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7428316 #
Numero do processo: 10580.721813/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 EXAME DE ESCRITA. AUDITOR FISCAL. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula Carf nº 08). PERÍCIA. FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS. Conhecidos os fatos geradores por meio de provas colhidas de terceiros, e não apresentada a contabilidade durante o procedimento fiscal, é correto o lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia. INFORMAÇÃO PRESTADA PELA FAZENDA ESTADUAL. SIGILO. Não configura quebra de sigilo a prestação de informações fiscais pela Fazenda Estadual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 02). CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51).
Numero da decisão: 1302-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer as nulidades alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE

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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 EXAME DE ESCRITA. AUDITOR FISCAL. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula Carf nº 08). PERÍCIA. FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS. Conhecidos os fatos geradores por meio de provas colhidas de terceiros, e não apresentada a contabilidade durante o procedimento fiscal, é correto o lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia. INFORMAÇÃO PRESTADA PELA FAZENDA ESTADUAL. SIGILO. Não configura quebra de sigilo a prestação de informações fiscais pela Fazenda Estadual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 02). CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51).

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GRAÇA DELICATESSEN LTDA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2006  EXAME DE ESCRITA. AUDITOR FISCAL.  O Auditor­Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da  escrita  fiscal  da  pessoa  jurídica,  não  lhe  sendo  exigida  a  habilitação  profissional de contador (Súmula Carf nº 08).   PERÍCIA.  FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À  CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS.  Conhecidos  os  fatos  geradores  por meio  de  provas  colhidas  de  terceiros,  e  não  apresentada  a  contabilidade  durante  o  procedimento  fiscal,  é  correto  o  lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia.  INFORMAÇÃO  PRESTADA  PELA  FAZENDA  ESTADUAL.  SIGILO.  Não  configura  quebra  de  sigilo  a  prestação  de  informações  fiscais  pela  Fazenda Estadual.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.   É  vedado  o  afastamento  pelo  CARF  de  dispositivo  prescrito  em  medida  provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº  02).  CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.   As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às  relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 272DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 273          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  reconhecer as nulidades alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  MARCOS RODRIGUES DE MELLO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  EDUARDO DE ANDRADE ­ Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de  Mello  (presidente  da  turma),  Irineu Bianchi  (vice­presidente), Wilson  Fernandes Guimarães,  Lavínia Moraes de Almeida Nogueira  Junqueira, Eduardo de Andrade  e Daniel Salgueiro da  Silva.  Fl. 273DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 274          3   Relatório  Trata­se  de  apreciar  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  proferido  nestes  autos  pela  4ª  Turma  da  DRJ/SDR,  no  qual  o  colegiado  decidiu,  por  unanimidade,  considerar  a  impugnação  improcedente, mantendo o  crédito  tributário  lançado,  conforme ementa que abaixo reproduzo:  Assunto:  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte ­ Simples  Ano­calendário: 2006  DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO.  Correto  o  lançamento  de  ofício  decorrente  de  apuração  de  diferença entre a receita bruta declarada ao Fisco Estadual, para  efeito  do  ICMS,  e  a  declarada  na  DSPJ­Simples  do  período  fiscalizado.  MULTA  DE  OFICIO.  LEGALIDADE.  QUALIFICAÇÃO.  NÃO­ CONFISCO.   É  legal a exigência da multa no percentual de 75% no caso de  lançamento  de  ofício.  É  correta  a  aplicação  da  multa  proporcional  qualificada nos  casos  em que  se  verifica  evidente  intuito  de  sonegação  fiscal,  caracterizado  pela  redução  deliberada da base de cálculo dos tributos devidos.  A  vedação ao confisco pela Constituição Federal  é dirigida ao  legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar  a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.  MULTA  MORATÓRIA.  CÓDIGO  DE  DEFESA  DO  CONSUMIDOR.  Inexiste  previsão  legal  para  aplicação  no  campo  do  direito  tributário  da  multa  moratória  de  2%  prevista  no  Código  de  Defesa do Consumidor.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE   No  lançamento  do  crédito  tributário,  por  expressa  disposição  legal,  cobra­se  juros de mora  com base  na  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC.  NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA.  Inexiste  nulidade  quando  o  auto  de  infração  se  encontra  revestido  das  formalidades  legais  e  foi  garantido  o  direito  de  defesa na impugnação.  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.   Fl. 274DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 275          4 Indefere­se o pedido de perícia quando as provas existentes nos  autos são suficientes para a solução da lide.     Os  eventos  ocorridos  até  o  julgamento  na  DRJ,  foram  assim  relatados  no  acórdão recorrido:   O processo é de autos de infração do Simples Federal (fls. 02/78), exigindo o  crédito tributário no valor consolidado de R$ 1.192.674,75, conforme demonstrativo  à folha 02. A exigência é referente ao ano­calendário de 2006 (AC/2006).   Os  lançamentos  estão  distribuídos  pelos  tributos  integrantes  do  Simples,  incluindo  valor  do  principal,  mais  multa  regulamentar  no  percentual  de  75%  e  agravada no percentual de 150%, e juros moratórios.  Os detalhes do procedimento fiscal e o resultado da apuração estão descritos  no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 81/83, cujo resumo é o seguinte:  –  A  motivação  da  fiscalização  foi  a  diferença  encontrada  entre  os  valores  declarados  à  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  (SEFAZ/BA),  através  de  DMA mensais (Declaração e Apuração Mensal do 1CMS), e os declarados à Receita  Federal do Brasil (RFB), através da Declaração Anual do Simples (DSPJ­Simples).  – A contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (TIF) e do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  em  23/09/2009  (fls.  79/80),  solicitando  livros e documentos necessários ao procedimento.   – A contribuinte compareceu à fiscalização em meados de outubro de 2009 e  entregou  cópia  de  suas  DMAs,  sem  nenhum  protocolo,  e  não  mais  entrou  em  contato.  –  A  contribuinte  foi  intimada,  através  do  Termo  de  Intimação  nº  001,  em  27/10/2009,  a  entregar  os  livros  e  documentos  solicitados  no  TIF.  Novamente  a  contribuinte não se manifestou.  – A contribuinte foi reintimada, através do Termo de Reintimação nº 001, em  11/12/2009, a entregar todos os livros e documentos solicitados no TIF. Novamente  a contribuinte não se manifestou.  –  Novamente  a  contribuinte  foi  reintimada,  em  22/01/2010,  via  Termo  de  Reintimação  nº  002,  a  entregar  os  livros  e  documentos  requeridos  no  TIF.  Finalmente ela se manifestou, em 25/02/2010, onde esclarece que não possui Livro  Caixa e muito menos escrita contábil, além de declarar que sua receita de vendas é  aquela constante em suas DMAs (fl. 90).  – Utilizou­se, então, como receita tributável, os valores declarados como receita  pela contribuinte à SEFAZ/BA, através das DMAs.  – As diferenças apuradas entre as receitas de vendas constante nas DMAs e o  declarado  como  receita  na  DSPJ­Simples  do  AC/2006  dão  os  valores  de  R$  3.499.819,97  e  R$  310.340,07  respectivamente.  A  soma  desses  valores  dá  o  montante de R$ 3.810.160,04.   –  Em  face  disso,  a  Fiscalização  lavrou  os  autos  de  infração  de  fls.  02/78,  utilizando as receitas declaradas nas referidas DMAs/ICMS.  Fl. 275DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 276          5 – Justificou a aplicação da multa de 150%, cento e cinqüenta por cento, no art.  957, II, RIR/99, art. 44 da Lei 9.430/99, c/c os art. 71 e 72 da Lei 4.502/1964, pela  ação  da  autuada  tendente  a  impedir  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal, pois à luz dos elementos demonstrados, em especial o fato de ter  declarado  ao  Fisco  Federal  receita  menor,  em  contraponto  àquela  efetivamente  apurada e declarada à SEFAZ/BA.  –  A  declaração  à  RFB  com  valores  bem  inferiores  ao  realmente  auferido  demonstra  a  intenção  de  impedir  ou  retardar  o  acesso  da  autoridade  fazendária  às  informações que possibilitassem a correta obtenção da base de cálculo devida.  –  Em  face  do  exposto,  lavrou­se  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  processo nº 10580­721816/2010­21.  Em  02/03/2010,  a  autuada  tomou  ciência  pessoalmente  do  feito,  conforme  assinatura do seu Procurador à fl. 04 do processo (ver instrumento às fls. 122/125).  Em  31/03/2010  foi  apresentada  a  impugnação  de  fls.  127/133,  alegando  a  defendente,  em  linhas  gerais,  que  o  feito  não merece  prosperar,  eis  que  eivado  de  inúmeros  vícios  e  irregularidades  que,  desde  logo,  o  torna  insubsistente,  além  de,  comportar  no  mérito  uma  análise  mais  profunda,  tendo  em  vistas  as  alegações  resumidas a seguir.  (i) Em preliminar, haveria vício formal no item "Termo de Encerramento" do  auto de infração, pois consta que a data de seu encerramento foi em 24/02/2010, às  10h02 min, no entanto, houve a omissão do período fiscalizado.  (ii) Refere o princípio da legalidade, para dizer que o exercício de tarefas de  auditoria ou perícia contábil, por lei, é reservado aos profissionais de contabilidade  de  nível  superior,  legalmente  inscritos  no  Conselho  Regional  de  Contabilidade  (CRC). Assim, a função de Auditor Fiscal, exige que o agente público exerça papel  privativo de contador inscrito no CRC, sendo nulo de pleno direito o procedimento  efetivado por profissional incompetente.  (iii) O autuante a acusa a autuada de  ter declarado valores menores ao fisco  Federal, em comparação ao declarado nas DMAs, sem ter observado a condição de  empresa optante do Simples, nem o percentual  incidente por  faixa de receita bruta  acumulada (evolução de alíquotas), nem qualquer verificação fática das vendas reais  nos documentos da empresa, bem como nos documentos fiscais que estão em poder  da  Sefaz/BA,  pois  a  presunção  do  Fisco  Federal  se  deu  apenas  em  números  registrados na DMA que a própria impugnante desconhece.   (iv)  O  auto  de  infração  não  demonstra,  discriminadamente,  mês  a  mês,  a  quantia deixada de declarar pela contribuinte, o que importa na falta de transparência  do ato administrativo como comanda a Constituição em seu art. 37, caput. Fala de  fortes indícios para o dolo e má­fé, por parte do autuante.   (v) Teria havido, na realidade, arbitramento injustificado da base de cálculo dos  tributos  exigidos,  dado  que  não  se  pode  verificar  qualquer  diferença  supostamente  devida sem o devido processo legal e sem que haja a verificação real das vendas, pois  o fato do serviço contábil deixar de informar devidamente as DMAs não é motivo para  cobrança  de  imposto,  sem  contar  que  o  Autuante  sequer  verificou  junto  ao  Fisco  Estadual da Bahia se houve ou não algum problema na transmissão das DMAs, e se os  valores que estão em seu poder são reais.  Fl. 276DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 277          6 (vi)  Levando­se  em  conta  que  existe  junto  ao  Estado  da  Bahia  o  dever  de  sigilo fiscal, como poderia o fiscal Autuante ter acesso a dados das DMAs, e se isso  ocorreu,  como  se  pode  atestar  que  as  informações  são  fidedignas?  Principalmente  pelo  fato  de  o  TVF  se  encontrar  com  valores  do  Simples,  DMAs  e  Diferenças,  totalmente divorciadas,  sem qualquer  possibilidade de  verificação  real  dos  valores  apurados.  (vii) Indaga que se o próprio documento fiscal declara que há diferença entre  as declarações do Fisco Estadual  e do Fisco Federal, chega­se à conclusão de que  houve pagamento dos impostos, sendo que a presunção do fiscal Autuante não deve  prevalecer para se achar valores, sem o devido processo legal. Urge perícia técnica  para verificação e apuração dos valores reais e devidos.   (viii) Alega  que  o  próprio  fiscal  incorre  em  contradição  quando  declara  no  termo de  encerramento  que  devolveu  todos  os  documentos  e  livros  no  estado que  foram recebidos, onde ao mesmo tempo declara que não recebeu nenhum livro e que  o  contribuinte  declarou  que  os  valores  apurados  nas  DMAs  estavam  corretos.  Portanto, a autuação não pode prosperar, uma vez que embasada em erros grosseiros  e atitudes insensatas do autuante.  (ix) Dessarte,  não  seria  procedente  a  alegação  do  autuante  de  que  não  fora  fornecido os livros caixa e livros fiscais, principalmente pelo fato da mesma não ser  obrigada  a manter ou gerar  estes  livros,  sendo necessária,  então, a verificação dos  documentos  fiscais  do Autuado,  ou  até mesmo  a  verificação  da  fidedignidade das  informações junto ao fisco estadual, fato a que o autuante não se deu ao trabalho.  (x) No  tocante aos  acréscimos  legais,  entende que o Fisco Federal,  além de  aplicar  juros moratórios em percentual acima do permitido em nosso ordenamento  jurídico, aplicou multa confiscatória na ordem de 150%. Lembra que com o advento  da  Lei  9.298/96  a  multa  por  inadimplemento  no  Brasil,  passou  para  o  máximo  percentual de 2%, dado a realidade econômica atualmente reinante no país.  (xi)  Sendo  a  ampla  defesa  corolário  do  devido  processo  legal,  a  autuada  requer  a  instalação  de  perícia  contábil,  na  forma  contida  no  nosso  ordenamento  jurídico, desde já indicando como assistente técnico a contabilista Ana Rita Oliveira  Barbosa,  inscrita  no  CRC/BA  sob  o  nº  20.294/0­3,  com  escritório  na  Rua  Costa  Brito, 106, centro, Jequié ­ Bahia.  (xii) Pelos vícios,  irregularidades e  ilegalidades apontados na defesa,  requer,  em preliminar, a declaração de nulidade da pretensão fiscal, sobretudo por ter sido  procedida por agente incompetente e  inabilitado, ou a sua improcedência total, por  não ter ocorrido, no mérito, às infrações imputadas pelo autuante.    A  recorrente,  na  peça  recursal  submetida  à  apreciação  deste  colegiado,  repisou os argumentos expendidos na impugnação.  É o relatório.  Fl. 277DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 278          7     Voto             Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator.    O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço.  (a) Auditoria não realizada por contador inscrito no CRC.  Alega a  recorrente a nulidade do auto de  infração, por  ter sido este  lavrado  por  auditor­fiscal,  sem  a  comprovação  de  sua  habilitação  contábil  e  registro  no  CRC,  e  portanto, incompetente para tal função.  A  jurisprudência  deste  Conselho  é  remansosa  no  sentido  de  que  o  auditor­ fiscal é competente para examinar os livros e documentos da pessoa jurídica, bem como para  lavrar os  autos de  infração que daí decorram, questão,  inclusive,  já  sumulada por  esta Corte  Administrativa (Súmula CARF nº 08), senão vejamos:  Súmula  CARF  nº  8:  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  é  competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa  jurídica,  não  lhe  sendo  exigida  a  habilitação  profissional  de  contador.  Súmula 8 do 1º CC e 5 do 2º CC  De se ver que o tema não dá margem a novas elucubrações.     (b)  Solicitação  de  perícia  para  apurar  fatos  geradores  obtidos  por  provas alheias à contabilidade.  A recorrente também se insurge contra a forma de apuração do crédito, que  foi apurado com base na diferença apurada entre as DMA prestadas à Secretaria da Fazenda do  Estado da Bahia e da DIPJ Simplificada. Entende necessária realização de perícia para que sua  escrita seja analisada, para ali verificar a ocorrência dos fatos geradores.  Verifico, da análise do processo, que a autoridade fiscal intimou a recorrente  para apresentar a escrita no Termo de Início de Procedimento Fiscal de 17/09/2009, no Termo  de  Intimação  Fiscal  de  22/10/2009,  no  Termo  de  Reintimação  Fiscal  de  09/12/2009,  e  no  Termo de Reintimação Fiscal de 20/01/2010.  A recorrente, por seu turno, informou à fiscalização, em sua resposta datada  de 25/02/2010 (fl.90): que sua receita de vendas é o mesmo valor declarado no DMA da Sefaz­ Bahia; que a empresa não possui contabilidade; que a empresa não tem livro caixa.  Fl. 278DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 279          8 Neste  sentido,  além  da  prova  representada  pela  própria  DMA  (pois  foi  prestada pela própria recorrente), há a confissão da recorrente quanto à veracidade daquela, e,  conseqüentemente, quanto à falsidade dos dados declarados na DIPJ Simplificada.  Neste  sentido,  os  fatos  geradores  não  dependem  de  perícia  para  serem  provados, pois já o são, com base nas provas acostadas, posto que a base de cálculo do Simples  é a receita bruta acumulada.     (c) Violação de sigilo no intercâmbio de informação entre as Fazendas  O  intercâmbio  de  informação  entre  as  diversas  Fazendas  desde  há muito  é  permitido, sendo regulado pelo art. 199 do CTN, senão vejamos:    Art.  199.  A  Fazenda  Pública  da  União  e  as  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  prestar­se­ão  mutuamente  assistência  para  a  fiscalização  dos  tributos  respectivos  e  permuta  de  informações,  na  forma  estabelecida,  em  caráter  geral ou específico, por lei ou convênio.  Neste  sentido,  não  subsiste  alegação  de  violação  de  sigilo  da  Fazenda  Estadual, vez que não há,  in casu, quebra de sigilo, mas mera cooperação entre as Fazendas,  legalmente permitida.     (d) Multa de ofício  (75% e 150%) Caráter  confiscatório.  Inocorrência.  Aplicação da multa de 2% prevista no CDC. Impossibilidade.  A defendente ainda postula ser confiscatória a multa de 70% (sic).  Verifica­se  que  a  autoridade  aplicou  multas  de  ofício  de  75%  (para  as  diferenças de recolhimento) e de 150% (para os valores não declarados).  A multa de 75% está cominada no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 para incidir  sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de recolhimento e  de  declaração  (entre  outros).  No  caso  vertente,  a  autoridade  a  aplicou  sobre  as  diferenças  resultantes  da  inclusão  das  receitas  omitidas  no  cálculo  dos  valores  declarados/pagos,  que  implica alteração dos percentuais incidentes sobre os valores originalmente declarados.  Já a multa de 150% está cominada no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/96 para  ser  aplicada  diante  de  situação  prevista  nos  art.71,  72  ou  73  da  Lei  nº  4.502/64.  No  caso  presente,  a  autoridade  constatou  omissão  de  receita,  e  conduta  tendente  a  ocultar  fatos  geradores  da  autoridade  tributária,  pela  prestação  de  declaração  ao  Fisco  Federal  em  dissonância com as informações prestadas ao Fisco Estadual.  Vê­se que as normas aplicadas são válidas e vigentes.  Assim,  não  é  possível  no  âmbito  administrativo  deixar  de  aplicá­las  sob  alegação de ser inconstitucional.  Fl. 279DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 280          9 Ao  julgador  administrativo, membro  de  órgão  de  julgamento  vinculado  ao  Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário,  as quais limitam sua esfera de cognição.  Tal  restrição  não  elimina  a  possibilidade  de  que,  inconformado,  deduza  o  contribuinte sua pretensão em juízo, assegurando­se do art. 5º, XXXV, da CF.  O  direito  positivou  tal  restrição  no  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72,  e,  ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas  pelo Colegiado no mesmo  sentido,  através da Súmula CARF nº 02,  abaixo  transcrita,  a qual  vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno.   Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Com  relação  à  aplicação  da  substituição  da  multa  de  ofício  aplicada  pela  multa de 2% importa asseverar que a relação jurídico­tributária não se identifica como relação  de consumo, descabendo a aplicação do percentual invocado.  A  questão  já  se  encontra  pacificada  no  âmbito  deste  Conselho,  estando  já  sumulada (Súmula Carf nº 51).  Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa  do  Consumidor  não  se  aplicam  às  relações  de  natureza  tributária.    (e) Alegações em descompasso com as provas dos autos  Faz  a  recorrente  diversas  alegações  em  descompasso  com  as  provas  existentes.   Assim,  constato  que  o  crédito  tributário  não  foi  arbitrado,  vez  que  tal  modalidade de apuração nem mesmo é cabível no regime do Simples. Verifica­se, da análise  do auto de infração, que a autoridade fiscal submeteu as receitas aos percentuais determinados  na Lei nº 9.317/96.  Por  outro  lado,  não  procede  a  alegação  de  que  inexiste  termo  de  início  de  fiscalização no auto de infração, baseado no fato de que o auto de infração não informa qual o  dia em que se iniciou a fiscalização.  Com  efeito,  a  expressão  acima  sublinhada  possui  significado  técnico  específico  no  direito  tributário,  designando  a  peça  escrita  mediante  a  qual  a  autoridade  dá  início  ao  procedimento  fiscal,  marcando  o  dia  em  que  a  espontaneidade  do  contribuinte  é  interrompida. Não  há  como  confundi­lo  com  o  período  de  apuração  (no  caso,  01/01/2006  a  31/12/2006), o qual delimita os fatos geradores que serão examinados no procedimento fiscal.  À luz desta explicação, vê­se com hialina clareza que não faz sentido questionar a existência do  termo de início de fiscalização no corpo do auto de infração.  Fl. 280DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/2010­97  Acórdão n.º 1302­00.653  S1­C3T2  Fl. 281          10 Também não subsiste a alegação de que o agente cobrou correção monetária.  De acordo com os autos de  infração  lavrados, vê­se claramente não haver qualquer cobrança  sob tal rubrica.  Assim, voto para  rejeitar as preliminares,  e no mérito, negar provimento ao  Recurso Voluntário.  Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011.  (assinado digitalmente)  Eduardo de Andrade ­ Relator                                Fl. 281DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO

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Numero do processo: 10875.908078/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO

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3401­001.469  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de agosto de 2018  Assunto  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ­ COFINS  Recorrente  YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em diligência,  para:  (a) confirmar  se os  valores dos débitos constantes da DCTF  Retificadora  correspondem  aos  efetivos  valores  devidos  nesta  competência,  valendo­se,  inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar  as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após  o  confronto,  identificar  a  efetiva  existência  de  créditos  pleiteados  na  PER/DCOMP;  e  (d)  elaborar  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  a  respeito  dos  procedimentos  realizados,  cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste­se no prazo de 30 dias.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes,  Tiago Guerra Machado, Marcos  Roberto  da  Silva,  André  Henrique  Lemos,  Lazaro Antonio  Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco  e Rosaldo Trevisan  (Presidente).   Relatório  Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela  6ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a  Manifestação de Inconformidade.  Dos Fatos     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 07 8/ 20 12 -8 1 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10875.908078/2012­81  Resolução nº  3401­001.469  S3­C4T1  Fl. 3            2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 42299.17038.220812.1.3.04­5526 a  compensação de IPI (cód.5123) do período de apuração 07/2012 no valor de R$ 3.558,81 com  crédito de COFINS (cód.5856) por  recolhimento a maior que o devido, através de DARF no  valor de R$ 392.312,84 do período de apuração 05/2010, arrecadado na data de 25/06/2010.  Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 2.907,05.  Do Despacho Decisório  A  DRF  de  Limeira/SP  em  apreciação  ao  pleito  da  contribuinte  proferiu  Despacho Decisório  com data de emissão 03/01/2013,  rastreamento nº 042017483  (e­fls.13),  pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito  relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação  de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/05/2010.   Da Manifestação de Inconformidade  Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de  Inconformidade (e­fls.2), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que:  a) a compensação é resultante do não aproveitamento na apuração do PIS e COFINS no regime  não  cumulativo  no  ano  calendário  de  2010,  do  crédito  dos  impostos  retidos  na  fonte  (PIS  0,65%  e  COFINS  3%)  sobre  as  notas  fiscais  de  serviços  prestados  de  Assessoria  Administrativa, emitidas pela própria empresa; b) foi apurado, declarado e recolhido o valor de  R$ 392.312,84 de COFINS para o mês 05/2010, quando o correto seria de R$ 376.492,15 cuja  diferença corresponde o valor nominal de R$ 15.820,69 equivalente aos 3% retidos na fonte  sobre as NFPS relacionadas às fls. 39:    c)  em  se  tratando  de  erro meramente material  no  cumprimento  de  obrigações  acessórias  da  contribuinte, a alternativa existente para corrigi­lo é através de declaração retificadora, o que  foi  feito  com a  transmissão de nova DCTF na data de 15/01/2013; d)  foi anexado aos autos  para provar suas alegações, além da DCTF Retificadora (e­fls.28 a 32), DACON (e­fls.34/35) e  informes de rendimento (e­fls.38 a 42).  Do Julgamento de Primeiro Grau  Encaminhado  os  autos  à  6ª  Turma  da  DRJ/RPO,  esta  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  cujos  fundamentos  encontram­se  sintetizados  na  ementa  assim elabora:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10875.908078/2012­81  Resolução nº  3401­001.469  S3­C4T1  Fl. 4            3 Data do fato gerador: 25/06/2010   DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.   Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas  hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela autoridade administrativa.   COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.   Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.  Do Recurso Voluntário  O sujeito passivo  ingressou  tempestivamente com  recurso voluntário  (e­fls.67)  contra  a  decisão  de  primeiro  grau,  pedindo  sua  reforma  e  homologação  da  compensação  procedida, com base nos seguintes argumentos:  (a) que desde as alterações  introduzidas pela  MP nº 2.189­49, de 23 de agosto de 2001, art.18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os  mesmos  efeitos  da  original;  (b)  que  os  sistemas  da  Receita  Federal  que  cruzam  os  dados  constantes  em  documentos  eletrônicos  (DCTF,  DACON,  PER/DCOMP,  etc.),  não  são  suficientes  para  dizer  da  liquidez  ou  não  do  crédito  e  em  determinados  casos,  expõe  a  necessidade de  intimação prévia do  contribuinte para  esclarecimentos,  o que não ocorreu no  presente  caso;  (c)  ratificando  os  demais  argumentos  e  provas  trazidos  com  sua  inicial  manifestação,  apresenta  o  SPED  CONTÀBIL,  evidenciando  o  preenchimento  de  todos  os  requisitos previstos na Lei 9.430/96 e  IN nº 1300/2012, para obter o  reconhecimento de  seu  crédito  tributário;  (d)  a  única declaração que  inicialmente não expressava o valor  correto do  débito era a DCTF, a qual foi sanada através de retificadora transmitida na data de 15/01/2013.  Todos  os  documentos  fiscais  e  contábeis  apresentados  são  idôneos  e  hábeis  a  comprovar  a  realização da compensação efetivada pela contribuinte, nos limites da legislação vigente.  Dando­se  prosseguimento  ao  feito  o  presente  processo  foi  objeto  de  sorteio  e  distribuição à minha relatoria.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Relator Cássio Schappo  O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  dele  tomo conhecimento.  O  direito  a  compensação  como  forma  de  extinção  de  crédito  tributário  tem  amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que:  Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  relativo  a  tributo  administrado  pela  RFB,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10875.908078/2012­81  Resolução nº  3401­001.469  S3­C4T1  Fl. 5            4 vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as  contribuições  previdenciárias,  cujo  procedimento  está  previsto  nos  arts.  44 a 48,  e as  contribuições  recolhidas para outras entidades ou  fundos.  A contribuinte alegou e comprovou através de documentos e declarações que o  crédito  apresentado,  diferença  entre  o  valor  efetivamente  devido  de  COFINS  no  mês  de  maio/2010  e  o  valor  recolhido  via DARF,  corresponde  ao  valor  da COFINS  retida  na  fonte  sobre NFPS de sua emissão.   A controversa fisco/contribuinte se instaurou quando da análise pela unidade de  origem, da PER/DCOMP apresentada, que o valor do débito declarado em DCTF era o mesmo  contido no DARF discriminado para o mês 05/2010. Constatado o  erro,  a  interessada  tratou,  imediatamente, de  corrigi­lo com a  transmissão de DCTF Retificadora. O  fisco, por  sua vez,  expressou entendimento  de que  a DCTF Retificadora não  seria o  suficiente para assegurar o  crédito  pleiteado,  quando  desprovida  de  elementos  de  provas  irrefutáveis  para  garantir­lhe  a  alteração pretendida, de redução do débito incialmente declarado.   A  recorrente  apresentou  nos  autos  documentos  fiscais  e  contábeis  que  dão  suporte  a prática de  retificação de valores  informados  em DCTF, o que vem ao  encontro da  observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido  pela contribuinte.  Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em  sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008:   Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento  de auditoria interna.  ...  Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração  retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos  já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  Cabe  as  autoridades  administrativas  analisar  a  materialidade  dos  débitos  e  créditos  em  compensação,  eis  que  do  contrário  comprometem  a  regularidade  do  processo  administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade  nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972).  O  fato  relacionado  a  apresentação  de  DCTF  retificadora  em  data  posterior  a  emissão  de  Despacho  Decisório,  já  tem  entendimento  assentado  na  jurisprudência  deste  Conselho. Cita­se, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303­005.396,  de  25/07/2017,  que  analisando  caso  semelhante manteve decisão  proferida  no  acórdão  da 2ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  3ª  Seção  de  Julgamento,  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário.  De  onde  se  extrai:  “que  a  DCTF  retificadora,  nas  hipóteses  admitidas  por  lei,  tem  os  mesmos  efeitos  da  original,  podendo  ser  admitida  para  comprovação  da  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10875.908078/2012­81  Resolução nº  3401­001.469  S3­C4T1  Fl. 6            5 certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro  lado “O crédito  tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a  apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”.   A administração  tributária  nos  dá orientação  sobre  o  tema,  através  do Parecer  Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  DEPOIS  DA  TRANSMISSÃO  DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por  força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem  prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência da  autoridade fiscal  para  analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o  indébito tributário.  Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação,  respeitadas  as  restrições  impostas  pela  IN  RFB  nº  1.110, de 2010.  Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do  PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar  em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão  do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito  (ou homologação  integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder.  Caso haja questão de direito a ser decidida ou a  revisão seja parcial,  compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo  de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo.  (...)  A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do  contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a  busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal.  Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento  em  diligência  para  a  repartição  de  origem  de  modo  que  seja  informado  e  providenciado  o  seguinte:  (a)  confirmar  se  os  valores  dos  débitos  constantes  da  DCTF  Retificadora  correspondem  aos  efetivos  valores  devidos  nesta  competência,  valendo­se,  inclusive,  dos  documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário;   Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10875.908078/2012­81  Resolução nº  3401­001.469  S3­C4T1  Fl. 7            6 (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento  efetuado em DARF;   (c)  após  o  confronto,  identificar  a  efetiva  existência  de  créditos  pleiteados  na  PER/DCOMP; e   (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos  realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste­se no prazo  de 30 dias.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo  Fl. 185DF CARF MF

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Numero do processo: 18050.003268/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO

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2402­006.405  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BOMPRECO BAHIA S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005  RECURSO  DE  OFÍCIO.  VALOR  DE  ALÇADA  INFERIOR  AO  ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO  CONHECIMENTO.  Não  se  conhece  de  recurso  de  ofício  cujo  crédito  exonerado,  incluindo­se  valor  principal  e  de  multa,  é  inferior  ao  estabelecido  em  ato  editado  pelo  Ministro da Fazenda.  RECURSO DE OFÍCIO.  LIMITE DE ALÇADA.  VIGÊNCIA.  DATA  DE  APRECIAÇÃO.  Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica­se o limite de alçada  vigente na data de sua apreciação em segunda instância.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho  Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregório  Rechmann Júnior.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 68 /2 00 8- 39 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 18050.003268/2008­39  Acórdão n.º 2402­006.405  S2­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47,  §§ 1º  e 2º,  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto,  adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402­006.333 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de  julho  de  2018,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  19515.722966/2012­71,  paradigma  deste  julgamento.  Acórdão nº 2402­006.333 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "Trata­se de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame  necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6  de março de 1972,  e alterações  introduzidas pela Lei nº 9.532,  de  10  de  dezembro  de  1997,  tendo  em  vista  que  o  crédito  exonerado,  principal  e  encargos  de  multa,  relativos  a  contribuições  previdenciárias  de  custeio,  beneficio,  terceiros  e  sanções  pecuniárias,  superava  a  época  o  valor  de  alçada  estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de  2008.  O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois  milhões  e  quinhentos  mil  reais),  vindo  a  julgamento  apenas  o  Recurso de Oficio.  É o relatório."  Voto             Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2402­006.333 ­  4ª Câmara/2ª Turma Ordinária,  de 03 de  julho de 2018, proferido no  âmbito do processo n°  19515.722966/2012­71, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.  Transcreve­se, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o  inteiro  teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno  relator  da  susodita  decisão  paradigma,  reprise­se,  Acórdão  nº  2402­006.333  ­  4ª  Câmara/2ª  Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018:  Acórdão nº 2402­006.333 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar  que o presente  julgamento  terá  efeitos  sobre  lote  repetitivo,  eis  que  o  caso  em  foco  foi  eleito  como  paradigma  e  terá  seu  resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do  art.  47  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF  nº 343/2015 – RICARF.  Fl. 630DF CARF MF Processo nº 18050.003268/2008­39  Acórdão n.º 2402­006.405  S2­C4T2  Fl. 4          3 Admissibilidade.  Trata­se de Recurso de Oficio manejado, por  força de  reexame  necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6  de  março  de  1972,  tendo  em  vista  que,  à  época  em  que  foi  proferida  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  o  crédito  exonerado  superava  o  valor  de  alçada  estipulado  estabelecido em ato próprio.  De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972:  Art.  34.  A  autoridade  de  primeira  instância  recorrerá  de  ofício sempre que a decisão:  I  ­  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de multa  de  valor  total  (lançamento  principal  e  decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da  Fazenda.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)(Produção de efeito)  II  ­  deixar  de  aplicar  pena  de  perda  de  mercadorias  ou  outros  bens  cominada  à  infração  denunciada  na  formalização da exigência.  §  1º  O  recurso  será  interposto  mediante  declaração  na  própria decisão.  §  2°  Não  sendo  interposto  o  recurso,  o  servidor  que  verificar  o  fato  representará  à  autoridade  julgadora,  por  intermédio  de  seu  chefe  imediato,  no  sentido  de  que  seja  observada aquela formalidade. (Grifou­se)  O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente  procedente  a  impugnação,  exonerando  créditos  relativos  ao  principal  e  encargos  de  multas  em  valor  inferior  a  R$  2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais)   Cabe  ao  colegiado  julgar  a  admissibilidade  do  Recurso  de  Oficio  e,  constatando­se  que  o  crédito  exonerado  é  inferior  àquele  que  levaria  o  caso  a  um  reexame  necessário  na  atualidade, não conhecer de referido recurso.  O  limite  referido  está  posto  na  Portaria  MF  nº  63,  de  9  de  fevereiro de 2017, in verbis:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de multa,  em  valor  total  superior  a  R$  2.500.000,00  (dois  milhões  e  quinhentos mil reais).  §  1º  O  valor  da  exoneração  deverá  ser  verificado  por  processo.  Fl. 631DF CARF MF Processo nº 18050.003268/2008­39  Acórdão n.º 2402­006.405  S2­C4T2  Fl. 5          4 § 2º Aplica­se o disposto no caput quando a decisão excluir  sujeito  passivo  da  lide,  ainda  que mantida  a  totalidade  da  exigência do crédito tributário.  Art.  2º  Esta  Portaria  entra  em  vigor  na  data  de  sua  publicação no Diário Oficial da União.  Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de  2008.  Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor  permitisse a  interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao  caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente,  conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos  da Súmula CARF 103:  Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de  ofício,  aplica­se  o  limite  de  alçada  vigente  na  data  de  sua  apreciação em segunda instância.  Conclusão  Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em  razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido  no  art.  1º  a  Portaria  MF  nº  63,  de  9  de  fevereiro  de  2017,  aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103.   (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza”  Conclusão  Nesse  contexto,  pelas  razões  de  fato  e  de Direito  ora  expendidas,  voto  por  NÃO CONHECER do Recurso de Ofício    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho                               Fl. 632DF CARF MF

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7441736 #
Numero do processo: 10140.720417/2017-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA

