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Numero do processo: 19515.001246/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/07/2001 a 31/07/2001
PRESCRIÇÃOINTERCORRENTE.INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente ao processo administrativo fiscal, consoante a SúmulaCARFnº11.
DECADÊNCIA. aplicação da regra do art.173,I do CTN na ocorrência de fraude.
Diante da caracterização de conduta fraudulenta,aplica-se o prazo determinado pela regra do art.173,I do CTN, conforme Súmula CARF n. 46.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabível é a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada ,nos termos do art.124,inciso I do CTN.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA.
Verificada pelo agente fiscal a conduta dolosa de apresentação de DCTF com informaçõesemdesacordocomaescritafiscal,paraimpedirouretardar,total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, cabível a aplicação da multa qualificada(150%),nos termos da Lei.
Numero da decisão: 3201-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/07/2001 a 31/07/2001 PRESCRIÇÃOINTERCORRENTE.INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente ao processo administrativo fiscal, consoante a SúmulaCARFnº11. DECADÊNCIA. aplicação da regra do art.173,I do CTN na ocorrência de fraude. Diante da caracterização de conduta fraudulenta,aplicase o prazo determinado pela regra do art.173,I do CTN, conforme Súmula CARF n. 46. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabível é a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada ,nos termos do art.124,inciso I do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificada pelo agente fiscal a conduta dolosa de apresentação de DCTF com informaçõesemdesacordocomaescritafiscal,paraimpedirouretard ar,total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, cabível a aplicação da multa qualificada(150%),nos termos da Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 46 /2 00 6- 21 Fl. 494DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão recorrida: O processo em exame, constituído de três volumes e numerado até a folha 424, versa sobre lançamento de ofício efetuado contra a contribuinte acima pela DEFIS/SPO em 19/06/2006 com o objetivo de formalizar a exigência de débitos de Pis relativos aos meses de maio de 2000, novembro de 2000 e julho de 2001, resultantes de diferenças apuradas entre os valores consignados na escrita da empresa e aqueles declarados em DCTF, conforme registra o auto de infração anexo às fls. 618, cujos demonstrativos se acham nas fls. 9110. 5. Segundo o minucioso relato contido no Termo de Conclusão Fiscal no 1, anexo às fls. 3661387, alicerçado no Relatório de Fiscalização anexo às fls. 32154, a ação fiscal em exame originouse de exaustiva operação de investigação empreendida no Estado de São Paulo pelo Serviço de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil. Atuando em conjunto com a Polícia Federal e a Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, com o devido amparo de mandados judiciais de busca e apreensão e mandados de procedimento fiscal (MPF) emitidos pela DEFIS/SPO, o referido órgão constatou a existência de uma complexa organização que envolvia várias empresas de fachada (dentre elas a autuada), constituída com. o fito de comercializar produtos importados de forma fraudulenta. Verificou também que a referida organização era controlada por Liu Kuo An, cidadão chinês residente em São Paulo, cuja participação no esquema ilícito foi comprovada pelo exame da copiosa documentação encontrada em sua residência e em outros domicílios fiscalizados durante a operação. 6. A contribuinte em epígrafe tomou conhecimento do auto de infração em 03/07/2006, como atesta o aviso de recebimento juntado na fl. 394. Já Liu Kuo An, na qualidade de contribuinte solidário, foi cientificado em 23/06/2006 na pessoa de um de seus procuradores, cuja assinatura figura no auto de infração (fl. 7), no termo referido no parágrafo precedente (fl. 387) e no Termo de Encerramento (fl.388). Fl. 495DF CARF MF Processo nº 19515.001246/200621 Acórdão n.º 3201002.750 S3C2T1 Fl. 12 3 7. Não obstante tenha sido regularmente notificada, a empresa não apresentou impugnação no decurso do trintídio legal nem se manifestou nos autos até esta data. O referido Liu Kuo An, por sua vez, impugnou o feito por meio de arrazoado juntado nas fls. 397/407, instruído pelos documentos das fls. 4081420, no qual apresenta os seguintes argumentos: a) O impugnante foi intimado, na condição de suposto controlador da parte comercial da organização (contribuinte solidário), a efetuar o recolhimento do crédito tributário objeto do auto de infração lavrado contra "Victory São Paulo Comércio Internacional Ltda." b) "Nos termos da legislação vigente, é sabido que a pessoa jurídica é representada por seus sócios, quer seja em juízo ou fora dele. " c) Já o impugnante não possui nenhuma relação com a constituição da empresa, dela não fazendo parte na condição de sócio, não podendo, portanto, ser responsabilizado pelos tributos exigidos da autuada; tanto é verdade, que nunca foi intimado a prestar quaisquer esclarecimentos sobre os fatos narrados no termo de conclusão fiscal, não tendo tido, portanto, qualquer oportunidade de defesa, em total antagonismo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, previstos no art. 51, LV, da CF/88. d) Concluise, portanto, que o auto de infração lavrado contra o Impugnante, está viciado desde sua constituição, ou seja, é inexistente, não podendo produzir qualquer efeito, devendo ser declarada a sua nulidade, o que se requer desde já. Todavia, na remota possibilidade de não admitida tal preliminar, melhor razão não assiste ao fisco, em relação ao mérito. e) Segundo a fiscalização, estaria caracterizado que o impugnante seria "b verdadeiro controlador da parte comercial da organização", conforme informação constante na fl. 63, sendo que tal conclusão se baseou no termo de conclusão fiscal, segundo o qual "os elementos mais reveladores do funcionamento da organização e, conseqüentemente, do papel desempenhado pelos importadores de fachada e pelo comprador de fato, foram encontrados na residência de LIU KUO AN........". f) Tal relatório, entretanto, é falho, visto apresentar conclusões equivocadas, sendo imprestável para amparar qualquer conclusão no sentido de responsabilizar o impugnante pelo pagamento de tributos cujos fatos geradores não tiveram sua participação. Ademais, para configurar a solidariedade, é necessário o preenchimento de um dos requisitos previstos pelo inciso 1 do art. 124 do CTN, por meio do qual se exige "prova incontestável" de que a pessoa tenha interesse no fato gerador da obrigação principal (Cita nas fls. 4011402, para robustecer sua tese, um excerto de doutrina e outro de jurisprudência). g) Dessa forma, ao impugnante não se pode atribuir a solidariedade, visto não estar demonstrado que ele teve interesse Fl. 496DF CARF MF 4 comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, conforme o mencionado dispositivo, "sendo que, não basta simples alegação, que, aliás, padece de qualquer fundamento legal.;" h) E o simples fato de alguns documentos terem sido encontrados em sua residência, não é o bastante para considerálo contribuinte solidário, sendo necessário comprovar "que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" (Reproduz excerto de doutrina nas fls. 4031404). i) Enfim, o impugnante "não teve qualquer 'interesse comum' na constituição do fato gerador, uma vez que o mesmo não participou da administração da empresa" fiscalizada, pela qual respondem seus sócios, visto tratarse de pessoa jurídica devidamente constituída. j) ainda que hipoteticamente o impugnante tivesse qualquer responsabilidade, devese ressaltar, quanto ao valor da autuação, ."que os mesmos (sic) foram apurados e declarados unilateralmente pela fiscalização, sem qualquer interferência do Contribuinte, motivo pelo qual é inteiramente impugnado nesta defesa ." k) É imprescindível, portanto, a realização de perícia em todos os documentos que serviram à autuação, para que não se admitam equívocos que venham a onerar o impugnante em valores indevidos, como os que o fisco pretende ver recolhidos (Cita doutrina nas fls. 4051406). 1) Por sua vez, a multa de ofício aplicada é totalmente abusiva pois, ainda que o impugnante fosse o responsável pelo pagamento do principal, "não há motivo que justifique a aplicação da referida multa". Isto porque o impugnante nunca foi intimado pela fiscalização a apresentar quaisquer esclarecimentos, visto que o autuado foi a empresa "Victory", com a qual não possui nenhum tipo de relação. m) Na hipótese remota de considerarse válido o auto de infração, "vale ressaltar que o Impugnante não recebeu qualquer intimação para a apresentação de esclarecimentos, razão pela qual, o mesmo não poderá responder pela aplicação de multa, a qual não deu causa." n) Pleiteia, ao final, o acolhimento da impugnação apresentada, para que : n.1) seja declarado nulo o lançamento, pelo fato de não ter sido intimado no decorrer do procedimento fiscal, o que somente ocorreu por ocasião da lavratura do Auto de Infração; n.2) seja excluído da condição de contribuinte solidário, visto estar comprovado que não se enquadra nos requisitos legais; n.3) demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento, seja o débito cancelado em relação ao impugnante; Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.001246/200621 Acórdão n.º 3201002.750 S3C2T1 Fl. 13 5 n.4) ou ainda seja excluída a multa qualificada, em razão de o impugnante não haver recebido nenhuma intimação para cumprimento. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/07/2001 a 31/07/2001 FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de declaração e de recolhimento dos débitos apurados com base na escrita contábil do sujeito passivo enseja o lançamento do principal, acrescido de multa de ofício e demais encargos legais. PRELIMINAR. NÃO SÓCIO. CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO. É correta a caracterização do impugnante como contribuinte solidário, na forma do art. 124, I, do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram à evidência que, embora não integrasse o quadro societário da empresa autuada, ele não só a controlava de fato, como também tinha interesse comum na situação que veio a constituir o fato gerador da obrigação tributária. PRELIMINAR. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRêNCIA. Não se justifica a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o teor da impugnação apresentada demonstra à saciedade que a contribuinte tinha pleno conhecimento dos fatos objeto de autuação. PRELIMINAR. LANÇAMENTO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.23511972. FALTA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE DA NEGAÇÃO GERAL E DA MERA ALEGAÇÃO. As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de direito. Não se admitem, no processo administrativo fiscal, a negação geral nem as alegações desprovidas de fundamentos. PEDIDO DE PERÍCIA Cumpre indeferir o pedido de perícia sempre que desnecessário ou formulado sem observância dos requisitos previstos no Decreto n ° 70.235172 (PAF). Fl. 498DF CARF MF 6 MULTA QUALIFICADA. A apresentação de Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) com informações sabidamente em desacordo com a escrita contábil da empresa, procedimento que evidencia o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, constitui fato apenável com multa qualificada. Lançamento Procedente Em sede de recurso voluntário, alega a prescrição intercorrente e a decadência do crédito tributário e, no mais, reitera os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo , Relatora. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Inicialmente, serão apreciadas as diversas preliminares suscitadas pelo Recorrente. Sobre a prescrição intercorrente, tratase de matéria sumulada pelo CARF, pela Súmula nº 11 do CARF, que determina que "não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Sendo as súmulas de aplicação obrigatória pelo colegiado, deve ser rechaçada a preliminar. No que tange à alegação de decadência, com base no art. 150,§4o do CTN, merece parcial procedência, pois se encontra decaído parte do período autuado, contudo, pela própria regra mencionada, na existência de dolo, fraude ou simulação, excetuase a sua aplicação, como se depreende: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 19515.001246/200621 Acórdão n.º 3201002.750 S3C2T1 Fl. 14 7 Como se depreende dos autos e já se ingressando em questões que serão adiante abordadas, o contexto fático da autuação envolve ocorrência de autuação fraudulenta e simulação, de maneira que a contagem do prazo decadencial regese pela regra do art. 173, I do CTN, que determina o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O auto de infração abrangeu períodos de apuração referentes a 31/05/2000, 30/11/2000, 31/07/2001. A ciência do auto de infração deuse em 23/06/2006, de sorte que os períodos de apuração de 31/05/2000 e 30/11/2000 estariam alcançados pela decadência, restando apenas incólume o período de apuração de 31/07/2001. Nesse contexto, aplicável a Súmula CARF n. 72 "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN." Com relação à alegação de nulidade do auto de infração por ausência de intimação do Recorrente para participar do procedimento de fiscalização, não merece prosperar o argumento, pois nessa fase ainda não se formou a relação processual administrativa, que instaurase a partir da impugnação do lançamento de ofício. A fase de fiscalização tem caráter inquisitorial, sendo incabível a alegação de cerceamento na fase de investigação fiscal, pois os princípios do contraditório e da ampla defesa são de aplicação na fase do devido processo legal administrativo. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46: estabelece que "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". No mérito, alegouse a inexistência de prova incontestável de que o Recorrente tivesse interesse no fato gerador da obrigação principal, a ausência de subsunção aos arts.134 e 135 do CTN, não podendo ser colocado na condição de solidário. E, finalmente, no que tange à multa, argumento que somente poderia ser aplicada à empresa Victory, ou seja, não poderia ser aplicada contra quem não tivesse relação com os fatos autuados. Compulsandose os autos, verificase que o pano de fundo do qual decorreu a autuação decorre de uma operação conjunta entre Secretaria da Receita Federal, Polícia Federal, Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Polícia Militar do Estado de São Paulo, para desbaratar uma grande e complexa organização fraudulenta envolvendo inúmeras empresas, dentre as quais a Victory; montada para realizar importações de produtos na área informática, objetivando ilidir o pagamento do tributos incidentes na importação. No TVF descrevese o esquema nos seguintes termos: Fl. 500DF CARF MF 8 Fl. 501DF CARF MF Processo nº 19515.001246/200621 Acórdão n.º 3201002.750 S3C2T1 Fl. 15 9 A comprovação das alegações deuse pela apreensão de arquivos, nos quais se verificaram documentos tais como faturas comerciais "frias", controle paralelos de entrada e saídas de mercadorias, dentre outros. No que tange à participação do Recorrente, foram encontrados em sua residência diversos documentos, assim descritos no TVF: Fl. 502DF CARF MF 10 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 19515.001246/200621 Acórdão n.º 3201002.750 S3C2T1 Fl. 16 11 Inconteste a existência de diversos elementos probatórios que indicam que o Recorrente atuava gerenciando as operações da organização, fazendo os controles dos fluxos financeiros e mantendo contato com fornecedores do exterior. Em sua defesa, por outro lado, limitase a trazer argumentação genérica, sem tangenciar ou rebater as provas trazidas aos autos, de maneira que o fato de não estar formalmente constando do quadro societário da empresa Victory, não ilide a sua responsabilidade, por força da prescrição do art124, I do CTN que determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ademais, verificase que há diversas autuações desprendidas do mesmo contexto fático, já julgada por esse Conselho, no sentido adotado, como se verifica das ementas a seguir transcritas: Acórdão nº 3301002.832 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria :Contribuição para o Financiamento da Seguridade Soc ial Cofins Recorrente Victory São Paulo Com. Internacional Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/07/2001 a 31/07/2001 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não s e aplica a prescrição intercorrente ao processo administrativo fiscal, consoante a Súmula CARF nº 11. DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Diante da caracterização de conduta fraudulenta, com a consequente qualificação da multa de ofício, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do CTN. Reconhecida a decadência das competências de 31/05/2000 e 30/11/2000. Fl. 504DF CARF MF 12 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Somente é cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificada pelo agente fiscal a conduta dolosa de apresentação de DCTF com informações em desacordo com a escrita fiscal, para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é imperiosa a aplicação da multa qualificada (150%), nos termos da Lei. Acórdão nº 1402001.090 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMEN TO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado.(STJ, Resp 973.733/SC) Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001. 30/0 9/2001 Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL DE FATO. Correta a imputação da responsabilidade tributária àquele que, mesmo sem vínculo formal com a pessoa jurídica, exerce o controle de fato de todas as operações por ela realizadas. Acórdão nº 180301.345 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. (RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO: LIU KUO AN) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002 CORRELAÇÃO ENTRE PROCESSOS. DECISÃO DE UM TRIBUNAL. APLICAÇÃO EM OUTRO TRIBUNAL. Decisão unânime de um Tribunal Administrativo, com pleno aten dimento das regras jurídico Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.001246/200621 Acórdão n.º 3201002.750 S3C2T1 Fl. 17 13 legais, é de ser aplicada por outro Tribunal, quando inegável a correlação, em face do princípio vigorante de harmonia e conformidade nas decisões administrativas (Acór dão nº 10164.700, de 27/06/1973). AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitu cionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Finalmente, sobre a multa qualificada, temse que se afirma nos autos que a Victory declarou nas DCTFs dos segundo, terceiro e quatro trimestres de 2000 e dos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001, os tributos em valores divergentes dos apurados em sua escrituração contábil. Entendese que esse fato por si, não daria ensejo à qualificação da multa, que pressupõe a ocorrência das prescrições do art. 71,I da Lei 4.502/1964, contudo, no âmbito de todo o pano de fundo fático, verificase que houve a articulação de condutas fraudulentas para reduzir o pagamento de tributos, sendo a penalidade, portanto, cabível. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 506DF CARF MF 14 Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35357.001307/2005-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 01/02/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF.
A Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; por outro lado, diante da ausência de pagamento antecipado ou, mesmo havendo, mas o caso envolve dolo, fraude ou simulação, deverá ser observado o teor do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2301-004.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 01/02/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. A Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; por outro lado, diante da ausência de pagamento antecipado ou, mesmo havendo, mas o caso envolve dolo, fraude ou simulação, deverá ser observado o teor do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para darlhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 35 7. 00 13 07 /2 00 5- 95 Fl. 989DF CARF MF 2 Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão n. 230101.530, de 09/06/2010, que possui as seguintes ementa e parte dispositiva: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/05/1998 a 01/02/2005 DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vinculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação principal aplicase o art. 173, I, caso se refira a obrigação acessória cabível o artigo 150, §4º. INCRA. É legitimo e legal o recolhimento da contribuição social para o INCRA pelas empresas urbanas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / lª turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, com fundamento no art. 173, I do CTN, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicai o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial ao recurso e no mérito, por unanimidade de votos, em excluir parte dos valores lançados, nos termos do voto do relator. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 35357.001307/200595 Acórdão n.º 2301004.971 S2C3T1 Fl. 990 3 Aduz a Embargante existir omissão do julgado, pois a parte dispositiva deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência das contribuições previdenciárias, com fulcro no art. 173, I do CTN, no entanto, ao analisar o acórdão proferido verificouse que este somente contém o voto vencido do relator Leonardo Henrique Pires Lopes, que aplicou art. 150, §4° do CTN, declarando a decadência das contribuições previdenciárias anteriores a competência de 06/2001. Requer, assim, seja sanada a omissão apontada. O presente recurso foi admitido pelo presidente de turma, em despacho exarado em 02/06/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza A Embargante tem razão quanto à omissão suscitada. Na discussão da decadência, o conselheiro relator afastou a aplicação da regra dos art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos, em virtude da declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo STF (Súmula Vinculante nº 8), e no lugar inclinouse pela aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN. Mas, por voto de qualidade, a turma decidiu pela aplicação da regra do art. 173, inc. I do CTN. Faltou assim colher o voto vencedor, nessa parte, o que é feito a seguir. Pois bem. Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Assim, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: (i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou (ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento ou, mesmo se houver, no caso de dolo, fraude ou simulação (art. 173, I, CTN). Vale salientar que o referido entendimento jurisprudencial é de observância obrigatória por este tribunal administrativo (art. 62, §2º, Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015). No caso concreto, embora haja informação fiscal de pagamento parcial (fls. 106 112 e 135), a acusação fiscal envolveu simulação de terceirização (fls. 137). Por esse motivo, aplicase à espécie a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Fl. 991DF CARF MF 4 Nesse sentido, considerando que a ciência da lavratura do auto de infração ocorreu em 17/06/2005, considero decaídos os lançamentos relativos às competências anteriores a 11/1999 (inclusive), mantendose a cobrança quanto aos demais. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, com o objetivo de reconhecer a existência de omissão na fundamentação do acórdão embargado, sanandoas mediante o reconhecimento da aplicação do art. 173, I do CTN É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 992DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901002/2009-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 10 02 /2 00 9- 25 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10166.901002/200925 Acórdão n.º 9101002.906 CSRFT1 Fl. 3 2 saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de IRPJ. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de IRPJ), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10166.901002/200925 Acórdão n.º 9101002.906 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10166.901002/200925 Acórdão n.º 9101002.906 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10166.901002/200925 Acórdão n.º 9101002.906 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10166.901002/200925 Acórdão n.º 9101002.906 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720383/2010-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/02/2004 a 31/12/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 9303-004.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Relator
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator Designado .
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/02/2004 a 31/12/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
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INFRAÇÕES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA NO ÂMBITO ADUANEIRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEDERAL EXPRESS CORPORATION ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/02/2004 a 31/12/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 83 /2 01 0- 05 Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.877 2 Demes Brito Redator Designado . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão prolatado em 2013 e assim ementado: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplicase para exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa Nele, aplicouse, retroativamente, a Lei 12.350, editada em 30 de dezembro de 2010. Aduz a Fazenda divergência com decisão proferida também em 2013 que possui a seguinte ementa: MULTA POR ATRASO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Ambas as decisões examinaram a aplicabilidade da denúncia espontânea prevista na Lei 12.350/2010 à infração cometida, tendo a recorrida concluído que sim e o paradigma que não. O recurso foi admitido por despacho do Presidente da Câmara recorrida, não tendo havido a apresentação de contrarrazões. É o Relatório Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.878 3 Voto Vencido Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator Como visto, as decisões confrontadas dizem respeito exatamente aos mesmos fatos, inclusive no que tange à multa a ser ou não afastada por força da denúncia espontânea, e concluem de forma absolutamente antagônica. Patente, pois, a comprovação da divergência que leva ao conhecimento do recurso. A matéria, única, diz respeito à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea a infrações por descumprimento de prazo para prestação de informação de natureza aduaneira. Filiome à posição muito bem esposada pela Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, que reconhece a aplicabilidade do instituto, pedindo vênia para transcrever como minhas as considerações que expendeu no voto vencedor ora recorrido: Na sessão de julgamento em que foi votado o recurso voluntário interposto nestes autos, durante os debates que se sucederam à leitura do voto do Conselheiro relator, dele divergi, essencialmente, porque entendo ser aplicável ao caso, em deferência ao princípio da retroatividade benigna, a Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, e passo a expor as razões que conduziram meu voto divergente, que foi seguido pela maioria do colegiado. Inicialmente, registro que, com efeito, as razões de decidir tomadas do voto proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento para fundamentar o entendimento de que a infração de que cuidam estes autos não é passível de ser denunciada espontaneamente foram muito bem elaboradas, formando um todo lógico, porém, a meu ver, diante da orientação das normas gerais de direito tributário para a interpretação literal de legislação relativa a exclusão de crédito tributário, tais razões de decidir compõem um corpo lógico, mas inoponível em sede de julgamento que se processa diante da lei positivada. Por outras palavras, diante da literalidade do dispositivo legal invocado para sustentar o instituto da denúncia espontânea, a tese defendida de que a exclusão da penalidade só pode alcançar infração denunciável encontra obstáculos. O primeiro obstáculo está no incontestável fato de que a lei não estabeleceu o que seria ou a quais seriam as penalidades denunciáveis e não poderia, sem que se afete a segurança jurídica, estar a juízo do intérprete cada um com Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.879 4 seus subjetivos critérios estabelecer quais seriam essas penalidades. Ao contrário, o que se percebe do texto legal é que a inovação trazida pela Lei nº 12.350, de 2010, veio ampliar o alcance do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para deixar fora do seu círculo de afetação apenas as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ou seja, intenta alcançar as penalidades de natureza tributária e também as de natureza administrativa, excetuando apenas a hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento. Assim, claro está que o dispositivo legal, por si só, possui caráter extensivo. Assim, por esse primeiro obstáculo, a meu ver, a muito bem defendida tese transcrita em seu voto pelo relator deste processo prestarseia a subsidiar o legislador na elaboração da lei, mas não a sustentar interpretação contrária à literalidade da lei posta, que é, pelos seus próprios termos, extensiva e, pelo princípio da legalidade que rege a atividade administrativa, de aplicação obrigatória. Ademais disso, divirjo do próprio mérito do arrazoado apresentado no voto vencido, porque não vislumbro harmonia entre o propósito da norma infringida, que é a obtenção de dados pertinentes ao comércio exterior do País, com vista ao controle aduaneiro e administrativo, e o entendimento de que a infração não seria denunciável baseado na conclusão de que a conduta comissiva (informar extemporaneamente a data do embarque) é que materializaria a infração punível com a penalidade pecuniária lançada nestes autos. Ora, essa conclusão apresenta ao menos duas inconsistências. A primeira é a decorrência lógica de que, enquanto não materializada a infração não se pode punir, pois ainda não se teria configurada a infração, tampouco o infrator, e a segunda é que a situação conduziria a contribuinte a optar por não prestar a informação, visto que não parece razoável que se espere que a contribuinte labore em prol da materialização de infração que lhe acarretará ônus financeiro. Assim, do entendimento defendido no voto vencido, infere se que, uma vez constatado que não se cumpriu o prazo para a informação da data do embarque, a fiscalização estaria impedida de instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa, impedimento este só possível de ser afastado pelo ato comissivo da contribuinte de Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.880 5 prestar, a destempo, a informação a que está obrigada. Ou seja, a infração passaria a ser prestar a informação após o prazo estabelecido (ato comissivo) e não o mero deixar de informar no prazo estabelecido (ato omissivo). Notese que a transmutação da infração de ato omissivo para ato comissivo, não resiste à literalidade do enquadramento legal do lançamento em questão, cujos termos reproduzemse: (...) Ademais, a infração em questão, nos termos em que definida pelo art. 94 do Decretolei nº 37, de 1966, decorre mesmo de omissão da contribuinte que deixou de observar o prazo estabelecido em Instrução Normativa. Assim, por entender que, uma vez transcorrido o prazo normativo e persistindo a omissão da contribuinte quanto às informações que está obrigada a fornecer à administração aduaneira, a autoridade competente pode e deve instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa cominada pela lei, a menos que a contribuinte antecipese à fiscalização com o adimplemento da obrigação acessória, não há como acolher a tese defendida no voto vencido. Diante disso, o que de fato se constata aqui é a omissão também da fiscalização em averiguar o cumprimento dos prazos pela contribuinte que, antes do início de algum procedimento fiscal, prestou as informações requeridas, fazendo jus, portanto, à incidência do art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Dessas judiciosas considerações em nada discrepo. Esse tema foi também objeto de alentado e judicioso artigo de autoria do eminente especialista em direito aduaneiro e exmembro deste Conselho, o dr. Rodrigo Mineiro Fernandes, do qual extraio as seguintes esclarecedoras passagens. Começando pela distinção entre as obrigações aduaneiras e as tributárias: (...) 2.1. Obrigação aduaneira e obrigação tributáriaaduaneira O CTN define, em seu artigo 113, as obrigações tributárias como sendo principal ou acessória. Segundo sua definição, a obrigação tributária é aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.881 6 Já a obrigação acessória é aquela prevista na legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A jurisprudência do STJ diferencia as obrigações acessórias vinculadas à incidência tributária daquelas sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, denominandoas de obrigações acessórias autônomas. Entretanto, tal análise referese exclusivamente ao regime jurídico tributário, no qual a obrigação tributária aduaneira, referente aos tributos incidentes nas operações aduaneiras, está inserida. Importanos, para o presente estudo, apreciarmos a questão do ponto estritamente aduaneiro: as obrigações aduaneiras. Não encontramos a definição de obrigação aduaneira expressamente na normativa aduaneira brasileira, mas apenas a referência à obrigação tributária. Um conceito mais próximo de “obrigação aduaneira” é encontrado nas definições da Convenção de Quioto Revisada e também utilizada no Código Aduaneiro Comunitário (Europeu), no termo “formalidades aduaneiras”: conjunto das operações que devem ser executadas pelas pessoas interessadas e pelos serviços aduaneiros para cumprimento da legislação aduaneira. (...) Preferimos adotar a denominação de obrigação aduaneira, sem classificála como sendo principal ou acessória, visto que sua natureza sempre será vinculada ao bem jurídico protegido pelo Direito Aduaneiro, qual seja, o controle aduaneiro. Dessa forma, toda a obrigação aduaneira é principal e essencial ao devido controle aduaneiro previsto no art. 237 da Constituição Federal. Se a obrigação foi imposta pela autoridade aduaneira, ela estará sempre vinculada ao poder constitucionalmente outorgado à Aduana, sempre vinculada ao devido controle aduaneiro. Outra questão será a obrigação tributária, vinculada à arrecadação de tributos, essa sim classificada como principal ou acessória. O ponto chave para diferenciar as obrigações está na motivação de sua criação: enquanto as obrigações acessórias são instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos, as obrigações aduaneiras têm sua Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.882 7 gênese ligada às medidas de controle das operações de comércio exterior, independentemente de fins tributários. Portanto, adotamos no presente estudo a seguinte denominação: (i) obrigação aduaneira, vinculada ao bem jurídico tributário tutelado pelo Direito Aduaneiro, o controle; (ii) obrigação tributáriaaduaneira principal, que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária; e (iii) obrigação tributáriaaduaneira acessória, que tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos A partir dessa diferenciação, demonstra o i. exconselheiro o alcance da alteração promovida pela Lei 12.350: (...) O legislador ampliou os efeitos da denúncia espontânea, incluindo as infrações aduaneiras decorrentes da violação do devido controle aduaneiro, independentemente de seu vínculo com a obrigação tributária principal. Não encontramos no texto legal qualquer limitador quanto à natureza da obrigação aduaneira infringida, exceto as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Destacamos, mais uma vez, que tanto as infrações por descumprimento de prazos ou aquelas por omissões na apresentação de algum documento previsto na normativa aduaneira, possuem o mesmo grau de lesividade: a violação do controle aduaneiro. Encontramos na exposição de motivos da Medida Provisória nº 497, de 27/07/2010, o real alcance da alteração processada pelo legislador: EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT Brasília, 23 de julho de 2010. 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do Decreto Lei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.883 8 a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. (grifo nosso) O texto acima transcrito deixa claro o alcance da alteração legislativa processada: que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, mesmo aquelas vinculadas ao descumprimento da obrigação acessória, exceto as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento Ainda que imprecisa ao classificar as obrigações aduaneiras como sendo obrigações acessórias, a Exposição de Motivos da Medida Provisória deixa claro que o legislador não limitou o alcance da denúncia espontânea em matéria aduaneira, alcançando todas as penalidades pecuniárias. Entender de forma diversa é contrariar o objetivo pelo qual a lei foi editada. 4. CONCLUSÃO Os defensores da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea nas sanções aduaneiras, especialmente nas infrações que têm em seu tipo o elemento do descumprimento do prazo de prestação de informação ou de apresentação de documentos à Administração aduaneira, buscam fundamentos nos seguintes pontos: (i) na jurisprudência do STJ, no sentido de que a infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória autônoma, isto é, aquela sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo, constitui infração formal de natureza não tributária não alcançada pelo instituto da denúncia espontânea; e (ii) na incompatibilidade do instituto da denúncia espontânea com as infrações tributárias formais e as aduaneiras (que) têm na sua tipificação o elemento concernente ao descumprimento do prazo de prestação de informação ou de entrega de documentos, por impossibilidade material. Em sentido diverso, entendemos pela aplicabilidade da denúncia espontânea nas sanções aduaneiras, desde que atendidos os requisitos legais, com a expressa exceção legal das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Afastamos a aplicação da jurisprudência do STJ acerca das sanções aduaneiras pela constatação de que o entendimento daquele tribunal não é diretamente aplicável às infrações aduaneiras. A jurisprudência consolidada Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.884 9 referese a não caracterização das infrações por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, como sendo infrações tributárias aptas a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Em nenhum momento aquele tribunal superior apreciou a aplicação do instituto previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, que trata das disposições específicas aduaneiras, no que se refere ao descumprimento de obrigação aduaneira, não caracterizada como obrigação tributária principal ou acessória. Conforme já exposto, entendo como inaplicável na denúncia espontânea para multas aduaneiras, de forma direta e irrestrita, a jurisprudência consolidada pelo STJ, bem como aquela reproduzida pelo CARF por meio da Súmula nº 49, que trata da inaplicabilidade dos efeitos da denúncia espontânea em relação às infrações tributárias caracterizadas pelo atraso na entrega de declaração. O outro argumento para a inaplicabilidade da denúncia espontânea nas sanções aduaneira também deve ser descartado. Independentemente da natureza da obrigação aduaneira infringida, caso o interveniente do comércio exterior espontaneamente antecipese à autoridade aduaneira e cesse o dano aduaneiro causado (violação ao controle), não estará sujeito à infração aduaneira, logicamente se não estiver sob procedimento fiscal, incluído o procedimento de despacho aduaneiro, até a fase do desembaraço. Não comungamos do entendimento de que a denúncia espontânea aduaneira não poderia ser aventada nas infrações por descumprimento de prazos, por impossibilidade lógica. Entendemos que, nas infrações aduaneiras, sempre o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro foi violado (controle aduaneiro), independentemente do tipo de infração. Mesmo naquelas infrações aparentemente de menor grau de lesividade, o controle aduaneiro é violado. Fazendo um paralelo com as infrações tributárias, mesmo o inadimplemento no recolhimento de tributos afronta a questão do descumprimento de prazos, atingindo também o bem jurídico tutelado pelo Direito Tributário. No caso tributário, é incontroverso que a denúncia espontânea alcança as infrações relativas ao descumprimento de prazo na arrecadação tributária. Em nenhum dos casos a denúncia espontânea tem o condão de desfazer ou Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.885 10 paralisar o fluxo inevitável do tempo, mas o legislador decidiu excluir a responsabilidade pela infração. Entendemos que apenas circunstância de ordem legal poderia impossibilitar a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, como foi feito para as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Constatase que o legislador não fez distinção por tipos de infrações aduaneiras e expressamente manifestouse quanto ao alcance da denúncia espontânea: todas penalidades pecuniárias, exceto as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Caso entendesse de forma contrária, o legislador teria inserido na norma a exceção à regra, da mesma forma que consta de dispositivo semelhante no Direito Aduaneiro Argentino. No código aduaneiro argentino consta expressamente que a denúncia espontânea não é aplicável às infrações por descumprimento de prazo determinado. Entretanto, tal disposição não consta em nossas normas aduaneiras, por vontade do próprio legislador, conforme exposto na Exposição de Motivos da MP 497 acima transcrita. Dessa forma, entendemos que não há como restringir o alcance da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras a determinados tipos infracionais, por falta de previsão legal, com exceção da pena de perdimento, que a própria exposição de motivos do ato legal que introduziu a inovação é clara ao delimitar o alcance do dispositivo: todas as infrações de caráter administrativo, à exceção da pena de perdimento. Por concordar com todas essas considerações, voto pela manutenção da decisão, negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.886 11 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator Designado Com a devida vênia, divirjo do Ilustre Conselheiro Relator Júlio César Alves Ramos, tocante a possibilidade da denuncia espontânea extemporânea a infrações por descumprimento de prazos para prestação de informações de natureza aduaneira. Quanto a esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração1. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 1 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.887 12 A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.888 13 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.889 14 no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.890 15 Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.891 16 Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.892 17 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.893 18 espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.894 19 Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.895 20 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Delimitase a discussão à possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea para afastar a exigência de multa administrativa pelo descumprimento de obrigação acessória, nos termos dos artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", ambos do Decretolei nº 37/2010, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. [...] Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...](grifouse) Nos termos da IN SRF nº 800/2007, o transportador deve prestar as informações à Secretaria da Receita Federal sobre veículo ou carga nele transportada antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto do País. A previsão está nos artigos 22 e 50, ambos da IN SRF nº 800/2007, na redação vigente à época, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.896 21 II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifouse) Da leitura dos dispositivos, depreendese que em não sendo prestadas pelo transportador as informações referentes ao veículo ou à carga nele transportada antes da atracação da embarcação em porto do País, aplicase a multa constante do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. No entanto, por força do princípio da retroatividade da norma mais benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, há de ser afastada a penalidade no caso pelo instituto da denúncia espontânea. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decretolei nº 37/66, dáse quando o Contribuinte informa à Administração as infrações por ele cometidas, antes de iniciado procedimento de fiscalização. Referido instituto jurídico beneficia o administrado pois acarreta a exclusão da penalidade correspondente à infração. Nesses termos é a redação do art. 102, §§ 1º e 2º do Decretolei nº 37/1966, conferida pela Lei nº 12.350/2010, prevendo a exclusão das penalidades pelo instituto da denúncia espontânea: Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.897 22 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifouse) A Lei nº 12.350/2010, ao atribuir nova redação ao §2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/1966, tornou expressa a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para afastar as penalidades administrativas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Portanto, a denúncia espontânea pode ser aplicada para o afastamento de penalidades de natureza tributária e também de natureza administrativa, sendo excluídas dessas hipóteses as penalidades aplicáveis nos casos de mercadoria sujeita a pena de perdimento. A assertiva é reforçada pelo disposto nos itens 40 e 47 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 497/2010, convertida posteriormente na Lei nº 12.350/2010, in verbis: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. Pontuese que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento de que os efeitos da denúncia espontânea do art. 138 do CTN não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Além disso, dispõe a Súmula CARF nº Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10830.720383/201005 Acórdão n.º 9303004.245 CSRFT3 Fl. 1.898 23 49 que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". No caso, o entendimento do STJ e a disposição contida na Súmula CARF nº 49 restam afastados pois: (a) a consolidação da jurisprudência ocorreu anteriormente à edição da Medida Provisória nº 497/2010, bem como não tratou especificamente da aplicação do art. 102 do Decretolei nº 37/66, que trata do descumprimento de obrigação aduaneira; (b) a Súmula CARF nº 49 afasta os efeitos da denúncia espontânea em relação às infrações tributárias em razão do atraso na entrega de declaração, não tendo relação com a legislação aduaneira; e (c) a nova redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei nº 12.350/2010, aplicável à hipótese dos autos em razão do princípio da retroatividade da norma mais benéfica (art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN), exclui expressamente a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721544/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF.
