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Numero do processo: 10940.901463/2008-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.296
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves de Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 14 63 /2 00 8- 90 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 87 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves de Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 51/52) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 39/42), proferida em sessão de 24 de março de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0630.924, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 29738.86658.121104.1.3.040256, transmitido em 12/11/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES.UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito dc pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de Outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório proferido em declaração Per/Dcomp, em que Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 88 3 o contribuinte apresentou como crédito pagamento indevido de Simples referente ao período 04/2002, pago em 10/05/2002, no valor de R$ 5.502,59, para compensação com débito de PIS (períodos 04/2002, 05/2002 e 06/2002), Cofins (períodos 04/2002, 05/2002 e 06/2002), CSLL (segundo trimestre de 2002) e IRPJ (segundo trimestre de 2002). O contribuinte acima identificado enviou a Dcomp n.º 29738.86658.121104.1.3.040256 de fls. 08/17, na data de 12/11/2004, cuja compensação não foi homologada pelo despacho de fl. 03. Cientificada da decisão em 31/07/2008, conforme informação de fl. 31, a interessada, tempestivamente, em 12/08/2008, ingressou com a reclamação de fls. (01/02, instruída com os documentos de fls. 03/17, que se resume a seguir. a. Alega que declarou de forma incorreta o valor de R$ 5.502,59, período de apuração 30/04/2002; b. Informa que os dados corretos são: 1) período de apuração 31/04/2002, valor R$ 1.775,77, data do pagamento (10/05/2002; 2) período de apuração 31/05/2002, valor R$ 1.999,49, data do pagamento 10/06/2002; 3) período de apuração 30/06/2002, valor R$ 1.727,13, data do pagamento 10/07/2002, conforme documentos anexados. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, não se localizou o próprio DARF citado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Quanto ao pagamento não encontrado nos sistemas da Receita Federal, confirmase a explicação dada na peça de defesa, já que o único recolhimento de código 6106 efetuado na data de 10/05/2002 é no valor de R$ 1.775,77, conforme impressão de tela de fl. 35, o que autoriza a conclusão de que o contribuinte equivocouse ao declarar o valor de R$ 5.502,59. A seguir, a impugnante alega que os dados corretos são: 1) período de apuração 30/04/2002, valor R$ 1.775,77, data do pagamento 10/05/2002; 2) período de apuração 31/05/2002, valor R$ 1.999,49, data do pagamento 10/06/2002; 3) período de apuração 30/06/2002, valor R$ 1.727,13, data do pagamento 10/07/2002. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 89 4 No entanto, verifiquei que todos esses três recolhimentos já foram objeto de compensação, através de Per/Dcomp, cujos créditos encontramse totalmente consumidos para quitação dos respectivos débitos, de forma que não resta pagamento disponível para compensar os débitos do presente processo. A tabela a seguir resume todas as Dcomp's enviadas pelo contribuinte: Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte reiterou os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior, acrescentou, ainda, que houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, de modo que, ao invés de fazer a retificação, transmitiu três novas declarações, PER/DCOMP's ns.º 41755.22434.111006.1.3.04 5001, 42855.32831.111006.1.3.040931 e 04479.54693.111006.1.3.048326, duplicando o pedido de restituição dos créditos e débitos. Sustenta, assim, que os créditos e débitos relacionados no PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256, objeto destes autos, são os mesmos citados nos outros PER/DCOMP's referidos transmitidos em momento posterior. Deste modo, ao final, requereu que se reconhecesse o engano no preenchimento do PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256, anulandoo, tendo em vista que a correta restituição e compensação estão na sequência dos outros PER/DCOMP's citados. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 90 5 inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 18/04/2011, segundafeira, efls. 44 e 46/47, e protocolo em 16/05/2011, efl. 50), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o próprio DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior não foi localizado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração de sua não localização. Demais disto, a DRJ afirmou que verificou que todos os três recolhimentos efetivados pelo contribuinte já Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 91 6 foram objeto de compensação, através de outros PER/DCOMP, cujos créditos foram integralmente consumidos para quitação dos respectivos débitos, de forma que não resta pagamento disponível para compensar os débitos do presente processo e, de igual modo, apresentou tabela que resume todas as Dcomp's enviadas pelo contribuinte, a qual foi do mesmo modo exibida no relatório deste acórdão. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Em suma, no recurso voluntário, o contribuinte reconhece o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP objeto deste processo, informando que, ao invés de retificálo, procedeu a transmissão de três novos PER/DCOMP’s, ensejando, segundo o contribuinte, duplicidade no pedido de compensação do crédito discutido no recurso, tanto que pediu a anulação do PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256. Ocorre que, não compete a este órgão recursal, enquanto instância revisora, proceder cancelamento do PER/DCOMP ou mesmo homologar pedido de desistência de compensação de crédito tributário constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitado aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte (constituição do PER/DCOMP). Cumprenos, tão somente, exercer o controle de legalidade da homologação ou não homologação do pedido transmitido pelo contribuinte e, nesse contexto, não vejo motivos que me levem a reparar a decisão proferida pela DRJ. Eventual erro de fato, se tiver ocorrido duas confissões para o mesmo débito (crédito tributário), não pode ser reconhecido por meio do cancelamento do PER/DCOMP neste momento processual e sem que tenha sido vindicado na primeira oportunidade e sem retificação transmitida pelo contribuinte, devendo ser objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Cumprirá à unidade de origem, se for o caso, verificar se o crédito tributário reconhecido e confessado no PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256 já foi objeto de pagamento ou de outro pedido de compensação em outros PER/DCOMP’s transmitidos pelo contribuinte, adotando, para cada cenário, os procedimentos administrativos pertinentes. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900216/2006-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO.
A manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1001-000.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência dos créditos exigidos, suscitada no recurso, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. A manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência dos créditos exigidos, suscitada no recurso, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 02 16 /2 00 6- 16 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10630.900216/200616 Acórdão n.º 1001000.650 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 207 a 215) interposto contra o Acórdão nº 0922.482, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 187 a 189), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO A manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " O interessado transmitiu a DCOMP no 14501.97532.300603.1.3.043214, visando compensar os débitos nela declarados, com pretenso crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado em 30/12/1999. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. 0 contribuinte foi cientificado em 30/11/2007 (fl. 87 e 92); A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fl. 08 e seguintes), na qual alega que o crédito a ser utilizado na DCOMP em questão é o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999;" Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, preliminarmente, a suposta prescrição dos valores cobrados; e no mérito alega que não agiu com dolo ou intuito de fraude no equívoco incorrido, devendo a compensação ser homologada. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10630.900216/200616 Acórdão n.º 1001000.650 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, o Contribuinte traz em seu Recurso a alegação preliminar de que o Fisco não poderia mais cobrar os valores decorrentes da não homologação da compensação em tela por, supostamente, já se ter operado a decadência nos termos do art. 173, I, do CTN. Ora, tal normativa citada pela Recorrente se refere à decadência, ao direito de lançar o tributo, conforme se transcreve: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ocorre que a decadência já foi afastada pelo próprio contribuinte quando procedeu ao lançamento fiscal dos valores devidos a título de IRPJ em suas competentes declarações à época dos fatos. Isto é, o tributo em questão já foi lançado no momento devido, o que se discute no presente feito é a ocorrência ou não de quitação por meio da compensação pretendida e, em caso negativo, a correta execução dos valores em aberto. Desta feita, de plano rejeito a preliminar suscitada, vez que as alegações não procedem. Passando ao mérito, a própria Recorrente admite que, assim como fora indicado pela DRJ de origem, apresentou a DCOMP com erro quanto a indicação do crédito a ser usado para a realização da compensação. Ainda aduz que, a despeito do equivoco, não há qualquer indício de dolo, fraude ou simulação, devendo o direito à compensação ser aceito mesmo assim no bojo do presente processo administrativo. Ora, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Igualmente, é dever e responsabilidade própria de cada empresa o zelo com a correição de toda as informações prestadas às autoridades administrativas, bem como com toda a sua documentação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10630.900216/200616 Acórdão n.º 1001000.650 S1C0T1 Fl. 5 4 Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Destarte, como a própria Recorrente reconhece a existência dos vícios na DCOMP objeto do presente litígio, e não traz qualquer elemento que aponte para a retificação da mesma em tempo hábil, não resta outra alternativa a este julgador que não a confirmação da decisão de primeira instância. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de piso: "(...) A empresa transmitiu a DCOMP n° 14501.97532.300603.1.3.043214 com erro e não providenciou sua retificação, como determina o artigo 55 da IN SRF n° 460/2004 (determinação mantida nas IN 600/2005 e 900/2008). Ressaltese que a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP, o que nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. (...)". Assim, diante da incapacidade da DCOMP em tela em apontar créditos válidos, e a inexistência de qualquer retificação, entendo por não acolher os argumentos da Recorrente. Em face a todo o exposto, REJEITO a preliminar e, no mérito, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902259/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO.
Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
Numero da decisão: 1301-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe negar provimento. Em primeira votação, em relação à votação iniciada em fevereiro de 2018 em que a relatora original, Conselheira Bianca Felícia Rothschild, votou por sobrestar o julgamento do recurso até que os processos prejudiciais fossem julgados na esfera administrativa, sendo vencida pelos demais conselheiros. Em segunda votação restou vencido o Conselheiro Nelso Kichel que suscitou nova preliminar de sobrestamento do julgamento, dessa feita até que transitasse em julgado as execuções fiscais embargadas pela Recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto vencedor por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe negar provimento. Em primeira votação, em relação à votação iniciada em fevereiro de 2018 em que a relatora original, Conselheira Bianca Felícia Rothschild, votou por sobrestar o julgamento do recurso até que os processos prejudiciais fossem julgados na esfera administrativa, sendo vencida pelos demais conselheiros. Em segunda votação restou vencido o Conselheiro Nelso Kichel que suscitou nova preliminar de sobrestamento do julgamento, dessa feita até que transitasse em julgado as execuções fiscais embargadas pela Recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto vencedor por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe negar provimento. Em primeira votação, em relação à votação iniciada em fevereiro de 2018 em que a relatora original, Conselheira Bianca Felícia Rothschild, votou por sobrestar o julgamento do recurso até que os processos prejudiciais fossem julgados na esfera administrativa, sendo vencida pelos demais conselheiros. Em segunda votação restou vencido o Conselheiro Nelso Kichel que suscitou nova preliminar de sobrestamento do julgamento, dessa feita até que transitasse em julgado as execuções fiscais embargadas pela Recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto vencedor por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 22 59 /2 01 4- 17 Fl. 910DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 911 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto – Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 912 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de Despacho Decisório Eletrônico que homologou parcialmente ou não homologou compensações declaradas em DCOMP pela interessada, nos seguintes termos: As informações complementares da análise do crédito mostram que as estimativas não confirmadas no Despacho Decisório, referentes aos meses de set/2009 e dez/2009, decorrem, respectivamente, de: compensação não homologada (DCOMP 26469.65292.031209.1.7.11 0601); compensação considerada não declarada, relativa a crédito declarado a título de saldo negativo do anocalendário de 2005 (DCOMP 26420.50446.300610.1.7.02 4917). Cientificada do Despacho Decisório em 13/11/2014 (fl. 512), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 15/12/2014, segundafeira (fls. 2/86). Em resumo, aduziu o seguinte: III – DAS PRELIMINARES QUE IMPEDIRÃO A APRECIAÇÃO DO MÉRITO RELATIVO À HIGIDEZ DO CRÉDITO RELATIVO AO SALDO NEGATIVO DO ANO CALENDÁRIO DE 2009 Fl. 912DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 913 4 III.1 – DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSAR AS ESTIMATIVAS COMPENSADAS NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO – NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÉBITO, QUE DEVERÁ SER ADIMPLIDO PELO CONTRIBUINTE [...] Portanto, independentemente do resultado final da análise conferida àqueles “PER/DCOMP’s”, as correspondentes estimativas deverão fazer parte do saldo negativo, seja em casos de compensações pendentes de análise por parte da Secretaria da Receita Federal, seja nos casos de compensações não homologadas na pendência de recurso administrativo, ou, ainda, mesmo nos casos em que a compensação foi definitivamente não homologada na esfera administrativa (ou considerada não declarada), pelos seguintes motivos: a) a compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins (inclusive a composição do saldo negativo); b) em caso de não homologação da compensação abrese ao contribuinte a possibilidade de interposição de recurso administrativo dotado de efeito suspensivo, de modo que o ato administrativo (despacho decisório) que não homologa a compensação deve ter todos os seus efeitos suspensos até que sobrevenha decisão final na esfera administrativa; c) caso a compensação seja definitivamente não homologada, a Fazenda exigirá o débito compensado pelas vias ordinárias, ajuizando a competente execução fiscal, de modo que, tal valor será devidamente adimplido pelo contribuinte ou a cobrança poderá vir a ser reconhecida como indevida pelo judiciário; d) por fim, o entendimento do Fisco acarreta dupla cobrança do mesmo débito, uma vez que de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de “IRPJ” não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. [...] III.2 – DECADÊNCIA DO DIREITO AO LANÇAMENTO DOS VALORES CONSTANTES DO “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601– ARTIGO 74, PARÁGRAFO QUINTO, DA LEI Nº 9.430/96 [...] A dicção da norma não deixa dúvidas: o prazo para homologação da Declaração de Compensação é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data de entrega daquela. Assim, no presente caso, o prazo máximo para que as D. Autoridades Fiscais procedessem com a análise do “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601 se encerrou em 02 de dezembro de 2014, sem que tenha sido proferido qualquer “Despacho Decisório” em relação àquele “PER/DCOMP”. Ora, ante a ausência de qualquer “Despacho Decisório” quanto ao “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601 até a presente data; há que se reconhecer o decurso do prazo para homologação expressa da Declaração de Compensação, dandose lugar à homologação tácita, com a consequente extinção do débito relativo ao mês de setembro de 2009. [...] Nem se diga que o Despacho Decisório proferido em face do “PER/DCOMP” nº 14766.36810.301009.1.1.117022, o qual se refere apenas ao Pedido de Ressarcimento, teria tido o condão de afastar a necessidade de Despacho Fl. 913DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 914 5 Decisório em face do “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601, na medida em que o débito relativo ao mês de setembro de 2009 somente poderia ter sido constituído por meio de Despacho Decisório que fizesse menção ao “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601. [...] IV.1 – DA PREJUDICIALIDADE EM RELAÇÃO AO PER/DCOMP Nº 26469.65292.031209.1.7.110601 (ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE SETEMBRO DE 2009) – CRÉDITO PLEITEADO SERÁ OBJETO DO JULGAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.720.390/201298 E DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.721219/201204 [...] Isso porque, a ora REQUERENTE cuidou de apresentar Manifestação de Inconformidade em face do despacho decisório que não homologou o pedido de ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 14766.36810.301009.1.1.117022, cuja justificativa se materializada na suposta inexistência de crédito de “COFINS” não cumulativo (Mercado Interno), apurado no terceiro trimestre de 2009. Nesse pedido de ressarcimento é defendida a validade de todo aquele direito creditório, sendo que parte dele foi declarado no “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601[1], o qual buscava a quitação da estimativa de “IRPJ” do período de setembro de 2009, no valor histórico de R$ 11.894.407,26, e que, ante a sua não homologação, refletiu na composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2009. [...] Pois bem, em relação a esse crédito, devese igualmente reconhecer a prejudicialidade no que se refere ao Auto de Infração lavrado nos autos do processo administrativo nº 16682.721219/201204 (Doc. nº 08), o qual foi devidamente impugnado pela REQUERENTE e atualmente se encontra em fase de julgamento do Recurso Voluntário interposto perante o “CARF”. Isso se deve ao fato que no referido Auto de Infração foram glosados todos os créditos de “COFINS” não cumulativa (Mercado Interno), apurada no terceiro trimestre de 2009, relativos ao registro de créditos extemporâneos de aquisições de álcool anidro no período de setembro de 2004 até setembro de 2008, as quais foram registradas no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais somente em setembro de 2009. Ora, naqueles autos, a REQUERENTE discute a higidez de boa parte da composição do crédito de “COFINS” não cumulativo (mercado interno), relativo ao 3º trimestre de 2009, que é justamente o direito creditório indicado para quitação da estimativa de “IRPJ”, do mês de setembro de 2009, que por sua vez, ante a sua não homologação, deixou de compor o saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2009, ora em debate. [...] IV.2 – DA PREJUDICIALIDADE EM RELAÇÃO AO PER/DCOMP Nº 26420.50446.300610.1.7.024917 (ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2009) – JULGAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL Nº 2011.51.01.5022634, DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO Nº 2011.51.01.5116811 E DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.720237/201007 No que se refere à estimativa de IRPJ dezembro de 2009, no valor de R$ 32.594.785,45, temse que a mesma foi indicada para ser adimplida mediante o Fl. 914DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 915 6 saldo negativo do “IRPJ” do ano calendário de 2005, isso por meio do “PER/DCOMP” nº 26420.50446.300610.1.7.02 4917. No entanto, o referido PER/DCOMP foi considerado não declarado pelo fisco4, sob o argumento que o direito creditório lá indicado (saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005) já teria sido objeto de análise quando da transmissão do PER/DCOMP nº 05415.46500.170408.1.7.023260, sendo este indeferido. [...] Pois bem, em função da glosa do referido pedido de compensação, formalizado por meio do “PER/DCOMP” nº 26420.50446.300610.1.7.024917, atualmente, o débito de estimativa de “IRPJ”, da competência de dezembro de 2009, encontrase inscrito em Dívida Ativa da União, por meio da “CDA” nº 70 2 10 00661288 (Doc. nº 05) que instrui a Execução Fiscal nº 2011.51.01.5022634 e que fora posteriormente contestada pela ora REQUERENTE por meio dos Embargos à Execução autuados sob o nº 2011.51.01.5116811 (Doc. nº 06). Ora, considerando que a estimativa de “IRPJ” do mês de dezembro de 2009 encontrase em discussão judicial por via de Embargos à Execução Fiscal e que na eventualidade de ser proferida decisão favorável aos interesses da REQUERENTE naqueles autos essa quantia restará definitivamente extinta, restará ilidida a premissa da autoridade fiscal para glosar o saldo negativo ora em debate, de modo que não há dúvidas acerca de prejudicialidade entre ambas as demandas (Manifestação de Inconformidade e Embargos à Execução Fiscal). Com efeito, ressaltase, ainda, que há uma segunda prejudicialidade em relação a análise da presente manifestação de inconformidade, no entanto, esta se manifesta exclusivamente em relação ao crédito indicado para quitar o débito de “IRPJ” de estimativa do mês de dezembro de 2009, relativo ao saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005, o qual se encontra em discussão no âmbito administrativo, por meio do processo nº 16682.720237/201007 (Doc. nº 10), cuja análise de recurso voluntário resta pendente no “CARF”. Neste processo, após o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP nº 24014.98682.290610.1.2.023002, que tinha por objeto o crédito relativo ao saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005, ter sido considerado não homologado pelo fisco (culminando no reflexo na compensação referente ao “PER/DCOMP” nº 26420.50446.300610.1.7.02 49175, onde foi indicado o débito de IRPJ de estimativa de dezembro de 2009), a ora REQUERENTE cuidou de apresentar sua manifestação de inconformidade nos autos do processo administrativo nº 16682.720237/201007 (Doc. nº 10) e, na sequência, em função de resultado desfavorável quando da análise pela “DRJ”, o competente Recurso Voluntário, este ainda pendente de análise pelo “CARF”. É certo que, acaso reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005, por consequência há de ser extinto o débito de estimativa de “IRPJ” relativo ao mês de dezembro de 2009. [...] IV.3 – DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DESTE FEITO ATÉ QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO FINAL QUANTO A VALIDADE DAS COMPENSAÇÕES QUE TINHAM POR OBJETO AS ESTIMATIVAS DE IRPJ DE SETEMBRO E DEZEMBRO DE 2009 Ante a evidente vinculação entre a decisão administrativa a ser proferida nos autos do presente processo administrativo, com aquelas a serem exaradas nos autos dos Processos Administrativos nºs 16682.720.390/201298 (Doc. nº 08) e Fl. 915DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 916 7 16682.721219/201204 (Doc. nº 09) – estimativa de setembro de 2009 – e dos Embargos à Execução nº 2011.51.01.5116811 (Doc. nº 06) e do processo administrativo nº 16682.720237/201007 (Doc. nº 10) – estimativa de dezembro de 2009 –, impõese, à hipótese, a previsão constante do artigo 265, inciso IV, alínea “a”, do Código de Processo Civil, como se vê: [...] Desse modo, resta latente a necessidade de sobrestamento do julgamento dessa Manifestações de Inconformidade, até que seja proferida decisão final nos autos dos processos administrativos nºs 16682.720.390/201298 e 16682.721219/201204 (validade da estimativa de “IRPJ” de setembro de 2009), bem assim dos Embargos à Execução Fiscal nº 2011.51.01.5116811 e processo administrativo nº 16682.720237/201007 (validade da estimativa de “IRPJ” de dezembro de 2009), uma vez que a glosa do saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2009, realizada no presente feito, teve justamente como fundamento a suposta ausência de quitação dessas estimativas por meio das compensações anteriormente formalizadas. Por fim, na remota hipótese do argumento ora expendido ser igualmente superado, algo que se pode admitir unicamente em respeito ao princípio da eventualidade, cumpre à ora REQUERENTE suscitar, de forma derradeira, as razões que ensejam a homologação das compensações requeridas por meio dos “PER/DCOMP`s” nºs 26469.65292.031209.1.7.110601 e 26420.50446.300610.1.7.024917, de modo que, sendo reconhecida a validade desses créditos, seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade. V – DO DIREITO – DA HIGIDEZ DOS CRÉDITOS INDICADOS NOS PER/DCOMP’S NºS 26469.65292.031209.1.7.110601 E 26420.50446.300610.1.7.024917, OS QUAIS SÃO PASSÍVEIS QUE QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ DOS PERÍODOS DE SETEMBRO E DEZEMBRO DE 2009 [...]VI – DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, a REQUERENTE pugna a Vossa Senhoria que: i) nos termos do item II.1, seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, de modo que seja reconhecida a impossibilidade de se glosar na composição do saldo negativo os valores relativos às estimativas objeto de compensações, ante o fato que tais valores, uma vez declarados, serão, de qualquer maneira, quitados pela REQUERENTE, de modo que devem fazer parte da composição do saldo negativo, sob pena de se proceder a dupla glosa em desfavor do contribuinte, o que não se pode admitir; ii) caso superado este ponto, que se reconheça a decadência do direito do fisco de lançar o débito de estimativa de “IRPJ” do período de setembro de 2009, consubstanciado no “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601, uma vez que a REQUERENTE jamais foi intimada do suposto despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, bem assim porque o despacho decisório proferido em face do indeferimento do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP nº 14766.36810.301009.1.1.117022 não supre a necessidade de lançamento de ofício do referido débito; Fl. 916DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 917 8 iii) caso não seja conferida guarida aos retromencionados argumentos, nos termos do item IV da presente Manifestação de Inconformidade, deve ser reconhecida a prejudicialidade entre a decisão administrativa a ser proferida nos autos do presente processo administrativo, com aquelas a serem exaradas nos autos dos Processos Administrativos nºs 16682.720390/201298 e 16682.721219/201204 – estimativa de setembro de 2009 –, bem assim dos Embargos à Execução nº 2011.51.01.5116811 e do processo administrativo nº 16682.720237/201007 – estimativa de dezembro de 2009, de modo que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito até o deslinde final das mencionadas demandas; iv) Por fim, deve ser dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, nos termos do item V, para que, verificandose a validade do direito creditório declarado nos “PER/DCOMP’s” nºs 26469.65292.031209.1.7.11 0601 (COFINS” não cumulativa, apurada no terceiro trimestre de 2009) e 26420.50446.300610.1.7.024917 (saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005), sejam considerados quitados os débitos de estimativa de “IRPJ” de setembro e dezembro de 2009, os quais, por consequência, deverão compor o saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2009. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 42 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação de IRPJ, somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual quando efetivamente “pagos”. Na hipótese das estimativas terem sido informadas em declaração de compensação e esta não ter sido homologada ou ter sido considerada não declarada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do “pagamento”. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação ocorreu, regularmente, antes do prazo legal de cinco anos, não há que se falar em homologação tácita da compensação. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 918 9 administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Deve ser não conhecida a manifestação de inconformidade quanto aos argumentos expendidos acerca de créditos e compensações discutidos em processos específicos, nos quais é facultado ao interessado o exercício do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instancia em 17/11/2016, o contribuinte apresentou, fl. 578 e seguintes, em 07/12/2016, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade, acrescentando razões para reforma na decisão de primeira instancia. A SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0250.625 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2003 no valor de R$3.283.130,77. DDeessppaacchhoo DDeecciissóórriioo ddaa DDRRFF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 916066698 anexado à fl. 08, que apurou: 2.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2003 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 1.410.555,87, para uma CSLL devida no valor de R$729.480,49. Neste contexto, a DRF confirmou a legitimidade de parte do Saldo Negativo de CSLL utilizado na DCOMP’s em análise pelo valor de R$ 681.075,38. 2.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2003 PA Nº do Processo Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2003 11831.003413/200331 2.881.119,81 2.602.055,41 DCOMP homologada parcialmente Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 919 10 2.2. A DRF utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte, concluindo pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito utilizado. MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 08/04/2011, conforme documento à fl. 10. Irresignado, o contribuinte apresenta em 06/05/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 119 a 121, onde, em síntese, argumenta: 3.1 Os valores constantes da DIPJ 2004 já se encontram alcançados pela homologação tácita, conforme art. 150 do CTN. Desta feita, não poderia a autoridade fiscal discutir ou indeferir os saldos da CSLL apontados pela impugnante. 3.2 Por fim, pleiteia a desconsideração do decidido pela DRF e o reconhecimento da validade do pedido de ressarcimento apresentado. 4. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide . Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A Recorrente foi intimada da decisão em 28 de janeiro de 2014 (fl. 150), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 173200 em 26 de fevereiro de 2014. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; no despacho decisório haveria erro de cálculo, pois com a homologação parcial das compensações, o valor que deveria estar sendo cobrado deveria ser de R$ 2.602.055,41, e não R$ 2.661.122,08, ou seja, estaria sendo cobrado um valor excedente de R$ 59.066,67; na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 920 11 juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; argumenta ainda que não seriam exigíveis acréscimos legais nos casos em que o não reconhecimento do crédito decorreu de posterior declaração retificadora pela fonte pagadora; em 03 de maio de 2016 (fl. 247), a Recorrente anexou o expediente de fls. 248251 requerendo a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, bem como da documentação pertinente; discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2003, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2002, no total de R$ 2.881.119,81, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 279.064,40. Os R$ 2.602.055,41 de estimativas cujas compensações não foram homologadas foram objeto de discussão no processo 11831.003413/200331. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III – fl. 800 e ss.) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo I – doc. 08); aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 7); requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 921 12 Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator ad hoc Nos termos do despacho de fl. 909, fui designado redator ad doc do presente acórdão em razão do afastamento temporário da Conselheira Bianca Felícia Rothschild em razão de problemas de saúde. O voto a seguir apresentado foi a versão depositada pela ilustre Conselheira e proferido na reunião realizada em fevereiro de 2018, o qual reproduzo em sua totalidade e que não correspondente ao meu entendimento sobre o caso concreto, nos termos de declaração de voto que comporão também o presente acórdão. O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. A homologação da compensação dos valores envolvidos na lide está sendo atualmente discutida nos autos dos Processos Administrativos n° 16682.720390/201298, 16682.720237/201007 e 16682.721219/201204 e Execução Fiscal nº 2011.51.01.5022634. Tendo em vista que o artigo 170 do Código Tributário Nacional exige dos créditos passíveis de compensação a qualidade de serem líquidos e certos e tais requisitos não são atendidos no caso em comento, uma vez que estão sob discussão administrativa, entendo que se faz necessário aguardar o deslinde desses processos para verificar o direito ao crédito tributário em comento. Em consulta à pagina eletrônica do CARF verificase que o processo mencionados encontramse atualmente pendentes de julgamento definitivo por este órgão colegiado. Assim, a fim de se evitar qualquer prejuízo à contribuinte, os presentes autos deverão ser suspensos até que possa ser examinado o crédito tributário nos referidos processos, para que sejam melhor avaliadas as estimativas que compõem o direito creditório aqui pleiteado. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 922 13 Conclusão Diante do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que se aguarde o julgamento definitivo dos processos acima mencionados (Processos Administrativos n° 16682.720390/201298, 16682.720237/201007 e 16682.721219/201204 e Execução Fiscal nº 2011.51.01.5022634), retornando estes os autos para julgamento com a informação da decisão definitiva neles proferida. Ressaltase que, após decisão definitiva dos processos acima mencionados, caso haja provimento parcial favorável ao contribuinte, deverá a unidade de origem especificar nestes autos quais os débitos foram ou homologados para fins de correta quantificação da compensação aqui debatida. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 923 14 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do voto da ilustre Conselheira Bianca Felícia Rothschild. A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de IRPJ composto por estimativas compensadas, mas não homologadas, em diversos processos. Segundo a Recorrente, as não homologações de compensação levaram a Fazenda Nacional a propor a Execuções Fiscais. A Recorrente, por sua vez, opôs os Embargos à em ambas as execuções e teria oferecido garantia aos débitos. Por essas razões, requer a Recorrente que se reconheça nos presentes autos que a não homologação levada a efeito nos processos prejudiciais não deve subsistir, levando ao reconhecimento do crédito pleiteado ainda em discussão nos presentes autos. É incontroverso que os processos referentes às execuções fiscais ainda está em andamento. Portanto, até o momento, a decisão definitiva na esfera administrativa não foi superada por qualquer decisão judicial, não cabendo nova rediscussão do tema nos presentes autos, conforme determina o art. 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] Nesse cenário, fazse necessário analisar se, nas condições atuais, o presente recurso estaria apto a ter seu mérito julgado, e, em caso afirmativo, qual o tratamento tributário mais adequado a ser dado. Em primeiro lugar, a tese de que a estimativa compensada será cobrada de qualquer forma não prospera, uma vez que após o encerramento do período de apuração não há mais que se cobrar estimativas, e, até mesmo, pode até não haver sequer imposto a se cobrar no ajuste, quer pela apuração de prejuízo fiscal, quer pela apuração de valor de imposto de renda na fonte superior ao montante de imposto devido. Tal entendimento é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. O posicionamento final da PGFN chegou à seguinte conclusão (Parecer 88/2014): 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT n° 1.658/2011 e 193/2013, razão pela Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 924 15 qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade dc cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção dedébitos relativas a estimativa, desde que já lenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustadas os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrarça não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Conforme se observa, conclui a PGFN que, após o final de período de apuração e transmissão da correspondente DIPJ, não há mais que se falar em estimativas, mas sim em cobrança de imposto apurado no ajuste. Contudo, ressaltase que continuam válidas as conclusões anteriores da PGFN, a saber: 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.° 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.° 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. [g.n.] Ainda no Parecer PGFN 88/2014, assim se manifesta a Procuradoria: 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 925 16 momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. [g.n.] 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit n° 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: "Portanto, ao apurar, cm 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar." 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.