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Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 17 /2 01 7- 06 Fl. 125DF CARF MF     2 Trata­se de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa  Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, ano­calendário  de 2014, em que foi apurada omissão de rendimentos.  0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0  O  contribuinte  apresentou  impugnação,  que  foi  julgada  improcedente,  mediante Acórdão da PORTO ALEGRE.   Cientificada,  a  interessada apresentou  recurso voluntário de  f.  103/107. Em  síntese,  alega  ser  portadora  de  moléstia  grave  (neoplasia  maligna,  desde  agosto  de  2011).  Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que o Laudo Médico, apesar de ser  simples, atende as exigências da Lei, complementados por exames laboratoriais.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Ricardo Moreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Temos  que,  em  cumprimento  à  regra  geral  prevista  no  art.  176  do Código  Tributário Nacional  ­ CTN, especificando o  tributo a que se aplica, as condições e  requisitos  exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte  ser portador  de determinadas  espécies  de doenças,  foi  instituída pela Lei  n°  7.713,  de 1988,  mais especificamente no  inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº  8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis:  “Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguintes  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  (...) XIV  ­ os proventos de aposentadoria  ou  reforma motivada por  acidente  sem  serviços  e  os  percebidos  pelos  portadores  de  moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência  adquirida,  com  base  em  conclusão  da  medicina  especializada,  mesmo  que  a  doença  tenha  sido  contraída  depois  da  aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de  2004)  Referida disposição encontra­se  regulamentada no Regulamento do  Imposto  de Renda ­ RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece:  “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:  (...)  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10140.720417/2017­06  Acórdão n.º 2001­000.307  S2­C0T1  Fl. 3          3 Proventos de aposentadoria por Doença Grave  XXXIII ­ os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que  motivadas  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores de moléstia profissional,  tuberculose ativa, alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  de  imunodeficiência  adquirida,  e  fibrose  cística  (mucoviscidose),  com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a  doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma  (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,  art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);”   (...)  §  5º As  isenções  a  que  se  referem  os  incisos XXXI  e XXXIII  aplicam­se aos rendimentos recebidos a partir:  I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão;  II  –  do mês  da  emissão  do  laudo ou  parecer  que  reconhecer  a  moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou  pensão;  III – da data em que a doença for contraída, quando identificada  no laudo pericial.  Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que,  a  partir  de  1996,  a  moléstia  deveria  ser  comprovada  mediante  laudo  pericial  emitido  por  serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim:  “Art.  30.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  para  efeito  do  reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV  e XXI  do  art. 6º  da Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  com  a  redação  dada  pelo  art.  47  da  Lei  nº  8.541,  de  23  de  dezembro  de  1992,  a  moléstia  deverá  ser  comprovada  mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”   Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº  9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento  de f. 70. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive  para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica  realizado  por  serviço  médico  oficial,  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial.  Fl. 127DF CARF MF     4 Importante  frisar  acerca  da  documentação  apresentada,  que,  conforme  já  explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos  exigidos  para  aceitação.  A  interessada  apresenta  Laudo  Médico  emitido  pelo  Serviço  de  Dermatologia  Dr.  Günter  Hans,  que  não  identifica  o  serviço  médico  oficial  a  que  estaria  vinculado.  Ademais,  o  próprio  texto  do  documento  não  menciona  diagnóstico,  mas  procedimento ("exérese de lesão").  Convém  ainda  mencionar  a  regra  inserta  no  artigo  111,  do  CTN,  que  determina  que  as  normas  que  veiculam  outorga  de  isenção  devem  ser  interpretadas  literalmente.  Portanto,  não  há  como  reconhecer  o  direito  à  isenção  pleiteado  pelo  recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação.  Desta  forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira  instância,  que  indeferiu  o  reconhecimento  da  isenção,  há  de  se  concluir  pela  correção  do  procedimento fiscal.   CONCLUSÃO:  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário,  e,  no  mérito, negar­lhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado.   (assinado digitalmente)  José Ricardo Moreira                                Fl. 128DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.100173/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1401-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 1.505          1 1.504  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.100173/2003­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­002.779  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  IRPJ. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO   Recorrente  BANRISUL CARTÕES S/A (nova denominação de BANRISUL SERVIÇOS  LTDA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1999  COMPENSAÇÃO.  SALDO  NEGATIVO  DE  IRPJ.  DECADÊNCIA.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.   Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o  crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das  modalidades  de  extinção  do  crédito  tributário.  Não  se  submetem  à  homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica  apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados,  quando objeto de pedido de restituição ou compensação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 1999  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis,  da composição e da existência do crédito que alega possuir  junto à Fazenda  Nacional,  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 01 73 /2 00 3- 51 Fl. 1505DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara  Arcângelo  Zanin,  Cláudio  de  Andrade  Camerano,  Daniel  Ribeiro  Silva,  Letícia  Domingues  Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.      Relatório  Trata o presente processo de declaração de compensação com a indicação de  débitos  da  ordem  de  R$123.493,17,  formalizada  através  dos  documentos  de  e­fls.  02/05  e  136/138,  nos  quais  se  aponta  como  crédito  o  saldo  negativo  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica ­ IRPJ do ano calendário de 1999, no valor de R$933.212,61, conforme o informado  na DIPJ/00, em sua Ficha 13A (v. e­fls. 26).   A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Porto  Alegre,  através  do  despacho decisório de e­fls. 518/520, cientificado à Contribuinte em 11/08/2008 (v. e­fls. 542),  não reconheceu o direito creditório do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, haja  vista ter sido ele integralmente utilizado em auto­compensações realizadas em data anterior à  apresentação das DCOMPs. A DRF/POA também verificou que o respectivo saldo negativo de  IRPJ  perfazia,  na  verdade,  o  montante  de  R$809.353,19,  valor  aquém  dos  R$933.212,61  declarados pela Recorrente. Ainda, segundo a Delegacia da Receita Federal, as referidas auto­ compensações  foram  realizadas  através  das  DCTFs  de  e­fls.  306/434,  no  período  compreendido entre janeiro de 2000 e setembro de 2002. Os demonstrativos que comprovariam  que o crédito de R$809.352,19 teria sido totalmente utilizado para as referidas compensações  estão anexados às e­fls. 435/459.  Não  conformada  com  a  decisão  da DRF/POA,  a Contribuinte  protocolou  a  manifestação de inconformidade de e­fls. 544/547. Abaixo, resumi os argumentos trazidos pela  Recorrente em seu recurso ao despacho decisório da DRF/POA:  1) Quanto ao não reconhecimento integral do crédito de R$933.212,61, alega  o  perecimento  do  direito  da  Fazenda  para  contestar  o  saldo  negativo  de  IRPJ  declarado,  haja  vista  ter  decorrido  o  prazo  de  05  anos  para  sua  homologação;  2)  O  saldo  negativo  apurado  na  DIPJ/00  não  teria  sido  utilizado  para  compensar  os  débitos  informados  nas  DCTFs  relativas  aos  períodos  de  janeiro  a  dezembro  de  2000.  Para  tanto,  foram  utilizados  créditos  de  saldos  negativos  apurados  na  DIPJ/99;  as  DCTFs  apresentadas  neste  período  teriam sido preenchidas  com erro,  ao  informarem compensações  com créditos de saldo negativo de  IRPJ do ano calendário 1999, quando  deveria constar o saldo negativo apurado no ano calendário de 1998.  A  manifestação  de  inconformidade  foi  julgada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento de Porto Alegre em 09/11/2011, tendo sido tal decisão consubstanciada  no Acórdão nº 10­35.478 ­ 5ª Turma (v. e­fls. 752/757). A ementa da respectiva decisão está  reproduzida abaixo:    Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 11080.100173/2003­51  Acórdão n.º 1401­002.779  S1­C4T1  Fl. 1.506          3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1999  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA  DE  COMPENSAÇÃO  DECLARADA.  RECONHECIMENTO.  O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é  de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação.  REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA.  O direito de compensar indébito tributário decai em cinco anos contados da  extinção do crédito tributário.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 1999  APURAÇÃO DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.  A compensação tributária pressupõe que o sujeito passivo apure, demonstre  e  quantifique  à  autoridade  fazendária  quais  são  os  créditos  tributários  líquidos e certos que pretende compensar.    Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte    Restou  assentado  na  referida  decisão  o  não  provimento  do  recurso  no  que  tange ao  reconhecimento do crédito objeto da compensação.  Já em relação às  compensações  declaradas, a DRJ reconheceu a homologação tácita das declarações abaixo (v. e­fls. 752/753):    Com relação às compensações que não foram objeto da homologação tácita,  entendeu  a  DRJ/POA  que  teria  ocorrido  a  decadência  do  direito  creditório  em  relação  às  DCOMPs  apresentadas  em  2005  e  2006,  eis  que  decorridos  mais  de  05  anos  de  sua  constituição, considerada a data de 31/12/99 para tanto. Já o alegado erro de preenchimento das  DCTFs não teria ficado provado pela Recorrente; o processo foi baixado em diligência para sua  verificação  pela  DRJ/POA  e,  mesmo  após  duas  intimações  realizadas  pela  Autoridade  Preparadora, não teria a Recorrente se desincumbido apropriadamente de demonstrar o alegado  erro de preenchimento.  Inconformada  com  a  decisão  da  DRJ/POA,  a  Recorrente  protocolou  o  Recurso Voluntário de e­fls. 781/786 alegando, em apertada síntese, o que segue:  Fl. 1507DF CARF MF     4 1) A DCOMP  nº  16620.40489.131204.1.3.01­6626  não  foi  apresentada  em  13/12/2006, mas sim, em 13/12/2004 (v. e­fls. 496/499);  2)  Com  relação  às  demais  DCOMPs  que  teriam  sido  alcançadas  pela  decadência, as compensações nelas declaradas teriam sido efetivadas entre  2001  e  2003  (alega  ter  juntado  documentos  que  comprovariam  tal  situação);  3) Para fazer prova da utilização do saldo negativo de 1998 para realizar as  compensações que alega  ter  informado com erro no ano de 2000,  juntou  cópia  do  seu  "Razão  ­  Consolidado  ­  Contabilidade  Fiscal".  Alega  que,  com  base  neste  documento,  nenhuma  compensação  (utilizando  o  saldo  negativo apurado em 1998) teria sido realizada durante o ano de 1999;  4)  Em  31/12/1999  somou  o  saldo  negativo  apurado  em  1998,  atualizado  monetariamente,  ao  valor  apurado  no  respectivo  ano  calendário,  totalizando  o  valor  de  R$1.545.869,72,  que  passou  a  ser  utilizado,  via  compensação, a partir de 31/03/2000;  5)  Reitera  que  o  Fisco  não  pode  contestar  os  Saldos  Negativos  de  1998  e  1999, eis que decorridos mais de 05 anos da apresentação das respectivas  declarações.   Vindo  os  presentes  autos  para  o  CARF,  foram  inicialmente  distribuídos  à  extinta 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento que, em uma análise preliminar, resolveu  converter o julgamento em diligência através da Resolução nº 1803­000.128, de 03 de março  de 2015.   Inicialmente,  restou  assentado  na  referida  Resolução  que  a  lide  estaria  delimitada  à  análise  das  seguintes  DCOMPs,  haja  vista  o  reconhecimento  parcial  da  compensação já realizado pela DRJ/POA:    Em  relação  à  decadência,  que,  segundo  a  DRJ/POA,  teria  fulminado  a  pretensão  da  Recorrente  de  ver  homologadas  as  DCOMPs  acima  enumeradas,  assim  se  manifestou a Resolução nº 1803­000.128 (v. e­fls. 838 e ss):  No  caso  de  prescrição  da  repetição  de  indébito,  a  contagem  do  prazo  tem  sua  contagem diferenciada conforme a data do pedido. Em relação aos tributos sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  e  pagos  antecipadamente,  o  termo  de  início  da  contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data  Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 11080.100173/2003­51  Acórdão n.º 1401­002.779  S1­C4T1  Fl. 1.507          5 da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito  ter sido formalizada até 08.06.2005 e (b) a partir da data do pagamento antecipado e  indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de  08.06.20051.  Este  é  o  entendimento  constante  nas  decisões  definitivas  de  mérito  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Repercussão Geral no Recurso  Extraordinário nº 566.621/RS2,  e na Repercussão Geral no Recurso Extraordinário  nº  561.908/RS3,  que  deve  ser  reproduzido  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF4.  Tem­se que admitida a retificação da Declaração de Compensação, o  termo inicial  da  contagem do  prazo  prescricional  será  a  data  da  apresentação  da Declaração  de  Compensação retificadora (art. 91 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de  novembro de 2012).  Em  relação  ao  ano­calendário  de  1999,  todos  Per/DComp  apresentados  até  08.06.2005 ficaram submetidos ao prazo de dez anos, conforme a seguir:    Assim,  os  Per/DComp  nºs  00512.74158.041206.1.7.02­9263,  fls.  474­477,  39597.89616.041206.1.7.02­2132, fls. 478­495 e 42789.08986.041206.1.7.02­9112,  fls. 506­511, foram alçados pelo prazo prescricional de cinco anos, de acordo com a  legislação  de  regência  que  determina  que  o  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  prescricional será a data da apresentação do documento retificador.  Com  relação  ao  erro  que  a  Contribuinte  teria  cometido  ao  preencher  as  DCTFs apresentadas no ano 2000, apontando erroneamente o saldo negativo apurado no ano  calendário de 1999 como crédito passível de compensação dos respectivos tributos declarados,  assim se manifestou a 3ª Turma Especial da 1ª Sejul:                                                              1 Fundamentação legal: art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de  fevereiro de 2005.  2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie.  Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:<  http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+566621%  2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+566621%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos>.  Acesso em: 25 mar. 2012.  3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro  Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em:  <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero  Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011.  4  Fundamentação  legal:  art.  106,  art.  165,  art.  168  e  art.  174  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  3º  da  Lei  Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do  Regimento Interno do CARF.   Fl. 1509DF CARF MF     6 A  Recorrente  reitera  em  várias  oportunidades  na  peça  recursal  que  o  direito  creditório  pleiteado  nos  Per/DComp  refere­se  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­ calendário  de  1998  e  não  do  ano­calendário  de  1999  como  ali  constou  e  procura  minuciosamente demonstrar a sua liquidez e certeza.  Com  a  finalidade  de  demonstrar  inequivocamente  o  erro  cometido,  a  Recorrente  instrui  os  autos  com  o  Livro  Razão  Consolidado  do  período  de  01.01.1998  a  30.09.2003 referente a Conta nº 1.01.60.070 ­ IRPJ ­ Saldo Negativo, fls. 809­821,  consta que em:  (...)  A Planilha de fl. 741 apresentada por ocasião da diligência, fls. 750­751, concorre de  certa forma para o deslinde da controvérsia. A Recorrente procura demonstrar que o  saldo negativo utilizado nos Per/DComp era em verdade do ano­calendário de 1998.  Em  conformidade  com  princípio  da  verdade  material,  o  pedido  inicial  da  Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo  negativo de IRPJ deve ser analisado como se do ano­calendário de 1998 fosse,  porque foi produzido um início de prova do erro a partir da análise dos dados  escriturados no Livro Razão. (grifos nossos)  (...)  Os  efeitos  do  acatamento  da  preliminar  da  possibilidade  de  deferimento  dos  Per/DComp pelo  afastamento da preliminar do erro material  do período do direito  creditório,  impõe,  pois,  o  retorno  dos  autos  à  DRF  que  jurisdiciona  a  Recorrente  para que seja analisado o mérito. Devem ser examinadas a origem e a procedência  do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância  das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais,  bem  como  com  os  registros  internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que  tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for  o caso.  Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235,  de  1972,  voto  por  converter  o  julgamento  na  realização  de  diligência  para  que  a  autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a  Recorrente aprecie o acatamento da retificação do pleito inicial e o mérito do litígio  e ainda para:  (a)  reconhecer  a  possibilidade  de  formação  do  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­ calendário  de  1998  no  valor  total  de  R$933.212,61  apurado  pelo  regime  de  tributação com base no  lucro  real,  para  compensação dos débitos  confessados nos  Per/DComp,  apurando  sua  liquidez  e  certeza  inclusive  nos  aspectos  de  sua  existência, suficiência e disponibilidade;  (b)  fazer  a  juntada das  informações  constantes nos  registros  internos da RFB,  tais  como  DIPJ,  DCTF,  DIRF  e  DARF,  e  ainda  anexar  as  cópias  dos  processos  administrativos,  cujas  declarações  tenham  por  base  o  mesmo  crédito,  ainda  que  apresentados em datas distintas, se for o caso; e  (c)  verificar  se  houve  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  em  outros  processos referente ao mesmo direito creditório e se ali  foi admitido como correto  esse  valor,  para  evitar  a  utilização  em  duplicidade  do  crédito  tributário  pleiteado  nesses  autos,  cotejando a escrituração da Recorrente com os dados  constantes nos  registros internos da RFB para aferir a verossimilhança;  Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 11080.100173/2003­51  Acórdão n.º 1401­002.779  S1­C4T1  Fl. 1.508          7 Na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 1998 no valor total de  R$933.212,61 determinado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, a  pessoa jurídica deverá produzir um conjunto probatório robusto dos valores retidos  na fonte, comprovando a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base  de  cálculo  do  tributo,  detalhamento  dos  valores  recolhidos  a  título  de  IRPJ  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada  e  todos  os  demais  elementos  que  compõem  as  deduções  do  IRPJ  apurado,  mediante  apresentação  dos  assentos  contábeis e planilhas analíticas.  A autoridade designada ao cumprimento da diligência  solicitada deverá elaborar o  Relatório  Fiscal  circunstanciado  e  conclusivo  sobre  os  fatos  averiguados,  em  especial relativamente à existência do direito creditório relativo ao saldo negativo de  IRPJ  do  ano­calendário  de  1998  no  valor  total  de  R$933.212,61  para  fins  de  compensação dos débitos confessados nos Per/DComp objeto de  averiguações nos  presentes autos.  Encaminhado  o  processo  à  DRF/POA  para  cumprimento  da  diligência  solicitada pelo CARF, a Contribuinte foi instada a apresentar documentos e esclarecimentos à  Autoridade Fiscal que, ao final, produziu o Relatório de Diligência de e­fls. 1.485/1.496, em  que, resumidamente, assentou o seguinte:  Retomando  a  análise  do  AC  1998  para  conclusão  dos  trabalhos,  o  montante  das  estimativas  recolhidas  importa  em  R$  2.441.860,23  já  considerando  as  compensações  de  estimativas  com  pagamentos  indevidos  uma  vez  que  são  recolhimentos do mesmo ano­calendário que somando com o IRRF no valor de R$  75.443,89,  fl.  1476  e  o  valor  de  R$  5.577,53  ­  outras  compensações  temos  o  montante de R$ 2.522.881,65 que depois de deduzido o IRPJ apurado no montante  de R$ 2.349.431,90 reverteu saldo negativo a favor do contribuinte no valor de R$  173.449,75, de acordo com o demonstrativo de cálculo anexado na fl. 1484.  Abaixo, juntei a planilha elaborada pela Autoridade Fiscal e anexada às e­fls.  1.484 do processo:    Instada a se manifestar a respeito do Relatório de Diligência, a Contribuinte  apresentou  a  petição  de  e­fls.  1.504,  onde  limitou­se  a  ratificar  todos  os  argumentos  apresentados anteriormente, bem assim os documentos  juntados ao processo que, ao seu ver,  Fl. 1511DF CARF MF     8 "corroboram para o intento de validar as compensações efetuadas com a utilização de saldo  negativo  apurado  em  1998".  Aduz,  também,  que  a  documentação  e  planilhas  de  cálculo  apresentadas são suficientes para "verificar a base utilizada para as compensações efetuadas  bem como os registros contábeis os quais estão em conformidade ao declarado."  Após, os autos vieram ao CARF e foram redistribuídos à 1ª Turma Ordinária  da 4ª Câmara da 1ª Sejul e a este Conselheiro para relatar e votar.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator.  O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência  deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos.  Após  o  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade  realizado  pela  DRJ/POA,  restaram  homologadas  tacitamente  as  compensações  declaradas  através  das  seguintes DCOMPs:    Assim, o objeto da  lide permanece  em  torno das DCOMPs abaixo  listadas,  não homologadas pela decisão a quo, em função de terem sido consideradas apresentadas após  o  prazo  decadencial  de  05  anos  do  surgimento  do  crédito  (saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano  calendário de 1999), considerada a data de 31/12/99 para tanto.  PER/DCOMP  DATA  TRANSMISSÃO  FLS. DO  PROCESSO  23953.25776.140803.1.3.02­9790  14/08/2003  462/473  00512.74158.041206.1.7.02­9263  (Retificadora)  04/12/2006  474/477  39597.89616.041206.1.7.02­2132  (Retificadora)  04/12/2006  478/495  16620.40489.131204.1.3.02­6626  13/12/2004  496/499  41046.008832.020605.1.3.02­0190  02/06/2005  500/505  42789.08986.041206.1.7.02­9112  (Retificadora)  04/12/2006  506/511    Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 11080.100173/2003­51  Acórdão n.º 1401­002.779  S1­C4T1  Fl. 1.509          9 Como vimos no Relatório, a Resolução nº 1803­000.128  (v. e­fls. 825/843)  reconheceu  que  somente  os  PER/DCOMPs  nº  00512.74158.041206.1.7.02­9263,  39597.89616.041206.1.7.02­2132  e  42789.08986.041206.1.7.02­9112  teriam  sido  alcançados  pelo prazo decadencial para a repetição de indébito e, consequentemente, para a utilização do  respectivo crédito para efeito de compensação, a  teor do decidido nas decisões definitivas de  mérito  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  em  sede  de  Repercussão  Geral  no  Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, e no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS, que deve  ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   Assim,  restariam  apenas  as  DCOMPs  nº  23953.25776.140803.1.3.02­9790,  16620.40489.131204.1.3.02­6626  e  41046.008832.020605.1.3.02­0190  para  serem  objeto  de  homologação.  Entretanto, subsistiria ainda outro óbice a ser superado, justamente a questão  da  insuficiência  de  crédito  levantada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Porto  Alegre,  quando  da  edição  do  despacho  decisório  de  e­fls.  518/520,  e  confirmada  pela DRJ/POA  no  Acórdão nº 10­35.478 ­ 5ª Turma (v. e­fls. 752/757).   A  Recorrente  alega,  desde  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade, que teria incorrido em erro ao preencher as DCTFs relativas ao ano calendário  do ano 2000, pois teria informado como crédito passível de compensação nesses documentos o  saldo negativo apurado no ano de 1999, quando deveria ter preenchido com valores de mesma  natureza relativos ao ano de 1998.   A  DRJ/POA  chegou  a  baixar  o  processo  em  diligência,  ocasião  em  que  a  Recorrente foi intimada a fazer prova de suas alegações, sem no entanto, obter êxito em fazê­ lo.   Relevante  para  o  raciocínio  que  será  empreendido mais  adiante,  a  juntada,  durante a referida diligência, dos documentos de e­fls. 741 e 743, abaixo reproduzidos:    Fl. 1513DF CARF MF     10     Os documentos acima  foram  juntados pela Recorrente quando da diligência  solicitada  pela  DRJ/POA  para  tentar  justificar  que  o  saldo  negativo  apurado  em  1998  foi  utilizado  para  compensar  os  débitos  informados  nas  DCTFs  apresentadas  no  transcorrer  de  todo  o  ano  de  2000. A DRJ/POA considerou  que  tais  documentos  seriam  insuficientes  para  comprovar o alegado.  Neste  ponto,  creio  que  a  3ª  Turma  Especial  da  1ª  Sejul  não  deu  a melhor  interpretação  aos  fatos  que  permeiam  o  presente  processo  para  justificar  a  diligência  que  solicitou  à  DRF/POA  através  da  Resolução  nº  1803­000.128,  de  03  de  março  de  2015.  Revisitando  o  Relatório,  reproduzimos  abaixo  o  seguinte  texto  da  Resolução  que,  naquela  oportunidade, havíamos grifado:    Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente  referente  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado  de  saldo  negativo  de  IRPJ  deve  ser  analisado  como  se  do  ano­calendário  de  1998  fosse,  porque  foi  produzido um início de prova do erro a partir da análise dos dados escriturados no  Livro Razão.     A 3ª Turma Especial considerou, erroneamente, que os créditos vinculados às  DCOMPs objeto de análise neste processo teriam origem no saldo negativo de IRPJ do ano de  1998,  quando  na  verdade,  segundo  a  Recorrente,  o  saldo  negativo  referente  a  esse  ano  calendário, teria sido utilizado nas DCTFs apresentadas no decorrer do ano de 2000. Observem  Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 11080.100173/2003­51  Acórdão n.º 1401­002.779  S1­C4T1  Fl. 1.510          11 que na Resolução nº 1803­000.128 foi determinado à Autoridade Fiscal que apurasse a liquidez  e  certeza  do  "saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  1998  no  valor  total  de  R$933.212,61". Ora, o valor de R$933.212,61 é justamente o saldo negativo de IRPJ apurado  pela  Recorrente  em  sua DIPJ  do  ano­calendário  de  1999  e  que  não  foi  reconhecido  na  sua  integralidade  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Porto  Alegre  (que  reconheceu  apenas  R$809.352,19 de saldo negativo).  Assim,  os  autos  foram  encaminhados  à  DRF/POA  para  que  efetivasse  os  comandos  da  Resolução  nº  1803­000.128.  A  DRF/POA  realizou  a  diligência  nos  estritos  limites daquilo que foi solicitado pela Resolução do CARF, ou seja, fez o levantamento, apenas  e  tão somente, do saldo negativo apurado pela Contribuinte no ano­calendário de 1998 (vide  Relatório de Diligência de e­fls. 1.485/1.496).   Inobstante o erro cometido pela 3ª Turma Especial, partindo de pressuposto  equivocado  para  a  análise  da  matéria  controversa,  o  resultado  da  diligência  revelou  que  a  Contribuinte vinha defendendo possuir um crédito, oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano­ calendário  de  1998,  muito  aquém  daquele  declarado  em  sua  DIPJ  e  contabilizado  em  sua  escrita. Enquanto a Recorrente alega ter apurado um crédito de saldo negativo de IRPJ no valor  de R$526.889,56 no ano calendário de 1998, a diligência empreendida pela DRF/POA revelou  que esse crédito importaria, na verdade, em R$173.449,75.  Importante  dizer  que  esse  resultado  apontado  pela  DRF/POA  não  foi  contestado  pela  Recorrente  em  sua  manifestação  ao  Relatório  de  Diligência,  constante  da  petição de e­fls. 1.504.  Porém,  as  inconsistências  da  defesa  não  param  por  aí.  Como  vimos,  a  Recorrente  argui  ter  apurado  um  saldo  negativo  de  IRPJ  no  ano  de  1998  no  valor  de  R$526.889,56;  já  na DIPJ  respectiva,  vide  e­fls.  609,  o  valor  declarado  é  de R$516.543,69.  Não foi apresentada qualquer justificativa para esta discrepância.  Também a Recorrente alega que não efetuou nenhuma compensação ao longo  do  ano  de  1999,  utilizando­se  do  saldo  negativo  de  1998  (vide Recurso Voluntário  às  e­fls.  784):    Ocorre, que na planilha apresentada à Autoridade Fiscal quando da diligência  requerida  pela  DRJ/POA,  a  Recorrente  informa  ter  feito  uma  compensação  no  valor  de  R$74.469,72 (v. e­fls. 741) em janeiro de 1999.  Outra inconsistência nos argumentos e provas trazidos pela defesa consta do  Razão Consolidado da conta IRPJ ­ Saldo Negativo; abaixo colaciono uma fotografia de parte  desse  Razão,  que  consta  das  e­fls.  809  e  foi  trazida  pela  Contribuinte  juntamente  com  seu  Recurso Voluntário:      Fl. 1515DF CARF MF     12   Esses  valores  referem­se  ao  saldo  negativo  do  IRPJ  apurado  no  ano  calendário  de  1999;  o  primeiro  valor,  de  R$739.967,81,  diz  respeito  às  estimativas  pagas  durante  o  respectivo  ano  calendário,  e  o  segundo  valor,  de  R$99.133,30,  refere­se  ao  IRRF  recolhido no mesmo período. Curiosamente, na DIPJ/2000 (v. e­fls. 26), a Recorrente declarou  ter  pago  R$834.079,31  de  estimativas  e  R$99.133,30  de  IRRF.  Já  a  DRF/POA,  seguida  da  DRJ/POA, reconheceu apenas R$710.219,89 de estimativas pagas.  São  muitas  as  inconsistências  levantadas  em  relação  às  alegações  da  Recorrente  em  confronto  com  as  provas  que  tentou  produzir  para  tentar  convencer  este  julgador de que teria incorrido no mesmo erro de preenchimento, em absolutamente TODAS as  DCTFs  apresentadas  durante  o  ano  de  2000  (v.  e­fls.  306/313)  com  informação  de  auto­ compensação.   Assim,  reputo  que  a  decisão  da  DRJ/POA  deve  ser  mantida,  pois  a  Recorrente  não  se  desincumbiu  de  provar  os  alegados  erros  cometidos,  razão  pela  qual,  a  conclusão manifestada no despacho decisório (v. e­fls. 518/520), de que o crédito apontado  nas DCOMPs objeto de análise já houvera sido totalmente compensado no ano de 2000,  deve ser confirmada por esse Colegiado.   Se não há crédito passível de utilização, torna­se impossível a homologação  das  compensações  realizadas  pelas  DCOMPs  nº  23953.25776.140803.1.3.02­9790,  16620.40489.131204.1.3.02­6626 e 41046.008832.020605.1.3.02­0190.  Quanto à alegação de que a Autoridade Fiscal estaria  impedida de contestar  os saldos negativos de 1998 e 1999, pois já teria decorrido mais de 05 anos da apresentação das  respectivas declarações quando de sua análise, igualmente não merece prosperar.  A  decadência  opera  a  favor  da  segurança  e  da  estabilidade  das  relações  jurídicas.  Assim,  passados  cinco  anos  da  ocorrência  do  fato  gerador,  o  Fisco  não  pode  formalizar  o  lançamento  para  a  exigência  de  crédito  tributário,  nem  tampouco  impor  penalidades.   Entretanto, quando se está a tratar de lançamento por homologação, ao Fisco  cabe  exercer  o  controle  da  legalidade  do  ato  praticado  pelo  contribuinte  para  determinar  se  foram  obedecidas  as  normas  que  orientam  a  correta  apuração  do  resultado  tributável  do(s)  exercício(s) sob análise.  Esse  controle,  de  legalidade  do  lançamento  realizado,  busca  averiguar  a  correta determinação do quantum apurado, ao identificar se as receitas tributáveis e as despesas  incorridas foram corretamente declaradas na apuração do resultado final do exercício.  Em  caso  de  haver  qualquer  tipo  de  divergência,  em  relação  ao  resultado  tributável, a partir da apuração efetuada pelo Fisco, cabe à autoridade administrativa exigir que  o contribuinte faça as correções necessárias.   Em sendo o caso, fará o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser  apurado ou recolhido de acordo com a legislação aplicável.  No  caso  de  restituição/ressarcimento/compensação,  também  há  prazo  definido para  se exercer o direito. Se no  lado da exigência  tributária  estar­se­ia  a proteger o  direito do contribuinte, quando se trata de restituição/ressarcimento/compensação, o interesse a  ser protegido é o da própria Fazenda Pública.  Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 11080.100173/2003­51  Acórdão n.º 1401­002.779  S1­C4T1  Fl. 1.511          13   Por  isso, é dever do Fisco proceder à análise do crédito desde a sua origem  até  a  data  em  que  requerida  a  restituição/compensação/ressarcimento,  sendo  de  responsabilidade  do  contribuinte  fazer  prova  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  tributário  pleiteado, conforme o disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional.  Para  tanto,  deve  o  contribuinte  manter  toda  a  documentação  relativa  ao  crédito  que  diz  possuir  até  que  todos  os  processos  que  digam  respeito  ao  mesmo  sejam  encerrados.     Vejamos o que diz o art. art. 264 do Decreto n° 3.000/99:  Art.  264.  A  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem  ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei  n° 486, de 1969, art. 4°).  Já o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs:  Art.  37.  Os  comprovantes  da  escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos  a  fatos  que  repercutam  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    Conclui­se dos dispositivos acima reproduzidos, que os mesmos convivem de  forma absolutamente harmoniosa com os princípios da decadência e da homologação tácita, a  que se referem o artigo 149, § único, 150, § 4º, e 173,  todos do CTN; assim, se determinada  apropriação  vier  a  influenciar  o  resultado  da  apuração  de  um  crédito  tributário  no  futuro,  a  mesma  poderá  vir  a  ser  objeto  de  verificação,  conforme  já  dissemos  anteriormente,  até  que  todos os processos que tratem da utilização daquele crédito, estejam encerrados.    Não se permite que a base de cálculo do IRPJ dos períodos de 1998 e 1999  seja  alterada por  intermédio  de  lançamento  tributário,  entretanto,  a  composição  de  eventuais  saldos  negativos  do  tributo,  que  venham  a  influenciar  pedidos  futuros  de  restituição/compensação, devem ser verificados. Não há nos autos nenhuma indicação de que a  redução  do  saldo  negativo  decorra  de  alteração  da  matéria  tributável  ou  da  alteração  do  imposto devido por intermédio de lançamento tributário, razão pela qual não há que se falar em  homologação  tácita  como  restrição  à  apuração  do  direito  creditório  pleiteado,  tampouco  a  “decadência” cogitada pela Reclamante.    Por  todo  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário  e  deixo  de  homologar as compensações efetivadas através das seguintes DCOMPs:  Fl. 1517DF CARF MF     14   PER/DCOMP  DATA  TRANSMISSÃO  FLS. DO  PROCESSO  23953.25776.140803.1.3.02­9790  14/08/2003  462/473  00512.74158.041206.1.7.02­9263  (Retificadora)  04/12/2006  474/477  39597.89616.041206.1.7.02­2132  (Retificadora)  04/12/2006  478/495  16620.40489.131204.1.3.02­6626  13/12/2004  496/499  41046.008832.020605.1.3.02­0190  02/06/2005  500/505  42789.08986.041206.1.7.02­9112  (Retificadora)  04/12/2006  506/511    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                             Fl. 1518DF CARF MF

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Numero do processo: 10935.004176/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadir-se de obrigações previdenciárias. SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples. CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão administrativa limita-se aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo, sobretudo em se tratando de processos de distintos sujeitos passivos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. AUDITORES-FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NORMA ANTIELISIVA GERAL. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. Compete privativamente aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil a constituição, pelo lançamento de ofício, das contribuições previdenciárias. É etapa do lançamento a correta identificação do sujeito passivo, que não se confunde com a aplicação de norma antielisiva geral ou desconsideração de personalidade jurídica. JULGADORES A QUO. ISENÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção diante de sua interpretação das provas. Identificados elementos convincentes e justificada a convicção, não cabe a alegação de falta de isenção do julgador. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Havendo simulação, a regra decadencial é a prevista no parágrafo único do art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. PAGAMENTOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EFETUADOS PELAS EMPRESAS INTERPOSTAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA PARA RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS FORA DA LIDE. ILEGITIMIDADE ATIVA PARA SOLICITAR INDÉBITO DE TERCEIROS. O lançamento tributário requer a identificação do real sujeito passivo. A identificação dos sujeito passivo oculto pela simulação não implica desconsideração da personalidade jurídica das empresas interpostas, que permanecem titulares de direitos e deveres. Carece de legitimidade ativa ao sujeito passivo oculto para pleitear o indébito de terceiros. O reconhecimento do direito creditório, quando alheio à lide, não é competência da autoridade julgadora, mas da autoridade tributária, aplicando-se o rito típico da espécie. Os pagamentos ao Simples efetuados pelas empresas interpostas não podem ser aproveitados para compensação com débitos de contribuição previdenciária do verdadeiro sujeito passivo, por conta da limitação imposta pelo art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ELEMENTOS PRESENTES NOS AUTOS. PLENO CONHECIMENTO DO REQUERENTE. A autoridade julgadora poderá determinar as perícias necessárias para a formação de sua convicção. Presentes, nos autos, os elementos suficientes ao convencimento do julgador, prescindível é a perícia. Não assiste razão ao deferimento de pedido de perícia quando a defesa tem acesso às informações que pretenderia obter.
Numero da decisão: 2301-005.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; (b) por maioria de votos, conhecer do pedido de aproveitamento dos pagamento realizados por terceiras pessoas jurídicas, vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que não o conhecia; (c) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, (d) por unanimidade de votos, denegar o pedido de perícia e (e) no mérito, (e.1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nas questões da decadência, legitimidade da recorrente e ao pagamento a empregados e contribuintes individuais, (e.2) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso na questão dos pagamentos às cooperativas de trabalho e (e.3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão de aproveitamento dos pagamentos ao Simples por terceiras pessoas jurídicas; vencidos na questão os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Fernanda Melo Leal. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; (b) por maioria de votos, conhecer do pedido de aproveitamento dos pagamento realizados por terceiras pessoas jurídicas, vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que não o conhecia; (c) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, (d) por unanimidade de votos, denegar o pedido de perícia e (e) no mérito, (e.1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nas questões da decadência, legitimidade da recorrente e ao pagamento a empregados e contribuintes individuais, (e.2) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso na questão dos pagamentos às cooperativas de trabalho e (e.3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão de aproveitamento dos pagamentos ao Simples por terceiras pessoas jurídicas; vencidos na questão os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Fernanda Melo Leal. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente).

