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Numero do processo: 16561.720069/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
NULIDADE. DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte.
AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN.
Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração.
Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento.
Numero da decisão: 1401-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico da respectiva decisão. Restou prejudicada a análise do Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico da respectiva decisão. Restou prejudicada a análise do Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 69 /2 01 6- 11 Fl. 3762DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, que manteve parcialmente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração lavrado em face de CAMARGO CORRÊA S.A. para (a) CONSIDERAR PROCEDENTE EM PARTE a impugnação ora em exame, (a.1) afastando a hipótese de dolo e (a.2) excluindo da base de cálculo o anocalendário de 2010, por decaído o direito da Fazenda da União ao respectivo lançamento e, por conseguinte, reduzir o valor do IRPJ a R$ 28.531.887,18 e o da CSLL a 10.280.119,38, ambos sujeitos ao acréscimo de juros moratórios, de multa por lançamento de ofício no percentual de 75% e à multa exigida isoladamente no percentual de 50%; e (b) por AFASTAR A RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA de VITOR SARQUIS HALLACK, LUIS ROBERTO ORTIZ NASCIMENTO, ALBRECHT CURT REUTER DOMENECH, JOSÉ EDISON BARROS FRANCO e JOSÉ ALBERTO DINIS DE OLIVEIRA, qualificados nos autos. Conforme elementos dos autos, contra a sociedade acima qualificada foi lavrado Auto de Infração que lhe exige o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e, em decorrência, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no montante decR$ 209.767.734,58. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os fatos constatados pela fiscalização foram os seguintes: O procedimento fiscal teve início em 15/06/2015 (fls. 2 a 4 do processo), mediante o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 0818500201500136 8, que determinou a verificação da legalidade da amortização de ágio pela fiscalizada, na aquisição da empresa “Átila Holdings S/A”. O citado benefício teria sido utilizado pela empresa para redução do lucro real nos ACs 2011, 2012 e 2013. [...] Para facilitar a intelecção das operações, listamse abaixo as sociedades envolvidas nas reorganizações societárias: a) Camargo Correa S/A (CCSA), CNPJ: 01.098.905/000109, empresa ora fiscalizada. Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.763 3 b) Átila Holdings (ÁTILA), CNPJ: 07.305.671/000100, empresa adquirida pelo grupo CAMARGO CORREA. c) VBC Participações S/A (VBC PARTICIPAÇÕES), CNPJ: 01.928.820/000100 ,empresa que inicialmente era controlada por três grupos: VOTORANTIM, BRADESCO e CAMARGO CORREA. Daí o nome da empresa ter sido constituído pela inicial de cada um dos grupos. d) VBC Energia S/A (VBC ENERGIA), CNPJ: 00.095.147/000102, outra energia inicialmente controlada pelos três grupos citados. e) CPFL Energia S/A (CPFL), CNPJ: 02.429.144/000193, empresa holding que, por meio de suas subsidiárias, distribui, gera e comercializa energia elétrica no Brasil. Nas reorganizações societárias analisadas, suas ações foram comercializadas entre empresas dos grupos CAMARGO CORREA, VOTORANTIM e BRADESCO. f) Votorantim Investimentos Industriais S/A. (VOTORANTIM), CNPJ nº 03.407.049/0001 51, empresa do grupo VOTORANTIM, que assim como a CCSA, teve participação de caráter administrativo nas transações aqui analisadas (controladora). g) Camargo Correa Energia S/A (CCE), CNPJ: 04.922.357/000188, empresa do grupo CAMARGO CORREA, controlada pela CCSA e controladora das empresas VBC. h) Votorantim Energia Ltda (VOTORANTIM ENERGIA), CNPJ: 01.310.772/000192, empresa do grupo VOTORANTIM, controlada pela VOTORANTIM, inicialmente controladora das empresas VBC. i) Bradespar S/A (BRADESPAR), CNPJ: 03.847.461/000192, empresa do grupo BRADESCO que teve participação de caráter administrativo nas transações aqui analisadas (controladora). j) Antares Holdings S/A (ANTARES), CNPJ: 07.341926/000190, empresa holding, inicialmente do grupo BRADESCO, controlada pela BRADESPAR e controladora das empresas VBC. k) Brumado Holdings S/A (BRUMADO), CNPJ: 08.397.763/000120, empresa holding, inicialmente controlada pelas empresas CCSA e VOTORANTIM (50% de participação de cada uma). l) AMKS Contadores e Consultores Ltda. (AMKS), CNPJ: 66.056.086/0001 82, empresa de auditoria envolvida nas operações. 2. 2. DA ANÁLISE INICIAL Inicialmente, esta Fiscalização baseouse no Relatório de Análise Fiscal para verificação de ágio surgido em aquisição da empresa ÁTILA pelo grupo CAMARGO CORREA. Em breve resumo, o citado relatório indicava a amortização de ágio efetuada pela fiscalizada CCSA ocorrida em 2010, 2011, 2012 e 2013, nos respectivos valores de R$ 73.425.210,96, R$ 73.425.210,96 e 94.503.992,16, respectivamente. E que estes ágios teriam surgido quando da aquisição da ÁTILA, em janeiro de 2009. No entanto, ainda segundo a préanálise efetuada, não teria sido encontrada nenhuma reorganização societária que permitisse a amortização fiscal deste ágio pago Fl. 3764DF CARF MF 4 Junto à fiscalizada, pudemos obter os organogramas a seguir (“Item 6” dos “Arquivos Recibo SVA 17072015” à fl. 248 do processo), ilustrando a reorganização societária em pauta, a primeira referente à situação em Dez/2008 (antes da aquisição) e a segunda, em Jun/2009 (após a aquisição): Segundo os diagramas, houve uma simples aquisição da empresa ÁTILA, com o pagamento de ágio. Esclareceuse também que a empresa não foi adquirida somente pela CCSA, mas também pela “Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.”(CCCC), ambas compradoras, tendo como vendedora a empresa “Votorantim Participações S.A.” (“Item 08” dos “Arquivos Recibo SVA 17072015” à fl. 248 do processo). O valor da empresa era, segundo os dados apresentados (planilha “Aquisição da Átila 1” na pasta “Item 08” dos “Arquivos Recibo SVA 17072015” à fl. 248 do processo), em 31/01/2009, igual a R$ 1.824.760.156,95 (= R$ 1.758.614.000,00 de capital social + R$ 66.146.156,95 de reservas de lucros). A parte comprada pela CCSA correspondia a 61,093% da empresa. Assim, o valor do patrimônio adquirido pela fiscalizada resultou em 61,093% * R$ 1.824.760.156,95 = R$ 1.114.807.971,18. Como o montante líquido pago pela CCSA pela aquisição da ÁTILA foi igual a R$ 1.642.796.932,25, isto gerou um ágio no valor de R$ 527.988.961,07. Prosseguindo, a empresa foi intimada a apresentar as aberturas dos ágios amortizados nos ACs 2011, 2012 e 2013, bem como a base jurídica utilizada para proceder a estas amortizações. Em sua resposta, a fiscalizada esclareceu que (“Item 04” dos “Arquivos do Recibo SVA 10092015” à fl. 257 do processo): “Intimação CCSA 08185002015001368 (Termo 2) Item 4 – Base jurídica utilizada para as amortizações de ágio dos ACs 2011, 2012 e 2013. O ágio reconhecido na Camargo Corrêa S.A., no montante de R$440.551.265,76, relacionado à empresa Átila Holdings S.A., apresentados na resposta 1, 2 e 3 da referida intimação como “Amortização Ágio Átila”, teve sua amortização iniciada em janeiro de 2008, por conta da incorporação da empresa Átila Holdings S.A. pela investidora Camargo Corrêa S.A., ocorrida em 26 de dezembro de 2007. Já os ágios apresentados como “Amortização Ágio Átila 2” e “Amortização Ágio VBC” são amortizados, para fins de atendimento à legislação societária, com base na Lei 11.638/07, art. 5º, que incluiu o art. 10A à Lei 6.385/76 (grifos nossos)” Dos esclarecimentos acima, concluiuse que havia outro ágio sendo amortizado, que não era o de R$ 527 milhões gerado na aquisição da empresa ÁTILA. Este outro ágio no valor de R$ 440 milhões havia surgido antes de dezembro de 2007, quando foi iniciada sua amortização. No entanto, segundo a empresa, esta amortização teria sido iniciada em função da incorporação da empresa “Átila Holdings S/A” pela investidora “Camargo Correa S/A”, o que causou certa incompreensão, a princípio. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.764 5 Neste ponto, o trabalho de Fiscalização foi ampliado, de modo a poder obter maiores detalhes também acerca das amortizações deste segundo ágio. Verificouse, portanto, que havia um ágio de R$ 440 milhões sendo amortizado pela empresa, denominado pela mesma de “ÁGIO ÁTILA” e ainda um outro de R$ 527 milhões, também sendo amortizado, denominado de “ÁGIO ÁTILA 2”. No relatório DRJ, a acusação fiscal foi bem resumida nos seguintes termos: O Autor do feito, com auxílio de organogramas apresentados pela interessada (fls. 1846, 1847 e 1.858 a 1861), esclarece que três grandes conglomerados empresariais – CAMARGO CORRÊA, a interessada, VOTORANTIM e BRADESCO – realizaram, por meio de sociedades holding, investimentos em companhias tais como CPFL ENERGIA S.A e VBC ENERGIA S.A. (onde “V” corresponde a VOTORANTIM, “B” a BRADESCO e “C” a CAMARGO CORRÊA). Para tanto, de acordo com tais organogramas num momento inicial VOTORANTIM e a interessada detinham partes iguais do capital de BRUMADO HOLDINGS S.A., ao passo que BRADESCO, por meio de sua subsidiária BRADESPAR, possuía a integridade das ações de ANTARES HOLDINGS S.A., a qual, por sua vez, era proprietária de todo o capital de ÁTILA HOLDINGS S.A. Em 15 de dezembro de 2006, os grupos VOTORANTIM e CAMARGO CORRÊA, de um lado, e BRADESCO, de outro, acordaram permutar entre si os controles acionários das sociedades ÁTILA HOLDINGS S.A e BRUMADO HOLDINGS S.A; posteriormente, ÁTILA HOLDINGS S.A foi cindida parcialmente, vertendose metade de seu patrimônio à interessada, o que deu origem ao ágio ora em exame. Acrescenta o Autor do feito que intimou a interessada a apresentar o laudo que embasou “o surgimento do ágio em questão [...] fiscalizada (laudo às fls. 477 a 484)”, recebendo, como resposta: “O laudo da empresa CPFL Energia S/A foi preparado com a finalidade de se apurar o valor justo das ações da CPFL Energia S/A no âmbito da permuta das ações entre a Camargo Correa S/A e a Antares Holdings S/A. No capítulo 6 do referido laudo, é determinado que o valor justo das ações da CPFL Energia S/A está entre R$ 32,78 e R$ 35,80.” “A empresa Brumado Holdings S/A, detentora de 28.420.052 ações da CPFL Energia S/A, apresentava, em seu balanço levantado em 15 de dezembro de 2006, balanço este que serviu de base para a permuta, um investimento na CPFL Energia S/A de R$ 980.491.792,00, equivalente a R$ 34,50 por ação.“ O Autor, ao examinar a documentação pertinente, no que toca “às ações da BRUMADO”, constatou o seguinte: [...] Como visto anteriormente, esta continha ações da empresa CPFL. Ao analisar o laudo de avaliação desta última, elaborado pelo Banco Pactual S/A, em 31 de outubro de 2006, no qual foram baseados seus valores das ações (fls. 477 a 484), esta Fiscalização se deparou com uma notória inconsistência. Os valores de patrimônio líquido da empresa CPFL, em 30/06/2006, segundo as demonstrações financeiras (página 8 do laudo), eram, respectivamente, iguais a R$ 4.796.072.000,00 e R$ 4.734.790.000,00. Tendo em vista que o capital social da empresa era composto por 479.756.730 ações (página 27 do laudo), calculouse que Fl. 3766DF CARF MF 6 o valor de cada ação aproximado girava em torno de R$ 9,87 por ação e não 34,50 por ação, conforme esclareceu a empresa, em sua resposta. Observa que o “valor justo por ação, conforme consta do relatório foi obtido pela metodologia do Fluxo de Caixa Descontado” e diz causarlhe espécie [...] que o valor das ações constantes na contabilidade da BRUMADO tivesse sido lançado com os valores justos das mesmas e não com os valores presentes de mercado, já que nas primeiras estariam fatores não materializados no momento presente, mas que representavam potencial de materialização no futuro. Em diligência junto a BRUMADO HOLDINGS S.A., teve acesso a Ata de Assembléia Geral Extraordinária datada de 6 de dezembro de 2006, que registrava a subscrição de ações “pelas empresas CCSA e VOTORANTIM, antes da operação de permuta, que foi realizada em 15/12/2006”, cabendo a cada uma das subscritoras “13.581.069 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal da CPFL, no valor de R$ 468.546.880,00”. A mesma Ata registrava que [...] teriam sido aprovados os Laudos de Avaliação elaborados pela empresa “AMKS Contadores e Consultores Ltda.”, na data de 27 de novembro de 2006, que procedeu à avaliação do valor patrimonial contábil das ações conferidas ao capital social por seus acionistas. Intimada neste sentido, a interessada apresentou cópia do contrato de compra e venda das ações de BRUMADO HOLDINGS S.A., em que VBC PARTICIPAÇÕES S.A., empresa coligada, figurava como vendedora. Recorda o Autor do feito que, destarte, A VBC PARTICIPAÇÕES [...] era a vendedora das ações da CPFL à CCSA, ações estas que foram integralizadas na BRUMADO e que foram posteriormente permutadas com o grupo BRADESCO. Assinala também que lhe foi entregue “Ordem de Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora da Bolsa de Valores” preenchido, mas sem qualquer assinatura, nem autenticação (fl. 536), bem como cópia da “Declaração de Imposto de Responsabilidade do Alienante na Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos Negociados Fora da Bolsa de Valores”, com preenchimento incompleto e também sem assinatura ou autenticação (fl. 537). A interessada recebeu nova intimação “a apresentar cópias válidas destes documentos citados (fls. 547 a 550), mas ela não logrou fazêlo, alegando que não tinha os mesmos assinados e autenticados (fls. 631 e 632)”. Tais documentos tampouco foram obtidos junto a VOTORANTIM INVESTIMENTOS INDUSTRIAIS S.A., tendo esta última ressaltado que “a obrigação de manter o registro de acionistas e de transferência de ações é da própria companhia emissora”. Prosseguindo, o Autor do feito adverte que a companhia VBC PARTICIPAÇÕES S.A., em 28 de novembro de 2006, [...], apenas alguns dias após a venda das ações à CCSA e à VOTORANTIM, que ocorreu em 16/11/2006, [...] foi dividida em três partes iguais, cada uma das partes tendo sido absorvida pelas empresas “Camargo Correa Energia S/A”, “Votorantim Energia Ltda.” e “Antares Holdings Ltda.”(33,33% para cada empresa). Segundo a mesma ata supracitada [...], ficou determinado que “a guarda e a conservação dos livros e documentos da VBCP caberá ao Diretor Financeiro de sua controlada, VBC Energia S/A [...]. A Autoridade Fazendária tece as seguintes considerações a respeito do laudo emitido por AMKS CONTADORES E CONSULTORES LTDA.: Do exposto no último parágrafo, podese verificar que a empresa auditora teria baseado sua análise: a) em registros contábeis da CCSA, que foram lançados pelaempresa, registros estes que, por sua vez, teriam tido o endosso do próprio laudo da AMKS; assim aqui terseia criado um círculo vicioso inócuo; b) no registro Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.765 7 escritural que a empresa alega ter apresentado em sua resposta, registro este que, segundo a empresa, seria uma relação das transferências de ações integralizadas efetuadas em 24/11/2006 e que, conforme visto antes, não continham os valores das ações, somente as quantidades transferidas, sem qualquer autenticação ou validação e c) no contrato de compra e venda de ações, elaborado entre as empresas coligadas VBC PARTICIPAÇÕES e CCSA, e que, neste ponto, em virtude de todas as ocorrências encontradas ao longo deste procedimento fiscal, passou a levantar suspeitas de estar maculado. Conclui o Autor do feito pela inexistência de prova da efetividade dos [...] valores das ações transacionadas entre a empresa VBC PARTICIPAÇÕES a suas coligadas CCSA e VOTORANTIM, seja quanto aos registros de transferência destas ações, seja quanto ao recolhimento dos impostos referentes ao ganho de capital auferido na operação. Cumpre observar que, no caso em epígrafe, a VBC PARTICIPAÇOES necessariamente “teria auferido ganho de capital”, tendo em vista que o valor das ações negociado teria superado, em muito, o valor presente das mesmas, conforme já anteriormente exposto. Observa também: E há aqui um outro ponto a ser considerado: por que pagar mais caro por ações que praticamente já seriam, de certa forma, da empresa? Se observarmos o organograma do dia 16/11/06, data de venda das ações da VBC PARTICIPAÇÕES a CCSA [...], podemos verificar que a CCSA controlava a CCE que, por sua vez, detinha participação de 33,33% na VBC PARTICIPAÇÕES. Como não houve pagamento de valores, tal operação poderia ensejar a criação de “ágio intragrupo”, a partir da supervalorização no valor das ações adquiridas e posterior operação de permuta com ações de menor valor, nos termos dos fatos aqui analisados. Menciona o artigo 386 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – RIR/1999) e observa: [...] para gozar da dedutibilidade preconizada no artigo 386 do RIR/99, não basta a pessoa jurídica, por exemplo, simplesmente incorporar uma controlada na qual detenha participação societária com ágio. Entre as condições e requisitos previstos, deve essa pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem; deve também esse ágio ter como fundamento econômico a rentabilidade futura da controlada; o laudo que atesta esse fundamento econômico deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio; por fim, a sua amortização deverá obedecer ao mínimo de 1/60 para cada mês do período de apuração. [...] O ágio registrado pela CCSA com a aquisição da empresa ÁTILA não pode ser considerado dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. O ágio amortizado não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. O aspecto, que impede que o ágio registrado pela CCSA seja dedutível, está ligado ao fato de que não houve comprovação efetiva da origem do ágio. Como se Fl. 3768DF CARF MF 8 pode depreender de todo o exposto no tópico 2 (DO PROCEDIMENTO FISCAL) do presente relatório, o ágio teria surgido em função de uma operação de permuta de ações entre a CCSA e a BRADESPAR, após a aquisição, pela CCSA, das ações permutadas, da empresa VBC PARTICIPAÇÕES. Não foram comprovados os elevados valores pagos na aquisição destas ações, que, segundo a fiscalizada, teriam suscitado o ágio, resultante da diferença dos valores trocados. Tampouco houve pagamento efetuado, somente a operação de permuta citada. Não tendo sido comprovado que o ágio efetivamente exista, portanto, não existe base jurídica, para o gozo do benefício fiscal previsto no art. 386 do RIR/99. O Autor do feito assinala existir “um motivo autônomo que viesse a justificar a realização da operação como um todo, isto é, a saída do Bradesco do grupo VBC” e relaciona “as etapas da operação com as suas respectivas datas”: [...] a constituição da BRUMADO (17/10/06), a venda das ações da VBC PARTICIPAÇÕES à CCSA (16/11/06), a cisão total da VBC PARTICIPAÇÕES (28/11/06), a subscrição das ações adquiridas pela CCSA na BRUMADO (14/12/06), a permuta das ações com o grupo BRADESCO (15/12/06) e a cisão parcial da ÁTILA com incorporação da parte cindida pela CCSA (26/12/07) [...]