Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10875.002662/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1992
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Segundo o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto demanda a prolação de um novo acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1401-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o dispositivo do acórdão embargado nº 107-09.574, reconhecendo que o recurso voluntário foi provido por maioria de votos, vencidos na votação do respectivo Acórdão os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Marcos Vinicius Neder de Lima.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1992 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Segundo o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto demanda a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10875.002662/2004-11
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753888
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.927
nome_arquivo_s : Decisao_10875002662200411.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 10875002662200411_5753888.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o dispositivo do acórdão embargado nº 107-09.574, reconhecendo que o recurso voluntário foi provido por maioria de votos, vencidos na votação do respectivo Acórdão os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Marcos Vinicius Neder de Lima. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6879969
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466797293568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 378 1 377 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.002662/200411 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401001.927 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria LAPSO MANIFESTO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MICROLITE SOCIEDADE ANONIMA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1992 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Segundo o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto demanda a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o dispositivo do acórdão embargado nº 10709.574, reconhecendo que o recurso voluntário foi provido por maioria de votos, vencidos na votação do respectivo Acórdão os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Marcos Vinicius Neder de Lima. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 26 62 /2 00 4- 11 Fl. 378DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de embargos inominados apresentados em 6 de setembro de 2010 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sustentando o quanto segue: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10875.002662/200411 Acórdão n.º 1401001.927 S1C4T1 Fl. 379 3 (observo que o despacho 172 consta de fls. 330332 do eprocesso). A fl. 376 consta Despacho de Encaminhamento proferido pelo Presidente desta 4a Câmara da 1a Seção de julgamento, com o seguinte teor: Segundo o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto demanda a prolação de um novo acórdão. Já a fl. 377 há despacho proferido pelo Presidente desta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção, nos seguintes termos: Como a Turma foi extinta e o relator original não mais pertence ao CARF, procedase a distribuição por sorteio, conforme comando do art. 49, §6º do RICARF, para análise de correções inexatidões materiais apontadas pela PFN, que se fará através de embargos inominados com prolação de novo Acórdão conforme determinação do Presidente de Câmara (despacho de fls.376 ). Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de março de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Tratase de petição apresentada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reportando a ausência de providências, por parte deste CARF, para a retificação do acórdão, ou seja, reportando a não implementação, pela secretaria, do decidido no Despacho n. 172 (fl. 330332), proferido em 16 de outubro de 2009. Fl. 380DF CARF MF 4 Tal petição foi recebida como embargos inominados, nos termos do artigo 66 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 343/2015). De fato, o atual Regimento Interno do CARF determina que o julgamento dos embargos inominados seja realizado mediante a prolação de novo acórdão (grifamos): Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Assim, considerando a correção do decisum objeto do despacho n. 172, mantenho seus termos, agora proferindo novo acórdão, reconhecendo que na parte dispositiva do acórdão 10709.574 há lapso manifesto quando afirma que o resultado do julgamento do recurso voluntário foi unânime ao mesmo tempo em que informa que restaram vencidos dois conselheiros. Na verdade, o recurso voluntário em questão foi julgado procedente por maioria, por ter sido acolhida a decadência, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, e Marcos Vinicius Neder de Lima. Neste sentido, acolho os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o dispositivo do acórdão embargado n. 10709.574, reconhecendo que o recurso voluntário foi provido por maioria de votos e que naquela ocasião ficaram vencidos os conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Marcos Vinicius Neder de Lima. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720874/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012
RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência.
INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU.
A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringe-se aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina.
MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO.
O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-lo sob a alegação de confisco.
JUROS DE MORA. SELIC.
A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-la.
INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012
RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência.
INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU.
A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringe-se aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina.
MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO.
O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-lo sob a alegação de confisco.
JUROS DE MORA. SELIC.
A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-la.
INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade.
Numero da decisão: 3201-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012 RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU. A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringe-se aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-lo sob a alegação de confisco. JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-la. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012 RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU. A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringe-se aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-lo sob a alegação de confisco. JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-la. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16682.720874/2013-18
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5770211
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.037
nome_arquivo_s : Decisao_16682720874201318.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 16682720874201318_5770211.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6934099
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466807779328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1791; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.727 1 1.726 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720874/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.037 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria Pis e Cofins Recorrente FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012 RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU. A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringese aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco. JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 74 /2 01 3- 18 Fl. 1751DF CARF MF 2 argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012 RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU. A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringese aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco. JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 16682.720874/201318 Acórdão n.º 3201003.037 S3C2T1 Fl. 1.728 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 1612 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 1575 que negou provimento para a impugnação de fls 1369, mantendo os Autos de Infração de Pis e Cofins de fls 1288 e 1308, por insuficiência de recolhimento. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Tratase de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS lavrados em 26/08/2013, devidas pelos regimes cumulativo e não cumulativo, relativamente aos períodos de apuração outubro/2010 a março/2012, que constituíram crédito tributário no montante total de R$ 167.322.921,59 (Cofins – R$ 139.209.423,44 e PIS – R$ 28.113.498,15), somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal que integra os autos de infração, relata a autoridade fiscal que o procedimento foi instaurado para verificar as incongruências nos valores declarados pela interessada em suas DCTF e Dacon. Analisados os documentos apresentados pela contribuinte, constatouse, em síntese, que a contribuinte não procedeu à tributação das contribuições em relação às “receitas de uso da rede elétrica por Itaipu” e receitas de “juros sobre capital próprio”. Refezse, então, a apuração das contribuições em vista dos dados apresentados, incluindose as receitas mencionadas. Quanto às “receitas de uso da rede elétrica por Itaipu”, devidas pelo regime cumulativo, consta que consistem em receitas auferidas pela contribuinte em razão de serviços por ela prestados, por sua rede elétrica, de transmissão da energia gerada naquela Usina. A justificativa apresentada pela contribuinte para a não tributação é que essas receitas seriam isentas das contribuições, conforme Decreto Legislativo nº 23, de 1973, e Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. Fundamenta a fiscalização que, considerando as disposições do Ato Declaratório nº 74, de 10 de agosto de 1999, art. 43, I, do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, art. 44, I, da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, art XII do Decreto Legislativo nº 23, de 1973, as receitas de serviços isentas das contribuições são apenas aqueles decorrentes de vendas de materiais e equipamentos à Itaipu, Fl. 1753DF CARF MF 4 hipótese diversa dos serviços prestados pela interessada, que se deram com uso de suas próprias linhas de transmissão. Assinala ainda a fiscalização que embora tenha a contribuinte informado que a partir de 01/2012 teria passado a recolher as contribuições devidas sobre tais receitas, não se constatou que tenha adotado tal procedimento. Sobre as receitas de juros sobre capital próprio, informa a fiscalização que não compuseram a base de cálculo das contribuições apuradas pelo regime não cumulativo no ano de 2011, apesar de a contribuinte ter declarado que entende que essas receitas são tributadas. Aduz a autoridade fiscal que no regime da não cumulatividade estabelecido pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, a base de cálculo das contribuições contempla todas das receitas auferidas pelos contribuintes, inclusive as financeiras. E que a redução a zero das alíquotas aplicáveis sobre as receitas financeiras pelos Decretos nº 5.164, de 2004, e nº 5.442, de 2005, não alcançam as receitas oriundas de juros sobre o capital próprio. Eventual dúvida acerca da inclusão dessas receitas na base de cálculo das contribuições já foi afastada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive na sistemática do 543C do Código de Processo Civil. Cientificada dos autos de infração em 29/08/2013, a contribuinte apresentou impugnação em 30/09/2013, apresentando as razões de defesa a seguir sintetizadas. Acerca das receitas de juros de capital próprio, alega: ... Esclarece, nesse ponto, a Impugnante, que as receitas de Juros Sobre Capital Próprio a que alude o Fiscal foram provisionadas em dezembro do anocalendário 2011, ocasião em que, nos termos do art, 176 da Lei n° 6.404/73, são elaboradas as demonstrações financeiras da companhia. Ocorre que, esses valores somente foram efetivamente recebidos pela Impugnante em 2012, após aprovação da distribuição dos lucros da Sociedade de Propósito Específico ENERPEIXE, da qual Furnas figura como acionista, na Assembléia Geral Ordinária ocorrida em 09.04.2012 (doc. 03), em obediência ao art. 192 da citada lei. Desta feita, tais receitas foram incluídas na Base de Cálculo das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no exercício calendário 2012, tendo sido, por essa razão, regularmente pagas, conforme comprovam os DARF's anexos (doc. 02), motivo pelo qual devese julgar improcedente a autuação quanto a esse ponto. No que se refere às exigências decorrentes da diferença entre os valores declarados em DCTF e apurados pela fiscalização, alega a interessada, em síntese, que apesar dos equívocos cometidos naquela declaração, as contribuições foram corretamente apuradas contabilmente, e efetivamente quitadas. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 16682.720874/201318 Acórdão n.º 3201003.037 S3C2T1 Fl. 1.729 5 Ao não atentar para os pagamentos efetuados, a fiscalização agiu com ofensa ao principio da verdade material, da legalidade e da moralidade. Para comprovar o alegado, apresenta planilha e cópias dos Darfs pagos. Sobre as receitas de uso da rede elétrica por Itaipu, a contribuinte faz uma síntese histórica sobre a criação daquela Usina, no intuito de evidenciar que o encargo por ela recebido de transportar a energia lá produzida decorre de disposição legal. A seguir, menciona diversas disposições legais da ANEEL para demonstrar que apesar de a construção e operação de linhas de distribuição de energia elétrica ser de obrigação e responsabilidade da empresa geradora de energia, há possibilidade de transferência dessa responsabilidade para um agente de transmissão e de operação, hipótese em que os investimentos desse agente devem ser remunerados. Esse seria o caso do sistema de escoamento de energia de Itaipu, para o qual FURNAS foi designada para construir, operar e manter as redes de transmissão. A remuneração por seu investimento e pela prestação de serviços de transporte é o denominado “Transporte de Energia de Itaipu” e é pago pelas concessionárias de distribuição detentoras da cotaparte de energia fornecida pela Usina. De toda forma, fato é que tal atribuição que lhe foi legalmente repassada e proporcionou economia de recursos da União, que, se assim não fosse, teria a União que efetuar maciços investimentos na construção de sistemas independentes para a transmissão da energia de Itaipu às concessionárias regionais. Aduz que consideradas tais peculiaridades e as disposições do artigo XII do Tratado Internacional internalizado pelo Decreto nº 23, 1973, é de concluir que os valores por ela recebidos pelo uso de sua rede elétrica estão abrangidos pela isenção conferida por aquele Tratado. E prossegue: Seja em razão de que, desde a construção até a atual operação e manutenção dessas linhas de transmissão que servem exclusivamente ITAIPU, Furnas vem atuando "no lugar" de Itaipu, já que, conforme acima demonstrado, a construção e operação dessas linhas que se conectam à Rede Básica é uma obrigação e responsabilidade da empresa geradora de energia (alínea 'a'). Ou então, caso assim não se entenda, em razão de que, quando da construção da central elétrica, houve o fornecimento de equipamentos e materiais por Furnas para a construção dessas linhas de uso exclusivo por ITAIPU, de modo que tais linhas fazem parte do complexo da central elétrica de ITAIPU sem as quais a Usina não teria "serventia", e hoje, o serviço que Furnas desenvolve de manutenção e operação das mesmas são relativos a esses materiais (alínea V). Fl. 1755DF CARF MF 6 Alega que a multa aplicada de 75% é abusiva, revelandose ato confiscatório, contrário aos preceitos constitucionalmente estabelecidos. A Lei nº 9.430, de 1996, jamais poderia ter estabelecido tais absurdos percentuais. Transcreve excertos de doutrina e jurisprudência no sentido de ser vedado o caráter confiscatório das multas. Questiona ainda a utilização da taxa de juros Selic para o cálculo dos juros moratórios, o que seria contrário aos preceitos estabelecidos no art. 5o, II; 150, I; e 192 parágrafo 3o, todos da Constituição Federal, bem como do art. 161, e parágrafo 1o do Código Tributário Nacional, citando doutrina e jurisprudência na linha de seu entendimento." Esta decisão de primeira instância da DRJ/RJ foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2012 RECEITAS DE JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os valores creditados ou pagos a pessoas jurídica a título de juros de capital próprio devem ser escriturados com observância do regime de competência. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE USO DA REDE ELÉTRICA POR ITAIPU. A não incidência das contribuições sobre o faturamento prevista para as receitas de prestação de serviços à Itaipu Binacional restringese aos serviços decorrentes de vendas de materiais e equipamentos àquela usina. A receita auferida por concessionária/distribuidora em razão do uso de sua rede elétrica por Itaipu está sujeita à incidência da contribuição. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Constatada falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, correto o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco. JUROS DE MORA. SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 16682.720874/201318 Acórdão n.º 3201003.037 S3C2T1 Fl. 1.730 7 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O Recurso Voluntário reforçou as argumentações da impugnação. A União, por sua Procuradora, apresentou Contra Razões ao Recurso Voluntário e reiterou todas as razões de decidir da decisão de primeira instância. O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. DO MÉRITO. Conforme relatado, o presente procedimento administrativo trata de lançamento de ofício para a exigência de Pis e Cofins, com multas e juros, com relação a três matérias: 1 exclusão da base de cálculo, utilizada para apuração do PIS e da Cofins, das receitas de serviços de transmissão de energia elétrica prestada por Furnas à Itaipu Binacional; 2 não tributação de receitas de juros sobre capital próprio; 3 Divergência entre o Pis e Cofins apurado pela fiscalização e os declarados em DCTF. Fl. 1757DF CARF MF 8 Com relação ao ponto 2, o contribuinte não contestou a matéria e se limitou a alegar que pagou o Pis e a Cofins sobre as receitas de juros sobre capital próprio. A DRJ/SP tratou de forma específica da matéria, sendo que o recebimento/pagamento dos juros sobre capital próprio teria ocorrido em 12/2011 e o pagamento dos tributos ocorreu somente em 07/12 e por isto o pagamento dos tributos teria ocorrido fora do prazo e forma do regime de competência. O contribuinte poderia ter comprovado o contrário, se tais informações não fossem reais, mas assim não fez. Inclusive a Douta Procuradora, representando a União, reforçou essas informações e reiterou a decisão de primeira instância, conforme Contra Razões de fls. 1711. Portanto, como o pagamento do Pis e da Cofins ocorreu mais de 7 meses após a constituição da obrigação tributária, não há como cancelar o lançamento. O Art. 113 do CTN1 é claro sobre a constituição da obrigação tributária, assim como são claros os fatos geradores das contribuições em tela, tanto no regime cumulativo previsto na Lei 9.718/982, Art. 2.º, quanto no regime não cumulativo previstos nos Art. 1.º das Leis 10637/023 e 10833/03. Logo, o Pis e a Cofins deveriam ter sido recolhidos dentro do período determinado na IN SRF 247/02, com alterações posteriores 4, mas assim não foram e o contribuinte não comprovou o contrário. Não são controversos nos autos e foram confirmados os pagamentos, conforme DARFs juntados em fls 1427 a 1535. Desse modo, os pagamentos devem ser alocados, em respeito ao princípio da verdade material. Com relação a matéria 1, a exclusão da base de cálculo, utilizada para apuração do PIS e da Cofins, das receitas de serviços de transmissão de energia elétrica prestada por Furnas à Itaipu Binacional, da mesma forma o contribuinte não comprovou que a transmissão de energia elétrica se deu em razão da venda de materiais ou equipamentos, conforme disposto da legislação correlata, a saber: Decreto Legislativo nº 23/73 c/c art. 43, I, do Decreto nº 4.525/2002, regulamentado pelo art. 44 da IN SRF nº 247/2002. Ademais, vale aqui citar trecho do Acórdão 3403002.516, precedente deste Conselho, que, com relação à mesma matéria, assim concluiu: 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente 2 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 3 Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) 4 (Retificado(a) em 03 de dezembro de 2002) (Alterado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) (Alterado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 464, de 19 de outubro de 2004) (Alterado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1285, de 13 de agosto de 2012) Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 16682.720874/201318 Acórdão n.º 3201003.037 S3C2T1 Fl. 1.731 9 “Não há nos autos, com efeito, nenhuma prova de que Furnas agiria como mera mandatária de Itaipú, ou que se trate de repasse de montantes, sob um mesmo título e exatamente no mesmo valor, entre o concessionário e Itaipú, para a remuneração pela aquisição de um bem ou serviço que significasse um vinculo jurídico direto entre a Itaipú e o concessionário. Devese atentar, ademais, ao fato de que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, não traz qualquer implicação para o presente caso. Isto porque o efeito concreto da referida declaração de inconstitucionalidade é o de impedir que sejam adicionadas na base de cálculo das contribuições os ingressos de recurso que não configurem a venda de bens e serviços. No presente caso, o lançamento limitouse a promover a incidência das contribuições sobre o valor total das entradas em Furnas, ou seja, o somatório dos pagamentos realizados pelos concessionários em favor de Furnas. O que Furnas pretende, por sua vez, é que em relação ao faturamento (total das entradas) sejam deduzidos ou excluídos os valores de determinadas despesas suas, ou seja, o valor de saídas, de pagamentos que Furnas realiza. Portanto, a discussão a respeito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pela Lei nº 9.718/98 não parece ter qualquer pertinência com o direito alegado no presente caso. Concluo, por tais razões, que estas duas despesas não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição.” Dessa forma, a receita dos serviços de uso da rede elétrica, prestados pelo contribuinte autuado à Itaipú, não se enquadra na hipótese de isenção alegada. O lançamento também deve ser mantido neste tópico. Sobre a matéria 3, divergência entre o declarado em DCTF e o apurado pela fiscalização, verificase não haver controvérsia quanto aos pagamentos do Pis e da Cofins, dentro do período autuado, conforme pode ser verificado pelos DARFs juntados em documentos 02 e 03 da Impugnação de fls. 1369. O que se discutiu foi a hipótese de cancelar o lançamento do Pis e da Cofins nos períodos em que o contribuinte efetuou o pagamento, apesar de não ter declarado os débitos em DCTF. Novamente a Procuradora, representando a União, tratou da matéria em suas Contra Razões de fls. 1711, afirmando que o lançamento deve ser mantido, porque constituiu o crédito tributário, situação necessária, visto que diante da ausência de declaração em DCTF, os tributos não estariam formalizados, constituídos. Fl. 1759DF CARF MF 10 Tem razão a União neste aspecto, contudo, é preciso deixar claro que os tributos que estiverem pagos, mesmo que ausentes em DCTF, devem ser alocados, conforme mencionado na decisão de primeira instância. DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS. Quanto à multa de ofício, deve ser aplicada por configurarse a hipótese de falta de recolhimento prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96.5 Também não procede a alegação da contribuinte de que a multa de ofício violaria os princípios do não confisco, da razoabilidade, da proporcionalidade nem da legalidade. O entendimento a respeito deste tema foi consolidado na Súmula CARF nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, devem ser mantidas as multas. Contudo, é necessário fazer uma observação com relação à alegação específica do contribuinte. Em razão dos disposto no Art. 142 do CTN6, a penalidade é proposta pela autoridade administrativa que constituir o crédito tributário. Condição que permite a manutenção ou não da penalidade no âmbito administrativo fiscal. Dessa forma, ainda que o não pagamento tenha sido constatado e, portanto, de acordo com o Art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa de ofício de 75% deveria ser aplicada, o Art. 112 do CTN poderia permitir que, havendo dúvida na capitulação da infração tributária, a aplicação da legislação e das penalidades deveriam ser realizadas por meio de intepretação mais favorável ao contribuinte 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 6 CAPÍTULO II Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 16682.720874/201318 Acórdão n.º 3201003.037 S3C2T1 Fl. 1.732 11 A aplicação do Art. 112 do CTN não depende somente da solicitação do contribuinte, uma vez que é direcionada ao aplicador da legislação. Dessa forma, caberia a esse colegiado manter ou não a penalidade proposta, independentemente da solicitação do contribuinte em Recurso Voluntário. Mas, mesmo considerando que a legislação correlata à isenção dos serviços prestados para a usina de Itaipú (Decreto Legislativo nº 23/73 c/c art. 43, I, do Decreto nº 4.525/2002, regulamentado pelo art. 44 da IN SRF nº 247/2002) não é clara o suficiente para definir quais seriam os serviços prestados que teriam relação com a venda de materiais ou equipamentos, nesta lide é possível aplicar o entendimento de que os benefícios fiscais exigem interpretação literal, conforme disposto no Art. 111 do CTN7. E, mais uma vez, o contribuinte não comprovou que o uso da rede de transmissão de energia estaria diretamente relacionada com a venda de equipamentos ou materiais à usina de Itaipú. Não juntou notas fiscais de venda de materiais e equipamentos, por exemplo, assim como não comprovou mediante laudo ou qualquer outro meio, que o uso da rede de transmissão de energia estaria relacionada com tais materiais ou equipamentos. A mera alegação de que o contribuinte construiu a usina de Itaipú não é suficiente. Com relação à alegação de não aplicação dos da taxa SELIC, é importante transcrever a Súmula 4 deste Conselho, reforçando a manutenção de sua aplicação, conforme segue: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Logo, os juros devem ser mantidos com aplicação pela taxa SELIC. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com as devidas alocações dos tributos pagos, tal como salientado em primeira instância. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. 7 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias Fl. 1761DF CARF MF 12 Fl. 1762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000880/2001-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIDADE DA DECISÃO EMBARGADA RECONHECIDA.
Uma vez constatada a contradição entre o dispositivo do acórdão recorrido e o conteúdo do voto e da ementa do julgado, e diante da impossibilidade fática de se concluir quanto ao efetivo conteúdo do julgado realizado naquela oportunidade, não resta alternativa a este Colegiado senão determinar a anulação da decisão embargada, determinando-se a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitando-se os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório.