O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS.
Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do ano-calendário.
LUCRO ARBITRADO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas.
MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
MULTA QUALIFICADA
A reiterada e significativa omissão de receita perpetrada inclusive por meio do registro a menor dos valores das operações enseja a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos.
Numero da decisão: 1401-001.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejetirar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do sujeito passivo e dos solidários.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini De Carvalho
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.358 1 6.357 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.721544/201079 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.782 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente ATLANTIS COMERCIO DE CAFE LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO DE OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SIGILOSAS VIA RMF. O STF fixou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a exigência quando o contribuinte não procedeu à contabilização de receitas financeiras obtidas no decorrer do anocalendário. LUCRO ARBITRADO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. MULTA QUALIFICADA A reiterada e significativa omissão de receita perpetrada inclusive por meio do registro a menor dos valores das operações enseja a qualificação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 15 44 /2 01 0- 79 Fl. 6358DF CARF MF 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicandose, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejetirar a preliminar de quebra de sigilo bancário e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do sujeito passivo e dos solidários. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini De Carvalho Fl. 6359DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.359 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0933.713 1 Turma da DRJ/JFA, que julgou procedente o lançamento contra ATLANTIS COMERCIO DE CAFE LTDA e manteve as sujeições passivas solidárias. Os Autos de Infração Autos de Infração de fls. 01 a 39, referentes ao IRPJ, CSLL. Cofins e PIS. foram lavrados para exigirem um crédito tributário de RS 1.074.892,16, , todos os tributos relativos ao período de 2006, acrescidos de juros, multa de mora e de ofício qualificada (150%), mediante as acusações de omissão de receita da atividade (revenda de mercadorias) e o missão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários de origem não comprovada. Transcrevo abaixo partes do Relatório do Acórdão Recorrido, que bem descreve os fatos ocorridos no feito: A ação fiscal está detalhada no Termo de Verificação Fiscal, fls. 40 a 59, a seguir, parcialmente transcrito: IDo Início da Auditoria na Pessoa Jurídica 2.0s trabalhos .fiscais tiveram inicio con,. a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, intimando a ATLANTIS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA a apresentar cópia do contrato social e suas alterações contratuais, Livros Diário e Razão ou Livro Caixa. Livro Registro de Entrada Livro Registro de Saida. Livro de Apuração do ICMS. Talonário de Notas Fiscais de Revenda de Mercadorias emitidas no ano calendário de 2006, arquivos magnéticos referentes aos dados do SINTEGRA definido pelo Convênio ICMS 39/2000, entre outros elementos, fls. 88 e 89. 3.Neste mesmo Termo, firam solicitados também cópia dos Cadastros de abertura e ex/ralos bancários das contas correntes abertas da empresa no, período de 01/2006 a 12/2006 no BanCO do Brasil, Banco ABN ANRO Real, Banco hati e Banco Bilkie SCO e possíveis procurações para que terceiros movimentassem essas respectivas contas. 4.Findo o pra:o, a empresa entregou parcialmente o que foi solicitado, não apresentando estes livros contábeis nem os extratos bancários e cadastro de abertura das contas especificadas no item 3. Fórum retidos, conforme: Termo de Retenção, fl. 90, Livro Registro de Entrada, Livro Registro de Saída, Livro Registro de Apuração do ICMS e Talonário de Notas Fiscais referentes ao ano calendário de 2006. 5.Em resposta, fl. 91, o contribuinte informou que não vinha escriturando o seu Livro Caixa, mas que solicitava prazo para a sua regularização. 6.Através do Termo de Intimação n°001, fl. 113 a 111, foi reaberto prazo para a possibilidade da empresa escriturar seu Livro Caixa referente ao ano calendário de 2006, devendo estar escriturada toda a movimentação financeira no mesmo inclusive bancária, em conformidade com o parágrafo único do art. 45 da Lei 8.981/95 e o parágrafo único do art. 527 do RIR ,99. Ainda neste mesmo Termo, o contribuinte foi alertado de que a não apresentação da sua escrituração contábil resultaria no conseqüente arbitramento do lucro nos termos do art. 530 do RIR/99. Fl. 6360DF CARF MF 4 7. Após sucessivas prorrogações de prazo, o sócio Administrador e Responsável Legal da empresa, Sr. CIDILEI DA VANZO, CPF 438.821.29620, compareceu esta Delegacia da Receita Federal do Brasil, informando que a empresa não teria condições de apresentar sua escrita contábil nem os extratos bancários reintimados, o que resultou na falha de apresentação da escrituração contábil e fiscal da empresa, implicando como :única alternativa o arbitramento do lucro, mesmo, espontaneamente. se prontificou a prestar informações sobre o real funcionamento da empresa ATLANTIS COMERCIO DE CAFÉ, abaixo relatado. II Termo de Depoimento do Representante Legal da Empresa 8.Em decorrência do fato acima narrado, foi tornado o Termo de Depoimento do Sócio Administrador e Responsável Legal da empresa, fls. 116 a 118, no qual foram prestados os seguintes esclarecimentos: 8.1. "Que abriu a empresa coin O intuito de vender café sem pagar os tributos federais, devido à falta de condições que os pequenos escritórios de corretagem tem de permanecer no mercado, acobertando assim terceiros, terceiros estes que eram quem ganhavam grande parte do dinheiro, sendo que o depoente recebia apenas RS 1,00 (um real) por saca de café vendida, valor este que era repartido ainda com o outro sócio Sr. Aloízio Donizeti Davanzo"; 8.2. Que os recursos constantes das comas bancárias movimentados pela empresa não tinham a gerência apenas dele, enquanto sócio administrador, mas também a gerência de outras pessoas, conforme Representação Gráfica da Participação Societária e da Solidariedade em anexo, fl.76. 9.Neste mesmo Depoimento, O depoente nomeou os Responsáveis pela Gerência dos Recursos em relação a cada conta bancária da ATLANTIS COMÉRCIO DE CAFÉ, identificados a seguir: 9.1. "Em relação aos recursos da conta bancária da empresa no Banco cio Brasil em Varginha, agência 00329, conta corrente 42.7004, são movimentados, segundo o depoente, pelo Sr. EDSON ANTONIO MENEGUELL vulgo sendo deixado para o mesmo os talões de cheques. todos assinados em branco, e a senha para as transferências eletrônicas (TED Transferência eletrônica disponível), 100 havendo, portanto, procurações e que encontrase atualmente inativa, pois não realiza mais negócios com o mesmo: 9.2. "Em relação aos recursos da coma bancária da empresa no Banco do Brasil em Lambari, agência 22454, conta corrente 11.1422, são movimentados, segundo o depoente, pelo Sr. PAULO CESAR BRAZ, mas a procuração existente para a movimentação das conta está em, nome do Sr. EDSON MANOEL DOS SANTOS, sendo 'meeiros' nos negócios realizados"; 9.3. "Em relação aos recursos da conta bancária da empresa 110 Banco Real em Varginha. agência 0344, conta corrente 67218821. Rio movimentados pelo Sr. ADELSON COSTA, proprietário da empresa COSTA COMISSÁRIA DE CAFÉ, mas a procuração existente para a movimentação da conta: está em nome o Sr. ADELSON HORÁCIO CAMPOS. que de acordo com o depoente trabalham juntas" 9.4."Em relação aos recursos da coma bancária da empresa no Banco Real em Nepomuceno, agência 0506. coma corrente 77071501, são movimentadas segundo o depoente, pelo Sr. MORVAN FERNANDES, proprietário da empresa TORREFAÇÃO CAFE VARGINIA, sendo deixado para o mesmo os talões de cheques. todos assinados em branco, e a senha para as transferências eletrônicas (TED Transferência eletrônica disponível), não havendo, portanto, procurações em nome de terceiros, sendo também movimentada pelo próprio Sr. CIDILEI DA VANZO; Fl. 6361DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.360 5 9. 5. "Em relação aos recursos da conta bancária da empresa no Banco Bradesco em Guapé, agência 09148, conta corrente 0083348, são movimentados, segundo o depoente, pelo Sr. LUIZ FERNANDO DE CASTRO, sendo deixado para o I1leS1710 Os talões de cheques. todos assinados em branco, e a senha para as transferências eletrônicas (TED Transferência eletrônica disponível), não havendo, portanto, procurações em nome de terceiros, sendo também movimentada pelo Sr. CIDILEI DA VANZO; 9.6. Em relação aos recurvos da coma bancária da empresa no Banco Bradesco em Varginha, agência 510. conta corente 05016479, são movimentados pelo próprio Sr. MILD DAVANZO, com negócios feitos com vários outros corretores de café, não tendo procurações em nome de terceiros; 9.7.Em relação aos recursos da coma bancária da empresa no Banco hati; em Varginha, agência 0802, coma corrente 514984, silo movimentados pelo próprio Sr. CIDILEI DA VANZO, com negócios feitos com vários outros corretores de café. não havendo procurações em nome de terceiros. 10.Após uma análise inicial do que foi informado no Depoimento em questão, esta fiscalização, visto não ter sido entregue pela empresa os contratos de abertura, extratos bancários e procurações em nome de terceiros referentes às comas bancárias solicitados no Termo de Inicio de Fiscalização e novamente solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 001, propõe a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF em relação as contas bancárias da empresa, nos termos do art. 60 da Lei Complementar 105/01 e dos incisor Xe A7 do art. 3° do Decreto 3.724/01, fls 119/134. III Da Análise Inicial da Movimentação bancária da Empresa 11. De uma primeira analise dessa movimentação bancária em confronto com os valores das notas fiscais de venda retidas, já que a empresa não apresentou sua escrituração contábil, constatamos alguns depósitos que foram creditados em suas contas bancárias sem que houvessem sido entregues pelo contribuinte as limas fiscais correspondentes. 12. Diante desta constatação, houve a tentativa de intimação do contribuinte, por ciência pessoal, através do Termo c/c Intimação n° 002, para que comprovasse, através de documentação comprobatória, o(s) tipo(s) de operação(es) que de(ram) origem a estes depósitos identificados nas contas bancárias da empresa e listados em planilha anexada ao Termo. 13.No entanto, após essa tentativa de ciência pessoal ao contribuinte no domicilio tributário eleito pelo fiscalizado constante cio cadastro da Receita Federal do Brasil, j1 139, conforme relatado no Termo de Constatação n° 002, verificamos que a empresa não funcionava mais nesse endereço, estando o imóvel fechado e as suas atividades regulares paralisadas. não tendo , desse modo, na época dessa constatação, patrimônio nem capacidade operacional necessários à realização do seu objeto. 14.Como consequência dessa tentativa frustrada de ciência pessoal da empresa, passouse a tentativa de ciência postal do Termo de Intimação Fiscal n°002 ao sócio Administrador e Representante legal da empresa, Sr. CIDILEI DAVANZO, no domicilio tributário eleito pelo mesmo, constante, na época, jls 140 a 145, nos cadastros da Receita Federal do Brasil. No entanto, o Termo não pode ser entregue pelos correios após três tentativas consecutivas. sendo o contribuinte cientificado Fl. 6362DF CARF MF 6 que a respectiva correspondência ficaria a sua disposição para retirada pelo período de 20(vinte) dias, conforme procedimento padrão dos correios. 15.Com o retorno do AR (Aviso de Recebimento) sem a correspondente ciência deste Termo via postal, não restou outra alternativa. em face dessas tentativas improfícuas de ciência, a não ser a ciência por edital, o qual foi, então formalizado, fls 150a 153. 16.Após intimações e reintimações findo os sucessivos prazos. após todas as tentativas possíveis de ciência destes termos ao contribuinte e ao seu Representante Legal, não se obteve resposta dos mesmos sobre a comprovação da origem desses depósitos creditados nas contas bancárias da empresa IVDa Representação de Inaptidão 17. Em 25 de março de 2008, como resultado do relatado no item 13, e a constatação de que a empresa ATLANTIS COMÉRCIO DE CAFÉ fechou seu estabelecimento sem ter providenciado a alteração no seu cadastro para a situação de suspensa ou de ter iniciado o processo de baixa da sua inscrição no CNPJ, dissolvendose irregularmente, formalizouse Representação Fiscal propondo a inaptidão dessa pessoa jurídica fls 147 e 148, com base no inciso III do art.34 e incisos I e III da Instrução Normativa RFB 748/07. por ter sido caracterizada a sua INEXISTÉNCIA DE FATO, visto encontrarse com as atividades paralisadas, não dispondo mais de patrimônio nem de capacidade operacional necessários a realização do seu objeto. 18.Após formalizada essa Representação Fiscal de Inaptidão da empresa e não tendo sido mais encontrando o paradeiro do seu sócio administrador e Representante legal. esta fiscalização passou a dar ciência dos Termas seguintes via edital. 19.A baixa definitiva da inscrição do CNPJ da empresa ocorreu em 31 de dezembro de 2008, tendo como motivo a sua inaptidão nos termos do art. 54 da Lei 11.941/09,fl 149. VDo Arbitramento do Lucro do Anocalendário 2006 20. Por todos os fatos apresentados anteriormente, não tendo a empresa nem seu sócio administrador e Representante legal atendido às intimações e reintimaçães fiscais em relação a apresentação da sua escrituração contábil e dos extratos bancários solicitados, fis 88, 89, 113 e 114, nos termos do inciso III do art. 530 do RIR/99, que se refere a NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL OU O LIVRO CAIXA SE TRIBUTADO PELO LUCRO PRESUMIDO, não restou outra alternativa a esta fiscalização senão o ARBITRAMENTO DO LUCRO BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA. 21.0s valores de Receita Bruta conhecida foram obtidas através das notas fiscais de venda apresentadas pela empresa que compõem uni talonário seqüencial de 0001 a 0585 e o total de 68 (sessenta e oito.) notas fiscais avulsas, conforme Planilha contendo a Relação de Notas Fiscais retidas, anexos I, II, III e IV. 22. Confrontamos os valores de Receita Bruta conhecida com base nas notas fiscais de venda apresentadas pela empresa com os valores de Receita Bruta informados pela mesma em, sua DIPJ e escriturados em seu Livro de Apuração do 1CMS. de acordo com a tabela abaixo: 23. Esta .fiscalização decidiu por adotar como valores de Receita Bruta Conhecida os valores correspondentes às notas fiscais de venda, primeiro, por retratarem efetivamente as vendas realizadas pela empresa, e segundo, por terem Fl. 6363DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.361 7 sido apresentadas pelo próprio contribuinte como prova documental das vendas efetuadas pelo mesmo. 24.A partir dos valores especificados acima como Receita Bruta, com base nas notas fiscais de venda, chegouse ao lucro arbitrado mediante a utilização do percentual de 9,6% oh/ido de acordo com o art. 16 da Lei 9.249/95 cc o art. 27 da Lei n° 9,430/96 e o art. 41 da IN SRF n° 93/97, aplicado sobre a receita bruta de revenda de mercadorias aferida mais a receita omitida em cada período de apuração trimestral, conforme descrito no item VI.abaixo. Das infrações Apuradas no Auto de Infração VI.. IRPJ Lucro Arbitrado Revenda de Mercadorias IRPJ Omissão de ReceitaDepósitos Bancário de Origem não Comprovada 25.Como a empresa regularmente intimada e reintimada, não comprovou a origem dos recursos creditados em suas comas bancárias no ano calendário fiscalizado, nem seu Representante legal, e sequer apresentou a sua escrituração contábil, que poderia, de alguma forma, atestar a origem de recursos dos mesmos, consideramos o montante dos depósitos como receitas caracterizando a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, listados na planilha de fls 151 e 152. 26.Os valores correspondentes a essas receitas omitidas foram acrescidos à receita de Revenda de Mercadoria, para cálculo do lucro arbitrado, inclusive para fins de cálculo do adicional, por disposição do art. 24 da Lei n° 9.249/95 e do art. 63 da Instrução Normativa SRF n° 11/96, identificados na tabela abaixo e no Auto de Infração em anexo. 27.E importante frisar, que de acordo com a Lei 9.430/96 a movimentação bancária mantida à margem da escrituração contábil da empresa, presumese caracterizada como valores omitidos a tributação, salvo prova em contrário, conforme disposição do seu art. 42: [...] 28.No entanto, essa presunção legal de omissão de receita não se caracteriza apenas pela constatação de tun crédito bancário considerado isoladamente: mas sim, pela falta de esclarecimentos tanto da origem desses depósitos creditados como do tipo de operação que resultou na obtenção desses recursos vivo não terem sido apresentadas as notas fiscais de venda correspondentes, tendo como conseqüência o seu oferecimento à tributação por serem considerados rendimentos' não declarados. Tributação Reflexa CSLL sobre Lucro ArbitradoRevenda de mercadoriasApuração Reflexa COFINS Apuração Reflexa Insuficiência de Declaração/Falta Recolhimento. PIS Apuração ReflexaInsuficiéncia de Declaração/Falta Recolhimento CSLL Omissão de Receita PIS Omissão de Receita COFINS Omissão de Receita Fl. 6364DF CARF MF 8 29.As infrações apuradas na fiscalização do IRPJ refletiram também no arbitramento e na omissão de receita da Contribuição social sobre o Lucro Liquido, de acordo com o art. 55 da Lei 8.981/95, enquanto apuração reflexa, utilizandose da mesma Receita Bruta conhecida o somatório das notas fiscais emitidas pela empresa nesse período e, no caso da omissão de receita, apurada com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. uma vez que os livros contabéis não foram apresentados. 