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Numero do processo: 11065.100417/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se retificar o Acórdão embargado.
Numero da decisão: 3401-005.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, para que se proceda à correção do erro material apontado, de forma a: (i) no cabeçalho, onde se lê "Processo nº 11065.001696/2009-08", passar a constar "Processo nº 11065.100417/2009-80"; e (ii) nas razões do acórdão, onde se lê "2º trimestre de 2009", passar a constar "4º trimestre de 2008", em conformidade com o indicado na ementa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
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OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese retificar o Acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, para que se proceda à correção do erro material apontado, de forma a: (i) no cabeçalho, onde se lê "Processo nº 11065.001696/200908", passar a constar "Processo nº 11065.100417/200980"; e (ii) nas razões do acórdão, onde se lê "2º trimestre de 2009", passar a constar "4º trimestre de 2008", em conformidade com o indicado na ementa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 17 /2 00 9- 80 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 190 2 Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, situados 181 a 182, nos seguintes termos: A UNIÃO, por seu Procurador da Fazenda Nacional, vem, dentro do prazo legal, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO contra o Acórdão de nº 3401‑ 002.262 dos autos acima epigrafados, em razão de erro material e obscuridade verificados em seu conteúdo, tal como se demonstrará a seguir: Analisando o acórdão de nº 3401002.262, observa‑ se que ele se refere a processo distinto, de nº 11065.001696/200908. Há, por este motivo, obscuridade e erro material, pois, em que pese se tratar da mesma parte, não se pode concluir com certeza se as decisões proferidas nos processos são realmente iguais. De toda a sorte, em princípio, o acórdão juntado aos autos e remetido à Fazenda Nacional para intimação diz respeito a outro processo, havendo, portanto, evidente erro material a ser sanado por meios dos presentes aclaratórios. Faz‑ se necessário, assim, que esta Eg. Turma julgadora junte aos autos o acórdão efetivamente proferido no processo em tela. 2. Em 13/03/2017, foi lavrado despacho de admissibilidade dos embargos opostos, pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, nos seguintes termos: A FAZENDA NACIONAL invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3401002.262, de 23 de maio de 2013, fls. 158 a 1621, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Consta do acórdão da decisão: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 191 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente). O arrazoado de fls. 164 a 165, após síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa a decisão incorrer em de erro material, na medida em que o Acórdão de nº 3401002.262 referese a processo distinto, de nº 11065.001696/200908. São esses os fatos. Passo à análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Já o art. 66 do Regimento Interno do CARF, que tem matriz legal no art. 32 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, regula os chamados embargos inominados nos seguintes termos: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (...)"Os autos digitais foram encaminhados à PGFN para ciência da decisão embargada, em 22/08/2013 (fls. 163). Assim sendo, considerandose o prazo estabelecido no § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 20/09/2013 (fls. 166), é francamente tempestivo. Liminarmente, compulsando a decisão recorrida, constato que, na sua folha de rosto, há referência ao processo nº 11065.001696/200908, e não ao dos autos, nº 11065.100417/200980. Ademais, enquanto a decisão trata de pedido de ressarcimento da COFINS nãocumulativa do segundo trimestre de 2009, o Despacho Decisório de fls. 75 trata do pedido referente ao 4º trimestre de 2008. Conclusão Com essas considerações, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, para que uma nova decisão seja prolatada, em boa forma. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 192 4 Considerando tratarse o relator de conselheiro que não integra os quadros atuais da 1ª TO, incluase o presente processo em lote a ser sorteado no âmbito deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 3. Os embargos de declaração são tempestivos e preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 4. De fato, como apontam as razões recursais, o acórdão embargado faz referência, em seu cabeçalho, ao Processo nº 11065.001696/200908, enquanto que o processo em apreço se trata do Processo nº 11065.100417/200980. 5. De outro lado, equivocase também quanto ao período de apuração, apontando para pedido de ressarcimento da COFINS nãocumulativa referente ao segundo trimestre de 2009, enquanto que o Despacho Decisório de fl. 75 se refere ao 4º trimestre de 2008. 6. Ao se compulsarem os autos, percebese que as razões de decidir do acórdão embargado se encontram em consonância com a matéria recorrida, havendo decisão cuja matéria não é devolvida ao conhecimento do presente colegiado. 7. Por outro lado, ao se buscar informação desinente do Processo nº 11065.001696/200908, verificase ter sido julgado em sessão de 23/05/2013, mesma data do julgamento embargado pelo mesmo relator na mesma oportunidade, tendo sido lavrado o Acórdão CARF nº 3401002.260, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 193 5 8. As menções, igualmente equivocadas, ao "2º trimestre de 2009", enquanto que o processo se refere ao "4º trimestre de 2008", são igualmente atribuídas ao aproveitamento de modelo idêntico provavelmente utilizado pelo relator do Acórdão embargado a partir do processo acima referenciado sem a devida revisão, ainda que, por critério de razoabilidade, nos termos do art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/1999, não seja suficiente para inquinálo de nulidade, não se vislumbrando, ainda, no caso em apreço, nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 9. Concluise, assim, pela existência de claro erro de formalização no acórdão embargado que, ainda que não o macule com o manto da nulidade, por ser perfeitamente passível de correção e saneamento na corrente assentada, implica o provimento dos embargos, uma vez que merece correção. 10. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, acolher aos embargos opostos para que se proceda à correção do erro material apontado, de forma a: (i) no cabeçalho, onde se lê "Processo nº 11065.001696/200908", passar a constar "Processo nº 11065.100417/200980"; (ii) nas razões do acórdão, onde se lê "2º trimestre de 2009", passar a constar "4º trimestre de 2008", em conformidade com o quanto indicado na ementa. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720837/2016-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
INCONSTITUCIONALIDADE DE ALÍQUOTA DE MULTA. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA ANALISAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS, INCLUSIVE DE ALÍQUOTA DE MULTA.
É vedado ao CARF apreciar eventual inconstitucionalidade, ilegalidade, desproporcionalidade, excessividade, onerosidade, irrazoabilidade ou mesmo aptidão para causar a destruição econômica do contribuinte de multa prevista na legislação em vigor, eis que a Súmula CARF n. 02 veda estas análises assim dispondo: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." o que aliás está em consonância com o artigo 26-A da Lei 11.941/2009, segundo o qual "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade."
AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DA LAVRATURA DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO.