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadir-se de obrigações previdenciárias. SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples. CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão administrativa limita-se aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo, sobretudo em se tratando de processos de distintos sujeitos passivos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. AUDITORES-FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NORMA ANTIELISIVA GERAL. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. Compete privativamente aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil a constituição, pelo lançamento de ofício, das contribuições previdenciárias. É etapa do lançamento a correta identificação do sujeito passivo, que não se confunde com a aplicação de norma antielisiva geral ou desconsideração de personalidade jurídica. JULGADORES A QUO. ISENÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção diante de sua interpretação das provas. Identificados elementos convincentes e justificada a convicção, não cabe a alegação de falta de isenção do julgador. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Havendo simulação, a regra decadencial é a prevista no parágrafo único do art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. PAGAMENTOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EFETUADOS PELAS EMPRESAS INTERPOSTAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA PARA RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS FORA DA LIDE. ILEGITIMIDADE ATIVA PARA SOLICITAR INDÉBITO DE TERCEIROS. O lançamento tributário requer a identificação do real sujeito passivo. A identificação dos sujeito passivo oculto pela simulação não implica desconsideração da personalidade jurídica das empresas interpostas, que permanecem titulares de direitos e deveres. Carece de legitimidade ativa ao sujeito passivo oculto para pleitear o indébito de terceiros. O reconhecimento do direito creditório, quando alheio à lide, não é competência da autoridade julgadora, mas da autoridade tributária, aplicando-se o rito típico da espécie. Os pagamentos ao Simples efetuados pelas empresas interpostas não podem ser aproveitados para compensação com débitos de contribuição previdenciária do verdadeiro sujeito passivo, por conta da limitação imposta pelo art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ELEMENTOS PRESENTES NOS AUTOS. PLENO CONHECIMENTO DO REQUERENTE. A autoridade julgadora poderá determinar as perícias necessárias para a formação de sua convicção. Presentes, nos autos, os elementos suficientes ao convencimento do julgador, prescindível é a perícia. Não assiste razão ao deferimento de pedido de perícia quando a defesa tem acesso às informações que pretenderia obter.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 7.221          1 7.220  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.004176/2010­23  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­005.366  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  3 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008  SIMULAÇÃO.  PROVA  INDIRETA.  INDÍCIOS  CONVERGENTES.  TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO  DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  Há  simulação  quando  a  vontade  declarada  destoa  da  vontade  real.  A  contratação de  empresas optantes pelo Simples  apenas para o  fornecimento  de  serviços,  mantidos  com  a  contratante  os  elementos  caracterizadores  da  relação  empregatícia,  configura  simulação  para  evadir­se  de  obrigações  previdenciárias.  SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.   É  o  contribuinte  quem  possui  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação  constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que  emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços  impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples.  CONEXÃO  E  CONTINÊNCIA.  PROCESSOS  DE  DIFERENTES  SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE.  A  decisão  administrativa  limita­se  aos  autos  de  infração  constantes  do  processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não  está  previsto  no  regulamento  processual  administrativo,  sobretudo  em  se  tratando de processos de distintos sujeitos passivos.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  COMPETÊNCIA  PARA  O  LANÇAMENTO.  AUDITORES­FISCAIS  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL.  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  NORMA  ANTIELISIVA  GERAL.  DESCONSIDERAÇÃO  DE  PERSONALIDADE  JURÍDICA.  Compete privativamente aos Auditores­Fiscais da Receita Federal do Brasil a  constituição, pelo lançamento de ofício, das contribuições previdenciárias. É     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 76 /2 01 0- 23 Fl. 7221DF CARF MF     2 etapa  do  lançamento  a  correta  identificação  do  sujeito  passivo,  que  não  se  confunde com a aplicação de norma antielisiva geral ou desconsideração de  personalidade jurídica.  JULGADORES A QUO. ISENÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO.  A  autoridade  julgadora  é  livre  para  formar  sua  convicção  diante  de  sua  interpretação das provas. Identificados elementos convincentes e justificada a  convicção, não cabe a alegação de falta de isenção do julgador.  SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.  Havendo simulação,  a  regra decadencial é a prevista no parágrafo único do  art. 173 do CTN.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  DECLARADA  PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.  O art. 22,  IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição  previdenciária  nos  serviços  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho  foi  julgado  inconstitucional,  por  unanimidade  de  votos,  pelo  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  RE  595.838/SP,  paradigma  da  Tese  de  Repercussão  Geral  166:  “É  inconstitucional  a  contribuição previdenciária prevista no  art.  22,  IV, da Lei 8.212/1991,  com  redação  dada  pela  Lei  9.876/1999,  que  incide  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio  de cooperativas de trabalho”.  PAGAMENTOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EFETUADOS  PELAS  EMPRESAS  INTERPOSTAS.  APROVEITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DA  AUTORIDADE  JULGADORA  PARA  RECONHECIMENTO  DE  CRÉDITOS  FORA  DA  LIDE.  ILEGITIMIDADE  ATIVA  PARA  SOLICITAR  INDÉBITO  DE  TERCEIROS.  O  lançamento  tributário  requer  a  identificação  do  real  sujeito  passivo.  A  identificação  dos  sujeito  passivo  oculto  pela  simulação  não  implica  desconsideração  da  personalidade  jurídica  das  empresas  interpostas,  que  permanecem  titulares de direitos e deveres. Carece de  legitimidade ativa ao  sujeito passivo oculto para pleitear o indébito de terceiros. O reconhecimento  do direito creditório, quando alheio à  lide, não é competência da autoridade  julgadora, mas da autoridade tributária, aplicando­se o rito típico da espécie.  Os pagamentos ao Simples efetuados pelas empresas interpostas não podem  ser  aproveitados  para  compensação  com  débitos  de  contribuição  previdenciária do verdadeiro sujeito passivo, por conta da limitação imposta  pelo art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.   PERÍCIA.  DESNECESSIDADE.  ELEMENTOS  PRESENTES  NOS  AUTOS. PLENO CONHECIMENTO DO REQUERENTE.  A  autoridade  julgadora  poderá  determinar  as  perícias  necessárias  para  a  formação de sua convicção. Presentes, nos autos, os elementos suficientes ao  convencimento  do  julgador,  prescindível  é  a  perícia.  Não  assiste  razão  ao  deferimento de pedido de perícia quando a defesa tem acesso às informações  que pretenderia obter.      Fl. 7222DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.222          3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  (a)  por  unanimidade  de  votos,  não  conhecer  do  recurso  na  questão  relativa  à  exigência  de  garantias;  (b)  por maioria  de  votos,  conhecer  do  pedido  de  aproveitamento  dos  pagamento  realizados  por  terceiras  pessoas  jurídicas, vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que não o conhecia; (c) por unanimidade  de votos, rejeitar as preliminares, (d) por unanimidade de votos, denegar o pedido de perícia e  (e) no mérito,  (e.1) por  unanimidade de votos,  negar provimento  ao  recurso nas questões da  decadência,  legitimidade  da  recorrente  e  ao  pagamento  a  empregados  e  contribuintes  individuais,  (e.2)  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  na  questão  dos  pagamentos às cooperativas de  trabalho e  (e.3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao  recurso  na  questão  de  aproveitamento  dos  pagamentos  ao  Simples  por  terceiras  pessoas  jurídicas;  vencidos  na  questão  os  conselheiros  Wesley  Rocha,  Alexandre  Evaristo  Pinto,  Marcelo Freitas de Souza Costa e Fernanda Melo Leal. Impedida a conselheira Juliana Marteli  Fais Feriato.  (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  João Maurício Vital ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros:  João Maurício Vital,  Wesley  Rocha,  Antônio  Sávio  Nastureles,  Alexandre  Evaristo  Pinto,  Mônica  Renata  Mello  Ferreira  Stoll  (suplente  convocada),  Marcelo  Freitas  de  Souza  Costa,  Fernanda  Melo  Leal  (suplente  convocada  em  substituição  aos  impedimentos  da  conselheira  Juliana Marteli  Fais  Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente).  Relatório  Trata­se do Auto de Infração nº 37.212.502­6, constituído em 29/07/2010 (e­ fl.  6312),  para  exigência  de  contribuições  previdenciárias,  parte  da  empresa,  incidente  sobre  remunerações a empregados e contribuintes individuais, a parcela destinada a financiamento do  seguro  para  acidentes  de  trabalho  com  base  no  grau  de  incidência  de  capacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  e,  ainda  da  contribuição  incidente  sobre  notas  fiscais  emitidas  por  cooperativas  de  trabalho.  As  contribuições  são  relativas  ao  período  de  01/2005 a 12/2008.  A Recorrente  apresentou  impugnação  (e­fls.  6315  a  6387),  que  foi  julgada  improcedente  nos  termos  do  Acórdão  nº  06­32.043  (e­fls.  7113  a  7137).  Na  contestação,  a  Recorrente alegou, em suma:  a)  que não poderia ser considerada sujeito passivo da relação tributária;  b)  que alguns períodos lançados teriam sido alcançados pela decadência;  Fl. 7223DF CARF MF     4 c)  que não  foram aproveitados,  no  lançamento,  os  recolhimentos  efetuados  pelas  "pessoas  jurídicas  desconsideradas",  cujos  valores  requereu  serem  apurados por perícia;  d) que as atividades transferidas às outras empresas não eram suas atividades  econômicas principais e finalísticas;  e)   que  os  agentes  fiscais  teriam  modificado  o  empregador  nos  contratos  celebrados  entre  os  trabalhadores  e  as  "pessoas  jurídicas  desconsideradas";  f)  que  teriam sido  aplicadas  a  "teoria da desconsideração da personalidade  jurídica" e a "norma antielisiva geral", circunstâncias que seriam alheiras  às competências do Fisco;  g)  que a terceirização de suas atividades aconteceu nos termos do Enunciado  TST nº 331, pois tratavam­se de atividades­meio;  h)  que a Autoridade Autuante  teria utilizado­se de critérios  subjetivos,  sem  provas contundentes, e chegado a conclusões equivocadas sobre a relação  da Recorrente com as empresas contratadas;  i)  que não cabe ao Fisco alterar contratos e negócios jurídicos constituídos  no âmbito do Direito Privado;  j)  que  as  terceirizações  teriam  ocorrido  para  proporcionar  melhor  gerenciamento administrativo das atividades­meio;  k)  que  não  incidiria  contribuição  previdenciária  sobre  os  pagamentos  a  cooperativas de trabalho;  l)  que são indevidos os juros com base na taxa Selic, que possui natureza de  indenização, e não de remuneração;  m) que  o  seja  observada  a  conexão  e  a  continência  com  outros  processos  resultantes  da  mesma  ação  fiscal  e  processos  decorrentes  de  autos  lavrados em desfavor das empresas contratadas, iniciando­se o julgamento  pelo auto de infração nº 37.212.502­6 para que sua decisão repercuta nos  demais.  Foi,  então,  interposto  recurso  voluntário  (e­fls.  7138  a  7149)  no  qual  a  Recorrente reafirmou os termos da impugnação e aduziu:  a)   a  inconstitucionalidade da exigência de garantias como condição para o  apelo recursal.  b)  a  falta  de  isenção  dos  julgadores  da  primeira  instância  administrativa  porquanto não vincularam os fundamentos jurídicos às provas dos autos.  Ao  recurso,  seguiram­se  contrarrazões  (e­fls.  7165 a 7206) da Procuradoria  da Fazenda Nacional (PFN).  É o relatório.  Fl. 7224DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.223          5 Voto             Conselheiro João Maurício Vital ­ Relator.  1  Do conhecimento  O  recurso  é  tempestivo,  pelo  que  se  constata  em  despacho  da  unidade  preparadora (e­fl. 7163).  Deixo de conhecer a questão relativa à exigência de garantias porque não está  na lide. Ademais, o recurso interposto não foi condicionado à prestação de qualquer garantia.  Conheço, entretanto, das demais matérias.  2  Das preliminares  2.1  DA ILEGITIMIDADE PASSIVA  A  Recorrente  sustentou  que,  tendo  as  Autoridades  Fiscais  lançado  a  obrigação principal em seu nome e as penalidades relativas às obrigações acessórias em nome  de  outras  empresas,  as  quais  teriam  sido  desconsideradas  pelo  Fisco,  configuraria  a  ilegitimidade passiva da Recorrente.   O  que  arguiu  foi  que,  se  houve  lançamento  reflexo  nas  empresas  desconsideradas, como poderia, a Recorrente, ser o sujeito passivo da obrigação principal?  Para responder à questão, há que se adentrar no ponto mais determinante do  processo,  que  é  a  identificação  de  quem  tem  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação  que  constituiu os fatos geradores da exação. No caso em tela, houve três distintos fatos geradores: o  pagamento  a  empregados,  o  pagamento  a  contribuintes  individuais  e  o  pagamento  a  cooperativas  de  trabalho.  Em  relação  às  cooperativas  de  trabalho,  a  matéria  será  tratada  adiante, neste voto. Portanto, neste tópico será analisada a legitimidade passiva da Recorrente  em  relação  aos  fatos  geradores  consistentes  no  pagamento  a  empregados  e  a  contribuintes  individuais.  As Autoridades Lançadoras afirmaram, em síntese, que a Recorrente teria se  utilizado de uma rede de empresas de fachada (KL, LDI, Olecargas, Plasma, PP, PPMS, RTC,  Spartano,  Tolecargas,  Tolenorte,  TPC, Transcar, VS  e Wsul),  que  aqui  serão  genericamente  referidas por empresas decorrentes, todas optantes pelo Simples, para evadir­se das obrigações  previdenciárias,  na  medida  em  que  utilizava  a  mão­de­obra  de  trabalhadores  registrados  formalmente  naquelas  empresas,  mas  que,  em  verdade,  seriam  trabalhadores  da  própria  Recorrente.  As circunstâncias nas quais o Fisco se baseou para concluir pela legitimidade  passiva da Recorrente foram assim resumidas (Relatório Fiscal, e­fls. 514 e 515):  ­ Ficou constatado que as empresas não possuem existência de  fato,  sendo  criadas  apenas  para  possibilitar  a  obtenção  de  benefícios  fiscais  ­ pois  todas realizaram Opção Pelo Simples  ­  Fl. 7225DF CARF MF     6 por  parte  da  SPERAFICO;  que  as  receitas  auferidas  pelas  empresas provinham da própria SPERAFICO, o que em dados  momentos  foi  inferior  ou  muito  próximo  às  despesas  com  pessoal; que os segurados empregados registrados nas empresas  trabalhavam  nas  dependências  da  SPERAFICO  ou  a  serviço  desta, desenvolvendo as atividades operacionais da mesma, mas  cujos contratos de trabalho constam nas diversas empresas; que  posteriormente os empregados remanescentes foram transferidos  para a SPERAFICO; que são utilizadas pessoas que não detém  a  real qualidade de  sócios nas diversas  empresas,  vulgarmente  conhecidos como "laranjas", pessoas que mantêm/mantinham ou  mantiveram vínculos com a SPERAFICO.  A  investigação  fiscal  identificou  vários  elementos  que  sustentaram  a  conclusão  quanto  à  interposição  de  pessoas  e  o  uso  de  empresas  de  fachada.  Por  serem  essenciais ao deslinde da controvérsia jurídica, é importante enumerar os principais indícios e  provas apontados pelo Fisco.   2.1.1  Da criação e dos dados cadastrais das empresas decorrentes  As empresas decorrentes informaram o mesmo endereço da Sperafico ou, em  alguns casos, em imóveis a ela pertencentes. Em outras situações, o endereço era a residência  do sócio (e­fls. 516 e 517).  Observa­se no Quadro Anexo II ­ Sócios (e­fls. 834 a 837) que os sócios das  empresas decorrentes ou são sócios da Sperafico, ou possuem com ela vínculo empregatício,  ou  foram  dela  empregados,  ou  são  empregados  de  outra  empresa  decorrente  ou,  de  algum  modo, possuem relações de parentesco com empregados da Sperafico. Sobre a questão, assim  se pronunciou o Relatório Fiscal (e­fl. 518):  No Quadro Anexo II (fls. 829/832) é apresentada a situação dos  supostos quadros  societários das  empresas. É  fácil  visualizar a  estreita vinculação entre todos, seja mediante emprego direto na  SPERAFICO  ou  em  outras  das  empresas,  ou  mesmo  vínculo  familiar.  A  subordinação  à  SPERAFICO  das  pessoas  que  figuram  no  quadro  societário  da  maioria  das  empresas  é  evidente. Pode­se afirmar que a subordinação é tão evidente que  em alguns casos a própria SPERAFICO assume a condição de  sócio majoritário da empresa, conforme será relatado adiante.  Os  contadores  das  empresas  decorrentes  também  possuíam  algum  vínculo  com a Sperafico, como se constata no seguinte trecho do relatório fiscal (e­fl. 518) e, ainda no  Quadro Anexo II ­ Contadores (e­fls. 839 a 841)  No Quadro  III  (fls.  833/836)  é  apresentada  a  vinculação  entre  empresas  e  contadores.  Percebe­se  também  que  a  escrita  contábil das empresas remete à vinculação com a SPERAFICO.  No  ano  de  2005,  esteve  dividida  entre  os  contadores  Clerione  Raquel  Herther  (LDI),  Carlos  Alberto  Koval  (KL,  OLECARGAS,  PP,  RTC,  TOLECARGAS,  TOLENORTE,  TRANSCAR, WSUL) e Neldo Danzer (PPMS, TPC, VS); já no  período de 2006 a 2008 ficou apenas como Contador de todas as  empresas  o  funcionário  da  SPERAFICO  Luciano  Vendramini  Bassi. Na SPERAFICO atuou como Contadores no período de  2005 a 2008, além da Sra. Clerione Raquel Herther o Sr. Aloisio  Antonio Bonemberger (sic.)  Fl. 7226DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.224          7 Até mesmo as  testemunhas que assinaram os contratos sociais e respectivas  alterações eram vinculadas à Sperafico, como se observa no Quadro Anexo IV ­ Testemunhas  (e­fls. 844 e 845).  2.1.2  Das atividades das empresas decorrentes  Consta  dos  documentos  dos  autos  (e­fls.  765)  que  o  objeto  social  da  Sperafico coincide, em grande parte, com o objeto social das empresas decorrentes. Com base  nas informações do processo, elaborou­se a Tabela 1 ­ Atividades, anexa a este voto, para bem  ilustrar a compatibilidade das atividades.  2.1.3  Utilização de plano de contas em comum  Segundo o Relatório Fiscal (e­fls. 518 e 519):  Ficou constatado que o PLANO DE CONTAS da SPERAFICO é  o mesmo que foi utilizado pelas demais empresas no período de  2006 a 2008 (no ano de 2005, as empresas, à exceção da LDI,  tiveram escrituração realizada em escritórios contábeis distintos  da  estrutura  da SPERAFICO). Teoricamente,  isto  não  deveria  acontecer,  já  que  se  fossem  empresas  distintas,  com  administrações  distintas  e  contabilidades  diferentes,  cada  qual  organizaria  sua  própria  escrituração.  No  entanto,  aconteceu  e  está  comprovado  com  a  juntada  do  Plano  de  Contas  da  SPERAFICO em anexo  (fls.  772/785),  o  qual  corresponde  aos  planos de contas das outras empresas, que também são juntados  em  anexo  (cópias  às  fls.  KL  968/985,  LDI.  1292/1310,  OLECARGAS 1532/1549, PLASMA 1734/1753 PP 1998/2018,  PPMS 2355/2373, RTC 2610/2628, TOLECARGAS 2946/2964,  TOLENORTE  3174/3191,  TPC  3607/3625,  TRANSCAR  3948/3960, VS 4172/4190, WSUL 4394/4414).  De  fato,  o  uso  do mesmo  plano  de  contas  em  todas  as  empresas,  embora,  isoladamente, não se constitua prova definitiva, é um indício que converge para a conclusão de  que as empresas eram, em verdade, uma extensão da Sperafico.  O plano de contas é elemento característico de uma entidade, pois  reflete a  organização patrimonial e os registros do resultado empresarial, que normalmente é diferente  em cada empresa, sobretudo quando os objetos sociais são distintos. No caso, em que se tem  empresas  dos  ramos  de  comercialização  de  peças  e  manutenção  e  reparo  de  veículos,  de  transporte  rodoviário  de  cargas,  de  capatazia  (carga  e  descarga  de  produtos),  de  industrialização, empacotamento e comércio de cereais, de fabricação de móveis, é no mínimo  muito incomum que um mesmo plano de contas possa servir a todas as empresas.  2.1.4  Do local onde os trabalhadores das empresas decorrentes atuavam  Conta do Relatório Fiscal (e­fls. 519 e 520) que as empresas decorrentes ou  tinham o mesmo endereço das filiais e matriz da Sperafico ou mantinham funcionários nas suas  dependências. O relatório descreve cada uma das situações, envolvendo cada empregado, cada  filial  e  cada  empresa  decorrente,  em  que  os  empregados  prestaram  serviço  diretamente  nas  filiais  da  Sperafico.  A  título  de  exemplo  ilustrativo,  reproduz­se  a  situação  encontrada  na  empresa KL (e­fl. 527):  Fl. 7227DF CARF MF     8 Não possui filial. No entanto, confirmando o que  fora afirmado  anteriormente, os trabalhadores desta "empresa" eram alocados  em  diversas  filiais  da  SPERAFICO.  Veja­se  a  propósito  "Relação de Empregados" (fls. 1101/1104), que evidencia o fato,  como  por  exemplo,  trabalhadores  alocados  na  MATRIZ  (TOLEDO),  e  filiais  como  Tupãssi  ,  Vila  Nova,  Nova  Aurora,  Cascavel, Vila Ipiranga, São Luiz, Guaíra, Santa Inês, no setor  de Transportes (Toledo), Braganey, São José, Indústria e Penha.  Encontra­se  demonstrado  na  planilha  (fls.  4688/4719)  denominada  de  QUADRO  ANEXO  V  ­  NF  PRESTADORAS  X  FILIAIS SPERAFICO que, em razão da filial da SPERAFICO  tomadora  do  serviço  de  acordo  com  a  Nota  Fiscal,  eram  alocados trabalhadores registrados na KL a prestarem serviços  a  diversas  filiais  da  SPERAFICO  em  diversas  localidades  diferentes da sede da KL, o que confirma a informação acima e  realça o aspecto de que a subordinação desses empregados era  de  fato  com  a  SPERAFICO  já  que  as  empregadoras  (prestadoras de  serviço) aparentes não se  faziam presentes nos  locais das prestações de serviços.  A  situação  verificada  na  empresa  KL  se  repetiu,  com  o  mesmo  modus  operandi, em outras empresas decorrentes.  2.1.5  Do fornecimento de recursos financeiros às empresas decorrentes  Segundo o Relatório Fiscal (e­fl. 521):  As diversas empresas "prestadoras de serviços", registraram, no  período  fiscalizado,  de  forma  contumaz,  severos  resultados  negativos  (prejuízos)  ante  um  pequeno  valor  de  capital  social.  Ou  seja,  não  ostentavam  condições  econômicas  de  operar  com  normalidade, sua existência se justificava para o fim evidente de  burlar  a  legislação  tributária,  com  a  obtenção  indevida  de  benefícios fiscais através da indevida inclusão no SIMPLES. Em  itens adiante será evidenciada a situação por empresa.  Em face disso, para a existência das "prestadoras de serviços",  mesmo  que  apenas  na  aparência,  era  a  SPERAFICO  quem  fornecia  recursos  financeiros,  seja  na  condição  de  único  tomador  de  serviços,  seja,  por  fim  na  condição  de  sócio  majoritário,  como  em  alguns  casos,  com  a  integralização  de  capital social com créditos seus junto à prestadora.  O Fisco entendeu que, ao apresentarem prejuízos constantes e sobreviverem  apenas de recursos oriundos da Sperafico, as empresas decorrentes não exerciam, na verdade,  atividade econômica. Eram apenas extensões da própria Sperafico.  Filio­me, neste caso, ao entendimento do Fisco. Está demonstrado (e­fls. 527  e  528)  que  as  empresas  decorrentes  acumularam  prejuízos,  isto  porque  a  Sperafico,  única  cliente,  transferia  recursos  suficientes  apenas  para  pagar  o  custo  dos  serviços  que  foram  prestados por aquelas empresas, sem possibilidade de gerar resultado positivo. A característica  essencial da atividade empresarial produtiva é a busca pelo lucro, se as empresas decorrentes  tinham suas  receitas provenientes  exclusivamente da Sperafico  e  seus prejuízos  cobertos  por  aporte de capital desta empresa, sem que gerassem resultados positivos, resta bem evidenciado  que elas não tinham propósito empresarial.   Fl. 7228DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.225          9 2.1.6  Das folhas de pagamento e demais atos de gestão de RH  Consta do Relatório Fiscal (e­fl. 522):   Além  disso,  no  período  de  2006  a  2008,  o  processamento  da  folha  de  pagamento,  a  organização  e  a  realização  de  todas  as  tarefas atinentes ao RH das  empresas  estaria,  como quer  fazer  crer a situação que foi apresentada à auditoría fiscal, a cargo de  uma única pessoa  responsável  pelo parte  contábil  e de RH,  na  pessoa  do  contador  (funcionário  da  SPERAFICO)  Luciano  Vendramini  Bassi  (que  se  apresenta  como  sendo  profissional  autônomo, desvinculado da SPERAFICO, para fins de atender às  "prestadoras  de  serviços").  Seria  evidentemente  impossível  que  uma única pessoa realizasse todas as tarefas, desde controle de  freqüência,  processamento  dos  diversos  itens  de  folha  de  pagamento,  controle  e  efetivação  de  pagamento  de  pessoal,  controle  de  férias,  licenças,  FGTS,  SEFIP/GFIP;  Previdência  Social,  processamento  e  controle  dos  benefícios  (mercado,farmácia,  Unimed,  gás),  e  além  disso  realizar  a  escrituração contábil de todas as empresas com todas as outras  tarefas atinentes à área contábil e fiscal.  Na  realidade,  os  fatos  apurados  evidenciam  que  a  folha  de  pagamento foi, como não podia ser diferente, processada dentro  da  SPERAFICO,  no  setor  próprio  de RH desta,  com  o  pessoal  desta. Isto fica demonstrado de modo mais claro por empresa em  itens adiante, onde se vê que até determinados erros cometidos  no  processamento  de  uma  folha  de  pagamento,  o  mesmo  erro  repercutia  nas  demais,  como  se  fosse  (como  de  fato  é)  apenas  uma única folha de pagamento.  Observe­se  que,  segundo  foi  apurado  na  investigação  fiscal,  a  gestão  de  pessoal  e  a  confecção  da  folha  de  pagamento  dos  empregados  das  empresas  decorrentes  acontecia dentro da Sperafico, por empregados do setor de recursos humanos desta empresa,  sob a responsabilidade de seu contador. Verifica­se que os emails fornecidos nos documentos  apresentados  pelas  empresas  decorrentes  eram  sempre  do  domínio  @sperafico.com.br.  O  acórdão  recorrido  bem  apontou  (e­fl.  7126)  o  exemplo  das  informações  ao  Caged  em  que  consta eloi@sperafico.com.br.  Mais  uma  vez  corroboro  o  entendimento  do  Fisco  de  que  essa  condição  denota  uma  incomum  participação  da  Sperafico  na  gestão  dos  trabalhadores  da  empresas  decorrentes,  o  que  só  se  justifica  se,  como  sustentado  pelas  Autoridades  Lançadoras,  os  empregados fossem de fato da Sperafico, ainda que estivessem registrados em nome de outras  empresas.  2.1.7  Da movimentação de empregados com o advento do Simples Nacional  Ainda quanto à administração de recursos humanos, a Fiscalização Tributária  observou  a  transferência  de  empregados  das  empresas  decorrentes  para  a  Sperafico.  Isto  porque, com o fim do Simples, em 2007, o modelo que teria sido criado pela Recorrente deixou  de possibilitar o benefício tributário; não havia, pois, mais razões de seus trabalhadores estarem  registrados nas empresas que foram criadas para optarem pelo Simples e, com isso, pagarem  menos contribuição previdenciária (além de outros encargos e tributos).  Fl. 7229DF CARF MF     10 A  Lei  Complementar  nº  123,  de  14  de  dezembro  de  2006,  que  passou  a  vigorar em 1º de julho de 2007, instituiu o Simples Nacional, que excetuou do modelo, no que  se  refere às contribuições previdenciárias, as microempresas e da empresas de pequeno porte  que se dediquem às atividades de prestação de serviços. E foi exatamente a partir dessa data  que as empresas decorrentes passaram a ser tributadas com base no lucro presumido (e­fl. 515,  item 3.3).  De  fato,  analisando  as  informações  compiladas  do  Caged  sobre  a  transferência  de  empregados  (e­fl.  794),  salta  aos  olhos  a  coincidência  entre  o  fluxo  de  empregados  e  a  vigência  do  Simples.  Nos  meses  de  julho  e  agosto  de  2007,  houve  uma  expressiva  transferência  dos  trabalhadores  que  estavam  na  empresas  decorrentes  para  a  Sperafico. Isto, mais uma vez, demonstra inequivocamente que os trabalhadores sempre foram  empregados,  de  fato,  da  Sperafico  e  apenas  figuravam  como  empregados  das  empresas  decorrentes em razão de um planejamento  tributário deixou de fazer sentido com a alteração  legislativa.   2.1.8  Dos descontos para a associação de funcionários  Os Auditores­ Fiscais constataram (e­fl. 523) que, assim como na Sperafico,  nas empresas decorrentes havia desconto da contribuição dos empregados para a Associação de  Funcionários da Agrícola Sperafico (Afas).   Parece­me lógica a conclusão do Fisco de que os empregados das empresas  decorrentes eram, em verdade, empregados da Sperafico, do contrário, não haveria razão para  deles descontar o valor da contribuição para a entidade.  2.1.9  Das atividades exercidas pelos empregados das empresas decorrentes  O  acórdão  recorrido  bem  apontou  outro  ponto  revelador  da  verdadeira  intenção  do  planejamento  tributário.  Alguns  funcionários  foram  registrados  nas  empresas  decorrentes para  funções que são incompatíveis com seus objetos sociais, mas absolutamente  inerentes aos objetivos da Sperafico. É o que se observa no seguinte trecho (e­fl. 7126):  Cabe  acrescentar  que  a  peça  defensiva  acabou  se  abstendo  de  rebater verificações/fatos ao meu ver fundamentais na análise do  caso. Não há, por exemplo, qualquer justificativa para que uma  empresa que tem por objeto a prestação de serviços de consertos  e substituições de peças de caminhões, ônibus e outros veículos  pesados  possua  um  funcionário  registrado  como  Classificador  de Cereais.  Da  mesma  forma,  entre  diversas  outras  incompatibilidades  de  funções  descritas  no  relatório  fiscal,  a  peça  defensiva  também  não explica porque uma empresa que possui como objeto social  serviços  de  carga  e  descarga  de  produtos  agrícolas  possui  empregados  nas  funções  de  OPERADOR  DE  CALDEIRA,  AJUDANTE DE SECADOR ou AUXILIAR DE LABORATÓRIO.  Em resumo, a natureza dos serviços descritos não só se mostra  incompatível com os objetos das empresas interpostas, como se  afeiçoam necessárias às atividades da própria impugnante.  A Recorrente, em seu favor, alegou que as atividades efetivamente realizadas  pela  empresa  não  foram  as  descritas  em  seu  objeto  social  e  apresentou,  para  comprovar,  Fl. 7230DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.226          11 balancetes  que  indicariam  que  as  fontes  de  suas  receitas  eram  a  comercialização  e  industrialização de produtos agrícolas.  O  fato  de,  no  período,  as  receitas  se  concentrarem  apenas  em  parte  das  atividades  da  Recorrente,  ao  meu  ver,  dá  mais  substância  à  tese  da  simulação.  Ora,  se  a  empresa transferiu atividades de seu objeto social para as empresas decorrentes, permanecendo  apenas com algumas delas, não haveria mesmo de  ter qualquer  receita contabilizada oriunda  das  atividades  transferidas.  Demonstra,  na  verdade,  que  parte  de  suas  atividades  finalísticas  foram  indevidamente  terceirizadas,  notadamente  as  que  demandavam  grande  quantidade  de  mão­de­obra. Esta é, na essência, a tese advogada pela Autoridade Lançadora e pelo acórdão a  quo.  2.1.10  Dos benefícios pagos aos empregados da Sperafico  Consta do Relatório Fiscal (e­fl. 523):  Foi constatado que a SPERAFICO mantém uma certa conduta  com  relação  a  benefícios  para  empregados,  concedendo­lhes  algumas formas de benefícios que se traduzem em facilidades na  aquisição  de  gêneros  alimentícios,  medicamentos  e  gás  no  comércio da cidade de Toledo ­ PR. Idêntica situação ocorre nas  empresas  "prestadoras  de  serviços",  seguindo  o  mesmo  procedimento.  Foi  constatado  também  que  a  SPERAFICO  funciona  como  intermediária  na  aquisição  de  plano  de  saúde  UNIMED  para  seus  empregados.  Assim,  desconta  nas  respectivas  folhas  de  pagamento  valores  relativos  a  UNIMED. O mesmo  ocorre  nas  "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento.  Tais  fatos evidenciam que se trata de uma única administração  de pessoal.  Conforme  o  Fisco  apurou,  os  empregados  registrados  nas  empresas  decorrentes usufruíam dos mesmo benefícios e do plano de saúde oferecidos aos empregados  da Sperafico, o que mais uma vez caracteriza que o patrão, de fato, era esta empresa.  2.1.11  Do preenchimento das notas fiscais de prestação de serviços  Conforme  o  Relatório  Fiscal  (e­fls.  523,  524,  702,  703  e  704),  foi  identificado  que  muito  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  das  diversas  empresas  decorrentes  eram  preenchidas  sempre  com  a  mesma  caligrafia.  Conclui  o  Relatório  Fiscal,  neste ponto:  Este  elemento  evidencia  que  não  existiam  empresas  distintas,  mas  uma  única  empresa,  que  se  utilizou  do  expediente  de  emissão  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  por  supostas  empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de  mão­de­obra fora de sua folha de pagamento.  De  fato,  verificando  as  notas  constantes  dos  autos  (e­fls.  4492  a  4710)  facilmente  se  constata,  sem  necessidade  de  profundos  conhecimentos  grafotécnicos,  que  as  notas  das  diferentes  empresas  foram  escritas  com a mesma  caligrafia. Este  é  um  importante  Fl. 7231DF CARF MF     12 indício de que, na verdade, os blocos de notas estavam ali, à disposição da mesma pessoa, para  preencher os documentos de acordo com a necessidade. É um expediente comum em casos de  empresas  de  fachada  ou  empresas­fantasma  pois,  obviamente,  essas  empresas  não  possuem  setor  de  faturamento  com  faturistas  para  emissão  das  próprias  notas  fiscais,  sendo  isto  uma  atribuição da empresa oculta.  2.1.12  Do ativo imobilizado  Os Auditores­Fiscais  constataram que  todo o  ativo  imobilizado utilizado na  prestação dos serviços pertencia à Sperafico, e não às empresas prestadoras (e­fl. 524):  A SPERAFICO era e é a única detentora dos meios de produção  utilizados  no  processo  produtivo  e  no  desenvolvimento  dos  diversos  serviços  que  em  seus  estabelecimentos  foram/são  realizados.  Assim, não é difícil perceber que as "empresas" que realizavam  serviços de transportes não possuíam sequer um veículo no seu  ativo  permanente;  as  que  realizavam  atividades  de  carga  e  descarga  não  possuíam  equipamentos  para  tal,  como  por  exemplo carregadeiras, empilhadeiras, veículos, etc; as diversas  "empresas"  não  tiveram/têm  sede  nem  estrutura  administrativa  mínima.  Este  elemento  evidencia  que  não  existiam  empresas  distintas,  mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar  empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de  mão­de­obra  fora  de  sua  folha  de  pagamento,  sem  o  cuidado  sequer de lhe fornecer meios próprios de operar.  Ora, se as empresas decorrentes não tinham qualquer bem de produção e nem  há registro de que os obtinha por intermédio de algum tipo de arrendamento, não haveria como  se constituírem em legítimas empresas sem os meios para a realização de seus objetos sociais.  2.1.13  Das receitas e despesas das empresas decorrentes  A investigação fiscal constatou que  toda a  receita das empresas decorrentes  provinha exclusivamente da Sperafico ou de outra empresa do grupo (e­fl. 524):  As empresas "prestadoras de serviços" não possuíam outra fonte  de receita que não a própria SPERAFICO ou alguma empresa  do  GRUPO,  conforme  evidenciam  em  suas  respectivas  escriturações. Não existiam por  si  só, mas apenas  e em  função  da SPERAFICO, que lhes deu a "suposta" existência.  Ademais,  suas  receitas  escrituradas  eram  apenas  para  cobrir  despesas de pessoal, conforme fica evidenciado em itens adiante,  por empresa. Nalguns  (sic)  casos, não havia  receitas nem para  cobrir tais despesas.  O  fato  de  as  receitas  das  empresas  decorrentes  virem  exclusivamente  da  Sperafico  não  seria,  isoladamente,  um  elemento  determinante  para  se  concluir  pela  interposição.  Porém,  diante  do  contexto,  soma­se  aos  demais  indícios  que  demonstrar  ser  a  Sperafico a real prestadora dos serviços, utilizando­se de empresas de fachada.  Fl. 7232DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.227          13 2.1.14  Das despesas das empresas decorrentes  A  Fiscalização  também  constatou  que  as  empresas  não  tinham  despesas  operacionais (e­fls. 524 e 525):  Em se  tratando de  despesas,  a  situação apurada  revela  que  as  empresas  não  realizavam,  apesar  de  comuns  a  qualquer  organização  empresarial,  despesas  com  água,  luz,  telefone,  aluguel,  material  de  consumo,  material  de  escritório,  móveis,  equipamentos.  Outro  fato  constatado,  foi  o  expediente  utilizado  nas  escriturações  das  diversas  "prestadoras  de  serviços"  de  lançar  valores  em  contas  como  DUPLICATAS  A  RECEBER  e  ADIANTAMENTO DE CLIENTES, que na verdade significavam  valores de pagamentos que a SPERAFICO  fazia para  elas,  ou  seja,  a  SPERAFICO  pagava  diretamente  as  despesas  e  os  valores  eram  apropriados  como  redutores  de  duplicatas  a  receber  ou  como  adiantamento  de  clientes.  Tais  fatos  serão  demonstrados por empresa, em itens adiante.  Este  elemento  evidencia  que  não  existiam  empresas  distintas,  mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar  empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de  mão­de­obra  fora  de  sua  folha  de  pagamento,  sem  o  cuidado  sequer de lhe fornecer meios próprios de operar.  No meu entender,  este  é um elemento que prova  a  inexistência de  fato das  empresas  decorrentes.  É  possível  que  haja  uma  empresa  sem  ativos,  ou  sem  receitas,  até  mesmo  sem  diretores,  mas  não  possível  uma  empresa  sem  despesas  operacionais.  A  característica essencial de qualquer atividade empresarial é a transformação de algo em produto  ou serviço colocado no mercado, nesse processo de transformação surgem, inexoravelmente, as  despesas e, quase sempre, os custos diretos e indiretos.   No caso, as despesas aconteciam, mas não eram registradas como  tal,  eram  registradas  como  deduções  dos  valores  a  receber  da  Sperafico,  ou  seja,  quem  arcava  com  o  ônus das despesas era a própria Sperafico.   2.1.15  Das reclamatórias trabalhistas  Os  agentes  do  Fisco  se  fundamentaram,  também,  na  ações  trabalhistas  em  que empregados da empresas decorrentes pleitearam o vínculo com a Sperafico (e­fls. 703 a  712). Foram declinadas várias petições  iniciais em que os  reclamantes atestaram trabalharem  para a Sperafico,  inclusive  sob subordinação. Em alguns casos,  foram encontradas anotações  determinando que o pagamento decorrente das ações trabalhistas fosse efetuado pelo setor de  RH da Sperafico.  2.1.16  Das apólices de seguro de vida  No Relatório Fiscal consta (e­fl. 713):  Foi constatado na análise de documentos referente a seguros de  vida  de  empregados  de  diversas  empresas  das  prestadoras  de  serviços à SPERAFICO, que na contratação de seguros de vida,  Fl. 7233DF CARF MF     14 as mesmas  figuram nas apólices  como subestipulantes,  sendo a  estipulante  a  SPERAFICO  (cópias  de  does.  de  seguro  às  fls.  4721/4753).  Mais  uma  evidência  do  vínculo  com  a  SPERAFICO. Há  caso  em  que  figura  como  estipulante  outra  empresa do grupo SPERAFICO, a Clean Farm do Brasil Ltda.  Entendeu,  o  Fisco,  que  o  fato  de  a  estipulante  ser  a  a  Sperafico  (com  e  exceção do contrato envolvendo a WSul, cuja estipulante era a Clean Farm) representaria mais  um indício de que as empresas decorrentes eram, de fato, a longa manus da Sperafico.  2.1.17  Da simulação  Os  Auditores­Fiscais  entenderam  que,  diante  das  provas  e  indícios  identificados, estavam diante de uma simulação. Assim asseveraram em seu Relatório Fiscal  (e­fl. 714):  Restou  demonstrado  que  o  desmembramento  da  organização  empresarial  em  outras  supostas  sociedades  empresariais  consiste em estratégia de planejamento que caracteriza a evasão  fiscal,  pois  busca  usufruir  indevidamente  do  tratamento  tributário  simplificado  e  favorecido  instituído  pela  Lei  nº  9.317/96 (Lei do SIMPLES).  A  simulação  (criação  de  realidades  inexistentes)  utilizada,  consubstanciada na constituição ou aquisição de empresas para  serem, na aparência, distintas da empresa "mãe",  retira  toda a  validade  dos  atos  por  ela  viciados,  devendo  prevalecer  a  real  situação  fática,  com  base  no  princípio  da  verdade material.  E,  em  decorrência  desse  princípio,  tem­se  como  inexistente,  para  fins  previdenciários,  a  contratação  irregular  de  trabalhadores  feita pelas empresas "prestadoras de serviços". Na realidade, a  real  e  verdadeira  contratação  de  empregados  se  deu  para  beneficiar  a  empresa  SPERAFICO,  que  se  beneficiou  diretamente dos trabalhos executados pelos trabalhadores então  contatados.  Conclui,  o  Fisco,  que  teria  havido  simulação  da  Recorrente,  mediante  a  criação de  empresas optantes pelo Simples para,  por  intermédio delas,  fazer uso da mão­de­ obra necessária às suas atividades, evadindo­se dos compromissos previdenciários (e­fl. 514 e  515):   Ficou constatado que esta empresa caracteriza­se como líder de  um  grupo  empresarial,  conhecido  por  SPERAFICO.  A  SPERAFICO  AGROINDUSTRIAL  LTDA,  segundo  se  apurou,  utilizou­se  do  mecanismo  da  simulação,  expediente  este  que  consistiu  na  criação  de  diversas  outras  empresas  que  têm  existência ou  são criadas para  lhe prestarem serviços,  serviços  estes  que  consistem  atividades  operacionais  da  própria  SPERAFICO, haja vista a amplitude de seu objeto social, o que  se verá demonstrado neste relatório.  Ficou  evidente,  após  as  análises  realizadas  nas  diversas  empresas,  neste  relatório  identificadas,  o  propósito  de  se  criarem empresas para obtenção indevida do benefício da opção  pelo Simples.  Tais  fatos  evidenciam a  prática  da  evasão  fiscal,  relativamente  às  contribuições  previdenciárias,  mediante  o  citado procedimento da simulação.  Fl. 7234DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.228          15 A  tese  apresentada  pelas  Autoridades  Lançadoras  é  a  da  ocorrência  se  simulação,  ou  seja,  a  vontade  declarada  (o  que  consta  dos  documentos  formais)  não  corresponde  à  vontade  real  (a  obtenção  dos  serviços  dos  trabalhadores  com  menor  custo  tributário, usufruindo de um regime fiscal favorecido).  A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 ­ Código Civil, esclarece   Art.  167.  É  nulo  o  negócio  jurídico  simulado, mas  subsistirá  o  que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.  § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:  I  ­  aparentarem  conferir  ou  transmitir  direitos  a  pessoas  diversas  daquelas  às  quais  realmente  se  conferem,  ou  transmitem;  É importante destacar que a comprovação de interposição de pessoas, do uso  de  empresas  de  fachada  e  da  simulação  dificilmente  se  dá  com  elementos  documentais  contundentes, pois a característica essencial desse tipo de conduta é a criação de uma situação  aparente,  formalmente  amparada  em  documentos,  para  ocultar  uma  situação  real.  Portanto,  para  se  desvendar  o  fato  simulado,  é  necessário  olhar  por  trás  do  fato  simulador.  Assim,  a  formalidade  documental  deve  ser  afastada  quando  presentes  elementos  circunstanciais  que  a  contradizem.  Ao  contrário  do  que  a  recorrente  sustentou  no  seu  apelo,  não  se  trata  de  desconsideração das pessoas  jurídicas. Trata­se da correta  identificação do sujeito passivo da  relação  tributária. Os  Fiscais  não  desconstituíram  as  empresas  decorrentes,  elas  estavam  lá,  constituídas  formalmente  e  praticando  atos  e  fatos  com  efeitos  no  mundo  jurídico.  Mas  os  vínculos de  trabalho,  estes  sim,  foram desconsiderados para que o verdadeiro  empregador,  a  Sperafico, pudesse surgir na relação tributária.  Como bem estatuiu BOZZA1:  A prova da simulação é normalmente uma prova por presunção  relativa, isto é, indireta, por inferência, baseada em indícios que  são colhidos no contexto no qual o ato ou negócio foi executado.  Conforme  esclarecido  pelo  conselheiro Marcos Neder,  no  voto  proferido no Ac. CSRF/01­06015, de 14 de outubro de 2008, "a  prova  por  presunção  pode  assegurar  ao  julgador  a  certeza  necessária  para  proferir  sua  decisão,  desde  que  fundada  num  conjunto de indícios graves, precisos e convergentes. Esses fatos  circunstanciais considerados  isoladamente podem não alcançar  a certeza, mas, ao serem examinados em conjunto, podem levar  a  uma  comprovação  confiável  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário".  Entendo  que,  diante  da  constelação  de  indícios,  todos  convergentes,  que  apontam  para  a  Sperafico  como  a  real  contratante  dos  trabalhadores,  a  simulação  resta  comprovada.  Na  verdade,  os  elementos  dos  autos  são  absolutamente  contundentes,  quando  vistos em seu conjunto.                                                               1 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São  Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 233.  Fl. 7235DF CARF MF     16 Os fatos constatados podem assim ser  resumidos: a Sperafico detinha pleno  controle das  empresas  decorrentes,  os  empregados  trabalhavam nas  dependências  dela  e  sob  suas ordens, as empresas decorrentes não possuíam finalidade econômica real, todas elas eram  optantes pelo Simples e, quando a vantagem fiscal acabou em razão de mudança legislativa, os  empregados foram transferidos para a Sperafico,  revelando o verdadeiro propósito do arranjo  empresarial,  qual  seja,  manter  os  empregados  em  empresas  optantes  pelo  Simples  e,  por  conseguinte, evadir­se dos encargos previdenciários.  A  seu  favor,  a  Recorrente  sustenta  que  a  terceirização  de  suas  atividades  encontra  amparo  legal  e  que  as  teria  promovido  para  proporcionar  melhor  gerenciamento  administrativo das atividades­meio. De fato, a terceirização está prevista no ordenamento, mas  existem claros critérios, como a vedação à transferência de atividades finalísticas e a vedação à  pessoalidade e subordinação diretas.   Ao observar as provas dos autos, o que mais se vê é a participação ativa da  Sperafico na gestão de RH dos empregados registrados nas empresas decorrentes (que sequer  possuíam  estrutura  administrativa).  Atividades  como  controle  de  ponto,  pagamento  e  outras  providências  de  pessoal  eram  exercidas  diretamente  pela  Sperafico.  Além  disso,  os  trabalhadores  atuavam  nas  dependências  dessa  empresa  em  distintas  cidades,  executando  as  atividades­fim da Sperafico. O gerenciamento administrativo das atividades, que foi a alegada  causa das terceirizações, permaneceu com a Sperafico. Como não admitir o vínculo direto?  Vale, aqui, relembrar, mais uma vez, a lição de BOZZA2:  Na interposição real, não simulada, a interposta pessoa dá lugar  ao  intermediário.  Estabelece­se,  assim,  um  vínculo  negocial  efetivo, de um lado, entre o  interpoente e o  intermediário e, de  outro  lado,  entre  o  intermediário  e  o  terceiro  contraente.  O  intermediário que realmente participa do contrato estabelece em  seu  nome  a  relação  jurídica  e  torna­se  titular  de  direito  e  obrigações,  ainda  que  ostente  um  vínculo  obrigacional  com  o  interpoente,  resultando  em  uma  combinação  de  atos  jurídicos.  Essa  é  a  razão  pela  qual  o  intermediário  não  pode  ser  considerado interposta pessoa simulada.  Isso  já  não  ocorre  na  interposição  fictícia  ou  simulada,  pois  existe apenas uma relação jurídica direta entre o interpoente e o  terceiro  contraente.  A  interposta  pessoa  não  participa  verdadeiramente  do  negócio,  nem  se  beneficia  de  qualquer  vantagem  patrimonial.  Apenas  finge  que  faz,  emprestando  seu  nome  para  ser  aposto  no  documento.  A  sua  eventual  participação  apenas  será  feita  para  dar  verossimilhança  ao  engano.  Resta claro que os contratos de trabalho ligavam diretamente os trabalhadores  à  Sperafico.  Percebe­se  a  simulação,  também,  ao  se  analisar  as  relações  contratuais  entre  a  Sperafico e as empresas decorrentes. Não havia, ali, um motivo econômico, ou um propósito  negocial.  Aquelas  empresas  não  geraram  lucro,  não  tinham  ativos,  não  tinham  nem  os  equipamentos elementares para a prestação dos serviços para os quais teriam sido contratadas.   Nos contratos juntados pela Recorrente (e­fls. 6522 a 6552) observa­se que as  cláusulas  eram  praticamente  idênticas,  até  os  erros  de  Português  eram  os  mesmos,  independentemente  do  objeto  contratado.  Aliás,  em  todos  os  contratos  se  verifica  a  mesma                                                              2 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São  Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 238.  Fl. 7236DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.229          17 cláusula 5ª (com exceção da empresa LDI Transportes, em que o texto está na cláusula 6ª) que  deixa claro que o papel das empresas decorrentes era  fornecer mão­de­obra à Sperafico, que  arcaria com todo o material e equipamento necessário aos serviços:  A  CONTRATADA  obriga­se  a  fornecer  toda  a  mão­de­obra  necessária  para  a  execução  dos  trabalhos  contratados,  assim  como a administração, o pagamento das verbas remuneratórias  e  encargos  sociais  e  a  CONTRATANTE  obriga­se  a  entregar  todos os materiais, insumos, veículos de transporte, máquinas e  equipamentos  necessários  para  a  prestação  de  serviços  objeto  deste contrato.  Na  verdade,  os  contratos  entre  Sperafico  e  empresas  decorrentes  não  eram  verdadeiros, mas apenas simulacros. As empresas nem possuíam estrutura física e ativos para  fornecerem  os  serviços,  apenas  serviram  de  meio  para  registrar  os  empregados  livrando  a  Sperafico dos ônus previdenciários.  Ainda segundo BOZZA3  A  ausência  de  propósito  negocial  também  surge  diante  da  impossibilidade  material  de  realização  da  atividade  empresarial,  como  ficou  decidido  no  Ac.  303­32460,  de  19  de  outubro de 2005 (Caso CDR), em face da inexistência de móveis  ou maquinários adequados para o empreendimento. O Ac. 101­ 95208,  de  19  de  outubro  de  2005  (Caso  CDR),  considerou  artificial a constituição de empresas entre pessoas ligadas para  se  beneficiar  de  regime de  tributação  favorecido, mas  que  não  possuía meios materiais para a prestação de serviços. (Grifo do  original.)  Assim  como  consignado  no  relatório  fiscal  e  no  acórdão  recorrido,  eu  também  enxergo  claramente  o  emprego  do  artifício  usado  para  ocultar  a  verdadeira  relação  trabalhista entre a Sperafico e os empregados registrados nas empresas decorrentes.   2.1.18  Conclusão quanto à legitimidade passiva da Sperafico  No início deste tópico, foi colocada a seguinte questão: se houve lançamento  reflexo  nas  empresas  desconsideradas,  como  poderia  ser  a  Recorrente  o  sujeito  passivo  da  obrigação principal?  Quanto  ao  lançamento  das  multas  sobre  descumprimento  de  obrigações  acessórias nas empresas decorrentes, a matéria não faz parte destes autos. Cabe, aqui, analisar  se a Recorrente é o sujeito passivo das exações que constam deste processo, que derivaram de  do  pagamento  a  empregados  e  a  contribuintes  individuais. Ora,  a  resposta  à  questão  central  requer conhecer quem, de fato, mantinha a relação de emprego com os segurados empregados e  quem, de fato, contratou os contribuinte individuais.  O acórdão recorrido estatuiu:  Ocorre que cabe ao fisco identificar se a conduta da notificada  em conjunto com as empresas supracitadas desponta no caso em                                                              3 Idem ibdem, p. 244.  Fl. 7237DF CARF MF     18 exame como planejamento tributário, assim entendida a medida  adotada pela empresa, entre as várias alternativas não vedadas  em  lei,  que  resulte  na  diminuição  de  custos,  inclusive  os  tributários.  Todavia,  de  pronto  essa  possibilidade  é  rechaçada  tendo  em  vista  o  vasto  material  probatório  produzido  pela  autoridade lançadora, com a clara demonstração da ocorrência  de  evasão  fiscal  utilizando­se  de  procedimento  que  buscou  a  ocultação do verdadeiro ato realizado.  No  caso,  entendo  que  os  elementos  contidos  nos  autos  são  bastante  persuasivos  em  retratar  a  ocorrência  de  simulacro  empregado  pela  empresa,  objetivando  se  esquivar  de  suas  obrigações previdenciárias.  Corroboro  o  que  consta  do  acórdão  recorrido,  que  reafirmou  a  tese  de  simulação e considerou a Recorrente a verdadeira contratante dos trabalhadores e, portanto, ela  é parte legítima para figurar no pólo passivo da relação tributária.  Observe­se que os indícios e provas indicados nos itens 2.1.1 a 2.1.16 talvez  fossem,  se  analisados  isoladamente,  insuficientes  para  sustentar  a  tese  de  que  teria  havido  simulação. Porém, tomando em conta o conjunto de elementos, não há como se esquivar que a  Sperafico era a verdadeira empregadora, pois:  a)  havia  subordinação,  porquanto  os  empregados  trabalhavam  nas  dependências da Sperafico, que lhes controlava os registros de ponto, em  atividades atinentes ao seu objeto social, com cargos compatíveis com a  estrutura organizacional da empresa e, inclusive, fazendo jus aos mesmos  benefícios que os empregados registrados na própria Sperafico;  b)  o trabalho era habitual e contínuo, como bem descreveu o acórdão a quo:  Mesmo a partir do dia seguinte à transferência dos empregados  das empresas prestadoras (conforme relato supra), jamais houve  qualquer  interrupção  na  prestação  de  serviços  à  SPERAFICO,  inclusive  com  a  continuidade  no  mesmo  cargo,  restando,  portanto, também configurado o caráter da não eventualidade;  c)  os  recursos  para  pagamento  dos  salários  aos  empregados  provieram  sempre  da  Sperafico,  o  que  evidencia  a  onerosidade  da  relação  de  trabalho;  d)  os  empregados  registrados  nas  empresas  decorrentes  exerciam  funções  próprias  da  Sperafico  mesmo  quando  eram  transferidos  entre  aquelas  empresas ou daquelas para a Sperafico, caracterizando a pessoalidade.  Não restam dúvidas, por todo os que foi evidenciado, que a Sperafico possuía  relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores das contribuições  sociais,  revestindo­se, pois, da condição de sujeito passivo, na qualidade de contribuinte. nos  termos do art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN.  Rejeito,  pois,  a  preliminar  de  erro  de  ilegitimidade  passiva  e  concluo  pela  ocorrência de simulação para ocultar os fatos geradores tributários.   Fl. 7238DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.230          19 2.2  DA CONEXÃO E DA CONTINÊNCIA ENTRE PROCESSOS  Embora  esta matéria  não  componha  a  lide,  a Recorrente  solicita  que  sejam  consideradas,  no  julgamento  administrativo,  a  conexão  e  continência  com  as  referidas  autuações seja declarada a conexão e continência entre estes autos e os autos de infração nºs  37.212.503­4,  37.212.504­2  e  37.212.518­2  (e­fl.  6384).  Solicita,  também,  que  o  julgamento  dos processos se inicie pelos presentes autos para que a decisão repercuta nos demais,  face à  conexão e continência (e­fl. 6385).  A esse respeito, registre­se que os processos resultantes da mesma ação fiscal  foram distribuídos para o mesmo relator, de modo a, quando possível e necessário, presentes as  iguais  situações de  fato  e de direito e mesmos elementos de prova, proceder­se a conclusões  convergentes.  Também  solicita,  a  Recorrente,  que  se  considere  a  conexão  e  continência  entre  estes  autos  e  autos  com  os  autos  de  infração  lavrados  em  desfavor  das  empresas  decorrentes  (autos  de  infração  37.289.637­5,  37.289.633­2,  37.289.648­0,  37.289.638­3,  37.289.639­1,  37.289.646­4,  37.289.647­2,  37.289.642­1,  37.289.644­8,  37.289.643­0,  37.289.641­3,  37.289.640­5,  37.289.636­7,  37.289.645­6,  37.289.634­0  e  37.289.635­9),  considerando, no seu entender (e­fl. 6386):  (...) a  incompatibilidade de assunção da obrigação tributária  principal pela Impugnante e, relativamente aos memos (sic)  tributos,  as  penalidades  pecuniárias  por  descumprimento  de  obrigações acessórias às "pessoas jurídicas desconsideradas"  Não vejo possibilidade de atender ao apelo.   Primeiramente, destaca­se que o art. 31 do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 19724,  delimita  as decisões  aos  autos  de  infração que  componham o processo, não  sendo  possível que  se  estenda  o  julgamento  a outros processos,  de outros  contribuintes,  ainda que,  como alegado, possa haver conexão entre os fatos. Admite­se, para efeito de convencimento do  julgador, que os fatos e provas decorrentes de uma mesma ação fiscal, mas que foram dispersos  em distintos processos do mesmo contribuinte, possam ser analisados em conjunto, mas sempre  resultando  em  distinta  decisão  em  cada  processo.  A  análise  de  processos  que  provieram  de  outras ações fiscais, perpetradas em outros contribuintes, implicaria no julgamento conjunto de  todos os fatos, o que não está previsto no regulamento processual administrativo.  Ainda,  a  Recorrente  não  provou,  nos  autos,  que  haja  conexão  entre  as  matérias, apenas alegou que eventual decisão aqui proferida teria reflexos naqueles processos.  Nada  impediria  que  a  Recorrente  buscasse  naqueles  autos  de  infração  os  elementos  que  entendesse  úteis  à  sua  defesa,  que  aqui  poderiam  ser  apreciados  para  efeito  de  decidir  a  presente controvérsia.  Ademais,  como  descrito  no  item  anterior,  não  houve  desconstituição  de  pessoa  jurídica,  como  afirmou  a  Recorrente,  e,  portanto,  caberia  àquelas  empresas  apresentarem  tempestivamente  suas  inconformidades,  que  constituiriam  litígio  administrativo  próprio.                                                               4   Art.  31. A  decisão  conterá  relatório  resumido do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem de  intimação, devendo referir­se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do  processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.   Fl. 7239DF CARF MF     20 Por fim, as normas do processo civil têm aplicação apenas subsidiária e não  podem  ser  invocadas  no  caso,  quanto  à  conexão,  pois  o  rito  processual  administrativo,  notadamente o inc. I do § 1º do art. 6º do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 5, já estabelece o  instituto no âmbito do tribunal administrativo. Quanto à continência, também não se aplica, por  não haver identidade entre as partes.  Indefiro, pois os pedidos de conexão e de continência.  2.3  DA COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO  A  Recorrente  alegou  que  os  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  ao  estabelecerem  vínculos  empregatícios  de  forma  irrestrita,  teriam  desconsiderado  a  personalidade  jurídica  da  empresas  decorrentes  e  a  aplicado  o  art.  116,  parágrafo  único,  do  CTN (norma antielisiva geral). Desta forma, teriam extrapolado suas competências previstas na  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro  de  2002,  e  na  Lei  nº  11.457,  de  16  de  março  de  2007,  avançando sobre competências próprias da Fiscalização do Trabalho e da Justiça do Trabalho.  A Recorrente se equivoca. Não houve desconsideração de pessoa jurídica, o  que  ocorreu  foi  a  correta  identificação  do  sujeito  passivo  e  dos  fatos  geradores,  como  determina o artigo 142 do CTN6, sendo o lançamento uma decorrência da imposição legal.  Presente  a  simulação,  autorizado  estará  o  lançamento  de  ofício,  como  estabelece o  inciso VI do art. 149 do CTN7. E a competência para a constituição de créditos  tributários de contribuições previdenciárias está claramente disposta na alínea a do inc. I do art.  6º da Lei nº 10.593, de 20028. Destaco trecho do voto condutor do Acórdão nº 2402­004.380,  do Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, que adoto como razão de decidir:  Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo  da  relação  tributária,  o  Fisco  não  está  aplicando  a  regra  prevista  no  art.  116  do  CTN  nem  está  realizando  a  desconsideração  de  pessoa  jurídica  prevista  no  art.  50  do  Código  Civil  já  que  a  sua  ação  não  está  voltada  para  fins  relacionados  exclusivamente  ao  direito  civil,  mas  sim  ao  cumprimento  fiel  e  irrestrito  da  legislação  previdenciária  e  tributária,  e  encontra  respaldo  legal  nesses  artigos  142  e  149,  inciso VII, do CTN.                                                              5   Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando­se  a seguinte disciplina:    §1º Os processos podem ser vinculados por:    I  ­  conexão,  constatada  entre  processos  que  tratam  de  exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes  sujeitos  passivos;  6   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da  obrigação  correspondente,  determinar  a matéria  tributável,  calcular  o montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.    Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  7   Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos:    ....................................................................    VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude  ou simulação;  8   Art. 6º  São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil:     I ­ no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:    a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;  Fl. 7240DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.231          21 Portanto,  no  presente  caso  o  Fisco  não  excedeu  de  suas  competências  ao  efetuar  o  lançamento,  tampouco  adentrou  em  atribuições  alheias,  senão  ficou  adstrito  ao  encargo de laçar as contribuições previdenciárias.  Destaque­se que consta, nos Fundamentos Legais do Débito (e­fl. 285), toda  a legislação que ampara a competência das Autoridades Fiscais no presente caso.  Rejeito, pois, a preliminar de incompetência das Autoridades Lançadoras.  2.4  DA IMPARCIALIDADE DOS JULGADORES A QUO  No recurso voluntário, a Recorrente alegou a falta de isenção dos julgadores  da  primeira  instância  administrativa,  porquanto  não  vincularam  os  fundamentos  jurídicos  às  provas dos autos.  Não assiste razão à Recorrente. O acórdão a quo foi diligente ao fartamente  vincular sua conclusões, especialmente no que se refere à existência de simulação e do vínculo  empregatício,  aos  elementos  dos  autos,  inclusive  indicando  as  respectivas  folhas  e  fazendo  citações  ilustrativas.  Ainda  que,  expressamente,  o  acórdão  recorrido  não  houvesse  feito  a  vinculação,  não  se  trataria,  no  dizer  da  Recorrente,  de  falta  de  isenção  de  "animus"  dos  julgadores  preliminares  e  nem  de  razão  para  a  anulação  da  decisão,  pois  que  a  autoridade  julgadora é livre para formar sua convicção diante de sua interpretação das provas9.  3  Da questão prejudicial à análise do mérito  3.1  DA DECADÊNCIA  A Recorrente alegou que, ao caso, deveria  ser aplicado o art. 150, §4º do  CTN e não o artigo 173, inciso I, pois não houve fraude, dolo ou simulação. Alegou que tudo o  que  fez  foi  utilizar­se  legalmente  de  terceirização  de  serviços  de  suas  atividades­meio,  em  consonância com a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) 10.  Não  é  o  que  se  observa  nos  autos.  Segundo  a  Súmula  nº  331  do  TST,  o  vínculo empregatício não se forma quando a contratação se dá em atividades­meio e inexista a  pessoalidade  e a  subordinação direta. O que se vê no processo é que as  atividades exercidas  pelos  profissionais  registrados  nas  empresas  decorrentes  eram  atividades  finalísticas  da  Sperafico  (item  2.1.2  deste  voto);  ademais,  ficaram  evidenciadas  a  pessoalidade  e  a  subordinação (item 2.1.18 deste voto).  A conclusão geral a que se chega é a de que houve simulação. Assim, não há  como  aplicar  a  regra  decadencial  contida  no  §  4º  do  art.  150  do  CTN11.  Filio­me  ao                                                              9 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972:    Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar as diligências que entender necessárias.  10  III ­ Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de  20.06.1983)  e  de  conservação  e  limpeza,  bem  como  a  de  serviços  especializados  ligados  à  atividade­meio  do  tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta.   11   Art. 150. ..........................................................................  Fl. 7241DF CARF MF     22 entendimento manifestado pelo STJ  (AgRg no Recurso Especial nº 1.044.953/SP) segundo o  qual, aplicando­se o disposto no parágrafo único do art. 17312 do Estatuto Tributário, o prazo  quinquenal se conta da data em que se iniciou a constituição do crédito tributário que, no caso,  é 02/03/2009 (e­fl. 742). Tendo em conta que o lançamento se aperfeiçoou em 29/07/2010 (e­ fl. 6312) não há qualquer período alcançado pela decadência.  Ainda que se  aplicasse o  inc.  I  do  art.  173 do CTN,  tendo em conta que o  lançamento  refere­se  às  competências  a  partir  de  01/2005,  também  nenhum  período  estaria  decaído.  4  Do mérito  4.1  QUANTO AOS AO PAGAMENTO A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  O argumento fundamental da Recorrente em sua impugnação, reafirmado no  recurso voluntário, é que teria sido aplicada a norma antielisiva geral para desconsideração das  pessoas jurídicas aqui genericamente referidas por empresas decorrentes. Também pousou sua  contestação na afirmação de que a simulação não  restaria provada, contestando cada um dos  indícios para,  então,  afirmar que não constituiriam prova da  simulação.  Por  fim,  sustentou a  regularidade da terceirização de serviços.  Porém,  entendo  que  não  foi  o  que  ocorreu.  Como  explicado  nos  tópicos  anteriores, não houve desconsideração de pessoa jurídica, de negócio jurídico e nem aplicação  de  norma  antielisiva.  O  que  aconteceu  foi  a  identificação  do  verdadeiro  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  oculto  por  detrás  de  empresas  criadas  por  pessoas  relacionadas  para,  apenas e  tão­somente,  transferir  a elas  as atividades que demandavam mão­de­obra e,  assim,  usufruir  indevidamente da  tributação  favorecida proporcionada pelo Simples,  com prejuízo  à  previdência social.  Ao  contrário  do  que  afirmou  a  Recorrente,  há  provas  e  elementos  de  convicção  a  sustentar  a  tese  da  simulação,  descritos  nos  tópicos  2.1.1.a  2.1.17  deste  voto  e  muito minuciosamente enumerados no Relatório Fiscal.  Observe­se  que  a  Recorrente  não  contestou  o  fato  de  que  os  empregados  registrados nas empresas decorrentes  lhes prestavam serviços. Também não contestou que as  empresas tinham por sócios pessoas com vínculos familiares ou empregatícios com a Sperafico  (embora  tenha sustentado que careceria provas materiais de que  tais pessoas estariam a atuar  como laranja).   Como já exposto, não existe prova material contundente, direta, da simulação  acontecida.  Não  se  registraria  em  nenhum  documento  o  arranjo  engendrado  (criação  de  empresas  em  nome  de  pessoas  relacionadas  para  apenas  proporcionar  à  Recorrente  uma                                                                                                                                                                                             §  4º  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  12   Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se após 5 (cinco) anos,  contados:    I ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;    II  ­  da data  em que  se  tornar definitiva  a decisão que houver  anulado, por vício  formal,  o  lançamento  anteriormente efetuado.    Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se definitivamente com o decurso do prazo  nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao  sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.  Fl. 7242DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.232          23 vantagem tributária nos encargos previdenciários), de modo a comprovar que esse era mesmo o  propósito.  E,  como  já  esclarecido,  também  não  se  pode  tomar  cada  um  dos  indícios  identificados como prova absoluta e  suficiente. O que se  tem, e em abundância,  são  indícios  convergentes que demonstram,  ao meu ver  sem  sombra de dúvidas,  a  simulação. E  indícios,  quando numerosos e convergentes, se constituem prova indireta apta a convencer o julgador.  A Recorrente não se conformou com a consideração, na ação fiscal, de todos  os  empregados  das  empresas  decorrentes  como  sendo  a  ela  vinculados.  Alegou  que  alguns  talvez  não  exercessem  atividades  em  seu  proveito.  Entendo  diferente.  Assumindo  a  tese  da  simulação,  todas  as  relações  empregatícias  nas  empresas  simuladas  não  seriam mais  do  que  parte da estrutura forjada para proporcionar e economia tributária indevida. Assim, mesmo um  auxiliar de escritório que cuidasse da burocracia de uma das empresas decorrentes estaria, ao  cabo,  também  a  serviço  da  Recorrente.  Por  isso,  entendo  que  não  há  como  distinguir,  dos  quadros  de  pessoal,  aqueles  que  atuariam  diretamente  para  a  Recorrente;  no  final,  todos  estavam  a  seu  serviço,  fosse  um  técnico  de  laboratório,  um  motorista  de  caminhões,  um  porteiro, um auxiliar de escritório, um vigia , um diretor ou um mecânico.  Afimou,  a  Recorrente,  que  os  seus  registros  contábeis  e  das  empresas  decorrentes estavam corretos. Ora, uma das características da simulação é que as formalidades  em  geral  (contratos,  registros  contábeis  e  documentação)  estejam  de  acordo  com  o  que  se  pretende simular. O fato de a contabilidade ser escorreita, como afirma a Recorrente, não elide  a simulação. O argumento da Recorrente, ao meu ver, não lhe socorre.  Em outro ponto, a Recorrente disse que as empresas decorrentes teriam sido  consideradas  inexistentes  pelo  Fisco  e,  mesmo  assim,  teriam  sido  autuadas.  Não  há  nisso  qualquer  irregularidade,  porquanto,  ao  contrário  do  que  afirmou  a  Recorrente,  o  Fisco  não  desconsiderou as pessoas jurídicas, apenas atribuiu à Recorrente os vínculos de trabalho para  efeito de incidência da contribuição previdenciária. As empresas decorrentes continuam sendo  sujeito de direitos e obrigações no mundo jurídico.   Alegou,  a  Recorrente,  que  o  lançamento  carecia  de  fundamentação  legal  precisa,  porquanto  utilizou­se  de  artigos  da  CLT,  imprestáveis  para  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária.  Não  foi  isso  que  aconteceu,  a  utilização  subsidiária  de  normas  trabalhistas ocorreu apenas para caracterizar as relações de trabalho, e não as suas decorrências  previdenciárias.  O  lançamento,  no  que  se  refere  às  contribuições  previdenciárias,  está  corretamente fundamentado (e­fls. 285 a 287) em normas de natureza tributária.  Sobre a incidência de Selic, a Recorrente entendeu serem incabíveis os juros  calculados  com base naquela  taxa,  pois  ela  teria natureza  remuneratória  e não moratória. Os  juros são encargos estabelecidos no § 1º do art. 161 do CTN13 e no § 3º da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 199614. Não cabe ao  julgador administrativo substituir o papel do  legislador  para suprimir, aumentar ou modificar a forma de cálculo dos juros.                                                              13   Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o  motivo  determinante da  falta,  sem prejuízo  da  imposição  das penalidades  cabíveis  e da  aplicação  de quaisquer  medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.    § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao  mês.  14   Art.  61  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, cujos  fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos  prazos  previstos  na  legislação  especifica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso.  Fl. 7243DF CARF MF     24 4.2  QUANTO AOS PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO  A  Recorrente  alegou  que,  sobre  o  pagamento  à  cooperativa  de  trabalho  Unimed,  não  poderia  incidir  contribuição  previdenciária  porque  teria  a  mesma  base  da  COFINS  e  do  PIS,  configurando  bitributação.  Além  disso,  argumentou  que  existe  na  contribuição  em  debate  vício  de  inconstitucionalidade.  Em  complemento,  alegou  que  os  empregados é que contribuíam integralmente com a Unimed e, portanto, as empresas atuaram  apenas como intermediárias na relação entre os funcionários e a cooperativa.  Atenho­me  apenas  à  questão  da  inconstitucionalidade  suscitada  pela  Recorrente. De fato, o art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia a contribuição sobre o  valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados  por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi declarado inconstitucional pelo  Supremo Tribunal Federal.  Como  razão  de  decidir,  reproduzo  parte  do  voto  do  destacado Conselheiro  João Bellini Júnior, unanimemente aprovado por esta turma no Acórdão nº 2301­005.076:  Em  11/03/2015  transitou  em  julgado  o  acórdão  publicado  em  25/02/2015, o qual rejeitou os embargos de declaração opostos  pela União, com o fito de modular o decidido no julgamento do  RE  595.838/SP,  o  qual,  proferido  em  23/04/2014,  declarou  inconstitucional a exação prevista na Lei 8.212, de 1991, art. 22,  IV:  RE 595838 ED / SP   Embargos  de  declaração  no  recurso  extraordinário.  Tributário.  Pedido  de  modulação  de  efeitos  da  decisão  com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV  do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei  nº  9.876/99.  Declaração  de  inconstitucionalidade.  Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de  efeito repristinatório. Infraconstitucional.  1.  A  modulação  dos  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade  é medida  extrema,  a  qual  somente  se  justifica  se estiver  indicado e comprovado gravíssimo  risco irreversível à ordem social. As razões recursais não  contêm indicação concreta, nem específica, desse risco.  2.  Modular  os  efeitos  no  caso  dos  autos  importaria  em  negar  ao  contribuinte  o  próprio  direito  de  repetir  o  indébito  de  valores  que  eventualmente  tenham  sido  recolhidos.  3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado  dos julgamentos tal como formalizada, dando­se primazia  à Constituição Federal.  4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito  da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  inciso  IV  do                                                                                                                                                                                             .................................................................................    § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o  § 3º do  art.  5º    a partir do  primeiro  dia do mês  subsequente  ao  vencimento  do prazo  até o mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.    Fl. 7244DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.233          25 art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876/99.  5. Embargos de declaração rejeitados   RE 595838 / SP   Recurso  extraordinário.  Tributário.  Contribuição  Previdenciária. Artigo 22,  inciso  IV, da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99.  Sujeição  passiva.  Empresas  tomadoras  de  serviços.  Prestação  de  serviços  de  cooperados  por  meio  de  cooperativas  de  Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou  fatura.  Tributação  do  faturamento.  Bis  in  idem.  Nova  fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF.  1. O  fato  gerador  que  origina  a  obrigação  de  recolher  a  contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  da  Lei  9.876/99,  não  se  origina  nas  remunerações  pagas  ou  creditadas  ao  cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a  pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus  serviços.  2.  A  empresa  tomadora  dos  serviços  não  opera  como  fonte  somente  para  fins  de  retenção.  A  empresa  ou  entidade  a  ela  equiparada  é  o  próprio  sujeito  passivo  da  relação  tributária,  logo,  típico  “contribuinte”  da  contribuição.  3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas  de  trabalho,  em  face  de  serviços  prestados  por  seus  cooperados,  não  se  confundem  com  os  valores  efetivamente pagos ou creditados aos cooperados.  4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei  nº  9.876/99,  ao  instituir  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura,  extrapolou  a  norma  do  art.  195,  inciso  I,  a,  da  Constituição,  descaracterizando  a  contribuição  hipoteticamente  incidente  sobre  os  rendimentos  do  trabalho  dos  cooperados,  tributando  o  faturamento  da  cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim,  nova  fonte  de  custeio,  a  qual  somente  poderia  ser  instituída por  lei  complementar,  com base no art. 195, §  4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição.  5.  Recurso  extraordinário  provido  para  declarar  a  inconstitucionalidade  do  inciso  IV  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99.  (Grifou­se.)  Ademais, o STF reconheceu a existência de repercussão geral da  questão  constitucional  suscitada  no  RE  595.838,  para  o  qual  firmou a Tese de Repercussão Geral 166:  É  inconstitucional  a  contribuição  previdenciária  prevista  no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela  Lei  9.876/1999,  que  incide  sobre  o  valor  bruto  da  nota  Fl. 7245DF CARF MF     26 fiscal  ou  fatura  referente  a  serviços  prestados  por  cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.  Em  face  disso,  o  Senado Federal  emitiu  a Resolução nº  10,  de  2016, pela qual “É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da  Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei  nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por  decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos  autos do Recurso Extraordinário nº 595.838”.  De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno  do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as  decisões definitivas de mérito  do  STF  e  do  STJ,  na  sistemática  dos  artigos  543B  e  543C  da  Lei  5.869,  de  1973  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  13.105,  de  2015  –  Código  de  Processo  Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF:  Ricarf   Art. 62. (...)  §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos  arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  Assim,  existindo  decisão  definitiva  do  STF,  submetida  à  sistemática  da  repercussão  geral,  no  sentido  de  ser  inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da  nota  fiscal/fatura  de  serviços  prestados  por  cooperados,  por  intermédio de DF CARF MF Fl. 387 6 cooperativas de trabalho  (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir  o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos.  Portanto, os valores constantes dos levantamentos referentes aos pagamentos  a cooperativa de trabalho (Unimed) relacionados no Relatório Fiscal (e­fls. 733 e 734) deverão  ser excluídos do lançamento.  4.3  DO APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS AO SIMPLES E DO PEDIDO DE PERÍCIA  A recorrente solicitou, por derradeiro, que, no insucesso de seu apelo, fossem  compensadas,  das  contribuições  previdenciárias  lançadas,  as  contribuições  pagas  pelas  empresas decorrentes a título de Simples e de previdência retida dos empregados (e­fls. 6320 e  6321).  Preliminarmente,  destaque­se  que  não  cabe  ao  julgador  administrativo  a  homologação  ou  autorização  de  compensação  de  tributos,  sendo  certo  que  o  procedimento  administrativo para esse fim está regulado na legislação tributária. A exceção ocorre quando a  matéria está ligada à lide, ou seja, quando a compensação é o próprio objeto da controvérsia ou  quando valores a compensar deveriam compor o cálculo dos valores lançados.  No  presente  caso,  em  relação  aos  pagamentos  ao  Simples,  entendo  que  a  matéria não cabe na lide, pois trata­se de outro regime tributário e eventuais indébitos devem  Fl. 7246DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.234          27 ser  objeto  de  requerimento  à  autoridade  preparadora,  nos  termos  da  legislação  própria,  que  analisará  a  existência  de  alegados  créditos  tendo  em  conta  os  fatos  geradores  de  todos  os  tributos recolhidos em conjunto.   Ademais,  a  compensação  de  diferentes  espécies  tributárias  não  se  aplica  às  contribuições  previdenciárias,  para  as  quais  o  disciplinamento,  quanto  a  compensações,  continua a ser o art. 89 da Lei nº 8.212, de 199115, segundo o qual a compensação de débito das  contribuições  previdenciárias  somente  pode  se  dar  com  créditos  de  pagamentos  ou  recolhimentos  indevidos  ou  a  maior  dessas  mesmas  contribuições,  não  sendo  possível  a  utilização  de  créditos  dos  recolhimentos  ao  Simples.  Por  esta  razão,  indefiro  o  pedido  de  perícia para levantamento dos valores a compensar que estariam contidos nos recolhimentos ao  Simples.  Em  relação,  entretanto  às  contribuições  recolhidas  pelas  empresas  decorrentes, cujas GPS foram juntadas (e­fls. 6692 a 6868), os titulares dos prováveis direitos  creditórios  são  as  empresas  que  efetuaram  os  pagamentos  e  não  a  Recorrente.  Não  houve  desconstituição das pessoas jurídicas, que permanecem titulares de direitos e obrigações. Não  vejo óbice para que tais empresas pleiteiem, na via própria, a restituição dos valores com base  nos  argumentos  deste  voto,  mas  não  é  possível  utilizar­se  do  julgamento  para  substituir  a  autoridade  tributária,  sobretudo  quando  os  créditos  sequer  pertencem  à  reclamante.  A  propósito, não há razão para deferimento de perícia para levantamento de tais valores porque já  estão  nos  autos  e  são  do  pleno  conhecimento  da  Recorrente,  que  inclusive  juntos  os  comprovantes.  5  Conclusões  Por  todo o exposto, voto por não conhecer do recurso na questão relativa à  exigência  de  garantias  e  por  rejeitar  as  preliminares  de  ilegitimidade  passiva,  conexão  ou  continência  entre  processos  de  distintos  sujeitos  passivos,  incompetência  das  autoridades  lançadoras e falta de isenção dos julgadores a quo. Voto, ainda, por negar o pedido de perícia.  No mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do  lançamento os valores  incidentes sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho.  (assinado digitalmente)  João Maurício Vital ­ Relator                                                              15   Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas  nas  hipóteses  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido  ou maior  que  o  devido,  nos  termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941,  de 2009).  Fl. 7247DF CARF MF     28   Tabela 1 ­ Atividades  Empresa  Objeto Social  Atividade Preponderante (CNAE)  Sperafico  (...) a exploração no ramo de serviços de  transportes rodoviários nacionais e internacionais de  cargas, produção, beneficiamento e comércio de  sementes selecionadas, Indústria e comércio de  cereais e seus derivados, comercialização de  pneus, peças, máquinas e equipamentos,  comércio de corretivos, defensivos agrícolas,  água mineral, produtos alimentícios, indústria e  comércio de fertilizantes químicos e fertilizantes  organo­minerais, indústria de óleo de soja,  armazenamento de cereais, representações  comerciais, prestação de serviços fitossanitários,  importação e exportação de produtos objeto do  ramo social.  1041­4­00 Fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto  óleo de milho  1062­7­00 Moagem de trigo e fabricação de derivados  1066­0­00 Fabricação de alimentos para animais  4622­2­00 Comércio atacadista de soja  4623­1­08 Comércio atacadista de matérias­primas  agrícolas com atividade de fracionamento e  acondicionamento associada  4623­1­09 Comércio atacadista de alimentos para animais  4623­1­99 Comércio atacadista de matérias­primas  agrícolas não especificadas anteriormente  4632­0­01 Comércio atacadista de cereais e leguminosas  beneficiados  4930­2­02 Transporte rodoviário de carga, exceto  produtos perigosos e mudanças,  intermunicipal, interestadual e  internacional  KL  De 23/03/2004 em diante: serviços de consertos e  substituição de peças de caminhões, ônibus e  outros veículos pesados, e comércio a varejo de  peças e acessórios novos para veículos  automotores.  4530­7­03 Comércio a varejo de peças e acessórios  novos para veículos automotores  LDI  Serviço de transporte rodoviário de cargas e afins.  4930­2­02 Transporte rodoviário de carga, exceto  produtos perigosos e mudanças,  intermunicipal, interestadual e  internacional  Olecargas  Carga e descarga de produtos alimentícios e  transporte  5212­5­00 Carga e descarga  Plasma  Industrialização, empacotamento e o comércio de  cereais e serviços relacionados.  1062­7­00 Moagem de trigo e fabricação de derivados  PP  Exploração do ramo de Serviços de Carga e  Descarga de Produtos Agrícolas.  5212­5­00 Carga e descarga  PPMS  Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em  Geral e Serviços de Cargas e Descargas em Geral.  4930­2­02 Transporte rodoviário de carga, exceto  produtos perigosos e mudanças,  intermunicipal, interestadual e  internacional  RTC  Carga, Descarga e Movimentação de Produtos  Agrícolas e Transporte  5212­5­00 Carga e descarga  Spartano  Fabricação e comércio de assentos com estrutura  em mental, móveis e utensílios em geral.  5212­5­00 Carga e descarga  Tolecargas  carga, descarga, movimentação de produtos  agrícolas e transporte.  5212­5­00 Carga e descarga  Tolenorte  Serviços de Carga e Descarga em transporte  rodoviário e movimentação de produtos agrícolas  em grãos e farelo e serviços de beneficiamento,  moagem e preparação de outros produtos de origem  vegetal, e transportes rodoviários dos mesmos.  5212­5­00 Carga e descarga  TPC  Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em  Geral e Serviços de Carga e Descargas em Geral  4930­2­02 Transporte rodoviário de carga, exceto  produtos perigosos e mudanças,  intermunicipal, interestadual e  internacional  Transcar  Carga, Descarga e Movimentação de Produtos  Agrícolas e Transporte  5212­5­00 Carga e descarga  VS  Comércio Varejista de: Defensivos Agrícolas,  Corretivos, Fertilizantes, Sementes, Insumos  Agropecuários, Aplicação de Agrotóxicos e a  Prestação de Serviços de Carga e Descarga de  Cereais e Manutenção de Armazéns  4789­0­99 Comércio varejista de outros produtos não  especificados anteriormente  WSul  Prestação de serviços de manutenção e reparos em  veículos, caminhões, máquinas e equipamentos  agrícolas, equipamentos industriais e equipamentos  de armazenagem; comércio de peças e acessórios  para equipamentos industriais  4520­0­01 Serviços de manutenção e reparação  mecânica de veículos automotores    Fl. 7248DF CARF MF Processo nº 10935.004176/2010­23  Acórdão n.º 2301­005.366  S2­C3T1  Fl. 7.235          29                               Fl. 7249DF CARF MF

