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Numero do processo: 13854.000286/2002-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO.
A receita originada da variação cambial positiva obtida nas exportações de produtos é considerada receita decorrente destas exportações, devendo ser incluídas na receita de exportação e na receita operacional bruta para efeito da apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação-RE, quanto da Receita Operacional Bruta-ROB. Ou seja, incluem-se nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DO PROTOCOLO DO PEDIDO.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade, descaracteriza o crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 9303-005.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas exportações de produtos é considerada receita decorrente destas exportações, devendo ser incluídas na receita de exportação e na receita operacional bruta para efeito da apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação-RE, quanto da Receita Operacional Bruta-ROB. Ou seja, incluem-se nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DO PROTOCOLO DO PEDIDO. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade, descaracteriza o crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento.
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VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas exportações de produtos é considerada receita decorrente destas exportações, devendo ser incluídas na receita de exportação e na receita operacional bruta para efeito da apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluemse na composição tanto da Receita de ExportaçãoRE, quanto da Receita Operacional BrutaROB. Ou seja, incluemse nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DO PROTOCOLO DO PEDIDO. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade, descaracteriza o crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 02 86 /2 00 2- 02 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional em face da decisão formalizada nos Acórdãos 310200.916 (de Recurso Voluntário), efls. 393/412, e 3801004.626 (de Embargos), efls. 700/709 e 723/727, respectivamente. A ementa do Acórdão nº 310200.916 está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O EXTERIOR. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no transporte por via marítima, corresponde à data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Por outro lado, enquadrase na definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do embarque até o fechamento do contrato de câmbio. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. REQUISITOS ATENDIDOS. ADMISSIBILIDADE. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, considera se empresa comercial exportadora aquela inscrita no Registro de Exportadores e Importadores (REI), incluindo tanto a empresa exportadora comum quanto aquela constituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 1972, a denominada trading company. RECEITA DE VENDA DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de revenda de produtos adquiridos de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO CRÉDITO. NECESSIDADE. Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional foram rejeitados, porque entendeuse que não ocorreu obscuridade, contradição ou omissão. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 5 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 463/490, suscitando, à luz da legislação que trata do crédito presumido de IPI, divergência quanto às seguintes matérias: i) Inclusão da variação cambial na base de cálculo do crédito presumido do IPI; ii) Inclusão de receitas de exportação de produtos industrializados adquiridos de terceiros no cálculo da relação RE/ROB; iii) Aplicação da taxa Selic no ressarcimento de créditos de IPI; Conforme Despacho de Exame de Admissibilidade nº 3100076, efls 500/506, e Despacho de Reexame de Admissibilidade nº 3100076R, efls. 511/512, o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido apenas em relação às duas primeiras matérias. O Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, efls. 520/529, contra o Acórdão nº 310200.916, os quais foram rejeitados por meio de Despacho de Embargos, efls. 649/653. Após, também interpôs Recurso Especial, efls. 660/677, suscitando divergência em relação à data a ser considerada termo inicial para atualização do crédito presumido de IPI pela taxa Selic, se a do protocolo do pedido de ressarcimento ou a da ciência do despacho administrativo que o indeferiu. Conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 746/748, o Recurso Especial do Contribuinte foi admitido. O Contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentaram contrarrazões: do primeiro, encontramse às efls. 592/612; da segunda, às efls. 750/760. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. 1. Recurso Especial da Fazenda Nacional 1.1 Conhecimento do recurso. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 6 5 A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada a tomar ciência do acórdão em 22/10/2013, efl. 462, data em que os autos foram entregues à PGFN, e apresentou o Recurso Especial em 04/11/2013, conforme página de autenticação código EP19.0417.12348.QC461. Apresentado antes do término do prazo de 15 (quinze) dias contados da data da intimação presumida, configurada no prazo de 30 dias da data em que os autos foram entregues à PGFN, o recurso especial é tempestivo. Além disso, conforme o Despacho de Exame de Admissibilidade, atendeu aos demais pressupostos de admissibilidade para seguimento a esta Câmara Superior, em relação às matérias admitidas, assim identificadas no despacho: variação cambial e receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da relação RE/ROB. Conheço o recurso da Fazenda Nacional em relação a estas matérias. Tendo em vista que, nas contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte, não foram levantadas questões preliminares, passo a apreciálas. 1.2 Variação cambial Extraio do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, fl. 502, o seguinte trecho, que bem delimita a divergência nesta matéria: O confronto das decisões comprova a divergência. Na decisão recorrido[a] adotouse o entendimento de que as receitas de exportação, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, são apuradas com base na taxa de câmbio da data do embarque. Ou seja, tais receitas incluem o valor de eventual variação da taxa do câmbio ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e a data do embarque da mercadoria para o exterior. Já no acórdão paradigma decidiuse que as receitas de exportação são apuradas a partir dos valores constantes das notas fiscais de saída. Ou seja, eventual variação cambial positiva ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e a data do embarque da mercadoria para o exterior receberam tratamento de receita financeira, considerada não computável como receita de exportação. Sob outra ótica: no acórdão recorrido considerouse como receita de exportação eventual variação da taxa de câmbio ocorrida até a data do embarque, sendo que apenas após o embarque as variações da taxa de câmbio foram caracterizadas como variação cambial (receitas financeiras). Já no paradigma restou decidido que apenas o valor que consta da nota fiscal de saída é considerado receita de exportação, sendo variação cambial (receita financeira) qualquer valor decorrente 1 Ver https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 7 6 de variação da taxa de cambio ocorrida até a data do embarque, ou depois do embarque. O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de repercussão geral, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 8 7 VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” O art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, dispõe que, para os efeitos desta lei, a apuração do montante da receita operacional bruta e da receita de exportação será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. Logo, esta decisão judicial, não só se aplica ao presente julgamento, mas, em cumprimento ao art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, deve ser reproduzida, em relação aos seguintes entendimentos: i) O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira, consubstanciando etapa do processo de exportação de bens e serviços; ii) Variações cambiais ativas são receitas decorrentes de exportação. Em decorrência, as variações cambiais vinculadas às operações de exportação que foram consideradas na apuração do crédito presumido de IPI neste processo devem ser incluídas na receita de exportação e na receita operacional bruta para efeito da apuração. 1.3 Receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da relação RE/ROB Tenho entendimento de que não é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, sobre as aquisições de produtos adquiridos pelo contribuinte e por ele exportados sem que tenha sido submetido a qualquer operação de industrialização. Isto em decorrência de falta de expressa previsão legal, uma vez que referido crédito tratase de um incentivo fiscal e sua concessão demanda a interpretação literal da lei concessiva. Porém, não é esta a matéria devolvida a esse colegiado. O que se discute é a possibilidade de inclusão das receitas decorrentes de exportação de produtos adquiridos de terceiros no coeficiente de exportação para fins do cálculo do crédito presumido. A Fazenda Nacional defende a sua não inclusão na "Receita de Exportação RE", numerador do referido coeficiente. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 9 8 Entendo que, na vigência da Portaria MF nº 38/97, as receitas decorrentes de exportação de mercadorias nacionais, aí incluídas a exportação de produtos revendidos (não industrializados pelo próprio contribuinte), compõem a Receita de Exportação (RE) e também a Receita Operacional Bruta (ROB). Isto, por disposição da própria Lei nº 9.363/96, que assim dispôs em seu art. 6º, in verbis: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fundamentado em tal dispositivo legal, o Ministério da Fazenda regulamentou o aproveitamento do crédito presumido de IPI na Portaria MF nº 38/97, que assim dispunha a esse respeito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 10 9 b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Portanto resta evidente que ao adotar a expressão mercadorias nacionais, a norma abarcou tanto a exportação de produtos industrializados quanto os não industrializados. Da mesma forma, há que se deixar claro que o conceito adotado pela Portaria MF nº 38/97, no inc. I do § 15, é exatamente o previsto no Regulamento do Imposto de Renda, art. 279 do Decreto nº 3.000/99: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Neste conceito estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 11 10 Concluise então que as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo próprio contribuinte compõem tanto o numerador (RE) quanto o denominador (ROB). Como foi exatamente este o entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. 2. Recurso Especial do Contribuinte 2.1 Conhecimento do recurso. O Contribuinte foi cientificado do Despacho de Embargos em 02/06/2015, e fl. 658, e apresentou seu Recurso Especial em 15/06/2015, efl. 659. Logo, ele é tempestivo. Atendidos os demais pressupostos de admissibilidade e não suscitadas questões preliminares nas contrarrazões apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheçoo e passo à apreciação da matéria divergente: termo inicial para atualização de crédito presumido de IPI que sofreu oposição indevida do Fisco, pela taxa Selic. 2.2 Termo inicial da atualização de crédito presumido de IPI. Não se discute aqui a possibilidade de atualização de pedidos de ressarcimento decorrentes de crédito presumido de IPI, tendo em vista que a Turma a quo reproduziu entendimento do STJ, por meio da qual decidiu, no rito do recurso repetitivo, que, havendo oposição ilegítima do Fisco, a atualização se impõe, sob o fundamento de que ao Fisco não é lícito o enriquecimento sem causa. No âmbito das decisões deste colegiado, tem prevalecido a tese de que ocorre a oposição ilegítima quando o contribuinte só obtém o reconhecimento do seu direito ao crédito por ocasião das decisões posteriores no exercício do contraditório nos termos estabelecidos no julgamento do processo administrativo fiscal. No presente processo, a decisão que inicialmente não reconheceu o direito do crédito pleiteado pelo contribuinte configurou a oposição ilegítima, na parte em que reformada pelas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 12 11 No Acórdão nº 9303004.682 (PAF 19515.001758/200425), em que atuei como Relator, em caso que tratou, entre outras matérias, da aplicação da taxa Selic pela oposição ilegítima do Fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido de IPI, assim concluí meu voto: Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional nessa matéria, ratificando o acórdão recorrido no sentido de ser cabível no presente caso a aplicação da taxa Selic aos valores de ressarcimento reconhecidos somente no âmbito do julgamento administrativo, aplicáveis a partir do protocolo do seu pedido de ressarcimento. A decisão foi unânime e espelha meu entendimento sobre a matéria. No mesmo sentido, decidiu esta Turma da CSRF nos Acórdãos 9303 002.883, de 20/02/2014, 9303002.889, de 20/02/2014, 9303003.213, de 27/11/2014, 9303 003.148, de 25/09/2014, e 9303002.622, de 12/11/2013, citados no recurso especial do contribuinte, e no Acórdão nº 9303003.460, de 23/02/2016: Transcrevo excertos dos votos condutores de alguns deles em relação à matéria em discussão: Voto condutor do Acórdão 9303002.622, (PAF 13851.000767/9784, de 12/11/2013, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas): A outra matéria devolvida ao Colegiado cingese à aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13854.000286/200202 Acórdão n.º 9303005.172 CSRFT3 Fl. 13 12 CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, passo a admitir, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Voto condutor do Acórdão nº 9303003.460 (PAF 13971.001062/0040, Relator Conselheiro Júlio César Alves Ramos): Em conclusão, é o meu voto pelo provimento parcial do recurso da Fazenda Nacional para determinar que a inclusão da Selic se dê exclusivamente sobre as parcelas objeto de resistência injustificada da Administração, entendidas como as glosas posteriormente revertidas pelo Conselho. O seu cálculo deve se iniciar, como dito na decisão, na data de protocolo do ressarcimento. Filiome à conclusão esposada nestes acórdãos. Configurada a oposição indevida da Administração Tributária, impõese a atualização do direito de crédito desde a data do protocolo do pedido. Conclusão: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e por dar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte para reconhecer a data do protocolo do pedido de ressarcimento como termo inicial para atualização monetária pela taxa Selic em relação aos valores acrescidos por este Conselho em comparação com o que havia sido reconhecido no Despacho Decisório da Delegacia da RFB. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 773DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000322/2006-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA.
As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa apenas tomam o caráter de normas complementares quando a lei lhes atribua eficácia normativa, caso contrário, apenas aplicam-se às partes envolvidas, sem estender-se a outras lides. A interpretação de normas legais em vigor feita com amparo em atos administrativos que não se revestem do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração não caracteriza a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN.
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 16, inciso III, e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em Impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria.
Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para anular o acórdão recorrido, com retorno dos autos à instância a quo para julgar apenas as matérias impugnadas, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negaram provimento ao recurso. O Recurso Especial do Contribuinte restou prejudicado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa apenas tomam o caráter de normas complementares quando a lei lhes atribua eficácia normativa, caso contrário, apenas aplicamse às partes envolvidas, sem estenderse a outras lides. A interpretação de normas legais em vigor feita com amparo em atos administrativos que não se revestem do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração não caracteriza a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN. INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 16, inciso III, e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em Impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento para anular o acórdão recorrido, com retorno dos autos à instância a quo para julgar apenas as matérias impugnadas, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negaram provimento ao recurso. O Recurso Especial do Contribuinte restou prejudicado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 22 /2 00 6- 81 Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 9303004.575 CSRFT3 Fl. 1.278 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido. SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 405/415, contra o Acórdão nº 1415.906, de 30/05/2007, prolatado pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, fls. 390/394, que julgou procedente o auto de infração de IPI de fls. 324/327, referente a períodos de apuração compreendidos entre 30/11/2001 e 31/12/2002, cuja ciência ocorreu em 13/11/2006 (fl. 324). O auto de infração (fl. 325) e Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 310/311) consigam que a contribuinte deixou de recolher o imposto em virtude da utilização de créditos básicos indevidos referentes à aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos não tributados NT. Irresignada, em 13/12/2006, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 335/342, aduzindo os seguintes argumentos: 1. os minerais, dentre os quais encontrase a água mineral produzida e comercializada pela empresa, mediante concessão, são imunes no tocante ao IPI (CF, art. 155, § 3º); 2. nos termos dos arts. 11. da Lei nº 9.779/99 e 4º da IN SRF nº 33/99, a imunidade do produto dá direito ao aproveitamento dos créditos referentes as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem nele aplicados. Nesse sentido se pronunciou a SRF por meio de soluções de consultas; Por fim, requer o cancelamento da exigência e que as intimações sejam endereçadas à advogada. A DRJ julgou procedente o lançamento, cujo Acórdão obteve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTO NT OU IMUNE. PRODUTO NÃO DESTINADO AO MERCADO EXTERNO. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 9303004.575 CSRFT3 Fl. 1.279 3 Glosamse os créditos referentes a insumos aplicados em produto NT, ainda que abrangido por imunidade diversa daquela concernente a produtos destinados ao mercado externo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO." As intimações necessárias no curso do processo, por via postal, devem ser destinadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. Lançamento Procedente". Inconformada, a contribuinte protocolizou, tempestivamente, em 20/09/2007, o recurso voluntário de fls. 405/415, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados e, ainda, aduz que o AD Interpretativo SRF nº 5/2006 inovou ao ultrapassar o alcance da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99. No caso de manutenção do lançamento, que sejam excluídos os juros e multa, com fulcro no art. 100, parágrafo único, do CTN. Alfim, requer seja exonerada da exigência fiscal e a apresentação de suas razões recursais em sustentação oral. A Câmara a quo, deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. A elaboração de produtos imunes e, portanto, não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito dos insumos neles aplicados. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. Observando o contribuinte entendimento emanado da própria administração federal, deve ser aplicado o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. Recurso voluntário provido em parte. Cientificada da decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, por maioria e de divergência (efls. 915/979), insurgindose contra a decisão da 1ª Câmara do 2º CC que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 9303004.575 CSRFT3 Fl. 1.280 4 exigência da multa de oficio e dos juros de mora, em conformidade com o parágrafo único do art. 100 do CTN. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho n° 3300344 de efls. 1.006/1.007. Contrarrazões apresentadas pelo o sujeito passivo às efls. 1.146 a 1.165. Ao seu turno, o sujeito passivo também apresentou recurso especial de divergência, quanto à possibilidade de apropriação de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de água mineral, produto imune ao IPI, por força do disposto no artigo 155, § 3º da CB/88, às efls. 1.020/1.145. O recurso especial foi admitido através do Despacho 3300 000.306 de efls. 1.260/1.262. Contrarrazões apresentadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional às efls. 1.267 a 1.273. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Tratarei, primeiramente, dos requisitos e condições para a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela PGFN. A Fazenda manejou o presente recurso alegando que o acórdão recorrido diverge de outros julgados, colacionando paradigmas e com fundamento em contrariedade à lei e à evidencia de prova. O recurso foi não unânime em relação à matéria e o procurador indicou os acórdãos paradigmas que decidiram em sentido oposto ao decidido no acórdão recorrido; bem como os dispositivos legais e provas que, em tese, teriam sido contrariados. Analisadas as condições de admissibilidade e delimitação da lide, passemos ao mérito. A controvérsia cingese à possibilidade de afastamento da aplicação de penalidades e dos juros de mora em razão do contribuinte ter observado entendimento emanado da própria Administração Pública, nos termos do art. 100, parágrafo único, do CTN. Com o intuito de preservar a segurança jurídica na relação existente entre a Administração Pública e os seus administrados, no caso, a Contribuinte, estabeleceu o art. 100 do CTN como uma das normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais, e dos decretos, as práticas reiteradamente observadas pela Administração Pública, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 9303004.575 CSRFT3 Fl. 1.281 5 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (grifouse) O sujeito passivo alegou no recurso voluntário ter agido em conformidade com as normas complementares, aduzindo que o AD Interpretativo SRF nº 5/2006 inovou ao ultrapassar o alcance da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99, pleiteando, subsidiariamente, que "devem ser excluídos assim os juros, como multa, para que se respeite o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN." A decisão recorrida expressamente consignou que: “(...) Portanto, correto o procedimento da Fiscalização, a despeito de se reconhecer tratarse de assunto controvertido, inclusive com atos e decisões no mesmo sentido adotado pela recorrente. Nesse passo, forçoso reconhecer como inadequada e injusta a aplicação de penalidade. (...) Assim, no presente caso, uma vez que a contribuinte observou entendimento emanado da própria administração tributária, deve ser aplicado o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN." Este colegiado possui entendimento já manifestado em ocasiões anteriores no sentido de que a prática reiterada de que cuida o art. 100 do CTN requer pronunciamento inequívoco por parte da Administração. Nesse sentido, temse a decisão desta 3ª Turma da CSRF, acórdão nº 9303 004.154, de 09 de junho de 2016, cujo voto vencedor assim dispôs: (...) Do texto legal extraise a ilação de que, na condição de instituto jurídico, a configuração de prática reiterada com natureza normativa, apta, portanto, a gerar direitos e obrigações, requer o atendimento de alguns requisitos, a saber: a) a prática reiterada pressupõe a inexistência de norma escrita específica a respeito de determinada matéria, motivando assim a adoção de práticas ou costumes, pela autoridade fiscal, com vista a regulamentar a execução da lei ou suprir uma lacuna legal, haja vista que, acaso exista norma disciplinando a mesma matéria é despiciendo instituir alguma prática administrativa e Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 9303004.575 CSRFT3 Fl. 1.282 6 qualquer ato praticado nessa situação não se enquadra no conceito de “práticas reiteradas” de que trata o CTN; b) exatamente por ter o caráter de norma complementar, deve haver compatibilidade entre a prática tida por reiterada e as demais normas da legislação ou, em outras palavras, requerse a inexistência de norma escrita dispondo de modo diverso ao da conduta adotada pela autoridade administrativa, sob pena de a aventada “prática” não se caracterizar como norma complementar e sim verdadeiramente um ato flagrantemente ilícito; c) a configuração de uma prática reiterada deve revelar uma conduta inequívoca que, de forma manifesta, oficial e conclusiva, veicule o entendimento da Administração acerca de determinado fato ou direito (por interpretação analógica dos demais incisos do referenciado art. 100, os quais dispõem sobre atos dotados dessas características), excluindose, por decorrência, os atos praticados a título precário ou ainda os informais ou perfunctórios. (...) Também são improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. Também o Parecer Normativo CST nº 390/1971 entende que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Logo, mesmo que o órgão de jurisdição administrativa tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade julgadora administrativa ter outro entendimento, salvo na hipótese de edição de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ou das hipóteses do art. 62 do RICARF. No mais, a questão em análise só foi trazida aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, não foi arguida quando da apresentação da Impugnação, oportunidade que o contribuinte tem para trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa, exatamente como prevê o art. 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de Impugnação e não se tratando de questão de ordem pública, passível de ser conhecida de ofício, precluiu o direito do contribuinte desenvolver este tema no âmbito do Recurso Voluntário, exatamente como prevê Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 9303004.575 CSRFT3 Fl. 1.283 7 o art. 17 do sobredito Decreto e, ainda, sob pena de haver uma indevida supressão de uma instância julgadora. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para anular o acórdão recorrido, com retorno dos autos à instância a quo para julgar apenas as matérias impugnadas. O recurso especial de divergência do sujeito passivo, que questionava a possibilidade de se apurar crédito de IPI relativamente às aquisições de insumos aplicados na elaboração de produtos imunes, não tributados pelo IPI (NT), restou prejudicado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1283DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.004669/2001-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998
DIRPJ/DIPJ. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA E EXECUÇÃO DE DÉBITOS SEM PRÉVIA DECLARAÇÃO EM DCTF OU LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Até o final do ano-calendário de 1998, exercício de 1999, a DIRPJ/DIPJ tinha a natureza de confissão de dívida e a condição de instrumento hábil e suficiente para inscrição dos débitos confessados em Dívida Ativa da União (DAU) e a consequente cobrança executiva, sem necessidade de prévia declaração em DCTF ou prévio lançamento de ofício.
DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA E EXECUÇÃO SEM PRÉVIA DECLARAÇÃO EM DCTF OU LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
A partir do ano calendário de 1999, exercício de 2000, a DIPJ perdeu natureza de confissão de dívida e passou a ter natureza meramente informativa, em decorrência, os saldos dos débitos tributários das pessoas jurídicas nela informados somente poderão ser inscritos em dívida ativa e executados se, previamente, declarados em DCTF ou lançados de ofício.