É possível a lavratura de Auto de Infração antes ou durante o processo administrativo, sendo que a interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-005.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE DE ALÍQUOTA DE MULTA. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA ANALISAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS, INCLUSIVE DE ALÍQUOTA DE MULTA. É vedado ao CARF apreciar eventual inconstitucionalidade, ilegalidade, desproporcionalidade, excessividade, onerosidade, irrazoabilidade ou mesmo aptidão para causar a destruição econômica do contribuinte de multa prevista na legislação em vigor, eis que a Súmula CARF n. 02 veda estas análises assim dispondo: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." o que aliás está em consonância com o artigo 26-A da Lei 11.941/2009, segundo o qual "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DA LAVRATURA DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. É possível a lavratura de Auto de Infração antes ou durante o processo administrativo, sendo que a interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE DE ALÍQUOTA DE MULTA. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA ANALISAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS, INCLUSIVE DE ALÍQUOTA DE MULTA. É vedado ao CARF apreciar eventual inconstitucionalidade, ilegalidade, desproporcionalidade, excessividade, onerosidade, irrazoabilidade ou mesmo aptidão para causar a destruição econômica do contribuinte de multa prevista na legislação em vigor, eis que a Súmula CARF n. 02 veda estas análises assim dispondo: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." o que aliás está em consonância com o artigo 26A da Lei 11.941/2009, segundo o qual "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DA LAVRATURA DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. É possível a lavratura de Auto de Infração antes ou durante o processo administrativo, sendo que a interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 08 37 /2 01 6- 64 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 3 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de pessoa jurídica de direito privado que segundo o seu contrato social (fls. 12), dedicase a indústria, importação, montagem e distribuição de produtos eletrônicos de áudio e vídeo (fls. 61). O Contrato Social da empresa (fls. 09 e seguintes) demonstra tratarse de uma companhia sediada em localidade de buraquinho, Município “Lauro de Freitas”, Bahia, que tem como dois únicos sócios (i) a empresa United Internacional Holding, situada em Hong Kong, representada pelo Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, natural da Bolívia (fls. 81) e residente em Alto da Boa Vista, São Paulo, e (ii) o próprio Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell. Sinteticamente a autuação decorreu do fato da autuada haver promovido a saída de produtos de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial sem o lançamento de IPI, o que resultou no lançamento de ofício do tributo não apontado, acrescidos de juros de mora e multa de 75%. Em sua defesa (fls. 59 e seguintes) a Recorrente invocou (i) a presunção de boafé, (ii) o devido processo legal, “demais princípios” e, finalmente, (iii) que a multa foi excessiva e desproporcional e, por estas razões, atentatórias à Constituição da República. Finalmente, justificou que por dificuldades para interpretar a legislação tributária (fls. 62) entendeu que não seria necessário o recolhimento do tributo quando da saída dos produtos do estabelecimento localizado na Bahia com destino ao estabelecimento situado em São Paulo e que tal omissão constitui tão somente obrigação acessória. Estas foram as teses jurídicas alegadas na Impugnação. Tendo sido a questão submetida ao crivo da DRJ, por unanimidade prevaleceu o entendimento de que o saldo tributário, apurado entre janeiro e dezembro de 2012 é devido, e que o fato praticado realmente enseja a imposição da multa de 75%, conforme decisão de fls. 88 e seguintes. “Dito isso, cumpre esclarecer que, se a produção da matriz saiu desse estabelecimento com suspensão do IPI, para o estabelecimento interessado, conforme autorização do art. 43, X, do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010, as saídas subsequentes, promovidas por este Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 4 3 último, a título de comercialização, estavam sujeitas ao lançamento do referido imposto, por força da equiparação definida no art. 9º, III, do mesmo regulamento, e geraram saldos devedores. À vista disso, cabia ao estabelecimento autuado efetivamente recolher os saldos devedores do IPI apurados na escrita fiscal de janeiro a dezembro de 2012, o que não aconteceu e legitimou a exigência de ofício ora discutida. Notese que a responsabilidade por infrações, em regra, é objetiva, independendo da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme parágrafo único do art. 548 do RIPI de 2010 (art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional). Impunhase, então, formalizar não apenas a exigência do principal, mas também dos juros de mora, conforme previsto no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e da multa de 75%, por falta de recolhimento do IPI, cominada pelo art. 80, caput, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, formalização que, de fato, ocorreu e está correta.” Em seu Recurso Voluntário de fls. 104 e seguintes o Recorrente teceu preliminar de nulidade (item II.1) no sentido de que o crédito tributário somente poderia ter sido constituído após o processo administrativo, e não durante o seu curso. No mérito a Recorrente alegou (item II.25) que a multa de 75% que lhe foi aplicada é desproporcional e representa confisco tributário. A Recorrente afirmou ainda (item II.2.6) que a obrigação tributária não pode aniquilar ou destruir economicamente o contribuinte. A Recorrente sustentou (item. II.2.8) que o CARF “... vem julgando pela redução das multas em observância o princípio pelo qual a tributação não pode destruir economicamente o contribuinte, inclusive invocando a Súmula CARF n. 105. A Recorrente evocou o direito de petição (item. II.2.9) pelo qual entende ter “... o direito constitucional de peticionar aos órgãos públicos sem ser constrangido com sanções e multas desproporcionais.” A Recorrente alega ainda (item. II.2.11) que a multa “... inviabiliza o pagamento do crédito tributário demonstrando excesso, desproporcionalidade e totalmente desprovida de qualquer razoabilidade.” A Recorrente argumenta (item. II.2.12) que as sanções impostas ao contribuinte poderão, em ultima análise, por em risco a própria subsistência da empresa, com a demissão de empregados e outros efeitos maléficos. A Recorrente sustenta (item. II.2.13) que a multa aplicada não razoável nem proporcional. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 5 4 A Recorrente argui (item. II.2.14) a possibilidade do CARF apreciar a inconstitucionalidade da punição aplicada, sob o argumento que tratandose de administração pública, possui o dever de também controlar a constitucionalidade dos atos administrativos. A Recorrente alega (item. II.2.15) que a multa aplicada é confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. 1. Admissibilidade do Recurso O presente Recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Preliminar de nulidade no procedimento fiscal. Antes de adentrar no mérito da questão em debate é necessário analisar a matéria preliminar arguida pela recorrente. Segundo o entendimento do Recorrente todo o procedimento é nulo pois o crédito tributário somente poderia haver sido constituído após o transito em julgado do processo administrativo por meio do qual é apurado, e até por presunção de inocência jamais antes, como argumenta que ocorreu no caso concreto. A tese apresentada pela Recorrente está parcialmente correta pois efetivamente o crédito tributário somente pode ser definitivamente constituído com o término do processo administrativo. Contudo, o início da constituição do crédito tributário se dá com o lançamento, disciplinado pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e é suspenso com o recebimento das reclamações e recursos, como previsto no artigo 151, III do mesmo diploma. No caso concreto, muito embora assista razão ao Recorrente no que diz respeito aos fundamentos teóricos de sua preliminar, no plano fático sua pretensão não merece prosperar, pois apesar de ter ocorrido lançamento tributário quando da apuração dos fatos geradores concretos (Fatos Imponíveis), o crédito foi devidamente suspenso com a apresentação das impugnações e recursos, aliás, como se encontra até a data de hoje. Desta forma todos os direitos constitucionalmente assegurados à Recorrente restaram imaculados, não tendo sido adotada qualquer medida atentatória ao rol de garantias que indubitavelmente ela é detentora. Por esta razão rejeito a preliminar de nulidade. 3. Mérito Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 6 5 No mérito a Recorrente alegou (itens II.25, II.2.6, II.2.8, II.2.11, II.2.12, II.2.13 e item. II.2.15) que a multa de 75% a ela aplicada é desproporcional, excessiva, irrazoável e inviabiliza o seu pagamento, causando destruição econômica do contribuinte, com as maléficas consequências dela advindas, o que no seu entendimento é vedado pela Constituição, dando como exemplo a Súmula CARF n. 105. A confiscatoriedade dos tributos e das sanções decorrentes de infrações à legislação tributária é indubitavelmente tormentosa e tem sido objeto de constantes debates jurídicos, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal. Entre 2006 e 2013 os Ministros Celso de Mello (ADI 1.075 MC), Ricardo Lewandowski (AI 482.281 AgR), Teori Zavascki (RE 400.927 Ag.R) e Joaquim Barbosa (RE 523.471 AgR) tiveram a oportunidade de se manifestar acerca do fato de que não apenas os tributos, mas até mesmo as multas devem sujeitarse ao princípio da razoabilidade, o que significa que não podem representar confisco sem, contudo, tangenciar o valor ou o percentual a partir do qual restaria configurado o confisco ou a irrazoabilidade. A partir de tais julgados foi estabelecido o paradigma de que a cláusula do não confisco se aplica não apenas aos tributos mas também às multas. Importante destacar que posição contrária possuía Eros Grau, que entendia (RE 590.754 AgR) que as multas, enquanto punições, não se sujeitariam à cláusula do não confisco. Neste mesmo período, analisando casos concretos o STF começou a fixar balizas em relação ao que seria confiscatório e o que não seria. Foi quando Joaquim Barbosa (RE 523.471 AgR) e Luiz Fux (ARE 637.717 AgR) admitiram que multas de 20 e 30 por cento não são confiscatórias, embora tenham admitido que o mero percentual não seria um critério suficiente para aferir a proporcionalidade da