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Numero do processo: 10880.910420/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 04 20 /2 00 8- 57 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901085/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 59 1 58 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.901085/200838 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.430 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente NOVA ADMIN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 85 /2 00 8- 38 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/1999 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 16.01.2004, DCOMP de nº 39361.04685.160104.1.3.044205, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.12.1999, relativo ao período de apuração encerrado em 30.11.1999, no valor original de R$279,581, com débitos de CSLL do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$187,55, de COFINS do mês de dezembro/2003, no valor original de R$242,26, e de PIS do mês de dezembro/2003, no valor original de R$52,49. Sobreveio despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, e do Darf código 8109 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 79,23, e do Darf código 2172 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 365,71, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 16.01.2004 era de R$385,60. (fl. 3) Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 61 3 Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 62 4 A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARFs (fls. 13 a 15), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 39361.04685.160104.1.3.044205. Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 11/1999, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 63 5 Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. 2 Do Cancelamento da DCOMP Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 64 6 sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOM, e condicionavam o seu deferimento a pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Ainda que o contribuinte não tenha sido intimado à apresentação de quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 16.01.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos os comprovantes de pagamento de CSLL, PIS e COFINS relativos ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente aos tributos cujos débitos se pretendia compensar (fls. 25 a 29), evidenciando que o total devido a título de CSLL do 4º Trimestre de 2003 era de R$7.089,26, o total devido a título de COFINS do mês de dezembro de 2003 era de R$242,26, e que o total devido a título de PIS do mês de dezembro/2003 era de R$52,49. A recorrente efetuou, em 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral dos saldos devedores declarados em DCTF do mesmo período de apuração, de CSLL, no montante original exato de R$7.089,26, de COFINS, no montante original exato de R$242,26, e de PIS, no montante original exato de R$52,49, conforme comprovam as cópias do DARFs anexado nas fls 13 a 15 e os comprovante de arrecadação de fls 42 a 44, não remanescendo saldo devedor de destes tributos no referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 13 a 15, 25 a 29 e 42 a 44, combinadas com a fl 16. O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 65 7 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 66 8 Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 67 9 apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 68 10 unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 69 11 Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado. Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.906194/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação. Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 61 94 /2 01 2- 01 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001162/97-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESES. INOBSERVÂNCIA.
Insubsistentes os lançamentos tributários fundados em arbitramento do lucro na circunstância em que a hipótese que serviu de suporte não encontra respaldo na legislação de regência.
Numero da decisão: 1301-000.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESES. INOBSERVÂNCIA. Insubsistentes os lançamentos tributários fundados em arbitramento do lucro na circunstância em que a hipótese que serviu de suporte não encontra respaldo na legislação de regência.
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HIPÓTESES. INOBSERVÂNCIA. Insubsistentes os lançamentos tributários fundados em arbitramento do lucro na circunstância em que a hipótese que serviu de suporte não encontra respaldo na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 230 2 Relatório FAZENDA RIO TEJUCO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anoscalendário de 1993 a 1996, formalizadas em razão do arbitramento do lucro. Em sede de impugnação (fls. 89/93), a contribuinte argumentou que, por ser microempresa e tendo prejuízos, estava dispensada da apresentação de declaração de rendimentos. Disse que o veículo cujo valor foi considerado para o arbitramento do lucro foi adquirido em vinte e quatro prestações. Por meio de petição, apresentou o contrato de financiamento do referido veículo, devolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento com base na alegação de que não foram atendidos comandos do Decreto nº 70.235/72. A já citada Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio da Decisão nº. 1.581, de 24 de agosto de 2001, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. A inexistência de escrituração e a omissão de entrega de declarações do IRPJ não são escusáveis pela mera alegação da impugnante de se constituir em microempresa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DETERMINAÇÃO. O inevitável arbitramento do lucro, diante da impossibilidade de dimensionamento da receita bruta, deve tomar como base os elementos disponíveis, tal como, no caso concreto, valor do ativo permanente. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. DECORRÊNCIA. IRRF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Princípio de causa e efeito que se impõe aos lançamentos reflexos a mesma sorte do lançamento principal. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 124/127, por meio do qual sustenta: que a Receita Federal, ao elaborar os documentos de arrecadação e promover o lançamento fiscal, errou, pois os tributos foram calculados desde o dia 08.08.1980 quando, na realidade, os créditos tributários se referem ao ano de 1993 em diante; que qualquer tributo supostamente devido já prescreveu, não podendo a Fazenda Nacional realizar qualquer cobrança; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 231 3 que os lançamentos tributários, promovidos com base na falta de declarações, revelamse insustentáveis; que elaborou, ainda que tardiamente, todas as suas declarações de imposto de renda, contabilizando todas as suas operações; que a Delegacia da Receita Federal em Uberaba pretende receber tributos sobre rendimento ou movimentação contábil inexistente, visto que o veículo por ela adquirido foi pago de forma parcelada (alega que acostou aos autos cópia do contrato de financiamento do aludido veículo). A Delegacia da Receita Federal em Uberaba, Minas Gerais, constatando a ausência de depósito garantidor e (ou) arrolamento de bens, negou seguimento ao recurso e determinou o prosseguimento da cobrança. O débito foi inscrito em dívida ativa, porém, com o advento da Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal e dos Pareceres PGFN/CRJ nºs 891 e 1973, de 2010, referida inscrição foi cancelada. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 232 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao período de novembro de 1993 a dezembro de 1996. No auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica os responsáveis pela autuação assinalam (fls. 03): 1 RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DO ATIVO O contribuinte omisso, regularmente intimado em 20.08.97, a apresentar as declarações e/ou o recibo da entrega das mesmas dos anoscalendário de 1993 a 1996, até o momento não o fez. Alertamos que a falta de atendimento no prazo estipulado enseja o Lançamento de Oficio dos Tributos e Contribuições com os dados de que dispuser a Repartição (Artigo 963, combinado com o inciso I, do artigo 894, do DECRETO 1041, DE 11/01/94RIR/94). A falta de atendimento a intimação formulada pelo fisco autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio de que trata o artigo 4, parágrafo primeiro da Lei 8218/91, em 50% ( Artigo 994 do Decreto 1041, de 11/01/94). O elemento que a repartição dispõe e que serviu de base para o arbitramento do lucro é a aquisição de um veiculo em 11/93, por CR$ 3.500.000,00, marca GM/CHEVROLET D 20 LUXO, DIESEL, CAB. DUPLA, CHASSI:9BG258RNNKKC028510, PLACA GNB0961, conforme pesquisa feita junto Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais(DETRAN/MG). O lucro arbitrado mensalmente foi obtido pelo valor da aquisição do veículo, corrigindoo de acordo com os Índices determinados pela legislação fiscal. ... ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigo 400, parágrafo 4º, do RIR/80 e Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal 108/80. Artigo 543, do RIR/94. Aos autos de infração lavrados foram juntados, apenas, cópia de Ofício encaminhado ao Delegado do Departamento de Trânsito de Uberaba, Minas Gerais, solicitando expedição de certidão acerca de aquisições e alienações de veículos automotores por parte da fiscalizada (fls. 72) e respectiva resposta (fls. 74/75). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 233 5 Não identifico, pois, nos autos, um único documento relacionado ao procedimento de fiscalização levado a efeito contra a contribuinte, seja referente à instauração da ação fiscal, seja relativo às intimações eventualmente lavradas no curso do procedimento. Nesse contexto, depreendo que: i) o arbitramento do lucro foi efetuado em virtude de a contribuinte não ter apresentado as declarações e os recibos de entrega relativos aos anoscalendário de 1993 a 1996; e ii) o agravamento da penalidade aplicada, em cinqüenta por cento, se deu em razão da falta de atendimento da intimação. Considerados os elementos aportados ao processo, penso, não obstante a mais absoluta improcedência da quase totalidade dos argumentos expendidos na peça recursal, que a alegação de que os lançamentos tributários promovidos com base na falta de declarações revelamse insustentáveis, merece acolhimento. Com efeito, à época em que os lançamentos tributários foram efetivados, o arbitramento do lucro era regido pelas disposições do Decretolei nº 1.648/78 (parágrafo 4º do art. 8º), da Portaria MF nº 524/93 e da Instrução Normativa SRF nº 79/93, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 108/80. No que importa reproduzir, as disposições normativas acima mencionadas dispunham: Decretolei nº 1.648, de 1978 Art. 8º A autoridade tributária fixará o lucro arbitrado em porcentagem da receita bruta, quando conhecida. ... § 4º Na falta de outros elementos a autoridade poderá, observadas as normas baixadas pelo Secretário da Receita Federal, arbitrar o lucro com base no valor do ativo, do capital social, do patrimônio líquido, da folha de pagamento de empregados, das compras, do aluguel das instalações ou do lucro líquido auferido pelo contribuinte em períodos anteriores. Portaria MF nº 524/93 Art. 7º Na hipótese da pessoa jurídica ter seu lucro arbitrado em mais de um período mensal, as percentagens de que trata o artigo 2º serão aumentadas em seis por cento ao mês sobre a última adotada, observado como limite máximo o dobro do estabelecido, ressalvado o inciso IV do art. 2º que será de oitenta por cento. Parágrafo Único. O agravamento a que se refere este artigo não será aplicado nos casos em que haja um intervalo de doze meses entre os períodos considerados para arbitramento. Instrução Normativa SRF nº 79/93 Art. 1º A autoridade tributária, observado o disposto no decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive empresas individuais e equiparadas, utilizandose dos percentuais e coeficientes previstos nesta Instrução Normativa, quando: I o contribuinte obrigado à tributação com base no lucro real não mantiver Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 234 6 escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou, ainda, revelar evidentes indícios de fraude; III o contribuinte se recusar a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade tributária; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o contribuinte que optar pela tributação com base no lucro presumido, deixar de: a) escriturar em LivroCaixa os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês, exceto se mantiver escrituração contábil, nos termos da legislação comercial; b) escriturar no livro Registro de Inventário os estoques existentes ao término do anocalendário; c) manter em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios, por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para apurar os valores indicados na Declaração Anual Simplificada de Rendimentos e Informações, apresentada pelas pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro presumido. VI o comissário ou o representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76. da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958. VII a pessoa jurídica cujo patrimônio líquido seja superior a 2.000.000 UFIR no balanço de 31 de dezembro do anocalendário imediatamente anterior, e que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados, na escrituração de livros e elaboração de documentos de natureza contábil e fiscal, deixar de apresentar, até o trigésimo dia após o vencimento do prazo concedido pela autoridade tributária, os arquivos magnéticos correspondentes. Parágrafo único. Considerase não apoiada na escrituração comercial e fiscal, a apuração do lucro real: a) sem que estejam escriturados no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, os ajustes ao lucro líquido, a demonstração do lucro real e os registros correspondentes nas contas de controle; b) quando não forem mantido em boa guarda e ordem, pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o livro ou fichasrazão utilizadas para resumir e totalizar por conta e subconta os lançamentos efetuados no LivroDiário. Receita Bruta Não Conhecida Art. 5º Quando não conhecida a receita bruta do contribuinte, o lucro arbitrado em cada mês será determinado a juízo da autoridade lançadora, observada a natureza do negócio, mediante a aplicação de qualquer dos coeficientes seguintes: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 235 7 I 1,5 (um vírgula cinco), sobre o lucro líquido auferido no último período base em que a empresa manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, corrigido monetariamente; II 0,03 (zero vírgula zero três), sobre a soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, corrigido monetariamente; III 0,05 (zero vírgula zero cinco), sobre o valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade, corrigido monetariamente; IV 0,04 (zero vírgula zero quatro), sobre o valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido, corrigido monetariamente; V 0,25 (zero vírgula vinte e cinco), sobre o valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI 0,25 (zero vírgula vinte e cinco), sobre a soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII 0,6 (zero vírgula seis), sobre a soma dos valores pagos no mês a empregados; VIII 0,8 (zero vírgula oito), sobre o valor mensal do aluguel das instalações. § 1º Os coeficientes previstos nos incisos V, VI, VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresa com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade. § 2º Para cálculo da atualização monetária a que se refere os incisos deste artigo serão utilizados os índices fixados para fins de correção monetária das demonstrações financeiras, adotandose como termo inicial a data do encerramento do períodobase utilizado e como termo final o último dia útil do mês a que se referir o arbitramento. § 3º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro líquido for decorrente de períodobase anual o valor que servirá de base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do períodobase considerado. Como se vê, a legislação de regência não autorizava (como hoje não autoriza) o arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação de declarações. Se, por outro lado, pretenderam as autoridades autuantes promover o arbitramento em razão da falta de apresentação de escrituração (o que, dada a mais absoluta ausência de elementos, não se pode afirmar), ainda assim seria necessário que tivessem sido carreados aos autos documentos capazes de comprovar que a contribuinte foi devidamente intimada a reconstituir a sua escrita, eis que, como é cediço, o arbitramento do lucro representa medida extrema que só deve ser adotada na circunstância em que não seja possível a determinação do lucro real. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 236 8 Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 11543.003879/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/06/1999 a 30/06/2001
COMPENSAÇÃO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
Tendo em vista que o contribuinte possuía ação judicial postulando pelo direito à compensação sem a necessidade de pedido administrativo próprio, que veio a ser reconhecido por decisão transitada em julgado, deverá ser analisada a compensação, ainda que, por erro, tenha constado em DCTF que a extinção se daria por pagamento.
Numero da decisão: 3201-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a concomitância também em relação aos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Tendo em vista que o contribuinte possuía ação judicial postulando pelo direito à compensação sem a necessidade de pedido administrativo próprio, que veio a ser reconhecido por decisão transitada em julgado, deverá ser analisada a compensação, ainda que, por erro, tenha constado em DCTF que a extinção se daria por pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a concomitância também em relação aos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 38 79 /2 00 1- 10 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 508 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 11.172 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiros (fls. 245 ss). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os fatos geradores de 31/10/1998 a 31/12/1998, 30/06/1999 a 30/06/2001, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 324.527,43 (fls. 156), incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/08/2001. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 157), e no Termo de Verificação Fiscal de fls.150, o AFRF autuante informa que houve falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, esclarecendo que : 1) Fatos Geradores — 10/98, 11/98 e 12/98, a fiscalizada informou indevidamente na DCTF do 4° Trimestre de 1998, no campo "Créditos Vinculados", os valores devidos ao PIS como tendo sido pagos. Intimada a comprovar os referidos pagamentos, a fiscalizada declarou que "por um lapso de nossa parte, declaramos indevidamente como recolhidos as contribuições sendo que de fato os valores devidos ainda estão em aberto"; 2) Fatos Geradores — 06/99 a 06/01, intimada a comprovar as compensações dos créditos do PIS com o PIS dos meses de 06/99 a 06/01, informadas nas DCTF, docs. de fls.70 a 119, a fiscalizada apresentou cópia da petição inicial, sentença, parecer contábil, planilhas demonstrativas dos créditos e das compensações, e extrato de consulta do processo 98.00008560, que trata de Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada, interposta contra a União Federal, objetivando garantir a imediata compensação entre os créditos resultantes de valores indevidamente recolhidos para o PIS com seus débitos derivados do próprio PIS; 3) O referido processo não transitou em julgado, não podendo, de imediato, produzir os efeitos almejados pela fiscalizada, ou seja, a compensação entre os créditos resultantes de valores recolhidos ao PIS na vigência dos Decretosleis 2.445 e 2.449, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, com os valores devidos ao PIS dos meses de 06/99 a 06/01. No extrato de consulta de processo da Seção Judiciária do Espírito Santo, consta que o processo em tela foi "concluso ao Juiz em 23.10.00 para despacho sem liminar"; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 509 3 4) Considerando que a Ação Judicial em tela foi ajuizada em 10/02/98, procedeuse a análise dos documentos referentes a compensação pleiteada, recuando 05(cinco) anos da data do ajuizamento da Ação, ou seja, a partir dos pagamentos efetuados em 02/93(fato gerador 01/93); 5) A fiscalizada ao proceder aos cálculos indicados nas planilhas apresentadas, entendeu que o prazo estabelecido na Lei Complementar 07/70 — vencimento dia 20 do 6° mês subseqüente à ocorrência do fato gerador, alcançaria todo o período abrangido pela sua pretensão (12/88 a 10/95), fls.129 a 133. No entanto, esse direito prevaleceu somente até junho de 1989, no que concerne a fato gerador ocorrido em 12/88, tendo em vista que legislações (sic) posteriores alteraram os prazos de recolhimento; 6) Com base na Lei Complementar n° 07/70, procedeuse à apuração dos valores devidos ao PIS do período de 01/93 a 10/95, aplicando sobre as bases de cálculo, apresentadas pela fiscalizada, a alíquota de 0,75%. Os valores obtidos, relativos ao período de 01/93 a 12/94, foram convertidos em UFIR, de acordo com os art. 53, IV da Lei 8383/91, art. 53, IV da Lei 8850/94 e art. 55 da Lei 9096/95. Dos valores devidos foram deduzidos os valores efetivamente recolhidos pela fiscalizada, convertidos em UFIR pelo seu valor da data do pagamento. Os valores devidos e recolhidos, do período de 01/95 a 10/95, foram obtidos em Reais. 7) Finalmente, no período analisado (01/93 a 10/95), a fiscalizada não teve créditos a serem aproveitados, restando, pelo contrário, débitos remanescentes do período de 01/93 a 12/94, no montante de 21.207,17 UFIR e de 01/95 a 10/95, no montante de R$ 5.504,87, conforme docs. de fls. 120 a 149. O enquadramento legal da presente autuação foram os artigos 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art. 1°, parágrafo Único, da Lei Complementar n° 17/73, arts. 2°, inciso I, 3 0, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98, e arts 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Após tomar ciência da autuação em 24/09/2001, a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada às fls. 24 em 22/10/2001, alegando em resumo: • Falta a apresentação das alíquotas no corpo do Auto de Infração. Erra o Fisco quando traz anexos e demonstrativos juntados ao auto de infração e que, supostamente, demonstram os períodos, datas e valores apurados; • Como a autuação foi apurada através de escrituração fiscal, deveria, por óbvio, terem sido relacionados os livros ou registros contábeis para embasar seu lançamento, como também, o agente fiscalizador deveria comprovar sua habilitação contábil ensejadora de tal ação; Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 510 4 • Outrossim, a impugnante está juntando a certidão do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo, que afirma categoricamente que o sr. Manoel Sérgio de A Macedo, não possui nenhum tipo de registro no referido Conselho; • É de sabença de todos que a análise de livros e escriturações contábeis é tarefa concernente à profissão de contabilista e, sob o prisma da Constituição Federal, qualquer outra pessoa que não contabilista que o faça está exercendo ilegalmente profissão alheia; • Assim, nem careceria adentrar ao mérito do lançamento, vez que os liames de validade e legalidade não foram satisfeitos. Mas, por derradeiro amor a querela e por primazia a verdade material, a Impugante fez tecer considerações sobre a suposta causa do lançamento, conforme segue; • Na data de 30/03/00, a empresa impetrou Mandado de Segurança, sob n° 2000.50.01.0019992, em que lhe foi proferida sentença autorizando a compensação dos valores recolhidos indevidamente ou a maior do PIS, no período de julho de 1989 a 1995, sob a égide dos Decretoslei 2.445 e 2.449, de 1988, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF, com débitos do contribuinte da mesma natureza; • Desta forma, tornase evidente que a autuação sofrida pela impetrante está em total desacordo com a decisão proferida pela MM Juíza da 5' Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória/ES, pois a empresa ainda possui créditos a compensar, conforme se pode perceber com a análise das planilhas em anexo; • No tocante a alegação de que a empresa deixou de recolher as contribuições dos meses de 10/98, 11/98 e 12/98, apesar de ter sido reconhecida pela mesma, não pode ser levada a efeito para que se proceda a autuação da impugnante, pois como já foi afirmado, a empresa tem o direito de compensar os valores que foram pagos indevidamente a título de PIS, sob a égide dos Decretoslei 2.445 e 2.449, 1988, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF e foram afastados do mundo jurídico através da Resolução n° 49/95, do Senado Federal; • Desnecessário dizer, que esses valores recolhidos a maior constituem propriedade da Impetrante, propriedade essa garantida constitucionalmente; • Se o contribuinte tem crédito, vale dizer que pagou a maior um determinado tributo, ou seja, tem o direito de propriedade sobre seu crédito. Ora, se tem que efetuar novos recolhimentos, por que não compensálos? Vale frisar que, ocorrendo o indébito tributário, o Estado Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 511 5 apoderase de determinada parcela da propriedade do contribuinte; • Neste diapasão, não há que se cogitar em falta de recolhimento do PIS; • Como se pode observar e por tudo o que foi exaustivamente exposto, não é aplicável a incidência da multa de ofício que foi aplicada à impugnante, pois a mesma agiu conforme determinação judicial; • Nestes termos, requer a impugnante seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração e conseqüente débito lançado pela impugnada, tudo conforme foi exaustivamente fundamentado nesta impugnação. Junto com a petição impugnatória, o contribuinte apresentou cópia do Contrato Social (fls.186/194), Sentença do Mandado de Segurança n° 2000.50.01.0019992, na 5" Vara Federal no Espírito Santo(fls.195/211) e Declaração do Conselho Regional de Contabilidade. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/06/1999 a 30/06/2001 Ementa: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL Não ocorrida violação das disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de infração. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados essenciais à sua defesa, restringindo tal direito. Não se configura cerceamento à defesa, quando o contribuinte apresenta impugnação contra os mesmos fatos que originaram a autuação. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO —COMPETÊNCIA — Nas atividades inerentes à constituição de créditos da Fazenda Nacional, administrados pela Secretaria da Receita Federal, não se aplicam aos Auditores Fiscais da Receita Federal quaisquer limitações relativas às sua atribuições. AUTO DE INFRAÇÃO — ANEXOS — Não há impedimento à existência de demonstrativos e relatórios anexos ao auto de infração, desde que deles seja dada ciência ao contribuinte, a fim de possibilitar o exercício da ampla defesa. AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCAS ADMINISTRATIVAS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE Ação judicial Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 512 6 proposta pelo interessado contra a Fazenda Nacional — antes ou após o lançamento do crédito tributário — com idêntico objeto, impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem a apreciação do mérito, declarandose a definitividade do crédito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Não compete à DRJ, nos termos do inciso I do art.224 e 225 da Portaria MF n° 30/2005, apreciar, originariamente, pedido de compensação de tributos ou contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL/JULGAMENTO Embora o débito declarado, a princípio, dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas. MULTA .DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de ofício. A parte dispositiva do acórdão foi assim ementada: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 11543.003879/200110, ACORDAM os membros da 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro H, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento para excluir a incidência da multa de ofício, nos termos do entendimento emanado na Solução de Consulta Cosit/ SRF n° 3/2004, que tem fundamento no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 277 e seguintes, por meio do qual reafirmou que a matéria em discussão se encontra sob discussão judicial, destacando, ainda, que, por força de sentença proferida, a compensação tributária deveria se dar independentemente de procedimento administrativo. Os autos foram remetidos a este CARF para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos a compensação de PIS decorrente de processo judicial. Entretanto, verificase que, para deslinde do feito, se faz necessário verificar o teor das decisões proferidas bem como o trânsito em julgado das demandas que influem neste processo (2000.50.01.0019992 e 98.000008560). Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 513 7 Assim, entendo que deva ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia das iniciais, sentenças e acórdãos proferidos nos referidos processos judiciais, bem como certidão narratória dos mesmos. Ainda, deve a recorrente ser intimada a explicitar se os créditos ora debatidos foram calculados com base nos dois processos judiciais supra ou, se em apenas um deles, especificar qual. Diante do exposto, voto por ser realizada diligência para que: 1) A recorrente junte aos autos cópia das iniciais, sentenças e acórdãos proferidos nos referidos processos judiciais, bem como certidão narratória dos mesmos. 2) A recorrente deve ainda esclarecer se os créditos ora debatidos foram calculados com base nos dois processos judiciais supra ou, se em apenas um deles, especificar qual. 3) A autoridade preparadora informe se os valores pretendidos de compensação pela recorrente foram realizados conforme determinam as decisões judiciais dos processos supra elencados, esclarecendo eventuais divergências. Os autos então retornaram a este CARF, sendo a mim distribuídos por sorteio, tendo em vista que o relator original do feito não mais integra este Colegiado. Entretanto, verificouse que a diligência solicitada não foi atendida pela Autoridade Preparadora. Consta, à fl. 419, que o presente processo teria sido encaminhado indevidamente para a Delegacia da Receita Federal de Vitória, tendo sido determinada, por conseguinte, a devolução dos autos a este CARF. Constatado que o envio dos autos à SECAT/DRF/VIT/ES não se deu de forma indevida, uma vez que competia à Autoridade Preparadora o atendimento ao que restou solicitado por este órgão julgador, por meio de nova Resolução foi efetuada a remessa dos autos à Autoridade Preparadora. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 493 e seguintes, o contribuinte foi intimado para a apresentação das cópias relativas aos processos judiciais nº 2000.50.01.0019992 e nº 98.000008560, bem como a esclarecer quanto aos créditos utilizados na compensação pleiteada. A intimação foi realizada por via postal com Aviso de Recebimento e também por Edital, além de contato telefônico com o contador da empresa. Contudo, nada foi respondido. Informou, ainda, a Autoridade preparadora, que a empresa apresenta declarações de inatividade desde o anocalendário 2012. Não obstante, a Autoridade Preparadora buscou atender os quesitos da Resolução com os elementos disponíveis, obtendo a seguinte conclusão: 17. Encerramos a diligência, concluindo que: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 514 8 • O interessado não apresentou documentos e esclarecimentos necessários para o atendimento da Resolução nº 3201000.682 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, referente ao Processo nº 11543.003879/200110. • Com base no processo administrativo fiscal e acompanhamento das ações judiciais nas páginas de internet, constatouse: • Que o procedimento fiscal iniciou em 20/09/2000 com a ciência do termo de Início de Fiscalização (fl. 12) e encerrou em 24/09/2001 com a ciência do Auto de Infração. • Que o interessado se utilizou de créditos do período compreendido entre julho de 1989 e dezembro de 1995, calculados a partir da diferença entre os valores pagos com base nos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 e os calculados pelos critérios da semestralidade, alíquota e faturamento definidos da LC 07/70, para compensálos com o PIS devido no período de 06/99 a 06/2001. • Que o interessado é parte em duas ações judiciais: • Ação nº 98.00008560 cuja decisão em primeira instancia ocorreu em 02/08/2000 autorizando a compensação do crédito relativo a pagamentos a maior decorrente dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 com os débitos de PIS. • Ação nº 2000.50.01.0019992, impetrada em 30/03/2000, cuja decisão, de 22/08/2001, reconheceu o direito à repetição de indébito de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição social ao PIS no período de julho de 1989 a 1995 sob a égide dos DecretosLeis Leis 2.445 e 2.449/88, os quais foram expurgados do mundo jurídico através da Resolução nº 49/95, do Senado Federal, e determinou que não deve ser exigida da impetrante a correção monetária incidente sobre a base de cálculo do PIS/semestral e que os valores recolhidos indevidamente ou a maior a esse título podem ser objeto de compensação tributária com débitos do contribuinte da mesma natureza (PIS com PIS), ficando a compensação sujeita à homologação, cabendo ao Fisco apenas averiguar a lisura do procedimento adotado no que concerne aos valores envolvidos, índices de atualização monetária e origem dos créditos, podendo exigir eventuais diferenças que não estejam de acordo com o decido. • Que a autoridade fiscal restringiu a análise dos créditos ao período de 01/93 a 10/95 e considerou que a semestralidade teve vigência de 12/88 a 06/89 (base de cálculo = faturamento de 12/88). Após o cuidadoso e detalhado trabalho fiscal, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 515 9 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado nos autos, o presente Auto de Infração decorre do lançamento de débitos declarados pela Recorrente e quitados com créditos oriundos de 2 (duas) ações judiciais. O acórdão recorrido aplicou a concomitância com relação ao Mandado de Segurança nº 2000.50.01.0019992 "No concernente ao valor do crédito que o contribuinte alega possuir a título de PIS, recolhidos pela sistemática dos Decretosleis n° 2.445 e 2.449/88 — planilha anexada às fls.62/63, onde utiliza a base de cálculo pertinente ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador", entendo, ainda, que a correção monetária deve se dar nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. No tocante aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98, para os quais a Recorrente afirma que utilizou crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 98.00008560 em compensação realizada na sua própria escrita fiscal (ou seja, sem procedimento administrativo de compensação), o acórdão recorrido entendeu que não haveria litígio nesse aspecto uma vez que a compensação em questão apenas pode ser analisada pela Autoridade Administrativa após a apresentação de pedido administrativo de restituição e compensação. Já para os fatos geradores ocorridos entre 06/99 a 06/2001, a compensação em DCTF foi reconhecida, embora não validada no que diz respeito ao quantum, aplicandose a concomitância e afastando a Multa de Ofício. Vejase o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 154): Em prosseguimento, procedi a análise dos demais documentos apresentados e constatei que a) a fiscalizada não recolheu o PIS dos meses de 06/99 a 06/01 e a COFINS dos meses de 06/99 a 12/99 e 06/00, compensandoos indevidamente com créditos do PIS e do FINSOCIAL, objeto de Ações Judiciais; b) que os valores devidos ao PIS e a COFINS dos meses de 10/98, 11/98 e 12/98, constantes do campo "créditos vinculados" das DCTF a título de pagamentos, não haviam sido pagos, e c) efetuou recolhimento a menor da COFINS dos meses de 05/01 e 06/01. Não há lide quanto ao item "a", para o qual foi reconhecida a existência de concomitância e a necessidade de aplicação das decisões judiciais proferidas nos autos da Ação Ordinária n° 98.00008560 e do Mandado de Segurança nº 2000.50.01.0019992, inclusive no que se refere aos índices de correção monetária fixados em decisão judicial, para o período de 06/99 a 06/01 (PIS) e 06/99 a 12/99 de 06/00 (COFINS), extintos por compensação. Também não há lide com relação ao item "c", que trata de recolhimento a menor da COFINS dos meses de 05/01 e 06/01. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 516 10 Não obstante, há irresignação da Recorrentes especificamente quanto ao item "b", ou seja, quanto aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98, sendo esse o único objeto do Recurso Voluntário apresentado. O Termo de Verificação Fiscal assim estabeleceu (fl. 154 e fls. 156/157) PIS — Falta de Recolhimento Fatos Geradores 10/98, 11/98 e 12/98 Constatei que a fiscalizada informou indevidamente na DCTF do 40 trimestre de 1998, no campo "Créditos Vinculados", os valores devidos ao PIS como tendo sido pagos. Intimada a comprovar os referidos pagamentos, a fiscalizada declarou que "por um lapso de nossa parte, declaramos indevidamente como recolhidos as contribuições sendo que de fato os valores devidos ainda estão em aberto", docs. de fls. 19 a 23 e 67 a 69. Fatos Geradores: 06/99 a 06/01 Intimada a comprovar as compensações dos créditos do PIS com o PIS dos meses de 06/99 a 06/01, informadas nas DCTF, docs. de fls. 70 a 119, a fiscalizada apresentou cópias da Petição Inicial, Sentença, Parecer Contábil, planilhas demonstrativas dos créditos e das compensações, e extrato de consulta do processo 98.00008560, que trata de Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada, interposta contra a União Federal, objetivando garantir a imediata compensação entre os créditos resultantes de valores indevidamente recolhidos para o PIS com seus débitos derivados do próprio PIS, docs. de fls. 24 a 66. Assim, enquanto para os Fatos Geradores ocorridos entre 06/99 a 06/01 foi reconhecida a concomitância, os Fatos Geradores correspondentes aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98 foram lançados como sendo débitos declarados e não recolhidos e, portanto, não são alcançados pela concomitância. Em sua Impugnação, a Recorrente traz tópico específico quanto à suposta falta de recolhimento no período, onde aduz: No tocante a alegação, de que a empresa deixou de recolher as contribuições dos meses de 10/98, 11/98 e 12/98, apesar de ter sido reconhecida pela mesma, não pode ser levada a efeito para que se proceda a autuação da impugnante, pois como já foi afirmado, a empresa tem o direito de compensar os valores que foram pagos indevidamente à titulo de PIS, sob a égide dos Decretoslei 2.445 e 2.449, 1998, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF e foram afastados do mundo jurídico através da Resolução n.