DÉBITOS NÃO CONFESSADOS EM DIRPJ/DIPJ OU DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É devido o lançamento de ofício e consequente cobrança dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos anos de 1997 e 1998 não declarados na DIRPJ/DIPJ ou na DCTF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO NÃO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Se o lançamento de ofício não foi realizado para a prevenir a decadência do crédito tributário, a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) é devida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter apenas a cobrança dos débitos dos meses de novembro e dezembro de 1997 e março de 1998, acrescidos da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998 DIRPJ/DIPJ. NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA E EXECUÇÃO DE DÉBITOS SEM PRÉVIA DECLARAÇÃO EM DCTF OU LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Até o final do anocalendário de 1998, exercício de 1999, a DIRPJ/DIPJ tinha a natureza de confissão de dívida e a condição de instrumento hábil e suficiente para inscrição dos débitos confessados em Dívida Ativa da União (DAU) e a consequente cobrança executiva, sem necessidade de prévia declaração em DCTF ou prévio lançamento de ofício. DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA E EXECUÇÃO SEM PRÉVIA DECLARAÇÃO EM DCTF OU LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A partir do ano calendário de 1999, exercício de 2000, a DIPJ perdeu natureza de confissão de dívida e passou a ter natureza meramente informativa, em decorrência, os saldos dos débitos tributários das pessoas jurídicas nela informados somente poderão ser inscritos em dívida ativa e executados se, previamente, declarados em DCTF ou lançados de ofício. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS EM DIRPJ/DIPJ OU DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É devido o lançamento de ofício e consequente cobrança dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos anos de 1997 e 1998 não declarados na DIRPJ/DIPJ ou na DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 46 69 /2 00 1- 99 Fl. 433DF CARF MF 2 LANÇAMENTO DE OFÍCIO NÃO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se o lançamento de ofício não foi realizado para a prevenir a decadência do crédito tributário, a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) é devida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter apenas a cobrança dos débitos dos meses de novembro e dezembro de 1997 e março de 1998, acrescidos da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 90/96), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 400.912,10, sendo R$ 144.093,48 da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro a dezembro de 1996, de abril, maio, novembro e dezembro de 1997 e março de 1998, R$ 148.748,56 de juros moratórios, calculados até 28/9/2001, e R$ 108.070,06 de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com o Termo de Constatação (fls. 87/89) e os Demonstrativos de fls. 79/81, que integram o referido auto de infração, a autuação foi motivada pela constatação de que: a) nos meses de janeiro a dezembro de 1996 e março de 1998, os valores dos débitos da referida contribuição, informados nas correspondentes DIRPJ/DIPJ e nos papéis de trabalho de fls. 52/54, não foram declarados ou declarados a menor nas respectivas DCTF; e b) os débitos dos meses de abril, maio, novembro e dezembro de 1997, não declarados na DIPJ e não declarados na DCTF (meses de abril e maio de 1997) ou declarados a menor na DCTF (meses de novembro e dezembro de 1997). Esses débitos do ano de 1997 foram apurados com base nos dados extraídos dos livros e documentos fiscais da autuada. Em sede de impugnação (fl. 103), a autuada alegou que todos os valores lançados no auto de infração constavam das DIRPJ apresentadas, espontânea e tempestivamente, e que tais declarações constituíam confissão de dívida, logo não era exigível, Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15374.004669/200199 Acórdão n.º 3302004.130 S3C3T2 Fl. 434 3 de ofício, o crédito tributário já declarado, conforme previa a Nota Cojunta COFIS/COSAR nº 2001/00003, de 30/7/2001, subitem 3.1.4. Em aditamento à referida impugnação (fl. 114), em 18/12/2002, a autuada apresentou à petição de fl. 114, em que reafirmou a alegação anteriormente apresentada e, em adendo, informou que, antes de iniciado o procedimento de fiscalização, os valores dos débitos lançados já tinham sido recolhidos e que, em relação às competências de 11/1997, 12/1997 e 03/1998, não havia recolhimento porque os valores foram incluídos no Refis. O Colegiado de primeiro grau verificou a existência de decisão judicial favorável à contribuinte, que lhe reconhecera o direito de efetuar depósitos judiciais a fim de suspender a exigibilidade do crédito (Medida Cautelar nº 94.00258160 fls. 138/146), bem como de declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei 2.445/1988 e 2.449/1988, reconhecendo a obrigatoriedade do recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da Lei Complementar 7/1970 (Ação Ordinária nº 94.00679750 fls. 147/157). Verificou, ainda, que ambas as decisões já haviam transitado em julgado, bem como a existência da conversão dos depósitos em renda da União (fls. 136/137). Diante dessas constatações, por meio do Despacho de fls. 183/185, Colegiado de primeira instância converteu o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem, além de outras providências, efetuasse a vinculação e a imputação dos débitos aos respectivos DARF. A referida diligência foi cumprida em parte (fls. 188/192), fato que motivou nova conversão do julgamento em diligência pelo despacho de fl. 194. O órgão preparador complementou a diligência e prestou os esclarecimentos no despacho de fl. 220. Sobreveio a decisão primeira instância (fls. 276/288), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte, para reduzir os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril e maio de 1997, respectivamente, para os valores de R$ 2.139,97 e R$ 2.222,43, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998 Ementa: JUNTADA DE PROVAS INTEMPESTIVAMENTE APRECIAÇÃO Provas apresentadas intempestivamente, que podem alterar o lançamento e que já eram fatos consolidados e integrantes dos sistemas informatizados da SRF à época do início do procedimento fiscal, devem ser consideradas no julgamento, em respeito aos Princípios da Oficialidade e da Verdade Material. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 31/05/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998 Ementa: DIRPJ/DIPJ – CONFISSÃO DE DÍVIDA As DIRPJ/DIPJ não são instrumentos de confissão de dívida quando o Contribuinte possui Filial e as declarações foram Fl. 435DF CARF MF 4 apresentadas consolidadas pela Matriz, exceto na hipótese de a Matriz centralizar o recolhimento, como esclarece a Nota MF/SRF/COSIT nº 612/99. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1996 a 29/02/1996 Ementa: DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL MULTA DE OFÍCIO Se o depósito judicial não for feito no montante integral da quantia questionada, nos termos do art 151, II do CTN, a multa de ofício será aplicada no Auto de Infração, tal como se infere do art 63 da Lei 9.430/96 e do item 9 do Parecer COSIT 2/99. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 31/05/1997 Ementa:RECOLHIMENTO INSUFICIENTE O recolhimento insuficiente de tributo enseja o lançamento de ofício da parte não recolhida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 Ementa: MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA – EFEITOS Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Lançamento Procedente em Parte. Em 24/5/2004 (fls. 289/290), a autuada foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 18/6/2004 (fl. 295), protocolou o recurso voluntário de fls. 296/299, em que reafirmou os argumentos apresentados na peça impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou que: a) não procedia a alegação de que não efetuara os recolhimentos dos débitos objeto da autuação, uma vez que os comprovantes dos pagamento estavam presentes nos autos; b) era improcedente a aplicação da multa de ofício, pois, se houve o recolhimento, ainda que com atraso, não existia base legal para exigência de ofício do que já fora pago; c) como o recolhimento ocorreu antes da ação fiscal, estava caracterizada a espontaneidade, logo, quando muito, caberia a aplicação de juros moratórios pelo atraso no recolhimento e a aplicação de multa de ofício sobre a diferença não recolhida, jamais sobre o valor do tributo recolhido; d) não procedida a alegação apresentada no voto condutor do julgado para descaracterizar a espontaneidade, sob o argumento de que não seria possível a identificação dos recolhimentos da Contribuição para o PIS/Pasep que foram efetuados pela matriz e os que foram feitos pela filial, uma vez que, conforme documentos anexados, a filial não mais existia no ano de 1996, pois o seu CNPJ havia sido baixado desde 1988, logo não seria crível supor Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15374.004669/200199 Acórdão n.º 3302004.130 S3C3T2 Fl. 435 5 que a dita filial tivesse entregue declarações ou efetuado pagamentos de tributos após a efetivação da referida baixa; e) os recolhimentos foram efetuados sob amparo de decisão judicial, obtida anteriormente ao procedimento fiscal e vigente até a presente data, logo, as alegações apresentadas não caberiam, por desrespeitarem decisão judicial ainda não reformada, mesmo que a legislação tivesse sido alterada e que normas administrativas tivessem sido editadas a posteriori; e e) apresentara planilha com os valores dos recolhimentos efetuados, que demonstrava que, no período da autuação, era detentora de crédito, o que não fora considerado pela autoridade fiscal. Na Sessão de 22 de novembro de 2011, por meio da Resolução de nº 3202 000.051 (fls. 1/6), os integrantes da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho decidiram converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora tomasse as seguintes providências: a) informasse se, no ano de 1996, anobase a que se refere a DIRPJ/1997, a empresa filial encontravase inativa, sem ter apresentado qualquer faturamento; e b) em caso positivo, fossem refeitos os cálculos da Contribuição para o PIS/Pasep devido, elaborandose planilha de cálculo consolidada, levando em conta as parcelas reduzidas pela DRJ e a confissão de dívida efetuada antes de iniciado o procedimento fiscal, formalizada por meio da DIRPJ/1997. A autoridade fiscal da unidade da RFB de origem elaborou relatório de fls. 381/382, em que informou que intimara a recorrente a comprovar com documentos hábeis a baixa da filial inscrita no CNPJ sob o nº 33.279.621/000296, porém, não obtivera resposta. Em decorrência, determinou o retorno dos autos a este CARF, sem o cumprimento da diligência. Por meio da Resolução nº 3202000.210, de 24 de abril de 2014 (fls. 417/421), o julgamento foi novamente convertidos em diligência, para que a unidade da RFB de origem, com base nas informações extraídas dos sistemas da Receita Federal, prestasse as informações solicitadas na diligência anterior. Em resposta, no dia 11/9/2014, por meio do despacho de fl. 426, a autoridade fiscal informou que, nos sistemas informatizados da RFB, desde 8/12/1988, o CNPJ nº 33.279.621/000296 da referida filial encontravase baixado. Ademias, na data em proferiu o citado despacho, a filial encontravase com a situação cadastral cancelada e no ano de 1996 não apresentara faturamento. Em 12/9/2014, a recorrente foi cientificada do referido despacho (fls. 427/428), para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, o que não ocorreu. É o relatório. Voto Fl. 437DF CARF MF 6 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio remanescente cingese à manutenção da cobrança (i) dos valores totais dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro a dezembro de 1996, novembro e dezembro de 1997 e março de 1998, e (ii) dos valores parciais dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril e maio de 1997, respectivamente, nos valores de R$ 2.139,97 e R$ 2.222,43. Conforme delineado no relatório precedente, a autuação decorreu de divergências entre os valores declarados nas DIRPJ/DIPJ e DCTF dos anos de 1996 a 1998 e aqueles informados pela própria contribuinte, por meio das planilhas de fls. 58/69, conforme explicitado na “Demonstração de Situação Fiscal Apurada” (fls. 79/84), nas quais a fiscalização lançou na coluna “Base de Cálculo” os valores constantes das citadas planilhas e, com base nesse dado, calculou o valor devido da Contribuição (coluna “Principal”) e em seguida subtraindo os valores declarados e/ou pagos (colunas “Débitos Declarados” e “Créditos Apurados”). No caso, não houve contestação em relação aos valores da base de calculo utilizadas na apuração dos débitos lançados. A recorrente alegou, tempestiva e espontaneamente, que havia declarados a totalidade dos débitos lançados nas correspondentes DIRPJ/DIPJ e que tais declarações, na época, constituíam confissão de dívida, logo, todos os débitos declarados não deveriam ter sido lançados, ainda que não tivessem sido recolhidos. Essa a alegação da recorrente prescinde da prévia da análise do instituto da confissão de dívida, especialmente, se nos anos de 1996 a 1998 a DIRPJ/DIPJ tinha natureza ou não de confissão de dívida e se revestia de instrumento hábil e suficiente para inscrição e cobrança executiva dos saldos dos débitos nela declarados. Nesse sentido, cabe analisar a matéria à luz do que dispõe o art. 5º do DecretoLei 2.124/1984 e a legislação infralegal que lhe complementa e lhe confere plena eficácia. O referido preceito legal tem a seguinte redação, in verbis: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. [...] (grifos não originais) Por sua vez, com fundamento no referido preceito legal, por meio da Portaria MF 118/1984, o Ministro da Fazenda delegou a competência para eliminar ou instituir Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15374.004669/200199 Acórdão n.º 3302004.130 S3C3T2 Fl. 436 7 obrigações acessórias, relativas a tributos federais, para o Secretário da Receita Federal, que, com base nessa competência, editou a Instrução Normativa SRF 077/1998, cujo art. 1º, teve as seguintes redações, ipsis litteris: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000) De acordo com a nova redação, em que foi excluída a expressão “e jurídicas”, até o anocalendário de 1998, exercício de 1999, a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), instituída pela Instrução Normativa SRF 127/1998, tinha natureza de confissão de dívida e se revestia de instrumento hábil e suficiente para inscrição dos débitos em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva. Por força da nova redação em destaque, apenas a Declaração de Rendimentos da Pessoa Física (DIRPF) e a Declaração do ITR (DITR) continuaram com a natureza de confissão de dívida, enquanto que as pessoas jurídicas passaram a confessar os débitos dos seus tributos devidos apenas na DCTF. Em suma, até a vigência da Instrução Normativa SRF 127/1998, assim como a DCTF, a extinta Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ1) também tinha natureza de confissão de dívida e se revestia instrumento hábil e suficiente para inscrição dos débitos das pessoas jurídicas em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva. Ainda em conformidade com a nova redação, até o anocalendário de 1998, exercício de 1999, os saldos a pagar da Contribuição para o PIS/Pasep informados na DIRPJ/DIPJ, assim como os declarados na DCTF, tinham natureza de confissão, em decorrência, ambas declarações revestiamse de instrumento hábil e suficiente para inscrição dos débitos confessados em dívida ativa e consequente cobrança executiva. Dada essa condição, os saldos a pagar dos tributos federais informados na DIRPJ/DIPJ ou na DCTF, ou em ambas, induvidosamente, não eram passíveis de lançamento de ofício, pois a declaração/confissão dos saldos dos débitos em qualquer uma das duas declarações, inequivocamente, constituía meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados. Neste sentido, até o anocalendário de 1998, constava do recibo de entrega das DIRPJ/DIPJ, bem como do manual de instrução do preenchimento das citadas declarações, expressa informação de que elas tinham natureza de confissão de dívida. 1 Até o anocalendário 1997, exercício 1998, a declaração de rendimentos da pessoa jurídica era chamada DIRPJ. A partir do anocalendário 1998, exercício 1999, foi introduzida a DIPJ, instituída pela IN SRF n° 127, de 30/10/98, que no seu primeiro ano ainda serviu como instrumento de confissão de dívida, ao lado da DCTF. Destarte, o lançamento de oficio dos saldos a pagar declarados na DIPJ do anocalendário 1998, ou em DCTF daquele ano, implicaria em duplicidade de exigência. Fl. 439DF CARF MF 8 Diferentemente, a partir do anocalendário de 1999, exercício de 2000, em decorrência da nova redação dada pela Instrução Normativa SRF 14/2000 ao art. 1º da Instrução Normativa SRF 077/1998, a DIPJ perdeu a natureza de confissão de dívida e passou a ter natureza meramente informativa e, em decorrência, deixou de ser instrumento hábil e suficiente para inscrição em dívida ativa e cobrança executiva dos saldos dos débitos nela declarados. E refletindo essa condição, tanto o recibo da DIPJ, quanto o seu manual de instrução do preenchimento, deixaram de conter a informação de que a DIPJ constituía confissão de dívida. A propósito, cabe destacar que o assunto encontrase sumulado por este Conselho, por meio da Súmula CARF nº 92, cujo enunciado tem o seguinte teor: Súmula CARF nº 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Assim, em relação aos débitos das pessoas jurídicas, a partir do ano calendário de 1999, exercício de 2000, apenas a DCTF preservou a natureza de confissão dívida e a condição de instrumento hábil e suficiente para cobrança executiva. Em decorrência dessa nova configuração, somente os débitos das pessoas jurídica declarados em DCTF podem ser inscritos em dívida ativa e cobrados mediante execução fiscal, sem necessidade de prévio lançamento de ofício, realizado em conformidade com disposto no art. 142 do CTN. Em suma, a partir do anocalendário 1999, os valores declarados na DIPJ somente podem ser inscritos em dívida e executados se, previamente, declarados em DCTF ou lançados de ofício. Em outras palavras, a partir do anocalendário 1999, os valores declarados apenas em DIPJ, , não podiam mais ser inscritos em dívida e executados sem prévia declaração em DCTF ou lançados/constituídos de ofício. No caso em tela, há provas nos autos (fls. 18/19 e 252/264) que, na DIRPJ do anocalendário de 1996, exercício de 1997, a recorrente declarou os valores integrais ou superiores dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro a dezembro de 1996, exigidos no presente auto de infração. Assim, por ter natureza de confissão de dívida e se revestir de instrumento hábil e suficiente de constituição e cobrança executiva, induvidosamente, o lançamento de ofício de tais débitos no presente auto de infração revelase desnecessário e indevido, em decorrência, devem ser integralmente cancelados. Na decisão de primeiro grau, a cobrança dos referido débitos foi mantida, com base no argumento de que a DIRPJ do anocalendário de 1996, exercício de 1997, não era instrumentos de confissão de dívida, porque a declarante possuía filial e a declaração fora apresentada consolidada em nome da matriz, o que impossibilitava a apuração da certeza e liquidez do crédito declarado, como esclarecia a Nota MF/SRF/COSIT nº 612/1999, o que seria excepcionado apenas na hipótese de a matriz centralizar o recolhimento, o que não ocorrera no caso em tela. O argumento apresentado na decisão recorrida, juridicamente é irrazoável e não encontra amparo na legislação, sob o ponto de vista pragmático também não se sustenta, haja vista que, no anocalendário de 1996, o estabelecimento filial, de fato, não mais existia, haja vista que o seu CNPJ fora baixado desde 8/12/1988. Logo, por óbvio, no referido ano, a filial não auferiu qualquer receita a ser declarada como base de cálculo da contribuição, conforme confirmou a autoridade fiscal em resposta da citada diligência. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 15374.004669/200199 Acórdão n.º 3302004.130 S3C3T2 Fl. 437 9 Assim, ainda que tivesse respaldo jurídico, o que se admite apenas para argumentar, no caso em tela, a alegada impossibilidade de apuração da certeza e liquidez dos débitos, em nome do estabelecimento matriz, induvidosamente, não tem a menor consistência. Com base nessas considerações, devem ser integralmente cancelados todos os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro a dezembro de 1996, haja vista confessados e constituídos por meio da DIRPJ do anocalendário de 1996, exercício de 1997, e, portanto, passíveis de cobrança executiva, sem necessidade de lançamento de ofício. Também há nos autos cópias dos extratos da DIPJ do anocalendário de 1997, exercício de 1998 (fls. 266/270), que comprovam que a recorrente, tempestivamente, declarou os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do ano de 1997. Os débitos dos meses de abril e maio de 1997 lançados no auto de infração foram integralmente declarados/confessados na referida DIPJ, portanto, devem ser integralmente cancelados, pelo mesmo fundamento apresentado para os débitos do ano de 1996. De outra parte, a cobrança dos valores dos débitos dos meses de novembro e dezembro de 1997, lançados no auto de infração, deve ser integralmente mantida, porque não foi confessada na referida DIPJ nem na DCTF, conforme comprovam os documentos de fls. 265/270. Tais valores também não foram incluídos no Refis, conforme alegou a recorrente. De fato, segundo os extratos de fls. 224/226, extraídos dos sistema da RFB, revelam que os valores incluídos no referido parcelamento e que, na data fs consulta (26/4/2004), estavam com a exigibilidade suspensa, correspondem apenas aos valores dos débitos confessados na DIPJ e na DCTF, que não foram lançados no questionado auto de infração. Enfim, pelo mesmo motivo adotado em relação aos débitos dos meses de novembro e dezembro de 1997, também deve ser mantida a cobrança do insignificante valor de R$ 0,18 do mês de março de 1998, lançado no auto de infração e declarado a menor na DIPJ e na DCTF, conforme documentos de fls. 271/275. Os débitos remanescentes mantidos deverão ser acrescidos da multa de ofício de 75% (setenta de cinco por cento), prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, e dos juros moratórios equivalente à taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, da Lei 9.430/1996. Em relação à cobrança da multa de ofício, diferentemente do alegado pela recorrente, na data da conclusão do procedimento fiscal, não se encontrava mais suspensa a exigibilidade dos débitos remanescentes, haja vista que, a partir de 1/3/1996, a cobrança da referida contribuição passou a ser respaldada nos arts. 2º, I, 3º, 8º, I, e 9º da Medida Provisória 1.212/1995 e reedições posteriores, que foi convertida na Lei 9.715/1998, e não mais na forma da Lei Complementar 7/1970. Ainda no que concerne aos débitos remanescentes, não tem qualquer efeito a decisão prolatada no âmbito da Ação Ordinária nº 94.00679750 (fls. 147/157), no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário, mediante a realização de depósitos judiciais, posto que, segundo o Demonstrativo de fl. 116 e documentos de fls. 117/129, o último depósito referese ao débito do mês de dezembro de 1996 e, antes da conclusão do procedimento fiscal, tais depósitos já tinham sido convertidos em renda da União, o que ocorrera no dia 23/2/2000, conforme extratos de fls. 136/137. Além disso, a partir da vigência dos novos preceitos legais da Medida Provisória 1.212/1995 e da Lei 9.715/1998, resultado da conversão da referida MP, também Fl. 441DF CARF MF 10 deixou de ter qualquer efeito a parte da decisão proferida na citada ação judicial, que declarou a inconstitucionalidade dos Decretoslei 2.445/1988 e 2.449/1988 e, ao mesmo tempo, reconheceu o direito de a recorrente recolher a Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da Lei Complementar 7/1970. Não se pode olvidar que, na situação em tela, de falta de recolhimento da contribuição, cujos valores foram declarados ou declarados a menor na DIRPJ/DIPJ ou na DCTF, restou devidamente configurado o ilícito tributário sancionado com multa de 75% (setenta de cinco por cento), fixada no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. O procedimento adotado pela contribuinte, de não confessar a totalidade ou parte da contribuição devida subsumese, perfeitamente, a hipótese infracional descrita no citado preceito legal. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para manter a cobrança dos débitos dos meses de novembro e dezembro de 1997 e março de 1998, acrescidos da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 442DF CARF MF
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Numero do processo: 13891.000048/99-86
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE
ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no
bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de
constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte Extensão
dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nº 1.621-36, de 10106/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2°, culminando na Lei nº 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto n° 20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação
das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos
órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a
aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios
constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc
Numero da decisão: 301-31.023
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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ementa_s : FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nº 1.621-36, de 10106/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2°, culminando na Lei nº 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto n° 20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc
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ME DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nO 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nO 1.621-36, de 10106/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, ~ 2°, culminando na Lei nO 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto n° 20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8.429/92, art. 4° e Lei nO 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 2004 ~ La; - DEDWS Presidente ) SÉ LENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. • • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.525 301-31.023 CERÂMICA DE LOUÇA ARTÍSTICA VALE DO MOGI LTDA. ME. DRJIRIBEIRÃO PRETO/SP JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • • A contribuinte acima identificada solicitou restituição/compensação de valores relativos à Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL), períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992 (fls. 01103 e 33/34) . Para fundamentar a solicitação, juntou cópia dos DARFs às fls 07/16 e planilhas de fls. 04/06. Cientificada, em 03/0212000, do indeferimento de seu pedido pela decadência do direito à restituição/compensação (fl. 42), a interessada apresentou, em 21/0212000, manifestação de inconformidade de fls. 49/54, solicitando a reforma da decisão atacada, de maneira que restasse acatado a pedido de compensação originariamente formulado. Alega, em síntese, que não ocorreu decadência/prescrição de seu direito à compensação, argumentando que este prazo é de dez anos de acordo com jurisprudência do STJ e que o entendimento da Receita Federal expresso no Ato Declaratório n°. 096/99 fere os princípios da isonomia e da irretroatividade tributária. Tece, ainda, as considerações acerca do direito à compensação tributária . A DRJlRibeirão Preto-SP indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que : "O prazo para se pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago a maior extingue-se com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção definitiva do crédito tributário." Inconformada com a decisão da DRJ a contribuinte, tempestivamente, impetrou Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes no qual reitera os argumentos expressos no pedido anterior e ainda reafirma, que: a) o procedimento usado pela Fazenda Nacional para indeferir o pleito da Requerente confronta-se com o procedimento adotado para outros contribuintes, em situação equivalente e "agride o princípio Constitucional da isonomia", no seu artigo 5°., CF/88., que todos são iguais perante a Lei, e o inciso 11do artigo 150 CF/ 88; 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA \1 • • RECURSO N° Ac6RDÃON° 126.525 301-31.023 b) o Ato Declaratório 096/99 define incompletamente os prazos de pleitear a restituição, pois o artigo 168 -I isoladamente não estabelece que o direito de pleitear a restituição é de 5 anos contados do pagamento, como decidiu a Colenda la Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim contados da extinção do crédito tributário, ou da data que surgiu o direito para a requerente. Há que se conjugar outros artigos do próprio Código Tributário Nacional para a compreensão de que a extinção definitiva do crédito tributário depende de sua homologação, e só a partir daí poderia estar extinto. O prazo para que se possa pleitear restituição de tributo indevido é de 5 anos contados da homologação do lançamento prevista no S 40 do artigo 150 da Lei 5172/66, ou da data em que foi reconhecido pela Administração o seu direito ao indébito, ou seja, 30/08/95, que é a data da publicação da MP 1.110/95; c) a restituição pleiteada seja deferida, como requerido nos anexos do Pedido de Restituição apresentado, afastando-se a prescrição atacada, e em conseqüência seja reformado o Acórdão n° 31/2001; d) o requerente possa corrigir seus créditos nos termos da Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR 08/97. É o relatório . 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 VOTO • • . A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) O Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 11. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 111. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; 11. Nas hipóteses previstas nas alíneas 11, 111e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 111.Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou. passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga omnes", sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no feito, isto é, por quem haja ingressado em juizo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afiora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática . Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, irrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 142). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° Ac6RDÃON° 126.525 301-31.023 judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso" . (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." -' Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou aSugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacionalcujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; HI. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e H do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; 11. Na hipótese prevista na alínea IH do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; ill. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 n° I) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 n° I). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente Decreto n° 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto nO20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfândegas (interpretado pelo Decreto n° 20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei nO5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos "ex nunc". A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis". As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.525 301-31.023 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11 do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. lOdo referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em ~ anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • • esse direito, "in casu" se originou da declaração de inconstitucionalidade. • o Código Tributário Nacional vigente passou, ntão, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. TI - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 40 da Lei nO 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 40 Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) . E reafirmado no art. 20 da Lei nO9.784/99, aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in ver bis: "Art. 20 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão n° CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contTarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de principios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público n° 2/93, pp. 267/276). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 • • Pode o poder executivo deixar de cumprir alei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. . ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) . E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo .anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário n° 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstituci onalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público n° 26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 - p. 143) 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 / • • Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores . Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRA TIVA 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade. da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer. em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de Seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea. com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucionaL resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 209/222) 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpIO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao' aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a servidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o mínimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 6a ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 18 J MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. O princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legal, buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pública. Não 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA . l RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público n° 11195 pp.45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitucionalidade m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica" . Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. a propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público nO 13/96, pp. 16). o interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. a interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. 21 MINIsTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer nO 877/03, aprovado e publicado no D.a.U de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando Com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL a direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. a renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 3a Região 6a T. e o Acórdão n° AMS 95.03.056070-5, da 4a T. do TRF 3a Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado no DJU de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. II - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 1I1 - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto n° 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória nO1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições).!. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exerCÍcio da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham S/A Ind. e Com. E União Federal! Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - DJU 02/10/01 p. 159 - ementa oficial" 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. nO 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual fora sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). o art. 146, lII, "b", da C.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória n° 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei nO 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas". A partir da edição da MP. nO1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: ~ 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° Ac6RDÃON° 126.525 301-31.023 A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/01-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retroagem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei nO 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01/03/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. V COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLACÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. 25 , I MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de n° 111,verbis: "111- fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15109/98 e publicado no D.O.U de 24/09/98. Há também o Parecer AGU nO02/99, no mesmo sentido (D.O.U de 07/05/99) Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo " Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso 111e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAI n° 550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no SIJ e IRF 18Região que é a da publicação do Acórdão do SIF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. 26 , L MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 126.525 301-31.023 Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei n° 20910/32). Conclui pela atenuação ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF nO439/96, incluindo também as DRJ, além dos c.c., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva"... constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1- decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3- Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 27 , ' MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • • 126.525 301-31.023 o Senado não conferiu a eficácia "erga omnes" à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos "erga omnes" no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavorável às partes envolvidas. O Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo. porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, que, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. Vll- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRATIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 28 :, \ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA l RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF nO96/99. Além disso, o Dec. nO 2346/98 em seu art. 4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: r. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; lI. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 11I. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MF n° 227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria MF nO259/01, artigos 1° e 209. Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 1°, inciso V e artigo 209, incisos 29 :) \ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 XXVII e XXVIII, da Portaria .MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante ª restituição de indébitos tributários. que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta' em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recurSais. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT n° 58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF n° 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. Vill- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11,da Constituição Federal. 30 11 -\ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° Ac6RDÃON° 126.525 301-31.023 A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da c.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei n° 9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do 9 IOdo art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei n° 9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei n° 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o 9 3° do art. 10, da Lei n° 9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do 9 1° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da' C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERACÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I - Tributos Lançados por homologação 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo IOdo Decreto n° 20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146, 111,"b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146,111. O FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei n° 2.049/83, regulamentado pelo Decreto nO92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição. Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei n° 2.049/83 e Decreto nO92.698/86. 111 - Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP n° 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. n° 1.621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel 32 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.525 301-31.023 observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2004 33 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034
score : 1.0
Numero do processo: 13896.005102/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017.
