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Numero do processo: 19515.004064/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. SÓCIOS.
Além de não possuírem poderes de representação da massa falida, os sócios da empresa falida não detém legitimidade para interposição de recurso, quando sequer integram o polo passivo da demanda fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. SÓCIOS. Além de não possuírem poderes de representação da massa falida, os sócios da empresa falida não detém legitimidade para interposição de recurso, quando sequer integram o polo passivo da demanda fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 64 /2 00 7- 92 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 25/28, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referentes aos fatos geradores relativos ao 4° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 1.715.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: arts. 212 e 505 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02); art. 1° e 10 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71/2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08190.002004 028430 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação às entregas das DIF s Papel lmune ou apresentar os comprovantes de entrega das declarações relativas ao período acima mencionado (fl. 14). Entretanto, a correspondência que se prestou a encaminhar referida intimação retomou dos Correios sem que tenha sido entregue à fiscalizada (fl. 15). A este respeito. assim se manifesta a autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 21/22: De fato, consultada a situação do contribuinte perante o CNPJ verificamos que está INAPTA Omissão não Localizada. E como não havia provas de que as declarações tivessem sido entregues, a autoridade fiscal procedeu o lançamento das multas pela falta de entrega, calculadas por mês de atraso, conforme demonstrado no TVF, cuja ciência, assim como do auto de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 119 3 infração. foi procedida por meio de Edital. em face à constatação da situação cadastral da empresa perante o CNPJ e também o retorno da correspondência, já referido. Referido Edital foi afixado em 10/12/2007 e desafixado em 26/12/2007, nas dependências do Órgão fiscalizador, e agora encontrase acostado à fl. 30. Também foi procedida a ciência pessoal do sócio majoritário do sujeito passivo, conforme correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento para o seu endereço particular (fls. 31/32), a qual foi recebida em 13/12/2007 (fl. 29). A impugnação ao lançamento foi protocolada em 09/01/2008, conforme peça de fls. 34/43 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 56/57), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) não entregou as declarações objetos do procedimento fiscal porquanto, no período fiscalizado, “a empresa não exercia suas atividades e encontravase em processo de falência”, que não foi informada ao fisco federal “por um 1apso”; b) referida falência foi decretada em 23/06/2003, conforme “processo n° 000.02.1803045 (cópia anexa), em trâmite perante a 37ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Capital em São Paulo”, em relação a qual foi nomeado como síndico “o Dr. Alexandre Alberto Carmona”. E “no inquérito judicial, foi apurado que os sócios da falida não praticaram nenhum ato fraudulento ou criminoso, razão pela qual foi determinado o apensamento dos autos à falência”; c) sua inatividade foi declarada à Receita Federal conforme “declaração simplificada de pessoa jurídica (doc. Incluso)”; d) a noticiada falência e a inexistência da atividade devem implicar no “afastamento da aplicação de multa imposta ao contribuinte”, isto porque “não existia mais o que ser declarado, uma vez que a empresa não conseguia mais abarcar trabalhos em razão da situação de quebra estabelecida”; e) em razão da falência, “quem representa a Pinus é o síndico da massa falida. Dr. Alexandre Alberto Carmona, com endereço na certidão anexa. o qual deve ser intimado para responder à presente"; f) a aplicação de multas que superam a cifra dos R$ 1,7 milhões “afrontam diretamente os princípios constitucionais tributários da Razoabilidade, Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e Vedação ao Confisco”. E os tribunais federais “têm reconhecido a necessidade de aplicação do NãoConfisco. Razoabilidade e Capacidade Contributiva nas multas tributárias”. “Ademais, em consagrada jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, foi reconhecido e aplicando o princípio da razoabilidade e proporcionalidade na relação Fisco x Contribuinte”; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 120 4 g) desde o ano de 2002, quando já se encontrava “em situação de falência”, “o contribuinte não possuía mais capacidade contributiva, ou seja, não obtinha mais meios econômicos e operacionais para cumprir a determinação imposta pelo fisco, como a entrega da declaração do (sic) DIFPapel Imune”; h) “com a prolação do auto de infração pela Secretaria da Receita Federal e a aplicação da multa, temse certeza que não foram apreciados os princípios norteadores do direito constitucional tributário"; i) “o Fisco na apuração do auto de infração, não tomou as medidas de precaução necessárias para verificar realmente a verdade dos fatos descritos”. Ademais, “o próprio órgão fiscalizador já havia decretado a inaptidão da empresa ora autuada"; j) “essas multas continuadas, provocam uma situação insustentável, inadmissível, em fim (sic) inaceitável”, o que implica em punir o contribuinte “com mais rigor do que se tivesse sonegado tributos”; k) “não se pode esperar acumular tamanho vulto em multas. para depois se fazer a cobrança”. “uma vez que essas sanções poderiam ser aplicadas logo após o período do qual o contribuinte devesse apresentar a declaração”. Conclui a impugnante requerendo o cancelamento do auto de infração, “sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis pelo contribuinte. inclusive ação de indenização por danos morais e materiais”." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, mas exonerou ex officio parcela majoritária do crédito tributário lançado, reduzindoo para R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) em razão da aplicação da retroatividade benigna da lei nova, que comina penalidade menos severa. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: 0BRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003. 01/11/2003, 01/02/2004. 01/05/2004, 01/08/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação. ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração. sujeita o contribuinte à imposição da multa atualmente prevista no artigo 1°, § 4°, inc. II, da Lei n° 11.945. de 04/06/2009. DIPPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NQ REGlSTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. FALÊNCIA. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 121 5 A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF Papel imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação da declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/02/2003. 01/05/2003. 01/08/2003, 01/11/2003.01/02/2004. 01/05/2004, 01/08/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004. 01/05/2004. 01/08/2004 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TR1BUTÁR1A. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte" O Recurso Voluntário foi interposto pelos sócios falidos da empresa autuada, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a multa não poderia ter sido aplicada contra a empresa em razão de sua ilegitimidade, pois teve sua falência decretada; (ii) a massa falida é quem deveria figurar como sujeito passivo; (iii) mesmo que se diga não ter aviso formal ao Fisco da situação falimentar, essa pode ser presumida, sendo que a própria Receita Federal havia dado por inapto o CNPJ da empresa PINUS, que fora apontada como responsável pela multa aplicada; (iv) a massa falida responde pela declaração e não mais a empresa contribuinte e muito menos os sócios, por não terem concorrido como provado em fraude ou crime falimentar; (v) inexistência de prejuízo ao Fisco; (vi) inconstitucionalidade e ilegalidade da sanção. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 122 6 Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Do não conhecimento do Recurso de Ofício valor de alçada Preliminarmente, é de se consignar que a decisão recorrida é irretocável e espelha o entendimento do CARF em relação à matéria, pois aplicou o disposto na Lei n° 11.945, de 04/06/2009, que passou a prescrever penalidade menos severa. No entanto, no caso concreto, é preciso verificar os pressupostos de admissibilidade do Recurso de Ofício, o qual possui previsão no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Aludido dispositivo está ementado nos seguintes termos: "Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda." O valor a ser fixado para o Recurso de Ofício está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017, in verbis: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Apesar da Portaria MF nº 63/2017, ter sido editada em 10 de fevereiro de 2017, em razão de tratarse de matéria processual, entendo ser a regra de aplicação para todos os casos ainda pendentes de julgamento. Na situação em apreço, o valor exonerado pela decisão de 1ª instância, atingiu o montante de 1.680.000,00, inferior, portanto, ao limite previsto na Portaria MF nº 63/2017. Ainda, tem aplicação o contido na Súmula nº 103 do CARF, assim redigida: "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Assim, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Do não conhecimento do Recurso Voluntário Fl. 122DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 123 7 O Recurso Voluntário foi interposto pelos sócios da empresa autuada, Srs. Luis Eduardo Brettas e Maria José Surian Brettas. Não houve interposição de recurso por parte da Massa Falida, através do síndico, mesmo tendo sido regularmente intimado através da Intimação nº 312/2010 e comprovante de Aviso de Recebimento AR, acostado aos autos. Conforme noticiado no processo, a empresa autuada teve sua falência decretada em 23/06/2003. A Impugnação interposta e julgada em 1ª instância já havia sido formulada pelos sócios falidos, o que acarretaria o seu não conhecimento pela irregularidade de representação. No entanto, diligentemente, a Unidade de Origem através de Intimação nº 3119/2003, intimou o síndico para que ratificasse a peça impugnatória apresentada, conforme a seguir transcrito: "Tendo em vista que os sócios da empresa acima identificada, Luiz Eduardo Surian Brettas e Maria José Suriau Brettas, apresentaram impugnação ao lançamento consignado no processo em referência, fica o Síndico Dativo, intimado a ratificar expressamente o ato impugnatório, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do `AR`). O não atendimento da presente poderá implicar em não conhecimento da impugnação e prosseguimento da cobrança do crédito tributário. É facultado vista ao processo, no órgão emitente, ao interessado, ou pessoa por ele legalmente habilitada." Interposto o Recurso Voluntário pelo sócios falidos, novamente, foi procedida intimação (INTIMAÇÃO N ° 08.180/ 1561 /2010) para que fosse regularizada a representação processual, nos seguintes termos: "A representação processual e a documentação societária apresentadas para permitir o seguimento do Recurso Voluntário interposto estão irregulares/desatualizadas. Para regularização, fica o contribuinte intimado a apresentar. no prazo de 5 (cinco) dias a contar do seu recebimento (data do AR), no endereço indicado no rodapé: 1. Contrato social consolidado e atualizado vigente atualmente. 