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Numero do processo: 10840.904897/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 04 89 7/ 20 09 -5 1 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 3 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário a que se refere o presente processo não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, para julgála integralmente procedente, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é inadmissível a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, apenas o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. excluídas, assim, as receitas financeiras, que não se encaixam nesse conceito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.941, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.941): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 5 4 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verifica se que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 7 6 iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720126/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 17/09/2011 a 31/12/2011
MULTA POR INFORMAÇÃO OMISSA, INEXATA OU INCOMPLETA. DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAR.
Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Fisco, enquanto Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata, informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado.
REPETRO. INDEFERIMENTO. RECOLHIMENTO PROPORCIONAL DE TRIBUTOS.
O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País, após o indeferimento do regime do Repetro.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 17/09/2011 a 31/12/2011 MULTA POR INFORMAÇÃO OMISSA, INEXATA OU INCOMPLETA. DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAR. Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Fisco, enquanto Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata, informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. REPETRO. INDEFERIMENTO. RECOLHIMENTO PROPORCIONAL DE TRIBUTOS. O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País, após o indeferimento do regime do Repetro. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 6.649 1 6.648 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720126/201321 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.776 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria REGIME ADUANEIRO ADMISSÃO TEMPORÁRIA Recorrente MARE ALTA DO BRASIL NAVEGACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 17/09/2011 a 31/12/2011 MULTA POR INFORMAÇÃO OMISSA, INEXATA OU INCOMPLETA. DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAR. Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Fisco, enquanto Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata, informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. REPETRO. INDEFERIMENTO. RECOLHIMENTO PROPORCIONAL DE TRIBUTOS. O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País, após o indeferimento do regime do Repetro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 01 26 /2 01 3- 21 Fl. 6649DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1675.179, proferido pela 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/10/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa e juros de mora, além de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de [...] em virtude dos fatos a seguir descritos. Bens importados com suspensão de tributos ao amparo do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (REPETRO). A fiscalização concluiu que são devidos os tributos pelo período em que os bens permaneceram no território aduaneiro ao desabrigo do Ato Declaratório Executivo (ADE) de habilitação (em razão de indeferimento definitivo de prorrogação da habilitação e do qual não cabia mais recurso), que garantiria a suspensão total dos tributos aduaneiros. O Relatório Fiscal deixa claro que o foco da discussão não é a medida administrativa, mas a medida tributária a ser adotada em relação ao período em que o bem permaneceu no País sem amparo do Repetro, uma vez que a suspensão total do Repetro para o período nunca retroagiu com o indeferimento definitivo da habilitação. Cientificado do auto de infração, por via eletrônica, em 09/11/2013 (fls. 6.179), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 02/12/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 6.180 à 6.200, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Fl. 6650DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.650 3 PRELIMINAR LIMITES DO DIREITO À REVISÃO ADUANEIRA. A “COISA JULGADA” ADMINISTRATIVA, COROLÁRIO DO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. [...] NO MÉRITO QUANTO AO MÉRITO DAS ALEGADAS “DESCONFORMIDADES” EFEITOS [...] A "INFORMAÇÃO INEXATA” NÃO ERA NECESSÁRIA E NÃO AFETOUO “PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO” [...] AS DISCREPÂNCIAS APONTADAS PELA FISCALIZAÇÃO, [...] [...] Em 25 de junho de 2014, através do Acórdão n° 16058.886, a 23ª Turma da DRJ/SPO por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. A empresa autuada ingressou com Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 19 de maio de 2016, no Acórdão n° 3302003.219, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, por unanimidade de votos, DECIDIU anular a decisão de primeira instância. Assim se pronunciou o Relator, às folhas 05 do referido Acórdão: Assim, entendo que as razões deduzidas pela recorrente em sua impugnação relativas à constituição de crédito tributário de tributos proporcionais ao tempo de permanência da embarcação MAJESTIC TIDE no país, conforme excerto da impugnação de efls. 6196 a 6197, é ponto relevante e autônomo para o deslinde do litígio e sua falta de enfrentamento ensejou a alegação feita no recurso voluntário acima transcrito. Destarte, com o objetivo de garantir o contraditório e a ampla defesa, e em consonância com os artigos 31 e 59, II do Decreto n° 70.235/19721, é necessário que a DRJ se pronuncie expressamente sobre as alegações deduzidas relativas à embarcação MAJESTIC TIDE. Por fim, assim decidiu, às folhas 05 do referido Acórdão: Fl. 6651DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto para anular o acórdão de primeira instância, para que a autoridade julgadora de primeira instância profira novo acórdão, enfrentando as razões esposadas na impugnação relativas à embarcação MAJESTIC TIDE. O citado novo acórdão da DRJ, nº 1675.179, mais uma vez, decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/11/2004 Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária. Em diversas Declarações de Importação foram omitidos ou informados elementos de forma inexata. Relação existente entre o exportador estrangeiro e o sujeito passivo, também não informada. O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País. Por ser o lançamento um procedimento vinculado, o Fisco não pode abrir mão do pagamento dos tributos proporcionais enquanto os bens permaneceram no País ao desemparo de ADE de habilitação ao Repetro em razão do indeferimento. Não se trata de punição, porque não há nenhuma espécie de sanção ou multa. Tratase apenas do pagamento dos tributos devidos. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário (em substituição ao anteriormente apresentado, antes da primeira decisão da DRJ), no qual, em síntese, defende: preliminarmente; a improcedência da autuação em função da aplicação do princípio da coisa julgada administrativa e da vedação à alteração do critério jurídico; e, no mérito; aduz o não prejuízo ao Fisco pelas informações dadas como omissas ou inexatas e insurgese contra aspectos do lançamento proporcional de tributos. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 6652DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.651 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade 1. Preliminares Preliminarmente, a recorrente aduz a improcedência da autuação, ao defender os princípios: a) Limites do direito à revisão aduaneira. – A “coisa julgada administrativa, corolário do princípio da segurança jurídica” (itens 6 a 26 da Impugnação). b) Alteração do critério jurídico. (itens 27 a 32 da Impugnação). (Grifos do original). A recorrente se insurge contra a decisão recorrida, quando esta aduz que: “O procedimento da conferência física da mercadoria não se confunde, em absoluto, com o da revisão aduaneira. Possuem finalidade dispare e objetos de análise distintos.” (...) “(...) a Declaração de Importação é aquilo que o próprio nome diz: uma declaração do importador. E o desembaraço é o mero ato de liberar a mercadoria, sem homologar qualquer tipo de lançamento (...) “(...) A conferência física da mercadoria não fez coisa julgada administrativa.” A contribuinte traz julgados administrativos e doutrina que delineiam a coisa julgada administrativa: Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles, "é sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes". 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 6653DF CARF MF 6 É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. Diferencia o procedimento aduaneiro, no sentido de que neste: a “constatação do fato gerador” é realizada pelo importador/exportador no qual fornecerá por um “lançamento” no sistema da operação (ex: Siscomex, siscoserv, sisbacen, etc) os dados da operação a fim de cadastrar no sistema e ser liberado a operação, na conclusão com o desembaraço aduaneiro. E prossegue: 14 Conforme explicitado pelo Relator da DRJ: “(...)quem conhece as atividades aduaneiras, obviamente nem sonharia em cogitar que o desembaraço aduaneiro consiste em homologação de lançamento ou, muito menos, em reconhecimento de critérios jurídicos declarados em uma DI. Até porque não há nenhum despacho decisório, orientação normativa ou parecer jurídico dentro do despacho aduaneiro(...)”. 15 Contudo, o princípio da coisa julgada não deve ser rechaçado pelo fato do desembaraço aduaneiro não “consiste em homologação de lançamento”. 