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Numero do processo: 10730.000521/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Somente caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA.A falta de intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários infirma a presunção legal de omissão de receita em relação a estes depósitos.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RMF. INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES REQUISITADAS.
A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF, emitida por autoridade competente, com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, presume indispensabilidade das informações requisitadas, conforme o § 8º do mesmo artigo do mencionado Decreto.
Numero da decisão: 1201-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Somente caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA.A falta de intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários infirma a presunção legal de omissão de receita em relação a estes depósitos. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RMF. INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES REQUISITADAS. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF, emitida por autoridade competente, com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, presume indispensabilidade das informações requisitadas, conforme o § 8º do mesmo artigo do mencionado Decreto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Somente caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA.A falta de intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários infirma a presunção legal de omissão de receita em relação a estes depósitos. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 05 21 /2 00 6- 70 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 3 2 RMF. INDISPENSABILIDADE DAS INFORMAÇÕES REQUISITADAS. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, emitida por autoridade competente, com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001, presume indispensabilidade das informações requisitadas, conforme o § 8º do mesmo artigo do mencionado Decreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 7/47, relativos ao anocalendário 2001, no regime do lucro presumido, que exigem: R$297.421,98 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a: 001 Omissão de Receitas, Depósitos bancários não contabilizados; R$173.567,85 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo da mesma infração; R$482.132,98 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, reflexa; R$104.462,09de Contribuição para o PIS, reflexa. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício de 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Constatação e Encerramento, págs. 10/24. 2. Cientificado em 24/02/2006, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva de págs. 344/359, cujo teor foi resumido pela DRJ/RJ1: O interessado apresentou a impugnação de fls. 331/348. Em sua defesa, alega, em síntese, que: é nulo o Auto de Infração lavrado com cerceamento do direito de defesa; só tomou ciência do Termo de Constatação e Encerramento juntamente com o Auto de Infração, não tendo o direito de se pronunciar a propósito; a capacidade produtiva da empresa foi superestimada pela fiscalização, que, tomou como único ponto de referência os extratos bancários, sem compreensão das peculiaridades da empresa, tanto por conta da sazonalidade inversa do seu ciclo Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 4 3 produtivo anual, quanto por conta dos mecanismos financeiros heterodoxos a que recorreu para obter capital de giro, tendo havido a equiparação de empréstimos a receitas e a inclusão repetitiva de créditos relativos a uma mesma receita; não é possível, em apenas 30 dias, esgotar o cotejo de todos os lançamentos dos extratos bancários. Encerra protestando pela juntada de novas provas. 3. Posteriormente, em 21/01/2010, juntou o aditamento de fls. 595/598 no qual alega, em síntese, que: a fiscalização apenas informa a existência de indícios de incompatibilidade entre os rendimentos e a movimentação financeira, o que, por si só, não autoriza o exame das informações bancárias; não houve prévia intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários; a fiscalização não indicou a razão pela qual não aceitou as justificativas apresentadas. 4. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1, no Acórdão nº 1228.335, de 04/02/2010, págs. 629/633, julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. 5. O contribuinte tomou ciência em 03/03/2010, pág. 637, e apresentou recurso voluntário tempestivo em 05/04/2010, págs. 638/647. 6. Do exame das Informações Relativas à Movimentação Bancária: que a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, art. 6°, e o Decreto n° 3.724, de mesma data, art. 2°, § 5°, estabelecem que o exame das informações atinentes à movimentação financeira do contribuinte sob fiscalização somente poderá ser levado a efeito quando houver procedimento de fiscalização em curso, instaurado mediante outorga de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização e tenha sido constatada hipótese de indispensabilidade prevista no artigo 3° do Decreto regulamentar; porém, o Autuante consignou no Termo de Constatação e Encerramento, que verificaramse indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta, o que, por si só, não autoriza o exame das informações bancárias, pois não consta Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 5 4 tal situação entre as hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001. 7. Dos Depósitos como Presunção de Omissão de Rendimentos: que a tributação não pode ultrapassar o conceito de renda previsto nos arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional; por isso, os depósitos bancários não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos se desacompanhados de outros indícios, uma vez que podem se referir à renda não tributável, já tributada ou tributada de forma diversa; essa posição tem sido adotada pela Jurisprudência, conforme Súmula 182 do TFR; além disso, o Fiscal, conforme planilhas anexas ao Termo de Constatação e Encerramento, incluiu, como omissão de renda decorrente de depósitos não contabilizados, centenas de valores creditados sem que houvesse prévia intimação para que a recorrente pudesse comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A regra contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é clara e estabelece a necessidade de regular intimação do contribuinte, para tanto. 8. Conclui resumindo que: a) Os extratos bancários que sugerem omissão de rendimentos, a partir dos depósitos de suposta origem não comprovada, foram examinados sem que houvesse enquadramento em quaisquer das hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001, conforme artigo 2°, §5°, do mesmo Decreto; b) Para a maioria dos depósitos listados na relação contida no Termo anexo ao auto de Infração que ensejaram o lançamento, não houve a regular intimação a que alude o artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, o que afasta o enquadramento da situação concreta na hipótese abstratamente estabelecida na norma legal; e c) O ilustre Fiscal também não justifica o porquê de não ter aceitado os documentos apresentados para a comprovação da origem dos valores depositados, não permitindo a recorrente identificar qual a documentação que deveria e/ou deve apresentar. 9. A 3ª Turma Ordinária, da 1ªCâmara, da Primeira Seção do CARF converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 110300026, de 30/03/2011: Assim, a afirmação da recorrente de que vários valores não foram objeto de intimação me parece razoável. Portanto, salvo melhor juízo, devese acatar a solicitação da recorrente para saber se: 1 Houve prévia intimação para se comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, da totalidade dos depósitos relacionados na lista anexa ao TERMO DE CONSTATAÇÃO E ENCERRAMENTO ? 2 Se houve, juntar cópia das referidas intimações. 3 Após, a resposta dos quesitos a autoridade diligenciante deve elaborar relatório circunstanciado com os valores, remanescentes do auto de infração. 10. A diligência e conclusões consta às págs. 665/681. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 6 5 11. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 12. Cientificado dos autos em 24/02/2006, págs. 338, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 30/03/2006, conforme atestado à pág. 608, a impugnação aos autos, resumida pela DRJ/RJ1; somente em 21/01/2010, apresentou o Aditamento de págs. 612/627, cujos argumentos reapresentou no Recurso Voluntário, dos quais, a argumentação acerca de não intimação de parte dos depósitos, foi aceita pela 3ª Turma Ordinária, da 1ªCâmara, da Primeira Seção do CARF, que determinou a diligência a respeito. 13. A Recorrente produz charque: recebe carne fresca, que é desossada, salgada, temperada e curada (tombo da carne) com sal marinho, exposta ao sol em "varal" no setor de seca ao ar livre, é inspecionada pela saúde pública, cortada, classificada e embalada para comercialização. 14. A autuação se iniciou mediante o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) datado de 05/02/2004, e prorrogado sucessivamente até 25/01/2006. 1 Do exame das Informações Relativas à Movimentação Bancária. 15. Relatou o autuante que, após reiteradamente intimado, no Termo de Início de Fiscalização de 09/02/2004, págs. 67/68, e nos Termos de Prorrogação de Prazo 002, 003, 004 e no Termo de ReIntimação Fiscal 005 em que se especificou extratos de contas nos bancos Bradesco, BCN e Rural, o contribuinte não entregou os extratos de movimentação nos bancos Bradesco, Rural e BCN, no anocalendário 2001. Assim a fiscalização: Em 02/06/2004, persistindo o silêncio da interessada, foi solicitada a quebra do seu sigilo bancário, resultando na emissão, em 09/06/2004, das respectivas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) para cada um dos bancos acima mencionados. 16. Verificase que, da extensa lista de documentos e dados requeridos no Termo de Início de Fiscalização, a Recorrente apenas apresentou: a) Contrato Social e alterações b) Recibos de DCTF c) Recibos de DIRF d) Recibos de DIPJ (pág. 69), em 26/02/2004; 1 Livro Diário volumes 05, 06, 07 e 08, 2 Contrato/Estatuto Social e suas alterações, 3 Recibos de Entrega das últimas declarações DCTF mensais e DIRF anuais, 4 DARF de IRPJ e de CONT. SOCIAL (recolhimento mensal/estimativa), 5 DARF de IRFonte e de PIS e Cofins s/faturamento, em 16/06/2004, pág. 80; extratos bancários do Banco Bradesco, em 05/07/2004, pág. 84. 17. Após o Termo de ReIntimação Fiscal 005, cientificado em 18/05/2004, sem ter sido atendido, foram emitidas Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, datadas de 09/06/2004, págs. 76/78, assinadas pelo delegado da Receita Federal da DRF em Niterói/RJ, nos seguintes termos: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 7 6 Requisito, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas aos Auditores Fiscais da Receita Federal abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF NITERÓI, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001. 18. A Recorrente acusa, no termo aditivo, extemporâneo, reiterado no Recurso Especial que a Lei Complementar n° 105, de 2001, art. 6°, e o Decreto n° 3.724, de 2001, art. 2°, § 5°, estabelecem que o exame das informações atinentes à movimentação financeira do contribuinte sob fiscalização somente poderá ser levado a efeito quando houver procedimento de fiscalização em curso, instaurado mediante outorga de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização e tenha sido constatada hipótese de indispensabilidade prevista no artigo 3° do Decreto regulamentar; porém, o Autuante consignou no Termo de Constatação e Encerramento, que verificaramse indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta, o que, por si só, não autoriza o exame das informações bancárias, pois não consta tal situação entre as hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3°, do Decreto n° 3.724, de 2001, cuja redação em 2004 era: Art.2ºA Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. §1ºEntendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. §2ºO procedimento de fiscalização somente terá início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos §§3º e 4º deste artigo. (...) Art.3oOs exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: Isubavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; IIobtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 8 7 IIIprática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IVomissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; Vrealização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VIremessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VIIprevistas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIIIpessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IXpessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; Xnegativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XIpresença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1oNão se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. §1oA requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: (...) § 2oA RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 9 8 § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (...) § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. (Grifou se.) 19. Em síntese, foi instaurado procedimento de fiscalização mediante MPFF; a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os extratos bancários, e mesmo depois de sucessivas prorrogações, não os entregou; a RMF foi emitida por autoridade competente, constando da mesma que foi com base no art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001: Art.4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (...) 20. Cabe destacar que o § 8º do mesmo artigo, já reproduzido, estatui que a expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos do mencionado Decreto. 2 Intimação. 