30. Tratandose de exigências que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica, também lavrados autos de Contribuição para a Financiamento da Seguridade Social, COFINS e de Contribuição para o Programa, de Integração Social PIS. 3I.Na apuração da COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e do PIS Contribuição para o Programa de Integração social, observamos o regime de incidência cumulativa, conforme o inciso II do art. 8° da Lei 10.637/02 e o inciso do art. 100(1(1 Lei 10.833.'03, que determina a cumulatividade para o PIS e a COFINS quando a pessoa jurídica for tributada com base no lucro arbitrado: as bases de cálculo dessas contribuições equivalem ao faturamento mensal coletado nas notas fiscais da empresa, conforme planilha de fls 60 a 75 do Volume I. 32.Cabe esclarecer, que foram deduxidos nos Autos de Infração os valores parcialmente declarados dos tributos devidos em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. VII Do Modus Operandi da Empresa enquanto intermediária na Venda de Café. 33.A título de esclarecimento. constatamos que a ATLANTIS COMÉRCIO DE CAFÉ configurase como uma empresa intermediária em relação à venda de grãos em geral, em especial, a negociação de café. 34.No âmbito dessas negociações, a venda de café adquirido diretamente do Produtor Rural ou Cooperativa de café dá ao adquirente da mercadoria, o direito ao Crédito Presumido (Crédito de valor reduzido) de PIS e COFINS; em contrapartida. o café adquirido de unto empresa intermediária (Corretora de Café) dá ao adquirente da mercadoria, o direito ao Crédito Básico de PIS e COFINS (Crédito "cheio ''/Crédito com valor maior, porque, a principio, essas empresas intermediárias recolheriam as suas contribuições sociais devidas PIS e COFINS. 35.No entanto, o que se verificou é que a ALTANT1S COMÉRCIO DE CAFÉ, enquanto empresa intermediária que jaz a negociação do café entre as empresas Exportadoras Torrefação e os produtores rurais tem como modus operandi, como conduta reiterada desde a sua constituição, a declaração parcial dos tributos devidos. em DCTF Declaração dos Débitos e Créditos Tributários Federais e o seu total não recolhimento aos cofres públicos, conforme documemos de fl 206. Falo este, ainda corroborado pelo Depoimento do seu Sócio administrador e Representante legal da empresa, documento (fls. 116 a 118). 36.0 que agrava ainda nuns, esse modus (Team& de Pita de pagamento dos tributos federais devidos desde o inicio das atividades da empresa, é. a sua constituição com o fim especifico, em tese, de fornecer Créditos . Básicos (créditos "cheios") de PIS e CORNS. ao invés de Créditos Presumidos de PIS/COFINS que seriam, obtidos se a venda fosse efetuada diretamente com o produtor rural/Cooperativa de café (valor reduzido dos créditos). A obtenção desses créditos "cheios" de PIS e COFINS tornase extremamente "vantajosa" para as empresas de Exportação/Torrefação, pois além de ser um crédito com valor maior, o mesmo pode ser objeto de compensação e ressarcimento já que o Crédito Presumido só pode ser Fl. 6365DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.362 9 deduzido em relação ao próprio PIS/COFINS no âmbito do DACON tornandose assim, um crédito "não vantajoso" por ter ulna utilização extremamente limitada. 37.A empresa fiscalizada, enquanto empresa intermediária (Corretora de Café), tem como regime de apuração dos seus tributos o Lucro Presumido, não se totalizando dos créditos de PIS e COFINS por apurar as suas contribuições sociais pelo Regime Cumulativo. portanto, não importando se os créditos adquiridos são os Créditos Presumidos (valor reduzido); enquanto as empresas Exportadoras! Torrefação. via de regra, tem como regime de apuração dos seus tributos o Lucro Real. utilizandose dos créditos de PIS e COFINS por apurarem as suas contribuições sociais pelo Regime NãoCumulativo, sendo, portanto, "mais vantajoso" a obtenção do Credito Básico (Crédito "cheio", primeiro, por ser um crédito com maior valor, e segundo. por poder ser um crédito com muito valor e segundo por se compensado com outros tributos ou mesmo ressarcido) 38. Observamos, também, que a empresa em questão teve um funcionamento temporário, tendo fechado o seu estabelecimento sem nenhuma comunicação aos órgãos competentes, dissolvendose irregularmente, o que se agrava pelo fato de tanto a empresa quanto seus sócios contratuais não possuírem patrimônio próprio, tornandose inviável a cobrança dos tributos devidos. Dai a importância da Responsabilidade Solidária fundamentada no tópico a seguir. 39. Para um melhor entendimento do que foi relatado acima elaboramos o gráfico a seguir: 40.Ressaltamos que os elementos acima inscritos já são suficientes para demonstrar, em tese, o evidente intuito do contribuinte e dos sócios em fraudar o Fisco. XDa Qualificação da Multa 9I. Tendo restado caracterizado, em tese, o evidente intuito de .fraude exposto acima, a aplicação da multa qualificada de 150% presvista no § 1° do art. 44 da Lei 9.130/96 e inciso lido art. 957 do RIR/99, baseou—se, na intenção dolosa e reiterada da ATLANTIS COMERCIO DE CAFÉ e dos responsáveis solidários — sócio contratual e administrador — Sr. CIDILEI DAVANZO — e sócios de fato com poderes de gerência — Sr. ADELSON DONIZETTI COSTA, Sr. ADELSON HORA CIO CAMPOS, Sr. EDSON ANTONIO MENEGUELL Sr. EDSON MANOEL DOS SANTOS, Sr. LUIZ FERNANDO DE CASTRO, Sr. MORVAN FERNANDES e Sr. PAULO CESAR BRAZ, em declarar parcialmente e de não recolher integralmente os tributos federais devidos, como modos operandi do contribuinte já descrito no item VII, e recentemente procedido a DISSOLUÇÃO IRREGULAR da empresa, com o evidente intuito de lesar os cofres públicos. 95.0 fato de a empresa declarar parcialmente e de não recolher integralmente os tributos federais devidos, desde a sua constituição se deu somente com as DCTFs e DIPJs Portanto. não se trata de um erro eventual ou de um equivoco irrelevante. Tratase de uma conduta deliberada, consciente. de lesar a Fazenda, prestando de forma contumaz informações falsas que levaram a supressão reiterada dos tributos devidos. Apreciadas as Impugnações, o lançamento foi julgado procedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADNIINISTRATIVO FISCAL Fl. 6366DF CARF MF 10 Anocalendário: 2006 IMPUGNAÇÃO, PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. 0 prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Impugnação não conhecida Crédito Tributário Mantido PEDIDO DE DILIGÉNCIA.INDEFERIMENTO. A impugnação mencionará as diligências , ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas , expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o Dome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Considerarse5 não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender a tais requisitos. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. SOL1DARIEDADE. A existência da responsabilidade pessoal das pessoas referidas no art. 135 do CTN não afasta a sujeição passiva da pessoa jurídica na condição de contribuinte , permanecendo todos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem beneficio de ordem. Impugnação improcedente Crédito Tributdrio Mantido ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ARBITRAMENTO DE LUCRO. 0 lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. A falta de escrituração da movimentação financeira e bancaria no Livro Caixa, fere ao disposto no Parágrafo único do art. 527 do RIR199. levando ao arbitramento do lucro, pela autoridade fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica. no que couber, as exigências dele decorrentes. MULTA QUALIFICADA. O percentual de multa de 75% de que trata o inciso I do caput do artigo 44 da Lei 9.430/1996 sera duplicado nos casos previstos nos arts. 71. 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Inconformados, a autuada e seus sócios interpuseram Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, repisando em suma os argumentos da Impugnação. Era o der essencial a ser relatado. Fl. 6367DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.363 11 Passo a decidir Voto Conselheiro Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quebra de Sigilo Fiscal De início, deve ser analisada a possibilidade de o Fisco federal solicitar informações sobre a movimentação bancárias de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida em 24/02/2016 pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), define a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Desse modo, é possível afirmar que as requisições feitas pela fiscalização diretamente às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária do Recorrente durante o período fiscalizado, possuem respaldo constitucional e servem de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. No caso em apreço a quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Fl. 6368DF CARF MF 12 Assim, considerando que todas as determinações, precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar nº 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da defendente foram, e estão sendo adotadas, no curso do presente procedimento, há que se considerar perfeitamente lícita e respaldada na lei a utilização dos extratos bancários na apuração do crédito tributário. Ademais, em relação as outras arguições de natureza constitucional, destaca se o conteúdo da súmula CARF nº 2, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Do arbitramento: Os demonstrativos apurados pela fiscalização a partir de verificações, demonstram que a contabilidade da empresa não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa. O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra integralmente e não parte reduzida das operações comerciais e transações bancárias. No caso dos autos, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve omissões em montante maior ao das receitas registradas. Tal fato demonstra, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado irregularidade que não identifica as efetivas operações da empresa, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o lucro. O artigo 241 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 472 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos casos em que a contabilidade da empresa apresentar 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Fl. 6369DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.364 13 deficiência ao ponto de registrar menos da metade das operações, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar o comando de que o lucro será arbitrado nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Da qualificação da multa. Para que haja a qualificação da multa é necessária a comprovação cabal de conduta penalmente imputável prevista nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. A simples afirmação do titular da empresa no sentido de que a empresa foi criada visando pagar menos tributos, inclusive nominando a função e participação de cada uma das pessoas envolvidas evidencia a presença de todos os requisitos exigidos para qualificação da pena de multa. Sujeição Passiva. Responsabilidade. A fiscalização incluiu como sócios de fato com poderes de gerência os senhores ADELSON DONIZETTI COSTA. ADELSON HORACIO CAMPOS. EDSON ANTONIO MENEGUELI, EDSON MANOEL DOS SANTOS, .LUIZ FERNANDO DE CASTRO, MORVAN FERNANDES e PAULO CESAR BRAZ de acordo com o inciso I e o parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional(Lei 5.172/66), por haver evidente interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributaria. E mais por ter havido dissolução irregular da empresa enquadrouse o presente caso no art. 135 — Ill, do CTN, tanto no que se refere aos precitados senhores quanto no caso do sócio contratual administrador, Sr. Cidilei Davanzo. Conforme relatado, após sucessivas prorrogações de prazo, o sócio Administrador e Responsável Legal da empresa, Sr. CIDILEI DA VANZO, CPF 438.821.296 20, compareceu esta Delegacia da Receita Federal do Brasil, informando que a empresa não teria condições de apresentar sua escrita contábil nem os extratos bancários reintimados, o que resultou na faha de apresentação da escrituração contábil e fiscal da empresa, implicando como :única alternativa o arbitramento do lucro, mesmo, espontaneamente. se prontificou a prestar informações sobre o real funcionamento da empresa ATLANTIS COMERCIO DE CAFÉ, abaixo relatado. No Termo de Depoimento do Sócio Administrador e Responsável Legal da empresa, fls. 116 a 118, foram prestados os seguintes esclarecimentos: 8.1. "Que abriu a empresa coin O intuito de vender café sem pagar os tributos federais, devido à falta de condições que os pequenos escritórios de corretagem tem de permanecer no mercado, acobertando assim terceiros, terceiros estes que eram quem ganhavam (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008). 2 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 6370DF CARF MF 14 grande parte do dinheiro, sendo que o depoente recebia apenas RS 1,00 (um real) por saca de café vendida, valor este que era repartido ainda com o outro sócio Sr. Aloízio Donizeti Davanzo"; 8.2. Que os recursos constantes das comas bancárias movimentados pela empresa não tinham a gerência apenas dele, enquanto sócio administrador, mas também a gerência de outras pessoas, conforme Representação Gráfica da Participação Societária e da Solidariedade em anexo, fl.76. 9.Neste mesmo Depoimento, O depoente nomeou os Responsáveis pela Gerência dos Recursos em relação a cada conta bancária da ATLANTIS COMÉRCIO DE CAFÉ, identificados a seguir: 9.1. "Em relação aos recursos da conta bancária da empresa no Banco cio Brasil em Varginha, agência 00329, conta corrente 42.7004, são movimentados, segundo o depoente, pelo Sr. EDSON ANTONIO MENEGUELL vulgo sendo deixado para o mesmo os talões de cheques. todos assinados em branco, e a senha para as transferências eletrônicas (TED Transferência eletrônica disponível), 100 havendo, portanto, procurações e que encontrase atualmente inativa, pois não realiza mais negócios com o mesmo: 9.2. "Em relação aos recursos da coma bancária da empresa no Banco do Brasil em Lambari, agência 22454, conta corrente 11.1422, são movimentados, segundo o depoente, pelo Sr. PAULO CESAR BRAZ, mas a procuração existente para a movimentação das conta está em, nome do Sr. EDSON MANOEL DOS SANTOS, sendo 'meeiros' nos negócios realizados"; 9.3. "Em relação aos recursos da conta bancária da empresa 110 Banco Real em Varginha. agência 0344, conta corrente 67218821. Rio movimentados pelo Sr. ADELSON COSTA, proprietário da empresa COSTA COMISSÁRIA DE CAFÉ, mas a procuração existente para a movimentação da conta: está em nome o Sr. ADELSON HORÁCIO CAMPOS. que de acordo com o depoente trabalham juntas" 9.4."Em relação aos recursos da coma bancária da empresa no Banco Real em Nepomuceno, agência 0506. coma corrente 77071501, são movimentadas segundo o depoente, pelo Sr. MORVAN FERNANDES, proprietário da empresa TORREFAÇÃO CAFE VARGINIA, sendo deixado para o mesmo os talões de cheques. todos assinados em branco, e a senha para as transferências eletrônicas (TED Transferência eletrônica disponível), não havendo, portanto, procurações em nome de terceiros, sendo também movimentada pelo próprio Sr. CIDILEI DA VANZO; 9. 5. "Em relação aos recursos da conta bancária da empresa no Banco Bradesco em Guapé, agência 09148, conta corrente 0083348, são movimentados, segundo o depoente, pelo Sr. LUIZ FERNANDO DE CASTRO, sendo deixado para o I1leS1710 Os talões de cheques. todos assinados em branco, e a senha para as transferências eletrônicas (TED Transferência eletrônica disponível), não havendo, portanto, procurações em nome de terceiros, sendo também movimentada pelo Sr. CIDILEI DA VANZO; 9.6. Em relação aos recurvos da coma bancária da empresa no Banco Bradesco em Varginha, agência 510. conta corente 05016479, são movimentados pelo próprio Sr. MILD DAVANZO, com negócios feitos com vários outros corretores de café, não tendo procurações em nome de terceiros; Fl. 6371DF CARF MF Processo nº 10660.721544/201079 Acórdão n.º 1401001.782 S1C4T1 Fl. 6.365 15 9.7.Em relação aos recursos da coma bancária da empresa no Banco hati; em Varginha, agência 0802, coma corrente 514984, silo movimentados pelo próprio Sr. CIDILEI DA VANZO, com negócios feitos com vários outros corretores de café. não havendo procurações em nome de terceiros. 10.Após uma análise inicial do que foi informado no Depoimento em questão, esta fiscalização, visto não ter sido entregue pela empresa os contratos de abertura, extratos bancários e procurações em nome de terceiros referentes às comas bancárias solicitados no Termo de Inicio de Fiscalização e novamente solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 001, propõe a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF em relação as contas bancárias da empresa, nos termos do art. 60 da Lei Complementar 105/01 e dos incisor Xe A7 do art. 3° do Decreto 3.724/01, fls 119/134. Argumentam os Recorrente a presença do benefício de ordem, que a pessoa jurídica é representada por seus sócios, respondendo eles pela totalidade do capital social daquela, na forma da lei. Tudo isso é verdade dentro de uma normalidade. Porém esse não foi o caso. Os fatos ora colhidos do presente processo falam por si sós e não foram desmentidos, ou melhor, não foram nem mesmo arranhados pela defesa da ora Recorrente. Portanto, resta claro, inclusive pela narrativa do sócio titular da pessoa juridica que todos os arrolados como responsáveis tinha real interesse nas situações que constituíram o fato gerador das obrigações tributárias, enquadrandose tanto pelo art. 124, I do CTN quanto pelo art. 135, III do CTN. O Sócio de direito, bem se vê que era pessoa interposta pela qual atuavam os senhores ADELSON DONIZETTI COSTA, EDSON ANTONIO MENEGUELLI, PAULO CESAR BRAZ, EDSON MANOEL DOS SANTOS ADELSON COSTA, ANDERSON HORÁCIO CAMPOS, MORVAM FERNANDES, LUIZ FERNANDO DE CASTRO, os quais possuiam totais poderes para movimentação das contas bancarias da empresa. CONCLUSÃO Diante do exposto, rejeitar a preliminar de quebra de sigilo e no mérito voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo e solidários. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 6372DF CARF MF 16 Fl. 6373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10494.001472/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 03/11/1998 a 03/04/2002
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade.
