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Numero do processo: 10280.722051/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 51 /2 00 9- 97 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722051/200997 Acórdão n.º 2801002.817 S2TE01 Fl. 84 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00195/2009, de fls. 01/04, emitida em 06/07/2009, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2004, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda São Paulo”, cadastrado na RFB sob o nº 6.739.4965, com área declarada de 9.260,0 ha, localizado no município de Moju – PA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 113.376,48 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 30/07/2009 (R$ 73.638,02) e da multa proporcional (R$ 85.032,36), perfaz o montante de R$ 272.046,86. A ação fiscal iniciouse com intimação ao contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00028/2007, de fls. 10/11, cuja ciência se deu por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 13), para apresentar, relativamente a DITR, do exercício de 2004, os seguintes documentos de prova: 1º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA; 2º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o art. 9º do Decreto 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (código florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou, e 4º Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, qualquer documento de prova a correspondência de fls. 24/26 e documentos de fls. 27/31, foram recepcionados em 21/07/2009, portanto, depois da data de emissão da presente Notificação , a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a glosa integral da área declarada de preservação permanente, de 7.408,0 ha, e rejeição do VTN declarado, de R$ 1.000,00 (R$ 0,11/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 567.082,00 ou R$ 61,24/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se localiza o imóvel, Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722051/200997 Acórdão n.º 2801002.817 S2TE01 Fl. 85 3 com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando imposto suplementar de R$ 113.376,48, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 14/07/2009 (AR/cópia de fls. 52), o interessado postou sua impugnação, em 11/08/2009 (às fls. 33), anexada às fls. 34/36, instruída com os documentos de fls. 37/51. Em síntese, alega e requer o seguinte: informa que adquiriu, de boa fé, imóveis rurais que lhe foram oferecidos, localizados na Margem Esquerda do Furo Jabotinema, afluente do Pacajá, no município de Moju – PA, entre os quais consta a Fazenda São Paulo, NIRF 6.739.4965; naquela ocasião lhe foram apresentados, pelas pessoas que intermediaram o negócio, documentos que certificavam a veracidade e regularidade no registro dos imóveis; para sua surpresa, soube a posteriori, por fontes não oficiosas, que corre ação judicial movida pelo Ministério Público do Estado do Pará, objetivando o cancelamento de falsas escrituras de imóveis rurais, dentre os quais havia grande probabilidade de estarem os imóveis que adquiriu, em face de ocorrência de indícios que tais imóveis foram vendidos a compradores distintos, por diversas vezes; achou por bem continuar cumprindo a obrigação acessória de entrega das declarações anuais do ITR, até o desfecho da situação, posto que uma investigação por sua própria conta no Estado do Pará o oneraria em demasia e ampliaria o prejuízo que é iminente; o lançamento não pode prevalecer, pois foi efetuado sem respeitar o prazo concedido para que o impugnante pudesse apresentar sua manifestação e/ou documentos (conforme despacho, datado de 23/06/2009, foi reaberto o prazo por mais vinte dias), portanto, o prazo concedido expiraria somente no dia 13/07/2009 e o lançamento foi realizado em 06/07/2009, em total desconsideração ao prazo então concedido; ainda, por razões que não pôde o impugnante ter acesso junto ao Cartório de Registro de Imóveis (e ao que acredita que se deu pela constatação pelos entes públicos competentes de irregularidade na venda do imóvel), foi cancelada a matrícula no Cartório de Registro de Imóveis; portanto, por inexistência do imóvel, conforme informado à Receita Federal, o lançamento cabe ser cancelado, bem como a declaração de ITR que lhe deu origem; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722051/200997 Acórdão n.º 2801002.817 S2TE01 Fl. 86 4 diante da declaração de inexistência do registro, fica demonstrado a inexistência do Imóvel Rural que acreditava o requerente ter adquirido, o que torna insubsistente qualquer acessório por inexistir o principal, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da Notificação, requer seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o lançamento fiscal reclamado e qualquer outro efeito oriundo do seu objeto, além de protestar pela produção de outras provas, especialmente pela juntada de outros esclarecimentos e/ou documentos. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 57/65, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Não comprovado nos autos, com documentos hábeis, que a matrícula do imóvel, constante do correspondente título translativo de propriedade, não existe no competente Cartório de Registro de Imóveis, tratandose de imóvel inexistente, cabe manter o lançamento e o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a autuação fiscal, mantida integralmente pela DRJ, o Recorrente sustenta, basicamente, (i) a nulidade do Auto de Infração, ante suposto cerceamento à ampla defesa em fase fiscalizatória; (ii) a impossibilidade de prosperar o lançamento, haja vista o cancelamento da inscrição imobiliária do imóvel ensejador do ITR em cobrança. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722051/200997 Acórdão n.º 2801002.817 S2TE01 Fl. 87 5 Apesar de a questão da decadência não ter sido suscitada pela recorrente, em se tratando de matéria de ordem pública, pode ser levantada de ofício, como ocorre no presente caso. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722051/200997 Acórdão n.º 2801002.817 S2TE01 Fl. 88 6 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Como essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este Colegiado deve aplicar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso, verificase que ocorreu pagamento antecipado de ITR na forma de imposto a pagar apurado da Declaração do ITR do exercício de 2004 no valor de R$ 40,00 (fl. 08). Assim, tendo ocorrido pagamento antecipado, e não tendo havido a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, que, no caso do ITR, ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para o exercício 2004, ele se iniciou em 01/01/2004 e terminou em 01/01/2009. Como o lançamento se deu apenas em 14/07/2009 (fl. 52), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Reconhecida a decadência, deixase de se analisar os demais argumentos do recurso. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722051/200997 Acórdão n.º 2801002.817 S2TE01 Fl. 89 7 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11030.905012/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004.
As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2004 COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 50 12 /2 00 9- 38 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905012/200938 Acórdão n.º 3801002.675 S3TE01 Fl. 131 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905012/200938 Acórdão n.º 3801002.675 S3TE01 Fl. 132 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 12 e 13, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842601025, fl. 08, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 31409.96122.090606.1.7.042720, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 12 e 13, alegando, em síntese, que: · efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; · após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; · requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 31409.96122.090606.1.7.04 2720. A DRJ em Salvador (BA), às fls. 25/28, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905012/200938 Acórdão n.º 3801002.675 S3TE01 Fl. 133 4 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 31 a 34, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de Jun/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, inclusive informasse se o contribuinte efetuou a opção do art. 4º da Lei nº 10.892/2004 regulamentada pela IN SRF 433/2004. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e juntou cópia do “Termo de Opção” antecipada ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, conclui que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração de junho de 2004. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via postal e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905012/200938 Acórdão n.º 3801002.675 S3TE01 Fl. 134 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4oAs sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o(décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905012/200938 Acórdão n.º 3801002.675 S3TE01 Fl. 135 6 da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode maio de 2004. Art. 5oEsta Lei entra em vigor em 1ode outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deu se de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Conforme informado pela Delegacia de origem e colacionado nos autos, o contribuinte apresentou cópia do “Termo de Opção” de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, fazendo jus portanto à apuração antecipada no regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ao realizar a diligência e constatar, a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração de junho de 2004, a Delegacia de origem confirmou a legitimidade do direito creditório, restando caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 36.465,42, relativo ao recolhimento realizado em 15.07.2004, utilizado na PER/DCOMP nº 31409.96122.090606.1.7.042720. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. .É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905012/200938 Acórdão n.º 3801002.675 S3TE01 Fl. 136 7 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13204.000038/2005-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A-BPF; III - Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A-BPF; III - Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13204.000038/200551 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.037 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente IMERYS RIO CAPIM CAULIM S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP ABPF; III Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 38 /2 00 5- 51 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0114.307, de 16 de junho de 2009, da 3ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 13204.000038/200551, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório, sendo mantidas as glosas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BEL, que assim relata: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo no valor de R$ 140.621,50,, feito pela empresa acima identificada (fl. 01), a ser utilizado na compensação de fl. 02. 2. A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008, fls. 74/95 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos. 3. Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls. 64/73 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do referido Termo de Diligência encontramse no processo n° 13204.000009/200416, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente. 4. Cientificada em 17.11.2008 (AR fl. 96v.), a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.12.2008, manifestação de inconformidade (fls. 22/40), na qual, em síntese: a) Argumenta que as glosas efetuadas desrespeitam o princípio da não cumulatividade, uma vez que os serviços e bens desconsiderados estão intimamente ligados ao processo produtivo da empresa, sendo passíveis de creditamento; b) Tece considerações acerca da contribuição, destacando que a legislação tratou de prever expressamente as hipóteses em que não há direito ao crédito (art. 3°, § 2% da Lei n° 10.637, de 2002), não devendo "pairar dúvidas sobre a possibilidade de creditamento da pessoa jurídica referente aos bens e serviços utilizados como inumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda'; c) Ressalta, ao comentar a utilização pela Fiscalização do Parecer Normativo n° 65, de 1979, e da Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004, que “qualquer definição de insumo trazido Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 5 4 ao mundo jurídico, seja por veículo de Instrução Normativa ou Parecer Normativo, contraria a competência que lhe é atribuída pelo Código Tributário Nacional”. Acrescenta que tais veículos normativos citados "extrapolam seus poderes, na medida em que tentam inovar o conceito constitucional e legal de insumos”; d) Defende que "o conceito de inumo está intimamente ligado à idéia de consumo de certo bem ou serviço, deforma direta ou indireta, na atividade desenvolvida pela pessoa jurídica para a fabricação do produto', sendo "a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com suas características próprias”; e) Afirma estar claro que os bens e insumos glosados estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, procurando justificar a função de cada item, conforme tabela nas fls. 31/32; f) Procura demonstrar o caráter contraditório das conclusões da Fiscalização, na medida em que não teria lógica a adoção de bens ou serviços inúteis à sua produção, aumentando o custo de produção; g) Cita Solução de Consulta expedida no âmbito da Receita Federal do Brasil, sem especificar de qual Região Fiscal, que manifesta juízo no sentido de que “os bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, intrinsecamente relacionado com o objetivo da empresa e com o serviço prestado, podem ser considerados créditos na apuração do PIS/Pasep não cumulativo”; h) Reforça o entendimento de que a desconsideração dos bens e serviços fere o princípio da não cumulatividade previsto na Carta Magna, alertando que o fato de haver sido atribuída ao legislador ordinário a competência de definir os setores de atividade econômica sujeitos à não cumulatividade da contribuição, não significa autorização para desvirtuamento do conceito “nãocumulativo”; i) Não se pode interpretar o conceito de insumo exclusivamente a partir das legislações de IPI ou ICMS, por falta de previsão legal e devido a divergência da materialidade desses impostos com relação à contribuição; j) Alerta para a violação do princípio constitucional do "não confisco" sempre que o tributo absorva parcela expressiva da renda ou de propriedade do contribuinte; k) Por fim, requer a revisão da decisão, sendo enquadrados como insumos os bens e serviços glosados. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 6 5 Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, por ser tempestiva e por esta atender aos requisitos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972. Na primeira parte do acórdão, fez a DRJ/BEL tratou das alegações de inconstitucionalidade. Transcrevese aqui este trecho do acórdão: 5. No que diz respeito às alegações de inconstitucionalidade, vale lembrar que tais argumentos não são oponíveis à instância julgadora administrativa, pelo que não se toma conhecimento destes. 