° 31/2013: [...] Ante a tal cenário, a meu ver, somente poderseá promover a cobrança das estimativas se houver apuração de imposto devido, pois não há como converter estimativas em imposto apurado se, por exemplo, após o ajuste anual tiver sido apurado prejuízo fiscal. Nesse sentido, chamo a atenção para os itens 15 e 34 do Parecer PGFN CAT 193/2013: 15. Também se levanta a hipótese de possibilidade de parcelamento de estimativas nas hipóteses de parcelamento simplificado, contudo, não existe nenhuma previsão objetiva de que as estimativas possam ser parceladas, tratase, como já afirmado, apenas de uma hipótese levantada na consulta. Ainda que se elaborasse uma regulamentação que permitisse o parcelamento das estimativas, continua valendo a premissa do Parecer PGFN/CAT n° 1.658/2011, a estimativa é simples antecipação do tributo, sendo substituída pelo resultado apurado ao final do ano base, podendo inclusive não existir valor devido a titulo de tributo. Assim, caso realizado um parcelamento, a estimativa deixaria de existir no ano seguinte, ficando sem respaldo o parcelamento. [g.n.] 34. Conclusivamente, os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Reforço os dizeres do Parecer 88/2014 de que permanecem hígidas as considerações dos pareceres anteriores. E vêse que o entendimento firmado é cristalino: não existindo valor devido a título tributo, não há como cobraremse estimativas, ainda que Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 926 17 parceladas. Nesse sentido a PGFN chega a afirmar que eventuais parcelamentos de estimativas deveriam ser cancelados se, ao final do exercício, restasse demonstrado que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais. Tal interpretação reforça a ideia de impossibilidade de conversão de estimativas não adimplidas em imposto devido nas hipóteses em que não houve apuração de imposto devido. Com efeito, conclui ainda a PGFN que não é possível a cobrança de estimativas após o encerramento do período de apuração. Se for o caso, devese proceder a cobrança de eventual saldo de imposto a recolher. Assim, não havendo saldo de imposto a recolher, as estimativas declaradas e não extintas, quer por pagamento, quer por compensação, como no caso concreto, jamais serão alvo de cobrança, o que demonstra ainda mais a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado pela Recorrente. Há outras hipóteses em que tal conclusão pode ser aplicada como, por exemplo, quando o imposto devido for inferior ao imposto de renda retido na fonte, ou seja, em que não há necessidade de dedução das estimativas para fins de dedução do imposto devido, posto que integralmente deduzido pelo IRFonte. Poderseia resumir o raciocínio à ideia de que não cabe exercer a cobrança de qualquer valor que não seja devido. Se não há imposto devido, como cobrar as estimativas objeto de não homologação? Pareceme ser essa a ideia dos Pareceres exarados pela PGFN. Ora, se a própria PGFN não permite que as estimativas, de per si, sejam inscritas em dívida ativa, cai de vez por terra o argumento de que estimativas compensadas devem ser consideradas na composição de saldo negativo ainda que tais compensações não sejam homologadas, uma vez que tais débitos não serão alvo de cobrança por parte da União. De qualquer forma, ainda que me convencesse do contrário em relação às conclusões dos pareceres, particularmente não vejo como reconhecer o crédito se parte dos valores pleiteados (estimativas) no processo em que se analisa (por exemplo, ano "X"), depende do provimento de recurso no processo em que se analisa o crédito do período "X1". Não vejo como razoável reconhecerse indébito tributário sem que o crédito requerido tenha sido efetivamente extinto. Se a mera possibilidade de cobrança fosse suficiente para reconhecerse um determinado indébito, não haveria porque não se reconhecer débitos confessados em DCTF, mas que não foram adimplidos, pois, da mesma forma que nos casos da DComp, o débito informado em DCTF configura confissão de dívida. E mesmo na hipótese de extinção do processo administrativo e inscrição em dívida ativa dos débitos em questão (quer como estimativas, quer como imposto devido no ajuste anual), a presunção de certeza de liquidez e certeza se dá quanto ao crédito da Fazenda (débito do contribuinte), e não o contrário. Somente há que se falar em certeza e liquidez do crédito do contribuinte em caso de extinção de seu débito inicial utilizado posteriormente na formação desse indébito, ou, se ainda não perfectibilizada a extinção, haja ao menos certeza de que o débito será adimplido, conforme explanarei na sequência deste voto. De outra banda, indeferir o crédito pleiteado sem que o litígio administrativo tenha findado, também não me parece razoável. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 927 18 Em situações como a ora analisada, este colegiado tem adotado uma posição conservadora, visando a resguardar os interesses de ambas as partes: não se reconhece o direito creditório, mas também não se permite uma duplicidade de cobrança dos valores de estimativa cuja compensação foi não homologada, por meio do sobrestamento do julgamento até que os processos prejudiciais tenham seu término na esfera administrativa. Contudo, no caso sob análise, após os debates, todos os conselheiros ficaram convencidos de que todos os processos tidos como prejudiciais já haviam se encerrado na esfera administrativa, não havendo sentido no sobrestamento do julgamento do presente feito. A ilustre Conselheira Relatora, Bianca Felícia Rothschild, também se convenceu dessa impossibilidade de sobrestamento, contudo, não teve a oportunidade de alterar seu voto já proferido, pois, após o pedido de vista, na reunião seguinte, não pôde comparecer às reuniões posteriores em razão de restrições médicas, prevalecendo assim o seu voto já proferido, nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF. Desse modo, entendo que deva ser superada a proposta de sobrestamento do feito até o encerramento dos processos administrativos encaminhada pela Conselheira Relatora. No que atine ao sobrestamento do julgamento até encerramento de uma execução fiscal já proposta pela União relativa à parte das estimativas ora em debate, entendeu a maioria do colegiado que também não seria óbice para o prosseguimento do julgamento, até mesmo pelo encaminhamento de mérito que se seguiu. Passo, então, à análise do mérito da exigência. Retornando ao cerne do debate, em que pesem as restrições de cobrança das estimativas trazidas pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014, talvez justamente por se tratarem de decisões anteriores à edição de tais pareceres, o fato é que houve inscrição em dívida ativa das estimativas de IRPJ que compõem o saldo negativo em discussão neste processo. Venho me manifestando no sentido não ser razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. Contudo, no presente caso, compulsando a cópia dos Embargos à Execução nº 002594672.2018.4.02.5101 (inicial às fls. 684804 – referente à estimativa de R$ 11.894.407,26 – 09/2009) e dos Embargos à Execução nº 0501168152.2011.4.02.5101 (inicial às fls. 816899 – referente à estimativa de R$ 32.594.785,45 – 12/2009), constatei que os débitos estão garantidos por apólices de seguro acolhidas pelo Poder Judiciário (fls. 652 672/673683 e fls. 625635/903905, respectivamente). Ressaltese que não há dúvidas de que a inscrição dos valores em questão é alvo das Execuções Fiscais a que se referem os embargos citados, bastando confrontar as CDA (fls. 645651 e fls. 805812), as iniciais das Execuções Fiscais (fls. 622624 e fls. 813815) e os extratos obtidos pela Recorrente junto ao ECAC (fls. 900902 e fls. 906908). Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 928 19 Nesse cenário, do mesmo modo que já decidi no Acórdão 1402002.330, na condição de relator, entendo que o apelo da Recorrente deve ser provido. Isso porque, como o contribuinte, em seus Embargos, não contesta a existência dos débitos originais das estimativas em questão1, mas sim considera que havia crédito disponível para extinguilas via compensação, se pode concluir que as estimativas em questão ou serão consideradas homologadas (na hipótese de o contribuinte obter êxito em seus Embargos à Execução), ou será extinta por pagamento, ainda que mediante o seguro garantia que afiança ambas as execuções fiscais. Nessa hipótese, se ainda não foram extintas os débitos de estimativa em debate, há segurança suficiente de que serão. Logo, entendo que, a despeito do mérito discutido nessas execuções e respectivos embargos, as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 1 Caso houvesse contestação do contribuinte em relação à existência dos débitos iniciais de estimativa, a conclusão a que chegaria seria diversa, pois em caso de êxito em seu pleito, não haveria estimativas extintas por pagamento ou compensação, e, consequentemente, não poderiam compor o saldo negativo ora pleiteado. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 929 20 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Peço vênia ao Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para apresentar as razões pelas quais acompanhei seu abalizado voto pelas conclusões. O presente processo tem origem em pedidos de compensação formulados pela Recorrente, cujo crédito é oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2009 (exercício 2010), composto por retenções na fonte, estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores e estimativas compensadas com outros créditos. O despacho decisório proferido reconheceu apenas a composição do saldo no que se referia às retenções na fonte, glosando as estimativas compensadas sob o fundamento que as DCOMPs que visavam o sem adimplemento não foram homologadas pelas autoridades administrativas em seus respectivos processos administrativos. Especificamente, não se homologou as DCOMPs transmitidas para o adimplemento das estimativas apuradas em 09/2009 e 12/2009, nos valores de R$ 11.894.407,26 e 32.594.785,45, respectivamente. Como comprovado pelo Recorrente, em razão dos débitos que exsurgem da não homologação das estimativas compensadas e do fato da incontrovérsia sobre o quantum visto que declarados pelo próprio contribuinte os créditos foram inscritos em Dìvida Ativa e atualmente se encontram em execução fiscal, com garantia apresentada pelo executado. O Conselheiro Fernando Brasil, em seu voto, entendeu que as estimativas compensadas e não homologadas dariam direito ao crédito correspondente para a composição do saldo negativo compensado nestes autos na esteira do julgamento do Acórdão CARF nº 1402002.330. Estabeleceu o Colegiado, como marco, a garantia de adimplemento do crédito tributário como condição para que fosse reconhecido o direito creditório correspondente do contribuinte, sob o argumento de que não se poderia pleitear crédito sobre um débito que sequer foi pago. Com a devida vênia, entendo que essa condição só faria sentido diante de um pedido de restituição, que o art. 165 do Código Tributário Nacional exige expressamente a ocorrência de pagamento na forma do art. 162 da mesma lei: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 930 21 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No presente caso, entretanto, tratase de compensação, cujo tratamento jurídico está delineado no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Da mesma forma, no âmbito federal, dispõe o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que APURAR CRÉDITO, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Como se vê da literalidade dos dispositivos, o que a lei exige, para fins de compensação, é que o crédito seja apurado e goze de liquidez e certeza, atributos que restaram efetivamente verificados uma vez que a discussão no âmbito administrativo se tornou definitiva, inclusive com a inclusão dos mesmos em CDAs, tornandoos exequíveis. Portanto, reconheço que a geração de saldo negativo de IRPJ não está condicionado ao efetivo e terminal adimplemento das estimativas, mas ao reconhecimento delas enquanto crédito tributário líquido e certo, não havendo que se confundir fases distintas do fenômeno tributário, quais sejam, o reconhecimento/nascimento do crédito e o seu adimplemento. Um argumento que me parece reforçar a desnecessidade de pagamento ou compensação para que se reconheça o crédito correspondente à estimativa consiste na possibilidade desse crédito tributário declarado e não pago ser extinto por diversas formas, como decadência, prescrição ou remissão, nos termos do art. 156 do CTN, ou mesmo por prescrição intercorrente, no âmbito da execução fiscal, sem que essa ausência de pagamento impeça o aproveitamento da estimativa extinta na composição de saldo negativo compensável. Assim, estou convicto de que o adimplemento ou garantia deste não é condição do reconhecimento do crédito compensável, mas sim a sua liquidez e certeza, hauridas da consolidação administrativa da discussão e da ausência de discussão do montante declarado pelo contribuinte. Além disso, caso o crédito de saldo negativo seja desconsiderado pelo simples fato da quitação das antecipações que compõem o pedido de compensação não terem sido homologados, estará configurada uma cobrança em duplicidade do tributo cobrase numa Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 931 22 ponta o débito aberto da estimativa, e cobrase na outra ponta a diferença decorrente do saldo negativo glosado pela fiscalização. Ademais, a própria RFB, através da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, traça a diferença no tratamento das compensações consideradas não declaradas e as não homologadas, para fins de glosa do saldo negativo apurado na DIPJ, cuja ementa é expressa, nesse sentido. Por fim, há que se frisar que se trata de uma posição reiteradamente adotada no âmbito deste CARF, inclusive com decisão recente da CSRF, conforme a ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101002.489, DJ 06/12/2016) Nesses termos, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos feita pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 931DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725975/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006, 2007, 2008
Ementa:
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
É valido para comprovação das APP, o ADA apresentado intempestivamente, desde que protocolizado antes de o inicio da ação fiscal.
ITR. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A ARL deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, consoante estabelecem os §§ 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65.
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
Numero da decisão: 2402-006.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário para, por maioria de votos, restabelecer a dedução da glosa da área de preservação permanente, vencido os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento também para restabelecer a dedução da glosa da área de reserva legal, votou pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, quanto ao restabelecimento da dedução da glosa da área de preservação permanente, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira que, inicialmente, negava provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006, 2007, 2008 Ementa: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. É valido para comprovação das APP, o ADA apresentado intempestivamente, desde que protocolizado antes de o inicio da ação fiscal. ITR. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A ARL deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, consoante estabelecem os §§ 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65. ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-21T14:56:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-21T14:56:33Z; Last-Modified: 2018-06-21T14:56:33Z; dcterms:modified: 2018-06-21T14:56:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-06-21T14:56:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-21T14:56:33Z; meta:save-date: 2018-06-21T14:56:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-21T14:56:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-21T14:56:33Z; created: 2018-06-21T14:56:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2018-06-21T14:56:33Z; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-21T14:56:33Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725975/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.224 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria ITR Recorrente QUIELSE CRISOSTOMO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006, 2007, 2008 Ementa: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. É valido para comprovação das APP, o ADA apresentado intempestivamente, desde que protocolizado antes de o inicio da ação fiscal. ITR. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A ARL deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, consoante estabelecem os §§ 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65. ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 59 75 /2 01 0- 91 Fl. 192DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário para, por maioria de votos, restabelecer a dedução da glosa da área de preservação permanente, vencido os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento também para restabelecer a dedução da glosa da área de reserva legal, votou pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, quanto ao restabelecimento da dedução da glosa da área de preservação permanente, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira que, inicialmente, negava provimento ao recurso (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte (espólio) foi lavrado Auto de Infração para constituição do ITR, exercícios 2006, 2007 e 2008 no valor principal de R$ 32.848,94, R$ 40.203,32 e R$ 42.130,93, respectivamente, acrescidos de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 1.450.5150 VARADOURO. Foram apuradas as seguintes infrações em ambos os exercícios: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; e 3 VTN declarado não comprovado; Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 145/158. Em seu Recurso Voluntário de fls. 168/189 aduz, em resumo: 1 Que a área do imóvel consta do ecossistema da Mata Atlântica, inserida na Área de Proteção Ambiental APA de Guaraqueçaba, criada pelo Decreto Federal n° 90.883 de 31 de janeiro de 1.985 e declarada como área de proteção ambiental no âmbito do Estado do Paraná, conforme Decreto Estadual PR n° 1.228 de 30 de março de 1992, e o excluiria definitivamente da condição de áreas tributáveis, uma vez que proibida toda e qualquer atividade nessas áreas. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 3 3 Que o ADA apresentado em 21.01.2011 demonstraria as APP e ARL do imóvel. Além do quê, não seria essencial para a isenção das APP; Que a área poderia ser declarada como APP ou de Interesse Ecológico, na medida em que se insere na APA acima citada. Que a exploração da área é, como regra, proibida, conforme estabelece o Decreto 750/93. A exploração seria medida excepcional e a critério exclusivo do órgão publico. 2 Que o VTN considerado no lançamento, infundado e inconseqüente, decorreu de uma valor de terras que é varias vezes maior do que o negociado quando da aquisição do imóvel. Que não se trataria de terras mistas mecanizadas, mecanizáveis ou não mecanizáveis e sim de área para uso com finalidade apenas ambiental. Que no Município de Guaraqueçaba, encontramse áreas que compõe a Serra do Mar, parte da Mata Atlântica, áreas de abrigo de animais silvestres e florestas protegidos pela legislação ambiental que não tem valor comercial. Face as restrições de utilização do solo e exploração florestal, dificilmente ocorre alguma transação negocial. 3 Que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em lei, para pretender fundamento apenas na declaração prestada pelo recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 18.04.2012 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 11.05.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca às áreas: de preservação permanente e de reserva legal, além de no valor total do imóvel e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: Fl. 194DF CARF MF 4 As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível e alíquota do tributo. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN1, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 4 5 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; Fl. 196DF CARF MF 6 d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 5 7 de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.2 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é 2 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 198DF CARF MF 8 que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 6 9 É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 3 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas pro floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 4 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da 3 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. 4 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 200DF CARF MF 10 cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 7 11 II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo Fl. 202DF CARF MF 12 de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel exista rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de diferentes circunstâncias. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 8 13 prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .5 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. A partir do exercício 2007, a apresentação do ADA ao IBAMA passou a ser anual.6 Voltando ao caso sob análise, notase que há nos autos, às fls 110, um único ADA emitido a destempo em 30.09.2010, no qual informa uma ARL de 169,40 ha e APP de 415,0 ha, ao passo que a ação fiscal iniciouse em 29.11.2010 (fls. 6). Exerc. 2006 Data DITR 29.09.2006 ADA até 31.03.2007.(inc I, § 3º do art. 9º da IN SRF 256/2002 redação original c/c art. 3º da IN SRF 659/2006) Exerc 2007 DT DITR 28.09.2007 ADA 31.03.2008 .