16 O sujeito passivo, importador ou exportador, não pode ficar à análise eterna da autoridade fazendária, diante da agilidade do comércio exterior, cria uma instabilidade jurídica, não só nacional, mas entre operações internacionais. 17 Desta maneira, conforme preconiza o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização da relação jurídica. 18 Devendo a coisa julgada ser reconhecida no presente caso, tendo em vista que o desembaraço aduaneiro representa o ato final no procedimento aduaneiro, salvo exceções. Em sua impugnação, a contribuinte aduz que O artigo 51, do Decretolei 37/1966, também transcrito no Relatório de Fiscalização, pg. 9, indica, sim, que o desembaraço aduaneiro faz coisa julgada administrativa (salvo o erro grosseiro ou a fraude, que quebram a coisa julgada, administrativa, em revisão aduaneira, à semelhança da Ação Rescisória em juizo), desde que tenha sido realizada a “conferência aduaneira”, o que ocorre na hipótese de despacho no “canal vermelho". Diz o tal dispositivo que: Art.51 Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do Fl. 6654DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.652 7 despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] Aduz também violação do artigo 141 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Depois, referese ao art. 146 do CTN, aquele que veda a alteração do critério jurídico. Nesse ponto, insurgese contra a decisão de piso alegando que esta se ampara incorretamente na “indisponibilidade do crédito tributário”. E aqui este trata, em verdade, da vinculação da atividade fiscalizatória, esculpida na parte final nos art. 141 do CTN: Funcionários do Estado, como os AFRF, não dispõem da necessária legitimidade para dispensar qualquer crédito tributário, pelo contrário, estão expressamente obrigados a exigilo, conforme se depreende dos arts. 141 e parágrafo único do art. 142 do CTN [...]. Em apertada síntese, o acórdão recorrido conclui que a conferência física da mercadoria no despacho aduaneiro não se confunde com a revisão aduaneira e que o desembaraço não homologa qualquer lançamento. Já a recorrente defende transgressão ao princípio da coisa julgada administrativa, pelo qual matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. Aduz ainda haver lançamento com o desembaraço. Diz que o “importador ou exportador, não pode ficar à análise eterna da autoridade fazendária”, surgindo a coisa julgada com o desembaraço, como forma de protegê lo desta instabilidade jurídica. Alega ainda desrespeito aos artigos 141 e 146 do CTN. Não assiste razão à contribuinte. A homologação prevista art. 150 do CTN é do lançamento e não do despacho. E só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso deste. É o que se conclui em artigo da autoria deste relator2: O art. 150 do CTN (BRASIL, 1966) define que “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Tal dispositivo divide o instituto do lançamento por homologação em duas partes: a antecipação do pagamento e o lançamento operado por ato expresso da autoridade administrativa. É pacífico na doutrina e na jurisprudência ser o lançamento por homologação a modalidade adequada aos tributos incidentes sobre as operações de 2 CAVALCANTI FILHO, A. C. C. Reclassificação Fiscal em Sede de Revisão Aduaneira. Revista da Receita Federal: Estudos Tributários e Aduaneiros, BrasíliaDF, v.01, n.01, p. 260276, ago./dez. 2014. Fl. 6655DF CARF MF 8 comércio exterior. No desembaraço, não há expressa homologação. Nem a norma a estabelece, nem a autoridade administrativa a declara. Ainda que se verifiquem a mercadoria e as respectivas informações, inclusive a classificação fiscal, não ocorre o requisito legal para que se opere esta modalidade de lançamento: a expressa homologação. Ao contrário, a lei prevê a possibilidade de revisão aduaneira, a fim de apurar as informações prestadas pelo importador, no prazo de cinco anos, mesmo as já verificadas. O parágrafo 4º do mesmo artigo afirma que a outra forma pela qual se opera o lançamento é pela via tácita: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação“. No caso dos tributos incidentes na importação, considerase ocorrido o fato gerador no momento do registro da Declaração de Importação (DI), como determina o art. 23, caput, do DecretoLei nº 37, de 1966, [...] e o prazo de cinco anos é evidentemente distante do desembaraço. Como não se opera o lançamento com o desembaraço, via de regra aquele se dá de forma tácita, no prazo quinquenal. [...] Em sentido estrito, só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso desse; o que ocorre, por exemplo, quando há exigência da autoridade administrativa, contra a qual se insurge o contribuinte, como previsto no art. 570, § 3º, do RA (BRASIL, 2009c). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) endossa essa posição, conforme se percebe no excerto transcrito a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. O Auto de Infração não contém qualquer ilegalidade, não restando configurada ausência de fundamentação legal a ensejar a nulidade daquele. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. A verificação da regularidade da importação, em sede de revisão aduaneira, pode ocorrer no prazo de cinco anos, contado da data de registro da declaração de importação. [...]. (BRASIL, 2006b, grifo nosso). Fl. 6656DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.653 9 E mais, o 51 do Decretolei 37/1966, não dá ao desembaraço o poder de fazer coisa julgada. Ao contrário, o trecho " Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal" só corrobora o raciocínio anteriormente exposto. Também não há que se falar em mudança de critério jurídico em função do despacho para ingresso no regime em foco, aplicável o instituto a situação diversa, como se depreende de trecho do mesmo artigo: E continua o doutrinador, esclarecendo que, se dá a mudança de critério jurídico quando a “autoridade administrativa [...] simplesmente substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”, ou ainda “quando em face da situação de fato sobre a qual incidiu a norma se atribua a esta um significado, quando outro podia ser atribuído” (MACHADO, 2005, p. 128 e 163)3. Sobre o assunto, cita Kelsen: “a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que apenas são aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no acto do órgão aplicador” (1998 apud MACHADO, 2005, p. 128). Finalmente traz a lume o seguinte exemplo: No DecretoLei nº 406, de 1968, determinado artigo traz a expressão “valor do produto ...”, inicialmente interpretado como custo de produção. Depois como preço de venda do produto. Ambas as interpretações constaram de atos normativos expedidos por autoridades competentes (MACHADO, 2005, p. 171). Citação do hoje Desembargador Federal Leandro Paulsen sobre dito art. 146, "abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos, que implique em prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade dos atos administrativos normativos, quando o contribuinte confiou nas normas anteriores", deixa claro não se tratar do caso em pauta: não havia qualquer investigação sobre a questão estar o regime vigente ou não, muito menos situação consolidada à respeito, tampouco aplicação de nova norma distinta da aplicada anteriormente. Nesse tem decidido este CARF: DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. "REVISÃO ADUANEIRA". POSSIBILIDADE. É possível a "revisão aduaneira", não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). 3 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume III. São Paulo: Atlas, 2005. Fl. 6657DF CARF MF 10 (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401003.199, de 23/08/2016, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan). A revisão aduaneira, esta que se dá em cinco anos do registro da declaração, nos termos do art. 54 do DecretoLei 37/66, em momento pós despacho. Não tendo ocorrido o lançamento sob análise no despacho aduaneiro, não foi a matéria trazida pela presente autuação sido examinada nesse momento. E assim, não há que se falar em coisa julgada administrativa, esta que só advirá quando não houverem mais recursos na esfera administrativa a serem decididos no curso do presente contencioso administrativo. Assim, nessas questões preliminares, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mérito Segundo o Relatório de Fiscalização (fls 40 e seguintes), esta teve origem quando a Pesquisa e Seleção da Inspetoria autuante: [...] iniciou linha de pesquisa em sua jurisdição para apurar se houve: a) a correta informação de dados nas Declarações de Importação registradas sob os regimes aduaneiros especiais suspensivos de utilização econômica previstos na “Seção II – Da Admissão Temporária para Utilização Econômica”, [...]in casu, os regimes previstos no artigo 373 e na alínea “a” do inciso I do artigo 376 do Decreto nº 6.759/09; e b) recolhimento de tributos aduaneiros no período em que as embarcações do sujeito passivo permaneceram no País ao desamparo de ADE de habilitação ao Repetro, nos termos do artigo 5º da IN RFB nº 844, de 9 de maio de 2008, tendo em vista que o pedido de prorrogação ao Repetro foi indeferido. A solicitação da presente apuração foi oriunda das próprias unidades de despacho (que concedem o regime) para a SRRF07/Diana, a qual, por sua vez, centralizou, por questões de otimização de fluxo de trabalho, toda a apuração de possíveis não recolhimentos de tributos nesta Inspetoria. Nessa toada, a contribuinte, ora recorrente, foi então fiscalizada, resultando na autuação sob recurso, tendo em vista que: a) em diversas Declarações de Importação (DI) registradas pela fiscalizada, foram omitidos ou informados de forma inexata (DOC3A): 1. os dados do Fabricante/Produtor dos bens importados nessas operações (constantes da Ficha Adição), porque não condizem com os elementos apresentados pelo sujeito passivo; 2. a relação existente entre o exportador estrangeiro e o sujeito passivo, uma vez que ambos possuem um controlador estrangeiro