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Numero do processo: 16327.000428/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
RECEITA BRUTA. TOTALIDADE DAS RECEITAS.
Entende por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões previstas no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 só servem para o fim de cálculo do PIS e COFINS.
Numero da decisão: 1202-000.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à incidência da multa por atraso na entrega da DCTF. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Nereida de Miranda Finamore Horta. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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A apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do ano calendário de 2005, ficaram obrigadas à apresentação mensal da DCTF, as pessoas cuja receita bruta auferida no segundo ano calendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais. RECEITA BRUTA. TOTALIDADE DAS RECEITAS. Entende por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões previstas no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 só servem para o fim de cálculo do PIS e COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 28 /2 01 0- 90 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à incidência da multa por atraso na entrega da DCTF. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Nereida de Miranda Finamore Horta. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Relator. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à multa no valor de R$1.846.744,78, por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, referente ao mês de dezembro/2005, com a seguinte descrição dos fatos e fundamentação legal (fl. 15): A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF – fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos informados na declaração, ainda que integralmente pagos, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00, no caso de inatividade, e de R$500,00, nos demais casos. A multa cabível foi reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso de multa aplicada ter sido a mínima. Fundamentação legal Arts. 115 e 160 L. 5.172/66; art. 11 da Lei 8249/95; art. 7º, II, §3º, e II L. 10426/02 e alterações posteriores. Intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou, em 29/04/2010, Impugnação (fls. 01/08), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 35/40): Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do anocalendário de 2005, ficaram obrigadas à apresentação mensal da DCTF, as pessoas cuja receita bruta auferida no segundo ano calendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais. RECEITA BRUTA. TOTALIDADE DAS RECEITAS. Entende por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões previstas no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 só servem para o fim de cálculo do PIS e COFINS. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 5 4 Tendo sido intimada em 17/05/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 45/55) em 15/06/2012, merecendo destaque as seguintes alegações: a) Entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei nº 9.718/98 (art. 3º, §2º), não se enquadrando, portanto, no inciso I, do art. 2º da IN SRF nº 482/04; b) O art. 2º, §1º da IN SRF nº 482/04 não pode ser interpretado de forma isolada; c) No conceito de receita bruta do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 estavam inseridas as exclusões previstas no §2º do mesmo artigo; d) Se o legislador pretendesse abranger toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica não seria feita a remissão ao §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, cujo conceito pressupõe as exclusões contidas no §2º do mesmo artigo; e) Ainda que se admita que o conceito de receita bruta não albergasse referidas exclusões, ao menos deve ser considerada como receita bruta, para fins de determinação da periodicidade da apresentação da DCTF, aquela relativa à receita tributável pelo IR e CSLL; f) Insubsistência da multa, uma vez que entregou, antes de qualquer procedimento fiscal, a DCTF semestralque consolidava todas as informações que as DCTFs mensais conteriam para apurar a obrigação tributária, inexistindo qualquer prejuízo aos cofres públicos e intenção de lesar o Fisco; g) Subsidiariamente, alega a inaplicabilidade dos juros sobre a multa. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Cuida o processo de Auto de Infração constitutivo de multa por atraso na entrega mensal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de dezembro/2005, circunscrevendose a discussãoao critério adotado pela legislação tributária para definir a periodicidade da entrega da referida declaração se mensal ou semestral , matéria esta, portanto, afeta à competência desta 1ª Seção, conforme precedente deste E. Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIADE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre atraso na entrega de Declarações de Débitos e CréditosTributários Federais (DCTF). Declinada a Competência. (CARF, Recurso n° 340.957 / Acórdão n° 310100.238 – 3a. Seção 1a. Turma da 1a. Câmara, Sessão de 18 de setembro de 2009). Prescreveo art. 2º, inciso I, §1º, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 482, de 21 de dezembro de 2004, vigente à época dos fatos: Art. 2º. A partir do anocalendário de 2005 deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; [...] §1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (não grifado no original). Nas suas razões recursais, alega a Recorrente que no conceito de receita bruta, a que faz alusão o paragrafo 1º supracitado, devem ser observadas as exclusões previstas no art. 3º, §2º, da Lei nº 9.718/98, sob o fundamento de que ao fazer expressa remissão ao conceito de receita bruta previsto no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o legislador procurou abranger tal conceito naquele contexto em que foi inserido no artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Não assiste razão à Recorrente. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 7 6 A Instrução Normativa nº 482/2004 apenas faz referência ao §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, ao passo que caso devessem ser consideradas as exclusões previstas no §2º do mesmo diploma legal, teria feito menção expressa ao referido dispositivo. Deixando de fazêla, concluise que as exclusões somente devem ser levadas em conta para o cálculo da base de cálculo do PIS e da COFINS, disciplinados pela referida Lei Federal. A corroborar esta interpretação conferida à Instrução Normativa nº 482/2004, adveio a Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, que, em seu art. 3º, §3º dispôs que “entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, sem mencionarpreceitos da Lei nº 9.718/98 e, com isso, dissipando eventuais dúvidas quanto ao conceito de receita bruta a ser adotado para a definição do período a que está sujeito o cumprimento da obrigação acessória relativa àentrega da DCTF. Com base no entendimento acima exposto, da mesma forma não deve ser acolhido o argumento da Recorrente no sentido de que ao menos as receitas a serem consideradas devam decorrer da base tributável do IRPJ e CSLL. Acrescentase, ainda, que, nos moldes do art. 113 do Código Tributário Nacional, a obrigação acessória é autônoma em relação à obrigação tributária principal, de tal sorte que o critério elencado para determinar a periodicidade da entrega da DCTF não está atrelado aos critérios adotados pela lei para apurar a base de cálculo dos tributos que devem ser declarados na DCTF. Enfim, as exigências não se confundem. Igualmente não devem ser acolhidasas razões da Recorrente pela insubsistência da multa por ter entregado, antes de qualquer procedimento fiscal, a DCTF semestral. Além de a Recorrente estar sujeita à entrega mensal da DCTF, conforme acima delimitado, a jurisprudência deste E. CARF é pacífica no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não se aplicada diante do descumprimento de deveres instrumentais, a saber: DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. A entrega de DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente.DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.A DCTF é obrigação acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Negado. (CARF. Acórdão nº 310200319. 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 3ª Seção. Sessão de 22/05/2009) DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.A disposição do artigo 138 do Código Tributário NacionalCTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 310200.138. 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária/3ª Seção. Sessão de 27/03/2009). [...] O artigo 138 do CTN aplicase apenas às infrações diretamente ligadas ao tributo devido, não se estendendo à multa devida pelo atraso na entrega da declaração. A entrega da DCTF no prazo regular é obrigação legal, conhecida desde a origem, razão pela qual não se afasta a responsabilidade da contribuinte, culpada do descumprimento da obrigação. Precedentes do STF e da CSRF. [...]. (Acórdão nº 130200.173 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª Seção. Sessão de 11/03/2009). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 8 7 Por fim, acerca da incidência dos juros sobreo valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não se deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao capta, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, capta, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. (1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011) Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o teor da decisão da DRJ/SPI, porém excluindo o valor dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do posicionamento deste E. CARF. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 9 8 É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 11 10 qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 12 11 sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 4 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 13 12 a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1° do art.161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n° 10.522/02, para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ......................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma intepretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, concordo com as colocações da Fazenda Nacional quando afirma que fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000428/201090 Acórdão n.º 1202000.972 S1C2T2 Fl. 14 13 os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Vêse que todos os argumentos retro mencionados convergem para a conclusão de que é perfeitamente legal e válida a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, aplicandose a taxa de juros Selic. Diante disso, votase por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado d igitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 16327.909127/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl,, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 91 27 /2 00 9- 90 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909127/200990 Acórdão n.º 3801001.841 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl,, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 326DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909127/200990 Acórdão n.º 3801001.841 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 327DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909127/200990 Acórdão n.º 3801001.841 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 328DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.909127/200990 Acórdão n.º 3801001.841 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10711.006312/2004-04
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/04/2000
Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos.
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama, Leonardo Mussi e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/04/2000 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama, Leonardo Mussi e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 63 12 /2 00 4- 04 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 136 2 Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 04, por meio do qual se exige da interessada o valor de R$ 11.248,68, decorrente de infração a norma relativa ao controle administrativo das importações (importação de mercadoria sem Guia de Importação ou documento equivalente), cuja penalidade encontrase prescrita no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/1985 (RA/1985). Segundo consta dos autos, a empresa submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Adição 003 da Declaração de Importação (DI) nº 00/03460910, registrada em 19/04/2000, a mercadoria consignada como “OUTRAS POLIAMIDAS, SENDO: NOME COMERCIAL: ANCAMIDE 350A / 260A; QUALIDADE: INDUSTRIAL; USO: FABRICAÇÃO DE TINTAS ESPECIAIS; EMBALAGEM: TAMBORES” (fl. 16), classificandoa no código NCM 3908.90.20 (17% de II e 10% de IPI). Em face dos resultados apresentados em laudos técnicos subsidiários da conferência física (nºs 0384/01 e 0385/01, juntados às fls. 10 e 11), que concluíram tratarse de “preparação endurecedora (agente de cura) para resina epóxi (sintética), contendo poliamida e amina”, a fiscalização entendeu que o correto enquadramento tarifário do artigo em questão seria no código NCM 3824.90.39 (17% de II e 10% de IPI). Assim, considerando que a descrição do produto feita pela importadora era insuficiente para a sua adequada classificação fiscal, a autoridade aduaneira procedeu à lavratura do Auto de Infração em comento. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a contribuinte apresentou a defesa de fls. 21 a 27, acompanhada dos documentos de fls. 28 a 73, alegando, em síntese, que: apesar de reconhecer o equívoco na classificação fiscal da mercadoria importada, ressalta que a simples divergência no enquadramento tarifário não enseja a imposição da multa prevista no art. 526, inciso II do RA/1985; o erro na classificação não alterou a alíquota dos impostos devidos e recolhidos, pelo que não houve qualquer prejuízo ao Erário; é evidente que agiu de boafé no preenchimento da DI nº 00/03460910, até porque a falha no enquadramento não implicou na redução dos impostos incidentes na importação; assim, em razão dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, entende que deve ser cancelada a multa aplicada; em defesa de sua tese, cita jurisprudência administrativa às fls. 25 a 27. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 137 3 Ao final, a impugnante requer que seja cancelado o Auto de Infração guerreado. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O litígio, como já antecipado, resumese à multa por falta de licença de importação. O erro de classificação é matéria incontroversa. Restrito a esta matéria, sendo certo que não se ventilou, nem no auto de infração nem na decisão de 1ª instância, a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte da importadora, a meu ver, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do 169 do Decretolei nº 37, de 1966 às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; e 3 se implicar tal falha, a descrição da mercadoria reúne as condições necessárias à aplicação da excludente instituída pelo ADN Cosit nº 12/97; Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que tem como matriz legal o art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 138 4 a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas as exigências inerentes ao processo de nacionalização1, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. Penso, entretanto que, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além desse plano meramente semiótico e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 526, II do RA de 1985, quais eram os interesses por 1 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 139 5 ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 1732 do Decretolei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 2.Regime de Licenciamento Os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram, ao menos parcialmente, tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/2002 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: 2 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 140 6 a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Ocorre que, a meu ver, o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 141 7 aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual, relembrese, segundo o art. 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 142 8 lembrar a multa especificada no art. 526, VI3 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, na égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrassenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. 3 Classificação Fiscal e Licenciamento Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o principal elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento. Conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. 3Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 143 9 Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Nesse contexto, restando claro que o erro de classificação, conforme informação trazida ao processo pela autoridade fiscal, não alterou o regime de licenciamento da mercadoria, não vejo como manter a exigência. 4 Alcance do ADN nº 12, de 1997 Importa esclarecer, finalmente, que não consigo extrair do ADN nº 12, de 1997 a interpretação que orientou a lavratura do auto de infração litigioso. Vejamse redação do dispositivo: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado...” A meu ver, a aplicação do ADN 12 tem como antecedente lógico a caracterização da ausência de licença de importação. Ou seja, em primeiro lugar, há que se caracterizar a infração para, em seguida, discutirse a tal conduta deixa de ser apenada em razão da exatidão da descrição. Nessa linha, não vejo como pretender, por meio de raciocínio a contrário senso, apenar qualquer hipótese de descrição inexata, ainda que, como se verifica no presente litígio, não se demonstre falha no licenciamento. 5 Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10711.006312/200404 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 144 10 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721215/2011-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDENTE.