. Diz que “algumas destas etapas permaneciam sem sentido, analisandoas individualmente, como a venda das ações entre coligadas, ou o súbito desaparecimento da VBC PARTICIPAÇÕES”, reiterando que, [...] praticamente, as ações que foram adquiridas pela CCSA da empresa VBC PARTICIPAÇÕES com valor superestimado, já pertenciam, de certa forma, à empresa CCSA, tendo em vista que esta controlava 100% da empresa CCE, que, por sua vez, controlava 33,33% da empresa vendedora [...]. Analisa “a operação como um todo, sem que se percam de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa de que a operação se compõe” e “que o conjunto dessas etapas realizadas corresponde a apenas uma pluralidade de meios para atingir um objetivo”, o que exige [...] “um exame abrangente [...] de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco”. Assim, no presente caso, analisando o conjunto das etapas, temos uma situação em que é como se o ágio surgido tivesse sido criado a partir de si mesmo, ou seja, teria nascido de operações entre empresas coligadas, sem a existência de qualquer pagamento ou desembolso financeiro. A premência com que as operações foram realizadas já denotava que elas faziam parte de uma sequência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando à busca de um fim determinado, pois nenhum evento externo a coagir ou exercer pressão sobre a interessada ocorreu que justificasse a velocidade com que as operações foram realizadas. [...] 3.4. DA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Inobstante a possibilidade de amortização do ágio após a ocorrência da alienação ou liquidação do investimento se caracterize como beneficio fiscal outorgado pela lei, é óbvio que o beneficio se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar a amortização de um ágio “surgido a partir de si mesmo”, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. E essa análise não há que ser Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.766 9 feita para cada negócio isoladamente, mas em relação ao conjunto de negócios encadeados, como um todo. Fixandose na natureza do método por meio do qual os fatos efetivamente ocorreram, o que encontramos? Uma operação pela qual se utilizou a fórmula de uma reorganização empresarial (saída do grupo BRADESCO do controle da VBC ENERGIA), como disfarce para se encobrir uma operação irregular, cujo resultado teria sido a realização de um plano preconcebido, e não tão somente a reorganização de uma empresa. [...] 3.5. DO ÁGIO INTRAGRUPO No contexto geral, não houve, portanto, decisão independente pela venda de ações da empresa VBC PARTICIPAÇÕES á CCSA com sobre preço patrimonial, que indicasse propósito negocial. Cumpre relembrar que foi esta venda, seguida da permuta de ações, que deu origem ao ágio aqui tratado. Registrado nessas condições, o ágio seria inadmissível contabilmente, pois não houve a formação de um preço justo dos ativos, bem como observamos grave imperfeição negocial. O surgimento de um ágio legitimamente adquirido em uma transação que tem por objeto uma participação societária pressupõe a ocorrência de uma negociação de livre iniciativa entre partes interessadas, independentes e detentoras de conhecimentos suficientes sobre o negócio em um mercado livre. Em uma transação intragrupo que tenha por objeto uma participação societária, qualquer laudo e/ou relatório utilizado para fundamentar a avaliação do investimento negociado — e consequentemente justificar o preço, nele incluído eventual ágio — será, evidentemente, avalizado por todos os envolvidos [...]. Resta justificado, dessa forma, pelo exposto, que, definitivamente, à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizadareconhecer uma antecipação se previamente à operação o comprador já era detentor do direito alegadamente adquirido. Por fim, não se nega aos agentes econômicos a possibilidade de organizar seus negócios da maneira que lhe aprouver. No caso, houve a compra de ações de empresa coligada, seguida de operação de permuta de empresas, cisão parcial da empresa adquirida e posterior incorporação da parte cindida. São, pois, duas questões distintas. A primeira diz respeito, em princípio, à liberdade de organização do ato privado. A segunda, afeita às repercussões tributárias, pelo que se situam no âmbito do ato público. No caso em tela, as características anteriormente expostas apenas corroboram a conclusão de que transações intragrupo dessa natureza são artificialmente arquitetadas e consequentemente desprovidas de propósito negocial, sendo motivadas exclusivamente pela (ilícita) dedutibilidade tributária da amortização do “ágio intragrupo”. 5. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Fl. 3770DF CARF MF 10 Como se pôde verificar do procedimento fiscalizatório como um todo [...], ocorreram algumas dificuldades para conseguir recompor os fatos de modo a proceder à recapitulação dos mesmos, principalmente no tocante à venda das ações da empresa VBC PARTICIPAÇÕES á CCSA, antes da operação de permuta. Alguns obstáculos tiveram de ser vencidos para que a Fiscalização pudesse, finalmente, compreender, com maiores detalhes, como foi efetuada a reestruturação societária em epígrafe. [...] E o que se pôde inferir de todo o exposto, é que o contribuinte buscou, de certa forma, um modo para que esta Fiscalização não pudesse chegar ao âmago dos detalhes da reorganização societária em si. Qual a razão disto? Não outra que a de tentar ocultar as inconsistências encontradas na ação fiscal, principalmente com relação à aquisição das ações pela CCSA, que conduziram ao surgimento do ágio após a permuta das empresas. Anteriormente, o Autor do feito havia ressaltado: De todo o exposto acima, pôdese concluir que, no período entre 20/12/06 a 26/12/06, foram efetuadas transações de liquidação de mútuo entre empresas do grupo CAMARGO CORREA, bem como distribuição de dividendos, que “convenientemente” vieram a zerar, de forma definitiva, o valor lançado a título da aquisição das ações da CPFL. É de se atentar que as operações foram efetuadas em curto espaço de tempo, logo após a cisão da empresa VBC PARTICIPAÇÕES. E também: De pronto, podese afirmar que a empresa não forneceu todas as informações em seus primeiros organogramas. Somente a partir das investigações e elucidações é que estes foram tomando forma. Este fato poderia ensejar, também, que a fiscalizada estaria por querer ocultar certas ocorrências. Em complemento, o Autor do feito apontou a responsabilidade solidária, com fundamento no artigo 135, III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional (CTN), das pessoas físicas de VITOR SARQUIS HALLACK, LUIS ROBERTO ORTIZ NASCIMENTO, ALBRECHT CURT REUTERDOMENECH, JOSÉ EDISON BARROS FRANCO e JOSÉ ALBERTO DINIS DE OLIVEIRA, qualificados nos autos, “diretores e conselheiros da fiscalizada”. Na oportunidade, ressaltou que, [...] na qualidade de gestores executivos, igualmente, compartilhavam do pleno domínio funcional dos fatos adstritos ao negócio societário, bem assim dos efeitos tributários que seriam decorrentes da execução do ilícito derivado de atos praticados com simulação. Tece considerações a respeito da aplicação isolada de multas e da retificação dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL. Ciente em 24 de agosto de 2016 (fl. 1.960), a interessada apresentou, em 22 de setembro de 2016 (fl. 1.998), a impugnação de fls. 1.999 a 2.071, alegando, em essência, o que segue. Em preliminar, refuta a alegação de que teria oposto obstáculos ao Autor do feito, acrescentando que “houve a apuração de ganho de capital pela VBC Participações S/A”. Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.767 11 Considera também que [...] a Autoridade Fiscal não poderia ter questionado a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu em 15/12/2006, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre (i) o fato que propiciou o seu surgimento e (ii) a ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (29/08/2016). Vale dizer, muito embora o ágio tenha sido amortizado em anos base seguintes, o fato contábilsocietário, que deu origem ao referido ágio, ocorreu no anobase de 2006, com a permuta de ações da Brumado Holdings S/A pelas ações da Átila Holdings S/A. [...] Portanto, é fato notório que o Fisco não poderia efetuar os lançamentos de ofício, em 2016, sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (fato societário que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu em 2006), para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes (amortização do ágio). Considera que os Autos de Infração seriam nulos, ao argumento de que deles só constariam “normas gerais”, ao passo que “a dedutibilidade das despesas com ágio foi regulamentada, de forma específica, pela norma veiculada pelo artigo 386, inciso III, § 2º do RIR/994”. Menciona a “Instrução Normativa RFB n° 1.687/14” (sic) e afirma que[...] o Sr. Agente Fiscal extrapolou o objeto de fiscalização previsto no TPDF n° 08.1.85.002015001368, buscando autuar tributo não compreendido no escopo do procedimento fiscal. Com efeito, o procedimento de fiscalização que deu origem aos autos de infração ora combatidos possuía como objeto de fiscalização o IRPJ referente aos anos de 2011 a 2013 [...]. Ocorre que, em nenhum momento foi autorizado que o Sr. Agente Fiscal fiscalizasse a CSLL, devendose reconhecer a nulidade do lançamento fiscal, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/726. A seguir, apresenta “uma síntese da operação efetuada pelos grupos econômicos Camargo Corrêa, Votorantim e Bradesco”, afirmando que “a Fiscalização deixou de analisar a integralidade da operação, bem como o contexto econômico e gerencial em que esta encontravase inserida”. Aduz que [...] toda a operação teve como propósito a aquisição da participação societária que o Grupo Bradesco detinha no investimento conjunto que este possuía com os grupos econômicos Camargo Corrêa e Votorantim. Ou seja, tratouse de uma efetiva operação de aquisição de participação societária realizada entre partes independentes, com fundamentado em expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Reporta que “os grupos Camargo Corrêa, Votorantim e Bradesco implementam uma estrutura de investimento comum para que pudessem investir em conjunto em empresas no setor elétrico” e, com tal propósito, “foram constituídas as sociedades VBC Participações S/A ("VBCP") e VBC Energia S/A ("VBCE")”, por cujo intermédio passouse a “investir naquele setor, em especial, na CPFL Energia Fl. 3772DF CARF MF 12 S/A (“CPFL”), empresa consolidada na distribuição, geração e comercialização de energia elétrica”. Exibe, a tal propósito, o seguinte diagrama: Informa que “VBCE emitiu [...] debêntures conversíveis em ações da VCBE e permutáveis por ações da CPFL, as quais foram integralmente subscritas pelo BNDES Participações S/A ("BNDESPAR")”. Acrescenta que, em razão “do direito de permuta assegurado ao BNDESPAR”, VBC ENERGIA S.A. obrigouse a (fl. 2.018): [...] bloquear 34.340.202 (trinta e quatro milhões, trezentos e quarenta mil e duzentas e duas) ações ordinárias de emissão da CPFL Energia S.A. de titularidade da EMISSORA através de averbação de livro próprio na forma do disposto no artigo 40, inciso II, da Lei n° 6.404, de 15/12/1976, o qual abrangerá automaticamente as ações decorrente de desdobramentos, grupamentos e bonificações relativos às ações bloqueadas. Revela que, em razão de “divergências entre a VBCE e o BNDESPAR”, este último revendeu “parte de suas debêntures [...] à VBCE, por meio do Instrumento Particular de Transação celebrado entre as partes (doc. 04)”, sendo então liberada “parte das ações da CPFL [...], remanescendo bloqueadas, contudo, 17.841.489 ações, como forma de garantir o direito de permuta conferido ao debenturista BNDESPAR”. Esclarece que, no início de 2006, [...] o Grupo Bradesco [...] decidiu abandonar o investimento conjunto até então mantido pelos três grupos econômicos, razão pela qual foi necessária a realização de uma reorganização da estrutura de investimento anteriormente instituída. Com efeito, era necessário que o Grupo Bradesco saísse do investimento com ações livres e desembaraçadas da CPFL que pudessem ser alienadas pelo grupo a terceiros. Entretanto, conforme acima mencionado, parcela das ações da CPFL detidas pela VBCE havia sido bloqueada como garantia da permuta por ações assegurada aos subscritores das debêntures (no caso, o BNDESPAR). [...] Assim, passado algum tempo discutindose qual seria a melhor forma de se implementar a saída do Bradesco, decidiuse que a estrutura consistiria, essencialmente, nos seguintes passos: (a) Transferência pela VBCE de ações ordinárias da CPFL, livres e desembaraçadas, à VBCP; (b) Alienação, pela VBCP, das ações ordinárias da CPFL, livres e desembaraçadas, à Impugnante, à Votorantim Investimentos Industriais ("Votorantim Investimentos") e à Antares Holdings Ltda. ("Antares" entidade do Grupo Bradesco); (c) Transferência, pela Impugnante e pela Votorantim Investimentos, de ações ordinárias da CPFL livres e desembaraçadas, ao Grupo Bradesco, em troca da participação correspondente às ações bloqueadas. Fl. 3773DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.768 13 [...] Em 31/08/2006 [...], ocorreu a redução do capital social da VBCE no montante de R$ 535.322.668,96, tendo sido o valor total da redução restituído aos acionistas por meio da transferência de: (i) 43.886.842 ações ordinárias da CPFL, livres e desembaraçadas; (ii) cessão do direito aos dividendos intermediários a serem distribuídos pela CPFL; e (iii) R$ 2.131,70. [...] A entrega das ações em devolução do capital se deu a valor contábil, com base no artigo 22 da Lei n° 9.249/959. Em 16/11/2006, a VBCP alienou um terço das ações ordinárias da CPFL (livres e desembaraçadas), recebidas na redução de capital da VBCE mencionada no item anterior, para cada uma as seguintes empresas: (i) Impugnante (fl. 530 dos autos); (ii) Votorantim Investimentos; e (iii) Antares: Esta etapa foi necessária para que a os grupos Camargo Corrêa e Votorantim pudessem receber ações livres, que seriam, posteriormente, transferidas ao Grupo Bradesco. [...] Ressaltese inclusive que, considerando que estas empresas faziam parte dos grupos econômicos controladores da VBCP, a venda das ações foi realizada a preço de mercado, condição necessária para afastar a Distribuição Disfarçada de Lucros DDL, nos estritos termos do que dispõe o artigo 464, incisos I e IV, do RIR/99 [...]. Desta forma, a Impugnante adquiriu 14.628.947 ações ordinárias da CPFL (fl. 530 a 535 dos autos), todas livres e desembaraçadas de qualquer ônus ou gravame, pelo valor de R$ 504.698.671,2013, conforme registrado em sua contabilidade (doc. 05). Cumpre frisar que o valor praticado foi determinado por meio de Laudo de Avaliação elaborado pela instituição financeira Banco Pactuai S/A, com base na metodologia do Fluxo de Caixa Descontado, datado de 31/10/200614 (doc. 06). Em decorrência deste Contrato de Compra e Venda de Ações (fl. 530 dos autos), foi (i) emitida Ordem de Transferência de Ativos Escriturais/Nominativos, por meio do qual a VBCP solicitou à instituição financeira depositária Bradesco que transferisse 14.628.947 ações da CPFL à Impugnante (fl. 536 dos autos), bem como foi (ii) registrada nos livros do Bradesco a transferência das ações (fl. 576 dos autos), nos exatos termos do que dispõe o artigo 31 da Lei n° 6.404/76, com redação dada pela Lei n° 10.303/0115. [...] Ainda, no que diz respeito ao mencionado recolhimento de impostos, cumpre frisar que a VBCP apurou [...] ganho de capital [...]. Em 27/11/2006 [...] foi deliberada a cisão total da VBCP, com posterior incorporação das parcelas cindidas, respectivamente, por suas três acionistas (Camargo Corrêa Energia S/A ("CCE"), Votorantim Energia Ltda. e Antares). [...] Fl. 3774DF CARF MF 14 Em 06/12/2006, a Impugnante e a Votorantim Investimentos transferiram a uma terceira empresa, a Brumado Holdings S/A ("Brumado"), as ações da CPFL, livres e desembaraçadas, que haviam adquirido da extinta VBCP [...]