(inc I, § 3º do art. 9º da IN SRF 256/2002 redação original c/c art. 3º da IN SRF 746/2007) Exerc 2008 ADA ATÉ 30.09.2008. (inc I, § 3º do art. 9º da IN SRF 256/2002 redação dada pela IN RFB 861/2008 c/c instrução no sitio do IBAMA7) Da mesma forma, como bem assentou a decisão recorrida, não se localizou nos autos laudo técnico identificando cada uma das eventuais APP existentes no imóvel (não sobrepostas às ARL porventura existentes) elencadas nas alíneas "a" a "h" do artigo 2º da Lei 4.771/65. Veja, o laudo técnico, para que cumpra seu desiderato, deve especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das APP eventualmente existente à época do fato gerador. Confirase: Florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 5 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada 6 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada 7 http://ibama.gov.br/component/content/article?id=525 Fl. 204DF CARF MF 14 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura: 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura: 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura: 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura: d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Como abordado acima, consta dos autos uma ART em nome do contratado Engenheiro Florestal Helio Loch às fls 96 e um "laudo técnico", por ele subscrito às fls. 90/1, sem data, que assim pode ser resumido: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 9 15 Nesse ponto, chama à atenção o fato de no laudo constar que a área da propriedade é de "total preservação" se comparado com o que constou declarado nas DITR do recorrente, no sentido de que 2,6ha são ocupados com benfeitorias e 260ha utilizados com Produtos Vegetais e Área de Descanso. No que toca à ARL de 169,4ha informada naquele ADA extemporâneo, cumpre destacar que não se identificou sua expressa averbação em hectares junto às matrículas a seguir detalhadas, mas sim a gravação adiante colacionada, que não traz, salvo melhor juízo, evidência de que tenha sido aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, como preceitua o § 4º do artigo 16 da Lei 4.771/65, com a redação dada pela MP 2.16667/2001. Confirase: Matrícula 193 fls 79/80 170,8 ha; Matrícula 194 fls 81/82 148,6 ha; Matrícula 438 fls 83/84 200,8 ha; Matrícula 7.674 fls 85/87 370,0 ha Fl. 206DF CARF MF 16 Da Área de Interesse Ecológico. No mesmo sentido, não lhe socorre a alegação de que pelo fato de a área do imóvel constar do ecossistema da Mata Atlântica, inserida na Área de Proteção Ambiental APA de Guaraqueçaba, criada pelo Decreto Federal n° 90.883 de 31 de janeiro de 1.985 e declarada como área de proteção ambiental no âmbito do Estado do Paraná, conforme Decreto Estadual PR n° 1.228 de 30 de março de 1992, ela estaria definitivamente excluída da condição de áreas tributáveis. Vejase: referida área, tida pelo recorrente como "de interesse ecológico", não constou declarada nos DIAT/DITR dos exercícios envolvidos, fazendo com que não fosse objeto da atuação fiscal. Tampouco constou do ADA de 30.09.2010. (fls. 110) Ademais, como já dito alhures, ainda que haja ato específico do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 10 17 de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não é legalmente possível. É o que se denota da parte final da alínea "b", II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96. "....mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;" Nesse sentido, à luz do disposto no artigo 6º daquele Decreto 90.883/85, infra reproduzido, não me afigura que referido ato tenha, conforme sugerido no recurso do contribuinte, "proibida toda e qualquer atividade nessas áreas", ampliando, desta forma e indiscutivelmente, as restrições de uso que se tem nas ARL e APP. Ao contrário, tratou o ato, a meu ver, de estabelecer condutas negativas mínimas para a preservação ambiental. Confirase: Art. 6º. Na APA de Guaraqueçaba ficam proibidas ou restringidas: I a implantação de atividades industriais potencialmente poluidoras, capazes de afetar mananciais de água; II a realização de obras de terraplenagem e a abertura de canais, quando essas iniciativas importarem em sensível alteração das condições ecológicas locais, principalmente das Zonas de Vida Silvestre, ande a biota será protegida com mais rigor; III o exercício de atividades capazes de provocar acelera da erosão das terras ou acentuado assoreamento das coleções hídricas; IV o exercício de atividades que ameacem extinguir as espécies raras da biota regional, principalmente o papagaioderabovermelho, macuco, jaó, jacutinga, onça pintada, jacarédepapoamarelo; V o uso de biocidas, quando indiscriminado ou em desacordo com as normas ou recomendações técnicas oficiais. Ademais, como já abordado alhures, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. Não é o que se verificou para o caso em tela. Notese que o próprio contribuinte declara a utilização de 260,0 ha e 2,6 ha com a utilização/ocupação relacionados a produtos vegetais e benfeitorias. VTN: Fl. 208DF CARF MF 18 No que se refere ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega dentre outras que o considerado no lançamento decorreu de uma valor de terras que é varias vezes maior do que o negociado quando da aquisição do imóvel. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Prestouse, no entanto, a apresentar um Laudo Técnico fls. 90/91 que, ao final, assim se pronunciou quanto à avaliação do imóvel. Ora, o fato de a terra supostamente não possuir valor tributável não é justificativa para, a meu entender, não se chegar a um valor de mercado para o imóvel. Como informado pela Fiscalização, foram utilizados os valores médios por hectare na sistemática a seguir resumida: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10980.725975/201091 Acórdão n.º 2402006.224 S2C4T2 Fl. 11 19 O tipo de terra segue a conceituação adiante:8 MECANIZADA São áreas destocadas, sem restrições para o preparo do solo e plantio, cuja declividade (topografia) permite operações com máquinas e implementos agrícolas motorizados, podendo estar sendo cultivada ou em pousio, independente da cultura existente, incluindo várzea sistematizada. MECANIZÁVEL São áreas cuja declividade do solo (topografia) permite operações com máquinas e implementos agrícolas motorizados, porém, ainda não há mecanização, devido à presença de vegetação adensada (mata ou capoeira), resto de desmatamento (tocos, troncos e galhos) e várzea não sistematizada (úmida). NÃO MECANIZÁVEL São áreas cujo relevo e/ou profundidade do solo são desfavoráveis à execução de operações ou práticas agrícolas com máquinas e implementos motorizados, permitindo, porém, o plantio manual ou a tração animal. São consideradas também áreas não mecanizáveis, as reservas legais, tendo em vista que as mesmas só poderão sofrer algum tipo de desmatamento e/ou corte, mediante um plano de manejo sustentável, com projeto devidamente aprovado pelo IAP e/ou IBAMA. 8 site: http://www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/deral/Metodologia_atual.pdf Fl. 210DF CARF MF 20 Note, o valor médio, por hectare, utilizado pelo autuado correspondeu a, apenas e aproximadamente, 27,70%, 23,50% e 24,30% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Guaraqueçaba/PR, não deixando a menor dúvida quanto à sua potencial subavaliação. Por sua vez, o SIPT, aprovado pela Portaria 447/2002, é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Com isso, entendo que na falta de um valor de mercado apresentado por meio de um Laudo de Avaliação, na forma de como constou na intimação, o valor extraído do SIPT, embora, reconheçase, estimado, é, além de uma alternativa legal (art. 14 da L. 9.393/96), uma razoável opção no caso em tela. Por fim, no que se refere à alegação de que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria supostamente se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em lei, para pretender fundamento apenas na declaração equivocada prestada pelo recorrente, com a devida venia, dela não compartilho. A ação fiscal foi desenvolvida e concluída a partir das informações prestadas/declaradas pelo contribuinte em sua DITR. Perceba que o lançamento do ITR regese pela sistemática legal, por meio da qual sujeito passivo tem o dever de apurar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim procedendo o contribuinte, a autoridade fazendária, observado o lustro legal, expressamente homologará ou não, sua atividade. O não acatamento das informações que constaram em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. No caso em exame, pelo todo fundamentado, entendo pelo não acatamento do pleito do contribuinte quanto à retificação das informações em sua DITR. Não obstante meu entendimento pessoal quanto à necessidade da apresentação do ADA tempestivamente, segundo o acima fundamentado, curvome ao entendimento desta turma, exposto no julgamento do processo 11624.720072201389, nesta mesma sessão, no sentido do aproveitamento do ADA, como comprovação, para fins de dedução das APP, desde que apresentado antes de o início da ação fiscal. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PARCIAL provimento para restabelecer a dedução da APP relativa aos exercícios em questão. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973295/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 29 5/ 20 12 -7 2 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 29/09/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 65.747,05. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 24/01/2012. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.829, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 20/02/2017 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/03/2017, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.973295/201272 Resolução nº 1201000.447 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910391/2008-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou-se a tese de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica.
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
Numero da decisão: 3002-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou-se a tese de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmouse a tese de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 03 91 /2 00 8- 23 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração maio/2001, e requer a compensação de R$ 9.740,59 com débitos de PIS/Pasep e de Cofins. O PER/Dcomp foi transmitido em dezembro/2003 (fls1. 7 a 11). Por meio de despacho decisório à fl. 2, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que pagou Cofins a maior ao desconsiderar o disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e requereu a nulidade do despacho decisório porque a Administração concluiu pela inexistência de crédito sem solicitar ao contribuinte documentação probatória e sem determinar diligência (fls. 12 a 14). Sua manifestação de inconformidade foi instruída com procuração e identificação dos advogados, consolidação do contrato social e cópia do despacho decisório (fls. 15 a 21). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1) proferiu o Acórdão nº 1638.617 (fls. 23 a 31), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade devido à inocorrência de nulidade e ao fato de o contribuinte não ter feito prova do pagamento a maior, uma vez que o Darf foi utilizado para quitar débito declarado em DCTF e nenhum documento foi juntado para demonstrar eventual erro. O pedido de realização de diligência foi indeferido por se entender que não havia nenhuma dúvida a ser sanada, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2001 1 A numeração informada segue a que foi inserida pelo eprocesso, e não a que foi efetuada manualmente. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRESCINDÍVEL. Quando não constatada pela Receita Federal do Brasil qualquer irregularidade ou inconsistência entre o DCTF e o DARF a que esta foi vinculada, inexiste motivação para intimação do sujeito passivo para comprovação do direito creditório declarado no PER/DCOMP, antes da emissão do Despacho Decisório. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É correto o despacho decisório que não homologa a compensação declarada pelo contribuinte devido a inexistência de direito creditório, tendo em vista a utilização integral do DARF indicado no PER/DCOMP para quitação de débitos declarados pelo contribuinte em DCTF. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Instaurado o contencioso administrativo, a manifestação de inconformidade deve vir acompanhada das provas dos fatos alegados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 17/05/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 33, e protocolizou seu recurso voluntário em 05/06/2013, conforme carimbo aposto na página inicial do Recurso Voluntário – fl. 35. Em seu recurso voluntário a recorrente retoma as mesmas alegações, em especial que a autoridade administrativa não solicitou qualquer documento capaz de comprovar a existência do crédito e o cerceamento do direito de defesa. Em relação ao mérito, afirma que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da exigibilidade das contribuições nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, e que somente pode ser efetuada a retificação da DCTF pelo contribuinte, com o fim de ajustála à PER/Dcomp, após o reconhecimento do crédito pela Fazenda, sob pena de verse réu em processo penal. Por fim, transcreve precedentes no Carf e no STJ sobre a relação entre indeferimento de diligência e cerceamento de defesa e requer a Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 5 4 anulação do despacho decisório, acompanhado da realização de diligência para comprovação do crédito ou, alternativamente, que seja homologada a compensação (fls. 35 a 41). Junta documentos de representação e identificação, bem como contrato social e cópia do Acórdão da DRJ (fls. 42 a 57). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Em relação à alegação de preterição do direito de defesa, que seria caracterizada pelo fato de não estar “sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito”, entendo que não cabe razão à recorrente. O exame do processo e dos atos administrativos aqui registrados nos faz concluir que não há vício que o contamine. O despacho decisório eletrônico, ainda que lacônico, é fundamentado, contém a base legal para a decisão e foi emitido por servidor competente. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo da manifestação de inconformidade vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido, trazendo, entre vários outros, o argumento que se segue: Acaso tivesse a autoridade fiscal cumprido com seu dever de solicitar ao contribuinte a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado. (grifado) Tratase de matéria pacífica que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, a demonstração da certeza e liquidez é ônus que pertence ao requerente. Define o CPC em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) E quanto ao momento para fazer prova de seu direito, assim dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal (a manifestação de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 6 5 inconformidade segue o mesmo rito da impugnação por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifado) Se, como asseverado no trecho da manifestação de inconformidade acima transcrito, o contribuinte possuía provas de seu direito, por que não as apresentou? Novamente adota a mesma postura no Recurso Voluntário: não traz um elemento que sugira a possibilidade de direito e alega ter sido privado da possibilidade de fazêlo, em uma tentativa infrutífera de inverter o ônus da prova. Verificase, por um lado, que o contribuinte falha em demonstrar o seu direito e, por outro, que os atos administrativos atendem aos requisitos que, se descumpridos, poderiam ensejar a sua nulidade. O Despacho Decisório foi fundamentado e emitido por autoridade competente, os prazos foram cumpridos e as devidas ciências providenciadas, concluindose pelo atendimento dos pressupostos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como dos dispositivos constitucionais e legais que regem o processo administrativo fiscal. Assim, rejeito a preliminar de nulidade relativa a cerceamento de defesa. Mérito Considero imprescindível abordar o motivo de direito alegado pelo contribuinte, pois entendo que este processo não se resolve apenas a partir da ausência de prova, mas também a partir da ausência de direito. Extraise da manifestação de inconformidade, logo no primeiro parágrafo – Dos Fatos, à fl. 15: A Requerente é sociedade limitada constituída na forma dos documentos em anexo. Na qualidade de contribuinte do PIS/COFINS recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei 9.718/98 quando apurou a base de cálculo das contribuições. O crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor. (grifado) Transcrevese a seguir o artigo citado como o motivo de direito para o pedido de compensação, na versão vigente em novembro de 2004 da Lei nº 9.718, de 1998, quando da transmissão do PER/Dcomp: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifado) Por sua vez, extraise do art. 93 da Medida Provisória nº 2.15835 que o inciso III está revogado desde a publicação da MP no DOU, em 27 de agosto de 2001. Segundo consta do PER/Dcomp, o alegado pagamento a maior de Cofins referese ao período de apuração maio/2001, ou seja, anterior à revogação do dispositivo. Entretanto, tal matéria foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Temos decisão definitiva do STJ em Recurso Especial da Fazenda Nacional afetado pela repercussão geral – REsp nº 1.144.469/PR –, na qual se decidiu que o inciso III não teve eficácia jurídica no período em que vigeu. Transcrevese a ementa apenas na parte de interesse para o nosso exame: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 8 7 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL.(grifado) Logo, e considerando que o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Carf determina que esse tipo de decisão deve ser reproduzida pelo conselheiro em julgamento de recurso, não é possível excluir da base de cálculo da Cofins o valor de receita transferido para outra pessoa jurídica, pois o inciso III da referida Lei nunca teve eficácia jurídica. Retomando então o aspecto da prova e do ônus probatório, que foi abordado de forma minuciosa no voto da DRJ, inclusive adentrando detalhes da verificação de informações que é efetuada pela unidade de origem, entendo que não há argumento a ser acrescentado. Ainda que coubesse razão ao contribuinte em relação aos motivos de direito, é indubitável que ele não logrou fazer prova do que alegou. Sua defesa consistiu apenas de alegações, não juntou qualquer documento contábil ou fiscal, seja na Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, apesar dos protestos de que teria apresentado planilhas elucidativas se tivesse sido intimado para tal. Como dito anteriormente, a demonstração da certeza e liquidez no caso de compensação é ônus que pertence ao requerente. Caberia a ele essa demonstração, dado que é vedada a autorização de compensação de créditos que não sejam líquidos e certos pelo art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Relativamente ao pedido de diligência, devemos ter em mente que o seu objetivo é dirimir dúvidas em relação a aspectos essenciais do litígio, de modo a permitir ao julgador uma decisão com base em informações corretas e pertinentes, consoante as normas específicas que regem o processo administrativo fiscal – o Decreto nº 70.235/1972 e o Decreto nº 7.574/2011. Outros dispositivos legais, como o CPC e a Lei nº 9.874/1999, são utilizados de forma subsidiária, quando não houver disposição específica sobre determinada matéria nos Decretos citados. Nos termos das normas específicas que regem o PAF, extraímos do Decreto nº 7.574/2011: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.910391/200823 Acórdão n.º 3002000.236 S3C0T2 Fl. 9 8 Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. (...) Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. (grifado) Tendo em vista a omissão do contribuinte em produzir provas, somada à constatação de que não há motivo de direito nem de fato a amparar o pleito de compensação, a determinação de diligência neste momento, estendendo este julgamento por tempo indeterminado, significaria prolongar esta lide sem motivação razoável ou legal. Por fim, no tocante aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, temse que: o reconhecimento de inconstitucionalidade pelo STF deuse em relação ao § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ao passo que o sujeito passivo alegou crédito com fundamento no § 2º do art. 3º da Lei, não afetado pela decisão do STF; e, no tocante às justificativas por ausência de retificação de DCTF, não cabe qualquer consideração sobre o tema, uma vez que em nenhum ponto deste processo alegouse falta de retificação da DCTF como motivo de decidir. Em suma, por qualquer ângulo que se aborde este processo, não assiste razão ao contribuinte: nem na preliminar de nulidade, nem nas razões de direito (uma vez assentaremse em norma revogada), e nem na comprovação dos fatos. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e voto por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007885/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/10/2008
NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita-se a alegação de nulidade.
AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES.
As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo.
