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Numero do processo: 14751.000277/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME PRÓPRIO - LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE
ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996
- Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.186
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. ‘)( Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 2 . ., / - 1n1F SO' l • fflff reisidente "i ' tfr, D lt irrt TONIO OP MA INEZ — Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Heloisa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, WALDEMAR MATIAS ROLIM FILHO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 19, no qual é cobrado o imposto de renda pessoa fisica (IRPF), relativamente aos anos-calendário de 2002 a 2004, no valor total de R$ 496.686,93 (quatrocentos e noventa e seis mil, seiscentos e oitenta e seis reais e noventa e três centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29/06/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 1.143.318,96 (um milhão, cento e quarenta e três mil, trezentos e dezoito reais e noventa e seis centavos). Conforme o relatório da autoridade recorrida, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 77 e 78: Foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, em relação aos anos-calendário de 2002 a 2004, os extratos bancários de suas contas correntes, aplicações financeiras e poupança, mantidas no Brasil e no exterior, bem como documentação relativa à aquisição e alienação de bens, de valores recebidos e imposto de renda pagos durante o período em questão. Em atendimento, o fiscalizado apresentou as informações e os documentos mencionados às fls. de fls. 80 a 85, entre os quais os extratos bancários de fls. 163 a 355. A fiscalização, então, de posse da documentação coletada, encaminhou ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal de fls. 88, solicitando que comprovasse a origem dos recursos depositados na conta corrente n° 5.683-9, agência 3396-0, mantida junto ao Banco do Brasil S/A, nos anos-calendário de 2002 a 2004, conforme planilhas de fls. 89 a 113. Foram excluídos, dessa apuração, os valores referentes a cheques devolvidos e a créditos estornados. Em relação aos depósitos, informou terem sido efetuados pela empresa M. Vestuário Infantil Ltda, CNPJ 03.945.248/0001-13, para que" eu pudesse pagar as duplicatas de seu aceite, já que a mencionada empresa tinha limitações bancárias em virtude da existência de títulos protestados". Juntou, às suas informações, declaração da empresa, neste mesmo sentido «Is. 121), bem como cópias de documentos de cobrança da mencionada pessoa jurídica «is. 122 a 141). Foi emitido, aditivamente, o Termo de Intimação de fls. 142, para reiteração da solicitação de comprovação da origem dos recursos depositados, bem como para obtenção de informações complementares relativas aos rendimentos isentos e tributáveis, auferidos no período. O contribuinte, em atendimento, apresentou a carta-resposta de fls. 144 e 145, argumentando que os recursos creditados na conta bancária pertencem, de fato, à pessoa jurídica M Vestuário Infantil Ltda, da qual é sócio. Em relação aos )1/) 3 Processo n° 14751.000277/2007-39 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 4 rendimentos de aluguel, apresentou cópia do contrato de locação de fls. 146 a 148 e a declaração da administradora do imóvel de fls. 149. A autoridade lançadora, após análise da documentação fornecida pelo autuado, concluiu pela insuficiência de comprovação da origem dos recursos, face a: (z) a documentação apresentada referir-se a débitos da conta corrente, e não a créditos (depósitos); (ii) não haver coincidência de datas e valores entre os pagamentos efetuados e as saídas constantes dos extratos bancários; (iii) ausência de livros contábeis ou fiscais comprobatórios das receitas percebidas pela pessoa jurídica, coincidentes em data e valor com os depósitos realizados; (iv) divergência entre o endereço da pessoa jurídica M Vestuário Infantil Ltda, CNPJ 03.945.248/0001-13 informado pelo impugnante - Rua do Aragã o, 11, Recife - e aquele constante das duplicatas apresentadas - Rua projetada sln, Qd. 11, lote 10, Pq. Esperança, Cabedelo, PB. Ressalte-se que este é o endereço da pessoa jurídica Incanto Móveis, CNP J 05.675.850/0001-03 (fls. 158), empresa da qual são sócios o impugnante e seu cônjuge; (v) a incompatibilidade entre as receitas declaradas, nos anos- calendário de 2002 e 2003, e os valores movimentados na conta corrente de titularidade do autuado, nos percentuais de 2,25% e de 6,54%, respectivamente; (vi) a ausência de documentação comprobatória da transferência de recursos da M Vestuário Infantil Ltda, para a conta corrente do contribuinte, que possibilitasse a realização dos alegados pagamentos. Em diligência, a auditoria fiscal constatou que, apesar de a empresa M Vestuário Infantil Ltda, CNPJ 03.945.248/0001-13, ter como sócios o próprio fiscalizado e a Sra. Maria da Penha Palmeira dos Santos, sendo esta última a responsável pela empresa perante o Ministério da Fazenda (fls. 154 a 157), a referida Sra. Maria da Penha prestou às fls, 152 a 153, as seguintes informações: (i) negou deter qualquer participação societária da empresa; (ii) negou ter assinado a proposta de alteração contratual da pessoa M Vestuário Infantil Ltda CNPJ 03.945.248/0001-13, com nome de fantasia Incantos Móveis; (iii) declarou, também, não conhecer a empresa Incantus Móveis Ltda, CNPJ 04.286.875/0001-52; (iv) negou ter assinado a ficha proposta de assinatura de contas, em nome da M Vestuário Infantil Ltda, junto ao Banco Bradesco; (v) declarou ter por profissão a atividade doméstica, tendo inclusive trabalhado em residências familiares; (vi) declarou não conhecer o autuado; (vii) declarou não conhecer a empresa M Vestuário Infantil Ltda, CNPJ 03.945.248/0001-13; (viii) declarou residir no Sítio Inhauá, município de Cuité de Mamanguape, PB. A fiscalização procedeu, então, à lavratura do Auto de Infração, em virtude de terem sido constatadas as seguintes infrações: - omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas mantidas em instituições financeiras (omissão no valor de R$ 796.020,52 fato gerador em 31/12/2002; omissão no valor 4 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 5 de R$ 804.741,85, fato gerador em 31/1212003; omissão no valor de R$ 215.076,41, fato gerador em 31/12/2004); - omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas (omissão no valor de R$ 1.125,00, fato gerador em 31/12/2002); - multa por falta de recolhimento de imposto de renda pessoa fisica a titulo de carnê-leão (multas aplicadas nos anos- calendário de 2003 e de 2004, conforme fls. 13 a 14 e 16 a 17, respectivamente). Cientificado do lançamento em 10/07/2007, conforme aviso de recebimento de fls. 358 inconformado com a exigência, 5 5o contribuinte apresentou em 08/08/2007 a impugnação de fls. 366 a 374, juntamente com a documentação de fls, 376 a 1075, alegando, em síntese: - que não foram considerados, pela fiscalização, os rendimentos já oferecidos à tributação nas declarações de ajuste anual dos anos-calendário de 2002 a 2004, conforme segue: (i) ano-calendário de 2002: R$ 795,00 por mês, resultante da divisão de R$ 9.540,00 por 12; (i i) ano-calendário de 2003: valores recebidos da Secretaria de Finanças e das empresas Rolim Móveis e Incantos Móveis; valores recebidos de pessoas físicas; e prêmio de seguro, no valor de R$ 14.069,24, recebido da Mafre Vera Cruz Seguradora; (iu) ano-calendário de 2004: R$ 1.216,00 por mês, resultante da divisão de R$ 14.592,44 por 12; e valores recebidos de pessoas físicas. - que os recursos depositados, nos anos-calendário de 2002 a 2004, na conta corrente n° 5683-9, mantida pelo impugnante junto à agência 3396-0 do Banco do Brasil S/A, se originaram das empresas M Vestuário Infantil Ltda, CNPJ 05.675.248/0001-03, situada em Recife, Incantos Móveis Ltda, CNPJ 05.675.850/0001-03, situada em João Pessoa, e Litoral Comércio de Móveis Ltda, CNPJ 05.588.635/0001-75, situada em Cabedelo; Que diversas razões levaram à utilização da mencionada conta corrente, pelas empresas, principalmente porque, durante o período em que as três empresas acima citadas não possuíam conta bancária, o produto de suas vendas era depositado na conta impugnante. Dessa forma, a utilização da conta corrente n° 5683-9 decorreu de: (i) a Incantos Móveis Ltda ter iniciado suas atividades em maio de 2003, enquanto sua conta corrente n° 2210 1-8, agência 1729-9, do Banco Bradesco S/A, só foi aberta em 04/05/2004 (doe. de fls. 376). Durante o ano-calendário de 2003, a empresa adquiriu mercadorias para revenda, conforme notas fiscais de fls. 707 a 829. O produto das vendas da Incantos Móveis Ltda, no período s Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 6 anterior à abertura da conta bancária - 04/0512004 - foi depositado na conta bancária do impugnante, para viabilizar o pagamento das duplicatas, anexadas, por amostragem, às fls. 707 a 817, que totalizam R$ 35.101,55. Também foram adquiridas mercadorias e pagas duplicatas, á empresa Estofados Juliu's Ltda, por meio da conta corrente do fiscalizado, conforme documentos de fls. 689 a 706; (ii)a M Vestuário Infantil Ltda iniciou suas atividades em julho de 2000, enquanto sua conta corrente, n" 74.004-7, agência 0290-9, do Banco Bradesco S/A, só foi aberta em 17/11/2003 (doe. de fls. 380). Ademais, havia necessidade de efetuar o controle financeiro da empresa, estabelecida na Rua do Aragão, n° 11, Boa Vista, em Recife, por meio da conta do impugnante, que reside em João Pessoa. Desta forma, o produto das vendas era depositado na conta do autuado e, em contrapartida, todas as duplicatas aceitas pela pessoa jurídica eram liquidadas com cheques sacados da conta n" 5683-9. No período auditado, a M Vestuário Infantil Ltda adquiriu mercadorias (does. de fls. 386 a 688), sendo que as duplicatas foram enviadas para o endereço do Loteamento Esperança, Cabedelo, Paraíba (does. fls. 689 a 706); (iii) a Litoral Comércio de Móveis Ltda iniciou suas atividades em fevereiro de 2003, enquanto sua conta corrente sá foi aberta em 2 DOS. Durante os anos-calendário de 2003 e 2004, a empresa adquiriu mercadorias para revenda, como comprovam as notas fiscais de fls. 830 a 1042, anexadas por amostragem, que totalizam R$ 63.015,43. O produto das vendas da Litoral Móveis Ltda foi depositado na conta bancária do contribuinte, para assim permitir o pagamento das duplicatas, por meio de cheques emitidos contra a referida conta; - que houve depósitos, conforme documentos de fls. 1043 a 1069, que comprovam a transferência de recursos das empresas M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda, para a conta corrente do impugnante. Que tais documentos foram guardados face à necessidade de controle da origem dos recursos; - que outra prova da origem comercial dos depósitos é o grande número de cheques devolvidos, relacionados pelo próprio Fisco às fls. 56 a 66. Alguns desses cheques nunca foram honrados pelos emitentes; - que a falta de coincidência entre os valores dos cheques emitidos e as duplicatas por eles quitadas deve-se à imposição do Banco do Brasil S/ A, alegando ordem prática e visando a reduzir custos operacionais, de emissão de um único cheque para pagamento de várias obrigações; ,r 6 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 7 - por fim, requer o reconhecimento da improcedência do auto de infração, visto que os depósitos efetuados na conta corrente do impugnante se originaram das empresas M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda. Em 05 de outubro de 2007, os membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputa-se não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA A TÍTULO DE CARNE LEÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputa-se não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n? 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. '/7 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 8 DEPÓSITOS BANCA' RIOS. ALEGAÇÃO DE QUE OS VALORES PERTENCEM A TERCEIROS. A alegação de que os depósitos bancários sujeitos à comprovaç "do de origem pertencem a terceiros somente pode ser aceita se for comprovada com documentos que possibilitem demonstrar o fato, inequivocamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Cientificado o contribuinte por edital em 19/12/2007, se mostrando irresignado, apresentou, em 10/01/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 1097/1101, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas do presente relatório. É o relatório. 8 Processo n° 14751.000277/2007-39 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 9 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamenta-se em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 9 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 10 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. A própria autoridade recorrida em seu arrazoado deixa claro que não existem provas para elidir o lançamento de depósitos bancários. No mérito da autuação, o contribuinte traz, em sua defesa, duas alegações, sendo a primeira, no sentido de que deveriam ser excluídos, dos valores depositados na conta bancária n° 5683-9, mantida junto ao Banco do Brasil SIA, os rendimentos auferidos pelo próprio contribuinte, recebidos de pessoas fisicas e jurídicas, durante os anos-calendário de 2002 a 2004. Como segunda e última linha de defesa, alega que os valores depositados na mencionada conta corrente bancária decorreriam de operações comerciais das empresas M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda. 21. Em relação ao primeiro dos argumentos do impugnante, deve-se esclarecer, como já ressaltado pela fiscalização, em seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 23, que a comprovação da origem dos recursos depositados requer a coincidência entre datas e valores. No caso concreto, a defesa requer que os seguintes valores sejam considerados como depósitos de origem comprovada: (i) ano-calendário de 2002: R$ 795,00 por mês, resultante da divisão de R$ 9.540,00 por 12. Em relação a este item da impugnação, deve-se ressaltar que o contribuinte não especificou as datas em que os R$ 795,00 mensais teriam sido depositados. De qualquer modo, analisando a planilha de fls. 31 a 41, relativa ao ano-calendário de 2002, não foi localizado nenhum depósito, neste valor, em qualquer dos meses do referido ano. dÇ lo Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 11 Ademais, a comprovação de que determinado crédito corresponde a rendimentos já informados e oferecidos à tributação pelo sujeito passivo, requer a demonstração da origem do pagamento. No entanto, não foi apresentada, pelo contribuinte, documentação comprobató ria relativa aos rendimentos, supostamente pagos pela pessoa jurídica, cujo CNPJ - 40.982.696/0001-13 - foi informado como fonte pagadora, às fls. 68, a Rolim Móveis e Decorações Ltda. Não há, no processo, qualquer documento contábil da pessoa jurídica confirmando os pagamentos e explicitando datas e valores. (ii) ano-calendário de 2003: valores recebidos da Secretaria de Finanças e das empresas Rolim Móveis e Incantos Móveis; valores recebidos de pessoas fisicas; e prêmio de seguro, no valor de R$ 14.069,24, recebido da Mafre Vero Cruz Seguradora. Os valores recebidos durante o ano-calendário de 2003, foram relacionados, pelo próprio fiscalizado, em sua carta resposta de fls. 115 e 116 Em relação aos rendimentos recebidos de pessoas fisicas, declarados às fls. 71 e relacionados às fls. 115, deve-se esclarecer que apenas no mês de julho de 2003 foi localizado, na planilha de fls. 42 a 51, depósito no valor de R$ 5.000,00. Ocorre que, como já afirmado anteriormente, a comprovação de que determinado crédito corresponde a rendimentos já informados e oferecidos à tributação pelo sujeito passivo, requer a demonstração da origem do pagamento. No entanto, não foi apresentada, pelo contribuinte, documentação comprobatória relativa aos rendimentos, supostamente pagos por pessoas fisicas. No caso em tela, necessária seria a comprovação de que as pessoas fisicas efetuaram os pagamentos por meio de depósitos na conta bancária do impugnante, ou por meio de cheques que foram, posteriormente, depositados nas referida conta. Não há, porém, qualquer documentação neste sentido. Quanto aos valores recebidos de pessoas jurídicas - R$ 600,00 por mês, recebidos da empresa Rolim Móveis; R$ 379,7 por mês, recebidos da Secretaria de Finanças e R$ 100,00 por mês, recebidos da Incantos Móveis - deve-se esclarecer que foram identificados apenas cinco, entre os trinta e seis alegados depósitos, na planilha de fls, 42 a 51: R$ 600,00 em 15/08/2003, em 22/09/2003 e em 09/1212003 e R$ 100,00 em 04107/2003 e em 29/1012003. Por outro lado, não houve comprovação de que esses créditos se referem aos valores informados na declaração de ajuste do ano-calendário de 2003 (fls. 71), até porque a fonte pagadora, ali informada (CNPJ 40.982.696/0001-13), não é nenhuma daquelas que o autuado indica como originárias dos recursos depositados: M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda. Por outro lado, não há, no processo, qualquer documento contábil das pessoas jurídicas confirmando os pagamentos e explicitando datas e valores. 11 Processo n° 14751.000277/2007-39 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 12 Relativamente à indenização, no valor de R$ 14.069,24, recebida em 04/04/2003, da Mapfre Vera Cruz Seguradora, conforme fls. 356, verifica-se não haver, na relação dos depósitos de origem não comprovada (lis. 44), crédito neste valor. Conclui-se, portanto, que o referido valor não foi objeto de tributação, nada havendo a ser excluído. (iii) ano-calendário de 2004: R$ 1.216,00 por mês, resultante da divisão de R$ 14.592,44 por 12; e valores recebidos de pessoas fisicas. Analisando a planilha de fls. 52 a 55, relativa aos depósitos efetuados no ano-calendário de 2004, não foi possível localizar qualquer crédito no valor de R$ 1.216,00. Também não foi apresentada, pelo contribuinte, documentação comprobatória relativa aos rendimentos, supostamente pagos por pessoas fisicas. No caso em tela, necessária seria a comprovação de que as pessoas fisicas efetuaram os pagamentos por meio de depósitos na conta bancária do impugnante, ou por meio de cheques que foram, posteriormente, depositados nas referida conta. Não há, porém, qualquer documentação neste sentido. Urge registrar que não há necessidade de qualquer reparo no arrazoado desenvolvido pela autoridade recorrida, não existindo portanto provas dos depósitos bancários identificados. No que toca a segunda linha de defesa do recorrente, o contribuinte procura justificar a utilização de sua conta corrente bancária, por três distintas pessoas jurídicas, alegando que as empresas em questão não possuíam à época, contas bancárias próprias, razão pela qual se utilizariam de sua conta corrente pessoal. Enfim, os frutos das vendas praticadas pelas sociedades comerciais seriam depositados na conta n° 5683-9, e em seguida, utilizados para quitação das obrigações dessas mesmas empresas. Ao analisar as referidas provas assim se pronunciou a autoridade recorrida: No caso concreto, o contribuinte menciona, em sua impugnação, justificativa que, no seu entendimento, comprovaria que os depósitos não seriam de sua titularidade, mas sim de pessoas jurídicas das quais é sócio:, M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda, e Litoral Comércio de Móveis Ltda, CNPJ 05.588.635/0001-75, originados de suas operações comerciais. Entendo, neste caso, que o impugnante informa que tais operações referem-se à venda de mercadorias, - pelas empresas. No entendimento desta relatora, em se tratando de recursos pertencentes a terceiros, algumas premissas devem nortear a análise, tendo em vista que, via de regra, os recursos que ingressam em uma conta-corrente pertencem ao seu titular de direito. Afinal, não é comum que valores pertencentes a uma pessoa sejam depositados em conta-corrente de outra pessoa. 12 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 13 Principalmente após o advento do art. 42 da Lei n 9.430/1996, pelo fato de haver previsão legal expressa no sentido de que as pessoas fisicas e jurídicas poderiam ser instadas a comprovar documental mente a origem para os depósitos efetuados em suas contas bancárias - sob pena de restar caracterizada omissão de rendimentos, por presunção -, tornou —se imperioso que todos os contribuintes passassem a adotar todas as cautelas necessárias, para manter em boa ordem e guarda documentos que pudessem comprovar que determinados depósitos não lhe pertenceriam de direito. Feitas essas considerações, entendo que devem ser levadas em conta as seguintes premissas: - devem ser identificadas, por meio de razão social, CNPJ, e endereço, as pessoas jurídicas e fisicas adquirentes das mercadorias supostamente vendidas pelas sociedades comerciais M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda; - deve haver coincidência de datas entre os valores pagos pelos clientes das empresas M Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda, e os valores que ingressaram na conta bancária do contribuinte; - deve ficar comprovada, mediante prova documental, bem como por meio dos registros contábeis na escrituração das empresas M. Vestuário Infantil Ltda, lncantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda, a vincula ção entre os valores depositados e as operações empresariais, como por exemplo, pela exibição das notas fiscais de venda que deram causa às receitas recebidas que, conseqüentemente, teriam sido depositadas na conta bancária; - deve restar demonstrado que os valores depositados, em um momento subseqüente, foram sacados da conta bancária, ou seja, foram redirecionados aos verdadeiros titulares, por meio de registros contábeis, tendo em vista que não é razoável se supor que os recursos permanecerão à disposição de pessoa que não tenha qualquer vínculo com os depósitos; - deve ser comprovado, por meio das escritas contábil e fiscal das empresas M. Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda; que supostamente seriam as responsáveis pela movimentação financeira, o retorno dos recursos,seja diretamente para a conta Caixa dessas empresas, seja para suas contas Bancos, seja ainda diretamente para pagamentos de seus fornecedores/credores, ou dos encargos e despesas das pessoas jurídicas. Em relação a todos os itens acima mencionados, não há qualquer demonstração documental de que as operações, supostamente efetuadas pelas pessoas jurídicas, tenham sido registradas, escrituradas, contabilizadas e declaradas ao Fisco, pelas empresas envolvidas. Ou seja, do ponto de vista fiscal, as j/k 13 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 14 supostas operações comerciais, na forma como relatadas pela defesa, inexistem. Em síntese, a documentação fornecida pela defesa se resume a: (i) documentos de depósito de fls. 1043 a 1069, que não identificam o depositante e, por essa razão, sequer servem para identificar sua causa jurídica; (ii) notas fiscais de fls. 386 a 1042, emitidas por diversas pessoas jurídicas e tendo as empresas M. Vestuário Infantil Ltda, Incantos Móveis Ltda e Litoral Comércio de Móveis Ltda como adquirentes, que nada dizem acerca do pagamento via conta bancária do autuado. Ainda que houvesse coincidência entre as datas e valores nelas consignados e os saques ou saídas da conta corrente bancária, seriam preciso, aditivamente, que as operações comerciais estivessem escrituradas nas contabilidades das respectivas empresas. Ademais, trata-se de documentos relativos às saídas/débitos, da conta corrente, enquanto a comprovação da origem exige documentação relacionada às entradas/créditos. Diante dos elementos de prova apresentados, é oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: "Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa." Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente. prova 'é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato ". Já no campo objetivo, as provas "são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo. Assim, consoante o referido autor, a prova teria a) um objeto - são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade - a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário - o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigem-se ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Pode-se então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. \7 14 Processo n° 14751.000277/2007-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.186 Fl. 15 Ante ao exposto, diante do elucidativo voto da autoridade recorrida, bem como pela inexistência de provas capazes de comprovar a origem dos depósitos bancários, voto no sentido de no mérito, NEGAR provimento ao recurso. , Sal das Sessões, e 30 de julho de 2009 ti lp ?r, )11111 TONIO LO O MAR EZ - Relator 15