Em razão da anulação ora determinada, resta prejudicada a análise do argumento de omissão no julgado, apresentado pelo Embargante.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para fins de: (i) reconhecendo a contradição apontada, determinar a ANULAÇÃO do Acórdão nº 3301-00.195, ora embargado, tendo em vista que não há como se concluir qual fora o conteúdo do julgamento realizado naquela oportunidade, determinando-se a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitando-se os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; (ii) em razão da anulação acima determinada, julgar prejudicada a análise do argumento atinente à omissão do julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIDADE DA DECISÃO EMBARGADA RECONHECIDA. Uma vez constatada a contradição entre o dispositivo do acórdão recorrido e o conteúdo do voto e da ementa do julgado, e diante da impossibilidade fática de se concluir quanto ao efetivo conteúdo do julgado realizado naquela oportunidade, não resta alternativa a este Colegiado senão determinar a anulação da decisão embargada, determinando-se a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitando-se os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Em razão da anulação ora determinada, resta prejudicada a análise do argumento de omissão no julgado, apresentado pelo Embargante. Embargos acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.000880/2001-61
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5765813
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.929
nome_arquivo_s : Decisao_16327000880200161.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 16327000880200161_5765813.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para fins de: (i) reconhecendo a contradição apontada, determinar a ANULAÇÃO do Acórdão nº 3301-00.195, ora embargado, tendo em vista que não há como se concluir qual fora o conteúdo do julgamento realizado naquela oportunidade, determinando-se a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitando-se os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; (ii) em razão da anulação acima determinada, julgar prejudicada a análise do argumento atinente à omissão do julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6920070
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466828750848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2140; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.832 1 2.831 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000880/200161 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301003.929 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria Contradição/omissão Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO SABESP DE SEGURIDADE SOCIAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIDADE DA DECISÃO EMBARGADA RECONHECIDA. Uma vez constatada a contradição entre o dispositivo do acórdão recorrido e o conteúdo do voto e da ementa do julgado, e diante da impossibilidade fática de se concluir quanto ao efetivo conteúdo do julgado realizado naquela oportunidade, não resta alternativa a este Colegiado senão determinar a anulação da decisão embargada, determinandose a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitandose os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Em razão da anulação ora determinada, resta prejudicada a análise do argumento de omissão no julgado, apresentado pelo Embargante. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para fins de: (i) reconhecendo a contradição apontada, determinar a ANULAÇÃO do Acórdão nº 330100.195, ora embargado, tendo em vista que não há como se concluir qual fora o conteúdo do julgamento realizado naquela oportunidade, determinandose a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitandose os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; (ii) em razão da anulação acima determinada, julgar prejudicada a análise do argumento atinente à omissão do julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 80 /2 00 1- 61 Fl. 2836DF CARF MF 2 José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 16327.000880/200161 Acórdão n.º 3301003.929 S3C3T1 Fl. 2.833 3 Relatório Por economia processual, adoto o relato constante do despacho de admissibilidade de fls. 2827/2831 dos autos: A Fazenda Nacional, por intermédio de sua Representação Jurídica, invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 330100.195, de 14 de agosto de 2009, fls. 1394 a 1396, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1999 ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PIS. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. Em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, deve ser concedido o benefício fiscal previsto na Lei n° 9.779/99, relativamente aos valores efetivamente recolhidos pela contribuinte. RECOLHIMENTO ERRO DE FATO Comprovado, cabalmente, o erro no preenchimento do DARF relativo ao PIS (campos 7, 9 e 10), devem ser redirecionados os valores relativos aos juros (Selic) ao campo 9, tendo em vista que a contribuinte incluiu essa parcela juntamente com o valor do principal no campo 7. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, declinar do julgamento do recurso para a Ia Seção, em face do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Anexo II, art.2°, inciso VII, da Portaria MF n°256, de 22/06/2009). O arrazoado de fls. 1394 a 1396, após síntese dos fatos relacionados com a lide, requer que seja conhecido e provido o recurso para que seja saneada a contradição entre a decisão e seus fundamentos, acerca do declinado da competência do julgamento para a 1ª Seção de Julgamento do CARF, e a omissão acerca da intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório que não teria reconhecido o direito à anistia. São esses os fatos. Os referidos embargos foram admitidos pelo então Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, sob os seguintes fundamentos: Fl. 2838DF CARF MF 4 1 Contradição A embargante acusa a decisão recorrida de ser contraditória ao decidir declinar do julgamento do recurso para 1ª Seção, em face do Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais e no corpo do acórdão, no voto, decidir dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de reconhecer o direito ao benefício fiscal concedido pela Lei n° 9.779, de 1999, relativamente à parcela em que se observou a integridade dos recolhimentos, pois, nada impede que seja dado prosseguimento na cobrança de eventuais diferenças não integralmente quitadas, devendo ser considerados todos os valores recolhidos pela contribuinte através das guias DARF, independentemente de terem sido preenchidos apenas os campos 07 e 10. Ab initio, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). O voto condutor da decisão embargada deu o seguinte tratamento à questão: [...] Portanto, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, a fim de reconhecer o direito ao benefício fiscal concedido pela Lei n° 9.779, de 1999, relativamente à parcela em que se observou a integridade dos recolhimentos, pois, nada impede que seja dado prosseguimento na cobrança de eventuais diferenças não integralmente quitadas, devendo ser considerados todos os valores recolhidos pela contribuinte através das guias DARF, independentemente de terem sido preenchidos apenas os campos 07 e 10 A decisão, entretanto, mostrase completamente disparatada, dispondo, não sobre o julgamento de auto de infração, mas de declínio do julgamento do recurso para 1ª Seção, em face do Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais. ACORDAM os Membros da 3a Câmara/ 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, de CARF (Anexo II, art. 2o, inciso VII, da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009) Assiste razão à embargante ao apontar a contradição presente no acórdão, na medida em que, não há a integração do julgado. De fato, o voto decide acerca da matéria ventilada no recurso voluntário do contribuinte, enquanto a decisão foi a de declinar do julgamento do recurso para 1ª Seção, em face do Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais. 2 Omissão A embargante acusa a decisão recorrida de ser omissa por não ter se pronunciado sobre a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório que não reconheceu o direito à anistia. Segundo a embargante, do despacho decisório de fls. 1006/1009, o contribuinte teria sido cientificado em 07/07/2004, conforme AR de fls. 1010. Contudo, somente veio apresentar sua irresignação em 30/08/2004, após os trinta dias previstos no Decreto n° 70.235/1972. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 16327.000880/200161 Acórdão n.º 3301003.929 S3C3T1 Fl. 2.834 5 Mediante análise dos autos, verifico que se encontra comprovada a omissão alegada. De fato, o relator não se manifesta acerca da tempestividade do recurso voluntário, declarando apenas que o mesmo teria atendido às condições de admissibilidade. 3 Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os aclaratórios interpostos pela Fazenda Nacional. Incluase o presente processo em lote de sorteio a um dos conselheiros da Terceira Seção. Ato contínuo, os autos foram distribuídos para minha relatoria. É o relatório. Fl. 2840DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Face à admissão dos embargos declaratórios já realizada nos presentes autos, passo a analisálos. Conforme relatado acima, os Embargos declaratórios opostos fundamse em dois argumentos: (i) contradição enquanto o acórdão teria indicado que a Turma declinou do julgamento para a 1ª Seção, em face do Regimento Interno do CARF, no corpo do acórdão e do voto consta que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário; (ii) omissão quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório que não reconheceu o direito à anistia. Quanto à contradição apontada, entendo que assiste razão ao recorrente. De fato, constatase que o dispositivo do acórdão embargado (Acórdão nº 330100.195) encontra se contraditório em relação ao conteúdo do voto e da ementa. É o que se infere das passagens a seguir colacionadas, extraídas da decisão recorrida (vide fls. 2786 e seguintes do eprocesso): DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO EMENTA DISPOSITIVO DO VOTO Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 16327.000880/200161 Acórdão n.º 3301003.929 S3C3T1 Fl. 2.835 7 Como se vê, o dispositivo do acórdão encontrase em dissonância com o conteúdo constante do voto e da ementa do julgado. Há de se perquirir, portanto, qual foi o efetivo conteúdo do julgado realizado naquela sessão de julgamento, ocorrida em 14 de agosto de 2009. Consoante consta dos arquivos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a ata de julgamento indica que o resultado do julgamento foi aquele que consta do dispositivo do acórdão. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada: (...) (...) Sendo assim, verificase que o Relator, quando da formalização do acórdão, embora tenha informado no dispositivo do acórdão o resultado do julgamento conforme teor da ata de julgamento, deixou de efetuar os devidos ajustes na ementa do julgado e em seu voto, Fl. 2842DF CARF MF 8 para que seguissem o conteúdo do que havia sido julgado naquela sessão de julgamento. Ou, caso não tivesse sido este o efetivo resultado do julgamento, não tomou as medidas necessárias no sentido de retificar a ata de julgamento, tendo reproduzido o conteúdo do julgado indicado na ata de julgamento sem que tivesse feito a necessária conciliação com o conteúdo do julgado. Sendo assim, poderseia pensar que a solução desta contenda deveria seguir pelo saneamento da contradição apontada, corrigindose o teor da ementa e do voto proferidos, para que restassem alinhados com o conteúdo do dispositivo do acórdão, visto que em consonância com o resultado indicado na ata de julgamento, o qual, ao menos em princípio, deveria expressar o efetivo resultado do julgamento realizado pelo Colegiado. Acontece que, ao analisar o conteúdo do dispositivo constante do acórdão, extraise que este não se amolda ao caso vertente,. Isso porque, nos termos do dispositivo do acórdão, a Turma Julgadora teria declinado do julgamento para a 1ª Seção, em face do disposto no Anexo II, art. 2º, inciso VII, do então vigente Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009), que assim dispunha: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...). VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Verificase, contudo, que este inciso indicado na ata de julgamento não era aplicável à hipótese aqui analisada, em que se discute a constituição de crédito tributário relativa à Constituição para o Programa de Integridade Social PIS, por falta/insuficiência de recolhimento no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1999, cuja competência encontrava se atrelada a esta 3ª Seção de Julgamento, conforme previsto no inciso I, art. 4º daqueles mesmo diploma normativo: Art. 4º À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; Sendo assim, não havia à época que se falar em declínio de competência à primeira seção de julgamento. Da mesma forma, é cediço que a competência para julgar a presente demanda, que versa sobre cobrança de PIS, persiste nesta 3ª Seção de Julgamento, nos termos do Regimento Interno atualmente vigente. Tornase inócuo e inapropriado, portanto, concluirse nesta oportunidade que a decisão correta seria a que consta da ata de julgamento, pois não há razões para se remeter o processo para a 1ª Seção de Julgamento quando a competência para o julgamento do presente feito é desta 3ª Seção de Julgamento. De outro norte, tampouco é possível se concluir que o conteúdo do que fora decidido pelo Colegiado corresponde ao que consta do voto e ementa elaborados pelo Relator, pois não há qualquer registro de que tenha sido este o resultado do julgamento realizado. Até porque, é cediço que a ata de julgamento é o documento que registra formalmente o que Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 16327.000880/200161 Acórdão n.º 3301003.929 S3C3T1 Fl. 2.836 9 ocorrera na sessão de julgamento, em que estiveram presentes todos os membros do Colegiado, não podendo ser suplantada pela inclusão de conteúdo diverso, ainda que correspondente ao que consta do relatório e voto proferidos, visto que estes são incluídos unilateralmente pelo Relator do julgado. Sendo assim, diante da impossibilidade de se concluir quanto ao que fora o efetivo conteúdo do julgado proferido naquela oportunidade, entendo que não resta alternativa a este Colegiado senão determinar a anulação da decisão proferida naquela oportunidade, determinandose que o processo seja novamente distribuído para fins de julgamento do Recurso Voluntário interposto, para que uma nova decisão seja proferida, respeitandose os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Até porque, o reconhecimento da nulidade da decisão embargada tornase imperativa em razão do disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: (..). II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (Grifos apostos). Não restam dúvidas, portanto, que a impossibilidade de se concluir quanto ao efetivo conteúdo do julgamento realizado em 2009 prejudica não apenas o direito de defesa do contribuinte, como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, que opôs os embargos declaratórios que ora se aprecia. Em razão da anulação aqui determinada, tornase prejudicada a análise do argumento indicado no item (ii) acima indicado, concernente à omissão apontada pela Fazenda Nacional, a qual poderá/deverá ser naturalmente saneada quando do novo julgamento do Recurso Voluntário a ser proferido. Diante do acima exposto, entendo que deverão ser acolhidos os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para fins de: (i) reconhecendo a contradição apontada, determinar a anulação da decisão outrora proferida por este Colegiado (Acórdão nº 330100.195), tendo em vista que não há como se concluir qual fora o conteúdo do julgamento realizado naquela oportunidade, determinandose a redistribuição do feito, para que o Recurso Voluntário seja novamente julgado, respeitandose os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; (ii) em razão da anulação acima determinada, julgar prejudicada a análise do argumento atinente à omissão do julgado. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 2844DF CARF MF 10 Fl. 2845DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720779/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação é modalidade de extinção de crédito tributário distinta da modalidade de pagamento e não se equipara a esta para efeito de contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE EXAUSTÃO.
As despesas de exaustão contabilizadas não geram créditos da não-cumulatividade por falta de previsão legal.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CUSTOS DE AQUISIÇÃO E FORMAÇÃO DE LAVOURAS DE EUCALIPTO. INSUMO. POSSIBILIDADE.
Os custos de aquisição e formação de lavoura de eucalipto que se amoldarem à definição de insumo prevista no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, podem gerar crédito da não-cumulatividade, ainda que sujeitos à exaustão, observadas as demais restrições previstas na legislação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE EXAUSTÃO.
As despesas de exaustão contabilizadas não geram créditos da não-cumulatividade por falta de previsão legal.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CUSTOS DE AQUISIÇÃO E FORMAÇÃO DE LAVOURAS DE EUCALIPTO. INSUMO. POSSIBILIDADE.
Os custos de aquisição e formação de lavoura de eucalipto que se amoldarem à definição de insumo prevista no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, podem gerar crédito da não-cumulatividade, ainda que sujeitos à exaustão, observadas as demais restrições previstas na legislação.
Numero da decisão: 3302-004.657
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa de serviços silviculturais - implantação/manutenção florestal (controle de mato, fertilização, controle de formiga etc), serviços silviculturais - subsolagem (preparo do solo), serviços silviculturais - manutenção aceiros, serviços silviculturais: produção de mudas, implantação/manutenção florestal (produção de mudas no viveiro e atividades de plantio e manutenção), Serviços silviculturais: rebaixamento de toco (serviços executado pré-corte - atender a colheira ou pós-corte - atender a silvicultura), coleta (coleta de estacas no viveiro de produção de mudas), monitoramento de formigas e pragas, instalação de cabeçotes nas máquinas (cabeçote máquina harvester - utilizado na colheita), aplicação de defensivos, adubo orgânico, Dipel (defensivo), Ácido Indoli-Butirico (hormônio para indução de enraizamento), Produto MIREX (formicida), Borax (fertilizante), vermiculita expandida (substrato na produção de mudas), Viveiro de produção de mudas: manutenção de áreas de coleta de brotos (manutenção como fertilização, limpeza de matocompetição) e de energia elétrica, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento também em relação a aerolevantamento - produção de ortoimagens (imagens de satélite para acompanhamento das áreas da empresa).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A compensação é modalidade de extinção de crédito tributário distinta da modalidade de pagamento e não se equipara a esta para efeito de contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE EXAUSTÃO. As despesas de exaustão contabilizadas não geram créditos da não-cumulatividade por falta de previsão legal. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CUSTOS DE AQUISIÇÃO E FORMAÇÃO DE LAVOURAS DE EUCALIPTO. INSUMO. POSSIBILIDADE. Os custos de aquisição e formação de lavoura de eucalipto que se amoldarem à definição de insumo prevista no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, podem gerar crédito da não-cumulatividade, ainda que sujeitos à exaustão, observadas as demais restrições previstas na legislação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE EXAUSTÃO. As despesas de exaustão contabilizadas não geram créditos da não-cumulatividade por falta de previsão legal. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CUSTOS DE AQUISIÇÃO E FORMAÇÃO DE LAVOURAS DE EUCALIPTO. INSUMO. POSSIBILIDADE. Os custos de aquisição e formação de lavoura de eucalipto que se amoldarem à definição de insumo prevista no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, podem gerar crédito da não-cumulatividade, ainda que sujeitos à exaustão, observadas as demais restrições previstas na legislação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13502.720779/2013-05
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766712
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.657
nome_arquivo_s : Decisao_13502720779201305.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13502720779201305_5766712.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa de serviços silviculturais - implantação/manutenção florestal (controle de mato, fertilização, controle de formiga etc), serviços silviculturais - subsolagem (preparo do solo), serviços silviculturais - manutenção aceiros, serviços silviculturais: produção de mudas, implantação/manutenção florestal (produção de mudas no viveiro e atividades de plantio e manutenção), Serviços silviculturais: rebaixamento de toco (serviços executado pré-corte - atender a colheira ou pós-corte - atender a silvicultura), coleta (coleta de estacas no viveiro de produção de mudas), monitoramento de formigas e pragas, instalação de cabeçotes nas máquinas (cabeçote máquina harvester - utilizado na colheita), aplicação de defensivos, adubo orgânico, Dipel (defensivo), Ácido Indoli-Butirico (hormônio para indução de enraizamento), Produto MIREX (formicida), Borax (fertilizante), vermiculita expandida (substrato na produção de mudas), Viveiro de produção de mudas: manutenção de áreas de coleta de brotos (manutenção como fertilização, limpeza de matocompetição) e de energia elétrica, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento também em relação a aerolevantamento - produção de ortoimagens (imagens de satélite para acompanhamento das áreas da empresa). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6924603
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466833993728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 4.184 1 4.183 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.720779/201305 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.657 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria PIS/Pasep e Cofins Recorrente COOPENER FLORESTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A compensação é modalidade de extinção de crédito tributário distinta da modalidade de pagamento e não se equipara a esta para efeito de contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS DE EXAUSTÃO. As despesas de exaustão contabilizadas não geram créditos da não cumulatividade por falta de previsão legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 07 79 /2 01 3- 05 Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.185 2 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CUSTOS DE AQUISIÇÃO E FORMAÇÃO DE LAVOURAS DE EUCALIPTO. INSUMO. POSSIBILIDADE. Os custos de aquisição e formação de lavoura de eucalipto que se amoldarem à definição de insumo prevista no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, podem gerar crédito da nãocumulatividade, ainda que sujeitos à exaustão, observadas as demais restrições previstas na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS DE EXAUSTÃO. As despesas de exaustão contabilizadas não geram créditos da não cumulatividade por falta de previsão legal. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CUSTOS DE AQUISIÇÃO E FORMAÇÃO DE LAVOURAS DE EUCALIPTO. INSUMO. POSSIBILIDADE. Os custos de aquisição e formação de lavoura de eucalipto que se amoldarem à definição de insumo prevista no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, podem gerar crédito da nãocumulatividade, ainda que sujeitos à exaustão, observadas as demais restrições previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa de serviços silviculturais implantação/manutenção florestal (controle de mato, fertilização, controle de formiga etc), serviços silviculturais subsolagem (preparo do solo), serviços silviculturais manutenção aceiros, serviços silviculturais: produção de mudas, implantação/manutenção florestal (produção de mudas no viveiro e atividades de plantio e manutenção), Serviços silviculturais: rebaixamento de toco (serviços executado précorte atender a colheira ou póscorte atender a Fl. 4186DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.186 3 silvicultura), coleta (coleta de estacas no viveiro de produção de mudas), monitoramento de formigas e pragas, instalação de cabeçotes nas máquinas (cabeçote máquina harvester utilizado na colheita), aplicação de defensivos, adubo orgânico, Dipel (defensivo), Ácido IndoliButirico (hormônio para indução de enraizamento), Produto MIREX (formicida), Borax (fertilizante), vermiculita expandida (substrato na produção de mudas), Viveiro de produção de mudas: manutenção de áreas de coleta de brotos (manutenção como fertilização, limpeza de matocompetição) e de energia elétrica, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento também em relação a aerolevantamento produção de ortoimagens (imagens de satélite para acompanhamento das áreas da empresa). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins, relativo ao anocalendário de 2008, decorrente de análise de pedidos de ressarcimento. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório do voto do acórdão recorrido: "Trata o presente processo de autos de infração de PIS/Pasep e Cofins lavrados contra a empresa acima identificada, nos valores respectivos de R$ 2.435.948,99 e R$ 11.220.128,79 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora). Referidos autos decorreram da análise de pedidos de ressarcimento das referidas contribuições nos quatro trimestres de 2008. 2. Segundo Termo de Verificação Fiscal de fls. 383/410, a empresa tem por objeto formação de florestas para vendas de madeira em pé, devendo tais empreendimentos florestais ser classificados no ativo imobilizado. Acrescenta: “Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. Esse bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão.” Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.187 4 3. Conclui que “as despesas com a constituição da floresta, tais como as efetuadas com mudas, fertilizantes, herbicidas, máquinas de extração, serviços florestais, etc, não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado”. 4. Em seguida, destaca a impossibilidade de utilização de crédito referente à exaustão da floresta por falta de amparo lega, citando posicionamento da Receita Federal expedido através do Ato Declaratório Interpretativo nº 35, de 02.02.2011 (DOU de 03.02.2011), demonstrando o cálculo das contribuições a pagar. 5. Cientificada em 20.08.2013 (AR fl. 451), a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.09.2013, impugnações nas quais: a) Preliminarmente requer a nulidade do lançamento em razão de erro de direito, uma vez que a fiscalização glosou, com base em informações genéricas contidas na informação fiscal, créditos de exaustão de florestas enquanto a impugnante tomou, na verdade, créditos de insumos e energia elétrica; b) Defende “que as explicações genéricas acerca da suposta fundamentação da cobrança entendida pelo fisco estão relatas no Termo de Verificação Fiscal que, longe de esmiuçar os inúmeros documentos requeridos durante a fase de fiscalização, preferiu adotar argumentação genérica, no sentido de anotar a impossibilidade de tomada de créditos decorrentes de despesas com exaustão de recursos florestais, quando, em verdade, a composição do crédito glosado era, em sua grande maioria, de serviços tomados pela Impugnante, essenciais à sua atividade, e, vejam só Ilustre Julgadores, despesas com energia elétrica”; c) Acrescenta: “21. Inclusive, tanto se tratara de créditos advindos da aquisição de insumos e despesas com energia elétrica, que a Autoridade Fiscal solicitou, expressamente, Notas Fiscais relativas aos bens e serviços utilizados como insumos e planilhas descritivas de todo o processo produtivo da empresa, inclusive com a respectiva função de cada insumo (bem ou serviço), dentre tantos outros documentos, não havendo qualquer explicação para a desconsideração dos créditos com base em exaustão de florestas. 