6. Não cabe à autoridade administrativa, em face de sua vinculação ao texto legal, apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, competindolhe tão somente aplicar o direito tributário positivo. O julgador administrativo nesta instância deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, que "Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DR F. 7. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Compete ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei obrigar seu cumprimento, cabendo ainda citar que tal entendimento foi objeto de súmulas dos extintos Conselhos de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Após, a DRJ/BEL julga o mérito da manifestação de inconformidade, entendendo pelo indeferimento da solicitação da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas, vejamos: 15. Em relação às glosas, no que diz respeito aos bens, temse: a) gasolina e óleo diesel utilizados para transporte de materiais — deverá ser mantida a glosa, por não se enquadrarem no conceito de insumos; b) óleo combustível TP, utilizado como energia para aquecimento dos vasos que promoverão a redução da água contida na polpa — conforme transcrição do art. 3° da Lei n° 10.822, de 2003, acima, a energia térmica somente pôde ser aproveitada a partir da Lei n° 11.488, de 2007, (15.07.2007), devendo ser mantida a glosa. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 7 6 16. Quanto aos serviços glosados (alteamento, limpeza, locação, jantar, descapeamento, lavra, transporte de funcionários, vigilância e melhoria nas estradas), entendese que os mesmos não são utilizados na linha de produção, devendo ser mantida a glosa, conforme esclarecimentos anteriormente prestados (itens 13 e 14 acima). 17. Especificamente com relação à energia elétrica, conforme os esclarecimentos feitos pela Fiscalização no Termo de Diligência, não houve glosa a partir de fevereiro de 2003, podendo isso ser comprovado pelas relações de produtos glosados constante das fls. 03/38 do Anexo I ao processo n° 13204.000009/200416. Assim restou ementado o Acórdão n° 0114.307, de 16 de junho de 2009, da 3ª. Turma da DRJ/BEL: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 INSUMO. BENS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS. Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. INSUMO. SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO. Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Após fazer breve retrospectiva dos fatos, foram apresentadas as razões de direito para a reforma da decisão de 2ª. instância. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 8 7 Em seus requerimentos, requereu que seja julgado procedente o Recurso Voluntário apresentado, sendo reformada a decisão proferida pela DRJ. Reproduzemse aqui os pedidos: 51. Diante de todo o exposto, requer a total reforma da decisão recorrida, em razão da demonstração de que: (i) o artigo 3°, da Lei n° 10.637, dispõe sobre a possibilidade de se utilizar, no regime nãocumulativo, de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades desenvolvidas pela Recorrente; (ii) o conceito de insumo da decisão recorrida não encontra respaldo no dispositivo legal que permite o aproveitamento de créditos, tampouco na Constituição Federal; (iii) todos os créditos decorrem de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo da Recorrente, não havendo qualquer fundamento de validade o entendimento fazendário impugnado, no sentido de que o insumo deve ter (necessária e obrigatoriamente) relação direta com o produto e não com o processo produtivo, como sustenta a Recorrente. Após, apresenta a contribuinte petição, onde foram reiterados os pedidos para que seja dado integral provimento ao recurso voluntário, reformandose o acórdão recorrido. Na mesma oportunidade juntou documento, que se trata de Solução de Divergência n° 37 Cosit, oriunda do processo n° 13204.000028/200787, onde é interessada a própria contribuinte ora recorrente. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O caso em questão trata de pedido de homologação de créditos de bens e serviços que seriam utilizados como insumo no processo produtivo desenvolvido pela Recorrente. Os bens e serviços não homologados pela Delegacia de Julgamento foram os seguintes: (i) Serviços de alteamento; (ii) Serviços de limpeza e passagem; (iii) Serviço de locação de equipamentos para extração do minério; (iv) Fornecimento de alimentação para os funcionários; (v) Serviço de decapeamento; (vi) Serviço de lavra; (vii) Serviço de transporte de funcionário; (viii) Serviço especializado de vigilância; (ix) Serviço de melhoria das estradas que conduzem às jazidas minerais; (x) Gasolina comum; (xi) Óleo diesel; (xii) Óleo combustível TP ABPF; (xiii) Energia elétrica. A jurisprudência do CARF é polêmica em relação ao tema, existindo posicionamentos divergentes sobre a matéria. Três posicionamentos sobressaem sobre o conceito de insumo: como integrados ao produto ou serviço, como necessários à atividade ou como O primeiro conceito aparece em diversas decisões do CARF, dentre as quais podemos citar: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 10 9 Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Em sentido diverso podemos citar a seguinte decisão: Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS RELATIVOS A AQUISIÇÕES DE PEÇAS COM DESGASTE NO PROCESSO PRODUTIVO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Créditos autorizados: a aquisições de óleo combustível, e de peças com desgaste no processo produtivo tais como peneiras, chapas perfuradas, correias, telas, capas perfuradas e martelos tipicamente integrantes dos maquinários do processo produtivo, e material de embalagem (containeres flexíveis). Atividade da empresa: setor de alimento. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque não abrange somente atividades de industrialização, não se dirige apenas a comercialização, pois envolve outras atividades de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 11 10 produção (industrialização) e não se submete ao IRPF porque não procura verificar a renda (disponibilidade econômica ou jurídica) do contribuinte, nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei“. O conceito de insumo diferenciase dos gastos necessários à industrialização (IPI), consumidos ou integrados à mercadoria ou necessários à atividade (IR) e deve estar coerentemente ligado à essência do tributo em questão, ou seja, na produção. Os gastos de materiais de escritório não são usualmente necessários à produção e portanto não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. O conceito de insumo não está claramente delimitado na legislação, sendo que o art. 3º determina que: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Inexistindo limitação por parte da legislação, não cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol do princípio da nãocumulatividade. Da leitura do pedido da recorrente se verifica que a prova de que os insumos citados foram necessários à produção se encontraria presente no processo n° 13204.000009/200416, inexistindo nestes autos qualquer elemento que permita fazer o julgamento sem a referida prova. O relatório da DRJ/BEL, em seu item 2, do acórdão ora recorrido deixa claro que: “A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008, fls. 74/95 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos.”. Em seguida, no item 3, também é referido que: “Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls. 64/73 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do referido Termo de Diligência encontramse no processo n° 13204.000009/200416, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente.” Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 12 11 Necessário destacar também que a fls. 15 dos autos há um TERMO DE JUNTADA DE PROCESSO. No referido termo é dito que o presente processo estava sendo juntado, por apensação, naquela data (28/12/2007), ao processo 13204.000009/200416. O processo 13204.000009/200416 ainda não foi julgado, estando no momento aguardando julgamento por este Conselho. Absolutamente necessário portanto que seja realizada a baixa em diligências do presente processo, de modo que estes seja somente incluído em pauta junto com o processo 13204.000009/200416, haja vista o apensamento realizado de fls. 15, bem como de que toda a prova realizada se encontra no referido processo, não sendo passível de verificação se os bens e serviços são ou não insumos sem a referida prova. Em face do exposto, encaminho o voto para que seja o presente processo baixado em diligências, a fim de que seja ele aguardado para colocação em pauta a posteriori, de modo que seja julgado conjuntamente com o processo 13204.000009/200416. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. O processo tem todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador. Assim, afastase de imediato a proposta do relator de conversão em diligência. Passase a apreciação do mérito. As matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. O julgador com os elementos probatórios tem que solucionálas. A recorrente insurgiuse contra a glosa dos serviços e bens descritos no recurso voluntário: Serviço de alteamento: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeites. Por sua natureza, fica claro que o serviço de alteamento representa importante etapa do processo produtivo em sua fase posterior. (...). Serviço de limpeza e passagem: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. (...) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 13 12 Serviço de locação: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. (...) Fornecimento de jantar: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. (...) Serviço de decapeamento: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. (...) Serviço de lavra: consiste na extração do minério da natureza. (...) Serviço de transporte: consiste no serviço de transporte de funcionários. (...) Serviço especializado de vigilância: consiste no serviço de segurança patrimonial. (...) Serviço de melhoria das estradas: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. (...) Gasolina comum: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. (...) Óleo diesel: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. (...) Óleo combustível TP ABPF: utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). (...) De sorte que a grande controvérsia tem por objeto o conceito de insumo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 – Cofins e Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 – PIS, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 14 13 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º das Lei nº 10.833/03 e 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 15 14 ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004 – Cofins – abaixo transcrito, e da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03) – PIS, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 16 15 Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade dessas contribuições. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade das contribuições em referência especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 17 16 EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 18 17 insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004 Cofins e na IN nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03) PIS. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Termo de Encerramento da Ação Fiscal manifestou expressamente no sentido de que os bens e os serviços acima mencionados não se enquadram no conceito de insumo, visto que não se integram nem agem diretamente sobre o produto em fabricação. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços que foram objeto de glosa fiscal (alteamento, limpeza e passagem, locação, fornecimento de jantar, descapeamento, lavra, transporte de funcionários, vigilância e melhoria das estradas) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em relação à glosa dos combustíveis gasolina comum e óleo diesel, verifica se que eles foram utilizados nos veículos da fábrica para transporte de materiais, nos caminhões para transporte de caulim, portanto sem ligação direta com o processo produtivo, logo, concluise que a aquisições de tais produtos não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição apurada de forma nãocumulativa. Ao contrário dos demais combustíveis, o óleo combustível TP ABPF, que é utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível), configura insumo, visto que é consumido diretamente no processo fabril. Por fim, em relação às alegações de inconstitucionalidades, a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de norma jurídica, visto que não tem competência legal para decidir sobre constitucionalidade e legalidade de leis em vigor. Além disso, o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, nos termos dos arts. 97 e 102 da Constituição Federal. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000038/200551 Acórdão n.º 3801002.037 S3TE01 Fl. 19 18 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa de créditos decorrentes da aquisições do óleo combustível TP A BPF. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES
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Numero do processo: 23034.021656/2001-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/1991, 31/08/1996
RECURSO DE OFÍCIO
Recurso de ofício que se interpõe para acudir legislação específica, há de ser reconhecido.
DECADÊNCIA
Contribuinte geral tem, para efeito da decadência, o direito de aplicar-se-lhe o artigo 150, § 4º do CTN.
No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário é o dia 28/12/2001, portanto, todo o período anterior a 28/12/1996 encontra-se decaído.
CRÉDITO CONSTITUIDO ATRAVÉS DE NFLD JULGADA INSUBSISTENTE
O crédito foi fulcrado em NFLDs, cujas quais foram julgadas insuficientes para constituição do mesmo, com decisão do CRPS.
Deve, portanto, haver respeito à coisa julgada, desconstituindo o crédito.
Numero da decisão: 2301-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da decisão sobre a decadência, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da improcedência da origem da base de cálculo, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Ana Claudia Borges de Oliveira. OAB: 28.685/DF
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/1991, 31/08/1996 RECURSO DE OFÍCIO Recurso de ofício que se interpõe para acudir legislação específica, há de ser reconhecido. DECADÊNCIA Contribuinte geral tem, para efeito da decadência, o direito de aplicar-se-lhe o artigo 150, § 4º do CTN. No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário é o dia 28/12/2001, portanto, todo o período anterior a 28/12/1996 encontra-se decaído. CRÉDITO CONSTITUIDO ATRAVÉS DE NFLD JULGADA INSUBSISTENTE O crédito foi fulcrado em NFLDs, cujas quais foram julgadas insuficientes para constituição do mesmo, com decisão do CRPS. Deve, portanto, haver respeito à coisa julgada, desconstituindo o crédito.