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Numero do processo: 13433.720014/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 33 .7 20 01 4/ 20 06 -0 7 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13433.720014/200607 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.698 S3C4T1 Fl. 206 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI do 4a trimestre de 2003, para compensar com débitos da COFINS de setembro e outubro de 2005 bem como com débito da CSLL do 4o trimestre de 2005 e do 2o trimestre de 2006. As PER/DCOMP’s (fls.02/41) foram transmitidas em 09/09/2005. O crédito da Contribuinte não foi reconhecido, pois a autoridade fiscal entendeu que os produtos por ela exportados são NT (não tributados) e, desse modo, não geram crédito presumido do IPI (fls.77/82). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.87/102), mas a DRJ em Recife/PE manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão (fls.119/124) com a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não tributável. Nesse caso, em vista de que a exportação de produto classificado como nãotributável pela legislação do IPI não di direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 28/12/2011 (fl.128) e interpôs Recurso Voluntário em 25/01/2012 (fls.130/164), com as alegações resumidas abaixo: Apesar de o auditor fiscal afirmar que o estabelecimento produtor e exportador de amêndoas não ser um estabelecimento industrial, a Recorrente se enquadra no conceito de estabelecimento industrial de transformação de alimentos; Recebe a castanha in natura, mas ela passa por processo de industrialização para ser transformada em amêndoas de castanha de caju, pois in natura ela é imprópria para o consumo; Em razão de serem transportadas em embalagens promocionais com peso inferior a 20 kg, são classificadas na posição 08.01, conforme Parecer Normativo CST nº 408/71 e, por isso, são tributadas à alíquota zero; A Recorrente, no ano de 1999, impetrou Mandado de Segurança, no qual foi demonstrado que seu produto de exportação era castanha industrializada. Durante o processo de Mandado de Segurança, em nenhum momento o Fisco alegou que os produtos se classificavam como NT; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13433.720014/200607 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.698 S3C4T1 Fl. 207 3 A Delegacia da Receita Federal em Mossoró/RN mudou seu critério jurídico, pois, em 2005, no processo administrativo nº 13433.000957/9930, reconheceu o direito creditório para o mesmo contribuinte, relativo ao mesmo produto, em situação idêntica ao negado neste processo. Essa mudança contraria o art. 146 do CTN; O não creditamento equivale a exportar os tributos incidentes na aquisição da matériaprima, contrariando a imunidade dos produtos exportados; O art. 1o , da Lei nº 9.363/96, não exige que a mercadoria exportada tenha que sofrer incidência do IPI. Assim, ainda que se entenda que a mercadoria exportada pela Recorrente se classifica em NT, ela terá direito ao crédito presumido do IPI; Tem direito a correção de seus créditos pela Taxa SELIC. Ao fim, a Recorrente pediu que seu direito creditório seja reconhecido. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento do crédito presumido do IPI do 4o trimestre de 2003. Contudo, o pedido foi indeferido pela delegacia de origem, sob fundamento de que o alegado crédito é oriundo da exportação de castanha de caju in natura e que esse produto é classificado como NT, motivo pelo qual a Recorrente não tem direito ao crédito presumido. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente argumenta que as castanhas exportadas passam por processo de industrialização e, mesmo que não passassem, a Recorrente teria direito ao crédito presumido, sob pena de não estar se cumprindo a determinação constitucional que imuniza os produtos exportados. Assim sendo, o cerne da questão é saber se o produto da Recorrente é industrializado e se tem direito crédito presumido do IPI mesmo que não seja. Da industrialização do produto exportado O objeto de exportação da Recorrente é castanha de caju. O cerne da questão aqui é saber se ela é exportada in natura ou se passa por algum processo de industrialização. Durante o seu Recurso Voluntário, a Recorrente conseguiu demonstrar, passo a passo como a castanha por ela exportada é transformada para ficar própria para o consumo. Com explicação e fotos das castanhas, desde a sua origem até a embalagem de exportação, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13433.720014/200607 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.698 S3C4T1 Fl. 208 4 ficou evidente que a castanha exportada não é a mesma castanha in natura, recebida como matériaprima pela Recorrente. Entre as fotos que demonstram o processo de transformação, a Recorrente, no Recurso Voluntário explicou o seguinte: “17. Vejamos, em primeiro, o produto diretamente do campo para a secagem em estufa solar, centenas de toneladas; 18. Obtida a secagem, as castanhas vão para o armazenamento, ainda in natura; 19. Operação de lavagem das castanhas de caju, a eliminar as impurezas de terra, raízes e também a receberem mais um tratamento bactericida. Até aqui, um produto in natura; 20. Umidificação (vapor), nos silos industriais, alimentadores das esteiras à máquina de corte; 21. Após o corte: (i) de lado a casta da castanha de caju, da qual, por prensagem, vapor e reação química, será extraído o LCC, produto de alíquota zero, classificado na TIPI na posição 1302.1999, de exportação da recorrente; (ii) do outro lado, a amêndoa da castanha de caju ainda em estado bruto porque revestida com uma fina película que a torna imprópria para o consumo; 22 (...)as amêndoas de castanha de caju estão, em sua maior parte, com a película, que contém substância corrosiva às mucosas. A seguir, o despeliculamento e análise de qualidade. 23. O produto acabado, amêndoa de castanha de caju, pode ter duas destinações (i) sal e torragem, em embalagem individual ; (ii) ou à embalagem padrão, inferior a 20kg, perfeitamente caracterizada no Parecer Normativo 408/71, em latas ou em saco aluminizado, como produto industrializado de alíquota zero”. Notese que a explicação e a demonstração da Recorrente se enquadram perfeitamente no art. 4o, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), vigente na época das exportações em comento, cujo texto é o seguinte: “Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento) (...) Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13433.720014/200607 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.698 S3C4T1 Fl. 209 5 localização e condições das instalações ou equipamentos empregados”. (grifos nossos) O texto acima hoje vige no art. 4o, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI/2010). Portanto, a Recorrente logrou êxito em provar que o produto por ela exportado passa por processo de industrialização. Na tabela TIPI, a castanha de caju recebe as seguintes classificações: 0801.3 Castanha de caju: 0801.31.00 Com casca NT Ex 01 Seca e acondicionada em embalagem de apresentação 0 0801.32.00 Sem casca NT Ex 01 Seca e acondicionada em embalagem de apresentação 0 No Recurso Voluntário, ficou demonstrado que a castanha exportada pela Recorrente passa por processo de secagem, de torragem e até de “despeliculamento”. Portanto, são castanhas sem casca e caso fossem exportadas em embalagem de apresentação seriam classificadas na posição 0801.32.00, Ex 01, portanto com alíquota zero, mas em caso de exportação em embalagem de transporte se classificam em NT. Em novembro de 2012, este mesmo Conselheiro relatou outros dois processos da mesma empresa, ora Recorrente, que tratavam do mesmo tipo de produto importado, quais sejam, processos nº 13433.000067/200357 e nº 13433.000570/200311. Nesses processos, ficou evidenciado, por diligência, que as embalagens utilizadas pela Recorrente são de peso superior a 20 kg e, por isso, se classificam em embalagens de transporte e não de apresentação e, por isso, seu produto foi classificado como NT. Apesar disso, é importante destacar que os dois mencionados processos tratavam de exportações ocorridas no ano 2002, enquanto este, que está sendo analisado agora, é relativo a exportações praticadas em 2003. Assim, é possível que no espaço de um ano a Recorrente tenha mudado de embalagem de exportação, passando a utilizar latas com peso inferiores a 20Kg, de modo que, se assim for, a embalagem passa a se enquadrar em embalagem para apresentação, e o produto exportado se enquadrará na alíquota zero, fazendo, assim, jus ao crédito presumido. Para que não reste dúvida acerca da embalagem utilizada pela Recorrente para exportação, fazse necessária uma diligência para que sejam respondidas as seguintes perguntas: 1 No 4o trimestre de 2003, as castanhas de caju exportadas pela Recorrente recebiam qual tipo de embalagem? 2 Qual a capacidade das embalagens utilizadas na exportação no aludido período? Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13433.720014/200607 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401000.698 S3C4T1 Fl. 210 6 3 Essas embalagens podem ser classificadas como embalagem de apresentação ou somente para transporte? Por quê? 4 Dentro do saco aluminizado, que consta fls. 50/75, são colocados os demais sacos menores de apresentação? Após elaboração do relatório com as respostas às perguntas acima, a Recorrente deve ser intimada para, querendo, se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre a conclusão da diligência. Após esse prazo, os autos devem retornar a este Conselho para que sejam julgados. Ex positis, converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 16327.001622/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.114
Decisão: R E S O L U Ç Ã O
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, converter o presente julgado em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues de Lima Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, converter o presente julgado em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues de Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Contra Banco Itaú S/A foram lavrados autos de infração para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos ao anocalendário de 2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 62 2/ 20 10 -9 2 Fl. 15018DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Dos Autos de Infração A fiscalização acusou a pessoa jurídica de ter cometido irregularidades relacionadas com a dedução de perdas no recebimento de crédito, por descumprimento dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 18 e seguintes) informa que foram detectadas as seguintes irregularidades: Falta de comprovação de existência de ações judiciais, descritas no item II, do TVI, assim composta: Falta de comprovação de ação judicial: R$ 141.803.096,54 Não apresentação de contrato: R$ 455.138,55 TOTAL DE DESCUMPRIMENTO: R$ 142.258.235,09 Adição a menor de provisão para perdas indedutível, à base de cálculo da CSLL, descrita no item III, no montante de RS 56.939.279,16, Falta de adição de perdas indedutíveis, nas recuperações de créditos, descritas no item IV, nos seguintes totais: Total de descontos concedidos: R$ 20.877.921,70 Total de juros isolados: R$ 2.051.662,31. O auditor fiscal faz as seguintes observações no TVI: 81. (...) apesar dos frequentes pedidos de prorrogação e erros na geração dos arquivos solicitados, a postura do contribuinte foi cooperativa durante todo o procedimento, não sendo identificada qualquer atitude de, intencionalmente, embaraçar a fiscalização. 82. As explicações para os erros na geração dos arquivos levaram a conclusão que se tratou de dificuldade técnica/administrativa na integração de diferentes arquivos, oriundos de diferentes bases, e de harmonização conceitual de critérios. 83. Observese ainda que o contribuinte procedeu à dedução de perdas, porém não manteve disponíveis em seus arquivos os documentos relativos às ações judiciais, comprobatórios da dedutibilidade das perdas, para cada contrato, por exemplo, cópia dos contratos, das peças iniciais, das sentenças e da certidão de objeto e pé, como é esperado que faça, no entender desta fiscalização. 84. Observese que a simples manutenção em seus arquivos de uma certidão de objeto e pé, que descrevesse a natureza da ação e histórico da ação judicial, emitida por ocasião da dedução da perda, e arquivada juntos aos demais documentos, seria suficiente para comprovar a condição de dedutibilidade, no entender desta fiscalização. 85. Também deve ser observado que não haveria dificuldade para obtenção de uma certidão de objeto e pé para uma ação em curso. Quanto ao Direito, ressalta o autuante a necessidade, nos casos dos incisos II “c” e III do art. 9º da Lei nº 9.430/96, de iniciar procedimentos judiciais e de mantêlos pelo prazo mínimo de 5 anos (Artigo 10°, § 1°). Com relação ao Inciso II b, ressalta a necessidade de Fl. 15019DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 4 3 manutenção da cobrança administrativa por um prazo mínimo de 5 anos, a partir do qual a perda pode ser considerada definitiva, nos termos do Artigo 10°, § 4º. Observa, ainda, que o art. 9º da Lei nº 9.430/96 é regra específica que regulamenta a dedutibilidade das perdas, sobrepondose à regra geral que disciplina a deduções de despesas (art. 299 — RIR199), dado o princípio geral de direito de que regra específica prevalece sobre a geral. Relativamente aos descontos concedidos, o autor do procedimento consignou que nas recuperações antes do prazo legal de cinco anos para manutenção da cobrança administrativa ou judicial, foram apurados juros considerando as determinações do artigo 10, § 2° da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, tendo em vista as determinações do artigo 61, § 3° da Lei n° 9.430, com consulta ao artigo 5°, § 3° e ao artigo 6°, § 2°, da mesma lei, foram apurados os juros isolados calculados de 1° de fevereiro do ano posterior a data em que foi registrada a perda, até 31 de janeiro de 2006. Essa parcela de juros somase aos juros de mora calculados sobre o valor do imposto apurado a partir de fevereiro de 2006 até o mês anterior à lavratura do auto de infração. Assentou a autoridade fiscal que a aplicação dos artigos 9° a 12° da mesma Lei nº 9.430/96, para a apuração da base de cálculo da CSLL tem como fundamentação legal o artigo 28 da mesma lei. Sintetiza a matéria tributável apurada como a seguir: Falta de comprovação de ação judicial, inciso III: R$ 118.761.234,72 Falta de comprovação de ação judicial, inciso II c: R$ 23.041.861,82 Falta de comprovação de contratos para valor deduzido R$ 455.138,55 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso III R$ 14.595.842,17 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso II c R$ 1.495.184,51 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso II b R$ 4.786.895,02 TOTAL DE PERDAS INDEDUTÍVEIS APURADO R$ 163.136.156,79 Falta de adição à base de cálculo da CSLL R$ 56.939.279,16 Juros isolados R$ 2.051.662,31 Da Impugnação Em impugnação tempestiva, o interessado inicia por fazer um resumo das razões declinadas no TVI para o lançamento, como a seguir: 1) No item II do Termo de Verificação de Infração Considerou indedutíveis: (i) perdas em relação às quais o Impugnante não conseguiu apresentar documentação no tempo concedido; (ii) as perdas relativas aos processos judiciais em relação aos quais, embora o Impugnante tenha apresentado documentação, considerou não demonstrada a efetiva comprovação das condições impostas pelo artigo 9º da Lei n° 9.430/96, em razão das seguintes circunstâncias: (a) existência somente de petição solicitando o desarquivamento dos autos; (b) cópias de petições iniciais sem protocolo, ou com protocolo ilegível; (c) cópias de peças iniciais protocoladas com identificação da vara, mas sem qualquer outro documento emitido pelo tribunal, comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo de 5 anos; (iii) montante em relação ao qual supostamente não teria sido relacionado nenhum contrato. 2) No item III do Termo de Verificação de Infração Entendeu que o Impugnante teria adicionado à base de cálculo da CSLL valor menor do que o efetivamente devido a titulo de parcela indedutivel de Provisão para Devedores Duvidosos. Fl. 15020DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 5 4 3) No item IV do Termo de Verificação de Infração Considerou indedutiveis perdas definitivas incorridas pelo Impugnante, exigindo o oferecimento à tributação do valor relativo ao desconto concedido na renegociação de créditos, contrariando expressamente o disposto no art. 10, § 3º da Lei 9.430/96, quanto aos acordos realizados no bojo de processos judiciais e pretendendo sujeitar as condições dos arts. 9° e 10 da Lei n° 9.430/96, inclusive os descontos concedidos em acordos relativos a débitos que ainda não eram objeto de cobrança judicial. Em seguida, articula as seguintes razões de defesa: a) Com relação ao item II do Termo de Verificação de Infração — A autoridade lançadora, ao impedir prematuramente que as provas da dedutibilidade lhe fossem apresentada, não concedendo ao Impugnante tempo necessário para tal, incorreu em cerceamento do direito de defesa, que restou efetivamente prejudicada pela impossibilidade da apresentação de documentação relativa a 3.970 contratos. Além disso, ao elaborar os Anexos I e II, não segregou as hipóteses de não apresentação de documentos dos casos de apresentação de documentos não aceitos pela fiscalização, o que implica a nulidade do lançamento relativa a tal item. Da mesma forma, não foi igualmente individualizado caso a caso, nos Anexos I e II, qual das três razões mencionadas pela fiscalização no parágrafo 53 do Termo de Verificação de Infração para a não aceitação dos documentos apresentados — a saber: (a) a existência somente de petição solicitando o desarquivamento dos autos; (b) cópias de petições iniciais sem protocolo, ou com protocolo ilegível; (c) cópias de peças iniciais protocoladas com identificação da vara, mas sem qualquer outro documento emitido pelo tribunal comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida ate a data da perda, pelo prazo mínimo de 5 anos — motivou a glosa da dedutibilidade, tudo isso impossibilitando a manutenção parcial do lançamento, uma vez que a ausência de indicação individualizada da infração imputada implica a caracterização deficiente da infração que perde integralmente a liquidez e certeza em razão de vício material, além de cercear gravemente o direito de defesa do Impugnante, o que como se verá é ainda evidenciado pela falta de clareza nos critérios utilizados para a não aceitação dos documentos, demonstrada por atitudes contraditórias da administração tributária. Além disso, os elementos apontados pela fiscalização como indícios de não atendimento ao artigo 9° da Lei n° 9.430/96 não se prestarem para a glosa da dedutibilidade de tais despesas. Por fim, a suposta não vinculação constatada pela fiscalização de certo valor a qualquer contrato na verdade não existe, tendo sido a conclusão fiscal provocada por erro sistêmico que o Impugnante comprova. b) Com relação ao item III do Termo de Verificação de Infração — Na verdade como se verá o valor adicionado para efeito de CSL foi idêntico ao valor adicionado para IRPJ. c) Com relação ao item IV do Termo de Verificação de Infração — No caso dos acordos homologados judicialmente, o lançamento violou o artigo 10, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Quanto aos acordos relativos a débitos que não eram objeto de cobrança judicial não são aplicáveis às restrições dos art. 9° e 10 da Lei 9.430/96, que dizem respeito apenas a perdas provisórias, ou seja, créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, e não às perdas já definitivas, que efetivamente se classificam como despesas operacionais dedutíveis da base de Fl. 15021DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 6 5 cálculo tanto do IRPJ como da CSL, como já decidido em reiteradas oportunidades por este E. Conselho de Contribuintes. d) Com relação à base de cálculo do IRPJ e CSLL — Não foi feita sua recomposição, com a compensação de prejuízos acumulados com 30% do valor da suposta infração apurada, bem como a compensação também do crédito de que trata o art. 8° da Medida Provisória n° 1.807/99 para efeito da CSL. e) Em qualquer hipótese — Não poderão ser exigidos juros de mora sobre o valor lançado a titulo de multa de ofício, por falta de previsão legal, nem tampouco os juros poderiam ser exigidos com base na taxa SELIC, imprestável para tanto. Quanto à glosa por falta de comprovação da existência de ações de cobrança e execução, argumentou que: Nas situações em que o contribuinte apresentou somente petição solicitando desarquivamento não foi observado qualquer critério para a glosa ou a aceitação, que se demonstra pelo fato de a petição de desarquivamento (Doc. 07) relativa ao número sequencial 03004 ter sido GLOSADA pela fiscalização, ao passo que a petição de desarquivamento (Doc. 08) relativa ao número sequencial 03411 ter sido ACEITA pela fiscalização. Todo o lançamento deve ser anulado, já que a fiscalização também não indicou, nos Anexos I e II do auto de infração, quais contratos foram glosados por documentação não aceita e quais o foram em razão da não apresentação de documentos. Não procedem as razões genericamente alegadas pela autoridade lançadora para não considerar "boa" a documentação apresentada pelo Impugnante, quais sejam, a apresentação de petição solicitando o desarquivamento dos autos, de cópias com protocolo supostamente ilegível ou a falta de documento emitido pelo tribunal comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida ate a data da perda, pelo prazo mínimo de cinco anos. As petições solicitando o desarquivamento dos autos, ao contrário do que sustenta a autoridade lançadora, demonstram a existência da ação judicial, sendo certo que ações de execução de créditos são arquivadas justamente quando não se consegue intimar o réu, ou não são encontrados bens do devedor para que a execução tenha seu regular seguimento. A indicação de existência de processo judicial deve ser aceita pela fiscalização, mesmo porque caso o processo não existisse, a petição certamente não seria protocolada pelo cartório. A simples falta de certidão do Tribunal comprovando que determinada ação, da qual se tem a cópia protocolada, estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo de cinco anos, também não se presta para a glosa da dedutibilidade. Isto porque, embora a certidão do Tribunal possa comprovar tais fatos, a existência de cópias de peças processuais produz o mesmo efeito, sobretudo quando não houver qualquer dúvida objetiva quanto à veracidade das mesmas. Nesse contexto, não é correto presumir serem indedutíveis despesas do Impugnante unicamente em razão da ausência de certidão emitida pelo Tribunal, não podendo este mero fato ser tomado como indício de não atendimento aos requisitos do artigo 9° da Lei n° 9.430/96. O pedido de prorrogação de prazo indeferido pela autoridade lançadora havia sido solicitado em 29 de novembro, sete meses depois de formulada a exigência da Fl. 15022DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 7 6 documentação cujo cumprimento parcial pelo impugnante gerou o presente auto de infração. O tempo concedido, no presente caso, teria sido insuficiente para o completo atendimento das exigências fiscais, porquanto tratase de lançamento referente a deduções efetuadas em 