° 49/95, do Senado Federal. Desnecessário dizer, que esses valores recolhidos a maior constituem propriedade da Impetrante, propriedade essa garantida constitucionalmente. Se o contribuinte tem crédito, vale dizer que pagou a maior um determinado tributo, ou seja, tem o direito de propriedade sobre Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 517 11 seu crédito. Ora, se tem que efetuar novos recolhimentos, por que não compensálos integralmente com seu crédito? É exatamente este direito que a Impugnante fez. Em face de tais argumentos, a DRJ assim decidiu, conforme o seguinte trecho de fl. 254: No tocante aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98, onde a contribuinte vinculou na DCTF do 4° Trimestre de 1998 na condição de pagamento fls.67/69, valores que efetivamente não foram recolhidos, a mesma alega que possui crédito do PIS a ser compensado proveniente da Ação Ordinária n° 98.00008560, na 5' Vara da Justiça Federal no Espírito Santo, que pretende ser liquidado pelo instituto da compensação. A partir daí, o contribuinte poderia proceder à solicitação da restituição e a compensação com créditos próprios, conforme os trâmites administrativos pertinentes a esta matéria. Assim, enquanto não instaurado o litígio, em razão do indeferimento do pedido de compensação formulado pelo contribuinte junto à autoridade competente para analisálo, no presente caso, o delegado da DRFVitória/ES, não cabe manifestação deste órgão julgador. A controvérsia, nesse aspecto, é que, nos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98, a Contribuinte declarou, em sua DCTF, que os débitos seriam extintos por pagamento. Já nos períodos de 30/06/1999 a 30/06/2001, a Contribuinte informou adequadamente que a extinção se deu por compensação, sem pedido administrativo de restituição e compensação. Estas compensações informadas em DCTF foram legitimadas pela Fiscalização com base nas ações judiciais. Contudo, o erro cometido pela Recorrente ao informar em sua DCTF que os períodos 10/98, 11/98 e 12/98 seriam extintos por pagamento e não por compensação, não foi retificado pela Fiscalização, que permanece cobrando o crédito tributário correspondente na condição de débito declarado e não pago, portanto, não alcançado pela concomitância. Assim, é nesse ponto que se restringe a irresignação em sede de Recurso Voluntário: insiste a Recorrente que, como a ação judicial lhe garantia o direito à compensação independentemente de pedido administrativo, inclusive os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 deveriam ser considerados extintos por compensação. É de se observar que a própria DRJ reconhece expressamente que, nos termos das decisões judiciais, a Recorrente poderia efetuar a compensação diretamente em sua DCTF, sem necessidade de pedido administrativo de compensação. Contudo, como demonstrado, entendeu que para os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 a Recorrente jamais teria pretendido extinguir os débitos por compensação, mas, sim, por pagamento, conforme informado em DCTF. Por essa razão é que exclui esta parcela do débito da parte relativa à concomitância. Com a devida vênia, discordo do posicionamento fiscal. Desde a sua Impugnação a Recorrente demonstra que a informação de que os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 seriam extintos por pagamento era equivocada, sendo que tais débitos, em verdade, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 518 12 seriam extintos por compensação. Não se discute é o valor do débito declarado este, sim, considerado como débito confessado e para o qual não se pode instaurar litígio mas, tão somente, a sua forma de extinção, se por pagamento ou se por compensação. E, de fato, o equívoco de declaração é singelo e passível de correção imediata. A Ação Ordinária n° 98.00008560, que garantia a utilização do crédito por meio de compensação, foi proposta em 10/02/98, conforme Informação Fiscal à fl. 194. Existem reiterados julgados deste CARF no sentido de que o erro de fato incorrido pelo contribuinte em suas declarações pode e deve ser revisto mediante provas apresentadas. Considerando, portanto, que o cometimento de erro quando do preenchimento da DCTF (informar extinção por pagamento e não por compensação) vem sendo alegado pela Recorrente desde a sua impugnação e sendo incontroverso que, à época dos fatos geradores, esta já vinha postulando judicialmente o reconhecimento do direito à compensação (direito esse posteriormente reconhecido), a sua correção é passível de acatamento na esfera administrativa. Assim, ao analisar a legitimidade do crédito postulado pela Recorrente e quantificálos nos termos das decisões judiciais, entendo que a Autoridade Lançadora deverá promover a extinção do todos os débitos lançados, inclusive no que se refere aos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98, independentemente de constar em DCTF que tais débitos seriam extintos por pagamento e não por compensação. Por óbvio, a extinção dos débitos lançados por meio do presente Auto de Infração ficará limitado ao crédito reconhecido e validado nos termos das decisões judiciais proferidas na Ação Ordinária n° 98.00008560 e no Mandado de Segurança n°2000.50.01.0019992. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer que os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 estão sujeitos à compensação com o crédito reconhecido nas referidas decisões judiciais, portanto, inseridos na concomitância reconhecida. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 518DF CARF MF
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Numero do processo: 11522.001471/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
DECISÕES PROLATADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal.
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 DECISÕES PROLATADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 71 /2 00 7- 47 Fl. 341DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (DRJ/BEL), relativo a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (134/161) em face da Notificação Fiscal de fls. 3 e seguintes. A DRJ/BEL considerou o lançamento improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 NFLD n° 35.818.1216. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VICIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II DO CTN. No lançamento substitutivo, em que o anterior foi anulado por vicio formal, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso II, do CTN. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN não abrange o direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído, pela ocorrência da decadência. O recurso de ofício foi motivado em razão do valor exonerado ultrapassar o valor de alçada estabelecido à época da decisão de primeira instância. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11522.001471/200747 Acórdão n.º 2402006.426 S2C4T2 Fl. 3 3 Em razão de os fatos até aqui narrados serem suficientes para a resolução da lide, deixo fazer referências a outras informações relativas ao lançamento, inclusive no que se refere a questões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator De início há que se esclarecer que a decisão recorrida considerou o lançamento improcedente com fundamento na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal a qual estabeleceu que “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”. A esse respeito, dispõe o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) [...] VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6º do art. 19. Os dispositivos acima reproduzidos, por si só, mostramse suficientes ao não conhecimento do recurso de ofício. Ainda que não o fossem, de acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º estabelece: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 343DF CARF MF 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A respeito do valor a ser considerado para fins de conhecimento de recurso de ofício, a Súmula CARF nº 103 esclarece ser aplicável o limite de alçada vigente na data de sua apreciação pela segunda instância administrativa. Vejamos: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Desse modo, tendo em vista que os valores lançado a título de tributo e encargos de multa são inferiores ao estabelecido na Portaria MF nº 63/2017 (vide documento de fl 3), mesmo que não se aplicasse ao presente caso o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522/2002, não haveria como se conhecer do apelo. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.002366/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. LIBERALIDADE DO DOADOR.
Doação feita por uma empresa a uma pessoa física, com a devida declaração e pagamento do tributo devido ao Estado, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física de modo que não há que se falar em omissão de rendimento.