comum, a empresa estrangeira TIDE WEATER INC.; Fl. 6658DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.654 11 3. o Método de Valoração: “Método 1 – Art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (Decreto 92.930/86)”, porque as importações foram realizadas sob o regime de admissão temporária, portanto, não houve uma operação de compra e venda (1º método do AVA); e 4. o valor aduaneiro do bem, pois estes eram incompatíveis com os valores efetivamente segurados para as embarcações. b) o sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, nos termos do artigo 373 do Regulamento Aduaneiro de 2009, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País nas hipóteses em que houve decisão definitiva de indeferimento de habilitação ao Repetro (DOC20A a 20D) pela Divisão de Administração Aduaneira da 7ª Região Fiscal (SRRF07/Diana). A conduta do item “a”, que será oportunamente detalhada em tópico posterior, enseja, em desfavor do sujeito passivo beneficiário do regime aduaneiro, a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro, pela infringência do disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 69 da Lei nº 10.833, 29 de dezembro de 2003, e do disposto no artigo 4o da IN SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006, inclusive quando se tratar de mercadoria admitida em regime especial aduaneiro, consoante o disposto no inciso II do artigo 2º da IN SRF nº 680/06. De outra mão, em relação ao item “b” retro, o período em que o bem permaneceu no País ao desamparo do Repetro (em razão do indeferimento da habilitação ao regime em decisão definitiva administrativa) em ininterrupta utilização econômica enseja a cobrança de tributos proporcionais calculados “pela aplicação do percentual de um por cento, relativamente a cada mês compreendido no prazo de concessão do regime, sobre o montante dos tributos originalmente devidos” (§ 2º do artigo 373 do Regulamento Aduaneiro). Nos casos aqui apurados, o pedido de prorrogação de habilitação ao regime foi indeferido pela SRRF07/Diana e, em alguns casos, o sujeito passivo ingressou com recurso voluntário, o qual não foi provido ou não conhecido pelo Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil. As hipóteses em que os ADEs de habilitação foram concedidos (ou cujo recurso foi provido, no caso de indeferimento), foram excluídos do presente relatório e, portanto, não foram objeto de autuação. Frisese que não se trata de punição, posto que apenas se cobra apenas os tributos proporcionais devidos ao Erário. E tributo não é penalidade. Informações omissas ou inexatas A recorrente afirma que a autuação aborda, inicialmente, “a ausência de informações detalhadas dos dados do fabricante”, mas que tal ausência “não causa prejuízo ao ente público”, em termos de arrecadação. É bem a linha exposta nos itens abaixo de sua impugnação: Fl. 6659DF CARF MF 12 Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata ou incompleta, informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, o que ocorre no caso em pauta. Como bem coloca o acórdão recorrido, “não se trata apenas de prejuízo ao erário público e sim a importância das informações para o desempenho do controle aduaneiro”. E acrescenta: Por serem os Imposto de Importação e de Exportação tributos com caráter extrafiscal, o dano ao Erário não se relaciona apenas a questão de “quanto de tributo deixou de ser recolhido”. Querer restringir à atividade aduaneira a uma função de mera coletora de tributos é desconsiderar sua precípua função de proteção ao mercado interno e as implicações que permeiam o desempenho dos controles aduaneiros. Entende a recorrente que “a autoridade fiscalizadora possui para revisão aduaneira, prazo este de 5 anos, é suficiente para uma análise de qualquer ação ilícita ou que tenha potencial de ser”. Traz o princípio de cooperação entre o administrado e o administrador”, concluindo que “O erro a fim de ser ajustado deve ser corrigido e não coagido por aplicação de penalidade. Os dispositivos legais que determinaram a autuação não prevêm uma tal colaboração, mas sim a aplicação das penalidades objeto da autuação. A revisão aduaneira é instrumento de verificação de apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames e da exatidão das informações prestadas pelo importador e foi realizada em tempo. Aduz a recorrente que o STJ e o TRF4 têm trazido o entendimento de que “o preenchimento equivocado da guia de importação quando da descrição ou detalhamento da mercadoria ou integrantes na operação são insuficientes para caracterizar infração administrativa quando foi recolhido o tributo e não houve prejuízo para a Administração”. Não está este CARF adstrito a decisões judiciais de caso concreto. Ademais, há de prevalecer a proteção ao controle aduaneiro que objetiva a penalidade em foco. Sobre a ausência de informação da vinculação entre exportador e importador, diz que, de fato, “as empresas são pertencentes ao mesmo grupo econômico”, “o que segundo a lei tributária, não é suficiente para considerar a existência de vinculo para fins tributários”. Afirma que tendo juntado toda a documentação referente as empresas, demostra “que não visa nenhuma fraude ou impedimento ao controle aduaneiro”. Novamente, a proteção ao controle aduaneiro deve prevalecer. A norma penalizadora não exige prova de intenção, como aliás é a regra da responsabilidade na esfera aduaneira tributária, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Fl. 6660DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.655 13 Quanto à acusação sobre o método de valoração, diz a recorrente que a fiscalização não lhe oportunizou apresentar explicações da ausência de informação da vinculação entre exportador e importador, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 2.498/98. Alega também que não houve prejuízo ao erário. Novamente, devese privilegiar a proteção ao controle aduaneiro. Ademais, tais dispositivos se referem ao procedimento de controle de valor, no contexto da revisão aduaneira, distinto da penalidade por informação omissa ou inexata. Falta de recolhimento proporcional de tributos Relativamente à “falta de recolhimento proporcional de tributos referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no país”, insurgese a recorrente. O acórdão recorrido descreve a "instrução processual da habilitação à concessão do regime" e suas prorrogações, para todas as embarcações (texto reproduzido no recurso voluntário, salvo pelos dois últimos parágrafos): ▪ O sujeito passivo foi contratado por uma Operadora para a prestação de serviços na área de petróleo e gás no território aduaneiro; ▪ Em seguida, solicitou sua habilitação ao Repetro e, por atender aos requisitos normativos estabelecidos na IN RFB n° 844/08, obteve um Ato Declaratório Executivo (ADE) de habilitação; ▪ De posse desse ADE, importou temporariamente o bem estrangeiro contratado (embarcação) e solicitou a concessão inicial da admissão temporária para utilização econômica (Repetro) em uma unidade de despacho local da RFB, a qual fixou o prazo de permanência do bem com base nos elementos apresentados; ▪ Antes de findo o vencimento do contrato de prestação de serviços, o sujeito passivo e a Operadora assinaram um aditivo ao contrato, dilatando assim o lapso temporal dos serviços a serem prestados (sem que houvesse qualquer tipo de interrupção); ▪ De posse do aditivo contratual e antes de expirado o prazo fixado no ADE, o sujeito passivo protocolizou pedido de prorrogação da habilitação ao Repetro na SRRF07/Diana; ▪ Em seguida, também antes de findo o prazo fixado para a admissão temporária, o sujeito passivo protocolizou pedido de prorrogação do Repetro, mas instruiu o procedimento com o protocolo do requerimento de habilitação que apresentou na SRRF07/Diana E NÃO COM O ADE VIGENTE, CONSOANTE DETERMINA O COMANDO DO INCISO II DO § 1° DO ARTIGO 21 DA IN RFB N° 844/08; Fl. 6661DF CARF MF 14 ▪ Algum tempo depois, o pedido de prorrogação da habilitação ao Repetro foi indeferido pela SRRF07/Diana, porque o sujeito passivo deixou de atender a determinados requisitos essenciais para obtenção da prorrogação da habilitação; e ▪ Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ou desistiu do recurso. Os recursos julgados findaram administrativamente. Ao longo de todo esse período (do protocolo do pedido até o indeferimento da prorrogação da habilitação e mais a fase recursal, quando foi o caso), não houve desvio de finalidade, pois os bens permaneceram no País em utilização econômica atendendo aos serviços constantes do objeto pelo qual o sujeito passivo foi contratado. É importante destacar que a nenhum dos recursos foi dado o efeito suspensivo a que se refere o artigo 61 da Lei n° 9.784/99. E que apenas os pedidos indeferidos de prorrogação da habilitação ao Repetro, cuja decisão final foi desfavorável ao sujeito passivo, são objeto da presente ação fiscal, ora em análise. A recorrente então afirma: 48 Em uma breve tradução, o autuado requereu todos os pedidos antes dos prazos de validades dos respectivos documentos expirarem. 49 Ressalta que o autuado no pedido de prorrogação do Repetro anexou a habilitação com ADE vigente na época, mas que se encontrava próximo de expirar, e ainda o protocolo do pedido de prorrogação de habilitação para emissão de novo ADE. 50 Logo, a autuada não pode ser penalizada pela morosidade administrativa, neste aspecto temos o entendimento do jurista Paulo Hoffman: [...] 50 Desta forma, como aduzido incialmente pelo Relator da DRJ, os tributos proporcionais são devidos pelo tempo de permanência em território nacional e não pelo tempo de permanência no regime. O autuado estava sob regime aduaneiro especial, não lhe enquadrando aos tributos proporcionais, logo não sendo devidos pelo tempo de permanência em território nacional e sim pelo tempo de permanência ao regime. 