2005, cujo atendimento às condições previstas no art. 9º da Lei nº 9.430/96 dependia da comprovação da existência de ações judiciais ajuizadas desde 2000, portanto há mais de 10 anos. Somente me 18 de fevereiro de 2010 a fiscalização deuse por satisfeita quanto à identificação dos contratos que originaram as deduções (c.f. parágrafo 24 do Termo de Verificação da Infração), tendo, então, sido identificados 18.214 contratos, com prelação aos quais o impugnante foi intimado em 16 de abril de 2010 (c.f. parágrafo 25 do Termo de Verificação da Infração) a comprovar documentalmente as condições de dedutibilidade. Frise se bem, 18.214 entre os cerca de 1.300.000 contratos cuja existência foi confirmada pela autoridade lançadora no início da fiscalização. Constatado pela fiscalização o ainda elevado número de contratos identificados como supostamente não atendendo as condições de dedutibilidade, foi facultada ao impugnante a apresentação de arquivo magnético com os 300 maiores contratos, sendo 100 para cada uma das situações (incisos II, b, II, c, e III do art. 9º, c.f. parágrafo 25 do Termo de Verificação da Infração). A possibilidade de fiscalização por amostragem (relativa aos 300 processos) que havia sido anteriormente facilitada ao impugnante foi, de forma abruta, simplesmente afastada pela autoridade fiscal, que exigiu a apresentação de documentos relativos a nada menos que 13.792 contratos. Em 26 de outubro de 2010, portanto, só um mês antes da recusa da fiscalização em conceder qualquer prorrogação de prazo, o Impugnante foi intimado a apresentar, em meio magnético, planilhas relacionando os 13.792 contratos (c.f. parágrafo 40 do Termo de Verificação da Infração). Foi nesse contexto que a autoridade lançadora, no que se refere ao inciso III do § 1] do art. 9], de um universo de 13.123 contratos solicitados, considerou boa a documentação relativa a 6.155 contratos, não considerou satisfatória a relativa a 3.068, e informou não terem sido apresentados documentos relativos a 3.900 contratos. No que se refere ao inciso II, c, do § 1º do art. 9º, de um universo de 669 contratos solicitados, considerou boa a documentação de 520, não considerou satisfatória a de 79 e informou não terem sido apresentados documentos para 70 contratos. A simples discrepância entre as proporções das documentações consideradas “boas”, de 78% num universo de 669 contratos contra 47% num universo de 13.123 contratos, demonstra que o número de contratos por si só influiu na capacidade do |Impugnante de atender a fiscalização a contento, indicando que seguramente teria condições de apresentar número consideravelmente maior de documentos considerados “bons” pela fiscalização caso tivesse lhe sido concedido mais tempo. A própria fiscalização confirmou a disposição do Impugnante de atendêla e as dificuldades técnicas que lhe afetava. Tendo à autoridade lançadora expressamente constatado a existência de “dificuldade técnica/administrativa na integração de diferentes arquivos, oriundos de diferentes bases, e de harmonização conceitual de critérios”, inadmissível que não tenha deferido a prorrogação de prazo solicitada em 29/11/2010, o que importou cerceamento de defesa e imposição de obstáculo injustificado á plena realização da verdade material. Fl. 15023DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 8 7 O lançamento é nulo em razão de vício material, já que, além de omitir pontos relevantes para a defesa, não deixa claro quais foram os critérios realmente adotados para não aceitar o valor probatório dos documentos apresentados. O vício material é gerado não só pelas caracterizações deficientes da infração, como também, pela contradição entre seus elementos, que em situações idênticas receber da fiscalização tratamentos diametralmente opostos. Requer seja o processo baixado e diligência, para permitir ao Impugnante a apresentação dos documentos faltantes, formulando dois quesitos (fls. 773): (1) indicação, por contrato, do motivo da glosa e da recusa da documentação, e (2) concessão de prazo razoável para a apresentação da documentação faltante. A diferença de perdas com crédito no valor de R$ 455.138,55, para a qual não houve apresentação de contrato, decorreu unicamente de evidente erro material contido na planilha apresentada por meio do ofício CRTUAF0688/10 mencionado no parágrafo 60 do Termo de Verificação da Infração, apresentado pelo Impugnante no dia 08 de dezembro de 2010 (c.f. parágrafo 47 do Termo de Verificação da Infração. Houve supressão de “zeros” relativamente a oito contratos, citando como exemplo o contrato n.1997001836, celebrado com Comabel, Com. Rep. Madeiras Ltda., a perda de R$ 83.022,61 efetivamente ocorrida e registrada corretamente no Razão Analítico “transformouse”, em razão de erro sitêmico que suprimiu o zero, em perda de R$ 8.322,61. remete aos documentos de fls. 4763 a 4813. Quanto ao item III do TVI alega: A acusação de adição a menor na base de cálculo da CSL, a título de provisão indedutível, em razão de suposta diferença apontada entre o valor indicado no LALUR, como adicionado para efeito de IRPJ a título de PDD indedutível (R$ 932.255.199,35), e o valor indicado no LACS a título de adição de provisão para devedores duvidosos (R$ 875.315.920,19), corresponde aos R$ 56.939.279,13 resultou de falta de aprofundamento na investigação. Como se verifica claramente do simples exame do LALUR e demais documentos anexos, contudo, esta diferença de R$ 56.939.279,13 foi também excluída para efeito da base de cálculo do IRPJ, apenas sob rubrica distinta, no tópico "33 — Outras exclusões — Receita de Rendas a Apropriar de Crédito em Liquidação" (doc. 14, mais especificamente folha 12 da parte A do Lalur). Como o próprio nome indica e demonstrado na folha 44 da parte B do Lalur e demais documentos anexos (doc. 14), tratase da reversão no período de receitas já tributadas no passado, mas que embora controladas em separado em "outras exclusões" para efeito de IRPJ, inadvertidamente foram consolidadas com o valor global de PDD para efeito de CSL. Prova disso é que o valor em questão, indicado em "outras exclusões" corresponde exatamente à. diferença apontada pela fiscalização, e no LACS não existe esta exclusão dentre as "outras exclusões" (doc. 14, fls. 13 do LACS). Quanto ao item IV do TVI, referente a “Fatos relativos à falta de Adição de Perdas Indedutíveis”, alega: Fl. 15024DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 9 8 O fiscal autuante reconheceu expressamente a existência de acordos judiciais (até porque não há como se encerrar uma ação judicial sem a concordância do réu), mas ainda assim aplicou também a estes casos o disposto nos §§ 1º e 2° do art. 10 da Lei n° 9.430/96, simplesmente ignorando o disposto no § 3º daquele mesmo dispositivo legal que dispõe expressamente que solucionado o litígio sobre o crédito por meio de acordo homologado judicialmente, somente integrará a base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor efetivamente recebido, não se aplicando ao desconto — isto é, a parcela originária do crédito não paga em razão do acordo — as regras dos §§ 1° e 2° utilizadas pela fiscalização para justificar o lançamento. Quando a fiscalização afirma, no parágrafo 94 do Termo de Verificação de Infração, que "a homologação do acordo tratase de uma ratificação da desistência ou suspensão de ações judiciais de cobrança, sendo que não há julgamento de mérito", comete manifesto equívoco, já que o Código de Processo Civil prevê expressamente, no artigo 269, inciso III, que haverá resolução de mérito, quando as partes transigirem. Ainda que eventualmente em algum caso concreto seja extinta a ação judicial sem julgamento de mérito, considerando que o art. 267, § 4° do C.P.C. é expresso no sentido de que após a citação do réu o autor só pode desistir da ação com o seu consentimento, também nesta hipótese seria aplicável o § 3° do artigo 10 da Lei 9.430/96, até porque reconhece expressamente o ilustre fiscal autuante que o valor lançado referese especificamente à “falta de adição de perdas indedutíveis, nas recuperações de créditos", o que evidencia ser incontroverso nos autos que os valores lançados referemse a descontos concedidos em acordos de renegociação de créditos. Muito embora o acima exposto por si só seja suficiente para demonstrar a improcedência da autuação relativamente aos casos em que indicado nos anexos III a V "s" no campo indicador se houve ajuizamento da ação, apenas para que não pairem dúvidas a este respeito o Impugnante anexa à presente cópia de inúmeros acordos celebrados e homologados judicialmente (doc.15) o que evidencia o absurdo de ter a fiscalização desconsiderada a norma expressa do § 3° do art. 10 da Lei 9.430/96. Além disso, mesmo que o § 3° do artigo 10 da Lei n° 9.430/96 não existisse, não poderia ser aplicada a regra do § 1° aos acordos celebrados pelo Impugnante, já que o este parágrafo se refere aos casos em que ocorrer "a desistência da cobrança pela via judicial" ,sendo certo que a desistência pura e simples de um processo judicial não se confunde com a transação entre as partes, instituto jurídico que supõe a existência de concessões mútuas com a finalidade de por termo a um litígio, conforme disposição do artigo 840 do Código Civil. Como no caso a concessão dos descontos teve como contrapartida, como visto, o efetivo pagamento do crédito remanescente pelo devedor, o que implica o reconhecimento formal da dívida e a renúncia à oposição de obstáculos para quitála, existentes, portanto, as concessões mútuas que tipificam a transação, não há que se falar em desistência, sendo, assim, inaplicável o § 1º do artigo 10 da Lei n° 9.430/96. Assim, revelase manifestamente improcedente a glosa referente aos contratos reconhecidamente objeto de ação judicial, seja em razão do § 3° do artigo 10 da Lei n° 9.430/96, cuja aplicação não foi corretamente observada pela autoridade lançadora, seja em função da inaplicabilidade do § 1º desse mesmo artigo em face da ausência de verdadeira desistência. Fl. 15025DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 10 9 Com relação aos acordos que não foram celebrados em juízo, a autoridade lançadora reconhece, no parágrafo 92 do Termo de Verificação de Infração, que a atitude do Impugnante que gerou a glosa foi a de "celebrar acordo para recebimento de créditos em atraso, concordando em conceder descontos a seus clientes", ou seja, foi a de dar os referidos "descontos" visando unicamente ao "recebimento de créditos em atraso". O valor aqui glosado é composto integralmente de perdas/descontos concedidos na renegociação de dívidas, conforme expressamente reconhece a autoridade lançadora nos itens 92 e 93 do Termo de Verificação de Infração, e como tal consubstanciam despesas operacionais das instituições financeiras dedutíveis de imediato para efeito de IRPJ e CSL, reportandose a julgados do antigo Conselho de Contribuintes (ac. 10196.433, Ac. 105 06.500 e Ac. 10706.506). Todos os valores registrados pelo Impugnante como perdas na renegociação de dívidas representam receitas que de fato não existiram, ou seja, valores registrados como receitas, tributados pelo IRPJ e pela CSL e que por alguma razão não foram percebidos. E se não houve a percepção desses valores anteriormente registrados como receitas, obviamente tem o Impugnante o direito de registrar as perdas sofridas sob pena de passar a pagar IRPJ e CSL sobre não renda, o que não se compadece com nosso ordenamento jurídico. Revelase improcedente a atitude da autoridade lançadora, que tomou os valores que foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSL e os considerou tributáveis, classificandoos como perdas prováveis com créditos de liquidação duvidosa sujeitas aos prazos e condições dos artigos 9º e 10 da Lei 9.430/96. Muito embora a autoridade lançadora tenha aplicado as regras especiais contidas nos artigos 9º e 10 da Lei n° 9.430/96, as perdas definitivas incorridas pelo Impugnante como decorrência da celebração de acordos para receber parte do crédito original, afastando, dessa forma, a regra geral de dedutibilidade prevista no artigo 299 do RIR1999, olvidouse que estas regras especiais dizem respeito apenas às perdas provisórias incorridas pelos contribuintes, e não as definitivas. A exigência de juros de mora isolados não é cabível, quer para o caso de acordos homologados por sentença judicial, quer para os acordos não celebrados em juízo. Para os relativos aos acordos homologados por sentença judicial, o TVI apresenta como fundamento legal o art. 10 da Lei nº 9.430/96. Contudo, além de o § 3° do referido art. determinar expressamente que nas hipóteses de acordo homologado por sentença judicial não é "aplicável o disposto no parágrafo anterior", o § 1º se destina apenas aos casos de "desistência da cobrança", que não se confunde com a transação. Quanto aos acordos realtivos a contratos que ainda não eram objeto de cobrança em juízo, as regras dos arts. 9º e 10 da Lei nº 9.430/96 não se aplicam às perdas definitivas decorrentes de acordos celebrados com os devedores com o objetivo de obter o efetivo pagamento do crédito remanescente. Recomposição da base de cálculo: Em seguida, alega que ainda que fosse mantida qualquer exigência de IRPJ e CSLL, o que admite apenas para argumentar, a fiscalização deveria, necessariamente, ter compensado o valor adicional tanto de prejuízo fiscal como de crédito do art. 8° da MP 1.807/99 a que então teria direito o Impugnante, tendo em vista que em sua DIPJ do ano calendário de 2005, ao apurar o IRPJ e CSL devidos, compensou de prejuízos fiscais de anos Fl. 15026DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 11 10 anteriores no limite de 30% do lucro líquido ajustado, bem como quanto à CSL o crédito de que trata o art. 8° da MP 1.807/99, existindo saldo remanescente (DIPJ, doc. 17). Juros de mora sobre a multa. Considerando que o Fisco vem exigindo juros de mora sobre a multa de ofício, impugna preventivamente essa pretensão para que não se alegue que a matéria não pode ser objeto de exame porquanto não abordada na defesa. Afirma que a legislação que rege a matéria somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autorizando, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa. Desenvolve longa exposição sobre o tema, mencionando jurisprudência, inclusive da CSRF. Finalmente, alega impossibilidade de utilização da Selic para cálculo dos juros de mora, quer por ter natureza híbrida, quer por ser fixada unilateralmente pelo Poder Executivo, quer porque extrapola o percentual de 1% previsto no CTN. Decisão de Primeira Instância A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, e julgou procedente em parte a impugnação. Quanto ao mérito, como fundamento geral de suas razões de decidir, afirma que a dedução das “Perdas em Operações de Crédito” subordinase às regras dos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, e que o art. 28 da mesma lei estende a aplicação dessas regras à CSLL. Na apreciação do caso concreto, a motivação da decisão pode ser assim sintetizada: Glosa por falta de comprovação da existência de ações judiciais de cobrança e execução: As cartas de arrematação cujas cópias encontramse às fls. 972 a 992 não são hábeis a comprovar a dedutibilidade dos contratos identificados nos números sequenciais 03557, 07319, 08265, 11973, 12153 e 12459; As “Solicitações da Execução da Dívida” (Doc. 5, fls. 1014 a 1026) dizem respeito a procedimento extrajudicial, e não são hábeis a comprovar a dedutibilidade dos contratos identificados nos números sequenciais 06430. 06441, 06456, 06522, 06560, 06563, 06575, 06578, 06602, 06633, 09093, 10760 e 12089. Os documentos 09, 10, 11 e 12 (fls. 1039 a 4762) foram analisados pela relatoria, tendo sido geradas as planilhas de fls. 5256 (Análise da Documentação ref. Doc. 09); 5257/5258 (Análise da Documentação ref. Doc. 10); 5259/5265 (Análise da Documentação ref. Doc. 11); 5266/5287 (Análise da Documentação ref. Doc. 12); e fls. 5288/5292 (que relaciona os Documentos Aceitos como Comprobatórios da Correta Dedução da Perda), apontando a exoneração da matéria tributável, para ambos os tributos, do valor de R$ 5.450.971,84. Alegação de erro material contido na planilha apresentada à Fiscalização: Os documentos apresentados (fls. 4764 a 4813) não estão aptos a comprovar os novos valores de perda informados pelo impugnante quanto aos contratos listados à fl. 4763. Fl. 15027DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 12 11 Primeiro, porque os de fls. 4764, 4790, 4796, 4803. 4810 4812 se referem a outra instituição financeira. Segundo, o de fls. 4771/4789, relativo a pessoa física, não demonstra a correção dos valores reclamados pelo impugnante. Não tendo restado provado o alegado erro material, não cabe reparo à diferença de R$ 445.138,55 apurada pela fiscalização. Diferença entre os valores (indedutíveis) adicionados a título de IRPJ e de CSLL: Restou efetivamente comprovado que a inconsistência entre o valor adicionado no LALUR e o adicionado no LACS é apenas aparente, as adições são coincidente, não havendo diferença passível de exigência, devendo ser reduzida da base tributável da CSLL o valor de R$ 56.939.279,16. Descontos concedidos em renegociação de créditos: A hipótese de desistência de cobrança pela via judicial só pode ser aplicada aos casos em que a própria lei estabeleceu como condição de dedutibilidade o início e a manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento do crédito. Nos casos de dedutibilidade previstos nos incisos I e II “b” do § 1º do art. 9º, que não preveem o início e manutenção de ações judiciais para seu recebimento, a dedução da perda ocorre com o decurso do prazo neles estabelecidos (6 meses e 1 ano), sendo que a eventual quantia recebida em decorrência de acordo firmado entre o detentor do crédito e o devedor deve ser oferecida à tributação. Quanto às perdas cujo início da inadimplência ocorreu nos anos de 2002, 2003 e 2004, o desconto concedido (R$ 4.197.930,77) e os juros isolados calculados (R$ 359.351,56) relativamente ao caso do Anexo V (inciso II, “b” do § 1º do art. 9º, fls. 127 a 149) devem ser excluídos da exigência, permanecendo incólume a exigência relativamente às perdas do ano de 2005, porquanto não cumprida a condição temporal (vencimento maior que 1 ano). No que se refere aos descontos concedidos e juros isolados pertinentes ao Anexo IV (inciso II, “c” do § 1º do art. 9º, fl. 126) e ao Anexo V (inciso III do § 1º do art. 9º, fls. 111 a 125) impõese a observância do prazo de 5 anos para a dedutibilidade, como procedido pelo fiscal. Alegação de desconsideração de prejuízos fiscais e do crédito da CSLL previsto no art. 8º da MP 1.807/99: O documento de fls. 5253 (“Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais” relativo ao anocalendário de 2005), extraído do Sistema SAPLI, revela que naquele mesmo anocalendário o contribuinte esgotou a totalidade do saldo de prejuízos fiscais. O documento de fls. 5255 (“Demonstrativo de Base de Cálculo Negativa de CSLL“ relativo aos anoscalendário de 2005 a 2009), também extraído do Sistema SAPLI, informe que em 31/12/2005, mostra que de fato existia um “Saldo de Crédito de CSLL decorrente de BC Neg e Adições Temp. até 31/12/98”, de R$ 408.168.681,43. Por outro lado, a despeito de não haver saldo de Bases Negativas de Períodos Anteriores (linha 1) o contribuinte procedeu à compensação de BCN de períodos anteriores no valor de R$ 165.531.184,90 (linha 6) CSLL correspondente de R$ 14.897.806,56. Revela que naquele mesmo anocalendário o contribuinte esgotou a totalidade do saldo de prejuízos fiscais. Fl. 15028DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 13 12 Considerando as bases de cálculo exoneradas na decisão, o valor tributável apurado pela fiscalização ficou alterado de R$ 220.075.435,92 para R$ 153.487.254,15, menos, portanto, que a base de cálculo indevidamente compensada porque inexistente. Assim, não há como acolher o pleito por inexistência de saldos compensáveis. Juros sobre a multa de ofício. Os juros não estão lançados, não integrando o litígio, a cobrança (futura) dos juros sobre a multa de ofício vinculada tem fundamento do art. 161 do CTN c.c. art. 61, § 3º da Lei 9.430/96. Juros à taxa Selic Não há qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial Selic para fins de utilização no cálculo dos juros devidos pelo contribuinte em mora. Recurso Ciente da decisão em 07/11/2011, o contribuinte ingressou com recurso em 07/12/2011. Reedita a alegação de cerceamento de defesa pela exiguidade do tempo concedido para apresentação de documentação pertinente a 13.792 contratos, a exigir, ao menos, a conversão em diligência. Diz que o fato de ter apresentado impugnação não afasta o cerceamento de defesa. Aduz que no curto período para apresentar a impugnação conseguiu apresentar vários (embora lamentavelmente não todos) documentos não apresentados por motivo de força maior durante a fiscalização, num total de 4.397 páginas, muitos dos quais foram aceitos pela decisão recorrida. Acrescenta que entre a apresentação da impugnação e do presente recurso obteve outros documentos, que ora apresenta com fundamento no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/71 (doc. 02 e 03). Entre esses documentos encontramse, por exemplo, certidões de objeto e pé e cópias dos processos judiciais cujo pedido de desarquivamento havia sido comprovado durante a fiscalização e com a impugnação, e que só não haviam sido apresentados antes por impossibilidade material em razão do tal desarquivamento. Da mesma forma, estão sendo anexadas novas cópias de documentos possivelmente tidos anteriormente pela fiscalização como ilegíveis, que foram novamente extraídas in locu, bem como documentação complementar em reforço à já anteriormente apresentada. Insiste na nulidade do lançamento em razão de vício material, já que, além de omitir pontos relevantes para a defesa, não deixou claro quais foram os critérios realmente adotados para não aceitar o valor probatório dos documentos apresentados, e reedita os termos da impugnação em que tratou desse ponto. Ressalta que o fato de a decisão recorrida, às fls. 5.256 a 5292, ter buscado suprir a falta de indicação individualizada das razões que levaram a fiscalização a glosar a perda relativa aos contratos, por si só demonstra a nulidade do lançamento, pois, caso as justificativas tivessem constado do lançamento, o Recorrente teria condições de demonstrar, na impugnação, a improcedência dessas justificativas. Menciona, como exemplo, as situações em que a decisão justifica a recusa alegando ser o “autor outra PJ”, quando na verdade a outra PJ Fl. 15029DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 14 13 é instituição financeira cujos direitos creditórios referentes às ações em questão foram transferidos para o Recorrente por cisão parcial dessas instituições (doc. 01), o que demonstra a improcedência da objeção levantada pela administração tributária. Repete a alegação da impugnação, de que o vício material é gerado, também, pela contradição entre seus elementos. No que se refere ao tratamento distinto conferido às cartas de arrematação apresentadas, reclamado na impugnação, diz que a decisão limitouse a assentar que a execução extrajudicial não se equipada à judicial, e assim, as cartas de arrematação não atendem à condição de existência de processo judicial. Sobre esse ponto, argumenta que: (a) a alegação da inaplicabilidade do art. 9º, § 1º, inciso III, da Lei 9.430/96 às cartas de arrematação relativas ao procedimento regulado pelos arts. 31 a 38 do Decretolei nº 70/66 é alegação nova, não contida no auto de infração (tanto que diversas cartas de arrematação foram aceitas pela fiscalização), e que, portanto, não poderia ter sido introduzida na decisão recorrida, sob pena de nulidade por cerceamento de defesa; (b) o Recorrente jamais sustentou que a execução judicial esteja equiparada à execução extrajudicial, mas somente que a execução mediante carta de arrematação prevista nos arts. 31 a 38 do Decretolei nº 70/66, por força do art. 29 do mesmo DL, tem força de execução judicial, ou seja, produz substancialmente os mesmos efeitos da execução judicial, com a única diferença que por se tratar de forma de autotutela, a