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Numero do processo: 13055.000059/2004-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES PAMPA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 00 59 /2 00 4- 46 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220200.103, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.720607/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS.
Solicitada a inclusão parcial de créditos discutidos em parcelamento federal (PERT - Programa de Regularização Tributária), deve se aplicar o art.78, §§2º e 3º do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário interposto pelo contribuinte referente aos valores parcelados.
NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PAINÉIS LCD
Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificam-se no código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008.
NCM. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS - CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM.
Na acepção da Nota 2, a e b, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. REQUISITOS DEFINIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
A suspensão do imposto, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição o atendimentos dos requisitos legais para concessão do beneficio. Não é cabível a fruição do incentivo antes do cumprimentos de todas as obrigações legais por parte do interessado.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julga-se a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS. Solicitada a inclusão parcial de créditos discutidos em parcelamento federal (PERT - Programa de Regularização Tributária), deve se aplicar o art.78, §§2º e 3º do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário interposto pelo contribuinte referente aos valores parcelados. NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PAINÉIS LCD Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificam-se no código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008. NCM. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS - CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM. Na acepção da Nota 2, a e b, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. REQUISITOS DEFINIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A suspensão do imposto, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição o atendimentos dos requisitos legais para concessão do beneficio. Não é cabível a fruição do incentivo antes do cumprimentos de todas as obrigações legais por parte do interessado. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julga-se a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.628 1 1.627 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.720607/201416 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.345 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II/IPI Recorrente VISUM SISTEMAS ELETRONICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS. Solicitada a inclusão parcial de créditos discutidos em parcelamento federal (PERT Programa de Regularização Tributária), deve se aplicar o art.78, §§2º e 3º do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário interposto pelo contribuinte referente aos valores parcelados. NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PAINÉIS LCD Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificamse no código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008. NCM. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM. Na acepção da Nota 2, “a” e “b”, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. REQUISITOS DEFINIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A suspensão do imposto, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição o atendimentos dos requisitos legais para concessão do beneficio. Não é cabível AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 06 07 /2 01 4- 16 Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.629 2 a fruição do incentivo antes do cumprimentos de todas as obrigações legais por parte do interessado. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julgase a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 63/260), lavrado contra a empresa VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A. (doravante denominada de VISUM), referentes ao Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), vinculado à importação, COFINSImportação, PISImportação, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício de 75%, e à multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1° e 2°, do art. 69, da Lei n° 10.833/2003, totalizando o montante de R$ 12.252.457,53, pela adoção de código tarifário da NCM em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Mercadorias (SH). Cientificada pessoalmente do Auto de Infração em 22/04/2014 (fls. 264/265), a Recorrente apresentou sua Impugnação em 22/05/2014 (fls. 290/316) e documentos anexos (fls. 317/339), argumentando, em síntese que, as autuações foram baseadas em premissas inválidas, além do que houve erro no lançamento, razão pela qual os Autos de Infração deverão ser considerados improcedentes, consoante as razões constantes dos tópicos subsequentes: (i) QUANTO A IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IPI EM VIRTUDE DE SUA SUSPENSÃO: aduz que uma vez que a fiscalização efetuou lançamento apenas das diferenças do imposto, supondo que parte do imposto teria sido recolhida, pois constam no Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.630 3 Demonstrativo de Apuração valores lançados na coluna "Imposto Recolhido". Porém, nenhum imposto foi recolhido, haja vista que essa possui benefício fiscal de suspensão do IPI; a Recorrente fez jus a esse benefício fiscal de suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, nos termos do § 1°C do artigo 4º da Lei n° 8.248/911 e na alínea "c" do inciso I dos §§ 1º e 7º do artigo 29 da Lei n° 0.637/2002; que essa suspensão, conforme dispõem os §§ 2º e 3º do artigo 11 da Instrução Normativa RFB n° 948/2009 é condicionada à prévia apresentação à RFB, pelo estabelecimento adquirente, de relação dos produtos que a empresa fabrica e das peças e partes a serem adquiridas no mercado interno e externo; que assim procedeu, observando os dispositivos legais acima citados e, especialmente, as disposições da Instrução Normativa RFB n° 948/2009, apresentou à DRF em Curitiba (PR), relações minuciosas contendo as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens que seriam utilizadas no seu processo produtivo e que esses produtos seriam desembaraçados com a devida suspensão do IPI. dessa forma, é equivocado o lançamento do IPI, ante a sua suspensão por ocasião do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, impondose o reconhecimento da nulidade do respectivo Auto de Infração de IPI. (ii) DA INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE NA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS IMPORTADOS TELAS (DISPLAYS) especificamente, com relação ao produto classificado na posição 9013.80.10, houve apenas uma importação, sendo correta a aplicação na posição 8473.30.92. Entretanto, não há diferença de tributos em relação ao IPI, haja vista o benefício da SUSPENSÃO acima mencionado e ao II, pois a alíquota para os códigos do NCM é ZERO; no que se refere às demais importações, oportuno esclarecer, primeiramente, que houve um equívoco por parte da Impugnante quando elaborou a planilha com a indicação de que a NCM correta para os produtos importados seria a 8473.30.99. Isso porque a informação foi elaborada sem a devida análise técnica. Naquela oportunidade entendeuse tratarem de importações de cristais líquidos. Porém, ao se verificar que constavam nas DI o código 8473.30.92, relativo a telas (displays), e não tendo sido identificada nesta nomenclatura a expressão "cristais líquidos", ou em qualquer outra do grupo 8473, foi informado, erroneamente, que a classificação adequada seria a 8473.30.99, relativa a "outros"; que, entretanto, a classificação correta é aquela indicada nas DIs, qual seja, 8473.30.92 “Telas (‘displays’) para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis”; conforme amplamente demonstrado, a classificação utilizada pela Impugnante está correta, devendo, não só esses, mas todos os lançamentos serem cancelados. (iii) DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS IMPORTADOS BATERIAS com relação às posições 8471.30.90, 8506.50.10, 8506.50.90 e 8507.90.90, a Impugnante se equivocou ao indicálas nas suas Dls, haja vista que a posição 8471 se refere a Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.631 4 "Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições", e o Capítulo 85 se refere a "Máquinas, aparelhos e materiais elétricos e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelho de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios" classificados na seguinte posição: de igual forma se equivocou a Impugnante ao informar em resposta á intimação, que a NCM correta seria a 8507.80.00. Referida resposta foi efetuada sem a devida análise técnica, devendo, portanto, ser desconsiderada. (iv) DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA apesar de restar amplamente demonstrado e comprovado que a NCM utilizada pela Impugnante para as telas (displays) e baterias está correta, não é a pretendida pela fiscalização (8507.80.00), mas a indicada pela Impugnante nessa peça de defesa (8473.30.99), no caso de persistirem dúvidas, requerse que seja determinada a realização de perícia técnica especializada, na forma do inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/1972, com a finalidade de ser verificada, por técnico qualificado, o correto enquadramento dos produtos importados pela ora Impugnante, para a qual indica assistente técnico e apresenta quesitos. (v) DA IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE AS IMPORTAÇÕES E DA INCONSTITUCIONALIDADE DESSAS CONTRIBUIÇÕES alega que apesar de os lançamentos de PIS e COFINS não serem devidos em razão dos equívocos cometidos pela fiscalização no reenquadramento dos produtos importados, com o que restam também fulminados os lançamentos do II e do IPI, temse, em complemento, que, mesmo mantidos os AIs do II e do IPI, o que se admite por força de argumentação, os valores exigidos de PIS e de COFINS importação também são inexigíveis, haja vista a inconstitucionalidade reconhecida pelo pleno do STF, em regime de Repercussão Geral, de parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04. (vi) DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA REGULAMENTAR SOBRE AS IMPORTAÇÕES DE TELAS DISPLAYS Em face de não haver irregularidade na classificação fiscal dos produtos (telasdisplays) importados pela Impugnante, consoante as razões despendidas nos tópicos antecedentes, pede o cancelamento da exigência relativa à multa regulamentar autuada. (vii) DO PEDIDO Ao final solicita que seja acolhida a Impugnação e julgados totalmente improcedentes os autos de infração de II, IPI, PIS, COFINS e multa regulamentar impugnados; que constatado que a classificação correta das baterias é a da posição 8473.30.99, seja feita a compensação entre os tributos recolhidos a maior e a menor nas respectivas importações, e caso exista saldo credor, seja realizada a sua restituição. Não sendo esse o entendimento, o que se admite apenas por força de argumentação, requer seja deferido o pedido de realização de perícia técnica. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.632 5 Da conversão do julgamento em diligência pela DRJ O julgamento do processo foi convertido em diligência (Resolução 08 002.840 2ª Turma da DRJ/FOR fls. 360/375), para que a Unidade de origem tomasse as seguintes providências: "(...) a) prestar informação fiscal acerca da suspensão pleiteada nas respectivas adições que compõem o auto de infração, inclusive quanto aos tributos alcançados; b) esclarecer em relação à divergência acima identificada quanto aos valores apurados no Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre produtos Industrializados – IPI, fls.139/158 como sendo relativos aos valores “recolhidos”, enquanto, na respectiva adição, no Siscomex, equivale aproximadamente ao valor devido, já que não há informação de “valor a recolher”; c) Informar as providências adotadas em face da informação prestada pelo sujeito passivo, acostada aos autos pelo impugnante, fls. 341/345 e anexo de fls. 346/356, dirigida à autoridade local, haja vista os procedimentos estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948, de 2009". Do resultado da diligência elaborada pela Fiscalização A Fiscalização em atenção à referida diligência, apresentou Termo de Diligência (fls. 1.473/1.475) e documentos (fls. 377/1.472), informando que: a) que, no tocante à suspensão do IPI prevista na Lei nº 10.637/2002, regulamentado pela IN RFB nº 948/2009, informou que a VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A entregou no CAC – Centro de Atendimento ao Contribuinte da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em 30/04/2010, a informação de que trata os §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948/2009 (fls 340/356). Por meio de RELAÇÃO exaustiva (fls. 346/356) informou ao CAC os produtos que industrializaria e as partes e peças que iria adquirir nos mercados interno e externo para produzilos (fls. 377/396); que, a partir de então, o sujeito passivo passou a pleitear esse benefício para alguns dos produtos que importava (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1472); consultados os dados dessas importações constantes do Siscomex (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1472), constatase que a partir de 27/05/2010 a maioria das importações constantes do Auto de Infração do presente processo teve pleiteado o benefício de suspensão do IPI previsto Lei nº 10.637/2002. Por outro lado, todas as DIs registradas em data anterior a essa tiveram recolhimento integral de IPI, fatos esses em consonância com a data da entrega do pedido a DRF/Curitiba em 30/04/2010; que às folhas 6 e 7 da relação entregue pelo sujeito passivo a DRF/Curitiba, fls. 346 e 347 do presente processo, constam: “célula de bateria”, posição 8507, e “LCD”, posição 8473, respectivamente; a matéria em pauta neste processo é a classificação das baterias de lítio recarregáveis (código NCM 8507.80.00) e dos painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (código NCM 8473.30.99). Conforme ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo confunde Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.633 6 simples telas (displays) com painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis. Assim, podese entender que os artigos discriminados na folha 7 de sua relação, denominados “LCD”, englobam tanto as telas de LCD propriamente ditas, quanto as telas já montadas que foram objeto de lançamento. Quanto às baterias de lítio recarregáveis, apesar de terem sido importadas com cinco (5) classificações diferentes, também se entende que sejam as citadas “células de bateria”, relacionadas na folha 6; e que o sujeito passivo havia pleiteado suspensão de IPI, benefício previsto na Lei nº 10.637/2002, quando da importação de alguns produtos constantes dos Autos de Infração que não foi considerada por ocasião do lançamento. A tabela em anexo, denominada “PLANILHA DE DEMONSTRAÇÃO E APURAÇÃO DOS VALORES DE IPI”, relaciona todas as Adições constantes dos Autos de Infração, com seus respectivos valores, e aponta quais delas tiveram a suspensão do IPI pleiteada pelo sujeito passivo na importação, sobre as quais houve cobrança indevida de IPI no Auto de Infração. Também demonstra o valor devido do IPI que seria correto se excluídas as importações sob o regime de suspensão". Da manifestação da impugnante sobre o Termo de Verificação Fiscal A impugnante em 07/01/2015 (fls. 1.484) foi cientificada da Resolução nº 08 002.840 2ª Turma da DRJ/FOR e das informações prestadas pela Fiscalização e apresentou manifestação (fls. 1.486/1.491) em 03/02/2015, aduzindo em síntese: (a) PRESTAR INFORMAÇÃO FISCAL ACERCA DA SUSPENSÃO PLEITEADA NAS RESPECTIVAS ADIÇÕES QUE COMPÕEM O AUTO DE INFRAÇÃO, INCLUSIVE QUANTO AOS TRIBUTOS ALCANÇADOS: em resposta à indagação da DRJ a Sra. Auditora Fiscal reconheceu a existência da suspensão. Porém, ao invés de excluir todo o lançamento do IPI, eliminou apenas parte, sob a alegação de que a Manifestante somente teria "pleiteado" a referida suspensão em 30/04/2010. Sendo assim, excluiu o IPI lançado até 30.04.2010 e manteve o exigido a partir de 01.05.2010; (Grifei) que a suspensão do IPI das mercadorias importadas pela Manifestante decorre de lei e independe de prévia solicitação por parte do contribuinte importador. O suposto "pleito" a que a Sra. Auditora Fiscal faz menção, se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória contida na IN SRF n° 948/2009, por meio da qual o importador deve apresentar a SRF a relação das mercadorias abrangidas pelo benefício que irá importar; porém, tal irregularidade não constou do Auto de Infração. Na verdade, o que pretende a Sra. Auditora Fiscal é, por via transversa, erigir um erro seu, cometido quando da lavratura do Auto de Infração. Isso porque o fundamento legal da autuação foi, como dito, suposto ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL e não descumprimento da obrigação acessória de apresentar relação a SRF; portanto, o lançamento do IPI não pode subsistir na sua integralidade, pois foi exigido com base em fundamentação equivocada. Ainda que a classificação estivesse incorreta, as mercadorias estariam abrangidas pela suspensão do IPI, pois o que importa para a obtenção do benefício é a destinação que é dada a esses bens e não a sua classificação na NCM; caso fosse possível a supressão do benefício com base em descumprimento de uma obrigação acessória, deveria ter sido esse o fundamento legal da autuação; Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.634 7 a descrição do fato e a disposição legal infringida são requisitos obrigatórios do Auto de Infração, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. No caso presente não constou do Auto de Infração a descrição do fato agora apontado pela fiscalização na resposta à diligência. Tampouco houve indicação do fundamento legal supostamente infringido; o Auto de Infração é nulo haja vista a existência de preterição do direito de defesa da Manifestante, em razão de não terem sido indicados o fato e o enquadramento legal corretos, sendo, portanto, nulo o lançamento nos termos do art. 59 Decreto nº 70.235/1972; Nesse sentido destaca decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcrevendo trechos de ementas do Acórdão n° 20310.410 (Processo 10830003142/200280) e Acórdão n° 30131.611 (Processo 10074001301/9945). (b) ESCLARECER QUANTO AOS VALORES APURADOS NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI (FLS.139/158) COMO SENDO RELATIVOS AOS VALORES "RECOLHIDOS", ENQUANTO, NA RESPECTIVA ADIÇÃO, NO SlSCOMEX, EQUIVALE APROXIMADAMENTE AO VALOR DEVIDO. JÁ QUE NÃO HÁ INFORMAÇÃO DE "VALOR A RECOLHER": informa que com relação a esse item, a Sra. Auditora Fiscal indicou na planilha "Demonstração e Apuração dos Valores do IPI" coluna com valores relativos a "Imposto Recolhido IPI", exceto quando às adições nº 11/10490013.048 e 11/17877240.035, nos valores de R$ 35.812,00 e R$ 14.557,00. Entretanto, nos períodos correspondentes a fiscalização considerou a suspensão do IPI, portanto, a falta de recolhimento desses valores não acarretou o restabelecimento da exigência de diferenças de IPI. quanto aos demais períodos, apesar de também abrangidos pela suspensão, a fiscalização deduziu os valores apontados na coluna "Imposto Recolhido IPI" e apurou supostas diferenças a recolher. Porém, como demonstrado no item antecedente, tal exigência não pode subsistir, haja vista que o fundamento para o lançamento no Auto de Infração foi outro que não o agora pretendido pela fiscalização. (c) INFORMAR AS PROVIDÊNCIAS ADOTADAS EM FACE DA INFORMAÇÃO PRESTADA, ACOSTADA AOS AUTOS (FL.341/345 E ANEXO DE FLS. 346/356), DIRIGIDA À AUTORIDADE LOCAL, HAJA VISTA OS PROCEDIMENTOS ESTABELECIDOS NOS §§ 2° E 3° DO ART. 11 DA IN RFB N° 948, DE 2009. com relação a esse item, a fiscalização aponta descumprimento de obrigação acessória constante da Instrução Normativa RFB n° 948/2009, como elemento justificador para manutenção de parte do lançamento do IPI. porém, reprisese, tal fundamento não integrou a autuação, tanto no que se refere à descrição fática, quanto ao enquadramento legal. Portanto, não pode ser aceita, devendo o Auto de Infração ser anulado. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ/FNS nº 0837.823, de 15/02/2017, abaixo transcrito (fls. 1.494/1.495): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.635 8 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificamse código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM. Na acepção da Nota 2, “a” e “b”, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados. REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇA DE TRIBUTOS. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros no registro da declaração de importação, em função do emprego de classificação fiscal incorreta, em desacordo com as regras do Sistema Harmonizado, cabe o lançamento de ofício, em sede de procedimento fiscal de revisão aduaneira. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de um por cento, não inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais), sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julgase a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A Nota PGFN/CASTF/Nº 547/2015 vincula o entendimento da RFB sobre a matéria relacionada à base de cálculo das contribuições incidentes nas operações de importação, sendo nela reconhecida a inconstitucionalidade da seguinte parte do Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.636 9 artigo 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente notificado do julgado em 27/03/2017 (fl. 1.571) e não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 26/04/2017 (fls. 1.572), reiterando os argumentos expendidos na sua Impugnação, em resumo com as seguintes razões: (i) da necessidade de Realização de Perícia Técnica, visando responder as seguintes questões: As telas (displays) importados pela Recorrente se destinam á aplicação em quais produtos finais? A que tipo de produto, ou produtos, se refere a descrição contida na subposição abaixo, considerandose o texto nela contido? Os displays de cristal líquido importados foram classificados corretamente pela Recorrente na posição NCM 8473.30.92? Caso o entendimento seja de que a classificação fiscal utilizada pela Recorrente não esteja correta, queira o Sr. Perito indicar, de forma justificada, qual a classificação correta. As baterias importadas pela Recorrente destinamse exclusivamente à produção de que tipos de produtos? A que produtos se referem o capítulo 8473 e o capítulo 8507 da NCM? Considerando as respostas dos quesitos "d" e "e", podese afirmar que as baterias importadas pela Recorrente se classificam na posição 8473.30.99? h) Caso o entendimento seja de que a classificação das baterias não seja a da posição 8473.30.99, queira o Sr. Perito indicar, de forma justificada, qual a classificação correta. Para tanto, a Recorrente reitera a indicação, como Assistente Técnico, do Sr. Celso Satoshi Saito, brasileiro, casado. Engenheiro Eletricista inscrito no Crea sob o n° PR 29796/D, residente e domiciliado na Rua Eduardo Sprada. n° 4831, Casa 31. Bairro Cidade Industrial. CEP 81.270010. em CuritibaPR. (ii) Da Impossibilidade de exigência de IPI em razão da sua suspensão, uma vez que Conforme apontado pela Recorrente em sua impugnação, os Autos de Infração foram lançados para exigência de IPI não recolhido pela Recorrente em razão do seu enquadramento nas disposições da Lei 8.248/91, a qual lhe confere o benefício fiscal de suspensão do IPI. (iii) Da Inexistência de irregularidade na Classificação dos Produtos Importados Telas (Displays) e da Correta Classificação dos Produtos Importados Baterias; Ao final, requer provimento ao Recurso Voluntário para cancelar os lançamentos remanescentes dos Autos de Infração, em decorrência da correta classificação efetuada pela Recorrente quando da importação de telas (displays) e baterias de lítio. É o relatório. Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.637 10 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento. 2. Do pedido de compensação e de restituição de tributos Requer a Recorrente em seu recurso que, "(...), seja efetuada a compensação dos valores de IPI relativos às baterias de lítio bem como reconhecido o direito da Recorrente à restituição dos valores pagos a maior". Como bem pontuado pela decisão a quo, ainda que assistisse razão à VISUM no tocante à existência de tributos pagos a maior, não é no âmbito do julgamento administrativo de exigência de tributos federais que tais pedidos são analisados. Os pedidos de compensação e de restituição de tributos administrados pela RFB pagos a maior são regidos por ritos próprios, conforme disposto na Lei nº 9.430/1996 e na IN RFB nº 1.300, de 2012. Dessa forma, não aprecio os pedidos, por considerálos descabidos, uma vez que não é da competência deste Colegiado processar pedidos de compensação e de restituição de tributos federais. 3. Do Auto de Infração Conforme relatado, em de 12/03/2014, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 63/260, para lançamento de créditos de IPI, II, PIS, COFINS e Multa Regulamentar, relativos a fatos geradores ocorridos no PA de 04/2009 a 07/2013, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 12.252.457,53, incluindo os juros de mora, multas regulamentares. A Recorrente apresentou Impugnação, a qual foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/FORTALEZA (CE), para MANTER o crédito tributário no montante de R$ 9.763.931,81, e EXONERAR o sujeito passivo do crédito tributário no montante de R$ 2.488.525,72, conforme demonstrado nas Tabelas 1 e 2 apresentadas às fls. 1.496/1.497. Em síntese, desonerados os créditos tributários referentes aos seguintes tributos: a) IPI e acréscimos legais, em razão das importações terem sido efetuadas ao amparo de suspensão do tributo não atingida pela classificação fiscal incorreta adotada na importação e/ou por reenquadramento tarifário indevido, em virtude de não comprovada a identificação da mercadoria como painel com tela LCD, no valor total de R$ 1.854.620,19; b) II e acréscimos legais e a multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro em virtude do reenquadramento tarifário indevido, pela comprovação da identificação da mercadoria, como painel com tela LCD, no valor total de R$ 288.466,78 e de R$ 19.633,49, respectivamente, e c) Contribuições sociais para o PIS e Cofins incidentes sobre importação e os respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 58.117,13 e de R$ 267.688,13, Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.638 11 respectivamente, em consequência da vinculação ao entendimento do STF quanto à inconstitucionalidade da inclusão de parcelas das próprias contribuições e do ICMS em suas bases de cálculos. Observase que a DRJ deixou de recorrer de Ofício do citado Acórdão perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não obstante a previsão no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em virtude de o crédito tributário exonerado, à época, ser inferior ao limite de alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 2017 (R$ 2.500.000,00). Assim, após apresentação do Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados para análise e julgamento deste CARF. No entanto, há que se ressaltar que às fls. 1.610/1.614, consta uma Petição protocolada pela Recorrente, datada de 27/09/2017, formulando o seguinte pedido: Ao final do documento, requer o desmembramento dos débitos relacionados que foram incluídos no referido PERT (Programa Especial de Regularização Tributária) e para tanto, solicita que os autos sejam encaminhados à Equipe de Parcelamento da Unidade de origem (controladora do processo) para as providências e que, com relação aos débitos remanescentes, seja dado seguimento à análise do Recurso Voluntário apresentado. Desta forma, em 04/10/2017, o processo foi encaminhado à ALF/CURITIBA/PR, para as providências necessárias quanto ao pedido de fls. 1.610/1.614 e após concluir os trabalhos e promovendo as informações pertinentes, os autos retornaram a este CARF para prosseguimento do julgamento. Em seu Despacho de fl. 1.625, a ALF/CURITIBA/PR, informa que, (...) Os valores contidos na planilha da Petição juntada nos autos em fls. 1.610 a 1.614 foram transferidos para o processo 15165.723251/201715, conforme termo de transferência de crédito tributário juntado nos autos em fls. 1.620 a 1.624. Diante disso , e do despacho contido em fls. 1.616 a 1.617 devolvo o presente processo ao CARF para prosseguimento do Recurso Voluntário dos créditos não abrangidos pelo PERT". Pois bem. Na forma do Requerimento de fls. 1.610/1.613, a Recorrente apresentou Pedido de Desistência PARCIAL do RECURSO, com fundamento nas disposições do art. 5º da Medida Provisória (MP) n° 783, de 2017 (PERT), requerendo (...) a desistência parcial e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito em que se funda o recurso voluntário interposto nos autos, nos termos e para os efeitos do art. 5º da Medida Provisória nº 783/17 e do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 2017". Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.639 12 4. Dos efeitos do Pedido de Parcelamento Consta no requerimento de fls. 1.610, que a Recorrente solicita pedido de desistência PARCIAL do Recurso Voluntário apresentado neste processo (nº 15165.720607/201416), que se encontra sob análise. Sobre o efeito do Pedido de DESISTÊNCIA Parcial do Recurso, por aderir ao PERT (Programa de Regularização Tributária), conforme o RECIBO de adesão ao PROGRAMA ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA às fl. 1.615, referente a débitos discutidos em processo administrativo fiscal, o art. 78, § 2º e § 3º, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), que desta forma disciplina (grifei): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (grifei). § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. 5º (...). Como em sua Petição a Recorrente afirma que PARTE dos créditos discutidos neste processo foram incluídos no "PERT" (parcelamento), e que seu pedido foi confirmado pela RFB, tal fato implica na aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nas normas expedidas pela Fazenda Nacional (Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 2017). Conforme se depreende da leitura dos parágrafos 2º e 3º do art. 78 do RICARF, o pedido formalizado pelo Recorrente, importa na desistência (no caso parcial) do Recurso Voluntário e em renúncia ao direito sobre o qual se funda a própria ação, conforme se verifica pela petição de fls. 1.610/1.613. Desta forma, não se conhece parcialmente do Recurso interposto pelo Recorrente de (fls. 1.574/1.604), uma vez que consumado sua desistência parcial do recurso, conforme documento protocolado em 29/09/2017, o que denota sua concordância com a dívida (parcial) em discussão, motivo pelo qual deve ser declarada a definitividade do crédito lançado quanto aos seguintes tributos e valores: (i) referente ao Imposto de Importação lançado no valor de R$ 2.531.293,93, acrescido da Multa 75% no valor de R$ 1.898.470,40; e (ii) a Multa de 1%, no valor de R$ Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.640 13 303.517,95; valores que foram devidamente descritos no pedido da Recorrente (fls. 1.610/1.613) e convalidados pelos valores discriminados no Despacho da ALF/CURITBA/PR no Termo de Transferência de Crédito Tributário de fls. 1.620/1.624. Posto isto, concluise que restou sob discussão no Recurso Voluntário, apenas os debites referentes ao IPI, acrescido da Multa proporcional de 75% e os Juros de mora, perfazendo o valor total de R$ 4.056,486,60, sustentado conforme o demonstrativo elaborado pela DRJ à fl. 1.496. 5. Da Classificação (NCM) dos produtos importados Primeiramente, há que se ressaltar que, muito embora a Recorrente se socorreu do Parcelamento dos débitos discutidos neste processo, no caso parcialmente, a empresa não desistiu de seu Recurso Voluntário. Vejase trecho da Petição (fl. 1.613): Portanto, neste caso, asseverase a necessidade de se apreciar a discussão sobre a Classificação Fiscal das mercadorias travada nos autos. 5.1 Dos painéis montados com Telas (displays) Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) especificamente, com relação ao produto classificado na posição 9013.80.10, houve apenas uma importação, sendo correta a aplicação na posição 8473.30.92. Entretanto, não há diferença de tributos em relação ao IPI, haja vista o benefício da SUSPENSÃO acima mencionado e ao II, pois a alíquota para os códigos do NCM é ZERO". Como se vê, a empresa informa que a classificação correta é aquela indicada nas DIs, qual seja, 8473.30.92 “Telas (‘displays’) para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis”. Complementa argumentando que no que se refere às demais importações, esclarece que houve um equívoco por parte da Recorrente quando elaborou a planilha com a indicação de que a NCM correta para os produtos importados seria a 8473.30.99. Isso porque a informação foi elaborada sem a devida análise técnica. Naquela oportunidade entendeuse tratarem de importações de cristais líquidos. Porém, ao se verificar que constavam nas DI o código 8473.30.92, relativo a telas (displays), e não tendo sido identificada nesta nomenclatura a expressão "cristais líquidos", ou em qualquer outra do grupo 8473, foi informado, erroneamente, que a classificação adequada seria a 8473.30.99, relativa a "outros". Pois bem. A matéria em discussão nestes autos tratase de classificação das seguintes mercadorias: Baterias de lítio recarregáveis (código NCM 8507.80.00) e dos Painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (código NCM 8473.30.99). Conforme ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente confunde Telas (displays) com Painéis montados com telas (displays) para máquinas Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.641 14 automáticas de processamento de dados portáteis. Assim, podese entender que os artigos discriminados à folha 347, denominados “LCD”, englobam tanto as telas de LCD propriamente ditas, quanto as telas já montadas que foram objeto de lançamento. Quanto às baterias de lítio recarregáveis, apesar de terem sido importadas com cinco (5) classificações diferentes, também se entende que sejam as citadas “células de bateria”, relacionadas às fls. 346/347. Às folhas fls. 346/347 deste processo consta a relação entregue pelo sujeito passivo à DRF/Curitiba, onde constam os produtos: “célula de bateria”, posição 8507, e “LCD”, posição 8473, respectivamente. Compulsando os autos, entendo que não há controvérsia quanto à aplicação ou destinação dos produtos, que se destinam para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (Notebooks). A Fiscalização afirma que os painéis com telas ou displays (fls. 45/46 e 55) e as baterias recarregáveis (fls. 53 e 57) destinamse a máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (Notebooks) e a VISUM defende que as telas ou displays (fls. 47/52 e 303) e as baterias recarregáveis (fls. 308) são destinadas a máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (notebooks), muito embora exista discordância em relação a outros pontos. Nesse diapasão, o Fisco sustenta nos autos que os produtos descritos pela importadora nas respectivas DI e adições (tabelas de fls. 30/39), como Telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis e Dispositivos de cristais líquidos (LCD) e classificados incorretamente pela Recorrente nos códigos tarifários da NCM 8473.30.92 e 9013.80.10, respectivamente, tratamse de Painéis montados com telas (displays) que se classificam no código tarifário da NCM 8473.30.99, tendo como suporte técnico as informações e documentos apresentados pela própria VISUM em atendimento à intimação da Fiscalização (fls. 2/20, 22/24 e 26/27). Nesta Planilha acostadas às fls. 30/39, encontrase informações importantes elaboradas pela Recorrente para a efetiva identificação dos produtos de cada DI, como a “NCM Correta”, o “Material” e a “Descrição Detalhada”, informações para cada DI e adições. Em algumas DI/Adições mantém a classificação fiscal adotada na importação e descreve o material como “Cristais (líquido polarizador), laminas polarizadas e lâmpada”, em outras indica como NCM correta a 8473.30.99 e identifica o material como “Vários”. Na coluna “Descrição Detalhada” é feita uma distinção entre os produtos “Cristais (líquido polarizador), laminas polarizadas e lâmpada” e “Vários”. O primeiro é descrito como “Transmitir informação em forma de imagem, texto ou vídeo e agregar o conjunto estrutural superior do Notebook” e o outro como “Transmitir informação em forma de imagem, texto ou vídeo e agregar o conjunto estrutural inferior do Notebook”. Notase claramente dessas duas descrições, que o primeiro pode ser apenas uma tela LCD a ser agregada ao painel superior do "Notebook", mas o segundo, já é um painel superior completo a ser agregado na parte inferior do "Notebook". Somase aos fatos acima, o que se verifica observando as fotos de fl. 40 deste processo, constatase que não resta qualquer dúvida quanto à perfeita identificação dos produtos importados como Painéis montados com LCD (tela) e das LCD 10”, 12” e 14”, apresentada pela própria importadora no curso do procedimento fiscal. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.642 15 Há que se ressaltar que no que se refere à classificação fiscal dos produtos comprovadamente identificados como Painéis montados com LCD (tela) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (Notebooks), para os quais adotou o código tarifário da NCM 8473.30.92, a divergência entre Fiscalização e impugnante reside apenas ao nível de subitem da Nomenclatura do Mercosul. A Fiscalização entende que o subitem “8473.30.92 Telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis”, adotado pelo sujeito passivo, aplicase aos “módulos LCDTFT” para Notebook somente quando as telas (displays) de LCD são apresentadas isoladamente. Diante do exposto, para as operações em que a Fiscalização logrou êxito em comprovar que os produtos importados não são telas (displays) de LCD isoladas, mas painéis montados com telas LCD para Notebooks, tenho por correto o reenquadramento fiscal do código tarifário da NCM 8473.30.92, que foi adotado pelo importador, para o código da NCM 8473.30.99. Nessa seara, adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos pela decisão recorrida para manter o lançamento nesta parte, que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a Recorrente repisa os argumentos da Impugnação, bem como estão em consonância aos precedentes deste Conselho Administrativo. A decisão de piso consigna que os produtos importados objeto da autuação, em que o “módulo LCDTFT” é empregado em processo industrial que consiste na montagem de diversos componentes (módulo LCDTFT, carcaça plástica, estrutura de fixação, etc.) cujo resultado é a fabricação de uma outra parte semiacabada de notebook, tal conjunto não pode mais ser descrito ou classificado apenas como sendo uma tela de visualização para notebook. E que, inexistindo dentro do item 8473.30.9 um subitem específico para esses módulos montados com telas, devese adotar o subitem residual 8473.30.99. "A Fiscalização conclui que, com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto da posição 8473 e nota 2 da Seção XVI) e 6 (texto da subposição 8473.30) e na Regra Geral Complementar da Nomenclatura do Mercosul RGC/NCM 1 (texto do item 8473.30.9 e do subitem 8473.30.99) e também em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008, os módulos já montados em estrutura plástica contendo uma tela de visualização, próprios para notebooks, deveriam ser classificadas no código 8473.30.99. A RGI/SH nº 1 (RGI1) diz que a classificação das mercadorias é determinada pelo texto das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Ou seja, caso possível o enquadramento da mercadoria numa posição tarifária, com base no texto da posição e/ou de Nota de Seção e de Capítulo, não é necessário recorrer a nenhuma outra Regra. E, pela aplicação da RGI nº 6, temos que a classificação fiscal de mercadorias é determinada pelo texto das subposições das Notas de subposição correspondentes. Ou seja, caso possível o enquadramento da mercadoria numa subposição, com base no texto correspondente da subposição e/ou de Nota de subposição correspondente, não é necessário recorrer a nenhuma outra Regra. (RGI1) Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.643 16 posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) I, II, III, IV e V, a RGI nº 1 (RGI1) e a NESH I à RGI nº 6, adiante transcritas explicitam a metodologia para aplicação dessas RGI: Nota Explicativa I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Essas mercadorias são agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos os mais concisos possíveis, indicando a categoria ou o tipo dos produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobálas ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos II) A Regra 1 começa, portanto, por determinar que os títulos “têm apenas valor indicativo”. Desse fato não resulta nenhuma conseqüência jurídica quanto à classificação. III) A segunda parte da Regra prevê que se determina a classificação: a) de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e b) quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara, e numerosas mercadorias podem classificarse na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer às outras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as preparações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b) a)A frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destinase a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Consequentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). (RGI6) A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Nota Explicativa I) As Regras 1 a 5 precedentes estabelecem mutatis mutandis a classificação ao nível das subposições dentro de uma mesma posição. Por sua vez, a RGC1, in verbis, estabelece a aplicação das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado para o enquadramento da mercadoria em Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.644 17 determinado item e, subseqüentemente, subitem da NCM, dentro de cada posição ou subposição do SH, no âmbito do Mercosul. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Os textos dos códigos NCM/TEC são os transcritos abaixo: Código TEC Descrição 8473 PARTES E ACESSÓRIOS (EXCETO ESTOJOS, CAPAS E SEMELHANTES) RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADOS ÀS MÁQUINAS OU APARELHOS DAS POSIÇÕES 84.69 A 84.72. 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71 8473.30.9 Outros. 8473.30.92 Telas (displays) para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis. 8473.30.99 Outros Primeiramente, cabe destacar a incontroversa classificação fiscal dos notebooks na posição tarifária 8471 (fls. 57 e 297/300). E que tenho por correto o reenquadramento dos painéis montados com LCD destinados a formarem notebooks para o código tarifário 8473.30.99 da NCM feito pela Fiscalização, tendo em vista que em consonância com regras de classificação pertinentes, acima transcritas. Cabe aqui esclarecer que a aplicação do princípio da especialidade ou especificidade insculpido na RGI3, alínea “a”, a seguir copiado, alegado pela impugnante na defesa da manutenção do enquadramento tarifário no código 8473.30.92, não tem qualquer respaldo, uma vez que essa regra somente se aplica quando existe mais de uma opção possível de enquadramento, consoante corrobora a NESHI a essa regra. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.645 18 c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. NOTA EXPLICATIVA I) Esta Regra prevê três métodos de classificação das mercadorias que, a priori, seriam suscetíveis de se incluírem em várias posições diferentes, quer por aplicação da Regra 2 b), quer em qualquer outro caso. Esses métodos utilizamse na ordem em que são incluídos na Regra. Assim, a Regra 3 b) só se aplica quando a Regra 3 a) não solucionar o problema da classificação; quando as Regras 3 a) e 3 b) forem inoperantes, aplicase a Regra 3 c). A ordem na qual se torna necessário considerar sucessivamente os elementos da classificação é, então, a seguinte: a) posição mais específica, b) característica essencial, c) posição colocada em último lugar na ordem numérica". No caso sob análise, não existe mais de uma opção possível de enquadramento fiscal, mas sim divergência quanto à identificação do produto, as telas LCD para notebooks isoladas se classificam no código tarifário 8473.30.92 da NCM, mas os Painéis com telas LCD importados e aqui tratados se classificam no código tarifário 8473.30.99, como apropriadamente fundamentou a Fiscalização. 5.2 Das Baterias recarregáveis para Notebooks Aduz a Recorrente que "(...) com relação às posições 8471.30.90, 8506.50.10, 8506.50.90 e 8507.90.90, a Impugnante se equivocou ao indicálas nas suas Dls, haja vista que a posição 8471 se refere a "Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições", e o Capítulo 85 se refere a "Máquinas, aparelhos e materiais elétricos e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelho de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios" E prossegue informando que de igual forma se equivocou ao informar em resposta à intimação, que a NCM correta seria a 8507.80.00. Referida resposta foi efetuada sem a devida análise técnica, devendo, portanto, ser desconsiderada. Com relação a Bateria recarregável, a controvérsia versa apenas no que pertine à classificação fiscal, uma vez que a Fiscalização e a Recorrente afirmam que se tratam de Baterias recarregáveis para notebooks. Essa questão também restou muito bem articulada pela decisão de piso, que também adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. "A partir da documentação apresentada pela importadora (fls. 25 e 41/42), a Fiscalização concluiu que os produtos importados, assinalados na tabela às fls. 53/54 como: “BATERIA DE LÍTIO”, “BATERIA RECARREGÁVEL”, “MODULO ACUMULADOR DE ENERGIA”, etc., classificados em diferentes códigos tarifários da NCM pelo importador, são baterias de lítio recarregáveis para noteboks. Assim sendo, reenquadrou tais baterias para o código tarifário da NCM 8507.08.80, com base na RGI1 nos textos e Nesh das posições 8506 e 8507, trechos adiante Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.646 19 copiados. Essas Nesh explicitam que o fato dessas baterias serem recarregáveis as enquadra na posição 8507 e não na 8506, adotada pelo importador na maioria das operações. E, em consonância com a RGI6 e textos dos desdobramentos da posição 8507, na subposição 8507.80.00, sem desdobramento ao nível de Mercosul. Nesh da Posição 8506 [...]A característica principal da pilha elétrica é não poder ser fácil nem eficazmente recarregada. [...] A presente posição não compreende as pilhas elétricas recarregáveis, as quais se classificam, como acumuladores elétricos, na posição 85.07. Nesh da Posição 8507 Os acumuladores elétricos ou “pilhas (ou baterias) secundárias” caracterizamse pelo fato de que a ação eletrolítica é reversível de modo que o acumulador pode ser recarregado. Utilizamse para acumular energia elétrica e restituíla à medida que as necessidades o exijam. A passagem de uma corrente contínua num acumulador provoca algumas reações químicas (carga); quando os bornes de um acumulador são em seguida ligados a um circuito externo, essas reações químicas efetuamse em sentido inverso, produzindo assim uma corrente contínua (descarga). O ciclo “cargadescarga” pode ser repetido. [...]Inúmeros acumuladores alcalinos podem ter a aparência externa de pilhas ou de baterias da posição 85.06 Os desdobramentos das posições 8506 e 8507 da NCM vigentes à época da autuação são os adiante transcritos. CÓDIGO DESCRIÇÃO 8506 PILHAS E BATERIAS DE PILHAS, ELÉTRICAS. 8506.50 De lítio 8506.50.10 Com volume exterior não superior a 300 cm³ 8506.50.90 Outras 8506.80 Outras pilhas e baterias de pilhas 8506.80.10 Com volume exterior não superior a 300 cm³ 8507 ACUMULADORES ELÉTRICOS E SEUS SEPARADORES, MESMO DE FORMA QUADRADA OU RETANGULAR. 8507.10 De chumbo, do tipo utilizado para o arranque dos motores de pistão 8507.20 Outros acumuladores de chumbo 8507.30 De níquelcádmio 8507.40.00 De níquelferro 8507.50.00 De níquelhidreto metálico Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.647 20 8507.80.00 Outros acumuladores 8507.90 Partes Em síntese, a Fiscalização fundamentou o reenquadramento tarifário de acordo com o exposto e com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto da posição 85.07) e 6 (texto da subposição 8507.80) e também em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008, as Baterias de Lítio Recarregáveis devem ser classificadas no código 8507.80.00. Argumenta a impugnante que, “de fato, com relação às posições 8471.30.90, 8506.50.10, 8506.50.90 e 8507.90.90, se equivocou ao indicálas nas suas DIs”, mas que também se equivocou “ao informar em resposta à intimação, que a NCM correta seria a 8507.80.00”. Acrescenta a impugnante que as baterias importadas se destinam exclusivamente a notebooks, classificados na posição 8471 Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Referidas baterias se constituem em peças e partes desses equipamentos, em razão da sua destinação ser exclusiva para esses produtos. E que, por tais baterias constituírem peças e partes desses equipamentos, em razão da sua destinação exclusiva a esses produtos se enquadram na posição da NCM 8473 Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. E, seguindo esse mesmo raciocínio no código tarifário 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71. Assim, entende que a classificação correta é a da posição 8473.30.99 "outros", haja vista que nessa se enquadram todos os produtos aplicáveis em máquinas de processamento de dados para os quais não haja descrição mais específica, que é o caso das baterias por ela importadas. Entretanto, não assiste razão à Impugnante, tendo em vista expressa determinação da Nota 2, letras “a” e “b”, da Seção XVI11 da NCM, que abrange os capítulos 84 e 85 da NCM, adiante copiada, segundo a qual, as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85, incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem, mesmo que exclusivamente ou principalmente destinadas a qualquer dessas máquinas. As Considerações Gerais dos Capítulos 84 e 85 e da Posição 8507, trechos abaixo copiados, também determinam no mesmo sentido: Capítulo 84: explicita que as partes elétricas de máquinas ou aparelhos do Capítulo 84, ainda que especialmente concebida para essas máquinas, que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições do Capítulo 85, enquadramse neste último. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.648 21 Capítulo 85: determina que os acumuladores ou baterias recarregáveis se classificam na posição 85.07. Posição 8507: Os acumuladores servem para fornecer eletricidade a um grande número de aplicações, inclusive, máquinas automáticas portáteis para processamento de dados. Notas da Seção XVI 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: (grifei) a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; (grifei) b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; (grifei) c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. Considerações Gerais do Capítulo 84 C. PARTES Para as regras gerais que respeitam à classificação de partes, tomarseão como referência as Considerações Gerais da Seção. No que diz respeito mais especificamente às partes elétricas de máquinas ou aparelhos do presente Capítulo, deve notarse que as partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições do Capítulo 85 incluemse neste último. É este o caso, principalmente, dos motores elétricos (posição 85.01), dos transformadores elétricos (posição 85.04), dos eletroímãs, dos ímãs, das cabeças magnéticas para guindastes e mandris eletromagnéticos da posição 85.05, dos aparelhos e dispositivos elétricos de arranque e de ignição para motores de ignição por centelha (faísca*) ou por compressão (posição 85.11), dos comutadores, quadros de comando, caixas de junção, etc. (posições 85.35 a 85.37), das lâmpadas, tubos e válvulas eletrônicos, etc., da posição 85.40, dos diodos, transistores e dispositivos semelhantes semicondutores (posição 85.41), dos circuitos integrados e microestruturas eletrônicas (posição 85.42), dos carvões para usos elétricos da posição 85.45, dos isoladores da posição 85.46, das peças isolantes da posição 85.47, etc. Estas disposições são aplicáveis mesmo aos artefatos que sejam especialmente concebidos para serem utilizados com uma determinada máquina do presente Capítulo, salvo nos casos em que, combinados Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.649 22 com outros elementos, percam a característica intrínseca de artefatos especificamente elétricos. (grifei) Considerações Gerais do Capítulo 85 A. ALCANCE GERAL E ESTRUTURA DO CAPÍTULO O presente Capítulo compreende: As máquinas e aparelhos para a produção, transformação ou acumulação de eletricidade, tais como os geradores, transformadores, etc. (posições 85.01 a 85.04), as pilhas (posição 85.06) e os acumuladores (posição 85.07). Considerações Gerais da Posição 8507 [...] Os acumuladores alcalinos podem ter formas e dimensões específicas, de modo a integraremse no dispositivo para o qual devem fornecer eletricidade. Podem estar contidos em caixas estanques. Inúmeros acumuladores alcalinos podem ter a aparência externa de pilhas ou de baterias da posição 85.06. Os acumuladores servem para fornecer eletricidade a um grande número de aplicações, por exemplo, veículos automóveis, carrinhos de golfe, empilhadeiras, ferramentas manuais com motor, telefones celulares, máquinas automáticas portáteis para processamento de dados, lanternas portáteis. Os acumuladores de chumbo possuem, às vezes, um pesalíquidos que, ao medir a densidade do eletrólito, indica aproximadamente o nível de carga do acumulador. Os acumuladores classificamse aqui, mesmo desprovidos de seu eletrólito. (grifei)". Diante do exposto, tenho por correto o reenquadramento tarifário das Baterias recarregáveis destinadas a Notebooks no código tarifário da NCM 8507.80.00 conforme efetuado pelo Fisco. 