Numero da decisão: 3402-004.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado, para determinar que os autos sejam remetidos à DRJ a fim de que seja proferida nova decisão, afastando-se a exigência de comprovação da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados em regime de drawback-suspensão, para que se realize o cotejo entre as exportações comprovadas e as exigências dos Atos Concessórios para fins de verificação do seu adimplemento. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
Sustentou pela recorrente o Dr. Eduardo Rosa Franco, OAB/RS nº. 55.310.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Renato Vieira de Ávila, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado, para determinar que os autos sejam remetidos à DRJ a fim de que seja proferida nova decisão, afastandose a exigência de comprovação da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados em regime de drawbacksuspensão, para que se realize o cotejo entre as exportações comprovadas e as exigências dos Atos Concessórios para fins de verificação do seu adimplemento. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Eduardo Rosa Franco, OAB/RS nº. 55.310. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 14 72 /2 00 5- 41 Fl. 2468DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Renato Vieira de Ávila, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório A empresa em epigrafe é fabricante de aparelhos de ar, nesse contexto efetuou importações com suspensão de tributos exigíveis na importação, tendo em vista que se encontravam amparadas pelo regime aduaneiro especial de drawback, de acordo com os atos concessórios 169000/0000255 (fls. 110), 169000/0001235 (fls. 276) e 169001/0001190(fls. 361). Para obter a pleiteada suspensão tributária, a beneficiária do regime em comento assumiu o compromisso de exportar 212.500 unidades de aparelhos de ar condicionado até 08.10.2000 (fls. 113); e 340.000 unidades de aparelhos de ar condicionado, 50.000 evaporadoras, 240 chillers/condensadoras e 20.000 purificador, sendo que 50% (cinqüenta por cento) deste montante até 06.07.2001 (fls. 201) e o restante (50%) até 04.05.2002 (fls. 362). Ocorre, porém, que após a realização de auditoria nas operações da empresa, foi lavrado auto de infração (fls. 04/75) apontando a existência de duas infrações: (i) uma decorrente do pagamento espontâneo a menor dos impostos incidentes e respectivos acréscimos legais, dos tributos decorrentes do inadimplemento parcial das condições aventadas nos atos concessórios 169000/0000255 e 169000/0001235; (ii) constatouse que diversas mercadorias importadas com benefício não foram incorporadas aos produtos exportados (fl. 103105), quando de sua industrialização, e nem nacionalizadas no prazo legal de extinção do regime em tela. Cientificada do lançamento em 23.12.2005, a interessada apresentou impugnação (fls. 2199 e ss.) alegando: i) preliminarmente, a decadência do direito de cobrar os tributos relativos ao Ato Concessório nº 169000/0001235, visto que os impostos foram recolhidos em 22/12/2000, operandose a decadência em 22/12/2005; e ii) no mérito, o adimplemento do regime especial e nulidade da aplicação de multa isolada nos casos de pagamento espontâneo dos tributos devido. A DRJ julgou totalmente improcedente (fl. 2.217 e ss) pelos seguintes fundamentos: O acórdão recorrido não reconheceu a decadência, porque, contando a decadência na forma do art. 173, I,do CTN, percebese que o seu termo inicial seria contado do exercício seguinte ao vencimento do recolhimento dos tributos (07.11.2000), devidos por não cumprimento do dia final (08.10.2000) para extinção do regime de drawback suspensão, concedido por meio do AC 169000/0000255 e o seu Aditivo nº 169000/0001766 (DARFs de fls. 270272). Isto é, o termo inicial do prazo decadencial seria 01.01.2001 e o seu termo final em 31.12.2005. Considerando que a empresa tomou ciência do auto de infração em 23.12.2005, não haveria que se falar em ocorrência da decadência, segundo a DRJ. Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 3 3 No que concerne à realização de perícia contábil para o deslinde da controvérsia citada nos autos, alega o arresto recorrido que os documentos acostados no processo são esclarecedores e suficientes para demonstrar os fatos elencados. No mérito, a DRJ aduz que não há comprovação que a beneficiária atestou a utilização dos insumos importados na produção dos bens exportados (vinculação física), e, por isso, não tem como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido, ensejando dessa forma a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas e demais encargos legais. Quanto à multa de mora, pelo fato de a contribuinte ter pago, espontaneamente, os tributos em face do inadimplemento do compromisso de exportar, afirma a DRJ que a espontaneidade que trata o art. 138 do CTN não obsta a cobrança de multa de mora relativo ao inadimplemento do compromisso de exportar, referente ao regime de drawbacksuspensão. Contra a Decisão da DRJ/FNS (acórdão nº 0712.442, de 18 de abril de 2008), a contribuinte apresentou recurso voluntário, (fls. 2.076 e ss), ratificando sua argumentação já apresentada na impugnação. Apreciando o recurso voluntário, a 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 320100.024 (fls. 2.2912295.), decidiu por converter o julgamento em diligência, e reabriu prazo para apresentação de recurso voluntário após a conclusão dos trabalhos. A diligência versava sobre os seguintes pontos: 1. sejam respondidos os quesitos de fls. 201 e seguintes, com o perito nomeado pela recorrente e outro (AFRFB) nomeado pela autoridade preparadora, devendo utilizar perito habilitado pela RFB para dirimir questões de ordem técnica relacionadas à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados; 2. se foi observado o principio da vinculação física, por ato concessório; 3. sendo negativa a resposta ao quesito anterior, se ainda assim os produtos importados foram agregados a produtos exportados, em quais casos e se houve autorização do órgão competente; 4. quanto aos cálculos realizados pela autoridade autuante, se foram excluídos componentes de produtos a serem exportados porque não atendiam especificações técnicas; 5. na imputação de pagamento, utilizar tabelas valendose de juros e multa de mora, e outras com a inclusão de multa de oficio para os casos de pagamento fora do prazo; 6. outros quesitos a critério da autoridade autuante e da recorrente; 7. reabrase prazo para apresentação de recurso voluntário após a ciência da conclusão dos trabalhos. Em Relatório de Diligência exarado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre, de fls. 2.095 e ss., respondeuse o seguinte: item 1 a. No item 1 do que foi pedido existe uma incongruência nos tipos de perícias requisitadas. A recorrente, na folha 2010, pede que seja realizada perícia contábil, para comprovar que os produtos importados sob o regime de drawback foram aplicados integralmente em produtos por ela exportados, indicando para tanto, como assistente técnico, o Sr. José Roberto Pires dos Santos, Contador, CRC/RS no 31.217. Ou seja, a recorrente não pede perícia de ordem técnica. Fl. 2470DF CARF MF 4 b. Já a 2a Câmara / 2' Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pede que seja realizada uma perícia de ordem técnica, para dirimir questões de ordem técnica relacionada à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados. Dessa maneira, não haveria como confrontar os resultados de perícia realizada por perito credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, um engenheiro, por exemplo, com os resultados de perícia, de ordem contábil, realizada por um contador contratado pela recorrente. c. Para reforçar a inconsistência das duas perícias, os quesitos apresentados na folha 2011 são de ordem contábil, não há porque requisitar um perito credenciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, para dirimir questões de ordem técnica relacionada à fabricação e funcionamento dos produtos industrializados, já que tais questões não constam dos quesitos (e nem poderiam) relacionados pela Recorrente. Mas fica, desde agora, autorizada a recorrente a realizar a perícia que requisita na folha 2010, de acordo com a 2a Câmara / 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. d. Mas em nada ficará prejudicada a autoridade preparadora pela não realização da perícia de ordem técnica, pois, como será mostrado abaixo, o relatório de fiscalização, fls. 076 a 106, é suficiente para explicar e demonstrar as razões pelas quais a fiscalização considerou, para efeitos da comprovação do adimplemento do ato concessório n° 169001/0001190,vários componentes como não tendo sido utilizados na fabricação de produtos exportados, amparados por este ato concessório. item 2 a. a fiscalização observou o principio da vinculação física, por ato concessório. E na poderia ser diferente, pois o ato concessório existe como um compromisso entre a sociedade empresária e a Secex. Cada ato concessório representa um compromisso diferente daquele compactuado em outro ato concessório, mesmo sendo relativo a mesma sociedade. O não atendimento, em conjunto, ao principio da vinculação física, por ato concessório, representaria o descontrole total das operações amparadas pelo regime aduaneiro especial em análise. 3. Item 3. prejudicado pela resposta em 2 (a), acima. 4. Item 4 a. A fiscalização, em momento algum, excluiu componente de produto a ser exportado porque não atendia a especificações técnicas. Todas as desconsiderações efetuadas durante a fiscalização foram baseadas na falta de comprovação, por parte da Springer, do efetivo emprego daqueles componentes nos produtos exportados. A sociedade que detém um ato concessório de drawback suspensão deve comprovar, por ato concessório, que efetivamente empregou componente importado, com suspensão dos tributos, em produto exportado (no regime de drawback), como podemos ver pela regulamentação da comprovação do ato concessório: [...]Mas, para não deixarmos dúvida de que a fiscalização excluiu componente de produto exportado apenas naqueles casos em que a Springer não comprovou, documentalmente, o efetivo emprego de componente importado, com suspensão dos tributos, em produto exportado (no regime de drawback), passamos a analisar resumidamente, cada item glosado pela fiscalização: Código de Explicação STA A Springer não comprovou a transferência das mercadorias importadas para outros atos concessórios nem a vinculação destas mercadorias a qualquer exportação. Código de Explicação INE Como apenas um controle remoto podia acompanhar o produto, a fiscalização aceitou apenas a vinculação dos controles de código 06320019, pois os mesmos faziam parte da estrutura do produto DQS187R na época de sua exportação. Importante deixar claro que o controle de código 06320019 substituiu o de código 06320021, ou seja, um ou outro poderia ser utilizado na fabricação e exportação do produto DQS187R, mas não os dois ao mesmo tempo. Não houve juízo subjetivo por parte da fiscalização, mas sim um Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 4 5 juízo lógico, baseado na documentação apresentada pela própria fiscalizada. Apenas para argumentação, poderíamos dizer que se fosse aceito o modelo de código 06320021, automaticamente seria desconsiderado o de código 06320019. O mesmo ocorreu em relação a 27 válvulas de drenagem termostáticas de código GW46101000 e de 3 placas eletrônicas de código GW79037001. Código de Explicação CRS A Springer não comprovou que o modelo de controle remoto de código 35401657 poderia substituir o modelo utilizado nas evaporadoras em análise. O controle remoto de código. 35401657 não aparecia na estrutura das evaporadoras, e a Springer tampouco apresentou algum outro documento que comprovasse a possibilidade da substituição do modelo original pelo de código 35401657. A não aceitação foi baseada novamente em informações que a Springer forneceu. Neste caso, a falta de informação documental. No caso do restante dos controles remotos glosados, como apenas um controle remoto para acompanhar o produto, a fiscalização aceitou apenas a vinculação dos controles que faziam parte da estrutura dos respectivos produtos na época de sua exportação. Código de Explicação IEA2 A própria Springer admitiu a não utilização dos 11 compressores na fabricação de produtos exportados. Código de Explicação IEA7 A Springer não apresentou nenhum documento que indicasse que a bomba d'água 82394010 poderia ter sofrido modificações para que pudesse substituir a bomba d'água 82394006. Este foi o motivo da não aceitação daquelas bombas por parte da fiscalização e apenas este. Código de Explicação IEA9 A Springer não conseguiu comprovar documentalmente a utilização da válvula de serviço de código XL12AE003 nem da válvula de código 32GB401234 em produtos exportados, amparados no ato concessório fiscalizado. Código de Explicação IEA11 A fiscalização aceitou a substituição da válvula de código 32GB402394 pela de código 32GB401234, mas como apenas uma válvula de código 32GB401234 podia acompanhar o produto, a fiscalização aceitou apenas a vinculação de uma válvula de código 32GB401234 para cada produto exportado. Código de Explicação IEA18 A estrutura da resfriadora de líquidos não informa a utilização da válvula de código XA12BM131 nem a válvula de código XA12DN016 na fabricação dessa máquina, razão pela qual a fiscalização deixou de considerar estas válvulas na comprovação do ato concessório em análise. Código de Explicação IEA20 A Springer não comprovou a vinculação de uma das válvulas de código 32GB400794 a qualquer exportação amparada no ato concessório em análise. Código de Explicação IEA21 Ao analisar a estrutura do produto 30GXB082385S, a fiscalização verificou que o relé tripolar de código 35401084 não estava relacionado entre aquelas peças e insumos que são utilizadas em sua fabricação, razão pela qual as duas peças indicadas pela Springer, como tendo sido utilizadas nessa resfriadora de líquidos, não puderam ter sua utilização na fabricação de produtos exportados comprovada. Código de Explicação DIF 1 O condicionador de ar de janela de código FCC097BB, exportados por meio do RE 02/0387260, não contemplava em sua lista técnica a utilização do compressor de código 05502001 em sua fabricação. Além disso, 301 unidades desse mesmo compressor, importadas por meio dessa mesma DI 01/11406859, não foram sequer mencionadas nos mapas de aplicação de componentes apresentados pela fiscalizada (folhas 693 a 1561). Código de Explicação NCE Em sua resposta ao Termo de Intimação no 105/2005 (folhas 1575 a 1587), a Springer assinalou com o código "NCE" todos os itens importados para os quais reconhecia não poder fazer prova de que tenham sido utilizados na fabricação de produtos exportados. Fl. 2472DF CARF MF 6 5. Item 5 a. Abaixo, apresentamos as tabelas com os juros e a multa de mora e com os juros e a multa de oficio: [...] 6. Item 6 a. Quanto à autoridade autuante, pedimos que qualquer laudo emitido por assistente técnico da recorrente indique, para qualquer componente que entenda que tenha sido utilizado em produto exportado, o respectivo n° do ato concessário, o n° da declaração de importação, descrição completa do componente, NCM, quantidade, valor, n° do respectivo registro de exportação vinculado ao ato concessário. Tal conjunto de informações são necessárias, visto que não basta o componente ter aplicado em produto exportado. O componente deve constar de ato concessário emitido pela Secex, para a Springer, e deve ser empregado em produto exportado também constante do mesmo ato concessário vinculado à importação daquele componente.c. Para finalizar, enfatizamos que a fiscalização foi exaustiva na análise do ato concessório n° 16900110001190, dando inúmeras oportunidades à fiscalizada para que comprovasse efetivamente o seu compromisso de drawback. As glosas efetuadas pela fiscalização foram realizadas dentro do estrito aspecto legal, com base na documentação apresentada pela Springer, ou na falta dela, nunca em suposições de qualquer ordem. Outros aspectos levantados pela fiscalização o foram para enriquecer o entendimento e a justificação da glosa. 7 Item 7 a. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, improrrogável, para que a recorrente proceda ao que entender de direito, dentro do que foi autorizado pela 2' Câmara / 2' Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cientificado do acórdão e do relatório de diligência, a recorrente apresentou recurso voluntário, (2.109 e ss.) afirmando que: i) De acordo com o art. 18º do Decreto nº 70.235, ocorreu nulidade do relatório de diligência, por se resumir a mera repetição de tudo o que já consta nos autos, por dificultar o direito de elaboração de provas da recorrente e por cumular dois prazos específicos e distintos à que a Recorrente faz jus. ii) Afirma que no ato concessório nº 169000/0000255, foram realizados pagamentos em 22/12/2000, e que a recorrente apenas foi autuada em 23/12/2005, 5 anos após o citado pagamento, aplicando ao caso o art. 150, §4º do CTN. iii) Alega que todas as exportações pertinentes aos atos concessórios foram devidamente cumpridas. iv) Por fim, quanto à multa de mora, afirma, que de acordo com o art. 319 do Regulamento aduaneiro, o prazo para pagamento do imposto é “até trinta dias do prazo fixado para exportação”. Portanto, sendo cumprido esse prazo, e havendo o pagamento espontâneo, não há que se falar em multa de mora. Diante da posição da Inspetoria, de que não teria sentido a designação de perícia técnica para responder quesitos contábeis, motivo pelo qual se restringiu a responder as questões solicitadas na Resolução utilizando os relatórios de fiscalização, entendeu aquele Colegiado pela renovação da conversão do julgamento em diligência, para que fosse designado um perito técnico para resolução dos quesitos apresentados, através da Resolução 3202 000.209 (fls. 23482355). Foi designado realizada perícia técnica com base nos quesitos de fls. 2011, com o seguinte teor (fls.23812383): Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 5 7 Esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF entende, à época do julgamento, que a perícia sobre a vinculação física dos insumos era necessária, convertendo novamente o julgamento em diligência para que se respondessem os seguintes quesitos: 1. se foi observado o principio da vinculação física, por ato concessório; 2. sendo negativa a resposta ao quesito anterior, se ainda assim os produtos importados foram agregados a produtos exportados, em quais casos e se houve autorização do órgão competente; 3. quanto aos cálculos realizados pela autoridade autuante, se foram excluídos componentes de produtos a serem exportados porque não atendiam especificações técnicas; 4. na imputação de pagamento, utilizar tabelas valendose de juros e multa de mora, e outras com a inclusão de multa de oficio para os casos de pagamento fora do prazo; O recorrente apresentou quesitos adicionais, listados em fl. 2420. O resultado da diligência consta de fls. 2427 e ss, com a seguinte resposta ao 1º quesito elaborado por este Colegiado: Fl. 2474DF CARF MF 8 O Recorrente apresentou manifestação sobre o relatório da diligência, alegando nulidade do trabalho pericial pela superficialidade da análise feita pelo perito, bem como alegando descumprimento do art.41 da Lei nº 9.784/99. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido por este Colegiado. O julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência conversão esta renovada em três oportunidades, nos exatos termos delineados no Relatório precedente, sempre voltada especialmente à demonstração ou não da vinculação física entre os insumos importados sob o regime de drawbacksuspensão e os produtos exportados pelo Recorrente. À época que o processo foi inicialmente distribuído a este relator, entendia pela necessidade de vinculação física dos insumos internalizados por meio do drawback e os produtos exportados para fins de adimplemento do Ato Concessório. Todavia, há bastante tempo esse posicionamento foi alterado. Por entender que hoje vige a fungibilidade, em oposição à vinculação física, represento trecho de voto apresentado no Acórdão CARF nº 3402003.201, no qual essa posição foi por mim inicialmente exposta. O ponto analisado aqui diz respeito à necessidade ou não da observância da chamada "regra da vinculação física" nas importações realizadas sob regime de drawback suspensão, no caso em tela. O regime de drawbacksuspensão, foi instituído pelo Decretolei nº 37/66: Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 6 9 Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Para a compreensão de seu estatuto jurídico, por expressa remissão do caput do artigo 78 do DecretoLei nº 37/66, devese compulsar o Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos que ensejaram a autuação, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.759/2009, especialmente em seus artigos 338 a 344, nos quais se verifica como fundamento à chamada regra da vinculação física o seu artigo 341, verbis: Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Não visualizo neste dispositivo qualquer regra jurídica que imponha a observância de um critério de identidade física entre os bens importados e aqueles utilizados no processo produtivo das mercadorias exportadas. Em rigor, o que o artigo 341 faz é referência à utilização dos insumos importados com o benefício da suspensão dos impostos devidos, o que de resto é óbvio diante da própria razão de concessão desse incentivo à exportação. Todavia, ele não veda em qualquer momento que se utilizem insumos equivalentes produzidos no país, isto é, que sejam fungíveis entre si, sem afetar a qualidade da mercadoria exportada e sem corresponder a qualquer espécie de fraude à lei. Como dito anteriormente, tratase de um benefício à exportação, e ela deve ser o "fiel da balança" da correta exegese deste dispositivo. A sistemática do drawbacksuspensão consiste na permissão à importação de insumos com suspensão dos tributos, para serem destinadas à industrialização para produção da mercadoria cuja exportação se pretende incentivar. O legislador não cogita, ao dispor sobre o regime do drawback, da utilização de mercadoria nacional, pois está tratando de um benefício para a importação de insumos necessários à produção de determinadas mercadorias. O objetivo dele é estimular a exportação, e a comprovação do atendimento do Ato Concessório no que concerne a ela dá por adimplido o compromisso assumido pelo Contribuinte. Além disso, como bem pontuado pelo Conselheiro Luís Rogério Sawaya Batista, no seu voto no Acórdão CARF nº 3403003.054, constituiuse em um rotundo Fl. 2476DF CARF MF 10 equívoco tratar a "exigência de vinculação física" como um princípio jurídico, tratandose, rigorosamente, de regra jurídica (como de resto já tratamos desde o início de nosso voto). Não nos parece que esse equívoco seja despropositado ele tem a finalidade de imbricar no estatuto teleológico e axiológico do instituto do drawbacksuspensão tal comando, agregandoo ao estado de coisas a ser atingido e promovendo uma verdadeira inversão da finalidade inicial do regime aduaneiro especial (do foco na exportação passase à enfatizar a importação do insumo). Portanto, com olhos voltados ao objetivo real do regime de drawback suspensão a exportação da mercadoria na quantidade e qualidade determinada no ato concessório tornase de ululante clareza a ausência de qualquer vedação da substituição dos insumos importados por insumos nacionais idênticos, porque o cerne do benefício é o produto final exportado. Beira às raias do irracional e do arbitrário exigir que o Contribuinte mantenha estoques separados de uma matériaprima nacional e outra importada, quando ambas são absolutamente fungíveis entre si, indo inclusive contrário ao que dispõe o artigo 85 do Código Civil Brasileiro: Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituirse por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. A característica principal de um bem fungível, como os insumos importados sob o regime de drawbacksuspensão, é a possibilidade, autorizada por lei, de que sejam substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Além de irracional, é irrazoável exigir que, sem prévia determinação legal, façase uma separação entre o estoque de insumos nacionais e internacionais, mesmo quando comprovado que eles são do mesmo tipo, quantidade e qualidade. Tanto é assim que o Superior Tribunal de Justiça, intérprete maior da legislação federal, por diversas ocasiões já reiterou o entendimento de que havendo a fungilibidade/equivalência entre o produto nacional e o importado, há que se reconhecer o cumprimento do regime pela exportação das mercadorias, não havendo necessidade da manutenção de estoques distintos. Senão, vejamos abaixo as ementas a respeito, que representam o entendimento das duas turmas da Seção competente do STJ: TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. SODA CÁUSTICA IMPORTADA. CELULOSE EXPORTADA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÍSICA. DESNECESSIDADE. EQUIVALÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte importou soda cáustica para ser utilizada como insumo na produção de celulose a ser posteriormente exportada, no regime de drawback, modalidade suspensão. 2. A empresa adquiriu a soda cáustica também no mercado interno e, por questões de segurança e custo, utilizou indistintamente o produto importado e o nacional na produção da celulose exportada. 3. É incontroverso que a contribuinte cumpriu o compromisso de exportação firmado com a CACEX. Assim, a quantidade de soda Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 7 11 cáustica importada foi efetivamente empregada na celulose exportada. 4. Seria desarrazoado exigir que a fábrica mantivesse dois estoques de soda cáustica, um com o produto importado e outro com conteúdo idêntico, porém de procedência nacional, apenas para atender à exigência de identidade física exigida pelo fisco. 5. O objetivo da legislação relativa ao drawback, qual seja a desoneração das exportações e o fomento da balança comercial, independe da identidade física entre o produto fungível importado e aquele empregado no bem exportado. É suficiente a equivalência, o que ocorreu in casu, sem que se cogite de fraude ou máfé. 6. Precedente da Primeira Turma. 7. Recurso Especial não provido. (REsp 341.285/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 25/05/2009) TRIBUTÁRIO. DRAWBACK. SODA CÁUSTICA. EMPREGO DE MATÉRIAPRIMA IDÊNTICA NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO EXPORTADO. BENEFÍCIO FISCAL. 1. É desnecessária a identidade física entre a mercadoria importada e a posteriormente exportada no produto final, para fins de fruição do benefício de drawback, não havendo nenhum óbice a que o contribuinte dê outra destinação às matérias primas importadas quando utilizado similar nacional para a exportação. 2. In casu, o acórdão de segundo grau decidiu que o fato de a empresa ter empregado similar nacional da soda cáustica importada na industrialização da celulose que foi exportada não implica a desconstituição do benefício da suspensão do tributo. 3. Recurso especial nãoprovido. (REsp 413.564/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 05/10/2006, p. 236) Desse modo, na esteira da jurisprudência do STJ, já que se reconhecer a fungibilidade entre os insumos nacionais e internacionais, para fins de atendimento aos requisitos do ato concessório do regime de drawbacksuspensão. Por outro lado, verificase que a ausência de apresentação de controles e registros em separado de estoques dos insumos estrangeiros importados e dos produtos finais elaborados com os insumos importados no regime. Todavia, com a verificação da ausência de fundamento legal para a exigência da vinculação física que seria comprovada por tal documentação, cai por terra a sua exigência. Nesse sentido é o voto vencedor no Acórdão CARF nº 3403003.054, que reproduzimos abaixo: Fl. 2478DF CARF MF 12 Dessa forma, se o cerne do litígio, como apontado pela Decisão, consiste em saber se a Recorrente infringiu o princípio da vinculação física, bem como se deveria manter o Livro ou fichas de controle da produção ou sistema “similar”, que permitisse controles de estoques, e se os Livros Registro de Inventário, Entradas e Saídas teriam o condão de suprir os controles necessários, entendo que a Recorrente não descumpriu totalmente o regime de drawback. Na realidade, toda essa exigência decorre da premissa assumida pela Fiscalização, ratificada pela DRJ, que a Recorrente deveria manter controle físico de seu estoque importado e nacional, para fins de comprovação dos AC´s, premissa esta, repito, não expressa na legislação e que decorre, ao meu ver, de um posicionamento da Fiscalização. Afastada a premissa viciada, não há que se fundar a autuação na inexistência do livro que, para fins de controle do adimplemento do Ato Concessório, é despiciendo. Isso tudo que foi dito anteriormente veio a ser aclarado definitivamente pelo artigo 17 da Lei 11.774, de 2008 (conversão da Medida Provisória 428, de 2008), que trouxe o seguinte comando: Art.17.Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Consignando de forma literal a interpretação que já era há muito dada tanto no âmbito do CARF, como no acórdão 930300.211, da 3º CSRF, como também pela Primeira e Segunda Turmas do STJ, nos precedentes citados anteriormente. Na esteira do que expusemos com mais vagar na declaração de voto apresentada no Acórdão CARF nº 3402003.037, parecenos que tal dispositivo não inovou de qualquer forma no ordenamento tributário, vindo somente dar a interpretação autêntica do Legislativo à legislação de regência do regime aduaneiro especial em comento. Entendo que estamos diante de um dispositivo de lei estritamente interpretativo, desafiando a aplicação do art.106, I do Código Tributário, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O caráter "autêntico" é dado a qualquer interpretação decorrente do próprio sujeito que tenha produzido o texto a ser interpretado seria como se Machado de Assis subscrevesse carta em que confirmasse a traição de Capitu, que deveria ser tomada com a interpretação autêntica da obra "Dom Casmurro". Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 8 13 Naturalmente que ao falarmos de Direito, especialmente Direito Tributário, cujas principais regras são produzidas por um Parlamento, fica evidente o caráter ficcional dessa autenticidade (Cf. PUGIOTTO, Andrea. La legge interpretativa e i suoi giudici. Milano: Giuffré, 2003. P.125127) de modo que a subjetividade do legislador se revela como uma noção meramente metafórica, para não dizer ideológica, diante da possibilidade de composições absolutamente distintas desse órgão emitirem leis interpretativas. Isso demanda que substituamos o pressuposto da identidade do autor ou do órgão para a identidade de função (legislativa), que liga a força normativa dos dois atos, lei interpretada e lei interpretativa se prestando a justificar a interpretação autêntica. Deixando de lado as discussões teóricodoutrinárias, é fato que o artigo 106, I do CTN fala expressamente na figura da "lei interpretativa" e que diversas manifestações dos tribunais superiores consideraram esse figura como plausível juridicamente no ordenamento pátrio, a exemplo do voto do Min. Celso de Mello no julgamento da ADIN 6053/ DF: (...) É plausível, em face do ordenamento constitucional brasileiro, o reconhecimento da admissibilidade das leis interpretativas, que configuram instrumento juridicamente idôneo de veiculação da denominada interpretação autêntica. As leis interpretativas desde que reconhecida a sua existência em nosso direito positivo não traduzem usurpação das atribuições institucionais do Judiciário e, em consequência, não ofendem o postulado fundamental da divisão funcional do poder. Portanto, não se quer aqui discordar da plausibilidade das teses que sustentam um caráter inovador da lei interpretativa mas sim entender o que o CTN refere ao falar dela, e quais são suas forma, conteúdo e limites dentro do Direito Brasileiro (e até mesmo a sua compatibilidade com o regime constitucional tributário, que expressamente alberga a irretroatividade na esfera tributária). A questão principal, para além da legitimidade de tal prática, é como age o Legislativo ao emanar leis de tal natureza se de forma declarativa, decisória ou criativa o que nos parece poder ser reduzido a três possibilidades(Cf. GUASTINI, ob.cit., p.98): i) Em primeiro lugar, pode ser o caso de existir uma moldura (para usar o léxico kelseniano) de múltiplos sentidos interpretativos possíveis para determinado texto de lei, sejam eles gramaticais, jurisprudenciais ou de qualquer outra fonte, cabendo ao legislador escolher um dentre eles. ii) Em segundo lugar, pode suceder que exista a moldura citada acima, mas que o legislador escolha um significado além desse marco preexistente. iii) Em terceiro lugar, pode ser o caso de que não haja, em absoluto, uma multiplicidade de interpretações divergentes, mas uma interpretação determinada e consolidada (jurisprudencialmente, por exemplo), e que o legislador imponha significado distinto do usualmente aceito. Como bem colocado por Gustavo Zagrebelsky (Il sistema delle fonti del diritto. Torino: UTET, 1984. P.91), apenas no primeiro caso estaremos diante de uma lei interpretativa que constitua genuína interpretação, isto é, que atue de forma decisória, sem Fl. 2480DF CARF MF 14 inovar no conteúdo do Direito vigente. Nos demais casos, o que há é inovação, criação de norma nova, não suportada semanticamente pela lei interpretada. Entendemos que apenas no primeiro caso se poderá falar em lei interpretativa, para fins de aplicação do art.106, I do CTN, haja vista que nos demais há a inovação que demanda a irretroação, por força da segurança jurídica e da regra de irretroatividade veiculada na Constituição. Outro problema, esse mais relevante ao deslinde da questão, é qual critério para identificação de uma lei interpretativa. Como coloca Ricardo Guastini (Ob. Cit., p.8687), essa questão comporta duas respostas, em tradução livre: a) Um primeiro modo de ver a questão é aquele segundo o qual as leis interpretativas se identificam sobre a base de indícios puramente textuais, como o título da lei ("Lei de interpretação autêntica") e/ou a formulação de suas disposições ("A disposição tal deve ser entendida no sentido que...", e similares). b) Um segundo e mais estendido modo de ver a questão é aquele segundo o qual as leis interpretativas se identificam sobre a base de um não textual, mas estrutural, e precisamente pelo fato de que as disposições interpretativas não ditam normas em sentido estrito (reguladoras de algum tipo de suposto de fato), mas sim metanormas (ou normas de segundo grau), que tem por objeto nada mais que o significado das disposições interpretadas. De maneira que uma disposição interpretativa é tal sempre que não seja idônea para resolver controvérsia alguma por si mesma, senão que em combinação com a disposição interpretada, com a qual "se solda", de maneira que as duas formam, por assim dizer, um único texto normativo (sujeito, por suposto, a ulteriores interpretações). Parecenos que a segunda solução é a mais consentânea, pois seria de um artificialismo exacerbado exigir que houvesse menção nominal à natureza interpretativa para que uma lei fosse compreendida como tal. Nesse mesmo sentido entendeu Aliomar Baleeiro: "Expressamente interpretativa", todavia, não quer dizer que o novo diploma empregue essas palavras sacramentais, apresentandose como tal na ementa ou no contexto. Basta que, reportandose aos dispositivos interpretados, lhes defina o sentido e aclare as dúvidas. (Direito Tributário Brasileiro, 11ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. P.670) Além disso, a prática jurisdicional pátria tem reconhecido a possibilidade de leis interpretativas sob um critério estrutural, mesmo que não venha a remissão expressa à natureza interpretativa. Exemplo disso foi a discussão sobre o art.11 da Lei 9.779/99 e seu caráter interpretativo, sem prejuízo da sua redação não constar nenhuma referência expressa nesse sentido, presente no REsp 746.768, relatado pelo Min. Castro Meira. No caso em tela, a regra do art.17 da Lei nº 11.774/2008 apenas declarou a interpretação dentre as possíveis de serem construídas à partir do art.341 do RA/2002 que já gozava de respaldo jurisprudencial e também doutrinário. Isso caracterizaa, na senda explanada acima, como uma lei interpretativa. E mais, funcionalmente compreendida, ela encampa exatamente a função pela qual a interpretação autêntica não pode ser dispensada do sistema jurídico contemporâneo, Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 9 15 sobretudo em um Estado que almeja finalidades e pratica um agir teleologicamente orientado. A lei interpretativa é sua forma de corrigir uma interpretação transviada que a Administração pratique de determinada lei, contrária à finalidade para a qual tal lei foi criada. No caso do drawbacksuspensão, o regime foi criado com a finalidade de estimular a exportação de determinadas mercadorias nunca é demais ressaltar tal ponto mas a Administração Tributária, em uma inversão de objetivos, passou a tratála como um benefício relacionado à importação, e focando na exigência da tal "vinculação física" que, a despeito de irrazoável e desproporcional, era fundamento de diversas autuações fiscais. Para corrigir esse desvio interpretativo, o legislador achou por bem declarar o sentido correto do dispositivo, dando mais segurança àqueles que importem sob o regime aduaneiro mencionado. Assim, por força do art.106, I do CTN, tal dispositivo deve retroagir para atingir as situações pretéritas, inclusive esta que julgamos, afastando totalmente a exigência da vinculação física que fundamentou a autuação fiscal. Por outro lado, caso se considere que a Lei 11.774/2008 inovou no ordenamento jurídico, melhor sorte não socorre à autuação, em razão da aplicação do art.106, II, "b" do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Tal dispositivo, que também trata da eficácia retroativa de leis tributárias, determina que para os atos administrativos ainda não definitivamente julgados (como este), a lei deve retroagir sempre que ela dispense alguma ação ou omissão que tenha dado causa ao Auto de Infração, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se trata aqui da alínea "a" do art. 106, II do CTN, que trata dos casos em que determinada conduta deixe de ser tratada como infração, mas do caso em que determinadas ações ou omissões sejam exigidas pela legislação tributária e deixem de sêlo posteriormente, devendo a nova lei retroagir beneficiando a todos aqueles cuja violação de tal exigência pretérita esteja pendente de julgamento definitivo. Nesse exato sentido é o entendimento do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Ora, empregar os insumos importados no produto a ser exportado que resulta do processo de industrialização é conduta comissiva encartada, ainda que implicitamente, no