Numero da decisão: 3001-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, quanto à matéria denúncia espontânea, o conselheiro Renato Vieira de Avila.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/10/2008 NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita se a alegação de nulidade. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 78 85 /2 00 8- 13 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 155 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, quanto à matéria denúncia espontânea, o conselheiro Renato Vieira de Avila. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1642.943 da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1/SP DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 16.01.2013, julgou improcedente a impugnação. Dos fatos Adotase, como de costume neste Colegiado Extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 79 a 87), que segue transcrito: Relatório A empresa interessada foi autuada, no valor de R$ 5.000,00, em face de retificação extemporânea, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex Carga), dos dados relativos à carga marítima acobertada pelo Conhecimento de Carga Eletrônico n.º 150805092843352 (B/L n.º NYKS3020170050), vinculado ao Manifesto de Carga Eletrônico n.º 1508500761232, relativo ao navio MERKUR BAY, viagem 813W, Escala n.º 08000037872, cuja atracação no Porto de Santos ocorreu em 04.05.08, tendo sido lançada a multa capitulada no Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo Artigo 77 da Lei n.º 10.833/03. Alegou a fiscalização que o pedido de retificação apresentado pela interessada foi apresentado somente em 18.06.08, ou seja, 45 (quarenta e cinco) dias após a atracação da embarcação no Porto de Santos, o qual foi deferido e realizado de ofício em 25.06.08. A autuação considerou o previsto pela Instrução Normativa RFB 800, de 27 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, e pelo Ato Declaratório Executivo ADE Corep n.º 03, de 28 de março de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 156 3 2008, que dispõe sobre as ações operacionais e em sistemas informatizados quanto à utilização do Siscomex Carga. Ainda de acordo com a autuação, a transportadora marítima é representada no país por agência de navegação, também denominada agência marítima, nos termos do que estabelece o Art. 4.º da IN RFB 800/07, assim, o exame da documentação anexa permitiu a eleição da autuada para figurar no pólo passivo da lavratura. Ciente, a interessada apresentou impugnação em 19.11.08 (fls. 43 52 do eprocesso). Nesta peça alegou que: 1. Preliminarmente, conforme determina seu contrato social, tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo como um de seus clientes o transportador marítimo (armador) NIPPON YUSEN KABUSHIKI KAISHA, que aparece em todos os documentos juntados neste processo, e não a NYK LINE DO BRASIL LTDA; 2. Em nenhum momento deixou de prestar as informações sobre as cargas transportadas; 3. Os prazos exigidos pela Instrução Normativa 800/07 somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009, isto é, após a ocorrência da suposta infração; 4. Os fatos ocorreram durante o “plano de contingência” no Porto de Santos, como dispõe a Instrução Normativa 841/08, não sendo possível a aplicação de nenhuma penalidade. 5. É praxe que, por solicitação do importador/consignatário e às vezes pelo exportador/shipper das mercadorias, fazse necessária a correção de alguns dados constantes no Conhecimento de Transporte Marítimo (BL). Cita o Art. 44 do Decreto 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos); 6. O ato de retificar é diferente da não apresentação de informação, assim, a impugnante não deixou de apresentar informação sobre veículo ou carga nele transportada, apenas retificou posteriormente a sua informação, por solicitação do importador/consignatário; 7. Concluise que a retificação efetuada pela impugnante constituise em procedimento absolutamente legal, que não foi alterado pela implantação do Siscomex Carga, mas apenas tornouse eletrônica; 8. A eventual conduta imputada à impugnante não se encontra contemplada pelo Artigo 107 do Decretolei n.º 37/66, muito menos na Alínea “e”, do Inciso IV; 9. Requer o recebimento de sua impugnação como tempestiva, a fim de ser julgado improcedente o auto de infração e Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 157 4 insubsistente a pena de multa aplicada, com o consequente arquivamento do processo. Da ementa do acórdão recorrido A 24ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/10/2008 Multa por retificação extemporânea de informação acerca de carga. Responsabilidade da agência marítima. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 800/07, combinado com o disposto pelo Ato Declaratório Executivo Corep n.º 03/08, constitui obrigação da agência marítima prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil acerca da carga transportada na forma, prazo e condições estabelecidos, sob pena de incorrer em infração prevista pelo Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação pelo Art. 77 da Lei nº 10.833/03. A multa é aplicada para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Preliminar rejeitada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 93 a 116, recurso voluntário para pleitear a improcedência do lançamento ora debatido, sob argumentos suscitados em sede de preliminar e de mérito, que podem ser sintetizados nos seguintes tópicos, que: (i) não é parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento, pois atuou somente como agência de navegação marítima, não se equiparando a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos, posto que inexiste previsão legal de aplicação de qualquer penalidade em face do agente, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Colaciona jurisprudência; (ii) o fato gerador da pena aplicada se deu em razão de retificações de dados no sistema Siscomex Carga, hipótese que não configura ausência de informação, mas simples alteração de informações já prestadas, o que afasta a multa exigida, consoante orientação contida na Solução de Consulta Cosit publicada em 04.02.2016, cujo efeito é vinculante perante a Receita Federal do Brasil; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 158 5 (iii) a conduta não enseja o tipo legal que justifica a imposição da penalidade, pois não deixou de apresentar informações no prazo legal, todas as informações foram prestadas nos termos da alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, principalmente no que diz respeito ao veículo e à carga, bem como em relação às operações a serem executadas; e (iv) a nova norma legal vigente reconhece que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente como é o caso destes autos. Diante do exposto, requer a anulação da infração, em face da preliminar aventada, ou, subsidiariamente, que seja julgada insubsistente em razão dos argumentos acima esboçados, cancelandose a multa exigida e determinandose o arquivamento do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 25.04.2013 (efl. 153), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi juntado aos presentes autos em 20.02.2013, conforme depreendese do carimbo/chancela gravada na "Folha de Rosto da referida petição recursal", após ciência no dia 22.01.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efls. 91/92), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do escopo do litígio É incontroverso que a penalidade em apreço decorre da retificação de oficio e a extemporânea, uma vez que ocorrida em 25.06.2008, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico CE 150805092843352, vinculado ao manifesto eletrônico 1508500761232, escala 08000037872, referente a carga transportada pelo navio Merkur Bay em sua viagem 813W carga transbordada no porto de Singapura, cuja atracação no Porto de Santos ocorreu em 04.05.2008. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 159 6 Frisese, por oportuno, que o conhecimento de embarque que deu amparo para a emissão do respectivo conhecimento eletrônico foi o B/L NYKS3020170050, cuja agência de navegação responsável é o recorrente NYK Line do Brasil Ltda., portanto, o sujeito passivo da autuação ora contestada. As matérias controversas cingese aos seguintes pontos: a) arguição de ilegitimidade passiva; b) arguição de não caracterização da infração imposta; e c) arguição de denúncia espontânea. Do contexto jurídico das normas de incidência da matéria Estabelece o artigo 237 da Constituição Federal, verbis: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Estabelece o caput do artigo 33 do Decretolei 37 de 1966, verbis: Art. 33 A jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro, e abrange: (grifei) I zona primária compreendendo as faixas internas de portos e aeroportos, recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres, bem como outras áreas nos quais se efetuem operações de carga e descarga de mercadoria, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados; II zona secundária compreendendo a parte restante do território nacional, nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente. Parágrafo único. Para efeito de adoção de medidas de controle fiscal, poderão ser demarcadas, na orla marítima e na faixa de fronteira, zonas de vigilância aduaneira, nas quais a existência e a circulação de mercadoria estarão sujeitas às cautelas fiscais, proibições e restrições que forem prescritas no regulamento. Dispõem os artigos 2º e 17 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759 de 05.02.2009, tal qual dispunha o Decreto 4.543 de 26.12.2002, verbis: Art. 2o O território aduaneiro compreende todo o território nacional. (...) Art. 17. Nas áreas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem como em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de viajante, procedentes do exterior ou a ele destinados, a autoridade aduaneira tem precedência sobre as demais que ali exerçam suas atribuições (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 35). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 160 7 § 1o A precedência de que trata o caput implica: I a obrigação, por parte das demais autoridades, de prestar auxílio imediato, sempre que requisitado pela autoridade aduaneira, disponibilizando pessoas, equipamentos ou instalações necessários à ação fiscal; e (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). II a competência da autoridade aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outras autoridades, para disciplinar a entrada, a permanência, a movimentação e a saída de pessoas, veículos, unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar à Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 2o O disposto neste artigo aplicase igualmente à zona de vigilância aduaneira, devendo as demais autoridades prestar à autoridade aduaneira a colaboração que for solicitada. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Sendo assim, incumbe ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização e o controle da entrada e saída de mercadorias, cargas, unidades de cargas e embarcações do território aduaneiro. O Decretolei 37 de 1966 estabelece que o controle de veículos, mercadorias, animais e pessoas, na zona primária, será disciplinada em Regulamento (inciso III do artigo 34), bem como estabelecerá as normas de disciplina aduaneira a que ficam obrigados os veículos, seus tripulantes e passageiros na zona primária, ou quando sujeitos fiscalização (artigo 38). Determina, ainda, que o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (caput do artigo 37, com a redação dada pela Lei 10.833 de 2003). Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro D. 6.759/09, prevê que o controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes (parágrafo 1º do artigo 26). Já no caput do seu artigo 39 encontrase a determinação de que é livre, no Pais, a entrada e a saída de unidades de carga e seus acessórios e equipamentos, de qualquer nacionalidade, bem como a sua utilização no transporte doméstico (conforme previsão do artigo 26 da Lei 9.611 de 1998). Entretanto, seu parágrafo 2º observa que poderá ser exigida a prestação de informações para fins de controle aduaneiro sobre os bens referidos no caput, nos termos estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil; haja vista que, embora seja livre a entrada e saída de unidades de carga, o mesmo não acontece com o seu conteúdo. Ademais, os containeres são destinados especificamente para acondicionar mercadorias e podem se prestar a sua ocultação, pois são, em sua maioria, totalmente fechados impedindo a visão de seu interior. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 161 8 Por tal motivo, o Regulamento Aduaneiro prevê no caput do artigo 42 que o responsável pelo veículo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo, bem como, nos termos do seu parágrafo 1º, a relação das unidades de carga vazias existentes a bordo. Neste contexto legal, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, fez editar a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, a qual estabelece em seu artigo 1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB 1.473 de 02.06.2014) verbis: Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Sistema Mercante); e II no Siscomex Carga. Nos termos do inciso XII do seu artigo 2º, dispõe que o manifesto eletrônico é definido como o manifesto de carga informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente, contendo inclusive os containeres vazios. Já seu artigo 11 prevê que a informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados exigidos pela norma e relações de containeres vazios transportados pela embarcação durante sua viagem pelo território nacional. Também nos termos da referida norma regulamentar IN RFB 800/07, desde 31.03.2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga darseá pela elaboração no Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 162 9 Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. Da interpretação da legislação aplicável que trata do controle aduaneiro De se ver assim que toda a saída ou entrada de mercadorias no território aduaneiro, bem como de unidades de carga presumivelmente vazias, sujeitase, necessariamente ao controle aduaneiro, salvo expressa determinação legal em contrário. Neste contexto, o controle aduaneiro tem por escopo justamente monitorar o fluxo internacional de mercadorias através das fronteiras, portos e aeroportos. Logo, esclareça se, por oportuno, que é irrelevante se determinada mercadoria é ou não sujeita à tributação na saída ou na entrada, pois o referido controle aduaneiro não se restringe a questões de tributação, abarcando também diversas outras áreas que não se pode prescindir, em prol dos interesses da sociedade e a própria segurança nacional. Nesse sentido, o controle aduaneiro exercido pelo Estado, por meio de seus agentes, in casu, aduaneiros, não é faculdade, nem daquele, nem destes, mas poderdever. Logo, o gerenciamento de risco constitui instrumento/ferramental que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional, possibilitando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Por tais motivos que esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que direcionarão os atos das unidades de jurisdição aduaneiras da Secretaria da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério obstáculo ao exercício do Controle Aduaneiro e, por consequência, permitindo ou, ao menos, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria e outros ilícitos. Da preliminar Preâmbulo No que tange a preliminar de nulidade arguida, entendo que referida hipótese não está configurada. Os feitos tratados no presente processo preenchem todos os requisitos de validade, estando instruídos corretamente, não havendo que se falar em nulidade por ilegitimidade do sujeito passivo ou por cerceamento do direito de defesa, em face de vício formal do auto de infração, pois as situações passíveis de nulidade estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 163 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Feito este breve preâmbulo, em seguida debaterseá cada tópico. De ilegitimidade passiva da agência de navegação Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente o Conhecimento Eletrônico CE relativo à mercadoria descrita no conhecimento de embarque B/L NYKS3020170050, cuja informação fora de prazo deu origem à presente autuação, verificase que figura como agência de navegação responsável e, portanto, também responsável pelo registro do conhecimento eletrônico correspondente, o que no caso em tela é o CE 150805092843352, o ora recorrente. No entanto, em sede de argumentação preliminar, o recorrente alega em sua defesa que por ser agência de navegação não pode ser considerado responsável tributário, pois não pode ser equiparado ao transportador internacional para efeito da responsabilização tributária, por inexistência de previsão legal de aplicação de qualquer penalidade em face da agência de navegação, tanto que traz a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 164 11 c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) Não obstante o arcabouço jurídico evidenciado, importa, volverse à análise mais pormenorizada da lei e da legislação concernente à responsabilidade do recorrente pela infração. O artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pela Lei 10.833 de 2003, prevê o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre achegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 165 12 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e (...) (grifouse) O artigo 107, também do Decretolei 37 de 1966, e também com redação dada pela Lei 10.833 de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...) No exercício da competência estabelecida pela norma acima transcrita, foi editada a Instrução Normativa RFB 800 de 2007, que nos seus artigos 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira, verbis: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o recorrente concorreu para a prática da infração em questão, tanto que foi quem efetivamente procedeu ao registro do CE 150805092843352; logo, necessariamente, acaso se confirmasse a infração, responderia pela correspondente penalidade cabível, de acordo com as Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 166 13 disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, verbis: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Demais disso, o inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do artigo 94 do Decretolei 37 de 1966 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pelo recorrente, é suficiente evidenciar que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decretolei 2.472 de 01.09.1988, que deu nova redação ao artigo 32 do Decretolei 37 de 1966, ao expressamente designar que o representante do transportador estrangeiro no País é responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação. Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei 10.833 de 2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex. Transcrevese, em reforço, a ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, proferida no Acórdão 3401003.884, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decreto lei nº 37/66. (...) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 167 14 Por fim, salientese que, não obstante seu reclamo, verdade é que o próprio recorrente, em determinada altura da sua contestação recursal, especificamente quando trata do tópico referente a denúncia espontânea, reconhece sua condição jurídica de transportador. Vejamos, verbis: (...) Por fim, urge deixar claro que os documentos carreados aos autos demonstram a diligência com que o transportador atuou perante a autoridade fiscal (jamais imbuído do sentido de embaraçar a fiscalização), sempre mantendo a mesma postura íntegra, no sentido de esclarecer os fatos e instruir corretamente os procedimentos e a fiscalização exigidos para o caso. (grifei) (...) Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do sujeito passivo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Como visto alhures, sabese que a agência de navegação, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo. Neste contexto específico, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade das agências de navegação. Do mérito Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento, principal, que a partir da alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, antes de adentrarmos na discussão do referido tema, fazse necessário esclarecer que não fosse a alteração acima destacada, em face da Lei 12.350 de 2010, ou seja, em data posterior à apresentação da impugnação, ofertada em 19.11.2008, tal circunstância implicaria em inovação da tese jurídica na fase recursal, pois tal argumento não foi veiculado em sede de primeiro grau, que a teor do disposto nos artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235 de 1972, em preclusão e, por consequência, supressão de instância, na medida em que a fase Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 168 15 litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se a matéria questionada, apreciada e decidida pela primeira instância, a fim de tornar viável sua veiculação em sede de recurso voluntário. Feito este breve esclarecimento, já adiantase, que melhor sorte também não lhe assiste, pois, como veremos, a infração em apreço inequivocamente não é passível de denunciação espontânea. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar a razão de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 169 16 interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 170 17 prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 171 18 Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, ainda, é relevante reproduzir os preceitos dos artigos 612 e 683, o primeiro do Decreto 4.543 de 26.12.2002 e o segundo do Decreto 6.759 de 05.02.2009, Regulamento Aduaneiro, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 172 19 DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". Da solicitação de retificação do CEMercante (i)dos fatos que embasam a presente ação fiscal A empresa recorrente solicitou, por meio de petição protocolada em 08.07.2008 retificação de informação do CE 150805092843352, conforme o relato constante do relatório fiscal anexo ao presente auto de infração, que é parte integrante e inseparável deste, a seguir reproduzido, verbis: SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO Ilmo. Sr. InspetorChefe da Alfândega da Receita federal do Porto de Santos. NYK Line do Brasil LTDA, CNPJ 04.658.184/000132, vem através desta solicitar a retificação de frete e taxas conforme abaixo: CE: 150805092843352 Manifesto: 1508500761232 Escala: 08000037872 Nome do navio: MERKUR BAY Data da atracação: 04/05/2008 Item(s) nº(s): ********** (se for o caso) MOTIVO ( ) Início de despacho (DI / DTA) nº. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 173 20 (x ) Solicitação após decorridos 30 dias da atracação do navio. ALTERAÇÕES: (...) Santos, 18 de Junho de 2008. (ii)da sanção A alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei no 37/66, estipula a respectiva sanção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Portanto, como se vê, uma infração omissiva. Com a revogação do artigo 45 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007, pela Instrução Normativa RFB 1.473 de 2014, a seguir reproduzida, instalase uma polêmica, verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2º Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 174 21 LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Contudo, entendese que nada foi alterado quanto à responsabilidade do transportador em prestar informações e a sua consequente sanção estipulada na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei 37 de 1966. Esse entendimento é respaldado na Solução de Consulta Interna nº 2 COSIT, de 4 de fevereiro de 2016, editada, ressaltese, após a decisão recorrida 16 de janeiro de 2013, cuja ementa é, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMTNISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (Grifei e negritei) A parte inicial do Relatório da referida Solução de Consulta, revela a quem se destina, verbis: Tratase de Consulta Interna (CI) nº 1, de 2 de setembro de 2015, formulada pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), acerca da multa de R$ 5.000,00, aplicável nos casos de não prestação de informações por parte de empresas de transporte internacional e depositários ou operadores portuários nas operações de comércio exterior, prevista no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Grifei e negritei) Imprescindível a transcrição da CONCLUSÃO, verbis: 12. Diante do exposto, solucionase a consulta interna respondendo à interessada que: a) a multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.007885/200813 Acórdão n.º 3001000.422 S3C0T1 Fl. 175 22 b) as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada. Portanto, a aplicação da multa estipulada na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei nº 37/66 permanece aplicável à informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27.12.2007. Todavia, a alínea “b” da CONCLUSÃO da Solução de Consulta Interna nº 2 COSIT de 4 de fevereiro de 2016, explicita, a meu sentir, sem margem para interpretação outra, que as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, independentemente da sua espécie e qualificação, não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada, notadamente depois das alterações e revogações promovidas com a edição da Instrução Normativa RFB 1.473 de 02 de junho de 2014. Sendo assim, no caso dos presentes autos, em que pese a respeitável interpretação, dada para o caso e a matéria sob exame, pelo voto condutor do acórdão recorrido, entendo que a imputação da multa regulamentar não procede. Da conclusão Dessa forma, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901146/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do processo administrativo fiscal, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental.