Não há supressão nem prejuízo para o contraditório e a ampla defesa, por falta de notificação prévia ao lançamento, sendo em tal caso os referidos direitos exercidos por ocasião da impugnação ou do recurso voluntário.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PROCESSO QUE SE RESOLVE PELOS ELEMENTOS NELE CONTIDOS. INCABÍVEL.
A lei inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte apresentar os documentos, que deve manter em sua guarda, que dêem suporte ao declarado em DIRPF, não cabendo qualquer diligência, se o contribuinte não logra trazer aos autos elementos capazes de dar fundamento ao teor de sua DIRPF, de vez que não se desincumbindo o contribuinte de seu ônus, a lide se resolve em seu desfavor com base nos elementos constantes dos autos.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.329
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 11/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDENTE. Não há supressão nem prejuízo para o contraditório e a ampla defesa, por falta de notificação prévia ao lançamento, sendo em tal caso os referidos direitos exercidos por ocasião da impugnação ou do recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PROCESSO QUE SE RESOLVE PELOS ELEMENTOS NELE CONTIDOS. INCABÍVEL. A lei inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte apresentar os documentos, que deve manter em sua guarda, que dêem suporte ao declarado em DIRPF, não cabendo qualquer diligência, se o contribuinte não logra trazer aos autos elementos capazes de dar fundamento ao teor de sua DIRPF, de vez que não se desincumbindo o contribuinte de seu ônus, a lide se resolve em seu desfavor com base nos elementos constantes dos autos. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 12 15 /2 01 1- 60 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 11/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativo ao anocalendário de 2008, exercício de 2009. A contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi “DEFERIDA PARCIALMENTE”, fl. 26. Conseqüentemente foi lavrada nova Notificação de Lançamento, fls. 26/31, relativo ao anocalendário de 2008, exercício de 2009, em razão das seguintes supostas infrações: omissão de rendimentos recebidos do trabalho e compensação indevida de IRRF. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação a fls. 02/06, com as alegações a seguir, parcialmente, transcritas, além de citar a doutrina e a jurisprudência: a) que o lançamento está eivado de nulidade pois a impugnante e contribuinte alega não ter sido comunicada e nem ter recebido o Termo de Intimação Fiscal. Para o atendimento à intimação e apresentação da documentação no prazo fixado, ensejando lançamento de ofício, nos termos do art. 841, inciso II, do RIR/99, sendo assim por este motivo julgado a revelia da infração; b) que a autoridade administrativa deve ao proceder ao lançamento, identificar todos os elementos que constituem o direito de crédito para facultar ao sujeito passivo a sua defesa, pois sendo o lançamento um ato administrativo vinculado, a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que o autorizam e o embasam são causas de nulidade; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10320.721215/201160 Acórdão n.º 2802002.329 S2TE02 Fl. 94 3 c) que incumbe à Receita o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação fiscal que possa servir de suporte à exigência do auto/infração que está a constituir; d) que, além da desconstituição do lançamento, requer a conversão do julgamento em diligência para que os fatos sejam verificados in loco. Aos autos foram anexados os documentos de fls. 07/21. Em julgamento a 1a Turma da DRJ/FOR, em sessão de 16/07/2012 julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que o lançamento foi praticado por agente competente, não constituindo causa de nulidade a falta de intimação prévia ao lançamento, caso em que o contraditório e a ampla defesa se exercem por ocasião da impugnação e do eventual recurso voluntário, não havendo pois nulidade a tal título; que somente decisões judiciais definitivas do STF autorizam a autoridade fiscal a adotar o entendimento nelas prescrito, não sendo o caso das decisões trazidas aos autos; que a omissão de rendimentos do trabalho foi constatada a partir de demonstrativo apresentado à Receita pelo contribuinte, não merecendo reparos, o mesmo se dizendo em relação à dedução indevida de IRRF. Intimado (fls.6465), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls.67 e ss., limitandose a fazêlo por meio de cópia de sua impugnação antes oposta. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, o recurso deve ser conhecido no que tange à impugnação da glosa da compensação de IRRF e da omissão de rendimentos do trabalho, uma vez que tempestivo. No caso presente, todos os argumentos apresentados pelo recorrente, já antes apresentados em sua impugnação, resumemse a defesas indiretas, sem o questionamento direto das infrações a ele imputadas, sendo certo que a DRJ logrou enfrentar adequadamente tais argumentos em seu acórdão, os quais consistem basicamente em que o lançamento foi praticado por agente competente, não constituindo causa de nulidade a falta de intimação prévia ao lançamento, caso em que o contraditório e a ampla defesa se exercem por ocasião da impugnação e do eventual recurso voluntário, não havendo pois nulidade a tal título; que Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 somente decisões judiciais definitivas do STF autorizam a autoridade fiscal a adotar o entendimento nelas prescrito, não sendo o caso das decisões trazidas aos autos; que a omissão de rendimentos do trabalho foi constatada a partir de demonstrativo apresentado à Receita pelo contribuinte, não merecendo reparos, o mesmo se dizendo em relação à dedução indevida de IRRF. Isto posto, nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10930.003568/2005-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. IMPUGNAÇÃO PELO FISCO.
De acordo com o §1º, do art. 845, do Decreto n° 3.000/1999, os elementos de prova trazidos pelo contribuinte, no lançamento de ofício, só poderão ser impugnados pela administração tributária quando contestados com base em prova ou em fortes indícios de irregularidade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROBSON DE LIMA SANCHEZ Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. IMPUGNAÇÃO PELO FISCO. De acordo com o §1º, do art. 845, do Decreto n° 3.000/1999, os elementos de prova trazidos pelo contribuinte, no lançamento de ofício, só poderão ser impugnados pela administração tributária quando contestados com base em prova ou em fortes indícios de irregularidade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10930.003568/200558 Acórdão n.º 920201.954 CSRFT2 Fl. 1.030 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 01014, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 0987, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: DEPÓSITOS BANCÁRIOS — CONTRIBUINTE QUE COMPROVADAMENTE EXERCE ATIVIDADE COMERCIAL E SUSTENTA QUE OS VALORES CREDITADOS, EM SUAS CONTAS SÃO RECEITAS DAS EMPRESAS DAS QUAIS É SÓCIO INEXISTÊNCIA DE PROVA DE QUE CONTRIBUINTE EXERÇA OUTRA ATIVIDADE QUE PUDESSE JUSTIFICAR O RECEBIMENTO DOS VALORES CREDITADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS — LANÇAMENTO CANCELADO. No caso concreto, a observação do acontecer dos fatos segundo a ordem natural das coisas, isto é: a) o contribuinte ser comerciante; b) utilizar recursos de suas contas particulares para pagar despesas das empresas das quais é sócio proprietário; c) a constatação do depósito de milhares de cheques de pequeno valor nas contas particulares do sócio da empresa, sem qualquer notícia nos autos de que exercesse outra atividade senão o comércio; d) a devolução de centenas de cheques sem provisão de fundos; d) a afirmação do contribuinte de que, em face de problemas cadastrais das empresas, suas contas particulares eram utilizadas para movimentação de recursos destas, sem a existência de qualquer prova em contrário; e) a não realização pela fiscalização de qualquer diligência para identificar outra atividade do contribuinte que pudesse justificar tamanha movimentação de cheques de valores relativamente pequenos, o que é característico no comércio e; f) a inexistência de qualquer diligência por parte da fiscalização junto aos emitentes dos cheques para refutar a afirmação do contribuinte de que tinha recebido os mesmos em face da atividade comercial das suas empresas, nos conduzem a certeza de que o lançamento não pode persistir. No momento em que o contribuinte que exerce atividade comercial alegar que os valores creditados em cheques em suas contas correntes são provenientes das transações comerciais das empresas da qual é sócio, cabe à fiscalização, sempre que possível, realizar diligências junto aos emitentes dos cheques para identificar com estes a natureza da operação que justificou a emissão dos mesmos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Conforme divergência anexa (Acórdão 10615957), o ônus da prova em caso de presunção legal transferese para o contribuinte, não podendo ser afastada por meras alegações; 2. “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações”; 3. A decisão recorrida desrespeitou o que determina o Art. 42 da Lei 9.430/1996, pois o contribuinte foi devidamente intimado e não comprovou a origem dos recurso em suas contas; 4. Tratase de presunção legal relativa de omissão de receitas ou rendimentos, que somente será afastada no caso do contribuinte, através de documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos valores depositados/creditados em sua conta bancária; 5. No presente caso, o contribuinte não conseguiu comprovar a origem de cada depósito; 6. Em sua impugnação, o mesmo limitase a justificar genericamente as inconsistências apontadas pela autoridade autuante sem, no entanto, especificar e contestar os depósitos incluídos no lançamento, de maneira individualizada, mediante a apresentação de provas cabais; 7. Ao contrário, apresenta alegações genéricas, sem demonstrar a origem dos recursos e se tais valores já teriam sido oferecidos à tributação; 8. Ante o exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente recurso. Por despacho, fls. 01021, deuse seguimento ao recurso especial. O Contribuinte, apesar de devidamente intimado, fls. 01027, não apresentou suas contrarrazões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10930.003568/200558 Acórdão n.º 920201.954 CSRFT2 Fl. 1.031 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Em síntese, a discussão encontrase nos motivos que levaram a decisão dar provimento ao recurso, desconstituindo a presunção expressa na Legislação. Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim se posicionou o nobre Relator do acórdão recorrido: “Da análise dos autos, em especial dos inúmeros cheques diariamente devolvidos, cuja relação ocupou 59 folhas dos autos, superando a casa dos milhares, todos relativamente de pequeno, me conduzem à certeza de que o contribuinte utilizava suas contas particulares para pagar despesas provenientes das empresa. Entretanto, o que se faz necessário analisar, não é o destino que o contribuinte dava aos recursos creditados em suas contas, mas sim a origem destes. Nesta linha, analisando a planilha de fl. 717, por exemplo, em relação à conta do Banco Bradesco, temse depósitos em cheques de R$ 1.009,00 a R$ 36.705,93. Diante da informação de que os valores são decorrentes da atividade comercial das empresas pertencentes ao contribuinte, a fiscalização, em não se satisfazendo com as provas apresentadas pelo contribuinte, no caso concreto, dadas as evidências, deveria ter investigado qual o negócio jurídico realizado entre o sócio das empresas e os emitentes dos cheques. Se os referidos cheques não se destinavam a pagar as transações realizadas entre as empresas do contribuinte e seus clientes mister que se esclarecesse a que título chegaram ao poder do recorrente. “ Como demonstra o voto, há inversão, em nosso entender, do que determina o Art. 42 citado. Na determinação do Art. 42 da Lei 9.430/1996 há as condutas que devem ser efetivadas pelo Fisco. O Fisco deve intimar o contribuinte para explicar os depósitos e caso não haja comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações o Fisco deve conceituar esses valores como omissão de receita ou de rendimentos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Ressaltamos, como determina o CTN, que a atividade do Fisco é totalmente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nos autos há centenas de recurso de pequeno valor, sim, mas também há valores de dezenas de milhares de reais. O Contribuinte afirma que esses valores são oriundos de sua atividade comercial, mas não traz aos autos prova alguma sobre esse ponto. Na atividade comercial há a emissão da Nota Fiscal, há um controle de que vendas foram pagas com tal cheque, mas o Contribuinte não traz, apesar de se passarem mais de sete anos do lançamento, nenhuma prova. Discordo, com todo respeito, do voto presente no acórdão recorrido. Imputar ao Fisco a responsabilidade de realizar batimento entre os depósitos e as vendas e despesas do contribuinte seria conceituar como inexistente a presunção e a inversão do ônus da prova, expressas e determinadas na Lei 9.430/1996. Correta posição consta do Acórdão paradigma: “No caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto: diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operou a inversão do ônus da prova, cabendo à interessada, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. Destarte. para elidir a presunção legal de que depósitos em conta corrente sem origem justificada são rendimentos omitidos, deveria o interessado ter comprovado a sua origem apresentando documentos que denotem, inequivocamente, possuírem os depósitos em questionamentos origem já submetida à tributação ou isenta do contrário materializase a presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida. Com efeito, descabidas as considerações do recorrente no sentido de que o agente fiscal deveria prova o teor da presunção da omissão de rendimentos. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10930.003568/200558 Acórdão n.º 920201.954 CSRFT2 Fl. 1.032 7 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Voto Vencedor Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Redator Designado. Não obstante os argumentos expostos pelo nobre Conselheiro, peço vênia para divergir de seu entendimento, qual seja, [...] Imputar ao Fisco a responsabilidade de realizar batimento entre os depósitos e as vendas e despesas do contribuinte seria conceituar como inexistente a presunção e a inversão do ônus da prova, expressas e determinadas na Lei 9.430/1996. De acordo com o Decreto n° 3.000/1999, os elementos de prova trazidos pelo contribuinte, no lançamento de ofício, só poderão ser impugnados pela administração tributária quando contestados com base em prova ou em fortes indícios de irregularidade: Art.845.Farseá o lançamento de ofício, inclusive: [...] §1ºOs esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Desse modo, não há que se falar em erronia no acórdão recorrido quando se observa a inércia da Administração Fazendária em não promover qualquer diligência que pudesse trazer aos autos elementos suficientes da incerteza ou máfé do contribuinte nas informações prestadas. Na verdade, tais desconfianças são, por si só, motivadoras de investigação pelo agente de fiscalização tributária. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção de não resgatados os recursos oriundos de aplicações financeiras, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, requerer facilmente tais informações às instituições financeiras. A doutrina não discrepa dessas conclusões, consoante se infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova (beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quatitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10930.003568/200558 Acórdão n.º 920201.954 CSRFT2 Fl. 1.033 9 Outro não é o posicionamento do eminente professor Paulo de Barros Carvalho, que assim preleciona: “Com a evolução da doutrina, nos dias atuais, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a Administração de provar os ocorrências que afirmar terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o Fisco tem que oferecer prova contundente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa.” (CARVALHO, Paulo de Barro. Notas sobre a Prova no Procedimento Administrativo Tributário. In: SHOUERI, Luís Eduardo – cood. – Direito Tributário: Homenagem a Alcides Jorge Costa. São Paulo: Quartier Latin, 2003, v. II, p. 860) (grifamos) Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firme e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação por parte do fiscal autuante dos fatos imputados aos contribuintes, mormente quando o lançamento não se apoiar em presunções legais, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incerteza. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10706.229 – Sessão de 22/03/2001) “[...] IRPF – PRESUNÇÕES – Em matéria tributária as presunções admitidas somente se referem às expressamente autorizadas em lei, presentes os pressupostos legais exigíveis à sua sustentação. [...]” ( 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10416.433 – Sessão de 08/07/1998) “IRPF ATIVIDADE RURAL CONDOMÍNIO RENDIMENTOS OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRESUNÇÃO A obrigação tributária deflui da lei, não podendo criar imposição fiscal por mera presunção subjetiva da autoridade administrativa. Os rendimentos da atividade rural em condomínio devem ser tributados na proporção que couber a cada um, ex vi do artigo 13 da Lei n. 8.023/90, art. 13. Recurso provido.” ( 2ª Câmara do 1º Conselho Contribuintes – Acórdão nº 10244022, Sessão de 08/12/1999) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Dito isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001870/00-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1988 a 31/10/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ART. 65 DO RICARF.
Constatado que o acórdão deixou de analisar pleito da Contribuinte quanto às compensações efetuadas, acolhem-se os Embargos de Declaração para que conste da fundamentação e decisório do Acórdão nº 202-18.344, referência expressa quanto à homologação das compensações até o limite do crédito apurado pela Unidade de Origem.
Embargos Acolhidos.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolherem-se os presentes Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, passando a constar da fundamentação e decisório do Acórdão nº 202-18.344, referência expressa quanto à homologação das compensações efetuadas até o limite do crédito apurado pela unidade de origem. Ausentes temporariamente as conselheiras Andréa Medrado Darzé Maria Teresa Matínez López. Esteve presente julgamento o advogado Leiner Salmaso Salinas OAB/SP 185499.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1988 a 31/10/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ART. 65 DO RICARF. Constatado que o acórdão deixou de analisar pleito da Contribuinte quanto às compensações efetuadas, acolhem-se os Embargos de Declaração para que conste da fundamentação e decisório do Acórdão nº 202-18.344, referência expressa quanto à homologação das compensações até o limite do crédito apurado pela Unidade de Origem. Embargos Acolhidos. Recurso Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolherem-se os presentes Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, passando a constar da fundamentação e decisório do Acórdão nº 202-18.344, referência expressa quanto à homologação das compensações efetuadas até o limite do crédito apurado pela unidade de origem. Ausentes temporariamente as conselheiras Andréa Medrado Darzé Maria Teresa Matínez López. Esteve presente julgamento o advogado Leiner Salmaso Salinas OAB/SP 185499. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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OMISSÃO. ART. 65 DO RICARF. Constatado que o acórdão deixou de analisar pleito da Contribuinte quanto às compensações efetuadas, acolhemse os Embargos de Declaração para que conste da fundamentação e decisório do Acórdão nº 20218.344, referência expressa quanto à homologação das compensações até o limite do crédito apurado pela Unidade de Origem. Embargos Acolhidos. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolheremse os presentes Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, passando a constar da fundamentação e decisório do Acórdão nº 20218.344, referência expressa quanto à homologação das compensações efetuadas até o limite do crédito apurado pela unidade de origem. Ausentes temporariamente as conselheiras Andréa Medrado Darzé Maria Teresa Matínez López. Esteve presente julgamento o advogado Leiner Salmaso Salinas OAB/SP 185499. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 18 70 /0 0- 75 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte, ora Embargante, em face do acórdão nº 20218.344, prolatado na sessão de 20/09/2007, pela Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que proveu parcialmente o recurso voluntário, reconhecendo o direito de a Contribuinte apurar e recolher a Contribuição para o PIS/Pasep do período de apuração de 01/08/1988 a 31/10/1995, reconhecendo ainda o direito à restituição/compensação do indébito apurado, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/08/1988 a 31/10/1995. SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQUENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49 do Senado (Precedente Acórdão no : 20216.357). Recurso Parcialmente Provido. Cientificada em 22/07/2009 (fl. 366), foram opostos os presentes embargos em 27/07/2009 (fls. 373/393), aduzindo, em síntese, que o v. Acórdão padece de vício de omissão, tendo em vista que apesar de fazer referência à compensação pleiteada, deixou de consignar expressamente quanto à homologação das compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Os embargos foram opostos tempestivamente, bem como demonstrado ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, devendo os mesmos serem conhecidos. De fato, apesar do v. Acórdão nº 20218.344 ter reconhecido o direito de a Recorrente, restituir/compensar o indébito de PIS/Pasep indevidamente recolhido com base nos inconstitucionais DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, todavia deixou de analisar o pedido Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13804.001870/0075 Acórdão n.º 3301001.808 S3C3T1 Fl. 436 3 constante do recurso quanto à homologação das compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os presentes embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, passando a constar da fundamentação e decisório do Acórdão nº 20218.344, referência expressa quanto à homologação das compensações efetuadas até o limite do crédito apurado pela unidade de origem, sem alteração do resultado. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720660/2012-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 30/11/2010
VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra ausência de clareza na descrição do fato e dispositivo legal correlato, devendo quando verificado no processo administrativo todos os elementos suficientemente capazes de possibilitar a plena defesa, afastando quaisquer violações aos princípios do contraditório e ampla defesa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTES POLÍTICOS. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE AUTORIZA A DEVOLUÇÃO DO INDÉBITO. IMPOSSIBILIDADE.
