de  juros  apurados  com  base  na  taxa  “SELIC”.    É o relatório.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/2008­10  Acórdão n.º 2201­003.022  S2­C2T1  Fl. 5          7     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.    DECADÊNCIA    Por ser matéria de análise obrigatória, verificarei  também a decadência para  ao devedor principal (Harpa Engenharia).  Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal, segundo o CTN.  Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplica­se a regra  do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99.    Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.    Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     8   O processo,  no Termo de Encerramento  da Auditoria Fiscal  ­ TEAF,  folha  25, registra que foram examinados comprovantes de recolhimento.  O período do lançamento é de 01, 02 e 12/1998.  A  ciência  do  lançamento  para  o  devedor  principal  (Harpa  Engenharia)  ocorreu em 02/01/2004 e para o devedor solidário em 30/12/2003(FUMEC).  Considerando  que  para  ao  devedor  principal  o  intervalo  de  tempo  entre  os  fatos  geradores  e  a  notificação  foi maior  que  5  anos,  considera­se  o  lançamento  totalmente  atingido pela decadência.  Por  estar  o  crédito  tributário  extinto  para  o  devedor  principal,  o  mesmo  tratamento deve ser dado ao devedor solidário.      CONCLUSÃO    Voto por dar provimento ao  recurso,  reconhecendo a decadência do  crédito  tributário com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN.    Carlos Alberto Mees Stringari                 Declaração de Voto    Em que pese o costumeiro acerto do ilustre Conselheiro Relator, ouso, com a  máxima vênia discordar quanto ao prazo decadencial aplicável ao caso concreto.  Como bem relatado trata­se de crédito lançado contra a Recorrente em razão  da  inocorrência do afastamento da  responsabilidade solidária entre a contratante e a empresa  prestadora  de  serviços  de  construção  civil  HARPA  ENGENHARIA  DE  MONTAGENS  LTDA.  Transcrevo, pela clareza e concisão, a parte do voto que trata do tema:  "O período do lançamento é de 01, 02 e 12/1998.  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/2008­10  Acórdão n.º 2201­003.022  S2­C2T1  Fl. 6          9 A  ciência  do  lançamento  para  o  devedor  principal  (Harpa  Engenharia)  ocorreu  em  02/01/2004  e  para  o  devedor  solidário  em  30/12/2003(FUMEC).  Considerando que para ao devedor principal o intervalo de tempo entre os  fatos  geradores  e  a  notificação  foi  maior  que  5  anos,  considera­se  o  lançamento totalmente atingido pela decadência.  Para o devedor  solidário, retrocedendo 5 anos da ciência do  lançamento,  vamos a 30/12/1998. Ainda não haviam se completado os  fatos geradores  da competência 12/2008. Para as competências 1 e 2/1998, o  intervalo de  tempo supera os 5 anos.  Entendo para o devedor solidário (FUMEC) decadentes as competências 1  e 2/1998." (negritos originais)  O  insigne  Relator  acertadamente  afirma  que,  por  serem  as  contribuições  previdenciárias  espécie  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  deve  ser  feita  nos  moldes  do  artigo  150,  §  4º,  do  Código  Tributário  Nacional. Ressalta ainda, que tal situação se aplica nos casos em que existe pagamento, mesmo  que parcial, dos valores devidos relativos ao tributo em análise.   Ao constatar que no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, TEAF, anexado  às  folhas 25, a Autoridade Lançadora  ressalva  ter examinado comprovantes de recolhimento,  pode­se  inferir  que  houve  pagamento  no  mínimo  parcial  dos  valores  devidos  a  título  de  contribuições previdenciárias.  Esse o ponto de minha divergência. Explico.  Versa o lançamento aqui analisado sobre a responsabilidade solidária prevista  no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91, com sua redação original, não elidida.  Impende recordar que a elisão da responsabilidade solidária pelo contratante  de  obra  de  construção  civil,  segundo  disposição  expressa  do  Regulamento  da  Previdencia  Social,  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  artigo  220,  §  3º,  inciso  I,  se  dá  "pela  comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes  sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura, quando corroborada  por escrituração contábil"  O parágrafo 2º do artigo 220, acima mencionado, "determina que o executor  de  obra  deverá  elaborar  distintamente  para  cada  estabelecimento  ou  obra  de  construção  civil, da empresa contratante,  folha de pagamento, GFIP e GPS", cujas cópias deverão ser  exigidas pela empresa contratante quando do quitação da nota fiscal ou fatura.   Da  transcrição  do RPS acima,  podemos  inferir  que  não  houve  por  parte  da  Recorrente  a  exigência  das  guias  de  recolhimento,  acompanhadas  das  respectivas  GFIPs  e  folhas  de  pagamento,  do  prestador  dos  serviços  de  construção  civil,  pois  se  houvesse,  por  óbvio, que o lançamento tributário em análise, não teria ocorrido, ou no mínimo, seria parcial.  Com  essa  simples  inferência  já  podemos  afastar  a  contagem  do  prazo  decadencial  pela  regra  esculpida  no  artigo  150,  §  4º,  em  razão  da  não  comprovação  da  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     10 existência do pagamento por parte da prestadora de serviços, aqui a devedora principal, Harpa  Engenharia de Montagens Ltda.  Sabe­se que a contagem do prazo decadencial para que o Fisco constitua seu  direito de crédito está prescrita no artigo 173, inciso I, do CTN e deve ser contada a partir do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido lançado.  Tal  regra  é  aplicável  toda  vez  que  não  há  pagamento  antecipado  pelo  contribuinte, ou no caso de se constatar a existência de fraude, dolo ou simulação, segundo a  disposição  do  artigo  150,  §  4º. Ou  seja,  a  contagem  segundo  a  prescrição  do  artigo  173  é  a  regra geral aplicável para a decadência do direito de lançamento de ofício.  Não obstante todo o exposto, outro argumento merece ser apresentado.  O  lançamento em questão, como dito e  repetido,  foi  realizado com base na  solidariedade entre o proprietário, dono de obra, ou incorporador e o executor desta.  Nesse sentido, diferentemente de um lançamento decorrente da verificação da  obrigação  tributária principal de um  tributo  lançado por homologação  ­  onde o pagamento  é  inerente  a  essa  modalidade  de  recolhimento  da  maioria  dos  tributos  ­  no  caso  de  um  lançamento  por  descumprimento  do  dever  da  elisão  da  responsabilidade  tributária,  onde  nitidamente  não  há  obrigação  do  responsável  pelo  pagamento  direto,  o  prazo  disponível  ao  Fisco para que constitua seu direito de crédito deve ser contado pela regra geral, ou seja, pelas  disposições do artigo 173, I, do CTN.  Assim, podemos concluir que, sendo aplicável ao caso a contagem do prazo  decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado  (01/01/1999),  e  constatando­se  que  não  houve  elisão  da  responsabilidade  solidária nas competência 01/98, 02/98 e 12/98; e mais que o lançamento se aperfeiçoou com a  ciência  do  devedor  solidário,  aqui  recorrente,  em  30/12/2003,  não  se  verifica  a  decadência  arguida.  É como voto.    assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 16327.001276/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2201-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403-002.665, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. Por maioria de votos afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza". assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403-002.665, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. Por maioria de votos afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza". assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH     2 benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão  da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza".    assinado digitalmente  Carlos Alberto Mees Stringari   Relator    assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah   Presidente    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Marcelo  Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001276/2010­42  Acórdão n.º 2201­003.065  S2­C2T1  Fl. 3          3   Relatório  Com fulcro no Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos  Fiscais, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs embargos de declaração contra o  Acórdão nº 2403­ 002.665 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda  Seção de Julgamento do CARF.  A decisão do julgamento foi, nas preliminares, por unanimidade de votos, em  dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base  no  art.150,  §  4º  do  CTN.  No  mérito:  a)  Por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  afastar  a  tributação  da  PLR  das  competências  de  10/2005  e  01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007,  vencido  o  relator Carlos Alberto Mees Stringari.  c) Por unanimidade  de  votos,  em manter  a  tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao  recurso  para  determinar  o  recálculo  da multa  de mora,  com  base  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009  ao  art.  35  da Lei  8.212/91  prevalecendo o  valor mais  benéfico  ao  contribuinte.  Vencido  o  conselheiro  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro  na  questão  da  multa  de  mora.  Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.    O  fundamento  do  embargo  é  que  o  acórdão  embargado  incide  em  omissão  quanto  aos  fundamentos  para  considerar  cumpridos  os  requisitos  legais  para  a  PLR  das  competências 10/2005 e 01/2006, mais especificamente quanto às regras claras e objetivas.    Com  a  devida  venia,  o  i.  Relator  não  obstante  ter  fundamentado  a  negativa  de  reconhecimento  das  verbas  pagas  a  título  de  PLR  para  as  competências  de  10/2006  e  01/2007,  não o  fez  com relação à  parte  que deu  provimento  (competências  10/2005  e  01/2006),  que  somente  consignou:  “Acordo  de  Participação  em  Lucros  ou  Resultados  2005,  folhas  30  a  38,  assinado  em  07/04/2005.  Entendo  que  cumpre  os  requisitos  legais  e,  portanto,  não  deve  ser  tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na  competência 01/2006)”.  Assim, verifica­se a omissão quanto aos fundamentos de fato e  de  direito  que  o  levaram  à  convicção  de  conter  o  Acordo  analisado  regras  claras  e  objetivas,  afastando  a  natureza  salarial  das  verbas  pagas  nas  competências  de  10/2005  e  01/2006,  ao  arrepio  do  constatado  pela  fiscalização,  conforme relatório fiscal a seguir:    Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH     4 Efetivamente, o Relatório de Auto de Infração ­ Termo de Verificação Fiscal  apresenta como um dos  fundamentos para a autuação a ausência de regras claras e objetivas  para o pagamento da PLR.    9. O Acordo  de Participação  em Lucros  ou Resultados  2005  e  seu anexo, assinado em 10/02/2005, apenas demonstram a forma  de  aferição  e  cálculo  do  valor  a  ser  distribuído  para  cada  empregado. Na cláusula terceira, parágrafo primeiro do anexo 1  tem­se os elementos relevantes na avaliação, mas sem nenhuma  objetividade:  "São  considerados  elementos  relevantes  na  avaliação  dos  empregados aspectos  subjetivos como atitude, potencial de  crescimento,  etc,  mas  principalmente  aspectos  objetivos,  variando  conforme  a  posição  dos  empregados,  tais  como  contribuição  para  os  resultados  da  empresa,  cumprimento  de  normas  regulamentares  e  procedimentos  internos,  assiduidade,  compromisso  com  objetivos  departamentais  e  globais da empresa, etc. "   10.  Em  momento  algum  existem  objetivos  claros  a  serem  atingidos. A lei prevê em seu art. 2 o § l e que dos instrumentos de  negociação deverão constar regras claras e exemplifica critérios  que poderão ser utilizados,  tais como índices de produtividade,  programa de metas, entre outros:  §  Ia  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos substantivos da participação e das regras adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da  distribuição, período de vigência e prazos para revisão do  acordo,  podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes critérios e condições:  I ­  índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.    Foi reconhecida a omissão.     É o relatório.  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001276/2010­42  Acórdão n.º 2201­003.065  S2­C2T1  Fl. 4          5     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  Observo que o que se discute aqui é exclusivamente a questão das regras para  o  pagamento  da  PLR  nas  competências  10/2005  e  01/2006,  regidos  pelo  Acordo  de  Participação em Lucros ou Resultados 2005.  Conforme  apresentado  acima,  a  contradição  foi  reconhecida  e o  vício  deve  ser sanado.  O voto deve ser complementado com a análise acerca das regras para o  pagamento da PLR.    ANÁLISE ACERCA DAS REGRAS PARA O PAGAMENTO DA PLR.    Para  o  pagamento  da  PLR,  os  instrumentos  decorrentes  da  negociação,  deverão  conter  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e  prazos para revisão do acordo.  Entendo  que  o  acordo  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  continha  regras que harmonizavam o praticado pela empresa com os requisitos da Lei 10.101/2000,  já  apresentados no voto original.  O "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados ­ 2005", folhas 30 a 38,  prevê  critérios  para o  acompanhamento,  revisão  e  avaliação  das metas,  para  a  avaliação  dos  empregados,  para  a  participação  e  nos  lucros  da  empresa,  etc,  em  conformidade  com  o  estabelecido na Lei 10.101/2000, conforme abaixo:    Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005  ...  CLAUSULA  SEGUNDA  ­  DA  ESTRUTURA DO  SISTEMA DE  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS   As  partes  estabelecem  sistema  de  participação  nos  lucros  ou  resultados, nos  termos do Anexo I, que  integra o presente para  todos os efeitos,  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH     6 ...  CLÁUSULA QUINTA ­REVISÃO   O  presente  acordo  poderá  ser  revisto,  através  de  negociação  entre as partes signatárias.  PARAGRAFO PRIMEIRO   Eventuais  alterações  somente  poderão  ser  feitas  por  mútuo  acordo, sendo vedada qualquer modificação unilateral.  PARÁGRAFO SEGUNDO   Os  valores,  critérios  e  formas  de  distribuir  participação  em  lucros  ou  resultados  aos  empregados  não  regulamentados  no  presente  instrumento deverão ser acordados entre as partes, na  ocorrência dos seguintes fatos relevantes:  venda  ou  transferência  do  controle  acionário,  por  qualquer  motivo.  ...  CLAUSULA SEXTA ­ACOMPANHAMENTO   Serão  realizadas  reuniões  semestrais  para  avaliação,  até  15  (quinze)  dias  após  a  publicação  do  balanço,  para  acompanhamento e avaliação das metas.  PARAGRAFO PRIMEIRO   Todos  os  empregados  terão  acesso  às  informações  relativas  às  premissas  e  aos  resultados  previstos  neste  acordo,  através  dos  meios internos de comunicação.  PARAGRAFO  SEGUNDO  As  Empresas  encaminharão  aos  empregados e ao Sindicato os relatórios para acompanhamento  em 05 (cinco) dias úteis após a solicitação neste sentido.  PARAGRAFO TERCEIRO   São  instrumentos  de  aferição  do  presente  acordo  os  seguintes  documentos, como seguem:  • Balanços semestrais publicados e auditados;  •  Dados  relativos  ao  pagamento  de  valores  a  título  de  Programas  de  Participação  nos  Resultados  ­  PPR's  e/ou  Participação nos Lucros e Resultados ­ PLRs, discriminando os  seguintes  itens:  datas  de  pagamento,  montantes  pagos,  funcionários abrangidos, valores  referentes ao cumprimento da  Convenção Coletiva de Trabalho, base de composição de cálculo  dos valores pagos e a ocorrência de pessoas não abrangidas no  pagamento;  • Demonstrativo resumo do enquadramento dos funcionários por  categoria/faixa de avaliação previsto no Anexo I     Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001276/2010­42  Acórdão n.º 2201­003.065  S2­C2T1  Fl. 5          7 ANEXO  I  ­  CONFORME  CLÁUSULA  2a  ,  DO  ACORDO  PLANO  DE  PARTICIPAÇÃO  EM  LUCROS  OU  RESULTADOS  DO  CREDIT  SUISSE  FIRST  BOSTON  S/A  CTVM E DO CREDIT SUISSE FIRST BOSTON DTVM S/A ­  2005  ...  CLAUSULA  TERCEIRA  ­  AVALIAÇÃO  DO  DESEMPENHO  Anualmente  será  efetuada  a  avaliação  de  cada  empregado,  considerando  aspectos  subjetivos  e  objetivos  de  performance,  dentre os quais o desempenho do empregado em relação a metas  estabelecidas  para  o  empregado  individualmente,  para  a  sua  área e para toda a empresa.  PARÁGRAFO  PRIMEIRO  São  considerados  elementos  relevantes  na  avaliação  dos  empregados  aspectos  subjetivos  como atitude, potencial de crescimento, etc, mas principalmente  aspectos  objetivos,  variando  conforme  a  posição  dos  empregados,  tais  como  contribuição  para  os  resultados  da  empresa,  cumprimento  de  normas  regulamentares  e  procedimentos  internos,  assiduidade,  compromisso  com  objetivos departamentais e globais da empresa, etc.  PARÁGRAFO  SEGUNDO  De  acordo  com  a  avaliação  de  desempenho,  os  empregados  serão  classificados  em  níveis  de  performance, numa escala de 1 a 20  (1 a 15 para  / Cargos de  Apoio),  sendo  1  o  de  menor  avaliação,  conforme  explicitado  abaixo:    Os documentos "My Performance System", folhas 208 a 226 e "Performance  Review", folhas 229 a 249 comprovam a avaliação individual prevista.    CONCLUSÃO    Voto por acatar os embargos e para sanar a omissão, determinar o ajuste no  voto do acórdão 2403­002.665, conforme proposto, sem alteração da conclusão.    Carlos Alberto Mees Stringari                 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH     8                 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH

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Numero do processo: 15374.918375/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Embora os créditos líquidos e certos sejam passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional, não se pode restituí-los em duplicidade. Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3201-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 118          1 117  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.918375/2009­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.209  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de maio de 2016  Matéria  PIS.RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO          Recorrente  SOCIEDADE UNIVERSITÁRIA GAMA FILHO            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001  RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS  Embora  os  créditos  líquidos  e  certos  sejam  passíveis  de  restituição/compensação,  nos  termos  do  que  dispõe  o  art.  170  do  Código  Tributário Nacional, não se pode restituí­los em duplicidade.  Recurso voluntário negado        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as  Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.     Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima, Winderley Morais  Pereira,  Jose  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Tatiana  Josefovicz  Belisario e Cássio Schappo.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 83 75 /2 00 9- 01 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     2 Relatório  A interessada apresentou pedido de restituição, cumulado com compensação,  da Contribuição para o Programa de  Integração Social – PIS apurada  em novembro de 2001  (PERD/COMP nº 31843.55787.210704.1.3.04­5104).  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  transcrevo  o  Relatório  da  decisão de primeira instância administrativa, in verbis:  Trata­se  de  lide  administrativa,  instaurada  por  meio  da  manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte (fls.  10­17) contra o despacho decisório que  indeferiu compensação  pleiteada (fl. 08).  Há nos autos pedido de  restituição de  créditos da  contribuição  ao Programa de  Integração Social  ­ PIS  ­  somando o  valor de  R$ 1.788,62, combinado com pedido de compensação de débitos  vincendos  de  IRRF  ­  PERDCOMP  n°  31843.55787.210704.1.2.3.04­5104.  Instruem  o  processo  a  declaração  de  suposto  pagamento  indevido de  fl. 03, referente ao período de 11/2001, os  pedidos  de  compensação  de  fls.  02­06,  certidão  emitida  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social  do  Ministério  do  Desenvolvimento  Social  e Combate  à Fome  (fls.  33­35),  recibo  de entrega da DIPJ 2002, espelhos do SIEF contendo pedido de  restituição (fls. 33­39).  A DERAT da DRF/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 08,  indeferiu a  solicitação do contribuinte em razão de que "foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos",  mas  "integralmente  utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados".  Cientificada  do  despacho  e  inconformada  com  o  indeferimento  de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 10­ 17, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela  DRF,  para que  seja  autorizada  a  restituição  do PIS,  cumulada  com a compensação de débitos de IRRF, alegando, em resumo, o  seguinte:  ­ O  débito  a  que  alude  o  despacho  decisório  é  o  próprio  PIS,  equivocadamente  declarado  em  DCTF  como  devido,  erro  esse  decorrente  do  fato  de  a  requerente  fazer  jus  à  imunidade  e  à  isenção  ao  PIS,  nos  termos  do  art.  195,  §  7o  da  Constituição  Federal e do art. 55 da Lei 8.212/91.  ­  A  contribuição  para  o PIS  é  uma  contribuição  social  para  a  seguridade  social,  na  medida  em  que  a  finalidade  que  lhe  é  atribuída  pelo  art.  239  da  Constituição  se  situa  no  âmbito  da  seguridade  social,  que,  segundo  o  art.  194,  compreende  um  conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e  da  sociedade  destinados  a  assegurar  os  direitos  relativos  à  saúde, à previdência e à assistência social.  ­  Segundo  o  art.  239  e  §§,  o  PIS  se  destina  a  financiar  o  programa do seguro­desemprego e o abono anual de um salário  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15374.918375/2009­01  Acórdão n.º 3201­002.209  S3­C2T1  Fl. 119          3 mínimo  devido  aos  empregados  que  percebam  remuneração  mensal  de  até  dois  salários  mínimos,  um  dos  objetivos  da  previdência e assistência social.  ­  Quanto  ao  seguro­desemprego,  isto  se  revela  de  forma  evidente, na medida em que o artigo 201, III prevê como sendo  um  dos  objetivos  da  previdência  social  a  proteção  ao  trabalhador em situação de desemprego involuntário.  ­ No que se refere ao abono anual de um salário mínimo, apesar  de  o  artigo  203  não  mencioná­lo  expressamente,  a  relação  de  inclusão  se  evidencia  pelo  fato  de  tratar­se  de  benefício  de  caráter marcadamente assistencial.  ­ O STF tem afirmado a natureza jurídica de contribuição social  para a seguridade social do PIS. Em precedente transcrito, este  tribunal  reconheceu  que  se  trata  de  contribuição  social  para  a  seguridade  social,  se  lhe  aplicando,  pois,  a  anterioridade  mitigada  prevista  no  art.  195,  §  6o  da  Constituição,  aplicável  apenas às contribuições cuja finalidade é financiar a seguridade  social.  ­ Nos termos do art. 195, § 7o, "são isentas da contribuição para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social que atendam às exigências estabelecidas em lei". Referido  dispositivo é regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91.  ­  A  requerente  é  uma  sociedade  civil  sem  fins  lucrativos,  registrada  como  entidade  de  assistência  social  no  Conselho  Nacional de Assistência Social, sendo, no período em referência,  portadora do antigo certificado de entidade de fins filantrópicos.  ­ Ainda como prova de que preenche os quesitos legais e faz jus  à  imunidade  tributária,  a  requerente  apresenta  os  recibos  da  DIPJ  relativos  aos  exercícios  em  questão,  onde  consta  que  é  imune  ao  imposto  sobre a  renda  e dispensada do  recolhimento  das contribuições sociais para a seguridade social.  ­ No período em questão, o contribuinte não  teve  sua condição  de imune questionado pela RFB, que não instaurou para este fim  o procedimento de  suspensão de  imunidade, nos  termos do art.  32 da Lei 9.430/96.  ­ Pede, por  fim, que seja julgada procedente a manifestação de  inconformidade.  É o relatório.    A  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  proferindo  o  Acórdão  DRJ/RJ2 n.º 13­32.500, de 30/11/2010 (fls. 55 e ss.), assim ementado:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     4 Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001  INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.  Sujeitam­se normalmente à incidência da PIS/PASEP as receitas  decorrentes  da  prestação  de  serviços  de  ensino,  conforme  descrito na hipótese de incidência tributária.  IMUNIDADE.  INSTITUIÇÃO  DE  EDUCAÇÃO.  ENTIDADE  BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.  O usufruto do benefício da  imunidade das contribuições para a  seguridade  social  só  pode  efetivar­se  mediante  o  atendimento  cumulativo das condições expressamente previstas em lei.  PROVA ADMINISTRATIVA.  O  ônus  da  prova  de  que  o  contribuinte  atende  a  benefício  pleiteado,  cumprindo  os  requisitos  dispostos  em  lei  regulamentar,  devem  ser  trazidos  junto  com a manifestação  de  inconformidade, sob pena de preclusão.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls.  69 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente alega que é imune ao PIS e  que a imunidade só pode ser afastada havendo ato declaratório suspensivo (art. 32, § 3º, da Lei  nº 9.430, de 1996). Requer, ao final, que as intimações sejam endereçadas ao endereço do seu  advogado.  Por  meio  da  Resolução  nº  3201­000.456,  de  27/11/2013,  esta  Turma  de  julgamento baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora: a) informasse  se, à época do recolhimento indevido, a Recorrente era entidade imune perante a RFB e INSS  e,  neste  caso,  quando  foi  publicado  o  ato  no DOU;  b)  informasse  se  houve  a  publicação  de  algum ato cancelando a isenção e, neste caso, quando foi publicado; e c) informasse se o valor  recolhido  de  PIS  e  pretendido  de  utilização  é  todo  o  montante  pago  de  PIS  ou  apenas  a  diferença entre o calculado sobre a folha e o faturamento. Na mesma diligência, a Recorrente  deveria ser intimada a juntar aos autos o comprovante de reconhecimento de utilidade pública  federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  A Recorrente pleiteou a restituição de crédito de PIS apurada em novembro de  2001, no valor de R$ 1.788,62, combinado com pedido de compensação de débitos vincendos  de IRRF.  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15374.918375/2009­01  Acórdão n.º 3201­002.209  S3­C2T1  Fl. 120          5 Alega  que,  embora  faça  jus  à  imunidade  estatuída  no  art.  195,  §  7º,  da  Constituição Federal e no art. 55 da Lei 8.212/91, declarou a contribuição em DCTF como se  devida fosse.   O  pedido  foi  indeferido  pela  autoridade  competente,  decisão  que,  impugnada,  restou mantida pela  instância a quo,  ao  fundamento de que a certidão  emitida pelo conselho  Nacional de Assistência Social que  fora acostada aos  autos pela Recorrente  já  se encontrava  vencida  na  data  do  protocolo  do  pedido  de  restituição/compensação.  Acresceu  a  DRJ  que  também não se comprovou não terem sido distribuídas quaisquer parcelas de seu patrimônio a  qualquer  título,  bem  como  que  tenha  sido  aplicado  integralmente  o  eventual  resultado  operacional na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da Recorrente.  O  entendimento  que  levou  a  DRJ  a  manter  o  indeferimento  do  pleito  foi,  portanto,  a  falta  de  provas  do  direito  alegado,  o  que  este  Colegiado  Administrativo  tentou  suprir,  quando  determinou  à  unidade  preparadora  que  informasse  se,  à  época  do  suposto  recolhimento indevido, a Recorrente era entidade imune perante a RFB e o INSS.  No despacho de fls. 108/109, a unidade preparadora confirmou que, à época do  recolhimento  indevido,  a  Recorrente  era  entidade  imune  ao  PIS,  bem  como  que  o  ato  administrativo que cancelou a imunidade foi publicado em 23/05/2005. Portanto, em tese, faria  jus à repetição do indébito.  Ocorre que, conforme ressaltado no mesmo despacho, o crédito reclamado é  exatamente  o  mesmo  pleiteado  no  processo  administrativo  nº  15374.918376/2009­48  (PERDCOMP  de  nº  25030.67420.210704.1.3.04­8062;  mesmo  crédito  e  mesmo  débito  informados  no  PERD/COMP  nº  31843.55787.210704.1.3.04­5104),  de  modo  que  não  há  como concedê­lo aqui e lá, sob pena de fazê­lo, como alertado pela autoridade administrativa,  em duplicidade.  Por fim, cumpre registrar que o pedido de que as intimações sejam enviadas ao  endereço do patrono da Recorrente não pode ser deferido, pois o Decreto nº 70.235, de 1972,  diploma  legal  que  rege  o Processo Administrativo Federal,  apenas  prevê  o  seu  envio  para  o  domicílio fiscal eleito pelo contribuinte.  Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza                                     Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     6     Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 10580.724402/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 134          1 133  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.724402/2013­04  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.307  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  MARIA VENTIN CUONAGO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2011  ÔNUS  DA  PROVA.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.   