satisfação do crédito se dá por meios mais eficazes do que os previstos no CPC, inclusive com a expressa atuação do Poder Judiciário no momento da imissão na posse do imóvel arrematado, em nada diferindo, assim, da execução efetuada nos termos do CPC. Transcreve julgado do TFR que assenta que a execução extrajudicial da hipoteca, nos termos do DL 70/66, não suprime o controle judicial, apenas institui uma deslocação do momento de atuação do Poder Judiciário. E que nesse procedimento, opcional, inverteuse a ordem, deuse prevalência à satisfação do crédito, em atenção ao interesse social de manutenção da liquidez do Sistema Financeiro da Habitação. Transcreve trecho do voto proferido pelo Ministro relator, que deixa clara a maior eficácia do processo de execução extrajudicial comparado com o judicial. Pondera que, embora o art. 9º da Lei 9.430/96 refirase a procedimentos judiciais para o recebimento do crédito, não faz sentido que a regra, cuja finalidade é admitir a dedutibilidade de perdas em relação às quais o credor tenha tomado as providências necessárias para o recebimento, não se aplique ao procedimento extrajudicial de que se trata, mais eficaz que o procedimento judicial (revela que o credor tomou medida mais forte para que os créditos fossem efetivamente recebidos). Especificamente para a carta de arrematação de fls. 972/973, que a decisão menciona ter sido passada em nome do Banestado, outra pessoa jurídica, diz que recebeu os direitos creditórios daquela instituição mediante cisão parcial. Assegura que, ainda que, para argumentar, a regra do inciso III do art. 9º da Lei 9.430/96 mão se aplicasse ao procedimento previsto nos arts. 31 a 38 do DL 70/66, tal fato não retiraria do lançamento a incoerência apontada na impugnação, de não aceitação de cartas de arrematação absolutamente idênticas a outras que foram aceitas. Por isso, não é lógica a afirmação da decisão, de que não analisará as cartas aceitas, porque não se encontram em litígio, pois é justamente o fato de terem sido aceitos pela fiscalização e serem idênticos aos não aceitos, que revela a inconsistência do lançamento ou, quando menos, a realização da diligência solicitada. Fl. 15030DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 15 14 Apresenta as mesmas ponderações em relação às peças “Solicitação da Execução da Dívida (Doc. 5 da impugnação), não aceitas, mas idênticas às relativas ao Doc. 6, não rejeitadas, bem como em relação aos “pedidos de desarquivamento”. Sobre a alegação da decisão recorrida, de que a petição de desarquivamento relativa ao número sequencial 03004 “não atenderia às condições postas na intimação, pois sequer consta a indicação da natureza da ação” diz que, diante da quase certeza de que uma petição relativa a um processo em que “BANCO ITAÚ S/A(....) move em desfavor de FÁBIO CARDOSO LOPES” (fl. 1036) refirase a cobrança de dívida, o mero fato de a petição não indicar a natureza da ação não pode ser decisivo para a glosa da perda, reforçando a necessidade da diligência. Contrapõe a afirmativa da decisão recorrida, de que “a simples apresentação da cópia da petição de desarquivamento não faz prova da manutenção da ação de cobrança ou execução pelo prazo legal” argumentando que, conquanto tal seja verdade, ela é um indício de tal fato, e a afirmação da decisão, no sentido de que persiste a dúvida, se houve ou não a desistência da ação por parte da instituição financeira” é mais um fato a apontar a necessidade da diligência solicitada. Acrescenta que posteriormente à apresentação da impugnação diversas daquelas ações foram desarquivadas, possibilitando ao Recorrente a obtenção somente então das certidões de objeto e pé e cópias reclamadas (Doc. 02 e 03). Contesta as razões da decisão para refutar a alegação do erro material que teria originado a diferença de R$ 455.138,55. Diz que a “outra instituição financeira” com quem foram firmados os contratos, como já esclarecido, é o Banestado, cujos direitos creditórios foram transferidos para o recorrente por cisão parcial (Doc. 01), sendo improcedente a objeção levantada pela decisão. Sobre o item IV do TVI, que alcança “Fatos Relativos à Adição de Perdas Indedutíveis nas Recuperações”, reproduz as alegações da impugnação e adita, às decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes já arroladas, o Acórdão CARF nº 140200394, no mesmo sentido. Reproduz as razões apresentadas de contestação aos juros isolados, juros sobre a multa e juros Selic. Sobre essa última matéria diz que, conquanto saiba da impossibilidade de a incidência da Selic ser afastada pelo CARF, em razão de súmula específica. Reitera a pretensão com o objetivo de que, na eventualidade de decisão plenária do E. Supremo tribunal Federal favorável ao contribuinte sobre essa matéria, não reste preclusa a questão neste processo administrativo, podendo este Conselho afastar a exigência com base no art. 26A do decreto nº 70.235/72. Sobre a falta de recomposição da base de cálculo da CSLL, contesta a decisão quando reconhece a existência de Saldo de Crédito CSLL Decorrente de BC Neg e Adições Temp, até 31/12/2005, de R$ 408.168,43, mas não faz a compensação porque o valor mantido pela decisão é inferior ao que teria sido indevidamente compensado. Diz que, em primeiro lugar, o auto de infração não questionou a compensação de base negativa de CSLL indicada pelo contribuinte em sua DIPJ. Em segundo lugar, porque a compensação de crédito de que trata o art. 8º da MP 1.807/99 não tem qualquer relação com a compensação de base de cálculo negativa. Argumenta que enquanto esta última se dá “base Fl. 15031DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 16 15 contra base”, ou seja, antes do calculo da CSL devida, a compensação do crédito do art. 8º da MP 1.807/99 se dá com a própria CSL devida. Assim a eventual falta de base de cálculo negativa que desse suporte à compensação realizada, caso houvesse sido objeto de autuação nos presentes autos, apenas aumentaria ainda mais o crédito do art. 8º da MP 1807/99, que então seria passível de compensação. Aduz que, tendo comprovado que sempre pretendeu compensar seu crédito no limite permitido (30% da CSL devida), e tendo a fiscalização, em razão do auto de infração lavrado apurado valor devido de CSL superior ao apurado pelo Recorrente, deveria necessariamente ter compensado de ofício parcela adicional daquele crédito, observado o limite legal. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Ambos os recursos atendem os requisitos legais que os condicionam. Deles conheço. Como visto do relatório, a fiscalização acusou o interessado de ter infringido as normas que disciplinam a dedução das perdas no recebimento de créditos, previstas nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996. Especificamente, considerou não comprovadas as condições de dedutibilidade das perdas correspondentes aos contratos sem garantia, de valor superior a R$ 30.000,00, e aos contratos com garantia, condição essa representada pela prova de que os contratos estavam vencidos há mais de um ou dois anos (conforme o caso), e que os procedimentos judiciais para recebimento foram iniciados e mantidos ou de que forma arrestadas as garantias. Além disso, considerou indedutíveis os descontos concedidos para a recuperação dos créditos. As infrações estão descritas no Termo de Verificação de Infração (fls. 18 a 38 e Anexos de fls. 19 a 153). As provas reclamadas nos itens II e III do Termo de Verificação de Infrações dizem respeito às ações judiciais para o recebimento dos créditos. No item II do Termo de Verificação de Infração o auditor imputa indedutíveis: (i) perdas em relação às quais o contribuinte não conseguiu apresentar documentação no tempo concedido; (ii) as perdas relativas aos processos judiciais em relação aos quais, embora tenha apresentado documentação, considerou não demonstrada a efetiva comprovação das condições impostas pelo artigo 9º da Lei n° 9.430/96, em razão das seguintes circunstâncias: (a) existência somente de petição solicitando o desarquivamento dos autos; (b) cópias de petições iniciais sem protocolo, ou com protocolo ilegível; (c) cópias de peças iniciais protocoladas com identificação da vara, mas sem qualquer outro documento emitido pelo tribunal comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo de 5 anos; (iii) montante em relação ao qual não teria sido relacionado nenhum contrato. Fl. 15032DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 17 16 Sobre esse item, a Recorrente alega cerceamento de defesa e nulidade do lançamento por vício material porque: (a) não foi concedido tempo necessário para apresentar as provas da dedutibilidade das perdas registradas; (b) não foi feita a segregação das hipóteses de não apresentação de documentos das hipóteses de documentos não aceitos; (c) não foi individualizado, caso a caso, qual das três razões mencionadas pela fiscalização no parágrafo 53 do Termo de Verificação de Infração para a não aceitação dos documentos apresentados. A alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, por não ter sido concedido prazo suficiente para apresentação das provas, não merece acolhida. Em princípio, o contribuinte deve estar apto a apresentar à fiscalização, a qualquer tempo, a documentação comprobatória dos fatos registrados em sua escrituração contábil e fiscal. No caso, entre a primeira intimação para a apresentação dos documentos (16/12/2010) e o último lote de documentos aceitos, após várias prorrogações (08/12/2010) passaramse quase oito meses. Não obstante a fiscalização reconheça a disposição do contribuinte em colaborar com a fiscalização e suas dificuldades técnicas/administrativas para fazêlo a contento e no tempo hábil, o fato é que a fiscalização não pode ser prolongada indefinidamente. Portanto, não se justifica a decretação de nulidade do lançamento por este fato, justificandose, contudo, a aceitação, no curso do processo (impugnação e recurso) das provas até então não alcançadas, mas que foram tempestivamente intentadas. A arguição de nulidade por vício material está justificada pelo interessado no fato de o autuante não ter deixado claros os critérios adotados para não aceitação do valor probatório dos documentos apresentados. Também essa alegação não merece acolhida. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a comprovar que as perdas contabilizadas atendiam as condições de dedutibilidade previstas no art. 9º da Lei 9.430/96, informando o n° identificador da ação judicial no tribunal em que foi protocolada, e a identificação da Vara/Tribunal e apresentar documento que confirme a existência da ação proposta pelo banco contra o cliente inadimplente, contendo, legíveis, a natureza da ação, se de cobrança ou de execução, a identificação do banco, a identificação do cliente, conforme consta do contrato, o n° identificador protocolado no tribunal, a identificação da Vara/Tribunal. O Termo de Verificação das Infrações deixou claro que: (a) os documentos apresentados pelo contribuinte foram submetidos à verificação do atendimento às condições estabelecidas no artigo 9°, da Lei n° 9.430/95, para dedutibilidade de perdas em créditos; (b) foram identificados contratos que não atendem às condições de dedutibilidade; (c) a comprovação da dedutibilidade das perdas para os incisos II c e III depende da comprovação da existência e manutenção, por cinco anos, de ação judicial de cobrança ou execução; (d) a apresentação de cópia da peça inicial, com o protocolo legível permitindo identificar a Vara Federal, não é suficiente para atendimento da comprovação da dedutibilidade, pois é necessário comprovar a existência e manutenção da ação ou, se ocorreu desistência, que a ação foi mantida pelo prazo mínimo de cinco anos; (e) dos 9.223 conjuntos de documentos comprobatórios dos contratos para os quais foram apresentados, 3.068 não foram considerados satisfatórios porque (e.1) são meras petições solicitando desarquivamento dos autos; ou (e.2) Fl. 15033DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 18 17 são cópias de peças iniciais, com protocolo ilegível ou sequer protocoladas nas Varas Federais; ou (e.3) documentos em duplicidade. (f) O Anexo 1 ao Termo de Verificação relaciona 6.968 contratos para os quais não foi comprovada a existência de ação judicial mantida pelo prazo de cinco anos, sendo 3.900 por falta de apresentação de quaisquer documentos e 3.068 por terem sido os documentos os rejeitados. Ora, Anexo I é resultado do confronto dos contratos indicados com perdas deduzidas e a documentação apresentada pelo contribuinte. Portanto, são do seu conhecimento quais os casos em que a documentação consistiu apenas em petição solicitando desarquivamento, ou em cópia de peça inicial com protocolo ilegível ou não protocolada, ou petição de desarquivamento. A alegada “contradição entre seus elementos”, que resultaria de a fiscalização ter rejeitado documentos em condições idênticas a outros que foram aceitos, não implica nulidade do lançamento, impondo apenas a análise, pelo julgador de primeira instância, das condições de dedutibilidade quanto aos contratos rejeitados pela fiscalização, e pelo CARF, do atendimento tanto dos contratos rejeitados pela fiscalização quanto dos aceitos pela decisão de primeira instância, eis que submetida a recurso de ofício. Descabida a realização de diligência com vistas a especificar, para cada contrato, as razões de glosa e recusa do documento, eis que o contribuinte tem o domínio das condições da documentação que apresentou à fiscalização, devendo saber, perfeitamente, para cada contrato, qual requisito especificado na intimação não foi atendido. Todavia, considero que, no que tange à acusação de não atendimento das condições para dedutibilidade previstas no art. 9º, § 1º, inciso II “c” e III, da Lei nº 9.430/96, o processo não está em condições de ser julgado. Foi questionado o atendimento de condições de dedutibilidade relacionadas com 13.792 contratos, sendo 699 sem garantia e de valor superior a R$ 30.000,00 (inciso II, alínea “c” do § 1º) e 13.123 com garantia (inciso III do § 1º), tendo sido solicitada a comprovação da existência de ações judiciais que a lei exige. O contribuinte apresentou documentação para 9.822 contratos, sendo 599 de valor superior a R$ 30.000,00 e sem garantia, e 9.223 com garantia. A fiscalização assentou que, para atendimento dos requisitos previstos a lei, com referência à ação judicial, é necessária comprovar não só a existência de ação judicial de cobrança ou execução, mas também que ela se encontrava em andamento ou, em caso de desistência, que a ação tenha sido mantida pelo prazo mínimo de cinco anos. Assim, considerou não comprovado o cumprimento da condição de dedutibilidade com relação aos contratos para os quais foi apresentada (i) somente petição solicitando desarquivamento dos autos, (ii) somente cópias de peças iniciais sem protocolo, ou com protocolo ilegível; (iii) cópias de peças iniciais protocoladas com identificação da vara, mas sem qualquer outro documento emitido pelo tribunal comprovando que a ação estava em curso ou que foi mantida ate a data da perda, pelo prazo mínimo de 5 anos. Da documentação apresentada, a fiscalização considerou hábil para comprovação a relativa a 520 contratos sem garantia e a 6.155 contratos com garantia. Fl. 15034DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 19 18 Em síntese, a fiscalização glosou, por falta de comprovação da existência de ação judicial, as perdas relativas a 7.177 contratos, sendo 149 sem garantia (70 por falta de apresentação de documentos e 79 por documentação inábil) e 6.968 contratos com garantia (3.900 por falta de apresentação de documentos e 3.068 por documentação inábil). Foi ainda apurada uma diferença de R$ 455.138,55 entre o valor deduzido relativamente ao inciso III e o total constante do arquivo apresentado em 08/12/2010. A glosa de perdas com créditos resultou em matéria tributável no valor de R$ 142.258.235,09, sendo R$ 141.803.096,54 por falta de comprovação de ação judicial e R$ 455.138,55 pela não apresentação de contrato. Com a impugnação o contribuinte anexou documentação (fls. 805 a 5.202) para comprovar a dedutibilidade das perdas, e os documentos de fls. 4763 a 4813 para justificar que a diferença de R$ 455.138,53 entre o montante que o contribuinte informou ter deduzido e o montante total dos contratos relacionados no arquivo entregue, resultou de erro material. A decisão de primeira instância ratificou o entendimento da fiscalização quanto à insuficiência, para fins de comprovação da existência de ação judicial mantida pelo prazo da lei, dos documentos representados por petições solicitando desarquivamento dos autos, ou cópias de peças iniciais com protocolo ilegível ou sequer protocoladas nas Varas Federais. A partir dessa premissa, a relatora analisou os documentos trazidos com a impugnação para avaliar se foram supridas as deficiências probatórias da documentação apresentada na fase de fiscalização, e elaborou planilhas correspondentes ao resultado dessa análise, explicitando o motivo da recusa de cada documento. Às fls. 5256 a 5287 constam planilhas identificando a documentação não aceita e a motivação da não aceitação, e às fls. 5288/5292 consta a relação dos documentos aceitos como prova, que implicaram redução da matéria tributável em R$ 5.450.971,84, que é objeto de recurso de ofício. O contribuinte defende que as petições solicitando o desarquivamento dos autos demonstram a existência da ação judicial, alegando que se o processo não existisse as petições sequer seriam protocoladas, e ainda, que ações de execução de créditos são arquivadas justamente quando não se consegue intimar o réu, ou não são encontrados bens do devedor para que a execução tenha seu regular seguimento. A decisão recorrida considerou que a simples petição de desarquivamento não faz prova da manutenção da ação de cobrança ou execução pelo prazo legal, porque um processo judicial pode ser arquivado em decorrência dos mais variados motivos, que vão desde a inépcia da inicial até a solução de mérito do conflito (sentença transitada em julgado), persistindo a dúvida se houve, ou não, desistência da ação por parte da instituição financeira. Quanto à diferença de R$ 455.138,55, rejeitou os documentos por se referirem a outra pessoa jurídica. No recurso, o contribuinte pondera que o reconhecimento de que persiste dúvida quanto a ter, ou não, havido desistência da ação por parte da instituição financeira. Justifica a diligência solicitada, e que a existência de cópias de peças processuais produz o mesmo efeito que a certidão do Tribunal comprovando que determinada ação, da qual se tem a cópia Fl. 15035DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.114 S1C3T1 Fl. 20 19 protocolada, estava em curso ou que foi mantida até a data da perda, pelo prazo mínimo legal. E quanto aos documentos para justificar o erro material que determinou a glosa da diferença de R$ 455.138,55, informou que a “outra pessoa jurídica” é o Banco Banestado, cujos créditos recebeu em decorrência de cisão parcial. Não se justifica diligência para produzir prova cujo ônus é do contribuinte, e a petição de desarquivamento não basta para demonstrar a existência e manutenção da ação judicial. Porém não se trata, simplesmente, de refutar a dedução pela falta de apresentação de determinado documento específico, cabendo ao aplicador do direito analisar o conjunto probatório para formar sua convicção acerca do atendimento da condição de dedução. Assim, a vista dos documentos anexados pelo Recorrente, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização analise a documentação juntada na fase recursal, e informe: (a) se foram supridas as deficiências probatórias da documentação apresentada na fase de fiscalização, elaborando planilhas correspondentes ao resultado dessa análise, explicitando, para cada contrato (conforme número sequencial indicado nos Anexos 1 e 2 do Termo de Verificação) o motivo da recusa ou aceitação; (b) se ficou superada, no todo ou em parte, a diferença de R$ 455.138,55 apontada no Auto de Infração. Após, intime o contribuinte do resultado da diligência, para, se querendo, proceda aos comentários que entender necessários. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 15036DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.912104/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 04 /2 00 9- 42 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912104/200942 Acórdão n.º 1102000.539 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ – código 2362 – para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912104/200942 Acórdão n.º 1102000.539 S1C1T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912104/200942 Acórdão n.º 1102000.539 S1C1T2 Fl. 5 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 10983.912104/200942 Acórdão n.º 1102000.539 S1C1T2 Fl. 6 5 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720209/2012-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO PELO CONTRIBUINTE. COAÇÃO.
A apresentação voluntária de extratos bancários pelo contribuinte, após regularmente intimado a fazê-lo, não caracteriza violação de sigilo bancário, tampouco coação a viciar o procedimento fiscal e os lançamentos tributários. O fato de os extratos bancários não terem sido obtidos diretamente das instituições financeiras afasta a aplicação do art.62-A do Regimento Interno do CARF, que impõe o sobrestamento do julgamento sempre que houver reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de questão constitucional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE.
A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. A inexistência de cópia do MPF nos autos, cuja identificação constou do Termo de Início de fiscalização e de sucessivas intimações, não constitui irregularidade, mormente porque a ciência do contribuinte efetivou-se via internet, oportunidade em que conheceu o seu inteiro teor, não se cogitando de prejuízo ao exercício da defesa.
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos, sendo necessário instruir sua defesa com as respectivas provas.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Prescinde a realização de perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora forma livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