De acordo com precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
O contribuinte optou pelo parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, ocorrendo assim, a desistência do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 2401-004.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de Ofício e Voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. De acordo com precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. O contribuinte optou pelo parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, ocorrendo assim, a desistência do Recurso Voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.005102/200891 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401004.719 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrentes JACOB DA SILVA TOMAS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. De acordo com precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. O contribuinte optou pelo parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, ocorrendo assim, a desistência do Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 51 02 /2 00 8- 91 Fl. 1657DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso de Recurso de Ofício que visa modificar o Acórdão 17 35.974 da 6ª. Turma da DRJ/SP, de 04/11/2009 que considerou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte no processo administrativo fiscal supra. Cuidam os presentes autos de exigência constante de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos Exercícios de 2004 e 2005, anoscalendário de 2003 e 2004, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 7.607.797,52 (sete milhões, seiscentos e sete mil, setecentos e noventa e sete reais e cinquenta e dois centavos), composto da seguinte forma: Imposto R$ 2.021.531,66 Juros de Mora (calculados até 30/12/2008) R$ 1.037.819,65 Multa Proporcional (passível de redução) R$ 4.548.446,21 Valor do crédito tributário apurado R$ 7.607.797,52 Conforme Termo de Verificação e Constatação FiscalIRPF (fls. 711/781) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 778/781), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/10/2003 R$ 8.891,74 225,00 30/11/2004 R$ 24.695,78 225,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei n º 7.713/88; Arts. 1º ao 3º, da Lei n º 8.134/90; Art. 45 do RIR /99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n º 10.451/2002. 002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica. Fl. 1659DF CARF MF 4 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/01/2003 R$ 9.000,0 225,00 28/02/2003 R$ 9.000,0 225,00 31/03/2003 R$ 9.000,0 225,00 30/04/2003 R$ 15.500,00 225,00 31/05/2003 R$ 9.000,0 225,00 30/06/2003 R$ 9.000,0 225,00 31/07/2003 R$ 9.000,0 225,00 31/08/2003 R$ 9.000,0 225,00 30/09/2003 R$ 11.059,20 225,00 31/10/2003 R$ 11.059,20 225,00 30/11/2003 R$ 11.059,20 225,00 31/12/2003 R$ 11.059,20 225,00 31/01/2004 R$ 1.933,31 225,00 29/02/2004 R$ 2.014,60 225,00 31/03/2004 R$ 2.014,60 225,00 30/04/2004 R$ 2.192,33 225,00 31/05/2004 R$ 2.192,33 225,00 30/06/2004 R$ 2.192,33 225,00 31/07/2004 R$ 2.192,33 225,00 31/08/2004 R$ 2.192,33 225,00 30/09/2004 R$ 2.192,33 225,00 31/10/2004 R$ 2.192,33 225,00 30/11/2004 R$ 2.192,33 225,00 31/12/2004 R$ 2.192,33 225,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei n º 7.713/88; Arts. 1º ao 3º, da Lei n º 8.134/90; Arts. 49 a 53 do RIR /99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n º 10.451/2002. 003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/08/2003 R$ 159.094,39 225,00 30/09/2003 R$ 12.730,27 225,00 31/12/2003 R$ 144.043,92 225,00 31/12/2004 R$ 6.559.291,22 225,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei n º 7.713/88; Arts. 1º ao 3º, da Lei n º 8.134/90; Arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR /99; Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 4 5 Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n º 10.451/2002. 004 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Omissão de Ganhos de Capital na alienação de Bens e Direitos Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/07/2003 R$ 606.500,00 225,00 31/10/2003 R$ 70.000,00 225,00 31/10/2003 R$ 28.157,80 225,00 30/11/2004 R$ 51.238,77 225,00 31/12/2004 R$ 34.858,93 225,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º e 3º, e §§ 16, 18 a 22 da Lei n º 7.713/88; Arts. 1º e 2º, da Lei n º 8.134/90; Arts. 7º, 21 e 22, da Lei n º 8.981/95; Arts. 17, 23 e §§ da Lei n º 9.249/95; arts. 22 a 24 da Lei nº 9.250/95; Arts. 16, 17 e §§ da Lei n º 9.532/97; Arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR /99. Devidamente cientificado em 02/02/2009 (AR às fl. 790), o contribuinte, por intermédio de seu procurador regularmente constituído (fls. 796/799), em 02/03/2009, apresentou impugnação (fls. 804/918), alegando, sem suma: 1 DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA INDISPONIBILIDADE DOS AUTOS PARA VISTAS E ANÁLISE DA FORMALIZAÇÃO E AUTUAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO APÓS A LAVRATURA E CIÊNCIA DO AUTO DE INFRACÃO 3.1 o Auto de Infração em tela foi lavrado em 27 de janeiro de 2.009 e recebido pelo Impugnante em 02/02/2.009, sendo que até o dia 10 de fevereiro de 2.009, conforme atesta o despacho de fl. 690, os autos ainda permaneciam em poder da Auditora Fiscal Autuante aguardando a devida formalização, o que impossibilitou o acesso do Recorrente ao mesmo, a fim de avaliar o seu conteúdo, bem como as peças que instruíram a autuação, à seja, entre as datas de lavratura do Auto de Infração e da' ciência da autuação e a data da definitiva formalização dos autos decorreu um prazo que não foi devolvido ao contribuinte para providenciar sua defesa; 3.2 somente no dia 18 de fevereiro de 2.009. o Impugnante teve acesso aos autos, oportunidade em que requereu cópia integral do mesmo, tendo sido atendido no dia 20 do referido mês, concluindose que, entre a data da ciência do Auto de Infração e a data em que os documentos que instruíram a autuação ficaram à disposição do Fl. 1661DF CARF MF 6 contribuinte transcorreram 18 (dezoito) dias, prazo extremamente longo e que, subtraído, prejudica a plena defesa do autuado, mormente por tratarse de autuação complexa e com vários levantamentos, planilhas e informações obtidas pela fiscalização através de circularização, expediente este que, somente após a lavratura do Auto de Infração e a formalização do devido processo administrativo fiscal, ficam disponíveis para o sujeito passivo; 3.3 a atitude do Fisco constituiu verdadeiro abuso de poder, posto que impediu o sujeito passivo da obrigação tributária de exercer plenamente o seu direito de defesa, princípio insculpido na Constituição Federal; 3.4 requer, destarte, seja reconhecido a ele, Impugnante, o direito de, a qualquer tempo e antes do julgamento deste feito fiscal, comparecer novamente aos autos para aditamento da impugnação, ao amparo dos arts. 2°, V, inciso 111 e 69, todos da Lei n° 9.784/1.999; 2.1 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS (ITENS 1 E 2 DO AUTO DE INFRAÇÃO) E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (ITEM 3 DO AUTO DE INFRAÇÃO) ,3.5 em relação ao Imposto de Renda das Pessoa Físicas, o pagamento do imposto é feito pelo sujeito passivo, sem prévio exame da autoridade administrativa, inclusive o valor do saldo do imposto a pagar apurado na declaração de ajuste a que se refere " o art. 93 do RIR/94, característica que faz com que o IRPF não se enquadre na modalidade de lançamento por declaração, mas sim, de lançamento por homologação, não se aplicando, assim, o prazo ,decadencial previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; 3.6 o prazo decadencial para 'impostos lançados pelo regime de homologação é de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4% do Código Tributário Nacional e, tratandose, no caso. de crédito tributário constituído com base em rendimentos auferidos de pessoas jurídicas e de suposto acréscimo patrimonial a descoberto, o lançamento há que se reportar à data do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, os rendimentos deverão ser tributados no mês em que considerados recebidos/auferidos, tendo em vista que os rendimentos auferidos pela pessoas físicas submetemse à tributação mensal; 17 como o Auto de Infração foi lavrado em 27 de janeiro de 2.009, com ciência no dia 02 de fevereiro de 2.009, o direito de lançar crédito tributário estaria extinto, nos termos do art. 156, inciso V, do CTN, para o mês de outubro de 2.003, no que se refere à omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas (item 1 do Auto de Infração), para os meses de janeiro a dezembro de 2.003, no que se refere à omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas jurídicas (item 2 do Auto de Infração) e para os meses de agosto, setembro e dezembro de 2.003, no que tange ao suposto acréscimo patrimonial a descoberto (item 3 do Auto de Infração), devendo, consequentemente, serem declaradas a insubsistência e a improcedência da ação fiscal constante do Auto, de Infração, referente ao crédito tributário constituído nos períodos acima discriminados (para embasar suas Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 5 7 alegações, o Impugnante utiliza e reproduz legislação, doutrina e jurisprudência); I.2.2 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO GANHO DE CAPITAL (ITEM 4 DO AUTO DE INFRAÇÃO) 18 tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 02 de fevereiro de 2.009, o direito de lançar crédito tributário sobre ganho de capital. cujos fatos geradores ocorreram nos meses de julho a outubro de 2.003 está extinto, consoante art. 156, inciso V, do CTN; 19 nos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, não há amparo legal para deslocar o fato gerador da obrigação tributária, que é instantâneo, imediato e definitivo, para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN), não havendo como proceder a transmutação do fato gerador da obrigação tributária sem agredir, princípios elementares do direito fiscal/tributário; 3.10 o Fisco considerou que o vencimento da obrigação tributária decorrente do ganho de capital apurado nos meses de julho e outubro de 2.003 ocorreu nos dias 29 de agosto e 28 de novembro de 2.003, conforme consta à fl. 684, sendo que o direito da Fazenda Nacional constituir crédito tributário decorrente de ganho de capital na alienação de bens ou direitos, cujos fatos geradores ocorreram em julho e outubro de 2.003, decaiu a partir de 1° de agosto e 1° de novembro de 2.008, respectivamente, o que torna a correspondente exigência fiscal insubsistente e improcedente (para lastrear seu pleito, o Suplicante utiliza e reproduz legislação e jurisprudência); II DO MÉRITO II.1 DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA 3.11 a Auditora Fiscal Autuante imputou ao Impugnante a multa agravada de 150% prevista no art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1.996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2.007, com base em considerações genéricas decorrentes de meras inconsistências materiais quanto ao preenchimento da Declaração de Bens, Direitos e Obrigações do sujeito passivo, conforme se pode vislumbrar na análise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 616 a 618, o que impõe o reconhecimento da improcedência da referida multa, acolhendose, consequentemente a preliminar de decadência; 3.12 a Fiscal Autuante, incoerentemente e sem qualquer lógica plausível, presumiu existir na ação do Impugnante dolo ou fraude, conforme disposto nos arts. 71. e 72 da Lei n° 4.502/1.964 (art. 957, inciso II, do RIRl99); 3.13 a incoerência consiste no fato de que, na autuação de que trata o processo administrativo fiscal n° 13896.002635/200731 (omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada/anocalendário 2.002), de interesse do contribuinte, iniciada com o Termo de Início de Fiscalização datado de 07108/2.007, com ciência em 17/08/2.007, e resultante do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal n° 8012800/0000612.007, que Fl. 1663DF CARF MF 8 ensejou a autuação ora guerreada, a Auditora Fiscal dá a entender que o Impugnante atendeu plenamente suas solicitações e que não detectou em seus procedimentos nenhum indício de prática, em tese, de crime contra a ordem tributária e nem vislumbrou a existência de dolo, fraude ou simulação em suas ações, aplicandolhe a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1.996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2.007; 3.14 entretanto, na presente autuação, dentro da mesma ação fiscal, entende existir por parte do Impugnante conduta omissiva/ fraudulenta, aplicandolhe a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1.996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/1.997; 3.15 se dúvida houvesse pro parte da Autoridade Fiscal, deveria ter sido aplicada a penalidade menos gravosa de 75% com base nos princípios da moralidade pública, segurança jurídica, eficiência, motivação, razoabilidade e equidade, insculpidos na Constituição Federal e disciplinada pelo art. 2° da Lei n° 9.784/1.999; 3.16 é falaciosa a afirmação constante do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, no sentido do contribuinte ter declarado, a título de lucros dividendos recebidos da empresa ADR Administração e Participações Ltda., o valor de R$ 1.136.850,00, quando a própria empresa informa o valor de R$ 136.850,00, havendo reincidência por parte do Impugnante em aumentar o valor de sua declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, no que tange a rendimentos isentos, com um número "1" à esquerda do valor corrente, elevando tal valor em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); 3.17 em primeiro lugar, o lucro de R$ 1.136.850,00 não foi distribuído pela empresa ADR Administração e Participações Ltda., posto que, conforme documentos constantes dos autos, a referida empresa distribuiu lucros de R$ 136.850.00 (fl. 448), enquanto a empresa CMS Empreendimentos Imobiliários – Ltda. distribuiu lucros ao contribuinte, na quantia de R$ 1.000.000,00 (fl. 432), sendo que a própria Fiscal Autuante atestou o acima exposto, quando elaborou os demonstrativos de fls. 646 a 650, parte integrante do Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 608 a 618, confrontandoos com os assentamentos contábeis de fls. 153 a 215, de maneira que está patente o equívoco constante do Auto de Infração; 3.18 nos três processos administrativos fiscais, de interesse do contribuinte, citados pela Autuante no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (19515.004158/200338, 19515.002035/200443 e 13896.002635/200731), no sentido de caracterizar a reincidência do contribuinte em sua conduta omissivafraudulenta, não houve a imputação da multa qualificada em face de suposta omissão de rendimentos; 3.19 quanto à afirmação da Fiscal Autuante de que "A operação de alienação de cotas a Álvaro de Jesus Tomás foi declarada com valores que não correspondem aos documentos comprobatórios (Alteração Contratual registrada na Jucesp), é imprescindível observar que a cessão de quotas não se confunde com a venda do estabelecimento empresarial, pois, enquanto este configura negócio da sociedade, a cessão afeta apenas o sócio que aliena sua quotas, sendo a cessão, em suma, um negócio do sócio, e não da sociedade; Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 6 9 3.20 para operarse a cessão de quotas de uma sociedade, não há previsão legal de forma especial e, não havendo forma especial, o contrato poderá ser celebrado por escrito, mediante escritura pública ou instrumento particular, ou, ainda, verbal e até tacitamente, sendo imprescindível o acordo de vontades ou consentimento para que se tenha contrato, cujo consenso mútuo é seu elemento formador; 3.21 existem dois procedimentos para a cessão de quotas da sociedade, sendo que a fiscalização confundiu os dois procedimentos: a) o primeiro procedimento está relacionado à alteração do contrato social para refletir o novo quadro de quotas, procedimento obrigatório para que a cessão de quotas possa produzir efeitos perante a sociedade. e terceiros; b) o segundo procedimento referese à forma como o cedente vai dispor de suas quotas (preço, forma de pagamento, incidência de juros, etc) e é apenas de seu particular interesse; 3.22 no caso, sendo as partes parentes consanguíneos (pai e filho), o vendedor não se preocupou em formalizar a operação de compra e venda de quotas, não estabeleceu nenhuma forma procedimental formal, pois tem livre domínio sobre seu patrimônio, podendo praticar liberalidades como doações, venda por preços abaixo do mercado, etc; II.1.1 DA SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS 3.23 a sociedade CONENG (leiase ADR Administração e Participações Ltda.) tem o seu capital totalmente subscrito e integralizado desde 16/02/2.000, quando da alteração contratual registrada na Junta Comercial de São Paulo (fls. 335 a 340), não alterando a situação das quotas da sociedade o fato de um sócio ceder as suas quotas a outro ou a terceiro, e, havendo contrato firmado entre as partes, fixando direitos e obrigações, com a devida informação nas declarações de ajuste anuais dos contraentes, não há porque deixar de acolhêlo a fim de justificar as relações negociais entre as partes contratantes e, por consequência, a origem dos recursos aptos a comprovar a análise de evolução patrimonial ocorrida em determinado ano calendário, principalmente quando os intervenientes na relação jurídica tem laços familiares' consanguíneos, como no presente caso, pai e filho (reproduz ementa de acórdão do 1° Conselho de Contribuintes); II.1.2 DA ALEGAÇÃO DO FISCO ACERCA DA FALTA DE JUSTIFICAÇÃO DA ORIGEM E DA DISPONIBILIDADE EM DINHEIRO INFORMADA NAS DECLARACÕES DE AJUSTE ANUAIS DO CONTRIBUINTE (fl. 617) 3.24 as disponibilidades financeiras em espécie existentes e acusadas nas Declarações de Bens, Direitos e Obrigações, parte integrante das declarações de ajuste anuais apresentadas pelo Impugnante, em 31/1212.002, estavam devidamente homologadas e reconhecidas pela Administração Fiscal ' e mais, foram ratificadas pela própria Auditora Fiscal Autuante, na medida em que, ao auditar a declaração de ajuste anual do IRPF/2.003 (anocalendário 2.002), não questionou a quantia em moeda corrente nacional de R$ 3.720.000,00, declarada como disponibilidade em 31/12/2.001, valor este decorrente de negócios imobiliários, economias e rendimentos anteriores, conforme atesta a declaração, o que implicou a homologação da existência da referida Fl. 1665DF CARF MF 10 disponibilidade, sendo defeso ao Fisco, a partir de 1° de janeiro de 2.003, questionar a sua origem ou existência, porquanto decaído o direito da Fazenda Nacional constituir, ainda que cabível, a exigência de qualquer crédito tributário incidente sobre esse valor; 3.25 assim, este argumento utilizado pela fiscalização a fim de imputar a multa qualificada é infundado e desprovido de qualquer razão fática; 3.26 ademais, o acréscimo patrimonial a descoberto apontado pela fiscalização e responsável pela quase totalidade do crédito tributário exigido na autuação impugnada decorre de presunções legais e, mais, suportado pelo arbitramento de gastos/dispêndios, fatos esses que descaracterizam e não autorizam a imputação da multa qualificada, ressaltandose que os demais argumentos utilizados pela fiscalização para a aplicação da multa qualificada partem de evidentes equívocos e erros materiais que não justificam sua aplicação no caso em foco, 3.27 é proibido à autoridade fazendária presumir a existência de um crime, seja de sonegação fiscal, seja contra a ordem tributária ou contra o sistema financeiro nacional, devendo o fato delituoso estar provado de forma contundente, insofismável e inatacável, não havendo como presumir a existência do dolo, da fraude ou da simulação, necessário se fazendo a prova da intenção dolosa do agente; 3.28 conforme disposto na Súmula 14 do Conselho de Contribuintes (transcreve a referida Súmula), a responsabilidade para caracterizar a existência de dolo, fraude ou simulação, conforme previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1.964, é do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas atividades fiscalizadoras. devendo esclarecer, justificar e provar a manifesta intenção dolosa por parte do contribuinte; 3.29 como já firmado, a suposta intenção dolosa ou fraudulenta do agente deve estar perfeitamente tipificada e comprovada nos autos, o que inexiste no presente feito, devendo ser rechaçada a aplicação da multa qualificada (reproduz ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e de Órgãos de Julgamento de 1' Instância); II.2 DA IMPROCEDÊNCIA DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO 3.30 é totalmente improcedente o entendimento da Fiscal Autuante, no sentido de que o • Impugnante, intencional e premeditadamente, deixou de atender às solicitações que lhe foram feitas, com a finalidade de eximirse de suas responsabilidades e criar embaraço aos trabalhos da fiscalização; 3.31 a própria Auditora Fiscal, no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, à fl. 50, atestou que o Impugnante procurou dar atendimento às suas intimações ao afirmar que o mesmo não as atendeu integralmente, valendo dizer que, dentro das possibilidades, vinha atendendo à Autoridade Fiscal; 3.32 acrescentese a isso, ter a Auditora Fiscal consignado no Termo de Embaraço à Fiscalização, à fl. 308, o fato do contribuinte ter apresentado, somente sessenta e oito dias após o pedido de prazo por ele formulado, extratos bancários de três instituições bancárias, das seis em que mantinha contas, sendo evidente a dificuldade de se coletar Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 7 11 todas as informações solicitadas pela fiscalização, algumas delas, inclusive, sobremaneira dispendiosas e de razoável custo; 3.33 no curso da ação fiscal relativo ao processo n° 13896.002635/200731, determinada pelo mesmo Mandado de Procedimento Fiscal n° 8012800/00006/2007, o Impugnante envidou todos os esforços para atender à fiscalização e tanto isso é verdade, que a Fiscal Autuante, ao lavrar o respectivo Auto de Infração, aplicou a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1.996, com a alteração dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2.007; 3.34 se alguma das exigências determinadas pela fiscalização em seus Termos de Intimação, na continuidade dos trabalhos fiscais, não foi atendida pelo Impugnante, isto deveuse, exclusivamente, à sua total impossibilidade de conseguir os dados por ela solicitados, sendo que ele, recorrente, com 77 (setenta e sete) anos de idade, não mais tem a capacidade de gerir seus negócios pessoalmente, necessitando da assistência de terceiros, mais especificamente, de seu único filho; 3.35 ademais, as exigências determinadas pelo Fisco implicariam para o Impugnante a necessidade de manter verdadeira contabilidade de seus negócios no controle dos rendimentos, mais e principalmente nos gastos/dispêndios realizados em, anos anteriores, observandose, ainda, que o Recorrente vem sofrendo sucessivas auditorias fiscais e, em nenhum dos casos pretéritos, foi elaborado Termo de Embaraço à Fiscalização nem, aplicada multa qualificada ou agravada, o que comprova que o contribuinte sempre colaborou com as exigências que lhe foram feitas pelas Autoridades Fiscais; 3.36 de outra parte, a falta de eventual atendimento de esclarecimentos não impediu que a própria Fiscal Autuante buscasse os dados com maior celeridade, como na circularização por ela efetuada junto a empresas das quais o Impugnante é sócio, bancos, Tabeliães e Cartório de Registro de Imóveis; 3.37 deve ser registrado que no relatório fiscal está descrito que o Impugnante apresentou os documentos que estavam disponíveis, como comprovantes de IPTU, DARF de pagamento de foro, contas de luz e água de 2.004, ainda que de um único imóvel, e comprovantes de despesas médicas, atestando a veracidade das informações constantes da sua declaração de ajuste anual e, se não apresentou os demais esclarecimentos solicitados pela fiscalização, é porque, efetivamente, não dispunha de condições para atendêlos, estando longe de querer afrontar ou desrespeitar as disposições legais vigentes; 3.38 a própria. Auditora Fiscal, no Termo de Devolução de Documentos, datado de 10/02/2.009 (fl. 689), atesta que o Impugnante lhe encaminhou diversos documentos para sua apreciação e análise; 3.39 desta forma, é totalmente improcedente o agravamento da multa de oficio, efetuado na presente autuação (reproduz Ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes); II.3 DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO II.3.1 CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Fl. 1667DF CARF MF 12 3.40 os demonstrativos de fls. 624 a 636 Comparativodados das escrituras e DIRPFs; fls. 638 a 640Dados Escrituras/registro de Imóveis e bens conforme DIRPF, foram elaborados com base nas informações contidas nas declarações de ajuste anuais apresentadas pelo Impugnante (fls. 15 a 30) e escrituras fornecidas pelos Registros de Imóveis, por força de circularização efetuada pela fiscalização, conforme atestam os documentos de fls. 74 a 93, não tendo a Fiscal Autuante, entretanto, juntado aos autos nenhum documento fornecido por órgãos responsáveis pelos registros imobiliários, a fim de que o Impugnante pudesse confrontar as informações constantes do Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 608 a 618, cerceandolhe o seu direito de defesa; 3.41 os únicos documentos referentes a alguns imóveis foram extraídos dos Sistemas Gerenciais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme noticiam os documentos de fls. 64 a 69 (Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI), que impossibilitam a extração de dados utilizados pela fiscalização, como, por exemplo, data efetiva da aquisição e valor de aquisição dos bens auditados pela fiscalização; 3.42 a fiscalização promoveu ampla circularização junto aos Bancos em que o Impugnante mantém movimentação fiscal, emitindo as requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF (fls. 113 a 136), deixando de acostar aos autos aos extratos recebidos das instituições financeiras circularizadas, impondo ao Impugnante, uma vez mais, o cerceamento do seu legítimo direito de defesa, relacionandose os extratos bancários acostados aos autos, à movimentação financeira da empresa ADR Administração e Participação Ltda. (fls. 218 a 243 e 303 a 305), que em nada possibilitam ou ajudam a entender os demonstrativos elaborados pela • fiscalização, às fls. 641 a 645, sendo que os únicos documentos que permitem, em parte, a análise de suas movimentações financeiras junto às instituições bancárias foram por 'ele, contribuinte, entregues à fiscalização em 02/12/2.008 (fl. 420) e acostados aos autos às fls. 426 a 431, 433 a 435 e 437 a 441, correspondendo a informes de rendimentos financeiros; 3.43 no que tange à variação patrimonial nos anoscalendário 2.003 e 2.004, não é possível chegarse às conclusões da fiscalização com base nos respectivos demonstrativos constantes do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, tendo havido várias inconsistências, algumas a seguir relatadas: a) o demonstrativo de fls. 643 a 645 acusa que, no dia 31/12/2.002 ou 01/01/2.003, o Impugnante dispunha de recursos financeiros, no montante de R$ 648.816,53, enquanto que no Demonstrativo de Variação Patrimonial, às fls. 659/661, a soma dos valores ali consignados é de R$ 241.966,85, havendo unia diferença de R$ 406.849,68; b) a Fiscal Autuante acostou ao Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 608 a 618) uma relação de rendimentos atribuídos ao Recorrente, extraídos dos Sistemas Gerenciais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em função das Declarações de Impostos de Renda Retidos na Fonte (DIRFs), acusando no Demonstrativo de Variação PatrimonialFluxo Financeiro Mensal, no item 1.2 Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva, sem ao menos detalhar, ponto a ponto, a, metodologia adotada para atingir os valores ali informados; c) deixou de detalhar e demonstrar como chegou aos valores contidos no item 1.2 do Demonstrativo de Variação PatrimonialFluxo Financeiro Mensal, Rendimentos de Pessoas Jurídicas; Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 8 13 d) transformou, arbitrariamente e sem qualquer sustentação legal, uma operação de compra e venda de participações societárias em empréstimo concedido, quando desta operação não houve qualquer movimentação financeira; e) não considerou operações imobiliárias legítimas, sob o argumento de que tais operações não constaram das informações prestadas pelos órgãos de registro de imóveis, deixando de observar que algumas delas foram efetuadas através de Instrumento Particular, imputando, porém, como dispêndios/aplicações um empréstimo feito pelo Impugnante à empresa da qual é sócio, no valor de R$ 1.000.000,00, sem que lhe fosse apresentado qualquer contrato de mútuo ou outro comprovante; II.3.2 DAS DISPONIBILIDADES EM MOEDA CORRENTE 3.44 no que tange à afirmação da fiscalização, no sentido de que o dinheiro em caixa não foi comprovado (fls. 614 e 615), de há muito, por questões meramente pessoais, o Impugnante mantém em seu poder disponibilidades financeiras em moeda corrente nacional, por vezes expressivas, sem ferir a lei, estando esse fato comprovado em sua declaração de ajuste anual do exercício 2.003 (anocalendário 2.002), acostada aos autos pela fiscalização, às fls.9 a 13, declaração essa que acusa que o Suplicante detinha em seu poder, no dia 31/12/2.001, a importância de R$.3.720.000,00 e; no dia 31/12/2.002, a quantia de R$ 3.200.000,00, valor esse existente no dia 01/01/2.003 e correspondente a saldo de disponibilidades financeiras acumuladas em anos calendário anteriores, não tendo sido gerada no curso do ano calendário 2.002; 3.45 os valores acima, os rendimentos e as demais informações constantes da declaração de ajuste anual do exercício 2.003 (ano calendário 2.002) foram devida e integralmente homologadas pela Administração Fiscal a partir de 1 0 de janeiro de 2.008, sendo proibido à fiscalização que se exija a comprovação de sua origem ou a sua própria existência, conforme contido no Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 18/04/2.008 (fl. 48); 3.46 ao encerrar, em 21/12/2.007 (fl. 35), seus trabalhos fiscais referentes ao exercício 2.003 (anocalendário 2.002), lavrando o Auto de Infração objeto do processo n° 13896.002635/200731, a Fiscal Autuante não só reconheceu, como também homologou os dados contidos na declaração de ajuste anual do referido exercício, constituindo, desta forma, verdadeira agressão a desconsideração do valor de R$ 3.200.000,00 como origem de recurso em 1° de janeiro de 2.003; 3.47 face ao exposto, devem ser consideradas, no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal (fls. 659 a 665), as referidas