É possível a realização de compensação, independente de prévia decisão administrativa ou judicial, em relação a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo nos termos do art. 12, I, h, da Lei n. 8.212/91 com a redação da Lei n. 9.506/97. Entretanto, caso haja ação judicial, deve-se obedecer o disposto no art. 170-A do Código Tributário Nacional.
MULTA. ART. 89. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. COMPROVAÇÃO.
Tratando-se de compensação indevida, declarada em GFIP, só é cabível o lançamento de multa isolada de 150%, quando o Fisco comprove que o contribuinte inseriu informação falsa na GFIP.
Recursos de Ofício e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra ausência de clareza na descrição do fato e dispositivo legal correlato, devendo quando verificado no processo administrativo todos os elementos suficientemente capazes de possibilitar a plena defesa, afastando quaisquer violações aos princípios do contraditório e ampla defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTES POLÍTICOS. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE AUTORIZA A DEVOLUÇÃO DO INDÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. É possível a realização de compensação, independente de prévia decisão administrativa ou judicial, em relação a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo nos termos do art. 12, I, “h”, da Lei n. 8.212/91 com a redação da Lei n. 9.506/97. Entretanto, caso haja ação judicial, devese obedecer o disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional. MULTA. ART. 89. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. COMPROVAÇÃO. Tratandose de compensação indevida, declarada em GFIP, só é cabível o lançamento de multa isolada de 150%, quando o Fisco comprove que o contribuinte inseriu informação falsa na GFIP. Recursos de Ofício e Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 06 60 /2 01 2- 32 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10660.720660/201232 Acórdão n.º 2403002.013 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face do Acórdão nº. 0940.580 fls. 115/127, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para exonerar a Municipalidade da imputação da multa isolada, mantendo, contudo, a integralidade dos valores exigidos a título de obrigação principal dispostos na autuação fiscal. Consolidado em 13/03/2012, e cientificado ao contribuinte em 22/03/2012, o Auto de Infração, cujo importe corresponde a R$ 3.978.061,37 (três milhões, novecentos e setenta e oito mil, sessenta e um reais e trinta e sete centavos), almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias oriundas de glosas de compensações indevidas durante o período de 10/2009 a 11/2010. Segundo Relatório Fiscal, fls. 16/19, in verbis: “1 – O presente Auto de Infração tem por finalidade apurar e constituir o crédito previdenciário relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, (...) referentes a glosa de compensação de contribuições declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, resultando no não recolhimento à Seguridade Social, em época própria, da totalidade dos valores devidos. (...) 3 – O contribuinte apresentou/informou a existência do processo judicial nº 2006.34.00.0291741, cuja sentença proferida concede ao município a antecipação de tutela objetivando obter a suspensão exigibilidade da contribuição patronal retida em razão dos pagamentos efetuados aos agentes políticos, ocupantes de cargos efetivos detentores ou não de função comissionada desde que não estejam vinculados a regime próprio de previdência social e ocupantes de demais cargos, até análise pela instância superior. 3.1 – E ainda consta da decisão do MM Juiz Federal Francisco Neves da Cunha, Titular da 16ª Vara, a condenação da União a devolver o indébito, com observância dos prazos prescricionais consignados na sentença, mas somente a partir do trânsito em julgado da mesma. 3.2 – Considerando que a ação ordinária encontrase em trâmite perante o TRF 1ª Região, aguardando julgamento da apelação, a compensação efetuada foi feita ao arrepio da ordem judicial emanada na sentença; assim apuramos o crédito compensado indevidamente pelo município. 4 – As contribuições apuradas decorreram das glosas de compensações informadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, indevidamente utilizadas pelo Município de Conceição do Rio Verde Prefeitura Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Municipal, nas competências compreendidas entre 10/2009 a 11/2010, inclusive o 13º de 2009, cujos valores estão demonstrados no Relatório de Lançamentos – Levantamento GL, Debcad nº 51.006.4680, que integra presente auto”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 61/78. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, DRJ/JFA, prolatou o Acórdão n° 09 40.580 (Fls. 115/127), acolhendo parcialmente a impugnação para exonerar o crédito tributário concernente à imputação da multa isolada, no percentual de 150%, consignada no Auto de Infração, contudo, manteve os valores relativos à obrigação principal e devidos acréscimos. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/10/2009 a 30/11/2010. DEBCAD 51.006.4680, DEBCAD 51.006.4680. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A compensação não pode ser realizada utilizandose de um suposto crédito, que ainda está sendo discutido judicialmente. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO COM FALSIDADE NA GFIP. INOCORRÊNCIA. Tratandose de compensação indevida, declarada em GFIP, só é cabível o lançamento de multa isolada de 150%, quando o Fisco comprove que o contribuinte inseriu informação falsa na GFIP. Se o contribuinte informa ao Fisco, em sua declaração, que efetuou a compensação, e se os recolhimentos tidos pelo contribuinte como indevidos, foram efetivamente efetuados, não se caracteriza a falsidade da declaração, pelo fato de ter exercido o direito de compensação, em relação a verbas que considera como não sujeitas à incidência de contribuições. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Municipalidade interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 151/158, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Ausência de clareza do Auto de Infração em razão da insuficiência de informações na descrição da infração e os documentos juntados, violando, por conseguinte, os princípios do contraditório e da ampla defesa. 2. Existência de decisão judicial que autoriza e legitima as compensações realizadas; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10660.720660/201232 Acórdão n.º 2403002.013 S2C4T3 Fl. 4 5 3. Inobservância do limite de compensação previsto na Lei 9.129/1995 para os tributos declarados inconstitucionais, devendo ser compensados de forma integral, não sendo necessária a obediência ao antigo art. 89, § 3º da Lei n. 8.212/91. 4. Não deve haver obrigatoriedade na retificação da GFIP ser realizada anteriormente à compensação. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Em suas razões, afirmou a Recorrente que “no presente caso, o auto de infração é nulo desde o início por não atender os requisitos da lavratura do auto de infração, ato pelo qual se formaliza a exigência do crédito tributário. Isto porque não permite ao contribuinte precisar exatamente a infração cometida, vedando o pleno exercício ao seu direito ao contraditório e à ampla defesa”. Uma mera análise perfunctória dos autos do processo em epígrafe evidencia o contrário, razão pela qual não prospera o argumento acima indicado. Isso porque, precisamente, a autoridade fiscal relatou uma breve síntese das causas que culminaram na autuação sob análise, elucidando didaticamente a descrição do fato gerador, qual seja, a glosa de compensações indevidas, cuja motivação legal foi elencada em documento intitulado “Fundamentos Legais do Débito FLD”, ali localizados todos as normas que o legitima, desde o ato de fiscalizar até a lavratura da autuação fiscal em epígrafe, com a indicação dos dispositivos legais infringidos e a aplicação de taxa de juros e correção monetária. Portanto, não se vislumbra no caso em tela a ausência de clareza na descrição do fato e dispositivo legal correlato, devendo, deste modo, ser rechaçada a alegação da Recorrente, eis que no processo fiscal foram encontrados todos os elementos que possibilitam a sua plena defesa, afastando quaisquer violações aos princípios do contraditório e ampla defesa. Destarte, resta superada as alegações aqui consideradas, inexistindo razões que culminem em reconhecimento de suposta nulidade da autuação fiscal. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL É colacionada nos autos sentença proferida no processo judicial n. 2006.34.00.0291741, ainda não transitada em julgado, na qual, segundo Relatório Fiscal (fl. 16), “concede ao município a antecipação de tutela objetivando obter a suspensão da exigibilidade da contribuição patronal retida em razão dos pagamentos efetuados aos agentes políticos, ocupantes de cargo efetivo detentores ou não de função comissionada desde que não estejam vinculados a regime próprio de previdência social e ocupantes de demais cargos, até análise pela instância superior. E ainda consta da decisão do MM Juiz Federal Francisco Neves da Cunha, Titular da 16ª Vara, a condenação da União a devolver o indébito, com Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10660.720660/201232 Acórdão n.º 2403002.013 S2C4T3 Fl. 5 7 observância dos prazos prescricionais consignados na sentença, mas somente a partir do trânsito em julgado da mesma”. Contudo, o andamento processual indica que o processo ainda tramita perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, não havendo ainda o trânsito em julgado da decisão. Neste tocante, pactuo com o entendimento exarado pela DRJ, uma vez que é possível a realização de compensação, em relação da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo nos termos do art. 12, I, “h”, da Lei n. 8.212/91 com a redação da Lei n. 9.506/97, independente de prévia decisão administrativa ou judicial. Entretanto, caso haja essa ação e esta ainda esteja em curso, devese obedecer o disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ademais, a sua existência, bem como sua pendência, ensejaria outro óbice a análise deste conselheiro, a atração da súmula n. 1 do CARF, in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Imperiosa se faz a aplicação do referido dispositivo, cuja finalidade é preservar o lapso temporal que o processo judicial protege da prescrição, eis que se configura marco interruptivo do lustro prescricional, a fim de preservar o direito à compensação por parte do contribuinte, de modo que sobrevindo o trânsito em julgado da referida decisão, será possível a devida compensação dos valores discutidos judicialmente, adimplidos indevidamente durante os cinco anos anteriores ao seu ajuizamento. Deste modo, ainda em trâmite o processo judicial 2006.34.00.0291741, não há que se falar em possibilidade de compensação dos valores discutidos. Desnecessário portanto, o enfrentamento das demais alegações do contribuinte, sobre a limitação de 30% e a retificação da GFIP. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado acima, no acórdão 0940.580, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, entendeu que não poderia persistir a multa isolada no importe de 150% quando o fisco não tenha comprovado que o contribuinte inseriu informação falsa na GFIP. Tal medida acabou por excluir do processo em apreço, o DEBCAD 51.006.4680, relativo à multa isolada, que soma o montante de R$ 2.056.773,11 (dois milhões, cinqüenta e seis mil, setecentos e setenta e três reais e onze centavos). Portanto, percebo que o recurso de ofício se adéqua ao patamar mínimo disposto no art. 34, do Decreto n. 70.235/72 e na portaria MF n. 3, de 3 de janeiro de 2008, merecendo portanto, análise de seu mérito. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Há de se ter em mente que a penalidade disposta no art. 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/09, não pode ser aplicada como regra de presunção de falsidade na declaração, da forma que ocorreu. O artigo fala que na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, esse dispositivo deve ser observado com parcimônia. A falsidade da declaração deve ser entendida quando não haja qualquer fundamento ao pleito do contribuinte, principalmente no que concerne à inexistência do fato gerador, total ou parcial. No caso concreto, tratase de pleito compensatório de valores que já foram considerados indevidos, inclusive por sentença judicial de primeira instância no processo n. 2006.34.00.0291741, conforme fl. 54 dos autos. Quando do julgamento do RE 351.717, o STF decidiu pela inconstitucionalidade da alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, por desobedecer o disposto no art. 195, II e 154, I, ou seja, somente por meio de Lei Complementar, poderia ter sido instituída a citada contribuição, verbis. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL. Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. III. Inconstitucionalidade da alínea h do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R.E. conhecido e provido. (RE 351717, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2003, DJ 21112003 PP00010 EMENT VOL0213305 PP00875) (grifo nosso) Ademais, além de o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal ter sido em decisão plenária e definitiva, o Senado Federal, exercendo atribuição constitucionalmente a ele concedida, art. 52, X, suspendeu a execução da norma, nos termos da decisão do STF, conforme a Resolução SF n. 26/2005, abaixo colacionada: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10660.720660/201232 Acórdão n.º 2403002.013 S2C4T3 Fl. 6 9 pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Por tal razão, poderia o contribuinte a qualquer momento solicitar administrativamente a compensação, pleito o qual estaria o órgão fazendário vinculado nos termos do art. 52, X, da CF/88, adrede exposto. Entretanto, não o fez em momento apropriado, em razão também da pendência de processo judicial ainda em trâmite, o que por si só, atrai a incidência da Súmula n. 01 do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Apesar disso, é desproporcional e nada razoável a interpretação do dispositivo do art. 89 da Lei 8.212/91 como mero erro ou omissão. Repitase deve ser entendido como falsidade da materialidade do crédito a ser compensado, o que in casu, não ocorreu e demanda análise do mérito da causa. Dessa mesma forma, em caso análogo, foi decidido, por unanimidade de votos, por esta 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, da 2ª Seção de Julgamento, nos autos do processo 10660.720348/201249 que gerou o acórdão 2403001.807. Portanto, deve ser negado provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Do exposto, correta a decisão da DRJ ao exonerar o crédito tributário consubstanciado na multa isolada consignada nos autos, razão pela qual conheço do Recurso de Ofício para negar provimento. Quanto ao Recurso Voluntário, conheçoo para também negar provimento, nos termos do voto, mantendo a decisão da DRJ. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001673/2005-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental.
Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 16 73 /2 00 5- 82 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A FAZENDA NACIONAL, por meio de seu procurador, com fulcro no art. 67do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/09, interpõe recurso especial em face do Acórdão n ° 2102 00.572, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Tratase de lançamento de ITR/2002, decorrente da glosa da área de reserva legal de 124 ha, devido o contribuinte não ter apresentado tempestivamente o Ato Declaratório Ambiental — ADA. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário por considerar que,apesar da entrega extemporânea do ADA, a área de reserva legal consta em mapa descritivo do imóvel e foi averbada em cartório anteriormente a ocorrência do fato gerador, e que a Fiscalização não contraditou essas evidências. Acrescentou não consta nas Leis 4.771/65(Código Florestal), 9.393/96 e 6.938/81 prazo para entrega do ADA. A recorrente alega que a decisão atacada diverge do entendimento proferido nos Acórdãos no 30134.352 e 30239.144, citados como paradigmas, que, segundo ela, exigem a apresentação tempestiva do ADA, ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste, junto ao órgão ambiental competente, com vistas ao reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de utilização limitada. Por meio do Despacho n. 20100369/2010 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária [fl. 146], o i. Presidente daquele Órgão do CARF entendeu pelo seguimento do Especial: Cumpre informar, inicialmente, que o recurso foi apresentado tempestivamente. A vista dos elementos apresentados pela recorrente, não há como negar a existência do dissenso jurisprudencial, que constitui requisito de admissibilidade do recurso Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 16707.001673/200582 Acórdão n.º 9202002.683 CSRFT2 Fl. 9 3 especial, conforme dispõe o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n o 256, de 22/06/09. No acórdão recorrido a área de reserva legal foi excluída da base de cálculo doITR, mesmo com a protocolização intempestiva do ADA. Por outro lado o Acórdão n° 301 34.352, ao tratar da mesma matéria, entendeu de forma diferente, considerando indispensável a apresentação tempestiva daquele documento para fins de redução do ITR, em se tratando deárea de reserva legal, como pode ser constatado pela transcrição abaixo de trecho do voto do relator do respectivo paradigma: [...] Diante do exposto acima, tendo sido atendidos os admissibilidade previstos no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n o 256, de 22/06/09, ADMITO pressupostos de Administrativo de o recurso especial. Intimado para se manifestar, o sujeito passivo apresentou contrarrazões que ratificam o decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Conforme previsão regimental, é requisito para admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra câmara dos conselhos de contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária eextrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para• que uma área seja considerada de utilização limitada (reserva legal, reserva particular do patrimônio natural —RPPN, de declarado interesse ecológico, de servidão florestal, etc.) ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Aqui somente faremos considerações sobre a área de reserva legal, objeto do lançamento. A reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse• rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1°, § 2°, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país,determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (área tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, pareceme claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essa área de utilização limitada, ou seja, caso a área de reserva legal não exista, afastarseia a isenção legal, não se podendo deferir a benesse tributária Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 16707.001673/200582 Acórdão n.º 9202002.683 CSRFT2 Fl. 10 5 simplesmente a partir dos percentuais abstratos de reserva legal previstos no art. 16 do Código Florestal. De outra banda, existindo tal área, o contribuinte pode se beneficiardo favor legal. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com conseqüências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 16707.001673/200582 Acórdão n.º 9202002.683 CSRFT2 Fl. 11 7 Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. No presente caso, verifico que a divergência se cinge apenas em face da “necessidade de apresentação tempestiva de ADA para a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR”. Dito isso e não obstante os argumentos apresentados pela Recorrente, entendo que o Acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Peço vênia aos ilustres pares para transcrever excerto do decisum, que ratifica o cumprimento pelo Contribuinte do requisito formal para isenção [fl. 102]: [...] Nestes autos, na fase que antecedeu a autuação, o contribuinte trouxe um ADA extemporâneo, secundado por uma planta descritiva da propriedade (fl. 17), com área dereserva legal de 122,80 hectares, e Certidão do Cartório de Registro de Imóveis que comprovaria a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva legal (fls. 18 e19). Compulsando a Certidão acima, vêse que se trata de uma certidão conjunta de três imóveis, na qual se afirma que o imóvel aqui auditado (Ilha do Maranhão) seria anexo ao imóvel denominado Torre, com área conjunta de 1.600,4 hectares. Ainda se informa uma área de reserva legal no imóvel Torre (fl. 18v) de 296,19 hectares, averbada à margem da matrícula do imóvel em 14/06/1999 (fl. 18v, in fine). O contribuinte utiliza os registros cartorários da averbação do imóvel Torre para descrever a averbação da reserva legal da propriedade Ilha do Maranhão, na qual constariam 124 hectares. Como a averbação do registro cartorário da área de reserva legal do imóvel Ilha do Maranhão não foi contraditada pela autoridade fiscal, aliado ao fato de a Certidão fazer Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 menção à contigüidade dos imóveis Torre e Ilha do Maranhão, há plausibilidade na tese do contribuinte de que a área de reserva legal desse último imóvel foi averbada em 14/06/1999. Acatando a averbação da área de reserva legal do imóvel Ilha do Maranhão em época pretérita ao fato gerador, aliado ao mapa descritivo do imóvel no qual consta uma área de reserva legal de 122,8 hectares (fl. 17), que também não foi contraditado pela autoridade fiscal, parece claro que restou demonstrada a existência da área de reserva legal na data do fato gerador, e seria desarrazoado se fiar apenas na entrega extemporânea do ADA ao órgão ambiental para manter a exação, quando sabidamente tal prazo de entrega não consta nas Leis 4.771/65 (Código Florestal), 9.39 é 6.938/81. Em face de todo o exposto encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela PFN,para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, para que seja mantida o decisum recorrido. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 17546.000763/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi,Wilson Antonio Correa de Souza, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi,Wilson Antonio Correa de Souza, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 07 63 /2 00 7- 71 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O lançamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil, de propriedade do contribuinte acima identificado. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 21/02/2007, foi cientificada ao sujeito passivo através de registro postal em 24/02/2007 e compreende a competência de 09/2006, conforme ARO e DISO emitidos. Após impugnação, Acórdão de fls. 45/47, converteu o julgamento em diligência para esclarecimentos acerca da real metragem da obra e respectivo enquadramento nos padrões residencial e comercial. Da informação fiscal de fls. 59/60, onde o crédito foi retificado, procedendose ao reenquadramento solicitado e nova emissão de ARO e DISO, o contribuinte foi cientificado, manifestandose acerca da inexistência de mão de obra assalariada e dizendo que o encerramento das atividades se deu no ano de 2000. Acórdão de fls.87/90, julgou o lançamento procedente em parte, em vista da retificação proposta quanto à metragem e área decadente com base na decadência decenal. O contribuinte apresentou recurso onde argúi a decadência qüinqüenal, juntando documentos para comprovar a edificação em período decadente. Resolução n.º 2302000.177, de 12/07/2012, da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, converteu o julgamento em diligência para que o período referente à edificação da obra de construção civil fosse reexaminado, observando a decadência qüinqüenal contida no Código Tributário Nacional, em vista da edição da Súmula Vinculante n.º 08, do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91, que tratavam da decadência e prescrição. A diligência foi cumprida e einformação de fls. 169, esclarece que conforme Alvará n.º 41.961 , a obra teve início em 18/02/1994; que o documento de lançamento do IPTU para o exercício de 2001 da Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes comprova o término da obra de construção civil no ano 2000, conforme dispõe o inciso II do § 3º do artigo 390 da IN n.º 971/2009. Aduz que apesar do documento trazer como proprietário o Sr. José de Oliveira, tratase do imóvel em questão que é identificado com a inscrição imobiliária 26.046.002.000. e finaliza concluindo que o período referente à edificação da obra se deu entre fevereiro de 1994 a dezembro de 2000, conforme comprovam os documentos que anexa. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou pela aplicação da Súmula Vinculante nº 08, já que a obra encerrou em 2000. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000763/200771 Acórdão n.º 2302002.441 S2C3T2 Fl. 190 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, motivo pelo qual o conheço e passo ao seu exame. A questão trazida aos autos referese ao fato de ter sido ou não a obra edificada em período decadente e por isso foi comandada diligência fiscal a fim de dirimir a dúvida existente à luz da decadência quinquenal. De acordo com os elementos constantes dos autos, em especial da Informação Fiscal resultante da diligência antes solicitada por este Colegiado temos o documento anexado às fls. 170 , que trata da substituição de Alvará da Prefeitura de Mogi das Cruzes/SP, em 18/02/1994, onde consta que a obra em questão se encontrava em fase de acabamento nesta data e às fls. 171, consta guia com o lançamento de IPTU para o exercício de 2001, de onde o Fisco concluiu que em dezembro de 2000, pelo menos a obra já estava finalizada. O resultado da diligência, fls.169, afirma ter sido a obra edificada em período decadente, compreendido entre 1994 e 2000, e tendoo lançamento a data de 21/02/2007, tomando por base Aviso de Regularização de Obra – ARO com competência de 09/2006, entendo que o crédito lançado foi atingido pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000763/200771 Acórdão n.º 2302002.441 S2C3T2 Fl. 191 5 homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN para a contagem do prazo decadencial, que no caso em tela atinge todo o período em que a obra foi edificada, de acordo com os documentos juntados aos autos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por todo o exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 35301.007211/2006-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
DECADÊNCIA
Existindo recolhimentos parciais aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter e recolher 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. A retenção presume-se feita.
