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Numero do processo: 10120.902758/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 58 /2 01 1- 32 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10120.902758/201132 Acórdão n.º 3301003.340 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.379. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10120.902758/201132 Acórdão n.º 3301003.340 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.902758/201132 Acórdão n.º 3301003.340 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.902758/201132 Acórdão n.º 3301003.340 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.902758/201132 Acórdão n.º 3301003.340 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900346/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/08/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 46 /2 01 4- 27 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900346/201427 Acórdão n.º 3401003.718 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900346/201427 Acórdão n.º 3401003.718 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900346/201427 Acórdão n.º 3401003.718 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14774.720001/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO.
Fixado novo limite de alçada para a interposição de recurso de ofício e constatando-se nos autos que o valor do crédito tributário exonerado ficou aquém do estipulado na portaria ministerial vigente, não se conhece do recurso interposto ex officio (Portaria MF nº 63, de 09/02/2017)
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
INCENTIVO FISCAL EM ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO. RECONHECIMENTO PELA RECEITA FEDERAL
A aferição do cumprimento das condições e requisitos para usufruto do incentivo fiscal cabe tanto ao órgão de desenvolvimento regional quanto à autoridade tributária. Sendo o único obstáculo para utilização do incentivos fiscais a ausência de reconhecimento expresso (ato declaratório) da Receita Federal, ocorrendo este, resta afastado o óbice alegado.
SUBVENÇÃO PRODEPE PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL INCOMPLETA. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO.
Ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, inexiste dúvida quanto à intenção da lei estadual promotora dos incentivos sob análise no sentido da implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado, mas isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal.
BENEFÍCIOS DE REDUÇÃO DA MP Nº 470/09.
Os benefícios previstos na norma com a redução de multas, juros e encargos acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio e, por conseguinte, receita tributável. Somente são admitidas, na apuração do Lucro Real, as exclusões expressamente prescritas ou autorizadas na legislação tributária, o que não e o caso de tal receita.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. IRPJ INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica.
A redução do lucro operacional com despesas decorrentes da aquisição de créditos fiscais de terceiros não se insere na atividade operacional da empresa sendo indedutível na apuração do IRPJ.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
PERDA NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITO FISCAL DE IPI. DESPESAS INDEDUTÍVEIS PARA EFEITO DE IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
Descabida a pretensão do Fisco de estender à CSLL, sem amparo legal, as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ. São diversas as bases de cálculo de um e outro tributo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
APURAÇÃO DA COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
A base de cálculo da Cofins corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
APURAÇÃO DO PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
A base de cálculo da contribuição para o PIS corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1301-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de conversão do julgamento em diligência proposta pelo Conselheiro Roberto Silva Junior. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior. No mérito, (i) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de ofício; (ii) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (ii.a) por unanimidade de votos, AFASTAR as exigências correspondentes a Dedução do IRPJ - incentivo fiscal de redução Sudene/Adene; (ii.b) por maioria de votos, AFASTAR as exigências correspondentes a Receitas de subvenção ICMS-PRODEPE, e as exigências de CSLL correspondentes a Glosa de despesa - perda na aquisição de crédito fiscal de IPI. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo; (ii.c) por unanimidade de votos, REJEITAR os argumentos do recurso correspondentes a Omissão de receita - redução do parcelamento MP 470/2009 e Glosa de despesa - perda na aquisição de crédito fiscal de IPI (somente IRPJ); (ii.d) por maioria de votos, REJEITAR os argumentos do recurso acerca da incidência de juros moratórios sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO. Fixado novo limite de alçada para a interposição de recurso de ofício e constatandose nos autos que o valor do crédito tributário exonerado ficou aquém do estipulado na portaria ministerial vigente, não se conhece do recurso interposto ex officio (Portaria MF nº 63, de 09/02/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 INCENTIVO FISCAL EM ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO. RECONHECIMENTO PELA RECEITA FEDERAL A aferição do cumprimento das condições e requisitos para usufruto do incentivo fiscal cabe tanto ao órgão de desenvolvimento regional quanto à autoridade tributária. Sendo o único obstáculo para utilização do incentivos fiscais a ausência de reconhecimento expresso (ato declaratório) da Receita Federal, ocorrendo este, resta afastado o óbice alegado. SUBVENÇÃO PRODEPE PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL INCOMPLETA. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO. Ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, inexiste dúvida quanto à intenção da lei estadual promotora dos incentivos sob análise no sentido da implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado, mas isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. BENEFÍCIOS DE REDUÇÃO DA MP Nº 470/09. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 77 4. 72 00 01 /2 01 4- 31 Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.062 2 Os benefícios previstos na norma com a redução de multas, juros e encargos acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio e, por conseguinte, receita tributável. Somente são admitidas, na apuração do Lucro Real, as exclusões expressamente prescritas ou autorizadas na legislação tributária, o que não e o caso de tal receita. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. IRPJ INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. A redução do lucro operacional com despesas decorrentes da aquisição de créditos fiscais de terceiros não se insere na atividade operacional da empresa sendo indedutível na apuração do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PERDA NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITO FISCAL DE IPI. DESPESAS INDEDUTÍVEIS PARA EFEITO DE IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Descabida a pretensão do Fisco de estender à CSLL, sem amparo legal, as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ. São diversas as bases de cálculo de um e outro tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DA COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DO PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da contribuição para o PIS corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.063 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de conversão do julgamento em diligência proposta pelo Conselheiro Roberto Silva Junior. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior. No mérito, (i) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de ofício; (ii) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (ii.a) por unanimidade de votos, AFASTAR as exigências correspondentes a Dedução do IRPJ incentivo fiscal de redução Sudene/Adene; (ii.b) por maioria de votos, AFASTAR as exigências correspondentes a Receitas de subvenção ICMSPRODEPE, e as exigências de CSLL correspondentes a Glosa de despesa perda na aquisição de crédito fiscal de IPI. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo; (ii.c) por unanimidade de votos, REJEITAR os argumentos do recurso correspondentes a Omissão de receita redução do parcelamento MP 470/2009 e Glosa de despesa perda na aquisição de crédito fiscal de IPI (somente IRPJ); (ii.d) por maioria de votos, REJEITAR os argumentos do recurso acerca da incidência de juros moratórios sobre multa de ofício. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício contra o acórdão nº 02 65.802, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 30 de abril de 2015, que, ao apreciar a impugnação apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála procedente em parte. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Lançamentos Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.064 4 "Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 2 a 78, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 39.687.235,72, assim discriminado: Segundo a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, a fls. 3, foram imputadas à interessada as seguintes infrações: 0001 DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Despesa não necessária, indedutível, referente a estorno de deságio na aquisição de créditos com terceiros não relacionados à atividade da empresa, conforme descrição dos fatos que se encontra devidamente circunstanciada no Relatório de Auditoria Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. [...] Despesa não necessária, indedutível, referente a perdas no recebimento de créditos não relacionados à atividade da empresa, conforme descrição dos fatos que se encontra devidamente circunstanciada no Relatório de Auditoria Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 0002 OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS Omissão de receita operacional, relativa aos benefícios de redução do parcelamento instituído pela MP 470/2009, conforme está detalhadamente narrado no Relatório de Auditoria Fiscal que se encontra anexo ao presente Auto de Infração como se aqui transcrito fosse. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2009 e 31/12/2009: Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.065 5 art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278 e 288 do RIR/99 0003 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS Exclusão indevida dos valores referentes às receitas de subvenções de incentivos fiscais do ICMS, conforme está detalhadamente narrado no Relatório de Auditoria Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. [...] Exclusões indevidas, admitidas pelo contribuinte, conforme descrição dos fatos que se encontra devidamente circunstanciada no Relatório de Auditoria Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2009 e 31/12/2011: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 250 do RIR/99 0004 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE/ADENE REDUÇÃO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Glosa de redução do IRPJ por incentivo fiscal de Redução SUDENE tendo em vista a inobservância dos requisitos legais necessários ao gozo do incentivo, conforme está detalhadamente narrado no Relatório de Auditoria Fiscal que se encontra anexo ao presente Auto de Infração como se aqui transcrito fosse. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2009 e 31/12/2011: Arts. 544, 551, 552 e 553 do RIR/99 Art. 2º da Medida Provisória nº 2.19914/01 Como se constata a fls. 47 a 49, idênticos ilícitos tributários foram descritos no Auto de Infração lavrado para exigência da CSLL, à exceção da infração “0004 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE/ADENE/REDUÇÃO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS”. Nos lançamentos referentes ao PIS e à Cofins, a infração apurada foi descrita como “Omissão de receita operacional, relativa aos benefícios de redução do parcelamento instituído pela MP 470/2009”, conforme fls. 39 e 73. Relatório de Auditoria Fiscal Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.066 6 Os procedimentos e verificações realizados no curso da ação fiscal, bem como as conclusões que dela resultaram, estão narrados no “Relatório de Auditoria Fiscal” de fls. 80 a 103, do qual se reproduzem os seguintes excertos: Esta AuditoriaFiscal acessou a Escrituração Contábil Digital (ECD) encaminhada pela empresa ao repositório nacional do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), conforme autorização estabelecida pelo Decreto nº 6.022, de 22/01/2007. 2.1. DEDUÇÃO DO IRPJ A TÍTULO DE INCENTIVO FISCAL DE REDUÇÃO SUDENE SEM O INSTRUMENTO CONCESSÓRIO ➔ GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA– TRIBUTAÇÃO DO IRPJ ANO CALENDÁRIO 2011 Nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, quando da apuração do IRPJ, a empresa utilizouse de dedução a título de incentivo fiscal de redução SUDENE. Porém, em suas DIPJ, ficha 28 (atividades Incentivadas – PJ em geral), informou ter como atos concessórios do direito aos benefícios pleiteados apenas os laudos expedidos pelo órgão do Ministério da Integração Nacional – ADENE/SUDENE. Segundo estabelece a legislação vigente, desde o anocalendário de 2000, além dos laudos obtidos pela SUDENE, como é o caso da fiscalizada, exigese também o reconhecimento do direito pela Receita Federal do Brasil, para efetivo gozo do benefício requisitado. Em 28/03/2014, a empresa apresentou: cópia do Laudo Constitutivo SUDENE número 0150/2012, que aprova o benefício de Redução do IRPJ no percentual de 75%, para a atividade fabricação de freezer, durante o período de 2003 até 2012; cópia do Laudo Constitutivo ADENE número 094/2005, e do Ofício ADENE 571/2005, aprovando o benefício de dedução de IRPJ no percentual de 75%, para a atividade fabricação de bebedouros, durante o período de 2004 até 2013; e cópia do pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ, relativo ao Laudo SUDENE 198/2012, protocolado nesta Delegacia da Receita Federal em 08/04/2014, após o início dessa fiscalização, com o número 10480.723480/201492. Diante da não apresentação de Pedidos de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ, relativos aos Laudos SUDENE 0150/2012 e ADENE número 094/2005, realizamos pesquisa nos processos administrativos formalizados pela fiscalizada, nesta RFB, cujo assunto tratava de REDUÇÃO DO IRPJ, não sendo identificado nenhum outro processo. 2.2 OUTRAS EXCLUSÕES DO LUCRO LÍQUIDO ➔ GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS– TRIBUTAÇÃO DO IRPJ/CSLL ANO CALENDÁRIO 2011 Ao analisarmos a DIPJ 2012 (ano calendário de 2011) da fiscalizada, verificamos que, no preenchimento das fichas de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, esta informou os seguintes valores a título de “Outras Exclusões”: Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.067 7 Intimada a identificar qual a natureza dessas exclusões, a própria fiscalizada, em sua resposta, vem declarar ter constatado serem incorretos os valores declarados no 1°, 3° e 4° trimestres, bem como o montante de R$ 862.474,30 do total dessa exclusão utilizado no 2° trimestre. 2.3. RECEITA DE SUBVENÇÃO ICMS – PRODEPE Analisando a escrituração contábil (Diário e Razão), o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), as DIPJ e os DACON, relativos aos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, verificamos que a empresa excluiu, na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, as receitas contabilizadas a título de subvenção do Incentivo Fiscal do ICMS – PRODEPE (Lei do Estado de Pernambuco 11.675, de 11/10/1999 e Decreto 21.959, de 27/12/1999), além de não ter incluído tais receitas nas bases de tributação do PIS e da COFINS. Entendemos que este procedimento da fiscalizada desobedece à legislação fiscal. Nos próximos itens, discorreremos sobre as infrações identificadas. 2.3.1. EXCLUSÃO DA RECEITA DE SUBVENÇÃO ICMS – PRODEPE DO LUCRO LÍQUIDO ➔ GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS TRIBUTAÇÃO DO IRPJ/CSLL ANOSCALENDÁRIO 2009, 2010 E 2011 Como é sabido, em decorrência das alterações introduzidas na Lei das Sociedades por ações n° 6.404/76, pela leis n° 11.638/2007 e 11.941/2009, a partir do anocalendário 2008, a contabilização das subvenções passou, necessariamente, a ter que transitar em conta de resultado pelo regime de competência e destinação para reserva de lucros, não se submetendo à tributação do IRPJ e da CSLL, quando se tratar de doações e subvenções para investimento, desde que atendidas todas as prerrogativas e exigências legais, o que, como ficará demonstrado, não é o caso que dos incentivos gozados pela fiscalizada. De maneira geral, tais subvenções podem financiar o custeio da atividade operacional, ou podem financiar investimentos de implantação ou expansão do empreendimento empresarial. Sendo assim, podemos chamálas de subvenções para Custeio ou de subvenções para Investimento. Como determina a legislação fiscal, as Subvenções para Custeio são classificadas como Outras Receitas Operacionais e são computadas no Resultado Operacional das empresas. Da mesma forma, as subvenções para Investimento também são receitas tributáveis, classificadas no rol das receitas não operacionais das empresas. Porém, para estas, há a possibilidade de sua exclusão quando da apuração do Lucro Real, desde que atendidas as condições estabelecidas no artigo 38, §2º, do DecretoLei 1.598/77, e no artigo 1º, inciso VIII, do DecretoLei 1.730/79, reproduzidos no artigo 443 do RIR/99. Diante deste cenário, o parecer Normativo CST 112/78, da Secretaria da Receita Federal, veio esclarecer o tratamento fiscal a ser observado para as Subvenções. Redirecionando agora nosso olhar para as alterações na legislação societária promovidas pela Lei n° 11.638/2007, vemos que as doações ou subvenções para investimentos, a partir de 01/01/2008, deixaram de integrar o rol das reservas de Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.068 8 capital (o artigo 10 da Lei n° 11.368/2007 revogou as alíneas c e d do §1° do artigo 182 da lei n° 6404/76.) Posteriormente, com a adoção do Regime Tributário de Transição RTT, por meio da Lei n° 11.941/2009, para fins de aplicação do RTT às subvenções para investimentos e doações governamentais, a pessoa jurídica deverá: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (Vide inc. X do art. 99 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (Revogado pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) I reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3º deste artigo. Caso haja destinação diversa da estabelecida no artigo 18, acima transcrito, as doações e subvenções deverão ser tributadas: Art. 18. (…) § 1º As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Retornando ao PN CST 112/78, transcrevemos comentário específico sobre a subvenção recebida na forma de redução de ICMS: Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.069 9 “3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. A conclusão do PN CST 112/78 sobre o tratamento tributário a ser dado às subvenções segue abaixo transcrita: 7. CONCLUSÃO 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; (...) De acordo com o PN CST 112/78, a expressão “subvenção para investimento” aplicase apenas àquelas subvenções caracterizadas pela intenção do ente subvencionador de destinálas para investimento. Ou seja, exigese a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, e desde que o beneficiário da subvenção seja a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.070 10 Tentar dar outra interpretação a essa exigência legal, atribuindolhe um caráter não restritivo, constitui uma distorção de sua interpretação correta, eminentemente oportunista, servindo tão somente para beneficiar o poder econômico empresarial em detrimento do conjunto da sociedade. O que vai de encontro à essência da concessão de benefícios fiscais, que é conferir à sociedade ganhos superiores aos que poderiam ser gerados se os mesmos fossem aplicados diretamente. Passando a analisar a legislação do Estado de Pernambuco sobre o assunto, verificamos que a Lei Estadual 11.675, de 11/10/1999, consolidou o Programa de Incentivos Fiscais do ICMS do Estado, chamado de PRODEPE – Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco. Em seu artigo 5º, declara que a atração e fomento desses investimentos devem materializarse nas hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos, com estímulos mediante a concessão de crédito presumido de ICMS, que deverão observar algumas características, dentre elas a explicitada no inciso IV, deste artigo, o qual determina, que o incentivo fiscal deverá ser destinado a incentivo fixo ou de capital de giro, ou ambos, cumulativamente. De toda sorte, os benefícios fiscais emanados do PRODEPE não podem ser considerados como subvenção para investimentos, haja vista que os recursos originados pelos não desembolsos para pagamento do ICMS podem ser utilizados apenas como convier à beneficiária, sem a necessária aplicação em inversões fixas, ou seja, vinculada à aquisição de bens e direitos. Ademais, não visualizamos na legislação que disciplina o PRODEPE qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica e efetiva desses recursos em bens e direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Consequentemente, o benefício fiscal aqui tratado não pode ser reconhecido como uma subvenção para investimento; para, então, poder ser excluído das bases de tributação do IRPJ e da CSLL. No caso, estão ausentes duas das cláusulas conclusivas do PN CST 112/78, para que uma subvenção seja admitida como para investimento e passível de exclusão na base de cálculo do Lucro Real, a recordar; 7.1 ... II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; Ainda tratando o tema de subvenções para investimentos relativas ao ICMS do Estado de Pernambuco, o processo de consulta n° 72/06, solucionado pela Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/4ª Região Fiscal, concluiu que o crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto(Estadual – PE) no 21.121, de 1998, não constitui subvenção para investimento, devendo, portanto, integrar a base de cálculo do IRPJ. Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.071 11 Para corroborar nosso entendimento, dispomos de um vasto elenco de soluções de consulta, tratando sobre os benefícios fiscais decorrentes de programas estaduais que visam atrair e fomentar investimentos aceleradores do desenvolvimento econômico, mediante a concessão de incentivos fiscais do ICMS; todas, sendo unânimes em concluir que esses benefícios devem compor as bases de cálculo do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. 2.3.2 FALTA DE INCLUSÃO DE RECEITA NAS BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS ➔ OMISSÃO DE RECEITAS TRIBUTAÇÃO DO PIS/COFINS ANOSCALENDÁRIO 2009, 2010 E 2011 Em relação ao PIS e à COFINS, a inclusão dos valores das receitas de Subvenção Fiscal dos créditos presumidos de ICMS (PRODEPE) em suas respectivas bases de cálculo independe da discussão técnicocontábil de que tais receitas tratamse de SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO (Classificadas como Receitas Operacionais) ou SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS (classificadas como receitas nãooperacionais), pois a legislação do PIS e da COFINS determina que devem ser incluídas em suas bases de cálculo o faturamento da empresa, assim entendido o total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Além disso, as receitas que não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS são unicamente àquelas definidas por lei. As receitas provenientes dos incentivos fiscais de subvenções, sejam de custeio ou de investimento, não se encontram no rol taxativo elencado na norma de regência dessas contribuições. 2.4 DESPESA COM PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS ➔ GLOSA DE DESPESA INDEDUTÍVEL TRIBUTAÇÃO DO IRPJ/CSLL ANO CALENDÁRIO 2009 Na análise da contabilidade da empresa do anocalendário de 2009, identificamos que a empresa escriturou na conta do grupo 31 (RESULTADO OPERACIONAL), subgrupo 315 (DESPESAS OPERACIONAIS), subgrupo 31514 RECUPERAÇÃO/PERDA NO RECEBIMENTO), conta analítica 315140001 (RECUPERACAO/PERDAS NO RECEBTO CREDITOS), lançamento no valor de R$ 2.400.000,00, com o histórico “PERDAS NO RECEBTO CFE CONTRATO DGB”. Analisando a documentação apresentada pela empresa, verificamos, através da análise do documento intitulado “Instrumento Particular de Cessão de Crédito Tributário”, que a fiscalizada intentou adquirir, da empresa DGB Distribuidora Guararapes de Bebidas LTDA, CNPJ 10.777.464/000162, supostos créditos de IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados), reconhecidos judicialmente, que totalizavam R$ 4.000.000.00(quatro milhões de reais), pelos quais comprometeuse a pagar R$ 2.400.000,00(dois milhões e quatrocentos mil reais), parceladamente. Conforme se verifica em diversos processos administrativos protocolizados nesta Delegacia da Receita Federal, a empresa solicitou a utilização de tais “créditos” na compensação de tributos próprios, todas consideradas nãodeclaradas, como não podia ser diferente, por ter esta se utilizado de créditos de terceiros(o que é legalmente vedado), e, além do mais, referentes à ação judicial não transitada em julgado. Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.072 12 Assim, não admitida a compensação de seus débitos junto à RFB, com os “créditos” adquiridos de terceiros, a empresa entendeu poder deduzir da apuração do IRPJ e da CSLL o valor pago na aquisição de tais “créditos”, de R$ 2.4000.000,00, contabilizada como despesa com o histórico de “PERDAS NO RECEBTO CFE CONTRATO DGB”. Ora, a legislação fiscal permite que as perdas nos recebimentos de créditos sejam deduzidas como despesas na determinação do Lucro Real, desde que esses créditos sejam decorrentes de sua atividade operacional(por exemplo, créditos de clientes) e, ainda, observados os requisitos previstos no art. 9º da Lei nº 9.430/96, reproduzido no art. 340 do RIR/99. Além disso, o art. 299 do RIR/99 estabelece que as despesas devem ser necessárias, usuais ou normais, no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Acessoriamente, o Parecer Normativo CST 32/81 definiu que: i) despesa necessária é aquele gasto essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; ii) e que despesa normal é aquele gasto que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária; e iii) O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. O objeto social da empresa, como se depreende da leitura da Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 21 de Dezembro de 2011, dizse tratar da “fabricação, importação e exportação de aparelhos de refrigeração e ventilação para uso industrial e/ou comercial, peças e acessórios, instalação de máquinas e equipamentos industriais, além de prestação de serviços de assistência técnica, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos domésticos ou dos produtos correlatos, podendo, ainda, participar como quotista ou acionista do capital de outras sociedades”. Também é mais que claro que tal despesa não pode ser classificada como necessária ou normal para a empresa; logo, será glosada por esta fiscalização. 2.5. DESPESA COM ESTORNO DE DESÁGIO ➔ GLOSA DE DESPESA INDEDUTÍVEL– TRIBUTAÇÃO DO IRPJ/CSLL ANO CALENDÁRIO 2009 Na análise da contabilidade da empresa do anocalendário de 2009, identificamos que a fiscalizada escriturou na conta do Grupo 33 (DESPESAS NAO OPERACIONAIS), subgrupo 33208 (PERDAS S/COMPRA DE CREDITOS FISCAIS), contaanalítica 332080001 (DESAGIO S/ COMPRA DE CREDITO), lançamento no valor de R$ 2.566.197,57, com o histórico “VLR REF ESTORNO DESAGIO S/COMPRA DE CRED”. Analisando a documentação apresentada pela empresa, verificamos que a fiscalizada intentou adquirir, da empresa Colônia AgroIndustrial LTDA, CNPJ 70.064.134/000151, supostos créditos de IPI, reconhecidos judicialmente, conforme diversos contratos por ela apresentados. Conforme se verifica em diversos processos administrativos protocolizados nesta Delegacia da Receita Federal, a empresa solicitou a utilização de tais créditos na compensação de tributos próprios. Novamente, todas as compensações solicitadas pela fiscalizada foram consideradas nãodeclaradas, por ter esta se utilizado de Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.073 13 créditos de terceiros(o que é legalmente vedado), e, além do mais, referentes à ação judicial não transitada em julgado. Assim, não admitida a compensação de seus débitos junto à RFB, com os créditos adquiridos de terceiros, a empresa entendeu poder deduzir da apuração do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 2.566.197,57, contabilizada como despesa com o histórico “VLR REF ESTORNO DESAGIO S/ COMPRA DE CRED”. Repetindo a operação de “aquisição dos créditos”, realizada com a DGB, a empresa entendeu e intentou, por mera liberalidade, “comprar” novamente supostos “créditos” de terceiros, desta vez da Colônia AgroIndustrial, para compensar com débitos próprios; e, diante da verificação da ineficácia dessa mal sucedida “aquisição”, veio contabilizar o estorno do deságio , advindo dessa operação, como despesa dedutível na apuração das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Como essa despesa não é decorrente de sua atividade operacional, não se enquadra nas deduções previstas pelo art. 340 do RIR/99 e pelo art. 28 da Lei nº 9.430/96. 2.6 BENEFÍCIOS DE REDUÇÃO DA MP 470/2009 ➔ OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITA TRIBUTAÇÃO DO IRPJ/CSLL/PIS/COFINS ANO CALENDÁRIO 2009 Em 30/11/2009, a fiscalizada apresentou requerimento de adesão ao parcelamento que trata o art. 3° da Medida Provisória n° 470, de 13 de outubro de 2009 (conforme disciplinamento expedido pela Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 9, de 30 de outubro de 2009), sendo os seguintes os valores parcelados: O total informado pela empresa, de R$ 22.680.644,32, foi quitado da seguinte forma, com os benefícios previstos na MP n° 470/2009: i) redução de 100% das multas de mora(R$ 2.945.288,60) e vinculada(R$ 333.787,97); ii) redução de 90% dos juros de mora(redução de R$ 3.401.197,07, de um total de R$ 3.779.197,07, restando R$ 377.910,79); iii) utilização de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL; iv) pagamento no valor de R$ 588.957,46, em 12 parcelas. Assim é que, somandose os benefícios de redução obtidos pela fiscalizada, chegamos ao seguinte valor: R$ 2.945.288,60 + R$ 333.787,97 + R$ 3.401.197,07 = R$ 6.680.273,84. Por não se encontrarem presentes em sua contabilidade os valores do passivo tributário objeto do parcelamento, na data de 30/09/2009 a empresa registrou os valores dos débitos parcelados, a crédito das contas do passivo 222020001 – IRPJ, 222020002 – CSLL, 222020003 – COFINS, 222020004 – IPI e 222020005 – PIS, pertencentes ao Grupo 22 do seu Plano de Contas (PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO), subgrupo 222 (OUTRAS OBRIGAÇÕES), subgrupo 22202 (PARCELAMENTO MP4702009) Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.074 14 Porém, a fiscalizada deixou de contabilizar, na data de formalização do pedido de parcelamento relativo à MP n° 470/2009, 30/11/2009, a receita advinda dos benefícios de remissão concedidos pelo § 2º do artigo 3º da citada MP, e que totalizaram R$ 6.680.273,84. A redução de dívidas tributárias possui a natureza de perdão/remissão de dívida; e, como tal, configura receita para a pessoa jurídica devedora; logo, fato gerador do IRPJ (art. 43 da Lei nº 5.172/66 CTN), CSLL (art. 2º da Lei nº 7.689/88), PIS/Faturamento NãoCumulativo (art. 1º da lei 10.637/2002) e COFINS/Faturamento NãoCumulativo (art. 1º da lei nº 10.833/2003). Vale aqui observar que, em 30/06/2011, a empresa efetuou lançamentos contábeis reconhecendo a receita advinda dos benefícios relativos ao parcelamento da MP n° 470/2009, com os históricos “RED. 100% MULTA REFIS CF ACORDO” e “RED. 90% JUROS REFIS CF ACORDO”. Porém, o efeito fiscal do reconhecimento dessas receitas foi nulo, pois esse valor foi totalmente excluído da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, juntamente com os valores das receitas relativas aos benefícios concedidos pelo parcelamento da Lei 11.941/2009, conforme o LALUR relativo ao anocalendário de 2011, e segundo confirma a própria fiscalizada. A Lei n°11941/2009 previu expressamente a não inclusão dos benefícios dela advindos das bases de tributação do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Entretanto, o mesmo não ocorreu na edição da MP n° 470/2009. Sendo assim, como não há previsão legal para o não oferecimento à tributação do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS do valor relativo aos benefícios advindos da remissão da MP n° 470/2009, esta fiscalização efetuará o lançamento de ofício, recalculando as bases de tributação dos referidos tributos, com a adição da receita omitida, como acima descrito, no valor total de R$ 6.680.273,84. Impugnação Ciente do lançamento em 31 de julho de 2014 (fls. 919 e 920), a interessada apresentou, em 1º de setembro de 2014, impugnação a fls. 938 a 1002, alegando, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: Considerações iniciais · Vários elementos foram ignorados pela fiscalização. · Devido à dependência da CSLL para com a autuação do IRPJ, os elementos apresentados quanto ao IRPJ devem ser estendidos à CSLL. Despesa com perdas no recebimento de créditos/Despesa com estorno de deságio · Quanto aos créditos que o Contribuinte adquiriu, eram recursos que deveriam estar no caixa da Contribuinte, portanto, tal qual um cheque que estivesse no caixa, e que ficasse sem fundos, o crédito também ficou “sem fundos”, sem valor econômico, pois títulos sem aptidão de darem qualquer retorno, gerando uma perda que afeta o resultado, e portanto o IRPJ e a CSLL. · A fundamentação da autuação não se referiu aos requisitos dos incisos II e III do § 1º do artigo 9o da Lei nº 9.430, de 1996, restando equivocada. Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.075 15 · A dedução glosada adveio de despesa decorrente da atividade, pois pagar tributos, e portanto providenciar pecúnia ou créditos para quitar tais tributos, é essencial para funcionar e continuar a produção de uma empresa. · O procedimento intentado pela Contribuinte, é não só normal como corriqueiro, só não se concretizando porque houve a perda do crédito. Benefícios de redução da MP 470/2009 omissão de registro de receita · As supostas reduções da MP 470/09 não são receitas reconhecíveis para fins fiscais, já que reduções que compõem um cálculo hipotético, pois não é definitivo, portanto não podem ser reconhecidas como renda ou receita no instante da autuação, pois a alegada redução está submetida a cláusula condicional, a depender de o Contribuinte chegar ao final do parcelamento sem sofrer rescisão. · Até o encerramento do parcelamento o débito fica todo o tempo no original, não havendo um novo débito já com redução, pois não ocorreu novação do débito. · Em segundo lugar, eventual redução de débitos, para gerar efeitos fiscais, depende de antes o débito ter sido lançado como despesa, mas, neste caso, os débitos estavam em discussão. · Em terceiro lugar, ainda que a redução tivesse que ser considerada, então ela estaria sem a incidência do PIS/COFINS, pois seria recuperação de despesa e uma reversão de despesa não é uma nova receita, mas o retorno do desembolso do Contribuinte. · Se na época em que incorrida, não houve nenhum abatimento do PIS/COFINS, ao retornar para a entidade o abatimento não pode ser tratado como ingresso novo, que seria base de cálculo do PIS/COFINS. · Tal entendimento é esposado pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 23.12.2003. Receita de subvenção ICMS – PRODEPE · No tocante especificamente ao tema da subvenção, após a Lei nº 11.638/2007, que alterou a Lei nº 6.404/1976, e a Lei nº 11.941/2009, que instituiu o Regime Tributário de Transição, tanto o aspecto fiscal quanto o contábil sofreram alterações. · Com base no artigo 182, § 1o, alínea d, a subvenção para o investimento era contabilizada diretamente na conta de reserva de capital das beneficiárias dos recursos e, em contrapartida, havia o lançamento a débito na conta do ativo, pelo que não havia o trânsito pelo resultado, não sendo necessária a exclusão de qualquer valor do lucro líquido contábil quando da apuração do lucro real. · A legislação fiscal (artigo 443 do Decreto nº 3000/1999 RIR) exigia, para não inclusão do valor subvencionado na base de cálculo dos tributos, que o contribuinte somente poderia utilizar a reserva de capital para absorção de prejuízos ou aumento do capital social. · Com o advento da Lei nº 11.638/2007, as empresas passaram a não mais poder registrar a reserva de capital referente às subvenções e doações, em virtude da revogação da alínea d do parágrafo 1o do artigo 182 da Lei nº 6.404/76. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.076 16 · Por outro lado, o mesmo diploma normativo estabeleceu no seu artigo 185 A (sic) a criação de uma reserva para incentivos fiscais, com natureza de reserva de lucros e não mais reserva de capital. · O artigo 195A deixa claro que a destinação dos recursos para a referida reserva somente será possível após a consideração desses mesmos valores no lucro líquido do respectivo período em que se materializar a subvenção, ou seja, se a subvenção pode ser deslocada do lucro apurado para conta de reserva, evidentemente foi apropriada anteriormente no resultado. · O Pronunciamento Técnico CPC 07 (R1) determinou que a subvenção fosse reconhecida no resultado que, em regra, será realizado como receita. · Todavia, há casos em que a subvenção se apresenta como redução de uma despesa e não um simples ingresso de capital, o que ocorre comumente com os benefícios fiscais concedidos mediante redução, como é o caso da subvenção do Prodepe. · Assim, a norma contábil estabeleceu duas formas de reconhecimento da subvenção, igualmente aceitas pela contabilidade: a primeira consiste no reconhecimento integral do imposto devido (sem considerar as reduções) e, consequentemente, a sua dedução na apuração do lucro líquido, seguido da apropriação de receita com o montante exato da redução; a segunda consiste na dedução do incentivo do montante devido a título do imposto, isto é, o valor que efetivamente deve ser pago. · No âmbito do RTT, incisos II e III do artigo 18 da Lei nº 11.941/2009 estabelecem que as parcelas do lucro líquido decorrentes de doações e subvenções para investimento serão excluídas na apuração do lucro real, desde que apuradas até o limite do lucro líquido do exercício e sejam mantidas na conta de reserva de incentivos fiscais. No entanto, se no anocalendário a empresa apurar prejuízo contábil ou lucro inferior ao da exclusão, a diferença deverá ser contabilizada em períodos subsequentes. · O novo regramento contábil, quando impôs o reconhecimento de receitas das subvenções no resultado, criou uma nova receita contábil sem correspondência na legislação tributária, pois não se amolda ao conceito de receita bruta e, por consequência, não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Para que não houvesse dúvidas, o inciso I do parágrafo único do artigo 20 (sic) da Lei nº 11.941/2009 excluiu expressamente essas receitas da base de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita bruta. · A Lei nº 11.675/1999 do Estado de Pernambuco instituiu o Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco – PRODEPE, com a finalidade de atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista. · O benefício não modificou a sistemática de apuração de débitos e créditos da não cumulatividade, mas apenas instituiu um desconto denominado “crédito presumido” que seria deduzido do ICMS a pagar em cada período, desde que preenchidas as condições do artigo 5º. · O benefício (desconto) não se trata de uma nova hipótese de creditamento, mas sim um desconto do imposto a pagar. · Com relação à destinação da transferência de capital, a legislação adotou no inciso IV do artigo 5o o regime híbrido de subvenção, porque o incentivo não se Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.077 17 destina apenas ao setor industrial, mas também para centrais de distribuição que, a princípio, não carecem de grandes investimentos para implantação. · A fiscalização entendeu que a falta de vinculação na legislação (ainda de forma abstrata) impediria a qualificação do benefício como uma subvenção para investimento. · Todavia, uma análise minuciosa do ato concessivo demonstra, inequivocamente, a intenção do ente subvencionador de destinar às transferências de capital para investimento em ativo imobilizado para implantação do projeto. E a Contribuinte efetivamente fez investimentos. · O Parecer Normativo CST n° 112/1978, além dos requisitos previstos na legislação de regência, estabelece dois requisitos adicionais para qualificação do benefício fiscal como subvenção para investimento: a intenção do subvencionador de destinálos para investimento e a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. · O Decreto nº 22.929/2000 concedeu o incentivo fiscal destinado à implantação de planta industrial para fabricação de freezers e, dentro de um contexto de um projeto de implantação de uma planta industrial, existiam investimentos para a sua instalação, bem assim a necessidade de sua ampliação e modernização. · O Parecer Fiscal que deu suporte à Resolução CONDIC nº 02/2000 estimou que o benefício fiscal concedido geraria uma transferência de capital de aproximadamente R$ 13.708.176,00, enquanto a Nota Explicativa que reflete a reunião do CONDIC, em 23/11/2000, que aprovou o benefício fiscal, demonstrou a obrigatoriedade de investimentos mínimos de R$ 14.779.426,00. · A documentação que comprovou que a transferência de capital foi efetivamente aplicada para investimento foi devolvida pela fiscalização. · Pelos documentos verificase que apenas no triênio 20092011 a Contribuinte investiu R$ 20.737.441,03. · Devese salientar que boa parte das subvenções auferidas no anocalendário de 2011 somente foi efetivamente destinada para o investimento no anocalendário de 2012, motivo pelo qual não há o que se cogitar qualquer discrepância entre o valor transferido a título de subvenção para investimento e a efetiva utilização como investimento, podendose concluir que toda a transferência foi efetivamente aplicada em investimentos relacionados ao projeto que originou o benefício. · A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sequer tem exigido a necessidade de demonstração da vinculação da aplicação dos recursos, o que de fato ocorreu uma vez que a Contribuinte aplicou integralmente os recursos subvencionados na aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado. · O inciso I do parágrafo único do artigo 21 da Lei nº 11.941/2009 excluiu expressamente a subvenção para investimento da base de cálculo do PIS e da Cofins. · Tais valores efetivamente não se amoldam ao conceito de receita bruta. · Ainda que se considere que a subvenção em questão deva ser classificada como custeio, esta também não se amolda ao conceito de receita bruta previsto na legislação, pois o benefício fiscal de redução de ICMS não representa um ingresso Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.078 18 de uma nova receita, mas sim de recuperação de uma despesa existente, sendo este o entendimento do Carf. Exclusões indevidas · Quanto à glosa de exclusões indevidas, a autuação não deve prosperar, pois ocorreu apenas um equívoco de registro contábil. · A parcela de R$ 862.474,30 do 2o trimestre não era realmente exclusão, mas ajuste equivocado, e, analisandose a DIPJ2012 e o Lalur, verificase que o equívoco contábil não causou a diminuição do lucro apurado no período e não poderia ser incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os valores referentes à provisão para CSLL que já havia sido incluído na apuração do Lucro Líquido antes do IRPJ foi novamente adicionado na composição do lucro real, havendo na DIPJ 2012 uma dupla adição da provisão para a CSLL. · A contabilidade da Contribuinte utilizou a linha de “outras exclusões” para corrigir um erro na declaração de lucro líquido que foi considerado um valor superior ao efetivamente apurado na contabilidade, ou seja, deveria ter corrigido o próprio valor declarado, e não ter feito a exclusão para o total ficar correto. · Diante do equívoco, a Contribuinte, em 12/07/2013, transmitiu a DIPJ retificadora com a correção do lucro líquido para os exatos valores escriturados na sua contabilidade e previamente transmitidos para a Receita Federal do Brasil por meio do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, bem como a retificação do mecanismo de exclusão utilizado. · A contabilidade da Contribuinte constitui prova em seu favor, de modo que os valores apurados no LALUR e na escrituração contábil é que devem ser considerados para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Dedução do IRPJ incentivo fiscal de redução Sudene · No que se refere à infração “empresas instaladas na área da SUDENE/ADENE redução – inobservância dos requisitos legais”, em primeiro lugar, a autuação apresenta normas constantes de Decreto e Instrução Normativa como fundamento para restringir direito e tributar. · Em segundo lugar, como a própria fiscalização reconheceu, a Contribuinte já tem os Laudos Constitutivos do seu direito. · Em terceiro lugar, a própria Receita Federal se contenta com o Ato Concessório, como mostra a DIPJ (fls. 179, 252 e 352). · Em quarto lugar, ainda que se considere necessário ter um ato declarando o que já está constituído, seria um ato meramente declaratório da Receita Federal, que poderia se dar a qualquer momento, pelo que a Contribuinte junta a protocolização do pedido para que a Receita Federal declare o que já está patente nos autos. Nesse sentido, a jurisprudência do Carf reconhece que ADE posterior tem efeitos retroativos. · É de rigor os autos baixarem em diligência para a DRF juntar o ADE que está pendente de expedição. Outros pedidos Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.079 19 · Não é possível a cobrança ou incidência de juros de mora à taxa Selic, que, ainda, incidiram sobre a multa, criando uma indevida correção em valor que não poderia sofrer tal injunção. É o relatório." Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0265.802, pela 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, julgando improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 INCENTIVO FISCAL EM ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. A aferição do cumprimento das condições e requisitos para usufruto do incentivo fiscal cabe tanto ao órgão de desenvolvimento regional quanto à autoridade tributária, não bastando apenas a emissão do laudo por parte do órgão de desenvolvimento regional. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. As despesas desnecessárias, que não estejam relacionadas com a realização de transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do Lucro Real. BENEFÍCIOS DE REDUÇÃO DA MP Nº 470/09. Somente são admitidas, na apuração do Lucro Real, as exclusões expressamente prescritas ou autorizadas na legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DA CSLL. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DA COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.080 20 Anocalendário: 2009, 2010, 2011 APURAÇÃO DO PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da contribuição para o PIS corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ciente do acórdão recorrido em 06/07/2015, por meio de sua Caixa Postal (fls. 1905), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 31/07/2015 (fls 1906), tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal (19942006) pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Tratase de autos de infração para constituição de créditos tributários, no montante de R$ 39.687.235,72, de IRPJ/CSLL/COFINS/PIS, relativamente ao período de apuração de 2009 a 2011. Em síntese, a motivação para lavratura dos mencionados autos de infração reside nos seguintes temas: i) glosa de despesa decorrente de perda na aquisição de crédito fiscal (IPI) de terceiros; ii) omissão de receita operacional decorrente da redução do parcelamento previsto na Medida Provisória nº 470/2009; iii) receitas de subvenção ICMS PRODEPE; iv) exclusões indevidas na apuração do lucro tributável; v) dedução do IRPJ incentivo fiscal de redução Sudene/Adene RECURSO DE OFÍCIO. Exclusões indevidas na apuração do lucro tributável (item iv); Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017 estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.081 21 No caso em tela, ao somar os valores exonerados em primeira instância (fls. 18771898), verifico que não superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Dedução do IRPJ incentivo fiscal de redução Sudene/Adene (item v) Decorre dos autos, que na apuração do IRPJ o contribuinte utilizouse de incentivo fiscal de redução SUDENE, nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, informando em suas DIPJs, ficha 28 (atividades incentivadas PJ em geral), que o ato concessório do direito ao citado benefício arrimase em laudos expedidos pelo órgão do Ministério Integração Nacional ADENE/SUDENE. Entendeu a fiscalização glosar tal dedução, sob o entendimento de que a legislação exige, desde o anocalendário de 2000, além dos laudos obtidos pela SUDENE, também o reconhecimento do direito pela Receita Federal do Brasil, para efetivo gozo do benefício requisitado. Esclarece a fiscalização que diante da não apresentação de Pedidos de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ, relativos aos Laudos SUDENE 0150/2012 e Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.082 22 ADENE número 094/2005, foi realizada uma pesquisa nos processos administrativos formalizados pela fiscalizada na RFB, com o assunto REDUÇÃO DO IRPJ, não sendo identificado nenhum outro processo. Em sua defesa, a recorrente alega ilegalidade da citada exigência fiscal em função da ausência de regra legal neste sentido, bem como informa que desde à impugnação, apresentou cópia do protocolo do pedido de reconhecimento referente aos laudos mencionados, formalizados nos seguintes processos: PAF nº 10480.729017/201454 e 10480.730377/2014 07, e requereu que os autos baixassem em diligência para a DRF, para fins de juntar o ADE que se encontrava naquele momento pendente de análise e emissão. Sustenta que o acórdão recorrido foi omisso quanto à existência dos processos mencionados, o que impediu o conhecimento de um fato superveniente fundamental para o deslinde da questão, vez que foi mantida a glosa pelo único fundamento de ocorrer descumprimento de um requisito para sua fruição, qual seja, a declaração pela RFB da validade dos laudos constitutivos. Nesse passo, noticia que o pedido que se encontrava pendente e análise e apreciação, foi analisado, culminando com o reconhecimento do direito ao aproveitamento dos benefícios fiscais do Laudo Constitutivo SUDENE nº 0150/2002, através da emissão do Ato Declaratório Executivo nº 233/2014, colacionando o citado documento. Da mesma forma, informa que , por meio do Ato Declaratório nº 234/2014, também foi reconhecido o direito ao aproveitamento do benefício previsto no Laudo Constitutivo ADENE nº 094/2005. Delimitada a lide, passo a apreciar as alegações da recorrente. De fato, o fundamento utilizado na decisão recorrida para manter a glosa em comento, reside na ausência de reconhecimento expresso ou tácito por parte da Receita Federal, para fruição do incentivo fiscal. Para uma melhor clareza a respeito do fundamento utilizado no voto condutor do acórdão recorrido, transcrevo trecho, quanto a este ponto: Vêse que a legislação de regência confere à declaração do órgão de desenvolvimento regional um caráter de mera recomendação, uma vez que o direito ao gozo do benefício somente se concretiza com o reconhecimento da Administração Fazendária, exceto se ficar caracterizada a omissão desta última em se manifestar sobre o requerimento apresentado pelo sujeito passivo. Ou seja, a aferição prévia do cumprimento das condições e requisitos para usufruto do incentivo fiscal cabe tanto à ADENE/SUDENE quanto à autoridade tributária, não bastando apenas a emissão do laudo por parte do órgão de desenvolvimento regional, como defende a Impugnante. A propósito, os próprios laudos constitutivos da ADENE e da SUDENE esclarecem, nos termos reproduzidos a seguir, que eles por si sós não possuem eficácia: II O presente Laudo Constitutivo deverá instruir o requerimento da pessoa jurídica acima indicada a ser apresentado à unidade da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionada, de acordo com o estabelecido no art. 3º do Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002. Por força dos dispositivos acima reproduzidos, concluise que o direito à redução prevista em lei somente pode ser utilizado após o reconhecimento Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.083 23 expresso ou tácito por parte da Receita Federal, estando correta a glosa realizada pela autoridade fiscal. (g.m.) Sendo o único obstáculo para utilização do incentivos fiscais a ausência de reconhecimento tácito ou expresso (ato declaratório) da Receita Federal, ocorrendo este último, resta afastado o óbice alegado. Compulsando os autos, encontro o Ato Declaratório Executivo nº 233, de 01 de outubro de 2014, bem como o Ato Declaratório Executivo nº 234, de 02 de outubro de 2014, que possuem o seguinte teor: Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.084 24 Da análise dos referidos atos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife reconheceu o direito ao aproveitamento dos benefícios fiscais do Laudo Constitutivo SUDENE nº 0150/2002 (ADE 233/2104) e Laudo Constitutivo ADENE nº 094/2005 (ADE 234/2014), inclusive com eficácia retroativa, atingindo, assim, o período objeto da atuação. Assim, com a declaração pela RFB da validade dos laudos constitutivos, concedendo o predito direito, penso que este requisito restou superado, devendo ser reconhecido o gozo do benefício, para exonerar o crédito fiscal constituído. O recurso voluntário deve ser provido, quanto a esta parte. Receitas de subvenção ICMS PRODEPE (item iii) Quanto a este ponto, discute se o benefício fiscal concedido pela Estado de Pernambuco, por intermédio do Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE, consolidado e alterado pela Lei Estadual nº 11.675, de 11 de outubro de 1999, reproduzida às fls. 1832 a 1846, pode ou não ser caracterizado como subvenção para Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.085 25 investimento e, conseqüentemente, se o mencionado incentivo deve ou não compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segundo o acórdão recorrido, o fato do inciso IV do art. 5º da Lei estadual 11.675/1999 mencionar a possibilidade de destinação do benefício para capital de giro e ativo fixo descaracteriza a subvenção para investimentos. Para melhor clareza, transcrevese excerto do votocondutor da decisão de piso: Observase, assim, que os recursos originados do incentivo fiscal em tela podem ser manuseados livremente pelo beneficiário, uma vez não há na Lei a exigência de aplicação dos recursos no ativo imobilizado da empresa. Ao contrário, os recursos podem ser utilizados para qualquer necessidade da empresa, como melhor lhe aprouver, inclusive para o capital de giro. Em conseqüência, não há como se assegurar também o segundo requisito imposto pelo PN CST nº 112, de 1978: a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento. E, como bem observou a fiscalização, não se vislumbram nos dispositivos da Lei Estadual, nenhuma menção à vinculação e à estrita correspondência entre os benefícios financeiros auferidos pela consulente e o destino desses recursos à realização do investimento. Deste modo, ainda que eventualmente verbas venham a ser aplicadas, segundo os interesses da empresa, na aquisição do ativo imobilizado, não se configurará a subvenção para investimento, pois não se trata de destinação obrigatória, mas apenas de decisão tomada pela própria pessoa jurídica subvencionada. (...) Uma vez que o benefício fiscal sob exame não preenche os requisitos para sua caracterização como subvenção para investimento, resta desnecessária qualquer análise dos documentos relativos à aquisição de bens para seu ativo permanente, apresentados pela Impugnante. Ou seja, como se pode observar, entendeu o acórdão recorrido, mediante apreciação da norma em tese, que, "não há na Lei a exigência de aplicação dos recursos no ativo imobilizado da empresa. Ao contrário, os recursos podem ser utilizados para qualquer necessidade da empresa, como melhor lhe aprouver, inclusive para o capital de giro". Assim, na análise dos dispositivos concernentes ao PRODEPE, concluiuse que não há, de forma específica, a intenção de se destinar os recursos para o financiamento de capital fixo, qual seja, a aquisição de bens e direitos, sendo possível a inversão em capital de giro, hipótese em que a subvenção deve ser tratada como subvenção para custeio. Além disso, não se visualiza qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal e a aplicação efetiva e específica desses recursos em bens e direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Estariam, portanto, ausentes os dois primeiros requisitos do Parecer Normativo CST nº 112/78. A recorrente, por sua vez, alega que a desqualificação "em abstrato" da lei que concede a subvenção, sem que haja investigação da ação do subvencionado, no sentido de aplicar os recursos e a sua compatibilidade com o ato concessório, é insuficiente para a desqualificação da subvenção para investimento. Em seu favor, cita o acórdão 1102001.318, sessão de 24.03.2015, deste Conselho. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.086 26 Por relevante para análise da matéria, trago à colação o conteúdo do Parecer Normativo CST nº 112/78, que estabelece diretrizes para a determinação dos conceitos de subvenção para custeio e subvenção para investimento. Destaco os seguintes trechos: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando a ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei nº 4.506/64 e DL nº 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições. para a utilização dessa reserva. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.087 27 fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; (g.m) Assim, de acordo com o Parecer acima transcrito, a verificação do estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos exige não só a intenção do subvencionador, mas, também, a ação do subvencionado no sentido de promover a efetiva e específica aplicação do recurso na consecução do objetivo traçado. A análise da Lei estadual que criou o programa PRODEPE foi realizada recentemente pela CSRF, na sessão realizada em 13 de julho de 2016, por meio do acórdão 9101002.394, onde na ocasião concluiuse que o citado programa mostrase apto a caracterizar os recursos como subvenção para investimentos. Confirase trecho do votocondutor do i. Conselheiro André Mendes de Moura: Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.088 28 Sobre o PRODEPE, vale transcrever dispositivos da Lei Estadual nº 11.675, de 1999: Art. 1º O Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE, com a finalidade de atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista de Pernambuco, mediante a concessão de incentivos fiscais e financeiros, passa a vigorar nos termos previstos na presente Lei. § 1º A concessão dos incentivos fiscais e financeiros às empresas interessadas será diferenciada em função dos seguintes aspectos: I natureza da atividade; II especificação dos produtos fabricados e comercializados; III localização geográfica do empreendimento; IV prioridade e relevância das atividades econômicas, relativamente ao desenvolvimento do Estado de Pernambuco. Art. 5º As empresas enquadradas nos agrupamentos industriais prioritários indicados no art. 4º, exclusivamente nas hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos, poderão ser estimuladas, nos termos previstos em decreto do Poder Executivo, mediante a concessão de crédito presumido do ICMS, que observará as seguintes características: (Lei nº 13.280/2007 – efeitos a partir de 01.09.2007) (...) IV quanto à destinação, investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente. (Lei nº 11.937/2001 – efeitos a partir de 05.01.2001) (...) Art. 14. Para fins de habilitação do empreendimento, as empresas industriais deverão observar, ainda, conforme a hipótese: I relativamente à ampliação, será exigido aumento mínimo, prévio à fruição, de 20% (vinte por cento) da capacidade instalada; (...) Art. 16. A empresa incentivada fica impedida de utilizar os incentivos concedidos nos termos desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II deixar de cumprir, a qualquer tempo do período de fruição, os requisitos necessários à habilitação; (...) Art.17. Perderá o direito ao incentivo concedido nos termos desta Lei a empresa que: (...) Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.089 29 III – até 31 de dezembro de 2013, reduzir, no caso de ampliação, a capacidade instalada, independentemente de aumento de faturamento e, em qualquer hipótese, paralisar as atividades do empreendimento beneficiado; IV não iniciar a implantação do projeto, no prazo máximo de 12 (doze) meses, contados do mês subsequente ao da publicação do decreto concessivo do benefício, ressalvado o disposto no § 4º do art. 5º, no § 8º do art. 7º e, a partir de 8 de dezembro de 2011, no art. 23A; (...) IX não realizar a totalidade dos investimentos previstos no prazo de até 36 (trinta e seis) meses, contados do mês subseqüente ao da publicação do decreto concessivo, salvo prévia autorização do Comitê Diretor para que a empresa exceda o mencionado limite temporal;(...) (grifos constam no original) Por sua vez, a lei estadual é regulamentada pelo Decreto do Estado de Pernambuco n° 21.959, de 27/12/1999, que dispõe: Art. 12. O PRODEPE será administrado da seguinte forma: I por meio de Comitê Diretor, integrado pelos Secretários da Fazenda, de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes, e de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, bem como pelo Presidente da AD/DIPER, com competência para apreciar os projetos, quanto à sua viabilidade e à sua adequação às políticas industrial e comercial do Estado e à manutenção dos níveis de arrecadação do ICMS, com base em parecer elaborado por grupo técnico a ser constituído para esse fim, que opinará, sem prejuízo de outros assuntos correlatos, sobre o seguinte: (...) b) prorrogação e renovação dos prazos de fruição dos incentivos fiscais e financeiros; (...) II por meio do CONDIC, com competência para proferir decisão final quanto à concessão dos incentivos, quando os respectivos pleitos forem encaminhados pelo Comitê Diretor. (...) § 2º A administração do PRODEPE compreenderá, em especial, a análise e a avaliação dos projetos apresentados, bem como o acompanhamento da implantação e da operação do empreendimento beneficiário, durante todo o período de fruição do incentivo. Art. 13. Compete à AD/DIPER: (...) III emitir, juntamente com a Secretaria da Fazenda, no prazo de 30 (trinta) dias, contados do recebimento do pedido, prorrogável por igual período, parecer técnico conclusivo sobre a viabilidade do projeto em relação às políticas industrial e comercial do Estado e quanto à situação fiscal da empresa e ao impacto do Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.090 30 projeto nos níveis de arrecadação estadual, submetendoo ao Comitê Diretor do PRODEPE; (Dec. 23.188/2001efeitos a partir de 01.01.2001) IV supervisionar a destinação dos recursos liberados, bem como o desempenho das empresas beneficiárias, especialmente quanto à verificação da capacidade instalada de produção anterior à apresentação do projeto e à realização do investimento previsto; V acompanhar, mediante relatórios semestrais, o impacto das atividades incentivadas no desempenho da economia estadual, inclusive a sua repercussão nos níveis de emprego e no fomento das cadeias produtivas. (grifos constam no original) Da análise dos dispositivos normativos editados pelo Estado de Pernambuco, observase que estão presentes a intenção do subvencionador em viabilizar a implantação ou expansão do empreendimento econômico (art. 1º da Lei Estadual nº 11.675, de 1999), estabelecimento de metas a serem atingidas dentro de período determinado (arts. 14 e 17 da mencionada lei), além de acompanhamento e controle da execução do projeto (art. 12, § 2º, art. 13, inc. V, do Decreto do Estado de Pernambuco n° 21.959, de 27/12/1999). Há uma real preocupação com a efetiva aplicação dos recursos, conforme de depreende das hipóteses de perda do incentivo previstas no art. 17 da Lei Estadual nº 11.675, de 1999. Em tese, portanto, o PRODEPE mostrase apto a caracterizar os recursos como subvenção para investimentos. Contudo, há que se empreender uma segunda verificação, qual seja, se os recursos foram efetivamente aplicados. (g.m) Sendo assim, adoto as mesmas conclusões declinadas no referido acórdão, para entender atendido o primeiro dos requisitos, qual seja, a intenção do ente subvencionador de destinar os recursos para investimento, no caso, de implantação e ampliação das indústrias no Estado de Pernambuco. Superada a primeira análise, passo a verificar se os autos trazem evidências de que os recursos foram efetivamente aplicados. Porém, no caso, nem a autoridade lançadora se preocupou em produzir provas de que os recursos, eventualmente, não foram efetivamente aplicados, como a recorrente não trouxe aos autos prova de que os aplicou corretamente. Registrese que, no decorrer da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a demonstrar a aplicação dos recursos subvencionados (fls. 407 408), obrigação da qual não se esquivou, conforme se vê nas fls. 409, valendose observar que estas informações não foram contestadas pela autoridade autuante. Deveria a fiscalização ter aprofundado sua investigação sobre a ação do subvencionado, ou seja, verificar se ocorreu a efetiva aplicação do recurso recebido, mas, o invés, preferiu centrar sua argumentação na ausência de um mecanismo legal que garantisse a efetiva prestação de contas. Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.091 31 Exatamente por esta razão foi rejeitada a proposta formulada pelo I. Conselheiro Roberto Silva Júnior, em plenário, no sentido ser realizada diligência para apurar a efetiva aplicação dos recursos subvencionados, visto que embora apresentados os documentos solicitados, sobre eles não se fez qualquer comentário ou registrouse qualquer irregularidade, não sendo esta investigação objeto de acusação fiscal. Acrescese que tanto a fiscalização como o acórdão recorrido se limitaram ao entendimento segundo o qual a aplicação de recursos no capital de giro seria suficiente para descaracterizar a natureza da subvenção. Assim, julgo improcedente a glosa da exclusão da subvenção do incentivo fiscal PRODEPE, devendo ser provido o recurso voluntário, quanto a esta parte. Omissão de receita operacional decorrente da redução do parcelamento previsto na Medida Provisória nº 470/2009 (item ii) Relata a fiscalização que o contribuinte aderiu ao parcelamento de que trata a Medida Provisória nº 470/2009, obtendo benefícios decorrentes da redução de multa e juros de mora no total de R$ 6.680.273,84, deixando de apurar a receita advinda de tais benefícios, vez que deveria fazer parte do lucro real. Noticia ainda que o contribuinte efetuou lançamentos contábeis reconhecendo como receita os citados benefícios fiscais relativos ao parcelamento da MP nº 470/2009, e posteriormente excluiu da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. O acórdão recorrido manteve o lançamento, sob o entendimento de que somente são admitidas, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as exclusões expressamente prescritas ou autorizadas na legislação tributária. Como o contribuinte procedeu as exclusões sem amparo legal, por inexistir na Medida Provisória nº 470, de 2009, qualquer disposição que as autorize , e concluiu ter sido configurada a infração à legislação tributária. Sobre o ponto, a recorrente alega: i) que as reduções não são receitas reconhecíveis para fins fiscais; ii) que a redução está submetida à cláusula condicional, a depender de o Contribuinte chegar ao final do parcelamento sem sofrer rescisão; iii) que eventual redução de débitos, para gerar efeitos fiscais, depende de antes o débito ter sido lançado como despesa; iv) que ainda que a redução tivesse que ser considerada, ela estaria sem a incidência do PIS/COFINS, pois seria recuperação de despesa; v) que ocorreu erro de eleição do critério temporal do fato gerador dos tributos em comento, posto que a fiscalização elegeu a data da adesão (30/11/2009) como momento do fato gerador e que a redução somente ingressou no patrimônio do contribuinte quando implementada a condição resolutória, qual seja: o deferimento do parcelamento ocorrido. Pois bem. Com a edição da Medida Provisória nº 470, de 2009, admitiuse o parcelamento, em até 12 (doze) prestações mensais, de débitos específicos, com a reduções mencionadas na referida norma jurídica. Assim, os benefícios previstos na norma com a redução de multas, juros e encargos, sem dúvida, acarreta redução de um passivo da fiscalizada, resultando, então, em aumento do seu patrimônio. Tratarse, portanto, de receita com origem numa redução do Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.092 32 passivo da empresa, como reconhece o Conselho Federal de Contabilidade, que editou as Resoluções nº 1.121/2008 e nº 1.374/2011. Desta última, transcrevese: 4.25.Os elementos de receitas e despesas são definidos como segue: a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais; (g.m.) Logo, a citada redução representa um incremento patrimonial ao recorrente, cujo reconhecimento deve passar por uma conta de resultado. Vejase que a própria recorrente reconhece que se trata de receita, tanto que efetuou lançamentos contábeis reconhecendo a receita advinda dos benefícios relativos ao parcelamento da MP n° 470/2009, com os históricos “RED. 100% MULTA REFIS CF ACORDO” E “RED. 90% JUROS REFIS CF ACORDO”. Porém, o efeito fiscal do reconhecimento dessas receitas foi nulo, pois esse valor foi totalmente excluído da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, conforme visto. Considerando que toda exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL depende de previsão legal expressa, e tendo em vista que não há previsão legal para exclusão das receitas decorrentes dos benefícios gerados com a redução de multas, juros e encargos legais, na Medida Provisória nº 470, de 2009, cabe a tributação dessa receita. Inobstante entender suficientes as razões para manter a exigência tributária, a recorrente traz outras alegações que devem ser analisadas. Afirma que a redução estaria submetida à cláusula condicional, ocorrendo apenas ao final do parcelamento sem sofrer rescisão. Tal afirmação não afasta a necessidade de tributar a receita decorrente da referida redução, que, ao contrário de que tenta fazer crer a recorrente, tornouse definitiva. Além do que não encontro prova dos autos de que não ocorreu a citada redução por eventual rescisão de parcelamento. Afasto assim esta alegação. Com referência à sua alegação de que eventual redução de débitos, para gerar efeitos fiscais, dependeria de antes o débito ter sido lançado como despesa, também não possui o condão de reverter o lançamento, pois o débito em questão foi reconhecido pelo sujeito passivo quando da adesão ao parcelamento, sendo uma obrigação e prevista no passivo da recorrente. Se resultou numa redução do passivo da fiscalizada, como visto, acarretou no caso aumento do seu patrimônio, sendo receita para fins de composição da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Com relação à alegação de ter ocorrido erro de eleição do critério temporal do fato gerador dos tributos em comento, posto que a fiscalização elegeu a data da adesão (30/11/2009) como momento do fato gerador e que a redução somente ingressou no patrimônio do contribuinte quando implementada a condição resolutória, qual seja: o deferimento do parcelamento ocorrido, também não merecer prosperar. De fato, para fins de homologação do parcelamento, previuse a necessidade de despacho de autoridade competente, com vistas a verificar o atendimento pelo contribuinte dos requisitos legais previstos na citada norma jurídica; porém, os efeitos desta decisão são retroativos para a data da referida adesão, tratandose de mera declaração. Afasto assim esta alegação. Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.093 33 Por fim, com relação ao PIS e à Cofins, entendo que as alegações da recorrente já foram devidamente analisadas e afastadas pela decisão recorrida, pela qual peço vênia para adotálas e reproduzilas: Com relação ao PIS e à Cofins, sujeitandose a interessada à apuração do IRPJ pelo lucro real, ela está sujeita à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins pelo regime não cumulativo. Nesse caso, a base de cálculo das contribuições é dada, respectivamente, pelo artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 dezembro de 2003, dispositivos transcritos a seguir: Lei nº 10.637, de 2002: CAPÍTULO I DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DO PIS E DO PASEP Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Lei nº 10.833, de 2003: CAPÍTULO I DA COBRANÇA NÃOCUMULATIVA DA COFINS Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Como se vê, a base de cálculo dessas contribuições corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Valores recebidos a título de recuperação de despesas encontramse, assim, dentro do alcance da base de cálculo do PIS e da Cofins. No que tange ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 2003, mencionado pela Impugnante, ressalvese que tal ato normativo trata da tributação de valores restituídos ao contribuinte por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito, hipótese diversa da tratada no presente caso. Dessa forma, mantenho a exigência correspondente, negando o recurso voluntário, quanto a esta parte. Glosa de despesa decorrente de perda na aquisição de crédito fiscal (IPI) de terceiros (item i) Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.094 34 Neste tópico, entendeu a fiscalização que a despesa em questão não se insere na atividade operacional da empresa, sendo indedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, em face do que dispõe o artigo 299 do RIR/99. Confirase trechos do Relatório de Auditoria Fiscal que tratou dessa questão: (fls. 9698). Analisando a documentação apresentada pela empresa, verificamos, através da análise do documento intitulado “Instrumento Particular de Cessão de Crédito Tributário”, que a fiscalizada intentou adquirir, da empresa DGB Distribuidora Guararapes de Bebidas LTDA, CNPJ 10.777.464/000162, supostos créditos de IPI(Impostos sobre Produtos Industrializados), reconhecidos judicialmente, que totalizavam R$ 4.000.000.00(quatro milhões de reais), pelos quais comprometeuse a pagar R$ 2.400.000,00(dois milhões e quatrocentos mil reais), parceladamente. Conforme se verifica em diversos processos administrativos protocolizados nesta Delegacia da Receita Federal, a empresa solicitou a utilização de tais “créditos” na compensação de tributos próprios, todas consideradas nãodeclaradas, como não podia ser diferente, por ter esta se utilizado de créditos de terceiros(o que é legalmente vedado), e, além do mais, referentes à ação judicial não transitada em julgado. Assim, não admitida a compensação de seus débitos junto à RFB, com os “créditos” adquiridos de terceiros, a empresa entendeu poder deduzir da apuração do IRPJ e da CSLL o valor pago na aquisição de tais “créditos”, de R$ 2.4000.000,00, contabilizada como despesa com o histórico de “PERDAS NO RECEBTO CFE CONTRATO DGB”. (...) Na análise da contabilidade da empresa do anocalendário de 2009, identificamos que a fiscalizada escriturou na conta do Grupo 33 (DESPESAS NAO OPERACIONAIS), subgrupo 33208 (PERDAS S/COMPRA DE CREDITOS FISCAIS), contaanalítica 332080001 (DESAGIO S/ COMPRA DE CREDITO), lançamento no valor de R$ 2.566.197,57, com o histórico “VLR REF ESTORNO DESAGIO S/COMPRA DE CRED”. (...) Analisando a documentação apresentada pela empresa, verificamos que a fiscalizada intentou adquirir, da empresa Colônia AgroIndustrial LTDA, CNPJ 70.064.134/000151, supostos créditos de IPI, reconhecidos judicialmente, conforme diversos contratos por ela apresentados. Conforme se verifica em diversos processos administrativos protocolizados nesta Delegacia da Receita Federal, a empresa solicitou a utilização de tais créditos na compensação de tributos próprios. Novamente, todas as compensações solicitadas pela fiscalizada foram consideradas nãodeclaradas, por ter esta se utilizado de créditos de terceiros(o que é legalmente vedado), e, além do mais, referentes à ação judicial não transitada em julgado. Assim, não admitida a compensação de seus débitos junto à RFB, com os créditos adquiridos de terceiros, a empresa entendeu poder deduzir da apuração do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 2.566.197,57, contabilizada como despesa com o histórico “VLR REF ESTORNO DESAGIO S/COMPRA DE CRED”. Alega a recorrente que os créditos adquiridos eram recursos que deveriam estar em seu caixa, portanto, tal qual um cheque que estivesse no caixa, e que ficasse sem Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.095 35 fundos, o crédito também ficou "sem fundos", sem valor econômico, pois títulos sem aptidão de dar qualquer retorno ao contribuinte, gera uma perda que afeta o resultado, e portanto o IRPJ e a CSLL. Assim, defende que o auto de infração se encontra com a fundamentação equivocada, já que o que poderia exigir, para considerar mesmo em tese a perda ser indedutível, seriam as medidas legais executórias previstas para o contribuinte recuperar tal crédito. Acrescenta ainda que os defeitos apontados para a despesa não prevalecem, pois a citada dedução glosada adveio de despesa da atividade, pois pagar tributos, e portanto providenciar pecúnia ou créditos para quitar tais tributos, é essencial para o funcionamento e continuação da produção de uma empresa. Quanto à CSLL, defende que em nenhum momento a fiscalização questionou a validade da despesa e que ao contrário da regra referente ao IRPJ, a norma da CSLL não contempla a previsão para adição na base de cálculo da contribuição das despesas consideradas desnecessárias para fins de apuração do lucro real. Passo à análise da questão, iniciando pelo IRPJ: IRPJ O primeiro ponto a ser analisado é a questão da necessidade, usualidade ou normalidade da referida despesa. Essa regra oferece dificuldade na análise em virtude da vagueza e subjetividade desses conceitos positivados no art. 299 do RIR/99. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa . §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Como se vê, não obstante ser a existência real da despesa, condição necessária para a sua dedutibilidade, ela não é suficiente. Nos termos do art. 299 do RIR/99, somente são dedutíveis as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. E necessárias são as despesas pagas ou incorridas para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Além disso, a lei limita a dedutibilidade às despesas operacionais usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Assim, a prova das despesas que afetam o lucro tributável deve evidenciar que o ônus assumido pela contribuinte decorreu de exigências da atividade da empresa. Não basta a operação ser, hipoteticamente, comum à atividade empresarial. Somente por meio de documentos produzidos com a intervenção de terceiros é possível afirmar que a despesa foi promovida para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. No caso, tratase de despesa relativa à aquisição de créditos fiscais de terceiros, que inquestionavelmente não se insere na atividade operacional da empresa, sendo Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.096 36 indedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, em face do disposto no artigo 299 do Decreto nº 3.000, de 1999. Isso porque, de acordo com a norma jurídica pertinente, para ser dedutível, as despesas incorridas devem guardar relação com a atividade desenvolvida pela empresa, isto é, com seu objeto social, admitindose ainda apenas as que preencham os requisitos de usualidade ou normalidade, o que não é o caso das despesas com a aquisição de créditos fiscais de terceiros. Assinalese, ainda, que tais créditos possuem natureza completamente diversa daqueles mencionados no artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996 – créditos decorrentes da atividade operacional da empresa –, sendo despropositada, assim, qualquer aferição dos requisitos dos incisos II e III do § 1º do mencionado artigo, como pretende a recorrente. Desta forma, correta a glosa da citada despesa. O recurso voluntário deve ser negado, quanto a esta parte. CSLL De início, bom que se diga que não há controvérsia quanto à origem da despesa, pois foi fruto da aquisição de "crédito fiscal" entre duas empresas, para fins de utilização de pagamento de tributos. Para o referido lançamento, o fisco baseouse no disposto no art. 299 do Decreto nº 3.000, de 1999, ao fundamento de que todas as despesas consideradas indedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica também o seriam para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Da análise da normas legais pertinentes, concluise desde logo que não há dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do Lucro Real. As bases de cálculo do IR e da CSLL não são idênticas, daí os ajustes previstos ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real não serem automaticamente aplicáveis à referida contribuição. Logo, as despesas ou encargos contabilmente apropriados, para efeitos de apuração do resultado comercial da pessoa jurídica, ainda que considerados não dedutíveis para efeitos do IRPJ, nem por isso, devem ser considerados na apuração da base de cálculo da CSLL. Para a CSLL, ao lucro líquido ou resultado comercial somente se agregam ou excluem valores constantes do artigo 2º da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações supervenientes, bem como do artigo 13 da Lei n° 9.249, de 1995. Outras exclusões, ainda que pertinentes ao IRPJ, não o são para efeitos da contribuição em questão, por absoluta falta de amparo legal. Sendo assim, a pretensão de estender à CSLL as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ não encontra amparo legal, além do que não se pode admitir que a expressão "normas de apuração e pagamento'' possa alcançar também a determinação da base de cálculo, distinção que está expressa no texto do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.097 37 Por tais motivos, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a esta parte. Juros de mora sobre a multa de ofício A recorrente alega ainda que a incidência de juros sobre a multa de ofício viola o princípio constitucional da legalidade, pois o art.13 da Lei nº9.065/95 remete ao art.84 da Lei nº 8.981/95, que estabelece a cobrança de juros apenas sobre tributos. Como a multa tem natureza de sanção, sustenta que não se confunde com tributo, a teor dos artigos 3º e 113 do CTN, devendo por isso ser cancelada a cobrança de juros sobre a multa. No presente caso, estamos diante de uma hipótese de "atualização de multa de ofício", e para resolver essa questão, cumpre fazer uma análise na legislação que rege à matéria. De fato, não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determina que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. À evidência, a expressão “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora ...”, que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Basta ver que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)” Resta evidente que o “débito” a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros. Falta, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, o que viola, segundo meu entender, o princípio da legalidade. Corrobora tal entendimento o votocondutor do ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido, verbis: “Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato de sua inobservância, convertese em Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.098 38 obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”, nos termos do parágrafo 3º do citado artigo 113. Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.”. Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso nº 125.436, que deu origem ao acórdão 202 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios, à taxa de 1% ao mês, sobre a multa de ofício imposta no lançamento.” (Processo n. 16327.004079/200275, Acórdão n. 10196.008, sessão de 01 de março de 2007). Assim, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a este item. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso de ofício e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para: a) AFASTAR as exigências correspondentes à Dedução do IRPJ incentivo fiscal de redução Sudene/Adene; b) AFASTAR as exigências correspondentes a Receitas de subvenção ICMS PRODEPE; Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.099 39 c) AFASTAR as exigências de CSLL correspondentes à Glosa de despesa perda na aquisição de crédito fiscal de IPI; d) REJEITAR os argumentos do recurso voluntário correspondentes a Omissão de receita redução do parcelamento MP 470/2009 e Glosa de despesa perda na aquisição de crédito fiscal de IPI (somente IRPJ); e) AFASTAR a incidência de juros sobre multa com relação aos demais itens mantidos neste voto. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo. Redatora Designada Em que pese os argumentos do ilustre relator, divirjo do seu voto quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que têm por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.100 40 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, a multa de ofício e quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 14774.720001/201431 Acórdão n.º 1301002.221 S1C3T1 Fl. 2.101 41 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 2101DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.000737/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
Tratando-se de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo § 4° do artigo 150 do CTN, isto é, respectivo prazo será de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Para a incidência dessa regra, há que estar presente a hipótese típica do lançamento, qual seja, a antecipação do pagamento do tributo. Não havendo tal antecipação, não será o caso de lançamento por homologação, de sorte que o prazo decadencial desloca-se daquele artigo para encontrar abrigo no inciso I do seu artigo 173, sem que na espécie tenha havido seu escoamento.
DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de realização de diligência e de perícia por serem despiciendas, vez que, além de a situação fática ter bastado para o seu enquadramento no tipo legal, tanto na fase procedimental, quanto na processual, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova documental dos fatos alegados.
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não se cogita de nulidades processual, ou do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, ou no 142 do CTN, respectivamente.
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA.
Sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte, a alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 2402-005.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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NÃO OCORRÊNCIA Tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo § 4° do artigo 150 do CTN, isto é, respectivo prazo será de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Para a incidência dessa regra, há que estar presente a hipótese típica do lançamento, qual seja, a antecipação do pagamento do tributo. Não havendo tal antecipação, não será o caso de lançamento por homologação, de sorte que o prazo decadencial deslocase daquele artigo para encontrar abrigo no inciso I do seu artigo 173, sem que na espécie tenha havido seu escoamento. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de realização de diligência e de perícia por serem despiciendas, vez que, além de a situação fática ter bastado para o seu enquadramento no tipo legal, tanto na fase procedimental, quanto na processual, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova documental dos fatos alegados. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidades processual, ou do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, ou no 142 do CTN, respectivamente. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. Sujeitamse à incidência do imposto exclusivamente na fonte, a alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 07 37 /2 01 0- 21 Fl. 1066DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10640.000737/201021 Acórdão n.º 2402005.858 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, pelo Auto de Infração (AI) de IRRF (fls. 0238), foi constituído o crédito tributário no montante de R$ 6.563.024,62, demonstrado à fl. 01. Com o mote do lançamento, pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 3950, integrante do AI. Às fls. 712731,a impugnação assim articulada por excertos: I — DO LANÇAMENTO II — PRELIMINARMENTE. DA ORIGEM DA APURAÇÃO FISCAL III — DA DECADÊNCIA PARCIAL DA PRETENSÃO FAZENDÁRIA [..] encontramse valores sobre os quais já se operou a decadência [..] relativos aos meses de janeiro e fevereiro do anocalendário de 2005. IV — DO MÉRITO. DO EQUÍVOCO NO TOCANTE À EXIGÊNCIA FISCAL A TÍTULO DE IRRF. [..] o lançamento fiscal [..] almeja tributar quase que a totalidade dos mesmos valores [..] objeto da autuação fiscal efetuada em face do sócio da impugnante,Sr. Luiz Augusto do Valle de Lima (PAF n ° 10640.000490/201042), [...] a fiscalização sequer logrou êxito em demonstrar/apurar que a Impugnante não teria respaldo nos próprios recursos constantes de seu caixa, para fins de distribuir lucros aos seus sócios no valor objeto da autuação, caso contrário, efetivamente verificaria a real existência destes. [..] merece reprodução o item 4.1 do Relatório Fiscal constante do processo administrativo n'10640.0004901201042, [...]: [...] na RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E OU CAUSA DO PAGAMENTO, a qual serviu como base para a consecução do lançamento ora contestado, a título de IRRF, constam os mesmos valores discriminados pela fiscalização na Planilha denominada LUCROS DISTRIBUÍDOS POR PIONEIRA — Beneficiários obtidos à partir de cópias de cheques, anexada ao relatório fiscal constante do processo administrativo n° 10640.0004901201042, na qual resta efetivamente identificado o beneficiário do pagamento como sendo a sociedade ITABA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA. Fl. 1068DF CARF MF 4 Para melhor demonstrar tal hipótese, a Impugnante indica, abaixo, os referidos valores inerentes aos pagamentos efetuados à sociedade ITABA [...], que constam tanto da RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO [...], quanto da Planilha denominada LUCROS DISTRIBUÍDOS POR PIONEIRA — [...], arribas elaboradas pela mesma autoridade lançadora [...]. Também merecem reprodução as justificativas apresentadas pelo sócio da Impugnante no âmbito da autuação fiscal do IRPF (PAF n° 10640.000490/201042), aliadas aos elementos de prova anexados em suas razões de defesa [...]. Segue ainda como prova cabal dos pagamentos cópias de 5 cheques recebidos de ITABA [..] nos seguintes valores: Portanto, não restam dúvidas, acerca da total improcedência da exigência fiscal ora combatida, a título de IRRF, em virtude do seu incorreto enquadramento legal, haja vista que efetivamente restou comprovado nos autos a causa do pagamento do valor sobre o qual indevidamente incidiu o IRRF, bem como, • ainda, houve a identificação de seu beneficiário [...]. A mesma verba está sendo tributada nos lançamentos fiscais inerentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS [..] e ao IRPF [...]. Desta forma, requer a Impugnante o cancelamento da exigência fiscal a título de IRRF, [...], o qual deverá ser declarado nulo/improcedente. V— DO REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA [...] A Impugnante entende como primordial a realização de perícia/diligencia Por esta razão, a Impugnante apresenta, nesta oportunidade, os quesitos que considera como necessários para o deslinde do feito [..](original contém negritos, sublinhas e fontes maiores) Em sessão de julgamento de 23 de junho de 2010, a decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente (fl. 804 e segs), cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA Tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo § 4° do artigo 150 do CTN, isto é, respectivo prazo será de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Para a incidência dessa regra, há que estar presente a hipótese típica do lançamento, qual seja, a antecipação do pagamento do tributo. Não havendo tal antecipação, não será o caso de lançamento por homologação, de sorte que o prazo decadencial deslocase daquele artigo para encontrar abrigo no inciso I do seu artigo 173, sem que na espécie tenha havido seu escoamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10640.000737/201021 Acórdão n.º 2402005.858 S2C4T2 Fl. 4 5 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de realização de diligência e de perícia por serem despiciendas, vez que, além de a situação fática ter bastado para o seu enquadramento no tipo legal, tanto na fase procedimental, quanto na processual, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova documental dos fatos alegados. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidades processual, ou do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, ou no 142 do CTN, respectivamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 HIPÓTESE CLÁSSICA DO ANTECEDENTE DE NORMA DISPOSITIVA. SUJEIÇÃO AO SEU CONSEQÜENTE. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado. Tal incidência aplicase ainda aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 09/07/2010, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 917 e segs, em 09/08/2010, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: Preliminarmente da nulidade da decisão recorrida,uma vez que em nenhum momento a decisão recorrida informou os valores constantes do Quadro Demonstrativo elaborado pela Recorrente, no qual restou evidenciado que na RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E/OU CAUSA DO PAGAMENTO, a qual ser viu como base para a consecução do lançamento ora contestado, a título de IRRF, constam os mesmos valores discriminados pela fiscalização na Planilha denominada LUCROS DISTRIBUÍDOS POR PIONEIRA Beneficiários obtidos à partir de copias de cheques, anexada ao relatório fiscal constante do procedimento administrativo nº 10640.0004901/2010 42, na qual resta efetivamente identificado o beneficiário do pagamento como sendo a sociedade ITABA INDUSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA. Da decadência parcial do lançamento, nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, tendo vista que o recorrente tomou ciência do auto de infração inerente ao IRRF, em 22.03.2010. Fl. 1070DF CARF MF 6 Do mérito, desta forma, toda a distribuição de lucros contestada pela fiscalização se encontra devidamente registrada na contabilidade da Recorrente, documentação essa, que deveria ter sido considerada suficiente para atestar sua efetiva realização. Logo ao contrario do que afirmado pela fiscalização, e equivocadamente corroborado pela decisão recorrida, os elementos de prova acima mencionados revestem de plena legalidade a distribuição dos lucros realizada pela Recorrente, razão pela qual, são suficientes para demonstrar a total improcedência do presente lançamento fiscal, o qual desconsiderou os valores correspondentes e tributouos com base no IRRF incidente sobre pagamentos sem causa e/ou operação não comprovada. Em face de toda a argumentação anteriormente exporta na impugnação, bem como em razão da natureza do auto de infração lavrado, a recorrente entende como primordial a realização de perícia/diligencia, a qual será capaz de demonstrar que o lançamento fiscal foi efetuado sobre valores cuja identificação da causa dos pagamentos e operações se torna evidente, face ao simples cotejo da RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E/OU CAUSA DO PAGAMENTO, em face da Planilha LUCROS DISTRIBUÍDOS POR PIONEIRA Beneficiários obtidos à partir de copias de cheques, (anexada ao relatório fiscal constante do procedimento administrativo nº 10640.0004901/201042). Na sessão de 19 de novembro de 2013, foi decidido por este colegiado, converter o julgamento em diligencia para que a repartição de origem tomasse as seguintes providencias (fl. 967): 1. Que o contribuinte fosse intimado num prazo de 20 (vinte) dias, prorrogáveis caso julgue oportuno, a apresentar minuciosamente provas e argumentos definitivos com as quais almeja demonstrar a causa dos pagamentos efetivamente lançados, apresentando entre outros pontos, explicação e comprovação para a RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E/OU CAUSA DO PAGAMENTO, em face da Planilha LUCROS DISTRIBUÍDOS POR PIONEIRA Beneficiários obtidos à partir de copias de cheques, (anexada ao relatório fiscal constante do procedimento administrativo nº 10640.0004901/201042). 2. Que a fiscalização apreciasse os argumentos/provas, realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações propostas pela recorrente; 3. Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deveriam retornar a Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em 07 de abril de 2013, foi dada ciência a Recorrente da Resolução 2202 000.560 (fl. 976), de forma a se pronunciar em relação ao item 1 da diligencia. Em 16 de maio de 2013, a Recorrente se manifestou nos autos (fl. 979 e segs.) aduzindo, em sínteses, os seguintes argumentos: a. Os pagamentos se referem a despesas de sócio, contabilizados a título de antecipação de lucros. Não há fundamentação legal para subordinar o IRRF à distribuição de valores a sócios. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10640.000737/201021 Acórdão n.º 2402005.858 S2C4T2 Fl. 5 7 b. Conforme alegado em sede de impugnação e recurso voluntário, pugna pela decadência do lançamento de janeiro e fevereiro de 2005. c. Inexistência de verossimilhança entre os relatórios fiscais do processo 106.000490/201042 e o do presente processos, não obstante se basearem nos mesmos fatos e terem sido minutados pela mesma auditora. d. Aduz que a própria auditora nos autos do processo 106.000490/201042 teria confirmado que os valores se tratam de distribuição antecipada de lucros ao sócio, sendo assim, não há que se falar em pagamento sem causa. Em 10 de julho de 2014, foi emito boletim de Informação Fiscal (fl. 1022) mencionando os seguintes pontos: i. Na ação fiscal em face do sócio Luiz Augusto do Valle de Lima proc. 106.000490/201042, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, conforme relação de depósitos anexa ao Termo de Intimação. Em resposta, alegou que os créditos bancários eram advindos de recursos próprios, antecipação de lucros da Pioneira e outras empresas. Em relação a Pioneira os seguintes depósitos foram confirmados em relação a sua origem e não foram tributados na pessoa física: ii. Sobre os demais recursos, apesar de ter alegado que seriam provenientes de distribuição de lucros da empresa Pioneira, alega a auditora que ficou claro que foram destinados a terceiros (beneficiários obtidos através de copias de cheques) e não poderiam justificar dinheiro em espécie ao sócio. Desta forma, a auditora alega que são improcedentes as alegações de bitributação realizadas pela recorrente. iii. Ressalta, ademais, que a empresa não logrou comprovar a destinação dos pagamentos ou causas dos mesmos, apesar de ter contabilizado tais pagamentos. Após ser intimada em 27 de agosto de 2014 (fl. 1045), a Recorrente se manifestou novamente nos autos (fl. 1049), de forma a argumentar que o valor total pago em cheques é inferior ao lucro contábil e que precisaria de vistas aos autos para apontar as páginas em que constam os documentos suporte para a contabilização dos mesmos. Em 05 de novembro de 2014 foi emitido novo boletim de Informação Fiscal, aduzindo que a tributação de pagamentos cuja causa não tenha sido comprovada, independente do resultado apurado pela empresa e que, uma vez que os processos estão digitalizados, podem ser consultados a qualquer tempo. Fl. 1072DF CARF MF 8 Tendo em vista a tentativa de intimação ao Recorrente por via postal ser sido improfícua, intimouse o mesmo por edital (fl. 1060), nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. Em 06 de abril de 2015, os autos retornaram ao CARF (fl. 1063). Em 08 de julho de 2015, no entanto, fora devolvidos a Secretaria para redistribuição em razão da publicação da Portaria nº 889/2015 (fl. 1064). Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10640.000737/201021 Acórdão n.º 2402005.858 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 09/07/2010, interpôs recurso voluntário no dia 09/08/2010, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. I. PRELIMINAR NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA A recorrente pugna pela nulidade da decisão recorrida argumentando que em nenhum momento infirmou os valores constantes em quadro elaborado que teria evidenciado a identificação dos beneficiários de determinados pagamentos como sendo a sociedade ITABA Industria de Tabaco Brasileira Ltda. Neste sentido, o Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, assim dispõe sobre as hipóteses de nulidade processual: Art.59. São nulos: I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em face dos princípios que norteiam o processo administrativo fiscal, mormente os da informalidade e da verdade material, duas são as espécies de irregularidades, vislumbradas naquele art. 59, não materializadas, que possuiriam o condão de contaminálos de nulidade. Somese a isso que, pelo juízo firmado na preliminar de cerceamento de direito de defesa, não restou comprovado prejuízo processual à contribuinte que implicasse ainda saneamento do processo, nos termos do artigo 60 daquele Decreto. Nestes termos, nego razão a recorrente. II. PRELIMINAR DECADÊNCIA PARCIAL Cuida de tributação extraordinária do imposto sobre a renda, a alíquota de 35%, que possui regra de incidência tributária específica (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora se examina, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo a Fl. 1074DF CARF MF 10 realização de uma série de procedimentos a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regra matriz de incidência tributária. Sob esse prisma, não localizei nos autos a existência de pagamento antecipado que mantenha conexão com os fatos geradores associados ao crédito tributário lançado pela fiscalização, portanto aptos a atrair a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Logo, na ausência de pagamento ou antecipação impõese a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, na esteira do REsp nº 973.733/SC, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Observado o disposto no inciso I do artigo 173 do CTN, temse que o direito de a fazenda nacional efetuar o lançamento decairia somente em 31/12/2010 e, como a ciência pessoal ocorreu em 22/03/2010, não há nenhum fato gerador atingido pela decadência. Nestes termos, nego razão a recorrente. IV MÉRITO EQUIVOCO NO TOCANTE A EXIGÊNCIA FISCAL A TITULO DE IRRF Em relação ao mérito, o cerne da questão gira em torno da suposta falta de retenção do imposto de renda na fonte, por parte do Recorrente, referente a pagamentos realizados a beneficiários não identificados ou sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. Primeiramente, a recorrente argumenta que quase todos os valores lançados no presente processo já foram objeto de autuação fiscal efetuada em nome do sócio Sr. Luiz Augusto do Valle de Lima (PAF 106.000490/201042) sob a rubrica de omissão de receitas decorrentes de deposito bancários cuja origem foi considerada não comprovada. Neste sentido, em analise ao cotejo entre os valores mencionados no PAF 106.000490/201042, estes dizem respeito a depósitos em dinheiro, conforme planilha anexada a este processo por meio do boletim de Informação Fiscal à fl. 1023, enquanto que o presente processo trata de valores pagos via cheque. A fundamentação constante do Relatório Fiscal (fl. 42) corrobora o acima: "O presente Auto de Infração se refere às irregularidades apuradas no confronto das cópias de cheques, obtidas através das RMF Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira expedidas para os Bancos Bradesco e Santander, com a escrituração da empresa e as respostas do contribuinte aos TIF 03 e TIF 07, conforme detalhado nos itens 3 e 4 deste relatório." Neste sentido, não procede o argumento da recorrente. Alega a recorrente, ainda, que juntou aos autos, conforme intimação da fiscalização, seus livros contábeis, em que consta devidamente registrada a distribuição de lucros contestada pela fiscalização. Notase conforme boletim de Informação Fiscal à fl. 1023 que a autuação efetuada foi decorrente da falta de apresentação de documentação que embasou a contabilidade e comprovaria a causa das operações que ensejaram a emissão dos cheques. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10640.000737/201021 Acórdão n.º 2402005.858 S2C4T2 Fl. 7 11 A falta de apresentação dos respectivos documentos suporte por parte da recorrente, não obstante ter sido intimada diversas vezes, corrobora os argumentos da fiscalização. Neste momento, vale transcrever as conclusões do relatório fiscal que bem descrevem a situação da recorrente: Na análise efetuada nas cópias de cheques recebidas do Banco Bradesco (conta n° 12.8015 da agência 30333) e do Banco Santander (conta n° 13.0047109 da agência 0179) contas regularmente escrituradas na contabilidade da empresa verifiquei que diversos cheques se tratavam de cheques nominais a terceiros ou com anotação no verso de sua destinação, e por isso, sugeriam que foram emitidos para pagamentos efetuados pela Pioneira, e ainda, analisando sua contabilidade, constatei que diversos cheques foram escriturados como Antecipação de Lucros aos sócios, outros foram contabilizados a débito de caixa sem a correspondente escrituração dos pagamentos efetuados e os demais eram nominais a beneficiário diferente daquele constante na contabilidade. Assim, relacionei estes cheques e intimei o contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal n° 07, datado de 08/02/2010 (f1s. 402 a 408 ), a comprovar, com documentação hábil e idônea , a que título foi efetuado cada um dos pagamentos que a empresa fez com esses cheques, ou seja, a causa motivadora dos pagamentos, e a comprovar a efetiva destinação de cada pagamento, mediante identificação do nome e CPF ou CNPJ do beneficiário do pagamento. O contribuinte encaminhou, por email, resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 07, que se resume a uma planilha idêntica àquela encaminhada juntamente com o TIF n° 07 acrescida de uma coluna em que "justifica" á natureza das operações realizadas, sem acrescentar qualquer documentação comprobatória (fls. 701 a 706). Para todos os cheques contabilizados a débito de caixa, o contribuinte alega se tratar de "conversão em moeda corrente através de terceiros", ou seja, contabilmente os cheques entram em caixa mas não saem. É esdrúxula a argumentação do contribuinte, que quer nos fazer crer que descontou cheques junto à TELEMIG CELULAR (05/12/05), Safra Leasing SA (27/01/D6) e Banco Santander (22/01/07), dentre outros. A alegação da Pioneira carece de comprovação e tenta justificar a não contabilização dos pagamentos efetuados através destes cheques, e portanto, considero como não comprovadas as operações a eles relacionadas. A alegação do contribuinte, referente aos cheques contabilizados como Antecipação de Lucros, é de que se tratam de "despesas pessoais de responsabilidade do sócio". O § l o do artigo 674 do RIR/99 dispõe que "a.incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa". Devese entender, aqui, que operação e causa se referem, ambas, ao fato motivador do pagamento (por exemplo, a aquisição de determinado bem ou a remuneração por um serviço prestado), do qual se exige comprovação. A comprovação deve ser efetuada, em cada caso, com os elementos característicos à operação praticada: notas fiscais, duplicatas, recibos, escrituras, compromissos de compra e ,venda etc. Fl. 1076DF CARF MF 12 O mesmoraciocínio se aplica aos cheques contabilizados como empréstimo a Geraldo José Muzzi de Lima (conta 110701), empréstimo a Enock Aloísio Muzzi de Lima (conta 110655), Transferência efetuada (conta 11035 3) e Diversos (cheque Bradesco de R$ 22.500,00 em 26/01/2005). A comprovação da operação ou sua causa deve ser efetuada mediante apresentação dos documentos característicos da operação praticada. O cheque n° 322 do Bradesco, emitido em 15/12/2006, não foi contabilizado e o contribuinte não justificou sua natureza. O item 3 (Identificação do beneficiário de cada pagamento) do Termo de Intimação Fiscal no 07 não foi atendido. Diversos cheques apresentam o nome do beneficiário preenchido de forma resumida ou ilegível e outros cheques e transferências bancárias somente identificam a conta de depósito. Havendo dúvidas, portanto, quanto aos destinatários dos cheques, é obrigação da empresa comprovar os seus beneficiários por meio dos documentos contábeis usuais tipo recibos, notas fiscais, faturas etc. Vale transcrever, ainda, a conclusão do referido relatório fiscal: Em face do exposto no item 4 acima, verifiquei que o contribuinte regularmente intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a que título foi efetuado cada um dos pagamentos que a empresa fez com cheques, ou seja, a causa motivadora dos pagamentos, e a comprovar a efetiva destinação de cada pagamento, ou seja, identificar com o nome e CPF ou CNPJ o beneficiário do pagamento, a empresa não logrou comprovar a destinação de alguns pagamentos e não comprovou a causa de nenhum pagamento relacionado no Termo de Intimação Fiscal n° 07. Não tendo apresentado nenhuma comprovação da motivação ou causa dos pagamentos, fica caracterizado que o contribuinte efetuou pagamentos a terceiros sem a comprovação da causa para tais pagamentos, ou seja, sem comprovar a que fins foram destinados os pagamentos, que foram listados na planilha RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E/OU CAUSA DO PAGAMENTO que acompanha este Relatório Fiscal. Desta forma, cada pagamento efetuado, discriminado na planilha RELAÇÃO DOS CHEQUES SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E/OU CAUSA DO PAGAMENTO estará sujeito ao imposto de renda na fonte (IRF), incidente sobre pagamentos a beneficiário não identificado e/ou pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, nos termos do rt. 674, e seus parágrafos, do RIR/99, cujo lançamento formalizo por este Auto de Infração. Cabe ressaltar que a base de cálculo do imposto deve ser reajustada e considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância conforme determina o art. 674, §§ 2° e 3 ° , do RIR/99. Por fim, vale mencionar expressamente, em relação a argumentação da recorrente, de que alguns cheques tiveram seu beneficiário identificado, notadamente a empresa ITABA Ind. de Tabaco Brasileira Ltda, fato é que, igualmente aos demais itens, em nenhum momento foi trazido aos autos comprovação da causa de tal pagamento. CONCLUSÃO Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10640.000737/201021 Acórdão n.º 2402005.858 S2C4T2 Fl. 8 13 Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER, mas NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1078DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900340/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/06/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 40 /2 01 4- 50 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900340/201450 Acórdão n.º 3401003.713 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900340/201450 Acórdão n.º 3401003.713 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900340/201450 Acórdão n.º 3401003.713 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904094/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.904094/201466 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.464 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente AÇOS GROTH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 94 /2 01 4- 66 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10875.904094/201466 Acórdão n.º 1301002.464 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10875.904094/201466 Acórdão n.º 1301002.464 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10875.904094/201466 Acórdão n.º 1301002.464 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10875.904094/201466 Acórdão n.º 1301002.464 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10875.904094/201466 Acórdão n.º 1301002.464 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903870/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 38 70 /2 01 1- 51 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.903870/201151 Acórdão n.º 1301002.369 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.010341/2008-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.828
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 03 41 /2 00 8- 22 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento Eletrônica de exigência de "Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF 2007", no valor de R$ 48.320,96, referente ao mês de julho de 2007. Devidamente notificada do lançamento, a empresa recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que o auto de lançamento contém vicio insanável por descumprimento de requisito indispensável previsto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente no que diz respeito ao inciso IV deste diploma legal eis que não contém a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, em consequência deve ser declarada a sua nulidade. Ainda, refere que o arbitramento da multa no percentual de 20%, incidente sobre o valor já pago a titulo de encargos tributários da empresa naquele período por descumprimento de obrigação acessória, ignora os princípios da razoabilidade e proporcionalidade que regem a Administração Pública, assumindo caráter confiscatório. Aduz que a pena aplicada decorre de critério de arbitramento previsto em lei, mas eivado de inconstitucionalidade e, por isto, deve ser revisto o lançamento para afastar a sanção aplicada ou, caso assim não seja entendido, que seja, ao menos, compatível com a infração praticada, atribuindoa no patamar mínimo previsto. Cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, bem como doutrina. Por fim, requer a empresa recorrente que seja declarada nula a presente notificação de lançamento em face do vício formal apontado e caso superada essa questão que 2 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 a sanção aplicada seja afastada ou reduzida pela inconstitucionalidade da base de cálculo prevista em lei e por atentar contra princípios da proporcionalidade e razoabilidade, norteadores da Administração Pública. Em ato contínuo, requer que em caso de subsistência, que seja arbitrada a sanção em consonância com a relevância cometida, reduzindoa ao valor mínimo previsto de R$500,00. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem de mandar a multa aplicada. Afere o julgador que descabe o postulado da empresa de que estaria nulo o auto de infração por falta de assinatura, vez que segundo determina o artigo 11, do Decreta 70.235/72, em seu parágrafo único, prescinde de assinatura a notificação de lançamento quando emitida por processo eletrônico. Finaliza repisando que notificação, ora em apreço, preenche in totum os requisitos legais preconizados em lei. Já no que diz respeito às alegações da empresa quanto à penalidade aplicada, de que a mesma viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e tem caráter confiscatório, afere a autoridade julgadora de primeiro grau que está alicerçada em diploma legal válido, eficaz, oponível erga omnes e que, em momento algum foi declarada, pelo órgão de controle repressivo de constitucionalidade, sua inadequação ou afronta à ordem constitucional pátria. Ainda, em apreciação do art. 7° da Lei 10.426/2002, penalidade aplicada na notificação em tela, o julgador a quo conclui que guarda estrita observância com as disposições legais. Assim a respeito da alegação da empresa recorrente de constituise a penalidade aplicada multa confiscatória, o julgador aduz que é dever de todo o contribuinte adimplir com suas obrigações perante o fisco, quer sejam elas de natureza principal ou acessória. Esclarece que possui a empresa recorrente duas obrigações com o fisco: uma obrigação denominada principal, que é a de verter os tributos devidos, outra denominada acessória, distinta da primeira, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos referidos tributos, é o que dispõe o art. 113 do CTN. Nesse caminho, frisa o julgador que o Estado tem o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Preconiza que em matéria tributárias, esta se consubstancia na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, a sobre a alegação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que regem a matéria, a discussão está além das possibilidades de juízo deste órgão julgador. No âmbito do procedimento administrativo tributário cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram aquele ato. Atenta para o fato de que a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao poder Judiciário, sendo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. 3 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto ao pedido de redução da multa ao valor mínimo previsto no § 3° do art. 70 da Lei n° 10.426/2002, assevera o julgador a quo ser inaplicável ao presente caso, posto que os valores mínimos estabelecidos somente serão imputados às infrações cuja multa resulte em valor inferior ao mínimo o que, à evidência, não se amolda à situação verificada. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, postulando a nulidade do lançamento por falta da presença do agente administrativo quando do lançamento, já que se trata de lançamento eletrônico. Ainda, insurgese a empresa recorrente contra a impossibilidade dos órgãos administrativos de julgamento examinarem matéria constitucional e no mérito repete o já referido na manifestação de inconformidade ao salientar a nulidade da multa por descumprimento de obrigação acessória, quando da inexistência de prejuízo ao erário público. A empresa prossegue aduzindo a necessária proporção entre infração e pena, já que seria proibido o Bis In Iden. E por fim pede o cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da razoabilidade e proporcionalidade, entre outros. Discussão de Constitucionalidade da Norma Primeiramente há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado 4 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Discussão sobre a Nulidade do Auto de Infração Alega a empresa recorrente ser nulo o auto de infração por ser o mesmo eletrônico, ou seja, não ter sido emitido por agente da administração tal como preconizado pelas normas pátrias. Ocorre que discordo da arguição de nulidade do auto de infração arguido pela empresa recorrente, porquanto que não vislumbro o desrespeito a nenhum dos disciplinamentos dispostos no artigo 59 do Decreto 70.235/72, norma que dispõe sobre a nulidade do auto de infração, tema ora abordado. Neste contexto, cumpre referir que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada. O fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72, conforme já fora referido. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação, apenas por tratarse de auto de infração eletrônico, há muito já admitido dentro do ordenamento pátrio. Discussão de Mérito Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, onze meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma disciplinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao dispor: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, 5 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supra citado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. 6 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do 7 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11131.720775/2014-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 03/11/2011
OCULTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. EXONERAÇÃO.
A insuficiência de provas para a configuração da infração por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões.
Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeita-se a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerando-se essa parte do lançamento.
PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO.