Cabe  ao  interessado  a prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  não  tendo  ele  se  desincumbindo deste ônus.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson  Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado)  e  Marcio Henrique Sales Parada.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 44 02 /2 01 3- 04 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA     2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  10580.724402/2013­04,  em  face  do  acórdão  nº  12­62.570,  julgado  pela  18ª.  Turma  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), no qual  os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada  pela contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou:  Em  procedimento  de  revisão  interna  de  declaração  de  rendimentos  correspondente  ao  ano­calendário  de  2010,  foi  lavrada a  notificação  de  lançamento  de  fls.  7  a 10,  em que  foi  apurada  compensação  indevida  de  IRRF,  no  valor  de  R$  1.691,28.  Em função dessa alteração, foi apurado imposto de renda sujeito  à multa de mora de R$ 1.070,99.  Após ter sido cientificada da notificação de lançamento de fls. 7  a  10  em  09/05/2013  (fl.  26),  a  Contribuinte  apresentou  a  impugnação de fls. 2 a 4, em 20/05/2013, alegando, em síntese,  que a o valor de R$ 1.691,28 corresponde à retenção de imposto  de renda sobre rendimentos de aluguéis recebidos de Espaço 10  Musculação e Ginástica Ltda. que  teriam  sido declarados 50%  por cada cônjuge.  Foi  solicitada  prioridade  no  julgamento,  com  base  no Estatuto  do Idoso.    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu  pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte, sendo considerado que:  No  que  tange  à  compensação  indevida  de  imposto  de  renda  retido na fonte, no valor de R$ 1.691,28, a Impugnante alega que  a  empresa  Espaço  10  Musculação  e  Ginástica  Ltda.  teria  apresentado DIRF no CPF de Alfonso Rafael Moreira Oitaven,  marido da Contribuinte, colocando a totalidade dos rendimentos  comuns de aluguéis do casal e do IRRF.  Contudo,  não  há DIRF  no  nome  da  Interessada  entregue  pela  referida pessoa jurídica, nem qualquer outra prova de que teria  havido retenção de imposto de renda na fonte no valor declarado  de R$ 1.691,28.  Ademais, a Interessada não traz nenhum elemento que prove que  o  rendimento  recebido  de  Espaço  10  Musculação  e  Ginástica  Ltda. seria rendimento comum. O fato de existir DIRF entregue  por  essa  empresa  no  nome  de Alfonso Rafael Moreira Oitaven  não  prova  que  o  rendimento  declarado  pela  Interessada  seria  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10580.724402/2013­04  Acórdão n.º 2202­003.307  S2­C2T2  Fl. 135          3 comum,  nem  que  teria  havido  a  retenção  de  imposto  de  R$  1.691,28.  Não foram juntados aos autos certidão de casamento, contratos  de locação, ou informe de rendimentos que demonstrassem que o  rendimento  recebido  da  Espaço  10  Musculação  e  Ginástica  Ltda. pertencia a imóvel comum à Interessada e a Alfonso Rafael  Moreira Oitaven e que o IRRF teria sido informado em DIRF.   Sem esses elementos não há como concluir que o rendimento e o  IRRF declarados pela Interessada e por Alfonso Rafael Moreira  Oitaven  correspondem  cada  um  a  50%  de  um  rendimento  comum.  Isso posto, não há como acatar a compensação de IRRF de R$  1.691,28, nos termos da notificação de lançamento de fls. 7 a 10.    Inconformada  com  a  improcedência  de  sua  impugnação,  a  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  às  fls.  46/49,  onde  são  reiterados  parcialmente  os  argumentos  lançados na impugnação, bem como são anexados documentos às fls. 50/117,  É o relatório.    Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Da análise dos autos, verifica­se que considerou a fiscalização, bem como a  DRJ de origem que não haveria DIRF no nome da  Interessada entregue pela  referida pessoa  jurídica, nem qualquer outra prova de que teria havido retenção de imposto de renda na fonte  no valor declarado de R$ 1.691,28.   Ainda,  considerou  a  DRJ  de  origem  que  a  interessada  não  traz  nenhum  elemento  que  prove  que  o  rendimento  recebido  de Espaço  10 Musculação  e Ginástica  Ltda.  seria rendimento comum, bem como que não foram juntados aos autos certidão de casamento,  contratos  de  locação,  ou  informe  de  rendimentos  que  demonstrassem  que  o  rendimento  recebido da Espaço 10 Musculação e Ginástica Ltda. pertencia a imóvel comum à recorrente e  a Alfonso Rafael Moreira Oitaven e que o IRRF teria sido informado em DIRF.   Conforme  referido  no  relatório,  a  contribuinte  promoveu  a  juntada  de  documentos  em  anexo  ao  recurso  voluntário,  estando  estes  documentos  às  fls.  50/117  dos  autos.  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA     4 Pela  documentação  juntada  às  fls.  60/65,  pretende  a  contribuinte  provar  a  propriedade  do  bem  locado,  porém  não  é  anexada  a  matrícula  do  imóvel.  Compreendo,  portanto, que os documentos apresentados não permitem concluir pela prova da propriedade.  Ainda, em fls. 69/117, podem ser localizados contratos e distratos de locação  de imóveis não residenciais e residenciais, não sendo encontrado, todavia, nenhum que seja da  recorrente ou de seu esposo com a empresa Espaço 10 Musculação e Ginástica Ltda.  Em fls. 66/67 há uma certidão de casamento, em língua espanhola, juntada no  intuito de comprovar que Alfonso e Maria eram casados. Entendo que as prescrições legais que  requerem a juntada de tradução juramentada dos documentos em língua estrangeira devem ser  sopesadas  quando  é  possível,  face  à  natureza  desses  documentos,  que  sejam  compreendidos  sem maiores dificuldades os fatos a que eles se referem, conforme já entendeu este Conselho  em  outras  ocasiões  (Acórdão  nº  2802­003.311,  sessão  de  10.03.2015,  Conselheiro  Relator  Ronnie  Soares  Anderson).  Todavia,  ainda  que  considerado  tal  documento  como  legível  e  compreensível, ele não é documento suficiente para servir como prova do alegado.  Ocorre que, consoante verificado, não há nos autos prova de que a renda do  imóvel  locado  a  Espaço  10  Musculação  e  Ginástica  Ltda.  seja  renda  comum  do  casal  e  tampouco há prova que ocorreram as retenções de imposto de renda na fonte.   Diante  disso,  não  tendo  a  recorrente  demonstrado  o  seu  direito,  através  de  documentação hábil  e  idônea, ônus que  lhe  incumbia, não vislumbra­se  razões para prover o  recurso  voluntário  interposto  pela  contribuinte,  razão  pela  qual,  entendo  que  não  carece  de  reparos a decisão da DRJ de origem.    Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator                              Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA

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Numero do processo: 16561.000166/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso de ofício em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Relatório O Presidente da turma julgadora de primeira instância recorreu de ofício a este Conselho com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da exoneração de tributos e multas superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 812 a 819, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatou-se o seguinte: DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL A contribuinte impetrou Ação de Mandado de Segurança (nº 2005.61.00.028594-7), sobre matéria de preços de transferência, visando obter liminar para afastar a obrigatoriedade da elaboração do cálculo na importação de componentes utilizados no processo de produção de produto destinado a venda, pelo método PRL-60% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%), a partir do ano-calendário de 2003, utilizando a IN SRF nº 243/2002, por considerá-la contrária às determinações previstas na Lei nº 9.430/96. Em 15/12/2005, a Juíza Federal Rosana Ferri Vidor concedeu a liminar pleiteada, determinando que fosse “suspensa a exigibilidade dos créditos decorrentes da aplicação da Lei 9.430/96 sem a Instrução Normativa 243/02, mas sua antecessora, a IN 32/01, até o final da demanda” (fl. 15). A contribuinte apresentou Certidão de Objeto e Pé, datada de 02/10/2008, que certifica que os autos encontram-se conclusos para sentença desde 17/02/2006 (fl. 12). DO PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO Face à liminar concedida, e visando à garantia da constituição do crédito tributário, sob pena da ocorrência do instituto da decadência por ocasião do julgamento final da demanda, foi aberto Mandado de Procedimento Fiscal para a apuração de matéria pertinente ao preço de transferência pela IN SRF nº 243/2002. No presente termo de fiscalização estão sendo apurados os fatos relativos aos anos-calendário de 2003 e 2004, mas o encerramento será parcial, relativo apenas ao ano-calendário de 2003. A fiscalização adotou o seguinte procedimento: Na apuração do preço de transferência relativo à importação de componentes consumidos no processo de produção, em que a contribuinte adotou o método PRL-60%, a diferença entre o ajuste apurado pela fiscalização (aplicando o artigo 12, inciso IV, alínea “b”, da IN SRF nº 243/2002) e o apurado pela contribuinte (aplicando a IN SRF nº 32/2001, declarado na DIPJ/2004 - ano-calendário 2003), está constituída de forma “sub judice” (com exigibilidade suspensa), sem a aplicação da multa de ofício de 75%, e ficará aguardando nessa situação até o julgamento de mérito definitivo do Mandado de Segurança; Na apuração do preço de transferência na importação pelo método PRL-20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) e na exportação pelo método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro), as diferenças apuradas pela fiscalização estão constituídas com a cobrança de multa de ofício de 75% e de juros de mora. DOS COMPONENTES IMPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte atua no segmento de autopeças e acessórios para veículos automotores de alta tecnologia e com poucos concorrentes no mercado nacional. No período fiscalizado fabricou, basicamente, produtos da linha de Bomba de Combustível e Sistemas de Freios e de Refrigeração (ar condicionado), e diversos componentes da sua linha de produção, como tubos do sistema de freios, tubos do sistema de combustível, tubos do sistema de refrigeração, etc. A contribuinte, durante os 2 anos fiscalizados, importou, também, insumos diversos, para a fabricação de tubos de freios, de combustível e de refrigeração. DOS PRODUTOS EXPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte exportou, basicamente, produtos por ela fabricados, destacando-se, entre outros: módulo de combustível, tubo de aço eletro-soldado (diversos) e tubo de freio (diversos). DA ESTATÍSTICA DO COMÉRCIO EXTERIOR DA CONTRIBUINTE Nos anos-calendário de 2003 e 2004, a contribuinte realizou importação e exportação de/para pessoas vinculadas (sujeitas a ajuste de preço de transferência) e não vinculadas, conforme resumo à fl. 815. DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – ANO-CALENDÁRIO 2003 Da importação – método PRL-20% Para o ano-calendário de 2003, a contribuinte não fez ajuste de preço de transferência pelo método PRL-20%. A fiscalização apurou ajustes para 6 itens importados de vinculadas - e que foram revendidos sem sofrer qualquer alteração – adotando o método PRL-20% (artigo 12, inciso IV, alínea “a”, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 07. Os preços praticados foram calculados de acordo com os documentos de importação. Foram considerados os valores de fretes e seguros internacionais e o imposto de importação (conforme artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002) e os estoques iniciais existentes no início do período de apuração (conforme artigo 12, §§ 1º, 2º e 3º, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 08. Os preços-parâmetro foram calculados segundo o disposto no artigo 12, inciso IV, alínea “a”, e §§ 7º, 8º e 9º, da IN SRF nº 243/2002. Vide Anexo nº 09. O ajuste total apurado com relação às importações no ano-calendário de 2003, segundo o método PRL-20%, foi de R$ 507.276,57, conforme Anexos nºs 07 (Resumo Geral – Valor Passível de Ajuste no LALUR), 08 (Demonstrativo do Preço Praticado – Importação) e 09 (Demonstrativo do Preço-parâmetro – PRL-20%). Da exportação – método CAP A contribuinte não declarou o método e nem o valor de ajuste de preço de transferência de suas exportações realizadas no ano-calendário de 2003. A fiscalização aplicou, então, o disposto no artigo 40, § único, da IN SRF nº 243/2002, adotando o método CAP (artigo 26 da IN SRF nº 243/2002). O ajuste total apurado com relação às exportações no ano-calendário de 2003, segundo o método CAP, foi de R$ 7.153.940,81, conforme Anexos nºs 03 (Preço Praticado - Exportação) e 04 (Preço-parâmetro – método CAP; e Cálculo do Valor Passível de Ajuste no LALUR). DOS CONTRATOS DE MÚTUO – DESPESAS DE JUROS INDEDUTÍVEIS A contribuinte realizou diversos contratos de mútuos com a holding “TI Automotive Holdings Limited” (localizada no Reino Unido) e sua outra sócia “TI Automotive, Inc.” (localizada nos Estados Unidos), conforme demonstrativo de fl. 817, apropriando os juros correspondentes, conforme a seguir sintetizado. Data Juros (R$) 10/11/1992 548.118,33 28/12/1992 823.080,00 12/03/1993 1.233.266,25 05/07/1995 4.543.653,08 14/10/1998 1.777.196,82 11/02/1999 1.006.401,49 08/10/1999 1.265.875,01 27/10/1999 1.866.750,00 05/07/2000 1.740.281,25 05/10/2000 1.269.437,51 Total 16.074.059,74 Entre os anos de 1992 e 2000, a contribuinte apropriou juros passivos, relativos aos supracitados mútuos. Em 09/09/2003, esses juros passivos totalizaram o valor de R$ 16.074.059,74. Nessa mesma data (09/09/2003), a contribuinte alterou o seu contrato social para transformar o principal da dívida (R$ 84.026.856,00, correspondente a US$ 28.755.700,00) em aumento de capital. Não estornou, porém, o saldo credor dos juros passivos sobre o que era, até então, a dívida. Ao assim proceder, a contribuinte deixou de reconhecer na apuração do lucro real o valor de despesa que passou a ser desnecessária, uma vez extinta a obrigação principal. Em outras palavras, a operação acertada com as sócias estrangeiras, contabilizada como se fosse empréstimo, acabou por revelar-se como aporte de capital. Assim sendo, as despesas de juros consideradas como necessárias entre 1992 e 2003 (cujo saldo somava R$ 16.074.059,74, em 09/09/2003) revelaram-se, a partir dessa data, desnecessárias para a fiscalizada. Destaca a fiscalização que: a contabilidade da fiscalizada registra, até a data da autuação, o referido valor de R$ 16.074.059,74, como juros passivos, sem que se tenha notícia de qualquer pagamento realizado a esse título; e a desnecessidade da despesa ficou caracterizada a partir de 09/09/2003, quando a suposta dívida foi convertida em capital. Fosse a operação caracterizada desde o início como aporte de capital, não haveria que se falar em juros passivos. Os fatos supra descritos caracterizam a situação descrita no artigo 299, e §§ 1º e 2º, c/c artigo 249, ambos do RIR/99. DA FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Devido à existência de liminar em mandado de segurança, os lançamentos do crédito tributário para o ano-calendário de 2003 estão constituídos em 2 processos apartados: No processo nº 16561.000150/2008-63, a matéria relativa aos preços de transferência – método PRL-60%, com exigibilidade suspensa; e No processo nº 16561.000166/2008-76, as demais matérias, com constituição normal (com multa de ofício de 75% e juros de mora). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados, no presente processo (nº 16561.000166/2008-76), os seguintes lançamentos, relativos ao ano-calendário de 2003: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 796 a 801 Fundamento legal artigos 240, 241, 249, inciso I, e 299, e §§ 1º e 2º, do RIR/99 Crédito Tributário 4.153.673,49 Imposto (em reais) 3.115.255,11 Multa proporcional (75%) 2.804.144,97 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 10.073.073,57 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fls. 802 a 807 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 1.463.364,03 Contribuição (em reais) 1.097.523,02 Multa proporcional (75%) 987.917,05 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 3.548.804,10 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 10.073.073,57 IRPJ 28/11/2008 3.548.804,10 CSLL 13.621.877,67 TOTAL Obs. Na apuração do IRPJ e da CSLL houve compensação do resultado negativo de períodos anteriores (FAPLI/FACS às fls. 878/879, os quais, no entanto, não alimentaram o SAPLI, conforme pesquisa de fls. 1027/1028). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 22/12/2008 (fls. 797 e 803), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 902/903), apresentou, em 21/01/2008, a impugnação de fls. 881 a 900, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A fiscalização alega: indedutibilidade de despesas de juros associados a contratos de mútuo firmados entre a impugnante (como mutuaria) e outra empresa do grupo (como mutuante); falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias (método PRL-20%); e falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias (método CAP). A impugnante verificou que, de fato, deixou de realizar os necessários ajustes de preço de transferência relacionados à importação (método PRL-20%). Dessa forma, está providenciando o recolhimento das exigências fiscais relacionadas ao ajuste de R$ 507.276,57, sendo que a respectiva guia será juntada aos autos tão logo seu pagamento seja efetuado. Não obstante, a impugnante não pode concordar com as demais exigências, como se passa a demonstrar. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Dentre os requisitos materiais de validade do lançamento fiscal destaca-se a necessidade de motivação fática e legal do ato, ou seja, a Auto de Infração deve conter a descrição detalhada dos fatos que ensejaram sua lavratura, a indicação da infração e a menção expressa e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos. Pelo ponto de vista da motivação fática, a fiscalização falhou em seu dever de indicar precisamente os fatos que teriam ensejado as acusações fiscais. Tome-se por exemplo a acusação de descumprimento da legislação de preços de transferência na exportação de mercadorias. A fiscalização indica como fundamento fático da autuação a ausência de indicação de método de preço de transferência na DIPJ; no entanto, a impugnante indicou, sim, em sua DIPJ estar enquadrada na salvaguarda do artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Com relação à motivação legal, a falha da fiscalização é ainda mais grave, o que pode ser percebido pela análise da acusação relativa à indedutibilidade de despesas de juros. A fiscalização indica somente os artigos 249, inciso I, e 299 do RIR/99, que prevêem condições genéricas para a dedutibilidade de despesas, deixando de indicar a fundamentação legal específica sobre a dedutibilidade de juros, qual seja, o artigo 374 do RIR/99. Além disso, a fiscalização não apresenta qualquer fundamentação legal – até porque inexistente – que versasse sobre a alegada relação entre (1) a extinção do valor principal do empréstimo e a dedutibilidade dos juros respectivos; ou (2) a extinção do valor principal do empréstimo mediante a conversão em capital e a desconsideração da natureza dos contratos de empréstimo. Dessa forma, em virtude da falta de motivação fática e legal, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento fiscal ora combatido, cancelando-se as exigências fiscais de IRPJ e CSLL nele consubstanciadas. DA DEDUÇÃO DE DESPESAS DE JUROS SOBRE MÚTUOS CAPITALIZADOS Uma cuidadosa leitura do Termo de Constatação Fiscal permite a conclusão de que a fiscalização considerou indedutíveis as despesas de juros apropriadas no período de 1992 a 2003, sob 2 argumentos: Com a conversão do valor principal dos empréstimos em capital, a impugnante deveria ter estornado o valor dos juros correspondentes e adicionado tal valor no cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, na medida em que a despesa de juros passou “a ser desnecessária, uma vez que ficou extinta a obrigação principal”; A conversão do empréstimo em capital teria demonstrado que, desde o início, tratava-se de aporte de capital, de forma que não haveria razão para a apropriação de juros passivos. Além dos 2 argumentos serem complementares entre si – na medida em que um pressupõe que os juros passaram a ser indedutíveis em virtude da extinção da obrigação principal do empréstimo e o outro pressupõe a descaracterização dos contratos de empréstimo – a impugnante demonstra que nenhum deles tem amparo fático ou legal. Do primeiro argumento fiscal – A conversão do valor principal do empréstimo em capital implicaria a necessidade de estorno e a indedutibilidade dos juros correspondentes A fiscalização não questiona a natureza dos empréstimos tomados pela impugnante, mas, ao contrário, reconhece que, durante o período em que o valor principal dos empréstimos representava uma obrigação da impugnante (passivo), as despesas com os respectivos juros seriam dedutíveis. Para o Fisco, contudo, quando o valor principal dos empréstimos foi convertido em capital, em setembro de 2003, os juros apropriados de 1992 até aquela data passaram a ser indedutíveis. Assim, para a fiscalização, o ato de capitalização – absolutamente normal e corriqueiro – ocorrido mais de 10 anos após a apropriação das despesas de juros, seria capaz de alterar a dedutibilidade dessas despesas, conclusão essa que a impugnante não pode concordar. Não há qualquer previsão legal que obrigue o estorno das despesas quando ocorrer a conversão da obrigação principal em capital social; que vincule a conversão de um empréstimo em capital social e a indedutibilidade das respectivas despesas com os juros decorrentes dessa obrigação. A dedutibilidade de uma despesa está vinculada à sua normalidade e necessidade, sendo que a referida conversão em nada altera os requisitos legais para a determinação da dedutibilidade de uma despesa. Nesse sentido, vale ressaltar que (1) os recursos obtidos através dessas operações foram efetivamente recebidos pela impugnante, por meio de contratos de empréstimo registrados no BACEN (doc. 02) e (2) os valores foram utilizados para a regular condução das atividades da impugnante, o que jamais foi questionado pela fiscalização. Assim, uma vez comprovada a efetiva execução dos contratos de empréstimo, demonstrada está a sua utilidade e necessidade para a impugnante. Destaque-se que a apropriação das despesas de juros pela impugnante se deu em absoluto cumprimento ao regime de competência (artigo 177 da Lei nº 6.404/76 e artigos 251 e 374 do RIR/99). Portanto, resta claro que não há – e nem poderia haver – fundamento legal para o entendimento de que a conversão de um empréstimo em capital importaria em estorno ou em indedutibilidade das respectivas despesas com juros, restando clara a absoluta improcedência do primeiro argumento utilizado pela fiscalização para fundamentar o lançamento. Do segundo argumento fiscal - A capitalização do valor principal do empréstimo demonstraria que, desde o início, a operação visava ao aporte de capital Não há como aceitar a conclusão de que a conversão dos valores principais dos empréstimos em capital social, ocorrida 11 anos após a tomada do primeiro empréstimo, tenha o condão de alterar a natureza da relação firmada entre a impugnante e sua vinculada estrangeira. Não é possível concluir como correta a acusação de que a impugnante já saberia, desde 1992, que os recursos enviados pela vinculada estrangeira seriam convertidos em capital social após vários anos. Essa conclusão não faz qualquer sentido e, principalmente, não passa de alegação não comprovada pela fiscalização. Não há qualquer norma no Direito Brasileiro que autorize a descaracterização de um empréstimo em razão de a extinção da obrigação principal ter sido viabilizada através da conversão em capital social. Em tese, a descaracterização dos referidos contratos só seria possível caso a fiscalização comprovasse e fundamentasse a ocorrência de simulação, o que não ocorreu no presente caso. Oportuno trazer à colação importante decisão prolatada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema (fl. 892). Para derrubar de vez o argumento utilizado pela fiscalização, a impugnante apresenta tradução juramentada de carta enviada pela mutuaria à impugnante (doc. 03), na qual é expressamente confirmado que o valor dos juros em exame não foi perdoado e que a data de vencimento desses juros foi prorrogada para 31/12/2009. Assim, o pagamento dos juros foi convertido em obrigação principal pendente de cumprimento pela impugnante e, conseqüentemente, as despesas a ele relativas jamais poderiam ter sido desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de que o correspondente valor teria sido convertido em capital principal. Assim, resta comprovada a impossibilidade de descaracterização dos contratos de empréstimos e glosa da dedutibilidade dos respectivos juros. Do momento da glosa pretendida pelas autoridades fiscais Há, ainda, um aspecto adicional que deve ser considerado na solução da presente controvérsia. A fiscalização apurou o valor dos juros acumulados desde a data da contratação dos empréstimos (1992 e outros) até a data da conversão do valor principal em capital (2003) e consideraram esse valor total de juros como indedutíveis no ano-calendário de 2003. Não obstante, como esses juros foram considerados pela impugnante como despesas dedutíveis ao longo de 11 anos (entre 1992 e 2003), a fiscalização não poderia, simplesmente, glosar o valor total correspondente a tais despesas somente no ano-calendário de 2003, sob a justificativa de sua indedutibilidade, mas, sim, efetuar a glosa das despesas ano a ano e a respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O equivocado procedimento da fiscalização, além de claramente não observar o regime de competência, acabou por resultar na lavratura de Auto de Infração em 2008 para exigir créditos de IRPJ e CSLL já atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Esse equívoco também denota a necessidade de pronto cancelamento da autuação ora atacada. Da conclusão Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da regularidade de seu procedimento fiscal relativo à dedutibilidade dos juros associados a empréstimos cujos valores principais foram convertidos em capital, uma vez que (1) não há fundamento legal possível para suportar as acusações fiscais e (2) foram demonstradas a necessidade, a usualidade e a normalidade dos contratos de empréstimo e, por tal motivo, das despesas com os respectivos juros. O reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal também se faz necessário em virtude do demonstrado equívoco na realização das glosas pretendidas pela fiscalização em um único ano-calendário, o que resultou, inclusive, na cobrança de créditos tributários extintos pela decadência. DOS AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS A PESSOAS VINCULADAS De acordo com a fiscalização, a impugnante não teria declarado em sua DIPJ informações relativas à apuração de ajustes de preços de transferência, o que supostamente autorizaria o Fisco a determinar eventuais ajustes de acordo com um dos métodos previstos na legislação. A acusação fiscal pode ser assim resumida: Premissa 1: a impugnante não declarou método de preço de transferência relativo à exportação de mercadorias; Premissa 2: a legislação autoriza que as autoridades fiscais calculem ajustes de preços de transferência de acordo com um dos métodos previstos na legislação, caso o contribuinte não tenha declarado o método aplicado: Conclusão: as autoridades fiscais teriam direito de apurar os ajustes de preços de transferência de acordo com o método CAP. A despeito da aparente lógica desse raciocínio, o fato é que todo a acusação está baseada em uma premissa falsa, o que implica necessariamente uma conclusão equivocada e inválida. Isso porque, ao contrário do quanto alegado, a impugnante declarou em sua DIPJ a apuração de preços de transferência aplicável à exportação de mercadorias a partes relacionadas. A impugnante declarou na Ficha 38A da sua DIPJ/2004 - ano-calendário 2003 (doc. 04) que estava enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002. Ou seja, a impugnante não indicou ajustes de preços de transferência para as exportações devido única e exclusivamente a dispensa (“safe harbour”, salvaguarda) expressamente prevista na legislação (artigo 35 da IN SRF nº 243/2002). Importante notar que a fiscalização não questionou as bases do cálculo do “safe harbour” declarado pela impugnante, mas, simplesmente, desconsiderou sua utilização para as exportações realizadas em 2003. Assim, a mera comprovação de que a impugnante fez constar em sua DIPJ a referida salvaguarda faz com que a autuação caia, por evidente falta de motivação fática, sendo certo que qualquer tentativa da fiscalização de, somente agora, tentar revisar os correspondentes cálculos do “safe harbour” representaria alteração do critério jurídico do lançamento, não permitido pelo artigo 149 do CTN. Não obstante, cumpre ressaltar que, mesmo que a referida revisão dos cálculos do “safe harbour” fosse possível e a fiscalização concluísse por sua desqualificação, seria mandatória a aplicação de todos os métodos de preços de transferência previstos na legislação para, então, aplicar-se o mais favorável ao contribuinte. Não pode a fiscalização simplesmente adotar o método que entender mais “apropriado”, de acordo com suas convicções pessoais, tal como ocorreu com a aplicação do método CAP no presente caso. Há a necessidade de o Fisco comprovar que, dentre os métodos existentes, está sendo aplicado aquele que resultou em menor ajuste. Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da improcedência do lançamento, seja pela acusação inverídica de falta de informação de método de preço de transferência na DIPJ, seja porque a fiscalização não comprovou a utilização do método mais favorável para a apuração dos ajustes propostos. DO PEDIDO Por todo o exposto, a impugnante requer que seja o Auto de Infração julgado improcedente em relação aos itens combatidos. Com relação aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de mercadorias, a impugnante reconhece seu equívoco e está providenciando o recolhimento das respectivas exigências fiscais, sendo que a respectiva guia de pagamento será oportunamente juntada aos autos. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância considerou-a procedente, cancelando integralmente o crédito tributário constituído de ofício. Eis a ementa de tal julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. MÉTODO PRL-20%. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não faz parte da lide a exigência relativa aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de mercadorias - método PRL-20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), não contestada pela contribuinte. EMPRÉSTIMO DE COLIGADA. APORTE DE CAPITAL. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova de simulação (que os empréstimos contraídos pela contribuinte seriam, na realidade, aporte de capital) e padecendo o lançamento de vício insanável no aspecto temporal do fato gerador, exonera-se a exigência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. “SAFE HARBOUR”. Considerando-se verídica a informação da contribuinte de que estava dispensada de apurar os preços de transferência relativos a suas exportações a coligadas, exonera-se a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Lançamento Improcedente. Em razão do valor dos tributos e multa exonerada ter superado R$ 1.000.000,00, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício a este Conselho. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso de ofício em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Relatório O Presidente da turma julgadora de primeira instância recorreu de ofício a este Conselho com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da exoneração de tributos e multas superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 812 a 819, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatou-se o seguinte: DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL A contribuinte impetrou Ação de Mandado de Segurança (nº 2005.61.00.028594-7), sobre matéria de preços de transferência, visando obter liminar para afastar a obrigatoriedade da elaboração do cálculo na importação de componentes utilizados no processo de produção de produto destinado a venda, pelo método PRL-60% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%), a partir do ano-calendário de 2003, utilizando a IN SRF nº 243/2002, por considerá-la contrária às determinações previstas na Lei nº 9.430/96. Em 15/12/2005, a Juíza Federal Rosana Ferri Vidor concedeu a liminar pleiteada, determinando que fosse “suspensa a exigibilidade dos créditos decorrentes da aplicação da Lei 9.430/96 sem a Instrução Normativa 243/02, mas sua antecessora, a IN 32/01, até o final da demanda” (fl. 15). A contribuinte apresentou Certidão de Objeto e Pé, datada de 02/10/2008, que certifica que os autos encontram-se conclusos para sentença desde 17/02/2006 (fl. 12). DO PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO Face à liminar concedida, e visando à garantia da constituição do crédito tributário, sob pena da ocorrência do instituto da decadência por ocasião do julgamento final da demanda, foi aberto Mandado de Procedimento Fiscal para a apuração de matéria pertinente ao preço de transferência pela IN SRF nº 243/2002. No presente termo de fiscalização estão sendo apurados os fatos relativos aos anos-calendário de 2003 e 2004, mas o encerramento será parcial, relativo apenas ao ano-calendário de 2003. A fiscalização adotou o seguinte procedimento: Na apuração do preço de transferência relativo à importação de componentes consumidos no processo de produção, em que a contribuinte adotou o método PRL-60%, a diferença entre o ajuste apurado pela fiscalização (aplicando o artigo 12, inciso IV, alínea “b”, da IN SRF nº 243/2002) e o apurado pela contribuinte (aplicando a IN SRF nº 32/2001, declarado na DIPJ/2004 - ano-calendário 2003), está constituída de forma “sub judice” (com exigibilidade suspensa), sem a aplicação da multa de ofício de 75%, e ficará aguardando nessa situação até o julgamento de mérito definitivo do Mandado de Segurança; Na apuração do preço de transferência na importação pelo método PRL-20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) e na exportação pelo método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro), as diferenças apuradas pela fiscalização estão constituídas com a cobrança de multa de ofício de 75% e de juros de mora. DOS COMPONENTES IMPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte atua no segmento de autopeças e acessórios para veículos automotores de alta tecnologia e com poucos concorrentes no mercado nacional. No período fiscalizado fabricou, basicamente, produtos da linha de Bomba de Combustível e Sistemas de Freios e de Refrigeração (ar condicionado), e diversos componentes da sua linha de produção, como tubos do sistema de freios, tubos do sistema de combustível, tubos do sistema de refrigeração, etc. A contribuinte, durante os 2 anos fiscalizados, importou, também, insumos diversos, para a fabricação de tubos de freios, de combustível e de refrigeração. DOS PRODUTOS EXPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte exportou, basicamente, produtos por ela fabricados, destacando-se, entre outros: módulo de combustível, tubo de aço eletro-soldado (diversos) e tubo de freio (diversos). DA ESTATÍSTICA DO COMÉRCIO EXTERIOR DA CONTRIBUINTE Nos anos-calendário de 2003 e 2004, a contribuinte realizou importação e exportação de/para pessoas vinculadas (sujeitas a ajuste de preço de transferência) e não vinculadas, conforme resumo à fl. 815. DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – ANO-CALENDÁRIO 2003 Da importação – método PRL-20% Para o ano-calendário de 2003, a contribuinte não fez ajuste de preço de transferência pelo método PRL-20%. A fiscalização apurou ajustes para 6 itens importados de vinculadas - e que foram revendidos sem sofrer qualquer alteração – adotando o método PRL-20% (artigo 12, inciso IV, alínea “a”, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 07. Os preços praticados foram calculados de acordo com os documentos de importação. Foram considerados os valores de fretes e seguros internacionais e o imposto de importação (conforme artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002) e os estoques iniciais existentes no início do período de apuração (conforme artigo 12, §§ 1º, 2º e 3º, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 08. Os preços-parâmetro foram calculados segundo o disposto no artigo 12, inciso IV, alínea “a”, e §§ 7º, 8º e 9º, da IN SRF nº 243/2002. Vide Anexo nº 09. O ajuste total apurado com relação às importações no ano-calendário de 2003, segundo o método PRL-20%, foi de R$ 507.276,57, conforme Anexos nºs 07 (Resumo Geral – Valor Passível de Ajuste no LALUR), 08 (Demonstrativo do Preço Praticado – Importação) e 09 (Demonstrativo do Preço-parâmetro – PRL-20%). Da exportação – método CAP A contribuinte não declarou o método e nem o valor de ajuste de preço de transferência de suas exportações realizadas no ano-calendário de 2003. A fiscalização aplicou, então, o disposto no artigo 40, § único, da IN SRF nº 243/2002, adotando o método CAP (artigo 26 da IN SRF nº 243/2002). O ajuste total apurado com relação às exportações no ano-calendário de 2003, segundo o método CAP, foi de R$ 7.153.940,81, conforme Anexos nºs 03 (Preço Praticado - Exportação) e 04 (Preço-parâmetro – método CAP; e Cálculo do Valor Passível de Ajuste no LALUR). DOS CONTRATOS DE MÚTUO – DESPESAS DE JUROS INDEDUTÍVEIS A contribuinte realizou diversos contratos de mútuos com a holding “TI Automotive Holdings Limited” (localizada no Reino Unido) e sua outra sócia “TI Automotive, Inc.” (localizada nos Estados Unidos), conforme demonstrativo de fl. 817, apropriando os juros correspondentes, conforme a seguir sintetizado. Data Juros (R$) 10/11/1992 548.118,33 28/12/1992 823.080,00 12/03/1993 1.233.266,25 05/07/1995 4.543.653,08 14/10/1998 1.777.196,82 11/02/1999 1.006.401,49 08/10/1999 1.265.875,01 27/10/1999 1.866.750,00 05/07/2000 1.740.281,25 05/10/2000 1.269.437,51 Total 16.074.059,74 Entre os anos de 1992 e 2000, a contribuinte apropriou juros passivos, relativos aos supracitados mútuos. Em 09/09/2003, esses juros passivos totalizaram o valor de R$ 16.074.059,74. Nessa mesma data (09/09/2003), a contribuinte alterou o seu contrato social para transformar o principal da dívida (R$ 84.026.856,00, correspondente a US$ 28.755.700,00) em aumento de capital. Não estornou, porém, o saldo credor dos juros passivos sobre o que era, até então, a dívida. Ao assim proceder, a contribuinte deixou de reconhecer na apuração do lucro real o valor de despesa que passou a ser desnecessária, uma vez extinta a obrigação principal. Em outras palavras, a operação acertada com as sócias estrangeiras, contabilizada como se fosse empréstimo, acabou por revelar-se como aporte de capital. Assim sendo, as despesas de juros consideradas como necessárias entre 1992 e 2003 (cujo saldo somava R$ 16.074.059,74, em 09/09/2003) revelaram-se, a partir dessa data, desnecessárias para a fiscalizada. Destaca a fiscalização que: a contabilidade da fiscalizada registra, até a data da autuação, o referido valor de R$ 16.074.059,74, como juros passivos, sem que se tenha notícia de qualquer pagamento realizado a esse título; e a desnecessidade da despesa ficou caracterizada a partir de 09/09/2003, quando a suposta dívida foi convertida em capital. Fosse a operação caracterizada desde o início como aporte de capital, não haveria que se falar em juros passivos. Os fatos supra descritos caracterizam a situação descrita no artigo 299, e §§ 1º e 2º, c/c artigo 249, ambos do RIR/99. DA FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Devido à existência de liminar em mandado de segurança, os lançamentos do crédito tributário para o ano-calendário de 2003 estão constituídos em 2 processos apartados: No processo nº 16561.000150/2008-63, a matéria relativa aos preços de transferência – método PRL-60%, com exigibilidade suspensa; e No processo nº 16561.000166/2008-76, as demais matérias, com constituição normal (com multa de ofício de 75% e juros de mora). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados, no presente processo (nº 16561.000166/2008-76), os seguintes lançamentos, relativos ao ano-calendário de 2003: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 796 a 801 Fundamento legal artigos 240, 241, 249, inciso I, e 299, e §§ 1º e 2º, do RIR/99 Crédito Tributário 4.153.673,49 Imposto (em reais) 3.115.255,11 Multa proporcional (75%) 2.804.144,97 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 10.073.073,57 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fls. 802 a 807 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 1.463.364,03 Contribuição (em reais) 1.097.523,02 Multa proporcional (75%) 987.917,05 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 3.548.804,10 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 10.073.073,57 IRPJ 28/11/2008 3.548.804,10 CSLL 13.621.877,67 TOTAL Obs. Na apuração do IRPJ e da CSLL houve compensação do resultado negativo de períodos anteriores (FAPLI/FACS às fls. 878/879, os quais, no entanto, não alimentaram o SAPLI, conforme pesquisa de fls. 1027/1028). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 22/12/2008 (fls. 797 e 803), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 902/903), apresentou, em 21/01/2008, a impugnação de fls. 881 a 900, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A fiscalização alega: indedutibilidade de despesas de juros associados a contratos de mútuo firmados entre a impugnante (como mutuaria) e outra empresa do grupo (como mutuante); falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias (método PRL-20%); e falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias (método CAP). A impugnante verificou que, de fato, deixou de realizar os necessários ajustes de preço de transferência relacionados à importação (método PRL-20%). Dessa forma, está providenciando o recolhimento das exigências fiscais relacionadas ao ajuste de R$ 507.276,57, sendo que a respectiva guia será juntada aos autos tão logo seu pagamento seja efetuado. Não obstante, a impugnante não pode concordar com as demais exigências, como se passa a demonstrar. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Dentre os requisitos materiais de validade do lançamento fiscal destaca-se a necessidade de motivação fática e legal do ato, ou seja, a Auto de Infração deve conter a descrição detalhada dos fatos que ensejaram sua lavratura, a indicação da infração e a menção expressa e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos. Pelo ponto de vista da motivação fática, a fiscalização falhou em seu dever de indicar precisamente os fatos que teriam ensejado as acusações fiscais. Tome-se por exemplo a acusação de descumprimento da legislação de preços de transferência na exportação de mercadorias. A fiscalização indica como fundamento fático da autuação a ausência de indicação de método de preço de transferência na DIPJ; no entanto, a impugnante indicou, sim, em sua DIPJ estar enquadrada na salvaguarda do artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Com relação à motivação legal, a falha da fiscalização é ainda mais grave, o que pode ser percebido pela análise da acusação relativa à indedutibilidade de despesas de juros. A fiscalização indica somente os artigos 249, inciso I, e 299 do RIR/99, que prevêem condições genéricas para a dedutibilidade de despesas, deixando de indicar a fundamentação legal específica sobre a dedutibilidade de juros, qual seja, o artigo 374 do RIR/99. Além disso, a fiscalização não apresenta qualquer fundamentação legal – até porque inexistente – que versasse sobre a alegada relação entre (1) a extinção do valor principal do empréstimo e a dedutibilidade dos juros respectivos; ou (2) a extinção do valor principal do empréstimo mediante a conversão em capital e a desconsideração da natureza dos contratos de empréstimo. Dessa forma, em virtude da falta de motivação fática e legal, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento fiscal ora combatido, cancelando-se as exigências fiscais de IRPJ e CSLL nele consubstanciadas. DA DEDUÇÃO DE DESPESAS DE JUROS SOBRE MÚTUOS CAPITALIZADOS Uma cuidadosa leitura do Termo de Constatação Fiscal permite a conclusão de que a fiscalização considerou indedutíveis as despesas de juros apropriadas no período de 1992 a 2003, sob 2 argumentos: Com a conversão do valor principal dos empréstimos em capital, a impugnante deveria ter estornado o valor dos juros correspondentes e adicionado tal valor no cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, na medida em que a despesa de juros passou “a ser desnecessária, uma vez que ficou extinta a obrigação principal”; A conversão do empréstimo em capital teria demonstrado que, desde o início, tratava-se de aporte de capital, de forma que não haveria razão para a apropriação de juros passivos. Além dos 2 argumentos serem complementares entre si – na medida em que um pressupõe que os juros passaram a ser indedutíveis em virtude da extinção da obrigação principal do empréstimo e o outro pressupõe a descaracterização dos contratos de empréstimo – a impugnante demonstra que nenhum deles tem amparo fático ou legal. Do primeiro argumento fiscal – A conversão do valor principal do empréstimo em capital implicaria a necessidade de estorno e a indedutibilidade dos juros correspondentes A fiscalização não questiona a natureza dos empréstimos tomados pela impugnante, mas, ao contrário, reconhece que, durante o período em que o valor principal dos empréstimos representava uma obrigação da impugnante (passivo), as despesas com os respectivos juros seriam dedutíveis. Para o Fisco, contudo, quando o valor principal dos empréstimos foi convertido em capital, em setembro de 2003, os juros apropriados de 1992 até aquela data passaram a ser indedutíveis. Assim, para a fiscalização, o ato de capitalização – absolutamente normal e corriqueiro – ocorrido mais de 10 anos após a apropriação das despesas de juros, seria capaz de alterar a dedutibilidade dessas despesas, conclusão essa que a impugnante não pode concordar. Não há qualquer previsão legal que obrigue o estorno das despesas quando ocorrer a conversão da obrigação principal em capital social; que vincule a conversão de um empréstimo em capital social e a indedutibilidade das respectivas despesas com os juros decorrentes dessa obrigação. A dedutibilidade de uma despesa está vinculada à sua normalidade e necessidade, sendo que a referida conversão em nada altera os requisitos legais para a determinação da dedutibilidade de uma despesa. Nesse sentido, vale ressaltar que (1) os recursos obtidos através dessas operações foram efetivamente recebidos pela impugnante, por meio de contratos de empréstimo registrados no BACEN (doc. 02) e (2) os valores foram utilizados para a regular condução das atividades da impugnante, o que jamais foi questionado pela fiscalização. Assim, uma vez comprovada a efetiva execução dos contratos de empréstimo, demonstrada está a sua utilidade e necessidade para a impugnante. Destaque-se que a apropriação das despesas de juros pela impugnante se deu em absoluto cumprimento ao regime de competência (artigo 177 da Lei nº 6.404/76 e artigos 251 e 374 do RIR/99). Portanto, resta claro que não há – e nem poderia haver – fundamento legal para o entendimento de que a conversão de um empréstimo em capital importaria em estorno ou em indedutibilidade das respectivas despesas com juros, restando clara a absoluta improcedência do primeiro argumento utilizado pela fiscalização para fundamentar o lançamento. Do segundo argumento fiscal - A capitalização do valor principal do empréstimo demonstraria que, desde o início, a operação visava ao aporte de capital Não há como aceitar a conclusão de que a conversão dos valores principais dos empréstimos em capital social, ocorrida 11 anos após a tomada do primeiro empréstimo, tenha o condão de alterar a natureza da relação firmada entre a impugnante e sua vinculada estrangeira. Não é possível concluir como correta a acusação de que a impugnante já saberia, desde 1992, que os recursos enviados pela vinculada estrangeira seriam convertidos em capital social após vários anos. Essa conclusão não faz qualquer sentido e, principalmente, não passa de alegação não comprovada pela fiscalização. Não há qualquer norma no Direito Brasileiro que autorize a descaracterização de um empréstimo em razão de a extinção da obrigação principal ter sido viabilizada através da conversão em capital social. Em tese, a descaracterização dos referidos contratos só seria possível caso a fiscalização comprovasse e fundamentasse a ocorrência de simulação, o que não ocorreu no presente caso. Oportuno trazer à colação importante decisão prolatada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema (fl. 892). Para derrubar de vez o argumento utilizado pela fiscalização, a impugnante apresenta tradução juramentada de carta enviada pela mutuaria à impugnante (doc. 03), na qual é expressamente confirmado que o valor dos juros em exame não foi perdoado e que a data de vencimento desses juros foi prorrogada para 31/12/2009. Assim, o pagamento dos juros foi convertido em obrigação principal pendente de cumprimento pela impugnante e, conseqüentemente, as despesas a ele relativas jamais poderiam ter sido desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de que o correspondente valor teria sido convertido em capital principal. Assim, resta comprovada a impossibilidade de descaracterização dos contratos de empréstimos e glosa da dedutibilidade dos respectivos juros. Do momento da glosa pretendida pelas autoridades fiscais Há, ainda, um aspecto adicional que deve ser considerado na solução da presente controvérsia. A fiscalização apurou o valor dos juros acumulados desde a data da contratação dos empréstimos (1992 e outros) até a data da conversão do valor principal em capital (2003) e consideraram esse valor total de juros como indedutíveis no ano-calendário de 2003. Não obstante, como esses juros foram considerados pela impugnante como despesas dedutíveis ao longo de 11 anos (entre 1992 e 2003), a fiscalização não poderia, simplesmente, glosar o valor total correspondente a tais despesas somente no ano-calendário de 2003, sob a justificativa de sua indedutibilidade, mas, sim, efetuar a glosa das despesas ano a ano e a respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O equivocado procedimento da fiscalização, além de claramente não observar o regime de competência, acabou por resultar na lavratura de Auto de Infração em 2008 para exigir créditos de IRPJ e CSLL já atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Esse equívoco também denota a necessidade de pronto cancelamento da autuação ora atacada. Da conclusão Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da regularidade de seu procedimento fiscal relativo à dedutibilidade dos juros associados a empréstimos cujos valores principais foram convertidos em capital, uma vez que (1) não há fundamento legal possível para suportar as acusações fiscais e (2) foram demonstradas a necessidade, a usualidade e a normalidade dos contratos de empréstimo e, por tal motivo, das despesas com os respectivos juros. O reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal também se faz necessário em virtude do demonstrado equívoco na realização das glosas pretendidas pela fiscalização em um único ano-calendário, o que resultou, inclusive, na cobrança de créditos tributários extintos pela decadência. DOS AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS A PESSOAS VINCULADAS De acordo com a fiscalização, a impugnante não teria declarado em sua DIPJ informações relativas à apuração de ajustes de preços de transferência, o que supostamente autorizaria o Fisco a determinar eventuais ajustes de acordo com um dos métodos previstos na legislação. A acusação fiscal pode ser assim resumida: Premissa 1: a impugnante não declarou método de preço de transferência relativo à exportação de mercadorias; Premissa 2: a legislação autoriza que as autoridades fiscais calculem ajustes de preços de transferência de acordo com um dos métodos previstos na legislação, caso o contribuinte não tenha declarado o método aplicado: Conclusão: as autoridades fiscais teriam direito de apurar os ajustes de preços de transferência de acordo com o método CAP. A despeito da aparente lógica desse raciocínio, o fato é que todo a acusação está baseada em uma premissa falsa, o que implica necessariamente uma conclusão equivocada e inválida. Isso porque, ao contrário do quanto alegado, a impugnante declarou em sua DIPJ a apuração de preços de transferência aplicável à exportação de mercadorias a partes relacionadas. A impugnante declarou na Ficha 38A da sua DIPJ/2004 - ano-calendário 2003 (doc. 04) que estava enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002. Ou seja, a impugnante não indicou ajustes de preços de transferência para as exportações devido única e exclusivamente a dispensa (“safe harbour”, salvaguarda) expressamente prevista na legislação (artigo 35 da IN SRF nº 243/2002). Importante notar que a fiscalização não questionou as bases do cálculo do “safe harbour” declarado pela impugnante, mas, simplesmente, desconsiderou sua utilização para as exportações realizadas em 2003. Assim, a mera comprovação de que a impugnante fez constar em sua DIPJ a referida salvaguarda faz com que a autuação caia, por evidente falta de motivação fática, sendo certo que qualquer tentativa da fiscalização de, somente agora, tentar revisar os correspondentes cálculos do “safe harbour” representaria alteração do critério jurídico do lançamento, não permitido pelo artigo 149 do CTN. Não obstante, cumpre ressaltar que, mesmo que a referida revisão dos cálculos do “safe harbour” fosse possível e a fiscalização concluísse por sua desqualificação, seria mandatória a aplicação de todos os métodos de preços de transferência previstos na legislação para, então, aplicar-se o mais favorável ao contribuinte. Não pode a fiscalização simplesmente adotar o método que entender mais “apropriado”, de acordo com suas convicções pessoais, tal como ocorreu com a aplicação do método CAP no presente caso. Há a necessidade de o Fisco comprovar que, dentre os métodos existentes, está sendo aplicado aquele que resultou em menor ajuste. Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da improcedência do lançamento, seja pela acusação inverídica de falta de informação de método de preço de transferência na DIPJ, seja porque a fiscalização não comprovou a utilização do método mais favorável para a apuração dos ajustes propostos. DO PEDIDO Por todo o exposto, a impugnante requer que seja o Auto de Infração julgado improcedente em relação aos itens combatidos. Com relação aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de mercadorias, a impugnante reconhece seu equívoco e está providenciando o recolhimento das respectivas exigências fiscais, sendo que a respectiva guia de pagamento será oportunamente juntada aos autos. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância considerou-a procedente, cancelando integralmente o crédito tributário constituído de ofício. Eis a ementa de tal julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. MÉTODO PRL-20%. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não faz parte da lide a exigência relativa aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de mercadorias - método PRL-20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), não contestada pela contribuinte. EMPRÉSTIMO DE COLIGADA. APORTE DE CAPITAL. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova de simulação (que os empréstimos contraídos pela contribuinte seriam, na realidade, aporte de capital) e padecendo o lançamento de vício insanável no aspecto temporal do fato gerador, exonera-se a exigência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. “SAFE HARBOUR”. Considerando-se verídica a informação da contribuinte de que estava dispensada de apurar os preços de transferência relativos a suas exportações a coligadas, exonera-se a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Lançamento Improcedente. Em razão do valor dos tributos e multa exonerada ter superado R$ 1.000.000,00, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício a este Conselho. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1449; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1.101          1 1.100  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16561.000166/2008­76  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  1402­000.368  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  05 de julho de 2016  Assunto  IRPJ  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  TI BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do  recurso de ofício  em diligência,  nos  termos do  relatório  e voto que passam a  integrar o presente julgado.     (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Caio  Cesar  Nader  Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade  Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus  Ciccone.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 16 6/ 20 08 -7 6 Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.102            2 Relatório  O Presidente da turma julgadora de primeira instância recorreu de ofício a este  Conselho  com  fulcro  no  art.  34  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  em  razão  da  exoneração  de  tributos e multas superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de  03/01/2008.   Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão  recorrida, complementando­o ao final:  DA AUTUAÇÃO    Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 812 a 819, em fiscalização empreendida junto  à contribuinte acima identificada, constatou­se o seguinte:  DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL  A  contribuinte  impetrou  Ação  de Mandado  de  Segurança  (nº  2005.61.00.028594­7),  sobre  matéria de preços de transferência, visando obter liminar para afastar a obrigatoriedade da  elaboração do cálculo na importação de componentes utilizados no processo de produção de  produto  destinado  a  venda,  pelo  método  PRL­60%  (Preço  de  Revenda  menos  Lucro,  com  margem de 60%), a partir do ano­calendário de 2003, utilizando a IN SRF nº 243/2002, por  considerá­la contrária às determinações previstas na Lei nº 9.430/96.  Em  15/12/2005,  a  Juíza  Federal  Rosana  Ferri  Vidor  concedeu  a  liminar  pleiteada,  determinando que fosse “suspensa a exigibilidade dos créditos decorrentes da aplicação da  Lei 9.430/96 sem a Instrução Normativa 243/02, mas sua antecessora, a IN 32/01, até o final  da demanda” (fl. 15).  A  contribuinte  apresentou Certidão  de Objeto  e  Pé,  datada  de  02/10/2008,  que certifica que os autos encontram­se conclusos para sentença desde 17/02/2006 (fl. 12).  DO PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO  Face  à  liminar  concedida,  e  visando  à  garantia  da  constituição  do  crédito  tributário, sob pena da ocorrência do instituto da decadência por ocasião do julgamento final  da  demanda,  foi  aberto  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  para  a  apuração  de  matéria  pertinente ao preço de transferência pela IN SRF nº 243/2002.  No presente termo de fiscalização estão sendo apurados os fatos relativos aos  anos­calendário de 2003 e 2004, mas o encerramento será parcial, relativo apenas ao ano­ calendário de 2003.  