21. A Lei nº 9.430, de 1996, Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 22. A diligência requerida concluiu, no que tange às questões postas na Resolução do CARF: 1 Houve prévia intimação para se comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, da totalidade dos Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 10 9 depósitos relacionados na lista anexa ao TERMO DE CONSTATAÇÃO E ENCERRAMENTO? Resposta: Não. Na planilha que estamos anexando nesta data, "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", estão listados todos os valores que foram localizados nos Termos de Intimação que o contribuinte tomou ciência. O valor total é de R$2.255.227,32 (dois milhões, duzentos e cinquenta e cinco mil, duzentos e vinte e sete reais e trinta e dois centavos). Cabe salientar que só foram intimados corretamente valores do Banco Bradesco. Na planilha “CRÉDITOS NÃO INTIMADOS AO CONTRIBUINTE”, também anexada, estão listados os valores que NÃO foram localizados nos Termos de Intimação que o contribuinte tomou ciência. O valor total é de R$13.808.377,04 (treze milhões, oitocentos e oito mil, trezentos e setenta e sete reais e quatro centavos). (Grifouse.) 23. Sobre as intimações informou: 2 Se houve, juntar cópia das referidas intimações. Resposta: O contribuinte tomou ciência dos seguintes termos para comprovar a origem dos créditos bancários: TERMO DE INTIMAÇÃO 009, com ciência pessoal em 28/09/2004 (Folhas 250 a 256 Volume 2), TERMO DE REINTIMAÇÃO 010, com ciência pessoal em 10/11/2004 (Folhas 258 a 266 Volume 2), TERMO DE INTIMAÇÃO 011, com ciência pessoal em 22/12/2004 (Folhas 276 a 278 Volume 2), TERMO DE REINTIMAÇÃO 012, com ciência pessoal em 21/02/2005 (Folhas 280 a 282 Volume 2), TERMO DE INTIMAÇÃO 013, com ciência pessoal em 20/04/2005 (Folhas 286 a 289 Volume 2), TERMO DE REINTIMAÇÃO 014, com ciência pessoal em 20/05/2005 (Folhas 290 a 293 Volume 2), TERMO DE INTIMAÇÃO 016, com ciência pessoal em 26/10/2005 (Folhas 299 a 302 Volume 2) e TERMO DE REINTIMAÇÃO 017, com ciência pessoal em 30/11/2005 (Folhas 304 a 307 Volume 2). Todos estes termos já fazem parte do processo 10730.000521/200670. 24. De fato, confirmouse que constam estas intimações no presente processo. 25. Respondeu ainda o autor da diligência: 3 Após, a resposta dos quesitos a autoridade diligenciante deve elaborar relatório circunstanciado com os valores, remanescentes do auto de infração. Resposta: Todos os valores remanescentes estão listados na planilha "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", que estamos anexando ao processo. 26. Das respostas transcritas se evidencia que nem todos depósitos/créditos em contas bancárias foram listados nas intimações ao sujeito passivo, o que conduz à improcedência Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 11 10 parcial da autuação, relativamente aos depósitos/créditos autuados como omissão de receitas, mas dos quais o contribuinte não foi intimado a justificar/comprovar a origem. 27. As presunções legais possibilitam à autoridade lançadora imputar fatos não diretamente comprovados a partir de outros fatos, chamados indiciários, cuja ocorrência é ônus da autoridade acusadora. 28. A omissão de receita não é legalmente presumida a partir de simples depósitos bancários, mas somente daqueles qualificados pela não comprovação de origem. Não basta à autoridade indicar os depósitos bancários, mas é condição essencial que intime o sujeito passivo, especificamente, em relação a cada depósito/crédito, individualizado, para que o contribuinte possa apresentar a comprovação de que se trata de valores oferecidos à tributação, ou não tributáveis, ou tributados na fonte, ou meras transferências entre contas do mesmo titular, ou recursos de terceiros, enfim, para que possa oferecer comprovantes para elidir a presunção de omissão de receitas. 29. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, prevê que somente fica caracterizada a presunção de omissão de receita quando o sujeito passivo deixa de apresentar tais comprovações, em face da intimação para comprovação da origem dos recursos. 30. No caso em que tal intimação deixar de ser devidamente efetuada pela fiscalização, o que foi o caso, para uma parte dos depósitos/créditos bancários autuados neste processo, os correspondentes valores autuados, não se subsomem à hipótese de incidência da capitulação legal consignada pela autoridade lançadora. 31. Em relação a tais valores, devese considerar improcedente a autuação. 3 Documentos comprobatórios apresentados pelo contribuinte. 32. Reclama que Fiscal não justificou porque não aceitou os documentos apresentados para a comprovação da origem dos valores depositados, não permitindo a recorrente identificar qual a documentação que deveria e/ou deve apresentar. 33. Consta do Termo de Constatação e Encerramento: CFiscalização 2ª Parte (Estendida) Tendo sido verificados indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada, submetemos a exames adicionais, com resultado, os extratos bancários da fiscalizada relativos a 2001 nos bancos BRADESCO, RURAL e BCN, nas circunstâncias relatadas nos comemorativos relatados no Tópico II. Os resultados produzidos por esses procedimentos de auditoria adicionais encontramse sintetisados no tópico seguinte, denominado Apuração da Matéria Tributável, e compreendem 1o) Quanto a natureza das operações: a) depósitos em dinheiro; b) depósitos em cheques; c) créditos decorrentes de liquidação de cobrança. 2°) Quanto aos fatores determinantes de sua inclusão na base de cálculo do Auto de Infração: em primeiro lugar, os créditos em relação aos quais a interessada não apresentou nenhuma justificativa; em segundo lugar, os créditos cujas justificativas foram terminantemente recusadas Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 12 11 por se revelarem ineptas ou desprovidas de qualquer comprovação no curso da auditoria; c) Por último, mas não menos expressivos, os créditos cujas justificativas, ainda que em tese passíveis de serem comprovadas, mostraram comprovação insuficiente. 34. A Recorrente declarou a Receita Bruta de R$2.030.225,00, no anocalendário 2001, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ de págs. 48/66. 35. À pág. 12, o autuante informou que o total de créditos analisados foi R$43.738.218,25, dos quais foram excluídos R$24.088.053,66, restando R$19.652.164,59 a serem comprovados. Destes, tiveram justificativas aceitas pelo Fiscal, créditos no montante de R$3.591.063,23, tendo sido objeto de autuação os restantes R$16.071.101,36, como depósitos bancários não contabilizados e de origem não esclarecida; destes: a. R$4.295.018,50 justificativa ausente; b. R$3.046.995,47 justificativa não aceita; c. R$8.729.087,39 justificativa insuficientemente comprovada. 36. Às págs. 13/24, consta a listagem individualizada, identificando para cada depósito, a avaliação pelo autuante: "Ausente", "Recusada", "Just/Insuf". 37. Como já descrito, a diligência requerida informou que, dos valores autuados como depósitos/créditos recebidos, sem origem comprovada, R$2.255.227,32, foram corretamente intimados ao contribuinte, a fim de que justificasse a origem. 38. Estes R$2.255.227,32, corretamente intimados ao contribuinte estão listados às págs. 667/668, que informa que foram intimados ao contribuinte mediante o TIF n º 9. 39. Portanto, cabe avaliar qual foi a resposta do contribuinte em relação a este TIF. 40. A Recorrente foi intimada Termo de Intimação TIF 009, págs. 257/266, em 28/09/2004, a comprovar a origem dos depósitos bancários recebidos no banco Bradesco, listados neste termo requereu prorrogação de prazo; reintimada no Termo de Reintimação 010, em 10/11/2004, págs. 267/276, respondeu, pág. 276/984: Em resposta à intimação de VS questionando a origem dos créditos bancários no Banco Brasileiro de Descontos — BRADESCO S/A ocorridos em nossa conta no ano de 2001, elaboramos um demonstrativo sob a forma de planilha eletrônica, demonstrando a procedência imediata e remota, caso a caso, das operações que conseguimos identificar até o presente. Em se tratando de demonstrativo autoexplicativo, acreditamos haver atendido parcialmente ao que foi exigido. Solicitamos dilatação do prazo para conclusão das pesquisas relativas aos créditos em fase de identificação Anexamos a estes esclarecimentos escritos cópia impressa da referida planilha bem como o arquivo magnético a partir do qual ela foi impressa Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 13 12 a. As planilhas são: i. Quadro I, planilha intitulada "Créditos recebidos pela liquidação de cobrança das operações relacionadas nos Quadros II e III" que informa para cada valor o histórico "DEPOSITO" e o nº do documento; ii. Quadro II, que informa para cada valor o histórico "DEPOSITO" e o nº do documento e que, "Tratase de adiantamentos automáticos, proporcionais a um valor referencial recalculado antes de cada crédito. Esse valor de referência corresponde ao seguinte somatório: a. I A soma dos depósitos decorrentes das operações relacionadas no Quadro III (cheques Predatados) b. II A soma dos demais recebíveis disponibilizados para cobrança até aquele determinado momento." iii. Quadro III, que informa para cada valor o histórico "DEPOSITO" e o nº do documento e: 1. "Origem: Depósitos de cheques para futura compensação, que entram a crédito apenas para registro. OBS.: Sendo simultaneamente levados a débito na conta garantida, sempre devedora, eles não representam ingresso de receitas no sistema contábil da empresa, no momento em que são lançados." 41. Foi ainda intimada Termo de Intimação 016, págs. 308/312, em 26/10/2005, a comprovar a origem dos depósitos bancários recebidos nos bancos Bradesco, BCN e Rural, listados neste termo; requereu dilação de prazo, reintimada no Termo de Reintimação 017, em 30/11/2005, págs. 313/316; não constam mais respostas. 42. Analisandose a listagem "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", da diligência, verificase que se tratam todos de valores recebidos em "depósito em dinheiro", "depósito em cheque" e apenas dois "liquidação em cobrança", recebidos no Banco Bradesco, estando explicitados também a data do recebimento e valor. 43. Como a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, inverte o ônus da prova, sobre o que se discorre adiante, neste voto, cabe ao interessado comprovar documentalmente que tais valores foram oferecidos à tributação ou não são tributáveis. Por exemplo, apresentar a nota fiscal de venda emitida, apresentar a contabilização e que os valores contabilizados correspondem aos declarados na DIPJ; ou apresentar contrato de financiamento tomado e a documentação correspondente ao correspondente depósito na conta; ou apresentar o correspondente débito de mesmo valor na mesma data comprobatório de que se trata de valor transferido de outra conta do contribuinte. 44. Não se vislumbra que seja difícil ao contribuinte identificar que documentos deve apresentar de comprovação. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 14 13 3.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. 45. A exigência tem como fundamento a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 46. Esclareçase que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários como tais considerados, mas sim a omissão de receitas ou rendimentos que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. 47. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção legal juris tantum, que autoriza a caracterização de omissão de receita. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus da prova. 48. Primeiramente, vejase o que determina a legislação pertinente, Lei nº 9.430, de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (Grifouse.) 49. Convém deixar claro que o autuante explicou no TVF que as transferências de recursos entre contas do mesmo titular foram excluídas dos depósitos bancários considerados na autuação, assim como empréstimos tomados, depósitos estornados e cheques devolvidos (pág. 145). 50. É oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. 51. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 15 14 §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) ” 52. À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 53. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.º 8.021, de1990: foi promulgada a já transcrita Lei n.º 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. 54. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 55. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. 3.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 56. Reclama a litigante que o fisco, ao intimála dos créditos/depósitos recebidos nas contas bancárias, não aponta o que é crédito fundado em notas fiscais e faturamento examinado, e crédito não identificado (que é tarefa do fisco), forçando o contribuinte a provar todos os créditos (2.400 lançamentos). 57. Cabe aduzir a seguinte explanação sobre a presunção legal já descrita: via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 58. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 16 15 atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 59. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 60. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 61. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 62. Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, portam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem ‘há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência’. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 17 16 incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendolhe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico. (Grifouse) 63. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 64. Temse que os depósitos recebidos não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 65. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 66. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10730.000521/200670 Acórdão n.º 1201002.502 S1C2T1 Fl. 18 17 provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 3.2.1 Súmula 182 do TRF. 67. A respeito da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, citada pelo litigante, referese a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 68. Já o art. 43 do CTN, trata do IR e, entre outras definições estipula no§ 2º que: § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 69. E o art. 44: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. 70. Portanto, de fato, aplicáveis ao presente caso. 4 Conclusão. 71. Voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reduzir o montante de Omissão de Receitas para os R$2.255.227,32, constantes da listagem "CRÉDITOS INTIMADOS AO CONTRIBUINTE", de págs. 667/668. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13853.000157/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997
PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INADMISSIBILIDADE.