O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Assim, autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondo-se a exoneração da exigência dos tributos correspondente.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável solidário revel.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/11/2011 OCULTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. EXONERAÇÃO. A insuficiência de provas para a configuração da infração por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões. Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeitase a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerandose essa parte do lançamento. PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Assim, autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondose a exoneração da exigência dos tributos correspondente. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 07 75 /2 01 4- 30 Fl. 1290DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável solidário revel. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferida no sentido de: a) Declarar não impugnada a exigência, em relação ao responsável solidário M.A.M. Gráfica e Transportes Ltda EPP, não se operando, contudo, os efeitos da revelia, no tocante à exigibilidade do crédito tributário, haja vista a impugnação apresentada por Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda, nos termos do art. 7º, caput, da Portaria RFB nº 2.284/2010; b) Conhecer da impugnação apresentada por Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda, para REJEITAR as preliminares suscitadas pela defendente e, no mérito, JULGÁLA IMPROCEDENTE e manter o crédito tributário objeto da presente lide. Versa o processo sobre autos de infração relativos à exigência de Imposto sobre a Importação II (R$19.982,23), do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (R$8.135,61), da contribuição para o PIS/PASEP/Importação (R$2.677,48), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins/Importação (R$12.696,04), acrescidos de multa proporcional e juros, e da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (R$72.784,50), conforme previsto no art. 23, inc. V e § 3°, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010, em desfavor de M.A.M. GRÁFICA E TRANSPORTES LTDA EPP e FATOR DOIS COMÉRCIO DE PAPÉIS COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA. Decorrem os lançamentos de procedimento de fiscalização instaurado em face da empresa FATOR DOIS, no qual se apurou, em síntese, que ela realizou importações com ocultação do encomendante predeterminado das mercadorias, qual seja, a empresa M.A.M. GRÁFICA, sendo que tal ocultação acarretou também o não reconhecimento da imunidade de impostos e da redução das alíquotas das contribuições sociais para o PIS e Cofins nas importações de papel imune. A empresa M.A.M. GRÁFICA E TRANSPORTES LTDA EPP não foi localizada em seu endereço cadastral e por esta razão foi considerada cientificada do auto de Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11131.720775/201430 Acórdão n.º 3402004.150 S3C4T2 Fl. 1.291 3 infração apenas em 10/09/2014, quinze dias após a publicação do Edital nº 68/2014, ocorrida em 26/08/2014. Contudo, não apresentou defesa dentro do prazo legal estabelecido. A empresa FATOR DOIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese: A solidariedade passiva foi imputada à Impugnante com base na aplicação do disposto nos incisos I e V, do art. 95, do DecretoLei n° 37/1966. Sendo assim, em razão de não ter ocorrido, e nem sequer ter sido demonstrada e comprovada, a existência de importação por conta e ordem de terceiros, é forçoso concluir que a respeitável Sra. AuditoraFiscal, por entender ter ocorrido ocultação de encomendante em operações de comércio exterior (interposição fraudulenta) cometeu erro de fato, bem como pelo fato de ter aplicado ao caso em concreto a tipificação legal disposta no artigo 95, I e V, do DecretoLei n° 37/1966, cometeu erro de direito. A impugnante utilizavase de um modus operandi diferenciado e de elevado know how comercial e logístico, mas, jamais ilegal ou fraudulento, capaz de ensejar a presunção da ocultação de encomendante em operações de mercado exterior a que se refere o artigo 23, V, do DecretoLei n° 1.455/67. Isso se dava em razão de a empresa não possuir, à época, local próprio para estocagem, mas normalmente utilizava e pagava pela armazenagem em ambientes alfandegários. Ademais, o sócio Carlos Pontinha Pereira detinha um excelente knowhow de como adquirir e revender a mercadoria de forma rápida e eficiente. As importações só eram realizadas quando a empresa possuía disponibilidade financeira para tanto, sem qualquer garantia de que o que estava sendo comprado no mercado externo seria efetivamente vendido no mercado brasileiro. A atividade comercial de venda da Impugnante somente entrava em cena depois de concluída a compra no exterior. A impugnante nunca vendeu suas mercadorias para encomendantes predeterminados, sempre utilizando recursos próprios, ou de seus sócios, no início de suas atividades, e por sua conta e risco realizava a importação da mercadoria junto ao fornecedor estrangeiro. A remessa das mercadorias aos compradores no mercado interno, diretamente do armazém localizado na área portuária, não só é permitida como foi realizada pela Impugnante sob o amparo das respectivas Notas Fiscais de entrada (importação, pósdesembaraço aduaneiro) e saída (revenda no mercado interno). Desta forma, não há qualquer irregularidade nos procedimentos adotados pela Impugnante e, portanto, não podem ser utilizados como supostos indícios de fraude. O ônus probatório recai sobre a Fiscalização, a qual em suas diligências deveria ter demonstrado, mediante provas contundentes, não alegações (supostas "evidências robustas"), que de fato a Impugnante teria figurado como interposta pessoa em operação no mercado exterior visando acobertar os reais intervenientes ou beneficiários, o que não ocorreu. Não houve, em nenhum momento da Fiscalização, comprovação efetiva (i) da existência de repasses financeiros entre as empresas envolvidas; (ii) de contatos diretos entre os supostos encomendantes e os fabricantes estrangeiros; (iii) da ausência de entrega efetiva (trânsito físico) das mercadorias (lembrando que a operação "triangular" diretamente do porto é permitida pela legislação do IPI e ICMS); (iv) de indícios de incompatibilidade ou insuficiência financeira da Impugnante. Por tais motivos, a multa de 100% sobre as operações importação de papel no período compreendido entre outubro/2009 e dezembro/2012, aplicada à Impugnante, como sujeito passivo solidário neste Processo Administrativo, em razão de suposta ocultação de encomendante, não merece prosperar. Quanto ao desvio de finalidade do papel imune, a Impugnante informa que só comercializa com empresas detentoras de Registros Especiais, cumprindo assim o disposto na Lei n° 11.945/2009 e na Instrução Normativa RFB n° 976/2009. Para imputar à impugnante a prática delituosa Fl. 1292DF CARF MF 4 que configuraria o desvio de finalidade a Fiscalização não seguiu por esta vereda, que por sinal, é a única correta. Contudo, é válido salientar que a Impugnante, ela própria, é detentora de Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de importador, isso porque, como já demonstrado as importações se davam na modalidade direta. Ademais, para a importação direta não se apresentam quaisquer dispositivos, ou atos normativos, que determinem que aos adquirentes da mercadoria importada no mercado interno seja necessário o Registro Especial na modalidade de importador para operacionalizar com papel imune. Com isso, não merece prosperar a questão atinente ao desvio de finalidade do papel importado, imputado à Impugnante, em virtude de ter agido em conformidade com as determinações legais, bem como não ter participado de qualquer operação fraudulenta como já demonstrado no tópico referente à "ocultação do encomendante". A Impugnante desde já questiona a incidência dos juros de mora sobre as multas de ofício, na medida em que a melhor interpretação à matéria direciona ao raciocínio no sentido de que a multa de ofício é sanção e não tributo, tal como definido no artigo 3º do CTN, desprezando, portanto, qualquer forma de atualização. Caso a autuação não seja anulada in totum, a despeito de todas as razões de fato e de Direito trazidas à análise, requer seja reconhecida a manifesta ilegitimidade passiva da Impugnante, na medida em que não existe fundamento legal para enquadrála na condição de devedora solidária das presentes exações. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Durante a fiscalização foi constatado que a empresa que figura nas declarações de importação (DI) como importadora, a FATOR DOIS, não detinha capacidade operacional para a realização do grande volume de importações das quais foi responsável durante os anos fiscalizados, ficando comprovado que já havia um comprador predeterminado para as mercadorias importadas, até então oculto da fiscalização, a empresa M.A.M. GRÁFICA. Nesse sentido, comprovou a fiscalização que as mercadorias importadas eram sempre destinadas diretamente do porto para o endereço do adquirente, uma vez que a FATOR DOIS não possuía local para armazenagem das mercadorias. Além disto, as mercadorias já eram embarcadas no exterior segregadas por clientes específicos, revelando, uma vez mais, que havia um comprador predeterminado para todas as importações da empresa. A despeito das argumentações trazidas pela defendente, há falta de verossimilhança que as operações realizadas pela FATOR DOIS tenham ocorrido da forma como relatadas na peça impugnatória, não havendo qualquer comprovação que dê lastro às alegações. De acordo com as mensagens trocadas, o que se pode concluir é que a FATOR DOIS atuava como intermediária na transação de importação de papel, realizando a negociação com o exportador em qualidade e quantidades específicas para atender aos clientes brasileiros, que eram sempre os mesmos. Tais características revelam que o papel já estava negociado com os clientes nacionais antes da importação e que a operação realizada se dava por encomenda das empresas brasileiras. A fiscalização apresenta com clareza cristalina que a empresa FATOR DOIS não possui local para armazenamento de produtos, não tem empregados, não possui estrutura mínima para uma empresa que opera com valores tão elevados, não possuindo veículos, nem qualquer outra evidência que a caracterizasse como uma verdadeira empresa importadora. Ora, se a FATOR DOIS tinha como atividade a importação de papel com imunidade tributária, cuja venda seria feita a encomendante predeterminado, caracterizada estava a operação dita por encomenda, cujo regramento exige o cumprimento de uma série de medidas por parte de ambas as empresas, importadora e encomendante, a fim de fazer uma transação regular. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11131.720775/201430 Acórdão n.º 3402004.150 S3C4T2 Fl. 1.292 5 A empresa encomendante, M.A.M. GRÁFICA, não possuía os requisitos necessários para figurar como encomendante de papel, que são os mesmos que são exigidos de uma empresa importadora, razão pela qual a fiscalização fez alusão ao Registro Especial de importador para a encomendante. Sendo a operação de importação realizada por encomenda, e sendo a suposta destinatária das mercadorias (M.A.M. GRÁFICA) uma empresa, sabese agora, inexistente, que sequer impugnou o auto de infração contra ela lavrado, não é possível saber quem é o verdadeiro adquirente do papel importado com benefício tributário. A interposição fraudulenta da FATOR DOIS, teve como objetivo principal a construção de uma rede de empresas que visava dissimular a venda do papel importado com benefício tributário, desviado de sua finalidade, utilizando empresas para a simulação de venda. Vêse, pois, que a fiscalização logrou êxito em comprovar o esquema levado a termo pela FATOR DOIS, com o uso de empresas laranjas para simular a venda do papel importado. Notase que a legislação teve a preocupação de segmentar a atuação de cada um dos agentes envolvidos na cadeia econômica que utiliza o papel importado, a fim de que cada um responda no limite da sua responsabilidade. Assim, os importadores devem possuir registro próprio e se comprometer a repassar o papel imune para as empresas que irão comercializar ou utilizar o papel dentro da sua finalidade, comprovado pela existência do registro especial destas destinatárias. Mas esta condição não é absoluta, uma vez que, comprovada a participação dos agentes atuantes em etapas anteriores, nas fraudes cometidas nas etapas posteriores, poderá restar configurada a sua responsabilidade. É que, no caso em apreço, restou comprovado que a FATOR DOIS atuou como interposta pessoa da empresa M. A. M. GRÁFICA, simulação esta já bem caracterizada no auto de infração e apreciada em linhas anteriores deste voto. Quanto à destinação do papel, após a importação, verificouse que as empresas compradoras eram na verdade empresas de fachada, que usaram o Registro Especial obtido para ocultar o verdadeiro uso do papel imune. Mais de uma pessoa concorreu para a realização do mesmo fato gerador e, assim, todas poderão ocupar o polo passivo da relação tributária sem qualquer benefício de ordem, mormente em caso de conluio, conforme preceitua o art. 95, inciso I, do Decretolei nº 37/1966. No caso, os envolvidos nas operações de importação tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária em causa, o que obriga ao lançamento em nome destes, e para que, futuramente, na fase de execução, permitase a sua responsabilização como codevedores. Ademais, conforme prevê o art. 124, inciso II, do CTN, tais intervenientes são expressamente designados em lei, como solidariamente obrigados, nos termos do art. 95, incisos I e VI, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e Lei nº 11.281/2006. No caso, os envolvidos nas operações de importação tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária em causa, o que obriga ao lançamento em nome destes, e para que, futuramente, na fase de execução, permitase a sua responsabilização como codevedores. Ademais, conforme prevê o art. 124, inciso II, do CTN, tais intervenientes são expressamente designados em lei, como solidariamente obrigados, nos termos do art. 95, incisos I e VI, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e Lei nº 11.281/2006. Mesmo que o importador e o adquirente não contabilizem corretamente a operação por encomenda efetivamente realizada, nem cumpram todos os requisitos e condições estabelecidos na legislação que trata desse assunto, ainda assim, o real adquirente das mercadorias será o responsável solidário pelas obrigações fiscais geradas pela importação efetivada, por força da presunção legal expressa no art. 27 da Lei nº 10.637/2002. A empresa M.A.M. GRÁFICA foi intimada dessa decisão por via postal em 22/07/2015, mas não apresentou recurso voluntário dentro do prazo legal. Fl. 1294DF CARF MF 6 A empresa FATOR DOIS foi intimada por via postal em 20/07/2015, tendo apresentado recurso voluntário em 17/08/2015, mediante o qual repisa as alegações de primeira instância e acrescenta outras, sob os seguintes tópicos: III. DAS RAZÕES PRELIMINARES A. Da inexistência de Sujeição Passiva Solidária entre a Recorrente e a Empresa Ideia Papeis [sic!] IV. DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO A. Da tentativa fática de se concluir pela ocultação do encomendante no comércio exterior e do mérito pontual B. Da análise pormenorizada da Ocultação do Encomendante Comprovada ou Presumida C. Da tentativa fática de se concluir pelo desvio de finalidade do papel imune e do mérito pontual D. Da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário da FATOR DOIS, passandose a analisálo pelos seus próprios tópicos. III. DAS RAZÕES PRELIMINARES A. "Da inexistência de Sujeição Passiva Solidária entre a Recorrente e a Empresa Ideia Papeis [M.A.M. Gráfica e Transportes Ltda EPP]" Requer a recorrente a sua exclusão do polo passivo da autuação, em razão de não ter sido demonstrada a existência de importação por conta e ordem de terceiros, sendo forçoso concluir que a AuditoraFiscal, por entender ter ocorrido ocultação de encomendante em operações de comércio exterior, cometeu erro de fato, bem como pelo fato de ter aplicado ao caso legal a tipificação legal disposta no art. 95, I e V do Decretolei nº 37/66, cometeu erro de direito. Conforme consta no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a empresa FATOR DOIS foi responsabilizada, nos seguintes termos: Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11131.720775/201430 Acórdão n.º 3402004.150 S3C4T2 Fl. 1.293 7 Embora a fiscalização tenha se referido aos incisos I e V do art. 95 do Decretolei nº 37/66, abaixo transcrito, ao invés dos incisos I e VI desse artigo, para a responsabilização pela infração da empresa FATOR DOIS, não remanesce dúvida quanto ao fato de que a ocultação foi do encomendante predeterminado e não do adquirente na importação por conta e ordem, como restou consignado no Auto de Infração, no Termo de Constatação e no próprio Termo de Responsabilização Solidária. Conforme se deduz também da leitura da impugnação e do recurso voluntário da FATOR DOIS, ela bem compreendeu a infração que lhe fora imputada. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Ademais, a FATOR DOIS deve suportar a penalidade da infração, juntamente com a outra empresa arrolada, não com base no inciso V do art. 95 do Decretolei nº 37/66, eis que não é encomendante, mas com fundamento no inciso I desse dispositivo, pois foi quem efetivamente praticou a ação de "ocultar" o nome do encomendante na importação. No que concerne aos tributos, a recorrente (FATOR DOIS) é a própria contribuinte, que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui os fatos geradores do II, IPI, PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, nos termos do art. 121, I do CTN, na condição de importadora, que promove a entrada do produto no território nacional. De forma que a responsabilidade da recorrente FATOR DOIS deve ser mantida. IV. DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO A. "Da tentativa fática de se concluir pela ocultação do encomendante no comércio exterior e do mérito pontual"/ B. "Da análise pormenorizada da Ocultação do Encomendante Comprovada ou Presumida" Fl. 1296DF CARF MF 8 Conforme se verifica na autuação, a fiscalização apurou, no contexto geral das importações da FATOR DOIS em determinado período, um quadro indiciário convergente no sentido de que ela realizava importações terceirizadas, nas modalidades por conta e ordem ou por encomenda, sem a identificação dos reais adquirentes/encomendantes, com base nos seguintes elementos: i) As mercadorias importadas eram desembarcadas no Porto de destino para os compradores no mercado interno separadas previamente por cliente, nos contêineres em que vieram do exterior, além disso as notas fiscais de venda eram emitidas na mesma data ou em datas muito próximas das notas fiscais de entrada. A própria FATOR DOIS, embora tenha negado a realização de importações a encomendantes predeterminados, reconheceu que entregava as mercadorias aos clientes na saída do Porto de Santos e que não fazia estocagem de mercadorias. ii) A entrega dos papéis importados aos compradores no mercado interno diretamente do Porto de desembaraço aduaneiro é comprovada por informações das próprias notas fiscais de suporte ao transporte das mercadorias aos locais designados pelo comprador, dos conhecimentos de transporte rodoviário de carga (CTRC) do Porto até a desova dos contêineires ou notas fiscais de serviços desses últimos transportes, e reconhecida pelo próprio importador, conforme mostrado no Demonstrativo de Movimentação de Papel Importado (DMPI Doc. 9). Em muitas importações, além da FATOR DOIS não ter emitido nota fiscal de remessa da mercadoria para o terceiro, também não fez qualquer menção dessa entrega a terceiro na nota fiscal de transporte da importação, nem na própria nota fiscal de venda. iii) Em nenhuma dessas DI's foi informado o CNPJ dos encomendantes das mercadorias (Doc. 1.3/1.4), os quais também não estavam habilitados para realizar operações de comércio exterior no Siscomex e/ou não possuem Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de importador . iv) Algumas informações constantes nas DIPJ's do período de 2008 a 2012 demonstram a tentativa da FATOR DOIS de ocultar sua atuação no comércio exterior e sua situação de estabelecimento equiparado a industrial. Na DIPJ de 2009, a empresa informou que não teria realizado operação de comércio exterior e que não se sujeitou à apuração de IPI nos períodos. Também a situação de inexistência de empregados em 2009, 2010 e 2012 e de estoque de 2009 a 2011 indicam a realização de importações terceirizadas, e não diretas, como declarava a FATOR DOIS em suas importações. Ademais, no quadro de Apuração do IPI na DIPJ do anocalendário 2011 foi informado valor superior a R$ 5,78 milhões de compras de mercadorias no exterior para industrialização e mais de 4,71 milhões de outras entradas de mercadorias, nenhuma compra de mercadoria do exterior para comercialização, mais de R$ 7,79 milhões de operações de saídas sem débito de IPI e apenas R$ 282 mil com débito do imposto. v) Além disso, a FATOR DOIS informava em todas as DI's que as mercadorias se destinavam a consumo, quando, na verdade, destinavamse a revenda. vi) Intimada a prestar informações sobre a negociação das vendas dos papéis importados no mercado interno, a FATOR DOIS declarou que as negociações foram verbais, não dispondo de qualquer documento, o que não é muito razoável em operações de tal monta. vii) Constatou a fiscalização ainda um reduzido percentual de resultado bruto declarado pela FATOR DOIS, em torno de 20%, nas vendas de papéis no mercado interno, em relação ao custo das mercadorias, tomando como base as receitas de venda ou revenda de mercadorias no mercado interno e os custos de mercadorias vendidas informados nas DIPJ. Por exemplo, no 1º semestre/2010, a FATOR declarou a obtenção de 18,9% de lucro bruto na venda/revenda de mercadorias, sendo que as despesas operacionais do período consumiram mais de 13% dessas receitas. viii) A quase totalidade dessas importações foram do denominado papel imune, de forma que a ocultação do encomendante visava dificultar a fiscalização desse benefício fiscal. Assim sendo, a ocultação de beneficiário e interveniente na operação, no caso encomendante da mercadoria Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 11131.720775/201430 Acórdão n.º 3402004.150 S3C4T2 Fl. 1.294 9 importada, tem como resultado direto a inserção de mais um elo na cadeia, com o fito de dificultar a fiscalização desses benefícios fiscais, seja para driblar exigências legais específicas das operações com papel imune e/ou das operações de importação "por encomenda", ou até mesmo para dificultar a identificação de adquirentes desse papel imune no mercado interno. Com efeito, 9 desses compradores predeterminados, de mais de 90% do total importado (Quadros 1 e 3), não possuíam Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de importador. Com relação especificamente às importações ora autuadas, que mais interessa ao presente julgamento, e à empresa M.A.M. GRÁFICA , apurou a fiscalização o que se segue: A importação por encomenda está definida no art. 11 da Lei nº 11.281/20061 e no art. 1° da Instrução Normativa SRF nº 634/20062, de onde se extrai as principais características dessa modalidade de operação: 1 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 1298DF CARF MF 10 a) Há um encomendante que manifesta previamente ao importador o interesse em adquirir determinada mercadoria estrangeira. b) O importador adquire de fato as mercadorias junto ao exportador, devendo cumprir todas as obrigações contábeis e cambiais decorrentes de uma compra internacional. c) As mercadorias devem ser adquiridas com recursos próprios do importador, o qual, portanto, deve ter capacidade econômica para tal. Não se admite, ainda que parcialmente, a utilização de recursos do encomendante para se efetivar a compra das mercadorias no exterior (parágrafo único do art. 1° da Instrução Normativa SRF nº 634/2006). d) O importador é responsável pela nacionalização das mercadorias, as quais, posteriormente, serão revendidas ao encomendante predeterminado. e) Não há necessidade de efetiva participação do encomendante na negociação internacional para a compra das mercadorias (art. 11, §3° da Lei nº 11.281/2006, incluído pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007). Cotejando o conceito da importação a encomendante predeterminado acima, com os elementos levantados pela fiscalização no presente processo, não se vislumbra uma prova concreta, ou a convergência de indícios nesse sentido, de que as operações ora autuadas foram efetuadas por encomenda prévia da M.A.M. GRÁFICA. Mesmo havendo um quadro indiciário no sentido de que a importadora FATOR DOIS realizaria importações terceirizadas sem informar ao Fisco essa circunstância, não se pode daí deduzir que as importações ora autuadas foram realizadas da mesma forma, com a ocultação da M.A.M. GRÁFICA. O fato de as mercadorias importadas terem saído direto do Porto de Santos para entrega à compradora, no mesmo dia, nos próprios contêineres em que vieram acondicionadas do exterior, é apenas um indício fraco de predeterminação dos beneficiários das importações. Por outro lado, a distância do estabelecimento da M.A.M GRÁFICA (Londrina/PR) do Porto de Santos e existência da nota fiscal de serviço que menciona a entrega das mercadorias em São Paulo, poderiam indicar, contrariamente ao constatado pela fiscalização, que as mercadorias importadas não se destinariam de fato à empresa M.A.M. GRÁFICA, especialmente em se tratando de papel imune, que requer a fiscalização de sua destinação para a fruição do benefício. No entanto, como a fiscalização não conduziu a investigação no sentido de que a empresa M.A.M GRÁFICA poderia ter a função de impedir o conhecimento da fiscalização do real destino do papel imune, não cabe aqui, em sede de julgamento, fazêlo. Nesse ponto, cabe salientar ao Colegiado que, embora envolvendo também a importação de papel imune, os fatos relatados no presente processo foram abordados pela fiscalização de forma diversa daquela utilizada no processo nº 10314.727088/201434 para § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 2 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 11131.720775/201430 Acórdão n.º 3402004.150 S3C4T2 Fl. 1.295 11 fatos semelhantes, objeto do Acórdão nº 3402003.011– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário por unanimidade por este Colegiado. No presente caso, a multa equivalente ao perdimento da mercadoria foi efetuada com base no art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76 (art. 689, XXII e §1º do Regulamento Aduaneiro 2009), enquanto que no outro processo foi com base no 689, XI e §1° do Decreto n° 6.759/09 (mercadoria "estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso"). Assim, não obstante os indícios de irregularidades apontados pela fiscalização, entendo que as provas levantadas não são suficientes para a conclusão de que a empresa M.A.M. GRÁFICA seria a verdadeira encomendante das mercadorias importadas, cuja identificação teria sido ocultada nas declarações de importação. Em observância ao princípio da tipicidade, corolário dos princípios da Administração Pública da legalidade e da segurança jurídica (art. 2° da Lei n° 9.784/99), a conduta apontada como proibida deve ter precisa correspondência na norma legal. A tipicidade constituise em garantia do Estado de Direito, que permite ao cidadão antever as condutas proibidas e as respectivas sanções, para que diligencie no sentido de não cometêlas, como bem esclareceu Rafael Munhoz de Mello3: Assim, não será o particular surpreendido com a imposição de sanção administrativa pela adoção de um comportamento que não sabia fosse proibido, e tampouco pela imposição de uma medida punitiva que desconhecia, escolhida arbitrariamente pela Administração Pública. A sanção administrativa assim aplicada não cumpriria sua finalidade preventiva, pois, como ensina Celso Antônio Bandeira de Mello, “o pressuposto inafastável das sanções implicadas nas infrações administrativas é o de que exista a possibilidade de os sujeitos saberem previamente qual a conduta que não devem adotar (...)”. É dizer, “cumpre que tenham ciência perfeita de como evitar o risco da sanção (...)”. A aplicação de sanção administrativa somente é legítima quando a conduta do administrado corresponde perfeitamente ao dispositivo legal que define a infração. Assim, inexistindo nos autos a demonstração racional de adequação dos fatos ao disposto no art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, no que concerne à alegação de ocultação, mediante fraude ou simulação, da empresa M.A.M. GRÁFICA na condição de encomendante predeterminada das importações, deve ser afastada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. C. "Da tentativa de se concluir pelo desvio de finalidade do papel imune e do mérito pontual" Como se observa na autuação, o desvio de finalidade do papel foi constatado pela fiscalização sob o pressuposto da ocultação da encomendante M.A.M. GRÁFICA, a qual 3 Mello, Rafael Munhoz de. Princípios Constitucionais de Direito Administrativo Sancionador: as sanções administrativas à luz da Constituição Federal de 1988. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 134/145. Fl. 1300DF CARF MF 12 não possuía Registro Especial para papel imune para a atividade de importação e nem habilitação para operar no comércio exterior. Nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, o auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos. Dessa forma, tendo em vista a não comprovação pela fiscalização de que a M.A.M. GRÁFICA seria a real encomendante das importações, conforme acima concluído, não pode também prosperar a tese decorrente de desvio de finalidade do papel imune ou beneficiado com redução de alíquotas do PIS/Cofins, devendo, então, ser exonerada a correspondente exigência tributária no auto de infração. D. "Da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício" A análise deste tópico resta prejudicada pela exoneração do crédito tributário. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável solidário revel. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1301DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.011183/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/11/1997
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇAO APLICÁVEL. COBRANÇA INDEVIDA.