pena, verbis: “Conforme orientação fixada pelo STF, o princípio da vedação ao efeito de confisco aplicase às multas. Esta Corte já teve a oportunidade de considerar multas de 20% a 30% do valor do débito como adequadas à luz do princípio da vedação do confisco. Caso em que o Tribunal de origem reduziu a multa de 60% para 30%. A mera alusão à mora, pontual e isoladamente considerada, é insuficiente para estabelecer a relação de calibração e ponderação necessárias entre a gravidade da conduta e o peso da punição. É ônus da parte interessada apontar peculiaridades e idiossincrasias do quadro que permitiriam sustentar a proporcionalidade da pena almejada. [RE 523.471 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 642010, 2ª T, DJE de 2342010.] = ARE 637.717 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 1332012, 1ª T, DJE de 3032012 Em 2013, quando do julgamento do ARE 712.285 AgR, o Ministro Celso de Mello, alicerçado nas lições de Antônio Roberto Sampaio Doria, teve a oportunidade de ressaltar, em seu voto, que o termo “não confisco” insculpido no artigo 150, IV, da Constituição Federal é um conceito jurídico indeterminado, que carece de concretização e que deve ser apreciado com prudência pelo juiz, verbis: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 7 6 (...) a norma inscrita no art. 150, IV, da Constituição encerra uma cláusula aberta, veiculadora de conceito jurídico indeterminado, reclamando, em consequência, que os Tribunais, na ausência de "uma diretriz objetiva e genérica, aplicável a todas as circunstâncias" ( DÓRIA, Antônio Roberto Sampaio. Direito Constitucional Tributário e Due Process of Law. 2. ed. Forense, 1986. p. 196, item 62) – e tendo em consideração as limitações que derivam do princípio da proporcionalidade –, procedam à avaliação dos excessos eventualmente praticados pelo Estado. (...) não há uma definição constitucional de confisco em matéria tributária. Tratase, na realidade, de um conceito aberto, a ser utilizado pelo juiz, com apoio em seu prudente critério, quando chamado a resolver os conflitos entre o poder público e os contribuintes. [ARE 712.285 AgR, voto do rel. min. Celso de Mello, j. 2342013, 2ª T, DJE de 2862013.] Posteriormente, quando do julgamento do AI 851.038 AgR, e principalmente do AgReg no AI n. 727.872, o Ministro Roberto Barroso teve a oportunidade de manifestar o seu entendimento no sentido de que o limite para as multas moratórias é de 20% enquanto o limite para as multas punitivas é de 100% do valor do tributo. Como a multa aplicada foi de 75%, encontrase perfeitamente inserida na amplitude gizada pela ainda vacilante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que tem entendido, repitase, ainda de forma hesitante, que o limite das multas punitivas equivale ao valor do tributo, merecendo destaque o fato de que a competência de analisar a constitucionalidade das normas jurídicas é estranha a este colegiado. A Recorrente evocou o direito de petição (item. II.2.9) pelo qual entende ter “... o direito constitucional de peticionar aos órgãos públicos sem ser constrangido com sanções e multas desproporcionais.” Em relação ao direito de petição, à Recorrente também não assiste razão, eis que pela minuciosa análise de todos os documentos que integram os autos do presente processo administrativo, não há qualquer indício de violação de direito de petição. Muito pelo contrário, após o lançamento do tributo e das multas que a Autoridade fiscal entendeu devidos, com a apresentação da impugnação por parte da Recorrente foi suspensa a exigibilidade de todos os créditos tributários, como efetivamente até hoje se encontram, aguardando a irrecorribilidade da decisão administrativa que declarará a validade ou não do lançamento. Desta forma, não há de se falar em qualquer violação a direito de petição. A Recorrente argui (item. II.2.14) a possibilidade do CARF apreciar a inconstitucionalidade da punição aplicada sob o argumento que, tratandose de administração pública, possui o dever de também controlar a constitucionalidade dos atos administrativos. A Recorrente argumenta que ao CARF efetivamente compete apreciar a inconstitucionalidade da punição que a ela foi aplicada. A tese apresentada pela Recorrente é deveras sedutora, uma vez que existe uma linha de pensamento no sentido de que a Administração Pública, no caso concreto o Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 8 7 CARF, possuiria o dever de controlar a validade de todos os atos administrativos à luz da Constituição. Contudo há entendimento diverso, que advoga a tese no sentido de que à administração pública caberia apenas “administrar” as normas jurídicas instituídas por outro poder, o Poder Legislativo, a quem caberia criar as leis e, finalmente, que a análise da legalidade das mesmas competiria ao terceiro e último poder, o Judiciário, naquilo que se chama de repartição de poderes. Como já afirmado são duas linhas de raciocínio e, no âmbito do CARF, após diversos anos de saudáveis discussões, prevaleceu esta última, cristalizada na Súmula 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Conclusão Por todo o exposto, é de se afastar a preliminar de nulidade para conhecer o recurso mas negarlhe provimento. Raphael Madeira Abad. Relator Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720417/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Os elementos e os motivos da autuação encontram-se claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada.
COMPENSAÇÃO. GLOSA
É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Tendo em vista que o contribuinte não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse a análise do procedimento de compensação, correta a glosa perfectibilizada pelo sujeito passivo.
DIFERENÇA DE FOLHAS
Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN.
NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE
A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
Numero da decisão: 2401-005.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Os elementos e os motivos da autuação encontram-se claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada. COMPENSAÇÃO. GLOSA É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista que o contribuinte não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse a análise do procedimento de compensação, correta a glosa perfectibilizada pelo sujeito passivo. DIFERENÇA DE FOLHAS Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada. COMPENSAÇÃO. GLOSA É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista que o contribuinte não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse a análise do procedimento de compensação, correta a glosa perfectibilizada pelo sujeito passivo. DIFERENÇA DE FOLHAS Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 17 /2 01 3- 15 Fl. 2218DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, decidiu NEGAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9161, MANTENDO o crédito tributário, no valor de R$ 182.132,47, acrescido de juros e multa, e, em DAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9153 julgandoo improcedente, conforme ementa do Acórdão nº 1259.888 (fls. 2076/2083): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIVERGÊNCIA GFIP x FP. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO. Constatada a existência de divergência entre as contribuições contidas nas folhas de pagamentos e as declaradas em GFIP, cumpre à fiscalização realizar o lançamento das diferenças apuradas. Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10073.720417/201315 Acórdão n.º 2401005.607 S2C4T1 Fl. 3 3 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FPM. RETENÇÃO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. GLOSA. É procedente a glosa de compensação quando o sujeito passivo deixa de cumprir os requisitos previstos na legislação aplicável à espécie, ou deixa de apresentar documentos e informações que permitam ao fisco a verificação da regularidade do procedimento. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de dois Autos de Infração lavrados em 01/04/2013: 1. DEBCAD nº 51.034.9161, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados que prestaram serviços à Contribuinte, não recolhidas em época própria, devido à realização de compensação indevida, na competência 01/2009, bem como diferenças apuradas no confronto das folhas de pagamentos com as GFIP do período de 01 a 12/2009 (fls. 12/20); 2. DEBCAD nº 51.034.9153, referente à multa isolada, no percentual de 150% das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços à Contribuinte, devido à realização de compensação indevida, na competência 01/2009, declarada em GFIP com falsidade (fls. 07/11). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 21/25): 1. O presente processo teve por objeto: a. O lançamento das contribuições decorrentes da glosa de compensação que considerou indevida, na competência 01/2009, diante da recusa do contribuinte em apresentar a documentação necessária para verificação do direito e exatidão da compensação; b. O lançamento de contribuições oriundas de diferenças apuradas no confronto das folhas de pagamentos e termos de rescisão de contrato de trabalho com as declarações em GFIP, para tanto elaborou planilha demonstrativa da apuração; Fl. 2220DF CARF MF 4 2. Foi aplicada multa de 150% do valor das contribuições que deixou de recolher em razão da compensação, pois considerou que houve declaração de crédito inexistente em GFIP; 3. Aduz que devido ao não lançamento em GFIP e ao não recolhimento em época própria das contribuições devidas à Seguridade Social, será formalizada uma Representação Fiscal para Fins Penais. Em 02/04/2013 a Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (fl. 12 e 07) e, em 02/05/2013, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 1807 a 1832, instruída com os documentos de fls. 1833 a 2071. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1259.888, em 24/09/2013 a 12ª Turma, resolveu NEGAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9161, MANTENDO o crédito tributário, no valor de R$ 182.132,47, acrescido de juros e multa, e, DAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9153, julgando improcedente o crédito tributário, no valor de R$ 101.635,49. Em 12/11/2013 a Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 2085) e, em 11/12/2013, interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 2087 a 2101, instruído com os documentos de folhas 2103 a 2215, onde faz um breve relato dos fatos para, em seguida argumentar sobre: 1. A necessidade de anulação do lançamento do Auto de Infração (fls. 2090/2096); 2. A violação ao Princípio do NãoConfisco na fixação dos juros de mora, da multa de ofício e da multa de mora (fls. 2096/2100); 3. A necessidade de produção de prova pericial (fls. 2100/2101) Conclui o RV requerendo que o seu provimento com a consequente anulação do lançamento do Auto de Infração e o deferimento da produção de prova documental suplementar superveniente e prova pericialcontábil. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10073.720417/201315 Acórdão n.º 2401005.607 S2C4T1 Fl. 4 5 Preliminar de Nulidade do Lançamento O Recorrente se insurge contra o lançamento e pleiteia a sua nulidade por entender que não consta a informação expressa de todos os dispositivos legais aplicados para o cálculo dos juros, multa de ofício e de mora, e cálculo da contribuição previdenciária devida. Consoante se verifica dos presentes autos, o Auto de Infração foi devidamente acompanhado do Discriminativo do Débito, Fundamentos Legais, Relatório de Lançamentos, descrição dos fatos, enquadramento legal, e toda a documentação em que se lastreou, inclusive as intimações para o contribuinte justificar e apresentar documentos relacionados à compensação e apuração do tributo devido. Com efeito, todos os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário, inclusive a aplicação da multa e juros. Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Assim, afasto a preliminar suscitada. Da compensação A Recorrente se insurge contra a glosa da compensação efetuada na competência 01/2009, afirmando que compensou os valores retidos a maior do Fundo de Participação dos Municípios e que exibiu todos os documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias devidas. Ab initio, mister se faz esclarecer que o lançamento foi motivado pelo fato do sujeito passivo não ter apresentado todos os elementos necessários para a verificação da regularidade da compensação efetuada, não obstante as intimações realizadas durante todo o procedimento de fiscalização. Conforme se infere no Termo de Intimação Fiscal nº 06 (fls. 1885/1887), o sujeito passivo foi intimado a apresentar a folha de pagamento (normal e suplementares) dos empregados do regime geral da previdência social relativa à competência 11/2008, recibos de pagamentos de autônomos das competências 11/2008 e 01/2009 a 12/2009, além da movimentação de empenho referente ao pagamento às pessoas físicas prestadoras de serviços da competência 11/2008 e contratos de prestação de serviços das empresas relacionadas na Intimação nº 06 das competências 01 a 12/2009, objetivando a aferição do montante devido e a regularidade da compensação. A fiscalização lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 02 (fl. 1761), em que afirma no item 05 que o valor compensado na competência 01/2009 foi considerado indevido, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os documentos comprobatórios solicitados através do TIF nº 06, sendo que foi apresentado somente um resumo da folha de Fl. 2222DF CARF MF 6 pagamento da competência 11/2008 o qual foi insuficiente para a perfeita análise do valor devido na competência. Dessa forma, não foi possível à fiscalização a verificar a exatidão dos valores que poderiam ter sido compensados, justamente em virtude da falta de elementos necessários ao procedimento de compensação. É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 estabelece em seu artigo 89 que a compensação efetuada deve obedecer às condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vejamos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Nesse sentido, tendo em vista que o sujeito passivo não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse à análise do procedimento de compensação, entendo como correta a glosa perfectibilizada no lançamento. Diferenças de folhas No que concerne às diferenças de contribuição decorrentes do confronto das bases de cálculo apuradas nas folhas de pagamentos e termos de rescisão em confronto com as declaradas em GFIP, o Recorrente limitouse apenas a afirmar que referidas diferenças não existem, sem apresentar razões de defesa consistentes ou provas, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do Decreto 70.235/72. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10073.720417/201315 Acórdão n.º 2401005.607 S2C4T1 Fl. 5 7 Do Princípio do não confisco da razoabilidade e da proporcionalidade Assevera na peça recursal que a multa e os juros aplicados ultrapassam os limites da razoabilidade, da proporcionalidade, configurando um confisco por ser exorbitante e ilegítima. No entanto, tendo em vista que o lançamento configura uma atividade vinculada e obrigatória, é dever da Autoridade Lançadora constituir o crédito tributário com a aplicação das penalidades estabelecidas em Lei. Destaquese ainda que a aplicação da multa e juros encontra adequada previsão nos dispositivos da legislação tributária explicitada nos fundamentos legais do auto de infração. A multa de ofício tem fundamento no dispositivo estabelecido pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, a Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não merece prosperar os argumentos apresentados pelo contribuinte. Pedido de perícia Postula ainda o Recorrente pela realização de perícia, requerendo a reforma da decisão de primeira instância que entendeu prescindível a sua realização. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, o Relatório Fiscal e seus anexos detalham os critérios utilizados pela fiscalização na forma de apuração do crédito tributário, o que, na visão do julgador, já seriam suficientes para a formação da convicção. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. No mesmo sentido, entendo ser prescindível a produção de prova pericial suscitada pela parte. Fl. 2224DF CARF MF 8 Em face de todo o exposto, mantenho o lançamento nos termos dos fundamentos ora explanados. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito a preliminar apontada e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.720012/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 00 12 /2 00 9- 11 Fl. 128DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 20/22), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2007, anocalendário 2006, na qual se exige imposto suplementar no valor de R$ 3.543,91, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em ação judicial via Caixa Econômica Federal, que resultou no crédito tributário de R$ 6.952,44, calculado até 27/02/2009. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de RS 551,36. Também foi glosado o valor de R$ 55,00 declarado como imposto de renda retido na fonte, por se tratar de contribuição previdenciária oficial, conforme comprovante apresentado, a qual foi devidamente incluída (vejase Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fl. 21 verso). A data de postagem constante no envelope anexado (fl. 19) comprova a tempestividade da impugnação apresentada na qual o contribuinte reconhece que cometeu um lamentável equivoco ao declarar o valor de R$ 55,00 como imposto de renda retido na fonte no pagamento efetuado pela fonte pagadora MAPFRE VERA CRUZ SEGURADORA S/A e que assiste razão à fiscalização. Propõese a ressarcir imediatamente o valor irregularmente compensado. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/10/2012, foi sobrestado “o julgamento do recurso, pois se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF)”, de acordo com a Resolução nº 2102000.099 (fls. 91/94), da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 08/06/2017, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.975 (fls. 96/100), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos”. O acórdão encontra se assim ementado: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 9202006.853 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 12/07/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 10/08/2017, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 102/113). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 18/09/2017 ( fls. 116/121) com fundamento no paradigma 9202003.695. A recorrente, em suas alegações, requer: · Que a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. · Argumenta que tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. · Transcreve trecho do voto do acórdão 2301004.658, que segundo ela, muito bem esclarece a questão e acrescenta que inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento do auto de infração, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis. Cientificado do Acórdão nº 2202003.975, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 26/09/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 116. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a suposta inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como a decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente que, o fundamento da declaração de nulidade diz respeito sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, porém em momento algum deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Portanto, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 9202006.853 CSRFT2 Fl. 4 5 dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 96 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 132DF CARF MF 6 O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, bem como a decisão do STJ, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 7.713/1988. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 9202006.853 CSRFT2 Fl. 5 7 Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à Fl. 134DF CARF MF 8 época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, do recurso voluntário que destacamos a seguir, fica claro que o contribuinte recorreu por não ter o fisco identificado que o imposto não poderia incidir sobre diferenças, quando o valor mensal não for superior ao limite legal fixado para isenção do referido imposto, vejamos a base de seu recurso voluntário: (...) independência e afinco, reformando a supramencionada decisão, com base na jurisprudência judicial pacífica no sentido de que o imoosto de renda não incide sobre os valores dos proventos atrasados oaaos acumuladamente pelo INSS, referentes a diferenças oaaas a menor pela autarquia, guando Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 9202006.853 CSRFT2 Fl. 6 9 o reafuste do benefício determinado na sentença não resultar em valor mensal maior aue o limite leaal fixado para isenção do referido imposto, como no presente caso, inclusive porque o recorrente tem mais de setenta anos. Por fim, considerando a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, contudo, no presente caso, não há retorno a Câmara a quo, tendo em vista que o único argumento trazido pelo sujeito passivo ter sido a impossibilidade de utilização do regime de caixa, o que já encontrase acolhido com a decisão ora proferida. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.998798/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.516