disponibilidades como recursos existentes em 1° de janeiro de 2.003, estendendose o mesmo raciocínio aos valores existentes em 31/12/2.003, no montante de R$ 3.440.000,00 e, em 31/12/2.004, na quantia de R$ 840.000,00; II.3.3 DOS CRÉDITOS A RECEBER DE ÁLVARO JESUS TOMÁS Fl. 1669DF CARF MF 14 3.48 é incompreensível o procedimento da Fiscal Autuante, à fl. 615, no sentido de, com base em informações constantes da 4' Alteração Contratual da empresa ADR Administração e Participações Ltda, de 07/04/2.004, considerar, como crédito referente à venda das cotas do contribuinte, o valor de R$ 927.500,00, e, como empréstimo concedido, o valor de R$ 1.422.500,00, uma vez que a referida alteração contratual (fls. 346 a 358) registra a saída do Impugnante, que transferiu suas quotas de capital para seu filho Álvaro de Jesus Tomás, pelo valor de R$ 2.350.000,00, operação indicada nos itens 80 e 81 da Declaração de Bens integrante da declaração de ajuste anual (fl. 30), cumprindo ressaltar que nessa operação realizada entre pai e filho foram dispensadas as formalidades normalmente usuais quando realizadas com terceiros, tratandose, ademais, de operação realizada entre pessoas físicas em que nada altera os aspectos jurídicos da sociedade, exceto na composição do seu quadro societário; 3.49 mais um ato de incoerência foi cometido por parte da Autuante, quando, à fl. 668, afirma que não consta recebimento decorrente da venda das cotas da empresa ADR Administração e Participações Ltda. e, ao mesmo tempo, sugere, à fl. 672, que desta operação houve dispêndios/aplicações de recurso, no montante de R$ 1.422.500,00, considerando, ainda, de forma arbitrária e sem respaldo legal, essa importância como se fosse empréstimo de pai para filho; 3.50 da operação realizada com a transferência das quotas de capital da empresa ADR Administração e Participações Ltda., não houve movimentação financeira e os direitos e obrigações estão em abertos nas Declarações de Bens dos contraentes, não tendo, assim, a. fiscalização autoridade legal para descaracterizar uma operação negocial praticada entre as partes interessadas; 3.51 ante o descrito, deve ser excluída a quantia de R$ 1.422.500,00 computada como dispêndios/aplicações no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal 2.004, às fl. 672; II.3.4 DA ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS NÃO CONSIDERADA NO DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO MENSAL II.3.4.1 DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO MENSAL —2.003 (FLS. 659 a 665) 3.52 neste demonstrativo, além das inconsistências já descritas, a Auditora fiscal Autuante deixou de considerar como Origens de Recursos o produto da alienação de alguns imóveis discriminados a seguir: a) imóvel citado no item 01 da Declaração de Bens (fl. 17), vendido para Francisco Geraldo Carazza Vasconcellos, CPF n° 535.163.20800, pelo valor de R$ 105.750,00, tendo o Impugnante apurado ganho de capital com referência a essa alienação, no valor de R$ 14.553,65, conforme atesta o documento de fl. 21, daí ser estranha a afirmação de fl. 613, no sentido de que esse imóvel foi alienado para a empresa Primum Consultoria e Participações, conforme escritura lavrada em 27/01/2.004 junto ao 11° Tabelião de Notas da Capital, não constando dos autos a referida documentação recebida dos órgãos de registros de imóveis, o que torna impossível detectar a controvérsia envolvendo essa operação; b) imóvel citado no item 05 da Declaração de Bens (fl. 17), alienado para Flávio Iazzetti Neto, CPF n° 103.716.33893, em 1° de junho de 2.003, pelo valor de R$ 250.000,00, Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 9 15 tendo o Impugnante recebido, como parte do pagamento, a quantia de R$ 160.000,00 e a operação foi realizada através de Instrumento Particular de Compra e Venda e o Recorrente preencheu o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital, à fl. 25, não havendo, fundamento, portanto, na desconsideração da referida quantia como origem de recurso para compor o Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal, sob o argumento de que não houve registro de venda, conforme consta no referido Demonstrativo, à fl. 662; c) imóvel citado no item 07 da Declaração de Bens (fl. 17), vendido em 15/07/2.003 para Francisco Carlos Carini, CPF n° 037.941.87890, pelo valor de R$ 290.000,00, tendo o Impugnante elaborado o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital, à fl. 24, e o fato da fiscalização ter afirmado não encontrou, na circularização que efetuou junto aos órgãos de registro de imóveis, documento que comprovasse a venda do citado imóvel, não lhe dá poderes de descaracterizar a informação prestada na Declaração de Bens, devendo, portanto, ser computada a quantia de R$ 290.000,00 como origem de recurso no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal referente ao anocalendário 2.003 (fls. 659 a 665); 3.53 outra inconsistência reside no fato de que, nos demonstrativos de fls. 643/645 a fiscalização ter apurado que, no dia 31/12/2.002, o Impugnante tinha_ recursos financeiros/aplicações no montante de R$ 648.815,53 e no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo de Caixa (fls. 659/665), ter registrado como recursos/origens a quantia de R$ 241.966,85, havendo uma diferença de R$ 406.848,68; II.3.4.2 DEMONSTRATIVO ' DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO MENSAL —2.004 (FLS. 666 a 672) 3.54 nesse demonstrativo, apontamse as inconsistências elencadas a seguir: a) o imóvel citado no item 02 da Declaração de Bens (fl. 28) foi vendido para o Sr. Wilson Roberto Gomes, CPF n° 132.377.27822, em 22/11/2004, por R$ 80.000,00, não tendo sido esse valor computado como Recursos/Origens sob o argumento de que não houve comprovação da referida operação, sendo que o imóvel constava da Declaração de Bens do Impugnante e dela foi baixado por ter sido alienado, devendo, portanto, o valor dessa venda ser computado como origem de recursos, no mês de novembro de 2.004, no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa; b) venda do veículo Audi, ano 1.997 (item 26 da Declaração de Bens fl. 29), no valor de R$ 15.500,00, não considerada pela fiscalização, sob o argumento de que o registro de propriedade indicava, como proprietário, o filho do Impugnante, Álvaro de Jesus Tomás, argumento esse que não autoriza o Fisco a deduzir que o referido bem não foi alienado, uma vez que, muitas vezes, a venda do veículo é efetuada sem a devida transferência de propriedade junto ao DETRAN, constando da Declaração de Bens do Recorrente (anocalendário 2.001), conforme documento de fl. 12, demonstrando cabalmente que o contribuinte adquiriu o bem em ano anterior, tendo, inclusive, no curso dos últimos anos, realizado com seu filho, herdeiro direto de todos os Fl. 1671DF CARF MF 16 seus haveres pessoais, diversas operações de compra e venda de bens e direitos, sem a necessidade de qualquer tipo de instrumento formal, seja de ordem pública ou particular, devendo, destarte, o valor de R$ 15.500,00 ser considerado como origem de recursos no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa, de fls. 666 a 672; c) o Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa exercício 2.005 (anocalendário 2.004), apresenta outras inconsistências materiais no que tange ao item Recursos/Origens, no registro da movimentação financeira apurada pela fiscalização (fl. 645), na medida em que o valor apurado com base nos extratos bancários acusa que, em 31/12/2.003, o Impugnante tinha recursos financeiros/aplicações no montante de R$ 659.329,55 e o Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa (fls. 666 a 668) registrou, como Recursos/Origens, o valor de R$ 271.414,75, havendo uma diferença de R$ 387.914,80; II. 3.5 DOS LUCROS DISTRIBUÍDOS DOS RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS 3.55 inaceitável a decisão do Fisco, ao excluir do Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa 2.003 os valores recebidos pelo Impugnante a título de lucros distribuídos no ano calendário 2.003, no montante de R$ 1.136.000,00, sendo que a fiscalização, com base nos assentamentos contábeis que instruem os autos, elaborou o demonstrativo de fls. 646 e 647 dados referentes às distribuições de lucros 2.003, atestando que os lucros foram efetivamente distribuídos ao Recorrente, corroborando as informações contidas nos Comprovantes de Rendimentos e Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 437 e 448); 3.56 a Fiscal Autuante deixou de considerar os valores distribuídos a título de lucros, sob a singela e simplória afirmação de que o contribuinte não recebeu os referidos rendimentos, quando teve à sua disposição os assentamentos contábeis que lhe foram encaminhados pelas empresas ADR Administração e Participação Ltda. (fls. 142/243) e CMS Empreendimentos Imobiliários Ltda. (fls. 247/305); 3.57 com referência à empresa CMS Empreendimentos Imobiliários Ltda., há que se registrar que a quase totalidade de suas receitas advém de locação de bens imóveis, cujos resultados são, de imediato, distribuídos aos seus sócios quotistas e que o balanço encerrado no dia 31/12/2.003 acusa que após a distribuição dos lucros no curso do ano calendário 2.003, a empresa mantinha, ainda, em conta de lucros acumulados em dezembro de 2.003, a quantia de R$ 1.671.425,23 (fl. 275), justificando plenamente a distribuição havida durante o ano de 2.003; 3.58 protesta, assim, para que sejam considerados, como origem de recursos, os lucros que lhe foram distribuídos no anocalendário 2.003 e, pelos mesmos motivos, os que lhe foram atribuídos durante o ano de 2.004, II. 3.6 DO AUMENTO DE CAPITAL DA EMPRESA CMS PARTICIPAÇÕES LTDA ITEM 11 OUTROS DO DEMONSTRATIVO DE DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES 2.004 FL. 672 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 10 17 3.59 no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, à fl. 612, a Fiscal Autuante afirma que o empréstimo efetuado à empresa CMS Empreendimentos Imobiliários Ltda., da qual o contribuinte é sócio, não foi comprovado, contudo ela, Auditora, atestou e reconheceu o referido empréstimo quando elaborou o Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa 2.003, pois, no item 10 Empréstimos Concedidos (fl. 665 dos autos), do Quadro "B" Dispêndios/Aplicações, registrou que o Impugnante efetuou empréstimos à referida empresa, no curso do anocalendário 2.003, no montante de R$ 1.400.000,00, sendo R$ 1.000.000,00 no mês de julho e R$ 400.000,00 no mês de dezembro; 3.60 este empréstimo foi declarado pelo Impugnante e consta da sua Declaração de Bens, parte integrante da declaração de ajuste anual do exercício 2.004 (anocalendário 2.003), no item 76 (fl. 19); o* 3.61 a empresa CMS Empreendimentos Imobiliários Ltda. contabilizou o referido empréstimo, conforme atesta seus assentamentos contábeis (fls. 262 e 272), figurando este empréstimo no Balanço de Abertura levantado em 1° de janeiro de 2.004 e foi classificado como Exigível a Longo Prazo na conta integral 263.0044 Empréstimo de Sócios/Acionistas/Administradores, subconta 263.0052Empréstimo de Sócios, rio exato valor de R$ 1.400.000,0041. 4 do Livro Diário registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, sob a n° 62.622 (fls. 275 e 278), não constando do Balanço Patrimonial levantado em 31/12/2.004, conforme se verifica no documento de fl. 293, por ter sido utilizado na integralização do aumento de capital ocorrido no curso do anocalendário 2.004; 3.62 acrescentese que o Impugnante deu baixa desse empréstimo em sua Declaração de Bens relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2.005 (anocalendário 2.004), conforme descrito no item 61 da referida declaração (fl. 30); 3.63 portanto, conforme reconhecido pela Fiscal Autuante, o empréstimo existiu e a sua inclusão como Dispêndio/Aplicações no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa 2.003, bem como o seu nãoaproveitamento no idêntico Demonstrativo 2.004, implica dupla tributação sobre um mesmo fato e valor; 3.64 está devidamente comprovado pelos documentos de fls. 29, 76/81, 278 e Anexos VIII e IX ("Instrumento Particular de Re Ratificação da 9ª Alteração Contratual e Respectiva Consolidação" e "10' Alteração Contratual com Consolidação de Contrato Social", respectivamente), que o valor de R$ 4.054.422,00, aproveitado para a integralização do aumento de capital da empresa CMS Empreendimentos Imobiliários Ltda., da qual o Impugnante detém 50% do capital social, originouse de Reservas de Capital e de créditos que os sócios mantinham junto a sociedade, classificados contabilmente como Empréstimos de Sócios; 3.65 registrese, por oportuno, que no preenchimento de sua Declaração de Bens (fl. 28), o Impugnante cometeu a impropriedade de informar que parte do aumento de capital ocorrido no curso do ano calendário 2.004 foi integralizado em moeda corrente nacional quando, na realidade, os aumentos de capital foram efetivamente Fl. 1673DF CARF MF 18 integralizados com o aproveitamento de Reservas de Capital e Empréstimos de Sócios; 3.66 portanto, está devida e amplamente comprovada a origem dos recursos não tributáveis utilizados pelo Impugnante no cumprimento do aumento de capital da empresa em tela, devendo ser considerada improcedente a inclusão do valor de R$ 3.628.260,24, a título de Dispêndios/Aplicações, no item 11 OutrosAumento de Capital da empresa CMS Participações Ltda, do Quadro "B" do Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro de Caixa2.004 (fl. 672); II.4 DOS GANHOS DE CAPITAL . II.4.1 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL (FL. 619) 3.67 a tributação do ganho de capital apurado pelo Fisco no demonstrativo de fl. 619 decorreu do fato de não ter sido considerado o custo do bem imóvel registrado no item 4 da Declaração de Bens do Impugnante, no valor de R$ 672.832,00 (fl. 17), correspondente ao apartamento 62 do Edifício Esplanada de São Bento, tendo a Fiscal Autuante computado o valor de R$ 43.500,00 que, segundo ela, consta da escritura encaminhada pelo Y Cartório de Guarulhos, escritura essa que não faz parte dos autos; 3.68 ocorre que o referido imóvel, conforme consta da Declaração de Bens, foi adquirido em fase de construção, sendo os valores pagos agregados ano a ano, resultando no preço final ali informado; 3.69 contesta, dessa forma, o feito fiscal que lhe exige o imposto sobre ganho de capital, no montante de R$ 90.975,00, atingido, também, pela decadência; 3.70 tendo em vista as razões expendidas no item 48.1 dessa impugnação, não há porque se exigir o imposto de renda sobre ganho de capital constante do demonstrativo de fl. 620, devendo a exigência fiscal ser considerada improcedente; 3.71 quanto à exigência do imposto de renda sobre ganho de capital de que trata o demonstrativo de fl. 622 (leiase fl. 623), houve equívoco do Fisco ao considerar. que a venda foi efetuada em 14/12/2.004, conforme consta na Declaração sobre Operações Imobiliárias — DOI (fl. 67), uma vez que, conforme Declaração de Bens do Impugnante item 05 (fl. 17), o correspondente bem foi alienado efetivamente em 1' de junho de 2.003, através de Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, tendo sido a operação objeto do Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital, à fl. 29 (leiase fl. 25); III DOS JUROS MORATÓRIOS E DA TAXA SELIC 3.72 não há como aceitar a imposição da cobrança exorbitante dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, posto que o art. 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, não podendo ser utilizados juros remuneratórios como instrumento de sanção pelo inadimplemento do crédito tributário, dado que aqueles estão sujeitos a variação de um mercado específico; Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 11 19 3.73 é clara a natureza remuneratória da taxa SELIC, mesmo porque é dessa forma que a ela se referem as normas do Banco central do Brasil, tendo sido criada para a remuneração dos títulos públicos e sua fixação atende a critérios ditados pela política econômica do governo federal, não podendo ser exigida como juros de mora; 3.74 os juros moratórios, pelo contrário, e como definido em lei, têm por finalidade ressarcir o credor pelo inadimplemento de uma obrigação no tempo certo, configurando uma indenização • pelo dano causado ao credor pela nãosatisfação da dívida ou da obrigação na época correta, sendo claro o art. 161 do CTN, ao estabelecer juros de mora sobre créditos em atraso, acrescentando que, na ausência de lei que os determine, serão eles de 1% (um por cento) ao mês (reproduz Acórdão do STJ); 3.75 da forma com está aplicada no Auto de Infração, a taxa SELIC assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal; IV JUROS MORATÓRIOSSUSPENSÃO DE SÚA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL 3.76 não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais e, enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 da Decreto n° 70.235/1.972, incluído por força do disposto na Lei n° 9.532/1.997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada (o Impugnante reproduz o art. 151, inciso III, do CTN, o capul e o parágrafo único, do art. 27, do Decreto n° 70.235/1.972, o inciso IV, do art. 2°, da Portaria SRF n ° 1454/2.004, o § 2°, do art. 63, da Lei n° 9.430/1.996, bem como Jurisprudência); V DO PEDIDO 3.77 ante todo o exposto requer que: a) sejam acolhidas as preliminares de cerceamento do direito de defesa e de decadência, tornando insubsistente a exigência do crédito tributário constituído no período de janeiro a novembro de 2.003, a título de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício e de aluguéis e royalties, todos recebidos de pessoas jurídicas (itens 001 e 002 do Auto de Infração), de suposto acréscimo patrimonial a descoberto (item 003 do Auto de Infração) e de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais (item 004 do Auto de Infração); b) sejam acolhidas, no mérito, todas as razões de fato e de direito expostas na peça impugnatória, declarandose a improcedência da autuação fiscal, por estar fundada em bases inconsistentes e insustentáveis; c) se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, que seja afastada a cobrança dos juros moratórios com base na taxa SELIC; Fl. 1675DF CARF MF 20 d) não incidam juros moratóriós durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização da presente impugnação, até a decisão final do contencioso na esfera administrativa; e) com base no disposto na Lei n° 9.784/1.999, arts. 2% 3°, inciso III e 69, a produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em Direito, ,diligências e perícias, se necessárias. Com essas considerações, requereu o cancelamento do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendose parcialmente o crédito tributário, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: DA ALEGAÇÃO DE IMPROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, tendo o contribuinte omitido nas declarações de ajuste anuais rendimentos tributáveis, ganhos de capital na alienação de bens imóveis, aquisição de bens imóveis, declarado créditos inexistentes contra terceiros e saldos em contacorrente e em aplicações financeiras em valores muito superiores à realidade, bem como inserido outros elementos inexatos na declaração, tais como datas e valores de alienação de bens imóveis e alienação de bem móvelveículo automotor de propriedade de seu filho, não dependente, ficam consubstanciadas as condições que propiciaram a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), uma vez constatada a tentativa do contribuinte de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo. PRELIMINAR. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO ÀS APURAÇOES DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS (JANEIRO A DEZEMBRO DE 2.003) E DE OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL (JULHO E OUTUBRO DE 2.003). Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte de evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quer seja na apuração de omissão de rendimentos, caso em que o fato gerador é complexivo, com período anual, quer seja na apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens imóveis, caso em que o fato gerador e mensal. Destarte, deve ser acatada a preliminar de decadência somente em relação aos ganhos de capital cujos fatos Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 12 21 geradores ocorreram em julho e outubro de 2.003, rejeitandose a preliminar de decadência em relação à parte do lançamento que teve como base a apuração de omissão de rendimentos e de acréscimo patrimonial a descoberto. Preliminar acatada em parte. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PEDIDO DE ADITAMENTO DA IMPUGNAÇÃO. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, alicerçada na falta de obtenção de cópia dos "autos, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal, observandose que, ao contribuinte, foram efetuadas, regularmente, diversas intimações no sentido de carrear aos autos os elementos que pudessem comprovar/justificar as informações contidas em suas declarações de ajuste anuais ou obtidas pelo Fisco, tendo o interessado, tanto na fase de autuação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, com a oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes, no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. Outrossim, os fatos geradores da presente autuação estão plenamente discriminados e capitulados legalmente, encontrandose nos autos todos os elementos que a embasaram. Com relação ao pedido de aditamento da impugnação, o Impugnante não apresentou até o presente momento qualquer elemento novo, quer seja razões de impugnação, quer seja documentação complementar. Descaracterizado, portanto, o cerceamento do direito de defesa. Preliminar rejeitada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Mantémse a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício e de aluguéis, todos recebidos de pessoas jurídicas, considerandose tal matéria incontroversa, posto não ter sido expressamente impugnada pelo contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO DECLARADO SEM SUPORTE. Valores declarados como "dinheiro em espécie", "dinheiro em caixa", "numerário em cofre" e outras rubricas semelhantes não podem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. EMPRÉSTIMOS SUPOSTAMENTE CONCEDIDOS PELO CONTRIBUINTE A SEU FILHO. COMPROVAÇÃO. Uma vez não haver comprovação de movimentação financeira e de qualquer ônus financeiro na transferência, do contribuinte para seu filho, de quotas da empresa ADR Administração e Participações Ltda., deve ser excluído do Demonstrativo , de Variação Patrimonial relativo ao anocalendário 2.004, no campo de Dispêndios/Aplicações, no mês Fl. 1677DF CARF MF 22 de dezembro, o valor. consignado como empréstimo concedido, pelo interessado, a seu filho. ALIENAÇÃO DE BENS MOVEIS (VEÍCULO AUTOMOTOR) E.BENS IMÓVEIS. COMPROVAÇÃO. No Demonstrativo de Variação Patrimonial Mensal devem ser consignados as datas e os valores de alienação de bens móveis (veículo automotor) e de bens imóveis, como origem de recursos, em consonância com os dados constantes dos respectivos instrumentos legais de transferência de propriedade. Constatado que o veículo automotor vendido era de propriedade do filho do contribuinte, não dependente na declaração de ajuste anual, e não comprovada a alienação de bem imóvel pela ausência do referido documento, ou constatada a alienação fora do anocalendário abrangido pela presente autuação, fica prejudicado o cômputo do valor correspondente à suposta venda. SALDOS EM CONTAS BANCÁRIAS E EM APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM 31/12/2.002 E EM 31/12/2.003. Os montantes dos saldos bancários e das aplicações financeiras apurados pelo Fisco em 31/12/2.002 e em 31/12/2.003, nos "Demonstrativos dos Extratos Bancários", devem ser transpostos, como origem de recursos, em janeiro de 2.003 e em janeiro de 2.004, respectivamente, o que implica a majoração dos correspondentes valores computados pela Fiscalização nos Demonstrativos de Variação Patrimonial Mensal (anoscalendário 2.003 e 2.004). DISTRIBUIÇAO DE LUCROS E DIVIDENDOS. COMPROVAÇAO. A aceitação como recursos, nos Demonstrativos de Variação Patrimonial Mensal, dos valores correspondentes a supostas distribuições de lucros e dividendos efetuadas por empresas das quais o contribuinte é sócio, deve vir acompanhada de prova cabal e inequívoca da efetiva transferência do numerário. Não comprovada, no caso em foco, a efetiva transferência de numerário, nos anos calendário 2.003 e 2.004, das pessoas jurídicas para o sócio contribuinte, a título de distribuição de lucros e dividendos, as correspondentes importâncias não podem ser computadas como origem de recursos para justificar dispêndios ou aplicações que geram alterações patrimoniais. CONCESSÃO DE EMPRÉSTIMOS PARA AUMENTO E INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL DE EMPRESA. Uma vez comprovada a concessão de empréstimos, por parte do contribuinte, a empresa da qual era sócio, mantémse o cômputo das respectivas importâncias como dispêndios/aplicações na Análise de Variação Patrimonial Mensal, nos meses de julho e dezembro de 2.003. Consubstanciada, outrossim, a utilização de Reservas de Capital e de empréstimos de sócios na integralização do Capital Social da mesma empresa, é de se excluir parte da importância relativa a aumento de capital consignada como dispêndios/aplicações, em dezembro de 2.004, na Análise de Variação Patrimonial Mensal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESÇOBERTO, DEZEMBRO DE 2.004. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 13 23 Restando comprovado o acréscimo patrimonial em dezembro de 2.004, cuja origem não foi comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda em virtude da apuração de omissão de rendimentos. Todavia, excluise parcialmente o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no referido mês, face aos elementos constantes dos autos. GANHOS DE CAPITAL APURADOS 'EM JULHO E OUTUBRO DE 2.003 E EM DEZEMBRO DE 2.004. Não podem subsistir os ganhos de capital cujos fatos geradores ocorreram em julho e outubro do anocalendário 2.003, uma vez atingidos pela decadência. Por outro lado, face aos elementos constantes dos autos, é de i se manter o ganho de capital lançado, referente a alienação de bem imóvel efetuada em dezembro de 2.004. MULTA AGRAVADA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS ATENDIDOS PARA SUA APLICAÇÃO. Três requisitos são essenciais para a análise da correta aplicação da multa agravada por desatendimento de intimação: 1) a existência de intimação desatendida pelo contribuinte; 2) a constatação de que os documentos que deixaram de ser apresentados estavam sob a responsabilidade do sujeito passivo ou poderiam por ele ser obtidos; e 3) inexistência de impossibilidade material para o cumprimento da intimação. Atendidos tais requisitos no presente caso, há que se manter a multa agravada (225,00%). JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não pode ser inquinada pela alegação de confisco a aplicação, sobre o imposto apurado, dos juros de mora com base na taxa SELIC, prevista na legislação vigente. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo 'Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. JUROS MORATÓRIOS. EXCLUSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por falta de previsão legal, não procede o pleito de exclusão de incidência e de exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a data de interposição da impugnação e a decisão final do litígio na esfera administrativa. DO PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. Fl. 1679DF CARF MF 24 Uma vez que a prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, que o pedido de produção de prova pericial deve ser formulado com observância dos requisitos legais exigidos e, ainda, sendo prerrogativa da Autoridade Julgadora de 1ª instância indeferir a realização de diligências ou perícias, quando considerálas prescindíveis ou impraticáveis, é de se rejeitar o pedido de produção de provas, formulado no desfecho da peça impugnatória. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Devidamente cientificado da decisão (fls.1046) em 18/11/2008, o contribuinte optou pelo parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, desistindo do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13896.005102/200891 Acórdão n.º 2401004.719 S2C4T1 Fl. 14 25 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1 RECURSO DE OFÍCIO O recurso não atende os requisitos de admissibilidade. O Recurso de Ofício foi interposto pelo próprio Órgão julgador de primeiro grau, tendo em vista que o contribuinte foi exonerado da cobrança de imposto e multa, resultando em montante inferior ao valor de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, publicada em 10/02/2017, que estabelece o limite de R$ R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para interposição de Recurso de Ofício. Muito embora a referida portaria tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a jurisprudência deste Conselho tem entendido que, em matéria de Recurso de Ofício, a alteração do limite tem aplicação imediata, acarretando, em hipóteses como a presente – em que o valor do crédito exonerado é inferior ao novo limite – a perda de objeto da remessa ex officio. Resta claro, portanto, que o presente Recurso de Ofício perdeu seu objeto em decorrência de legislação superveniente. 1.2 RECURSO VOLUNTÁRIO Melhor sorte não assiste o Recurso Voluntário, já que o contribuinte, devidamente cientificado da decisão (fls.1046) em 18/11/2008, optou pelo parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, desistindo assim do recurso interposto, nos termos da legislação que rege a matéria. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER de ambos os Recursos. Fl. 1681DF CARF MF 26 2. CONCLUSÃO: Dado o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER de ambos os Recursos, nos termos do Relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1682DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.902395/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.545
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902395/201391 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.545 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 23 95 /2 01 3- 91 Fl. 96DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10830.902395/201391 Acórdão n.º 3401003.545 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 98DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10830.902395/201391 Acórdão n.º 3401003.545 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 100DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.001468/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 06/01/2006
COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira.