6. Das Importações com benefício fiscal de suspensão do IPI Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) Conforme apontado pela Recorrente em sua impugnação, os Autos de Infração foram lançados para exigência de IPI não recolhido pela Recorrente em razão do seu enquadramento nas disposições da Lei nº 8.248/91, a qual lhe confere o benefício fiscal de suspensão do IPI". Em resumo, alega que ao amparo de benefício previsto § 1°C do artigo 4º da Lei n° 8.248/1991 e pela alínea "c" do inciso I dos §§ 1º e 7º do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, com fundamento nos quais, por ter cumprido as formalidades legais exigidas, especialmente, as disposições da Instrução Normativa RFB n° 948, de 2009, passou a fazer jus à suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no mencionado artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, e que, portanto, tais tributos não poderiam ser objeto de lançamento de ofício desse imposto. Argumenta em seu recurso, que apesar de ter apresentado à DRF em Curitiba (PR), relações minuciosas contendo as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens que seriam utilizadas no seu processo produtivo, com o que esses produtos seriam desembaraçados com a devida suspensão do IPI, a fiscalização exigiu o imposto, sob a alegação de que até a data do protocolo, a Recorrente não poderia usufruir do benefício. Assim, Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.650 23 como o protocolo do demonstrativo foi efetuado em 30/04/2010, somente após essa data faria jus ao benefício, sendo, portanto, ilegal o lançamento a partir de 01/05/2010, haja vista estarem os produtos "baterias de lítio" e "painéis montados com telas (displays)" na relação, não afetando, portanto, a suspensão e por essa razão, os lançamentos de IPI das importações ocorridas após 30/04/2010 foram exonerados. E continua afirmando que, "(...) Porém, a fiscalização defendeu que referido documento não constitui obrigação acessória e que o benefício não é concedido de forma automática, tendo que ser previamente solicitado na DI. Entretanto, essa alegação não possui respaldo legal e não se concretiza na prática. Vejase que além de não haver qualquer modelo fornecido pela Receita Federal do Brasil para a prestação das referidas informações, a Instrução Normativa determina que o protocolo não implica na formalização de processo. Ou seja, o alcance do benefício, portanto, independe de prévia autorização por parte do fisco. Não obstante esse fato temse, ainda, que a legislação prevê que o protocolo da informação na importação deve ser realizado no momento do desembaraço da mercadoria. Portanto, caso seja detectada alguma irregularidade, o IPI deve ser sido exigido e recolhido naquela oportunidade". Cita julgados deste CARF e conclui afirmando que todas as mercadorias foram desembaraçadas com a referida suspensão, sendo que a relação exigida pela IN n° 928/2009, não foi solicitada no momento do desembaraço. Como se vê, a Recorrente alega que faz jus ao benefício fiscal de suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, nos termos do § 1ºC do artigo 4º da Lei n° 8.248/91 e na alínea "c" do inciso I dos §§ 1º e 7º do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002. Que essa suspensão, conforme dispõem os §§ 2º e 3º do artigo 11 da Instrução Normativa RFB n° 948/2009, é condicionada à prévia apresentação à RFB, pelo estabelecimento adquirente, de relação dos produtos que a empresa fabrica e das peças e partes a serem adquiridas no mercado interno e externo. Que assim procedeu, observando os dispositivos legais acima citados e, especialmente, as disposições da IN RFB n° 948/2009, apresentou à DRF em Curitiba (PR), relações minuciosas contendo as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens que seriam utilizadas no seu processo produtivo. Pois bem. O art. 4º da citada lei nº 8.248, de 1991, desta forma dispõe: Art. 4º As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei no 8.191, de 11 de junho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001). § 1º O Poder Executivo definirá a relação dos bens de que trata o § 1ºC, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, a ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da publicação desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001). (....) § 1ºC. Os benefícios incidirão somente sobre os bens de informática e automação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.651 24 Executivo, condicionados à apresentação de proposta de projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.176, 2001. (Grifei) Já o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, assim dispõe: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003). § 1º (...). I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a. (...) c) bens de que trata o § 1ºC do art. 4º da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. (...). § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (grifei) Em relação ao art. 11 da IN RFB n° 948/2009, no CAPÍTULO III DOS PRODUTOS DO CAPÍTULO 88 e DOS BENS DE INFORMÁTICA, desta forma dispõe: Art. 11. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos por estabelecimento industrial fabricante, preponderantemente, de: I (...) II bens de que trata o § 1ºC do art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo. § 1º (...) § 2º As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. § 3º O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à DRF ou à Derat de seu domicílio fiscal os produtos Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.652 25 que elabora e as peças e partes que irá adquirir nos mercados interno e externo. (Grifei) Entendo que para melhor deslinde desta questão, fazse necessário verificarmos o resultado da Diligência, em que a Fiscalização, em atenção a solicitação requerida pela DRJ em Fortaleza (CE), apresentou o Relatório Fiscal de fls. 1.473/1.475 e documentos de fls. 377/1.472. Na sequencia, reproduzo os principais trechos do resultado da Diligência realizada: "(...) no tocante à suspensão do IPI prevista na Lei nº 10.637/2002, regulamentado pela IN RFB nº 948/2009, informou que a VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A., que entregou no CAC Centro de Atendimento ao Contribuinte, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em 30/04/2010, a informação de que trata os §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948/2009 (fls 340/356). Por meio de RELAÇÃO exaustiva (de fls. 346/356) informou ao CAC os produtos que industrializaria e as partes e peças que iria adquirir nos mercados interno e externo para produzilos (fls. 377/396). Que, a partir de então, o sujeito passivo passou a pleitear esse benefício para alguns dos produtos que importava (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1.472). Que consultados os dados dessas importações constantes do Siscomex (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1472), constatase que a partir de 27/05/2010 a maioria das importações constantes do Auto de Infração do presente processo teve pleiteado o benefício de suspensão do IPI previsto Lei nº 10.637/2002. Por outro lado, todas as Declarações de Importação registradas em data anterior a essa tiveram recolhimento integral de IPI, fatos esses em consonância com a data da entrega do pedido a DRF/Curitiba em 30/04/2010. Que às folhas 6 e 7 da relação entregue pelo sujeito passivo à DRF/Curitiba, fls. 346/347 do presente processo, constam: “célula de bateria”, posição 8507, e “LCD”, posição 8473, respectivamente. Que a matéria em pauta neste processo é a classificação das baterias de lítio recarregáveis (código NCM 8507.80.00) e dos painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (código NCM 8473.30.99). Conforme ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo confunde simples telas (displays) com painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis. Assim, podese entender que os artigos discriminados na folha 7 de sua relação, denominados “LCD”, englobam tanto as telas de LCD propriamente ditas, quanto as telas já montadas que foram objeto de lançamento. Quanto às baterias de lítio recarregáveis, apesar de terem sido importadas com cinco (5) classificações diferentes, também se entende que sejam as citadas “células de bateria”, relacionadas na folha 6. Que o sujeito passivo havia pleiteado suspensão de IPI, benefício previsto na Lei nº 10.637/2002, quando da importação de alguns produtos constantes dos Autos de Infração, que não foi considerada por ocasião do lançamento. A tabela em anexo, denominada “PLANILHA DE DEMONSTRAÇÃO E APURAÇÃO DOS VALORES DE IPI”, relaciona todas as Adições constantes dos Autos de Infração, com seus respectivos valores, e aponta quais delas tiveram a suspensão do IPI pleiteada pelo sujeito passivo na importação, sobre as quais houve cobrança indevida de IPI no Auto de Infração. Também demonstra o valor devido do IPI que seria correto se excluídas as importações sob o regime de suspensão". Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.653 26 Como se observa das informações e documentos apresentados pela Fiscalização em sede de Diligência (Termo de Diligência de fls. 1.473/1.475), comprovam que as importações registradas até 27/05/2010, foram registradas com recolhimento integral do IPI e, somente a partir dessa data é que a VISUM passou a registrar importações requerendo a suspensão do IPI (fls. 1.474 e 397/1472) e, que essa situação de IPI suspenso de fato não foi considerada na autuação das importações assinaladas na “PLANILHA DE DEMONSTRAÇÃO E APURAÇÃO DOS VALORES DE IPI” (fls. 1.476/1.479), o que caracterizou a ilegalidade dessas autuações, conforme bem observado e já considerado (exonerado) pela decisão de piso, conforme se depreende do trecho da decisão recorrida abaixo reproduzido (fl. 1.516): "Diante do exposto, revelamse indevidas as autuações de IPI e respectivos acréscimos legais apenas para as importações registradas ao amparo do benefício de suspensão do IPI, identificadas pela autoridade autuante às fls. 1.476 e 1.479, assinaladas na tabela abaixo, uma vez que a reclassificação tarifária autuada mesmo correta não atinge a suspensão do IPI na importação das mesmas, já que foram atendidas as exigências legais para usufruição do benefício". Assim, resta claro que a empresa VISUM, somente a partir de 30/04/2010, data de entrega à RFB (DRF em Curitiba), da informação de que trata os §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948/2009 (fls 340/356 e 377/396), é que estava apta a pleitear esse benefício de suspensão do IPI na importação de produtos indicados na relação exaustiva apresentada (fls. 346/356). Isto porque da leitura do §2º do art. 11 da IN RFB nº 948, de 2009, resta muito claro a obrigação da empresa para usufruir do benefício fiscal: § 2º As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. Notese que na circunstância em questão, o benefício não se refere a uma exclusão fiscal, mas sim, uma "isenção extrafiscal", cuja situação jurídica do beneficiado dependerá do cumprimento prévio de condições previstas para obter o direito de suspensão no momento da ocorrência do fato gerador. Ademais, o art. 111, II, do CTN (Código Tributário Nacional), estabelece que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Nesse contexto, a hipótese normativa incidente sobre a realidade, torna o fato em si, em fato jurídico, e com isso faz surgir uma relação jurídica. Nesta dinâmica, a linguagem do direito condiciona a realidade alterando e regrando as condutas e disciplinando o comportamento dos seres humanos, nas suas relações de intersubjetividade, conforme expressa Paulo de Barros Carvalho, no Curso de Direito Tributário, 1991. A Constituição Federal delega à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria tributária. A lei nº 5.172/66, que aprova o CTN, no art. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.654 27 96, estabelece que a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, acerca de tributos e suas relações jurídicas. No art. 100, I, o CTN estende o conceito, dispondo que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos. As normas jurídicas citadas pelo Fisco e também pela Recorrente, e que incluíam a IN RFB nº 948/2009, pertencem ao sistema jurídico positivo, sendo normas válidas desde a data de sua publicação. O parágrafo 7º do art. 29 da lei nº 10.637/2002, previa que para o gozo dos benefícios nela definidos, teria que atender aos termos e às condições estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Ou seja, a sistemática de fruição do benefício, estabelece que as mercadorias serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informações à RFB, que se refere o § 3º da IN RFB 948/2009. Portanto, são completamente equivocadas as argumentações da Recorrente que as importações registradas no período anterior à apresentação de documentação comprobatória da condição para o implemento da importação com suspensão do IPI, imposta pelos §§ 2º e 3º da IN RFB nº 948/2009, é descumprimento de obrigação acessória, que não constou da autuação original, e de que o referido benefício fiscal é decorrente de lei e independe de prévia solicitação do importador. Ressaltase ainda que no mesmo sentido, a própria Recorrente reconhece em seu Recurso Voluntário (trecho abaixo reproduzido, fls. 1.581) que para pleitear a suspensão do IPI na importação dos produtos, de que trata o § 1°C do artigo 4º da Lei n° 8.248/1991, teria que cumprir as condições impostas pelo 7º do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002 combinado com o art. 11 da IN RFB nº 948/2009. Vejase: "4.2 Tal benefício decorre da aplicação do disposto pelo §1°C do artigo 4o da Lei n° 8.248/91 e pela alínea "c" do inciso I dos §§ 1 e 7o do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, com fundamento nos quais a Recorrente, por ter cumprido as formalidades legais exigidas, passou a fazer jus à suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no mencionado artigo 29 da Lei n° 10.637/2002". Portanto, resta inequívoco que tal benefício não é concedido de forma automática, tem que ser previamente solicitado na Declaração de Importação (DI), mediante o cumprimento prévio de condições estabelecidas. Não tendo a VISUM solicitado o benefício de suspensão de IPI nas importações registradas (DIs) antes de 27/05/2010, posto que nem mesmo habilitada para tal estava até 27/04/2010, e também em algumas registradas após essa data, significa que tais operações foram realizadas no regime comum de tributação. Portanto, não há que falar que o Fisco esteja inovando a autuação e que a tenha fundamentado no descumprimento de obrigação acessória exigida para a suspensão do IPI na importação. O que a Fiscalização muito propriamente fez, foi demonstrar que as importações não foram feitas ao amparo do benefício fiscal da suspensão do IPI, portanto, em tese, passíveis de serem autuadas por erro no enquadramento fiscal adotado pelo importador. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.655 28 Isto posto, voto no sentido negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose hígida a decisão recorrida. 7. Do pedido de realização perícia técnica. A Recorrente apresenta os quesitos transcritos em seu Recurso Voluntário a serem respondidos por perícia técnica. Entretanto, tais quesitos são relacionados à classificação fiscal de produtos ou são pontos incontroversos, o que configura a desnecessidade de tal perícia técnica, não vislumbrando, a existência de qualquer ofensa ao principio da verdade material ou da legalidade a ser reparada mediante a perícia solicitada, que se mostra desnecessária e descabida. A maioria dos quesitos descritos, tratam de questões referentes à classificação fiscal, não considerada como aspecto técnico a ser objeto de perícia, consoante o § 1° do artigo 30 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante do exposto, indefiro a perícia técnica solicitada, por considerála prescindível e descabida, nos termos dos artigos 18 e 30, § 1°, do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que os elementos presentes aos autos são suficientes para a formação da plena convicção do julgador. 8. Conclusão Diante dos fundamentos expostos, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) para não conhecer do Recurso Voluntário no que concerne aos débitos comprovadamente parcelados (PERT) pela Recorrente, conforme o contido no item "4" deste voto; e (b) na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.656 29 Fl. 1656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660281/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 81 /2 01 2- 91 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000120/2011-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 01 20 /2 01 1- 93 Fl. 62DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.826,87, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas de acordo com a exigência da legislação tributária para usufruir da dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que para utilizar o benefício da dedução das despesas médicas na declaração de ajuste do imposto sobre a renda é indispensável à apresentação de documentação que atenda ao exigido na legislação tributária, como segue: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 5), relativamente ao anocalendário de 2008, na qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Suplementar no valor de R$ 6.826,87, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Na declaração de ajuste anual, o contribuinte informou como resultado imposto a pagar no valor de R$ 10.107,38. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, referida alteração decorrera da glosa de despesas médicas no valor de R$ 24.825,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Vejamos as justificativas da fiscalização extraídas do processo (imagem retirada do original – fls. 6 e 7): (...) Em sua impugnação, o autor alega essencialmente que os pagamentos das despesas médicas foram realizados em espécie, não sendo razoável exigir outros documentos comprobatórios. Aduz ainda que os recibos com todos os requisitos formais se constituem na prova requerida pela fiscalização. A fiscalização efetua a glosa das despesas com os profissionais de saúde em virtude da ausência da prova do efetivo pagamento ou da efetividade da prestação do serviço. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13984.000120/201193 Acórdão n.º 2001000.424 S2C0T1 Fl. 63 3 A glosa se refere à prova do efetivo pagamento das despesas e não sobre requisitos formais dos documentos. Dessa forma, a controvérsia está situada na seara da comprovação da transferência do numerário (cheques, depósitos bancários etc.) e/ou da efetividade da prestação dos serviços (laudos, exames, prontuários médicos etc.). A matéria tratada neste processo é regida pelos seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000, de 26 de março de 1999: Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 – Decreto 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Nos termos do inciso III do § 1º, do art. 80, combinado com o § 1º, do art.73, todos do RIR/1999, acima transcritos, para que as despesas médicas constituam dedução, é necessária a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da prestação dos serviços, limitando se, ainda, a pagamentos especificados e comprovados ou justificados, a juízo da autoridade lançadora. No caso de deduções, o ônus da prova é do contribuinte, consoante artigo 73 do RIR/99. Neste contexto, a comprovação das deduções de despesas médicas deve conter os requisitos essenciais (nome, CPF, Fl. 64DF CARF MF 4 endereço do profissional e identificação da pessoa beneficiada pelo serviço), além de outros elementos adicionais de prova, tais como, a efetividade da prestação do serviço e/ou do efetivo pagamento, a exemplo de fichas ou prontuários de atendimento, laudos médicos, cópias de prescrições, cópias dos cheques, transferências bancárias, extratos bancários etc. (...) Esclareçase que a autuação não possui como fundamento a falsidade documental, mas a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do benefício fiscal. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. (...) (...) De todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para determinar a manutenção do valor lançado a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 6.826,87, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 6.826,87, referente à glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em relação a presente Intimação de Nº 278/2014, referente Acórdão: 1146.356, que não aceita a impugnação, mantendo o Crédito Tributário, é a primeira instância da SRF que relata como solução alternativa a possibilidade do interessado demonstrar a realização dos serviços através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar que servissem de sustentação do serviço. Portanto, nenhuma instância anterior fez esta alusão (grifo nosso). Continuamos entendendo que os recibos apresentados atendem aos dispositivos que a SRF dispõe no item 9 do referido Acórdão de não atendimento (a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do beneficio fiscal). Nada impede que se façam pagamentos em moeda corrente, até porque muitos não usam cheques ou cartão de crédito/débito, ou tem preferência pelo pagamento em dinheiro. Nos recibos há sim Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13984.000120/201193 Acórdão n.