Numero da decisão: 2201-004.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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LIBERALIDADE DO DOADOR. Doação feita por uma empresa a uma pessoa física, com a devida declaração e pagamento do tributo devido ao Estado, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física de modo que não há que se falar em omissão de rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 23 66 /2 00 9- 91 Fl. 419DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 337/373, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), de fls. 320/330, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, por transferência de recursos de pessoa jurídica a pessoa física, referentes aos exercícios de 2005 (ano 2004) e 2006 (ano 2005). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 2.093.608,98 (dois milhões, noventa e três mil, seiscentos e oito reais e noventa e oito centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 181/184: Os esclarecimentos, documentos e comprovações, apresentados pelo contribuinte, foram em sua maioria aceitos por esta Eqfis, exceto no que diz respeito aos seguintes itens: Ações recebidas como bonificações no anocalendário de 2005 e Transferência Patrimonial — doações recebidas em espécie, nos anos calendário de 2004 e 2005, sobre os quais tecemos, a seguir, algumas considerações: Ações recebidas em bonificações no anocalendário de 2005: Embora a correção do valor da avaliação, declarada inicialmente pelo contribuinte, esteja adequada, a sua classificação, como rendimentos sujeito à tributação exclusiva, é indevida. A classificação adequada seria de rendimentos isentos e não tributáveis, embora a classificação utilizada pelo contribuinte não interfira na apuração do imposto do exercício de 2006 sob fiscalização; Transferência Patrimonial — doações recebidas em espécie nos anoscalendário de 2004 e 2005: Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; Art. 221 — 0 instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e da administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 420 3 Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Sobre Registros Públicos dispõe a Lei n° 6.015/1973: Art. 128 — No Registro de Títulos e Documentos será feita à transcrição: I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar às partes á(doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. No caso em questão, inexiste qualquer evidência documental formal que sustente, ampare e comprove que os créditos, efetuados pela pessoa jurídica, na contacorrente do contribuinte, se deram por doação. Na verdade, uma, das poucas, evidências documentais apresentadas pelo contribuinte diz respeito à cópia xerox de ata de reunido de diretoria da Parth Investment Conpany, inclusive sem evidência de qualquer registro público, na qual Sra. Daisy Ruth Igel, como diretora e acionista, é autorizada a transferir recursos da empresa para seus dois filhos, diretores da UltraDi Participações S/A, Pedro Igel de Barros Salles e Jennings Igel Hoffember (contribuinte sob fiscalização) sem, entretanto, apresentação de demais detalhes, bem como, sem apresentação do fator de motivação para as respectivas transferências de recursos tão significativos; Analisando os esclarecimentos e documentos apresentados e para fins de reconhecimento do direito isenção, prevista na Lei 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, esta Eqfis entende que uma transferência patrimonial por doação deve ser exaustivamente comprovada perante o Fisco, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, de modo a não pairar qualquer sombra de dúvida quanto i natureza dos rendimentos recebidos. Não basta a prova da identificação da origem dos recursos, da transferência do valor e do correspondente crédito na conta corrente do contribuinte sob fiscalização, fazse necessário, também, à apresentação de documentação hábil e idônea da doação realizada, nos termos da legislação pertinente acima referenciada e, neste caso, atender plenamente As exigências Fl. 421DF CARF MF 4 contidas no Código Civil e, por extensão, a Lei dos Registros Públicos; Portanto, a luz dos dispositivos legais transcritos, os elementos apresentados pelo contribuinte, sob o aspecto formal, não atendem As exigências contidas no Código Civil, em especial o artigo 541, acima transcrito, bem como, o art 128, inciso I, da Lei n° 6.015/73, o qual estabelece que, para surtir efeito em relação a terceiros (Secretaria da Receita Federal do Brasil), os instrumentos particulares devem ser transcritos no Registro de Títulos e Documentos; Assim, muito embora se constate a transferência dos valores para sua contacorrente, através dos créditos por TED, nos valores de R$1.539.747,15 e R$ 1.904.917,17, nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, o contribuinte não comprovou plenamente a efetividade das doações recebidas diretamente da Pessoa Jurídica UltraDi Participações S/A, CNPJ n° 32.245.821/000184, empresa na qual o contribuinte exercia o cargo de diretor desde 18/05/2004, conforme extrato CONSULTA CNPJ, em anexo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte, também, não conseguiu esclarecer e comprovar como não remuneratôria a natureza dos créditos recebidos. Logo, não restou outra alternativa a esta Eqfis, a não ser considerar como tributáveis os créditos recebidos e declarados indevidamente pelo contribuinte como "transferência patrimonial por doações recebidas", portanto, tributáveis, nos termos da legislação vigente, porquanto, como já dito e não é demais repetir, o contribuinte não logrou comprovar plenamente, com a apresentação de documentação hábil e idônea, trataremse os referidos créditos, efetivamente, de doações recebidas de pessoa jurídica, de acordo com as regras jurídicas pertinentes. Considerando tudo o mais, concluímos que os fatos acima expostos, que resultaram em rendimentos declarados pelo contribuinte indevidamente a titulo de transferência patrimonial por doações recebidas rendimentos isentos e não tributáveis, no valor originário de R$ 1.539.747,15 no anocalendário de 2004, e de R$ 1.904.914,17 no anocalendário de 2005, ensejam a constituição do lançamento por "rendimentos classificados indevidamente na DIRPF". Tal lançamento deu origem a lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios de 2005 e 2006, anosbase 2004 e 2005, nos termos da legislação em vigor, devidamente capitulada no referido Auto de Infração em anexo, com crédito tributário constituído e consolidado, em 09/12/2009, no valor de R$ 2.093.608.98, encerrando, dessa forma, a apreciação do presente MPF; Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 230/252 em 13/01/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 421 5 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), adotase, literalmente, tal trecho para compor parte do presente relatório: Inicialmente, é repisado o histórico das empresas envolvidas, sendo acrescido que, não tendo os investimentos da Parth na Ultrapar decorrido de ingresso de divisas no País, e não sendo possível registrálo no Banco Central do Brasil como investimento externo na forma da lei no 4.131/62, os dividendos e os juros sobre o capital próprio distribuídos pela Ultrapar deveriam ser pagos ou creditados no Brasil (fl. 235). Para tal fim, foram firmados o Agency Agreement entre a Parth e a UltraDi em 2001 (doc 1 – fls. 255/258), e a deliberação dos sócios da Parth (doc 2 – fls. 260/263), ambos registrados no Registro de Títulos e Documentos com traduções juramentadas por tradutor público. O Sr. Renato Ochman também foi autorizado a representar a Parth perante a Ultrapar, como fazem prova as traduções juramentadas das procurações por instrumento público (doc 3 – fls. 265/273), que autorizou a transferência dos dividendos da Parth (fls. 36, 199). Nesse contexto, a UltraDi entregou os valores ao autuado a título de doação, em cumprimento das determinações expressas da Parth manifestadas em suas correspondências (fls. 32/33, 35/36, 185/186) e no instrumento particular (fl. 184), inteiramente desprezado pela Fiscalização, tendo inclusive pago o ITD. Ressalta que os recursos da Parth não se confundem com os da UltraDi, sendo certo que os recursos recebidos pelo Impugnante tiveram origem na Parth, conforme fiscalização da UltraDi encerrada sem resultado (doc 4 – fls. 274/278) e diligência realizada na Ultrapar (doc 5 – fls. 279/282). Alega que, sendo a fonte pagadora dos recursos a Parth (pessoa jurídica domiciliada no exterior), e não a UltraDi como indicado na infração, e o lançamento se fundamentar nas normas aplicáveis aos rendimentos pagos por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, foi violado o art. 845, §1º, do RIR/99, que determina que os esclarecimentos prestados somente poderão ser impugnados pelos lançadores com prova ou indício de falsidade ou inexatidão. Que nem a UltraDi ou o outro procurador da Parth no Brasil foram intimados a esclarecer a natureza dos pagamentos e a contabilização dos valores. Alega a nítida tentativa de inverter o ônus da prova sem amparo em qualquer indício ou norma autorizadora, haja vista que a Fiscalização considerou insuficiente a comprovação de que se tratassem de rendimentos isentos, sem invocar qualquer indício de que tivessem a natureza tributável, e que se desrespeitam os princípios constitucionais da presunção de inocência e da legalidade, e as garantias à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Reproduz ementas do Conselho de Contribuintes. Afirma que constatar que as transferências se deram por mera liberalidade, por não existir o “fator de motivação para as Fl. 423DF CARF MF 6 respectivas transferências”, estarseia diante de doação não passível de tributação. Alega que as doações estão sobejamente comprovadas por instrumentos particulares que atendem aos requisitos formais do Código Civil (arts. 538 a 541) necessários à sua caracterização, quais sejam a da contratualidade, a liberalidade do doador, a transferência dos direitos do patrimônio, e a aceitação do donatário. Apresenta os docs. 6 (fl. 284/286, 288/289), 7 e 8 (fl. 291/296, 298/303). Reproduz vasta doutrina sobre o assunto, observando a existência daquela que defende que a doação prescinde até mesmo da formalização de contrato. Destaca ter espontaneamente recolhido o ITD. Observa que o apontamento de que o instrumento particular demandaria a assinatura de testemunhas decorreria da desatualização da Autoridade Fiscal, pois a atual redação do art. 221 do Código Civil não mais o exige. Quanto ao descumprimento do art. 128, inc. I, da lei no 6.015/73, quanto ao registro dos instrumentos de doação em cartório de Registro de Títulos e Documentos, opta por realizálos nos docs. 6 a 8, embora convicto da inaplicabilidade deste dispositivo ao caso concreto. Reproduz ementas no sentido de que a ausência do registro não teria o condão de atingir a substância do ato. Da Decisão da Delegacia Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls.320/330): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO MOTIVO DA DOAÇÃO. NECESSIDADE DE O DONATÁRIO DEMONSTRAR A LIBERALIDADE DO DOADOR. Na doação, o donatário fiscalizado tem de demonstrar a razão que a justifique, especialmente diante da não plausibilidade de uma empresa doar valor expressivo a uma pessoa física, na falta de uma razão negocial para isso. O fato de o dirigente da empresa doadora ser parente do donatário não justifica uma doação, em face do princípio da entidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Uma vez apurada a omissão de rendimentos pela autoridade fiscal, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do IRPF, com o lançamento de ofício do imposto correspondente, acompanhado da multa de 75% e dos juros de mora devidos. PROVA DA DOAÇÃO. REQUISITOS EXTRÍNSECOS E INTRÍNSECOS. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 422 7 A doação feita por uma empresa a uma pessoa física por meio de instrumento particular deve ser previamente registrada no cartório de títulos e documentos para ser oponível ao Fisco. Além disso, não basta a mera formalização da transferência dos recursos como doação, devendo também ser demonstrada pelo donatário a razão da liberalidade, plausível e compatível com a atividade empresarial. Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a legitimidade das operações. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 29/4/2013, conforme aviso de fls. 334, apresentou o recurso voluntário de fls. 337/373 em 29/5/20013. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância, alegando em apertada sínteses: a) Os fatos relacionados à autuação e a prova da origem e da titularidade dos recursos financeiros doados ao recorrente; b) A fonte pagadora dos valores é residente no Exterior. A agressão flagrante ao § 1º do artigo 845 do RIR/99 e o Erro na capitulação legal do lançamento; c) A nítida tentativa de inverter o ônus da prova sem amparo em qualquer indício ou norma autorizadora; d) A decisão recorrida nega a realidade dos fatos e reputa falsos documentos públicos para criar um cenário imaginário de fraude; d.1) para tanto, demonstra quem seria a Sra. Daisy Igel; d.2) afirma que a gestão da Parth é exclusiva da Sra. Daisy Igel; d.3) não existe o cenário de fraude vislumbrado na decisão recorrida; e) as doações estão sobejamente comprovadas por instrumentos particulares que atendem aos requisitos formais necessários à sua caracterização; e.1) preenchimento dos requisitos de um contrato de doação: animus donandi; e.2) transferência dos bens do patrimônio do doador para o do donatário; e.3) aceitação do donatário; e.4) a exigência de prova da "razão da liberalidade" contraria a natureza da própria doação; e f) alegada ausência de registro dos atos. Estes recursos compuseram lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Diante das alegações e das provas juntadas aos autos, verifico que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ora Recorrente, merece ser provido, sendo que o Auto de Infração deve ser cancelado, pois o Recorrente logrou êxito em comprovar a origem do recurso, de modo que não há que se falar em omissão de rendimentos, explico. Apesar do esforço do AFR autuante e da decisão de piso, não é possível concluir pela plausibilidade do lançamento efetuado, sendo desconsiderados os fatos Fl. 425DF CARF MF 8 entabulados, desde a declaração de IRPF feita pelo contribuinte, até a propositura do Recurso Voluntário que ora se analisa. Intimado do Termo de Início da Ação Fiscal, o Recorrente apresentou informações e documentos sobre a origem dos valores declarados como doação nos anos de 2005 e 2006. Em resposta ao termo de início de fiscalização (fl. 16), foi declarado que o valor foi recebido a título de doação da empresa norte americana Parth Investments Company, L.L.C., em duas parcelas de R$ 1.881.189,68 e R$ 30.846,12, conforme: 1) correspondências enviadas pela doadora à empresa UltraDi Participações SA, sua mandatária no Brasil, com instruções para utilizar nesse fim (doação) recursos de sua propriedade mantidos na mandatária (fls. 29/39); 2) extratos da conta corrente da UltraDi com lançamentos de transferências de recursos para as contas do donatário nos valores de R$ 30.846,12 e R$ 1.874.068,05 (fls. 40, 43/44, 101, 109, 167); 3) comprovantes de recolhimento do imposto sobre transmissão causa mortis e doação (ITD) pelo donatário (fls. 41/42, 45/46). Verificase no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 181 a 184), cujo trecho, peço vênia para transcrever: (...) Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; Art. 221 — O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e da administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público; Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Sobre Registros Públicos dispõe a Lei n° 6.015/1973: Art. 128 — No Registro de Títulos e Documentos será feita à transcrição: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 423 9 I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar às partes á(doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar As partes (doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. No caso em questão, inexiste qualquer evidência documental formal que sustente, ampare e comprove que os créditos, efetuados pela pessoa jurídica, na contacorrente do contribuinte, se deram por doação. Na verdade, uma, das poucas, evidências documentais apresentadas pelo contribuinte diz respeito à cópia xerox de ata de reunido de diretoria da Parth Investment Conpany, inclusive sem evidência de qualquer registro público, na qual Sra. Daisy Ruth Igel, como diretora e acionista, é autorizada a transferir recursos da empresa para seus dois filhos, diretores da UltraDi Participações S/A, Pedro Igel de Barros Salles e Jennings Igel Hoffember (contribuinte sob fiscalização) sem, entretanto, apresentação de demais detalhes, bem como, sem apresentação do fator de motivação para as respectivas transferências de recursos tão significativos; Analisando os esclarecimentos e documentos apresentados e para fins de reconhecimento do direito isenção, prevista na Lei 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, esta Eqfis entende que uma transferência patrimonial por doação deve ser exaustivamente comprovada perante o Fisco, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, de modo a não pairar qualquer sombra de dúvida quanto à natureza dos rendimentos recebidos. Não basta a prova da identificação da origem dos recursos, da transferência do valor e do correspondente crédito na conta corrente do contribuinte sob fiscalização, fazse necessário, também, à apresentação de documentação hábil e idônea da Fl. 427DF CARF MF 10 doação realizada, nos termos da legislação pertinente acima referenciada e, neste caso, atender plenamente As exigências contidas no Código Civil e, por extensão, a Lei dos Registros Públicos; Portanto, a luz dos dispositivos legais transcritos, os elementos apresentados pelo contribuinte, sob o aspecto formal, não atendem As exigências contidas no Código Civil, em especial o artigo 541, acima transcrito, bem como, o art 128, inciso I, da Lei n° 6.015/73, o qual estabelece que, para surtir efeito em relação a terceiros (Secretaria da Receita Federal do Brasil), os instrumentos particulares devem ser transcritos no Registro de Títulos e Documentos; Assim, muito embora se constate a transferência dos valores para sua contacorrente, através dos créditos por TED, nos valores de R$1.539.747,15 e R$ 1.904.917,17, nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, o contribuinte não comprovou plenamente a efetividade das doações recebidas diretamente da Pessoa Jurídica UltraDi Participações S/A, CNPJ n° 32.245.821/000184, empresa na qual o contribuinte exercia o cargo de diretor desde 18/05/2004, conforme extrato CONSULTA CNPJ, em anexo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte, também, não conseguiu esclarecer e comprovar como não remuneratôria a natureza dos créditos recebidos. Logo, não restou outra alternativa a esta Eqfis, a não ser considerar como tributáveis os créditos recebidos e declarados indevidamente pelo contribuinte como "transferência patrimonial por doações recebidas", portanto, tributáveis, nos termos da legislação vigente, porquanto, como já dito e não é demais repetir, o contribuinte não logrou comprovar plenamente, com a apresentação de documentação hábil e idônea, trataremse os referidos créditos, efetivamente, de doações recebidas de pessoa jurídica, de acordo com as regras jurídicas pertinentes. Considerando tudo o mais, concluímos que os fatos acima expostos, que resultaram em rendimentos declarados pelo contribuinte indevidamente a titulo de transferência patrimonial por doações recebidas rendimentos isentos e não tributáveis, no valor originário de R$ 1.539.747,15 no anocalendário de 2004, e de R$ 1.904.914,17 no anocalendário de 2005, ensejam a constituição do lançamento por "rendimentos classificados indevidamente na DIRPF". Tal lançamento deu origem a lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios de 2005 e 2006, anosbase 2004 e 2005, nos termos da legislação em vigor, devidamente capitulada no referido Auto de Infração em anexo, com crédito tributário constituído e consolidado, em 09/12/2009, no valor de R$ 2.093.608.98, encerrando, dessa forma, a apreciação do presente MPF; (...) Como visto acima, a autuação se deu por dúvida do Auditor Fiscal e por não preenchimento de requisitos previstos no Código Civil que dessem fundamento de validade à doação efetuada no caso em questão. Ressaltese que a decisão de piso também acatou este Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 424 11 mesmo entendimento, afirmando, inclusive que não demonstrou o motivo da