Não cabe manifestação de inconformidade contra decisão administrativa que considerou "não formulado" o pedido de restituição/ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-005.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INADMISSIBILIDADE. Não cabe manifestação de inconformidade contra decisão administrativa que considerou "não formulado" o pedido de restituição/ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 3. 00 01 57 /2 00 6- 40 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 339 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 300 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Despacho Decisório 0812300, exarado pela DRF/FCA/SAORT, em 28.02.2008, que considerou não formulado pedido de restituição do crédito de IPI, referente ao período de apuração compreendido entre janeiro de 1996 a dezembro de 1997. Do Despacho Decisório Naquela ocasião, a D. Fiscalização considerou não formulado processo de pedido de restituição, no valor de R$ 124.869,56 (cento e vinte e quatro mil, oitocentos e sessenta e nove reais e cinquenta e seis centavos), referente ao período de apuração compreendido entre janeiro de 1996 a dezembro de 1997, por meio de formulário aprovado pela IN SRF n° 460/2004, conforme se segue: Trata o presente processo de pedido de restituição de IPI protocolado em 31/10/2006, por meio do formulário aprovado pela IN SRF n°460/2004 (fls. 1). O pedido foi protocolado por insistência do contribuinte (fls. 1) e não consta, na documentação anexa, qualquer justificativa sobre a não utilização do programa PER/DCOMP para formalizar o pedido (fls. 1 a 246). O crédito pleiteado neste pedido é composto por crédito básico de IPI proveniente de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, ocorridas no período de jan11996 a dez/1997; e pela atualização monetária destes créditos pela taxa SELIC (fls. 2 a 5). Os produtos adquiridos são isentos, nãotributados, imunes e com alíquota zero; e sua origem é justificada pelo contribuinte, conforme segue (fls.2) (...) Preliminarmente, verificase que houve prescrição do direito de pleitear o crédito. O art. 1.° do Decreto n.° 20.910, de 06 de janeiro de 1932, determina: "Art. 1. As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram.". Este prazo foi confirmado, nos casos de reivindicação de créditos de IPI, pelo Parecer Normativo CST n.° 515, de 10 de agosto de 1971, publicado na página 6.917 no DOU de 27 de agosto de 1971. Visto que o crédito pleiteado referese ao período de jan/1996 a dez/1997 (fls. 5) e a solicitação do contribuinte foi protocolada em 31/10/2006 (fls. 1), concluise que o direito de pleitear os créditos encontrase prescrito. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 340 3 Em relação ao pedido formulado pelo contribuinte, este é improcedente, visto que créditos de IPI constituídos em períodos anteriores a 01/01/1999 não podem ser utilizados em pedido de ressarcimento ou de compensação, devido à ausência de previsão legal. Somente a partir da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, o direito utilização do saldo credor de IPI em ressarcimento ou compensação foi concedido, conforme segue: (...) Devido ao fato dos créditos pleiteados se originarem no período de jan/1996 a dez/1997, não é possível a utilização destes em pedido de ressarcimento ou de compensação. Em relação ao crédito pleiteado, tratase de crédito básico de IPI proveniente de aquisições sem o recolhimento do imposto. Nestas operações, não há crédito a favor do comprador. (...) Por fim, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determina que a formalização do pedido deverá ser realizada por meio do programa PER/DCOMP e, somente quando não for possível a utilização deste programa, é cabível a utilização de formulário para formalizar o pedido, conforme segue: (...) No caso em questão, não houve comprovação e nem justificativa do motivo da não utilização o programa PER/DCOMP, apesar do presente parecer relatar várias situações que poderiam levar a rotina de consistência do programa PER/DCOMP rejeitar o pedido do contribuinte. A rotina de consistência é composta por conjuntos de instruções previamente programadas, de acordo com a legislação vigente, cujo objetivo é garantir que as informações fornecidas ao programa sejam corretas e consistentes. Ao contrário das rotinas de consistência, falha no programa representa qualquer anomalia que impossibilite o funcionamento deste conforme o planejado. Enquanto que ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no programa corresponde às hipóteses previstas na legislação e não contempladas no programa. Devido à ausência de comprovação e de justificativa da não utilização do PER/DCOMP, o pedido do contribuinte é considerado não formulado e o direito manifestação de inconformidade é afastado, conforme determinação contida na IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, descrita a seguir. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, em 07.03.2008 (fl. 264 e seguintes), e interpôs impugnação, em 02.04.2008 (fls. 270 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 341 4 · Inocorrência da prescrição em razão de jurisprudência do STJ; · Possibilidade do creditamento do IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero e imunes em razão do princípio da não cumulatividade; · Possibilidade de correção monetária e atualização compensatória dos créditos. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 14037.386 (fls 287 e seguintes), exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO , em 25.04.2012, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 06.12.2012 (fl. 298), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 PEDIDO NÃO FORMULADO. MANIFESTAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Não cabe manifestação de inconformidade contra decisão administrativa que considerou não formulado o pedido de restituição/ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator Da Admissibilidade Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 342 5 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Apesar de haver outras questões substantivas quanto à impossibilidade jurídica de pleitear crédito presumido de IPI concedida pelo artigo 11, da Lei Federal 9.779/1999, relativa à períodos anteriores da vigência da referida Lei, prefiro aterme a uma questão formal levantado pelo próprio "despacho decisório" que considerou o pedido de ressarcimento não formulado. De fato, a Recorrente solicitou o ressarcimento por meio de petição administrativa sem observar os ritos exigidos pela legislação em vigor à época 31.10.2006, qual seja, a de apresentação de um PER/DCOMP em formato eletrônico, não havendo hipótese distinta para tal pedido. A Lei Federal 9.430/1996 estabeleceu que os pedidos de compensação e ressarcimento de tributos federais administrados pela Receita Federal seguiriam as normas procedimentais editadas por essa. Nesse ínterim, a Instrução Normativa 600/2005, assim dispõe: Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (...) § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no § 2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. Ocorre que, o contribuinte, até o presente momento, nunca justificou, nem comprovou as razões para sua impossibilidade, o uso de petição ao invés do formulário eletrônico para o pedido de ressarcimento, razão pela qual restaria incontroverso que houve irregularidade na formação do seu pleito. Daí porque entendo ser correta o despacho decisório quanto ao seu status de "não formulado", entendimento também confirmado na decisão a quo, tendo em vista a previsão no artigo 31, da refrida IN: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 343 6 Nesse diapasão, diante da negativa de ressarcimento por considerar o pedido "não formulado", em 28.02.2008, não caberia apresentação de Manifestação de Inconformidade, em razão da expressa vedação prevista no artigo 66, paragrafo 8º, da Instrução Normativa 900/2008, que passou a regulamentar o processo de ressarcimento e compensação de tributos federais: Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. (...) § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (..) § 8º Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não declarada a compensação ou não formulado o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, bem como da decisão que não admitiu a retificação de que tratam os arts. 76 a 79 ou indeferiu o pedido de cancelamento de que trata o art. 82. Como forma a contornar impossibilidade de Manifestação de Inconformidade, e garantir o direito ao duplo grau de jurisdição prevista na Constituição Federal e o disposto no artigo 56, da Lei Federal 9.784/1999, foi editada a Portaria RFB 666/2008, que regulamentou a possibilidade de apresentação de Recurso Hierárquico, que segue rito distinto do presente processo. A conferir: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 344 7 c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. § 1º O disposto no inciso I aplicase inclusive na hipótese de inexistência de crédito tributário relativo a um ou mais tributos. § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I, II e III as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. § 3º Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III. § 4º As DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), apresentadas após o indeferimento ou não homologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada a decisão. § 5º Para efeito do disposto nos incisos II e III, havendo lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou da Contribuição Previdenciária, estes deverão constituir processos distintos. Art. 2º Os autos serão apensados nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; II recurso hierárquico relativo ao indeferimento de pedido de retificação, cancelamento ou desistência de Pedido de Restituição ou Ressarcimento e de Declaração de Compensação e à manifestação de inconformidade contra indeferimento do Pedido de Restituição ou Ressarcimento ou a nãohomologação da Declaração de Compensação originais; III de exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes às Contribuições Previdenciárias e àquelas relativas a terceiros. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13853.000157/200640 Acórdão n.º 3401005.366 S3C4T1 Fl. 345 8 Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Art. 4º O disposto no art. 2º aplicase aos processos formalizados a partir da publicação desta Portaria. Concluise, portanto, que a análise do presente Recurso, sendo consequência de uma manifestação de inconformidade ilegítima – uma vez que o recurso processual era outro – está fora da órbita de competência desse colegiado, não nos cabendo exercer qualquer atividade jurisdicionante. Ressaltese que não se trata de excesso de formalismo, mas de exigir que o contribuinte cumpra aquilo que está previsto em lei, porque é lei e porque o formalismo na esfera administrativa tem o condão de garantir imparcialidade e isonomia perante os demais contribuintes, além da possibilidade de melhor controle dos atos administrativos pelos administrados e pelos outros entes governamentais. Ao ignorar a forma adequada para requerer o seu ressarcimento, a despeito dos vícios apontados pela unidade de origem e pelo acórdão recorrido, a Recorrente assumiu o risco de ter seu pleito indeferido, ao continuar insistindo em forma de contencioso indevida. Por todo o exposto, não conheço da peça recursal. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000865/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002
LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA.
Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitam-se à incidência das contribuições para o PIS e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal.
Numero da decisão: 9303-007.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Votou pelas conclusões a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Votou pelas conclusões a conselheira Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 65 /2 00 9- 70 Fl. 2056DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de pedidos de compensação com base em restituição de créditos de Cofins e PIS, à efl. 763, decorrente de pagamento a maior em face de indevido alargamento da base de cálculo promovido pela Lei nº 9.718 de 27/11/1998. Os recolhimentos eram relativos aos períodos de fevereiro de 1999 a julho de 2002. O pedido se fundamentava em título judicial transitado em julgado no bojo do MS 2003.61.00.0057334, então patrocinado pela pessoa jurídica FNC – Comércio e Participações Ltda. (CNPJ 34.061.077/000193), incorporada à requerente em 30/06/2009, que lhe garantiria a apuração da contribuição em epígrafe sobre o faturamento, tal como definido pela LC 07/70 e Lei nº 9.715/98. A decisão do referido mandado transitou em julgado em 14/08/2006 e a FNC efetuou pedido de habilitação dos créditos que foi deferido em 16/07/2008 (efl. 843). No despacho decisório que apreciou os pedidos de compensação, às efls. 1506 a 1516, a DIORT/DEINF/SP, após examinar o inteiro teor das decisões judiciais proferidas no mandado de segurança respectivo, fundada no Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, deferiu em parte o pedido formulado, excluindo da apuração do indébito os recolhimentos oriundos das receitas das atividades de factoring e da locação de imóveis, por se qualificarem como advindas do exercício das atividades mercantis típicas da pessoa jurídica, que não estariam incluídas no conceito ampliado de faturamento, na acepção do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Cientificada desse despacho em 25/04/2012 (efl. 1591), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 25/05/2012, às efls. 1640 a 1651. A 10ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1650.198, prolatado em 05/09/2013, às efls. 1771 a 1784, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ressaltando que as receitas de factoring não foram contestadas e por isso tornouse definitivo o não reconhecimento dos respectivos créditos. Cientificada do acórdão da DRJ em 25/09/2013 (efl. 1805), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 10/10/2013, às efls. 1807 a 1823. Invocou, como preliminar, o sobrestamento do julgamento, em razão do reconhecimento da existência de repercussão geral acerca do tema: incidência de PIS e Cofins sobre locação de imóveis, o que atrairia as disposições do art. 62A do RICARF. No mérito, em apertada síntese: a) argui ofensa à coisa julgada, pois a caracterização de faturamento constante do Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007 não se compaginaria com aquele exposto na Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.057 3 ação judicial própria, que o circunscreveu à receita da venda de bens e serviços, nos termos da LC 70/91 e Lei nº 9.715/98; b) destaca que a natureza das receitas de locação de imóveis não possuiria correlação com o conceito de faturamento, assim entendido o produto da venda de mercadorias e/ou serviços; e, c) afirma que a locação de imóveis, nada obstante constar de seu estatuto social, não seria sua atividade empresarial típica, mas sim a participação em outras sociedades, perfazendo a receita correspondente a essa atividade 54,06% do total de suas recitas, enquanto as indigitadas receitas de aluguel importam em 0,75% apenas. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/08/2016, resultando no acórdão nº 3401003.225, às efls. 1355 a 1359, que tem a seguinte ementa: REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os parágrafos 1º e 2º do art. 62A, do RICARF, que previam o sobrestamento dos recursos administrativos sempre que igual medida fosse determinada pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Poder Judiciário, nos moldes do art. 543B do Código de Processo Civil, foram revogados pela Portaria MF nº 545/2013, de 18/11/2013, não mais havendo respaldo regimental para adoção de tal providência. COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES OBJETIVOS. ALCANCE. Segundo a teoria processual, a delimitação da lide circunscreve se ao pedido formulado na petição inicial, devendo a decisão judicial proferida, por sua vez, a ele se vincular, limitandose objetivamente os efeitos da coisa julgada ao que consta exclusivamente do dispositivo da sentença. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre S. Pacheco, OAB/SP 160.078. Fl. 2058DF CARF MF 4 O voto condutor, à efl. 1958, resume as considerações que motivaram a decisão: Assim, considerando que não houve definição expressa do conceito de faturamento nas decisões exaradas no MS 2003.61.00.0057334; considerando que o Supremo Tribunal Federal assentou que faturamento corresponde à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (RE 371.258 AgR); considerando que a locação de bens imóveis compunha o objeto social da pessoa jurídica incorporada (FNC – Comércio e Participações Ltda. CNPJ 34.061.077/000193) ; e, por fim, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em admitir a incidência da Cofins sobre as receitas de locação de móveis e imóveis, seja sob a égide da Lei Complementar nº 70/91, seja pela Lei nº 9.718/98, concluo que o despacho decisório e a decisão de primeiro grau administrativo não merecem qualquer reparo, devendo ser mantidos pelos seus próprios fundamento. Recurso especial da contribuinte Intimada do acórdão em 21/10/2014 (efl. 1977), a contribuinte apresentou recurso especial em 21/10/2014, às efls. 1979 a 1997, no qual aponta divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma nº 340300.566. O acórdão paradigma aplicou literalmente a decisão proferida pelo STF que definia faturamento como a receita decorrente da venda de mercadorias e prestação de serviços, não podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira e outras operacionais, como é o caso das receitas de locação. Já a decisão recorrida aponta para inclusão da receita de locação de bens imóveis na base de cálculo do PIS e da Cofins, dando interpretação diversa daquela proferida pelo STF nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela empresa incorporada pela contribuinte, com ofensa à coisa julgada. ao inovar o conceito de faturamento. Ao final, requer o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o aresto recorrido para restabelecerse a decisão de primeira instância . O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência do sujeito passivo em 1º/07/2015, no despacho de e fls. 2039 a 2041, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 2039 a 2041, em 07/07/2015 (efl. 2024), e apresentou contrarrazões em 14/07/2015, às efls. 2043 a 2054. No seu arrazoado afirma: In casu, estamos diante uma atividade que consta no objeto social da empresa. (...) diante da orientação atual do Supremo Tribunal Federal, no sentido de equiparar o faturamento à receita bruta obtida em Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.058 5 decorrência da atividadefim da empresa, entendese que todo o tipo de ingresso definitivo obtido pelo contribuinte como resultado das relações jurídicas firmadas no desenvolvimento da atividade empresarial deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, na vigência da Lei n° 9.718/98. Sob a ótica do entendimento consagrado pelo STF, a receita sobre locação de bens imóveis não pode ser excluída da base de cálculo do PIS/COFINS, por compor o resultado de atividade desenvolvida normalmente pela contribuinte. (Negritos do original) Pelas razões apresentadas, pugna pela negativa do provimento do recurso especial da contribuinte, para manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do sujeito passivo é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A única matéria que se encontrava em discussão nessa esfera é referente à tributação pelas contribuições para o PIS e Cofins dos ingressos de valores a título de locação de imóveis: são esses valores passíveis de serem considerados parte da receita bruta da contribuinte ou não se encaixam nessa classificação. A contribuinte afirma que os valores recebidos a título de aluguéis pela empresa por ela incorporada não compunham as receitas para fins de incidência do PIS e da Cofins, em razão da restrição ao que seria receita bruta decorrente da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998. Essa inconstitucionalidade da norma foi afirmada, em definitivo, na decisão no Recurso Extraordinário nº 478.6320, como corolário processual do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0057334, interposto pela empresa incorporada, sem, contudo, que essa decisão explicitasse o conceito de faturamento ou receita bruta. Assim, conforme minudentemente explanado no voto condutor do acórdão recorrido, às efls. 1949 a 1953, que me furtarei de reproduzir, não houve qualquer acinte à coisa julgada, uma vez que ela não se estabeleceu sobre os conceitos de faturamento ou de receita bruta, até porque não houve pedido específico para que fosse apurado o faturamento pelo critério que esposava a impetrante do MS. Logo, bastaria a incidência do caput dos arts. 2º e 3º1 daquela Lei para haver possibilidade de tributação da receita bruta pelas contribuições. 1 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 2060DF CARF MF 6 Portanto, a questão a ser apreciada é a de serem, ou não, os aluguéis recebidos pela FNC Comércio e Participações Ltda. parte da sua receita bruta. Nesse sentido, o relator do acórdão recorrido fez percuciente análise, às efls. 1953 a 1958, com base em jurisprudência do STJ, e, no meu sentir, chegou à melhor exegese, pois compõem o objeto social da empresa incorporada, as atividades de compra, venda, locação e administração de imóveis, e assim não há como negar que os valores decorrentes dessas atividades façam parte de sua receita bruta, independentemente de quanto estes ingressos representem no total da sua receita. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Primeiramente, importante esclarecer que essa Conselheira, nesse processo, não está impedida de apreciar a matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Recordo que me declarei impedida, por zelo, nos processos 16327.904333/200822, 16327.904322/200842 e 16327.903228/200876, considerando que: · O Itaú Unibanco havia comprado as operações de varejo do Citibank em meados de 2017, mediante condições previstas em acordo de controle de concentrações a ser firmado entre as partes; · Ainda que os períodos tratados nesses processos sejam anteriores à aquisição e indiretamente serem relacionados ao varejo – por envolverem contratos de mútuos firmados com determinadas empresas; o que, por conseguinte, o resultado não traria nenhum reflexo ao banco, no momento da sessão de julgamento, essa conselheira não tinha conhecimento sobre a responsabilidade das contingências fiscais envolvendo indiretamente o varejo de períodos anteriores à aquisição. Sendo assim, por zelo, independentemente da “escrow account” nessa operação, declareime impedida de julgar esses processos. Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.059 7 Não obstante, quanto a esse processo em questão, vêse que não posso me abster de apreciar a matéria, vez que envolve operações próprias não vinculadas ao “varejo”, não trazendo o resultado desse julgamento prejuízo, tampouco benefício ao Itaú Unibanco. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide posta em Recurso Especial que envolve o PIS e a Cofins sobre a receita de aluguel auferida pela empresa incorporada pelo Banco Citibank. Para tanto, é de se sintetizar o que traz a recorrente: · O crédito utilizado nos presentes autos diz respeito aos Pedidos de Habilitação de Crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado; · A decisão restou explicita em relação ao conceito de faturamento: “receita decorrente das vendas de bens e da prestação de serviços, conforme definido no art. 3º da Lei 9.715/98 e no art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, não atingindo qualquer outra receita, quer de caráter operacional, quer de natureza financeira”; · Faturamento somente pode ser o produto da venda de serviços e/ou de mercadorias; · Locação não seria venda de bens ou serviços. O período em questão envolve a apuração das contribuições de fevereiro/99 a julho/02 da empresa sucedida FNC Comércio e Participações Ltda – incorporada em 30.6.09, ou seja, antes da vigência da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. Sendo assim, o que restava decidido efetivamente com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98 era o alargamento da base de cálculo das contribuições, restando decidido que o faturamento (base das contribuições) seria a receita pela prestação de serviço e venda de mercadorias – tal como também restou definitivamente decidido em medida judicial própria da empresa incorporada. O ponto em discussão, a meu sentir, não envolveria o objeto social da empresa incorporada – se tinha como objeto social a administração de bens imóveis, compra e venda e locação, mas sim se a “locação de imóveis” seria efetivamente serviço. Eis que o conceito de faturamento pela Lei 9.718/98, considerando o período em questão, se restringiu a receita pela prestação e serviço e venda de mercadorias. E inclusive a empresa incorporada detinha decisão transitada em julgado no bojo do MS 2003.61.00.0057334 que lhe garantiria a apuração da contribuição sobre o faturamento, tal como definido pela LC 07/70 e Lei nº 9.718/98 – ou seja, sobre a receita de prestação de serviço e venda de mercadorias. Nem dando margem a entender que o conceito de faturamento abrangeria receitas empresariais, pois o conceito definido por meio da LC 7/70 efetivamente se restringiu a receita da prestação de serviço e venda de mercadorias. Ademais, frisese o decidido em RE 346.084, RE 357.950 e RE 390.840 (Grifos meus): Fl. 2062DF CARF MF 8 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Nessa toada, cabe apenas clarificar que a manifestação do Ministro Cezar Peluso naquela ocasião, quando trouxe que o faturamento poderia abranger a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais sobrepujou o objeto do recurso. Vejam os diálogos: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Mas ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça. [...] Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. Sendo assim, data vênia, acredito que não cabe alargar um conceito definido pelo Colegiado na apreciação daqueles REs com tal manifestação. Não obstante, tendo em vista que a empresa incorporada já havia obtido decisão transitada em julgado garantindo a observância do conceito de faturamento mais restrito, qual seja, aquele definido pela LC 7/70, não me parece prudente afastar a conceituação Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.060 9 de faturamento daquela lei complementar, sob pena de afrontarmos a decisão judicial definitiva. Em sequência, ensina o Prof. Pontes de Miranda, in Tratado de Direito Privado, 1958, que serviço é qualquer prestação de fazer – servir é prestar atividade a outrem. Evidente que a prestação de serviço envolve uma obrigação de fazer, ainda que vincule ao emprego de materiais e equipamentos. Ora, se determinada pessoa loca um carro para outra – é de se constatar que estamos diante de uma obrigação de dar. No entanto, se ela disponibiliza um motorista juntamente com o carro – estamos diante de uma obrigação de fazer. Sendo assim, é de se clarificar que a receita de locação de imóveis está fora do campo de incidência de PIS e Cofins, vez que não poderia se enquadrar no conceito de “faturamento” está dissociada de alguma prestação de serviço. Somente há nesse evento uma obrigação puramente de dar – o que não configura receita pela prestação de serviço. Ora, a disponibilização de um bem, quer seja móvel ou imóvel, não configura uma prestação de serviço. Ademais, importante trazer que essa discussão se tornou mais confortável quando o STF, na apreciação do RE 116.121, em 2000, entendeu que a locação de bens móveis não pode ser qualificada como serviço e declarou a inconstitucionalidade da expressão "locação de bens móveis", constante do item 79 da lista de Serviços anexa ao Decreto Lei 406/68. E nessa linha foi aprovada a Súmula Vinculante 31 – STF em 2010, in verbis: É inconstitucional a incidência do imposto sobre serviços de qualquer natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis. Posteriormente, com o advento da LC 116/03, temse que seu art. 1º traz que o ISS tem como fato gerador a prestação de serviços constante da lista anexa à norma. E, quando da promulgação da norma, o item 3.01 – Locação de bens móveis foi efetivamente vetado pelo Presidente da República. É de se recordar a transcrição da razão do veto: Item 3.01 da Lista de serviços "3.01 – Locação de bens móveis." Razões do veto Verificase que alguns itens da relação de serviços sujeitos à incidência do imposto merecem reparo, tendo em vista decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. São eles: O STF concluiu julgamento de recurso extraordinário interposto por empresa de locação de guindastes, em que se discutia a constitucionalidade da cobrança do ISS sobre a locação de bens móveis, decidindo que a expressão "locação de bens móveis" constante do item 79 da lista de serviços a que se refere o Fl. 2064DF CARF MF 10 DecretoLei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, com a redação da Lei Complementar nº 56, de 15 de dezembro de 1987, é inconstitucional (noticiado no Informativo do STF no 207). O Recurso Extraordinário 116.121/SP, votado unanimemente pelo Tribunal Pleno, em 11 de outubro de 2000, contém linha interpretativa no mesmo sentido, pois a "terminologia constitucional do imposto sobre serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo a contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprios, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, práticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável." Em assim sendo, o item 3.01 da Lista de serviços anexa ao projeto de lei complementar ora analisado, fica prejudicado, pois veicula indevida (porque inconstitucional) incidência do imposto sob locação de bens móveis. Importante trazer ainda que o STF ao apreciar o RE 592.905/SC, decisão publicada em 2017, ao entender que o leasing financeiro é serviço e, portanto, caberia a incidência de ISS, não tratou especificamente de locação de imóveis. O que desprezo a aplicação desse julgado como forma de considerar a receita de locação como receita pela prestação de algum serviço. Vêse que restringiu sua análise as operações de leasing financeiro e leaseback. Tanto é assim que o item da LC que trazia referência à locação foi devidamente “vetado”. Em vista de todo o exposto, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Ademais, considerando que foi suscitado pelo sujeito passivo a aplicação do art. 24 do DecretoLei 4.657/42 – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – redação dada pelo art. 1º da Lei 13.655/18, adicionalmente, podese entender que aplicarseia esse dispositivo para o caso em comento para dar provimento ao sujeito passivo. Para tanto, recordo o art. 24 (Grifos meus): Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Vêse que, nos termos daquele dispositivo, a princípio, o sujeito passivo que considerar as orientações gerais à época, entre outros, a jurisprudência judicial majoritária estaria respaldado, não podendo ser considerados os procedimentos cobertos como inválidos. Primeiramente, quanto à observância do dispositivo a esse Conselho, entendo, a princípio, que o CARF não poderia de se abster em aplicar. Vêse que até mesmo o Professor Floriano de Azevedo Marques Neto, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, um dos formuladores do dispositivo, traz que “Se alguém achar que existe algum Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 16327.000865/200970 Acórdão n.º 9303007.396 CSRFT3 Fl. 2.061 11 órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito” (in https://www.jota.info/tributoseempresas/tributario/lindbflorianoentrevistacarf06082018). Após breves considerações, entendo, a princípio, que tal dispositivo não se aplica somente a atos públicos, vez que o parágrafo único do art. 24, reflete que se consideram orientações gerais as interpretações contidas em jurisprudência judicial majoritária. Nessa linha, à época dos fatos geradores em discussão, vêse que restava consolidado pelo STF o decidido em RE 116.121 – que trazia ser inconstitucional considerar locação e bens móveis como prestação de serviço. Sendo assim, quer sejam, bens móveis ou imóveis, a locação desses bens não se configurava como prestação e serviço, vez que não se originava de uma obrigação de fazer, mas de dar. Sendo o conceito de faturamento restrito, haja vista a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, não há que se falar em considerar a receita de locação como base de cálculo do PIS e da Cofins. E, apenas complementando como mais um suporte, para quem entenda que o art. 24 da LINDB seria aplicável ao CARF, poderseia aplicar os dizeres desse dispositivo ao caso em questão. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902146/2009-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 21 46 /2 00 9- 19 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 59/68) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 30, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106 (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data da transmissão da DCOMP nº 03477.40344.120405.1.3.040028 já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF (10/01/2000) e a data de transmissão do PER/DCOMP (12/04/2005). A recorrente, às folhas 75/82, em síntese, alega a decadência não atingiu o direito creditório que fundamentou as referidas compensações, pois o prazo de 5 anos determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621RS, só se aplica em relação a pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 116 3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 117 4 Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.902146/200919 Acórdão n.º 1003000.223 S1C0T3 Fl. 118 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF acabou por adotar tal entendimento mediante Súmula: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001401/2003-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/1998 a 31/03/2003