º 2001000.424 S2C0T1 Fl. 64 5 comprovação de efetividade do pagamento (identificado como sendo pago em dinheiro) bem como a da prestação de serviço, também identificada nos recibos (Tratamento odontológico, acompanhamento psicológico, etc.). Concordaria caso os recibos não contemplassem a forma de pagamento, a identificação dos serviços prestados e a quem foi prestado. Sabese que a SRF cruza informações, e não acredito que os profissionais que prestaram os serviços e emitiram os respectivos recibos (já encaminhados anteriormente), não tenham declarado em suas respectivas declarações, e se neguem a confirmar a autenticidade dos respectivos documentos. Ainda mais, com certeza suas declarações foram aceitas com pagamento de impostos relativo à prestação destes serviços. A exigência da descrição de determinados procedimentos profissionais da prestação de serviços médicos, como exemplo o prontuário, muitas vezes esbarram em regulamentações de Classe (entre outras, os Psicólogos, Psiquiatras, etc.), através de Códigos de Ética Profissional, que impedem o fornecimento a terceiros de prontuários, para não expor a constrangimento o paciente. A duplicidade de informações implica em várias dificuldades, entre outras, o dispêndio de tempo do profissional em achar as informações em função do tempo decorrido, de se achar o profissional, que muitas vezes encontrase ausente (férias, congressos, cursos de pós graduação, etc.), e outras vezes até não se encontra mais no município. Por último, acreditando ter cumprido o solicitado, encaminho em anexo, as informações dos profissionais localizados e disponíveis para tanto, informando ao mesmo tempo, que após aposentado, tenho residido a maior parte do meu tempo em Balneário Camboriú e viajando para outras cidades, onde me sirvo de profissionais da área de saúde, e muitas vezes com dificuldade de receber e tomar conhecimento de correspondências. Nestes Termos pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é intempestivo e por isso não deve ser conhecido. O recurso em análise não atende aos requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal e 30 (trinta) dias para interposição de contestação já havia transcorrido na data em Fl. 66DF CARF MF 6 que foi protocolada a entrega da defesa em sede de recurso no segundo grau administrativo. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindo se o do vencimento. Também é de considerar que os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo, no prazo máximo de 30 dias da notificação. De acordo com os arts. 5º e 15º do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acontecido em relação ao trâmite regular da notificação da decisão de piso que aconteceu em 11/06/2014, por edital (fls. 38 e 39), e o Recorrente somente apresentou o Recurso Voluntário em 15/07/2014. O Recorrente apresentou no dia 11/07/2014, correspondência com pedido de dilação de prazo, procedimento que não encontra ampara na legislação pertinente. Ainda que protocolada no último dia de prazo para a interposição de Recurso Voluntário o pedido de dilação de prazo não substitui a devida contestação cujo direito legal lhe estava assegurado até aquela data. Também não produziu argumentos que pusessem servir de justificativa para o não cumprimento do prazo regulamentar com a ocorrência de caso fortuito ou força maior que lhe tivesse impedido de apresentar o Recurso na data aprazada. Assim, como a impugnação foi apresentada a destempo não há condições de julgamento de mérito nesta etapa recursal por intempestividade. Desta forma, descabe o julgamento de mérito nesta fase processual, por descumprimento de regra fundamental por parte da Contribuinte, e por ausência de manifestação quanto a eventual impedimento de cumprimento da formalidade de entrega do Recurso Voluntário em tempo legal nesta instância. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade nesta fase de julgamento administrativo. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903521/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 25912.06857.130504.1.3.04-2580[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.165, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 25912.06857.130504.1.3.04-2580[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.165, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 03 52 1/ 20 08 -2 8 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 25912.06857.130504.1.3.042580[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.165, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 30/06/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 7 6 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001115/2009-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2006, 2007
APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, impõe-se a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do
descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício.
Numero da decisão: 1301-000.640
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir
Sandri.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007 APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, impõe-se a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício.
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FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, impõese a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 225DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 200 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BRASKEM S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1523.559, de 28/04/2010, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de auto de infração (fls. 02 a 17), lavrado em 11/11/2009, em nome do contribuinte acima identificado, para a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), juntamente com a multa de ofício isolada, referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, conforme discriminado no Demonstrativo consolidado do crédito tributário (fl. 01). De acordo com a descrição dos fatos constante no auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fl. 04 a 06), foram apontadas as seguintes infrações: 1 – Falta de recolhimento da CSLL O contribuinte auferiu base tributável positiva de Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no período de janeiro de 2005 a maio de 2006. Porém, apesar de apurar e declarar o IRPJ, não efetuou pagamento ou declaração da CSLL. Intimado a explicar o motivo do não pagamento/declaração, o contribuinte informou que possui trânsito em julgado favorável ao mandado de segurança nº 89.00.044699, que declarou inconstitucional a CSLL instituída nos termos da Lei nº 7.689/88. Apesar do contribuinte possuir decisão favorável no processo judicial, foi constatado que a União ingressou com a ação rescisória nº 93.01.328119, visando desconstituir a ação anterior, onde obteve acórdão favorável que rescindiu a decisão, conforme acórdão da Segunda Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, por unanimidade, julgou procedente a ação rescisória. Tal decisão foi objeto de Recurso Especial no Superior Tribunal de Justiça , que negou provimento ao recurso. Atualmente, estão pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal alguns Agravos de Instrumentos impetrados pela empresa. Esta situação não obsta a constituição do crédito tributário via lançamento de ofício. 2 – Multas Isoladas – Falta de recolhimento da Contribuição Social sobre a base estimada No período de janeiro de 2005 a maio de 2006, a empresa optou pela apuração do lucro Real com estimativas mensais; assim, estava obrigada a recolher mensalmente a CSLL por estimativa quando da apuração de base de cálculo positiva, conforme artigos 2º e 28 da Lei nº 9.430/96. Como não efetuou tais Fl. 226DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 201 3 recolhimentos deverá ser lançada de ofício a multa isolada no percentual de 50% do imposto devido, conforme dispõe o artigo 44, §1º, IV da lei nº 9.430/96. Os valores da multa estão expressos no demonstrativo de apuração da multa isolada, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 12/11/2009 (fl.03) e apresentou impugnação em 11/12/2009 (fls 115 a 152), alegando em síntese, que: a) quanto à exigência principal, isto é, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Requerente aderiu ao parcelamento de que trata a Lei acima referida1, como prova a copia do anexo recebido; todavia, a Requerente não se conforma com a lavratura do auto no que concerne à multa isolada, que é a parte do auto que é ora impugnada; b) cita os dispositivos legais que estabelecem a aplicação da multa isolada, dentre os quais o art. 44 da Lei 9.430/1996, aduzindo que não há duvida de que a redação da lei é obscura e pouco feliz. No entanto, não é possível ignorarse que, sobre uma mesma infração – a falta de recolhimento de um tributo, não se podem lançar duas multas, simultaneamente; c) Na verdade, o artigo 44 da Lei 9.430/96 estabelece apenas duas modalidades de penalidade de ofício, no caput, incisos I e II – 75% pela falta de recolhimento do tributo e 150%, nos casos de fraude. O §1º não estabelece novas penalidades, mas apenas as condições em que poderão ser exigidas aquelas multas estabelecidas no caput para a hipótese de não recolhimento do tributo; d) Assim, a multa pelo não recolhimento do tributo poderá ser exigida quando da cobrança de tributo supostamente exigível e não pago, ou, isoladamente, quando não sendo o caso de se exigir o tributo, pela verificação de base negativa no ano fiscal, o contribuinte houver deixado de recolher o tributo por estimativa, nos meses em que teria ele sido devido; e) Ao contrário, define uma única ilicitude e se refere apenas a duas formas diversas de se cobrar a mesma multa de oficio; uma juntamente com o tributo devido e outra isoladamente, quando não houver tributo a recolher no momento da imposição, mas tiver o contribuinte deixado de recolhêlo anteriormente, antes do ajuste, quando seria devido, embora passível de posterior compensação. Esta multa isolada tem características de multa formal, uma vez que o seu próprio “isolamento” já demonstra a inexistência da ilicitude definida no caput, qual seja, a falta de recolhimento do tributo; f) A ilicitude da multa isolada, tal como prevista a sua exigência no inciso IV do §1º é passível de discussão, sendo a legalidade duvidosa, ante o CTN e a Constituição. No entanto, o objeto da presente discussão é, tão somente, a impossibilidade de que, sobre uma mesma infração alegada – o não recolhimento de um tributo, incida em duplicidade, a mesma e única multa estabelecida no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Repitase, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 definiu uma só infração e estipulou uma única multa para a falta de recolhimento do tributo, sendo sofística e ilegal a pretensão de sua cobrança em duplicidade, como ocorre no presente auto de infração; g) É evidente que estamos diante de uma norma com conteúdo dúbio, mal redigida e que não autoriza expressamente a dúplice imputação de sanção no caso concreto. A única hipótese que a multa isolada faz algum sentido é quando ela é 1 A impugnante se refere à Lei nº 11.941/2009. Esta nota não consta do relatório aqui transcrito. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 202 4 aplicada no curso do anocalendário, como forma de compelir à antecipação, mas não quando o ano está findo, como ocorre no caso vertente; h) A orientação adotada pela CSRF começou a ser construída nas Câmaras, do que é bom exemplo o voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, que examinou de forma exaustiva a impossibilidade de incidência simultânea da multa de oficio de 75% com a isolada de 75% sobre a mesma base de cálculo e mesmo fato (transcreve o aludido voto); i) Para ensejar tal multa isolada seria preciso que o não pagamento por estimativa constituísse uma obrigação acessória distinta da obrigação principal de recolher o tributo, o que a lei não estabelece e não está expresso na norma sob exame; j) o Direito Tributário baseiase numa concretude material absoluta e o fato é que o contribuinte não pagou a CSLL por entender, à época, que não estaria sujeito à obrigação tributária, baseado em decisão judicial transitada em julgado. Esse é o fato: a CSLL não foi paga. E esse fato constituiria apenas único descumprimento de uma única obrigação tributaria passível de aplicação de uma única multa, se fosse o caso; k) No acórdão CSRF/105.320 relatado pelo Conselheiro Marcos Vinicius e já citado nesta peça, deuse especial ênfase ao sentido da multa, fazendo, inclusive, uma comparação com o Direito Penal, exatamente como se fez nesta petição, abordando o instituto da subsunção de sanções distintas para idêntica ou assemelhada conduta, quando a sanção maior assimila a menor, partindo do pressuposto de que nela já se contém a sanção menor. l) o fenômeno da subsunção em tema de sanção é inerente ao estado democrático de direito. Qualquer sanção deve ser razoável e, havendo uma única ação ou omissão, como ocorre nestes autos, não é licito à Administração iniciar uma busca frenética para dividir a conduta de forma a apenar mais o administrado. m) ante todo o exposto, requerse seja conhecida e acolhida a presente impugnação parcial, a fim de anular o lançamento no tocante à cobrança da multa isolada (código 694). A 1ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1523.559, de 28/04/2010 (fls. 157/160v), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2005, 2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. LANÇAMENTO DE MULTAS. FATOS DISTINTOS. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 203 5 A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre a CSLL anual apurada em decorrência da constatação de infrações à legislação fiscal, pois são decorrentes de fatos geradores diversos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Ciente da decisão de primeira instância em 21/05/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 164, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/06/2010 conforme carimbo de recepção à folha 165. No recurso interposto (fls. 165/178), a recorrente repisa os argumentos contrários à aplicação de “duas multas, ou seja, duas sanções sobre o mesmo fato, o mesmo tributo e a mesma base de cálculo”, trazendo também jurisprudência mais recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em apoio a sua tese. Conclui com o pedido de afastamento da aplicação da multa isolada. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas, cumuladas com tributo e multa de ofício pelo não pagamento da exação apurada ao final do exercício. Quanto ao principal e à multa proporcional, foram objeto de parcelamento e não mais integram a lide. Resta o litígio, assim, somente sobre as multas isoladas. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, entendo que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que extraio dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Fl. 229DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 204 6 Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 205 7 §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação à época dos fatos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 231DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 206 8 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea “b”. Eis a redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 232DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 207 9 A penalidade aplicada isoladamente, insisto, é pelo descumprimento do dever de antecipar a estimativa mensal por imposição legal, e não se confunde com outra penalidade, a ser aplicada pela insuficiência do recolhimento do tributo ao final do período de apuração anual. Do exame dos autos, constato que as multas foram corretamente aplicadas, em cumprimento às determinações legais acima. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 233DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.914215/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.856
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 15 /2 01 2- 19 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.923, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720141/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERE A PRODUÇÃO DE PROVA REQUERIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA
Decisão que indefere a produção de prova requerida em sede de Impugnação, após demonstrar a imprestabilidade dessas provas para o deslinde da questão, não é nula.
No pedido de perícia, é dever do contribuinte, além de indicar os dados do assistente técnico, apresentar os quesitos que deverão ser respondidos, como determina o artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Demonstrada a ocorrência de receitas não oferecidas à tributação, cabível a lavratura do Lançamento.
SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO.
Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do Simples Federal, nos termos do disposto pelos arts. 2º, § 2º, 5º e §§, da Lei 9.317, de 05/12/1996, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo.
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do Lucro Presumido, nos termos do disposto pelo art. 24, caput, da Lei 9.249, de 26/12/1995, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo.
SERVIÇOS DE TRANSPORTE. REALIZAÇÃO POR TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE AGENCIAMENTO. RECEITA BRUTA.
Na contratação de transportes, em que estes são realizados por terceiros, sem que haja a caracterização do agenciamento, constitui receita bruta da transportadora os valores recebidos dos seus clientes, mesmo que parte desses valores tenham sido repassados aos reais transportadores.
Somente é possível acatar que o ingresso financeiro de cliente não pertence à empresa se restar comprovada a relação de agenciamento ou intermediação.
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS.
O Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 574.706, entendeu que não é possível o ICMS compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS. Tal julgamento criou um precedente dentro da nova sistemática processual brasileira e deve ser replicado pelos órgãos judicantes.
Contudo, não havendo transito em julgado daquela decisão, caberia ao contribuinte comprovar que possui ação própria, já transitada em julgado, para aplicação ao caso concreto.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS
Sendo o lançamento restrito aos valores considerados como receitas operacionais da Empresa, não alcançando o alargamento da base de cálculo considerado inconstitucional pelo STF, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por desrespeitar o comando da Supremo Tribunal Federal.
NULIDADE DA MULTA APLICADA POR SER IRRAZOÁVEL E DESPROPORCIONAL.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de legislação válida e vigente. Matéria sumulada (súmula nº 02 do CARF). Não se tendo notícia de declaração definitiva de inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário da penalidade prevista em legislação vigente, não há nulidade no lançamento que lhe aplica.
