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Numero do processo: 13851.000076/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE IRRF - POSSIBILIDADE DE CONVOLAÇÃO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IPRJ
A despeito do contribuinte apresentar pedido de restituição de IRRF, que é vedado pela legislação regência, em atendimento à boa-fé, à instrumentalidade e ao princípio do não-confisco, há que se admitir a convolação do pleito em pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ.
IRRF - COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO - RESTITUIÇÃO - SUMULA 80 DO CARF
Para deduzir do IPRJ valores retidos por fontes pagadoras, compete ao contribuinte demonstrar que ofereceu à tributação a receita objeto da aludida retenção.
SALDO REMANESCENTE DE PROCESSO CONEXO - INEXISTÊNCIA
Apurado saldo negativo em processo conexo, apenas o valor remanescente após a compensação com os débitos ali declarados poderá ser usado para quitação de créditos tributários confessados em processo decorrente.
Numero da decisão: 1302-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE IRRF POSSIBILIDADE DE CONVOLAÇÃO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IPRJ A despeito do contribuinte apresentar pedido de restituição de IRRF, que é vedado pela legislação regência, em atendimento à boafé, à instrumentalidade e ao princípio do nãoconfisco, há que se admitir a convolação do pleito em pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ. IRRF COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO RESTITUIÇÃO SUMULA 80 DO CARF Para deduzir do IPRJ valores retidos por fontes pagadoras, compete ao contribuinte demonstrar que ofereceu à tributação a receita objeto da aludida retenção. SALDO REMANESCENTE DE PROCESSO CONEXO INEXISTÊNCIA Apurado saldo negativo em processo conexo, apenas o valor remanescente após a compensação com os débitos ali declarados poderá ser usado para quitação de créditos tributários confessados em processo decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 76 /2 00 2- 36 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 577 2 (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Este processo já foi objeto de relatório anterior, da lavra do Conselheiro Walmar Fonseca de Menezes, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por ocasião da prolação da Resolução de nº 140100.020, proferida em 19 de junho de 2009, pelo que, e atenção à economia processual, adoto e reproduzo a seguir, complementandoo ao final: Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição (fl. 01), apresentado em14/01/2002, no montante de R$ 287.793,63 (decorrente da atualização de um crédito de R$ 117.942,56, referente ao anocalendário de 1997, fl.53, e de um crédito de R$ 56.302,20, referente ao anocalendário de 1999, fl.64), oriundos, na sua maioria, de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre Rendimentos de Aplicações Financeiras, cumulado com Pedido de Compensação (fl.67), formulado na mesma data, do crédito alegado com débitos de COFINS (cód.2172) e PIS (cód.8109) do anocalendário de 2001. Em 14/02/2002, a interessada apresentou novo Pedido de Restituição de Créditos também decorrentes de IRRF sobre Rendimentos de Aplicações Financeiras do anocalendário de 1999, no total de R$ 377.577,86 (resultante da atualização de um crédito de R$ 282.195,71) para fins de compensação com débitos de PIS e COFINS, referentes aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2002, formalizando o Processo n° 13851.000238/200236 apenso. Inicialmente, cumpre enfatizar que os Pedidos de Compensação em questão são considerados Declarações de Compensação (DCOMP), em conformidade com o disposto no Parágrafo 4 o do art.74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art.49 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002. Em 08/01/2007, o Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de JaneiroDERAT/RJ, em seu despacho decisório (11.126), não reconheceu o direito creditório da interessada, não homologando, em conseqüência, as compensações declaradas, por entender que os alegados créditos não estavam dotados da necessária certeza e liquidez. O não reconhecimento se deu com base no Parecer Conclusivo n° 197/2006 (fls.121/125), no qual consta a observação de que Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 578 3 por tratarem de matérias conexas, os (processos de que se trata foram analisados conjuntamente. A análise feita através do mencionado Parecer Conclusivo destaca cada um dos anoscalendário a que se referem os créditos a serem compensados: 1997 e 1999. Relativamente ao anocalendário de 1997, os argumentos constantes da análise feita são, em síntese, os seguintes: Consta somente do processo principal. Por ele constatamos pela DIRPJ (Ficha 08 Cálculo do Imposto de Renda) que a interessada declarou o valor de R$ 133.395,96 como Imposto de Renda Retido na Fonte e o valor de R$ 133.395,96 (saldo negativo) como Imposto de Renda a Pagar. O valor original pedido, como Imposto de Renda Retido na Fonte, é de R$ 117.942,56. Entretanto, através de análise dos extratos do Sistema IRF CONSULTA (REDE SERPRO) concluímos que somente foi comprovado o valor de R$ 112.321,67, havendo a diferença de R$ 5.620,89 que engloba a parcela de 5.584,27 da fonte pagadora UNIBANCO CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS S/A, CNPJ 033.764.366/000196, não encontrada no sistema. Também foi constatado que o total de rendimentos nominais, pelos extratos juntados pelo contribuinte, importa em R$ 927.966,38, enquanto que consta como declarado na DIRPJ do Exercício de 1998, anocalendário de 1997, na Linha 07 da Ficha 06 DEMONSTRAÇÃO DO L. LÍQUIDO o valor de R$ 856.523,05, havendo uma diferença de R$ 71.443,33 a menor. Relativamente ao anocalendário de 1999. os argumentos são, em síntese, os seguintes: Consta do processo principal e do apenso. No principal, verificamos pela DIPJ (Ficha 13A Cálculo do Imposto de Renda sobre a Lucro Real) que interessada declarou o valor de R$ 2.053.941,51 como "Imposto de Renda Retido na Fonte" e o valor de R$ 2.053.941,51 (saldo negativo) como "Imposto de Renda a Pagar" (saldo negativo). Para o DARF recolhido (fls. 65 do processo principal), código da receita 3426, no valor de R$ 56.302,20, relativo ao IRRF de Aplicação Financeira Renda Fixa, não consta como paga ao contribuinte, por instituição financeira, a importância de R$ 281.511,00 (uma vez que a alíquota, nesses casos, seria de 20%, de acordo com o MAFON para o ano de 1999). Pesquisa ao Sistema SINAL (fl.l 12) comprova o pagamento desse valor, entretanto, o Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 579 4 contribuinte reconhece um débito de igual valor em DCTF, conforme extrato de fl.66. Assim temos que, tanto pelo enfoque do Saldo Negativo de IRPJ como pelo pagamento indevido ou a maior, carece o pedido de fundamentação, em termos de documentação hábil e idônea, não fazendo a interessada jus ao reconhecimento do direito creditório pleiteado, uma vez que o crédito não se encontra revestido de liquidez e certeza. Relativamente ao processo em apenso, pela Ficha 07 A Demonstração do Resultado — Linha 21 (Ganho auferido no mercado de renda variável) cf. fl.92, foi declarado o valor de R$ 856.048,70. O Informe de Rendimentos Financeiros (fl.29 do processo apenso) indica que foi pago ao contribuinte, no ano de 1999, o valor de R$ 1.410.978,63 como rendimentos nominais, e R$ 282.195,71, como IRF compensável. Confrontandose os valores percebidos pelo contribuinte e os oferecidos à tributação no valor de R$ 856.048,70 (Linha 07/21 fl.92), verificamos que há inconsistência entre eles, já que somente na operação que deu causa ao pedido de restituição (Aplicação Financeira operação de Swap código 5273), cf fl.29 do processo apenso, o contribuinte teve rendimentos de R$ 1.410.978,63, que geraram ganhos bem superiores ao valor retromencionado que foi oferecido à tributação. Ademais, através de pesquisa no Sistema SIEF/DIRF Resumo do beneficiário, constatamos que, pelo citado código 5273 foi pago ao contribuinte um rendimento bruto de R$ 3.712.698,07, com retenção de R$ 742.539,56, no ano de 1999, o que somente vem (sic) reforçaria inconsistência acima mencionada. Cientificada da decisão da DERATRio de Janeiro, em 09/01/2007, e cobrada os débitos objeto dos pedidos de compensação indeferidos (fls. 133/134), a interessada apresenta, em 08/02/2007, manifestação de inconformidade (fls.141/154), requerendo seja reconhecido o seu direito ao ressarcimento dos créditos nos valores de R$ 287.793,63 e R$ 377.577,86 pleiteados, oriundos dos saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 1997 e 1999 e, conseqüentemente, homologada a sua compensação com os débitos de PIS e de COFINS referentes aos fatos geradores dezembro de 2001, janeiro e fevereiro de 2002, e alegando: Relativamente ao anocalendário de 1997 a) segundo consta no Parecer n° 197/2006, existiria uma diferença de R$5.620,89, que engloba a parcela de R$ 5.584,27 da fonte pagadora Unibanco Corretora de Valores Mobiliários Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 580 5 S/A, não encontrada no sistema, o que ensejou a conclusão de que o crédito não seria dotado de liquidez e certeza; b) conforme documentação apresentada, foi comprovada a retenção de fonte no montante de R$ 117.942,56; c) vale lembrar que, nos termos do art. 231, III, do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, o contribuinte pode compensar o saldo negativo de IRPJ, se comprovar que os valores deduzidos a título de IRRF foram efetivamente oferecidos à tributação; d) tendo comprovado, por meio da apresentação do respectivo informe de rendimentos, a retenção do IRRF no valor declarado, o fato de o mesmo não constar do sistema, por falhas incorridas pela própria fonte pagadora não