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7438217 #
Numero do processo: 10840.002019/2005-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 1003-000.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES

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1003­000.164  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  11 de setembro de 2018  Matéria  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO  Recorrente  NOGARA E NOGARA ADV. ASSOCIADOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2003  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRAZO.  RECURSO  VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar  da intimação da decisão recorrida. Apresentando­se o recurso voluntário fora  do  prazo  legal  sem  a  prova  de  ocorrência  de  qualquer  causa  impeditiva,  é  intempestivo o  recurso  e,  portanto,  não pode ser conhecido  (art.  5º  e 33 do  Decreto nº 70.235/1972).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Bárbara Santos Guedes ­ Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Sérgio  Abelson,  Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 20 19 /2 00 5- 75 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10840.002019/2005­75  Acórdão n.º 1003­000.164  S1­C0T3  Fl. 3          2 Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  acórdão  de  nº  14­21.338,  de  06  de  novembro  de  2008,  da  3ª  Turma  da DRJ/RPO,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  da  Recorrente,  mantendo  o  lançamento  da  multa  por  atraso  na  entrega  da  DCTF.  Aos  19/07/2005,  a  Recorrente  apresentou  impugnação  contra  Auto  de  Infração fls. 03, que autuou a mesma por atraso na entrega de DCTF relativa aos 1º, 2º, 3º e  4º/trimestres/2003.  A  DRJ/  RPO  analisou  a  impugnação  e  julgou  o  pedido  da  Recorrente  improcedente, nos moldes da ementa abaixo:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Ano­calendário: 2003   MULTA POR ATRASO. DCTF.  A partir de 27 de dezembro de 2001, a falta de entrega da DCTF  nos prazos fixados sujeita­se às multas previstas na MP n° 16, de  2001.  Lançamento Procedente  Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que,  em síntese, destaca:  (i) que é  inaceitável a obrigação de pagar multa pela entrega da DCTF fora  do prazo, com base em leis posteriores à ocorrência do fato que poderia gerar a obrigação em  debate. Aduz que no exercício de 2001 não existia qualquer lei em vigor prevendo a aplicação  de multa  pela  entrega  da  declaração  fora  do  prazo,  já  que  a MP  nº  16/01  foi  publicada  em  27.12.2001, produzindo efeitos somente no exercício posterior;  (ii) que o auto de infração é nulo em razão de equivocada capitulação legal  dos  fatos,  pois  teria  apontado  normas  que  não  dispõem  sobre  a  entrega  da  DCTF  e  que  tampoco estabelecem aplicação da multa;  (iii) que cumpriu espontaneamente a obrigação de entrega da DCTC, antes de  qualquer  iniciativa  ou  providência  por  parte  do  Fisco  e,  por  conseguinte,  o  cumprimento  espontâneo de obrigações  acessórias  a destempo está  abrigado pelo  art.  138 do CTN, o qual  esclarece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea;  (iv) por fim, requereu o cancelamento da multa.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora   Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10840.002019/2005­75  Acórdão n.º 1003­000.164  S1­C0T3  Fl. 4          3 Antes de analisar o mérito do Recurso, faz­se imprescindível verificar se esse  recurso voluntário preenche todos os requisitos de admissibilidade.  Conforme se verifica nos autos, a Recorrente foi notificada do julgamento de  sua  manifestação  de  inconformidade  em  22/12/2008  (segunda­feira)  (fls.  16  e  17  e  verso).  Tendo iniciada a contagem do prazo para a apresentação de recurso voluntário no primeiro dia  útil seguinte, qual seja, 23/12/2008 (terça­feira).  A Portaria nº 855, de 26 de dezembro de 2007 divulgou os dias de  feriado  nacional  e  ponto  facultativo  no  ano  de  2008  para  cumprimento  pelos  órgãos  e  entidades  da  Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo. Por essa  Portaria, no mês de dezembro de 2008 foram pontos facultativos os dias 24 e 31 de dezembro  de 2008 e feriado o dia 25 de dezembro de 2008.  Conclui­se,  portanto,  que  o  dia  23/12/2008  (terça­feira)  teve  expediente  normal na Receita Federal, data que iniciou a contagem do prazo para apresentação de recurso  voluntário.  O Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal,  determina que, do  julgamento de primeira  instância,  cabe apresentação de  recurso voluntário  total ou parcial no prazo de trinta dias, conforme abaixo:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  Ainda, o mesmo Decreto  acima citado  esclarece  como deve ser  realizada  a  forma de contagem dos prazos no âmbito dos processos administrativos, vide abaixo:  Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  No caso dos presentes autos, a Recorrente recebeu a decisão da DRJ no dia  22/12/2008 (segunda­feira) e o  início da contagem do prazo recaiu no dia 23/12/2008 (terça­ feira),  conforme  comentado  acima,  e,  por  conseguinte,  possuía  como  termo  final  para  apresentação do recurso o dia 21/01/2009 (quarta­feira).  Contudo,  segundo  carimbo  de  recebimento  do  recurso  voluntário  (fls.  18),  esse foi protocolizado apenas em 23/01/2009 (sexta­feira), dois dias após o vencimento.  O  recurso  voluntário  em  análise  não  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade,  pois  o  prazo  legal  de  30  (trinta)  dias  para  interposição  do mesmo  já  havia  transcorrido na data em que foi protocolada a peça ora em análise.   Registre­se que a análise do prazo foi realizada nos moldes legais, contado de  forma contínua, excluindo­se o dia de início e incluindo­se o do vencimento.   Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10840.002019/2005­75  Acórdão n.º 1003­000.164  S1­C0T3  Fl. 5          4 Também  é  de  se  considerar  que  não  há  nos  autos  nenhuma  informação  ou  prova de que a Recorrente tenha experimentado qualquer dificuldade para protocolar o recurso  voluntário na data do seu vencimento.  Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, em razão  de sua intempestividade.  (assinado digitalmente)  Bárbara Santos Guedes                                Fl. 39DF CARF MF

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7443194 #
Numero do processo: 10880.726327/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado pela não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3301-004.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado pela não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.

