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Numero do processo: 10820.001043/2010-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2011
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE.
A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
Numero da decisão: 1002-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer a matéria relativa ao direito de parcelamento de débitos autorizado pela lei nº 12.996/2014, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
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CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer a matéria relativa ao direito de parcelamento de débitos autorizado pela lei nº 12.996/2014, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 10 43 /2 01 0- 92 Fl. 76DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BEL: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01/08), de 01/10/2010, ao Ato Declaratório Executivo DRF/ATA N. 443786, de 01 de setembro de 2010 (fl. 12) que excluiu o contribuinte do Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006, com efeitos a partir de 1°/01/2011. 2. O motivo da exclusão foi existência de débitos com a Fazenda Pública Federal cuja exigibilidade não estava suspensa: PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR ORIGINÁRIO* 0 1 / 2 0 0 8 R$ 17 . 249, 85 0 5 / 2 0 0 8 ' R$ 8.592,23 0 8 / 2 0 0 8 , . R$ 21.572 , 83 1 1 / 2 0 0 8 , R$ 9.542,11 PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR ORIGINÁRIO* 0 2 / 2 0 0 8 R$ 7.752,29 0 6 / 2 0 0 8 R$ 11.148 , 80 0 9 / 2 0 0 8 R$ 17.270,88 1 2 / 2 0 0 8 ' R$ 6.463,02 • PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR ORIGINÁRIO 0 3 / 2 0 0 8 • R$ 20.090,09 0 7 / 2 0 0 8 R$ 20.247,95 1 0 / 2 0 0 8 ' R$ 18.306,37 3. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01/08, de 01/10/2010, através da qual vem alegar: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10820.001043/201092 Acórdão n.º 1002000.366 S1C0T2 Fl. 77 3 a) . Em razão da falta de pagamento da Empresa Recuperanda, a Empresa Contribuinte não obteve aporte financeiro para a devida quitação de suas responsabilidades fiscais no ano calendário 2008, sendo, portanto, notificada em 01/09/2010, para a regularização ou apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (simples nacional). b) No entanto, os débitos relacionados no Ato Declaratório Executivo DRF/ATA N° 443786, de 01 de Setembro de 2.010, proveniente deste Procedimento Administrativo não devem prosperar por não corresponderem à realidade dos débitos existentes e por estarem inteiramente divorciados dos preceitos legais e jurisprudenciais ; c). Acontece que, no mês de Agosto/2008, a Empresa Contribuinte obteve pequeno aporte financeiro que lhe possibilitou a quitação de dois meses de tributos atrasados, quais sejam os meses de Junho/2008 no valor de R$ 10.271,26 e Julho/2008 no valor de R$ 16.289,73, de acordo com as guias de DAS Documento de Arrecadação do Simples Nacional, anexas à presente, que comprova a devida quitação dos meses mencionados que, por sua vez, estão sendo exigidos indevidamente no Ato Declaratório Executivo DRF/ATA N° 443786, de 01 de Setembro de 2.010, onerando a Empresa Contribuinte com a cifra de R$ 26.560,99; d) Após a devida redução dos débitos exigidos no Ato Declaratório Executivo DRF/ATA N° 443786, de 01 de setembro de 2.009, com a manutenção da Empresa Contribuinte no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) nos termos já expostos, fixados o quantum debeatur do caso em tela, sem a cobrança indevida de débito já quitado, conforme demonstrado, requer, desde já, a opção pelo parcelamento dos débitos remanescentes nos termos da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil N° 902 de 30/12/2008. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/BEL, conforme acórdão n. 0129.063, 22 de abril de 2014 (efl. 57), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2011 Ementa Será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Fl. 78DF CARF MF 4 Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Sustenta que "os I. Julgadores não manifestaram sobre a quitação dos débitos referentes aos meses de junho e julho de 2.008, os quais restou comprovado que foram pagos" requerendo, por isso, "a reforma do V. Acórdão que indeferiu a manifestação de inconformidade, afim de que seja realizada a baixa dos débitos referentes aos meses de junho e julho de 2.008". Argumenta que "A lei de conversão da MP 638 que reabre o Refis foi sancionada e publicada no Diário Oficial em 20/6/2014, sendo que a opção pelo novo Refis poderá ser feita até o final de agosto" e que "Nessa nova reabertura, poderão ser parcelados débitos vencidos até 31 de dezembro de 2013 (...)". Ao final o Recorrente requer "seja acolhido o presente recurso para o fim de que seja reformado o V. Acórdão, baixandose os débitos já quitados referentes ao período de junho e julho de 2.008, bem como para que seja deferido ao recorrente os benefícios da Lei 12.996 possibilitando o parcelamento de seus débitos, nos termos supra". É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/ATA n° 443786 (efls. 12), o Recorrente foi excluído do Simples Nacional a partir de 01/01/2011, ante a constatação de débitos com exigibilidade não suspensa, os quais apresentavam a seguinte composição: Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples (grifos nossos): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I (...) (...) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10820.001043/201092 Acórdão n.º 1002000.366 S1C0T2 Fl. 78 5 V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; VI (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I (...) (...) IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; Como se observa, o Recorrente foi excluído do Simples Nacional ante a constatação da existência de débitos tributários com exigibilidade não suspensa. O Recorrente requer a reforma do Acórdão de Impugnação sustentando, inicialmente, que a decisão da instância de origem não se pronunciou sobre a quitação dos débitos dos meses de 06 e 07/2008, que, segundo afirma, estariam pagos. Compulsando os autos, verifico não assistir razão ao Recorrente. Os DARF de efls. 25 dos períodos de apuração de 06 e 07/2008, bem como as informações constantes da cópia do recibo de entrega da declaração do Simples Nacional de efls. 44 noticiam que houve apenas pagamento parcial do débito declarado. Vejase excerto da referida declaração (destaque nosso): O excerto abaixo do extrato de débito de efls. 47, emitido pela RFB em 19/10/2010, corrobora com a informação acima, atestando a existência de saldo devedor do período examinado (destaques nossos): Fl. 80DF CARF MF 6 Comprovada nos autos a existência de saldo devedor dos meses de 06 e 07/2008 com exigibilidade não suspensa, entendese que foi correta a exclusão do contribuinte do Simples Nacional fundada no inciso V do artigo 17 da lei complementar 123/2006, eis que este dispositivo veda o recolhimento de tributos na forma deste sistema de tributação simplificado a contribuintes em situação de inadimplência, restando insubsistente o argumento do Recorrente de que tais débitos estariam pagos. Aduzo que a falta de análise pela instância de origem dessa questão levantada pelo Recorrente não constitui fundamento justificável a deslegitimar a exclusão do Simples Nacional, porque, de acordo com o artigo 489 da lei nº 13.105/2015 (CPC), o julgador não precisa pronunciarse de forma exauriente sobre todos os pontos elencados na peça de defesa, bastando enfrentar apenas os fundamentos de fato e de direito que, no seu entender, sejam necessários e influentes à solução da lide: Art. 489. (...) I (...) (...) § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I (...) (...) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10820.001043/201092 Acórdão n.º 1002000.366 S1C0T2 Fl. 79 7 IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifos nossos) (...) De outra parte, o Recorrente oferece como argumento adicional contra sua exclusão no Simples Nacional a alegação de que os débitos que a geraram poderiam ser objeto de parcelamento autorizado pela MP nº 638/2014, convertida na lei nº 12.996/2014. Constato que a argüição levantada pelo Recorrente também não pode prosperar por encontrarse preclusa, em razão de não ter sido suscitada em sede de Manifestação de Inconformidade, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, considerando que o argumento apresentado pelo Recorrente e lastreado na lei nº 12.996/2014 é totalmente novo em relação ao conteúdo de sua Manifestação de Inconformidade, o recurso voluntário não será conhecido nesta parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria fática não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Ainda que fosse possível o conhecimento dessa matéria o que se admite tão somente por raciocínio jurídico melhor sorte não assistiria ao Recorrente, eis que o parágrafo 4º do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA n° 443786 é claro no sentido de dispor que os efeitos da exclusão do Simples Nacional só seriam ilididos se houvesse regularização dos débitos dentro do prazo de 30 dias contados da data de ciência do referido ADE, o que efetivamente não se constata nos autos, porquanto inexiste qualquer documento comprobatório do pagamento ou do deferimento de pedido de parcelamento dos débitos elencados no Ato Declaratório Executivo DRF/ATA n° 443786. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negolhe provimento, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900128/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1999
Ementa:
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Nos termos do art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, restando comprovado que a contribuinte pretendeu, por meio de DCTF, compensar imposto de renda pago a maior que o devido no ano de 1998 com imposto de renda devido a título de estimativas no ano de 1999, descabe falar em caducidade do direito de repetir o indébito.
Numero da decisão: 1302-000.733
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Nos termos do art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, restando comprovado que a contribuinte pretendeu, por meio de DCTF, compensar imposto de renda pago a maior que o devido no ano de 1998 com imposto de renda devido a título de estimativas no ano de 1999, descabe falar em caducidade do direito de repetir o indébito.
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TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. REQUERIMENTO. DESNECESSIDADE. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Nos termos do art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, restando comprovado que a contribuinte pretendeu, por meio de DCTF, compensar imposto de renda pago a maior que o devido no ano de 1998 com imposto de renda devido a título de estimativas no ano de 1999, descabe falar em caducidade do direito de repetir o indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 71DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900128/200844 Acórdão n.º 130200.733 S1C3T2 Fl. 68 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900128/200844 Acórdão n.º 130200.733 S1C3T2 Fl. 69 3 Relatório CLARAMAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Piracicaba, São Paulo. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 1998. O Despacho Decisório de fls. 02 indica que o indeferimento se deu em virtude da caducidade do direito de a contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01), por meio da qual sustentou que possuía crédito de saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 2.806,09, conforme DIPJ 1999, e que as regras sobre o instituto da prescrição deveriam ser consideradas para os seus débitos, tal como foram para o seu crédito. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 1232.846, de 19 de agosto de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. Os pedidos de restituição/compensação protocolizados após o prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir do mês subseqüente ao do período de apuração do saldo negativo, são decadentes. Ciente da Decisão de primeira instância em 15 de setembro de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 62, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15 de outubro de 2010, conforme registro de recepção de folha 64, por meio do qual sustenta, in verbis: A) O vencimento do tributo, qual seja, a data de pagamento do tributo é o dies a quo da contagem do prazo prescricional de 5 anos para a apresentação do PER/DCOMP. O artigo 168, inciso I e o artigo 150, § 1º do CTN, ambos mencionam esse termo inicial, respectivamente: (...) " da data da extinção do crédito tributário" e Fl. 73DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900128/200844 Acórdão n.º 130200.733 S1C3T2 Fl. 70 4 (...) "O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito". O vencimento do imposto mais velho se deu aos 31/05/1999 ensejando o término do prazo de 5 anos em 31/05/2004. 0 PER/DCOMP foi apresentado em 07/05/2004, dentro do prazo portanto. B) Por outro lado, não se pode olvidar que a exigência da apresentação do PER/DCOMP decorre de Lei posterior do ano de 2.004 (IN SRF N.414/2004) que inovou quanto as exigências formais para compensação que, rigorosamente, já havia se consumado via DCTF no ano calendário de 1999, cuja homologação é incontroversa a teor do art.150, § 4°. do CTN. A IN SRF n. 414 de 2.004 não é meramente interpretativa, veio inovar com exigência que inexistia em 1999 (PER/DCOMP). A retroação almejada encontra óbice nos ditames do artigo 106, I do CTN porque, repitase, inovou e não é expressamente interpretativa. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900128/200844 Acórdão n.º 130200.733 S1C3T2 Fl. 71 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia submetida a exame está relacionada ao não reconhecimento de direito creditório em virtude de caducidade do direito. O despacho decisório de fls. 02 assinala: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 07/05/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 2.806,18 A autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, tendo o voto condutor da referida decisão registrado: No caso dos autos, uma vez que o saldo negativo de IRPJ se refere ao período de apuração 01/01/1998 a 31/12/1998, o prazo para pleitear a restituição/compensação iniciouse, portanto, em 01/01/1999 e findouse, 5 (cinco) anos depois, em 31/12/2003. Assim, tendo em vista o PER/DCOMP objeto dos autos ter sido apresentado em 07/05/2004, já estava extinto o direito de utilização do crédito pleiteado. Em sede de recurso, a contribuinte sustenta, entre outras alegações, que a compensação em debate já havia se consumado no anocalendário de 1999, via DCTF. De fato, observo que a contribuinte aportou aos autos cópia de DCTFs entregues em 12/08/99 (fls. 06) e 12/11/99 (fls. 18), em que é possível constatar que os débitos apontados no PER/DCOMP de fls. 44/51 foram indicados como compensados (COMPENSAÇÃO COM DARF). À época em que tais registros foram efetuados (agosto e novembro de 1999), vigia, para fins de compensação, a Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, que em seu artigo 14 estabelecia que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, Fl. 75DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900128/200844 Acórdão n.º 130200.733 S1C3T2 Fl. 72 6 correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. No caso vertente, verifico que a Recorrente pretendeu, por meio das DCTF entregues (fls. 09/12 e 21/25), compensar imposto de renda pago a maior que o devido no ano de 1998 com imposto de renda devido a título de estimativas no ano de 1999, isto é, buscou compensar crédito com débitos de tributos de mesma espécie, sendo certo que isso poderia ser efetuado, considerada a legislação da ocorrência dos fatos, independentemente de requerimento. Em que pese o fato de a contribuinte não ter anexado comprovação contábil das compensações registradas nas DCTFs entregues e ter promovido as compensações considerando, indevidamente, as estimativas pagas, ao invés do saldo negativo a elas correspondente, penso que o indeferimento acerca do reconhecimento do direito creditório não pode, no presente caso, ser lastreado na argüição de intempestividade do pedido, eis que encontramse reunidos nos autos elementos suficientes à comprovação de que a Recorrente, já em 1999, pretendeu compensar crédito apurado no ano de 1998 com débitos relativos a períodos de 1999. O fato de a contribuinte ter transmitido em 07 de maio de 2004 PER/DCOMP, ressaltese, de idêntico teor, no que tange ao crédito e aos débitos, às DCTFs apresentadas em 1999, a meu ver, não invalida a pretensão manifestada tempestivamente no referido ano de 1999. No mesmo sentido, penso que o fato de a compensação pretendida pela contribuinte em 1999 ter sido feita de forma equivocada (considerando as estimativas pagas e não o saldo negativo que delas resultou), bem como a ausência de comprovação contábil da efetiva utilização do direito de crédito no encontro de contas, poderiam, quando muito, servir de fundamento para um eventual não reconhecimento do direito de crédito, porém, em um contexto de apreciação do mérito da peça de defesa interposta pela contribuinte, e não de caducidade do direito face a uma suposta desconsideração da intenção revelada pela entrega das DCTFs. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de decretar a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja prolatada a partir do exame do mérito da defesa impetrada pela Recorrente. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 76DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900128/200844 Acórdão n.º 130200.733 S1C3T2 Fl. 73 7 Fl. 77DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.005320/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando intempestivo.
Numero da decisão: 9202-007.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando intempestivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, por intempestividade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, por intempestividade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de ganho de capital obtido na alienação a prazo do imóvel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 53 20 /2 00 9- 17 Fl. 277DF CARF MF 2 denominado "Fazenda D. Lisandro", situado no município de Teixeira Soares/PR, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 159 a 167. A ciência do lançamento ocorreu em 24/10/2009 (fls. 175). Em sessão plenária de 15/05/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.557 (efls. 224 a 238), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÕES A PRAZO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nas alienações de bens a prazo, o fato gerador ocorre no momento da alienação e o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. O recebimento de valores de forma parcelada não altera e nem fraciona a data da ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.” O processo foi encaminhado à PGFN em 18/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 239) e, em 03/09/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 240 a 246 (Despacho de Encaminhamento de efls. 247), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o momento de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital auferido na alienação a prazo. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 01/02/2016 (efls. 249 a 251). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: não é a forma de apuração que obrigatoriamente determina o momento da ocorrência do fato gerador; por expressa previsão legal, a apuração será feita no momento da venda, mas o fato gerador ocorrerá na medida do recebimento das parcelas, ou seja, no momento da disponibilidade da renda ao contribuinte; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11516.005320/200917 Acórdão n.º 9202007.176 CSRFT2 Fl. 278 3 portanto, o fato gerador ocorre quando e se o contribuinte recebe cada parcela, surgindo o ganho patrimonial, referindose ao momento da venda, como se fosse à vista (cita doutrina de Paulo de Barros Carvalho) o prazo decadencial contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; com razão, ainda, o conselheiro prolator do voto vencido, quando questiona: “vejamos que se ao invés de três parcelas anuais, o contribuinte devesse receber em dez e a decadência do direito de lançar fosse contada a partir da venda, em relação às últimas parcelas poderia não pagar e o fisco também não poderia exigilas em lançamento de ofício, porque decaído o direito?"; com essas considerações, requer a Fazenda Nacional seja reformado o acórdão a quo com relação à decadência, mantendose a decisão de primeira instância, uma vez que o direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário não se extinguiu em janeiro de 2008. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabelecendose a decisão de primeira instância. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 11/04/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 256), o Contribuinte ofereceu, em 22/04/2016 (carimbo de efls. 257), as Contrarrazões de efls. 257 a 275, contendo os seguintes argumentos: o fato gerador da obrigação tributária principal, conforme o art. 114 do Código Tributário Nacional CTN é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; segundo essa definição, o fato gerador, ressalvadas as exceções legais expressas, ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade posterior do sujeito passivo ou ativo; a ocorrência do fato gerador poderia ser registrada em dia, hora e minuto, mas optase por considerálo diário, por ser essa a unidade de tempo utilizada para contagem dos prazos tributários, entre os quais o decadencial e o de recolhimento ou pagamento do imposto; a conclusão é lógica e decorre da interpretação correta da lei, o que está perfeitamente descrito no acórdão recorrido, uma vez que é certo que o fato gerador ocorre na data da alienação do bem ou direito, aplicandose a lei em vigor na data do efetivo evento e o fato do contribuinte poder recolher o tributo na medida em que as prestações foram recebidas é fator irrelevante e jamais poderá alterar a data do fato gerador ocorrido anteriormente; o Recurso Especial para rever tais decisões, quando aparentemente presentes divergência jurisprudencial na matéria tratada, deverá utilizar o bom senso, pois em verdade o entendimento do contribuinte e que foi reconhecido no acórdão prolatado não contraria e nem nega a lei vigente, somente a interpreta; Fl. 279DF CARF MF 4 não há como falar em decisão equivocada ou em desconformidade com a lei e a legislação fazendária pertinente ou ao entendimento majoritário deste Conselho Administrativo e em análise mais objetiva, pois se contrário fosse estaríamos diante da possibilidade de ferir o princípio da segurança jurídica, visto se acatado o entendimento da Fazenda Nacional, implicaria em agravamento da situação do contribuinte, contrapondose às normas da hermenêutica tributária que, buscando proteger o contribuinte face ao poder do Estado, impõe a aplicação da interpretação mais benéfica àquele; vislumbrase da decisão em sede de recurso repetitivo, proferida no Recurso Especial nº 973.733 SC pelo STJ a qual foi citada no voto vencido, decidiu que para a contagem do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário aplicase o art. 173, I, do Código Tributário Nacional; isso significa dizer que o exercício, como marco inicial dos cinco anos em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é aquele em que se instaura o deverpoder de o Fisco efetuar o lançamento, e não os anos subsequentes ou aquele em que termina essa possibilidade jurídica de a Fazenda constituir o crédito tributário; no caso tratado neste procedimento, o fato gerador ocorreu na data da alienação do imóvel, isto é, em 20/09/2002, e considerando que em relação ao ganho de capital a tributação é realizado em separado, não integrando o ajuste anual do contribuinte, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário, aplicandose a regra da decadência prevista no art. 150 § 4º do CTN, quando houver pagamento; não ocorrendo, como in casu, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, ficando evidenciado claramente que a Fazenda Nacional poderia efetuar o lançamento até a data de 31/12/2007, mas não o fez, assim foi reconhecido a decadência do seu direito; por derradeiro, o contribuinte ratifica integralmente as razões expostas em seu Recurso Voluntário, bem como as citações jurisprudenciais e doutrinárias ali constantes, devendo assim fazerem parte integrante das Contrarrazões ora opostas. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), interposto contra o Acórdão nº 2801003.557 (efls. 224 a 238). Foram oferecidas Contrarrazões tempestivamente. Primeiramente, cumpre aferir a tempestividade do Recurso Especial e, a esse respeito, assim estabelece o art. 68, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão.(grifei) Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11516.005320/200917 Acórdão n.º 9202007.176 CSRFT2 Fl. 279 5 O processo foi encaminhado à PGFN em 18/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 239). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre com o término do prazo de 30 dias contado da referida data. Confirase: "Art. 7º Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso. § 2º O documento de remessa e entrega do processo administrativo poderá ter forma digital e ser anexado aos autos do eprocesso, desde que ateste, automaticamente, a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF. § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo." (grifei) Assim, de plano é necessário definir o momento em que se considera intimada a Fazenda Nacional. Essencialmente, a questão é similar à da definição do momento de ciência do contribuinte, quando esta se dá pelo decurso de prazo da entrega da intimação na caixa postal do contribuinte no portal eCAC (alínea "a" do inciso III, do §2º do art. 23 do Decreto 70.235, de 1972). Com efeito, o critério de definição do momento em que se considera intimada a Fazenda Nacional 30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN é diferente do critério de contagem do prazo de quinze dias para interpor o Recurso Especial. Isto porque a regra segundo a qual a contagem iniciase somente em dias úteis é regra de contagem de prazo para prática de atos processuais e não de definição do momento em que se considera presumida uma ciência. A distinção destes critérios é bem explicada na obra MICHELS, Gilson Wessler. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.° 70.235, de 06/03/1972 Versão 20 Atualizada até 28/Fevereiro/2015, notadamente nos trechos abaixo reproduzidos. Muito embora a obra não aborde, especificamente, a situação jurídica examinada nestes autos, cuida de casos análogos. Confirase: "Em face dos critérios estabelecidos no artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, importa que se tenha clareza acerca de quando se considera efetuada a intimação em cada um dos casos previstos. São várias as situações que podem ocorrer concretamente: intimação pessoal, intimação postal com data de recebimento, Fl. 281DF CARF MF 6 intimação postal sem data de recebimento, intimação por alguma das três vias eletrônicas e intimação por edital. O cuidado que se deve ter tem a ver com as distintas finalidades dos artigos 5.º (que trata da contagem de prazos para a realização de atos processuais) e 23 (que trata da definição do momento em que se considera intimado o contribuinte). Analisase a seguir cada situação: (a) Intimação pessoal: intimação considerase efetuada na data da ciência, desde que feita em dia útil; (b) Intimação postal com data de recebimento: intimação considerase efetuada na data do recebimento, desde que feita em dia útil; (c) Intimação postal sem data de recebimento: intimação considerase efetuada 15 dias após a data da expedição; (d) Intimação por via eletrônica: (d.1) intimação considerase efetuada 15 dias após a data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (d.2) intimação considerase efetuada na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto em (d.1); (d.3) intimação considerase efetuada na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (e) Intimação por edital: intimação considerase efetuada 15 dias após a afixação ou publicação. É importante ter em conta que a contagem dos 15 dias para determinação da data da ciência prevista nos itens (c), (d.1) e (e) acima deve ser iniciada no dia seguinte à data da expedição, registro ou publicação, independentemente de que o dia da semana seja útil ou não ou de que de trate de dia de expediente normal ou não. Neste sentido, é importante não confundir o critério de contagem do prazo de 15 dias previsto para o aperfeiçoamento da intimação, com o critério de contagem do prazo para a prática dos atos processuais (como é o caso do prazo para contestação dos atos administrativos) que será abordado no item 10.2, a seguir. Assim, por exemplo, se a intimação foi expedida no dia 05 de fevereiro, sextafeira, contase inclusive o dia 06, sábado, recaindo o décimo quinto dia em um sábado, dia 20. O prazo para recurso, porém, não começará a contar já a partir do dia 21 (domingo), mas apenas a partir do dia 23 (terçafeira), pois como se verá no já mencionado item 10.2, a jurisprudência administrativa já firmou entendimento de que quando a intimação é feita em dia não útil ou em dia em que não há expediente normal na repartição, considerase efetivada a intimação no primeiro dia útil seguinte, o qual, no caso aqui posto é o dia 22 (segundafeira)." (grifei) Destarte, no presente caso, uma vez que o processo foi encaminhado à PGFN em 18/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 239), o prazo de trinta dias para a Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11516.005320/200917 Acórdão n.º 9202007.176 CSRFT2 Fl. 280 7 ciência presumida da Fazenda Nacional contase de 19/07 a 17/08/2014, independentemente de essas datas serem dias não úteis, ou de expediente não normal. Portanto, considerase que a Fazenda Nacional foi intimada no dia 17/08/2014 (domingo). Definido o momento da intimação (17/08/2014, um domingo), passase a aplicar as regras de contagem de prazo previstas no caput e parágrafo único, do art. 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que fixam o início do prazo somente em dia de expediente normal, bem como determinam a exclusão do dia de início e a inclusão do dia final. Assim, no caso dos autos, o dia de início é 18/08/2014 (segundafeira), o qual deve ser excluído, de forma que a contagem do prazo recursal de quinze dias começou a contar em 19/08/2014 e expirou em 02/09/2014 (terçafeira). Entretanto, o Recurso Especial somente foi interposto em 03/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 247), quando já esgotado o prazo legal de quinze dias, estabelecido no art. 68, caput, do Anexo II, do RICARF, acima transcrito. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por intempestividade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.005143/2004-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
A multa de ofício deve ser excluída com base no ADN COSIT 10/1997 para os fatos geradores ocorridos até o advento da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, para os casos em que a mercadoria foi corretamente descrita nas declarações de importação; posteriormente, há que se mantê-la.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003
IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O simples erro de enquadramento tarifário da mercadoria, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui, por si só, infração ao controle administrativo das importações, por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente.
Numero da decisão: 9303-007.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator) e Demes Brito, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. A multa de ofício deve ser excluída com base no ADN COSIT 10/1997 para os fatos geradores ocorridos até o advento da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, para os casos em que a mercadoria foi corretamente descrita nas declarações de importação; posteriormente, há que se mantê-la. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003 IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O simples erro de enquadramento tarifário da mercadoria, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui, por si só, infração ao controle administrativo das importações, por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente.