Numero da decisão: 1103-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em rejeitar as preliminares, por unanimidade de votos, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, também por unanimidade, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões quanto à preliminar relativa ao MPF.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO PELO CONTRIBUINTE. COAÇÃO. A apresentação voluntária de extratos bancários pelo contribuinte, após regularmente intimado a fazê-lo, não caracteriza violação de sigilo bancário, tampouco coação a viciar o procedimento fiscal e os lançamentos tributários. O fato de os extratos bancários não terem sido obtidos diretamente das instituições financeiras afasta a aplicação do art.62-A do Regimento Interno do CARF, que impõe o sobrestamento do julgamento sempre que houver reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de questão constitucional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. A inexistência de cópia do MPF nos autos, cuja identificação constou do Termo de Início de fiscalização e de sucessivas intimações, não constitui irregularidade, mormente porque a ciência do contribuinte efetivou-se via internet, oportunidade em que conheceu o seu inteiro teor, não se cogitando de prejuízo ao exercício da defesa. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos, sendo necessário instruir sua defesa com as respectivas provas. PEDIDO DE PERÍCIA. Prescinde a realização de perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora forma livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em rejeitar as preliminares, por unanimidade de votos, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, também por unanimidade, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões quanto à preliminar relativa ao MPF. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, com origem comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A manutenção de contas bancárias à margem da contabilidade, em que foram depositados valores a título de recebimentos de clientes em montante inferior ao declarado, autoriza a qualificação da multa de ofício. Com tal conduta, buscouse, de forma livre e consciente, impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador tributário (art.71 da Lei nº 4.502/64). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO PELO CONTRIBUINTE. COAÇÃO. A apresentação voluntária de extratos bancários pelo contribuinte, após regularmente intimado a fazêlo, não caracteriza violação de sigilo bancário, tampouco coação a viciar o procedimento fiscal e os lançamentos tributários. O fato de os extratos bancários não terem sido obtidos diretamente das instituições financeiras afasta a aplicação do art.62A do Regimento Interno do CARF, que impõe o sobrestamento do julgamento sempre que houver reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de questão constitucional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 09 /2 01 2- 03 Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.094 2 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. A inexistência de cópia do MPF nos autos, cuja identificação constou do Termo de Início de fiscalização e de sucessivas intimações, não constitui irregularidade, mormente porque a ciência do contribuinte efetivouse via internet, oportunidade em que conheceu o seu inteiro teor, não se cogitando de prejuízo ao exercício da defesa. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos, sendo necessário instruir sua defesa com as respectivas provas. PEDIDO DE PERÍCIA. Prescinde a realização de perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora forma livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em rejeitar as preliminares, por unanimidade de votos, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, também por unanimidade, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões quanto à preliminar relativa ao MPF. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.095 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anoscalendário 2008 e 2009, no valor total original de R$ 5.896.625,39 (cinco milhões, oitocentos e noventa e seis mil, seiscentos e vinte e cinco reais e trinta e nove centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 150% (fls.2.877/2.942). A ciência do contribuinte efetivouse em 04/04/12 (fls.2.877, 2.905, 2.925 e 2.934). A infração consta do campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, nos seguintes termos: “[...] RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTES. Arbitramento do lucro realizado com base na prestação de serviços de transporte, conforme relatório fiscal em anexo.” No “Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento de Fiscalização” (fls.2.944/2.964), consignouse, em síntese: a ação fiscal decorreu da constatação de expressiva divergência, abaixo explicitada, entre as receitas declaradas em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e em dados de Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof): Ano – calendário DIMOF Movimentação Financeira Créditos DIPJ Rendimento Declarado Dimof/DIPJ 2008 105.828.590,64 29.106.883,63 3.64 2009 106.137.354,80 27.520.769,03 3.86 Total 211.965.945,44 56.627.652,66 3,74 o contribuinte disponibilizou extratos de diversas contas bancárias, sendo que, após algumas intimações, foi instado, em 10/06/11, a comprovar a origem de recursos depositados/creditados, especificados em relação preliminar, bem como os respectivos registros contábeis (fls.2.315/2.318); em 28/06/11, novamente foi cientificado da necessidade de comprovação, com documentos hábeis, da origem dos depósitos bancários relacionados nos demonstrativos anexos ao Termo de Intimação de 27/06/11 (fls.2.326/2.335); em complementação às intimações anteriores, a fiscalização solicitou, em 08/11/11, a comprovação da origem dos depósitos bancários relacionados no Termo de Intimação lavrado em 04/11/11 (fls.2.494/2.548), esclarecendo na oportunidade: Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.096 4 “[...] I – Considerando que na planilha apresentada em 25/7/2011, em atendimento à intimação de 7/6/2011, constatase a existência de receitas tributáveis omitidas (não contabilizadas ou declaradas), destacadas pela empresa como ‘recebimento de cliente’, inclusive dentre as ocorrências que haviam sido inicialmente selecionadas por amostragem: Comprovar, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos depositados/creditados em contas bancárias da empresa, indicados no Anexo I: Relação complementar à da Intimação de 7/6/2011, o qual arrola os demais elementos das populações das quais faziam parte os elementos (amostra) reconhecidos como receita omitida, e informar: a. Se o crédito/depósito exibido no extrato bancário foi devidamente registrado na contabilidade; b. Caso a resposta ao item anterior seja ‘sim’, qual o código e o nome da conta contábil em que houve o registro e qual o número de ordem que lhe foi atribuído na contabilização. II – Considerando que as informações prestadas pela empresa em atendimento à intimação de 27/6/2011, não foram suficientes para demonstrar a origem de alguns dos créditos contidos nos extratos, notadamente os informados pela empresa como sendo ‘Depósito de outras contas da própria PJ’, quando, pelo histórico, vêse que o depósito se dera ‘em dinheiro’, ou ‘em cheque’, ou por ‘Transf Autoat’, ou com indicação de depositante que não a própria pessoa jurídica: Demonstrar, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, que os créditos relacionados no Anexo II: Relação de ocorrências a demonstrar a origem dos recursos, de fato se referem a ‘Depósito de outras contas da própria PJ’ ou ‘Recuperação de débito da própria PJ’, sob pena de serem considerados como depósitos de origem não comprovada, sujeitos, portanto, a lançamento de ofício nos termos dos arts. 849 e 841, VI, do RIR/99. III – Considerando que para justificar a origem de depósitos com histórico ‘TED TRANSF ELET DISP REMET. TRANSPORTADORA R. 9 LTDA’ da conta 81906 do Banco Bradesco, a empresa informou tratarse de ‘Transferência de outras contas da própria PJ’: Apresentar, para as ocorrências relacionadas no Anexo III: Relação de transferências a comprovar, os comprovantes bancários dessas transferências em que estejam indicadas as contas de origem e destino e o valor movimentado. Fl. 3096DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.097 5 IV – Considerando que em atendimento a intimações anteriores foram apresentados com referência ao Banco SAFRA apenas os extratos das contas 180903 e 224722 e considerando que na planilha apresentada em 25/7/2011, para atendimento da intimação de 7/6/2011, algumas ocorrências foram justificadas como ‘Transferência da conta 5191148’ e ‘Transferência da conta 5170710’: Apresentar os extratos bancários de todas as contas mantidas junto ao Banco Safra (com exceção das contas 180903 e 224722, já anteriormente apresentadas. Observações: para facilitar a visualização e preenchimento das informações, ao anexos (formatos ‘.xls’) estão sendo encaminhados por meio da mídia eletrônica que acompanha esta intimação [...]”. “Após três atendimentos parciais, com solicitações de prazo adicionais, foi apresentado em 28/9/2011 planilha definitiva pela pessoa jurídica. Com base nos detalhamentos ali contidos, observamse inúmeros valores, indicados como ‘recebimento de cliente’ (receitas) que não haviam sido contabilizados, passíveis, portanto, de constituição do crédito tributário, conforme individualizadamente relacionados no Quadro II da ‘PLANILHA VIII [...]’, fls. 2.841 a 2.876, e mensalmente consolidados no Quadro II da ‘PLANILHA VII [...]’, fl.2.840, totalizando R$ 50.416.579,49”; “No dia 11/1/2012, atendendo ao primeiro item da intimação do dia 14/12/2011 a empresa, instada a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contas 5191148 e 5170710 do Banco SAFRA (cujos extratos haviam sido solicitados na intimação de 4/11/2011), novamente reconhece os valores como recebimentos de clientes não contabilizados (conforme explícito no item ‘b’ do documento de fls.2.718 e 2.719, além de as próprias descrições dos lançamentos contidas nesses extratos deixarem clara essa natureza, fls. 2.720 a 2.731), passíveis de lançamento de ofício, os quais estão individualizadamente relacionados no Quadro IV da ‘PLANILHA VIII [...]’, fls. 2.841 a 2.876, e mensalmente consolidados no Quadro V da ‘PLANILHA VII [...]’, fl.2.840, totalizando R$ 35.613.286,20”; a partir da análise dos dados bancários disponibilizados pelo contribuinte e respostas às intimações, “...apurouse a existência de receitas não contabilizadas e não submetidas à tributação pela empresa”; verificouse haver informações acerca da existência de custos diretos, não contabilizados, inerentes à atividade exercida (carretos), porém, em que pese o contribuinte ter demonstrado intenção de apresentar a respectiva documentação comprobatória, deixou de fazêlo; “...afastada totalmente a credibilidade da escrituração atual da empresa, que se apresenta imprestável tanto para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, como para determinar o lucro real, e face à afirmação da pessoa jurídica (em atendimento à intimação de 14/12/2011, fls. 2.718 e 2.719) de que tinha condições de apresentar as comprovações documentais inclusive para os custos/despesas existentes nas contas bancárias que reconhece mantidas à parte da escrituração, foi oportunizada ao contribuinte (intimação de 13/1/2012) a reconstituição dos livros e documentos de sua escrituração de modo a que esta abrangesse, inclusive, a integralidade da movimentação financeira da empresa nos anos calendário 2008 e 2009”; Fl. 3097DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.098 6 “...Já em sua primeira resposta, dia 6/2/2012, a empresa afirmou impossível reconstituir a contabilidade do ano 2008 por ausência de comprovação documental idônea (...). No dia 27/2/2012, sem apresentar quaisquer outros elementos e quando ainda era possível demonstrar a necessidade de prorrogação do prazo já anteriormente concedida, a empresa expressamente abdicou de adotar os procedimentos necessários à reconstituição da escrita também em relação aos fatos do anocalendário 2009, sob alegação de ter sido insuficiente o prazo concedido no Despacho de 6/2/2012”; o lucro foi arbitrado com base no art.47, II, “a” e “b”, da Lei nº 8.981/95, e art.530, II, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda); “...Como demonstrado, constatouse a existência de inúmeras contas bancárias mantidas à margem dos registros contábeis, cujos extratos evidenciam centenas de depósitos e créditos (potenciais receitas), bem assim um número ainda maior de saídas a débito (possíveis custos/despesas), o que denota atividade empresarial paralela, inviabilizando a utilização da contabilidade para determinação do lucro real”. A fiscalização assim fundamentou a qualificação da multa de ofício: “[...] Como já dito, a empresa fiscalizada mantinha contas bancárias à margem da contabilidade e declarava ao Fisco Federal valores muito inferiores aos efetivamente movimentados, demonstrando, no mínimo, a intenção de dificultar o conhecimento e a cobrança dos tributos por ventura devidos, conforme relatado nos itens anteriores, o que caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Assim sendo, aplicase a multa de ofício qualificada (150%) sobre os valores apurados (omissão de receitas), de acordo com o inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99” O lançamento foi mantido pela Primeira Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.3.020/3.034): FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO DOS EXTRATOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DE SIGILO. A apresentação voluntária dos extratos, pelo contribuinte intimado a fazêlo, e que, inclusive discrimina as contas que foram e as que não foram contabilizadas, não caracteriza quebra de sigilo bancário. INEXISTÊNCIA NOS AUTOS DE VIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do art. 4º da Portaria RFB nº 11.371, o MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e sua ciência se dará via internet, de sorte que a inexistência de via física nos autos não constitui irregularidade. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Em face da presunção legal de que os depósitos de origem não comprovada caracterizam receitas omitidas, incumbe ao titular Fl. 3098DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.099 7 da conta bancária o ônus de comprovar as operações das quais os recursos se originaram. MULTA QUALIFICADA. ESCRITURAÇÃO DE PARTE INEXPRESSIVA DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. É dolosa e justifica a imposição de multa qualificada a sistemática utilização do artifício de contabilizar apenas parte inexpressiva da movimentação bancária, escamoteando da contabilidade a existência de múltiplas contas, de sorte a obstar a identificação, pelo Fisco, da maior parte das receitas. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ PARA APRECIAR ALEGAÇÕES QUE ADJETIVAM DE ABUSIVA A MULTA E DE EXTORSIVOS OS JUROS MORATÓRIOS. A competência das DRJ se limitam ao exame da legalidade do lançamento, sendo lhes defeso afastar ou reduzir consectários em decorrência de supostos apanágios de abusivos ou extorsivos. PERÍCIA OBJETIVANDO IDENTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS/CREDITADOS EM CONTAS BANCÁRIAS. A identificação e comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, incumbe ao titular da conta de depósitos e deve ser produzida no curso da ação fiscal ou por ocasião da contestação do lançamento, não existindo previsão para a realização de perícia com esse escopo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos decorrentes, no que for cabível, o que restar decidido com respeito ao lançamento matriz. Devidamente cientificado do acórdão em 11/07/12 (fl.3.040), o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 24/07/12 (fls.3.041/3.081), em que alega: PRELIMINARES Da indevida quebra de sigilo bancário da recorrente apesar de ter disponibilizado os extratos bancários, “...sua ação não fora voluntária, expressão de sua livre e desembaraçada vontade, mas coagida por punições, inclusive específicas, em caso de descumprimento do comando estabelecido pela administração tributária”, sujeitandose à pena de reclusão, nos termos do art.10 da Lei Complementar nº 105/01 e art.5º, §3º, do Decreto nº 3.724/01; o sigilo fiscal estaria preservado pela Constituição Federal, de maneira que os dados apenas poderiam, sob pena de nulidade da autuação, ter sido utilizados após autorização judicial, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal (RE nº 389.808/PR); Da ausência de demonstração dos requisitos legais para acesso a informações resguardadas sob sigilo bancário – ofensa ao Decreto nº 3.724/01 os requisitos previstos no Decreto nº 3.724/01 – procedimento de fiscalização em curso e indispensabilidade dos exames de informações relativas a terceiros – não estariam contemplados no caso concreto; Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.100 8 não constaria do processo administrativo cópia do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) ou da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof); “...Como a recorrente ou mesmo autoridade judicial pode certificarse do preenchimento dos requisitos para a quebra do sigilo bancário (estampados no Decreto nº 3.724/01) se a autoridade administrativa nada indicou a respeito, inclusive, não juntando prova alguma ao processo administrativo (como, por exemplo, a íntegra da DIMOF)?”; o não atendimento de tais requisitos viciaria o processo administrativo, sendo insubsistente, por consequência, as exigências; MÉRITO a autoridade autuante teria arrolado de forma resumida os lançamentos bancários, quando lhe caberia “...fazer juízo de valor de cada um e decidir em relação a cada um, individualizada e fundamentadamente, se seriam omissão de receita ou não, ônus do qual não se desincumbiu”; a análise analítica da fiscalização deveria ter sido juntada aos autos, sob pena de ofensa ao art.9º do Decreto nº 70.235/72 e aos princípios da ampla defesa e do contraditório; promovera a contabilização integral de sua movimentação bancária, “...contudo, o fez através de sua conta ‘duplicatas a receber [...]. Todos os depósitos bancários e operações afins (inclusive empréstimos bancários) circulam, em realidade, pela sua conta ‘duplicatas a receber’, tendo sido escriturados regularmente, cujo movimento é significativo”; não se sustentariam exigências fundamentadas na presunção legal do art.42 da Lei nº 9.430/96: “Caberia ao fisco, para além de acomodarse na presunção legal, prosseguir em seus trabalhos de auditoria, com vistas a provar que os depósitos questionados não se relacionam a vendas registradas ou, mais fácil ainda, a auditoria fiscal deveria ter se concentrado na movimentação da conta ‘duplicatas a receber’, abastecedora da conta bancos, procurando eventuais suprimentos fictícios de numerários nessa conta que, escoimados, poderiam revelar omissão de receitas, mas por outros fundamentos legais”; quanto à perícia, uma vez preenchidos os requisitos legais, sua realização seria obrigatória, não podendo, em razão de ter formulado quesitos e indicado perito, ter sido indeferida pela decisão a quo; nos termos do art.9º do Decreto nº 70.235/72, deveriam ter sido lavrados autos de infração separados, para cada tributo e multa; a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) exigiria “prova direta e cabal do evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio [...]. No caso concreto, a autoridade administrativa não reuniu provas cabais da prática de tais crimes (à semelhança do inquérito policial), mas apenas concluiu a ocorrência de omissão de receita com base na presunção legal do art.42 da Lei nº 9.430/96, inadmissível para fins de aplicação da multa de 150% [...]. Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o artigo 2º, §3º, inciso I, do Decreto nº 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestadas à RFB, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão, com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador”; a exigência de multa de ofício e juros de mora, nos moldes em que constituída, seria excessiva, configurando confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva. Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.101 9 O Recorrente afinal requereu a realização de perícia, “...uma vez que os lançamentos bancários não foram analisados analítica e individualizadamente, tornando certa a presença de valores indevidos como omissão de receitas”, tendo indicado perito e formulado os seguintes quesitos: “(a) Identificar de forma analítica e individualizada quais lançamentos bancários, do período indicado no presente auto de infração, não demonstram ingresso de receita bruta nas respectivas contas bancárias da RECORRENTE; (b) Identificar de forma analítica e individualizada a natureza de cada um dos lançamentos bancários do período indicado no presente auto de infração”. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Em razão de o patrono da Recorrente, em sustentação oral, ter pleiteado o sobrestamento do julgamento, cabe inicialmente esclarecer que situação fática tratada nos autos não atrai a incidência do art.62A do Regimento Interno do CARF, aplicável sempre que houver reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de repercussão geral de questão constitucional versada em recurso extraordinário (art.543A do Código de Processo Civil). No caso sob exame, os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte. Atentese que no Recurso Extraordinário nº 601.314, discutese a constitucionalidade da possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Sendo assim, não há previsão legal ou regimental que imponha a este colegiado administrativo aguardar o desfecho definitivo de tal processo no STF, não se podendo falar em sobrestamento, devendo, portanto, ser indeferida tal pretensão. Passase à apreciação das preliminares suscitadas no recurso voluntário. Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.102 10 Das preliminares O Recorrente afirma ter sofrido coação indireta, decorrente de eventuais punições a que se sujeitaria caso se recusasse a entregar à fiscalização os extratos bancários. Apesar de tal alegação, não apontou um único fato concreto a caracterizar o que afirma. Tãosomente suscitou hipóteses, a exemplo de poder cumprir pena de reclusão por força do art.10 da Lei Complementar nº 105, de 10/01/01, e do art.5º, §3º, do Decreto nº 3.724/01. Vale esclarecer que a LC nº 105/01, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, ao menos com relação àquele artigo mencionado, voltase a quem, à margem de suas disposições, promova indevidamente a “quebra” do sigilo. Vejamos: Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. No mesmo diploma legal, excepcionase da regra do dever de sigilo a revelação de dados com o consentimento expresso dos interessados: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. ..... § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: ..... V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Ora, se o fornecimento de dados pelas instituições financeiras não representa violação do dever de sigilo quando autorizado pelo correntista, não se chega à conclusão diversa, como pretende o Recorrente ao pugnar pela invalidade do procedimento fiscal e dos autos de infração, na situação de o próprio contribuinte ter disponibilizado suas informações bancárias à fiscalização tributária. De igual maneira, o art.5º, §3º, do Decreto nº 3.724/01, que remete ao dispositivo legal supracitado, não corrobora a tese da defesa. Dirigese também às instituições financeiras e seus dirigentes. Vejamos: Art.2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.103 11 Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). ..... §5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). ..... Art.4º Poderão requisitar as informações referidas no §5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). §1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. ..... Art.5º As informações requisitadas na forma do artigo anterior: ..... §3º Quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente à Secretaria da Receita Federal as informações a que se refere este artigo ficará sujeito às sanções de que trata o art. 10, caput, da Lei Complementar nº 105, de 2001, sem prejuízo das penalidades cabíveis nos termos da legislação tributária ou disciplinar, conforme o caso. Acerca do vício “coação”, cabem algumas considerações. Nos termos do Código Civil, para que se possa falar em coação, o dano, por exemplo, ao patrimônio do paciente deve ser iminente, condição que não se apresenta a partir de simples intimação para a apresentação de extratos bancários no curso de um procedimento fiscal. Dispõe o art.151 daquele codex: “A coação, para viciar a declaração de vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens”. Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.104 12 Em se tratando de exações tributárias, apenas após a constituição do lançamento, o trânsito em julgado administrativo e o desfecho da execução fiscal, é que se pode falar em expropriação de bens. Quanto a suposto dano à pessoa, no caso, por exemplo, resultante de aplicação de pena de reclusão, como exemplificado pelo Recorrente, a restrição de liberdade, salvo as prisões de natureza cautelar, cabíveis em situações bem restritas, impõese apenas após a longa persecução penal em juízo, além de demandar trânsito em julgado da decisão final, como comumente vem decidindo o Supremo Tribunal Federal. Além disso, não se pode falar em coação quando diante do regular exercício do direito de fiscalizar, afeto à Administração tributária, conforme prevê o próprio Código Civil: “Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial” (art.153). Bem pontua Caio Mário da Silva Pereira (in Instituições de Direito Civil. Vol.I. Rio de Janeiro: Forense, 1998, p.336), ao afirmar que “...se existe a ameaça de praticar um ato amparado pela lei, não há coação”. Orlando Gomes (in Introdução ao direito civil. 