2. Instrumento de mandato com firma(s) reconhecida(s) e. rigorosamente, consoante com o disposto no Código Civil e no contrato social com a nomeação dos representantes legais para interpor recurso voluntário contra a decisão de 1ª Instância Administrativa. A procuração deve validar ato já praticado em 09 de março de 2010. 3. Documento com foto de identificação dos signatários do Recurso Voluntário. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 124 8 O pleno atendimento à presente intimação e posterior seguimento do Recurso Voluntário fica condicionado a análise de conformidade com os documentos apresentados. O não atendimento à presente, no prazo supracitado, poderá ensejar as medidas necessárias ã cobrança final. Esclarecimentos sobre a documentação a ser entregue poderão ser obtidos pelo contribuinte ou seu representante legal nesta Delegacia. Caso seja necessário maior prazo para atender a presente intimação, fazer pedido formal. por escrito e fundamentado, o qual será analisado." Em 10/08/2010, o sócio administrador através de petição anexou aos autos (i) última alteração contratual e (ii) cópia da carteira profissional dos advogados subscritores do recurso e requereu prazo para a juntada do instrumento de mandato. Foi certificado que as informações de legitimidade de representação processual foram prejudicadas pelo não atendimento da intimação de fl. 97. É sabido que decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial. A representação processual constitui o meio legal para que alguém possa agir, extrajudicialmente ou judicialmente, em nome alheio, erigindo a regularidade de representação da parte como pressuposto processual de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo. Partindose desse pressuposto, para a parte postular em sede recursal e ter seu pedido analisado em sede meritória, deve ser validamente representada, no caso pelo síndico nomeado ou administrador judicial regularmente constituído. À época de interposição do Recurso, assim dispunha o Código de Processo Civil, o qual tem aplicação subsidiária ao caso: "Art. 12 Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) III a massa falida, pelo síndico;" O atual diploma processual em seu art. 75 assim pontua: "Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) V a massa falida, pelo administrador judicial;" Por sua vez, a Lei 11.101/2005 (Lei de Falências), dispõe que: "Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 125 9 (...) III na falência: (...) l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de dívidas e dar a respectiva quitação; (...) o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração;" Ademais, os sócios recorrentes sequer integram a relação jurídico tributária, pois não foram autuados, o que enseja a falta de legitimidade para interposição de recurso. Assim, o Recurso Voluntário não merece ser conhecido em razão de os sócios não possuírem legitimidade recursal, pois (i) sequer são sujeitos passivos do Auto de Infração e (ii) não possuem legitimidade de representação da massa falida da empresa Pinus Editora e Serviços Ltda. Diante do exposto, voto por não conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722236/2017-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 36 /2 01 7- 38 Fl. 127DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2015, anocalendário de 2014. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 53.600,00, em razão do fato de comprovação de pagamento. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte logrou êxito parcial em comprovar o seu direito a dedução da pensão, vale dizer, no que se refere ao pagamento da pensão a sua ex esposa, foi dado provimento ao pedido de dedução, mas no que se refere ao pagamento de sua filha maior, não foi dado provimento, eis que o entendimento da DRJ é no sentido claro de que filhos maiores não ensejam dedução de despesas com pensão alimentícia. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz argumentos claros e válidos para sustentar o seu pleito.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2015. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.722236/201738 Acórdão n.º 2001000.637 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a filhos maiores. Entendo que são dedutíveis do Imposto de Renda os valores pagos a título de pensão alimentícia para filho, ainda que maior de 21 anos, em acordo homologado pelo Poder Judiciário. Ainda mais que, em sede de Recurso Voluntário , fica evidente que a decisão judicial que determinou a obrigação do pagamento da pensão ainda estava vigente em 2015, os pagamentos foram confirmados pela ex esposa, e filha. Na jurisprudência encontramos antecedente favorável à dedução de pensão paga a filhos maiores. Esse foi o entendimento aplicado pela 8ª Turma Recursal do Juizado Especial Federal da 3ª Região para determinar que a Receita Federal deixe de tributar os valores pagos por um contribuinte a seu filho maior. Neste processo, (processo 0008852 75.2015.4.03.6302), após ser cobrado pela Receita, o contribuinte ingressou com ação pedindo a anulação do débito fiscal. Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente, tendo o juiz determinado que a Receita desfaça o lançamento tributário. Inconformada, a Receita recorreu alegando que não há previsão em lei para a dedução de pensão alimentícia paga por mera liberalidade. Sendo assim, poderia o valor ser tributado. Ao julgar o caso, o relator, juiz federal ressaltou que "independentemente da iniciativa em relação aos alimentos, a partir do estabelecimento de um acordo de pensão e da comprovada percepção dos valores pelo alimentado, a orientação legal converge de modo a que o alimentante preserve seus direitos de não ser tributado por essa parcela de seus vencimentos". Fl. 129DF CARF MF 4 Seguindo o voto do relator, a 8ª Turma Recursal manteve a sentença, determinando que fosse deduzido do Imposto de Renda as despesas mensais de pensão alimentícia. É fundamental esclarecer que o alimentante tem direito de realizar a dedução integral dos valores que pagar a título de pensão alimentícia. Porém, para que a dedução seja admitida, é preciso que os alimentos prestados sejam decorrentes de decisão judicial ou, ainda, de acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública (a que se refere o artigo 1.124Ado Código de Processo Civil Cumpre observar que não se admite que a pensão alimentícia de filhos com idade inferior a 18 anos seja estabelecida por acordo lavrado por escritura pública. Sendo assim, aludida possibilidade restringese aos casos em que o dever de prestar alimentos estendase além da maioridade dos filhos. A jurisprudência tem admitido, inclusive, que se mantenha o dever de prestar alimentos até a conclusão de curso em estabelecimento de ensino superior pelo filho. Nessa circunstância, caso os pais do jovem venham a se divorciar, nada impede que, por escritura pública, seja estabelecida pensão alimentícia ao filho maior de idade. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas de comprovação do pagamento dos valores a título de pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910481/2012-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/05/2007
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Numero da decisão: 1002-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/05/2007 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 04 81 /2 01 2- 57 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 161 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 024894325 emitido eletronicamente em 03/07/2012, referente ao PER/DCOMP nº 25735.67199.311009.1.3.040001. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente ao SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 193,87, representado por Darf recolhido em 20/06/2007 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 13/07/2012 (fl. 104), o interessado apresenta, em 31/07/2012 (fls. 02/03), manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, no período de jan/2007 a jun/2007, adotou a tributação pelo Simples Federal, entregando Declaração Simplificada, porém, por tratarse de empresa cuja atividade – Representação Comercial – era vedada pela legislação, elaborou Pedido de Exclusão Retroativa do Simples Federal, referente a esse período, em 07/06/2010 (processo nº 13609.000759/201075). Nesse sentido, aduz ter direito aos créditos relativos aos pagamentos efetuados do SIMPLES no período de jan/2007 a jun/2007, a que se refere o pedido de exclusão do Simples Federal. Explica que, mediante a solicitação de exclusão, houve cálculo de todos os impostos inerentes à Tributação pelo Lucro Real, relativo àquele período (jan/2007 a jun/2007), que foram compensados mediante PER/Dcomp com os recolhimentos do SIMPLES. Acrescenta, ainda, que tentou transmitir DIPJ com apuração pelo Lucro Real, referente ao ano de 2007, mas ocorreu erro no Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 162 3 validador, constando que o CNPJ era optante do SIMPLES, e que transmitiu DCTF e Dacon relativos ao período de jul/2007 a dez/2007. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0250.879, de 30 de outubro de 2013 (efl. 109), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/05/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SIMPLES. PEDIDO DE EXCLUSÃO INDEFERIDO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Correta a decisão que não homologou a compensação de crédito de pagamento de Simples, quando o Pedido de Exclusão Retroativa do Simples Nacional foi indeferido e houve vinculação do pagamento a débito de Simples, o que implica reconhecer a inexistência do crédito. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 116), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "No ano de 2007 foi verificado equívocos na tributação adotada pela empresa: 1. Janeiro a Junho de 2007: Atividade da empresa vedada opção pelo Simples Federal, foi pedido a Exclusão Retroativa do Simples Federal e recolhidos impostos e contribuições inerentes a tributação do Lucro Real. 2. Julho a dezembro de 2007: Foi entregue DIPJ Lucro Presumido, mas a opção pelo Lucro Real foi manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido correspondente ao período de apuração ( 3o trimestre de 2007). Foram recolhidos impostos e contribuições inerentes a tributação do Lucro Real. 3. Janeiro a dezembro de 2007 tributado pelo Lucro Real: recolhimentos foram realizados através de Perd/comps, conforme Darfs recolhidos do Simples Federal, e usufruindo da anistia da Lei 11.941/2009". Como preliminar, sustenta que (sic) "Considerando o indeferimento RFB da exclusão retroativa do Simples no período janeiro a junho de 2007, impossibilitando a alteração da forma de tributação para Lucro Real. Não ocorrendo assim, conforme PERDCOMP, pagamentos indevidos de Simples e a inexistência de débitos de tributos e contribuições inerentes à apuração pelo Lucro Real". No mérito, sintetiza "os pontos de discordância apontados neste Recurso: a)Impossibilidade de alteração da forma de tributação: de Simples para Lucro Real b) Inexistência do débito Imposto de Renda Pessoa Jurídica cód.5993 relativo ao período 04/2007 no valor de R$ 266,56". Ao final, requer o provimento do presente Recurso Voluntário. É o relatório do necessário. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 163 4 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 25735.67199.311009.1.3.040001 transmitido em 31/10/2009, sob a alegação de que o crédito de R$ 193,87 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código 6106 (Simples), do período de apuração de 31/05/2007, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo (texto manuscrito consta do original): De plano, constatase que o Recurso Voluntário não traz novos argumentos, provas ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Apenas contém uma descrição sumariada dos fatos ocorridos segundo o entendimento do próprio Recorrente. Após analisar os fatos e as circunstâncias do processo e diante da constatação de ausência de novos argumentos ou elementos de prova no Recurso Voluntário, corroboro com a decisão recorrida, no sentido de considerar como correta a não homologação do PER/DCOMP nº 25735.67199.311009.1.3.040001 pelo Despacho Decisório Eletrônico, pedindo vênia para adotar os trechos extraídos do voto condutor do acórdão recorrido abaixo transcritos como razões de decidir, alicerçado no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF: À luz do relato feito e da análise do presente processo, constata se que o indeferimento do pedido pela DRF de origem foi motivado pelo fato de o recolhimento informado no Per/Dcomp Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 164 5 ter sido utilizado integralmente na quitação de débito do próprio SIMPLES do período de apuração correspondente, qual seja, maio de 2007, uma vez que o contribuinte entregou Declaração Anual Simplificada para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Por sua vez, alega que estava impedido de optar pelo SIMPLES no período e que teria ocorrido a sua exclusão retroativa, mediante pedido apresentado à RFB em 07/06/2010. No entanto, essa informação não se confirma, conforme se explica a seguir. De acordo com o Cadastro da empresa na RFB (telas às fls. 106), a contribuinte foi excluída do SIMPLES, por decisão administrativa, somente a partir de 30 de junho de 2007 (evento 321). E, de acordo com o Despacho Decisório nº 056/2011, de 02/02/2011, proferido pela DRF em Sete Lagoas, no processo nº 13609.000759/201075, o pedido de exclusão do Simples Federal no período de janeiro a junho de 2007 foi indeferido (fls. 107/108). Assim, no período de apuração de que trata o alegado crédito da contribuinte (maio de 2007), a empresa não se encontrava excluída do SIMPLES. Desta forma, não há que se falar em pagamento indevido do SIMPLES naquele período. Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação em litígio. A análise acima descrita bem reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, porquanto seus fundamentos estão em consonância com a legislação regente da matéria e porque a circunstância fática que motivou o indeferimento do PER/DCOMP foi inequivocamente comprovada nos autos, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 6106 (Simples), período de apuração de 31/05/2007. Tal fato configura ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado, inviabilizando a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de declarações válidas prestadas pelo próprio Recorrente. Assim, considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o crédito de R$ 193,87 constante do PER/DCOMP de nº 25735.67199.311009.1.3.04 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 165 6 0001, transmitido em 31/10/2009, fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 6106 (Simples) de período de apuração de 31/05/2007; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento de prova adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721063/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.077
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 63 /2 00 9- 21 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 3 2 estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.969 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000229/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar.
Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores.
Recurso voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-005.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Recurso voluntário negado na parte conhecida
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PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Recurso voluntário negado na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 02 29 /2 00 5- 63 Fl. 1133DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre autos de infração referentes às diferenças de tributos em face da reclassificação fiscal de mercadoria importada mediante a Declaração de Importação (DI) nº 05/04238790, multas de ofícios correspondentes e multa administrativa por erro de classificação fiscal. Entendeu a fiscalização que a classificação adequada para a mercadoria seria no código NCM/SH 8526.91.00, com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 221, de 23 de agosto de 2004, e também no Acórdão da 1ª Turma da DRJ nº 6607, de 23 de abril de 2004, rejeitando a classificação adotada pela contribuinte na DI (NCM/SH 8525.20.13) para o produto descrito como máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos. A interessada impugnou o lançamento, alegando e requerendo, em síntese: a) nulidade do auto de infração por inépcia; b) a função predominante da "máquina móvel" é a de telecomunicações, e não de radionavegação (acessória); c) seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial, as Notas 3, 4 e 5; d) inaplicabilidade do Ato Declaratório Interpretativo 14/20032; e) laudo técnico apresentado confirma o enquadramento tarifário 1 Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 20 de agosto de 2004 DOU de 23.8.2004 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos denominados receptores GPS, que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta no processo no 10168.002623/200408, declara: Art. 1º Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificamse no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Art. 2° Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 2 de setembro de 2003. 2 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 02 de setembro de 2003 DOU de 4.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS) na Nomenclatura Comum do Mercosul. Revogado pelo ADI SRF Nº 22, de 20 de agosto de 2004. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.312 3 adotado pelo importador; f) argumentos de natureza econômica também confirmam a função principal do MCT (Terminal de Comunicação Móvel); e, g) por fim, requer o afastamento das penalidades e encargos moratórios, em conformidade com o disposto no incido III e no parágrafo único do art. 100 do CTN. A Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para a verificação de eventual concomitância com a via judicial, tendo a fiscalização apresentado suas informações e a impugnante sua manifestação. Após, foi proferida decisão desfavorável à impugnante sob os seguintes fundamentos principais: Com base nos elementos trazidos aos autos por ambas as partes, o indício de concomitância com a via judicial foi afastado, vez que a classificação fiscal do MCT não está sendo discutida em nenhuma das ações judiciais em que se identificou tal possibilidade. Um aspecto crucial não foi devidamente valorado na definição da função mais importante do MCT. Tratase da FINALIDADE ESPECÍFICA que levou à criação dele e que ainda hoje é o PRINCIPAL OBJETIVO desse tipo de equipamento: possibilitar a supervisão em movimento do veículo onde ele é instalado. A função de comunicação é importante, mas atua como MEIO para atingir os fins a que o aparelho se destina. Sendo o MCT caracterizado como uma combinação de máquinas para realizar diferentes funções e a autolocalização via GPS, considerada a função mais importante, é na classificação fiscal referente ao dispositivo que desempenha essa função que o equipamento como um todo deve ser enquadrado. Não é relevante o fato de o MCT poder ser utilizado sem esse aparelho, ainda mais quando se sabe que, mesmo assim, ele ainda poderia desempenhar a referida função, como deixou claro o laudo técnico apresentado pela impugnante. Diferentemente do que alega a impugnante, tanto seu Estatuto Social como a Autorização da Anatel, na realidade, comprovam a importância da função de autolocalização geográfica, que é desempenhada pela placa GPS, mas que o MCT também seria capaz de realizar mesmo sem essa placa, de acordo com os laudos técnicos trazidos pela própria impugnante. Conforme demonstrado, todas as Soluções de Consulta suscitadas pela defesa confirmam que a principal função dos equipamentos analisados é o rastreamento dos veículos em que eles são instalados. A definição de código para enquadramento diferente do adotado pela fiscalização devese a peculiaridades próprias dos aparelhos examinados ou das decisões. Ademais, nenhum dos aparelhos objeto das consultas trazidas pela impugnante foi considerado como uma combinação de máquinas, como é o caso do MCT. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta da Nota Coana/Cotac/Dinom n° 244, de 27 de agosto de 2003, declara: Artigo único. Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificamse como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 1135DF CARF MF 4 A impugnante apresentou laudos técnicos emitidos pela Universidade de Brasília (UnB) que, embora concluam que a função principal do MCT é a de comunicação, trazem informação que reforçam o entendimento quanto à relevância de função de autolocalização. Ambos os pareceres afirmam que, mesmo sem a placa receptora GPS, o equipamento ainda seria capaz de fornecer a localização do veículo, conforme reproduzido a seguir. Ou seja, essa placa até pode ser um acessório, mas o mesmo não pode ser dito sobre a função de autolocalização. Independentemente da análise quanto à efetiva caracterização do costume jurídico em relação às importações do MCT anteriores ao ADI SRF nº 14/2003, fica evidente a inocorrência desse instituto para as operações realizadas após a edição desse Ato, como é o caso ora examinado. Portanto, indeferese o pedido da impugnante para dispensa das penalidades e encargos moratórios. Cientificada pela via postal em 15/05/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/06/2013, suscitando as seguintes preliminares: i) impossibilidade de juntada tardia de documentos pela autoridade preparadora; ii) necessidade de desconsideração dos documentos em idioma estrangeiro; e iii) ilegalidade na referência à opinião da OMA. No mérito, as alegações da recorrente foram assim resumidas por ela: 1. Não se pode conceber a utilização de documentos juntados tardiamente pela fiscalização, em idioma estrangeiro e, ainda, que a autuação utilize como fundamento informações em site inexistente ou que tenham que ser traduzidos pelo contribuinte, via Google, do lituano para o português. Assim, havendo outros fundamentos não viciados para a autuação, apenas esses devem ser levados em consideração. 2. O MCT é equipamento que permite o envio e recebimento de mensagens alfanuméricas entre central e frota, ou a partir de pontos fixos distantes (ilhas, estações em florestas, etc), consulta a banco de dados (relevante para secretarias de segurança, empresas de energia elétricas, etc), telemetria, e localização. No conceito genérico de rastreamento (que não guarda real precisão técnica) incluise toda essa gama de atividades, que possuem como base a comunicação. A telecomunicação, por excelência, é sempre um meio, um canal, para permitir a comunicação entre dois pontos distantes entre si, razão pela qual o argumento do v. acórdão referenda o aqui alegado. 3. Essas funcionalidades, inclusive a localização (que é função acessória), não caracterizam radionavegação. O MCT não indica rota e direção para o motorista de um veículo. E tampouco permite, em termos práticos, sua utilização para a radionavegação nem mesmo com o auxílio à distância de um operador na central. Cogitarse isso é desconhecer o funcionamento técnico do equipamento, a função para o qual foi projetado e, especialmente, a sua utilização prática. 4. Por essa razão, casos idênticos ao presente, envolvendo a Recorrente, já foram apreciados pelo Conselho de Contribuintes, atual CARF. A Egrégia Segunda Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, por seis votos a um, e a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à unanimidade e quanto ao mérito, entenderam como correta a classificação fiscal do MCT utilizada pela Recorrente no Recurso n° 130.748 (Recurso Especial n° 302130.748). E a Egrégia 2a Turma da 1a Câmara da 3a Seção do CARF, também à unanimidade e sobre o mérito, entendeu da mesma forma quando do julgamento dos Recursos Voluntários n.s 143.883; 143.902; 143.903 e 143.905; 5. A Receita Federal já reconheceu, em Solução de Consulta relativa a equipamento em tudo semelhante ao MCT, como correta a classificação adotada pela Recorrente. E referida Solução de Consulta foi proferida posteriormente ao recebimento da opinião da OMA alegadamente sobre assunto idêntico; 6. Em equipamentos com função de localização praticamente idêntica à do MCT e sem nenhuma função de comunicação a Receita Federal também Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.313 5 reconheceu, em Soluções de Consulta, que a classificação não é de radionavegação, aplicando enquadramentos semelhantes, com os devidos ajustes, ao utilizado pela Recorrente. Isso porque localização e radionavegação são distintos; 7. Por mais que se esforce o v. acórdão em distorcer a lógica adotada pelas Soluções de Consulta, as conclusões destas foram pela classificação dos equipamentos similares como de comunicação. É inverídico que a Solução de Consulta baseada no laudo do ITUFES mencionado no acórdão mas não trazido aos autos, e que simplesmente informa que o equipamento é de rastreamento, conceito absolutamente distinto de radionavegação concluiu que a finalidade do equipamento seria localização. 8. Para a Anatel e para os Estados, os serviços prestados por meio do MCT são de comunicação de dados, estando portanto sujeitos aos tributos daí decorrentes; 9. Conforme laudo técnico da Universidade de Brasília, a ser considerado nos termos do artigo 30 do Decreto n° 70.235/72, o MCT deve ser enquadrado nas posições 8525.20.13 (anterior à Resolução CAMEX n° 43/2006) ou 8517.62.71, por adequarse, palavra por palavra, na descrição da NCM; 9.1 O laudo técnico atesta que a função principal do MCT é a de comunicação, e que o posicionamento ou localização do veículo constitui função acessória; 9.2 Para tanto, atesta que a comunicação funciona independentemente da existência da placa GPS (localização), mas que a função de posicionamento ou localização tornase inoperante sem a função de comunicação; 9.3 O laudo conclui, ainda, que o MCT não possui função de radionavegação; 9.4 Não possui qualquer fundamento lógico ou técnico a tentativa do v. acórdão de valerse de resposta do laudo para fundamentar sua tese. O MCT tão somente permite uma outra forma de localização, sem o uso do GPS, que não é utilizada em termos práticos e não significa em absoluto maior relevância da função de localização. Caso se queira trilhar essa linha irrelevante de argumentação, em realidade a Recorrente oferece redundância tripla e com utilização prática para a comunicação, o que denotaria então uma maior importância da comunicação pela lógica do v. acórdão. 10. Ainda que ultrapassados os óbices que impedem seja levada em consideração a opinião da OMA quando do julgamento deste Recurso, temse que aquela não é suficiente para abalar o direito da Recorrente à classificação fiscal adotada; 11. A opinião da OMA não foi extraída no âmbito de procedimento vinculativo aos países membros e tampouco foi internalizada no ordenamento pátrio, não estando inserida no anexo à Instrução Normativa SRF n° 873/08. Logo, a mera opinião pode, sim, ser desconsiderada pelas autoridades alfandegárias e pelas autoridades julgadoras; 12. A consulta de 10 linhas formulada à OMA pela COANA seria considerada ineficaz se apreciada no âmbito da IN SRF n° 740/07, uma vez que não continha os elementos mínimos que permitissem uma completa análise do equipamento. É possível que a forma lacônica da consulta e as informações contidas no site cujo conteúdo se desconhece tenham induzido a OMA a erro quanto à correta classificação do equipamento 11. Financeiramente, a receita de comunicação gerada pelo MCT no ano da primeira autuação, idêntica à presente, foi de 88,2967% contra 11,7033% da receita de localização (com uso do GPS). Assim, a comunicação é a função principal do equipamento não só tecnicamente, mas também do ponto de vista econômico e de utilização pelo cliente. O v. acórdão nada dispõe sobre esse fundamento; 12. O GPS corresponde a tão somente cerca de 4,5% do custo total do MCT, o que demonstra a inviabilidade comercial deste caso se tratasse de equipamento cuja Fl. 1137DF CARF MF 6 função principal fosse a localização. O v. acórdão também nada dispõe sobre esse fundamento. Em 31/03/2015 foi juntada petição pela recorrente mediante a qual se aponta a "concomitância quanto ao mérito da demanda e requerse o prosseguimento do feito administrativo no que diz respeito às mencionadas violações ao artigo 146 e ao artigo 100 do Código Tributário Nacional, ensejadoras, respectivamente, do cancelamento do auto ou ao menos do afastamento de multa e juros". É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Após a interposição do recurso voluntário, a interessada apresentou petição noticiando da propositura de ação judicial com os seguintes pedidos: Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.314 7 (...) Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Dessa forma, tendo em vista que a matéria central discutida no presente processo, acerca da classificação fiscal, é objeto da ação ordinária nº 0047878 47.2014.4.01.3400, não se pode aqui conhecer da referida matéria. O mesmo acontece em relação ao requerimento de afastamento da penalidades como base no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, que não deve ser conhecido no âmbito deste recurso voluntário. Conhecese, no entanto, o recurso voluntário na parte relativa às alegações de nulidades do auto de infração e de violações aos arts. 100 e 146 do CTN. As alegações de nulidade não prosperam acerca da juntada tardia de Parecer da OMA em idioma estrangeiro, já que tal Parecer não tem caráter vinculante e a interessada pode se manifestar sobre ele, em observância ao princípio do contraditório. Fl. 1139DF CARF MF 8 As decisões anteriores prolatadas pelo CARF não possuem caráter vinculante para a Receita Federal em relação a outros lançamentos, ainda que em relação ao mesmo sujeito passivo, eis que não se trata de decisões para as quais a lei tenha atribuído eficácia normativa, nos termos do art. 100, II do CTN, nem tampouco de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). Ademais, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Assim, pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário, e nessa parte, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1140DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.001253/2005-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 12 53 /2 00 5- 51 Fl. 88DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0919.175, da 1ª Turma da DRJ/JFA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, devido à prática de atividade vedada. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, conforme o relatório, a seguir: Relatório Em Representação Administrativa elaborada por AuditorFiscal da Previdência Social, às fls. 05/06, foi relatado que a contribuinte prestou serviço de cessão de mãodeobra, conforme contrato realizado com a COVEPE Comércio de Veículos Pesados Ltda. Em análise realizada pela Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, às fls. 01/03, foi proposta a exclusão da contribuinte do Simples. Em conseqüência, foi emitido o Ato Declaratório Executivo (ADE) n.° 39/2005 (fl. 26), efetivando a exclusão do Simples “em razão da constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação a opção pela sistemática tributária em questão, no caso, locação de mãodeobra, por força do artigo 9°, inciso XII. alínea "f" da Lei n.° 9.317/96'”, com efeitos a partir de 1°/0l/2002. de acordo com o disposto no artigo 24, § 1°, inciso II, da IN SRF n° 608/2006, A contribuinte manifestou sua inconformidade às fls. 34/35, pedindo para que seja mantida no Simples, em resumo, sob os seguintes argumentos: a) A empresa Presta serviços exclusivos de lanternagem e pintura b) A empresa não utiliza, na execução de serviços, nenhuma engenharia mecânica. c) A empresa presta todos os seus serviços em sua área de instalação. d) A empresa obedece os demais critérios de enquadramento do SIMPLES. É o relatório Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente apresenta os mesmo argumentos já reportados no relatório acima e pugna (repetindo a manifestação de inconformidade): · A tempo e modo, a recorrente apresentou. impugnação demonstrando que a empresa presta serviços de lanternagem e pintura, não loca de mãodeobra e nem serviços de engenharia mecânica. · a recorrente foi constituída em 1999, pela união dos sócios: Paulo Antonio Mendonça e Renaldo do Carmo, com o objetivo de prestar Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10630.001253/200551 Acórdão n.º 1001000.726 S1C0T1 Fl. 3 3 serviços de manutenção e reparo de caminhões, ônibus e outros veículos; · ao mesmo ano, locou parte do estabelecimento da empresa Covepe Comercio de Veiculos Pesados Ltda, inscrita no CNPJ 20628.285/000206, para exercer seu objetivo social; · doravante, a recorrente e a Covepe firmaram um contrato de prestação de serviços de lanternagem, tendo por objetivo a realização, pela recorrente, de lanternagem e pintura nos veículos da Covepe; · sendo assim, a empresa em questão nada mais é do que uma oficina mecânica que firmou, por um certo período de tempo, um contrato de exclusividade com a Covepe, consoante regra clara do art. 170 da Constituição Federal que permite a livre iniciativa dos cidadãos e indivíduos; · alega o instituto da verdade material (cita decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais acórdão 0304.371; · não se pode, assim, simplesmente “interpretar" um contrato e dizer que as suas cláusulas foram executadas e que essas execuções foram de maneira contrária ao texto da lei. · ademais, o AuditorFiscal previdenciário deveria demonstrar que a recorrente contratava funcionários e cedia essa mãodeobra para realizar serviços à Covepe; · não se pode, assim, simplesmente “interpretar” um contrato e dizer que foram “cedidos funcionários", conforme diz determinada cláusula. · noutro giro, o AuditorFiscal e a 1° Turma do DRJ/JFA não podem tirar a eficácia da Lei 10.964/2004, segundo a qual as oficinas mecânicas podem optar pelo Simples; · afirma que a recorrente é uma oficina mecânica e que não foi provado pelos fiscais que a recorrente cedia mãodeobra; · requer: Em face do exposto, recebido e autuado o presente Recurso Voluntário pede a esse egrégio Conselho de Contribuintes, por uma de suas Turmas que seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o Acórdão proferido pela 1” Turma da DRJIJFA para manter a recorrente como optante do Simples, tornando sem efeitos o Ato Declaratório Executivo 39/2005, que excluíra a recorrente do Simples. · Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos na forma prevista no art. 16 III §4° e art. 18 do Decreto 70.235, em especial a prova documental que ora apresenta e a produção de prova pericial e testemunhal. Fl. 90DF CARF MF 4 · Requer, a teor do art. 16 e 33 do Decreto 70.235, seja o recorrente intimado pessoalmente da decisão a ser proferida por esse egrégio Conselho, bem como dos demais atos a serem lavrados com a instauração do processo tributário administrativo. Na realidade, a exclusão da recorrente não se deu, única e exclusivamente, por conta de uma interpretação do contrato de exclusividade, como alega a recorrente, muito embora, o objeto deste deixa muito claro que o objeto é a locação/cessão de mãodeobra: Constitui o objeto ,do Contrato os serviços de lantenagem em caminhões, ônibus, tratores, veículos de passeio, utilitários e afins, os quais a CONTRATADA se obriga a prestar á CONTRATANTE, no endereço, sito à av. Cristiano Ferreira Varella n°59,Vila Isa, em Governador Valadares MG. Parágrafo Primeiro: Exercer controle sistemático de visitas periódicas de supervisores e/ou assemelhados no intuito de obter alto padrão de execução de serviços. . Parágrafo Segundo: Substituir de imediato, independentemente de apresentação de motivos e sempre que exigido pela CONTRATANTE qualquer profissional cuja atuação ou comportamento seja julgado prejudicial, inconveniente ou insatisfatório á disciplina ou ao interesse do serviço. Parágrafo Terceiro: Arcar com o pagamento de todos os encargos de natureza social e tributária que incidam ou venha a incidir sobre a prestação de serviço ora pactuado, devendo a CONTRATADA prestar mensalmente á CONTRATANTE, anexando aos documentos de cobrança do serviços, comprovantes de.quitação de todas as obrigações de âmbito Federal, Estadual e Municipal ( trabalhistas, tributárias e sociais, etc) inerentes ao mês anterior. ParágrafoSexto: Fazer identificação dos funcionários por intermédio de crachá, com todos os dados pessoais do empregado (nome, cargo, data de admissão, etc), para cumprimento de normas do Ministério do Trabalho. CLÁUSULA SEGUNDA CARGA HORÁRIA _ Os serviços a serem executados, terão de obedecer ao horário estabelecido pela CONTRATANTE, que atualmente é de 07:42 às 11:30 horas e de 13:00 ás 18:00, podendo ser modificado caso seja necessário, já que a CONTRATADA executa tais serviços nas dependências da CONTRATANTE. E, por fim, a cláusula terceira estabelece que haja a retenção de 11% do valor bruto da Nota Fiscal, para atendimento às regras da Seguridade Social (OS 203/99), a qual trata justamente do assunto, como segue: Estabelece procedimentos para arrecadação e fiscalização das contribuições incidentes sobre a remuneração decorrente da prestação de serviços através de empreitada de mãodeobra e/ou mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário e de cooperativa de trabalho Na representação administrativa (fl 6), foram anexados documentos probantes, dentre eles, notas fiscais de prestação de serviços. Na NF 15, fica clara a retenção de 11%, como acima citado, o que contraria as alegações da recorrente e constitui prova de que a empresa faturava por locação/cessão de mâodeobra.. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10630.001253/200551 Acórdão n.º 1001000.726 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, peço a devida vênia para adotar a decisão da DRJ, a qual reproduzido, parcialmente, o voto: À luz do precitado Parecer, dada a similaridade entre os conceitos de locação de mãodeobra, cessão de mãodeobra e empreitada exclusivamente de mãodeobra. e' vedada a opção pelo Simples às pessoas jurídicas que realizem operações que tenham por objeto esses serviços. O referido Parecer conclui também pela vedação à opção às pessoas jurídicas que estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à empreitada e subempreitada de mãodeobra, aplicados à construção civil, independentemente do fornecimento de material (Lci n” 9.528/97, art. 4°). Observo que tal vedação decorre do fato de que as atividades em questão implicam uso intensivo de mãodeobra. Assim, permitir que pessoas jurídicas que exerçam tais atividades possam ingressar no Simples pode acarretar sérias perdas a seguridade social. No caso, restou caracterizada a cessão de maodeobra, nos termos definidos pelo art. 31, § 3°, da Lei n.° 8.212/91. Isto porque pelo “Contrato de Prestação de Serviço de Lanternagem” realizado entre a contribuinte (contratada) e a COVEPE z Comercio de Veiculos Pesados Ltda (contratante) houve a colocação de funcionários da contratada a disposição da contratante nas dependências desta e a prestação de serviços contínuos. Tal contrato visou à terceirização de serviços de lanternagem a serem prestados a clientes da contratante. As cláusulas primeira e segunda estabelecem que os serviços serão prestados nas dependências da contratante. Ha inclusive previsão que a contratada comunique à contratante para que esta disponibilize sua sede em caso de serviços a serem realizados nos sábados. domingos e feriados. Interessante notar que no contrato supraeitado o endereço de ambas é praticamente o mesmo, diferindo apenas por conter o da contribuinte a informação “sala 1”. Já a continuidade do serviço está caracterizada pela cláusula sexta: que estabelece prazo de vigência indeterminado para 0 contrato. Por fim, observo que, de acordo com a cláusula terceira e as notas fiscais acostadas aos autos, houve a retenção de 11% de INSS nos termos prescritos no art. 31 da Lei n.° 8.212/91. Ante o exposto, voto por indeferir a solicitação da contribuinte, mantendo a exclusão do Simples efetuada pelo Ato Declaratório Executivo n°39/2005 Quanto aos requerimentos da recorrente, quanto a prova documental que ora apresenta e a produção de prova testemunhal, temse que nenhuma outra prova nova foi anexada ao recurso e desnecessário inquiri testemunhas para o caso em tela. Fl. 92DF CARF MF 6 Requer, também, que a recorrente seja intimada pessoalmente da decisão deste CARF, bem como dos demais atos a serem lavrados. A ciência das decisões é dada de acordo com as normas em vigor: via postal, edital (na falta de êxito da via postal) e via eletrônica (quando aplicável essa opção). Conseqüentemente, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000449/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 49 /2 00 7- 15 Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724305/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 05 /2 01 1- 39 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.974. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.724305/201139 Acórdão n.