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Recorrentes BULL COMERCIAL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. A multa de ofício deve ser excluída com base no ADN COSIT 10/1997 para os fatos geradores ocorridos até o advento da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, para os casos em que a mercadoria foi corretamente descrita nas declarações de importação; posteriormente, há que se mantêla. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003 IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O simples erro de enquadramento tarifário da mercadoria, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui, por si só, infração ao controle administrativo das importações, por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 51 43 /2 00 4- 60 Fl. 6270DF CARF MF 2 Demes Brito, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo de auto de infração (fls. 004 a 667) lavrado sobre divergência na classificação de roteadores, hubs, firewalls, servidores de acesso remoto e suas partes e peças, importados no período de 1999 a 2003, para cobrança das diferenças de II, IPI, seus juros de mora e as multas previstas nos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, artigo 526, II do Decreto nº 91.030/85, artigo 633, II do Decreto nº 4.543/2002 e artigo 84 da MP nº 2.158/2001. No caso, o sujeito passivo importou as mercadorias utilizando as classificações 8517.30.62, 8471.8014 e 8517.9010. O Fisco, por sua vez, em Revisão Aduaneira, entendeu que a classificação correta seria 8517.30.69, 8471.80.19, 8147.90.99 e 8473.3049. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 1154 a 1198, em 30/08/2004, pleiteando a improcedência integral do auto de infração. Após o cumprimento de algumas diligências, a questão foi submetida à apreciação da 2ª Turma da DRJ/SP2 que, nos termos do Acórdão nº 1740.050, prolatado em 15/04/2010, às efls. 2836 a 2865, considerou, por unanimidade, procedente em parte a impugnação. Intimada do acórdão da DRJ em 16/08/2010 (efls. 2871), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 13/09/2010, às efls. 2873 a 2902. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do AI, por falta de perícia física dos equipamentos, e, consequentemente, o seu cancelamento integral; b) reconhecimento da nulidade da revisão fiscal que deu origem ao AI, por impossibilidade de alteração da classificação utilizada no desembaraço aduaneiro e, consequentemente, seu arquivamento; e Fl. 6271DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.271 3 c) no mérito, defende a classificação por ela utilizada, pleiteando exclusão da exigência fiscal para todo o período, inclusive as multas elencadas no AI; alternativamente, a redução da multa moratória de 75% para 20%. Ao final, requer o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o AI. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 17 de março de 2016, resultando no acórdão nº 3402 002.986, às efls. 5957 a 6000, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 26/01/1999 a 03/09/2003 REVISÃO ADUANEIRA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A revisão aduaneira deve ser efetuada com base no art. 149, I, do CTN combinado com o art. 54 do DL nº 37/66, ainda que se considere que o erro de classificação fiscal constitua erro de direito. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A falta de questionamento da classificação fiscal durante a conferência aduaneira não caracteriza anuência da Administração Tributária com os códigos de classificação adotados pelo contribuinte, não servindo de critério para invocar mudança de critério jurídico em relação a posteriores decisões em processos de consulta respondidos pela COANA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "HUBS" e "SWITCHES". Os "hubs" devem ser classificados no código 8471.8014 por aplicação da RGI 1, uma vez que estão nominalmente citados no texto do referido código. Já os "switches" devem ser classificados no código 8471.8019 por força da mesma RGI 1, uma vez que se tratam de distribuidores de conexão com características diferentes dos "hubs". CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "ROTEADORES" Roteadores com velocidade na porta serial igual ou superiores a 4 Mbits/s, devem ser classificados no código 8517.3061 por aplicação da RGI1, uma vez que estão nominalmente citados no texto desse código. Já os roteadores que não atinjam essa velocidade na porta serial, devem ser classificados no código 8517.30.69, por aplicação da RGI1, ainda que possam atingir velocidades superiores utilizando outras interfaces. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "FIREWALLS". ACÓRDÃO GERADO NO PGDCARF PROCESSO 10314.005143/200460 2 Os "firewalls" classificamse no código 8471.80.19 por aplicação da RGI1 combinada com a Nota 5b do Capítulo 84. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PARTES E PEÇAS DE ROTEADORES E DE SERVIDORES DE ACESSO REMOTO. As partes e peças de roteadores classificamse no código 8517.90.99 por força da RGI1. Já as partes e peças de Fl. 6272DF CARF MF 4 servidores de acesso remoto classificamse no código 8473.30.49, também por força da RGI1. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERÍCIA. IDENTIFICAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS. Exonerase o crédito tributário indevidamente lançado em relação aos equipamentos precisamente identificados pela perícia e corretamente classificados pelo contribuinte, e também o crédito tributário em relação aos equipamentos em relação aos quais perícia foi inconclusiva, em face do ônus da prova na revisão aduaneira ser da Administração Tributária. DECADÊNCIA. Existindo pagamento parcial do crédito tributário antes de qualquer procedimento da autoridade administrativa visando a cobrança dos tributos, o prazo de decadência do direito do fisco deve ser contado pela regra do art. 150, § 4º do CTN. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Devem ser excluídos do auto de infração os valores da multa em relação às mercadorias corretamente descritas nas declarações de importação, com base no ADN COSIT nº 12/1997. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. É cabível a inflição da multa por erro de classificação, quando tal irregularidade seja constatada em regular procedimento de revisão aduaneira. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. A multa de ofício deve ser excluída com base no ADN COSIT 10/1997 para os fatos geradores ocorridos até o advento do ADI SRF 13/2002, para os casos em que a mercadoria foi corretamente descrita nas declarações de importação. Recurso voluntário provido em parte. Recurso de ofício negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da autuação os valores lançados em relação aos roteadores Cisco da Família 1700, descritos no item 001 da adição 001 da DI 01/05482549. Vencidas na preliminar as Conselheiras Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencida quanto ao mérito a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou com a divergência ampliando a extensão do provimento para excluir também a multa de ofício. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o advogado Kleber Gomes, OAB/DF 29.456. Recurso especial da Procuradoria Intimada do acórdão nº 3402002.986 em 23/03/2016 (efl. 6001), a PGFN apresentou recurso especial em 08/04/2016, às efls. 6002 a 6017. A Procuradoria levanta Fl. 6273DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.272 5 divergência quanto ao debate sobre a aplicação da multa de ofício, apresentando como paradigmas os acórdãos 10808445 e 310200.520. Explica que o acórdão recorrido entendeu pelo seu cancelamento para os fatos geradores até o advento do ADI SRF 13/2002, por entender aplicável ao caso o ADN COSIT nº 10/97. Relata que os paradigmas indicados, a partir de 27/08/2001, consideraram válida a cobrança da multa de ofício nas autuações vinculadas a declarações de importação, seja no caso de descrição inexata, seja na hipótese de classificação incorreta. O então Presidente da 3ª Seção do CARF apreciou o recurso especial de divergência em 08/04/2016, no despacho de efls. 6019 a 6024, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento (somente em relação ao segundo paradigma indicado). Embargos de declaração da contribuinte Intimada do acórdão nº 3402002.986 em 20/04/2016 (efl. 6065), a contribuinte apresentou embargos de declaração em 26/04/2016 (efls. 6060 a 6063), embasado em alegadas contradições e omissão no voto vencedor. Solicita o esclarecimento das questões arguidas. Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF nos termos do despacho às efls. 6068 a 6071, datado de 13/06/2016, nos termos dos arts. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, que entendeu por rejeitálo, definitivamente, em face da manifesta improcedência dos vícios apontados. A contribuinte tomou ciência do despacho de admissibilidade de embargos em 07/07/2016 (efl. 6098) e, na mesma data, apresentou contrarrazões (efls. 6158 a 6163) e recurso especial de divergência (efls. 6100 a 6116). Contrarrazões da contribuinte Em suas contrarrazões, a contribuinte argumenta o que segue: (i) não há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, motivo pelo qual deve ser negado o seguimento do recurso especial interposto; (ii) quanto ao mérito, pondera que não houve revogação do ato Cosit pela MP nº 2.15835/2001, que em nada alterou o que foi disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96; e (iii) apresenta jurisprudência com o entendimento de que o erro de classificação não autoriza a aplicação das multas aduaneiras. Pelas razões apresentadas, a contribuinte pugna pela reconsideração do despacho de admissibilidade do recurso especial apresentado pela União e, alternativamente, a total improcedência do pedido. Fl. 6274DF CARF MF 6 Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte levanta divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido nas seguintes matérias: a) erro de direito mudança de critério do Fisco em relação a classificação de mercadorias; b) necessidade de laudo técnico para embasar a revisão aduaneira; c) prática reiterada da fiscalização o fato de o contribuinte não ter sofrido questionamentos anteriores em relação a classificação adotada teria lhe gerado a certeza da correção de seu procedimento; d) multa de ofício; e e) multa por falta de licença de importação paradigma 30335.551. Especificamente quanto ao item "e" acima, com base no acórdão paradigma 30335.551, argumenta que, enquanto o acórdão recorrido entendeu aplicável a multa, o paradigma somente a admitiria no caso de ausência de licença de importação. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 30/01/2017, no despacho de e fls. 6166 a 6172, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento parcial relativamente à divergência relacionada à matéria (e) multa por falta de licença de importação. Agravo da contribuinte Intimada do despacho de admissibilidade de efls. 6166 a 6172 em 21/02/2017 (efl. 6177), a contribuinte apresentou agravo em 24/02/2017 (efls. 6180 a 6183). Entende que não procedem as razões externadas no referido despacho para deixar de admitir as demais matérias apresentadas em seu recurso especial (não ter sido discutido o dispositivo legal afrontado). Argumenta que o cotejo analítico entre os acórdãos recorrido e paradigmas foi feito de forma adequada. Solicita o provimento do agravo para que seu recurso especial seja integralmente conhecido e admitido. O então Presidente da CSRF apreciou o agravo em 31/05/2017 no despacho de efls. 6185 a 6188, com base no art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, rejeitandoo e confirmando o seguimento parcial do recurso especial da contribuinte. Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 6166 a 6172, em 01/08/2017 (efl. 6230), e apresentou contrarrazões em 03/08/2017, às efls. 6231 a 6243. Fl. 6275DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.273 7 Inicialmente, defende o não conhecimento do recurso especial, uma vez que as decisões confrontadas apresentam contextos fáticos distintos. Sustenta que o acórdão recorrido entendeu expressamente que a mercadoria não foi corretamente descrita pela contribuinte e que o paradigma, de modo diverso, concluiu pela suficiência e correção dessa descrição nos casos concretos que analisou. Frisa que, no paradigma, verificouse tão somente equívoco na classificação fiscal adotada. Considera que o recorrente pretende o reexame do conjunto fático e probatório dos autos e não a uniformização de teses jurídicas. Quanto ao mérito, considera que a descrição das mercadorias importadas foi feita de forma incorreta, motivo pelo qual é devida a multa administrativa por falta de Licença de Importação. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional requer seja negado seguimento ao recurso especial oposto pela contribuinte. Alternativamente, caso se decida pelo conhecimento do recurso, pugna pela negativa do seu provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Recurso especial de divergência da Fazenda O recurso é tempestivo. A divergência foi recebida apenas com base no acórdão paradigma nº 3102 00520, tratando da multa de ofício. Naquele acórdão, foi desposado o entendimento de que o ADN Cosit nº 10 de 16/01/1997 deveria ser aplicado, com exclusão da multa de ofício, apenas até 26/08/2001, data anterior à entrada em vigência do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001, publicada em 27/08/2001. O voto que fulcra o acórdão paradigma, por sua vez, asseverava que o referido artigo prevê multa específica para os casos de classificação tarifária incorreta, mesmo que a mercadoria esteja perfeitamente descrita na declaração do contribuinte e, quando esses erros acarretarem a falta ou a insuficiência de pagamento dos tributos devidos, além da multa específica, cabe a aplicação da multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 sobre o valor dos tributos exigidos. Em contrarrazões a contribuinte ataca o conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, afirmando que o paradigma indicado vem na mesma linha do recorrido, ao admitir exclusão da multa de 75% anteriormente a 27/08/2001; não haveria divergência. Na verdade, evidentemente existe divergência, pelo menos quanto ao período compreendido entre 27/08/2001 e 10/09/2002. Ocorre que, em face da publicação, em 11/09/2002, do Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal nº 13, esse serviu de marco adotado como limite para exclusão da multa, tanto pelo acórdão da DRJ/SP2 (efl. 2864), quanto pelo recorrido (efl. 6000), e não a MP citada pelo paradigma. Assim, não Fl. 6276DF CARF MF 8 assiste razão à contribuinte quanto a não se conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda. Ultrapassada a barreira do conhecimento do recurso, há que se enfrentar o mérito da questão, bem como a afirmativa da Procuradora, à efl. 6012, de que : Nesse contexto, é cristalina a demonstração de divergência acerca do disposto no art. 44, incisos I, da Lei nº 9.430/96; no art. 97 (em especial inciso VI), do CTN; no ADN COSIT 10/1997; no art. 84, § 2º da MP 2.15835/2001. Ocorre que ao fundamentar a pretendida reforma do acórdão a quo nessa matéria, no mérito, a Procuradora vai além da discussão delimitada pela divergência em litígio e invoca o princípio da reserva legal, expresso no inciso VI do art. 97 do CTN, que, em tese, poderia afastar completamente a aplicação do referido ADN Cosit nº 10, em face de entender que a Lei nº 9.430/1996 não poderia ser coarctada por ato normativo. Ainda que me incline pela tese arguida, o fato é que o paradigma apresentado apenas afasta a aplicação do ADN com base na vigência da MP, o que delimita o litígio à discussão da matéria no período entre 27/08/2001 e 10/09/2002. O ADN Cosit nº 10/1997 tinha a seguinte redação: O coordenadorgeral do sistema de tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item ii da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso i, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da declaração de importação, relativamente ao imposto de importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao imposto sobre produtos industrializados vinculado à importação. 3. Ficam revogados os Atos Declaratórios (normativos) Cosit nºs. 38, de 24 de junho de 1994, e 36, de 5 de outubro de 1995. Fl. 6277DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.274 9 Por sua vez, a tese do paradigma de que desde de 27/08/2001 já não mais se poderia afastar a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996 é forte no § 2º do referido art. 84 da MP nº 2.15835/2001, que dispõe: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (Negritei.) Assim, como afirmado no acórdão paradigma ao tratar da abordagem dos casos de classificação incorreta em face do artigo acima transcrito: (...) Nos termos do referido dispositivo, quando esses erros acarretarem a falta ou a insuficiência de pagamento dos tributos devidos, além da multa específica, cabe a aplicação da multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 sobre o valor dos tributos exigidos. Conseqüentemente, em relação ao ato administrativo citado, após a edição da MP n° 2.15835/01, subsistiu apenas a orientação de que não constitui infração punível com a multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque "Ex", não mais havendo previsão para a nãoaplicabilidade da multa de oficio no caso de classificação tarifária incorreta, quando o produto esteja adequadamente descrito. Por evidente, a partir vigência superveniente dessa legislação tributária tacitamente se afastaria a aplicação do ADN Cosit nº 10/1997. Dessarte, voto pelo provimento parcial do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, restabelecendo a aplicação da multa de ofício para o período entre 27/08/2001 e 10/09/2002. Recurso especial de divergência da contribuinte Fl. 6278DF CARF MF 10 O recurso é tempestivo. O acórdão recorrido manteve a multa aplicada relativamente à falta de licença de importação por considerar que a mercadoria descrita no despacho aduaneiro não correspondia à mercadoria que de fato estava sendo importada, logo, ao desamparo de licença de importação. A contribuinte esgrime acórdão paradigma para o qual a interpretação de que a multa prevista no inciso II do art. 526 do Decreto nº 91.030/1985 só seria aplicável em face da total ausência desse documento e não da errônea descrição da mercadoria. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que os contextos fáticos do paradigma e do recorrido seriam distintos, pois neste haveria incorreção na descrição da mercadoria enquanto naquele isso não ocorreria. Matéria fática e probatória distinta quanto à suficiência ou correção da descrição. Data vênia, não é esse o caso. Basta a leitura do terceiro parágrafo do voto do acórdão modelo, à efl. 6131, no qual se observa: Outrossim, é o entendimento deste Conselheiro que a multa administrativa prevista no artigo 526, II, do RA e aplicada no presente caso pelo Fisco, não se sobrepõe nos casos de declarações inexatas, mas nos episódios de ausência das respectivas declarações ou de documentação equivalente. (Grifei.) Fica evidente que a divergência é sobre a aplicação da norma, o paradigma só entende aplicável a multa em casos de ausência de guia ou licença; havendo descrição ainda que errônea de mercadoria, seria inaplicável a multa. O recorrido, por sua vez, interpreta que a descrição de mercadoria distinta da que efetivamente foi internalizada implica a incidência da penalidade. Logo, a divergência foi corretamente conhecida. No mérito, comungo com a posição do relator do acórdão recorrido. A licença é necessária para controle de órgãos governamentais, em face da natureza ou tipo de operação, seja o licenciamento automático ou não. Quando a importação está sujeita à licenciamento, não teria sentido que os contribuintes efetuassem a importação acobertados por guias que descrevessem mercadorias distintas das que vão importar; o controle pelos órgãos competentes não teriam sido realizados da forma estipulada. Assim, a mercadoria que tenha descrição diversa da licença não pode ser considerada por ela coberta e sujeitarseia à penalidade aplicada pela fiscalização. Além disso, como já pontificou o relator do voto vencedor no acórdão a quo, à efl. 5999, nas situações do auto de infração que se subsumiam ao ADN Cosit nº 12/1997, a decisão de primeira instância já havia excluído a multa por falta da licença. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe parcial provimento; e b) conhecer do recurso especial da contribuinte para negarlhe provimento. Fl. 6279DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.275 11 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Voto Vencedor Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado. Minha divergência com o ínclito relator resumese à matéria versada no recurso especial de divergência do contribuinte, qual seja, a aplicação da multa por falta de licença de importação. Inicialmente adotava a mesma posição, a qual mudei ao aprofundar o estudo da matéria, mormente ao ler o voto do Dr. Henrique Pinheiro Torres no acórdão 930301.567, de 06/07/2001. Demais disso, a jurisprudência sobre a questão, com máxime respeito à posição do Conselheiro relator, está majoritariamente consolidada no sentido de que em se tratando de hipótese de licenciamento automático quando houver erro na classificação fiscal, tal fato não se constitui, ipso facto, infração ao controle administrativo das importações. Nesse sentido foi decidido, v.g., nos arestos nºs. 9303001.706, de 05/10/2011, 9303002.780, de 22/01/2014, 9303004.640, de 15/02/2017, e, mais recentemente, no acórdão 9303006.507, de 14/03/2018. Uma vez que comungue da mesma opinião expressa pelo i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres nos autos do processo administrativo n.º 11128.007425/9989, acórdão nº 930301.567, de 06/07/2011, adoto in totum seus fundamentos como razão de decidir no presente feito, os quais a seguir transcrevo. Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Fl. 6280DF CARF MF 12 Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do 12 Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estado parte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Fl. 6281DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.276 13 Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar Fl. 6282DF CARF MF 14 uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento. Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Fl. 6283DF CARF MF Processo nº 10314.005143/200460 Acórdão n.º 9303007.348 CSRFT3 Fl. 6.277 15 Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova classificação estaria sujeita a algum tratamento administrativo diverso do empregado, limitandose a apontar como motivadora da autuação a prestação de declaração inexata. A fim de demonstrar, transcrevo trecho da descrição dos fatos que trata da infração: (...) CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do contribuinte e voto por darlhe provimento para cancelar a multa por falta de LI. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 6284DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.007631/2009-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade.
3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência.
4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. Os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.
5- O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2006 despesas de juros nos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demétrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência. 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. Os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 76 31 /2 00 9- 70 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 3 2 sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. 5 O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2006 despesas de juros nos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demétrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido em relação à dedutibilidade de juros sobre capital próprio (JCP). A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1801001.128, de 08/08/2012, por meio do qual a 1a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer a possibilidade de dedução de despesa com pagamento de juros sobre capital próprio referentes a períodos anteriores. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 4 3 O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. DESPESAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE DE ANOS PASSADOS. POSSIBILIDADE. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: DO DIREITO. 1) Acórdão desafiado. o v. voto condutor do r. acórdão desafiado argumenta, verbis: ‘(...) Mérito: Da alegação de legalidade na dedução do pagamento de Juros sobre Capital Próprio a sócios e acionistas oriundos de exercícios anteriores. (...) Conforme acima, a decisão recorrida está fundamentada no princípio da competência, segundo o qual as despesas vinculamse ao período em que ocorrem. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 5 4 Com efeito, este fundamento não contraria a tese de possibilidade de remessa acumulada de JCP, considerandose que o momento no qual a despesa se reputa devida é o momento da deliberação dos sócios ou acionistas. (...) Dessa forma, o pagamento de juros sobre capital próprio referentes a contas do patrimônio liquido de anos passados consiste em despesa dedutível no ano de seu efetivo pagamento, observadas as formalidades legais. (...)’ insta registrar que o r. acórdão desafiado foi provido por maioria, restando vencida a d. Conselheira Relatora, que consignou em seu v. voto a respeito da correlação entre a despesa com JCP e o regime de competência, verbis: ‘(...) Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. (...)’ 2) Acórdão paradigma. o entendimento desposado pelo v. voto vencido tem respaldo na jurisprudência majoritária desta Egrégia Corte, v.g. : ‘Acórdão nº 1950.023 EMENTA: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os juros sobre o capital próprio devem ser apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos de lucros acumulados ou do exercício, na data do crédito ou pagamento.’ diz o v. voto condutor do r. aresto paradigma, verbis: ‘(...) Com efeito, a apropriação pelo regime de competência de receitas e despesas é a viga mestra da apuração do lucro real e CSLL instituída pelo DecretoLei n° 1.598/77, que introduziu radical modificação nos conceitos e forma de apuração do lucro líquido contábil, estribado nas concepções da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas). A regra, portanto, é a rigorosa observância do regime de competência, utilizandose a escrituração fiscal (LALUR) para se efetuar as adições e exclusões que segundo a legislação fiscal pertençam a período distinto ao utilizado para o lançamento contábil, nos termos do art. 6° do DecretoLei n° 1.598/77. Tratandose de verdadeiro beneficio fiscal a sua contabilização e utilização na seara fiscal deverá observar os preceitos da legislação comercial que tem como pressuposto a observância do regime de competência para apuração dos resultados da pessoa jurídica. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 6 5 A observância do regime de competência não pode ser dissociada, outrossim, do próprio texto legal que introduziu a possibilidade da utilização dos juros sobre o capital próprio por parte das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. Como forma de preservar a capitalização das empresas e impedir a manipulação abusiva dos resultados para fins de apuração do IRPJ e CSLL, o legislador ordinário introduziu travas para o aproveitamento do beneficio fiscal. Assim a empresa somente pode creditar ou pagar valores a título de juros sobre o capital próprio, se na data do crédito ou pagamento (o que vier primeiro) forem observados os limites do § I° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, ou seja condicionado a existência de lucros, antes da dedução dos juros ou lucros acumulados e reservas de lucros em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem creditados ou pagos. Evidentemente que estes limites devem ser observados dentro do período de apuração (anual ou trimestral) e na data em que está sendo feito o pagamento ou crédito, sendo destituído de propósito pretender se inferir que tais limites possam considerar resultados ou reservas de lucros de outros períodos de forma acumulada. (...)’ 3) Divergência. confrontando os r. arestos se verifica que a divergência reside no momento para reconhecimento da despesa com JCP; no ver do r. acórdão desafiado, ‘(...) o momento no qual a despesa se reputa devida é o momento da deliberação dos sócios ou acionistas. (...)’. de outra banda, o r. acórdão paradigma pontifica que ‘(...) a empresa somente pode creditar ou pagar valores a título de juros sobre o capital próprio, se na data do crédito ou pagamento (o que vier primeiro) forem observados os limites do § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, (...) evidentemente que estes limites devem ser observados dentro do período de apuração (anual ou trimestral) e na data em que está sendo feito o pagamento ou crédito, sendo destituído de propósito pretender se inferir que tais limites possam considerar resultados ou reservas de lucros de outros períodos de forma acumulada. (...)’. portanto, ao tempo em que o r. acórdão desafiado entende ser possível o acúmulo de JCP e o reconhecimento da despesa respectiva ao nuto dos sócios, o r. aresto paradigma pontifica, com mais razão, que a despesa de JCP deve ser atrelada ao exercício onde os referidos juros foram auferidos; PEDIDO posto isso, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e provimento deste recurso especial para reformar o r. acórdão, de modo a considerar válida a glosa de despesas com JCP. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 7 6 Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 13/07/2015, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: Tratase de examinar a admissibilidade de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1801 001.128, de 08 de agosto de 2012, proferido pela 1ª Turma Especial (fls. 207 e segs.), mediante o qual foi dado provimento ao recurso voluntário. Vale a transcrição da ementa do acórdão recorrido: [...] Para melhor aclarar o que fora decidido no acórdão recorrido, vale a transcrição do seguinte trecho do seu voto condutor: [...] O despacho de encaminhamento a fls. 220 informa que a data de remessa dos autos para ciência do acórdão recorrido pela Fazenda Nacional se deu em 13/06/2013 logo, houve a intimação pessoal presumida da recorrente em 15/07/2013 (já que 13/07 foi sábado), nos termos do art. 7º, §§ 1º e 3º, da Portaria MF nº 527/2010, razão pela qual o recurso especial interposto em 10/07/2013 (vide despacho de encaminhamento a fls. 234) é tempestivo (art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RICARF). Em sua peça recursal, a recorrente alega que o acórdão desafiado sustenta que o momento no qual a despesa com juros sobre capital próprio se reputa devida é o momento da deliberação dos sócios ou acionistas e que, de outra banda, o r. acórdão paradigma pontifica que ‘(...) a empresa somente pode creditar ou pagar valores a título de juros sobre o capital próprio, se na data do crédito ou pagamento (o que vier primeiro) forem observados os limites do § I° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, (...) evidentemente que estes limites devem ser observados dentro do período de apuração'. Vale a transcrição da ementa do aresto paradigma apresentado (Acórdão nº 1950.023): [...] As similitudes fática e jurídica entre os julgados são incontestáveis e podem ser verificadas do simples cotejo dos trechos acima transcritos, bem como resta demonstrada a divergência jurisprudencial que consiste em saber se podem ser cumulados os valores com juros sobre capital próprio relativos a vários anos e o montante tornase despesa dedutível no ano em que efetuado o pagamento. Uma vez demonstrada a divergência jurisprudencial que desafia recurso especial, opino pela sua ADMISSIBILIDADE. Em 24/08/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1801001.128, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 8 7 É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso especial, porque ele preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL apurados em relação ao primeiro, segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2006 (Lucro Real Trimestral). As exigências decorreram da glosa de despesa com pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) referentes a períodos anteriores (2001 a 2005). De acordo com a Fiscalização, houve falta de adição ao lucro real do valor referente ao excesso de juros creditados a título de remuneração de juros de capital próprio de anoscalendário anteriores, deduzidos indevidamente do lucro líquido como despesa, de acordo com as informações contidas no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 7073, no Livro Razão, fls. 6769 e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 2738. A glosa desse excesso de despesa resultou no lançamento de IRPJ e CSLL. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Já a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) cancelou a glosa da despesa (e, consequentemente, o lançamento), entendendo que o pagamento de juros sobre capital próprio referentes a contas do patrimônio liquido de anos passados consiste em despesa dedutível no ano de seu efetivo pagamento. Nesta fase de recurso especial, a PGFN pretende restabelecer as exigências fiscais. O dispositivo legal que dá ensejo à divergência jurisprudencial é o art. 9º, caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Transcrevoo integralmente: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 10 9 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; ... § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Entendo que assiste razão à PGFN, pelos motivos que passo a expor. DA NATUREZA JURÍDICA DOS JCPS Primeiramente, é importante apontar algumas características dos JCPs. Cito duas características essenciais da natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio: a) a primeira é que visam à REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS; e b) a segunda é que são JUROS (como o próprio nome os qualificam). Constatase, com isso, que as quantias que os sócios recebem a título de remuneração do capital próprio não podem se confundir com o patrimônio da entidade. Assim, para estar de acordo com a real natureza jurídica, os JCPs somente podem ser entendidos como elementos que não venham a se integrar ao patrimônio da sociedade (consistindo numa rubrica redutora do mesmo), ou seja, não podem estar em contas redutoras dos lucros acumulados, das reservas de lucros ou de outras contas do patrimônio líquido. Portanto, na apuração do lucro líquido do exercício, os valores destinados aos sócios como remuneração do capital devem compor o lucro contábil da entidade; o que Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 11 10 implica, necessariamente, em reconhecêlos como integrantes do resultado do exercício da sociedade, ou, seja, assumindo a natureza de DESPESA, não se admitindo que sejam incorridos apenas no momento em que sejam decididas as destinações dos lucros. Entender diferentemente seria negar validade ao princípio da entidade, que veda confundir o patrimônio dos sócios com o patrimônio da sociedade, bem como prever o enriquecimento dos sócios em detrimento da empresa. Confirase o que diz a Resolução nº 750, de 29/12/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), sobre o princípio da entidade: CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. CAPÍTULO II DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO ... SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Deste Princípio Fundamental da Contabilidade (PFC) societária saltam conceitos como de autonomia patrimonial, de diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, além da evidente e contundente conseqüência: "o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição". Assim, para que esse PFC seja observado, é de rigor que o incorrimento dos JCPs não se dê na integração do patrimônio da sociedade; devendo, os Juros sobre Capital Próprio, inevitavelmente, transitar pelo resultado da sociedade como despesa. O CFC, considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos PFCs, emitiu a Resolução nº 774, de 16/12/94, dando interpretação à Resolução CFC nº 750/93, por meio de um apêndice. Sobre o princípio da entidade foi melhor detalhada a questão da autonomia patrimonial: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 12 11 2.1.1 – A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundir se com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosa, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O Patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois, de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente por que sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 13 12 Da interpretação autêntica do princípio da entidade, percebese que o cerne deste está na autonomia patrimonial, que está indissociavelmente ligado à garantia jurídica da propriedade, como "única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo patrimônio, válida perante terceiros". Daí se conclui que terceiros (a exemplo dos sócios) não podem dispor livremente (fora das formas jurídicas concebidas para a correta disposição) do patrimônio da sociedade, que detém autonomia patrimonial e garantia jurídica de sua propriedade. Portanto, para que haja o respeito à autonomia patrimonial da sociedade e de forma a respeitar o seu direito de propriedade, os JCPs devem passar pelo resultado da sociedade no momento do reconhecimento da despesa do exercício, e não serem incorridos a partir do seu patrimônio já formado. Desse raciocínio, verifico mais uma característica essencial da natureza jurídica do JCPs: transitam pelo resultado por serem despesas, sendo deduzidas para formação1 do lucro líquido do exercício. Ademais, essa característica está de acordo com o fato dos Juros sobre Capital Próprio serem Juros, pois os outros tipo de juros sempre são despesas para quem os deve. Esta característica já foi sabiamente identificada no Acórdão do Processo nº 13888.721267/201290, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Assim, embora os juros sobre o capital próprio apresentem alguma semelhança com o tratamento societário conferido aos dividendos, consoante alegado pela contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital próprio representam o custo do capital investido pelos sócios e, portanto, despesa da pessoa jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa, conceitualmente os juros sobre o capital próprio antecedem a apuração do lucro contábil. O crédito ou pagamento futuro de juros sobre o capital próprio, portanto, exige o seu prévio provisionamento, de modo a reduzir o lucro do período. Se desta forma não se procede, o resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a ser destinado nos termos do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ainda que os limites legais de dedutibilidade tenham em conta as reservas de lucros e lucros acumulados, a fixação de tais limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa. Vejase que a referida provisão, com vistas a reduzir o lucro do período ao qual competiriam os juros, não resulta em despesa dedutível na medida em que a legislação exige deliberação e individualização do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio. Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim. Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do lucro líquido do exercício, na forma do art. 1 Todos os interessados na escrituração da sociedade, sejam os clientes, os fornecedores, os sócios/acionistas, a própria sociedade, tem direito a evidenciação desse fato. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 14 13 192 da Lei nº 6.404/76. Ultrapassado este momento, sem o prévio provisionamento dos juros, a deliberação de seu pagamento futuro, associada ao crédito ou pagamento individualizado, não é suficiente para constituir, neste segundo momento, despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, como defende a recorrente. Ainda que não seja causa do fato dos JCPs serem despesas, mas conseqüência disso, o que concorda com a realidade dos outros tipos de juros, constatase que, para aqueles que recebem JCPs, estes são considerados receitas e assim tributados. Tudo isso apenas confirma o acerto na consideração dos JCP como despesas, despesas financeiras, despesas com pagamento de juros. Um corolário imediato da característica essencial dos Juros sobre Capital Próprio SEREM JUROS é que: para haverem juros, há de haver empréstimo ou financiamento de algo. E esse algo, no caso dos JCP, é o capital dos sócios, ou seja, há de haver "empréstimo" do capital dos sócios. Digo isso porque é comum as abordagens sobre esse tema fazerem analogia entre os Juros sobre Capital Próprio (pago aos sócios) e os juros pagos a terceiros por empréstimos contraídos pela empresa. Essa analogia faz sentido na medida em que: a integralização do capital da pessoa jurídica se dá pela transferência de capital dos sócios para a empresa; a empresa realiza suas atividades com esse capital dos sócios que foi para ela transferido/disponibilizado; o patrimônio líquido da pessoa jurídica representa "dívida" desta para com os sócios (por isso, aliás, o PL figura na coluna do passivo). Mas a "dívida" que motiva o pagamento de JCP também guarda diferenças com as dívidas que fundamentam o pagamento de juros por empréstimos contraídos com terceiros, especialmente no que diz respeito aos índices de remuneração do capital "emprestado" e às condições para a sua dedutibilidade, que são fixadas em lei e não em um contrato de empréstimo tomado, por exemplo, junto a uma instituição financeira. De acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/1995, o índice de remuneração do capital admitido para fins de apuração do lucro real é a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP definida especificamente para o período em que o capital dos sócios ficou à disposição da empresa. Vale registrar que a TJLP é definida por períodos trimestrais, e que o dispositivo legal acima referido estabelece que essa taxa deve ser aplicada "pro rata die", ou seja, proporcionalmente aos dias em que o capital dos sócios ficou em poder da empresa. A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, que é a matéria examinada adiante. DO TRATAMENTO SOCIETÁRIO DAS DESPESAS (DE JCP). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 15 14 Pois bem, uma vez sedimentado que os JCP transitam pelo resultado como despesas, há que perquirir qual o tratamento específico dado pela legislação a essas despesas. Consultandose a legislação societária, constatase que, de fato, não há nenhum tipo de tratamento específico às despesas de JCPs. Em assim sendo, frente a esse vazio normativo da legislação comercial, concluo que as despesas de JCP entram nas regras gerais de tratamento de despesas. Como bem sabido, despesa é um item do resultado do exercício. Apurado o resultado do exercício a partir das receitas e das despesas, encerramse as receitas e as despesas, as contas contábeis onde são registradas são zeradas ao final do exercício. Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais tem influencia de um ano para outro, as contas de resultado de um exercício não podem influenciar anos subseqüentes, é um pilar essencial que as contas de resultado iniciamse e extinguemse dentro de um mesmo exercício. É o que se deduz do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações (S.A.): Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 16 15 Uma despesa, para ser deduzida do resultado societário de outro exercício, necessita de autorização legal nesse sentido que venha a ser uma exceção ao §1º do art. 187 da Lei das S.A. O conceito de exercício é precisamente definido pela legislação societária e, conforme o art. 175 da Lei das S.A., bem delimitado temporalmente (tendo duração de um ano), sem possibilidade de alteração desse período (exceto nos casos especiais relacionado no parágrafo único deste mesmo artigo); apenas a data de término pode ser alterada. SEÇÃO I Exercício Social Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. Ademais, o conceito de exercício é tão caro para a legislação societária que os próprios conceitos de resultado e de lucro líquido estão sobre eles assentados, é o que se infere da leitura dos arts. 176, 189 e 191 da Lei nº 6.404/1976. DO REGIME DE COMPETÊNCIA A Lei das Sociedades por Ações estabeleceu como regra de observância obrigatória o regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. ... Dessa imposição legal, verificase que as mutações patrimoniais da sociedade estão vinculadas ao regime de competência. Essa é a regra geral da Lei das S.A., e não é somente a regra geral, é a regra para a totalidade dos casos; pois, na legislação societária, não foi normatizada nenhuma exceção. E, onde não há exceção, na ausência de disposição expressa em contrário, a regra se aplica. Como não foi criada para as despesas de Juros com Capital Próprio nenhuma exceção própria ao regime de competência, daí então se conclui que elas estão submetidas a esse regime. Não há necessidade de disposição expressa na Lei das S.A. que preveja especificamente para as despesas de JCPs que elas devam atender ao regime de competência. Quando se fala em regime de competência, um outro conceito é interno a este, qual seja, o conceito de exercício social (tratado no tópico anterior). Assim regime de competência depende de exercício social, ou seja, é função deste; em outras palavras, mudou Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 17 16 se o exercício social, mudouse o regime de competência; não se pode, portanto, construir um conceito de regime de competência dissociado de exercício social. Ademais, regime de competência é um instituto jurídico tradicional, de definição bem precisa e sobre o qual a legislação fiscal pôde estruturar a tributação no tempo. Confirase as disposições do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. (...) O regime de competência apresenta o seguinte elemento chave: o correlacionamento simultâneo entre as receitas e as despesas (também entendido como princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). A concretização do regime de competência para as despesas consiste no reconhecimento das despesas no momento em que incorridas, não estando relacionado (sendo o reconhecimento independente) com recebimentos ou pagamentos. Sobre essa realidade não preciso muito discorrer, sendo suficiente a lição da FIPECAFI2, em seu Manual3: 3.1.5.4 O PRINCÍPIO DO CONFRONTO DAS DESPESAS COM AS RECEITAS E COM OS PERÍODOS CONTÁBEIS ENUNCIADO: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. 2 FIPECAFI = Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. 3 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. São Paulo: Editora Atlas S.A. 6a Edição, pgs. 64 e 65. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 18 17 Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). Todas as despesas e perdas ocorridas em determinado período deverão ser confrontadas com as receitas reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais: a) os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente préoperacional. São normalmente ativados para amortização como despesa a partir do exercício em que a entidade, ou a parte do ativo, começar a gerar receitas; b) a parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento, independentemente do número de projetos em execução. (Esses últimos gastos incluem os salários fixos dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes.) Todo o gasto incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o projeto iniciar a geração de receitas, amortizado contra as receitas. Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores específicos descarregados como perda no período em que se caracterizar a impossibilidade da geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem. Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto com a receita ou com o período. Se somos conservadores no reconhecimento da receita, devemos sêlo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas. Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente poderão ser ativados durante o período pré operacional. Entretanto, seu montante deverá ser contabilizado em conta específica de ativo a ser amortizada a partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas. Alguns pontos devem ficar bastante sedimentados, quais sejam: a) a base de confronto não está relacionada aos recursos pagos; b) as despesas financeiras devem ser apropriadas no período em que incorridas, excetuado os casos de despesas préoperacionais (aqui inaplicável); e c) somente situações extremamente especiais (como as mencionadas na lição, entre as quais não se enquadra o presente processo), autorizase a quebra da consideração da despesa do período através do confronto direto com a receita do período. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 19 18 Bem fixadas essas premissas, a aplicação ao caso concreto leva a constatar que as despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. Assim, andou bem o voto vencedor do Acórdão nº 120100.348, de 11/11/2010, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao dizer: a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Também acertado o voto condutor do Acórdão n° 1201000.857, do mesmo Conselheiro citado, de 10/09/2013: a despesa com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades. Daí então se conclui que o incorrimento da despesa deve se dar no exercício das receitas (geradas pelo uso do capital) que vão formar o resultado do mesmo exercício; que, em sendo positivo, será chamado de lucro líquido daquele exercício. Sendo certo que as despesas devem estar correlacionadas com as receitas do mesmo exercício, questionase: o que as despesas de JCPs de um exercício têm a ver com as receitas do exercício anterior, ou com as receitas do exercício de dois, três, quatro ou cinco anos anteriores? Pareceme que nada. De fato, as despesas de JCP só guardam alguma correlação com as receitas que formam o lucro líquido do mesmo exercício, pois é neste período que o capital próprio foi empregado para geração de receitas (e, conseqüentemente, do lucro) daquele exercício. Portanto, eventual data da assembleia que determine pagamento de JCP não consegue atender ao regime de competência, primeiro porque se utilizou do principal fator que este regime teve o cuidado de absolutamente afastar (qual seja, o pagamento); depois porque a data de assembleia não representa duração de utilização, pela sociedade, do capital que lhe foi disponibilizado pelos sócios; e, por fim, esta data não é tempo de geração de receitas, para fins de confrontação. Não é correto entender que o incorrimento da despesa é o momento do pagamento (seja o determinado no estatuto ou contrato social, seja na data da assembleia que delibere sobre pagamento, seja na data da decisão da administração no silêncio destes). Nada mais contrário ao regime de competência, no qual o tempo do pagamento é totalmente irrelevante para o reconhecimento das despesas. Sabendose que o incorrimento da despesa se dá no exercício da aplicação do capital investido pelos sócios/acionista na sociedade (no tempo em que a empresa faz usufruto desse capital), ou ainda, que o incorrimento da despesas num exercício se opera quando há correlação com as receitas de igual exercício; é elementar ver que a data de AG que delibere sobre pagamento de JCPs não tem o condão de modificar a data do incorrimento das despesas de JCPs. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 20 19 Não obstante tudo o que se disse, é muito importante deixar claro que é possível fazer incorrer as despesas de JCP de um exercício relativamente ao capital disponibilizado naquele exercício e não efetuar pagamento algum a título de JCPs (assim não haverá lançamento do caixa/banco contra despesas). Neste caso, o que deve ser feito é a constituição da OBRIGAÇÃO/DÍVIDA DE PAGAR JCPs, que formará uma dívida da sociedade para com os sócios (sendo registrada no passivo), de forma que esse DEVER da empresa fique evidenciado. Isso está perfeitamente de acordo com o regime de competência. O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender o método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência; de forma que, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas no eventual exercício em que houver o pagamento. Esses fatos serão relevantes mais à frente, para a interpretação da norma fiscal: o art. 9º da Lei nº 9.249/95. DA EXISTÊNCIA, OU NÃO, DO DIREITO DE FAZER INCORRER EM EXERCÍCIOS SUBSEQÜENTES DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES NÃO INCORRIDAS Analiso agora se as despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em exercícios anteriores, que deixaram de ir ao resultado destes exercícios, podem ser incorridas em exercícios posteriores. Ou ainda, se a sociedade adquiriu, frente à legislação societária, o direito de deduzir, do lucro líquido, a despesa incorrida com a manutenção do capital dos sócios na sociedade em anos anteriores (embora não tenha deliberado sobre isso no momento adequado). Como visto no tópico anterior, as despesas de JCP, por não serem exceção ao regime de competência, são despesas padrão: devem ser levadas ao resultado quando incorridas (ao tempo em que o sócio disponibilizou o capital para a empresa) e independem do pagamento para sua dedução na contabilidade societária. Assim, a despesa é incorrida pela manutenção do capital dos sócios na empresa durante o exercício em que o resultado é apurado. Se a despesa for incorrida em exercício diferente ao do qual o capital vinculado a essa despesa esteve disponibilizado, então essa despesa não estará mais vinculada ao capital do exercício anterior, mas sim ao capital do exercício em curso; havendo, portanto, flagrante desrespeito à regra do confronto, e, conseqüentemente, ao regime de competência. O direito de fazer incorrer despesa na lei societária é determinado no tempo do art. 175 da Lei das S.A., ou seja, no exercício, assim não existe direito de fazer incorrer despesa de exercícios anteriores (art. 187, III e IV e §1º b). Na observância do regime de competência, também não há direito de postergação de despesa para exercícios seguintes. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 21 20 Ademais, as despesas de exercícios anteriores que deveriam ter lá tido seu incorrimento não podem ser incorridas em exercícios futuros, conforme vedação do art. 186, §1º, da Lei nº 6.404/1976: Art. 186. ... ... § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. ... Portanto, o que ocorreu nos autos não foi mudança de critério contábil e também não foi retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Pelo exposto, concluo que não há direito algum4 de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas, ou seja, inexiste direito da sociedade a deduzir do lucro líquido do ano despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em anos anteriores, tanto por contrariedade ao art. 177 (regime de competência) como por não se enquadrar no art. 186, §1º, e no art. 187, III e IV e §1ºb, todos da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A). O art. 192 da Lei das S.A. também auxilia na compreensão do problema: Proposta de Destinação do Lucro Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. A destinação do lucro é uma decisão submetida à assembleia de sócios/acionistas do exercício. E estes devem estar atentos aos itens de custos e despesas que acabam por reduzirem os seus lucros. Daí porque talvez a Lei das S.A. tenha sido tão restritiva no seu art. 186, §1º, em razão da seriedade que envolve a apuração do lucro líquido do exercício, com a conseqüente destinação dos lucros, impactando todos os exercícios futuros. Uma despesa que deixe de ser incorrida em um exercício e que pretensamente venha a ser ratificada em outro exercício pode acabar por reduzir o lucro de um quadro de sócios/acionistas diferente do quadro de sócios/acionistas do exercício em que a despesa não foi considerada, prejudicando uns em detrimento dos outros; e, inevitavelmente, influenciando o valor das ações. A possibilidade de se estar remunerando com pagamento de JCP quem nem era sócio na época da alegada despesa evidencia um nítido problema. Tais questões só não seriam pertinentes se a estrutura societária se mantivesse sempre a mesma, o que é muito improvável. 4 O direito somente é adquirido se estiver de acordo com ordenamento jurídico, o que não se deu. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 22 21 E isso evidencia mais um aspecto negativo para a tese de que "despesas" que poderiam/deveriam ter reduzido o lucro dos anoscalendário de 2001 a 2005 (se tivessem efetivamente existido naquela época) sejam computadas como tal nos trimestres do ano calendário de 2006. DA INTERPRETAÇÃO DO ART. 9º DA LEI Nº 9.429/95 O art. 9º da Lei nº 9.429/95 não modifica nada que esteja assentado na legislação comercial/societária, pelo contrário, ele deve ser interpretado de forma a se harmonizar com os princípios e regras gerais dessa legislação. A referida norma legal apenas concedeu autorização de dedutibilidade do lucro real das despesas incorridas5 e pagas, não concedeu esse tratamento para despesas pagas e não incorridas (como é o caso de despesas que deixaram de ser incorridas no exercício anterior, que poderiam ser despesas no exercício anterior; mas, nesse exercício, não são despesas, nem conservam a capacidade de serem incorridas). Na óptica da analogia que se fez com os empréstimos de modo geral como fundamento para pagamento de juros, a empresa não está limitada a deduzir, do lucro líquido do exercício, qualquer valor de despesas de JCP. Ou seja, para a legislação societária, não há qualquer restrição de quantidade, daí porque o capital pode ser disponibilizado para a empresa a taxas maiores do que a TJLP. Já no âmbito fiscal não se pode dizer o mesmo. As despesas de JCP do exercício devem observar conjuntamente os limites do caput e do §1º do art. 9º da Lei nº 9.429/95 e o excesso dessas despesas devem ser estornadas, em obediência ao art. 6º, §2º "a", do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977. Conforme visto nos parágrafos anteriores, os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, e devidamente escriturada (no passivo) e constituída a corresponde obrigação/dívida de pagálos. Foi visto que essa forma de agir não contraria o regime de competência. A dúvida surge em relação a saber se este procedimento prejudica a norma do ponto de vista fiscal, o que demanda análise. A expressão utilizada pelo art. 9º da Lei nº 9.429/95 não foi "despesa de juros pagos ou creditados", foi apenas "juros pagos ou creditados"; assim, não se pode limitar esse artigo de forma a permitir apenas a dedução de despesas incorridas no exercício e pagas no mesmo exercício. Portanto, os "juros" devem ser entendidos como "despesa de juros" e "obrigações/dívidas6 de juros". Assim, podese falar em direito em relação a descontar juros pagos, seja pagamento das despesas de JCPs do exercício, seja satisfação pelo pagamento da dívida de pagar JCPs que tiveram suas despesas incorridas em exercícios anteriores. Esse segunda hipótese não impossibilita a dedução da despesa. O contribuinte alega inexistir restrição temporal neste artigo. Não há, propriamente, restrição temporal, há restrição material, explico: para que os JCP sejam pagos, é necessário que os JCP a serem pagos existam; caso contrário estarseia pagando outra coisa indedutível que não JCP (como foi o caso que resultou na autuação em julgamento). 5 Porque se não forem incorridas sequer despesas serão. 6 Ou juros a pagar. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 23 22 Ou ainda, há de existirem as despesas de JCPs do exercício (que serão pagas no exercício, o que dispensa a necessidade da constituir obrigação de pagar) ou existir obrigação de pagar JCPs para serem satisfeitas pelo pagamento, obrigação esta constituída em razão das despesas de juros relativas a exercícios anteriores não terem sido pagas nos exercícios em que incorridas. Não obstante, ainda que a norma fiscal não vede a dedução do lucro real dos valores pagos para extinguir a dívida de pagar JCPs de exercícios anteriores, também o montante pago daí originado está submetido aos dois limites (o do caput e o do §1º) do art. 9º da Lei nº 9.429/95. Ademais, tendo em vista serem os limites direcionados para os "juros" (assim entendido o gênero, dos quais as despesas e as obrigações seriam espécies), então este limite deve ser compartilhado (ou seja, os valores devem ser somados) entre o total das despesas pagas de JCPs do exercício e o total dos pagamentos para quitar as dívidas de pagar JCPs de exercício anteriores, estando o excesso submetido ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/1977. No caso dos autos, não haviam obrigações/dívidas (ausência de passivo), da sociedade, de pagar JCPs vinculadas a despesas de JCPs incorridas em exercícios anteriores, estas dívidas inexistiam, em virtude de não terem sido constituídas pela falta do incorrimento, nos exercícios anteriores, das despesas de JCPs, resultando em desobediência do art. 177 (regime de competência) e do art. 186, §1º, da Lei das S.A. Assim, o que foi estornado sequer pode ser chamado de Juros sobre Capital Próprio (pois não era baixa de passivo de JCP, nem tampouco despesas de JCP já que essas somente as incorridas no exercício). Finalmente, registro que não entendo ser adequado tratar a questão sob a perspectiva de que houve renúncia ou decadência de direito pelo contribuinte. Tendo em vista que tanto a renúncia quanto a decadência tratam de formas que impedem o exercício de um direito: esta por implicar na caducidade do direito por perda do prazo de sua duração e aquela por perda do direito pela manifestação de não exercêlo, entendo por bem tratálas em conjunto. No âmbito tributário, a meu ver, o que ocorreu foi ausência de atendimento de requisito para gozo de benefício fiscal, mas não de ordem temporal e sim material: não existiam JCP para serem pagos! Deuse a situação de ausência de juros (seja por ausência de despesa já que a despesa só pode ser do exercício; seja por ausência de conversão da obrigação de pagar JCP). Ou seja, não houve o incorrimento da despesa com JCP e a conseqüente constituição da obrigação de pagar os JCP, o que permitiria, no caso de pagamento ou crédito, o enquadramento ao benefício fiscal de dedutibilidade do lucro real. O que foi pago não corresponde à satisfação (por meio de pagamento ou crédito) de obrigações com despesas incorridas de JCP. Portanto, não há que se cogitar de renúncia no âmbito tributário. Se não atendo aos requisitos para usufruto de um benefício fiscal, isso não implica em concluir que estou renunciando ao mesmo, implica em concluir que sequer tenho a capacidade de renunciá Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 24 23 lo; ou que se o fizer, essa renúncia não produz efeito algum, pois de que adianta renunciar a algo que não obteria ainda que não houvesse renunciado. Ainda que fosse caso de aplicação dos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, esta seria no âmbito societário e não no âmbito fiscal; seria, assim, renúncia/perda de prazo de fazer incorrer a despesa de JCP na lei societária, ou ainda, do direito de deduzir do lucro líquido (e não do lucro real) essa despesa incorrida em exercícios anteriores. Ocorre que o pressuposto lógico para aplicação dos institutos da renúncia e também da decadência é haver a existência de algum direito. O problema é que não há direito dos sócios de exigir os juros sobre o capital próprio, tampouco há obrigação da sociedade, quando da ausência da deliberação de fazêlos incorrer. A simples manutenção do capital na empresa não pode ser presumida como intenção de receber JCPs e não constitui uma obrigação da sociedade de remunerar os sócios através de JCP; o mero fato da permanência do capital dos sócios na empresa não pode, na ausência de ficções legais (a exemplo de presunção) ou de manifestação de vontade, ser juridicamente associado a uma forma específica de remuneração do capital. Caso se aceite a existência do "direito" de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas (pois não houve renuncia, já que não houve manifestação de vontade em não fazer, e nem decadência, já que não há prazo que fulmine esse direito), aí sim a discussão teria algum sentido. Mas já se verificou que esse direito não existe, pois somente poderia se sustentar se as prescrições da própria legislação societária tivessem sido observadas e não haver aplicação de nenhuma das suas vedações. Como se viu anteriormente, o art. 177, o art. 186, §1º, e o art. 187, III e IV e §1º, "b", da Lei das S.A. não foram respeitados, a sociedade não observou o regime de competência (ausência de correlação despesareceita/capital), bem como se encaixou na vedação das possibilidades de ajustes extemporâneos. Aqui, a situação é de não cumprimento de obrigação: ao não fazer da forma correta, surge a vedação de fazer. Não é que o regime de competência disponha sobre prazo decadencial do direito de deduzir do lucro líquido despesas incorridas em anos anteriores ou permita essa dedução, desde que esse direito não seja renunciado. Na verdade, o regime de competência simplesmente não permite7 a dedução do lucro líquido de despesas incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Concluo, portanto, que, na ausência de direito a deduzir do lucro líquido despesas de JCP incorridas em anos anteriores, simplesmente não há que se falar nos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, por falta do pressuposto básico dos mesmos. Na esteira de tudo o que já foi dito, também é importante registrar que não se aplicam aqui as regras que tratam dos casos em que o "cômputo" de uma receita ou de uma despesa se dá em período distinto daquele em que esses eventos efetivamente ocorreram. 7 Exceto os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 25 24 Não cabem argumentos que tomam como referência o art. 273 do RIR/1999, no sentido de que estaria havendo uma mera postergação de despesa, com antecipação de imposto, sem qualquer prejuízo ao fisco, e que, desse modo, ao menos caberia recompor o resultado dos anoscalendário aos quais deveriam corresponder as despesas (no caso, anos calendário de 2001 a 2005). Só se poderia aceitar a ideia de simples postergação de despesa se os pressupostos para sua existência estivessem presentes nos anos anteriores, o que, como visto, não ocorreu. Se a despesa nem chegou a existir no passado, não há como defender que o que está ocorrendo é apenas o seu cômputo em período de apuração posterior. O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração, não é de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que a contribuinte pretende é "criar" em 2006 despesa de juros nos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados, despesas que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados, e isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. Apenas para encerrar a discussão, analiso qual o direito que nasce com a deliberação decorrente da assembleia geral relativa ao pagamento ou crédito de JCP, na parte que excede ao limite legal . Certamente dessa deliberação nasce um direito para os sócios de receber os valores a eles creditados, bem como nasce um dever para a sociedade de pagálos ou creditá los. Mas como esses valores não podem corresponder a conversão de obrigações anteriores de JCP, já que não houve incorrimento de despesas de JCP nos anos anteriores, resta apenas a alternativa de reclassificar o que está denominado de pagamento a título de JCP, para registro de algum tipo de direito da sociedade para com os sócios, distribuição de dividendos, etc. Assim, diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para restabelecer o lançamento de IRPJ e CSLL fundado na glosa da despesa a título de JCP de períodos anteriores. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.007631/200970 Acórdão n.º 9101003.662 CSRFT1 Fl. 26 25 Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720735/2016-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a PGFN se manifeste a respeito das argüições trazidas pela parte, relativamente à aplicação do art.24 da LINDB. Vencidos os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Relatório