Numero da decisão: 3201-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 06/01/2006 COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/01/2006 COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 14 68 /2 00 7- 49 Fl. 391DF CARF MF 2 Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a exigência Cofins e PIS incidente sobre as importações. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de dois autos de infração acerca da cobrança de contribuições sociais incidentes na importação de mercadorias estrangeiras. Inicialmente foram lavrados os autos de infração de folhas 01 12. 0 primeiro auto tratava da Cofins e dos juros de mora no valor total de R$ 4.326,76 e o segundo auto de infração trata do Pis e dos juros de mora no valor total de R$ 919,82. Informa a fiscalização aduaneira que, à época do registro da DI, possuía a empresa medida liminar do processo n° 001/1.07.00244720 da 6 Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre, que autorizava o desembaraço aduaneiro sem o recolhimento do ICMS. Informa que o presente lançamento foi realizado para prevenir a decadência. Intimada a empresa autuada (fl. 64), in gressou a mesma com a impugnação de fls. 6571. Alega a imunidade tributária na importação de periódicos. Alega que, mesmo que não houvesse a imunidade, o lançamento seria inválido uma vez que o quantum do ICMS escapa ao conceito de valor aduaneiro citado na Constituição Federal. Solicita a improcedência da autuação. A folha 93, encaminhouse o processo para julgamento. Na diligencia de folhas 9496, constatouse que, ao contrário do exposto pela fiscalização na autuação, não havia causa suspensiva da exigibilidade, sendo, pois, devida a multa por não recolhimento espontâneo, salvo existência de decisão judicial ou qualquer outro documento não acostado aos autos. Segue trecho do despacho de diligência. Ademais o Processo Judicial no 001/1.07.00244720, conforme pode ser observado a folha 46, não tem como parte a União Federal ou alguma autoridade da Receita Federal do Brasil, e sim o Diretor de Departamento da Receita do Estado do Rio Grande do Sul. Por não ser parte em tal processo judicial, a União Federal, por meio de seus agentes, permanece obrigada a cumprir os ditames da legislação, que, no presente caso, apresentase como a Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11075.001468/200749 Acórdão n.º 3201002.823 S3C2T1 Fl. 94 3 previsão em preceito legal de aliquota do ICMS para as mercadorias em questão. E o preceito legal a que cabe o cumprimento por parte dos órgãos públicos, como a Receita Federal. No presente caso, é o preceito que prevê a aliquota de ICMS incidente em tais mercadorias. As folhas 29, 32 e 34, há observações sobre tal preceito, sendo que o documento de folha 32 apresenta o posicionamento da fiscalização de que a entrada das mercadorias é tributada. 0 fato de a empresa não haver recolhido o valor do ICMS ao Estado do Rio Grande do Sul é irrelevante pois o que deve ser cumprido são os ditames da legislação, e não os procedimentos adotados ou não por outro ente federativo. Logicamente que poderia a empresa obter provimento jurisdicional na Justiça Federal que impeça a incidência das contribuições sociais sobre o valor do ICMS. Todavia, tal provimento deveria ser obtido em processo judicial que figurasse a União Federal como parte processual. Percebese nos autos que não houve qualquer engano por parte da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, e sim da Receita Federal. A decisão judicial de folha 45 concedeu exatamente o solicitado pela empresa: desembaraço aduaneiro sem o recolhimento do 1CMS. Note que "desembaraço aduaneiro" foi utilizado incorretamente pela empresa ao redigir o pedido da exordial, uma vez que quem efetua desembaraço aduaneiro é a Receita Federal, cabendo it Receita Estadual o procedimento de liberação para efeitos de recolhimento do ICMS. Talvez, a Receita Estadual também denomine de desembaraço aduaneiro o seu procedimento de liberação das mercadorias. 0 Oficio da Justiça Estadual de folha 44, comunicando o deferimento da Liminar, foi dirigido corretamente ao réu do mandamus: Diretor de Departamento da Receita Pública Estadual. Não foi o Oficio dirigido à Receita Federal, logo não caberia a unidade de despacho aduaneiro tomar conhecimento de tal decisão. A folha 98, informase que não se tem conhecimento de documento que contradiga o exposto no despacho de diligncia. As folhas 99112, constam os autos de infração definitivos, onde houve o lançamento de todas as verbas, inclusive a multa por não recolhimento espontâneo. Novamente intimada a empresa autuada (fl. 115), ingressou a mesma com as impugnações de fls. 118127 e 140149. Nestas novas petições, alegase a imunidade tributária. folha 163, encaminhase o processo a esta Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento. Fl. 393DF CARF MF 4 A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação No recurso voluntário apresentado, foram reiterados os argumentos aduzidos na peça de impugnação, acrescendo o argumento da inconstitucionalidade do art. 7°, I, da Lei 10.865/04, reconhecida pelo STF. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, embora o processo tenha percorrido um tortuoso trâmite processual,o fato é que a essa altura, pouco resta à apreciação desse Conselho, uma vez que a matéria em litígio apenas versa sobre a inclusão do ICMS na base do PIS e Cofins incidentes sobre a importação. Destarte, em consonância com.o entendimento, em repercussão geral, do Supremo Tribunal Federal, as contribuições sociais incidentes sobre as importações, terão como base de cálculo o valor aduaneiro, prescrito pelas regras do AVAGATT. No julgamento do RE nº 559.937/RS, sob regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), tendo sido decidido pela inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, nos termos dos trechos do enunciado da ementa que segue transcrita: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. [...] 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11075.001468/200749 Acórdão n.º 3201002.823 S3C2T1 Fl. 95 5 importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 559937, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013) (grifo nosso) Considerando tratarse de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STF, sob regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC e, em cumprimento ao Regimento de Interno deste Conselho, aprovado pela Port. MF nº 343/2015, art. 62, II, ´b´, adotase os seus fundamentos, para excluir o PIS/Pasep – Importação e a Cofins – Importação, considerandose que na composição do valor aduaneiro, não há inclusão de tributos. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 395DF CARF MF 6 Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000183/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2.
No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI.
As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
Numero da decisão: 3401-003.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(Assinado com certificado digital)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
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CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 83 /2 01 1- 80 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 3 2 pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito referente a contribuição nãocumulativa, versando sobre receitas tributadas à alíquota zero, de incidência monofásica (revenda de veículos e autopeças), com fundamento no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. O pedido foi indeferido em Despacho Decisório, por haver expressa vedação legal à tomada de créditos, no caso (artigo 3o, I, ”b”, c/c artigo 2o, § 1o, III e IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e Lei no 10.485/2002, que trata da incidência monofásica, para veículos e autopeças, com alíquota zero para as receitas apuradas), e por tratar o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Ciente do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) está sujeita à tributação das contribuições nos termos da Lei no 9.718/1998; (b) com a edição da Lei no 10.485/2002, houve a pretensão de se criar uma tributação chamada supostamente de “monofásica”, que objetivou atribuir, para a cadeia produtiva automobilista, uma alíquota elevada para um elo (indústria/importador), e alíquota zero para os demais elos, gerando equívocos de interpretação; (c) na veiculação das leis de regência das contribuições não cumulativas (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003), foi mantida a sistemática anterior (Lei no 10.485/2002), e restou vedada a possibilidade de tomada de créditos; (d) a situação desigual foi corrigida na Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), que foi alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38); (e) não há qualquer norma de PIS/COFINS que tenha previsão de tributação monofásica (com incidência em uma fase e nãoincidência em todas as demais) para os produtos da empresa, sendo juridicamente vazia qualquer tentativa de retirála do campo da não cumulatividade (com alíquota zero, que pode, em tese, ser majorada), baseado em suposição que existe uma “monofasia” na sua cadeia produtiva; (f) o creditamento das contribuições, por utilizar o método subtrativo indireto, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou mesmo se o elo Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 4 3 anterior estava no regime da não cumulatividade; (g) negar o direito ao crédito, no caso, ofende não apenas a legalidade estrita, mas a não cumulatividade, a moralidade e a segurança jurídica, pois não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação de tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (confirmado pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005); (h) o art. 17 da Lei no 11.033/2004 é especial e não geral, e se destina exatamente aos casos que tinham vedação expressa nas leis de regência das contribuições, porque os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados, então o creditamento era tranquilo, aceito pelo próprio fisco; (i) outro reforço à tese que permite o direito de crédito foi a revogação, pela Lei no 11.727/2008, do inciso IV do § 3o do art. 1o, entre outros, das leis de regência das contribuições; e (j) quando o legislador desejou excluir a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033/2004 ele o fez expressamente, como nas Medidas Provisórias no 413/2008 e no 451/2008, nenhuma delas convertida em lei no que se refere a tais dispositivos. A empresa apresenta, posteriormente, nova manifestação, no sentido de que sequer seria necessária a análise de mérito de seus argumentos de defesa, em face do reconhecimento tácito do direito. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição e/ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados; (b) a Lei no 10.485/2002 concentrou a tributação nas pessoas dos fabricantes e importadores de máquinas, veículos e autopeças, sendo denominada de tributação monofásica ou concentrada, sendo as receitas de venda obtidas pelas concessionárias desoneradas com a aplicação da alíquota zero; (c) as leis de regência das contribuições, ao criarem o sistema da não cumulatividade, excluíram da novel sistemática determinadas receitas, cuja apuração deveria ser realizada nos termos da legislação anterior, entre estas a que concentrava a tributação monofásica (Lei no 10.485/2002), sendo expressamente vedado o direito ao crédito em tais aquisições (art. 3o, I das leis de regência); (d) o art. 17 da Lei no 11.033/2004, não ampara o creditamento das contribuições, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência da vedação legal expressa, que persiste, para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição; e (e) a tributação monofásica não se confunde com a apuração cumulativa, tendo a tributação monofásica também natureza não cumulativa, quando a pessoa jurídica está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, como é o caso dos autos, o que lhe permite o aproveitamento de créditos, inerente ao regime da não cumulatividade, mas somente em relação aos créditos que são passíveis de utilização, como energia elétrica, aluguéis, depreciação, e não em relação aos créditos expressamente vedados, os referentes a veículos e autopeças adquiridos para revenda. Tendo ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta recurso voluntário, alegando que: (a) o prazo para decidir os processos de restituição não é eterno, como defendeu a DRJ, e está sujeito aos ditames do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, além de dever respeito ao prazo de 360 dias (cf. artigo 24 da Lei no 11.457/2007), consolidado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 1.138.206/RS; (b) a empresa está sujeita ao regime da não cumulatividade, e adquire produtos com alíquota zero (e não com monofasia), tendo sido a vedação existente nas leis de regência das contribuições revista no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 (norma multitemática), endossado pelo artigo 16 da Lei no 11.116/2005; (c) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 5 4 quando a lei nova altera a situação legal, ela deve ressalvar os casos que permanecem na dicção antiga (como se tentou fazer, por duas vezes, em relação ao o artigo 17 da Lei no 11.033/2004, que é norma específica aos casos para os quais havia vedação ao creditamento); e (d) o direito de crédito é coerente com a técnica de não cumulatividade para as contribuições (método indireto subtrativo), e independe de haver tributação na etapa anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.517, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 12585.000182/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.517): "O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Dos prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento e da consequência pelo descumprimento Na peça apresentada em complemento a sua manifestação de inconformidade, a recorrente sustentou que seria de cinco anos o prazo máximo para análise de seu pedido, sob pena de atendimento tácito, com fundamento no § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996. O PER em análise, recordese, foi transmitido em 30/04/2008. E a DRJ, ainda que sequer tenha verificado a efetiva data de ciência do despacho decisório (15/02/2013, cf. fl. 92), que foi equivocadamente informada pela recorrente como sendo 02/07/2013, resultando na contagem incorreta do prazo, respondeu acertadamente que o prazo a que se refere o § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996 se refere a homologação tácita de compensações, e não a restituição/ressarcimento delas desacompanhado. Aliás, tal conclusão deriva da simples leitura da norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 6 5 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifo nosso) Inaplicável, assim, o comando legal invocado ao caso em análise neste processo. Adicionese que a mesma questão, referente à mesma empresa, e abrangendo as contribuições no ano de 2004, entre outros, foi submetida à Segunda Turma desta Quarta Câmara, tendo o colegiado chegado a conclusão unânime sobre a matéria: “GLOSA DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. A homologação tácita, prevista no art. 73, § 5o, da Lei no 9.430/1996, limitase às compensações formalizadas em Dcomp, não atingindo o direito de a Fiscalização, em procedimento autônomo, examinar a existência dos créditos e glosar, mediante auto de infração, aqueles para os quais não haja suficiente comprovação. (Acórdão no 3402 003.660, Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, unânime, sessão de 13 dez. 2016)” No recurso voluntário, a empresa adiciona o argumento de que lhe favorece, no presente caso, a decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS), no sentido de que se aplica ao processo administrativo tributário o disposto no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, que estabelece o prazo de 360 dias para as decisões administrativas: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como demanda a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 7 6 I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 8 7 Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Das considerações preliminares sobre o cerne do contencioso 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 9 8 Antes de se ingressar, propriamente, nas matérias contenciosas, há que se registrar o que é inconteste, no presente processo. Tanto a recorrente quanto a fiscalização acordam que as operações para as quais se demanda crédito são aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda. E ambas também reconhecem que o direito de crédito foi expressamente vedado pelas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 – COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento): (...) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” (grifo nosso) Não há nenhuma controvérsia, nos autos, como exposto, sobre estarem as aquisições inseridas no contexto da Lei no 10.485/2002, e sobre haver a vedação nas leis de regência. Tampouco há divergência sobre o fato de que as contribuições em apreço são não cumulativas. Antes do advento da Medida Provisória no 206, de 09/08/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004, então, o único inconformismo manifestado pela recorrente se refere a eventual incompatibilidade das restrições com o mecanismo inerente à não cumulatividade das contribuições, ou com princípios constitucionais. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 10 9 No que se refere a tal inconformismo, é de se destacar, preliminarmente, que a Constituição não assegura nãocumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de não cumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Portanto, o simples fato de apurarse a contribuição pela sistemática nãocumulativa não garante à empresa créditos em relação a quaisquer operações, mas somente àquelas para as quais exista previsão legal de amparo, e não estejam contempladas em vedações nas leis de regência. Sobre a afronta a princípios constitucionais por norma legal vigente, não cabe manifestação desta corte administrativa, em função da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Basta, assim, que sejam examinadas administrativamente as normas legais vigentes, assumidas como constitucionais (salvo em caso de expressa declaração de inconstitucionalidade pelo juízo competente). É essa tarefa que se empreende a seguir, com especial destaque para o cerne da controvérsia, que se refere à natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 11 10 Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs:2 “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) 2 Com a conversão da Medida Provisória no 206/2004 na Lei no 11.033/2004, o comando passou a figurar no art. 17 da lei, com idêntico teor. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 12 11 Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, Fl. 187DF CARF MF Processo nº 12585.000183/201180 Acórdão n.º 3401003.518 S3C4T1 Fl. 13 12 parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Destarte, são totalmente improcedentes as alegações de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901122/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 22 /2 01 2- 09 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10940.901122/201209 Acórdão n.º 3302004.427 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.901122/201209 Acórdão n.º 3302004.427 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.901122/201209 Acórdão n.º 3302004.427 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.240. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10940.901122/201209 Acórdão n.º 3302004.427 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10940.901122/201209 Acórdão n.º 3302004.427 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10940.901122/201209 Acórdão n.º 3302004.427 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.730894/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
COMPLEMENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS APÓS O PRAZO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. PRECLUSÃO.
Não se conhece de complementação de recurso voluntário apresentado após o prazo previsto nas normas que disciplinam o processo administrativo fiscal, sendo também precluso o direito de apresentar novos documentos quando transcorrido esse prazo.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Não é cabível a conversão de julgamento em diligência quando essa providência tem por finalidade a rediscussão dos fundamentos jurídicos adotados pela autoridade autuante para a efetivação do lançamento.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário deve ater-se a matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondo-se o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa.
RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. NATUREZA. RENDA VARIÁVEL.
O ganhos obtidos nas operações realizadas no mercado a termo, para o comprador, têm natureza de renda variável.
APURAÇÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. LIQUIDAÇÃO DO TERMO.
Em relação ao comprador, os rendimentos decorrentes de operações a termo devem ser apurados por ocasião da liquidação do termo.
DISTORÇÕES NO LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO.
A alegação quanto a ocorrência de distorções no valor do imposto apurado deve necessariamente estar acompanhada de elementos aptos a comprová-la, sendo sua apresentação de responsabilidade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-005.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e não conhecer do recurso complementar e do Termo de Constatação apresentados após o recurso voluntário, por indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 COMPLEMENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS APÓS O PRAZO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. PRECLUSÃO. Não se conhece de complementação de recurso voluntário apresentado após o prazo previsto nas normas que disciplinam o processo administrativo fiscal, sendo também precluso o direito de apresentar novos documentos quando transcorrido esse prazo. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Não é cabível a conversão de julgamento em diligência quando essa providência tem por finalidade a rediscussão dos fundamentos jurídicos adotados pela autoridade autuante para a efetivação do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve ater-se a matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondo-se o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa. RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. NATUREZA. RENDA VARIÁVEL. O ganhos obtidos nas operações realizadas no mercado a termo, para o comprador, têm natureza de renda variável. APURAÇÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. LIQUIDAÇÃO DO TERMO. Em relação ao comprador, os rendimentos decorrentes de operações a termo devem ser apurados por ocasião da liquidação do termo. DISTORÇÕES NO LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO. A alegação quanto a ocorrência de distorções no valor do imposto apurado deve necessariamente estar acompanhada de elementos aptos a comprová-la, sendo sua apresentação de responsabilidade do sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.730894/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.843 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JOSÉ OSWALDO MORALES JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 COMPLEMENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS APÓS O PRAZO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. PRECLUSÃO. Não se conhece de complementação de recurso voluntário apresentado após o prazo previsto nas normas que disciplinam o processo administrativo fiscal, sendo também precluso o direito de apresentar novos documentos quando transcorrido esse prazo. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Não é cabível a conversão de julgamento em diligência quando essa providência tem por finalidade a rediscussão dos fundamentos jurídicos adotados pela autoridade autuante para a efetivação do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve aterse a matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondose o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa. RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. NATUREZA. RENDA VARIÁVEL. O ganhos obtidos nas operações realizadas no mercado a termo, para o comprador, têm natureza de renda variável. APURAÇÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES NO MERCADO A TERMO. COMPRADOR DO TERMO. LIQUIDAÇÃO DO TERMO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 08 94 /2 01 2- 01 Fl. 8100DF CARF MF 2 Em relação ao comprador, os rendimentos decorrentes de operações a termo devem ser apurados por ocasião da liquidação do termo. DISTORÇÕES NO LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO. A alegação quanto a ocorrência de distorções no valor do imposto apurado deve necessariamente estar acompanhada de elementos aptos a comprovála, sendo sua apresentação de responsabilidade do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e não conhecer do recurso complementar e do Termo de Constatação apresentados após o recurso voluntário, por indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 8101DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 6176/6228) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (6133/6159), que julgou improcedente impugnação (5860/5869) apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (3/20), relativo aos exercícios 2008/2009, decorrente de i) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica; ii) omissão/apuração incorreta de ganhos – operações comuns, mercado à vista de ações; e iii) omissão/apuração incorreta de ganhos – operações DayTrade, mercado à vista de ações. O lançamento resultou em crédito tributário no valor de R$ 7.848.256,49, acrescido de multa no valor de R$ 5.886.192,39 e juros de mora, calculados até 01/2013, no valor de R$ 3.714.823,25, totalizando R$17.449.272,13. A lide persiste em relação ao imposto apurado em virtude de omissão/apuração incorreta de ganhos em operações comuns, mercado à vista de ações, tendo se em conta que não houve impugnação em relação às demais matérias. Por bem retratar as razões contidas no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 21/63) e as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão 0244.944, da 7ª Turma da DRJ/BHE: Termo de Verificação No TVF, a fiscalização apresenta a motivação do lançamento. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Seção I – Do Procedimento Fiscal Foram acolhidos, na presente ação fiscal, documentos contidos no processo administrativo fiscal (PAF) nº 19515.722415/2011 27, resultante do procedimento fiscal de fiscalização determinado pelo MPF 08.1.90.002010019625 (AC 2007), e documentos obtidos no curso do procedimento de diligência determinado pelo MPFD 06.1.85.002012002330 (período de dezembro/2007 a dezembro/2009); O Termo de Diligência Fiscal (TDF) nº 01 intimou o contribuinte relativamente às suas operações de renda variável no período de 12/2007 a 12/2009; Em atendimento aos Termos de Constatação e Intimação lavrados em 28/08/2012, 03/09/2012 e 26/10/2012, referentes às operações de renda variável, o contribuinte apresentou os documentos 005, 005A, 005B, 006, 006A, 006B, 010 e 010A. Quanto ao Termo lavrado em 30/10/2012, não se manifestou; Por meio do Termo de Intimação Fiscal 01/11/2012 (doc. 009), o contribuinte também foi intimado a prestar esclarecimentos Fl. 8102DF CARF MF 4 relativamente a rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no Ac 2009 e não computados na base de cálculo de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA); Após examinar a documentação obtida, constatouse que nos anoscalendário de 2008 e 2009 houve omissão e/ou apuração incorreta de ganhos no mercado de renda variável em operações comuns e em operações daytrade, além de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual. As DAAs consideradas no procedimento fiscal foram as de nºs 08/23.560.934 (Ac 2008, entregue em 29/04/2009) e 08/35.924.122 (Ac 2009, entregue em 04/11/2010); Os Anexos I e II registram os resultados e impostos devidos referentes a operações day trade e a operações comuns de renda variável, respectivamente. O Anexo III registra os impostos devidos em razão dos ganhos obtidos em renda variável (day trade e operações comuns), as compensações devidas dos valores retidos na fonte e recolhidos via Darf, apurando os impostos efetivamente pagos e os valores disponíveis para restituição. Já o Anexo IV registra e totaliza as omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual. Esses valores apurados nesses 4 Anexos foram transportados para o AI, estando ali calculados os impostos a pagar, as multas e os juros devidos. Seção II – Da documentação obtida relativa a operações de renda variável As diversas partes do documento 002A contêm todo o material que acompanhou a resposta (doc. 002) ao TDF nº 01 (doc. 001), sendo que o documento “002A Arquivos da Resposta Diligência parte 1” descreve os passos necessários para sua recuperação. Para a presente apuração, destacouse e aproveitouse os seguintes documentos: Notas de corretagem: das operações realizadas por intermédio da Novinvest (12/2007 a 12/2009) em formado digital, tanto em “pdf” (doc. 002B) quanto no layout 802 (movimentação de ações) do sistema Sinacor. Este, por tratarse de arquivo não paginável, foi eletronicamente anexado ao doc. 014 (arquivo “Lay Out 802 original.txt”); Extratos de movimentação de ativos em custódia na CBLC (12/2007 a 12/2009), docs. 002C, 002D e 002E; Posição de opções em custódia na CBLC em 28/12/2007 (doc. 002F); Extrato da conta corrente do sujeito passivo na Novinvest (03/12/2007 a 06/01/2010 doc.002G); Posição no BTC: no encerramento dos meses de 12/2007, janeiro a agosto/2008, 12/2008 e maio a dezembro/ (doc. 002H, 002I e 002J); STVM, sendo 35 relativas ao ano de 2007, 82 relativas a 2008 e 21 relativas a 2009 (doc. 002K). Fl. 8103DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 4 5 Do processo administrativo fiscal nº 19515.722415/201127, aproveitouse os Demonstrativos mensais do ano de 2007 (doc. 016), elaborados pelo contribuinte e que acompanharam sua manifestação datada de 21/10/2010 e intitulada “Referente Termo de Início de Fiscalização MPF 08.1.90.00201001962 5”. A parte que se refere ao mês de dezembro de 2007 foi utilizada na apuração do custo do estoque de ações detido em 31/12/2007. Outros documentos relevantes à apuração foram obtidos no curso do procedimento fiscal e serão discutidos à medida do necessário à clareza e consistência desta exposição. Seção III – Da separação entre operações comuns e day trade O contribuinte realizou operações de renda variável em bolsa de valores e em balcão organizado por meio da Novinvest Corretora de Valores Mobiliários Ltda, cujas notas de corretagem já foram mencionadas. As operações contidas no arquivo de notas de corretagem no layout 802 são identificadas como operação comum ou day trade. A análise do conteúdo desse arquivo permite segregar dois grupos distintos de operações de renda variável realizadas no período fiscalizado. A planilha “Lay Out 802 original processado.xls” (doc. 014A) corresponde ao