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3301­004.834  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  COFINS  Recorrente  SEARA ALIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.  Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  e  essenciais  ao  processo  produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial  perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.   TRANSPORTE DE MATÉRIA­PRIMA E  O  UTILIZADO NO  SISTEMA  DE  PARCERIA  (INTEGRAÇÃO).  O  frete  contratado  e  suportado  pela  Recorrente  para  o  transporte  de matéria  prima  e  o  utilizado  no  sistema  de  parceria  (integração)  não  é  passível  de  crédito  do  PIS/COFINS  não  cumulativo.   CRÉDITO  PRESUMIDO.  AGROINDÚSTRIA.  PERCENTUAL.  PRODUTO  FABRICADO.  INTERPRETAÇÃO.  APLICAÇÃO  RETROATIVA.  O montante  do  crédito  presumido  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das  mencionadas  aquisições,  da  alíquota  de  60%  ou  a  35%,  em  função  da  natureza  do  ‘produto’  a  que  a  agroindústria  dá  saída  e  não  da  origem  do  insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10  da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase  retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do  CTN, a norma legal expressamente interpretativa.   NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  APROVEITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DESNECESSIDADE  DE  PRÉVIA  RETIFICAÇÃO  DO  DACON.  Desde  que  respeitado  o  prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  aquisição  do  insumo,  o  crédito  apurado  pela  não  cumulatividade  do  PIS  e  Cofins  pode  ser  aproveitado  nos  meses  seguintes,  sem  necessidade  prévia     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 63 27 /2 01 1- 61 Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.894          2 retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo  contribuinte.      Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial  provimento ao recurso voluntário.      (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira      (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D  Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Candido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen e Winderley Morais Pereira.    Relatório  Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão  recorrida, Acórdão no 1656.458­6ª Turma da DRJ/SP1 (fls 2.700/2.738):  4. O processo em exame versa sobre pedido de ressarcimento de  crédito  de  Cofins  pertinente  a  receitas  de  exportação,  no  montante de R$ 36.081.172,49, o qual  teria  sido apurado no 3o  trimestre de 2008 pelo regime nãocumulativo.  5. Ao referido pedido se acham vinculadas diversas declarações  de compensação.  6. Em despacho decisório exarado nas fls. 2.413/2.448, a Equipe  especial  de  Auditoria  (EQAUD)  da  DERAT/SPO  deferiu  parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito  de  R$  4.903.461,73,  e  homologou  até  esse  valor  as  compensações declaradas.  7. Intimada da decisão por via postal em 03/04/2012 (fl. 2.452),  apresentou  a  contribuinte  em  27/04/2012  —  tempestivamente  portanto  —  a  manifestação  de  inconformidade  anexa  às  fls.  2.459/2.511, cujo  teor  resumo a  seguir,  acompanhada de alguns  documentos.  Resumo da impugnação  I. Dos créditos sobre bens sujeitos à alíquota zero  Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.895          3 (fls. 3/6 do recurso)  a) Alega basicamente que os bens sujeitos à alíquota zero trazem  embutidos em seu preço  tanto o Pis quanto a Cofins, visto que,  incidindo  nas  etapas  anteriores  da  comercialização,  essas  contribuições oneram em cascata o custo do produto final, que é  adquirido como insumo pela empresa.  b)  Assim —  prossegue —  ainda  que  tenha  adquirido  insumos  tributados  à  alíquota  zero,  é  fato  incontestável  tratar­se  de  operações sujeitas ao pagamento dessas contribuições, de modo  que não incide no caso o óbice a que alude o art. 3o, § 2o, da lei  n° 10.833/2003.  c)  Cita  em  seu  favor  jurisprudência  do  STJ  e  do  CARF,  afirmando  tratar­se  de  posicionamento  unânime  nos  tribunais  administrativos e judiciais.  d)  Argumenta  ainda  que  —  caso  se  entenda  não  lhe  assistir  direito  aos  créditos  integrais  decorrentes  da  aquisição  de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero  —  deve­se  reconhecer  nesse  caso seu direito ao crédito presumido previsto no art. 8o da lei n°  10.925/2004, calculado sobre o valor dos bens citados no art. 3o,  II, da lei n° 10.833/2003.  II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais  ­ Insumos adquiridos de pessoas físicas (fls. 6/11 do rec.)  e)  Esclarece  inicialmente  que,  segundo  o  entendimento  da  autoridade  administrativa,  na  apuração  do  crédito  presumido  relativo  às  aquisições  de  pessoas  físicas,  a  recorrente  “deveria  aplicar a alíquota de 35% previstas (sic) no inciso III do §3° do  artigo  8°  da  Lei  n°  10.925/04  de  acordo  com  cada  insumo  adquirido”.  f)  Acrescenta  que,  ainda  segundo  a  referida  autoridade,  a  contribuinte  “teria  utilizado,  equivocadamente,  a  alíquota  de  4,56%  sobre  as  aquisições  de  alguns  insumos”,  quando,  na  verdade, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%.  g) Discordando dessa  tese,  alega  em  síntese  que  os percentuais  de  crédito presumido previstos no  art.  8° da  lei  n° 10.925/2004  devem  ser  aplicados  em  função  dos  produtos  elaborados  (no  caso  produtos  de  origem  animal,  sobretudo  carne  de  suínos  e  aves, classificados no capítulo 2 da TIPI) e não ­ como afirma a  autoridade  administrativa  ­  em  função  dos  insumos  utilizados  (no caso, além de insumos vegetais, animais vivos, classificados  no capítulo 1).  h)  Assim,  prossegue,  as  empresas  agroindustriais  que  fabricam  produtos  de  origem  animal,  como  é  o  seu  caso,  têm  direito  ao  crédito presumido calculado à alíquota de 60% (art. 8°, § 3°, I),  pouco importando se os insumos adquiridos de pessoa física ou  pessoa  jurídica  são  de  origem  animal  ou  vegetal,  da  mesma  forma  que  as  fabricantes  de  bens  de  origem  vegetal,  Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.896          4 independentemente  da  natureza  dos  insumos  utilizados,  devem  creditar­se  com  base  na  alíquota  de  35%  (art.  8°,  §  3°,  III),  relativa a produtos vegetais.  i) Escudada em tal raciocínio e considerando a alíquota de 7,6%  prevista  no  art.  2o  da  lei  n°  10.833/2003,  contesta  a  glosa  dos  créditos  presumidos  por  ela  apropriados  à  alíquota  de  4,56%  (60% X 7,6%), glosados por  entender  a  autoridade  fiscal  que  a  alíquota  aplicável  seria  2,66%  (35%  X  7,6%).  [Vide  a  esse  respeito o item 33 na fl. 13 do despacho decisório]  j) Observa que sua interpretação do art. 8o está de acordo com o  pronunciamento  da Receita  Federal  no  processo  de  consulta  n°  134/09, da 8a Região Fiscal, cuja ementa reproduz nas fls. 9/10  do recurso.  j1)  Argumenta  ainda  que  a  intenção  do  legislador  teria  sido  conceder  aos  produtores  de  bens  de  origem  animal  maior  percentual de crédito presumido devido ao fato de sua cadeia de  custos ser mais onerada pelo Pis e pela Cofins do que a cadeia de  custos relativa à produção de bens de origem vegetal.  j2)  Pondera  também  que,  se  a  intenção  do  legislador  fosse  realmente conceder o direito ao crédito presumido com base nas  entradas, teria  incluído no inciso I do § 3° do art. 8° os animais  vivos, visto  tratar­se do “principal  insumo de parte significativa  da agroindústria de alimentos de origem animal”.  j3) Concluindo, contesta as glosas realizadas, declarando corretos  os  procedimentos  que  adotou  para  apropriar­se  do  crédito  presumido sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas.  III. Do conceito de insumo  (fls. 11/19 do recurso)  K)  Em  longa  dissertação  entremeada  de  citações  de  doutrina  e  jurisprudência  administrativa,  salientando  a  ausência  de  positivação  do  conceito  de  insumo  nas  leis  que  disciplinam  o  regime não­cumulativo  do Pis  e  da Cofins  e  invocando os  arts.  290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, advoga a tese  de  que  o  referido  termo deve  ser  entendido  em  acepção  ampla,  abarcando  todos  os custos de produção e despesas operacionais  necessários  à  atividade  geradora  de  receita  da  pessoa  jurídica,  tais  como  matérias­primas,  máquinas,  equipamentos,  capital,  mão­de­obra,  energia  elétrica,  marketing,  produtos  intermediários, arrendamentos, etc.  l)  Assevera  que  qualquer  outra  interpretação  que  se  aplique  à  não­cumulatividade  do  Pis  e  da  Cofins  implicaria  afronta  à  Constituição Federal, particularmente aos princípios da isonomia  tributária, do não­confisco e da capacidade contributiva.  m) Nesse  sentido,  salientando  a  impossibilidade  de  restringir  o  conceito  de  insumo  a  determinadas  operações,  para  fins  de  tomada  de  créditos,  visto  estar  ligado  aos  custos  e  despesas  Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.897          5 inerentes  à  atividade  ensejadora de  receita  tributável,  alega  que  as  instruções  normativas  n°  247/2002  (art.66)  e  n°  404/2004  (art.8°) ­ em que, abusivamente, se fundam diversas  respostas a  consulta  —  extrapolam  a  competência  regulamentar  do  Poder  Executivo, “aplicando restrições que não encontram respaldo no  sistema de não­cumulatividade criado para o PIS/COFINS”.  IV. Das  glosas  resultantes  do  conceito  de  insumo  adotado  pela  autoridade fiscal (fls. 19/47 do recurso)  n)  Esclarece  de  início  que  a  autoridade  administrativa  glosou  créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na linha 2 do  DACON  por  entender  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo delimitado no artigo 8° , § 4°,  inciso I, alíneas " a " e "  b", da IN SRF n° 404/2004.  o) Discordando da glosa, sob a alegação de que tais bens teriam  sido  consumidos  no  processo  produtivo,  protesta  pela  posterior  juntada de laudos técnicos que demonstrarão de forma detalhada  sua utilização no referido processo, mencionando especialmente  os  seguintes  insumos:  a)  Combustíveis  e  lubrificantes;  b)  Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas;  c) Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento; d)  Serviços  prestados;  e)  Produtos  químicos  utilizados  no  tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de  trabalho.  IV. 1 Da utilização da graxa no processo produtivo (fls. 20/22)  p)  Afirma  que  a  “graxa”,  assim  como  o  “óleo  lubrificante”,  é  uma  espécie  do  gênero  “lubrificante”,  tendo  portanto  previsão  legal o direito ao crédito sobre sua aquisição, visto que o art. 3o,  II,  da  lei  n°  10.833/2003  menciona  expressamente  os  “combustíveis e lubrificantes”.  q)  Com  base  em  excerto  transcrito  do  despacho  decisório,  assevera que o próprio auditor fiscal admite que a “graxa” é um  “lubrificante”, acrescentando que em momento algum a referida  lei  limitou o direito ao crédito apenas aos “óleos  lubrificantes”,  como afirma a dita autoridade.  r)  Ressalta  ainda  ser  a  “graxa”  essencial  a  seu  processo  produtivo, tendo fundamental importância para manter em pleno  funcionamento as máquinas e equipamentos nele utilizados.  IV. 2 Das despesas com locação de imóveis (fls. 22/24)  s)  Alega  que,  embora  as  despesas  de  comissões  sobre  vendas  devessem constar da linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON,  as enquadrou por equívoco como créditos advindos de despesas  com aluguel.  t)  Entretanto,  prossegue,  como  tais  despesas  também  são  insumos, devem ser reclassificadas na referida linha 03, devendo­ se reconhecer os créditos delas decorrentes.  Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.898          6 u) Retomando  alguns  dos  argumentos  expendidos  ao  discutir  o  conceito  de  insumo,  observa  que  as  despesas  com  comissão  de  vendas, ou seja, as comissões pagas a representantes comerciais  autônomos de acordo com os pedidos de compra que obtenham,  constituem  insumos  porque  são  essenciais  à  atividade  da  empresa,  viabilizando­lhe  a  comercialização  das  mercadorias  produzidas.  IV.  3  Das  despesas  de  armazenagem  e  fretes  nas  operações  de  venda (fls. 24/47)  v)  Inicialmente  relata,  de  forma  bastante  pormenorizada,  as  várias  fases  da  auditoria  realizada  pela  autoridade  fiscal  no  tocante a este tópico, bem como as conclusões a que ela chegou  (fls. 24/29).  x)  Passa  em  seguida  a  examinar  individualmente  cada  uma das  rubricas glosadas, aduzindo diversos argumentos:  1a Rubrica: Créditos relativos a armazenagem (fl. 29)  y)  Reconhece  que,  de  fato,  parte  do montante  registrado  como  despesa com armazenagem se refere a aluguéis pagos a pessoas  jurídicas que foram indevidamente classificados na linha 07.  z) A seu ver, tais parcelas devem ser consideradas como créditos  nas linhas 05 e 06 das fichas 06A e 16A dos DACON do período  fiscalizado,  tratando­se  portanto  de  “mera  reclassificação  na  declaração  e  não  de  glosa  a  afetar  o  valor  do  pedido  de  ressarcimento analisado”.  2a  Rubrica:  Créditos  relativos  a  frete  sobre  transferência  de  mercadorias entre estabelecimentos da empresa (fls. 30/35)  aa) Retomando  argumentos  já  expendidos  ao  tratar  do  conceito  legal de insumo, refuta novamente a legitimidade da IN SRF n°  404/2004,  sob  a  alegação  de  que  as  leis  n°  10.637/2002  e  n°  10.833/2003  jamais  o  definiram  nem  tampouco  “previram  a  aplicação subsidiária de uma outra norma”.  bb)  Afirma,  em  síntese,  que  as  transferências  de  mercadorias  entre centros de distribuição (CD) ou entre estes e lojas varejistas  não têm outro propósito senão a operação de venda, constituindo  etapa  essencial  à  atividade  econômica  da  pessoa  jurídica,  de  modo  que  todas  essas  operações  geram  direito  ao  creditamento  do  frete  e  não  apenas  o  “deslocamento  da  mercadoria  da  loja  varejista  para  o  consumidor  final,  como  querem  fazer  crer  as  autoridades fiscais”.  cc) Acrescenta  que  “o  «frete  transferência»  compõe  o  custo  de  produção  ou  comercialização  de  uma  mercadoria,  dentro  da  acepção de  insumo  já plenamente defendida nesta manifestação  de inconformidade” e que o legislador, ao valerse  da expressão “operação de venda” em vez de referir­se à “venda”  propriamente  dita,  não  teve  outro  intuito  senão  o  de  “conferir  crédito  de  PIS  e  COFINS  sobre  o  frete  para  transporte  de  Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.899          7 mercadorias,  sempre  que  este  transporte  estiver  relacionado  à  atividade de venda”.  dd)  Cita  em  seu  favor  um  excerto  de  doutrina,  uma  sentença  judicial  e um acórdão do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (CARF).  ee)  Assinala  que  as  Soluções  de  divergência  mencionadas  no  despacho  decisório  se  originam  não  apenas  de  decisões  desfavoráveis,  senão  também  de  decisões  favoráveis  aos  contribuintes,  como  o  demonstra  a  Solução  de  Consulta  n°  71/2005, da 9ª Região Fiscal, cuja ementa reproduz na fl. 33 da  manifestação de inconformidade.  ff)  Alega  ainda  que  “as manifestações  da  RFB  em  respostas  a  consulta  sobre  IMPOSSIBILIDADE  de  creditamento  sobre  o  valor  incorrido a  título de  fretes entre  estabelecimentos de uma  mesma  empresa  não  encontra[m]  supedâneo  legal  e  transgride[m]  elementos  nevrálgicos  ínsitos  a  não­ cumulatividade  do  PIS/COFINS,  razão  pela  qual  a  glosa  procedida deve ser revertida”.  gg) Concluindo as considerações a respeito deste tópico, observa  haver juntado à manifestação de inconformidade, como forma de  provar o alegado, “cópia de demonstrativo contendo resumo das  entradas  e  saídas  por  CFOP  envolvendo  os  CDs  da  fiscalizada  nas  filiais  abaixo  citadas  nos  períodos  de  10  a  12/2007,  10  a  12/2008,  10  a  12/2009  (docs):  (docs):  SP  ­  CD  JANDIRA  FILIAL  147;  DF  ­  CD  BRASILIAL­FILIAL  163;  BA­  CD  SIMOES FILHO FILIAL 345”.    3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago na subcontratação de  transporte de carga (fls. 36/40) — Tese 1  hh) Afirma constar de seu objeto social a atividade de “transporte  rodoviário  de mercadorias  próprias  e  de  terceiros”  (fl.  2.516)  e  que  possui  filiais  em  diversos  estados  habilitadas  perante  a  ANTT  (Agência  Nacional  de  Transporte  Terrestre)  para  o  exercício dessa função (fls. 2.544/2.549).  ii) Como não dispõe de  frota própria  ­  prossegue  ­,  subcontrata  transportadores  autônomos  (pessoas  físicas)  e  transportadoras  (pessoas  jurídicas),  utilizando­os  não  apenas  para  atividade  de  transporte  interno, mas  também para  transportar mercadorias de  terceiros, conforme documentos anexos às fls. 2.542/2.543, o que  corrobora “a efetividade de seu objeto social quanto a prestação  de serviços de transporte rodoviário de carga”.  jj)  Conclui  daí,  em  vista  de  “sua  legítima  atividade  de  transporte”, assistir­lhe direito ao creditamento dos custos com a  contratação  de  transportadores,  seja  por  meio  de  crédito  ordinário,  consoante o art.  3o,  II,  das  leis n° 10.637/2002 e n°  10.833/2003  (subcontratação  de  pessoa  jurídica),  seja  por meio  de crédito presumido, na forma do art. 3o, § 19, II, e § 20, da lei  Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.900          8 n° 10.833/2003  (subcontratação de pessoa  física). Reproduz em  parte  o  referido  art.  3o  nas  fls.  36/37  da  manifestação  de  inconformidade.  kk) Alega que o fato de haver enquadrado, por equívoco, o custo  em causa na linha 07 dos DACON entregues (“frete na operação  de  venda”)  não  significa  a  inexistência  de  direito  a  crédito,  cabendo à autoridade  fiscal alocar e considerar o dito custo nas  linhas  03  (“insumo  –  contratação  de  transportador  PJ”)  e  18  (“crédito  presumido  –  contratação  de  transportador  PF”)  das  fichas 06A e 16A, “conforme amplamente demonstrado durante  a auditoria fiscal e também nesta manifestação”.  ll) Quanto  à afirmação de que  a atividade de  transporte por  ela  exercida  não  gera  receita,  contida  na  fl.  31  do  despacho  decisório,  afirma  não  haver  nenhuma  exigência  legal  que  condicione  à  geração  de  receita  o  direito  ao  crédito,  sujeito  apenas às condições previstas no art. 3o, §§ 2o e 3o, das leis n°  10.637/2002  e  n°  10.833/2003,  as  quais  enumera  na  fl.  39  da  manifestação de inconformidade.  mm) Em remate, argumenta que ­ na hipótese de os custos com  subcontratação  de  transportadoras  não  serem  aceitos  como  insumos  da  atividade  de  serviços  de  transporte  ­  é manifesta  a  possibilidade  de  enquadrá­los,  alternativamente,  como  insumos  da  atividade  agroindustrial,  no  que  toca  às  “aquisições  de  serviços de transporte junto a pessoas jurídicas”, como mostrará  a seguir.  3a  Rubrica:  Créditos  relativos  a  frete  pago  no  transporte  de  insumos  e matéria­prima  no  sistema  de  parceria  (fls.  40/47) —  Tese 2  nn)  Discorrendo  sobre  o  conceito  de  integração  vertical  ou  verticalizada (agrupamento de diversas fases da cadeia produtiva  dentro  de  uma  mesma  empresa),  observa  adotar,  em  suas  atividades  agroindustriais,  a  chamada  “integração  para  trás”,  controlando  a  produção  de  seus  “inputs”  (insumos),  bem  como  seus canais de distribuição.  oo)  Descreve  de  maneira  pormenorizada  as  diversas  fases  do  processo produtivo, assim como o sistema de parceria que lhe é  inerente,  procurando  demonstrar  a  existência  de  “uma  série  de  movimentos logísticos de insumos e matérias­prima” necessários  ao ciclo de produção.  pp)  Afirma  não  se  resumir  sua  atividade  ao  abate  e  processamento de carne, visto que seu processo produtivo abarca,  “além  da  planta  industrial  de  abate,  as  fabricas  de  rações,  os  domicílios  rurais  dos  parceiros  agrícolas,  os  custos  com  medicação, vacinas, veterinário, assistência técnica aos produtos  parceiros”, etc.  qq)  Assim,  no  seu  entender,  “os  fretes  incorridos  nos  deslocamentos  de  insumos  e  matérias­primas  da  Seara  para  o  produtor parceiro e vice­versa  Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.901          9 fazem  parte  do  seu  custo  de  aquisição  de  mercadorias  para  fabricação de produtos destinados a venda”.  rr)  Informa  terem  sido  objeto  de  glosa  os  CFOP  de  saída,  acrescentando que, embora não tenham a denominação de venda,  estão diretamente vinculados à venda ou ao processo produtivo,  sendo incontestável que geram crédito de Pis e Cofins.  ss) Relaciona  a  seguir  alguns CFOP que deram origem a  fretes  cujo  crédito  foi  glosado,  explicando  por  que,  a  seu  ver,  lhe  dariam direito a crédito:  5151  Transferência  de  Produção  do  Estabelecimento  (Vide  fls.  43/44).  5451  Remessa  de  Animal  ou  de  Insumo  p/  Estabelecimento  Produtor (Vide fl. 44).  5501  Remessa  de  produção  do  estabelecimento,  com  fim  específico de exportação (Vide fl. 44).  5152  Transferência  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros (Vide fl. 44).  5503 Devolução  de mercadoria  recebida  com  fim  específico  de  exportação (Vide fls. 44/45).  5905/6905  Remessa  para  depósito  fechado  ou  armazém  geral  (Vide fl. 45).  5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em  venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito  fechado (Vide fl. 45).  6151  Transferência  de  produção  do  estabelecimento  (Vide  fls.  45/46).  7949 Outra  Saída  de Mercadoria  ou  Prestação  de  Serviço Não  Especificada (Vide fl. 46).  tt)  Assevera  ser  “notório  que  todas  as  atividades  acima  discriminadas  estão  vinculadas  ao  processo  produtivo,  não  havendo  justificativa  plausível  para  a  glosa  realizada  pela  fiscalização”.  uu) Em remate, afirma que os citados fretes constituem insumos  de sua atividade produtiva, nos termos do art. 3o, II, das leis n°  10.637/2002  e  n°  10.833/2003  ­  tomado  o  termo  insumo  na  acepção já exposta  ­ e portanto geram direito a crédito do Pis e  da  Cofins,  conforme  o  demonstra  o  acórdão  do  CARF  cuja  ementa reproduz nas fls. 46/47.  V. Dos créditos extemporâneos  (fls. 47/53 do recurso)  vv)  Alega  inicialmente  constituir  mera  formalidade,  sem  o  condão  de  invalidar­lhe  o  direito  creditório,  o  fato  de  haver  Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.902          10 incluído os  créditos de diversos  trimestres  em um único pedido  de  ressarcimento,  visto  que,  segundo  aponta  a  própria  fiscalização, têm eles como base a aquisição de insumos, a qual  gera direito aos créditos pleiteados.  xx) Acrescenta que a inobservância de formalidade pertinente ao  procedimento  de  restituição,  além  de  não  acarretar  prejuízo  ao  erário,  não  ilide  a  boa­fé  da  requerente  e  tampouco  a  materialidade de seu crédito, o qual é líquido e certo, achando­se  devidamente amparado pela legislação em vigor.  yy)  Invoca  o  texto  legal  contido  no  art.  3°,  §°4,  da  lei  n°  10.833/2003, assim redigido: “§ 4º O crédito não aproveitado em  determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes”.  zz)  Da  leitura  desse  dispositivo  depreende  ser  permitido  o  creditamento extemporâneo da Cofins, visto não haver restrições  temporais  ao  direito  de  crédito,  salvo  a  decadência.  Em  outras  palavras,  acrescenta,  o  crédito  não  aproveitado  em determinado  mês poderá sê­lo em mês subseqüente.  aaa) Aludindo  ao  entendimento  da  autoridade  fiscal,  contesta  a  afirmativa  de  que,  em  se  verificando  crédito  extemporâneo,  caberia à empresa “efetuar a retificação prévia da Dacon, com a  finalidade  de  se  ajustar  os  créditos  não  aproveitados  naquele  momento”.  bbb) Invocando o princípio da legalidade, o princípio da verdade  material (que prevalece “em detrimento do princípio da verdade  formal”)  e  citando  três  acórdãos  do  CARF  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais),  aponta  a  inexistência  de  previsão legal ou infralegal (IN 600/2005, arts. 21 e 22) que exija  a  mencionada  retificação  e  declara  que  qualquer  entendimento  contrário  ao  aproveitamento  de  crédito  extemporâneo  “viola  o  propósito da regra de não­cumulatividade estampado no § 12° do  artigo 195 da CF/88”.  VI. Do Pedido  (fl. 53 do recurso)  ccc) Por fim, dando por encerrada a exposição de suas razões de  defesa, requer:  1. a suspensão da exigibilidade do crédito tributário;  2.  o  reconhecimento  integral  do  crédito  pleiteado,  bem  como  a  homologação total das compensações que realizou; e,  3.  na hipótese de  este órgão  julgador não  se  convencer de  seus  argumentos, a conversão do julgamento em diligência.  4. No mais, “protesta pela juntada de novos documentos a fim de  corroborar todas as argumentações acima expostas”.  Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.903          11 8.  Posteriormente,  em  29/06/2012,  apresentou  a  recorrente  um  aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 2.562/2.589),  cujo teor resumo abaixo, acompanhado de alguns documentos.  Resumo do aditamento à manifestação de inconformidade  I. Do conceito de insumo e glosas a ele vinculadas (fls. 1/17 do  rec.)  a)  Informa  que  ­  como  já  observou  na  manifestação  de  inconformidade­  a  autoridade  administrativa  glosou  créditos  oriundos da aquisição dos bens indicados na linha 2 do DACON  por  entender  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  delimitado no artigo 8°, § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b ", da IN  SRF n° 404/2004.  b) Tais bens, acrescenta, relacionados nas fls. 17/21 do despacho  decisório, foram agrupados pela referida autoridade nos seguintes  itens: a) Combustíveis e  lubrificantes; b) Produtos utilizados na  movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados  no  sistema  de  refrigeração/aquecimento;  d)  Serviços  prestados;  e)  Produtos  químicos  utilizados  no  tratamento  de  efluentes,  limpeza e higienização dos ambientes de trabalho.  c)  Contestando  as  glosas  em  apreço,  afirma  que  os  produtos  citados  devem  ser  considerados  como  insumos  utilizados  no  processo produtivo, porquanto “foram integralmente consumidos  durante  o  processo  de  produção  das  mercadorias  comercializadas”.  d) Argumenta que, ao contrário do que afirma a fiscalização, “o  conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos  pela não­cumulatividade do PIS e da COFINS deve ser entendido  como  qualquer  custo  ou  despesa  necessária  à  atividade  da  empresa,  nos  termos  da  legislação  do  IRPJ,  não  devendo  ser  utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a  materialidade de  tal  tributo é diversa da materialidade do PIS e  da COFINS”.  e)  “Desse  modo,  prossegue,  a  legislação  atinente  à  não­ cumulatitividade  da  apuração  do  PIS  e  da  COFINS  permite  o  creditamento em relação à aquisição de todo e qualquer insumo,  sem  limitações,  sendo  inaplicável  ao  presente  caso,  portanto,  o  conceito de insumo atinente à apuração e recolhimento do IPI.”  f)  Observando  que  a  autoridade  tributária  glosou  os  créditos  relativos a uma extensa gama de produtos, listados nas fls. 3/4 do  recurso em exame, considera improcedente essa glosa, por tratar­ se  de  “combustíveis  aplicados  em  seu  processo  produtivo,  no  qual sofrem desgaste físico que legitima, inquestionavelmente, o  creditamento efetuado”.  g) Ressalta que tanto o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 quanto o  art. 8°, I, “b”, da IN SRF n° 404/2004 admitem “o creditamento  de  combustíveis  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  prestação  de  serviços”,  donde  Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.904          12 conclui  ser  “de  todo  arbitrária,  ilegal  e  inadmissível”  a  glosa  realizada.  h)  Em  seguida,  nas  fls.  5/6  do  recurso,  apresenta  sucinta  descrição  dos  produtos  citados  nas  fls.  3/4  (exceto  a  soda  cáustica), indicando seu emprego no processo produtivo.  i) Observa, além disso, ter juntado “aos autos laudo técnico que  discrimina  a  destinação  dos  produtos  adquiridos  e  a  sua  utilização como insumo no processo produtivo”.  j) Cita ainda em seu favor uma Solução de Consulta da 9ª Região  Fiscal,  uma  Solução  de  Divergência  da  Cosit  e  um  acórdão  relativo à própria Seara Alimentos S/A, proferido pela DRJ 2 do  Rio  de  Janeiro,  o  qual,  segundo  se  depreende  do  trecho  transcrito, versa sobre “óleo diesel para geradores de combustível  utilizado no processo produtivo da empresa” (fls. 6/8 do recurso).  k)  Apoiada  sobretudo  nesse  acórdão,  assinala  que  “a  própria  Secretaria da Receita Federal admite o crédito de COFINS sobre  a aquisição de combustíveis em processo produtivo ou prestação  de serviços”.  l) Nas fls. 9/15 do recurso em exame, apresenta nova listagem de  produtos,  com  a  descrição  de  suas  características  e  utilização,  alegando  tratar­se  de  insumos  empregados  em  seu  processo  produtivo que  também  teriam sido objeto de glosa por parte da  fiscalização.  m) Tais produtos podem ser divididos em 5 categorias:  1ª.  Produtos  incluídos  pela  autoridade  fiscal  na  tabela  do  item  49.b  do  despacho  decisório  (Produtos  Utilizados  na  Movimentação e Armazenagem de Cargas);  2ª.  Produtos  incluídos  pela  autoridade  fiscal  na  tabela  do  item  49.c  do  despacho decisório  (Produtos Utilizados  no Sistema  de  Refrigeração / Aquecimento de caldeiras e fornos industriais);  3ª.  Serviços  incluídos  pela  autoridade  fiscal  na  tabela  do  item  49.d do despacho decisório (Serviços Prestados — Serviços não  considerados como insumos);  4ª.  Produtos  incluídos  pela  autoridade  fiscal  na  tabela  do  item  49.e  do  despacho  decisório  (Produtos  Químicos  utilizados  no  tratamento de efluentes, limpeza e  higienização dos ambientes de trabalho);  5ª. Produtos não mencionados pela autoridade fiscal.  n)  Retomando  argumentos  já  expostos  na  manifestação  de  inconformidade  a  respeito  da  acepção  “ampla”  que  entende  se  deva  atribuir  ao  termo  “insumo”,  afirma  que  o  “conceito  de  insumo  para  fins  de  creditamento  de  PIS  e  COFINS  não­ cumulativo  deve  abranger  todo  e  qualquer  custo  e  despesa  necessária  à  atividade  da  empresa,  conforme  é  previsto  na  Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.905          13 legislação  do  IRPJ,  devendo  ser  afastada,  portanto,  o  conceito  trazido pela legislação do IPI”.  o)  Cita  em  seu  favor  alguns  acórdãos  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  acrescentando  tratarse de tese já abraçada pelo próprio STJ.  p) Concluindo este tópico, reitera achar­se anexado “ao presente  aditamento  laudo  técnico  que  comprova  a  destinação  dos  insumos  adquiridos  no  3o  trimestre  de  2008,  os  quais  deram  origem  aos  créditos  glosados,  corroborando  os  argumentos  apresentados pela Manifestante”.  II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais  ­ Insumos adquiridos de pessoas jurídicas (fls. 17/23 do rec.)  q) No tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas, reitera  os  argumentos  já  expendidos  na  manifestação  de  inconformidade,  alegando  em  síntese  que,  “se  uma  empresa  agroindustrial  comercializa  produtos  de  origem  animal,  suas  aquisições  de  insumos  de  pessoa  física  devem  gerar  crédito  presumido  à  alíquota  de  60%,  pouco  importando  se  o  insumo  adquirido para o processo produtivo é animal ou vegetal”.  r) Passando a discorrer sobre o crédito presumido decorrente de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas, previsto no art. 8o, III,  da  lei  n°  10.925/2004,  alega  que,  segundo  afirma  a  própria  autoridade fiscal, só geram direito a essa modalidade de crédito  os  insumos  adquiridos  em  venda  realizada  com  suspensão  da  exigibilidade  da  Cofins,  nos  termos  do  art.  9°  desse  diploma  legal.  s)  Observa  que  o  aproveitamento  da  referida  suspensão  está  condicionado ao cumprimento da formalidade prevista no § 2° do  art. 2° da IN SRF n° 660/2006, assim redigido: “§ 2º Nas notas  fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar  a  expressão  «Venda  efetuada  com  suspensão  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS»,  com  especificação  do  dispositivo legal correspondente”.  t) Assim,  fiando­se no pressuposto de  ser “requisito obrigatório  para a  suspensão da exigibilidade do PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  as  vendas  dos  produtos  agropecuários”  a  inclusão da expressão citada na nota fiscal de venda, conclui que  “o  não  atendimento  desse  requisito  implica  na  renúncia  do  aproveitamento dessa  suspensão da exigibilidade pelo vendedor  dos  produtos  agropecuários,  culminando,  ainda,  na  obrigatoriedade do recolhimento das aludidas contribuições”.  u)  Em  outras  palavras,  continua,  a  pessoa  jurídica  que  tenha  vendido  produtos  agropecuários  sem  informar  nas  notas  fiscais  que a venda foi efetuada com suspensão da exigibilidade do Pis e  da  Cofins  “renunciou  ao  aproveitamento  desse  benefício,  sujeitando­se assim ao pagamento das contribuições sobre essas  vendas em sua integralidade”.  Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.906          14 v)  Voltando  à  afirmação  de  que  só  há  direito  ao  crédito  presumido  a  que  alude,  em  seu  inciso  III,  o  art.  8°  da  lei  n°  10.925/2004 se a venda se der com a suspensão da exigibilidade  das contribuições em apreço, declara ser “inquestionável que as  vendas não amparadas pela aludida suspensão dão direito ao  creditamento  integral  das  aludidas  contribuições”.  Isso  porque  nesse  caso  os  fornecedores  estão  sujeitos  ao  pagamento  integral do Pis e da Cofins.  x)  Feitas  essas  considerações,  informa que,  no  caso  em  estudo,  ao examinar as notas fiscais de venda de insumos agropecuários  adquiridos  de  pessoas  jurídicas,  verificou  a  ausência  da  expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para  o PIS/PASEP e da COFINS».  y)  Observa  que,  diante  desse  fato,  “apurou  créditos  de  PIS/COFINS  sobre  as  aquisições  de  insumos  realizadas  no  período  de  apuração  em  destaque,  mediante  a  aplicação  da  alíquota  integral  de  1,65%  (PIS/PASEP)  e  7,6%  (COFINS),  os  quais são pleiteados no presente pedido de ressarcimento”.  z)  Afirma  que,  ao  assim  proceder,  “agiu  com  total  boa­fé  e  dentro do que determina a legislação”, visto que, dada a ausência  da informação em apreço nas notas fiscais de vendas, não  tinha  como pressupor que os insumos adquiridos estavam acobertados  pelo benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições.  aa) Reitera que realizou o creditamento do Pis e da Cofins pela  alíquota  integral  em  evidente  boa­fé,  “não  podendo  ser  penalizada  com as  glosas  em questão  por  suposto  creditamento  indevido, como no presente caso”.  bb)  Desviando­se  do  assunto  em  causa,  declara  eivado  de  “nulidade  absoluta”  o  “lançamento  do  crédito  tributário”  praticado  pelo  Fisco,  por  “imputar  responsabilidade  a  terceiro  que age em estrita boa­fé”.  cc)  Afirma  ser  possível  inferir  “por  conclusão  lógica  que  as  aquisições  de  insumos  agropecuários  de  pessoa  jurídica  vinculadas ao caso em tela sofreram a tributação pela COFINS, o  que  pela  sistemática  da  nãocumulatividade”  lhe  confere  plenos  direitos  de  apropriar­se  integralmente  de  créditos  dessa  contribuição sobre as referidas aquisições. Cita em seu favor uma  Solução de Consulta na fl. 22 do recurso.  dd) Por essa razão, ausente a suspensão da exigibilidade, entende  que “as aquisições dos insumos agropecuários glosadas deveriam  ter  sido  incluídas  pela  fiscalização  na  rubrica  correspondente  aos bens utilizados como insumos adquiridos de pessoas jurídicas  domiciliadas  no  País,  as  quais  estariam  sujeitas  à  incidência  dessas contribuições, gerando crédito normal calculado à alíquota  de 1,65% PIS/ PASEP e 7,6% COFINS”.  ee)  Reiterando  seu  direito  ao  crédito  da  Cofins  mediante  aplicação da alíquota  integral,  “sob pena de ofensa ao princípio  da  não­cumulatividade,  uma  vez  que  tais  insumos  foram  Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.907          15 devidamente  tributados  na  etapa  anterior”,  “protesta  pela  posterior  juntada  das  notas  fiscais  relativas  às  vendas  dos  insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País,  das  quais  deixou  de  constar  a  expressão  «Venda  efetuada  com  suspensão  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS»,  razão  pela  qual  houve  apropriação  dos  créditos  em  seu  valor  integral”.  III. Do ressarcimento do crédito presumido  (fls. 23/28 do recurso)  ff)  Afirma  que  o  art.  16  da  lei  n°  11.116/2005  instituiu  a  possibilidade  legal de ressarcimento ou compensação do crédito  presumido  apurado  nos  termos  dos  arts.  8°  e  15  da  lei  n°  10.925/2004, quando não tenha sido utilizado em sua totalidade,  pela  pessoa  jurídica  adquirente,  na  dedução  do  Pis  e  da Cofins  por ela devidos a cada mês.  gg) Alega  que  o ADI  n°  15/2005  e  a  IN SRF  n°  660/2006,  ao  vedarem  o  ressarcimento  e  a  compensação  do  saldo  credor  do  referido  crédito,  feriram  os  princípios  da  legalidade  e  da  hierarquia das leis, visto que, além de contrariarem o disposto no  art. 16 da lei n° 11.116/2005, citado acima, impuseram restrições  não previstas na mencionada lei n° 10.925/2004.  hh)  Conclui  que,  por  essas  razões,  “deve  ser  reconhecido  o  direito  ao  ressarcimento  e  compensação  do  saldo  de  créditos  presumidos apurados na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004,  para os períodos em discussão”.  ii)  Ad  argumentandum,  caso  não  sejam  acolhidas  as  alegações  respeitantes à  ilegalidade dos atos normativos citados,  recorre a  novo  argumento,  discorrendo  sobre  a  possibilidade  de  ressarcir  ou compensar o crédito presumido em causa com base na lei n°  12.350/2010,  “cujos  artigos  55,  e  §  7°  e  56­A  introduziram  no  ordenamento  jurídico  a  permissão  legal  para  o  ressarcimento  e  compensação  dos  saldos  de  créditos  presumidos  apurados  nos  termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004”.  jj)  Pondera  que,  muito  embora  tenha  a  referida  lei  entrado  em  vigor apenas em 20/12/2010 e estabeleça que somente a partir de  01/01/2011 se poderá formalizar os pedidos de ressarcimento de  créditos apurados no ano­calendário de 200___, trata­se de “mera  questão  temporal”,  não  podendo  impedir  a  recorrente  de  reaver  os créditos a que faz jus. Isso porque essa lei teria convalidado o  procedimento adotado pela empresa.  kk)  É  que,  no  seu  entender,  conquanto  tenha  formalizado  o  pedido  de  ressarcimento  de  saldo  de  crédito  presumido  relativo  ao  3o  trimestre de  2008 quando  ainda  não  havia  previsão  legal  para  tanto,  a  posterior  edição  da  lei  n°  12.350/2010,  que  introduziu a possibilidade do ressarcimento, lhe convalidou o ato  praticado.  Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.908          16 ll) Assim, assevera que, não havendo embasamento para a glosa  do  crédito  em  questão,  deve,  quanto  a  ele,  ser  integralmente  reconhecido o pedido de ressarcimento formulado pela empresa.  mm) Em arremate a  suas  razões de defesa,  reitera os  termos da  manifestação de inconformidade já apresentada, requerendo seja  julgada  procedente  e  integralmente  reconhecidos  os  créditos  de  Cofins  vinculados  a  receitas  de  exportação  apurados  no  3o  trimestre de 2008.      Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento negou­lhe provimento, com a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008  REGIME NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITO.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  É  legítima  a  glosa  do  crédito  pleiteado  sempre  que  a  requerente  deixar  de  observar as normas que disciplinam a matéria.  ALEGAÇÕES  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  COMPETÊNCIA  DA  AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador  da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a  legalidade  ou  constitucionalidade  de  norma  tributária  regularmente editada.    Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Foi  apresentado  Recurso  Voluntário  (fls.  2741/2824),  no  qual  foram  apresentados pela Recorrente seus argumentos, que serão analisados mais adiante neste Voto,  divididos nos seguintes tópicos:   II.2.  AQUISIÇÕES  DE  BENS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO   II.3.  CRÉDITO  PRESUMIDO  ­  ATIVIDADES  AGROINDUSTRIAIS ­ AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA  FÍSICA  PARA  PRODUÇÃO  DE  CARNE  E  SEUS  DERIVADOS   II.4  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  PARA  FINS  DE  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS  DE  PIS  E  COFINS  NÃO  CUMULATIVO   II.5  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  AGROINDÚSTRIA  ­  AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS   II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE  PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010   Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.909          17 II.7  GLOSAS  REFERENTES  AOS  DEMAIS  BENS  UTILIZADOS COMO INSUMOS   II.7.1.  UTILIZAÇÃO  DA  GRAXA  NO  PROCESSO  PRODUTIVO DA RECORRENTE   II.7.2.  DEMAIS  INSUMOS  UTILIZADOS  NO  PROCESSO  PRODUTIVO DA RECORRENTE   1 ­ Combustíveis e lubrificantes  2  ­  Produtos  utilizados  na  movimentação  e  armazenagem de cargas  3 ­ Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou  aquecimento de caldeiras e fornos industriais  4)  Produtos  químicos  (Produtos  químicos  utilizados  no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos  ambientes de trabalho)   5) Serviços prestados   II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS  II.9.  DOS  CRÉDITOS  SOBRE  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM  E  FRETES  NAS  OPERAÇÕES  DE  VENDAS   1. Dos Créditos sobre Despesas de Armazenagem  2. Dos Créditos Relativos a Frete de Transferência de  Mercadorias entre Estabelecimentos   3.  Fretes  Utilizados  como  Insumo  nos  Serviços  de  Transporte   3.1.  Da  Atividade  de  Prestação  de  Serviço  de  Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a  Crédito nas Subcontratações   3.2.  Frete  para  Transporte  De  Insumos  e  Matéria­ Prima no Sistema de Parceria (Integração)  II.10. DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS    É o relatório.  Voto             Conselheira Liziane Angelotti Meira  Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.910          18 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade e deve ser conhecido.  Quanto ao pedido de sobrestamento do processo, mantém o entendimento da  decisão  recorrida  no  sentido  de  que  não merece  acolhida  em  razão  de  falta  de  fundamento  legal.   Quanto  ao  mérito,  analisar­se­á  um  a  um  os  tópicos  apresentados  pela  Recorrente em seu Recurso Voluntário.     II.2.  AQUISIÇÕES  DE  BENS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO   A Recorrente se insurge contra as glosas referentes à aquisições de produtos  sujeitos à alíquota zero, pois, conforme acredita, estariam sujeitos à incidência em cascata do  PIS/Cofins nas etapas anteriores da circulação. Segundo entende, não se tratariam de operações  não sujeitas ao pagamento das contribuições, e por isto não incidiria o óbice previsto no artigo  3°, §2° da Lei 10.833/2003, com a redação dada pelas Leis n° 10.684/03 e 10.865/04.   Ocorre que o artigo 3°, §2° da Lei 10.833/2003, transcrito abaixo, é bastante  claro ao estabelecer que não dará direito ao crédito da Cofins a aquisição de bens não sujeitos  ao pagamento desta contribuição:   Art.  3º Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   (...)   § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)   I  ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e  (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)   II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados  pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)   (...) (grifou­se)  Assim,  sendo  incontroverso  que  os  bens  foram  adquiridos  pela  recorrente  com  alíquota  zero,  não  estão  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição  e,  portanto,  em  face  da  disposição  expressa  em  lei,  não  dão  direito  ao  creditamento  da Cofins,  não  havendo  que  se  aventar sobre o eventual valor das contribuições embutido no preço dos bens adquiridos.   A jurisprudência colacionada pela recorrente não lhe socorre, vez que trata de  matéria  diferente,  qual  seja,  do  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI  como  ressarcimento  de  PIS/Cofins  das  aquisições  de  não  contribuintes,  cuja  restrição  está  disposta  apenas  em  Instrução Normativa.   Requer,  a Recorrente,  de  forma alternativa,  o  reconhecimento do direito  ao  crédito  presumido  previsto  no  artigo  8°  da  Lei  n°  10.925/2004,  vez  que  seriam  insumos  adquiridos  pela  Recorrente,  na  qualidade  de  produtora  de  mercadorias  de  origem  animal  Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.911          19 destinados à alimentação humana, os quais foram utilizados na fabricação de produtos por ela  fabricados e destinados à venda.   No entanto, para aquelas aquisições de bens com alíquota zero da Cofins que  faziam jus ao crédito presumido a fiscalização já o reconheceu, conforme demonstra o trecho  abaixo do despacho decisório (fl. 2.479):   BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS  16.Analisando  os  registros  constantes  dos  arquivos  magnéticos  de  notas  fiscais  e  planilhas  de  cálculo  fornecidas  pelo  contribuinte,  identificamos  aquisições  de  bens  utilizados  como  insumos com alíquota da contribuição reduzida a zero e com  direito  a  crédito  presumido,  além  de  bens  adquiridos  para  industrialização não caracterizados como insumos no molde das  Instruções Normativas SRF 247/2002 e 404/2004. Dessa forma,  apuramos a base de cálculo dos bens utilizados como insumos e  com direito aos créditos integrais do PIS e da COFINS excluindo  da  base  os  bens  não  sujeitos  ao  pagamento  (alíquota  zero),  os  sujeitos  ao  crédito  presumido  e  os  não  caracterizados  como  insumos.  17.  Importante  ressaltar  que  o  contribuinte  não  informou  nos  DACONs  mensais  os  créditos  presumidos,  assim,  sobre  os  montantes  excluídos  da  base  de  cálculo  referentes  ao  crédito  presumido  aplicamos  a  alíquota  reduzida  equivalente  a  35% da  alíquota  integral: 2,66% (35% de 7,6% da COFINS e de 1,65%  do PIS). (grifou­se)  Desta  forma,  como  a  recorrente  não  informou  e  comprovou  quais  outras  aquisições com alíquota zero que dariam direito ao crédito presumido, além daquelas já aceitas  pela fiscalização, seu pedido alternativo há de ser indeferido.    Assim, devem ser mantidas as glosas relativas às aquisições de bens sujeitos  à alíquota zero da Cofins.     II.3.  CRÉDITO  PRESUMIDO  ­  ATIVIDADES  AGROINDUSTRIAIS ­ AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA  FÍSICA  PARA  PRODUÇÃO  DE  CARNE  E  SEUS  DERIVADOS  Alega a Recorrente que os percentuais de crédito presumido previstos no art.  8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos por ela elaborados, e não  como  entendem  a  fiscalização  e  o  julgador  de  primeira  instância,  em  razão  dos  insumos  utilizados no processo produtivo.   Aduz que, com a publicação da Lei 12.865/2013, restaria comprovado o seu  direito  ao  crédito  presumido  no  percentual  de  60%  sobre  os  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal.   Com  razão  a  recorrente,  pois  o  §10  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004,  acrescentado  pela  Lei  nº  12.865/2013,  publicada  em  10/10/2013,  trouxe  norma  para  interpretação do §3º, I desse artigo:   Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.912          20 Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas  nos  capítulos  2,  3,  exceto os  produtos vivos  desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período  de  apuração,  crédito  presumido,  calculado  sobre  o  valor  dos  bens  referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de  30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003,  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado  pessoa  física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)   (...)   §  3º O montante  do  crédito  a  que  se  referem  o  caput  e  o  §  1º  deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor  das  mencionadas  aquisições,  de  alíquota  correspondente  a:  I  ­  60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e   III ­ 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das  Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro de 2003, para os demais produtos.  (Renumerado pela  Lei no11.488, de 15 de junho de 2007)   (...)   § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito  ao  crédito  na  alíquota  de  60%  (sessenta  por  cento)  abrange  todos  os  insumos  utilizados  nos  produtos  ali  referidos.  (Incluído pela Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013) (grifou­se)  De forma que o novo dispositivo da Lei adota o entendimento defendido pela  Recorrente,  de  que  os  percentuais  de  crédito  presumido  previstos  no  art.  8°  da  lei  n°  10.925/2004  devem  ser  aplicados  em  função  dos  produtos  elaborados,  e,  como  se  trata  de  norma expressamente  interpretativa,  aplica­se  retroativamente  ao presente  caso  concreto,  nos  termos do art. 106, I do CTN.   Nessa  esteira,  após  a  publicação  da  Lei  nº  12.865/2013,  que  acrescentou  a  referida  norma  interpretativa,  tem  sido  adotado  no  CARF  adotado  o  entendimento  nela  constante de norma interpretativa, conforme ementa do Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara /  2ª Turma Ordinária, da qual transcrevemos excerto:   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007   Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.913          21 Ementa:   (...)   CRÉDITO  PRESUMIDO.  AGROINDÚSTRIA.  PERCENTUAL.  PRODUTO  FABRICADO.  INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante  do  crédito  presumido  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  é  determinado  mediante  aplicação,  sobre  o  valor  das  mencionadas  aquisições,  da  alíquota  de  60%  ou  a  35%,  em  função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e  não  da  origem  do  insumo  nele  aplicado,  nos  termos  da  interpretação  trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004,  com  redação  dada  pela  Lei  n°  12.865/2013.  Aplicase  retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do  art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa.   Assim, o crédito presumido de Cofins não cumulativa a que a recorrente faz  jus  deverá  ser  recalculado  pela  fiscalização  aplicando­se  as  alíquotas  em  função  dos  bens  produzidos e não dos  insumos adquiridos, em conformidade com a  interpretação  trazida pelo  §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004.     II.4  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  PARA  FINS  DE  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS  DE  PIS  E  COFINS  NÃO  CUMULATIVO   Em  relação  ao  conceito  de  insumo,  sustenta  a  Recorrente  que  se  deve  considerar para fins de creditamento os dispêndios diretamente vinculados à geração de receita,  sem  os  quais  não  se  consiga  proceder  à  criação,  à  apresentação  e  à  venda  de  bens  para  circulação econômica.   Nessa  linha,  colaciona  precedentes  deste  CARF  com  o  posicionamento  de  que, para  a definição de  insumos para  aproveitamento dos  créditos das  contribuições  sociais  não cumulativas, dever­se­ia adotar legislação do IRPJ.   Ocorre que, atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas  decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a  interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela  veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece  o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013:   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de  apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004   Ementa:  (...)  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  NÃO  CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.    O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com  o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do  IR  (excessivamente  alargado).  Em  atendimento  ao  comando  legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril,  e, consequentemente, à obtenção do produto final.   Assim, segundo o entendimento consolidado neste CARF, tem­se aceitado os  créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao  processo  produtivo  ou  à  prestação  de  serviços,  ainda  que  neles  sejam  empregados  Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.914          22 indiretamente,  conforme  ilustra  excerto  da  ementa  do Acórdão  nº  3403003.052,  julgado  em  23/07/2014:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2007  a  31/03/2007  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.  Insumos,  para  fins  de  creditamento  da Contribuição  Social  não  cumulativa,  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo produtivo e a prestação de  serviços, que neles possam  ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou  implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço  daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em  face  das  exigências  do  controle  ambiental,  subsumemse  no  conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos.    Não há, portanto, como acolher a pretensão de ordem genérica da recorrente  de, em sede de julgamento,  ter  reconhecido o direito ao crédito sobre todos os dispêndios de  bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias  à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório.   Com efeito, incumbe analisar as glosas expressamente contestadas no âmbito  do  presente  recurso  voluntário,  dentro  do  princípio  da  livre  persuasão  racional  deste  órgão  julgador, segundo o entendimento acima exposto, o que será feito mais a frente, conforme os  itens do Recurso Voluntário.     II.5  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  AGROINDÚSTRIA  ­  AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS   Neste  tópico,  argumenta  a  recorrente,  em  síntese,  que,  nas  notas  fiscais  de  venda de insumos agropecuários por ela adquiridos de pessoas jurídicas, não havia a inscrição  «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», que seria  uma formalidade exigida para a concessão da suspensão da exigibilidade da Cofins, nos termos  do § 2° do art. 2° da IN SRF n° 660/2006, de forma que lhe seria cabível o creditamento das  contribuições sobre essas aquisições, não beneficiadas pela suspensão.   No  entanto,  como  a  recorrente  não  apresentou  as  referidas  notas  fiscais,  comprovando o alegado, apenas "protesta pela posterior  juntada das notas  fiscais  relativas às  vendas dos insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País, das quais deixou  de constar a expressão 'venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da  COFINS." Em consequência, torna­sproe prejudicada a análise da eventual procedência desse  argumento.   Cumpre ter presente que incumbe à recorrente a prova de suas alegações em  conformidade com o art. 36 da Lei nº 9784/99. Assim, diante da ausência de prova da alegação  da  recorrente  como  elemento modificativo  à decisão  que  indeferiu  nessa  parte  seu  pleito,  as  glosas  relativas  ao  crédito  presumido  das  aquisições  com  suspensão  da  Cofins  devem  ser  mantidas.   Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.915          23   II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE  PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010   Alega a recorrente que o art. 16 da lei n° 11.116/2005, que segue abaixo, teria  instituído a possibilidade de ressarcimento ou compensação do crédito presumido apurado nos  termos  dos  arts.  8°  e  15  da  Lei  n°  10.925/2004,  quando  não  tenha  sido  utilizado  em  sua  totalidade na dedução do Pis e da Cofins devidos a cada mês:   Art.  16. O  saldo  credor  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da  Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30  de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e  do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário  em  virtude  do  disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:   I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria  da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à  matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação  específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a  compensação ou pedido de ressarcimento poderá  ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei. (grifou­se)  No  entanto,  conforme  se  vê,  a  autorização  legal  acima  não  diz  respeito  ao  crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ao qual a recorrente faria jus na  qualidade  de  produtora  de mercadorias  de  origem  animal  destinadas  à  alimentação  humana,  mas somente ao crédito apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e  do art. 15 da Lei no 10.865/2004.   Também  a  Lei  nº  12.350/2010  não  pode  socorrer  a  Recorrente,  eis  que,  conforme disposto no  seu  art.  56­A,  incluído pela Lei nº 12.431, de 24  de  junho de 2011,  a  possibilidade  de  ressarcimento  ou  de  compensação  com  outros  débitos  do  saldo  de  crédito  relativo  ao  2º  trimestre  de  2007  somente  seria  cabível  para  pleitos  efetuados  "a  partir  do  primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei", sendo que, no caso presente, o  pedido da recorrente foi protocolizado em 15/08/2008:   Art. 56­A . O saldo de créditos presumidos apurados a partir do  anocalendário  de  2006  na  forma  do  §  3º  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  23  de  julho  de  2004,  existentes  na  data  de  publicação desta Lei, poderá:  (Incluído pela Lei nº 12.431, de  24 de junho de 2011 )   I ­ ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do Brasil,  observada  a  legislação  específica  aplicável  à  matéria; ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 )   Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.916          24 II ­ ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria. ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho  de 2011 )   §  1º  O  pedido  de  ressarcimento  ou  de  compensação  dos  créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser  efetuado: ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011)   I  ­  relativamente aos créditos apurados nos anos­calendário de  2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao  da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de  junho de 2011 )   II  ­  relativamente  aos  créditos  apurados  no  ano­calendário  de  2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês  de  publicação  desta  Lei,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2012.  (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011)   Também não merece acolhida a alegação de que o artigo acima, acrescido à  Lei nº 12.350/2010,  teria convalidado o seu entendimento, vez que, não obstante o legislador  ordinário  tenha  disposto  sobre  a  possibilidade  de  ressarcimento  e  compensação  para  saldos  apurados  no  ano­calendário  de  2007,  restringia,  expressamente,  "somente"  para  pedidos  a  serem formulados após a publicação da Lei.   O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§  10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto,  no caso de exportação, gozava nessa época do benefício da tríplice forma de aproveitamento.   Ocorre que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03  foi  expressamente  revogado  a  partir  de  agosto  de  2004  pelo  art.  16,  I,  "a"  e  “b”,  da  Lei  nº  10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. De forma que, por opção do  legislador  ordinário,  passou­se  a  restringir  o  aproveitamento  do  crédito  presumido  da  agroindústria  apenas  para  o  abatimento  da  contribuição  devida  por  operações  no  mercado  interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação.   Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares,  mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°  15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de  01/08/2004,  nos  termos  do  art.  8°  da  lei  n°  10.925/2004,  ou  seja,  decorrentes  de  atividades  agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas:   IN SRF n° 660/2006   Do Crédito Presumido   Do direito ao desconto de créditos presumidos   Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na  determinação  do  valor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins a pagar no regime de não­cumulatividade, pode descontar  créditos  presumidos  calculados  sobre  o  valor  dos  produtos  agropecuários  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos:   I  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  classificados  na  NCM:   (...)   