. O valor das participações societárias foi avaliado com base em Laudo de Avaliação elaborado pela AMKS Contadores e Consultores Ltda., em 27/11/2006 (doc. 08). De acordo com o referido documento, as ações conferidas ao capital da Brumado foram avaliadas por seu valor contábil, obtendose o valor de R$ 34,50 por ação. A interessada afirma que o “fato de o valor contábil de R$ 34,50 por ação livre e desembaraçada da CPFL apurado no laudo da AMKS Contadores e Consultores Ltda. ser igual ao valor apurado no laudo do Banco Pactual S/A” seria devido ao fato que o segundo deles “prestavase à apuração do valor de mercado das ações a serem adquiridas pela Impugnante, mediante pagamento em dinheiro e com a respectiva apuração de ganho de capital pela VBCP”. E completa: Uma vez adquiridas pela Impugnante por seu valor de mercado, o montante pago tornouse o custo de aquisição das ações da CPFL para a Impugnante, i.e., o seu valor contábil, que foi então apurado no laudo de avaliação da AMKS Contadores e Consultores Ltda., que visava justamente “determinar o valor contábil, em 27 de novembro de 2006, de parcela da participação societária detida pela CAMARGO CORRÊA na CPFL, representada por 13.581.069 [...] ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, a serem conferidas em aumento do capital social da BRUMADO”. [...] Desta forma, a Brumado passou a concentrar em seu ativo, as ações livres e desembaraçadas da CPFL que haviam sido adquiridas pelos grupos Camargo Corrêa e Votorantim. Paralelamente, a Antares transferiu as ações da VBCE que possuía à sua controlada Átila, que passou a deter, indiretamente, ações da CPFL bloqueadas em razão do direito de garantia do debenturista BNDESPAR. Notase, assim, que o Grupo Bradesco, de um lado, e os Grupos Camargo Corrêa e Votorantim, de outro, passaram a ser titulares de ativos distintos: enquanto o primeiro possuía (por meio da sua participação na VBCE) ações da CPFL bloqueadas a fim de assegurar a possibilidade de permuta das debêntures detidas pelo BNDESPAR por ações, os últimos, por meio da Brumado, eram titulares das ações livres e desembaraçadas da CPFL as que interessavam ao Grupo Bradesco, que se retirava da associação, por serem passíveis de negociação no mercado. Assim [...], foi assinado em 15/12/2006, o Instrumento Particular de Permuta de Ações (fl. 425 dos autos), por meio do qual a Impugnante e a Votorantim Investimentos entregaram à Antares 100% das ações da Brumado e receberam em troca 100% das ações da Átila (detentora da participação na VBC E): [...] Sob outro ângulo, a operação consistiu na permuta de ações livre da CPFL por ações bloqueadas: Fl. 3775DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.769 15 Como o valor da participação societária transferida pela Impugnante (lastreado nas ações livres adquiridas a valor de mercado) era superior ao valor patrimonial do investimento adquirido na permuta (correspondente a 50% das ações emitidas pela Átila), foi registrado um ágio no valor de R$ 440.551.265,76 (o "Ágio Átila" de que se trata no presente processo). O ágio, portanto, surge nesse momento, em decorrência de operação de permuta, que é forma de aquisição de participação societária, entre partes independentes (Grupo Bradesco, de um lado, e a Impugnante e o Grupo Votorantim, de outro). Por fim, em 26/12/2007, quase um ano após a reestruturação, os grupos Votorantim e Camargo Corrêa decidiram realizar uma cisão parcial da Átila, tendo sido a parcela cindida incorporada pela Impugnante que passou então a amortizar o ágio (fls. 276 a 282 dos autos). Ressalta que o “’Ágio Átila’” haveria surgido “com a permuta [...] por meio da qual a Impugnante e a Votorantim Investimentos entregaram à Antares 100% das ações da Brumado e receberam em troca 100% das ações da Átila”. Invoca o artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977 para afirmar: O fato de o ágio ter sido gerado a partir de uma permuta, e não de uma aquisição com pagamento em dinheiro, em nada infirma a validade da maisvalia gerada e suas consequências fiscais. Com base nas alegações anteriores, entende demonstrada a existência de “propósito negocial” na operação ora em foco. Afirma que, [...] ao questionar as operações realizadas da forma como o fez [...], o Sr. Agente Fiscal extrapola suas competências, adentrando de forma indevida na liberdade individual dos contribuintes [...]. Adiante, alega que: O argumento da Fiscalização, no que diz respeito à alegação de que teria havido ágio intragrupo, não passível de amortização, parte de dois equivocados (e contraditórios) pressupostos: o de que o "Ágio Átila", ora questionado, teria surgido em razão da venda das ações da VBCP à Impugnante, i.e., em transação entre partes dependentes, e o de que não houve desembolso na criação do ágio, que se originou da permuta entre as ações da Brumado e as ações da Átila. Entende que [...] tais argumentos já foram suficientemente descontruídos: o ágio não se originou na venda das ações da VBCP à Impugnante, e sim da permuta realizada entre partes independentes (Grupo Bradesco de um lado, Impugnante e Grupo Votorantim de outro) [...]. Cumpre apontar, por fim, que mesmo que se estivesse diante de ágio intragrupo (ou "ágio interno") [...], fato é que este é reconhecido pelo Direito Tributário, conforme já decidido pelo CARF [...]. Fl. 3776DF CARF MF 16 Apreciada a impugnação, o lançamento foi julgado procedente em parte, (a.1) afastando a hipótese de dolo e (a.2) excluindo da base de cálculo o anocalendário de 2010, por decaído o direito da Fazenda da União ao respectivo lançamento e, por conseguinte, reduzir o valor do IRPJ a R$ 28.531.887,18 e o da CSLL a 10.280.119,38, ambos sujeitos ao acréscimo de juros moratórios, de multa por lançamento de ofício no percentual de 75% e à multa exigida isoladamente no percentual de 50%; e (b) por AFASTAR A RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA de VITOR SARQUIS HALLACK, LUIS ROBERTO ORTIZ NASCIMENTO, ALBRECHT CURT REUTERDOMENECH, JOSÉ EDISON BARROS FRANCO e JOSÉ ALBERTO DINIS DE OLIVEIRA. Em face à desoneração, houve recurso de ofício. Inconformada com a decisão proferida pela DRJ/BHE, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual alega, basicamente, que: (a) preliminar de nulidade da atuação dada a existência de equívocos cometidos pelo agente fiscal (b) está decaído o direito da Fazenda Pública de questionar as operações societárias que originaram o ágio; (c) não havia previsão para apuração da CSLL no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização TDPFF); (d) houve propósito negocial nas operações que deram origem ao ágio; (e) não houve a formação de “ágio interno”, sendo, portanto, legais as deduções de despesa com amortização de ágio; (f) não é possível aplicar penalidade quando a turma julgadora do CARF decidir por voto de qualidade, pois haveria dúvida quanto à ocorrência da infração; (g) não é possível aplicar concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício; e (h) é ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Foram apresentadas razões pela PGFN É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de nulidade por alteração do critério jurídico pela decisão de 1a. Instância. Preliminar de nulidade de cerceamento de defesa em razão da Decisão DRJ não ter exaurido a análise dos argumentos da impugnação no que se refere aos erros cometidos pela autoridade fiscal durante o procedimento de fiscalização. A acusação fiscal aponta que o contribuinte não teria atendido de forma regular as solicitações feitas pela autoridade fiscal durante o processo de fiscalização, fato contestado pela Recorrente desde sua impugnação demonstrando que todas as etapas da operação questionada puderam ser integralmente reconstituídas com base nos documentos constantes dos autos do processo administrativo, inclusive seu propósito negocial ignorado pela fiscalização e pela DRJ. Fl. 3777DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.770 17 Para dar sustentação ao seu argumento, demonstra através da análise do TVF, que as atividades fiscais foram concentradas na verificação da amortização de um ágio de R$ 527 milhões, registrado na contabilidade da Recorrente como Ágio Átila 2, como demonstrado na Impugnação apresentada, tratase de ágio decorrente de operação realizada em 30/01/2009, por meio da qual a Recorrente adquiriu ações de emissão da Átila detidas pela Votorantim Participações S/A, conforme "Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e outras Avenças", fls. 719 a 749 dos autos. Este evento societário foi devidamente comunicado e comprovado pela Recorrente, de forma que ao analisar as informações e documentos apresentados, entendeu o Sr. Agente Fiscal que para fins fiscais não foram detectadas inconsistências quanto ao tratamento dispensado pela empresa, com relação às amortizações do ágio analisado (fl. 09 TVF). Assim, verificada a regularidade na amortiação do "Ágio Atila 2", houve uma mudança no curso do procedimento fiscal, que passou a se concentrar em uma operação anterior, ocorrida em 2006, que deu origem ao denominado "Ágio Atila", objeto do lançamento fiscal. O ágio glosado tem origem na aquisição pela Recorrente e pela Votorantim Investimentos Industriais S/A da participação societária que o Grupo Bradesco detinha em investimento conjunto que este possuía com aqueles dois grupos econômicos. Foi demonstrado pela Recorrente que o investimento alienado consistia na totalidade das ações emitidas pela Átila, sociedade integralmente detida por empresa do Grupo Bradesco, ocasião em a ela adquiriu junto à Votorantim investimentos 100% das ações emitidas por aquela sociedade. Conforme narrado pela Recorrente, transcorrido um ano, os acionistas decidiram realizar uma cisão parcial da Átila, tendo sido a parcela cindida incorporada pela Recorrente (fls. 276 a 282 dos autos), de forma que o Grupo Votorantim passou a deter integralmente aquela sociedade. Ato continuo, em 30 de janeiro de 2009, a Recorrente adquiriu do Grupo Votorantim a referida sociedade dando origem ao ágio Átila 2. Assim, se trataram de duas operações distintas, com partes não relacionadas (Grupo Bradesco e Grupo Votorantim) e em datas distintas (2006 e 2009), mas que possuiam em comum o objeto, a aquisição de participações societárias na sociedade Átila, por isso, demoninadas "Ágio Átila" e "Ágio Átila 2" nos registros contábeis, não representando necessáriamente uma tentativa de ocultação de informações como apontado pelo agente fiscal. No que diz respeito as operações, a Recorrente trouxe durante o processo de fiscalização: Contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 530/535); Ordem de Transferencia de ativos escriturais/ nominativos negociados fora da bolsa de valores (fl.. 536); extrato emitido pela instituição financeira depositária Bradesco, comprovando a transferência de ações (fl. 576) demonstração de resultado e LALUR da VBC Participações S/A, indicando a apuração de ganho de capital (fls. 943/945 e 1671). Dados os argumentos da Recorrente, em relação ao atendimento regular às solicitações da Fiscalização, temse que de fato, em nenhum momento ela se esquivou a prestar os esclarecimentos solicitados, tendo inclusive anexado a eles os documentos pertinentes para sustentálos. Fl. 3778DF CARF MF 18 Aconteceu que, conforme descrito no TVF, a acusação fiscal foi no sentido da ausência de comprovação quanto à: i) origem do ágio; ii) ausência de propósito negocial e iii) existência de ágio interno. Para o agente fiscal, o ágio teria surgido na etapa em que ocorreu a alienação das ações livres e desembaraçadas pela VBCP à Recorrente, Votorantim e Antares na busca de justificar a acusação de ágio interno. A Recorrente por sua vez, defendeu desde a sua impugnação que essa etapa tratouse de operação prévia para conferir lastro ao "Ágio Átila", necessária à operação do Grupo Bradesco, com o recebimento de ações livres e desembaraçadas da CPFL. A DRJ após realizar a análise dos fatos descritos e demonstrados como efetivamente ocorridos na Impugnação, na qual restou demonstrado que o ágio surgiu em decorrência de permuta das ações, entre partes independentes, em que a Recorrente e a Votorantim Investimentos entregaram à Antares 100% das ações da Brumado (ações livres e desembaraçadas da CPFL) e receberam em troca 100% das ações da Átila (detentora da participação da VBCE ações da CPFL bloqueadas). Desse modo da leitura do Acórdão recorrido, verificase que o entendimento da DRJ foi que o "Ágio Atila" não teria preenchido as condições legais estabelecidas no artigo 386 do RIR/99, sob o fundamento de que as ações da Átila não teriam sido avaliadas por um laudo de avaliação capaz de suportar a suposta expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, na a Decisão de 1a Instância manteve a atuação por fundamentos diferentes do TVF que diz que não houve pagamento e não foram comprovados os elevados valores negociados pela BRUMADO. Nas palavras do TVF: "Foram analisados documentos que comprovavam os valores das ações trocados no lado das empresas ANTARES e ÁTILA. Neste exame, não foram encontradas maiores irregularidades (fls. 466 a 473). Entretanto, não ocorreu o mesmo quanto ao outro lado da permuta, no tocante às ações da BRUMADO. Como visto anteriormente, esta continha ações da empresa CPFL. Ao analisar o laudo de avaliação desta última, elaborado pelo Banco Pactual S/A, em 31 de outubro de 2006, no qual foram baseados seus valores das ações (fls. 477 a 484), esta Fiscalização se deparou com uma notória inconsistência. Os valores de patrimônio líquido da empresa CPFL, em 30/06/2006, segundo as demonstrações financeiras (página 8 do laudo), eram, respectivamente, iguais a R$ 4.796.072.000,00 e R$ 4.734.790.000,00. Tendo em vista que o capital social da empresa era composto por 479.756.730 ações (página 27 do laudo), calculouse que o valor de cada ação aproximado girava em torno de R$ 9,87 por ação e não 34,50 por ação, conforme esclareceu a empresa, em sua resposta. O valor justo por ação, conforme consta do relatório foi obtido pela metodologia do Fluxo de Caixa Descontado." (...) "Desta forma, é de se estranhar que o valor das ações constantes na contabilidade da BRUMADO tivesse sido lançado com os valores justos das mesmas e não com os valores presentes de mercado, já que nas primeiras estariam fatores não materializados no momento presente, mas que representavam potencial de materialização no futuro". (...) Fl. 3779DF CARF MF Processo nº 16561.720069/201611 Acórdão n.º 1401002.822 S1C4T1 Fl. 3.771 19 O ágio registrado pela CCSA com a aquisição da empresa ÁTILA não pode ser considerado dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. O ágio amortizado não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. O aspecto, que impede que o ágio registrado pela CCSA seja dedutível, está ligado ao fato de que não houve comprovação efetiva da origem do ágio. Como se pode depreender de todo o exposto no tópico 2 (DO PROCEDIMENTO FISCAL) do presente relatório, o ágio teria surgido em função de uma operação de permuta de ações entre a CCSA e a BRADESPAR, após a aquisição, pela CCSA, das ações permutadas, da empresa VBC PARTICIPAÇÕES. Não foram comprovados os elevados valores pagos na aquisição destas ações, que, segundo a fiscalizada, teriam suscitado o ágio, resultante da diferença dos valores trocados. Tampouco houve pagamento efetuado, somente a operação de permuta citada. Não tendo sido comprovado que o ágio efetivamente exista, portanto, não existe base jurídica, para o gozo do benefício fiscal previsto no art. 386 do RIR/99. Assim, temos que o TVF não olha a permuta, a DRJ diz que não comprovou pagamento do ágio interno e a contribuinte fundamenta a legitimidade de suas operações na existência de permuta o que não é considerado pela acusação, daí o prejuízo da defesa e o cerceamento configurado. Evidente a divergência de premissa adotada na acusação fiscal e a utilizada pela DRJ para manter o lançamento. Neste sentido: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Acórdão 9303001.690 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou outro anexo da autuação, trazendo as normas legais e/ou novos elementos, critérios de apuração e/ou complementação da acusação fiscal, afora aqueles utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário e que serviram como fundamento ao lançamento fiscal, sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Códex Tributário. Fl. 3780DF CARF MF 20 Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2401003.463 Assim, por todo o exposto nesta análise, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, por alteração de critério jurídico da respectiva decisão, restando prejudicada a análise do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 3781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720087/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 87 /2 01 3- 76 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10803.720087/201376 Acórdão n.º 2402006.357 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10803.720087/201376 Acórdão n.º 2402006.357 S2C4T2 Fl. 4 3 Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10803.720087/201376 Acórdão n.º 2402006.357 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004190/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008
SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadir-se de obrigações previdenciárias.
SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples.
MULTA POR OMISSÃO EM GFIP. SIMULAÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
A ausência de informações obrigatórias em GFIP enseja a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em caso de simulação, cabe ao verdadeiro empregador informar, em GFIP, os dados relativos aos trabalhadores registrados em empresa de fachada.
Numero da decisão: 2301-005.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadirse de obrigações previdenciárias. SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples. MULTA POR OMISSÃO EM GFIP. SIMULAÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A ausência de informações obrigatórias em GFIP enseja a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em caso de simulação, cabe ao verdadeiro empregador informar, em GFIP, os dados relativos aos trabalhadores registrados em empresa de fachada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 90 /2 01 0- 27 Fl. 247DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5182, constituído em 29/07/2010 (e fl. 214), para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente em informar, em GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Especificamente, a omissão decorreu da ausência de informações dos empregados registrados em empresas optantes pelo Simples mas que, nos termos do auto de infração e anexos constante do Processo nº 10935.004176/201023, foram considerados, pelo Fisco, como empregados da Recorrente. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 216 a 220), em que solicitou a conexão destes autos ao Processo nº 10935.004176/201023, no qual se discutia o vínculo da Impugnante com os empregados registrados nas empresas optantes pelo Simples, alegando que não tinha a obrigação de declarar, em GFIP, as informações daqueles empregados. A impugnação foi julgada improcedente nos termos do Acórdão nº 0632.043 (efls. 242 a 245). Tal acórdão admitiu a conexão entre os processos, pois os fatos que ensejaram este lançamento foram apurados no Processo nº 10935.004176/201023. Porém, naquele processo foi reconhecido o vínculo empregatício entre os empregados registrados nas empresas optantes pelo Simples e a Recorrente. Por decorrência, as informações deveriam ter constado das GFIP da Recorrente, o que não aconteceu, razão pela qual manteve o presente lançamento. No recurso voluntário, a Recorrente reafirmou os termos da impugnação, ao insistir que não detinha a obrigação de declarar as informações dos empregados registrados em outras empresas. Solicitou, ainda, a conexão deste processo a outros que tratam da matéria fundamental, ou seja, o reconhecimento do vínculo de emprego. Aduziu, ainda, a inconstitucionalidade da exigência de garantias como condição para o apelo recursal. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 248 3 1 Do conhecimento Não há, nos autos, o termo a quo para a verificação da tempestividade do recurso. Porém, tendo em conta que não foi lavrado termo de perempção e que o apelo foi apresentado juntamente com outros recursos voluntários em processos conexos, dou a reclamação por tempestiva. Deixo de conhecer a questão relativa à exigência de garantias porque não está na lide. Ademais, o recurso interposto não foi condicionado à prestação de qualquer garantia. Conheço, entretanto, das demais matérias. 2 Do Mérito A Recorrente alegou que não omitiu informações em GFIP, porquanto os dados ausentes que a Fiscalização apurou foram os relativos aos empregados que estavam registrados em outras empresas, optantes pelo Simples, cuja responsabilidade de declarar não lhe cabia. Nos autos do Processo nº 10935.004176/201023 discutemse as razões da atribuição do vínculo de emprego entre a Recorrente e os empregados formalmente registrados em outras empresas. Por essa razão, algumas referências deste voto reportam àquele processo. 2.1 DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO As Autoridades Lançadoras afirmaram, em síntese, que a Recorrente teria se utilizado de uma rede de empresas de fachada (KL, LDI, Olecargas, Plasma, PP, PPMS, RTC, Spartano, Tolecargas, Tolenorte, TPC, Transcar, VS e Wsul), que aqui serão genericamente referidas por empresas decorrentes, todas optantes pelo Simples, para evadirse das obrigações previdenciárias, na medida em que utilizava a mãodeobra de trabalhadores registrados formalmente naquelas empresas, mas que, em verdade, seriam trabalhadores da própria Recorrente. As circunstâncias nas quais o Fisco se baseou para concluir pela legitimidade passiva da Recorrente foram assim resumidas (Relatório Fiscal, efls. 514 e 515 do Processo nº 10935.004176/201023): Ficou constatado que as empresas não possuem existência de fato, sendo criadas apenas para possibilitar a obtenção de benefícios fiscais pois todas realizaram Opção Pelo Simples por parte da SPERAFICO; que as receitas auferidas pelas empresas provinham da própria SPERAFICO, o que em dados momentos foi inferior ou muito próximo às despesas com pessoal; que os segurados empregados registrados nas empresas trabalhavam nas dependências da SPERAFICO ou a serviço desta, desenvolvendo as atividades operacionais da mesma, mas cujos contratos de trabalho constam nas diversas empresas; que posteriormente os empregados remanescentes foram transferidos para a SPERAFICO; que são utilizadas pessoas que não detém a real qualidade de sócios nas diversas empresas, vulgarmente conhecidos como "laranjas", pessoas que mantêm/mantinham ou mantiveram vínculos com a SPERAFICO. Fl. 249DF CARF MF 4 A investigação fiscal identificou vários elementos que sustentaram a conclusão quanto à interposição de pessoas e o uso de empresas de fachada. Por serem essenciais ao deslinde da controvérsia jurídica, é importante enumerar os principais indícios e provas apontados pelo Fisco. 2.1.1 Da criação e dos dados cadastrais das empresas decorrentes As empresas decorrentes informaram o mesmo endereço da Sperafico ou, em alguns casos, em imóveis a ela pertencentes. Em outras situações, o endereço era a residência do sócio (efls. 516 e 517 do Processo nº 10935.004176/201023). Observase no Quadro Anexo II Sócios (efls. 834 a 837 do Processo nº 10935.004176/201023) que os sócios das empresas decorrentes ou são sócios da Sperafico, ou possuem com ela vínculo empregatício, ou foram dela empregados, ou são empregados de outra empresa decorrente ou, de algum modo, possuem relações de parentesco com empregados da Sperafico. Sobre a questão, assim se pronunciou o Relatório Fiscal (efl. 518 do Processo nº 10935.004176/201023): No Quadro Anexo II (fls. 829/832) é apresentada a situação dos supostos quadros societários das empresas. É fácil visualizar a estreita vinculação entre todos, seja mediante emprego direto na SPERAFICO ou em outras das empresas, ou mesmo vínculo familiar. A subordinação à SPERAFICO das pessoas que figuram no quadro societário da maioria das empresas é evidente. Podese afirmar que a subordinação é tão evidente que em alguns casos a própria SPERAFICO assume a condição de sócio majoritário da empresa, conforme será relatado adiante. Os contadores das empresas decorrentes também possuíam algum vínculo com a Sperafico, como se constata no seguinte trecho do relatório fiscal (efl. 518 do Processo nº 10935.004176/201023) e, ainda no Quadro Anexo II Contadores (efls. 839 a 841) No Quadro III (fls. 833/836) é apresentada a vinculação entre empresas e contadores. Percebese também que a escrita contábil das empresas remete à vinculação com a SPERAFICO. No ano de 2005, esteve dividida entre os contadores Clerione Raquel Herther (LDI), Carlos Alberto Koval (KL, OLECARGAS, PP, RTC, TOLECARGAS, TOLENORTE, TRANSCAR, WSUL) e Neldo Danzer (PPMS, TPC, VS); já no período de 2006 a 2008 ficou apenas como Contador de todas as empresas o funcionário da SPERAFICO Luciano Vendramini Bassi. Na SPERAFICO atuou como Contadores no período de 2005 a 2008, além da Sra. Clerione Raquel Herther o Sr. Aloisio Antonio Bonemberger (sic.) Até mesmo as testemunhas que assinaram os contratos sociais e respectivas alterações eram vinculadas à Sperafico, como se observa no Quadro Anexo IV Testemunhas (efls. 844 e 845 do Processo nº 10935.004176/201023). 2.1.2 Das atividades das empresas decorrentes Consta dos documentos dos autos (efls. 765 do Processo nº 10935.004176/201023) que o objeto social da Sperafico coincide, em grande parte, com o objeto social das empresas decorrentes. Com base nas informações do processo, elaborouse a Tabela 1 Atividades, anexa a este voto, para bem ilustrar a compatibilidade das atividades. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 249 5 2.1.3 Utilização de plano de contas em comum Segundo o Relatório Fiscal (efls. 518 e 519 do Processo nº 10935.004176/201023): Ficou constatado que o PLANO DE CONTAS da SPERAFICO é o mesmo que foi utilizado pelas demais empresas no período de 2006 a 2008 (no ano de 2005, as empresas, à exceção da LDI, tiveram escrituração realizada em escritórios contábeis distintos da estrutura da SPERAFICO). Teoricamente, isto não deveria acontecer, já que se fossem empresas distintas, com administrações distintas e contabilidades diferentes, cada qual organizaria sua própria escrituração. No entanto, aconteceu e está comprovado com a juntada do Plano de Contas da SPERAFICO em anexo (fls. 772/785), o qual corresponde aos planos de contas das outras empresas, que também são juntados em anexo (cópias às fls. KL 968/985, LDI. 1292/1310, OLECARGAS 1532/1549, PLASMA 1734/1753 PP 1998/2018, PPMS 2355/2373, RTC 2610/2628, TOLECARGAS 2946/2964, TOLENORTE 3174/3191, TPC 3607/3625, TRANSCAR 3948/3960, VS 4172/4190, WSUL 4394/4414). De fato, o uso do mesmo plano de contas em todas as empresas, embora, isoladamente, não se constitua prova definitiva, é um indício que converge para a conclusão de que as empresas eram, em verdade, uma extensão da Sperafico. O plano de contas é elemento característico de uma entidade, pois reflete a organização patrimonial e os registros do resultado empresarial, que normalmente é diferente em cada empresa, sobretudo quando os objetos sociais são distintos. No caso, em que se tem empresas dos ramos de comercialização de peças e manutenção e reparo de veículos, de transporte rodoviário de cargas, de capatazia (carga e descarga de produtos), de industrialização, empacotamento e comércio de cereais, de fabricação de móveis, é no mínimo muito incomum que um mesmo plano de contas possa servir a todas as empresas. 2.1.4 Do local onde os trabalhadores das empresas decorrentes atuavam Conta do Relatório Fiscal (efls. 519 e 520 do Processo nº 10935.004176/201023) que as empresas decorrentes ou tinham o mesmo endereço das filiais e matriz da Sperafico ou mantinham funcionários nas suas dependências. O relatório descreve cada uma das situações, envolvendo cada empregado, cada filial e cada empresa decorrente, em que os empregados prestaram serviço diretamente nas filiais da Sperafico. A título de exemplo ilustrativo, reproduzse a situação encontrada na empresa KL (efl. 527 do Processo nº 10935.004176/201023): Não possui filial. No entanto, confirmando o que fora afirmado anteriormente, os trabalhadores desta "empresa" eram alocados em diversas filiais da SPERAFICO. Vejase a propósito "Relação de Empregados" (fls. 1101/1104), que evidencia o fato, como por exemplo, trabalhadores alocados na MATRIZ (TOLEDO), e filiais como Tupãssi , Vila Nova, Nova Aurora, Cascavel, Vila Ipiranga, São Luiz, Guaíra, Santa Inês, no setor de Transportes (Toledo), Braganey, São José, Indústria e Penha. Fl. 251DF CARF MF 6 Encontrase demonstrado na planilha (fls. 4688/4719) denominada de QUADRO ANEXO V NF PRESTADORAS X FILIAIS SPERAFICO que, em razão da filial da SPERAFICO tomadora do serviço de acordo com a Nota Fiscal, eram alocados trabalhadores registrados na KL a prestarem serviços a diversas filiais da SPERAFICO em diversas localidades diferentes da sede da KL, o que confirma a informação acima e realça o aspecto de que a subordinação desses empregados era de fato com a SPERAFICO já que as empregadoras (prestadoras de serviço) aparentes não se faziam presentes nos locais das prestações de serviços. A situação verificada na empresa KL se repetiu, com o mesmo modus operandi, em outras empresas decorrentes. 2.1.5 Do fornecimento de recursos financeiros às empresas decorrentes Segundo o Relatório Fiscal (efl. 521 do Processo nº 10935.004176/201023): As diversas empresas "prestadoras de serviços", registraram, no período fiscalizado, de forma contumaz, severos resultados negativos (prejuízos) ante um pequeno valor de capital social. Ou seja, não ostentavam condições econômicas de operar com normalidade, sua existência se justificava para o fim evidente de burlar a legislação tributária, com a obtenção indevida de benefícios fiscais através da indevida inclusão no SIMPLES. Em itens adiante será evidenciada a situação por empresa. Em face disso, para a existência das "prestadoras de serviços", mesmo que apenas na aparência, era a SPERAFICO quem fornecia recursos financeiros, seja na condição de único tomador de serviços, seja, por fim na condição de sócio majoritário, como em alguns casos, com a integralização de capital social com créditos seus junto à prestadora. O Fisco entendeu que, ao apresentarem prejuízos constantes e sobreviverem apenas de recursos oriundos da Sperafico, as empresas decorrentes não exerciam, na verdade, atividade econômica. Eram apenas extensões da própria Sperafico. Filiome, neste caso, ao entendimento do Fisco. Está demonstrado (efls. 527 e 528 do Processo nº 10935.004176/201023) que as empresas decorrentes acumularam prejuízos, isto porque a Sperafico, única cliente, transferia recursos suficientes apenas para pagar o custo dos serviços que foram prestados por aquelas empresas, sem possibilidade de gerar resultado positivo. A característica essencial da atividade empresarial produtiva é a busca pelo lucro, se as empresas decorrentes tinham suas receitas provenientes exclusivamente da Sperafico e seus prejuízos cobertos por aporte de capital desta empresa, sem que gerassem resultados positivos, resta bem evidenciado que elas não tinham propósito empresarial. 2.1.6 Das folhas de pagamento e demais atos de gestão de RH Consta do Relatório Fiscal (efl. 522 do Processo nº 10935.004176/201023): Além disso, no período de 2006 a 2008, o processamento da folha de pagamento, a organização e a realização de todas as tarefas atinentes ao RH das empresas estaria, como quer fazer crer a situação que foi apresentada à auditoría fiscal, a cargo de uma única pessoa responsável pelo parte contábil e de RH, na Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 250 7 pessoa do contador (funcionário da SPERAFICO) Luciano Vendramini Bassi (que se apresenta como sendo profissional autônomo, desvinculado da SPERAFICO, para fins de atender às "prestadoras de serviços"). Seria evidentemente impossível que uma única pessoa realizasse todas as tarefas, desde controle de freqüência, processamento dos diversos itens de folha de pagamento, controle e efetivação de pagamento de pessoal, controle de férias, licenças, FGTS, SEFIP/GFIP; Previdência Social, processamento e controle dos benefícios (mercado,farmácia, Unimed, gás), e além disso realizar a escrituração contábil de todas as empresas com todas as outras tarefas atinentes à área contábil e fiscal. Na realidade, os fatos apurados evidenciam que a folha de pagamento foi, como não podia ser diferente, processada dentro da SPERAFICO, no setor próprio de RH desta, com o pessoal desta. Isto fica demonstrado de modo mais claro por empresa em itens adiante, onde se vê que até determinados erros cometidos no processamento de uma folha de pagamento, o mesmo erro repercutia nas demais, como se fosse (como de fato é) apenas uma única folha de pagamento. Observese que, segundo foi apurado na investigação fiscal, a gestão de pessoal e a confecção da folha de pagamento dos empregados das empresas decorrentes acontecia dentro da Sperafico, por empregados do setor de recursos humanos desta empresa, sob a responsabilidade de seu contador. Verificase que os emails fornecidos nos documentos apresentados pelas empresas decorrentes eram sempre do domínio @sperafico.com.br. O acórdão recorrido bem apontou (efl. 7126 do Processo nº 10935.004176/201023) o exemplo das informações ao Caged em que consta eloi@sperafico.com.br. Mais uma vez corroboro o entendimento do Fisco de que essa condição denota uma incomum participação da Sperafico na gestão dos trabalhadores da empresas decorrentes, o que só se justifica se, como sustentado pelas Autoridades Lançadoras, os empregados fossem de fato da Sperafico, ainda que estivessem registrados em nome de outras empresas. 2.1.7 Da movimentação de empregados com o advento do Simples Nacional Ainda quanto à administração de recursos humanos, a Fiscalização Tributária observou a transferência de empregados das empresas decorrentes para a Sperafico. Isto porque, com o fim do Simples, em 2007, o modelo que teria sido criado pela Recorrente deixou de possibilitar o benefício tributário; não havia, pois, mais razões de seus trabalhadores estarem registrados nas empresas que foram criadas para optarem pelo Simples e, com isso, pagarem menos contribuição previdenciária (além de outros encargos e tributos). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que passou a vigorar em 1º de julho de 2007, instituiu o Simples Nacional, que excetuou do modelo, no que se refere às contribuições previdenciárias, as microempresas e da empresas de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços. E foi exatamente a partir dessa data que as empresas decorrentes passaram a ser tributadas com base no lucro presumido (efl. 515, item 3.3, do Processo nº 10935.004176/201023). Fl. 253DF CARF MF 8 De fato, analisando as informações compiladas do Caged sobre a transferência de empregados (efl. 794 do Processo nº 10935.004176/201023), salta aos olhos a coincidência entre o fluxo de empregados e a vigência do Simples. Nos meses de julho e agosto de 2007, houve uma expressiva transferência dos trabalhadores que estavam na empresas decorrentes para a Sperafico. Isto, mais uma vez, demonstra inequivocamente que os trabalhadores sempre foram empregados, de fato, da Sperafico e apenas figuravam como empregados das empresas decorrentes em razão de um planejamento tributário deixou de fazer sentido com a alteração legislativa. 2.1.8 Dos descontos para a associação de funcionários Os Auditores Fiscais constataram (efl. 523 do Processo nº 10935.004176/201023) que, assim como na Sperafico, nas empresas decorrentes havia desconto da contribuição dos empregados para a Associação de Funcionários da Agrícola Sperafico (Afas). Pareceme lógica a conclusão do Fisco de que os empregados das empresas decorrentes eram, em verdade, empregados da Sperafico, do contrário, não haveria razão para deles descontar o valor da contribuição para a entidade. 