resultado do processamento do referido arquivo de notas de corretagem. Os registros encontramse ali agrupados por papel e provêm a identificação, segregação e valoração das operações comuns e day trade realizadas com ativos e com derivativos. Seção IV – Dos resultados com operações Day Trade O conteúdo da planilha “Resultados com day trade 2008 2009.xls”, anexada eletronicamente ao doc. 014, deriva dos registros relativos ao período fiscalizado identificados como day trade na planilha “Lay Out 802 original processado.xls”. Contém as seguintes abas: “diário por papel” (doc. 014B): totaliza, por papel, as operações day trade realizadas em cada pregão, apresentando o correspondente resultado; “mensal por papel” (doc. 014C): totaliza, em base mensal, os dados da aba anterior, apresentando o resultado de cada papel no mês; “mensal geral”: totaliza os dados da aba anterior de forma a apresentar o resultado das operações day trade em cada mês, considerando todos os papéis negociados no mês; e finalmente; “cálculo do imposto”: procede ao cálculo do imposto devido a cada mês de acordo com os resultados apurados conforme acima e fazendo as compensações de prejuízos previstas nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 9.959/2000. O conteúdo destas duas últimas abas está reproduzido, respectivamente, nos quadros “Sem Compensações de Prejuízos” e “Compensações de Prejuízos e Cálculo do Imposto Devido” do Anexo I, onde também se encontram esclarecimentos Fl. 8104DF CARF MF 6 quanto à forma de apuração dos valores ali apresentados. Os valores de imposto devido calculados foram transportados para os quadros “Dos Impostos Pagos, das Compensações de Impostos e do Cálculo das Restituições Disponíveis” do Anexo III, de modo a possibilitar a apuração conciliada dos impostos devidos nas operações de renda variável no período fiscalizado. Seção V – Das operações a termo Na planilha “Lay Out 802 original processado.xls” (doc. 014A) estão registradas as operações a termo realizadas pelo sujeito passivo no período fiscalizado. A confrontação entre os dados ali contidos e os extratos de movimentação da CBLC permite determinar a data da efetiva liquidação destas operações, sendo os créditos das ações na custódia identificados pela descrição “CTransferência”. Em alguns casos, a liquidação ocorreu de forma parcelada, verificandose então diversos registros no extrato de movimentação que totalizam a liquidação de um termo. Em outros casos, entre a data da contratação e a da liquidação ocorreram eventos como desdobramentos ou grupamentos. Estes fatos devem ser levados em consideração para a correta apropriação dos custos originalmente contratados às parcelas efetivamente liquidadas. A planilha “Termos e sua liquidação.xls” (doc. 014D) apresenta os dados efetivos de liquidação das operações a termo realizadas no período fiscalizado. Na Subseção V.a do TVF, elaborouse uma tabela apresentando alguns exemplos de confrontação entre liquidação de operações a termo e vendas à vista para os ativos VALE5 e PETR4, sendo os dados relativos a vendas tomados da planilha “Lay Out 802 original processado.xls” (doc. 014A) e os dados de liquidação dos termos provenientes da planilha “Termos e sua liquidação.xls” (doc. 014D). Essa tabela evidencia a natureza de renda variável das operações de compra a termo, ainda que conjugadas com vendas à vista. Para o vendedor do termo com compra conjugada precedente, e somente para este, a operação tem natureza de renda fixa. Pode se observar que o valor de contratação de novo termo é sempre superior ao valor negociado das ações na data de contratação. O vendedor do termo que realiza venda coberta e sem ajustes diários fica amparado pelo § 5º do art. 1º da Lei nº 11.033/2004. Elaborouse também tabela que compara os resultados obtidos por cada uma das partes em operações conjugadas. Vêse que, enquanto para o vendedor do termo o ganho se realiza no momento de sua liquidação, para o comprador o ganho (ou perda!) se realiza no momento da venda do ativo. A planilha “Termos vs. Vendas xls” compara as movimentações com termos e com vendas. Após análise da documentação constante dos autos, concluise que em diversas ocasiões as operações com termos não estão conjugadas com vendas à vista e, quando há hipotética possibilidade de conjugação, a maior Fl. 8105DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 5 7 freqüência de coincidências se dá com base na data de liquidação, não na de contratação dos termos. Assim, concluiuse que não se pode tomar como de renda fixa as operações a termo realizadas pelo sujeito passivo por eventual conjugação, seja efetiva ou circunstancial, com operações de venda à vista na ocasião de sua contratação, hipótese esta que, ademais e para finalizar, não encontra amparo na legislação aplicável. A aba “pela liquidação” da planilha “Termos vs. vendas.xls” aponta que das 95 ocasiões em que houve liquidação de termo, em 29 não ocorreu concomitante venda à vista. A planilha mostra ainda que em 23 das demais 66 ocasiões, a quantidade de ações vendidas supera aquela liquidada pelo correspondente termo, não havendo distinção entre umas e outras. Tal situação impossibilita que se proceda de maneira objetiva à segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo sujeito passivo. Essa planilha deixa claro que a freqüência com que o sujeito passivo realiza operações de venda não se pauta pela movimentação com termos, sendo muito superior a esta. Em conseqüência, as operações a termo encontramse, de fato, diluídas em sua movimentação global. Desse modo, as operações a termo foram tratadas como operações comuns de compra, com base nas datas dos pregões de suas contratações. Seção VI – Das movimentações não incluídas nas notas de corretagem De acordo com os extratos de movimentação, as notas de corretagem não representam o conjunto completo das operações com ativos realizadas pelo sujeito passivo no período fiscalizado, geralmente lá identificadas pelas descrições “CPA” e “VDA”. Outras movimentações indicativas de acréscimos ou decréscimos nos estoques de ativos em custódia recebem ali as descrições “Transferência”, “Depósito”, “Retirada”, “Atualização” e “Recibo Subs”. Tendo a fiscalização identificado tais movimentações, buscou sua origem. Verificouse que parte delas não encontrava respaldo nos documentos até então apresentados pelo fiscalizado. Esses casos foram elencados no Anexo I do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 26/10/2012 para obtenção dos devidos esclarecimentos. Junto à sua resposta, o contribuinte apresentou tabela pela qual classificou e precificou os casos elencados. Com base nessa documentação, a fiscalização classificou e precificou todas as movimentações verificadas nos extratos e não amparadas em notas de corretagem, resultando em três grupos: Fl. 8106DF CARF MF 8 “Solicitações de Transferência de Valores Mobiliários (STVM)”, “Subscrições” e “Outras Transferências”. STVM: Foram apresentados à fiscalização dois conjuntos de documentos intitulados Solicitação de Transferência de Valores Mobiliários (STVM). Um primeiro conjunto no curso do procedimento de diligência, já discutido na Subseção II.a deste TVF. Em relação a este, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal 28/08/2012 o contribuinte foi intimado a informar as data de cessão/devolução para cada uma dessas operações que fossem representativas de empréstimos. Em resposta, datada de 19/09/2012, afirmou trataremse todas de empréstimos, mas apenas quanto a uma parte das transferências foi capaz de fazer as devidas associações entre empréstimos e respectivas devoluções conforme requerido na intimação, não tendo acrescentado quaisquer novos documentos. Um segundo conjunto foi apresentado em sua manifestação datada de 14/11/2012, onde algumas das movimentações listadas no doc. 010A foram por ele também ali identificadas como empréstimo. Não fez, neste caso, a correspondência entre empréstimos e devoluções, mas é possível verificar que várias dessas movimentações complementam outras do primeiro conjunto, tratandose de devoluções de empréstimos lá iniciados. Promoveu a fiscalização a confrontação entre os dados expressos no conjunto completo das Solicitações de Transferência e os créditos e débitos verificados nos extratos de movimentação, agrupando as STVM de acordo com as contrapartes e os ativos nelas consignados. Procurouse, assim, identificar lotes de transferências correspondentes a empréstimos, ou seja, transferências em direções inversas de igual quantidade para o mesmo ativo e mesma contraparte. Os resultados dessa confrontação encontramse na planilha “Classificação das STVM.xls” . Um dado relevante considerado na identificação dos lotes foi a ocorrência de desdobramento do ativo PETR4 em 28/04/2008 na proporção de 100% do estoque na abertura deste pregão, correspondente ao estoque de encerramento da custódia em 30/04/2008. As transferências classificadas como excluído na planilha “Classificação das STVM.xls” situamse fora do período fiscalizado e, sendo ou não partes de empréstimos, não têm influência no mesmo. As transferências classificadas como Empréstimo/Devolução compõem operações de empréstimos. O devido tratamento tributário quanto a estas é esclarecido pela Instrução Normativa RFB nº 742/2007 (arts. 3º e 4º), vigente desde sua publicação em 25/05/2007 até sua revogação pela Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010. Fl. 8107DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 6 9 O tratamento tributário delineado nos artigos 3º e 4º da IN RFB nº 742/2007 é no sentido da não inclusão das transferências classificadas como Empréstimo/Devolução no fluxo daquelas consideradas para cálculo dos ganhos ou perdas do mercado de renda variável. Tal medida, embora provoque um descompasso temporário entre o estoque aparente (computado na planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”) e o estoque apontado na custódia, elimina qualquer distorção na apuração dos resultados em decorrência de operações de empréstimo. No caso do tomador (IN RFB nº 742/2007, art. 3º), enquanto seu estoque próprio (o qual não computa as ações tomadas em empréstimo) de determinado ativo for positivo, as compras realizadas durante o período em que estiver de posse das ações emprestadas influenciarão apenas o custo médio ponderado do seu estoque próprio, e os resultados as vendas que fizer nessa situação tomarão por base esse mesmo custo médio. A partir do momento em que eventualmente passe a vender as ações tomadas emprestadas, ou seja, caso seu estoque próprio passe a zero e seu estoque aparente passe a negativo, os resultados serão apurados somente no momento posterior em que efetuar a recompra de ações para devolução da quantidade tomada em empréstimo, recompondo a zero seu estoque aparente e, com novas compras a partir daí, recompondo seu estoque próprio e recaindo novamente na situação do parágrafo anterior. No caso do emprestador/doador (IN RFB nº 742/2007, art. 4º), ao menos no que tange ao estrito efeito de tal operação de empréstimo tomada isoladamente, seu estoque aparente manter seá coincidente com seu estoque próprio (em razão de não ser debitada daquele a quantidade dada em empréstimo), e permanecerá positivo no mínimo até o limite dessa quantidade. Assim, as compras e vendas que fizer durante o período em que tiver ações emprestadas a terceiros terão por referência o total do seu estoque próprio, e com base neste serão recalculados os custos médios ponderados, quando efetuar compras, e os resultados, quando realizar vendas. Com tal tratamento, as movimentações decorrentes das operações de empréstimo não exercem influência nos ganhos líquidos com renda variável. As transferências classificadas como Venda/Compra na planilha “Classificação das STVM.xls” assim o foram por não resultarem caracterizadas como partes de operações de empréstimo, em razão da inocorrência de movimentação em direção inversa de igual quantidade para o mesmo ativo e mesma contraparte. As transferências classificadas como “a Compensar” compõem operações de empréstimo iniciadas fora do período fiscalizado e concluídas durante o mesmo. Este grupo contém as movimentações discriminadas no quadro “Empréstimos a Compensar”. Desse modo, vêse que em 31/12/2007 o contribuinte era emprestador, a diversos aplicadores, de um total de 13.000 Fl. 8108DF CARF MF 10 ações PETR4. Até o encerramento da movimentação de 30/04/2008, momento de referência para o desdobramento deste ativo quando se observa a custódia, haviam sido devolvidas 7.000 dessas ações, restando a devolver, portanto, 6.000 ações. No encerramento da movimentação de 30/04/2008, em razão do desdobramento o total pendente de devolução passou ao dobro das 6.000 anteriores, ou seja, a 12.000, que foram gradualmente devolvidas até 20/05/2008. Uma vez que as transferências do quadro acima compõem operações de empréstimo e devolução, seu correto tratamento tributário requer que as mesmas não sejam incluídas no fluxo de movimentações para cálculo dos ganhos ou perdas do mercado de renda variável promovido na Seção VIII desse TVF. As 13.000 ações PETR4 pendentes de devolução em 31/12/2007 devem ser somadas ao estoque do sujeito passivo nessa data, uma vez que, a despeito de estarem emprestadas, constituíam aí parte de seu estoque próprio, de acordo com o esclarecido nesse TVF. Quanto à precificação das movimentações, relativamente às STVM apresentadas no curso do procedimento de diligência, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal 28/08/2012 instou o contribuinte a informar todos os valores envolvidos em cada uma das negociações de que resultaram. Este, afirmou que “as transferências não foram objetos de negociações, mas, sim, em razão de empréstimos, cujos valores, correspondem ao preço de fechamento das ações na Bovespa nas respectivas datas dos empréstimos”. O contribuinte entregou tabela que atribui valor unitário às transferências. No entanto, conforme demonstrou o Termo de Constatação e Ciência Fiscal 30/10/2012, os preços unitários que efetivamente correspondem ao preço de fechamento das ações na Bovespa nas respectivas datas dos empréstimos são aqueles elencados na coluna PREULT do Anexo I desse Termo, obtidos da “Série Histórica de Cotações” da Bovespa disponível no endereço eletrônico http://www.bmfbovespa.com.br/ptbr/cotacoes historicas/FormSeriesHistoricas.asp.. Esse Termo informou ao contribuinte sobre a adoção dos valores oficialmente divulgados pela Bovespa e abriu prazo para sua manifestação em caso de discordância, o que não ocorreu. Subscrições: Os quantitativos e valores das subscrições realizadas pelo contribuinte no período fiscalizado foram obtidos do demonstrativo elaborado e encaminhado pelo contribuinte em documento anexo à sua Resposta ao Termo 28/08/2012, denominado “Termo de Intimação Fiscal MPF 0004448 28082012 Item 06.pdf” e demonstrativo elaborado pelo contribuinte que acompanhou sua resposta à intimação 26/10/2012. Os extratos de movimentação permitiram identificar e precificar os exercícios de subscrição descritos no item 51.3 do TVF, Fl. 8109DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 7 11 estando as informações corroboradas por registros financeiros no extrato da conta corrente do contribuinte na corretora. No custo de aquisição dos recibos do quadro elaborado no item 51.3 do TVF foram considerados os valores dispendidos na aquisição de direitos relacionados no item 51.4 do TVF, de acordo com as informações contidas nos extratos de movimentação e nas notas de corretagem que acusam compras e vendas dos mesmos, cuja apuração foi feita conforme descrito na Subseção VIII.a desse TVF. Outras Transferências: Demonstrativo elaborado pelo contribuinte que acompanhou sua resposta à intimação 26/10/2012 precificou as operações relacionadas no item 52 deste TVF que, conforme já esclarecido, foram constatadas nos extratos de movimentação. Estas operações foram incluídas no fluxo de movimentações para cálculo dos ganhos ou perdas do mercado de renda variável, promovido na Seção VIII deste TVF, como compras (créditos) ou vendas (débitos) pelos valores informados pelo contribuinte. Seção VII – Dos estoques e seus custos no início do período fiscalizado Os demonstrativos mensais do ano de 2007, elaborados e apresentados pelo contribuinte, contêm, para o início e fim de cada um dos meses do ano de 2007, informações sobre quantidade em estoque e correspondente custo dos papéis que elenca. A comparação entre os dados ali apresentados e os extratos de movimentação, as posições de opções e as posições no BTC, permite concluir que as informações dos demonstrativos sobre quantidade dos papéis tomam por base a data do pregão, e não a da liquidação. No geral verificouse compatibilidade entre as quantidades informadas no demonstrativo e aquelas registradas nos diversos extratos já mencionados. No entanto, constatouse uma exceção, relativa aos papéis da Petrobrás. O demonstrativo relativo a 12/2007 não segrega as posições de cada um dos ativos PETR3 e PETR4, acusando um estoque agregado de 672.124 para os mesmos. Os extratos de movimentação demonstram que os estoques desses papéis em 31/12/2007 (com base na data do pregão) eram os seguintes: Tabela 1 Carteira 21016 Carteira 23019 BTC Total PETR3 51.000 225.124 0 276.124 PETR4 13.000 347.300 0 360.300 Total para PETR 64.000 572.424 0 636.424 Fl. 8110DF CARF MF 12 Assim, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal 26/10/2012 intimou o contribuinte a esclarecer tal discrepância e informar os custos desses ativos de forma segregada. O contribuinte encaminhou novo demonstrativo (“Demonstrativo do Estoque Bolsa 12.2007”) cuja comparação com o anterior revela que alguns papéis constam apenas no primeiro demonstrativo, enquanto outros constam apenas no segundo (ex: BEES3, BMBR4) e que as quantidades informadas no segundo demonstrativo levam em conta não a data do pregão, mas sim a data de liquidação. No segundo demonstrativo foram constatadas mais algumas incorreções. Informouse, por exemplo, estoques de alguns ativos que não constam nos extratos da CBLC, como é o caso de CESP4, IGBR5, TNLP4 e MNPR4, ou cuja discrepância relativamente à quantidade informada, quando comparada aos extratos, carece de justificativa (ativos MWET4, TELB4, TLPP4, TNLP3), impossibilitando que se saiba com certeza a que se refere o dado informado. Observase que a resposta do contribuinte, com a qual encaminhou este segundo demonstrativo, foi, como todas as suas demais manifestações, consideravelmente lacônica, em que pese a respectiva intimação ter sido bastante clara ao requerer esclarecimentos acompanhados da devida documentação comprobatória. Mesmo esses demonstrativos não se terem feito acompanhar de quaisquer documentos que lhes emprestassem maior certeza, a fiscalização optou por acatar os dados neles contidos. Para tanto, e na falta de pronunciamento claro do contribuinte e/ou documentação de respaldo, foram adotados os seguintes critérios na apuração dos estoques e custos iniciais: a) os registros do segundo demonstrativo que apresentaram as incorreções comentadas no Item 62 foram desconsiderados; b) os dados presentes apenas no primeiro ou apenas no segundo demonstrativo foram adotados na forma em que foram apresentados; c) os dados do segundo demonstrativo tiveram prioridade relativamente aos do primeiro; d) os dados do segundo demonstrativo foram complementados com as informações disponíveis de tal modo que o conjunto resultante tivesse um único critério de saldo pela data do pregão. Os resultados do acima exposto encontramse na planilha “Estoques iniciais conciliados pelos demonstrativos.xls”. Os seguintes ajustes ao que se apurou na planilha “Estoques iniciais conciliados pelos demonstrativos.xls” fizeramse necessários para o correto cômputo dos estoques e custos dos ativos PETR4 e VALE5 no início do período fiscalizado. Primeiramente, uma vez que a presente apuração toma a data do pregão (e não a de liquidação) como referência para as negociações realizadas, devem ser computadas nos estoques de 31/12/2007 as ações compradas a termo em 2007 e não liquidadas antes de 2008. Fl. 8111DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 8 13 Na planilha “Termos e sua liquidação.xls” verificamse os seguintes casos nesta situação: Tabela 2 Termos pendentes de liquidação em 31/12/2007 Cod Neg Data pregão Qtde original Forma de liquidação Efetiva liquidação Qtde liquidad a Custo da qtde original PETR4 13/12/07 1.940 Normal 11/01/08 1.940 161.027,61 PETR4 13/12/07 8.060 Normal 11/01/08 8.060 668.930,86 PETR4 17/12/07 4.075 Normal 11/01/08 4.075 316.466,32 PETR4 17/12/07 5.925 Normal 11/01/08 5.925 460.078,86 PETR4 17/12/07 7.233 Normal 11/01/08 7.233 561.500,88 PETR4 17/12/07 18.338 Normal 11/01/08 18.338 1.424.137,27 PETR4 17/12/07 26.662 Normal 11/01/08 26.662 2.070.316,03 PETR4 17/12/07 47.767 Normal 11/01/08 47.767 3.708.650,54 PETR4 21/12/07 4.350 Normal 18/01/08 4.350 375.126,67 PETR4 21/12/07 45.650 Normal 18/01/08 45.650 3.937.130,96 Total para PETR4 170.000 13.683.366,00 VALES 17/12/07 13.100 Normal 15/01/08 13.100 632.485,84 VALES 17/12/07 26.900 Normal 15/01/08 26.900 1.299.037,82 Total para VALES 40.000 1.931.523,66 Os ativos emprestados a terceiros via STVM até 31/12/2007 e devolvidos somente após esta data devem também ser computados. Conforme já exposto neste TVF, os empréstimos pendentes de devolução em 31/12/2007, correspondentes às transferências classificadas como “a Compensar” e datadas anteriormente a 2008, devem ser somados ao estoque do contribuinte nessa data, uma vez que, a despeito de estarem emprestadas, as ações constituíam aí parte de seu estoque próprio. O quadro abaixo identifica e computa as compensações deste tipo a serem consideradas, sendo que os valores da coluna “Custo unitário” foram obtidos conforme se esclarece nos itens 46 e seguintes deste TVF: Tabela 3 Controle Data movimento D/C Qtde ações Contraparte Cód.Neg. Lote Custo unitár io Valor 20071 10/1/2007 D 1.000 Contrutora WMO Ltda PETR4 18 45,25 45.250,00 200711 3/5/2007 D 1.000 Contrutora WMO Ltda PETR4 18 46,2 46.200,00 200729 21/11/2007 D 2.000 Maurício Leal da Silva PETR4 37 75,85 151.700,00 200731 17/12/2007 D 9.000 Ricardo Siqueira Rodrigues PETR4 39 76,95 692.550,00 Total 13.000 935.700,00 Os estoques e custos dos ativos PETR4 e VALE5 em 31/12/2007, ajustados de acordo com o ora exposto são os demonstrados no quadro denominado “Ajustes nos estoques iniciais dos ativos PETR4 e VALE5”. Fl. 8112DF CARF MF 14 Seção VIII – Dos resultados com operações comuns de renda variável As seções precedentes apresentam cada uma das partes componentes do conjunto de operações comuns de renda variável realizadas pelo contribuinte no período fiscalizado. São elas: As operações comuns contidas nas notas de corretagem, conforme discutido na Seção III. A planilha “Lay Out 802 original processado.xls” identifica tais operações. Incluemse aí as operações a termo, discutidas na Seção V, especialmente na Subseção V.b; As Solicitação de Transferência de Valores Mobiliários classificadas na planilha “Classificação das STVM.xls” como Venda/Compra, conforme se viu na Subseção VI.a; As subscrições realizadas no período, conforme elenca a Subseção VI.b; Outras movimentações verificadas no período, conforme discutido na Subseção VI.c. Conciliadas todas estas operações e partindose dos estoques e custos havidos no início do período fiscalizado, conforme exposto na Seção VII e sumarizado na planilha “Estoques iniciais conciliados pelos demonstrativos. xls”, e considerados os ajustes procedidos na Subseção VII.a, temse o fluxo apresentado na aba “por operação” da planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”. Ali, as operações comuns realizadas pelo contribuinte no período fiscalizado encontramse organizadas cronologicamente por ativo. Informouse a origem do registro, conforme sua derivação de um dos casos apresentados no item 69 e na coluna Observações, o tratamento dado a cada operação. A planilha acompanha os efeitos de cada operação sobre os estoques de ativos e seus custos. A coluna Valor médio depois computa o valor médio unitário do estoque após cada operação e na coluna Resultado calculado calculase o resultado da operação (ganho ou perda líquida). A partir do valor computado na coluna Resultado calculado de cada uma das operações da aba “por operação” da planilha “Resultados com operações comuns 2008 2009.xls” , as abas “por mês em 2008” e “por mês em 2009” da mesma planilha totalizam, por ativo negociado, os resultados mensais obtidos com operações comuns. Desses resultados foram deduzidas as despesas com empréstimos de ações no BTC – Banco de Títulos CBLC, colhidas nos registros do extrato da conta corrente do sujeito passivo na corretora. Essas despesas estão identificadas e totalizadas na aba “Despesas com BTC” da planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”. Fl. 8113DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 9 15 Os quadros do Anexo II apresentam os cálculos que levam à apuração do imposto devido a cada mês em função dos resultados com operações comuns e feitas as devidas compensações de prejuízos, cálculos estes ali acompanhados dos devidos esclarecimentos. Os valores de imposto devido assim calculados foram transportados para os quadros “Dos Impostos Pagos, das Compensações de Impostos e do Cálculo das Restituições Disponíveis” do Anexo III, de modo a possibilitar a apuração conciliada dos impostos devidos nas operações de renda variável no período fiscalizado, conforme discutido na Seção X deste TVF. A aba “por operação” da planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls” permite acompanhar detalhadamente as variações de estoque de cada ativo ao longo do período fiscalizado – colunas Qtd. estoque antes e Qtd. estoque depois. No entanto, nos casos e pelos motivos apontados a seguir, os valores ali informados não correspondem aos que se encontram nos extratos de movimentação para a mesma data. Desse modo e nestas circunstâncias, o presente Termo fez distinção entre o estoque aparente (calculado pela planilha), o estoque da custódia (informado nos extratos) e o estoque próprio do aplicador (o total dos papéis que lhe pertencem). As situações que propiciam descasamento entre estas três formas de cômputo de estoque são as seguintes: Conforme discutido na Subseção V.b, as operações a termo foram tratadas como operações comuns de compra, com base nas datas dos pregões de suas contratações. Já suas liquidações aparecem nos extratos de movimentação conforme apresentado na planilha “Termos e sua liquidação”. Portanto, entre as datas de contratação e de liquidação os extratos de movimentação acusam, quando comparados às quantidades computadas na aba “por operação” da planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”, estoques a menor no que tange estritamente aos efeitos de tais operações. Conforme esclarecido nos itens 43 a 45, as 13.000 ações PETR4 classificadas como “a compensar” na planilha “Classificação das STVM.xls”, correspondentes a empréstimos pendentes de devolução em 31/12/2007, foram somadas ao estoque do contribuinte nessa data. Até sua completa devolução em 20/05/2008, conforme quadro do item 43, e no que tange ao estrito efeito de tais operações, o estoque aparente deste ativo esteve majorado nas quantidades apontadas no referido quadro. As movimentações derivadas de operações de empréstimos no BTC realizadas no período pelo fiscalizado, sejam como Fl. 8114DF CARF MF 16 tomador, sejam como doador, não foram incluídas na planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”, visando sua correta apuração de acordo com o caput do art. 3º e o art. 4º da IN RFB nº 742/2007, conforme discutido nos itens 40 e 41 deste Termo. Desse modo, os extratos de movimentação registram a crédito e a débito as quantidades dessas operações, enquanto a planilha “Resultados com operações comuns 2008 2009.xls” não as computa. A planilha “Operações no BTC.xls” elenca as operações de empréstimo via BTC e acompanha o saldo emprestado a (+)/de () terceiros. Os dados ali apresentados foram extraídos dos extratos de movimentação. Conforme demonstra a planilha, o contribuinte esteve tomador no BTC nos períodos discriminados no quadro constante do subitem 76.3 deste TVF. Conforme esclarecido na subseção VI.A deste Termo, as transferências amparadas em STVM e classificadas como Empréstimo/Devolução não foram incluídas na planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”, de modo que seus efeitos aparecem nos extratos de movimentação, mas não estão representados na aba “por operação” da planilha. Particularmente nos casos do quadro inserido no item 76.4 deste Termo, nos quais o contribuinte foi tomador de empréstimos, a não inclusão de tais transferências minora o estoque aparente relativamente ao acusado na custódia, tendendo a causar, no limite, estoque aparente negativo. Seção IX – Dos estoques de ativos ao final do período fiscalizado Quanto aos estoques ao final do período fiscalizado, cabe inicialmente observar as posições do sujeito passivo no BTC conforme extratos (doc. 002J), nos quais constam os dados do quadro inserido no item 77 do TVF. No caso do ativo AGEN11, ao estoque final apontado no extrato de movimentação relativo a dezembro de 2009 (doc.002E) devem ser somadas as 70.300 ações dadas em empréstimo, as quais não foram descontadas nos estoques calculados na aba “por operação” da planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls”; e no caso do ativo VALE5, o estoque apontado no extrato já soma as 338.182 ações tomadas emprestadas, o que, pelos motivos já apontados nos itens 40 e 41, não acontece na referida planilha. Observese que os extratos de movimentação registram apenas as operações de compra e venda realizadas até o pregão de 23/12/2009, liquidadas em 30/12/2009. As operações de compra e venda realizadas a partir do pregão seguinte, de 28/12/2009, foram liquidadas em 2010 e não constam nos referidos extratos. A planilha “Estoques finais comparados.xls” (doc. 014M) apresenta, com base na data de liquidação, a situação dos estoques em 30/12/2009 para uma lista de ativos, fazendo a Fl. 8115DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 10 17 comparação entre os saldos informados nos extratos de movimentação, decomposto em suas diversas carteiras, e o apurado na aba “por operação” da planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls” (doc. 014I) na mesma data. Dos 275 ativos listados, constatamse divergências apenas nos casos incluídos no quadro inserido no item 80 deste TVF. Nesse quadro está demonstrado que as diferenças verificadas ao final do período derivam de divergências entre as quantidades constantes nos extratos de movimentação e os saldos informados pelo contribuinte no início do período. Ou seja, tais diferenças propagaramse identicamente da data inicial para a final. Ressaltese que não houve movimentação de venda para estes ativos durante o período fiscalizado, de modo que tais divergências não tiveram influência sobre os resultados financeiros apurados. Seção X – Dos impostos devidos pelos resultados com renda variável (operações comuns e day trade), dos impostos pagos, das compensações de impostos e do cálculo das restituições disponíveis. Os resultados mensais com operações comuns e com operações day trade foram apurados, respectivamente, na “Seção VIII – Dos resultados com operações comuns de renda variável” e na Seção IV – “Dos resultados com operações