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 87 98 /2 00 9- 55 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.998798/200955 Acórdão n.º 3302005.516 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.842. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.998798/200955 Acórdão n.º 3302005.516 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.998798/200955 Acórdão n.º 3302005.516 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.998798/200955 Acórdão n.º 3302005.516 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.998798/200955 Acórdão n.º 3302005.516 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.006585/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 85 /2 00 9- 09 Fl. 223DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1131.544, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Temse em discussão Auto de Infração AI lavrado por ter o contribuinte autuado infringido o art. 32, inciso IV e § 6o, da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.528/1997 c/c os art. 225, inciso IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Segundo o relatório de fls. 2, o contribuinte autuado apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP contendo informações inexatas no campo ocorrência, retenção e compensação, conforme discriminado às fls 3/5. A multa foi aplicada segundo o art. 32, inciso IV e § 6o, da Lei 8.212/91, c/c os arts. 284, inciso III, e 373, ambos do RPS, conforme planilha de fls. 4/9. 0 autuado apresentou impugnação, fls. 75/129, arguindo, em síntese, que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, pelo que transcreve a impugnação deste processo, na qual afirma: 1 IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. BASES DE CÁLCULO NÃO RELACIONADAS AOS FATOS GERADORES. INCERTEZA E ILIQUIDEZ DO LANÇAMENTO. FATOS GERADORES EQUIVOCADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA As três notas fiscais citadas pelo autuante foram contabilizadas. A falta de contabilização das folhas de pagamentos referida é apenas para o ano de 2005, estando, portanto, o ano de 2006 em ordem, sendo descabido, para este ano, o arbitramento. Não foram explicitados no Relatório Fiscal os percentuais e a natureza das bases de cálculo arbitradas, não havendo indicação dos percentuais utilizados para cada obra, bem como dos documentos fiscais que embasaram o arbitramento. Requer, em preliminar, que seja determinada a elaboração de demonstrativos nos quais fiquem evidenciadas, obra a obra, a Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16707.006585/200909 Acórdão n.º 2202004.550 S2C2T2 Fl. 224 3 natureza de cada base de cálculo, a documentação pertinente e as alíquotas aplicadas. Só foram levados em consideração os créditos de determinada obra (cita como exemplo a obra 50.019.64708/77) do mês em que houve lançamento, desprezando os demais créditos, requerendo a revisão do lançamento em relação a todas as obras neste aspecto. A fiscalização apontou a não contabilização das folhas de pagamento das obras MS002, RJ033, RJ035 e RJ034 apenas no ano de 2005, pelo que se pode afirmar que somente existiram irregularidades nessas obras e no ano de 2005, requerendo a improcedência do arbitramento para as demais obras, no ano de 2005, e em relação a todo ano de 2006. As receitas devem ser contabilizadas quando o serviço for prestado, independentemente, de ter sido ou não emitida a nota fiscal respectiva. A fiscalização aponta os fatos geradores as receitas dos meses 09/2005, 12/2005, 01/2006 e 12/2006, enquanto, por exemplo, as NF 001674 e 001677, emitidas em 09/2005, os serviços foram prestados em janeiro/2005 e em fevereiro/2005 (cita também as NF 1702, 1703, 1704, 1705, 1706, 1707, 1708, 1709, 1710, 1719, 1718, 1750, 1797), contrariando o regime de competência. II IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO ÀS DIFERENÇAS ENTRE GFIP E CONTABILIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. Não existem as diferenças consignadas pela auditoria fiscal, pois não foi levado em consideração o fato de que, nas rescisões de contrato de trabalho, existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Conforme documentos anexos (Obra 50.00400328/71, DOC n° 01 Obra 50.01695806/75, DOC n° 02 Obra 50.019647008/77, DOC n° 03 Obra 50.02340802/70, DOC n° 04 Obra 50.02077490/74, DOC n° 05 Obra 50.02358653/78, DOC n° 06 Obra 50.01958931/76, DOC n° 07 Obra 50.016917/76, DOC n° 09), verificase que existem verbas (saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional) não sujeitas à contribuição previdenciária. Quanto à obra 50.02037627/79, RJ034, (sic) registrou a Auditora: CÓDIGO 50.020.37627/79 SC OU Não conseguimos entender essa incorreção, porquanto a matricula n" 50.02037627/79 se refere às OBRA RJ034. E, em relação à RJ033, não existem as diferenças citadas no Relatório da Auditora, às fl. 116, conforme planilha, fichas do Razão, Folhas de pagamento, rescisões contratuais, GPS, todas anexadas (DOC. N°08). Fl. 225DF CARF MF 4 III IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS INDEVIDOS. A auditoria fiscal, em seu relatório, apontou que as GPS de código 2631 tinham, no campo de incidência, data diversa da real, conforme demonstrativo, tendo recolhido o principal, mas, em função do erro das datas, sem os acréscimos devidos. Não há qualquer irregularidade, em relação a estas datas, como pode ser comprovado através dos registros do Livro Diário, anexos. Requer realização de diligência. IV IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO CORRETA CONTABILIZAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. Houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de R$ 14.734,00. Em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção. V COBRANÇA INDEVIDA. ITEM 7, FLS. 121/122. Houve retenção e recolhimento, em relação a (sic); CASAMATA COM. SER. LTDA: Através da NF 115, emitida em 1/4/2005, foi relida a quantia de RS 209,00. cujo recolhimento se verificou mediante GPS. N Fiscal e GPS estão sendo anexadas, como prova; MENDONÇA E MENDONÇA: Sobre a Nota Fiscal n° 257, emitida em 21/3/2005. não foi efetuada retenção de INSS. Aquela empresa pagou à previdência social, sobre o valor dessa Nota. U B MOTA FILHO: estamos anexando a GPS, no código 2631, de RS 206,80, relativa ao INSS incidente sobre a NF que ora juntamos como prova. Estamos anexando a documentação retro referenciada (DOC. N° 11). Requer a exclusão das quantias lançadas de forma indevida. VI IMPROCEDÊNCIA COBRANÇA INSS SOBRE FATURAS UNIMED. A cobrança de 15% de INSS sobre valor de serviços prestados por cooperativa (UNIMED) é indevida, pois que a esta não é cooperativa de trabalho. VII FALTA DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS NO "RADA" REFERENTE AO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. Em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187, a fiscalização listou GPS pagas com valores incorretamente apurados, conforme quadro de fls. 113/114 e 115, pelo que requer a retificação. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16707.006585/200909 Acórdão n.º 2202004.550 S2C2T2 Fl. 225 5 VIII AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DAS ORIGENS DAS BASES DE CÁLCULO DO LEVANTAMENTO CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS DO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. As diferenças apontadas entre os valores dos livros Diário 2005 e 2006 e das GFIP não se referem ao estabelecimento 08.323.347/000187, pois que nenhuma justificativa foi solicitada no TIF n° 3. Ainda assim, no DD e no RL surgem cobranças no levantamento CON em relação ao dito estabelecimento, pelo que requer o saneamento do feito, com o detalhamento dos valores lançados, a confrontação com a documentação anexada e a emissão de relatório conclusivo, conforme art. 60, parágrafo único, do Decreto 70.235/72, a fim de se estabelecer o contraditório e a ampla defesa. Anexa documentação comprobatória em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187 (DOC n° 12). IX FALTA DE APROPRIAÇÃO DE INSS RETIDO PELA FONTE PAGADORA. A fiscalização deixou de computar no RADA créditos correspondentes aos valores do INSS retidos pela fonte pagadora, bem como sobre serviços de subempreiteiros, relativamente aos CEI: 50.02077490/74; 50.02037627/79;50.01958931/76; 50.02358653/78; 50.01695806/75; 50.02340802/70; 50.01693906/71; e 50.01964708/77. Ressalta, ainda, em relação ao CEI 50.01958931/76, que, na competência 10/2006, houve lançamento com base de cálculo no valor de R$ 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, deixaram de ser computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário. Foram incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEI 50.01964708/77 (obra PR 033), as quantias de RS 87.831,17; RS 187.506,70; RS 116.096,94; R$ 123.512,15; e R$ 129.495,20, os quais se referem à obra PR 032. X IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS EMPREGADOS. Contesta cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a alimentação fornecida aos funcionários, pois que a jurisprudência afasta tal incidência (transcreve texto doutrinário), bem como a Lei 6.321 não condiciona o direito (sic) à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT. Fl. 227DF CARF MF 6 Também contesta, sem dizer o motivo, a forma de apuração das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre tais verbas. XI CABE AO ÓRGÃO PAGADOR A CULPA PELO FATO DE ERRO NO RECOLHIMENTO QUE MOTIVOU A GLOSA DE COMPENSAÇÃO. XII IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA EM RELAÇÃO AOS CEI 70.00125497/70 E 70.00125522/75. Não há dados mínimos indispensáveis à defesa. No DD, existem apenas valores, sem referência aos documentos que embasaram a tributação, nem aos percentuais adotados. XIII DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. Requer a realização de diligência, em função de (sic): Os Autos de Infração lavrados pela fiscalização contêm obscuridade, dúvida e omissão na determinação dos valores lançados, impossibilitando à empresa, o exercício do direito constitucional de ampla defesa, o que somente poderá esclarecido com a realização de diligência; Foram cometidos inúmeros equívocos, por parte da Auditora autuante, que somente poderão ser identificados com a realização da diligência: Créditos foram omitidos do lançamento, fato a ser resolvido com a diligência; A grande quantidade de documentos anexados implica no aprofundamento de sua análise, a cargo do diligenciante. Ainda, indicou quesitos a serem respondidos, a saber (síc): Quesito n° 01: Está correto afirmarse que a fiscalização apontou, como nao contabilizadas, apenas, as folhas das Obras MS002, RJ033, IU034 e IU035 e com relação, apenas, ao ano de 1995? Caso negativo, evidenciar o registro. Quesito n" 02: Relativamente ao ano de 2006, indicar em qual obra nao houve a contabilização da folha? Se positivo, indicar as jls. do processo, em que foram consignados. Quesito ti0 03: No ítem 9, contesta a empresa que a fiscalização nao expôs, de forma clara, como foram apurados, os valores lançados, ref MOD. Elaborar demonstrativo detalhado, a respeito, indicándose, inclusive, sobre quais jatos foram quantificadas as bases de cálculo, quais as deduções, quais as alíquotas aplicadas, obra por obra; Quesito 11° 04: a respeito nos intes 17 o 20, verificar a ocorrência desses fatos, obra por obra, quantificando os valores não computados e emitir parecer conclusivo, a respeito dos procedimentos da fiscalização, se corretos ou incorretos, justificando a resposta. Quesito n° 05: No tópico IL a empresa contestou as diferenças entre valores contabilizados e GFIPs, anexando vasta documentação comprobatória. Requerse sejam os documentos Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16707.006585/200909 Acórdão n.