pode impedir a sua restituição; e) como exemplo da adoção desse entendimento, apresenta às fls.148/149, acórdãos de Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes; f) ademais, não se pode admitir que seja negada a restituição da integralidade dos valores retidos a título de Imposto de Renda, pela ausência de comprovação de uma parte ínfima dos créditos pretendidos; g) cabe destacar que a Receita Federal vem entendendo, em casos análogos, envolvendo a compensação de saldos negativos de IRPJ, que os contribuintes podem compensar os seus pretendidos créditos na proporção em que comprovarem o seu direito a tanto, conforme acórdãos de fls.149/151; e h) dessa forma, pleiteia seja reconhecido, ao menos, o seu direito à restituição/compensação do montante no valor histórico de R$ 112.321,67. • Relativamente ao anocalendário de 1999 Com relação aos créditos pleiteados no valor de R$ 56.302,20 (no presente processo) e de R$ 282.195,71 (no processo apenso, Processo n° 13851.000238/200236) a decisão recorrida alega, basicamente, que não teria sido comprovada a existência de rendimentos de aplicações financeiras em valores correspondentes às retenções de IRRF efetuadas, entretanto cumpre observar que: a) na mencionada decisão consta que teria sido declarado apenas o valor de R$ 856.048,70, a título de ganhos com aplicações financeiras; b) de fato, o mencionado valor consta na Ficha 07, Linha 21 Demonstração de Resultado Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade) da DIPJ/2000; c) ocorre que, além desse valor, foi declarada, na mesma DIPJ, Ficha 07, Linha 24 Outras Receitas Financeiras, a quantia de R$ 3.469.603,66, o que demonstra, de forma inequívoca, que foi Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 581 6 oferecida à tributação montante suficiente para comportar as retenções cuja restituição está sendo pleiteada. A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1999 CRÉDITOS DE IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras e sobre serviços prestados constitui antecipação do IRPJ devido, não podendo ser compensado diretamente com outros tributos. Somente após o encerramento do período de apuração, e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo do imposto de renda, é que o contribuinte pode, eventualmente, ter um direito líquido e certo de IRPJ passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. Ademais, cabe ao contribuinte a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida, pela autoridade administrativa, sua liquidez e certeza. Rest/Ress. Indeferido — Comp. Não homologada. " Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. 428,repisando argumentos. Aquela 1ª Turma Ordinária deste CARF houve por bem converter o julgamento em diligência através da resolução já tratada linhas acima, a fim de determinar à Unidade de Origem de apurar a existência ou inexistência de saldo negativo de IRPJ havidos nos anoscalendário de 1997 e 1999, necessário à verificação do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Foi apresentado o relatório de diligência à efl.523/527 em que se reconheceu em parte, o valor creditório pretendido. Após nova Resolução desta turma (motivada pela falta de intimação do contribuinte sobre o teor do relatório acima mencionado), foi expedido termo eletrônico de intimação, cuja ciência se deu por decurso de prazo em 28/04/2017; logo em seguida, há o registro de abertura do documento pelo contribuinte em 15/05/2017, sem que, contudo, fossem ofertados quaisquer esclarecimentos adicionais ou requerimentos. Este, o relatório Voto Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 582 7 Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Desde logo impende destacar que este processo contem interseção com o PA de nº 10830.007495/0052, cujo objeto era a restituição para posterior compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2000, anocalendário 1999. Tendo em conta que o citado processo é anterior a este feito e, mais, a verificação da aludida interseção, nos autos daquele PA determinouse, por resolução, a reunião com este processo para julgamento conjunto. Notem que o resultado daquele feito terá implicação direta e imediata quanto a solução a ser apresentada nesta demanda (e também no processo de nº 13851.000238/2002 36, em apenso), ao menos quanto ano de 1999, em que se postula a restituição de partes de saldo negativo de IRPJ pretensamente apurado no aludido anocalendário. Mais que isso, como aquele processo é anterior ao que ora se analisa, aqui caberá o reconhecimento apenas do saldo remanescente (se houver), já que lá, além da restituição, também se buscou a compensação do valor pretendido pelo contribuinte. Dito isto, passo à análise do mérito. I. Do saldo negativo relativo ano de 1998, anocalendário de 1997. Como descrito no relatório acima, o contribuinte, originariamente, postulou a restituição de IRFonte recolhido ao longo do anocalendário de 1997. Aqui, de antemão, cumpre anotar que, à fl. 102, foi anexada a DIPJ/1998, anocalendário de 1997, em que a empresa informa, na ficha 08, não ter apurado qualquer valor de imposto anual a pagar, tendo, outrossim, registrado na linha 15, um valor de IRRF no importe de R$ 133.395,96, sendo este o montante pleiteado nos pedidos analisados. Como é sabido, o IRRF não é passível de restituição, a teor do que já definiu este Conselho, mormente a partir da Súmula 80; nada obstante, também como largamente admitido por este órgão, e até por respeito aos primados da boafé, da instrumentalidade e do nãoconfisco, temse admitido a convolação de semelhante pleito em pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ desde que atendidos os pressupostos descritos na citada Súmula 80 (desde que se comprove, pois, que as receitas objetos das retenções na fonte, tenha sido ofertadas à tributação). A intenção da 1ª Turma da 4ª Câmara deste Conselho, ao converter o julgamento em diligência, buscava, justamente, identificar tais pressupostos, isto é, se havia comprovação efetiva das retenções noticiadas pelo recorrente e, mais, se as respectivas receitas teriam sido tributadas. Em atendimento à requisição contida na Resolução/CARF de nº 140100.020, a DEMAC/RJO/DIORT, vinculada à Superintência da Receita Federal da 7ª Região fiscal, elaborou o relatório de fls. 523/527, cujas conclusões, quanto ao período análise, foram as seguintes: A soma dos recibos apresentados pelo contribuinte alcançou o valor de R$ 117.942,56. A DRF jurisdicionante, na ocasião, Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 583 8 analisou estes documentos não considerou alguns deles no cálculo do saldo negativo por falta de registros nos arquivos da RFB e não homologou a compensação pretendida (fls.182). (...) O contribuinte que teve imposto retido, não pode ser prejudicado por uma possível omissão da fonte pagadora em não comunicar à RFB a retenção que efetuou. Neste sentido estabelece o § 2º do artigo 943 do RIR: § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Desta forma, a apresentação do comprovante dá presunção da efetiva retenção, até prova em contrário, o que não ocorreu. Assim, fica garantido ao contribuinte, em princípio, o direito de considerar como saldo negativo do ano de 1997, os R$ 117.942,56, a soma dos comprovantes entregues. (...) Consta nos arquivos da RFB que as fontes pagadoras proporcionaram ao interessado em 1997 a receita financeira de R$ 1.191.043,33 e retiveram R$ 147.737,08 de imposto na fonte (do quadro acima , excluiuse a única receita não financeira encontrada). Alguns dos valores que ela recebeu mas não apresentou recibos se referem a JCP que ela não tributou na DIPJ. O total tributado de outras receitas financeiras mais JCP foi R$ 856.523,05(fls.133). É opcional para o contribuinte considerar o IRRF sobre as receitas que recebeu para a redução do imposto a pagar, entretanto, é obrigatório a tributação das receitas. No presente caso, o contribuinte não declarou algumas retenções (que é permitido) e algumas receitas financeiras (o que não é permitido). Deste modo, ele omitiu receitas. A soma dos rendimentos financeiros do contribuinte, alcança R$ 1.191.043,33, segundo as fontes pagadoras. O somatório das receitas financeiras tributadas (juros sobre capital próprio mais outras receitas financeiras) foi R$ 856.523,05 (Fls.133), ou seja, ele tributou 71,91% do total de receitas financeiras recebidas, declaradas por terceiros Como o contribuinte não ofereceu a totalidade dos rendimentos à tributação, a fonte a ser considerada, deve refletir o que foi oferecido. Assim, o IRRF proporcional às receitas financeiras Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 584 9 tributadas no ano de 1997 é R$ 106.237,73 (71,91% de R$ 147.737,08). Somase a este valor (IRRF sobre receitas financeiras tributadas) o imposto retido sobre serviços (R$ 184,37). Desta forma o saldo negativo de IRPJ do contribuinte em 1997 foi de R$ 106.422,10.. Aqui impende refutar o argumento deduzido pela DRJ no sentido de que a disparidade entre os valores declarados pelo contribuinte a título de IRFonte e aqueles conformados pelos recibos anexados aos autos retiraria a liquidez do crédito pleiteado. O crédito, vejam bem, é perfeitamente líquido uma vez que lastreado em documentos que comprovam a sua origem e valores. Não há, neste particular, fundamentos para se sustentar a sua iliquidez, mas, apenas, o reconhecimento parcial de sua existência. A falta de liquidez exsurgiria se porventura não se pudesse perquerir a sua origem e acuidade. Os recibos juntados e a DIPJ respectiva dão conta do preenchimento efetivo dos pressupostos elencados pela Súmula 80, pelo que há de se reconhecer, em parte, o direito creditório do recorrente, no valor histórico de R$ 106.422,10. I. Do saldo negativo relativo ano de 2000, anocalendário de 1999. Aqui há uma diferença