artigo 78, II, do Decretolei 37, de 1966, obrigação que, por norma jurídica posterior de mesma hierarquia, deixou de ser exigida para os insumos fungíveis, fato que reclama a sua aplicação retroativa por força do artigo 106, II, “b”, do CTN. Ora, o ato julgado no Fl. 2482DF CARF MF 16 caso é a não observância da vinculação física que, conforme o entendimento do fiscal, era de necessária observância para o adimplemento do Ato Concessório do drawback, mas que deixou de ser tratado como necessário por legislação superveniente. (http://www.conjur.com.br/2015jul29/charlessouzavinculacao deixaraplicadadrawback) Portanto, a exigência da vinculação física na industrialização para exportação de produtos que tiveram o benefício do drawbacksuspensão padecem sob qualquer ângulo que se enfrente a questão. Em primeiro lugar, devemos consignar que entendemos que não há como se depreender do art.341 do RA/2002 a exigência de vinculação física ou a impossibilidade de utilização de insumos nacionais iguais aos importados, na linha de precedentes do CARF e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. À partir daí, há dois desdobramentos com o art.17 da Lei 11.774/2008: I) Caso se entenda tal lei não inovou (como entendemos neste voto), há que se reconhecer que tal dispositivo teve caráter meramente interpretativo, devendo retroagir para beneficiar o contribuinte no presente caso, por força do art.106, I do CTN. II) Caso se entenda que a lei inovou, dispensando a exigência da vinculação física, há que se reconhecer que o dispositivo deixou de tratar como necessária a ação de industrializar exatamente os insumos importados, devendo tal dispensa retroagir por força do art.106, II, "b" do CTN, beneficiando ao contribuinte do presente caso. Portanto, por onde quer que se enfrente a questão, os fundamentos da autuação caem por terra, independente da premissa adotada. No caso em tela, os registros do Contribuinte foram considerados imprestáveis para demonstrar o atendimento ao regime aduaneiro em razão de não comprovarem a atendimento da "exigência" da vinculação física, o que já foi francamente demonstrado ser um equívoco da Administração Tributária. Senão vejamos trecho da decisão da DRJ: Do exposto, podese inferir que a mera comprovação de que exportações ocorreram não é argumento capaz de vincular um bem importado com beneficio a um exportado, sendo necessário que importação e exportação estejam intimamente vinculadas de tal forma a permitir o pleno controle pela Administração tributária do emprego e destinação desses bens, facultando, por derradeiro, se for o caso, a exigência dos tributos suspensos caso não sejam atendidos os compromissos assumidos na concessão do regime. Descaracterizada a relação entre as exportações e o respectivo ato concessório, AINDA QUE REGISTRADAS NOS RELATÓRIOS UNIFICADOS DE DRAWBACK, não há como entender que a beneficiária comprovou a utilização dos insumos importados na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que a contribuinte cumpriu o compromisso assumido. Logo, admitir o contrário seria desvirtuar a finalidade do regime tornando ineficaz qualquer expediente que permitisse sua aferição. Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 10 17 Como se vê, as exportações foram comprovadas nos relatórios unificados de drawback, mas ainda assim foram desconsideradas pelas autoridades fiscalizadoras e julgadoras para apurar esse adimplemento. Este Colegiado, inclusive, muito recentemente julgou questão semelhante no Acórdão CARF nº 3402003.872 de relatoria do Ilustre Conselheiro Jorge Lock Freire, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade. Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido. No mencionado Acórdão, cuja tese preponderou por maioria, com a fundamentada divergência da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, o Conselheiro Relator mencionou, oportunamente, a Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, de 25/03/2010 (DOU de 26/03), com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX 1618, de 02/09/2014, que ao regulamentar o artigo 17 da Lei 11.774/2008, estabelece que: “Art. 5º A Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II realizem as mesmas funções; III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. Fl. 2484DF CARF MF 18 § 2ºO disposto no caput: I não alcança a hipótese de empréstimo de mercadorias com suspensão do pagamento dos tributos incidentes entre pessoas jurídicas distintas; II admitese também nos casos de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente; III poderá ocorrer, total ou parcialmente, até o limite da quantidade admitida sob o amparo do regime, apurada de acordo com a unidade de medida estatística da NCM prevista para cada mercadoria. § 3º Ficam dispensados, para fins de verificação de adimplemento do compromisso de exportação, controles segregados de estoque das mercadorias fungíveis referidas no caput, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. Tal ponto é pertinente para a verificação da efetiva fungibilidade ou não dos insumos utilizados, à luz do art. 5º, §1º mencionado acima. Em primeiro lugar, devese frisar que em momento algum alegou a fiscalização que os componentes utilizados nos produtos exportados seriam qualitativamente distintos daqueles importados sob o benefício do regime especial esse ponto não foi fundamento da autuação, tampouco da decisão da DRJ. A despeito disso, essa questão resta afastada quando se compulsa o relatório de diligência, especialmente fls. 2427 e 2428, na qual o perito aponta divergências exclusivamente quantitativas entre as quantidades de insumos importados e produtos exportados. Tal fato é natural, visto que o benefício visa estimular a exportação de aparelhos de arcondicionado, cujas peças são variadas e detêm cada uma funções específicas em cada modelo. De qualquer forma, a totalidade da autuação e os fundamentos da manutenção da mesma na 1ª instância deixa claro que não há dúvidas quanto a semelhança entre os insumos utilizados e os importados, mas apenas quanto à comprovação ou não da vinculação física, a qual, como já demonstrado, é despicienda para o adimplemento do regime de drawbacksuspensão. Assim sendo, devese superar o óbice apresentado pela não comprovação da vinculação física para enfrentar propriamente o volume de produtos exportados e as condições de adimplemento dos Atos Concessórios. Todavia, tal matéria não fora apreciada pela instância de origem, em razão da assunção da tese da vinculação física, o que impede que este Colegiado profira juízo inaugural sobre ela. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão proferida pela DRJ de Florianópolis e determinar que os autos sejam remetidos a ela para que seja proferida nova decisão, afastandose a exigência de comprovação da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados em regime de drawbacksuspensão, para que se realize o cotejo entre as exportações comprovadas e as exigências dos Atos Concessórios para fins de verificação do seu adimplemento. Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402004.114 S3C4T2 Fl. 11 19 É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720065/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a delegacia de origem apresente relatório conclusivo acerca do montante do imposto sobre o lucro efetivamente pago pelas controladas Frigorífico Canelones S.A (Uruguai) e Bertin USA Corporation (EUA) no período base em discussão.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Relatório
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a delegacia de origem apresente relatório conclusivo acerca do montante do imposto sobre o lucro efetivamente pago pelas controladas Frigorífico Canelones S.A (Uruguai) e Bertin USA Corporation (EUA) no período base em discussão. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .7 20 06 5/ 20 13 -7 2 Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado que incorporou a BERTIN S/A, CNPJ 09.112.489/0001 68, em 31 de dezembro de 2009 , foi autuado, em 24/12/2013, no IRPJ e CSLL, por não ter a incorporada oferecido à tributação, no Brasil, os lucros auferidos por controladas no exterior no anocalendário de 2008, resultando na exigência do imposto, contribuição, multas de 75% e juros de mora (calculados até 29/11/2013) no total de R$ 37.394.613,77 (fls. 1 a 1256). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 1225 a 1241, aponta, dentre outros fatos, em resumo, que a BERTIN S/A: “(...) 7. ... possuía, em 2008, conforme organograma apresentado, as seguintes controladas: 7.1. Diretas: 7.1.1 BERTIN Holding GMBH (Áustria): 100% de participação; 7.1.2 – BERTIN USA Corporation (EUA): 100% de participação; 7.2. Indiretas: 7.2.1 – BERTIN Handels GMBH (Àustria): 100% de participação, através de sua controlada BERTIN Holding GMBH (Áustria); 7.2.2 – BERTIN Peru S.A. (Peru): Participação de 100%, através de sua controladora BERTIN Handels GMBH (Àustria); 7.2.3 – BERTIN Holding Inc (BVI): Participação de 100%, através de sua controladora BERTIN Handels GMBH (Àustria); 7.2.4 – Trump Ásia Enterprises Ltda (Hong Kong): Participação de 99,99% através da sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.5 – Mirs Coldstore (Egito): Participação de 97,5%, através de sua ontroladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.6 – Sam Prometex S.A. (Monaco): Participação de 70% através de sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.7 – Egygate Distribuition (Egito): Participação de 70% através de sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.8 – Quality Meat S.A. (Paraguai): Participação de 80% através de sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.9 Frigorífico Canelones S.A. (Uruguai): Participação de 100% através a sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.10 – BERTIN trading UK LLP (Inglaterra): Participação de 99,99% através da sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); 7.2.11 – B&M (Holanda): Participação de 50% através da sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI); Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 4 3 7.2.12 – BERTIN Trading USA LLC (EUA): Participação de 100% através da sua controladora BERTIN Holding Inc (BVI). 7.2.13 – International Food Packers LLC (EUA Miami): Participação de 100% através da sua controladora BERTIN USA Corporation (EUA); 7.2.14 – Sampco Inc. (EUA Chicago): Participação de 100% através da sua controladora BERTIN USA Corporation (EUA) (...) 11. Conforme documentos apresentados ..., os resultados consolidados, ... em suas atividades operacionais, no anocalendário de 2008, proporcionalmente à sua participação, foram: 11.1 Trump Ásia Enterprises Ltda: (US$ 93.000); 11.2 – Mirs Coldstore (Egito): US$ 1.125.623; 11.3 – Sam Prometex S.A. (Monaco): US$ 61.743; 11.4 – Egygate Distribuition (Egito): US$ 249.609; 11.5 – Quality Meat S.A. (Paraguai): US$ 882.400; 11.6 – Frigorífico Canelones S.A. (Uruguai): US$ 12.445.000; 11.7 – BERTIN trading UK LLP (Inglaterra): (US$ 444.074); 11.8 – B&M (Holanda): (US$ 1.609.134); 11.9 – BERTIN Trading USA LLC (EUA): (US$ 3.168); 11.10 – BERTIN Peru S.A. (Peru): (US$ 14.614); 11.11 – BERTIN Holding Inc (BVI): US$ 11.594.803; 11.12 – BERTIN Handels GMBH (Àustria): US$ 11.226.332; 11.13 – BERTIN Holding GMBH (Áustria): US$ 11.226.332; 11.14 – BERTIN USA Corporation (EUA): US$ 4.276.983. 12. Portanto, o total de acréscimo patrimonial na BERTIN S.A. acarretado pelos resultados de suas controladas no exterior é igual ao somatório dos lucros consolidados dos dois braços encabeçados por BERTIN HOLDING GMBH (Áustria) e BERTIN USA CORPORATION (EUA), ou seja, U$ 11.226.332 + U$ 4.276.983 igual a U$ 15.503.315. 13. Tendo em vista que a empresa não disponibilizou em sua DIPJ do anocalendário de 2008 o lucro auferido no exterior, e o prejuízo apontado na apuração do Lucro Real foi revertido por outras autuações, conforme extratos do sistema SAPLI ..., a base de cálculo do presente auto de infração é de U$ 15.503.315, que, ao câmbio de 31/12/2008, de 3,23815, perfaz ... R$ 50.202.059,47. 14. DO DIREITO APLICÁVEL: Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 5 4 14.1 Compensação do Imposto pago no Exterior; Como exaustivamente discorrido desde o início do presente Termo, os fatos em questão ocorreram em 2008, portanto, há 4 anos atrás e, nas DIPJ dos anos subsequentes não houve qualquer compensação de imposto pago no exterior, tendo em vista a não disponibilização dos lucros auferidos. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR99), em seu art. 395 dispõe: Compensação do Imposto Pago no Exterior Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei nº 9.249, de 1995, Art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, ... § 2º ... § 6º Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração (Lei nº 9.532, de 1997, Art. 1º, § 4º).(Grifo nosso) Portanto, eventual imposto pago no exterior à época não poderá ser compensado com o tributo devido no Brasil. (...)” (grifos, negritos e respectivas observações conforme o original) O TVF prossegue discorrendo sobre os dispositivos referentes à TBU (Tributação em Bases Universais) e sobre a inaplicabilidade da “Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital BrasilAustria”, para impedir este lançamento de ofício, e conclui apontando que a BERTIN S/A infringiu os seguintes dispositivos legais: art. 74 da MP 215835/2001; art. 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95; art. 16 da Lei nº 9.430/96; e, arts. 249, inciso II, e 394, do RIR/99. Os autos de infração constam às fls. 1242 a 1253. As bases legais da autuação são as seguintes: 1 – IRPJ ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR: art. 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95; art. 16 da Lei nº 9.430/96; arts. 249, inciso II, e 394, do RIR/99; art. 3º da Lei nº 9.959/00; e, art. 74 da MP 215835/2001; 2 – CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL: art 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 6 5 O interessado apresentou impugnação, em 23/01/2014 (fls. 1261 a 1291), por meio de seus advogados (fls. 1291 e 1293 a 1302), acostando elementos (DOC. 02 Balanços das empresas no exterior e DOC. 03 Comprovantes de recolhimento do imposto no exterior), às fls. 1303 a 1432. Alega, em resumo, que: 1 – a impugnação é tempestiva, pois a autuação se deu em 24/12/2013 (véspera de Natal), de forma que a contagem se iniciou em 26/12/2013, expirando o prazo em 24/1/2014; 2 – há erro de cálculo, pois foi utilizada a taxa de câmbio do euro (R$ 3,23815) ao invés da do dólar (R$ 2,337), de modo que sendo US$ 15.503.315 a base de cálculo, seu valor em reais é R$ 36.231.247,16, e não R$ R$ 50.202.059,47; 3 – a autuação é nula em vista das irregularidades do Mandado de Procedimento Fiscal, pois no demonstrativo de prorrogações do MPF consta a informação de diversas prorrogações, mas não há qualquer notícia dessas prorrogações nos autos, tendo assim, sido violado o art. 9º da Portaria RFB n° 11.371/2007, vigente à época; 4 a autuação é nula, pois não foi compensado o imposto de renda pago no exterior, o que viola os princípios da verdade material e da legalidade, visto que: 4.1 essa compensação consta nos artigos 26 da Lei n° 9.249/95 e 1º da Lei n° 9.532/97, bem como no art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002; 4.2 nada permite concluir que o imposto de renda pago no exterior só poderia ser deduzido do IRPJ e CSLL se o contribuinte tivesse adicionado o lucro auferido no exterior nas respectivas apurações; 4.3 ao contrário: o § 7° do art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002 diz que o "tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real."; 4.4 e nem se alegue que o § 4º do art. 1º da Lei n° 9.532/1997 exigiria que os lucros auferidos no exterior tivessem sido adicionados até o final de 2010, pois o art. 74 da Medida Provisória 2.15835/2001 considera disponibilizados os lucros auferidos no exterior ao término do ano calendário; no entanto, o art. 1º da Lei 9.532/1997 havia criado hipóteses de disponibilização de lucros no exterior, de modo que não haveria que se adicionar, na apuração do IRPJ/CSLL, os lucros auferidos no anocalendário de 2008 pela controlada, salvo os casos de disponibilização do art. 1º da Lei n° 9.532/1997; 4.5 tanto isso é verdade que o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002 não reproduz o § 4º do art. 1º da Lei 9.532/1997, por um simples motivo: com o art. 74 da Medida Provisória 2.15835/2001, as hipóteses de disponibilização do art. 1º da Lei 9.532/1997 perderam razão de ser, pois a disponibilização ocorreria sempre ao final do anocalendário, daí decorrendo que o art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002 (não observado pela fiscalização) não impõe qualquer restrição ou limitação temporal à utilização do imposto de renda pago no exterior em razão da adição dos lucros auferidos no exterior na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 7 6 4.6 a Autoridade Fiscal solicitou os comprovantes do imposto de renda pagos no exterior, conforme os Termos de Intimação Fiscal que antecederam a autuação, de modo que se sob a égide do art. 1º da Lei n° 9.532/1997, as hipóteses de disponibilização estavam sob controle do contribuinte e fazia sentido estimular a disponibilização desses lucros por meio da limitação temporal para utilização do imposto de renda pago no exterior, sob a égide do art. 74 da Medida Provisória 2.15835/2001, a disponibilização dos lucros no exterior só ocorre no final do anocalendário, não havendo mais motivo para existir "estímulo" para a disponibilização; 4.7 juntou diversos comprovantes não contestados pela fiscalização que demonstram os pagamentos realizados no exterior de imposto de renda, no anocalendário de 2008; assim, requer realização de diligência para que seja considerado o imposto de renda pago no exterior na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; traz jurisprudência administrativa; 4.8 – a comprovação de um único pagamento realizado no período em questão é suficiente para infirmar a autuação, pois afasta sua presunção de legitimidade e demonstra sua iliquidez; 4.9 em números: as subsidiárias da Bertin S/A pagaram imposto sobre o lucro no exterior, que devem ser abatidos do imposto apurado, nos seguintes montantes: a) Frigorífico Canelones S/A (Uruguai): Pesos uruguaios $ 56.333.669; a taxa de câmbio conforme site do Banco Central em 31/12/2008 foi de 0,095161, que perfaz R$ 5.360.768,28; b) Bertin USA Corporation (EUA): US$ $ 1.698.937; a taxa de câmbio conforme site do Banco Central em 31/12/2008 foi de 2,337, que perfaz R$ 3.970.415,77; c) assim, há imposto pago sobre lucro no exterior de R$ 9.331.184,04, a ser considerado neste lançamento, sem mencionar os prejuízos das empresas no exterior que não foram considerados; d) considerando os percentuais de participação em cada entidade, a base de cálculo recomposta por empresa mostra que o lucro auferido no exterior a ser adicionado foi de R$ 32.491.278,29, conforme quadro à fl. 1276; 4.10 por fim, o lançamento deveria considerar o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2008; 5 o lançamento foi lavrado como se tivesse havido abuso ao Tratado Brasil Áustria, e como se não existisse a BERTIN HOLDING GMBH (Áustria); mas não há respaldo na legislação para desconsiderar esta empresa, o que configura erro de: (I) interpretação dos institutos e preceitos que respaldam a estrutura adotada, e (II) conclusão sobre os propósitos para utilizar uma sociedade na Áustria; 5.1 descabe alegar que a autuada não adicionou os resultados/lucros das empresas controladas indiretamente, na apuração do IRPJ/CSLL, pois a BERTIN HOLDING GMBH consolidouos (inclusive declarandoos em sua DIPJ), conforme o § 6° do art. 1º da IN/SRF n° 213/02: Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 8 7 "Art. 1º (...)