2.1.9 Das atividades exercidas pelos empregados das empresas decorrentes O acórdão recorrido bem apontou outro ponto revelador da verdadeira intenção do planejamento tributário. Alguns funcionários foram registrados nas empresas decorrentes para funções que são incompatíveis com seus objetos sociais, mas absolutamente inerentes aos objetivos da Sperafico. É o que se observa no seguinte trecho (efl. 7126 do Processo nº 10935.004176/201023): Cabe acrescentar que a peça defensiva acabou se abstendo de rebater verificações/fatos ao meu ver fundamentais na análise do caso. Não há, por exemplo, qualquer justificativa para que uma empresa que tem por objeto a prestação de serviços de consertos e substituições de peças de caminhões, ônibus e outros veículos pesados possua um funcionário registrado como Classificador de Cereais. Da mesma forma, entre diversas outras incompatibilidades de funções descritas no relatório fiscal, a peça defensiva também não explica porque uma empresa que possui como objeto social serviços de carga e descarga de produtos agrícolas possui empregados nas funções de OPERADOR DE CALDEIRA, AJUDANTE DE SECADOR ou AUXILIAR DE LABORATÓRIO. Em resumo, a natureza dos serviços descritos não só se mostra incompatível com os objetos das empresas interpostas, como se afeiçoam necessárias às atividades da própria impugnante. A Recorrente, em seu favor, alegou que as atividades efetivamente realizadas pela empresa não foram as descritas em seu objeto social e apresentou, para comprovar, balancetes que indicariam que as fontes de suas receitas eram a comercialização e industrialização de produtos agrícolas. O fato de, no período, as receitas se concentrarem apenas em parte das atividades da Recorrente, ao meu ver, dá mais substância à tese da simulação. Ora, se a empresa transferiu atividades de seu objeto social para as empresas decorrentes, permanecendo Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 251 9 apenas com algumas delas, não haveria mesmo de ter qualquer receita contabilizada oriunda das atividades transferidas. Demonstra, na verdade, que parte de suas atividades finalísticas foram indevidamente terceirizadas, notadamente as que demandavam grande quantidade de mãodeobra. Esta é, na essência, a tese advogada pela Autoridade Lançadora e pelo acórdão a quo. 2.1.10 Dos benefícios pagos aos empregados da Sperafico Consta do Relatório Fiscal (efl. 523 do Processo nº 10935.004176/201023): Foi constatado que a SPERAFICO mantém uma certa conduta com relação a benefícios para empregados, concedendolhes algumas formas de benefícios que se traduzem em facilidades na aquisição de gêneros alimentícios, medicamentos e gás no comércio da cidade de Toledo PR. Idêntica situação ocorre nas empresas "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento. Foi constatado também que a SPERAFICO funciona como intermediária na aquisição de plano de saúde UNIMED para seus empregados. Assim, desconta nas respectivas folhas de pagamento valores relativos a UNIMED. O mesmo ocorre nas "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento. Tais fatos evidenciam que se trata de uma única administração de pessoal. Conforme o Fisco apurou, os empregados registrados nas empresas decorrentes usufruíam dos mesmo benefícios e do plano de saúde oferecidos aos empregados da Sperafico, o que mais uma vez caracteriza que o patrão, de fato, era esta empresa. 2.1.11 Do preenchimento das notas fiscais de prestação de serviços Conforme o Relatório Fiscal (efls. 523, 524, 702, 703 e 704 do Processo nº 10935.004176/201023), foi identificado que muito as notas fiscais de prestação de serviços das diversas empresas decorrentes eram preenchidas sempre com a mesma caligrafia. Conclui o Relatório Fiscal, neste ponto: Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de emissão de notas fiscais de prestação de serviços por supostas empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento. De fato, verificando as notas constantes dos autos (efls. 4492 a 4710 do Processo nº 10935.004176/201023) facilmente se constata, sem necessidade de profundos conhecimentos grafotécnicos, que as notas das diferentes empresas foram escritas com a mesma caligrafia. Este é um importante indício de que, na verdade, os blocos de notas estavam ali, à disposição da mesma pessoa, para preencher os documentos de acordo com a necessidade. É um expediente comum em casos de empresas de fachada ou empresasfantasma pois, obviamente, essas empresas não possuem setor de faturamento com faturistas para emissão das próprias notas fiscais, sendo isto uma atribuição da empresa oculta. Fl. 255DF CARF MF 10 2.1.12 Do ativo imobilizado Os AuditoresFiscais constataram que todo o ativo imobilizado utilizado na prestação dos serviços pertencia à Sperafico, e não às empresas prestadoras (efl. 524 do Processo nº 10935.004176/201023): A SPERAFICO era e é a única detentora dos meios de produção utilizados no processo produtivo e no desenvolvimento dos diversos serviços que em seus estabelecimentos foram/são realizados. Assim, não é difícil perceber que as "empresas" que realizavam serviços de transportes não possuíam sequer um veículo no seu ativo permanente; as que realizavam atividades de carga e descarga não possuíam equipamentos para tal, como por exemplo carregadeiras, empilhadeiras, veículos, etc; as diversas "empresas" não tiveram/têm sede nem estrutura administrativa mínima. Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento, sem o cuidado sequer de lhe fornecer meios próprios de operar. Ora, se as empresas decorrentes não tinham qualquer bem de produção e nem há registro de que os obtinha por intermédio de algum tipo de arrendamento, não haveria como se constituírem em legítimas empresas sem os meios para a realização de seus objetos sociais. 2.1.13 Das receitas e despesas das empresas decorrentes A investigação fiscal constatou que toda a receita das empresas decorrentes provinha exclusivamente da Sperafico ou de outra empresa do grupo (efl. 524 do Processo nº 10935.004176/201023): As empresas "prestadoras de serviços" não possuíam outra fonte de receita que não a própria SPERAFICO ou alguma empresa do GRUPO, conforme evidenciam em suas respectivas escriturações. Não existiam por si só, mas apenas e em função da SPERAFICO, que lhes deu a "suposta" existência. Ademais, suas receitas escrituradas eram apenas para cobrir despesas de pessoal, conforme fica evidenciado em itens adiante, por empresa. Nalguns (sic) casos, não havia receitas nem para cobrir tais despesas. O fato de as receitas das empresas decorrentes virem exclusivamente da Sperafico não seria, isoladamente, um elemento determinante para se concluir pela interposição. Porém, diante do contexto, somase aos demais indícios que demonstrar ser a Sperafico a real prestadora dos serviços, utilizandose de empresas de fachada. 2.1.14 Das despesas das empresas decorrentes A Fiscalização também constatou que as empresas não tinham despesas operacionais (efls. 524 e 525 do Processo nº 10935.004176/201023): Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 252 11 Em se tratando de despesas, a situação apurada revela que as empresas não realizavam, apesar de comuns a qualquer organização empresarial, despesas com água, luz, telefone, aluguel, material de consumo, material de escritório, móveis, equipamentos. Outro fato constatado, foi o expediente utilizado nas escriturações das diversas "prestadoras de serviços" de lançar valores em contas como DUPLICATAS A RECEBER e ADIANTAMENTO DE CLIENTES, que na verdade significavam valores de pagamentos que a SPERAFICO fazia para elas, ou seja, a SPERAFICO pagava diretamente as despesas e os valores eram apropriados como redutores de duplicatas a receber ou como adiantamento de clientes. Tais fatos serão demonstrados por empresa, em itens adiante. Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento, sem o cuidado sequer de lhe fornecer meios próprios de operar. No meu entender, este é um elemento que prova a inexistência de fato das empresas decorrentes. É possível que haja uma empresa sem ativos, ou sem receitas, até mesmo sem diretores, mas não possível uma empresa sem despesas operacionais. A característica essencial de qualquer atividade empresarial é a transformação de algo em produto ou serviço colocado no mercado, nesse processo de transformação surgem, inexoravelmente, as despesas e, quase sempre, os custos diretos e indiretos. No caso, as despesas aconteciam, mas não eram registradas como tal, eram registradas como deduções dos valores a receber da Sperafico, ou seja, quem arcava com o ônus das despesas era a própria Sperafico. 2.1.15 Das reclamatórias trabalhistas Os agentes do Fisco se fundamentaram, também, na ações trabalhistas em que empregados da empresas decorrentes pleitearam o vínculo com a Sperafico (efls. 703 a 712). Foram declinadas várias petições iniciais em que os reclamantes atestaram trabalharem para a Sperafico, inclusive sob subordinação. Em alguns casos, foram encontradas anotações determinando que o pagamento decorrente das ações trabalhistas fosse efetuado pelo setor de RH da Sperafico. 2.1.16 Das apólices de seguro de vida No Relatório Fiscal consta (efl. 713 do Processo nº 10935.004176/201023): Foi constatado na análise de documentos referente a seguros de vida de empregados de diversas empresas das prestadoras de serviços à SPERAFICO, que na contratação de seguros de vida, as mesmas figuram nas apólices como subestipulantes, sendo a estipulante a SPERAFICO (cópias de does. de seguro às fls. 4721/4753). Mais uma evidência do vínculo com a SPERAFICO. Há caso em que figura como estipulante outra empresa do grupo SPERAFICO, a Clean Farm do Brasil Ltda. Fl. 257DF CARF MF 12 Entendeu, o Fisco, que o fato de a estipulante ser a a Sperafico (com e exceção do contrato envolvendo a WSul, cuja estipulante era a Clean Farm) representaria mais um indício de que as empresas decorrentes eram, de fato, a longa manus da Sperafico. 2.1.17 Da simulação Os AuditoresFiscais entenderam que, diante das provas e indícios identificados, estavam diante de uma simulação. Assim asseveraram em seu Relatório Fiscal (efl. 714 do Processo nº 10935.004176/201023): Restou demonstrado que o desmembramento da organização empresarial em outras supostas sociedades empresariais consiste em estratégia de planejamento que caracteriza a evasão fiscal, pois busca usufruir indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9.317/96 (Lei do SIMPLES). A simulação (criação de realidades inexistentes) utilizada, consubstanciada na constituição ou aquisição de empresas para serem, na aparência, distintas da empresa "mãe", retira toda a validade dos atos por ela viciados, devendo prevalecer a real situação fática, com base no princípio da verdade material. E, em decorrência desse princípio, temse como inexistente, para fins previdenciários, a contratação irregular de trabalhadores feita pelas empresas "prestadoras de serviços". Na realidade, a real e verdadeira contratação de empregados se deu para beneficiar a empresa SPERAFICO, que se beneficiou diretamente dos trabalhos executados pelos trabalhadores então contatados. Conclui, o Fisco, que teria havido simulação da Recorrente, mediante a criação de empresas optantes pelo Simples para, por intermédio delas, fazer uso da mãode obra necessária às suas atividades, evadindose dos compromissos previdenciários (efl. 514 e 515 do Processo nº 10935.004176/201023): Ficou constatado que esta empresa caracterizase como líder de um grupo empresarial, conhecido por SPERAFICO. A SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA, segundo se apurou, utilizouse do mecanismo da simulação, expediente este que consistiu na criação de diversas outras empresas que têm existência ou são criadas para lhe prestarem serviços, serviços estes que consistem atividades operacionais da própria SPERAFICO, haja vista a amplitude de seu objeto social, o que se verá demonstrado neste relatório. Ficou evidente, após as análises realizadas nas diversas empresas, neste relatório identificadas, o propósito de se criarem empresas para obtenção indevida do benefício da opção pelo Simples. Tais fatos evidenciam a prática da evasão fiscal, relativamente às contribuições previdenciárias, mediante o citado procedimento da simulação. A tese apresentada pelas Autoridades Lançadoras é a da ocorrência se simulação, ou seja, a vontade declarada (o que consta dos documentos formais) não corresponde à vontade real (a obtenção dos serviços dos trabalhadores com menor custo tributário, usufruindo de um regime fiscal favorecido). Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 253 13 A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, esclarece Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; É importante destacar que a comprovação de interposição de pessoas, do uso de empresas de fachada e da simulação dificilmente se dá com elementos documentais contundentes, pois a característica essencial desse tipo de conduta é a criação de uma situação aparente, formalmente amparada em documentos, para ocultar uma situação real. Portanto, para se desvendar o fato simulado, é necessário olhar por trás do fato simulador. Assim, a formalidade documental deve ser afastada quando presentes elementos circunstanciais que a contradizem. Ao contrário do que a recorrente sustentou no seu apelo, não se trata de desconsideração das pessoas jurídicas. Tratase da correta identificação do sujeito passivo da relação tributária. Os Fiscais não desconstituíram as empresas decorrentes, elas estavam lá, constituídas formalmente e praticando atos e fatos com efeitos no mundo jurídico. Mas os vínculos de trabalho, estes sim, foram desconsiderados para que o verdadeiro empregador, a Sperafico, pudesse surgir na relação tributária. Como bem estatuiu BOZZA1: A prova da simulação é normalmente uma prova por presunção relativa, isto é, indireta, por inferência, baseada em indícios que são colhidos no contexto no qual o ato ou negócio foi executado. Conforme esclarecido pelo conselheiro Marcos Neder, no voto proferido no Ac. CSRF/0106015, de 14 de outubro de 2008, "a prova por presunção pode assegurar ao julgador a certeza necessária para proferir sua decisão, desde que fundada num conjunto de indícios graves, precisos e convergentes. Esses fatos circunstanciais considerados isoladamente podem não alcançar a certeza, mas, ao serem examinados em conjunto, podem levar a uma comprovação confiável da ocorrência do fato jurídico tributário". Entendo que, diante da constelação de indícios, todos convergentes, que apontam para a Sperafico como a real contratante dos trabalhadores, a simulação resta comprovada. Na verdade, os elementos dos autos são absolutamente contundentes, quando vistos em seu conjunto. Os fatos constatados podem assim ser resumidos: a Sperafico detinha pleno controle das empresas decorrentes, os empregados trabalhavam nas dependências dela e sob suas ordens, as empresas decorrentes não possuíam finalidade econômica real, todas elas eram optantes pelo Simples e, quando a vantagem fiscal acabou em razão de mudança legislativa, os 1 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 233. Fl. 259DF CARF MF 14 empregados foram transferidos para a Sperafico, revelando o verdadeiro propósito do arranjo empresarial, qual seja, manter os empregados em empresas optantes pelo Simples e, por conseguinte, evadirse dos encargos previdenciários. A seu favor, a Recorrente sustenta que a terceirização de suas atividades encontra amparo legal e que as teria promovido para proporcionar melhor gerenciamento administrativo das atividadesmeio. De fato, a terceirização está prevista no ordenamento, mas existem claros critérios, como a vedação à transferência de atividades finalísticas e a vedação à pessoalidade e subordinação diretas. Ao observar as provas dos autos, o que mais se vê é a participação ativa da Sperafico na gestão de RH dos empregados registrados nas empresas decorrentes (que sequer possuíam estrutura administrativa). Atividades como controle de ponto, pagamento e outras providências de pessoal eram exercidas diretamente pela Sperafico. Além disso, os trabalhadores atuavam nas dependências dessa empresa em distintas cidades, executando as atividadesfim da Sperafico. O gerenciamento administrativo das atividades, que foi a alegada causa das terceirizações, permaneceu com a Sperafico. Como não admitir o vínculo direto? Vale, aqui, relembrar, mais uma vez, a lição de BOZZA2: Na interposição real, não simulada, a interposta pessoa dá lugar ao intermediário. Estabelecese, assim, um vínculo negocial efetivo, de um lado, entre o interpoente e o intermediário e, de outro lado, entre o intermediário e o terceiro contraente. O intermediário que realmente participa do contrato estabelece em seu nome a relação jurídica e tornase titular de direito e obrigações, ainda que ostente um vínculo obrigacional com o interpoente, resultando em uma combinação de atos jurídicos. Essa é a razão pela qual o intermediário não pode ser considerado interposta pessoa simulada. Isso já não ocorre na interposição fictícia ou simulada, pois existe apenas uma relação jurídica direta entre o interpoente e o terceiro contraente. A interposta pessoa não participa verdadeiramente do negócio, nem se beneficia de qualquer vantagem patrimonial. Apenas finge que faz, emprestando seu nome para ser aposto no documento. A sua eventual participação apenas será feita para dar verossimilhança ao engano. Resta claro que os contratos de trabalho ligavam diretamente os trabalhadores à Sperafico. Percebese a simulação, também, ao se analisar as relações contratuais entre a Sperafico e as empresas decorrentes. Não havia, ali, um motivo econômico, ou um propósito negocial. Aquelas empresas não geraram lucro, não tinham ativos, não tinham nem os equipamentos elementares para a prestação dos serviços para os quais teriam sido contratadas. Nos contratos juntados pela Recorrente (efls. 6522 a 6552 do Processo nº 10935.004176/201023) observase que as cláusulas eram praticamente idênticas, até os erros de Português eram os mesmos, independentemente do objeto contratado. Aliás, em todos os contratos se verifica a mesma cláusula 5ª (com exceção da empresa LDI Transportes, em que o texto está na cláusula 6ª) que deixa claro que o papel das empresas decorrentes era fornecer mãodeobra à Sperafico, que arcaria com todo o material e equipamento necessário aos serviços: 2 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 238. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 254 15 A CONTRATADA obrigase a fornecer toda a mãodeobra necessária para a execução dos trabalhos contratados, assim como a administração, o pagamento das verbas remuneratórias e encargos sociais e a CONTRATANTE obrigase a entregar todos os materiais, insumos, veículos de transporte, máquinas e equipamentos necessários para a prestação de serviços objeto deste contrato. Na verdade, os contratos entre Sperafico e empresas decorrentes não eram verdadeiros, mas apenas simulacros. As empresas nem possuíam estrutura física e ativos para fornecerem os serviços, apenas serviram de meio para registrar os empregados livrando a Sperafico dos ônus previdenciários. Ainda segundo BOZZA3 A ausência de propósito negocial também surge diante da impossibilidade material de realização da atividade empresarial, como ficou decidido no Ac. 30332460, de 19 de outubro de 2005 (Caso CDR), em face da inexistência de móveis ou maquinários adequados para o empreendimento. O Ac. 101 95208, de 19 de outubro de 2005 (Caso CDR), considerou artificial a constituição de empresas entre pessoas ligadas para se beneficiar de regime de tributação favorecido, mas que não possuía meios materiais para a prestação de serviços. (Grifo do original.) Assim como consignado no relatório fiscal e no acórdão recorrido, eu também enxergo claramente o emprego do artifício usado para ocultar a verdadeira relação trabalhista entre a Sperafico e os empregados registrados nas empresas decorrentes. Observese que os indícios e provas indicados nos itens 2.1.1 a 2.1.16 talvez fossem, se analisados isoladamente, insuficientes para sustentar a tese de que teria havido simulação. Porém, tomando em conta o conjunto de elementos, não há como se esquivar que a Sperafico era a verdadeira empregadora, pois: a) havia subordinação, porquanto os empregados trabalhavam nas dependências da Sperafico, que lhes controlava os registros de ponto, em atividades atinentes ao seu objeto social, com cargos compatíveis com a estrutura organizacional da empresa e, inclusive, fazendo jus aos mesmos benefícios que os empregados registrados na própria Sperafico; b) o trabalho era habitual e contínuo, como bem descreveu o acórdão a quo: Mesmo a partir do dia seguinte à transferência dos empregados das empresas prestadoras (conforme relato supra), jamais houve qualquer interrupção na prestação de serviços à SPERAFICO, inclusive com a continuidade no mesmo cargo, restando, portanto, também configurado o caráter da não eventualidade; 3 Idem ibdem, p. 244. Fl. 261DF CARF MF 16 c) os recursos para pagamento dos salários aos empregados provieram sempre da Sperafico, o que evidencia a onerosidade da relação de trabalho; d) os empregados registrados nas empresas decorrentes exerciam funções próprias da Sperafico mesmo quando eram transferidos entre aquelas empresas ou daquelas para a Sperafico, caracterizando a pessoalidade. Não restam dúvidas, por todo os que foi evidenciado, que a Sperafico possuía relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores das contribuições sociais, revestindose, pois, da condição de sujeito passivo, na qualidade de contribuinte. nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN. Nessa mesma condição, a Recorrente encontravase obrigada a informar, nas GFIPs, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária relativos aos empregados que estavam formalmente, e indevidamente, registrados nas empresas decorrentes. Não o tendo feito, deu azo ao lançamento da multa prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. 3 Conclusões Voto, pois, por não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10935.004190/201027 Acórdão n.º 2301005.369 S2C3T1 Fl. 255 17 Tabela 1 Atividades Empresa Objeto Social Atividade Preponderante (CNAE) Sperafico (...) a exploração no ramo de serviços de transportes rodoviários nacionais e internacionais de cargas, produção, beneficiamento e comércio de sementes selecionadas, Indústria e comércio de cereais e seus derivados, comercialização de pneus, peças, máquinas e equipamentos, comércio de corretivos, defensivos agrícolas, água mineral, produtos alimentícios, indústria e comércio de fertilizantes químicos e fertilizantes organominerais, indústria de óleo de soja, armazenamento de cereais, representações comerciais, prestação de serviços fitossanitários, importação e exportação de produtos objeto do ramo social. 1041400 Fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto óleo de milho 1062700 Moagem de trigo e fabricação de derivados 1066000 Fabricação de alimentos para animais 4622200 Comércio atacadista de soja 4623108 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas com atividade de fracionamento e acondicionamento associada 4623109 Comércio atacadista de alimentos para animais 4623199 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas não especificadas anteriormente 4632001 Comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional KL De 23/03/2004 em diante: serviços de consertos e substituição de peças de caminhões, ônibus e outros veículos pesados, e comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores. 4530703 Comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores LDI Serviço de transporte rodoviário de cargas e afins. 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional Olecargas Carga e descarga de produtos alimentícios e transporte 5212500 Carga e descarga Plasma Industrialização, empacotamento e o comércio de cereais e serviços relacionados. 1062700 Moagem de trigo e fabricação de derivados PP Exploração do ramo de Serviços de Carga e Descarga de Produtos Agrícolas. 5212500 Carga e descarga PPMS Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Serviços de Cargas e Descargas em Geral. 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional RTC Carga, Descarga e Movimentação de Produtos Agrícolas e Transporte 5212500 Carga e descarga Spartano Fabricação e comércio de assentos com estrutura em mental, móveis e utensílios em geral. 5212500 Carga e descarga Tolecargas carga, descarga, movimentação de produtos agrícolas e transporte. 5212500 Carga e descarga Tolenorte Serviços de Carga e Descarga em transporte rodoviário e movimentação de produtos agrícolas em grãos e farelo e serviços de beneficiamento, moagem e preparação de outros produtos de origem vegetal, e transportes rodoviários dos mesmos. 5212500 Carga e descarga TPC Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Serviços de Carga e Descargas em Geral 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional Transcar Carga, Descarga e Movimentação de Produtos Agrícolas e Transporte 5212500 Carga e descarga VS Comércio Varejista de: Defensivos Agrícolas, Corretivos, Fertilizantes, Sementes, Insumos Agropecuários, Aplicação de Agrotóxicos e a Prestação de Serviços de Carga e Descarga de Cereais e Manutenção de Armazéns 4789099 Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente WSul Prestação de serviços de manutenção e reparos em veículos, caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas, equipamentos industriais e equipamentos de armazenagem; comércio de peças e acessórios para equipamentos industriais 4520001 Serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores Fl. 263DF CARF MF 18 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000284/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. ORDEM JUDICIAL CONDICIONANDO AO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, mormente nos casos em que a própria decisão judicial apresentada como fundamento de validade para a compensação condiciona expressamente a compensação ao seu trânsito em julgado.
Numero da decisão: 3401-005.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 239 1 238 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000284/200531 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.173 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO Recorrente CHINA'S FIOS INSDÚSTRIA E COMÉRClO LTDA, Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. ORDEM JUDICIAL CONDICIONANDO AO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, mormente nos casos em que a própria decisão judicial apresentada como fundamento de validade para a compensação condiciona expressamente a compensação ao seu trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 02 84 /2 00 5- 31 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 240 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado às fls. 184 a 187, que não homologou as declarações de compensação, transmitidas entre 13/10/2003 e 15/10/2004, abaixo relacionadas, situadas às fls. 03 a 45, por meio das quais a contribuinte pretendeu compensar débitos de PIS (8109), Cofins (2172), IRPJ (2089) e CSL (2372), vencidos entre 15/10/2003 e 15/10/2004, no montante histórico de R$ 46.734,05, com crédito oriundo de provimento judicial exarado nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 98.11044767, impetrado pela ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE AMERICANA, que tramitou na 2º Vara Federal da Subseção Judiciária de Piracicaba, com sentença em grau de recurso, que concedeu a segurança condicionando a compensação, nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, ao trânsito em julgado da decisão: 09939.48269.140904.1.3.548046 20060.46697.110804.1.3.548150 11788.04679.120704.1.3.549164 40209.71920.140604.1.3.540896 1020087340.120504.1.3.549955 12400.75603.110304.1.3.548159 23723.73528.110204.1.3.543562 41002.03997.140404.1.3.546822 02322.14715.121103.1.7.549491 13126.89548.151004.1.3.548267 36168.08643.131003.1.3.549307 04691.97138.14110313.540402 39754.15433.111203.13.545120 15767.05035.140104.1.3.548300 2. Foi lavrado, ainda, auto de infração com a finalidade de formalizar a cobrança de multa isolada, com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em virtude de compensação indevida, objeto de discussão no Processo nº 13888.000226/200880, apenso aos presentes autos nos termos do § 3º do dispositivo em referência. 3. A contribuinte, intimada via postal em 29/04/2005, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 189, apresentou, em 24/05/2005, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, a nulidade do auto de infração lavrado e a inaplicabilidade do art. 170A do Código Tributário Nacional, pois o Finsocial foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 4. Em 22/11/2010, a 01ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1431.589, situado às fls. 166 a 178 do Processo nº 13888.000226/200880, apenso aos presentes autos, de relatoria do AuditorFiscal Paulo Régis Venter, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 241 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2004 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Publica, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, aplicandose ao caso a decisão judicial, que tem força de lei entre as partes. PROVIMENTO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. TERMOS. CUMPRIMENTO. As unidades da Secretaria da Receita Federal devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor que disponham sobre a compensação de débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo órgão, em seus exatos termos, quando a norma vigente à data em que foi proferida a decisão judicial e que regia a matéria não foi alterada por legislação superveniente, ainda que a interpretação da norma dada pelo Poder Judiciário tenha sido menos favorável ao sujeito passivo do que a interpretação da Secretaria da Receita Federal. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 NULIDADE. HIPÓTESES. INOCORRÊNCIA. Não configuradas nos autos as hipóteses de nulidade prescritas no art. 59, inc. II, do PAF, argüido no recurso, rejeitase pedido pela nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. REQUISITO. MULTA. Procede o lançamento de multa devida em face da indevida compensação realizada pelo sujeito passivo, a partir de um crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, que veda o procedimento antes do trânsito em julgado da ação judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 242 4 Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 12/05/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 218 e, em 30/05/2011, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 219 a 234 no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Descabe se falar em nulidade do auto de infração, pois lavrado por autoridade competente, não tendo se caracterizado, ademais, qualquer preterição do direito de defesa, supedâneos do art. 59 do Decreto 70.235/1972. 8. As compensações em apreço foram efetuadas antes do trânsito em julgado do mando de segurança impetrado, em desalinho com o quanto preceituado pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. 9. A discussão de fundo, contudo, sequer se faz necessária, uma vez que a própria sentença utilizada pela contribuinte como fundamento de validade é expressa a condicionar o direito à compensação ao trânsito em julgado da ação judicial, o que, no momento do encontro de contas, não havia ocorrido. 10. Neste sentido, há norma individual e concreta materializada em ordem judicial expressa que, em que pese ter sido ignorada e desobedecida pela contribuinte, a jurisdição administrativa não pode transpor, sob pena de, esta sim, praticar ato nulo nos termos no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/1972. 11. Transcrevese, abaixo, a parte dispositiva da sentença: Isto posto, CONCEDO A SEGURANÇA, no sentido de reconhecer inconstitucional o FINSOCIAL, naquilo em que sua alíquota superou 0,5% (meio por cento), 0,6% (seis décimos por cento) para o ano de 1988, prevalecendo assim até a entrada em vigor da lei complementar n° 70/91, que instituiu a COFINS, podendo os associados da parte impetrante compensarem o Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10865.000284/200531 Acórdão n.º 3401005.173 S3C4T1 Fl. 243 5 recolhido indevidamente com outras tributos federais vincendos que sejam administrados pela Receita Federal, na forma estipulada na presente sentença e observado o prazo prescricional. No caso em questão, em face da redação do art. 170A do Código Tributário Nacional, nos termos da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, a compensação somente poderá ser realizada após o trânsito em julgado da presente decisão. 12. Apenas a título de complemento, correta a decisão recorrida ao afirmar que, conforme se denota da certidão de objeto e pé apresentada pela contribuinte, os recursos de apelação foram recebidos unicamente no efeito devolutivo. 13. Pelos motivos acima expostos, não merece procedência o recurso voluntário, devendo ser mantido o despacho decisório que não homologou as compensações intentadas, bem como o auto de infração nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. 14. Descabido, por fim, falarse em aplicação de retroatividade benigna em face de penalidade menos gravosa (50%) instituída pelo § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não aplicável aos casos de falsidade de declaração apresentada pela contribuinte, uma vez que as hipóteses para a sua cominação não se coadunam com o caso em apreço, restando, por fim, prejudicados os demais argumentos apresentados. 15. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.905839/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
Ementa:
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-004.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 Ementa: FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 Ementa: FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 39 /2 01 1- 87 Fl. 158DF CARF MF 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 02214.06395.080605.1.22.047032, informando um recolhimento a maior na monta de R$ 4.502,30 (quatro mil quinhentos e dois reais e trinta centavos) à título de contribuição ao PIS para o período de apuração 06/2000, transmitido em 08/06/2005 (fls. 0204). Em 02/12/2011 (fls. 0506), a Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela DRFVarginha, proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 4.502,30 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 0721) para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 10 3 o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. Em 16/04/2014, a 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 0646.529 (fls. 7782), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 14/07/2000 PIS/Pasep. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. PEDIDO DE PERÍCIA. É prescindível o pedido de perícia quando se tratar de matéria que não exige conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito, ainda mais quando envolver a falta de apresentação de provas na fase litigiosa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos, importantes para o deslinde da causa: inexiste a obrigatoriedade por parte do fisco de intimar os contribuintes para prestar esclarecimentos dos motivos de se ter pleiteado a restituição do tributo pago. somente Fl. 160DF CARF MF 4 abrese ao sujeito passivo o devido processo legal após o lançamento, ou no caso, a emissão do Despacho Decisório, com a respectiva ciência. o reconhecimento expresso de ato emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional de que todas as unidades da Secretaria da Receita Federal, incluídas as Delegacias de Julgamento, devem reproduzir o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito em matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de julgamento, realizado nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil. Inexistência de provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados, que poderiam ter sido feitas, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à tributação. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa (fls. 87114), repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário Voto Conselheiro Relator SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 11 5 correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 162DF CARF MF 6 Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 12 7 II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: Fl. 164DF CARF MF 8 NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905839/201187 Acórdão n.º 3301004.872 S3C3T1 Fl. 13 9 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Relator Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720435/2015-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 35 /2 01 5- 56 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 2º trimestre de 2012, nos valores de R$ 15.752,18, R$ 10.912,20 e R$ 35.580,21, transmitida através do PER/Dcomp nº 34992.27898.190612.1.3.020000, 20983.47997.190612.1.3.02 8600 e 41089.47037.200712.1.3.025730. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10120.720435/201556 Acórdão n.º 1401002.693 S1C4T1 Fl. 6 5 de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.677333/2009-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO.