Do cálculo do crédito presumido   Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.917          25 Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata  o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep  e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição.   (...)   § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo:   I  ­  não  constitui  receita  bruta  da  pessoa  jurídica  agroindustrial,  servindo  somente  para  dedução  do  valor  devido  de  cada  contribuição; e   II  ­  não  poderá  ser  objeto  de  compensação  com  outros  tributos ou de pedido de ressarcimento.     Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005   Art.  1º  O  valor  do  crédito  presumido  previsto  na  Lei  nº  10.925,  de  2004,  arts.  8º  e 15,  somente pode  ser  utilizado  para  deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  apuradas  no  regime de incidência nãocumulativa.   Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não  pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que  trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei  nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116,  de 2005, art. 16. (grifou­se)   Conforme  já  decidido  na  Apelação  Cível  Nº  2006.72.00.0078654/SC,  do  Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa  transcrevemos,  "as próprias  leis  instituidoras dos  créditos  presumidos  em  questão  previram  como  modo  de  aproveitamento  destes  créditos  o  desconto  das  contribuições  do  PIS  e  COFINS  a  pagar,  limitando  a  sua  utilização,  assim,  à  esfera das próprias contribuições":   2ª  Turma  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região  APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.00.0078654/SC RELATORA :  Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA   EMENTA:   TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  ARTS.  8º  E  15  DA  LEI  N.º  10.925/04.  COMPENSAÇÃO  E  RESTITUIÇÃO. NORMAS INFRALEGAIS.   1.  Os  artigos  17  da  Lei  n.º  11.033/2004  e  16  da  Lei  n.º  11.116/2005  tratam  de  saldos  credores  do  PIS  e  da  COFINS  apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ou  seja,  de  créditos  gerados  a  partir  da  sistemática  da  não­ cumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens  e serviços descritos nos seus incisos, não alcançando os créditos  previstos nos artigos 8º e 15 da Lei n.º 10.925/2004.   2.  As  próprias  leis  instituidoras  dos  créditos  presumidos  em  questão previram como modo de aproveitamento destes crédito o  desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando  a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições.   3. Tanto os artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF  n.º 15/2005 como o § 6º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF  n.º 636/2006 (substituído pelo art. 5º da IN SRF n.º 660/06), ao  vedarem  expressamente  outra  forma  de  devolução  do montante  do  crédito  presumido  apurado,  vieram  somente  a  esclarecer  aquilo  que  a  lei  já  trazia  em  seu  conteúdo.  Assim,  tais  dispositivos infralegais possuem cunho meramente interpretativo,  Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.918          26 de modo que não "inovaram", desbordando de sua competência  regulamentar.   Nessa mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça manifestou seu entendimento, no  REsp  1240714/PR  (Rel. Ministro  ARNALDO  ESTEVES  LIMA,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa colacionada:   TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  PIS  E  COFINS.  PRODUTOR  RURAL.  CRÉDITOS  PRESUMIDOS.  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  ART.  8º  DA  LEI  10.925/04.  LEGALIDADE  DA  ADI/SRF  15/05  E  DA  IN  SRF  660/06.  PRECEDENTES  DO  STJ.  MORA  DO  FISCO.  INEXISTÊNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  CONHECIDO  E  NÃO PROVIDO.   1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem  a Primeira Seção  do STJ  é  no  sentido  de  que  inexiste  previsão  legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN)  com  outros  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  do  crédito  presumido  de  PIS  e  da  COFINS  estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que  a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas  explicitou  vedação  já  prevista  no  art.  8º,  da  lei  antes  referida"  (AgRg  no  REsp  1.218.923/PR,  Rel.  Min.  BENEDITO  GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12).   2. O  Superior Tribunal  de  Justiça  tem  entendido  ser  legítima  a  atualização monetária de crédito escritural quando há demora no  exame  dos  pedidos  pela  autoridade  administrativa  ou  oposição  decorrente  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese,  em que os atos normativos são legais.   3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima)  somente  a  partir  do  término  do  prazo  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  contado  da  data  do  protocolo  dos  pedidos  de  ressarcimento,  aplicandose  o  art.  24  da  Lei  11.457/2007,  independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg  no REsp  1.232.257/SC,  Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA  FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13).   4. Recurso especial conhecido e não provido.   Assim,  não merece  reforma  a  decisão  recorrida  na  parte  em  que  entendeu  incabível  o  ressarcimento  ou  compensação  com  outros  débitos  da  recorrente  do  crédito  presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004.     II.7.  GLOSAS  REFERENTES  AOS  DEMAIS  BENS  UTILIZADOS COMO INSUMOS   II.7.1.  UTILIZAÇÃO  DA  GRAXA  NO  PROCESSO  PRODUTIVO DA RECORRENTE  Insurge­se  a  Recorrente  em  face  das  glosas  dos  créditos  oriundos  das  aquisições de graxas, uma vez que seria essencial no seu processo produtivo, bem como que o  direito  ao  crédito  restaria  previsto  expressamente  em  lei.  Aduz  que  a  graxa  seria  de  fundamental  importância  para manter  em  pleno  funcionamento  as máquinas  e  equipamentos  Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.919          27 utilizados  na  atividade  principal  da  Recorrente,  qual  seja,  o  abate  de  animais  vivos  e  o  processamento da carne dela decorrente.   A fiscalização glosou os créditos relativos às aquisições de graxa,  tendo em  vista  não  se  tratar  de  insumos  diretos  e  não  haver  disposição  expressa  na  Lei  de  direito  a  creditamento  como  um  insumo  indireto,  como  ocorre,  por  exemplo,  em  relação  aos  combustíveis e aos lubrificantes (conforme se verifica às fls. 2.492).   No entanto, conforme entendimento consolidado neste CARF, insumos para  fins de creditamento da contribuição social não cumulativa são todos aqueles bens e serviços  que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de  serviços, que sejam  neles empregados direta ou indiretamente.   No  caso  presente,  a  fiscalização  reconheceu  a  condição  da  graxa  como um  insumo  indireto,  sendo  incontroverso  no  processo  que  é  utilizada  nas  máquinas  e  do  seu  processo  produtivo,  mas  sem  contato  direto  com  o  produto  em  fabricação,  de  forma  que,  segundo  o  entendimento  consolidado  neste  CARF,  cabível  é  o  creditamento  relativo  às  aquisições de graxa, devendo a glosa correspondente ser revertida.     II.7.2.  DEMAIS  INSUMOS  UTILIZADOS  NO  PROCESSO  PRODUTIVO DA RECORRENTE  Indica­se no Recurso Voluntário (fl. 2.780) que a decisão recorrida manteve a  glosa dos seguintes insumos:   1 ­ Combustíveis e lubrificantes (óleo diesel e graxa);   2  ­ Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas  (auxílio  no transporte de cargas, baldes, bandejas, big­bags etc);   3  ­  Produtos  utilizados  no  sistema  de  refrigeração  ou  aquecimento  de  caldeiras e fornos industriais (gás GLP 45 kg, gás GLP granel, gás P13, briquete de bagaço de  cana, briquets industrial, cavaco de lenha, dispersante e inibidor, lenha, óleo combustível tipo  2A, óleo de xisto tipo e­ote, amônia etc); e  4 ­ Produtos químicos  5 ­ Serviços prestados.  Passa­se  a  analisar  as  glosas  expressamente  contestadas  neste  tópico  sob  a  classificação adotada pela fiscalização.   1 ­ Combustíveis e lubrificantes  A fiscalização assim justificou a exclusão desses itens (fl. 2.492):   a. Combustíveis e  lubrificantes: A auditoria não aceitou como  base para créditos os valores utilizados com gastos discriminados  como  óleo  diesel  para  empilhadeiras,  pois,  efetivamente  não  foram aplicados ou consumidos na produção de bens destinados  à venda. Os gastos com esse ou outros combustíveis utilizados na  Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.920          28 atividade de transporte de matéria prima, produtos intermediários  ou produtos em elaboração, entre as diversas etapas do processo  produtivo,  não  geram  direito  a  crédito  a  ser  descontado  na  sistemática  não  cumulativa  da  Contribuição  ao  PIS/PASEP  e  Cofins, por não se subsumirem no conceito de insumos para fins  do  disposto  no  art.  3o,  II,  da  Lei  nº  10.637,  de  2002  e  lei  10.833/03, art. 3º, II e Solução de Consulta 323 de 25/10/2010 da  8ª RF. ;  Concluímos,  no  entanto,  na  esteira  do  entendimento  deste  CARF  sobre  insumos,  que  óleo  diesel  para  empilhadeiras,  que  é  utilizado  nas  empilhadeiras  para  movimentação  de  produtos  dentro  do  abatedouro,  configura  bem  pertinente  e  essencial  ao  processo  produtivo,  ainda  que  não  tenha  contato  direto  com  o  produto  em  fabricação,  e,  portanto,  deve  ser  considerado  insumo  que  dá  direito  ao  crédito  da  contribuição  social  não  cumulativa. Dessa forma, assiste razão à recorrente nesta parte, não sendo cabível a exclusão  desse item da base de cálculo da Cofins efetuada pela fiscalização.   2 ­ Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas  Sob essa rubrica, a fiscalização excluiu da base de cálculo da Cofins por não  considerá­los insumos os seguintes itens:   BALDE  PP  PARA  BANHA,  BANDEJA  BRANCA  B3/M4  FUNDA, BIGBAGS, CAIBRO DE MADEIRA, CAPA PALLET  PE  117X98X150,  CORDA  TRANÇADA  POLIPROPILENO,  ESTRADO MADEIRA e ESTRADO MADEIRA ARLOG  Esses bens possuem a função de "auxílio no transporte de cargas". Segundo a  recorrente, esses itens possuem as seguintes funções:   · Balde  PP  para  banha  ­  Recipiente  para  armazenar  banha  suína.  Utilizado  para  acondicionamento  de  produto  resultante  do  abate  de  suínos e que será comercializado ou utilizado no processo produtivo  como insumo.   · Bandeja Branca B3/M4 Funda Recipiente para uso na sala de cortes  de aves para colocar as porções de carnes advindas das desossas das  carcaças  de  aves,  como  coxa,  sobrecoxa,  peito,  miúdos  a  fim  de  proceder pesagem do produto e congelamento.   · Big­Bags Para armazenar e transportar matérias primas em fabricas de  rações  e  produtos  embalados  ou  não  em  abatedouros  e  indústria  de  carnes.   · Sacos  grandes  que  acondicionam  insumos  para  utilização  na  fabricação  de  ração  e  também para  acondicionar  insumos  utilizados  no processo produtivo dos abatedouros.   · Caibro de madeira sustentação de ninhos de matrizes em produção e  sustentação  de  furneiros  para  defumações  de  produtos  cárneos  em  geral, como salames. Age juntamente com as ripas na distribuição das  cargas  sobre  todo  o madeiramento,  como  forma  de  sustentação  dos  Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.921          29 ninhos das matrizes de produção de ovos e no processo de defumação  de produtos industrializados (salames). Capa Pallet PE 117X114X140   · Capa plástica para proteger pallet em big bag para transporte de CMS  (carne  mecanicamente  separada),  CMR  (Carne  Mecanicamente  recuperada)  e  carnes  em  geral,  assegurando  proteção  ao  risco  de  corpos  estranhos  à  matéria  prima  cárnea,  produtos  em  processo  e  produtos de transferência para plantas de processamento.   · Plástico  utilizado  na  proteção  da  matériaprima  transportada  internamente  ou  entre  filiais  e  utilizada  no  processo  produtivo  dos  produtos industrializados (salsichas, mortadelas, etc).   · Corda  trançada Polipropileno Cordão  para movimentação  de  cortina  de aviários de matrizes produtoras de ovos férteis a fim de prevenir o  stress  térmico  pelo  frio  ou  pelo  calor  das  aves.  Corda  plástica  para  acionar  a  abertura  e  o  fechamento  das  cortinas  dos  aviários  de  matrizes de produção de ovos.   · Estrado 1,0X1,20X0,138 MCD, Estrado 1200X800X140, Estrado de  Madeira  1,1X1,IX,  Estrado  MAD  1,1X0,9X0,14  LI,  Estrado  MAD  1.2X1X0.135  TRAT,  Estrado  MAD  1200X1000X162  BE,  Estrado  Madeira  1200X1000X13,  Estrado Madeira  1200X1000X14,  Estrado  Madeira,  PALLET  1000X1200X137  TIP  PBR  base  de  madeira,  plástico  ou  papelão,  para  sustentar  pallete  formados  por  caixas  plásticas,  contendo  produtos  cárneos  para  consumo  final  ou matéria  prima para transferência à industrialização.   Entende­se que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento  das contribuições  sociais não  cumulativas, o material de embalagem ou  transporte,  eis que  a  proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e  pertinente  ao  processo  produtivo,  de  forma  que  o  produto  final  destinado  à  venda  tenha  as  características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta  3ª Seção, conforme trecho do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas:   Processo nº 12571.000126/201079   Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Após análise dos autos constato que o único item possível para o  crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem  para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer  apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que  a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo  (isso porque entendo que a produção alcança até este momento,  apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva  se  finda),  é  INDISPENSÁVEL e  necessária  para  a  composição  do  produto  final,  uma  vez  que  a  madeira  tem  que  estar  em  condições  para poder  ser disponibilizada  ao  consumidor;  e  sem  dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...)     Além  dos  materiais  de  embalagem  e  transporte,  os  itens  relativos  à  movimentação  e  à  armazenagem  dos  produtos  em  elaboração  também  podem  ensejar  o  Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.922          30 creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas  desde  que  não  se  tratem  de  bens  ativáveis.   Com relação aos  itens: CAIBRO DE MADEIRA, ESTRADO MADEIRA e  ESTRADO MADEIRA ARLOG ­ não há provas nos autos, que  incumbiria à  recorrente, nos  termos  do  art.  16  do Decreto  nº  70.235/72  e do  art.  36  da Lei  nº  9.784/72,  de que  eles  não  seriam de  ativação obrigatória  à  luz do disposto no  art.  301 do Regulamento do  Imposto de  Renda/99.   De  forma  que,  incabível  o  reconhecimento  do  direito  creditório  na  forma  pleiteada pela recorrente, pelo custo total da aquisição desses bens.   Conforme  já  foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº  3403002.648,  de  27/11/2013,  para  fins  de  creditamento  da  contribuição  não  cumulativa,  nos  termos  do  art.  3º,  II  da  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  o  bem  deve  ser  aplicado  no  processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem  ser  de  ativação  obrigatória,  o  crédito  deveria  ser  apropriado  com  base  na  despesa  de  depreciação ou amortização, conforme normas específicas.   Nessa  linha,  este  CARF  também  já  decidiu  que  os  paletes  utilizados  para  transporte ensejam o creditamento da Cofins somente pela despesa depreciação:   Acórdão nº 3403001.935 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2004   NÃO  CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  BENS  UTILIZADOS COMO INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO.   Os  materiais  utilizados  como  insumo,  durante  o  processo  produtivo,  geram  direito  a  crédito  de  PIS  e  COFINS.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  PALETES  E  BARROTES  DE  MADEIRA  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  COMO  MATERIAL  DE  EMBALAGEM.  Os  bens  incorporados  ao  ativo  não  circulante  só  geram  direito  a  crédito  de  PIS  e  COFINS  via  depreciação,  nos  termos  do  inciso  III  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  10.833/03. (...)   Assim,  conforme  exposto  neste  item,  relativamente  à  rubrica  Produtos  utilizados  na  movimentação  e  armazenagem  de  cargas,  foi  indevida  a  exclusão  da  base  de  cálculo  efetuada  pela  fiscalização  somente dos  seguintes  bens: BALDE PP PARA BANHA,  BANDEJA  BRANCA  B3/M4  FUNDA,  BIGBAGS,  CAPA  PALLET  PE  117X98X150  e  CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO.   3  ­  Produtos  utilizados  no  sistema  de  refrigeração  ou  aquecimento  de  caldeiras e fornos industriais  Os  itens  dessa  rubrica  foram  excluídos  da  base  de  cálculo  de  crédito  pela  fiscalização sob os seguintes fundamentos (fl. 2.492):   c.  Produtos  Utilizados  no  Sistema  de  Refrigeração  /  Aquecimento:  Não  gera  direito  a  crédito,  por  não  haver  caracterização como insumo, os gastos com materiais e produtos  utilizados  no  processo  industrial  para  o  resfriamento  ou  Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.923          31 aquecimento  de  máquinas,  equipamentos  e  moldes,  bem  assim  para a lavagem ou limpeza desses bens. Também não há que se  cogitar  de  direito  a  crédito  relativamente  à  água  utilizada  no  funcionamento  de  máquinas  e  equipamentos  para  aquecimento  ou resfriamento. Base Legal: Ementa da Solução de Consulta 8ª  RF, no 439/2003, Lei 10833/03, art 3, inciso II; Lei 10637/02, art  3;  IN  SRF  404/2004,  art  8,  &4,  inciso  II,  alínea  B;  IN  SRF  247/2002, art.66 &5, inciso II, alínea B.  Conforme consta na decisão recorrida, as características e o emprego de cada  produto dessa rubrica são os seguintes (fls 2724/2725):   a)  Água  para  indústria  –  É  utilizada  como  desinfetante  na  higienização de frigoríficos e outros ambientes, de modo que não  pode ser considerada insumo. Veja­se, a este respeito, a Solução  de Divergência n° 12/2007 da Cosit, já mencionada. Embora esta  aluda  a  “materiais  de  limpeza  de  equipamentos  e  máquinas”,  aplica­se,  por  analogia,  a  qualquer  produto  utilizado  em  atividades  de  limpeza  e  higienização,  as  quais  não  estão  diretamente ligadas ao processo produtivo.  b)  Gás  GLP  45  kg  –  Trata­se  de  combustível  empregado  no  aquecimento  de  aviários. Não  sendo  aplicado  ou  consumido no  processo produtivo, não pode ser considerado insumo.  c) Gás GLP granel – Verifica­se neste caso flagrante contradição  entre  as  informações  do  aditamento  à  manifestação  de  inconformidade e aquelas contidas no laudo técnico. Segundo o  primeiro documento, trata­se de combustível usado no aparelho  chamuscador, ao passo que, de acordo com o laudo, seu emprego  se dá em processos de cozimento de carnes e na  incineração de  aves mortas. Dada essa incongruência nos dados fornecidos pela  própria  empresa,  entendo que  não  pode  ser  caracterizado  como  insumo.  d) Gás P13 – É utilizado no cozimento de carnes e na incineração  de aves mortas. Apenas a primeira atividade está relacionada ao  processo produtivo.  e) Briquete de  bagaço  de  cana  – É  utilizado  como  combustível  nas caldeiras para aquecimento de água, a qual se destina a dois  usos: peletização da ração e geração de vapor para depilagem de  suínos e depenagem de aves. Apenas esta segunda atividade está  ligada ao processo produtivo.  f) Briquets industrial – Aplica­se a este produto o que foi dito do  briquete  de  bagaço  de  cana,  visto  terem  sido  incluídos  pela  recorrente na mesma rubrica.  g)  Cavaco  de  lenha  – M3  –  Trata­se  de  combustível  usado  na  caldeira  para  geração  de  vapor,  o  qual  se  destina  a  três  usos  distintos:  alimentação  de  digestores  utilizados  no  cozimento  de  resíduos  de  aves;  depilagem de  suínos  e  depenagem de  aves;  e  peletização  de  rações.  Esta  última  atividade,  como  já  assinalei,  não tem relação com o processo produtivo.  Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.924          32 h)  Dispersante  e  inibidor  –  Não  pode  ser  considerado  insumo,  visto  ser  utilizado  para  impedir  a  corrosão  e  incrustação  do  sistema  de  resfriamento  de  água,  sendo  aplicado  portanto  na  manutenção deste sistema e não no processo produtivo em si.  i)  Lenha  –  Tanto  a  manifestação  de  inconformidade  quanto  o  laudo técnico referem­se a “lenha eucalipto”, informando tratar­ se  de  combustível  utilizado  em  caldeiras  para  aquecimento  de  água,  a  qual  se  destina  à  peletização  da  ração  e  à  geração  de  vapor  para  a  depilagem  de  suínos  e  a  depenagem  de  aves.  A  primeira atividade não guarda relação com o processo produtivo.  j)  Óleo  combustíve  BPF  tipo  2A  –  Assim  como  outros  óleos  incluídos  pela  recorrente  na  mesma  rubrica,  é  empregado  na  movimentação  de  máquinas,  como  empilhadeiras,  em  tratores  que  efetuam  a  limpeza  externa  das  granjas  e  matrizes  e  em  equipamentos,  como  caldeiras  para  aquecimento  de  água.  As  duas  primeiras  atividades  não  tem  relação  com  o  processo  produtivo. Por outro lado, a empresa não esclarece a que uso se  destina  a  água  nem  informa  a  que  equipamentos,  além  das  caldeiras,  se  refere  e  qual  a  função  destes.  Assim,  justifica­se  plenamente sua descaracterização como insumo.  k) Óleo de xisto  tipo  eote –  Incluído pela  recorrente na mesma  rubrica,  aplica­se  a  este  produto  o  que  foi  dito  do  óleo  combustíve BPF tipo 2A.  l)  Amônia  –  Segundo  a  recorrente,  é  empregada  como  desinfetante  em várias  “etapas do processo produtivo”,  entre  as  quais  a  desinfecção  de  pneus  de  veículos,  a  desinfecção  de  recipientes  e  meios  de  transporte  das  aves  e  suínos  até  o  abatedouro,  etc.  Como  já  foi  visto,  as  atividades  de  limpeza  e  higienização  ­  diferentemente  do  que  alega  a  interessada  ­  não  fazem parte do processo produtivo, cabendo aqui citar uma vez  mais a Solução de Divergência n° 12/2007 da Cosit. Não se trata,  portanto, de insumo.  Segundo o conceito de insumo adotado neste Voto, todos os dispêndios dessa  rubrica,  relativos  a  produtos  utilizados  para  aquecimento,  resfriamento  ou  limpeza  de  máquinas,  equipamentos  e moldes,  ainda  que  não  tenham  contato  direto  com  o  produto  em  fabricação,  são  essenciais  e  pertinentes  ao  processo  produtivo  da  recorrente  e dão  direito  ao  creditamento da Cofins.   De  forma  que  entendo  que  devem  ser  revertidas  todas  as  exclusões  da  fiscalização sob a rubrica Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento.   4)  Produtos  químicos  (Produtos  químicos  utilizados  no  tratamento  de  efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho)   Entendeu a fiscalização, conforme trecho abaixo transcrito, que não ensejaria  crédito  como  insumos  a  aquisição  dos  seguintes  produtos  químicos  descritos  como  aditivo  bioquímico  aha,  antiespumante  aquaplan  AE  20,  coagulante  orgânico,  polímero  aniônico,  polímero  catiôncio,  sulfato  de  alumínio,  ácido muriático,  água  sanitária,  álcool  96º  para  uso  Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.925          33 desinfectante,  caulim,  formol,  fornecimento  de  água,  serragem,  gás  cloro,  etc  (cf.  fl.  2.493/2.494).   e. Produtos Químicos utilizados no tratamento de efluentes,  limpeza e higienização dos ambientes de trabalho: Não geram  direito  a  crédito  os  valores  relativos  a  gastos  com  materiais  e  produtos químicos utilizados no  tratamento de água efluente do  processo industrial, por não configurarem pagamento de bens ou  serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou  produção de bens ou produtos destinados à venda. Esses insumos  não  foram  considerados  por  não  agregarem  ao  produto  em  fabricação,  não  se  incorporando  a  ele  e  não  perdendo  suas  propriedades físicas ou químicas em decorrência do contato com  o  produto  em  fabricação.  Dispositivos  legais:  art.  3o  da  Lei  10.637/02, art. 66 e 67 da IN SRF no 247/02 com alterações da  IN SRF no  358/03 e Lei 10.833/03; Lei  10.865/04,  IN SRF no  404/04 e Solução de Consulta 323/SRRF/8a RF de 25/10/2010.   O julgador de primeira instância, em cotejo das informações fornecidas pela  recorrente sobre os referidos produtos químicos com o laudo técnico, chegou a conclusão que  (fl. 2.564):   106.  SERRAGEM  –  Consta  na  citada  tabela  que  a  serragem  é  empregada  para  fins  de  forração.  Já  a  recorrente  incorre  em  contradição  mais  uma  vez,  ora  afirmando  empregá­la  como  combustível  nas  caldeiras  (laudo),  ora  alegando  que  a  utiliza  como  combustível  em  estufa  para  queima  e  defumação  de  produtos.  Neste  caso,  se  a  própria  empresa  não  é  capaz  de  informar  com  exatidão  o  uso  que  dá  ao  produto,  agiu  bem  a  autoridade  fiscal  ao  excluí­lo  da  base  de  cálculo  de  créditos  de  Cofins.  107.  Excluída  portanto  a  serragem,  pode­se  afirmar,  sem  contestação possível, que todos os produtos listados na tabela do  item  49.e  do  despacho  decisório  são  empregados  pela  contribuinte  quer  na  higienização  e  limpeza  de  máquinas  ou  ambientes, quer no tratamento de águas e de esgoto.  108. Tais atividades, naturalmente, não têm relação direta com o  processo  produtivo  da  empresa,  de  modo  que  os  produtos  químicos em apreço não se enquadram no conceito de insumo a  que alude o § 4o do art. 8o da IN SRF n° 404/2004. Além disso,  não há previsão legal que autorize as empresas a creditar­se sobre  os valores pagos em sua aquisição.  Não obstante a recorrente não tenha esclarecido qual seria a efetiva aplicação  da serragem,  tanto o emprego dela como combustível nas caldeiras ou como em estufa, para  queima e defumação de produtos, dariam direito a crédito, eis que essenciais e pertinentes ao  processo  produtivo  da  recorrente.  O  mesmo  ocorre  em  relação  aos  produtos  químicos  utilizados "quer na higienização e  limpeza de máquinas ou ambientes, quer no  tratamento de  águas e de esgoto", que são considerados insumo, conforme o entendimento exposto esposado  neste Voto.   Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.926          34 Assim,  conclui­se que devem ser  revertidas  todas  as  exclusões dos  créditos  da  base  de  cálculo  de  créditos  da  Cofins  sob  a  rubrica  Produtos  químicos  utilizados  no  tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho.    5) Serviços prestados   A  fiscalização  indeferiu  alguns  serviços  sob  os  seguintes  fundamentos:  Serviços Prestados (fls. 2493):   d.  Serviços  Prestados:  O  termo  "serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  do  produto"  não  pode  ser  interpretado  como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente,  como  aqueles,  adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  do  serviço  da  atividade.  Assim  sendo,  não  foram  aceitos  os  créditos  dos  serviços  apresentados  no  quadro  abaixo  por não se enquadram nesse conceito: (...)   Os  serviços  cujos  créditos  foram  excluídos  da  base  de  cálculo  da  Cofins  foram os seguintes:     A  recorrente  nada  acrescentou,  no  recurso  voluntário,  relativamente  à  exclusão desses serviços, apenas repisou a descrição já constante no processo (cf. fls. 2.782 e  2.785):   Armazenagem  Terc  Monitoramento  e  Armazenagem  Termômetro  de  monitoramento  do  perfil  térmico  de  produto  aplicado  nos  produtos  para  definir  o  comportamento  térmico  durante a armazenagem e atestar ao serviço de Inspeção federal o  cumprimento dos valores requeridos pela legislação de 8°C para  produtos  resfriados  em  armazenamento  e  12  para  produtos  congelados e 18°C para produtos ultra congelados como a carne  mecanicamente separada. Equipamento utilizado para controlar a  Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.927          35 temperatura  do  produto  resultante  do  abate  até  o  seu  destino  e  atender o previsto na legislação.   (...)   Serv.  com  despach.  Azeite  GALLO  ,  serv.  c/  Despachantes  Impor.  serv.  de  armazenagem,  transporte  de  matérias  prima  ­  Aquisição de  insumos  industriais como óleos de origem vegetal  para  preparação  dos  alimentos  cárneos  e  sua  saborização.  O  azeite é utilizado como insumo na produção de alguns produtos  que compõem a linha de produtos comercializados pela empresa.   Serv.  de  transporte  mudança,  serv.  movimentação  matéria,  serviço  de  transporte,  transportes  de  matérias  prima  ­  transferência de equipamentos e matérias para compor linhas de  produção.   Os denominados "SERV C/ DESPACHANTES IMPOR", ao que tudo indica,  seriam  serviços  utilizados  na  importação  de  azeite  para  posterior  utilização  no  processo  produtivo  da  recorrente,  e  não  são  considerados  serviços  "utilizados  como  insumo  (...)  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda",  não  ensejando  o  correspondente creditamento.   O  serviço  "ARMAZENAGEM  TERC  MONITORAM"  não  foi  tampouco  descrito pela  recorrente,  não obstante a observação do  julgador de primeira  instância de que  "Trata­se, aparentemente, não de um serviço, mas de um equipamento utilizado pela empresa".  Como já observado, incumbiria à recorrente trazer aos autos a prova dos fatos alegados, razão  pela qual incabível o direito creditório.   Também  os  serviços  de  "TRANSPORTE  DE  MATÉRIAS­PRIMA"  e  "SERVIÇO DE TRANSPORTE",  à mingua  de  uma melhor  descrição  e  da  demonstração,  a  cargo  da  recorrente,  de  que  são  serviços  efetivamente  "utilizados  como  insumo  (...)  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda",  não  cabe  o  creditamento  respectivo.   Assim,  no  que  concerne  aos  "serviços  prestados",  nada  há  a  reparar  na  decisão que manteve a exclusão dos correspondentes créditos.     II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS  Sobre a exclusão dos créditos sobre comissões de venda assim se pronunciou  o julgador de primeira instância (fl. 2.731):   122. A autoridade  fiscal  glosou créditos  sobre quantias pagas  a  título  de  comissões  de  venda,  as  quais  haviam  sido  indevidamente incluídas na linha 05 da ficha 16A dos DACON,  relativa às despesas com armazenagem.  123.  Reconhecendo  o  erro,  requer  a  empresa  a  reclassificação  desses valores na linha 03 da referida ficha, por entender tratar­se  de insumos.  Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.928          36 124.  Como  observei  anteriormente,  o  conceito  de  insumo  para  fins de creditamento da Cofins se encontra no § 4o do art. 8° da  IN SRF n° 404/2004. No que respeita especificamente a serviços,  segundo o inciso I, alínea “b” do referido parágrafo, consideram­ se  insumos  apenas  “os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação do produto”.  125.  Ora,  os  serviços  em  questão  foram  prestados  por  representantes  comerciais  autônomos,  segundo  informe  da  própria  empresa,  os  quais  constituem  pessoas  físicas,  e  não  jurídicas.  Além  disso,  trata­se  de  serviço  prestado  na  fase  de  comercialização dos produtos prontos, etapa bastante posterior ao  término do processo de produção.  126. Logo, não se trata de insumos, devendo ser mantida a glosa  realizada pela autoridade tributária.  No  Recurso  Voluntário,  alegou  a  recorrente,  em  síntese,  que  as  referidas  despesas seriam essenciais para o desenvolvimento das atividades da empresa e ensejariam o  creditamento  como  insumo,  cabível  em  relação  aos  "bens,  serviços  e  encargos  que  se  transformam  em  custos  de  produção  ou  em  despesas  operacionais,  mormente  quando  tais  custos  e  despesas  estão  intrinsecamente  vinculados  à  obtenção  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições sociais".   Aduz a  recorrente que  "é empresa que produz, processa e comercializa,  em  grande  parte  para  o mercado  externo,  carnes  de  aves,  suínos  e  termo­processados  in  natura  (carcaças  e  cortes)",  sendo  assim,  "incorre  em  dispêndios  com  representante  comerciais  autônomos, encarregados de fomentar as vendas dos itens produzidos, ou seja, remunera esses  profissionais,  na medida  em que estes  consigam gerar pedidos de  compra  a  serem atendidos  pela empresa e efetivamente concretizados por meio da tradição da mercadoria".   Não obstante as diversas interpretações do conceito de insumo existentes na  doutrina e jurisprudência, incabível o correspondente creditamento por disposição expressa da  Lei nº 10.833/2003, no seu art. 3º, §2°, I, de que "Não dará direito a crédito o valor: I de mão­ de­obra paga a pessoa física". De forma que nada há a reparar na exclusão dos créditos sobre  comissões de venda.     II.9.  DOS  CRÉDITOS  SOBRE  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM  E  FRETES  NAS  OPERAÇÕES  DE  VENDAS   1.  DOS  CRÉDITOS  SOBRE  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM   Sob  esta  rubrica  foram  excluídos  pela  fiscalização  os  seguintes  dispêndios  (fl. 2.496):   58. Das Despesas  com Armazenagem. Analisando  a Planilha L  07.1  apresentada  pela  interessada  contendo  o  Memorial  de  Cálculo das Despesas com Armazenagem, constatamos que além  das  Despesas  com  Armazenagem  a  interessada  creditou­se  Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.929          37 também  de  outras  despesas  como  ALUGUEL/ARRENDAMENTO;  COMISSÃO  SOBRE  VENDAS  –  AVES,  IND  E  SUÍNOS;  FRETE  CROSS­ DOCKING;  FRETE  DISTRIBUIÇÃO;  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE DE  CONTAINER,  SERVIÇO DE  FRETE DE  CONTAINER;  SERVIÇO  DE  MOVIMENTAÇÃO  CROSS­D,  tais  despesas  para  fins  de  creditamento  na  sistemática  da  não­ cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS não  são  passiveis  de  creditamento  a  título  de  “Despesa  com  Armazenagem”  por  ausência  de  previsão  legal,  nesse  sentido  segue a seguinte jurisprudência:  (...)   Sobre  os  gastos  com  “ALUGUEL/ARRENDAMENTO”,  incluídos  indevidamente sob esta rubrica, o julgador da DRJ decidiu pela manutenção da correspondente  exclusão por ausência de provas (fl. 2.732):   131. Ora, em primeiro lugar convém esclarecer que o contrato de  arrendamento não se confunde com o de aluguel. E, desde que a  rubrica  citada  pela  autoridade  fiscal  se  refere  tanto  a  aluguel  quanto a arrendamento, deveria a recorrente ter discriminado os  valores relativos a cada uma dessas despesas.  132. Por outro lado, a contribuinte não apresentou os contratos de  aluguel  e  tampouco  os  registros  contábeis  e  bancários  relativos  aos  supostos  aluguéis pagos,  de modo que não é possível  saber  se, no trimestre em exame, teria de fato realizado dispêndios com  o aluguel de imóveis, se estes eram utilizados em suas atividades  e se os locadores eram pessoas físicas ou jurídicas.  133. Assim posto,  dada a ausência de provas,  deve­se manter a  glosa em apreço.  Protesta  ainda  a  recorrente,  no Recurso Voluntário,  "pela  posterior  juntada  dos  contratos  de  aluguéis,  bem  como  registros  contábeis  e  bancários  relativos  aos  aluguéis  pagos" (fl. 2.795), o que não  tem qualquer cabimento, em face da fase processual em que se  encontra o processo; da preclusão para a produção de provas e da concentração das provas no  recurso, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72; bem como do seu ônus processual de  comprovar o alegado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99.   Assim,  diante  da  ausência  de  comprovação,  a  cargo  da  recorrente,  de  qualquer elemento modificativo da decisão da DRJ, ela há de ser mantida nesta parte.     2.  DOS  CRÉDITOS  RELATIVOS  A  FRETE  DE  TRANSFERÊNCIA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS   No  que  concerne  ao  serviço  de  transporte,  as  leis  de  regência  permitem  o  creditamento  das  contribuições  não  cumulativas  i)  sobre  o  frete  pago  quando  o  serviço  de  transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  destinado à venda, com base no  inciso  II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e  ii)  Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.930          38 sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os  arts. 3o , IX e 15, II da Lei n° 10.833/03.   A  construção  jurisprudencial  admite  também  a  tomada  de  créditos  sobre  despesas com  iii)  fretes pagos  a pessoas  jurídicas quando o custo do serviço,  suportado pelo  adquirente,  é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como  insumo ou de um  bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos  ou produtos  inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da  pessoa jurídica.   No  entanto,  o  transporte  de  produto  acabado,  tais  como os  fretes  indicados  pela recorrente neste  tópico, entre centros de distribuição ou entre esses e as  lojas varejistas,  depois de concluído o processo produtivo, não se enquadra em quaisquer das outras hipóteses  permissivas  de  creditamento  acima  mencionadas,  vez  que  não  se  refere  ao  transporte  do  produto  vendido  entre  o  estabelecimento  do  produtor  e  o  do  adquirente  e  nem  de  produto  inacabado.   Nesse  sentido,  já  foi  decidido  no Acórdão  nº  3403001.556,  25  de  abril  de  2012,  conforme  trecho  transcrito  abaixo  da  ementa,  que  somente  na  hipótese  de  produtos  inacabados  pode  haver  o  creditamento  do  frete  pago  relativamente  ao  transporte  entre  estabelecimentos do contribuinte:   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006   (...)  PIS.  NÃO  CUMULATIVO.  CRÉDITO.  FRETE  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.   A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do  próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na  sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em  se  tratando  do  frete  de  produtos  inacabados,  caso  em  que  o  dispêndio  consistirá  de  custo  de  produção  e,  pois,  funcionará  como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do  inciso II,  do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.    De  forma  que,  não  obstante  os  argumentos  da  recorrente,  conforme  acima  exposto, o frete de produtos acabados entre os seus estabelecimentos não encontra amparo na  legislação  pertinente  para  o  creditamento  como  insumo,  razão  pela  qual  foi  correto  o  entendimento  da  fiscalização  do  julgador  da  DRJ  que  não  reconheceu  o  crédito  da  Cofins  correspondente.   3.  FRETES  UTILIZADOS  COMO  INSUMO  NOS  SERVIÇOS  DE  TRANSPORTE   3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela  Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações   A subcontratação de serviço de transporte está  regulada no art. 3º da Lei nº  10.833/2003 da seguinte forma:   Art.  3o Do valor  apurado na  forma do art.  2o  a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   (...)  Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.931          39 II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes,   (...)   § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga  que  subcontratar  serviço  de  transporte  de  carga  prestado  por:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)   I  –  pessoa  física,  transportador  autônomo,  poderá  descontar,  da  Cofins  devida  em  cada  período  de  apuração, crédito  presumido  calculado  sobre  o  valor  dos  pagamentos  efetuados  por  esses  serviços;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)   II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá  descontar,  da  Cofins  devida  em  cada  período  de  apuração,  crédito  calculado  sobre  o  valor  dos  pagamentos  efetuados  por  esses serviços.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)   § 20. Relativamente aos créditos  referidos no § 19 deste artigo,  seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor  dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  daquela  constante  do  art.  2o  desta  Lei.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifou­se)   O  julgador  de  primeira  instância  entendeu  que  os  serviços  de  transporte  descritos pela contribuinte não se enquadrariam na situação tipificada acima, primeiro porque  ela não é uma empresa de serviço de transporte rodoviário de carga, eis que sua atividade­fim é  a industrialização e comercialização de produtos alimentícios; segundo porque não se verifica a  hipótese de subcontratação, mas da contratação, por suas filiais, de pessoas físicas ou jurídicas  para realizar o transporte de suas mercadorias.   Alega  a  recorrente  que  exerce  a  atividade  de  transporte  rodoviário  de  mercadorias próprias  e de  terceiros,  conforme consta no  seu objeto  social,  por meio de  suas  filiais, que, para esse  fim, subcontratam transportadores autônomos ou  transportadoras. Aduz  que  os  gastos  com  tais  subcontratações  são  insumos  da  atividade  de  serviços  de  transporte,  cabendo o correspondente creditamento da Cofins.   Acrescenta  que  inexiste  impedimento  legal  para  que  uma  filial  preste  um  serviço  de  transporte  para  outra  filial/matriz  do  mesmo  titular,  mesmo  porque  para  fins  do  ICMS os estabelecimentos são autônomos, havendo independência no tocante às atividades por  eles realizadas.   Segundo  entende,  o  fato  de  a  quitação  desse  serviço  se  dar  por  meio  de  lançamento entre centros de custo da recorrente não afeta a natureza do serviço prestado.   No  entanto,  o  permissivo  legal  está  expressamente  direcionado  para  a  "empresa  de  serviço  de  transporte  rodoviário  de  carga",  qual  seja,  aquela  que  preste  serviço  desta natureza como atividade­fim a outras empresas ou pessoas físicas. Embora a recorrente  tenha essa atividade incluída em seu objeto social e possa eventualmente prestar esses serviços,  essa  não  é  sua  atividade­fim,  como  já  esclareceu  a  decisão  recorrida.  Caso  o  legislador  ordinário quisesse incluir os serviços de  transporte prestados por qualquer empresa, não  teria  feito a ressalva sobre o tipo de empresa faz jus ao benefício.   Além  disso,  para  que  houvesse  a  subcontratação  para  fruição  do  benefício,  far­se­ia necessária uma primeira contratação para a prestação do serviço de transporte entre a  Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.932          40 recorrente  e  a outra pessoa  jurídica,  o que não ocorreu, vez que sua  filial  não  é  considerada  uma outra pessoa jurídica.   Desta forma não merece qualquer reparo a decisão recorrida no que concerne  à exclusão dos créditos relativos à subcontratação de transporte.    3.2. Frete para Transporte De Insumos e Matéria­Prima no Sistema de  Parceria (Integração)   Explica  a  recorrente  que  seu  processo  produtivo  envolve  uma  série  de  movimentos  logísticos  de  insumos  e  matérias­primas,  não  se  resumindo  apenas  ao  abate  e  processamento da carne.   Desta forma, os fretes incorridos nos deslocamentos de insumos e matérias­­ primas da Seara para o produtor parceiro e vice­versa fazem parte do seu custo de aquisição de  mercadorias para fabricação de produtos destinados a venda.   Aduz que foram objeto de glosa os CFOP de saída abaixo, os quais, embora  não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados às vendas ou ao processo  produtivo, sendo incontestável, a seu ver, a geração do crédito de PIS/COFINS:   5151 ­ Transferência de Produção do Estabelecimento  Transferência  de  produto  industrializado  ou  produzido  no  estabelecimento para outro  estabelecimento da mesma empresa.  Trata­se basicamente das remessas enviadas das fábricas aos CD  Centro de Distribuição. Este frete inicial é indispensável para que  aconteça efetivamente o frete da venda, gerando assim o crédito.   5451 ­ Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento  Produtor   Classificam­se  neste  código  as  saídas  referentes  à  remessa  de  animais  e  de  insumos  para  criação  de  animais  no  sistema  integrado,  tais  como:  pintos,  leitões,  rações  e  medicamentos.  Tratase  de  uma  despesa  de  frete  diretamente  relacionada  ao  processo  produtivo  (insumo),  visto  que  a  Recorrente  pratica  o  sistema de "parceria" com seus produtores integrados. Evidente,  portanto, o crédito de COFINS sobre esse frete.   5501  ­  Remessa  de  produção  do  estabelecimento,  com  fim  específico de exportação.   Saída  de  produto  industrializado  ou  produzido  pelo  estabelecimento,  remetido  com  fim  específico  de  exportação  a  "trading  company",  empresa  comercial  exportadora  ou  outro  estabelecimento  do  remetente.  Tratase  de  frete  para  fins  de  formação do lote de exportação, ou seja, relacionado à venda de  exportação, ou seja, dá direito a crédito.   5152 ­ Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de  terceiros   Mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros  para  industrialização,  comercialização  ou  utilização  na  prestação  de  serviço  e  que  não  tenha  sido  objeto  de  qualquer  processo  industrial  no  estabelecimento,  transferida  para  outro  estabelecimento  da  mesma  empresa.  Tratase  de  mercadoria/insumo  recebido  por  uma  unidade  e  transferida  à  Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.933          41 outra  para  revenda/industrialização.  Esta  despesa  de  frete  na  transferência da respectiva mercadoria/insumo é  legítima, sendo  também legítimos os créditos apurados sobre referido frete.   5503 ­ Devolução de mercadoria recebida com fim específico  de exportação   Referem­se  a  devoluções  efetuadas  por  trading  company,  empresa  comercial  exportadora  ou  outro  estabelecimento  do  destinatário,  de  mercadorias  recebidas  com  fim  específico  de  exportação,  cujas  entradas  tenham  sido  classificadas  no  código  1.501  Entrada  de  mercadoria  recebida  com  fim  específico  de  exportação.  Tratase  de  devolução  dos  produtos  recebidos  conforme CFOP 5501 (acima).   5905/6905  ­  Remessa  para  depósito  fechado  ou  armazém  geral   Classificam­se  neste  código  as  remessas  de  mercadorias  para  depósito em depósito fechado ou armazém geral. Tratase de frete  relacionado à despesas de armazenagem, que conseqüentemente  é passível de créditos.   5923  ­  Remessa  de  mercadoria  por  conta  e  ordem  de  terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém  geral ou depósito fechado.   Classificam­se neste código as saídas correspondentes à entrega  de  mercadorias  por  conta  e  ordem  de  terceiros,  em  vendas  à  ordem,  cuja  venda  ao  adquirente  originário  foi  classificada  nos  códigos "6.118 Venda de produção do estabelecimento entregue  ao  destinatário  por  conta  e  ordem  do  adquirente  originário,  em  venda  à  ordem"  ou  "6.119  Venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem  do adquirente originário, em venda à ordem".   Também serão classificadas neste código as remessas, por conta  e  ordem  de  terceiros,  de  mercadorias  depositadas  ou  para  depósito  em  depósito  fechado  ou  armazém  geral.  Trata­se  de  triangulação  por  conta  e  ordem  de  terceiro,  originária  de  uma  venda, ou seja, o crédito procede normalmente.   6151 ­ Transferência de produção do estabelecimento   Produto  industrializado  ou  produzido  no  estabelecimento  e  transferido para outro estabelecimento da mesma empresa. Trata­ se  basicamente  das  remessas  enviadas  das  fábricas  aos  CD  Centro de Distribuição. Este frete inicial é indispensável para que  aconteça efetivamente o frete da venda, gerando assim o crédito  (idem 5151).   7949  ­ Outra  Saída  de Mercadoria  ou Prestação  de  Serviço  Não Especificada   Classificam­se  neste  código  as  outras  saídas  de mercadorias  ou  prestações  de  serviços  que  não  tenham  sido  especificados  nos  códigos  anteriores.  Tratase  da  operação  que  a  empresa  internamente  chama  de  'Nota  Fiscal Global',  ou  seja,  é  emitida  uma  NF  principal  de  venda  com  o  valor  total  desta  operação  (global)  no  momento  da  realização  da  exportação  para  um  determinado  cliente.  Posteriormente,  as  mercadorias  saem  em  diversos  momentos  da  empresa  para  formação  do  lote  que  compõe o total desta Nota Fiscal global, e são essas as remessas  emitidas  com  o CFOP  7949. Ou  seja,  é  neste momento  que  as  mercadorias  são  efetivamente  transportadas  e  que  ocorre  a  Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.934          42 despesa  do  frete,  gerando  direito  à  apropriação  dos  créditos  de  PIS/COFINS.   A autoridade fiscal glosou as despesas com frete não ligadas a operações de  venda, que foram indevidamente incluídas pela contribuinte na linha 07 das fichas 06A e 16A  do DACON.   Em  análise  documental  para  validar  os  requisitos  exigidos  pela  legislação  para  o  creditamento  das  "Despesas  com  Frete  na  Operação  de  Venda",  quais  sejam,  (1)  comprovação  de  que  o  ônus  foi  suportado  pelo  vendedor  e  (2)  se  o  serviço  foi  pago  ou  creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, constatou a fiscalização que (fl. 2.378):   79. Analisando os documentos apresentados nos chamou atenção  o fato de a SEARA figurar como emissora dos conhecimentos  de transportes na maioria dos documentos analisados. Sendo  a própria SEARA a prestadora do serviço de transporte não  se teria uma despesa incorrida, no máximo, uma mudança de  centro de custos entre os estabelecimentos da empresas, pois  a SEARA estaria prestando o serviço de transporte para ela  mesmo por intermédio de suas filiais transportadoras.   80.  Ademais,  os  conhecimentos  de  transportes  apresentados  referiam­se  a  cargas  que  não  condiziam  com  os  produtos  de  venda finais da SEARA como ração. Questionada informou que  a documentação entregue não se referia a fretes sobre operações  de venda e sim a frete sobre compras de insumos, o que também  se demonstrou não ser verdadeiro, pois se tratavam de operações  de fomento aos parceiros onde a SEARA enviava, por exemplo,  ração  e  matrizes  de  aves  aos  seus  parceiros  para  que  estes  procedessem  ao  manejo  e  a  engorda  das  aves  devolvendo  ou  vendendo  à  SEARA  os  animais  após  a  engorda,  assim  a  ração  seria  insumo  para  os  parceiros,  por  obvio,  os  fretes  a  eles  relacionados comporiam o custo de aquisição dos parceiros e  não da SEARA. (grifou­se)  Além  do  frete  na  operação  de  venda  (arts.  3o  ,  IX  e  15,  II  da  Lei  n°  10.833/03),  existem  outras  três  possibilidades  de  creditamento  das  contribuições  não  cumulativas do frete pago a outra pessoa jurídica: a) frete como insumo na produção (inciso II  do  art.  3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03);  b)  fretes pagos  a pessoas  jurídicas quando o  custo  do  serviço,  suportado  pelo  adquirente,  é  apropriado  ao  custo  de  aquisição  de  um  bem  utilizado  como  insumo  ou  de  um  bem  para  revenda;  c)  fretes  pagos  a  pessoa  jurídica  para  transporte de  insumos ou produtos  inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do  processo produtivo da pessoa jurídica.   Não  se  vislumbra  o  creditamento  das  contribuições  relativamente  à  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  própria  empresa,  mas  tão  somente de produtos inacabados dentro do seu contexto produtivo. Também, não se tratando os  CFOP´s acima de deslocamento entre o estabelecimento produtor e o comprador, não se trata  de frete na operação de venda.   Na hipótese de envio de produtos aos seus parceiros (CFOP 5451 Remessa de  Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor), como, por exemplo, ração e matrizes de  aves  para  manejo  e  a  engorda,  os  fretes  relacionados  compõem  o  custo  de  aquisição  dos  parceiros,  como  já  esclareceu  a  fiscalização,  não  dando  direito  ao  creditamento  para  a  recorrente.   Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.935          43 Quanto ao CFOP 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de  terceiros, que se  trata de "mercadoria/insumo recebido por uma unidade e transferida à outra  para  revenda/industrialização",  referese  ao  frete  (serviço)  relacionado  a  operação  posterior  (para  revenda)  ou  anterior  (para  industrialização)  ao  processo  produtivo,  não  cabendo  o  correspondente creditamento.   Assim,  nada  há  a  reparar  da  decisão  recorrida  que  manteve  as  glosas  dos  créditos relativos aos fretes que não integravam a operação de venda.   II.10. DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS  Segundo o despacho decisório,  itens itens 105 a 111, fora glosada parte dos  créditos relativos ao 3o trimestre de 2008 por se referirem a insumos adquiridos no período que  se estende de 2005 ao 1° trimestre de 2007.  A  Recorrente  se  insurgiu  contra  essa  glosa,  alegando  que  “O  crédito  não  aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes”, pois a segregação dos  créditos por trimestre, segundo a Recorrente, constituiria mera formalidade, sem fulcro legal.  Os  créditos  dessa  natureza  tem  a  peculiaridade  de  terem  sua  origem  em  determinado  mês  (ou  período  de  apuração)  e  serem  adjudicados  em  mês  ou  meses  subsequentes, portanto a destempo – ou de forma extemporânea.   Nesse  sentido,  a  legislação  própria  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  contém parágrafo 4º, artigo 3º, respectivamente, da Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002  (Lei 10.637/02), e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (Lei 10.833/03), dispositivo  que é cristalino no sentido de que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo  nos meses subsequentes”.   Aliás, o parágrafo 2º, artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de  novembro de 2002 (IN SRF 247/02), para a Contribuição ao PIS, e o parágrafo 2º, artigo 8º da  Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004 (IN SRF 404/04), para a COFINS,  contém  idêntica  redação aos dispositivos  legais  antes  citados,  portanto no  âmbito da Receita  Federal do Brasil (RFB) também está autorizada a prática pela Recorrente.   Tanto o crédito extemporâneo é autorizado, que na recentemente inaugurada  Escrituração  Fiscal Digital  (EFD)  de  PIS  e COFINS  está  previsto  bloco  específico  para  sua  escrituração. Segundo o guia prático da escrituração fiscal digital, o bloco 1 serve para fins de:  complemento  da  escrituração,  controle  de  saldos  de  créditos  e  de  retenções,  operações  extemporâneas e outras informações.   A decisão ora recorrida entendeu que a apuração extemporânea dos créditos  realizada pelo Contribuinte somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações  e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os DACON .   Segundo  o  entendimento  adotado  na  decisão  recorrida,  a  retificação  do  DACON  é  exigida  não  somente  para  que  se  possa  constituir  os  créditos  decorrentes  dos  documentos não considerados no DACON original, devendo­se atentar, principalmente, para o  fato de que os  saldos de  créditos dos Dacon dos meses posteriores  à constituição do  crédito  devem ser retificados para evidenciar o novo crédito. Trata­se pois de ficar demonstrado com  Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.936          44 precisão que o crédito está constituído e o mais importante: que o crédito não foi utilizado em  períodos anteriores, condição sine qua non para o aproveitamento futuro.   A  título  ilustrativo,  cumpre  observar  que  através  da  IN  RFB  no  1.441,  de  2014, o DACON foi extinto relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro  de 2014. Tal extinção é aplicável,  também, aos casos de extinção,  incorporação,  fusão, cisão  parcial ou cisão total que ocorreram a partir de 1o de janeiro de 2014. No entanto, permaneceu  obrigatória a entrega do DACON para fatos geradores ocorridos até 31/12/2013.   Assim, se a Recorrente deixou de apurar créditos pretensamente admissíveis  no tempo correto, ou os apurou em montante menor, poderia realizar a correção a posteriori.  Entretanto,  deveria  obrigatoriamente  providenciar  as  retificações  do  seu  Demonstrativo  de  Apuração  das Contribuições  (DACON)  e  das  respectivas Declarações  de Débitos  e Créditos  Federais (DCTF) referentes aos respectivos meses, pois seria com base nesses elementos que se  tomaria  conhecimento  do  que  a  própria  contribuinte  informou  e  declarou  como  débito  a  recolher, servindo, inclusive, como controle da administração fazendária e confissão de dívida  para fins de cobrança tributária.   Por sua vez, a mera alegação da existência dos créditos não assegura que não  tenham sido descontados anteriormente. Assim o entendimento da administração fazendária é  de que o Contribuinte deveria providenciar as retificações do seu Demonstrativo de Apuração  da Contribuições (DACON) e das correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Federais  (DCTF)  para  que  se  pudesse  informar  à  administração  fazendária  a  existência  de  créditos  extemporâneos.   Ocorre  que  como  isso  não  ocorreu,  ou  seja,  o  contribuinte  não  fez  as  retificações de DACON e DCTF, fica a questão se faz ou não faz jus ao crédito apurado nas  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS  não  cumulativas  no  prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  aquisição dos insumos. A questão é que assiste razão ao fisco que é necessário não só alegar a  existência  de  créditos,  mas  sim  demonstrar  de  forma  inequívoca  a  existência  do  crédito  extemporâneo, daí o entendimento da necessidade das retificadoras.   O  próprio  sítio  da  Receita  Federal  do  Brasil  na  pergunta  60  da  seção  das  perguntas  frequentes  do  EFD  admite  ser  possível  requerer  os  créditos  extemporâneos  da  seguinte forma:   Pergunta 60. Como  informar um crédito  extemporâneo na EFD  PIS/COFINS?   O  crédito  extemporâneo  deverá  ser  informado,  preferencialmente,  mediante  retificação  da  escrituração  cujo  período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for  possível,  devido  ao  prazo  previsto  na  Instrução  Normativa  RFB no. 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações  através  dos  registros  1100/1101  (PIS)  e  1500/1501  (Cofins).  (grifou­se).   Na  decisão  proferida  por  intermédio  do  Acórdão  3401001.585  do  CARF,  processo 13981.000257/200520, entendeu­se desta forma:     Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10880.726327/2011­61  Acórdão n.º 3301­004.834  S3­C3T1  Fl. 2.937          45 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DESNECESSIDADE  DE  PRÉVIA  RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que desde que respeitado o  prazo de cinco anos a contar da aquisição do  insumo, o crédito  apurado  não  cumulatividade  do  PIS  e  Cofins  pode  ser  aproveitado  nos  meses  seguintes,  sem  necessidade  prévia  retificação do Dacon por parte do contribuinte.   Assim,  entendo  que  assiste  razão  à  Recorrente  em  relação  aos  créditos  extemporâneos  pleiteados  dentro  do  prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  aquisição  do  insumo  e  devidamente demonstrados.  Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de  dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório  sob litígio e homologar as compensações correspondentes nessa proporção, na seguinte forma:   a)  reconhecer  o  crédito  presumido  em  conformidade  com  a  interpretação  trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, aplicando­se as alíquotas em função dos bens  produzidos, e não dos insumos adquiridos antes efetuado pela fiscalização;  b) reconhecer o crédito relativo às aquisições de graxa e óleo diesel.  c) relativamente aos itens sob a rubrica Produtos utilizados na movimentação  e  armazenagem  de  cargas,  reconhecer  o  direito  creditório  relativamente  aos  seguintes  bens:  BALDE  PP  PARA  BANHA,  BANDEJA  BRANCA  B3/M4  FUNDA,  BIGBAGS,  CAPA  PALLET PE 117X98X150 e CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO;   d) reconhecer os créditos relativos a todos os  itens sob as rubricas Produtos  utilizados  no  sistema  de  refrigeração/aquecimento  e  Produtos  químicos  utilizados  no  tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho.   e) reconhecer os créditos extemporâneos devidamente desmonstrados, desde  que pleiteados no prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, sem necessidade prévia  retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte.    (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira                               Fl. 2937DF CARF MF