Se inexistente a hipótese legal de incidência do tributo no período, então não subsiste o auto de infração.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 447 1 446 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.011183/200241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.649 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente Provar Negócios de Varejo Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 30/11/1997 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇAO APLICÁVEL. COBRANÇA INDEVIDA. Se inexistente a hipótese legal de incidência do tributo no período, então não subsiste o auto de infração. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto do relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 08 a 14, lavrado pela antiga Defic/Rio de Janeiro em decorrência de irregularidades constatadas nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 11 83 /2 00 2- 41 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 448 2 créditos vinculados informados em DCTF correspondente à Contribuição para Programa de Integração Social – PIS (códigos 8002 e 8205) referente aos meses 07/1997 a 11/1997, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 969.126,79, concernente à citada Contribuição (R$ 369.282,47), à multa de ofício de 75% (R$ 276.961,85) e aos juros de mora calculados até 31/06/2002 (R$ 342.882,47). 2. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 09, do “ANEXO Ia RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF”, às fls. 10/11, e do “ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR”, à fl. 12, que: 2.1 O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF referente aos 3º e 4º Trimestres do anocalendário 1997, conforme INSRF nºs 045/98 e 077/98; e 2.2 A irregularidade constatada no crédito vinculado informado nessa DCTF diz respeito à falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme “Anexo III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR”. 3. Os dispositivos legais infringidos constam do “Quadro 10” da “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 09 do Auto de Infração. 4. Cientificada em 11/06/2002 (fl. 56), a Interessada, inconformada, apresentou, em 08/07/2002, a impugnação de fls. 02 a 07, na qual alega, em síntese, que: 4.1 O Auto de Infração deverá ser julgado improcedente, posto que envolve valores já recolhidos, conforme comprovam os Darf anexos; e 4.2 A multa de ofício lançada é descabida, por incidir sobre crédito espontaneamente confessado, cujo inadimplemento enseja a aplicação de multa específica de 20%, unicamente multa de mora. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Foram por mim anexadas pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB: GERENCIAL DA DCTF (fls. 80 a 102). O acórdão nº 1338.656 da 4ª Turma da DRJ/RJ2 deu provimento parcial à impugnação da Recorrente, com decisão assim ementada: DECLARAÇÃO INEXATA. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Até a edição da MP nº 135/2003, eram objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento não comprovado, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 449 3 ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Como se observa da ementa e da fundamentação da decisão de piso, a DRJ exonerou a multa de ofício aplicada, em face da retroatividade benigna prevista pelo inciso II do artigo 106 do CTN, de acordo com o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004: No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Não houve recurso de ofício, por não se atingir o limite de alçada. Em seu Recurso Voluntário, a empresa alega que: 1. Na data da lavratura do auto de infração, os débitos de PIS relativos ao período de julho a novembro de 1997 já estavam extintos pelo pagamento. 2. Impetrou o Mandado de Segurança n° 96.00153825 (doc. 03) com objetivo de ver reconhecido o direito de recolher o PIS conforme as normas contidas na Lei Complementar n° 07/70 (modalidade PIS Repique) e não de acordo com as regras impostas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (modalidade PIS Operacional). 3. Que, em face de Apelação por parte da União, a decisão judicial foi reformada e a segurança denegada, transitando em julgado. Por conta disso, efetuou o recolhimento do PIS na modalidade operacional. 4. Considerando que efetuou os recolhimentos de PIS do período de julho a novembro de 1997 na modalidade PIS Operacional, nos termos da decisão final transitada em julgado, e, por outro lado, considerando que em 1997 foram efetuados recolhimentos a título de PIS Repique, nos termos da liminar, temse que os recolhimentos a título de PIS Repique se tornaram indevidos e, como tal, passíveis de compensação pela Recorrente. 5. Todavia, para que pudesse utilizar tais créditos, alterou os códigos de recolhimento de 8205 e 8002 para 8109 e 2362, respectivamente, quitando, assim, débitos de períodos posteriores, conforme informado na DCTF de 1998 e demonstrado nos quadros à fl. 125. 6. Para quitar os débitos de PIS Operacional relativos ao período de julho a novembro de 1997, houve recolhimento em DARF, bem como a utilização de crédito de recolhimento de PIS Repique de períodos anteriores (que não o período de julho a novembro de 1997), conforme demonstrado pelos documentos anexados. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 450 4 7. Resta devidamente comprovado que os débitos ora autuados foram efetivamente extintos pelo pagamento, nos termos do art. 156, I do CTN, razão pela qual a presente autuação é totalmente improcedente. O CARF, por meio da Resolução nº 3101000.297, da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem: 1. Verificasse a consistência dos documentos de fls. 173/206 e planilha de fl. 215, quanto a serem suficientes à efetiva regularização dos créditos exigidos por meio do Auto de Infração formalizado no presente processo. 2. Esclarecesse o alegado pelo contribuinte nos itens 10, 11 e 12 da peça recursória, fls. 124/125. 3. Apresentasse outras informações relevantes para o deslinde do litígio. A diligência foi devidamente cumprida, efls. 440446, resultando em relatório fiscal de reconhecimento da improcedência do lançamento ora combatido. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Conforme relatado, neste processo a controvérsia referese à alegação de que os tributos autuados já foram devidamente liquidados, situação nebulosa em face da existência de decisões judiciais ora favoráveis à Recorrente ora em favor da União. Então, a Recorrente teria efetivado os ajustes contábeis para se adequar às decisões judiciais, contudo todos os tributos teriam sido regularmente pagos. Ocorre que, como bem apontado pela autoridade fiscal no relatório da diligência, o lançamento não tem fundamento legal para subsistir. Acolho a fundamentação desse reconhecimento, cujos argumentos colaciono a seguir: 4.1 À época dos fatos geradores dos débitos em contenda, a contribuição ao PIS estava regulada pela Medida Provisória nº 1.212/95 (e reedições, posteriormente convertida na Lei 9.715/98), que dispunha: Art. 1º. Esta Medida Provisória dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º. A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 451 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; II pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista, inclusive as fundações, com base na folha de salários; III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Parágrafo único. As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º. Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera se faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o imposto sobre produtos industriais IPI, e os impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Visando eximirse de tal incidência, o contribuinte impetrou o mandado de segurança 96.00153825/1ª VF/RJ10, pleiteando o recolhimento da exação nos moldes da Lei Complementar nº 7/70 e alterações, que previa, para as empresas prestadoras de serviço, o cálculo da contribuição em duas parcelas: a primeira mediante dedução de 5% do IRPJ devido (art. 3º, alínea “a” = modalidade PISDedução) e a segunda, integrada por recursos próprios, de valor idêntico à primeira (art. 3º, § 2 = modalidade PISRepique); 4.3 A liminar foi deferida em despacho datado de 11/09/96: I Vislumbrando aprioristicamente a relevância do fundamento da impetração e, por outro lado, havendo possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação se alfim deferida for a segurança, submisso ao art. 7º, inciso II, da Lei nº 1.533/51, defiro a medida liminar “initio litis” para assegurar à impetrante, enquanto pender a ação mandamental, o recolhimento da contribuição ao PIS nos termos da Lei Complementar 7/70, sem sujeição às disposições da Medida Provisória 1.212, de 28/11/9 (e suas reedições), nem às autuações e penalidade, desde que correta a observância da cautela ora concedida. II Oficiese comunicando e solicitando as informações no aprazamento legal. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 452 6 (...) 4.4 Observase que, no anocalendário de 1997, foram declarados débitos de PISFaturamento (código 8109), PISRepique (8205) e PIS Dedução (8002), inobstante as hipóteses de incidências Faturamento e Repique serem excludentes (a dedução é complementar à Repique): (...) 4.4.1 Efetuandose um cotejo superficial entre os débitos de IRPJ e PISRepique declarados em DCTF, notase que: a) Os débitos de PISRepique declarados são inferiores aos calculados pela aplicação do percentual de 5% do montante de IRPJ; b) Conquanto tenha declarado 4 débitos de PISDedução (agosto/novembro), o contribuinte não providenciou a destinação, em DARF, da parcela equivalente a 5% do IRPJ, para a quitação de tais débitos (o PIS Dedução não implica no desembolso direto de valores, mas tratase, tão somente, do apartamento de montante de IRPJ, a ser pago sob outra rubrica tributária, com finalidade orçamentária diferenciada). 4.5 Em sessão ocorrida em 24/06/98, na tramitação da AMS 97.02.256968/TRF 2ª Região, foi prolatado acórdão com a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA SUCESSIVAMENTE REEDITADA, NO PRAZO, E NÃO REJEITADO PELO CONGRESSO NACIONAL. EFICÁCIA DE LEI. I – Não cabe ao Poder Judiciário aquilatar os critérios de relevância e urgência exigidos pela Constituição Federal para a edição de Medida Provisória. II – Já se acha assentado no STF o entendimento de ser legítima a disciplina de matéria de natureza tributária por meio de Medida Provisória. III – O prazo de noventa dias previsto no § 6º do art. 195 da Constituição Federal flui a partir da data de publicação da Medida Provisória, já que a lei é resultante de sua conversão. IV – Remessa necessária e apelação providas. 4.6 Em 26/10/99, ao transmitir DCTFs retificadoras para os 4 trimestres de 1998, o contribuinte declarou que os débitos de PISFaturamento (código 8109), apurados entre janeiro a dezembro de 1998, foram compensados com os pagamentos que outrora estavam alocados aos débitos de PISRepique (código 8205), referentes aos meses de abril a novembro de 1997: (...) 4.7 Com essa realocação dos pagamentos, os débitos de PISRepique de abril a novembro (além dos de PISDedução, inadimplidos desde sempre) ficaram em aberto no sistema FISCEL, o que gerou a lavratura, em 20/02/02 Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 453 7 e 08/05/02, respectivamente, dos autos de infração eletrônicos 0006769 (débitos de abril a junho) e 0012523 (discutido no presente). 4.8 Entretanto, desde 13/02/02, com o trânsito em julgado do acórdão proferido na AMS 97.02.256968/TRF 2ª Região, que considerou constitucional a exigência do PIS prescrita na Medida Provisória 1.212/95 e reedições, a validade jurídica dos débitos calculados nos moldes da Lei Complementar 07/70 foi dissipada, uma vez que apurados com base em legislação que não estava mais em vigor na época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, imponíveis respectivos. Portanto, tais débitos – deveras, dada a inexistência da própria hipótese legal de incidência no período, nem podem, rigorosamente, ser conceituados como débitos são inexigíveis, malgrado este fato jurídico ainda não tenha sido aventado neste processo. 4.9 Assinalase, ademais, que os débitos de PISFaturamento relativos ao anocalendário 1997 (subtópico 4.4), inadimplidos, foram inscritos em dívida ativa em 07/04/08 através do processo 15374.000251/20088926, com discussão judicial impulsionada pelo mandado de segurança 2008.51.01.0101569/29ª/RJ. A sentença monocrática, que reconheceu a extinção do crédito tributário por prescrição, foi mantida no TRF da 2ª Região: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. PRESCRIÇÃO PARA A COBRANÇA POR PARTE DO FISCO. ART. 173 DO CTN. 1 – O Impetrante havia ajuizado o Mandado de Segurança nº 96.00153825 em que visava afastar as alterações na sistemática de tributação do PIS introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, cuja ordem foi, ao final, denegado pelo TRF da 2ª Região ao reformar a sentença que a havia concedido, em sessão ocorrida em 24/06/98. É fato incontroverso que o débito apurado no Processo Administrativo nº 15374000.251/200889, foi inscrito sob o nº 7070800030540 em 07/04/2008. 2 – A apresentação pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF é modo de constituir o crédito tributário, hipótese em que resta dispensada, para esse fim, qualquer outra providência por parte do Fisco. 3 – A falta de recolhimento do valor correspondente ao crédito tributário já constituído por meio de DCTF, ou que pelo menos deveria ter sido constituído a partir do trânsito em julgado do acórdão em 13 de fevereiro de 2002, fixa o termo a quo do prazo de prescrição para a sua cobrança, previsto no art. 173 do CTN. 4 – Apelação e remessa necessária conhecidas e improvidas. Sentença confirmada. 5. Destarte, considerando que a legislação de regência do PISRepique (e PISDedução) não mais vigorava em 1997, e que a ordem judicial que conferia eficácia aos débitos destas modalidades declarados em DCTF (cuja inadimplência originou o auto de infração aqui consubstanciado) deixou de Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10768.011183/200241 Acórdão n.º 3301003.649 S3C3T1 Fl. 454 8 surtir efeitos definitivamente em 13/02/02, são motivos hábeis para legitimar a invalidação do lançamento, por força dos princípios da eficiência, finalidade e do interesse público, preconizados nos arts. 37 da Constituição Federal e art. 2º da Lei 9.784/99, reputo como desnecessário o atendimento aos itens 1 e 2 da Resolução 3101000.297/1ªCâmara/1ªTurma Ordinária/CARF. Assim, considerando que: 1) O Mandado de Segurança nº 96.0015825 objetivou o recolhimento do PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70, afastando a MP nº 1.212/95, de 11/09/1996 até 24/06/1998; 2) Após o acórdão do TRF 2ª Região, a Recorrente recolheu o PIS Faturamento, nos termos da MP nº 1.212/95; 3) O recolhimento de PIS Faturamento implica no recolhimento indevido de PIS Repique e PIS Dedução, os quais foram considerados em aberto e lançados; 4) O trânsito em julgado do acórdão do Mandado de Segurança se deu em 13/02/2002, no sentido da constitucionalidade da cobrança da MP nº 1.212/95 e 5) O lançamento foi notificado à contribuinte em 11/06/2002. Então, não há validade da cobrança dos débitos nos termos da Lei Complementar nº 7/70, devendo o lançamento ser cancelado. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 454DF CARF MF
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