As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO LEGAL.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal enuncia as hipóteses cabíveis para a realização da intimação do contribuinte, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo, em face da peculiaridade de cada caso, sob pena de malferi-lo, como também aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PER/DCOMP. SALDO CREDOR. FALTA DE PROVA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE.
A falta de demonstração, por meio de prova hábil, da existência do direito creditório pleiteado não exige conduta dolosa do declarante, bastando para sua denegação constatação que referido saldo credor fora alocado em outros pedidos de compensação, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime de provar que possuía saldo credor para acobertar o débito declarado no respectivo Per/Dcomp.
PEDIDO COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Por inexistência, nos autos, de prova hábil para infirmá-la, mantém-se a constatação referenciada no despacho decisório e confirmada pela DRJ de que o saldo credor indicado em Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado foi alocado em outros pedidos de compensação, não havendo, portanto, hipótese para a regular homologação do pedido de compensação.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. APLICAÇÃO.
Se o relator do voto condutor registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, no que diz respeito ao mérito propriamente dito, perante o colegiado de segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão do colegiado de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRESCRIÇÃO LEGAL. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal enuncia as hipóteses cabíveis para a realização da intimação do contribuinte, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo, em face da peculiaridade de cada caso, sob pena de malferilo, como também aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PER/DCOMP. SALDO CREDOR. FALTA DE PROVA. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE. 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RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. APLICAÇÃO. Se o relator do voto condutor registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, no que diz respeito ao mérito propriamente dito, perante o colegiado de segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão do colegiado de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1145.357, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, na sessão de julgamento realizada em 19.03.2014 (efls. 98 a 100), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 07/09, interposta aos 03/12/2009 em face de Despacho Decisório eletronicamente proferido pela Unidade de Origem, fl. 04, do qual a contribuinte tomou ciência aos 05/11/2009, fl. 06, que não homologou a compensação objeto da Declaração de Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 169 3 Compensação DCOMP tratada nos correntes autos, na qual foi indicado o valor de R$ 7.593,35 como crédito originário inicial a ser compensado, atinente a suposto pagamento a maior da contribuição para o PIS/PASEP, que foi realizado no montante original de R$ 22.550,37 em relação ao período de apuração de outubro de 2003. 2. A compensação foi não homologada porque detectado que o citado pagamento fora totalmente aproveitado para quitação dos seguintes débitos da contribuinte, descritos nas “Informações Complementares da Análise do Crédito”, fl. 05: Processo (Pr) / PerDcomp (PD) / Débito (Db) Valor Original Utilizado PD: 08020.00530.150604.1.3.043650 3.686,30 PD: 09853.21115.100205.1.7.040107 614,96 PD: 19915.34481.100205.1.3.044604 2.691,71 PD: 21621.16232.100205.1.3.040402 301,69 PD: 09513.42982.100205.1.3.046755 298,69 Db: cód 6912 PA 31/10/2003 14.957,02 Valor total 22.550,37 3. No recurso, a defendente requer a suspensão da exigibilidade dos débitos cujas compensações foram não homologadas (art. 74, da Lei nº 9.430/96, c/c o art. 151, III, do CTN). 4. Quanto ao crédito empregado na compensação, diz que “a decisão combatida não deve prosperar, tendo em vista que os créditos pelos quais a Requerente procedeu à compensação são legítimos e suficientes para extinguir o crédito tributário compensado”. 5. Outrossim, aduz que, consoante DCTF “do anocalendário de 2003”, o valor da contribuição para o PIS/PASEP apurado em relação ao mês de outubro de 2003 foi de R$ 14.957,02, sendo que, por equívoco, recolheu o montante de R$ 22.550,37 a este título, ressaltando que os valores recolhido e pago estão corretamente informados em DCTF, donde concluiu que a não homologação seria resultado de problemas técnicos do sistema da RFB. 6. Ao final, pugnou pela reforma da decisão recorrida e pela convalidação/homologação da compensação discutida. 7. Este julgador anexou a estes autos extrato emitido no sistema SIEF/PERDCOMP, bem como cópia de outras 05 (cinco) DCOMP em que foi utilizado o mesmo crédito contendido, bem como de Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente uma delas. Da ementa do acórdão recorrido A 2ª Turma da DRJ/REC, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 170 4 COMPENSAÇÃO COM DIREITO CREDITÓRIO TOTALMENTE UTILIZADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não homologa compensação cujo correspondente crédito já tenha sido totalmente utilizado em outras Declarações de Compensação transmitidas pelo próprio sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 117), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e realçar a necessidade de se atentar para os princípios da verdade material e da presunção de boafé, além de comentar a suposta negativa do colegiado a quo em atender ao seu pedido de realização de diligência e para solicitar que a intimação referente ao resultado do presente julgamento seja encaminhado ao endereço do contribuinte; requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida, reconhecendose integralmente o crédito pleiteado e a consequente homologação da compensação apresentada. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 12.09.2017 (efl. 165), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 05.09.2017, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 106), depois da ciência ocorrida em 10.08.2017, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 104), portanto, é Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 171 5 tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I da suspensão da exigibilidade Embora neste processo não se aventa qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, tratarseá do tema em breves linhas, haja vista a preocupação demonstrada pelo recorrente. A partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833 de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, cabe tão somente reafirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão até que ocorra sua definitividade na esfera administrativa. Preâmbulo II da intimação ao contribuinte A título de esclarecimento, em atenção ao prescrito nos incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, as intimações realizadas no transcurso do presente processo sempre são endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, salvo sua impossibilidade, não havendo, portanto, margem discricionária para que a ciência da presente decisão ocorra de forma diversa daquelas prescritas na referida norma processual de regência, cuja observância compete à autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte. Preâmbulo III do princípio da verdade material O recorrente, inadvertidamente, alega que um dos motivos que justifica a reforma do acórdão recorrido, é sua não observância do princípio da verdade material. De plano, afirmase que a alegação do recorrente não se sustenta. Primeiro porque, como sobejamente demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido, o motivo da não compensação pretendida decorre única e exclusivamente não foi homologada porque foi detectado que o citado pagamento fora totalmente aproveitado para quitação de outros débitos do contribuinte; segundo, porque pela análise de todas as decisões emanadas nos presentes autos, verificase que houve sim, análise das provas apresentadas, mas estas não foram suficientes para provar o direito alegado pelo contribuinte. Nesse passo, não cabe a este Colegiado alongarse em demasia sobre o princípio da verdade material a esta altura do trâmite processual, ou seja, em sede de recurso voluntário, isto porque a busca pela verdade material no processo administrativo não significa a concessão infindável de oportunidades ao contribuinte de trazer documentos, declarações e informações que provem o seu direito, sem respeito aos prazos estabelecidos na legislação de regência. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 172 6 Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, é dever do recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação postula. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, ao franquear aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Preâmbulo IV do princípio da presunção de boafé do contribuinte O recorrente desenvolve argumento no sentido de ver homologada a compensação declarada também sob o manto da prática da boafé, pelo fato de elaborar o Per/Dcomp em questão em face do pagamento de tributo/contribuição em montante superior ao efetivamente devido. Entretanto, uma vez mais, equivocase o recorrente quando aduz que "inexiste razão plausível que justifique a não homologação da PER/DCOMP analisada, que foi elaborada à luz do Princípio da BoaFé". Primeiro, porque ambas decisões, do despacho decisório e do acórdão recorrido, fundamentaram a não homologação da compensação e o não reconhecimento do direito creditório pretendido, respectivamente. Segundo, porque em momento algum esta decisões negaram a existência do "pagamento a maior". Terceiro, porque a constatação da inexistência de crédito disponível para realizar a compensação dos débitos informado no Per/Dcomp em questão é circunstância dotada de natureza absolutamente objetiva, bastando a confirmação de que o valor recolhido a maior, discriminado no Darf indicado na referida Per/Dcomp, foi utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte. Preâmbulo V do pedido de diligência Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 173 7 O recorrente afirma, para justificar a interposição do presente recurso, que o colegiado a quo manteve a decisão contida no despacho decisório de número de rastreamento 849813815, não obstante ter "apresentado provas e solicitado diligência". Compulsando a respectiva manifestação de inconformidade, apresentada em 03.12.2009 (fls. 06 a 08, Volume V1), notase que referido pedido de realização de diligência não foi solicitado. Porém, não obstante tal afirmação demonstrarse equivocada, ainda que verdadeira fosse, convém ressaltar, por oportuno, que o disposto nos artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972, impõe que a realização de diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessária e imprescindível à formação da sua convicção, logo, não podendo servir de mero instrumento para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Do mérito propriamente dito O recorrente apresenta, quanto ao mérito propriamente dito, os mesmos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade, sem acrescentar nenhum elemento de prova adicional. Desta forma, ao amparo do disposto no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do Regimento Interno do Carf, a seguir reproduzido, por concordar com os fundamentos da primeira instância, adoto o teor de seu voto condutor, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) início da transcrição do voto da primeira instância, na parte de interesse no presente julgado (...) 10. Feito o esclarecimento acima, saliento que não foi a ausência de pagamento indevido a título da contribuição para o PIS/PASEP realizado em relação ao período de apuração de outubro de 2003 que ensejou a nãohomologação da compensação aqui discutida, mas, sim, a circunstância de que o direito creditório a este título já havia sido empregado em outras compensações descritas no Demonstrativo “Informações Complementares da Análise do Crédito”, fl. 05 (vide tabela do item 2 acima), no qual se percebe que, do pagamento da contribuição analisada realizado pela contribuinte no valor de R$ 22.550,37 relativamente ao mês de outubro de 2003, apenas R$ 14.957,02 foi aproveitado para a extinção do correspondente débito o que evidencia que o Despacho Decisório considerou devido o mesmo valor do tributo mencionado pela manifestante. 11. Ademais, no mesmo reportado Demonstrativo (que, consoante expresso no texto do Despacho Decisório, sempre esteve na internet à disposição da contribuinte para consulta em “www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto ‘restituição...Compensação’, item Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.677333/200963 Acórdão n.º 3001000.465 S3C0T1 Fl. 174 8 PER/DCOMP, despacho decisório”) se verifica que a diferença de R$ 7.593,35 entre o pagamento da contribuição e o correspondente valor devido (= R$ 22.550,37 R$ 14.957,02) foi aproveitada nas compensações de débitos constantes de outras 05 (cinco) DCOMP e, a respeito desta utilização, a defendente nada disse. 12. O que constatei a respeito do aproveitamento do valor de R$ 7.593,35 nas supraditas DCOMP que imprimi no sistema “CPERDCOMP”, bem como na consulta que fiz ao sistema “SIEF/PERDCOMP”, fls. 74/98 e100, é que os valores do campo “Total do Crédito original Utilizado nesta DCOMP” coincidem com os montantes utilizados indicados em nupercitado Demonstrativo, exceto no tocante à DCOMP nº 19915.34481.100205.1.3.044604, na qual consta a utilização de R$ 3.275,31, enquanto o valor aproveitado que figura no citado Demonstrativo é de apenas R$ 2.691,71, o que se explica pelo fato de que, consoante Despacho Decisório cuja cópia anexei à fl. 99, o crédito original utilizado nesta DCOMP foi reconhecido apenas parcialmente no valor de R$ 2.691,71, correspondente ao saldo do crédito total restante após a homologação integral das outras 04 (quatro) compensações. 13. Então, patenteada a anterior utilização integral do direito creditório nas compensações de débitos objeto de outras DCOMP transmitidas pelo sujeito passivo, não resta saldo de crédito a ser aproveitado na compensação aqui contendida. (...) Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter, por seus exatos termos, a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório vindicado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903346/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.426
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 46 /2 00 8- 01 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.897, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.903346/200801 Acórdão n.º 3402005.426 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000496/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2201-004.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 96 /2 00 7- 24 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 105 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 67/75, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo I /SP, de fls. 44/61, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento por descumprimento de obrigação acessória (apresentou as Guias de Recolhimento ao Fundo Garantia GFIP, com omissão de fatos geradores das contribuições previdenciárias – CFL 68), conforme descrito no auto de infração DEBCAD 37.040.9914, de fls. 2/7, lavrado em 22/10/2007, referente ao período de janeiro/1999 a dezembro/2006, com ciência do RECORRENTE em 22/10/2007, conforme termo de fl. 12. O crédito não tributário objeto do presente processo administrativo foi aplicado com base no Decreto nº 3.048/1999, art. 284, inciso II e na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, no valor histórico de R$ 942.932,48 atualizado até a lavratura do auto de infração, conforme demonstrativo de cálculo às fls. 15/21 (lançado sem a caracterização de circunstâncias agravantes). Dispõe o relatório da infração (fls. 13/14) que, pelo confronto dos valores das Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais, bem como rubricas registradas no Livro Diário e Razão, se constatou a omissão de fatos geradores em GFIP em relação aos seguintes pagamentos efetuados pela empresa RECORRENTE: A. ABO — Abono Especial, que revelam os pagamentos a seus Empregados a título de Abono Especial, conforme CCT, Cláusula 1 a. a partir de ano de 2000, periodicamente pago. em verdadeira substituição à majoração salarial que ocorre no Dissídio Coletivo, na data base de cada ano (novembro), Conta Contábil 411.114. Não há previsão legal isentiva; B. I45 — Indenização por Rescisão 45 anos de Idade, que revelam que a Empresa realizou 11, pagamentos a seus Empregados título de Indenização sem submetêlos às Contribuições Previdenciárias, Rubrica 6945. Não há previsão legal isentiva; C. PA2 — Participação dos Administradores pós GFIP, Pagamento de PARICIPAÇÃO DA DIRETORIA (art. 152 da Lei das S/A). Não há previsão legal isententiva; D. PLR Sorocaba pós GFIP, que revela que a Empresa realizou pagamentos a seus Empregados a titulo de PARTICIPAÇAO NOS LUCROS OU RESULTADOS , na Unidade de Sorocaba em desacordo com a Lei 10.101/2000, nos anos 1998 a 2005, respectivos acordos dos anos 1997 até o ano 2004, vez que sem intermediação obrigatória do Sindicato dos Empregados ou indicação de representante dele nos acordos coletivos; E. SG1 — Seguro de Vida pós GFIP, A Empresa paga Seguro de Vida em Grupo para seus Empregados. O seguro de vida em grupo não é considerado saláriodecontribuição a partir de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 106 3 11/1999 com edição do decreto 3.265, CONDICIONADO à previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e com disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso em tela, verificouse inexistência de previsão nas Convenções e/ou Acordos Coletivos. A fiscalização entendeu que os valores acima não se amoldam em nenhuma das hipóteses excludentes da prestação previdenciárias, nos termos do art. 214, § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto 3048/99, portanto são fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e deveriam ter composto suas respectivas bases de cálculo. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 28/32 em 13/11/2007. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo I/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: A Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 25/29,DRF/GUARULHOS — CAC/SIPE 1097962, em 13/11/2007, alegando em síntese Que recebeu a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Fiscal, referente a Contribuições Sociais devidas ao INSS e, descreve as infrações como consta da Descrição Sumária da Infração e Dispositivo Legal Infringido de fls. 1. PRELIMINAR Do Pedido de Sobrestamento dos autos 1. Alega necessidade de aguardar o transito em julgado das NFLDs: 37.040.9825; 37.040.9833; 37.040.9850; 37.040.986 8 e 37.040.9892; 2. que a presente NFLD esta calcada naqueles lançamentos que estão sendo objeto de impugnação pela autuada; 3. e, que o presente processo administrativo deverá ser suspenso até o transito em julgado das decisões administrativas das NFLDs mencionadas pois qualquer modificação naquelas infrações altera o valor da presente autuação independente do julgamento do mérito da presente infração que foi supostamente cometida em virtude das demais. DO MÉRITO Que a autuação se deve pela autuada ter apresentado GFIP com supostas omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias do Abono Especial, Indenização por aposentadoria, Participação da Diretoria no Lucro, PLR de Sorocaba e Seguro de Vida e, que tais informações não foram fornecidas pelo fato que a autuada entende que estes pagamentos não são fatos geradores de contribuições Fl. 106DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 107 4 previdenciárias e, por não reconhecer apresentou defesa em todos os lançamentos efetuados. Que a presente infração deverá ser totalmente anulada já que a empresa já fora autuada pela suposta ausência dos recolhimentos . das contribuições previdenciárias sobre aquelas rubricas e, se já esta sendo punida pela suposta ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias não pode ser punida novamente por não demonstrar os respectivos comprovantes. Que está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato e que é regra do direito pátrio que o bis in idem é ilegal. Que a infração maior — suposto não recolhimento das contribuições previdenciárias absorve a menor — não apresentação dos comprovantes. Que as explicações aduzidas pelo Impugnante são suficientes para que se perceba que o embasamento do auto é manifestadamente equivocado. REQUER (i) o acolhimento da preliminar para que o presente processo administrativo seja suspenso até o transito em julgado dos processos administrativos decorrentes das NFLDs: 37.040.982 5; 37.040.9833; 37.040.98544 37.040.9868 e 37.040.9892, vez que o resultado destas pode modificar o valor da presente autuação (ii) no mérito que seja julgado o auto de infração improcedente uma vez que a autuada está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato e que a autuação pelo não recolhimento das contribuições absorve a presente peça acusatória. (iii) Requer que todas as intimações, notificações e/ou citações, sejam encaminhadas ao patrono da autuada, Dr. Alfredo Camargo Penteado Neto, cujo escritório situase na Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 473, Itaim Bibi São PauloSP, CEP: 04544001, para que as devidas providências sejam tomadas em tempo hábil, mormente a decisão da presente defesa. Da Decisão da DRJ de São Paulo I /SP Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo I /SP, às fls. 44/61, julgou improcedente as impugnações apresentadas, mantendo integralmente o lançamento através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/12/2006 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 108 5 DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. 1. É afastada a constitucionalidade do prazo de 10 anos para a constituição de crédito previdenciário pela Súmula Vinculante n° 8, de 12/06/2008. DOU 20/06/2008. 2. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve antecipação de pagamento pelo Contribuinte, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo 173, inciso I, do CTN. 3. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, ao artigo 32, inciso IV, § 50, da Lei 8.212/91, sujeitando o infrator à multa prevista no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Lançamento Procedente em Parte” A DRJ de origem entendeu, preliminarmente, pela decadência dos créditos constituídos antes de dezembro/2001 (janeiro/1999 a novembro/2001), visto que transcorridos mais de 5 anos entre a data do fato gerador e a notificação do contribuinte do lançamento, contados nos termos do art. 173, I do CTN. No mérito, entendeu que não merece prosperar a alegação de bis in idem, visto que os processos apontados pelo recorrente buscam cobrar o crédito tributário principal, ao passo que o presente processo busca cobrar a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. Possuem, portanto, naturezas diferentes. Ademais, a cobrança da multa decorre de expressa previsão legal, devendo ser cobrada independente da intenção do agente ou responsável, sob pena de infringir o princípio da estrita legalidade. Tomando como base este mesmo argumento autonomia das obrigações decorrentes dos processos administrativos de cobrança das obrigações principais e deste processo – entendeu pelo indeferimento do pedido de sobrestamento. Por fim, quanto ao valor da multa, entendeu a DRJ que a mesma deve ser recalculada excluindo do lançamento as competências atingidas pela decadência. Desta forma, deve ser mantido o crédito no valor de R$ 599.868,14. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 109 6 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 13/11/2008, conforme AR de fls.65, apresentou Recurso voluntário de fls. 67/75 em 10/12/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou os argumentos da Impugnação, acrescentando que deveria ter sido reconhecida a decadência da competência de 12/2001. Da Decisão do CARF Ao apreciar o recurso, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, através da resolução nº 2403000.069 (fls. 84/88), entendeu pela necessidade de baixar o processo em diligência para que a Secretaria da Câmara informasse o resultado do julgamento pelo CARF dos seguintes processos: § NFLD 37.040.9833 (Processo nº 16095.000499/200768) § NFLD 37.040.9868 (Processo nº 16095.000501/200707); e § e NFLD 37.040.9892 (Processo nº 16095.000494/200735) Do retorno da diligência Quando do retorno da diligência, foi anexado aos autos o Acórdão nº 2301 002.889, proferido nos autos do Processo nº 16095.000494/200735. Neste sentido, ao receber o presente caso em retorno de diligência, esta Turma julgadora proferiu a Resolução nº 2201 000.216 (fls. 95/99), de 13/4/2016, no seguinte sentido: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 110 7 Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar: da Decadência A RECORRENTE, apesar do reconhecimento da decadência dos créditos de competência até novembro/2001, volta a insistir, em seu recurso, que o período de dezembro/2001 também estaria decaído. Em seus fundamentos alega que a DRJ de origem cometeu um equívoco no início da contagem do prazo decadencial do período de dezembro/2001. Sob a ótica do RECORRENTE, a contagem do prazo decadencial s iniciou em 1º/1/2002 e não em 1º/1/2003 como entendeu o julgador, visto que este é o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o crédito poderia ter sido lançado art. 173. I do CTN. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 111 8 Pois bem, a teor da Súmula Vinculante nº 08 do STF, abaixo transcrita, o prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é quinquenal e não decenal: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No que tange aos efeitos da súmula vinculante, cumpre lembrar o texto do artigo 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei". Dessa forma, é possível concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial, importante esclarecer que os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias sujeitamse ao regime de decadência referido no art. 173 do CTN, pois tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. Neste sentido, é a jurisprudência deste CARF, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 (...) MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DO ART. 173, I DO CTN. O prazo aplicável para a verificação do decurso do prazo decadencial para lançamento de multas dado o descumprimento de obrigações acessórias regese pelo art. 173, I do CTN, por não comportarem elas pagamento antecipado. (...) (Acórdão nº 2402005.815; 2ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 09/05/2017) Então, no presente caso, débitos de obrigações acessórias referentes a fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário 2001 teriam o início da contagem do prazo Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 112 9 decadencial a partir de 01/01/2002 e poderiam ser lançados até 01/01/2007, com exceção da competência de dezembro/2001. Isto porque, o prazo para apresentar a GFIP é até o dia 7 do mês subsequente àquele em que a remuneração foi paga, nos termos do art. 2º da Instrução Normativa MPS/SRP Nº 9/2005. Desta forma, apenas a partir de 8/1/2002 é que a fiscalização poderia ter lançado o crédito tributário por descumprimento de obrigação acessória, visto que, antes desta data, não houve qualquer descumprimento por parte do contribuinte. Nesta toada, o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o crédito relativo à competência de dezembro/2001 poderia ter sido lançado é 1º/1/2003, razão pela qual a competência de dezembro/2001 não foi fulminada pela decadência, pois o prazo decadencial findou em 01/01/2008. Portanto, correto o entendimento da DRJ. Mérito: Da Multa Aplicada Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação O cerne do recurso, apresentado pela RECORRENTE, repousa em alegação de que a empresa já foi autuada pelo descumprimento das obrigações principais em processos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 113 10 administrativos próprios, e já está sendo punida pela ausência de recolhimento do tributo naqueles autos. Nas palavras do próprio RECORRENTE: “A recorrente está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. É regra do direito pátrio que o bis in idem, é ilegal.”. Não merecem prosperar as alegações do RECORRETE, explico: Existe distinção clara entre as obrigações principais e acessórias. A obrigação principal é de pagar o tributo, ao passo que a obrigação tributária acessória é declarar em GFIP a ocorrência do fato gerador, são condutas independentes. Ora, tanto o são que poderia o contribuinte ter declarado em GFIP a ocorrência do fato gerador mas não têlo pago, conduta que viola apenas a obrigação principal, como poderia ter regularmente pago o tributo sem têlo declarado em GFIP, conduta que fere a obrigação acessória. O fato do contribuinte, no presente caso, não ter praticado nenhuma das condutas não implica que a conduta menos grave (descumprimento da obrigação acessória) será absorvida pela punição da conduta mais grave (descumprimento da obrigação principal). Proceder desta forma viola o princípio da isonomia, posto que beneficia o contribuinte que praticar as duas condutas vedadas em detrimento daquele que apenas não cumpre a obrigação principal. O Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da RECORRENTE ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a RECORRENTE apresentou as GFIPs, para as competências janeiro/1999 a dezembro/2006, com informações omissas das contribuições sociais previdenciárias, eis que ela deixou de inserir as seguintes remunerações nas GFIPs: A. ABO — Abono Especial, que revelam os pagamentos a seus Empregados a título de Abono Especial, conforme CCT, Cláusula 1 a. a partir de ano de 2000, periodicamente pago. em verdadeira substituição à majoração salarial que ocorre no Dissídio Coletivo, na data base de cada ano (novembro), Conta Contábil 411.114. Não há previsão legal isentiva; B. I45 — Indenização por Rescisão 45 anos de Idade, que revelam que a Empresa realizou 11, pagamentos a seus Empregados título de Indenização sem submetêlos às Contribuições Previdenciárias, Rubrica 6945. Não há previsão legal isentiva; C. PA2 — Participação dos Administradores pós GFIP, Pagamento de PARICIPAÇÃO DA DIRETORIA (art. 152 da Lei das S/A). Não há previsão legal isententiva; D. PLR Sorocaba pós GFIP, que revela que a Empresa realizou pagamentos a seus Empregados a titulo de PARTICIPAÇAO NOS LUCROS OU RESULTADOS , na Unidade de Sorocaba em desacordo com a Lei 10.101/2000, nos anos 1998 a 2005, respectivos acordos dos anos 1997 até o ano 2004, vez que sem intermediação obrigatória do Sindicato dos Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 114 11 Empregados ou indicação de representante dele nos acordos coletivos; E. SG1 — Seguro de Vida pós GFIP, A Empresa paga Seguro de Vida em Grupo para seus Empregados. O seguro de vida em grupo não é considerado saláriodecontribuição a partir de 11/1999 com edição do decreto 3.265, CONDICIONADO à previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e com disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso em tela, verificouse inexistência de previsão nas Convenções e/ou Acordos Coletivos. Tais valores das remunerações foram devidamente delineados e registrados no Relatório Fiscal da Multa Aplicada de fls. 13/14 e demonstrado nas planilhas anexas às fls. 15/20. Com isso, a RECORRENTE incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (g.n.) (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1º a 4º: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 115 12 contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. §2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) §3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. §4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídico previdenciário acima delineado, constata se, então, que a RECORRENTE – ao deixar de inserir nas GFIPs os valores e remunerações supracitados – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1º a 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Sendo assim, é legal a multa aplicada. Retroatividade Benigna Entendo que o caso merece especial atenção em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. Tal particularidade cria uma situação em que é preciso averiguar qual a multa mais benéfica à RECORRENTE: se a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/09. Importante observar que o inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi revogado pela lei nº 11.941/2009. Assim, a multa de mora passou a ser regida pelo caput do art. 35 da lei nº 8.212/1991, o qual remete para o art. 61 da Lei nº 9.430/96, que somente trata de hipótese de pagamento das contribuições em atraso, porém sem o lançamento de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 116 13 Para os casos de lançamento de ofício, a multa aplicada passou a ser aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 35A da Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212/91 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Nos termos do art. 106 do CTN, se aplica a retroação benéfica das leis nos seguintes casos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Porém, a despeito de ter avido alteração da penalidade, importante mencionar que, antes da Lei nº 11.941/2009, eram aplicadas ao contribuinte a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 mais a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, §5º, da mesma Lei nº 8.212/91 (também revogada pela Lei nº 11.941/2009). É válido mencionar tal fato pois, a fim de deixar claro ao contribuinte que a verificação da retroatividade benigna enseja a comparação das seguintes penalidades: a nova multa de 75% sobre o valor do principal devido; a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 + a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme antiga redação do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 117 14 O menor valor de penalidade dentre as duas hipóteses acima citadas é o que deve prevalecer para ser cobrado do contribuinte. Válido também mencionar que a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi aplicada em cada uma das Notificações (NFLDs) relativas às obrigações principais lançadas, estando controlada em cada um dos processos. Já a multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91, é controlada neste processo e tem como base todos os outros processos (NFLDs) relativos às obrigações principais. Neste sentido, em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009, entendo que deve haver a comparação de qual a penalidade mais benéfica ao RECORRENTE: a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/2009, devendo sempre ser observada a exigência da obrigação principal. Portanto, a unidade preparadora deve efetuar a comparação conforme determina o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. Desta forma, a unidade preparadora deve ficar atenta ao resultado dos julgamentos vinculados a este processo, sobretudo aqueles mencionados pelo RECORRENTE, pois, conforme demonstrado através de resultado de diligência nestes autos, o RECORRENTE Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16095.000496/200724 Acórdão n.º 2201004.678 S2C2T1 Fl. 118 15 obteve êxito em relação ao processo nº 16095.000494/200735 (relativo ao levantamento SG1 Seguro de Vida) e seu Recurso Voluntário foi parcialmente provido no processo nº 16095.000501/200707 (relativo ao PLR do empregados). Ademais, o recurso voluntário do processo nº 16095.000499/200768 (apenso ao presente e apreciado na mesma ocasião) foi julgado procedente por esta mesma Turma julgadora. Portanto, é fundamental retirar da base de cálculo da multa deste processo àqueles valores em que decidiuse pela procedência dos argumentos do contribuinte, para, só então, fazer a comparação acima determinada da multa mais benéfica. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903285/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.621
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 85 /2 01 2- 62 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 049.302. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903285/201262 Acórdão n.º 3302005.621 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
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