day trade”, estando apresentados, já com as devidas compensações de prejuízos e despesas incorridas, nos quadros “Resultados com Compensações de Prejuízos e Cálculo do Imposto Devido” dos Anexos I e II. Os impostos efetivamente pagos (retenção na fonte ou via Darf), estão apresentados nas tabelas “Retenções na fonte em 2008 e 2009 sobre operações de renda variável” e “Impostos pagos via Darf cód. 6015 em 2008 e 2009” do Anexo III. Os quadros Impostos devidos e pagos, compensações de impostos e cálculo das restituições disponíveis nesse Anexo III demonstram, para os anoscalendário de 2008 e 2009, o aproveitamento dos impostos retidos e dos impostos pagos para liquidação, parcial ou total, dos impostos devidos. No que tange aos impostos recolhidos via Darf no código de receita 6015, tais quadros demonstram quais parcelas foram utilizadas para liquidação dos impostos devidos e quais não o foram, ficando assim disponíveis para ressarcimento mediante requerimento do contribuinte. Os quadros são acompanhados dos esclarecimentos quanto aos cálculos neles apresentados. Os valores apurados no Anexo III foram transportados para o Auto de Infração, onde foram calculados os impostos a pagar, as multas e os juros devidos. Ficam disponíveis para restituição, mediante requerimento do contribuinte, nos termos da IN RFB nº 1.300/2012: Fl. 8116DF CARF MF 18 Os valores calculados na coluna “K – Darf cód. 6015 disponível para restituição” do quadro “Impostos Devidos e Pagos, Compensações de impostos e cálculo das restituições disponíveis – AC de 2009” do Anexo III; O valor calculado na coluna “J IR fonte a compensar nos meses seguintes” para o mês 12/2009 no quadro “Impostos Devidos e Pagos, Compensações de Impostos e Cálculo das Restituições Disponíveis – AC de 2009” do Anexo III, desde que não utilizado para compensações em meses subseqüentes. Seção XI – Da apuração relativa à renda variável – Considerações Finais Nas seções precedentes foram apurados os resultados com as operações de renda variável (comuns e day trade) realizadas pelo contribuinte no período fiscalizado. Reiterese que todos os extratos relativos às movimentações e posições de custódia de ativos, de opções, de operações a termo e de empréstimos via BTC foram apresentadas pelo contribuinte. As notas de corretagem da Novinvest Corretora de Valores Mobiliários Ltda, bem como o extrato da conta corrente do sujeito passivo em tal corretora, foram também pelo mesmo. As STVM, assim como documentos relativos a subscrições, Ordens de Transferência de Ativos e demais documentos discutidos na “Seção VI – Das Movimentações Não Incluídas nas Notas de Corretagem”, foram identicamente apresentados pelo contribuinte. Os demonstrativos mensais que serviram de base para a montagem dos estoques e custos dos ativos no início do período fiscalizado, conforme apurado e discutido na “Seção VII – Dos Estoques e Seus Custos no Início do Período Fiscalizado”, também foram apresentados pelo sujeito passivo. Registrese que, para montagem do quadro aqui apresentado, diversos elementos foram colhidos diretamente das manifestações do contribuinte (vejamse suas respostas às intimações nos doc. 002, 005 e 010). Mesmo algumas alegações do contribuinte não terem sido acompanhadas de quaisquer documentos que lhes emprestassem maior certeza, a fiscalização optou por acatálas. Tudo o que se apurou partiu de dados informados pelo contribuinte e a tônica predominante para tanto não foi a de alterar, contradizer, distorcer ou negligenciar tais informações. Ressalva há de ser feita quanto às informações contidas nas Declarações de Ajuste do fiscalizado – justamente o que aqui se tratou de verificar. Cabe ao sujeito passivo responsabilidade relativamente aos dados e documentos apresentados, os quais versam sobre sua própria atividade econômica, ainda que, em certos casos, sejam administrados por terceiros. Citese que o contribuinte é sócioadministrador e responsável pela Novinvest (doc. 019), corretora por meio da qual operou no Fl. 8117DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 11 19 período fiscalizado. Nesta condição, presumese seu domínio sobre as questões aqui tratadas e o material apresentado à fiscalização. Seção XII – Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Por meio do Termo de Intimação Fiscal 01/11/2012 (doc. 009), o contribuinte foi instado a apresentar, relativamente aos valores recebidos de Park Wash Estacionamento SC Ltda – ME, CNPJ 04.460.906/000140, todos os documentos relativos a aluguéis recebidos no anocalendário de 2009, inclusive os contratos de locação e os concernentes às despesas incorridas para percepção da receita, tais como pagamento de comissões, impostos e outras despesas dedutíveis a cargo do locador, nos termos do art. 50 do RIR/99. O contribuinte encaminhou à fiscalização três contratos de locação de imóvel situado à Rua Clélia, 1271, São Paulo (SP), nos quais consta como locatária Sílvia Aleixo, CPF 151.535.36807. De acordo com esses contratos, o contribuinte recebeu R$36.000,00 tanto no AC 2008 quanto no AC 2009. Mesmo intimado, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos comprobatórios de despesas incorridas para percepção dessas receitas. Desse modo, temse que esses valores devem compor a base de cálculo do imposto devido nos correspondentes anos calendário, nos termos da legislação pertinente. No entanto, o contribuinte informou R$10.800,00 no AC 2008 e nenhum valor para o AC 2009. O quadro do Anexo IV – Omissões de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica demonstra o cálculo das omissões ocorridas nesses dois anoscalendário. Seção XIII – Das Retificações das Declarações de Ajuste No item 98 do TVF estão relacionadas as retificações que devem ser promovidas pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste do Imposto de Renda de Pessoa Física, ante o até aqui exposto. Seção XIV – Conclusão Pelos motivos apresentados, foi constituído crédito tributário conforme Auto de Infração do qual o presente Termo é parte integrante. Os cálculos e respectivos enquadramentos legais estão detalhados nos demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal do mesmo Auto. O Processo Administrativo Fiscal originado do referido Auto de Infração (eProcesso) recebeu o número 10880.730894/201201. Nele se encontram os documentos mencionados no presente Termo. Procedeuse no momento ao encerramento parcial da ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo. Darseá o encerramento total Fl. 8118DF CARF MF 20 após a conclusão dos atos imediatamente decorrentes do crédito tributário ora constituído, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011, com as alterações introduzidas pelas Instruções Normativas RFB nº 1.197, de 30 de setembro de 2011, e nº 1.206, de 1º de novembro de 2011. Cópia impressa será enviada para ciência do contribuinte por meio dos Correios, com Aviso de Recebimento (AR), acompanhada de CDRom com as planilhas eletrônicas listadas a seguir, utilizadas para as presentes apurações e eletronicamente anexadas ao doc. 014 do Processo acima identificado, para as quais foram gerados os correspondentes Códigos de Autenticação por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), disponível na internet no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/ArquivosDigitais/ default.htm. Impugnação Cientificado em 17/01/2013 (fls. 5.853/5.854), o contribuinte apresentou, em 07/02/2013, a impugnação de fls. 5860 a 5869, subscrita por ele e por seu procurador, instruída com os documentos de fls. 5.870 6.131, alegando, em síntese, que: I – Nulidade do Auto de Infração A fiscalização, após analisar a documentação por ele entregue, expediu o TVF com CDRom contendo o cálculo por ela apurado onde não constam a metodologia, detalhes e fórmulas transparentes para a conferência adequada das apurações. Assim, ficou consideravelmente prejudicado o seu acesso a todas as informações. A fiscalização lançou vendas antes das compras, considerando as operações de Termo como operações a vista, o que distorceu consideravelmente o resultado. O ato ora impugnado comporta desconstituição, pois para que fosse válido, além de ter sido exarado por agente competente, teria também que estar fundado em pressupostos existentes e corretamente valorado. Tendo o contribuinte cumprido as normas pertinentes, incabível a lavratura do presente AI. II – Operações realizadas no mercado a termo Nos termos da IN RFB nº 1.022/2010, são tributados como aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos nas operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, como é o caso daquelas realizadas no mercado a termo nas bolsas de valores em operações de venda coberta e sem ajustes diários. De acordo com o art. 51 dessa IN, nos mercados a termo, o ganho líquido será constituído, no caso do comprador, pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo e o preço nele estabelecido. Fl. 8119DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 12 21 Por sua vez, o inciso III desse art. estabelece que, no caso de vendedor coberto, será apurado pela diferença positiva entre o preço estabelecido no contrato a termo e o custo médio de aquisição do ativo apurado na forma do art. 47, exceto na hipótese de operação conjugada a que se refere a alínea “b” do inciso I do caput do art. 38. O § 1º do art. 51 determina que, se o comprador não efetuar a venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo, o custo de aquisição do referido ativo será igual ao preço da compra a termo. O presente auto considerou, equivocadamente, operações de compra a termo como operações normais, quando se tratou de operações inversas à referida no art. 38 da IN RFB 1.022/2010, ou seja, venda à vista conjugada com compra a termo, sem baixa no estoque. Desse modo, insubsistente o auto, pois baseouse em pressuposto erroneamente valorado. Tratouse de operações de captação que visavam obter recursos mediante o pagamento de taxa de juros (operação inversa à referida no art. 38 da IN RFB 1.022/2010). Assim, completamente equivocada e errônea a apuração do resultado da venda à vista (com baixa no estoque) antes da liquidação da compra a termo, uma vez que não houve baixa no estoque, tendo sido mantida a sua posição acionária. Vejase, nesse sentido, que a fiscalização utilizou para as vendas a data de liquidação da nota (D3) e para a compra a termo a data da liquidação dos contratos (Dxx), quando o correto seria considerar a compra e venda na data da realização da operação conjugada, na conformidade com interpretação contextual do art. 38 da IN RFB 1.022/2010. Esse procedimento distorceu consideravelmente o custo médio e, consequentemente, o resultado. Se houve venda de ações conjugada com compra a termo (operação de captação/empréstimo de recursos mediante pagamento de juros), deveria, na data da liquidação do termo, apurar o ganho líquido (que na realidade se constitui perda, já que o preço da compra a termo é superior ao da venda à vista), subtraindose o valor da venda à vista do ativo na data da operação pelo valor da compra a termo (preço nele estabelecido, art. 51, inciso I da da IN RFB 1.022/2010). Dentre o total dos contratos a termo (95), 43 estão com a sua liquidação casada diretamente com a quantidade de ações, 23 estão com a quantidade vendida superior ao Termo e em 29 não ocorreu concomitante venda à vista. Desse modo, em pelo menos 43 contratos a fiscalização não considerou que estes estão diretamente conjugados como operações a termo. Fl. 8120DF CARF MF 22 Dos 23 contratos que estão com venda superior às quantidades de compra a termo, de fato ocorreu venda do mesmo título (ação) no mesmo dia e consequentemente na mesma nota de negociação. Em vendas normais, como aquelas ocorridas, coincidentemente, na mesma data da liquidação do termo, referidas quantidades vendidas, superiores aos contratos de compra a termo foram consideradas, pelo contribuinte, com venda normal, com baixa do seu estoque de ações à vista. Dos 29 contratos restantes, verificase que foram apenas encerrados antecipadamente com a liquidação conjugada com as respectivas vendas. Importante fazer referência, inclusive, à descrição que a fiscalização insere na subseção V.b, itens 31 e 32 do TVF. Restou claro que a fiscalização optou pelo método mais simples de construir o AI, considerando tudo como operação normal em prejuízo ao contribuinte. Referese a fiscalização ao contribuinte (item 31 do TVF) como se ele apenas pudesse efetuar operações conjugadas de contrato de termo, não podendo efetuar vendas de seus estoques normais de ações à vista. Em vendas superiores aos contratos de termos, por possuir estoque de ações à vista, efetuava compras e vendas de referidos títulos, diariamente. A fiscalização deixou de proceder à segregação das operações à vista das operações conjugadas com termo, causando uma distorção enorme no resultado, uma vez que, conforme consta do item 32 do TVF, a fiscalização considerou todas as operações de termo como operações à vista. A fiscalização, apesar de citar na Seção XI, itens 87 a 89, que toda a documentação que lhe foi enviada foi utilizada para efeito de cálculo e que o contribuinte é pessoa experiente de mercado e tem domínio sobre a questão e sobre o material apresentado ao fisco, não soube dela se aproveitar para efetuar adquadamente a apuração do resultado das transações. Apresenta planilha e notas de corretagem das 95 operações de Termo conjugadas com as vendas, impressas e em CDR e ressalta que não houve nenhuma operação de Termo sem a respectiva venda à vista. No mercado a termo, compradores e vendedores fixam o preço de uma determinada quantidade de ações para liquidação em uma data futura e predeterminada. O investidor compra ações financiadas, por terceiro, que, por sua vez, cobra uma taxa do investidor que tomou esse financiamento, gerando ao contribuinte em questão, perda referente aos juros pagos. Nessas operações, o prazo mínimo para um contrato de operação a termo é de 16 dias e o máximo é de 90 dias e toda operação a termo exige garantias que devem ser depositadas junto à CBLC. Fl. 8121DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 13 23 Ante o exposto, requer seja julgado insubsistente o presente AI, arquivandose o processo. A DRJ/BHE, por seu turno, julgou a impugnação improcedente, pelas razões que se passa a expor: Da Nulidade da análise dos autos, verificase que o Auto de Infração (AI), o Termo de Verificação Fiscal (TVF) e seus Anexos I a IV descrevem detalhadamente os fatos geradores, o imposto apurado e seus acréscimos legais pertinentes, bem como o enquadramento legal, estando a exigência tributária perfeitamente identificada nesses documentos; o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 17/01/2013, o que lhe permitiu conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado; c) não assiste razão ao contribuinte quando afirma que não constaram do TVF (e seus anexos) elementos que lhe permitissem efetuar a conferência adequada das apurações. A autoridade lançadora, nesse TVF, faz uma extensa exposição dos motivos que originaram o presente auto e detalha os cálculos e respectivos enquadramentos legais; não se comprovou nenhuma hipótese que propicie a nulidade do Auto de Infração, pois os atos e os termos foram lavrados por pessoa competente e não houve preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235/72), além de não se vislumbrar ilegitimidade passiva ou vício formal (Código Tributário Nacional, artigos 142 e 173); caso fosse constatado erro no cálculo do imposto devido caberia retificação do lançamento, e não a sua nulidade; Do mérito pelo que se depreende da alínea “b” do inciso I do caput do art. 38 e do inciso III do art. 51 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010, em casos de venda coberta no mercado a termo que permita a obtenção de rendimentos predeterminados, o resultado será tributado como rendimento de aplicação em renda fixa; quando o investidor conjuga uma compra à vista com uma venda no mercado a termo, coberta com as ações compradas à vista, faz uma operação de renda fixa. Na mesma data, o investidor está realizando duas operações e o seu rendimento é fixado no início da operação e corresponde ao montante de juros definido pela diferença entre o preço de venda a termo e o de compra à vista; essa compra conjugada, abrangida pela operação, não repercute sobre o custo de aquisição de ações de mesma espécie, classe e companhia emissora, eventualmente mantidas em carteira; na subseção V.a do TVF, a autoridade lançadora expõe claramente que não se pode tomar como de renda fixa as operações a termo realizadas pelo contribuinte, evidenciando a natureza de renda variável das operações de compra a termo; somente o vendedor do termo (o financiador da operação caixa citada pelo impugnante e não o tomador da mesma, que é o caso em questão) que realiza Fl. 8122DF CARF MF 24 venda coberta e sem ajustes diários, está amparado pelo § 5º do art. 1º da Lei nº 11.033/2004; além do § 5º do art. 1º da Lei nº 11.033/2004, a autoridade julgadora faz referência ao inciso I e ao § 1º da Instrução Normativa nº 1.022/2010 que trata da constituição do ganho líquido no mercado a termo e do custo de aquisição de ativos adquiridos nesse mercado caso não se efetue a venda do ativo na data de liquidação do contrato a termo; no caso de liquidação física (quando não ocorre venda à vista na data de liquidação do termo), a compra do termo repercutirá sobre o custo de aquisição das ações e que, nesse caso, ao vender posteriormente esses ativos no mercado à vista, mesmo que eles tenham sido total ou parcialmente adquiridos a termo, o investidor deverá apurar o resultado segundo as regras do mercado á vista; a efetiva compra das ações se dá também na “operação caixa”, quando o investidor vende ações no mercado à vista, capitalizandose, e compra imediatamente a mesma quantidade a termo, obtendo assim, recursos sem se desfazer da carteira de ações; haverá resultado a apurar quando é realizada uma venda à vista na mesma data que ocorrer a liquidação do contrato a termo (Inciso I do art. 51 da IN RFB 1.022/2010). Sendo o contrato liquidado por diferença, é necessário apurar o resultado da operação a termo. Não haverá liquidação física, inexistindo repercussão da compra a termo sobre o custo de aquisição das ações eventualmente mantidas em carteira. Para o comprador a termo, quando a compra é liquidada por diferença, o resultado da operação é igual à diferença entre o preço de venda no mercado à vista e o preço fixado no contrato a termo, multiplicada pela quantidade de ações negociadas, descontadas, ainda, as despesas dedutíveis incorridas na venda à vista e na compra a termo; infere que os motivos que levaram a tratar operações a termo como operações comuns de compra, com base nas datas dos pregões de suas contratações estão descritas no item 30 a 32 do TVF. Confirase: 30. Conforme apresentado na subseção anterior, a aba “pela liquidação” da planilha “Termos vs. vendas.xls” (doc. 014F) aponta que das 95 ocasiões em que houve liquidação de termo, em 29 não ocorreu concomitante venda à vista. A planilha mostra ainda que em 23 das demais 66 ocasiões, a quantidade de ações vendidas supera aquela liquidada pelo correspondente termo, não havendo distinção entre umas e outras. Tal situação impossibilita que se proceda de maneira objetiva à segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo sujeito passivo. 31. Ademais, a mesma planilha deixa claro que a frequência com que o sujeito passivo realiza operações de venda não se pauta pela movimentação com termos, sendo muito superior a esta. Em consequência, as operações a termo encontramse, de fato, diluídas em sua movimentação global. 32. Assim, as operações a termo foram tratadas como operações comuns de compra, com base nas datas dos pregões de suas contratações. acrescenta que a Receita Federal do Brasil entende que o fato gerador na alienação de ações ocorre na data do pregão, pois considera o ganho líquido Fl. 8123DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 14 25 sobre renda variável uma modalidade de ganho de capital, com a tributação diferida para o momento da liquidação financeira; faz referência a alegação do contribuinte sobre a apresentação de planilha e notas de corretagem das 95 operações de Termo conjugadas com as vendas, onde o sujeito passivo ressalta não ter havido nenhuma operação de Termo sem a respectiva venda à vista ; reafirma que, de acordo com o inciso I do art. 51 da IN RFB 1.022/2010, o ganho líquido, nos mercados a termo, será determinado pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a Termo e o preço nele estabelecido; relata que as planilhas anexadas e as notas de corretagem apresentadas pelo recorrente (fls. 5871 a 6131) não são suficientes para que seja possível promover a segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo sujeito passivo. O que se pode verificar, segundo afirma, são operações de “rolagem” do termo, com o encerramento de uma posição antiga e a compra de um novo termo; as planilhas que instruíram a impugnação do contribuinte, segundo a DRJ/BHE, demonstram que ele se vale da “rolagem” de termos para manter a posição em relação a um determinado ativo, que consiste na liquidação do termo atual e abertura de um outro termo, ou seja, liquidase um termo “jogandoo” para outro vencimento. Para demonstrar a prática de “rolagem” de termos, recorre ao ativo Petrobrás PN, nota de corretagem n° 65363 da Novinvest, apresentando as seguintes considerações: O autuado efetuou várias compras a termo do ativo Petrobrás PN em 9/1/2008 (data do pregão), com o prazo de vencimento de 30 (trinta) dias, nos moldes adiante discriminados, conforme demonstra a nota de corretagem da Novinvest, fls. 194 e 5874: Tabela 4 Nota de Corretagem Tipo mercado Prazo Ativo Quantidade Preço R$ Valor operação R$ CTermo 30 Petrobrás PN 21.060 83,75 1.763.775,00 CTermo 30 Petrobrás PN 21.060 83,75 1.763.775,00 Subtotal 42.120 3.527.550,00 CTermo 30 Petrobrás PN 38.940 83,76 3.261.614,40 CTermo 30 Petrobrás PN 38.940 83,76 3.261.614,40 Subtotal 77.880 6.523.228,80 Total 120.000 10.050.778,80 Os termos contratados em 09/01/2008 foram “rolados” na nota de 01/02/2008, liquidada financeiramente em 08/02/2008, conforme demonstra o extrato de conta corrente do contribuinte junto à corretora Novinvest, fls. 2.507, e nota de corretagem da Novinvest, fls. 276, mediante os seguintes registros: Tabela 5 Extrato de Conta Corrente Mov Liq Histórico Débito Crédito 1/2/2008 8/2/2008 Liq. De oprs de Bolsa conf. nt. 68466 pregão de 01/02/2008 9.586.942,02 Fl. 8124DF CARF MF 26 8/2/2008 8/2/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 09/01/2008 0000202.76 002969910 1.763.775,00 8/2/2008 8/2/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 09/01/2008 0000202.77 002969911 3.261.614,40 8/2/2008 8/2/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 09/01/2008 0000202.74 002969908 1.763.775,00 8/2/2008 8/2/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 09/01/2008 0000202.75 002969909 3.261.614,40 Em 01/02/2008 (data do pregão), com prazo de vencimento de 31 (trinta e um) dias, o contribuinte efetuou várias compras a termo do ativo Petrobrás PN, nos seguintes moldes, oriundos da nota de corretagem Novinvest nº 68466, fls. 275 e 5882. Tabela 6 Nota de Corretagem Tipo mercado Prazo Ativo Quantidade Preço R$ Valor operação R$ CTermo 31 Petrobrás PN 9.636 81,02 780.708,72 CTermo 31 Petrobrás PN 10.364 81,03 839.794,92 CTermo 31 Petrobrás PN 10.853 81,06 879.744,18 CTermo 31 Petrobrás PN 13.147 81,07 1.065.827,29 CTermo 31 Petrobrás PN 16.720 82,64 1.381.740,80 CTermo 31 Petrobrás PN 59.280 82,65 4.899.492,00 Total 120.000 9.847.307,91 Os termos contratados em 01/02/2008 foram liquidados em 03/03/2008, conforme demonstra o extrato de conta corrente do contribuinte junto à corretora Novinvest, fls. 2.510, mediante os seguintes registros: Tabela 7 Extrato de Conta Corrente Mov Liq Histórico Débito Crédito 27/2/2008 3/3/2008 Liq. de oprs de Bolsa conf. nt. 71888 pregão de 27/02/2008 9.999.638,13 3/3/2008 3/3/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 01/02/2008 0000668.80 003120230 780.708,72 3/3/2008 3/3/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 01/02/2008 0000672.61 003119747 1.381.740,80 3/3/2008 3/3/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 01/02/2008 0000668.81 003120231 839.794,92 3/3/2008 3/3/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 01/02/2008 0000672.62 003119748 4.899.492,00 3/3/2008 3/3/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 01/02/2008 0000669.59 003120246 879.744,18 3/3/2008 3/3/2008 L.P.D. OPERACAO A TERMO 01/02/2008 0000669.60 003120247 1.065.827,29 prossegue a DRJ/BHE, afirmando que o que o impugnante deveria ter demonstrado era quais vendas à vista encerraram os contratos de compra a Fl. 8125DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 15 27 termo, o que permitiria a segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo contribuinte; a diferença principal entre as operações no mercado a termo e no mercado à vista está no fato de que no primeiro (a termo) a liquidação é diferida segundo a vontade dos contratantes. o impugnante afirma que a fiscalização deixou de proceder à segregação das operações à vista das operações conjugadas com termo, o que causou “uma enorme distorção no resultado”. Se o contribuinte afirma ser possível segregar tais operações, que as apresentasse junto com a peça impugnatória mediante documentos hábeis a demonstrála, o que permitiria à administração tributária, ainda que em fase do contencioso, verificar a sua veracidade. y) se o autuado afirma que a segregação é possível e que o imposto apurado pela fiscalização não é o devido, deveria ter apresentado documentação comprobatória, detalhando as inconsistências detectadas; z) o AI e o TVF trazem uma extensa exposição dos motivos que originaram o presente auto e detalham os cálculos e respectivos enquadramentos legais, não sendo procedente a alegação do contribuinte de que tais documentos (AI e TVF) não lhe permitiram efetuar uma “conferência adequada das apurações”. Inconformado o sujeito passivo apresentou recurso voluntário no qual repisa questões trazidas na impugnação e acrescenta, em síntese, o que segue: a acusação fiscal em comento não encontra sustentação na realidade fática, visto que a omissão/incorreção não ocorreu, vez que as operações discutidas no presente caso têm natureza de renda fixa (captação de recursos); segundo o acórdão recorrido, a documentação trazida aos presentes autos, ainda que representativa de todas as operações realizadas no mercado financeiro e de capitais pelo recorrente nos anos de 2008 e 2009, não foi suficiente para demonstrar, cabalmente, que as operações a termo foram, de fato, concluídas conforme determina a sua legislação de regência. Transcreve o seguinte trecho da decisão atacada: “(...) O que o impugnante deveria ter demonstrado era quais vendas à vista encerraram os contratos de compra a termo, o que permitiria a segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo contribuinte. (...) O impugnante afirma que a fiscalização deixou de proceder à segregação das operações à vista das operações conjugadas com termo, o que causou “uma enorme distorção no resultado”. Ora, se o contribuinte afirma ser possível segregar tais operações, que as apresentasse junto com a peça impuqnatória mediante documentos hábeis a demonstrála. o que permitiria à administração tributária, ainda que em fase do contencioso, verificar a sua veracidade. Nos termos do art. 9o do Decreto n° 70.235/1972, o auto de infração deve ser instruído com provas que fundamentem o lançamento, o que ocorreu no presente processo administrativo fiscal. Por sua vez, o art. 16, inciso III desse mesmo Decreto, estabelece que a impugnação Fl. 8126DF CARF MF 28 mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Desse modo, se o autuado afirma que a segregação é possível e que o imposto apurado pela fiscalização não é o devido, deveria ter apresentado documentação comprobatoria. detalhando as inconsistências detectadas. Como já mencionado neste voto, o Al e o TVF trazem uma extensa exposição dos motivos que originaram o presente auto e detalham os cálculos e respectivos enquadramentos legais, não sendo procedente a alegação do contribuinte de que tais documentos (Al e TVF) não lhe permitiram efetuar uma “conferência adequada das apurações”. Assim, não tendo o impugnante apresentado documentação hábil a alterar o presente lançamento, resta a esta autoridade julgadora concluir que o crédito tributário ora exigido deve ser mantido em sua totalidade.” (Destaques do RECORRENTE). segundo o entendimento da DRJ, o recorrente não logrou êxito em demonstrar o encerramento das 95 (noventa e cinco) operações que realizou durante o período fiscalizado, segregandoas das operações comuns, motivo pelo qual entendeu por bem manter o lançamento fiscal em sua integralidade; as operações realizadas pelo recorrente têm natureza de renda fixa (captação de recursos), inexistindo os supostos ganhos líquidos e Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) a pagar imputados pela RFB; todos os argumentos, informações, documentos e afins já foram devidamente apresentados nos presentes autos, desde o início da Fiscalização; a parte mais relevante da autuação ora combatida quase que a integralidade do Al lavrado diz respeito a 95 (noventa e cinco) operações que foram desconsideradas pela autoridade administrativa, e tratadas como operações comuns para fins de tributação (fls. 21/43). em razão de a fiscalização ter sido conduzida por órgão especializado da RFB, o recorrente sempre esteve certo de que o Fisco conseguiria identificar facilmente as operações a termo por ele realizadas, o que não ocorreu objetivando demonstrar a regularidade das operações a termo em comento, o recorrente apresentou uma peça impugnatória clara, objetiva e devidamente instruída com cópia dos documentos já constantes dos autos (para fins meramente de evidenciar os seus argumentos), apontando os motivos pelos quais as suas operações jamais poderiam ser consideradas como operações comuns e tributadas como operações de renda variável; com o intuito de facilitar a constatação das informações referentes a tais operações, apresentará, como anexo, um “jogo” de documentos contendo as notas de corretagem referentes a cada uma das operações, bem como o “conta corrente” de movimentação dos ativos financeiros correlatos; no mercado a termo, o investidor se compromete a vender e/ou comprar certa quantidade de determinado ativo financeiro por um preço fixo e dentro de um prazo determinado. Tais operações geralmente ocorrem de maneira conjugada. Reproduz conceito extraído de apresentação da BM&FBOVESPA, operação a termo; no caso sob análise, vendia à vista uma determinada quantidade de ações de sua propriedade, e na mesma ocasião, por meio da mesma nota de Fl. 8127DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 16 29 corretagem, realizava, de maneira conjugada, a compra a termo da mesma quantidade de posições acionárias; o preço objeto da transação a termo é formado pelo mesmo preço do valor da venda à vista, acrescido do montante correspondente aos juros relativos ao custo do dinheiro no tempo. Da mesma maneira, dada a configuração de venda e compra conjugadas, jamais ocorreu qualquer variação no “estoque” de suas ações; ao vender à vista e comprar a termo, seu intuito era