importantíssima a ser considerada. Como dissemos, o recorrente, originariamente, pleiteara a restituição de IRFonte, tomando por base, aí, todos os valores arrecadados por terceiros (receitas financeiras diversas e receitas decorrentes de aplicação em mercados de renda variável). Também como alertamos acima (advertência feita também nos autos do PA de nº 10830.007495/0052), este pedido foi convertido em pedido de restiuição/compensação de saldo negativo; em sua DIPJ (fl. 112), o contribuinte informa não ter apurado imposto a pagar, tendo anotado, contudo, na linha 15 "imposto pago incidente sobre ganhos no mercado de renda variável" um valor correspondente à R$ 2.053.941,51. Este valor resultou, de acordo com a predita DIPJ, num saldo negativo de imposto a pagar de, justamente, R$ 2.053.941,51. Não há, na predita DIPJ, informações sobre retenções oriundas de outras receitas financeiras, de sorte que, a composição do valor informado na aludida linha 15 da Ficha 08 de sua DIPJ/00 , ser, de fato, oriundo de swap. E é aqui que se verifica uma erro de premissas incorrido pela Autoridade Administrativa responsável pela lavratura do relatório de diligência, quando da apuração do saldo negativo do imposto concernente ao anocalendário de 1999. De fato, do predito relatório, extraise as seguintes conclusões: Consta na folha 165 resumo das fontes pagadoras do contribuinte um rendimento financeiro total de cerca de R$ 3.900.000,00 e R$ 779.526,73 retido na fonte. Nesta folha o total retido na fonte (financeiro e não financeiro) é de R$ 989.586,24. A soma das linhas 21 e 24 da DIPJ/2000 (fls.142) implica num total de receitas financeiras oferecidas à tributação de R$ Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 585 10 4.325.652,36 (R$ 856.048,70 + R$ 3.469.603,66), total superior ao que consta nos arquivos da RFB, declarado por fontes pagadoras como rendimentos financeiros (fls.165). Inexistindo provas de outros rendimentos, acatase o total informado pelo contribuinte como receitas financeiras e por consequência o IRRF retido na atividade financeira. Foi declarado um saldo negativo de IRPJ de R$ 2.053.941,51. Descartouse os valores que ele pagou com DARF e alegou ser uma retenção mas não comprovou. Foram considerados todos os valores retidos na fonte oriundos de atividades financeiras. Como já informado, há nos registros do fisco (fls.165) outras retenções além das oriundas de atividade financeiras (R$ 210.059,51). Não se provou no processo que os rendimentos que originaram estas retenções, não tenham sido oferecidos a tributação. Deste modo, este valor tem de ser computado como IRRF do contribuinte. (...) Assim, o total retido na fonte a ser considerado é de R$ 989.586,24, que por consequência do prejuízo apontado pelo contribuinte, fica reconhecido como saldo negativo IRPJ daquele ano. A premissa equivocada adotada pela D. Auditoria repousa exatamente no fato de ter considerado, para fins de apuração de saldo devedor, a integralidade das receitas financeiras declaradas pelo contribuinte (lançadas nas fichas 21 e 24 da DIPJ). Como advertido anteriormente, todavia, o valor de R$ 2.053.941,51, lançado na Linha 15 da Ficha 13A da predita DIPJ, referese tão só às retenções suportadas em relação à receitas advindas de aplicação no mercado de renda variável (swap e hedge). Para, portanto, identificar a tributação efetiva das receitas cujas retenções teriam conformado o saldo negativo, a D. Auditoria somente poderia considerar os valores lançados na linha 21 da Ficha 21 da DIPJ (fl. 142), relativos, digase, à receitas advindas de ganhos obtidos no mercado de renda variável. Se o contribuinte deixou de informar as demais retenções na linha 13, caberia a ele retificar a DIPJ para os lançar ali, mister que não pode recair sobre os ombros do Fisco ou, mesmo, deste Colegiado. E o recorrente, de fato, não retificou a sua DIPJ. Agora, considerando, apenas, as receitas provenientes de tais aplicações (em renda variável), permitome reprisar os argumentos deduzidos nos autos do PA de nº 10830.007495/0052, utilizados para apurar, efetivamente, o saldo negativo de IRPJ verificado no anocalendário de 1999: Continuando, do já redigido e apreciado na Resolução, Passando ao mérito da questão proposta, verifico que às fls. 06 e 44 a recorrente discriminou as fontes pagadoras dos rendimentos advindos de aplicações financeiras, bem como os impostos retidos pelas fontes. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 586 11 São estas: Citibank, Bradesco, CCF do Brasil, Banco Europeu para a América Latina e Banco do Brasil, perfazendo rendimentos percebidos, no ano de 1999, de aplicações financeiras, o total de R$ 4.961.578,41, assim distribuídos: a) R$ 3.719.047,92 a título de swap; b) R$ 1.242.530,49 a título de renda fixa Analiticamente, segundo os informe dos rendimentos: Na DIPJ/00, como a própria recorrente explicita, na Ficha 7A – demonstração de Resultados, há informado pela recorrente as seguintes receitas que interessam ao litígio: _ variação cambial ativa : R$ 29.922.006,41 – linha 20 _ganhos auferidos no mercado de renda variável : R$ 856.048,70 – linha 21 _outras receitas financeiras : R$ 3.469.603,66 – linha 24 A partir destas rubricas e valores, iniciamos a análise da assertiva da recorrente de que as receitas advindas das aplicações financeiras discriminadas às fls. 06 e 44, pela própria contribuinte, foram declaradas e oferecidas à tributação. I) Das “outras receitas financeiras” – resposta da recorrente às fls. 196, in verbis: Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 587 12 Os juros recebidos de clientes, ainda que estes recebimentos hajam gerado IRRF, não podem ser considerados como as receitas correlatas àquele IRFonte especificado nos pedidos de restituição de fls. 01 e 02, objetos deste litígio, pois não são rendimentos provenientes de aplicações financeiras em swap ou renda fixa, consoante os informes de rendimentos acostados aos pedidos pela recorrente. Os valores discriminados sob a rubrica “Anexo”, das “Divisões” “Food TEC” e "CBV”, contabilizados em “DIV’S” (suponho diversas contas contábeis), também não foram relacionados com as referidas aplicações financeiras acima discriminadas, não estando pois as receitas financeiras nesta linha incluídas. Nas folhas do Razão juntadas pela recorrente, fls. 210 a 223, encontramse as seguintes contas, que se referem à “CBV”: “Variação Cambial Dívida (Fam. Vianna) – CBV” e “Variação Cambial IntercoCBV” e, ainda, encontrase a conta “Imposto de Renda – Mútuo CBV FMC”, demonstrando cabalmente que as aplicações financeiras não integraram a linha 24 da Ficha 7A da DIPJ/00. II) Das Variações Cambiais Ativas (receitas) A despeito da recorrente não ter feito a conexão das contas contábeis com as aplicações de hedge que lacunamente induz estarem retratadas nos informes de rendimentos que fundamentam os pedidos de restituição em apreço e haverem sido as receitas contabilizadas em “variações cambiais”, o Razão comprova diversamente às suas alegações. O Razão apresentado pela recorrente possui as seguintes contas contábeis pertinentes a variações cambiais, que notadamente retratam operações de empréstimos, mútuos e outros contratos, como é da natureza das variações cambiais e algumas aplicações de hedge, não coincidentes com os informes de rendimentos vinculados aos pedidos de restituição ora sob análise (sem correlação com valores e identificação de instituição financeira ou espécie de aplicação) – repito, não se visualiza nenhuma operação coincidente com os informes de rendimentos acima especificados. A saber: variação cambial – caixinha / sobre pagamento antecipado de juros correção de IRPJ a compensar pela Selic / empréstimo em U$ I Financ / aplicação U$ EXP NOTES1 / empréstimo U$ 63 Caipira / empréstimo U$ Zero Cupon / aplic U$ hedge – EXP NOTES / INTERCO – CBV / empréstimo Chase – City / dívida empréstimo famVianna – CBV / empréstimo FMC Corp 22kJETWAY. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 588 13 III) Dos ganhos auferidos no mercado de renda variável: As folhas do Razão apresentadas – fls. 210 a 222 não possibilitam verificar as contas pertinentes aos recebimentos das receitas advindas das aplicações financeiras sob análise. Todavia, espelham as contas de IRRF a recuperar/compensar/sobre aplicações financeiras, destacando se, primeiramente, aquelas operações registradas que não se referem às aplicações financeiras atreladas aos pedidos de restituição de fls. 01 e 02 (negritei). Cito cada conta contábil que se refere a IRRfonte que não está relacionado com os informes apresentados (negritei novamente): 1) Conta contábil 0000.1990.00003 57 01.01.05.06.01 “Imposto de renda a compensar” – esta conta aponta para um saldo acumulado de anos anteriores no valor de R$ 226.275,17; não é de aplicação financeira do ano de 1999 – não consta nos informes; 2) Conta contábil 0000.1990.00004 58 01.01.05.06.01 “Imposto de renda a recuperar 1998” – também aponta para um saldo acumulado no valor de R$ 10.388,35, É um título representativo de direitos creditórios de exportação e lastreiase obrigatoriamente em contratos de compra e venda firmados entre o exportador e empresas estrangeiras importadoras. A presença do contrato mercantil de compra e venda é fundamental para a legalidade da operação.que pertence a outros anos; em agosto de 1999 esta conta sofreu um acréscimo de R$ 271.694,35 com histórico de que é concernente a “vr ref IR s/ remessa de juros empréstimo 35M”; portanto este IR também não é pertinente às aplicações financeiras ora discutidas; 3) Conta contábil 0000.1990.00005 617 01.01.05.06.01 – “IR a recuperar – aplic fin 1999” – esta conta merece ser analisada de forma acurada, mês a mês. Apesar da rubrica, há IR retido sobre empréstimos e outras aplicações que não constam nos informes de rendimentos que