RETENÇÃO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES.
Não cabe retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço, quando a empresa prestadora é optante pelo SIMPLES.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-002.067
Decisão: Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando a exclusão total do lançamento associado a serviços prestado por empresa optante pelo SIMPLES ( PSG Administração e Serviços LTDA) e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 DECADÊNCIA Existindo recolhimentos parciais aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter e recolher 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. A retenção presumese feita. RETENÇÃO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. Não cabe retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço, quando a empresa prestadora é optante pelo SIMPLES. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 72 11 /2 00 6- 67 Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando a exclusão total do lançamento associado a serviços prestado por empresa optante pelo SIMPLES ( PSG Administração e Serviços LTDA) e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário apresentados contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1243.123 da 10ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. A autuação , a impugnação, as diligências e as decisões proferidas ao longo da tramitação do processo foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD nº 35.804.5142, consolidado em 02/06/2005), no valor de R$ 3.604.682,55; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 108/117), referese às contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, relativas à retenção de 11% que deveria ter sido feita, incidentes sobre as Notas Fiscais/Faturas de Prestação de Serviços gerais, de leitura de maquina e trabalho temporário, mediante cessão de mãode obra, emitidas pelas empresas contratadas ACR SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA., ALLIANCE CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA., ASMAN ASSOCIAÇÃO DOS SURDOS DE MANUAIS, ASEG APOIO A SERVIÇOS GERAIS LTDA., ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL S.A., MP RECURSOS HUMANOS LTDA., PERSONALE CONSULTORIA LTDA., PSG ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., QUALIDADE ASSESSORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA., SERES SERVIÇOS DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL LTDA., TR TERCEIRIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA., no período de 02/1999 a 12/2002. DA IMPUGNAÇÃO 2. A empresa, inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada pessoalmente em 07/07/2005, apresentou impugnação, tempestivamente, protocolada sob nº 37216.003635/200566 em 22/07/2005 (fls. 270/309), alegando em síntese: 2.1. A tempestividade da impugnação; 2.2. Que o procedimento fiscal instaurado contra a impugnante é irregular, causando a nulidade do lançamento, devido à nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, já que as prorrogações do procedimento fiscal só eram cientificados após a data de validade do MPF anterior. 2.3. A decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1999 e junho de 2000; Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 2.4. A impossibilidade de duplo recolhimento da contribuição previdenciária, já que as empresas prestadoras recolheram suas contribuições e a obrigação legal de retenção constitui apenas obrigação acessória, não importando a cobrança do valor integral da contribuição; 2.5. A inconsistência da notificação, contrariando o art. 142 do CTN e o princípio da verdade material, vez que a fiscalização se baseou em meros indícios ou presunções simples de ausência de retenção dos 11%, sem avaliação e verificação efetiva dos possíveis fatos geradores, limitandose a analisar os livros e documentos contábeis da impugnante; 2.6. Que traz por amostragem algumas inconsistências objeto da notificação, demonstrando a completa ausência de liquidez do créditos tributários, além de documentos comprobatórios dos recolhimentos por ela efetuados; 2.7. Que a impugnante efetuou as retenções devidas nas respectivas competências, como demonstra por exemplo as GPS juntadas à defesa referentes às prestadoras Alliance Consultores, ACR Serviços, Qualidade Assessoria, Seres Serviços, Personale Consultoria, Atra Prestadora, Gelre Prestadora, ASEG Apoio a Serviços; 2.8. A inexigibilidade da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária, por ser a empresa prestadora PSG Administração de Serviços Especializados optante pelo Simples; 2.9. A inexigibilidade da retenção sobre serviços gráficos, plastificação e encadernação, prestados pela empresa PSG Administração de Serviços Especializados, bem como sobre valores que não compõem a base de cálculo (valetransporte e valerefeição); 2.10. Que no caso da empresa prestadora de serviços ECS Empresa Capixaba de Serviços Ltda., a fiscal não analisou o objeto dos contratos, pelo que não poderia pretender a retenção dos 11% sobre as notas fiscais, referentes a tais contratos, sem ter constatado se a retenção era de fato devida. Ademais, que é plenamente possível que os valores lançados comportem parcelas que deveriam ter sido excluídas da base de cálculo da retenção ou percentuais de redução desta base, conforme autorizado pela legislação; 2.11. Que diante do curto prazo para apresentação desta impugnação, a impugnante não teve tempo suficiente para separar e apresentar todos os documentos que comprovam a insubsistência dos valores exigidos na presente NFLD; 2.12. Que a perícia se faz indispensável à elucidação da matéria, tendo em vista que a documentação não foi objeto de qualquer análise, pelo que requer seja feita perícia em seus livros e documentos contábeis e fiscais de acordo com os quesitos anexos (fls. 305); DAS DILIGÊNCIAS Da Primeira Diligência Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 4 5 3. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento. Em resposta às fls. 987/989, à auditorafiscal afirma em suma que os documentos ora fornecidos não foram apresentados durante a ação fiscal, pelo que foi realizada análise sobre os mesmos, culminando na necessidade de retificação da presente NFLD (planilhas/FORCED às fls. 958/986). A retificação foi efetuada conforme DADR às fls. 992/1029. Da Segunda Diligência 3.1. Tendo em vista a juntada, pela recorrente de documentos em fase de Recurso, solicitouse o retorno dos autos à autoridade fiscal notificante, a fim de que se manifestasse sobre a adequação da referida documentação. Em resposta às fls. 3280/3283, à auditora fiscal se pronunciou acerca da pertinência da prova documental apresentada, determinando nova retificação da presente NFLD, consoante planilhas/FORCED 3153/3279. As provas permaneceram nos autos para apreciação do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social, razão pela qual não foi procedida a retificação. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO, DO RECURSO E DO ACÓRDÃO DO CRPS 4. Às fls. 1030/1039, consta a DecisãoNotificação nº 17.401.4/0705/2005, que considerou o lançamento procedente em parte, com base no resultado da primeira diligência. 5. Às fls. 1047/1103, a interessada interpôs recurso voluntário tempestivo direcionado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. 6. Em 03/12/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que absorveu a competência do CRPS, em matéria de custeio, nos termos da Lei nº 11.457/2007, exara acórdão de fls. 3346/3350, no sentido de anular a DecisãoNotificação, por violação ao contraditório, determinando o reinício do contencioso administrativo com a ciência do Resultado das Diligências anterior e posterior à decisão de primeira instância. DA NOVA IMPUGNAÇÃO 7. Devidamente cientificada do Acórdão proferido pelo CARF e dos Resultados das Diligências de 19/10/2005 e 31/03/2006, consoante Intimação nº 213/2001 de fls. 3360, a interessada, interpõe, tempestivamente nova impugnação, às fls. 3361/3405, reiterando os argumentos da impugnação originária e do recurso apresentados, reproduzidos a seguir, em síntese: 7.1. Que a GPS apresentada em relação à empresa Seres Serviço de Recrutamento e Seleção de Pessoal Ltda., da competência 07/1999, corresponde ao exato montante lançado na NFLD, Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 entretanto, a fiscalização alega que essa GPS já teria sido considerada quando da constituição do crédito tributário, todavia, tal alegação não está correta, o que pode ser verificado pela simples análise da planilha anexa à NFLD, na qual não consta listado esse recolhimento; 7.2. Que apesar de ter apresentado uma série de GPS referentes à retenção dos 11%, a título de contribuição previdenciária, comprovando o correto recolhimento da referida contribuição, tais documentos foram desconsiderados, sob a alegação de ausência de registro na conta INSS Terceiros, e/ou identificação do tomador dos serviços como Xerox do Brasil Ltda.; 7.3. A ausência de contabilidade caracteriza mero descumprimento de obrigação acessória, e o que importa é que a obrigação principal, recolhimento da contribuição devida, foi cumprida, não tendo qualquer fundamento a alegação de que as GPS das empresas Alliance Consultores, das competências 08/2000 e 10/2000, Qualidade Assessoria e Administração Ltda, competências 07/2001 a 09/2001, Personale Consultoria, competências 10/2000 e 12/2000, ATRA Prestadora de Serviços em Geral S/C Ltda., das competêncuias 12/2000, 07/2001 e 10/2001, ASEG Apoio a Serviços, competências 12/2000 e 07/2001, não foram excluídas do lançamento, por supostamente não constar na escrituração contábil da empresa na conta INSS Terceiros; 7.4. No tocante ao fato de algumas GPS constarem com o nome do tomador Xerox do Brasil Ltda., tal fato ocorreu em virtude de erro material no preenchimento da GPS, em decorrência da cisão parcial dessa empresa, sendo formada uma nova sociedade denominada Xerox Comércio e Indústria Ltda., apesar dessas GPS terem o nome da Xerox do Brasil, como empresa tomadora do serviço, na realidade, correspondem ao recolhimento dos 11%, a título de contribuição previdenciária, sobre os serviços prestados para a Xerox Comércio e Indústria Ltda.; 7.5. Entende a Requerente que tais valores devem ser excluídos do lançamento ora questionado, portanto, reapresenta as GPS das empresas: Alliance Consultores Associados Ltda., Qualidade Assessoria e Administração Ltda., Personale Consultoria Ltda., e ATRA Prestadora de Serviços em Geral S/C Ltda., GELRE Trabalho Temporário S.A., ASEG Apoio a Serviços Gerais Ltda.; 