obter recursos sem precisar recorrer à quaisquer instituições financeiras ou se desfazer de seus bens. No momento da venda à vista, percebia os valores correspondentes a essa operação. O pagamento da compra realizada, por sua vez, somente ocorreria no momento do vencimento do termo, o que geralmente ocorria 30 (trinta) dias depois; no lapso temporal compreendido entre a liquidação financeira da venda à vista e da compra a termo, valiase dos valores percebidos na operação para realizar diversas atividades, tais como a aquisição de bens móveis e imóveis, e, até mesmo, outras posições acionárias. As operações de venda à vista e a compra a termo eram realizadas concomitantemente (apenas as datas de liquidação financeira eram diferentes); essa estratégia de obtenção de recursos (financiamento) é uma prática corriqueira no mercado financeiro e de capitais, sendo mencionada e por que não dizer: recomendada, no próprio sítio eletrônico da BM&FBOVESPA3, nos seguintes termos: “Mercado a Termo (...) Estratégias (...) Obter Recursos (operação caixa): para detentores de carteiras que precisam de recursos para uma aplicação rápida, mas não querem se desfazer de nenhuma ação. A alternativa de vender a vista para imediata compra a termo do mesmo papel permite ao aplicador fazer caixa e, ao mesmo tempo, manter sua participação na empresa.” as operações a termo, tais quais as realizadas no presente processo, configuram operações conjugadas em que os juros (custo da operação) são predeterminados, motivo pelo qual são tratadas pela legislação vigente, como operações de renda fixa (empréstimos). Reproduz o § 5º do art. 1º da Lei n° 11.033/2004, o caput e inciso I do art. 38 e o art. 51 da Instrução Normativa RFB n° 1.022/2010, que respaldariam sua tese; os comandos normativos referenciados determinam que, nos mercados a termo, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor da compra à vista do ativo e o de venda a termo, na data da liquidação do contrato, entretanto, no caso em tela, sequer existiu apuração de ganho, visto que sempre figurou na “ponta” contrária dessas operações, ou seja, incorreu em “prejuízo” na medida em que vendeu a vista e comprou (por preço superior) a termo, incorrendo nos juros correspondentes sem alteração de estoque de volume de ações; Fl. 8128DF CARF MF 30 o inciso III do art. 51 da IN/RFB n° 1.022/10 estabelece, de forma clara e incontestável, o ganho líquido, no caso de vendedor coberto, pela diferença positiva entre o preço constituído no contrato a termo e o custo médio de aquisição do ativo apurado na forma do art. 47, exceto na hipótese de operação conjugada a que se refere a alínea “b” do inciso I do caput do art. 38. O Fisco entendeu que as operações realizadas pelo recorrente no curso dos anos de 2008 e 2009 não se tratavam de operações a termo, e, consequentemente, tributadas como operações de renda fixa, mas sim, de operações comuns; as operações discutidas no presente caso são, justamente, situações análogas, porém inversas, àquelas descritas no art. 38 da IN/RFB n° 1.022/10, na medida em que compreendem venda à vista conjugada com compra à termo, sem baixa no estoque; ao desconsiderar as operações a termo em questão, deixando de aplicar a legislação acima referenciada art. 38 da IN/RFB n° 1.022/10 , a RFB acabou por apurar um lucro indevido, uma vez que o recorrente não apurou ganho financeiro nas operações, ao contrario, incorreu no pagamento de juros e era possuidor de estoque anterior das posições acionárias, o qual se manteve inalterado; a RFB entendeu que, das 95 (noventa e cinco) operações ocorridas no ano de 2008, 43 (quarenta e três) delas representavam casos conjugados diretamente com as vendas, 23 (vinte e três), casos com vendas superiores as compras a termo, e 29 (vinte e nove) casos com vendas ocorridas em diversas datas. Assim, deveria, de plano, ter reconhecido, como operações a termo, pelo menos as 43 (quarenta e três) operações devidamente identificadas; No tocante às 23 (vinte e três) operações a termo que, segundo o entendimento do Fisco, apresentam “venda superior”, é importante notar que, na mesma data e na mesma nota de corretagem, ocorreu venda casada com termo e venda a vista de operações normais com o mesmo tipo de ação, que, como é sabido, constituem vendas definitivas de seu estoque e apuração de resultado segregado; quanto às 29 (vinte e nove) operações restantes, as vendas diversas foram devidamente identificadas e apresentadas à RFB no curso do processo fiscalizatório, e serão abordadas novamente na demonstração que seguirá à presente explicação; w) o equívoco da RFB na correta identificação de tais operações a termo, e sua consideração como operações comuns, foram responsáveis pela apuração de um lucro indevido, que não representa, de forma alguma, acréscimo patrimonial no período compreendido entre 2008 e 2009. Reproduz critério de apuração de resultado adotado por si e pelo Fisco para afirmar que a autoridade autuante teria cometido equívoco. Vejamos: Apuração segundo o critério do Fisco (equivocado): PETROBRAS PN DESCRIÇÃO QUANTIDADE CUSTO MÉDIO DE AQUISIÇÃO TOTAL Estoque anterior 31.12.2007 360.300 14,8655 5.356.051,00 Compra a Termo 09.01.2008 Nota 65363 120.000 83,7565 10.050.078,00 Estoque Atual 480.300 32,0976 15.406.829,80 Venda 09.01.2008 Nota 65363 120.000 83,1000 9.972.000,00 Custo médio Aquisição 120.000 32,0976 3.851.707,45 Fl. 8129DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 17 31 Lucro 6.120.292,55 Apuração segundo o critério do RECORRENTE (correto): Compra a Termo de 120.000 ações PETROBRAS em 09.01.2008 Nota 65363 10.050.078,00 Venda de 120.000 ações PETROBRAS em 09.01.2008 Nota 65363 9.972.000,00 Resultado Prejuízo Juros da operação (78.780,00) a RFB simplesmente ignorou a natureza de operações a termo e as considerou como sendo meras operações de compra e venda a vista de posições acionárias. Como o recorrente apresentava estoque anterior de ações, adquiridas há muito, e com valor bastante reduzido (o que implica necessariamente no baixo custo do estoque) o resultado das operações, segundo a premissa adotada pelo Fisco redundou no lucro indevido ora tributado; apresenta quadros que, consoante aduz, demonstram cada operação realizada, as quais são comprovadas documentalmente com as respectivas notas de corretagem e “marcação” nos extratos de conta corrente onde estão descritos os valores das respectivas liquidações (mais uma vez trazidas aos presentes autos). As vendas à vista estão casadas com as mesmas quantidades de compras à termo, o que, por si só, caracteriza o tipo de operação descrito no corpo do presente recurso, qual seja: de captação de empréstimo com pagamento de juros (diferença entre o preço da venda à vista e da compra à termo). infere que os demonstrativos trazidos evidenciam que não se apurou lucro nas operações a termo realizadas no período discutido nesses autos (pelo contrário), não havendo que se falar no montante apontado como devido pelo Fisco no AI, que é totalmente dissociado da realidade fática e fruto de uma premissa completamente equivocada; além das operações a termo convencionais, utilizouse também de ações negociadas em Bolsa para tomar empréstimo em dinheiro (por meio de operações de venda a vista conjugada com compra a termo), a parte também se valeu de operações denominadas de “box de opções” para o mesmo fim; O box de opções consiste em uma operação estruturada que compreende a compra e venda de opções de compra e de opções de venda (4 operações agrupadas), que são exercidas de acordo com a conveniência das partes e contrapartes em razão dos respectivo preços de exercícios das opções. Essas combinações em posições de opções resultam em rendimento/pagamento de juros préfixados; seu único intuito, tal qual nas operações a termo anteriormente mencionadas, era captar recursos financeiros para a realização de atividades variadas. Em razão disso, o resultado dos “box de opções” somente gerou prejuízo para fins de tributação, na medida em que. no encerramento da operação, davase o pagamento de determinada taxa de juros; nas respectivas datas de exercício dessas opções de ações, a finalização da operação ocorria com a devolução do valor tomado e o pagamento dos juros (embutidos nas operações). Faz referência à alínea “a” do inciso I do art. 38 Fl. 8130DF CARF MF 32 da Instrução Normativa RFB n° 1.022/2010 a qual determina que os resultados das operações realizadas por meio de “box de opções” são tributados como aplicações financeiras de renda fixa; para o tomador de recursos (como no caso do recorrente) houve pagamento de juros na conclusão da operação, acarretandolhe prejuízo; apresenta quadros os quais, segundo infere, demonstra a efetiva configuração das operações de “box de opções” que realizou no período compreendido entre 2008 e 2009 as operações acima demonstradas box de opções somente geraram prejuízo, na medida em que nas datas de exercício das opções, a operação era concluída com a devolução do valor tomado acrescido do valor correspondente aos juros; não houve, em qualquer uma das operações acima detalhadas, lucro passível de tributação pelo IRPF, restando claro que a presente autuação fiscal é indevida e merece ser reformada; resta demonstrado que todas as operações que são objeto do presente caso 95 operações, sendo, 90 utilizandose o mercado a termo e 5, utilizandose do mercado de opções de ações (box) estão sujeitas à tributação inerente a tomada de empréstimos, inversas às aplicações de renda fixa, e não à tributação correlata à renda variável; Requer, por fim, o provimento do recurso voluntário, reconhecendose que as operações realizadas no período objeto da fiscalização tratamse de captação de recursos (empréstimo) por meio do mercado a termo e de opções, que não estão sujeitas à tributação de renda variável, ou, subsidiariamente, seja o julgamento convertido em diligência para que a autoridade administrativa responsável pelo lançamento fiscal analise a segregação das operações, conforme apresentada no recurso voluntário. Em 07/10/2016, portanto muito depois do término do prazo para a apresentação de recurso voluntário, o sujeito passivo atravessou petição (fls. 6702/6706), repisando alegações suscitadas na peça recursal. Como anexo à referida petição foram juntados Termo de Constatação elaborado pela KPMG Assessores Ltda. (fls. 6708/7281), notas de corretagem e outros documentos relativos às operações realizadas (fls. 7282/8098). É o relatório. Fl. 8131DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 18 33 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo, entretanto deve ser conhecido parcialmente, haja vista a apresentação de recurso complementar acompanhado de “Termo de Constatação”, após expirado o prazo para tal. Do mesmo modo, há matéria que não foi objeto da impugnação ou da decisão a quo que também não merece conhecimento. Considerações Gerais Conforme relatado acima, embora o Auto de Infração objeto do presente processo administrativo trate também de omissões de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, e em razão da apuração incorreta de ganhos em operações “daytrade” no mercado à vista de ações, a lide somente persiste com relação à omissão de rendimentos decorrente da apuração incorreta de ganhos em operações comuns no mercado à vista de ações. Essas transações incluem, além de operações a termo, operações com opções, as quais abrangem compra, venda e exercício dessas opções. A planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls” (doc. 014I – fls. 4242/5673) relaciona as inúmeras operações comuns identificadas no procedimento fiscal e determina o resultado financeiro de cada uma dessas operações, sendo que a peça recursal se volta exclusivamente para 90 (noventa) operações a termo e 5 (cinco) operações denominadas “box de opções”. Argumentações e Documentos Apresentados após o Prazo de Recurso Voluntário De início, convém emitir juízo acerca dos documentos de fls. 6702/8097. Tratase de recurso complementar carreado aos autos em 7/10/2016, acompanhado de cópias de notas de corretagem, ordens de compra e outros documentos trazidos em fases processuais anteriores, além de documento denominado “Termo de Constatação”, elaborado pela empresa KPMG Assessores Ltda. De se ressaltar que o contribuinte foi cientificado do acórdão de primeira instância administrativa em 17/10/2013. Além disso, o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 (norma recepcionada pela Constituição/1988 com status de lei ordinária e que regulamenta o processa administrativo fiscal em âmbito federal) estabelece que prazo para a apresentação de recurso voluntário é de trinta dias, contados da ciência da decisão de piso. Assim, considerandose que a complementação do recurso e o Termo de Constatação foram carreados aos autos muito depois de expirado o prazo legalmente estabelecido, referidas peças não podem ser conhecidas como parte integrante do recurso voluntário. Quanto aos demais documentos, por terem sido disponibilizados ainda no decorrer do procedimento fiscal, não há óbice a seu exame. Por essas razões, não conheço do recurso complementar e do Termo de Constatação apresentados extemporaneamente. Fl. 8132DF CARF MF 34 Pedido de Conversão do Julgamento em Diligência Informa o recorrente que todos os argumentos, informações e documentos relacionados às suas operações no mercado de ações foram devidamente apresentados nos autos, desde o início da fiscalização. Aduz que, tendo o procedimento fiscal sido conduzido por órgão especializado da RFB, esteve certo de que a autoridade autuante conseguiria identificar facilmente as operações a termo por ele realizadas, mas que isso não teria ocorrido. Requer que o julgamento seja convertido em diligência para que a autoridade administrativa analise a segregação das operações, conforme apresentada nos quadros que integram o recurso voluntário, os quais demonstrariam que essas operações a termo e de “box de opções” realizadas no período fiscalizado teriam natureza de captação de empréstimo com pagamento de juros e que somente teriam gerado prejuízos, tendo em vista que vendeu ações à vista e comprou (por preço superior) a termo, incorrendo nos juros correspondentes sem alteração de estoque de volume de ações. Do exame do termo de verificação fiscal, constatase que a autoridade autuante não olvidou das questões apontadas na peça recursal, tampouco mostrouse incapaz de identificar as operações a termo ou aquelas havidas no mercado de opções, como quer fazer crê o sujeito passivo, até porque, todas essas operações, consoante informado acima, encontramse corretamente identificadas na planilha “Resultados com operações comuns 20082009.xls” (doc. 014I). Vejase que, ao revés do que se afirma no recurso voluntário, o lançamento decorreu do entendimento segundo o qual, nas operações a termo, ainda que conjugadas com vendas à vista, para investidor que figura na condição de comprador do termo (como é o caso) tais operações teriam natureza de renda variável, sendo que seu resultado deve ser aferido na data da liquidação desses termos. Por outro lado, as alegações apresentadas pelo recorrente, de que teria ocorrido distorções no valor do imposto apurado, não vieram acompanhadas de documentos aptos a comproválas. Desse modo, a conversão do julgamento em diligência se prestaria tão somente a protelar a conclusão do litígio, tendose em conta que, de acordo com o que afirma o próprio sujeito passivo, os elementos de prova trazidos na peça recursal em nada se diferem daqueles apresentados por ocasião do procedimento fiscalizatório, ou seja, a autoridade autuante já emitiu juízo respeito de tais documentos, bem assim sobre os argumentos expostos no recurso. O fato de o sujeito passivo ter apresentado quadros em que conjuga compras a termo com vendas à vista, a meu ver, em nada alteraria as conclusões estampadas no Termo de Verificação Fiscal, visto que os critérios adotado em sua elaboração vão de encontro ao entendimento esposados pela autoridade autuante. Quanto as operações denominadas “box de opções”, as considerações a seu respeito serão realizadas no tópico subsequente. Dassarte, indefiro o pedido de diligência. Fl. 8133DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 19 35 Mérito BOX DE OPÇÕES Com relação às operações estruturadas sob a forma de “box de opções”, conquanto a situação do contribuinte não se enquadre na alínea “a” do inciso I do art. 38 da Instrução Normativa nº 1.022/2010, conforme aduzido no recurso, essa matéria não foi objeto de impugnação e nem de qualquer tipo de comentário no acórdão da DRJ/BHE. A respeito da impugnação, dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Sobre o recurso voluntário, o art. 33 do mesmo Decreto estabelece: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da combinação dos dispositivos legais acima reproduzidos verificase que o recurso voluntário deve aterse a matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, operandose a preclusão em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas na decisão atacada. Assim, não conheço do recurso voluntário no que respeita o presente tema. OPERAÇÕES A TERMO Sobre as operações realizadas no mercado a termo, as alegações recursais se voltam predominantemente para o fato de que tais operações teriam natureza de renda fixa e, no caso do recorrente, captação de recursos no mercado com pagamento de juros, gerando prejuízos e não de ganho de capital. Segundo o recorrente, o inciso III do art. 51 da Instrução Normativa RFB n° 1.022/10 estabelece que, no caso de vendedor coberto, o ganho líquido é apurado pela diferença positiva entre o preço estabelecido no contrato a termo e o custo médio de aquisição do ativo, exceto na hipótese da operação conjugada referida na alínea “b” do inciso I do caput do art. 38 da norma, que tratase de operação de renda fixa. Argumenta que, no caso ora analisado, as operações levadas a efeito pelo no período fiscalizado seriam situações análogas, porém inversas, àquelas descritas no art. 38 da indigitada Instrução Normativa, na medida em que compreendem venda à vista conjugada com compra à termo, sem baixa no estoque. Fl. 8134DF CARF MF 36 De início, importa reproduzir trechos do art. 1º da Lei nº 11.033/2004 e do art. 38 da revogada Instrução Normativa 1.022/20101, que estabelece o tratamento a ser dado às operações de venda no mercado a termo: LEI Nº 11.033/2004 Art. 1º Os rendimentos de que trata oart. 5oda Lei no9.779, de 19 de janeiro de 1999,relativamente às aplicações e operações realizadas a partir de 1ode janeiro de 2005, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, às seguintes alíquotas [...] § 5º Consideramse incluídos entre os rendimentos referidos pelo art. 5oda Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, os predeterminados obtidos em operações conjugadas, realizadas nos mercados de opções de compra e de venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (box), no mercado a termo nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, em operações de venda coberta e sem ajustes diários, e no mercado de balcão. INSTRUÇÃO NORMATIVA 1.022/2010 Art. 38. São também tributados como aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos: I nas operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, tais como as realizadas: a) nos mercados de opções de compra e de venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (box); b) no mercado a termo nas bolsas de que trata a alínea " a", em operações de venda coberta e sem ajustes diários; [...] Vejase que as disposições normativa encimadas não deixam quaisquer dúvidas de que são tributados como aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos no mercado a termo, em operações de venda coberta e sem ajustes diários, ou seja, como o recorrente figura em todas as em todas as operações objeto de lançamento na condição de comprador dos termos, não há como aplicar à sua situação o procedimento definido na alínea “a” do inciso I do art. 38 da Instrução Normativa nº 1.022/2010. O próprio recorrente reconhece que os dispositivos em comento não lhe alcançam quando infere que sua condição e a condição do vendedor do termo tratamse de “situações análogas, porém inversas”. Há de se frisar, portanto, que a Instrução Normativa nº 1.022/2010 e a lei que lhe dá suporte (Lei nº 11.033/2004) não servem de supedâneo às pretensões do contribuinte. Asseverese que o dispositivo da Instrução Normativa referese a compra à vista de ações conjugada com venda a termo, não se lhe aplicando ao caso do recorrente que se 1 Embora a Instrução Normativa RFB nº 1.020/2010 tenha sido revogada, o ato normativo que regulamenta atualmente a matéria (Instrução Normativa RFB nº 1.585/2015) não trouxe qualquer inovação em relação ao texto anterior. Fl. 8135DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 20 37 trata de venda à vista de ativos conjugada com compra a termo, isto é, a interpretação levada a efeito na peça recursal carece de amparo legal! Outra questão que merece comentário referese à asserção reiteradamente levantada no recurso voluntário de que as operações sobre as quais o lançamento foi efetuado tratase a captação de recursos no mercado com pagamento de juros e respectiva geração de prejuízos. Por certo, como o IRPF, em se tratando do mercado de renda variável, incide sobre o acréscimo patrimonial, sentido nenhum haveria em se cobrar o imposto em face de operações que tivessem ocasionado algum tipo de perda ao contribuinte. Para examinar essa situação, reproduzse dois dos noventa quadros apresentados no recurso voluntário, os quais evidenciariam os prejuízos experimentados pelo sujeito passivo e a ilegitimidade do lançamento nas operações a termo2: OPERAÇÃO 2 (Conta corrente: DOC. 03; Nota de Corretagem: DOC. 05): CT/ VV Nº Nota Pregão Título Quantidade preço Valor custo dos juros Prejuízo CT 65607 11/01/2008 VALE PNA 23.680 49,56 1.173.580,80 CT 65607 11/01/2008 VALE PNA 16.320 49,57 808.982,40 VV 65607 11/01/2008 VALE PNA 40.000 49,20 1.968.000,00 14.563,20 OPERAÇÃO 41 (Conta corrente: DOC. 03; Nota de Corretagem: DOC. 44); CT/ VV Nº Nota Pregão Título Quantidade preço Valor custo dos juros Prejuízo CT 86058 30/05/2008 PETROBRAS PN 12.500 50,44 630.500,00 CT 86058 30/05/2008 PETROBRAS PN 12.500 50,45 630.625,00 CT 86058 30/05/2008 PETROBRAS PN 26.031 50,47 1.313.784,57 CT 86058 30/05/2008 PETROBRAS PN 28.969 50,48 1.462.355,12 VV 86058 30/05/2008 PETROBRAS PN 80.000 50,02 4.001.650,00 35.614,69 Antes de adentrar a discussão acerca da metodologia utilizada pelo recorrente, e que redundou na apuração de prejuízos em todas às noventa operações de compra de termo por ele realizadas, fazse mister reproduzir os dispositivos da Instrução Normativa nº 1.022/2010, que regula a questão: Art. 51. Nos mercados a termo, o ganho líquido será constituído: I no caso do comprador, pela diferença positiva entre o valor da venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo e o preço nele estabelecido; II no caso do vendedor descoberto, pela diferença positiva entre o preço estabelecido no contrato a termo e o preço da compra à vista do ativo para a liquidação daquele contrato; III no caso de vendedor coberto, pela diferença positiva entre o preço estabelecido no contrato a termo e o custo médio de aquisição do ativo apurado na forma do art. 47, exceto na 2 Os demais quadros evidenciam situações semelhantes. Fl. 8136DF CARF MF 38 hipótese de operação conjugada a que se refere a alínea " b" do inciso I do caput do art. 38. § 1º Se o comprador não efetuar a venda à vista do ativo na data da liquidação do contrato a termo, o custo de aquisição do referido ativo será igual ao preço da compra a termo. Neste ponto, impende ressalvar que, diferentemente do que se depreende do recurso voluntário, em nenhum momento o Fisco externou entendimento de que, a despeito do disposto no inciso III do art. 51 da Instrução Normativa nº 1.022/2010, as operações realizadas pelo recorrente no curso dos anos de 2008 e 2009 não se tratavam de operações a termo. Em verdade, o Termo de Verificação Fiscal (Subseção V.a) trouxe alguns exemplos nos quais buscou “evidenciar a natureza de renda variável nas operações de compra a termo”. Não se trata de descaracterizar as operações, mas de definir sua substância para lhe impingir o adequado tratamento tributário. De mais a mais, o caso que aqui se examina nem está enquadrado no inciso III do art. 51 da Instrução Normativa supra e sim no inciso I do caput e no § 1º de referido artigo. Apercebase que, com relação ao comprador a termo há duas possibilidades a se considerar, ambas na data da liquidação do contrato a termo. Nesta data (da liquidação) o comprador do termo poderá: a) vender à vista as ações adquiridas por intermédio do termo. Neste caso, o resultado da operação será a diferença entre o que recebeu pela venda e o que pagou pelo termo; ou b) não vender à vista as ações adquiridas por intermédio do termo. Em se configurando essa situação, as ações serão incorporadas ao seu estoque pelo custo de aquisição que corresponde ao valor pago pelo termo. Para que reste caracterizada a situação descrita no item “a”, que se amolda ao caso em análise, o resultado deverá ser apurado, reiterese, na data de liquidação do termo, que é o momento em que o comprador passa a dispor das ações assim adquiridas. Ocorre que, para evidenciar prejuízo em suas operações (vide quadros reproduzidos acima), o recorrente apura seus resultados na data de contratação dos termos, ou seja, em momento diverso daquele estabelecido na norma de regência e, por conseguinte, em desacordo com referida norma. Com o intuito de melhor retratar a natureza das operações a termo, tanto sob a ótica do vendedor quanto do comprador, insta transcrever os quadros apresentados nos itens 22 e seguintes do Termo de Verificação Fiscal: Operações a termo (comprador – renda variável) Lin ha Tipo COD. NEG Pregão da negociação Data da liquidação Quantidade liquidada Valor R$ Resultado para o comprador do termo 1 LIQ. TERMO VALE5 17/12/2007 15/01/2008 40.000 1.931.523,66 2 VENDAS VALE5 11/01/2008 16/01/2008 40.000 1.967.212,79 35.689,13 3 LIQ. TERMO VALE5 11/01/2008 08/02/2008 40.000 1.983.851,85 4 VENDAS VALE5 06/02/2008 11/02/2008 40.000 1.822.870,52 160.981,33 5 LIQ. TERMO VALE5 06/02/2008 06/03/2008 40.000 1.840.660,96 6 VENDAS VALE5 04/03/2008 07/03/2008 40.000 1.986.403,92 145.742,96 7 LIQ. TERMO PETR4 09/01/2008 07/02/2008 120.000 10.057.311,80 Fl. 8137DF CARF MF Processo nº 10880.730894/201201 Acórdão n.º 2402005.843 S2C4T2 Fl. 21 39 8 VENDAS PETR4 01/02/2008 08/02/2008 120.000 9.767.971,23 289.340,57 9 LIQ. TERMO PETR4 01/02/2008 29/02/2008 120.000 9.853.708,62 10 VENDAS PETR4 27/02/2008 03/03/2008 120.000 10.061.573,45 207.864,83 Operações a termo (vendedor – renda fixa) Lin ha Tipo COD. NEG Valor R$ Resultado para o comprador do termo Resultado para o vendedor do termo 1 LIQ. TERMO VALE5 1.931.523,66 2 VENDAS VALE5 1.967.212,79 35.689,13 3 LIQ. TERMO VALE5 1.983.851,85 16.639,06 4 VENDAS VALE5 1.822.870,52 160.981,33 5 LIQ. TERMO VALE5 1.840.660,96 17.790,44 6 VENDAS VALE5 1.986.403,92 145.742,96 7 LIQ. TERMO PETR4 10.057.311,80 8 VENDAS PETR4 9.767.971,23 289.340,57 9 LIQ. TERMO PETR4 9.853.708,62 85.737,39 10 VENDAS PETR4 10.061.573,45 207.864,83 Os quadros extraídos do Termo de Verificação Fiscal evidenciam com clareza solar o comportamento das operações a termo sob ponto de vista do comprador (operações de renda variável com a alternância de ganhos e perdas vinculados ao comportamento do mercado) e do vendedor (rendimentos predeterminados em decorrência da natureza das operações renda fixa). Fizéssemos tais demonstrativos para todas as operações a termo inseridas no lançamento, verificaríamos comportamentos semelhantes aos demonstrados acima. Esclareçase que a norma em comento não estabelece a natureza das operações (renda fixa ou renda variável), mas sim, com base em suas características, detémse a definir a correta forma de tributação. Nesse sentido, não merece reparos a conclusão extraída do Termo de Verificação Fiscal, abaixo reproduzido: 29. Por tudo o que acima se apresentou, concluiuse que não se pode tomar como de renda fixa as operações a termo realizadas pelo sujeito passivo por eventual conjugação, seja efetiva ou circunstancial, com operações de venda à vista na ocasião de sua contratação, hipótese esta que, ademais e para finalizar, não encontra amparo na legislação aplicável. Outra questão abordada no recurso diz respeito ao fato de que a autoridade fiscal teria entendido que, das 95 (noventa e cinco) operações ocorridas no ano de 2008, 43 (quarenta e três) delas representavam casos conjugados diretamente com vendas, 23 (vinte e três), casos com vendas superiores às compras a termo, e 29 (vinte e nove), casos com vendas ocorridas em diversas datas. Em vista disso, adverte o recorrente, deveria a fiscalização, de plano, ter reconhecido, como operações a termo, pelo menos as 43 (quarenta e três) operações devidamente identificadas. Ainda sobre esse assunto, de acordo com o contribuinte, a decisão da DRJ/BHE teria mantido o lançamento na sua integralidade porque o recorrente não teria logrado êxito em demonstrar o encerramento das 95 (noventa e cinco) operações que realizou durante o período fiscalizado, segregandoas das operações comuns. Fl. 8138DF CARF MF 40 Em vista da manifestação da fiscalização e do entendimento exarado no acórdão recorrido, o sujeito passivo informa ter pormenorizado no corpo do recurso todas as operações a termo havidas no período de apuração. Essa pormenorização foi feita por meio dos quadros referidos acima, nos quais, repisese, por ter utilizado metodologia em descompasso com a legislação, indicou prejuízos em todas as transações. A esse respeito, é preciso deixar claro que a segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo sujeito passivo, reclamada ainda no Termo de Verificação Fiscal, não tem o intuito de atender o recorrente no seu anseio de ver os resultados das operações a termo apurado na data de sua contratação, pois, de conformidade com o que se demonstrou alhures, esses resultados, para fins de tributação, são auferidos na data de liquidação dos termo. O que se extrai do entendimento exarado pelo Fisco é de que, pela frequência com que o sujeito passivo realiza operações de venda, essas não se pautam pelas movimentações com termos (sendo muito superiores). Em consequência disso, as operações a termo encontramse diluídas em sua movimentação global e, por essa razão, foram tratadas como operações comuns de compra. Por certo, ao apresentar o detalhamento das operações a termo em desacordo com a legislação, levando em consideração a data de contratação dos termos, persiste a impossibilidade de segregação entre as movimentações associadas aos termos e às demais operações realizadas pelo sujeito passivo, detectada ainda no curso do procedimento fiscal. Nesse sentido, correta a assertiva do julgador a quo de que "O que o impugnante deveria ter demonstrado era quais vendas à vista encerraram os contratos de compra a termo (NA DATA DA LIQUIDAÇÃO), o que permitiria a segregação entre as movimentações associadas aos termos e as demais operações realizadas pelo contribuinte". Quanto às orientações expedidas pela BM&FBOVESPA, essas não têm viés fiscal e não se prestam a contrapor o disciplinamento expresso na legislação tributária. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 8139DF CARF MF
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