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Numero do processo: 10580.728178/2016-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.
A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de situação plenamente constituída.
ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança."
GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE.
É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade, investidora, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade investida (empresa veículo), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria investida.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO.
Cancela-se a qualificação da multa de ofício quando não comprovado o dolo do sujeito passivo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE
As multas de ofício constituem-se em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
Em não havendo nos autos as condições permissivas ao abrandamento de penalidade previsto no art.112 do CTN, de se rejeitar a sua aplicação.
JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Membros do conselho de administração de sociedades anônimas não têm poder de execução de atos, não sendo cabível sua responsabilização tributária com base no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. DIRETORES.
Não prevalece a responsabilização de diretores quando o auto de infração não imputa individualmente quais atos teriam sido praticados com infração à lei ou a estatutos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONÍVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA.
Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL.
Numero da decisão: 1401-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em apreço, bem assim as arguições de decadência para, no mérito, também por unanimidade de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, negar provimento em relação à cobrança de juros sobre a multa de ofício e dar provimento ao recurso apresentado pelos apontados como responsáveis tributários. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à glosa de despesas de amortização de ágio para fins de IRPJ e deCSLL; vencidos os Conselheiros Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga; Os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga acompanharam a Relatora pelas conclusões; também por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à imposição da multa de ofício; vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudio de Andrade Camerano - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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EMPRESA VEÍCULO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. Recorrente COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. A edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. O artigo 24 da LINDB dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Súmula CARF n. 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 81 78 /2 01 6- 64 Fl. 8988DF CARF MF 2 GLOSA DE DESPESAS. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE INVESTIDORA (EMPRESA VEÍCULO) POR SUA INVESTIDA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade, investidora, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade investida (“empresa veículo”), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria investida. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Cancelase a qualificação da multa de ofício quando não comprovado o dolo do sujeito passivo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE As multas de ofício constituemse em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Em não havendo nos autos as condições permissivas ao abrandamento de penalidade previsto no art.112 do CTN, de se rejeitar a sua aplicação. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Membros do conselho de administração de sociedades anônimas não têm poder de execução de atos, não sendo cabível sua responsabilização tributária com base no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135 DO CTN. DIRETORES. Não prevalece a responsabilização de diretores quando o auto de infração não imputa individualmente quais atos teriam sido praticados com infração à lei ou a estatutos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Fl. 8989DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.989 3 CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONÍVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA. Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em apreço, bem assim as arguições de decadência para, no mérito, também por unanimidade de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, negar provimento em relação à cobrança de juros sobre a multa de ofício e dar provimento ao recurso apresentado pelos apontados como responsáveis tributários. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à glosa de despesas de amortização de ágio para fins de IRPJ e deCSLL; vencidos os Conselheiros Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga; Os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga acompanharam a Relatora pelas conclusões; também por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à imposição da multa de ofício; vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado). Fl. 8990DF CARF MF 4 Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012, em razão de amortizações de ágio consideradas indedutíveis (o auto de infração indica "ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DESPESA INDEDUTÍVEL DE ÁGIO DE SI MESMA" fl. 237). A multa foi qualificada porque, no entender da autoridade autuante, "Esta conduta de criar operações sem substrato econômico razoável (transferência de ágio para empresa veículo e incorporação às avessas da controladora) para tentar alterar o fundamento econômico do ágio visando apenas à redução da carga tributária consubstanciou a conduta fraudulenta das empresas envolvidas nas operações, ..." (fl. 76). O relatório da decisão recorrida assim descreve as infrações imputadas e os argumentos da impugnação: 1 ) Relatório de Verificação Fiscal. O Fisco constatou, que a empresa deduziu, na apuração do Lucro Líquido, nos anos de 2011 e 2012, valores referentes a ágio, no montante anual respectivo de R$ 55.539.840,12 e 53.582.152,80, conforme demonstrativo de fl. 43. Através da análise do LALUR apresentado, concluiu que as amortizações do ágio não foram adicionadas na apuração do Lucro Real. Descreve os pormenores do Edital nº 01/97, que tratou da alienação de ações ordinárias da COELBA, que, previu a negociação de 65,64 % do capital ordinário da empresa. Afirma que a COELBA, apesar de regularmente intimada, não apresentou laudo ou demonstrativo arquivado de avaliação de seu patrimônio, que demonstrasse tempestivamente os fundamentos econômicos para o ágio amortizado nos anos calendário 2011 e 2012, oriundo da aquisição de ações no âmbito do leilão de privatização realizado em 31 de julho de 1997. Apesar da não apresentação do laudo ou demonstrativo como determina a legislação, o fisco teve acesso ao laudo elaborado pela Trevisan Consultores, com avaliação de R$ 1.773.665.000,00 para 100% do capital da COELBA, que justificariam a expectativa de rentabilidade futura do ágio pago pela adquirente da participação (Guaraniana S.A, atualmente denominada de NEOENERGIA S.A). Entretanto, segundo o autuante, o laudo/demonstrativo da Trevisan Consultores não tem o condão de justificar economicamente todo o ágio contabilizado e amortizado pela COELBA, no período de 2011 e 2012, uma vez que o valor constante do laudo (R$ 1.773.665.000,00), se refere a 100% das ações da COELBA e a aquisição pela Guaraniana S A, teria sido de apenas 51,7% do total das ações. Segundo o fisco: ... Ora, se 100% do capital da COELBA foi mensurado, através da técnica do fluxo de caixa projetado, por Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira e, a empresa Guaraniana S.A, após ajustes, adquiriu apenas 51,7% do capital total, não restam dúvidas que apenas essa participação teria os pressupostos econômicos identificados. Ou seja, do total avaliado por consultoria (R$ 1.773.665.000,00), apenas o montante de R$ 916.984.805,00 (novecentos e dezesseis milhões, novecentos e oitenta e quatro Fl. 8991DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.990 5 mil, oitocentos e cinco reais) guardava relação com a rentabilidade futura, conforme demonstrativo abaixo. No entanto, sabese que a mais valia registrada pela empresa Guaraniana S.A, no âmbito do leilão de privatização, representou 69,71% do custo total de aquisição da participação no capital da COELBA (1.213.019.937,14 / (526.966.189,77+1.213.019.937,14)), por isso, ao aplicar tal percentual no montante de capital adquirido (51,7% ou R$ 916.984.805,00), verificouse que apenas o valor de R$ 639.269.953,55 (seiscentos e trinta e nove milhões, duzentos e sessenta e nove mil, novecentos e cinquenta e três reais e cinquenta e cinco centavos) se referia a ágio, cujo fundamento econômico poderia estar baseado em rentabilidade futura. Abaixo, demonstrase sinteticamente o raciocínio utilizado. ... Conclui o fisco que, "diante dos fatos narrados e documentos analisados, relativamente a aquisição de ações da COELBA, no âmbito do leilão de privatização, ocorrido em 31 de julho de 1997, concluiuse que apenas 52,70% do ágio contabilizado possuía pressuposto econômico na rentabilidade futura" da empresa adquirida. Dessa forma o ágio se reduziria a R$ 639.269.953,55. Prossegue o fisco elencando novas aquisições efetuadas pela empresa Guaraniana S A. Inicialmente aumentando sua participação na COELBA para 56,48 % do capital total, através de aquisições com deságio, entre maio de 1998 e fevereiro de 1999, em Bolsas de Valores e posteriormente, aumentando o capital para 87,832% em 06/10/1999, através de leilão especial realizado na BOVESPA, com ágio de R$ 40.692.244,674. Para esta última aquisição, o Fisco alega que o laudo apresentado é datado de 23/12/1999, posterior, então, à data do negócio. Alega ainda o Fisco, que "no que se refere ao Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira do capital total da COELBA, realizado em 09 de julho de 1997 pela Trevisan e Associados Consultores de Empresas LTDA, foi possível verificar que se prestou a fundamentar economicamente apenas parte do ágio oriundo do leilão de privatização, amortizado no biênio 2011 e 2012, sendo que, por essa razão não teria o condão de embasar a mais valia surgida no leilão especial". Conclui o autuante, com base na legislação vigente, tratarse de ilicitude a amortização do ágio sem comprovação tempestiva da fundamentação econômica na rentabilidade futura da controlada. Prossegue o Fisco: ... No caso do Laudo de avaliação econômicofinanceira do capital total da COELBA, realizado pela consultora Trevisan e Associados Consultores de Empresas LTDA, verificouse que parte do ágio (52,70% ou R$ 639.269.953,55) fora fundamentado em Fl. 8992DF CARF MF 6 rentabilidade futura, sendo certo, que somente esse quinhão teria dedutibilidade fiscal possibilitada. No entanto, houve outra aquisição de ações da COELBA, em leilão especial, ocorrido em 06 de outubro de 1999, sem demonstração tempestiva arquivada, razão pela qual reduziuse o percentual do ágio amortizável, em face de fundamentação econômica, conforme demonstrativo abaixo. Após o tudo o que foi exposto no presente relato, concluiuse que apenas 42,78% ou o equivalente a R$ 536.367.942,85 (quinhentos e trinta e seis milhões, trezentos e sessenta e sete mil, novecentos e quarenta e dois reais e oitenta e cinco centavos) se referiam a ágio com pressuposto econômico na rentabilidade futura de controlada que, em tese, poderia ser amortizado do lucro real da COELBA. O montante equivalente a diferença entre o que foi efetivamente deduzido e o ágio amortizável não reunia requisitos legais para redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Entretanto, demonstrarseá que todo o ágio amortizado pela COELBA, oriundo do leilão de privatização e leilão especial, não encontra respaldo na legislação vigente a época dos fatos geradores (2011 e 2012) para redução da base de cálculo dos tributos acima mencionados. O Fisco analisa também o grupo de controle da COELBA, após as aquisições das ações, assim como o tratamento contábil e fiscal do ágio gerado. Descreve a evolução da participação societária da Guaraniana S A e demonstra através do diagrama a seguir a relação societária existente entre as empresas: De acordo com a exposição realizada nos itens 2 a 4.2 do presente relato, houve aquisição de ações da COELBA pela Guaraniana S.A com expressivo ágio. Após manifestação da CVM16 acerca de debêntures anteriormente emitidas pela COELBA, conversíveis em ações, as quais, quando convertidas, reduziriam (para 51,7%) a participação da Guaraniana S.A no capital total da investida, podese constatar que o montante do ágio registrado contabilmente17, ao final do ano de 1997, equivalia a R$ 1.213.019.937,14 (um bilhão, duzentos e treze milhões, dezenove mil, novecentos e trinta e sete reais e quatorze centavos). ... Apesar de contabilmente amortizado, o ágio em epígrafe foi adicionado ao LALUR da Guaraniana S.A, conforme se verificou às fls. 10 e 13, motivo pelo qual não compôs a base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL. No ano calendário de 1998, a Guaraniana S.A amortizou, a título de ágio oriundo da COELBA, o equivalente a R$ 52.124.614,61 (cinquenta e dois milhões, cento e vinte e quatro mil, seiscentos e quatorze reais e sessenta e um centavos), contudo, à fl. 13, do LALUR, realizou adição do montante por não reunir os requisitos legais para compor a base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL. Ressaltase que os lançamentos verificados no livro fiscal se referiam a amortização do ágio relativo a COELBA e COSERN. ... Fl. 8993DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.991 7 Após os lançamentos acima mencionados, relativos ao ágio e a conta de investimento correlata, verificouse a seguinte composição nas contas de ativo e de resultado: No ano calendário de 1999, a empresa Guaraniana S.A informou na DFP, à fl. 37, que adquirira 3.862.480.000 (três bilhões, oitocentos e sessenta e dois milhões, quatrocentas e oitenta e mil) ações ordinárias e 2.034.946.000 (dois bilhões, trinta e quatro milhões, novecentas e quarenta e seis mil) ações preferenciais, emitidas pela COELBA, passando a deter 87,832% do seu capital total. Conforme menção contida no item 4.1 do presente relato, esta operação foi realizada com ágio, não fundamentado economicamente através de demonstrativo tempestivo arquivado, no valor de R$ 40.692.244,64 (quarenta milhões, seiscentos e noventa e dois mil, duzentos quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos), a ser amortizado pelo prazo remanescente da concessão da COELBA. ... Depois do registro dos fatos econômicos ocorridos em 1999, referentes a aquisição de ações da COELBA, nos leilões de privatização e especial, foi possível constatar as seguintes modificações nos saldos das contas relativas ao ágio incorrido e amortizado: ... Após a aquisição de ações da COELBA no âmbito do leilão especial, ocorrido em outubro de 1999, observouse a inclusão da empresa 521 Participações S.A20, CNPJ nº 01.547.749/00011621, no grupo de controle da Guaraniana S.A. ... Fl. 8994DF CARF MF 8 Nesse período, a Guaraniana S.A, em obediência aos diplomas legais vigentes, adicionou os montantes acima descritos no LALUR22, às fls. 02 e 03, desfazendo, sob a ótica fiscal, o efeito da amortização contábil da mais valia aqui analisada. Também foi verificado na Parte “B” do livro fiscal, à fl. 15, registro, na conta de “ágio na aquisição de investimentos a realizar”, relativo a dedução da mais valia correspondente (valores consolidados COELBA e COSERN). Em 31 de março de 2000, a empresa Guaraniana S.A transferiu, através de capitalização, o investimento (inclusive o ágio) que detinha na COELBA para a empresa ligada Nordeste Participações S.A, CNPJ nº 02.150.255/000166, entretanto, manteve o controle na Parte “B” do LALUR do montante acumulado referente as amortizações mensais ocorridas até aquele momento. ... Conclui o Fisco, observando que a empresa Guaraniana S A adquiriu ações da COELBA com expressivo ágio, sendo que parte substancial desse ágio, conforme discussão sobre os laudos, não possuía fundamento econômico em resultados futuros da controlada. Já em 2000 a Guaraniana S A, buscando alterar o contexto da impossibilidade de dedução fiscal do ágio em epígrafe, deu início a uma série de operações intragrupo que se materializou na capitalização da Nordeste Participações S.A., com a participação remanescente que detinha na COELBA. No item 6 do TVF o Fisco descreve a formação da empresa Nordeste Participações S A, utilizada como "empresa veículo" na transferência do ágio. ... Após as mudanças acima descritas no capital social da Nordeste Participações S.A, o controle societário da empresa passou a ser exercido majoritariamente pela 521 Participações S.A, consoante demonstrativo abaixo. Além de controlar diretamente a Nordeste Participações S.A, a empresa 521 Participações S.A era, em verdade, o veículo por meio do qual o BB/PREVI/25 mantinha participação acionária na empresa Guaraniana S.A. Ou seja, onde se lia 521 Participações S.A, em verdade, se falava do BB/PREVI, conforme diagrama abaixo. Buscou o Fisco demonstrar, através do exame da documentação disponível, que a empresa Nordeste participações S A não apresentou nenhuma atividade Fl. 8995DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.992 9 operacional anterior à sua capitalização no ano de 2000, tendo se prestado tão somente à transferência do ágio analisado. ... Diante dos fatos trazidos nesse item, restou confirmado que desde sua constituição até o dia 30 de março de 2000, portanto, antes da capitalização, a empresa Nordeste Participações S.A não apresentou qualquer receita da atividade ou movimento operacional, demonstrando pouca ou nenhuma solidez econômico financeira. No entanto, em 31 de março de 2000, de acordo com Ata da AGE, a empresa Nordeste Participações S.A aprovou aumento de capital social no montante de R$ 2.105.024.344,00 (dois bilhões, cento e cinco milhões, vinte e quatro mil, trezentos e quarenta e quatro reais), mediante emissão particular de 2.105.024.344 (dois bilhões, cento e cinco milhões, vinte e quatro mil, trezentas e quarenta e quatro) ações ordinárias ao preço unitário de R$ 1,00 (um) real, para integralização a vista através de bens. Ainda de acordo com a Ata acima mencionada, a empresa Guaraniana S.A subscreveu a totalidade das ações integralizando no ato a quantia, mediante conferência de 13.716.702.215 (treze bilhões, setecentos e dezesseis milhões, setecentos e duas mil, duzentas e quinze) ações ordinárias e 2.811.250.317 (dois bilhões, oitocentos e onze milhões, duzentos e cinquenta mil, trezentas e dezessete) ações preferenciais de emissão da empresa COELBA, da qual era titular, atribuindo valor para as ações vertidas de R$ 2.105.024.344,00 (dois bilhões, cento e cinco milhões, vinte e quatro mil, trezentos e quarenta e quatro reais). ... Esta subscrição foi embasada em Laudo de avaliação do Patrimônio Líquido da COELBA, realizado pela empresa ERNST & YOUNG Auditores Independentes S/C, com data de referência de 29 de fevereiro de 2000, através da aplicação da equivalência patrimonial. Há de se ressaltar que o montante capitalizado pela Guaraniana S.A, da participação com ágio que detinha da COELBA, na empresa Nordeste Participações S.A, refletia na data de referência (29/02/00) o saldo remanescente da amortização realizada na controladora desde o ano de 1997, consoante demonstrativo abaixo. Conforme relato, concluiuse que a Guaraniana S.A, mediante transferência das ações da COELBA que detinha, integralizou capital na empresa Nordeste Participações S.A, que nesse momento passou a condição de controladora desta, conforme diagrama. Fl. 8996DF CARF MF 10 Foi possível constatar então que a Nordeste Participações S.A, empresa sem qualquer estrutura ou capacidade operacional, que não apresentou qualquer atividade no período compreendido entre a constituição e 30 de março de 2000, recebeu aporte de capital vultuoso, através de transferência de ações da Coelba que a Guaraniana S.A detinha, com objetivo, a priori, de controlar uma gigante do setor energético. Não se percebeu substância econômica ou razoabilidade nesta operação da forma como foi realizada. Entretanto, de acordo com item 6, à fl. 42, da DFP 2000, apresentada a CVM, a COELBA esclareceu os objetivos reais da operação de transferência do ágio pago pelo grupo Iberdrola, PREVI e Banco do Brasil, através da Guaraniana S.A, in verbis. Devido ao interesse de transferir para a COELBA o benefício fiscal resultante da amortização do ágio pago por seus acionistas quando da aquisição das ações, seus controladores subscreveram aumento de capital na Nordeste Participações S/A, sociedade de propósito específico, integralizandoo por meio da transferência das ações de emissão da COELBA. Estas informações foram corroboradas pelas Demonstrações Financeiras a Nordeste Participações S.A, auditadas pela Ernst & Young, à fl. 07, item 04. ... Conclui o Fisco que a "transferência de ações promovida pela empresa Guaraniana S.A à Nordeste Participações S/A, ambas ligadas e integrantes do mesmo grupo econômico (Iberdrola, BB e PREVI) não passou de formalismo jurídico, não representando de modo algum a vontade fática dos partícipes da operação", uma vez que a "transferência do ágio da Guaraniana S.A para a Nordeste Participações ainda não possibilitava a amortização fiscal do mesmo, a teor da legislação vigente, foi necessária mais uma etapa de operações jurídicas formais (realizadas apenas no papel) cujo propósito era a aproximação do contexto preceituado pelos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97". Continua a análise, através do item 6.1: Em abril de 2000, a Nordeste Participações S.A, registrou a segregação do valor do investimento e do ágio, bem como a amortização contábil da mais valia, conforme demonstrativo abaixo. Como se vê, em abril de 2000, o investimento na COELBA, contabilizado a empresa Nordeste Participações S.A, equivalia a R$ 977.645.444,78 (novecentos e setenta e Fl. 8997DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.993 11 sete milhões, seiscentos e quarenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e setenta e oito centavos) e o ágio amortizável, o total de R$ 1.126.867.543,90 (um bilhão, cento e vinte e seis milhões, oitocentos e sessenta e sete mil, quinhentos e quarenta e três reais e noventa centavos), totalizando o montante de R$ 2.104.512.988,68 (dois bilhões, cento e quatro milhões, quinhentos e doze mil, novecentos e oitenta e oito reais e sessenta e oito centavos). ... Uma vez que não era do interesse da Guaraniana S.A27 manter o ágio oriundo das aquisições das ações da COELBA no patrimônio da Nordeste Participações S.A, havia a necessidade de mais uma etapa de operações realizadas apenas no papel, ou sem substância econômica a não ser a elisão do pagamento de tributos, qual seja, a incorporação reversa da controladora (Nordeste Participações) pela controlada (COELBA). Em junho de 2000, foi aprovada em assembleia a incorporação da Nordeste Participações S.A. pela Coelba: ... O Laudo para avaliação do Patrimônio Líquido da empresa Nordeste Participações S.A, elaborado pela empresa Ernst & Young, adotou o critério de valor contábil para identificação do patrimônio incorporado que equivaleu, na data base (30 de abril de 2000), a R$ 2.104.532.133,78 (dois bilhões, cento e quatro milhões, quinhentos e trinta e dois mil, cento e trinta e três reais e setenta e oito centavos). Esse patrimônio contém basicamente o valor remanescente do investimento mais ágio originado na aquisição de ações da COELBA (977.645.444,78 + 1.126.867.543,90). Após fazer uma descrição pormenorizada sobre o fluxo das operações realizadas até a chegada do ágio à Coelba, infere o fisco: ... Do todo acima exposto, verificouse que a Nordeste Participações S.A inicialmente foi capitalizada com as ações da COELBA, adquiridas em leilões pela Guaraniana S.A com expressivo ágio, e, um mês depois foi incorporada, transferindo a mais valia remanescente para sua controlada (COELBA). Sob a ótica do grupo econômico (Iberdrola, BB e PREVI) em que estavam inseridos os partícipes da operação (COELBA, Guaraniana S.A e Nordeste Participações S.A), em face de alterações legislativas, em especial do artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, o referido ágio, após as operações ocorridas, reunia as condições para amortização fiscal. O Fisco prossegue, com a intenção de demonstrar que o ágio de si mesma amortizado pela COELBA não reunia condições de dedutibilidade, a teor da legislação vigente a época dos fatos. Inicialmente alega que a empresa Guaraniana não tinha qualquer interesse de deduzir o ágio "por não apurar lucro real em suas atividades de participação". ... Isto posto, e, com o fito de alterar o contexto em que estava inserida (não dedutibilidade do ágio), em 01 de dezembro de 1999, em conformidade com Ata de Reunião nº 012/99 do Conselho de Administração da empresa Guaraniana S.A, constatouse as seguintes deliberações: a) A empresa Guaraniana S.A ao adquirir a COELBA pagou expressivo ágio; b) Posteriormente, a companhia adquiriu, em leilão realizado no dia 06 de outubro de 1999, ações ordinárias e preferenciais de emissão da COELBA, com expressivo ágio; Fl. 8998DF CARF MF 12 c) À vista do interesse da Guaraniana S.A em transferir para COELBA o benefício fiscal resultante da amortização de tal ágio pago na aquisição desta, concluiuse, a priori, que deveria haver incorporação daquela; d) Após conclusão supracitada, os conselheiros demonstraram não haver interesse para o grupo na incorporação da Guaraniana S.A, e, subsequente extinção, já que, esta era titular de outros ativos além das ações de emissão da COELBA. e) Assim, a estratégia utilizada contemplaria uma reestruturação que se iniciaria com a transferência das ações de emissão da COELBA de que é titular a Guaraniana S.A, para a Nordeste Participações S.A, cujo ativo seria integrado apenas por tais ações. f) A segunda etapa se daria com a incorporação da empresa Nordeste Participações S.A, pela COELBA, possibilitando assim o aproveitamento do ágio gerado de si mesma. Estas informações foram corroboradas às fls. 65 e 66, item 22, da DFP 1999 apresentada pela empresa Guaraniana S.A a CVM. Após a expressão do desejo que o grupo econômico tinha de apenas transferir o ágio registrado pela controladora para a controlada com vistas a se beneficiar, a Guaraniana S.A, capitalizou a empresa Nordeste Participações S.A, apenas com as ações da COELBA. ... Após a transferência de ações, para empresa veículo, a Guaraniana S.A, então controladora direta da COELBA, passou a condição de controladora indireta, através do controle exercido na Nordeste Participações S.A, conforme diagrama abaixo. ... Por sua vez, em março de 2000, a Nordeste Participações S.A, contabilizou o ativo, o investimento direto na COELBA. Em abril de 2000, segregou o investimento do ágio, bem como o amortizou contabilmente. Consoante citação já feita, a COELBA e a Guaraniana S.A foram intimadas a apresentar demonstração arquivada que determinasse os pressupostos econômicos para o ágio amortizado em 2011 e 2012. Em resposta a intimação fiscal apresentaram Laudo de Avaliação Econômica da COELBA, realizado em 23 de dezembro de 1999, portanto, extemporaneamente, ao nascimento do ágio (31/07/97 e 06/10/99), pela empresa Arthur Andersen Business Consulting S/C LTDA. Abaixo reproduzse trecho inicial do referido documento que denota sua finalidade. Resta claro que o referido laudo apresentado extemporaneamente pela empresa Guaraniana S.A buscou, no momento da transferência de ações para a Nordeste Participações S.A, alterar a falta de pressupostos econômicos do ágio contabilizado, cuja consequência (da falta) seria a indedutibilidade fiscal a teor no parágrafo 2º, alínea “b” e do parágrafo 3º, ambos, do artigo 20, do Decreto –Lei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977 (situação de fato), através do estudo da rentabilidade futura da controlada para que fosse possível a amortização fiscal da mais valia, a teor dos artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532 de 10 de dezembro de 1997 (situação pretendida). Ou seja, através de operações sem qualquer substrato econômico, a não ser o de elidir Fl. 8999DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.994 13 tributos, tentou modificar a situação de fato ocorrida, qual seja, ausência de pressuposto econômico do ágio adquirido. No entanto, como já mencionado, não houve alienação da participação que a Guaraniana S.A possuía na COELBA e por consequência não existiu ágio novo que pudesse ser fundamentado economicamente. De fato, a operação ocorrida foi a transferência de ações, e, por conseguinte, do ágio (31/07/97 e 06/10/99), conforme disposto pela própria COELBA, em excertos abaixo, às fls. 8130 e 8131 do processo administrativo nº 10580.729192/201171. ... Diante dos fatos acima relatados, concluiuse que o ágio transferido da Guaraniana S.A para a COELBA era remanescente das amortizações contábeis ocorridas na controladora e que estava fundamentado parcialmente (42,78%) na rentabilidade futura da controlada. O que se viu nessa etapa do planejamento elisivo foi a tentativa de alterar os fundamentos econômicos do ágio, através de laudo intempestivo, mediante estruturação de operações formais (apenas no papel) realizadas entre empresas ligadas e integrantes do mesmo grupo econômico. Após a incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA, a Guaraniana S.A voltou a ser sua controladora direta possuindo a mesma participação no capital anteriormente detidas, conforme diagrama abaixo. O diagrama acima sedimentou o entendimento já esposado anteriormente que as operações de transferência de ações da Guaraniana S.A para Nordeste Participações S.A e posterior incorporação da controladora pela COELBA, não passaram de formalismo jurídico ou ficção com vistas à transferência de ágio para amortização fiscal. Esta afirmação se consolidou quando analisamos a foto antes de iniciadas as operações intragrupo, que demonstrava a empresa Guaraniana S.A com participação societária direta de 87,84% do capital da