13ª ed. Rio de Janeiro, Forense: 1998, pp.425426), ao citar decisões judiciais, leciona que a coação, como defeito do ato jurídico, não é fato que pode ser presumido, mas que demanda prova inequívoca, devendo a influência exógena ser tão grave a ponto de retirar do agente a capacidade de avaliar as consequências do ato, ou lhe suprimir a opção de resistir à sua prática. Como se vê, não restou comprovada a coação, física ou moral, nos termos já consolidados pela lei e doutrina, não se podendo falar em nulidade dos lançamentos tributários com base em tal motivo. A respeito da necessidade de ordem judicial para a requisição dos extratos bancários, tal discussão é cabível em outro cenário, qual seja, o de requisição diretamente pelo Fisco às instituições financeiras. Como visto anteriormente, a apreciação da constitucionalidade de tal possibilidade é objeto do RE nº 601.314, em que foi reconhecida a repercussão geral. Novamente, considerando que os extratos bancários foram disponibilizados pelo próprio contribuinte, não restando caracterizado o vício coação, não houve a necessidade de a fiscalização demandar as instituições financeiras ou mesmo o Judiciário, caso entendesse ser este o melhor caminho a ser trilhado para a obtenção de tais dados. Válido, portanto, o emprego dos extratos bancários pela fiscalização. Como antecipado, a LC nº 105/01 e o Decreto nº 3.724/01 tratam, em essência, da obrigatoriedade de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas disponibilizarem a agentes fazendários informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros por elas mantidos. O Decreto nº 3.724/01 estabelece requisitos, à vista dos quais o Fisco federal pode requerer tal documentação, estando as pessoas demandadas obrigadas a fornecêla quando houver procedimento de fiscalização instaurado e tais exames forem considerados indispensáveis (art.6º), conforme art.3º. Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.105 13 Quando o Fisco não exige as informações de tais pessoas, não há se falar em necessidade de preenchimento de tais requisitos. Uma vez mais, lembrese que o contribuinte, interessado maior no sigilo, entendeu por bem não opôlo à Administração tributária. Com relação à necessidade de constar dos autos cópia do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) mesmo quando se mencionou o respectivo número nas intimações (nº 0910200.2011.002361), tal falta não macula a ação fiscal, tampouco o seu resultado. A questão resolvese essencialmente a partir da competência legal conferida ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para realizar o procedimento e lavrar os autos de infração. A propósito, não há necessidade de se mencionarem as respectivas normas que a regem, até mesmo porque não se instaurou controvérsia a respeito. O MPF, que não se traduz em elemento indispensável ao lançamento, é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, de forma a não se falar em nulidade dos autos de infração até mesmo em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou nas sucessivas prorrogações1, tese esta contemplada em vários julgados administrativos. A título exemplificativo: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADES. VALIDADE DO LANÇAMENTO. O mandado de procedimento fiscal constitui controle administrativo das ações fiscais prescindível para a validade do ato de lançamento tributário realizado por servidor competente nos termos da lei. (Acórdão nº 10322704, de 08/11/06, 1º CC, 3ª Câmara) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Acórdão nº 10706820, de 16/10/02, 1º CC, Sétima Câmara) (destaquei). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do 1 Lembrar que no caso concreto, a discusão cingese à falta de cópia do MPF nos autos, ou seja, ausente qualquer vício que macule tal ato administrativo. Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.106 14 processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal (...)”. (Acórdão nº 20308483, de 16/10/02, 2º CC, Terceira Câmara) (destaquei). PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento (...). (Acórdão nº 201 77049, de 02/07/2003, 2º CC, 1ª Câmara). NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade do ato (...). (Acórdão nº 20214949, de 02/07/2003, 2º CC, 2ª Câmara). Como bem cuidou o supracitado acórdão nº 10706.820, o eventual descumprimento da norma infralegal que regula o MPF pode desencadear a apuração de responsabilidades administrativas do agente fazendário responsável pelo procedimento, jamais a invalidade deste e do lançamento decorrente. O Decreto nº 70.235/72, estabelece os requisitos de um auto de infração, todos contemplados no presente caso: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.(destaquei) Normas que regem o MPF não modificam, até mesmo por não se revestirem em instrumento hábil, a competência da autoridade fazendária estatuída em lei. A respeito, vejamos esclarecedora decisão administrativa: Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.107 15 MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 1265/99 – NULIDADE – O desrespeito ao prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o art. 13 dessa Portaria não traz como conseqüência a nulidade do ato (...). (1º CC, Oitava Câmara, Acórdão 10807523 de 10/09/2003). Destaquese, ainda, acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que tratou da autonomia do ato de lançamento, quando se entendeu não haver vinculação a outro ato administrativo, a exemplo do combatido MPF: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida. (3ª Turma, AC 434330/SE, Rel. Élio Wanderley de Siqueira Filho, Julgamento em 15/05/08, DJ 31/07/08) (destaquei) Acrescentese a precisão do acórdão recorrido, proferido pela Primeira Turma da DRJ – Curitiba (PR), ao equacionar a questão, razão pela qual aqui são empregados os respectivos fundamentos, in verbis: “[...] Com respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), transcrevo excerto do derradeiro parágrafo do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 0506): ‘Segundo dispositivo legal vigente, Portaria RFB nº 11.371/07, emitiuse Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização 0910200.2011.002361 em nome da empresa. O código de acesso ao MPF pela internet é 90970071.’ Por outro lado, transcrevo a disposição pertinente vertida na aludida Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, verbis: Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.108 16 ‘Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.’ (Grifei). Como se vê, não há necessidade de apresentação de via do MPF ao contribuinte; tampouco de sua juntada aos autos. Caso a impugnante sentisse mesmo necessidade de confirmar as atividades atribuídas à autoridade administrativa, bastaria acessar o documento pela internet.” Afastase, portanto, a alegação de nulidade decorrente da falta de anexação aos autos de cópia do MPF. Também não se acolhe a alegação a respeito da necessidade de constar dos autos cópia das Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira, transmitidas pelas instituições bancárias à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na realidade, tais informações serviram, conforme “Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento de Fiscalização”, para caracterizar a discrepância entre os valores movimentados pelo contribuinte e aqueles declarados em DIPJ, servindo, com isso, como justificativa para o aprofundamento da ação fiscal. Não é verdade que a autoridade administrativa nada tenha indicado a respeito ou mesmo juntado prova. Por exemplo, no termo de intimação de 22/03/11, cientificado ao contribuinte em 23/03/11, foram discriminados, por anocalendário e instituição financeira, os valores extraídos das Dimof e dos extratos bancários, bem como as respectivas divergências (fls.1.203/1.205): “[...] 1. Considerando terem sido identificadas divergências entre os valores de movimentação financeira declarados por instituições financeiras, por meio da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira – Dimof, e os extratos apresentados pela empresa em atenção à intimação recebida em 14/2/2011, conforme anexo, apresentar, em relação aos anos calendário de 2008 e 2009: a. a relação de todas as contascorrentes bancárias e de contas de investimentos mantidas pela empresa no período; b. os extratos, em meio magnético, de todas as contascorrentes bancárias e aplicações financeiras movimentadas pela empresa [...]” Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.109 17 Como bem resumido pela Primeira Turma da DRJ – Curitiba (PR): “[...] não haveria a necessidade da juntada da DIMOF; bastaria a contribuinte provar a inconsistência da informação. Ademais, uma vez que a contribuinte não questiona as informações veiculadas na DIMOF, não existe qualquer contraditório a respeito. E em assim sendo, não vislumbro qualquer necessidade de juntada do documento reclamado.” Acrescentese que, afinal, as autuações decorreram da constatação de omissão de receitas detectada a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte no curso do procedimento fiscal. O Recorrente ainda sustenta ter havido violação dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, em razão da não análise pormenorizada dos depósitos bancários indicados. No seu entender, deveria a fiscalização “...fazer juízo de valor de cada um e decidir em relação a cada um, individualizada e fundamentadamente, se seriam omissão de receita ou não, ônus do qual não se desincumbiu”. Pois bem. O art.42 da Lei nº 9.430/96 não impôs tal ônus à fiscalização. Desta exigiu apenas a individualização dos depósitos e a intimação do titular da conta bancária para comprovar, com documentação hábil e idônea, as respectivas origens, requisitos presentes no caso concreto, à luz das várias intimações e do demonstrativo confeccionado ao final do “Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento de Fiscalização” (item 4 – DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER CONSTITUÍDO). A fundamentação, requisito de validade dos lançamentos tributários (art.142 do Código Tributário Nacional), foi exteriorizada pela autoridade autuante. Ao contribuinte, caberia aviar argumentos contrários, acompanhados das respectivas provas, como de fato o fez, não restando, portanto, caracterizado mínimo cerceamento ao exercício da defesa. Notase que o art.9º do Decreto nº 70.235/72 foi devidamente prestigiado pela fiscalização, pois constam dos autos todas as intimações e respectivas respostas, documentos, análises e conclusões sobre os fatos apurados. A respeito da alegação de que deveriam ter sido lavrados autos de infração separados, um para os tributos, outro para as multas, também não pode ser acolhida pelo fato de não ter sido constituída qualquer penalidade isolada, mas proporcional ao tributo exigido. Da leitura do dispositivo legal, facilmente se conclui pela lisura dos autos de infração relativos a cada um dos créditos tributários exigidos: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ..... Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.110 18 § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Por tais razões, rejeitamse as preliminares. Do mérito De início, verificase que o Recorrente, para afastar as conclusões fiscais quanto à omissão de receitas apontada, apenas afirma que os valores teriam sido regularmente contabilizados, sustentando que se utilizou “...de sistemática de escrituração contábil fazendo com que todos os depósitos bancários tenham como contrapartida do lançamento contábil a conta ‘duplicatas a receber’”. Contudo, não indicou a escrituração de um único depósito bancário, dentre aqueles considerados pela fiscalização como receita, com lastro normativo no art.42, §2º, da Lei nº 9.430/96: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ..... §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. No processo administrativo tributário não basta a alegação de fatos. Devem, obrigatoriamente, ser comprovados, conforme dispõem os artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: ..... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.111 19 Conforme narrado no “Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento de Fiscalização”, o próprio contribuinte teria informado que os créditos bancários individualizados pela fiscalização tratavamse de recebimentos não contabilizados. Vejamos: “[...] Após atender parcialmente o solicitado em 30/6/2011, fls. 2.319 a 2.321, a empresa apresentou, no dia 25/7/2011, planilha em que detalhava cada um dos créditos, fls. 2.323 e 2.324. Com base nesses detalhamentos, notamse créditos marcados pela pessoa jurídica com um ‘N’ na coluna ‘Lançado na Contabilidade (Sim/Não)?’ em que na coluna ‘Descrição do Crédito (justificativa, origem etc.)’ informouse tratar de recebimentos de clientes, ou seja, referemse a receitas que não haviam sido contabilizadas. ..... Enquanto ainda transcorria o prazo para atendimento à intimação do dia 7/6/2011, foi enviada em 27/6/2011 intimação por meio da qual o contribuinte era instado a comprovar, em complemento à relação anexa à intimação anterior, a origem de todos os demais lançamentos a crédito contidos nos extratos e individualizadamente relacionados no anexo ‘Demonstrativo detalhado de recursos depositados/creditados em contas bancárias de titularidade da Transportadora Rota 90 Ltda’. Esses créditos estão consolidados na ‘PLANILHA V [...]’, fls. 2.309 a 2.314, e são indicados pelos campos deixados vazios na coluna ‘Receita Tributável?’. Após três atendimentos parciais, com solicitações de prazo adicionais, foi apresentada em 28/9/2011 planilha definitiva pela pessoa jurídica. Com base nos detalhamentos ali contidos, observamse inúmeros valores, indicados como ‘recebimento de cliente’ (receitas) que não haviam sido contabilizados, passíveis, portanto, de constituição do crédito tributário, conforme individualizadamente relacionados no Quadro II da ‘PLANILHA VIII [...]’, fls. 2.841 a 2.876, e mensalmente consolidados no Quadro II da ‘PLANILHA VII [...]’, fl.2.840 [...]”. ..... No dia 11/1/2012, atendendo ao primeiro item da intimação do dia 14/12/2011 a empresa, instada a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contas 5191148 e 5170710 do Banco SAFRA (cujos extratos haviam sido solicitados na intimação de 4/11/2011), novamente reconhece os valores como recebimentos de clientes não contabilizados (conforme explícito no item ‘b’ do documento de fls. 2.718 e 2.719, além de as próprias descrições dos lançamentos contidas nesses extratos deixarem clara essa natureza, fls.2.720 a 2.731), passíveis de lançamento de ofício, os quais estão individualizadamente relacionados no Quadro IV da ‘PLANILHA VIII [...]’, fls. 2.841 a 2.876, e mensalmente consolidados no Quadro IV da ‘PLANILHA VII [...]’, fl. 2.840 [...]” (destaquei) Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.112 20 Caberia à defesa, então, apresentar as provas que infirmassem as conclusões fiscais, o que não foi feito. Quanto ao arbitramento, fundamentado na total falta de credibilidade da escrituração, considerada “...imprestável tanto para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, como para determinar o lucro real”, o Recorrente não se insurgiu. No curso do procedimento fiscal, o contribuinte também deixou de apresentar as comprovações, relativas a valores supostamente de custos/despesas identificados nas contas correntes mantidas à margem da escrituração. Como atestou a fiscalização, “...Já em sua primeira resposta, dia 6/2/2012, a empresa afirmou impossível reconstituir a contabilidade do ano 2008 por ausência de comprovação documental idônea”. Acerca da qualificação da multa de ofício, os fatos narrados e devidamente comprovados pela fiscalização, justificam a sua aplicação com base na Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, dispõe a Lei nº 4.502/64: Art.71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art.73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.113 21 Considerando que ao Fisco federal foram declarados valores deveras inferiores aos efetivamente recebidos, bem como, não obstante a escrituração de algumas contas bancárias, a manutenção de outras à margem da contabilidade, em que foi depositado o montante de R$ 86.838.210,39 (fl.2.961), não há como deixar de reconhecer que, de forma livre e consciente, buscou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador tributário (art.71 da Lei nº 4.502/64), estando, inclusive, caracterizado o intuito fraudulento da conduta, que se exigia na redação anterior do art.44 da Lei nº 9.430/96 para fins de qualificação da penalidade. O ordenamento jurídico por vezes exemplifica ações consideradas fraudulentas. A Lei nº 8.137, de 27/12/90, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, é um bom e pertinente exemplo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: ….. II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo (...);(destaquei) A fraude, então, pode até mesmo ser caracterizada, levandose em consideração, por óbvio, o contexto, pela omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal, ou de declaração sobre rendas, bens ou fatos. Isto posto, é bastante improvável que, à vista de receitas em montante tão expressivo, o autuado tenha deixado de escriturálas e oferecêlas à tributação, senão por vontade desembaraçada de subtraílas do conhecimento das autoridades fiscais. Estando as conclusões fiscais coerentes com o ordenamento jurídico, mantémse a multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Relativamente ao pedido de perícia, fundamentado na necessidade de identificação, por experto, “...de quais lançamentos bancários, do período indicado no presente auto de infração, não demonstram ingresso de receita bruta nas respectivas contas bancárias”, bem como a “natureza de cada um dos lançamentos bancários do período indicado no presente auto de infração”, não pode ser acolhido, pois tais fatos não apenas poderiam, como deveriam, ter sido esclarecidos pelo próprio contribuinte quando da impugnação ou do recurso voluntário, conforme arts.15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.114 22 Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. O Recorrente não anexou qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, tendo o acórdão recorrido sido proferido em conformidade com a legislação de regência, não merecendo reparo. Complementese que as exigências relacionadas à multa de ofício e juros de mora foram fundamentadas em dispositivos legais vigentes, mencionados nos autos de infração, não podendo, em regra, ser afastados, ainda que sob alegação de inconstitucionalidade por supostamente violarem, por exemplo, os princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Essa é a dicção do art.26A do Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ..... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11634.720209/201203 Acórdão n.º 1103000.808 S1C1T3 Fl. 3.115 23 A propósito, após reiteradas decisões, a matéria foi objeto do Enunciado nº 2 da Súmula do CARF, que recebeu a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por fim, o decidido no lançamento de IRPJ aplicase aos autos de infração reflexos (CSLL, PIS e Cofins), haja vista, considerandose a relação de causa e efeito, a repercussão da omissão de receitas na apuração de tais tributos. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10936.000482/2006-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
ANO-CALENDÁRIO: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS.
A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se toma conhecimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.256
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Numero do processo: 10880.736438/2011-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008
CONTRATOS DE MÚTUO. CRÉDITO ROTATIVO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS PELA MUTUÁRIA.
Cancela-se o lançamento de ofício das diferenças de imposto apuradas em decorrência da falta de comprovação da liquidação das operações em face de documentação hábil e idônea, comprobatória dos pagamentos efetuados pelo mutuário em favor do mutuante autuado, liquidando as respectivas operações.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CRÉDITO ROTATIVO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS PELA MUTUÁRIA. Cancelase o lançamento de ofício das diferenças de imposto apuradas em decorrência da falta de comprovação da liquidação das operações em face de documentação hábil e idônea, comprobatória dos pagamentos efetuados pelo mutuário em favor do mutuante autuado, liquidando as respectivas operações. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 64 38 /2 01 1- 86 Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Companhia Siderúrgica Nacional teve lavrado contra si o Auto de Infração de fls. 266 a 276, para formalizar a constituição e exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 318 a 336, o lançamento de ofício do imposto decorreu da constatação de recolhimento a menor do imposto incidente sobre as operações de mútuo na modalidade de crédito rotativo, celebrado com as coligadas Indústria Nacional de Aços Laminados – INAL S.A e GALVASUD S.A. (cfr. contratos, fls. 203 a 206). Contratos de mútuo – crédito rotativo – Inal SA O contribuinte apresentou os seguintes documentos comprobatórios das liquidações das operações realizadas com INAL S.A. (fls. 168 s 178): DOC. DATA VALOR (R$) FLS. 1 28/05/2007 13.000.000,00 169 2 11/06/2007 53.000.000,00 170 3 29/06/2007 42.000.000,00 171 4 02/07/2007 4.300.000,00 171 5 02/07/2007 10.000.000,00 172 6 05/07/2007 42.000.000,00 172 7 06/07/2007 12.000.000,00 173 8 10/07/2007 40.000.000,00 173 9 30/07/2007 6.000.000,00 173 10 31/07/2007 12.000.000,00 174 11 31/07/2007 11.700.000,00 174 12 01/08/2007 140.000.000,00 175 13 02/08/2007 5.000.000,00 176 14 07/08/2007 2.500.000,00 176 15 10/08/2007 6.000.000,00 177 16 31/08/2007 15.000.000,00 177 17 04/09/2007 163.900.942,42 178 A Fiscalização concluiu que os documentos de nºs 1, 2, 3, 11, 12, 16 e 17 não eram hábeis para comprovar as liquidações do mútuo. A Fiscalização ainda detectou que, em setembro de 2006, o autuado, por meio de outro contrato de mútuo, repassou à INAL o montante de R$ 40.000.000,00, conforme demonstra a planilha “Operações com Partes Relacionadas – AC 2006”, apresentada no curso da ação fiscal (fl. 207). O mútuo em questão aperfeiçoouse através de três transferências de numerário, todas efetuadas em 19/09/2006, intermediadas pelo Citibank, figurando como beneficiária das remessas a Companhia Metalúrgica Prada, incorporadora da INAL (cfr. avisos de lançamento, fls. 208 a 211). Após a concessão do mútuo, nenhuma liquidação ocorreu por parte da mutuária INAL, até 31/12/2006. Considerando os débitos de IOF confessados na DCTF do 4º trimestre de 2006 (fls. 212 a 213), a Fiscalização concluiu que o imposto referente a essa operação de crédito não foi recolhido. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.736438/201186 Acórdão n.º 3403002.278 S3C4T3 Fl. 1.724 3 Contratos de mútuo – crédito rotativo – Galvasud S.A. O autuado apresentou os seguintes documentos comprobatórios das liquidações das operações realizadas com Galvasud S.A. (fls. 187 a 192): DOC. DATA VALOR (R$) FLS. 1 31/05/2007 38.170.000,00 187 2 31/05/2007 2.000.000,00 188 3 31/05/2007 56.830.000,00 189 4 01/06/2007 10.000.000,00 190 5 04/06/2007 18.000.000,00 191 6 11/06/2007 17.000.000,00 192 Analisando cada um dos itens, a Fiscalização concluiu que os documentos de nºs 3, 4, 5 e 6 não eram hábeis para comprovar as liquidações do mútuo. Em decorrência das irregularidades acima descritas, a Fiscalização recompôs o contacorrente do mútuo, apurando, deste modo, o IOF devido (cfr. planilhas, fls. 216 a 243 e 244 a 263). Por se tratar de empréstimo concedido sob a modalidade de crédito rotativo, sem valores nem prazos definidos, considerou como base de cálculo do IOF o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, calculando o imposto à alíquota de 0,0041% (art. 7º, inciso I, alínea “a”, do Regulamento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários RIOF, aprovado pelo Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002). A diferença de IOF a lançar foi calculada após subtração dos valores confessados pelo contribuinte em DCTF (cfr. demonstrativo, fl. 264). A autuação montou a R$ 26.019.591,73, entre principal e consectários legais. Sobreveio impugnação, fls. 339 a 354, em que o autuado alega que: Contratos de mútuo – crédito rotativo – Inal SA a) o pagamento efetuado em 28/05/2007, no valor de R$ 13.