º 3302005.853 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001861/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinando-se (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403-002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 347 1 346 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001861/200980 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Resolução nº 9202000.183 – 2ª Turma Data 26 de fevereiro de 2018 Assunto DECADÊNCIA PAGAMENTO DE PRÓLABORE Recorrentes FAZENDA NACIONAL CALZA E SALLES E ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 86 1/ 20 09 -8 0 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 348 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.001860/200935 37.230.5555 (Emp/SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001861/200980 37.230.5563 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001859/200919 37.230.5547 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001857/200911 37.205.0190 (AI 34) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001858/200966 37.205.0204 (AI52) Obrig. Acessória Dívida Ativa Processo não localizado 37.205.0212 (AI59) Obrig. Acessória Processo não localizado 37.205.0182 (AI 30) Obrig. Acessória O presente processo trata do Debcad 37.230.5563, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, não retidas e nem recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009 (fls. 07) Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de Infração dizem respeito aos levantamentos realizados a título de PLB (Pagamento de Pró Labore) e AUT (Autônomos), uma vez que verificada a retirada de valores pelos sócios da sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram transferidas para o Debcad 37.273.6149 (processo nº 16151.000466/201000) para serem parceladas. Em sessão plenária de 13/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.477 (efls. 243 a 257), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRÓLABORE. DECADÊNCIA. Tratase de lançamento efetuado na vigência da Súmula Vinculante n° 8, STF. Nesta linha, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 349 3 aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN, a decadência alcançaria contribuições correspondentes a fatos geradores ocorridos até 11/2003, como a integralidade do lançamento referese a competências posteriores, não há que se falar em decadência no presente lançamento. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. PRÓLABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do prólabore. Todavia, para que assim seja classificado o pagamento, necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verifica se que os valores apontados nas contas correntes dos sócios como gastos sofridos pela empresa estão, em sua totalidade, lançados no balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo. Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo) de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a curto prazo, não é suficiente para caracterizar prólabore de sócios, pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no curto prazo. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. No mérito, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos às contas 12.303 e 12.304." O processo foi encaminhado à PGFN em 25/11/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 982 do processo principal) e, em 19/12/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 259 a 274 (Despacho de Encaminhamento de efls. 999 do processo principal). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suscita as seguintes matérias: preliminar de preclusão, tendo em vista alteração dos argumentos de defesa após a impugnação; e pagamento de prólabore indireto. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, porém examinandose apenas a segunda matéria, conforme despacho de 14/06/2017 (efls. 275 a 279). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 350 4 a autoridade fiscal considerou como prólabore, sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, os valores pagos e/ou creditados aos sócios gerentes da sociedade, efetivados através de pagamentos diretos ou indiretos na forma de pagamentos de despesas particulares (suas, de familiares e terceiros); de acordo com o relatório fiscal, a empresa desembolsava valores para quitar diversas despesas pessoais dos sócios, tais como o pagamento de despesas com cartão de crédito, veículos, empregados pessoais (motorista, domésticos, fazenda), condomínio, seguro residencial, compras de equipamentos, contas diversas e abatimento de contratos pessoais de mútuo; ademais, realizava transferências bancárias e depósitos nas contas correntes particulares dos sócios, bem como de familiares e de terceiros; em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada prólabore; juntou aos autos cópia do Livro Razão Analítico, conta Lucros Acumulados, na tentativa de demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiamse, em sua grande maioria, aos anos anteriores; todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que não fez prova de suas alegações, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados; a Contribuinte, então, por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os numerários foram lançados em contas do ativo, como valores a receber dos sócios, não podendo ser considerados como retirada de prólabore; tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, que concluiu que, para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como prólabore, seria necessário que no balanço contábil da empresa os valores estivessem lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração; todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma: primeiramente em face da preclusão; ademais, porque o lançamento de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza de prólabore dos valores contabilizados, mormente quando a escrituração fiscal não é acompanhada de documentação que comprove o alegado; não é dado ao Contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do Recurso Voluntário, já que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é que determinam os limites do litígio, ou seja, matérias não impugnadas tornamse definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser levadas ao CARF; logo, a rigor, a argumentação expendida pela Contribuinte em sede de Recurso Voluntário, que diverge totalmente daquela exposta por ocasião da impugnação, não poderia ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 351 5 todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observase que a tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o condão de afastar a tributação; ora, é sabido que não é o nome dado a uma rubrica ou a uma conta contábil que define a natureza jurídica real do pagamento efetuado pela empresa aos sócios; no caso concreto observouse que a empresa autuada arcava com o ônus de diversas despesas pessoais dos sócios, o que obviamente representa uma remuneração indireta; não há dúvida de que, quando a empresa paga a despesa pessoal do sócio, este deixa de despender recursos financeiros para a sua quitação, representando um acréscimo patrimonial para si, de sorte que, muito embora não haja um recebimento de pagamento em espécie, ocorre uma substituição no pólo devedor, assumindo a empresa as despesas do sócio; assim sendo, o resultado prático é o mesmo que o pagamento direto: o sócio é beneficiado pela assunção de dívidas por parte da empresa e deixa de despender numerário proveniente do seu patrimônio pessoal, logo é patente a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre tais valores despendidos em favor dos sócios, eis que se caracterizam como prólabore indireto; ademais, constatouse a existência de várias transferências bancárias e depósitos destinados aos sócios e familiares, em relação aos quais a Contribuinte alega tratarse de crédito da empresa junto aos sócios, porém não juntou qualquer documento que comprovasse o empréstimo alegado; não tendo se desincumbido do ônus probatório que lhe cabia, correta está a tributação dos repasses efetuados, que também se caracterizam como prólabore; a esse respeito, cabe destacar que a contabilidade só faz prova a favor do contribuinte desde que fundamentada em documentação idônea (outros subsídios) nos termos do art. 226, do Código Civil; todo o lançamento deve estar lastreado na causalidade, de sorte que os registros existentes em contabilidade pressupõem uma fonte formal de sua origem; é a finalidade contábil do controle das mutações patrimoniais que assim determina; no caso concreto, o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que corroborasse a alegação de que os repasses decorreriam da contratação de empréstimo dos sócios junto à empresa; concluise, nesse contexto, que em verdade as operações realizadas objetivaram o pagamento de remuneração disfarçada na forma de contrato de mútuo, sujeitandose, portanto, à tributação; de todo o exposto, resta claro que os valores pagos e/ou creditados aos sócios gerentes da sociedade, efetivados por meio de pagamentos diretos ou indiretos na forma de despesas particulares caracterizamse como prólabore e, nessa condição, sujeitamse à incidência de Contribuições Previdenciárias. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 352 6 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restabelecendose a integralidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 16/10/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 284), a Contribuinte, em 23/10/2017, ofereceu as Contrarrazões de efls. 317 a 324 e interpôs o Recurso Especial de efls. 287 a 297. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: Falta de indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente a Recorrente limitouse a rediscutir a matéria, sem demonstrar a legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente, assim não se pode cogitar do conhecimento do apelo, em vista do não atendimento a um dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial. Imprestabilidade do acórdão paradigma os acórdãos confrontados estão delineados por premissas fáticas distintas, pelo que não se vislumbra a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional; no caso em tela é evidente a falta de similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido e o conhecimento e eventual provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional consistirá em desvio da finalidade da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não pode ser admitido; conforme registrado pelo acórdão recorrido os valores objeto de autuação não transitaram em conta de despesa e “tem liquidações parciais no curto prazo”; o que evidencia que a decisão atingida passou antes pela análise minuciosa do balanço da empresa, tanto que comprovouse o “registro de valores a receber dos sócios”, a “obrigação da empresa para com os mesmos sócios” e “liquidações parciais no curto prazo (vide razão contábil fls 879 a 883); por seu turno, os acórdãos trazidos pela recorrente como paradigmas deixam consignado que os valores autuados foram classificados como empréstimos e não houve comprovação de sua quitação; além disso, nos casos dados como paradigmáticos, restou evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios, ao contrário do caso ora recorrido, em que foram constatadas liquidações parciais, ou seja, situações fáticas distintas. Do Mérito para repetir, se analisadas as contas contábeis apontadas, se chegará à conclusão de que não se referem os referidos pagamentos a prólabore, na medida em que contabilizados em contas diversas; e não se referem a prólabore, porquanto os sócios, apesar de nos termos do contrato social terem opção da sua retirada, efetivamente, e de comum acordo, nunca exerceram tal opção no exercício fiscalizado; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 353 7 nesse sentido fala mais alto o balanço, que não indica qualquer pagamento de prólabore e, longe do que afirmou a decisão recorrida, faz prova inconteste disso; tais numerários, conforme reconhecido pelo acórdão recorrido, não transitaram pelo resultado do exercício, nem em conta de despesa, sendo integralmente registrados em conta patrimonial, como parte do ativo circulante realizável a curto prazo; portanto, em nada se relacionam com prólabore e não podem ser considerados base de calculo das contribuições sociais devidas. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 17/11/2017 (efls. 329 a 335), admitindose a rediscussão da decadência. Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: a decisão recorrida entendeu de analisar o instituto da decadência sob o comando do art. 173, I do CTN, vez que, segundo ali apontado, “não houve recolhimento para os fatos geradores discutidos”, ou seja, para as contribuições lançadas no Auto de Infração; daí concluiu que não foi efetuada “qualquer antecipação”; já as decisões paradigmáticas entenderam pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da rubrica exigida no auto de infração, ou seja, o pagamento, ainda que sob outra rubrica, caracteriza a antecipação de pagamento, ao abrigo da Súmula CSRF 99; conforme se comprova da corrente vencida, a recorrente efetivamente realizou recolhimentos de Contribuição Social no período sob discussão, ainda que em outra rubrica, motivo pelo qual não se pode falar em falta de recolhimento: “A DRJ, todavia, ao julgar a defesa administrativa da Recorrente, entendeu aplicável ao caso a regra disposta no art. 173, I, do CTN, que determina a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Neste sentido, negligenciou a DRJ/SP ao deixar de considerar o fato de ter a Recorrente realizado pagamento a menor de contribuições previdenciárias no período fiscalizado. Vale dizer, neste ponto, que os recolhimentos realizados restaram inclusive comprovados mediante GPS apresentadas pela Recorrente às fls. 195/199. Destarte, considerando o que preleciona a legislação vigente e a jurisprudência sobre o tema, necessário o reconhecimento da decadência dos créditos previdenciários referentes ao período de 01/2004 a 05/2004.” (destaques da Contribuinte) considerando que somente em 02/06/2009 foi cientificada a lavratura do Auto de Infração, é de se reconhecer que já haviam transcorrido mais de cinco anos para a constituição do crédito tributário relativamente aos meses de janeiro a maio de 2004, pelo que se impõe a extinção do crédito tributário, tanto no que tange ao suposto pagamento de pró labore, como também em relação ao pagamento de autônomos. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 354 8 Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reconhecendose a decadência do período de janeiro a maio de 2004. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 14/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.071 do processo principal), a Fazenda Nacional ofereceu, em 19/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de e fls. 1.083 do processo principal), as Contrarrazões de efls. 336 a 346, com os seguintes argumentos: no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento; aliás, a Contribuinte sequer entendia cabível exigir as contribuições ora lançadas; é por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN, em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva; ressaltese que não há que se falar em recolhimento das Contribuições Previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, este raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se a Contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos geradores; no caso em apreço, os valores lançados não foram reconhecidos pela Contribuinte, e tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 355 9 O presente processo cuida do Debcad 37.230.5563, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, não retidas e nem recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009 (fls. 07) Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de Infração dizem respeito aos levantamentos realizados a título de AUT (Autônomos) e PLB (Pagamento de Pró Labore), uma vez que verificada a retirada de valores pelos sócios da sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das Contribuições Previdenciárias. As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram transferidas para o Debcad 37.273.6149 (processo nº 16151.000466/201000) em face de adesão a parcelamento, de sorte que a respectiva exigência tornouse definitiva. Assim, remanescem em litígio a decadência relativa aos períodos de 01 a 05/2004 e, no mérito, os levantamentos PLB (Pagamento de Pró Labore). Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este suscita duas matérias, a saber: preliminar de preclusão, tendo em vista alteração dos argumentos de defesa após a impugnação; e pagamento de prólabore indireto. A primeira matéria resta clara no Recurso Especial, conforme se depreende do seguinte trecho: "Anotese que, em atenção à norma regimental, serão apresentados, quanto a cada matéria objeto de insurgência, até duas ementas para a caracterização do dissídio. As razões abaixo elencadas servirão, a um só tempo, para alicerçar a admissibilidade recursal e para fundamentar as razões para modificação do julgado ora recorrido. (...) Em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada prólabore. Juntou aos autos cópia do Livro Razão Analítico, conta LUCROS ACUMULADOS, na tentativa de demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiamse, em sua grande maioria, aos anos anteriores. Todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que a documentação juntada pelo contribuinte não fez prova de suas alegação, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados. O contribuinte, então, por ocasião da interposição do recurso voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os numerários foram lançados em Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 356 10 contas do ativo, como valores a receber dos sócios, não podendo ser considerados como retirada de prólabore. Tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, o qual concluiu que para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como prólabore é 'necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração'. Todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma. A um em face da preclusão. A dois porque o lançamento de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza de prólabore dos valores contabilizados, mormente quando a escrituração fiscal não é acompanhada de documentação que comprove o alegado. Inicialmente, cumpre destacar que não é dado ao contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do recurso voluntário. Com efeito, é sabido que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é que determinam os limites do litígio, ou seja, matérias não impugnadas tornamse definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser levadas ao Conselho. Logo, a rigor, a argumentação expendida pelo contribuinte em sede de recurso voluntário, que diverge totalmente daquela exposta por ocasião da impugnação, não poderia ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo. Todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observase que a tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o condão de afastar a tributação." Entretanto, compulsandose o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 1.007 a 1.011), constatase que essa matéria não foi objeto de exame. No que tange à segunda matéria suscitada pela Fazenda Nacional pagamento de prólabore indireto em sede de Contrarrazões a Contribuinte suscita o não conhecimento do Recurso Especial, alegando, em síntese: falta de indicação, no Recurso Especial, do dispositivo legal objeto de interpretação divergente; imprestabilidade dos acórdãos paradigmas, que não guardariam similitude fática com o acórdão recorrido. Quanto ao segundo ponto, a Contribuinte argumenta que no acórdão recorrido os valores objeto da autuação não transitaram em conta de despesa e haveria liquidações parciais no curto prazo, o que evidenciaria a análise minuciosa do balanço da empresa, tanto que comprovouse o registro de valores a receber dos sócios, a obrigação da empresa para com os mesmos sócios e liquidações parciais no curto prazo (razão contábil às fls 879 a 883). Os acórdãos paradigmas, por sua vez, teriam consignado que os valores autuados foram classificados como empréstimos e não houve comprovação de sua quitação, restando evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 357 11 No que tange a esta segunda matéria, importa salientar que, no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, somente foi analisado o segundo paradigma, Acórdão nº 240102.544, desprezandose o primeiro, Acórdão nº 2403002.120. Assim, para que as partes não sejam prejudicadas, e no sentido de respeito ao devido processo legal e à ampla defesa, voto por converter o julgamento em diligência à Câmara a quo, para complemento do exame de admissibilidade, no que tange à primeira matéria preclusão bem como quanto ao primeiro paradigma indicado para a segunda matéria Acórdão nº 2403002.120. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720410/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário.
DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF
Numero da decisão: 2402-006.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Maurício Nogueira Righetti - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente HERMELINO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário. DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 04 10 /2 01 1- 84 Fl. 115DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0359.871, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls.2631), referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$16.764,28, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$63.626,56. • pagamento de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Apresentou Nota Fiscal de Prestação de Serviços. Este estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 7.200,00 para MARIZA HELENA AGOSTINI FONTANA. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Os recibos não trazem o endereço; • Declarou despesas médicas no valor de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O comprovante anual tem o valor de R$ 8.249,34. Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 116 3 • Declarou despesas médicas no valor de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou comprovantes. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Pagou as despesas médicas aos profissionais e à Clínica Sante, na época própria e conforme manda a legislação vigente. Para a Clínica Sante, solicitou a emissão de Nota Fiscal. Todos os pagamentos feitos a Celso Carvalho Ferrari e para a Clínica Sante foram através de cheques. Aos outros profissionais, o pagamento foi feito em dinheiro. Quanto ao fato de o agente fiscal solicitar documentos que comprovem o tratamento, está aguardando os profissionais enviarem a ficha dentária e os prontuários médicos. Não encontrou nenhum artigo ou § que proíba o pagamento em dinheiro e nada que o obrigue a efetuar pagamentos em cheques nominais e guardar cópias. Está indignado pelo motivo de ter que apresentar mais provas, além das que já apresentou. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, tendo concluído, em síntese, que não atestado de forma hábil e idônea o gasto realizado, isto é, não demonstrada inequivocamente a efetiva transferência de recursos, há que manter a glosa. Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 81/83, por meio do qual reitera o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 117 5 Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No caso em análise, vários recibos tiveram a sua glosa motivada por não estar presente no respectivo documento a indicação do beneficiário do serviço. Fl. 119DF CARF MF 6 O exame da documentação acostada pelo recorrente revela em que, com exceção apenas do recebido emitido por Cecília Afonso Ferreira, no valor de R$ 420,00, todos os outros constam, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, o Sr. Hermelino de Oliveira, o recorrente. Não trilha bom caminho a intepretação – aparentemente adotada pela fiscalização e corroborada pelo órgão julgador de piso segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa do paciente. Assim, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Neste sentido, temse entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013, cuja ementa se reproduz abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Outro ponto a ser analisado, diz respeito à aceitação dos recibos apresentados como meio de prova do efetivo pagamentos das despesas médicas, cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. É fato, conforme a ciência processual já há muito firmou, que recibos são instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, não se consubstanciando em prova inequívoca da realização de um pagamento. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 118 7 Apesar disso, devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de elementos adicionais para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. O acórdão atacado não vislumbrou vícios de forma nos recibos trazidos. Ao contrário, as razões que o julgador de primeiro grau pretendeu trazer, com o devido respeito, não restaram suficientemente claras para infirmar o valor probatório dos recibos apresentados. Vale observar, ainda, que o entendimento que aqui se partilha é o de que é perfeitamente possível que a autoridade julgadora busque, com respaldo nas normas acima mencionadas, elementos adicionais para a formação de sua convicção, porém a decisão que exsurge da análise dessas provas deve ser devida e coerentemente fundamentada, forte no dever geral de motivação das decisões e da proteção à boafé do contribuinte. Neste contexto, passase ao exame de cada uma das glosas de forma individualizada: Ø Despesas de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Motivo da Glosa: * O estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. O estabelecimento não se enquadra nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde; * A Nota Fiscal de Prestação de Serviços número 00000103 de 10/11/2006 tem descrição dos serviços feita de forma genérica como SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS AO PACIENTE HERMELINO DE OLIVEIRA. Não existe especificação do serviço prestado, qual o valor de diárias, o que consumiu, entre outros. Com vistas a comprovar o seu direito à dedução do montante em análise, o contribuinte trouxe aos autos: (i) nota fiscal eletrônica de serviços emitida pela SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA, no valor de R$ 46.000,00, com a seguinte discriminação dos serviços: “serviços médicos prestados ao paciente Hermelino de Oliveira” – fls. 5 e 34; (ii) ficha médica; (iii) relatório de enfermagem; (iv) relatório de medicamentos aplicados; (v) avaliação pré operatório; e (vi) termo de consentimento – fls. 35 a 57. Fl. 121DF CARF MF 8 Ademais, no corpo do recurso voluntário apresentado, esclareceu o recorrente que o estabelecimento SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA possui, em seu Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, CNAEs secundários (fl. 90), conforme abaixo detalhado: Entendo, assim, que restou devidamente comprovada a realização da despesa em análise, impondose o restabelecimento da respectiva dedução. Ø Despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. Motivo da Glosa: * O recibo apresentado tem descrição genérica como tratamento odontológico e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99. Ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos autos recibo do prestador de serviços contendo o nome, o CPF e o endereço deste (fl. 6). À fl. 64, junta novamente o referido recibo, com a cópia da ficha dentária / orçamento emitido pelo mesmo prestador. Inexistindo, pois, vícios formais no recibo apresentado pelo recorrente, impõese o restabelecimento da respectiva dedução. Ø Despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO Motivo da Glosa: * O recibo apresentado tem a descrição genérica como TRAT ODONTOLOGICO e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99 Tal como em relação ao caso precedente, ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos autos (fl. 7 e 85) recibo do prestador de serviço com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 119 9 Assim, inexistindo vício formal no documento apresentado, impõese o restabelecimento da dedução glosada pela fiscalização. Ø Despesas de R$ 7.200,00 para MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA. Motivo da Glosa: * O recibo apresentado não esclarece quem foi o paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99. Correta a fiscalização neste particular. O contribuinte apresentou diversos recibos emitidos por Marisa Helena A. Fontana, no valor total de R$ 7.200,00, os quais, entretanto, não atendem integralmente aos requisitos legais, na medida em que não trazem o endereço do beneficiário. Registrese, pela sua importância, que a ausência do endereço foi um dos motivos aduzidos pela fiscalização para promover a glosa dos respectivos valores. Assim, o contribuinte poderia ter sanado essa lacuna com a apresentação da impugnação ou, até mesmo, do recurso voluntário em análise, mas não o fez. Procedente a glosa neste particular. Ø Despesas de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O comprovante anual tem o valor de R$ 8.249,34. Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56 No que tange à glosa em voga, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário, reconhece a procedência desta. Ø Despesas de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA Motivo da Glosa: * Declarou despesas médicas no valor de R$ 420,00 para CECILIA AFONSO FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou os comprovantes. Razão não assiste à fiscalização e, por conseguinte, ao órgão julgador de primeira instância que corroborou o entendimento daquela. De fato, o contribuinte logrou trazer aos autos recibo emitido pelo prestador de serviço contendo todos os requisitos exigidos pela legislação de regência da matéria. Registrese, pela sua importância, que, no recibo em análise, consta como pagador (tomador do serviço, conforme entendimento exposto linhas acima), a Sra. Betânia Binnoto de Oliveira, a qual consta como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 123DF CARF MF 10 Assim, considerando que as despesas médicas relativas ao tratamento de dependentes, nos termos da legislação supra transcrita, podem ser levadas à dedução e que o recibo apresentado não contém vícios formais, impõese o afastamento da glosa em questão. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas comprovadas pelo contribuinte por meio dos respectivos recibos nos termos acima descritos, no montante de R$ 54.740,00 (cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta reais), conforme abaixo demonstrado: Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado (R$) SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA 46.000,00 CELSO CARVALHO FERRARI 5.720,00 RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO 2.600,00 CECILIA AFONSO FERREIRA 420,00 54.740,00 GLOSAS AFASTADAS Por conseguinte, ficam mantidas as seguintes glosas: Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado (R$) MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA 7.200,00 VERA CRUZ ASSOCIACAO DE SAUDE 1.736,56 8.936,56 GLOSAS MANTIDAS É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Em que pese as muito bem articuladas fundamentação e conclusão do voto condutor, delas ouso discordar. O ponto de discordância resumese, podese assim dizer, à necessidade de o contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função das despesas com profissionais da área médica, de que pretendeu se valer por meio de recibos apresentados à Fiscalização. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 120 11 Faço registrar as considerações promovidas pela autoridade autuante. Confirase: A base legal para dedução de despesas dessa natureza é a alínea "a" do inciso II do artigo 8º da Lei 9.250/95, que assim estabelece: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaquei) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 125DF CARF MF 12 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Vejase, não basta que tenha havido a despesa. É imprescindível que tenha sido efetivamente PAGA pelo contribuinte. De Início, a despesa reputase comprovada por meio da indicação do nome, endereço e nº do CPF de quem recebeu o pagamento, sendo que, por outro lado, a comprovação do efetivo pagamento não se dá, por óbvio e necessariamente, por meio dessa mera indicação. Da leitura do dispositivo encimado, inferese que não basta que haja um pagamento a determinada pessoa, há de se comprovar a natureza da despesas e/ou motivo que deu azo a tal pagamento; da mesma forma, não basta que haja a despesa descrita e evidenciada por meio da indicação do nome, endereço e CPF do profissional que prestou o serviço, há de se comprovar seu efetivo pagamento por parte do contribuinte. Assim, penso que há de se comprovar, quando intimado, o pagamento de despesas dessa natureza, aí entendida a transferência do numerário pelo contribuinte àquele que teria prestado o serviço cuja despesa é dedutível para fins de apuração do IR, sobretudo quando o Fisco, a seu juízo, evidencia a necessidade de que assim seja feito, em função, por exemplo, da ocupação do contribuinte (em regra, profissionais liberais), valores envolvidos (em geral, abaixo do limite de isenção por emitente dos recibos), expressividade das despesas médicas em comparação aos rendimentos tributáveis declarados, tipo das despesas médicas envolvidas (a rigor, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, via de regra não cobertos por planos de saúde), dentre outros. Não é por outro motivo que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 estabelece que "todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora". Nessa linha, cumpre destacar as observações promovidas pelo acórdão vergastado, no que toca à despesa com a Sante Assistência Médica Ltda, cuja nota fiscal daria conta de seu pagamento em cheque, e à comprovação do efetivo pagamento daquelas despesas, ainda que referidos pagamentos tivessem se dado em espécie. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 121 13 Assim sendo, uma vez não atendida a intimação, no sentido de que fosse comprovado o desembolso para pagamento das despesas com aqueles profissionais, tenho que a manutenção do lançamento é um imperativo. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 127DF CARF MF
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