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7437521 #
Numero do processo: 10120.005843/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.005843/2007­74  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  2202­004.466  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de maio de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  MAIA E BORBA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.   Serão  considerados  decaídos  os  créditos  tributários  lançados  com  base  no  artigo  45  da  Lei  n°  8.212/91,  que  determinava  o  prazo  decadencial  de  dez  anos  para  as  contribuições  previdenciárias,  por  ter  sido  este  artigo  considerado  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos  termos da  Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada  a decadência no caso concreto.  PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  IRREGULARIDADE NA  LAVRATURA  DA NFLD. INOCORRÊNCIA.  Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  NULIDADE.  OFENSA  AO  CONTRADITÓRIO  E  AMPLA  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  O  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  foi  assegurado  mediante  intimação  válida,  ao  sujeito  passivo,  do  lançamento  devidamente  instruído  cote  relatório  fiscal  contendo descrição  clara  e precisa  dos  fatos  geradores,  dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  Preterição  do  direito  de  defesa  decorre  de  despachos  ou  decisões  e  não  da  lavratura do ato ou  termo como se materializa a  feitura do auto de  infração  sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 58 43 /2 00 7- 74 Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 3          2 elementos  de  provas  necessários  à  solução  do  litígio  e  a  infração  está  perfeitamente demonstrada e tipificada.  PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos  elementos de prova presentes nos  autos permitem a  formação de convicção  do órgão julgador.  PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Fisco  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida,  utilizando  o  critério  proporcional  à  área  construída  para  apuração  dos  valores  devidos  a  título de mão de obra.  SERVIÇOS  TERCEIRIZADOS.  RECOLHIMENTOS.  APROVEITAMENTO.  A  partir  de  02/1999,  somente  serão  convertidos  em  área  regularizada  os  recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços  prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP.  PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.  O  ato  administrativo  se  presume  legítimo,  cabendo  à  parte  que  alegar  o  contrário  a  prova  correspondente.  A  simples  alegação  contrária  a  ato  da  administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o  lançamento.  VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE.  A busca da verdade material  pressupõe a observância,  pelo  sujeito passivo,  do  seu  dever  de  colaboração  para  com  a  Fiscalização  no  sentido  de  lhe  proporcionar  condições  de  apurar  a  verdade  dos  fatos.  O  lançamento  de  acordo  com  as  normas  vigentes  e  regentes  do  tributo  exigido  atende  integralmente o requisito da tipicidade da tributação.  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  SÚMULA  02  DO  CARF.  A  Súmula  nº  02  do  CARF,  publicada  no  D.O.U.  em  22/12/2009,  que  expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator.  Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 4          3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva  Dias,  Martin  da  Silva  Gesto,  Waltir  de  Carvalho,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Fabia  Marcilia  Ferreira  Campelo  (suplente  convocada),  Dilson  Jatahy  Fonseca  Neto,  Virgilio  Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.    Relatório  O  presente  recurso  foi  objeto  de  julgamento  na  sistemática  dos  Recursos  Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09  de  junho  de  2015.  Portanto,  adoto  o  relatório  objeto  do  Acórdão  nº  2202­004.460  ­  2ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  de  09  de  maio  de  2018,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  10120.005592/2007­28, paradigma deste julgamento.  Acórdão nº 2202­004.460 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  deste  processo administrativo  fiscal,  em face do acórdão julgado por  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.  Trata­se de lançamento efetuado contra a empresa em epígrafe,  por  meio  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito,  relacionado  às  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  referentes  às  parcelas  devidas  pela  empresa,  incluindo  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e às  destinadas a outras entidades e fundos, lançadas na competência  09/2006.  De  acordo  com o  Relatório Fiscal,  o  lançamento  foi  arbitrado  mediante aferição indireta da área construída em obra.  Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade  lançadora,  considerando  que  tais  procedimentos  comprometeram  a  avaliação  da  real  movimentação  da  remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de  cálculo  das  contribuições  de  acordo  com  a  previsão  legal  contida no § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o  § 3°e 6°.  Assim,  o  critério  adotado  pela  Fiscalização  para  aferição  da  base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da  obra objeto da fiscalização.  A  notificada  apresentou  defesa  administrativa  tempestiva,  referindo­se  aos  itens  do  relatório  fiscal  da  NFLD,  sendo  julgada improcedente a impugnação pela DRJ de origem.  A  contribuinte,  inconformada  com  o  resultado  do  julgamento,  apresentou  recurso  voluntário,  onde  apresenta  os  seguintes  argumentos:  Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 5          4 (i) Requer a nulidade do Acórdão  Argumenta  que  a  decisão  de  primeira  instância  deixou  de  apreciar  a  alegação  de  que  o  entendimento  da  junta  fiscal  contraria  o  entendimento  de  todos  os  outros  fiscais  que  fiscalizaram a recorrente.  (ii) Cerceamento de defesa  Reafirma  o  cerceamento  de  defesa,  pois  o  fato  de  pessoas  ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de  investigação  da  junta  fiscal,  não  a  exime  de  informar,  em  relatório,  a  discriminação  clara,  precisa  dos  fatos  geradores  (art.  37,  da  lei  n.8.212/91),  e  circunstanciada  e  transparente  fundamentação  legal,  correta  subsunção  dos  fatos  à  norma  e  lógica na apuração da base de cálculo.  (iii) Contabilização por centro de custo  Entende  a  contribuinte  que  a  interpretação  dos  fatos  que  levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade  da  recorrente  não  se  consubstancia  em  situações  materiais  efetivas.  Aduz  a  contribuinte  que  uma  a  uma,  todas  as  circunstâncias  narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da  recorrente,  foram,  no  entender  da  contribuinte,  rebatidas  em  impugnação. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal  foram  acatados  incondicionalmente,  já  os  argumentos,  justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados  no relatório.  Sustenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras  realizadas  pela  recorrente,  assim  como  todos  os  outros  fiscais  que  examinaram­lhe  a  contabilidade,  mostra  que  os  fatos  contábeis  e  todos,,os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  relativos  às  obras  são  registrados;  em  contas  individualizadas.  (iv) Princípio da imparcialidade  Para  a  contribuinte  resistiram,  sob  a complacência da DRJ de  origem, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de  terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em  obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias  obras  e  também  lançadas  em  outras  NFLDs  utilizando  como  artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta.  Aduz a contribuinte que os autos de infração citados pelo relator  como procedentes foram julgados apenas na primeira instância,  ainda  não  foram  avaliados  por  este  Colendo  Conselho  cuja  imparcialidade é reconhecida.  Questiona  ela  por  que  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  administrativa não  julga  importante  registrar  os diversos  erros  cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem  baixados  em  diligência  mais  de  uma  vez,  e  o  crédito  lançado  Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 6          5 retificado várias vezes? Responde dizendo que o órgão julgador  não observa, o princípio da imparcialidade.  Sustenta  que  a  junta  fiscal  errou  quando  não  cumpriu  o  que  determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso  não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado  como  erro  da  recorrente:  no  relatório  fiscal  afirmam  que  evidenciando  a  utilização  de  empregados,  sem  contudo,  haver  registro de escrituração de  folhas de pagamento. O registro de  pequenas  obras  —  conta  DPOGR,  existe  exatamente  para  registrar, dentre outros  fatos menores, quantificados em função  do  porte  da  empresa,  serviços  de  curto  prazo  prestados  por  empregados  a  terceiros  sem  que  se  complete  o  ciclo  mensal,  especificamente em serviços realizados em obras e que terminam  muito  ante  do  final  do  mês.  Em  outras  palavras:  prestam  serviços  a  várias  obras  dentro  do  mês.  Essa  mão  de  obra,  conforme  art.  162  de  IN  3,  abaixo  transcrito,  é  escriturada  na  folha  de  pagamento  da  Administração,  pois  não  há  como  registrar  estes  serviços  em  folhas  específicas,  como  quer  entes  do fisco.  (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação  Sustenta  a  recorrente  que  o  item  8  da  Manifestação  aos  esclarecimentos  "Enquanto  a  junta  fiscal  não  entregar  os  arquivos  digitais  com  as  planilhas  da  ação  fiscal,  restará  configurado  inadmissível  cerceamento  de  defesa,  pois  impede  que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios  necessários;  não  foi  apreciado  no  voto.  Foi  somente  citado  no  relatório.  Argui  a  contribuinte  que  espera­se,  sempre,  que  o  órgão  julgador  exerça  o  controle  da  legalidade  e  legitimidade  dos  lançamentos  e  profira  suas  decisões  motivadas  de  acordo  com  sua  convicção,  formada  a  partir  da  subsunção  dos  fatos  à  lei,  com  independência,  imparcialidade  e  responsabilidade,  sob  condição de justificar a própria existência.  Entende  que  a  não  entrega  dos  arquivos  digitais  contendo  a  planilha com dados e  informações sobre a apuração de valores  que  dizem  respeito  à  recorrente  é  outra  prova  contundente  do  evidente cerceamento de defesa. O fisco cria normas obrigando  o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas  esquece  das  normas  que  obrigam  todos  os  servidores  públicos  (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles  o da Moralidade.  (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova   Trata a  contribuinte a previsão  legal de arbitrar o  crédito não  dispensa  o  dever  do  fisco  de  produzir  prova  e  não  cria  presunção  de  onipotência.  A  regra,  tanto  no  processo  judicial  quanto  no  administrativo  é  a  de  que  o  autor  tem  o  ônus  de  provar  o  fato  constitutivo  Assim,  mesmo  quando.  se  trata  de  arbitramento, o fisco  tem a obrigação e o dever de produzir as  provas,  as  razões  de  fato  e  de  direito  que  justificam  o  crédito  Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 7          6 lançado,  assim  como  os  cálculos,  raciocínios  e  fundamentos  legais da apuração da quantia devida.  Entende que ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está  comprometido.  (vii)  Princípio  da  ampla  competência  decisória  apreciação  de  inconstitucionalidades  Sustenta que sobre as diversas alegações de afronta às  leis e à  Constituição é sempre bom lembrar que todo aquele que exerce  função  pública  está  subordinado  a  concretizar  os  valores  jurídicos  fundamentais  e  deve  nortear  seus  atos  segundo  esse  postulado.  (viii)  Aplicação  Retroativa  da  Legislação  Tributária  Princípio  da Segurança Jurídica  Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente aduz que não escreveu  em  lugar  algum  que  ela  foi  revogada.  Então,  porque  a  transcrição  do  art.  48  da  Lei  11.457/2007?  A  recorrente  se  posiciona  quanto  ao  âmbito  de  aplicação  das  instruções  normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  à  falta  de  argumentos  jurídicos  lógicos  racionais para enfrentar de  frente as questões  postas  a  deslinde,  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  tergiversa.  ix) Bis in idem  A contribuinte inicia com a informação de período que a obra foi  executada. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem  "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre  apresentou  inúmeras  dificuldades...;  faz­se  ensinamentos  de  como "deva submeter­se ao regime de aferição indireta, citação  e transcrição de dispositivos da IN 03, escreve­se que "Conforme  pode  ser  observado  na  legislação  aplicável,  no  período  de  02/11/1999  a  09/12/2002,  os  critérios  para  que  o  valor  eventualmente  recolhido  a  título  de  retenção  pudesse  se  aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...".  Para  a  contribuinte,  a  leitura  do  trecho  de  onde  se  extraiu  as  pérolas  acima  e  outros  trechos  do  acórdão  reocrrido,  deixa  a  impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório  Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão.  Defende que de acordo com o órgão julgador administrativo de  primeira instância (DRJ) uma instrução normativa do fisco tem  o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa  regula?  Em  nosso  ordenamento  jurídico  a  competência  para  regulamentar  lei  é  privativa  do  Presidente  da  Republica  mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).  Para ela, a primeira questão é a que configura inadmissível bis  in  idem  quanto  às  contribuições  de  terceiros,  relativas  a  esta,  obra  quê  também  foram  lançadas  em  NFLD's.  A  segunda  Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 8          7 questão  seria  a  do  aproveitamento  de  recolhimentos  efetuado  por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma  infra­legal (instrução normativa).  Sustenta que  em um momento o acórdão  se  refere à conversão  em  área  regularizada  e  seus  critérios  (art.447  da  IN3),  para  depois,  copiando  a  junta  fiscal,  afirmar  que  "em  relação  às  notificações  relacionadas  a  retenção  dos  11%  destacado  na  emissão das notas fiscais dos prestadores em NFLD's , todas as  notas  fiscais  e  quaisquer  documentos  que  puderam  ser  vinculados  a  quaisquer  das  obras  analisadas  durante  o  procedimento  fiscal,  foram  deduzidas  daquela  notificação".  A  qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais  documentos? De qualquer  forma não  foi  deduzido  nesta NFLD  nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção.  Destaca,  ainda,  que  a  legislação  aplicável  no  período  de  05/1999 a 09/2003, na  interpretação da DRJ/BSA,  é a  IN 3 de  2005,  que,  segundo  o  relator,  além  do  poder  de  regulamentar  uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias  e  fixar critérios para que o valores  lançados em dobro possam  ser corrigidos.  Argumenta que o bis in idem ocorreu porque toda a contribuição  previdenciária  devida,  seja  própria  ou  de  terceiros,  relativa  a  esta  obra,  identificada  no  centro  de  custos  como  CAIPE,  foi  lançada  em  NFLD.  No  entanto,  ainda  assim,  valores  de  notas  fiscais  de  serviços  prestados  por  terceiros  a  esta  obra  também  foram  utilizados  co  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária lançada em NFLD's  (x) Notas fiscais com guias de recolhimento  Aduz  a  contribuinte  que  a DRJ  também  se  recusa  a  retificar  o  crédito  tributário  até  mesmo  quando  se  apresenta  guias  de  recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção.   Defende  que  as  notas  fiscais  envolvendo  período  a  partir  de  outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram  consideradas para efeito de retificação do valor da notificação.  Argumenta  ser  absurdo  e  afrontoso  à  inteligência  esse  procedimento  abusivo,  inconstitucional  de  se  manter,  em  lançamento,  tributo  que  já  foi  recolhido,  ao  condicionar  a  regularização  ao  cumprimento  de  obrigação  acessória  de  responsabilidade  do  prestador  de  serviço  originariamente  contribuinte.  Requer  a  recorrente  seja  dado  às  competências  a  partir  de  outubro  o  mesmo  tratamento  dado  às  competências  anteriores  convertendo  em  área  regularizada  a  remuneração  recolhida  relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca  à obra.  (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05  Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 9          8 Sustenta a contribuinte que a DRJ lê e interpreta os dispositivos  legais  a  seu  talante  sem  compromisso  com  o  sentido  e  significado  das  palavras  ou  finalidade  da  norma.  A  palavra  somente  colocada  no  texto  do  acórdão,  não  existe  no  inciso.  Somente  existe  na  forte  e  inabalável  vontade  de  prestigiar  o  trabalho dos colegas da junta fiscal.  (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05  Argumenta a contribuinte que de novo que há interpretação fora  do texto da norma, pois m lugar algum da IN 3 está escrito que  todas  as  notas  fiscais  que  se  submetem  ao  regime  jurídico  da  retenção devem estar.  Defende que não é recomendável em redação de texto legal este  tipo rasteiro de generalização, pois o tema em debate não é nota  fiscal, não é recolhimento, é bis in idem: cobrança de tributo em  duplicidade.  (xiii) Bitributação  Argumenta  a  contribuinte  que  afirmações  desconexas  com  a  realidade  é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada  tópico se  depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as  notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..)  foram consideradas para efeito de redução do lançamento(...)".  Para  ela  repete­se  o  bis  in  idem  existe  porque  todas  as  contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram  lançadas  por  aferição  indireta  com  base  na  área  construída  e  CUB.  Aduz que, ainda assim, por outros métodos  iníquos de aferição  indireta,  com  base  em  mão  de  obra  de  terceiros  contidas  em  notas  fiscais  das  obras,  foram  lançadas  novamente  as  contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada  à obra.  Defende que a junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que  não.  O  relatório  do  acórdão  reproduz,  a  informação  da  junta  fiscal,  que  não  contesta  o  bis  in  idem,  porém  justifica  que  os  levantamentos  representados  pelas  NFLD  não  foram  aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem.  Finaliza  este  tópico,  argumentando  que  os  levantamentos  representados  pelas  NFLD  somente  poderiam  ser  aproveitados  para  reduzir  o  lançamento  da  presente  notificação mediante  a  comprovação  do  recolhimento  da  retenção  incidente  sobre  os  serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como  da  vinculação  inequívoca  com  a  obra  executada  e  a  remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a  cada obra, a  serem comprovados nos autos, circunstâncias que  não ocorrerem.   (xiv) Perícia  Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 10          9 Defende a recorrente que a contabilidade da empresa apor mais  de  vinte  anos  foi  considerada  regular  e  correta  por  agentes  fiscais  dos:  fiscos  federal,  estadual  e  municipal,  em  interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta  situação,  conforme  já  alegado  e  esmiuçado  nas  impugnações,  impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem  está a razão.  (xv) Caracterização de excesso de exação  Argumenta  a  contribuinte  o  excesso  de  exação  está  caracterizado  nos  resultados  do  procedimento  fiscal  raivoso  encetado  contra  a  recorrente.  Foram  lançados  créditos  tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para  12  milhões.  A  junta  fiscal  sabia  ou  deveria  saber  que  é  necessário  verificar  a  existência  de  áreas  com  percentuais  de  redução no cálculo do tributo.  Aduz ela que deveria saber que quando se lança as contribuições  de uma obra por aferição indireta com base na área construída,  a  remuneração  da  mão  de  obra  total  despendida  é  apurada,  nada mais resta para se lançar  (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas.  A  recorrente  sustenta  que  o  reconhecimento  de  "que  parte  do  crédito previdenciário  lançado"decaiu  está  incorreto porque as  competências  maio  e  junho  de  2002,  alcançadas  pela  decadência, não foram consideradas na retificação.  (xvii) Retificação inaceitável  Traz  a  contribuinte  a  alegação  de  que  a  retificação  não  obedeceu  ao  mesmo  critério  de  apuração  do  tributo  por  deficiência  do  fisco  que  não  providenciou  a  adaptação  e  atualização  de  seus  programas  quanto  à  determinação  de  súmula  vinculante  é  estarrecedora,  inaceitável,  quase  inacreditável.  Para a recorrente, as deficiências do fisco não podem prejudicar  o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos.  A obra não foi realizada em um único mês.  Chama, a contribuinte, a atenção o fato de o acórdão  informar  várias  vezes  que  o  período  de  execução  da  obra  e  está  é  a  realidade dos fatos.  Requer,  portanto,  seja  alterada  a  retificação  do  débito  obedecendo­se as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466,  IN 3/2005), utilizando­se os mesmos critérios e métodos para a  sua apuração.   Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornando­ o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência.  É o relatório."  Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 11          10 Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator.    Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2202­004.460 ­  2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n°  10120.005592/2007­28, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.    Transcreve­se, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o  inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto, digno relator  da  susodita  decisão  paradigma,  reprise­se,  Acórdão  nº  2202­004.460  ­  2ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária, de 09 de maio de 2018:  Acórdão nº 2202­004.460 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "O  recurso  voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal,  reunindo,  ainda,  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Portanto, dele conheço.   1. Preliminares  1.1 Decadência das competências até junho/2002  Aduz  está  decadente  as  competência  até  junho  de  2002.  Nesse  aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido  reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica  em  nova  notificação,  sendo  certo  que  a  data  inicial  a  ser  considerada para efeito da contagem do período decadencial é a  da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que  o lançamento foi ali perfectibilizado.  Nesse  sentido,  a  simples  substituição  dos  relatórios  não  determina a irregularidade do lançamento.   Rejeito a preliminar, portanto.  1.2 Perícia   Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade  julgadora,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que  entender desnecessário.  Desta  forma,  não  considero  pertinente  o  pedido  de  Diligência  pois  todos os elementos de prova acostados aos autos  já  foram  analisados no transcurso do processo administrativo tributário.  Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte.  1.3 Das inconstitucionalidades  Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 12          11 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento  legal  não  pode  ser  anulado  na  instância  administrativa  por  alegações  de  inconstitucionalidade,  já  que  tais  questões  são  reservadas  à  competência,  constitucional  e  legal,  do  Poder  Judiciário.  Neste  sentido,  o  art.  26­A,  caput  do Decreto  70.235/1972,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal,  e  dá  outras  providências:  “Art.  26A  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade."   Além  do  mais,  salvo  casos  excepcionais,  é  vedado  a  órgão  administrativo  declarar  inconstitucionalidade  de  norma  vigente  e  eficaz.  Nessa  linha  de  entendimento,  dispõe  o  enunciado  de  súmula, abaixo reproduzido, o qual  foi divulgado pela Portaria  CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009):  Súmula  CARF  Nº  2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.   Essa  súmula  é  de  observância  obrigatória,  nos  termos  do  “caput”  do  art. 72  do Regimento  Interno  do CARF,  inserto  no  Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.  Como  se  vê,  este  Colegiado  falece  de  competência  para  se  pronunciar  sobre a alegação de  inconstitucionalidade da multa  aplicada,  uma  vez  que  o  fisco  tão  somente  utilizou  os  instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento.  1.4 Nulidade do lançamento  O  crédito  previdenciário  se  refere  às  contribuições  previdenciárias  destinadas  à  Seguridade  Social  correspondente  às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  SAT/  RAT,  à  parte  dos  segurados  empregados  e  as  destinadas  a  Terceiros  outras  entidades  e  fundos,  lançado  na  competência 09/2006.  De acordo com o Relatório Fiscal, lis. 98/109, o lançamento foi  arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra  denominada  Residencial  Arezzo,  matricula  CET  é  39.380.00370/70,  correspondendo  a  8.712,49  m².  Registrou­se  que por contrato de empreitada global, a responsabilidade pela  execução  da  obra  da  empresa  notificada  é  de  84%,  correspondendo a 7.318,49 m².  Desta  forma,  conforme  o  artigo  37  da  Lei  n°  8.212/91,  foi  lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que,  conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n°  03/2005,  é  o  documento  constitutivo  de  crédito  relativo  às  Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 13          12 contribuições  devidas  à  Previdência  Social  e  a  outras  importâncias  arrecadadas  pela  SRP,  apuradas  mediante  procedimento fiscal:  Lei n° 8.212/91  Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  beneficio  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se  referem,  conforme  dispuser  o  regulamento.  IN MPS/SRP  n°  03/2005.  Art. 633. São documentos de  constituição do crédito  tributário,  no âmbito da SRP:  IV­ Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o  documento  constitutivo  de  crédito  relativo  às  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  e  a  outras  importâncias  arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal;  Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão  à Recorrente  pois,  de  plano,  nota­se  que  o procedimento  fiscal  atendeu  a  todas  as  determinações  legais,  com  a  clara  discriminação de  cada débito  apurado e  dos  acréscimos  legais  incidentes,  não  havendo,  pois,  nulidade  por  vício  insanável  e  tampouco cerceamento de defesa.  Pode­se  elencar  as  etapas  necessárias  à  realização  do  procedimento:  A  autorização  por  meio  da  emissão  do  Mandado  de  Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do  Auditor­Fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento;  A  intimação  para  a  apresentação  dos  documentos  conforme  Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD,  intimando  o  contribuinte  para  que  apresentasse  todos  os  documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação  previdenciária;  A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado,  com  a  apresentação  ao  contribuinte  dos  fatos  geradores  e  fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias  para  que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse  pertinentes:  a. IPC ­ Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de  comunicar  ao  contribuinte  como  regularizar  seu  débito,  como  apresentar defesa e outras informações);  b. DAD – Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os  valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte,  abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais);  Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 14          13 c. DSD  ­ Discriminativo  Sintético  do Débito  (que  apresenta  os  valores  devidos  em  cada  competência,  referentes  aos  levantamentos indicados agrupados por estabelecimento);  d. RL – Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos  efetuados  nos  sistemas  específicos  para  apuração  dos  valores  devidos pelo sujeito passivo);  e.  FLD  –  Fundamentos  Legais  do  Débito  (que  indica  os  dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das  contribuições  exigidas,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época do respectivo fato gerador);  f. REPLEG ­ Relatório de Representantes Legais;  g.  VÍNCULOS  –  Relatório  de  Vínculos  (que  lista  todas  as  pessoas  físicas  ou  jurídicas  em  razão  de  seu  vínculo  com  o  sujeito  passivo,  indicando  o  tipo  de  vínculo  existente  e  o  período);  h. REFISC – Relatório Fiscal.  Cumpre­nos  esclarecer  ainda,  que  o  lançamento  fiscal  foi  elaborado  nos  termos  do  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  especialmente  a  verificação da efetiva ocorrência  do  fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o  montante individualizado do tributo devido.  De plano, o art. 142, CTN, estabelece que:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Ademais,  não  compete  ao  Auditor­Fiscal  agir  de  forma  discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência  do  fato  gerador,  cumpri­lhe  lavrar  de  imediato  a  notificação  fiscal  de  lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99,  assim  dispõe  neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 15          14 Desta  forma,  o  procedimento  fiscal  atendeu  todas  as  determinações  legais,  não  havendo,  pois,  nulidade  por  cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência  de fundamentação legal.  1.5 Nulidade da decisão de 1ª instância  A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de  apreciar  a  alegação  de  que  o  entendimento  da  junta  fiscal  contraria  o  entendimento  de  todos  os  outros  fiscais  que  fiscalizaram  a  recorrente,  portanto  deve­se  decretar  a  sua  nulidade.  Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir  a  tal  porque  a  Auditoria­Fiscal  não  está  vinculada  a  posicionamento  de  outra  Auditoria­Fiscal  que  tenha  realizado  procedimento de fiscalização anterior no contribuinte.  Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das  atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor­Fiscal da Receita  Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da  Receita Federal  do Brasil,  dentre  as  quais  constituir, mediante  lançamento, o crédito tributário e de contribuições:  Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor­Fiscal  da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457,  de 2007)  I­ no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal  do  Brasil  e  em  caráter  privativo:(Redação  dada  pela  Lei  nº  11.457, de 2007)  a)  constituir,  mediante  lançamento,  o  crédito  tributário  e  de  contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007)  b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo  administrativo­fiscal,  bem  como  em  processos  de  consulta,  restituição  ou  compensação  de  tributos  e  contribuições  e  de  reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº  11.457, de 2007)  Além  do  mais,  o  órgão  julgador  não  está  obrigado  a  se  manifestar  sobre  todos  os  argumentos  expostos  pelas  partes,  mormente quando  já  encontrou motivos  suficientes  e  relevantes  para fundamentar a decisão.  Portanto, afasto a preliminar.  2. Mérito  2.1 Contabilização por centro de custo  A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os  auditores­fiscais  a  desconsiderarem  a  contabilidade  da  recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas.  Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 16          15 Alega  que,  uma  a  uma,  todas  as  circunstâncias  narradas  pela  junta  fiscal  para  desconsiderar  a  contabilidade  da  recorrente  foram  rebatidas  nas  impugnações.  No  entanto,  somente  os  argumentos da  junta  fiscal  foram acatados  incondicionalmente;  já  os  argumentos,  justificativas  e  explicações  da  recorrente  só  foram mencionados no relatório.  Argumenta  que  a  circunstância  da  junta  fiscal  identificar  as  obras  realizadas  pela  recorrente,  assim  como  todos  os  outros  fiscais que lhe examinaram a contabilidade, mostra que os fatos  contábeis  e  todos,  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  relativos  às  obras  são  registrados;  em  contas  individualizadas.  Sustenta que os agentes do fisco afirmam relatório fiscal anexo à  NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou  serviços  foram executados  sem os devidos  registros contábeis".  Indícios,  Senhores  julgadores,  indícios.  A  presunção  de  legitimidade  dos  atos  do  fisco  é  limitada,  relativa,  não  é  absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a  produzir resultados.  Pois bem.  Conforme  relatado  pela  autoridade  fiscal,  a  própria  empresa  procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de  contabilização  por  centro  de  custo),  contudo,  não  logrou  êxito  em  assim  proceder,  haja  vista  ter  utilizado  procedimento  inadequado,  em  desconformidade  com  o  ato  normativo  do  Departamento  de  Contabilidade,  que  exige  a  correção  no  exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição,  tal como informado pela fiscalização.  Nesse  ponto,  foi  anexada  a  Instrução  Normativa  n°  102,  do  Departamento Nacional de Registro do Comércio, que orienta o  procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros  contábeis, norma desconsiderada pela impugnante.  Verificando  e  analisando  o  Relatório  Fiscal  da  Infração  vislumbra­se que o Auditor apresenta  com clareza os  fatos que  ocorreram  durante  a  ação  fiscal,  caracterizando  diversas  obrigações  acessórias  descumpridas,  qual  seja:  escrituração  contábil não identificada por centros de custo; não apresentação  de  documentos  (folhas  de  pagamentos)  requisitados  pela  autoridade, notas fiscais não contabilizadas.  Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a  argumentação  da  recorrente,  razão  pela  qual  mantenho  o  entendimento da decisão de primeira instância.  2.2 Bis in idem, bitributação, imparcialidade e notas fiscais  Insurge­se,  sob  a  complacência  da  DRJ,  a  corrigir  o  erro  de  lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas  fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total  foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em  Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 17          16 NFLD's  utilizando  como  artifício  para  enganar  métodos  diferentes de aferição indireta.   O  bis  in  idem  teria  ocorrida,  segundo  a  contribuinte,  porque  toda  a  contribuição  previdenciária  devida,  seja  própria  ou  de  terceiros, relativa a esta obra,  identificada no centro de custos,  foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas  fiscais  de  serviços  prestados  por  terceiros  a  esta  obra  também  foram  utilizados  como  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária lançada nas NFLD's.  Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de  prova  fática,  posto  deve­se  verificar  se  houve  ou  não  o  lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  em  obras  cuja  contribuição  total  foi  lançada  em  NFLD  das  próprias  obras  e  também lançadas em outras três NFLD.  Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado,  foi  consta  nos  autos  planilha  contendo  detalhamento  das  notas  fiscais  os  valores  apropriados  como  mão­de­obra  empregada, conforme define a legislação previdenciária, a  serem  convertidos  em  área  regularizada  para  retificação  do  débito.  A  mesma  planilha  detalha  os  documentos  não  considerados, bem como seus respectivos motivos.  No  caso  sob  análise,  não  ocorreu  o  bis  in  idem,  pois  todas  as  notas  fiscais  que  estavam  inequivocamente  vinculadas  à  obra  objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução  Normativa SRP n" 03, de 2005,  foram consideradas para efeito  de  redução  do  lançamento,  conforme  atestado  pela  autoridade  fiscal e verificado por este órgão julgador.  Dessa  forma,  não  se  verifica  a  bitributação  nem  tão  pouco  qualquer  ausência  de  prejuízo  em  desfavor  da  impugnante  no  sentido  de  não  ter  sido  efetuado  algum  credito  eventual  de  alguma  retenção.  Em  verdade,  todas  as  notas  fiscais  e  respectivas  guias  de  recolhimento  da  previdência  social  que  puderam  ser  vinculadas  a  cada  uma  das  obras  para  aproveitadas pela autoridade lançadora.  Observa­se  que  não  houve  afronta  ao  princípio  da  imparcialidade, bem como não houve bis  in  idem, uma vez que  fora observado os requisitos legais.  Assim, não prospera a argumentação da contribuinte.  2.3 Ausência de motivação  O  item  8  da  Manifestação  aos  esclarecimentos  "Enquanto  a  junta  fiscal  não  entregar os  arquivos  digitais  com as  planilhas  da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de  defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a  precisão  e  os  meios  necessários",  não  foi  apreciado  no  voto,  teria sido somente citado no relatório.  Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 18          17 Espera­se,  sempre,  que  o  órgão  julgador  exerça  o  controle  da  legalidade  e  legitimidade  dos  lançamentos  e  profira  suas  decisões  motivadas  de  acordo  com  sua  convicção,  formada  a  partir  da  subsunção  dos  fatos  à  lei,  com  independência,  imparcialidade e  responsabilidade,  sob condição de  justificar a  própria existência.  O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos,  dentre eles o ato de  lançamento e as decisões, está previsto no  art.  50  da  Lei  9.784/99,  que  determina  que  os  atos  administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e  congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72,  ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira  instância  apenas  imbuído  de  preservar  o  lançamento  fiscal,  abdicando­se de sua função precípua de controle da legalidade  do lançamento.  Passamos a análise.  A  controvérsia  está  centrada  na  ausência  da  apreciação  da  entrega dos arquivos digitais da recorrente  No  decorrer  da  ação  fiscal,  por  várias  vezes,  a  empresa  foi  informada  da  necessidade  de  apresentação  de  tais  documentos  (Notas Fiscais, GI'S  e GFIP)  para  verificação da mão­de­obra  tomada de prestadores de serviços  (terceirizados). Não  tendo a  empresa  atendido  as  solicitações  da  fiscalização,  não  foi  possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos  aos créditos das obras de construção civil.  As  dificuldades  impostas  pela  empresa  durante  todo  o  período  que  envolveu  a  ação  fiscal,  foram  desenvolvidos  esforços  para  que  a  empresa  apresentasse  na  integralidade  documentação  necessária  ao  completo  e  normal  processo  de  auditoria  fiscal.  Tendo  em  vista  a  morosa  e  deficiente  apresentação  dos  documentos  solicitados,  foram  necessárias  as  lavraturas  de  diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o  descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que  tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas  de  pagamento  e  notas  fiscais  de  prestadores  de  serviços,  bem  como dos arquivos digitais.  Não  é  difícil  o  entendimento  que  documentos  como  folhas  de  pagamento  são  imprescindíveis no  trabalho de  fiscalização das  contribuições previdenciárias.  Portanto, nego provimento neste tópico.  2.4 Inversão do ônus da prova  Explicita que, mesmo quando.  se  trata de arbitramento,  o  fisco  tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as  razões de  fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os  cálculos,  raciocínios  e  fundamentos  legais  da  apuração  da  quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa  está comprometido.  Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 19          18 Registre­se  que  não  há  dúvidas  de  que  a  legislação  previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições  fáticas  ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização  a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições  previdenciárias,  conforme  previsão,  inclusive  do  artigo  148  do  Código Tributário Nacional, in verbis:  Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.  Assim,  a  conseqüência  jurídica  disso,  portanto,  nos  termos  dos  parágrafos  3°,  4°  e  6°  do  art.  33,  é  a  imediata  e  consequente  inversão  do  ônus  da  prova.  Tal  circunstância  determina  que  a  simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o  condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de  legitimidade, legalidade e veracidade.  Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de  guias  de  recolhimento  e  notas  fiscais,  observa­se,  conforme  manifestado  pela  autoridade  lançadora,  ,  muitos  documentos  foram  repetidos,  outros  não  possuem  vinculação  com  a  obra  e  outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores,  conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de  2005.  Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente.  2.5 Aplicação retroativa da legislação  Indaga quanto  à  aplicação da  IN 3,  a  recorrente  não  escreveu  em  lugar  algum  que  ela  foi  revogada.  Então,  porque  a  transcrição  do  art.  48  da  Lei  11.457/2007?  A  recorrente  se  posiciona  quanto  ao  âmbito  de  aplicação  das  instruções  normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  à  falta  de  argumentos  jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões  postas  a  deslinde,  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  tergiversa.  Inicialmente,  a  Lei  nº  11.457,  de  2007,  que  criou  a  Receita  Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48:  Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  a  vigência  dos  convênios  celebrados e dos atos normativos e administrativos editados:  I pela Secretaria da Receita Previdenciária;  Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 20          19 II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a  administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3°  desta Lei.  III  pelo  Ministério  da  Fazenda  relativos  à  administração  dos  tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita  Federal do Brasil;  1V pela Secretaria da Receita Federal.  Sendo  assim,  verifica­se  que  foi  mantida  a  vigência  dos  atos  normativos  da  extinta  Secretaria  da  Receita  Previdenciária,  a  Instrução Normativa da SRP n" 03/05, vigente época da feitura  do  presente  lançamento,  não  contendo,  portanto,  qualquer  vicissitude  em  sua  aplicação,  razão  pela  qual  as  orientações  e  determinações  nela  contidas  devem  ser  observadas,  lendo  cm  vista, conforme  já manifestado, o  lançamento ser procedimento  vinculado.  Nessa  esteira,  ressalte­se  o  inciso  I  do  art.  100  do  Código  Tributário  Nacional,  que  determina  a  complementaridade  dos  atos  normativos  expedidos  velas  autoridades  administrativas,  razão  pela  qual,  em  momento  algum,  tanto  a  autoridade  lançadora  quanto  Os  administrados  (contribuintes  e  responsáveis tributários) podem deixar de obedecê­los. No caso  sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em  verdade,  a  lei  aplicável  ao  lançamento,  em  relação  aos  fatos  geradores  é  a  8.212/91,  plenamente  vigente  à  época  dos  fatos  geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN.  Art. 144. 0  lançamento reporta­se a data da ocorrência do  fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que,  ao promover o  lançamento  tributário em relação ao cálculo da  remuneração  paga  à  mão­de­obra  utilizada  na  construção  da.  obra objeto da notificação, valeu­se dos critérios instituídos pela  Instrução  Normativa  n°  03,  de  2005,  vigente  no  momento  do  lançamento.  Nesse  sentido,  todos  os  requisitos  e  condições  presentes  no  referido  ato  normativo  foram  obedecidos,  bem  como deveriam ter sido observados pela recorrente.  2.6 Não aplicação do art. 448, inciso I da IN nº 03/2005  Afirma  que  a  dicção  do  artigo  acima  e  seu  inciso  não  é  no  sentido  de  que  somente  será  aproveitada  remuneração  contida  em  NFLD  ou  LDC  com  base  em  folha  de  pagamento  ou  por  responsabilidade  solidária.  A  expressão  do  inciso  "quer  seja  apurado"não  tem  caráter  restritivo, mas  exemplificativo,  não  é  numerus clausus.  Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005:  Art.  448.  Será,  ainda,  convertida  em  área  regularizada  a  remuneração:  Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 21          20 I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado  com  base  em  folha  de  pagamento  ou  resultante  de  eventual  lançamento de débito por responsabilidade solidária;  Como a recorrente repisa as mesma alegações da  impugnação,  não  trazendo  nenhum  novo  elemento,  peço  vênia  para  transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de  decidir:  Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de  Lançamento  de  Débito  (NFLD)  ou  LDC,  relativos  A  obra,  de  acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRF nº  3,  de  2005,  somente  são  convertidos  em área  regularizada,  em  relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento  ou  resultante  de  eventual  lançamento  de  débito  por  responsabilidade solidária.  Nesse  sentido,  considerando  que  as  NFLD  que  se  referem  a  lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal  do  contratante  na  qualidade  de  responsável  tributário,  novamente  resta  demonstrada  a  insubsistência  do  pedido  do  contribuinte.  Pelas razões encimadas, nego provimento neste tocante.  2.7 Aplicação do art. 474 da IN 03/2005  A  contribuinte,  mais  uma  vez,  repete  a  mesma  argumentação  utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo  elemento  de  prova  capaz  de  suportar  tais  alegações.  Portanto,  acompanho  integralmente  o  posicionamento  da  decisão  de  primeira instância pelas razões expostas a seguir:  Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN  03/2005,  estes  devem  ser  compreendidos  em  harmonia  com  o  restante  da  normalização,  isto  é,  todas  as  notas  fiscais  que  se  submetem  ao  regime  jurídico  da  retenção  devem  estar  inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a  copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que  não  foram  atendidas  durante  a  ação  fiscal  pela  empresa  notificada.  Além  disso,  registre­se  que  o  art.  474  trata,  especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores,  determinando  que  haja  lançamentos  distintos,  conforme  a  sua  natureza.  Dessa  forma,  serão  lavrados  documentos  separados  para  as  contribuições  referentes  à  aferição  da  mão­de­obra  total;  as  referentes  à  remuneração  da mão­de­obra  própria  da  empresa fiscalizada as apuradas por responsabilidade solidária  e retenção.  De  acordo  com  o  §2°  do  art.  474,  no  lançamento  da  base  de  cálculo  da  aferição  indireta  da  mão­de­obra  total,  devem  ser  deduzidos  os  lançamentos  das  bases  de  cálculo  referente  As  contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e  retenção.  Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente.  Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 22          21 2.8 Excesso de exação  A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado  nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a  recorrente. Diz que A junta  fiscal sabia ou deveria saber que é  necessário  verificar  a  existência  de  áreas  com  percentuais  de  redução  no  cálculo  do  tributo.  Deveria  saber  que  quando  se  lança  as  contribuições  de  uma  obra  por  aferição  indireta  com  base  na  área  construída,  a  remuneração  da mão­de­obra  total  despendida  é  apurada,  nada  mais  resta  para  se  lançar.  Entretanto três outros lançamentos foram efetuados com base em  notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração  a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para  continuar  a  enumerar  as  incongruências  resultantes  do  procedimento  fiscal  e  inteiramente  apoiadas,  sustentadas  pela  DRJ de origem.  Este  ponto  já  foi  debatido  em  sede  de  decisão  de  primeira  instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a  Administração  Tributária  esperava  dele,  conforme  prevê  o  art.  37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total  ou  parcial  no  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e  dos períodos a que se referem:  Em  relação  ao  cometimento  em  tese  de  ilícito  penal  pelas  autoridades  lançadoras  e  considerando  o  dever  de  oficio,  verifica­se que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso  de  exação  é  improcedente  insubsistente,  circunstância  que  implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese  não  ser  a  autoridade  administrativa  para  declarar  tais  circunstâncias.  De acordo com o § 1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o  excesso de exação é caracterizado pela exigência de  tributo ou  contribuição  social,  praticada  por  servidor  público,  sendo  que  este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se  devida,  foi  empregado,  na  cobrança,  meio  vexatório  ;  ou  gravoso, que a lei não autoriza.  A  insubsistência  da  alegação  fica  demonstrada  pelo  fato  de,  conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente  acórdão  (mas  ao  contrário  do  que  afirma  a  impugnaste)  a  cobrança  da  contribuição  previdenciária  está  amparada  pelos  requisitos  legais  que  estabelecem  os  procedimentos  da  fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que  os  valores  lançados  são  devidos  pelo  simples  fato  de  o  contribuinte  ter  descumprido  as  obrigações  principais  relacionadas às contribuições previdenciárias.  É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária  esperava  dele,  conforme  prevê  o  art.  37  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  ou  seja,  ao  constatar  o  atraso  total  ou  parcial  no  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 23          22 precisados  fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos a que se referem.  Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer  sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação.  Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em  sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de  prova capaz de suportar tais alegações.  Ademais,  em  tópico  encimado,  concluímos  que  o  procedimento  fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois,  nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa,  pela ausência de fundamentação legal.  Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente.  2.9 Retificações  Requer,  portanto,  seja  alterada  a  retificação  do  débito  obedecendo­se as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466,  IN 3/2005), utilizando­se os mesmos critérios e métodos para a  sua apuração.  Pois bem.  Conforme informação fiscal as autoridades fiscais realizaram a  conferencia  de  todos  os  levantamentos  efetuados,  considerando  tanto  os  documentos  apresentados  na  defesa,  quanto  outros  verificados posteriormente pela auditoria.  Alem  disso,  também  foi  aplicado  o  instituto  da  decadência  quinquenal,  conforme  determinado  na  última  diligencia,  tendo  sido  realizada  nova  apuração  dos  débitos  previdenciários,  de  acordo com a informação prestada aos autos.  Dessa  forma,  considerou­se  como  base  de  cálculo  para  os  "salários  de  contribuição"  informados  no DISO os  documentos  (valores)  relativos  a  prestadores  de  serviço  (Planilha  Levantamento  Prestadores  de  Serviços),  tendo  sido  todos  os  levantamentos  e  respectivos  lançamentos  instruídos  de  acordo  com  o  disposto  no  capitulo  IV  da  IN/SRP  n°  03/2005,  que  regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com  base na área construída e no padrão de construção.  Da  leitura  da  informação  fiscal  prestada  pela  autoridade  lançadora,  observa­se  que  a  retificação  parcial  do  valor  do  débito  resultou  da  aplicação do  principio  da  verdade material,  tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada,  em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração,  circunstância  que,  entre  outras  conseqüências,  determinou  o  arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do  procedimento fiscal.  Como  pode  ser  observado  nas  planilhas  anexadas  aos  autos,  dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram  considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais  Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10120.005843/2007­74  Acórdão n.º 2202­004.466  S2­C2T2  Fl. 24          23 sem  vinculação  inequívoca  à  obra.  Alem  disso,  também  foram  consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002,  desacompanhadas  das MP's  dos  prestadores,  conforme  exige  o  inciso  11  do  art.  447  da  Instrução  Normativa  n°  03,  de  2005.  Ressalte­se  que  mio  tocante  aos  valores  relacionados  em  planilha  elaborada  pela  defendente,  não  foram  apresentados  quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as  MP's  tendo  sido  observado  que  estes  valores  e  aqueles  representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas  na  impugnação  não  constam  dos  lançamentos  efetuados  nas  NFLD's.  Foram  aplicados  os  percentuais  de  redução  de  50%,  tendo  em  vista  a  recorrente  ter  apresentado parcialmente  os  documentos  que  permitiram  à  fiscalização  analisar  as  áreas  para  as  quais  estes percentuais deveriam ser aplicados.  Portanto, sem razão a contribuinte.  Conclusão.  Ante  o  exposto,  voto  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no mérito,  negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator"  Nesse  contexto,  pelas  razões  de  fato  e  de Direito  ora  expendidas,  voto  por  CONHECER  do  recurso  voluntário,  REJEITAR  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE provimento.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                              Fl. 2091DF CARF MF