A fiscalização adotou o seguinte procedimento:  · Na  apuração  do  preço  de  transferência  relativo  à  importação  de  componentes  consumidos  no  processo  de  produção,  em  que  a  contribuinte  adotou  o  método  PRL­60%, a diferença entre o ajuste apurado pela fiscalização (aplicando o artigo  12, inciso IV, alínea “b”, da IN SRF nº 243/2002) e o apurado pela contribuinte  (aplicando a IN SRF nº 32/2001, declarado na DIPJ/2004 ­ ano­calendário 2003),  está  constituída  de  forma  “sub  judice”  (com  exigibilidade  suspensa),  sem  a  aplicação da multa de ofício de 75%,  e  ficará aguardando nessa situação até o  julgamento de mérito definitivo do Mandado de Segurança;  Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.103            3 · Na  apuração  do  preço  de  transferência  na  importação  pelo  método  PRL­20%  (Preço  de  Revenda  menos  Lucro,  com  margem  de  20%)  e  na  exportação  pelo  método  CAP  (Custo  de  Aquisição  ou  de  Produção  mais  Tributos  e  Lucro),  as  diferenças apuradas pela fiscalização estão constituídas com a cobrança de multa  de ofício de 75% e de juros de mora.    DOS COMPONENTES IMPORTADOS PELA CONTRIBUINTE  A  contribuinte  atua  no  segmento  de  autopeças  e  acessórios  para  veículos  automotores de alta tecnologia e com poucos concorrentes no mercado nacional.  No período fiscalizado fabricou, basicamente, produtos da linha de Bomba de  Combustível  e  Sistemas  de  Freios  e  de  Refrigeração  (ar  condicionado),  e  diversos  componentes da sua linha de produção, como tubos do sistema de freios, tubos do sistema de  combustível, tubos do sistema de refrigeração, etc.  A  contribuinte,  durante  os  2  anos  fiscalizados,  importou,  também,  insumos  diversos, para a fabricação de tubos de freios, de combustível e de refrigeração.  DOS PRODUTOS EXPORTADOS PELA CONTRIBUINTE  A  contribuinte  exportou,  basicamente,  produtos  por  ela  fabricados,  destacando­se, entre outros: módulo de combustível, tubo de aço eletro­soldado (diversos) e  tubo de freio (diversos).  DA ESTATÍSTICA DO COMÉRCIO EXTERIOR DA CONTRIBUINTE  Nos  anos­calendário  de  2003  e  2004,  a  contribuinte  realizou  importação  e  exportação  de/para  pessoas  vinculadas  (sujeitas  a  ajuste  de  preço  de  transferência)  e  não  vinculadas, conforme resumo à fl. 815.  DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – ANO­CALENDÁRIO 2003  Da importação – método PRL­20%  Para  o  ano­calendário  de  2003,  a  contribuinte  não  fez  ajuste  de  preço  de  transferência pelo método PRL­20%.  A  fiscalização apurou ajustes para 6 itens  importados de vinculadas ­ e que  foram revendidos sem sofrer qualquer alteração – adotando o método PRL­20% (artigo 12,  inciso IV, alínea “a”, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 07.  Os  preços  praticados  foram  calculados  de  acordo  com  os  documentos  de  importação. Foram considerados os valores de fretes e seguros internacionais e o imposto de  importação (conforme artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002) e os estoques iniciais existentes  no início do período de apuração (conforme artigo 12, §§ 1º, 2º e 3º, da IN SRF nº 243/2002).  Vide Anexo nº 08.  Os  preços­parâmetro  foram  calculados  segundo  o  disposto  no  artigo  12,  inciso IV, alínea “a”, e §§ 7º, 8º e 9º, da IN SRF nº 243/2002. Vide Anexo nº 09.  Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.104            4 O  ajuste  total  apurado  com  relação  às  importações  no  ano­calendário  de  2003, segundo o método PRL­20%, foi de R$ 507.276,57, conforme Anexos nºs 07 (Resumo  Geral  –  Valor  Passível  de  Ajuste  no  LALUR),  08  (Demonstrativo  do  Preço  Praticado  –  Importação) e 09 (Demonstrativo do Preço­parâmetro – PRL­20%).  Da exportação – método CAP  A  contribuinte não  declarou  o método  e  nem o  valor  de ajuste  de  preço  de  transferência de suas exportações realizadas no ano­calendário de 2003.    A fiscalização aplicou, então, o disposto no artigo 40, § único, da IN SRF nº  243/2002, adotando o método CAP (artigo 26 da IN SRF nº 243/2002).  O  ajuste  total  apurado  com  relação  às  exportações  no  ano­calendário  de  2003,  segundo  o  método  CAP,  foi  de  R$  7.153.940,81,  conforme  Anexos  nºs  03  (Preço  Praticado ­ Exportação) e 04 (Preço­parâmetro – método CAP; e Cálculo do Valor Passível  de Ajuste no LALUR).  DOS CONTRATOS DE MÚTUO – DESPESAS DE JUROS INDEDUTÍVEIS  A  contribuinte  realizou  diversos  contratos  de  mútuos  com  a  holding  “TI  Automotive Holdings Limited” (localizada no Reino Unido) e sua outra sócia “TI Automotive,  Inc.”  (localizada  nos Estados Unidos),  conforme  demonstrativo  de  fl.  817,  apropriando  os  juros correspondentes, conforme a seguir sintetizado.    Data  Juros  (R$)  10/11/1992  548.118,33  28/12/1992  823.080,00  12/03/1993  1.233.266,25  05/07/1995  4.543.653,08  14/10/1998  1.777.196,82  11/02/1999  1.006.401,49  08/10/1999  1.265.875,01  27/10/1999  1.866.750,00  05/07/2000  1.740.281,25  05/10/2000  1.269.437,51  Total  16.074.059,74    Entre  os  anos  de  1992  e  2000,  a  contribuinte  apropriou  juros  passivos,  relativos aos supracitados mútuos. Em 09/09/2003, esses  juros passivos  totalizaram o valor  de R$ 16.074.059,74.  Nessa mesma data (09/09/2003), a contribuinte alterou o seu contrato social  para  transformar  o  principal  da  dívida  (R$  84.026.856,00,  correspondente  a  US$  Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.105            5 28.755.700,00)  em  aumento  de  capital.  Não  estornou,  porém,  o  saldo  credor  dos  juros  passivos sobre o que era, até então, a dívida.  Ao assim proceder, a contribuinte deixou de reconhecer na apuração do lucro  real  o  valor  de  despesa  que  passou  a  ser  desnecessária,  uma  vez  extinta  a  obrigação  principal.  Em  outras  palavras,  a  operação  acertada  com  as  sócias  estrangeiras,  contabilizada como se fosse empréstimo, acabou por revelar­se como aporte de capital. Assim  sendo,  as  despesas de  juros  consideradas  como necessárias  entre  1992 e  2003  (cujo  saldo  somava R$ 16.074.059,74, em 09/09/2003) revelaram­se, a partir dessa data, desnecessárias  para a fiscalizada.  Destaca a fiscalização que:  · a contabilidade da fiscalizada registra, até a data da autuação, o referido valor de R$  16.074.059,74,  como  juros  passivos,  sem que  se  tenha notícia  de  qualquer  pagamento  realizado a esse título; e  · a  desnecessidade  da  despesa  ficou  caracterizada  a  partir  de  09/09/2003,  quando  a  suposta dívida foi convertida em capital.    Fosse a operação caracterizada desde o  início  como aporte de  capital,  não  haveria que se falar em juros passivos.  Os fatos supra descritos caracterizam a situação descrita no artigo 299, e §§  1º e 2º, c/c artigo 249, ambos do RIR/99.  DA FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO  Devido à existência de liminar em mandado de segurança, os lançamentos do  crédito  tributário  para  o  ano­calendário  de  2003  estão  constituídos  em  2  processos  apartados:  · No  processo  nº  16561.000150/2008­63,  a  matéria  relativa  aos  preços  de  transferência – método PRL­60%, com exigibilidade suspensa; e  · No  processo  nº  16561.000166/2008­76,  as  demais  matérias,  com  constituição  normal (com multa de ofício de 75% e juros de mora).  DOS LANÇAMENTOS  Em  face  do  acima  exposto,  foram  efetuados,  no  presente  processo  (nº  16561.000166/2008­76), os seguintes lançamentos, relativos ao ano­calendário de 2003:  Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)  Auto de Infração  fls. 796 a 801  Fundamento legal  artigos 240, 241, 249, inciso I, e 299, e §§ 1º e 2º, do RIR/99  Crédito Tributário  4.153.673,49  Imposto  (em reais)  3.115.255,11  Multa proporcional (75%)    2.804.144,97  Juros de mora (cálculo até 28/11/2008)    10.073.073,57  TOTAL    Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL)  Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.106            6 Auto de Infração  fls. 802 a 807  Fundamento legal  artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da  Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002  Crédito Tributário  1.463.364,03  Contribuição  (em reais)  1.097.523,02  Multa proporcional (75%)    987.917,05  Juros de mora (cálculo até 28/11/2008)    3.548.804,10  TOTAL    Crédito Tributário Total (em reais)  Consolidado até  10.073.073,57  IRPJ  28/11/2008  3.548.804,10  CSLL    13.621.877,67  TOTAL    § Obs. Na apuração do IRPJ e da CSLL houve compensação do resultado negativo de  períodos  anteriores  (FAPLI/FACS  às  fls.  878/879,  os  quais,  no  entanto,  não  alimentaram o SAPLI, conforme pesquisa de fls. 1027/1028).    DA IMPUGNAÇÃO    Cientificada dos lançamentos em 22/12/2008 (fls. 797 e 803), a contribuinte, por meio de seus  advogados, regularmente constituídos (fls. 902/903), apresentou, em 21/01/2008, a impugnação  de fls. 881 a 900, alegando, em síntese, o seguinte:  DOS FATOS    A fiscalização alega:  1.  indedutibilidade de despesas de juros associados a contratos de mútuo firmados  entre a impugnante (como mutuaria) e outra empresa do grupo (como mutuante);  2.  falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à  importação de mercadorias (método PRL­20%); e  3.  falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à  exportação de mercadorias (método CAP).  A  impugnante  verificou  que,  de  fato,  deixou  de  realizar  os  necessários  ajustes  de  preço  de  transferência  relacionados  à  importação  (método  PRL­20%).  Dessa  forma,  está  providenciando o  recolhimento  das  exigências  fiscais  relacionadas  ao  ajuste  de R$ 507.276,57,  sendo que a respectiva guia será juntada aos autos tão logo seu pagamento seja efetuado.   Não obstante, a impugnante não pode concordar com as demais exigências, como se  passa a demonstrar.    DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO    Dentre  os  requisitos  materiais  de  validade  do  lançamento  fiscal  destaca­se  a  necessidade de motivação fática e legal do ato, ou seja, a Auto de Infração deve conter a descrição  detalhada dos fatos que ensejaram sua lavratura, a indicação da infração e a menção expressa e  precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos.  Pelo ponto de vista da motivação fática, a fiscalização falhou em seu dever de indicar  precisamente os fatos que teriam ensejado as acusações fiscais.  Tome­se  por  exemplo  a  acusação  de  descumprimento  da  legislação  de  preços  de  transferência  na  exportação  de  mercadorias.  A  fiscalização  indica  como  fundamento  fático  da  autuação a ausência de  indicação de método de preço de  transferência na DIPJ; no  entanto,  a  impugnante indicou, sim, em sua DIPJ estar enquadrada na salvaguarda do artigo 35 da IN SRF  nº 243/2002.  Com  relação à motivação  legal,  a  falha  da  fiscalização  é  ainda mais  grave,  o  que  pode ser percebido pela análise da acusação relativa à indedutibilidade de despesas de juros.  Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.107            7 A fiscalização indica somente os artigos 249, inciso I, e 299 do RIR/99, que prevêem  condições  genéricas  para  a  dedutibilidade  de  despesas,  deixando  de  indicar  a  fundamentação  legal específica sobre a dedutibilidade de juros, qual seja, o artigo 374 do RIR/99.  Além disso, a fiscalização não apresenta qualquer fundamentação legal – até porque  inexistente  –  que  versasse  sobre  a  alegada  relação  entre  (1)  a  extinção  do  valor  principal  do  empréstimo  e  a  dedutibilidade  dos  juros  respectivos;  ou  (2)  a  extinção  do  valor  principal  do  empréstimo mediante a conversão em capital e a desconsideração da natureza dos contratos de  empréstimo.  Dessa  forma, em virtude da  falta de motivação  fática e  legal, deve­se  reconhecer a  nulidade do lançamento fiscal ora combatido, cancelando­se as exigências fiscais de IRPJ e CSLL  nele consubstanciadas.    DA DEDUÇÃO DE DESPESAS DE JUROS SOBRE MÚTUOS CAPITALIZADOS  Uma cuidadosa leitura do Termo de Constatação Fiscal permite a conclusão de que a  fiscalização considerou indedutíveis as despesas de juros apropriadas no período de 1992 a 2003,  sob 2 argumentos:  1.  Com a conversão do valor principal dos empréstimos em capital, a  impugnante  deveria ter estornado o valor dos juros correspondentes e adicionado tal valor no  cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, na medida em que a despesa  de  juros  passou  “a  ser  desnecessária,  uma  vez  que  ficou  extinta  a  obrigação  principal”;  2.  A  conversão  do  empréstimo  em  capital  teria  demonstrado  que,  desde  o  início,  tratava­se  de  aporte  de  capital,  de  forma  que  não  haveria  razão  para  a  apropriação de juros passivos.    Além  dos  2  argumentos  serem  complementares  entre  si  –  na  medida  em  que  um  pressupõe que os juros passaram a ser indedutíveis em virtude da extinção da obrigação principal  do  empréstimo  e  o  outro  pressupõe  a  descaracterização  dos  contratos  de  empréstimo  –  a  impugnante demonstra que nenhum deles tem amparo fático ou legal.    Do  primeiro  argumento  fiscal  –  A  conversão  do  valor  principal  do  empréstimo  em  capital  implicaria  a  necessidade  de  estorno  e  a  indedutibilidade  dos  juros  correspondentes     A fiscalização não questiona a natureza dos empréstimos tomados pela impugnante,  mas,  ao  contrário,  reconhece que, durante o período em que o  valor principal dos  empréstimos  representava  uma  obrigação  da  impugnante  (passivo),  as  despesas  com  os  respectivos  juros  seriam dedutíveis. Para o Fisco, contudo, quando o valor principal dos empréstimos foi convertido  em capital, em setembro de 2003, os juros apropriados de 1992 até aquela data passaram a ser  indedutíveis.  Assim,  para  a  fiscalização,  o  ato  de  capitalização  –  absolutamente  normal  e  corriqueiro – ocorrido mais de 10 anos após a apropriação das despesas de juros, seria capaz de  alterar a dedutibilidade dessas despesas, conclusão essa que a impugnante não pode concordar.  Não há qualquer previsão legal que obrigue o estorno das despesas quando ocorrer a  conversão da obrigação principal em capital social; que vincule a conversão de um empréstimo  em  capital  social  e  a  indedutibilidade  das  respectivas  despesas  com  os  juros  decorrentes  dessa  obrigação.  A  dedutibilidade  de  uma  despesa  está  vinculada  à  sua  normalidade  e  necessidade,  sendo  que  a  referida  conversão  em  nada  altera  os  requisitos  legais  para  a  determinação  da  dedutibilidade de uma despesa.  Nesse  sentido,  vale  ressaltar  que  (1)  os  recursos  obtidos  através  dessas  operações  foram efetivamente recebidos pela impugnante, por meio de contratos de empréstimo registrados  no BACEN (doc. 02) e (2) os valores foram utilizados para a regular condução das atividades da  impugnante, o que jamais foi questionado pela fiscalização.  Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.108            8 Assim,  uma  vez  comprovada  a  efetiva  execução  dos  contratos  de  empréstimo,  demonstrada está a sua utilidade e necessidade para a impugnante.  Destaque­se  que  a  apropriação  das  despesas  de  juros  pela  impugnante  se  deu  em  absoluto cumprimento ao regime de competência (artigo 177 da Lei nº 6.404/76 e artigos 251 e  374 do RIR/99).  Portanto, resta claro que não há – e nem poderia haver – fundamento legal para o  entendimento  de  que  a  conversão  de  um  empréstimo  em  capital  importaria  em  estorno  ou  em  indedutibilidade das respectivas despesas com juros, restando clara a absoluta improcedência do  primeiro argumento utilizado pela fiscalização para fundamentar o lançamento.    Do  segundo  argumento  fiscal  ­  A  capitalização  do  valor  principal  do  empréstimo  demonstraria que, desde o início, a operação visava ao aporte de capital    Não  há  como  aceitar  a  conclusão  de  que  a  conversão  dos  valores  principais  dos  empréstimos em capital social, ocorrida 11 anos após a tomada do primeiro empréstimo, tenha o  condão de alterar a natureza da relação firmada entre a impugnante e sua vinculada estrangeira.  Não  é  possível  concluir  como  correta  a  acusação  de  que  a  impugnante  já  saberia,  desde 1992, que os  recursos  enviados pela  vinculada estrangeira  seriam convertidos  em capital  social após vários anos. Essa conclusão não faz qualquer sentido e, principalmente, não passa de  alegação não comprovada pela fiscalização.  Não há qualquer norma no Direito Brasileiro que autorize a descaracterização de um  empréstimo  em  razão  de  a  extinção  da  obrigação  principal  ter  sido  viabilizada  através  da  conversão em capital social. Em tese, a descaracterização dos referidos contratos só seria possível  caso a fiscalização comprovasse e  fundamentasse a ocorrência de simulação, o que não ocorreu  no presente caso.  Oportuno  trazer  à  colação  importante decisão  prolatada  pela Primeira Câmara do  Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema (fl. 892).  Para  derrubar  de  vez  o  argumento  utilizado  pela  fiscalização,  a  impugnante  apresenta tradução juramentada de carta enviada pela mutuaria à impugnante (doc. 03), na qual é  expressamente  confirmado  que  o  valor  dos  juros  em  exame  não  foi  perdoado  e  que  a  data  de  vencimento  desses  juros  foi  prorrogada  para  31/12/2009.  Assim,  o  pagamento  dos  juros  foi  convertido  em  obrigação  principal  pendente  de  cumprimento  pela  impugnante  e,  conseqüentemente,  as  despesas  a  ele  relativas  jamais  poderiam  ter  sido  desconsideradas  pela  fiscalização  sob  o  argumento  de  que  o  correspondente  valor  teria  sido  convertido  em  capital  principal.  Assim,  resta  comprovada  a  impossibilidade  de  descaracterização  dos  contratos  de  empréstimos e glosa da dedutibilidade dos respectivos juros.  Do momento da glosa pretendida pelas autoridades fiscais   Há,  ainda,  um  aspecto  adicional  que  deve  ser  considerado  na  solução  da  presente  controvérsia.  A fiscalização apurou o valor dos juros acumulados desde a data da contratação dos  empréstimos  (1992  e  outros)  até  a  data  da  conversão  do  valor  principal  em  capital  (2003)  e  consideraram esse valor total de juros como indedutíveis no ano­calendário de 2003.  Não obstante, como esses juros foram considerados pela impugnante como despesas  dedutíveis  ao  longo  de  11  anos  (entre  1992  e  2003),  a  fiscalização  não  poderia,  simplesmente,  glosar  o  valor  total  correspondente  a  tais  despesas  somente  no  ano­calendário  de  2003,  sob  a  justificativa  de  sua  indedutibilidade,  mas,  sim,  efetuar  a  glosa  das  despesas  ano  a  ano  e  a  respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL.    O  equivocado  procedimento  da  fiscalização,  além  de  claramente  não  observar  o  regime de competência, acabou por resultar na lavratura de Auto de Infração em 2008 para exigir  créditos de IRPJ e CSLL já atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN.  Esse equívoco também denota a necessidade de pronto cancelamento da autuação ora  atacada.  Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.109            9 Da conclusão  Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da regularidade de seu  procedimento  fiscal  relativo  à  dedutibilidade  dos  juros  associados  a  empréstimos  cujos  valores  principais foram convertidos em capital, uma vez que (1) não há fundamento legal possível para  suportar  as  acusações  fiscais  e  (2)  foram  demonstradas  a  necessidade,  a  usualidade  e  a  normalidade dos contratos de empréstimo e, por tal motivo, das despesas com os respectivos juros.    O reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal  também se faz necessário  em virtude do demonstrado equívoco na realização das glosas pretendidas pela fiscalização em um  único ano­calendário, o que resultou, inclusive, na cobrança de créditos tributários extintos pela  decadência.    DOS  AJUSTES  DE  PREÇOS  DE  TRANSFERÊNCIA  NA  EXPORTAÇÃO  DE  MERCADORIAS A PESSOAS VINCULADAS    De  acordo  com  a  fiscalização,  a  impugnante  não  teria  declarado  em  sua DIPJ  informações  relativas à apuração de ajustes de preços de  transferência,  o que  supostamente  autorizaria o Fisco a determinar eventuais ajustes de acordo com um dos métodos previstos na  legislação.  A acusação fiscal pode ser assim resumida:  · Premissa  1:  a  impugnante  não  declarou  método  de  preço  de  transferência  relativo à exportação de mercadorias;  · Premissa 2: a legislação autoriza que as autoridades fiscais calculem ajustes de  preços de transferência de acordo com um dos métodos previstos na legislação,  caso o contribuinte não tenha declarado o método aplicado:  · Conclusão: as autoridades fiscais teriam direito de apurar os ajustes de preços  de transferência de acordo com o método CAP.    A despeito da aparente lógica desse raciocínio, o fato é que todo a acusação está  baseada em uma premissa falsa, o que implica necessariamente uma conclusão equivocada e  inválida.  Isso porque, ao contrário do quanto alegado, a impugnante declarou em sua DIPJ  a  apuração  de  preços  de  transferência  aplicável  à  exportação  de  mercadorias  a  partes  relacionadas. A impugnante declarou na Ficha 38A da sua DIPJ/2004 ­ ano­calendário 2003  (doc. 04) que estava enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002.  Ou  seja,  a  impugnante  não  indicou  ajustes  de  preços  de  transferência  para  as  exportações  devido  única  e  exclusivamente  a  dispensa  (“safe  harbour”,  salvaguarda)  expressamente prevista na legislação (artigo 35 da IN SRF nº 243/2002).  Importante notar que a fiscalização não questionou as bases do cálculo do “safe  harbour” declarado pela impugnante, mas, simplesmente, desconsiderou sua utilização para as  exportações realizadas em 2003.    Assim,  a  mera  comprovação  de  que  a  impugnante  fez  constar  em  sua  DIPJ  a  referida  salvaguarda  faz  com  que  a  autuação  caia,  por  evidente  falta  de  motivação  fática,  sendo  certo  que  qualquer  tentativa  da  fiscalização  de,  somente  agora,  tentar  revisar  os  correspondentes  cálculos  do  “safe  harbour”  representaria  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento, não permitido pelo artigo 149 do CTN.  Não obstante, cumpre ressaltar que, mesmo que a referida revisão dos cálculos do  “safe  harbour”  fosse  possível  e  a  fiscalização  concluísse  por  sua  desqualificação,  seria  mandatória a aplicação de todos os métodos de preços de transferência previstos na legislação  para, então, aplicar­se o mais favorável ao contribuinte. Não pode a fiscalização simplesmente  adotar o método que entender mais “apropriado”, de acordo com suas convicções pessoais, tal  como ocorreu com a aplicação do método CAP no presente caso. Há a necessidade de o Fisco  Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.110            10 comprovar  que,  dentre  os  métodos  existentes,  está  sendo  aplicado  aquele  que  resultou  em  menor ajuste.  Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da improcedência do  lançamento,  seja  pela  acusação  inverídica  de  falta  de  informação  de  método  de  preço  de  transferência na DIPJ, seja porque a fiscalização não comprovou a utilização do método mais  favorável para a apuração dos ajustes propostos.    DO PEDIDO    Por  todo  o  exposto,  a  impugnante  requer  que  seja  o  Auto  de  Infração  julgado  improcedente em relação aos itens combatidos.  Com relação aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de  mercadorias, a impugnante reconhece seu equívoco e está providenciando o recolhimento das  respectivas exigências fiscais, sendo que a respectiva guia de pagamento será oportunamente  juntada aos autos.  Analisando a impugnação apresentada, a  turma julgadora de primeira instância  considerou­a  procedente,  cancelando  integralmente  o  crédito  tributário  constituído  de  ofício.  Eis a ementa de tal julgado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  PREÇOS  DE  TRANSFERÊNCIA.  IMPORTAÇÃO.  MÉTODO  PRL­20%.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Não faz parte da lide a exigência relativa aos ajustes de preço de transferência  relacionados  à  importação  de  mercadorias  ­  método  PRL­20%  (Preço  de  Revenda menos Lucro, com margem de 20%), não contestada pela contribuinte.  EMPRÉSTIMO  DE  COLIGADA.  APORTE  DE  CAPITAL.  GLOSA  DE  DESPESAS DE JUROS. IMPROCEDÊNCIA.  Inexistindo prova de simulação (que os empréstimos contraídos pela contribuinte  seriam,  na  realidade,  aporte  de  capital)  e  padecendo  o  lançamento  de  vício  insanável no aspecto temporal do fato gerador, exonera­se a exigência.  PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. “SAFE HARBOUR”.  Considerando­se verídica a informação da contribuinte de que estava dispensada  de apurar os preços de  transferência relativos a  suas  exportações a  coligadas,  exonera­se a exigência.  CSLL. DECORRÊNCIA.  O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica­se à tributação  decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.  Lançamento Improcedente.  Em  razão  do  valor  dos  tributos  e  multa  exonerada  ter  superado  R$  1.000.000,00, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício a este Conselho.  É o relatório.  Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.111            11   Voto  Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  O Presidente da 5ª Turma da DRJ em São Paulo I – DRJ/SP1 recorre de ofício a  este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF  nº 3, de 03/01/2008, haja vista que no julgamento dos autos do qual resultou o acórdão nº 16­ 45.266  julgou  procedente  a  impugnação  apresentada,  exonerando  o  sujeito  passivo  do  pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00.   Preenchidos os requisitos legais, conheço, portanto, do recurso de ofício.  2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS  A exigência diz respeito às seguintes infrações:  ­  glosa  de  despesas  de  juros  relativos  a  contratos  de  mútuo,  consideradas  indedutíveis;  ­  falta  de  adição  ao  lucro  real  de  ajustes  de  preços  de  transferência  relacionados à importação de mercadorias (método PRL­20%); e  ­  falta  de  adição  ao  lucro  real  de  ajustes  de  preços  de  transferência  relacionados à exportação de mercadorias (método CAP).  O crédito tributário referente ao método PRL­20% não foi alvo de impugnação,  tendo o contribuinte recolhido o débito correspondente.  A matéria atinente à relatada demanda judicial diz respeito aos ajustes de preços  de transferência relacionados à importação de mercadorias pelo método PRL­60%, cujo crédito  tributário foi constituído em processo distinto.  2 NULIDADE   Alega  a  Recorrente  que  não  houve  motivação  nas  infrações  referentes  aos  ajustes de preço de transferência na exportação e em relação à glosa de despesas de juros.  Os  pressupostos  legais  para  a  validade  do  auto  de  infração  são  determinados  pelo  art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  que  trata  do  Processo Administrativo  Fiscal,  a  seguir transcrito:  Art. 10. O auto de  infração será  lavrado por servidor competente, no  local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.112            12 III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a  determinação  da  exigência  e  a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la no prazo de 30 (trinta) dias;   VI ­ a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o  número de matrícula.  A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução do processo.  § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem  aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade  julgadora não a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo  se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do  litígio. (grifo nosso)  Art.  61.  A  nulidade  será  declarada  pela  autoridade  competente  para  praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  Compulsando os autos, constata­se que os autos de infração lavrados preenchem  os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.  Pode­se  até  questionar  mérito  da  exigência  diante  dos  argumentos  elencados  pela Impugnante, mas nenhum deles possui o alcance suficiente para declaração de nulidade do  lançamento.  Além  disso,  no  caso  concreto,  não  há  qualquer  dúvida  quanto  à  ausência  de  prejuízo  ao  contribuinte,  tanto  que  em  sede  de  impugnação  defendeu­se  plenamente,  despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de  sua defesa.  Portanto,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  de  defesa.  Isso  porque,  não  se  constata qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte da  Recorrente,  aliás,  prejuízo  esse primordial  à  caracterização de nulidade,  conforme apregoa o  art.  60  do Decreto  nº  70.235/72:  “As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.113            13 referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”.   Assim  sendo,  sob  os  aspectos  formais,  não  há  qualquer  mácula  no  auto  de  infração lavrado.  No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais,  de  acordo  com as  normas  legais  e  com  respeito  a  todas  as  garantias  constitucionais  e  legais  dirigidas aos contribuintes.  Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade.  3 GLOSA DE DESPESAS DE JUROS RELATIVOS A CONTRATOS DE MÚTUO  Em  relação  ao  tema,  considero  que  a  decisão  recorrida  o  analisou  com muita  propriedade, devendo ser confirmada por seus próprios fundamentos, os quais reproduzo com  autorização do disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99:  A contribuinte realizou diversos contratos de mútuos com coligadas no  exterior,  apropriando  os  juros  correspondentes  (total  de  R$  16.074.059,74,  entre  os  anos­calendário de 1992 e 2000).  Em  09/09/2003,  a  contribuinte  alterou  o  seu  contrato  social  para  transformar  o  principal  da  dívida  (R$  84.026.856,00,  correspondente  a  US$  28.755.700,00) em aumento de capital.  