51 Sendo que após o tempo concedido do regime aduaneiro especial, a autuada permaneceu com as embarcações em reparo sem atividade econômica, restando em manutenção, aspecto este permitido pela legislação da época e a vigente. Não assiste razão à recorrente. Não foi penalizado por qualquer morosidade administrativa, ainda que conforme descrito na autuação, "Os julgamentos dos recursos voluntários levaram muitos meses em análise na Coana até que a decisão do Sr. Secretário fosse proferida". A Solução de Consulta Interna n° 1 SRRF07/Disit, de 17 de julho de 2013, ressalta que "apenas o deferimento do Fl. 6662DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.656 15 pedido de habilitação ao Repetro gera efeitos tributários" suspensivos "ex tunc", o que não ocorre, a contrario sensu, no caso presente de indeferimento. Vale dizer, se tivesse, ao final e ao cabo do processamento do pedido de prorrogação da habilitação obtido o deferimento de seu pedido, nada teria a recolher. Como o pedido lhe fora negado, o tributo é devido desde a vigência anterior do regime. Se, após o "tempo concedido do regime aduaneiro especial", as embarcações permaneceram "em reparo sem atividade econômica", nada significa para o regime de admissão temporária para utilização econômica, ao qual ficaram submetidas, ao saírem do abrigo do Repetro: pela regra do art. 373 do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro então vigente) os tributos incidem sobre "Os bens admitidos temporariamente no País para utilização econômica" "proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território aduaneiro", independentemente da efetiva utilização econômica, como bem apontou o acórdão recorrido. A DRJ distingue, em seu voto, "tempo de permanência em território nacional" de "tempo de permanência no regime" e, em seu relatório, destaca que "A fiscalização concluiu que são devidos os tributos pelo período em que os bens permaneceram no território aduaneiro ao desabrigo do Ato Declaratório Executivo (ADE) de habilitação (em razão de indeferimento definitivo de prorrogação da habilitação e do qual não cabia mais recurso)" e que "a medida tributária a ser adotada em relação ao período em que o bem permaneceu no País sem amparo do Repetro, uma vez que a suspensão total do Repetro para o período nunca retroagiu com o indeferimento definitivo da habilitação". No restante, faço minhas as conclusões do acórdão ora recorrido. Portanto, nas questões de mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 6663DF CARF MF 16 Fl. 6664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908553/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2001
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2001 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 53 /2 01 1- 16 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.478. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.383, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000079/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, sujeitanto-se a pena administrativa de multa.
Numero da decisão: 2202-004.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, sujeitantose a pena administrativa de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 79 /2 00 9- 63 Fl. 80DF CARF MF 2 Relatório Conforme descrito no Relatório fiscal (fls.08) tratase de lançamento de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória por ter deixado a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. O contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 22/33, na qual alegou, resumidamente, que: a) Ausência de fundamentação legal; b) Necessidade de sobrestamento do julgamento deste Auto de Infração A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba negou provimento à Impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 50): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, sujeitantose a pena administrativa de multa. Cientificado da referida decisão (AR fls. 53) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 55/66 no qual reitera as alegações já suscitadas. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço Alega o Recorrente que o presente lançamento é nulo em razão da ausência da competente fundamentação legal e que a referida ausência teria sido reconhecida pela própria decisão recorrida. Sem razão o Recorrente. Conforme se verifica pela leitura do relatório fiscal como pela decisão da DRJ o presente lançamento encontrase devidamente motivado, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 12268.000079/200963 Acórdão n.º 2202004.780 S2C2T2 Fl. 81 3 Conforme relatado, o presente Auto de Infração foi lavrado em razão da empresa deixar arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, referentes ao período de 01/2004 a 12/2004. Vejamos, pois o que diz a Lei 8.212/91 a respeito dessa obrigação acessória: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração: Portanto, temse por afastada a alegação de ausência de fundamento legal e cerceamento do direito de defesa. (grifos no original) Em relação ao pedido de sobrestamento do presente lançamento em razão do lançamento da obrigação principal é importante esclarecer que, além da ausência de previsão regimental nesse sentido, os processos estão sendo apensados e serão julgados conjuntamente. Assim, eventual decisão favorável ao processo principal acabará por refletir na decisão proferida no presente processo. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902222/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 22 22 /2 00 9- 37 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.902222/200937 Acórdão n.º 1402003.450 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.902222/200937 Acórdão n.º 1402003.450 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.441, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10925.902212/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.441): "Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902367/2008-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para comprovar a alocação de pagamento a débito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para comprovar a alocação de pagamento a débito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 10283.720305/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. Após a edição da Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito da Cofins segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador.
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elas a Contribuição para o PIS/Pasep.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Numero da decisão: 3301-004.818
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. Após a edição da Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito da Cofins segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elas a Contribuição para o PIS/Pasep.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 385 1 384 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720305/201046 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.818 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRACAO PIS/COFINS Recorrente COOPEDAM COOPERATIVA DOS PEDIATRAS DO ESTADO DO AMAZONAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. Após a edição da Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito da Cofins segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elas a Contribuição para o PIS/Pasep.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 05 /2 01 0- 46 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10283.720305/201046 Acórdão n.º 3301004.818 S3C3T1 Fl. 386 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 0119.265 3ª Turma da DRJ/BEL (fls 292/302): Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a Pessoa Jurídica acima identificada, em que foram lançados Cofins (crédito total R$ 1.365.876,46, incluídos nesse valor a contribuição, a multa proporcional e juros calculados até maio de 2010 fl. 04) e PIS/Pasep (crédito total R$ 292.899,85, incluídos nesse valor a contribuição, a multa proporcional e juros calculados até maio de 2010 fl. 25). 2. Segundo a Fiscalização, em síntese, a impugnante preordena sua atividade para celebrar contratos com terceiros, e assume, em nome próprio, os riscos do negócio e a receita decorrente do fornecimento da mão de obra contrata, e que está demonstrado que a relação jurídica que se estabelece entre a impugnante e terceiros não se configura um ato cooperativo nos termos do art. 79, da Lei n° 5.764/71. 2. Cientificada em 21/06/2010 (fls. 05 e 26) a interessada apresentou, tempestivamente, em 21/07/2010, impugnação (fls. 163/183), onde alega, em síntese, que: a) Preliminarmente, a decadência do direito ao lançamento para os períodos anteriores a junho/2005. b) No mérito: “Agrega como associados os profissionais abrangidos pelo seu estatuto social, adotando o peculiar regime da livre adesão (art. 4° inciso I, da Lei n° 5 764/7), organiza e compõe um atividade econômica exercida globalmente, prepara os planos de atividade para serem desenvolvidos pelos sócios, oferece e firma os contratos com os usuários, sempre em nome dos cooperados, recebe e repassa a estes todo o produto econômico dessas contratações. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10283.720305/201046 Acórdão n.º 3301004.818 S3C3T1 Fl. 387 3 A atividade da impetrante, como já foi dito, nada tem a ver com o objeto da contratação realizada pelos seus sócios, pois limita se a praticar o “ato cooperativo ” exclusivamente com seis associados. Foi constituída pelo interesse de pessoas que se dispuseram a congregar sua atividade em proveito comum, funcionando nos estritos termos da Lei 5. 