embasam os pedidos de restituição em questão. Assim estão “fora” dos valores pleiteados: 3.1) Janeiro: as reversões de provisões de IR sobre “empréstimo BEAL 63 Caipira jan/99” (v. variação cambial empréstimo em U$ fls. 222), e das provisões de IR sobre “v monet ativa HEDGE 40 dd e 12 dd” porque os valores ali consignados não conferem com os valores discriminados nos informes de rendimentos e a recorrente não explicitou de que instituição financeira são estas aplicações em hedge, sabendose pelo próprio Razão que há rendimentos declarados em Variação Cambial – EXPORT NOTES; 3.2) Fevereiro: novamente aparecem contabilizações de reversão de provisões de IR sobre empréstimo “BEAL 63 Caipira” – jan e fev/99 – e “CITI”, cujos valores não constam nos informes de rendimentos fornecidos – aliás, observese que, por contraprova, nos referidos informes não há rendimentos Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 589 14 pagos em fevereiro/99, com exceção da aplicação financeira em swap no CCF (Credit Coml France) que gerou um rendimento de R$ 794.397,83 e uma retenção de R$ 158.879,57 não contabilizados no Razão da recorrente e ora pleiteado nos pedidos de restituição; 3.3) Março: novamente é de se excluir a “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira”; 3.4) Abril: só foi novamente contabilizada a “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira”; 3.5) Maio : idem 3.6) Junho : idem; 3.7) Julho : idem, quanto a rubrica “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira” e de igual forma os IR retidos por ocasião dos dois “RESGATE EXPORT NOTES IR RETIDO NA FONTE”, por não se identificar nos informes de rendimentos esta aplicação financeira; 3.8) Agosto : sem movimentação 3.9) Setembro : a retenção de IR registrada está no informe de rendimentos fornecido pelo BEAL (Banco Europeu América Latina) swap – R$ 40.239,95; 3.10) Outubro : sem movimentação 3.11) Novembro : a retenção de IR registrada está no informe de rendimentos fornecido pelo Citibank swap – R$ 12.800,00; 3.12) Dezembro : sem movimentação; 4) os valores registrados nas demais contas contábeis, em dezembro, sob as rubricas a seguir elencadas, não podem ser pleiteados neste processo porque não se referem às aplicações financeiras e retenções objetos dos pedidos ora analisados – a propósito estas contas só aparecem em dezembro e apenas assinalam saldos advindos de outros períodos: 4.1) “I. Renda a Recuperar – JETWAY” – R$ 56.302,00 – (Variação Cambial – empréstimo); 4.2) “I. Renda Mútuo CBVFMC” – R$ 256.205,22; 4.3) “I. Renda a Recup – Aplic Fin – JETWAY” – R$ 226,65. IV) Da análise do Razão e das retenções de IRFonte contabilizadas versus informes de rendimentos A seguir relaciono quais as retenções de IR realizadas pelas fontes pagadoras discriminadas nos informes de rendimentos ora analisados que foram efetivamente contabilizadas pela recorrente, conforme comprovam os assentamentos contábeis do Razão apresentado: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 590 15 Bem, deste ponto, solicitouse a realização de diligências, conforme relatado. Na diligência requerida, muito importante destacar que, não foram apresentadas as fichas do Livro Razão relativas às receitas correspondentes aos IRRF acima relacionados, consoante requerido na Resolução nº 180100.129/12, nem tampouco a recorrente logrou explicar a diferença entre o valor declarado a título de "ganhos auferidos no mercado de renda varíavel" R$ 856.048,70 (Ficha 7A, linha 21) e a somatória das receitas espelhadas nos informes de rendimentos apresentados junto aos pedidos de restituição (R$ 4.961.578,41); nem tampouco conseguiu explicar o valor de R$ 2.834.817,78 relativo às receitas correspondentes às retenções acima discriminadas, cujos IRRF foram contabilizados. Portanto, temos a seguinte situação neste litígio, em face aos assentamentos contábeis, aos valores declarados em DIPJ, aos informes de rendimentos e ao requerido pela recorrente: i) das receitas declaradas (DIPJ/00) a título de "outras receitas financeiras", no valor de R$ 3.469.603,66, Ficha 7A, linha 24, nenhuma operação registrada no Razão é coincidente com os valores discriminados pela recorrente, ou está registrada a título de operações swap e renda fixa, consoante item I deste voto; ii) das receitas declaradas (DIPJ/00) a título de "variação cambial ativa", no valor de R$ 29.922.006,41 Ficha 7A, linha 20 nenhuma operação registrada no Razão é coincidente com os valores discriminados pela recorrente a título de operações swap e renda fixa, consoante item II; iii) embora a recorrente não tenha exibido os assentamentos contábeis relativos às receitas/rendimentos auferidos, ofereceu à tributação a título de GANHOS AUFERIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL (Ficha 7A, linha 21), o valor de R$ 856.048,70, pressupondo estarem inseridas nesta rubrica (única que sobrou) as referidas receitas de swap e renda fixa cujos IRRF a recorrente requer nos pedidos de restituição objetos deste litígio. Primeira conclusão é que a recorrente, por absoluta falta de comprovação nos assentamentos contábeis e valores informados na DIPJ/00, não ofereceu à tributação o valor auferido com todas receitas de swap, renda fixa, curto prazo e pre, espelhadas os informes de rendimentos acostados aos autos às efls. 06 a 44, da ordem de R$ 4.961.578,37, sendo incabível a Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 591 16 restituição requerida no valor de R$ 986.169,79 (primeira tabela elaborada neste voto). O segundo ponto, é que os IRRF registrados no Razão, cujas operações estão identificadas por swap, apesar de remontarem o valor de R$ 568.963,49, consoante última tabela acima elaborada, correspondem a uma receita no valor de R$ 2.834.817,78, cujo oferecimento à tributação na DIPJ/00 não foi comprovado pela recorrente; como visto o valor oferecido a título de ganhos auferidos no mercado de renda variável é da ordem de R$ 856.048,70. Verifiquese da tabela abaixo o ora concluído, a partir do requerimento da contribuinte e dos informes de rendimentos apresentados: Diante do exposto, podese concluir que, se da importância de R$ 2.834.817,78, somente foram oferecidos à tributação o valor de R$ 856.048,70 (30,20%), do valor correspondente a R$ 568.963,49, a recorrente faz jus à restituição de IRRF no valor de R$ 171.826,97 (30,20%), incidente sobre aplicações financeiras (operações de swap, renda fixa e outros), refletido no Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999. Em resumo, o saldo negativo apurado no anocalendário de 1999, tal qual como reconhecido no PA de nº 10830.007495/0052 era de R$ 171.826,97; agora, como naquele processo o contribuinte também pleiteou a compensação do aludido saldo com débitos Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 592 17 de COFINS no importe de R$ 844,075.01 (fl. 05 daqueles autos), nada resta ao contribuinte para utilizar nos pedidos de compensação tratados neste feito e no processo de nº 13851.000238/200236 (em apenso). Não há, pois, direito creditório a ser reconhecer quanto ao anocalendário de 1999. Conclusão. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de reconhecer um crédito restituível e, portanto, passível de compensação, no importe (histórico) de R$ 106.422,10, a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1997, para compensação até o limite do crédito postulado. (assinado digitalmente). Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 592DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907198/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 36735.78666.130804.1.3.04-0032[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.171, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 36735.78666.130804.1.3.04-0032[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.171, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 8/ 20 08 -6 1 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 36735.78666.130804.1.3.040032[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.171, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 29/08/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 7 6 competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908913/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 89 13 /2 00 9- 84 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10840.908913/200984 Acórdão n.º 1301003.242 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo da CSLL: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos da CSLL ." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10840.908913/200984 Acórdão n.º 1301003.242 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior da CSLL, referente ao período de apuração de 31/12/2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10840.908913/200984 Acórdão n.º 1301003.242 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.911512/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 30/06/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 12 /2 00 9- 39 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 172 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 20.710,70, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 30/06/2006) veiculado na PER/DCOMP 05033.37991.291106.1.3.049950, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 173 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 174 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 175 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 176 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 177 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 178 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 30/06/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 17335.720069/2016-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO PELO AVÔ AO NETO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE.