DECADÊNCIA
Na hipótese de não haver qualquer antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I do CTN.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/1998 a 31/03/2003 DECADÊNCIA Na hipótese de não haver qualquer antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I do CTN. Recurso especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11040.001401/200388 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.466 – 3ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA ARROZEIRA EXTREMOS SUL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/05/1998 a 31/03/2003 DECADÊNCIA Na hipótese de não haver qualquer antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I do CTN. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 14 01 /2 00 3- 88 Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200388 Acórdão n.º 9303007.466 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 2794/2814), admitido pelo despacho de fls. 2854/2858 e ratificado pelo despacho em agravo (fls. 2859/2860), apenas em relação à parte provida de ofício quanto à decadência. Insurgese contra o Acórdão 3302 000.488 (fls. 2781/2790), de 29/07/2010, o qual teve o seguinte resultado quanto à parte admitida: PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN HOMOLOGAÇÃO DO FATO GERADOR. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, independente da ocorrência de pagamento. Em suma, o especial postula o especial o provimento quanto à decadência, uma vez que o recorrido entendeu que "a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento", aplicandose o artigo 150, § 4º, do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento, que, no caso, não houve qualquer uma. Alega a Fazenda, com arrimo em farta jurisprudência do STJ que colaciona, que a referida norma referese a pagamento. Assim, não havendo qualquer antecipação de pagamento, nada há a homologar, ou seja, não se aplica o art. 150, § 4º, mas sim o artigo 173, I, do Digesto Tributário. Consequentemente, ao se aplicar esta norma, os períodos anteriores a novembro de 1998 não estariam decaídos, daí a necessidade de reforma do recorrido no ponto. Em contrarrazões (fls. 2881/2883), o contribuinte pugna pelo improvimento do recurso especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. Como relatado,a única matéria devolvia a nosso conhecimento é a questão da decadência. A decisão recorrida, de ofício, declarou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de novembro de 1998 (inclusive), "uma vez que ocorreu em meses anteriores a 5 anos da lavratura do auto de infração", ao fundamento, em suma, "que a homologação não é do pagamento do tributo, mas sim do seu lançamento", tendo como termo a quo o mês seguinte à ocorrência do fato gerador, "independentemente da realização do pagamento". Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200388 Acórdão n.º 9303007.466 CSRFT3 Fl. 4 3 Máxima vênia, primeira vez que vejo tal tese esposada, até porque vai de encontro à jurisprudência consolidada desta Corte Administrativa e do próprio STJ. Ou seja, só há que se falar em aplicação do art. 150, § 4º, quando provado que houve alguma antecipação de pagamento. In casu, inconteste que não houve qualquer antecipação de pagamento da contribuição. Em recente julgado, esta E. Turma, por unanimidade de votos, em caso análogo, de relatoria do i. Conselheiro Demes Brito, manifestouse sobre o tema. Vejase: Acórdão 9303007.023, de 14/06/2018. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1999, 31/05/1998, 30/06/1998 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, §2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS STJ. O Superior Tribunal de JustiçaSTJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos,(art. 150, §4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado,no caso de ausência de antecipação de pagamento,ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo 173, I do CTN). Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, sob pena de perda do mandato. Portanto, não havendo qualquer antecipação de pagamento, o termo inicial para aferição do prazo decadencial é aquele a que alude o art. 173, I, do CTN. Em consequência, aplicandose esta norma, não há falarse em decadência no presente caso. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador e doulhe provimento para afastar a decadência do lançamento encartado nestes autos. Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200388 Acórdão n.º 9303007.466 CSRFT3 Fl. 5 4 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200388 Acórdão n.º 9303007.466 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 2908DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919494/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 4/ 20 12 -9 1 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10680.919494/201291 Resolução nº 3301000.934 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10680.919494/201291 Resolução nº 3301000.934 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10680.919494/201291 Resolução nº 3301000.934 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10680.919494/201291 Resolução nº 3301000.934 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.959034/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 71 1 70 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.959034/201321 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.752 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria PERDECOMP Recorrente HOUSE OF VISION COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 90 34 /2 01 3- 21 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 74917090, emitido eletronicamente em 13/01/2014, referente ao PER/DCOMP nº 34752.98219.190613.1.3.046948. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.959034/201321 Acórdão n.º 1401002.752 S1C4T1 Fl. 72 3 que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entgre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam os autos remetidos à DRF de origem, para que sejam produzidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada, que seja deferido o direito de produzir provas em momento posterior. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Fl. 73DF CARF MF 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/07/2017 sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.959034/201321 Acórdão n.º 1401002.752 S1C4T1 Fl. 73 5 outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Fl. 75DF CARF MF 6 Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 13869.000220/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.
No regime da não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária.
AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.
O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO PIS NÃO CUMULATIVO. UROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
O ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado.
Numero da decisão: 3301-004.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando créditos de PIS sobre compras de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem, CWMI 85, CWDO 30, CWBA, gás GLP utilizado em empilhadeiras, peróxidos e soda cáustica.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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CREDITAMENTO. INSUMOS. No regime da não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO PIS NÃO CUMULATIVO. UROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 02 20 /2 00 4- 15 Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.035 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando créditos de PIS sobre compras de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem, CWMI 85, CWDO 30, CWBA, gás GLP utilizado em empilhadeiras, peróxidos e soda cáustica. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "O presente processo foi iniciado em 17/12/2004 pela apresentação dos Pedidos de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 7/14 do eprocesso). O montante pleiteado, nos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, referese a créditos vinculados a operações no mercado externo do período compreendido entre o 1º trimestre de 2003 e o 3º trimestre de 2004 e alcança a cifra de R$ 979.198,03. Ao direito de crédito, a contribuinte vinculou declarações de compensação. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de verificar o direito de ressarcimento (fl. 148/153), tendo sido a interessada intimada a apresentar documentação de suporte ao crédito. Examinado o conjunto de provas, a fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto elaborou as informações fiscais (fls. 273/350) específicas para cada um dos trimestres envolvidos nos Pedidos de Ressarcimento. Posicionouse a auditoria fiscal pelo reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento, como segue: No curso do procedimento fiscal, foram constatadas irregularidades na apuração dos saldos do PIS/PASEP, resultando na GLOSA no que refere ao Estoque de Abertura de INSUMOS e PRODUTOS ACABADOS, BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS e recálculo na % de EXPORTAÇÃO e MERCADO INTERNO. Com base nas informações prestadas pela fiscalizada, quanto à função de cada produto no processo industrial, a autoridade fiscal decidiu pela glosa dos créditos relativos aos bens listados na tabela que segue: Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.036 3 A autoridade fiscal informa haver glosado parte dos créditos presumidos referentes aos estoques de abertura de insumos e produtos acabados em função da exclusão de diversos itens que não atenderiam ao conceito de insumos estabelecidos na legislação. Nas informações fiscais constam os demonstrativos da nova apuração do crédito passível de ressarcimento/compensação, neles incluídos o recálculo do percentual de participação das Receitas de Exportação na Receita Bruta. Especialmente em relação aos créditos apurados no 3º trimestre de 2004, a autoridade fiscal ressalta alteração significativa da legislação a partir de 1º de agosto de 2004 em relação ao crédito presumido da agroindústria. Menciona que a Medida Provisória (MP) nº 183/2004, posteriormente convertida na Lei nº 10.925/2004, revogou o disposto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que tratava do referido crédito, o qual passou a ser apurado segundo novos critérios e deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado para a dedução dos débitos da própria contribuição. Neste caso, tais créditos foram excluídos da apuração do direito creditório (passível de compensação ou ressarcimento) reconhecido pela fiscalização, conforme demonstrado na planilha de fl. 348. Concluído o trabalho da fiscalização, os autos foram encaminhados à Seção de Orientação e Análise Tributária, que elaborou o despacho decisório de fls. 566/570, no qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações declaradas com base no referido crédito, até o limite do crédito reconhecido (no montante de R$ 696.145,12). Cientificada do despacho em 16/07/2008 (fl. 579), em 05/08/2008, a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade (fls. 583/621) na qual alega em síntese que: Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.037 4 a) é nulo o despacho decisório, em razão de escorarse em levantamento fiscal por amostragem, conforme consignado pela autoridade fiscal responsável pela análise do crédito pleiteado; na hipótese destes autos caberia à fiscalização fazer prova inequívoca de suas alegações através de levantamento específico e não por mera amostragem; b) os materiais glosados, ao contrário do entendimento exposto pela auditoria, enquadramse no conceito de insumo tratado pela fiscalização, sendo legítima a apuração de créditos sobre as aquisições de amônia líquida, acido fosfórico, bagaço de cana, cal virgem, CWMI 85 microbiocida, CWDO 30 dispersante, CWBA antiespumante, combustível, gás GLP, gasolina comum, óleo combustível para caldeira, peróxidos e soda cáustica, todos materiais de consumo imediato e integral no processo produtivo (descrito em detalhes na manifestação de inconformidade); c) a Solução de Consulta nº 80, de 2008, “assegura o direito ao crédito de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção”. Assim sendo, se é admitido o crédito de partes e peças de máquinas, não há como negar o mesmo direito a produtos químicos consumidos no processo, com desgaste imediato e integral; d) impossível negarse o direito ao crédito do bagaço de cana e do óleo combustível para caldeira, utilizados na geração do vapor; os incisos II e IX do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, prevêem o direito ao creditamento sobre de aquisições de combustíveis e energia elétrica, e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, até porque sem energia não haveria produção; a geração do vapor tem a mesma função, no processo industrial, da energia elétrica ou térmica; e) quanto aos estoques de abertura, desconsiderandose as indigitadas glosas, ficam afastadas as conclusões fiscais [...], restabelecendose o crédito como preliminarmente solicitado; f) quanto às alterações produzidas pela Lei nº 10.925/2004, “se não há menção ao crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15º da Lei nº 10.925/04, também não há exigência de que o crédito a ser compensado é exclusivamente o do artigo 3º; “fosse essa a intenção do legislador, a redação deveria incluir o termo unicamente, mas isso nãocorreu; se o legislador não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo”; g) ao crédito deve ser aplicada a atualização monetária, com base na taxa Selic." A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte e o Acórdão n° 1446.047, datado de 06/11/13, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.038 5 Para efeitos de apuração dos créditos do regime não cumulativo, entendemse como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.VEDAÇÃO LEGAL. Não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que trouxe: diversas decisões do CARF; descrição do processo produtivo; informação que todos os produtos são consumidos direta e integralmente no processo produtivo, com exceção dos itens "soda cáustica", empregada na limpeza de máquinas, por exigência de legislação sanitária; "combustível" e "gasolina comum", para os veículos dos compradores, fiscais de frutas e vendedores; gás GLP, que serve de combustível para empilhadeiras, que movimentam os estoques dentro do parque industrial; defesa do creditamento sobre os estoques de abertura, existentes por ocasião da publicação das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, e da compensação de créditos presumidos, previstos na Lei n° 10.925/04; e pleito acerca do acréscimo de juros Selic aos créditos pleiteados, em razão de o Fisco ter criado obstáculos à utilização cita decisões do CARF, lastreadas em decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.039 6 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. PROCESSOS CONEXOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS RELATIVOS AOS 1° TRIMESTRE DE 2003 AO 4° TRIMESTRE DE 2004 A recorrente apresentou Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS, apurados nos 1° ao 4° trimestres de 2003 e 2004, e de COFINS, relativos aos 1° ao 4° trimestre de 2004, aos quais vinculou diversas Declarações de Compensação (DCOMP). Foi aberto um único procedimento fiscal MPF n° 08107002005008657 (fls. 148 a 153) , para verificação da legitimidade dos créditos. Assim, verificase que os processos que abrigam os PER e as DCOMP de PIS e COFINS são conexos (inciso I do § 1° do art. 6° do Anexo II do RICARF) e devem, na medida do possível, serem julgados em conjunto. O presente processo abrange os créditos de PIS relativos ao ano de 2003 e até os do 3° trimestre de 2004. Os do 4° trimestre de 2004 foram tratados no processo n° 13869.000024/200513, que encontrase nesta pauta para julgamento. Os processos que versam sobre as compensações vinculadas aos citados PER de PIS, e que já estão no CARF, estão apensados. Em relação aos créditos a COFINS, há os processos n° 13869.000219/200482 (1° ao 3° trimestre de 2004) e n° 13869.000025/200568 (4° trimestre de 2004). O do 4° trimestre de 2004 também está nesta pauta de julgamento. E os processos das correspondentes DCOMP foram apensados. Chamo a atenção desta turma para o processo n° 13869.000219/200482 (1° ao 3° trimestre de 2004), pois já foi julgado no CARF, por meio do Acórdão n° 3803006.328, datado de 24/07/14. Por ser conexo aos demais, esta decisão deve ser apreciada pela turma e aplicada, caso estejamos de acordo com seu teor. A CONTENDA E A DEFESA Foram glosados créditos de PIS dos 1° trimestre de 2003 ao 3° trimestre de 2004, em razão de a fiscalização ter entendido que as seguintes mercadorias não se enquadravam no conceito de insumos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 e IN SRF/RFB n° 247/02 e 404/04 (quadro extraído da Informação Fiscal de cada trimestre, fls. 273 a 349): Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.040 7 O créditos foram computados nas bases de cálculo sob as rubricas "estoques de abertura" (mercadorias existentes no início da vigência das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) e "bens e serviços" aplicados na produção. Foram também glosados os PER que continham créditos presumidos de PIS, derivados de aquisições de bens de origem vegetal (Lei n° 10.925/04), apurados a partir de 01/08/04. Além de combater as citadas glosas, a recorrente pleiteou o reconhecimento do direito de acrescer juros Selic aos PER. A DRJ acatou os créditos relacionados às compras de "bagaço de cana" e "óleo combustível para caldeira". Em relação aos demais bens, com base em detalhada descrição de seu processo produtivo e diversas decisões do CARF, a recorrente sustentou que foram consumidos direta e integralmente no processo produtivo, com exceção dos seguintes itens: "soda cáustica", cujo crédito defende, pois foi empregada na limpeza de máquinas, por exigência de legislação sanitária; "combustível" e "gasolina comum", porque foi utilizada nos veículos dos compradores, fiscais de frutas e vendedores (setores de compras e vendas); e gás GLP, que serve de combustível para empilhadeiras, que movimentam os estoques dentro do parque industrial. A controvérsia foi detidamente analisada e objeto do mencionado Acórdão n° 3803006.328 trata de créditos da COFINS (1° ao 3° trimestre de 2004), porém também aplicase ao PIS, dada a amplamente sabida identidade existente entre as matrizes legais de cujo voto condutor, da lavra do i. Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, faço minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.041 8 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de Pedidos de Ressarcimento da Cofins não cumulativa, cumulados com Declarações de Compensação, formulados com base na Lei nº10.833, de 2003, em relação aos quais permanecem controvertidas (i) as glosas relativas a determinados produtos não identificados como insumos, (ii) o crédito presumido da agroindústria e (iii) a correção monetária do ressarcimento com base na taxa Selic. De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base os resultados apurados e informados pela repartição de origem nas Informações Fiscais, nas planilhas apresentadas pelo Recorrente, não infirmadas pela Fiscalização, e no Despacho Decisório. Outro dado relevante para a presente análise é o objeto social da pessoa jurídica, que se encontra identificado no contrato social nos seguintes termos: A sociedade tem como objeto a produção, a industrialização e comercialização de frutas, seus produtos e subprodutos, bem como a exportação de tais produtos e subprodutos, podendo participar de outras empresar ou sociedades nacionais e estrangeiras. De acordo com as Informações Fiscais da repartição de origem, o Recorrente industrializa os seguinte produtos: (i) suco de laranja, (ii) ração, (iii) óleos de laranja e (iv) Water Phase (essência oleosa de laranja). De acordo com o Recorrente, seu processo produtivo é complexo, abrangendo, sinteticamente demonstrado, as seguintes fases: (i) descarregamento das frutas dos caminhões, (ii) processo de seleção e higienização das frutas, (iii) processo de extração primário do suco e de transporte a tanques nas subunidades de processamento, (iv) processamento da polpa da fruta, (v) concentração do suco em evaporadores (trocadores de calor, instrumentos de medida de PH, pressão e concentração etc.), (vi) resfriamento, (vii) reprocessamento do suco, (viii) refrigeração industrial a amônia e água e (ix) moagem, queima e secagem do bagaço. Feitas essas considerações, passase à análise por itens do recurso. I. Insumos. Conceito. Direito a creditamento. Nos termos acima relatados, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Permanece controvertida nesta instância a glosa relativa aos seguintes produtos: amônia líquida (fluido refrigerante utilizado na refrigeração industrial), ácido fosfórico (limpeza da resina de absorção do amargor do suco), álcool combustível (utilizado como combustível em veículos dos compradores e dos fiscais de frutas), cal virgem micropulverizado (processo de fabricação de Pellets – combustível granulado –, quebrandomoléculas de pectina), CWBA antiespumante (produto químico para uso industrial, no controle de espumas nos geradores de vapor), CWDI anticorrosivo (produto químico usado para minimizar processos de corrosão e incrustação nos condensadores evaporativos), CWMI microbiocida (controle microbiológico), CWDO (produto químico usado para minimizar processo de corrosão e incrustação nos condensadores evaporativos), gás GLP (gás para refeitórios e empilhadeiras), gasolina comum (combustível dos compradores e dos Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.042 9 fiscais de frutas), óleo Donax (lubrificação de equipamentos da área industrial), óleo Tellus (lubrificação de equipamentos da área industrial), peróxido hidrogênio estabilizado (reagentes para análises de controle de qualidade) e soda cáustica (limpeza de equipamentos em geral). De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais (PIS e Cofins) não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento referese às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapolam os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional produtiva da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o processo produtivo da pessoa jurídica. Nesse sentido, o regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratando se, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” (1). Como nos ensina Marco Aurélio Greco (2), ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. ________________________________________ 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributários. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.043 10 Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: 'Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.044 11 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.' De acordo com os dispositivos legais supra reproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda. Contudo, essa autorização legal, a meu ver, não abarca o gás GLP utilizado em refeitórios, nem os combustíveis utilizados “em veículos dos compradores e dos fiscais de frutas”, produtos esses também não abrangidos pelo comando contido no inciso IX do art. 3º acima reproduzido. Por outro lado, considerando que a atividade principal do Recorrente é a produção de sucos de laranja, óleos e rações, é possível constatar que os demais produtos acima identificados são utilizados em seu processo industrial, encontrandose ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, sendo inerentes ao processo produtivo, alcançando perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade que os torna imprescindíveis ao funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria da atividade produtiva. A glosa feita pela Fiscalização quanto aos créditos decorrentes da aquisição desses produtos decorreu da adoção de um conceito mais estrito de insumos, conceito esse definido na Instrução Normativa SRF nº 358, de 2003, que, a meu ver, não encontra respaldo na disciplina da Lei nº 10.833, de 2003. Nesse contexto, reconhecese o direito ao creditamento em relação às aquisições de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem micropulverizado, CWBA antiespumante, CWDI anticorrosivo, CWMI microbiocida, CWDO, óleo Donax, óleo Tellus, peróxido hidrogênio estabilizado, soda cáustica e GLP utilizado em empilhadeiras, desde que atendidos os demais requisitos da lei. II Crédito presumido da agroindústria. A Lei n° 10.833/2003, que instituiu a Cofins não cumulativa assim dispunha: 'Art. 2º Para determinação do valor da Cofins aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a aliquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.045 12 (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País.' De acordo com os dispositivos legais supra, a agroindústria poderia se valer de créditos presumidos para deduzilos dos débitos a recolher em decorrência da não cumulatividade, podendo, ainda, nos casos de haver crédito disponível no final do trimestre, compensálos ou requerer seu ressarcimento (Lei n° 11.116/2005). Contudo, o § 5º do art. 3º acima reproduzido foi revogado pela Medida Provisória n° 183/2004, convertida na Lei n° 10.925/2004, que reinstituiu os créditos presumidos da agroindústria nos seguintes termos: 'Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência)' Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.046 13 Conforme excerto supra, a Lei n° 10.925/2004 dispôs sobre a possibilidade da pessoa jurídica apenas deduzir da contribuição devida em cada período de apuração ocrédito presumido, tendo sido mantidas as revogações promovidas pela Medida Provisória que a originou, não se aplicando a partir de então, por conseguinte, a apuração da contribuição, no que se refere ao crédito presumido, da forma prevista no art. 3° da Lei nº 10.637/2002. Nessa nova sistemática, deixou de existir a possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido, por inexistir autorização legal nesse sentido, dado que, após as alterações legislativas supra referenciadas, o aproveitamento dos créditos da contribuição, via dedução, compensação ou ressarcimento, da forma prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a se restringir aos casos de apuração na forma do art. 3º dos mesmos diplomas legais, não alcançando a nova hipótese de apuração do crédito presumido sob análise. Dessa forma, após a vigência da Lei n° 10.925/2004, passouse a prever, tão somente, o aproveitamento do crédito presumido por meio de dedução dos débitos da própria contribuição devida em cada período, na sistemática da não cumulatividade, não se aplicando, no caso, o disposto na Lei n° 11.116/2005, que prevê a compensação e o ressarcimento dos créditos apurados de acordo com o art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, não alcançando, portanto, os artigos 8º e 15 da Lei n° 10.925/2004, verbis: 'Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.' Portanto, a partir da vigência da Lei nº 10.925/2004, ocorrida a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido sob análise deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo, apenas, ser utilizado para a dedução dos débitos da contribuição devida em cada período na sistemática da não cumulatividade. III Correção monetária do crédito – Taxa Selic. Quanto ao pedido de atualização monetária dos valores dos créditos pleiteados e reconhecidos, ressaltese que inexiste autorização legal para a aplicação da taxa Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.047 14 Selic na atualização monetária de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. A legislação tributária distingue as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, conforme se depreende dos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996, bem como do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995, autorizando a aplicação de juros Selic somente nos casos de restituição, calandose em relação às hipóteses de ressarcimento, como o ora pleiteado. Conforme apontado pelo julgador de primeira instância, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, determina expressamente que “[o] aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Além disso, há vedação expressa de não incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI e das contribuições Cofins e PIS, ex vi do § 5° do art. 51 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 e § 5° do art. 52 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. IV Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para acolher o direito a crédito em relação às aquisições de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem micropulverizado, CWBA antiespumante, CWDI anticorrosivo, CWMI microbiocida, CWDO, óleo Donax, óleo Tellus, peróxido hidrogênio estabilizado, soda cáustica e GLP utilizado em empilhadeiras, tanto no que se refere aos insumos aplicados na produção, quanto aos estoques de abertura, mas desde que atendidos os demais requisitos da lei e observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator." Sobre o voto acima reproduzido, fazse necessário tecer algumas considerações, não obstante o fato de têlo adotado, em seu inteiro teor: no presente processo, não foram objetos de glosa os créditos relativos aos insumos "óleo Donax" e "óleo Tellus"; concordei com a manutenção da glosa de PIS e COFINS sobre combustíveis, pois a recorrente informou que, além de serem empregados em veículos de compradores e fiscais de frutas (setor de compras), eram também nos de vendedores (não há indicação dos valores destinados a compradores e vendedores, separadamente), o que constitui uma despesa com vendas e não insumo do processo industrial; e também ratifiquei o posicionamento sobre a não incidência dos juros, pois, além de não compor a presente lide, a recorrente não relatou qualquer atitude do Fisco que pudesse ser caracterizada como uma "resistência ilegítima do Fisco (Súmula 411 do STJ). CONCLUSÃO Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13869.000220/200415 Acórdão n.º 3301004.971 S3C3T1 Fl. 1.048 15 Dou provimento parcial ao recurso voluntário, acatando créditos de PIS sobre compras de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem, CWMI 85, CWDO 30, CWBA, gás GLP para empilhadeiras, peróxidos e soda cáustica. O deferimento dos PER e a homologação das DCOMP estarão subordinados ao valor dos créditos acatados por esta decisão e aos procedimentos complementares de inspeção a serem aplicados pela unidade de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004134/2004-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/06/2001, 03/07/2001, 01/08/2001
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. MULTA ARTIGO 526 II DECRETO N° 91.030/85. ATIPICIDADE.
A reclassificação fiscal de mercadoria importada, por si só, não enseja a aplicação da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente (a licença de importação, no caso dos autos). Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeterem-se ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrando-se as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de guia de importação ou documento equivalente - licença de importação - decorrente de erro na classificação fiscal.