764/71, especialmente no que tange às peculiares características prescritas no seu art. 4°. Sua atividade é realizada exclusivamente em nome dos cooperados, gerando apenas receitas em nome dos sócios, que lhes são transferidas integralmente, depois de liquídadas proporcionalmente as despesas da sociedade, cuja responsabilidade a Lei lhes atribui. Mesmo diante. da imprecisa e discriminativa linguagem do texto legal, o art. 15, da Medida Provisória 2113/26, ratifica circunstancia inequívoca de que a receitas dos cooperados ou seja o objeto da cooperativa, deve. ser excluído da base de cálculo da COFHVS, por não integrar ,obviamente a receita da sociedade. Não realiza atos não cooperativas, pois atua exclusivamente com a atividade de O seus cooperados. A sua prestação de serviço beneficia exclusivamente seus associados, inocorrendo resultado ou qualquer tipo de remuneração pela sua realização. Sua atividade, como determina a Lei 5.764/71, él exclusivamenteinstrumental, sendo certo que os interesses são sempre dos sócios, coincidindo, pois, a atuação objeto da sociedade, como pessoa jurídica, com a atividade coletiva dos seus associados. Por isso, dentro dos seus demonstrativos contábeis, a arrecadação realizada pela cooperativa transita exclusivamente na conta do patrimônio líquido, afim de ser distribuído ao cooperado (art. 4 'Í inciso VII, da Lei) inexistindo receita no sentido juridico e econômico desse termo. ” c) Anexa decisões administrativas e judiciais. d) Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 292): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10283.720305/201046 Acórdão n.º 3301004.818 S3C3T1 Fl. 388 4 DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF,.a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito da Cofins segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. COOPERATIVAS Para os períodos de apuração de 2005, a Cofins devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada em conformidade com O disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com O disposto na Lei n° 9.718, de 1998. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito do PIS/Pasep segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. COOPERATIVAS Para os períodos de apuração de 2005, O PIS/Pasep devido pelas sociedades cooperativas deve ser calculado em conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com o disposto na Lei n° 9.718, de 1998. DECISOES JUDICIAIS. EFEITOS. São improficuos os julgados judiciais trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso às fls. (fls. 308/382), no qual a Recorrente apresentou as seguintes questões: · PRELIMINAR. DECADÊNCIA DE PARTE DA AUTUAÇAO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DA CQNSTITUIÇAO DO CREDITO TRIBUTARIO ALEM DO QUINQUENIO DECADENCIAL. · A RECORRENTE. SUA ESTRUTURA JURÍDICA. A LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS. MODALIDADE OPERACIONAL DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO. OS FINS E O OBJETO SOCIAL. · PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) INTELIGENCIA QUE DEVE DETERMINAR DAS EXCLUSOES DA BASE DE CÁLCULO DA PRODUÇÃO DOS COOPERADOS ARTIGO 15 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2037. (CONTRIBUIÇÃO PARA Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10283.720305/201046 Acórdão n.º 3301004.818 S3C3T1 Fl. 389 5 SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) ALTERAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR N° 70/91 REVOGAÇÃO DO INCISO I, DO ART. 6, DA LC 70/91. INTELIGENCIA QUE DEVE DETERMINAR DAS EXCLUSOES DA BASE DE CALCULO ,L DA PRODUCAO DOS COOPERADOS. 7 NÃO INCIDENCIA. ARTIGO 15 DA MEDIDA PROVISORIA 2037, 25A REEDIÇÃO.) · NÃO INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS FEDERAIS (PIS, COFINS, IRPJ E CSLL) SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. · O PEDIDO. ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ATIVIDADE COM NÃO ASSOCIADO. EQUÍVOCO DA AUDITORIA. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto à preliminar de decadência, cumpre registrar que a Recorrente apenas lembrou que seu pedido preliminar de reconhecimento parcial da decadência foi reconhecido pela decisão recorrida. Portanto, resta neste ponto apenas manter a decisão recorrida. Em relação ao mérito, colacionamos voto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 9303005.502 – 3ª Turma, de 15 de agosto de 2017: Embora este Relator comungue da mesma opinião da Fazenda Nacional, de que "(...) todas as importâncias ingressadas em face da prestação de serviços pela cooperativa, independentemente de se tratarem de operações com cooperados ou com não cooperados, passaram a incidir contribuição, permitindose, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época oca dos fatos", o assunto foi recentemente apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, RE Nº 1.164.716 MG , no qual recebeu o seguinte tratamento: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10283.720305/201046 Acórdão n.º 3301004.818 S3C3T1 Fl. 390 6 ADVOGADO : DAVID GONÇALVES DE ANDRADE SILVA E OUTRO(S) INTERES. : ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB "AMICUS CURIAE" ADVOGADOS : ADRIANO CAMPOS ALVES E OUTRO(S) KARINE MANFREDINI DA CUNHA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (grifos no original) E no corpo do voto: 3. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10283.720305/201046 Acórdão n.º 3301004.818 S3C3T1 Fl. 391 7 E ainda, em seu parágrafo único, alerta que ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria . 4. Dito isso, entendese que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária, tendo em vista a mensagem que veicula, mesmo sem empregar termos diretos ou específicos, por isso que se obtém esse resultado interpretativo a partir da análise de seu conteúdo. Consequentemente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados), ou pela cooperativa com outras cooperativas, ou pelos associados (cooperados) com a cooperativa, na busca dos seus objetivos institucionais. Conforme dispõe o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1 , aprovado pela Portaria MF 343/15, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC). Nos termos da decisão transcrita, cujo entendimento se adota, devem ser excluídas da base de cálculo das Contribuições as receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Destarte, tendo em conta o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724669/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007
PLR. METAS E OBJETIVOS. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
A inexistência no instrumento que institui o programa de PLR de qualquer meta ou objetivo condicionando o seu pagamento, implica sua descaracterização e a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos com base nele.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, deve-se atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico.
Numero da decisão: 2201-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que deram provimento ao recurso voluntário dos solidários.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2007 PLR. METAS E OBJETIVOS. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. A inexistência no instrumento que institui o programa de PLR de qualquer meta ou objetivo condicionando o seu pagamento, implica sua descaracterização e a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos com base nele. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, deve-se atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico.
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METAS E OBJETIVOS. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. A inexistência no instrumento que institui o programa de PLR de qualquer meta ou objetivo condicionando o seu pagamento, implica sua descaracterização e a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos com base nele. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, devese atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que deram provimento ao recurso voluntário dos solidários. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 46 69 /2 01 1- 58 Fl. 794DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de recursos voluntários (fls. 581/600 e 640/649) apresentados em face do Acórdão nº 0249.995, da 8ª Turma da DRJ/BHE (fls. 537/545), pelo qual foram julgadas improcedentes as impugnações aos autos de infração Debcad nº 37.322.3110 e Debcad nº 37.322.3129. Segundo extraise do relatório fiscal (fls. 89/107) e dos demais documentos que acompanham os autos de infração (fls. 1/88), eles foram compostos a partir dos seguintes levantamentos: Debcad nº 37.322.3110 contribuição da empresa/Gilrat: pagamentos feitos a empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica (levantamento PL); pagamento de participação nos lucros para diretores não empregados (levantamento PD); pagamento de previdência privada para diretores da empresa (levantamentos PR e PR1). Debcad nº 37.322.3129 contribuição dos segurados: apurada a partir dos levantamentos identificados no Debcad nº 37.322.3110. Por economia processual, é necessário registrar desde logo que a impugnação ao lançamento fiscal foi parcial, sendo que a empresa autuada anexou a ela os comprovantes de pagamento dos levantamentos PR e PR1 pagamento de previdência privada para diretores da empresa (fls. 402). Além disso, houve desistência parcial do recurso apresentado para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT (fls. 667/668). Através dela, a instituição autuada manifestou sua falta de interesse na manutenção da discussão acerca da PLR de diretores (levantamento PD). Dessa forma, a matéria em litígio nessa esfera recursal restringese ao levantamento relativo a pagamentos feitos a empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica (levantamento PL). Em relação a essa matéria, o relatório fiscal afirma que o pagamento realizado em março de 2007 teve por base apenas as convenções coletivas firmadas, nas quais haveria a garantia de um pagamento mínimo proporcional ao salário do empregado e independente do atingimento de qualquer meta ou resultado. Apenas na hipótese em que esse valor mínimo representasse percentual inferior a cinco por cento do lucro obtido no período, haveria sua majoração até um teto determinado. Nesse caso, entendeu a autoridade fiscal que a garantia