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DECADÊNCIA Contribuinte geral tem, para efeito da decadência, o direito de aplicarselhe o artigo 150, § 4º do CTN. No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário é o dia 28/12/2001, portanto, todo o período anterior a 28/12/1996 encontrase decaído. CRÉDITO CONSTITUIDO ATRAVÉS DE NFLD JULGADA INSUBSISTENTE O crédito foi fulcrado em NFLD’s, cujas quais foram julgadas insuficientes para constituição do mesmo, com decisão do CRPS. Deve, portanto, haver respeito à coisa julgada, desconstituindo o crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da decisão sobre a decadência, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da improcedência da origem da base de cálculo, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Ana Claudia Borges de Oliveira. OAB: 28.685/DF MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 16 56 /2 00 1- 63 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relatório Tratase de Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 00906/2001, DEBCAD n.º 49.9056655, relativo às contribuições ao Salário Educação, constituído pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE do Ministério da Educação, com base nos Decretos 3.142/1999 e 4.943/2003 A Recorrida é optante pelo recolhimento direto ao Salário Educação, mediante convenio, e foi notificada da Lavratura de Notificação para Recolhimento de Débito, para cobrança de débito de SalárioEducação incidente sobre a descaracterização de serviços médicos terceirizados. A Recorrida impugnou com suas razões, sendo julgado procedente em razão: i) da decadência, com aplicação do artigo 173, I do CTN, sobejando de janeiro a agosto de 1996; ii) do período que sobejou, a presente Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, foram lançadas contribuições devidas ao Salário Educação, incidentes sobre a descaracterização de serviços médicos terceirizados, levantados em Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos Previdenciários, NFLD’s nº 32.006.8897 e 32.006.8862, cujas quais foram desconstituídas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, 2ª. Câmara de Julgamento Conselho de Contribuintes, Acórdãos sob n°s 02/01864/2000 e 02/01865/2000. Nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, na redação dada pela Lei n.o 9.532/97, combinado com o artigo 1º da Portaria do Ministério da Fazenda (MF) n.º 03/2008, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), recorreuse de ofício. Eis em apertada síntese o relato do necessário para julgamento do remédio recursal aviado. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 23034.021656/200163 Acórdão n.º 2301003.507 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso de Ofício acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço e passo a decidir. Tratase de Recurso de Ofício interposto em face de exoneração de valor acima de um milhão de reais, e acudindo dispositivo de leia, dele há de se recorrer. Entretanto, não há de prover, eis que i) quanto decadência, por considerar o Recorrido como contribuinte geral, ou seja, aquele que de uma forma ou de outra mensalmente contribui com a previdência, portanto, devese aplicar o artigo 150, § 4º do CTN, o que já decairia todo o período de autuação, e, ii) em tendo o CRPS – 2ª Câmara desconstituído as NFLD’s que deram origem ao crédito previdenciário, há de se respeitar a coisa julgada. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726234/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.395
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Karla Zanchettin Swenson. OAB: 35.726/PR.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Karla Zanchettin Swenson. OAB: 35.726/PR. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Karla Zanchettin Swenson. OAB: 35.726/PR. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira– Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 26 23 4/ 20 11 -1 7 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.726234/201117 Resolução nº 2301000.395 S2C3T1 Fl. 593 2 Relatório 1. Cuidase de Recurso Voluntário interposto por SOCIEDADE HOSPITALAR ANGELINA CARON, em face de decisão de primeira instância que julgou procedente a impugnação e manteve o crédito tributário. 2. O Relatório Fiscal (fls. 25/31) assevera que a autuação constante destes autos se refere às contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, o que motivou a lavratura do Auto de Infração n° 51.013.3916, referente ao período de 01/2009 a 06/2011. Também é objeto destes autos o débito alusivo às contribuições sociais devidas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE), o que deu azo à emissão do Auto de Infração n° 51.013.3924, relativo ao período de 01/2009 a 06/2011. 3. Ainda segundo o relatório fiscal a autuação se deu em razão de a entidade não possuir o Certificado de Entidade Beneficente para o período do lançamento fiscal (01/2009 a 06/2011), tendo o referido documento sido concedido somente em relação ao período de 11/07/2011 a 10/07/2014, tendo em vista que a Portaria do Ministério da Saúde n.º 323/2011 foi publicada no Diário Oficial da União em 11/07/2011.. (fls. 127) 4. O contribuinte apresentou Impugnação na qual enfatiza, em síntese, que sempre foi entidade beneficente e não deveria sofre a imposição do débito ora lançado pela fiscalização. 5. A decisão de primeira instância ao concluir “6.6. (...) descumprida a exigência legal da certificação, competia à autoridade fiscal efetuar o lançamento das contribuições devidas. (fl. 520)”, julgou improcedente a impugnação e restou ementada nos termos a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 6. Visando reverter a manutenção do crédito tributário, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 525/553) no qual assinala, preliminarmente, a necessidade de se aguardar o julgamento do processo administrativo nº. 10980.723228/201108, que trata do cancelamento da imunidade tributária a que faz jus. Em sede de mérito, alega a contribuinte que: a) o protocolo do pedido de certificação foi feito em 16.08.2008, devendo os efeitos do Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.726234/201117 Resolução nº 2301000.395 S2C3T1 Fl. 594 3 (CEBAS) retroagirem à data de seu protocolo, conforme a jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região que cita acerca do tema; b) cumpre todos os requisitos materiais estabelecidos pela Lei nº. 8.212/1991 para o usufruto da imunidade tributária, conforme documentos juntados nestes autos e no processo que trata do cancelamento do benefício tributário; c) a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ/Nº. 2132/2011, que reconhece que o Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) é meramente declaratório, possuindo efeitos ex tunc, que devem retroagir à data do protocolo do pedido; d) como seu pedido de certificação de entidade beneficente foi protocolado em 2008 e emitido em 2011, todo o crédito tributário constante das duas notificações, já que foram supervenientes ao protocolo, deve ser desconstituído, considerando a retroatividade dos efeitos do CEBAS; 7. Ao final, a contribuinte requer seja declarada a nulidade dos autos de infração constantes deste processo, posto que o Fisco não aguardou o trâmite do processo administrativo sobre o cancelamento da imunidade tributária ou, alternativamente, o reconhecimento da imunidade tributária a que tem direito com a consequente extinção do crédito tributário. 8. O Fisco não apresentou contrarrazões, e a contribuinte, às fls. 593/596, postulou o sobrestamento do feito, em razão de a matéria aqui discutida encontrarse pendente de julgamento no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). 9. Após, os autos vieram a este Conselheiro para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRELIMINARES 1. Entendo que o processo ainda não está apto para ser julgado por este colegiado, haja vista que há dúvidas quanto ao trâmite e aos fatos ocorridos no processo administrativo n.º 10980723228/201108, citado no relatório fiscal (item 1), notadamente no que diz respeito aos resultados das diligências que ocorreram na primeira instância e que levaram à conclusão administrativa pela edição do ato declaratório executivo n.º 292/2011. 2. Outro ponto que merece esclarecimentos diz respeito ao processo que tramita na justiça federal questionando a matéria discutida nos presente autos. O relatório fiscal menciona a existência do processo n.º 2006.70.00.99550, que tramita perante a justiça federal do Estado do Paraná. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.726234/201117 Resolução nº 2301000.395 S2C3T1 Fl. 595 4 3. É preciso verificar nos autos do processo qual é exatamente o questionamento jurídico levado pela entidade ao judiciário para, então, determinar o seu prosseguimento ou não na via administrativa. CONCLUSÃO 4. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas pelo fisco as seguintes providências: a) Juntada aos autos de cópia integral do processo administrativo n.º 10980.723228/201108, que emitiu o Ato Declaratório Executivo n.º 292/2011,citado pelo relatório fiscal no item “1’; b) Juntada da petição inicial e certidão de “objeto e pé” do processo n.º 2006.70.00.99550 que corre na justiça do Estado do Paraná. 5. Após a conclusão da diligência, seja concedido prazo de 30 dias para que o contribuinte, caso queira, possa falar sobre o seu resultado. 6. Deixo a análise de admissibilidade do processo para apreciação quando do retorno dos autos a este Colegiado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000539/2006-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos.
Numero da decisão: 9202-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 636 1 635 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10820.000539/200662 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202002.941 – 2ª Turma Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria Declaração de Ajuste Anual Deduções de Despesas Médicas Recorrentes FAZENDA NACIONAL e LUIZ CARLOS DE PAULA FAZENDA NACIONAL e LUIZ CARLOS DE PAULA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 05 39 /2 00 6- 62 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista glosas de despesas médicas. Em sessão plenária de 29/05/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 154.334, prolatandose o Acórdão 10423.235, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação' nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO SINGULAR INEXISTÊNCIA – O julgador administrativo não se vincula ao dever de responder, um a um, o feixe de argumentos postos pelo peticionário, desde que já tenha encontrado . motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios que põem em dúvida a realização.da despesa, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA Se não estiver demonstrado nos autos que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada, de 150%. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim resumida: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 637 3 “ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada do acórdão em 19/08/2008 (fls. 539), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 541 a 564, com fundamento no art. 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.° 147, de 2007, contendo as seguintes razões, em síntese: consta no voto condutor do acórdão que se a exasperação da penalidade requer a demonstração cabal da conduta fraudulenta, o que não se caracteriza apenas pela dedução indevida; há que se concordar com a afirmação, pois sem dúvida a mera dedução indevida de receita praticada pelo contribuinte não poderia justificar a imputação de evidente intuito de fraude, cominada no art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996; é que, ainda que seja plenamente cabível presumir que o contribuinte, ao deduzir indevidamente receita mediante apresentação de farta documentação falsa, procurou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, tratase, a apresentação de documentação falsa, do próprio e (forte) evidente intuito de fraude; este indício tem que ser complementado por outros elementos, para que se possa provar, ou então presumir de modo seguro, que o contribuinte realmente agiu de modo doloso; em suma, a mera apresentação de documentação falsa de receitas, representando expurgação de débito indevido em relação ao correto valor tributado, não origina a multa agravada; ao contrário, e necessária comprovação, pelo Fisco, do intuito de burlar ou obstruir a fiscalização tributária pelo utilização de algum expediente ilícito, doloso, de máfé, de modo a realmente impedir o conhecimento do fato gerador; isso, de fato, importa na exigência de multa agravada (cita doutrina de Marco Aurélio Greco); no caso em tela, há que se apreciar as provas trazidas a lume pela fiscalização, para se concluir pela demonstração do evidente intuito de fraude; consoante o Termo de Constatação Fiscal (fls. 301/309), a fraude cometida consistiu na apresentação de recibos e/ou demais documentos originais falsos, referente aos anoscalendário de 2002 a 2004; ora, mais do que demonstrar simplesmente que o Recorrido a falsidade dos recibos apresentados, a fiscalização aprofundou o exame, e detalhou em que consistia a fraude. em cada um dos documentos e suas contradições com a realidade; notese que a fisioterapeuta de quem o Recorrido obteve alguns recibos é sua filha; aqui, diversos recibos foram confeccionados numa mesma data, nenhum deles traz o endereço do emitente e nem identificam o paciente. (fl. 304); Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 há de se notar que, pelas informações fornecidas pelo contribuinte, ele recebeu atendimento fisioterápico em duas cidades diferentes, mas no mesmo dia, sendo um deles realizado por sua filha e outro por sua sobrinha, o que demonstra que o Recorrido buscou realmente um modo de "recriar a realidade e a lógica das coisas", com a construção de fatos absurdos e de fortíssima conotação ardilosa; os expedientes utilizados para possibilitar a sonegação são prova da fraude, e portanto justificam a multa qualificada; confirase a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes sobre o tema, aplicável ao caso: Acórdão 10421838 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A utilização pelo sujeito passivo de documentos inidôneos para comprovar despesa médica caracteriza o intuito de fraude e justifica a qualificação da multa de ofício. Acórdão 10513069 "PENALIDADE — MULTA AGRAVADA — Aplicase lançamento de oficio, a multa de 150% sobre a totalidade do imposto de renda e contribuições devidos nos casos de evidente intuito de fraude, enquadrandose na tipificação a ocorrência de simulação de participação societária a fim de ocultar do Fisco a verdadeira identidade do titular da empresa autuada e a apresentação de declaração de rendimentos sem movimento, mesmo e só após intimação fiscal , quando então já se apurava a efetiva movimentação de recursos no período objeto da mesma declaração, que deixa inconteste a prestação de falsa informação" Acórdão 10420509 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FALSA DECLARAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS LANÇADAS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 7 3 da Lei n° 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a dedução de diversas despesas médicas, com a indicação de nome e número de inscrição no CPF de terceiros, baseado em documentos fiscais inidôneos, cuja prestação dos serviços não foi reconhecida pelos profissionais indicados na Declaração de Ajuste Anual do declarante. desse modo, comprovada a fraude cometida pelo Recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao recurso, reformandose o acórdão recorrido. Ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 920200.081, de 28/09/2009 (fls. 566/567), admitindose a rediscussão da desqualificação da multa de ofício. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 638 5 Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 04/11/2010, o Contribuinte ofereceu, em 19/11/2010, as ContraRazões de fls. 573 a 581 e o Recurso Especial de fls. 582 a 602. Em sede de ContraRazões, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, relativamente ao apelo da Fazenda Nacional: não há fundamento para o recurso especial, pois as razões nele invocadas são inteiramente improcedentes; começa o Sr. Procurador a dizer em sua petição de recurso, no terceiro parágrafo de fls. 542, que a fiscalização apurou que o recorrido apresentou recibos falsos, repetindo essa irrogação no parágrafo seguinte; uma assertiva não verdadeira, essa, pois os recibos não são falsos, são verdadeiros no sentido de que existem, e mais, foram emitidos pelos donos das assinaturas, e retratam uma verdade, pois os serviços foram prestados e houve uma contraprestação de parte do contribuinte; mais à frente, em sua petição, ao expor os fundamentos com vistas à reforma do V. Acórdão, trouxe à colação, fls. 543, três ementas do Primeiro Conselho de Contribuintes, a primeira delas do Acórdão n° 10247.428, com a seguinte dicção: EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — MULTA QUALIFICADA — A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de oficio qualificada; ora, o fato de a ementa dizer que a utilização de documentos inidôneos caracteriza evidente intuito de fraude não transforma os recibos do recorrido em inidôneos, ou seja, a questão é outra: no caso dos autos os Conselheiros disseram que não ficou provado o evidente intuito de fraude, que os documentos não podem com certeza serem inquinados de produto de ato doloso; mas há um outro aspecto a ser analisado nessa ementa: documentos inidôneos para justificar dedução de despesa médica necessária não são documentos que evidenciam prática de ato doloso; eles podem ser inidôneos por uma infinidade de razões que não constituam prática de ato doloso, por exemplo, um recibo sem assinatura, ou cujo emitente esteja em situação irregular perante o órgão de saúde a que está afeto; nem se diga que a ementa quis dizer outra coisa, que ela quis se referir a caso mesmo de evidente intuito de fraude; se é assim, não serve como paradigma, principalmente para caso tão grave como o aqui versado, que pode resultar em processo crime. a segunda ementa, do Acórdão n° 10615959, não serve ao caso, pois não faz mais do que se reportar às hipóteses da lei; o que está em questão aqui é exatamente se as hipóteses da lei têm aplicação ao caso; quanto a terceira ementa, referente ao Acórdão n° 10616025, como se pode ver de sua leitura, não guarda pertinência com o caso dos autos; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 de modo que o cuidado do legislador ao dizer que a multa de 150% é aplicada aos casos de evidente intuito de fraude não serviu de norte ao douto Procurador da Fazenda; os léxicos registram que o adjetivo "evidente" significa o "que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente." (Aurélio); o que é claro, aceitável, indiscutível pela incontestabilidade; indubitável, patente, irrefutável" (Houaiss); nada mais claro do que esse entendimento, que socorre o contribuinte em sua tese; o próprio fato de os oito Conselheiros que proferiram a decisão retratada no Acórdão recorrido haverem, por unanimidade, decidido afastar a multa de 150% é bastante para denotar que não existe esse evidente intuito de fraude; em sentido contrário ao entendimento do ilustre Procurador da Fazenda, eis alguns julgados administrativos, esses sim, aplicáveis ao caso aqui versado: Acórdão 10248.285 IRPF Ex(s): 2000 DESPESAS MÉDICAS GLOSA DOCUMENTOS CONTRADITÓRIOS ENTRE SI DÚVIDAS CAUSA SUFICIENTE PARA AFASTAR QUALIFICAÇÃO DA MULTA GLOSA DE DESPESAS – Havendo elementos concretos e suficientes para ilidir a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte tenha demonstrado, de forma convincente, a efetiva prestação dos serviços, mantémse a glosa e afastase a multa qualifica diante da dúvida em relação à existência da conduta fraudulenta. – MULTA QUALIFICADA Em matéria de fato delituoso não se pode presumir, ou existe prova concreta da figura tipificada na lei ou, em caso de dúvida, como a existente nos autos, decorrente de declarações contraditórias entre si, desqualificase a multa. DOCUMENTO FALSO Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a argüir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. Recurso parcialmente provido. Acórdão 10247.903 DESPESAS MÉDICAS GLOSA DOCUMENTOS CONTRADITÓRIOS ENTRE SI DÚVIDAS CAUSA SUFICIENTE PARA AFASTAR QUALIFICAÇÃO DA MULTA GLOSA DE DESPESAS – Havendo elementos concretos e suficientes para ilidir a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte tenha demonstrado, de forma convincente, a efetiva prestação dos serviços, mantémse a glosa e afastase a multa qualifica diante da dúvida em relação à existência da conduta fraudulenta. MULTA QUALIFICADA Em matéria de fato delituoso não se pode presumir, ou existe prova concreta da figura tipificada na lei ou, em caso de dúvida, como a existente nos autos, decorrente de declarações contraditórias entre si, desqualificase a multa. DOCUMENTO FALSO Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a arguir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. No Brasil, a presunção de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 639 7 inocência se constitui na maior das garantias individuais consagradas na Constituição de 1988. Havendo dúvidas quanto à materialidade e autoria de fato doloso, interpretase em favor do contribuinte. Inteligência artigo 112, III, do CTN. Acórdão no: 10247.917 DESPESAS MÉDICAS — SUSPEITA DE DOCUMENTOS FALSOS – GLOSA DE DESPESAS AFASTADA Realizado procedimento administrativo em que o profissional nega a autoria de parte dos recibos apresentados por terceiros e confirma a autoria e recebimento dos recibos apresentados pela recorrente, é de se admitir tal prova para afastar a glosa. Acórdão 10245.559 GLOSA DESPESAS MÉDICAS — Restabelecese as deduções das despesas médicas lançadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos e glosadas pela fiscalização, quando, à vista de toda a documentação carreada aos autos que comprovam a efetividade das despesas, o fisco não consegue provar que tais documentos foram emitidos de forma irregular. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Ao final, o Contribuinte pede não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, se conhecido, que lhe seja negado provimento. Quanto ao Recurso Especial, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o crédito tributário discutido nos autos decorreu da glosa de despesas pagas a profissionais. A forma dos pagamentos dos serviços aos profissionais da saúde foi pela digna autoridade lançadora considerada inusual; contudo, essa forma atendeu às especiais circunstâncias da vida que o contribuinte leva, tendo em vista, entre outras particularidades, o local de sua residência, em Birigui, interior do Estado de São Paulo; distante mais de 500 quilômetros da capital do Estado, onde trabalha; suas condições de saúde, e as de sua mulher, e as mazelas que os afligem; a existência, no local de sua moradia, de profissionais de saúde parentes seus, que lhes prestam, a ele e à sua mulher, assistência em condições, forma, preço e horários especiais; até pode parecer incomum essa forma de tratamento prestado por profissionais da saúde, mas é preciso ter em conta sua condição de pessoa da família, a quem o contribuinte e sua mulher não querem deixar de retribuir pela dedicação especial; e se for verificar, verseá que no meio social existem na verdade muitas formas pelas quais as pessoas prestam ajuda mútua sem que isso exclua o direito à percepção, pelo profissional da saúde, da contraprestação pelo seu trabalho, e o direito dos beneficiários em oferecer, da maneira que lhes é possível e com dignidade, contrapartida pelos cuidados recebidos; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 o contribuinte, sua mulher e os profissionais que os assistiram não faltaram com a verdade, e por isso o recorrente insistiu na determinação de diligência com vistas a comprovar a veracidade das afirmações; têm eles confiança em que essa Câmara Superior, com base nas inúmeras decisões que reconheceram o direito de contribuintes em situações análogas à sua, revertam o respeitável julgado recorrido; é grande o número de decisões em sentido contrário ao do Acórdão ora objurgado, mas, pelas semelhanças das características, o recorrente aponta um em especial – Acórdão n ° 10245.559 – que traz à colação; tratase igualmente de glosa de despesas com tratamento de saúde, pagas a profissional parente (irmão), em que a ilustre autoridade lançadora, em lugar de envidar esforços com vistas a apurar a verdade real, simplesmente presumiu que houve dedução indevida de valores que teriam sido pagos a título de despesas com tratamento de saúde; os casos são iguais, embora tenha sido diferente a forma de dispensar o tratamento tributário a um e outro; a diferença que existe é que a situação do recorrente é muito mais grave, seja do ponto de vista dos diversos males que afligem a ele e à sua mulher, mais justificada ficando a necessidade de incorrer nas despesas; da idade avançada de ambos; da situação financeira mais difícil; das condições de trabalho do recorrente, com a necessidade de seu deslocamento constante entre as cidades de Birigui e São Paulo, separadas por mais de 500 quilômetros; do local e forma dos tratamentos de saúde; no caso aqui versado, nem mesmo o benefício da dúvida foi conferido ao contribuinte, diferentemente do que ocorreu no caso paradigma, em que esse beneficio veio a reparar a falta de empenho do agente fiscalizador em comprovar os fatos, em lugar de presumi los em detrimento do contribuinte. a decisão tomada por padrão foi muito feliz a afirmar que a partir das inadequadas suposições em relação às despesas efetuadas pelo recorrente, "a fiscalização começou a presumir fatos para criar as supostas irregularidades e com isso pretendeu, pelo lançamento do tributo, inverter o ônus da prova, quando a legislação do imposto de renda prevê para a pessoa jurídica – fundamentalmente apenas quatro situações que possibilitam a inversão do ônus da prova, quais sejam. a) configuração de saldo credor de caixa; b) configuração de passivo fictício; c) configuração de suprimentos de caixa à empresa por administradores, sócios ou acionistas, de recursos cuja efetividade da entrega e da origem não forem comprovadamente demonstradas e, d) configuração de hipótese de distribuição disfarçada de lucro"; são incontáveis as decisões contrárias ao entendimento expressado no venerando acórdão recorrido, dentre as quais as seguintes: Acórdão n° : 10247.917 DESPESAS MÉDICAS — SUSPEITA DE DOCUMENTOS FALSOS — GLOSA DE DESPESAS AFASTADA Realizado procedimento administrativo em que o profissional nega a autoria de parte dos recibos apresentados por terceiros e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 640 9 confirma a autoria e recebimento dos recibos apresentados pela recorrente, é de se admitir tal prova para afastar a glosa. DOCUMENTO FALSO — Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a argüir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. Recurso provido." Acórdão n° 10244.379 "DESPESAS ODONTOLÓGICAS PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS (EX. 92) Apresentado o recibo de prestação de serviços, sendo o profissional qualificado e estando em atividade na época da emissão do documento, invertese o ônus da prova, cabendo à fiscalização provar que os serviços não foram prestados ou quer o documento é falso para que se possa glosar o documento apresentado." Acórdão 10245.559 IRPF PRELIMINAR DE NULIDADE A hipótese de nulidade (...) Glosa despesas médicas Restabelecese as deduções das despesas médicas lançadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos e glosadas pela fiscalização , quando, a vista de toda a documentação carreada aos autos que comprovam a efetividade das despesas , o fisco não consegue provar que tais documentos foram emitidos de forma irregular. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Ao final, o Contribuinte pede a prolação de nova decisão, para cancelar a exigência tributária discutida. Ao Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, foi dado seguimento, por meio do Despacho nº 220000.387, de 22/06/2011 (fls. 604 a 608), admitindose a rediscussão da “glosa de dedução de despesas médicas, uma vez que o contribuinte entende ser do Fisco o ônus probatório da não idoneidade dos recibos apresentados”. Cientificada do recurso do Contribuinte em 19/07/2011 (fls. 608), a Fazenda Nacional ofereceu, na mesma data, as ContraRazões de fls. 610 a 613, contendo os seguintes argumentos, em síntese: inicialmente, cumpre registrar que o recurso especial aviado pelo sujeito passivo não possui os requisitos mínimos de admissibilidade, eis que não restou demonstrada a divergência de entendimento entre Colegiados do CARF; de fato, o acórdão apontado como paradigma é inservível para demonstração de divergência jurisprudencial, a um porque trata de situação fática diferente e a dois porque manifesta entendimento convergente ao do acórdão recorrido; cumpre destacar que o contexto fático do acórdão apontado como paradigma é totalmente diferente daquele observado nos presentes autos; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 primeiramente, cabe ressaltar que o conjunto probatório que formou o convencimento dos julgadores no acórdão n° 10245.559 é diferente daquele examinado nestes autos; naquele caso foram carreados aos autos pelo interessado recibos médicos, declarações dos profissionais firmando a prestação dos serviços, cópias de fichas médicas, etc; no presente caso, entretanto, só foram juntados meros recibos médicos; ademais, no acórdão recorrido, diferentemente do acórdão apontado como paradigma, a autoridade fiscal demonstrou, de forma detalhada, por qual razão a documentação apresentada pelo contribuinte não poderia ser aceita; nesse ponto, aliás, a tese adotada nos acórdãos paradigma e recorrido é convergente; demonstrada pelo Fisco a inidoneidade da documentação apresentada pelo sujeito passivo, deve ser mantida a glosa de despesas médicas; verificase, portanto, que o que o contribuinte pretende é a reanálise da força probante dos documentos anexados, o que é inviável na via estreita do recurso especial; assim sendo, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não merece sequer ser conhecido; caso sejam superadas as preliminares de não conhecimento do recurso, no mérito melhor sorte não socorre ao contribuinte; não há como considerar como comprovadas, para fins de dedução, as despesas médicas glosadas pela auditoria fiscal, dadas as particularidades do caso concreto examinado; de início, convém elencar a legislação específica de regência da matéria, a saber, art. 8° da Lei nº 9.250, de 1995, c/c art. 73 do Decreto n.° 3000, de 1999 RIR/99; fixadas as premissas legais, convém esclarecer que, não obstante, a princípio, admitamse recibos, para fins de deduções, é possível a exigência, pelo Fisco, de documentos adicionais para a comprovação da efetividade do tratamento e do real desembolso pelo contribuinte (ônus a cargo deste), sem os quais o recibo não é bastante para justificar o abatimento; o voto condutor do acórdão n.° 10615.445 é emblemático na elucidação da matéria, pelo que merece transcrição: Tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. É mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 641 11 apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado. no mesmo sentido milita o acórdão n° 10243.935: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. Recurso negado. tal linha de raciocínio, como visto, encontrase colmatada pela jurisprudência administrativa, assente na necessidade de demonstração da efetiva prestação dos serviços médicos e do real dispêndio do contribuinte, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda; no presente caso, são inúmeros os indícios que apontam para a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, tal como detalhadamente descrito no termo de verificação fiscal e sintetizado no voto condutor do acórdão recorrido: No caso presente, a Fiscalização apontou abundantes elementos que põem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados, como o fato dos supostos prestadores serem parentes próximos do autuado, de serviços serem realizados simultaneamente em localidades distintas, de os beneficiários dos serviços serem pessoas que não figuram como seus dependentes, entre outros Diante desses elementos, deveria o Contribuinte, como foi intimado a fazêlo, trazer elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados. Entretanto, nada disso apresentou, limitandose a defender, com considerações de ordem geral, a possibilidade de que os serviços em questão foram efetivamente prestados. Entretanto, nas circunstâncias deste processo, isso não basta. Para se admitir como comprovada a prestação dos serviços médicos e os pagamentos efetuados teria o contribuinte que reunir prova, ainda que parciais dos pagamentos realizados. assim sendo, não merece reparos o acórdão que concluiu pela manutenção da glosa de despesas médicas. Ao final, a Fazenda Nacional requer, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte ou, em não se acatando a questão preliminar apontada, seja negado provimento ao apelo. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de glosas de despesas médicas, mantidas pela Câmara a quo, que apenas desqualificou a multa de ofício. Há Recurso Especial tanto do Contribuinte como da Fazenda Nacional. Primeiramente será analisado o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, já que este visa rever algumas das glosas efetuadas. Já o apelo da Fazenda Nacional diz respeito à qualificadora da penalidade, discussão esta que somente terá sentido se mantidas as glosas. O Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo do Contribuinte, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os paradigmas e o acórdão recorrido. Em seu apelo, o Contribuinte indica como paradigma o Acórdão 10245.559, citando também os Acórdãos 10247.917 e 10244.379. O artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, assim estabelece: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência.” Assim, uma vez que o Contribuinte não indicou a prioridade de análise, são passíveis de exame os dois primeiros julgados citados no recurso, a saber, os Acórdãos 102 45.559 e 10247.917. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, desde já descartandose a eventual divergência em matéria de prova, uma vez que, nesse aspecto, cada processo constitui um universo específico. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 642 13 Nessa toada, a discussão que se pretende travar no presente recurso – glosas de despesas médicas – diz respeito essencialmente à análise do conjunto probatório constante dos autos. Ainda assim, para que não se alegue cerceamento de direito de defesa, serão verificados os pontos sobre os quais o Contribuinte entende ter se configurado divergência jurisprudencial, a ver se efetivamente teria havido aplicação de diferente critério jurídico na valoração das provas, por parte do paradigma. Nesse passo, verificase que o Contribuinte assim identifica os pontos que seriam divergentes: “A decisão que o recorrente escolheu para servir de principal paradigma, foi prolatada pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em caso semelhante ao versado nestes autos, ou seja, de glosa de despesas médicas pagas a parente, no caso médico irmão do contribuinte. (...) É grande o número de decisões em sentido contrário ao do V. Acórdão ora objurgado. Mas, pelas semelhanças das características, o recorrente aponta um em especial, que traz à colação. Tratase igualmente de glosa de despesas com tratamento de saúde, pagas a profissional parente (irmão), em que a ilustre autoridade lançadora, em lugar de envidar esforços com vistas a apurar a verdade real em que se deve fundar o lançamento tributário, simplesmente presumiu que houve dedução indevida de valores que teriam sido pagos a título de despesas com tratamento de saúde. (...) Os casos são, pois, iguais, embora tenha sido diferente a forma de dispensar o tratamento tributário a um e outro. A diferença que existe é que a situação do recorrente é muito mais grave, seja do ponto de vista dos diversos males que afligem a ele e à sua mulher, mais justificada ficando a necessidade de incorrer nas despesas; da idade avançada de ambos; da situação financeira mais difícil; das condições de trabalho do recorrente, com a necessidade de seu deslocamento constante entre as cidades de Birigui e São Paulo, separadas por mais de 500 quilômetros; do local e forma dos tratamentos de saúde. No caso aqui versado, nem mesmo o benefício da dúvida foi conferido ao contribuinte, diferentemente do que ocorreu no caso paradigma, em que esse benefício veio a reparar a falta de empenho do agente fiscalizador em comprovar os fatos, em lugar de presumilos em detrimento do contribuinte.” Assim, verificase que o recurso está direcionado às glosas de despesas cujos serviços teriam sido prestados por parentes do Contribuinte, no caso, pela fisioterapeuta Rita de Cássia Arvelino de Paula, sua filha, e pela dentista Circe Aparecida Silva de Paula, sua cunhada. Na visão do Contribuinte, a suposta divergência residiria no fato de que, no acórdão recorrido, teria havido a presunção de que as deduções foram indevidas, enquanto que Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 no paradigma, presente a mesma situação fática, o benefício da dúvida teria reparado a falta de empenho da Fiscalização em comprovar os fatos. Destarte, serão analisadas as situações retratadas no acórdão recorrido e no paradigma, a ver se, como alega o Contribuinte, efetivamente guardariam identidade fática, com adoção de soluções diversas. No caso do acórdão recorrido, a situação fática configurada nos autos demandou a exigência de elementos probatórios adicionais que, não apresentados, a consequência foi a manutenção da glosa. Confirase o contexto do julgado guerreado, conforme o Auto de Infração: “Detalhamos abaixo todas as evidências e provas, abrangendo os três exercícios fiscalizados. 1. O contribuinte apresentou em 03/01/2006 diversos documentos objetivando a comprovação das despesas médicas informadas nas suas declarações de imposto de renda. Analisados todos eles sumariamente, identificamos facilmente os que apresentam indícios muito fortes de inidoneidade. Por que foi fácil a identificação? Inicialmente, separamos os recibos de valores elevados, de emissão em série (12 recibos por ano, por exemplo), de emissão de parentes do contribuinte fiscalizado (filha, cunhada e sobrinha) daqueles de valores compatíveis com os serviços neles descritos e não emitidos de forma continuada. Aprofundando as análises dos recibos do primeiro grupo identificamos inúmeras inconsistências e incoerências. Diante disso, retivemos os originais e relatamos todas as incoerências e inconsistências ao contribuinte em nosso Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 12/01/2006, exigindolhe comprovação adicional. Em relação aos recibos do segundo grupo, solicitamos ao contribuinte apenas a identificação dos respectivos pacientes. Desses recibos do segundo grupo extraímos cópias e devolvemos os originais ao contribuinte; 2. Apesar de todos os indícios de INIDONEIDADE dos recibos tendo por emitentes RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA e CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA, o contribuinte devidamente cientificado, não apresentou outros documentos comprobatórios da realização de tais despesas. Em relação aos recibos tendo por emitente NEILA PATRICE VIEIRA BENANTE DE PAULA apresentou cópia dos prontuários relativos aos tratamentos dentários (do contribuinte e de seus dependentes). Alegou, ainda, que os tratamentos dentários e as sessões de fisioterapia realizados na sua pessoa e na sua esposa ocorreram sempre nos finais de semana; (...) RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA (FISIOTERAPEUTA, filha do contribuinte fiscalizado) a) Aparentemente, verificase que diversos recibos foram confeccionados numa mesma data, apesar das datas de emissão deles constantes serem diferentes; Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 643 15 b) Diversos recibos apresentam data de recebimento que recaíram em sábado ou domingo. Exemplificando: sábado (23/02/2002, 26/01/2002, 27/04/2002, 29/06/2002, 26/10/2002 e 28/12/2002); domingo: (27/10/2002, 22/12/2002 e 30/072002); c) Nenhum dos recibos traz o endereço do emitente; d) Os recibos não identificam o paciente; e) Apesar de intimado, o contribuinte fiscalizado não apresentou nenhum outro documento adicional suficiente para a comprovação. Limitouse a informar que o tratamento fisioterápico (nele e na esposa) teria sido realizado nos finais de semana. Acrescentou, ainda, que no seu caso seria de qualquer modo impossível o tratamento durante a semana, pelo fato de trabalhar na capital do estado. Na página 7 da resposta, de 06/02/2006, o contribuinte afirmou: "Os honorários a ela devidos nos anos de 2002, 2003 e 2004, ainda que em valores simbólicos diante do trabalho diuturno, especializado, prestado nos finais de semana, quando seria justo que ela descansasse de suas atividades dos dias úteis da semana, foram pagos da maneira mais informal possível, como é de costume em família. Ora em dinheiro, parceladamente, ora em forma de pagamentos, pelo seu pai, de contas por ela devidas, para oportuna compensação com seus créditos pelos serviços prestados" (grifamos). Por que tal alegação não se sustenta? O contribuinte ao justificar o tratamento dentário (dele e da esposa) realizado pela dentista Neila Patrice Vieira Benantes de Paula afirmou que os atendimentos ocorreram nos finais de semana. Na página 6 da resposta, de 06/02/2006, o contribuinte afirmou: "Ninguém mais indicado para o tratamento rotineiro do que minha própria sobrinha, que é profissional da área específica e me atende nos finais de semana, sem contar o favorecimento que me concede quanto ao valor cobrado" (grifamos). Ora, como pode o contribuinte e sua esposa serem atendidos nos finais de semana, simultaneamente, pela sua filha Rita de Cássia (fisioterapeuta) na cidade de SÃO PAULO, e pela sua sobrinha Neila (dentista) na cidade de Birigui — SP. Fariam eles as sessões de fisioterapia na cidade de São Paulo no sábado e viajariam mais de 500 quilômetros para fazerem o tratamento dentário no domingo? É claro que não . O próprio contribuinte afirma que, nos finais de semana, ele e sua esposa tratavam dos dentes em BIRIGUI (SP). f) O Plano de saúde do contribuinte dá cobertura inclusive para tratamento fisioterápico. A Fundação CESP encaminhou a esta fiscalização relação de todos os fisioterapeutas e clínicas de fisioterapia conveniados que poderiam atender o contribuinte fiscalizado e seus dependentes. São inúmeros. A justificativa do contribuinte de que seria desvantajosa a utilização em razão dos gastos com táxi para locomoção não se sustenta. Por quê? Basta verificar no demonstrativo de prestação de serviços fornecido pela Fundação CESP que a esposa do contribuinte é atendida com freqüência em Araçatuba por médicos e laboratórios. Interessante que para esses atendimentos freqüentes em Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Araçatuba ela pode se deslocar mais de 500 quilômetros de São Paulo à Araçatuba sem problema algum. g) Mais uma observação que permite concluir pela inidoneidade dos recibos apresentados deve ser registrada. Comparandose o recibo com data de emissão de 28/11/2003, no valor de R$700,00 e o recibo com data de emissão de 23/12/2003, no valor de R$440,00 verificase uma total discrepância no valor cobrado por uma sessão de fisioterapia num intervalo de tempo inferior a um mês. No primeiro recibo consta o valor de R$700,00 referente a 40 sessões, que resulta no valor de R$17,50 por sessão. No segundo recibo consta o valor de R$440,00 referente a 11 sessões, que resulta no valor de R$40,00 por sessão. h) Pelas razões acima expostas e em face da absoluta falta de comprovação dos pagamentos e da prestação de serviços das despesas com fisioterapia pleiteados em valores significativos (R$6.500.00 no anocalendário de 2002, R$3.800,00 no ano calendário de 2003 e R$3.885,00 no anocalendário de 2004) caracterizado está o evidente intuito de fraude. Assim, concluise que as referidas deduções foram pleiteadas indevidamente, constituindo ação dolosa, de modo a reduzir o montante do imposto devido. CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA (DENTISTA, cunhada do contribuinte fiscalizado) a) Aparentemente, verificase que todos os recibos foram confeccionados numa mesma data, apesar das datas de emissão deles constantes serem diferentes; b) Em todos os recibos observase apenas a descrição genérica (tratamento odontológico), bem como a ausência de numeração seqüencial. Além disso, não identificam o paciente; c) Nenhum dos recibos traz o endereço do emitente; d) Todos os recibos apresentam data de emissão incompleta. Neles estão indicados apenas mês e ano; e) Contribuinte teria realizado tratamentos odontológicos com mais de um profissional simultaneamente (Circe Aparecida Silva de Paula, sua cunhada, e Neila Patrice Vieira Benante de Paula, sua sobrinha), situação essa totalmente atípica e anômala; f) A Sra. Circe é funcionária assalariada do SESI; g) Apesar de intimado, o contribuinte fiscalizado não apresentou nenhum outro documento adicional suficiente para a comprovação. Limitouse a informar que os serviços teriam sido prestados nos finais de semana. Na página 7 da resposta, de 06/02/2006, o contribuinte afirmou: "Os serviços de atendimento que me foram prestados pela Dra. Circe Aparecida Silva de Paula, nos meses de julho a dezembro de 2003, foram realizados no prédio da Av. Euclides Miragaia, 1717, sala A, em Birigui (SP), tendo por objeto tratamento periodontal exclusivamente nos finais de semana, pois é o tempo disponível que tenho" Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 644 17 (grifamos). Tal alegação não se sustenta pelos mesmos motivos já mencionados no item "e" das constatações desta fiscalização relativas à fisioterapeuta Rita de Cássia. Em relação às despesas médicas informadas nas declarações tendo como beneficiária NEILA PATRICE VIEIRA BENANTE DE PAULA (Dentista), o contribuinte após ter sido intimado em 12/01/2006, apresentou documentos adicionais, além dos recibos inicialmente apresentados. Tais documentos são cópias autenticadas dos prontuários relativos aos tratamentos dentários do contribuinte fiscalizado e de seus dependentes. Após análise destes documentos e demais esclarecimentos prestados pelo contribuinte, concluímos pela comprovação da dedução pleiteada. Diante de todo o exposto, glosamos os valores deduzidos indevidamente como despesas médicas nos anoscalendário de 2002 a 2004, conforme abaixo demonstrado: (...) Em relação às despesas médicas pleiteadas tendo como beneficiários HOSPITAL AVICCENA, HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS, ISMAIL RAJAB, RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA e CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA, os fatos demonstram que o contribuinte, reiteradamente, prestou declarações falsas, deduzindo despesas médicas INDEVIDAS com a utilização de recibos e documentos imprestáveis para tal. com o fim de reduzir o imposto devido, caracterizando o evidente intuito de fraude. Assim, justificase a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430196 . Portanto, em relação a estes beneficiários, lavramos o presente auto de infração para a formalização da exigência tributária com a aplicação da multa qualificada.” (destaques no original) Assim, verificase que, em face da situação específica dos autos, foram solicitados elementos de prova adicionais, o que somente foi cumprido em relação à dentista Neila Patrice Vieira Benante de Paula, sobrinha do Contribuinte, apresentando se os respectivos prontuários, o que motivou a aceitação da despesa. Quanto à fisioterapeuta Rita de Cássia Arvelino de Paula, filha do Contribuinte, e à dentista Circe Aparecida Silva de Paula, cunhada do Contribuinte, nada foi apresentado, mantendose a glosa. No que tange às demais glosas, não se tratou de serviços prestados por parentes do Contribuinte, mas sim de erro em valores declarados (Fundação CESP) e despesas relativas a pessoas que, após a circularização junto aos prestadores dos serviços, descobriuse que se tratava de despesas com pessoas que não eram dependentes do Contribuinte (Hospital Aviccena, Hospital Professor Edmundo Vasconcelos e Ismail Rajab). Quanto ao primeiro paradigma indicado, Acórdão 10245.559, o seu contexto pode ser extraído dos trechos a seguir: Ementa Fl. 17DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 “GLOSA DESPESAS MÉDICAS — Restabelecese as deduções das despesas médicas lançadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos e glosadas pela fiscalização, quando, a vista de toda a documentação carreada aos autos que comprovam a efetividade das despesas, o fisco não consegue provar que tais documentos foram emitidos de forma irregular. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (grifei) Voto “No mérito, entendo que merece uma pequena reforma a r. decisão a quo, em relação apenas à glosa das despesas médicas deduzidas pelo recorrente em suas declarações de rendimentos, relativa aos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. Isto porque, conforme se verifica do processo, além do recorrente ter lançado nas suas declarações de rendimentos os pagamentos efetuados aos profissionais que lhe prestaram serviços médicos, carreou para os autos, recibos devidamente emitidos por aqueles profissionais; havendo ainda, declarações dos profissionais firmando a prestação de serviços, assim como, cópias de fichas médicas anexadas por solicitação da fiscalização. Agora, para afastar toda a documentação que socorre o recorrente em relação às despesas médicas por ele lançadas em suas declarações de rendimentos, deveria o Fisco contraditar todas aquelas provas, e não, simplesmente, presumir que aqueles serviços não foram na verdade efetuados. A partir das inadequadas suposições em relação às despesas efetuadas pelo recorrente, a fiscalização começou a presumir fatos para criar as supostas irregularidades e com isso pretendeu, pelo lançamento do tributo, inverter o ônus da prova, quando a legislação do imposto de renda prevê – para a pessoa jurídica – fundamentalmente apenas quatro situações que possibilitam a inversão do ônus da prova, quais sejam: a) configuração de saldo credor de caixa; b) configuração de passivo fictício; c) configuração de suprimentos de caixa à empresa por administradores, sócios ou acionistas, de recursos cuja efetividade da entrega e da origem não forem comprovadamente demonstradas e, d) configuração de hipótese de distribuição disfarçada de lucros. Portanto, ressalvadas essas exceções, a regra é o ônus da prova ser mister das autoridades administrativas. Desse modo, as supostas irregularidades presumidas pela fiscalização, deveriam ser, efetivamente, provadas, demonstrando ainda o nexo causal, ou seja, seria necessário demonstrar que os referidos serviços não aconteceram. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 645 19 A verdade é que, em nenhum momento a autoridade administrativa provou, efetivamente, que aqueles serviços não se sucederam, não podendo dessa forma, a vista de toda as documentações anexadas ao processo, desconsiderálas, pois, de vez que não se aplica para o presente caso as presunções legais. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções das despesas médicas lançadas pelo recorrente em suas declarações de rendimentos.” De plano, verificase que a situação tratada no acórdão paradigma não se assemelha à tratada no recorrido. Primeiramente, verificase que o paradigma não faz qualquer menção, no sentido de que os serviços médicos objeto das glosas teriam sido prestados por dois parentes do Contribuinte. Tampouco foram relatados os indícios de inidoneidade verificados no recorrido, conforme resumido no voto do julgado guerreado: “No caso presente, a Fiscalização apontou abundantes elementos que põem em dúvida a idoneidade dos, recibos apresentados, como o fato dos supostos prestadores serem parentes próximos do autuado, de serviços serem realizados simultaneamente em localidades distantes, de os beneficiários dos serviços serem pessoas que não figuram como seus dependentes, entre outros. Diante desses elementos, deveria o Contribuinte, como foi intimado a fazêlo, trazer elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados.” Ainda que assim não fosse, constatase que no paradigma foram apresentados, além de recibos, declarações dos profissionais confirmando os serviços, bem como cópias das fichas médicas, anexadas a pedido da Fiscalização, concluindose pela impossibilidade de desconsideração de tais provas, por parte do Fisco. Nesse particular, não se vislumbra onde residiria a alegada divergência, em relação ao acórdão recorrido. Muito pelo contrário, os acórdãos recorrido e paradigma encontramse em total sintonia, já que ambos aceitaram as despesas para as quais houve apresentação de documentos adicionais aos recibos, a saber: no caso do paradigma, repitase que foram apresentadas, além dos recibos, declarações dos profissionais firmando a prestação de serviços, bem como cópias de fichas médicas anexadas por solicitação da Fiscalização; no caso do acórdão recorrido, reiterase que foram apresentados, relativamente à dentista Neila Patrice Vieira Benante de Paula, além dos recibos, os prontuários referentes aos serviços prestados ao Contribuinte e seus dependentes e, a despeito de a profissional ser sua sobrinha, a despesa foi acatada. Destarte, o acórdão recorrido, além de retratar situação fática diversa daquela descrita no paradigma, revelou a concessão de tratamento ainda mais benéfico ao Contribuinte, na medida em que, mesmo tratandose de sua sobrinha, contentouse com a apresentação adicional de prontuário, quando no paradigma, além das fichas médicas, foram apresentadas as declarações dos prestadores, confirmando a realização dos serviços. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 Assim, esse primeiro paradigma não logrou comprovar a alegada divergência jurisprudencial. Quanto ao segundo paradigma indicado pelo Contribuinte – Acórdão 102 47.917 – este já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando da interposição do apelo, em 19/11/2010. Com efeito, dito julgado foi reformado pelo Acórdão 920200.815, de 10/05/2010, por meio do qual foi dado provimento ao Recurso Especial do Procurador, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PRESTADOR DE SERVIÇOS SUMULADO. IRREGULARIDADES INDICADAS/COMPROVADAS PELA FISCALIZAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DO CONTRIBUINTE. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, inclusive objeto da Súmula CARF n° 40, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, as despesas médicas dedutíveis do imposto de renda de pessoa física depende da comprovação por parte do contribuinte da efetividade da prestação dos serviços e do respectivo pagamento, nos termos do artigo 80, inciso III, do RIR, não se prestando para tanto a simples apresentação de recibos de prestadores de serviços em face dos quais foram emitidas Súmulas Administrativas de Documentação Tributariamente Ineficaz, maculando/fragilizando, assim, a documentação ofertada pelo contribuinte em defesa de sua pretensão, cabendo a este ofertar outras provas hábeis e idôneas com o fito de corroborar as despesas médicas deduzidas. Recurso especial provido.” Assim, não conheço do Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial. Quanto ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, este visa a rediscussão da desqualificação da multa de ofício. O apelo é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, alegando que as situações retratadas nos paradigmas não guardariam pertinência com o caso dos autos. A Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos 10247.428, 106 15.959 e 10616.025. Entretanto, reiterase que existe o limite de até dois paradigmas por matéria, previsto tanto no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, vigente à época da interposição do apelo (art. 15, § 2º), como no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (art. 67, §§ 4º e 5º). Destarte, como não foi especificada ordem de prioridade para exame, serão Fl. 20DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 646 21 considerados apenas os dois primeiros paradigmas indicados no Recurso Especial – Acórdãos 10247.428 e 10615.959. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa reiterar que se trata de Recurso Especial de divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Nesse passo, tal como ocorreu quando da análise da primeira matéria – glosas de despesas médicas – a discussão que se pretende travar agora – qualificação da penalidade referente às glosas – diz respeito essencialmente à análise do conjunto probatório constante dos autos, mais especificamente à conduta dos Contribuintes envolvidos em cada um dos procedimentos administrativos em confronto. Claro está que discutir acerca da existência de evidente intuito de fraude envolve, mais que qualquer outro tema, a valoração de provas, o que, repitase, não é próprio à demonstração de divergência jurisprudencial, esta adstrita à interpretação da lei. Ainda assim, tal como foi feito quando da análise do recurso do Contribuinte, para que não se alegue cerceamento de direito de defesa, serão verificados os pontos sobre os quais a Fazenda Nacional entende ter se configurado divergência jurisprudencial, a ver se efetivamente teria havido aplicação de diferente critério jurídico na avaliação da conduta dos Contribuintes, quanto à caracterização de fraude. Nesse passo, verificase que a Fazenda Nacional limitase a transcrever as ementas dos paradigmas, ora reproduzindose apenas as duas primeiras: Acórdão 10247.428 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA – A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. Acórdão 10615.959 MULTA QUALIFICADA — Aplicase a multa qualificada de 150% ao lançamento nas hipóteses previstas no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Caracterizado o intuito de fraude, a multa deve ser mantida. Recurso negado. Após a simples citação das ementas, a Fazenda Nacional assim estabelece o ponto de divergência: “Como se observa, as situações fáticas relativas à fraude por reiteração de conduta dolosa por apresentação de documentação induvidosamente falsa é idêntica entre os acórdão paradigmas e o Recurso de Ofício ora atacado, restando demonstrada, portanto, a divergência entre as Câmaras mencionadas, apta a ensejar o presente Recurso.” De plano, esclareçase que o ônus de demonstrar a divergência alegada é do Recorrente e, tratandose de análise de conduta, com vistas à demonstração de adoção de Fl. 21DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 critério diverso quanto à caracterização de fraude, evidentemente teria de ser demonstrado que as situações em confronto seriam semelhantes, o que não foi feito no presente caso. No caso do acórdão recorrido, a conduta do Contribuinte, relativamente aos serviços médicos prestados por seus parentes, já foi descrita quando da análise da matéria anterior. A seguir será transcrita a parte do Auto de Infração que trata das demais despesas, cuja penalidade também foi qualificada: HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS a) Inicialmente, o contribuinte foi intimado em 12/01/2006 para esclarecer a diferença existente entre o valor informado na declaração como valor pago (R$7.328,27) e o valor da cópia dos dois cheques apresentados para a comprovação, um no valor de R$3.800,00 e outro no valor de R$3.000,00, bem como a identificação do paciente; b) Na resposta de 06/02/2006 o contribuinte respondeu que concordava com a glosa do valor de R$528,27 (valor não comprovado) e informou que a paciente era Maria Aparecida Arvelino de Paula, sua esposa e dependente; C) Na mesma data em que o contribuinte foi intimado (12/01/2006) esta fiscalização também intimou o Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos para apresentar documentos e esclarecimentos, inclusive o nome do paciente. Recebemos a resposta do referido hospital, onde se informou que os serviços foram prestados na paciente Maria Cristina Gasparini de Paula, que não é dependente do contribuinte fiscalizado; d) Diante da divergência de informação em relação à identificação do paciente, o contribuinte foi novamente intimado em 17/02/2006 para se manifestar. Em 01/03/2006 o contribuinte disse que a informação correta era a prestada pelo referido Hospital. Na página 2 da resposta de 01/03/2006, o contribuinte afirmou: "Estão corretas as informações prestadas pelos dois hospitais e pelo Dr. Ismail Rajab. Assim, a relação de pacientes que consta das páginas 8 e 9 da resposta de 06/02/2006 passa a ter a seguinte redação: recibo do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos: paciente Maria Cristina Gasparini de Paula (sobrinha); e) Aqui ficou caracterizado o evidente intuito de fraude. Inicialmente, o contribuinte prestou declaração falsa na declaração de imposto de renda informando despesas médicas de pessoa que não é sua dependente. Posteriormente, novamente prestou declaração falsa quando na sua resposta de 06/02/2006 informou que a paciente era sua esposa Maria Aparecida Arvelino de Paula. Ademais, comprovase também a inconsistência da alegação do contribuinte de que realizava os pagamentos em dinheiro. Por que será que neste caso o contribuinte não encontrou dificuldades para obter do banco cópia dos dois cheques compensados para apresentar à fiscalização como documento comprobatório da realização dos pagamentos? Ora, o contribuinte não poderia apresentar a nota fiscal de serviços, pois esta foi emitida em nome da sua sobrinha Maria Cristina Gasparini de Paula. Cópia da referida nota fiscal foi obtida pela fiscalização junto ao referido hospital. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 647 23 HOSPITAL AVICCENA E DR. ISMAIL RAJAB a) Em relação a estes dois beneficiários, também ficou caracterizado o evidente intuito de fraude. Aqui também o contribuinte tentou enganar o Fisco. Inicialmente, prestou declararão falsa nas declarações de imposto de renda informando despesas de pessoas que não são seus dependentes, e, posteriormente novamente prestou declaração falsa quando na sua resposta de 06/02/2006 informou que o paciente seria o seu filho Gabriel Arvelino de Paula. b) O mesmo procedimento adotado pela fiscalização em relação ao Hospital Professor Edmundo Vasconcelos foi adotado com esses dois beneficiários. O contribuinte recebeu cópia das respostas dos referidos prestadores de serviço, onde estes informaram a esta fiscalização o nome do verdadeiro paciente (Sr. Edson de Paula), que não é dependente do contribuinte fiscalizado. (...) Em relação às despesas médicas pleiteadas tendo como beneficiários HOSPITAL AVICCENA, HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS, ISMAIL RAJAB, RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA e CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA, os fatos demonstram que o contribuinte, reiteradamente, prestou declarações falsas, deduzindo despesas médicas INDEVIDAS com a utilização de recibos e documentos imprestáveis para tal, com o fim de reduzir o imposto devido, caracterizando o evidente intuito de fraude. Assim, justificase a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430196 . Portanto, em relação a estes beneficiários, lavramos o presente auto de infração para a formalização da exigência tributária com a aplicação da multa qualificada.” (destaques no original) Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão 10247.428 – o seu contexto pode ser extraído dos trechos a seguir transcritos: Ementa “DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Diante de indícios da inidoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justificase a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Sem isso, o simples recibo é insuficiente para comprovar a despesa, justificando a glosa. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA – A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. Recurso negado.” Fl. 23DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 Relatório “Quanto à glosa de despesas médicas, esta foi mantida por entender o órgão julgador que o Contribuinte não conseguiu comprovar a efetiva prestação dos serviços e o pagamento respectivo, somandose a isso a existência de profissionais não habilitados junto ao Conselho regional da respectiva categoria, recibos preenchidos irregularmente e divergência de informações prestadas pelos profissionais ao órgão regulador e à Receita Federal.” Voto Quanto às deduções indevidas, a discussão se resume à comprovação da prestação dos serviços pelos profissionais de saúde, tendo em vista que a fiscalização considerou inidôneos os recibos apresentados pelo Contribuinte. O montante discutido no ano de 2000 equivale a R$ 47.425,00, no ano de 2001, a R$ 57.450,00, e de R$ 45.750,00, no ano de 2002. Diante da existência de dúvidas quanto à legitimidade dos recibos fornecidos à fiscalização, convém perquirir, através de requisição ao Contribuinte ou aos próprios profissionais, provas complementares que autorizem as deduções a título de despesas médicas. Convém mencionar que o ônus pela comprovação da utilização e do pagamento dos serviços é do Contribuinte que se beneficiou com a dedução, por força de dispositivo legal (art. 73 do RIR/99). Os recibos questionado envolvem os seguintes profissionais: Célia Piterman, Fabiano Cipriano Nascimento, Karine Alves de Oliveira, Márcia A Vieira Zimerer, Marcos Vinícius Galdino Moreira, Moacir Aires Rodrigues, Renata Santos Gomes e Sabrine Barros Pinto. Sobre os referidos profissionais médicos, analisandose o Relatório Fiscal de fls. 12/21, além dos documentos constantes dos autos, destacamse as seguintes observações: a)Célia Piterman Nos recibos fornecidos pela psicóloga Célia Piterman, verificou se a incompatibilidade entre os endereços da profissional e da prestação do serviço, visto que o consultório é localizado em Teófilo Otoni e a prestação dos serviços teria ocorrido em Belo Horizonte (fls. 103 e 231). Além disso, segundo a fiscal autuante, o tratamento de R$ 31.650,00, no ano de 2000, e de R$ 21.000,00, no ano de 2001, equivaleriam a mais de 200 consultas por ano. Os recibos foram preenchidos com caligrafias diferentes, apesar de a psicóloga informar que não utilizou serviços de secretária, o que indica que foram preenchidos por terceira pessoa. A AF indica que também foram fiscalizadas outras três pessoas, cliente do Contribuinte (que é contador), e todas também pleitearam deduções de alto valor da Sra. Célia. b)Fabiano Cipriano do Nascimento Fl. 24DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 648 25 O Dr. Fabiano é esposo da Dra. Karine A. de Oliveira, que por sua vez é cunhada do Contribuinte. O carimbo com seu nome foi utilizado no recibo da Sra. Karine (fls. 69 e fls. 70 da representação para fins penais), e o erro foi encoberto com corretivo líquido. Da mesma forma, existe discordância quanto ao local constante do recibo e o local da prestação dos serviços. Ademais, o profissional não poderia exercer atividade médica em Minas Gerais, pois sua carteira profissional foi emitida em Rondônia (fls. 103 e 139) c) Karine Alves de Oliveira A Dra. Karine é cunhada do Contribuinte e da mesma forma que o esposo, o Dr. Fabiano, não poderia exercer suas atividade em Minas Gerais, pois sua carteira restringe a atividade ao estado de Rondônia. d) Márcia Aparecida Vieira Zinnerer A numeração dos recibos indica que os mesmos foram preenchidos em seqüência, apesar de as datas serem distantes (fls. 104 e 181). A AF responsável deslocouse até o consultório da Dra. Márcia e verificou que a ficha do Contribuinte continha apenas nome, telefone e valor dos recibos, sem qualquer data ou outra anotação. Percebeu também que dentista exerce suas atividades em São José do Divino, há 2 horas de viagem de Teófilo Otoni. e)Sabrine Barros Pinto e Marcos Vinicios Galdino Moreira No local onde o Contribuinte informou ser o local de prestação dos serviços, a secretária informou que nos 3 anos em que trabalha no consultório não conheceu nenhum dos profissionais. Dentre os recibos emitidos constam alguns datados de sábados e domingos. Novamente há prova de má utilização dos carimbos, pois o carimbo da Dra. Sabrine foi utilizado no recibo do Dr. Fabiano. f) Moacir Aires Rodrigues O Contribuinte informa que se trata de profissional de fisioterapia, mas há nos autos recibo de tratamento de psicologia (fls. 74 e 108). O profissional não foi encontrado no local indicado pelo Contribuinte. g) Renata Santos Gomes Dra. Renata é prima do Contribuinte. Há nos autos recibos da profissional em data anterior ao da sua inscrição no CRM. Intimada a apresentar conta de luz ou telefone do seu estabelecimento, a Dra Renata trouxe o IPTU da MSE Consultoria e Serviços (fls. 179 e 180), empresa que faz a sua contabilidade. Além das irregularidades especificamente apontadas, existem indícios complementares, como a semelhança de grafia nos recibos, o que indica a existência de atitude fraudulenta; o Fl. 25DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 local da assinatura dos profissionais contém um "x", o que indica que foram preenchidos por outra pessoa e posteriormente assinados; outros contribuinte, que têm como contador o Contribuinte, Sr. Washington, também efetuaram deduções em valores relevantes perante os mesmos profissionais. Assim, entendo não assistir razão ao Contribuinte, pois diante da imprestabilidade dos recibos, o Contribuinte deve trazer aos autos outros documentos que comprovem e validem a dedução pleiteada, o que não foi o caso. O Contribuinte se resume a insistir que fez o pagamento em espécie, motivo pelo qual não poderia comproválos. Contudo, ainda que houvessem sido pagos em dinheiro, um extrato simples de sua conta bancária comprovaria os saques eventualmente realizados. Ademais, não só deixou o Contribuinte de comprovar a prestação dos serviços, como trouxe aos autos documentação que sabia inverídica e que foi confeccionada com esse fim. A análise dos recibos, pelas rasuras e trocas de carimbos, impõe o reconhecimento de sua falsidade.” Com efeito, a despeito de algumas semelhanças com o caso do acórdão recorrido, este paradigma descreve situação em que foram constatadas provas materiais de falsidade na documentação apresentada. Quanto ao acórdão recorrido, por sua vez, o que se apontou foram indícios de inidoneidade, que conduziram à manutenção das glosas das despesas, mas não da qualificadora. Confirase o voto condutor: “No caso presente, a Fiscalização apontou abundantes elementos que põem em dúvida a idoneidade dos, recibos apresentados, como o fato dos supostos prestadores serem parentes próximos do autuado, de serviços serem realizados simultaneamente em localidades distantes, de os beneficiários dos serviços serem pessoas que não figuram como seus dependentes, entre outros. Diante desses elementos, deveria o Contribuinte, como foi intimado a fazêlo, trazer elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados. Entretanto, nada disso apresentou, limitandose a defender, com considerações de ordem geral, a possibilidade de que os serviços em questão foram efetivamente prestados. Entretanto, nas circunstâncias deste processo, isso não basta. Para se admitir como comprovada a prestação dos serviços médicos e os pagamentos efetuados teria o Contribuinte que reunir prova, ainda que parciais dos pagamentos realizados. Sobre a qualificação da multa de oficio, penso que a exasperação da penalidade requer a demonstração cabal da conduta fraudulenta, o que não se caracteriza apenas pela dedução indevida. É preciso demonstrar que o Contribuinte agiu de forma dolosa com o propósito de ludibriar o Fisco. No caso, o que se verifica é que o Contribuinte pleiteou a dedução de despesas as quais a Fiscalização apurou não terem sido efetivamente comprovadas. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 649 27 Entretanto, não se pode afirmar, com base nos elementos carreados aos autos, que o Contribuinte procurou esconder a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características.” Assim, não restou demonstrada a alegada divergência, relativamente a este primeiro paradigma. Quanto ao segundo paradigma – Acórdão 10615.959 – repitase que o único trecho trazido à colação pela Fazenda Nacional foi a respectiva ementa, que nada informa sobre a conduta do Contribuinte: Ementa “(...) IRPF — GLOSA DESPESAS MÉDICAS — Não sendo comprovada a efetividade dos serviços médicos prestados, cuja dedução o contribuinte pleiteava, deve ser mantida a glosa das referidas despesas. MULTA QUALIFICADA — Aplicase a multa qualificada de 150% ao lançamento nas hipóteses previstas no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Caracterizado o intuito de fraude, a multa deve ser mantida. Recurso negado.” Compulsandose o inteiro teor do julgado, é possível extrair o seu contexto: Voto “Por fim, com relação às despesas médicas, também não há o que alterar na decisão recorrida, pois o Recorrente não tem quaisquer recibos que provem a efetiva realização das despesas cuja dedução pleiteia. E é por isso mesmo que está correta a aplicação da multa qualificada de 150% a esta parcela do lançamento. Quanto à multa, não há que se falar em inversão do ônus da prova, pois a mera declaração de despesas não comprovadas já indica, por si só, o intuito da fraude.” A leitura do trecho acima permite concluir que a situação retratada nesse segundo paradigma também não se assemelha à do acórdão recorrido. Isso porque não há como compararse situação em que não foi apresentado qualquer recibo, com a situação do acórdão recorrido, em que foram apresentados recibos ou cheque nominais de todas as despesas declaradas, sendo que relativamente a um dos profissionais, a despeito de ser parente do Contribuinte, a respectiva dedução foi aceita, tendo em vista a apresentação de prontuários. Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, ausente a similitude fática necessária. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 Diante do exposto, não conheço dos Recursos Especiais, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 28DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10945.902563/2011-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 25 63 /2 01 1- 99 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 42096.11782.131006.1.2.040500 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 3.930,19, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 14.850,62, recolhido em 15/03/2002. Em 03/01/2012 (Rastreamento nº 015079483) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de fevereiro02, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 14/02/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 64 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 65 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 66 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 67 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002488/2005-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO.
Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Vítor Hugo Vives Bohm, OAB/RS 58.005.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Vítor Hugo Vives Bohm, OAB/RS 58.005. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõese a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Vítor Hugo Vives Bohm, OAB/RS 58.005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 24 88 /2 00 5- 19 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Recorrente contra termos parciais em que foi proferido o Acórdão nº 3801001.792, de 20 de março de 2013, sob o argumento de que o aludido Acórdão continha omissão e contradição em dois pontos específicos. Em relação aos créditos sobre despesas com combustíveis, sustenta que o acórdão recorrido tendo reconhecido o direito da embargante quanto a possibilidade do creditamento dos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo fabril, deveria ter determinado que a unidade da administração responsável pela liquidação e execução do acórdão, verificasse o percentual que realmente é utilizado no processo produtivo, ou seja, o percentual de 20% defendido pela embargante. Argumenta que o CARF é responsável por reconhecer o direito a tomada de créditos, no presente caso, em julgar em última instância na esfera administrativa, se os combustíveis e lubrificantes utilizados para os testes de veículos configuram, ou não, insumos, determinando que na liquidação do acórdão fosse verificada o percentual que efetivamente é utilizado no processo produtivo. Alega, ainda que caso contrário, o acórdão esta reconhecendo o direito ao crédito, mas impedindo a embargante de realizar o aproveitamento do mesmo. Por outro lado, no que tange ao recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno, insiste na tese que ao apresentar a manifestação de inconformidade, a embargante impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório, requerendo ao final a imediata reforma do despacho decisório. Aduz que a manifestação de inconformidade deve ser recebida com efeito devolutivo, devendo toda a matéria impugnada ser reanalisada pela instância superior, como deveria ter sido perante a DRJ que desconsiderou este pedido. Destaca que ao longo de todo o processo de fiscalização sofrido pela embargante, foram apresentados todos os documentos necessários para comprovar a legitimidade dos valores pleiteados, sendo que com base nisso, deveria a fiscalização e os julgadores, atentar para esse fato, analisar tais documentos, ou então, determinar a baixa em diligência para verificar a legitimidade do crédito. Faz referência ao princípio da verdade material e colaciona doutrina e jurisprudência acerca deste princípio, requerendo que seja sanada a omissão deste ponto no r. acórdão embargado. Por fim, requereu que fossem recebidos e acolhidos os presentes Embargos, para o fim de que, sanadas as omissões/contradições supracomentadas, com efeitos infringentes, fosse o acórdão embargado reformado para acolher integralmente o recurso voluntário interposto. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Convém lembrar que, em regra, a omissão é a falta de apreciação de um ponto específico relevante, enquanto a contradição ocorre quando a decisão administrativa possui proposições conflitantes entre si. Com será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão e muito menos qualquer contradição. Diferentemente do alegado, a questão dos créditos sobre despesas com combustíveis foi enfrentada no acórdão embargado, pois o Colegiado manifestouse expressamente sobre a matéria, conforme excertos abaixo transcritos: Neste aspecto, a autoridade fiscal tem razão, a recorrente não comprovou de forma satisfatória que 20 % das aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizados nos testes dos veículos. Não existe a contabilização dessas aquisições como custo de produção. Os rateios de absorção devem ser efetivamente comprovados, a exemplo de requisições do almoxarifado, planilhas de gastos de combustíveis por veículos etc. É importante ressaltar que, quanto à comprovação do direito de descontar créditos, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na manifestação de inconformidade.(grifouse) Com efeito, o voto condutor do acórdão entendeu que a recorrente não apresentou os elementos comprobatórios que sustentariam seu direito creditório. Desta forma, os créditos não foram reconhecidos porque não foram apresentadas as provas nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. De sorte que não é caso de liquidação do acórdão por meio de conversão em diligência. O ônus da prova como amplamente demonstrado no acórdão embargado é da recorrente. Ademais, os embargos de declaração não é o meio de impugnação adequado para se rediscutir a fundamentação adotada pelo colegiado, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação da decisão. De outro giro, em relação ao recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno, a recorrente insiste na tese que ao apresentar a manifestação de inconformidade impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 14 5 Como será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão. O Colegiado, em votação unânime, entendeu que na situação em comento ocorreu a preclusão. A propósito, assim se manifestou o relator: Ressalta que ao apresentar a manifestação de inconformidade impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório, conforme a parte final do pedido. Ocorre, todavia, que essa alegação não pode ser apreciada, sob pena de supressão de instância, por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio e que não foi suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade. De fato, na manifestação de inconformidade não há qualquer questionamento em relação ao rateio utilizado pela autoridade fiscal. Neste sentido, a decisão recorrida de forma acertada considerou que a recorrente não se manifestou expressamente a respeito desse ponto e considerou a matéria definitiva na esfera administrativa, nos termos do 17 do Decreto nº 70.235/72. Como visto, não ficou caracterizada uma suposta omissão, pelo contrário evidenciase uma tentativa da recorrente de rediscutir a matéria com base no princípio da verdade material, o que não é viável no recurso de embargos de declaração. Ademais, a Turma concluiu que alegações genéricas sem maiores fundamentos ou demonstração de equívocos nos cálculos não merecem acolhidas. Assim, não se verificou qualquer omissão. Tenhase presente que o contexto fático e probatório dos autos foi suficiente para a formação da convicção da Turma Julgadora, que teve fundamento no instituto da preclusão. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014843/2008-09
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RELAÇÃO À MULTA SOBRE A PARCELA DA GLOSA DE DEDUÇÃO NÃO IMPUGNADA.