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente VICENTE DIAS SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO PELO AVÔ AO NETO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 33 5. 72 00 69 /2 01 6- 40 Fl. 95DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE): Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 07/11, relativo ao anocalendário de 2014, exercício de 2015, para formalização de redução do imposto a restituir que passou de R$ 5.932,38 para R$ 5.054,78. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08, decorreu de: “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$ 3.264,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Contribuinte intimado (TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 3.688/2015) a apresentar Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial, porém não o fez. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea 'f', da Lei nº 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 78 e 83 inciso II do Decreto nº 3.000/99 RIR/99.” Inconformado com a exigência, a qual tomou ciência em 25/04/2016 (Despacho às fls. 46), o contribuinte apresentou contestação em 25/04/2016 (fls. 03/04), alegando, em síntese: “Referência: Notificação de Lançamento nº 2013/625089709505210. VICENTE DIAS SANTANA, CPF: 033.502,82172, não se conformando com a notificação de lançamento em referência, vem apresentar a presente impugnação nos termos dos artigos 14 a 17 e 23 do Decreto 70.235/72 com alterações introduzidas peias Leis n° 8.748/93 e nº Fl. 96DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 96 3 9.532/97, pelos motivos a seguir expostos: Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA Valor da infração: R$ 3.264,00. Estou questionando o valor de R$ 3.264,00. 2. Exposição dos Fatos: Recebi intimação referente a apresentação de comprovantes com despesas médicas e decisão judicial, onde apresentei somente as despesas com saúde, pois a Decisão Judicial não estava em meu poder. Portanto tive que viajar a Porangatu/GO a fim de obter tal documento, o qual venho apresentar e requerer da Receita Federal que façam uma nova análise da minha declaração. Estou apresentando os comprovantes de despesas médicas acompanhado da Decisão Judicial, 3. Solicitação Venho requerer a Revisão da minha Declaração referente o Exercício2015.” Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhouse o presente eprocesso para apreciação pela DRJB/Fortaleza (fls. 49). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) negou provimento à Impugnação (fls.64) , em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. Apenas podem ser deduzidas as importâncias comprovadamente pagas a título de pensão alimentícia em cumprimento de decisão ou acordo judicial em consonância com as normas do Direito de Família. Indedutível o pagamento de pensão para netos, cujos filhos são maiores de 21 anos, e não esteja comprovada a incapacidade para prover a própria mantença, bem como a incapacidade física ou mental para o trabalho não ficar devidamente demonstrada. Fl. 97DF CARF MF 4 Cientificado (AR fls. 77), o contribuinte o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 85), no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia (art. 8º, II, f, da Lei nº 9.250/95) da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124 A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; No caso analisado, o alimentando, PEDRO LUCAS GOMES LIRA SANTANA, nascido em 18/09/2000 é neto do Recorrente, conforme se verifica pelo teor da Carta Precatória acostada às fls. 24. O pai do menor peticionado, JOSÉ FERNANDO LIRA SANTANA, nascido em 01/12/1982, à época da Sentença (anocalendário de 2001), contava com 18 anos completos. A questão em litígio prendese, portanto, à possibilidade de deduzir pagamentos de pensão alimentícia pagos a netos de filhos maiores de 21 anos, ancorada em decisão judicial. A decisão recorrida manteve a glosa das despesas com pensão alimentícia judicial por entender que: Notese que o § 1º estabelece um limite máximo de 24 anos, desde que cursando estabelecimento de nível superior ou escola técnica de segundo grau, para que a pessoa seja considerada dependente. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 97 5 Admitirse, em função do disposto no inciso II do art. 4º da Lei 9.250/1995, que, toda e qualquer importância paga a título de pensão alimentícia em face do Direito de Família, desde que homologada judicialmente, é passível de dedução da base de calculo do imposto de renda devido pelo alimentante, é dar à regra jurídica em questão interpretação extensiva, ignorando o contexto em que está situada. Assim, não há como se interpretar o inciso II do art. 4º da Lei 9.250/1995 de forma isolada do restante do texto legal onde está inserido. Sua interpretação há de ser feita de forma sistemática, levando em conta a totalidade do texto legal em que se situa. De acordo com a Lei sob exame, resta claro que TODAS as despesas passíveis de dedução, por expressa disposição legal, são dispêndios incorridos pelo declarante em beneficio dele próprio ou de qualquer de seus dependentes, assim considerados uma vez atendidas as condições previstas na mesma Lei. E não há, portanto, no contexto da mencionada Lei, previsão para que possam ser deduzidas importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face do Direito de Família e homologadas judicialmente, quando em beneficio de pessoas que não preencham as condições previstas na mesma Lei para serem consideradas como dependentes do declarante. Ademais, admitirse tal dedução é reconhecer que a sociedade pague por tal liberalidade dos pais (p. ex: pagamento de pensão aos filhos maiores até 24 anos, que não estejam cursando ensino superior ou escola técnica de segundo grau). A sociedade arcaria sim, na medida em que a dedução de pensão resulta em diminuição do imposto a pagar, recurso este que seria carreado para os cofres da União e retornaria em benefícios para toda a sociedade. Não há que se argumentar que a União não incorreria em prejuízo, sob o pretexto de que os dependentes seriam tributados nos mesmos valores. Tal assertiva não seria correta, uma vez que há o limite de isenção do qual cada um dos dependentes iria se beneficiar. Entendo, data vênia, que a decisão merece ser reformada pelas seguintes razões. Em primeiro lugar, porque, ao contrário do que alega a decisão recorrida, a interpretação por ela pretendida é restritiva. Todavia, o Código Tributário Nacional ao estabelecer, em seu artigo 111, que a interpretação das isenções se dá de forma literal, não admite que essa seja feita de forma restritiva Como bem observa Hugo de Brito Machado: "Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a interpretação do seu alcance, como sua restrição" Fl. 99DF CARF MF 6 (MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 22 ed. Malheiros, São Paulo, 2003, p.105) (grifamos) Nesse sentido, esclarecedora a decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara no Acórdão nº 2201003.406 julgado na sessão de 20/01/2017, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHO MAIOR DE 21 ANOS. CONDIÇÕES. A fiscalização não pode condicionar o direito à dedução da pensão alimentícia paga a filho, aos preenchimento das condições estabelecidas para caracterizar a condição de dependente. Merece transcrição, pela clareza com que aborda a questão, o voto vencedor da Conselheira Dione Jesabel Wasilewski: Este voto trata da possibilidade de dedução de pensão alimentícia paga a filho com mais de 21 anos e que não comprove curso em faculdade ou ensino técnico superior ou impossibilidade para trabalho ou para prover a própria mantença. As atividades legislativa e executiva são expressões do poder político do Estado, a primeira responsável pela edição de normas de caráter geral e abstrato que inovam na ordem jurídica e, a segunda, vocacionada a resolver os casos concretos de acordo com a ordem jurídica vigente. Mesmo o poder regulamentar conferido ao executivo deve ser exercido dentro dos estreitos limites impostos pelas leis, sendo pacífico o entendimento de que ele não é autorizado, sob pena de se configurar invasão de competência, a extrapolar essas fronteiras criando regras inovadoras. Se o poder regulamentar está contido pela rigidez desses contornos, que se dirá da atividade da Administração pública, já definida como aquela a quem compete aplicar a lei de ofício. Na hipótese em questão, a norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995): (...) Essas regras são diferentes daquelas relativas à dedução dos filhos como dependentes. Para cada uma dessas situações, dedução como dependente ou dedução de pensão alimentícia, existem condições legais próprias a serem atendidas, que expressam verdadeiros ônus para os contribuintes, mas são Fl. 100DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 98 7 também expressões de direitos a serem respeitados pela Administração. Ao estender as regras criadas textualmente para as situações de dependência para as de dedução da pensão alimentícia, a Administração onera os contribuintes nesta situação de forma que extrapola os limites impostos pela investigação sintática (literalidade). E este é o critério fixado pelo Código Tributário Nacional como o adequado para a interpretação das normas dessa natureza (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 111), que tanto serve para limitar o exercício do direito, como para definir o ônus imposto como condição para ele. Ou seja, a literalidade da norma tanto serve para impedir a extensão, como a redução do seu significado. É certo que o CTN autoriza o emprego da analogia quando houver "ausência de disposição expressa" (art. 108, I), ressalvando que, do emprego da analogia, não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º). Mas, ao se indagar sobre a possibilidade de integração da norma, por analogia, no caso concreto em análise, não é possível superar nem o primeiro obstáculo estabelecido pelo CTN, pois, indubitavelmente, há norma específica regulando a matéria. A meu ver, criar condições que não podem ser extraídas do texto legal significar inovar no ordenamento jurídico, e inovar no ordenamento jurídico é legislar sobre direito tributário, atividade estranha à esfera de competência desse órgão. Isso não quer dizer que a administração está fadada a admitir as deduções a título de pensão alimentícia sem qualquer valoração do caso concreto. Pelo contrário, há um espaço a ser preenchido na verificação da adequação do caso concreto ao preceito geral e abstrato. Assim, para que haja o direito à dedução não basta, por exemplo, que haja um acordo homologado judicialmente. É necessário investigar quais foram as condições estabelecidas como pressupostos para sua validade e se essas condições ainda se mantém (aplicação da cláusula rebus sic stantibus). De forma que, se a pensão foi justificada pelo estado de desemprego involuntário, ou pelo fato do filho estar se dedicando à formação acadêmica, ou pelo casal estar separado de fato, ou por doença do beneficiário da pensão ou de seu filho/cônjuge a exigir atenção integral daquele, pode ser feita a verificação da continuidade dessas condições como pressuposto de eficácia do acordo ou da sentença. Dessa forma, conforme exposto no voto acima transcrito, não se deve confundir a dedução com dependentes com aquela feita à título de pensão alimentícia. Além disso, é importante ressaltar que o pagamento em questão não decorre de mera liberalidade do Recorrente, mas de determinação judicial. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 101DF CARF MF 8 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia à ilustre Relatora, mas meu entendimento é contrário ao seu, diante da situação fática existente. Verificase, no presente caso, que o motivo da glosa se deu em razão da fiscalização ter compreendido que a pensão alimentícia paga pelo recorrente ao seu neto, era realizada por liberalidade. Entendo correta a decisão da DRJ de origem que manteve o lançamento, haja vista que este encontra respaldo no Código Tributário Nacional, visto que a pensão alimentícia devida em face das normas de Direito de Família é despesa dedutível do IR pessoa física para o alimentante, desde que cumpridos os requisitos em lei, em contrapartida, seria passível de incidência do referido imposto para o alimentando. Ainda, importante apontar a jurisprudência em casos semelhantes ao ora em análise, cujas ementas já integraram o acórdão recorrido: “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA. A convivência harmoniosa da família, sob o mesmo teto, com a regular prestação do dever de assistência e de sustento, desautoriza a homologação de acordo de alimentos, máxime quando as circunstâncias narradas levam à conclusão de que, antes de qualquer outra pretensão, visase à obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora do cônjuge varão, com evidente prejuízo ao erário (APC 20040110640184, Relatora Desa. Carmelita Brasil, 2ª Turma Cível, julgado em 14/11/2005, DJ 24/01/2006, pág. 93).” “CIVIL. ACORDO DE ALIMENTOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO. 1. Restando patenteado nos autos que o objetivo da alimentante se reveste do nítido desejo de benefício tributário, não deve o Judiciário homologar acordo de alimentos. 2. As acordantes informam que a filha cuida há vários anos da mãe, com quem gasta quase metade de seus rendimentos. Tal fato, mesmo que verídico, não enseja isenção do Imposto de Renda, mas, tãosomente, as reduções asseguradas a todos os contribuintes. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 99 9 3. Recurso conhecido e improvido. (20050110996055APC, Relator SANDOVAL OLIVEIRA, 4ª Turma Cível, julgado em 22/11/2006, DJ 17/04/2007, pág. 124)”. “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. PAI E FILHA QUE VIVEM SOB O MESMO TETO. INTENÇÃO DE REGULARIZAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO MENSAL VOLUNTARIAMENTE DEFERIDA POR MEIO DE DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO PARA OBTENÇÃO DE DESCONTO NO IMPOSTO DE RENDA. HOMOLOGAÇÃO NEGADA. Não se vislumbrando as necessidades do alimentando, cuja filha, voluntariamente, paga alimentos ao pai, que com ela reside sob o mesmo teto, mas tãosomente a obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora, com evidente prejuízo ao erário, indeferese o pedido homologatório do acordo de alimentos. (20060111308808APC, Relator CARMELITA BRASIL, 2ª Turma Cível, julgado em 18/07/2007, DJ 14/08/2007, pág. 101)” “DIREITO CIVIL. EXCÔNJUGES. ACORDO DE ALIMENTOS. IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme a jurisprudência no sentido de que tendo o acordo de alimentos objetivos meramente fiscais, não deve ser homologado, pois implicaria indevida dedução no cálculo do Imposto de Renda. 2. Subjacente à homologação, está o acordo de vontades que haveria de servir à prevenção ou terminação de litígio (CC, art. 840), de modo que assim a transação somente pode referirse a direitos substanciais que admitam conflito de interesses. 3. Simples questões advindas de liberalidade não são passíveis de homologação judicial, até mesmo por falta de interesse jurídico dos interessados. 4. Recurso conhecido e improvido. (Processo: APC 20060111339348 DF, Relator(a): CARLOS RODRIGUES, Julgamento: 28/11/2007, Órgão Julgador: 2ª Turma Cível, Publicação: DJU 21/02/2008, pág. 1475)” Por oportuno, transcrevo o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, preconizando que os alimentos são devidos "ao filho até a data em que vier ele a completar os 24 anos, pela previsão de possível ingresso em curso universitário" (STJ 4ª turma RESP 23.370/PR Rel. Min. Athos Carneiro v.u. DJU de 29/03/1993, p. 5.259). EXONERAÇÃO. ALIMENTOS. MAIORIDADE. ÔNUS . PROVA. Tratase, na origem, de ação de exoneração de alimentos em Fl. 103DF CARF MF 10 decorrência da maioridade. No REsp, o recorrente alega, entre outros temas, que a obrigação de pagar pensão alimentícia encerrase com a maioridade, devendo, a partir daí, haver a demonstração por parte da alimentanda de sua necessidade de continuar a receber alimentos, mormente se não houve demonstração de que ela continuava os estudos. A Turma entendeu que a continuidade do pagamento dos alimentos após a maioridade, ausente a continuidade dos estudos, somente subsistirá caso haja prova da alimentanda da necessidade de continuar a recebêlos, o que caracterizaria fato impeditivo, modificativo ou extintivo desse direito, a depender da situação. Ressaltouse que o advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos (Súm. n. 358STJ), mas esses deixam de ser devidos em face do poder familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco (art. 1.694 do CC/2002), em que se exige prova da necessidade do alimentando. Dessarte, registrouse que é da alimentanda o ônus da prova da necessidade de receber alimentos na ação de exoneração em decorrência da maioridade. In casu, a alimentanda tinha o dever de provar sua necessidade em continuar a receber alimentos, o que não ocorreu na espécie. Assim, a Turma, entre outras considerações, deu provimento ao recurso. Precedente citado: RHC 28.566GO, DJe 30/9/2010. REsp 1.198.105RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1º/9/2011. (grifouse) Assim, verificase que a pensão paga pelo recorrente ao seu neto não devida em face do poder familiar, pois tem fundamento nas relações de parentesco (art. 1.694 do CC/2002). Ademais, a decisão judicial que determinou a pensão alimentícia foi fixada para o filho do recorrente e não ao recorrente. Logo, os pagamentos realizados pelo recorrente ao seu neto foram realizados por mera liberalidade, sendo, de tal modo, indedutíveis. Portanto, deve ser mantida a glosa da dedução de pagamento a título de pensão alimentícia judicial. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720003/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 3403-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 03 /2 01 2- 75 Fl. 5333DF CARF MF 2 Relatório O Contribuinte, IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., interpôs Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que lhe foi totalmente desfavorável, referente lançamento de constituição do crédito tributáriode IPI básico, relativo ao período de apuração de 01.01.2006 a 31.12.2007. Imputa ao contribuinte acusação ter se utilizado de empresa de fachada para se créditar do Imposto sobre Produtos Industrializados destacados em notas fiscais de aquisição de sucata ferroso por meio de notas fiscais emitidas pela empresa METALAN INDUSTRIA e COMÉRCIO DE METAIS LTDA. Do extenso “Termo de Verificação Fiscal”, FLS. 26449/ o auditor fiscal tece suas considerações a motivar a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). Entre tantas, aponta como prova: a) O endereço não condiz com empresa de porte, visto tratarse de uma casa residencial modesta do tipo “meia àgua”, e teria obtido informação que naquele local nunca existiu nenhuma atividade empresarial, que o imóvel teria sido alugado no período de 2006 a 2008 para uma pessoa de nome Renaldo Viana Lima, embora o contrato de locação esteja firmado com Alcimar Barbosa Cunha, falecido desde 08.07.1997; b) Verificado junto Ministério do Trabalho, constatou em pesquyisa que a empresa jamais apresentou registro de empregado; c) A Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativa ao ano calendário de 2006 apresentada na modalidade de Lucro Presumido, no entanto, não consignava informações ecônomicas; d) A empresa metalan teria sido constituída em 01.09.2005, sendo os sócios fundadores Renato Quinn Lopes e Alcimar Barbosa Cunha, ambos falecidos desde 08.07.1997 e 09.08.1990, respectivamente; e) Que o pai do sócio fundador Renato Quinn Lopes, procurado diz que a foto da carteira de identidade não era do filho, mas os demais dados sim. f) Informa que em 06 de fevereiro de 2006 por meio de alteração de contrato registrada perante a Junta Comercial do Rio de Janeiro, houve a substituição do sócio falecido pelo sr. José Nonato Lima, cuja profissão seria de motorista de taxa, o que segundo o fiscal, revela ser laranja; g) Em declaração o sr. José Nonato Lima, informou que conheceu o sr. LINDORO VICENTE SANTANNA NETO, quando utilizava os serviços de taxista, passando serem amigos, passou ser sócio da Metalan, que o sr. Lindoro Vicente Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 3403003.532 S3C4T3 Fl. 3 3 Santana Neto, reside em condomío fechado, “Santa MÔNICA”, próximo a Av. das Américas, localizado na Barra da Tijuca, Rio de JaneiroRJ. Que estava junto com o sr. Lindoro Vicente Santana Neto , quando da sua morte em um Hotel na cidade de São Paulo, há aproximadamente um ano. Disse que só conhece o sr. Eloy José Ramos Barros, o qual conheceu na residência do sr. Lindoro em Búzios, o qual teria sido apresentado como sendo o caseiro da casa de praia; Afirma, ainda, que nunca teve conhecimento da existência física da empresa Metalan; h) Houve terceira alteração do contrato social da Metalan, 14.12.2006, registrada na Junta Comercial, saindo o José Nonato Lima e ingressando o sr. Eloy José Ramos de Barros. Disse, também, que era oriundo da cidade de Três Rios/Rj, após ser demitido da RFFSA, a convite da sua irmão, conhecida de sra. Rosane de Carvalho da Silvva, esposa do sr. Lindoro Vicente Santana Neto, para trabalhar como cadeiro na residência deste, av. dos Tangarás, antiga Av. José Bento Ribeiro Dantanas, Quadra 1, Lote 15, Bairro Marina Porto Búzio, Armação de Búzios/RJ, em novembro de 1999. Informou que ouvia do sr. Lindoro que a empresa Metalan exercia a atividade compra e venda de sucata, na Cidade de São Gonçalo, mas nunca esteve no local e, que o sr. Lindoro tinha escritória na residência em Búzios, o onde tinha caixas de documentos da empresa, os quais vinha pelo correio IPCE ou da suposta Metalan, remetidos pelo sr. Reinaldo, que era uma pessoa da confiança do sr. Lindoro. Apresentou “um papel” onde consta o número de telefone do sr. Reinaldo em São Gonçalo e o número do telefone, 2601.6786, verificado por meio telefonema, a informação que não havia ninguém como esse nome na empresa. Disse também que assinou procuração a favor do sr. Reinaldo, e assinou diversos cheques em branco e enviado para empresa IPCE em São Paulo via sedex; i) continuando a narrativa do termo de verificação, consta, ainda, do depoimento do sr. o depoimento sr. Eloy José Ramos de Barros, que conheceu o sr. Ademar, irmão do Sr. Lindoro, quando foi em São Paulo companhando o sr. Lindoro para trocar de carro, e, passaram na firma do sr. Ademar (IPCE); disse também que os bens do sr. Lindoro estava em nome da filha dele, Rita de Carvalho da Silva de Santana e ouvia comentário que o veículo estava em nome do sr. José Nonato; afirmou ainda que esteve no escritório da contadora, Kelly, com o sr. Lindoro para apanhar documentos; Fl. 5335DF CARF MF 4 Ouvido a sra. Kelly Maláquias da Silva, disse que sua tratativa sempre foi com o sr. Lindoro, e, que fazia trabalhos esporádicos, como apresentar DCTF, Declaração de Imposto de Renda, GIA. Tempo depois tomou conhecimento, comentários, na Inspetoria Estadual de que a empresa do sr. Lindoro era de fachada. Encerrando relatório diz sr. Fiscal que boa parte das notas fiscais emitidas foram para empresa IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA e a empresa Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda. Motivo pelo qual entendeu tratarse de empresa de fachada, consequentemente, as notas fiscais emitidas para a Recorrente foram consideradas “Nfrias” motivando o lançamento relativamente ao Imposto de Renda, CSLL, IRRF e glosa do crédito de IPI por parte da empresa IPCE. A recorrente contesta toda motivação descritas, e, reprisa em suas razões recursais, que tratase de negócio jurídico, que os cuidados de praxe foram tomados, isso é, consulta ao cadastro da Rceceita Federal, bem como, no Estado do Rio de Janeiro, o único elo existente é o fato do sr. Ademar sócio da IPCE ser irmão do sr. Lindoro. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filhio, relator. Conforme se depreende do relatado, este lançamento de IPI está calcado na glosa do crédito de IPI resultante do aproveitamento de notas frias emitidas pela empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. No próprio Relatório Fiscal (fls. 2662) a fiscalização deixou clara a vinculação por decorrência deste auto de infração com o auto de infração de IRPJ: (...) (...) Assim, diante da identidade de fundamentos e premissas para a autuação, resta claro que todos os lançamentos são nascidos de uma mesma base fática: a emissão de notas fiscais consideradas inidôneas em relação a fornecedor (“METALAN”) afetando o tratamento fiscal/contábil da empresa compradora (“IPCE”). Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 3403003.532 S3C4T3 Fl. 4 5 Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, declinandose da competência à Primeira Seção do CARF. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 5337DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.908647/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 47 /2 00 9- 55 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 26/06/2015, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2015, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.900766/2012-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados ao recurso voluntário e, eventualmente, adote outras providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados ao recurso voluntário e, eventualmente, adote outras providências cabíveis. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1454.263 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 29.10.2014, a unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo, por sua clareza e precisão, o relatório do acórdão recorrido (efls. 49 a 52): Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho decisório que não homologou a compensação do débito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 00 76 6/ 20 12 -0 5 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 109 2 declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando o seguinte: "(...), por entender que o débito solicitado na PER/DCOMP 34592.45295.181109.1.3.041080 DE 18/11/2009, tem fundamento, através da análise efetuadas nas Declarações e não encontrados elementos que impeçam a compensação solicitada. Diante do exposto, solicitamos ao departamento de análise da DRF Nova Iguaçu, que analise a decisão proferida e nos informe os motivos pelos quais a PER/DCOMP não foi homologada, de forma mais detalhada, para que possamos promover as divergências através de retificação ou pagamento, após conclusão. Desde já solicitamos o diferimento do pedido no andamento do processo, nos termos dos parágrafos 7º e 9º, do art. 74 da Lei nº 9430, de 1996, com alterações posteriores." Da decisão de 1ª instância A 2ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/03/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, em 22.08.2016 foi cientificado da decisão formalizada pelo acórdão recorrido, é o que depreendese do "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM COMUNICADO", que dá conta do envio da "Comunicação 233/2016", que Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 110 3 referese ao Acórdão 1454.263 2ª Turma da DRJ/RPO, emitido em 29.10.2014 (efls. 54 e 57). Irresignado com a referida decisão, em 21.09.2016 registra as solicitações de juntada do recurso voluntário (efls. 59 a 84) e demais documentos nele anexados (efls. 87 a 116), é o que informam os "TERMOS DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" de efls. 85 e 117. Do recurso voluntário No recurso voluntário, para o que interessa ao momento, o recorrente aduz em sua defesa o que segue reproduzido, ipis litteris: (...) Conforme já exposto na síntese fática, em março de 2008 a ora Recorrente realizou, de forma prévia, devido ao curto prazo para pagamento, a apuração dos valores devidos a título de IPI em relação ao período de 20/03/2008, procedendo ao recolhimento de DARF, código 0668, no importe de R$ 28.826,67 em 26/03/2008, declarando tal montante em DCTF. Não obstante, após realizar a apuração definitiva dos débitos de IPI relativos ao período de 20/03/2008, a contribuinte constatou que o valor correto para o período seria de apenas R$ 13.112,61, montante menor que o efetivamente recolhido e declarado. Desta feita, constatouse a existência de crédito de R$ 15.714,06 à ora Recorrente, decorrente de pagamento a maior devidamente declarado na ficha da DCTF relativo ao IPI do segundo decêndio de março de 2008. Por deter crédito decorrente de pagamento de tributo a maior a Recorrente solicitou, no PD 34592.45295.181109.1.3.041080, a compensação de seus créditos com o débito de R$ 13.112,61, pedido posteriormente negado pela autoridade fiscal , ao argumento de que o saldo seria insuficiente para a compensação pretendida. (...) Ademais, a autoridade fiscal deixou de observar que mesmo a Recorrente tendo utilizado o crédito para compensar os débitos dos PDs 24007.84215.090109.1.3.043652 e 01492.74650.170209.1.3.04 7707, ainda lhe restou R$ 13.976,58, saldo suficiente para realizar a compensação com o débito de R$ 13.112,61. (...) O presente caso é um exemplo cristalino de que o entendimento fiscal está equivocado e contraria a prova dos autos, pois restou devidamente comprovado a existência de saldo suficiente à compensação pleiteada! Outrossim em razão do lapso temporal transcorrido do despacho decisório e o não reconhecimento do direito creditório criouse um embaraço para a produção de outras provas que não as apresentadas, que sob a ótica da Recorrente são suficientes para comprovar a existência do direito creditório pleiteado. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 111 4 Tal circunstância culmina com a total improcedência do v. acórdão recorrido, posto não haver condições fáticas nem jurídicas para a sua manutenção. (...) Destarte, requerse o acolhimento total do presente Recurso Voluntário para que seja julgado procedente o pedido de compensação formulado, pelas razões já expostas. Do encaminhamento O processo digital (eprocesso), então, foi encaminhado para ser analisado por esta Turma Extraordinária do Carf na forma regimental (efl. 119). É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Relator. Da decisão recorrida Dispõe o voto condutor do acórdão recorrido, ipsis litteris: Voto Inicialmente cabem algumas considerações. A Declaração de Compensação é regida pela regra geral estabelecida no CTN, que assim dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Pois bem, quando o contribuinte invoca um direito creditório, cujo ressarcimento ou restituição é pleiteado, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil averiguar a certeza e liquidez deste crédito, de acordo com a disciplina prevista no parágrafo 14 (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e instaurada mediante atos administrativos. No presente caso o direito creditório consistiria num pagamento indevido ou maior que o devido, cuja restituição se pleiteia, sendo que, por ocasião do preenchimento e transmissão da PERDCOMP, exigese a descrição do DARF relativo ao recolhimento que daria causa à repetição do indébito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 112 5 Atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o DARF e a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), procedimento este não só respaldado em ato administrativos, bem como, em atendimento ao previsto no artigo 37 da Lei nº 9784/99. Enfim, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio. Na presente lide constou, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos, conseqüentemente, ou, o Despacho Decisório está correto, ou houve algum erro de preenchimento por parte do contribuinte na DCTF. Bastaria, então, retificar a DCTF? Não, a simples alteração na DCTF, bem como a DIPJ, não atende ao disposto no art. 36 da Lei nº 9784/99, ou seja, a manifestação do interessado não traria qualquer prova ou indício que permitiria comprovar o alegado recolhimento indevido, o que justificaria uma eventual retificação da DCTF e não tornála apenas numa “conta de chegada”. Logo, o contribuinte tem o direito de retificar a DCTF, entretanto, se a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme prevê o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, quando da transmissão e da análise do PERD/COMP em tela, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não basta apenas harmonizar o pedido de restituição com uma eventual DCTF retificadora sem demonstrar a efetiva existência de crédito líquido e certo, ou seja, é necessário provar que realmente ocorreu um pagamento indevido, ou maior que o devido, ao teor do já citado art. 36 da Lei nº 9784/99. Não se pode olvidar que o processo administrativofiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária e/ou as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. Vale dizer que na esfera cível, no que tange ao autor da ação, as provas devem ser indicadas na exordial e apresentadas na audiência de instrução, sendo que o réu também deve indicar as suas provas na contestação para produção na audiência; na seara tributária, Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 113 6 conquanto, todas as contraprovas devem ser carreadas aos autos no bojo da peça impugnatória. Da seguinte maneira discorre o Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 16, acerca dos requisitos da impugnação, verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV omissis”. (grifei) Em relação ao ônus da prova, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Destarte, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre o interessado o ônus de provar a pretensão deduzida, ao contrário do que acontece no âmbito do processo de exigência tributária, em que o ônus da prova das infrações tributárias cometidas pelo sujeito passivo incide sobre o ente tributante. Portanto, a manifestação de inconformidade, devem ser instruídos com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. Assim, por não restar provada a certeza e liquidez dos alegados créditos contra a Fazenda Nacional, voto que se julgue a manifestação como improcedente. Da proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que, relativamente ao crédito pleiteado, tanto a glosa, digase, parcial, de que trata o Despacho Decisório emitido em 01.03.2012, pela autoridade competente da DRF NOVA IGUAÇU rastreamento 019111785, quanto o indeferimento do pedido tratado no acórdão recorrido, tem por fundamento o fato