º 2202004.550 S2C2T2 Fl. 226 7 analisados e elaborado demonstrativo detalhado a respeito da procedência ou não das alegações da defendente, por obra, por cada rescisão e referente a cada documento juntado. Quesito n°06: No DOC. N°12, a empresa juntou vasta documentação referente a créditos, não computados nos lançamentos, relativos ao Estabelecimento n° 08.323.347/0001 87. Pedese para conferir se os números do quadro do item 108 estão corretos ? Se houver alguma divergência, apontálas, detalhadamente. Emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da empresa. Quesito n° 07: O mesmo questionamento deve ser efetuado, com relação ao contido no item 111. Quesito n° 08: No tópico VIII. a empresa se insurge contra a falia de detalhamento dos valores lançados no título CON SAIARIOS ADMIN 1STR. Está correto o acima referido. Em caso negativo, apontar em quais fIs. do processo se encontra tal detalhamento. Quesito n° 09: Nos tópicos IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, e XVI o empresa juntou vasta documentação comprobatória sobre os créditos, não computados pela fiscalização, no lançamento relativos a cada obra. Solicitase: a) conferir as planilhas e suas diferenças, através da documentação anexada; b) emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da defendente; c) elaborar quadro demonstrativo desses créditos; Quesito n°10: em relação ao quesito n° 09, pedese sejam elaborados quadros demonstrativos, nos quais fiquem evidenciados, por obra. esses créditos e seus meses de competência: Após realização da diligência. Requer seja cientificada dos seus resultados, para que se estabeleça o contraditório e a ampla defesa. A impugnação da recorrente foi julgada improcedente pela DRJ/REC, e determinou nova avaliação do valor da multa na ocasião do pagamento ou pagamento, "nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 4/12/2009, em virtude das alterações introduzidas na Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009.". Referida decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS. CONEXÃO AO PROCESSO 16707.006588/200934. INEXISTÊNCIA. No processo 16707.006588/200934, são apuradas contribuições devidas à seguridade social, sem ter, contudo, como fundamento a infração de apresentar GFIP com informações inexatas em Fl. 229DF CARF MF 8 relação aos campos ocorrência, retenção e compensação, pelo que o julgamento daquele não refletirá neste e vice e versa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 22/03/2011. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 20/04/2014 (fls. 157), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Verifico nos autos que a defesa apenas reproduziu no Recurso Voluntário as alegações apresentadas ao processo nº 16707.006588/200934. Por ter feito o mesmo em relação à impugnação, o julgador a quo entendeu que essas alegações não se aplicariam aos fatos e fundamentos que gerou a infração aqui discutida. Portanto, não vislumbro a alegada nulidade nem cerceamento de direito de defesa. Sem entrar no mérito do acerto ou não das razões do julgador de primeira instância, o acórdão recorrido contém o fundamento necessário que embasou sua decisão, pois aquele ao entender não haver alegações à infração em debate, não teria porque analisar documentos não relacionados à autuação. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. Os relatórios da infração, de aplicação da multa e seus anexos (fls. 2/9) detalham de forma clara os critérios considerados para a autuação e cálculo da multa, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Por isso, o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador, sendo desnecessária a diligência nesta fase, razão pela qual indefiro o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16707.006585/200909 Acórdão n.º 2202004.550 S2C2T2 Fl. 227 9 Do mérito Há que se observar que o auto de infração foi lavrado em função de a recorrente ter declarado GFIP com "[...] informações inexatas no campo ocorrência, no campo retenção e no campo compensação.", campos esses não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Verificase no recurso voluntário que a recorrente assevera que o julgamento deste processo depende do resultado do julgamento do processo nº 16707.006588/200934, transcrevendo o inteiro teor deste. Primeiramente, adoto como minhas as razões de decidir do acórdão recorrido quanto à inexistência de dependência entre este e o processo citado pela recorrente: [...] a alegação do autuado de que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, não prospera, haja vista que, no dito processo, também cientificado ao autuado junto com este Al em comentário (vide AR de fls. 81), são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição indireta, contudo, sem ter como um de seus fundamentos a infração em testilha. Não há, portanto, que se falar em dependência do julgamento de um processo ao outro. Ocorre que neste recurso, a defesa não trouxe qualquer alegação em relação ao narrado pelo autuante, quer seja demonstrando que as informações nos campos citados estavam corretas, quer apresentando provas em relação a isso, nem sequer contestou as planilhas indicativas dos erros constantes nas GFIP's (fls. 3/5). Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da União, consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 231DF CARF MF 10 Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000024/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.023
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da COFINS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 24 /2 01 0- 71 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 2 exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.865. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10925.000024/201071 Acórdão n.º 3401005.023 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.008242/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1301-001.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 82 42 /2 00 5- 10 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 3/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.008242/200510 Acórdão n.º 1301001.164 S1C3T1 Fl. 39 2 Relatório Trata o presente processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, imputada à contribuinte em razão da apresentação da Declaração de Informações (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2003 fora do prazo legal. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 01/06), momento em que argumentou que a declaração em questão foi apresentada antes de qualquer procedimento da Administração, motivo pelo qual ela estava albergada pelo instituto da denúncia espontânea a que se reporta o art. 138 do Código Tributário Nacional. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1610.340, de 05 de setembro de 2006, pela procedência do lançamento tributário. O referido julgado restou assim ementado: DIPJ. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade pela entrega da DIPJ não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 30/35, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 3/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.008242/200510 Acórdão n.º 1301001.164 S1C3T1 Fl. 40 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Tratam os autos de exigência MULTA POR ATRASO NA ENTREGA da Declaração Simplificada de Inatividade relativa ao exercício de 2004, anocalendário de 2003. A peça recursal centrase na alegação de que, no caso vertente, são aplicáveis as disposições contidas no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). A exigência formalizada no presente processo teve por base as seguintes disposições legais: Art. 106, II, “c” da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. § 2º A não regularização no prazo previsto na intimação, ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado. § 3º As reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 e art. 60 da Lei nº 8.383, de 1991 não se aplicam às multas previstas neste artigo. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 3/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.008242/200510 Acórdão n.º 1301001.164 S1C3T1 Fl. 41 4 Art. 27 da Lei nº 9.532, de 1997: Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Parágrafo único. A multa a que se refere o art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. Art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 3/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.008242/200510 Acórdão n.º 1301001.164 S1C3T1 Fl. 42 5 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. A questão acerca da aplicação ou não das disposições do art. 138 do CTN às multas devidas em razão da inobservância de deveres instrumentais já foi, por inúmeras ocasiões, enfrentada por este colegiado administrativo, restando majoritário o entendimento de que as disposições do comando legal referenciado (art. 138 do CTN) não albergam o ato puramente formal do contribuinte, representado pela entrega fora do prazo da declaração a que estava, por força de lei, obrigado a apresentar. Como se observa nos dispositivos legais que serviram de fundamento para exigência, inexiste previsão de dispensa de aplicação da norma de sanção para os casos em que a entrega da declaração, não obstante o fato de não ter sido motivada por intimação da autoridade administrativa competente, foi feita fora do prazo legal. Releva notar que, aqui, a infração já é do conhecimento da autoridade administrativa, não sendo adequado, portanto, falarse em denúncia espontânea. Tornase importante notar, ainda, que, em razão dos inúmeros pronunciamentos no mesmo sentido, foi editada a súmula CARF nº 49, abaixo reproduzida. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 3/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.008242/200510 Acórdão n.º 1301001.164 S1C3T1 Fl. 43 6 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 3/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912993/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido.
Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma.
Numero da decisão: 9303-006.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido. Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 481 1 480 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.912993/200991 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.934 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COIM BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido. Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 93 /2 00 9- 91 Fl. 378DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo de compensação intentada a partir de crédito oriundo de alegado pagamento maior ou indevido da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de 01/04/2002 a 30/04/2002, com débitos de outros tributos. O Fisco não homologou o pedido ante a inexistência de saldo credor relativo aos pagamentos indicados, por ter sido integralmente utilizado para quitação do correspondente débito confessado por meio de DCTF. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 01 a 25, em 17/09/2009, pleiteando a reforma da decisão que não homologou as compensações declaradas por intermédio do PER/DCOMP nº 12311.86763.290606.1.3.047529. Resumidamente, alegou que havia incorrido em erro administrativo, por não ter retificado a DCTF tempestivamente, mas que o direito creditório materialmente seria existente. A 3ª Turma da DRJ/CPS, no Acórdão nº 0529.951, prolatado em 12 de agosto de 2010, às fls. 43 e 44verso, considerou, por unanimidade, improcedente o pedido formulado. Intimada do acórdão da DRJ em 10/09/2010 (fl. 46), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 08/10/2010, às fls. 47 a 90. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) o direito ao crédito pleiteado seria legítimo, fato que poderia ter sido constatado mediante simples diligência na escrituração da contribuinte; b) rechaçou a alegação de inexistência de elementos robustos de prova que atestassem a legitimidade do crédito pleiteado e considerou que a recusa do direito ao crédito via sistema constituiu ofensa ao princípio da verdade material; c) o fato de não ter realizado a alteração e retificação da DCTF no momento em que identificou os valores pagos a maior indevidamente constituiria mero erro de fato, que não poderia ensejar a desconsideração do direito ao crédito; e d) solicitou a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização pudesse atestar in loco a regularidade da sua escrituração e do seu crédito. Ao final, pediu a reforma integral da decisão proferida pela DRJCampinas, para que fosse reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de PIS e, consequentemente, homologada a compensação realizada. Nos termos da Resolução nº 3403000.226, de 07/07/2011, efls. 99 a 101, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência. Os quesitos formulados pelo colegiado foram respondidos na Informação Fiscal às efls. 270 a 272. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10830.912993/200991 Acórdão n.º 9303006.934 CSRFT3 Fl. 482 3 Após o retorno dos autos, o colegiado, em julgamento de 28/01/2014, apreciou o Recurso Voluntário, resultando no Acórdão nº 3403002.679, às efls. 275 a 282, que, entendendo que a base de cálculo da contribuição não pode incluir receitas diferentes do faturamento (venda e prestação de serviços), deu provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo as receitas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 – Descontos Obtidos; 3.23.04 – Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira, homologandose o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065. Embargos de declaração da Procuradoria Fl. 380DF CARF MF 4 Intimada do Acórdão nº 3403002.679 em 20/03/2014 (efl. 283), a PGFN apresentou embargos de declaração em 22/04/2014 (efls. 284 a 287), embasado em alegada obscuridade no acórdão, por entender que a Suprema Corte não definiu, de modo fechado, que a receita bruta seria apenas aquela oriunda da venda de mercadorias e serviços. Relata que o STF tem entendido que o faturamento abrange também as receitas decorrentes da soma de outras atividades empresariais. Contesta o critério adotado pelo colegiado para exclusão da base de cálculo dos valores oriundos de juros recebidos, descontos obtidos e variação cambial, que, no seu entendimento, revelamse intrinsecamente ligadas à atividade do contribuinte e devem ser consideradas receitas operacionais. Os embargos foram analisados nos termos do Acórdão nº 3403003.237, de 16/09/2014 (efls. 290 a 292). A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitou os aclaratórios. Recurso especial da Procuradoria Intimada do Acórdão de embargos nº 3403003.237 em 18/11/2014 (efl. 293), a PGFN apresentou recurso especial em 26/12/2014, às efls. 294 a 305. A Procuradoria levanta divergência quanto à subsunção das receitas que compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS ao conceito de faturamento. Relata que o Colegiado a quo aplicou no presente caso entendimento do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998. Apresentou como paradigma o acórdão n° 20177.114. Realça que, enquanto o acórdão recorrido entende que o faturamento se restringe às receitas advindas da venda de mercadorias e serviços, o paradigma consagra o entendimento de que o faturamento abrange todas as receitas oriundas da atividade própria da empresa. O então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF apreciou o recurso especial de divergência em 25/07/2015, no despacho de efls. 325 a 328, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão de recurso voluntário e do despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso especial da Procuradoria em 10/09/2015 (e fls. 331 e 332), e apresentou contrarrazões em 24/09/2015, às efls. 334 a 349. Argumenta o que segue: (i) ausência de similitude fática e de divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o paradigma nº 20177.114; e (ii) no mérito, que apenas devem ser incluídas na base de cálculo do PIS as receitas oriundas da atividade operacional da empresa, conceito que não abrange as suas receitas e despesas operacionais e financeiras. Pelas razões apresentadas, a contribuinte pugna pelo não conhecimento do recurso da PGFN e, caso conhecido, que ele seja desprovido, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10830.912993/200991 Acórdão n.º 9303006.934 CSRFT3 Fl. 483 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Quanto ao conhecimento, após uma análise detalhada, entendo que assiste razão ao recorrido. Com efeito, a divergência jurisprudencial, condição do conhecimento do recurso, não foi comprovada. Reparase que, no acórdão recorrido, foi discutida a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no ano de 2002, período em que já se encontrava vigente a Lei n° 9.718, de 1998, aplicável a períodos de apuração a partir de fevereiro de 1999. Por outro lado, o acórdão apresentado pela recorrente a título de paradigma trata da definição da base de cálculo de contribuições em períodos anteriores à vigência da referida Lei n° 9.718, de 1998. Com efeito, o acórdão paradigma n° 20177.114 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento da contribuição ao PIS relativa ao período de janeiro de 1995 a dezembro de 1997. Portanto, como o arcabouço jurídico aplicável aos acórdãos paradigma não está mais vigente no período de apuração tratado no acórdão recorrido, resta impossível verificar divergência na interpretação e aplicação da legislação. Aliás, esse é o caso de paradigma anacrônico, referido no Manual de Exame de Admissibilidade de Recursos Especiais, disponível para consulta pública no site INTERNET do CARF, nos seguintes termos: Muitas vezes o recorrente busca estabelecer divergência jurisprudencial utilizandose de paradigma exarado à luz de arcabouço normativo há muito superado. Nesse caso, constata se claramente o anacronismo do paradigma, uma vez que proferido em época em que sequer encontravase em vigor o arcabouço normativo que orientou o acórdão recorrido. Esse tipo de paradigma geralmente é indicado para temas que sofreram grandes alterações ao longo do tempo, como é o caso de autuação com base em depósitos bancários, ITR, Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), Decadência. Por esse motivo, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 382DF CARF MF 6 Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901475/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte, no pedido de compensação, comprovar a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas.