COELBA, contabilizado no Ativo Permanente, subdividido em investimento mais ágio, e, ao final das operações acima mencionadas, indicando a permanência do investimento e ágio representados pelos mesmos 87,84%. Tal afirmação está corroborada nas DFP 1999 e 2000, às fls. 40 e 20, respectivamente, enviadas pela Guaraniana S.A a CVM, conforme excertos. ... Em 10 de dezembro de 1997, foi publicada a Lei nº 9.532, que no caput do artigo 7º e inciso III33, dispunham que a pessoa jurídica que absorvesse patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detivesse participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderia amortizar a mais valia, cujo fundamento fosse a rentabilidade futura da controlada (alínea "b", do § 2º, do artigo 20, do Decreto lei nº 1.598, de 1977), do Lucro Real. Entende o Fisco que, com base na legislação vigente, a Guaraniana S.A adquiriu a participação na COELBA com ágio, por isso, apenas se vislumbra a possibilidade legal de amortização da mais valia caso ocorresse a reorganização societária, prevista em lei (art. 7º, III da Lei 9.532/97), envolvendo essas empresas. Fl. 9000DF CARF MF 14 Por não ter interesse na referida reorganização, teria sido buscado a transferência das ações para a Nordeste Participações: ... A conclusão de que a Nordeste Participações S.A não adquiriu qualquer participação societária com ágio, se comportando apenas como instrumento (veículo) para transferência da mais valia, evidenciou a não satisfação do aspecto da pessoalidade requerido no artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. Essa conclusão, por si só, já afasta a amortização fiscal do ágio realizada pela COELBA, nos anos calendário 2011 e 2012. ... O Fisco observou outro viés nas operações que, segundo seu entendimento, conduzem à mesma conclusão quanto à indedutibilidade do ágio: No primeiro momento, da sequência de operações realizadas, a Guaraniana S.A adquiriu ações da COELBA com ágio passando a controlála diretamente. Posteriormente, transferiu as mesmas ações para a Nordeste Participações S.A, passando a controlála diretamente e indiretamente à COELBA. No último movimento, a COELBA incorporou a Nordeste Participações S.A, com vistas a amortizar indevidamente a mais valia do lucro real, voltando a ser controlada diretamente pela Guaraniana S.A, consoante diagrama abaixo. A combinação do artigo 20, do DecretoLei nº 1.598/77 e artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, possibilitaram a constatação que na ocorrência de aquisição de ações com ágio, fundamentado economicamente na rentabilidade futura da controlada, e, posterior, reorganização societária, como a incorporação por exemplo, envolvendo investidor (adquirente do investimento) e investida, poderia haver amortização da mais valia do lucro real. A lei explicitamente indicou, no caso de incorporação, a necessidade de reunião em um só patrimônio da participação societária adquirida e do ágio pago por essa participação. Contudo, no caso concreto, a empresa incorporada (Nordeste Participações S.A) não adquiriu a participação societária com ágio. Pelo contrário, a Guaraniana S.A, adquirente da participação, após a incorporação da controlada manteve o registro contábil do investimento e o ágio (em duplicidade) na COELBA, conforme se verificou à fl. 3, do Livro Razão apresentado. Essa ausência de reunião em um só patrimônio, da participação adquirida e do ágio correspondente tem o condão de afastar a dedutibilidade da mais valia do lucro real. Fl. 9001DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.995 15 Infere, com base no relatado, que a conduta utilizada para o aproveitamento do ágio, está em completo desalinho com a legislação vigente e conclui que as despesas contabilizadas com ágio de si mesma, pela COELBA, oriundo dos leilões ocorridos em 31/07/97 e 06/10/99, nos anos calendário 2011 e 2012, não são dedutíveis na apuração do lucro real. Em suas considerações finais sobre a utilização do ágio para a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, item 8 do TVF, deduz o Fisco: De acordo com o que foi relatado neste Termo de Verificação Fiscal não resta qualquer dúvida que o ágio oriundo das aquisições de ações da COELBA realizadas pela Guaraniana S.A estava fundamentado parcialmente na rentabilidade futura da controlada. A princípio, apenas 42,78% ou o equivalente a R$ 536.367.942,85 (quinhentos e trinta e seis milhões, trezentos e sessenta e sete mil, novecentos e quarenta e dois reais e oitenta e cinco centavos) do total do ágio a ser amortizado pela COELBA estaria fundamentado economicamente na rentabilidade futura. Após encadeamento das operações ocorridas, quais sejam, aquisição de ágio (1), transferência da mais valia para empresa veículo ligada (2), seguida de incorporação às avessas da controladora veículo (3), constatouse que não houve a reunião em um só patrimônio do investimento e ágio como pressupõe a legislação vigente a época dos fatos aqui analisados. Entende, então, ser ilícita a amortização do ágio pela COELBA e fraudulenta a criação de operações visando a alteração do fundamento econômico do ágio, com o fim único da redução de sua carga tributária. Apresenta, ao final, a base legal utilizada. Prossegue, através do item 9 do TVF, alegando que as condutas do contribuinte tiveram a finalidade de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Em resumo, entende o Fisco que o ato da empresa se utilizar de empresa veículo, com o único fim de possibilitar a incorporação às avessas desta pela COELBA, demonstra o intenção fraudulenta, conforme segue: ... Buscando os efeitos desejados pelo grupo econômico34, a Guaraniana S.A, inicialmente, transferiu as ações que detinha da COELBA para a empresa veículo Nordeste Participações S.A, passando a controlálas, indiretamente e diretamente, respectivamente. Analisandose unicamente a transferência do investimento e do ágio, da Guaraniana S.A para Nordeste Participações S.A, não se percebeu qualquer substrato econômico razoável da forma como a operação foi executada, mormente não ser possível vislumbrar uma empresa sem qualquer atividade operacional controlar uma gigante do setor energético. No entanto, após análise mais minuciosa da operação e seus efeitos exclusivos na redução da carga tributária, verificouse que a transferência do ágio remanescente pela Guaraniana S.A para Nordeste Participação S.A cumpriu os dois objetivos perseguidos pelo grupo econômico, quais sejam, inserção de empresa veículo para participação na reorganização societária e modificação dos pressupostos econômicos da mais valia através de laudo de avaliação econômica intempestivo do patrimônio da COELBA. ... Fl. 9002DF CARF MF 16 Em outro viés, observouse a inclusão da empresa veículo Nordeste Participações S.A no contexto das operações com o fito exclusivo de transferência do ágio. Frisase que essa empresa é controlada diretamente pela empresa 521 Participações S.A, que por sua vez, é acionista da Guaraniana S.A, demonstrando indubitavelmente que se tratou de operação intragrupo, conforme diagrama abaixo. Fato curioso na transferência de ações mencionadas é que a Guaraniana S.A não apurou ganho de capital na operação, mantendo na parte “B” do LALUR o montante do investimento a realizar para fins de mensuração do custo de aquisição em caso de alienação. Aduzse que, contrario sensu, não houve aquisição de participações com ágio por parte da Nordeste Participações S.A e sim mera transferência da mais valia remanescente juntamente com o investimento adquirido nos leilões mencionados. Entende o Fisco que, consoante arrazoado efetuado, a conduta da COELBA para reduzir seu lucro tributável, encaixase no conceito de fraude, além da prática de conluio, por ter havido ajusto doloso dentro do grupo empresarial (Guaraniana, COELBA e Nordeste). Concluiuse então pela qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso II da Lei 9.430 de 1996. Prossegue o Fisco responsabilizando pessoalmente os administradores da COELBA pela prática da transação ora em análise, conforme item 10 do TVF, por entender ter havido fraude e conluio praticados pelas empresas COELBA, Guaraniana S. A. e Nordeste Participações S. A., todas integrantes do mesmo grupo econômico liderado pela Iberdrola, Banco do Brasil, PREVI e 521 Participações S.A. Afirma que a conduta se materializou pela criação de operações realizadas apenas no papel que visaram tão somente a redução da carga tributária, modificando dessa forma, as características do fato gerador através da legitimação de despesas indedutíveis. ... Diante da situação imposta, o Conselho de Administração da Guaraniana S.A se reuniu, em 01 de dezembro de 1999, momento em que estabeleceu a necessidade de transferência do ágio pago na aquisição das ações da COELBA, sobretudo porque a companhia não tinha interesse na reorganização societária preconizada na lei, conforme se observa em trecho destacado abaixo. “ À vista do interesse de transferir para COELBA o benefício fiscal resultante da amortização do ágio pago por sua controladora quando esta adquiriu as ações, deveria ser procedida a incorporação da controladora (GUARANIANA S.A) pela controlada (COELBA). Tendo em conta, entretanto, não haver interesse em que a GUARANIANA seja incorporada e, portanto, extinta, já que a companhia, além das ações de emissão da COELBA, é titular de outros ativos, a contemplada reestruturação deverá se iniciar pela transferência de ações de emissão da COELBA de que é titular a GUARANIANA para a NORDESTE PARTICIPAÇÕES S.A (“NORDESTE”), cujo ativo será integrado apenas por tais ações, não tendo a sociedade qualquer exibilidade. ... Nesse mesmo dia (01/12/99), houve reunião do Conselho de Administração da COELBA corroborando a intenção do grupo econômico em reduzir a carga tributária se utilizando de operações apenas formais. Há de se ressaltar que o Conselho de Fl. 9003DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.996 17 Administração da Guaraniana S.A e da COELBA era composto pelas mesmas pessoas, inclusive o presidente Eduardo Lopez – Aranguren Marcos. ... Uma vez demonstrada que a conduta fraudulenta foi intencional impõese a qualificação da multa e a responsabilização pessoal dos administradores da COELBA, a teor do inciso III, do artigo 135, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Analisa, o Fisco, as atribuições do Conselho de Administração e da Diretoria da COELBA e conclui pela responsabilização pessoal pelo crédito tributário dos seguintes membros, do Conselho e da Diretoria: ... a) Marco Geovanne Tobias da Silva, Presidente do Conselho de administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; b) Gonzalo Pérez Fernandez – VicePresidente do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; c) José Maurício Pereira Coelho – membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; d) Marcelo Maia de Azevedo Corrêa membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de janeiro de 2011 a agosto de 2012; e) Solange Maria Pinto Ribeiro membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de setembro a dezembro de 2012 e Diretora de Planejamento e Controle da COELBA, no período de 06 a 31 de dezembro de 2012; e) Gonzalo Gómez Alcântara – membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; f) Marcelo Souza Marinho – membro do Conselho de Administração da COELBA, no período de 2011 e 2012; g) Moisés Afonso Sales Filho – Diretor Presidente da COELBA, no período de 2011 e 2012; h) Paulo Roberto Dutra – Diretor de Planejamento e Controle da COELBA, no período de janeiro de 2011 a 06 de dezembro de 2012; ... Conclui, através do item 11, pela indedutibilidade do dos valores do ágio, gerado em si mesma, recompondo as bases de cálculos do IRPJ e CSLL, adicionandose ao lucro líquido os valores de R$ 55.539.840,12 e R$ 53.582.152,80, respectivamente para os anos de 2011 e 2012. Qualifica a multa de ofício, duplicandoa, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007, por entender que as operações envolveram fraude e conluio. E, em face das constatações de fraude e conluio, foram responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário, os membros do Conselho de Administração, Diretor Presidente e Diretor de Planejamento e Controle da empresa, a teor do inciso III, artigo 135, do CTN. Fl. 9004DF CARF MF 18 Os argumentos da impugnação foram assim resumidos no relatório da decisão ora recorrida: Inicialmente descreve suas atividades: A Impugnante é sociedade anônima que tem por objeto "estudar, projetar, construir e explorar os sistemas de distribuição e a comercialização a consumidores cativos de energia elétrica e serviços corre/atos que lhe venham a ser concedidos ou autorizados por qualquer título de direito, prestar serviços técnicos de sua especialidade e praticar os demais atos necessários à consecução de seu objetivo." No item II da impugnação, preliminarmente, a reclamante alega a "Preclusão" do direito do fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio. Para tal, faz uma retrospectiva dos fatos, concluindo que: ... Vale dizer, muito embora o ágio tenha sido amortizado nos anosbase de 2011 e 2012, conforme autuado pelo Sr. Agente Fiscal, o fato contábil societário, que deu origem ao referido ágio, ocorreu no anobase de 2000 ou anteriormente a essa data. Desta forma, não poderia o Sr. Agente Fiscal questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu, repitase, em 2000 ou antes desta data, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre (1) o fato que propiciou o seu surgimento e (Na ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (23/11/2016). ... Faz ainda um arrazoado, no sentido de demonstrar suas conclusões, trazendo entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que comprovariam sua interpretação e finaliza: ... Desse modo, não pode ser acatada a posição adota pelo Sr. Agente Fiscal que afastou a preclusão no caso em apreço, pois o Fisco está impedido de efetuar lançamentos de ofício sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (fato societário que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu em 2000 ou antes), para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes (amortização do ágio em 2011 e 2012). ... Ante o exposto, patente que ocorreu, no presente caso, a decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio em 2000 e, como consequência, o direito ao seu aproveitamento, ainda que em momento subsequente (amortização fiscal no anobase de 2011 e 2012), motivo pelo qual deverá essa E. Turma Julgadora determinar o cancelamento dos autos de infração em questão. Através do item III da impugnação, a reclamante se esforça na tentativa de demonstrar que as operações societárias foram praticadas de forma legal e com o aval dos órgãos reguladores e que não se deve entender que as operações societárias seriam um mero estratagema que pudesse, aos olhos da Fiscalização, desaprovar a dedutibilidade com a amortização do ágio. Fl. 9005DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.997 19 Faz, no item III.1.1, breves considerações acerca da operação que gerou o ágio, ressaltando que este decorreu da aquisição do controle da Impugnante, em processo licitatório de privatização: Conforme ressaltado pelo Sr. Agente Fiscal, a aquisição da participação societária da Impugnante se deu com o pagamento de ágio ao Estado da BAHIA (antigo titular de suas ações), em razão da expectativa de rentabilidade estimada com base em resultado de exercícios futuros. Confirase o seguinte quadro ilustrativo da operação: ... Posteriormente, e como não poderia deixar de ser, os adquirentes manifestaram seu interesse em aproveitar o benefício fiscal de dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio gerado na aquisição das participações societárias, conforme lhes era expressamente autorizado pelo artigo 386 do RIR/99. Dessa forma, para que fosse possível o aproveitamento do benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, os adquirentes resolveram subscrever e integralizar capital na empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S.A, mediante entrega das ações da Impugnante acrescidas do ágio. A operação societária acima ilustrada foi previamente submetida à aprovação do órgão regulador do setor elétrico Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, conforme exigência prevista no artigo 27 da Lei no 8.987/953. ... Com a transferência do controle acionário da Impugnante à NORDESTE PARTICIPAÇÕES S.A, criouse o ambiente necessário para que a Impugnante incorporasse sua controladora e, assim, aproveitasse o benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, razão pela qual não pode prosperar a glosa das despesas pretendida pela D. Fiscalização. Fl. 9006DF CARF MF 20 ... Continua, informando que a ANEEL, após apreciação, autorizou a Impugnante a promover a incorporação de sua controladora por meio da Resolução no 195, de 7 de junho de 2000, conforme reprodução a seguir: ... Prossegue a reclamante informando que o ágio recebido, em razão da incorporação da controladora (NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A) estava devidamente contabilizado, nos termos do artigo 385 do RIR/99 (desmembrandose valor do investimento e ágio), bem como estava devidamente amparado por novo laudo de avaliação de ações fornecido pela Ernst & Young, de 30 de abril de 2000, e continua: Verifiquese que uma das formalidades previstas na legislação societária é a publicação do fato relevante da reestruturação societária ao mercado. Conforme se pode verificar dos documentos acostados aos autos, foi publicado o Fato Relevante em jornal de grande circulação, tratando da incorporação da NORDESTE pela Impugnante, bem como descrevendo todas as operações acima relatadas (DOC. 09). Ou seja, nada foi omitido de ninguém, muito menos do Fisco. Após a incorporação, a Impugnante passou a deduzir o ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386, § 60, inciso II, do RIR/99. Essa decisão, conforme exposto, encontrase fundamentada, em síntese: (i) na necessidade de aproveitamento do benefício fiscal concedido à Impugnante por determinação expressa de lei; (ii) na observância de todos os dispositivos normativos e regulatórios para a realização das operações societárias (total legalidade das operações); e (iii) no fato de a estrutura societária adotada ser a mais simples e coerente do ponto de vista econômico para o aproveitamento do ágio. Tecidos esses breves comentários sobre a estrutura da operação, pelos quais restou evidente que a NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A (empresa incorporada pela Impugnante) passou a ser a legítima detentora das ações da COELBA, escrituradas contabilmente na forma do artigo 385 do RIR/99, a Impugnante passará a abordar, a seguir, as razões pelas quais não poderá prosperar a cobrança dos créditos tributários em questão. Já no item III.1.2 da impugnação, a reclamante tece comentários sobre a natureza do ágio e seu tratamento tributário. Afirma que o benefício fiscal da dedutibilidade do ágio pago na aquisição de sociedades, tem como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, especialmente quando se tratasse de estatais em processos de privatização, tendo sido o ato regular e de acordo com as normas de concessão de serviço público. Fl. 9007DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.998 21 Alega que a legislação autoriza a dedução do ágio quando fundamentado no valor de rentabilidade de exercícios futuros, tendo sido uma forma utilizada pelo governo para incentivar as privatizações, afirmando ainda: ... Ressaltese que, no caso em questão, o fundamento econômico para o pagamento do ágio foi o valor de rentabilidade futura da Impugnante, o qual está devidamente comprovado pelo Laudo de avaliação econômica da COELBA de 23 de dezembro de 1999, elaborado pela Arthur Andersen Business Consulting S/C Ltda., e o Laudo de avaliação elaborado pela Ernst & Young Auditores Independentes S/C de 31 de março de 2000, que apurou o ágio remanescente em 29 de fevereiro de 2000. O fundamento econômico para o aproveitamento do ágio, segundo o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, é o seguinte: "o ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora, pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. ... Portanto, o benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99 de aproveitamento do ágio como uma despesa dedutível tinha como objetivo beneficiar situações como a da Impugnante, pois tornava mais atraente a realização dos vultosos investimentos necessários para as privatizações. ... Foi exatamente esse o mesmo beneficio fiscal que a Impugnante pretendeu usufruir. Contudo, a forma como foi realizado o processo de privatização não permitia o aproveitamento de forma automática. Conforme mencionado, a Impugnante não poderia incorporar automaticamente sua controladora, pois não é razoável a incorporação de empresas como a GUARANIANA S/A, que detém investimentos em diversas companhias de geração e de transmissão de energia elétrica por uma concessionária de energia elétrica. Dessa forma, foi necessário criar legalmente uma estrutura societária que permitisse a segregação desse investimento em uma sociedade que não tivesse outros ativos/atividades sociais que tornasse incompatível, economicamente, a incorporação da controladora pela controlada e, com isso, se transferisse o ágio para a controlada. Dessa forma, verificase que a única forma jurídica possível para tornar viável economicamente a aquisição da Impugnante no processo de privatização, com o aproveitamento do benefício fiscal de dedutibilidade do ágio, foi a forma adotada no caso concreto: reestruturação societária legal, de forma que a participação acionária adquirida com ágio pela empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A (gerado com fundamento econômico na privatização) fosse absorvida pelo patrimônio da Impugnante. De fato, a análise da operação como um todo demonstra o evidente fundamento econômico para a realização dos atos societários: o ágio legitimamente pago na aquisição da Impugnante no processo de privatização foi adquirido pela empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A, a qual foi absorvida pela Impugnante, que passou a amortizar esse valor com fundamento no artigo 386, § 60, inciso II, do RIR/99. Fl. 9008DF CARF MF 22 Ademais, o motivo para a realização das operações demonstrase coerente com as estruturas societárias adotadas, pois decorrente da natureza do próprio processo de privatização. Insistase: o aproveitamento do beneficio fiscal não poderia ter sido realizado de outra maneira. Portanto, trata o presente caso de mera fruição de um benefício fiscal previsto em lei7, que possui todos os requisitos legais, motivação econômica e coerência das estruturas adotadas com a finalidade pretendida. Dessa forma, o ganho econômico da Impugnante, decorrente do aproveitamento do ágio, reflete um benefício fiscal já considerado no momento do pagamento do preço no processo licitatório de privatização (benefício este considerado por todos os participantes do leilão público). Não poderia agora o próprio Fisco pretender cercear a fruição desse benefício fiscal sob a alegação de que a Impugnante o teria prejudicado. Através do item III.1.3 a impugnante pretende demonstrar o motivo, finalidade e congruência do negócio jurídico realizado. Descreve os motivos, finalidades e congruência dos atos, afirmando que, apesar da existência do motivo tributário, este não seria preponderante: ... No presente caso, admitindose os pressupostos dessa doutrina mais restrita, ainda assim, encontramse presentes o motivo, a finalidade e congruência dos atos, pelo que não se pode admitir o entendimento do Sr. Agente Fiscal: · todos os atos praticados tiveram por motivo a aquisição da COELBA em processo de privatização, para o conseqüente aproveitamento do benefício fiscal de dedução do ágio gerado nessa aquisição nos estritos termos da Lei. Inclusive, ao longo desta defesa, demonstrouse os motivos pelos quais foram adotadas outras estruturas ou outros caminhos quando da realização de todas as operações, tendo em vista as peculiaridades do caso; · a finalidade da operação era a aquisição de uma concessionária de energia elétrica de grande porte e participação no mercado brasileiro, como forma de consolidar as atividades do grupo de empresas controlados pela GUARANIANA S/A, atualmente denominada NEOENERGIA S.A, e · todos os atos societários praticados inseremse congruentemente neste contexto da aquisição de uma concessionária de energia por um grupo detentor de grandes empresas concessionárias de energia elétrica (geradoras e transmissoras): (i) a forma de participação no leilão; (ii) os fluxos de caixa ocorridos; (iii) a necessidade da constituição de todas as sociedades envolvidas; e (iv) todas as operações realizadas para reduzir estruturas desnecessárias e obter uma sinergia no grupo NEOENERGIA S/A. Portanto, todos os atos praticados, analisados como um "filme", demonstram claramente a congruência do motivo e da finalidade da operação realizada pelo grupo NEOENERGIA S/A, os quais não eram predominantemente tributários. Dessa forma, não há que se falar em falta de propósito negocial ou ausência de pressuposto econômico, como afirmou o Sr. Agente Fiscal, estando presentes todos os requisitos exigidos pela nova corrente doutrinária. Superadas essas matérias preliminares, necessárias para situar a questão da amortização do ágio que envolve o presente caso, passase a demonstrar, a partir do tópico seguinte, as razões pelas quais não poderá prevalecer, quanto ao mérito aqui tratado, o auto de infração impugnado. Passa a descrever, no item III.1.4, a legitimidade da operação realizada como planejamento tributário. Inicialmente analisa os "vícios" apontados pelo Fisco para desconsiderar as operações societárias praticadas. Segundo a impugnante, foi sempre Fl. 9009DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 8.999 23 apresentado à fiscalização todas as etapas que se pretendia realizar, inclusive o objetivo final pretendido, que seria o aproveitamento do ágio. Reforça, que esse aproveitamento do ágio, que decorre de previsão em lei, já era vislumbrado desde a realização do processo licitatório, sendo que todos os atos praticados cumpriram todas as formalidades exigidas. Discorre sobre a transferência de ações da COELBA promovida pela Guaraniana para a Nordeste participações "transferência do ágio", afirmando: ... O valor pago com base na expectativa de rentabilidade futura, sempre estará intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização darseá em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados. Nesse sentido, confirase o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações — FIPECAFI8: "O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. (...)" ... Salientese, ainda, que a posição adotada em julgados proferidos pelo E. CARF corroboram o entendimento aqui exposto, isto é, admitem a transferência do ágio. De fato, nas operações realizadas pelo Banco Santander S/A, Tele Norte Leste Participações S/A, CPQ Brasil S/A, TIM, Vivo S/A, Itaucard, e CTEEP (estas últimas operações analisadas em recentíssimas decisões de 01/03/2016 e 08/06/2016) o ágio foi transferido para diversas empresas como forma de reorganização societária, o que não invalidou o seu aproveitamento. Confirase algumas delas: Apresenta nesse ponto algumas decisões do CARF sobre a questão. Continua, tentando demonstrar estar equivocada a alegação do fisco, no que se refere a que teria sido criado um negócio jurídico sem substância econômica: ... Novamente equivocase o Sr. Agente Fiscal ao dizer que a Guaraniana teria criado artificialmente um negócio jurídico, sem substância econômica, que evidenciaria divergência entre a forma apresentada e a vontade fática demonstrada. Na verdade, tratase novamente de situação de benefício fiscal expressamente autorizada por lei, pois a dedutibilidade do ágio também é extensivo à aquisição de participação societária com ágio quando "a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária" (§ 60 do artigo 386 do RIR/99). Ocorre que, a despeito das afirmações acima mencionadas, sem qualquer referência a fatos concretos, a operação realizada pela Impugnante não foi realizada sem nenhum propósito negocial. Ao contrário, foi amplamente utilizada nos processos licitatórios de privatização ocorridos no Brasil e encontra previsão legal no § 40 do artigo 264 da Lei das S/A9 e no mencionado § 60 do artigo 386 do RIR/99. ... De fato, conforme mencionado pela própria fiscalização, a empresa NORDESTE PARTICIPAÇÕES S/A adquiriu as ações da Impugnante com o ágio pago no processo licitatório de privatização e, assim, passou a ser sua controladora. Fl. 9010DF CARF MF 24 Verificase que todos os atos praticados foram devidamente autorizados pelo órgão regulador do setor de energia elétrica (Resolução ANEEL no 195/00). Dessa forma, é possível afirmar que a Instrução CVM no 349/01 foi instituída com a finalidade adaptar a regulamentação existente de forma que refletisse adequadamente as operações realizadas com ágio nas demonstrações financeiras, como a realizada pela Impugnante, a qual foi praticada em conformidade com o disposto as regras da CVM, inclusive a própria Instrução CVM no 349/01. Sobre a alegação de geração de "ágio de si mesmo", discorre a contribuinte, afirmando tratarse de operação pra o aproveitamento do ágio, com expressa previsão legal. Afirma também ser natural, as operações do tipo ora analisadas, serem tratadas por empresas do mesmo grupo, sendo a questão, inclusive, tratada pelo § 6º do art. 386 do RIR/99, no que se refere à incorporação da controladora pela controlada. Continua: ... Ademais, a tentativa de caracterização como ágio interno deve derivar do fato de que a COELBA, ao incorporar sua controladora, a Nordeste Participações S/A, que por sua vez era controlada pela 521 Participações, acionista da Guaraniana S/A, antiga denominação da Neoenergia S/A, acabou trazendo o ágio para dentro do seu próprio patrimônio. E esse processo de incorporação é que está sendo interpretado como operação interna. Essa incorporação é operação entre entidades sob controle comum, mas ela em nenhum momento gerou qualquer tipo de ágio; tudo foi feito a valor de livros. O ágio que acaba aparecendo na COELBA era o mesmíssimo que estava na Nordeste e anteriormente na Guaraniana e