22. Neste diapasão, há na espécie claro e inequívoco erro de direito, evidenciado pelo fato de a Autoridade Fiscal pretender imputar a Impugnante infração à legislação tributária, por ausência de direito ao crédito preceituado pelo artigo 3º , VI, e §1° da Lei n° 10.833/03, que não guarda conexão com o creditamento de PIS e COFINS em razão da aquisição de insumos e despesas com energia elétrica. Fl. 4188DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.188 5 ... 24. Temse que, o erro de direito ocorre quando a norma jurídica é aplicada em desacerto, posto que a autoridade administrativa interpretoua incorretamente e, uma vez reconhecida a má aplicação do dispositivo legal, é vedado que ocorra alteração na hipótese de incidência para gerar efeitos 146 do CTN.” d) Em seguida aponta a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito referente aos períodos de apuração com fato gerador até 31.07.2008, por se tratarem de contribuições sujeitas ao lançamento por homologação prescrito no art. 150 do CTN. e) No mérito, ao defender a natureza de insumo e energia elétrica dos créditos apurados, inicialmente discorre sobre a apuração não cumulativa das contribuições, aduzindo que “Este método de apuração autoriza desconto de valores, independente da correspondente exigência tributária nas fases que antecederam a operação tributada” e que “não há qualquer compensação dos valores incidentes nas etapas anteriores com os devidos nas operações subsequentes, como ocorre na técnica aplicada ao IPI e ao ICMS, além do que, nos casos das contribuições sociais se adota o sistema de ‘crédito financeiro’, devendo ser consideradas todas as entradas de bens e recebimentos de serviços que participem da atividade empresarial, de forma a tornála possível, independentemente de suas destinações.”; f) Complementa: “48. (...) Em outras palavras, a geração de crédito não advém somente dos elementos que se incorporam ao produto da atividade empresarial, mas também todos os gastos incorridos, necessários à realização destas atividades. Tanto assim, que são reconhecidos créditos decorrentes de despesas com alugueis, energia elétrica, valetransporte, valerefeição etc.(...) ... 56. Como se não bastasse, análise do Termo de Fiscalização anexado ao presente Auto de Infração, deflagra a desídia da Autoridade Fiscal que desconsiderou completamente a base de cálculo passível de creditamento do PIS e da COFINS. Conforme se infere das DACONs transmitidas para o período fiscalizado, os créditos não provêem meramente de ‘insumos’, existindo, expressamente no art. 3º, III, da Lei 10.833/2003 e art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002, que não foram computadas após a devida Fiscalização. 57. Portanto, além da aplicação manifestamente equivocada de dispositivos legais não compatíveis com o direito em apreço, a Autoridade Fiscal decidiu, por mera liberalidade, ignorar elementos passíveis à identificação do direito creditório da Impugnante, visto que, todos os documentos postos a sua Fl. 4189DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.189 6 disposição, levam ao entendimento diverso do exposto na autuação. .... 60. Indo de encontro aos argumentos acima delineados, destaquese que, caso se adote o entendimento da Fiscalização, haveria desconsideração da legislação pátria (que fala na possibilidade de creditamento de insumos), para adotarse, regras somente aplicáveis ao IPI. .... 62. É imperioso ressaltar que qualquer diminuição no sentido do termo ‘insumo’ utilizado pela legislação é contrário à lei! 63. Portanto, não se pode pretender adotar a mesma conceituação de insumo dada pela legislação do IPI, posto que se tratam de regimes não cumulativos com metodologias distintas, obviamente, decorrentes da devida consideração das bases de cálculos distintas.” g) Adiante, afirma que os insumos e a energia elétrica que originaram seus créditos não podem ser considerados bens do ativo, uma vez que se tratam, em sua grande maioria, de “serviços, bens consumidos no processo produtivo da Impugnante (adubo) e energia elétrica”; h) “Pretender enquadrar esses insumos no conceito de ativo imobilizado é uma estratégia que só pode ter como objetivo quebrar a racionalidade do sistema normativo e, por consequência, vedar que estes sirvam de base para a tomada de crédito da Impugnante. Na feliz expressão do Ministro Aposentado do STF Ayres Brito tratase, data vénia, de um ‘salto triplo carpado hermenêutico’.”; i) “Destacase, então, a incerta afirmação da Autoridade Fiscal, ao aduzir que todos os insumos adquiridos pela Impugnante deveriam ser escriturados como ativo imobilizado, acrescido aos argumentos já expostos, que, a realidade tomada pelo legislador constituinte para servir de base de cálculo para incidência de contribuição deve ser pesquisada em cada negócio jurídico realizado, de forma instantânea, autônoma ,e isolada em cada evento, para o que nem sempre é adequado quantificála a partir das normas contábeis, porque pautada por critérios e técnicas que têm outra finalidade.”; j) “Não é o registro contábil que dá natureza aos fatos, sendo, então, impossível se pautar estritamente no critério contábil para identificação da relevância e do destino a ser dado ao bem. A ciência Contábil opera com critérios e registro das operações mercantis com a estabelecer regime uniforme para apuração empresariais.”; Fl. 4190DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.190 7 k) “Desta forma, ainda que se admita como devida a contabilização dos ‘insumos’ no ativo imobilizado da empresa, somente podem ser considerados nesta hipótese os ‘bens utilizados como insumo’, não competindo à Autoridade Fiscal simplesmente desconsiderar TODOS os créditos auferidos, como os serviços e as despesas com energia elétrica, especialmente diante de vasta documentação contábil e fiscal que foi disponibilizada durante o período de fiscalização.”; l) No item em que fala da alocação do insumo no ativo imobilizado e do crédito decorrente da aplicação do art. 3º, IV, das Leis 10.637 e 10.833, argumenta: “92. Ainda que ultrapassados todos os argumentos acima elencados e se queira dar aos insumos da Impugnante natureza de ativo imobilizado, observase que, ainda assim, não haveria fundamento de validade para a glosa dos créditos. 93. Para que não restem quaisquer dúvidas ou sejam feitas elucubrações inaplicáveis ao caso em apreço, cabe tecer algumas considerações quanto à contabilização de todos os insumos no ativo imobilizados da empresa, ainda que esta prática seja notadamente incoerente com as regras fiscais e contábeis, conforme amplamente demonstrado acima. 94. Os ativos imobilizados estão sujeitos ao creditamento do PIS e da COFINS, nos termos prescritos nos art. 3º , VI, das Leis n° 10.833/2003 e 10.637/2002, que assim dispõem: (...) 95. Desta forma, ad argumentandum tantum sujeitandose os insumos à contabilização no ativo permanente, nos termos pretendidos pela Autoridade Fiscal, não restam quaisquer dúvidas de que, ainda assim, existirão créditos de PIS e COFINS em relação a estes, fazendo valer a regra prescrita no inciso VI. 96. Não se pode simplesmente pretender ativar os insumos e despesas com energia elétrica da Impugnante, afastando a aplicação do art. 3º , II, da lei vergastada, e desconsiderar por completo a regra prevista no inciso VI do mesmo dispositivo legal. 97. Com isto, pretende a Autoridade Fiscal, em verdade, vedar à Impugnante a aplicação regular cumulatividade do PIS e da COFINS, cuja subsunção normativa está prescrita nas Leis 10.833/03 e 10.637/02 e somente pelas mesmas poderá ser afastada. 98. Explicase. Os insumos quando escriturados no ativo permanente, estritamente em razão de normas contábeis (relativizadas para os serviços tidos como insumos), serão passíveis de creditamento, mas não pela forma prevista no §1°, III, do referido art. 3o das Leis 10.833/03 e 10.637/02, posto que, em Fl. 4191DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.191 8 razão da sua própria natureza, estes insumos não estão sujeitos à depreciação ou amortização. 99. Não é demais ressaltar que o referido dispositivo regula a forma de apuração dos créditos, quando realizada amortização ou depreciação, o que não pressupõe, por outro lado, a inexistência de créditos nas hipóteses em que o ativo imobilizado não esteja sujeito a tais encargos. 100. Sendo assim, há de se convir que não havendo previsão especifica para o modo de cálculo destes créditos do ativo imobilizado e não sendo estes disciplinados no §1º, não se pode cogitar a aplicação do citado parágrafo para o cômputo dos créditos em relação aos bens incorporados ao ativo imobilizado, sendo aplicável a estes a regra geral das demais hipóteses de creditamento, sendo possível a utilização imediata dos créditos, por estes serem apurados quando da aquisição dos insumos. ... 103. Ademais, cumpre pontuar, por mera existência de referência no Termo de Fiscalização, que apesar de o crédito em debate não possuir nenhuma vinculação ou relação com o exaurimento da floresta, tanto que não foi objeto de contabilização, também nestas hipóteses haveria o devido creditamento conforme previsão do artigo 334 do RIR” m) Ao final, requer: “V DO PEDIDO 108. Diante de todo o exposto, com base nas razões de fato e de direito acima aduzidas, a Impugnante requer seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração lavrado, em razão da (i) nulidade da autuação pela desobediência aos preceitos legais e constitucionais para devida constituição do crédito tributário; (ii) flagrante extinção parcial dos créditos tributários, alcançados pela decadência, tratandose na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150, §4°, do CTN ; (iii) existência de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, na aquisição de insumos necessários à realização da atividade empresarial da Impugnante, bem como relativos às despesas com energia elétrica, em total consonância com as Leis 10.833/03 e 10.637/02 e, por fim, (iv) a possibilidade de creditamento para o PIS e para a COFINS na exaustão dos recursos florestais, na remota hipótese de não admitirse a possibilidade de creditamento em razão da aquisição de insumos. 109. Ainda, protesta a Impugnante pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar o quanto alegado na presente Impugnação, inclusive pela realização de eventual perícia e diligência fiscal, para que seja elucidada a suposta infração apontada pela Fiscalização, bem como para confirmar Fl. 4192DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.192 9 a correção do quanto alegado, notadamente em vista dos insumos que serviram de base ao creditamento da Impugnante. 110. Por fim, que as intimações relativas ao presente processo sejam feitas em nome do advogado Diego Marcel Costa Bomfim (OAB/BA n° 30.081A), com endereço na Rua Agnelo Brito, n° 90, Salvador, Bahia, CEP n°. 40210245." A Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o acórdão nº 0128.259, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. DECADÊNCIA. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. DECADÊNCIA. Fl. 4193DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.193 10 Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. A nulidade do acórdão recorrido por não ter apreciado as razões defensivas expostas, sem fundamentação, bem como por não ter exaurido os meios de prova possíveis ao desvendamento da verdade material, além de ter se pautado quase que exclusivamente nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, cuja aplicação seria ilegítima; 2. Nulidade do Auto de Infração por erro de direito, pois a fiscalização pretende glosar créditos de exaustão de florestas, enquanto a recorrente tomou créditos de insumos e energia elétrica; 3. Decadência por aplicação do artigo 150, §4º do CTN, relativa aos fatos geradores de 31/01/2008 a 31/07/2008, alegando que a "compensação" dos créditos da não cumulatividade com débitos das contribuições configurariam recolhimento antecipado sujeito à homologação; 4. Que a geração de créditos da nãocumulatividade decorre de todos os gastos incorridos, necessários à realização das atividades empresariais; 5. Que o conceito de insumo abarca todos os dispêndios necessários para o desenvolvimento da atividade empresarial, se aproximando dos requisitos de custos e despesas operacionais previstos nos artigos 290 e 299 do RIR/99; 6. Que os valores relativos aos insumos e energia elétrica creditados não podem ser considerados bens do ativo permanente; 7. O direito ao crédito ainda que os insumos sejam contabilizados como ativo imobilizado, ou seja, mesmo em se tratando de exaustão, pois configurariam encargos da produção; 8. Em aditamento do recurso voluntário, acrescenta que se os insumos fossem considerados ativo imobilizado, então a venda de bens deste ativo deveria ser considerada ganho de capital, excluído da tributação para o PIS e Cofins; Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 4194DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.194 11 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente defende a nulidade da decisão recorrida por violação aos princípios da motivação, da ampla defesa e da legalidade. Alega que a decisão não apreciou as razões defensivas da recorrente, negado pedido de diligência e por ter aplicado atos infralegais ilegítimos. Sem razão, a recorrente. O acórdão abordou as questões preliminares de nulidade, bem como a prejudicial de decadência. No mérito, aplicou os atos normativos infralegais, dentre eles a IN SRF 247/2002 e 404/2004, o Parecer Normativo CST nº 108/1978, explicitando o conceito normativo de insumos, a impossibilidade de serem considerados como insumos quando incluídos no imobilizado, e, em relação aos empreendimentos florestais, entendendo que as despesas de qualquer natureza, incorridas, para a constituição de floresta devem ser levadas ao ativo imobilizado, como custo do bem ativado. Por fim, decidiu pela impossibilidade de se creditar de encargos de exaustão, por aplicação do ADI RFB nº 35/2011. Verificase que os julgadores da DRJ simplesmente refutaram as alegações principais da recorrente, qual sejam, de que as despesas glosadas possuem a natureza de insumo e, subsidiariamente, a possibilidade de creditamento na exaustão de recursos florestais, por aplicação de atos normativos aos quais estão vinculados por dever legal. Salientase que não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo Fl. 4195DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.195 12 suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, Fl. 4196DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.196 13 nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Quanto ao pedido de diligência, a decisão a considerou desnecessária, pelo fato de entender ser apenas necessária quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por umas das partes. Assim, verificase que foi fundamentado o indeferimento. Afastase, portanto, a preliminar arguida. Quanto à nulidade do Auto de Infração, a recorrente alegou que o ato não obedeceu ao disposto no artigo 142 do CTN, principalmente, por ter glosado quotas de exaustão quanto, de fato, a recorrente se creditara de insumos e energia elétrica utilizados nas atividades empresariais. Enganase novamente a recorrente, pois restou evidente na descrição dos fatos, que as despesas incorridas com a constituição da floresta foram glosadas como insumos, por consistirem em custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado, conforme abaixo transcrito e nos termos das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, bem como do PN CST nº 108/78 e nº 18/1979: "21. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta, tais como as efetuadas com mudas, fertilizantes, herbicidas, máquinas de extração, serviços florestais, etc, não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado." A partir desta consideração, passou a fiscalização a expor o entendimento de que sendo custo ativável no imobilizado, não poderia haver creditamento, novamente aplicando atos normativos da RFB, o que nada mais consistiu em uma justificativa para a alegação de que a exaustão poderia gerar crédito, ainda que se desconsiderasse a natureza de insumos, como, aliás, pugnou a recorrente em suas peças recursais. Assim, não houve nulidade por infringência aos requisitos do artigo 142 do CTN, nem ao artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. Concernente ao prazo decadencial das contribuições para a Seguridade Social, foi editada a Súmula Vinculante nº 8, pelo Supremo Tribunal Federal, de observância obrigatória pela administração pública federal, nos termos do art. 2º da Lei nº 11.417, de 2006: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o prazo decadencial para as referidas contribuições sujeitase às regras gerais dos artigos 150 e 173 do CTN, cuja aplicação encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 4197DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.197 14 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 4198DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.198 15 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. No caso aqui tratado, não houve recolhimentos antecipados das contribuições, entendidos como DARFs. A recorrente, por sua vez, alega que a apropriação de créditos da nãocumulatividade e sua "compensação" com os débitos da própria contribuição consiste em compensação, equiparada a pagamento para efeito de aplicação do artigo 150, §4º do CTN. Inicialmente, entendo que a dedução de créditos da nãocumulatividade da contribuição com débitos apurados da própria contribuição, na escrituração contábil, decorre da própria sistemática da nãocumulatividade e não consiste em compensação de que trata o artigo 170 do CTN. Estes créditos são utilizados em compensação apenas quando se referem a compensar débitos de outros tributos, que não os da própria contribuição. Além do mais, ainda que se pudesse considerar "compensação", este instituto não pode ser equiparado a pagamento antecipado para efeito de contagem do prazo decadencial. São modalidades distintas de extinção do crédito tributário (art. 156 incisos VII e II do CTN), pois o pagamento decorre de uma prestação positiva do contribuinte de aferição imediata, enquanto a compensação é um encontro de contas, que para sua concretização, é necessária autorização por lei específica e existência de créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN (REsp 1.137.738/SP, submetido ao regime do artigo 543C do CPC) Neste sentido, tanto o artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991, quanto artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, delegaram competência para a Secretaria da Receita Federal expedir normas necessárias à efetivação da compensação tributária. Verificase, pois, que a compensação é sujeita a procedimentos específicos e à verificação de sua correição pela Administração Fazendária, implicando a possibilidade de indeferimento do procedimento realizado pelo contribuinte. O indeferimento da compensação impossibilitaria o transcorrer do prazo decadencial, pois que o próprio fundamento para a aplicação do §4º do artigo 150 do CTN não existiria. Apenas ao final de uma decisão definitiva poderseia assegurar a existência ou não da compensação, o que implicaria a suspensão ou interrupção da referida contagem, hipótese não prevista no CTN. Fl. 4199DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.199 16 A instituição da homologação tácita da declaração de compensação, pela MP nº 135, de 2003, reforça este entendimento na medida que o prazo de cinco anos é contado a partir da entrega da declaração de compensação, cujo termo final ocorre, normalmente, em data posterior ao cinco anos do fato gerador correspondente ao débito compensado, ou seja, a homologação tácita do lançamento prevista no art. 150, § 4º do CTN ocorreria anteriormente à homologação tácita da compensação, resultando na ilogicidade de a causa ser convalidada posteriormente à sua conseqüência. A fluência do prazo decadencial não se sujeita a evento futuro e incerto (convalidação ou não da compensação), mas iniciase conforme a existência das situações fáticas e jurídicas estabelecidas nos artigos 150, §4º e 173 do CTN, como decidido no REsp nº 973.733/SC, dentre as quais não figura a compensação. Concluindo no mesmo sentido da não equiparação dos institutos, citase o Acórdão nº 10321.749, proferido pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Ementa: ... EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO E PAGAMENTO Distintas são as modalidades de extinção do crédito tributário, pelo pagamento ou por compensação, como posto no Código Tributário Nacional (CTN), sendo incabível o alargarmento da interpretação do termo compensação para equiparálo a pagamento. ... Excerto do voto condutor: “No caso do s autos, alega a recorrente que efetuou o pagamento mediante compensação de créditos decorrentes de antecipações do IRPJ de 1995, conforme consta de seus registros contábeis. A decisão recorrida rejeitou esse argumento porquanto o $ 4° da Lei n° 9.249/95 determinava expressamente que a opção seria manifestada por meio de pagamento, não fazendo qualquer referência a compensação, não podendo considerar a realização integral feita por meio de compensação. A questão da extinção do crédito tributário é tratada no artigo 156 do CTN que, dentre as dez modalidades de extinção, relaciona nos incisos I e II o pagamento e a extinção. Já o artigo 162 do mesmo código indica as formas de pagamento e, evidentemente, a compensação não constitui uma dessas formas e é tratada em seu artigo 170. No mesmo diapasão, o Acórdão nº 9303002.384, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 4200DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.200 17 Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Cofins é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. O excerto abaixo esclarece: "Ouso discordar do ilustre Conselheiro relator, pois entendo que compensação e pagamento não se confundem, embora ambas sejam formas de extinção do crédito tributário, assim como a prescrição e a decadência, todas modalidades de extinção previstas respectivamente nos §§ 2o , 1o. e 5o. do art. 156 do CTN." Assim, não há como equiparar compensação a pagamento, para efeito de contagem do prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Afastase a prejudicial de decadência arguida. No mérito, a recorrente pugnou por uma definição de insumo de que trata o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 correspondente a todos os custos e despesas necessários às atividades empresariais, em termos similares aos custos e despesas operacionais do imposto de renda (artigo 290 e 299 do RIR/99). A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.201 18 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na Fl. 4202DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.202 19 prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.203 20 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 4204DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.204 21 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.205 22 "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA Fl. 4206DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.206 23 SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.207 24 impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.208 25 utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.209 26 Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.210 27 o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica das despesas glosadas. Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.211 28 A fiscalização glosou as referidas despesas por entender que não se subsumem ao conceito de insumo, em razão da necessidade de serem ativados no imobilizado e, então, serem sujeitas à exaustão, cuja despesa não foi prevista na legislação como passível de creditamento. Concluiu a autoridade fiscal: “20. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. Esse bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 21.Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta, tais como as efetuadas com mudas, fertilizantes, herbicidas, máquinas de extração, serviços florestais, etc, não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado.” Assim, a fiscalização glosou todo o valor das linhas de bens e serviços utilizados como insumos e da linha de despesas de energia elétrica. O primeiro ponto combatido pela recorrente é quanto à necessidade (ou não) de se contabilizar os valore glosados no ativo permanente. Informou que contabilizou como ativo permanente a formação de florestas e que não toma crédito de exaustão, mas sim de insumos e despesas de energia elétrica. A recorrente contabilizou em 2008, no Ativo Permanente, nas contas 1750401000 – Floreta Formada – Custo, 1750402000 – Exaustão e 1750403000 – Floresta em Formação. A partir das informações do balancete de janeiro de 2008, constatase que a recorrente informou no Dacon (efls. 505) o valor de R$ 692.572,58 para bens utilizados como insumos, R$ 2.759.278,45 para serviços utilizados como insumos e R$ 13.943,52 para despesas de energia elétrica ou térmica, totalizando R$ 3.465.794,55. Na planilha de insumos preenchidas pela recorrente (efls. 28 a 49), a recorrente alegou créditos de R$ 3.438.944,85, valor um pouco inferior ao informado no Dacon, mas muito inferior à quota de exaustão de R$ 6.948.770,54 (efl. 335), o que, aparentemente, indica que a glosa ocorreu sobre valores de custos e despesas lançados diretamente no resultado. Entretanto, tal diferenciação não será relevante para o deslinde da questão, como se demonstrará adiante. Inicialmente, salientase que, de fato, os custos com formação de culturas permanentes (aquelas que proporcionam mais de uma colheita ou produção, sejam destinadas à exploração de seus frutos, sejam destinadas ao corte para comercialização) devem ser ativados no Imobilizado, a teor do Parecer CST nº 108/1978 e são sujeitas à depreciação (no caso de exploração de frutos) ou sujeitas à exaustão (no caso de empreendimentos próprios, ou de Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.212 29 terceiros com prazo indeterminado, de culturas permanentes que não se extinguem com o primeiro corte), a teor do Parecer Normativo nº 18/1979. Sobre o tema, transcrevese a ementa e parte da fundamentação da Solução de Consulta SRRF/8º RF/Disit nº 251/2008, que bem abordou a matéria: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Atividade Rural. Cultura canavieira. Quotas de Exaustão. Os custos de aquisição e de formação da cultura da canade açúcar, excluída a terra nua, devem ser objeto de quotas de exaustão; portanto, nesse caso, não é legalmente prevista, para pessoas jurídicas que explorem a atividade rural, a sua dedução integral no próprio ano da aquisição, visto que aquela só é permitida em se tratando de depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado adquiridos para uso na referida atividade. Dispositivos Legais: Arts. 58, VI, 305, 307, parágrafo único, IV, e 334 do RIR/99; art. 59 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6° da MP n° 2.15970, de 2001; art. 14 da IN SRF nº 257, de 2002; PN CST nº 18, de 1979; e Resolução CFC nº 909/01, que aprova a NBC T 10, item 10.14.5.6. Excerto: “16. Assentada essa premissa fundamental, passase a perquirir sua relação com a cultura da canadeaçúcar, a ver se estaria a mesma sujeita à depreciação ou à exaustão. Para tanto, importa transcrever trechos da obra “Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ”, de José Carlos Marion, 8ª edição, São Paulo, Atlas, 2005, onde consta que: a) Página 41: “2 Culturas permanentes São aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de uma colheita ou produção. Normalmente, atribuise às culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de um ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: canadeaçúcar ... cafeicultura..... etc.... No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente – Imobilizado. Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mãodeobra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc. .................... Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.213 30 Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a canadeaçúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente.” (grifos nossos). b) Página 43: “2.1 Colheita ou produção (da cultura permanente) A partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como um Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de ‘colheita em andamento’, sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ...), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da “cultura permanente formada”, sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura”. (grifos nossos). c) Página 63: “1. Conceitos conforme a teoria da contabilidade Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que “a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias em propriedades de terceiros etc.” ...................... Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.214 31 2 Entendimento fiscal (na Agropecuária) Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST nº 18, de 9479, o fisco dá sua interpretação no caso específico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, às florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.(grifos nossos). d) Página 66: “3 Casos de depreciação Cultura agrícola Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria árvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendose a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendose a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão.” (grifamos). e) Página 72 e 73: “4 Casos de exaustão Florestas e espécies vegetais de menor porte ................................. Colocando o assunto nesses termos continua aquele parecer normativo (PN CST nº 18, de 9479) não é difícil concluir que o custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas voltam a produzir novos troncos ou ramos e permitem um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuandose os cálculos em função do volume extraído em cada período, em confronto Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.215 32 com a produção total esperada que engloba os diversos cortes. Obviamente, as empresas que estiverem nas situações desse tipo devem apresentar laudos de profissionais qualificados (engenheiros florestais, agrônomos), que possam seguramente servir de base aos cálculos mencionados. Exemplo:” ( grifos nossos). 17. Na dissertação de José Sérgio Della Giustina para o título de mestre em engenharia pela UFSC (“Um sistema de contabilidade analítica para apoio a decisões do produtor rural”), capítulo II, disponível na Internet (www.eps.ufsc.br) averbase (g.n.): “Exemplos de culturas que têm seu custo de formação, apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos, de pinos, a canadeaçúcar, as pastagens artificiais etc.” (grifamos). 18. Cabe asseverar ainda que o entendimento acima exposto é compartilhado pela professora Suely da Silva Carreira, da Unifamma – União das Faculdades Metropolitanas de Maringá, que em apostila de sua autoria (grifo nosso) assim se manifesta: “Somente pode se falar em depreciação em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos os frutos. Exemplos: maçã, pêssego, café... Na exaustão, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada ou extraída do solo. Ex.: canadeaçúcar, pastagem...” (in www.unifamma.edu.br). 19. Nas Normas Brasileiras de Contabilidade, emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, (in www.cfc.org.br) encontramos a Resolução CFC nº 909/01, que “Aprova, da NBC T 10 – Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas, o item 10.14 – Entidades Agropecuárias.” Onde no item 10.14.5.6, declarase que: “10.14.5.6 A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativo às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao início da primeira colheita, tais como preparação da terra, mudas ou sementes, mãodeobra, etc., deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, a partir da primeira colheita.”(grifos nosso). 20. A contabilista Selma Bispo Alves, no trabalho “A contabilidade como instrumento de gestão nas empresas rurais”, apresentado no curso de ciências contábeis da Universidade Católica de Brasília, explicita (in www.ucb.br; g.n.): Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.216 33 “A depreciação é o custo necessário para substituir os bens de capital, quando tornados inúteis pelo desgaste físico (depreciação física) ou quando perdem valor com o decorrer dos anos, devido a inovações técnicas (depreciação por obsolescência). No caso de culturas permanentes, a depreciação é chamada de exaustão, em virtude do declínio da capacidade produtiva causada pelo corte (cana, eucalipto, palmito (pasto) ou envelhecimento (frutas e café).”(grifo nosso). 21. Em trabalho divulgado na Web, relativo à disciplina “custos de agronegócios”, o prof. Raiol, da Instituição de Estudos Superiores do Pará, explana (in www.iesam.com.br; g.n.): “A exaustão surge em culturas em que é extraído o caule , permanecendo apenas a raiz para formação de novas árvores . Ex.: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.”. 22. Esclarecemos que na resposta à pergunta n° 412 do elenco de “perguntas e respostas” sobre IRPJ, do ano calendário de 2005 divulgado na página da RFB na WWW, consta a seguinte orientação: “412 Em relação aos recursos florestais quando ocorre a depreciação, a amortização ou a exaustão? Os ativos da pessoa jurídica representados por recursos florestais podem ser depreciados, amortizados ou exauridos, de acordo com as seguintes regras: a depreciação é calculada sobre ativo representado por empreendimento próprio da pessoa jurídica, do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação (excluído o solo) é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção dos frutos; a amortização é calculada sobre ativo representado por aquisição de direitos de exploração, por prazo determinado, sobre empreendimento de propriedade de terceiros. Neste caso, o custo de aquisição desses direitos é amortizado ao longo do período de duração do contrato; a exaustão é calculada sobre ativo representado por floresta própria. Neste caso o custo de aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de exaustão na medida e na proporção em que os recursos forem sendo exauridos. No caso da floresta ou o vegetal plantado proporcionar à pessoa jurídica a possibilidade de um 2º, ou mesmo um 3º corte, o custo de aquisição ou de formação deverá ser recuperado através da exaustão calculada em função do volume extraído em cada período, confrontado com a produção total esperada, englobando os diversos cortes.” 23. Assim, quando se trata de vegetação própria (excluído o solo), a recuperação do valor investido será objeto de quotas de exaustão, apurada à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Neste caso, não se tem a extração Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.217 34 de frutos, mas a própria cultura que é ceifada, cortada ou extraída do solo. Portanto, o custo de formação de plantações de espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas que permitem cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de exaustão. 24. Com efeito, o esclarecimento exposto no item 2 do Parecer Normativo CST n° 18, de 09 de abril de 1979, publicado no DOU em 17/04/1979, corrobora toda a doutrina aqui ventilada, in verbis: “(.....) 2. Inicialmente compete fixar algumas distinções de natureza técnica, necessárias a uma dilucidação de certos aspectos que têm conduzido a interpretações errôneas quanto à utilização de depreciações, amortizações e quotas de exaustão. Em termos de florestas ou mesmo de vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. O termo amortização, por sua vez, é reservado tecnicamente para os casos de aquisição de direitos sobre empreendimentos de propriedade de terceiros, apropriandose o custo desses direitos ao longo do período determinado, contratado para a exploração. Assim ocorre, por exemplo, nos casos de aquisição de direitos de extração de madeira de floresta pertencente a terceiros, ou de exploração de pomar alheio, por prazo determinado, a preço único e prefixado. Finalmente, quando se trata de floresta própria, o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida e na proporção em que os seus recursos forem exauridos, com observância dos mesmos critérios, quando a floresta pertença a terceiros, mas é explorada em função de contrato por prazo indeterminado. Em qualquer dos casos mencionados, quanto à depreciação, à amortização e à exaustão levadas a custos, terseão em conta os valores originais (aquisição ou formação de floresta; aquisição dos direitos) devidamente corrigidos nos termos da legislação aplicável (Decretolei nº 1.483/76; Decretolei nº 1.598/77). (.....)” 25. Transcrevemos a seguir acórdão da 3º Câmara do 1º CC 103 – 18.812/97 – DOU de 20/10/1997, in verbis: “Formação de lavoura canavieira – A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão.” (grifo nosso). Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.218 35 26. Concluise que os custos de aquisição e de formação da cultura da canadeaçúcar, excluída a terra nua, devem ser objeto de quotas de exaustão; portanto, nesse caso, não é legalmente prevista, para pessoas jurídicas que explorem a atividade rural, a sua dedução integral no próprio ano da aquisição, visto que aquela só é permitida em se tratando de depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado adquiridos para uso na referida atividade. Entretanto permanece a obrigatoriedade de registrar o valor dos recursos aplicados na formação da lavoura canavieira no grupo do ativo imobilizado.” Embora referindose à canadeaçúcar, o entendimento é perfeitamente aplicável às formações de florestas para extração de madeira em pé, atividade da recorrente. A partir das premissas acima mencionadas, entendo que os custos de aquisição ou formação das culturas como a da recorrente devem ser ativados no imobilizado e sujeitos à exaustão, do ponto de vista contábil. Quanto à possibilidade de tomar créditos sobre referidas despesas de exaustão, concordo com a tese fiscal de que tais despesas não foram previstas na legislação da nãocumulatividade, artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A respeito, tais artigos mencionaram apenas a depreciação e a amortização como despesas a gerarem créditos, assim como o artigo 66 da IN SRF nº 247/2002: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; Fl. 4219DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.219 36 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] II das despesas e custos incorridos no mês, relativos: [...] III dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) Fl. 4220DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.220 37 a) máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) b) outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) c) edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) Discordo, porém, que a omissão de previsão normativa de possibilidade de creditamento de despesas de exaustão implica a negativa de creditamento sob outro inciso qualquer dos artigos 3ºs, ao qual os aspectos fáticos e jurídicos dos bens e serviços adquiridos possam se subsumir. Verificase que nem todos os incisos do artigo 3º vinculam o creditamento ao momento em que ocorre a contabilização como custo ou despesa. Os incisos I e II tratam de créditos sobre bens e serviços adquiridos no mês, mas não necessariamente contabilizados como custo no mês, pois estes dois itens referemse a bens que também são ativados e considerados no resultado apenas no momento em que são revendidos, no caso do inciso I, ou quando os produtos dos quais resultam são vendidos. Nem por isso, deixase de tomar crédito no momento da aquisição, bastando que sejam observadas os requisitos específicos (utilização como insumos na produção ou na prestação de serviços) e as restrições gerais, como serem sujeitos ao pagamentos das contribuições, não se referirem a aquisições de pessoas física etc. O crédito sobre insumos é tomado no próprio mês, embora sua repercussão no resultado pode em meses posteriores, até em exercício seguinte. Assim, o fato de serem ativados, em princípio, não impede o creditamento. Por óbvio, tratandose de imobilizado sujeito à depreciação e à amortização, por haver inciso específico, tal creditamento somente pode ser feito mediante a despesa correspondente e não no momento da aquisição. Salientase, ainda, que na legislação do imposto de renda, todas estas parcelas são custos de produção, diferenciandose quanto ao momento em que repercutem no resultado, mas não quanto à natureza de custos de produção, a teor do artigo 290 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99). 1 1 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.221 38 Assim, a omissão da expressão "exaustão" não pode ser interpretada como proibição de creditamento de bens e serviços aplicados na produção, se tais itens considerados puderem ser enquadrados em outros incisos do artigo. Exemplo disto foi a energia elétrica quando do início da legislação de nãocumulatividade para o PIS/Pasep. A redação original da Lei nº 10.637/2002 não continha a energia elétrica como hipótese de creditamento, o que veio a ser incluído em fevereiro de 2003 . Nem por isso, a RFB deixou de reconhecer como passível de creditamento a energia elétrica enquadrada na definição de insumo do incido II, conforme ADI SRF nº 2/2003: Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços. [...] Art. 3º Para os fatos geradores da contribuição para o PIS/Pasep, na modalidade nãocumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003: I a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica integra a respectiva base de cálculo; II não poderá ser descontado: a) o crédito do PIS/Pasep calculado em relação ao valor da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto quando se tratar de insumo utilizado na forma prevista no art. 1º; e Destarte, os bens e serviços aplicados na produção de mudas de eucalipto e madeira em pé podem ser considerados insumos, pois se amoldam à redação do inciso II dos artigos 3º de ambas as leis, ou seja, são insumos utilizados na produção de bens destinados à venda e não são sujeitos a depreciação nem amortização, que são hipóteses específicas de creditamento: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Observase que a leitura da fiscalização pareceme equivocada quanto à utilização do inciso VI do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 em um primeiro momento para dizer que ali se enquadram os créditos do imobilizado e com isso justificar, por especificidade, a exclusão do inciso II, para, logo em seguida, interpretar que também ali não se enquadram, em razão da restrição daquele inciso a depreciação e amortização. A meu ver, Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.222 39 esta leitura compartimentada não é possível, ou seja, se o inciso VI ao final não abarca a possibilidade de creditamento por exaustão, então não pode ser utilizado para excluir a possibilidade de creditamento em outros incisos, sob a justificativa de serem autoexcludentes. A própria IN SRF nº2 247/2002 fez uma leitura inversa do artigo 3º, dispondo que: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) II das despesas e custos incorridos no mês, relativos: a) à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; c) despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos tomados de pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Simples; d) a contraprestação de operações de arrendamento mercantil pagas a pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Simples; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) III dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) Fl. 4223DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.223 40 a) máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) b) outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) c) edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) [...] Ressaltase, ainda, que alguns dos bens e serviços glosados não estão caracterizados como de formação de cultura, como os relativos à colheita e manutenções que não alterem a vida útil da lavoura. É o que depreendese do excerto abaixo extraído da Solução de Consulta SRRF/8º RF/Disit nº 251/2004: “2.1 Colheita ou produção (da cultura permanente) A partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como um Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de ‘colheita em andamento’, sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ...), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da “cultura permanente formada”, sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura”. (grifos nossos)” Destarte, diversos dos bens e serviços enumerados nas efls. 28 a 49 podem ser considerados insumos. Neste sentido citamse os seguintes acórdãos deste conselho: Acórdão nº 9303002.628: Fl. 4224DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.224 41 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Excerto: "Em relação aos serviços silviculturais e serviços florestais de produção, exceto manutenção de vias permanentes e terraplanagem, manutenção de estradas e serviços de pesquisa, desenvolvimento, planejamento e controle florestal, estão vinculadas ao processo produtivo e geram direito ao crédito. Assim as despesas com a manutenção e exploração de florestas ou produção de madeira geram direito ao aproveitamento dos créditos. Estão aqui incluídos todos os insumos empregados na produção de madeira e celulose, como os defensivos agrícolas, fertilizantes, serviços de corte, formicida, calcário, vermiculita e demais insumos usados direta ou indiretamente no processo produtivo. Assim como também dão direito os fretes dos insumos pagos à pessoa jurídica e devidamente comprovados e os combustíveis vinculados à produção de madeira, bem como despesas de manutenção do parque fabril e despesas com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e agrícolas. Tratase da aplicação literal do art. 3º da Lei 10.637/02. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional . Acórdão nº 3301002.270: COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIAPRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, Fl. 4225DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.225 42 separando a produção da matériaprima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. COFINS/PIS. CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. Pode se apropriar de créditos do PIS/Cofins em relação aos insumos diretamente ligados e correlacionados ao processo produtivo, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditário Reconhecido em Parte Acórdão 330100.661: [...] COF1NS NÃO CUMULATIVA, UTILIZAÇÃO DE. CRÉDITOS. Os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos da Cofins, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF10 Disit n" 04/07. [...] Excerto: "Em outro tópico, a contribuinte alega que, dentre os créditos glosados, grande parte referese aos serviços de terraplenagern, topografia e silvicultura, entre outros, utilizados como insumo pela Recorrente na etapa do processo produtivo que se destina ao plantio, manutenção, e colheita das florestas de eucalipto, principal insumo da produção da celulose, A Fiscalização entendeu que esses serviços devem ser classificados no ativo imobilizado calculandose os créditos mediante a aplicação das aliquotas previstas nas Leis 10,637/02 e 10.8.33/03 sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. Fl. 4226DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.226 43 Corroborando esse entendimento, a decisão recorrida menciona o Parecer Normativo CST 108/78, o qual registra que os empreendimentos florestais, independentemente de sua finalidade, devem ser considerados integrantes do ativo permanente e, com fundamento no art„334 do Decreto n" .3000/99 RIR/99, convalida o critério de cálculo da quota de exaustão dos recursos florestais. Por outro lado, a interessada argumenta que desta forma estar seia violando o principio da nãocumulatividade e contrariando o art, 3 0, II, da Lei IV 10,83.3/03, Ainda que bem fundamentada, em relação a esta matéria a decisão a quo merece ser reformada. O fundamento da decisão recorrida é pertinente para fins de apuração dos valores dedutíveis a titulo de Imposto de Renda. Enquanto o imposto de renda caracterizase por ser um tributo incidente sobre o lucro, o PIS e a Cofins tem sua incidência centrada no faturamento, com regimes de incidência cumulativa e não cumulativa. [...] De se ressaltar que as normas em que se baseou a DM antecedem a criação do regime de incidência não cumulativa dessas contribuições.. Ainda releva observar a necessidade de ser considerada a lei especifica, Lei tf 10_833/03, ait 3", inciso II, com suas previsões de descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como instrui° na produção de bens destinados à venda, sob pena de inviabilizar a não cumulatividade. Ademais, o que se trata neste tópico cingese aos serviços de terraplenagem, topografia e silvicultura, entre outros, utilizados como insumo pela Recorrente na etapa do processo produtivo e não "em que contas se podem classificar as reservas florestais", conforme registra a decisão a quo, em relação ao PN CST n0 108/78 à fl. 269. [...] Tendo em vista a precitada Solução de Consulta SRRF 10 Disit nº 04/07, e sua semelhança ao presente caso, também deve ser reconhecido o direito da contribuinte aos créditos relacionados pela fiscalização no Anexo II de TDF às fls. 93/101, decorrentes dos serviços de terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto da Recorrente, possibilitando o transporte das toras de madeira da floresta para a unidade industrial. Acórdão nº 3403002.821: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços Fl. 4227DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.227 44 aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. [...] CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. [...] Assim, dentre a relação exposta nas efls. 28 a 38, 40 a 49, e nas informações prestadas pela recorrente nas efls. 4179 e 4180, e a partir da definição de insumo tratada acima, entendo que podem ser considerados insumos: serviços silviculturais implantação/manutenção florestal (controle de mato, fertilização, controle de formiga etc), serviços silviculturais subsolagem (preparo do solo), serviços silviculturais manutenção aceiros, serviços silviculturais: produção de mudas, implantação/manutenção florestal (produção de mudas no viveiro e atividades de plantio e manutenção), Serviços silviculturais: rebaixamento de toco (serviços executado précorte atender a colheira ou póscorte atender a silvicultura), coleta (coleta de estacas no viveiro de produção de mudas), monitoramento de formigas e pragas, instalação de cabeçotes nas máquinas (cabeçote máquina harvester utilizado na colheita), aplicação de defensivos, adubo orgânico, Dipel (defensivo), Ácido IndoliButirico (hormônio para indução de enraizamento), Produto MIREX (formicida), Borax (fertilizante), vermiculita expandida (substrato na produção de mudas), Viveiro de produção de mudas: manutenção de áreas de coleta de brotos (manutenção como fertilização, limpeza de matocompeetição). Estes bens e serviços são aplicados ou consumidos na produção de mudas e de madeira em pé, sendo inerentes a esta atividade. Por outro lado, não podem ser considerados insumos, serviços e bens relacionados a atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos projetos, produtos e tecnologias, pois são gastos incorridos anteriores à produção propriamente dita, embora reconheça sua necessidade para a atividade da empresa. Já as atividades de consultoria e Fl. 4228DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.228 45 treinamentos são atividades complementares que se destinam a implantação e otimização dos processos produtivos, mas não são aplicados ou consumidos na produção. Neste sentido, não geram créditos: planejamento Florestal georreferenciamento (georreferenciar áreas a serem objeto de desenvolvimento de novos projetos), Serviços Técnicos Área de pesquisa e desenvolvimento (desenvolvimento de novos materiais genéticos e tecnologias), consultoria em proteção ambiental (consultoria para o desenvolvimento de novas tecnologias de controle e prevenção de pragas), assessoramento rural (levantamento para abertura de novas áreas), consultoria licenciamento ambiental para jazidas (consultoria para elaboração de relatório a ser protocolado junto à INEMA órgão ambiental estadual), aerolevantamento produção de ortoimagens (imagens de satélite para acompanhamento das áreas da empresa), seleção de áreas viáveis, elaboração de plantas, caracterização geoambiental, e avaliação de subsolagem (serviços executados em áreas de prospecção), Medição de experimentos, cubagem, inventário florestal, vigilância montada e motorizada, medição de pilha (desenvolvimento de novos projetos, avaliação do IMA e proteção florestal), mensalidade associativa (a recorrente é associada a instituições de pesquisa e cooperativas de programas de empresas desenvolvimento de tecnologias e aprimoramento de desenvolvimentos florestais conhecimento técnico dos colaboradores, sendo essencial às suas atividades a manutenção destes vínculos). De outro giro, alguns serviços mencionados contêm descrição ambígua, em que parte poderia dar crédito e parte não. Assim, a locação de mãodeobra e transporte para o viveiro e pesquisa e desenvolvimento (mãodeobra contratada para pico de produção de mudas e outros serviços eventuais) contém em sua descrição serviço que se refere à produção de mudas, o que, em tese, poderia dar crédito, e descrição relativa a pesquisa e desenvolvimento e serviços eventuais que não pode gerar crédito, em razão de não ficar caracterizado sua aplicação ou consumo na produção. Destarte, devido à agregação de serviços de natureza distinta em um mesmo item, não há como deferir o creditamento. De modo similar, o item construção e manutenção de estradas e manutenção de aceiros, contém serviços que, por sua natureza, deveriam ser ativados no imobilizado e serem depreciados como obras civis (construção de estradas), ao passo que as manutenções de aceiros poderiam ser consideradas insumos. Porém, a recorrente já especificou um item para manutenção de aceiros, dentro dos serviços silviculturais, razão pela qual entendo que o item deve ser referir a construções de estradas, o qual não pode ser considerado insumo, mas imobilizado sujeito à depreciação. Relativamente à energia elétrica, a fiscalização glosou toda a despesa informada, considerando que toda deveria ser ativada. A energia elétrica pode ser gerar crédito, seja como insumo, seja como prevista no inciso própria como energia consumida, a teor dos incisos II e IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e incisos II e III do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 e do ADI nº 2/2003, anteriormente mencionado. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa de serviços silviculturais implantação/manutenção florestal (controle de mato, fertilização, controle de formiga etc), serviços silviculturais subsolagem (preparo do solo), serviços silviculturais manutenção aceiros, serviços silviculturais: produção de mudas, implantação/manutenção florestal (produção de mudas no viveiro e atividades de plantio e manutenção), Serviços silviculturais: rebaixamento de toco (serviços executado précorte atender a colheira ou póscorte atender a silvicultura), coleta (coleta de estacas no viveiro de Fl. 4229DF CARF MF Processo nº 13502.720779/201305 Acórdão n.º 3302004.657 S3C3T2 Fl. 4.229 46 produção de mudas), monitoramento de formigas e pragas, instalação de cabeçotes nas máquinas (cabeçote máquina harvester utilizado na colheita), aplicação de defensivos, adubo orgânico, Dipel (defensivo), Ácido IndoliButirico (hormônio para indução de enraizamento), Produto MIREX (formicida), Borax (fertilizante), vermiculita expandida (substrato na produção de mudas), Viveiro de produção de mudas: manutenção de áreas de coleta de brotos (manutenção como fertilização, limpeza de matocompeetição) e de energia elétrica, nos valores informados nas planilhas de efls. 28 a 38, 40 a 49, limitados aos valores informados no Dacon. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 4230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903132/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.405
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.903132/2012-14
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788488
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.405
nome_arquivo_s : Decisao_13830903132201214.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13830903132201214_5788488.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6984823
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466850770944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.903132/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.405 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente QUEIJARIA BUFALO D'OESTE LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 32 /2 01 2- 14 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.668, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903132/201214 Acórdão n.º 3402004.405 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.016525/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000.