Por esse motivo, a fiscalização entende que:  · as  operações  contabilizadas  como  empréstimos,  acabaram  por  se  revelar como aporte de capital;  · as despesas de juros, consideradas como necessárias entre 1992 e 2003,  revelaram­se, a partir 09/09/2003, desnecessárias para a contribuinte;  · fosse  a  operação  caracterizada  desde  o  início  como aporte  de  capital,  não haveria que se falar em juros passivos.  Destaca a fiscalização que:  · não houve estorno dos juros;  · a  contabilidade  da  contribuinte  ainda  registra  o  total  de  R$  16.074.059,74  como  juros  passivos,  não  tendo  ocorrido  qualquer  pagamento a esse título.  Em sua defesa, a impugnante argumenta que:  · não há qualquer previsão legal para o entendimento de que a conversão  de  um  empréstimo  em  capital  importaria  em  estorno  ou  em  indedutibilidade das respectivas despesas com juros;  · a fiscalização não comprova a acusação de que a impugnante já saberia,  desde 1992, que os recursos enviados pelas coligadas no exterior seriam  convertidos  em  capital  social  após  vários  anos;  a  fiscalização  deveria  comprovar  a  ocorrência  de  simulação,  o  que  não  ocorreu  no  presente  caso; e  · a  apropriação  das  despesas  de  juros  pela  impugnante  se  deu  em  absoluto  cumprimento  ao  regime  de  competência,  de  modo  que  a  fiscalização  não  poderia,  simplesmente,  glosar  o  valor  total  Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.114            14 correspondente a tais despesas somente no ano­calendário de 2003, sob  a  justificativa  de  sua  indedutibilidade,  mas,  sim,  efetuar  a  glosa  das  despesas ano a ano e a respectiva apuração do lucro real e da base de  cálculo da CSLL.  Assiste total razão à impugnante, pois, além de não estar caracterizada  a infração, a fiscalização equivocou­se no lançamento, conforme a seguir exposto:  Da não caracterização da infração  Não há, de fato, qualquer previsão legal para o entendimento de que a  simples  conversão  de  um  empréstimo  em  capital  ­  sem  que  esteja  caracterizada  e  comprovada  a  simulação  ­  importaria  em  estorno  ou  em  indedutibilidade  das  respectivas despesas com juros.  Assim,  a  fiscalização  deveria  ter  comprovado  –  mas  não  o  fez  ­  a  ocorrência  de  simulação  com  relação  às  operações  de  empréstimo  (que  geram  despesas  de  juros),  as  quais  estariam  mascaram  um  aporte  de  capital  (que  não  gerariam as citadas despesas).   Observe­se que a fiscalização sequer menciona a figura da simulação,  essencial  para  descaracterizar  os  atos  jurídicos  praticados  pela  contribuinte  e  suas  coligadas.  Como bem argumenta a impugnante, não é razoável presumir que ela  já  saberia,  desde  1992,  que  os  recursos  enviados  pelas  coligadas  no  exterior  seriam  convertidos em capital social após vários anos (em 2003).  E  mesmo  que  fosse  (apenas  a  título  de  argumentação),  estaríamos  diante de uma presunção simples, hominis, inaplicável no âmbito do Direito Tributário  (regido,  entre  outros,  pelo  princípio  da  reserva  legal)  quando  desacompanhada  de  indícios  com  densidade  suficiente  para  permitir  a  formação  da  convicção  sobre  a  vontade interna das partes.  A presunção simples é um meio de prova no âmbito do Direito Civil,  mas,  como  instrumento  de  autuação,  sofre  restrições,  conforme  observa­se,  entre  outros, pelos seguintes Acórdãos do Conselho de Contribuintes:  “I.R.P.J.  –  OMISSÃO  NO  REGISTRO  DE  RECEITA  ­  Após  o  advento  do  Código  Tributário  Nacional,  que  consagrou  o  princípio  da  reserva  legal  na  atividade  administrativa  de  lançamento,  as  exigências  tributárias  somente  poderão  ser  formalizadas  com  prova  segura,  a  cargo  de  quem  alega,  dos  fatos  que  revelem  o  auferimento  da  receita  passível  de  tributação,  ou  mediante  a  demonstração  de  que  ocorreram  aqueles  fatos,  expressamente  arrolados  pela  lei,  como  presunções  de  omissões  de  receitas.  Se  é  certo  que  as  presunções  hominis  ou  facti,  não  se  prestam  para  alicerçar a  incidência do  Imposto  sobre a Renda,  como é  cediço na doutrina  e  jurisprudência,  impossível  a  manutenção  da  exigência  quando  se  baseia  em  simples  ilação. Recurso  voluntário  conhecido  e  provido”  (Acórdão 101­92549,  de  23/02/99).  No mesmo sentido, Acórdão nºs 101­92729/99, 101­92319/98 e 101­92289/98.  “IRPJ  e  OUTROS  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  PRESUNÇÕES  COMUNS  ­  A  constatação no mundo  factual de  infrações  capituladas como presunções comuns "de  hominis", não têm o condão de transferir o ônus probante da autoridade fiscal para o  sujeito  passivo  da  relação  jurídico­tributária,  a  qual,  para  manter  a  respectiva  imputação,  deverá  o  fisco  produzir  provas  hábeis  e  irrefutáveis  da  ocorrência  da  infração” (Acórdão 107­07334, de 10/09/2003).  Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.115            15 Caberia  à  fiscalização  efetuar  as  diligências  necessárias  para  confirmar, ou não, a  existência do  ilícito  tributário, em obediência ao artigo 142 do  CTN, in verbis:  “Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo  e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória,  sob pena de responsabilidade funcional”.  Se  trata­se  de  uma  simulação,  tal  fato  deveria  ter  sido  comprovado,  não  simplesmente  presumido.  Esse  também  é  o  entendimento  do  Conselho  de  Contribuintes:  “DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO ­ Não basta a simples suspeita de fraude,  conluio ou simulação para que o negócio jurídico realizado seja desconsiderado pela  autoridade administrativa, mister se faz provar que o ato negocial praticado deu­se em  direção  contrária  a  norma  legal,  com  o  intuito  doloso  de  excluir  ou  modificar  as  características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (art. 149 do CTN).  SIMULAÇÃO –  Configura­se  como  simulação,  o  comportamento  do  contribuinte  em  que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o  negócio  se  apresenta  e  a  substância  ou  natureza  do  fato  gerador,  efetivamente,  realizado, ou seja, dá­se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato  por ele praticado para exteriorização dessa vontade.  NEGÓCIO  JURÍDICO  INDIRETO –  Configura­se  negócio  jurídico  indireto,  quando  um contribuinte se utiliza de um determinado negócio, típico ou atípico, para obtenção  de uma finalidade diversa daquela que constitui a sua própria causa, em que as partes  querem efetivamente o negócio  e os  efeitos  típicos  dele  realizado  e  submete­se a  sua  disciplina jurídica” (Acórdão 101­94340, de 09/09/2003).  Assim,  (1)  não  havendo  previsão  legal  no  sentido  de  que  a  simples  conversão de um empréstimo em capital ­ sem que esteja caracterizada e comprovada a  simulação  ­  importaria  em  estorno  ou  em  indedutibilidade  das  respectivas  despesas  com  juros;  e  (2)  não  restando  comprovada  a  simulação  dos  atos  praticados  pela  contribuinte, improcede a autuação relativa à glosa de despesas de juros.  Do equívoco da fiscalização ao efetuar o lançamento    Os juros glosados pela fiscalização no ano­calendário de 2003  foram  contabilizados pela contribuinte, entre os anos­calendário de 1992 e 2000, segundo o  regime de competência, conforme a seguir sintetizado.  Data  Juros  (R$)  10/11/1992  548.118,33  28/12/1992  823.080,00  12/03/1993  1.233.266,25  05/07/1995  4.543.653,08  14/10/1998  1.777.196,82  Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.116            16 11/02/1999  1.006.401,49  08/10/1999  1.265.875,01  27/10/1999  1.866.750,00  05/07/2000  1.740.281,25  05/10/2000  1.269.437,51  Total  16.074.059,74  Considerando, conforme já mencionado, que não há qualquer previsão  legal para o entendimento de que a conversão de um empréstimo em capital (ou mesmo  a descaracterização desse empréstimo como tal) importaria em estorno das respectivas  despesas com juros (no caso, no ano­calendário de 2003), a fiscalização não poderia,  como bem argumenta a impugnante, simplesmente glosar o valor total correspondente  a tais despesas somente no ano­calendário de 2003, mas efetuar a glosa das despesas  ano a ano (de 1992 a 2000) e a respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo  da CSLL.    Assim,  mesmo  se  comprovada  a  infração  –  o  que  não  ocorreu  –  o  lançamento (relativo ao ano­calendário de 2003) padece de vício insanável no aspecto  temporal do fato gerador (que teria ocorrido entre os anos­calendário de 1992 e 2000,  já atingidos pela decadência).  Assim, também por esse motivo, improcede a autuação relativa à glosa  de despesas de juros.    4.  FALTA  DE  ADIÇÃO  AO  LUCRO  REAL  DE  AJUSTES  DE  PREÇOS  DE  TRANSFERÊNCIA RELACIONADOS À EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS (MÉTODO  CAP)  Segundo  a  Impugnante,  o  auto  de  infração  teria  ignorado  o  fato  de  ter  sido  informado na DIPJ de que estaria dispensada da comprovação, podendo confirmar comprovar a  adequação  dos  preços  praticados  nas  exportações  para  empresas  vinculadas,  no  mesmo  período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação, nos termos  dos artigos 35 e 36 da IN RFB 243/20021.                                                               1 Art. 35 A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto  de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no  mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos dois  anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração,  exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação.   (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003)  (Vide Instrução Normativa  SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003)  § 1º Para efeito deste artigo, o lucro líquido correspondente às exportações para empresas vinculadas será apurado  segundo o disposto no art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e na legislação do imposto de renda.  § 2º Na apuração do  lucro  líquido correspondente  a  essas  exportações,  os  custos  e despesas  comuns  às  vendas  serão rateados em função das respectivas receitas líquidas.  § 3º Não devem ser computadas, para fins de determinação do percentual estabelecido no caput, as operações de  venda de bens, serviços ou direitos cujas margens de lucro, previstas nos arts. 24, 25 e 26, tenham sido alteradas  nos termos dos arts. 32, 33 e 34.    (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 321, de 14 de abril de 2003)  Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.117            17 Nos  termos  do  artigo  40  da  IN  SRF  nº  243/20022,  o  contribuinte  deveria  fornecer  à  fiscalização  a  documentação  que  comprovasse  a  dispensa  de  comprovação  dos  preços de transferência na exportação (artigos 35 e 36 da IN SRF nº 243/2002).    Para a decisão de primeira instância, a  falta de intimação para apresentação de  tal  comprovação  implica  o  cancelamento  da  exigência,  conforme  excerto  da  decisão  reproduzido a seguir:  Ocorre que em nenhum momento a contribuinte foi intimada nesse sentido.  A  fiscalização não observou  a  informação  constante  da DIPJ  (de  que  a  contribuinte  estaria “enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002”) e não atentou para  a peculiaridade de que, ao contrário do que ocorre nas operações de importação (nas  quais os contribuintes devem sempre apurar os preços de transferência), na exportação  há situações nas quais os contribuintes estão dispensados dessa tarefa.  Destaque­se que também consta da DIPJ informação de que a contribuinte não estaria  sujeita a arbitramento (cálculo de ajustes), não se enquadrando na situação prevista no  artigo 14 da IN SRF nº 243/2002, que dispõe que “as receitas auferidas nas operações  efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio  de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo  período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a  noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos,  idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições  de pagamento semelhantes”.  Assim, a fiscalização, equivocadamente, ao constatar que a contribuinte “não declarou  o  método  e  nem  o  valor  de  ajuste  de  preço  de  transferência  de  suas  exportações  realizadas no ano­calendário de 2003”, simplesmente calculou o referido ajuste, sem  intimar  a  contribuinte  a  fornecer  a  documentação  que  comprovasse  a  dispensa  de  comprovação dos preços de transferência na exportação.  Ademais,  mesmo  se  a  fiscalização  viesse  a  descaracterizar  essas  informações  (cujo  ônus lhe compete), comprovando ser inverídica, deveria intimar a contribuinte, dando­ lhe  a  oportunidade  de  indicar  um  dos  métodos  de  preços  de  transferência  na  exportação (definidos nos artigos 23 a 26 da IN SRF nº 243/2002) e efetuar os cálculos  correspondentes. E apenas se houvesse a descaracterização do método escolhido pela                                                                                                                                                                                           Art. 36. A pessoa jurídica, cuja receita líquida das exportações, no ano­calendário, não exceder a cinco por cento  do  total  da  receita  líquida  no  mesmo  período,  poderá  comprovar  a  adequação  dos  preços  praticados  nessas  exportações, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação.  Parágrafo único. No cálculo da receita líquida de exportação a que se refere o caput devem ser também incluídas  as receitas de vendas efetuadas para pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas em país com tributação  favorecida.    2 Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores­Fiscais da Receita  Federal (AFRF), encarregados da verificação:  I ­ a indicação do método por ela adotado;  II  ­  a  documentação  por  ela  utilizada  como  suporte  para  determinação  do  preço  praticado  e  as  respectivas  memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e,  inclusive, para as dispensas de comprovação, de que  tratam os arts. 35 e 36.  Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se  apresentados,  forem  insuficientes  ou  imprestáveis  para  formar  a  convicção  quanto  ao  preço,  os  AFRF  encarregados da verificação poderão determiná­lo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando  um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa.    Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.118            18 contribuinte por parte da fiscalização, esta poderia escolher um outro método (como o  CAP, utilizado no caso em tela).  Nada disso aconteceu.  Dessa forma, há que se aceitar a informação da contribuinte de que estava dispensada  de apurar os preços de transferência relativos a suas exportações a coligadas.  Em vista do acima exposto, há que se considerar improcedente a autuação relativa aos  ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias.  Deixa­se de analisar, por desnecessário, as demais alegações da impugnante.  Discordo da decisão recorrida.  À  fl.  6­8  (Termo  de  Início  de  Fiscalização),  a  autoridade  fiscal  requereu  nos  itens  6  e  7  a  relação  de  pessoas  consideradas  consideradas  vinculadas  (art.  23  da  Lei  nº  9.430/96)  e memórias  de  cálculos,  papéis  de  trabalho  e  documentos,  que  comprovassem  os  preços  praticados,  preços  parâmetros  e  valores  de  ajustes.  Ainda  no  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (fl. 13) o contribuinte  foi  intimado a apresentar arquivo contendo discriminação  dos valores relativos a exportações (item 13 da intimação).  Embora tal intimação seja genérica nos pontos ora destacados e em outros itens  requerem  outras  informações  relacionadas  a  operações  de  importações,  no  mínimo,  haveria  uma dúvida se também a Fiscalização estaria requerendo informações relacionadas aos ajustes  de preços de transferências relativos a exportações.  Tal  dúvida,  contudo,  é  dirimida  ao  examinar­se  o  Termo  de  Constatação  e  Intimação lavrado em 15/09/2008 ­ fl. 655 – em que a autoridade fiscal é taxativa ao tratar dos  ajustes  relativos  às  exportações.  Veja­se  excerto  de  tal  intimação,  com  o  destaque  por mim  inserido:    Por fim, o Termo de Constatação Fiscal que compõe auto de infração (fls. 824­ 83),  reproduzido  parcialmente  a  seguir,  corrobora  tal  raciocínio  ao  fundamentar  a  exigência  Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.119            19 com  base  no  art.  40  da  IN  RFB  nº  243/2002  que  em  seu  inciso  II  determina  que  a  documentação  utilizada como  suporte  para  determinação  do  preço  praticado  e  as  respectivas  memórias  de  cálculo  para  apuração  do  preço  parâmetro,  inclusive  para  as  dispensas  de  comprovação (salvaguardas):    Assim  sendo,  entendo  que  houve  sim  intimações  para  que  o  contribuinte  se  manifestasse a respeito da ausência de ajuste relativa ao preço de transferência nas operações  de exportação.  Por  essas  razões,  e,  com  exceção  justamente  ao  suposto  erro  cometido  pela  Fiscalização,  alinho­me  aos  entendimentos  contidos  na  declaração  de  voto  que  compõe  a  decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir  É  certo  que  o  auditor  fiscal  cometeu  algumas  irregularidades  na  apuração  desse  crédito,  não  oferecendo  oportunidade  à  contribuinte  de  comprovar  o  que  estava  declarado na DIPJ, mas, por outro lado, em sua impugnação, a empresa tampouco  demonstrou  que  estava  desobrigada  aos  ajustes,  limitando­se  a  dizer  que  havia  declarado  a  não  obrigação  de  proceder  aos  ajustes,  sem,  no  entanto,  apresentar  qualquer prova ou demonstrativo do que alega.  De  fato,  a  empresa  aferra­se  aos  aspectos  processuais  do  lançamento  sem  comprovar  o  ponto  fundamental  da  não  existência  da  obrigação  de  efetuar  os  ajustes de preços de transferência.  Em lançamentos fiscais efetuados sem qualquer irregularidade o fato de a empresa  apenas  alegar  e  não  comprovar  o  que  alega  já  motivaria  a  manutenção  do  lançamento,  todavia  no  presente  caso,  em  virtude  de  falhas  no  próprio  procedimento fiscal, a contribuinte faz jus a que se baixe em diligência o processo  para que então ela possa apresentar as devidas comprovações de que é desobrigada  a proceder aos ajustes lançados.  Somente  assim,  após  as  devidas  verificações,  poder­se­ia  exonerar  o  lançamento  sem ofensa ao dever de proteger o crédito tributário.  Sendo  assim,  faz­se  necessária  a  baixa  do  processo  em  diligência  para  que  a  impugnante fundamente com provas o que alega.    Por  oportuno,  em  relação  ao  argumento  contido  na  decisão  recorrida  de  que  “mesmo se a fiscalização viesse a descaracterizar essas informações (cujo ônus lhe compete),  comprovando  ser  inverídica,  deveria  intimar  a  contribuinte,  dando­lhe  a  oportunidade  de  indicar um dos métodos de preços de transferência na exportação (definidos nos artigos 23 a  Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.120            20 26  da  IN  SRF  nº  243/2002)  e  efetuar  os  cálculos  correspondentes.  E  apenas  se  houvesse  a  descaracterização  do  método  escolhido  pela  contribuinte  por  parte  da  fiscalização,  esta  poderia escolher um outro método (como o CAP, utilizado no caso em tela)”  , esclareço que  até o ano­calendário de 2012 não havia previsão legal que previsse tal intimação, uma vez que  somente  com  o  advento  da  Lei  nº  12.715/2012  é  que  instituiu­se  tal  obrigação.  Destaco  a  redação do art. 20­A da Lei nº 9.430/96 acrescida pela Lei nº 12.715/2012:  Art. 20­A. A partir do ano­calendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos  nos arts. 18 e 19 será efetuada para o ano­calendário e não poderá ser alterada pelo  contribuinte  uma  vez  iniciado  o  procedimento  fiscal,  salvo  quando,  em  seu  curso,  o  método  ou  algum  de  seus  critérios  de  cálculo  venha  a  ser  desqualificado  pela  fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo  de  30  (trinta)  dias,  apresentar  novo  cálculo  de  acordo  com  qualquer  outro  método  previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) [grifo nosso]  § 1º A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa  jurídica. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)  §  2º  A  autoridade  fiscal  responsável  pela  verificação  poderá  determinar  o  preço  parâmetro,  com  base  nos  documentos  de  que  dispuser,  e  aplicar  um  dos  métodos  previstos nos arts. 18 e 19, quando o  sujeito passivo, após decorrido o prazo de que  trata o caput: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)  I ­ não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado  nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o  método escolhido; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)  II  ­ apresentar documentos  imprestáveis ou  insuficientes para demonstrar a correção  do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou (Incluído pela Lei nº 12.715,  de 2012)  III  ­  deixar  de  oferecer  quaisquer  elementos  úteis  à  verificação  dos  cálculos  para  apuração  do  preço  parâmetro,  pelo  método  escolhido,  quando  solicitados  pela  autoridade fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)  §  3º A  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  do Ministério  da Fazenda definirá  o  prazo e a forma de opção de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)  Além disso, em recente decisão (Acórdão 9101­002.313, sessão de 03/05/2016),  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  analisou  o  tema,  inclusive  nas  hipóteses  em  que  a fiscalizada não aponta o método de apuração dos  preços de transferência. Veja­se  excerto  do  voto condutor do aresto:  O  acórdão  paradigma  manifesta  expressamente  o  entendimento  quanto  ao  dever  da  Fiscalização em averiguar e utilizar o método mais  favorável ao contribuinte, ou em  demonstrar a  impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização  (isso em qualquer situação, ou seja, mesmo quando a fiscalizada não aponta o método  de apuração dos preços de transferência).   Tal entendimento, entretanto, não é o mais adequado, conforme passo a expor.  O assunto em debate tem pertinência com a aplicação de ofício, do Método dos Preços  Independentes Comparados ­ PIC para a apuração do preço­parâmetro dos princípios  ativos importados pela Recorrente, haja vista o afastamento, pela autoridade fiscal, de  um "quarto método"­ Método das Margens de Lucros Operacionais ­TNMM utilizado  pelo  contribuinte,  o  qual,  segundo  o  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  seria  inaplicável em virtude de não estar contido na Lei nº 9.430/96, em virtude de o nosso  ordenamento jurídico não prever a possibilidade de utilização do Método das Margens  de Lucros Operacionais ­ TNMM.    De acordo com o artigo 18 da Lei nº.  9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos,  despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos  de  importação  ou  de  aquisição,  nas  operações  com  pessoas  ligadas,  devem  ser  Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.121            21 aplicados  os  seguintes métodos:  Preços  Independentes Comparados  ­  PIC,  Preço  de  Revenda menos Lucro ­ PRL e Custo de Produção mais Lucro ­ CPL, sendo vedado ao  contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o princípio da  reserva legal.   Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na  maior dedução na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o art. 18, §§ 4º e  5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece:   Art.  18.  Os  custos,  despesas  e  encargos  relativos  a  bens,  serviços  e  direitos,  constantes  dos  documentos  de  importação  ou  de  aquisição,  nas  operações  efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do  lucro  real  até  o  valor  que  não  exceda  ao  preço  determinado  por  um  dos  seguintes métodos:   (...)   §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível  o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente.   §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem  superiores  ao  de  aquisição,  constante  dos  respectivos  documentos,  a  dedutibilidade fica limitada ao montante deste último.   (...)   Depreende­se do dispositivo  legal acima que não há comando legal determinando ao  Fisco a averiguação do método que seja mais favorável ao contribuinte.   Indubitavelmente  a  norma  sob  exame  atribui  aos  contribuintes  uma  faculdade  de  empregar o método que resulte em maior dedução. Porém, não é possível concluir que,  nos  casos  de  procedimento  de  ofício,  em  que  afastado  o  método  adotado  pelo  contribuinte  porque  não  autorizado  na  lei,  essa  norma  também  atribua  ao  Fisco  o  dever de buscar o resultado mais conveniente ao contribuinte e adotar o método que  resulte  em  maior  dedução,  ou  de  demonstrar  a  impossibilidade  de  aplicação  dos  demais métodos.   O  entendimento  defendido  pela  recorrente  bem  como  no  acórdão  trazido  como  paradigma de divergência do acórdão recorrido, de que não poderia o Auditor Fiscal  ter aplicado de ofício o método PIC,  sem antes demonstrar que  este é mais benéfico  para a pessoa jurídica do que os demais métodos de cálculo de preço de transferência,  decorre de interpretação equivocada da norma em comento.   Com  efeito,  da  faculdade  atribuída  ao  sujeito  passivo  para  escolher,  dentre  os  três  métodos estabelecidos em lei (PIC, PRL e CPL), aquele que resulte em maior dedução  dos custos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não resulta o  dever de o Fisco realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, em procedimento  de ofício, empregar aquele mais favorável ao contribuinte.   A Câmara Superior de Recursos Fiscais ¬ CSRF já decidiu nestes  termos,  indicando  ainda várias outras decisões nesse mesmo sentido:   [...]  Desse modo, entendo que não merece reparo o acórdão recorrido que, em consonância  com  o  artigo  18  e  seus  parágrafos  da  Lei  nº  9.430/96,  assim  concluiu,  cujos  fundamentos também adoto como razão de decidir:   ...   Dessa  forma,  não  vejo  no  procedimento  fiscal  o  vício  apontado  pelo  relator vencido, de que a fiscalização deveria demonstrar ser o método  por ela utilizado o mais  favorável ao contribuinte, porquanto a  lei ao  Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000166/2008­76  Resolução nº  1402­000.368  S1­C4T2  Fl. 1.122            22 dispor que o  contribuinte poderá optar pelo método que  lhe  for mais  favorável,  não  exigiu  ou  priorizou  que  a  fiscalização  efetuasse  os  cálculos pelos três métodos e então aplicar o mais favorável ao sujeito  passivo.   Sobre  essa  matéria,  já  tive  oportunidade  de  acompanhar  o  voto  do  Conselheiro  Marcelo  Cuba  Neto,  no  Acórdão  nº  1201­001.161,  contribuinte  ROBERT  BOSCH  LIMITADA, que tratou assim da matéria:   Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele  que resulte na maior dedução, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96  assim estabelece:   [reproduz o dispositivo]   Não  há  dúvida  de  que  a  norma  sob  exame  atribui  aos  contribuintes  uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução.  Todavia,  não  é  possível  concluir  que  essa  norma  também  atribua  ao  Fisco, nos casos de procedimento de ofício, o dever de adotar o método  que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de  aplicação dos demais métodos.   O  entendimento  defendido  pela  recorrente  é  fruto  de  uma  errônea  interpretação  a  contrario  sensu  da  norma  em  comento.  De  fato,  da  faculdade  atribuída  ao  sujeito  passivo  para  escolher,  dentre  os  três  métodos  estabelecidos  em  lei,  aquele  que  resulte  em maior  dedução,  não  resulta,  a  contrario  sensu,  o  dever  de  o  Fisco,  quando  possível,  realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, empregar aquele  mais favorável ao contribuinte.  Desse modo, também não prevalece tal argumento da decisão recorrida.  Isso  posto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  devendo  os  autos  retornar  à  unidade  de  origem  para  que  seja  intimado  o  contribuinte  a  apresentar  as  devidas  comprovações de que era desobrigado a proceder aos ajustes lançados.  Para  tanto,  e  havendo  necessidade,  a  autoridade  fiscal  poderá  intimar  o  contribuinte  a  apresentar  documentos  complementares  e  esclarecimentos  adicionais  que  entender cabíveis.  Poderá  ainda  a  autoridade  fiscal  apresentar  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários à melhor análise de tais fatos.   Ao  final,  a  unidade de  origem deve  elaborar  relatório  circunstanciado  sobre o  resultado da diligência, cientificando o contribuinte de seu teor e abrindo­se prazo de 30 dias  para que, querendo, manifeste­se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº  7.574/2011).  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator  Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 31/07/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 13817.720053/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. PAF. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. Considerar-se-á não questionada e fora do litígio a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifeste expressamente em seu recurso, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 5.254,92 (Plano de Saúde) e R$ 24.585,72 (odontologia), no ano de 2007. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 141          1  140  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13817.720053/2012­30  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.328  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  (ESPÓLIO) FLORIPES BRANCO DA SILVA PAGNILLO  Recorrida   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  no  ano  calendário,  poderá  ser  deduzida  das  despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos  e  outros  profissionais  da  saúde,  porém  restringe­se  a pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  especificados  e  comprovados,  nos  termos  da  legislação  pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).   