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ART.24. LINDB Recorrente BANCO BRADESCO BBI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a PGFN se manifeste a respeito das argüições trazidas pela parte, relativamente à aplicação do art.24 da LINDB. Vencidos os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 73 5/ 20 16 -8 6 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.133 2 Relatório Dos Autos de Infração O Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ exige da Interessada o recolhimento da importância de R$ 39.154.343,73, acrescida de multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e de juros de mora, relativamente a fato geradores ocorridos em 31/12/2011, 31/12/2012 e 31/12/2013 (Lucro Real Anual). Segundo consta no Auto de Infração, o lançamento fiscal foi efetuado em face de: AMORTIZAÇÃO INFRAÇÃO:VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS Amortização de ágio indedutível em função da natureza da despesa, que não é amortizável, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2011 52.205.791,69 75,00 31/12/2012 52.205.791,69 75,00 31/12/2013 52.205.791,69 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2013: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 249, inciso I, 251, 299, 324,parágrafos 2 e 4, e 325 do RIR/99 Em decorrência deste lançamento, foi ainda lavrado o Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, para os mesmos fatos geradores, na importância de R$ 23.492.606,25, acrescida da multa de ofício de 75% e de juros de mora à época do pagamento. Por unanimidade, a Sétima Turma de Julgamento da DRJ/SPO julgou pela improcedência da Impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Do Termo de Verificação Fiscal TVF Do Termo de Verificação Fiscal extraemse os detalhes da autuação, que a seguir se reproduz, de forma resumida, mas com as palavras do autuante: [...] Encargos de Depreciação e Amortização O Bradesco BBI amortizou e deduziu fiscalmente ágio, no valor de R$ 156.617.375,07, nos anos calendário de 2011, 2012 e 2013, decorrentes da incorporação da Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.134 3 Abaeté Holdings Ltda empresa que pertencia ao Banco Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/0001 12. Neste Termo de Verificação iremos expor os motivos da criação da Abaeté, por empresas do Grupo Bradesco, e como ela foi utilizada como instrumento para reconhecimento, incorporação e posteriormente amortização de ágio. [...] 1) Histórico Resumido da Abaetê Holdings Ltda. Em 26 de agosto de 2008 foi constituída a Abaetê Holdings Ltda, com o capital social de R$1.000,00 (mil reais), dividido em 1.000 (mil cotas), no valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma, integralizado pelos sócios Bradesplan Participações Ltda (CNPJ 61.782.769/0001 01) e União Participações Ltda (CNPJ 05.892.410/000108) [...]Em 4 de novembro de 2008, após setenta (70) dias de sua constituição, houve a primeira alteração do contrato social da Abaeté Holdings , onde seus sócioscotistas deliberaram: a) A retirada da sociedade da Sócio Cotista Bradesplan Participações Ltda, mediante cessão e transferência de suas 999 cotas de sua titularidade para o Banco Bradesco S/A (CNPJ 60.746.948/000112); b) Aumentar o capital social no valor de R$ 495.800.000,00, elevando o para R$ 495.801.000,00, mediante a emissão de 495.800.000 cotas de valor nominal de R$1,00, subscritas pelo sócio cotista admitido, Banco Bradesco. [...]O aumento de capital, em 04/11/2008, foi em dinheiro, com transferência entre contascorrentes, conforme extrato de conta corrente da Abaetê. [...]O Banco Bradesco S/A (CNPJ 60.746.948/000112) passou a ser proprietário de 99,99% do capital da Abaeté Holdings. No mesmo dia 4 de novembro de 2008, a Abaeté Holdings Ltda adquiriu de 36 acionistas do Banco Bradesco BBI (CNPJ 06.271.464/000119), 194.843.569 ações de emissão da sociedade, pagando o valor total de R$ 495.746.971,56, cerca de R$ 2,544 por ação. O valor patrimonial de cada ação era R$ 1,2046. A Abaeté contabilizou a aquisição das ações da seguinte forma: D InvestimentosR$ 234.718.013,13 D ÁgioR$ 261.028.958,46 C Conta CorrenteR$ 495.746.971,69 Em 11 de dezembro de 2009 houve a segunda alteração do contrato social da Abaetê Holdings Ltda, onde seus sócios cotistas deliberaram: a) Registrar a cessão e transferência de 1 (uma) cota de propriedade da SóciaCotista União Participações Ltda para o SócioCotista Banco Bradesco S/A; b) Aprovar a incorporação da Sociedade, pelo Banco Bradesco BBI S/A. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.135 4 O ágio contabilizado na Abaetê Holdings foi absorvido através de sua incorporação pelo Banco Bradesco BBI. 2) Origem das Ações Adquiridas pela Abaetê Holdings As ações adquiridas pela Abaetê Holdings pertenciam a 36 acionistas do Banco Bradesco BBI, que as receberam em setembro de 2008, como pagamento da venda da totalidade das ações que eram de sua propriedade na Ágora Holdings S/A, controladora integral da Ágora CTVM. O controlador do Banco Bradesco BBI na ocasião da aquisição da Ágora Holdings, era o Banco Bradesco S/A (CNPJ 60.746.948/0001 12), com 100% do capital total e capital votante [...] A Ágora Holdings, controladora integral da Ágora CTVM foi adquirida pelo Banco Bradesco BBI. O pagamento da aquisição foi através da emissão de ações do próprio Bradesco BBI. Em 17 de setembro de 2008, 22 dias após a constituição da Abaeté Holdings Ltda, foram realizadas duas Assembléias Gerais Extraordinárias: A primeira às 10:00 h. na sede da Ágora Holdings S/A cujas principais deliberações foram: (i) Aprovar o “Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações dos Acionistas da Ágora Holdings S/A firmado com o Banco Bradesco BBI S/A”; (ii) Aprovar a incorporação das ações de emissão da companhia, representativas de 100% de seu capital social, ao patrimônio do Bradesco BBI; A segunda às 15:00 h. na sede do Banco Bradesco BBI S/A que deliberou pela incorporação da totalidade das ações representativas do capital social da Ágora Holdings S/A ao patrimônio do Bradesco BBI. A incorporação foi efetivada mediante emissão de ações do Bradesco BBI que foram entregues aos acionistas da Ágora Holdings. [...] [Em seguida a autoridade autuante descreve situações patrimoniais de ambas as empresas (BBI e Ágora), laudos de avaliação, balanços, etc, que podemos dispensar, até porque não houve qualquer restrição quanto aos valores apontados a título de ágio]. Continuando com o relato fiscal: Tendo em vista o valor de R$ 2,418484236 por ação da Ágora e o valor de R$ 2,503614876 por ação do Bradesco BBI a relação de troca foi na proporção de 0,965996911 fração de ação do Bradesco BBI para cada ação de emissão da Ágora. Foram atribuídas aos acionistas da Ágora, em substituição das ações de que eram proprietários, 362.625.150 ações de emissão do Bradesco BBI. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.136 5 [...] Ágio que está sendo amortizado no Bradesco BBI devido a aquisição e incorporação da Ágora R$ 694.661.179,78 ágio apurado na aquisição da Ágora R$ 203.113.220,06 valor de mercado das ações da BM&F Bovespa = R$ 491.547.959,72 Ágio que está sendo amortizado O Banco Bradesco BBI pagou a aquisição da Ágora Holdings com a emissão de 362.625.150 ações, que foram entregues aos antigos proprietários da Ágora. Não houve pagamento em dinheiro naquele momento. Os exproprietários da Ágora venderam parte das ações posteriormente, conforme exposto nos itens 3 e 4 adiante. A Estrutura Societária do Bradesco BBI ficou, após a aquisição e incorporação da Ágora, conforme representação abaixo: BANCO BRADESCO BBI S/A Sócios BANCO BRADESCO S/A 92,2% EXPROPRIETÁRIOS DA ÁGORA 7,8% Os exproprietários da Ágora Holdings, que passaram a ser acionistas do Bradesco BBI, não mantiveram a propriedade da totalidade das ações recebidas. Elas foram vendidas em duas ocasiões no mesmo ano de 2008, conforme detalhado nos itens 3 e 4 a seguir 3) Aquisição das Ações pela Abaetê Holdings (Primeira Venda de Ações) Em 4 de novembro de 2008, apenas quarenta e oito (48) dias após a venda da Ágora Holdings para o Banco Bradesco BBI (controlado pelo Banco Bradesco S/A), e somente setenta (70) dias após sua constituição, a Abaetê Holdings Ltda (controlada pelo Banco Bradesco S/A) adquiriu de 36 acionistas do Banco Bradesco BBI (CNPJ 06.271.464/000119), antigos proprietários da Ágora, 194.843.569 ações de emissão da sociedade, pagando o valor total de R$ 495.746.971,56, cerca de R$ 2,544 por ação. Foram adquiridas 53,73% das ações que foram entregues como pagamento da aquisição da Ágora Holdings. Nessa aquisição foi apurado ágio de R$ 261.028.958,46, conforme quadro na página seguinte, apresentado pelo próprio Contribuinte: [...] Após essa operação a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: BANCO BRADESCO BBI S/A Sócios Banco Bradesco S/A 92,20% Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.137 6 ExProprietários da Ágora 3,61% Abaetê 4,18% 4) Aquisição das Ações pelo Banco Bradesco (Segunda Venda de Ações) Em 23 de dezembro de 2008, o Banco Bradesco S/A, adquiriu dos antigos acionistas da Ágora 89.973.611 ações de emissão do Bradesco BBI, que correspondiam a 24,81% das ações emitidas por ocasião da aquisição da Ágora pelo BBI, pelo valor total de R$ 114.029.038,05. Cada acionista vendeu exatamente a mesma proporção de ações de sua propriedade. O valor de aquisição unitário foi R$ 1,2674. Nesse caso, não houve ágio apurado pelas aquisições das ações pelo Banco Bradesco, pois o valor unitário de aquisição foi bastante próximo do valor patrimonial da ação em 31/10/2008, que era R$1,2046. Devese destacar o fato de que a segunda aquisição de ações do Banco Bradesco BBI, sem ágio, foi feita diretamente pelo Banco Bradesco S/A e não por meio da Abaeté Holdings como na primeira aquisição. Após essa operação a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: BANCO BRADESCO BBI S/A Sócios Banco Bradesco S/A 94,16% ExProprietários da Ágora 1,65% Abaetê 4,18% 5) Incorporação da Abaetê Holdings pelo Banco Bradesco BBI S/A Em 11 de dezembro de 2009 houve a segunda alteração do contrato social da Abaetê Holdings Ltda., onde seus sócios cotistas deliberaram: a) Registrar a cessão e transferência de 1 (uma) cota de propriedade da SóciaCotista União Participações Ltda para o SócioCotista Banco Bradesco S/A; b) Aprovar a incorporação da Sociedade pelo Banco Bradesco BBI S/A. Após a incorporação da Abaetê a estrutura de controle societário do Bradesco BBI ficou representada pelo quadro abaixo: BANCO BRADESCO BBI S/A Sócios Banco Bradesco S/A 98,35% ExProprietários da Ágora 1,65% Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.138 7 De acordo com o Balancete da Abaetê, elaborado em dezembro de 2009, seus ativos eram: i) Disponibilidades no valor de R$ 19.975,46; ii) Dividendos a receber do Banco Bradesco BBI no valor de R$ 147.571,44; iii) Investimentos, no valor de R$ 250.661.007,42, referentes a ações do Banco Bradesco BBI; iv) Ágio de R$ 261.028.958,46, apurado na aquisição das ações de emissão do Bradesco BBI em 4 de novembro de 2008 (conforme item 3). Havia também uma provisão de amortização do ágio, retificadora desse valor; v) Crédito Tributários, no valor de R$ 88.749.845,88, decorrente do ágio. Os principais ativos, conforme exposto acima, e com valores significativos eram investimentos e ágio. [...]Os principais ativos da Abaetê, tiveram o seguinte destino após a incorporação da sociedade pelo Bradesco BBI: a) As 194.843.569 ações de emissão do Bradesco BBI, de propriedade da Abaeté Holdings, adquiridas em 4 de novembro de 2008 (conforme exposto no item 3) foram atribuídas ao Banco Bradesco S/A, acionista controlador do Bradesco BBI e da Abaeté; b) O ágio, no valor de R$ 261.028.958,46 ficou registrado na contabilidade do Banco Bradesco BBI, com a correspondente provisão de amortização. O principal efeito da incorporação da Abaetê no Bradesco BBI foi o reconhecimento, na contabilidade do BBI do ágio e, conseqüentemente, crédito tributário, oriundo da aquisição das ações do Bradesco BBI, por parte da Abaeté em 4 de novembro de 2008 (conforme exposto no item 3). 6) Análise das Atividades desempenhadas pela Abaetê Holdings Ltda [...] Dessa forma, cumpre questionar o propósito negocial da Abaetê. Qual a finalidade de sua constituição? Conforme exposto acima, a Abaetê Holdings foi constituída em 28/08/2008 e foi extinta, através de incorporação pelo Banco Bradesco BBI em 11/12/2009. Em seus dezesseis meses de vida a empresa desempenhou uma única atividade prevista no seu contrato social, a participação em outra sociedade como acionista, especificamente do Banco Bradesco BBI. A empresa não administrou, locou, comprou ou vendeu bens próprios, outros objetos da sociedade, conforme contrato social. Essa participação foi efetivada através da aquisição de ações do BBI de pessoas físicas que as receberam como pagamento pela venda da Ágora Holdings. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.139 8 Ou seja, o único propósito da constituição e existência da Abaetê Holdings foi a aquisição das ações do Banco Bradesco BBI. Não houve mais nenhum outro propósito negocial nas atividades desempenhadas pela Abaetê. Com a incorporação da Abaetê Holdings as ações do Bradesco BBI que eram de sua propriedade foram transferidas ao Banco Bradesco e o ágio que estava contabilizado na Abaetê, resultante da aquisição das ações do Bradesco BBI, foi transferido para o próprio Bradesco BBI. O objetivo da restruturação societária foi possibilitar a transferência do ágio e sua amortização. O objetivo foi criar uma situação onde o Bradesco BBI pudesse amortizar um ágio. Fica evidente que a criação e o funcionamento da Abaetê não almejou um amplo objetivo negocial, tendo em vista a artificialidade da operação que participou. A constituição da Abaetê teve como objeto único o de se criar uma empresa para adquirir ações do Bradesco BBI de pessoas físicas que receberam essas ações como pagamento da venda da Ágora Holdings para o próprio Bradesco BBI. Sua única atividade foi a aquisição dessas ações e possibilitar o reconhecimento do ágio na sua escrituração contábil. O Bradesco BBI está amortizando dois ágios que tem uma única origem, a aquisição da Ágora Holdings. Uma única aquisição de sociedade ensejou o aparecimento de dois ágios: Primeiro ágio: Tendo como origem a aquisição e a incorporação da Ágora Holdings, adquirida com a emissão de ações do Bradesco BBI, Segundo ágio: Tendo como origem a incorporação da Abaetê Holdings que tinha ágio devido a aquisição de ações do Bradesco BBI dos antigos acionistas da Ágora. [...]O principal motivo alegado pela incorporação da Abaetê foi “promover a reorganização societária, eliminando a participação indireta no capital do BBI detida pelo Banco Bradesco S/A, controlador, da Abaetê, simplificando a estrutura societária, racionalizando e, conseqüentemente, reduzindo os custos operacionais, administrativos e legais advindos da manutenção da Abaeté”. Simplificação de estrutura societária, racionalização, redução de custos operacionais, administrativos e legais advindos da manutenção de uma sociedade que, conforme exposto acima, foi uma empresa com somente dezesseis meses de vida decorridos entre sua constituição e extinção, sem receitas operacionais, exceto a resultante de uma única participação societária, sem quadro de funcionários, tampouco dirigentes exercendo atividade, visto que não houve remuneração de dirigentes e conselheiros. Em seus dezesseis meses de vida a empresa desempenhou uma única atividade prevista no seu contrato social, a participação em outra sociedade como acionista, especificamente do Banco Bradesco BBI. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.140 9 A participação indireta no Bradesco BBI foi criada pelo próprio Banco Bradesco, por ocasião do aumento de capital da Abaetê em 04/11/2008, e simultaneamente a aquisição de ações do Bradesco BBI pela Abaetê no mesmo dia 04/11/2008. Toda essa estruturação societária poderia ter sido evitada se o Banco Bradesco adquirisse as ações do Bradesco BBI diretamente dos antigos acionistas da Ágora. A aquisição das ações foi feita pela Abaetê para que o ágio nessa aquisição ficasse na adquirente. Posteriormente esse ágio foi registrado contabilmente no Bradesco BBI devido à incorporação da Abaetê. Fica constatada a ausência de um propósito negocial na operação da Abaeté condizente com o objeto da sociedade, que era administração locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como sócia ou acionista. Não participou em outras sociedades. Participou em uma única sociedade, Banco Bradesco BBI com um único propósito, possibilitar o reconhecimento de ágio na aquisição de ações de emissão do Bradesco BBI e posteriormente possibilitar a amortização do ágio através da sua incorporação pelo próprio Bradesco BBI! A Constatação da falta de propósito negocial da Abaetê, além de uma aquisição de ações com ágio, fica reforçada com o fato de que em 23 de dezembro de 2008, o Banco Bradesco S/A, adquiriu dos antigos acionistas da Ágora 89.973.611 ações de emissão do Bradesco BBI, pelo valor total de R$114.029.038,05. O valor de aquisição unitário foi R$1,2674. Nesse caso, não houve ágio apurado pelas aquisições das ações pelo Banco Bradesco, pois o valor unitário de aquisição é bastante próximo do valor patrimonial da ação em 31/10/2008, que era R$1,2046. Com a ausência de ágio a aquisição foi feita diretamente pelo Banco Bradesco e não através da Abaetê. Com essa “engenharia societária” o Banco Bradesco BBI está amortizando dois ágios que tem como origem uma única aquisição de sociedade independente do Grupo Bradesco, a Ágora Holdings: Primeiro ágio, no valor de R$ 491.547.959,72, referente à aquisição e incorporação da Ágora, com emissão de ações do próprio Bradesco BBI; Segundo ágio, no valor de R$ 261.028.958,46, referente à incorporação da Abaetê que adquiriu ações do próprio Bradesco BBI de propriedade dos antigos acionistas da Ágora, recebidas como pagamento pela venda da sociedade. O Banco Bradesco S/A poderia incorporar a Abaetê ou nem mesmo criar a empresa. Qual a razão do Banco Bradesco fazer um aporte de capital na Abaetê Holdings em 4 de novembro de 2008 e essa empresa com os recursos aportados no mesmo dia adquirir ações do Bradesco BBI? O Banco Bradesco poderia ele mesmo ter adquirido diretamente ações do Bradesco BBI, como assim o fez em 23 de dezembro de 2008. A aquisição das ações por meio da Abaetê Holdings permitiu o reconhecimento do ágio nos livros contábeis da empresa. O simples pagamento de ágio não acarreta sua dedutibilidade para fins fiscais. Para que o ágio fosse dedutível para fins tributários seria necessária Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.141 10 uma incorporação de sociedade. A solução foi o Bradesco BBI incorporar a Abaetê e o ágio ser registrado na sua contabilidade, conforme exposto no item 5. O Bradesco BBI está vivenciando uma curiosa situação de dedutibilidade de ágio de si mesmo. 7) Legislação Neste tópico, a autoridade autuante descreve a legislação acerca do assunto, onde destaca que o Grupo Bradesco pretendeu desde o inicio, obter o incentivo fiscal presente nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, e, para alcançar este objetivo, promoveu indevidamente a amortização do ágio previsto na referida norma mediante reorganizações societárias. Que este incentivo teria surgido para acelerar o processo de privatizações de empresas estatais, permitindo a dedutibilidade fiscal de eventual ágio apurado nas aquisições, e que no esteio desta renúncia fiscal, muitas empresas fizeram planejamentos tributários no sentido de buscar este benefício, de onde surgiram, então, expressões diversas como empresa veículo, ágio interno, etc. Cita e transcreve o art.391 do RIR/99, que veda a dedutibilidade fiscal da amortização do ágio, lembrando da exceção contida no art.426, quando se tratar de alienação ou liquidação do investimento. Conclui que a Abaetê foi uma empresa veículo, utilizada apenas para transferir o ágio para o Bradesco BBI, por incorporação, ocasião em que a BBI poderia iniciar a fruição do incentivo fiscal. Descreve novamente, resumidamente, as operações societárias que ocorreram. Continuando, nas palavras da autoridade autuante: Fica evidenciado, então que o propósito da constituição e operação da Abaetê Holdings não foi negocial em sentido de objeto operacional de uma sociedade. Ela nunca desempenhou nenhuma atividade empresarial, exceto uma única aquisição de ações. Em resumo, o seu único papel em todo o processo, que durou 16 meses, foi: a) adquirir ações do Banco Bradesco BBI, com recursos aportados pelo Banco Bradesco S/A em 4 de novembro de 2008; b) ser incorporada pelo Banco Bradesco BBI, em 11/12/2009, desaparecendo treze meses após adquirir as ações do Bradesco BBI e; c) transferir o ágio para possibilitar sua amortização. A seguir transcreve o art.20 do DL 1.598/77, consolidado no art.385 do RIR/99 (fundamentos econômicos do ágio e desdobramento do custo de aquisição, destacando o eventual ágio) e também o art.7 da Lei n. 9.532/97 e parágrafos (art.386 do RIR/99). Repete posições assumidas e já relatoriadas, discorrendo ainda sobre liberdade dos contribuintes na condução de seus negócios, na busca de redução de ônus tributário, onde cita excertos da obra Planejamento Tributário, de Marco Aurélio Greco. Nas palavras da autoridade autuante: [...] Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que o encadeamento das step transacions, mediante a utilização da empresa sem efetivo Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.142 11 propósito negocial Abaetê Holdings, teve como propósito tributário possibilitar a amortização da despesa de ágio no Bradesco BBI, proveniente da aquisição de ações do próprio Bradesco BBI. Esse segundo ágio, no valor de R$ 261.028.958,46, não preenche os requisitos de dedutibilidade fiscal, é fruto apenas de manobra societária, diferente do primeiro ágio que surgiu da aquisição e incorporação da Ágora Holdings S/A. No tópico 8, traz jurisprudência administrativa, por meio de ementas de acórdãos proferidos por Delegacias de Julgamento e pelo CARF, as quais fazem menção ao uso de empresas tidas como veículo. DA IMPUGNAÇÃO Seguindo a ordem dos assuntos trazidos na Impugnação, no item I.1 Breve Resumo das Autuações, o Impugnante descreve, em rápidas passagens, a posição fiscal. No item I.2 Da Efetiva Operação Realizada Aquisição de Ações do Impugnante de Terceiros Independentes Mediante Pagamento em Dinheiro, reproduz excertos do Termo Fiscal, argumentando que deveria ser feita uma análise do conjunto das operações realizadas (como um filme) e não de forma isolada (fotografias) como fez a autoridade fiscal. Inicia sua argumentação defendendo a aquisição da Ágora, líder no segmento de home broker, onde adquiriu esta companhia celebrando com os acionistas um instrumento particular de Compromisso de Incorporação de Ações e Outras Avenças. Que era estrategicamente necessário manter a estrutura existente, daí a incorporação de ações da Ágora, trazendo para o Grupo Bradesco a confiança e credibilidade do nome Ágora neste mercado, o que incluía manter os antigos acionistas como integrantes do seu quadro societário. Neste sentido, conforme cláusula 3.2 do "Contrato de Opções de Compra e Venda de Ações Livres" o Banco Bradesco somente poderia exercer seu direito de opção de compra das ações da Impugnante em poder dos antigos acionistas da Ágora passados 3 anos do fechamento da operação, o que revelava que o Grupo Bradesco não tinha intenção de adquirir as ações em curto espaço de tempo. Do lado dos antigos acionistas da Ágora, havia também uma cláusula que permitia que pudessem vender a qualquer momento as suas ações do Grupo Bradesco. Em seguida descreve a operação da incorporação das ações da Ágora pelo Banco Bradesco BBI (Impugnante) com apuração de ágio (Ágio I), tendo os antigos acionistas da Ágora recebido como pagamento ações da Recorrente. Que, em face da conjuntura mundial (crise do sub prime, etc) os antigos acionistas da Ágora decidiram alienar parcela da participação societária que detinham da Recorrente, fazendo a devida notificação de sua intenção ao Comprador, o que fez com que o Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.143 12 Banco Bradesco, no sentido de realizar a aquisição, se estruturasse de uma forma menos onerosa e mais rápida possível, utilizasse a Abaetê para adquirir a citada parcela da participação. Que a utilização de terceiros (no caso, a Abaetê) nesta aquisição era possível conforme cláusula 10.2 do já citado contrato. Daí por diante já se conhece o que sucedeu: o Banco Bradesco contribuiu com R$ 495.746.971,56 em dinheiro ao capital social da Abaetê, o que permitiu que esta empresa adquirisse, com pagamento em dinheiro, 194.843.569 ações de emissão da Recorrente, então detidas pelos antigos acionistas da Ágora. Ressalta que esta operação (aquisição) é completamente distinta da anterior, onde houve incorporação de ações da Ágora, tendo sido pago preço por rentabilidade futura com base nas atividades da própria Ágora. Na aquisição em debate, houve surgimento de ágio (Ágio II), com pagamento de ágio por rentabilidade futura, que já vimos anteriormente como surgiu e que foi da ordem de R$ 261.028.958,46. Repete e resume as operações realizadas, destacando que a Ágora então foi incorporada (14/11/2008) pelo Recorrente, passando a amortizar o ágio decorrente da operação de incorporação de ações (Ágio I), considerado legítimo pela autoridade fiscal. Posteriormente, em 11/12/2009, a União Participações teria cedido sua cota ao Banco Bradesco S/A, sendo aprovada a incorporação da Abaetê pelo Recorrente, ocasião em que passou a amortizar fiscalmente o ágio (Ágio II), então com base nos termos do artigo 7, inciso III, c/c artigo 8, alínea "b" da Lei n. 9.532/97. Que o Banco Bradesco S/A poderia, como sugeriu a autoridade fiscal, ter adquirido diretamente as ações do Recorrente detidas pelos antigos acionistas da Ágora, evitando o ônus de ter mais uma sociedade no Grupo, e, em ato subsequente, poderia ter incorporado o Recorrente e amortizado o ágio, mas que, entretanto, a aquisição de ações de 40 acionistas dependeria de uma série de procedimentos internos, aprovações de acionistas e de órgão reguladores, etc., e sem contar com a eventual incorporação, que demandaria uma complexa reorganização entre as duas sociedades, registros junto ao BACEN, CVM, altos gastos para o Grupo, podendo causar perdas em negócios, etc., enfim uma eventual incorporação da Recorrente (com grande reconhecimento do mercado) pelo Banco Bradesco S/A não interessava ao Grupo. No item II.1 Decadência/Preclusão do Direito de Questionar os Fatos que deram Origem ao Ágio, alega que, como o ágio foi originado em 2008 teria transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o seu surgimento e a ciência dos autos de infração em questão. No item III.1 Da Necessidade e da Validade da Abaetê Holdings Ltda. Suposta "Empresa Veículo" Repete que todos os atos praticados foram legítimos, devidamente registrados e possuem evidente propósito negocial. Neste sentido, enfatiza que em função da vontade de alienação das ações pelos antigos acionistas (exerceram a opção de venda), que não teria havido outra alternativa senão a Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.144 13 de utilizar uma sociedade que já pertencia ao Grupo (a Abaetê), trazendo os mesmos argumentos já mencionados anteriormente (aprovações, autorizações, 40 acionistas diferentes, etc), além de repetir que a utilização da Abaetê tinha previsão contratual (cláusula 10.2). Ressalta que, contrariamente ao afirmado pela autoridade fiscal, a Abaetê tinha, sim, propósito negocial, que era "participar do capital de outras sociedades, tendo cumprido sua finalidade econômica quando adquiriu um vultoso investimento de quase R$ 500 milhões!" Que o fato de não ter participação societária em outras empresas, de não ter quadro de funcionários e de ter 16 meses de vida, não significa que exista qualquer anormalidade, uma vez que hoje se tem sociedades de propósito específico, além de previsão expressa no Código Civil de que a atividade da sociedade pode se restringir à realização de apenas um negócio determinado. Além do que tratavase de uma holding, sociedade de controle. Traz, ainda, vários excertos de julgados do CARF, os quais seriam, segundo seu entendimento, favoráveis a tese que defende. No item III.2 Legitimidade da Aquisição do Investimento com Ágio pela Abaetê e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal pelo Impugnante e item III.2.1 Natureza Jurídico/Contábil do Ágio na Aquisição de Participações Societárias, discorre longamente o Impugnante acerca de conceito de ágio, e sua segregação contábil, prevista no art.248 da Lei das S/A (avaliação de investimentos pelo Equity), Instrução CVM 247/96 (avaliações, segundo os princípios de contabilidade) e no art.20 do DL 1.598/77. Repete, novamente, como se deu o ágio nas operações, que fez a devida segregação, ou seja desdobrou o custo de aquisição das ações da Impugnante, para concluir que tudo feito de acordo com os princípios de contábeis geralmente aceitos. No item III.2.2 Tratamento Tributário do Ágio Dedução Fiscal da Amortização, destaca que a norma prevista no art.386 do RIR/99 beneficia não somente aquelas situações decorrentes de processos de privatizações, mas também alcança a situação do presente caso. Frisa também que não se trata aqui de hipótese de "ágio interno", mas de aquisição de participação de terceiros e de pagamento em dinheiro, conforme comprovado durante o procedimento de fiscalização. No item III.3 Da Teoria do Propósito Negocial e sub itens, discorre sobre sua natureza, economia de tributos, conceitos de planejamento estratégico, etc, que os motivos dos atos não eram predominantemente tributários, além de repetir todo o contexto das operações, que tudo deve ser visto com um "filme", conforme já mencionado anteriormente. No item III.4 Opção Legal e Possíveis Estruturas para o Aproveitamento Fiscal do Ágio Falsa Premissa do Sr. Agente Fiscal, a Recorrente reproduz excertos do TVF, notadamente aqueles em que consta a Abaetê como uma empresa veículo, a qual teria servido apenas para transferir o ágio para a Recorrente e assim possibilitar a sua amortização. No sentido de desmontar tais posições, alega a Recorrente que "...a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária que não ocorreria se a aquisição do Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.145 14 Impugnante fosse realizada diretamente pelo Banco Bradesco, como inclusive chega a sugerir o Sr. Agente Fiscal," Neste sentido descreve como seria a operação, em Hipótese 1 Aquisição Direta pelo Banco Bradesco e posterior transferência do ágio, onde entende que bastaria a aquisição das ações do Impugnante detidas pelos antigos acionistas da Ágora, pelo Banco Bradesco mediante o pagamento de ágio e "tal sociedade poderia integralizar o capital de uma outra sociedade, a Abaetê, por exemplo, com a conferência das ações do Impugnante adquiridas com ágio. Posteriormente, tal sociedade seria incorporada pelo Impugnante, que adquiriria, assim, o direito à amortização do ágio, tal como ocorrido no presente caso". Em seguida, traz ementas de julgados do CARF, onde aduz serem semelhantes à hipótese ora ventilada, que tratarseiam de aquisição direta de participações societárias por estrangeiros, com posterior integralização em capital em subsidiária brasileira, que passa a registrar o ágio e o amortiza após sua incorporação. Em Hipótese 2 Aquisição Direta pelo Banco Bradesco e Incorporação do BBI, descreve outra estrutura que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio, mas que, entretanto, não seria interessante a incorporação do BBI por uma estratégia de mercado. Que cabe ao Grupo Bradesco decidir a melhor estratégia e não ao Fisco. Discorre longamente acerca da liberdade de autoorganização, com citações doutrinárias, onde arremata que "...havendo norma autorizadora que permita à pessoa jurídica realizar a operação desta maneira, não se pode proibir o contribuinte de agir em conformidade com a legislação, partindose de premissas baseadas exclusivamente em fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual,...”. Por fim, transcreve várias ementas de julgados do CARF acerca de planejamentos tributários com economia legal de carga tributária, fazendo menção também ao art.116 do CTN, alegando que carece de regulamentação. No item III.5 Da existência de Duas Operações e Dois Ágios Distintos, rebate a afirmação da autoridade fiscal que "o Impugnante poderia ter adquirido diretamente as ações da Ágora mediante pagamento em dinheiro, de modo que não teria direito à amortização para fins fiscais do ágio apurado pela Abaetê na aquisição de suas ações." Salienta que o ágio apurado no evento de incorporação de ações, validado pelo agente fiscal não se confunde com o apurado nos presentes autos. Novamente explica as operações distintas que geraram os dois ágios, trazendo detalhes dos Laudos de Avaliação Econômica da Ágora e Laudo de Avaliação da Recorrente. No item III.6 Ad Argumentandum Da Inexistência de previsão Legal Para a Adição à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio, entende que não há previsão legal para adicionar a referida despesa na base de cálculo da CSLL, que o legislador não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, a amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo MEP. Traz ementas de julgado da CSRF (acórdão n. 9101002.310) e do Acórdão 1301001.394, de 12/02/2014, da Primeira Seção, Terceira Câmara, Primeira Turma, favoráveis a tese que defende. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.146 15 No item III.7 Da Ilegalidade da Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa, entende não haver previsão legal para tal cobrança, citando acórdão da CSRF (Acórdão n. 0203.133) que firma entendimento quanto à não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO: DRJ/SPO Por unanimidade, a Sétima Turma de Julgamento da DRJ/SPO julgou pela improcedência da Impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. De se reproduzir as ementas de seu julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO NO EXAME DE SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTE DE EVENTOS PRETÉRITOS. O sujeito passivo da obrigação tributária está subordinado à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, razão pela qual necessária a conservação do acervo documental de sua escrituração contábil até o decurso do prazo decadencial da Fazenda Pública efetuar a constituição de créditos tributários relativos aos anoscalendário correspondentes, bem assim enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Inexiste preclusão na execução da análise de informações vinculadas aos efeitos fiscais provenientes de tais eventos pretéritos, operandose a decadência do exercício da autuação alusiva às infrações tributárias delas decorrentes pelo transcurso do prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador dos respectivos créditos tributários (art. 150, § 4°, do CTN), observada a existência de pagamento antecipado do tributo e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação praticado pelo sujeito passivo da obrigação tributária (art. 173 do CTN). REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. INCORPORAÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO ATRAVÉS DE EMPRESAVEÍCULO INTEGRANTE DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio derivada da aquisição de investimentos em participação societária demanda que a reorganização societária esteja regularmente amparada em atos empresariais não adulterados por manobras dissimulatórias ou vícios sociais albergados por práticas abusivas de operações sequenciais e coordenadas entre entidades participantes do mesmo grupo societário. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.147 16 Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa promovida em decorrência da configuração de ágio de si mesmo derivado da incorporação entre partes relacionadas. DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE AQUISIÇÃO DE EMPRESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES. OPERAÇÃO COM PESSOAS LIGADAS. ÁGIO ARTIFICIAL. MOTIVAÇÃO IMPRÓPRIA PARA A GERAÇÃO DO SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante processo de incorporação de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetivo pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindose o montante do ágio; (iii) demonstração do fundamento econômico do ágio entre aqueles prescritos na legislação tributária de regência. As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico e instrumentalizada com a atuação de empresa veículo cuja indução das transações revelamse tendentes à criação de um ágio artificial destinado à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desprovida de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012, 2013 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. A importância alusiva à multa de ofício representa um crédito tributário para com a União decorrente de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.148 17 Configurase pertinente a incidência de juros de mora sobre seu montante a partir do vencimento qualificado na autuação fiscal levada a efeito em face do sujeito passivo, porquanto regularmente amparado pela legislação tributária de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RELATÓRIO [...] VOTO Da Preliminar. Preclusão do Exercício da Atividade de Fiscalização. Decadência. [...] É cediço que os eventos em discussão têm origem no ano 2008, oportunidade da ocorrência da transação societária determinante da mensuração do sobrepreço veiculado em razão da aquisição dos ativos mobiliários do BBI pela ABAETÊ. A importância associase ao reconhecimento contábil da importância atinente à base imponível vinculada à infração tributária consignada nas autuações. A constituição dos lançamentos de ofício alcançaram os fatos geradores de IRPJ e da CSLL ocorridos em 31/12/2011, 31/12/2012 e 31/12/2013. Por sua vez, a ciência das autuações foi levada a efeito em 07/12/2016, momento em que não findado o decurso do lapso de contagem do prazo decadencial independentemente de qualquer das modalidades definidas pelo Codex Tributário. A conclusão da fiscalização reportou que a incidência do ato infracional apurouse a partir dos elementos da escrituração contábil e fiscal dos anos de 2008 e seguintes. No caso concreto, a tributação incidente sobre os efeitos gerados em face dos resultados econômicos da instituição financeira referemse aos acontecidos dos anos de 2011 a 2013, período que, à época das autuações, ainda não haviam sido atingidos pela decadência. [...]O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a partir do montante de amortização efetuada no respectivo períodobase, e não com o seu registro original. [...]Transcreve ementas de julgados do CARF neste sentido. Diante do exposto, concluise que não se verifica a ocorrência de decadência no presente caso. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.149 18 Passando ao exame de mérito, no tópico intitulado na decisão recorrida "Reorganização Societária. Aquisição de Participações Societárias. Incorporação. Ágio Artificial. Amortização do Ágio. Falta de Propósito Negocial. Intermediação do Negócio Através de EmpresaVeículo Integrante do Mesmo Grupo Societário", o Relator discorre sobre o instituto jurídico da incorporação (art.223 da Lei das S/A), do surgimento e apuração de ágio em aquisição de participação societária, alocação e controle conforme definido no art.20 do DL 1.598/77e art.7 da Lei 9.532/97, citando também a IN SRF n. 11 de 10/02/99, dispositivos transcritos em seu Voto. Tratando especificamente da autuação, de se reproduzir excertos de seu Voto: De plano, compete esclarecer que a autuação certificou a improcedência do sobrepreço derivado na transação de recompra das ações da BBI pela ABAETÊ em face de negociação concretizada com os exacionistas da ÁGORA. A aquisição dos ativos mobiliários do BBI acrescido de um sobrepreço reconhecido contabilmente pela ABAETÊ acabou sendo incorporado pela própria emissora das ações (BBI) viabilizando a realização fiscal da amortização do ágio pelo impugnante. A autoridade lançadora apresentou, de forma pormenorizada, um elenco de condutas levadas a efeito entre partes relacionadas que evidenciou que a reorganização societária empreendida internamente a partir de iniciativas estruturadas pelo conglomerado para fins de expansão de seus negócios: no caso específico, a aquisição da ÁGORA (holding) e, indiretamente, de sua companhia de corretagem de valores mobiliários. A seqüência de atos empresariais e deliberações corporativas revelaram, entrementes, que a passagem desta etapa da negociação na ABAETÊ, incluiu uma sinergia entre partes relacionadas, vinculadas estreitamente com o BRADESCO, com a finalidade de implementar mecanismos artificiais que induziram na redução ilícita da carga tributária no plano do conglomerado. Demonstrouse que a BBI não suportou qualquer ônus associado ao negócio jurídico, muito embora a incorporação determinou a transferência contábil da importância referente ao ágio reconhecido no patrimônio da empresaveículo (ABAETÊ). A reorganização societária levada a efeito exclusivamente entre partes relacionadas consistese em uma transação com alta discricionariedade na determinação dos atributos dos negócios jurídicos e dos atos societários firmados, razão porque notadamente não assemelha com operações efetuadas em partes independentes. Por sinal, consoante ilustrado no curso da fase investigatória, no interstício de tempo concernente à produção da seqüência de atos que determinaram a mensuração do suposto ágio, não mais havia independência das partes envolvidas nas respectivas avenças. Neste contexto, agregouse o sobrepreço derivado da recompra de ativos mobiliários de emissão do próprio impugnante, proporcionando lhe a faculdade de amortização do ágio amparado em atos societários Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.150 19 de natureza meramente formal idealizados entre partes não independentes à época da concretização dos fatos. A transação implicou na ocorrência da figura do ágio de si mesmo a partir do reconhecimento contábil de sobrepreço na recompra das ações do próprio BBI (impugnante). Demonstrouse também que as providências foram dirigidas no estrito interesse de consecução de um planejamento tributário abusivo programado sob a orientação do Grupo Bradesco. A reintegração das ações ao patrimônio da instituição financeira com a incorporação da empresaveículo (ABAETÊ), concretizouse através de manobras tendentes à geração de um sobrepreço privado de lastro fático que se destinou à supressão irregular das competentes incidências tributárias alusivas ao período fiscalizado. Ao contrário das assertivas reportadas na peça impugnatória, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento de fiscalização foi incisivo em suas inferências quanto à inexistência de propósito negocial adstrito à recompra das ações da BBI. Primeiramente, caracterizouse a desnecessidade de fracionamento da liquidação da operação de aquisição das ações da ÁGORA. O BRADESCO dispunha de capacidade econômica e de pagamento para extinção da relação obrigacional, fosse diretamente ou por via indireta (ABAETÊ). Além disto, admitido o fracionamento do pagamento da aquisição da ÁGORA mediante entrega de participação societária da BBI, patente a inexistência de qualquer motivação razoável para a passagem desta negociação pela ABAETÊ. A recompra das ações da BBI com a atribuição de um ágio na transação evidenciou que se trata de uma despesa não necessária, anormal e de mera liberalidade do Grupo Bradesco. A confirmação disto se explica diante do fato de que a transferência de propriedade das ações na BBI mediante admissão dos exacionistas da ÁGORA no quadro de acionistas do impugnante poderia ser efetivada de forma natural e sem qualquer intermediação intragrupo. Manifestada a intenção de venda das ações da BBI, ante a perda da affectio societatis quanto à permanência na gestão dos negócios da instituição financeira, caberia aos exacionistas da ÁGORA promover o exercício do direito de recesso (art. 109 da Lei das S/A) e oportuna deliberação da data de reembolso de equivalente importância dos ativos mobiliários (art. 45 da Lei das S/A) aos seus beneficiários. Notadamente, o ato empresarial relativo ao ingresso dos exacionistas da ÁGORA e posterior retirada gerariam efeitos de natureza meramente patrimonial. Em suma, a opção pela passagem desta etapa da negociação pela ABAETÊ revelouse totalmente dispensável. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.151 20 Sob esta perspectiva, configurada a ocorrência de convenção entre particulares com evidente propósito de redução ilegítima da incidência tributária, circunstância esta inoponível ao Fisco. A ordem pública não autoriza condutas com afronta aos princípios fundamentais de indisponibilidade do interesse público e supremacia do interesse público sobre o privado. No sistema tributário, as convenções entre particulares encontram barreira normativa em relação aos efeitos tendentes a elidir contratualmente a base imponível de incidência de seus respectivos fatos geradores do imposto de renda. Outrossim, cumpre instar que foi exatamente nesta etapa que surgiu a motivação exclusivamente tributária para a integração da empresa veículo (ABAETÊ) neste processo de aquisição da ÁGORA, ou seja, proporcionar a abreviação da amortização do ágio para redução das pressões fiscais vinculadas à operação societária, adulterandose os resultados econômicos dentro do conglomerado. A ABAETÊ serviu de instrumento ao alcance de um propósito não negocial do grupo econômico, porquanto a finalidade de sua efêmera existência não se prestou aos fins da atividade empresarial inserta em seus atos societários, mas, tão somente, propiciar a execução de um planejamento tributário abusivo com repercussão na apuração da tributação do IRPJ e da CSLL. O reconhecimento da operação com esta formatação evidencia a ocorrência de uma motivação convergente à obtenção de uma vantagem fiscal imprópria advinda de prática empresarial lesiva ao erário público, ratificando a carência de propósito negocial não tributário no engendramento dos métodos aplicados no curso da reorganização societária. Salientese que a prática de atos revestidos de mera observância de sua estrutura formal não convalidam sua eficácia do ponto de vista tributário, porquanto operações desenvolvidas com a inserção de artifícios tendentes ao alcance do benefício fiscal disciplinado pelos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97, caracteriza a prática de abuso de direito no âmbito corporativo resultante de evasão tributária. Nesse sentido, importa acentuar as lições emitidas pelo jurisconsulto Marco Aurélio Greco em obra que analisou a questão do abuso de direito de autoorganização no âmbito tributário e as circunstâncias que tornam admissível a desqualificação de atos corporativos desta natureza, pois, vedado que sejam oponíveis ao Fisco: “Inoponibilidade do Ato Abusivo [...] a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.152 21 [...]Sublinhese que, depois do Código Civil de 2002, não é apenas inoponibilidade perante o Fisco, é hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para haver efetivo planejamento tributário: Cumpre, portanto, distinguir três hipóteses de abuso: a) o abuso de direito assim qualificado no âmbito civil, a teor do artigo 187 do Código Civil. Nesse caso configurase um ato ilícito no pressuposto na incidência da norma; b) abuso de exercício de condutas fiscalmente reguladas; e c) abuso da perspectiva de legislações específicas, por exemplo, abuso de poder de controle regulado pela Lei das Sociedades Anônimas. As três hipóteses contaminam o planejamento, pois sempre levarão à ilicitude que, por si, prejudica a proteção jurídica do planejamento. [...] sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. [...] No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito.” (Greco, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª edição. São Paulo, Dialética, 2011, p. 210/212). Sob este prisma, evidente que a ordem jurídica não autoriza a livre de gestão de negócios empresariais com a inserção de operações não usuais e anormais, praticados por mera liberalidade e ausentes de propósito negocial que contribuam ao fomento da atividade econômica da entidade, sobretudo abrigadas à geração de despesas não necessárias com a única serventia de elisão da base imponível do imposto de renda, reduzindose artificialmente a carga tributária. Não se trata de impor um questionamento a oportunidade estratégica vinculada à aquisição da participação societária ou ao legítimo exercício da iniciativa privada, mas, sim, censurar a pratica lastreada em pressupostos artificiais com o mero propósito de criar um subterfúgio forçado para amortização do ágio. A dedutibilidade da amortização do ágio deverá envolver a situação literalmente prevista no art. 386 do RIR/99, bem assim a observância estrita das condições nele estipuladas, sob pena de qualificação de sua natureza indevida. A conduta imprópria do conglomerado por intermédio de arranjos societários desenvolvidos entre partes relacionadas, valendose de manobras irregulares de evidenciação de artificioso propósito negocial Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.153 22 e da presença de motivação extratributária, prestaramse tão somente à obtenção de êxito do planejamento tributário abusivo. A resultante desta pratica determinou a aceleração indevida da realização do ágio correlato à operação, encurtandose forçosamente o lapso temporal de amortização do ágio artificial, acarretando no desvirtuamento da aferição da base imponível da tributação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido do período base. [...]Daí a pertinência da glosa dos valores de amortização do ágio em consonância com o disposto com o Art. 7º inciso I e seu parágrafo primeiro da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a redação dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, combinado com o art. 1º inciso I, §3º inciso I e §4º da Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999. Sob esta perspectiva, traz ementas de julgados do CARF, que entende incluírem controvérsias de mesma natureza da vista nestes autos. Finaliza concluindo pela pertinência das glosas efetivadas. Relativamente ao impugnado lançamento da CSLL, assim se posicionou: Do lançamento relativo à adição da despesa com amortização indevida de ágio na base de cálculo da CSLL O impugnante protesta o cancelamento da autuação da CSLL por falta de previsão legal para a adição ao lucro líquido do valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Cumpre instar que a decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, os quais, no presente caso, foram lavrados para fins de constituição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) tendo em vista que deriva de elementos de prova idênticos e mantêm íntima relação de causa e efeito. Outrossim, especificamente à amortização de ágio, a Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004, ao consolidar as regras pertinentes à apuração e pagamento da CSLL, dispôs em seus artigos 38, 44 e 75: “Art. 38. Na determinação do resultado ajustado, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ: I –os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação da CSLL, não sejam dedutíveis na determinação do resultado ajustado; (...) Art. 44. Aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.154 23 (...) Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I – valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I – o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II – o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; III – o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.155 24 b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. 5º A amortização a que se refere a alínea “a” do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea “b” do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I – o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II – a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica.” Neste compasso, denotase irrepreensível a admissibilidade de incidência da metodologia aplicada ao IRPJ à luz da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a alteração dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, porquanto evidenciado que a normatização atinente à CSLL adotou a mesma providência inerente ao registro e ao tratamento a ser dispensado ao ágio na aquisição de investimentos, inclusive no que concerne à sua amortização. Assim sendo, impõese manter a eficácia da autuação reflexa correlata às CSLL. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.156 25 No tocante à controvérsia final mencionada no desfecho da peça impugnatória, cumpre instar, primeiramente, que a exigência da incidência de juros de mora com base na taxa de Selic observa rigorosamente os preceitos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º Omissis. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” A incidência do acréscimo legal sobre a multa de ofício imputada ao sujeito passivo revelase amparada no aludido ditame, na medida em que a sanção tributária constituiuse em “débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB”, conforme as expressas disposições do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) abaixo reproduzidas: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.157 26 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Decorre assim de expressa disposição legal que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora; o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. E nem se diga que a multa de ofício não é uma exigência que decorre da exigência dos tributos e contribuições. Na verdade a exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria imputação da multa de ofício. Sob esta perspectiva, vale ressaltar ainda alguns precedentes emitidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) diante do exame de recursos que incluíram controvérsias de mesma natureza: [...] Hialino que o importe alusivo à multa de ofício representa um débito tributário para com a União, decorrente de impostos e contribuições administrados pela RFB, configurase pertinente a incidência de juros de mora sobre seu montante a partir do vencimento qualificado na autuação fiscal, imperativo que perfaz afastar a pretensão final trazida na impugnação. CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTE a peça impugnatória do contribuinte. Cientificado do acórdão prolatado pela DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário, que a seguir se resume (eventuais destaques são do original), uma vez preenchidos os requisitos para a sua admissibilidade. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A exemplo da peça impugnatória, inicialmente traça um breve resumo (o mesmo) dos fatos ocorridos, trazendo, entretanto, novos elementos de defesa que a seguir se passa a descrever (eventual destaque pertence ao original): II PRELIMINARMENTE II.1 Da Nulidade do Acórdão da DRJ Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.158 27 Inovação Como relatado anteriormente, os autos de infração que deram origem ao presente processo foram lavrados pelo fato de a Fiscalização entender, em síntese, que o referido ágio não poderia ter efeitos fiscais, pois decorreria de operação (i) desprovida de propósito negocial; (ii) viabilizada com a indevida utilização de empresa veículo (Abaetê); e (iii) que já teria dado ensejo à amortização fiscal de outro ágio (Ágio I). Todavia, DRJ, ao apreciar a peça impugnatória do Recorrente, inovou o fundamento do lançamento resumido acima, alegando/insinuando que no presente caso: a) o ágio pago seria artificial/"interno" b) seria possível a aplicação dos dispositivos da Lei n. 6.404/76 (Lei das S/A) relativos ao direito de retirada/de recesso; c) seria aplicável o disposto no art.299 do RIR/99 estando a dedutibilidade da despesa com amortização de ágio sujeita a avaliação da sua necessidade, normalidade e usualidade; d) teria ocorrido uma evasão tributária, por meio da "prática de abuso de direito"; e e) o laudo apresentado seria "irrelevante", por apresentar posicionamento supostamente dissonante da "concreta motivação" do Grupo Bradesco. Ademais, de modo a justificar e aperfeiçoar o lançamento da CSLL, feito sem fundamentação própria pela Fiscalização, a Turma Julgadora em seu acórdão, ora recorrido, houve por bem trazer novos argumentos e indicar atos normativos que nem sequer haviam sido citados na autuação. Neste ponto, conforme será melhor tratado adiante, a Turma Julgadora baseouse na Instrução Normativa SRF 390/2004 como forma de manter a exigência da CSLL, o que não poderá ser admitido por este E. CARF, uma vez que tal ato normativo é totalmente insubsistente, tendo em vista que não possui qualquer base legal. Deveras, [...] a fundamentação utilizada pela DRJ é distinta daquela utilizada pelo Agente Fiscal para autuar o Recorrente. Assim, verificase, claramente, pelo cotejo entre o TVF e o acórdão recorrido, que a DRJ inovou os fundamentos da autuação fiscal, o que não pode ser admitido, sob pena de indevida intromissão da competência outorgada à autoridade lançadora. Na realidade, o que se constata é que no acórdão atacado a Delegacia de Julgamento, tendo se deparado com uma eventual deficiência do trabalho fiscal, optou, sem qualquer motivo aparente, por punir o Recorrente com o não acolhimento da sua Impugnação, ao invés de julgar o lançamento improcedente como seria de rigor. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.159 28 Com efeito, as Delegacias de Julgamento não podem interferir nos lançamentos, na medida em que têm a sua competência limitada à realização do julgamento de 1a instância, com base nos elementos trazidos pelas partes, e não inovar e imputar novas supostas infrações ao sujeito passivo. [transcreve o art.142 do CTN, cita Decreto n.70.235/72 e excerto de decisão do STJ, onde arremata que o Auditor Fiscal e a Delegacia de Julgamento possuem competências distintas] Não obstante os ditames legais mencionados, se constata que, no caso concreto, aquela Turma Julgadora adotou a equivocada postura de tentar "consertar" a autuação ao verificar que esta contém deficiências, apresentando alegação que não foi trazida pelo Sr. Agente Fiscal no decorrer da auditoria fiscal e na realização do lançamento. No entanto, este ato não pode repercutir qualquer efeito neste caso, uma vez que constitui uma transposição da competência outorgada às Delegacias de Julgamento, o que, como visto há alguns parágrafos, não é admitido pelo ordenamento jurídico vigente.[...] Omissões De fato, do confronto entre as razões apresentadas na peça impugnatória do Recorrente e as alegações insertas na decisão recorrida constatase que a Delegacia de Julgamento inexplicavelmente se omitiu sobre diversos pontos essenciais ao deslinde do presente processo administrativo, afetando, assim, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pelo Recorrente. Neste sentido, vejase que no Tópico I.2 da Impugnação do Recorrente, foram trazidos inúmeros fatos e documentos para demonstrar a existência de propósito negocial nas operações examinadas nestes autos. Contudo, a Delegacia de Julgamento, ao abordar a questão, preteriu o exame de todos os esclarecimentos e documentos mencionados no parágrafo anterior, preferindo, sem qualquer lógica aparente, embasar o seu entendimento apenas nas suas presunções, que não estão embasadas em qualquer documento e tampouco levam em consideração o contexto fático em que tais operações ocorreram. Com efeito, examinandose o acórdão recorrido identificamse diversas passagens em que a Delegacia de Julgamento faz afirmações incisivas no sentido de que seria "patente a inexistência de qualquer motivação razoável para a passagem desta negociação pela ABAETÊ", mas nenhum parágrafo do acórdão foi dedicado em demonstrar as razões pelas quais a Turma Julgadora firmou esse convencimento, bem como não há qualquer desqualificação de todo o contexto fático e a documentação trazida aos autos pela Recorrente. Que a inconformidade do Recorrente neste ponto não é com o fato de que a DRJ não concordou com as razões trazidas na impugnação, mas sim porque ela nem sequer enfrentou tais razões. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.160 29 A omissão no presente caso foi tamanha que a Delegacia de Julgamento chegou ao extremo de aduzir, de forma inovadora, que no presente caso se estaria diante de ágio interno e/ou artificial, quando se encontram nos autos, mais especificamente nos documentos juntados durante a auditoria fiscal, todos os comprovantes dos pagamentos em dinheiro feito pela Abaetê aos antigos acionistas da Ágora (vide fls.189 e seguintes dos autos). Assim, nesta conjuntura, sob a ótica do Recorrente, os argumentos trazidos em sua Impugnação restaram intocados, sendo desarrazoado, portanto, a manutenção da autuação que deu origem a esta lide. Que a Delegacia de Julgamento não fez uma menção sequer ao art.981 do CC, citado na Impugnação, o que constitui em mais uma omissão. Além disso, o Recorrente demonstrou no tópico III.4 da sua Impugnação (i) que existiam outras estruturas societárias que poderiam ter sido implementadas pelo Grupo Bradesco, as quais também resultariam no aproveitamento do Ágio II; e (ii) que a única norma que poderia ter sido aventada para a desconsideração de uma operação supostamente sem substância econômica seria o parágrafo único do artigo 116 do CTN, mas que este não poderia ser aplicado, pois depende de lei ordinária. Que a DRJ novamente desprezou tais razões, o que configura outra omissão. Transcreve o parágrafo primeiro do artigo 489 do novo CPC, cuja aplicação ao processo administrativo se dá de forma supletiva e subsidiária, onde arremata que a Autoridade Julgadora deve se pronunciar sobre todos os argumentos suscitados no processo "capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador." No caso concreto, é evidente que o reconhecimento do contexto fático apresentado no item I.2 da Impugnação do Recorrente levaria, consequentemente, à conclusão de que as operações examinadas nestes autos possuem propósito negocial, razão pela qual se infirmaria a conclusão de que os autos de infração originários deste processo deveriam ser mantidos. Da mesma forma, o reconhecimento de que o efeito fiscal obtido com a estrutura societária questionada poderia ser obtido por meio de outras estruturas (inclusive a aquisição direta, como sugerido pela Fiscalização), infirmaria a conclusão da DRJ de que as operações fiscalizadas teriam objeto exclusivamente fiscal e realizada entre as partes relacionadas. Portanto, tendo em vista que, como comprovado acima, a Delegacia de Julgamento não detém a competência necessária para "ajustar", "consertar" ou "aperfeiçoar" o lançamento, bem como considerando que ela deixou de se pronunciar sobre questões relevantes e essenciais ao deslinde do caso, resta incontestável que é nulo o seu acórdão, uma vez que se tratou de ato praticado com preterição do direito de defesa do Recorrente, nos termos do inciso II do art.59 do Decreto 70.235/72. [...] Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.161 30 Os demais tópicos trazidos no presente Recurso Voluntário são aqueles já trazidos na Impugnação, já relatoriados, e serão oportunamente comentados neste Voto. VOTO VENCIDO Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Relator Da admissibilidade do Recurso Voluntário O Recurso Voluntário atende os requisitos de admissibilidade, portanto, delo conheço. Da possibilidade do Fisco questionar a origem do ágio amortizado A Recorrente alega que faleceria ao Fisco o direito de questionar a formação do ágio, por meio dos autos de infração ora combatidos, uma vez já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos contados do surgimento do ágio, ocorrido em 2008, quando da aquisição da participação societária que lhe deu origem. Não houve a alegada decadência. De se mostrar. O prazo decadencial para a constituição de ofício do crédito tributário é contado, em regra, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, a seguir reproduzido: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)”Excepcionalmente, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a norma de contagem do prazo decadencial é antecipada da regra geral para a regra especial prevista no art. 150, §4º do mesmo diploma legal: “§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Portanto, os prazos decadenciais previstos no CTN em desfavor do Fisco limitam sua possibilidade de constituir o crédito tributário mediante a atividade administrativa do lançamento. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.162 31 Os fatos ora discutidos têm origem no anocalendário 2008, quando houve a apuração de um ágio, cuja amortização foi considerada indedutível para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da contribuinte, ora autuada. O lançamento diz respeito a fatos geradores anuais do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ocorridos em 31/12/2011, 31/12/2012 e 31/12/2013, sendo que a ciência dos Autos de Infração se deu em 05/12/2016. Embora o ágio em discussão tenha sido gerado em 2008, a conclusão do autuante de que houve o cometimento de infração fiscal foi apurada a partir dos elementos da escrituração contábil da contribuinte dos anoscalendário de 2011 a 2013. Portanto, ainda que o ágio tivesse sido gerado em 2008, os efeitos sobre o patrimônio e o resultado da pessoa jurídica contestados pelo autuante são aqueles ocorridos a partir de 2011, portanto é a partir do fato gerador ocorrido neste ano (fato gerador anual) que se inicia a contagem do prazo decadencial. A Fazenda Pública poderia verificar os fatos de 2008 que influenciaram a apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário seguintes (art.37 da Lei 9.430/96). Verificação de ocorrência de Decadência Anos Calendário 2011, 2012 e 2013 Considerandose o fato gerador anual em 31/12/2011 (mais antigo considerado no Auto de Infração), nos termos do disposto no §4º do art.150 do CTN (supra), o prazo para constituição de crédito tributário (lançamento de ofício) findaria em 31/12/2016, portanto, como a Interessada foi cientificada dos Autos de Infração em data anterior (05/12/2016), não ocorreu a decadência para este ano de 2011. Reproduzo a acertada conclusão da decisão recorrida: O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a partir do montante de amortização efetuada no respectivo períodobase, e não com o seu registro original. Obviamente que para os anos seguintes, 2012 e 2013 (anual), não terá ocorrido a decadência. De se rejeitar, portanto, a preliminar de decadência. Demais alegações preliminares Conforme relatoriado, a Recorrente trouxe também várias alegações que, em seu entendimento, levariam à nulidade do Acórdão proferido pela DRJ. Tais questões serão oportunamente comentadas no presente Voto, quando do exame do mérito da autuação, o que se passa a fazer. Do Mérito A questão a ser enfrentada é verificar se há embasamento legal para a Recorrente deduzir, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização de ágio registrado em sua contabilidade, decorrente de determinadas operações societárias que culminaram com a transferência ao Banco Bradesco BBI S/A (doravante citada como BBI S/A), por meio de incorporação, de ativo que continha o registro de ágio. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.163 32 Do Termo de Verificação Fiscal TVF em parte reproduzido no Relatório deste Voto, percebese que estamos diante de caso relativo à aquisição de participação societária (com ágio), seguido de incorporação entre as empresas envolvidas, tendose constatado neste cenário a figura da já conhecida empresa veículo. Já tive a oportunidade de participar em vários julgados envolvendo esta questão específica, onde nos deparamos com a seguinte situação: a aquisição de um investimento com reconhecimento de ágio, que, posteriormente, é transferido e aproveitado (fiscalmente, por incorporação), ora entre empresas ligadas, ora entre empresas sem ligação societária comum, mas por meio de utilização de empresa veículo, o que vem a subverter, de maneira primária, a norma tributária que rege o assunto. De se mostrar, então, o que aconteceu. Informa a autoridade autuante (item 09 Lançamento, TVF) que nas DIPJ da empresa BBI S/A, encontrase o registro, de despesas de amortização de ágio (nos anos calendário de 2011 a 2013) em contas de resultado, decorrente de ativo que constava na empresa Abaetê Holdings Ltda., então incorporada pela BBI S/A. Tendo em vista que as amortizações deste ágio vingaram em, pelo menos, tres anoscalendário (objeto do presente lançamento), a Recorrente reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 156.617.375,07, conforme consta no TVF. Que transações foram estas que houveram com a Abaetê Holdings Ltda (incorporada pela BBI S/A, ora Recorrente) que lhe permitiram o registro de amortizações desta natureza e desta magnitude? Já vimos, conforme relatoriado, que tratouse de contabilização de amortização de ágio e que apareceu por força de uma incorporação em uma empresa, a Abaetê Holdings Ltda, que mantinha em seu ativo o investimento adquirido com ágio. E como este ágio lá na empresa Abaetê Holdings Ltda foi originado? De se reproduzir alguns fatos que constam no TVF e que ocorreram anteriormente à incorporação da Abaetê Holdings Ltda pela BBI S/A., e que contribuem para contextualizar o cenário do surgimento do ágio em questão. De se ver. Aquisição da empresa Ágora Holdings S/A A Recorrente BBI S/A, controlada pelo Banco Bradesco S/A, adquiriu a empresa Ágora Holdings S/A, mediante o pagamento com ações de sua emissão, que totalizaram 362.625.150 ações, então entregues aos proprietários daquela empresa, operação que resultou em um ágio da ordem de R$ 491.547.959,72, sendo posteriormente a empresa Ágora Holdings S/A incorporada pela Recorrente BBI/SA, ocasião em que a composição societária do BBI S/A passou a conter os seguintes acionistas: Banco Bradesco S/A com 92,2% do capital da BBI S/A e os ex proprietários da Ágora Holdings S/A com 7,8%, conforme consta no TVF. Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.164 33 Estas operações, de aquisição do controle da Ágora Holdings S/A seguida de sua incorporação pela BBI S/A não tiveram repercussão tributária no presente lançamento. O ágio (Ágio I, conforme assim denominado pela Recorrente) foi considerado legítimo, assim como sua posterior amortização (dedução) fiscal. Voltemos, então, para a situação que originou a glosa da amortização do então denominado Ágio II, objeto do presente lançamento. Constituição da empresa Abaetê Holdings Ltda. A Abaetê Holdings Ltda foi constituída em 26/08/2008 com capital social de R$ 1.000,00 (1000 cotas) sendo sócias a Bradesplan Participações Ltda. e a União Participações Ltda., com 999 cotas e uma cota, respectivamente, sendo que após setenta dias de sua constituição, em 04/11/2008, (i) Bradesplan retirase da sociedade transferindo suas cotas para o Banco Bradesco S/A. e (ii) se decide por um aumento do capital social da ordem de R$ 495.800.000,00 totalmente subscrito pelo Banco Bradesco S/A. em dinheiro, que passa a deter 99,99% do capital da Abaetê Holdings Ltda. E neste mesmo dia, a Abaetê Holdings Ltda. adquire 194.843.569 ações de emissão da BBI S/A, que pertenciam aos antigos proprietários da Ágora, e que representavam 53,73% das ações então entregues como pagamento pela aquisição da Ágora. Nesta operação foi apurado um ágio, conforme segue: Valor Pago na aquisição R$ 495.746.971,69 Valor Patrimonial das ações adquiridas ( 234.718.013,13) Ágio apurado (Ágio II) R$ 261.028.958,46 Com esta aquisição, a Abaetê Holdings Ltda. (controlada pelo Banco Bradesco S/A) passou a deter 4,18% do capital da BBI S/A e os exproprietários da Ágora passaram a deter 3,61%. Da alegação de inovação nos fundamentos da decisão da DRJ Oportuno neste momento comentar a alegação da Recorrente de que a decisão da DRJ teria inovado em seus fundamentos de decidir, quando teria afirmado que aqui se estaria lidando com ágio interno ou ágio de si mesmo. Conforme relatoriado, vimos que as ações (da BBI) adquiridas pela Abaetê eram dos exproprietários da Ágora, de forma que se deu entre partes independentes e com ágio, também legítimo. A alusão feita pelo Relator da DRJ, a que se refere a Recorrente, devese, por certo, a comentários assumidos em face da incorporação havida (que transferiu o ágio), em função de algumas passagens do TVF, de onde o Relator da decisão recorrida, assim se manifestou na condução de seu voto (o destaque é meu): Por sinal, consoante ilustrado no curso da fase investigatória, no interstício de tempo concernente à produção da seqüência de atos que Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.165 34 determinaram a mensuração do suposto ágio, não mais havia independência das partes envolvidas nas respectivas avenças. Neste contexto, agregouse o sobrepreço derivado da recompra de ativos mobiliários de emissão do próprio impugnante, proporcionando lhe a faculdade de amortização do ágio amparado em atos societários de natureza meramente formal idealizados entre partes não independentes à época da concretização dos fatos. A transação implicou na ocorrência da figura do ágio de si mesmo a partir do reconhecimento contábil de sobrepreço na recompra das ações do próprio BBI (impugnante). Os atos societários (incorporação) foram, sim, realizados entre partes não independentes, afinal ambas as empresas, a Recorrente BBI S/A e a Abaetê, possuem o mesmo controlador, no caso o Banco Bradesco S/A Portanto, de se afastar qualquer afirmação contida na decisão recorrida acerca de eventual artificialidade do ágio surgido, até porque, não obstante o comentário feito, a decisão recorrida segue nos passos do que contém o TVF, naquilo que centraliza o litígio posto: a utilização de empresa veículo. Neste sentido reproduzo excertos da decisão recorrida: Demonstrouse que a BBI não suportou qualquer ônus associado ao negócio jurídico, muito embora a incorporação determinou a transferência contábil da importância referente ao ágio reconhecido no patrimônio da empresaveículo (ABAETÊ). [...]A ABAETÊ serviu de instrumento ao alcance de um propósito não negocial do grupo econômico, porquanto a finalidade de sua efêmera existência não se prestou aos fins da atividade empresarial inserta em seus atos societários, mas, tão somente, propiciar a execução de um planejamento tributário abusivo com repercussão na apuração da tributação do IRPJ e da CSLL. O reconhecimento da operação com esta formatação evidencia a ocorrência de uma motivação convergente à obtenção de uma vantagem fiscal imprópria advinda de prática empresarial lesiva ao erário público, ratificando a carência de propósito negocial não tributário no engendramento dos métodos aplicados no curso da reorganização societária. Portanto, de se rejeitar a alegação de nulidade da decisão recorrida, uma vez que o aludido comentário tinha uma outra conotação, que não a dada pela Recorrente. Da Incorporação da Abaetê pela Recorrente (BBI S/A) Relembrando, em 11/12/2009 a empresa Abaetê (controlada pelo Banco Bradesco S/A) foi incorporada pela investida, a BBI S/A S/A (controlada pelo Banco Bradesco S/A), tendo esta empresa (a Recorrente) passado a amortizar o ágio decorrente de valorização de suas próprias ações, quando da aquisição feita por Abaetê. Oportuno reproduzir excertos do TVF: Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.166 35 7 Legislação O Grupo Bradesco pretendeu desde o inicio, obter o incentivo fiscal presente nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, e, para alcançar este objetivo, promoveu indevidamente a amortização do ágio previsto na referida norma mediante reorganizações societárias. [...] Diante do exposto, é fácil perceber que a Abaeté foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transferir o ágio para o Bradesco BBI e assim possibilitar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na Abaeté (empresa veículo) não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fezse necessário que este ágio fosse transferido para a empresa geradora de lucros suficientes à amortização do ágio no caso para o Banco Bradesco BBI. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. A Lei n. 9.532/97, art.7 e seus parágrafos, com transposição no artigo 386 do RIR/99, trata do registro contábil do ágio e permite sua amortização fiscal desde que o investidor justifique e fundamente o pagamento do ágio sobre a parte ou o total do capital da empresa investida, verbis: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.167 36 § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária”. [...]O Grupo Bradesco estaria proibido de amortizar, para fins tributários, o ágio oriundo da aquisição das ações do Banco Bradesco BBI, exceto no caso de alienação ou liquidação da participação societária, o que não ocorreu (norma contornada, art. 391, do RIR/99). Para fugir a esta proibição o Grupo Bradesco montou uma estrutura negocial que se enquadrava à norma de contorno (artigo 386, III cc § 6°, II, do RIR/99), ou seja, usou a Abaeté, sua controlada, para servir de meio para o reconhecimento do ágio para, logo após, promover a sua incorporação pelo Banco Bradesco BBI. Aqui reside o que entendo ser a parte mais contundente de toda a estória, que dá razão e credibilidade ao lançamento tributário (glosa de despesas com amortização de ágio). Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.168 37 A questão que ora se analisa requer algo mais que a simples constatação da licitude de cada uma das operações realizadas. Para além da legalidade de cada ato individualmente considerado, impõese a verificação do conjunto de operações, em face dos princípios que informam o ordenamento jurídico. Uso de empresaveículo No presente c a so ,a única função da empresa ABAETÊ, no conjunto de operações realizadas, foi permitir a amortização de ágio pela BBI S/A S/A, sem que sua existência tenha qualquer função econômica que não essa. De se mostrar. A autoridade autuante destacou uma série de fatos/situações que a levou a concluir pela constatação de que a empresa ABAETÊ serviu apenas para possibilitar a amortização do ágio nos termos do art.386 do RIR/99, ou seja, que se estaria diante de uma empresa veículo, assim denominada pela jurisprudência/doutrina como aquelas empresas que são constituídas exclusivamente para permitir a utilização do benefício fiscal contido naquele artigo. Tais empresas nestas condições só serviriam para conduzir o investimento adquirido com ágio, por meio de uma incorporação (no caso), o que, segundo os mentores desta operação societária, daria o devido respaldo legal para a questionada amortização do ágio. A autoridade autuante concluiu que a empresa ABAETÊ foi apenas uma empresa veículo e que, na realidade, o real adquirente das ações que pertenciam aos antigos proprietários da Recorrente foi seu controlador, o Banco Bradesco S/A. A convicção da autoridade autuante está associada a um conjunto de situações e fatos, que a seguir destacamos, extraídos do TVF: • ABAETÊ foi constituída em 26/08/2008, inicialmente com capital social de R$ 1.000,00, sendo 99% integralizado pela BRADESPLAN e o restante pela União Participações Ltda; em 04/11/2008, BRADESPLAN transfere suas ações para o Banco Bradesco S/A, o qual injeta R$ 495.800.000,00 no capital social da ABAETÊ; • neste mesmo dia a ABAETÊ adquiriu as ações da BBI que estavam de posse dos antigos acionistas da Ágora, ocasião em que gerou ágio na aquisição (Ágio II); • em 11/12/2009, a ABAETÊ foi extinta por incorporação pelo BBI, empresa aquela que teve apenas uma única atividade em sua existência, a participação na BBI; • com a incorporação de ABAETÊ pela BBI, esta passou a amortizar o ágio decorrente de sua própria valorização (rentabilidade futura); A Recorrente alegou durante a fase de fiscalização que as justificativas são aquelas que constam no Protocolo de Justificação de Incorporação, tais como simplificação de estrutura societária, redução de custos administrativos e eliminação da participação indireta no BBI. Disso não se trata. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.169 38 Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Vale dizer: até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresaveículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve uma certa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, em determinada operação, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar recursos. No caso dos autos, essa empresa veículo ou de passagem (ABAETÊ), por sua vez, sustentandose nos recursos que nela foram aportados pelo Banco Bradesco S/A (seu controlador), adquiriu participação societária na BBI S/A com pagamento de ágio e, posteriormente, foi incorporada por sua investida, a qual considerou, indevidamente, a dedutibilidade da contrapartida da amortização do ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em uma interpretação totalmente equivocada do art.386 do RIR/99. A Recorrente alegou que "a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária que não ocorreria se a aquisição do Recorrente fosse realizada diretamente pelo Banco Bradesco, como inclusive chegou a sugerir o Sr. Agente Fiscal." O Banco Bradesco S/A, controlador da ABAETÊ, se houvesse feito a aquisição diretamente, não poderia terse beneficiado da amortização do ágio para fins tributários, a menos que fosse objeto de incorporação ou alienasse o ativo gerador do ágio. A Recorrente alega que tal aquisição demandaria uma "série de aprovações internas, de acionistas e de órgãos reguladores..."e que a posterior incorporação demandaria "uma complexa reorganização societária entre as duas sociedades" e outras situações, além de que, "também não era interessante ao Grupo Bradesco." Até entendo que haveria um trabalho maior, mas não houve dificuldades para o Banco Bradesco S/A aprovar e despejar quase R$ 500 milhões de reais em uma empresa com R$ 1.000,00 de capital social, unicamente para adquirir as ações da BBI, operação esta que, parece, não sofreu qualquer restrição ou impedimento/questionamento de seus acionistas. Evidente que o Banco Bradesco S/A, controlador da Recorrente, não desejava alienar as ações que indiretamente foram adquiridas pela ABAETÊ (também controlada pelo banco), assim como, por óbvio, não era de seu interesse incorporar a Recorrente para apenas se aproveitar da dedução fiscal do ágio, daí a razão da criação da ABAETÊ, totalmente controlada pelo Banco Bradesco S/A. Assim, e apenas para poder valerse da norma de dedutibilidade do ágio na aquisição de investimentos (no caso, nas ações da BBI), prevista no art. 8o da Lei no 9.532/97, o Banco Bradesco S/A utilizouse de uma empresa controlada, constituída e utilizada exclusivamente para este fim, o que não se pode aceitar como situação que pudesse se encaixar no disposto no art.386 do RIR/99, pois foge totalmente da finalidade daquela norma, como já mostramos. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.170 39 Aqui não se trata, conforme aventado pela Recorrente, de eventual ingerência pela autoridade fiscal em sua atividade, tratase, isto sim, de desconsiderar, apenas para fins fiscais, a operação de incorporação efetivada pela Recorrente junto a ABAETÊ. Certamente, se o Banco Bradesco S/A tivesse adquirido diretamente as ações da Recorrente, como de fato afirmou a autoridade lançadora, estaria o banco apto legalmente a amortizar fiscalmente o debatido ágio em questão, nas situações previstas na legislação tributária, ocorre que assim não foi feito. A questão não requer muitas divagações, devese ter em mente que o ágio representa um custo (se o investimento for alienado) ou despesa se for objeto de amortizações. A legislação permite que o ágio possa ser amortizado, impedindo, entretanto, sua dedução fiscal, confirme consta no art.391 do RIR/99, ressalvado o disposto no art.426 do RIR/99 (alienação do investimento). Ainda, a possibilidade (fiscal) de deduzir o ágio na apuração do lucro restringe se ao caso previsto no art. 386, III, do RIR/99 (art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97), qual seja: em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Ao contrário do que entende a Recorrente, a utilização de empresa intermediária (ou veículo), sem qualquer função empresarial real distinta do investimento com ágio, está, sim, vedada pelo dispositivo do art.386 do RIR/99. Não há lógica em supor que a Lei Tributária admitiria ou até incentivaria a criação de empresa intermediária, sem função empresarial, como se depreende das teses da Recorrente. Se a pessoa jurídica ABAETÊ não praticou ato algum de forma autônoma, independente, mas foi criada/utilizada exclusivamente para figurar como “intermediária” em lugar da efetiva interessada, Banco Bradesco S/A, todos os atos dos quais a primeira participa se mostram artificiais. A Lei não autorizou expressamente (e nem poderia) que o contribuinte se beneficie de amortização de despesas originadas em negócios desta natureza. Não é possível admitir, sob pena de aceitar incompatibilidade no ordenamento jurídico, que a lei tenha autorizado a dedução fiscal de ágio mediante operações que não refletem a realidade, sem efetivo propósito, como no caso, a criação da empresa intermediária sem qualquer finalidade. Por outro lado, não se encontra na legislação autorização para aproveitamento do ágio quando, ao final da operação, o verdadeiro adquirente (Banco Bradesco S/A) e o adquirido (Recorrente) remanescem existindo, sem que haja união do patrimônio dessas sociedades. Reproduzo novamente o texto legal do caput do art.386 do RIR/99: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.171 40 no art. 20 do DecretoLei nº1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) [...]III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998). Então, o que se persegue é o que alguns chamam de confusão patrimonial, que nada mais é do que a união dos patrimônios das empresas envolvidas, a real investidora (que adquiriu a participação societária com ágio) e a investida, ocasião em que a amortização do ágio passa a ser autorizada com efeitos imediatos na base de cálculo do IRPJ. Isto porque, aquele custo maior (ágio) desembolsado pela investidora, ao se fundir com os lucros gerados pela investida, por meio da incorporação, resulta na permissibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, pois agora há uma comunicação direta entre a despesa de amortização deste ágio e as receitas auferidas pela investida. Argumenta a Recorrente que mesmo que tivesse ocorrido a aquisição pelo Banco Bradesco S/A das suas ações, então detidas pelos antigos acionistas da Ágora, o ágio poderia ter sido amortizado, descrevendo as hipóteses que entende serem alternativas válidas e que apontariam o mesmo caminho, qual seja o direito à amortização do ágio. Contudo, ainda que outras formas de reorganização societária permitissem amortização de ágio, o fato é que adotou a Recorrente a criação de empresa intermediária (veículo) exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, e isto caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. Reitero: os atos concretos da Recorrente demonstram que a verdadeira adquirente do investimento foi o Banco Bradesco S/A, o qual criou ou utilizouse de empresa já constituída do Grupo, a empresa intermediária/veículo ABAETÊ, ocasião em que aportou os recursos necessários para a aquisição do investimento, mediante aumento de capital. Essa empresa veículo, em seguida, adquiriu o investimento com ágio e depois foi incorporada pela empresa investida (Recorrente), que passa a amortizar o ágio. Dessa forma, o investimento mantevese na real adquirente (Banco Bradesco S/A, controlador da BBI), que permaneceu com sua participação na BBI detendo seu integral controle. O procedimento realizado não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que, ao final das operações realizadas, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora original, diversamente do que se extrai da lei. Por sua vez, o Banco Bradesco S/A, embora tenha cedido os recursos, procura se desvencilhar de sua condição de real adquirente das ações da BBI então detidas pelos acionistas da Ágora e esquivouse de, depois, incorporála (ou ser por ela incorporada), para, somente a partir daí, poder amortizar o ágio. Ao invés disso, utilizou empresa intermediária, Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.172 41 criada exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, o que caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. Nesse contexto é que, além de não restar superada a constatação fiscal de que o ônus da aquisição das ações da Recorrente então detidas pelos acionistas da Ágora foi suportado efetivamente pelo Banco Bradesco S/A, apontou a Fiscalização que não há como prosperar a possibilidade de dedutibilidade por uma pessoa jurídica, de ágio originado na aquisição, de quotas dela mesma, por uma empresa criada somente para tal operação de aquisição (empresa intermediária ou empresa veículo). Da alegação de Nulidade da Decisão Recorrida Não obstante, a Recorrente ainda alegou que a decisão recorrida não se manifestou sobre "outras estruturas societárias que poderiam ter sido implementadas pelo Grupo Bradesco, as quais também resultariam no aproveitamento do Ágio", então descritas no tópico III.4 de sua Impugnação e que esta ausência de manifestação seria uma omissão grave o suficiente a demandar a nulidade da decisão recorrida. Ora, na decisão recorrida foram abordados os fatos que efetivamente aconteceram, qual seja, a utilização de empresa veículo, conforme assinalado no TVF. Eventuais suposições do que poderia acontecer, se o controlador da Recorrente tivesse tomado outros caminhos (citados pela Recorrente) não cabe mesmo aqui discutir, sob pena de ficarmos debatendo situações outras que não a objeto do litígio posto. Assim como não procede a alegação de que, na decisão recorrida, não constaria comentário acerca do art.981 do CC, citado na Impugnação, o que acarretaria uma outra omissão capaz de acarretar a nulidade da decisão da DRJ. Ora, evidente que não se desconhece a legalidade de existência de empresas com uma única atividade ou com apenas um negócio específico, o que não se pode aceitar é esta utilização, nos termos em visto nos autos, para fins de redução indevida de tributos. Assim como não procede sua outra alegação de que, na decisão recorrida, não constaria comentário acerca do art.116 do CTN, citado na Impugnação, o que acarretaria também uma omissão capaz de acarretar a nulidade da decisão da DRJ. Ora, este artigo sequer foi mencionado no TVF e, esclareçase, o julgador não precisa ficar rebatendo tudo que é trazido na defesa, basta detectar e analisar os pontos que, diretamente, estão associados ao LITÍGIO, que é o que foi feito pela DRJ e que ora se faz no presente Voto. Da alegação de Nulidade da Decisão Recorrida Em outra alegação desta natureza, agora requer a nulidade porque a decisão recorrida teria comentado o seguinte: Manifestada a intenção de venda das ações da BBI, ante a perda da affectio societatis quanto à permanência na gestão dos negócios da instituição financeira, caberia aos exacionistas da ÁGORA promover o exercício do direito de recesso (art. 109 da Lei das S/A) e oportuna Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.173 42 deliberação da data de reembolso de equivalente importância dos ativos mobiliários (art. 45 da Lei das S/A) aos seus beneficiários. A Recorrente tece suas explicações acerca de tal dispositivo da Lei das S/A, que se trataria de situações envolvendo os chamados acionistas dissidentes e comenta outros dispositivos desta mesma lei. Evidentemente que a citação trazida na decisão recorrida não tem os efeitos que a Recorrente lhe atribui, pela simples razão de que tal sustentação do Relator da DRJ adequada ou não não foi a razão de decidir conforme já fartamente demonstrada neste Voto. Nas palavras do Relator da DRJ, o seu foco no litígio: Além disto, admitido o fracionamento do pagamento da aquisição da ÁGORA mediante entrega de participação societária da BBI, patente a inexistência de qualquer motivação razoável para a passagem desta negociação pela ABAETÊ. Quando o Relator constata que os exacionistas manifestaram seu desejo de alienar as ações da BBI, seja porque motivo for, e a Recorrente alegou que isto seria uma motivação a mais para a utilização da ABAETE (agilidade na alienação), o fato é que o Relator está sinalizando, de maneira correta, que o Contrato celebrado entre as partes, prevê que a opção de venda das referidas ações do BBI poderia ser exercido a qualquer tempo pelos exacionistas da Ágora, o que, evidentemente, não ampara e nem dá o respaldo legal (propósito negocial) à operação societária em questão. Nas palavras do Relator da DRJ: Em suma, a opção pela passagem desta etapa da negociação pela ABAETÊ revelouse totalmente dispensável. Sob esta perspectiva, configurada a ocorrência de convenção entre particulares com evidente propósito de redução ilegítima da incidência tributária, circunstância esta inoponível ao Fisco. De forma que não procede esta alegação de que seria uma inovação capaz de acarretar a nulidade da decisão da DRJ. De outras alegações de Nulidade da Decisão Recorrida Em outra alegação desta natureza, agora requer a nulidade porque na decisão recorrida teria constado o seguinte: A recompra das ações da BBI com a atribuição de um ágio na transação evidenciou que se trata de uma despesa não necessária, anormal e de mera liberalidade do Grupo Bradesco. Aí, vem a Recorrente sustentar a nulidade porque a dedução fiscal da amortização do ágio não estaria sujeita aos critérios do art.299 do RIR/99. Ora, convenhamos que não há nada de errado na citação da DRJ que pudesse ter o caráter que lhe atribuiu a Recorrente, de inovação em sua razão de decidir, até porque tal dispositivo legal consta no enquadramento legal do lançamento. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.174 43 Quanto ao Laudo de Avaliação, em breve menção na decisão recorrida, de que seria irrelevante e fez um rápido comentário, de se dizer que isto não tem a menor importância, pois não houve nenhuma contestação ou restrição em seus valores, tanto por parte da autoridade lançadora como da parte do Relator da DRJ. Quanto à alegação de que na decisão recorrida os comentários do Relator da decisão da DRJ, acerca de eventual evasão tributária e/ou prática de abuso de direito, seriam inovadores, estranhos à autuação, também não vejo como isto possa ser encarado de tal maneira que pudesse a decisão recorrida estar inquinada de nulidade. Em várias passagens do TVF, percebemse alusões semelhantes ao comentado na decisão recorrida, como por exemplo estas a seguir, extraídas do TVF: Fica evidente que a criação e o funcionamento da Abaeté não almejou um amplo objetivo negocial, tendo em vista a artificialidade da operação que participou. [...] Desta forma, não há razão para se aceitar esta construção arquitetada pelo Bradesco BBI para possibilitar a amortização do ágio para fins tributários efetuada através da montagem de operações estruturadas em seqüência, utilizandose de uma empresa sem atividades operacionais, como uma estruturação societária com o único objetivo de permitir a amortização do ágio, uma empresa fictícia, pois se assim não procedêssemos, poderíamos abrir caminho para o uso da fraude à lei a todos àqueles que fossem adquirir uma participação societária com ágio e que não pretendessem absorver o patrimônio da investida, por incorporação, fusão ou cisão, conforme disposto no art. 386 do RIR/99. Ao fazer um comentário às várias citações de obra de Marco Aurélio Greco, temos o seguinte no TVF: Salientese que, como o Professor Greco, não negamos ao contribuinte a liberdade individual de organizar seus negócios de modo a pagar o menor tributo, mas questionamos os meios do seu exercício. O próprio ordenamento jurídico impõe limites ao exercício dessa liberdade, constituindo abuso de direito a extrapolação destes limites. Portanto, de se rejeitar as preliminares (todas) invocadas pela Recorrente acerca de nulidade da decisão recorrida. Lançamento Decorrente CSLL Na sequencia o Recorrente alega não haver previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização do ágio considerada indedutível pela fiscalização. Que o próprio autuante não teria mencionado o dispositivo legal a embasar tal adição o que ratificaria sua argumentação. Que a decisão recorrida teria inovado ao trazer em seu bojo a IN SRF 390/2004. Colaciona também ementário administrativo que estaria a corroborar seu entendimento. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.175 44 A despeito do entendimento firmado nos julgados administrativos colacionados, segundo os quais não se poderia utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição das despesas com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, é de reconhecer exatamente o contrário. Ora, o citado dispositivo reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Também seria desnecessário a existência de um comando legal que autorize a exclusão, por exemplo, dos resultados positivos de participação societária (investimentos), na determinação da base de cálculo da CSLL, exatamente por adoção do artigo 57 da Lei 8.981/95 em questão, que, no caso, decorre da própria lógica contábil da metodologia de escrituração daqueles investimentos, construída pela legislação comercial e fiscal, buscando a manutenção dos referidos ganhos à margem da incidência tributária. Em sentido contrário, como a legislação do IRPJ determina a adição dos resultados negativos de participação societária (avaliados pelo MEP) na determinação do lucro real, objetivando igualmente a que esses valores deduzidos na escrituração contábil não influenciem o lucro real do período, igualmente devem ser adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, em conformidade com a intenção do legislador de mantêlos distanciados da tributação das aludidas operações, agora pelo lado da redução da base imponível. É esse também o entendimento da Administração Tributária já de longa data, conforme se constata da Decisão SRRF/8ª nº 333, de 2000, publicada no DOU de 20/03/2001, na qual a Superintendência Regional da 8ª Região Fiscal da SRF, em processo de consulta concluiu que “(…) a amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL. O valor amortizado deverá ser controlado para fins de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento”. Já a Instrução Normativa (IN) SRF nº 390, de 30/01/2004, ao consolidar as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL, dispôs em seus artigos 18 e 75, sobre as regras a serem seguidas pelas pessoas jurídicas que adquirem investimentos avaliados pelo patrimônio líquido (Equity), relativamente àquela contribuição social, adotando o mesmo disciplinamento contido na legislação do IRPJ, quanto ao registro e ao tratamento a ser dispensado ao ágio e ao deságio a eles referentes inclusive no que concerne à sua amortização na determinação do lucro real (artigos 384 e seguintes do RIR/99). Portanto, conforme se depreende das disposições acima, o juízo feito pela Administração Tributária, consubstanciado nos citados atos normativos, corrobora o entendimento acerca da aplicabilidade do comando contido no artigo 57, da Lei nº 8.981, de 1995, à hipótese aqui tratada, ao prever para a CSLL as mesmas regras e condições de dedutibilidade de amortização do ágio existentes em relação ao IRPJ. Ainda, não nos olvidemos que houve desconsideração por parte da fiscalização, por esta entender tratarse de um planejamento tributário inoponível ao Fisco. Ora, se as despesas com amortização do ágio não podem ser deduzidas do lucro real pelo fato do Fisco entender ter havido a utilização da denominada “empresa veículo”, sem propósito negocial, Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.176 45 com o fim de se obter economia tributária por meio de utilização indevida do benefício fiscal previsto no art.386 do RIR/99. Há um vício nas operações que levaram à dedutibilidade, o que não pode ser admitido nem para o IRPJ e nem para a CSLL, por decorrência lógica. Desta maneira, reputamse perfeitos os lançamentos efetuados no que diz respeito a esta questão. Da alegação de impossibilidade de exigência da multa de ofício Alega a Recorrente que, dependendo do resultado do julgamento, por exemplo, se for por voto de qualidade, "razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração" e assim não poderia subsistir a multa de ofício. Cita art.112 do CTN. De se dizer apenas que não há qualquer possibilidade legal de redução da multa de ofício nos termos em que alegado, assim como não se viu nos autos nenhuma situação que pudesse ser enquadrada no dispositivo alegado do CTN. Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício O art. 161 do CTN, quando dispõe acerca da incidência de juros de mora sobre o crédito tributário não pago no vencimento, estipula que são devidos seja qual for o motivo determinante do inadimplemento, sem prejuízo das penalidades cabíveis, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Assim, com relação aos juros de mora, os valores que não foram pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de juros de mora atinentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês seguinte ao do vencimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado, a teor dos artigos 5º, § 3º, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.177 46 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É bem verdade que a multa de ofício não está inserida no conceito de tributo consoante disposto no art. 3º do CTN: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. No entanto, o § 1º do art. 113 do CTN, reconhece que multa de ofício tem natureza de obrigação tributária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Já o artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A teor das disposições contidas nos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN, acima transcritos, forçoso entender que a multa de ofício, a despeito de não ser tributo, faz parte do crédito tributário e, por conseguinte, deve receber o tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Em outras palavras, aplicase às multas de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos. É a conclusão a que chega CELSO RIBEIRO BASTOS (in Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário, Saraiva, 2001, pp. 192 a 194): “O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.178 47 tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo”. A partir das disposições legais e doutrinárias acima, tendo em conta que, em que pese a interpretação contrária pretendida pela impugnante, a multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Esse entendimento está de acordo com o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, in litteris: 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Assim, contrariamente ao alegado, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conclusão Final Ante tudo que foi exposto, voto no sentido de se rejeitar a preliminar de decadência, de se rejeitar as preliminares de alegação de nulidade da decisão recorrida e, quanto ao mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16327.720735/201686 Resolução nº 1401000.585 S1C4T1 Fl. 1.179 48 VOTO VENCEDOR Livia De Carli Germano Redatora Designada Colocado o processo em pauta e iniciada a votação, o Recorrente suscitou questão preliminar objeto de sua petição apresentada dias antes, em 18 de julho de 2018. Em tal peça, argumenta que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que as orientações gerais da época, tanto das operações (2008 e 2009), como do fato gerador (2011, 2012 2013), eram justamente no sentido de que a utilização de "sociedade veículo", com objetivo de aproveitar fiscalmente o ágio, é plenamente válida. Cita então diversos acórdãos deste CARF neste sentido. Assim, em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, o Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, a maioria da Turma entendeu ser prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 11291131, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1179DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002146/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/03/2005
NULIDADE. LANÇAMENTO CONTENDO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI
O lançamento deve ser declarado nulo, por vício material, pois a fiscalização cometeu erro na aplicação do dispositivo legal que dispõe sobre a determinação da base de cálculo do IPI.