Tratando-se de negociação através de comissão de empregados, a efetiva participação de representante do sindicato nas deliberações, inclusive com direito a voto, é requisito essencial para a legitimidade dos termos acordados.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
Tratando-se de previdência complementar por entidade fechada, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. Não se considera disponível a todos, quando a empresa se nega a realizar aportes a alguns de seus segurados, especialmente em razão da faixa salarial.
PREVIDENCIÁRIO. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 14/2009.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/2009.
Numero da decisão: 2301-005.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: I) quanto ao levantamento Previdência Privada: por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; II) quanto ao levantamento Participação nos Lucros e Resultados: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a inexistência de instrumento de acordo; b) por maioria de votos, dar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a assinatura do instrumento de acordo no final do período de apuração, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo; c) por voto de qualidade, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada: falta de participação do sindicato, restrição ao poder de voto do sindicato e existência de fórmula pré-estabelecida, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; III) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor em relação à Previdência Privada e Participação nos Lucros (participação do sindicato, restrição de poder de voto dos sindicatos e existência de fórmula pré-estabelecida), o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, e quanto á retroatividade benigna a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício e Redatora
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Tratando-se de negociação através de comissão de empregados, a efetiva participação de representante do sindicato nas deliberações, inclusive com direito a voto, é requisito essencial para a legitimidade dos termos acordados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Tratando-se de previdência complementar por entidade fechada, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. Não se considera disponível a todos, quando a empresa se nega a realizar aportes a alguns de seus segurados, especialmente em razão da faixa salarial. PREVIDENCIÁRIO. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 14/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/2009.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.016525/2009-94
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757560
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.046
nome_arquivo_s : Decisao_10830016525200994.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : FABIO PIOVESAN BOZZA
nome_arquivo_pdf_s : 10830016525200994_5757560.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: I) quanto ao levantamento Previdência Privada: por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; II) quanto ao levantamento Participação nos Lucros e Resultados: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a inexistência de instrumento de acordo; b) por maioria de votos, dar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a assinatura do instrumento de acordo no final do período de apuração, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo; c) por voto de qualidade, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada: falta de participação do sindicato, restrição ao poder de voto do sindicato e existência de fórmula pré-estabelecida, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; III) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor em relação à Previdência Privada e Participação nos Lucros (participação do sindicato, restrição de poder de voto dos sindicatos e existência de fórmula pré-estabelecida), o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, e quanto á retroatividade benigna a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício e Redatora (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6890279
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466854965248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.016525/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.046 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EATON LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Tratandose de negociação através de comissão de empregados, a efetiva participação de representante do sindicato nas deliberações, inclusive com direito a voto, é requisito essencial para a legitimidade dos termos acordados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Tratandose de previdência complementar por entidade fechada, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. Não se considera disponível a todos, quando a empresa se nega a realizar aportes a alguns de seus segurados, especialmente em razão da faixa salarial. PREVIDENCIÁRIO. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 14/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 65 25 /2 00 9- 94 Fl. 36DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: I) quanto ao levantamento Previdência Privada: por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; II) quanto ao levantamento Participação nos Lucros e Resultados: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a inexistência de instrumento de acordo; b) por maioria de votos, dar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a assinatura do instrumento de acordo no final do período de apuração, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo; c) por voto de qualidade, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada: falta de participação do sindicato, restrição ao poder de voto do sindicato e existência de fórmula préestabelecida, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; III) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor em relação à Previdência Privada e Participação nos Lucros (participação do sindicato, restrição de poder de voto dos sindicatos e existência de fórmula préestabelecida), o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, e quanto á retroatividade benigna a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício e Redatora (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal. Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto pela Eaton Ltda. contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/Campinas), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 3 3 A fiscalização lavrou diversos autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, incidentes sobre os pagamentos de contribuições à previdência privada complementar e de participações sobre lucros ou resultados aos seus empregados, ocorridos no período compreendido entre janeiro/2005 e dezembro/2008. A ciência das autuações ocorreu em 03/12/2009 e as exigências fiscais encontramse assim distribuídas: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.257.9655 (processo administrativo nº 10830.016522/200951), relativo às contribuições previdenciárias patronais; 2. Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.257.9663 (processo administrativo nº 10380.016523/200903), relativo às contribuições previdenciárias dos segurados empregados; 3. Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.257.9671 (processo administrativo nº 10380.016524/200940), relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE 4. Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.257.9680 (processo administrativo nº 10380.016525/200994), relativo à multa por entrega de GFIP com omissão das remunerações pagas aos segurados empregados, a título de previdência privada complementar de caráter fechado (Eatonprev) e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), nos termos do art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97. A acusação fiscal escorase nas seguintes irregularidades (fls. 12): (i) pagamentos realizados à entidade fechada de previdência privada (EatonPrev), sem disponibilizar o benefício à totalidade dos empregados da Recorrente, circunstância que descaracterizaria a desoneração de contribuição previdenciária prevista em lei; somente os empregados com salários superiores a dez vezes o salário unitário definido em regulamento receberiam contrapartida ao plano de previdência privada por parte da Recorrente; (ii) pagamento de participação sobre lucros ou resultados (PLR) relativamente a alguns grupos de empregados em descumprimento com os requisitos legais (falta ou restrição indevida da participação do sindicato nas negociações ou na celebração do acordo de PLR, assinatura do instrumento em data próxima ao pagamento). Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 941), a qual foi julgada improcedente pela DRJ/Campinas. O acórdão de primeira instância possui a seguinte ementa (fls. 1947): Assumo: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 Fl. 38DF CARF MF 4 LANÇAMENTO FISCAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUSTEIO SEM ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DA LEI. SALÁRIODECONTRIBUICAO. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não custeado à totalidade de seus empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. INCRA A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural em face do princípio constitucional da solidariedade social. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. PROVAS. O momento para a apresentação de documentos se dá com a impugnação precluindo o direito de apresentação de provas após o decurso do prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ainda irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário defendendo (fls. 1988): (a) a nulidade da autuação por ausência de verificação da verdade material; (b) a concessão de previdência privada não tem caráter remuneratório e foi oferecida a todos os empregados – conforme atestam o informativo dos Recursos Humanos, o Regulamento do Plano de Benefícios Eaton e o Termo de Opção assinado pelos empregados – cumprindose assim todos os requisitos legais para a desoneração do benefício; (c) a legislação previdenciária não impõe a realização de aporte de valores pela empregadora em favor da previdência privada de todos os funcionários; (d) mesmo assim, a Recorrente é obrigada pelo plano de previdência privada a realizar uma contribuição mínima creditada na conta coletiva do fundo, de modo a beneficiar todos os empregados; (e) a Recorrente jamais implementou o referido programa como “manobra” para evitar tributação de suposta remuneração paga aos empregados, tendo em vista que todos os requisitos estabelecidos na legislação previdenciária foram seguidos, e que os valores depositados nos fundos do programa de previdência privada não podiam ser sacados Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 4 5 mensalmente e/ou aleatoriamente senão após a ocorrência de determinados eventos geralmente atrelados a aposentadoria do empregado ou sua demissão; (f) os diversos acordos de PLR firmados pela Recorrente contaram com a participação do sindicato local, sendo a eventual falta de assinatura no instrumento suprida pelos comunicados e pela lista de presença; (g) nem a legislação previdenciária e muito menos a Lei n° 10.101/2000 estipulam a obrigatoriedade de poder de veto ao sindicato; pelo contrário, a lei simplesmente estabelece que o sindicato deverá participar das negociações como forma de assessorar e garantir os direitos dos trabalhadores; (h) apesar dos insistentes comunicados da Recorrente, em pouquíssimos casos, a participação sindical não foi tão ativa nas tratativas para fixação de PLR em favor dos funcionários, não podendo a Recorrente ser penalizada pela inércia, má vontade ou indisponibilidade de horário do sindicato; (i) nos casos em que o sindicado, embora intimado, não compareceu às reuniões, a Recorrente viuse obrigada a iniciar as negociações diretamente com os empregados, conforme autorizado pelo art. 617, §1º da CLT; (j) haveria um apego exagerado ao formalismo e lesão ao espírito da Lei nº 10.101/2000 por parte da fiscalização, relativamente ao início da vigência dos acordos em data próxima ao pagamento da PLR e à falta de participação ou de assinatura dos sindicatos nos acordos; (k) a aplicação da retroatividade benigna relativamente à multa lançada de ofício está incorreta, devendo ser revista. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Após verificações e diligências (Resolução nº 2301000.541 e informação fiscal às fls. 3149), restou comprovado que a intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 03/09/2010 (sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto em 05/10/2010 (data da postagem no correio). Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Nulidade do Lançamento A Recorrente argui nulidade do lançamento em razão de a fiscalização ter analisado superficialmente a documentação, violando, assim, a busca da verdade material. Aduz que a fiscalização limitouse apenas a constatar a existência de pagamentos realizados, deixando de perquirir a que título tais pagamentos teriam sido efetuados, assim como sua natureza e habitualidade. No entanto, sem razão a Recorrente. Fl. 40DF CARF MF 6 O teor do relatório fiscal revela uma descrição minuciosa das situações que motivaram o lançamento de ofício nas situações envolvendo os pagamentos de previdência privada complementar e de participação nos lucros ou resultados, descritos nos anexos I, II e III. Além disso, a fiscalização não lastreou o lançamento de ofício exclusivamente em pagamentos realizados. A respectiva natureza dos pagamentos foi sim considerada. Entretanto, como na visão da fiscalização a Recorrente teria descumprido requisitos legais para aplicar a desoneração pretendida, promoveuse a requalificação dos valores pagos. Se as conclusões fiscais foram corretas ou não, tratase de matéria de mérito a ser analisada a seguir. Dessa forma, a preliminar de nulidade não merece ser acolhida. Previdência Privada Complementar de Entidade Fechada A fiscalização sustenta que a Recorrente não cumpriu com os requisitos contidos na legislação para fazer jus à desoneração das contribuições previdenciárias, exigindo o recolhimento das exações incidentes sobre o valor dos aportes realizados em planos de previdência privada dos empregados, mantidos em entidade fechada (EatonPrev): Conforme constatado, somente empregados com remuneração superior a determinado parâmetro – o qual variou de R$ 3.474,80 a R$ 4.695,30 entre os anos de 2005 e 2008 – receberiam contrapartida ao referido plano por parte da Recorrente. Os empregados com remuneração inferior ao parâmetro poderiam participar do plano mediante aportes próprios, mas não receberiam aportes da empregadora. No entender da fiscalização, tal circunstância vulneraria a condição posta pelo art. 28, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91 para assegurar a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores aportados pela Recorrente nos planos de previdência privada dos empregados: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; A interpretação dada pelas autoridades fiscais, no sentido de que os aportes patronais devem ser estendidos à totalidade dos empregados, também foi compartilhada pelo acórdão de primeira instância, conforme atesta a transcrição do seguinte trecho do voto do relator (fls. 1967 – grifos nossos): Ora, a norma acima estabelece de forma clara que não há incidência se os valores efetivamente pagos pela pessoa jurídica, a título de previdência complementar, forem extensivos a todos os seus segurados, o que de forma alguma ocorreu no caso em questão, pois efetivamente a empresa arcava com a contribuição de sua parte denominada de contribuição básica, somente àqueles funcionários que pertencessem a certa faixa salarial, como demonstrado no relatório fiscal. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 5 7 Não obstante as alentadas considerações desenvolvidas pelas autoridades fiscais e pelo acórdão de primeira instância, não concordo com tal entendimento. O art. 202, §2º da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, estabelece que as contribuições do empregador a planos de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, nos termos da lei1. As disposições legais existentes a respeito não se resumem ao estabelecido pelo art. 28, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91, havendo outras disposições igualmente relevantes, a exemplo do art. 458 da CLT2 e dos art. 68 e 69 da Lei Complementar nº 109/20013. Todas essas prescrições devem ser interpretadas de maneira sistemática e, sempre que possível, de forma harmoniosa. Além disso, o art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 elenca verbas que não integram a base de cálculo e, em algumas situações, impõe condições para a fruição da desoneração (por exemplo, a extensão do benefício a todos os empregados). Considero que tal dispositivo não encerra propriamente uma norma de isenção, mas sim uma norma declaratória de não incidência tributária, tal como revela a exposição de motivo de uma das leis que o alterou4. As condições existentes em algumas alíneas do §9º não prejudicam tal conclusão e podem ser vistas como normas específicas de antievasão, impostas pelo legislador 1 Art. 202. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 2 Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: VI – previdência privada; 3 Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1º Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2º A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2º Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. 4 “19. A alteração do art. 28 da Lei nº 8.212 de 1991, fazse necessária para melhor caracterizar o saláriode contribuição, identificando, detalhadamente, as parcelas que o integram e as que não sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, possibilitando maior segurança ao contribuinte nessa obrigação que ora se lhe pretende imputar, além de reunir num só ato legal diversas disposições esparsas em várias leis. Por outro lado, é antecipada, no âmbito da Previdência Social, a alteração do conceito de remuneração, para fins de incidência de contribuição previdenciária, visando à unificação com o Fundo de Garantia do Tempos de Serviço – FGTS, que, em breve, darseá na área trabalhista” (exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.59614, convertida na Lei nº 9.528/97, publicada no Diário do Congresso Nacional de 02/12/1997, p. 17834). Fl. 42DF CARF MF 8 com o objetivo de evitar que verbas tributáveis sejam pagas travestidas de verbas não tributáveis. E mais. A interpretação realizada do disposto no art. 28, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91 pelas autoridades fiscais e pelo acórdão recorrido está equivocada. O que deve estar disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes não é o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica, mas sim o programa de previdência complementar, aberto ou fechado. Tal entendimento alinhase ao disposto no art. 16 da Lei Complementar nº 109/2001, que ao tratar dos planos de benefícios de entidades fechadas, estabeleceu que a empregadora deve obrigatoriamente oferecer o plano a todos os empregados (e não obrigatoriamente custeálo). A obrigação de oferecer o plano de previdência privada não impõe à empregadora a obrigação de obter a adesão efetiva de todos os seus empregados, muito menos a compele a realizar aportes em favor de todos eles (destaques nossos): Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. § 2º É facultativa a adesão aos planos a que se refere o caput deste artigo. § 3º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos planos em extinção, assim considerados aqueles aos quais o acesso de novos participantes esteja vedado. Há mais. O plano de previdência privada ora examinado notabilizase por proporcionar um complemento àquele empregado que recebe remuneração acima do teto da aposentadoria pago pelo INSS. Se o empregado recebe remuneração abaixo do mencionado teto – pela finalidade deste plano de previdência privada – não há necessidade de complementar o valor de benefício pago pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), muito embora o plano lhe proporcione outros amparos, a exemplo de um valor de benefício mínimo (conforme item 7.25 do plano, abaixo transcrito). É bem verdade que os parâmetros para realização de aportes patronais no período fiscalizado (R$ 3.474,80 a R$ 4.695,30) não são idênticos aos tetos do RGPS (R$ 2.668,15 a R$ 3.038,99), mas há certa proximidade. Além disso, é preciso considerar a evolução salarial do empregado ao longo da carreira. Consequentemente, o critério de diferenciação utilizado afigurase razoável para atingir a finalidade preposta pelo plano, que é complementar a aposentadoria daqueles que recebem acima do teto do RGPS. E isso não se atenta contra a isonomia. A questão não é nova neste CARF, havendo diversos precedentes que se posicionam no sentido ora esposado (grifos nossos): PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 6 9 A questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal. A interpretação restritiva, aplicada nas hipótese de imunidade tributária, não reduz o campo da norma, mas determinalhe as fronteiras exatas. Não conclui de mais, nem de menos do que o texto exprime, mas declara o sentido verdadeiro e o alcance exato da norma, tomando em apreço todos os fatores jurídico sociais que influíram em sua elaboração. O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava. A finalidade precípua da previdência complementar é a de complementar os benefícios de aposentadoria daqueles que auferem remuneração superior ao limite imposto para o RGPS. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS, caracterizado está que este plano de previdência complementar encontrase disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (ac. 920202.265, de 08/08/2012) ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÕES DIFERENCIADAS PARA ADESÃO. As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias sobre contribuições pela pessoa jurídia a programa de previdência complementar condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. A intenção da norma, ao exigir que o benefício fosse estendido a todos, foi de evitar privilégios a determinados segmentos de empregados. Assim, se o benefício foi ofertado a todos, embora em condições objetivamente distintas, dependendo da condição de cada trabalhador, devese reconhecer que o plano estava "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes", incidindo na hipótese a alínea p do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. (ac. 2401004.221, de 09/03/2016) Fl. 44DF CARF MF 10 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS E QUE POSSUEM ACIMA DE SESSENTA ANOS DE IDADE. POSSIBILIDADE. A questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal de 1988. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS e com idade inferior a sessenta anos, caracterizado está que este plano de previdência complementar encontrase disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (ac. 2202003.080, de 10/12/2015) A própria Administração Tributária posicionouse no sentido de ser o plano (e não o pagamento) disponível à totalidade de empregados e dirigentes, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 3/2015. Naquela ocasião, foi analisada a necessidade de extensão do plano de previdência privada a todos os estabelecimentos da mesma empregadora, em função da existência de convenções coletivas de trabalho firmadas com diferentes sindicatos (grifos nossos): 12. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, temse que o valor das contribuições pago a título de plano de previdência privada não integrará o salário de contribuição somente se o referido plano estiver disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. 13. Para fins de incidência do dispositivo, é preciso que a empresa proporcione a todos os seus empregados e dirigentes um plano que lhes seja facultado aderir e que esteja a seu alcance; não o fazendo, ou beneficiando apenas dirigentes ou um grupo restrito de empregados, a parcela paga de forma diferenciada deverá ser tratada como parte do salário ou remuneração – sobre a qual deverá incidir a contribuição previdenciária. 