Todas  as deduções  estão  sujeitas  a comprovação ou  justificação,  a  juízo da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  n°  5.844,  de  1943,  art.  11,  §  3°).  Tal  faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de  um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo  que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a  exigir,  proporcionando­lhe,  antecipadamente  à  constituição  do  crédito  tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.  PAF. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA.  Considerar­se­á  não  questionada  e  fora  do  litígio  a matéria  sobre  a  qual  o  contribuinte não se manifeste expressamente em seu recurso, a teor do artigo  17 do Decreto nº 70.235, de 1972.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$  5.254,92 (Plano de Saúde) e R$ 24.585,72 (odontologia), no ano de 2007.   Assinado digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 72 00 53 /2 01 2- 30 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 142          2  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson  Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado)  e  Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora  de 1ª instância (fl. 99 e ss), complementando­o ao final:  A  contribuinte  acima  identificada  insurge­se  contra  a  Notificação de Lançamento de fls. 16 a 21, referente ao Imposto  de Renda Pessoa Física, exercício 2.008 (ano calendário 2.007),  apresentando a impugnação de fl. 2.  O  lançamento  em  foco  glosou  a  dedução  de  contribuição  à  previdência  oficial  no  valor  de  R$  566,08  e  a  dedução  de  despesas  médicas  na  quantia  de  R$  30.257,11,  cobrando,  ao  final, imposto suplementar de R$ 8.152,98 multa de ofício de R$  6.114,73  e  juros  de  mora  de  R$  3.200,85,  calculados  até  31/01/2012.  Na  impugnação  interposta  à  fl.  02,  acompanhada  dos  documentos de fls. 04 a 15, a contribuinte alega, em síntese, que:  • O  valor  correspondente  ao  pagamento  da  Contribuição  à  Previdência Oficial foi extraído do comprovante de rendimentos  da Carteira de Previdência Servidor não Oficial de Justiça SP,  mas não conseguiu localizá­lo.  • Quanto  às  despesas  médicas  glosadas,  informa  que  elas  referem­se  a  ela  própria  e  que  estava  apresentando a  segunda  via dos recibos declarados.  Em função do disposto no art. 6ºA, da Instrução Normativa RFB  nº 958, de 15 de julho de 2.009, a Delegacia da Receita Federal  do Brasil no Rio de Janeiro I elaborou o Termo Circunstanciado  de  fls.  37  a  39  e  o Despacho Decisório  de 16/01/2012  (fl.  40),  mantendo  integralmente  as  exigências  contidas  na  Notificação  de Lançamento.  Cientificada  da  decisão  supracitada  (fls.  42/43),  a  contribuinte  apresentou os documentos de fls. 48 a 92.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 143          3  Ao  analisar  a  manifestação  da  contribuinte,  o  Julgador  recorrido  assim  dispôs, em suma:  a) Quanto à glosa da contribuição previdenciária no valor de R$ 566,08, não  houve a apresentação de qualquer comprovante de rendimentos pela interessada. A DIRF de fl.  102 constante nos Sistemas da Receita Federal também não traz qualquer informação acerca de  descontos  relativos  à  contribuição  à  previdência  oficial  em  nome  da  contribuinte  no  ano  calendário 2007. Assim, em função da falta de comprovação do valor informado na declaração  de ajuste, há que se manter a glosa efetuada.  b)  No  caso  em  tela,  a  contribuinte  informou  o  montante  de  R$  25.000,00  relativos a despesas odontológicas, supostamente pagas aos profissionais Flavia Maria, Patrícia  e  Robles.  Conforme  previsto  no  dispositivo  legal  acima  transcrito,  é  necessário  que  haja  a  comprovação do efetivo pagamento das despesas, o que deve ser  feito por meio de  cheques,  extratos bancários,  e,  ainda, apresentar  laudos  técnicos, ou quaisquer documentos hábeis que  pudessem justificar o gasto de tamanho montante em despesas odontológicas, realizadas com  três profissionais diferentes da mesma área. Acrescente­se, ainda, que os recibos apresentados  não atendem o previsto da legislação (indicação do nome, endereço e número de inscrição no  Cadastro de Pessoas Físicas­CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas ­ CNPJ).  c) Quanto  ao montante de R$ 5.257,11  informados  na declaração  de  ajuste  como sendo relativo a pagamento de plano de saúde, a interessada apresentou documentos (fls.  61  a  92)  que  comprovam  a  utilização  do  plano,  sem  comprovar  o  montante  pago  no  ano  calendário  2007.  O  único  documento  que  faz  alguma  referência  ao  valor  informado  na  declaração  de  ajuste  anual  é  o  de  fl.  06,  emitido  pela  Conive Representação Comercial.  Os  outros documentos (fls. 07 a 15)  referem­se à  falência decretada em 07/04/2011, da empresa  Aviccena Assistência Médica Ltda,  cuja administradora da Massa  falida é a empresa Capital  Consultoria e Assessoria Ltda. Não há nos autos qualquer documento que comprove a relação  existente entre a Conive e a Capital Consultoria, nem tampouco com a Aviccena.  Assim,  deu­se  a  decisão  de  1ª  instância  para  considerar  procedente  o  lançamento.  Cientificado  dessa  decisão  em  29/01/2014  (AR  na  folha  105),  o  filho  da  contribuinte,  Lauro  Eduardo  Pagnillo,  apresentou  recurso  voluntário  em  19/02/2014,  com  protocolo na folha 107.  Em sede de recurso, argumenta que vem atendendo ás intimações da Receita  Federal,  com  a  apresentação  de  documentos,  apesar  das  dificuldades  encontradas  com  o  falecimento de  sua mãe, que no  ano de 2007  já apresentava  complexos problemas de  saúde.  Tenta  comprovar  as  despesas  médicas  com  a  apresentação  de  recibos  e  declarações  dos  profissionais  e,  nessa  ocasião,  anexa  ainda  cópias  de  extratos  bancários  que  se  referem  ao  pagamento de algumas parcelas do plano de saúde e a saques em dinheiro. Não entende porque  a glosa das deduções vem se mantendo.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 144          4  O recurso é tempestivo, conforme relatado.  Observo,  preliminarmente,  uma questão  em  relação  à  representatividade  do  filho Lauro Eduardo Pagnillo para recorrer em nome de sua falecida mãe (certidão de óbito em  31/07/2012, fl. 42), Floripes.  Salvo a impugnação original, que ensejou Termo Circunstanciado pela DRF  de  origem,  todas  as  outras manifestações  nos  autos  são  assinadas  por  Lauro Eduardo,  assim  como  os Avisos  de Recebimento  das  intimações  da RFB. Na  certidão  de  óbito,  da  qual  foi  declarante,  consta  seu  nome  dentre  os  filhos  da  falecida,  assim  como  de  sua  carteira  de  identidade,  na  fl.  41.  Verifico  ainda  que  nos  extratos  bancários  que  traz  aos  autos,  Lauro  Eduardo era co­titular da conta corrente com sua mãe, em 2007 (fl. 109 e ss.)  Apesar  de  não  localizar  nos  autos  termo  de  inventariante,  procuração  ou  outro  documento  que  o  designasse  como  representante  legal,  entendo,  em  face  do  acima  exposto e da formalidade mitigada do processo administrativo, que devam ser conhecidos seu  interesse e legitimidade e, consequentemente, o presente recurso.  As folhas citadas neste voto referem­se à numeração do processo digital.  Conforme  relatado,  foram  duas  as  infrações  apontadas  pela  Notificação  de  Lançamento: a) dedução indevida de despesas médicas e b) dedução indevida de previdência  oficial.  Esclareço  ao  interessado,  que  disse  não  entender  essa  segunda  infração,  na  folha 40, que na DIRPF/2008 sua mãe informou (ou alguém por ela) a dedução de R$ 566,08  (fl. 96) a  título de pagamento/retenção de contribuição para a previdência oficial. Não  tendo  localizado informação da fonte pagadora que confirmasse tal pagamento, a Autoridade Fiscal  intimou­a a comprovar o recolhimento da contribuição à previdência (fl. 25), o que jamais se  fez nestes autos. Ademais, em sede de recurso, tal matéria sequer é mencionada, e o Decreto nº  70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, em seu artigo 17, diz que  considerar­se­á não questionada e fora do litígio, a matéria que não tenha sido expressamente  contestada. Assim trataremos apenas da questão da glosa das despesas médicas.  Divirjo  da  exposição  apresentada  pela  DRJ,  sobre  a  necessidade  de  comprovação  do  efetivo  pagamento,  no  caso  destes  autos,  e  fundamento  essa  divergência  a  seguir.  Oportuno  observar  que  no  processo  administrativo  fiscal  a  exigência  de  comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes  interessadas na proteção de seus direitos.  Tratando­se de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao  Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos  que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que  deram  origem  às  despesas médicas,  facultando­lhe  a  legislação  desincumbir­se  de  tal mister  mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde (artigo 80 do  Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/1999).  Nada  obsta,  no  entanto,  que  a  Administração  Tributária  exija  que  o  Interessado  comprove  o  efetivo  pagamento  das  despesas  médicas  realizadas,  quando  a  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 145          5  Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do Decreto­ Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do  Imposto de Renda  RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos:  Decreto­Leinº 5.844/1943   Art. 11. (...)  §  3°  Todas  as  deduções  estarão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação, a juízo da autoridade lançadora.  RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999   Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  n°  5.844, de 1943, art. 11, § 3°).  Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de  um ato cuja materialização se dá  com a  lavratura de um  termo,  isto é, de um documento no  qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio  conhecimento  daquilo  que  o  Fisco  está  a  exigir,  proporcionando­lhe,  antecipadamente  à  constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.  No  Termo  de  Intimação  Fiscal  que  consta  da  folha  25,  o  Auditor  Fiscal  intima a contribuinte a apresentar "comprovantes originais e cópias das despesas médicas" e  "comprovantes  originais  e  cópias  de  despesas  médicas  com  planos  de  saúde  com  valores  discriminados  por  beneficiários".  Não  se  exige  da  contribuinte,  e  tampouco  se  motiva,  a  necessidade da comprovação do "efetivo pagamento", com cópias de cheques, extratos e etc.  como  entendeu  o  Julgador  recorrido.  Se  a Autoridade  Fiscal  não  registra  essa  exigência  em  termo próprio, não pode o julgamento da impugnação fazê­lo, sob pena de inviabilizar a defesa  da contribuinte.  Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF:  Acórdão  2801­003.769  –  1ª  Turma  Especial.  Sessão  de  9  de  outubro de 2014  Exercício: 2004  DESPESAS  MÉDICAS.  DEDUÇÃO.  GLOSA.  RESTABELECIMENTO.  A  dedução  de  despesas  médicas  lançadas  na  declaração  de  ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora,  à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo  tenha  prévio  conhecimento  daquilo  que  o  Fisco  está  a  exigir,  proporcionando­lhe,  antecipadamente  à  constituição  do  crédito  tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.  Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente  teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento.  Recurso Voluntário Provido  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 146          6  Acórdão  2802­002.743  –  2ª  Turma  Especial.  Sessão  de  18  de  março de 2014  IRPF.  DEDUÇÕES.  DESPESAS  MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO  DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.  Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução  na  declaração  de  ajuste  anual,  os  documentos  apresentados  devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95.  A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas  é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de  inidoneidade  dos  recibos  apresentados,  o  que  não  ocorreu  no  caso.  Restabelece­se  a  dedução  de  despesas  médicas  lastreadas  em  recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma  a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada  mais há nos autos que desabone tais documentos.  Recurso Voluntário Provido  Ainda,  ao  analisar  a  possibilidade  de  revisão  de  ofício  do  lançamento,  em  face  dos  documentos  apresentados  pelo  interessado,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  disse,  simplesmente,  que  "após  a  análise  foram  rejeitados  os  documentos  de  fls.  03  a  14  apresentados a título de comprovação de despesas médicas" sem sequer explicar o porquê (fl.  32).  Após  as  indicações  da  DRJ,  juntamente  com  seu  recurso,  o  Recorrente  apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c",  § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da  verdade material.  Assim sendo, entendo que os recibos apresentados merecem ser analisados e  considerados, mesmo porque são complementados por declarações dos profissionais emitentes,  que, em conjunto  com eles,  fornecem  todos os elementos especificados na  legislação, para a  sua validade. Vejamos:  a)  Robles  Bastos  Alfredo,  cirurgião  dentista  CROSP  57.023,  CPF  259.797.908­37, com endereços indicados no rodapé da declaração de folha 43, onde declara  para os devidos  fins que no  ano de 2007 executou  tratamento na paciente Floripes Pagnillo,  referente a implantes "nos elementos 46, 47 e 37 (de 4/12 cone morse da marca bortolli)" no  valor  de  R$  13.700,00.  Nas  folhas  44  e  seguintes  constam  os  recibos.  Assim,  deve  ser  restabelecida a dedução em relação a esse profissional;  b)  Patrícia  de  Oliveira  Ribeiro,  cirurgiã  dentista,  CROSP  90978,  CPF  325.472.918­86,  com  endereço profissional na Avenida Dom José Gaspar,  1421, Vila Assis,  Mauá/SP, declara na folha 47 que realizou, no ano de 2007, 05 tratamentos endodônticos nos  molares (R$ 1.000,00 cada), 01 clareamento dental a laser (R$ 1.500,00) e 08 restaurações em  resina  composta  (R$  1.900,00).  Os  recibos  estão  nas  folhas  47  a  52.  Assim,  deve  ser  restabelecida a dedução em relação a essa profissional;  c) Flavia Maria Carvalho, CRO 72675, CPF 282.968.968­26, com endereço  profissional  no mesmo  centro  odontológico  de  Patrícia  Ribeiro,  acima  especificado,  declara  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 147          7  que  no  ano  de  2007  executou  na  paciente  Floripes  um  tratamento  periodontal,  onde  foram  realizadas 12 sessões de raspagem e alisamento radicular mais profilaxia em todos os dentes.  Na  DIRPF  a  Sra.  Floripes  declarou  uma  despesa  com  essa  profissional  de  R$  2.900,00,  entretanto, na declaração da odontóloga, na folha 53, ela não especifica o valor do tratamento e  encontro nos autos 6 recibos (maio a outubro) no valor de R$ 414,28 cada, perfazendo um total  de  R$  2.485,68.  Portanto,  falta  um  recibo  e  o  restabelecimento  da  dedução  pleiteada  será  parcial.  Querendo,  é  possível,  então,  analisar  a  documentação  e  obter  todas  as  informações necessárias e especificadas no Regulamento do  Imposto de Renda, para conferir  validade  aos  recibos  (acompanhados  de  declarações)  sobre  os  quais  não  se motivou  dúvida  nem  especificou  deficiências  no  decorrer  deste  procedimento,  tampouco  se  exigiu,  regularmente, a comprovação do efetivo pagamento.  Já em relação ao plano de saúde, o valor declarado em DIRPF (fl. 94/5) como  dedutível foi de R$ 5.257,11. A DRJ já dera conta de que na folha 6 existe uma declaração da  empresa  CONIVE  representação  comercial  ltda.  dizendo  que  a  Sra.  Floripes  pertenceu  ao  quadro  associativo  da  empresa  no  ano  de  2007,  aderindo  a  plano  empresarial  Avimed  de  assistência médica e pagando um total de R$ 5.257,11.  A  empresa  Aviccena  Assitência  Médica  teve  falência  decretada  e  foi  substituída. A DRJ não encontrou relação entre a Aviccena e a Conive, por isso entendeu que a  dedução era indevida.  A Sra. Floripes, nascida em 19 de fevereiro de 1928, em 2007 contava com  79  anos.  Fora  as  despesas  odontológicas,  não  declarou  nenhuma  outra  despesa  com  saúde,  apesar dos vários  receituários médicos, encaminhamentos para consultas, exames e guias que  foram anexados aos autos. Além disso, no documento de folha 74, por exemplo, observo que o  exame  registra  que  ela  tinha  "convênio"  com  "Avicena"  e  depois,  na  folha  81,  com  "Intersaúde".   Fato é que ela mantinha convênios médicos de assistência à saúde, que eram  pagos mensalmente (pagamento eletrônico de títulos) com débito em conta corrente, como se  verifica nos extratos bancários que estão agora anexados nas  folhas 109 e seguintes. O valor  mensal  era  de  R$  437,91,  como  é  possível  inferir,  totalizando  R$  5.254,92,  no  ano.  Uma  diferença irrisória em relação ao que foi declarado. E o pagamento era feito regularmente, uma  vez  que  ela  efetivamente  usava  o  plano,  para  sua  assistência,  como  demonstram  os  vários  exames, consultas e internação.  Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer  despesas médicas no importe de R$ 5.254,92 (Plano de Saúde) e R$ 24.585,72 (odontologia),  no ano de 2007.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada              Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13817.720053/2012­30  Acórdão n.º 2202­003.328  S2­C2T2  Fl. 148          8                Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 15504.721812/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NORMAS GERAIS. DECISÃO DE DRJ. LOCALIDADE DIVERSA. VALIDADE. Conforme súmula do CARF, é válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo, motivo da negativa de provimento ao argumento. NORMAS GERAIS. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. A legislação determina que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. No presente caso, o lançamento traz todos seus motivos para caracterizar como remuneração o valor pago a bolsistas, assim como a decisão a quo analisa e refuta todos argumentos trazidos na impugnação. Portanto, não há motivo para decretação de nulidade, pois os direitos à ampla defesa e ao devido processo gal foram obedecidos. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege sua concessão, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Súmula do CARF determina que a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia, motivo do provimento do recurso, neste ponto. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO SOBRE VALOR DE SERVIÇOS PRESTADOS COM CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGATORIEDADE DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA. A Legislação determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão-de-obra. A legislação, também define e determina o que é cessão de mão de obra, para a exigência de retenção, como a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. No presente caso, não há a subsunção do fato à norma, pois não estão demonstradas e comprovadas as características que definem e demonstram que a prestação de serviços foi executada por cessão de mão de obra, motivo do provimento do recurso. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. BOLSISTAS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. A legislação determina que para que haja a isenção de contribuição previdenciária as bolsas não devem representar vantagem econômica para o doador, nem importar prestação de serviços. Nos argumentos e provas anexados pelo Fisco há a demonstração que as bolsas serviram para obtenção de vantagem econômica para o doador, assim como importaram em prestação de serviços, motivo da negativa de provimento ao recurso. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE SÓCIOS DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA COMO EMPREGADO. CARACTERÍSTICAS. OBRIGATORIEDADE. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA. A legislação determina, como única possibilidade, que a fiscalização, ao constatar que o segurado contratado sob qualquer outra denominação preenche as condições que caracterizam o segurado como empregado deve desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As características que definem se segurado é empregado são: subordinação, pessoalidade, não eventualidade, remuneração. No presente caso, não há demonstração de que os segurados prestavam o serviço em condição de subordinação jurídica à recorrente, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento as exigências oriundas de: (1) pagamento do vale transporte em dinheiro; (2) retenção sobre serviços contratados com suposta cessão de mão-de-obra; e (3) caracterização de sócios de pessoas jurídicas como empregados da Recorrente. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NORMAS GERAIS. DECISÃO DE DRJ. LOCALIDADE DIVERSA. VALIDADE. Conforme súmula do CARF, é válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo, motivo da negativa de provimento ao argumento. NORMAS GERAIS. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. A legislação determina que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. No presente caso, o lançamento traz todos seus motivos para caracterizar como remuneração o valor pago a bolsistas, assim como a decisão a quo analisa e refuta todos argumentos trazidos na impugnação. Portanto, não há motivo para decretação de nulidade, pois os direitos à ampla defesa e ao devido processo gal foram obedecidos. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege sua concessão, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Súmula do CARF determina que a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia, motivo do provimento do recurso, neste ponto. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO SOBRE VALOR DE SERVIÇOS PRESTADOS COM CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGATORIEDADE DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA. A Legislação determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão-de-obra. A legislação, também define e determina o que é cessão de mão de obra, para a exigência de retenção, como a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. No presente caso, não há a subsunção do fato à norma, pois não estão demonstradas e comprovadas as características que definem e demonstram que a prestação de serviços foi executada por cessão de mão de obra, motivo do provimento do recurso. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. BOLSISTAS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. A legislação determina que para que haja a isenção de contribuição previdenciária as bolsas não devem representar vantagem econômica para o doador, nem importar prestação de serviços. Nos argumentos e provas anexados pelo Fisco há a demonstração que as bolsas serviram para obtenção de vantagem econômica para o doador, assim como importaram em prestação de serviços, motivo da negativa de provimento ao recurso. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE SÓCIOS DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA COMO EMPREGADO. CARACTERÍSTICAS. OBRIGATORIEDADE. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA. A legislação determina, como única possibilidade, que a fiscalização, ao constatar que o segurado contratado sob qualquer outra denominação preenche as condições que caracterizam o segurado como empregado deve desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As características que definem se segurado é empregado são: subordinação, pessoalidade, não eventualidade, remuneração. No presente caso, não há demonstração de que os segurados prestavam o serviço em condição de subordinação jurídica à recorrente, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento as exigências oriundas de: (1) pagamento do vale transporte em dinheiro; (2) retenção sobre serviços contratados com suposta cessão de mão-de-obra; e (3) caracterização de sócios de pessoas jurídicas como empregados da Recorrente. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  A  Legislação  determina  que  a  empresa  contratante  de  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura  de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão­de­ obra.  A legislação, também define e determina o que é cessão de mão de obra, para  a  exigência de  retenção,  como a  colocação à disposição do  contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem  serviços  contínuos,  relacionados  ou  não  com  a  atividade­fim  da  empresa,  quaisquer  que sejam a natureza e a forma de contratação.  No  presente  caso,  não  há  a  subsunção  do  fato  à  norma,  pois  não  estão  demonstradas  e  comprovadas  as  características  que  definem  e  demonstram  que a prestação de serviços foi executada por cessão de mão de obra, motivo  do provimento do recurso.  LANÇAMENTO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL.  BOLSISTAS.  ISENÇÃO.  CONDIÇÕES.  A  legislação  determina  que  para  que  haja  a  isenção  de  contribuição  previdenciária as bolsas não devem representar vantagem econômica para o  doador, nem importar prestação de serviços.  Nos  argumentos  e  provas  anexados  pelo  Fisco  há  a  demonstração  que  as  bolsas serviram para obtenção de vantagem econômica para o doador, assim  como  importaram  em  prestação  de  serviços,  motivo  da  negativa  de  provimento ao recurso.  LANÇAMENTO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL.  CARACTERIZAÇÃO DE  SÓCIOS  DE  PESSOA  JURÍDICA  PRESTADORA  COMO  EMPREGADO.  CARACTERÍSTICAS.  OBRIGATORIEDADE.  SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA.  A  legislação  determina,  como  única  possibilidade,  que  a  fiscalização,  ao  constatar  que  o  segurado  contratado  sob  qualquer  outra  denominação  preenche  as  condições  que  caracterizam  o  segurado  como  empregado  deve  desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado  empregado.  As características que definem se segurado é empregado são: subordinação,  pessoalidade, não eventualidade, remuneração.  No  presente  caso,  não  há  demonstração  de  que  os  segurados  prestavam  o  serviço  em  condição  de  subordinação  jurídica  à  recorrente,  motivo  da  negativa de provimento ao recurso.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 4494DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.494          3    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  a  fim  de  excluir  do  lançamento  as  exigências  oriundas  de:  (1)  pagamento  do  vale  transporte  em  dinheiro;  (2)  retenção  sobre  serviços  contratados  com  suposta  cessão  de  mão­de­obra;  e  (3)  caracterização  de  sócios  de  pessoas  jurídicas como empregados da Recorrente. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço  Ferreira do Prado.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Marcelo Oliveira ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Natanael  Vieira  dos  Santos,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ),  fls.  04351  1  ,  que  julgou  impugnação  procedente em parte, nos seguintes termos:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  DECADÊNCIA  ­  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO  ­  OCORRÊNCIA  DE  RECOLHIMENTOS  PARCIAIS.  DECADÊNCIA.  Em  face  da  incidência  da  Súmula Vinculante  8/2008  do  STF  e  demais  legislação  pertinente,  o  prazo  decadencial,  em matéria  de  contribuições  previdenciárias,  é  de  cinco  anos,  incidindo  a  regra de contagem do artigo 150, § 4º do CTN, na hipótese de  terem ocorrido pagamentos parciais.  VALE­TRANSPORTE  ­  PAGAMENTO  EM  DINHEIRO  ­  PARCELA DO SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  O  pagamento  a  título  de  vale­transporte  não  está  sujeito  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  desde  que,  nos  termos da letra “f” do § 9º do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991,  seja realizado segundo a legislação própria (Lei n° 7.418/1985 e  Decreto n° 95.247/1987).  RETENÇÃO DE 11% ­ CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA.  Demonstrada a ocorrência dos correspondentes requisitos legais  (artigo  31  da  Lei  n°  8.212/1991),  o  contratante  de  serviços  realizados sob a forma de cessão de mão­de­obra ou empreitada  deve promover a retenção da importância correspondente a 11%  do montante da nota fiscal/fatura, recolhendo o respectivo valor  à Previdência Social.   BOLSAS  DE  ESTUDO,  PESQUISA  E  EXTENSÃO  ­  CONCESSÃO – LEI N° 8.958/1994.  A concessão de bolsas de estudo, de pesquisa e de extensão no  âmbito  das  Instituições  Federais  de  Ensino  Superior  e  das  Instituições  Científicas  e  Tecnológicas,  assim  como  pelas  correspondentes  “Fundações  de  apoio”  (Fundações  privadas,  sem fins lucrativos) não se sujeita à incidência de contribuições  previdenciárias, desde que sejam concedidas nos termos da Lei  n° 8.958/1994 e Decreto n° 5.205/2004.   VÍNCULO  EMPREGATÍCIO  ­  CARACTERIZAÇÃO  ­  COMPETÊNCIA DO AFRFB.                                                              1 Numeração conforme processo eletrônico.  Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.495          5  O AFRFB é competente para desclassificar relações contratuais  formalizadas  como  contratos  civis  de  prestação  de  serviços,  quando  constata  que  houve,  na  realidade,  a  prestação  de  serviços  por  segurados  empregados,  em  face  da  presença  das  razões  de  fato  e  de  direito  que  caracterizem  a  relação  empregatícia.   PROVA  ­  MOMENTO  DA  PRODUÇÃO  NO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO FISCAL.