Numero da decisão: 1301-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de concomitância entre o presente processo e o processo nº 5001106-55.2018.4.03.6144, em trâmite na 1ª Vara Federal de Barueri.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.901146/201357 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.305 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2018 Matéria CSLL PER/DCOMP Recorrente TRELLEBORG DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do processo administrativo fiscal, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de concomitância entre o presente processo e o processo nº 500110655.2018.4.03.6144, em trâmite na 1ª Vara Federal de Barueri. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 11 46 /2 01 3- 57 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10825.901146/201357 Acórdão n.º 1301003.305 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo decorrente da Declaração de Compensação apresentada por meio do PER/DCOMP 15100.20717.301110.1.3.040428, através da qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido (PA 31/12/2009 – código receita 2484 – Valor total do DARF R$ 49.910,21 – data de arrecadação 29/01/2010) com débitos nela declarados. O Despacho Decisório proferido pela DRF/Bauru em 02/08/2013 (fl.11) não homologou a compensação pretendida alegando que os pagamentos foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a operação informada no PER/DCOMP. Cientificada em 12/08/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 17/18, informando o seguinte: Em janeiro de 2010 recolhemos os DARF de IRPJ (cód. 5993) e CSLL (cód. 2484) referentes ao período de apuração 12/2009 nos respectivos valores de R$ 146.088,37 e R$ 49.910,21. Estes DARF foram recolhidos de maneira indevida, pois não apuramos lucro neste período. Nos meses de novembro e dezembro de 2010 enviamos as PERDCOMP para fazer a compensação desses impostos. No dia 12/08/2013 recebemos os Despachos Decisórios não homologando as compensações declaradas; Ao nos dirigirmos à RFB para verificar o ocorrido, fomos informados que os Despachos Decisórios se deram de forma desfavorável por termos preenchido a DCTF de referência 12/2009 de maneira incorreta; Na referida DCTF, informamos o débito dos impostos recolhidos e seus respectivos DARF de pagamento, sendo que não deveríamos ter informado esses débitos, pois eles não eram devidos. Desta forma, fizemos a retificação da DCTF referente ao período 12/2009; À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, o contribuinte não ter feito qualquer prova da liquidez e certeza do crédito, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 101/109, aduzindo que os DARFs referentes aos recolhimentos de IRPJ e CSLL do período de apuração de 12/2009 o foram em maior valor, pois o contribuinte não teria lançado como crédito o benefício da redução das multas, juros e encargos legais decorrentes da adesão ao programa de parcelamento da Lei nº 11.941/09. Junta aos autos o comprovante dos recolhimentos de IRPJ e CSLL por estimativas do anocalendário 2009. O contribuinte juntou reiteradas vezes o mesmo Recurso Voluntário, razão pela qual não será novamente relatado o seu teor. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10825.901146/201357 Acórdão n.º 1301003.305 S1C3T1 Fl. 4 3 Em 18/04/2018, juntou cópia de Mandado de Segurança impetrado (fls. 352/373), bem como anexou cópia de liminar proferida nesse processo, concedendo a suspensão da exigibilidade de créditos tributários e autorizando a expedição de certidão fiscal positivo com efeitos de negativa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende as condições de admissibilidade, entretanto não deve ser conhecido pelas razões que serão aduzidas abaixo. A Recorrente impetrou, posteriormente à interposição do Recurso Voluntário em julgamento, Mandado de Segurança que foi processado no Processo nº 5001106 55.2018.4.03.6144, em trâmite na 1ª Vara Federal de Barueri. Um dos pleitos do Mandado de Segurança é exatamente o mesmo do presente processo administrativo o reconhecimento da existência de crédito líquido e certo em favor da Recorrente, com homologação da compensação que originou o Processo nº 10825.901146/201357. Senão vejamos, na fl. 372: 64. Diante de todo o exposto e com base na argumentação retro expendida, requer seja: (...) c) Julgada totalmente procedente a presente ação, uma vez que demonstrada satisfatoriamente a existência de crédito líquido e certo a favor da Requerente, devendo ser anulada a decisão administrativa e, por consequência, determinada a extinção dos débitos originados, relativos aos processos administrativos nº 10825.901295/201316, 10825.901146/201357, 10825.901296/201361 e 10825.901145/201311, objeto dos processos de cobrança Cobrança nº 10825.901.369/201314, 10825.901.307/201311, 10825.901.368/201370, 10825.901.308/201357, condenandose a requerida ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios. Além do idêntico pedido, verificase que a causa de pedir invocada na seara judicial também foi o erro na apuração do IRPJ e CSLL no mês de 12/2009 (fls.357/360), de modo que se pode concluir, portanto, que o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança supra tratam do mesmo objeto, qual seja, da liquidez e certeza dos créditos tributários objeto da compensação em análise. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10825.901146/201357 Acórdão n.º 1301003.305 S1C3T1 Fl. 5 4 devendo ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em seu art. 62: Art.62.A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, com eficácia vinculante para o Colegiado, cujo conteúdo é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica porque a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, declara que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. O ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. Desse modo, voto pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, em razão de concomitância entre o presente processo e o Processo nº 5001106 55.2018.4.03.6144, em trâmite na 1ª Vara Federal de Barueri. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10825.901146/201357 Acórdão n.º 1301003.305 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 393DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.724800/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2000
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade.
CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. DATA EM QUE SE TORNOU DEFINITIVA A DECISÃO ANULADA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA.
O pedido de uniformização de jurisprudência integra o processo administrativo fiscal previdenciário regulado pela Portaria MPS nº 88, de 2004, impedindo a sua preclusão.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE.
Na vigência da Ordem de Serviço INSS/DAF 209, de 1999, aplica-se, na empreitada na construção civil, a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI, do art. 30 da Lei 8.212, de 1991, somente nos casos de contratação de execução de obra por empreitada total e quando houver o repasse integral do contrato nas mesmas condições pactuadas.
CONSTRUÇÃO CIVIL. MÃO DE OBRA. UTILIZAÇÃO DE PERCENTUAIS REDUZIDOS. SERVIÇOS REALIZADOS MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE MEIOS MECÂNICOS.
A apuração da remuneração mediante a utilização de percentual reduzido, de 12%, para a apuração da remuneração à mão de obra empregada em construção civil, é restrita aos serviços que, comprovadamente, são executados mediante a utilização de meios mecânicos.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, e não declarados em Gfip, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em Gfip, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
JUROS SOBRE MULTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Preclusão é a perda do direito de agir nos autos em face da perda da oportunidade, conferida por certo prazo. Tendo ocorrido a preclusão não há mais o que ser apreciado acerca da matéria por não se tratar de matéria de ordem pública. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão do direito de questionar a matéria.
Numero da decisão: 2301-005.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário, e, nas demais questões, dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente afastar a solidariedade passiva da recorrente Unimed Belo Horizonte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. DATA EM QUE SE TORNOU DEFINITIVA A DECISÃO ANULADA. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. O pedido de uniformização de jurisprudência integra o processo administrativo fiscal previdenciário regulado pela Portaria MPS nº 88, de 2004, impedindo a sua preclusão. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. Na vigência da Ordem de Serviço INSS/DAF 209, de 1999, aplicase, na empreitada na construção civil, a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI, do art. 30 da Lei 8.212, de 1991, somente nos casos de contratação de execução de obra por empreitada total e quando houver o repasse integral do contrato nas mesmas condições pactuadas. CONSTRUÇÃO CIVIL. MÃO DE OBRA. UTILIZAÇÃO DE PERCENTUAIS REDUZIDOS. SERVIÇOS REALIZADOS MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE MEIOS MECÂNICOS. A apuração da remuneração mediante a utilização de percentual reduzido, de 12%, para a apuração da remuneração à mão de obra empregada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 48 00 /2 01 1- 87 Fl. 632DF CARF MF 2 construção civil, é restrita aos serviços que, comprovadamente, são executados mediante a utilização de meios mecânicos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, e não declarados em Gfip, aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em Gfip, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. JUROS SOBRE MULTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclusão é a perda do direito de agir nos autos em face da perda da oportunidade, conferida por certo prazo. Tendo ocorrido a preclusão não há mais o que ser apreciado acerca da matéria por não se tratar de matéria de ordem pública. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão do direito de questionar a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, não reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário, e, nas demais questões, dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente afastar a solidariedade passiva da recorrente Unimed Belo Horizonte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0243.140, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 386 a 397). De acordo com o relatório fiscal (efls. 15 a 21), foram lavrados os Autos de Infração DEBCAD 37.315.6434 e DEBCAD 37.315.6442 contra a recorrente, Unimed Belo Horizonte, em face da responsabilidade solidária estabelecida pelo art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 3 3 A recorrente é tomadora de serviços de construção civil contratados por empreitada global com a sociedade Construtora Castilho Ltda, CNPJ 65.124.224/000150, prestadora dos aludidos serviços, ambas incluídas no pólo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente por contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT, e contribuições sociais previdenciárias de ônus dos segurados, incidentes sobre remuneração paga à mãodeobra que executou as obras de construção civil do Núcleo Unifácil City Mall Barreiro e Núcleo Unifácil Eldorado. A citada remuneração, sobre a qual incidiu a exigência, foi apurada por aferição indireta, com base nos valores de notas fiscais de serviços, em razão da falta de apresentação, pela tomadora de serviços fiscalizada, dos documentos a que se referem o art. 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999 (RPS). O procedimento fiscal teve por fundamento o art. 33, §3°, da Lei 8.212, de 1991 combinados com arts. 233 a 235 do RPS. O relatório esclarece também que: (a) foi efetuado comparativo da multa calculada segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores com a multa calculada segundo a legislação em vigor (alterações introduzidas pela Lei 11.941, de 2009), aplicandose a multa de 75%, mais benéfica ao contribuinte; (b) os autos de infração foram lavrados em substituição à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 35.188.0674, de 30/04/2003, julgada nula em razão da omissão do fundamento legal que autorizou o arbitramento, conforme Acórdão n° 587, de 25/05/2005 da 2° Câmara de Julgamento de Recursos da Previdência Social (CRPS), decisão esta confirmada pelo Despacho 2400043/2009, de 02/04/2009 da 4ª Câmara da 2ª Seção deste CARF. A DRJ julgou a impugnação da Unimed Belo Horizonte procedente em parte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2000 LANÇAMENTO FISCAL SUBSTITUTIVO. CORREÇÃO DO VÍCIO FORMAL ANTERIOR. A expressa informação, no Auto de Infração substitutivo, do dispositivo legal que autoriza o procedimento fiscal de arbitramento corrige o vício formal que determinou a nulidade do Auto de Infração anterior por ausência da referida informação. SERVIÇOS QUE NÃO COMPÕEM O CUB. NÃO COMPROVAÇÃO. Rejeitase, por falta de provas, a alegação de que as notas fiscais listadas no lançamento fiscal se referem a atividades que não compõe o CUB, e, em conseqüência, é necessário a apresentação de guias de recolhimentos específicas da obra para afastar a responsabilidade solidária. Fl. 634DF CARF MF 4 HIPÓTESE LEGAL DE UTILIZAÇÃO DE PERCENTUAIS REDUZIDOS. SERVIÇOS REALIZADOS MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE MEIOS MECÂNICOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A apuração da remuneração mediante a utilização de percentual reduzido, de 12%, para a apuração da remuneração à mãode obra empregada em construção civil fica restrita à hipótese legal, de serviços que, comprovadamente, são executados mediante a utilização de meios mecânicos. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO EFETUADA POR SUBEMPREITEIROS. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. Deve ser retificado o débito para a exclusão de retenção comprovadamente efetuada por subempreiteiros. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PEDIDO DE REVISÃO DE ACÓRDÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. OBSTÁCULO AO INÍCIO DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Pendente de julgamento pedido de revisão de Acórdão com efeitos suspensivos, fica obstado o início da contagem do prazo de decadência para a lavratura de Auto de Infração em substituição a lançamento fiscal anterior anulado. A ciência da Unimed Belo Horizonte ocorreu em 22/03/2013 (efl. 405); a ciência da Construtora Castilho Ltda. se deu, por edital, em 07/07/2016 (efls. 574). Em 23/04/2013, foi apresentado recurso voluntário por Unimed Belo Horizonte (efls. 411 a 433). Em 09/03/2016, pela Resolução 2301000.586, os autos foram encaminhados para saneamento, uma vez que não foram colacionadas as páginas 24 a 31 do recurso voluntário (efls. 560 a 566). Os autos foram devolvidos a este CARF sem o atendimento à diligência, motivo pelo qual nova diligência foi determinada, pela Resolução 2301647, de 04/04/2017 (e fls. 577 a 583). Foi cumprida a diligência, pela juntada do recurso voluntário em sua integralidade, no qual, em síntese, é alegado: (a) a nulidade da autuação por arbitramento, pela existência de elementos de aferição das bases tributáveis; (b) decadência do poderdever de lançar o crédito tributário; Fl. 635DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 4 5 (c) inexistência da responsabilidade solidária – comprovada existência de serviços que permitem a apresentação de gps genérica para elidir a solidariedade a d. Turma Julgadora reconheceu que a legislação aplicável à época admitia a apresentação de GPS genérica da construtora (apresentada neste caso, à fl. 131 do processo apenso), para elisão da responsabilidade subsidiária do tomador, quando o caso envolvesse serviços cujos custos não integram o CUB (anexo I, da OS INSS/DAF 165/1997). Neste ponto, portanto, foram claramente acolhidos os argumentos apresentados em impugnação; porém, em uma superficial e equivocada análise dos documentos comprobatórios, a d. Delegacia recorrida entendeu que a Fiscalização, ao lavrar a nova autuação, não teria considerado as atividades que não compõem o CUB na formação da base do lançamento fiscal; tal fundamentação mostrase mesmo incompreensível, eis que nenhuma das oito notas fiscais utilizadas para aferição indireta do valor a ser lançado contém a descrição detalhada dos serviços nela representados, apenas referese à obra cujos serviços estão sendo cobrado; sendo assim, como é possível alegarse que tais notas comprovam que os serviços não contidos no CUB deixaram de ser considerados para a autuação; tal afirmação não possui fundamento algum; a planilha de preços relativa às notas fiscais fiscalizadas contém os serviços que permitem a apresentação de GPS genérica para a elisão da responsabilidade, como a própria Turma julgadora reconheceu, por estarem contidos no anexo I da OS INSS/DAF 165/19978 e as notas fiscais respectivas apenas corroboram essa afirmação, já que remetem somente às obras realizadas, demonstrando que se referem a todos os custos contidos na planilha de preços; é perfeitamente aceita a GPS da Construtora Castilho (fl. 131, do processo apenso), emitida de modo englobado em seu CNPJ, para elidir a responsabilidade solidária atribuída à Recorrente; não se pode também afirmar que tal GPS referirseia somente ao pessoal administrativo da Construtora, eis que, se é aceita a GPS genérica nos casos como o presente, significa que o legislador entendeu que nela também estariam os recolhimentos relativos aos segurados alocados nas obras realizadas para o tomador dos serviços; na medida em que a Construtora contratada pela UNIMED prestou atividades descritas no Anexo I da aludida OS INSS/DAF 165/97, conforme atesta cabalmente a Planilha de Preços contida nas fls. 119 a 129 do processo apenso, e tendo sido apresentadas as GPSs da construtora, com recolhimento englobado em seu CGC, elidiuse a suposta responsabilidade solidária da Unirned BH; nem se alegue que, para que seja a GPS genérica com o fim de elidir responsabilidade subsidiária, devem ter sido prestados somente os serviços não componentes do CUB, eis que tal restrição não é feita pela norma aplicável, exigindo esta apenas que a fiscalização envolva atividades relacionadas àquelas não contidas no CUB, ou que a empresa prestadora exerça essas atividades; caso se entenda que a lei somente aceita a GPS genérica para elisão da solidariedade nos casos específicos das atividades listadas no mencionado anexo, I, deve, ao menos, tal análise ser feita de forma detalhada, verdadeiramente se excluindo tais atividades das autuações em relação à Unimed BH. (d) redução da base de cálculo utilizada na aferição indireta – o percentual de 20%, utilizado para apurar a remuneração, deve ser reduzido para 12%, em razão do disposto item 31.2.1 da OS INSS/DAF 165/97 e tendo em vista que a planilha de preços anexa ao contrato e a cláusula segunda deste comprovam que foram utilizados equipamentos mecânicos na realização dos serviços em questão; (e) para as penalidades relativas ao suposto não recolhimento de contribuições, deve ser considerada a natureza moratória da multa, limitada a 20%, ante o advento de lei posterior que lhe é benéfica; (f) caráter confiscatório da multa de ofício de 75%; Fl. 636DF CARF MF 6 (g) a impossibilidade de exigência de juros sobre multa de ofício, destacando que este argumento apenas foi levantado em Recurso, tendo em vista que somente é possível perceber se houve a incidência de juros sobre multa após a lavratura da autuação, quando, ao requerer valores atualizados ao Fisco, percebese que a multa aplicada foi atualizada também pela SELIC. Os pedidos consistem no: (i) cancelar os Autos de Infração DEBCADs n° 37.315.6434 e 37.315.6442, em razão da patente nulidade que os macula, decorrente da impossibilidade de lançamento por aferição indireta, ante a presença de escrituração contábil válida e ausência de fundamentação para a sua desconsideração; (ii) caso não se entenda pela clara nulidade, o que não se espera, reconhecer a decadência do direito do Fisco Federal em exigir tributo referente a fato gerador consubstanciado em lançamento anulado por decisão que se tornou definitiva há mais de 5 anos; (iii) desconstituir a responsabilidade solidária irregularmente aplicada para a Recorrente, tendo em vista que foi apresentada GPS genérica da Construtora Castilho, aceita em situações que envolvem atividades não contidas no CUB, caso dos autos; (iv) subsidiariamente, reduzir o percentual aplicado sobre o valor das notas fiscais para 12%, para aferição da base de cálculo tributada, ante a comprovada utilização de meios mecânicos na prestação dos serviços; (v) reconhecer ofendido o Princípio da Retroação Benéfica devendo a multa de mora limitarse ao montante de 20% previsto na Lei 9.430/96 e a multa acessória se aplicamos termos do art. 32 A da Lei 8.212/91 e (vi) excluir a aplicação de juros sobre a multa, caso mantida. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Não foi apresentado recurso voluntário pela Construtora Castilho Ltda., intimada por edital em 07/07/2016. O recurso voluntário da Unimed Belo Horizonte é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARES Da nulidade da autuação por arbitramento Fl. 637DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 5 7 A recorrente alega a nulidade da autuação por arbitramento, pela existência de elementos de aferição das bases tributáveis; afirma que o lançamento fiscal mantém o mesmo vicio formal que resultou na anulação do lançamento anterior porque a Fiscalização ignorou completamente a documentação existente no processo cuja NFLD foi anulada anteriormente; não foi averiguada a documentação específica que registra as ocorrências relacionadas à remuneração dos segurados empregados, como livro diário, folhas e recibos de pagamento, RAIS ou GFIP, etc; o lançamento se deu com base somente em notas fiscais de serviços, não tendo sido informado ao contribuinte que o lançamento se daria por arbitramento, conforme art. 33, §3°da Lei 8.212, de 1991. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo Fl. 638DF CARF MF 8 direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada por todas as Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. (Acórdão 2201003.576, relator(a) Ana Cecilia Lustosa da Cruz) NULIDADE DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. (Acórdão: 2202003.818, relatora: Junia Roberta Gouveia Sampaio) NULIDADES DO LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído. (Acórdão: 2301 005.171, relatora: Andréa Brose Adolfo) Fl. 639DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 6 9 NULIDADE. Os casos de nulidade são os descritos no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. (Acórdão: 2401004.533, relator: Carlos Alexandre Tortato) AQUISIÇÕES DE PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Da base de cálculo das contribuições devidas em razão da (...) A equivocada inclusão de determinados valores na base de cálculo do tributo, não gera, por si só, a decretação de nulidade do lançamento, caso não verificadas em concreto as hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão: 2402 005.199, relator: Ronnie Soares Anderson) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). A pertinência, ou não, do lançamento por aferição indireta é matéria de mérito, a ser abordada quando de seu exame. MÉRITO Da decadência É alegada a ocorrência da decadência do poderdever de lançar o crédito tributário, uma vez não deve prosperar o entendimento de que a decisão que anulou a NFLD anterior teria se tornado definitivamente somente após o julgamento do pedido de revisão da anulação protocolado pela Fazenda Federal; tal pedido de revisão possui natureza de ação rescisória, destinada a alterar decisão administrativa definitiva; não se trata de recurso com efeito suspensivo; o pedido de revisão fundamentouse no art. 60, da Portaria MPS 88, de 2004, e foi cumulado com pedido de uniformização da jurisprudência, previsto no art. 63 da mesma portaria; tratase de meio que as partes no processo administrativo possuíam para sanar eventual vício ou ilegalidade patente contida em decisão não passível de recurso a instâncias superiores, dentro do prazo de prescrição administrativa; tratase de ação rescisória administrativa, que podia ser apresentado enquanto não tivesse ocorrido a prescrição administrativa, ou seja, em 5 anos da definitividade da decisão proferida, conforme art 174, do CTN; não se trata de mero recurso capaz de reformar entendimento administrativo, adiando o transito em julgado administrativo; além disso, o Regimento Interno do CRPS definia que o pedido de revisão somente era cabível contra decisão não passível de recurso à instância superior, não sendo possível sua apresentação com o intuito de recuperar prazo recursal ou rediscutir a matéria decidida; é clara previsão normativa que equipara o pedido de revisão em análise à ação rescisória processual, cabível em restritas hipóteses contra decisão transitada em julgado; no que se refere ao efeito suspensivo, o pedido em questão não comporta o efeito suspensivo automático, como comportam os recursos em processos administrativos; ademais, no caso em analise, o efeito suspensivo foi expressamente afastado, ante o não conhecimento dos pedidos feitos pela Secretaria da Previdência Social; nesse sentido, a decisão que anulou a NFLD anterior tomouse definitiva 30 dias depois da ciência do sujeito passivo, acerca da Fl. 640DF CARF MF 10 decisão, que foi proferida em 25/05/2005, quando começou a ser contado o prazo para lavratura de nova autuação, nos termos do art. 173, II, do CTN; assim, ocorreu a decadência das presentes autuações, já que notificadas à recorrente apenas em 30/11/2011, mais de 5 anos depois que se tornou definitiva a decisão que anulou a NFLD anterior. Como relatado, os autos de infração foram lavrados em substituição à NFLD DEBCAD 35.188.0674, de 30/04/2003, julgada nula pelo Acórdão n° 587, de 25/05/2005 da 2° Câmara de Julgamento do CRPS (efls. 23 a 28). Tendo ocorrido pedido de revisão desse julgamento cumulado com pedido de uniformização de jurisprudência e de efeito suspensivo, o Despacho 2400043/2009, de 02/04/2009, exarado pelo Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção deste CARF (efls. 35 a 38): (a) rejeitou o pedido de revisão pela falta dos pressupostos de admissibilidade, (b) rejeitou o pedido de uniformização de jurisprudência por deficiência de instrução e (c) entendeu prejudicado o pedido de efeito suspensivo. Em 1º/12/2011, o recorrente foi intimado dos presentes autos de infração (e fl. 59). O art. 173, II, do CTN, dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Está em questão definir quando se tornou definitiva a decisão que anulou o primeiro lançamento: (a) após o Acórdão n° 587, de 25/05/2005 ou (b) após o Despacho 2400 043/2009, de 02/04/2009. Como o novo lançamento foi notificado à recorrente em 1º/12/2011, caso se entenda pela alternativa (a) após o Acórdão n° 587, de 25/05/2005, o novo lançamento estaria atingido pela decadência do poderdever de constituir o crédito tributário. Do pedido de revisão O pedido de revisão examinado pelo Despacho 2400043/2009 está claramente situado fora do “procedimento ordinário” do então processo administrativo fiscal previdenciário, regido pela Portaria MPS nº 88, de 2004, situandose na esfera jurídica da autotutela da Administração Pública. O sistema jurídico brasileiro há muito tempo consagrou o Princípio da Autotutela da Administração Pública (também conhecido por Princípio da Sindicabilidade), o qual consagra o controle interno que a Administração Pública exerce sobre seus próprios atos; tal princípio, emanado do art. 2º da Constituição Federal e decorrente da supremacia do interesse público, consiste no poderdever de retirada de atos administrativos por meio da anulação de atos ilegais (e revogação de atos inconvenientes ou inoportunos), ou seja, a Administração não precisa recorrer ao Poder Judiciário para anular seus atos ilegais. (Alexandre Mazza, Manual de Direito Administrativo; São Paulo: Saraiva, 2011, p. 98.) Tal é a vetusta jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), consagrada em suas Súmulas 356 e 473: Súmula STF 356 A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula STF 473 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 7 11 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. No atual processo administrativo fiscal a nulidade dos atos praticados pela Administração Tributária é prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê, como já visto, duas hipóteses de nulidade: (a) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (art. 59, I) e (b) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). A seu turno, o art. 80 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) dispõe que “as decisões proferidas em desacordo com o disposto nos arts. 42 (impedimento de conselheiro) e 62 (acórdão que exerce o controle repressivo de constitucionalidade) enquadramse na hipótese de nulidade a que se refere o inciso II do caput do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972”. É a aplicação, aos processos julgados pelo CARF, do Princípio da Autotutela da Administração Pública. O Decreto 70.235, de 1972, não prevê o prazo decadencial para que a autoridade competente exerça seu direito potestativo de declarar a nulidade do ato atacado. Por conseguinte, deve ser utilizada a regra constante no art. 54, caput, da Lei 9.784, de 1999, o qual prevê que o direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. (Grifouse.) No caso em apreço, na Portaria MPS nº 88, de 2004, a autotutela estava prevista em seu art. 60, que possuía a seguinte redação: CAPÍTULO VIII DA REVISÃO DE ACÓRDÃO Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I violarem literal disposição de lei ou decreto; II divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV for constatado vício insanável. (...) § 6º Ao pedido de revisão aplicase o disposto nos arts. 27, § 4º, e 28 deste Regimento Interno. Fl. 642DF CARF MF 12 § 7º Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8º Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior. § 9º O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de ofício o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § 11 Nos processos de benefício, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 2º, deste Regimento. (Grifouse.) Como característica do poder de autotutela – em oposição à instância “ordinária” de julgamento do processo administrativo fiscal previdenciário – era previsto que o pedido de revisão somente ocorreria após findo o julgamento do lançamento veiculado no processo administrativo, ou seja, quando a matéria não mais comportasse recurso à instância superior (art. 60, § 8º) e que o pedido de revisão feito pelo INSS, nos processos de benefício, somente poderia ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância (art. 60, § 11). Coerentemente, na Portaria MPS nº 88, de 2004, o Capítulo VIII, que trata da revisão do acórdão, está destacado do Capítulo VII, Seção III – “Dos recursos”. Do pedido de uniformização de jurisprudência A seu turno, o pedido de uniformização de jurisprudência, formulado e rejeitado pelo Despacho 2400043/2009, é regulado pelo art. 63 da Portaria MPS nº 88, de 2004, nos seguintes termos: Art. 63. Quando a decisão da Câmara de Julgamento do CRPS, em matéria de direito, for divergente da proferida por outra de suas Câmaras ou pelo Conselho Pleno, a parte poderá requerer ao presidente da Câmara de Julgamento, fundamentadamente, que a jurisprudência seja uniformizada pelo Conselho Pleno. § 1o A divergência deve ser demonstrada mediante a indicação de acórdão divergente proferido por outra Câmara de Julgamento do CRPS ou pelo Conselho Pleno, desde que atual. § 2º Aplicase ao pedido de uniformização de jurisprudência o disposto nos arts. 27 a 35, 38 e 39 deste Regimento. § 3o O pedido previsto neste artigo pode ser feito pela parte uma única vez e o seu indeferimento pelo presidente da Câmara de Julgamento que proferiu a decisão atacada é irrecorrível. (Grifouse.) (...) Do exame dos preceitos citados, verificase que o pedido de uniformização de jurisprudência integra o processo administrativo fiscal previdenciário, impedindo a sua Fl. 643DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 8 13 preclusão. A condição para a interposição do pedido de uniformização é que tenha sido proferida decisão de Câmara de Julgamento do CRPS, em matéria de direito, divergente da proferida por outra de suas Câmaras ou pelo Conselho Pleno – e não o término do processo administrativo. São aplicáveis as regras ordinárias referentes ao prazo para a interposição de recurso e para o oferecimento de contrarazões (art. 27 da Portaria MPS nº 88, de 2004). Quanto ao efeito suspensivo do recurso, é aplicável, no caso de processo fiscal, como o presente, o disposto no art. 151 do CTN (art. 27, § 5º). Assim, com a interposição do pedido de uniformização de jurisprudência o processo administrativo fiscal previdenciário originário não se findou após o Acórdão n° 587, de 25/05/2005 mas sim (b) após o Despacho 2400043/2009, de 02/04/2009. Desse modo, como o novo lançamento foi notificado à recorrente em 1º/12/2011, o novo lançamento não está atingido pela decadência do poderdever de constituir o crédito tributário. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegada a inexistência de responsabilidade solidária, comprovada pela existência de serviços que permitem a apresentação de GPS genérica para elidir a solidariedade; acolhendo os argumentos apresentados em impugnação, o acórdão recorrido reconheceu que a legislação aplicável à época admitia a apresentação de GPS genérica da construtora (apresentada neste caso, à fl. 131 do processo apenso), para elisão da responsabilidade subsidiária do tomador, quando o caso envolvesse serviços cujos custos não integram o CUB (anexo I, da OS INSS/DAF 165/1997); porém, restou consignado que a Fiscalização, ao lavrar a nova autuação, não teria considerado as atividades que não compõem o CUB na formação da base do lançamento fiscal; tal fundamentação mostrase incompreensível, eis que nenhuma das oito notas fiscais utilizadas para aferição indireta do valor a ser lançado contém a descrição detalhada dos serviços nela representados, apenas referese à obra cujos serviços estão sendo cobrado; sendo assim, não é possível alegarse que tais notas comprovam que os serviços não contidos no CUB deixaram de ser considerados para a autuação; a planilha de preços relativa às notas fiscais fiscalizadas contém os serviços que permitem a apresentação de GPS genérica para a elisão da responsabilidade, como a própria Turma julgadora reconheceu, por estarem contidos no anexo I da OS INSS/DAF 165/1997 e as notas fiscais respectivas apenas corroboram essa afirmação, já que remetem somente às obras realizadas, demonstrando que se referem a todos os custos contidos na planilha de preços; é perfeitamente aceita a GPS da Construtora Castilho (fl. 131, do processo apenso), emitida de modo englobado em seu CNPJ, para elidir a responsabilidade solidária atribuída à Recorrente; não se pode também afirmar que tal GPS referirseia somente ao pessoal administrativo da Construtora, eis que, se é aceita a GPS genérica nos casos como o presente, significa que o legislador entendeu que nela também estariam os recolhimentos relativos aos segurados alocados nas obras realizadas para o tomador dos serviços; na medida em que a Construtora contratada pela Unimed prestou atividades descritas no Anexo I da aludida OS INSS/DAF 165/97, conforme atesta a Planilha de Preços contida nas fls. 119 a 129 do processo apenso, e tendo sido apresentadas as GPS da construtora, com recolhimento englobado em seu CGC, elidiuse a suposta responsabilidade solidária da Unimed BH; nem se alegue que, para que seja a GPS genérica com o fim de elidir responsabilidade subsidiária, devem ter sido prestados Fl. 644DF CARF MF 14 somente os serviços não componentes do CUB, eis que tal restrição não é feita pela norma aplicável, exigindo esta apenas que a fiscalização envolva atividades relacionadas àquelas não contidas no CUB, ou que a empresa prestadora exerça essas atividades; caso se entenda que a lei somente aceita a GPS genérica para elisão da solidariedade nos casos específicos das atividades listadas no mencionado anexo, I, deve, ao menos, tal análise ser feita de forma detalhada, verdadeiramente se excluindo tais atividades das autuações em relação à Unimed BH. Com razão a recorrente. O “contrato de construção sob o regime de empreitada” em questão (efls. 116 a 132 do processo apenso, 36366.001092/200302) define que o preço total pactuado foi de R$284.990,00, a ser pago em três parcelas: R$113.996,00 como sinal, R$85.497,00 quinze dias após a assinatura do contrato e R$85.497,00 na entrega da obra; tais valores correspondem às notas fiscais 336, 338 e 352 (respectivamente efls. 107, 108 e 111 do processo apenso, 36366.001092/200302). Desse modo, diferentemente do que defendeu a decisão recorrida, o lançamento incidiu sobre os valores pactuados pelo fornecimento dos serviços constantes do Anexo I da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 1997, com redação dada pela Ordem de Serviço DAF nº 185 de 1998, qual seja: ANEXO I ATIVIDADES NÃO SUJEITAS À EXIGIBILIDADE DE GRPS ESPECÍFICA PARA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (GRPS GENÉRICA) (...) g) instalações de: (...) arcondicionado; Tal atividade, constante no contrato de empreitada, não sujeita à exigibilidade de GRPS específica por obra para a isenção da responsabilidade solidária, de acordo com o item 21 do Anexo I da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 1997, com redação dada pela Ordem de Serviço DAF nº 185 de 1998: 21. A responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no Anexo I poderá ser elidida à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa ou mediante a consulta à contacorrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2. (Grifouse.) De fato, como arguiu a recorrente, a sociedade contratada para a realização da obra apresentou cópia da GRPS com recolhimento englobado nos meses 03/2000 e 06/2000 (efls. 134 e 135 do processo apenso, 36366.001092/200302), o que, se as Ordens de Serviço INSS/DAF nº 165, de 1997 e 185 de 1998 estivem em vigor na época dos fatos geradores, elidiria a responsabilidade solidária em tais meses, referente às notas fiscais 336, 338 e 371 (ver relatório fiscal, efl. 17). Fl. 645DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 9 15 Porém, em 20/05/1999 entrou em vigor a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 209, de 1999, que, em seu art. 15 limitou a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212, de 1991 (base legal da autuação) a apenas dois casos: 15. Na empreitada na construção civil, aplicarseá a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI, do art. 30 da Lei 8.212/91, somente nos seguintes casos: I na contratação de execução de obra por empreitada total; e II quando houver o repasse integral do contrato nas mesmas condições pactuadas. (Grifouse.) Por “empreitada total” entendese o contrato de empreitada celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material (Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 2005, art. 403): Art. 413. Considerase: (...) XX empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no CREA, na forma do art. 59 da Lei nº 5.194, de 1966; (...) XXVIII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; Verifico que o já referido “contrato de construção sob o regime de empreitada” em questão (efls. 116 a 132 do processo apenso, 36366.001092/200302) estabelece que a empreiteira contratada não era a responsável direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes (letra g da cláusula segunda) e tampouco houve o repasse integral do contrato nas mesmas condições pactuadas Fl. 646DF CARF MF 16 Assim, sendo, não tendo ocorrido, no caso concreto, as situações que configuram a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI, do art. 30 da Lei 8.212, de 1991, presentes no art. 15 da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 209, de 1999, deve ser excluída a responsabilidade da recorrente. DA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO É alegado dever ser reduzida a base de cálculo utilizada na aferição indireta, sendo que o percentual de 20%, utilizado para apurar a remuneração, deve ser reduzido para 12%, em razão do disposto item 