14. A finalidade da restrição imposta pela legislação é garantir que a empresa ofereça um tratamento isonômico em relação a todos os seus empregados e dirigentes. Nesse sentido, entendese que a norma deve ser aplicada sob o prisma da pessoa jurídica também considerada em sua integralidade, não se revelando adequada a interpretação no sentido da aplicação da norma de forma compartimentada por estabelecimento ou CNPJ. Não obstante as considerações acima, o plano de previdência privada oferecido pela Recorrente apresentava importantes particularidades, que igualmente convergem para afastar a exigência fiscal (fls. 1030). É bem verdade que o acórdão de primeira instância procura relativizar tais fatos, oferecendo contraponto a enriquecer o debate. Não obstante a Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 7 11 tenacidade dos julgadores da DRJ/Campinas, tais argumentos não me convenceram do contrário, diante da consistência e relevância dos seguintes fatos: – todos os empregados da Recorrente são elegíveis ao plano de previdência complementar, independentemente do valor da remuneração, havendo exemplos de empregados que aderiram ao plano ganhando tanto acima quanto abaixo do patamar estabelecido para a realização de aportes por parte da Recorrente (fls. 1092); – a finalidade principal do plano de previdência privada oferecido é complementar os benefícios da previdência oficial (fls. 1028), o que explica por que empregados que são remunerados abaixo de certo patamar (valor máximo do benefício previdenciário distribuído pela previdência oficial) não receberiam aportes diretos da empregadora; – mesmo que indiretamente, a Recorrente participava do financiamento da previdência privada de todos os participantes do plano de previdência privada ao efetuar, de forma universal e regular, aportes ao fundo com o objetivo de garantir o pagamento do denominado “benefício mínimo”: CAPÍTULO V – DO SALÁRIO DE PARTICIPAÇÃO, DAS CONTRIBUIÇÕES E DAS DISPOSIÇÕES FINANCEIRAS Seção III Das Contribuições das Patrocinadoras 5.21. Adicionalmente às contribuições descritas nas Seções II e III deste Capítulo, o Atuário estabelecerá as contribuições de Patrocinadora necessárias à garantia do Benefício Mínimo ou à neutralização de eventuais insuficiências para a cobertura dos Benefícios concedidos. 5.21.2. As Contribuições de que trata o item 5.21 serão alocadas em uma conta coletiva do Plano, inclusive quando pagas pelo Participante. CAPÍTULO VII DOS BENEFÍCIOS Seção VIII – Benefício Mínimo 7.25. Nos casos de Aposentadoria Normal, Aposentadoria Antecipada, Aposentadoria por Invalidez, Pensão por Morte do Participante que não esteja recebendo Benefício de renda mensal e Benefício Proporcional, o Saldo de Conta Total, excluídas as Contribuições Especiais, Suplementares e Suplementares Adicionais efetuadas pelo Participante e o saldo de Conta Portabilidade, na Data do Cálculo do Benefício, observado o disposto na Seção IX deste Capítulo, não poderá ser inferior ao resultado obtido em (a) x (b) / (c), onde: (a) 4 (quatro) vezes o Salário de Participação; (b) Serviço Creditado, limitado até 30 (trinta) anos; (c) 30 (trinta) anos. Fl. 46DF CARF MF 12 Enfim, ao condicionar a aplicação da desoneração previdenciária prevista na Lei nº 8.212/91 à realização de aporte da Recorrente ao plano de previdência privada em favor de todos os empregados – e não apenas ao oferecimento do plano a todos eles – as autoridades fiscais e o acórdão de primeira instância inseriram discrímen não contemplado na norma. Adicionalmente, tal interpretação criou um descompasso com os preceitos já mencionados de outras leis, especialmente o art. 16 da Lei Complementar nº 109/2001. Em vista do exposto, considero que o requisito contido no art. 29, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91 foi cumprido, fazendo a Recorrente jus à desoneração da contribuição previdenciária sobre os aportes feitos aos planos de previdência privada de seus empregados. Dessa forma, a exigência fiscal deve ser cancelada. Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Com relação ao pagamento das participações nos lucros ou resultados (PLR), é importante registrar que não existe um acordo único que contemple todos os empregados da Recorrente. Em virtude da existência de filiais localizadas em diferentes unidades da federação, foram firmados acordos de PLR por estabelecimento, com a participação do sindicato local dos empregados. Dos acordos de PLR firmados entre 2004 e 2008, que foi o período auditado, a fiscalização entendeu que uma parte considerável atendia a todos os requisitos legais elencados pela Lei nº 10.101/2000, sendo os respectivos pagamentos desonerados validamente da incidência de contribuição previdenciária, ao passo que outra parte também considerável desses acordos não atendia a esses mesmos requisitos, fato que ensejou a cobrança da exação sobre os pagamentos realizados a título de PLR. A depender do estabelecimento envolvido, as irregularidades apontadas pela fiscalização podem se referir: (i) à inexistência de acordo do PLR; (ii) à falta de participação dos sindicatos nas negociações e na celebração do acordo de PLR; (iii) à restrição, por parte da Recorrente, do poder de voto dos sindicatos nas negociações; (iv) à existência de fórmula pré estabelecida para o cálculo da PLR, não negociada no âmbito da comissão (v) à data da assinatura do acordo de PLR no final do período de referência. Cada uma dessas situações encontrase identificada no quadro abaixo. Inexistência de Acordo de PLR Realmente, as acusações de inexistência de acordo de PLR com relação aos períodos e aos estabelecimentos adotados no quadro abaixo não foram rebatidas pela Recorrente. Por esse motivo, mantenho a exigência fiscal para tal situação. Falta de Participação dos Sindicatos nas Negociações e na Celebração do Acordo de PLR O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 consagra as formas para deliberação da PLR, merecendo destacar o denominado “plano próprio” oriundo das decisões tomadas pela comissão formada por representantes da empregadora, dos empregados e também do sindicato: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 8 13 I – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II – convenção ou acordo coletivo. A fiscalização alega que determinados planos próprios firmados pela Recorrente não contaram com a participação do sindicato local dos empregados, seja na fase de negociação seja na fase de assinatura do instrumento. Tal circunstância já autorizaria, a seu ver, o lançamento das contribuições previdenciárias sobre os valores de PLR então distribuídos. A Recorrente, por seu turno, refuta a ausência dos sindicatos e aduz que “...em todo momento, a Recorrente afirmou que o Sindicato foi convocado e participou das negociações de PLR, conforme se verifica dos comunicados aos sindicatos competentes juntados aos autos do processo administrativo e que aqui se juntam novamente” (fls. 2016). Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. A questão é tratada com simplicidade por ambos os lados, seja para extrair efeitos jurídicos de um fato supostamente objetivo, sem considerar o contexto no qual inserido; seja para negarlhe a ocorrência, embora os instrumentos finais assinados pelos participantes contestem tal versão. Ao analisar os documentos juntados, é possível perceber a oposição de interesses aflorar entre a Recorrente e o sindicato dos empregados. Veja o seguinte trecho de carta endereçada pela Recorrente ao sindicato do estabelecimento matriz (fls. 1186): Considerando que diante da impossibilidade de acordo entre esse sindicato e as Eatons, Eaton Ltda. Divisão Transmissões e Eaton Ltda., no que tange a Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados dáse então por encerrada a negociação sobre o assunto e, de acordo com a previsão normativa legal, Lei n°. 10.101 de 19122000, as Eatons informam que dão início à motivação dos empregados para participarem de candidatura e eleição, para formação de uma Comissão representativa para negociar e decidir sobre o assunto em pauta. Nesse contexto, não seria de se estranhar eventual relutância do sindicato local em indicar representantes para participar da comissão responsável pela negociação do PLR. De qualquer forma, a Recorrente mostrouse ciente dos requisitos exigidos pela legislação para produzir um plano de PLR válido, tanto que a fiscalização auditou os planos próprios de outras filiais e não encontrou irregularidade. Diante das dificuldades de formar uma comissão com o representante sindical em algumas filiais, a Recorrente decidiu seguir com as negociações somente com representantes da empresa e representantes dos empregados. Concomitantemente, a Recorrente noticiava os acontecimentos relevantes ao sindicato, ao mesmo tempo em que o convidava a participar, informandolhe local, dia e horário das reuniões (vide quadro abaixo). Como o pagamento da PLR deriva do art. 7º, inc. XI da CF/88, todos os agentes envolvidos (empresas, empregados, sindicatos, autoridades fiscais etc.) estão vinculados a promover a realização do comando constitucional. Não se trata, pois, de uma Fl. 48DF CARF MF 14 isenção, de uma desoneração ordinária, cujo adimplemento encontrase condicionado ao disposto no art. 111 do CTN, isto é, à observância literal da legislação tributária. Existe um preceito constitucional a ser promovido – no caso, a integração entre capital e trabalho – que influencia a interpretação e aplicação da norma. Por isso, eventual ausência do sindicato – seja nas negociações, seja na formalização do plano – não invalida ou desnatura automaticamente a PLR, principalmente nos casos em que o sindicato foi convocado para a reunião, mas não compareceu, como ocorreu na espécie. Vale frisar que o caso analisado está repleto de evidências que comprovam: (a) as intensas negociações entre os representantes da Recorrente e os representantes dos empregados (eleições, reuniões etc.); (b) a existência de um padrão de apuração da PLR, apenas variando anualmente os indicadores e as metas; (c) a preocupação de a Recorrente informar o sindicato local da evolução das negociações da PLR. Tais fatores concorrem para afastar a preocupação do legislador de ver a PLR indevidamente desnaturada e transmutada em remuneração de trabalho. Assim, não cabe ao Fisco, a pretexto de tutelar os interesses dos empregados, desconsiderar as negociações realizadas entre a empregadora e os empregados e tributar as distribuições de PLR como se fossem remuneração do trabalho. O entendimento acima externado não é inédito, havendo precedentes do CARF nesse sentido, a exemplo do acórdão nº 2401004.218, de 08/03/2016, Rel. André Luís Mársico Lombardi, cuja ementa é a seguinte (grifos nossos): PLR. NEGOCIAÇÃO. OPÇÃO LEGAL ENTRE CONVENÇÃO/ACORDO COLETIVO E COMISSÃO PARITÁRIA. ART. 616 DA CLT. ALCANCE. É facultado à empresa e aos empregados negociarem a participação nos lucros ou resultados via (i) convenção / acordo coletivo (art. 8°, VI, da CF) ou por intermédio de (ii) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (art. 8°, III, da CF). Art. 2° da Lei n° 10.101/2000. O art. 616 da CLT alude a procedimento a ser adotado pelo empregador quando da recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, não havendo previsão legal de tal exigência procedimental na hipótese de celebração de acordo de PLR por comissão paritária. COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE SINDICAL. Consta do art. 2°, I, da Lei n° 10.101/2000, a exigência legal de que o sindicato indique um representante para a comissão paritária de negociação da participação nos lucros ou resultados. Se a ausência de representante do sindicato ocorre a despeito da comunicação formal da realização das reuniões (local, data e horário), na qual se solicita a presença de um representante do sindicato, não podem empregados e empresa ser prejudicados, pois a ilicitude não foi perpetrada por eles, mas pelo sindicato, que deixou de cumprir sua função constitucionalmente prevista (art. 8°, III, da CF). Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 9 15 A jurisprudência judicial também não destoa, consoante comprova a ementa do seguinte acórdão proferido pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no RESP nº 865.489, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 26/10/2010 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos (arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratar se de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto Fl. 50DF CARF MF 16 fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. Restrição do poder de voto dos sindicatos nas negociações A fiscalização alega que a Recorrente teria restringido indevidamente a participação dos sindicatos nas comissões, assegurandolhe apenas participação, sem poder de voto. Embora concorde com a fiscalização quanto à inadequação de tal restrição, ela não se estendeu além das comunicações feitas ao sindicato. Não há prova de sua concretização, mesmo porque a participação do sindicato como membro da comissão constitui prerrogativa assegurada legalmente. Nesse sentido, a acusação fiscal deve ser afastada. Fórmula préestabelecida de cálculo, não negociada Também não restou demonstrada pela fiscalização a existência de fórmula préestabelecida para cálculo do PLR, sem ter sido objeto de negociação no âmbito da comissão. O contexto das informações prestadas pela Recorrente à fiscalização sugere que os critérios de apuração haviam sido estabelecidos previamente ao término do período de referência, e não posteriormente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 10 17 Por esse motivo, a acusação fiscal deve ser afastada. Data da assinatura do acordo de PLR no final do período de referência Esta acusação restringese ao acordo coletivo de trabalho sobre o PLR de 2004, assinado com a filial de Caxias do Sul (à época, assinado por outra empresa, posteriormente sucedida pela Recorrente). A questão envolvendo o momento da assinatura do plano de PLR – seja ele formalizado por convenção ou acordo coletivo de trabalho, seja por plano próprio – não encontra normatização específica pela Lei nº 10.101/2000. Isso não significa que tal informação seja sempre neutra. Contudo, a eventual relevância deverá ser demonstrada e contextualizada pela fiscalização, por exemplo, nos casos em que a distribuição de PLR teria servido para acobertar o pagamento de remuneração do trabalho. Não se trata, portanto, de uma presunção cuja ocorrência inverta automaticamente o ônus probatório contra o contribuinte. Mesmo porque existem várias circunstâncias que podem contribuir para eventual atraso na formalização do plano de PLR, como o prolongamento das negociações sobre algum item específico. Por isso, a acusação fiscal deve ser afastada. Quadro As informações do PLR de cada estabelecimento da Recorrente autuado e o respectivo ano de referência foram consolidadas no quadro abaixo. Vale enfatizar que, em algumas situações, além das comunicações entre a Recorrente e os sindicatos, há também comunicações dirigidas à Delegacia Regional do Trabalho. Alguns acordos de PLR contaram com a participação do sindicato na assinatura do instrumento final, conforme atesta a aposição do respectivo carimbo. Filial Ano Acusação Fiscal Observações 0001 Valinhos 2004 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 28) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1149) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 01/07/2004 (fls. 1186), 05/07/2004 (fls. 1190) Há também comunicado da Recorrente a Delegacia Regional do Trabalho, de 14/07/2004, informando das comunicações ao sindicato das reuniões e dos acordos firmados (fls. 1180) 0001 Valinhos 2005 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1193) Fl. 52DF CARF MF 18 (fls. 29) No PLR 2005, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0001 Valinhos 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 29) No PLR 2006, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1233) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0001 Valinhos 2007 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) No PLR 2007, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1284) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 18/06/2007 (fls. 1321), de 05/07/2007 (fls. 1323), de 15/08/2007 (fls. 1326) => agradecimento aos sindicalistas pela participação na apuração de votos e negociações. Relatório fiscal reconhece participação dos sindicatos nas negociações, mas sem poder decisório (fls. 30) 0001 Valinhos 2004 Folha confidencial (nível gerencial) – inexistência de acordo de PLR (fls. 28) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado, sendo que o acordo de PLR dos mensalistas exclui a sua aplicação para os funcionários da folha confidencial 0001 Valinhos 2005 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1217) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0001 Valinhos 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1270) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0001 Valinhos 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 11 19 próprio (fls. 1316) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 18/06/2007 (fls. 1321), de 05/07/2007 (fls. 1323), de 15/08/2007 (fls. 1326) 0028 Valinhos 2004 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 28) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1149) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 01/07/2004 (fls. 1186), 05/07/2004 (fls. 1190) Há também comunicado da Recorrente a Delegacia Regional do Trabalho, de 14/07/2004, informando das comunicações ao sindicato das reuniões e dos acordos firmados (fls. 1180) 0028 Valinhos 2005 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 29) No PLR 2005, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1193) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0028 Valinhos 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 29) No PLR 2006, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1233) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0028 Valinhos 2007 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) TVF reconhece participação dos sindicatos nas negociações, mas sem poder decisório (fls. 30) No PLR 2007, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) Relatório fiscal reconhece participação dos sindicatos nas negociações, mas sem poder decisório 0028 Valinhos 2004 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1328) Há comunicados da Recorrente ao Fl. 54DF CARF MF 20 sindicato de 01/07/2004 (fls. 1186), 05/07/2004 (fls. 1190) Há também comunicado da Recorrente a Delegacia Regional do Trabalho, de 14/07/2004, informando das comunicações ao sindicato das reuniões e dos acordos firmados (fls. 1180) 0028 Valinhos 2005 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1333) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0028 Valinhos 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1340) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0028 Valinhos 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1316) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 18/06/2007 (fls. 1321), de 05/07/2007 (fls. 1323), de 15/08/2007 (fls. 1326) 0030 Mogi Mirim 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 26 e 30) No PLR 2006, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 31) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1360) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 21/06/2006 (fls. 1374) Há protocolo de recebimento do acordo assinado pelo sindicato (fls. 1372) Há requerimento do sindicato endereçado à Delegacia Regional do Trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1373) 0030 Mogi Mirim 2004 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1345) 0030 Mogi Mirim 2005 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 12 21 negociada com sindicato (fls. 27) próprio (fls. 1349) Há protocolo de recebimento de documentos pelo sindicato sobre as deliberações de PLR de 13/05/2005 (fls. 1353), 07/06/2005 (fls. 1355) e 25/10/2005 (fls. 1357) Há requerimento do sindicato endereçado à delegacia regional do trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1356) 0030 Mogi Mirim 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1368) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 21/06/2006 (fls. 1374) Há protocolo de recebimento do acordo assinado pelo sindicato (fls. 1372) Há requerimento do sindicato endereçado à delegacia regional do trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1373) 0030 Mogi Mirim 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1377) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 07/05/2007 (fls. 1383), de 15/05/2007 (fls. 1386), de 17/05/2007 (fls. 1389), de 28/05/2007 (fls. 1390) Há protocolo de recebimento de documentos pelo sindicato (fls. 1385) Há requerimento do sindicato endereçado à Delegacia Regional do Trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1394) 0037 Caxias do Sul 2004 Único – Acordo Coletivo de Trabalho de PLR 2004 assinado originalmente pela Pigozzi (sucedida pela Recorente) apenas em 02/12/2004, embora previamente ao pagamento (fls. 31) Acordo coletivo de trabalho firmado entre Recorrente e sindicato (fls. 1144) Recorrente alega que o acordo entre a Recorrente e empregados ocorreu no início do período, embora formalizado só no final 0037 Caxias do Sul 2005 Único – inexistência de acordo de PLR – pagamento a demitidos sem justa causa entre 03/2005 e 07/2006 sem lastro em acordo de PLR (fls. 32) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado 0037 Caxias do Sul 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações e assinatura do Há carimbo do sindicato na formalização do plano próprio (fls. 1397) Fl. 56DF CARF MF 22 acordo (fls. 32) 0037 Caxias do Sul 2007 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações e assinatura do acordo (fls. 32) Há carimbo do sindicato na formalização do plano próprio (fls. 1418) 0037 Caxias do Sul 2008 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações e assinatura do acordo (fls. 32) Há carimbo do sindicato na formalização do plano próprio (fls. 1429) 0037 Caxias do Sul 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – inexistência de acordo de PLR (fls. 28) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado 0037 Caxias do Sul 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – inexistência de acordo de PLR (fls. 28) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado Em suma, mantenho apenas as exigências fiscais sobre a PLR nos casos em que a Recorrente não apresentou instrumento próprio formalizado, conforme indicado no quadro acima, cancelandose as demais. Multa e Retroatividade Benigna Previamente à edição da Lei nº 11.941/2009, o sistema de penalidades da legislação previdenciária de custeio apresentava diversas particularidades. A redação do antigo art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições previdenciárias em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Com a unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, iniciada em 2007, uma série de modificações legislativas foi introduzida, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. A fiscalização, ao lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória, baseouse na seguinte redação do art. 32, IV e §5º da Lei º 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 13 23 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). No entanto, referido dispositivo foi revogado, dando lugar ao art. 32A, cuja redação é a seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Com relação à multa sobre a falta de recolhimento de contribuição previdenciária, o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 prescrevia o seguinte: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 58DF CARF MF 24 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/91 passou a tratar da multa de mora e o novel art. 35A cuidou de dispor sobre a multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 44 da Lei nº 9.430/96, mencionado no art. 35A supra, possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Feita esta breve digressão sobre a evolução legislativa, há dois pontos que gostaria de examinar, com vistas à aplicação da retroatividade benigna: o emprego da chamada “cesta de multas” (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009) e o limite do percentual da multa. Com o intuito de facilitar a compreensão do posicionamento ora esposado, as matérias foram separadas em dois tópicos. Conflito