7.6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre as notas fiscais emitidas pela empresa Qualidade Assessoria e Administração em Recursos Humanos Ltda., para o tomador Xerox do Brasil Ltda., devem ser excluídas do lançamento ora questionado, vez que a fiscalização não aceitou as GPS nas quais constavam o nome da Xerox do Brasil, como tomador do serviço, portanto, não pode adotar dois pesos e duas medidas, pretendendo exigir, a contribuição previdenciária sobre as notas fiscais emitidas contra Xerox do Brasil Ltda.; Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 5 7 7.7. Analisando seus arquivos, localizou notas fiscais emitidas pelas empresas Qualidade Assessoria e Administração Ltda., e ACR Serviços Industriais Ltda., nas quais consta o reembolso de vale transporte e vale refeição, já reconhecido pela fiscalização, como sem incidência de contribuição previdenciária, devendo, portando, ser excluído do lançamento os valores indevidamente exigidos, consoante doc. 19 e 20; 7.8. Além dos valores referentes a transporte e refeição, constatouse a exigência indevida também com relação a valores referentes a reembolsos de viagens e de despesas, planos de saúde, adiantamentos para realização de curso e pagamento de DARF referente a auto de infração, pelo que devem ser excluídos da base de cálculo do preço do serviço, conforme doc. 21 a 26; 7.9. Que consoante jurisprudência, no que tange à inexigibilidade da retenção dos 11% por empresas prestadoras optantes pelo SIMPLES (PSG Administração e Serviços Ltda.), o correto seria excluir também as competências não compreendidas no período previsto no parágrafo único do art. 151, da IN 100/2003 (01/02/1999 a 31/12/1999 e 01/09/2002 a 31/12/2002); 7.10. Que a diligência realizada comprova a inexatidão da ação fiscal, ratificando que a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, deixou de apurar corretamente o crédito tributário exigido, fazendo com que o lançamento contenha uma série de inconsistências que importam em afronta ao disposto no art. 142, do CTN e aos princípios da legalidade e da verdade material; 7.11. Que outros recolhimentos realizados pela requerente além dos considerados na retificação do lançamento, deixaram de ser verificados pela fiscalização, conforme planilhas: ACR Serviços Industriais Ltda. (competências 02/1999, 10/1999, 11/1999, 05/2000, 07/2000, 09/2000 e 11/2001), PSG Administração e Serviços Ltda. (competência 06/1999), TR Terceirização e Representação Ltda. (competência 12/2000), Personale Consultoria Ltda. (competências 05/1999 e 06/1999), ATRA Prestadora de Serviços em Geral S/C Ltda. (competências 11/2000, 12/2000, 04/2001 a 08/2002, 11/2002 e 12/2002), ASSEG (competências 09/1999 a 12/1999, 09/2000, 02/2002 a 12/2002, 07/2001, Gelre Trabalho Temporário S.A (competências 01/2001, 12/2001 e 11/2002), Seres Serviços de Recrutamento e Seleção de Pessoal Ltda. (competências 11/2001, 05/2002 e 06/2002), Alliance Consultores Associados Ltda. (competências 02/1999), vez que as GPS e as notas fiscais constam em nome da Xerox do Brasil Ltda.; 7.12. Com o intuito de demonstrar ainda mais as inconsistências do lançamento, apresenta diversas notas fiscais que comprovam Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 a retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, retenção que supostamente devida é inferior ao valor, das empresas Qualidade Assessoria, ACR Serviços Industriais, MP Recursos Humanos; 7.13. Que a confirmação da existência de tais inconsistências demonstram que o crédito tributário lançado não atende aos requisitos de liquidez e certeza para sua cobrança, razão pela qual a requerente reitera os argumentos apresentados em sua impugnação que suportam a improcedência do lançamento; 7.14. Reitera por fim a alegação de decadência dos débitos relativos às competências de 02/1999 a 06/2000, com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável aos débitos previdenciários, conforme Súmula Vinculante nº 08, do STF. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade. Prorrogação dos MPF. · Enriquecimento sem causa. A Fazenda não pode exigir o pagamento da retenção sem verificar se o tributo foi recolhido pelo prestador de serviço. · Retenções desconsideradas. O fato de algumas GPS’s constarem com o nome da XÉROX do Brasil se deu em virtude de erro material no preenchimento. Não resta dúvida de que a tomadora de serviço era, de fato, a recorrente. · Inexigibilidade de retenção para empresas optantes pelo SIMPLES (empresa PSG). · Inconsistência dos valores lançados. Recurso de ofício. O crédito tributário original era de R$ 3.604.682,55 mais juros e multa de mora e em primeira instância, decidiuse pela redução para R$ 1.814.387,16, acrescidos de juros e multa. O que motivou tal redução foi: · Reconhecimento da decadência até 06/2000 com base no artigo 150, § 4º do CTN. · Retificações efetuadas no lançamento. · Exclusão parcial (01/2000 a 08/2002) do lançamento associado a serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES (PSG Administr. e Serviços LTDA) É o relatório Fl. 4569DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari , Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA Em primeira instância houve o reconhecimento da decadência até 06/2000 com base no artigo 150, § 4º do CTN. A questão da decadência qüinqüenal está pacificada. O lançamento referese ao período 02/1999 a 12/2002. A ciência do lançamento ocorreu em 07/07/2005. 23. Necessário determinar o dies a quo para contagem do prazo de decadência. No caso em análise, a ciência do lançamento ocorreu pessoalmente em 07/07/2005 (fls. 02), sendo apuradas contribuições e acréscimos legais relativos ao período de 02/1999 a 12/2002 (descontínuo). Para as contribuições e acréscimos legais lançados até a competência 06/2000, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo portanto o referido período ser excluído do lançamento. Consta da decisão recorrida a existência de recolhimentos em todas as competências do lançamento. 21. Consoante consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil – PLENUS/ÁGUIA/CCOR, constam guias de recolhimentos em todas as competências do lançamento para o estabelecimento 0001. Fl. 4570DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Entendo correta a decisão. RETIFICAÇÕES Quando da primeira impugnação apresentada e quando do primeiro recurso, a recorrente apresentou documentos não apresentados durante a ação fiscal. Da Primeira Diligência 3. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento. Em resposta às fls. 987/989, à auditorafiscal afirma em suma que os documentos ora fornecidos não foram apresentados durante a ação fiscal, pelo que foi realizada análise sobre os mesmos, culminando na necessidade de retificação da presente NFLD (planilhas/FORCED às fls. 958/986). A retificação foi efetuada conforme DADR às fls. 992/1029. Da Segunda Diligência 3.1. Tendo em vista a juntada, pela recorrente de documentos em fase de Recurso, solicitouse o retorno dos autos à autoridade fiscal notificante, a fim de que se manifestasse sobre a adequação da referida documentação. Em resposta às fls. 3280/3283, à auditora fiscal se pronunciou acerca da pertinência da prova documental apresentada, determinando nova retificação da presente NFLD, consoante planilhas/FORCED 3153/3279. As provas permaneceram nos autos para apreciação do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social, razão pela qual não foi procedida a retificação. Todos documentos apresentados foram analisados. As 2 diligências apontaram a necessidade de se efetuar retificações no lançamento. Entendo corretas as retificações. PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES Fl. 4571DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 7 11 Observo que esta questão está presente tanto no recurso de ofício quanto no voluntário. Decidiuse pela exclusão parcial (01/2000 a 08/2002) do lançamento associado a serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES (PSG Administr. e Serviços LTDA). Aqui analiso exclusivamente este período. Entendo correta a exclusão. Apoio meu posicionamento em ampla jurisprudência e no Ato Declaratório nº10/2011 da PGFN que autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.” ATO DECLARATÓRIO Nº 10 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2122 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.” JURISPRUDÊNCIA: AGA 918369/RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/10/2007, DJ 8/11/2007 P. 197; EDRESP 806223/RJ, Relator Ministro CARLOS FERNANDES MATHIAS – Juiz convocado do TRF/1ª Região, SEGUNDA TURMA, julgado em 4/3/2008, Dje 26/3/2008; ERESP 511001/MG, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/3/2005, DJ 11/4/2005 p. 175; ERESP 523841/MG, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/05/2011, DJ 19/6/2006 Fl. 4572DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 p.89; ERESP 584506/MG, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/11/2005, DJ 5/12/2005 P. 210; RESP 511201/MG, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/9/2006, DJ 10/10/2006, p. 293; RESP 826180/MG, Relator Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/2/2007, DJ 28/02/2007 p. 212; RESP 8551600/SP, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 5/9/2006, DJ 25/9/2006 p. 243, RESP 1112467/DF, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/8/2009, DJe 21/8/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINAR NULIDADE A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por extinção do Mandado de Procedimento Fiscal. O ponto central é o do tempo em que houve a ciência.. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo com as datas de emissão e validade, transcrevendo trecho da decisão recorrida, demonstrando que todos os MPF´s Complementares foram regularmente emitidos antes da expiração de validade do MPF anterior. 12. Quanto aos alegados vícios referentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, temos que: o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) de fls. 256 foi expedido em 08/10/2004 com validade até 05/02/2005. O MPFC de fls. 257 foi expedido em 03/02/2005 com validade até 31/03/2005. O MPFC de fls. 258 foi expedido em 31/03/2005 com validade até 29/04/2005. O MPFC de fls. 259 foi expedido em 29/04/2005 com validade até 30/05/2005. O MPFC de fls. 260 foi expedido em 30/05/2005 com validade até 29/06/2005. Por fim, o MPFC Fl. 4573DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 8 13 de fls. 261 foi expedido em 29/06/2005 com validade até 15/07/2005. Esta NFLD foi lavrada em 07/07/2005, dentro do prazo de validade do último MPFC. 13. Assim, ao contrário do que sustenta a impugnante, todos os MPF´s Complementares foram regularmente emitidos antes da expiração de validade do MPF anterior. O fato da cientificação dos MPF’s complementares se dar em datas posteriores ao término da validade do MPF anterior, não acarreta a nulidade do procedimento fiscal, eis que a empresa foi devidamente cientificada do início e das prorrogações da realização da auditoria fiscal. O contribuinte também tem acesso ao MPF por meio da internet e o CARF tem decidido que a disponibilização na internet das informações a ele referentes supre a ciência formal das prorrogações do documento. MPF OBSERVAÇOES 1. O AFPS deverá identificarse, mediante apresentação de sua Identidade funcional, no ato da entrega do presente Mandado ao contribuinte/responsável. 