doação, além de o ora Recorrente não cumprir requisitos formais, que no entender da decisão de piso e do Auditor Fiscal, seriam imprescindíveis à comprovação da doação. É fato que o Imposto sobre a Renda obedece aos critério da generalidade, da universalidade e da progressividade na forma da lei (artigo 153, III, § 2º, I, da Constituição Federal). O Auditor Fiscal autuante, afirma que: A regra geral da incidência do imposto de renda da pessoa física é a generalidade. As isenções, que decorrem sempre de lei (lei nº 7.713/88 e alterações posteriores) e devem ser interpretadas literalmente (art. 111, inc. II, do CTN), constituem exceções à regra da generalidade. E continua a afirmar, nos termo do art. 6°, inciso XVI, da Lei 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; Em outros termos, estariase diante de uma isenção e por isso, deveria ter uma interpretação literal nos termos do disposto no artigo 111, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Ocorre que a tributação por meio de Imposto sobre a Renda deve obedecer à generalidade, mas isso não quer significar que tudo pode ser objeto de tributação por ela. Em outros termos, a doação para fins de tributação não é res nullius, ou seja, coisa de ninguém, sujeita àquele que quiser atribuir um tributo a ela. A doação recebeu tratamento especial e foi prestigiada pelo Constituinte originário, outorgando a competência tributária para a instituição de um tributo específico a ela, que é o Imposto sobre Doações, previsto no artigo 155, I, da Constituição Federal, competindo aos Estados membros a tributação deste instituto. não ocorre. Por outro lado, não procedem os argumentos e fundamentos utilizados para não reconhecer as doações entabuladas e que estão sendo objeto de autuação por meio do Imposto de Renda, exatamente nos termos disciplinados pelo Código Civil, conforme ressaltado pelo fiscal autuante em trecho que pedimos a vênia para transcrever: Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Fl. 429DF CARF MF 12 Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; (...) Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Observemos o disposto no artigo 288 do Código Civil acima transcrito e que fala sobre a ineficácia, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do artigo 654, parágrafo 1º, também do Código Civil: Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1º O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. Apesar deste artigo tratar especificamente da outorga de procuração, nos termos do disposto no artigo 288 do Código Civil, para que seja oponível a terceiros, o contrato de doação ou transmissão de crédito quando celebrado por instrumento particular deve conter (1) a indicação do lugar onde foi passado; (2) a qualificação do outorgante e do outorgado; (3) a data e o (4) objetivo, seria um requisito intrínseco à outorga de procuração. Ainda da leitura dos dispositivos do Código Civil, a afirmação do relator da decisão de piso acaba por adotar premissa equivocada quando afirma: O art. 541 deixa claro que a doação deve ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular, podendo mesmo ser verbal apenas se versar sobre bens móveis e de pequeno valor. Verificase, assim, a existência de previsão legal para que a doação prescinda da formalização de contrato, como observado em sua impugnação. Porém, consideramos não ser possível sua aplicação ao caso em tela, haja vista os vultosos valores envolvidos. Esta interpretação está equivocada, pois se a doação, pode ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular e se for verbal, só se versar sobre bens móveis e de pequenos valor (artigo 541, parágrafo único, do Código Civil). Além disso, no caso em tela, feita a doação, o Recorrente tomou todas as providências com relação ao tributo Estadual competente, fazendo a declaração necessária e pagando o tributo devido, conforme documentos juntados às fls. 41/42, 45/46, 191/192. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 425 13 Também merece destaque o fato que está devidamente comprovado por meio de documentos que foram ignorados, seja pela fiscalização, seja pelo relator da decisão de piso (fls. 37, 44 e 161, 162, 157, 287, 294/296 e 301) Sendo assim, voto no sentido de cancelar os valores cobrados nos presentes autos. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento, ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito tributário lançado no auto de infração objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723902/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 02 /2 01 0- 71 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722727/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
Numero da decisão: 9303-006.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 27 /2 00 9- 61 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.525, de 15 de outubro de 2014 (efolhas 251e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 4 3 capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado à relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 5 4 índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 271 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica e (ii) às despesas com fretes e armazenagem. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 294 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Cabe, no entanto, uma ressalva, pois que entendo que com relação aos itens glosados (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea), os únicos que efetivamente restaram comprovadas sua pertinência à produção são os serviços de descarregamento do produto importado e seu Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica, transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 63 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos. 0.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 6. O contribuinte foi intimado (fls.83/84) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 8 7 prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 187/206. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 9 8 permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio, com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 39 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese.. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 10 9 Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. I o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 11 10 priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto com explicações apresentadas (fls.79/82, 138/139), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 12 11 armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.140/186. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 13 12 misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 192 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 14 13 previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002159/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR.
Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2402-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2006 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária.
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 59 /2 00 9- 76 Fl. 157DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 158 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 146/152, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 134/138, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4817. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: Conforme Relatório Fiscal, tratase de débito no valor de R$ 1.329,18(um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91 e alterações posteriores, ao art. 4° da Lei 10.666/2003 e ao art. 216, inciso I alínea "a" do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, pelo fato do sujeito passivo não ter arrecadado, mediante desconto, as contribuições dos segurados discriminados no anexo de fls. 27/46. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, o Município procedeu ao respectivo desconto das contribuições incidentes sobre a remuneração dos seus trabalhadores de acordo com o que determina a legislação." Em seu recurso, a procuradoria da municipalidade apresenta matéria nova, a saber, a responsabilidade pessoal do exchefe do poder executivo, Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato teria se iniciado em janeiro de 2005. No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 150: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. Fl. 159DF CARF MF 4 No mérito, alega que a ausência de descrição do fato e da fundamentação legal impossibilita o trabalho do Contribuinte, eis que ao relatório faltaria elemento concreto para a elucidação da multa aplicada. Aponta que, conforme já afirmado na Impugnação apresentada, o município teria procedido aos devidos descontos, referente ao subsídio do Prefeito e VicePrefeito, postos no Relatório Fiscal, na forma da legislação vigente. Assim, a seu ver, por estar a multa carente de motivação, requer que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário, verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "ao contrário do que afirmado, o Município de Januária procedeu ao devido desconto dessas remunerações, exatamente, na conformidade do que determina a legislação em vigor, N;k0 havendo que se atribuir penalidade de multa, tendo em vista a adoção de devido e correto procedimento para o devido desconto".(fls. 124) A peça Recursal, por seu turno, apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 148) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 161DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso, entretanto, o mérito deve ser conhecido. 2. Mérito No mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico. Não há questões de direito a desafiar aquilo que foi posto por ordem do Acórdão recorrido e, nas questões de fato apresenta alegação genérica de que procedeu aos descontos das contribuições de seus trabalhadores de acordo com a legislação. Com relação as provas do alegado nada foi juntado de modo a ilidir a presunção formada pelo lançamento. O lançamento, por outro lado, segue bem instruído e 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 160 7 demonstra solidez que lhe confere legitimidade aos olhos deste relator. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 163DF CARF MF
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