Numero da decisão: 1301-001.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte, no pedido de compensação, comprovar a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10680.901475/200822 Acórdão n.º 130101.014 S1C3T1 Fl. 102 2 Relatório CNJ ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que indeferiu pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de compensação, em que a contribuinte busca compensar débito de sua titularidade com crédito decorrente de pagamento efetuado em 31 de janeiro de 2003, relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Despacho Decisório (eletrônico) emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, deferiu parcialmente a compensação pleiteada sob alegação de insuficiência do crédito. De acordo com o referido despacho decisório, o documento de arrecadação apontado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi parcialmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, de mesmo código de receita e período de apuração, restando crédito disponível no valor de R$ 323,38. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que não existiria o saldo devedor apontado no despacho decisório, porque a empresa recolheu, por meio de DARF, valores suficientes para quitação do débito. Disse que, “no momento do preenchimento e envio dos PER/DCOMP, foram utilizados mesmos DARF para quitação dos débitos, gerando, assim, saldo insuficiente, mas, ao mesmo tempo, ficando outros sem a devida informação de pedido de compensação, sobrando, então, saldo para o contribuinte”. Solicitou, ao final, que o débito apontado no despacho decisório fosse quitado com documentos de arrecadação que indicou na peça de defesa. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0228.511, de 08 de setembro de 2010, pela improcedência da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 63/65, por meio do qual argumenta que “ao comparar todos os débitos devidos com os DARF’s recolhidos, para os tributos CSLL e IRPJ, verseá que foram recolhidos aos cofres públicos os valores suficientes nos períodos em questão, ou seja, nos anos calendários 2002 e 2003”. Requer, ao final, que sejam analisados, em conjunto com o presente, diversos processos que tratam da mesma cobrança (relaciona seis processos). Anexa, ainda, planilha e cópia de documentos de arrecadação. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10680.901475/200822 Acórdão n.º 130101.014 S1C3T1 Fl. 103 3 É o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10680.901475/200822 Acórdão n.º 130101.014 S1C3T1 Fl. 104 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A lide tratada no presente processo diz respeito a reconhecimento parcial de direito crédito indicado para compensação tributária. De acordo com o PER/DCOMP de fls. 32/34, a contribuinte indicou crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31 de janeiro de 2003. No referido documento consignou, para fins de compensação, o valor de R$ 1.719,00, e, na descrição do documento de arrecadação (DARF) correspondente, registrou as seguintes informações: Período de Apuração: 31/03/2002 Código de Receita: 3373 Data de Vencimento: 30/04/2002 Valor do Principal: R$ 21.847,99 Valor da Multa: R$ 2.184,80 Valor dos Juros: 3.170,15 Valor Total do DARF: R$ 27.202,94 Despacho Decisório (eletrônico) emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (cópia às fls. 04), consignando que o pagamento indicado pela contribuinte havia sido utilizado, de forma parcial, para quitação de outros débitos, reconheceu crédito no montante de R$ 323,38. Em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte argumentou (pelo que é possível depreender) que, no momento do preenchimento dos PER/DCOMPs, apontou DARFs que também haviam sido utilizados para quitação de débitos, o que resultou na insuficiência de saldo. Em razão disso, solicitou que a quitação do débito apontado no Despacho Decisório fosse promovida por meio de pagamentos efetuados em agosto de 2002 e novembro de 2004. Da decisão exarada em primeira instância, releva destacar os seguintes excertos: ... não se admite que, caracterizada a inexistência ou insuficiência do crédito utilizado, o fisco seja obrigado a homologar a compensação dos débitos confessados, utilizando outros créditos que porventura possa ter o contribuinte. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10680.901475/200822 Acórdão n.º 130101.014 S1C3T1 Fl. 105 5 Verificase que, de fato, o contribuinte efetuou, em 10/11/2004, outro recolhimento de IRPJ referente ao 1° trimestre de 2002, no valor total de R$ 4.938,33, nele incluídos principal, no valor de R$ 2.964,19, mais multa de mora e juros de mora (fl. 41). Também se confirma que o contribuinte, em 14/08/2002, efetuou recolhimento de IRPJ referente ao 2° trimestre de 2002, no valor total de R$ 6.050,56, nele incluídos principal, no valor de RS 5.728,62, mais multa de mora e juros de mora (fl. 41). Tais recolhimentos são distintos daquele identificado no PER/DCOMP em análise, não podendo ser considerados como origem do crédito nele utilizado. O aproveitamento de cada DARF deve ser feito em PER/DCOMP especifico, conforme instruções de preenchimento da ficha "DARF" do programa gerador do PER/DCOMP, abaixo reproduzidas: [...] No caso, um dos recolhimentos invocados na manifestação de inconformidade já foi utilizado em PER/DCOMP específico. Vejase que o recolhimento de R$ 6.050,56 foi utilizado em outro PER/DCOMP, o de n.° 21980.19971.231204.1.3.04 0682 (fls. 53). O outro recolhimento invocado também já foi utilizado, não caracterizando recolhimento a maior. Todo o principal recolhido, no valor de R$ 2.964,19, foi vinculado em DCTF ao débito de IRPJ do 1º trim. de 2002 (fl. 39), conforme já demonstrado no segundo quadro deste voto. Por meio do recurso voluntário interposto, a contribuinte, historiando pagamentos e compensações realizadas nos anoscalendário de 2002 e de 2003, sustenta que, a partir da análise da planilha que apresenta e da comparação dos débitos com os pagamentos e compensações efetivadas, ficará claro que referidos pagamentos são suficientes para quitar os débitos dos anoscalendário em referência (2002 e 2003). Alegando ter cometido erro de digitação na elaboração de PER/DCOMPs, informa que, por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, solicitou que DCTFs e PER/DCOMPs anteriormente entregues fossem retificadas, o que não foi acolhido pela autoridade julgadora de primeira instância. A Recorrente, em última análise, requer que seja realizado o confronto entre todos os pagamentos relativos aos anoscalendário de 2002 e de 2003 e os débitos deste mesmo período, providência que, para ela, demonstrará que todas as exigências foram devidamente quitadas. Solicita, ainda, a análise conjunta de diversos processos que, segundo afirma, tratam da mesma cobrança. O que se nota no presente processo é uma variação de pedidos por parte da contribuinte, com o intuito de ver extinto o tributo que assinalou no pedido de compensação. Primeiramente, pretendeu compensar o débito (IRPJ relativo ao 3º trimestre de 2003) com suposto pagamento indevido efetuado em 31 de março de 2002 (o que foi, em parte, acolhido); depois, em sede de manifestação de inconformidade, com pagamentos efetuados em agosto de 2002 e novembro de 2004; agora, por meio do recurso voluntário, requer o batimento de todos os pagamentos efetuados em 2002 e em 2003 com os débitos desses períodos, com o objetivo de demonstrar que nada deve. Com a devida permissão, tal solicitação, ao menos nesta seara e na forma como foi encaminhada, não pode ser recepcionada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10680.901475/200822 Acórdão n.º 130101.014 S1C3T1 Fl. 106 6 Como bem ressaltou a decisão recorrida, não se pode admitir que, dada a insuficiência do crédito apontado no instrumento de compensação, possa o Fisco homologar a compensação do débito tomando por base outros créditos que não aquele indicado para o encontro de contas. Como também destacado pela autoridade julgadora de primeira instância, o aproveitamento de eventuais pagamentos indevidos, devidamente lastreados em documentos de arrecadação (DARF), deve ser feito por meio de pedidos (PER/DCOMPs) específicos, conforme normas de regência. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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