Numero da decisão: 9303-007.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOINHO HORTOLÂNDIA EIRELI ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/06/2001, 03/07/2001, 01/08/2001 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. MULTA ARTIGO 526 II DECRETO N° 91.030/85. ATIPICIDADE. A reclassificação fiscal de mercadoria importada, por si só, não enseja a aplicação da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente (a licença de importação, no caso dos autos). Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeteremse ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrandose as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de guia de importação ou documento equivalente licença de importação decorrente de erro na classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 41 34 /2 00 4- 11 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 9303007.037 CSRFT3 Fl. 233 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 179 a 188), com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição, buscando a reforma do Acórdão nº 310100.262 (fls. 169 a 176) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 19 de outubro de 2009, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 06/06/2001, 03/07/2001, 03/07/2001, 03/07/2001, 01/08/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTADAS. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. MULTA ARTIGO 526 II, DECRETO Nº 91.030/85. ATIPICIDADE. A tipicidade da penalidade por infração administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o Pais, de modo que eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Verificada inexatidão material no dispositivo do acórdão do recurso voluntário pela Autoridade Preparadora (fl. 215), a mesma foi sanada por meio do Acórdão nº 3402 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 9303007.037 CSRFT3 Fl. 234 3 002.777 (fls. 218 a 220), que acolheu os embargos de declaração e onde se lia "dar parcial provimento" fez constar "dar provimento ao recurso". Nessa oportunidade, a Recorrente alega divergência com relação à exclusão da multa por infração ao controle administrativo das importações prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, por considerála aplicável no caso concreto. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma os acórdãos nºs 30238915 e 30130890. Nas suas razões recursais, sustenta, em síntese, que: (a) a descrição da mercadoria na declaração de importação DI deve permitir a exata identificação desta por ocasião da conferência física, consoante disposto no art. 418, §1º, do Regulamento Aduaneiro/85. Não havendo a correta descrição do produto, com todos os elementos necessários à sua identificação, caracterizase a imposição da penalidade do art. 526, inciso II, do RA/85. (b) após registrada a DI pela Contribuinte, o Fisco desclassificou a mercadoria com base em laudos técnicos do LABANA, pois entendeu que o código não era condizente com o produto importado, ensejando a lavratura de auto de infração para cobrança da multa administrativa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, conforme art. 169, inc. I, alínea "b" do DecretoLei n° 37/66, alterado pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inc. II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n ° 91.030/85; (c) por fim, requer o provimento do recurso especial com o restabelecimento da multa. Transcorreu in albis o prazo para a apresentação das contrarrazões por parte da Contribuinte (fl. 230). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 9303007.037 CSRFT3 Fl. 235 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal, posta nos autos, referese ao cancelamento da exigência da multa por falta de licença de importação, em razão de erro na descrição e inexatidão na indicação da classificação fiscal da mercadoria importada. Há de ser mantido o afastamento da multa por falta de licença de importação, pois, embora tenha sido autuada, a Contribuinte atendeu a todos os requisitos para a licença nãoautomática da importação, exigida quando há mudança de classificação fiscal que dê ensejo a um novo procedimento de licenciamento. Assim, há de ser mantido o resultado da decisão recorrida no sentido de afastar a penalidade, pois a reclassificação fiscal da mercadoria não ocasionou prejuízo ao controle das importações, uma vez cumpridos os requisitos pela importadora. Nesse sentido, decidiu esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme argumentos lançados no Acórdão nº 9303005.873, e que passam a integrar o presente julgado, in verbis: [...] Em decorrência da reclassificação fiscal dos equipamentos importados, foi considerada a mercadoria como importada sem licenciamento, motivando a cominação da multa do art. 169, inciso II do Decreto nº 37/66, com redação da Lei nº 6562/78, e regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030/85), cujo fato típico é a falta de guia de importação ou documento equivalente. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para afastar a penalidade cominada, sob o fundamento de que a guia e a licença de importação têm naturezas diversas, sendo equivocada a aplicação da Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 9303007.037 CSRFT3 Fl. 236 5 penalidade em referência no caso concreto, pois a conduta de importação de mercadoria desamparada da licença de importação não se subsume ao comando normativo que estabelece a multa. Delimitada a discussão de mérito a ser enfrentada no presente recurso especial, a fundamentação a ser explicitada demonstrará não assistir razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão proferida pelo Colegiado a quo ainda que por fundamentos diversos que houve por bem afastar a multa do art. 169, inciso I, alínea "b" do Decreto nº 37/66, regulamentado à época pelo art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030/85), cuja redação é a seguinte: Decretolei n.º 37/66 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) [...] b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Regulamento Aduaneiro de 1985 Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562/78, art. 2º): [...] II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; [...] Importa registrar o entendimento majoritário desta 3ª Turma da CSRF no sentido de que a guia e a licença de importação são documentos equivalentes, razão pela qual se mantém a decisão recorrida, no entanto, por fundamento diverso. No caso em apreço, a reclassificação fiscal da mercadoria não implicou em mudança na forma de licenciamento da mercadoria importada, não se caracterizando a ocorrência de infração administrativa. Isso porque a Fiscalização não demonstrou ser necessária, sob o novo código de classificação fiscal, a apresentação de licença/guia de importação ou documento equivalente, razão pela qual não se pode punir o Contribuinte por uma exigência inexistente. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 9303007.037 CSRFT3 Fl. 237 6 Nessa esteira, por meio da classificação fiscal da mercadoria determinase a necessidade ou não de licenciamento de importação e, caso positivo, os procedimentos a serem adotados visando a sua obtenção. Ocorrendo erro na classificação tarifária originalmente indicada e se aquela apontada como correta estiver sujeito à controle administrativo não previsto para a anterior, não há dúvidas de que a mercadoria não passou pelos controles próprios do licenciamento, violando o bem jurídico pretendido tutelar pelo Regulamento Aduaneiro: o controle administrativo das importações. Na hipótese de ambas as classificações, tanto aquela adotada pelo Contribuinte quanto a indicada pela Fiscalização, por sua vez, submeterem se ao mesmo procedimento (estando ambas não sujeitas ao licenciamento ou, de outro lado, encontrandose as duas obrigadas ao mesmo tratamento administrativo para importação), não há de se falar em ausência de licença de importação decorrente de erro na classificação fiscal. Esta segunda assertiva é que reflete perfeitamente o caso ora em exame. Nos presentes autos, portanto, incabível a aplicação da multa administrativa prevista no art. 526, inciso II, do RA/85, por infração ao controle das importações, pois embora tenha sido adotada classificação fiscal pela Autoridade Fiscal diversa da originalmente indicada pela Recorrida, os produtos foram importados ao amparo de guia de importação ou documento equivalente, estando corretamente descritos nos documentos de importação. Pela inaplicabilidade da penalidade em tela, também é a manifestação da própria Administração Tributária no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997, in verbis: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12, DE 21 DE JANEIRO DE 1997. "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. PAULO BALTAZAR CARNEIRO Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.004134/200411 Acórdão n.º 9303007.037 CSRFT3 Fl. 238 7 Assim, não restou demonstrado nos autos o prejuízo ao controle administrativo produzido pelo erro de classificação fiscal, e por isso é afastada a tipicidade da conduta apta a ensejar a aplicação da multa administrativa do art. 526, inciso II do RA/85. [...] Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937200/2012-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados.
O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9101-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora), Flávio Franco Corrêa e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados. O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora), Flávio Franco Corrêa e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.061 1 1.060 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.937200/201257 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.707 – 1ª Turma Sessão de 9 de agosto de 2018 Matéria PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CPFL ENERGIA S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A distinção no regramento analisado por acórdão recorrido e acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial, na medida em que justifica as soluções jurídicas diversas adotadas pelos Colegiados. O efeito de confissão de dívida atribuído à declaração de compensação, pela Lei nº 10.833/2003, distingue o tratamento da compensação de estimativa no acórdão recorrido daquele conferido pelo acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora), Flávio Franco Corrêa e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 00 /2 01 2- 57 Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.062 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 1012/1024, contra o Acórdão nº 1201001.819, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 26/7/2017, pelo qual a turma, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado por CPFL ENERGIA S/A, reconhecendo a parcela em litígio do direito creditório indicado e homologando as compensações declaradas (fls. 1.003/1.010). Tratase este processo de PER/DCOMPs, transmitida a primeira em 22/9/2009, com o objetivo de quitar, via compensação, diversos débitos de sua responsabilidade com direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008, no valor de R$ 32.705.804,33 (Anexo digitalizado). O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008, indicado para fazer frente às compensações pleiteadas, formouse por antecipações a título de IRRF e de estimativas mensais do anocalendário 2008 no valor total de R$ 56.038.288,75. Algumas dessas antecipações a título de estimativas foram objeto de compensações pleiteadas com saldos negativos de IRPJ de períodos anteriores que restaram não homologadas em face da insuficiência do crédito. Assim, nestes autos, em razão da não confirmação dessas estimativas, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008 foi considerado comprovado no montante de R$ 30.079.068,84 e mostrouse insuficiente para quitar todos os débitos indicados para compensação, conforme despacho decisório que se encontra no Anexo digitalizado. Inconformada a interessada ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 17/26), julgada improcedente pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, nos termos do acórdão nº 0126.926 (fls. 17/26), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NO AJUSTE ANUAL. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO QUESTIONADO. Tendo sido parcialmente homologadas as estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores e julgada improcedente a manifestação de inconformidade, o crédito questionado revelase inexistente haja vista a impossibilidade de seu aproveitamento no ajuste anual. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.063 3 Na sequência, a interessada protocolizou Recurso Voluntário (fls 87/103) no qual afirmou que a diferença não reconhecida do direito creditório a título de saldo negativo de 2008, no montante de R$ 2.626.735,49, referese a estimativas objeto de compensações tratadas no PER/Dcomp nº 16331.11178.181208.1.3.020943, confirmadas parcialmente, e que se encontram em discussão no âmbito do processo administrativo nº 10880.666384/201184, de forma que o desfecho do presente processo está diretamente atrelado ao julgamento final daquele. Todavia, por se encontrar sob discussão administrativa a parcela do crédito nestes autos não pode ser considerada como ilíquida e incerta, eis que tem sua exigibilidade suspensa. O Recurso Voluntário foi julgado pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 26/7/2017 que, por maioria de votos, deulhe provimento, de forma que foi reconhecida a parcela do direito creditório em litígio e homoladas integralmente as compensações (fls. 1.003/1.010). No acórdão nº 1201 001.819 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de saldo negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrar o contribuinte em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e José Carlos Guimarães, que votaram por sobrestar o feito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli.. O voto vencedor registrou o seguinte entendimento: A fiscalização (acatada pela DRJ) glosou o montante de estimativas do total do referido crédito, uma vez que sua forma de extinção – compensação – não teria sido homologada em processos específicos. Nesse contexto, em que pese as mencionadas compensações de estimativas não terem sido homologadas, fato é que inexiste evidências de que existem decisões definitivas sobre o assunto, considerando todas as instâncias e vias para a discussão. Não é difícil notar, aliás, que, caso eventualmente um recurso voluntário ou especial, e até mesmo uma ação judicial ajuizada pelo contribuinte sejam julgados procedentes, a estimativa compensada deverá ser normalmente computada para fins de apuração do crédito de saldo negativo pleiteado. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.064 4 E caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico e poderá ser normalmente executado, não impedindo sua inclusão para efeitos de saldo negativo. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano causa, ainda, o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. O que se tem no caso, pois, é uma glosa indevida, que deve ser afastada sob pena de onerar o contribuinte diante de cobrança formulada em duplicidade. Em recurso especial a PFN aponta divergência jurisprudencial em relação à possibilidade de se reconhecer saldo negativo correspondente a estimativas objeto de declarações de compensação parcialmente não homologadas. Indicou como paradigmas o acórdão nº 1301001.532 e o acórdão nº 1302001.300, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 1301001.532 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas. Acórdão nº 1302001.300 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. INEXISTÊNCIA. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.065 5 Verificandose a inexistência de saldo negativo de IRPJ e CSLL, em face da não comprovação de valores escriturados, não se homologa o pedido de compensação pleiteado em PER/DCOMP. ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO NÃO RECONHECIDA EM PROCESSO CONEXO. Não tendo sido homologadas as compensações de estimativas de IRPJ e CSLL, pleiteadas em processo conexo, tais valores não podem compor o saldo de ajuste anual objeto de pedido de compensação com outros débitos. [...] Em suas razões recursais a Fazenda Nacional, após referirse à legislação que rege a compensação, tece, em resumo, os seguintes argumentos: a) nos termos da legislação, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; b) a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) até o momento, as estimativas indicadas para compensação em DCOMP não homologada, integrantes do saldo negativo em análise, não foram quitadas; d) a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, pois negou homologação à compensação na parte relativa às estimativas que não foram liquidadas até o momento; e) se não homologada a compensação, a estimativa não pode integrar o saldo negativo postulado em outro processo de compensação, por faltarlhe os atributos de liquidez e certeza; f) não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais, ou seja, créditos ainda não líquidos e certos que poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não. Pede ao final pelo conhecimento e provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. O Recurso Especial interposto foi admitido pelo Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, conforme despacho de fls. 1.027/1.030. Em contrarrazões, a interessada, preliminarmente, defende o não conhecimento do Recurso Especial, alegando que a recorrente não teria demonstrado expressamente qual a legislação tributária teria recebido interpretação divergente. Prossegue pugnando pelo não conhecimento do apelo especial em razão da ausência de divergência jurisprudencial eis que, segundo defende, o acórdão recorrido e o Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.066 6 primeiro paradigma não teriam tratados de situações fáticas análogas. Isto porque o recorrido teria analisado caso de não homologação de direito crediório composto por estimativa mensal compensada que ainda se encontra em discussão administrativa, fato que teria influenciado sobremaneira a decisão atacada, enquanto que o paradigma teria avaliado situação em que a não homologação da estimativa teria se dado em decisão transitada em julgado. Acrescenta que o paradigma sequer teria enfrentado a questão da necessidade de liquidez e certeza do crédito no momento da apresentação do PER/DCOMP, argumento relevante adotado no recorrido. Acusa o segundo paradigma de não ter qualquer semelhança com o recorrido, em que pese tratarse da mesma empresa, pois aquele caso se resumiria a pedido de conexão de processos administrativos não acolhidos pela turma julgadora. No mérito, defende que a legislação de regência determina que a declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutária de sua ulterior homologação e que no momento da apresentação da PER/DCOMP seu crédito era líquido e certo, uma vez que a estimativa de novembro havia sido extinta nos termos do § 2º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Concorda com a decisão recorrida que reconheceu que a vedação do cômputo da estimativa compensada com o saldo negativo do ano de 2008 geraria cobrança em duplicidade de um mesmo crédito, caracterizado pela negativa do direito à compensação desse valor e simultanea cobrança. Observa que o julgamento final do processo nº 10880.666384/201184 não teria qualquer reflexo no presente caso, já que, se houver decisão a favor da interessada, a estimativa será extinta por compensação e, caso a decisão seja contrária serlheá exigido o pagamento do valor. Faz referência à SCI COSIT nº 18, de 2006 e o acórdão nº 9101002.489. Afirma que o Poder Judiciário teria adotado tese semelhante nos autos do MS nº 2009.61.05.0081127. Pede, ao final, em preliminar, pelo não conhecimento do recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento de forma a manterse a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso é tempestivo. Contudo, a interessada apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido, pelo que passo a apreciar a sua admissibilidade. Como primeiro argumento a recorrida afirma que a PFN não teria demonstrado expressamente qual legislação tributária teria recebido interpretação divergente. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.067 7 À época que o Recurso Especial foi protocolado, setembro de 2017, já vigoravam as atuais disposições regimentais aprovadas pela Portaria MF nº 343, de 2015, com alterações posteriormente introduzidas. O §1º do art. 67 do Anexo II, assim dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Notese, pela leitura do dispositivo, que a legislação que está sendo interpretada de forma divergente não tem de estar necessariamente expressa no apelo. Basta que nele se demonstre, sem sombra de dúvida, qual o arcabouço jurídico que está sendo tratado. Assim, ainda que fosse o caso de omissão, de toda a sorte, no presente caso, essa informação seria facilmente deduzida da própria demonstração dos pontos de divergência indicados nos paradigmas, de forma que se considera atendido o comando regimental acima. Alega ainda a interessada que o apelo especial não deve ser conhecido por falta de caracterização de divergência no cotejo entre o acórdão recorrido e o primeiro paradigma indicado, já que as situações fáticas apreciadas por ambos seriam distintas. Notase que o acórdão recorrido apreciou caso em que se pleiteia a compensação de débitos próprios com direito creditório a título saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2008, no valor de R$ 32.705.804,33. Contudo, parcelas de estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 2008 que comporiam o referido saldo negativo foram indicadas para compensação com saldos negativos de períodos anteriores em outro processo administrativo, e restaram não homologadas por decisão de primeira instância administrativa. Referido processo, até o momento em que foi aviado o Recurso Especial, não teria transitado em julgado. O primeiro paradigma apresentado acórdão nº 1301001.532 também tratou de apreciar compensação de débitos com crédito relativo a saldo negativo do anocalendário 2001. A composição do referido saldo negativo foi analisada pelo órgão de origem que considerou não comprovadas parcelas de antecipação a título de IRRF e estimativa de janeiro/2001. A estimativa não comprovada foi objeto de compensação com saldo negativo de 2000, este último objeto de pleito em outro processo administrativo. O órgão de origem concluiu que não havia saldo negativo de 2000 suficiente para compensar a estimativa de janeiro/2001 e, assim, o saldo negativo de 2001 pleiteado restou reconhecido apenas parcialmente. Eis o trecho do voto que faz referência ao caso: Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença referese à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.068 8 crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Relativamente ao caso, o voto proferido no paradigma foi claro no sentido de que não tendo sido homologada a compensação da estimativa de janeiro de 2001, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000 pleiteado em outro processo administrativo, deveria ser mantida a glosa do valor da referida estimativa de jan/2001, de R$ 52.138,25, no cômputo do saldo negativo de 2001 pleiteado no processo. Demonstrase, portanto, que as situações fáticas analisadas por ambas as decisões são semelhantes, mas as conclusões a que chegaram os colegiados sobre os mesmos fatos foram distintas, o que caracteriza a divergência jurisprudencial para fins de conhecimento do recurso especial. O segundo paradigma acórdão nº 1302001.300 também tratou de apreciar compensação de débitos estimativas de 2003 e 2004, com saldo negativo de 2002. O órgão de origem recompôs o saldo negativo de 2002 em virtude de glosa de valores de custos de bens e serviços vendidos e de despesas operacionais, além da desconsideração da dedução de parte das estimativas mensais que teriam sido quitadas mediante a compensação com créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e CSLL dos anoscalendário anteriores de 2000 e 2001, objeto de análise no processo nº 11522.000311/200357, que restaram não homologadas. A respeito do assunto, assim decidiu o voto: Antes de adentrar ao mérito das alegações da recorrente impõe se consignar que parte do deslinde da controvérsia deste processo dependia da solução adotada no processo nº 11522.000311/200357, conforme descrito na Resolução nº 1302000.202, que determinou a distribuição do processo a este relator para julgamento conjunto. Ao analisar o recurso voluntário apresentado pela interessada naquele processo, na sessão de 03 de dezembro de 2013, esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF decidiu por unanimidade em não conhecer do recurso, por ser intempestivo, proferindo o Acórdão nº 1302001.259. Assim, restou mantida a decisão contida no Acórdão n° 018.647, proferido pela DRJ/Belém, que indeferiu a solicitação feita naquele processo. Destarte, ficou prejudicado o pleito da recorrente no que tange ao aproveitamento das estimativas mensais do anocalendário 2002, cujas quitações haviam sido pleiteadas mediante compensações, objeto de análise no processo referido. (grifouse) Nesse caso, o acórdão paradigma tratou de situação em que o processo conexo já contava com decisão definitiva no âmbito administrativo, o que foi decisivo naquele julgamento. Embora o acórdão recorrido e este paradigma tratem de indicação de direito creditório a titulo de saldo negativo, composto por antecipações compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, tratadas em outros processos administrativos e não Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.069 9 homologadas, influenciando no montante do direito creditório que se pleiteia, as situações fáticas apreciadas pelos julgadores foram distintas e, por isso, geraram decisões discordantes. O segundo paradigma, pois, não serve para comprovar a divergência alegada. Assim, entendo que a divergência jurisprudencial restou caracterizada com base no primeiro paradigma. Diante disso, voto por afastar a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial da PFN, no que fui vencida na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao entendimento da D. Relatora, entendo pelo não conhecimento do recurso especial inclusive quanto ao acórdão paradigma nº 1301001.532. Nesse sentido, tendo sido acompanhada pela maioria do Colegiado, fui designada para apresentar voto vencedor para não conhecer o recurso especial quanto a este paradigma. Com efeito, o acórdão paradigma nº 1301001.532 tem o seguinte contexto fático conforme relatório: Trata a lide de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2001. A unidade administrativa (DERAT/SP) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, após concluir que não restou comprovada a existência de IRRF no montante de 172.116,90 em relação ao total pleiteado (R$ 2.949.972,39) e ainda que não foi comprovada a quitação de estimativas no valor de R$ 52.138,25 relativa ao mês de janeiro de 2001. (grifamos) Diante desse contexto, decidiu a Turma prolatora deste acórdão paradigma (1301001.532): A querela se dá em torno de dois pontos específicos. O primeiro ponto referese à comprovação do IRRF retido sobre rendimentos pagos pela empresa PROMON IP SA que, segundo a recorrente teria o montante de R$ 175.293,98, sendo suficiente para justificar a diferença de R$ 172.116,90 indeferida pela autoridade administrativa ao argumento de não constarem em DIRF tais valores. (...) O segundo aspecto do recurso referese à comprovação de quitação de estimativas relativas ao mês de janeiro/2001, no montante de R$ 52.138,25. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.070 10 Alega a recorrente que não encontrou o comprovante de recolhimento do valor, mas que a própria administração deve reconhecêlo na medida em que se trata de documento que detém em seu poder (...) Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença referese à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Não se trata, portanto, de recolhimento mediante DARF que a própria administração teria registro em seus arquivos, como alega a recorrente. Desta feita, não tendo sido homologada a compensação pleiteada, com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000, deve ser mantida a glosa do valor de R$ 52.138,25 do montante do direito creditório reconhecido. (grifamos) Quanto aos fatos dos presentes autos, são relatados pela D. Conselheira Viviane Vidal da forma seguinte: Tratase de PER/DCOMP transmitida em 23/7/2008, com o objetivo de quitar, via compensação, diversos débitos de responsabilidade da interessada com direito creditório referente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2007, no valor de R$ 501.750,02 (fls. 2/8). O saldo negativo de CSLL do anocalendário 2007, indicado para fazer frente às compensações pleiteadas, formouse por antecipações a título de estimativas mensais de CSLL do ano calendário 2007 no valor total de R$ 6.499.739,57. Algumas dessas antecipações a título de estimativas foram objeto de compensações pleiteadas com saldos negativos de períodos anteriores que restaram não homologadas em face da insuficiência do crédito. Assim, nestes autos, em razão da não confirmação dessas estimativas, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2007 restou zerado e, dessa forma, insuficiente para quitar todos os débitos indicados para compensação, conforme despacho decisório de fl. 26/32. Diante deste quadro fático, decidiu o Colegiado a quo, conforme voto condutor: Não é difícil notar, aliás, que, caso eventualmente um recurso voluntário ou especial, e até mesmo uma ação judicial ajuizada pelo contribuinte sejam julgados procedentes, a estimativa compensada deverá ser normalmente computada para fins de apuração do crédito de saldo negativo pleiteado. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.071 11 E caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico e poderá ser normalmente executado, não impedindo sua inclusão para efeitos de saldo negativo. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano causa, ainda, o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. O que se tem no caso, pois, é uma glosa indevida, que deve ser afastada sob pena de onerar o contribuinte diante de cobrança formulada em duplicidade. O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Notase que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão paradigma e recorrido. Com efeito, o acórdão paradigma nº 1301001.532 trata de pedido de compensação apresentado em 2001, enquanto o acórdão recorrido trata de declaração de compensação transmitida em 2007. A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando da compensação na esfera federal, notadamente pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, destacandose a previsão do artigo 74, com a seguinte redação em 2001, quando apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (1301001.532): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Posteriormente, houve substancial alteração deste dispositivo legal, notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 9101003.707 CSRFT1 Fl. 1.072 12 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) A distinção de tratamento de compensações (em 2001, pelo paradigma, e 2007, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos regramentos, tratados pela legislação federal. O acórdão paradigma desconsidera compensações em 2001 quando o regramento não atribuía efeitos de confissão de dívida relativamente às estimativas extintas por compensação , enquanto o acórdão recorrido manifestase pela confissão de dívida em 2007 e, assim, admite as estimativas no cômputo do crédito tributário (saldo negativo). O regramento é distinto e justifica a conclusão jurídica diversa adotada pelos Colegiados. Assim, concluo por não conhecer do recurso especial da Procuradoria, inclusive quanto ao acórdão paradigma nº 1301001.532. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1072DF CARF MF
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