entre Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória e Multa por Falta de Pagamento de Tributo – A Questão da “Cesta de Multas” Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 14 25 O primeiro ponto a ser destacado, quando se analisa os regimes das penalidades constantes da Lei nº 8.212/91 – antes e depois da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 –, referese à identificação do comportamento sancionado. Tal providência afigurase importante para se aplicar adequadamente a retroatividade benigna aludida pelo art. 106, II do CTN, em virtude de alteração legislativa. A posição encampada pela Administração Tributária Federal, quando há lançamento de multas por falta de recolhimento de contribuição previdenciária e também de multas por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), é convencionalmente denominada de “cesta de multas” e sua regulamentação encontrase detalhada na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, nos seguintes termos: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Ou seja, na “cesta de multas”, a aplicação da retroatividade benigna é condicionada à comparação entre: (i) o somatório entre as multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior às alterações da Lei nº 11.941/2009) e as multas por falta de pagamento de contribuições previdenciárias (art. 35, nas mesmas condições); e (ii) o art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, o qual introduziu à legislação previdenciária a multa de ofício de 75% sobre o valor da contribuição previdenciária devida. A redução da penalidade, em função da retroatividade benigna, terá lugar somente se o valor resultante da aplicação do critério (i) for superior ao resultado da aplicação Fl. 60DF CARF MF 26 do critério (ii). Nesse caso, a multa lançada deverá ser reduzida ao patamar do valor encontrado pelo critério (ii). A fundamentação do raciocínio que permitiu à Administração Tributária Federal alcançar tais conclusões não é explicitada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Contudo, ao analisar a jurisprudência administrativa sobre o tema, é possível tecer conjecturas sobre os motivos que conduziram à elaboração do mencionado normativo. Nesse sentido, por ocasião da prolação do acórdão nº 9202003.795, de 17/02/2016, a eminente Conselheira Relatora Maria Helena Cotta Cardozo fez constar do seu voto o seguinte trecho esclarecedor (grifos nossos): Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Em outras palavras, o entendimento preconizado pelo acórdão nº 9202003.795, de 17/02/2016, foi o de que: – antes da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata (descumprimento de obrigação acessória), bem como a falta de recolhimento do tributo (descumprimento da obrigação principal) configuravam infrações autônomas, com sanções independentes e cumuláveis, sendo a primeira apenada pelo art. 32 e a segunda apenada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91; – depois da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata juntamente com a falta de recolhimento do tributo passaram a tipificar, de acordo com o mencionado julgado, condutas necessárias para a tipificação de uma única sanção, em função da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual o art. 35A da Lei nº 8.212/91 faz remissão. No final, saber se a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 atuou ou não dentro dos preceitos legais depende, em essência, da interpretação a ser dada à expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”, contida no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Não obstante a clareza do acórdão nº 920203.795, penso que tal exegese merece aprofundamento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 15 27 De início, é possível afirmar que o legislador ordinário não está impedido de impor uma única sanção para mais de uma infração. Em tese, portanto, a finalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 poderia ser sancionar o contribuinte que não efetuou pagamento e não declarou ou declarou de forma inexata, sendo tais infrações identificadas pela autoridade fiscal, mediante lançamento de ofício. Não abrangeria a falta de recolhimento de tributo já declarado, cuja infração estaria sujeita apenas à multa de mora prevista no art. 35, nem o descumprimento isolado de obrigação acessória, passível de multa prevista no art. 32A, todos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O problema é que o art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96 possui redação truncada quando faz alusão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Na literalidade do dispositivo, se a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse cumulativamente falta de pagamento, falta de declaração e declaração inexata, isso consistiria um paradoxo, porque não seria possível, ao mesmo tempo, não existir declaração e existir declaração com inexatidão. Se, em outra leitura possível, a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse alternativamente falta de pagamento ou falta de declaração ou declaração inexata seria criada uma antinomia em relação ao disposto no art. 32A, que igualmente cuida de penalizar a falta de declaração ou a declaração inexata. Diante da dúvida sobre a aplicação de sanções tributárias, o art. 112 do CTN prioriza a interpretação mais favorável ao acusado. Retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o infrator com a aplicação da penalidade mais branda. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. Fl. 62DF CARF MF 28 No caso concreto, pareceme que a interpretação mais favorável ao acusado é considerar que as infrações (i) de falta de declaração ou de declaração inexata e (ii) de falta de recolhimento da contribuição previdenciária devam ser sancionadas globalmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91. Conflito entre o Antigo Art. 35 e os Novos Art. 35 e Art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91 – A Questão do Percentual da Multa O segundo ponto deste voto a ser tratado e que tem gerado controvérsia na jurisprudência referese ao limite do percentual da multa a ser observado, para fins de aplicação da retroatividade benigna. Sobre o tema, há essencialmente duas linhas de interpretação. A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 16 29 (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação, por seu turno, considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Fl. 64DF CARF MF 30 Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202003.713, de 28/01/2016; ac. 9202004.344, de 24/08/2016; ac. 2202 003.445, de 14/06/2016; ac. 2301004.388, de 09/12/2015; ac. 2401004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz, a meu ver, uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN, já reproduzido acima. Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), novamente o art. 112 do CTN é invocado para a solução do caso concreto. Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Posto isso, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de manter apenas as exigências fiscais incidentes sobre planos de PLR, cuja existência não foi comprovada, cancelandose as demais. Quanto às exigências mantidas, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 17 31 multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo redatora ad hoc na data da formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, redator de parte do voto vencedor, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, formalizo o acórdão na qualidade de redatora ad hoc para o voto vencedor nas matérias "Previdência Complementar e PLR". Esclareço que aqui reproduzo o voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Matérias Previdência Complementar e Participação nos Lucros e Resultados Com a devida vênia, divirjo do relator quanto aos dois levantamentos: previdência complementar privada de entidade fechada e participação nos lucros ou resultados. Previdência complementar privada de entidade fechada O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e Fl. 66DF CARF MF 32 planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto à LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas ... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 18 33 I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 68DF CARF MF 34 Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime fechado, de acordo com a tese aqui desenvolvida, há necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados. No presente caso, embora o acordo coletivo de trabalho permita o ingresso ao programa de previdência complementar de todos os segurados, somente aqueles com remuneração a partir de determinado valor terão direito à principal vantagem que é o aporte da empresa. Assim, não vejo como acatar a alegação de ser extensivo a todos quando para alguns foilhes retirado o principal atrativo. E observo que esses valores são superiores ao teto de contribuição da previdência social na época: 2005 R$ 2.668,15, 2006 R$ 2.801,56, 2007 R$ 2.894,28 e 2008 R$ 3.038,99. Assim, não se trata de restrição por conta da impossibilidade de se complementar o benefício concedido pelo INSS. Por tudo, entendo que não assiste razão ao recorrente. Participação nos lucros ou resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 19 35 remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 70DF CARF MF 36 b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a recorrente oferece a seus segurados empregados uma participação nos lucros. O instrumento que disciplina o pagamento do benefício a todos é a formalização dos termos acordados através de comissão formada por empregados; contudo, carente de representante do sindicato. Diferentemente dos casos de acordos ou convenções coletivas de trabalho em que o sindicato já participa como parte das negociações, a ausência do representante do sindicato na comissão de empregados prejudica a legitimidade dos termos acordados. Os empregados ficam mais vulneráveis a contrapartidas ao benefício que podem frustrar completamente as expectativas dos trabalhadores. Devese lembrar também que os termos negociados pela comissão obrigarão a todos os empregados da empresa. Assim, para que tenha esse efeito erga omnes a presença do sindicato é requisito essencial de legitimidade. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 20 37 No caso de suposta negativa do sindicato, deve se aguardar que os representados interessados solucionem a controvérsia. Em razão dos fundamentos que adoto voto por negar provimento ao recurso voluntário. Foi assim que o conselheiro redator do voto vencedor votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora ad hoc na data da formalização do acórdão Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Retroatividade Benigna. Multas Aplicadas. O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. De acordo com o relatório fiscal, o processo trata do lançamento de obrigação acessória em virtude de o contribuinte ter apresentado GFIP, para o período de 01/2005 a 12/2008, com. dados nãocorrespondentes aos fatos geradores, tendo deixado de incluir as remunerações que compuseram as bases de cálculo das contribuições lançadas nos Al DEBCAD 37.257.9655 e 37.257.9663, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em Fl. 72DF CARF MF 38 sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que o auditorfiscal, no momento da autuação já efetuou comparativo entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes, em virtude das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009, conforme seguintes os trechos extraídos do relatório fiscal: IV APLICAÇÃO TEMPORAL DA LEI EM RELAÇÃO ÀS PENALIDADES 4.1 Considerando as alterações da Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e em atenção ao disposto na alínea "c" do inciso ll do artigo 106 da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades mais benéficas para o contribuinte, conforme demonstrativo apresentado no relatório “COMPArA", em CD anexo ao Auto. 4.2 Para as competências de 01/2005, 03/2005, 06/2005, 01/2006, 03/2006, 07/2006, 01/2007, 03/2007, 07/2007, 02/2008 a 04/2008, foi aplicada a multa incluída no Auto de Infração Al DEBCAD 37.257.9680, de Código de Fundamentação Legal CFL 68, prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, § 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. ll, e art. 373, além da multa incluída no presente Auto, prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 35, I, ll, Ill (com a redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, art. 239, Ill, "a", “b" e parágrafos 2° ao 6° e 11, e art. 242, parágrafos 1° e 2° (com a redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99). 4.3 Para as competências de 02/2005, 04/2005, 05/2005, 07/2005 a 12/2005, 02/2006, 04/2006 a 06/2006, 08/2006 a 12/2006, 02/2007, 04/2007 a 06/2007, 08/2007 a 12/2007, 01/2008, 05/2008 a 12/2008, foi aplicada a multa prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/96), ambos com redação da MP n°449 de 04/12/2008, convertida na Lei n°11.941, de 27/05/2009. Pelos excertos acima, constatase que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.016525/200994 Acórdão n.º 2301005.046 S2C3T1 Fl. 21 39 Portanto não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 476A da IN RFB 971/2009 e de acordo com o art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Pelo exposto, entendo que devam sem mantidos os valores da multa apurada incidente sobre a obrigação acessória. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000368/2005-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário:2002
SIMPLES. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO HIDRÁULICA
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula CARF no. 57).
Numero da decisão: 1801-000.636
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário:2002 SIMPLES. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO HIDRÁULICA A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula CARF no. 57).
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10660.000368/2005-71
conteudo_id_s : 5783621
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.636
nome_arquivo_s : Decisao_10660000368200571.pdf
nome_relator_s : Maria de Lourdes Ramirez
nome_arquivo_pdf_s : 10660000368200571_5783621.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
id : 6968439
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466869645312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 55 1 54 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.000368/200571 Recurso nº 143.980 Voluntário Acórdão nº 180100.636 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria Simples Exclusão Recorrente URL SERVIÇOS E MANUT. HIDRÁULICA EM GERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO HIDRÁULICA A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula CARF no. 57). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 62DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra o indeferimento da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples. Consta dos autos que a empresa foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/02/2002, pelo ADE 514.420, de 02/08/2004, da Delegacia da Receita Federal em Varginha/MG (fls. 16), por praticar atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática, qual seja, a atividade de “instalações hidráulicas, sanitárias e de gás ”. Cientificada da exclusão a interessada protocolizou a SRS de fls. 17 e verso, indeferida pela autoridade de origem. Cientificada a contribuinte que interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 01/02 na qual argumenta que não existiria lei a obrigar o titular, os sócios ou os empregados de uma simples prestadora de serviços de instalações sanitárias a possuírem habilitação profissional e que a atividade por ela exercida não poderia ser considerada assemelhada à engenharia. Assim, o artigo 9°, XIII, da Lei n° 9.317/1996 alcançaria apenas aqueles profissionais cuja atividade é regulamentada por lei, e não um simples pedreiro. Observou que o art. 112 do CTN dispõe que a legislação tributária definidora de infrações ou que comine penalidades interpretase da maneira mais favorável ao acusado. A Lei n° 9.317/1996 não teria mencionado o tipo de atividade por ela exercida e não poderia ser aplicada interpretação extensiva e seria ilegal a retroatividade dos efeitos do ADE, por configurar afronta ao princípio da segurança jurídica. A DRJ em Juiz de Fora/MG, pelo Acórdão n°. 0920.558 da 2a. Turma de Julgamento, indeferiu o pleito ao argumento de que as atividades desenvolvidas pela empresa seriam privativas do profissional da engenharia, nos termos da Resolução Confea n° 218, de 1973, que não haveria necessidade de que o prestador de serviços seja engenheiro ou possua curso profissionalizante de técnico em , hidráulica, bastando que desempenhe atividades típicas dessas profissões e que os efeitos retroativos da exclusão estariam amparados em lei. Notificada, em 02/09/2008, do indeferimento de sua solicitação, como comprova o Aviso de Recebimento de fl. 30, apresentou, a contribuinte, em 02/10/2008, o recurso voluntário de fls. 31 a 42 alegando, em síntese: 1) que as atividades por ela praticadas não se caracterizam como atividades vedadas para ingresso e permanência no Simples; Fl. 63DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10660.000368/200571 Acórdão n.º 180100.636 S1TE01 Fl. 56 3 2) que a DRJ teria dado interpretação extensiva ao comando do art. 9o. da Lei 9.317, de 1996. 3) que o objeto social consignado no contrato social seria a prestação de serviços de manutenção hidráulica em geral. 4) que o ato de exclusão equivaleria a uma penalidade. 5) que a Lei Complementar n° 123, de 2006, teria expressamente determinado a exclusão das vedações de empresas que prestem as atividades consignadas em seu objeto social 6) a impossibilidade de aplicar efeitos retroativos ao ato de exclusão do simples. Ao final pugnou pelo acolhimento do recurso e reforma da decisão de 1a. instância. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne do litígio diz respeito às atividades exercidas pela empresa excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal – se seriam vedadas para ingresso e permanência nesse sistema ou, ao contrário, se não estariam entre as vedações impostas pelo inciso XIII do artigo 9o. da Lei n°. 9.317, de 1996. O Contrato social de constituição original da empresa, datado de fevereiro de 1994 (fls. 08/10), prevê como objeto social os serviços de manutenção hidráulica em geral enquanto que a 3a. Alteração, datada de agosto de 2004 (fls. 11/15) consigna exatamente o mesmo objetivo social do ato constitutivo. Assim, a partir dos elementos constantes dos autos não se pode afirmar que a empresa pratica atividades típicas ou privativas dos profissionais de engenharia, ou ainda, que os serviços por ela prestados se assemelham aqueles serviços prestados por engenheiros ou por qualquer outro profissional cujo exercício da profissão dependa de regulamentação. No que toca, especificamente, às atividades descritas no objeto social da empresa consignado em seus atos constitutivos, ou seja, serviços de manutenção hidráulica em geral, este órgão colegiado já pacificou seu entendimento, expressado na súmula CARF n°. 57: Fl. 64DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Súmula CARF n°. 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 65DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720052/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de CSLL, em relação ao ano-calendário de 2009, até a data de apresentação da DComp nº 39215.26606.080312.1.3.03-4724, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15578.720052/2012-81
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5772440
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-000.517
nome_arquivo_s : Decisao_15578720052201281.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 15578720052201281_5772440.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de CSLL, em relação ao ano-calendário de 2009, até a data de apresentação da DComp nº 39215.26606.080312.1.3.03-4724, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6937396
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466871742464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.374 1 1.373 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.720052/201281 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.517 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de agosto de 2017 Assunto Declaração de Compensação Recorrente BRAZIL TRADING Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de CSLL, em relação ao anocalendário de 2009, até a data de apresentação da DComp nº 39215.26606.080312.1.3.03 4724, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.236 a 1.257) interposto contra o Acórdão nº 0130.734, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 1.222 a 1.227), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 05 2/ 20 12 -8 1 Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 15578.720052/201281 Resolução nº 1302000.517 S1C3T2 Fl. 1.375 2 A Manifestação de Inconformidade (fls. 915 a 1.013) foi apresentada contra o Parecer Seort nº 209/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 897 a 904), que não homologaram as compensações declaradas nas Declarações de Compensação (DComp) n° 00115.51046.030412.1.7.034570 e 36560.04313.230312.1.3.034711. O crédito envolvido nas referidas DComp tem por origem saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2009 (fls. 260 a 353) e alterado por meio de lançamento de ofício de que trata o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. Voto Como dito, contra o Recorrente, foi lavrado Auto de Infração que alterou o crédito que deu suporte à apresentação das DComp de que trata o presente processo. Contudo, tanto o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo, quanto o Acórdão que tratou da impugnação a ele e o Parecer Seort nº 209/2014 consideraram como pagos apenas os valores retidos na fonte e os recolhimentos realizados até o encerramento do exercício. Ocorre que o sujeito passivo sustenta, na DComp que discrimina o crédito (DComp nº 00115.51046.030412.1.7.034570, que retificou a de nº 39215.26606.080312.1.3.034724) e no Recurso Voluntário, a existência de parcelamentos de valores de estimativas do CSLL. O Parecer Seort nº 209/2014 reconhece a existência de parcelamentos, desconsiderando os pagamentos a eles vinculados por terem sido realizados após o encerramento do exercício. A par disso, o mesmo Parecer afirma que todas as DComp apresentadas pelo Recorrente para compensar estimativas de CSLL no anocalendário de 2009 foram consideradas como não declaradas, mas, contraditoriamente, relata que os débitos foram inscritos em Dívida Ativa da União. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, tem efeito direto na análise das DComp de que trata o presente processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Vitória/ES), para que: a) informese, dos totais de estimativas de CSLL que compuseram o crédito informado na DComp nº 00115.51046.030412.1.7.034570, quais os montantes que efetivamente foram objeto de pagamento, Dcomp e/ou de parcelamento até a data de apresentação da DComp nº 39215.26606.080312.1.3.034724; Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 15578.720052/201281 Resolução nº 1302000.517 S1C3T2 Fl. 1.376 3 b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamentos eventualmente formalizados referentes a estimativas de CSLL, com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. Chamo a atenção para a relação de decorrência existente entre este processo e o de nº 15578.720163/201378, no âmbito de qual foi solicitada diligência de teor similar à Unidade de origem, os quais deverão ser julgados conjuntamente por este CARF. Destaco, por fim, para a relação de decorrência deste processo com o de nº 15578.720029/201458, referente a multa pela nãohomologação das DComp aqui tratadas, de modo que o julgamento daquele deverá ser realizado após o julgamento de mesma instância deste ou ser realizado conjuntamente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720856/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2012 a 30/06/2013
RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO. ALÇADA INFERIOR FIXADO. INCABÍVEL.
O cabimento de recurso de ofício deve atender os pressupostos necessários, in casu, o valor desonerado se revela inferior ao valor de alçada fixado, configura obstáculo ao conhecimento.