§ 6°: Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil." 5.2 superada essa questão, o verdadeiro escopo do Auto de Infração é a alegação de que a autuada teria implementado uma estrutura (via Áustria) sem qualquer propósito negocial ou comercial, com o intuito exclusivo de, abusivamente, se beneficiar do tratamento fiscal previsto no Tratado BrasilÁustria; em razão dessa alegação, teria sido determinada a adição ao lucro real e da base de cálculo da CSLL dos lucros/resultados apurados em 2008 pelas sociedades nas quais a BERTIN HOLDING GMBH era titular de participação societária. A impugnação prossegue, neste tópico, sustentando a legitimidade da estrutura de controle estabelecida para suas sociedades operativas no exterior, com destaque para os motivos que a levaram a escolher a Áustria para nela concentrar parte dos seus investimentos no exterior, concluindo que a Autoridade Fiscal não pode afastar a aplicação do Tratado Brasil Áustria alegando abuso, pois a necessidade de provar o propósito negocial ou comercial deveria estar necessariamente prevista no próprio Tratado, razão pela qual impõese a sua estrita observância, visto que os lucros das controladas indiretas foram levados à tributação em sua controlada direta na Áustria, devendo ser cumprido o tratado BrasilÁustria, aprovado pelo Decreto n° 78.107/76, especialmente o disposto em seu artigo 7, item "1", no sentido de que "os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado.". Quanto a este Tratado, há, também, as alegações de que (I) em um momento a Autoridade Fiscal alega ‘abuso’, em outro, (I) recorre ao conceito de estabelecimento permanente para buscar na sede de direção efetiva da empresa o critério determinante para aplicar ou afastar o Tratado, e, por fim, (III) recorre às medidas antiabuso previstas em alguns Tratados, para aplicar a analogia o que é vedado pelo § 1° do art. 108 do Código Tributário Nacional , de modo a ignorar a força desse Tratado. A impugnação finaliza a discussão de mérito discorrendo sobre o tema da “disponibilidade econômica dos lucros auferidos por controlada no exterior”, justificando que um resultado positivo de controlada no exterior não implica necessariamente acréscimo patrimonial da controladora no Brasil, pois o balanço patrimonial reflete um fato econômico, que não se sobrepõe ao regramento jurídico que determina formalidades para a mudança do capital social e do número e do valor nominal das ações, conforme os arts. 11 e12 da Lei das S/A, e argumentando que no “julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n° 2.58835, em que o E. STF julgou validade da incidência do IRPJ/CSLL sobre os resultados das empresas no exterior "na data do balanço no qual tiverem sido apurados se aplica às controladas situadas em países considerados 'paraísos fiscais', mas não às coligadas localizadas em países sem tributação favorecida (que não são "paraísos fiscais").”. Além da eficácia erga omnes da ADI, “a matéria foi objeto de repercussão geral reconhecida nos autos do Recurso Extraordinário n° 611.586, sob a relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, que foi julgado naquela mesma Sessão de Julgamento (da ADI), de forma que se confirma a transcendência dos efeitos daquele caso para demais contribuintes que não somente aqueles que fizeram parte dos autos.” Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 9 8 Sustenta, ainda, que “o art. 74 da MP n° 2.15835, ao considerar a mera apuração do lucro líquido pela empresa coligada ou controlada sediada no exterior como símbolo de aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica, está divorciado da regramatriz da hipótese de incidência do tributo, contida no caput do art. 43 do CTN.”, de modo que o “parágrafo 2º desse artigo há de ser interpretado em conformidade com a regra base de tributação do caput. Não se alegue que a LC n° 104/2001 disciplina exceção, quanto à receita ou rendimentos oriundos do exterior. O conceito jurídico de renda não pode ser dissociado do próprio momento da aquisição de sua disponibilidade, uma vez que ambos estão imbricados à idéia de acréscimo patrimonial. Não ocorrendo a remessa do lucro auferido no exterior à impetrante, ou ainda, qualquer outro ato jurídico que configure disponibilidade sobre tal montante, não se verifica o acréscimo patrimonial.” Invoca, por fim, o princípio da estrita legalidade para apontar que “não fica ao alvedrio do legislador infraconstitucional desvirtuar ... a materialidade da hipótese de incidência prevista na Constituição, considerando renda aquilo que não constitui acréscimo patrimonial para o contribuinte. Vejase que o próprio Código Tributário Nacional, de forma semelhante, estatui que a lei tributária não pode alterar os conceitos de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal (art. 110 do CTN).” Finaliza alegando que: 1 “ainda que não se aplique ao caso, é flagrante o desrespeito ao princípio constitucional da irretroatividade tributária (CF, art. 150, III, a), porquanto o parágrafo único do art. 74 tributa fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da MP.”; 2 – “o legislador pretendeu alcançar situações de fato ocorridas antes da vigência da Lei, ao determinar que os lucros apurados pela controlada ou coligada no exterior até 31122001 serão considerados disponibilizados em 31122002. A alteração imposta não afeta apenas o aspecto temporal da hipótese de incidência tributária, importando a cobrança de tributo com base em novo aspecto material, sobre fatos ocorridos antes da vigência da lei. Não poderia o legislador, ainda, atingir os lucros auferidos no exterior no mesmo exercício financeiro em que foi publicada a MP, incorrendo em ofensa ao princípio constitucional da anterioridade tributária (CF, art. 150, III, b).”. Decisão da DRJ Em decisão de 15/08/2014, a 4°Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação parcialmente procedente, tendo sido exonerada parte do crédito tributário exigido por motivo de erro na taxa de câmbio utilizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. MPF. Eventuais vícios em MPF não provocam nulidade. Preliminar indeferida. NÃO COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 10 9 Como qualquer outro equívoco na apuração do crédito tributário, a eventual não compensação do imposto de renda pago no exterior não causa nulidade, tratandose de questão a ser considerada no exame de mérito. Preliminar indeferida. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não foram indicados os exames desejados e, portanto, considerase não formulado o pedido de diligência. A eventual consideração do imposto pago no exterior prescinde de diligência, podendo ser efetuada por esta instância administrativa. Pedido indeferido. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE NORMAS. Os argumentos que se fundamentam em suposta ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária não serão examinados neste voto, pois é prerrogativa do Poder Judiciário manifestarse sobre tais temas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ERRO DE CÁLCULO. VALOR DA TAXA DE CÂMBIO. APURAÇÃO DO LUCRO DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. Argumento procedente, pois a fiscalização utilizou a taxa de câmbio do euro em vez da do dólar. COMPENSAÇÃO DO IR DE CONTROLADAS NO EXTERIOR COM IRPJ E CSLL DEVIDOS NO BRASIL. Não foram apresentados comprovantes de pagamento de imposto de renda no exterior traduzidos em vernáculo por tradutor juramentado, como preconizam o art. 157 do CPC e o art. 129, 6º da Lei n.º 6.015/73, de modo que não cabe apreciar o mérito da tese. COMPENSAÇÃO DE LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR COM PREJUÍZO FISCAL APURADO NO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE. A infratora teve lucro no primeiro trimestre do anocalendário de 2008 e os prejuízos apurados nos 3 últimos trimestres foram absorvidos pelas compensações efetuadas no processo n.º 15868.720062/201331, de modo que não há saldo de prejuízo fiscal a ser utilizado neste processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO APURADO NO EXTERIOR COM LUCRO APURADO NO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão para compensação de prejuízos apurados no exterior, exceto para os de filiais ou sucursais domiciliadas num mesmo país, para o qual a matriz no Brasil deve indicar uma dessas como entidade líder, situação em que os prejuízos de uma poderão ser compensados com os lucros de outra, o que não se aplica ao caso presente. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL ÁUSTRIA. Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 11 10 A aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação, pois (I) a norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros; (II) o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e (III) a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado. Argumento improcedente. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. OUTRAS CONTROLADAS. Sendo legítima a tributação de lucros auferidos no exterior por controladas sediadas em países com os quais o Brasil mantém Tratado para Evitar a Bitributação, também é legítima a tributação de lucros auferidos no exterior por controladas não sediadas em tais países. Argumento improcedente. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. ADI Nº 2.58835. O resultado do julgamento da ADI nº 2.58835, no que tange as controladas no exterior, é que o art. 74 da MP 2.15835 é constitucional (I) com eficácia erga omnes e efeito vinculante para os países com tributação favorecida; e, (II) sem eficácia erga omnes e sem efeito vinculante para os países sem tributação favorecida, pois não foi alcançada a maioria. Portanto, tal resultado não pode ser invocado para impedir a aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. SUSTENTAÇÃO ORAL. Não há previsão legal aplicável ao processo administrativo fiscal para que as publicações e intimações sejam realizadas em nome do advogado do interessado e nem para que este realize sustentação oral no julgamento. AUTO REFLEXO. CSLL. O voto referente ao IRPJ aplicase à CSLL. Recurso Voluntário A ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica os argumentos de Impugnação. Recurso de Ofício Fora apresentado Recurso de Ofício em razão do cancelamento de parte do lançamento combatido. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 12 11 Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário que pode ser assim sintetizado: i) inexistência de nulidade; ii) constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e a sua compatibilidade com os Tratados firmados pelo Brasil para evitar a dupla tributação da renda; iii) compete ao aplicador do tratado buscar nas legislações de cada país contratante o significado dos termos não definidos nos tratados. A r. decisão de primeira instância respeitou tal regra, ao dar ao termo “lucro de empresa residente” um significado que está em conformidade com o ordenamento jurídico brasileiro. Isso porque entendeu, acertadamente, que a lei brasileira estaria incidindo sobre lucros de empresa residente no Brasil, o que, evidentemente, consiste no escopo da Lei nº 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, se o art. 7º do tratado dispõe que os “lucros de empresa serão tributados apenas no país de residência”, a lei brasileira não contraria o art. 7º dos tratados. Ao contrário, no caso, o lucro de empresa residente no Brasil está sendo tributado no Brasil, o que implica dizer que o art. 7º está sendo observado e respeitado pela legislação pátria; iv) a essência da norma CFC foi preservada no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, visto que estabeleceuse um regime específico para a tributação dos rendimentos auferidos por intermédio de controladas e coligadas situadas no exterior – de modo a concretizar a tributação universal da renda e impedir o diferimento por tempo indeterminado da tributação; v) técnica de tributação prevista na IN SRF nº 213, de 2002, apenas reflete a sistemática brasileira de tributação em bases universais, que concede, aos residentes no Brasil, crédito referente ao tributo pago no exterior. Essa é a justificativa para os valores a serem contabilizados na controladora ou coligada situada no Brasil corresponderem ao montante dos lucros auferidos no exterior antes do pagamento de impostos; vi) o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é autêntica norma CFC e está em perfeita harmonia com o art. 7 do Tratado BrasilÁustria. Isso porque aquele dispositivo apenas estabeleceu que os lucros auferidos pelas controladas no exterior consideramse disponibilizados para a controladora brasileira na data do balanço em que tiverem sido apurados. Como os lucros da sociedade estrangeira são imputados à empresa brasileira, não há descumprimento ao Art. 7 do Tratado – afinal, continuará havendo tributação dos lucros disponibilizados à controladora residente no Brasil. Assim, resta comprovada a inaplicabilidade do art. 7 da Convenção Brasil–Áustria ao caso dos presentes autos. vii) todos os lucros mensurados via MEP – sejam provenientes de controladas diretas ou indiretas – devem ser refletidos no balanço da controladora residente no Brasil e oferecidos à tributação e não cabe qualquer argumento sobre a ausência de disponibilidade de lucros apurados por meio da aplicação do MEP, visto que o STF apreciou esse tema ao julgar a ADI 2.588 e confirmou a constitucionalidade da tributação. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 13 12 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos em lei, assim, deve ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, a discussão se refere ao não oferecimento à tributação pela Recorrente, dos lucros auferidos por suas controladas no exterior. Não obstante a matéria de direito em discussão estar posta de forma completa pela Contribuinte e pela Fazenda Nacional, tenho que ainda resta necessária a verificação de questão de fato para que o presente conselheiro possa tomar uma decisão acertada. Explico. Alega a Contribuinte que as subsidiárias da Bertin S/A, efetivamente, recolheram Imposto de Renda no exterior, que deveria compensado com o imposto apurado e devido no Brasil. Segundo a contribuinte, foram efetuados os seguintes recolhimentos: a) Frigorífico Canelones S.A (Uruguai): $ 56.333.669 de Pesos uruguaios que corresponde a R$ 5.360.768,28 segundo a taxa de câmbio da época, e b) Bertin USA Corporation (EUA): US$ $ 1.698.937 que corresponde a R$ 3.970.415,77 segundo a taxa de câmbio da epoca. Assim, segundo a Contribuinte, haveria um valor de imposto pago no exterior no total de R$ 9.331.184,04 que deveria ter sido considerado pela fiscalização e não o foi. Isso ocorreu porque a fiscalização entendeu que não seria possível a compensação de imposto pago no exterior, em razão da ausência de disponibilização dos lucros auferidos no exterior pela contribuinte. Me parece equivocado o entendimento da fiscalização. Isso porque, tendo em conta que a fiscalização incluiu no cálculo, para fins de tributação no Brasil, exatamente os lucros auferidos pelas controladas no exterior, me parece óbvio que o imposto pago por tais controladas deveria ter sido computado no cálculo, conforme dispõe o art. 26 da Lei n. 9.249/95, que assim dispõe: Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 16643.720065/201372 Resolução nº 1201000.245 S1C2T1 Fl. 14 13 "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital." Por óbvio, não seria possível ao Contribuinte aproveitar o imposto pago pelas controladas no exterior na hipótese de não oferecimento do correspondente lucro à tributação no Brasil. Contudo, óbvio também que à medida que tal lucro passa a ser tributado no Brasil o que é o objeto do presente auto o imposto pago no exterior passa a ser passível de aproveitamento no Brasil. Dominado pelo entendimento de que uma vez que o próprio contribuinte não havia oferecido os lucros auferidos no exterior à tributação no Brasil, não haveria que se falara em compensação do imposto pago lá foram, percebi nos autos que não houve a devida verificação do quantum efetivamente pago. Considerando que tal situação não me parece constituir motivo suficiente para decretar a nulidade do auto, como sustenta a Contribuinte, julgo necessário o devido esclarecimento a este respeito, ou seja, que se confirme o exato montante que fora recolhido pelas controladas Frigorífico Canelones S.A (Uruguai) e Bertin USA Corporation (EUA). Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DETERMINAR a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a delegacia de origem apresente relatório conclusivo acerca do montante do imposto sobre lucro efetivamente pago pelas controladas Frigorífico Canelones S.A (Uruguai) e Bertin USA Corporation (EUA) no período base em discussão. Após intimese a Contribuinte (Recorrente) a manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias e retornem os autos para julgamento. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905026/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.580
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 26 /2 01 2- 71 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.905026/201271 Acórdão n.º 3301003.580 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.486. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.905026/201271 Acórdão n.º 3301003.580 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.905026/201271 Acórdão n.º 3301003.580 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.905026/201271 Acórdão n.º 3301003.580 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.905026/201271 Acórdão n.º 3301003.580 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905026/201271 Acórdão n.º 3301003.580 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902813/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.179
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902813/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.179 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 13 /2 01 2- 11 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902813/201211 Acórdão n.º 3302004.179 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.024. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902813/201211 Acórdão n.º 3302004.179 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902813/201211 Acórdão n.º 3302004.179 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902813/201211 Acórdão n.º 3302004.179 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902813/201211 Acórdão n.º 3302004.179 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902813/201211 Acórdão n.º 3302004.179 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901125/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.654
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 25 /2 00 9- 41 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13558.901125/200941 Acórdão n.º 3201002.654 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.440. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901125/200941 Acórdão n.º 3201002.654 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901125/200941 Acórdão n.º 3201002.654 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 56DF CARF MF
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