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 411) e pelo comprovante da transferência bancária (fls. 412 e 413); b) o pagamento efetuado em 11/06/2007, no valor de R$ 53.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 414) e pelo comprovante da transferência bancária (fls. 415 e 416); c) o pagamento efetuado em 29/06/2007, no valor de R$ 42.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 417) e pelo comprovante do depósito bancário (fls. 418 e 419); d) o pagamento efetuado em 31/07/2007, no valor de R$ 11.700.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 420) e pelo comprovante do depósito bancário (fls. 421/ e 22); e) o pagamento de R$ 140.000.000,00, contabilizado em 01/08/2007, diz respeito a uma transferência efetuada pela INAL em favor da Companhia Nacional Minérios S/A – NAMISA, por conta da Impugnante; que, precisamente nesta data, celebrou com a favorecida um Contrato de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – “AFAC”, no valor total de R$ 365.360.000,00, em que figurou como anuentepagadora a INAL (fls. 433 e 434); e que, nos termos do referido AFAC, ficou ajustado que uma parte do Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 adiantamento, no valor de R$ 225.360.000,00, seria transferida pela Impugnante diretamente à NAMISA; e que a parcela restante, no valor de R$ 140.000.000,00, seria repassada à NAMISA pela INAL, em nome da Impugnante, como forma de amortizar a dívida de mútuo daquela coligada; e que a remessa efetuada pela INAL em favor da NAMISA pode ser confirmada por meio de ofício do Banco Itaú S/A (fl. 423) e do próprio comprovante da transferência bancária (fl. 424); que, em 25/07/2008, a NAMISA aprovou o aumento de seu capital social, tendo sido as novas ações integralmente subscritas e integralizadas pela Impugnante – cf. Ata da Assembléia Geral Extraordinária (fls. 435/437); e Boletim de Subscrição de Ações (fl. 438); que as operações em questão encontramse devidamente registradas na contabilidade da Impugnante, da INAL e da NAMISA (fls. 425 a 429); f) o pagamento efetuado em 31/08/2007, no valor de R$ 15.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 439) e pelo comprovante do depósito bancário (fls. 440 a 441); g) o cheque emitido em 04/09/2007, no valor de R$ 163.900.942,42, tinha por finalidade a liquidação de duas obrigações junto à Impugnante: — a primeira, no valor de R$ 137.900.942,32, corresponde à amortização do mútuo; e a segunda, no valor de R$ 26.000.000,00, referese à aquisição de matériasprimas, consoante Notas Fiscais em anexo (fls. 461 a 1488); h) o empréstimo de R$ 40.000.000,00 concedido, em 19/09/2006, à coligada INAL para viabilizar um adiantamento de recursos da INAL, vinculado a um futuro aumento de capital da Companhia Metalúrgica PRADA, foi integralmente liquidado; e que para formalizar a referida operação, a Impugnante e a INAL celebraram um contrato de mútuo no qual a empresa PRADA figurou como interveniente anuente (fls. 1577 a 1579); e que, na mesma data, a INAL firmou com a PRADA um contrato de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital “AFAC”, no valor de R$ 40.000.000,00, em que figurou como interveniente anuente a Impugnante (fls. 1580 a 1581); que, em ambos os contratos, ficou estabelecido que a Impugnante repassaria o valor do AFAC diretamente para a PRADA, por conta e ordem da INAL; e que, em 29/09/2006 e 26/10/2006, a INAL celebrou outros dois contratos de AFAC com a PRADA, nos valores de R$ 4.800.000,00 (fls. 1584 a 1585) e de R$ 60.000.000,00 (fls. 1586 a 1587), respectivamente; que, em 04/06/2007, a PRADA aprovou o aumento de seu capital, com emissão de novas ações, no valor total de R$ 104.800.000,00 – cfe. Ata da Assembléia Geral Extraordinária (fls. 1588 a 1590); que, na oportunidade, a INAL subscreveu e integralizou a totalidade das ações emitidas pela PRADA, mediante capitalização dos AFAC’s anteriormente mencionados – vide Boletim de Subscrição (fl. 1591); Contratos de mútuo – crédito rotativo – Galvasud S.A. a) o pagamento efetuado em 31/05/2007, no valor de R$ 56.830.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 1489) e pelo comprovante do depósito bancário (fl. 1490); b) o pagamento efetuado pela referida coligada em 01/06/2007, no valor de R$ 10.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 1491) e pelo comprovante da transferência bancária (fl. 1492); Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.736438/201186 Acórdão n.º 3403002.278 S3C4T3 Fl. 1.725 5 c) o pagamento efetuado em 04/06/2007, no valor de R$ 18.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 1493) e pelo comprovante da transferência bancária (fl. 1494); d) o pagamento efetuado pela referida coligada em 11/06/2007, no valor de R$ 17.000.000,00, pode ser confirmado pelo ofício emitido pelo Banco Itaú S/A (fl. 1495) e pelo comprovante da transferência bancária (fl. 1496); O autuado ainda impugna a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No seu entender, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autoriza a incidência de juros somente os juros de mora só se aplicam sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, o que os débitos decorrentes de multas. A 15ª Turma da DRJ/RJ1 julgou o lançamento procedente em parte. a autoridade julgadora de primeira instância julgou que restaram bem comprovadas as liquidações de todas as operações questionadas pela Fiscalização, à exceção da liquidação de R$ 137.900.942,42, em 04/09/2007, correspondente ao Doc. 17 das operações com INAL. O voto condutor do acórdão considerou que, conforme os registros contábeis da mutuária, trazidos aos autos pelo próprio impugnante, o valor correspondente ao cheque emitido, de R$ 163.900.942,42 foi contabilizada como Pagamento de Dividendos e JCP (fl. 1576), não guardando qualquer relação com a liquidação do mútuo no valor de R$ 137.900.942,32. O Acórdão nº 12046.725, de 24 de maio de 2012, fls. 1.608 a 1.665, teve ementa vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2007, 2008 CONTRATOS DE MÚTUO. CRÉDITO ROTATIVO. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS PELA MUTUÁRIA. As liquidações de mútuo pactuado sob a modalidade de crédito rotativo deverão estar lastreadas em documentação hábil e idônea, capaz de comprovar a transferência dos recursos, com perfeita identificação do remetente e do favorecido, e datas e valores coincidentes com os registros contábeis. Uma vez comprovadas, parcialmente, as liquidações efetuadas pela mutuária, cumpre à autoridade fiscal recompor o conta corrente do mútuo, recalculando, em cada mês, o valor do IOF devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 As multas de ofício proporcionais, lançadas em função de infração à legislação tributária de que resulte falta de pagamento de tributo, estão inseridas no conceito de “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, para fins de aplicação do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Sendo assim, uma vez que tais multas não tenham sido recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à incidência de juros de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 15ª Turma da DRJ/RJ1 recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 15ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 1.678 a 1.690, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, quanto à liquidação do valor de R$ 163.900.942,42 "Doc.17" da autuação – lembra que o cheque, no valor de R$ 163.900.942,42, foi emitido pela INAL em benefício da CSN para a liquidação do valor de R$ 137.900.942,42 concernente ao mútuo concedido pela Recorrente à INAL, em 01/05/07, no valor de R$ 1.000.000.000,00, e que os R$ 26.000.000,00 restantes são referentes ao pagamento à CSN pela compra de matériaprima pela INAL, conforme notas fiscais acostadas à defesa. Quanto ao fato de o valor de R$ R$ 163.900.942,42 ter sido contabilizado pela emitente do cheque como Pagamento de Dividendos e JCP , alega erro material na informação "SP GEC 042021/07 Pagamento de Dividendos e JCP" do campo texto da conta 21400201 do Livro Razão, referente à conta corrente CSN. Propõe que se analisem as contrapartidas do assentamento para a conclusão de que se refere, efetivamente à liquidação da operação de mútuo: a) lançamento dos R$ 26.000.000,00 relativos à aquisição de matériaprima já mencionada, efetuado para a "regularização do valor a maior transferido para liquidação do mútuo", cf. Doc. 1; b) lançamento de baixa do seu "contas a receber", no Livro Razão da CSN, no montante da liquidação do mútuo, no valor de R$ 137.900.942,42; c) conforme cópia de parte do razão de INAL (Doc. 2), o lançamento de dividendos a pagar é, em verdade, registrado na conta contábil nº 21450101; d) os Juros sobre o Capital Próprio também são registrados em conta diferenciada, mas como a INAL não efetuou pagamento de JCP até a sua extinção por incorporação, a Recorrente junta ao recurso o seu próprio Livro Razão em que consta a conta específica para o pagamento de JCP, tendo em vista que o plano de contas contábeis é igual para todas as empresas que integram o seu grupo econômico (doc. 03). Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.736438/201186 Acórdão n.º 3403002.278 S3C4T3 Fl. 1.726 7 O recorrente repete a arguição de falta de previsão legal para a incidência de juros demora sobre a multa de lançamento de ofício. Conclui, postulando o acolhimento dos fundamentos do recurso de forma a se cancelar lançamento, julgandose, por conseguinte, insubsistente o crédito tributário constituído, porquanto comprovada a sua extinção pelo pagamento, nos termos do art. 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Admissibilidade Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.678 a 1.690 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ115ª Turma nº 12046.725, de 24 de maio de 2012. A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício parcialmente procedente, para excluir os valores lançados relativamente aos fatos geradores demonstrados abaixo: DATA DO FG VALOR CANCELADO (R$) 31/01/2007 49.100,63 28/02/2007 44.363,01 31/03/2007 49.253,22 30/04/2007 47.653,82 31/05/2007 46.372,16 30/06/2007 226.450,54 31/07/2007 317.886,65 31/08/2007 507.335,21 TOTAL R$1.288.415,24 Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor superior ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, conheço do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 15ª Turma da DRJ/RJ1. Recurso de ofício No tocante às diferenças de IOF apuradas pela Fiscalização, decorrentes da falta de comprovação, com documentos hábeis, 11 (onze) pagamentos que teriam sido efetuados pelas coligadas INAL e Galvasud, ao longo do ano de 2007, com a finalidade de amortizar os empréstimos que lhes foram concedidos com base em contratos de mútuo, o voto condutor da decisão recorrida considerou os documentos de fls. 411 a 441 e 1.489 a 1.496, acostados aos autos com a peça de impugnação, hábeis e bastantes para a comprovação da liquidação do mútuo. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Quanto à diferença de imposto lançada em decorrência do fato de o contribuinte não ter computado, em seu contacorrente com a INAL, o saldo credor de R$ 40 milhões decorrente do empréstimo concedido em setembro de 2006, a decisão recorrida julgou que a liquidação quedou devidamente comprovada pelo documento de fl. 1.592. Compulsando os referidos documentos, verifiquei tratarse de comprovantes de depósitos e expedientes bancários que atestam indubitavelmente os pagamentos efetuados pelas sociedades mutuarias em favor do mutuante, ora recorrente. Nada a reparar na decisão de piso no tocante às parcelas canceladas do lançamento de ofício. Nego provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário No que pertine ao recurso voluntário, circunscrevase o litígio à discussão da liquidação do mútuo realizado com a INAL, no valor de R$ 163.900.942,42, relativo ao doc. 17, bem como, subsidiariamente, à questão da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Conforme relatado, o recorrente alega erro material no histórico do assentamento na conta 21400201 do Livro Razão, referente à contacorrente CSN. Segundo a defesa, a informação "SP GEC 042021/07 Pagamento de Dividendos e JCP" é imprópria porque: a) o lançamento de dividendos a pagar é registrado na conta contábil nº 21450101; b) embora não tenha feito qualquer pagamento a título de juros sobre capital próprio, se houvesse, eles teriam sido registrados na conta nº 21450201, considerando que a mutuária, enquanto participante do mesmo grupo econômico, adota plano de contas idêntico ao do recorrente; O recorrente contrapõe ainda o lançamento de baixa do seu "contas a receber", no Livro Razão, no montante da liquidação do mútuo, no valor de R$ 137.900.942,42. Valhome desse conjunto fortemente indiciário e, sobretudo, da anotação no dorso do cheque nº JY000006, fl. 442, onde consta "liquidação mútuo INAL x CSN", para acolher a alegação de erro na escrituração, forte no parágrafo único do art. 2261 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, prestigiando o documento que deu suporte ao assentamento contábil, para julgar comprovada a liquidação também dessa operação. Dou provimento ao recurso voluntário para o efeito de cancelamento da parcela do lançamento de ofício remanescente do julgamento de primeira instância. 1 Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.736438/201186 Acórdão n.º 3403002.278 S3C4T3 Fl. 1.727 9 A discussão a respeito da incidência de juros calculados pela taxa SELIC sobre a multa de lançamento de ofício resta prejudicada em face do provimento do recurso voluntário. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11065.002302/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007
REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 REMUNERAÇÃO. PRÊMIOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmio, por possuírem caráter retributivo, ou seja, por representarem uma contraprestação pelo desempenho individual do trabalhador. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 23 02 /2 00 9- 21 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002302/200921 Acórdão n.º 2402003.316 S2C4T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 15/10/2009 (fl. 01) para exigir contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SENAC E SEBRAE), relativamente ao período de 08/2006 a 08/2007. Os créditos tributários foram apurados em virtude de pagamentos realizados aos empregados da empresa Participare a título de comissões sobre produção, denominadas de “Top Premium”. Foi atribuída responsabilidade solidária à empresa Atende Bem Ltda., conforme se verifica no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 (fl. 46/49). A empresa Participare apresentou impugnação pleiteando pela total improcedência da autuação (fls. 52/136). A empresa Atende Bem Ltda. não apresentou defesa. A d. DRJ julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 135/146), sob os argumentos de que: (i) o pagamento de prêmio integra o salário dos empregados, uma vez que visa retribuir a prestação de serviços; (ii) as contribuições destinadas a outras entidades e fundos são legalmente exigíveis; (iii) a aplicação da penalidade independe da intenção do infrator; e (iv) é vedado ao fisco afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade. A Recorrente (Participare) interpôs recurso voluntário (fls. 152/) alegando que: (i) os prêmios pagos aos empregados têm natureza indenizatória; (ii) não há habitualidade nos pagamentos dos prêmios; (iii) a multa e os juros são indevidos; (iv) não há fato gerador que deixou de ser informado, não podendo ser aplicada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória; e (v) As contribuições ao SEBRAE, SALÁRIO EDUCAÇÃO, e INCRA são indevidas. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Alega a Recorrente que os valores pagos a título de prêmio não devem compor o salário de contribuição, pois possuem natureza indenizatória. Pontua que “as planilhas de fls. 64/65 revelam que as premiações não eram habituais, mas, sim, eventuais, demonstrando que certos empregados atingiam metas estabelecidas nos programas de forma mais reiterada, mas ainda sim variável e alternadas e outros sequer as alcançavam.” (fls. 168/169). Entretanto, cumpre esclarecer que os prêmios pagos pela performance do trabalhador são vinculados a fatores de ordem pessoal deste, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional. Uma vez que a condição prevista pelo empregador é atingida por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, sendo uma contraprestação do serviço prestado, possuindo, por consequência, natureza jurídica salarial. Vale ressaltar que, uma vez que os funcionários têm conhecimento de que toda a vez que concluírem determinada tarefa/meta farão jus a certa remuneração, fica clara a habitualidade nesses pagamentos. Outrossim, as tabelas mencionadas pela Recorrente em sua impugnação (fls. 64/65) só demonstram que os pagamentos eram habituais, mormente quando destaca que a funcionária Raquel Caroline Nied recebeu prêmios ao longo dos meses de 06/2006 a 11/2007, quase que de forma ininterrupta. Resta claro, portanto, que as verbas pagas a título de prêmio são destinadas a retribuir o trabalho prestado pelo segurado empregado, perfazendo todos os requisitos do salário de contribuição previstos no art. 28, inc. I, da Lei nº 8.212/1991, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002302/200921 Acórdão n.º 2402003.316 S2C4T2 Fl. 216 5 Desta forma, constatase que não há razão nos argumentos da Recorrente. Pleiteia a Recorrente também pela total improcedência das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SEBRAE, INCRA E SALÁRIO EDUCAÇÃO). Contudo, para afastar a exigência de tais contribuições, devese reconhecer a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos dispositivos legais que as sustentam, pode este que é concedido apenas aos órgãos do Poder Judiciário, sendo vedado a este Conselho infringir esta competência, salvo naqueles casos expressamente previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF, sob pena de afronta ao princípio da separação dos poderes. Não há, portanto, como acatar o pedido formulado pela Recorrente. Por fim, a Recorrente alega que a penalidade não pode ser mantida, posto que a conduta praticada não foi motivada com o intuito de burlar a legislação fiscal. Contudo, a aplicação da penalidade independe da intenção que o agente tinha quando incorreu em infração à legislação tributária. Sem razão, portanto, a Recorrente. No que tange ao argumento de que não deve ser aplicada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, haja vista que não há fatos geradores a ser declarados em GFIP, cabe salientar que tal alegação não diz respeito ao presente processo, motivo pelo deixase de analisála. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10983.903154/2008-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva.
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 31 54 /2 00 8- 58 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório CANCELIER FOMENTO MERCANTIL LTDA ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação DCOMP n° 21715.82242.231104.1.3.047010 transmitida pela interessada em 23/11/2004, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real (código de receita 2484). Do Despacho Decisório extraise a seguinte motivação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 226,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF (...) Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: Ao preenchermos as Per/Dcomp, informamos que o tipo de origem do crédito era procedente de pagamentos efetuados durante o exercício 2003 a maior, sendo que em dezembro de 2003 os mesmos ficaram informados na DIPJ 2004 como "Saldo Negativo ". Partindo deste princípio formalizamos cada compensação em 2004 utilizando estes pagamentos a maior por Darf recolhido até a completa utilização destes créditos conforme o resumo abaixo detalhado com ou sem Processo Decisório. Processo de Crédito 10983.903154/200858 Crédito Original R$ 226,80 data arrecadação em 31/03/2003 Cód. 2362 Referente parte saldo negativo, conforme D1PJ/2004. [...] pedimos que considerem as compensações efetuadas formalizadas através do "Tipo de Origem do Crédito" como Pagamento indevido ou a Maior por Darf recolhido já que os Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10983.903154/200858 Acórdão n.º 1803001.772 S1TE03 Fl. 85 3 mesmos compunham individualmente o Crédito do Saldo Negativo informado em 31/12/2003 na DIPJ/2004. O "Saldo Negativo" então, foi formalizado como compensação de "pagamento indevido ou a maior" por guia Darf recolhida. (...) Por desconhecimento e falta de assessoria referente à montagem dos Pedidos Eletrônicos e como utilizar o Programa gerador destas compensações assim como todos os procedimentos e termo técnicos que não conseguíamos interpretálos, optamos por utilizar o que está acima exposto. Entendendo estar corretos os procedimentos pelo que ao verificar pendências para encontrar quaisquer erros nada criticou e ainda por cima foi transmitida com sucesso deixandonos confiantes de que os procedimentos adotados foram corretos. A vista de todo o exposto, demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, esperam e requerem a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Neste momento processual foram juntadas ao processo informações relativas a débito declarado em DCTF pela contribuinte (fl. 47). A DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), através do acórdão nº 0724.688, de 03 de junho de 2011 (fls. 26/30 eproc), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi dispensado de ementa, fundamentando basicamente a decisão na impossibilidade de compensar estimativas de CSLL e IRPJ e da vedação de alteração da PER/DCOMP após o despacho decisório. Ciente da decisão em 03/08/2011, conforme ciência pessoal (fl. 32), apresentou o recurso voluntário em 25/08/2011 fls. 37/38, onde reafirma seu direito ao crédito e homologação das compensações. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP contendo o direito creditório relativo a estimativa de CSLL recolhida no ano calendário 2003, com débitos do ano calendário 2004. Alega a recorrente em síntese que conforme consta de sua DIPJ do ano calendário 2003 (Exercício 2004), detém saldo negativo de IRPJ e CSLL, sendo que considerou indevidamente no PER/DCOMP os DARF recolhidos como pagamentos indevidos ou a maior. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, inicialmente não subsiste mais a restrição em relação a compensação de estimativas de IRPJ e CSLL recolhidas indevidamente, apontada como óbice pela Delegacia de Julgamento, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84: (verbis) Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por outro lado, resta evidente a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL conforme atesta a DIPJ (fls. 61/65), fato que por si só evidenciaria a existência de direito creditório frente a Fazenda Nacional. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ/CSLL, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10983.903154/200858 Acórdão n.º 1803001.772 S1TE03 Fl. 86 5 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13819.002053/2001-81
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1998
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.594