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Numero do processo: 10640.001145/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF E NÃO PAGO OU PAGO A DESTEMPO. Não se considera espontânea a denúncia relativa a tributo declarado em DCTF, se não pago ou pago a destempo.
Numero da decisão: 1302-000.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE

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TRIBUTO DECLARADO EM DCTF E NÃO PAGO OU PAGO A DESTEMPO. Não se considera espontânea a denúncia relativa a tributo declarado em DCTF, se não pago ou pago a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Trata-se de Auto de Infração eletrônico decorrente de processamento de DCTF referente aos 1 o e 2o trimestres de 2004, exigindo crédito tributário de R$ 4.398,52, a título de multa de mora (fls. 22/28). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de "PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO APÓS O VENCIMENTO, COM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de mora e/ou Juros de mora parcial ou total)...", relativo a recolhimento de IRPJ (fl. 23). Inconformada, a contribuinte apresentou peça de impugnação à fls. 01/10, onde alega, em síntese, que a atuada, tão logo tomou conhecimento dos débitos em aberto, realizou a denúncia espontânea, na medida em que reconheceu suas dívidas e providenciou o recolhimento dos valores devidos, devidamente acrescidos dos juros de mora, conforme comprovam os DARF's por ela anexados (fls. 108/109). Dessa forma, alega que tal exigência não pode prevalecer, visto que realizado o pagamento, restou afastada a penalidade pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Juntou à colação diversos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais nesse sentido. Por fim, requer seja declarada a insubsistência da autuação fiscal, com o seu respectivo arquivamento. A 2ª Turma da DRJ/JFA, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar procedente o lançamento, por entender o colegiado, segundo o voto condutor do acórdão, que a aplicação do art. 138 do CTN não afasta a incidência de multas moratórias, porquanto não se caracterizam como sanção, tendo efeito meramente compensatório. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que a multa moratória tem caráter sancionatório, devendo ser excluída, se reconhecida a denúncia espontânea, a qual obriga tão somente ao pagamento do tributo acrescido dos juros de mora. Acosta jurisprudência do CARF e do TRF-1. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10640.001145/2007-21 Acórdão n.º 1302-00.438 S1-C3T2 Fl. 131 3 O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. O lançamento objeto dos presentes autos decorre de tributo regulamente declarado em DCTF, mas pago sem o acréscimo de multa de mora. Independentemente do mérito sobre a natureza jurídica da multa de mora, se ato de sanção ou de caráter meramente compensatório, a questão vertente encontrou pacificação no Superior Tribunal de Justiça, o qual possui a prerrogativa constitucional de interpretar a lei federal em último grau de jurisdição, e, portanto, resolver a questão com definitividade (art. 105, III, CF/88). Assim, por meio da Súmula nº 360, entendeu aquela Corte Superior que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Desta forma, embora não tenha caráter vinculante, é certo seu conteúdo limita a satisfação jurisdicional obtenível relativa à questão, sabendo-se que o interesse em desconstituir o lançamento não deverá lograr sucesso junto ao Poder Judiciário. A possibilidade do Poder Executivo desconstituir decisão final administrativa foi rechaçada por unanimidade no julgamento do MS nº 8810/DF, pela 1ª Seção do STJ, cujo acórdão seguiu assim ementado: ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – CONSELHO DE CONTRIBUINTES - DECISÃO IRRECORRIDA – RECURSO HIERÁRQUICO – CONTROLE MINISTERIAL – ERRO DE HERMENÊUTICA. I - A competência ministerial para controlar os atos da administração pressupõe a existência de algo descontrolado, não incide nas hipóteses em que o órgão controlado se conteve no âmbito de sua competência e do devido processo legal. II - O controle do Ministro da Fazenda (Arts. 19 e 20 do DL 200/67)sobre os acórdãos dos conselhos de contribuintes tem como escopo e limite o reparo de nulidades. Não é lícito ao Ministro cassar tais decisões, sob o argumento de que o colegiado errou na interpretação da Lei. III – As decisões do conselho de contribuintes, quando não recorridas, tornam-se definitivas, cumprindo à Administração, de ofício, “exonerar o sujeito passivo “dos gravames decorrentes do litígio” (Dec. 70.235/72, Art. 45). IV – Ao dar curso a apelo contra decisão definitiva de conselho de contribuintes, o Ministro da Fazenda põe em risco direito líquido e certo do beneficiário da decisão recorrida. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 Sendo esta Corte Administrativa vinculada ao Poder Executivo, o qual, por sua vez, encontra-se jungido à decisão administrativa final por aquela proferida, é de se concluir pela impossibilidade de concessão na via administrativa de tutela que seria negada na via judicial, sendo forçoso concluir que o contrário permitiria ao contribuinte obter, junto a Órgão do Poder Executivo, decisão favorável, definitiva, e contrária a que obteria no Poder Judiciário, o qual nem mesmo chegaria a se manifestar no caso concreto. Tal situação deve ser evitada por ferir a independência deste último Poder (art. 2º, CF). Neste sentido, acolho a Súmula STJ nº 360, entendendo correta a autuação. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o lançamento efetuado. Sala das Sessões, 16 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO

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