2. Em caso de dúvida, o contribuinte/responsável poderá entrar em contato com ; Chefe do Serviço/ Seção de Fiscalização: FERNANDA FREIRE VIRGENS Telefone: (21 )22209247 Ramal: Endereço: RUA PEDRO LESSA, 36 12 ANDAR CENTRO Endereço Eletrônlco:fernanda.virgens@previdencia.gov.br 3.CÓDIGO DE ACESSO AO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL : 11552865 A autenticidade deste Mandado de Procedimento Fiscal poderá ser verificada pelo sujeito passivo mediante consulta ao site do Ministério da Previdência Social MPS (www.previdenciasocial.gov.br) na Internet, opção: Serviços / Empregador / Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), com a utilização do código acima, ou então em qualquer Unidade de Atendimento da Secretaria da Receita Providenciaria, ou mesmo pelo telefone acima. AutoridadeConselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Fl. 4574DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 TítuloAcórdão nº 110200492 do Processo 10218000179200798 Data03/08/2011 EmentaASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.ANOCALENDÁRIO: 2003EMENTA: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE.NULIDADE. INEXISTÊNCIA.SE O PROCEDIMENTO FISCAL ESTÁ DEVIDAMENTE ACOBERTADO EM SUA TOTALIDADE PELO MPF QUE LHE DEU ORIGEM, A DISPONIBILIZAÇÃO NA INTERNET DAS INFORMAÇÕES A ELE REFERENTES SUPRE A CIÊNCIA FORMAL DAS PRORROGAÇÕES DO DOCUMENTO.DEVOLUÇÃO DOS LIVROS FISCAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.INCABÍVEL A ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PELA NÃO DEVOLUÇÃO DOS LIVROS EM TEMPO HÁBIL ANTES DA FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA, QUANDO NÃO DEMONSTRADO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUAIS INFORMAÇÕES CONSTANTES DAQUELES LIVROS SERIAM RELEVANTES COMO INSTRUMENTO DE CONTESTAÇÃO DA AUTUAÇÃO.ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANO CALENDÁRIO: 2003EMENTA: OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. CARACTERIZAÇÃO.A OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO NO PERÍODO DE APURAÇÃO É CARACTERIZADA PELO PAGAMENTO DA PRIMEIRA COTA OU COTA ÚNICA DO IMPOSTO SOB ESSA MODALIDADE. NA INEXISTÊNCIA DO PAGAMENTO E CONSIDERANDO AINDA A ENTREGA DA DIPJ COM BASE NO LUCRO REAL, NÃO HÁ COMO ACEITAR UMA OPÇÃO EXERCIDA DE FATO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA.A OMISSÃO DE REGISTRO CONTÁBIL DE VULTOSA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA REVELA ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA RESPALDAR A APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO LUCRO REAL. TAL CONDIÇÃO ENSEJA A TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DO LUCRO ARBITRADO.ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES.ANOCALENDÁRIO: 2003EMENTA: PIS. COFINS. RECEITA OMITIDA.CARACTERIZADA A OMISSÃO DE RECEITA, MOSTRASE CORRETA A INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS SOBRE O MONTANTE APURADO, AINDA QUE TRIBUTAÇÕES DECORRENTES DE LANÇAMENTO DO IRPJ CANCELADO, SE AS RAZÕES DO CANCELAMENTO SÃO ESTRANHAS À EXIGÊNCIA DESSAS CONTRIBUIÇÕES.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS REJEITAR AS PRELIMINARES DE~NULIDADE DO LANÇAMENTO E, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO PARA CANCELAR OS LANÇAMENTOS REFERENTES AO IRPJ E CSLL, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. Fl. 4575DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 9 15 Além disso tudo, o CARF também tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES Observo que esta questão está presente tanto no recurso de ofício quanto no voluntário. Decidiuse em primeira instância pela exclusão parcial (01/2000 a 08/2002) do lançamento associado a serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES (PSG Administr. e Serviços LTDA). A recorrente pleiteia a exclusão da totalidade do período lançado. Concordo com o pleito. Entendo que a totalidade do lançamento associado a serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES (PSG Administr. e Serviços LTDA) deve ser excluído. Apoio meu posicionamento em ampla jurisprudência e no Ato Declaratório nº10/2011 da PGFN que autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.” Fl. 4576DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 ATO DECLARATÓRIO Nº 10 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2122 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a retenção da contribuição para a Seguridade Social pelo tomador do serviço , quando a empresa prestadora e optante pelo SIMPLES, ressalvadas as retenções realizadas a partir do advento da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, nas atividades enumeradas nos incisos I e VI do § 5º C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.” JURISPRUDÊNCIA: AGA 918369/RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/10/2007, DJ 8/11/2007 P. 197; EDRESP 806223/RJ, Relator Ministro CARLOS FERNANDES MATHIAS – Juiz convocado do TRF/1ª Região, SEGUNDA TURMA, julgado em 4/3/2008, Dje 26/3/2008; ERESP 511001/MG, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/3/2005, DJ 11/4/2005 p. 175; ERESP 523841/MG, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/05/2011, DJ 19/6/2006 p.89; ERESP 584506/MG, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/11/2005, DJ 5/12/2005 P. 210; RESP 511201/MG, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/9/2006, DJ 10/10/2006, p. 293; RESP 826180/MG, Relator Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/2/2007, DJ 28/02/2007 p. 212; RESP 8551600/SP, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 5/9/2006, DJ 25/9/2006 p. 243, RESP 1112467/DF, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/8/2009, DJe 21/8/2009. RETENÇÃO – EXIGÊNCIA Fl. 4577DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 10 17 A recorrente apresenta a hipótese do enriquecimento sem causa, afirmando que a Fazenda não pode exigir o pagamento da retenção antes de verificar se o tributo foi recolhido pelo prestador de serviço. Entendo que não cabe razão à recorrente. A obrigação de efetuar a retenção está estabelecida no artigo 31 da Lei 8.212/91. Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Outro ponto a destacar é que, também por determinação legal, a retenção sempre se presume feita. “Art. 33 ............................................ (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. “ RETENÇÕES DESCONSIDERADAS – XÉROX DO BRASIL LTDA A recorrente esclarece que sua origem provém de cisão da empresa Xérox do Brasil, ocorrida em 1999, e que o fato de algumas GPS’s constarem com o nome da XÉROX do Brasil se deu em virtude de erro material no preenchimento. Afirma que de fato, a tomadora de serviço era a recorrente. Entendo que não cabe razão à recorrente. Fl. 4578DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 A fiscalização e o relator do julgamento de primeira instância analisaram todos documentos apresentados pela recorrente a concluíram pela retificação parcial do lançamento, conforme abaixo. DRJ 32. No que se refere às alegações e documentos tendentes a demonstrar a inexigibilidade da retenção ou o seu recolhimento anterior ao lançamento, temse que por ocasião da diligência, todos foram devidamente apreciados pela fiscalização, acarretando a retificação fundamentada do lançamento, consoante informação fiscal e planilhas anexas de fls. 958/989, que ensejou a emissão da DN 17.401 4/0705/2005. 33. Outrossim, quantos aos documentos apresentado em sede de recurso, temse que por ocasião da segunda diligência, foram todos também devidamente apreciados pela fiscalização, acarretando a nova retificação do lançamento, consoante informação fiscal e planilhas de fls. 3153/3283, porém, ainda pendente de processamento no sistema, tendo em vista que à época o caput do § 1º do artigo 9º da Portaria 520/2004, combinado com o § 3º do mesmo artigo do dispositivo, determinava que as provas deveriam permanecer nos autos para apreciação do CRPS, atual Conselho de Contribuintes. 34. Após ciência das diligências determinadas pelo Conselho de Contribuintes, através da INTIMAÇÃO nº 213/2011, fls. 3360, a impugnante apresentou nova impugnação acompanhada de novos documentos numerados de 01 a 38, que foram devidamente analisados por este julgador, ensejando ainda a retificação em algumas competências, conforme relatado nos itens a seguir. As guias aqui em discussão têm identificado como tomador do serviço empresa distinta da recorrente, sendo que essa situação está mais presente no ano 2002, 3 anos após a cisão. Entendo que todas as guias apresentadas onde se verificou relação com a recorrente motivaram retificação do lançamento. Entendo correto o procedimento do fisco de não considerar as guias vinculadas a empresa diversa da recorrente. Fl. 4579DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35301.007211/200667 Acórdão n.º 2403002.067 S2C4T3 Fl. 11 19 VALORES LANÇADOS A recorrente questiona valores lançados afirmando serem superior ao devido. O que se verifica nos casos apresentados é que o lançamento tomou por base o valor bruto da nota fiscal. Existe previsão legal de exclusão da base de cálculo de valor correspondente ao material ou equipamentos desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. Entendo que as deduções pleiteadas não estavam devidamente comprovadas, do que resulta correto o procedimento do fisco. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 4580DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Para o recurso de ofício, voto por negar provimento. Para o recurso voluntário voto pelo provimento parcial, determinando a exclusão total do lançamento associado a serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES (PSG Administr. e Serviços LTDA) e determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 4581DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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