Numero da decisão: 1302-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERE A PRODUÇÃO DE PROVA REQUERIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Decisão que indefere a produção de prova requerida em sede de Impugnação, após demonstrar a imprestabilidade dessas provas para o deslinde da questão, não é nula. No pedido de perícia, é dever do contribuinte, além de indicar os dados do assistente técnico, apresentar os quesitos que deverão ser respondidos, como determina o artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72. OMISSÃO DE RECEITAS. Demonstrada a ocorrência de receitas não oferecidas à tributação, cabível a lavratura do Lançamento. SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO. Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do Simples Federal, nos termos do disposto pelos arts. 2º, § 2º, 5º e §§, da Lei 9.317, de 05/12/1996, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do Lucro Presumido, nos termos do disposto pelo art. 24, caput, da Lei 9.249, de 26/12/1995, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. REALIZAÇÃO POR TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE AGENCIAMENTO. RECEITA BRUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 01 41 /2 01 1- 53 Fl. 2967DF CARF MF 2 Na contratação de transportes, em que estes são realizados por terceiros, sem que haja a caracterização do agenciamento, constitui receita bruta da transportadora os valores recebidos dos seus clientes, mesmo que parte desses valores tenham sido repassados aos reais transportadores. Somente é possível acatar que o ingresso financeiro de cliente não pertence à empresa se restar comprovada a relação de agenciamento ou intermediação. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 574.706, entendeu que não é possível o ICMS compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS. Tal julgamento criou um precedente dentro da nova sistemática processual brasileira e deve ser replicado pelos órgãos judicantes. Contudo, não havendo transito em julgado daquela decisão, caberia ao contribuinte comprovar que possui ação própria, já transitada em julgado, para aplicação ao caso concreto. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS Sendo o lançamento restrito aos valores considerados como receitas operacionais da Empresa, não alcançando o alargamento da base de cálculo considerado inconstitucional pelo STF, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por desrespeitar o comando da Supremo Tribunal Federal. NULIDADE DA MULTA APLICADA POR SER IRRAZOÁVEL E DESPROPORCIONAL. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de legislação válida e vigente. Matéria sumulada (súmula nº 02 do CARF). Não se tendo notícia de declaração definitiva de inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário da penalidade prevista em legislação vigente, não há nulidade no lançamento que lhe aplica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.968 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte Transportadora Machado Ltda. EPP, ora Recorrente, no qual a fiscalização identificou divergências entre o que foi apurado no Livro de Apuração de ICMS e o que foi declarado na PJSI, referente ao primeiro semestre de 2007 e na DIPJ, referente ao 2º semestre de 2007. No que tange ao primeiro semestre de 2007, uma vez identificadas que algumas receitas da Recorrente não foram levadas à tributação, a fiscalização entendeu por bem constituir créditos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, todos apurados de acordo com à sistemática de apuração de recolhimento do SIMPLES, tendo em vista que, neste período, a opção de recolhimento do Recorrente foi com base no SIMPLES. Já no que se refere ao 2º semestre de 2007, a constituição do crédito tributário (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) se deu com base no lucro de presumido, também de acordo com a forma de apuração dos tributos federais pela qual fez opção o Recorrente para aquele período. As ilações a que chegou o agente fiscal foram bem sintetizadas no relatório do acórdão proferido pela d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza (CE), cujo trecho segue abaixo transcrito, furtandose, contudo, para fins didáticos, da transcrição dos valores levantados pela fiscalização: Autos de Infração/Descrição Sintetizada dos Fatos, fls. 4/42, 45/69: As infrações apuradas, relatadas e capituladas e com valores discriminados às fls. 4/42, 45/69, relativas aos períodos mencionados, caracterizaramse por DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO, OMISSÃO DE RECEITA, BASE DE CÁLCULO DECLARADA A MENOR, por INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, e por OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE, conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS COM DISCRIMINAÇÃO DE VALORES e ENQUADRAMENTO LEGAL, a seguir sintetizados: REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES FEDERAL, fls. 4/42: DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO, OMISSÃO DE RECEITA, BASE DE CÁLCULO DECLARADA A MENOR: Valor apurado conforme Relatório Fiscal, fls. 70/73. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO: Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Relatório Fiscal, fls. 70/73. REGIME TRIBUTÁRIO DO LUCRO PRESUMIDO, fls. 45/69: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE, PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS, COFINS/OMISSÃO DE RECEITAS, CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITA/CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS: Fl. 2969DF CARF MF 4 Omissão de receitas da atividade, conforme Relatório Fiscal, fls. 70/73. Relatório Fiscal, fls. 70/73: O Procedimento Fiscal teve origem no Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) identificado à fl. 70. No curso desse procedimento, foram coletados o Livro de Registro e Apuração do ICMS referente ao anocalendário de 2007 e o "Livro Caixa" desse mesmo período. O Livro Caixa apresentado não trazia toda a movimentação financeira e bancária. Após a análise inicial desses documentos, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F) também identificado à fl. 70. Tratase de Empresa que atua no transporte rodoviário de cargas, intermunicipal e interestadual. O Contribuinte optou pela tributação pelo SIMPLES no 1º semestre do anocalendário de 2007, tendo se enquadrado como Empresa de Pequeno Porte (EPP). No segundo semestre do anocalendário de 2007, o Contribuinte apurou seus tributos e contribuições federais com base no lucro presumido. Iniciouse o procedimento de fiscalização com a ciência pelo Contribuinte em 20/01/2011 do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Nesse Termo, solicitouse que fossem apresentados os Livros Diário e Razão ou o Livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, além de o Contribuinte haver sido informado de que a não apresentação desses Livros sujeitaria a Empresa ao arbitramento do lucro do anocalendário de 2007. Nesse mesmo Termo foi apresentada ao Contribuinte a tabela a seguir com os valores da receita bruta declarados pela Empresa em suas PJSI (1º semestre/2007) e DIPJ (2° Semestre de 2007), comparados com os valores da receita bruta registrados em seu Livro de Registro e Apuração do ICMS, tendo sido requisitado que a Empresa esclarecesse por escrito as divergências encontradas. (...) Após ser reintimado acerca do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o Contribuinte apresentou o Livro Caixa, dessa feita contemplando a movimentação financeira e bancária com lançamentos diários. Quanto às divergências da tabela acima, na mesma resposta, declarou que "A Empresa esclarece que os valores apresentados em Livros fiscais em valor contábil e GIAS em faturamento, é o valor do pagamento total do frete (receita), sendo incluso o valor pago ao agenciador (Empresa), do qual representa aproximadamente 20%, e o valor pago ao motorista que Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.969 5 representa aproximadamente 80% do total da receita. Sendo assim o valor escriturado e declarado, não representa o faturamento total da Empresa e o valor declarado na PJSI e na DIPJ é o valor real de seu faturamento (Receita Liquida da Empresa)", nessas palavras. Para que o procedimento de apuração de seu lucro e informação da receita bruta nas PJSI (1° semestre de 2007) e DIPJ (2o semestre de 2007) estivessem corretos, o Contribuinte deveria ter levado em conta os valores da receita bruta auferida por si, sem descontar quaisquer despesas, pois optou pelo SIMPLES no 1º semestre de 2007 e pelo Lucro Presumido no 2o semestre de 2007. Tanto o SIMPLES quanto o Lucro Presumido são regimes de apuração que presumem o lucro com base em coeficientes. Como exemplo, no caso do Lucro Presumido, para a atividade de transporte de cargas, o coeficiente de presunção é de 8%, ou seja, independente de suas despesas, quando se opta pelo Lucro Presumido, o lucro de quem faz opção por esse regime será de 8% de sua receita bruta. Lançamento: De acordo com todo o exposto nesse documento, onde se constatou que os valores da receita bruta mensal do ano calendário de 2007 informados na PJSI, referentes ao 1º semestre de 2007, e os valores da receita bruta mensal informados na DIPJ referente ao 2o semestre de 2007, são divergentes dos valores da receita bruta mensal registrada no Livro de Registro de Apuração do ICMS dos mesmos períodos, fato que se traduz numa omissão de receita representada pela diferença entre os valores da receita bruta registrados no Livro de Registro e Apuração do ICMS e os valores da receita bruta informados pelo Contribuinte na PJSI (1º semestre de 2007) e na DIPJ (2o semestre de 2007), procedeuse ao lançamento do SIMPLES do 1º semestre do anocalendário de 2007, e do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS do segundo semestre do ano calendário de 2007. Para o lançamento do SIMPLES, foram considerados os valores da receita bruta e do SIMPLES apurados pelo Contribuinte e por ele informados em sua PJSI, referente ao 1º semestre de 2007. Para o lançamento do IRPJ e da CSLL referentes ao 2o semestre de 2007, foram lançados os valores da omissão de receita apurada nesse procedimento constantes da coluna "D" da tabela a seguir e considerados os valores do imposto e da contribuição informados pelo Contribuinte em DCTF. (...) Para o lançamento do PIS e da COFINS referentes ao 2o semestre de 2007, foram apurados os valores dessas contribuições aplicando as alíquotas à receita bruta mensal Fl. 2971DF CARF MF 6 apurada nesse procedimento, descontando desses valores os valores dessas contribuições informados pelo Contribuinte em DCTF, sendo lançados diretamente os valores então encontrados, conforme as colunas G (PIS) e H (COFINS) da tabela a seguir Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Impugnação Administrativa combatendo a autuação, argumentado, em síntese, que o serviço de transporte que lhe era contratado foi executado em sua totalidade por terceiros, na medida em que, no ano de 2007, não possuía frota própria para realização dos serviços. Assim, argumentou que cerca de 80% do total do valor recebido eram repassados aos reais prestadores dos serviços, ficando, o Recorrente, com apenas 20% do valor do transporte contratado. Alegou que apurou de forma correta os tributos devidos no ano de 2007, uma vez que considerou como receita tributável apenas os valores que efetivamente ficaram nos cofres da empresa, sendo decotados os valores repassados aos terceiros que realizaram os serviços de transportes naquele ano. Em sede de impugnação alegou ainda o caráter confiscatório dos tributos constituídos, a impossibilidade de inclusão dos valores relativos ao ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo destas contribuições, como estatuído no § 1º, do artigo 3º da Lei 9.718/98, a inconstitucionalidade da multa aplicada, dentre outros argumentos. Requereu, ainda, em sede de impugnação, a realização de perícia. Ao analisar os argumentos apresentados pelo Recorrente, a DRJ de Fortaleza entendeu por bem negar provimento ao apelo do contribuinte. A ementa do acórdão proferido recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Demonstrada a ocorrência de receitas não oferecidas à tributação, cabível a lavratura do Lançamento. SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO. Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do Simples Federal, nos termos do disposto pelos arts. 2º, § 2º, 5º e §§, da Lei 9.317, de 05/12/1996, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Demonstrada a ocorrência de receitas não oferecidas à tributação, cabível a lavratura do Lançamento. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.970 7 Com relação ao período em que a Empresa optara pelo regime do Lucro Presumido, nos termos do disposto pelo art. 24, caput, da Lei 9.249, de 26/12/1995, nos casos de apuração de omissão de receita, a tributação obedecerá o regime pelo qual optou o Sujeito Passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total da receita bruta operacional auferida pela Pessoa Jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NÃO EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor cobrado a título de ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do PIS, não existindo previsão legal para sua exclusão. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. Descabe competência à Autoridade Administrativa para avaliar ilegalidade de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, inclusive quando se tratar de apreciar argumentos de que o disposto por determinada Lei Ordinária deveria ter sido elaborado mediante Lei Complementar. ARGUMENTO DE VIOLAÇÃO AO ART. 110 DO CTN. O conceito de faturamento encontrase expresso na legislação que disciplina as contribuições PIS e Cofins, não configurando transgressão ao disposto no art. 110 do CTN. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI 9.718, DE 27/11/1998. RECEITAS OPERACIONAIS. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998, não aproveita ao Contribuinte quando o Lançamento se restringe aos valores considerados como receitas operacionais da Empresa, não alcançando o alargamento da base de cálculo considerado inconstitucional pelo STF. CONSTITUCIONALIDADE. ALCANCE DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como Órgãos de Jurisdição Administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as Normas Legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade da Lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. Fl. 2973DF CARF MF 8 ARGUMENTO DE MULTA CONFISCATÓRIA. O simples valor da multa aplicada não é parâmetro suficiente para demonstrar que a penalidade imposta tem natureza de confisco. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do artigo (art.) 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem Normas Complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando somente as Partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, não obstante posicionamentos de Ilustres Juristas, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 PERÍCIA.SOLICITAÇÃO. Indeferese Pleito de Perícia julgada prescindível. NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLLSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINSSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PISSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSS SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.971 9 Aplicase às Exigências Reflexas o que foi decidido quanto à Exigência Matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ao ser intimado do teor do acórdão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em sede preliminar, a nulidade da decisão, tendo em vista o indeferimento do pedido de perícia formulado na Impugnação. No mérito, repisa os argumentos apresentados no primeiro apelo. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido, via AR, em 11/12/2015 (fls. 2917), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 30/12/2015 (fl. 2956), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, sem maiores delongas, uma vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser analisado por este colegiado. DO PEDIDO DE PROVA PERICIAL. DA AUSÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. De forma preliminar, o Recorrente alega que há nulidade no acórdão recorrido, uma vez que este teria indeferido o pedido de perícia requerido em sede de impugnação, ferindo de morte os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Para justificar a necessidade de perícia, o Recorrente alega que a sua produção se mostra imprescindível, para que restem identificados claramente quais "os valores que realmente constitui o seu faturamento, entre outras informações para o convencimento do julgador". Em análise ao pedido de produção de prova pericial, a DRJ de Fortaleza entendeu pela sua desnecessidade, sob o argumento de que a "realização de perícias pressupõe que o fato a ser provado necessita de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais que não puderam ser trazidos aos autos, o que não se aplica à situação que se aprecia". Assim, entendeu o douto julgador que as provas carreadas aos autos seriam suficientes para o seu convencimento, sem que houvesse a necessidade de produção de prova pericial. Fl. 2975DF CARF MF 10 Por outro lado, pelo o que se depreende da Impugnação apresentada, em especial das folhas 209 e 210 dos autos, o Recorrente, ao formular o pedido de perícia não apresentou os quesitos que, eventualmente, deveriam ser respondidos pelo perito, descumprindo de forma direta o disposto no artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, que tem a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (destacouse) A leitura do citado dispositivo não deixa margens para interpretações: no pedido de perícia, é dever do contribuinte apresentar quesitos e indicar os dados do seu assistente, sendo que o primeiro ponto (apresentação de quesitos) não foi feito na impugnação apresentada. Assim, em que pese o entendimento do julgador a quo pela dispensabilidade da perícia requerida, o que por se só já seria suficiente para o indeferimento, a perícia não poderia ser produzida, uma vez que, quando do seu pedido, não foram indicados os quesitos, como determina a legislação em vigor. Portanto, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido, uma vez o indeferimento da realização da perícia foi correto, seja pela sua dispensabilidade, seja pelo descumprimento dos requisitos essenciais para o deferimento da sua produção. No que tange a preliminar de nulidade, NEGASE provimento ao pedido do Recorrente. DO MÉRITO DA IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DOS CUSTOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES E DO LUCRO PRESUMIDO. No mérito, a argumentação principal apresentada para demonstrar que o Auto de Infração lavrado pelo agente fiscal não estaria correto é no sentido de que, no ano de 2007, todos os serviços de transporte contratados junto ao Recorrente foram realizados por terceiros, uma vez que "não possuía frota própria de caminhões". Alega, o Recorrente, que ficava apenas com 20% dos valores efetivamente recebidos, sendo repassados aos reais prestadores dos serviços o percentual de 80% daqueles valores e que este procedimento foi adotado em todo o ano de 2007. Assim, o Recorrente afirma que a fiscalização entendeu como tributáveis receitas de terceiros e que, por isso, o Auto de Infração não pode prosperar, uma vez distorceu "o conceito de renda para fins de IRPJ". Para comprovar as alegações de repasse dos valores recebidos (ou de parte deles), foi juntada aos autos farta documentação, em especial os Conhecimentos de Transporte e os respectivos recibos de pagamento de frete. Com esses documentos, o Recorrente tenta Fl. 2976DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.972 11 fazer prova no sentido de que os valores retirados do "Livro de apuração de ICMS" não refletem a realidade da sua receita própria. Pois bem. A discussão de mérito, em apertada síntese, se passa pela possibilidade de o Recorrente, na apuração pelo SIMPLES (1º sem/2007) ou na apuração pelo LUCRO PRESUMIDO, poder deduzir da base de cálculo dos tributos os valores relativos aos repasses realizados aos reais transportadores (terceiros). De pronto, é bom deixar claro que, aos olhos desse julgador, pela análise da documentação apresentada, o Recorrente conseguiu demonstrar que parte dos valores recebidos pelos serviços de transportes (independentemente do percentual) foram repassados aos terceiros transportadores que efetivamente realizaram o serviço. Contudo, a comprovação desse repasse não autoriza, nas sistemáticas de apuração dos tributos federais SIMPLES e LUCRO PRESUMIDO , que foram incontestavelmente adotadas pelo contribuinte para aquele ano calendário, a dedução de despesas, para fins de quantificação dos valores devidos. No que tange ao SIMPLES, em primeiro lugar, não se pode perder de vista, como bem colocado no acórdão recorrido, que "em tal regime de tributação, aplicamse os coeficientes de determinação da receita, independente de gastos, despesas, deduções ou repasses". Para essa forma de apuração, não se admite a dedução dos valores dos repasses/pagamentos realizados pelo contribuinte, independentemente da motivação destes. Nos termos § 1º, do artigo 3º da lei do SIMPLES (Lei Complementar 123/2006), para fins de apuração da receita bruta, só se admite a dedução das vendas cancelas e os descontos incondicionais concedidos. Vejase a redação do dispositivo: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Assim, sobre a receita bruta são aplicados percentuais variáveis, para calcular o valor dos tributos que estão incluídos no regime simplificado de apuração. Não há espaço, neste regime, para quaisquer outras exclusões da receita bruta, que não as por vendas canceladas e por descontos incondicionais concedidos. Portanto, não podem os custos serem deduzidos da receita bruta, mesmo que estes custos sejam relativos ao repasse para o prestador que efetivamente realizou o serviço de transporte. Fl. 2977DF CARF MF 12 E a sistemática de apuração do SIMPLES, no que se refere à possibilidade de dedução dos custos, guardada as peculiaridades de ambos os casos, não se distancia muito da apuração do lucro presumido. Neste modalidade de apuração Lucro Presumido, o lucro, como o próprio nome diz, é presumido pela legislação, independentemente dos gastos, despesas, repasses que são realizados no anocalendário. E o Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99) não deixa dúvidas também quanto ao que compõe a receita bruta para fins de aferição do tributo devido. Confirase: Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único.Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). (...) Art.518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Pelo o que se denota dos dispositivos acima transcritos, como no caso do SIMPLES, a receita bruta considerada para fins de apuração do LUCRO PRESUMIDO, no caso da prestação de serviços, é o preço do serviço, admitindose, apenas, a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Assim, não há como dar guarida às argumentações do Recorrente de que os repasses realizados não deveriam computar a base de cálculos dos tributos, uma vez que o real prestador do serviço de transporte seria um terceiro, a quem foi repassado o percentual de 80% dos valores efetivamente recebidos. Neste ponto, devese fazer uma necessária ressalva. É que, em suas argumentações, o Recorrente alega que os serviços de transportes foram realizados por terceiros, já que, em suas palavras, no ano de 2007, "não possuía frota própria de caminhões". Contudo, pelo o que se depreende da documentação acostada aos autos, em especial os Conhecimentos de Transporte, os serviços foram diretamente contratados na pessoa do Recorrente: Transportadora Machado. Ou seja, é inconteste nos autos que o prestador dos serviços, quem assumiu os riscos da atividade, era o Recorrente, mesmo que houvesse "terceirização" por parte deste. A Lei nº 11.442/2007, que "dispõe sobre o transporte rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração", é clara no sentido de que, com a emissão do Fl. 2978DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.973 13 conhecimento de transportes, a Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas ETC fica responsável pela execução dos serviços, mesmo que estes sejam realizados por terceiros. Veja se: Art. 7o Com a emissão do contrato ou conhecimento de transporte, a ETC e o TAC assumem perante o contratante a responsabilidade: I pela execução dos serviços de transporte de cargas, por conta própria ou de terceiros, do local em que as receber até a sua entrega no destino; II pelos prejuízos resultantes de perda, danos ou avarias às cargas sob sua custódia, assim como pelos decorrentes de atraso em sua entrega, quando houver prazo pactuado. Parágrafo único. No caso de dano ou avaria, será assegurado às partes interessadas o direito de vistoria, de acordo com a legislação aplicável, sem prejuízo da observância das cláusulas do contrato de seguro, quando houver. Art. 8o O transportador é responsável pelas ações ou omissões de seus empregados, agentes, prepostos ou terceiros contratados ou subcontratados para a execução dos serviços de transporte, como se essas ações ou omissões fossem próprias. Parágrafo único. O transportador tem direito a ação regressiva contra os terceiros contratados ou subcontratados, para se ressarcir do valor da indenização que houver pago. (destacou se) E não consta dos autos nenhuma pactuação entre os "terceiros" que efetivamente realizaram os transportes e os contratantes, deduzindose, por lógica e com base nos conhecimentos de transportes juntados ao processo, que todos os contratos foram firmados pelo próprio Recorrente, oportunidade em que assumiu todas as responsabilidades pelos serviços contratados. Ou seja, o Recorrente agia em nome próprio e não de terceiros, sendo de sua responsabilidade os transportes realizados. Por outro lado, não há dúvida de que os serviços, uma vez contratados em nome do Recorrente, eram pagos a este. Cabia ao Recorrente efetuar o transporte ou contratar um transportador, mas, reiterese, neste último caso, não poderia transferir a sua responsabilidade. Assim, a mera alegação de que não possuía frota própria, em nada desvirtua a responsabilidade do Recorrente. E, se para realizar os transportes que lhe foram contratados, o Recorrente teve que terceirizar, incorrendo em custos, não há na legislação norma que autorize a dedução desses custos na sistemática do SIMPLES e do LUCRO PRESUMIDO. Admitir a dedução de custos da atividade, nestas sistemáticas, como quer o Recorrente, seria negar validade a dispositivo de lei, cuja aplicação não foi, em nenhum momento, afastada pelo Poder Judiciário. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já enfrentou diversas vezes a matéria da presente discussão, entendendo, nos termos dos julgados abaixo, pela impossibilidade de dedução, para aferição da receita bruta tributável, dos custos com a contratação de terceiros que efetivamente realizaram os serviços de transportes. Vejase: Fl. 2979DF CARF MF 14 “RECEITAS DE CONTRATOS DE TRANSPORTE.SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE AGENCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS À SUBCONTRATAÇÃO. Inexiste agenciamento nos casos em que a prestadora de serviços de transporte contrata, em seu nome, serviços de transporte de terceiros para cumprir o contrato firmado com o tomador de serviço, configurandose como faturamento o valor integral do primeiro contrato.” (Acórdão nº 20216.490, relator Antonio Zomer) “IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE — INOCORRÊNCIA DE INTERMEDIAÇÃO Uma vez caracterizada a atividade como de prestadora de transporte, ainda que se utilize subcontratados, a empresa prestadora tributada pelo lucro presumido não pode abater de sua base de cálculo do IRPJ os valores pagos àqueles que subcontratou. Somente é possível acatar que o ingresso financeiro de cliente não pertence à empresa se restar comprovada a relação de agenciamento ou intermediação.” (Acórdão nº 10809.326, relator José Henrique Longo) Ainda, como consta do Recurso Voluntário julgados do CARF em que, supostamente, admitem a tese desenvolvida pelo Recorrente, não se pode deixar de mencionar que aqueles julgados tratavam de empresas agenciadoras de transporte, o que não se aplica ao caso do Recorrente. Como mencionado, os Conhecimentos de Transportes colecionados aos autos são todos em nome do Recorrente, sendo este o responsável pela realização dos serviços. Completamente diversa é a situação dos agenciadores de transportes que fazem a intermediação da contratação dos serviços, mas não assumem o risco pelo transporte realizado, ou seja, os terceiros são diretamente contratados pelo tomador e, por consequência, são responsáveis pelos serviços que efetivamente prestarem. O agenciador é remunerado com uma espécie de comissão pelos serviço de agenciamento. No caso do Recorrente, este era o contratado e responsável pelo transporte, em que pese, no ano de 2007, por não ter frota própria, ter terceirizado a totalidade dos serviços que lhe foram contratados. Por todo exposto, neste ponto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado. DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente argumenta que não é possível o ICMS compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS e que, por isso, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração. De fato, durante o julgamento do RE nº 574.706 com Repercussão Geral reconhecida sob o tema 691, o Supremo Tribunal Federal STF analisou o conceito constitucional de faturamento e receita para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, decidindo pela inconstitucionalidade da inclusão dos valores destacados a título de ICMS na base de cálculo daquelas contribuições. Veja ementa do Acórdão, publicado em 02/10/2017: Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.974 15 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29 092017 PUBLIC 02102017) Na realidade, o mais importante desdobramento da fixação da tese acima ementada foi a criação de um precedente de grande importância para todo o sistema jurídico nacional, precedente esse que deve ser aplicado, inclusive em âmbito administrativo. É que, na visão do processualista Fredie Didier, “em sentido lato, o precedente é a decisão judicial tomada à luz de um caso concreto, cujo elemento normativo pode servir como diretriz para o julgamento posterior de casos análogos.” (DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil: teoria da prova, direito probatório, ações probatórias, decisão, precedente, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela 10ª ed. Salvador: Ed. Jus Podium, 2015). Isto significa que o precedente representa uma diretriz decisória à qual deve reportarse o entendimento de qualquer juízo hierarquicamente inferior que julgar caso semelhante ao paradigma. Neste ponto, imperioso destacar que o precedente não se confunde com a decisão publicada, nem com a modulação de efeitos que porventura lhe siga, mas é, na verdade, a norma criada pelo julgador, a ratio decidendi na qual resulta o raciocínio jurídico empreendido, que deverá ser espelhada pela decisão do juízo prolator. Fl. 2981DF CARF MF 16 Não se pode olvidar, ainda, o mandamento inscrito no art. 489, § 1º, inciso VI do CPC/2015, que determina que o juízo sentenciante está compelido à análise e aplicação do precedente invocado pela parte. Contudo, em que pese o Regimento Interno do CARF (artigo 62, parágrafo 1º, II, b) determinar a aplicação dos precedentes fixados pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, no caso em apreço, até o dia 30/04/2018 (data de elaboração do presente acórdão), não houve o trânsito em julgado do RE º 574.706, tendo em vista o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal. Assim, mesmo que haja um precedente fixado, que vincula os órgãos judicantes, ainda não se sabe ao certo a extensão temporal da decisão do STF, sendo temerário, neste momento, aplicar, de forma precária, aquele precedente em fatos pretéritos. Não se pode perder de vista que o Recorrente não trouxe aos autos comprovação de que tenha ação judicial própria, com trânsito em julgado favorável, em que se discute a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Neste ponto, portanto, NEGASE provimento ao Recurso Voluntário. DA MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega, sem comprovar, que o Auto de Infração seria nulo, por não ter considerada a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS feita de forma inconstitucional pela Lei nº 9.718/98. Neste ponto, adiro ao que foi decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza, pedindo venia para transcrever as acertadas palavras do douto relator: Ponderou o Defendente que a Lei 9.718/1998, no art. 3o, § 2°, III, que veio a modificar o sistema de arrecadação e tributação do PIS e da COFINS, originalmente também considerava que os ingressos a serem repassados para Terceiros não poderiam ser considerados para efeitos de tributação, acrescentando que ainda seria de bom alvitre que se considerasse a atual disposição normativa constante no inciso I do § 2° do artigo 3o da Lei 9.718/1998. Dispõem os arts. 2º e 3º, § 2º, incisos I e III, da Lei 9.718, de 27/11/1998: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.975 17 atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.(Revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.” Deste modo, conforme claramente exposto pelos supratranscritos arts. 2º e 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998, invocada pelo Contribuinte, as contribuições para o PIS e para a Cofins, devem ser calculadas com base no faturamento, correspondendo tal faturamento à receita bruta da pessoa jurídica, sem que os ingressos a serem repassados para Terceiros devessem ser excluídos da tributação, especialmente nos regimes de tributação do SIMPLES e do Lucro Presumido, consoante indevidamente alegado pelo Defendente, precisamente como preceituado pelos dispositivos do mencionado Ato Legal, salientandose que os incisos I e III, do § 2º da citada Lei, arguidos pelo Interessado, em nenhum momento descaracterizam a composição da receita objeto da Autuação apreciada, pelo que descabem os argumentos da Defesa. No que concerne especificamente ao inciso III do dispositivo retrocitado, convém ainda destacar que foi revogado pela Fl. 2983DF CARF MF 18 Medida Provisória 215835, de 2001, além do que não se coaduna exatamente com a situação em apreço, pois os dispêndios em questão não correspondem a repasse a terceiros, mas sim a supostos custos/despesas que o Autuado teve na percepção das receitas tributadas. Argumento de Violação ao artigo 110 do CTN (fls. 192/194 processo, 16/18 Impugnação): Argumentou o Contribuinte que o artigo 3o da Lei 9.718/1998, e os artigos 1o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 nitidamente afrontam o artigo 110 do Código Tributário Nacional (CTN), na medida em que desvirtuaram completamente o conceito de faturamento. Estatuem os arts. 2º e 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998, 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como o art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN): Arts. 2º e 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Art. 1º da Lei 10.637, de 30/12/2002: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” Art. 1º da Lei 10.833, de 29/12/2003: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” Art. 110 do CTN: “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” De acordo com a lição de Alfredo Augusto Becker, não existe um Legislador tributário distinto e contraponível a um Legislador civil ou comercial. Os vários ramos do Direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único Sistema Jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.976 19 uma única regra (conceito ou princípio) válida para a totalidade daquele único Sistema Jurídico. Esta interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de canône hermenêutico da totalidade do sistema jurídico (A. Berliri). Da citada fenomenologia jurídica decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a Lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o Direito; salvo se o Legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do Direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Isso é exatamente o que ocorreu com o conceito de faturamento, quando da edição das Leis 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003. Portanto, não houve uma transgressão ao disposto no art. 110 do CTN, pelo que improcedem os argumentos da Defesa nesse sentido. Salientase ademais que a regra do Direito Tributário, ao fazer referência a conceito ou instituto de outro ramo do Direito, assim o faz aceitando o mesmo significado jurídico que emergiu daquela: expressão (fórmula ou linguagem literal legislativa), quando ela entrou para o mundo jurídico naquele outro ramo do Direito. Somente há deformação ou transfiguração pelo Direito Tributário quando este, mediante regra jurídica, deforma ou transfigura aquele conceito ou instituto; ou melhor, quando o Direito Tributário cria uma nova regra jurídica, tomando como “dado” (matériaprima para elaboração da nova regra jurídica) “o construído” (o conceito ou instituto jurídico de outro ramo do Direito). Fonte de Custeio para a Seguridade Social (fls. 194/198 processo, 18/22 Impugnação): Alegou o Interessado que a instituição da contribuição exigida com base na Lei 9.718/1998 deveria ter sido feita mediante Lei Complementar, pleiteando dessa forma o afastamento da Lei Ordinária, hierarquicamente inferior à Lei Complementar, ponderando que o art. 154, inciso I, c/c §4° do art. 195, da CF/1988 dispõe que a União pode rá instituir novas contribuições sociais não previstas no art. 195, desde que o faça através de Lei Complementar. Dispõem os arts. 154, I, e 195, § 4º, da CF/1988, bem como o art. 1º da Lei 9.718, de 27/11/1998: CF 1988, art. 154, I: “Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato Fl. 2985DF CARF MF 20 gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; II ......................................................................................................... ...” CF 1988, art. 195, § 4º: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) .................................................................................................... b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Lei 9.718, 27.11.1998, art. 1º: “Art. 1º Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, ..............................................................” Cabe salientar de início que a Lei 9.718, de 27/11/1998 alterou a base de cálculo das contribuições, e, conforme seu art. 1º supratranscrito, aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar 70, de 30/12/1991, não tendo instituído novos impostos ou outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, como alegou indevidamente a Defesa. Ademais, quanto ao argumento de que seria indevida a instituição da contribuição exigida com base na Lei 9.718, de 27/11/1998, ponderando que deveria ter sido feita mediante Lei Complementar, observase que a Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, tais como os Atos Legais nos quais foi enquadrada a infração objeto do Lançamento em litígio, por motivo de essa Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.977 21 matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da descabimento das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. É inócuo, então, suscitar tais alegações na Esfera Administrativa, bem como as ponderações contrárias aos dispositivos de Lei capitulados no Lançamento, pois, considerando que a infração foi devidamente demonstrada e capitulada nos dispositivos legais pertinentes, a Autoridade Fiscal deve cumprir as determinações legais de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do Lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à fundamentação de mérito trazida nesse tópico da Impugnação, necessário analisar o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998, em Decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal STF. No julgamento dos RE 390.840, 346.084 e 358.273, o STF considerou inconstitucional a alteração trazida pelo §1º do artigo 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998, relativamente à definição da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, por intermédio dos Acórdãos do Tribunal Pleno, transitados em julgado, mantendose, portanto, para este fim, o texto das Normas anteriormente aplicáveis. Transcrevemse a seguir as Ementas adotadas nos três Acórdãos: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO –INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade Fl. 2987DF CARF MF 22 das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Destaques incluídos) Também no julgamento do Recurso Extraordinário 585.2351, decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em Acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE 227 de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008, nos seguintes termos: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. A análise do inteiro teor daquela Decisão revela que somente as receitas provenientes do faturamento podem sofrer a incidência do PIS e da Cofins, uma vez que o STF considerou que o § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 27/11/1998 era incompatível com o art. 195, I, “b” da Constituição, em sua redação original, e que a mácula do dispositivo legal não desapareceu com a superveniência da Emenda Constitucional 20/1998. Interessa, agora, destacar que a delimitação do Julgado do STF foi objeto de análise pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), por intermédio da Nota PGFN/CRJ 1.114, de 30/08/2012, cujo anexo se transcreve in verbis (ratificado pela Portaria PGFN/RFB 1, de 12/02/2014, em seu § 6º do art. 3º): DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nos termos do art. 19, caput e §5º, da Lei 10.522, de 19/07/2002, transcrito a seguir, esta Turma de Julgamento deve reproduzir aqui o Entendimento adotado pelo STF no RE 585.235, tendo em vista que a PGFN já se pronunciou sobre a questão na Nota PGFN/CRJ 1.114, de 2012. Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.978 23 Lei 10.522, de 19/07/2002, art. 19, caput, §5º: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) .......................................................................................... § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) ............................................................................................” Esse Entendimento já vem sendo adotado por outras Delegacias de Julgamento, conforme se pode observar na Ementa dos Julgados a seguir transcritos: Ac. 0257.173, 1ª Turma DRJ/BH, 09/06/2014: LEI 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõe se, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. Ac. 1655.783, 6ª Turma DRJ/SP, 27/02/2014: § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo plenário do STF, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543B do CPC, e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº 1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir em suas decisões o entendimento adotado pelo STF, ou seja, que o PIS/Pasep e a Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência dessas contribuições as receitas não operacionais. No entanto, tal declaração de inconstitucionalidade não aproveita ao Contribuinte na presente situação, uma vez que o Lançamento se restringiu aos valores considerados como receitas operacionais da Empresa, não alcançando o Fl. 2989DF CARF MF 24 alargamento da base de cálculo considerado inconstitucional pelo STF. Rejeitamse, portanto, os argumentos da Defesa nesse sentido. Inconstitucionalidade/Majoração Base Cálculo PIS/Cofins (fls. 189/192 processo, 13/16 Impugnação): Assegurou o Reclamante que com a edição da Lei 9.718/1998 teria sido ampliada inconstitucionalmente a base de cálculo dessas contribuições, fazendo incidir não mais sobre o faturamento, mas sim sobre a receita bruta da Empresa, alegando que dessa forma a base de cálculo fora inconstitucionalmente majorada, passando as contribuições Cofins e PIS a tributar valores que não eram anteriormente, tendo exposto ainda que em 28.05.2009 fora publicada a Lei 11.941/2009, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3o da Lei 9.718/1998, que determinava a incidência do PIS e da Cofins sobre a totalidade das receitas auferidas pelas Empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços, ressaltando que o dispositivo legal revogado é justamente aquele cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento ocorrido em 09.11.2005, a partir de quando o alargamento da base do PIS e da Cofins passou a ser amplamente rechaçado por todas as instâncias do Poder Judiciário. Acrescentou ainda o Solicitante que, caso fossem consideradas receita bruta, passível de tributação, todas as entradas de dinheiro na contabilidade das Empresas, estarseia a desrespeitar a Ordem Constitucional, exemplificando que para a aplicação do IRPJ consideramse como base de cálculo somente os valores que forem consubstanciados como renda, ou seja, valores que sejam considerados um verdadeiro acréscimo patrimonial, conforme a interpretação dada à Ordem Constitucional, havendo ponderado ademais que a interpretação sistemática do texto constitucional levaria à mesma conclusão, posto que em seu art. 212, § 1o, a Carta Republicana oferece definição de receita com a mesma conotação apresentada, definição esta que pode e deve ser estendida ao termo faturamento. Apreciação: Conforme já comentado no item precedente, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao apreciar a constitucionalidade da Lei 9.718, de 27/11/1998, restringiu sua inconstitucionalidade ao § 1º do art. 3º, que trata do conceito de receita bruta, mas manteve a constitucionalidade dos dispositivos aplicados ao Lançamento apreciado (base de cálculo calculada com base na receita bruta da Empresa). (destacouse) DA MULTA APLICADA. Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 11040.720141/201153 Acórdão n.º 1302002.908 S1C3T2 Fl. 2.979 25 Ao final do Recurso Voluntário, em longa explanação, o Recorrente alega que a penalidade que lhe foi aplicada, no percentual de 75% sobre o valor do tributo devido, não tem guarida, quando confrontada com o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Assim, para robustecer seus argumentos, cita vasta doutrina e precedentes judiciais, requerendo, ao final, o afastamento da aplicação da multa, por ser esta "confiscatória, irrazoável e desproporcional". Contudo, como é sabido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para afastar a aplicação de legislação válida e vigente, sob o argumento de inconstitucionalidade. Este entendimento, inclusive, está sumulado, nos termos da súmula nº 02 do CARF. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, mesmo havendo um direcionamento do STF, para que restem afastadas aquelas penalidades com nítido caráter confiscatório, até o presente momento, no que se refere à multa aplicada ao Recorrente, não se tem notícia de que o Supremo Tribunal Federal tenha a declarado inconstitucional. Assim, não merece guarida o pedido do contribuinte para que seja declarada nula a multa aplicada, por, supostamente, não respeitar os princípios constitucionais que limitam o poder de tributar. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade do acórdão a quo e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose na íntegra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza (CE). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 2991DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724804/2016-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - GLOSA DESPESAS MÉDICAS - CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
No ano calendário de 2012 já estava disponível no programa da Receita Federal de Declaração de Ajuste Anual (DAA) a aba "Rendimentos Recebidos Acumuladamente" com as opções "exclusiva na fonte", respeitando o teor do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88, ou "ajuste anual", possibilitando abatimento das deduções legais do montante de imposto devido.
A legislação permite a dedução de despesas médicas, devidamente comprovadas, havidas pelo contribuinte e seus dependentes, devidamente declarados em sua DAA.
Numero da decisão: 2002-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo do imposto devido, nos termos do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88, considerando que o rendimento se refere a 55 meses.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - GLOSA DESPESAS MÉDICAS - CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO No ano calendário de 2012 já estava disponível no programa da Receita Federal de Declaração de Ajuste Anual (DAA) a aba "Rendimentos Recebidos Acumuladamente" com as opções "exclusiva na fonte", respeitando o teor do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88, ou "ajuste anual", possibilitando abatimento das deduções legais do montante de imposto devido. A legislação permite a dedução de despesas médicas, devidamente comprovadas, havidas pelo contribuinte e seus dependentes, devidamente declarados em sua DAA.
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A legislação permite a dedução de despesas médicas, devidamente comprovadas, havidas pelo contribuinte e seus dependentes, devidamente declarados em sua DAA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo do imposto devido, nos termos do artigo 12A da Lei nº 7.713/88, considerando que o rendimento se refere a 55 meses. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 48 04 /2 01 6- 47 Fl. 108DF CARF MF 2 Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07 a 16), omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$8.982,97., acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 55 dos autos, no qual a contribuinte alega: · Primeiramente, fundamental considerar que não há que se falar em incidência de imposto de renda quando os rendimentos são valores recebidos a título de benefício previdenciário ou assistencial atrasados, em razão de sua natureza indenizatória. · Em 15 de agosto de 2006, o contribuinte ajuizou ação objetivando o reconhecimento de sua aposentadoria por tempo de serviço e a averbação/cômputo de tempo de serviço na condição de segurado especial pelo tempo que laborou na agricultura, em regime de economia familiar, em face do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na ocasião, o contribuinte postulou o reconhecimento o reconhecimento do tempo de labor rural nos períodos de 20/08/1966 a 27/06/1973 e de 29/07/1974 a 20/04/1976, os quais não foram reconhecidos na esfera administrativa. · A exclusão da multa de ofício ou sua redução, de forma a observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. · A exclusão de ofício dos juros de mora ou sua redução. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, em 19/09/2016, no acórdão 0836.996, às efls. 61 a 69, julgou improcedente as razões apresentadas pela contribuinte. Recurso voluntário Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201647 Acórdão n.º 2002000.171 S2C0T2 Fl. 109 3 Ainda inconformado, o contribuinte, em 01/11/2016, apresentou recurso voluntário, às efls. 77 a 103, no qual replica os fundamentos que consubstanciaram a impugnação, requerendo o cancelamento do auto de infração. Voto Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 07/10/2016, efls. 75, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/11/2016, às efls. 77, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em relação a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na justiça federal, a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, nos autos do processo 10469.728782/201324, fez um ótimo histórico da tributação, como se vê: Inicialmente, os rendimentos recebidos acumuladamente submetiamse ao regime de caixa por força do art. 12 da Lei 7.713/88: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Este artigo vigorou até o dia 27.07.2010, pois no dia 28 passou a vigorar o art. 12A inserido pela Medida Provisória 497/2010, o qual prestigiou o regime de competência para a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Art.12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. §1o O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. [...] Apesar de entrar em vigor no dia 28.07.2010, o § 7º do art. 12 A supra, facultou o regime de competência aos RRA recebidos Fl. 110DF CARF MF 4 entre 1º de janeiro de 2010 e 27.07.2010, desde que informados na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do ano calendário de 2010. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação desta Medida Provisória, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Como os rendimentos do caso em tela foram recebidos em abril e maio/2010, antes portanto da vigência da MP 497, e não se enquadram na hipótese do § 7º, pois não foram declarados na DAA/2010, o objeto da lide estava, à época, sob a égide do art. 12 da Lei 7.713/88 que ordenava o regime de caixa para a tributação dos rendimentos acumulados. O lançamento foi lavrado em 23/09/2013 (fl. 25) e cientificado à contribuinte no dia 04/10/2013. Dessa forma, à época da lavratura, o cálculo foi corretamente feito pelo regime de caixa, haja vista que os fatos geradores pertenciam ao período de vigência do art. 12. Contudo, em 23.10.2014, no julgamento do Recurso Extraordinário 614.406/RS, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543B, CPC), o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/881, com a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. No referido julgamento, o STF entendeu que a aplicação do art. 12 afronta aos princípios da isonomia, capacidade contributiva e proporcionalidade2. Essa decisão transitou em julgado em 09/12/2014. De acordo com o art. 19, IV, § 4º e 7º da Lei 10.522/2002: 1 Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015 2 Trecho do voto da Min. Cármen Lúcia De um lado, os que receberam em dia as verbas devidas que, a depender da renda, seriam isentos ou pagariam menos imposto. De outro, os que receberam em atraso a renda e, pelo montante, deverão pagar mais imposto, calculado sobre o total recebido. É dizer, os contribuintes que receberem valores acumulados serão duplamente atingidos: pela mora suportada até a efetiva concessão do benefício devido e, ainda, pela majoração da alíquota incidente sobre a renda recebida em atraso (acumulada). Relevese o argumento do Ministro Dias Toffoli ao asseverar, em seu voto, relembrando sua atuação como AdvogadoGeral da União, que a motivação do Governo Federal para editar a medida provisória relativa ao art. 12A da Lei n. 7.713/1988 decorreu, exatamente, do reconhecimento da ilegalidade da cobrança do imposto de renda, ainda que de pessoa física, pelo regime de caixa, pelo que se institui o regime de competência para sua incidência. [...] À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva tanto significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo legal, como se dá na espécie examinada. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201647 Acórdão n.º 2002000.171 S2C0T2 Fl. 110 5 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) [...] IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. Assim, após a manifestação da PGFN, a Receita Federal não deverá mais constituir créditos tributários de RRA sob o regime de caixa e aqueles créditos já constituídos deverão ser revistos de ofício. Segundo o art. 3º, caput e §§ 1º e 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014: Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. [...] Fl. 112DF CARF MF 6 § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. A manifestação da PGFN se deu por meio da Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015 onde foi delimitada as situações abrangidas pela decisão, estando a Receita Federal vinculada ao entendimento do STF a partir de 04.11.2015, data de sua ciência. Assim, após 04.11.2015, a Receita Federal não deverá mais constituir créditos tributários de RRA sob o regime de caixa e aqueles créditos já constituídos, como o do caso em tela, deverão ser revistos. As decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática de julgamento dos recursos repetitivos prevista no CPC são de observância obrigatória também para o CARF. É o que preceitua o art. 62, § 2º do RICARF3: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Diante disso, deverá ser afastada nos julgamentos do CARF a aplicação do art. 12 da Lei 7.713/88, prestigiandose o regime de competência para apuração do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Assim, no ano calendário de 2012 a que se refere o auto de infração, já estava disponível no programa da Receita Federal de Declaração de Ajuste Anual (DAA) a aba "Rendimentos Recebidos Acumuladamente" com as opções "exclusiva na fonte", respeitando o teor do artigo 12A da Lei nº 7.713/88, ou "ajuste anual", possibilitando abatimento das deduções legais do montante de imposto devido. O autor, em sede de recurso voluntário, às efls. 99 a 101 traz planilha que comprova o número de meses devidos. 3 Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11080.724804/201647 Acórdão n.º 2002000.171 S2C0T2 Fl. 111 7 Diante do exposto, conheço do presente Recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, devolvendo os autos para a unidade preparadora, para fazer os cálculos constantes na planilha juntada pelo contribuinte, nos termos do artigo 12A da Lei nº 7.713/88. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902306/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2013 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 06 /2 01 5- 99 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de CSLL. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de CSLL para o 3º trimestre/2013, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativo ao 3º trimestre de 2013, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 27591.30957.030915.1.2.048130. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, em seu art. 20 estabelece que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral, sob o regime do Lucro Presumido, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). Contudo, o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" (redação alterada pela Lei 11.727/08), previu uma exceção ao percentual de 32% exatamente para os serviços hospitalares, caso da Manifestante, em que a base da CSLL será de 12%, desde que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 12%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para utilizaação da alíquota no percentual de 12%, para apuração da base de cálculo sobre o lucro presumido da CSLL, é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de CSLL, relativo ao 3º trimestre/2013. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.902306/201599 Acórdão n.º 1201002.189 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 216DF CARF MF
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