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1998 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1998 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 29/03/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 1 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 2 Relatório Trata-se de pedido de Restituição/Compensação de indébitos pertinentes a tributo supostamente pago a maior que o devido. A questão que se apresenta a debate cinge-se ao termo inicial para o sujeito passivo postular a repetição do alegado indébito. O julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recursos n° 227.494, julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n°256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cinge-se a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Nos termos do § 2°, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese do julgamento do Recurso n° 227.494, paradigma para o caso em discussão. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. 1, do CTN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito — se decadencial ou prescricional —para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 2 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 3 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 243 apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar n°118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos". Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar n° 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso 1 do art. 168 do C7'N para tanto, em seu artigo 3°, assim dispôs: Art. 30 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei intetpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 3Autenticado digitalmente em 22104/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 4 Á partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3°. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4° da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4°. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar n° 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a "interpretação" dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3° da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4° dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1° Seção, que a Lei Complementar n°118/2005, no tocante ao art. 3°, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 4 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 5 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 244 EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3° E 4°. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA. "Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel. min Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. Brasília, 18 de junho de 2008. VOTO O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascici, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: "CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIOLEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 5Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 6 INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3.. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4°, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1 a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretá-las. 3. O art. 3° da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4°, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3°, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2°) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida." Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3° e 4o da Lei Complementar 118/2005: "Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 6 Emitido em 21105/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 7 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão o.° 9303-00.594 F1. 245 a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional." Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;" Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3° da LC 118/2005, como determinam o art. 4° da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3° e 40 da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3° da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3° e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1° e 4°, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3° da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 7Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAF11,11 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 8 Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 30 e 40 da Lei 118/2005 e do art. 106, 1, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). O mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: "O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)". A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto-vista desta relatoria: "a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. E que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas • constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal." (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 O 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentissimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo higida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios". Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 8 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 9 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 246 julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), "reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição". Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): "A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3° e 40 da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo — com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da "reserva de plenário", do art. 97 da Lei Fundamental." É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 40 da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3 0 da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 9Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda • DF CSRF/CARF MF Fl. 10 Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4 0, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3°, padece de vicio de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer l Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O "sistema difuso", isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concentrado", em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1° de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8° e 9°). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, r ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 10 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 11 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 247 A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional n° 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá- las ao caso concreto submetido a seu julgamento; Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 11 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda • DF CSRF/CARF MF Fl. 12 - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat /egi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, ,¢ 1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2° da Lei n°9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2°. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso Ido art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 12 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda _ . DF CSRF/CARF MF Fl. 13 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 248 Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, "a" e "b'), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fática, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XIX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencoure a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta 3 Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2° edição, págs.91 a 96. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 13 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 14 em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercê-la 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sie) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 14 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda • • DF CSRF/CARF MF Fl. 15 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 249 Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vicio haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III - Do Poder Judiciário - do Título IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio 4 BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 30 edição, pp 170 e 171. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 15 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 16 judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1°, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CT1V, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei complementar n°118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1°, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 16 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 17 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 250 Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatizaçã o da repetição de indébito é toda dada pelo C7N, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei Complementar n°118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4° da Lei Complementar n° 118/2005, passa-se à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1655do Código Tributário Nacional - CTIV Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "h" do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I - III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei n° 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: 1- da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 17 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 18 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; • - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário — aplica-se aos casos previstos nos incisos I e lido art. 165 do CT/V; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito — a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar emjulgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenató ria — afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN; não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, "b", e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do credito tributário. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 18 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 19 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 251 disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro': Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 1988 8, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 52, II da CF de 1988 9 , denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho m, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: "O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua — supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculaçã o jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)". (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemã", pontifica: julgamento do recurso voluntário no 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência..." 9 "II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;" I ° Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7' Edição, p. 256 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3° da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fé como Valores Constitucionais. As Leis Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 19 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 20 "O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem-estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado 'princípio da proporcionalidade'..." (grifei). Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da "força" do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os toma aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho'', informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto "mandatos de otimização" 13, assim se distinguem das últimas: "El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de ias jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y regias opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regia es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las regias contienen determinaciones en el ámbito de lo láctica y juridicamente posible. Esto significa que la diferencia entre regias y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regia o un principio" (grifei) Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www. sacha. adv.br/admin/asq_publica/bc7f621451b4f5df3 08 a8e098112185d.pdf 12 Curso de direito tributário. 3' edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 20 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 21 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 252 Como esclarece José Afonso da Silva'4, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu como "possibilidade jurídica". Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: "Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia". Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero ls que as regras: "constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado" Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tomaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto n° 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides 16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de I4Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3'. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Principios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 21 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF C SRF/CARF MF Fl. 22 harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos 17 e Jorge Miranda's. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei n° 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF n 54: "38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o «pico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta." Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. 18 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 22 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 23 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 253 Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho l9, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: "...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na 'letra e na clara vontade do legislador', devendo 'respeitar a economia da lei' e não podendo traduzir-se na 'reconstrução' de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto".(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 30461SP20: "III Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição." Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação n° 1.4l7-721: "O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como lezislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (-) - No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente 190p. cit., p. 1265/1266 20 Relator Min. Septilveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22104/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 23 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 24 no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica." (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o "remédio" contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5°, caput, inciso V,OCI e §1 022 . Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2° do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo lega123, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3 0 deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso 1, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, ,sç 1°, da Lei n°5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o ST.1. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da 22 DC.XI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora tome inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1° - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 24 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 25 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 254 matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n° 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 40, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTIV; o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN; parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma afixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou aposição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24 : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREV1DENCIÁRIA. LEI 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 25 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 26 N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652/ PR 26: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZATAKAFUJI 26 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 27 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 255 Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o C77V , e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra- se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrarin , apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Me1o28 , leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 27 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 28 confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themistocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki", em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tune, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator MM. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade toma sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nuncl. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 31, sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp n° 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tomando os 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10' ed., p. 57. 3 ° Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81-101 31 jurisprudência trazida à. colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 28 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 29 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 256 direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tomar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5' edição, pp. 333 e 334. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 29 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 30 Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35 Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tomou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdiçào Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5' edição, p. 388. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 30 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 31 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 257 Resp n° 686.058 36 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTMTIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESONDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA V1NCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3 0, I, da Lei 7.787/89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornou-se pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 31 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 32 conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissivel o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 32 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 33 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 258 Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, "o início do caos": a origem da tese dos 10 anos IR, PI, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) 1— nas hipóteses do inciso I ("pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável") e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário". Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em "tese"), passavam-se 5 anos e, simplesmente, "ocorria" a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto-lei n° 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo — i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alias, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 33Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 34 simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de "justiça" foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, "c". A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade - encontraram-se modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterou-se o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por "Justiça". E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o "pagamento antecipado" e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43.995-5/RS Relator: MM. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário — Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis — Decreto-Lei n° 2.288/86 — Restituição - Decadência — Prescrição — Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame."(DJ: 24/04/1995) Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 34 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 35 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 259 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a dischonariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regas de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o "sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento" de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação". Ocorre que o Art. 150 § 1° refere-se a "condição resolutiva" que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART 40, analisando a defmitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: "Ora, os sinais ai estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 49 O conceito de direito, p. 155-6 Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 35 Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 36 Não difere dessa situação os julgados do STJ ("marcador oficial") com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART 41 : "O resultado é o que o marcador diz que é' não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação". Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: "o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de criquete ou de basebol já não esteja a jogar-se; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterar-se; já não é criquete ou basebol que se joga, mas "o jogo do Juiz" 42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei n°4.502/1964 — lei básica do IPI — que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem -decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir 41 O conceito de direito, p. 156-9. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLELIZA TAKAFUJI 36 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 37 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSFtF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 260 eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei n° 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia" deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória n° 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, 43 Tratado de direito privado, apudEurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 37 Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF C SRF/CARF MF F I. 38 de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3° do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial n9- 747.09147 "Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei" (RE 80.153/SP, Segunda Turma, MM. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido: "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 34525). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, n° 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.5222002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3 0 expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. 46g" 3 0 O disposto neste artigo não implicará restituição ex oficio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascici, publicado no DJ de 06/02/2006 Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 38 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 39 Processo n° 13819.002053/2001-81 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.594 Fl. 261 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 39Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda
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