Recurso de Oficio Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso de ofício.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Limpeza Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2012 a 30/06/2013 RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO. ALÇADA INFERIOR FIXADO. INCABÍVEL. O cabimento de recurso de ofício deve atender os pressupostos necessários, in casu, o valor desonerado se revela inferior ao valor de alçada fixado, configura obstáculo ao conhecimento. Recurso de Oficio Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10983.720856/2014-46
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5749473
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.299
nome_arquivo_s : Decisao_10983720856201446.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10983720856201446_5749473.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso de ofício. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Limpeza Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6875920
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466874888192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 7 1 6 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.720856/201446 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302004.299 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Recorrente SECURITY COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2012 a 30/06/2013 RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO. ALÇADA INFERIOR FIXADO. INCABÍVEL. O cabimento de recurso de ofício deve atender os pressupostos necessários, in casu, o valor desonerado se revela inferior ao valor de alçada fixado, configura obstáculo ao conhecimento. Recurso de Oficio Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso de ofício. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Limpeza Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 08 56 /2 01 4- 46 Fl. 360DF CARF MF 2 Cuidase de Recurso de Ofício decorrente do cancelamento do crédito tributário da ordem de R$ 2.285.990,87. Tratase de importação por conta e ordem, segundo a fiscalização, a Recorrente teria deixado de comprovar a origem lícita de disponibilidade financeiras e a efetiva transferência dos recursos utilizados para arcar com as operações de importação por parte da adquirente, no caso, a empresa COMPOSITEALL INDÚSTRIA DE MATÉRIA PRIMA DE PRODUTOS PARA PLÁSTICO LTDA., como consta do inicio do Termo de Fiscalização: “A fiscalizada SECURITY COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., registrou durante o período fiscalizado 26 Declarações de Importação (DI’s) conforme Tabela 1 abaixo, declarando ao Fisco tratarse de importações realizadas por conta e ordem de sua adquirente, a empresa COMPOSITEALL INDÚSTRIA DE MATÉRIA PRIMA DE PRODUTOS PARA PLÁSTICO LTDA., CNPJ nº 08.604.931/000100 Ao final desta fiscalização restou que não houve comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados para bancar as operações de importação registradas em nome da fiscalizada no período que se estendeu de janeiro de 2012 a junho de 2013 e, portanto, que a empresa SECURITY COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessário à realização das importações as quais informou ser ela a efetiva remetente de recursos para o exterior em pagamento ao exportador estrangeiro. Adoto o relatório da decisão por bem refletir o assunto trazido no bojo deste caderno processual administrativo: “Relatório O presente processo trata da conversão da pena de perdimento de mercadorias em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, no montante de R$ 2.285.990,87, nos termos do artigo 23, §3º, do DL 1.455/76, e artigo 73, §§ 1º e 2º, da Lei 10.833/2003. O Mandado de Procedimento Fiscal nº 0925200201400019 7 teve por objetivo proceder à auditoria das importações da empresa no período de janeiro de 2012 a junho de 2013 (26 Declarações de Importação (DI’s) conforme tabela, fl. 09) as quais tiveram como adquirente declarado a empresa COMPOSITEALL INDÚSTRIA DE MATÉRIA PRIMA DE PRODUTOS PARA PLÁSTICO LTDA., doravante denominada COMPOSITEALL, CNPJ nº 08.604.931/000100. Conforme mencionado no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, ao final do procedimento fiscal restou que não houve comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados para bancar as operações de importação registradas em nome da fiscalizada no período que se estendeu de janeiro de 2012 a junho de 2013 e, portanto "a empresa SECURITY COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessário à realização das importações as quais informou ser ela a efetiva remetente Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10983.720856/201446 Acórdão n.º 3302004.299 S3C3T2 Fl. 8 3 de recursos para o exterior em pagamento ao exportador estrangeiro". À vista de as mercadorias já terem sido consumidas, a pena de perdimento foi convertida em multa, como prevê o § 3º do mesmo dispositivo legal, citado no início deste relatório. Cientificada do lançamento em 07/07/2014 (fl. 133), a interessada SECURITY apresentou impugnação em 06/08/2014 (fls. 137 e ss), alegando que: no regular exercício de suas atividades empresariais, realizou importações sob a modalidade "conta e ordem de terceiros" com a empresa adquirente dos produtos Compositeall Indústria de Matéria Prima de Produtos para Plásticos Ltda (CNPJ 08.604.931/000100), no período compreendido entre janeiro de 2012 e junho de 2013, haja vista ser a Impugnante mera prestadora de serviços nos termos dos arts 1o da IN/SRF 225/2002 e IN/SRF 247/2002, ou seja, quem de fato realizou as importações autuadas foi sua adquirente, a empresa COMPOSITEALL; devido à sistemática das operações por conta e ordem de terceiro, todos os recursos aplicados aos comercio exterior assim como toda negociação foram efetivadas pela empresa adquirente das mercadorias COMPOSITEALL, descritas pelas Dl's n° 12/18066620, 12/19084184, 12/19084621, 12/19084761, 12/21412134, 12/20307264, 13/01620280 e 13/04439935; em simples análise do trecho extraído do Relatório Fiscal verificase que não há qualquer lógica na imputação de responsabilidade pela suposta infração à Impugnante, a qual não possui qualquer obrigação de comprovar a origem dos recursos empregados nas importações fiscalizadas e nem teria como fazêlo haja vista que atuou somente como mera prestadora de serviços, como representante da real adquirente "Compositeall", esta que custeou todas as operações autuadas; os fechamentos de câmbio realizados pela Impugnante, foram efetivados como forma de prestação de serviços proporcionados a adquirente e real proprietária das mercadorias, sendo que os recursos utilizados advieram exclusivamente da COMPOSITEALL; nesse sentido, a fim de não pairar dúvidas, realizase a tabela a seguir (vide fls. 140/141), onde e possível demonstrar que os depósitos foram realizados na conta corrente da Impugnante pela adquirente COMPOSITEALL, para posteriormente serem efetivados os fechamentos de câmbios, conforme se constata dos próprios extratos bancários da Impugnante, assim como dos contratos de câmbio, os quais foram todos apresentados a fiscalização, nas respostas as intimações expedidas, por meio do MPF n°. 09252002014000197 (Doc. 08 e 09), comprovando de forma inquestionável a boafé da empresa Impugnante, nos termos do art. 4 da Lei 9.784/99; Fl. 362DF CARF MF 4 as provas carreadas e entregues a fiscalização quando das respostas a intimação do epigrafado MPF pela Impugnante, militam ao seu favor, eis que comprovado de forma inquestionável, por meio dos contratos de câmbio e extratos bancários que os recursos advindos foram da adquirente, além dos esclarecimentos e documentos necessários ao deslinde do feito, sendo que em nenhum momento houve resistência e/ou procrastinação da Impugnante na entrega dos mesmos e sim mero pedido de prorrogação de prazo para a efetiva entrega e atendimento a solicitação exarada, sendo a conclusão fiscal baseado em mero subjetivismo; as provas carreadas e entregues a fiscalização quando das respostas a intimação do epigrafado MPF pela Impugnante, militam ao seu favor, eis que comprovado de forma inquestionável, por meio dos contratos de câmbio e extratos bancários que os recursos advindos foram da adquirente, além dos esclarecimentos e documentos necessários ao deslinde do feito, sendo que em nenhum momento houve resistência e/ou procrastinação da Impugnante na entrega dos mesmos e sim mero pedido de prorrogação de prazo para a efetiva entrega e atendimento a solicitação exarada, sendo a conclusão fiscal baseado em mero subjetivismo; a i. fiscalização, sendo que nada comprovou, apenas utilizou de subjetivismo para concluir pela infração ora vergastada; que a autuação está calcada em lamentáveis equívocos praticados pela i. Autoridade fiscal, consubstanciando a sanção referente a fatos exógenos em que nada guardam relação a Impugnante; o MPF n° 09252002014000197, que deu início ao procedimento fiscal traz apenas a informação "TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES" nos períodos 01/2012 a 12/2013; constatase que o presente auto de infração fora lavrado pela IRF de Florianópolis. Referida unidade deu início a procedimento fiscalizatório em relação à Impugnante, por meio de MPF que contém vício insanável, haja vista que descreve apenas de forma genérica qual seria o objeto de fiscalização, o que é vedado; somente caberia a realização da revisão aduaneira a Unidade Fiscal do Despacho Aduaneiro das respectivas Dl's, no caso a ALF de Itajaí/SC, por meio da qual foram registradas as declarações de importação, conforme disciplina a IN/SRF 680/2006, e tal disposto verificado no §7 do art. 45; as figuras intervenientes são conhecidas, havendo perfeita identificação tanto da importadora quanto do adquirente das mercadorias, conforme se comprovam inclusive dos próprios documentos instrutivos das importações acobertadas pelas Declarações de Importação e demais documentos instrutivos, em reto atendimento ao art. 3, §§1° e 2o da IN/SRF 225/2002; registrese que as condições impostas pelo Fisco foram cumpridas tanto pela adquirente quanto pela importadora, NÃO Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10983.720856/201446 Acórdão n.º 3302004.299 S3C3T2 Fl. 9 5 HAVENDO QUALQUER LÓGICA QUANTO A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA SUSTENTAR A INCIDÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, demonstrando que a penalidade foi aplicada sem respaldo legal, por meio de presunções sem a necessária cautela fiscal e sem a devida observância da verdade material (verdade real); por via de consequência, para a aplicação da pena de perdimento convertida em multa, haveria de ocorrer no caso em debate para as importações combatidas a seguinte situação: OCULTAÇÃO FRAUDE e/ou SIMULAÇÃO+ DANO AO ERÁRIO = PENA DE PERDIMENTO. Cita Acórdãos; os contratos de câmbio foram fechados pela empresa Impugnante, tendo em vista que no contrato de prestação de serviço "por conta e ordem de terceiros" pactuado entre as partes, há cláusula indicando possibilidade do oferecimento dos serviços para que a importadora realize o fechamento do câmbio das importações, com recursos da adquirente, a fim de dinamizar o despacho de importação; tratase de relação obrigacional ligada ao campo do direito civil de esfera privada, não sendo crível a intervenção do Poder Público nas negociações privadas, haja vista que a modalidade de importação por conta e ordem de terceiros permite que a contratação do câmbio possa ser feita tanto pelo importador quanto pelo adquirente, contudo os valores para o efetivo pagamento advém da adquirente, conforme previsto na Circular do BACEN n° 3.280/2005, Título 1, capitulo 3. seção 1, cláusula 2 e 3, hoje atual Circular do BACEN n°. 3.691, de 16/12/2013, e no art. 2o da IN/SRF n° 225/2006; tal serviço não é vedado pela legislação; por fim, a Impugnante, na condição de mandatária da empresa adquirente e agindo por conta e ordem desta, a infração alegada não poderia sequer ser imputada à mesma; da análise da legislação frente a modalidade da importação mencionada, verificase que o i. Auditor Fiscal equivocase na imputação da responsabilidade objetiva e solidária da empresa Impugnante pela infração aduaneira, quando na verdade a apuração de responsabilidade nesse caso é de forma isolada e subjetiva da própria Adquirente COMPOSITEALL; o Regulamento Aduaneiro, disciplina no art. 674, inciso V, que poderão responder conjunta ou isoladamente a importadora e a adquirente nas importações por conta e ordem. Todavia, a legislação tributária é clara ao atribuir a responsabilidade por infrações tributárias exclusivamente ao agente responsável pela conduta delituosa, in casu, a empresa adquirente COMPOSITEALL conforme o citado inciso V do art. 95 acima transcrito assim como pela conjugação dos arts. 136 e 137 do Código Tributário Nacional; Fl. 364DF CARF MF 6 a i. autoridade fiscal, não efetuou qualquer análise da ausência de responsabilidade da importadora no tocante ao ÔNUS de comprovação da origem dos recursos aplicados nas operações que sequer foram custeadas pela Impugnante, mas sim pela adquirente COMPOSITEALL; a autoridade administrativa tem o poder/dever de buscar a VERDADE REAL; resta evidente a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, impondose a desconstituição das sanções administrativas aplicadas, na medida em que não restou comprovada a ocorrência do fato jurídico tributário, e por conseguinte, a relação obrigacional prevista na hipótese de incidência tributária, ex vi o disposto no artigo 53 da Lei 9784. De acordo com o Despacho de Encaminhamento de fl 339, a empresa COMPOSITEALL LTDA. teve ciência eletrônica por decurso de prazo em 02/09/2014 (fl. 331). No mesmo despacho foi solicitado que fosse desconsiderada a ciência eletrônica solicitada em 26/09/2014, por ser desnecessária. É o Relatório.” É o que tinha a relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício improcedente, consequentemente, cancelando a aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento fixada em R$ 2.285.990,87 (dois milhões, duzentos e oitenta e cinco mil, novecentos e noventa reais e oitenta e sete centavos). Exonerado o sujeito passivo do pagamento de encargos de multa em valor inferior ao fixado pela Portaria MF nº 63, de 23 de maio de 2013, implica em não conhecimento do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 11ª Turma da DRJ/SPO. Sendo assim, é o caso de não conhecimento do recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10983.720856/201446 Acórdão n.º 3302004.299 S3C3T2 Fl. 10 7 Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.722570/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009
VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há vício de motivação em auto de infração do qual constam não só as disposições legais infringidas, como também a individualização das ações do sujeito passivo com a respectivas indicação do conteúdo probatório de tais condutas.
Numero da decisão: 2201-003.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há vício de motivação em auto de infração do qual constam não só as disposições legais infringidas, como também a individualização das ações do sujeito passivo com a respectivas indicação do conteúdo probatório de tais condutas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10930.722570/2014-11
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5762357
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.805
nome_arquivo_s : Decisao_10930722570201411.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930722570201411_5762357.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6904837
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466876985344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 151 1 150 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.722570/201411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.805 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente USINA CENTRAL DE PARANA SA AGRICULTURA, INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há vício de motivação em auto de infração do qual constam não só as disposições legais infringidas, como também a individualização das ações do sujeito passivo com a respectivas indicação do conteúdo probatório de tais condutas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 25 70 /2 01 4- 11 Fl. 151DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Curitiba/PR que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias retidas dos segurados empregados e não recolhidas pela empresa. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 5 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 688.55,33, em valores consolidados em setembro de 2010. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições retidas dos empregados da Recorrente no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2009, ocorreu em 16 de setembro de 2010, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 92. Em 18 de outubro de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.95). Em 20 de maio de 2011, a 5ª Turma da DRJ de Curitiba, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0631.864 (fls. 114), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 101): Em 13/09/2010foi lavrado Auto de Infração sob o número acima identificado, no montante de R$ 680.555,33 (atualizados até a data do lançamento), contra o sujeito passivo supra qualificado, para constituição do crédito previdenciário (contribuição dos segurados), prevista no art. 20 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991), incidente sobre as remunerações pagas a segurados empregados, que a empresa arrecadou das suas remunerações e não recolheu à Receita Federal do Brasil em nome da previdência social, no período de apuração em referência. Assim o Relatório Fiscal explicativo do lançamento noticia a constituição do crédito: 1 Este relatório é parte integrante do Auto de Infração, n° 37.082.6450, que foi emitido em razão de o contribuinte ora fiscalizado ter efetuado o desconto das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas em folhas de pagamento, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, e não ter, posteriormente, efetivado o recolhimento de tais valores no prazo legal estabelecido:... 6. Foi verificado que as contribuições sociais lançadas no presente Auto de Infração, não foram declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940 Código Penal, alterado pela Lei n° 9.983, de 1407/2000 (D.O. U. de 17/07/2000). O fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente— Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação pena, em relatório à parte. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10930.722570/201411 Acórdão n.º 2201003.805 S2C2T1 Fl. 152 3 7. Foi verificado também a ausência do repasse à Seguridade Social das contribuições sociais lançadas no presente Auto de Infração, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 168A do DecretoLei n° 2.848, , de 07/12/1940 Código Penal, alterado pela Lei n° 9.983, de 1407/2000 (D.O.U. de 17/07/2000, fato que será objeto de comunicação à autoridade pública competente —Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório à parte. 8. Nas competências 13°/2007, 13°/2008 e 13°/2009, a empresa deixou de apresentar GFIP e nas competências 06/2009, 08/2009, 09/2009, 11/2009 e 12/2009 a empresa apresentou GFIP parcial da folha de pagamento (vide relação de diferenças anexa). A empresa foi cientificada do lançamento, via postal, em 16/09/2010 (AR fls. 85). No prazo regulamentar, apresenta a sua impugnação para requerer que seja reconhecida a nulidade da exigência fiscal. Para fundamentar seus pleitos, o impugnante aponta hipótese de nulidade da autuação por ausência de motivação do ato. Nesse passo, diz que A ação fiscal alinhavou de forma superficial uma extensa gama de leis e decretos, sem, contudo, colocar de forma clara e precisa os motivos de fato, vale dizer, a conduta irregular que culminaria com as penalidades e obrigações impostas. A alusão genérica aos registros existentes na contabilidade não permitiria ao contribuinte saber quais os elementos que foram examinados (GFIP, GPS, folhas de pagamento e documentos contábeis), restando clara a dificuldade de compreensão dos elementos de que se valeu a ação fiscal para irrogar a conduta irregular da impugnante. Ainda em preliminar o impugnante alega hipótese de cerceamento do direito de defesa e afronta ao princípio do devido processo legal, mediante suposição de que antes da lavratura da NFLD a fiscalização deveria ter previamente notificado o contribuinte, com abertura de prazo para eliminar a irregularidade apontada, caso efetivamente existisse. A falta dessa providência acarretaria a nulidade do lançamento. É o relatório. Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 17 de junho de 2011 (AR fls. 126), o sujeito passivo apresentou tempestivamente, recurso voluntário (fls.127), no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. Às folhas 2 do processo digital, consta despacho da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT da Delegacia da Receita Federal em Londrina, que informa que: Fl. 153DF CARF MF 4 "O presente processo foi formalizado para dar seguimento à parcela do crédito tributário não abrangida no parcelamento da Lei 11.941/2009, conforme descrito no despacho de fls. 172 (numeração manual) do processo 11 634.0013 11/201036: Processo: 11634.001311/201036 Contribuinte: USINA CENTRAL DO PARANÁ S/A Debcad n° 37.082.6450 (com competências parceladas peia Lei 11.941/2009) Debcad n° 43.995.2000 (com competências não abrangidas pelo parcelamento)" Depreendese, portanto, que parte dos créditos constituídos pelo Debcad constante do lançamento originalmente realizado foi objeto de confissão e parcelamento, restando em litígio, pelo noticiado, as competências posteriores a outubro de 2008, ou seja de novembro de 2008 a dezembro de 2009. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso voluntário e passo a analisálo na ordem de suas alegações. PRELIMINARES DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Segundo o Recorrente há vício de motivação no lançamento. Entende que o relatório fiscal não relata com precisão a hipótese de incidência da exação pretendida, muito menos os elementos que embasaram o lançamento e a subsunção do fato à norma legal. Argui que, em razão do vício apontado, não há na imputação fiscal qual a conduta irregular que culminaria nas penalidades e obrigações impostas. O que há, na visão do recorrente é uma menção genérica às GFIP's, folhas de pagamento e documentos contábeis, sem a identificação de quais guias, folhas e documentos foram analisados e considerados inadequados. Tal identificação, tal particularização é obrigação imposta pelo artigo 142 do CTN ao Fisco. Cita doutrina e jurisprudência no sentido de suas alegações. Não verifico o vício apontado. Explico. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.722570/201411 Acórdão n.º 2201003.805 S2C2T1 Fl. 153 5 O relatório fiscal explicita às folhas 38 a conduta irregular praticada e o faz de forma sucinta, direta, concisa e precisa, mencionando não só o ilícito cometido pelo Contribuinte como também a penalidade aplicada: 5. Em decorrência das penalidades previstas na vigência do art. 32, §§ 4o ao 9o e art. 35 da Lei 8.212, de 24 de Julho de 1991 e as alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 449, de 03 de Dezembro de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 27 de Maio de 2009), que introduziu na Lei 8.212/91 o art. 32A; e, considerando o que dispõe o inciso II, alínea "c" do art. 106 do CTN que disciplina a aplicação das penalidades mais benéficas ao sujeito passivo, até a competência 11/2008 comparouse a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a multa imposta pela legislação superveniente, sendo observado a aplicação das penalidades mais benéficas ao sujeito passivo na presente ação fiscal, conforme QUADRO SAFIS COMPARAÇÃO DE MULTAS, em anexo. 6. Foi verificado que as contribuições sociais lançadas no presente Auto de Infração, não foram declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940 Código Penal, alterado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000 (D.O.U. de 17/07/2000). O fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório à parte. 7. Foi verificado também a ausência do repasse à Seguridade Social das contribuições sociais lançadas no presente Auto de Infração, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 168A do DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940 Código Penal, alterado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000 (D.O.U de 17/07/2000), fato que será objeto de comunicação à autoridade pública competente Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório à parte." E mais, individualizou a base de cálculo, procedimento decorrente de planilhas auxiliares de cálculo, anexadas ao relatório fiscal (fls. 39) 8. Nas competências 13°/2007, 13°/2008 e 13°/2009, a empresa deixou de apresentar GFIP e nas competências 06/2009, 08/2009, 09/2009, 11/2009 e 12/2009 a empresa apresentou GFIP parcial da folha de pagamento (vide relação de diferenças anexa). 9. Os valores relativos às rescisões de contrato e aos recibos de férias foram incluídos pelo contribuinte nas folhas de pagamentos das respectivas competências. As relações de diferenças mencionadas constam das folhas 41/72, cujo pequeno excerto, reproduzo: Fl. 155DF CARF MF 6 Claríssima a imputação fiscal. Não há a menor falha na motivação do auto de infração. Observo não só a fundamentação legal, como também a descrição da conduta ilícita e a menção às provas acostadas. Preliminar de nulidade rejeitada. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Argui a Recorrente cerceamento de seu direito de defesa em face da não abertura de prazo antes da lavratura da NFLD para que o contribuinte pudesse regularizar o suposto crédito tributário existente. Tal conduta, na visão do Recorrente, inverteu os atos do procedimento administrativo, ofendendo o direito de defesa previsto na Carta da República. São seus argumentos (fls 136): A autoridade fiscal não pode promover a notificação de lançamento antes da lavratura do auto de infração. A necessidade de elaboração de auto de infração se constitui em precedente de forma essencial ao início do processo administrativo fiscal, devendo ser anterior até mesmo à própria notificação do débito, posto que daria à recorrente a possibilidade de saber da existência de imputação de irregularidade contra si para poder corrigila, garantindo, assim, o contraditório e a ampla defesa. Esse procedimento, aliás, decorre da lei que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, mais especificamente no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Referido decreto estabelece como etapas intransponíveis para a formação de um juízo de regularidade em torno do processo administrativo o auto de infração, seguido da notificação de lançamento. A propósito, transcrevemse os arts. 10 e 11, do Decreto n' 70.235, de 06 de março de 1972: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.722570/201411 Acórdão n.º 2201003.805 S2C2T1 Fl. 154 7 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (destaques constam do recurso) A criativa interpretação da norma esposada pelo Contribuinte não merece prosperar. É cediço na doutrina e na jurisprudência que o procedimento de fiscalização é inquisitório, ou seja, não permite a dialética típica do processo, não há contraditório. É a instauração do litígio, por meio da impugnação ao crédito, que inaugura o processo administrativo tributário. Nesse sentido a lição de Cleide Previtalli Cais (O Processo Tributário, 7ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, pag. 214), que ao asseverar que a expressão processo tributário engloba tanto a fase administrativa quanto a judicial, afirma: "O Decreto Federal 70.235/72, confirma esse entendimento nos arts 7º e 14 quando versa sobre o procedimento fiscal¸ou seja atos que darão início ao processo que será instaurado mediante a impugnação da exigência tributária perante a instância administrativa, conforme regula os artigos 14 e seguintes." Não poderia ser outra a posição doutrinária em razão da disposição legal. Recordemos os artigos mencionados do Decreto 70.235, pela douta processualista: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (destaques não constam do texto da lei) Ora, não há que se falar em direito ao contraditório, base da ampla defesa, em procedimento inquisitório, procedimento de fiscalização, pelo qual a autoridade busca verificar o cumprimento das obrigações legais impostas ao fiscalizado. Fl. 157DF CARF MF 8 Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, 20ªed. Malheiros Ed. pag. 393), leciona no mesmo sentido: "O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente lançamento tributário, dividese em duas fases: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa" Tal distinção é fundamental e aqui o maior equívoco teórico do Recorrente ´posto que além da inexistência de contraditório recordemos que a fase é unilateral ou não contenciosa com o início do procedimento de fiscalização operase a exclusão da espontaneidade do contribuinte, segundo expressa determinação do artigo 138 do CTN, ou seja, não pode mais o sujeito passivo corrigir seu erro senão suportando a sanção cabível. Justamente por isso, a interpretação do Recorrente de que o Decreto 70.235/72 determina a intimação para cumprimento da exigência para que o sujeito passivo possa 'corrigir' sua falta é totalmente equivocada. Ao reverso, a intimação é do crédito constituído, tributo devido mais consectários legais, para pagamento ( cumprimento da exigência), ou apresentação da devida impugnação (pressuposto de discordância), com a consequente instauração do devido processo legal. Por todo o exposto, forçoso rejeitar a preliminar também nessa parte. Por fim, mister apontar que o recurso voluntário impetrado não apresenta questões de mérito a serem analisadas. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos acostados, voto por conhecer do recurso para, rejeitando as preliminares de nulidade, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10930.722570/201411 Acórdão n.º 2201003.805 S2C2T1 Fl. 155 9 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