Numero da decisão: 3301-005.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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LANÇAMENTO CONTENDO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI O lançamento deve ser declarado nulo, por vício material, pois a fiscalização cometeu erro na aplicação do dispositivo legal que dispõe sobre a determinação da base de cálculo do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 46 /2 00 7- 04 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 111 2 "Tratase de impugnação contra auto de infração correspondente à isenção do IPI na aquisição de veículo de passageiro destinado ao serviço de táxi, de que trata a Lei nº 8.989, de 24/02/1995, exigindo o crédito tributário no valor consolidado de R$ 6.667,64 (imposto, multa de 75% e juros de mora), conforme demonstrativo à fl. 02. A autuação fiscal se deu por falta de recolhimento do imposto em razão de ter sido dado destino diverso ao previsto na legislação a produto recebido com isenção de IPI Táxi, conforme trechos infracitados do Relatório de Atividade Fiscal de folhas 10 a 13: [...]. 2) Histórico O contribuinte Sr. Fernando Bleichovel, CPF n° 022.811.88914, através do requerimento de fl. 33 (cópia), protocolizou o processo n° 10925.000171/200583, para usufruir da isenção de IPI na compra de veículo destinado a condutor autônomo taxista, nos termos da Lei n° 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e da Instrução Normativa SRF n° 353, de 28 de agosto de 2003. Após a análise da documentação apresentada, concluiuse pelo atendimento dos requisitos necessários à concessão do benefício fiscal, sendo assim emitida a autorização de isenção de IPI n° 002/2005 (fl. 34), em 10 de fevereiro de 2005. Em 30/03/2005, de posse da autorização supracitada, o Sr. Fernando Bleichovel adquiriu o veículo Palio ELX 5 portas, cor vermelho alpine, junto à Carboni Veículos Ltda, concessionária Fiat na cidade de Joaçaba, conforme Nota Fiscal Fatura da Fiat Automóveis S/A de n° 552.089 (fl 16). O veículo foi registrada na categoria aluguel. Em verificação posterior realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que, em 13/01/2006, novo veículo foi adquirido pelo Sr. Fernando Bleichovel, desta feita um Volkswagen Gol 1.0, cor branco glacial na concessionária Joaçaba Auto Ltda, revendedora Volkswagen na cidade de Joaçaba. Cópia da nota fiscal desta operação encontrase na fl 17. Este novo veículo também foi registrado na categoria aluguel. 3) Irregularidades no IPI [...]. Partindo do fato de serem 2 os veículos registrados em nome do Sr. Fernando Bleichovel na categoria "aluguel", demos início ao presente procedimento fiscal, inicialmente para verificar se ambos estariam sendo utilizados efetivamente como táxi, o que descaracterizaria a condição de condutor autônomo, nos termos do disposto no § 2° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 353, de 28 de agosto de 2003. [...]. Solicitado a comparecer a sede da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba, com o fim de prestar depoimento relativamente ao procedimento fiscal supracitado, informou o que segue, relativamente ao veículo adquirido com isenção (fl. 16): • que utilizou o veículo adquirido com isenção de IPI por mais ou menos 1 (um) ano; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 112 3 • que não conseguiu renovar o licenciamento de seu veículo, pois seu carro era vermelho e a Prefeitura Municipal de Joaçaba, cidade onde atua como taxista, passou a exigir que os táxis da cidade fossem pintados na cor branca; • que por não conseguir mais trabalhar como taxista com o veículo Palio adquirido cor isenção, deixouo à disposição do Sindicato dos Motoristas de Táxi, onde o mesmo seria utilizado para os mais diversos tipos de serviços; • que por não conseguir utilizar o veículo Palio como táxi, adquiriu um novo veículo, desta feita na cor branca, de modo a conseguir autorização da Prefeitura para trabalhar. Claro fica, com base no depoimento prestado pelo Sr. Fernando Bleichovel, que foi dada destinação diversa ao veículo Palio ELX, adquirido com isenção de IPI para o fim único e exclusivo de utilização no transporte de passageiros por condutor autônomo. [...]. Ciente do auto de infração em 05/11/2007 (fl. 37), o autuado entrou com impugnação em 05/12/2007 (fls. 41/49), alegando, em síntese, que: (i) Vinha utilizando normalmente o veículo em questão como táxi, quando foi surpreendido por legislação municipal que fixou normas para execução de serviço de transporte individual de passageiros em veículos de aluguel (táxi) no Município de JoaçabaSC", padronizando a cor dos veículos ditos de aluguel para a cor branca. (ii) Vendo a possibilidade de utilizar o veículo Pálio ELX no transporte de passageiros para o interior do município, onde a fiscalização é precária e tendo autorização municipal para este fim, resolveu adquirir o veículo Volkswagen Gol 1.0, cor branco glacial, com pagamento total do IPI, conforme Nota Fiscal anexa, para o transporte de passageiros na sede do Município de Joaçaba, registrandoo na categoria aluguel e passando a utilizálo. (iii) A contar desta data passou a utilizar os dois veículos na sua atividade de taxista, sendo que o veículo Palio ELX passou a ser utilizado no transporte de passageiros para o interior do Município e o veículo Gol 1.0, na cor branca, utilizado no transporte de passageiros no Centro e Bairros da cidade. (iv) O feito, em preliminar, seria passível de nulidade, pois, ao tempo do lançamento, já estava em vigor a Instrução normativa SRF n° 606, de 5 de janeiro de 2006, que revogou formalmente a IN SRF n° 353/2003, não tendo esta aplicação ao presente caso, conforme fundamentado no auto de infração. (v) Outrossim, o lançamento seria passível de decadência, uma vez que efetuado após decorrido o prazo de dois anos da aquisição do veículo Palio ELX. Com efeito, o lançamento fiscal foi efetuado no mês de Outubro de 2007, sendo que o veículo foi adquirido com isenção em 30/03/2005. Consoante disposição do art. 2º, parágrafo único e art. 6° da Lei 8.989/95, decorrido o prazo de dois anos da aquisição, nenhuma restrição há em relação ao uso ou destino do veículo adquirido com isenção tributária. (vi) No mérito, teria havido equivoco cometido por parte do Fisco Federal, haja vista que apurou a base de cálculo do IPI, sem excluir da nota fiscal a importância de R$ 2.933,77 a título de ICMS dispensado. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 113 4 (vii) Não seria verossímil a informação de que o veículo Palio ELX é utilizado por pessoa que não exerce a atividade de taxista, eis que o Impugnante desde o ano de 2001 exerce a atividade de taxista no município de Joaçaba, como comprovam as cópias dos Alvarás de licença dos exercícios 2005, 2006 e 2007 e a Declaração do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Joaçaba (SINCAVIR), contendo a filiação do Impugnante. Pelo contrário, o veículo Palio ELX sempre foi utilizado para o transporte individual de passageiros, não foi alienado a terceiros, foi objeto do pagamento de todos os impostos e, em momento algum, o impugnante agira de máfé. (viii) Quanto às declarações tomadas a termo pelo autuante, assinadas pelo impugnante e seu progenitor, sobre a destinação do veículo, importa mencionar que são pessoas de pequena instrução e sem plena capacidade de compreender o teor das declarações que prestaram. Ademais, inexistem provas robustas nos autos que atestem que o Impugnante utilizou o veículo em atividade distinta da de transporte individual de passageiros, antes de decorridos dois anos da aquisição, contrariando as disposições Lei n° 8.989/95. (ix) Na remota hipótese de o feito prosperar, deveriam ser exonerados a multa de ofício e os juros de mora, pois a IN SRF 606/2006 prevê a hipótese de recolhimento espontâneo, sem acréscimos legais (art. 10, I) e não sendo o caso de alienação, destinação para atividade diversa ou fraude, a Administração Tributária deveria ter oportunizado ao Impugnante o pagamento de eventual imposto devido, sem os acréscimos legais. (x) À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer o cancelamento do crédito tributário exigido." A DRJ em Salvador julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 15 30.305, de 03/04/12, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/03/2005 IPITÁXI. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. Constatado que o veículo de passageiro adquirido com isenção do IPItáxi não estava sendo usado no serviço de táxi, cabe o lançamento de ofício do IPI em valor equivalente ao do benefício fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na impugnação. É relatório. Voto Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 114 5 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminares Nos três primeiros tópicos, o recorrente acusa o procedimento fiscal de conter vícios que o eivariam de nulidade, quais sejam: de i) erro cometido na fundamentação legal; ii) ausência de prova de que fora dada destinação diversa ao veículo adquirido com isenção, antes de decorridos dois anos da sua aquisição (prazo previsto nos § 1° do art. 2° e art. 6° da Lei n° 8989/95); e iii) equívoco na determinação da base de cálculo do IPI. Na primeira alegação, dispõe que o lançamento foi fundamentado na IN SRF n° 353, publicada em 03/09/03, a qual, na data da autuação (o auto de infração é datado de 30/10/2207 e a ciência ocorreu em 05/11/2007), já havia sido revogada pela IN SRF n° 606, publicada em 09/01/2006. Não procede a alegação. No "Relatório de Atividade Fiscal" (fls. 10 a 13), consta o fato identificado mudança de destinação do veículo adquirido com isenção do IPI , o dispositivo legal infringido inciso I do art. 1° Lei n° 8.989/95 e a consequência, também devidamente capitulada exigência do IPI com a penalidade cabível, nos termos do art. 9° da Lei n° 4.502/64. E isto já seria o suficiente para considerar o auto de infração devidamente fundamentado e, por conseguinte, hígido. Contudo, vale mencionar que a IN SRF n° 606/05 realmente revogou a IN SRF n° 353/2003, preservando, contudo, sua força normativa, como segue: Art. 14. Fica formalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, a Instrução Normativa nº 353, de 28 de agosto de 2003. Na segunda, aduz que não foi trazida aos autos prova de que fora dada destinação diversa ao veículo, antes de decorrido o prazo de dois anos previsto na Lei n° 8.989/95. Desqualifica como prova o depoimento prestado pelo recorrente e seu progenitor, em razão de serem "ambos de pequena instrução e sem plena capacidade de compreender o teor das declarações que teriam prestado". Também neste caso, não assiste razão à recorrente. Reproduzo os dispositivos das Leis n° 8.989/95 citados pela fiscalização e recorrente: "Lei n° 8.989/95 Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 115 6 combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) (. . .) Art. 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata o art. 1o desta Lei somente poderá ser utilizada uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Parágrafo único. O prazo de que trata o caput deste artigo aplicase inclusive às aquisições realizadas antes de 22 de novembro de 2005. (. . .) Art. 6o A alienação do veículo adquirido nos termos desta Lei e da Lei nº 8.199, de 28 de junho de 1991, e da Lei nº 8.843, de 10 de janeiro de 1994, antes de 2 (dois) anos contados da data da sua aquisição, a pessoas que não satisfaçam às condições e aos requisitos estabelecidos nos referidos diplomas legais acarretará o pagamento pelo alienante do tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Parágrafo único. A inobservância do disposto neste artigo sujeita ainda o alienante ao pagamento de multa e juros moratórios previstos na legislação em vigor para a hipótese de fraude ou falta de pagamento do imposto devido." (g.n.) "Lei n° 4.502/64 Art . 9º Salvo disposição expressa de lei, as isenções do impôsto se referem ao produto e não ao respectivo produtor ou adquirente. § 1º Se a imunidade, a isenção ou a suspensão for condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade, a isenção ou a suspensão não existissem.; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (. . .)" A fiscalização colheu os depoimentos do recorrente e seu progenitor e do Presidente do Sindicato dos motoristas de Táxi, os quais se encontram nas fls. 16 a 21 dos autos. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 116 7 O recorrente confessou que, após um ano da compra do veículo, deixou de utilizálo como táxi, pois não obtivera licença da prefeitura local, em função da cor do veículo (vermelha). Então, comprou outro veículo, sem isenção do IPI e da cor (branca) exigida pelas autoridades, e com ele passou a trabalhar como taxista. E o primeiro veículo foi cedido ao Sindicato do Motoristas de Táxi, que teria assumido a responsabilidade pelo pagamento do licenciamento, IPVA e seguro. Os fatos foram confirmados por seu progenitor, que ainda disse que, além de ter sido colocado à disposição do Sindicato, foi utilizado em viagens particulares. Constam nos autos as notas fiscais de aquisição do veículo (vermelho) objeto do incentivo fiscal, datada de 30/03/05, e a do segundo veículo (branco), de 13/01/06. Ambos foram registrados no DETRAN na categoria "aluguel", própria para o emprego em transporte de passageiros. O Presidente do Sindicato desmentiuos, dizendo que o carro não ficou à disposição do sindicato. Porém, confirmou que o veículo vermelho, após um ano, deixou de ser utilizado naquela atividade, pois o recorrente não obteve a devida licença. O art. 389 do CPC dispõe que "Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário." Não obstante a controvérsia doutrinária acerca da validade de depoimento como prova, o fato é que o depoimento prestado pelo recorrente foi confirmado por outras duas pessoas, além de ter sido juntada aos autos comprovante de que, menos de um ano depois de adquirir o veículo com benefício, comprou outro e o registrou no DETRAN como destinado ao uso como táxi. Portanto, entendo que a infração foi devidamente comprovada, pelo que afasto o segundo argumento. Na última preliminar, apontou erro no cálculo do IPI. O agente fiscal teria incluído na base de cálculo, a título de ICMS, o valor de R$ 2.933,77 (fl. 13), enquanto que, na nota fiscal, consta o montante de R$ 52,82 (fl. 24). No "Relatório de Atividade Fiscal" (fl. 16), consta o seguinte: "Para o cálculo do IPI dispensado, utilizarseá a nota fiscal emitida pelo fabricante. Por ter sido comercializado também com isenção do ICMS, este será incluído na base de cálculo do IPI." E, na decisão recorrida, o procedimento fiscal foi assim sustentado: "E ainda, é também improcedente a queixa contra o valor do IPI lançado pela Fiscalização, uma vez que o ICMS dispensado a título de isenção (R$ 2.933,77) integra a base de cálculo do IPI (vide NF à fl. 24), eis que o ICMS compõe o preço do produto. Assim, quando há isenção condicionada de ambos os impostos, como se dá no caso de aquisição de veículos, e for descumprida a condição de fruição do benefício fiscal, o IPI é exigido, tomandose por base de cálculo o valor do bem adicionado do valor do ICMS, mesmo que este não tenha sido calculado e cobrado (PN CST n° 6/83). Portanto, correta a apuração fiscal que redundou no lançamento de ofício em litígio." Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 117 8 Por fim, trago trecho do PN CST n° 6/83, citado pela DRJ: "Valor Tributável 6. O valor tributável do IPI é o preço da operação de que decorrer o fato gerador, sendo que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias ICM constitui parte integrante desse preço (vide artigo 2º, § 7º, do DecretoLei nº 406, de 31 de dezembro de 1968 e Parecer Normativo CST nº 39/70). Através do Convênio ICM nº 13/82, com a alteração efetuada pelo Convênio ICM 9/83, foi concedida às operações aqui tratadas a isenção do ICM. Dessa forma, para se calcular o valor tributável do IPI nas hipóteses em que o imposto dispensado se tornar exigível. Deve se computar também o montante do ICM originalmente excluído, observandose as alíquotas constantes das Resoluções nºs 129, de 28 de novembro de 1979 e 7, de 22 de abril de 1980, ambas do Senado Federal." Discordo do posicionamento da fiscalização, com o qual a DRJ corroborou, e do manifestado no PN CST n° 6/83, pois não encontra respaldo nos retromencionados dispositivos das Leis n° 8.989/95 e 4.502/64. Para que o Fisco pudesse computar novo valor de ICMS, teria de comprovar que fora efetivamente cobrado pelo Fisco estadual, o que não ocorreu. Assim, mostrase descabida a adoção como valor da operação de montante diferente do que foi efetivamente praticado. Aplicase, assim, a regra geral ditada pelo art. 131 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02), em vigor na data da ocorrência do fato gerador: "Valor Tributável Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: (. . .) II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea b e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 1º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). (g.n.) (. . .)" Com base acima exposto, concluo que o lançamento de ofício é nulo, pois contém vício material, consistente em erro na determinação da base de cálculo do IPI, por inobervância do art. 131 do RIPI/02. Por conseguinte, voto pelo cancelamento do auto de infração. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10925.002146/200704 Acórdão n.º 3301005.022 S3C3T1 Fl. 118 9 É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720212/2016-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2011, 2012
IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
PRODUTOS IMPORTADOR. REVENDA. IPI. INCIDÊNCIA.
Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos à incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo.
ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA.
A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO.
Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1302-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2011, 2012 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PRODUTOS IMPORTADOR. REVENDA. IPI. INCIDÊNCIA. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos à incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo. ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO. Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo.
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LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PRODUTOS IMPORTADOR. REVENDA. IPI. INCIDÊNCIA. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos à incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo. ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 12 /2 01 6- 42 Fl. 7833DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.834 2 A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO. Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1466.965, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 7.774 a 7.796), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Fl. 7834DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.835 3 Tratandose de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes. IPI. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS. A contagem do prazo decadencial do IPI deve ser realizada considerandose a apuração mensal, sendo que, havendo pagamento espontâneo, o prazo é de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador; do contrário, contase os 5 anos do primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado." O presente processo decorre de procedimento fiscal realizado junto à MARLON BONILHA EIRELI, em relação aos anoscalendários de 2011 e 2012, tendo sido, conforme descrição contida do Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.495 a 7.517, constatadas as seguintes infrações: 1. Omissão de Receitas: 1.1 Saldo credor de Caixa Da verificação por amostragem da escrituração contábil do sujeito passivo, constatouse a existência de inúmeros lançamentos a débito e crédito da conta contábil nº 1031(Caixa Tesouraria) que não corresponderiam à realidade dos fatos e que ensejaram a ocorrência de saldo credor na própria contabilidade da fiscalizada. Constatouse, por exemplo, o lançamento de algumas vendas realizado de forma genérica na conta Títulos a Receber (enquanto havia o controle contábil individualizado para cada cliente), o lançamento na referida conta de recebimentos e pagamentos de fornecedores realizados por via bancária, e a contabilização a débito de cheques emitidos pela pessoa jurídica. A conclusão da autoridade fiscal foi que "a conta Caixa mantida pela empresa em sua escrituração contábil é uma ficção criada com o objetivo de ocultar movimentações efetuadas à margem daquela escrituração". E prossegue: "Como a quantidade de lançamentos a débito e crédito são muito numerosos se tornou impraticável reconstituir os saldos daquela conta. Assim consideramos os valores constantes da própria escrituração contábil da conta Caixa que apresentou saldos credores em alguns períodos (razão de fls. 859 a 2.142)". Assim, para a constituição do crédito tributário, foi considerado para o IRPJ/CSLL, o maior saldo credor do período e, para o PIS/COFINS/IPI, o maior saldo credor de cada mês. 1.2 Passivo Fictício A empresa fiscalizada apresentou saldos em contas do passivo (fornecedores) identificados nos razões contábeis de fls. 2.140 a 2.144 e Balanço patrimonial de fls. 489 a 759, Fl. 7835DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.836 4 obtidos mediante arquivos contábeis transmitidos ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED contábil), mas que já teriam sido pagos, conforme cópias de documentos de pagamento requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 2.145 a 2.155). 1.3 Pagamentos não contabilizados Por meio de verificação efetuada por amostragem na escrituração contábil da empresa fiscalizada transmitida ao SPED contábil, a autoridade fiscal constatou a falta de registro de inúmeros pagamentos realizados (fornecedores, doação eleitoral, patrocínio de clube, etc.), conforme documentos bancários requisitados mediante RMF aos Bancos Bradesco e Banco do Brasil (fls. 2.156 a 2.354). "Intimada (fls. 2.355) a apresentar ou identificar os registros contábeis relativos aos documentos da relação anexa à intimação (2.356 a 2.359), a empresa apresentou (fls. 2.360 a 2.381) apenas os registros referentes aos pagamentos efetuados ao fornecedor de serviços Dhuan Comissária de Desp. Aduaneiros Ltda no anocalendário de 2001, que foram contabilizados como adiantamento de importações (conta 1.01.02.02.010)". Isto posto, a autoridade fiscal realizou, com base no art. 281, incisos I a III, do RIR/99, o lançamento por omissão de receitas relativo às três constatações anteriores. Os lançamentos referentes ao IRPJ/CSLL e ao PIS/Cofins foram realizados em processos fiscais diversos (11634.720210/201653 e 11634.720211/201606, respectivamente). 1.4 Diferença entre os valores registrados na escrituração contábil e na escrituração fiscal Foram constatadas, ainda, em relação a todos os meses do anocalendário de 2011, diferenças entre os valores de receitas de vendas de mercadorias e produtos registrados nos livros fiscais da pessoa jurídica fiscalizada (fls. 2.384 a 3.967) e os valores constantes de sua escrituração contábil (fl. 481), representando valores que não foram considerados pelo sujeito passivo nas bases de cálculo mensais do IPI (fl. 5.865). Todos os valores apurados nas infrações anteriores foram acrescidos às bases de cálculo do IPI, conforme previsão do art. 522, §§1º e 2º, do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, considerando as alíquotas mais elevadas para cada período de apuração. 1.5 Saídas de produtos sem destaque de IPI Contatouse que a empresa fiscalizada não efetuou o destaque do IPI devido em relação a algumas operações e a alguns produtos, conforme consolidação de fls. 7.493 e 7.494. Cientificado do lançamento (fls. 7.530 e 7.531), o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 7.534 a 7.767), por meio da qual: a) alega a existência de decadência em relação aos valores devidos de janeiro a abril de 2011; Fl. 7836DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.837 5 b) invoca a aplicação do princípio da verdade material, para requerer a realização de perícia técnica a fim de comprovar a inexistência das infrações apuradas, uma vez que existiria complexidade nas questões apontadas na autuação, que teria, ainda, sido realizada por meio de amostragem; b) sustenta que inexistiriam documentos que comprovassem as infrações apontadas pela autoridade fiscal, e que o próprio auditor fiscal teria apontado que "a contabilidade da autuada foi má elaborada, apresenta diversas inconsistências, divergências, irregularidades", de modo que defende que a apuração deveria ter sido realizada por meio de arbitramento; c) defende que não existiram as omissões de receitas evidenciadas por meio de saldo credor de caixa, passivo fictício e pagamentos não contabilizados, mas falta de atenção da autoridade responsável pelo lançamento em relação aos valores lançados na contabilidade, bem como "erro contábil de preenchimento de obrigações acessórias"; d) argui que optou por centralizar os lançamentos na Conta Caixa, sendo que a autoridade fiscal não teria atentado para a existência dos lançamentos complementares, razão pela qual invoca, mais uma vez, a necessidade de perícia técnica; e) em relação às diferenças entre as escriturações contábil e fiscal, sustenta a inaplicabilidade do art. 522, §§ 1º e 2º, do RIPI, posto que não teria se trataria de vendas não registradas, mas da desconsideração de lançamentos contábeis; o citado §2º seria inconstitucional, por não refletir o caráter material do IPI; e o §1º seria inaplicável, pois seria possível a separação dos produtos com base na escrituração contábil; h) quanto a tal ponto suscita, ainda, a imprescindibilidade de avaliação contraditória, conforme previsto no art. 197 do RIPI; e argumenta que não foram deduzidos pela autoridade fiscal os crédito de IPI sobre as receitas consideradas na base de cálculo do tributo; i) no que diz respeito à infração de saídas de produtos sem destaque do IPI, alega que não haveria "incidência de IPI sobre a revenda de produtos importados quando da comercialização interna, uma vez que este processo não envolve industrialização, apenas remessa"; j) alega ainda que o Brasil é signatário do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que traria o princípio da não discriminação entre o produto importado e aquele produzido em território nacional; k) novamente, argumenta que foram desconsiderados os créditos do IPI na base de cálculo considerada; l) finalmente, argumenta que o produto revendido sobre a NCM 2926.90.90 se trata de máscara de proteção, sujeito à alíquota zero do IPI; j) ao final, apresenta os quesitos que pretende ver respondidos por meio de perícia contábil e junta alguns documentos comprobatórios. A decisão de primeira instância (fls. 7.774 a 7.796) rejeitou o pedido de perícia técnica e produção extemporânea de provas, tendo em vista que esta não pode ser Fl. 7837DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.838 6 utilizada para suprir a impugnação do sujeito passivo, que a Impugnante não comprovou a impossibilidade de justificar as irregularidades apuradas pelo Fisco e que, decorrido mais de dois anos desde a interposição da Impugnação, nenhuma nova prova foi juntada aos autos. Manteve os lançamentos baseados em presunção legais, tendo em vista que os saldos credores de caixa foram constatados na própria escrituração contábil do sujeito passivo; que, que quanto aos pagamentos não contabilizados, o simples fato de apresentar saldo na conta não autoriza a conclusão de que determinado pagamento foi realizado; e que nada foi alegado quanto ao passivo fictício. Quanto à diferença entre as escriturações contábil e fiscal do sujeito passivo, a decisão recorrida, manteve o lançamento uma vez que as divergências invocadas pela Impugnante, com base nas constatações da autoridade fiscal, se referem exclusivamente à Conta Caixa, e que o valor total das receitas foi apurado com base nas notas fiscais de saídas de produtos por venda. Rebateu, ainda, as quatro considerações realizadas na Impugnação. Em primeiro lugar, seria dever do sujeito passivo ter apresentado as provas da alegação de que não haveria vendas não registradas, mas lançamentos não considerados. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, não caberia ao julgador apreciar tal tipo de alegação. No que diz respeito à aplicação do §1º do art. 522, caberia à Impugnante haver apontado precisamente os equívocos existentes. Por fim, quanto ao aproveitamento de créditos, apontou que a Fiscalização não glosou créditos de IPI no auto de infração e não há a geração de créditos nas saídas tributadas. Com relação à alegação de decadência, reconheceu que houve o pagamento antecipado em relação aos períodos de janeiro a abril de 2011, de modo que julgou procedente a Impugnação quanto a tal ponto. Quanto à infração de saídas de produtos sem destaque de IPI, manteve integralmente o lançamento, refutando as quatro considerações apresentadas. Em primeiro lugar, a equiparação de estabelecimento importador a industrial decorre de lei plenamente em vigor, não podendo, portanto, ser afastada. Na mesma linha, o entendimento de que deve ser aplicado o GATT, para afastar a referida equiparação, não é acatada pelo Ministério da fazenda e pela Receita Federal. Quanto ao suposto não aproveitamento de créditos, mais uma vez não houve nenhum glosa por parte da autoridade fiscal. Por fim, entendeu não ser possível a classificação de viseiras como máscaras de proteção, uma vez que compõem e devem ser utilizadas com capacetes, não sendo possível o uso autônomo. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto (fl. 7.801), interpondo o Recurso Voluntário de fls. 7.804 a 7.807, no qual: a) repete o pedido de realização de perícia técnica, invocando "falhas e inseguranças" que permeariam o trabalho fiscal; b) quanto à infração de nãocontabilização de pagamentos, alega ter apresentado as notas fiscais emitidas pelos fornecedores e que a apresentação de comprovantes de pagamento, como exigida pela autoridade fiscal, não seria medida indispensável e necessária para a validação da escrituração contábil, posto que as empresa não emitiriam notas fiscais (cuja idoneidade não teria sido contestada) sem o correspondente pagamento; Fl. 7838DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.839 7 c) em relação à infração de saídas sem destaque de IPI, alega que as saídas dos produtos de NCM 3926.90.90 não foram tributadas ante a inconstitucionalidade da incidência de IPI sobre revenda, passando a repetir os argumentos já trazidos na Impugnação, pleiteando o direito de abatimento do valor pago no desembaraço aduaneiro e reiterando que as viseiras se enquadram como máscaras de proteção; d) quanto aos produtos sob as NCM 8711.20.10 e 8714, mais uma vez, alega a inconstitucionalidade da equiparação do importador e a não incidência no caso de revenda; e) especificamente, quanto aos produtos classificados na NCM 8714, alega que há produtos sujeitos a alíquotas inferiores à alíquota de 12% aplicada no lançamento; f) solicita que os valores de multa e juros tenham o mesmo destino dos valores principais; j) por fim, pede a intimação de todos os atos em nome do contribuinte e do seu procurador, bem como a intimação deste para fins de sustentação oral perante o CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 11 de julho de 2017 (fl. 7.801), tendo apresentado Recurso Voluntário em 10 de agosto de 2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído às fls. 7.768. A matéria objeto do Recurso está parcialmente contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Às matérias que não são, originariamente, de competência da 1º Seção, ante a indissociabilidade do lançamento, aplicase, por analogia, o disposto no art. 8º, inciso I, do RI/CARF. "Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e" O Recurso veicula matérias não abordadas na Impugnação, no que diz respeito à tributação dos produtos sob as NCM 8711.20.10 e 8714, e, em relação a este último, de suposto erro na alíquota aplicada. Fl. 7839DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.840 8 Plenamente aplicável ao caso o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo que as matérias devem ser consideradas não submetidas ao contencioso administrativo. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, à exceção das matérias ressalvadas. II. Do saldo credor de caixa, do passivo fictício e dos pagamentos não contabilizados Parte dos créditos tributários constituídos decorrem da presunção legal de omissão de receitas face à constatação das hipóteses previstas nos incisos do art. 281, inciso I, do RIR/99: "Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; IIIa manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." O lançamento de que trata o presente processo, como já dito, é reflexo daquele efetuado no âmbito do processo administrativo nº 11643.720210/201653, que tratou do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de modo que o decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de IPI que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Passo, portanto, a transcrever a decisão quanto a tais temas, conforme o Acórdão nº 1302003.014, lavrado naqueles autos: "II. Do saldo credor de caixa Parte dos créditos tributários constituídos decorrem da presunção de omissão de receitas face à constatação de saldos credores de caixa, conforme previsão do art. 281, inciso I, do RIR/99: "Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; IIIa manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." Fl. 7840DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.841 9 Os saldos credores que embasaram a autuação foram constatados pela autoridade fiscal diretamente a partir dos valores constantes na escrituração contábil da Recorrente, conforme cópia do Livro Razão de fls. 858 a 2.141, tendo sido, para a apuração do IRPJ e da CSLL, utilizado o maior saldo credor no ano, já que o sujeito passivo adotou a apuração anual de tais tributos. Para o anocalendário de 2011, R$ 125.551,78 (fl. 1.236) e para o de 2012, R$ 544.400,20 (fl. 1.958). A decisão de primeira instância manteve o lançamento quanto a tal tópico exatamente porque a negação genérica apresentada pelo sujeito passivo na Impugnação, e o pleito de realização de perícia técnica desacompanhada de qualquer elemento de comprovação ou justificativa não elidiram a presunção legal comprovada a partir de sua própria contabilidade. A situação em nada se alterou com o Recurso Voluntário apresentado. A Recorrente primeiro suscita insegurança do auditorfiscal, o que justificaria a realização de perícia técnica: "O próprio auditor fiscal responsável pela lavratura do presente medida fiscal afirmou: “Como a quantidade de lançamentos a débito e crédito são muito numerosos se tornou impraticável reconstituir os saldos daquela conta. Assim consideramos os valores constantes da própria escrituração contábil da conta caixa que apresentou saldos credores". (...) Enfim, são consideráveis as falhas e inseguranças que permeiam a medida fiscal, sendo certo que a realização de perícia técnica poderia corroborar para o esclarecimento dos pontos levantados." Após isso, ataca a autuação com uma negativa genérica: "Ao contrário do defendido pelo auditor fiscal não houve omissão de receitas através de saldo credor em caixa, passivo fictício, pagamentos não contabilizados e receitas de exportação não escrituradas. Pelo contrário, muitas das transações bancária foram lançadas pela contabilidade, mas o auditor fiscal não fez atenção a este fato." De fato, no item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal, o responsável pelo lançamento, ao tratar da constatação de saldo credor de caixa, principia evidenciando a conduta do sujeito passivo de realizar os lançamentos de pagamentos e recebimentos ocorridos por via bancária mediante a utilização da conta 1031 (Caixa Tesouraria). A constatação da autoridade fiscal, contudo, não impacta a infração em análise, uma vez que, como já repetido, levouse em consideração, para a realização do lançamento, os valores de Fl. 7841DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.842 10 saldo credor evidenciados na própria escrituração contábil do sujeito passivo. Como bem decidido pela autoridade julgadora a quo, a Recorrente não traz qualquer elemento de prova capaz de afastar os saldos credores registrados na sua contabilidade, não sendo possível se acatar que se valha da realização da perícia técnica para buscar as provas que a ele incumbia apresentar, conforme dever tratado no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não tendo sido afastada a presunção legal, deve ser negado provimento ao Recurso, quanto a este item. III. Do passivo fictício Outra parcela dos créditos tributários foi constituída com base na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 281, inciso III, do RIR/99, ou seja "a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". A constatação foi realizada nos seguintes termos: "A empresa fiscalizada apresentou os seguintes saldos em contas do passivo (fornecedores) identificados nos razões contábeis de fls. 2.142 a 2.146 e Balanço Patrimonial (fls. 489 a 759) , obtidos mediante arquivos contábeis transmitidos ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED contábil,mas que todavia já haviam sido pagas conforme cópias de documentos de pagamentos requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 2.147 a 2.157): MÊS/ANO FORNECEDOR DATA PAGTO VALOR R$ Ago/2011 Copel Distribuição S/A 05.08.2011 138.521,08 Jun/2012 Ford Motor Company Brasil Ltda 12.06.2012 98.500,00 Set/2012 Man Latim América Ind. Com. Veículos 19.09.2012 195.000,00 Nov/2012 Man Latim América Ind. Com. Veículos 26.11.2012 195.000,00 Out/2012 Marafon Ind. Imp. E Exp. De Máq. Ltda 02.10.2012 283.088,98 Out/2012 Marafon Ind. Imp. E Exp. De Máq. Ltda 17.10.2012 166.911,02 Out/2012 Schulz S/A 25.10.2012 74.000,00 " Além da negativa genérica e do pedido de perícia, nos mesmos moldes acima tratados, o sujeito passivo nada alegou Fl. 7842DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.843 11 especificamente