de não restar provada a pretensão deduzida, ônus que competia ao contribuinte, é o que evidencia os últimos parágrafos do seu voto condutor. Neste contexto, o pleiteante, com vista a melhor fundamentar materialmente seu pleito, sob a justificativa de o lapso temporal transcorrido entre o despacho decisório e o não reconhecimento do direito creditório haver dificultado sobremaneira a produção de outras provas, além das já apresentadas, que sob sua ótica eram suficientes para comprovar a existência do direito creditório pleiteado, trouxe aos autos, nesta fase recursal, dentre outros documentos, o "LIVRO DE APURAÇÃO IPI REFERENTE AO SEGUNDO DECÊNDIO DE Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 114 7 MARÇO DE 2008 DOC. 3", o DARF E DCTFRETIFICADORA DOC. 4" e a "FICHA DCTF IPI SEGUNDO DECÊNDIO DE MARÇO DE 2008 DOC. 5" (efls. 87 a 116). Por certo, é condição indispensável para a efetivação da compensação de tributos, a comprovação da liquidez e certeza do crédito informado, conforme dispõe o artigo 170A da Lei 5.172 de 1966 (CTN), o que fazse necessária a efetiva demonstração da sua existência. Da conclusão Deste modo, com vista a dirimir dúvida suscitada nestes autos, em face dos elementos de prova carreados pelo recorrente, com a vinda do presente recurso voluntário, proponho a realização de diligência para que o órgão fiscal que jurisdiciona o contribuinte manifestese acerca dos documentos juntados às efls. 87 a 116, que aparentemente demonstram assistirlhe razão, e, se assim entender, intime o contribuinte para apresentar outras provas que julgar necessárias para a efetiva demonstração da existência do alegado direito creditório, conforme declarado na Per/DComp 34592.45295.181109.1.3.041080. Neste sentido devem os autos retornar para a DRF/Nova Iguaçu. Ao término dos trabalhos, a autoridade responsável pela condução da diligência deverá elaborar relatório resumido, manifestandose formalmente sobre a existência ou não de direito creditório objeto do deste processo. Encerrada a instrução processual, o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de trinta dias, porém, tão somente sobre o resultado da diligência realizada. Após esta providência, os autos deverão ser devolvidos a este Carf, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.003437/2004-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE.
A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratar-se de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero.
A violação à legislação, se existente no presente caso, dá-se em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito.
Numero da decisão: 9303-006.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratar-se de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. A violação à legislação, se existente no presente caso, dá-se em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratarse de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. A violação à legislação, se existente no presente caso, dáse em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 34 37 /2 00 4- 96 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 174 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 124 a 131) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380300.097 (fls. 114 a 120) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 10 de agosto de 2009, no sentido dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. DIREITO DE CRÉDITO NÃO ESTÁ VINCULADO À CONTABILIZAÇÃO COMO CUSTO PARA EFEITO DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO. Se o contribuinte deixou de estornar o valor do crédito do IPI em relação ao custo, para efeito de dedução do IRPJ e CSLL, isto não é condição legal de validade do lançamento do crédito básico nos livros de IPI e para o aproveitamento destes créditos. O que confere ao imposto a característica de "recuperável" é a natureza objetiva do próprio imposto, e não a vontade do contribuinte. Assim, a qualificação do IPI como recuperável depende da existência de previsão legal permitindo a apropriação ou manutenção de créditos básico em relação as situações concretas envolvidas. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 175 3 Recurso Voluntário Provido. Não resignada com o acórdão de recurso voluntário, insurgese a Fazenda Nacional por meio do apelo especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de aproveitamento dos créditos básicos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo a decisão recorrida fundamentado o provimento do recurso voluntário, em síntese, no fato de ser defeso ao Fisco recusar ao Contribuinte o direito de aproveitamento do crédito básico do IPI sob o argumento de que tal direito estaria condicionado à retirada do valor da rubrica do custo, para efeito de dedução do IRPJ e CSLL. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20401.576. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) para obtenção do direito ao crédito de IPI, o pedido de ressarcimento de saldo credor do referido tributo deve estar amparado em documentação contábil fiscal correta e hábil que permita conferir a certeza e liquidez dos créditos; (b) a escrituração dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos, utilizados na fabricação de produto isento, como imposto não recuperável e integrante do custo da mercadoria, atuando na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, impede que estes valores sejam considerados no sistema de débito e crédito do IPI para fins de ressarcimento do seu saldo credor; (c) nos termos do art. 2º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99, para aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da compra de insumos há obrigatoriedade de registro dos referidos valores como imposto recuperável; (d) por fim, requer seja provido o recurso especial com a reforma integral do acórdão recorrido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho nº 3300 000.195, de 27/07/2011 (fls. 151 a 152), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte tomou ciência do recurso especial da Procuradoria e apresentou contrarrazões (fls. 158 a 162). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 176 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos isentos, tendo tais créditos sido contabilizados como "imposto não recuperável" e, por conseguinte, integrando o custo da mercadoria, dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 prevê a possibilidade de ressarcimento do saldo credor do IPI, originado da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Assim, a partir de janeiro de 1999 os Contribuintes passaram a ter direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos desonerados (isentos ou alíquota zero) na saída do estabelecimento industrial. Verificase que a possibilidade surgiu, portanto, apenas a partir da vigência da Lei nº 9.779/99 janeiro de 1999. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 177 5 No período anterior à publicação do diploma legal em referência, os Contribuintes não eram beneficiados com referido favor fiscal, considerandose o saldo credor de IPI de insumos utilizados na industrialização de produtos desonerados como "imposto não recuperável". Por essa razão, referido valor compunha o "custo de aquisição", pois se tratava de um imposto definitivo, sem possibilidade de recuperação. Após a Lei nº 9.779/99, os créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos para utilização na fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, passara a ser escriturados regularmente, existindo a possibilidade jurídica de sua recuperação. Transformou se, assim, em tributo recuperável, deixando de repercutir no custo do produto final. Nessa perspectiva, os impostos passíveis de recuperação, como o crédito de IPI oriundo da compra de insumos empregados nos produtos que são tributados na sua saída do estabelecimento industrial, são escriturados no livro de apuração do IPI, descontandose dos débitos gerados na saída dos bens tributados. Conforme legislação do IRPJ, é vedada a inclusão dos "tributos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal" no custo dos produtos vendidos, de acordo com art. 289, §3º, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (correspondente ao art. 231, §3º, do Decreto nº 1.041/1994, vigente quando da entrada em vigor da Lei nº 9.779/99): Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (grifouse) Para regulamentar o benefício fiscal inserido no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 33, de 04/03/1999, que dispõe sobre a apuração e aproveitamento do crédito do IPI e dá outras providências. Dentre os seus artigos, há título específico tratando "Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999" nos seus artigos 4º e 5º: DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 178 6 MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (grifouse) O art. 1º da IN RFB nº 33/99 explicita tratar o ato normativo das hipóteses de apuração e utilização de créditos do IPI e ressalta, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779/99. Nessa linha relacional, o art. 2º da Instrução Normativa, referese aos créditos de IPI relativos aos insumos empregados nos produtos industrializados, sujeitos à tributação quando da sua saída do estabelecimento industrial, não se aplicando as suas disposições ao aproveitamento do saldo credor do IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99, que possui dispositivos específicos para sua regulamentação arts. 4º e 5º da IN RFB nº 33/99 transcritos acima. Portanto, depreendese que a legislação trouxe um critério objetivo para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratarse de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. Conforme destacado pela decisão recorrida, "em se verificando um descompasso pelo fato de o contribuinte ter lançado o crédito básico de IPI e ao mesmo tempo têlo considerado como custo para a dedução do IRPJ e da CSLL, a solução dependerá de saber objetivamente se tal crédito é recuperável". Inequívoca a condição de "crédito recuperável" dos valores discutidos no presente processo administrativo. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 179 7 Prossegue, ainda, o acórdão recorrido no sentido de que "sendo objetivamente recuperável o crédito, terá o Fisco de fazer o ajuste por meio da exigência do IRPJ e da CSLL que foram recolhidos a menor em virtude da consideração indevida do valor do crédito de ipi como custo". A violação à legislação, se existente no presente caso, dáse em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito. A vedação ao aproveitamento aos créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos empregados na produção de mercadorias isentas ou sujeitas à alíquota zero, para o período posterior a janeiro de 1999, por não terem sido estornados do "custo" dedutível do IRPJ, não encontra amparo na legislação, mas sim contraria benefício fiscal previsto expressamente no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e cujos requisitos foram atendidos pela Contribuinte. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.934226/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934226/200867 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.507 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria PERDCOMP. PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 26 /2 00 8- 67 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.251. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 80DF CARF MF
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