de pagamento de um valor determinado independente de qualquer resultado desvirtuaria o programa, colocandoo em confronto com as regras da Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 795 3 O auto de infração arrolou as empresas identificadas no item 63 do relatório fiscal (fl. 101) como responsáveis solidárias, sob o fundamento de que comporiam grupo econômico. Em sede de impugnação (fls. 359/381), e considerandose apenas a parte do lançamento que remanesce em litígio, a autuada alegou, em síntese, que: A Lei nº 10.101 apenas exige que os critérios para pagamento sejam objetivos, mas não determina que existam metas a serem cumpridas, pois estas são facultativas. O plano da empresa estabelece uma condição para que os funcionários recebam PLR, que é o auferimento de lucro. Além disso, haveria duas variáveis, limite máximo de 15% e mínimo de 5%. As empresas para as quais foi atribuída responsabilidade solidária apresentaram impugnação em apartado (fls. 424/431), contestando unicamente essa condição, sob alegação de que não foi evidenciada a solidariedade de fato baseada no interesse comum na situação que constitui fato gerador; que a previsão do art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991, seria inaplicável por confrontar a Constituição Federal; bem como que não foi comprovado qualquer abuso de personalidade jurídica. A Delegacia de Julgamento julgou improcedentes as impugnações, mantendo integralmente o auto de infração. Dessa decisão, os sujeitos passivos tomaram ciência em datas que variaram entre 1º/11/2013 e 06/11/2013 (fls. 562/580) e os recursos voluntários foram tempestivamente apresentados em 29/11/2013 (fls. 581/600 e 640/649). Em sede recursal, a contribuinte reprisa os argumentos utilizados na impugnação, reafirmando não ser condição para o pagamento de PLR a existência de metas a serem atingidas. As empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária, por outro lado, além dos argumentos já apresentados em sede de impugnação, aduzem que o grupo econômico não poderia ser configurado apenas pela composição do quadro societário, sendo necessário demonstrar que estiveram sob a direção, controle ou administração comum. Neste Colegiado o processo em análise foi distribuído a esta Conselheira em função de conexão com o processo 15504.724670/201182 (fls. 783/787). É o que havia para ser relatado. Voto Fl. 796DF CARF MF 4 Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Recurso voluntário Contribuinte Conforme foi destacado no relatório, a matéria que remanesce em litígio restringese à discussão acerca da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados aos empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. Segundo a autoridade fiscal e os julgadores de primeira instância, o programa de PLR da autuada não atenderia às exigências da Lei nº 10.101, de 2000, uma vez que o pagamento não estaria condicionado a qualquer meta ou resultado a ser atingido, tendo sido garantido um valor mínimo. A autuada, por sua vez, defende que não há na legislação de regência tal exigência, bem como que o pagamento teria sido condicionado à obtenção de lucro. Quanto a essa questão, registro inicialmente meu entendimento de que há sim exigência legal para que o pagamento de PLR esteja subordinado a critérios e condições. Voltando ao texto legal, temse que: Art. 2º (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Resta claro do texto legal que o instrumento de negociação deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos do trabalhador e também quanto a mecanismos de aferição para verificação do seu cumprimento. Logo, é inexorável que o instrumento deve conter critérios e condições de pagamento, cuja observância sejam passíveis de aferição. Os incisos são, com efeito, exemplificativos, mas deles pode ser extraída a racionalidade que orienta a regra. O fato de que não sejam obrigatórios esses critérios e condições, não quer dizer que o PLR pode ser fixado sem qualquer critério ou condição. Ou ainda que seja fixado com critérios e condições sem qualquer pertinência lógica com os exemplos fornecidos pela lei, de onde resulta clara a intenção de que o modelo escolhido seja uma expressão do resultado obtido a partir do esforço adicional empreendido pelos empregados. No caso em análise, analisandose a convenção juntada às fls. 212 e ss, destacase a seguinte cláusula: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 796 5 CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2005, em efetivo exercício em 31.12.2006, convencionase o pagamento, pelo banco, até 02.03.2007, de 80% (oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2006, acrescido do valor fixo de R$ 828,00 (oitocentos e vinte e oito reais), limitado ao valor de R$ 5.496,00 (cinco mil, quatrocentos e noventa e seis reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados no “caput” desta Cláusula, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2006, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do “caput” desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2006, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.992,00 (dez mil, novecentos e noventa e dois reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2006. PARÁGRAFO TERCEIRO O empregado admitido até 31.12.2005 e que se afastou a partir de 1º.01.2006, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido. PARÁGRAFO QUARTO Ao empregado admitido a partir de 1º.01.2006, em efetivo exercício em 31.12.2006, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou auxílio maternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. PARÁGRAFO QUINTO Ao empregado que tenha sido ou venha a ser dispensado sem justa causa, entre 02.08.2006 e 31.12.2006, será devido o pagamento, até 02.03.2007, de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no “caput”, por mês trabalhado, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. PARÁGRAFO SEXTO Fl. 798DF CARF MF 6 O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2006 (balanço de 31.12.2006) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados. PARÁGRAFO SÉTIMO A participação nos lucros ou resultados prevista nesta Convenção Coletiva de Trabalho referese ao exercício de 2006, atende ao disposto na Lei nº 10.101, de 19.12.2000, não constitui base de incidência de nenhum encargo trabalhista ou previdenciário por ser desvinculada da remuneração, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade, porém tributável para efeito de imposto de renda, conforme legislação em vigor. Pois bem, essa cláusula estabelece um valor mínimo e um máximo a ser pago a cada empregado, sendo que a variável que irá determinar em que ponto desse intervalo se fixará o valor a ser pago é o lucro da instituição, já que a distribuição não deverá ser inferior a 5% nem superior a 15% dele. Logo há uma variável relativa ao valor efetivamente pago, mas a existência ou não do pagamento, por outro lado, está condicionada apenas ao auferimento de lucro (parágrafo sexto). Ou seja, havendo lucro, qualquer que seja, inferior ou superior ao dos anos anteriores, haverá pagamento de PLR, presumese que, pelo menos, no mínimo ajustado. Para auxiliar a compreensão da norma e sua aplicação ao caso concreto, recorro ao Acórdão nº 9202006.218, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatora a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que, analisando situação semelhante a destes autos, assim se manifestou: A verba paga a título de PLR tem por objetivo servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um valor, além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao seu desempenho corriqueiro exigido como decorrência inerente do contrato de trabalho. Desta forma, o plano de incentivo à produtividade deve conter de maneira clara e objetiva, um fim a ser alcançado pelo desempenho do trabalhador, em vista de um estímulo traduzido na promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Conforme a Lei nº 10.101/2000, este fim, ou objetivo extraordinário, pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, também, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, anime e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho normal que é de sua rotina e decorrente do seu contrato de trabalho. Assim, se vê que nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, o legislador infraconstitucional não teve intenção de detalhar na Lei todos os fins excepcionais a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias Fl. 799DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 797 7 empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que fossem adequados às suas realidades. E, exemplificativamente, elencou, dentre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Entretanto, ainda que a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo determinado, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo seus trabalhadores é indispensável para a caracterização da verba. A empresa tem que detalhar qual o objetivo a ser atingido pelo seu corpo funcional para almejar a PLR e tal meta deve ser estipulada previamente, pois é da natureza da rubrica (para que não integre a base remuneratória), que os valores percebidos sejam fruto não da rotina laboral, mas do cumprimento de algo para o qual o trabalhador teve que implementar mais esforços do que aqueles normalmente utilizados no cumprimento de seu contrato de trabalho. E por isso, a importância da pactuação prévia, eis que somente ciente do que deve ser alcançado como objetivo para que receba o bônus do seu empenho é que vai implementar o esforço necessário para tanto. A inexistência de regramento claro e objetivo desvirtua a natureza da rubrica. A Lei n° 10.101/2000 exige que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado Na seqüência do raciocínio, por óbvio, as condições pertinentes ao plano de PLR, devem estar concluídas e ser cientificadas aos trabalhadores em período prévio à apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o empregado tenha o conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado para fazer jus ao ganho anunciado na negociação coletiva. Fl. 800DF CARF MF 8 Confrontando o caso concreto com o significado da norma apresentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não me parece que o plano adotado pela empresa autuada tenha cumprido as condições fixadas em lei. Com efeito, atrelar o pagamento de PLR à mera existência de lucro, ainda mais quando se trata de instituições financeiras e de instrumento firmado no último trimestre do período de referência, não pode ser confundido ou entendimento como estabelecimento de programa de metas, resultados ou prazos, ou ainda de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa. Índice de lucratividade não é o mesmo que mera obtenção de lucro. A existência de lucro por si só consiste em elemento estanque, inapto a revelar qualquer ganho de produtividade. Para sua obtenção, basta que as receitas sejam superiores aos custos e despesas. O índice de lucratividade, por outro lado, retrata a eficiência com que o lucro é gerado, pois está sujeito a outra variável, estabelecendo uma relação entre aquele e as receitas obtidas. De forma que duas empresas podem obter o mesmo lucro e não serem igualmente lucrativas. Além disso, o termo lucratividade está atrelado a outro, índice, que retrata a oscilação de determinada medida ou gradação. Assim, a norma não apenas faz menção a um elemento por si bastante relativo, como o associa a uma forma de avaliar sua oscilação. Nesse sentido, toda a linguagem utilizada pela norma conduz à conclusão de que os parâmetros estabelecidos por ela têm em comum o fato de serem diferentes formas de medição do incremento na produtividade e eficiência. É claro que as partes podem eleger critérios e condições diferentes daqueles que foram postos de forma exemplificativa pela norma, mas não acredito que o esforço empreendido por ela tenha tido por fim ilustrar o texto de forma retórica, mas sim evidenciar a natureza dos critérios e condições aptos a atender os fins almejados por ela. Deve haver uma pertinência lógica entre os exemplos fornecidos e o adotado no instrumento firmado. Não reconheço essa pertinência na convenção trazida à colação nesse processo. A esses argumentos, adiciono o que foi manifestado pelos meus pares no curso da sessão de julgamento, e que entendo bastante pertinente. A mera obtenção de lucro é um critério que pouco depende do desempenho dos empregados, já que está subordinada também a decisões da empresa quanto ao volume da despesa e investimento. Portanto, não é o meio adequado ao incentivo pretendido pela legislação de regência. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa autuada. Recurso voluntário Responsáveis solidárias As responsáveis solidárias limitaramse a contestar a responsabilidade que lhes foi atribuída pelo crédito tributário lançado nesse processo. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 798 9 Argumentam que a Lei nº 8.212, de 1991, ofende a Constituição Federal ao lhes atribuir responsabilidade tributária não prevista no Código Tributário Nacional CTN. Esta linha de argumentação não pode ser acatada neste Conselho, conforme evidencia o enunciado nº 2 da Súmula CARF. Também alegam que não tiveram participação nos fatos geradores dos tributos ora exigidos, ou seja, não haveria o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN. Esse argumento igualmente não lhes aproveita, porque não foi essa a base legal para a responsabilidade atribuída. Por fim, defendem que não basta invocar a participação societária para que seja caracterizado o grupo econômico, sendo necessário demonstrar a existência de direção, controle e administração comuns, nos termos prescritos pelo art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. Penso que não lhes assiste razão. Embora o relatório fiscal tenha sido econômico no uso das palavras, evidenciou a natureza do grupo ao identificar as empresas como controladas, ou seja, o grupo é de natureza societária. Por amor à clareza, transcrevo abaixo os atos normativos que conduziriam à responsabilidade de que ora se trata: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Decreto nº 3.048, de 1999 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. IN RFB nº 971, de 2009 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A Consolidação das Leis do Trabalho CLT também contém regra a respeito da formação de grupo econômico: Art. 2º (...) Fl. 802DF CARF MF 10 §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração da outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Tanto a empresa autuada como as responsáveis solidárias foram constituídas sob a égide da Lei das S/A, onde devem ser buscados os fundamentos para definir a natureza da relação entre elas. Nesse sentido, destacase dessa Lei (nº 6.404, de 1976): Art. 243. § 1o São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. (...) Nesse sentido, o controle garante preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, o que é suficiente para revelar a existência de poder de direção, controle e administração. E essa condição não foi contestada por nenhuma das responsáveis solidárias, o que demonstra que efetivamente encontramse sob controle comum, compondo, por isso, o mesmo grupo econômico. Por essas razões, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário das empresas listadas como responsáveis solidárias. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer dos recursos voluntários apresentados para lhes negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000009/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 00 9/ 20 10 -1 3 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12571.000009/201013 Resolução nº 3301000.706 S3C3T1 Fl. 171 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 12571.000009/201013 Resolução nº 3301000.706 S3C3T1 Fl. 172 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720825/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS AUFERIDAS E NÃO DECLARADAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Deve- se exigir a diferença do tributo não recolhido em face de receitas não declaradas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL.
A omissão de receita é base de cálculo das contribuições no Simples. Comprovada a omissão de receita, é cabível o lançamento da diferença não recolhida.
Numero da decisão: 1201-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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RECEITAS AUFERIDAS E NÃO DECLARADAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Deve se exigir a diferença do tributo não recolhido em face de receitas não declaradas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. A omissão de receita é base de cálculo das contribuições no Simples. Comprovada a omissão de receita, é cabível o lançamento da diferença não recolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 08 25 /2 01 1- 84 Fl. 496DF CARF MF 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório SUELI CARMO DE SOUZA ZONER EPP recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 12 65.208, sessão de 7 de maio de 2014, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira instância, completandoo ao final: O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 339/341, 342/344, 345/347, 348/350, 351/353 e nos demonstrativos de fls. 331/338, lavrados pela DRF –Marília/SP, dos quais a interessada acima identificada foi cientificada em 10/05/2011, conforme fazem provas as ciências nos próprios autos de infração, fls. 339, 342, 345, 348 e 351, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica – Simples Nacional no valor de R$ 13.188,76; da contribuição social sobre o lucro líquido – Simples Nacional, R$ 12.816,05; da contribuição para o financiamento da seguridade social – Simples Nacional, R$ 39.318,17; da contribuição para o PIS – Simples Nacional, R$ 9.274,82; e da contribuição Previdenciária Patronal – CPP – Simples Nacional, R$ 128.540,83, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75%(setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios. 2. Conforme descrição no auto de infração, fls. 340/341, e no relatório fiscal, fls. 355/357, o autuante apurou omissão de receita de valores não declarados e não contabilizados referentes a serviços profissionais prestados a pessoa jurídica, código 1708, nos valores mensais elencados em fls. 355/356. Tipificou a infração no artigo 24 da Lei nº 9.249/95 e nos arts. 18 e 34 da Lei Complementar nº 123/2006. 3. Com o objetivo de comprovar a infração, juntou aos autos os documentos de fls. 2/330. 4. Consta dos autos a solicitação, em 26/05/2011, de parcelamento, fl. 366, que foi indeferida, consoante Despacho Decisório DRF/MRA/Sacat nº 104, de 07/06/2011, fls. 369/375. 5. Em seguida ao pedido, em 03/06/2011, inconformada com o lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 376/388, arguindo, em síntese: 5.1. Como preliminar que: 5.1.1. “Atendeu através da singela correspondência de fls. 15 e 16, elaborada por indução e à vista unicamente dos elementos constantes do Termo de Intimação Fiscal de folhas 13 e 14, o qual não se fez acompanhar de qualquer documento comprobatório dos dados de receita de remuneração por Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13830.720825/201184 Acórdão n.