que, exatamente por causa da incorporação, vai para a COELBA. Nenhum ágio novo. Logo, de forma alguma existe qualquer geração de ágio derivado de operações internas. Logo, inadmissível denominarse o ágio em discussão de ágio gerado em operações internas. Contesta a afirmação do fisco da inexistência de laudo de avaliação econômica da Coelba: ... Não obstante, reconhece o próprio fiscal a existência de dois laudos de avaliação, o Laudo de avaliação econômica da COELBA de 23 de dezembro de 1999, elaborado pela Arthur Andersen Business Consulting S/C Ltda., e o Laudo de avaliação elaborado pela Ernst & Young Auditores Independentes S/C de 31 de março de 2000, que apurou o ágio remanescente em 29 de fevereiro de 2000 (DOC. 10). ... Afirma também que, não obstante tenha havido a contratação de empresas de auditoria externa renomadas para a elaboração de laudos de avaliação do ágio, a própria legislação não cria esta obrigação, conforme DecretoLei n° 1.598/77 menciona, no par. 3° do art. 20 (reproduzido no art. 385 do RIR/99). Continua em sua exposição, itens III.1.5 e III.1.6, tentando demonstrar a inexistência de "abuso de direito" ou qualquer tipo de "simulação". No item III.1.7, discorre sobre a desnecessidade de pagamento para a realização de um negócio jurídico: Com efeito, com relação às formas de aquisição da participação societária, o artigo 20 do DL no 1.598/77, não traz qualquer referência a um negócio jurídico específico para que esta aquisição seja realizada. Conforme já se demonstrou, o direito privado traz Fl. 9011DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.000 25 diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma delas será válida para fins do Direito Contábil Fiscal/Tributário. ... De fato, a necessidade de haver pagamento somente faria sentido caso a legislação tributária dissesse que "deverá, por ocasião da aquisição da participação [por meio de venda e compra], desdobrar o custo de aquisição em (...)", pois, conforme demonstrado, o pagamento é a contraprestação de uma "venda e compra". Contudo, não é esta a redação do artigo 20 do DL no 1.598/77. Ao fim no item III.1.9, alega que a própria Receita Federal, no que tange à tributação do deságio, dentro do mesmo grupo, entende que este deságio (quando fundamentado na expectativa de rentabilidade futura — inciso II do § 2° do artigo 386 do RIR/99) deveria ser amortizado e tributado durante os 5 anos subseqüentes à incorporação: ... Com efeito, conforme se percebe na manifestação da Receita Federal em casos análogos ao presente (aquisição de participação societária dentro do mesmo grupo), é entendimento do Fisco de que a aquisição de participação societária por valor inferior ao patrimônio líquido (deságio) é suficiente para que esse valor seja configurado como receita tributável, após um evento de incorporação. Contudo, a Receita Federal pretende, no presente caso, não admitir a dedutibilidade do ágio gerado dentro do mesmo grupo econômico, por entender que não haveria motivo econômico para uma aquisição que não fosse a valor de patrimônio líquido. Tratase de evidente tratamento desigual para situações idênticas — aquisição de participação societária a valor de mercado ("dois pesos, duas medidas"). Ora, e se o valor de mercado das ações da COELBA fosse inferior ao valor do seu patrimônio líquido contábil, seria apurado um deságio na operação de incorporação de ações sob análise, a mesma Receita Federal do Brasil se preocuparia em isentar a tributação do referido deságio por parte da Impugnante após o processo de incorporação da COELBA ? Após a análise e descrição dos aspectos do ágio, através do item III.2, o contribuinte levanta a discussão sobre a inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, das despesas com amortização do ágio considerada indedutível pelo fisco. Questiona também, através do item III.3, a impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte, além da possibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial. ... Como se vê, o E. CARF admite que, se o contribuinte pode encontrar na legislação mais do que um caminho, sendo um deles, inclusive, menos oneroso, mas perfeitamente legítimo, poderá escolhêlo porquanto este representa uma opção (legal) que lhe é mais conveniente. Aliás, cabe destacar, ad argumentandum, que, ainda que as operações societárias que deram origem ao ágio amortizado pela Impugnante não tivessem servido a nenhum fim empresarial (o que se admite apenas para argumentar), o ordenamento jurídico, atualmente vigente, não traz em nenhum de seus dispositivos o conceito ou a definição de "propósito negocial", de modo que não poderia o Sr. Agente Fiscal pretender interferir na atividade do contribuinte, também por esse motivo. Ou seja, estabelecer o "propósito negocial" como fundamento para a análise da dedutibilidade da despesa com o ágio significa considerálo fato gerador de obrigação tributária Fl. 9012DF CARF MF 26 sem a respectiva previsão em norma geral e abstrata (hipótese de incidência), em clara afronta ao Princípio da Legalidade Tributária. Portanto, como o suposto evento infracional, relatado pelo Sr. Agente Fiscal (falta de propósito negocial), não se subsume a nenhuma hipótese de incidência tributária, atualmente em vigor, não se pode admitir que a Impugnante tenha realizado o fato jurídico tributário do IRPJ e da CSLL tal como descrito no Termo de Verificação. Em outras palavras, os atos praticados estão em total conformidade com o ordenamento jurídico vigente. ... Diante de todo o exposto, constatase que não pode o Fisco interferir na maneira pela qual os contribuintes realizarão aquisições, por exemplo, vedando, sem qualquer respaldo em Lei, o aproveitamento de ágio gerado em reorganizações societárias que envolvam diferentes ou o mesmo Grupo Econômico, ainda que não tenham propósito negocial. No item III.4 a reclamante inexistir a prova de evidente intuito de fraude utilizado pelo fisco e consequentemente a impossibilidade de aplicação da multa qualificada, alegando entendimentos doutrinários e jurisprudenciais e finalizando: ... Verificase, com base no acima esposado, que a afirmação do fiscal no sentido de que teria ocorrido fraude somente poderia prevalecer caso se entendesse que a Impugnante, a Aneel e a CVM estavam em conluio para reduzir o montante de imposto devido pela Impugnante, o que configura rematado absurdo!!! Ante o exposto, não restou comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não houve sonegação, fraude ou conluio, fatores necessários à imposição da multa agravada, razão pela qual deve essa E. Turma Julgadora determinar a extinção da representação fiscal para fins penais. No item III.5, a reclamante se manifesta contrariamente à cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. No caso de ser mantido o crédito tributário cobrado, o que se alega a título argumentativo, é certo também que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Isso porque, o artigo 61 da Lei no 9.430/96 prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ora, como já exaustivamente debatido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 30 do Código Tributário Nacional. Ademais, o § 10 do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 50, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por esta I. Turma Julgadora. ... Fl. 9013DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.001 27 Ante o exposto, caso não sejam acolhidos os demais argumentos aduzidos na presente Impugnação, o que se admite apenas a título argumentativo, a Impugnante aguarda que essa I. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada. Após todo o descrito, requer a impugnante, o conhecimento e provimento da impugnação, em razão das preliminares ou do mérito, com a consequente descontistuição do crédito tributário exigido. 3 ) Impugnações Responsabilidade Tributária. Os nove membros do conselho fiscal ou da diretoria COELBA, incluídos no pólo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidários, apresentaram impugnações tempestivas bastante semelhantes, sendo relatadas a seguir em conjunto, em apertada síntese: ... Com efeito, a Autoridade Fiscal atribuiu a responsabilidade solidária ao Impugnante, com fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional ("CTN"), o qual responsabiliza, de forma solidária e pessoal, os atos praticados com "excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Contudo, além da patente insubsistência do crédito tributário lançado em face da COELBA, conforme arguido na Impugnação apresentada por essa empresa, cujos argumentos são ratificados e fazem parte da presente defesa, também não poderá prosperar a responsabilização do Impugnante, uma vez que (i) não restou caracterizada a hipótese de sujeição passiva solidária prevista no artigo 135, do CTN. ... Com exceção dos responsabilizados Moisés Afonso Sales Filho e Paulo Roberto Dutra, que não apresenta a presente alegação em suas impugnações, o restante dos responsabilizados apresentam, como preliminar, item II.1 da impugnação, a ausência de poderes de gestão do conselho administrativo para efetuar os atos que ensejariam a responsabilização prevista no art. 135, III do CTN. Tentam demonstrar o entendimento, através de jurisprudência e doutrina, de que o citado art. do código teria aplicação restrita às pessoas que possuírem efetivos poderes de gestão sobre a empresa, cabendo indagar se os membros do Conselho Administrativo exercem funções passíveis de serem capituladas como tal. Entendem que, com base na doutrina, jurisprudência e legislação pátria, o Conselho de Administração de uma companhia é um órgão meramente de orientação e aconselhamento, e não de gestão e gerência, como a diretoria. Solicitam, através do item III.1 da impugnação, que as razões oferecidas na impugnação da COELBA, sejam ratificadas em suas defesas, e que seja consideradas parte integrante destas, a saber: ... >Preliminarmente: Preclusão da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade Dos Atos Societários Que Deram Origem Ao Ágio; > Aproveitamento Do Ágio Pago Na Aquisição Da Coelba; > Breves Considerações Da Operação em Tela; > Natureza Do Ágio E Seu Tratamento Tributário; Fl. 9014DF CARF MF 28 > Motivo, Finalidade E Congruência Do Negócio Jurídico; > Legitimidade Da Operação Como Planejamento Tributário; > Inexistência De Abuso De Direito; > Inexistência De Simulação; > Desnecessidade De Pagamento; > Isonomia Com Tratamento Fiscal Do Deságio; > Inexistência de Previsão Legal Para A Adição, Na Base De Cálculo Da CSLL, Das Despesas Com Amortização De Ágio Considerada Indedutível Pela Fiscalização; > Impossibilidade De Ingerência Do Fisco Na Atividade Do Contribuinte — Da Opção Legal — E Impossibilidade De Se Aplicar A Teoria Do Propósito Negociai; > Ausência De Prova De Evidente Intuito De Fraude E Consequentemente Impossibilidade De Aplicação Da Multa Agravada; e > Impossibilidade De Cobrança de Juros Sobre A Multa. ... Prosseguem, nos itens III.2 e III.2.1, afirmando existir incompatibilidade entre a tributação da pessoa jurídica como devedora principal, concomitantemente com a responsabilização de terceiros com fundamento no art. 135, III do CTN, alegando erro de identificação do sujeito passivo. ... Conforme delineado anteriormente, (1) ainda que se entenda que há coerência nas alegações (infrações fiscais) e na conclusão da Autoridade Fiscal (infrações penais) para atribuir a responsabilidade atribuída em face do Impugnante e que, (h) na qualidade de membro do Conselho de Administração, o Impugnante tivesse poderes equivalentes aos poderes de gestão versados no artigo 135, III, do CTN, o que se alega a título argumentativo, é notório que no caso em tela não há como prosperar a possibilidade de coexistir, em um mesmo processo administrativo, a tributação de uma pessoa jurídica, como devedora principal, e a sujeição passiva solidária de terceiros com fundamento referido dispositivo legal. ... Alegam os impugnantes que a finalidade do art. 135 é a proteção da pessoa jurídica, em face de atos praticados com excesso de poderes por indivíduos a ela ligados. ... Destarte, em sentido metafórico, no presente caso a Autoridade Fiscal procurou atingir dois alvos com apenas uma tentativa, o que não deve ser admitido por essa E. Turma Julgadora. Deveras, ou o lançamento fiscal deveria ter sido em face da COELBA, ou dos que entendeuse ser seus responsáveis tributários. Jamais os dois. ... Prosseguem os reclamantes, alegando a impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento fiscal pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e por fim: ... Fl. 9015DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.002 29 Em razão dos argumentos expostos, tendo em vista a impossibilidade de coexistência, em um mesmo processo administrativo, de lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica e de terceiros supostamente pessoalmente responsáveis, com fundamento no artigo 135. III, do CTN, requerse o cancelamento integral dos autos de infração e do Termo de Responsabilidade Tributária lavrado. ... Alegam também, através do item III.2.2 das impugnações, a falta de comprovação por parte do Fisco do intuito doloso, com consequente impossibilidade do enquadramento do artigo 135 do CTN, conforme segue: ... Em momento algum foi comprovado ou demonstrado qual o efetivo fato ou conduta dolosa que o Impugnante teria supostamente agido com excesso de poderes ou infração à lei ou estatuto social da COELBA. No tópico imediatamente anterior ao da responsabilidade solidária ("5. Da Qualificação da Multa7f1s. 39 a 42 do TVF), a Autoridade Fiscal trouxe todos os argumentos e fundamentos capazes de demonstrar, no seu entendimento, o suposto motivo de ter havido conduta e atos dolosos praticados pelo Impugnante. Ou seja, para Autoridade Fiscal, até dado momento da fundamentação do TVF, a existência de dolo era ponto indispensável ao deslinde da autuação. Contudo, alguns parágrafos depois, e justamente no momento de justificar a imputação de responsabilidade solidária a terceiros, cuja comprovação do dolo se faz imprescindível para que tal medida ocorra, a mesma Autoridade Fiscal afirmou, que a mera infração de lei seria suficiente para justificar a responsabilização de terceiros, sendo a existência de culpa ou dolo indiferente para que a responsabilidade seja imputada. Ocorre que essa premissa é, além de contraditória com todos os demais argumentos trazidos pela Autoridade Fiscal, inaplicável ao caso em tela, já que, no cenário em questão, a presença do dolo não é indiferente, mas sim indispensável para que, caso houvesse o cometimento de um ato com excesso de poderes ou infração à lei, a responsabilização de um terceiro fosse admitida. ... Logo, se não houve a comprovação do dolo por parte do Impugnante, impossível se faz a aplicação da responsabilidade tributária nos termos do artigo 135 do CTN, uma vez que a Autoridade Fiscal se olvidou de traçar qualquer comentário a respeito do elemento dolo (ou mesmo culpa, o que se admite apenas por argumentar), pelo fato de não ter existido qualquer ato eventualmente praticado pelo Impugnante em sua autuação em tais termos. Portanto, da leitura do TVF, concluise de forma inquestionável que a fundamentação dos autos de infração relativa à suposta responsabilidade solidária do Impugnante está lastreada em mera presunção, o que é absolutamente inadmissível e insuficiente para a aplicação do artigo 135 do CTN no presente caso. ... Apresentam também, julgados do CARF e do STJ para tentar reforçar seu entendimento. Já, através do item III.2.3, questionam a ocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 9016DF CARF MF 30 ... Na remota hipótese de não se cancelar a responsabilidade solidária atribuída ao Impugnante em razão dos argumentos expostos nos tópicos anteriores, o que se alega apenas a título argumentativo, a responsabilização solidária também se afigura inoportuna pelo fato de não terem sido preenchidos os requisitos versados no caput do mencionado artigo 135 do CTN (excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos), conforme se passa a demonstrar. Como já anteriormente destacado, a Autoridade Fiscal visou responsabilizar o Impugnante solidariamente pelo simples fato do Impugnante deter um cargo no Conselho Administrativo da COELBA à época das deliberações das operações societárias que resultaram no ágio amortizado. ... Alegam, apresentando julgados do CARF, que não bastaria simplesmente a imputação da responsabilidade solidária, sem a descrição individualizada de qualquer conduta concreta, que teria sido praticada pelos Impugnantes. ... A Fiscalização se limitou a traçar uma afirmativa extremamente genérica, que não guarda relação com aquela específica tratada pelo CTN, deixando de apresentar qualquer documento capaz de comprovar e individualizar os atos praticados pelo Impugnante. ... Chama atenção, ainda, o fato da D. Autoridade Fiscalizadora ter imputado a suposta responsabilidade pelo ato praticado pelo Conselho de Administração da COELBA e não por atos praticados de forma individual pelo Impugnante. ... Apresenta entendimentos doutrinários e do STJ sobre a questão, concluindo: ... Ante todo o exposto, resta claro que também não é possível atribuir solidariedade ao Impugnante com base no artigo 135 do CTN, o que de plano impede que esta E. Turma Julgadora aceite a responsabilização solidária pretendida pela Autoridade Fiscal, motivo pelo qual impõese a exclusão do Impugnante do pólo passivo do lançamento tributário objeto do presente processo. Afirmam inexistir sonegação fiscal ou fraude, o que impossibilitaria a aplicação da multa de 150%, conforme item III.3 de suas impugnações: ... No entanto, no presente caso não restou caracterizada nos autos a ocorrência de sonegação ou fraude por parte específica do Impugnante, responsabilizado solidariamente, razão pela qual, por mais esse motivo se faz necessário o cancelamento da solidariedade em questão. Com efeito, conforme minuciosamente demonstrado na defesa apresentada pela pessoa jurídica nestes autos, as alegações da Fiscalização neste sentido são completamente infundadas. A sonegação, nos termos do que estabelece o artigo 71 da Lei no 4.502/64, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e (ii) das Fl. 9017DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.003 31 condições pessoais de contribuintes, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Contudo, nenhuma dessas ações ou omissões foi praticada pelo Impugnante. Ademais, também não ficou comprovado pela Autoridade Fiscal o intuito do Impugnante em agir de modo fraudulento, o qual baseou o seu posicionamento em presunções e suposições que não guardam qualquer vínculo com a realidade. ... Com efeito, age com dolo todo aquele que tem o ânimo de prejudicar ou fraudar alguém; todo aquele que intencionalmente adota uma conduta com o objetivo de fraudar. Nesse sentido, o que distingue os institutos viciantes dos negócios jurídicos é que: (i) no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea, (ii) no dolo o vício é provocado, é praticado intencionalmente pela parte, o que notadamente não ocorreu no caso em tela pelo Impugnante. Considerandose que o dolo é elemento imprescindível para que se caracterize a sonegação e a fraude, e, portanto, devem ser minuciosa e cabalmente O comprovados pela Autoridade Fiscal, é notório que no presente caso a multa qualificada é tão indevida como a solidariedade, em razão da absoluta ausência de comprovação da prática dolosa do Impugnante. ... Ainda que se considere que a Autoridade Fiscal buscou comprovar o dolo para fundamentar o agravamento da multa, o fato é que quem age com intuito de simular realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros contábeis e fiscais, não responde o procedimento fiscalizatório de forma diligente, procurando sob todas as formas ocultar as operações. No presente caso, nenhuma dessas condutas foi praticada pelo Impugnante ou pela COELBA, tendo em vista que foram prestadas informações e fornecidos documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal, haja vista que todas as operações questionadas são legítimas e legais. ... Ao fim, afirmam não ter sido comprovada qualquer prática de sonegação ou fraude por parte dos impugnantes. Levantam o princípio da pessoalidade da pena, conforme item III.4 das impugnações: Por fim, no tocante à multa agravada, independentemente de os fatos acima serem suficientes para afastar a atribuição de responsabilidade solidária do Impugnante, vale ressaltar que, em linha com os preceitos constitucionais que regem o direito brasileiro, nenhuma penalidade deverá ser transferida da pessoa do condenado. ... Trás o contido no artigo 50, inciso XLV da Constituição Federal e prossegue: ... Com efeito, ainda que o crédito tributário em questão fosse devido e passível de ser exigido do Impugnante na qualidade de responsável solidário, o que se alega apenas Fl. 9018DF CARF MF 32 para argumentar, devese, ao menos, ser afastada a multa indevidamente imposta ao Impugnante. Por fim, com base, com base no art. 112 do CTN, alegam no item III.5 , ser defeso ao Fisco a exigência de multa em caso de dúvida: ... Isto porque, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere do artigo 112 do CTN, segundo o qual "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...)". ... Ou seja, uma vez que haja dúvida quanto à possibilidade ou não do Impugnante ser responsabilizado solidariamente pelas infrações de que a COELBA é acusada, necessário se faz, ao menos, o cancelamento integral da multa de ofício exigida, na medida em que a responsabilidade tributária é ônus imputado a terceiro cujo lançamento prescinde de absoluta certeza, não cabendo qualquer outro cenário se não a conclusão inequívoca para o remoto cenário de manutenção da acusação e penalidade ao Impugnante. Deste modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida, requerse que esta E. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a multa de ofício exigida do Impugnante na qualidade de responsável solidário. Ao fim de suas explanações, ratificam todos os argumentos apresentados pela COELBA e pedem o reconhecimento da inexistência de suas responsabilidades solidárias e, caso assim não se entenda, requerem o cancelamento da multa agravada, em razão do princípio da pessoalidade da pena. Em 29 de junho de 2017 a DRJ em Campo Grande MS julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. FATO EXTINTIVO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Por possuir natureza de despesa, ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, com efetivo pagamento do preço, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações simuladas, meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Fl. 9019DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.004 33 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual deve incidir juros à taxa Selic. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de evidências que comprovem que as ações dos membros da diretoria e do conselho de administração foram determinantes para o cometimento dos atos ilícitos, dos quais resultaram os fatos geradores da obrigação tributária, nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN, é legítima suas inclusões, na condição de sujeito passivo responsável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 4 de julho de 2017 (fl. 8555), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de agosto de 2017 (fl. 8557.), alegando, em síntese: (i) preclusão do direito de questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, (ii) no mérito, sustenta a legitimidade da operação como planejamento tributário, a impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte (impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial), (iii) ad argumentandum, alega a possibilidade de utilização de empresa veículo, a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio consideradas indedutíveis, a impossibilidade de exigência de multa no caso de dúvida por aplicação do artigo 112 do CTN e a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. As pessoas físicas indicadas como responsáveis foram intimadas e apresentaram recursos voluntário nas datas abaixo: a) Marco Geovanne Tobias da Silva intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8676) RV em 10 de agosto a fl. 8704 b) Gonzalo Pérez Fernandez intimado em 2 de setembro de 2017 (fl. 8677) RV em 10 de agosto a fl. 8912 c) José Maurício Pereira Coelho – intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8672) RV em 10 de agosto a fl. 8826 Fl. 9020DF CARF MF 34 d) Marcelo Maia de Azevedo Corrêa intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8671) RV em 10 de agosto a fl. 8735 e) Solange Maria Pinto Ribeiro intimada em 14 de julho de 2017 (fl.8675) RV em 10 de agosto a fl. 8795 e) Gonzalo Gómez Alcântara – RV em 10 de agosto a fl. 8912 f) Marcelo Souza Marinho – intimado em 13 de julho de 2017 (fl. 8670) RV em 10 de agosto a fl. 8765 g) Moisés Afonso Sales Filho – intimado em 12 de julho de 2017 (fl.8674) RV em 10 de agosto a fl. 8680 h) Paulo Roberto Dutra – intimado em 14 de julho de 2017 (fl.8673) RV em 10 de agosto a fl. 8888 Em seus recursos voluntários os responsáveis sustentam: (i) ausência de poderes de gestão do Conselho Administrativo (argumento presente apenas nas defesas de quem era membro do Conselho) (ii) no mérito: reiteram as defesas apresentadas pela contribuinte; (iii) inexistência de responsabilidade tributária, por : a) erro na identificação do sujeito passivo Incompatibilidade entre a tributação da pessoa jurídica como devedora principal e concomitantemente a responsabilização de terceiros como responsável com fundamento no artigo 135, III, do CTN ("pessoalmente responsáveis") b) inaplicabilidade do artigo 135, III por falta de intuito doloso e pela não ocorrência de atos praticados com excessod e poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos c) impossibilidade de aplicação da multa agravada por inexistência de sonegação e fraude, pelo princípio da pessoalidade da pena e também em razão do art. 122 do CTN (impossibilidade de exigência da multa em caso de dúvida) Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de maio de 2018. Colocado o processo em pauta em 13 de junho de 2018, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, que incluiu o artigo 24 na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), e considerando que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF, cujas ementas transcreve. Então, por meio da Resolução 1401000.581, este colegiado baixou o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 8.9558.961, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. A PFN apresentou a manifestação de fls. 8.9698.984, sustentando a inaplicabilidade do dispositivo às decisões proferidas pelo CARF. O processo então retornou para julgamento. Fl. 9021DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.005 35 Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto deles conheço. Preliminarmente, impõese a análise da aplicabilidade e do alcance do artigo 24 da LINDB ao/no caso concreto. O dispositivo tem a seguinte redação: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Defende a Recorrente que tal dispositivo tem aplicação imediata ao caso, devendo ser cancelada a autuação fiscal, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, ou seja, foi pautado na jurisprudência majoritária deste CARF sobre "dedutibilidade do ágio pago na aquisição de sociedade estatal em processos de privatização". Todavia, entendo que não é este o alcance da norma. É que o campo tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. De fato, o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E não é à toa. É que em um ambiente em que todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) têm competência e capacidade tributária ativa, a edição de normas gerais não pode emanar de um desses entes (lei federal), devendo advir de norma especial com caráter de legislação nacional, papel da lei complementar. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Fl. 9022DF CARF MF 36 Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Vale lembrar, também, que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Na verdade, a análise mais detida do teor do artigo 24 da LINDB também leva à conclusão de que ele não tem o alcance que a Recorrente pretende. A começar pelo contexto em que tal norma foi editada, eis que a exposição de motivos do projeto de lei indica que suas disposições tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Ademais, a análise do texto indica que o dispositivo se dirigese à revisão de ato, processo ou norma emanados da própria Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, eis que lançamento não configura procedimento de “revisão”, uma vez que não cuida de “revisar” a validade de quaisquer atos ou contratos da Administração. Assim, o lançamento tributário não se ocupa da revisão de atos administrativos e jamais declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Vale notar que dar ao artigo 24 da LINDB o alcance pretendido pela Recorrente em nome da segurança jurídica acabaria por engessar o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos tribunais administrativos, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos, levandoos obrigatoriamente ao Poder Judiciário onde não se encontra tal especialização, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes, trazendo vejam só insegurança jurídica. Ante o exposto, oriento meu voto por rejeitar a preliminar de aplicação do artigo 24 da LINDB ao caso em questão. Passo à análise dos recursos voluntários. Recurso voluntário da contribuinte Fl. 9023DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.006 37 Em breve síntese, a acusação fiscal é de que a Guaraniana S.A., empresa que adquiriu participação societária na COELBA em 1997 por meio de leilão de privatização, teria, em 31 de março de 2000, transferido o ágio para a Nordeste Participações S.A., a qual foi taxada em "empresa veículo". Após descrever a operação, o TVF afirma: "Esta auditoria demonstrará que as operações a partir da capitalização acima mencionada foram realizadas apenas no papel, sob o manto da fraude, inviabilizando dessa forma a dedutibilidade pretendida para o ágio oriundo de aquisições de ações da COELBA" (TVF, fl. 7.842). Para tanto, a autoridade autuante questiona: (i) a fundamentação do ágio, apontando problemas com relação ao demonstrativo de rentabilidade futura elaborado; (ii) o papel da Nordeste Participações, que chama de "empresa veículo"; (iii) a incorporação da Nordeste Participações pela COELBA, que afirma ter ocorrido apenas "no papel". Afirma a fiscalização, ademais, que "não houve alienação de participação que a Guaraniana S.A. possuía na COELBA e por consequência não existiu ágio novo que pudesse ser fundamentado economicamente. De fato, a operação ocorrida foi a transferência de ações, e, por conseguinte, do ágio (31/07/97 e 06/10/99), conforme disposto pela própria COELBA, em excertos abaixo, às fls. 8130 e 8131 do processo administrativo no. 10580.729192/201171." (fl. 7861) [e transcreve trechos do recurso da COELBA em tal processo administrativo, no qual a empresa se defende da acusação de "ágio interno" afirmando que não houve ágio novo]. Além disso, a multa foi qualificada porque, no entender da autoridade autuante, "Esta conduta de criar operações sem substrato econômico razoável (transferência de ágio para empresa veículo e incorporação às avessas da controladora) para tentar alterar o fundamento econômico do ágio visando apenas à redução da carga tributária consubstanciou a conduta fraudulenta das empresas envolvidas nas operações, ..." (fl. 7966). A Recorrente inicia sua defesa com a observação de que, quando ocorreu a autuação, já havia decaído o direito do fisco de questionar os fatos que deram origem ao ágio. Tal argumento não procede. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101 002.387, julgado em 13/07/2016) Coerentemente, este CARF aprovou o enunciado do Súmula n. 116, de seguinte teor: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." Fl. 9024DF CARF MF 38 Por tais razões não há como se reconhecer a decadência no caso em questão. Passo então à análise do mérito da autuação, examinando mais detidamente cada um dos questionamentos indicados no TVF como base para a glosa efetuada. O primeiro deles é relativo ao demonstrativo de rentabilidade futura. No caso, a autoridade autuante aparentemente confunde o ágio apurado em 1997 e 1999, por ocasião da aquisição das ações da COELBA via leilões de privatização, com o ágio apurado em 31 de março de 2000, data em que a Guaraniana adquiriu as ações da Nordeste Participações (mediante capitalização das ações da COELBA) e então a Nordeste Participações registrou o ágio que ora se discute. Afirma o TVF que "demonstrarseá que todo o ágio amortizado pela COELBA, oriundo de leilão de privatização e leilão especial não encontra respaldo na legislação vigente à época do fatos geradores (2011 e 2012) para redução de base de cálculo dos tributos acima mencionados". (fl. 53). Bem como que "não restam dúvidas quanto a intempestividade dos documentos acima discriminados [laudos realizados em 1999 e 2000], principalmente, por não se prestarem a comprovar a escrituração contábil dos fatos ocorridos em 31 de julho de 1997" (fl. 68). Ocorre que em nenhum momento se pretendeu amortizar o ágio relativo ao leilão de privatização ocorrido em 1997. Isso sequer seria possível. O ágio é um desdobramento do custo de aquisição, ou seja, um lançamento contábil com efeitos fiscais que é realizado por quem adquire um investimento por valor acima do valor de patrimônio líquido. Assim dispunha a legislação vigente à época dos fatos: DecretoLei 1.598/1977 (grifamos) Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) Assim, por exemplo, se a investidora "α" paga $500 para adquirir 100% da empresa "X", a qual tem patrimônio líquido no de $400, então α, ao registrar esse ativo, desdobrará tal custo de aquisição da seguinte forma: Registros contábeis em α: Investimento em X $500 Valor de patrimônio líquido de X = $400 Ágio (αX) = $100 Fl. 9025DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.007 39 Posteriormente, se α decide transferir esse ativo para a investidora "ß", por exemplo por $450, e neste momento, por hipótese, X tem o mesmo valor de patrimônio líquido (400), então ß, ao registrar o investimento em X, desdobrará o custo de aquisição da seguinte forma: Registros contábeis em ß: Investimento em X $450 Valor de patrimônio líquido de X = $400 Ágio (ßX) = $50 Nesse exemplo, não se pode dizer que houve "transferência de ágio" ou que o segundo ágio (ágio ßX, de $50), estava "dentro" do primeiro (ágio αX, de $100), porque cada aquisição gera para a respectiva adquirente, e apenas para ela, naquela específica data, o desdobramento do valor pago em valor de patrimônio líquido + ágio (ou deságio). O ágio não é um ativo a ser transferido, ele é, a princípio, apenas uma consequencia, um efeito contábil, de se pagar por uma ação mais do que o seu valor de patrimônio líquido. Continuando o raciocínio, se uma empresa que adquire um investimento "com ágio" vier a incorporar a investida ela apurará, contabilmente, uma perda. Para utilizar o exemplo acima, se ß vier a incorporar X ela receberá um PL de 400 e "perderá" os 50 do ágio. É essa perda que, se antes da Lei 9.532/1997 era reconhecida integralmente no momento da incorporação, passou a ser amortizável apenas à razão máxima de 1/60 ao mês após o advento de tal diploma legal, desde que cumpridos determinados requisitos ali previstos. A própria exposição de motivos da Lei 9.532/1997 esclarece tal circunstância, vejase: “11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método de equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos ‘planejamentos tributários’, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” 1 Neste sentido, podemos citar o seguinte caso como exemplo do "planejamento tributário" referido em tal exposição de motivos: Ementa: “IRPJ/CS – INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE – AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – DEDUTIBILIDADE – Na incorporação de 1 Vale notar que na conversão em lei o art. 8o acabou sendo reproduzido como art. 7º da Lei 9.532/97. Fl. 9026DF CARF MF 40 sociedade, com acervo líquido da sociedade incorporada avaliado a valor de mercado, o ágio anteriormente registrado pela controladora e baixado em razão da liquidação do investimento é dedutível na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro." (Processo 10980.00656119768, Acórdão 10705875, de 22/02/2000). Merecem destaque os seguintes trechos do voto vencedor do acórdão cuja ementa se transcreveu acima: “Obviamente que não se pode olvidar que as operações praticadas pela recorrente redundaram na absorção do ágio que anteriormente se formara, reduzindo o seu lucro tributável. Mas, ao tempo em que tais operações se realizaram, além das regras insertas no citado art. 380 do RIR/94, não havia nenhuma outra vigente, o que em negócios do gênero (aquisições de sociedades seguidas de sua absorção) abria espaços para a estruturação de operações que, desde logo, permitiam a dedutibilidade do ágio pago. O legislador, ciente de que a reboque de tais negócios realizavamse operações de planejamento tributário, por intermédio da Lei 9532/97 veio a disciplinar a figura do ágio, estabelecendo o tratamento tributário de conformidade com a sua natureza. Portanto, considerando que a dedução do ágio que motivou o presente lançamento se verificou em momento anterior ao de vigência da referida lei, tendo as operações estruturadas se pautado pelas regras impostas na legislação societária e em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, não havendo, por parte da autoridade que presidiu o ato de lançamento, nenhuma acusação quanto a eventual ilicitude ou simulação dos atos praticados, realmente não vejo como se manter o lançamento. (...) o que se via no momento da realização das operações em questão era um absoluto vazio legislativo, que propiciava em operações da espécie a dedutibilidade imediata e integral do ágio, tanto que o legislador, talvez até tardiamente, tratou de adequadamente regulálas.” (grifamos) Pois bem. Passando à hipótese dos autos, o ágio que ora se discute foi apurado em 2000, pela Nordeste Participações, quando esta recebeu da Guaraniana as ações que esta detinha na COELBA (tendo a Nordeste Participações entregue capital social como contrapartida pela aquisição de tal investimento), conforme demonstrou a Recorrente: Fl. 9027DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.008 41 No caso, é verdade, as ações da COELBA estavam registradas na contabilidade da Guaraniana com ágio (porque em 1997 e 1999, quando a Guaraniana adquiriu as ações da COELBA, ela também pagou ao vendedor mais do que o valor de patrimônio líquido das ações da COELBA naquela data). Mas isso, para fins de apuração do ágio pela Nordeste Participações, é quase que irrelevante. Por isso, quando intimada a apresentar o demonstrativo de rentabilidade futura relativo ao ágio amortizado para fins fiscais (isto é, o ágio registrado pela Nordeste Participações), o documento apresentado foi o laudo elaborado pela Arthur Andersen Business Consulting S/C LTDA em 23 de dezembro de 1999, o qual indica tratarse de "resultado de nossos trabalhos relativos à prestação de serviços profissionais de avaliação econômico financeira da Cia. de Eletricidade do Estado da Bahia (doravante denominada “Coelba” ou “empresa” como forma de assessorálos no processo de fundamentação do ágio gerado na alienação da participação acionária detida pela Guaraniana S.A, perante a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL” (fl. 71, grifos nossos). Ou seja, tratase de laudo elaborado para apurar o valor para fins de alienação (e não aquisição) das ações da COELBA pela Guaraniana, alienação esta que ocorreu em favor da Nordeste Participações. Tal documento considera o universo de dez anos e realiza uma análise do fluxo de caixa descontado a valor presente, chegando à conclusão de que o valor econômico estimado da COELBA em função da capacidade de geração de resultados futuros equivaleu aproximadamente a R$ 3.618.310.000,00. A fiscalização poderia, talvez, questionar aspectos relativos a este demonstrativo preparado em 1999, mas nunca pretender colocar em dúvida a fundamentação de um ágio registrado em 2000 apenas com base em questionamentos quanto a uma aquisição anterior do mesmo ativo realizada anos antes por outra empresa. O raciocínio fica mais claro se pensarmos a contrario sensu: se se pretendesse, em 2000, registrar ágio relativo à aquisição das ações da COELBA pela Nordeste Participações com base em demonstrativo elaborado em 1997, tal registro seria aceito? Penso que não. Afinal, a legislação vigente à época estabelecia que o lançamento do ágio com fundamento em rentabilidade futura "deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração" (art. 20, § 3º, do DecretoLei 1.598/1977), o que indica que o demonstrativo deve ser contemporâneo ao registro contábil do ágio, ou seja, contemporâneo à aquisição do investimento. Assim, entendo que não assiste razão à autoridade autuante quando esta questiona a fundamentação do ágio, ou a tempestividade do laudo de avaliação, sob o argumento de que este deveria ter sido elaborado em 1997/1999. De fato, se estivéssemos aqui a tratar do ágio registrado pela Guaraniana, aí sim, estaríamos a questionar sobre demonstrativo de rentabilidade futura das ações da COELBA contemporâneo à aquisição de tais ações pela Guaraniana, em 1997 e em 1999. No entanto, o presente caso não trata do ágio registrado pela Guaraniana, mas do ágio registrado pela Nordeste Participações quando esta adquiriu as ações da COELBA em 2000. A questão aqui é que a autoridade autuante parte da premissa de que tratase do ágio registrado pela Guaraniana que foi meramente transferido à Nordeste Participações. Neste sentido, afirma textuamente que "não houve alienação da participação que a Fl. 9028DF CARF MF 42 Guaraniana S.A possuía na COELBA e por consequência não existiu ágio novo que pudesse ser fundamentado economicamente. De fato, a operação ocorrida foi a transferência de ações, e, por conseguinte, do ágio (31/07/97 e 06/10/99), conforme disposto pela própria COELBA, em excertos abaixo, às fls. 8130 e 8131 do processo administrativo nº 10580.729192/201171." (fl. 71). Transcreve, em seguida, os trechos que menciona, no qual a empresa, para se defender da acusação de "ágio interno", afirma que não houve "ágio novo" pois "o ágio que acaba por ser contabilizado na COELBA era o mesmíssimo que estava na NORDESTE e anteriormente na GUARANIANA e que, exatamente por causa da incorporação, vai para a COELBA". Ocorre que, quando a empresa afirma que se trata do "mesmíssimo ágio" ela apenas quer dizer que o valor pago em 2000 (pela Nordeste Participações) para adquirir as ações da COELBA espelha o valor pago (pela Guaraniana) para adquirir essas mesmas ações em 1997 e 1999. Tecnicamente, é bom repetir, não se pode falar que se trata do mesmo ágio, eis que o ágio não é um ativo independente passível de transferência, mas um mero efeito da aquisição de uma participação societária. Pretender transferir tal efeito isoladamente é como querer transferir apenas o cheiro de uma flor sem transferir a flor. Isso nos leva à análise do segundo questionamento apontado pela fiscalização, de que a Nordeste Participações S.A. seria "empresa veículo" na transferência do ágio, eis que ela "não apresentou receita ou movimento operacional". Todavia, ainda segundo a descrição constante do TVF, a Nordeste Participações foi constituída em 30 de setembro de 1997 sob outra denominação, tendo como objeto social a participação em outras sociedades, ou seja, tratavase de uma "holding pura" controlada pela Previ. Muito embora não tenha auferido receitas operacionais no período de 1997 a março de 2000 (o que sequer era esperado, já que se tratava de holding pura), ela registrou despesas, apurando assim prejuízo nos exercícios. No caso, a fiscalização não questiona a existência em si da Nordeste Participações, apenas utiliza o fato de não haver receitas para imputar a ela o rótulo de "empresa veículo". Acontece que tal qualificação jurídica sequer existe. O termo "empresa veículo" designa aquela pessoa jurídica que existe apenas no papel, ou seja, cuja materialidade é forjada para ser utilizada como etapa (simulada) de reestruturações societárias as quais, por envolver simulação, são consideradas planejamento tributário ilegítimo. Para que se prove estar diante de empresa veículo é necessário que a autoridade fiscal reúna indícios de que, na prática, a pessoa jurídica não passa de uma simulação, isto é, uma "casca", existente apenas no papel, o que envolve a constatação de que ela não atuou como sujeito de direitos e obrigações de nenhuma ordem. Neste sentido, em tese o fato de não ter auferido receitas até pode servir de indício de que a pessoa jurídica não existe, desde que reunido com outros indícios que convirjam para esta mesma conclusão. Ocorre que o próprio TVF afirma que a Nordeste Participações registrou despesas no período, o que aponta para o lado oposto à tese que a autoridade autuante pretendeu sustentar, já que demonstra que tal pessoa jurídica atuou como sujeito de direitos e deveres. Não há nenhum outro fato indicado pela fiscalização que aponte para a conclusão de que a Nordeste Participações não teria existência efetiva, material. Fl. 9029DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.009 43 Assim, não se pode afirmar que a Nordeste Participações seja mera "empresa veículo" no caso, até porque, ao que consta do próprio TVF, a pessoa jurídica aparentemente existiu tanto formal como materialmente, tendo inclusive incorrido em despesas. Em terceiro lugar, a fiscalização questiona a incorporação da Nordeste Participações pela COELBA, o que reputa ter ocorrido "apenas no papel, ou sem substância econômica a não ser a elisão do pagamento de tributos, qual seja, a incorporação reversa da controladora (Nordeste Participações) pela controlada COELBA)." (fl. 7854). A despeito de tal afirmação, a fiscalização não traz quaisquer indícios de que tal incorporação tenha sido de fato simulada. Na verdade, a única base para tal afirmação é a de que a Nordeste Participações seria mera "empresa veículo" o que, como vimos, não foi comprovado. Caminhando para a conclusão, temos que a Nordeste Participações adquiriu ações da COELBA e desdobrou o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo necessário verificar se foram cumpridos os requisitos legais para a amortização do ágio (previstos na Lei 9.532/1997 e no DecretoLei 1.598/1977) e se tais operações efetivamente fossem praticadas (ausência de simulação art. 149, VII, do CTN). Não há qualquer acusação no TVF de que os requisitos legais para o registro e a amortização de ágio não foram cumpridos no caso em questão. Pelo contrário, o TVF afirma (i) que foi elaborado demonstrativo de rentabilidade futura contemporâneo à aquisição das ações da COELBA pela Nordeste Participações; (ii) que houve pagamento (contraprestação) na aquisição das ações da COELBA pela Nordeste Participações; (iii) que por ocasião da aquisição do investimento a Nordeste Participações segregou o investimento do ágio, e (iv) que a amortização do ágio passou a ocorrer após a incorporação da investidora pela COELBA. Vale observar que a afirmação do TVF de que o ágio referente às ações da COELBA teria sido duplicado também não tem fundamento, já que o valor que a Guaraniana havia registrado como ágio na aquisição das ações da COELBA passou a ser meramente custo de aquisição do investimento que a Guaraniana passou a deter na Nordeste Participações, nos termos do artigo 426, I, do RIR/99. O ágio, vale repetir, é produto da aquisição de uma participação societária por um valor acima de seu valor patrimonial, é um desdobramento do custo de aquisição, dessa forma, por consequência lógica e necessária, ele sempre segue a participação societária em questão. Assim, a Guaraniana nunca poderá amortizar fiscalmente qualquer ágio referente às ações da COELBA que foram transferidas à Nordeste Participações. Por outro lado, uma pessoa que viesse a adquirir da Guaraniana as ações da COELBA poderia registrar ágio em tal aquisição (desde que pagasse mais do que o valor de patrimônio líquido de tais ações) e, observados os requisitos legais, amortizar tal ágio para fins fiscais o que de fato ocorreu com a Nordeste Participações. Ante o exposto, a conclusão necessária a que se chega é de que a autuação fiscal sob exame não tem fundamento jurídico. Como tenho sustentado em meus votos sobre o assunto (acórdãos 1401 001.908, 1401002.078, dentre outros), apesar do viés político que é atribuído a sua introdução na legislação, há que se salientar que a amortização do ágio pago na aquisição de sociedade Fl. 9030DF CARF MF 44 brasileira tem lógica na própria sistemática de tributação do IRPJ e da CSLL, e existia muito antes da Lei 9.532/1997, a qual veio tão somente impor critérios objetivos para tal fruição quais sejam, a fundamentação da mais valia na rentabilidade futura da investida, bem como do prazo para a amortização fiscal, contado a partir da liquidação do investimento. A legislação tributária estabelecia que o ágio pago em razão da rentabilidade futura da sociedade adquirida poderia ser amortizado e deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL após a alienação ou a liquidação do investimento. Tais condições não são aleatórias. Na verdade, tanto a alienação do investimento quanto a sua liquidação são eventos que dão margem ao reconhecimento de um ganho ou uma perda, correspondentes à diferença entre o valor pago na aquisição da participação societária ("custo") e o valor pelo qual esta é alienada ou liquidada (respectivamente, valor de venda ou valor de patrimônio líquido). A ocorrência de tais eventos, nos termos do DecretoLei 1.598/1977 (em especial, arts. 25, 33 e 34), acarretava a tributação do ganho (quando realizado), assim como permitia considerar a perda uma despesa dedutível. Como visto, antes da edição da Lei 9.532/1997, para fins tributários o ágio era integralmente amortizado no momento em que houvesse a incorporação, e era assim não porque nesse momento a despesa com o ágio seria confrontada com a receita que lhe deu origem, ou porque neste momento ocorreria a "confusão patrimonial" entre investidora e investida, mas tão somente porque, a partir de então, aquele investimento necessariamente seria baixado, originando uma perda. Vale notar que tal tratamento tributário do ágio poderia ser aplicado ainda que o ágio tivesse sido amortizado contabilmente, sendo ainda aplicável inclusive às sociedades que não estivessem obrigadas a seguir o método de equivalência patrimonial, como reconheceu o §6º, I, do artigo 386 do RIR/99. Em resumo, longe de criar um "benefício fiscal" visto que a amortização já era prevista na legislação, e em condições muito mais amplas , o que os arts. 7º e 8o da Lei 9.532/1997 (reproduzidos no art. 386 do RIR/99) trouxeram foram as condições objetivas para a amortização fiscal do ágio pago na aquisição de participações societárias. Condições que, conforme indica a própria exposição de motivos da norma, foram estabelecidas buscandose evitar os "planejamentos tributários" praticados com respaldo na anterior lacuna legislativa. Assim, uma vez que tais condições tenham sido observadas, a princípio a amortização fiscal do ágio há de ser admitida. E digo a princípio apenas porque, como se sabe, as autoridades fiscais estão autorizadas a efetuar e rever de ofício o lançamento tributário nas hipóteses do artigo 149 do CTN, inclusive quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (inciso VII). No caso em questão, não tendo restado caracterizadas tais circunstâncias que permitiriam questionar a dedutibilidade fiscal do ágio, não vejo como subsistir a autuação. Colocada a questão para votação nesta Turma, restei vencida quanto ao argumento acima, razão porque passo a analisar os pedidos subsidiários aventados no recurso voluntário. CSLL Fl. 9031DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.010 45 A Recorrente defende a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio consideradas indedutíveis. Concordo com a Recorrente quando esta sustenta que o legislador determinou a base de cálculo da CSLL doe forma exaustiva, como não poderia deixar de ser, fixando cada um dos ajustes aplicáveis. Todavia, diferentemente da Recorrente, entendo que a legislação arrola, sim, como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente a amortização do ágio art. 13 da Lei no. 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (...) Não obstante, o lançamento da CSLL não deve prevalecer no caso em questão, tendo em vista que a base legal não foi citada quer no auto de infração quer no TVF. Isso porque, no caso, a fiscalização autuou a CSLL como mero reflexo do IRPJ, como se as bases de cálculo de tais tributos fosse idênticas (mas não são). Vejase, neste sentido, as bases legais indicadas para o lançamento da CSLL: Auto de infração fl. 30: Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 39 da Medida Provisória nº 563/12. Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Termo de Verificação Fiscal fl. 76 Infração Despesa Indedutível com amortização de ágio na apuração da CSLL: • Artigo 2º e 3º, inciso II, da lei 7.689 de 15 de dezembro de 1988 e alterações posteriores; • Artigo 57, da Lei 8.981 de 20 de janeiro de 1995 e alterações posteriores; Fl. 9032DF CARF MF 46 • Artigo 1º da Lei 9.316 de 22 de novembro de 1996; • Artigo 28, da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Assim, oriento meu voto para, não obstante vencida quanto ao IRPJ, cancelar a autuação quanto à CSLL por falta de indicação da base legal no auto de infração. Multa qualificada Conforme relatado, a multa foi qualificada porque, no entender da autoridade autuante, "Esta conduta de criar operações sem substrato econômico razoável (transferência de ágio para empresa veículo e incorporação às avessas da controladora) para tentar alterar o fundamento econômico do ágio visando apenas à redução da carga tributária consubstanciou a conduta fraudulenta das empresas envolvidas nas operações, ..." (fl. 7966). Ocorre que, no caso, não houve dolo, no sentido de consciência da prática de um ilícito, necessário à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio que levam à qualificação da multa de ofício. Na verdade, o que ocorreu foi divergência na qualificação de fatos, portanto no enquadramento tributário a ser dado a determinado comportamento. No caso, mesmo que se admitisse como possível a chamada "transferência de ágio" ou a utilização da chamada "empresa veículo", tais condutas não são, em si, ilícitas; são, no máximo, passíveis de requalificação pela Administração, autorizando, assim, o a revisão do lançamento ou o lançamento de ofício, nos termos do artigo 149 do CTN. Revelase difícil admitir a presença de dolo em um caso como o dos autos, em que o contribuinte inclusive demonstrou, na petição onde requer a aplicação do artigo 24 da LINDB (fls. 8.9558.961), que exatamente nos anoscalendário em que ocorreu a amortização do ágio ora em discussão (2011 e 2012) este CARF publicou diversos acórdãos validando a efetivação de reorganizações societárias mediante a utilização de "empresa veículo", "desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio", em especial em se tratando de aquisições realizadas no contexto de programas de privatização. Assim, é fato que, no caso dos autos, havia uma expectativa razoável da contribuinte de que as operações por ela realizadas eram plenamente lícitas, não sendo razoável aplicarlhe a multa duplicada. Ante o exposto, tendo restado vencida quanto ao principal de tributo, oriento meu voto para excluir a qualificação da multa de ofício. Multa de ofício Observo que, no específico caso dos autos, a aplicação de qualquer penalidade contraria o disposto no artigo 112 do CTN. O dispositivo prevê: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 9033DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.011 47 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Não estou dizendo, com isto, que há qualquer dúvida quanto à ocorrência do fato gerador. Não é isso. Todavia, é fato que, dado o status da jurisprudência deste CARF à época dos fatos geradores (conforme demonstrado pela contribuinte na petição de fls. 8.9558.961), a Recorrente tinha uma expectativa razoável de que as operações realizadas não apenas eram lícitas mas seriam, inclusive, referendadas por este CARF. Em um contexto como este, em que o próprio CARF validava operações semelhantes à discutida nos presentes autos, não apenas não se pode admitir como caracterizado o dolo como também não se pode manter a aplicação de qualquer penalidade. O Superior Tribunal de Justiça tem admitido temperamento na aplicação de penalidades, a despeito de ser objetiva a responsabilidade do contribuinte quanto a ilícitos fiscais nos termos do artigo 136 do CTN, vejase como exemplos: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECOLHIMENTO REITERADO DO ISS. COSTUME. ART. 100, III E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. ICMS. BOAFÉ. CONTRIBUINTE. MULTA. EXCLUSÃO. JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DIES A QUO. NOTIFICAÇÃO. I — Presumese a boafé do contribuinte quando este reiteradamente recolhe o ISS sobre sua atividade, baseado na interpretação dada ao DecretoLei 406/68 pelo Município, passando a se caracterizar como costume, complementar à referida legislação. II — A falta de pagamento do ICMS, pelo fato de se presumir ser contribuinte do ISS, não impõe a condenação em multa, devendose incidir os juros e a correção monetária a partir do momento em que a empresa foi notificada do tributo estadual.” (RESP 215.655, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 18.09.2003). “(...) I — Apesar da norma tributária expressamente revelar ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (artigo 136 do CTN), sua hermenêutica admite temperamentos, tendo em vista que os artigos 108, IV e 112 do CTN permitem a aplicação da eqüidade e a interpretação da Lei Tributária segundo o princípio do in dúbio pro contribuinte. Precedente: REsp 494.080/RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 16/11/2004. II — In casu, o Colegiado a quo, além de expressamente haver reconhecido a boafé do contribuinte, sinalizou a inexistência de qualquer dano ao Erário ou mesmo de intenção de o provocar, perfazendose, assim, suporte fáctico jurídico suficiente a se fazerem aplicar os temperamentos de interpretação da norma tributária antes referidos. Fl. 9034DF CARF MF 48 (...)” (RESP 699.700, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, j. 21.06.2005). Assim, tendo restado vencida quanto ao principal de tributo, oriento meu voto para excluir também a aplicação de qualquer penalidade no caso. Juros sobre multa Quanto aos juros sobre a multa, este CARF aprovou o enunciado da Súmula 108, de observância obrigatória por este colegiado, nos seguintes termos: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, tendo restado vencida quanto ao principal de tributo, voto pela manutenção dos juros sobre a multa. Recursos voluntários dos responsáveis A exclusão da responsabilidade já seria conseqüência do não reconhecimento do dolo no caso concreto já que, inexistindo ilícito, não se verifica a hipótese do artigo 135, III, do CTN. De qualquer forma, a exclusão da responsabilidade também é de rigor porque não presentes os requisitos legais para tanto, como passo a analisar. Recursos voluntários dos responsáveis membros do Conselho de Administração O artigo 135 do CTN, ao atribuir responsabilidade pessoal aos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, condiciona a aplicação de tal dispositivo às hipótese sem que se verifica a efetiva existência de poderes de gerência/direção sobre a empresa, e tão somente quanto pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. A leitura das atribuições conferidas pela Lei das S/A a membros do conselho de administração revela que tal órgão se presta a viabilizar, instruir e aconselhar os negócios da companhia, mas jamais a executálos, já que a efetiva execução dos negócios compete à diretoria, órgão diverso. Vale transcrever o artigo 142 da Lei das S/A (Lei 6.404/1976): Art. 142. Compete ao conselho de administração: I fixar a orientação geral dos negócios da companhia; II eleger e destituir os diretores da companhia e fixarlhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; III fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos; IV convocar a assembléiageral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132; Fl. 9035DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.012 49 V manifestarse sobre o relatório da administração e as contas da diretoria; VI manifestarse previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir; VII deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus de subscrição;(Vide Lei nº 12.838, de 2013) VIII – autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo não circulante, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IX escolher e destituir os auditores independentes, se houver. (...) Assim, não se pode admitir a responsabilização tributária dos membros do conselho de administração da contribuinte com base no artigo 135, III, do CTN. Recurso voluntário dos responsáveis com cargo de diretoria No caso, também foram incluídos no polo passivo da obrigação tributária indivíduos com cargo de diretoria. Embora, em tese, o artigo 135, III, do CTN se aplique a diretores de sociedades, entendo que não é o caso dos autos. Isso porque, para a aplicação do artigo 135, III, do CTN, também é necessário que a autoridade fiscal prove que o diretor em questão efetivamente atuou em fraude à lei, contrato social ou estatutos. Não encontra guarida a responsabilização apenas pelo cargo ocupado. Neste sentido, oriento meu voto para dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos imputados responsáveis. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, restando prejudicados os recursos voluntários dos apontados como responsáveis. Não obstante, tendo restado vencida quanto ao principal de IRPJ, oriento meu voto para cancelar o auto de infração de CSLL, excluir a qualificação da multa de ofício, excluir a aplicação da própria multa de ofício, manter a aplicação de juros sobre multa e dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos imputados responsáveis. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 9036DF CARF MF 50 Voto Vencedor Conselheiro Claudio de Andrade Camerano Redator Designado De se destacar que o presente voto vencedor referese apenas (i) à glosa de despesa com amortização de ágio para fins de IRPJ e de CSLL e (ii) aplicabilidade da multa de ofício de 75%. Nestes itens, por maioria de votos (voto de qualidade), foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Relatora. Assim, de se acatar o que foi decidido pela Relatora e ratificado, por unanimidade de votos por esta Turma Ordinária para (a) rejeitar as preliminares, (b) afastar a qualificação da multa de ofício e (c) pelo afastamento dos responsáveis tributários apontados nos autos de infração. A questão a ser enfrentada é verificar se há embasamento legal para a Interessada deduzir, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização de ágio registrado em sua contabilidade, decorrente de operações que culminaram com a transferência à Fiscalizada, por meio de incorporação, de ativo que continha o registro de ágio. Contrariamente ao entendimento da Relatora, o ágio que foi objeto de amortização com reflexos tributários no IRPJ e na CSLL, foi, data venia, o ágio surgido na aquisição da COELBA em processo licitatório de privatização. Do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls.38 a 84) em parte reproduzido no Relatório do Voto Vencido, percebese facilmente que estamos diante de caso relativo à aquisição de participação societária (com ágio), seguido de incorporação entre as empresas envolvidas, tendose constatado neste cenário, segundo a autoridade fiscal, a figura da já conhecida e assim chamada por grande parte da doutrina de empresa veículo. Em vários julgados envolvendo esta questão específica, temse normalmente a seguinte situação: a aquisição de um investimento com reconhecimento de ágio, que, posteriormente, é transferido e aproveitado (fiscalmente, por incorporação), ora entre empresas ligadas, ora entre empresas sem ligação societária comum, mas por meio de utilização de empresa veículo, o que, na maioria dos casos vistos, vem a subverter, de maneira primária, a norma tributária que rege o assunto. De se ver, então, se estamos diante do caso exposto pela Fiscalização. Informa a autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal (TVF), que na Demonstração do Resultado do Exercício DRE da empresa fiscalizada encontrase o registro de amortização de ágio (anos calendário de 2011 e 2012), sobre investimentos, decorrente de ativo que constava, conforme relatoriado, na empresa Nordeste Participações S/A, então incorporada pela COELBA. As amortizações deste ágio nesses anoscalendário reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 55.539.840,12 (ano de 2011) e de R$ 53.582.152,80 (ano de 2012), conforme consta no TVF, item 1. Da identificação dos montantes de despesas com ágio de si mesma amortizados pela COELBA nos anos calendário 2011 e 2012. Fl. 9037DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.013 51 Que transações foram estas que houveram com a Nordeste Participações S/A, então incorporada pela COELBA, ora Recorrente, que lhe permitiram o registro de amortizações desta natureza e desta magnitude? Já vimos, conforme relatoriado, que tratouse de contabilização de amortização de ágio e que apareceu por força de uma incorporação em uma empresa, a Nordeste Participações S/A, que mantinha em seu ativo o investimento adquirido com ágio. E como este ágio lá na empresa Nordeste Participações S/A foi originado? De se ver. Inicialmente, retrocedendo à época das privatizações, e já relatoriado, a empresa Guaraniana S/A, tendo por objeto a participação em outras empresas e com um capital de R$ 15.000,00, recebeu um aporte de capital, em 1997, da ordem de R$ 1.243.848.175,00, "visando a liquidação financeira do lance ofertado no leilão de privatização da COELBA." Este aumento de capital foi integralizado, em grande parte, por IBERDROLA INVESTIMENTOS SOCIEDADE UNIPESSOAL, com 39,00031%, por FUNDO MÚTO DE INVESTIMENTOS EM AÇÕES CARTEIRA LIVRE BB AÇÕES PRICE (BBDTVM S.A), com 32,95387% e por PREVI CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, com 19,99992%. Com esta aquisição, com pagamento de ágio, a Guaraniana S/A passou a ter o controle direto da COELBA, passando a amortizar contabilmente o ágio e, conforme destacado no TVF, "a Guaraniana S.A, em obediência aos diplomas legais vigentes, adicionou os montantes acima descritos no LALUR, às fls. 02 e 03, desfazendo, sob a ótica fiscal, o efeito da amortização contábil da mais valia aqui analisada." Oportuno trazer excerto do TVF: Em 31 de março de 2000, a empresa Guaraniana S.A transferiu, através de capitalização, o investimento (inclusive o ágio) que detinha na COELBA para a empresa ligada Nordeste Participações S.A, CNPJ nº 02.150.255/000166, entretanto, manteve o controle na Parte “B” do LALUR do montante acumulado referente as amortizações mensais ocorridas até aquele momento. Em 31 de março de 2000, a Guaraniana S.A buscando alterar o contexto da impossibilidade de dedução fiscal do ágio em epígrafe, deu início a uma série de operações intragrupo que se materializou primeiramente na capitalização da Nordeste Participações S.A com a participação remanescente que detinha na COELBA. Em 07 de junho de 2000, após dois meses do registro desta transferência de ações (capitalização), a Nordeste Participações S.A foi incorporada pela investida (sua controlada), a COELBA (Recorrente), atos societários que, conforme consta acertadamente no TVF, "não passaram de formalismo jurídico ou ficção com vistas à transferência de ágio para amortização fiscal." Fl. 9038DF CARF MF 52 A autoridade autuante destacou uma série de fatos/situações que a levou a concluir pela constatação de que a empresa Nordeste Participações S.A serviu apenas para possibilitar a amortização do ágio nos termos do art.386 do RIR/99, ou seja, que se estaria diante de uma empresa veículo, assim denominada pela jurisprudência/doutrina como aquelas empresas que são constituídas exclusivamente para permitir a utilização do benefício fiscal contido naquele artigo. Tais empresas nestas condições só serviriam para conduzir o investimento adquirido com ágio, por meio de uma incorporação (no caso), o que, segundo os mentores desta operação societária, daria o devido respaldo legal para a questionada amortização do ágio. A autoridade autuante concluiu que a empresa Nordeste Participações S.A foi apenas uma empresa veículo e que, na realidade, o real adquirente da COELBA (fiscalizada) foi a Guaraniana S/A. A convicção da autoridade autuante está associada a um conjunto de situações e fatos, que a seguir destacamos, extraídos do TVF item 6. Da constituição, desenvolvimento e papel desempenhado pela Nordeste Participações S.A, CNPJ: 02.150.255/000166 Empresa veículo na transferência do ágio: A Nordeste Participações S.A é a denominação atual de Energipe Participações S.A, que se denominava Curupira Participações S.A, que por sua vez foi constituída com a denominação de DOC2 Participações, tendo como acionistas, dentre outros a PREVI CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, com 20% e 521 PARTICIPAÇÕES S.A, com 15% do capital votante. Após mudanças posteriores no capital da Nordeste Participações S/A, o controle majoritário passou a ser da 521 PARTICIPAÇÕES S.A, com 95,75%. A Nordeste Participações S.A não apresentou, em 1997, qualquer atividade operacional no período compreendido entre a sua constituição e capitalização. A Nordeste Participações S.A não apresentou, em 1998, receita de atividade, apenas algumas pequenas despesas, e com passivo a descoberto e prejuízo, e em 1999 e 2000 recebeu aportes de capital da 521 PARTICIPAÇÕES S.A. Ainda em 2000, a Nordeste Participações S.A recebeu, como já mencionado, vultoso aporte de capital pela transferência de ações da COELBA (Recorrente) então detidas pela Guaraniana S.A Com a palavra, a autoridade autuante: Foi possível constatar então que a Nordeste Participações S.A, empresa sem qualquer estrutura ou capacidade operacional, que não apresentou qualquer atividade no período compreendido entre a constituição e 30 de março de 2000, recebeu aporte de capital vultuoso, através de transferência de ações da Coelba que a Guaraniana S.A detinha, com objetivo, a priori, de controlar uma gigante do setor energético. Não se percebeu substância econômica ou razoabilidade nesta operação da forma como foi realizada. Entretanto, de acordo com item 6, à fl. 42, da DFP 2000, apresentada a CVM, a COELBA esclareceu os objetivos reais da operação de transferência do ágio pago pelo grupo Iberdrola, PREVI e Banco do Brasil, através da Guaraniana S.A, in verbis. Fl. 9039DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.014 53 "Devido ao interesse de transferir para a COELBA o benefício fiscal resultante da amortização do ágio pago por seus acionistas quando da aquisição das ações, seus controladores subscreveram aumento de capital na Nordeste Participações S/A, sociedade de propósito específico, integralizandoo por meio da transferência das ações de emissão da COELBA." [...] Diante dos fatos aqui relatados, não restam dúvidas que o BB e a PREVI, partícipes do grupo de controle da Guaraniana S.A, diretamente e indiretamente através da 521 Participações S.A, constituíram a Nordeste Participações S.A para servir unicamente de passagem para o ágio que viria a ser transferido para COELBA. [...] Uma vez que não era do interesse da Guaraniana S.A manter o ágio oriundo das aquisições das ações da COELBA no patrimônio da Nordeste Participações S.A, havia a necessidade de mais uma etapa de operações realizadas apenas no papel, ou sem substância econômica a não ser a elisão do pagamento de tributos, qual seja, a incorporação reversa da controladora (Nordeste Participações) pela controlada (COELBA). 6.2. Da incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA e a amortização fiscal indevida do ágio de si mesma. A justificação aos acionistas para a incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA, foi dada em documento obrigatório para as operações de reorganização societária e continha as seguintes principais características: • Depois da incorporação, os acionistas da Nordeste Participações S.A, leiase, Guaraniana S.A, seriam acionistas diretos da COELBA, mantendose desta forma inalterado o controle societário da companhia; • Considerando que o ativo da Nordeste Participações S.A é integrado pelas ações de emissão da COELBA, adquiridas tanto no leilão de privatização quanto no leilão especial realizado em 99, e, que nestas operações se verificou expressivo ágio impossível de amortização fiscal, seria do interesse do grupo econômico a reorganização societária para a transferência da mais valia e consequente aproveitamento fiscal em face de novação legal (Lei nº9.532/97); Aqui reside a parte mais contundente de toda a estória, que dá razão e credibilidade ao lançamento tributário (glosa de despesas indevidas com amortização de ágio). A minha concordância ao lançamento tributário (glosa de despesa indevida com amortização de ágio) repousa naquelas fundamentações apontadas pela autoridade autuante e descritas linhas atrás. Fl. 9040DF CARF MF 54 Até a aquisição das ações da COELBA, o ágio daí surgido não provocava nenhum efeito tributário, uma vez que as contrapartidas da amortização do ágio não são computadas na determinação do lucro real, conforme disposto no art.391 do RIR/99, ressalvado o disposto no art.426 (eventual alienação do investimento adquirido). Após a incorporação da Nordeste Participações S.A pela COELBA, é que começam as divergências entre as partes, a Fazenda e a COELBA (incorporadora e Recorrente). Continuando com o relato fiscal no TVF: 7. Da consolidação das operações realizadas e a consequente infração de indedutibilidade com amortização de ágio de si mesma. [...] Conforme menção anterior, a Guaraniana S.A adquiriu ações da COELBA com expressivo ágio, contudo, não podia deduzir o lucro fiscal da empresa em face da legislação vigente. Além de não poder deduzir o ágio, consoante alusão, não tinha interesse, sobretudo porque não apurava lucro real em suas atividades de participação. Isto posto, e, com o fito de alterar o contexto em que estava inserida (não dedutibilidade do ágio), em 01 de dezembro de 1999, em conformidade com Ata de Reunião nº 012/99 do Conselho de Administração da empresa Guaraniana S.A, constatouse as seguintes deliberações: a) A empresa Guaraniana S.A ao adquirir a COELBA pagou expressivo ágio; b) Posteriormente, a companhia adquiriu, em leilão realizado no dia 06 de outubro de 1999, ações ordinárias e preferenciais de emissão da COELBA, com expressivo ágio; c) À vista do interesse da Guaraniana S.A em transferir para COELBA o benefício fiscal resultante da amortização de tal ágio pago na aquisição desta, concluiuse, a priori, que deveria haver incorporação daquela; d) Após conclusão supracitada, os conselheiros demonstraram não haver interesse para o grupo na incorporação da Guaraniana S.A, e, subsequente extinção, já que, esta era titular de outros ativos além das ações de emissão da COELBA. e) Assim, a estratégia utilizada contemplaria uma reestruturação que se iniciaria com a transferência das ações de emissão da COELBA de que é titular a Guaraniana S.A, para a Nordeste Participações S.A, cujo ativo seria integrado apenas por tais ações. f) A segunda etapa se daria com a incorporação da empresa Nordeste Participações S.A, pela COELBA, possibilitando assim o aproveitamento do ágio gerado de si mesma. Uso de empresaveículo Fl. 9041DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.015 55 No presente c a so , a única função da empresa Nordeste Participações S.A, no conjunto de operações realizadas, foi permitir a amortização de ágio pela COELBA, sem que sua existência tenha qualquer função econômica que não essa. Aliás, não se pode nem dizer que há, de fato, uma incorporação: a investidora (Nordeste Participações S.A) não tem ativo algum, a não ser o ágio a ser amortizado. Os livros contábeis e o Balanço da empresa Nordeste Participações S.A vão conter o que? Ambos, certamente, refletem apenas operações com a COELBA: registros referentes ao investimento com ágio na fiscalizada e sua respectiva incorporação pela mesma. Eventuais registros de valores imateriais de despesas revelamse irrelevantes. Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Vale dizer: até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresaveículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve longa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, em certa operação, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar recursos. No caso dos autos, essa empresa veículo ou de passagem (Nordeste Participações S.A), por sua vez, ao receber as ações adquiridas com ágio em conferência de seu capital aportadas pela empresa GUARANIANA S.A (sua controladora), foi, posteriormente, incorporada por sua investida, a qual considerou, indevidamente, a dedutibilidade da contrapartida da amortização do ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em uma interpretação totalmente equivocada do art.386 do RIR/99. A empresa GUARANIANA S.A, controladora da Nordeste Participações S.A, se houvesse feito a incorporação diretamente, poderia terse beneficiado da amortização do ágio para fins tributários (reunião dos patrimônios de ambas as empresas). Entretanto, não era de interesse do grupo, como já evidenciado no TVF, de forma que o grupo pensou em outra possibilidade (a utilização de empresa veículo), que permitisse abater, fiscalmente, aquele ágio legitimamente gerado, mas, como vimos, tratouse de uma interpretação distorcida da legislação tributária e societária. Registrese, ainda, que a autorização dada pela Resolução da ANNEL às operações efetivadas pela Recorrente não interfere em nada no lançamento que ora se discute. Aceitar, como afirma a Recorrente, que tal ato meramente regulador/operacional entres as empresas envolvidas teria força jurídica para legitimar os efeitos fiscais é, de certo, um tremendo equívoco, além de retirar todas as consequências previstas no art.386 do RIR/99, o que é inaceitável. O Passo Final: o “achado” do disposto no art.386 do RIR/99 Daí, as empresas perceberam que para se valer da outra possibilidade legal (além da alienação, que não interessava) para a amortização deste ágio, era necessário utilizar se dos institutos de incorporação, fusão ou cisão, não necessariamente nesta ordem e poderia ser qualquer um deles. E, outro atrativo, não se precisava desfazer da participação societária, bastava que ela ora figurasse em balanço de uma empresa ligada, o que era efetivado por meio Fl. 9042DF CARF MF 56 de operações entre as empresas ligadas, até que, enfim, retornasse à empresa (operacional/lucrativa) que ansiava pela amortização do ágio, no caso a Autuada, no sentido de reduzir seus lucros. Então, promoveuse a incorporação da empresa Nordeste Participações S.A, sendo transferido à Autuada o ativo onde constava o investimento com ágio, que nada mais é do que o ágio surgido da valorização/aquisição do patrimônio da....Autuada! Foi o que fizeram, se agarraram a possibilidade legal que permite a dedução, para fins fiscais, da amortização de ágio, que vamos encontrar no art.386 do RIR/99 e aí foi cometido o grande erro. Assim, e apenas para poder valerse da norma de dedutibilidade do ágio na aquisição de investimentos, prevista no art. 8o da Lei no 9.532/97, a empresa GUARANIANA S.A utilizouse de uma empresa controlada, constituída ou utilizada exclusivamente para este fim, o que não se pode aceitar como situação que pudesse se encaixar no disposto no art.386 do RIR/99, pois foge totalmente da finalidade daquela norma, como já mostramos. Da Jurisprudência Administrativa A Interessada reproduz excertos/ementas de diversos casos julgados pelo CARF, segundo os quais as amortizações de ágio seriam dedutíveis em situações parecidas com a dos autos, em seu entendimento. De se reconhecer que reorganizações societárias envolvendo aquisições de participações societárias com surgimento de ágio, suscita, sim, entendimentos nem sempre unânimes, seja em decisões administrativas do CARF, seja em correntes doutrinárias. Cumpre considerar que o art. 100, inc. II, do Código Tributário Nacional, dispõe que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de direito tributário, como normas complementares das chamadas fontes primárias, quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. Os acórdãos do CARF podem constituir precedentes na uniformização da jurisprudência, sem, entretanto, na ausência de súmula vinculante, subordinar suas diversas turmas de julgamento a um eventual e reiterado entendimento acerca da matéria, que não é o caso. Portanto, sem propósito arrimar razões de discordância em excertos de acórdãos do CARF, que são eficazes apenas em relação à matéria circunscrita nos autos do processo respectivo em que foram proferidos. Portanto, só me resta partilhar da conclusão do TVF: Do todo acima exposto, concluiuse que as despesas contabilizadas com ágio de si mesma, pela COELBA, oriundo dos leilões ocorridos em 31/07/97 e 06/10/99, nos anos calendário 2011 e 2012, não são dedutíveis do resultado a teor da legislação vigente. Da Contribuição sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 9043DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.016 57 Análise do aproveitamento da despesa de amortização do ágio na apuração da CSLL No item III.4 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E DE RESSARCIMENTO CONSIDERADAS INDEDUTÍVEIS PELA FISCALIZAÇÃO, a Recorrente alega que inexiste disposição legal no sentido de impor qualquer vedação ao aproveitamento da amortização do ágio para fins de apuração da CSLL. Nesse sentido, a Recorrente alega que a DRJ "...não citou qualquer disposição legal específica para a apuração da base de cálculo da CSLL...", concluindo que, "...uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo." Adiciona aos seus argumentos ementa de julgado do CARF no sentido da tese que defende, uma vez que o referido julgado se fundamenta no entendimento de que não se aplicaria à presente questão o art. 57 da Lei n° 8.981/1995, pois tal dispositivo não determina que a base de cálculo da CSLL seja idêntica à base de cálculo do IRPJ, nem que as adições devem ser as mesmas. A correta exegese do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995 (artigo citado no Auto de Infração e é o dispositivo legal que basta para dar o devido respaldo ao lançamento, contrariamente ao alegado), é matéria há tempos envolta em alguma controvérsia entre os doutrinadores, até mesmo em conselheiros do CARF. É a seguinte a redação do caput do referido dispositivo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. [...] O real significado das expressões "mesmas normas de apuração" e "mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor" constituem o objeto de um amplo debate. Ao ler esse dispositivo, há quem entenda que ele provocou uma uniformização, para ambos os tributos (IRPJ e CSLL), das regras relativas à indedutibilidade de custos, despesas e encargos que impõem a adição à base de cálculo, e das referentes a benefícios, incentivos fiscais e diferimentos que autorizam as exclusões. No entanto, esse entendimento encontra forte resistência no meio jurídico. Há quem entenda, como parece ser o caso da Recorrente, que o referido dispositivo não tenha ido tão longe, e apenas tenha estabelecido identidade no que se refere aos regimes de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir do resultado trimestral e/ou resultado anual, ou com base no lucro presumido ou arbitrado. A despeito do entendimento firmado no julgado administrativo colacionado, segundo o qual não se poderia utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição das despesas com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, é de reconhecer exatamente o contrário. Fl. 9044DF CARF MF 58 Ora, o citado dispositivo reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Também seria desnecessário a existência de um comando legal que autorize a exclusão, por exemplo, dos resultados positivos de participação societária (investimentos), na determinação da base de cálculo da CSLL, exatamente por adoção do artigo 57 da Lei 8.981/95 em questão, que, no caso, decorre da própria lógica contábil da metodologia de escrituração daqueles investimentos, construída pela legislação comercial e fiscal, buscando a manutenção dos referidos ganhos à margem da incidência tributária. Em sentido contrário, como a legislação do IRPJ determina a adição dos resultados negativos de participação societária (avaliados pelo Equity) na determinação do lucro real, objetivando igualmente a que esses valores deduzidos na escrituração contábil não influenciem o lucro real do período, igualmente devem ser adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, em conformidade com a intenção do legislador de mantêlos distanciados da tributação das aludidas operações, agora pelo lado da redução da base imponível. Ainda, não nos olvidemos que houve desconsideração por parte da fiscalização, por esta entender tratarse de um planejamento tributário inoponível ao Fisco. Ora, se as despesas com amortização do ágio não podem ser deduzidas do lucro real pelo fato do Fisco entender ter havido a utilização da denominada “empresa veículo”, sem propósito negocial, com o fim de se obter economia tributária por meio de utilização indevida do benefício fiscal previsto no art.386 do RIR/99, não há qualquer sentido em se admitir esta oponibilidade apenas para a CSLL, há um vício nas operações que levaram à dedutibilidade, o que não pode ser admitido nem para o IRPJ e nem para a CSLL, por decorrência lógica. Desta maneira, reputamse perfeitos os lançamentos efetuados no que diz respeito a esta questão. Oportuno reproduzir excertos do decidido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão realizada no dia 4 de outubro de 2017, no julgamento de Recurso Especial interposto no processo nº 16561.720133/201311, e de cuja ementa se extrai o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I Construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim Fl. 9045DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.017 59 tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizandose a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. (destaques acrescidos) Ante o exposto, há que ser referendada a conclusão da Autoridade Fiscal no que se refere à glosa da amortização do ágio, então debatido na apreciação do lançamento do IRPJ, também quanto à CSLL. Da alegação de impossibilidade de exigência de multa no caso de dúvida aplicação do artigo 112 do CTN Fl. 9046DF CARF MF 60 Invoca este artigo, entendendo que "." Caso este C. Administrativo de Recursos Fiscais decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração Nada mais equivocado. A base de cálculo da multa de ofício, ora aplicada, é o próprio valor do tributo/contribuição lançado, nos termos e com a utilização dos percentuais estabelecidos no art.44 da Lei 9.430/96 que adiante se transcreverá. Em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. De tal sorte, como as multas de ofício estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. LEI 9.430 DE 27/12/1996 – DOU 30/12/1996 Multas de Lançamento de Ofício (com a nova redação da Lei 11.488/2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra geral é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I transcrito, e que foi considerada mantida no presente lançamento. No caso dos autos, a qualificação da multa de ofício já foi afastada consoante voto da relatora, e por unanimidade de votos. Fl. 9047DF CARF MF Processo nº 10580.728178/201664 Acórdão n.º 1401002.884 S1C4T1 Fl. 9.018 61 Restou, portanto, exigível a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%. O princípio que norteia a imputação desta penalidade tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade, constituindose em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A alegação de eventual aplicação do disposto no art.112 do CTN não tem a menor chance de ser acolhida, até porque não existiu nenhuma dúvida quanto à natureza da infração e nem quanto à penalidade aplicável (no caso foi mantida a multa de ofício de 75%, nos termos da legislação supra citada). O fato do resultado da votação ter sido equilibrado (no caso da multa de ofício, decidiuse à favor da Fazenda pelo voto de qualidade) não significa intuir, como fez a Recorrente, de que haveria dúvida na aplicação da penalidade de ofício. Seja por unanimidade de votos, por maioria de votos ou pelo voto de qualidade, a conclusão dada pelo Colegiado ao litígio é a mesma, ou seja, o voto tem o mesmo peso decisório. De tal sorte, há que se ter como correta a manutenção da multa de ofício, no caso, em seu patamar típico de 75%. Conclusão O presente voto, portanto, é por negar provimento ao recurso em relação (i) à glosa de despesas de amortização de ágio para fins de IRPJ e de CSLL, e (ii) e em relação à imposição da multa de ofício mantida. (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Fl. 9048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909840/2011-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/07/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/07/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 40 /2 01 1- 62 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.493, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/07/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909840/201162 Acórdão n.º 9303007.205 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720715/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS E PASSIVOS MEDIANTE INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS. CISÃO PARCIAL.
A integralização de quotas em empresa pré-existente, mediante a versão de parcela do patrimônio, incluindo ativos e passivos, caracteriza a operação de cisão de que trata o artigo 229 e seu parágrafo terceiro da Lei nº 6.404, de 1976.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTOS MISTURADOS/COMPOSTOS. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO EM MAIS DE UMA POSIÇÃO. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL 3. LAUDO PERICIAL NÃO REALIZADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ESSENCIALIDADE DO PRODUTO.
Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2-"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma da Regra 3. Não sendo possivel definir a posição mais específica, nem a matéria que confira a essencialidade do produto, deve a classificação seguir a Regra 3 "c", ou seja, a mercadoria deve ser classificada na última posição dentre as suscetíveis de validamente serem consideradas.
CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3302-005.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos para excluir o lançamento da multa isolada nos períodos de fevereiro/2006 e de abril a dezembro/2006, a que se refere o Demonstrativo de Multa - Imposto sobre Produtos Industrializados Não Lançado com Cobertura de Crédito, constante do Auto de Infração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS E PASSIVOS MEDIANTE INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS. CISÃO PARCIAL. A integralização de quotas em empresa préexistente, mediante a versão de parcela do patrimônio, incluindo ativos e passivos, caracteriza a operação de cisão de que trata o artigo 229 e seu parágrafo terceiro da Lei nº 6.404, de 1976. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTOS MISTURADOS/COMPOSTOS. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO EM MAIS DE UMA POSIÇÃO. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL 3. LAUDO PERICIAL NÃO REALIZADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ESSENCIALIDADE DO PRODUTO. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma da Regra 3. Não sendo possivel definir a posição mais específica, nem a matéria que confira a essencialidade do produto, deve a classificação seguir a Regra 3 "c", ou seja, a mercadoria deve ser classificada na última posição dentre as suscetíveis de validamente serem consideradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 15 /2 01 1- 51 Fl. 9136DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.137 2 CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos para excluir o lançamento da multa isolada nos períodos de fevereiro/2006 e de abril a dezembro/2006, a que se refere o Demonstrativo de Multa Imposto sobre Produtos Industrializados Não Lançado com Cobertura de Crédito, constante do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de janeiro a dezembro de 2006, cientificado em 29/08/2011 às recorrentes a IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A., CNPJ 33.337.122/014187, na condição de contribuinte, e CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, na condição de responsável solidária. O procedimento fiscal resultou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 8.198 a 8.253, parte integrante do Auto de Infração, cientificado em 29/08/2011, do qual constam, resumidamente, as seguintes informações e imputações: 1. O procedimento fiscal teve como escopo inicial a verificação dos créditos de IPI, referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensações relativos ao quarto trimestre de 2005 e aos quatro trimestres de 2006, transmitidos pela IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A, CNPJ 33.337.122/000127, doravante denominada IPP; 2. Identificouse a CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, doravante denominada CBLL, como responsável solidária com fulcro nos artigos 124, inciso II do CTN e art. 5º do Decretolei nº 1.598, de 1977, em razão de a IPP ter transferido os ativos decorrentes de operações com lubrificantes para a CBLL, operação considerada como cisão parcial; 3. Não houve decadência do direito de lançar, em razão de não ter havido recolhimentos antecipados a serem homologados, devendo ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN, conforme jurisprudência do STJ e do CARF; Fl. 9137DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.138 3 4. Reclassificação fiscal dos produtos SUGARTEX SS, resultando na infração de falta de imposto não lançado, conforme tabela do item 76, do código 2710.19.32 para 3403.11.90; 5. Reclassificação fiscal do produto TALCOR OGP IV, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 79, do código 2710.19.32 para 3403.11.90; 6. Reclassificação fiscal do produto SUGARTEX, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 94, do código 2710.19.32 para 2715.00.00; 7. Reclassificação fiscal do produto SUGARTEX HEAVY, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 97, do código 2710.19.32 para 2715.00.00; 8. Reclassificação fiscal do produto SUGARTEX EXTRA HEAVY, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 102, do código 2710.19.32 para 2715.00.00; 9. A consolidação das reclassificações fiscais resultou na apuração final de IPI não lançado, conforme tabela do item 103; 10. Que o mandado de segurança impetrado com o objetivo de afastar o ADI SRF nº 5, de 2006, pelo SINDICOM, órgão de classe do qual é associada, não gera efeitos no período sobe exame (2006), mas apenas a partir de 21/10/2009, fls. 8.227; 11. Glosa dos créditos sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados em produtos NT, conforme tabela do item 116; 12. Glosa de créditos relativos a compras no exterior para comercialização, CFOP 3.102, conforme item 162; 13. Glosa de créditos relativos a documentos fiscais não localizados, conforme item 164; 14. Glosa de créditos tomados em operações de consignação industrial, por falta de prova do direito creditório, conforme tabela do item 172; 15. Glosa parcial de créditos extemporâneos relativos a operações realizadas entre janeiro de 2001 a setembro de 2002, pelo fato de a recorrente ter estornado parte dos créditos em março de 2006, por falta de apresentação do Livro de Apuração do IPI relativo ao anocalendário de 2002 e por falta de apresentação de documentos fiscais, conforme itens 176 a 183 do TVF; 16. A partir das infrações apuradas, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal, resultando na tabela do item 192 e nos demonstrativos de fls 8.275 a 8.279. Lavrouse, portanto, Termo de Sujeição Passiva em CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, com ciência em 29/08/2011, em razão de que os fatos analisados neste processo terem ocorrido anteriormente ao evento de cisão. Em impugnação, a recorrente contribuinte alegou em síntese: Fl. 9138DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.139 4 1. Pagamento parcial do Auto de Infração, referente à infração de reclassificação fiscal dos produtos SUGARTEX SS e TALCOR OGP IV; 2. Decadência do lançamento relativo ao período de outubro ao primeiro decêndio de dezembro de 2005, por aplicação do artigo150, §4º do CTN e não do artigo 173, inciso I do referido diploma; 3. Direito ao creditamento do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados, em razão de sua condição de industrial, do princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal, e ainda com fundamento na aplicação do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999 e da IN SRF nº 33, de 1999; aduziu, ainda, que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 2006, não é interpretativo e representa mudança de critério jurídico e não pode ser aplicado retroativamente; 4. A correta classificação fiscal dos produtos SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY e SUGARTEX EXTRA HEAVY é no código 2710.19.32 e não no código 2715.00.00; 5. Impossibilidade de cobrança de multas sobre o mesmo fato gerador, ou seja, a cobrança cumulativa de multa pela falta de recolhimento do tributo e a multa por falta de destaque do imposto na nota fiscal. Por sua vez, a responsável solidária apresentou impugnação alegando: 1. A sua exclusão como sujeito passivo responsável, pelo fato de que a reorganização societária não ter sido cisão parcial, mas apenas transferência de ativos e passivos da antiga CBL, atual IPP, à impugnante – CBLL para integralização de capital e que, posteriormente, a CBL se retirou da sociedade, transferindo a totalidade de suas quotas à sócia remanescente; 2. A decadência do período de janeiro a julho de 2006, pela aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, independentemente da existência ou não de pagamentos; 3. Os demais fundamentos já suscitados pela recorrente contribuinte. A Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 1533.938, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Fl. 9139DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.140 5 A pessoa jurídica que absorver parcela do patrimônio da sociedade cindida responderá solidariamente pelas obrigações contraídas até a data da cisão, em relação ao crédito tributário. IPI. CRÉDITO. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT. O princípio da não cumulatividade aplicase apenas aos produtos incluídos no campo de incidência do IPI, inexistindo direito ao crédito do imposto nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como não tributado NT. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos denominados comercialmente de “Sugartex”, “Sugartex Heavy” e “Sugartex Extra Heavy”, constituídos essencialmente de Cimento Alfáltico de Petróleo (CAP) e Óleo Básico Mineral, uma mistura betuminosa à base de asfalto, classificase no código NCM 2715.00.00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ambos sujeitos passivos apresentaram recursos voluntários tempestivos, reprisando as alegações já aduzidas na impugnação. Na sessão de 19/08/2014, esta turma, em outra composição, converteu o julgamento em diligência para que fosse realizada perícia técnica conforme Resolução nº 3302 000.426. A autoridade fiscal intimou a recorrente a apresentar resposta quanto à descrição detalhada dos produtos, explanação do processo produtivo, inserir uma imagem do produto em embalagem e do conteúdo e apresentação de quesitos complementares. Em resposta, a recorrente informou a composição já contida nos autos, a descrição do processo produtivo e apresentou os seguintes quesitos complementares: 1) Queira o Sr. Perito informar as propriedades dos produtos "SUGARTEX", "SUGARTEX HEAVY" e "SUGARTEX EXTRA HEAVY", considerando sua composição e aditivação e à vista dos documentos técnicos anexados pelas Defendentes aos autos. 2) Informe o Sr. Perito quais as aplicações de uso dos produtos "SUGARTEX", "SUGARTEX HEAVY" e "SUGARTEX EXTRA HEAVY", considerando sua composição e aditivação e à vista dos documentos técnicos anexados pelas Defendentes aos autos. 3) (Queira o Sr. Perito especificar (i) as aplicações de uso dos óleos lubrificantes a base de asfalto, que contêm em sua composição a mistura de óleos minerais de petróleo, óleos de minerais betuminosos (asfaltos) e aditivos e (ii) as aplicações de uso das misturas betuminosas. Fl. 9140DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.141 6 4) A vista da resposta anterior, esclareça o Sr. Perito se as aplicações de uso dos óleos lubrificantes, que contêm em sua composição a mistura de óleos minerais de petróleo, óleos de minerais betuminosos (asfaltos) e aditivos se diferenciam das aplicações de uso das misturas betuminosas, especificandoas, caso positivo. 5) À luz das REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, queira o Sr. Perito esclarecer se as Defendentes corretamente aplicaram tais regras e se é adequada a classificação fiscal utilizada pelas Defendentes para os produtos "SUGARTEX", "SUGARTEX HEAVY" e "SUGARTEX EXTRA HEAVY". Contudo em ofício enviado pelo INT (efls. 8996/8997), o referido instituto declinou da realização da perícia em razão da necessidade de realizar uma análise química dos produtos, o que não foi possível em função do não envio de amostras pela recorrente e devido ao fato de que os equipamentos cromatógrafo a gás encontravamse fora de funcionamento por problemas técnicos não diagnosticados. Em seguida, o processo foi encaminhado ao CECLAM que declinou da possibilidade de emitir parecer sobre a classificação fiscal do produto. O relatório fiscal de cumprimento da diligência mencionou os fatos ocorridos e anexou os Ditames de classificação no âmbito do Mercosul ou os Pareceres de Classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado da OMA. Por seu turno, a recorrente que se manifestou, ao final, reiterando o afastamento da reclassificação fiscal. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Responsabilidade solidária da CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084 Abordo, inicialmente, a matéria relativa à responsabilidade do sujeito passivo CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084. Referida matéria já fora tratada por esta turma, em outra composição, no julgamento do processo 16682.720110/201241, que tratou exatamente da operação de transferência de ativos e passivos pela IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A, CNPJ 33.337.122/000127, doravante denominada IPP, para a CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ Fl. 9141DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.142 7 05.524.572/001084, doravante denominada CBLL, e resultou no Acórdão nº 3302002.675, cujas razões adoto e abaixo transcrevo: "No Termo de Verificação Fiscal, fls. 6.985 a 7.030 (referese às efls. 8212 a 8214 deste processo), está assentado que a antiga CBL, atual IPP e sujeito passivo na condição de contribuinte, após reorganização societária ocorrida em 2008, mantevese com as atividades de distribuição de combustíveis no Brasil e transferiu os ativos e passivos decorrentes das operações com lubrificantes para a CBLL. A autoridade fiscal entendeu que a operação correspondeu, efetivamente, a uma cisão parcial, nos termos dos artigos 229 e 233 da Lei nº 6.404, de 1976. Decorrente da operação de cisão, entendeu a autoridade fiscal pela responsabilidade solidária entre a sociedade parcialmente cindida, no caso a CBL, atual IPP, e a sociedade que recebeu parcela de seu patrimônio, no caso a CBLL, por aplicação do artigo 5º do Decretolei nº 1.598, de 1977. Concluiu, então, a fiscalização que a CBLL possui responsabilidade solidária quanto aos débitos de IPI aqui lançados, em razão de os fatos geradores terem ocorrido em data anterior ao evento. Por sua vez, a CBLL, cientificada como responsável solidária, afirma em sua peça recursal que não houve cisão parcial, mas reorganização societária do Grupo Chevron, em vista da qual a CBL, atual IPP, transferiu seu negócio de fabricação, comercialização e importação de lubrificantes à CBLL, recebendo em contrapartida quotas representativas do capital social da CBLL. A CBL passou de detentora de elementos (um conjunto de ativos e passivos) relacionados com a produção, comercialização e importação de graxas e lubrificantes a quotista majoritária da CBLL. Posteriormente, a CBL retirouse da sociedade em 30/12/2008, transferindo a totalidade de suas quotas à sócia remanescente. O documento juntado aos autos nas fls. 6930 a 6943 (referese às efls. 925/926 deste processo) contém resposta da IPP, extraída do processo 16682.720715/201151, informando que a CBL, atual IPP, “transferiu ao patrimônio da CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA (CBLL), a totalidade de seus ativos e passivos relacionados às atividades de produção, comercialização e importação de lubrificantes e graxas. Tais elementos ativos e passivos relacionados à atividade de fabricação e importação de lubrificantes foram transferidos à CBLL mediante a integralização de aumento de capital da CBLL, totalmente subscrito pela CBL”. As operações informadas foram delineadas nos instrumentos de alteração contratual, conforme descrito a seguir, fls. 7.236 a 7.465. (referese às efls. 701/739 deste processo) Fl. 9142DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.143 8 A 11º Alteração de Contrato Social da CBLL, em 18/08/2008 e retificada pela 12º Alteração Contratual, estipulou que a CBL e Chevron Latin América Marketing LLC – doravante denominada CLAM aumentariam o capital social da CBLL de R$ 203.000,00 para R$ 21.681.212,00, sendo as novas quotas totalmente subscritas e integralizadas pela CBL, mediante a conferência dos bens descritos e caracterizados no Laudo de Avaliação Patrimonial datado de 31/07/2008, a saber: um imóvel e todas as acessões, benfeitorias, acessórios, equipamentos e demais elementos ativos e passivos relacionados às atividades de fabricação de lubrificantes desenvolvidas no imóvel, cuja avaliação resultou em R$ 21.478.317,22 (correspondente ao aumento de capital, com diferença de R$ 105,22 levada à conta de adiantamento para futuro aumento de capital), com base em balanço patrimonial da CBL, levantado em 31/07/2008. A 12º Alteração de Contrato Social da CBLL, em 17/10/2008, promoveu novo aumento, passando de R$ 21.478.212,00 para R$ 46.981.508,00, subscrito e integralizado pela CBL, com a conferência de outro imóvel e bens acessórios de acordo com Laudo Avaliação datado de17/10/2008, conforme balanço levantado em 17/10/2008. Por sua vez, a 13º Alteração do Contrato Social da CBLL, em 25/11/2008, promoveu novo aumento para R$ 251.816.831,00, subscrito e integralizado pela CBL, mediante a conferência de imóvel e demais elementos de ativo e passivo, incluindo estoques de matériasprimas e lubrificantes, estoques em transito, disponibilidades em banco, conforme Laudo de Avaliação datado de 25/11/2008 e Balanço Patrimonial levantado em 25/11/2008. Por outro lado, a 19º Alteração de Contrato Social da CBL, atual IPP, em 09/12/2008, reduziu seu capital social em R$ 494.623.062,98, sendo este restituído à Chevron Latin América na forma de quotas e ações de diversas empresas, dentre elas, da CBLL correspondente ao valor contábil de R$ 251.812.771,00, repercutindo na 14º Alteração Contratual da CBLL, em 30/12/2008, com a retirada da CBL da CBLL, pela cessão e transferência da totalidade de suas quotas no valor de R$ 251.812.771,00 para a Chevron Latin América. O Laudo de Avaliação datado de 25/11/2008 dispôs sobre a avaliação de bens, direitos e obrigações, incluindo caixa, inventário, equipamentos e imóveis a serem incorporados ao capital social da CBLL, de acordo com os artigos 8º e 183 da Lei nº 6.404, de 1976. Descritas as operações, passase à análise da ocorrência de cisão parcial. A Lei nº 6.404, de 1976, dispõe acerca da matéria em seus artigos 223 a 234, especialmente nos artigos 223, 229 e 233: Fl. 9143DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.144 9 Art. 223. A incorporação, fusão ou cisão podem ser operadas entre sociedades de tipos iguais ou diferentes e deverão ser deliberadas na forma prevista para a alteração dos respectivos estatutos ou contratos sociais. § 1º Nas operações em que houver criação de sociedade serão observadas as normas reguladoras da constituição das sociedades do seu tipo. § 2º Os sócios ou acionistas das sociedades incorporadas, fundidas ou cindidas receberão, diretamente da companhia emissora, as ações que lhes couberem. ... Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. ... Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléiageral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do Fl. 9144DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.145 10 patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio. § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus acionistas, em substituição às ações extintas, na proporção das que possuíam. § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) A operação realizada e descrita pelas recorrentes correspondeu, efetivamente, à transferência de parte de ativos e passivos da CBL para a CBLL, mediante a subscrição e integralização do aumento de capital ocorrido na CBLL, no montante correspondente ao valor obtido em Laudos de Avaliação. O Laudo, de fls. 6.978 a 6.982, elaborado por três peritos, dispôs em seu item III que tal laudo era resultado do trabalho de avaliação de bens a serem incorporados na CBLL. A cisão parcial descrita na Lei da S/A corresponde à operação realizada, ou seja, versão de parcela do patrimônio (ativos e passivos) de uma empresa – CBL – para outra já existente – CBLL – a qual deve promover o aumento de capital a ser subscrito e integralizado pela cindida (no caso a CBL), mediante a versão deste patrimônio. Observase que antes da operação, a CBL era “controladora” da CBLL e era “controlada” pela CLAM, a qual passou a controlar diretamente a CBLL, pela cessão de quotas de que trata sua 14º Alteração Contratual (da CBLL). Assim, de fato, a CLAM que controlava a CBL diretamente e a CBLL indiretamente, passou a controlar ambas diretamente. A representante legal e diretora das empresas envolvidas na operação era a mesma pessoa Maria Helena Cavalcanti Martins. Trata a operação de aquisição de negócio entre empresa sob controle comum, cujos ativos e passivos foram avaliados a saldos contábeis e não a valores de mercado. Fl. 9145DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.146 11 O Manual de Contabilidade Societária1 descreve a operação similar como cisão parcial, conforme transcrito abaixo: “Suponhamos uma empresa de tecnologia de informação (fabricação e venda de equipamentos de informática), que também presta serviços de desenvolvimento de sistemas de alta plataforma, deseje separar essas operações. Na database que foi decidida pelos acionistas para a operação de cisão, essa empresa tinha a seguinte posição patrimonial: ... Com base nesse balanço, os acionistas decidiram alocar à nova empresa os ativos e passivos ligados à operação que está sendo transferida, de forma que cada uma permaneça, após a cisão, com os ativos e passivos correspondentes, como se já existisse uma contabilidade divisional, segregando tais ativos e passivos, bem como os resultados e a posição patrimonial por operação.” Citase, ainda, Acórdão nº 140100.155, processo 19515.001895/200711, que considerou operação similar como cisão parcial (fls. 11 a 13 do voto vencido, não em relação a esta matéria) “REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. FORMAÇÃO PATRIMONIAL DA RIOCELL. Conforme afirmação da Recorrente, a empresa, à época dos fatos, encontravase em dificil situação financeira, fato este que levou a Recorrente a buscar uma organização societária mais dinâmica, menos burocrática e que resultasse em economia de custos e despesas. Confirase o item 2 "Reestruturação Societária" das Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras de 2002: ... Seguindo em frente, analiso a forma de integralização do capital social da Riocell. Quando os acionistas aprovaram um aumento de capital social da Riocell S.A no montante de R$ 91.755380,00 (noventa e um milhões, setecentos e cinqüenta e cinco mil e trezentos e oitenta reais), as ações foram integralmente subscritas e integralizadas pela Klabin SA,. Na integralização, a Recorrente entregou "bens, direitos e obrigações" da Unidade Industrial de Guaíba, em valor compatível, conforme laudo emitido por perito avaliador independente. Salta aos olhos, no entanto, que obrigação, ou seja, passivo, tenha sido dada como pagamento para formação do ativo de uma empresa e como forma de integralização do seu capital social. Na verdade, mediante a conferência dos bens, direitos e obrigações, temse, que restou configurada não a integralização de capital social propriamente dito, mas sim uma 1 IUDÍCIBUS, Sérgio. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. SANTOS, Ariovaldo do. Manual de Contabilidade Societária Aplicável a todas as sociedades. São Paulo, Editora Atlas, 2010. p. 414 Fl. 9146DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.147 12 cisão da Recorrente, com a atribuição de seu "acervo líquido" para a empresa Riocell. Isso porque, a Recorrente pretendeu entregar, como integralização do capital social, ativos e Passivos relacionados à Unidade Industrial de Guaíba. Ora, não há como integralizar o capital social da empresa com obrigações. De fato, conforme o art. 7º da Lei das SA, "o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro". Ora, obrigações não são patrimônio susceptíveis a integralizar o capital social. Verificase, assim que, na verdade, foi transferido para Riocell S.A o chamado "Acervo Líquido", composto por ativos e passivos de parte da Klabin SÃ, relacionados à Unidade Industrial de Guaíba, Ou seja, em verdade, a Klabin S.A foi cindida, contrariando os objetivos gerais traçados pela companhia em 2002, qual seja, o de concentrar as operações em uma só empresa. Por outro lado, resta encontrar um fundamento que justifique a cisão da Klabin S.A operação em sentido divergente com as políticas traçadas pela própria empresa, que não se relacione à mera economia de tributo posteriormente percebida.” Tanto na integralização de quotas como de ações deve ser realizada mediante dinheiro ou bens, suscetíveis de avaliação em dinheiro, sendo que a versão de ativos e passivos não se amolda à mera integralização de capital, mas a cisão parcial: Lei nº 6.404, de 1976: Art. 7º O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro Lei nº 10.406, de 2002 Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; Portanto, caracterizada a operação de cisão, a responsabilidade tributária resta configurada nos termos do artigo 5º, §1º, alínea “b” do Decretolei nº 1.598, de 1977, que assim dispõe: Fl. 9147DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.148 13 Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: (Vide) I a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; IV a pessoa física sócia da pessoa jurídica extinta mediante liquidação que continuar a exploração da atividade social, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual; V os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. § 1º Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica: a) as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; b) a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; c) os sócios com poderes de administração da pessoa extinta, no caso do item V. Rejeitase, portanto, a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e a nulidade da autuação alegada pela CBLL, passandose às demais questões." Decadência do direito de lançar relativo a janeiro a julho de 2006 As recorrentes propugnam pela aplicação do artigo 150, §4º do CTN, entendendo ser irrelevante a existência ou não de pagamentos antecipados, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo. Concernente ao direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, temse que a matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos). Esta decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 9148DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.149 14 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 9149DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.150 15 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Neste caso concreto, não houve qualquer pagamento antecipado, fato reconhecido pela recorrente, de acordo com o item 66 do Termo de Verificação Fiscal. Concluise que, tendo o contribuinte IPP sido cientificado do Auto de Infração em 29 de agosto de 2011, não houve decurso do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário de IPI relativo ao período de janeiro a julho de 2006, pois que se extinguiu em 31/12/2011. Direito ao creditamento do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados A segunda matéria diz respeito à possibilidade de tomada de créditos vinculados aos derivados de petróleo ao abrigo da imunidade constitucional de que trata o artigo 155, §3º da Constituição Federal. Os produtos em questão estão classificados com notação NT da TIPI. Assim, nos termos do parágrafo único do artigo 2º dos Decretos nº 2.637/1998 (RIPI/98) e nº 4.544/2002 (RIPI/2002) 2, os produtos com notação "NT" estão fora do campo de incidência do IPI, ainda que, sujeitos aos processos de industrialização descritos no artigo 4º dos referidos decretos. Por outro lado, o artigo 3º da Lei nº 4.502/64, matriz legal do artigo 8º3 dos decretos, dispõe que estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos ao 2 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). 3 Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Decreto nº 2.637/98 e nº 4.544/2002 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Fl. 9150DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.151 16 imposto, o que afasta da definição o estabelecimento recorrente, em relação a estes produtos. De fato, o crédito básico decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem somente é possível aos estabelecimentos industriais ou equiparados, conforme preconizam os artigos 164 e 190 do Decreto nº 4.544/2002, correspondentes aos artigos 147 e 171 do Decreto nº 2.637/98: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . Defluise que a recorrente, para estes produtos, não se sujeita à incidência do IPI, e, portanto, não apura créditos vinculados à fabricação de produtos NT, ainda que imunes ao artigo 155, §3º da Constituição Federal e, consequentemente, não se enquadra na faculdade do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto Fl. 9151DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.152 17 intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Impende esclarecer que esta matéria está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujo enunciado transcrevese: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Reclassificação fiscal dos produtos SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY e SUGARTEX EXTRA HEAVY No TVF, consta que a recorrente apresentou, de forma genérica, a seguinte formulação para este produto: SUGARTEX INSUMO % PESO Óleo Petróleo/CAP (cimento asfáltico de petróleo) 53,00 Óleo Básico Mineral Derivado de Petróleo 39,00 Aditivo 8,00 Total 100,00 SUGARTEX HEAVY INSUMO % PESO Óleo Petróleo/CAP (cimento asfáltico de petróleo) 56,50 Óleo Básico Mineral Derivado de Petróleo 35,50 Aditivo 8,00 Total 100,00 SUGARTEX EXTRA HEAVY Fl. 9152DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.153 18 INSUMO % PESO Óleo Petróleo/CAP (cimento asfáltico de petróleo) 61,00 Óleo Básico Mineral Derivado de Petróleo 30,50 Aditivo 8,50 Total 100,00 A autoridade fiscal conclui que o produto é constituído essencialmente de cimento asfáltico de petróleo e óleo básico mineral, ou seja, uma mistura betuminosa à base de asfalto. Afirma, ainda, que o produto em referência é derivado da adição de substâncias diversas ao cimento asfáltico de petróleo. Afirma que o cimento asfáltico é um líquido viscoso, semisólido ou sólido, à temperatura ambiente, que apresenta comportamento termoplástico, tornandose líquido se aquecido e retornando ao estado original após o resfriamento, classificandose no código 2713.2000. Aplicando a RGI14, na RGI6 e na RGC1, a autoridade fiscal classificou o produto no código 2715.00.00, em razão do texto da subposição de segundo nível contemplar as misturas betuminosas à base de asfalto: 2715.00.00 MISTURAS BETUMINOSAS À BASE DE ASFALTO OU DE BETUME NATURAIS, DE BETUME DE PETRÓLEO, DE ALCATRÃO MINERAL OU DE BREU DE ALCATRÃO MINERAL (POR EXEMPLO: MÁSTIQUES BETUMINOSOS E "CUTBACKS") Por sua vez, as recorrentes alegam que a autoridade fiscal levou em consideração apenas a composição química e não o tipo de aplicação dos produtos. Os produtos em questão são distintos das misturas betuminosas que possuem aplicações distintas. Alegam que os produtos SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY e SUGARTEX EXTRA HEAVY fazem parte de uma série de óleos lubrificantes de alta viscosidade e adesividade, formulados com derivados minerais, recomendados para lubrificação de mancais e engrenagens de moendas de usinas de açúcar. As recorrentes defendem a classificação no código 2710.19.32, pela aplicação da RGI – 3a ou 3b. Entendem que a classificação destes produtos misturados pode ser tanto no código 2715.00.00 (pela análise de formulação) ou no código 2710.19.32 (pela análise de aplicação). Assim, sendo possível duas classificações, deveria ser adotada a posição 2710.19.32, por aplicação da RGI 3a, por se referir a óleos lubrificantes e, portanto, ser mais específica. Caso assim não entendesse, ainda a classificação deveria ocorrer na posição 270.19.32 pela aplicação da RGI – 3b, pela característica essencial, ou seja, ser lubrificante. 