31.2.1 da OS INSS/DAF 165/97 e tendo em vista que a planilha de preços anexa ao contrato e a cláusula segunda deste comprovam que foram utilizados equipamentos mecânicos na realização dos serviços em questão. Não lhe assiste razão. Nesta questão assumo como minhas, mutatis mutandis, as razões da decisão recorrida: A defesa que alega que a espécie em foco se enquadra nas citadas hipóteses de serviços realizados com a utilização de meios mecânicos. Para comprovar a alegação, aponta a cláusula contratual segunda e a tabela anexa ao contrato. Entretanto, tais documentos comprovam que a contratada era contratualmente obrigada a fornecer material e equipamento. Tal fato, porém, determina a aplicação do percentual 20% (ao invés de 40%) previsto no transcrito item 31.1.1 da Ordem de Serviço INSS/DAF 165/1997 e art. 76 da Instrução Normativa INSS/DC Nº 69/2002, procedimento corretamente já adotado no lançamento fiscal. As provas deste processo e do processo apenso são incapazes de demonstrar que os serviços objeto das notas fiscais utilizadas na apuração da remuneração se enquadram na hipótese legal de : "...serviços realizados com a utilização de meios mecânicos.." . Logo, prejudicado o pleito de aplicação dos percentuais reduzidos previstos nos dispositivos invocados pela defendente, seja o item 31.2.1 da Ordem de Serviço INSS/DAF 165/1997, Fl. 647DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 10 17 seja o § 1º do art. 77 da Instrução Normativa INSS/DC Nº 69/2002. Quanto a diligência para a juntada dos autos da NFLD 35.488.0674, com todos os seus anexos, é desnecessária uma vez que o processo já veio a esta DRJ com a referida NFLD devidamente apensada. Das multas aplicadas A recorrente assevera que, para as penalidades relativas ao não recolhimento de contribuições, deve ser considerada a natureza moratória da multa, limitada a 20%, ante o advento de lei posterior que lhe é benéfica. Não lhe assiste razão. No caso concreto, já foi aplicada a multa mais benéfica, de 75%. Explico. O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212, de 19911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para: (a) pagamento espontâneo, 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; Fl. 648DF CARF MF 18 ou seja, o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), (b) pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e (c) pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III); além disso, definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212, de 1991 com a redação da MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação da MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo – incluído em lançamento tributário – chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, é única para três condutas, relacionadas ao fato gerador da obrigação principal: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430, de 19964; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44, § 2º, da Lei 9.430, de 19965 e de duplicação/majoração, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996. d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 11 19 O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento de ofício, por falta de pagamento; portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. Como visto, a multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento de ofício relacionado ao fato gerador principal, como se dá no caso presente, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212, de 1991, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212, de 1991, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o também revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.528, de 1997, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, devia ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 650DF CARF MF 20 A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Portanto, entendo que a multa mais benéfica é a calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971, de 2009, acima transcrito, e já foi, corretamente, objeto do lançamento, conforme relatório fiscal e demonstrativos das efls. 54 e 55. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% É alegado que a aplicação da multa de 75% se mostra confiscatória, não podendo permanecer, uma vez que a Constituição Federal de 1988 prevê a impossibilidade de utilizar o tributo e seus acessórios (multa) de modo confíscatório, podendo impedir, inclusive, o exercício de atividades econômicas a que se pretende defesa no art. 170 da Constituição da República. Ademais, a multa aplicada fere o princípio da capacidade contributiva, eis que o acréscimo pretendido vai muito além da simples tentativa de coibir infrações tributárias, impondo, na verdade, majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pela empresa, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta. Já vimos que a multa aplicada possui sua base legal no art. 44, I, da Lei 9.430, de 1996. Assim, para afastar o citado diploma legal por ofensa a normas constitucionais seria preciso haver a atribuição de realizar controle repressivo de constitucionalidade, o que é expressamente vedado pelo art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972 e pela Súmula Fl. 651DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Acórdão n.º 2301005.467 S2C3T1 Fl. 12 21 CARF nº 2. Em face do exposto, não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre essa questão. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO É asseverada a impossibilidade de exigência de juros sobre multa de ofício, destacando que este argumento apenas foi levantado em Recurso, tendo em vista que somente foi possível perceber se houve a incidência de juros sobre multa após a lavratura da autuação, quando, ao requerer valores atualizados ao Fisco, percebeuse que a multa aplicada foi Tal matéria não pode ser conhecida por este CARF, uma vez que deixou de ser atacada na impugnação, a qual estabelece o limite objetivo da lide. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não questionada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no CARF (por exemplo, os Acórdãos 9202005.673 e 9202002.859 ), dentre os quais invoco o Acórdão 9202004.291, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa é: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997. Preclusão nada mais é do que a perda do direito de agir nos autos em face da perda da oportunidade, conferida por certo prazo. Tendo sido acatada a preclusão não há mais o que ser apreciado acerca da multa por não tratarse de matéria de ordem pública. Conclusão Fl. 652DF CARF MF 22 Voto, portanto, por NÃO CONHECER da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade, REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE e, no mérito, NÃO RECONHECER A DECADÊNCIA do poderdever de constituir o crédito tributário, e, nas demais questões, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente AFASTAR A SOLIDARIEDADE PASSIVA da recorrente Unimed Belo Horizonte, restando íntegro o crédito tributário em litígio, que deve continuar a ser exigido do responsável solidário Construtora Castilho Ltda. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002136/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal efetue a imputação proporcional dos valores recolhidos aos débitos originais lançados, de acordo com os Pareceres PGFN/CDA nº 1.936/2005 e PGFN/CAT nº 74/2012, demonstrando eventual saldo devedor original dos tributos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal efetue a imputação proporcional dos valores recolhidos aos débitos originais lançados, de acordo com os Pareceres PGFN/CDA nº 1.936/2005 e PGFN/CAT nº 74/2012, demonstrando eventual saldo devedor original dos tributos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de II e IPI, em razão de descumprimento das obrigações relativas ao DRAWBACKSUSPENSÃO, assumidas no Ato Concessório nº 1616.99/0001024. Em 17/12/2002, a SECEX informou à COANA da RFB que o DECEX/RJ determinou a baixa com inadimplemento total do AC 1616.99/0001024. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (ciência em 20/04/2006), a recorrente informou que, por razões técnicas, as mercadorias importadas sob o regime de Drawbacksuspensão foram nacionalizadas e os impostos recolhidos. O Auto de Infração foi cientificado em 28/07/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 11 .0 02 13 6/ 20 06 -1 3 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10611.002136/200613 Resolução nº 3302000.774 S3C3T2 Fl. 260 2 Em impugnação, a recorrente alegou a nulidade do Auto de Infração, pelo de que os tributos já estavam constituídos na Declaração de Importação e no Ato Concessório, pelo termo de responsabilidade, que quando a fiscalização autoriza a concessão do regime especial, ela homologa a declaração feita pelo contribuinte e que os valores recolhidos espontaneamente pela recorrente satisfazem as exigências lançadas. Apreciando a defesa da empresa, a Quinta Turma da DRJ em Fortaleza julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 29/10/1999, 11/11/1999, 24/11/1999, 25/02/2000. LANÇAMENTO DE OFICIO. VALIDADE. A fiscalização lançou o credito tributário com os acréscimos legais no auto de infração pela inadimplência do Regime de Drawback. Não se vislumbram qualquer nulidade, pois todos os requisitos formais e materiais exigidos legalmente foram observados no lançamento de oficio, consubstanciada no art. 142 do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A inadimplência do compromisso de exportar e a exigência dos tributos, multas de ofício ou mora e juros do Regime Aduaneiro Especial de Drawback não foram expressamente contestados. Considerase matéria não impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17), consolidandose administrativamente o correspondente crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzias em impugnação.. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A fiscalização lavrou o Auto de Infração por entender que houve descumprimento do prazo para pagamento dos tributos suspensos, previsto no artigo 319 do Decreto nº 91.085 e 342 do Decreto nº 4.543/2002, em razão de a recorrente ter feito recolhimentos posteriores ao prazo de trinta dias, sem acréscimo de multa de 75%, considerada devida pela fiscalização. Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10611.002136/200613 Resolução nº 3302000.774 S3C3T2 Fl. 261 3 conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade das autuações em razão de que os créditos tributários já estavam constituídos mediante o termo de responsabilidade e a Declaração de Importação. A respeito da possibilidade de execução do termo de responsabilidade, verifica se que, apesar do disposto no artigo 72 do Decretolei nº 37/1966, o termo de responsabilidade não comporta a cobrança de multas de ofício nem acréscimos legais decorrentes do descumprimento do compromisso de exportação, conforme artigo 674, §2º do Decreto nº 4.543/2002 (RA/2002) e para constituir o crédito tributário relativo a tais parcelas é necessária a lavratura de Auto de Infração, nos termos do artigo 682 do referido decreto; Art. 674. O termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais (Decretolei no 37, de 1966, art. 72, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4o do art. 120. § 2o As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade, bem assim os acréscimos legais cabíveis, não integram o crédito tributário nele constituído [...] Art. 682. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972. Além disso, a cobrança do termo de responsabilidade não comporta o rito do PAF, de modo a garantir o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, transcrevese posicionamento da Coana, expresso no Manual de Drawback, exposto na Nota Técnica Cosit nº 6/2015: "O Termo de Responsabilidade é tratado nos arts. 758 e 760 do Decreto nº 6.759/09 RA/09 e a execução administrativa deste, na IN SRF nº 117/01. Não obstante os dispositivos legais supracitados, a execução do termo de responsabilidade apresenta diversas restrições legais e práticas. Há que se considerar, inicialmente, o previsto na Constituição de 1988: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10611.002136/200613 Resolução nº 3302000.774 S3C3T2 Fl. 262 4 Art. 5o ............................ LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (grifo nosso) Zessa forma, a execução do termo de responsabilidade não possibilitaria ao contribuinte o direito de defesa e muito menos o recurso a ela inerente (princípio do duplo grau de jurisdição). Além disso, há ainda que se levar em consideração o seguinte: A partir de 1997, as DI passaram a ser efetuadas em meio eletrônico (SISCOMEX). Logo, o Termo de Responsabilidade deixou de ser um documento impresso. O que pode ser feito é imprimir as observações da ficha “Informações Complementares” da DI, na qual normalmente consta o Termo de Responsabilidade, mas sem a assinatura do contribuinte; Não há um modelopadrão de termo de responsabilidade para o caso do drawback suspensão, possibilitando a existência de diversos tipos, nem sempre com todos os dados necessários para a cobrança dos tributos suspensos; As DI parametrizadas para o canal verde não sofrem nenhum controle da Receita. Logo, nesses casos, a confecção do Termo fica dependente, única e exclusivamente, da decisão da beneficiária. Não há nenhuma segurança de que o Termo seja feito e de que este reflita o valor real dos tributos suspensos; Inadimplementos parciais do Ato Concessório implicam cálculo dos tributos, gerando valores diferentes (menores) do que os constantes do Termo. Pode ser objeto de questionamento a forma desses cálculos, bem como a base de cálculo utilizada; Em muitos inadimplementos totais, há divergências entre a beneficiária e a Secex, não sendo pacíficos, portanto, tais inadimplementos. No caso de Auto de Infração, há a possibilidade de o contribuinte apresentar seus argumentos. Os Termos de Responsabilidade não abrangem o valor dos acréscimos legais (multa + juros) que seriam devidos no caso de descumprimento dos compromissos assumidos. Isto, aliado à complexidade e às constantes mudanças na legislação, torna inviável, além de descabida, a recusa em julgar eventuais impugnações na esfera administrativa; A “execução administrativa”, a rigor, não se constitui em execução propriamente dita, pois somente na esfera judicial há previsão para tal. Tratase, na realidade, de uma simples cobrança, que, como qualquer outra, pode sempre ser contestada; Há inclusive entendimento consolidado, na esfera judicial, de que a prolatada execução administrativa poderia ser normalmente contestada na forma prevista no PAF, razão pela qual recomendase neste Manual que o lançamento dos tributos suspensos e devidos acréscimos legais seja feito através de Auto de Infração e não seja feita Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10611.002136/200613 Resolução nº 3302000.774 S3C3T2 Fl. 263 5 a execução administrativa do Termo de Responsabilidade. Nesse sentido, dispõe o art. 766 do RA/09, in verbis: Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 1972." É de se destacar que a inclusão dos valores contido no Termo de Responsabilidade no Auto de Infração não traz qualquer prejuízo à recorrente, mas, ao contrário, possibilita a discussão administrativa, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Destarte, não há reparos a se fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto de forma complementar e afasto a preliminar arguida. No mérito, a recorrente alegou que os pagamentos efetuados satisfaziam as exigências tributárias in totum. No relatório fiscal (efl. 21), a fiscalização informou os Darf´s recolhidos, demonstrando data de recolhimento, códigos de receita e os valores recolhidos., entendendo que a multa de ofício seria devida pelo fato de os recolhimentos terem sido efetuados após o prazo de trinta dias de que tratava o artigo 342, I do RA/2002. Já a DRJ decidiu não caber a denúncia espontânea. Constatase na peça recursal que a recorrente não pugnou pela aplicação de denúncia espontânea, mas sim pela imputação dos valores recolhidos espontaneamente aos débitos devidos, para se verificar a extinção dos créditos tributários, o que impediria a constituição com multa de ofício de 75%. Entendo que a alegação é procedente. O prazo de trinta dias fixado no inciso I do artigo 342 do RA/2002 serve como garantia para o contribuinte poder pagar os tributos vencidos e com acréscimos legais, sem que sofra a penalidade de ofício, decorrente de eventual fiscalização. Assim, se ocorresse uma fiscalização antes do vencimento de tal prazo, o contribuinte ainda poderia efetuar os recolhimentos dos tributos vencidos com multa de mora e juros de mora. Porém, após este prazo, fica sujeito à ação fiscal e, consequentemente, a lançamento de ofício com multa de ofício. A multa de ofício não passa a compor o crédito tributário a ser pago pela recorrente de forma espontânea, após o prazo de trinta dias. Seu fato gerador, previsto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, surge nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, verificados por ocasião do início da ação fiscal, quando o contribuinte perde sua espontaneidade (artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972). Ressaltase que ambas penalidades são devidas no caso de falta de pagamento do tributo em seu prazo de vencimento: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10611.002136/200613 Resolução nº 3302000.774 S3C3T2 Fl. 264 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (redação vigente à época dos fatos) [...] Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A aplicação de uma ou outra depende da modalidade de lançamento e da existência da condição de espontaneidade do contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 9.430/1996 identifica esta diferenciação entre acréscimos legais devidos em procedimentos espontâneos e de ofício: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Destarte, para aplicação da multa de ofício, é necessário que o lançamento seja de ofício e que haja falta de pagamento, não sendo cabível, portanto, exigir que o contribuinte efetue os recolhimentos de forma espontânea, incluindo a multa de ofício, ainda que posterior ao prazo estipulado para cumprimento da obrigação, pois estarseia diante de lançamento por homologação e não de ofício, além de ser um procedimento espontâneo. Salientase que a falta de pagamento de multa de mora era fato gerador de aplicação da referida multa na modalidade isolada, tendo sido, entretanto, revogada pela Lei nº 11.488/2007. Concluindo, estando em espontaneidade, o contribuinte pode adimplir suas obrigações com acréscimos legais devidos em procedimento espontâneo, o que foi o, aparentemente, efetuado pela recorrente. De fato, constatase que as datas de recolhimento vão de 20/09/2002 a 08/09/2004, portanto, anteriores ao início do procedimento fiscal, cujo Termo de Início de Fiscalização foi cientificado em 20/04/2006 (efl. 26). Verificase, pois, que os recolhimentos foram espontâneos, ou seja, antes do início do procedimento fiscal (artigo 7º1 do Decreto nº 70.235/1972) e após o desembaraço 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10611.002136/200613 Resolução nº 3302000.774 S3C3T2 Fl. 265 7 aduaneiro (artigo 1022 do Decretolei nº 37/1966), e, ao contrário do que decidiu a DRJ, a imputação não deveria ocorrer após o encerramento do processo administrativo, mas sim ter sido considerada pela fiscalização no lançamento tributário, uma vez que o recolhimento em Darf consiste, em si, em lançamento tributário por homologação, de acordo com o artigo 150 do CTN. Neste sentido, a recorrente elaborou em sua peça recursal a imputação de pagamentos, a qual deve ser submetida à autoridade fiscal para verificação de sua legitimidade. Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal efetue a imputação proporcional dos valores recolhidos aos débitos originais lançados, de acordo com os Pareceres PGFN/CDA nº 1.936/2005 e PGFN/CAT nº 74/2012, demonstrando eventual saldo devedor original dos tributos. Ao final, facultar o prazo de trinta dias para manifestação da recorrente, nos termos do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. 2 Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 265DF CARF MF
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