acerca da infração em pauta, razão pela qual o lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância. No Recurso Voluntário, apesar de destinar tópico específico para se contrapor a esta infração, ao lado da constatação de pagamentos não contabilizados (Tópico III. a), a Recorrente se limita a afirmar que a constatação fiscal se deu "pela desconsideração, pelo auditor fiscal, da conta caixa escriturada pela Recorrente". Ora, como se observa da transcrição acima, em nenhum momento a infração decorreu de desconsideração da conta Caixa (que sequer foi desconsiderada no procedimento fiscal), mas do confronto entre as provas obtidas junto à instituições financeiras, que demonstram que a Recorrente pagou obrigações junto a Fornecedores, e a sua escrituração contábil, na qual tais obrigações foram mantidas em conta do Passivo, amoldandose a situação, então, perfeitamente, à presunção legal. Não tendo sido apresentado qualquer prova pelo sujeito passivo que se contraponha à constatação da autoridade fiscal, deve ser mantido o lançamento quanto a tal item. IV. Dos pagamentos não contabilizados Uma terceira infração apurada teve por base o art. 281, do RIR/99. Desta feita, a constatação se enquadra no inciso II do dispositivo, com a comprovação de que o sujeito passivo não escriturou pagamentos realizados. Mais uma vez, a constatação decorreu do confronto entre a escrituração contábil do sujeito passivo e documentos obtidos junto a instituições financeiras (fls. 2.158 a 2.356). Os pagamentos estão relacionados às fls. 2.384 e 2.385, e se referem aos meses de janeiro a dezembro de 2012, em relação aos quais o sujeito passivo foi intimado e não apresentou qualquer comprovação. No Acórdão recorrido, as alegações do sujeito passivo em relação a tal tópico foram rejeitadas pelos julgadores, do seguinte modo: "Quanto aos pagamentos não contabilizados, os saldos iniciais e finais das contas contábeis são irrelevantes. Isso porque, o simples fato de apresentar saldo na conta não autoriza concluir que o determinado pagamento foi feito com o recurso que supostamente estava no “Caixa” físico ou escritural da empresa. Caberia a impugnante fazer prova de que tais pagamentos foram realizados com recursos oriundos de receitas contabilizadas e tributadas,, afinal tais valores efetivamente saíram das contas correntes, mediante cheques compensados ou sacados e não da conta caixa. Alem disso, o Fisco constatou que se tratam de despesas ou custos não Fl. 7843DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.844 12 contabilizados, pelo que é inevitável a conclusão de que os recursos utilizados para esse fim também não foram.Vejamos o facsimile parcial dos pagamentos não contbilizados apurados pela Fiscalização (fls. 2384 dos autos): (...) E mais: os lançamentos exemplificados à Fl. 11 da peça impugnatória sequer relacionamse com os valores autuados. Evidenciase que a Impugnante buscou justificar os mesmos exemplos apontados na Fl. 12 do TVF, mas deixou de observar que não faziam parte da autuação." No Recurso Voluntário apresentado, o sujeito passivo funda a sua contraposição ao lançamento na suposta existência de lançamentos que não teriam sido considerados pelo responsável pela autuação. A exemplo do que já havia realizado na Impugnação, contudo, a Recorrente não traz a comprovação de que realizou o registro contábil dos pagamentos que embasaram o lançamento, mas se limita a citar pagamentos relativos ao anocalendário de 2011, os quais não foram objeto de autuação. No mais, repete a alegação já rechaçada acima de que o lançamento se basearia na desconsideração da conta caixa e o pedido de perícia técnica, sendo que, como já afirmado, no caso tal pedido não serviria para comprovar provas trazidas pelo Recorrente, mas para o levantamento das provas que ele deveria ter trazido aos autos e não o fez. A Recorrente traz, ainda, a estranha alegação de que ao apresentar as notas fiscais emitidas pelos fornecedores estava dispensado da apresentação do comprovante de pagamento, uma vez que a própria nota já teria o condão de comprovar o pagamento. Ora, a alegação é totalmente estranha à autuação, posto que a presunção legal não se baseia na ausência de comprovação do pagamento, mas não ausência de registro contábil de tal pagamento. Tornase, portanto, despiciendo rechaçar com maiores detalhes a alegação do sujeito passivo, que, por si só, é absolutamente infundada. A mera nota fiscal não atesta a realização de um pagamento, devendo estar acompanhada da comprovação do meio pelo qual o pagamento foi realizado. Finalmente, a Recorrente sustenta que há na sua contabilidade lançamentos que complementariam os encontrados pela autoridade fiscal e que afastariam a presunção de ausência de escrituração de pagamentos. Cita, como exemplos, os seguintes lançamentos: "31.01.2012 Fl. 7844DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.845 13 Débito: Folha de Pagamento (ordenados e salários) R$ 122.492,74 Crédito: Caixa R$ 122.492,74 Histórico: Valor ref. Diversos relativo as folha de pgto. 31.05.2012 Débito: Combustíveis e lubrificantes R$ 63.807,67 Crédito: Caixa R$ 63.807,67 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos 31.10.2012 Débito: Combustíveis e lubrificantes R$ 86.424,98 Crédito: Caixa R$ 86.424,98 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos 30.11.2012 Debito: Combustíveis e lubrificantes R$ 85.534,64 Crédito: Caixa R$ 85.534,64 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos" A análise do Razão da Conta Caixa (fls. 1.495 a 2.141), contudo, revela que não é verídica a afirmação do sujeito passivo. Nenhum dos referidos lançamentos se encontra em sua escrituração contábil. Deve ser improvido o Recurso Voluntário, em relação a mais este tópico." No caso de apuração de omissão de receitas, estas serão consideradas na determinação da base de cálculo para o lançamento do IPI, por expressa disposição do art. 522, §2º, do Decreto nº 7.212, de 2010 (RIPI), cuja matriz legal é o art. 108, §2º, da Lei nº 4.502, de 1964. Deste modo, tendo sido considerado procedente o lançamento do IRPJ referente às omissões de receita apuradas com base nos referidos dispositivos, deve ser improvido o Recurso Voluntário, em relação a estas matérias. III. Diferença apurada entre os valores registrados na escrituração contábil e na escrituração fiscal e da realização de perícia técnica Fl. 7845DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.846 14 O responsável pelo procedimento fiscal apontou, em relação ao ano calendário de 2011, a existência de divergências entre os valores de receitas de vendas de mercadorias e produtos resultante da totalização das notas fiscais eletrônicas emitidas pelo sujeito passivo (fls. 2.384 a 3.967, totalizadas à fl. 5.864) e os valores constantes de sua escrituração contábil (conforme Demonstração do Resultado do Exercício de fl. 481). No TVF, foi apresentado o seguinte demonstrativo das referidas divergências: O Acórdão recorrido manteve o lançamento, ao rejeitar os argumentos de defesa apresentados pelo sujeito passivo, no sentido de que "as divergências e inconsistências dos dados manifestados na contabilidade impediram a verificação real dos valores a serem considerados para fins de autuação", e de que os totais considerados pela autoridade fiscal incluiriam saídas que não configurariam faturamento, tais como as remessas para conserto, devoluções de compras e simples remessas. Bem como, de exigir a realização de perícia. Eis os fundamentos dos julgadores: "As justificativas da Impugnante são inaceitáveis. Em primeiro lugar, as “incontáveis divergências” foram apontandas (sic) na conta Caixa e somente impediriam a reconstituição fiscal dos saldos diários. Por sua vez, o valor total das receitas foi apurado com base nas notas fiscais de saídas de vendas de produtos, cujos códigos são específicos. A Fiscalização sabe muito bem distinguir uma saída de produto em devolução de um produto vendido. Os demonstrativos fiscais são precisos e apontam os valores mensais das receitas tributáveis da empresa. Vejamos facsimile parcial dos quadros de fl. 5867: (...) Fl. 7846DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.847 15 Ao invés de simplesmente requer perícia, caberia à Impugnante fazer prova de que o Fisco errou na apuração de ao menos um desses valores mensais. Em verdade, o trabalho fiscal nessa parte não merece reparos, pelo que a tributação deve ser confirmada." O Recurso Voluntário não traz qualquer refutação diretamente relacionada com a infração em pauta, limitandose a pleitear a realização de perícia que, supostamente, afastaria a infração. Em primeiro lugar, como apontado pelo julgado a quo, os vícios apontados pela autoridade fiscal na escrituração contábil do sujeito passivo se restringem às dificuldades produzidas pela centralização na conta Caixa de operações realizadas por via bancária, não possuindo nenhuma relação com a infração em pauta. Além disso, a análise da relação de notas fiscais discriminadas às fls. 2.384 a 3.967 atesta que todas as saídas ali discriminadas se referem a vendas de produtos e mercadorias, não existindo qualquer saída por remessa ou devolução, como alegado na Impugnação. O que se constata, portanto, é que a Recorrente busca se valer da realização de perícia técnica para construir provas que teria o ônus de apresentar. Na verdade, cabe neste posto, rechaçar expressamente o pedido de perícia formulado pela Recorrente e apresentado como preliminar de mérito. Em relação a várias matérias incluídas no auto de infração, há o apelo à realização de perícia técnica que, no entender da Recorrente, viria a comprovar as suas alegações. O exame das matérias, contudo, revela não haver qualquer razão para a realização de diligências ou perícias, posto que a autoridade fiscal reuniu provas cabais das infrações e o sujeito passivo não apresentou qualquer elemento comprobatório capaz de suscitar dúvidas que demandassem a necessidade de esclarecimento. A própria razão suscitada pela Recorrente ("para fins de conferir maior segurança jurídica à medida fiscal impugnada"), frente às sólidas provas trazidas pelo responsável pela constituição do crédito tributário, já revela a desnecessidade da medida. Ademais, em relação às hipóteses de omissão de receita por presunção legal, a realização da perícia já foi rechaçada, quando do julgamento processo administrativo nº 11643.720210/201653, que, como já dito, teve os seus efeitos estendidos para os presentes autos. Assim, à luz do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, considero prescindível a realização de perícia e indefiro o pedido formulado pela Recorrente, bem como mantenho o lançamento quanto às diferenças abordadas neste tópico. IV. Das saídas de produtos sem destaque de IPI Fl. 7847DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.848 16 O responsável pela constituição do crédito tributário imputou à Recorrente a infração de haver deixado, em relação a algumas operações e produtos, de destacar o IPI devido. Os argumentos trazidos na Impugnação e repetidos no Recurso Voluntário foram rechaçados pelo julgador de primeira instância na forma já relatada. Passemos à reanálise do tema. Em primeiro lugar, a autuação é baseada no fato de que a Recorrente está inserida no conceito de estabelecimento industrial, em razão de exercer operações de industrialização, bem como no de equiparada a estabelecimento industrial, em razão de efetuar operações de importação, conforme arts. 4º, 8º e 9º, incisos I e IX, do Decreto nº 7.212, de 2010 (RIPI). In verbis: "Art.4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): Ia que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); IIa que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); IIIa que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IVa que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Va que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Art.8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o). Art.9o Equiparamse a estabelecimento industrial: Fl. 7848DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.849 17 I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...) IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora;" No curso do procedimento fiscal, contudo, a partir da relação de notas fiscais eletrônicas obtidas a partir do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), ficou constatado que o sujeito passivo deixou de destacar o IPI devido em relação a algumas operações relacionadas a produtos sob a classificação NCM 3926.90.90, 8711.20.10 e 8714, conforme discriminação a seguir, obtida do TVF: Em relação aos produtos sob NCM 3926.90.90, a Recorrente justifica a ausência de destaque do IPI em suposta inconstitucionalidade da incidência de IPI sobre a revenda de produtos importados. É sabido que o CARF não possui competência para analisar as alegações de caráter constitucional de norma legal, por força da Súmula CARF nº 2 (de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do Art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), que dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Fl. 7849DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.850 18 Também não é possível ao julgador do CARF deixar de aplicar norma legal por conta de inconstitucionalidade, uma vez que o Art. 62 do Anexo II do RI/CARF expressamente veda tal possibilidade: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." O descumprimento do referido preceito, inclusive, constitui causa de perda do mandato de Conselheiro junto ao CARF, conforme Art. 45, inciso VI, do RI/CARF. No caso em apreço, ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu pela incidência do IPI em tais situações, conforme julgamento do EResp n° 1.403.532/SC (Rel. Min. Napoleão Nunes Mais Filho, Rel. p/ Acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015), julgado sob a sistemática do artigo 543C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: "EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira Fl. 7850DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.851 19 tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." Neste sentido, não há como se afastar a incidência da norma sob exame. De nada auxilia à Recorrente o fato de que a matéria será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática da repercussão geral, no âmbito do RE nº 946.648/SC. A Recorrente, confessadamente, não destacou o IPI sobre a revenda dos produtos importados, de modo que procedente a autuação. Quanto à pretensão da Recorrente de deduzir do valor a ser recolhido na saída dos produtos importados o valor pago por ocasião da importação, a decisão judicial transcrita no Recurso não lhe favorece, posto não ser parte no processo judicial. Entretanto, a matéria não comporta discordância, uma vez que não houve, por parte da autoridade fiscal, a glosa de qualquer crédito apropriado pelo sujeito passivo, sendo que, no Registro de Apuração do IPI (fls. 7.456 a 7.491), há expressamente a indicação do crédito de IPI sobre compras do exterior (CFOP 3.101 e 3.102). Não é apresentada a comprovação de qualquer valor de crédito que não tenha sido considerado na autuação. Fl. 7851DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.852 20 A Recorrente, ainda, repete tese sustentada na Impugnação de que os produtos revendidos sob a NCM 3926.90.90 não se referem a viseiras, mas a "máscaras de proteção", enquadradas na Ex 02 da referida posição da TIPI e submetida à alíquota zero do IPI. A matéria foi adequadamente enfrentada pela decisão a quo, conforme se observa a seguir: "Por fim, é equivocada a alegação no sentido de que as viseiras (código NCM 3926.90.90) devem ser classificadas como máscaras de proteção (Ex 02 da posição 3926.90.90), que compõe os capacetes revendidos. Isso porque Realmente, as viseiras destinação (sic) a proteção do rosto, especialmente dos olhos. Todavia, apesar de poderem ser vendidas em separado, para substituição de uma peça gasta ou quebrada, esse artefato só pode ser utilizado com o capacete. Logo, não pode ser classificada como mascara de proteção, haja vista a impossibilidade de uso autônomo. Correta portanto a classificação fiscal realizada no auto de infração." Os elementos adicionais de prova trazidos pela Recorrente (imagens dos produtos revendidos) somente confirmam o acerto da decisão contestada. Conforme se observa, todos os produtos, de fato, não são passíveis de uso autônomo, sendo, apenas, peças de reposição para uso acopladas a um capacete, de modo que não podem ser enquadrados como "máscaras de proteção". Deve ser improvido, portanto o Recurso Voluntário quanto a este tópico. V. Da aplicação de juros e multas A Recorrente traz o esdrúxulo pedido para que os valores de juros e multas tenham o mesmo tratamento concedido aos valores principais. Em especial, que tendo sido reconhecida pela DRJ a decadência referente aos créditos relativos ao meses de janeiro a abril de 2011, haja o afastamento dos acréscimos legais. Ora, embora o Acórdão recorrido seja silente em relação a tal fato, o que se pede é decorrência lógica, em relação à qual inexiste qualquer matéria controversa. Para todos os valores mantidos no contencioso administrativo, deverá haver a cobrança de multas e juros fixadas na legislação. Afastada a tributação sobre alguma parte do crédito tributário constituída, a mesma sorte seguirão os respectivas parcelas de acréscimos legais. VI. Das intimações Fl. 7852DF CARF MF Processo nº 11634.720212/201642 Acórdão n.º 1302003.015 S1C3T2 Fl. 7.853 21 Em relação aos pedidos da Recorrente relacionados com a intimação ao procurador para os atos processuais e, em especial, para a realização de sustentação oral perante o CARF, cabe apenas registrar que não há previsão legal para tais práticas, sendo as intimações dirigidas ao sujeito passivo, nas formas reguladas pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e a pauta de reunião publicada no Diário Oficial da União, conforme art. 55 do RI/CARF, quando caberá ao eventual procurador, por ocasião do julgamento, solicitar a realização de sustentação oral, conforme art. 68, inciso II, do RI/CARF. Cabe registrar o que dispõe o § 4º do citado art. 23, que estabelece: "Art. 23 (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)" Descabidos, portanto, os pedidos formulados. VII. Conclusão Por todo o exposto, voto por indeferir o pedido de perícia e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 7853DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001865/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
BASE DE CÁLCULO DO IRPJ
O lucro real, base de cálculo do IRPJ, é definido pelo confronto entre elementos positivos (as receitas), que o incrementam, com elementos negativos, dentre os quais, as despesas, que o reduzem. Enquanto o ônus da prova dos positivos é do Fisco, o dos negativos é do sujeito passivo. Do contrário, seria impor à Administração Pública a “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Em razão disso, o mero registro contábil ou a
informação na DIPJ justamente por serem atos exclusivos do sujeito passivo não fazem prova a seu favor dos elementos negativos.
IRPJ RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO
A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº 1.598/1977, art. 5º) restringe-se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, trata-se de um passivo da
sociedade incorporada, assumido pela sucessora.
Numero da decisão: 1201-000.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 304 1 303 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001865/200482 Recurso nº 157.147 Voluntário Acórdão nº 120100.370 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ e outro Recorrente Banco HSBC S/A Recorrida 3ª Turma da DRJ/RJI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO DO IRPJ O lucro real, base de cálculo do IRPJ, é definido pelo confronto entre elementos positivos (as receitas), que o incrementam, com elementos negativos, dentre os quais, as despesas, que o reduzem. Enquanto o ônus da prova dos positivos é do Fisco, o dos negativos é do sujeito passivo. Do contrário, seria impor à Administração Pública a “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Em razão disso, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ justamente por serem atos exclusivos do sujeito passivo não fazem prova a seu favor dos elementos negativos. IRPJ RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº 1.598/1977, art. 5º) restringese aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 305 2 (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Regis Magalhães Soares Queiroz. Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 78/86 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação de Infração de fls. 72/77 e o Relatório de Auditoria Eletrônica de fls. 66/71), lavrados pela DEINF/SPO, com ciência em 23/12/2004 (fl. 89), para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$2.282.561,57, e de Contribuição Social (CSLL), no valor de R$914.427,88, ambos com multa de 75% e juros de mora. O crédito total lançado monta a R$8.257.504,02. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter sido apurada a infração abaixo: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Valor apurado conforme Termo de Verificação de Infração e Relatório de Auditoria Eletrônica. O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 21/01/2005, a impugnação de fls. 90/104. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: o valor da provisão pode variar, pois cada empresa pode ter aspectos peculiares a respeito de seus clientes; foram estabelecidas regras específicas para a dedução das perdas (art. 9º da Lei 9.430/1996); Fl. 317DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 306 3 a fiscalização menciona genericamente que o dispositivo foi infringido, mas não indica o crédito e a situação que não foi cumprida; não pode ser penalizada sob a alegação de uma diferença que não foi demonstrada, pois é mero resultado de adição/subtração; não há valor em duplicidade; ressalta que sua escrituração está em consonância com a legislação comercial e fiscal; como se tratam de créditos de pequeno valor, as perdas apuradas se enquadram nas condições previstas na legislação para que sejam dedutíveis; a multa não pode ser exigida, por se tratar de empresa sucessora; a aplicação da taxa Selic viola o Princípio da Legalidade; à CSLL são aplicadas as mesmas alegações. Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 142 a 147) negou provimento ao recurso, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Cabe ao contribuinte o ônus da prova do valor declarado como perdas no recebimento de créditos. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade dos sucessores se refere aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. JUROS DE MORA. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 307 4 Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 155 a 179, mediante o qual reiterou – em sua maioria, literalmente – os argumentos aduzidos na impugnação. Por isso, reproduzo apenas, mas na integralidade, os seguintes trechos inéditos: 3.12. Além disso, a D. Autoridade Julgadora aludiu na r. decisão recorrida que "a fiscalização, em momento algum, apontou estar efetuando glosa em face de não atendimento de regras especificas para a dedução das perdas estabelecidas pelo art. 90 da Lei 9.430/1996. Deste modo, não produz efeito a alegação de que caberia à fiscalização indicar o crédito e a situação que não foi cumprida" Ora, data maxicima venia, não procedem as alegações da D. Autoridade Julgadora, tendo em vista que, no "Termo de Verificação de Infração", há a previsão expressa de que "pela relevância reproduzimos a seguir o artigo 9º da referida lei (9430/96)" (observação do Recorrente); e no próprio Auto de Infração, no campo referente ao enquadramento legal, apontase como fundamento da lavratura o artigo 9º da Lei 9.430/96. 3.13. Isso demonstra o total descaso da D. Autoridade Julgadora ao analisar os fatos em discussão na presente autuação fiscal. Esperarseia que pelo menos os fundamentos que embasaram o Auto de Infração tivessem sido analisados pela D. Autoridade Julgadora, antes da prolação da r. decisão recorrida. Mas não é isso que se observa no presente caso, motivo pelo qual não pode — e não deve — subsistir a exigência fiscal contida no presente Auto de Infração, objeto da r. decisão recorrida. (...) 3.15. A D. Autoridade Julgadora mais uma vez não se ateve à realidade dos fatos e aos fundamentos apontados pela própria D. Autoridade Fiscal, ao argumentar, na r. decisão recorrida, que também não se mostra sem efeito a alegação de que se tratam de créditos de pequeno valor, que se enquadram nas condições previstas na legislação — as perdas teriam que ser, principalmente, identificadas, para que, então, fosse verificado o atendimento às condições estabelecidas em lei". Esse entendimento volta a demonstrar que a D. Autoridade Julgadora sequer teve a cautela de analisar as informações apresentadas pelo Recorrente à D. Autoridade Fiscal. Quanto às demais partes exclusivas do recurso, do item 3.24 a 3.31, valendo se do argumento de que o ônus da prova é de quem alega, bem como dos princípios da ampla defesa e do contraditório, aduz que a autoridade de primeiro grau pecou pela insuficiência ao Fl. 319DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 308 5 analisar os fatos e o direito. Nos itens 4.11 e 4.12 aduz que o patamar de 75% da multa não é razoável e viola o art. 150, inciso IV da CF. Questiona também os juros Selic sobre a multa de ofício; e, em relação à CSLL, alega que, mesmo mantida a autuação em relação ao IRPJ, deve ser afastada em relação à CSLL, pois a esta contribuição não se aplicam necessariamente as regras relativas ao IRPJ, especialmente, no tocante a adições e exclusões. Tais ajustes devem ser aqueles prescritos no art. 2º da Lei 7.689/88, dentre as quais não constam as perdas no recebimento de créditos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Glosa de perdas A autuação é simples e clara, como o trecho abaixo dela reproduzido (fl. 76): Desta forma, fica constituído de oficio o crédito tributário de IRPJ e CSLL, de conformidade com o disposto no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, correspondente à somatória da diferença de R$ 9.110.212,80, verificada entre o valor das perdas declaradas na DIPJ/2000, de R$ 228.739.120,32, e a soma dos valores em aberto no arquivo fornecido pelo contribuinte, de R$ 219.628.907,52, e o valor de R$ 20.033,52 referente ao contrato 1979J baixado em duplicidade, no montante de R$ R$ 9.130.246,32, através da lavratura do competente auto de infração, do qual o presente Termo de Verificação de Infração, juntamente com o Relatório de Auditoria Eletrônica, passam a fazer parte integrante e indissociável. Por outro lado, a defesa invoca teorias mil totalmente desconectadas dos fatos; parece uma fábula. Ao apurar o IRPJ e a CSLL, na sua declaração de rendimentos, a autuada reduziu as respectivas bases de cálculo no valor de R$ 228 milhões (números arredondados) relativamente a perdas, mas apresentou justificativas para apenas R$ 219 milhões. Apesar de reiteradamente intimada, não apresentou à autoridade fiscal qualquer justificativa para essa divergência. Só restou à autoridade glosar a diferença de R$ 9 milhões. Apesar da elevada quantia, é simples assim. A base de cálculo do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro é o resultado do cotejo entre elementos positivos (basicamente, as receitas) e negativos (custos e despesas). Fl. 320DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 309 6 Mais elementos positivos implicam maior base de cálculo e, portanto, mais tributos a ser recolhidos; por outro lado, elementos negativos redundam numa menor base de cálculo e, deste modo, numa imposição tributária inferior. Em razão dessa característica substancial da tributação pelo IRPJ e pela CSLL, cabe ao Fisco comprovar os elementos positivos (as receitas); ao passo que se impõe ao sujeito passivo a prova dos negativos. O ônus da prova em relação aos elementos negativos é do sujeito passivo. O contrário implicaria impor ao Fisco a formação de “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Pois bem, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ– justamente por ser ato exclusivo do sujeito passivo – não faz prova a seu favor dos elementos negativos. Para tal, é necessário que faça a comprovação com documentação apta para tal. A atividade de fiscalização apresenta o caráter inquisitivo. Em tese, a autuação pode ser realizada sem qualquer participação do acusado. Essa é a regra geral. Todavia, no caso de glosa de despesas e custos, a acusação é sempre de “despesas e custos não comprovados” e, deste modo, é necessário que a autoridade fiscal prove que não houve a prova. É, pois, necessário, sob pena de improcedência da acusação, que intime o sujeito passivo para comprovar os elementos negativos registrados em sua escrita. Feito isso e não tendo o sujeito passivo sido capaz de comprovar os valores registrados, a autoridade fiscal estará legitimada a efetuar a autuação. Não haverá mais nada a provar. É o que ocorreu no presente feito. Não restando comprovada a diferença apurada pela fiscalização – aliás, não havendo sequer a apresentação de qualquer justificativa –, impõese a manutenção da glosa. O mesmo entendimento deve prevalecer para o IRPJ e para a CSLL, pois a autuação é de simples não comprovação de perdas. Multa As multas só podem ser exigidas das sucessoras quando anteriormente constituídas contra a sucedida. Já se pacificou, de longa data, a jurisprudência deste Colegiado pela improcedência do lançamento de multas sobre as sucessoras, exceto no caso de haver controle comum entre as duas. Abaixo, transcrevo a título ilustrativo acórdão da Câmara Superior: Número do Recurso:101125557 Turma:PRIMEIRA TURMA Número do Processo:10920.000129/0027 Tipo do Recurso:RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria:IRPJ Recorrente:FAZENDA NACIONAL Interessado(a):TIGRE S/A TUBOS E CONEXÕES Data da Sessão:24/02/2003 09:30:00 Fl. 321DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001865/200482 Acórdão n.º 120100.370 S1C2T1 Fl. 310 7 Relator(a):Carlos Alberto Gonçalves Nunes Acórdão:CSRF/0104.406 Decisão:NPM NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão:Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da sSilva, Mário Junqueira Franco e Manoel Antonio Gadelha Dias. Ementa:IRPJ – RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA – MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO – A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decretolei nº 1.598/77, art. 5º), restringe se aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Pois bem, foi justamente o que se caracterizou no presente feito. O início da fiscalização foi em 15/09/2003 (fl. 05) contra a sucedida – o Lloyds –, mas o lançamento foi promovido em 23/12/2004 (fl. 088), já contra a sucessora – o HSBC. Desse modo, não merece prosperar a sanção pecuniária. Ficam, assim, prejudicadas as demais razões da defesa quanto a esse ponto. Dispositivo Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 322DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901804/2006-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME.
Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo IRPJ ao final do respectivo período de apuração e a efetiva retenção do IRRF, circunstância esta que não invalida a plena dedução do IRRF no período de apuração em que ocorrer a retenção. É necessário todavia que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da Recorrente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores.
Numero da decisão: 1003-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo IRPJ ao final do respectivo período de apuração e a efetiva retenção do IRRF, circunstância esta que não invalida a plena dedução do IRRF no período de apuração em que ocorrer a retenção. É necessário todavia que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da Recorrente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo IRPJ ao final do respectivo período de apuração e a efetiva retenção do IRRF, circunstância esta que não invalida a plena dedução do IRRF no período de apuração em que ocorrer a retenção. É necessário todavia que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da Recorrente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 18 04 /2 00 6- 11 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 127 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 14164.14031.231003.1.3.020870, em 23.10.2003, fls. 3246, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 1999 no valor de R$8.506,34 decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 4043, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido tendo em vista que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 1998 o saldo negativo de IRPJ era zero: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 8.506,34. Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00. [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1° do art. 60 e art. 28 da Lei 9.430, de 1996, Art. 50 da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o direito creditório se refere ao anocalendário de 1999 ao invés de 1998. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/CPS/SP nº 05 31.421, de 18.11.2010, fls. 7677: Anocalendário: 1999 DCOMP. Erro de Preenchimento. Constatado o erro de preenchimento da DCOMP, quanto à indicação do período de apuração do saldo negativo, deve o órgão julgador prosseguir na análise da compensação do direito creditório correto e regularmente demonstrado no mesmo instrumento. Saldo Negativo. Retenções. No processamento eletrônico das DCOMP, o saldo negativo de IRPJ passível de ser reconhecido é apenas aquele composto pelas retenções, devidamente informadas pelas fontes pagadoras nas DIRF, principalmente quando a contribuinte deixa de apresentar, com a manifestação de inconformidade, os respectivos comprovantes de rendimentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] É possível inferir daí que houve de fato erro de preenchimento da DCOMP quanto ao período de apuração do saldo negativo: ao invés de Exercício 1999 (ano calendário 1998) deveria ter constado Exercício 2000 (anocalendário 1999). Impõe Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 128 3 se assim a apreciação do saldo negativo correto, qual seja: saldo negativo de IRPJ do Exercício 2000 (anocalendário 1999). [...] Diante dos fatos acima expostos, cumpre HOMOLOGAR a compensação até o limite do crédito ora reconhecido, relativo ao saldo negativo de IRPJ do Exercício 2000 (anocalendário de 1999), no valor de R$ 6.086,27, decorrente das retenções informadas na DCOMP em apreciação, e abaixo discriminadas: CNPJ da Fonte Pagadora Código Valor 48.103.014/000167 6800 5.090,04 60.701.190/000104 6800 996,23 6.086,27 Notificada em 07.01.2011, fl. 83, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.01.2011, fl. 85, esclarecendo que: Conforme previsto no Comunicado 10.830/SEORT/DRF/CPS/2.264/201 O referente processo administrativo nº 10830.901804/200611, recebido em 05 de Janeiro de 2011, apresentamos manifestação de inconformidade à cobrança nele imposta, referente à retenção procedida pelo CNPJ 61.377.677/000138, no valor de R$ 2.420,07 do anocalendário de 1999. Seguem anexo os comprovantes de rendimentos e retenção do imposto de renda na fonte da fonte pagadora CNPJ 61.377.677/000138 cód. 6800, que comprovam o crédito do valor citado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$2.420,07 decorrente de IRRF apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 129 4 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 130 5 determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente4. Os rendimentos de aplicações financeiras devem ser incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, podem ser rateados pelos períodos a que competirem, ou seja, podem ser rateados segundo o regime de competência. Ademais, os rendimentos da pessoa jurídica ficam sujeitos ao IRRF quando ocorrer o pagamento ou o crédito contábil da fonte pagadora5. A pessoa jurídica está obrigada a prestar à RFB informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ das pessoas que o receberam, bem como valor do imposto de renda retido da fonte. Também a pessoas jurídica que efetuar pagamento ou crédito de rendimentos sujeitos à retenção do imposto na fonte devem fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte6. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido o código de arrecadação nº 6800 – fundo de investimento financeiro renda fixa (art. 73 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 29, art. 30, art. 31 e art. 32 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente apresenta em sede de recurso voluntário o Informe Anual de Rendimentos do anocalendário de 1999 emitido pela fonte pagadora Banco Cidade S/A, CNPJ 61.377.677/000138, código 6800, fls. 05, 8589 e 126127, e a cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo na DIPJ Retificadora nº 1228645 de 1999, fls. 4755, conforme demonstrado na Tabela 1. Tabela 1 Valor o valor retido na fonte e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do IRPJ Fonte Pagadora Código Valor do Rendimento IRRF 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal: art. 17 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 13 da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de1962 e art. 1º da Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.901804/200611 Acórdão n.º 1003000.165 S1C0T3 Fl. 131 6 Banco Cidade S/A AnoCalendário de 1999 (A) (B) R$ (C) R$ (D) Setembro 6800 3.542,45 708,49 Outubro 6800 2.549,95 509,99 Novembro 6800 1.595,50 319,10 Dezembro 6800 4.412,45 882,49 Total 12.100,35 2.420,07 Reiterese que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, que no presente caso restou demonstrado. Por essa razão, tendo em vista o princípio da verdade material, cabe reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$ R$2.420,07 decorrente de IRRF apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 no valor de R$ R$2.420,07 decorrente de IRRF apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos confessados no Per/DComp até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 133DF CARF MF
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