º 1201002.491 S1C2T1 Fl. 3 3 serviços prestados que apontava, fato este que configurou verdadeiro cerceamento de defesa e indução a erro”; 5.1.2. “requer a cientificação do contribuinte, ora impugnante, quanto a data e horário de julgamento da presente impugnação, para fins de apresentação de memoriais e sustentação oral, sob pena de nulidade dos atos praticados sem a observação deste pleito”; 5.2. No mérito, aduziu que: 5.2.1. somente com a cópia integral do processo, compulsando os documentos, constatou que o somatório de seus valores ficou muito aquém daquele utilizado como base de cálculo, pois somam R$ 280.153,54. Elaborou planilha com a relação dos documentos constante dos autos, fls. 379/382 e fez a comparação com as bases de cálculo apuradas pelo autuante, fl. 382. Conclui que o lançamento com base no montante de R$ 1.462.103,09 não tem respaldo em documentação hábil devendo ser rejeitado; 5.2.2. cita o art. 142 do CTN para alicerçar o argumento que cabe a comprovação da ocorrência do fato gerador, sendo atividade vinculada e obrigatória, trazendo aos autos julgados e doutrina quanto à matéria; 5.2.3. a aplicação da multa no percentual de 75% vai contra o que dispõe o inciso IV do art. 150 da CF/88, pois caracteriza autêntico confisco, verificado tratarse de empresa de pequeno porte inscrita no Simples Nacional; 5.2.4. o princípio do não confisco se mostra garantidor do princípio da capacidade contributiva; 5.2.5. conclui solicitando a declaração de insubsistência do lançamento e cancelado os autos de infração. E a redução do percentual da multa; 5.2.6. ainda, que se aguarde a decisão final do RE 582461 RG/SP que trata do caráter confiscatório da multa. 6. Esta Turma de Julgamento exarou o julgamento, Acórdão nº 1262.846, de 28/01/2014, concluindo pelo não conhecimento da impugnação apresentada, em face da apresentação de um pedido de parcelamento. Todavia, foi deferida liminar no Mandado de Seguraça impetrado por Sueli Carmo de Souza ZonerEPP, processo nº 000492749.2014.4.02.5101 (2014.51.01.0049274) e nesta decisão, o Poder Judiciário considerou o cabimento da impugnação como também que deva ser conhecida a impugnação por esta 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO. É o relatório. Cientificada da decisão de Primeira Instância e com ela não se conformando, a contribuinte SUELI CARMO DE SOUZA ZONER EPP interpôs recurso voluntário trazendo as mesmas alegações do primeiro apelo. Fl. 498DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com o Anexo II, artigo 57, parágrafo terceiro, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: (...) 11. DO LANÇAMENTO. 11.1. Conforme auto de infração, fl. 340, e informação fiscal, fls. 355/357, dos quais a interessada foi cientificada, o autuante apurou omissão de receita não declarada e não escriturada nos valores elencados em fls. 355/356. 11.2. Conforme já mencionado e transcrito acima, a Sra. Sueli Carmo de Souza Zoner, fls. 14/15, sócia e responsável pela empresa, depois de intimada, declarou ter recebido de receita R$ 9.250,00, oriunda do serviço prestado à TMC – transporte Multimodal de Carga Ltda, CNPJ nº 02.350.315/000194 e R$ 1.452.853,09, pelos serviços prestados à empresa Rodojacto Ltda, CNPJ nº 55.065.981/000147. 11.3. Quanto à declaração feita, ressalto que esta foi endereçada ao Delegado da RFB em Marília/SP 13(treze) dias após à intimação feita, tendo a Sra. Sueli confessado de maneira espontânea o recebimento da receita e que pelo que consta dos autos o autuante não estava presente, quando feita esta declaração. 11.4. Na intimação referida, fl. 14, o autuante informa à interessada que: “Diligências realizadas em ambas pessoas jurídicas coletaram boletos de adiantamento, recibos de caixa, depósitos, cópia de cheques, cujas operações não se encontram escrituradas no livrocaixa da fiscalizada quando do atendimento ao Termo de início da Ação Fiscal”. Há nos autos intimação para a empresa Rodojacto, fls. 68/71, e TCM Transportes Multimodal de Cargas Ltda, fls. 250/252, a fim de confirmar se a interessada percebeu a receita. Em resposta, as empresas confirmaram os valores constantes de suas Dirf, com a apresentação dos comprovantes de rendimentos pagos, fls. 73 e 253. Quanto às receitas da Rodojacto foram juntado aos autos os documento de controle interno do rendimento e irrf, fls. 74/79; parte dos recibos de caixa e relação de contas a pagar, fls. 81/249. Da empresa TMC Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13830.720825/201184 Acórdão n.º 1201002.491 S1C2T1 Fl. 4 5 Transporte Multimodal de Carga Ltda, foram juntados os documentos de fls. 254/258. 11.5. Observase que os documentos foram trazidos aos autos com o objetivo de comprovar a transação comercial da interessada com as empresas TMC Transporte Multimodal de carga Ltda e Rodojacto, uma vez que a própria interessada declarou o auferimento das receitas, especificando o montante em centavos dos valores das receitas auferidas. A interessada questiona o valor lançado como receita mas não junta aos autos qualquer documento que gerasse dúvida quanto aos valores apurados como receita pelo autuante, que são as receitas declaradas pela própria interessada e confirmadas pelos comprovantes anuais de rendimentos pagos e de retenção de IRRF, fls. 73 e 253. 11.6. Assim disciplina o Código de Processo Civil, quanto à confissão: Art. 348 – Há confissão, quando a parte admite a verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. A confissão é judicial ou extrajudicial. ..... Art. 350. A confissão judicial faz prova contra o confidente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes. ....... Art. 353. A confissão extrajudicial, feita por escrito à parte ou a quem a represente, tem a mesma eficácia probatória da judicial; feita a terceiro, ou contida em testamento, será livremente apreciada pelo juiz. 11.7. A declaração feita por escrito e sendo manifestação do contribuinte, sem ter sido coagida a expressar tais afirmações, poderia ser revogada, segundo art. 352 do CPC, caso a interessada demonstrasse, de alguma forma, que houve erro de sua parte na confissão feita. Contudo, qual o foi erro cometido? A interessada foi intimada a informar se auferiu receita, conforme intimação de fls. 13/14. Em resposta, fls. 15/16, apresenta descrição minuciosa da operação realizada, citando CNPJ, valor, operação e natureza da receita. Mais, descreve fatos específicos quanto às operações comerciais quando informa que manifestações quanto a repartições públicas eram feitas pela Rodojacto. 11.8. Em sua impugnação, em face de não ter sido apresentada a totalidade dos documentos das receitas, considera que os lançamentos deveriam ser refeitos, com base na documentação apresentada. A documentação apresentada somente confirma e comprova a confissão feita pela interessada, que a interessada auferiu receita no valor de R$ 1.452.853,09 de operação comercial com a empresa Rodajacto, CNPJ nº 55.065.981/0001 47 e R$ 9.250,00 com a empresa TCM – Transporte Multimodal de Cargas Ltda, CNPJ nº 02.350.315/000194. Deve ser Fl. 500DF CARF MF 6 salientado que a declaração de fls. 15/16 é prova, nos termos do art. 350 e 353 do CPC, transcritos acima. 11.9. Com o objetivo de alicerçar sua impugnação, cita o art. 142 do CTN, com a arguição que não teria sido comprovada a ocorrência do fato gerador. Transcrevo o dispositivo legal citado: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 11.10. O texto legal citado é um procedimento que é obrigatório à Autoridade Administrativa. Neste, está presente a inclinação do procedimento de lançamento com o fim de se verificar se ocorreu o fato gerador do tributo. Considero que foi, exatamente, o que fez a Autoridade. Conseguiu a confissão da interessada do recebimento das receitas não declaradas, buscou nas empresas, que se utilizaram dos serviços, a omissão de receita e juntou aos autos provas documentais das receitas, como: comprovantes anuais de rendimento pagos emitidos pelas empresas Rodojacto e TMC, documentos internos e recibos de caixa. Comparouos com a receita declarada, e verificou que as receitas não haviam sido escrituradas. Aqui, deve ser observado que a interessada não questionou a falta de declaração quando da resposta à intimação de fls. 13/16, como também não arguiu o fato em sua defesa. 11.11. Por derradeiro, há que se verificar que a interessada, em fls. 366, pediu o parcelamento do crédito lançado que é, também, confissão, agora do crédito lançado, que foi indeferido. 11.12. Em face da sua confissão feita pelo contribuinte, fls. 15/16, dos comprovantes anuais de rendimentos, que apontam para a percepção pela interessada das receitas que foram objeto de lançamento, fls. 73 e 253, das informações colhidas juntos as empresas Rodojacto e TMC – Transporte Multimodal de Carga Ltda, dos documentos trazidos aos autos, fls. 74/249, e dos documentos internos de fls. 74/79, que também coincidem com os valores lançados, considero prova suficiente para considerar que a interessada auferiu as receitas de fls. 13/14, que geraram os lançamentos, fls. 355/356. 12. DA MULTA LANÇADA. 12.1. Em face da apuração de omissão de receita e insuficiência de pagamento, o autuante aplicou a multa de ofício no percentual de 75%. 12.2. Primeiro, há que se esclarecer que a multa mantida neste julgamento será a prevista na legislação tributária, não sendo, assim, cabível, nesta esfera administrativa, a alegação de Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13830.720825/201184 Acórdão n.º 1201002.491 S1C2T1 Fl. 5 7 confisco ou que a multa deveria seguir o princípio da capacidde contributiva pois este julgador está vinculado à aplicação da lei, não sendo possível e cabível se aguardar o julgamento do RE 582461 RG/SP, citado pela interessada. Quanto à redução da multa, somente será possível se a lei assim permitir, não podendo ser aplicável a lançamento de ofício reduções não previstas em lei. 12.3. A base legal para a aplicação da multa foi a Lei n.º 9.430/1996, art. 44, alterada pela Lei n.º 11.488/2007, fl. 341, que assim determina: Lei n.º 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Lei n.º 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ....... 12.4. Como foi apurada omissão de receita, mantida neste julgamento, é procedente a multa de ofício lançada, pois estas receitas não foram declaradas e não foi feito o devido recolhimento dos tributos. (....) Pelo exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 502DF CARF MF 8 Fl. 503DF CARF MF
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