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  as  provas  têm  regras  próprias,  quanto  ao  momento  em  que  devam  ser  apresentadas,  bem  como  condições  específicas  para  posterior  apresentação,  as  quais,  quando  não  demonstradas,  impossibilitam o  posterior  conhecimento,  em  face  da  preclusão  do direito de fazê­lo.   Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Acórdão  Acordam  os  membros  da  17ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  JULGAR  PROCEDENTES  EM  PARTE  AS  IMPUGNAÇÕES,  ficando  mantida  parte  dos  créditos  tributários lançados, na forma deste Acórdão.   Segundo  a  fiscalização,  de  acordo  com  o Relatório  Fiscal  (RF),  fls.  030,  o  lançamento refere­se a:  07. DEBCAD 51.046.927­2:  Levantamento  VT:  no  qual  estão  sendo  lançados  os  créditos  referentes  às  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  ,  NÃO  DECLARADAS  EM  GFIP,  relativas  à  Parte  Patronal,  incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a  título  de  VALE  TRANSPORTE  PAGO  EM  DINHEIRO  a  segurados  empregados,  inclusive  a  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa,  resultante  de  riscos  ambientais  do  trabalho – GILRAT no período de 01/2009 a 12/2009.  Levantamento  BO:  no  qual  estão  sendo  lançados  os  créditos  referentes às contribuições destinadas à Seguridade Social, NÃO  DECLARADAS EM GFIP, relativas à Parte Patronal, incidentes  sobre as  remunerações pagas através das VERBAS P07, P15 e  P38,  respectivamente,  BOLSA  DE  EXTENSÃO,  BOLSA  DE  PESQUISA  IRRF  e  BOLSA  DE  ENSINO  a  contribuintes  individuais, no período de 01/2010 a 12/2010.   Levantamento  PJ:  no  qual  estão  sendo  lançados  os  créditos  referentes  às  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  ,  NÃO  DECLARADAS  EM  GFIP,  relativas  à  Parte  Patronal,  incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a  sócios  de  empresas  que  prestaram  serviços  à  FUNDEP  como  Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  segurados  empregados,  inclusive  a destinada ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa,  resultante  de  riscos  ambientais  do  trabalho – GILRAT no período de 01/2009 a 12/2009.  08. DEBCAD 51.046.930­2:  Levantamentos  CK  e  VH:  no  qual  estão  sendo  lançados  os  créditos referentes à importância que deveria ter sido retida pela  FUNDEP, 11% (onze por cento) do valor bruto da Nota Fiscal,  Fatura  ou  Recibo  de  prestação  de  serviços  (NF/FAT/REC),  como  tomadora  de  serviços  terceirizados  executados mediante  cessão de mão­de­obra, no período de 2009.  09.  DEBCAD  51.046.931­0,  onde  foram  apuradas  as  contribuições  destinadas  a  Outras  Entidades  e  Fundos  (SEBRAE,  SALÁRIO  EDUCAÇÃO,  INCRA,  SENAC,  SESC)­  TERCEIROS,  no  período  de  2009,  incidentes  sobre  as  remunerações apuradas através dos levantamentos VT e PJ.  Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais  anexos que o configuram.  Em 31/03/2014 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 04419.  Contra  o  lançamento,  a  recorrente  apresentou  impugnação,  fls.  04225,  em  30/04/2014, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a  quo, em síntese, que:  1.  Aplicação de regra decadencial;  2.  Quanto ao pagamento de vale transporte em pecúnia, agiu em harmonia  com  o  entendimento  já  consolidado  da  Corte  Superior  Trabalhista,  rogando­se  a  desconstituição do Auto de Infração, na medida em que a concessão do benefício em espécie,  sob amparo de norma coletiva homologada pelo Ministério do Trabalho, não tem o condão de  converter  a  sua  natureza  para  verba  remuneratória. A natureza  indenizatória  do  benefício  se  mantém, e como tal não pode ser base de apuração de contribuições previdenciárias;  3.  Quanto  ao  levantamento  PJ  (pessoa  jurídica),  competência  para  reconhecer relações de emprego seria exclusiva da Justiça do Trabalho;  3.1  O caso se refere à contratação de natureza civil entre pessoas jurídicas;  3.2  É uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, que teria mais de  5.000  empregados  e  questiona  a  plausibilidade  de  contratação  de  tão  poucos  segurados  de  forma irregular;  3.3  Todos  os  contratos  de  prestação  de  serviços  celebrados  com  as  sete  empresas  contratadas  enquadram­se  no  conceito  da  intelectualidade,  entendendo­se  como  trabalho  intelectual aquele que provém do  intelecto, da  inteligência. Neste contexto,  tanto os  serviços de desenvolvimento de sistemas de informática, como as consultorias prestadas pelas  empresas dos Doutores Andréa Kauffman Zeh e José Luciano de Assis Pereira, se alinham a  este conceito;  Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.496          7  3.4  E  nem  se  pode,  ainda,  dizer  que  tais  serviços  estão  dentre  aqueles  voltados  à  atividade­fim  da  Fundação,  o  que  poderia  ser  alegado  como  um  óbice  legal  à  contratação;  3.5  A  finalidade  da  Fundação,  nos  termos  do  seu  estatuto,  é  fundamentalmente apoiar e gerenciar os projetos de ensino, pesquisa, extensão da Universidade  Federal  de Minas  Gerais,  e  tais  serviços  se  enquadram  claramente  no  âmbito  da  atividade­ meio;  3.6  Portanto,  a natureza  cível dos  contratos  tem  total  amparo na  legislação  atual, sendo este mais um fator que invalida o Auto de Infração, neste aspecto;  3.7  Se  mantido  o  lançamento,  forçoso  reconhecer  que  as  alíquotas  consideradas pela Fiscalização estão a merecer dedução;  3.8  Com efeito, a relação entre pessoas jurídicas também gera recolhimento  de contribuições e encargos patronais, inclusive a terceiros;  3.9  Portanto,  é  razoável  deduzir,  da  alíquota  considerada  no  Auto  de  Infração,  o  percentual  de  encargos  e  contribuições  legalmente  incidentes  sobre  a  relação  contratual entre as pessoas jurídicas, sob pena do Fisco vir a ser duplamente beneficiado com a  autuação:  primeiro,  com  a  própria  contratação  entre  instituições  jurídicas  antes  estabelecida  (que ele, Fisco, considerou inválida, mas recebeu tributos) e, segundo, com a alíquota "cheia"  imposta no Auto de Infração;  3.10 Necessário se faz, portanto, elaborar novo discriminativo de débito, ante  a  necessária  revisão  da  base  de  cálculo  da  contribuição,  para  os  fins  de  se  compensar  das  alíquotas  consideradas  na  autuação  percentuais  de  encargos  e  contribuição  social  incidentes  sobre os contratos entre pessoas jurídicas.  4.  Por  todo  o  exposto,  conclui­se,  forçosamente,  pela  necessidade  de  desconstituição do Auto de Infração, aqui impugnado, por não refletir o real alcance dos fatos,  o que ora se pleiteia.  A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em  parte a impugnação.  Em 26/11/2014, a recorrente foi cientificada do lançamento, fls. 04489.  Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls.  04441, em 26/12/2014, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que:  1.  Contesta:  I)  Pagamento  do  Vale­transporte  em  dinheiro  ­  Parcela  do  Salário Contribuição;  II) Retenção dc 11% sobre serviços contratados com suposta cessão de  mão­de­obra;  III)  Pagamentos  a  bolsistas  ­  caracterização  de  servidores  como  "contribuintes  individuais";  IV)  Caracterização  de  sócios  de  pessoas  jurídicas  como  empregados  da  Recorrente;  2.  Há  incompetência  da  DRJ  de  Ribeirão  Preto,  para  julgamento  da  autuação;  Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  3.  Não  há  elementos  fáticos  para  caracterizar  a  concessão  de  bolsas  de  estudo como contraprestação de serviços;  4.  Sem nenhuma apreciação específica do pleito de produção probatória, a  Delegacia  de  Julgamento  simplesmente  sucumbiu  esta  etapa  processual  e  proferiu  inadvertidamente  o  julgamento,  importando,  este  fato,  em  nulidade  do  julgado,  por  cerceamento do direito de defesa. Essa nulidade tanto mais se agrava porque o trabalho fiscal é  absolutamente  insuficiente  para  demonstrar,  por  exemplo,  que  as  bolsas  concedidas  tinham  total compatibilidade acadêmica e não meras "prestações de serviços";  5.  Não deve incidir contribuição sobre pagamentos de vale transporte pago  em dinheiro;  6.  Quanto a exigência de 11% sobre a contratação de prestação de serviços  pro  cessão  de  mão  de  obra,  no  caso  das  duas  empresas  contratadas,  empresas  Cook  Empreendimentos Alimentação Coletiva Ltda e VH tratamento de resíduos Ltda, não estão presentes os  requisitos para essa exigência;  7.  Quanto  à  exigência  de  contribuições  sobre  prestação  de  serviços  de  contribuintes individuais, o que fez a Fiscalização, para gerar o malsinado Auto de Infração foi,  apenas e tão somente, elencar as Bolsas que a Fundação concedeu com retenção de Imposto de  Renda e efetuar o levantamento da contribuição previdenciária, como se ali se estivesse diante  de  uma  relação  de  contratação  de  um  contribuinte  individual!  O  julgamento  proferido  pela  Delegacia de Ribeirão Preto não ousou enfrentar este diagnóstico;  8.  O simples fato da Fundação ter retido imposto de renda sobre as bolsas  não é suficiente, por si só, para atrair o recolhimento da contribuição previdenciária patronal,  qualificando­sc o bolsista de "contribuinte individual";  9.  Não há uma relação direta e automática de causa e efeito entre uma coisa  e  outra,  até  porque  o  imposto  de  renda  e  a  contribuição  previdenciária  possuem  normas  próprias e distintas que disciplinam, separadamente, a incidência de ambos os tributos;  10.  Não  se vislumbram  fundamentos para  se  enquadrar como contribuintes  individuais  servidores  da  UFMG  ou  dc  outras  instituições  federais  públicas  de  ensino  e  pesquisa  apoiadas  pela  FUNDEP,  por  não  haver  conectividade  neste  procedimento  com  a  definição estrita do que deve ser considerado "contribuinte individual";  11.  Não há aqui "atividade por conta própria";  12.  A atividade do bolsista, merecedora da bolsa, se dá sob comando, tutela e  ordenação  do  órgão  público  a  que  está  vinculado,  qual  seja,  a  instituição  federal  de  ensino  superior  ou  de  pesquisa,  a  quem  compete,  inclusive  por  expresso  comando  do  art.  7o,  do  Decreto  n°  7423/2010,  disciplinar  as  hipóteses  de  concessão  das  bolsas,  fixando  valores,  critérios e procedimento para a respectiva concessão;  13.  Mais  do  que  isso:  o  valor  da  bolsa  compõe  base  da  definição  do  teto  constitucional, disposto no art. 37, XI, da Constituição Federal;  14.  Assim, no caso concreto, como os bolsistas listados pela fiscalização são  servidores  públicos  (no  próprio  requerimento  de  bolsa  há  a  qualificação  funcional)  titulares,  pois,  de  cargos  permanentes  do  quadro  funcional  da Universidade Federal  de Minas Gerais,  não podem os valores pelos mesmos recebidos, a título de bolsa, compor base de cálculo para  contribuição previdenciária afeta aos contribuintes individuais;  Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.497          9  15.  Reitera  seus  argumentos  sobre  a  caracterização  de  sócios  de  pessoas  jurídicas como segurados empregados;  16.  Solicita o provimento de seu recurso.  Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.  É o relatório.  Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10      Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Sendo  tempestivo,  CONHEÇO  DO  RECURSO  e  passo  ao  exame  de  seus  argumentos.  DA PRELIMINAR  Em  um  primeiro  argumento  sobre  a  preliminar,  a  recorrente  alega  incompetência da DRJ de Ribeirão Preto, para julgamento da autuação.  Esclarecemos  à  contribuinte  que  há  súmula,  de  obediência  vinculante,  segundo a legislação, no CARF:  Súmula  CARF  nº  102  ­  É  válida  a  decisão  proferida  por  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  ­  DRJ  de  localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.  Portanto,  a  questão  já  está  decidida,  devendo  ser  negado  provimento  ao  recurso, neste ponto.  Em  outra  preliminar  a  recorrente  alega  que  não  há  elementos  fáticos  para  caracterizar a concessão de bolsas de estudo como contraprestação de serviços.  Esclarecemos  à  recorrente  que  a  questão  do  enquadramento  do  vínculo  previdenciário dos pessoas  físicas que  recebem bolsas de  estudo é uma questão basicamente  jurídica.  Aliás,  da  leitura  integral  de  sua  impugnação  verifica­se  que  a  contribuinte  traz questões jurídicas, que foram integralmente analisadas pela decisão de primeira instância.  Como veremos adiante, na análise de mérito, a legislação determina quando  os bolsistas devem contribuir, ou não, com a previdência social.  Sobre a análise da peça impugnatória, o fisco demonstrou e a decisão a quo  analisou e decidiu, em seus argumentos, a análise da documentação  fornecida, não surgindo,  assim, nenhum dos motivos da legislação para a decretação da nulidade do lançamento.  Decreto 70.235/1972:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito.  Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.498          11  DO MÉRITO:  Quanto ao mérito, a recorrente contesta quatro questões, relacionadas a :  I) Pagamento do Vale­transporte em dinheiro;  II) Retenção dc 11% sobre serviços contratados com suposta cessão de mão­ de­obra;  III)  Pagamentos  a  bolsistas  ­  caracterização  de  servidores  como  "contribuintes individuais"; e  IV)  Caracterização  de  sócios  de  pessoas  jurídicas  como  empregados  da  Recorrente.  Analisaremos cada ponto.  VALE­TRANSPORTE:  Quanto  à  incidência  de  contribuição  sobre  os  valores  referentes  a  vale  transporte, pagos em pecúnia, também, há súmula do CARF que define a questão:  Súmula CARF  nº  89:  A  contribuição  social  previdenciária  não  incide  sobre  valores  pagos  a  título  de  vale­transporte,  mesmo  que em pecúnia.  Conseqüentemente, deve ser dado provimento ao recurso, a fim de excluir da  exigência valores referentes a vale transporte.  RETENÇÃO  SOBRE  SERVIÇOS  CONTRATADOS  COM  CESSÃO  DE MÃO­DE­OBRA:  Nesse ponto, importante verificarmos o que dita a legislação.  Lei 8.212/1991:  "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota  fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da  empresa cedente da mão­de­obra, a importância retida até o dia  vinte do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal  ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver  expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o  do art. 33.  ...  § 3o Para os fins desta Lei, entende­se como cessão de mão­de­ obra  a  colocação  à  disposição  do  contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem  serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade­fim da  empresa,  quaisquer  que  sejam  a  natureza  e  a  forma  de  contratação.  Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  Pela  simples  leitura  da  determinação  legal  verificamos  que  a  retenção  só  deverá ocorrer em serviços executados mediante cessão de mão de obra, questão de validade da  retenção.  Ainda a legislação define o que é cessão de mão de obra, que é a colocação à  disposição  do  contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros;  de  segurados  que  realizem serviços contínuos,  relacionados ou não com a atividade­fim da empresa, quaisquer  que sejam a natureza e a forma de contratação.  Portanto, para que a fiscalização chegue à conclusão de que o sujeito passivo  deveria  reter  valores  e  não  o  fez  deve  comprovar  a  existência  da  prestação  de  serviços  executados mediante cessão de mão de obra, ou seja, subsumir o fato à norma.  No RF há a seguinte motivação para a exigência da contribuição:  "148. Quanto aos  serviços  identificados pela  fiscalização como  prestados  com  cessão  de  mão  de  obra  cabe  anotar  o  que  se  segue:  149.  O  contrato  de  prestação  de  serviços  firmado  entre  a  FUNDEP e a empresa COOK Empreendimentos em Alimentação  Coletiva Ltda, dispõe que:   “CLAÚSULA PRIMEIRA – DO OBJETO – Constitui  objeto do  presente contrato a prestação de serviços pela CONTRATADA à  CONTRATANTE,  consistindo  em  fornecimento  de  refeições  fabricadas e/ou distribuídas pela CONTRATADA, ...”   “CLAUSULA SEGUNDA – DO FORNECIMENTO DIÁRIO ­ A  CONTRATADA  deverá  fornecer  diariamente  para  a  CONTRATANTE a quantidade de produtos previamente por esta  determinados, devendo qualquer alteração ser comunicada com  antecedência de 01 (um) dia útil.”  150.  Em  diligência  às  instalações  do  Hospital  Pronto  Socorro  Risoleta  Tolentino  Neves­  HRTN,  gerenciado  pela  FUNDEP,  observou­se  que  a  alimentação  fornecida  para  os  funcionários,  pacientes e acompanhantes é preparada no setor de Serviço de  Nutrição  e  Dietética  (SND)  do  HRTN,  localizado  à  rua  das  Gabirobas,  nº  01,  Bairro  Vila  Clóris,  BH/MG,  pela  empresa  COOK EMPREENDIMENTOS EM ALIMENTAÇÃO COLETIVA  LTDA,  CNPJ  16.654.626/0001­51,  com  pessoal  à  disposição  para  a  preparação  das  refeições,  conforme  declaração  em  anexo, DOC  004,  não  tendo  sido  apresentado  termo  oficial  de  cessão de espaço.  151. Quanto à natureza dos serviços prestados os incisos VI do  Art.  118  da  Instrução  Normativa  n°  971/2009  e  legislações  anteriores  disciplinam  que  estarão  sujeitos  à  retenção,  se  contratados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  os  serviços  de  copa, que envolvam a preparação, o manuseio  e a distribuição  de todo ou de qualquer produto alimentício.  152.  Serviram  de  base  para  este  levantamento  os  contratos  de  prestação  de  serviços,  e  respectivas  notas  fiscais  cujas  cópias  fornecidas  pela  FUNDEP  são  partes  integrantes  do  presente  relatório fiscal, DOC 010.  Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.499          13  153.  O  Anexo  IV,  discrimina  os  lançamentos  contábeis,  os  valores  e  datas  de  emissão  das  Notas  Fiscais  emitidas  pela  contratada  e  respectivos  históricos,  além  da  coluna  BASE  DE  CÁLCULO que corresponde a 50% do valor bruto da nota fiscal,  nos termos do inciso I do artigo 122 da IN 971/2009."  Com  todo  respeito  ao  Fisco,  não  verificamos  a  demonstração  cabal  da  existência da cessão de mão de obra.  Em caso de preparo de refeições pode existir cessão, por exemplo, quando a  tomadora  fornece  o  espaço,  os  alimentos,  o  maquinário  e  a  prestadora  "fornece",  "aluga",  "cede" a mão de obra.  Em nosso entender a cessão não está demonstrada nos autos.  A fiscalização afirma em sua motivação que, em diligência às instalações do  Hospital  Pronto  Socorro  Risoleta  Tolentino  Neves­  HRTN,  gerenciado  pela  FUNDEP,  observou­se  que  a  alimentação  fornecida  para  os  funcionários,  pacientes  e  acompanhantes  é  preparada no setor de Serviço de Nutrição e Dietética (SND) do HRTN, pela empresa COOK  EMPREENDIMENTOS EM ALIMENTAÇÃO COLETIVA LTDA, com pessoal à disposição  para  a  preparação  das  refeições,  conforme  declaração  em  anexo, DOC  004,  fls.  02056,  não  tendo sido apresentado termo oficial de cessão de espaço.  Ocorre  que  essa  declaração,  utilizada  para  confirmação  da  convicção  do  Fisco, afirma que foi dada à empresa a cessão de espaço destinado ao restaurante e a cozinha,  competindo a esta (prestadora) promover no referido espaço, sob exclusiva responsabilidade, a  administração e a produção dos alimentos.  Só a cessão de espaço não permitem, pela lógica, a caracterização da cessão.  Portanto, deve ser dado provimento ao recurso neste ponto, a fim de excluir  da exigência as contribuições pelos serviços prestados pela empresa COOK.  Ainda no RF há a seguinte motivação para a exigência da contribuição, pelos  serviços prestados pela outra empresa:  "  O  contrato  firmado  entre  a  FUNDEP  e  a  empresa  VH  TRATAMENTO  DE  RESÍDUOS  LTDA  tem  como  objeto  a  contração  de  empresa  especializada  para  a  execução  dos  serviços  de  coleta,  transporte  tratamento  por  incineração  e  destinação final de resíduos sólidos, de serviços de saúde de que  tratam  as  resoluções  CONAMA  05/93  e  283/2001  e  ANVISA  RDC nº 306/2004.  155. A cláusula 5ª do referido contrato, que trata das obrigações  da contratada, dispõe que:  1.se  obriga  a  realizar  coletas  diárias,  inclusive  em  sábados,  domingos  e  feriados,  ou  conforme  demanda  em  horários  pré­ estabelecidos pela contratante;   2.todo o pessoal envolvido no serviço objeto deste contrato será  de responsabilidade da contratada;  Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     14  3.manter  disponível  a  unidade  de  tratamento  de  resíduos  por  incineração  devidamente  licenciada  pelo  órgão  ambiental  competente;   4.garantir  a  qualidade  dos  serviços  de  coleta,  transporte,  tratamento e destinação final dos resíduos;  5.utilizar  para  coleta  e  transporte  veículo  que  atenda  às  exigências e normas pertinentes.  156. Quanto à natureza dos  serviços prestados  os  incisos V do  Art.  118  da  Instrução  Normativa  n°  971/2009  e  legislações  anteriores  disciplinam  que  estarão  sujeitos  à  retenção,  se  contratados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  os  serviços  de  coleta  ou  reciclagem  de  lixo  ou  de  resíduos,  que  envolvam  a  busca,  o  transporte,  a  separação,  o  tratamento  ou  a  transformação  de  materiais  inservíveis  ou  resultantes  de  processos produtivos.  157.  Serviram  de  base  para  este  levantamento  os  contratos  de  prestação  de  serviços,  e  respectivas  notas  fiscais  cujas  cópias  fornecidas  pela  FUNDEP  são  partes  integrantes  do  presente  relatório fiscal, DOC 011.  158. O Anexo V, discrimina os  lançamentos contábeis, as datas  de  emissão  das Notas Fiscais  e  respectivos  históricos,  além da  coluna  Valor  da NF,  que  corresponde  à  BASE DE CÁLCULO  utilizada para a apuração dos créditos.   A fiscalização afirma, como único fundamento para a exigência, que o v, art.  118, da IN 971/2009 determina a exação, mas há um equívoco.  IN 971/2009:  Art.  118.  Estarão  sujeitos  à  retenção,  se  contratados  mediante cessão de mão­de­obra, observado o disposto  no art. 149, os serviços de:  ...  V ­ coleta ou reciclagem de lixo ou de resíduos, que envolvam a  busca,  o  transporte,  a  separação,  o  tratamento  ou  a  transformação  de  materiais  inservíveis  ou  resultantes  de  processos produtivos, exceto quando realizados com a utilização  de equipamentos tipo contêineres ou caçambas estacionárias;  Como  facilmente  se  nota,  há  uma  condicionante  para  a  exigência:  a  demonstração da contratação por cessão de mão de obra.  Da  leitura  integral  dos  fundamentos  para  a  exigência,  acima,  não  há  demonstração dos requisitos que caracterizam cessão.  Portanto, deve ser dado provimento ao recurso neste ponto, a fim de excluir  da exigência as contribuições pelos serviços prestados pela empresa VH.  PAGAMENTOS  A  BOLSISTAS  ­  CARACTERIZAÇÃO  COMO  "CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS":  Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.500          15  Para nossa análise, devemos verificar a legislação.  Lei 8.212/1991:  Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  ...  V ­ como contribuinte individual:  ...  g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter  eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;   A  legislação  que  trata  de  bolsas  de  estudo,  no  que  interessa  ao  litígio,  é  a  seguinte:  Lei 8.958/1994:  Art.  4º  As  instituições  federais  contratantes  poderão  autorizar,  de  acordo  com  as  normas  aprovadas  pelo  órgão  de  direção  superior  competente,  a  participação  de  seus  servidores  nas  atividades  realizadas pelas  fundações  referidas no art. 1º desta  lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais.  §  1º  A  participação  de  servidores  das  instituições  federais  contratantes  nas  atividades  previstas  no  art.  1º  desta  lei,  autorizada  nos  termos  deste  artigo,  não  cria  vínculo  empregatício  de  qualquer  natureza,  podendo  as  fundações  contratadas,  para  sua execução,  concederem bolsas de  ensino,  de pesquisa e de extensão.  Decreto 5.205/2004:  O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe  confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o  disposto na Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994,   DECRETA:   Art. 1o As instituições federais de ensino superior e de pesquisa  científica  e  tecnológica  poderão  celebrar  com as  fundações  de  apoio  contratos  ou  convênios, mediante  os  quais  essas  últimas  prestarão  às  primeiras  apoio  a  projetos  de  ensino,  pesquisa  e  extensão,  e  de  desenvolvimento  institucional,  científico  e  tecnológico, por prazo determinado.   §  1o  Para  os  fins  deste  Decreto,  consideram­se  instituições  federais  de  ensino  superior  as  universidades  federais,  faculdades,  faculdades  integradas,  escolas  superiores  e  centros  federais  de  educação  tecnológica,  vinculados  ao Ministério  da  Educação.  Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     16   §  2o  Dentre  as  atividades  de  apoio  a  que  se  refere  o  caput,  inclui­se  o  gerenciamento  de  projetos  de  ensino,  pesquisa  e  extensão,  e  de  desenvolvimento  institucional,  científico  e  tecnológico.   § 3o Para os fins deste Decreto, entende­se por desenvolvimento  institucional  os  programas,  ações,  projetos  e  atividades,  inclusive  aqueles  de  natureza  infra­estrutural,  que  levem  à  melhoria  das  condições  das  instituições  federais  de  ensino  superior  e  de  pesquisa  científica  e  tecnológica  para  o  cumprimento  da  sua  missão  institucional,  devidamente  consignados  em  plano  institucional  aprovado  pelo  órgão  superior da instituição.   § 4o Os programas ou projetos de ensino, pesquisa e extensão, e  de  desenvolvimento  institucional,  científico  e  tecnológico  deverão  ser  previamente  aprovados  pela  instituição  apoiada  para que possam ser executados com a participação da fundação  de apoio.   § 5o Os contratos de que trata o caput dispensam licitação, nos  termos do inciso XIII do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho  de 1993.   Art.  2o  A  fundação  de  apoio  poderá  celebrar  contratos  e  convênios com entidades outras que a entidade a que se propõe  apoiar, desde que compatíveis com as finalidades da instituição  apoiada expressas em seu plano institucional.   Art.  3o  Na  execução  dos  projetos  de  interesse  da  instituição  apoiada,  a  fundação  de  apoio  poderá  contratar  complementarmente  pessoal  não  integrante  dos  quadros  da  instituição  apoiada,  observadas  as  normas  estatutárias  e  trabalhistas.   Parágrafo  único.  É  vedada  à  contratação  de  pessoal  pela  fundação  de  apoio  para  a  prestação  de  serviços  de  caráter  permanente na instituição apoiada.   Art. 4o As fundações de apoio às instituições federais de ensino  superior e de pesquisa científica e tecnológica são entidades de  direito privado regidas pelo disposto no Código Civil Brasileiro  e na Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994.   § 1o Os membros da diretoria e dos conselhos das fundações de  apoio  não  poderão  ser  remunerados  pelo  exercício  dessas  atividades,  sendo  permitido  aos  servidores  das  instituições  apoiadas, sem prejuízo de suas atribuições funcionais, ocuparem  tais cargos desde que autorizados pela instituição apoiada.   § 2o Para os fins do § 1o, não se levará em conta o regime de  trabalho a que está submetido o servidor da instituição apoiada.   Art.  5o  A  participação  de  servidores  das  instituições  federais  apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como  colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde  que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais.  Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.501          17   § 1o A participação de servidor público  federal nas atividades  de  que  trata  este  artigo  está  sujeita  a  autorização  prévia  da  instituição apoiada, de acordo com as normas aprovadas por seu  órgão de direção superior.   § 2o A participação de servidor público  federal nas atividades  de  que  trata  este  artigo  não  cria  vínculo  empregatício  de  qualquer  natureza,  podendo  a  fundação  de  apoio  conceder  bolsas nos termos do disposto neste Decreto.   Art. 6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere  o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituem­se em doação  civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de  estudos  e  pesquisas  e  sua  disseminação  à  sociedade,  cujos  resultados  não  revertam  economicamente  para  o  doador  ou  pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços.   § 1o A bolsa de ensino constitui­se em instrumento de apoio e  incentivo  a  projetos  de  formação  e  capacitação  de  recursos  humanos.   § 2o A bolsa de pesquisa constitui­se em instrumento de apoio e  incentivo  à  execução  de  projetos  de  pesquisa  científica  e  tecnológica.   § 3o A bolsa de extensão constitui­se em instrumento de apoio à  execução  de  projetos  desenvolvidos  em  interação  com  os  diversos  setores  da  sociedade  que  visem  ao  intercâmbio  e  ao  aprimoramento  do  conhecimento  utilizado,  bem  como  ao  desenvolvimento  institucional,  científico  e  tecnológico  da  instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e  tecnológica apoiada.   §  4o  Somente  poderão  ser  caracterizadas  como  bolsas,  nos  termos  deste  Decreto,  aquelas  que  estiverem  expressamente  previstas,  identificados  valores,  periodicidade,  duração  e  beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo.   Art.  7o  As  bolsas  concedidas  nos  termos  deste  Decreto  são  isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da  Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e NÃO INTEGRAM a  base  de  cálculo  de  incidência  da  contribuição  previdenciária  prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho  de 1991.   