27.10 ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS, EXCETO ÓLEOS BRUTOS; PREPARAÇÕES NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS 4 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes Fl. 9153DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.154 19 EM OUTRAS POSIÇÕES, CONTENDO, COMO CONSTITUINTES BÁSICOS, 70% OU MAIS, EM PESO, DE ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS; DESPERDÍCIOS DE ÓLEOS 2710.1 Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios 2710.19 Outros 2710.19.3 Óleos lubrificantes 2710.19.32 Com aditivos Apresenta resoluções da ANP (nº 16, 17 e 18, de 2009) que se referem a óleos lubrificantes, dentre eles, os destinados à fabricação de óleos lubrificantes à base de asfalto. A classificação de mercadorias é efetuada pela aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGISH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2º do Decreto nº 766/1993, bem assim como das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC) e da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI), abaixo transcritas, conforme artigo 165 do Decreto nº 4.544/2002: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 5 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Fl. 9154DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.155 20 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para Fl. 9155DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.156 21 os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. O texto das posições envolvidas, bem como as notas de Seção, Capítulo e Explicativas do Sistema Harmonizado estão abaixo transcritas: SEÇÃO V PRODUTOS MINERAIS [...] CAPÍTULO 27 COMBUSTÍVEIS MINERAIS, ÓLEOS MINERAIS E PRODUTOS DA SUA DESTILAÇÃO; MATÉRIAS BETUMINOSAS; CERAS MINERAIS 27.10 ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS, EXCETO ÓLEOS BRUTOS; PREPARAÇÕES NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES, CONTENDO, COMO CONSTITUINTES BÁSICOS, 70% OU MAIS, EM PESO, DE ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS; DESPERDÍCIOS DE ÓLEOS 2710.1 Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios 2710.11 Óleos leves e preparações 2710.11.10 Hexano comercial 8 2710.11.2 Misturas de alquilidenos 2710.11.21 Diisobutileno 8 2710.11.29 Outras 8 2710.11.30 Aguarrás mineral ("white spirit") NT 2710.11.4 Naftas 2710.11.41 Para petroquímica NT 2710.11.49 Outras NT 2710.11.5 Gasolinas 2710.11.51 De aviação NT Fl. 9156DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.157 22 2710.11.59 Outras NT 2710.11.90 Outros 8 Ex 01 Òleos parcialmente refinados NT Ex 02 Óleos para lamparina de mecha ("signaloil") NT 2710.19 Outros 2710.19.1 Querosenes 2710.19.11 De aviação NT 2710.19.19 Outros NT 2710.19.2 Outros óleos combustíveis 2710.19.21 "Gasóleo" (óleo diesel) NT 2710.19.22 "Fueloil" NT 2710.19.29 Outros NT 2710.19.3 Óleos lubrificantes 2710.19.31 Sem aditivos NT 2710.19.32 Com aditivos NT 2710.19.9 Outros 2710.19.91 Óleos minerais brancos (óleos de vaselina ou de parafina) 0 2710.19.92 Líquidos para transmissões hidráulicas 8 2710.19.93 Óleos para isolamento elétrico 8 2710.19.99 Outros 8 Ex 01 Óleos parcialmente refinados NT Ex 02 Óleos para lamparina de mecha ("signaloil") NT 2715.00.00 MISTURAS BETUMINOSAS À BASE DE ASFALTO OU DE BETUME NATURAIS, DE BETUME DE PETRÓLEO, DE ALCATRÃO MINERAL OU DE BREU DE ALCATRÃO MINERAL (POR EXEMPLO: MÁSTIQUES BETUMINOSOS E "CUTBACKS") 5 Nota 2 do Capítulo 27: 2. A expressão óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, empregada no texto da posição 27.10, aplicase não só aos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, mas também aos óleos análogos, bem como aos constituídos principalmente por misturas de hidrocarbonetos não saturados nos quais os constituintes não aromáticos predominem, em peso, relativamente aos constituintes aromáticos, seja qual for o processo de obtenção. ... Considerações Gerais do Capítulo 27 – NESH: Este Capítulo compreende, de um modo geral, os carvões e outros combustíveis minerais naturais, os óleos de petróleo e de minerais betuminosos e ainda os produtos resultantes da destilação dessas matérias e os produtos semelhantes obtidos por qualquer outro processo. Também compreende as ceras minerais e as substâncias betuminosas naturais. [...] Convém salientar que a expressão “constituintes aromáticos”, constante da Nota 2 do Capítulo 27 e do texto da posição 27.07, deve ser interpretada como englobando as moléculas inteiras Fl. 9157DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.158 23 constituídas por uma parte aromática, qualquer que seja o número e o comprimento das cadeias laterais, e não somente as partes aromáticas dessas moléculas. ... Posição 27.09 Esta posição abrange os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos (xistos, calcários, areias, etc.), isto é, os produtos naturais, qualquer que seja a sua composição, que provenham quer de jazigos petrolíferos (normais ou de condensação), quer da destilação pirogenada dos minerais betuminosos. Estes óleos brutos assim obtidos podem ter sofrido as seguintes operações: 1)Decantação. 2)Dessalga. 3)Desidratação. 4)Estabilização para regularização da pressão do vapor. 5)Eliminação de frações muito leves que se destinam a ser injetadas no jazigo, para melhorar a drenagem e manter a pressão. 6)Adição de hidrocarbonetos anteriormente recuperados por métodos físicos no decurso dos tratamentos acima mencionados (com exclusão de qualquer outra adição de hidrocarbonetos). 7)Qualquer outra operação de importância mínima que não modifique o caráter essencial do produto. ... Posição 27.10 I. PRODUTOS PRIMÁRIOS A primeira parte da presente posição abrange os produtos que tenham sofrido tratamentos diferentes dos mencionados na Nota Explicativa da posição 27.09. Esta posição compreende: A)Os óleos de petróleo ou de minerais betuminosos de que se eliminaram, por destilação primária mais ou menos prolongada (topping), certas frações leves, bem como os óleos leves, médios e pesados, provenientes da destilação em frações mais ou menos largas ou da refinação dos óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos. Estes óleos mais ou menos líquidos ou semisólidos, conforme o caso, são essencialmente constituídos por hidrocarbonetos não aromáticos, tais como os parafínicos, ciclânicos (naftênicos). Entre os óleos resultantes de destilação fracionada, citamse: 1)O éteres e as gasolinas de petróleo. Fl. 9158DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.159 24 2)O white spirit. 3)O petróleo para iluminação (querosene). 4)Os gasóleos (óleos diesel). 5)Os óleos combustíveis (fueloils). 6)O spindle oil e os óleos de lubrificação. 7) Os óleos brancos denominados “vaselina” ou “parafina”. Todos estes óleos permanecem aqui compreendidos seja qual for o processo de depuração a que tenham sido submetidos (pela ação de soluções básicas ou ácidas, pela ação de solventes seletivos, pelo processo de cloreto de zinco ou pelos processos das terras absorventes, por redestilação, etc.), contanto que não sejam transformados em produtos de composição química definida, isolados no estado puro ou comercialmente puro, do Capítulo 29. B)Os óleos, análogos aos precedentes, nos quais os constituintes não aromáticos predominem, em peso, em relação aos constituintes aromáticos, e que se obtêm por destilação da hulha a baixa temperatura, por hidrogenação ou por qualquer outro processo (craqueamento (cracking), refinação catalítica (reforming), etc.). Incluemse especialmente neste grupo as misturas de alquilenos, denominadas tripropileno, tetrapropileno, diisobutileno e triisobutileno, etc. Consistem em misturas de hidrocarbonetos acíclicos não saturados (especialmente octilenos, nonilenos, seus homólogos e seus isômeros) com hidrocarbonetos acíclicos saturados. Obtêmse quer por polimerização, em grau muito baixo, do propileno, do isobutileno ou de outros hidrocarbonetos etilênicos, quer por separação (especialmente por destilação fracionada), a partir de alguns produtos provenientes do craqueamento (cracking) dos óleos minerais. ... Todavia, esta posição não compreende as poliolefinas sintéticas líquidas que destilem uma fração inferior a 60%, em volume, a 300°C e à pressão de 1.013 milibares (101,3 kPa) de mercúrio, por aplicação de um método de destilação a baixa pressão (Capítulo 39). ... C)Os óleos referidos nos parágrafos A) e B) anteriores, melhorados pela adição de pequeníssimas quantidades de diversas substâncias, bem como as preparações constituídas por misturas que contenham, em peso, 70% ou mais de óleos dos parágrafos A) ou B) e nas quais estes óleos constituam o elemento de base; tais preparações só se encontram aqui Fl. 9159DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.160 25 compreendidas quando não estiverem incluídas em outras posições mais específicas da Nomenclatura. ... Seção V 27.10 A esta categoria de produtos pertencem, entre outros: 1) As gasolinas adicionadas de pequenas quantidades de produtos antidetonantes (tetraetilo de chumbo e dibromoetano, principalmente) e de antioxidantes (parabutilaminofenol, por exemplo). 2) Os lubrificantes constituídos pela mistura de óleos de lubrificação com quantidades muito variáveis de outros produtos (produtos para melhorar a sua untuosidade, tais como os óleos ou gorduras vegetais, antioxidantes, antiferruginosos, antiespumas, tais como os silicones, etc.). Estes lubrificantes compreendem os óleos compostos, os óleos para trabalhos pesados, os óleos grafitados (grafita em suspensão nos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos), os lubrificantes para cilindros, os óleos para lubrificação de fibras têxteis, bem como os lubrificantes consistentes (graxas) constituídos por óleos de lubrificação e sabão de cálcio, de alumínio, de lítio, etc. (estes últimos numa proporção da ordem, por exemplo, de 10 a 15%). 3) Os óleos para transformadores e disjuntores, em que as propriedades lubrificantes não exercem qualquer função e que são óleos estáveis, especialmente refinados, aos quais se adicionaram inibidores antioxidantes, tais como o p cresoldibutilterciário. 4) Os óleos de corte (cuja função principal é resfriar, durante o trabalho, a ferramenta e a peça usinada (trabalhada*)), que são óleos pesados adicionados, por exemplo, de 10 a 15% de um produto emulsionante (sulforricinato alcalino, etc.), e que se destinam a ser empregados em emulsão aquosa. 5) Os óleos de lavagem (que servem, especialmente, para limpeza de motores e de outros aparelhos). São óleos pesados adicionados, normalmente, de pequenas quantidades de produtos peptizantes que permitem eliminar as lamas, as gomas, os depósitos de carvão, etc., que se formam durante o funcionamento. 6) Os óleos desmoldantes (antiaderentes) (que servem para desmoldar artigos cerâmicos, pilares e vigas de concreto (betão), etc.). Podem citarse entre eles os óleos pesados adicionados de gorduras vegetais, numa proporção de 10%, por exemplo. 7) Os líquidos para transmissões hidráulicas (para freios (travões) hidráulicos etc.), que se obtêm adicionando aos óleos Fl. 9160DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.161 26 pesados produtos que melhorem a sua untuosidade, antioxidantes, antiferruginosos, antiespumantes, principalmente. ... Notas da posição 2715 As misturas betuminosas, compreendidas nesta posição, são, entre outras, as seguintes: 1)Os cutbacks, que são misturas geralmente constituídas, pelo menos, por 60% de betumes com um solvente e que se empregam para revestimento de estradas. 2)As emulsões ou suspensões estáveis em água, de asfalto, de betumes, de breu ou de alcatrões, dos tipos utilizados principalmente para revestimento de estradas. 3)Os mástiques de asfaltos e outros mástiques betuminosos, bem como as misturas betuminosas semelhantes obtidas por incorporação de matérias minerais, tais como a areia ou o amianto. Estes produtos empregamse, conforme os casos, para calafetagem, como produtos para moldação, etc. ... São também excluídos desta posição: ... f)As preparações lubrificantes da posição 34.03 Devido à a profusão de termos técnicos da área química, o julgamento foi convertido em diligência para a elaboração de laudo técnico, mediante a Resolução nº 3302 000.426, o que não foi declinado pelo Laboratório de Análise Orgânica Instrumental LANOI do Instituto Nacional de Tecnologia INT, conforme já explanado Pelos textos das posições em questão, o produto poderia ser classificado nas posições 2710 ou 2715, o que a própria recorrente entende. A RG 2 "b", em sua parte final, remete a classificação de produtos misturados ou compostos à RG 3 (A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3). Por sua vez, a RG 3 "a" dispõe que a posição mais específica prevalece sobre as demais. Porém, é inaplicável quando cada uma das posições se refira a um dos constituintes do produto, o que é o caso das posições aqui tratadas. Destarte, ambas devem ser consideradas específicas. Partindo para a RG 3"b", temse que o produto deve ser classificado pela matéria que confira a característica essencial. Para tanto, seria necessário que o laudo pericial assim definisse pela composição química e análise do produto como um todo, qual seria sua característica essencial. Aliás, os quesitos elaborados pela recorrente solicitavam, justamente, que a perícia informasse as propriedades e as aplicações de uso dos produtos, o que não foi possível pela falta de entrega de amostras e pela indisponibilidade dos equipamentos. Fl. 9161DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.162 27 Assim, não havendo perícia sobre a composição química, nem definição da característica essencial do produto, resta a aplicação da RG 3 "c", ou seja, na posição em último lugar, dentre as suscetíveis: c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Portanto, mantenho a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização. Cobrança cumulativa de multa pela falta de recolhimento do tributo e a multa por falta de destaque do imposto na nota fiscal A recorrente alega cobrança em duplicidade e abusiva sobre o mesmo fato gerador das multas por falta de destaque do imposto na nota fiscal e por falta de declaração/recolhimento do imposto devido. A alegação da recorrente é de que no lançamento do imposto não destacado constante da tabela do item 58 do Termo de Verificação Fiscal, houve duplicidade de cobrança de multas, e que diante do pagamento do imposto devido efetuado pela recorrente, relativamente a esta infração, as multas deveriam ser canceladas. A matriz legal para a cobrança das multas é o artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964, cuja redação até 22/01/2007 era dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430, de 1996, e, posteriormente, com a publicação da MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, pelo artigo 13 desta última lei: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) ... Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Assim, a multa isolada é devida pela falta de lançamento do imposto na nota fiscal, enquanto a multa de ofício vinculada é devida pela falta de recolhimento do imposto. Fl. 9162DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.163 28 No caso, quanto a falta de destaque resultar em falta de recolhimento apenas a multa de ofício vinculada deve ser aplicada, ou seja, se o imposto devido não possuir cobertura de créditos, então o saldo devedor é lançado com multa de ofício vinculada, e, neste caso, não há lançamento de multa isolada. Porém, se o imposto não lançado na nota tiver créditos suficientes para sua cobertura, não há imposto a ser cobrado, mas apenas a multa isolada sobre a falta de destaque na nota. Verificase, que, em verdade, a decisão da DRJ caminha parcialmente no mesmo sentido da alegação da recorrente quanto à aplicação cumulativa das duas multas sobre o mesmo fato gerador. Transcrevese excerto do voto condutor do acórdão recorrido: “Em relação à aplicação de dupla penalidade em virtude de uma única infração praticada, devese esclarecer que foi aplicada multa proporcional ao valor do imposto lançado no auto de infração, no percentual de 75% desse imposto, relativo ao período de apuração em que os débitos apurados foram superiores aos créditos. Quanto ao período de apuração em que os créditos foram suficientes para cobrir os débitos apurados, o IPI não é devido em razão da existência de saldo credor na escrita fiscal ao final do período. Entretanto, neste caso, em relação ao valor do imposto que deixou de ser destacado nas notas fiscais de saídas, a legislação do IPI determina a imputação de penalidade pecuniária pela irregularidade relativa ao não lançamento desse imposto na nota fiscal. Tal regra está inserta no art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996 que modificou o art. 80 da Lei nº 4.502, 1964.” Tal entendimento foi esposado no Acórdão nº 380300.004, proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, conforme excerto abaixo: "Quanto à multa aplicada, não é verossímil que só se pode alcançar o caminho por onde andou o auditor para chegar ao seu valor após a decisão de primeira instância e não pela inteligência do próprio lançamento. Deduzo que qualquer contabilista de mediana formação e experiência, especialmente se foi o autor ou revisor da escrituração, consegue apreender no auto de infração, numa leitura sem profundidade, a disposição gráfica dos débitos não destacados nas notas fiscais: a) que tiveram crédito como contrapartida, e neste caso recebeu a incidência da multa isolada pelo não destaque; e b) os que estão a descoberto de crédito, gerando imposto devido, sendo estes principais objetos de lançamento, juntamente com a respectiva multa de oficio [...] Primeiramente, todos os débitos não destacados nas notas fiscais são arrolados no auto de infração (99 noventa e nove) débitos, fls. 12 a 18. Segundo, às fls. 19 a 25, todos os débitos são novamente arrolados. Dos que não tem créditos correspondentes no período Fl. 9163DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.164 29 resulta imposto a pagar de igual valor. Dos que possuem créditos correspondentes no período, os débitos são destes subtraídos nada resultando de imposto a pagar em sua maioria e saldos devedores para pequena parte. No terceiro rol, fls. 26 a 29, resultante da listagem imediatamente anterior, são destacados apenas os débitos a pagar do imposto, para fazer incidir sobre eles a multa de oficio e juros de mora. No quarto rol, fls. 30 a 36, todos os débitos seio arrolados novamente, para destacar, agora, apenas os débitos inteiramente deduzidos dos créditos, sem imposto a pagar no período, para sobre ela fazer incidir só a multa isolada pela falta de destaque nas notas fiscais. Como se pode ver, não há no ato nenhuma duplicidade de aplicação de multa. Só há uma incidência sobre cada débito, incidência que, repitase de outro modo, foi segregada em 75% sobre o principal a cobrar, e 75% sobre o principal compensado com os créditos em cada período. De resto, não há ilegalidade neste ato de lançamento." Citamse, outrossim, vários acórdãos da DRJ que possuem este entendimento: Acórdão nº 0126.457 da 3º Turma da DRJ/BEL: MULTA ISOLADA. FALTA DE LANÇAMENTO. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964 é claro quando prevê multa para “falta de lançamento” do IPI, estabelecendo no § 8º que a mesma será exigida junto com o imposto quando este não tiver sido lançado ou recolhido e isoladamente nos demais casos Excerto: 11. Vêse que o caput do dispositivo é bem claro quando pune com a aplicação da multa a “falta de lançamento” do imposto, o que de fato ocorreu (mesmo porque a impugnante não contesta a mudança de classificação e alíquota feita pela fiscalização), estabelecendo no parágrafo 8º que a multa será exigida junto com o imposto quando este não tiver sido lançado ou recolhido e isoladamente nos demais casos, tal qual o presente, no qual inexiste imposto a ser lançado ou recolhido em decorrência da cobertura de créditos Acórdão nº 0937.074 da 3º Turma da DRJ/JFA: 3. MULTA DE OFÍCIO. IPI NÃO LANÇADO EM NOTA FISCAL A multa de ofício aplicada sobre a infração fiscal atinente à falta de lançamento (destaque) do IPI em nota fiscal de saída é sempre proporcional ao IPI não lançado (não destacado) nessa nota, independentemente se, da reconstituição da escrita Fl. 9164DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.165 30 efetuada de ofício no período em que ocorreu tal irregularidade, foi eventualmente apurado saldo devedor ou credor do imposto. A única implicação advinda da apuração escritural, efetuada de ofício, de saldo devedor ou credor do IPI é uma divisão no auto de infração, meramente operacional, daquela multa de ofício sobre o IPI não lançado (não destacado) na nota fiscal, em duas rubricas: 1) multa de ofício sobre o IPI não lançado sem cobertura de crédito e 2) multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. A soma dos valores alocados em tais rubricas 1 e 2 totaliza exatamente o montante da multa de ofício aplicada sobre todas as operações irregulares praticadas pela contribuinte em razão do não lançamento do IPI nas notas fiscais de saída emitidas (art. 80 da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.418/07 Excerto: Então, a multa de ofício para a mencionada infração é sempre proporcional (75%) ao IPI não lançado nas notas fiscais que deveriam ter sido emitidas, incidindo tal multa sobre todas as operações praticadas pela contribuinte com essa irregularidade, independentemente se, da reconstituição da escrita fiscal nos períodos em que ocorreu a aludida irregularidade, foi eventualmente apurado saldo devedor ou credor de IPI. Nesse sentido, já preceituava o Parecer Normativo CST nº 39/76, na sua ementa: “A multa por falta do lançamento [do IPI na nota fiscal], apurada pela fiscalização, independe do Imposto não lançado [na nota fiscal] estar ou não coberto por eventuais créditos.” A única implicação advinda dessa apuração, efetuada de ofício, de saldo devedor ou credor do IPI é uma divisão no auto de infração, meramente operacional, daquela multa de ofício sobre o IPI não lançado, feita pelo sistema eletrônico da Receita Federal que processa a lavratura do auto de infração. Tal sistema divide a aludida multa de ofício em duas rubricas no auto de infração: a) multa de ofício sobre o IPI não lançado sem cobertura de crédito e b) multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. A rubrica “a” supra trata do valor da multa de ofício proporcional (75%) à parcela do IPI não lançado na nota fiscal que, na reconstituição da escrita feita pelo Fisco, ensejou a apuração de saldo devedor do imposto. Ou seja, tal rubrica corresponde ao valor da multa de ofício proporcional à parcela do IPI não lançado que, registrado a débito na reconstituição da escrita fiscal, excedeu, no período de apuração, o montante dos créditos escriturais admitidos, redundando em saldo devedor e IPI a ser exigido de ofício no auto de infração. A rubrica “b” corresponde ao valor da multa de ofício proporcional (75%) à parcela do IPI não lançado na nota fiscal (débito de IPI) que, no confronto escritural implementado pelo Fisco na reconstituição da escrita, foi absorvida pelos créditos admitidos do período de apuração, integralmente (redundando na apuração de saldo credor ou saldo zero), ou parcialmente (redundando na apuração de saldo devedor). A soma dos valores alocados sob as rubricas “a” e “b” acima totaliza exatamente o montante da multa de ofício aplicada sobre todas as operações irregulares Fl. 9165DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.166 31 praticadas pela contribuinte em razão do não lançamento (destaque) do IPI nas notas fiscais de saída. Ou seja, a multa de ofício sobre o IPI não lançado é sempre o somatório dos valores alocados naquelas rubricas. Assim, no auto de infração, como salientado, uma divisão da multa de ofício em questão (75% sobre o IPI não lançado em nota fiscal) nas duas rubricas supramencionadas assume caráter meramente organizacional Acórdão nº 1448.295 da 8º Turma da DRJ/POR: MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja saldo credor na escrita fiscal. Excerto: 5 BIS IN IDEM DAS MULTAS APLICADAS Reclama ainda, a autuada, da imposição simultânea da multa proporcional (multa de ofício) e da multa pelo IPI não lançado com cobertura de crédito (multa isolada), alegando uma possível ocorrência de bis in idem. Embora as multas tenham sido distinguidas em dois tipos, elas se constituem, na realidade, em um único tipo de multa, decorrente tão somente da falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal. O fato de terem sido discriminadas em multa proporcional (efls. 22/25) e multa isolada (efls 26/29) se deve, exclusivamente, à forma como o cálculo foi demonstrado, pois parte do imposto lançado de ofício (débito de IPI) pôde ser deduzido pelos créditos apropriados na escrita fiscal. Para melhor compreensão da sistemática da apuração, tomese como exemplo uma situação hipotética simplificada, apresentada na tabela que se segue: Período de Apuração Saldo Credor de Período Anterior Créditos do Período Débitos do Período Saldo Credor do Período Saldo Devedor do Período Mês A 0,00 50,00 0,00 50,00 0,00 Mês B 50,00 50,00 100,00 0,00 0,00 Mês C 0,00 50,00 100,00 0,00 50,00 No exemplo, no primeiro mês, houve entrada de mercadorias, gerando R$ 50,00 de créditos, mas sem débitos nas saídas. No mês seguinte, as saídas de mercadorias geraram débitos, porém, o saldo de créditos permitiu apurar um saldo devedor nulo. No terceiro mês, com créditos e débitos, o saldo devedor do IPI resultou em R$ 50,00 a serem pagos até o prazo de vencimento do período. Fl. 9166DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.167 32 Supondo que os débitos de R$ 100,00 nos meses B e C não tivessem sido lançados nas notas fiscais de saída, temse: (a) No total, houve R$ 200,00 de imposto não lançado, ensejando a multa (75%) de R$ 150,00 pela falta de lançamento. (b) Devido à existência de crédito, parte do débito de R$ 200,00 não lançado pode ser abatido, resultando saldo devedor do imposto apenas no mês C, na importância de R$ 50,00. (c) Considerando os itens (a) e (b) acima, o lançamento de ofício deve ser de R$ 50,00 de imposto (pelo saldo devedor no mês C) e de R$ 150, 00 de multa. Dos R$ 150,00 da multa, o montante de R$ 37,50 corresponde aos R$ 50,00 do saldo devedor do imposto (sem cobertura de crédito) e R$ 112,50 aos R$ 150,00 de imposto que foram abatidos pelos créditos existentes (com cobertura de crédito). Resumindo, o quadro seguinte demonstra a lógica descrita. Período de Apuração (i) IPI não lançado com cobertura de crédito Multa aplicável 75% sobre (i) (ii) IPI não lançado sem cobertura de crédito Multa aplicável 75% sobre (ii) Total do IPI Constituído Total da multa Aplicada Mês A 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Mês B 100,00 75,00 0,00 0,00 0,00 75,00 Mês C 50,00 37,50 50,00 37,50 50,00 75,00 Total 150,00 112,50 50,00 37,50 50,00 150,00 Este deve ser o raciocínio lógico extraído do art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A infração é caracterizada pela falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, independentemente do contribuinte possuir créditos na escrita fiscal suficientes para compensar os débitos assim apurados, ou que tenha recolhido uma parcela dos débitos devidos. A conjunção “ou”, aposta no trecho do texto legal (“imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”), indica situações alternativas e não cumulativas, referindose a segunda situação à hipótese de se apurar exclusivamente saldo devedor no período. Como se percebe, há entendimento convergente no sentido de que a multa isolada não incidiria concomitantemente sobre os saldos devedores, mas apenas sobre o imposto não lançado, coberto com créditos existentes na escrita fiscal. Fl. 9167DF CARF MF Processo nº 16682.720715/201151 Acórdão n.º 3302005.821 S3C3T2 Fl. 9.168 33 Entretanto, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DIFERENÇAS A COBRAR adota uma metodologia que, a meu ver, fez incidir a multa isolada juntamente com a multa de ofício sobre os valores de IPI não lançado de fevereiro a dezembro/2006, à exceção de março/2006, embora o próprio demonstrativo não tenha aplicado a multa isolada concomitante com a multa de ofício, nos períodos de janeiro de 2006. Porém, verificase que estes valores de imposto não lançado são sempre inferiores aos saldos devedores de IPI lançados com multa de ofício vinculada, o que, em princípio, levaria à conclusão de que os valores de "IPI não lançado na NF" estão englobados nos saldos devedores lançados. Verificando a reconstituição da escrita fiscal, não há quaisquer saldos credores anteriores, e os créditos reais admitidos de janeiro a dezembro são insuficientes para cobrir os débitos escriturados pelo próprio contribuinte, sendo que todas as infrações relativas ao imposto não lançado na nota fiscal apenas aumentaram o saldo devedor, não havendo cobertura de crédito em relação a esta parcela. Apenas em março/2006, a reconstituição da escrita fiscal gerou saldo credor e, portanto, houve cobertura de créditos, razão pela qual o imposto não lançado de R$ 11.554,40 foi coberto com créditos, sendo devida a multa isolada para este período. O artigo 200, inciso IV, dispunha que o recolhimento do imposto seria o resultante do cálculo do imposto relativo ao período de apuração, deduzidos os créditos do mesmo período, sem estabelecer uma prioridade por valores relativos a glosa ou a imposto lançado. Assim, entendo que não cabe a multa isolada aplicada. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial aos recursos para excluir o lançamento da multa isolada nos períodos de fevereiro/2006 e de abril a dezembro/2006, a que se refere o Demonstrativo de Multa – Imposto sobre Produtos Industrializados Não Lançado com Cobertura de Crédito, constante do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 9168DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000346/2008-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.095
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 46 /2 00 8- 28 Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 340301.556, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11686.000346/200828 Acórdão n.º 9303007.095 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 616DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.910199/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 03/05/2007
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/05/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 01 99 /2 00 9- 25 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.116 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL – código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2006 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 298.702,32 (duzentos e noventa e oito reais, setecentos e dois reais e trinta e dois centavos), conforme demonstrada na ficha 17, linha 52 Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 199.292,45 (cento e noventa e nove mil, duzentos e noventa e dois reais e quarenta e cinco centavos), conforme ficha 17 , linha 42 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 99.409,87 (noventa e nove mil, quatrocentos e nove reais e oitenta e sete centavos), conforme ficha 17, linha 54 da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 3398.43301.030507.1.3.04 1226, transmitida em 03/05/2007, a mesma fez a devida compensação do valor de RS 21.721,96 (vinte e um mil, setecentos e vinte e um reais e noventa e seis centavos). 6 Esse valor referese ao DARF, recolhido a mais em 30/12/2006 no valor de R$ 24.621,61 (vinte e quatro mil, seiscentos e vinte e um reais e sessenta e um centavos). 7 Feita a compensação ainda restou um saldo de crédito original no valor de R$3.974,18 (três mil, novecentos e setenta e quatro reais e dezoito centavos). Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de setembro de 2006, no valor de R$ 24.621,61, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de setembro de 2006, no valor de R$ 24.621,61, assim declarado na DCTF de setembro de 2006 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 5 4 Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 6 5 Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de setembro de 2006 e da própria DIPJ/2007, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 7 6 de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2006, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2006 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910199/200925 Acórdão n.º 1401002.787 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721476/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS. OMISSÃO.
Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de parte da pretensão recursal, cabe a correspondente integração via embargos.
SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS SIMPLES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Revelada terceira empresa como mera interposta de pessoa jurídica que se aproveita de expediente simulatório, esta pode se utilizar dos recolhimentos efetuados sob o regime simplificado por aquela, respeitados os percentuais legais, na quitação das contribuições previdenciárias por ela devidas.
Numero da decisão: 2202-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302-003.649, de modo a determinar que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.619-2 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS. OMISSÃO. Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de parte da pretensão recursal, cabe a correspondente integração via embargos. SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS SIMPLES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Revelada terceira empresa como mera interposta de pessoa jurídica que se aproveita de expediente simulatório, esta pode se utilizar dos recolhimentos efetuados sob o regime simplificado por aquela, respeitados os percentuais legais, na quitação das contribuições previdenciárias por ela devidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302-003.649, de modo a determinar que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.619-2 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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SIMPLES. Embargante OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS. OMISSÃO. Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de parte da pretensão recursal, cabe a correspondente integração via embargos. SIMULAÇÃO. RECOLHIMENTOS SIMPLES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Revelada terceira empresa como mera interposta de pessoa jurídica que se aproveita de expediente simulatório, esta pode se utilizar dos recolhimentos efetuados sob o regime simplificado por aquela, respeitados os percentuais legais, na quitação das contribuições previdenciárias por ela devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302003.649, de modo a determinar que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.6192 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 14 76 /2 01 2- 94 Fl. 985DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Versa o presente processo sobre lançamentos de contribuições previdenciárias (fls. 6/69) incidentes sobre a folha de pagamentos e demais rendimentos pagos ou creditados à pessoa física que presta serviços a pessoa jurídica, havendo sido constituídos autos de infração relativos à cota patronal (DEBCAD nº 37.360.6192), destinados a outras entidades (DEBCAD nº 37.360.6206), além de multa por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD nº 37.360.6184). Conforme narrado pela fiscalização (fls. 30/69), o autuado manteve empregados alocados em empresa distinta (ARM Confecções Ltda.), constituída em separado para fins de ser optante pelo Simples, com o objetivo de afastar a incidência de contribuições patronais, dado que o contribuinte foi tributado pelo Lucro Real no anocalendário 2007 e pelo Lucro Presumido nos anoscalendário 2008 a 2010. Afirmou o Fisco que os empregados registrados formalmente na empresa ARM Confecções Ltda. executavam sua atividades com empregados do contribuinte, utilizando veículos, instalações, máquinas e equipamentos a ele pertencentes, caracterizando assim aquela pessoa jurídica como empresa de fachada, criada com o fito precípuo de que o faturamento se enquadrasse nos limites do regime simplificado. Impugnada a exigência (fls. 381/410), foi ela mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 566/585), sendo que depois da interposição do recurso voluntário (fls. 591/678), o sujeito passivo apresentou uma série de pedidos de desistência do litígio em razão de parcelamento e/ou pagamento (fls. 679/781), sendo tal desistência total no que concerne aos DEBCAD nos 37.360.6206 e 37.360.6184, e parcial quanto ao DEBCAD nº 37.360.6192. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2302 003.649 em 12/02/2015 (fls. 801/815), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2008 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PARCELAMENTO. A desistência do recurso ocorreu por força da imposição normativa estabelecida na Portaria PGFN/RFB nº 13/2014 cujo art. 8º estabelece que a para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. APROVEITAMENTO DOS VALORES PAGOS PELA EMPRESA CONTRATADA (ATO SIMULADO). SIMPLES NACIONAL. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2202004.759 S2C2T2 Fl. 986 3 Reputo válido o pleito do contribuinte no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, para abatimento do valor do débito lançado (cota patronal). O contribuinte interpôs embargos de declaração (fls. 911/918) os quais foram aceitos via Despacho de Admissibilidade (fls. 981/983) para fins de que fosse sanada omissão do vergastado, o qual acatou a pretensão de aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do Simples para abatimento do valor lançado nas competências de 11 a 13/2008, mas não se pronunciou quanto à questão no que tange às competências 07/2007 a 10/2008. Registrese, como fecho, que foi também interposto recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 817/825), e oferecidas as correspondentes contrarrazões pelo contribuinte (fls. 923/929), o qual apresentou, ainda, petição (fls. 963/964) solicitando o julgamento dos embargos antes do prosseguimento do trâmite do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 07/10/2015 (fl. 909), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 13/10/2015 (fls. 911 e ss). A relatora do recurso voluntário assim se pronunciou sobre a matéria focada (fls. 814/815): (...) Em relação ao Auto de Infração nº AI 37.360.6192 (cota patronal), aduz o contribuinte às fls. 755/761 que após a edição da Lei nº 12.996/14, a empresa pagou parcialmente os débitos correspondentes às competências de 11/2008, 12/2008 e 13/2008 com os descontos concedidos pela respectiva legislação, permanecendo em aberto, neste período, tão somente a parcela correspondente ao valor pago pela empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP (contratada – ato simulado) no âmbito do SIMPLES NACIONAL. Neste toar, pretende o contribuinte o abatimento do valor lançado e não pago, nas competências 11/2008, 12/2008 e 13/2008, com o montante recolhido pela empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP, ficando, com isso, a discussão administrativa restrita a este período e ao aproveitamento do respectivo valor. Daí porquê pleiteou a desistência parcial do Recurso Voluntário. A auditoria realizada na empresa Objeto Brasil Confecções Ltda. EPP constatou a simulação na contratação de empregados por interposta pessoa jurídica. Por causa disso, procedeu à apuração da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de pagamento dos empregados que estavam formalmente Fl. 987DF CARF MF 4 registrados através da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP, mas que trabalhavam para a empresa OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA EPP. Isto posto, em decorrência das remunerações discriminadas na folha de pagamento da empresa ARM CONFECÇÕES LTDA EPP terem dado origem a apuração do valor lançado, reputo válido o pleito do contribuinte (OBJETO BRASIL CONFECÇÕES LTDA EPP) no sentido de possibilitar o aproveitamento da parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ARM CONFECÇÕES LTDA EPP). Sem embargo de seus argumentos, eles seriam, a priori, igualmente aplicáveis ao período compreendido entre 07/2007 e 10/2008, que não foi abordado no voto. A omissão deuse, provavelmente, pelo fato de não ter se apercebido de que, às fls. 680 e ss, o contribuinte já havia, apresentando os documentos pertinentes, se manifestado no sentido de que: 4. De outra parte, com relação ao AI nº 37.360.6192, débitos vencidos até 30/11/2008, a contribuinte permanece com a discussão administrativa apenas no tocante aos abatimentos decorrentes dos pagamentos implementados pela terceira empresa no âmbito do SIMPLES. Todas as demais pendências vencidas até 30/11/2008 foram pagas à vista, conforme anexos (docs. anexos). Tal equívoco deve ter se verificado em razão de ter sido juntado posteriormente outro pedido de desistência (fls. 755/761), este sim referente às competências 11 a 13/2008, correspondendo ao contexto refletido na decisão embargada. Assim, com relação a todo o período abrangido pela autuação havia o contribuinte pleiteado o aproveitamento das parcelas paga pela terceira empresa no âmbito do Simples. Pois bem, não dissinto do entendimento do acórdão embargado no sentido de acatar a postulação por tal aproveitamento, respeitados, evidentemente, os percentuais legais do recolhimento simplificado correspondentes à contribuições em comento. De fato, o inciso VI do art. 13 da Lei Complementar nº 126/06 preconiza que o recolhimento mensal do Simples abrange a contribuição patronal previdenciária de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212/91. E, em casos similares ao ora enfrentado, devem ser aproveitados os tributos já pagos pela pessoa jurídica reconhecida como sendo mera interposta pessoa da empresa que é a verdadeira titular da capacidade contributiva, e responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas fade à contratação de prestadores de serviços. Com efeito, o deslocamento artificial da responsabilidade tributária via expediente simulatório não é eficaz perante o Fisco, conclusão essa que deu azo, inclusive, ao lançamento guerreado. Por seu turno, constituiriase incoerência lógica intrínseca, em desvelar se a simulação, mas não possibilitar que os tributos pagos pela empresa de fachada sejam aproveitados pelo titular material das atividades exercidas e responsável pelos tributos delas decorrentes. Tendo em vista tais constatações, a não consideração dos tributos já pagos pela pessoa interposta, ainda que sob o regime de recolhimento simplificado, como compensáveis com os débitos lançados, constituiriase em locupletamento indevido da Fazenda Pública, caso simplesmente denegada, ou possivelmente implicaria violação aos princípios constitucionais da eficiência e da duração razoável do processo, se condicionada à posterior formulação de pedido de restituição. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13971.721476/201294 Acórdão n.º 2202004.759 S2C2T2 Fl. 987 5 Sendo assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2302003.649, de modo que a parcela recolhida na sistemática do Simples Nacional pela empresa ARM Confecções Ltda, correspondente à contribuição previdenciária patronal, seja aproveitada para abatimento do valor do débito lançado via DEBCAD nº 37.360.6192 e não pago, nos períodos compreendidos entre 07/2007 a 13/2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.935912/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 12 /2 00 9- 70 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.935912/200970 Acórdão n.º 1302003.050 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 113, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 115, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.935912/200970 Acórdão n.º 1302003.050 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720607/2012-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO.
Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2001-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13876.720607/201202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.600 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente LAURENT PIERRE SERRIGNY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitandose à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 06 07 /2 01 2- 02 Fl. 157DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 18.944,55, por não identificação do beneficiário da despesa, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$4.491,37, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que a impugnação é tempestiva e discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que apresentou toda a documentação que possuía, de forma que a Notificação de Lançamento seria nula; que outra causa de nulidade seria a exigência do contribuinte de tributo manifestamente indevido, haja vista a comprovação do pagamento das despesas médicas ao plano de saúde; que o auto de infração seria nulo, tendo em vista a inexistência de justa causa e de ato ilícito; que no mérito, o procedimento fiscal está eivado de vícios e fundamentado em premissas equivocadas, inviabilizando o contribuinte a produzir provas; que a legislação permite a dedução de despesas médicas com plano de sáude, posição já pacificada pelo conselho de contribuintes; que não cabe ao fisco questionar os valores das despesas médicas; que o valor cobrado do contribuinte caracteriza excesso de exação; que não concorda com a multa de ofício e com os juros de mora (Selic); que é vedado o enriquecimento ilícito buscado pelo fisco no presente caso; que a manutenção do lançamento significará ofensa ao princípio do devido processo legal; que caso não seja cancelada a Notificação, seja o feito convertido em diligência para que sejam apuradas as informações prestadas; que protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, justifica e fundamenta cada ponto levantado pelo contribuinte e ao final manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro teve como beneficiário apenas o contribuintes e seus dependentes. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 3 3 Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas mesmas razões, discute teoricamente uma série de direitos, mas sob o ponto de vista prático e fático não atende ao quando solicitado de forma clara e objetiva pela fiscalização, que seria apenas a discriminação dos valores pagos a Omint detalhados os valores por beneficiário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por suposta cobrança indevida Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação, também em sede de Recurso Voluntário, parte da glosa de despesa médica, que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Das dedução indevidas de despesas médicas, o contribuinte impugna a glosa com o plano de saúde Omint, no valor de R$ 18.944,55, juntando documentos para comprová la. O contribuinte alega que o lançamento seria nulo, pois o interessado, por ocasião do termo de intimação, já teria apresentado toda a documentação que possuía. E também apresenta como causa de nulidade do lançamento a exigência indevida do tributo e a inexistência de ato ilícito. Como muito bem salientado pela DRJ Brasília, de forma clara e cristalina, o enquadramento legal da glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas consta da própria Notificação de Lançamento, fls. 64 dos autos, tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, não havendo que se falar em exigência indevida como foi aventado pelo interessado. Ademais, da análise dos autos, não foi verificada a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas pelo art. 12 do Decreto nº 7.574/2011. Portanto, não será acatada a alegação de que a Notificação de Lançamento é nula. Me parece uma alegação vazia e sem conteúdo, com intuito meramente protelatório. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Preliminar Suposta decadência Fl. 159DF CARF MF 4 Aparentemente com intuitos protelatórios, argumenta o contribuinte que o prazo para lançamento estaria decaído posto que deveria ser aplicado o art. 150 , § 4º , do CTN . Ocorre que, nos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", a doutrina distingue duas hipóteses possíveis para a contagem do prazo decadencial: em havendo o pagamento, ainda que insuficiente, considerase como dia inicial da decadência o da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 , § 4º , do CTN . Contudo, em inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma da regra geral do art. 173 , I , do CTN , isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de tributo declarado e não pago pelo contribuinte, o fisco tem cinco anos, contados na forma do art. 173 , I , do CTN , para realizar lançamento suplementar, sob pena de decadência.Decorrido esse prazo, sem qualquer lançamento de ofício, considerase que aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada. Iniciase, então, o prazo prescricional para que a Fazenda, mediante prévia inscrição em dívida ativa, execute o montante confessado. Restando clara a aplicação do mencionado art 173, não há que se falar em decadência. Rejeitada mais uma vez a preliminar. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 4 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou documentos para tentar sustentar o quanto alegado, mas não apresentou o quanto solicitado objetivamente pela fiscalização, que seria a discriminação por dependente , evidenciado os valores das despesas por beneficiário do plano de saúde. Salientese que demonstrou atitude protelatória nas suas manifestações. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 161DF CARF MF 6 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Da análise desses documentos, verificou a DRJ que o contribuinte juntou aos autos emails por meio dos quais restou demonstrada a tentativa de se obter, junto ao plano de saúde Omint, os valores das despesas pagas por beneficiários. Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental apresentada, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a despesa médica em questão (Omint Serviços de Saúde Ltda R$ 18.944,55). Decisões Administrativas e Judiciais Reitero tudo o quanto exposto pela decisão a quo. As decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos como regra geral. Relativamente aos julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, de acordo com o art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN), tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Por conseguinte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, visto que somente se aplicam à questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.(negritou se) A outra hipótese de vinculação de decisões administrativas, não ocorrida nos autos, é a aprovação de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por ato do Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 5 7 No que tange às decisões judiciais, releva destacar que apenas as súmulas vinculantes, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do arts. 102, § 2°, da Constituição Federal, e as decisões judiciais em que o contribuinte configure como parte vinculam a Administração Pública em seus julgados. Assim, dada a ausência de tais determinações, as decisões colacionadas pelo contribuinte são inaplicáveis ao caso em tela. Excesso de Exação O Recorrente e alega ter ocorrido excesso de exação, crime tipificado no §1º do art. 316 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990. Repito , como colocado pela decisão a quo, que a competência para processar e julgar tal espécie de ilícito penal é da Justiça Federal, a teor do art. 109 da Constituição Federal da República. Desse modo, no âmbito deste julgamento administrativo, não cabe conhecer das alegações de “excesso de exação”, pois não diz respeito a matéria de competência deste colegiado. Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a manutenção do lançamento vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal. Fl. 163DF CARF MF 8 Sabese que os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, faltando, assim, competência a esta autoridade administrativa para se pronunciar sobre quaisquer inconstitucionalidades aventadas. Assim, tais questões não serão enfrentadas na presente análise. Em suma, mantémse o lançamento CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da relatora quanto a comprovação de despesas médicas. Afirma a relatora em seu voto: Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. No documento do plano de saúde que indica beneficiários foi destacado que o cônjuge não poderia ser dependente. No entanto, na legislação não há obrigação de que sejam dependentes incluídos na declaração. A exclusão de dependente por não constar da declaração do contribuinte é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Observese que no caso de plano de saúde até o ano de 2007, Perguntas e Respostas 2007, o fisco aceitava a inclusão de dependentes que declararam em separado. 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 6 9 dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. (...) Concordamos com essa interpretação, pois mais de acordo com a legislação. A interpretação foi modificada, mas a lei não. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Assim, entendemos dedutíveis as despesas médicas pleiteadas. Acompanhamos a relatora nas preliminares. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, acompanhando a relatora, mas no mérito voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 165DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720296/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 96 /2 00 8- 28 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, pela qual a contribuinte assinala compensação de parcela da dívida do ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003, apontando crédito perante a Fazenda Nacional na importância de R$ 1.404.382,05 à conta de pagamento a maior que o devido quando da antecipação em base estimada desse mesmo tributo, havida em 30/11/2003, sob código de receita n 2362. A recorrente foi intimada pela DRFLimeira para que fossem prestados esclarecimentos e apresentados demonstrativos do valor recolhido a maior, vindo aos autos a resposta junto com documentados comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP exarou o despacho decisório não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte. Referido decisório consigna que no final do anocalendário de 2003 o valor do IRPJ pago durante aquele ano foi exatamente o que deveria ter sido recolhido, exceto em novembro e dezembro em que os pagamentos superaram o devido pelas importâncias de R$ 417.275,10 e R$ 30.998,23, respectivamente. Registra que a anotação feita pela contribuinte em no demonstrativo por ela elaborado mostra que o valor anual do IRPJ ali constante, desconsiderados os excessos de novembro e dezembro, perfaz o montante de R$ 68.118.545,89, exatamente aquele feito constar na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), antes da dedução das estimativas mensais. Assevera, ainda, que a entrega de declaração de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste final constitui forma de planejamento tributário na medida em que dito procedimento intenta correção do valor que teria sido "recolhido a maior" (aspas do original) pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos. Ao final reafirma que não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor, nem tampouco crédito tributário em favor da União por conta do IRPJ apurado no anocalendário de 2003, eis que extinto por pagamento. Regularmente cientificada, ingressou a interessada com a tempestiva peça recursal, acompanhada dos documentos, solicitando a reforma do despacho decisório para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação apresentada. Argumenta, em síntese, que a decisão foi proferida em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata da necessidade do lançamento (art. 142 do CTN), inclusive porque alterouse a base de cálculo do tributo, bem assim, que suportada Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 4 3 apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela contribuinte, sem desqualificálas ou requalificálas. Aduz que no contexto de tributo sujeito a "lançamento por homologação" a tarefa de constituição do crédito tributário é conferida ao sujeito passivo, conforme prescreve o artigo 150 do CTN, cabendo aos agentes fiscais tão somente a função de homologar, ou não, a atividade ultimada pela contribuinte. Lembra que até mesmo nas hipóteses em que a infração à legislação, tributária não resulte na exigência de crédito tributário fazse necessária a figura do lançamento de oficio, através de suas espécies: auto de infração ou notificação de lançamento.. Reafirma que o Fisco não alterou de oficio o valor da estimativa confessado na DCTF, restando evidenciada a existência de quantia recolhida a maior na medida em que o efetivo pagamento foi de monta superior àquela declarada. Assevera que a opção pelo pagamento por estimativa é exercida com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada) e que o código de receita (2362) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta). Assim, estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o artigo 2° da lei n° 9.430/96) não podem ser informalmente alocadas de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda apagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permanece inalterado. Por fim, realça que sobre o indébito devem incidir juros Selic desde o mês subsequente ao do pagamento e requer que os débitos indicados no DARF encaminhado para a impugnante juntamente com o despacho decisório ora impugnado fiquem com a exigibilidade suspensa até decisão definitiva na esfera administrativa, nos termos do artigo 74, §9° e §11, da Lei n°9.430, de 1996”. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, como se pode extrair da ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA FISCAL DE QUANTIAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. O ato administrativo de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é apto, por si só, para produzir os efeitos de direito, dentre eles o de exigência da parcela do débito fiscal indevidamente compensado, em face da legislação de regência atribuir à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida. Em decorrência, não se faz necessário o lançamento para fins de exigência do crédito tributário, nem tampouco sua ausência vicia o ato nãohomologatório. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: A decisão recorrida se fundamenta em premissas equivocadas, haja vista que a discussão sobre a necessidade de lançamento referese à valoração do crédito, pois a retificação de ofício da DIPJ revelase condição prévia para mudança nos valores declarados como "estimativas recolhidas", "IRPJ devido" e "IRPJ a pagar" fundamentos utilizados pela DRF/Limeira para negativa do crédito postulado na compensação. Necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ: não é possível que o Fisco modifique a DIPJ da Recorrente apenas com uma planilha e ilações sobre procedimentos que ela teria adotado; é necessário que efetue lançamento. Para negar o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, a DRF/Limeira necessariamente deveria ter procedido a retificação de ofício via lançamento. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 6 5 O acórdão recorrido equivocase ao confundir o momento da opção pelo regime de tributação (real, presumido ou arbitrado) com o regime de apuração de estimativas mensais; pois, no caso específico da estimativa, a opção é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Recorrente), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Recorrente, com a consequente homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.941, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10865.720297/2008 72, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de novembro de 2003. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de outubro de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.941): "O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 14/10/2009 e protocolou Recurso Voluntário em 29/10/2009. Constatada a tempestividade do presente recurso, deste conheço. Este processo trata da discussão quanto à negativa de homologação da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 25650.06888.120304.1.3.043878 pela DRF/Limeira, que assim o fez por apurar a inexistência do crédito indicado na referida declaração. A PER/DCOMP mencionada, surgiu porque o contribuinte considerou que do pagamento de R$ 6.163.720,21 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de novembro de 2003, R$ 3.792.647,04 seriam indevidos e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário e o débito de Cofins nãocumulativa do mês de fevereiro de 2004. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 7 6 De acordo com a unidade preparadora, houveram duas retificações da DCTF. Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro era R$ 6.163.720,21, mas após o encerramento do período a retificou a fim de reduzilo para R$ 2.371.073,17, mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 90). A partir dos demonstrativos encaminhados pelo próprio contribuinte, a DRF/Limeira concluiu que a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento, com apuração do lucro real do período (fls. 14 a 17), devidamente registrado no Livro Diário (fls. 53 a 73) e depois com base na receita bruta (fls. 36 a 42). A alteração na forma de apuração do IRPJ poderá ser procedida dentro do anocalendário, já que não se trata da figura do pagamento, propriamente dito, mas sim de antecipações do quantum devido a título de IRPJ, já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2º da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele recolhido, não se poderá mais falar em antecipações feitas a maior, mas sim em saldo negativo (ou a pagar) de IRPJ; este sim sendo passível de repetição. No entanto, como pontuado pela decisão recorrida, no caso dos autos não há busca de compensação deste saldo negativo, mas sim, dos "excessos" mensais, dentre os quais o do mês de novembro em análise. Isso porque, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2º da Lei n.º 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, o contribuinte considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou as declarações objeto deste processo, para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. A DRF/Limeira, não homologou a PER/DCOMP sob o fundamento que findo o período de apuração, não pode a contribuinte alterar a sistemática de apuração para calcular a estimativa com base na receita bruta. Registrase, também, que a Unidade Preparadora não aceitou a exclusão da adição do depósito judicial de INSS no ajuste anual, no montante de R$ 1.741.981,39 (fl. 110) – que teria originado suposto recolhimento a maior no mês de novembro/2003 (R$ 417.275,10) – pois através das informações prestadas pelo contribuinte, apurou que este não havia comprovado que este valor não havia sido efetivamente deduzido como despesa; bem como porque, em razão do regime de Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 8 7 competência, este valor não poderia ser apropriado como despesa no anocalendário seguinte. Pois bem. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Contudo, tal posicionamento foi superado pela súmula CARF n.º 84, verbis: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 9 8 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Da leitura da súmula acima vêse claramente que o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado consistente na diferença entre o valor recolhido e o valor devido com base na estimativa mensal incidente sobre a recita bruta, homologando as compensações até o montante requerido pelo contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 377DF CARF MF
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Numero do processo: 35011.000263/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 02 63 /2 00 7- 59 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 439DF CARF MF
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