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. Nestes autos, não houve impugnação expressa da multa aplicada sobre a parte da dedução glosada e com a qual o impugnante concordou.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No caso dos autos, não foram apontados indícios que desabonem os recibos, de forma que se deve admitir a dedução das despesas em litígio.
Recurso conhecido em parte e, nessa parte, provido.
Numero da decisão: 2802-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, e nessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO a fim de restabelecer as dedução de despesas médicas nos valores de R$19.750,00, R$11.257,50 e R$9.208,40, nos ano-calendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RELAÇÃO À MULTA SOBRE A PARCELA DA GLOSA DE DEDUÇÃO NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. Nestes autos, não houve impugnação expressa da multa aplicada sobre a parte da dedução glosada e com a qual o impugnante concordou. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No caso dos autos, não foram apontados indícios que desabonem os recibos, de forma que se deve admitir a dedução das despesas em litígio. Recurso conhecido em parte e, nessa parte, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, e nessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO a fim de restabelecer as dedução de despesas médicas nos valores de R$19.750,00, R$11.257,50 e R$9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 48 43 /2 00 8- 09 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004 a 2006, respectivamente, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas com aplicação de multa de ofício de 75%. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal às fls. 09/12, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar as despesas médicas declaradas por meio microfilmagem de cheques, amparandose no caput art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999 e em precedentes deste Conselho (Ac. CSRF — 10243.935 — DO 11/08/1999). Como o contribuinte apresentou exclusivamente recibos e alegou ter pago com dinheiro em espécie, o AuditorFiscal glosou as despesas. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento alegando que comprovou as despesas com recibos e prontuários odontológicos e que a Fiscalização não comprovou o contrário. Os valores impugnados foram de R$19.750,00, 11.257,50 e 9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, nesta ordem (fls. 75). A impugnação foi indeferida, em síntese, com base em interpretação do art. 73 do RIR1999 que teria transferido para o contribuinte o ônus de comprovar a prestação dos serviços e, principalmente, a efetiva realização dos pagamentos, que no caso de pagamento em dinheiro deveria ter sido realizada com a apresentação de extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão. Quanto à análise dos prontuários apresentados, o acórdão recorrido assinalou: que os odontogramas foram emitidos em outubro de 2008, em data posterior à intimação fiscal, e neles constam diversas despesas indicadas como manutenção de aparelho ortodôntico ocorridas desde outubro de 2004 até janeiro de 2007(ex. fl. 42), o que seria incompatível com o fato de o valor dessa manutenção (R$5.200,00) encontrar lançado no recibo total de R$10.180,00, datado de 14/09/2004. O mesmo fato ocorre no recibo e odontograma de fls. 44 e 45. A ciência do acórdão ocorreu em 04/04/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 29/04/2011 cujas alegações são resumidas adiante: 1. a Receita Federal não provou que os serviços não foram realizados, não atendeu ao pedido para verificar o LivroCaixa do profissional, não se manifestou sobre o pedido de diligência junto ao dentista o que permite concluir que concorda que o tratamento ocorreu. Entretanto, glosa as despesas e considera os recibos inidôneos sem ao menos impugnálos; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.014843/200809 Acórdão n.º 2802002.662 S2TE02 Fl. 108 3 2. foi demonstrado que nos anos anteriores recebeu elevada quantia em dinheiro que possibilitou estocar dinheiro em espécie com o qual realizou os pagamentos ora discutidos; 3. não há nada irregular no fato de os odontogramas teria sido emitidos após a intimação, pois não é normal guardar esses documentos após o final do tratamento e não há uma cartilha da Receita Federal que indique de maneira tão detalhada a forma de comprovar o pagamento destas despesas; 4. o tratamento foi realizado e os pagamentos não ocorriam de forma tão sincronizada com o serviço prestado como exigido no acórdão recorrido; 5. os recibos que apresentou atendem os requisitos do art. 8º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.250/1995 e precedentes administrativos e judiciais demonstram que o recorrente tem razão em sua defesa; 6. em relação à glosa reconhecida pleiteia a redução da multa para 20%. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo. Não houve impugnação expressa em relação à redução da multa aplicada sobre a parcela não impugnada, o que representa matéria preclusa e, portanto, não se conhece do recurso neste ponto. Devese conhecer do recurso voluntário quanto aos demais tópicos, nos quais os requisitos de admissibilidade estão presentes. Desta forma, o litígio envolve a glosa das despesas médicas declaradas em relação ao profissional Luciano Alves: R$19.750,00, 11.257,50 e 9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, nesta ordem (fls. 75). Os recibos, orçamentos e odontogramas constam a partir das fls. 37 e, em seu conjunto, atendem aos requisitos legais definidos pela Lei 9.250/1995, inclusive é possível identificar os pacientes, todos dependentes do recorrente nos anocalendário correspondentes às despesas. A autoridade fiscal não apontou quais as razões pelas quais os recibos apresentados não são suficientes, não fez qualquer ressalva em relação aos recibos. A princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. É notório que a emissão de odontogramas após a intimação fiscal é uma decorrência do esforço do contribuinte em comprovar a realização dos serviços, nada tem de irregular, uma vez que não há uma exigência legal de que esses documentos devam ser mantidos à disposição da Fiscalização Tributária. Não é correto aplicar o art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999, sem levar em conta o §1° do art. 845 do mesmo Regulamento. Ambos dispositivos do RIR1999 tem matriz legal no DecretoLei 5.844/1943, o primeiro no §3º do art. 11 do DecretoLei 5.844/1943; o segundo, no §1º do art. 79. Art.845.Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 79): §1 º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 79, §1 º ). Em que pese a relevância das preocupações do julgador de primeira instância, não há elemento seguro para desconsiderar os documentos e esclarecimentos apresentados pelo recorrente. Não havendo sequer um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, e nessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO a fim de restabelecer as dedução de despesas médicas nos valores de R$19.750,00, R$11.257,50 e R$9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15374.964770/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 47 70 /2 00 9- 58 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 181 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de DCOMP Eletrônica n° 37113.31491.240709.1.3.040967 (fls. 77/81), apresentada em 24/07/09, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior – CIDE Data de Arrecadação : 15/01/2009 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 62.476,76 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 62.476,76 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 62.476,76 A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 82, nº de rastreamento 848618369, de 07/10/2009, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 62.476,76. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 22/10/2009, fl. 86. Inconformada, a interessada apresentou, em 19/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 03/09, instruída com os documentos de fls. 10/74, onde alega resumidamente o que segue: o crédito em questão tem origem na redução da base de cálculo da CIDE – royalties referente ao mês de dezembro/2008; é prestadora de serviços de telefonia móvel e oferece aos seus clientes o serviço de roaming internacional, pelo qual os clientes podem se utilizar dos serviços de telecomunicações no exterior, utilizando a rede local; por este serviço deve pagar um determinado valor às empresas no exterior; sobre essa remessa de royalties ao exterior incide o IRRF (15%) e a CIDE (10%), nos termos dos artigos 2 e 2A da Lei 10.332/2001; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 182 3 ocorre que por razões operacionais não tem como apurar o valor devido às operadoras no exterior no prazo de pagamento do IRRF e da CIDE, ou seja, em um mesmo mês a contar da prestação de serviço; no intuito de evitar o inadimplemento dos tributos adota o procedimento de recolher o IRRF e a CIDE sobre uma previsão; ou seja, declara e recolhe em DCTF o IRRF e a CIDEroyalties (fls.19/27) sobre uma base estimada, antes da contabilização dos valores efetivamente devidos; posteriormente, ao calcular o valor efetivamente devido às operadoras de telefonia no exterior, faz a apuração dos tributos devidos sobre as remessas, podendo acontecer então duas situações: a apuração de base de cálculo maior que a estimada, quando então providencia o pagamento da diferença com multa e juros; a apuração de base de cálculo a menor que a estimada, quanto então verifica se o valor pago efetivamente a maior, sendo esta diferença passível de restituição/compensação. a segunda hipótese foi o que ocorreu, pois fez uma previsão de remessa ao exterior no montante de R$ 1.031.343,33, correspondente à CIDE no valor de R$ 103.134,33, mas posteriormente verificou que a remessa foi de somente R$ 531.052,46, correspondente à CIDE no valor de R$ 40.657,57; a diferença entre o valor pago R$ 103.134,33 e o efetivamente devido R$ 40.657,57, que importa em R$ 62.476,76, que é justamente o valor utilizado na PER/DCOMP em análise (fl. 77); estes fatos podem ser comprovados pela análise do razão da conta roaming internacional (doc 07 – fls. 29/30), onde se vê na conta o montante de R$ 345.589,37, bem como a data da efetiva remessa em fevereiro de 2.009; sobre os R$ 345.589,37 devem ser acrescidos os tributos sobre a operação, uma vez que este é o valor que deve ser pago às operadoras no exterior, em virtude de acordo entre as partes, conforme demonstrado na tabela a seguir (fl. 06): Roaming internacional – dezembro/2008 DISCRIMINAÇÃO CIDE ESTIMADA – R$ CIDE DEVIDA – R$ Remessa ao exterior 876.641,83 345.589,37 Taxa Grossup 0,85 0,85 Remessa com grossup 1.031.343,33 406.575,73 VALOR DA CIDE 103.134,33 40.657,57 DIFERENÇA CRÉDITO 62.476,76 CRÉDITO ATUALIZADO ATÉ 24/07/2009 – SELIC 65.725,55 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 183 4 desta forma resta inequivocamente demonstrado o pagamento a maior da CIDEroyalties, com base na sua escrituração e ainda o valor pleiteado na PER/DCOMP em análise; apesar de retificar o cálculo da CIDE devida, por equívoco, não retificou a DCTF correspondente ao período; a ausência de retificação contudo não pode obstaculizar o seu direito quanto à restituição do indébito; o razão é documento probante favorável ao pleito da empresa, não podendo ser desconsiderado pela mera ausência de retificação da DCTF; a existência de erro material no preenchimento da DCTF não pode sacrificar o direito material do contribuinte de compensar seu indébito; cita doutrina e jurisprudência para concluir que o simples erro formal no preenchimento da DCTF não tem o condão de criar a obrigação tributária de recolher o tributo indevido; cita doutrina para postular que sua escrituração constitui meio hábil para comprovação do indébito, que gerou o crédito utilizado na PER/DCOMP em questão, devendo ser considerada como meio de prova dos fatos alegados; requer também a juntada ao presente do processo 15374.364769/200923, por decorrer do mesmo fato redução da base de cálculo do IRRF e da CIDE do mês de dezembro/2008; finaliza requerendo o deferimento de seu pedido.” A DRJ/RJ1 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não comprovada a existência do pagamento a maior, deixase de reconhecer o direito creditório pleiteado, por falta de certeza e liquidez, não se homologando, conseqüentemente, as compensações efetuadas pelo contribuinte.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, cujas alegação são essencialmente as mesmas da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 184 5 Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de CIDEroyaties. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos o art. 170 do CTN, que autoriza a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. A contribuinte afirma que a DCTF contém erro, de modo que o valor pago foi maior que o devido. Para comprovar o erro apresenta cópia de folha do Livro Razão referente a dezembro de 2008 que contém informações da conta roaming internacional, fls. 29/30. Conforme destacado na decisão recorrida, “os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar o erro alegado, pois os registros contábeis desacompanhados dos documentos que lhe deram suporte, não são suficientes para amparar o direito creditório no valor de R$ R$ 62.476,76, em face do que dispõe o artigo 923 do RIR/1999”. Transcrevo o art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/1999): “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).” Os documentos que fundamentaram os registros fiscais e contábeis deveriam ser apresentados junto com a manifestação de inconformidade, tendo em vista que os arts. 15 e Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 185 6 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, lei que trata do processo administrativo tributário federal, estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem o alegado erro, nem DCTF retificadora. Também não comprovou ocorrência de alguma das hipóteses que permitiriam sua apresentação em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 186 7 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 187 8 A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 188 9 Pelo exposto, tendo em vista que a contribuinte não comprovou em momento oportuno existência de direito de crédito líquido e certo e também não provou erro na DCTF que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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