Art. 8o Os pedidos de credenciamento de fundações de apoio e  seu respectivo registros serão instruídos com a ata da reunião do  conselho  superior  competente  da  instituição  federal  a  ser  apoiada,  na  qual  manifeste  a  prévia  concordância  com  o  credenciamento  da  interessada  como  sua  fundação  de  apoio,  sem  prejuízo  de  outros  requisitos  estabelecidos  em  normas  editadas  pelo  Ministério  da  Educação,  em  conjunto  com  o  Ministério da Ciência e Tecnologia.   Parágrafo  único.  A  renovação  do  credenciamento  concedido  nos  termos  deste  artigo  depende  de  manifestação  do  órgão  Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     18  colegiado  superior  da  instituição  apoiada  na  qual  tenha  sido  aprovado o relatório de atividades apresentado pela fundação de  apoio.   Art.  9o  Anualmente  ou  sempre  que  exigido  pela  instituição  apoiada, a  fundação de apoio deverá submeter à aprovação do  órgão  colegiado  da  instituição  balanço  e  relatório  de  gestão  e  das  atividades  desenvolvidas,  bem  como  emitir  balancetes  e  relatórios  parciais  sempre  que  solicitado  pela  instituição  apoiada.   Art.  10.  As  fundações  de  apoio  com  credenciamento  em  vigor  deverão  adequar­se  às  disposições  deste  Decreto,  no  prazo  de  seis  meses,  contados  da  sua  publicação,  sob  pena  de  indeferimento de renovação do registro e credenciamento de que  trata o art. 2º, inciso III, da Lei nº 8.958, de 1994.   Art. 11. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.  Lei 10.973/2004:  Art.  9o  É  facultado  à  ICT  celebrar  acordos  de  parceria  para  realização  de  atividades  conjuntas  de  pesquisa  científica  e  tecnológica  e  desenvolvimento  de  tecnologia,  produto  ou  processo, com instituições públicas e privadas.   §  1o  O  servidor,  o  militar  ou  o  empregado  público  da  ICT  envolvido  na  execução  das  atividades  previstas  no  caput  deste  artigo poderá receber bolsa de estímulo à inovação diretamente  de instituição de apoio ou agência de fomento.  Decreto 5.563/2005:   Art.  10.  É  facultado  à  ICT  celebrar  acordos  de  parceria  para  realização  de  atividades  conjuntas  de  pesquisa  científica  e  tecnológica  e  desenvolvimento  de  tecnologia,  produto  ou  processo, com instituições públicas e privadas.  ...   § 6o As bolsas concedidas nos  termos deste artigo são  isentas  do  imposto de  renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei no  9.250,  de  26  de  dezembro  de  1995,  e  não  integram  a  base  de  cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no  art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 1991.  Lei 9.250/1995:  Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e  de  pesquisa  caracterizadas  como  doação,  quando  recebidas  exclusivamente  para  proceder  a  estudos  ou  pesquisas  e  desde  que  os  resultados  dessas  atividades  não  representem  vantagem  para o doador, nem importem contraprestação de serviços.  Portanto,  como  corretamente  aponta  a  fiscalização,  as  fundações  de  apoio  podem prestar serviços por:  1) Por pessoal próprio, como empresas em geral, contratado diretamente, na  condição de segurados empregados ou contribuintes individuais, conforme o caso;  Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.502          19  2) Por servidores dos quadros da instituição federal contratante (IFES e  ICTs), mediante a concessão de bolsas de ensino, pesquisa e extensão, as quais não integram o  salário de contribuição (art. 4º, § 1º, da Lei nº 8.958/1994 c/c art. 7º do Decreto nº 5.205/2004),  DESDE QUE AS BOLSAS SEJAM CONCEDIDAS NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO, e  3) Por servidores, militares ou empregados públicos das ICTs envolvidos  com  as  atividades  de  pesquisa  científica  e  tecnológica  e  desenvolvimento  de  tecnologia,  mediante a concessão de bolsa de estímulo à inovação, a qual não integra a base de cálculo da  contribuição previdenciária (art. 9º, § 1º, da Lei nº 10.973/2004 c/c art. 10, § 6º, do Decreto nº  5.563/2005)  DESDE  QUE  AS  BOLSAS  SEJAM  CONCEDIDAS  NOS  TERMOS  DA  LEGISLAÇÃO, e  4)  Por  estagiários,  contratados  nos  moldes  da  legislação  específica,  para  atuarem nos projetos objeto da contratação.  Cabe,  agora,  verificarmos  se  a  concessão  das  bolsas,  que  é o  litígio,  foram  concedidas conforme a legislação pertinente.  Primeiramente, cabe destacar, apesar de não ser motivo de demonstração do  fato  gerador,  que  houve  retenção  do  imposto  de  renda.  Ora,  as  mesmas  regras,  como  demonstrado acima, que definem se há isenção, ou não, de imposto de renda são aplicáveis, de  forma idêntica, para a definição se há isenção, ou não, de contribuição previdenciária.  Portanto, há elemento de dúvida.  Foram três os levantamentos:  1) P07 – Bolsa de Extensão: Bolsa concedida a  servidores da UFMG e de  outras  entidades Federais  de Ensino Superior  ou  de Pesquisa Científica e Tecnológica – Lei  8.958/94.  Para  enquadramento  nesta  modalidade  é  necessário  que  o  beneficiário  esteja  vinculado  a  alguma  atividade  de  extensão  em  prol  da  instituição  federal  com  a  qual  mantém  vínculo.  Incidência  de  Imposto  e  encargos:  IRRF  –  haverá  incidência  de  imposto  retido na fonte ( IN 15/01 da Secretaria da Receita Federal);  2)  P15  –  Bolsa  Pesquisa  com  IRRF:  Bolsa  concedida  a  servidores  da  UFMG  e  de  outras  entidades  Federais  de  Ensino  Superior  ou  de  Pesquisa  Cientifica  e  Tecnológica nos termos da Lei 8.958/94, com vistas a auxiliar o beneficiário na realização  de estudos ou pesquisas. Com retenção de Imposto de Renda: quando a pesquisa  representa  contraprestação  de  serviços  ou  trouxer  vantagem  para  o  financiador  (Exemplo:  pesquisa  encomendada). Art. 43, Inciso I do decreto n° 3.000/99 – Regulamentação do IR”; e  3)  P38  –  Bolsa  de  Ensino,  o  “Manual  de  Concessão  de  Bolsas  da  FUNDEP”  DOC  001,  dispõe  que  esta  é  concedida  a  servidores  destinando­se  a  ações  de  capacitação  de  recursos  humanos  da  Instituição  Federal  de  Ensino  Superior  –  IFES,  configurando­se assim como ações de aprendizagem e evolução pessoal do servidor.  Como  definido  na  Lei  9.250/1996,  para  a  isenção  de  IR  e  de  contribuição  previdenciária  as  bolsas  não  devem  representar  vantagem  econômica  para  o  doador,  nem  importar prestação de serviços.  Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     20  Na análise da documentação  fornecida pela empresa,  fls. 039, 040 e 041, o  fisco  verificou  que  as  bolsas  eram  fornecidas  para  retribuição  de  serviços  realizados  pelos  bolsistas, fazendo incidir, assim, a contribuição, nos seguintes termos:  "43. Embora  solicitados  através  do  item  01  do  TIF  12,  os  “Planos  de  Trabalho,  contratos  e  ou  convênios”  relativos  aos  projetos  selecionados  foram  entregues  de  maneira  incompleta  pela  fiscalizada,  dificultando  a  análise,  pela  fiscalização,  do  tratamento tributário a ser aplicado às “bolsas”.  44.  Diante  do  exposto,  para  identificarmos  se  os  projetos  que  envolveram  contra  prestação  de  serviço  e/ou  resultaram  em  vantagem econômica ao  financiador, procedemos à análise dos  Planos  de  Trabalho  apresentados  de  maneira  incompleta  e  da  planilha entregue pela Fundação em resposta ao item 03 do TIF  009 de onde extraímos os dados do Anexo IX.  45.  Concluímos  que,  em  todos  os  projetos  com  retenção  de  imposto  de  renda,  foram  realizadas  tarefas  de  interesse  dos  financiadores, contudo, verifica­se que esta situação é típica de  prestação  de  serviço  e  não  de  concessão  de  bolsa.  Primeiramente  porque  resta  ausente  o  objetivo  de  incentivar  projetos,  seja  de  formação  ou  de  capacitação  de  recursos  humanos,  seja  de  pesquisa  científica  e  tecnológica,  seja  de  interação  com  os  setores  da  sociedade.  Depois,  porque,  o  que  existe  é  uma  troca  de  interesses  entre  um  terceiro,  que  quer  contratar  a  fundação  para  a  realização  de  um  serviço  ou  consultoria e a fundação, que pode dispor de recursos humanos  tecnicamente  capacitados  para  isso,  que  são  os  servidores  da  universidade.  46. Como  exemplos  podemos  citar  os Projetos  14629  e  16147,  relativos ao VESTIBULAR da UFMG. A realização do vestibular  da UFMG, administrada pela COPEVE­ Comissão Permanente  do Vestibular, tem caráter permanente inerente à sua atividade.  A FUNDEP é contratada com a finalidade de admitir, fiscalizar  e  pagar  o  pessoal  necessário  à  realização  do  vestibular  conforme os documentos acostados ao processo através do DOC  003. Logo, se a bolsa foi concedida para atender a necessidade  permanente  da  instituição  federal  (UFMG)  o  pagamento  do  serviço  prestado  (bolsa)  não  se  enquadra  dentro  do  que  preconiza a Lei 8.958/94 em seu parágrafo 3º do art. 4º, e artigo  7°  do  Decreto  5.205/2004.  Por  outro  lado,  as  atividades  de  coordenação, aplicação e correção do vestibular da UFMG não  se enquadram nas modalidades de bolsas previstas no art. 6º do  decreto 5.205/2004.  47.  Observou­se  ainda  que  a  FUNDEP  além  de  atuar  como  administradora de projetos, no qual aufere rendas da gestão dos  mesmos e atua como prestadora de serviços no ramo de negócio  de  livre mercado, através de  serviços especializados,  tais como  prestação de  serviços de estudos, pesquisa, consultoria  técnica,  programas de capacitação,  criação e manutenção de cursos de  formação,  dentre  outros,  se  sujeitando  à  legislação  previdenciária no tocante a contratação dos segurados que lhes  prestam serviços.  Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.503          21  48.  A  Lei  8.958/94  não  prevê  a  concessão  de  bolsa  de  ensino,  pesquisa  e  extensão  a  alunos  da UFMG,  ou  de  qualquer  outra  instituição de ensino.   49. Embora solicitados através do item 03 do TIF 12, deixaram  de  ser  apresentados  os  Relatórios  de  Atividades  desenvolvidas  pelos Bolsistas.   50.  Em  resposta  à  referida  solicitação  a  FUNDEP alegou  que  não foi possível iniciar a busca, porque toda a força de trabalho  do  setor  de  arquivo  e  auditoria  interna  estava  localizando  e  organizando  outras  demandas  do  TIF  12,  conforme  o  TERMO  RESPOSTA, cópia em anexo.  51.  Mediante  a  falta  de  apresentação  dos  Relatórios  de  Atividades desenvolvidas pelos Bolsistas utilizamos para análise,  as  informações  sucintas  do  item  “Descrição  da  Atividade”,  constantes nos requerimentos de bolsas, anexados aos autos, por  amostragem, através do DOC 002 e relacionadas no Anexo VIII.  52.  O  pagamento  de  uma  “bolsa”  deve  estar  inserido  em  um  projeto  aprovado  pelo  órgão  interno  competente  da  instituição  apoiada,  o  qual  deve  ter  cunho  didático  científico,  se  transformar  em  estudo,  gerar  dados  para  avaliação,  levando o  seu executor a auferir pontos curriculares, que podem, inclusive,  constar do seu Currículo Lattes.  53.  Já  a  prestação  de  serviços  é  pontual  e  objetiva,  não  tem  qualquer conseqüência científica ou acadêmica.  54.  Ao  remunerar  servidores  docentes  e  técnicos  das  IFES  e  demais  instituições de  ensino  como “bolsistas” para prestarem  serviços  como  os  elencados  no  Anexo  VIII  (plantões  de  segurança,  desmontagem,  montagem  e  transporte  de  material  para  a  realização  de  evento,  digitação,  logística,  jardinagem,  consultoria, secretária, motorista, etc...), a FUNDEP atua como  uma prestadora de serviço, e o  servidor como um prestador de  serviços,  devendo  a  fundação  arcar  com  todos  os  encargos  tributários  decorrentes  de  um  pagamento  a  contribuinte  individual.  55.  Diante  do  exposto  depreende­se  que  os  servidores  que  receberam as verbas P07, P15 e P38 não tiveram como objetivo  capacitar­se e aprimorar­se profissionalmente, mas atuaram nas  atividades  operacionais  e  específicas  demandadas  para  a  execução  dos  projetos  não  ocorrendo,  portanto,  isenção  de  contribuição  previdenciária  e  sendo  considerados  como  contribuintes individuais conforme abaixo disciplinado.  Portanto, corretamente exigiu­se o tributo, motivo da negativa de provimento  ao  recurso,  pois  as  bolsas  eram  fornecidas  para  retribuição  de  serviços  realizados  pelos  bolsistas.  Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     22    CARACTERIZAÇÃO DE SÓCIOS DE PESSOAS JURÍDICAS COMO  EMPREGADOS DA RECORRENTE:  Primeiramente,  cabe  esclarecer  que  há  legislação  que  permite  e  determine  que a fiscalização enquadre os segurados como empregados:  Decreto 3.048/1999:   Art.229. ...  ...   §2ºSe  o  Auditor  Fiscal  da  Previdência  Social  constatar  que  o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inciso  I  do  caput  do  art.  9º,  DEVERÁ  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.  ...  Art.  9º  São  segurados  obrigatórios  da  previdência  social  as  seguintes pessoas físicas:   I ­ como empregado:   a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  a  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;  Há jurisprudência do STJ que confirma essa competência do Fisco, conforme  RESP nº 236.279/RJ, julgamento em 08 de fevereiro de 2000:  PREVIDENCIÁRIO.  INSS  FISCALIZAÇÃO.  AUTUAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO.  A  fiscalização  do  INSS  pode  autuar  empresa  se  esta  deixar  de  recolher  contribuições  previdenciárias  em  relação  às  pessoas  que  ele  julgue  com  vínculo  empregatício.  Caso  discorde,  a  empresa  dispõe  do  acesso à  Justiça  do Trabalho,  a  fim de  questionar  a  existência do vínculo. Recurso provido.  Portanto,  caso  a  fiscalização  constate  que  segurado  contratado  com  as  características de segurado empregado foi contratado sob qualquer outra definição deve o Fisco  desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu enquadramento como segurado empregado.  Esse, em meu humilde entender, é o único fundamento legal que permite que  o Fisco realize essa desconsideração e reenquadramento.  Portanto,  cabe  ao  Fisco  subsumir  o  fato  à  norma,  demonstrando  que  a  prestação de serviço foi realizado:  1.  Com pessoalidade, pelo segurado, sem outras pessoas auxiliando­o;  2  De forma onerosa, com retribuição pelos serviços prestados;  Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721812/2014­01  Acórdão n.º 2402­005.273  S2­C4T2  Fl. 4.504          23  3.  De  forma  não  eventual,  destaque­se  que  essa  não  eventualidade  está  relacionada ao serviço, ou seja, serviço diverso do que normalmente é realizado pela empresa;  4.  De forma subordinada  à empresa, essa  subordinação é a subordinação  jurídica, não é o mero ato de obedecer determinações, pois todo contratado, se pessoa física ou  jurídica,  que  presta  serviços,  recebe,  de  alguma  forma,  determinação  de  como  deve  fazê­lo.  Subordinação jurídica emana da relação de emprego, pela qual o empregado permite que sua  força de trabalho seja utilizada como fator de produção na atividade econômica exercida pela  empresa, comprometendo­se a aceitar o poder de direção do empregador no sentido de dirigir a  sua  prestação  pessoal  de  serviços,  na  forma  como  desejar  o  empregador,  com  direito  à  supervisão, orientação, punição.  Reiterando,  cabe  ao Fisco demonstrar que  essas  características do  segurado  empregado ocorreram, pois esse é a única forma que a legislação permite.  Respeitamos, mas não compactamos com a posição adotada pela fiscalização  e  pala  decisão  a  quo,  assim  como  pro  vários  colegas  deste  renomado  conselho,  de  que  a  presença  de  série  de  indícios  possibilitam  a  desconsideração  e  o  reenquadramento  como  segurado empregado.  A atividade da fiscalização é totalmente vinculada à legislação e a legislação  somente  permite  essa  desconsideração  e  reenquadramento  com  a  demonstração  das  características do segurado empregado.  Sabemos que é um trabalho muito complexo de se realizar, especialmente na  demonstração  da  subordinação  jurídica,  mas  entendemos  que  é  o  que  tem  que  constar  da  acusação para legitimar a exigência tributária.  Assim, por não verificar a subsunção do fato à norma, com a demonstração  cabal  das  características  dos  segurado  empregado,  nos  sete  casos  constantes  do  lançamento,  votamos em dar provimento ao recurso, neste item.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do  lançamento as exigência oriundas de: 1) Pagamento do vale transporte em dinheiro; 2) retenção  sobre serviços contratados com suposta cessão de mão­de­obra; e 3) caracterização de sócios  de pessoas jurídicas como empregados da Recorrente, nos termos do voto.  Marcelo Oliveira.                              Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 13811.005033/2002-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
Numero da decisão: 1301-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 304          1 303  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13811.005033/2002­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­002.026  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de maio de 2016  Matéria  MULTA MORATÓRIA ­ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA  Recorrente  NESTLÉ BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício:  1993,  1994,  1995,  1996,  1997,  1998,  1999,  2000,  2001,  2002,  2003  Ementa:  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração  na  circunstância  em  que  os  valores  foram  declarados  e  recolhidos  fora  do  vencimento.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  provimento ao recurso.  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães  Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Wilson  Fernandes  Guimarães, Waldir  Veiga  Rocha,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Flávio  Franco  Correa,  José  Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 50 33 /2 00 2- 13 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13811.005033/2002­13  Acórdão n.º 1301­002.026  S1­C3T1  Fl. 305          2   Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição,  cumulado  com  o  de  Compensação (processo administrativo nº 13804.008204/2002­55, apenso), por meio da qual a  contribuinte  indica  como  direito  creditório  multas  moratórias  correspondentes  a  tributos  e  contribuições diversos, recolhidas no período de dezembro de 1992 a abril de 2002.  Sirvo­me de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeiro grau  para  descrever  os  fatos  e  as  razões  trazidas  pela  requerente  em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade.  [...]  Pelo  Despacho  Decisório  (fls.  185/186),  a  autoridade  competente  da  DERAT/SPO/SP indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação  pela  inexistência  de  créditos  pleiteados  sob  fundamentos  de  que  a  denúncia  espontânea  do  art.  138  do  CTN  não  exclui  a  multa  de  mora  decorrente  de  pagamentos de tributos devidos realizados com atraso.  Inconformada, a requerente apresentou a manifestação de inconformidade (fls.  190/210), pedindo a reforma do despacho decisório com reconhecimento do direito  dos  créditos  pleiteados  e  a  homologação  da  compensação,  juntando  vasta  jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do Poder Judiciário (especialmente  do STJ), alegando que os pagamentos das multas de mora são indevidos, pois foram  realizados, espontaneamente, sem qualquer procedimento da Receita Federal, razão  pela qual restou caracterizada a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, que exclui  a responsabilidade por infração.  A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento em São Paulo,  São  Paulo,  apreciando  as  razões  trazidas  pela  defesa,  decidiu,  por  meio  do  acórdão  nº  16­ 18.342, de 03 de setembro de 2008, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade.  O referido julgado restou assim ementado:  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  MULTA  DE  MORA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  A denúncia espontânea, nos termos em que o instituto está posto no art. 138  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  não  exclui  a  multa  moratória  sobre  pagamentos  de  tributos  devidos  realizados  em  atraso,  portanto,  incabível  a  sua  restituição.  COMPENSAÇÃO. NÃO­HOMOLOGAÇÃO.  Não se homologam as compensações vinculadas ao presente litígio, diante da  inexistência do crédito pleiteado.  Às  fls.  228/247,  foi  juntado  o  recurso  voluntário  protocolizado  em  21  de  maio de 2009, em que a contribuinte sustenta:   Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13811.005033/2002­13  Acórdão n.º 1301­002.026  S1­C3T1  Fl. 306          3 ­  que  a  distinção  entre  multa  fiscal  moratória  e  multa  fiscal  punitiva  é  descabida,  porquanto  a  função  da  multa  moratória  é  e  sempre  foi,  de  fato,  punir  o  inadimplemento, e não remunerar o capital ­ que seria função dos juros ­ nem, muito menos,  recompor o valor real da moeda ­ o que viria a ser feito pela correção monetária;  ­  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  premia  aqueles  que,  embora  em  atraso,  se  antecipam  ao  Fisco,  tomando  as  medidas  necessárias  para  a  correta  extinção  do  débito;  ­  que  o  contribuinte  quando  faz  a  denúncia  espontânea,  ou  seja,  antes  de  qualquer  procedimento  da  administração,  faz  com  que  o  Fisco  tome  conhecimento  de  seu  débito  e,  ato  contínuo,  efetua  o  pagamento  do  débito  tributário,  porém  não  se  beneficia  da  exclusão da multa moratória, visto que o Fisco se recusa a receber o tributo em atraso sem o  acréscimo de multa moratória;  ­ que a multa é indevida em se tratando de pagamento de tributo nos termos  do art. 138 do CTN, que define a denúncia espontânea;  ­ que nada justifica efetuar a reparação do tributo em duplicidade, pois uma  vez  aplicada  a  taxa SELIC,  a multa  de mora  torna­se  uma  penalidade  inaplicável  à  espécie,  pois, configurada a denúncia espontânea, não há que se falar em sanção punitiva;  ­ que o STJ pacificou a matéria, entendendo que a diferença entre os termos  "multa moratória"  e  "multa  punitiva"  é  apenas  pertinente  à  doutrina  para  fins  didáticos,  não  fazendo o Codex Tributário ou  a  legislação Ordinária qualquer distinção entre os  termos, de  forma que todas as multas têm caráter punitivo;  ­  que  os  recolhimentos  efetuados  a  título  de  multa  de  mora  devem  ser  restituído, por estar amparada no art. 138 CTN, conforme exaustivamente explicitado, pois os  recolhimentos  efetuados  em  tal  período  foram  efetuados  de  modo  espontâneo  e  atualizado,  mas, com a imposição de multa punitiva;  ­ que ao recurso deve ser conferido o efeito suspensivo.  É o Relatório.  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13811.005033/2002­13  Acórdão n.º 1301­002.026  S1­C3T1  Fl. 307          4   Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães  Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo.  Cuida a lide de pedido de reconhecimento de direito creditório, representado  por multas moratórias recolhidas e amparado nas disposições do art. 138 do Código Tributário  Nacional.  Concomitantemente,  a  contribuinte  requer  compensação  tributária  por  meio  do  processo administrativo nº 13804.008204/2002­55, apenso ao presente.  Afirma  a  contribuinte que  os  recolhimentos  foram  efetuados  no  período  de  dezembro de 1992 a abril de 2002.  A Delegacia da Receita Federal  de Administração Tributária  em São Paulo  (Derat/SPO),  unidade  administrativa  que  primeiro  apreciou  o  pedido  formulado  pela  contribuinte, o indeferiu por meio do Despacho Decisório de fls. 185/186.  A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento em São Paulo,  apreciando  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  requerente,  de  igual  forma,  indeferiu os pedidos ali veiculados, servindo­se, para tanto, dos seguintes fundamentos:  i) inexistência de amparo jurídico para a tese sustentada pela contribuinte no  sentido  de  que  a  denúncia  espontânea  do  art.  138  do  CTN  é  extensiva  à  multa  de  mora  decorrente  de  pagamentos  de  tributos  devidos  realizados  com  atraso,  ainda  que  espontaneamente;  ii) apenas as multas punitivas podem ser excluídas pela denúncia espontânea  da infração cometida, antes do procedimento fiscal, desde que cumpridos os requisitos  legais  pertinentes;  iii)  todo  contribuinte  que  denunciar,  de  forma  voluntária,  uma  infração  à  legislação  tributária,  poderá  ter  excluída  sua  responsabilidade  pela  infração  praticada,  sendo  afastada a aplicação das sanções acaso cabíveis, nos exatos termos do art. 138 do CTN, mas, o  dispositivo  em  referência  não  autoriza  a  exclusão  da  multa  moratória,  pois  esta  não  tem  natureza de penalidade por infração à legislação tributária, não se confundindo com a multa de  oficio, esta sim revestida de caráter punitivo;  iv) é inaplicável o instituto da denúncia espontânea nos casos de lançamento  por homologação;  v) a denúncia espontânea pressupõe a inexistência de qualquer procedimento  administrativo ou medida de  fiscalização  (CTN,  art.  138, parágrafo único),  ao passo que, no  lançamento por homologação, o crédito já está plenamente declarado (em declarações do tipo  DCTF, DIRPJ, DIPJ e outras) e registrado nos cadastros do Fisco.  Em sede de recurso voluntário, a contribuinte, argumentando que a distinção  entre  multa  fiscal  moratória  e  multa  fiscal  punitiva  é  descabida,  discorre  sobre  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13811.005033/2002­13  Acórdão n.º 1301­002.026  S1­C3T1  Fl. 308          5 pronunciamentos  doutrinários  acerca  da  matéria;  aborda  disposições  do  Código  Tributário  Nacional; tece considerações acerca da utilização da TAXA SELIC; reproduz pronunciamentos  desta  instância  julgadora  e  do Superior Tribunal  de  Justiça,  para,  ao  final,  requerer que  seja  garantido o  seu direito,  reconhecendo­se o pagamento  indevido das multas e decretando­se  a  homologação das compensações.   Penso  que  a  solução  da  presente  controvérsia  passa,  necessariamente,  pela  apreciação das disposições legais que tratam da incidência de MULTA na cobrança de tributos  e contribuições administrados pela Receita Federal.  A Lei nº. 9.430, de 1996, diploma legal em vigor que trata da matéria, assim  dispõe:  Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas:  ...  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso.    § 1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.  § 3º  Sobre  os  débitos  a  que  se  refere  este  artigo  incidirão  juros  de  mora  calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês  subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um  por cento no mês de pagamento.  Vê­se,  pois,  que,  tratando­se  de  lançamento  de  ofício,  as multas  aplicáveis  são as descritas no artigo 44 da lei.   Nos demais casos, a multa é a assinalada pelo artigo 61.  A  súmula  nº.  360  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  tratando  da  denúncia  espontânea, preconizou:  O benefício da denúncia  espontânea não  se aplica aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regularmente  declarados, mas pagos a destempo.  Ainda  que,  a  partir  da  aplicação  das  disposições  do  art.  138  do  CTN  em  detrimento do disposto no art. 61 da Lei nº. 9.430/96, não se avance na análise acerca de um  possível afastamento por parte da autoridade administrativa da lei de vigência, o que, no caso  deste  Colegiado,  poder­se­ia  argumentar  não  ser  possível  face  as  disposições  do  art.  62  do  Regimento Interno, entendo que o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça refletido na  súmula acima reproduzida decorre do fato de que, no lançamento por homologação, o dever de  apurar a base de cálculo do tributo, efetuar o seu pagamento e, por meio de declaração, prestar  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13811.005033/2002­13  Acórdão n.º 1301­002.026  S1­C3T1  Fl. 309          6 as informações relativas a esses procedimentos à Administração Tributária, é do próprio sujeito  passivo.  Nesse  contexto,  revela­se  absolutamente  impróprio  dizer  que  o  sujeito  passivo  que  cumpre  com  as  determinações  prescritas  pela  legislação  para  a  modalidade  de  lançamento em referência está “denunciando espontaneamente" a infração.  Assim,  mesmo  desconsiderando  qualquer  análise  acerca  da  ausência  de  conflito  entre  a norma  trazida  pelo  art.  138  do CTN e  a  preconizada  pelo  art.  61  da Lei  nº.  9.430/96,  resta  fora  de  dúvida  que,  nos  tributos  e  contribuições  submetidos  ao  denominado  lançamento  por  homologação,  tendo  o  sujeito  passivo  antecipado  o  pagamento  sem  prévio  exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea da infração.  O Superior Tribunal de Justiça, apreciando recurso especial representativo de  controvérsia  (art.  543  do CPC),  escudando­se  na  súmula  nº  360,  reafirmou que  "a denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com  a  consequente  exclusão  da  multa  moratória,  nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  declarados  pelo  contribuinte  e  recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a  qualquer procedimento do Fisco" (Resp 1149022/SP ­ RECURSO ESPECIAL 2009/0134142­ 4, Relator o Ministro Luiz Fux).  Não é merecedora de reparos, portanto, a decisão de primeiro grau.  Assim,  considerado  todo  o  exposto,  conduzo  meu  voto  no  sentido  de  NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto.   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator                                Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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